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Numero do processo: 10480.725340/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria, em transformar o julgamento em diligência nos termos do voto vencedor. Vencida na votação a Conselheira Maria Cleci Coti Martins. Redação do voto vencedor a cargo do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Maria Cleci Coti Martins Relatora e Presidente Substituta
Carlos Henrique de Oliveira - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria, em transformar o julgamento em diligência nos termos do voto vencedor. Vencida na votação a Conselheira Maria Cleci Coti Martins. Redação do voto vencedor a cargo do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Maria Cleci Coti Martins – Relatora e Presidente Substituta Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 25 34 0/ 20 13 -7 8 Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 10480.725340/201378 Resolução nº 2401000.471 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício que visa modificar o Acórdão 0356.365 da 1a. Turma da DRJ/BSB, de 23/10/2013 que considerou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte no processo administrativo fiscal supra. O imóvel rural sob análise é o de NIRF 0.124.9177, denominado Grupo Triunfante e Outros, com área de 9.122,2ha, localizado no município de Igarassu/PE. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu em 29/09/2011 e o Recurso Voluntário foi interposto em 28/10/2011. O lançamento ocorreu tendo em vista que o contribuinte incidiu nos parâmetros de malha fiscal ITR: área utilizada e cálculo do valor da terra nua, não apresentando comprovação dos valores declarados. A autoridade fiscal alterou a área total originalmente declarada, de 9.122,2ha para 8.906,7ha, glosou integralmente a área de produtos vegetais de 7.280,0ha, e alterou o VTN, de R$ 2700,00 para R$ 3.470,39 por hectare, com base no Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte. O Acórdão de Impugnação aceitou os documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar as áreas de produtos e vegetais e de pastagens, com o consequente aumento do grau de utilização da terra, reduzindo, desta forma, a alíquota do tributo, estando assim o mesmo ementado: DA ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL Tendo em vista os documentos de prova constantes dos autos, cabe ser restabelecida parcialmente a área de produtos vegetais originariamente declarada. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. A autoridade a quo entendeu que o Laudo Técnico (fls. 85/89) apresentado pelo recorrente é suficiente o bastante para comprovar a área de produtos vegetais declarada, tendo em vista Norma de Execução Cofis n. 002/2010. A recorrente juntou às fls. 1496/1662 documentos que detalham os custos, de forma escalonada, por engenho. Juntou também parecer técnico elaborado pelo Laboratório de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto (GEOSERE) da Universidade Federal Rural de Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 10480.725340/201378 Resolução nº 2401000.471 S2C4T1 Fl. 4 3 Pernambuco( UFRPE), que confirmou a utilização do imóvel, por meio de imagens de satélites, a utilização das áreas ocupadas pelos Engenhos Triunfante e Outros para atividade agrícola. Juntou também outros documentos, como plano de irrigação, consumo de insumos e mãode obra, Relatório de Comunicação de Queima Controlada, do IBAMA. O recorrente aduz as seguintes razões no Recurso Voluntário interposto em 12/03/2014. Primeiramente requer que, doravante, todas as intimações relativas a este processo sejam remetidas para o sr. Ivo de Lima Barbosa e/ou Gláucio Manoel de Lima Barbosa, procuradores, com endereço à Rua do Brum, 196, Bairro do Recife, Recife, Pernambuco. 1. Confirma que não impugnou o VTN lançado. 2. Não se conforma com o grau de utilização apurado pela fiscalização. Teria impugnado dois pontos: no primeiro, informa que a recorrente é usina de cana de açúcar e todas as terras são altamente produtivas, com um grau de utilização superior a 97%, conforme o laudo apresentado. Apesar do acórdão recorrido ter considerado o laudo de avaliação na sua totalidade, a decisão chegou a um grau de utilização diferente do que consta no laudo. Isto ocorreu porque a autoridade fiscal glosou a área de produtos vegetais declarado de 7.280,0ha, enquanto que a decisão restabeleceu a área de produtos vegetais indicada no laudo de 4.910,3ha. Desta forma, apenas parte do valor glosado pela fiscalização teria sido restabelecido. Com base no laudo, tanto a autoridade fiscal como a autoridade julgadora a quo consideraram como área da propriedade o total de 8.906,7ha, desconsiderando o declarado pelo recorrente (9.122,20ha). Observa que o laudo apresenta área de mata de 3.245,61ha. Tal área referese à área de Mata Atlântica, que se qualifica como área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas. Cita legislação. Considerando a área de interesse ecológico, resta na propriedade uma área aproveitável de 5.468,7ha. Refaz os cálculos e concluí que o grau de utilização da propriedade é de 98,93. Entende não ser cabível a multa de ofício de 75% por ser exorbitante. Pugna pela utilização do art. 112 do Código Tributário Nacional que determina que em caso de dúvida quanto aos fatos geradores, devem ser interpretados da forma mais benéfica ao contribuinte. É o relatório. Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 10480.725340/201378 Resolução nº 2401000.471 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO VENCIDO Conselheira Maria Cleci Coti Martins – Relatora O Recurso Voluntário está em conformidade com o Decreto 70235/72 e foi apresentado tempestivamente. No Recurso Voluntário, o recorrente argumenta que na impugnação teria questionado o grau de utilização do solo, determinante para o valor do ITR. Desta forma, considerando que o laudo técnico fora aceito, então deveria ser também aceito o grau de utilização nele contido, que é de 98,93%. Entretanto, foi o próprio contribuinte que declarou a existência de 1.149,8ha de áreas de interesse ecológico, o que foi aceito pela autoridade fiscal sem que tenham sido atendidos os requisitos legais. Agora o recorrente entende que a área de interesse ecológico deve ser alterada para 3.245,61ha. Entendo que não assiste razão ao contribuinte por dois motivos. O primeiro é que não informou tal área de interesse ecológico na DIAT. O segundo referese aos requisitos legais para que tal área seja excluída da tributação do ITR, quais sejam a apresentação de Ato Declaratório Ambiental tempestivo e a averbação da área na matrícula do imóvel. Não foram juntados ao processo quaisquer desses documentos e, portanto, não se pode exonerar o tributo sobre essa área conforme solicitado pelo recorrente. A área de Mata Atlântica, que se qualifica como área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas conforme definida pelo recorrente referese à área de reserva legal, cuja definição está no inc. III, par. 2o. do art. 1 da Lei 4.7771/65, conforme a seguir. IIIReserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas;(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A averbação da área de reserva legal ou de utilização limitada definidos no artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166/67/ 2001, e, sobre a apuração do ITR, estão delineados no artigo 10 da Lei nº 9.393/96, in verbis : Art.16.As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)(Regulamento) ... §1oO percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 10480.725340/201378 Resolução nº 2401000.471 S2C4T1 Fl. 6 5 §2oA vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3odeste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) §3oPara cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. ... §4oA localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver:(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) ... §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)(grifei) Lei nº 9.393/96 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 10480.725340/201378 Resolução nº 2401000.471 S2C4T1 Fl. 7 6 Por último, o comando estabelecido no art. 111 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito, obriga a utilização da interpretação literal de artigos da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Observo, contudo, que não se está discutindo a existência ou não da referida área e tampouco a validade do Laudo Técnico apresentado pela recorrente comprovando a existência da mesma. Tratase sim da isenção do tributo, que só pode ser concedida se atendidos os requisitos legais, o que não está comprovado nos autos. Com relação à multa de ofício de 75%, decorre de disposição legal (inc. I, art. 44 da Lei 9.430/96) a que a autoridade administrativa está vinculada. Passo a análise do recurso de ofício que exonerou crédito tributário superior ao limite de alçada com base em Laudo Técnico apresentado pelo recorrente, além de outros documentos relativos à utilização da terra para produtos vegetais. Conforme a efl. 1222, o Laudo Técnico apresentado referese à várias áreas de propriedade da recorrente (Engenhos Botafogo, Pagitinga, Triunfante e outros, no período 2007 a 2010). Todas as informações referemse a todas as propriedades da recorrente e, pelo Laudo Técnico, não se pode avaliar se a propriedade sob análise apresenta as características mencionadas. Como se refere a todas as propriedades, observo que algumas, inclusive o próprio Laudo não menciona todas as propriedades a que se refere, utilizando o termo "outras". Na análise dos documentos acostados aos autos, observo que as notas fiscais de aquisição de insumos fertilizantes, etc. não contém qualquer indício de que tais produtos seriam para uso na propriedade sob análise. Os insumos são todos entregues no mesmo endereço e não se pode afirmar que se destinavam à propriedade autuada (efls. 631748). Mesmo insumos pesados em toneladas, como calcário (efl. 822), que normalmente já seriam entregues no local em que seriam utilizados para evitar custos de transporte, não foram entregues individualizadamente à propriedade objeto deste lançamento. Esta também é a conclusão a que chegou a autoridade fiscal conforme Termo de Verificação Fiscal às efls. 178/180. Conforme relatado no Termo, na localidade de Igarassu, a recorrente possui cinco propriedades rurais. O documento à efl. 1345 relata autorização do MMA para queima de 790,56ha de cana, cujo documento anterior, efl. 1344 declara que seria relativa a queima controlada do "ibama" do grupo Triunfante, de propriedade da Usina São José, no período 2009 (áreas Araripé e Do Meio). Da mesma forma, o documento à efl. 1347, que teria sido protocolado no IBAMA em 10/12/2009 (áreas Água Branca, Carrapicha e General). Outro Documento (efl. 1350)com mesmo teor (autorização de queimada) para 2009, para as áreas Campinas, Cumbe, Mussupe, Massangana, Pagitinga, Santo Antônio). efl. 1352 áreas Araripe, D´gua, Do meio, Pasmado, Piedade, Mulata. efl. 1353 (Água Branca, Nova Esperança, Burro Velho, Palmeiras),efl. 1355 Campinas, Itapepire, Pagitinga, Nova Esperança, Burro Velho, Cruzinha, Itapirema, Palmeiras. efl. 1357 protocolado em 2008. efl 1360 Araripe, Dágua, Do Meio, Piedade, Santa Helena efl. 1362 Campinas, Cumbe, Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 10480.725340/201378 Resolução nº 2401000.471 S2C4T1 Fl. 8 7 Itapipire, Botafogo, Dágua, Mulata, Agua Granca, Burro Velho A declaração está assinada pelo Gerente Agrícola da Usina São José, sr. Luiz Vital Bezerra C. Filho. Considerando que a declaração foi feita por um empregado da Usina São José e que no documento oficial não existe qualquer indício de que a queimada tenha ocorrido na propriedade sob análise, não se presta a comprovar a utilização da área do imóvel autuado. O doc. efl. 1373/1378 relata Atas de Audiências da Justiça do Trabalho de reclamantes que teriam trabalhado nas localidades Bota Fogo, D´Agua, Agua Branca, Itapirema, Burro Velho, Carobé, Palmeira*, Santo Antônio etc. O doc. efl. 1697 relaciona os engenhos da região de São Lourenço da Mata e Tiuma: Novo Goitá, Bela Rosa, Caluanda, General. Outros engenhos citados, Cumbe, Martinica, Cotunguba. Na efl. 1721 está uma relação de todos os 28 engenhos da Usina São José. É necessário verificar quais seriam os pertencentes ao imóvel sob análise. Assim estão listados os engenhos: Burro Velho, Engenho do Meio*, Botafogo, Santa Helena, Piedade, Mulata, Bela Vista, Água Branca*, Cruzinha, Araripe, D´água, Santo Antônio, Cumbe, Mussupe, Paginga, Massangana, Penedo Velho, Itapirema*, Itapipiré, General, Caluanda, Martinica, Bela Rosa, Novo Coitá, Pasmado, Novo Goitá, Campinas*. Conforme declarado pelo recorrente na impugnação (efl. 998), os engenhos Itapirema, Palmeiras, Triunfante, Jardim, Araripe de Cima, Cabu e Campinas formariam a área do imóvel "Grupo Triunfante e Outros", e estariam situados na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Em nenhum documento anexado aos autos foram incluídas as propriedades: Triunfante, Jardim e Araripe de Cima. Conforme o laudo técnico efl. 1228, as área ocupadas pelos Engenhos Triunfante e outros vem cumprindo a função social da terra no período estudado (2007 a 2010) através das atividades agrícolas. Na impugnação, a recorrente relaciona 5 imóveis rurais de sua propriedade que teriam sido objeto de malha fiscal: Grupo Triunfante e outros, Grupo Pagitinga e outros, Burro Velho e Botafogo, Grupo Bomsucesso e outros, e Grupo Santa Helena e outros. Contudo, em todos os documentos comprobatórios de cultivo vegetal analisados, em nenhum dos documentos aparece, de forma expressa, "Grupo Triunfante e outros". Os documentos relativos ao controle contábil apresentados, contém os centros de custos e, novamente, em nenhum momento aparece o nome da propriedade sob análise, ou das partes que a compõem. A recorrente apresentou documentos judiciais sobre reclamatórias trabalhistas de empregados rurais que mencionam alguns dos engenhos que relaciona como pertencentes à propriedade. O mesmo ocorre com os pedidos de autorização de queimada mencionados anteriormente. Considerando que a legislação não define índices de produtividade para a validação do número de hectares utilizados com produtos vegetais, há que se aceitar os documentos probatórios trazidos aos autos pelo recorrente, sobretudo o laudo emitido pela Universidade Federal Rural de Pernambuco. O documento efl. 1687 contém um mapa dos engenhos da Região Leste BR 1010/pe035, que seriam: Cruzinha, Água Branca, Engenho do Meio, Burro Velho, Botafogo, Mulata, Bela Vista, Santa Helena, Piedade. Em nenhum dos documentos relacionados consta o nome Triunfante. IN 256/2002 Área Utilizada Área Plantada com Produtos Vegetais Art. 23. Área plantada com produtos vegetais é a porção do imóvel explorada com culturas temporárias ou permanentes, inclusive com reflorestamentos de essências exóticas ou nativas, destinadas a consumo próprio ou comércio, considerandose: Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 10480.725340/201378 Resolução nº 2401000.471 S2C4T1 Fl. 9 8 ... Dado o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 10480.725340/201378 Resolução nº 2401000.471 S2C4T1 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira – Redator Designado Em que pese todo fundamento jurídico e a clareza das razões de decidir da ilustre Relatora, ouso, com máxima vênia, discordar das conclusões do voto. Como bem percebido pela Conselheira Relatora, o laudo técnico acostado aos autos não nos permite, com a clareza necessária, distinguir entre as várias propriedades constantes do parecer técnico. Assim, consta do voto: "Conforme a efl. 1222, o Laudo Técnico apresentado referese à várias áreas de propriedade da recorrente (Engenhos Botafogo, Pagitinga, Triunfante e outros, no período 2007 a 2010). Todas as informações referemse a todas as propriedades da recorrente e, pelo Laudo Técnico, não se pode avaliar se a propriedade sob análise apresenta as características mencionadas. Como se refere a todas as propriedades, observo que algumas, inclusive o próprio Laudo não menciona todas as propriedades a que se refere, utilizando o termo "outras". (grifos originais) Em acréscimo, como ficou consignado na sustentação oral do patrono do Contribuinte, os processos 10480.734890/201205 e 10480.725339/201343, julgados por outras turmas deste colegiado, foram baixados em diligência com o fito de serem esclarecidos pontos nebulosos importantes para a decisão. Diante do exposto, visando a busca da necessária verdade material, além da isonomia das decisões das turmas deste Colegiado, voto no sentido de converterse o presente processo em diligência para que se esclareça os seguintes pontos: i) Sobre quais propriedades, e para cada uma, qual a proporção das características relevantes para a decisão, se refere o laudo técnico acostado às folhas 1222. ii) Quanto à alegação da existência de área de preservação permanente ou de interesse ecológico se houve apresentação de ADA e em qual data e, se há ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que se esclareça sobre quais propriedades, e em que proporção, se refere o laudo acostado às folhas 1222; e quanto à alegação da existência de área de preservação permanente, se houve apresentação de ADA e em qual data; e, por fim, se há ato específico definindo a área como sendo de interesse ecológico. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004116/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 16 /2 01 0- 26 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 186/187), que bem resume o quanto consta dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP (DEBCAD 37.261.4280) lavrado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada, onde foram lançados valores referentes à contribuição devida pelos segurados empregados, não descontada pela empresa das remunerações pagas aos mesmos, constantes na Folha de Pagamento e devidamente contabilizadas, no período de 01/2007 a 12/2007. 1.1. Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 20/22), referidas remunerações foram pagas a título de “adiantamento quinzenal –código 0016”, não foram incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias e tampouco foram declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, razão pela qual a autoridade fiscal lavrou, de ofício, o presente AIOP. 1.2. Foi aplicado, na ação fiscal, o princípio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional –CTN, na apuração da multa exigível sobre as contribuições não recolhidas tempestivamente, mediante cotejo, competência por competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (não declaração em GFIP da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009. Dessa comparação, detalhada na planilha de fls. 48, resultou a aplicação da multa prevista na legislação atualmente vigente em todas as competências (multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida), que se configurou mais benéfica ao contribuinte; 1.3. Como os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento (remunerações pagas a segurados empregados) não foram informadas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, situação que configura, em tese, o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no art. 337A, inciso I, do Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000, foi elaborada pela autoridade fiscal REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19515.004116/201026 Acórdão n.º 2401004.103 S2C4T1 Fl. 228 3 1.4. Importa o crédito no valor de R$ 162.336,07 (cento e sessenta e dois mil trezentos e trinta e seis reais e sete centavos), consolidado em 29/11/2010. DA IMPUGNAÇÃO 2. Devidamente intimada e não se conformando com o lançamento a Autuada apresentou sua impugnação, por meio do instrumento de fls. 82/85, onde alega em síntese: 2.1. que a autoridade fiscal ao efetuar o lançamento equivocou se, tendo em vista que tanto nos arquivos digitais como nos arquivos físicos está demonstrado que a empresa, por força de Convenção Coletiva de Trabalho, efetivou adiantamento quinzenal correspondente a 40% (quarenta por cento) do salário normal de cada empregado, no dia 20 de cada mês, que foi descontado do total de proventos, razão pela qual sobre tais adiantamentos não há incidência de contribuições previdenciárias; 2.2. que a título de exemplo, cita a situação concreta de vários empregados, onde demonstra com a juntada das Folhas de Pagamento analíticas, que os adiantamentos salariais foram descontados do valor total da remuneração recebida em cada mês, o que evidencia que é ilógica a pretensão de se criar contribuição previdenciária tendo como base a simples antecipação de salário. Do Pedido 3. Diante do exposto, a Impugnante requereu: I) que sejam acolhidas as razões expostas e julgado insubsistente o lançamento fiscal por tratarse de indevida pretensão de impor contribuição previdenciária sobre a simples antecipação de salário; II) a realização de perícia técnica contábil para a comprovação do alegado na impugnação. A 14ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 185/189). A recorrente foi intimada da decisão em 01/01/2013 (fls. 194), apresentando Recurso Voluntário em 31/01/2013 (fls. 200/209), no qual alega: * Não é verdade que o “adiantamento quinzenal – código 0016” não teria sido incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Diferentemente do que decidido no acórdão a quo, o total de proventos não corresponde à soma, entre outras, das rubricas “0002 – Dias de Salário Normal” e “0016 – Adiantamento quinzenal”. Em verdade, a rubrica “0002 – Dias de Salário Normal” consiste na totalidade da remuneração dos empregados, sendo que o adiantamento corresponde a 40% deste valor. O equivoco decorre do fato de a autoridade fiscal ter constatado que, na coluna da esquerda da Folha de Pagamento Analítica, o adiantamento era lançado dentre os créditos, adicionalmente à Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 rubrica “002 – Dias de Salário Normal”, totalizando um valor acima do correto. Reconhece que não há indicação do correspondente débito na coluna da direita, a fim de anular o efeito da soma do adiantamento, mas roga que se observe que a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão preservadas de acordo com o salário de contribuição dos empregados, ou seja, toda a remuneração do empregado, inclusive qualquer remuneração recebida ao longo da competência. Ao final, requer a reforma do acórdão a quo e, conseqüentemente, a insubsistência do Auto de Infração. Distribuídos os autos à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o colegiado entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal esclarecesse se as suas afirmações contidas no Relatório Fiscal baseavamse exclusivamente nos dados contidos na folha de pagamento e, sendo o caso, que expressasse as razões do afastamento dos demais documentos a que teve acesso (fichas de Registro de Empregados, RAIS, rescisões e registros contábeis), a fim de se averiguar a veracidade da alegação da recorrente de que a remuneração dos segurados não se referiria à soma do “0002 – Dias de Salário Normal” com o “adiantamento quinzenal – código 0016” (dentre outras verbas), mas apenas ao valor indicado na rubrica “0002 – Dias de Salário Normal”, que já congregaria os adiantamentos efetuados aos segurados empregados por força de instrumento coletivo. No Relatório de diligência fiscal de fls. 423 e seguintes do processo 19515.004114/201037, a autoridade fiscal afirma que, durante a fiscalização, "foram analisados os documentos apresentados pelo contribuinte, entre outros, Livro Diário, RAIS, GFIP e principalemente os RESUMOS DA FOLHA DE PAGAMENTO", sendo lançadas as diferenças a maior que constavam nos citados resumos ao serem cotejados tais valores com os demais documentos. Aduz que, "em todos os documentos apresentados CTPS, GFIP, RAIS e FOLHA DE PAGAMENTO os valores da remuneração são iguais, bem como conferem com os valores do Líquido a Pagar apresentados no Demonstrativo de Crédito em Contacorrente Banco Bradesco, tanto referente ao Adiantamento de Salários quanto referente à Folha de Pagamento no final do mês, que são os valores lançados na contabilidade da empresa, conforme Livro Diário". E que, "de acordo com os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, e o que pudemos verificar nos documentos apresentados" (...) "são corretas as alegações do contribuinte e estão de acordo com os documentos apresentados" É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 19515.004116/201026 Acórdão n.º 2401004.103 S2C4T1 Fl. 229 5 Voto Conselheiro André Luis Marsico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A celeuma do recurso em comento cingese ao fato de a rubrica “0002 – Dias de Salário Normal”, lançada na folha de pagamento, congregar ou não os adiantamentos efetuados aos segurados empregados por força de instrumento coletivo, que eram lançados na aludida folha a título de “0016 – Adiantamento quinzenal”. De início, a autoridade fiscal considerou que houve recolhimento a menor das contribuições, razão pela qual lançou os valores correspondentes e emitiu Representação Fiscal para Fins Penais. No entanto, ao analisar o Recurso Voluntário, este mesmo Relator, compondo outro colegiado, entendeu que, da análise do Relatório Fiscal, não se depreendia com clareza o procedimento adotado pela autoridade fiscal: se apenas cotejou a totalização de rendimentos na folha de pagamento com a base de cálculo das contribuições previdenciárias adotada na própria folha, apurando uma diferença a menor; ou se, tendo acesso a outros documentos como fichas de Registro de Empregados, RAIS, rescisões e registros contábeis, havia confrontado estes elementos com os dados da folha de pagamento. Acrescentese que não havia nos autos notícia de qualquer solicitação de esclarecimentos à recorrente. A recorrente, por sua vez, já na impugnação, sustentou que a remuneração não se refere à soma do “0002 – Dias de Salário Normal” com o “adiantamento quinzenal – código 0016” (dentre outras verbas). Para provar o alegado, trouxe: Convenções Coletivas de Trabalho que demonstram a obrigação de efetuar o adiantamento correspondente a 40% do salário normal de cada um dos empregados (“adiantamento quinzenal – código 0016”); e Fichas de Registro de Empregados de quatro funcionários que indicam como salário o valor constante da rubrica “0002 – Dias de Salário Normal”. A própria folha da pagamento utilizava o valor pretendido pela recorrente para o cálculo do FGTS e da contribuição sindical. Baixados os autos em diligência, a autoridade fiscal, no Relatório de fls. 423 e seguintes do processo 19515.004114/201037, afirma que, durante a fiscalização, "foram analisados os documentos apresentados pelo contribuinte, entre outros, Livro Diário, RAIS, GFIP e principalemente os RESUMOS DA FOLHA DE PAGAMENTO", sendo lançadas as diferenças a maior que constavam nos citados resumos ao serem cotejados tais valores com os demais documentos. Aduz que, "em todos os documentos apresentados CTPS, GFIP, RAIS e FOLHA DE PAGAMENTO os valores da remuneração são iguais, bem como conferem com os valores do Líquido a Pagar apresentados no Demonstrativo de Crédito em Contacorrente Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Banco Bradesco, tanto referente ao Adiantamento de Salários quanto referente à Folha de Pagamento no final do mês, que são os valores lançados na contabilidade da empresa, conforme Livro Diário". E que, "de acordo com os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, e o que pudemos verificar nos documentos apresentados" (...) "são corretas as alegações do contribuinte e estão de acordo com os documentos apresentados" Assim, o crédito tributário lançado não pode prosperar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, nos termos do voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720996/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL QUE ENFRENTA O DETALHAMENTO DO ALCANCE.
1. Caso específico em que o contribuinte instigou o Poder Judiciário, tanto na petição inicial como pelo manejo de embargos de declaração, os quais foram acolhidos, obtendo o reconhecimento de que a base de cálculo da contribuição não alcança as receitas financeiras da instituição financeira. 2. Não se mostra plausível pretender retirar as rendas de intermediação financeira do conceito de receita financeira.
Numero da decisão: 3403-003.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida, que deram provimento parcial. Designado o Conselheiro Ivan Allegretti. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto divergente pelas conclusões, por entender que a decisão transitada em julgado em favor do contribuinte alcança todas as receitas financeiras, inclusive o spread bancário. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP no 138.192. Julgado no dia 25/02/2015.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
IVAN ALLEGRETTI - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti (redator designado), Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL QUE ENFRENTA O DETALHAMENTO DO ALCANCE. 1. Caso específico em que o contribuinte instigou o Poder Judiciário, tanto na petição inicial como pelo manejo de embargos de declaração, os quais foram acolhidos, obtendo o reconhecimento de que a base de cálculo da contribuição não alcança as receitas financeiras da instituição financeira. 2. Não se mostra plausível pretender retirar as rendas de intermediação financeira do conceito de receita financeira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL QUE ENFRENTA O DETALHAMENTO DO ALCANCE. 1. Caso específico em que o contribuinte instigou o Poder Judiciário, tanto na petição inicial como pelo manejo de embargos de declaração, os quais foram acolhidos, obtendo o reconhecimento de que a base de cálculo da contribuição não alcança as receitas financeiras da instituição financeira. 2. Não se mostra plausível pretender retirar as rendas de intermediação financeira do conceito de receita financeira. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida, que deram provimento parcial. Designado o Conselheiro Ivan Allegretti. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto divergente pelas conclusões, por entender que a decisão transitada em julgado em favor do contribuinte alcança todas as receitas financeiras, inclusive o spread bancário. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP no 138.192. Julgado no dia 25/02/2015. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 96 /2 01 2- 72 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 2 IVAN ALLEGRETTI Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti (redator designado), Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre os PER/DCOMP de fls. 4 a 71 (transmitida em 28/10/2011, utilizando o valor de R$ 277.174,87), 8 a 11 (transmitida em 18/10/2011, utilizando o valor de R$ 2.034.454,56), 12 a 15 (transmitida em 05/10/2011, utilizando o valor de R$ 159.000.001,43), 16 a 19 (transmitida em 28/09/2011, utilizando o valor de R$ 45.135.006,47), 20 a 23 (transmitida em 19/09/2011, utilizando o valor de R$ 2.077.504,53), 24 a 27 (transmitida em 31/08/2011, utilizando o valor de R$ 43.124.588,15), e 20 a 23 (pedido de restituição, transmitido em 31/08/2011, no valor de R$ 249.643.150,13), todos demandando a compensação/restituição de créditos decorrentes de ação judicial, no 00000200661000034220, com trânsito em julgado em 12/11/2008 (com homologação da desistência de execução em 13/06/2011). No despacho decisório (fls. 284 a 304), o direito creditório é parcialmente reconhecido (no valor de R$ 209.264,60), homologandose também de forma parcial as compensações (prosseguindose a cobrança dos débitos indicados em compensações não homologadas e propondose o lançamento de multa isolada de 50% sobre os créditos utilizados nas DCOMP não homologadas), considerando que: (a) a ação judicial no 2006.61.00.0034220 buscou, com fulcro na inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, a declaração de inexistência de relação jurídica pertinente à exigência da COFINS nos moldes de tal dispositivo, com o reconhecimento do direito de compensar os valores indevidamente recolhidos, obteve sentença favorável de primeira instância, tendo o TRF, em grau recursal, dado parcial provimento à apelação e à remessa oficial, reconhecendo a existência do indébito e autorizando a compensação nos termos da Lei no 8.383/1991, observada a prescrição quinquenal; tendo a autora, por fim, desistido (em 05/09/2008) do REsp de no 1.083.122, interposto em relação à decisão do TRF, tendo ocorrido trânsito em julgado em 12/11/2008 (resumo das decisões às fls. 285 a 291); (b) com a desistência do recurso especial interposto pela empresa (homologada em 15/10/2008) antes da 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 924DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 924 3 manifestação do STJ, e com a renúncia à execução do título judicial (em 13/05/2011), foi protocolizado “pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial”, formalizado no processo administrativo de no 16327.720739/201150 (anexado aos autos); (c) em face da incerteza quanto aos limites e efeitos da coisa julgada material formada nos autos da ação judicial no 2006.61.00.0034220, foi formulada consulta à PGFN, que informou não ter havido o afastamento definitivo judicial das receitas financeiras, cabendo a aplicação do disposto no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, excluindose da base de cálculo da COFINS somente as receitas não operacionais; (d) a decisão judicial que transitou em julgado, decorrente de decisão do TRF3, não assegura, ao menos nos termos em que formulado o pedido inicial, a certeza e a liquidez sobre o pretendido indébito de COFINS, tanto que a própria empresa questionou em embargos a obscuridade do aresto quanto à matéria (obscuridade não resolvida no correspondente acórdão); (e) a exclusão da base de cálculo da COFINS para as instituições financeiras, de receitas decorrentes de intermediação financeira e/ou da aplicação de recursos próprios e de terceiros, como suplicada pelo interessado na lide, encontrase pendente de apreciação pelo STF, em caráter de repercussão geral, no RE no 609.096/RS; (f) para corroborar a assertiva, basta o fato de ter a mesma empresa, com o propósito de afastar a incidência da COFINS sobre as discutidas rendas de intermediação e aplicações financeiras dos períodos de apuração out/2005 e subsequentes, ajuizado Mandado de Segurança de no 2005.61.00.0260148, com RE sobrestado em função do citado paradigma; (g) em caso análogo, no qual a unidade da RFB teve a mesma interpretação a respeito dos efeitos da coisa julgada, o posicionamento foi inclusive confirmado em juízo (fls. 296/297); e (h) como a decisão judicial deixou de analisar o alcance da expressão “receitas financeiras” no caso concreto, a unidade o faz, à luz da legislação e de precedentes, concluindo que para as instituições financeiras devem Fl. 925DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 4 ser excluídas da base de cálculo da COFINS as receitas “não operacionais”. A empresa apresenta sua manifestação de inconformidade em 27/12/2012 (fls. 349 a 392), argumentando, em síntese, que: (a) obteve decisão judicial com trânsito em julgado, excluindo da base de cálculo da COFINS o que excedesse ao faturamento (“receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”), como “receitas financeiras”; (b) não bastasse a decisão considerando a ação procedente, a empresa interpôs embargos de declaração justamente para que fosse explicitada a base de cálculo, os quais foram acolhidos “para explicar que a procedência da ação implicou o acolhimento dos pedidos formulados”, não havendo, assim, “dúvida alguma de que a decisão transitada em julgado assegura ao requerente o direito à restituição inclusive sobre a COFINS para as receitas financeiras”; (c) o pedido de habilitação ao crédito foi deferido, tendo a recorrente sido surpreendida com a informação de que as compensações teriam sido apenas parcialmente homologadas após consulta à PGFN (ré vencida nos autos da ação transitada em julgado), consulta essa que parte de dúvida sobre a não conformidade do entendimento judicial àquele expresso pela Fazenda no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007; (d) a resposta à consulta da unidade local da RFB é fundada em magistério de Humberto Theodoro Jr. e Nelson Nery Jr. (sobre ter o acórdão transitado em julgado, sendo inoportuna qualquer menção aos termos em que a sentença foi proferida), tendo a Fazenda interpretado equivocadamente o que dispõem tais processualistas (como eles próprios esclarecem em pareceres proferidos especificamente para o caso concreto fls. 669 a 706, e 707 a 749, informando que a substituição dos efeitos da sentença pelo acórdão se dá com a ratificação da decisão recorrida naquilo em que não modificada e sua alteração apenas nos limites em que provido o recurso interposto), tentando desvirtuar a coisa julgada; (e) no caso concreto, após a sentença de primeiro grau ficou absolutamente explícito que “a) a COFINS deveria incidir apenas sobre o faturamento tal como previsto no art. 2o da LC 70/91”; e “b) este conceito de faturamento previsto na LC 70/91 não inclui as receitas financeiras”, e o TRF, ao julgar a remessa de ofício e o recurso de apelação da Fazenda, deu parcial provimento apenas para reduzir a condenação da Fazenda em Fl. 926DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 925 5 honorários e disciplinar a forma como deverá se dar a compensação (sem modificar a sentença nos demais temas, como naquele que exclui expressamente da base de cálculo as “receitas financeiras”); (f) a interpretação do acórdão (proferido em agosto de 2007) à luz de um parecer da PGFN não publicado (de dezembro de 2007) é equivocada; (g) o ônus de embargar a decisão judicial para esclarecer eventual modificação da sentença recorrida era da Fazenda, e não da recorrente, e os embargos por esta interpostos versaram exclusivamente sobre a forma de compensação; (h) o fato de ter sido questionada a matéria em processo diverso, relativo a período distinto, com decisão desfavorável à empresa, não se presta a corroborar os argumentos do despacho decisório, mas a reforçar que caberia ao fisco ter suscitado a questão em ambos os processos; e (i) nos itens 25 e 30 (“fundamentos e enquadramento legal”), o despacho decisório reconhece expressamente que o “spread” é uma receita financeira, sustentando apenas que não se confunde com “outras receitas financeiras”. Em 09/04/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 824 a 847), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os argumentos de que: (a) a recorrente não se insurge contra o entendimento de que são “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” as “receitas decorrentes das atividades de intermediação financeira e de aplicação de recursos próprios e de terceiros, posto que pertinentes às atividades típicas da pessoa jurídica”, mas apenas quanto aos limites objetivos da coisa julgada na ação judicial transitada em julgado; (b) a questão referente às receitas advindas das atividades financeiras desenvolvidas por instituições financeiras ou a elas equiparadas não foi abordada na petição da empresa em juízo, nem nas decisões judiciais, não tendo sido enfrentada nos autos do processo judicial; (c) a decisão judicial foi efetuada nos limites da lide proposta (cf. art. 128 do CPC), não se podendo interpretála como uma manifestação sobre tema diverso; (d) a unidade da RFB apurou o crédito de acordo com a decisão judicial, incluindo na base de cálculo da COFINS as receitas decorrentes das atividades de intermediação financeira e de aplicação de recursos próprios e de terceiros, por considerálas receitas de prestação de serviços pertinentes às atividades típicas da recorrente, que é instituição financeira; e (e) as receitas de intermediação (“spread”), não obstante a denominação de “receitas financeiras”, são receitas oriundas do desenvolvimento das atividades empresariais da instituição financeira, previstas em seu objeto social. Cientificada do acórdão da DRJ em 15/04/2014 (cf. termo de abertura de documento de fl. 861), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 15/05/2014 (fls. 864 a 918), reiterando as considerações expostas na manifestação de inconformidade, e Fl. 927DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 6 acrescentando que: (a) é improcedente a afirmação da DRJ de que a empresa não contesta o entendimento, fundado no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, “de que as receitas financeiras integrariam a base de cálculo da COFINS”; e (b) a DRJ, em inovação argumentativa, passou a sustentar que “a sentença de 1a instância não teria afastado a incidência da COFINS sobre as receitas financeiras do recorrente”, aplicandose o referido Parecer da PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como a mais expressiva discussão travada nestes autos decorre da implementação administrativa de decisão judicial, cabe examinar exatamente qual o provimento judicial obtido, para posteriormente avaliar se escorreita a implementação administrativa de tal provimento. Contudo, fazse necessário preliminarmente avaliar as duas objeções trazidas em sede recursal quanto ao julgamento de piso, no que se refere a preclusão em relação a determinada matéria e a inovação argumentativa. Das preliminares. A recorrente sustenta em sua peça recursal que é improcedente a afirmação da DRJ de que a empresa não contesta a o entendimento, fundado no Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007, “de que as receitas financeiras integrariam a base de cálculo da COFINS”; e que a DRJ, em inovação argumentativa, passou a sustentar que “a sentença de 1a instância não teria afastado a incidência da COFINS sobre as receitas financeiras do recorrente”, aplicandose o referido Parecer da PGFN. Em relação à primeira afirmação, cabe destacar que o voto condutor do Acórdão da DRJ, unanimemente acolhido, já inicia com a advertência de que (fl. 832): “Na análise do crédito pleiteado, a Deinf/SP, apurou o indébito da interessa (sic) nos termos da decisão judicial que assegurou ao interessado o direito à apuração da Cofins com base no faturamento mensal, como definido pela LC nº 70/91, no caso a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, nela incluindo, conforme entendimento já firmado no Parecer PGFN/CAT/No 2.773/2007, as receitas decorrentes das atividades de intermediação financeira e de aplicação de recursos próprios e de terceiros, posto que pertinentes às atividades típicas da pessoa jurídica. A recorrente, a seu turno, não contesta expressamente esse entendimento posto pela autoridade fiscal, trazido como fundamento da decisão recorrida. Desta feita, tal questão não integra o presente litígio, pelo que resta definitiva na esfera Fl. 928DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 926 7 administrativa, em obediência ao disposto no art. 17 do Decreto no 70.235/72, e alterações posteriores, que regula o processo administrativo fiscal. A insurgência da recorrente contra o deferimento parcial de seu pleito é no sentido de que a Deinf/SP, com esta decisão, teria descumprido decisão judicial transitada em julgado, na Ação Ordinária no 2006.61.00.0034220, na qual, segundo alega, o judiciário teria reconhecido que a Cofins somente poderia ser exigida sobre o faturamento tal como conceituado pelo art. 2o da LC 70/91, conceito este no qual, segundo entende, não estariam enquadradas as suas receitas financeiras (...) (fl. 832) (grifo nosso) E a recorrente, por seu turno, afirma (fl. 873) que: Verificase, assim, já de início, uma confusão que resta muito patente no presente processo (e influencia cabalmente na apreciação da lide). A fiscalização e a recorrente estão a utilizar com significado e abrangência diferentes a expressão “receitas financeiras”. E mais, a fiscalização e a PGFN também divergem em relação ao conceito de “receitas financeiras”, como se esclarece no item 21 da fundamentação do despacho decisório (fl. 297): “21. Nesse ponto, portanto, caberia discordar da afirmação de D. PRFN/SPO, de que o conceito de receitas financeiras alcança as receitas de intermediação (spread), bem como as receitas de aplicação de recursos próprios e de terceiros, como inserto na conclusão da Solução de Consulta;” Ou seja, o despacho decisório sustenta que as receitas em discussão nestes autos não necessariamente “receitas financeiras”, enquanto que, para a recorrente, a expressão “receitas financeiras” tem conteúdo mais alargado do que o apresentado no despacho, e abarca as receitas decorrentes de intermediação financeira e/ou da aplicação de recursos próprios e de terceiros (ainda que estas fossem atividades operacionais da empresa), tendo a decisão judicial afastado todas, sob a rubrica “receitas financeiras”. Não se vê, assim, a preclusão apontada pela DRJ, merecendo aparas a decisão de piso nesse sentido. Há nos autos tão somente diferentes abordagens para um mesmo tema, sem que isso enseje preclusão ou causa de nulidade processual. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 8 Assim, não se tomam aqui como preclusas eventuais alegações da recorrente sobre o tema. Em relação ao segundo item preliminar, no qual se atribui à DRJ inovação argumentativa, afirmandose que aquele tribunal passou a sustentar que “a sentença de 1a instância não teria afastado a incidência da COFINS sobre as receitas financeiras do recorrente”, aplicandose o referido Parecer da PGFN, temse que novamente deriva da confusão terminológica. Pelo próprio excerto da decisão da DRJ transcrito no recurso voluntário (fls. 878/879), ao qual se atribui a inovação argumentativa, percebese que a sustentação da DRJ é no sentido de que a sentença judicial de 1a instância efetivamente não tratou das “receitas decorrentes de intermediação financeira” (que, recordese, não são receitas financeiras segundo o teor do despacho decisório”): “Assim, o provimento jurisdicional respectivo tratou somente dessa questão. Não houve, por parte da autora, questionamento explícito sobre se as receitas decorrentes das atividades de intermediação financeira por ela desenvolvidas integram, ou não, o conceito de faturamento. A questão da incidência da Cofins sobre receitas advindas das atividades financeiras desenvolvidas por instituições financeiras ou a elas equiparadas não foi abordada na petição da empresa, muito menos nas decisões exaradas nos autos da Ação Ordinária por ela ajuizada. A matéria objeto do presente processo, portanto, não foi enfrentada pelo judiciário em segunda instância, tampouco, o foi em primeira. Vejamos. (...)” (grifo nosso) Apesar de ser menos zelosa que o despacho decisório no que se refere à terminologia “receitas financeiras” (usandoa, às vezes, entre aspas, para denotar possível discordância de conteúdo), a decisão da DRJ deixa patente que os provimentos judiciais (incluído o de primeira instância) não versaram sobre “receitas decorrentes de intermediação financeira”, ainda que expressamente dispusessem sobre “receitas financeiras”, como expresso no excerto anterior e em outros ao longo do voto condutor: “A petição inicial, em que pese constar do pedido, no item “a”, menção a “receitas financeiras”, esta menção não é específica para fins do que agora, em sede de contencioso administrativo, pretende a recorrente: excluir do conceito de faturamento, como definido pela LC nº 70/91, as receitas decorrentes das atividades de intermediação financeira e de aplicação de recursos próprios e de terceiros, pertinentes às suas atividades típicas.” (fl. 837) (grifo nosso) (...) “Das considerações acima sobre a Petição Inicial, temse que o pedido, como formulado pela autora, é no sentido de que fosse reconhecido como base de cálculo da Cofins o faturamento posto pelo art. 2º da LC 70/91 e não que fossem definidas pelo judiciário as eventuais despesas que integrariam ou não esse faturamento, segundo qualquer que fosse o entendimento da autora; ou ainda, que fosse reconhecida pelo judiciário a não incidência sobre as receitas que a autora cita como exemplos de receitas que entende ser estanhas ao seu conceito de Fl. 930DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 927 9 faturamento, no caso, “quaisquer outras receitas de natureza diversa, tais como as provenientes de locação de imóveis, receitas financeiras, etc.” (fl. 838) (grifo nosso) “Observese, entretanto, que não há como aceitar que a decisão de primeira instância, nos termos em que foi proferida, teria excluído expressamente as “receitas financeiras” da base de cálculo da Cofins tão somente por conta deste trecho, isso sem haver qualquer arrazoado e fundamentação na petição nesse sentido e, portanto, sem que houvesse qualquer análise de mérito da questão pelo juízo singular. Descabido, portanto, é o entendimento de que tal decisão estaria, sem análise de mérito e, portanto, sem fundamentação e motivação, autorizando a exclusão de “quaisquer outras receitas” que a autora viesse a, eventualmente, alegar perante o Fisco como não integrantes do faturamento, segundo qualquer entendimento que lhe fosse oportuno adotar; nelas incluídas as receitas citadas pela autora e todas as outras que pudessem ser abarcadas pelo termo “etc”. (fl. 838/839) (grifo nosso) Contudo, absolutamente infeliz a redação da conclusão do tópico que aqui se está a discutir no voto da DRJ: “Ante o acima exposto, temse que o que foi expressamente objeto do pedido da ação foi o reconhecimento de que a Cofins somente poderia ser exigida sobre o faturamento tal como conceituado pelo art. 2º da LC 70/91; entretanto, ao contrário do que defende a recorrente, não foi especificado que nesse conceito de faturamento não estão enquadradas as suas receitas financeiras” (fl. 840) (grifo nosso) E essa oração realmente poderia suscitar o entendimento de que houve inovação argumentativa, pois o despacho decisório (recordese, discordando da PGFN) entendeu, v.g., que as “receitas decorrentes de intermediação financeira” (que seriam atividades operacionais da empresa)” não são efetivamente “receitas financeiras”. Assim, ao empregar a expressão “receitas financeiras” para se referir ao que está em discussão nestes autos (v.g., “receitas decorrentes de intermediação financeira”), a DRJ realmente se afastou do despacho decisório. Rechaçase, então, a citada conclusão na forma em que apresentada pela DRJ (considerando que a decisão judicial de primeira instância não se manifestou sobre as receitas financeiras). A decisão judicial de primeira instância, como se verá no tópico seguinte, expressamente mencionou as receitas financeiras (apesar de não detalhar e nesse sentido são pertinentes as considerações da DRJ quais rubricas compõem tais receitas financeiras no caso de a empresa ser uma instituição financeira). Mas o fato de se afastarmos tal conclusão não prejudica as demais externadas ao longo da decisão daquele tribunal administrativo, nem implica nulidade processual. Passase, assim, à análise de mérito. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 10 Do provimento judicial obtido Verificandose os autos da ação judicial no 2006.61.00.0034220, percebese que entre os pedidos da inicial (fls. 448/449) consta: Ainda que de forma exemplificativa, estão relacionadas as “receitas financeiras”. E isso é literal e incontroverso. No provimento inicial obtido (fl. 484), assegurase: Nenhum vestígio, na decisão, de manifestação sobre o que seriam “receitas financeiras” de uma instituição financeira, como a recorrente, ou sobre das “receitas decorrentes de intermediação financeira e/ou da aplicação de recursos próprios e de terceiros”. Entretanto, devese reconhecer que a decisão, ao julgar procedente a ação, acolheu o pedido em suas exatas dimensões (inclusive no que se refere a “receitas financeiras”, sem qualquer especificação), como se reconhece em sede de embargos (fl. 492): Fl. 932DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 928 11 No âmbito do TRF da 3a Região, acordouse (fl. 566) que: Percebase que somente o primeiro item do acórdão é relevante à discussão travada no presente processo, visto que não são submetidas a contencioso administrativo as questões referentes a prescrição e correção/atualização, nem a possibilidade de compensação no caso de existência de crédito. E o julgamento toma como parâmetro para externar suas conclusões três acórdãos do STF: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, Fl. 933DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 12 considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.(RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) (grifo nosso) “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.(RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) (grifo nosso) “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO Fl. 934DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 929 13 INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.(RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) (grifo nosso) Pelos textos das ementas dos acórdãos paradigmáticos, idênticos, percebese o reiterado posicionamento do STF em relação à inconstitucionalidade do alargamento indiscriminado promovido pelo § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. Mas nada se revela sobre a questão referente à natureza especificamente das “receitas decorrentes de intermediação financeira e/ou da aplicação de recursos próprios e de terceiros”. Não acolhido o recurso extraordinário e tendo a empresa desistido do recurso especial, ocorre o trânsito em julgado. Sobre o que efetivamente “transitou em julgado”, discorre extensamente a recorrente, em contraposição ao também volumoso arrazoado da PGFN, na resposta à dúvida da unidade local da RFB. A recorrente rebate os argumentos externados na peça da PGFN (fls. 63 a 91), que invocam a doutrina de Nelson Nery Jr. e Humberto Theodoro Jr. (sobre o efeito substitutivo da decisão proferida por força de recurso) com pareceres exatamente proferidos por tais juristas, no qual estes explicam (em verdadeira interpretação autêntica de seus escritos) que a PGFN equivocouse na leitura. Tal discussão, no entanto, soa secundária, diante da posição (divergente da PGFN) externada no despacho decisório em relação ao conceito de “receitas financeiras”. Não é preciso muito esforço para perceber a pouca relevância do tema para a conclusão externada no despacho decisório. Seja tomandose em conta somente o acórdão do TRF3 (como deseja a PGFN) seja considerando também o teor da decisão de 1a instância (como deseja a recorrente, alicerçada nos pareceres dos processualistas), ainda assim restariam excluídas do escopo da apreciação judicial ao menos as “receitas decorrentes de intermediação financeira”, que não constituem, na visão do despacho decisório, “receitas financeiras”. Em relação às “receitas da aplicação de recursos próprios e de terceiros”, tratase no tópico seguinte deste voto. São igualmente secundárias as argumentações do fisco e da recorrente sobre ações judiciais diversas, em relação a períodos diferentes, ambos buscando falaciosamente alastrar as conclusões daqueles autos (por analogia e a contrario sensu) para este processo. Patente, a nosso ver, a ausência de pronunciamento judicial sobre o que seriam “receitas financeiras” no caso de uma instituição financeira, como a recorrente. E isso se torna a matéria central do presente processo, porque diante do silêncio em juízo sobre a amplitude da expressão, restou ao fisco delimitála, para implementar administrativamente a decisão judicial definitiva. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 14 Da implementação administrativa do provimento judicial obtido É de se destacar, já de início, que o despacho decisório não toma a resposta da PGFN, ou o Parecer por ela editado, como pressuposto indiscutível, ou necessário. Pelo contrário, esclarece expressa discordância em alguns tópicos (como a abrangência da expressão “receitas financeiras”, aqui já mencionada), advertindo expressamente ao início da fundamentação (fl. 293) que: “2. Por outro lado, antes de prosseguir, é de extrema importância aqui esclarecer que a Solução de Consulta, ainda que encaminhada em atendimento a caso concreto, qual seja, o objeto da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220, a resposta elaborada pela PRFN/SPO não tem o condão de vincular a autoridade administrativa preparadora, visto não se enquadrar no disposto pelo art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, servindo, pois, para efeito do presente despacho, tão somente como orientação;” (fl. 293) (grifo nosso) E, igualmente, adverte que o fato de ter sido habilitado o crédito em processo próprio não confere qualquer reconhecimento de certeza e liquidez (item 23 do relatório fl. 291): “23. Tendo em vista, então, que o “Pedido de Habilitação” cumpriu os requisitos prescritos pelo § 4º do retrocitado dispositivo, houve por bem a autoridade administrativa deferilo, tendo na decisão proferida, contudo, à luz do estabelecido pelo § 6º do mesmo art. 71, consignado que isso não implicava na (sic) homologação de nenhuma compensação efetuada pelo interessado, muito menos no reconhecimento da certeza e liquidez do direito creditório nele informado;” (fl. 291) (grifo nosso) Recordese ainda que o despacho decisório não objetiva insistir na tese (afastada judicialmente) de que as receitas financeiras figurariam, ao lado das receitas de vendas de mercadorias e de serviços, na base de cálculo da COFINS. O despacho decisório discute, sim, qual a amplitude da expressão “receitas financeiras” diante do não pronunciamento sobre a matéria nas decisões judiciais. Entendese, no despacho decisório, que a expressão “receitas financeiras” não abarca, necessariamente, as receitas decorrentes de intermediação financeira e/ou da aplicação de recursos próprios e de terceiros (cabendo verificar se seriam atividades operacionais da empresa). Nisso inclusive discorda o despacho decisório da manifestação da PFN (como já informado, transcrevendose novamente o item 21 da fundamentação tão somente para fins didáticos, no contexto dos itens seguintes fls. 297 a 299): “21. Nesse ponto, portanto, caberia discordar da afirmação de D. PRFN/SPO, de que o conceito de receitas financeiras alcança as receitas de intermediação (spread), bem como as receitas de aplicação de recursos próprios e de terceiros, como inserto na conclusão da Solução de Consulta; 22. E a definição exata de cada um desses termos, e sua inclusão, para fins de exigência da COFINS, no conceito mais amplo de “receita bruta” das instituições financeiras, é de Fl. 936DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 930 15 fundamental importância, não só para o presente caso, mas para todas as pessoas jurídicas assim enquadradas, o que certamente caberá ao STF esclarecer por ocasião do julgamento do RE 609.096; 23. Nesse sentido, ainda, vale lembrar o sustentado pelo festejado prof. Geraldo Ataliba (in Revista de Direito Tributário, n. 35, jan/mar de 1986) acerca da apuração da base de cálculo do PIS, ou seja, o “faturamento”, para quem “o cerne ou consistência do fato traduzido financeiramente nestes faturamentos não pode deixar de ser o conjunto de negócios ou operações que a eles dá ensejo”; 24. Ora, das palavras do insigne tributarista, podese deduzir que, embora todo faturamento (receita bruta) se traduz em receita financeira, para efeito de apuração da contribuição para o PIS, ou da COFINS, devida pela pessoa jurídica, importa à autoridade fiscal não se subsumir à simples classificação contábil que se dê às receitas da pessoa jurídica, mas sim identificar o negócio ou operação que lhe deu origem, e se ele(a) se enquadrada ou não na sua atividade típica; 25. Sob esse aspecto, portanto, pretender, com fulcro na inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 declarada pelo STF, excluir da base de cálculo da COFINS os ingressos decorrentes das atividades de intermediação financeira (spread) só pelo fato de classificálos contabilmente como receitas financeiras seria, para dizer o menos, na falta de expressa manifestação da esfera judicial na AO nº 2006.61.00.0034220, precipitado; 26. E nem se queira apontar que a suscitada discussão conceitual sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras se limita a mero aspecto gramatical, bastando lembrar, para refutar esse argumento, o entendimento sufragado pela STF no julgamento do RE 166.772 relatado pelo Ministro Marco Aurélio, verbis: (...) (...) 29. Da simples discussão conceitual aqui conduzida, vêse, no mínimo, como parece apressada, e arriscada, a conclusão exposta pela PRFN/SPO na Solução de Consulta: de que as receitas de intermediação (spread), bem como as receitas de aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros auferidas pelas instituições financeiras se enquadram no único conceito de receitas financeiras.”(grifo nosso) Reiterese, assim, que o despacho decisório sustenta que as receitas em discussão nestes autos não são necessariamente “receitas financeiras” (cabendo verificar se são “receitas operacionais”). E adota como critério (invocando Geraldo Ataliba, itens 23 e 24) o enquadramento ou não na atividade típica. A manifestação sobre o que é ou não atividade típica das instituições financeiras vem no confuso item 30 do despacho (fl. 299): Fl. 937DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 16 “30. A título de exercício, poderseia dizer que a receita de intermediação financeira (spread) o ganho decorrente da diferença entre a remuneração paga pelos tomadores de recursos e o custo de sua captação caracterizase como receita operacional típica e exclusiva das instituições financeiras, portanto sujeita à incidência da COFINS, não se confundindo com outras receitas financeiras, mesmo que também alcançadas pela COFINS, entre as quais as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros;” (grifo nosso) Digo “confuso” porque revela o entendimento (ainda que “a título de exercício”, e no futuro do pretérito, mas expresso no despacho e não refutado a posteriori) de que a “receita de intermediação financeira” seria “receita operacional”, enquanto que a “receita proveniente da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros” seria uma “outra receita financeira”, o que aparentemente marca uso ilógico da palavra “outra” e desencontro entre a fundamentação da negativa de crédito e o demonstrativo elaborado pela DIORT/DEINF/SPO (fls. 269 a 271), no qual parece ser irrelevante a distinção. E a defesa da recorrente (fls. 390/391 da manifestação de inconformidade, e fl. 916 do recurso voluntário) explora a confusão efetuada no item 30, sustentando que: Lendo e relendo o despacho decisório, inclusive depois dos debates orais na primeira sessão de julgamento, em janeiro de 2015, na qual houve sustentação oral pela recorrente e pedido de vistas, concluo que a fiscalização, apesar de discordar da PGFN de que todas as rubricas apontadas são efetivamente receitas financeiras, adotou como critério para classificálas (como visto, nos itens 23 e 24) o enquadramento ou não na atividade típica, concluindo, no multicitado item 30, que a “receita proveniente da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros seria” uma “outra receita financeira”, também alcançada pela COFINS. Ocorre que a decisão judicial afastou as “receitas financeiras” alcançadas pela COFINS. E, dentro do que o próprio despacho decisório entende como “receitas financeiras” de instituições como a recorrente, deveria ter o fisco segregado as rubricas referentes a receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, restringindo a negativa de crédito ao que classifica o despacho como “receitas operacionais” não abarcadas pela decisão judicial (“receita de intermediação financeira / spread”, assim entendido “o ganho decorrente da diferença entre a remuneração paga pelos tomadores de recursos e o custo de sua captação”). Mas não é isso que se faz na sequência do despacho, que culmina na seguinte conclusão (fls. 301/302): “36. Por conseguinte, do contido no Parecer PGFN/CAT/No 2.773/2007, particularmente do expresso na letra “f” do item 66 acima transcrito, salta evidente que a base de cálculo da COFINS, no caso concreto, seria, nos termos dos artigos 2º e Fl. 938DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 931 17 3º, caput, da Lei no 9.718/98, a receita bruta proveniente das atividades operacionais desenvolvidas pelo interessado nos termos do objeto social; 37. Com efeito, com base nas informações prestadas pelo interessado a partir do “Termo de Intimação”de apuração do eventual indébito da COFINS do período Fev/01 a Set/05, deveria esta autoridade administrativa, após a exclusão da base de cálculo da COFINS tão somente das receitas não operacionais, conforme apontado no demonstrativo elaborados (sic) por esta DIORT/DEINF/SPO, deferir parcialmente o “Pedido de Restituição” no 31390.49046.310811.1.2.570599, reconhecendo como direito creditório, visto atendido o que dispõe os art. 168, I, 156, I e X, do CTN, o montante de R$ 209.264,60, em valor original (folhas 123 a 206. 207 a 268 e 269 a 271)” (grifo nosso) Para checar o critério adotado no despacho decisório matematicamente, espancando eventuais dúvidas decorrentes do citado item 30, resta cotejar as planilhas apresentadas pela recorrente (fls. 123 a 206) com o demonstrativo elaborado pela DIORT/DEINF/SPO (fls. 269 a 271). Do cotejo, percebese que as contas excluídas da base de cálculo em decorrência da ação judicial são as referentes a receitas não operacionais, com as correspondentes reversões de provisões não operacionais (7.3), permanecendo inalteradas as demais contas (como rendas de operações de créditos 7.1.1.00.00.1; rendas de arrendamento mercantil 7.1.2.00.00.4; e rendas de participações 7.1.8.00.00.2). Assim, apesar de o despacho discordar dos critérios da PGFN para definir o que seria uma “receita financeira” de instituição financeira, distinguindo na fundamentação as “receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros” (que classifica como “outras receitas financeiras”) daquelas que seriam “operacionais” (como as receitas de intermediação financeira / spread), a distinção não restou presente nas planilhas de cálculo. Impõese, assim, afastar a restrição imposta pelo fisco ao crédito no que se refere a “receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros”, que a própria fiscalização entende como receita financeira. Esclareçase que não se está aqui a concordar necessariamente com o teor do despacho decisório, mas a julgar o processo a partir dos fundamentos adotados pela própria fiscalização para a recusa do crédito. No mais, não há qualquer prejuízo à coisa julgada no conteúdo do despacho decisório, que apenas busca forma de implementar a decisão judicial, nos termos em que ela foi proferida. Assim se esclarece no próprio despacho decisório: “20. Se, por um lado, é indiscutível que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 alargou o conceito de faturamento, equiparandoo ao conjunto das receitas auferidas pela pessoa jurídica e tributando outras receitas, além daquelas provenientes da venda de mercadorias e de serviços, como os rendimentos de aplicações financeiras e as receitas não operacionais, de outro, a decisão vazada na AO nº 2006.61.00.0034220, que afastou o referido dispositivo, deixou de analisar a extensão do termo “receitas financeiras” aplicável ao caso concreto;” (grifo nosso) Fl. 939DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 18 Percebese que, ao contrário do que afirma a recorrente, a fiscalização não contrariou o entendimento expresso na decisão judicial, mas aplicouo ao caso, sanando junto à PGFN dúvida (tomando a resposta dada somente a título de orientação), chegando à conclusão de que não constituem receitas financeiras as “receitas decorrentes de intermediação financeira” (que são “receitas operacionais” da recorrente). E a unidade local recordou que apesar de o STF ter posicionamento assentado no sentido da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, não o tem sobre a delimitação do que seriam “receitas financeiras” de instituições financeiras (como a recorrente), e se comporiam a base de cálculo da COFINS. O tema, presente no RE no 609.096/RS, é de reconhecida repercussão geral (tema no 372). A matéria, pouco tempo atrás, era inclusive ensejadora de sobrestamento neste colegiado administrativo. Contudo, com a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, passou esse tribunal a ter que decidir a matéria, independente do julgamento do referido RE. E não há ainda manifestação definitiva do STF sobre a matéria, existindo tão somente o reconhecimento da repercussão geral da questão, e a manifestação em outro RE (no 400.4798/RJ), que o próprio STF entendeu como similar. Cabível, destarte, a imediata análise da questão por este tribunal administrativo. É de se destacar, contudo, o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto no 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, a matéria em apreciação pelo STF, de repercussão geral e trato constitucional reconhecidos, será analisada por este tribunal administrativo sem que seja possível o entendimento pela inconstitucionalidade de lei tributária. O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. É de se destacar, de início, manifestação do STF no sentido de distinguir, como se faz neste voto, as discussões sobre o conceito de faturamento (e seu alargamento pelo § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998) e sobre a abrangência do faturamento no que se refere a receitas de instituições financeiras: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEGISLAÇÃO APLICADA APÓS O RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO SUPREMO. INCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS AUFERIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO. MATÉRIA ESPECÍFICA NÃO PREQUESTIONADA. DECISÃO DE RECONSIDERAÇÃO QUE ALTERA O CONTEÚDO DECISÓRIO E CONTRARIA AS RAZÕES DE DECIDIR DA DECISÃO RECONSIDERADA. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 932 19 REABERTURA DE PRAZO PARA RECORRER. AGRAVO IMPROVIDO. I O STF não tem competência para determinar, de imediato, a aplicação de eventual comando legal em substituição de lei ou ato normativo considerado inconstitucional. II A discussão sobre a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Ausência de prequestionamento da primeira matéria, que impossibilita a análise do recurso quanto ao ponto. III Alteração da parte dispositiva de decisão, de forma a contrair ou exceder os fundamentos mantidos na decisão modificada, não configura mera correção de erro de fato, mas caracteriza nova decisão, a justificar a reabertura do prazo para recurso. IV Agravo regimental improvido.(RE 582258 AgR AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 06/04/2010, PROCESSO ELETRÔNICO DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010)” (grifo nosso) Após a referida declaração de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, foram efetuadas diversas alterações em tal lei (uma delas expressamente revogando o § 1o do art. 3o pela Lei no 11.941/2009). O caput do referido art. 3o, reconhecido como constitucional, estabelecia, em sua redação original, que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, tendo sido o texto recentemente alterado pela Lei no 12.973, de 13/05/2014. Assim, em que pesem algumas alterações de texto, permanecem hígidos os comandos da Lei que estabelecem a base de cálculo (faturamento art. 2o) e sua identidade com a receita bruta (art. 3o, caput), assim como as exclusões (art. 3o, § 2o). Tendo em vista as peculiaridades tanto do setor financeiro como do setor de seguros, passaram a existir ainda disposições específicas para eles. Os §§ 5o e 6o do art. 3o, incluídos em 2001, externaram tratamentos aplicáveis a pessoas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212/1991 (“bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas”). A lista de exclusões, por óbvio, é exaustiva e não exemplificativa, e o comando legal, em virtude da já propalada Súmula CARF no 2, não admite questionamento administrativo em relação à constitucionalidade. Qualquer das exclusões e deduções, de caráter geral (§5o) ou específico (§6o), é aplicável sobre a receita bruta, para efeito de apuração da COFINS em instituições como a recorrente. É de se concluir, assim, que: (a) o provimento judicial obtido no caso concreto silenciou em relação à amplitude da expressão “receitas financeiras”, mormente no que se refere a instituições financeiras, como a recorrente; (b) o despacho decisório, ao delimitar a expressão “receitas financeiras” não afronta a coisa julgada; (c) ao delimitar a expressão “receitas financeiras”, o despacho decisório deveria ter alastrado os fundamentos Fl. 941DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 20 utilizados na decisão para os demonstrativos de cálculo, segregando as receitas que classificou como “financeiras” (“receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros”), e que, por força da decisão judicial definitiva, deveriam ser excluídas da base de cálculo; (d) a discussão sobre a inclusão das receitas auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento, para fins de incidência da COFINS, não se confunde com o debate envolvendo a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, como já reconheceu o STF. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar a negativa de crédito em relação ao que o despacho decisório classifica como “receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros”. Rosaldo Trevisan Fl. 942DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 933 21 Voto Vencedor Conselheiro Ivan Allegretti O presente caso trata de situação peculiar. Diferente dos casos que foram objeto de julgamentos anteriores desta Turma nos quais apenas existia uma decisão judicial genérica, dando pela inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98 , no presente caso o contribuinte não apenas veiculou na sua petição inicial o detalhamento do efeito concreto pretendido com o provimento judicial, como insistiu em tal detalhamento por meio do manejo de embargos de declaração, então acolhidos. Verificase, com efeito, que mesmo diante de uma sentença que dava provimento à sua ação, o contribuinte cuidou de opor embargos de declaração requerendo a explicitação do efeito concreto do comando judicial, para o reconhecimento de que as suas receitas financeiras não deveriam compor a base de cálculo da contribuição, o que foi acolhido. Diante deste contexto, parece claro que o fato de a decisão de Segunda Instância não ter entrado neste mesmo detalhamento não tem o efeito de excluílo, ou anulálo, ou expurgálo. Mesmo porque não houve reforma quanto ao mérito, restando mantida a mesma declaração de inconstitucionalidade já reconhecida em Primeira Instância. Realizado pela decisão de Primeira Instância o detalhamento do alcance concreto da decisão de declaração de inconstitucionalidade, apenas se poderia ignorar este detalhamento se houvesse, pela decisão de Segunda Instância, a sua reforma. Da mesma forma como zelou o contribuinte pela explicitação do efeito concreto da declaração de inconstitucionalidade, deveria a Procuradoria zelar pela alteração ou reforma deste critério. Os pareceres apresentados pelo recorrente, assinados por Humberto Theodoro Jr e Nelson Nery Jr, são contundentes em apontar que, no aspecto processual, o efeito substitutivo da decisão de Segunda Instância em relação à decisão de Primeira Instância opera se por inteiro, mas no aspecto material esta substituição se dá com a ratificação da decisão recorrida naquilo em que não modificada e sua alteração apenas nos limites em que provido o recurso interposto. A decisão de Segunda Instância apenas deu parcial provimento à remessa oficial e à apelação da PFN para reduzir os honorários e tratar do direito de compensação. Restou mantido o entendimento da decisão de Primeira Instância, a qual reconheceu enquanto efeito da declaração de inconstitucionalidade e da aplicação do conceito de faturamento, dela resultante, que nele não se incluem as receitas financeiras. A decisão judicial proferida no caso concreto do recorrente, portanto, enfrenta o detalhamento do efeito concreto de exclusão da receita financeira do conceito de faturamento, enquanto consequência da declaração de inconstitucionalidade. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 22 Notese, de outro lado, que é igualmente peculiar que no presente caso concreto a decisão da DRF de origem tenha divergido da PGFN, em razão de a Procuradoria considerar que o conceito de receitas financeiras abrange o spread bancário, ou seja, as receitas de intermediação financeira. Vale a pena conferir os seguintes trechos: 2. Por outro lado, antes de prosseguir, é de extrema importância aqui esclarecer que a Solução de Consulta, ainda que encaminhada em atendimento a caso concreto, qual seja, o objeto da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220, a resposta elaborada pela PRFN/SPO não tem o condão de vincular a autoridade administrativa preparadora, visto não se enquadrar no disposto pelo art. 42 da Lei Complementar no 73/93, servindo, pois, para efeito do presente despacho, tão somente como orientação;” (fl. 293) (grifo nosso) (...) 20. Se, por um lado, é indiscutível que o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98 alargou o conceito de faturamento, equiparandoo ao conjunto das receitas auferidas pela pessoa jurídica e tributando outras receitas, além daquelas provenientes da venda de mercadorias e de serviços, como os rendimentos de aplicações financeiras e as receitas não operacionais, de outro, a decisão vazada na AO nº 2006.61.00.0034220, que afastou o referido dispositivo, deixou de analisar a extensão do termo “receitas financeiras” aplicável ao caso concreto; 21. Nesse ponto, portanto, caberia discordar da afirmação da D. PRFN/SPO, de que o conceito de receitas financeiras alcança as receitas de intermediação (spread), bem como as receitas de aplicação de recursos próprios e de terceiros, como inserto na conclusão da Solução de Consulta; (...) 25. Sob esse aspecto, portanto, pretender, com fulcro na inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98 declarada pelo STF, excluir da base de cálculo da COFINS os ingressos decorrentes das atividades de intermediação financeira (spread) só pelo fato de classificálos contabilmente como receitas financeiras seria, para dizer o menos, na falta de expressa manifestação da esfera judicial na AO no 2006.61.00.0034220, precipitado; (...) 29. Da simples discussão conceitual aqui conduzida, vêse, no mínimo, como parece apressada, e arriscada, a conclusão exposta pela PRFN/SPO na Solução de Consulta: de que as receitas de intermediação (spread), bem como as receitas de aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros auferidas pelas instituições financeiras se enquadram no único conceito de receitas financeiras; 30. A título de exercício, poderseia dizer que a receita de intermediação financeira (spread) – o ganho decorrente da diferença entre a remuneração paga pelos tomadores de recursos e o custo de sua captação – caracterizase como receita operacional típica e exclusiva das instituições financeiras, portanto sujeita à incidência da COFINS, não se confundindo com outras receitas financeiras, mesmo que também alcançadas pela COFINS, entre as quais as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros. (grifos editados) Fl. 944DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3403003.571 S3C4T3 Fl. 934 23 A DRJ, por sua vez, mantém o entendimento da DRF, alegando que “receitas financeiras” não seria um termo específico, de maneira que nele não estaria incluída a “receita de intermediação financeira”. Ora, não existe margem para tal interpretação, não parecendo plausível tal tese, que pretende recusar ao spread remuneração característica da atividade das instituições financeiras a qualidade de receita financeira. Se a decisão judicial utiliza como critério o termo “receita financeira”, referindose e tratando especificamente de uma instituição financeira, não pode ser outra a abrangência de tal comando judicial, que não o conceito de receita financeira utilizado na planificação contábil COSIF: 7.1.0.00.008 RECEITAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.4.00.000 Rendas Aplicação Interf. Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas D/Tit. E Valores Mobiliários Outras Receitas Operacionais RECEITAS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 7.1.7.00.009 Rendas da Prestação Serviços RECEITAS NÃO OPERACIONAIS 7.3.9.00.003 Outras Receitas n/ Operacionais O conceito de “receitas financeiras” das instituições financeiras, como visto, abrange objetivamente o conjunto das rendas de operações de crédito, das rendas de aplicações e das rendas de negociação de títulos e valores mobiliários, não havendo margem de interpretação que autorize negar às rendas de intermediação financeira a natureza e a classificação como receita financeira. Além do mais, o exame das planilhas de fls. 115/206 e 269/271 revela que o valor do crédito reconhecido pela DRF decorre da exclusão da base de cálculo exclusivamente das receitas não operacionais (conta COSIF 7.3), mantendose incluídas na base de cálculo a integralidade das receitas financeiras, sem discriminar entre as três contas que compõem tal receita, e muito menos dizer como pretenderia concretizar a suposta distinção entre receita da aplicação de recursos próprios e receita da aplicação de recursos de terceiros. A decisão judicial afasta a “receita financeira”, não havendo margem para excluir de tal conceito as rendas da atividade de intermediação financeira. Por estas razões, entendo que deve ser provido o recurso, para reconhecer que a decisão judicial proferida no caso concreto do recorrente detalhou que o seu efeito concreto, inerente à declaração de inconstitucionalidade e do delineamento do conceito de faturamento dela decorrente, afasta as receitas financeiras, e que não se pode excluir deste conceito as rendas da intermediação financeira. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI 24 Voto pelo provimento do recurso. Ivan Allegretti Fl. 946DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 18/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 13116.720405/2013-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que negava conhecimento ao recurso, sendo designada para redigiro o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JÚNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que negava conhecimento ao recurso, sendo designada para redigiro o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que negava conhecimento ao recurso, sendo designada para redigiro o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JÚNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .7 20 40 5/ 20 13 -3 5 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13116.720405/201335 Resolução nº 1302000.379 S1C3T2 Fl. 664 2 RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 03061.095 da 4ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. NÃO CONFIRMAÇÃO DA LEGITIMIDADE OU SUFICIÊNCIA DO CRÉDITO INFORMADO EM DECOMP. EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA. Aplicase a multa prevista no § 15 do artigo 74 da Lei 9.430/1996, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA VINCULADA E OBRIGATÓRIA. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. Cabe ao Poder Judiciário se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, por força do princípio da unidade jurisdicional. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de mais diligência para esclarecer os fatos, visto que desnecessária, pois a escrita contábil/fiscal da interessada foi apreciada e os documentos comprobatórios constam dos autos, sendo suficientes para formar a convicção sobre o deslinde da lide. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 690DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13116.720405/201335 Resolução nº 1302000.379 S1C3T2 Fl. 665 3 A contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 03061.095 em 23/07/2014 (Termo a fls. 621). Em 23/07/2014 (Termo a fls. 659), o Sr. Geraldo da Consolação Pereira interpôs recurso voluntário em nome da contribuinte (doc. a fls. 623 e segs.), no qual alega o seguinte: a) que se trata de processo administrativo instaurado para controle e análise de pedidos de compensação de créditos oriundos de saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no exercício de 2011 (ano calendário 2010), no montante de R$ 70.484.036,38 (setenta milhões, quatrocentos e oitenta e quatro mil, trinta e seis reais e trinta e oito centavos), devidamente declarado nas DCOMPs discriminadas abaixo: DCOMP n° 15266.36948.291012.1.7.024190 DCOMP n° 02366.75114.291012.1.7.021587 DCOMP n° 35234.04839.291012.1.7.023078 DCOMP n° 42702.76796.291012.1.7.025794 DCOMP n° 13391.32825.291012.1.7.022202 DCOMP n° 26630.02676.291012.1.7.028847 DCOMP n° 08222.60492.291012.1.7.022704 DCOMP n° 36071.65168.291012.1.7.020606 DCOMP n° 41641.93011.291012.1.7.021190 DCOMP n° 22580.85402.291012.1.7.023709 DCOMP n° 37502.73029.301012.1.7.028030 DCOMP n° 38812.53503.301012.1.7.023747 DCOMP n° 29191.70787.301012.1.7.026173 DCOMP n° 08061.50839.270313.1.3.020075 DCOMP n° 02109.68179.120413.1.3.029690 DCOMP n° 41649.23889.260413.1.3.026538 b) que os lançamentos suplementares, controlados através dos Processos Administrativos n°s. 13116.722101/201141 e 13116.7 22752/201211, encontramse pendentes de decisão administrativa definitiva, devendo ser rechaçada a não homologação das compensações, que constitui verdadeira cobrança prematura efetuada por via transversa pela Autoridade Fiscal, em atenção ao disposto nos artigos 150, § 1º, e 151, inciso III, ambos do CTN; c) que diante dos pagamentos por estimativas do IRPJ no ano de 2010, foi constatada contabilmente a existência do saldo negativo do referido imposto apurado pela Recorrente, utilizado para compensação de tributos, conforme previsão contida nos artigos 72, inciso IV, da Instrução Normativa nº 900/2008, 83, inciso IV, da Instrução Normativa nº 1300/2012 e 6º, inciso II, da Lei nº 9.430/96; d) que, com base na referida legislação e nos documentos apresentados pela Recorrente, os dois requisitos exigidos pela legislação (utilização do saldo negativo após a sua devida apuração – término do exercício – e a realização do pagamento) foram devidamente preenchidos, o que corrobora o procedimento adotado; e) que o entendimento acima efetuado possui respaldo em reiteradas decisões proferidas pelas diversas esferas de julgamento tributária, o que fundamenta o crédito apropriado; f) que em razão da regularidade dos procedimentos e da inexistência de dano ao erário, mostrase necessária a reforma do v. acórdão guerreado, com o reconhecimento do crédito glosado e o consequente afastamento da multa isolada; Fl. 691DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13116.720405/201335 Resolução nº 1302000.379 S1C3T2 Fl. 666 4 g) que em prol do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal, há que se reconhecer o pagamento efetuado e a devida existência do saldo negativo apropriado, mantendose o crédito utilizado e extinguindose, desse modo, a obrigação tributária com fundamento no artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional; h) que a imposição de multa isolada de 50% (cinquenta por cento) para o simples caso de indeferimento do pedido de compensação, sem comprovação de dolo, fraude ou máfé do contribuinte, afronta o direito de petição (artigo 5º, inciso XXXVI, alínea “a”, da Constituição Federal), bem como os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e i) que a Autoridade Fiscalizadora, ao imputar multa de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor dos créditos nãohomologados, acaba por confiscar relevante parte do patrimônio da Recorrente, uma vez que as supostas infrações cometidas, mesmo que fossem verdadeiras, não justificam multas extorsivas correspondentes a valores próximos ao quantum principal. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JÚNIOR Não consta dos autos qualquer documento, seja procuração ou ato constitutivo da contribuinte, que prove que o Sr. Geraldo da Consolação Pereira seja representante legal da CAOA Montadora de Veículos Ltda, pelo contrário, tanto a DIPJ a fls 433 como todos os PerdComps coligidos aos autos, informam que o representante legal da contribuinte é o Sr. Carlos Alberto de Oliveira Andrade. Assim sendo, voto por não conhecer do recurso voluntário por ter sido subscrito por pessoa sem poderes para tal, pelo menos no momento em que interposto o recurso. VOTO VENCEDOR Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Em 23/07/2014 foi solicitada a juntada de três conjuntos de documentos denominados "Recurso Voluntário", consoante termo de fl. 622, que embora indique como interessado CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS LTDA, está assinado digitalmente pelo contribuinte eCAC GERALDO DA CONSOLAÇÃO PEREIRA, CPF 071.414.79821. No primeiro conjunto de documentos consta recurso voluntário elaborado em 18/07/2014 e assinado por GERALDO DA CONSOLAÇÃO PEREIRA, CPF/MF nº 071.414.79821, verificandose em seu preâmbulo que o sujeito passivo CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS LTDA se apresentaria por seu representante legal. Todavia, não constou neste conjunto de documentos, ou nos outros dois apresentados, a prova de que GERALDO DA CONSOLAÇÃO PEREIRA seria representante legal do sujeito passivo. Examinando as demais peças constantes dos autos não se identifica a existência de procuração conferida pelo sujeito passivo ao signatário do recurso voluntário. Notase que Fl. 692DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13116.720405/201335 Resolução nº 1302000.379 S1C3T2 Fl. 667 5 GERALDO DA CONSOLAÇÃO PEREIRA também subscreve a impugnação de fls. 400/428, porém referido documento foi assinado digitalmente por CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS LTDA, e não pelo dito representante legal. No processo administrativo, ao contrário do judicial, o próprio sujeito passivo pode subscrever impugnações e recursos. Entretanto, optando por fazêlo por meio de advogado ou outro representante, é necessária a juntada do respectivo mandato. Porém, recorrendose, por falta de norma específica no Decreto nº 70.235/72, a disposições do Código de Processo Civil, temse que seu art. 13, caput, preceitua: Art. 13 – Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: I ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; II ao réu, reputarseá revel; III ao terceiro, será excluído do processo. Por tais razões, o presente julgamento deve ser CONVERTIDO em diligência para que a autoridade local intime o sujeito passivo a regularizar a representação processual, mediante apresentação de documentação comprovando poderes outorgados ao signatário do recurso voluntário para representála neste processo administrativo, ou documento assinado por quem detém poderes de representação legal da empresa, convalidando o recurso voluntário já apresentado. Concluídas as providências, os autos devem retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 693DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 1/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10245.720813/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Ementa:: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1301-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
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(Responsável Solidário: MILTON BELLAS SOARES) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 Ementa:: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 08 13 /2 01 3- 23 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório Trata o presente da lavratura dos autos de infração contra a contribuinte acima qualificada, para exigência de créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, referentes aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, no valor total de R$ 1.991.297,85 em decorrência de (i) insuficiência ou falta de recolhimento/declaração do imposto de renda com multa de 150%, e (ii) aplicação indevida de coeficiente do lucro presumido. Devidamente notificada em 11/06/2013 a contribuinte apresentou sua impugnação alegando, resumidamente, que: a) desconhecia a omissão na apresentação das DIPJ e DACON relativas aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010; b) em 15/05/2013 contratou um contador que, ao tomar conhecimento do problema e, em atendimento a intimação da Receita Federal, apresentou em 28/05/2013 documento concordando com os valores apresentados nas DIPJ dos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, apresentou uma planilha de faturamento dos mesmos anos, apresentou as DACON do período e DIPJ retificadora dos anos 2008 e 2009, alterando o percentual de 1,6% para 8,0%; c) concorda com os valores dos impostos devidos, mas não concorda com os juros e multas, pois colocam em risco o patrimônio pessoal e a estabilidade econômica da empresa, citando o Decreto nº 22.626, de 07/04/1933 (Lei da Usura) e a ilegalidade da cobrança de juros superiores ao dobro da taxa legal do ano (atualmente a taxa Selic); d) “como prova anexo documentações informada pelo departamento financeiro a empresa Comércio de Imp. e Exp. Macuxi Ltda, tem restituição de impostos, o que vinha pagando parcelamento e o mesmo foi cancelado pela Receita Federal, peço a gentileza de rever e levar a crédito ao débito gerado pelas declarações, como prova anexo documentações para serem apreciadas”. A DRJ EM CAMPO GRANDE (MS) decidiu a matéria consubstanciado por meio do Acórdão 0434.359, de 03 de dezembro de 2013, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. MULTA QUALIFICADA. TRIBUTOS DECLARADOS COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DOLO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10245.720813/201323 Acórdão n.º 1301001.861 S1C3T1 Fl. 12 3 A reiterada declaração de tributos apurados com base de cálculo reduzida infere a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, dos respectivos fatos geradores, caracterizando o dolo de sonegação, e portanto o evidente intuito de fraude que tipifica a multa qualificada. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. Efetuado o lançamento de ofício, cabe imposição dos juros de mora sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O Recurso Voluntário impetrado pela empresa autuada, não merece ser acolhido, pois constatase que não foi respeitado o prazo para a sua interposição. De ressaltar que consta Termo de Sujeição Passiva contra o sócio Milton Bellas Soares, porem, o mesmo não se manifestou nem em primeira instância (impugnação) e, muito menos nesta fase recursal. Vêse dos autos que a peça recursal foi assinada e protocolizada na data de 29 de abril de 2014, conforme atesta o carimbo receptor da DRF/BOA VISTA (RORAIMA). Consta dos autos “AR” de intimação no endereço tributário da contribuinte/recorrente postado em 21/03/2014 e, com ciência em 24/03/2014 (segunda feira), bem como documento de rastreamento dos Correios corroborando o fato. Portanto, o prazo recursal esgotouse em 23/04/2014, ou seja, 30 dias a partir do dia seguinte à ciência (25/03/2014). Logo, intempestivo nos termos do artigo 33 do PAF, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. E, mais, no caso, tornase definitiva a decisão prolatada em primeira instância, conforme expresso no art. 42, I, do mesmo diploma legal acima citado: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Assim, considerando que não cumprido o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972, para interposição do recurso voluntário contra a decisão exarada em primeira instância, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10245.720813/201323 Acórdão n.º 1301001.861 S1C3T1 Fl. 13 5 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 16004.720189/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DILIGÊNCIA E PERÍCIA.
Indefere-se o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. DESPESAS FINANCEIRAS RELATIVAS A EMPRÉSTIMOS REPASSADOS. GLOSA.
Tendo a pessoa jurídica emprestado determinada importância à sua coligada e, no mesmo período, contraído empréstimo bancário a taxas de juros superiores, este financiamento não pode ser tido como necessário e, conseqüentemente, as despesas dele oriundas são passíveis de glosa.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. CONTRATO HÍBRIDO. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E AFAC.
Em se tratando de um contrato híbrido de conta-corrente (mútuo) e AFAC (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) deve ser abatido de forma proporcional a parte efetiva do saldo do conta-corrente que foi integralizada.
IOF. CONTRATO HÍBRIDO. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E AFAC.
Verificada a existência de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, regular é a exigência do IOF incide sobre tais operações. Em se tratando de um contrato híbrido de conta-corrente (mútuo) e AFAC (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) deve ser abatido de forma proporcional a parte efetiva do saldo do conta-corrente que foi integralizada.
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Súmula CARF nº 105)
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei n° 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem
Numero da decisão: 1401-001.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1) - Por unanimidade de votos, RETIRAR do cálculo do percentual de rateio a ser aplicado na apuração das despesas desnecessárias o valor de capital social efetivamente integralizado (R$ 100.000.000,00), tomando como marco inicial e final, respectivamente as datas de 01/01/2008 e 30/04/2009; 2) - Por unanimidade de votos, cancelar as multas isoladas referentes aos anos-calendários de 2007 e 2009, aplicando-se a Súmula CARF nº 105; 3) Por maioria de votos, CANCELAR a multa isolada relativa ao ano-calendário de 2008. Vencidos o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta; 4) Pelo voto de qualidade DAR provimento PARCIAL ao IOF, tirando da base de cálculo dos empréstimos o valor do capital efetivamente integralizado, por se tratar AFAC. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que davam provimento integral ao IOF; 5) - Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencedor
Considerando que o redator designado Sérgio Luiz Bezerra Presta à época do Julgamento não integra o quadro de Conselheiros do CARF na data da formalização da decisão, o Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencedor.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. DESPESAS FINANCEIRAS RELATIVAS A EMPRÉSTIMOS REPASSADOS. GLOSA. Tendo a pessoa jurídica emprestado determinada importância à sua coligada e, no mesmo período, contraído empréstimo bancário a taxas de juros superiores, este financiamento não pode ser tido como necessário e, conseqüentemente, as despesas dele oriundas são passíveis de glosa. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. CONTRATO HÍBRIDO. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E AFAC. Em se tratando de um contrato híbrido de contacorrente (mútuo) e AFAC (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) deve ser abatido de forma proporcional a parte efetiva do saldo do contacorrente que foi integralizada. IOF. CONTRATO HÍBRIDO. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E AFAC. Verificada a existência de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, regular é a exigência do IOF incide sobre tais operações. Em se tratando de um contrato híbrido de contacorrente (mútuo) e AFAC (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) deve ser abatido de forma proporcional a parte efetiva do saldo do contacorrente que foi integralizada. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 89 /2 01 1- 11 Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.261 2 falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Súmula CARF nº 105) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei n° 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1) Por unanimidade de votos, RETIRAR do cálculo do percentual de rateio a ser aplicado na apuração das despesas desnecessárias o valor de capital social efetivamente integralizado (R$ 100.000.000,00), tomando como marco inicial e final, respectivamente as datas de 01/01/2008 e 30/04/2009; 2) Por unanimidade de votos, cancelar as multas isoladas referentes aos anoscalendários de 2007 e 2009, aplicandose a Súmula CARF nº 105; 3) Por maioria de votos, CANCELAR a multa isolada relativa ao anocalendário de 2008. Vencidos o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta; 4) Pelo voto de qualidade DAR provimento PARCIAL ao IOF, tirando da base de cálculo dos empréstimos o valor do capital efetivamente integralizado, por se tratar AFAC. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que davam provimento integral ao IOF; 5) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Redator para Formalização do Voto Vencedor Considerando que o redator designado Sérgio Luiz Bezerra Presta à época do Julgamento não integra o quadro de Conselheiros do CARF na data da formalização da Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.262 3 decisão, o Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.263 4 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CampinasSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativo a Títulos e Valores MobiliáriosIOF e à Multa Isolada, lavrados em 20/06/2011, exigindo, nos anoscalendário 2007 a 2009, crédito tributário no total de R$ 75.385.368,69, aí incluídos o principal acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 31/05/2011, em razão da glosa de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa compensados indevidamente (AC 2009), da glosa de despesas desnecessárias (AC 2007 a 2009), da falta de recolhimento do IOF devido em operações de crédito (AC 2007 a 2009), bem como da falta/insuficiência no recolhimento das estimativas de IRPJ (AC 2007 a 2009) e CSLL (AC 2007 a 2009). As infrações foram discriminadas no Termo de Constatação Fiscal, conforme abaixo transcrito: “TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS No exercício das funções de Auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, e de acordo com o disposto no artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, lavro o presente termo para descrever os fatos constatados no curso da ação fiscal levada a efeito junto à empresa VIRGOLINO DE OLIVEIRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL, doravante denominada apenas de Virgolino de Oliveira. 1 – DA FISCALIZADA A Virgolino de Oliveira, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob nº 49.911.589/0001479, é uma sociedade anônima tributada sob a forma do Lucro Real – Anual (CNAE: 1071600 Fabricação de açúcar em bruto) – fls. 02/160. De acordo com o contrato social, durante o período fiscalizado (anoscalendário de 2007 a 2009) teve por objeto principal a fabricação e comércio de açúcar e álcool e demais derivados da canadeaçúcar, bem como operações de compras e vendas no mercado interno e externo, podendo atuar como importadora e exportadora. O capital social integralizado pelos acionistas era de R$33.398.858,90 (trinta e três milhões, trezentos e noventa e oito mil, oitocentos e cinqüenta e oito reais e noventa centavos) – fls. 204/223. 2 – DO GRUPO ECONÔMICO VIRGOLINO DE OLIVEIRA Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.264 5 Com base nas informações prestadas pelo fiscalizado, em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal, foi possível identificar todas as pessoas – físicas e jurídicas, que compõem o grupo econômico denominado de “Grupo Virgolino de Oliveira”. Com efeito, a composição do referido grupo está demonstrada nas fls.557/558, e pertencem aos acionistas Carmen Ruete de Oliveira (CPF 014.633.65853), Hermelindo Ruete de Oliveira (CPF 848.781.85872), Carmen Aparecida Ruete de Oliveira (CPF 848.781.69834) e Virgolino de Oliveira Filho (CPF 848.781.77853). Resta claro que a fiscalizada é a controladora das seguintes empresas: Período Participação (%) Controlada 99,85 Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A 01/01/07 a 29/04/09 94,9550 Açucareira Virgolino de Oliveira S/A 99,7961 Agropecuária Terras Novas S/A 99,85 Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A 30/04/09 a 31/12/09 98,1386 Açucareira Virgolino de Oliveira S/A 99,9329 Agropecuária Terras Novas S/A Veremos adiante, que no dia 30/04/2009 a Virgolino de Oliveira integralizou Capital Social nas empresas controladas: Açucareira Virgolino de Oliveira S/A e Agropecuária Terras Novas S/A. 3 – DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL E DAS INTIMAÇÕES E RESPOSTAS A presente auditoria foi iniciada por intermédio do Termo de Intimação Fiscal, datado de 17/03/2011 (aviso de recebimento em 23/03/11), oportunidade em que foram solicitados os seguintes documentos, relativos aos anoscalendário de 2007 a 2009 – fls. 161/164: 3.1 Em relação aos valores escriturados na conta 1211 (Ativo Realizável a Longo Prazo – EMPRESAS RELACIONADAS1), do Livro Razão, apresentar os seguintes documentos: 3.1.1 Apresentar cópia dos lançamentos escriturados no Livro Razão, relativos às contas abaixo relacionadas (lançamento contábil, conta debitada, conta creditada, valor do lançamento e histórico); 12110009 Açucareira Virgolino de Oliveira S/A; 1 Conta obtida por intermédio da escrituração contábil obtida pela fiscalização por intermédio do sistema de coleta (anocalenário de 2007 MPF nº 08107002009000648) e SPED CONTÁBIL (foi baixada a escrituração contábil digital relativa aos anoscalendário de 2008 e 2009. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.265 6 12110010 Agropecuária Terras Novas S/A; 12110011 Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A; 3.1.2 Informar a natureza das operações realizadas, correspondente a cada um dos lançamentos contábeis efetuados (venda, adiantamento, empréstimo, etc.), comprovando as operações com documentação hábil e idônea (contratos de mútuo, etc); 3.1.3 Justificar o fato de o contribuinte não ter recolhido o IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativo a Títulos e Valores Mobiliários) incidente sobre as operações de créditos ocorridas entre a fiscalizada e as pessoas jurídicas: Açucareira Virgolino de Oliveira S/A; Agropecuária Terras Novas S/A e Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A; 3.1.4 Apresentar cópia do contrato Social consolidado e as alterações ocorridas no quadro societário, após 01/01/2007, das empresas citadas no item anterior e da fiscalizada. Após solicitar dilação de prazo para atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal – fls. 165/171, no dia 13/04/2011 a Virgolino de Oliveira apresentou os documentos solicitados – fls. 172/198: • Em relação às cópias dos lançamentos escriturados pela fiscalizada no Livro Razão, relativas às contas 12110009, 12110010 e 12110011: Apresentou arquivo magnético (CD) contendo os lançamentos efetuados no Livro Razão da Virgolino de Oliveira relativo às contas: 12110009 Açucareira Virgolino de Oliveira S/A – fls. 295/313; 12110010 Agropecuária Terras Novas S/A – fls. 314/325; 12110011 Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A – fls. 326/329; Também apresentou arquivo magnético relativo às seguintes contas do Livro Razão da fiscalizada: 12340002– Virg. de Oliveira x Açucareira Virgolino de Oliveira S/A – fls. 330/344; 12340003 Virg.de Oliveira x Agropecuária Terras Novas S/A – fls.345/356; 11711007 Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A x Virg. de Oliveira – fls. 357/556. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.266 7 • Em relação à natureza das operações realizadas relativas às contas 12110009, 12110010 e 12110011: Primeiramente, esclareceu que a empresas Açucareira Virgolino de Oliveira S/A e Agropecuária Terras Novas S/A foram constituídas em 24/09/2004 e que a empresa Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A foi constituída em 20/09/2004, sendo que todas elas pertencem aos mesmos acionistas da Virgolino de Oliveira. Justificou que os lançamentos contábeis nas contas 12110009 e 12110010 foram transferências bancárias entre as empresas Virgolino de Oliveira, Açucareira Virgolino de Oliveira S/A e Agropecuária Terras Novas S/A, com o seguinte propósito– fls. 172/198: “com a finalidade de utilização para subscrição e integralização de Capital Social da Açucareira Virgolino de Oliveira S/A e Agropecuária Terras Novas S/A, conforme Instrumento Particular de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital – AFAC (doc. Anexo) e AGE – Assembléia Geral Extraordinária de 30/04/2009 (doc. Anexo).” Em relação aos lançamentos contábeis escriturados na conta 12110011 alegou que – fls. 172/198: “foram pagamentos por conta de entrega de canadeaçúcar. A Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A, entrega a sua produção de canade açúcar para Virgolino de Oliveira S/A – Açúcar e Álcool (...).” Veremos, adiante, que a Virgolino de Oliveira mantinha um “contacorrente” com as demais empresas do grupo (controladas), de forma que, de acordo com a necessidade e conveniência, eram realizadas transferências de recursos entre elas. Com efeito, demonstraremos que a Virgolino de Oliveira repassou muito mais recursos do que recebeu de suas controladas. • Em relação ao fato de não ter recolhido o IOF2 sobre as operações de créditos realizadas com as suas controladas: Afirmou que as operações realizadas não se tratavam de operações de créditos, com incidência do IOF, mas operação de compra e venda de canadeaçúcar (operações com a Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A) e adiantamentos para futuro aumento de capital – AFAC (operações com a Açucareira Virgolino de Oliveira S/A e Agropecuária Terras Novas S/A) 2 Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativo a Títulos e Valores Mobiliários Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.267 8 Apresentou cópia dos Instrumentos Particulares de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital – AFAC, formados com as controladas: Açucareira Virgolino de Oliveira S/A (fls. 199/201) e Agropecuária Terras Novas S/A (fls. 202/203). Por fim, apresentou cópia do Estatuto Social, AGO – Assembléia Geral Ordinária e AGE – Assembléia Geral Extraordinária de algumas empresas do grupo econômico Virgolino de Oliveira, efetuadas após 01/01/2007 – fls. 204/294. Também intimei a contribuinte (Termo de Intimação Fiscal nº 01) para apresentar os seguintes documentos – fls. 559/561: 3.2 Em relação às despesas financeiras escrituradas no grupo de contas n° 64106 (“DESPESAS FINANCEIRAS”): 3.2.1 Apresentar cópia de TODOS os contratos (Empréstimos, Financiamentos etc.) que resultaram no lançamento de despesas, na referida conta; 3.2.2 Informar, individualizadamente, o nº da(s) conta(s) em que foram contabilizadas as obrigações (Empréstimos, Financiamentos etc.) cujas despesas foram contabilizadas no grupo nº 64106; Foi também intimado o contribuinte para apresentar todos os contratos de mútuos3 firmados e para informar se havia contabilizado mais alguma despesa financeira, fora do grupo nº 64106 – fls. 559/561. Também foram intimadas as controladas (Açucareira Virgolino de Oliveira e Agropecuária Terras Novas) para apresentarem as mesmas informações solicitadas à Virgolino de Oliveira – fls. 562/567. Após solicitarem dilação de prazo, protocolizada no dia 10/05/2011 (fls. 568/576), a fiscalizada e as controladas apresentaram os seguintes documentos: A fiscalizada apresentou a relação de todas as contas, com as respectivas descrições, em que foram contabilizadas todas as obrigações (Empréstimos, Financiamentos etc.) cujas despesas foram escrituradas no grupo nº 64106 (despesas financeiras) – fls. 577/594; Demonstrativos contendo todos os contratos de empréstimos e financiamentos firmados pelas empresas – fls. 623/624 e 626/627 e 626/627. 3 Nas contas nº 12340002 e 12340003 (Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital AFAC), constam que o saldo inicial destas contas têm como origem, recursos oriundos dos contratos de mútuo efetuados nas contas nºs 12110009 e 12110010 (Histórico do lançamento: "TRANSF DA CTA MUTUO 12110009" e "TRANSF DA CTA MUTUO 12110010"). Ademais, nas contas nºs 12110009 e 12110010 são feitas diversas menções aos mútuos efetuados. Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.268 9 Por fim, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 02 foi solicitado a apresentação do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, referente ao período de 01/2007 a 12/2009 – fls. 632/633. No dia 15/06/2011 a fiscalizada apresentou cópia das partes A e B do LALUR, relativas aos anoscalendário de 2007 a 2009 (fls. 634/689), bem como os demonstrativos da base de cálculo mensal da CSLL – fls. 690/692. 4 – DA ANÁLISE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 4.1 DAS OPERAÇÕES REALIZADAS NA CONTA 12110009 – fls. 295/313 De acordo com as informações prestadas pela fiscalizada, nesta conta foram realizadas transferências bancárias entre as empresas Virgolino de Oliveira e Açucareira Virgolino de Oliveira S/A, com a finalidade de subscrição e integralização de Capital Social da Açucareira Virgolino de Oliveira S/A. Juntou cópia do Instrumento Particular de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital – AFAC, para justificar as suas alegações. Veremos, abaixo, que as operações efetuadas nesta conta possuem natureza de empréstimos (MÚTUO) realizados entre a fiscalizada e a Açucareira Virgolino de Oliveira, por intermédio de um contacorrente (conta nº 12110009). Senão vejamos: Analisando os lançamentos desta conta no livro razão – fls. 295/313, verificamos que os valores consolidados, abaixo informados, nos permitem extrair algumas conclusões: conta saldo inicial Lançamentos saldo final transferência AFAC data valor D/C débitos créditos data Valor D/C data valor conta 12110009 31/12/2006 40.565.500,35 D 159.298.473,00 77.588.261,82 31/12/2007 122.275.711,53 D 01/01/2008 122.275.711,53 12340002 02/01/2008 73.632.285,95 60.620.528,12 31/12/2009 13.011.757,83 D TOTAL 232.930.758,95 138.208.789,94 Primeiramente, notase que o saldo desta conta, em 31/12/2006, era devedor, no valor total igual a R$40.565.500,35 (quarenta milhões, quinhentos e sessenta e cinco mil, quinhentos reais e trinta e cinco centavos). Ou seja, a Virgolino de Oliveira já vinha, antes do período fiscalizado, emprestando recursos à sua controlada. Outro ponto que chamou a atenção é o fato de haver, nesta conta, vultosos lançamentos a crédito (R$138.208.789,94) e a débito (R$232.930.758,95). Ou seja, pela conta nº 12110009 transitaram recursos tanto da fiscalizada para a controlada, quanto desta para a fiscalizada. Logo, podemos concluir que as operações financeiras entre as empresas participantes do grupo econômico eram realizadas de acordo com a necessidade de Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.269 10 cada uma. Portanto, percebemos que as operações realizadas entre as empresas possuíam natureza de contacorrente. Destarte, concluise que os valores enviados pela Virgolino de Oliveira não possuíam a natureza de AFAC adiantamento para futuro aumento de capital, já que, neste caso, não haveria lançamentos vultosos a crédito na conta do ativo realizável a longo prazo (conta nº 12110009). Aliás, veremos, nos itens 4.4.1 e 4.4.2, que os próprios instrumentos particulares de adiantamento para futuro aumento de capital possuem por objeto o empréstimo de recursos para a liquidação das obrigações das controladas. Analisando os lançamentos efetuados nesta conta verificamos diversos deles mencionando a palavra “mútuo”. Com efeito, verificamos que ao longo do anocalendário de 2007 foram contabilizadas receitas financeiras relativas às operações de Mútuo firmadas entre a fiscalizada e a Açucareira Virgolino de Oliveira: DT.LANCTO CONTA HISTÓRICO VALOR DÉBITO CONTRAPARTIDA HISTÓRICO 31/01/2007 12110009 ATUALIZAÇÃO CDI MUTUO AÇUCAREIRA 31/01/07 17.685,80 64110012 Juros Credores Mútuo 28/02/2007 12110009 ATUALIZAÇÃO CDI MUTUO AÇUCAREIRA 28/02/07 15.574,95 64110012 Juros Credores Mútuo 01/03/2007 12110009 AJUSTE ATUALIZ CDI MUTUO ACUCAREIRA 10/06 A 02/07 1.680.857,18 64110012 Juros Credores Mútuo 31/03/2007 12110009 ATUALIZACAO CDI MUTUO ACUCAREIRA 03/2007 620.540,76 64110012 Juros Credores Mútuo 30/04/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 04/07 628.158,82 64110012 Juros Credores Mútuo 01/05/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 04/07 19,46 64110012 Juros Credores Mútuo 31/05/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 05/07 697.553,60 64110012 Juros Credores Mútuo 30/06/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 06/07 713.613,44 64110012 Juros Credores Mútuo 31/07/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 07/07 841.088,81 64110012 Juros Credores Mútuo 31/08/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 08/07 981.888,08 64110012 Juros Credores Mútuo 30/09/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 09/07 941.078,88 64110012 Juros Credores Mútuo 31/10/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 10/07 1.126.274,43 64110012 Juros Credores Mútuo 30/11/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 11/07 983.123,73 64110012 Juros Credores Mútuo 31/12/2007 12110009 ATUALIZACAO MUTUO CDI ACUCAREIRA 12/07 1.005.009,34 64110012 Juros Credores Mútuo TOTAL 10.252.467,28 Portanto, fica evidente que as operações realizadas nesta conta não se referem a adiantamentos para futuro aumento de capital, já que a própria contribuinte escriturou estes lançamentos como empréstimos (mútuo). Ressaltase que mesmo intimada a apresentar referidos contratos de mútuo, nada foi entregue à fiscalização. Com efeito, veremos que os juros ativos cobrados nas operações de mútuo efetuadas com as controladas são inferiores aos juros incorridos nas operações de créditos (empréstimos e financiamentos) contraídos pela Virgolino de Oliveira. A partir do anocalendário de 2008 (01/01/2008), a contribuinte mudou a forma de contabilização dos empréstimos às empresas Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.270 11 controladas [transferiu o saldo devedor da conta 12110009 para a conta 12340002 (AFAC)]. Contudo, o modus operandi continuou o mesmo, já que continuou havendo lançamentos a crédito e a débito na conta 12340002 – fls. 330/344. Ademais, basta verificar o histórico do primeiro lançamento efetuado na conta AFAC nº 12340002 – fl. 330: Débito: conta n° 12340002 (Açucareira Virgolino de Oliveira S/A) Crédito: conta n° 12110009 (Açucareira Virgolino de Oliveira S/A) Data: 01/01/2008 Histórico do Lançamento: “TRANSF DA CTA MUTUO 12110009” Valor: R$122.275.711,53 Abaixo transcrevemos os valores consolidados dos lançamentos efetuados na conta 12340002 – fls. 330/344: CONTA SALDO INICIAL LANÇAMENTOS SALDO FINAL TRANSFERÊNCIA AFAC DATA VALOR D/C DÉBITOS CRÉDITOS DATA VALOR D/C DATA VALOR CONTA 12340002 01/01/2008 122.275.711,53 D 176.112.362,10 143.051.808,65 31/12/2008 155.336.264,98 D 31/12/2008 155.336.264,98 D 33.071.038,72 88.407.303,70 30/04/2009 100.000.000,00 D 30/04/2009 100.000.000,00 13110005 TOTAL 209.183.400,82 231.459.112,35 Percebese que o modus operandi dos lançamentos continua idêntico aos escriturados na conta nº 12110009. Ou seja, ocorrem vultosos lançamentos a débito e a crédito da conta nº 12340002. Aliás, os lançamentos a crédito foram superiores aos escriturados a débito, o que demonstra que esta conta não se destinava a aumento de capital. Apesar de o contribuinte ter utilizado parte do saldo devedor apurado nesta conta (nº 12340002) para integralizar capital social na empresa Açucareira Virgolino de Oliveira [em 30/04/2009, no valor igual a R$100.000,00 (cem mil reais)] (sic), verificamos que a fiscalizada transferiu o saldo desta conta (R$ 23.761.353,05), em 30/04/2009, para a conta nº 12110009 (os recursos voltaram para a conta de mútuo). Por todo o exposto, restou comprovado que os repasses feitos pela controladora à controlada Açucareira Virgolino de Oliveira S/A, desde o anocalendário de 2006, tiveram a natureza jurídica de empréstimos (mútuos) firmados por intermédio de um conta corrente (contas nºs 12110009 e 12340002). Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.271 12 Também restou comprovado que apenas no anocalendário de 2007 incidiram encargos de juros ativos, relativos aos empréstimos efetuados às controladas. Veremos, ainda, que os juros ativos são muito inferiores aos obtidos nos empréstimos contraídos pela fiscalizada. Em relação aos demais anoscalendário (2008 e 2009) não houve qualquer compensação financeira (juros) referente aos adiantamentos a maior feitos pela fiscalizada. 4.2 DAS OPERAÇÕES REALIZADAS NA CONTA 12110010 – fls. 314/325 As operações realizadas nesta conta ocorreram de forma similar às realizadas na conta nº 12110009, apenas alterandose o valor e o beneficiário. Com efeito, a conta nº 12110010 é uma conta de ativo realizável a longo prazo, onde estão contabilizadas as operações realizadas com a controlada Agropecuária Terras Novas S/A. Apesar de a fiscalizada alegar que as operações realizadas nesta conta tiveram por finalidade a subscrição e integralização de Capital Social da referida agropecuária, veremos, abaixo, que as operações efetuadas nesta conta possuem natureza de empréstimos (MÚTUO) realizados entre a fiscalizada e a Agropecuária Terras Novas S/A. Senão vejamos: Analisando os lançamentos desta conta no livro razão, verificamos que os valores consolidados, abaixo informados, nos permitem extrair as mesmas conclusões que chegamos na conta nº 12110009: CONTA SALDO INICIAL LANÇAMENTOS SALDO FINAL TRANSFERÊNCIA AFAC DATA VALOR D/C DÉBITOS CRÉDITOS DATA VALOR D/C DATA VALOR CONTA 12110010 31/12/2006 23.375.021,30 D 75.541.605,28 17.196.962,25 31/12/2007 81.719.664,33 D 01/01/2008 81.719.664,33 12340003 02/01/2008 73.632.285,95 60.620.528,12 31/12/2009 13.011.757,83 D TOTAL 149.173.891,23 77.817.490,37 Notase que o saldo desta conta, em 31/12/2006, era devedor, no valor total igual a R$23.375.021,30 (vinte e três milhões, trezentos e setenta e cinco mil, vinte e um reais e trinta centavos). Ou seja, a Virgolino de Oliveira já vinha, antes do período fiscalizado, enviando recursos à sua controlada. Mais uma vez, apuramos, nesta conta, vultosos lançamentos a crédito (R$77.817.490,37) e a débito (R$149.173.891,23). Ou seja, pela conta nº 12110010 transitaram recursos tanto da fiscalizada para a controlada, quanto desta para a fiscalizada. Logo, podemos concluir que as operações financeiras entre as empresas participantes do grupo econômico eram realizadas de Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.272 13 acordo com a necessidade de cada uma. Portanto, percebemos que as operações realizadas entre as empresas possuíam natureza de contacorrente. Aliás, veremos que os contratos AFAC confirmam que os empréstimos são efetuados por intermédio de contacorrente. Destarte, concluise que os valores enviados pela Virgolino de Oliveira não possuem a natureza de AFAC adiantamento para futuro aumento de capital, já que, neste caso, não haveria lançamentos vultosos a crédito na conta do ativo realizável a longo prazo (conta nº 12110010 – fls. 314/325). Analisando os lançamentos efetuados nesta conta verificamos que diversos deles também mencionam a palavra “mútuo”. Com efeito, verificamos que ao longo do anocalendário de 2007 foram contabilizadas receitas financeiras relativas às operações de Mútuo firmadas entre a fiscalizada e a Agropecuária Terras Novas: DT.LANCTO CONTA HISTÓRICO VALOR DÉBITO CONTRAPARTIDA HISTÓRICO 31/01/2007 12110010 ATUALIZAÇÃO CDI MUTUO AGRO TN 31/01/07 9.446,36 64110012 Juros Credores Mútuo 28/02/2007 12110010 ATUALIZAÇÃO CDI MUTUO AGRO TN 28/02/07 8.237,04 64110012 Juros Credores Mútuo 01/03/2007 12110010 AJUSTE ATUALIZACAO CDI MUTUO AGRO TN 10/06 A 02/07 1.077.723,99 64110012 Juros Credores Mútuo 31/03/2007 12110010 ATUALIZACAO CDI MUTUO AGRO TN 03/2007 339.412,08 64110012 Juros Credores Mútuo 30/04/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 04/07 348.024,48 64110012 Juros Credores Mútuo 01/05/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 04/07 1,4 64110012 Juros Credores Mútuo 31/05/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 05/07 453.575,51 64110012 Juros Credores Mútuo 30/06/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 06/07 430.307,64 64110012 Juros Credores Mútuo 31/07/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 07/07 518.257,01 64110012 Juros Credores Mútuo 31/08/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 08/07 604.269,56 64110012 Juros Credores Mútuo 30/09/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 09/07 541.848,70 64110012 Juros Credores Mútuo 31/10/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 10/07 656.407,92 64110012 Juros Credores Mútuo 30/11/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 11/07 665.944,19 64110012 Juros Credores Mútuo 31/12/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 12/07 680.422,49 64110012 Juros Credores Mútuo TOTAL 6.333.878,37 Portanto, fica evidente que as operações realizadas nesta conta não se referem a adiantamentos para futuro aumento de capital, já que a própria contribuinte escriturou estes lançamentos como empréstimos (mútuo). Ressaltase que mesmo intimada a apresentar referidos contratos de mútuo, nada foi entregue à fiscalização. Com efeito, veremos que os juros ativos cobrados nas operações de mútuo efetuadas com as controladas são inferiores aos juros incorridos nas operações de créditos (empréstimos e financiamentos) contraídos pela Virgolino de Oliveira. A partir do anocalendário de 2008 (01/01/2008) a contribuinte mudou a forma de contabilização da remessa de recursos para as empresas controladas [transferiu o saldo devedor da conta Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.273 14 12110010 para a conta 12340003 (AFAC)]. Contudo, o modus operandi continuou o mesmo, já que continuou havendo lançamentos a crédito e a débito na conta 12340003 – fls. 345/356. Ademais, basta verificar o histórico do primeiro lançamento efetuado na conta AFAC nº 12340003 – fl. 345: Débito: conta nº 12340003 (Agropecuária Terras Novas S/A) Crédito: conta nº 12110010 (Agropecuária Terras Novas S/A) Data: 01/01/2008 Histórico do Lançamento: “TRANSF DA CTA MUTUO 12110010” Valor: R$ 81.719.664,33 Abaixo transcrevemos os valores consolidados dos lançamentos efetuados na conta 12340003: CONTA SALDO INICIAL LANÇAMENTOS SALDO FINAL TRANSFERÊNCIA AFAC DATA VALOR D/C DÉBITOS CRÉDITOS DATA VALOR D/C DATA VALOR CONTA 12340003 01/01/2008 81.719.664,33 D 64.677.017,26 20.806.517,61 31/12/2008 125.590.163,98 D 31/12/2008 125.590.163,98 D 18.351.732,49 43.941.896,47 30/04/2009 100.000.000,00 D 30/04/2009 100.000.000,00 13110004 TOTAL 83.028.749,75 64.748.414,08 Percebese que o modus operandi dos lançamentos continua idêntico aos escriturados na conta nº 12110010. Ou seja, ocorrem vultosos lançamentos a débito e a crédito da conta nº 12340003. Apesar de o contribuinte ter utilizado parte do saldo devedor apurado nesta conta (nº 12340003) para integralizar capital social na empresa Agropecuária Terras Novas S/A [em 30/04/2009, no valor igual a R$100.000,00 (cem mil reais)] (sic), verificamos que a fiscalizada transferiu o saldo desta conta (R$ 19.576.771,09), em 30/04/2009, para a conta nº 12110010. Por todo o exposto, restou comprovado que os repasses feitos pela controladora à controlada, desde o anocalendário de 2006, tiveram a natureza jurídica de empréstimos (mútuos) firmados por intermédio de um contacorrente (contas nºs 12110010 e 12340003). Também restou comprovado que somente incidiram encargos de juros ativos, relativos aos empréstimos efetuados às controladas, no anocalendário de 2007, e que estes juros, conforme veremos, é muito inferior aos obtidos nos empréstimos contraídos pela fiscalizada. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.274 15 4.3 DAS OPERAÇÕES REALIZADAS NA CONTA 12110011 – fls. 326/329 De acordo com as informações prestadas pela fiscalizada, as transferências bancárias realizadas pela empresa Virgolino de Oliveira à sua controlada (Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A) são relativas às vendas de canadeaçúcar produzida pela Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A. Ou seja, a conta nº 12110011 representa um contacorrente firmado entre a fiscalizada e sua controlada, na medida em que são registradas as remessas de recursos à controlada (lançamento a débito) bem como o recebimento de canade açúcar produzido pela controlada (lançamento a crédito). Analisando os lançamentos desta conta no livro razão, verificamos que os valores consolidados, abaixo informados, nos permitem extrair algumas conclusões: CONTA SALDO INICIAL LANÇAMENTOS SALDO FINAL TRANSFERÊNCIA AFAC DATA VALOR D/C DÉBITOS CRÉDITOS DATA VALOR D/C DATA VALOR CONTA 31/12/2006 1.239.769,40 D 610.430,49 1.850.199,89 31/12/2007 D 12110011 31/12/2007 1.349.862,02 1.349.862,02 31/12/2008 D 31/12/2008 1.721.155,35 1.721.155,35 31/12/2009 D TOTAL 232.930.758,95 138.208.789,94 Primeiramente, notase que o saldo desta conta, em 31/12/2006, era devedor, no valor total igual a R$1.239.769,40 (um milhão, duzentos e trinta e nove mil, setecentos e sessenta e nove reais e quarenta centavos). Ou seja, a Virgolino de Oliveira já vinha, antes do período fiscalizado, enviando recursos à sua controlada num valor superior ao valor da canadeaçúcar entregue pela agropecuária. Em relação aos anoscalendário de 2007 a 2009, o valor repassado era igual ao valor da canadeaçúcar recebida. 4.4 DOS INSTRUMENTOS PARTICULARES DE ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL AFAC Foram apresentados pela fiscalizada os seguintes AFAC, datados de 01/01/2008: firmado entre a Virgolino de Oliveira e a Açucareira Virgolino de Oliveira S/A – conta contábil nº 12340002 – fls. 199/201; firmado entre a Virgolino de Oliveira e a Agropecuária Terras Novas S/A – conta contábil nº 12340003 – fls. 202/203; Vejamos as principais peças destes contratos: 4.4.1 AFAC – (Virgolino de Oliveira x Açucareira Virgolino de Oliveira S/A) – fls. 199/201 Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.275 16 Além de os contratos firmados entre as empresas do grupo Virgolino de Oliveira não terem sido registrados4, conseqüentemente não surtindo efeitos perante terceiros, vamos analisar os aspectos intrínsecos firmados pelas partes. O instrumento firmado teve por objetivo o adiantamento para futuro aumento de capital social na empresa Açucareira Virgolino de Oliveira. Seguem as principais peças contratuais: As partes: VIRGOLINO DE OLIVEIRA S/A – AÇÚCAR E ÁLCOOL, (...) doravante a simplesmente INVESTIDORA; AÇUCAREIRA VIRGOLINO DE OLIVEIRA S/A, (...) doravante a simplesmente INVESTIDA; (...) Cláusula primeira: A INVESTIDORA, neste ato, se compromete, dentro das necessidades da INVESTIDA, a saldar seus compromissos até a quantia de R$130.000.000,00 (Centro e trinta milhões de reais), que será lançado em conta corrente mantido entre elas, e o saldo utilizado pra subscrição e integralização de capital na INVESTIDA pela INVESTIDORA até o dia 30 de abril de 2009. Cláusula segunda: Sobre o valor do presente adiantamento para futuro aumento de capital não incidirá encargos financeiros tais como juros, atualização monetária ou qualquer outra modalidade. (...) Cláusula quarta: Na eventualidade da capitalização do valor adiantado não for efetivada dentro do prazo previsto na cláusula primeira deste instrumento, deverá constar obrigatoriamente da pauta da Assembléia Geral que for instalada para deliberar sobre as demonstrações financeiras a serem levantadas em 30 de abril de 2009, prevalecendo os compromissos de aprovações previstos na cláusula anterior. (...) (grifei) Da análise deste contrato podemos concluir o seguinte: a) objetivo dos empréstimos: 4 Art. 221, do Código Civil Lei nº 10.406/2002 O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.276 17 O principal objetivo dos empréstimos efetuados pela Virgolino de Oliveira foi saldar os compromissos da INVESTIDA, até o montante igual a R$130.000.000,00 (cento e trinta milhões de reais). b) controle dos empréstimos: Os recursos repassados à controlada para a liquidação de suas obrigações são controlados por intermédio de um contacorrente (conta nº 12110009), conforme já descrevemos exaustivamente ao longo deste termo. c) O contrato prevê que a integralização de capital poderia ser feito pelo saldo do contacorrente, até 30/04/2009. Ou seja, os recursos enviados à controlada são utilizados, prioritariamente, na liquidação de seus compromissos, e, havendo saldo, poderia ser efetuada a integralização de capital na controlada. Com efeito, a cláusula quarta previa, inclusive, a não efetivação da capitalização, mesmo que houvesse saldo no referido conta corrente. Destarte, restou demonstrado que os recursos repassados às controladas por intermédio de contascorrente, possuem a natureza de empréstimos (mútuos), conforme já demonstrado ao longo deste termo. d) Não incidência de encargos financeiros: Enquanto sobre os empréstimos obtidos no mercado financeiro incidiram encargos contabilizados pela controladora como despesas financeiras5, os repasses às controladas foram realizados SEM a incidência de qualquer encargo, mormente juros ativos. A previsão contratual de não incidência de encargos nos empréstimos efetuados às controladas tem vigência a partir de 01/01/2008 (data de assinatura dos contratos AFAC). Contudo, veremos adiante, que no anocalendário de 2007 os juros ativos cobrados pela controladora foram inferiores aos juros relativos aos empréstimos e financiamentos obtidos no mercado financeiro. e) Vigência do contrato particular – AFAC: Apesar de os contratos particulares terem sido assinados no dia 01/01/2008, eles possuem saldo inicial oriundo das contas corrente de empréstimos nºs 12110009 e 12110010, nos valores de R$122.275.711,53 e R$ 81.719.664,33, respectivamente. Ou seja, referido AFAC disciplinou fatos ocorridos antes de sua vigência (até 31/12/2007). Já relatamos que até o anocalendário de 2007 incidiram juros ativos sobre os empréstimos efetuados pela controladora às suas 5 Ver demonstrativo de contratos de empréstimos e financiamentos contratados, onde estão dispostos todos os encargos incidentes nas operações de empréstimos fls. xxxxx. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.277 18 controladas, e que, a partir do anocalendário de 2008, a fiscalizada alterou a forma de contabilização de tais empréstimos, repassando os recursos como AFAC – adiantamento para futuro aumento de capital, sem a incidência de qualquer encargo financeiro às controladas. Demonstraremos, no item “5”, o real motivo pelo qual os empréstimos foram contraídos pela controladora e repassados às controladas. 4.4.2 AFAC – (Virgolino de Oliveira x Agropecuária Terras Novas S/A) – fls. 202/203 Todos os dispositivos deste contrato são idênticos ao contrato citado no item 4.4.1. A única diferença é a INVESTIDA, que neste contrato é a Agropecuária Terras Novas S/A. 5. DA “ENGENHARIA FINANCEIRA” Já relatamos que as empresas integrantes do grupo econômico Virgolino de Oliveira possuem os mesmos acionistas – fls. 557/558. Então qual seria o motivo de a controladora contrair os empréstimos e financiamentos e repassar às controladas, em vez de os referidos empréstimos serem diretamente contratados pelas controladas? Esta pergunta pode ser facilmente respondida se analisarmos os demonstrativos de apuração do Lucro Real declarados6 pelas empresas envolvidas nas operações (controladora e controladas) – fl. 693. Antes de discorrermos sobre o lucro de cada empresa, cumpre informar que a Açucareira Virgolino de Oliveira S/A possui duas unidades de produção: uma em José Bonifácio (CNPJ 07.024.792/000183), que entrou em operação em maio de 2006, e outra em Monções (CNPJ 07.024.792/000264), que iniciou suas operações em julho de 20087. Portanto, são plantas industriais novas. Junto com a Açucareira Virgolino de Oliveira também foi criada a Agropecuária Terras Novas S/A, empresa agrícola onde estão imobilizadas as propriedades rurais responsáveis pela produção e abastecimento da canadeaçúcar às usinas produtoras. Ou seja, também é uma empresa recente, se compararmos com a fiscalizada, que foi inaugurada há mais de 40 (quarenta) anos (a data de abertura do CNPJ foi em 15/08/1966). Vamos demonstrar, a seguir, o lucro real apurado pelas empresas no período fiscalizado – fl. 693: Ø Anocalendário de 2007: 6 Valores obtidos das DIPJ relativas aos anoscalendário de 2007 a 2009. 7 Início de operação das unidades extraídos do sítio da fiscalizada: www.gvo.com.br Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.278 19 DESCRIÇÃO A/C 2007 Virgolino de Açucareira Agropecuária Oliveira S/A Virgolino de Terras Novas Açúcar e Álcool Oliveira S/A S/A Receita Líquida das Atividades 372.607.284,93 80.307.707,88 25.743.008,23 ( ) Custo dos Bens e Serviços Vendidos 315.062.789,74 83.327.249,09 34.403.342,17 = Lucro Bruto 57.544.495,19 3.019.541,21 8.660.333,94 Variações Cambiais Ativas 5.393.423,84 149.410,01 Outras Receitas Financeiras 64.052.305,39 8.102.666,06 76.172,56 Resultados Positivos em Particip. Societárias 3.138.545,15 Outras Receitas Operacionais 7.383.987,34 2.185.801,15 825.895,69 ( ) Despesas Operacionais 39.179.335,26 9.006.617,92 2.301.271,35 ( ) Variações Cambiais Passivas 7.485.649,95 1.407.560,92 ( ) Outras Despesas Financeiras 85.985.800,83 26.203.870,54 4.747.948,74 ( ) Resultados Negativos em Particip. Societárias 28.041.681,40 ( ) Amortização de Ágio nas Aquis. de Invest. Aval. Pelo PL = Lucro Operacional 23.179.710,53 29.199.713,37 14.807.485,78 Receitas Alien. Bens/Dir. do At. Permanente 1.258.594,84 Outras Receitas Não Operacionais 300.337,00 76.329,72 ( ) Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados 159.443,40 = Resultado do Período de Apuração 21.780.222,09 29.123.383,65 14.807.485,78 ( ) Parcicipações de Empregados 323.128,53 7.470,67 7.682,13 = Lucro Líquido antes da CSLL 22.103.350,62 29.130.854,32 14.815.167,91 ( ) CSLL 314.474,36 2.616.926,32 1.330.762,60 = Lucro líquido antes do IRPJ 22.417.824,98 26.513.928,00 13.484.405,31 A dições 30.430.944,27 53.895,25 2.005.704,46 ( ) Exclusões 5.506.345,93 2.616.926,32 23.332.080,71 = Lucro Real antes da Comp. Prej. Próprio Per. De Apuração 2.506.773,36 29.076.959,07 34.810.781,56 ( ) Atividade em Geral ( ) Atividade Rural = Lucro Real Após Comp. Prej. Próprio Per. De Apuração 2.506.773,36 29.076.959,07 34.810.781,56 ( ) Comp. Prej. Atividades em Geral 752.032,01 = Lucro Real 1.754.741,35 29.076.959,07 34.810.781,56 Verificamos, acima, que a controladora, mesmo contabilizando despesas financeiras no valor igual a R$93.471.450,78 (noventa e três milhões, quatrocentos e setenta e um mil, quatrocentos e cinqüenta reais e setenta e oito centavos), apurou um lucro real igual a R$1.754.741,35 (um milhão, setecentos e cinqüenta e quatro mil, setecentos e quarenta e um reais e trinta e cinco centavos). Já as controladas (Açucareira Virgolino de Oliveira e Agropecuária Virgolino de Oliveira), por serem empresas novas, com muitas despesas préoperacionais e de implantação diferidas, e custo elevado em razão do início de sua produção (elevado custo fixo em relação às suas receitas), apresentaram prejuízo contábil em suas demonstrações financeiras. Com efeito, já demonstramos que parte dos empréstimos obtidos pela Virgolino de Oliveira foi repassado às suas controladas. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.279 20 Também restou demonstrado que os encargos incidentes nos empréstimos contraídos no mercado financeiro pela controladora eram visivelmente superiores aos repassados às controladas (no anocalendário de 2007). Portanto, se os empréstimos fossem contraídos diretamente pelas controladas, o lucro real da controladora seria muito maior, já que não seriam contabilizadas as despesas financeiras incidentes nos empréstimos contraídos e repassados. Com efeito, veremos, no item 6.1.5.4, que o lucro real da controladora, com a exclusão das despesas financeiras relativas aos empréstimos repassados às controladas, foi de R$14.134.063,39 (quatorze milhões, cento e trinta e quatro mil, sessenta e três reais e trinta e nove centavos) – fl. 841. Logo, ao contrair os empréstimos e financiamentos junto ao mercado financeiro e repassar às controladas com a incidência de encargos menores do que os contraídos, o grupo econômico reduziu, de forma indevida, o lucro real e a CSLL da fiscalizada. Por outro lado, as controladas, por serem deficitárias, não tinham interesse contábil em aumentar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL. Ø Anocalendário de 2008 – fl. 693: DESCRIÇÃO A/C 2008 Virgolino de Açucareira Agropecuária Oliveira S/A Virgolino de Terras Novas Açúcar e Álcool Oliveira S/A S/A Receita Líquida das Atividades 395.897.158,11 138.459.968,66 54.929.624,62 ( ) Custo dos Bens e Serviços Vendidos 317.500.228,48 126.420.724,99 78.981.958,02 = Lucro Bruto 78.396.929,63 12.039.243,67 24.052.333,40 Variações Cambiais Ativas 3.867.736,28 2.521.370,18 Outras Receitas Financeiras 54.793.691,58 15.632.637,37 108.536,81 Resultados Positivos em Particip. Societárias 3.833.164,99 Outras Receitas Operacionais 22.374.495,43 5.955.150,80 1.645.826,30 ( ) Despesas Operacionais 33.197.173,09 15.747.875,38 2.372.017,09 ( ) Variações Cambiais Passivas 32.846.740,41 8.963.114,07 ( ) Outras Despesas Financeiras 137.494.287,65 60.562.028,53 4.700.517,56 ( ) Resultados Negativos em Particip. Societárias 50.229.087,79 ( ) Amortização de Ágio nas Aquis. de Invest. Aval. Pelo PL = Lucro Operacional 90.501.271,03 49.124.615,96 29.370.504,94 Receitas Alien. Bens/Dir. do At. Permanente 502.673,93 333.711,02 Outras Receitas Não Operacionais 835.851,94 284.655,00 ( ) Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados 87.227,63 332.511,02 = Resultado do Período de Apuração 89.249.972,79 48.838.760,96 29.370.504,94 ( ) Parcicipações de Empregados 630.385,53 25.505,78 18.481,84 = Lucro líquido antes da CSLL 89.880.358,32 48.864.266,74 29.388.986,78 ( ) CSLL 4.994.241,28 4.351.630,81 2.623.003,76 = Lucro líquido antes do IRPJ 84.886.117,04 44.512.635,93 26.765.983,02 Adições 52.434.837,87 512.813,13 8.960.162,26 ( ) Exclusões 21.820.387,50 4.351.630,81 8.715.081,76 Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.280 21 = Lucro Real antes da Comp. Prej. Próprio Per. De Apuração 54.271.666,67 48.351.453,61 26.520.902,52 ( ) Atividade em Geral ( ) Atividade Rural = Lucro Real após Comp. Prej. Próprio Per. De Apuração 54.271.666,67 48.351.453,61 26.520.902,52 ( ) Comp. Prej. Atividades em Geral = Lucro Real 54.271.666,67 48.351.453,61 26.520.902,52 A partir do anocalendário de 2008, como já relatado, a fiscalizada emprestou recursos às controladas SEM a incidência de qualquer encargo financeiro. A controladora apurou prejuízo fiscal de R$54.271.666,67 (cinqüenta e quatro milhões, duzentos e setenta e um mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos), contabilizando despesas financeiras no valor igual a R$170.341.028,00 (cento e setenta milhões, trezentos e quarenta e um mil, e vinte e oito reais). Contudo, demonstraremos na fl. 817, que do total das despesas contabilizadas, parte delas (R$80.471.425,45 – oitenta milhões, quatrocentos e setenta e um mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e quarenta e cinco centavos) referese às DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (encargos incidentes sobre os empréstimos contraídos junto ao mercado financeiro e repassados às controladas sem a incidência de qualquer encargo). Ressaltese que, caso a fiscalizada não tivesse computado, no cálculo do lucro real, essas despesas financeiras (R$80.471.425,45), o resultado teria sido igual a R$26.199.758,78 (vinte e seis milhões, cento e noventa e nove mil, setecentos e cinqüenta e oito reais e setenta e oito centavos) – fl. 841. Portanto, mais uma vez, verificamos que a “estratégia” da empresa em contrair empréstimos e financiamentos em nome de pessoa jurídica lucrativa (controladora), visou a redução do seu lucro ou a produção de prejuízo contábil, já que as demais empresas (controladas) já apresentavam prejuízo, mesmo sem contrair empréstimos que gerassem despesas financeiras . Ø Anocalendário de 2009 – fl. 693: DESCRIÇÃO A/C 2009 Virgolino de Açucareira Agropecuária Oliveira S/A Virgolino de Terras Novas Açúcar e Álcool Oliveira S/A S/A Receita Líquida das Atividades ( ) Custo dos Bens e Serviços Vendidos 412.405.282,34 395.722.620,97 84.595.625,52 = Lucro Bruto 95.558.349,34 57.455.925,40 14.247.862,88 Variações Cambiais Ativas 10.857.397,61 1.017.118,54 Outras Receitas Financeiras 51.535.244,65 51.417.122,13 110.105,92 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.281 22 Resultados Positivos em Particip. Societárias 5.418.953,36 Outras Receitas Operacionais 12.551.138,67 12.832.574,67 1.276.139,07 ( ) Despesas Operacionais 39.593.060,00 30.964.208,24 3.344.944,93 ( ) Variações Cambiais Passivas 11.771.346,76 12.950.239,58 ( ) Outras Despesas Financeiras 120.820.067,62 77.687.933,94 9.415.129,23 ( ) Resultados Negativos em Particip. Societárias 16.910.242,08 ( ) Amortização de Ágio nas Aquis. de Invest. Aval. Pelo PL 2.110.660,35 = Lucro Operacional 15.284.293,18 1.120.358,98 25.621.692,05 Receitas Alien. Bens/Dir. do At. Permanente 1.073.373,00 257.682,88 Outras Receitas Não Operacionais 331.189,12 66.092,40 ( ) Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados 254.023,44 144.915,54 = Resultado do Período de Apuração 14.133.754,50 1.299.218,72 25.621.692,05 ( ) Parcicipações de Empregados 108.110,96 5.549,14 3.277,81 = Lucro Líquido antes da CSLL 14.241.865,46 1.293.669,58 25.624.969,86 ( ) CSLL 30.766,33 128.217,67 2.302.910,51 = Lucro Líquido antes do IRPJ 14.211.099,13 1.165.451,91 23.322.059,35 Adições 20.606.079,35 270.197,93 6.364.175,65 ( ) Exclusões 5.813.135,69 148.024,00 7.834.299,51 = Lucro Real antes da Comp. Prej. Próprio Per. De Apuração 581.844,53 1.287.625,84 24.792.183,21 ( ) Atividade em Geral ( ) Atividade Rural = Lucro Real após Comp. Prej. Próprio Per. De Apuração 581.844,53 1.287.625,84 24.792.183,21 ( ) Comp. Prej. Atividades em Geral 174.553,36 386.287,75 = Lucro Real 407.291,17 901.338,09 24.792.183,21 O mesmo modus operandi adotado nos anoscalendário de 2007 e 2008 foi utilizado em 2009. A contribuinte contabilizou despesas financeiras no valor igual a R$135.591.414,40 (cento e trinta e cinco milhões, quinhentos e noventa e um mil, quatrocentos e quatorze reais e quarenta centavos), com o objetivo de reduzir o lucro real para R$407.291,17 (quatrocentos e sete mil, duzentos e noventa e um reais e dezessete centavos). Todavia, é certo que parte destas despesas (R$30.485.275,71 – trinta milhões, quatrocentos e oitenta e cinco mil, duzentos e setenta e cinco reais e setenta e um centavos) são relativas às DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS (encargos incidentes sobre os empréstimos contraídos junto ao mercado financeiro e repassados às controladas sem a incidência de qualquer encargo) – fl. 817. Com a exclusão das despesas financeiras não necessárias o lucro real da fiscalizada, neste anocalendário foi de R$31.067.120,24 (trinta e um milhões, sessenta e sete mil, cento e vinte reais e vinte e quatro centavos) – fl. 841. Da mesma forma, veremos no item 6.1.5.4, que aumentou a base de cálculo da CSLL nos anoscalendário fiscalizado. Por todo o exposto, ficou demonstrado que ao contrair os empréstimos e financiamentos junto ao mercado financeiro e repassar parte dos recursos às empresas controladas, sem a Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.282 23 incidência de qualquer encargo, o grupo econômico reduziu, de forma indevida, o lucro real e a CSLL da fiscalizada. Cumpre ressaltar que apesar de os repasses de recursos estarem contabilizados em um contacorrente, o que houve, na realidade, foi um contrato de MÚTUO – NÃO ONEROSO (para os anos calendário de 2008 e 2009). Ou seja, um contrato de mútuo sem qualquer remuneração por parte da mutuaria. Já em relação ao anocalendário de 2007, não obstante não terem sido apresentados os contratos de mútuo firmados, restou comprovado que os valores relativos aos empréstimos contraídos foram repassados às controladas com um encargo (juros) inferior ao contraído no mercado financeiro. Com efeito, basta analisar o demonstrativo de fl. 817, que verificaremos que as despesas financeiras contraídas, relativas aos empréstimos repassados às controladas, são significativamente maiores que os juros ativos contabilizados. Este entendimento está de acordo com o Parecer Normativo CST nº 23, de 24/11/83, que traz o seguinte esclarecimento em seu item 2.1: “2.1 – Não tem relevância a forma pela qual o empréstimo se exteriorize; contrato escrito ou verbal, adiantamento de numerário ou simples lançamento em conta corrente, qualquer feitio que configurar capital financeiro posto à disposição de outra sociedade sem remuneração, ou com compensação financeira inferior àquela estipulada na lei, constitui fundamento para aplicação da norma legal”. (grifei) A jurisprudência é pacífica neste sentido: “CONTRATO DE MÚTUO. CARACTERIZAÇÃO. Irrelevante a forma pela qual o empréstimo se exteriorize: contrato escrito ou verbal, adiantamento de numerário ou simples lançamento em conta corrente. Qualquer feitio que configurar capital financeiro posto à disposição de outra sociedade sem remuneração, ou com compensação financeira inferior àquela estipulada na lei, constitui fundamento para aplicação da norma legal (Acórdão DRJ/REC Nº 10586, de 13 de dezembro de 2004)”. (grifei) Os empréstimos e financiamentos obtidos junto ao mercado financeiro e repassados em parte às empresas controladas, sem a incidência de qualquer encargo (ou com a incidência de encargos menores do que contraídos – ano de 2007), proporcionaram à fiscalizada a redução, de forma indevida, do Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.283 24 lucro real e da CSLL da fiscalizada, em razão da contabilização das DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS8. É importante ressaltar que as despesas financeiras relativas a empréstimos e financiamentos obtidos junto às instituições financeiras, por parte da fiscalizada, e repassadas às suas controladas, na forma de empréstimo, não são necessárias à atividade operacional da fiscalizada, sendo, portanto, passíveis de glosa nos termos do artigo 47 da Lei nº 4.506/64, base legal para o art. 299 e seus parágrafos do RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, a seguir transcrito: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Este entendimento é pacífico na jurisprudência administrativa do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se verifica nas seguintes ementas: “EMPRÉSTIMOS A PESSOAS LIGADAS PROPORCIONALIDADE DESPESAS INDEDUTÍVEIS Se os encargos incidentes sobre empréstimos contraídos junto a terceiros são proporcionalmente maiores do que aqueles incidentes sobre empréstimos concedidos a pessoa ligada, a diferença é considerada despesa indedutível. Restabelecese a proporcionalidade restringindo os encargos financeiros, levados à despesa, àqueles decorrentes de empréstimos a pessoas ligadas, desconsiderandose aqueles resultantes das demais obrigações registradas no passivo da empresa. 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10193.965 em 19.09.2002. Publicado no DOU em: 02.10.2002.” “DESPESAS FINANCEIRAS DE EMPRÉSTIMO REPASSADO – O custo financeiro de empréstimos repassados em conta corrente para outra empresa, através de pagamento de despesas em nome desta, não pode ser apropriado pela repassante por não se enquadrar no conceito de necessidade, violando os 8 encargos incidentes sobre os empréstimos contraídos junto ao mercado financeiro e repassados às controladas sem a incidência de qualquer encargo. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.284 25 pressupostos da normalidade e da usualidade das despesas (Ac. 1º CC 10175.558/ 84).” “IRPJ DESPESAS FINANCEIRAS EMPRÉSTIMO REPASSADO As despesas financeiras relativas a empréstimos repassados para outra pessoa jurídica, mesmo interligada, sem incidência de encargos financeiros, não se afiguram como despesas necessárias à atividade da empresa, porquanto não utilizados na manutenção da fonte produtora de rendimentos (Acórdão nº: 10321.632).” “IRRP – GLOSA – DESPESAS FINANCEIRAS. O repasse de fundos para empresas ligadas, sem a incidência de juros de mercado, possibilita a glosa de parte das despesas financeiras incorridas ou pagas nos empréstimos obtidos (Acórdão nº: 10321.850).” “GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESPESAS DESNECESSÁRIAS EMPRESTIMOS REPASSADOS A EMPRESAS CONTROLADAS Correta a decisão que manteve a glosa de despesas financeiras por juros passivos, apropriados por remuneração de empréstimo obtido de pessoa ligada, quando os recursos assim obtidos foram parcialmente repassados, sem a apropriação de juros ativos, a empresas controladas. Tais despesas se revelam desnecessárias, no montante proporcional ao repasse. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA MÚTUO COM PESSOA VINCULADA NO EXTERIOR FALTA DE ADIÇÃO DE PARCELA DE JUROS A pessoa jurídica mutuante, domiciliada no Brasil, deve oferecer à tributação, no mínimo, os juros previstos nos artigos 22 a 24 da Lei nº 9.430/1996, nas condições ali estabelecidas. Restando comprovado que o mútuo foi contratado em moeda nacional, devem ser afastadas as exigências sobre variações cambiais e os juros devem ser recalculados tendo como base os saldos que constam da contabilidade da mutuante” (Acórdão nº: 10517.319, de 12/11/2008).” “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL – Despesas Operacionais Desnecessárias. Indedutibilidade. Glosa. Inclusão na Base de Cálculo. A contabilização de despesas financeiras pertinentes a recursos tomados pela contribuinte, porém direcionados ao patrimônio de outras pessoas jurídicas ligadas a ela, implica inobservância do princípio contábil da entidade, ensejando a glosa da parte comprovadamente desnecessária na composição do lucro líquido e, por conseqüência, sua exclusão da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.285 26 CSLL. (Acórdão n/ 055342, de 18/11/2003 – DRJ Campinas)”. Na mesma linha segue a doutrina: “ O mútuo poderá ser contratado sem qualquer remuneração mas se a mutuante tiver despesas financeiras, a jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes é no sentido de indedutibilidade desses encargos por serem desnecessários à atividade da pessoa jurídica. Pelo ac. Nº 10312.070/ 92 (DOU de 180892) foi decidido que são indedutíveis, na determinação do lucro real, os valores correspondentes à diferença apurada entre os encargos financeiros pagos por financiamentos tomados no mercado e os recebidos por empréstimos concomitantemente concedidos à empresa controladora. Vide ainda os ac. nºs 10179.646/ 90 no DOU de 030590, 10224.814/ 90 no DOU de 130790 e 10313.446/ 93 no DOU de 280395.” (Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática; Hiromi Higuchi; 28ª Edição; pág.517) Da mesma forma, orienta o Boletim IOB – Manual de Procedimentos – Imposto de Renda e Legislação Societária, fascículo nº 25/2006, item 6, de junho de 2006: “Atualmente (desde a extinção da correção monetária do balanço), nos contratos de mútuo entre empresas controladoras e controladas e coligadas ou interligadas, não é exigido o reconhecimento de nenhuma receita financeira por parte da mutuante. Entretanto, se a mutuante houver tomado emprestado de terceiros os recursos que repassar a empresas controladas, coligadas ou interligadas e o repasse for feito sem a cobrança de encargos ou com a cobrança de encargos inferiores aos pagos para a obtenção dos recursos repassados, o Fisco poderá considerar indedutíveis as despesas financeiras pagas pela mutuante, na parte que exceder ao valor do encargo cobrado das controladas, coligadas ou interligadas, no repasse dos recursos, por considerálas não necessárias.” Portanto, as despesas financeiras relativas aos empréstimos contraídos junto ao mercado financeiro e repassados às controladas (Açucareira Virgolino de Oliveira S/A e Agropecuária Terras Novas S/A) serão consideradas como despesas financeiras não necessárias (despesas indedutíveis), razão pela qual serão adicionadas à base de cálculo da CSLL e ao Lucro Líquido do período. Passamos, então, a demonstrar as Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.286 27 despesas financeiras deduzidas de forma irregular pela fiscalizada. Também será apurado o IOF incidente nas operações de empréstimos efetuados pela controladora às controladas. 6 – DAS INFRAÇÕES APURADAS 6.1 – DO CÁLCULO DAS DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS 6.1.1 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS OBTIDOS – “EMPRÉSTIMOS PASSIVOS” Já citamos que a contribuinte foi intimada para apresentar cópia de todos os contratos relativos aos empréstimos e financiamentos, cujos encargos foram contabilizados no grupo de contas n° 64106 (“DESPESAS FINANCEIRAS”) – fl.559/561. Além do demonstrativo dos contratos de empréstimos e financiamentos fornecidos pela fiscalizada (fls. 623/624 e 626/627), ela também informou o nº contábil das contas onde foram contabilizadas as obrigações (Empréstimos, Financiamentos etc.) cujas despesas foram contabilizadas no grupo nº 64106 – fls.577/594. Com efeito, a contribuinte relacionou os seguintes grupos de contas: Passivo Circulante – grupo de contas nº 21: 2121– empréstimos; 2122– financiamentos. Passivo Circulante – grupo de contas nº 22: 2221– empréstimos; 2222– financiamentos. Não obstante a fiscalizada relacionar apenas as contas dos grupos nº 21 e 22, cujas despesas foram contabilizadas como financeiras – grupo nº 64106, a fiscalização identificou outras contas, relativas a empréstimos ou financiamentos, cujas despesas também transitaram pela conta nº 64106: grupo de contas nºs 2224 (Adiantamentos da produção Copersucar), do Passivo Exigível a Longo Prazo; grupo de contas nºs 2225 (Copersucar – Adiantamentos prod. Empr. Concedidos), do Passivo Exigível a Longo Prazo; grupo de contas nºs 2226 (Conta Redutora), do Passivo Exigível a Longo Prazo; Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.287 28 grupo de contas nºs 2155 (Empresas Relacionadas e Acionistas), no Passivo Circulante. Destarte, a fiscalização agrupou em uma única conta (grupo nº 011) todas as contas de empréstimos e financiamentos, cujos encargos financeiros foram contabilizados na conta nº 64106 (despesas financeiras), e denominou este grupo de “EMPRÉSTIMOS PASSIVOS”: Grupo de contas nº 011 (EMPRÉSTIMOS PASSIVOS): grupo de contas nºs: 2121, 2122, 2155, 2221, 2222, 2224, 2225 e 2226 Após o agrupamento destas contas (que resultou no grupo nº 011), foi elaborado o demonstrativo de fls. 694/723, no qual efetuamos a consolidação diária de todos os lançamentos do grupo nº 011 (empréstimos passivos). Ou seja, foi elaborada a consolidação diária de todos os empréstimos e financiamentos obtidos pela contribuinte. Ato contínuo foi calculada a média ponderada mensal dos empréstimos e financiamentos contraídos pela fiscalizada. Para tanto, foi realizada a seguinte operação matemática – fls. 694/723: MPE9 = soma diária (nº dias x saldo acumulado diário da conta empréstimo) Soma do nº de dias do mês 6.1.2 EMPRÉSTIMOS EFETUADOS ÀS EMPRESAS CONTROLADAS (AÇUCAREIRA VIRGOLINO DE OLIVEIRA S/A E AGROPECUÁRIA TERRAS NOVAS S/A) – “EMPRÉSTIMOS ATIVOS” Analisando a contabilidade da empresa apuramos, no Ativo Realizável a Longo Prazo, diversos empréstimos efetuados às empresas controladas: Ativo Realizável a Longo Prazo – grupo de contas nº 12: grupo de contas nº 1211 – empresas relacionadas; conta nº 12340002 – AFAC – Açucareira Virgolino de Oliveira S/A; conta nº 12340003 – AFAC – Agropecuária Terras Novas S/A; 9 MPE média ponderada mensal dos empréstimos e financiamentos Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.288 29 Estes lançamentos foram agrupados no grupo nº 027, denominado de “EMPRÉSTIMOS ATIVOS”. Após o agrupamento destas contas (que resultou no grupo nº 027) foi elaborado o demonstrativo de fls. 724/753, no qual efetuamos a consolidação diária de todos os lançamentos do grupo nº 027 (empréstimos ativos). Ou seja, foi elaborada a consolidação diária de todos os empréstimos repassados ás controladas. Ato contínuo foi calculada a média ponderada mensal dos empréstimos repassados às controladas. Para tanto, foi realizada a seguinte operação matemática – fls. 724/753: MPE10 = soma diária (nº dias x saldo acumulado diário da conta empréstimo) Soma do nº de dias do mês 6.1.3 DESPESAS FINANCEIRAS CONTABILIZADAS Já citamos que a contribuinte foi intimada para apresentar cópia de todos os contratos relativos aos empréstimos e financiamentos, cujos encargos foram contabilizados no grupo de contas n° 64106 (“DESPESAS FINANCEIRAS”). Além do demonstrativo dos contratos de empréstimos e financiamentos fornecidos pela fiscalizada (fls. 623/624 e 626/627), ela também informou o nº contábil das contas onde foram contabilizadas as despesas financeiras (grupo nº 64106) – fls. 577/594: Conta nº 64106 (Despesas financeiras): contas: 64106001, 64106002, 64106003, 64106006, 64106007, 64106008, 64106009, 64106010, 64106011, 64106015, 64106016, 64106017, 64106019, 64106021 e 64106024. Excetuandose as contas nºs 64106011 e 64106021, que são despesas relativas à CPMF, que não tem nenhuma relação com os empréstimos obtidos, agrupamos as demais receitas num grupo denominado de “DESPESAS FINANCEIRAS” – grupo nº 022. Foi então efetuada a consolidação diária de todos os lançamentos do grupo nº 022 (despesas financeiras). Ou seja, foi elaborada a consolidação diária de todas as despesas financeiras contabilizadas, relativas aos empréstimos e financiamentos contraídos pela controladora, obtendose a 10 MPE = média ponderada mensal dos empréstimos repassados às controladas Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.289 30 despesa financeira mensal contabilizada– grupo nº 022, cujos valores consolidados são os seguintes – fls. 754/784: MÊS/ANO DESPESA FINANCEIRA CONTABILIZADA 01/2007 5.425.711,24 02/2007 4.788.000,48 03/2007 8.795.317,89 04/2007 5.827.901,65 05/2007 8.859.763,84 06/2007 5.303.250,58 07/2007 6.492.824,43 08/2007 9.031.537,67 09/2007 5.611.929,02 10/2007 8.086.346,15 11/2007 7.989.226,03 12/2007 10.193.448,10 TOTAL 86.405.257,08 01/2008 8.390.431,73 02/2008 5.670.120,21 03/2008 9.010.439,99 04/2008 7.164.094,52 05/2008 8.048.279,32 06/2008 9.031.142,65 07/2008 10.211.727,69 08/2008 12.080.992,20 09/2008 25.617.783,99 10/2008 28.761.214,27 11/2008 22.017.051,24 12/2008 20.417.288,06 TOTAL 166.420.565,87 01/2009 15.581.149,22 02/2009 13.973.608,68 03/2009 12.725.421,09 04/2009 9.316.334,71 05/2009 9.904.404,57 06/2009 6.844.663,20 07/2009 5.701.283,81 08/2009 6.029.538,07 09/2009 10.235.009,59 10/2009 10.125.747,31 11/2009 9.503.514,79 12/2009 12.171.088,91 TOTAL 122.111.763,95 6.1.4 JUROS CREDORES (ATIVOS) Já relatamos que até o anocalendário de 2007, a fiscalizada apropriou receitas financeiras (juros credores), relativos aos Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.290 31 empréstimos efetuados às controladas – Açucareira Virgolino de Oliveira e Agropecuária Terras Novas S/A. Referidos juros foram apropriados na conta contábil nº 64110012 (juros credores). Com efeito, no demonstrativo de fls. 785/816, foram apurados os juros ativos escriturados pela fiscalizada, cujos valores, consolidamos abaixo: Data JUROS CREDORES DO MÊS 01/2007 32.861,99 02/2007 28.483,24 03/2007 3.724.214,34 04/2007 981.332,34 05/2007 1.156.797,85 06/2007 1.148.953,47 07/2007 1.364.799,12 08/2007 1.591.775,62 09/2007 1.487.525,57 10/2007 1.788.032,22 11/2007 1.653.975,01 12/2007 1.690.377,80 TOTAL 16.649.128,57 01/2008 5.477,72 02/2008 4.767,14 03/2008 5.068,05 04/2008 5.471,85 05/2008 5.416,09 06/2008 5.946,16 07/2008 6.890,63 08/2008 6.479,70 09/2008 7.099,16 10/2008 7.669,37 11/2008 6.582,60 12/2008 7.417,38 TOTAL 74.285,85 01/2009 7.038,98 02/2009 5.815,97 03/2009 6.648,56 04/2009 5.803,44 05/2009 5.367,91 06/2009 5.302,79 07/2009 5.574,76 08/2009 4.954,78 09/2009 4.989,58 10/2009 5.021,67 09/2012 4.820,92 09/2012 5.330,32 TOTAL 66.669,68 Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.291 32 6.1.5 DAS DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS 6.1.5.1 PROPORÇÃO ENTRE OS EMPRÉSTIMOS CONTRAÍDOS E OS RECURSOS REPASSADOS ÀS CONTROLADAS Por intermédio da planilha denominada de “Demonstrativo de Apuração das Despesas Financeiras Não Necessárias” – fls. 817, calculamos a proporção entre os empréstimos contraídos pela controladora e os empréstimos concedidos às empresas controladas. Com efeito, para obtermos esta proporção efetuamos a seguinte operação matemática: Percentual = média ponderada mensal dos empréstimos concedidospassivos média ponderada mensal dos empréstimos contraídosativos Desta forma, obtivemos a proporção mensal dos recursos repassados às controladas, relativos aos empréstimos obtidos: MÊS/ANO (A) (B) (C) = (B) / (A) MÉDIA PONDERADA MENSAL DOS PERCENTUAL DOS EMPRÉSTIMOS/FINANCIAMENTOS EMPRÉSTIMOS PASSIVOS ATIVOS ATIVOS/PASSIVOS (CONTRAÍDOS) (CONCEDIDOS ÀS CONTROLADAS) 01/2007 324.898.348,39 77.126.432,81 23,74% 02/2007 330.333.383,55 84.185.144,86 25,48% 03/2007 331.799.282,16 93.259.624,82 28,11% 04/2007 349.128.523,91 105.375.920,00 30,18% 05/2007 418.049.909,51 114.330.439,79 27,35% 06/2007 437.566.746,11 128.116.583,90 29,28% 07/2007 466.154.937,36 142.234.077,59 30,51% 08/2007 466.217.068,21 162.071.785,35 34,76% 09/2007 471.804.832,75 184.927.761,33 39,20% 10/2007 473.247.700,18 193.364.871,90 40,86% 11/2007 469.260.798,18 197.629.454,46 42,12% 12/2007 471.040.044,49 201.435.614,06 42,76% 01/2008 484.260.469,94 224.086.116,99 46,27% 02/2008 492.326.079,53 242.274.208,38 49,21% 03/2008 499.190.123,02 265.026.416,06 53,09% 04/2008 514.588.279,82 276.451.245,07 53,72% 05/2008 518.087.565,92 275.130.414,58 53,11% 06/2008 557.813.804,68 274.921.963,06 49,29% 07/2008 578.891.187,45 290.031.342,46 50,10% 08/2008 586.425.156,42 304.944.770,30 52,00% 09/2008 611.063.091,92 293.872.681,14 48,09% 10/2008 615.571.368,49 282.945.809,60 45,96% 11/2008 609.306.951,09 278.984.502,76 45,79% Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.292 33 12/2008 611.551.045,59 284.416.010,49 46,51% 01/2009 610.374.409,12 282.340.883,11 46,26% 02/2009 598.195.282,00 268.661.317,78 44,91% 03/2009 584.311.461,45 265.492.655,78 45,44% 04/2009 577.744.585,72 244.461.107,61 42,31% 05/2009 573.437.136,17 55.195.559,95 9,63% 06/2009 557.142.163,24 62.643.033,64 11,24% 07/2009 553.939.353,45 61.262.207,60 11,06% 08/2009 553.907.053,90 51.150.371,29 9,23% 09/2009 578.914.509,58 49.762.802,50 8,60% 10/2009 585.966.115,73 59.889.671,23 10,22% 11/2009 594.442.255,31 66.809.629,97 11,24% 12/2009 596.530.125,80 71.147.765,86 11,93% 6.1.5.2 DESPESAS FINANCEIRAS RELATIVAS AOS EMPRÉSTIMOS ATIVOS Na planilha denominada de “Demonstrativo de Apuração das Despesas Financeiras Não Necessárias” – fls. 817, apuramos as despesas financeiras relativas aos empréstimos ativos efetuando a seguinte operação matemática: Despesas Financeiras (E) = Desp. Financeiras Contabilizadas (D) x proporção entre os empréstimos ativos/passivos (C). MÊS/ANO (A) (B) (C) = (B) / (A) (D) (E) = (D) x ( C ) MÉDIA PONDERADA MENSAL DOS PERCENTUAL DOS DESPESAS FINANCEIRAS DESPESAS EMPRÉSTIMOS/FINANCIAMENTOS EMPRÉSTIMOS CONTABILIZADAS FINANCEIRAS PASSIVOS ATIVOS ATIVOS/PASSIVOS RELATIVAS AOS (CONTRAÍDOS) (CONCEDIDOS ÀS EMPRÉSTIMOS CONTROLADAS) ATIVOS 01/2007 324.898.348,39 77.126.432,81 23,74% 5.425.711,24 1.287.989,78 02/2007 330.333.383,55 84.185.144,86 25,48% 4.788.000,48 1.220.217,31 03/2007 331.799.282,16 93.259.624,82 28,11% 8.795.317,89 2.472.121,22 04/2007 349.128.523,91 105.375.920,00 30,18% 5.827.901,65 1.759.009,81 05/2007 418.049.909,51 114.330.439,79 27,35% 8.859.763,84 2.423.013,79 06/2007 437.566.746,11 128.116.583,90 29,28% 5.303.250,58 1.552.755,90 07/2007 466.154.937,36 142.234.077,59 30,51% 6.492.824,43 1.981.102,89 08/2007 466.217.068,21 162.071.785,35 34,76% 9.031.537,67 3.139.647,89 09/2007 471.804.832,75 184.927.761,33 39,20% 5.611.929,02 2.199.641,46 10/2007 473.247.700,18 193.364.871,90 40,86% 8.086.346,15 3.304.010,32 11/2007 469.260.798,18 197.629.454,46 42,12% 7.989.226,03 3.364.667,13 12/2007 471.040.044,49 201.435.614,06 42,76% 10.193.448,10 4.359.127,22 TOTAL 86.405.257,08 29.063.304,73 01/2008 484.260.469,94 224.086.116,99 46,27% 8.390.431,73 3.882.578,45 02/2008 492.326.079,53 242.274.208,38 49,21% 5.670.120,21 2.790.272,43 03/2008 499.190.123,02 265.026.416,06 53,09% 9.010.439,99 4.783.757,75 04/2008 514.588.279,82 276.451.245,07 53,72% 7.164.094,52 3.848.752,35 05/2008 518.087.565,92 275.130.414,58 53,11% 8.048.279,32 4.274.038,93 06/2008 557.813.804,68 274.921.963,06 49,29% 9.031.142,65 4.451.054,18 Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.293 34 07/2008 578.891.187,45 290.031.342,46 50,10% 10.211.727,69 5.116.196,54 08/2008 586.405.156,41 304.944.770,30 52,00% 12.080.992,20 6.282.406,20 09/2008 611.063.091,92 293.872.681,14 48,09% 25.617.783,99 12.320.113,86 10/2008 615.571.368,49 282.945.809,60 45,96% 28.761.214,27 13.220.018,79 11/2008 609.306.951,09 278.984.502,76 45,79% 22.017.051,24 10.080.988,05 12/2008 611.551.045,59 284.416.010,49 46,51% 20.417.288,06 9.495.533,79 TOTAL 166.420.565,87 80.545.711,30 01/2009 610.374.409,12 282.340.883,11 46,26% 15.581.149,22 7.207.372,01 02/2009 598.195.282,00 268.661.317,78 44,91% 13.973.608,68 6.275.823,69 03/2009 584.311.461,45 265.492.655,78 45,44% 12.725.421,09 5.782.029,04 04/2009 577.744.585,72 244.461.107,61 42,31% 9.316.334,71 3.942.021,37 05/2009 573.437.136,17 55.195.559,95 9,63% 9.904.404,57 953.337,55 06/2009 557.142.163,24 62.643.033,64 11,24% 6.844.663,20 769.588,98 07/2009 553.939.353,45 61.262.207,60 11,06% 5.701.283,81 630.526,12 08/2009 553.907.053,90 51.150.371,29 9,23% 6.029.538,07 556.795,78 09/2009 578.914.509,58 49.762.802,50 8,60% 10.235.009,59 879.789,25 10/2009 585.966.115,73 59.889.671,23 10,22% 10.125.747,31 1.034.919,36 11/2009 594.442.255,31 66.809.629,97 11,24% 9.503.514,79 1.068.104,26 12/2009 596.530.125,80 71.147.765,86 11,93% 12.171.088,91 1.451.637,98 TOTAL 122.111.763,95 30.551.945,39 TOTAL (A/C 2007 A 2009) 140.160.961,42 6.1.5.3 DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS O valor das despesas não necessárias foi apurado efetuandose a seguinte operação matemática: DNN11 (G) = Desp. Financeiras relativas aos empréstimos ativos (E) – juros ativos (F) Desta forma, apuramos o valor das despesas financeiras consideradas como não necessárias: (E) =(D) x (C) (F) (G) = (E) (F) MÊS/ANO DESPESAS JUROS ATIVOS DESPESAS FINANCEIRAS FINANCEIRAS NÃO RELATIVAS AOS NECESSÁRIAS EMPRÉSTIMOS ATIVOS 01/2007 1.287.989,78 32.861,99 1.255.127,79 02/2007 1.220.217,31 28.483,24 1.191.734,07 03/2007 2.472.121,22 3.724.214,34 04/2007 1.759.009,81 981.332,34 777.677,47 05/2007 2.423.013,79 1.156.797,85 1.266.215,94 06/2007 1.552.755,90 1.148.953,47 403.802,43 07/2007 1.981.102,89 1.364.799,12 616.303,77 08/2007 3.139.647,89 1.591.775,62 1.547.872,27 09/2007 2.199.641,46 1.487.525,57 712.115,89 10/2007 3.304.010,32 1.788.032,22 1.515.978,10 11 DNN = Despesas Financeiras não necessárias Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.294 35 11/2007 3.364.667,13 1.653.975,01 1.710.692,12 12/2007 4.359.127,22 1.690.377,80 2.668.749,42 TOTAL 29.063.304,73 16.649.128,57 13.666.269,28 01/2008 3.882.578,45 5.477,72 3.877.100,73 02/2008 2.790.272,43 4.767,14 2.785.505,29 03/2008 4.783.757,75 5.068,05 4.778.689,70 04/2008 3.848.752,35 5.471,85 3.843.280,50 05/2008 4.274.038,93 5.416,09 4.268.622,84 06/2008 4.451.054,18 5.946,16 4.445.108,02 07/2008 5.116.196,54 6.890,63 5.109.305,91 08/2008 6.282.406,20 6.479,70 6.275.926,50 09/2008 12.320.113,86 7.099,16 12.313.014,70 10/2008 13.220.018,79 7.669,37 13.212.349,42 11/2008 10.080.988,05 6.582,60 10.074.405,45 12/2008 9.495.533,79 7.417,38 9.488.116,41 TOTAL 80.545.711,30 74.285,85 80.471.425,45 01/2009 7.207.372,01 7.038,98 7.200.333,03 02/2009 6.275.823,69 5.815,97 6.270.007,72 03/2009 5.782.029,04 6.648,56 5.775.380,48 04/2009 3.942.021,37 5.803,44 3.936.217,93 05/2009 953.337,55 5.367,91 947.969,64 06/2009 769.588,98 5.302,79 764.286,19 07/2009 630.526,12 5.574,76 624.951,36 08/2009 556.795,78 4.954,78 551.841,00 09/2009 879.789,25 4.989,58 874.799,67 10/2009 1.034.919,36 5.021,67 1.029.897,69 11/2009 1.068.104,26 4.820,92 1.063.283,34 12/2009 1.451.637,98 5.330,32 1.446.307,66 TOTAL 30.551.945,39 66.669,68 30.485.275,71 TOTAL ( 2007 A 2009) 140.160.961,42 124.622.970,44 Por todo o exposto, restou comprovado que a fiscalizada emprestou às controladas Açucareira Virgolino de Oliveira S/A e Agropecuária Terras Novas S/A, sem a incidência de qualquer encargo (a/c 2008 e 2009) ou com encargos reduzidos (a/c 2007), parte dos recursos obtidos por intermédio de contratos de empréstimos e financiamentos contraídos no mercado financeiro. Destarte, parte destas despesas financeiras (incidentes sobre os valores repassados às controladas), contabilizadas pela fiscalizada, são consideradas como despesas não necessárias, despesas não dedutíveis, e serão adicionadas ao Lucro Líquido e à base de cálculo da CSLL, conforme veremos a seguir: 6.1.5.4 DO IRPJ E DA CSLL DEVIDOS A adição das despesas não necessárias à base de cálculo da CSLL e ao lucro líquido foi efetuada conforme demonstrativos de fls. 841/842, cujos resultados transcrevemos abaixo: Ø Em relação ao IRPJ – fls. 841: Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.295 36 ANO LUCRO REAL CALENDÁRIO Escriturado pelo Apurado pela Fiscalizada Fiscalização 2007 1.754.741,35 14.134.063,39 2008 (54.271.666,67) 26.199.758,78 2009 407.291,17 31.067.120,24 Ø Em relação à CSLL – fls. 842: ANO BASE DE CÁLCULO DA CSLL CALENDÁRIO Escriturada pelo Apurada pela Fiscalizada Fiscalização 2007 1.754.741,35 11.321.129,85 2008 (54.271.666,67) 24.312.071,88 2009 407.291,17 31.067.120,24 Isto posto, será constituído o crédito tributário mediante lançamento de ofício, no qual serão apurados a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL e o Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ devidos, referente aos anoscalendário de 2007 a 2009, exercícios 2008 a 2010, em função das infrações apuradas – redução indevida do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, com a aplicação da multa capitulada no art. 957, inciso I do RIR/99 (75%). 6.2 – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IOF12 Conforme exaustivamente demonstrado a fiscalizada contraiu empréstimos no mercado financeiro (com a incidência de encargos financeiros) e emprestou parte dos recursos às empresas controladas, sem a incidência de qualquer encargo (anoscalendário de 2008 e 2009) ou com encargos reduzidos (anocalendário de 2007). Os empréstimos repassados às controladas eram contabilizados por intermédio de diversas contascorrente existentes no Ativo Realizável a Longo Prazo da fiscalizada (contas nºs 12110009, 12110010, 12110011, 12340002 e 12340003). Portanto, ficou demonstrado que referidos empréstimos (mútuos) possuem natureza jurídica de operações de crédito, estando sujeitas à incidência de IOF, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/99: “Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitase à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e 12 IOF Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativo a Títulos e Valores Mobiliários Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.296 37 empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.” O IOF foi regulamentado pelo Decreto nº 6.306/2007. Abaixo passamos a transcrever as principais peças deste ato normativo: 6.2.1. DO FATO GERADOR Art. 3° O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. § 1° Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operações de crédito: I – na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; (...) VII – na data lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. (...) § 3° A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I – empréstimo sob qualquer modalidade, (...); (...) III – mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. 6.2.2. DOS RESPONSÁVEIS Art. 5° São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: III – a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros. 6.2.3. DA BASE DE CÁLCULO E DAS ALÍQUOTAS REDUZIDAS Art. 7° A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: I – na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.297 38 a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% (...) § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a IV, conforme o caso. (...) § 15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações de crédito à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento, independentemente do prazo da operação, seja o mutuários pessoa física ou pessoa jurídica. (incluído pelo Decreto n° 6.339, de 03 de janeiro de 2008) § 16. Nas hipóteses de que tratam a alínea “a” do inciso I, o inciso III, e a alínea “a” do inciso IV, o IOF incidirá sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, à alíquota adicional de que trata o § 15. (incluído pelo Decreto n° 6.339, de 03 de janeiro de 2008) A base de cálculo do IOF, calculada de acordo com o somatório dos saldos devedores diários, apurados no último dia de cada mês, bem como a alíquota e o IOF devido estão apresentadas no demonstrativo denominado “Demonstrativo de Cálculo do IOF” – fls. 818/840, cujos valores consolidados apresento a seguir: Mês/ano IOF IOF IOF TOTAL PRINCIPAL ADICIONAL jan/07 98.027,70 98.027,70 fev/07 96.644,55 96.644,55 mar/07 118.532,98 118.532,98 abr/07 129.612,38 129.612,38 mai/07 145.313,99 145.313,99 jun/07 157.583,40 157.583,40 jul/07 180.779,51 180.779,51 ago/07 205.993,24 205.993,24 set/07 227.461,15 227.461,15 out/07 245.766,75 245.766,75 Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.298 39 nov/07 243.084,23 243.084,23 dez/07 256.024,67 256.024,67 TOTAL DE 2007 2.104.824,54 2.104.824,54 jan/08 284.813,45 120.769,82 405.583,27 fev/08 288.064,03 75.708,70 363.772,73 mar/08 336.848,57 74.913,76 411.762,34 abr/08 340.035,03 43.294,16 383.329,19 mai/08 349.690,76 15.563,42 365.254,18 jun/08 338.154,01 32.160,79 370.314,81 jul/08 368.629,84 112.891,38 481.521,22 ago/08 387.584,80 68.383,14 455.967,94 set/08 361.463,40 41.145,48 402.608,88 out/08 359.624,12 41.956,65 401.580,77 nov/08 343.150,94 36.475,18 379.626,12 dez/08 361.492,75 89.535,90 451.028,65 TOTAL DE 2008 4.119.551,72 752.798,37 4.872.350,09 jan/09 358.855,26 24.641,22 383.496,48 fev/09 308.423,19 5.746,26 314.169,46 mar/09 337.441,17 9.150,44 346.591,60 abr/09 300.687,16 12.593,56 313.280,72 mai/09 70.153,56 72.507,28 142.660,84 jun/09 77.050,93 18.468,00 95.518,93 jul/09 77.864,27 17.456,63 95.320,89 ago/09 65.012,12 29.779,05 94.791,17 set/09 61.208,25 50.430,80 111.639,05 out/09 76.119,77 47.161,47 123.281,24 nov/09 82.175,84 27.830,66 110.006,50 dez/09 90.428,81 49.363,00 139.791,81 TOTAL DE 2009 1.905.420,33 365.128,36 2.270.548,69 6.3 – MULTA ISOLADA – IRPJ MENSAL RECOLHIDO A MENOR O regime de apuração do IRPJ e da CSLL adotado pelo contribuinte é do LUCRO REAL – ANUAL, com recolhimentos mensais feitos com base em balanços de suspensão ou redução – fls. 02/160. Com efeito, a apuração mensal do IRPJ tem previsão legal no 35, da Lei nº 8.981/95 (art. 230 do Decreto 3.000/99): “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.299 40 a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...) De acordo com as DIPJ relativas aos anoscalendário de 2007 a 2009, o imposto de renda mensal da pessoa jurídica foi apurado com base nos balanços de suspensão ou redução – fls. 02/160. Os balanços mensais elaborados pela Virgolino de Oliveira foram transcritos na parte A do LALUR – Fls. 634/689, sendo idênticos aos declarados nas DIPJ. Veremos, abaixo, que a falta de recolhimento do IRPJ se deu em virtude da adição, ao lucro líquido, das despesas financeiras não necessárias, conforme exaustivamente comprovado neste termo. Destarte, a fiscalização precedeu à retificação da apuração do Lucro Real mensal, conforme demonstrativos de fls. 843/845, cuja síntese informamos abaixo: MÊS/ANO MULTA ISOLADA (IRPJ) fev/07 214.619,81 abr/07 73.567,72 jun/07 160.581,23 ago/07 128.622,99 set/07 110.351,21 dez/07 825.374,30 TOTAL 1.513.117,26 jan/08 240.860,99 fev/08 589.095,32 mai/08 226.375,61 jun/08 636.890,54 jul/08 614.449,31 ago/08 167.768,59 out/08 364.205,10 dez/08 423.324,39 TOTAL 3.262.969,85 ago/09 518.042,72 set/09 1.157.906,69 out/09 936.026,85 dez/09 1.259.413,77 TOTAL 3.871.390,03 Isto posto, será lançada a multa isolada de que trata o art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, sobre o valor recolhido a menor do Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.300 41 IRPJ calculado por estimativa ou por balanços de suspensão/redução: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Os pagamentos feitos pela contribuinte estão relacionados no extrato de débitos/créditos – DCTF – de fls. 855/858. 6.4 – MULTA ISOLADA – CSLL MENSAL RECOLHIDA A MENOR O regime de apuração do IRPJ e da CSLL adotado pelo contribuinte é do LUCRO REAL – ANUAL, com recolhimentos mensais feitos com base em balanços de suspensão ou redução – fls. 02/160. Com efeito, a apuração mensal da CSLL tem previsão legal no 35, da Lei nº 8.981/95 (art. 230 do Decreto 3.000/99): “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...) Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.301 42 De acordo com as DIPJ relativas aos anoscalendário de 2007 a 2009, a CSLL da contribuinte foi apurada com base nos balanços de suspensão ou redução – fls. 02/160. Os cálculos dos balanços mensais elaborados pela Virgolino de Oliveira foram apresentados nos demonstrativos de fls. 690/692, sendo idênticos aos declarados nas DIPJ. Veremos, abaixo, que a falta de recolhimento da CSLL mensal se deu em virtude da adição, ao lucro líquido, das despesas financeiras não necessárias, conforme exaustivamente comprovado neste termo. Destarte, a fiscalização precedeu à retificação do cálculo de apuração da CSLL mensal, conforme demonstrativos de fls. 846/848, cujos valores, consolidamos abaixo: MÊS/ANO MULTA ISOLADA (CSLL) fev/07 77.076,15 abr/07 24.496,84 jun/07 48.009,45 ago/07 32.916,99 set/07 28.060,50 dez/07 208.750,32 TOTAL 419.310,25 jan/08 61.200,97 fev/08 153.357,39 mai/08 82.575,22 jun/08 229.640,60 jul/08 221.561,75 ago/08 60.756,69 out/08 131.833,83 dez/08 153.116,78 TOTAL 1.094.043,23 ago/09 189.375,38 set/09 417.206,41 out/09 337.329,67 dez/09 435.780,85 TOTAL 1.379.692,31 Isto posto, será lançada a multa isolada de que trata o art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, sobre o valor recolhido a menor da CSLL calculada por estimativa ou por balanços de suspensão/redução levantados pela empresa. Os pagamentos feitos pela contribuinte estão relacionados no extrato de débitos/créditos – DCTF – de fls. 855/858. E, para constar e surtir os efeitos legais lavramos o presente Termo em 03 (três) vias de igual teor, sendo uma delas entregue Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.302 43 ao contribuinte, nos termos do artigo 23, inciso I do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/97.” A interessada foi cientificada dos autos de infração em 27/06/11 (AR de fls. 949), obtendo cópia integral do processo, em 30/06/11, conforme Termo de fls. 950. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou, em 27/07/11, por intermédio de seus representantes legais, impugnação de fls. 952/989, acompanhada de documentos de fls. 990/1019. Inicialmente, aborda a tempestividade da defesa apresentada, informando que a impugnação abrange todas exigências formalizadas. Na seqüência, faz um breve resumo dos fatos, historiando como se deu o nascimento e a expansão da empresa, em capacidade de produção, conforme quadro abaixo: Unidade início capacidade de produção moagem de cana [1] açúcar [2] álcool [3] ITAPIRA 1921 1.700.000 90/142 53/85 CATANDUVA 1970 4.200.000 234/347 158/231 V.O. ACÚCAR E ÁLCOOL 5.900.000 324/489 211/316 JOSÉ BONIFÁCIO 2006 3.700.000 242/381 87/174 MONÇÕES 2008 2.400.000 80/240 66/175 AÇUCAREIRA V.O 6.100.000 322/641 153/349 Notas: [1] toneladas [2] milhões de toneladas [3] milhões de litros Argumenta que, dado o ambiente evolutivo dos negócios, a intermediação não é mais importante em si, interessando a intermediação vinculada à produção em massa, para mercados, com o que é formada uma teia de relações contratuais e negócios dos mais variados tipos. E que são outras as formas empregadas para facilitar o exercício da atividade em regime de especialização e cooperação de longo prazo. Nesse sentido, afirma que idealizou, desde 1959, em conjunto com outros empresários, estratégia de comercialização centralizada, a qual deu origem à Coopersucar “um dos maiores atores do mercado de açúcar e etanol, que possibilitou redução dos riscos de mercado além de minimizar os custos de transação”. Além disso, diz ser associada a um avançado centro de pesquisas agroindustriais, denominado Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que realiza o desenvolvimento e a implementação de novas tecnologias adequáveis às unidades produtoras, com o fim de mantêlas na vanguarda do setor. Alega que a autonomia privada e a cooperação facilitam as organizações das atividades empresariais, porque, dificilmente, poderão se manter numa unidade todas as atividades necessárias à produção de bens de consumo finais. E que “a integração da cadeia produtiva requer que ninguém se torne refém de procedimentos de qualquer outro integrante do processo – fornecedor de bens de produção ou prestador de serviços , assim como não interessa ao sistema produtivo que isso ocorra”. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.303 44 E continua, em suas palavras: “Esse tipo de comportamento é fruto da mescla de valores e funções sociais básicas da empresa, tal como expresso nos artigos 116 e 154 da Lei 6.404/76. Como se vê, a lei reconhece que, no exercício da atividade empresarial, há interesses internos e externos que devem ser respeitados: não só os das pessoas que contribuem diretamente para o funcionamento da empresa, como os capitalistas e trabalhadores, mas também os interesses da 'comunidade' em que ela atua. Funções básicas plenamente cumpridas pela Impugnante, a saber: 1. função de produção e circulação de bens e serviços: Como demonstrado no quadro acima, simplesmente duplicou a produção e a circulação de bens e serviços, comprovando o cumprimento da função sócio econômica. 2. função de distribuição de renda: Vide Demonstrações do Valor Adicionado (DVA), que demonstram o volume da distribuição de renda cumprida no período comprovando a função social, a saber: VO Açúcar e Álcool (DOC 01) Fornecedores 1.002.154.399 Pessoal 109.982.193 Tributos 112.052.898 Açucareira VO (DOC 02) Fornecedores 519.334.184 Pessoal 54.359.087 Tributos 30.759.809 3. funções de poupança e investimento Investimentos de ativo permanente efetuados nas seguintes empresas, comprovando a função social pública de poupança interna em bens do ativo fixo elemento fundamental para o incremento do PIB: VIRGOLINO DE OLIVEIRA S/A AÇUCAREIRA VIRGOLINO DE OLIVEIRA S/A AGROPECUÁRIA TERRAS NOVAS S/A AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE ANO (Em milhares de R$) Descrição 2007 2008 2009 total Propriedades Imobiliárias 4.282 7.507 4.171 15.961 Equipamentos Industriais 108.835 194.977 7.262 311.075 Veículos de transporte 19.861 17.905 10.503 48.269 Máquinas Agrícolas 23.340 14.603 5.552 43.496 Móveis e utensílios 700 1.697 475 2.873 Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.304 45 TOTAL 157.020 236.691 27.965 421.676 Além disso, a Impugnante, além dos empregos relativos a sua própria atividade, incrementou mais empregos como se verifica: EMPRESA 2007 2008 2009 V.O. AÇÚCAR E ÁLCOOL 11.388 10.801 11.227 AÇUCAREIRA V.O. 3.931 7.245 8.926 Terras Novas 9.433 19.235 21.947 E também, tem cumprindo e vem cumprindo os programas sócioambientais conforme relação anexa (DOC 03). Portanto, não se pode alegar que a Impugnante não vem exercendo e cumprindo com suas funções sociais, portanto, deve prevalecer o que dispõe o Código Civil a respeito: “Art. 2.035. A validade dos negócios e demais atos jurídicos, constituídos antes da entrada em vigor deste Código, obedece ao disposto nas leis anteriores, referidas no art. 2.045, mas os seus efeitos, produzidos após a vigência deste Código, aos preceitos dele se subordinam, salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução. Parágrafo único. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos.” “Art. 2.037. Salvo disposição em contrário, aplicamse aos empresários e sociedades empresárias as disposições de lei não revogadas por este Código, referentes a comerciantes, ou a sociedades comerciais, bem como a atividades mercantis.” Portanto, cumprindo e observando com esmero e efetividade a sua função social, como demonstrado e comprovado, não pode ser objetado o disposto no art. 221 do Código Civil, em face do seu parágrafo único, como se observa: “Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprirse pelas outras de caráter legal.” Ora, o próprio Agente Fiscal comprova que a Impugnante observou exatamente o que contratara no respectivo instrumento particular, pois o seu relato confirma os lançamentos efetuados a tempo e modo nas respectivas contas que refletem com propriedade o que houvera sido avençado. E afinal, confirma a liquidação da conta e o aumento do capital social das controladas. O que houvera assim contratado atendeu como atende sua ampla função social: ou seja, a função de distribuição e produção de bens e serviços; a função de distribuição de rendas Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.305 46 (inclusive para os cofres da União), a função de investimento privado e de formação de poupança pública (incremento dos bens de produção); além da função sócio ambiental, aí compreendidos os atos de seus Programas de Assistência Social e de Manutenção e Recuperação Ambiental. Com efeito, o Código Civil prescreve que permanecem em vigor todas as normas aplicáveis aos empresários e sociedades empresárias que não foram revogadas pelo Código. Ora, o art. 923 do RIR/99, é uma dessas disposições de lei que não foram afetadas pelo Código Civil: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (V. NOTAS 2460 e 2461)” NOTA 2460 SOLUÇÃO DE CONSULTA Documentos hábeis para registro de operações entre matriz e filial Notas fiscais, recibos ou documentos equivalentes, que obedeçam aos modelos aceitos pela SRF, são documentos eficazes para registrar a movimentação de mercadorias entre matriz e filiais de uma empresa (Dec. 6ª RF 156/98). Ressaltese que, a jurisprudência do próprio Conselho de contribuintes do Ministério da Fazenda tem se pronunciado de forma contrária à interpretação dada pelo i. Agente Fiscal, como se observa; « VALIDADE DE CONTRATO PARTICULAR (EX. 94) Cabe ao Fisco desconstituir a veracidade do contrato por instrumento particular, válido até prova em contrário, uma vez que não é da substância do ato a sua lavratura por instrumento público e seu registro em Cartório, uma vez retratando operação de mútuo entre as partes, e que não pode ser desconsiderado com base em meros argumentos subjetivos baseados na concepção da autoridade fiscalizadora, sem fundamento em fatos comprovados no caso. Uma vez não elidida a veracidade documental por contraprova, o contrato particular deve ser devidamente considerado para se deferir a retificação (Ac. 1º CC 10612.197/01 DO 17/01/02). Não pode subsistir a glosa porquanto as provas acostadas aos autos são suficientes para demonstrar que os pagamentos foram efetuados com base em contratos regularmente contabilizados. A falta de registro dos contratos no cartório, por si só, não invalida a operação comercial quando as demais provas documentais e circunstanciais, bem como a escrituração no Livro Diário faz prova plena dos pagamentos efetuados (Ac. 1º CC 10193.724/02 – DO 14/03/02)» Por outro lado, a norma aplicável ao caso concreto não se subsume naquelas que o i. Agente Fiscal elenca e relaciona, mas justamente as que ignora e deixa de aplicar, a saber: Ônus da Prova Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Inversão do Ônus da Prova Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.306 47 Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei ns 1.598, de 1977, art. 9º, § 3º). Ora, o caso concreto apresentado não se enquadra em nenhum dos casos a que se atribui ao contribuinte o ônus da prova dos fatos registrados na sua escrituração, portanto, não cabe a mera presunção e a mera argumentação. A lei nos termos dos dispositivos acima elencados requer prova e prova cabal da acusação fiscal e não se admite inversão do ônus da prova. Portanto, a desconsideração dos contratos de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital AFAC, não pode ser recusado pela Autoridade Fiscal sob o argumentos elencados pois caracterizam a manifesta ofensa ao próprio dispositivo legal que menciona (apenas pela metade): o artigo 221 do Código Civil – ocultando a regra do parágrafo único que relativiza a afirmação feita pelo i. Agente Fiscal e mesmo a contradiz.” Contrapõese ao raciocínio fiscal de que os empréstimos e financiamentos feitos pela controladora se deram com o objetivo de evitar o pagamento de tributos. Nesse sentido, afirma inexistir “engenharia financeira”. Em suas palavras: “(...) fica evidente que se, efetivamente houvesse intenção de deixar de pagar tributo, a verdadeira «engenharia financeira» que a isso conduziria, seria a de investir nas novas unidades industriais na própria controladora (como filiais, não como controladas). Com efeito, como demonstrado, a Unidade de José Bonifácio teve início de construção em 2004 e somente em 2006 iniciou suas atividades operacionais, e a de Monções, iniciou sua instalação em 2006 e somente entrou em operações em 2008. Ora, tendo em vista os resultados apresentados observase que em 2007 a V.O. Açúcar e Álcool apurou lucro real e pagou Imposto de Renda, quando se houvesse investido em uma unidade industrial como filial teria apresentado prejuízo fiscal e nenhum imposto a pagar – nem nenhum auto de infração para se defender.” E esclarece porque a impugnante optou por construir novas unidades industriais como firmas autônomas: “Com efeito, em face do que o próprio Sr. Agente Fiscal apresentou nos seus quadros demonstrativos de Lucros Reais, às fls. 14 a 18 do Termo de Descrição dos Fatos (fls.872/876), fica evidente de que teria sido muito mais vantajoso do ponto de vista fiscal ter constituído as novas unidades industriais como filiais da "V.O. Açúcar e Álcool" (Impugnante) e isso nunca foi ignorado pela Impugnante. Entretanto, a Impugnante quando iniciou sua nova fase de expansão estava contando com a possibilidade de conseguir angariar novos sócios ou parceiros em face da grande demanda por investimentos no setor sucroalcooleiro, principalmente por empresas multinacionais. Todavia, como constatado pelo Ministro da Fazenda no início deste mês (em declarações aos jornais de grande circulação): no Brasil somente o BNDES assume o papel de Banco de Investimentos. Com efeito, após 4 anos de investimentos e já com a crise de 2008 no horizonte, o Grupo da Impugnante percebeu que dificilmente conseguiria um sócio ou parceiro na fase de expansão. Por isso, e entendendo estar exercendo direito legitimamente reconhecido passou a considerar todos os valores remetidos anteriormente como Adiantamento Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.307 48 para Futuro Aumento de Capital o que afinal acabou por fazer concretizar conforme documento de fls. 238 a 241 e 262 a 265.” Afirma que se a tese fiscal tivesse substância verdadeira, assim continuaria, por mais que se exagerassem os dados da qual surgiu. Diz ter havido “a declaração inarredável que o esquema escolhido pela impugnante a fez pagar e a fará pagar mais impostos do que a alternativa singela de abrir unidades fabris e agrícolas como simples filiais, distorcendo este fato inequívoco de modo a configurar um simulacro de renda onde só há prejuízos jamais contestados”. Requer a nulidade do auto de infração, porque não atendidos os princípios que orientam a atividade da Administração Pública. Nesse sentido, acusa cerceamento do direito de defesa, contrapõese aos cálculos e critérios empregados e se opõe aos pressupostos sem exame dos fatos. Com fundamento no art. 37 da CF/88 e nos arts. 114, 116 e 142 do CTN, diz não ter sido atendido o devido processo legal, pois a fiscalização teria formado sua convicção sobre determinadas operações, concluindo que as mesmas constituem fato gerador da obrigação tributária, em manifesta falsa aplicação da lei regente, sequer examinando a questão material, limitandose a desqualificar o registro contábil “uma situação licitamente conformada com a hipótese legalmente prevista para a finalidade que se propõe”, pautandose em critérios puramente subjetivos e arbitrários, sem apresentação de prova alguma, apenas com base na presunção de que os fatos futuros eram os mesmos ocorridos no passado, nunca examinados. No que concerne aos cálculos e critérios adotados, aponta o seguinte inconformismo: “(...) o Sr. Agente Fiscal toma contas de financiamentos impossíveis de serem repassadas como se verifica no seu cálculo que contempla as contas relativas a financiamentos relativos ao PESA e diversos contratos de FINAME, e não leva em consideração a conta de financiamentos da Copersucar (curto prazo) ADIANTAMENTO DA PRODUÇÃO – COPERSUCAR ora, tendo considerado a Conta Copersucar de Longo Prazo, não há razão para não considerar as parcelas correspondentes à mesma dívida no curto prazo. Por outro lado, o cálculo da determinação dos encargos financeiros da empresa não leva em conta que os financiamentos se referem a recursos de curto prazo e que são captados para suprir as necessidades de manutenção da liquidez da Impugnante. Ora, a liquidez imediata de qualquer empresa eficiente nunca fica sem aplicação no mercado, que lhe rende receita financeira que se consubstancia como elemento redutor das despesas de mesma natureza, desde a edição da Lei 6.404/76. Este fato de conhecimento notório e familiar a todos profissionais que operam na área do comércio e dos tributos não foi levado em consideração quando da determinação dos cálculos deturpando de tal sorte o valor sob discussão que inverte a posição no ano de 2007. Com efeito, se fosse tomada o total das despesas financeiras da Impugnante líquido do valor das receitas financeiras obtidas pela Impugnante perante terceiros (excluídos os juros cobrados inter companhias), verificase que, a Impugnante obteve um ganho nestas operações com suas controladas, como segue: Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.308 49 ANOBASE VALORES VALORES 2007 (6.004.116,12) 2008 41.188.950,17 35.184.834,05 Considerouse que o excesso do 2009 15.309.040,51 15.309.040,51 ano anterior compensa a insuficiência do ano seguinte TOTAL 50.493.874,56 Como se observa, a diferença de critérios levou o Sr. Agente Fiscal a considerar os valores como abaixo se observa: Período Base de Cálculo 2007 13.666.199,35 2008 80.471.601,53 2009 30.485.288,68 TOTAL 124.623.089,56 A diferença entre um critério e outro, dá causa a uma diferença de nada menos que R$19.670.315,46, em 2007 e de mais de R$ 74 milhões no período considerado. As diferenças de critérios referemse basicamente aos seguintes elementos: 1. Não se considerou os saldos anteriores, por ausência de constatação e de verificação se o nível dos juros cobrados das controladas também não ultrapassaram os custos líquidos dos empréstimos captados no mercado, como ocorreu em 2007; 2. Foram eliminados os efeitos dos empréstimos vinculados a compras de ativos e impossíveis de serem repassados (PESA e FINAME); 3. Calculouse o valor das despesas financeiras líquidas dos resultados obtidos em aplicações financeiras do capital de giro no mesmo período (sem considerar os juros com as controladas). 4. Obtevese assim o custo dos recursos considerados "repassados" às suas controladas dos quais foram deduzidos os juros delas cobrados. ► CONCLUSÃO: Mesmo que trabalhemos com os critérios estabelecidos pelo Agente Fiscal, concluímos que seu procedimento não pode prosperar: · Primeiro, porque o Sr. Agente Fiscal não pode simplesmente computar em seus cálculos com os saldos de anobase anterior que não foi analisado nem verificado; · Segundo, porque a captação de recursos que a Impugnante tomou no mercado foram para manter e assegurar sua liquidez imediata que nunca fica ociosa nem parada em contas sem remuneração. Ao contrário, sempre aplica as sobras diárias de caixa para reduzir os custos das captações. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.309 50 · É certo que o Sr. Agente Fiscal não considerou este fato, o que acarretou em imputação de custo irreal e improcedente aos recursos que ele considera como repassados às suas controladas.” Observa que a imputação do repasse deve levar em conta a sua possibilidade no mundo real dos fenômenos. E acusa que a alegação de repasse de recursos obtidos no mercado em 2009 é simplesmente impossível; e o montante passível de repasse em 2008 é muito menor do que o critério empregado de forma irracional. Como prova, apresenta Demonstrativos de Fluxo de Caixa dos anosbase 2007 a 2009 (doc. 5), destacando, abaixo, as principais fontes dos recursos financeiros: 2009 2008 % 2007 RECURSOS PROVENIENTES DE FINANCIAMENTOS (133.735.818) 27.101.717 41 165.791.165 RECURSOS LÍQUIDOS PROVENIENTES DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS 111.967.587 38.342.775 59 2.886.232 E apresenta as seguintes conclusões, da análise dos dados por ela indicados: “Em face desses resultados, qualquer analista de balanço pode afirmar que: a) Em 2007, poderseia afirmar que houve repasse, porém, como acima demonstrado, foram cobrados juros em montante superior ao custo líquido de captação dos recursos; b) Em 2008, afirmar a ocorrência de repasse requer que o mesmo seja rateado pelas respectivas fontes supridoras dos recursos: as provenientes de captação no mercado (41%) e dos recursos provenientes da própria atividade operacional (59%). c) Já em 2009, afirmarse a ocorrência de repasse, é mesmo uma temeridade à toda prova. Não há como comprovar esta ocorrência em face do resultado claro e inequívoco pois nesse ano, não houve captação de recursos no mercado mas liquidação e redução do endividamento. Assim, promovendo o rateio em 2008 (o que o bom senso, e o devido processo legal exige) – recalculandose os custos a serem considerados em relação a eventuais repasses de recursos a controladas, verificase que os números são absolutamente discrepantes com os apontados pela Fiscalização. período custos das despesas consideradas repassadas [2] 2007 (11.014.091) 2008 9.907.826 [1]2009 7.924.621 TOTAL 6.818.768 NOTAS: [1]. Embora em 2009, não se possa afirmar qualquer repasse (pois não se confirmou aumento dos recursos captados, antes verificouse a redução do seu Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.310 51 volume), computouse as despesas sobre os saldos advindos de 2008, até a sua capitalização. [2]. O critério utilizado foi de considerar o repasse dos recursos na medida em que efetivados e segundo a fonte: a) Em 2007 100% considerado repassados recursos captados, deduzidos os juros cobrados das controladas; b) Em 2008 41% considerado repassados recursos captados, deduzidos dos juros cobrados das controladas; c) Em 2009 considerado nenhum valor repassado. Os juros foram calculados sobre os saldos dos anos anteriores, deduzidos os juros cobrados das controladas. Com observância do Princípio da Cooperação a Impugnante faz juntar todos os demonstrativos de seus cálculos bem como a Demonstração do Fluxo de Caixa acima mencionados para o exame e apreciação dos i. Julgadores, suficientes por si para demonstração e comprovação de tudo quanto se alegou no que tange ao procedimento de dimensionamento da base de cálculo segundo o Devido Processo Legal (bom senso, razoabilidade e proporcionalidade) sendo certo que o direito nasce dos fatos (corretamente apresentados) e que ninguém pode repassar a outrem mais do que ele próprio obteve ou aquilo que jamais obteve, como acima resultou claramente manifestado.” Requer prova pericial, com a indicação de seu profissional técnico e dos seguintes quesitos: 1) Existe nos autos a correlação dos empréstimos captados e a subsequente transferência do numerário à controlada? 2) É possível proceder à respectiva correlação, repasse por repasse? 3) Caso a resposta dos quesitos anteriores sejam positiva requer seja feita a respectiva correlação. 4) Qual a natureza dos empréstimos que a Impugnante captou em 2007, 2008 e 2009? 5) A Impugnante consumiu ou consome os recursos captados no ato mesmo da captação? Ou, faz a captação para manutenção da liquidez imediata de suas disponibilidades? 6) É possível incluir o saldo do PESA como recurso considerado repassado a controladas? 7) É possível considerar que os recursos obtidos pelo FINAME são passíveis de repasse a controladas? 8) A impugnante, além de tomar recursos no mercado financeiro, também faz aplicações das suas sobras de caixa? Qual o valor total dessas receitas financeiras em 2007, 2008 e 2009? 9) Há outras fontes de receitas financeiras? Quais são? Qual é o valor dessas receitas em 2007, 2008 e 2009? Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.311 52 10) Qual é o valor total das despesas financeiras líquidas das receitas financeiras excluídas as operações inter companhias? Discrimine por ano, conta e natureza. 11) Faça a análise da origem dos recursos na forma da Demonstração de Fluxo de Caixa tal como aprovada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis CFC e Conselho Federal de Contabilidade CFC, para 31 de dezembro de 2007, 2008 e 2009, para fins de atestar os valores indicados nos autos pela Impugnante. Passo seguinte, discorre acerca dos Princípios Gerais de Direito, bem como dos conceitos de patrimônio e renda previstos no art. 43 do CTN, para concluir a incoerência do procedimento fiscal, segundo o qual a impugnante, sociedade controladora, é acusada de promover o aporte de capital social a suas sociedades controladas, cujo custo financeiro de capital tomado no mercado financeiro não é necessário à sua atividade operacional. “Aliás, a própria situação de fato da Impugnante está a evidenciar o despautério ou o "nonsense" da norma que desfigura o conceito de renda, impondo lhe um tributo sobre a nãorenda, ou seja, ao mesmo tempo em que aponta valores de enormes prejuízos operacionais alega ter tido ganho por deduzir despesas não necessárias para investir e incrementar seus ganhos futuros.” Apresenta os seguintes questionamentos: (i) se a atividade de aportar capital é inerente à atividade de Sociedade Controladora pela própria definição (exercício do papel social juridicamente institucionalizado) como é possível alegar que as despesas financeiras para captação de capital de giro curto prazo, possa ser não dedutível? (ii) como se deve medir o custo financeiro destes empréstimos? Entende não merecer dúvida que o custo efetivo financeiro dos recursos captados deve ser calculado pelo valor líquido entre despesas e receitas financeiras o que não teria sido observado no cálculo dos autos. Afirma que o ano no qual a controladora recorreu ao mercado financeiro para abastecer sua liquidez imediata foi justamente o anobase em que os juros cobrados das controladas ficou superior ao custo líquido das captações. E que nos demais anosbase o critério de apuração do valor do custo financeiro e dos próprios valores a serem considerados repassados não merecem ser considerados com seriedade, face falta de objetividade. Reitera e reafirma ter agido no estrito cumprimento de seus deveres legais ao efetuar aportes de capital social a suas controladas, dizendo, por ser atividade própria de empresa controladora, não ser lícito à Fazenda questionarlhe os gastos com a captação de recursos destinados à financiar a sua liquidez corrente imediata. “Desta forma, há de ser reconhecida como válida sua ação de suprimento de capital social de suas controladas cobrandolhes juros igual à taxa CDI, quando tomadora dos recursos financeiros no Mercado. Mas entendendo ser isenta da obrigação de cobrar tais taxas quando o capital suprido tiver origem nos recursos gerados por sua própria atividade operacional – tão operacional quanto suprir suas controladas de recursos financeiros principalmente em sua fase inicial de produção operacional.” Ainda, aduz que conta corrente mercantil não se confunde com mútuo. Ensina que mútuo é contrato típico que implica em empréstimo de coisas fungíveis, i. é, uma Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.312 53 das partes transfere uma coisa fungível a outra, obrigandose esta a restituirlhe coisa do mesmo gênero, da mesma qualidade e na mesma quantidade advindo daí a regra da experiência já conhecida desde os romanos que assim enunciavam: nemo plus iuris ad alium transfere postest quam ipse havet (ninguém pode transferir a outrem mais do que para si obteve). Diz que o próprio Fiscal indica ter sido praticamente todo o numerário repassado convertido em aumento de capital social. “Isto implica que o instrumento particular firmado entre Controladas e Controlada (sic) mesmo não levado a registro público, mas regularmente registrado escrituração das sociedades de forma coerente e coincidente com o evento futuro que revelou ter sido a obrigação convolada em conta corrente liquidada mediante não devolução da coisa recebida em gênero, qualidade e quantidade, mas mediante entrega de coisa de gênero bem diferente: ações da sociedade, e claro não coincidentes em qualidade e quantidade como sóe de acontecer nestes casos específicos. Portanto, tendo atendido à funções sociais do contrato, em cumprimento à função social de empresa e com estrito cumprimento da função social da propriedade, não tem nenhum fundamento lícito para ser questionada conta corrente aberta para registrar os valores destinados a um futuro e efetivo aumento do capital social das sociedades controladas, por sua sociedade controladora.” Especificamente acerca do IOF, aduz não incidir a tributação no Adiantamento para Futuro Aumento de CapitalAFAC, porque não considerada operação de crédito, propriamente dita, “por não pressupor este, de modo automático e autoderivativo, a devolução do montante ao investidor e, tampouco a incidência de encargos financeiros na hipótese de devolução do montante arrecadado”. E ensina que o conceito de operação de crédito, tal qual exigido no art. 63 do CTN e no art. 3º, § 3º, do Decreto nº 6.303, de 2007, “pressupõe uma prestação presente realizada visto a promessa de uma prestação futura, sendo de rigor detectarse à idéia fulcral de troca de bens presentes por bens futuros (estes sempre acrescidos de frutos ou encargos), tal como ocorrente nos empréstimos bancários a juros, financiamentos, fiança bancária, etc.” Reitera a inexistência de operação de crédito no AFAC, pois: (i) o montante financeiro colocado à disposição da empresa destinase ao capital da própria, ou seja, inexiste interesse na devolução do quantum acrescido de encargos contratuais ou legais; e (ii) a devolução do capital pode, ou não, ser objeto de devolução. E continua: “Verificado em breve síntese que as operações AFAC não constituem fato gerador do IOF, constatase que o Erário já no conhecimento da referida informação e no anseio de provar a suposta omissão da Impugnante em efetuar os recolhimentos da exação acabou por simplesmente ignorar a existência dos referidos contratos, ou ainda, muito pior, restou por equiparálos, de modo absolutamente estrambótico, ao instituto do mútuo, este último objeto de incidência do IOF em decorrência de lei federal. Ab initio, constase que descabe ao órgão fiscalizador simplesmente ignorar a existência dos contratos de AFAC trazidos à baila pelo ora Impugnante em sede de fiscalização, equiparandoos a hipóteses típicas de mútuo, este, supostamente, fato imponível da exação em comento. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.313 54 Ora, conforme demonstrado pela Impugnante, referidos contratos de AFAC, lastreados no princípio da autonomia da vontade, produziram efeitos inter partes, com exegese no princípio da obrigatoriedade (pacta sunt servanda) e, como todos os demais atos são dotados de presunção de boafé e probidade, as quais hábeis de serem afastadas tãosomente mediante a produção de prova em sentido contrário (CPC, art. 387). Ademais, o fato de não terem sido registrados não afeta em nada seu objetivo, já que de interesse apenas aos contratantes e muito menos retira a presunção de veracidade carreada pelos mesmos muito menos alteram seu objeto primordial, qual seja, o de serem contratos de AFAC. É de se estranhar assim que o Sr. Agente Fiscal, adstrito que está aos princípios da boafé e, no caso do processo fiscal, ao princípio da verdade material, acabe por procurar despir os mesmos de suas características mais relevantes, quais sejam, as de que constituem contratos de AFAC e não contratos de mútuo, já que despidos de qualquer argumentação pericial ou documentalmente provada. Referida postura é, portanto, além de inconstitucional e, com base no princípio da simetria, obviamente ilegal, no mínimo curiosa e contraditória. Dizse isso, pois o Erário, ao ignorar o aporte de capital da empresa Virgolino de Oliveira para subscrição e integralização de Capital Social de suas controladas, o que o fez por meio de AFAC, acabou por ignorar a existência de próprio Capital Social autônomo pelas controladas, elemento este essencial a todo ente empresário, eis que parte indissociável do fundo de empresa. Assim, em grosso modo, verificase que o Sr. Agente Fiscal ao equiparar os contratos de AFAC realizados entre as coligadas com supostos contratos de mútuos "travestidos", acaba por ignorar relevante parte do fundo de empresa das controladas (os quais derivados de renda adiantada), qual seja, o Capital Social, despindoas de relevante pressuposto de própria existência das últimas e renegando as mesmas de própria existência autônoma. Assim, ignora o Sr. Agente Fiscal, ainda que indiretamente, a existência de pessoas jurídicas autônomas (as controladas), tal como se a suposta operação de empréstimo tivesse ocorrido entre partes de uma mesma empresa (a Virgolino de Oliveira S.A), o que seria impossível pois ensejaria confusão, hipótese de extinção das obrigações ou da própria possibilidade de seu nascimento. Pior, ao agir assim, ignorando a existência de elementos nas empresas controladas que perfazem a sua própria existência como entidade autônoma, age o Sr. Agente Fiscal de modo a aplicar uma teratológica vertente da disregard of legal entity, no caso emanada de mera decisão da fiscalização, portanto administrativa, despida de qualquer ordem judicial!” Aponta as diferenças conceituais entre o AFAC e o mútuo. E alega não ocorrer fato gerador do IOF imposto dotado de extrafiscalidade no empréstimo (mútuo) celebrado entre empresas do mesmo grupo, porque a hipótese não se equipara a operação financeira, propriamente dita, sendo realizada no mero interesse de particulares (sem influência na regulação do mercado). Cita jurisprudência judicial, a qual justificaria a nãotributação pelo IOF câmbio nas operações interbancárias, pretendendo a sua aplicação às empresas coligadas, por analogia ou equidade, mediante autorização prevista no artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e artigo 108 do Código Tributário Nacional. Passa a questionar a “Multa Isolada”. Em suas palavras: Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.314 55 “(...). Verificase que, se bem considerados os cálculos, verificarseá no anobase de 2007, que os juros cobrados das coligadas superaram os custos médios líquidos das despesas financeiras imputáveis aos valores reputados "repassados" e cujo valor das despesas financeiras haveria de ser considerado "não necessário" e portanto, não dedutível. Ocorre que, tendo sido provado que não houve custo financeiro superior aos juros cobrados das controladas não há porque se manter a multa isolada. Por outro lado, tendo sido comprovado que bem analisada a objeção quando à apuração dos valores "glosados" em relação às despesas financeiras e refeitos os cálculos (ainda que por absurdo) estes valores jamais superarão os prejuízos observados nos anosbase de 2008 e 2009. Devendo Portanto, ser excluído este item pelas próprias objeções quanto à forma de determinação dos cálculos das despesas a serem glosadas.” E acerca do mérito da penalidade, acrescenta: “Bem, pedese a aplicação da Súmula 31 da CSRF cujo enunciado considera descaber a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal. Acórdão n° 10197094, de 18/12/2008, Acórdão nº 10616761, de 23/01/2008, Acórdão nº 280200136, de 21/09/2009, Acórdão nº 10615616, de 21/06/2006, Acórdão CSRF/0401.176, de 04/11/2008, tendo por fundamento a ilicitude da cumulação de penalidades a título de lançamento de tributo. DA OBJEÇÃO E IMPUGNAÇÃO DA MULTA ISOLADA. DA AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO QUE JUSTIFIQUE A IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE, ADEMAIS A APLICAÇÃO DE DUAS MULTAS É CONTRÁRIA AO ORDENAMENTO JURÍDICO – ITERATIVA JURISPRUDÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Como demonstrado nos tópicos precedentes, não praticou a Impugnante qualquer ato ilícito que leve à aplicação de multa, de modo que, nos termos do artigo 112, inciso III, do Código Tributário Nacional, também as penalidades objeto de lançamento devem ser afastadas. Ainda que assim não fosse, apresentase a objeção de não incidência de multa em duplicidade, seria o caso de, no mínimo, afastarse a multa isolada objeto de lançamento (ou a própria multa de ofício exacerbada de 75%), na medida em que não existem duas penalidades a serem aplicadas, pois não foram dois atos hipoteticamente ilícios distintos, apenas um. Com efeito, em Direito punitivo quando um resultado é resultante da mesma causa impedese a dupla incidência das penas, ainda que expressamente previstas na legislação de regência, como no caso dos crimes continuados, ou daqueles em que o segundo resultado é mera decorrência natural e consequente da primeira conduta punível. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.315 56 Mais do que isso: se há pena vinculada à própria apuração do tributo, uma segunda multa, desta vez isolada, representa mesmo confisco, caracterizado pelo valor da penalidade superar o próprio valor do tributo, absolutamente vedado pelo inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. Merecem ser explicitadas as multas objeto de lançamento: Fl. 904 R$ 6.935.792,37 (multa proporcional IOF) Fl. 911 R$ 2.893.045,79 (multa isolada) Fl. 920 R$ 12.964.295,58 (multa proporcional IRPJ) Fl. 920 R$ 8.647.477,14 (multa isolada) Fl. 938 R$ 4.356.334,52 (multa proporcional CSSL) Como se constata, a Impugnante foi multada em R$ 35.796.945,40, dos quais R$ 11.540.522,93 representam multa isolada, em procedimento que parece ignorar o fato de que a Impugnante já recebera R$ 24.256.422,47 a título de multa proporcional, enquanto o valor do principal foi lançado em: Total do I.O.F. R$ 9.247.723,34 Total do IRPJ R$ 17.285.727,46 Total da CSLL R$ 5.808.446,04 SOMA R$ 32.341.896,84 Por tudo isso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem proferido repetidas decisões acolhendo a tese exposta. Destacandose: (...) Não fosse a impossibilidade de cumulação das multas, a multa isolada deve ser afastada por um fato adicional: ausência de base legal. Sim, pois constatase à fl. 914 que a base legal para aplicação da multa isolada seria o artigo 44, § 1º, inciso IV da Lei n. 9.430/96, o qual foi revogado pelo artigo 14 da Lei n. 11.488/2007. Aliás, a questão, sob essa ótica, também não é nova e já foi objeto de análise pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, destacandose: (...) Dessa forma, caso não seja afastada a totalidade da multa imposta, o oue se admite pelo Princípio da Concentração da Defesa, será o caso de, pelo menos, afastarse a multa isolada objeto do lançamento. Conclui e encerra, em suas palavras: “IV A CONCLUSÃO Em face ao exposto, a Impugnante reitera e insiste na sua crença no Direito e na Justiça e que o sentido do Direito está em diferenciar aquilo que conceitua e qualifica criando substratos que possibilitam os fundamentos das expectativas e da esperança Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.316 57 mesma. Assim, tornase necessário que se acredite no direito para que possa ser operada a expectativa de uma ação ou comportamento, segundo o sentido e a direção que o direito aponta, índica e estabelece. Cumprindo a função própria do Direito enquanto generalização congruente das expectativas jurídicas; entendendose a regra jurídica como o esquema de ação ou o modelo de conduta que dá sentido à ação ou comportamento querido e positivamente esperado e para tanto programado. É com base nessa visão do direito enquanto possibilitador de crença (expectativa/esperança) que são estabelecidas, pela Impugnante, as pautas de orientação dos seus negócios e contratos que funcionam como diretrizes que estabelecem o sentido das mesmas e a sua função social. Como é o próprio sistema jurídico que desenvolve mecanismos de estabilização, como centros integradores de sentido ou núcleos significativos conferidores à variedade de comportamentos possíveis uma certa unidade aceitável para as interações sociais, ou seja, aquilo em que se pode confiar (crer) que os outros esperam de nosso comportamento. Eis aí porque a Impugnante se apresentando e fazendo cumprir o seu papel social de Sociedade Controladora que tem como escopo e função o provimento do capital social necessário a suas Sociedades Controladas, e que esta atividade lhe é precípua e é inerente ao seu papel sóciojurídico, como a edução do filho é função do pai (papel social). Por outro lado, a estipulação contratual de liquidação de conta corrente mediante a entrega de ações de sociedade anônima não é pressuposto de contrato de mútuo. A estipulação indica, clara e inequivocamente, a ocorrência de adiantamentosp arafuturo aumento do capital social mantidos em conta/corrente e afinal concretizado a tempo e modo. Daí porque ser juridicamente impossível a tentativa de desfiguração dos adiantamentos para futuro aumento de capital social e a tentativa impossível de configurálo como elemento de contrato típico de mútuo. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, bem como a impossibilidade jurídica da sua conclusão, nspera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Assim, por qualquer ângulo que se observe não se sustenta a autuação fiscal. V. DOS PEDIDOS .1. Pelo Princípio da Cooperação Processual a Impugnante pretende e tem a intenção de produzir o máximo de provas possível a fim de auxiliar e cooperar com o julgamento do presente processo. Porém, o prazo de 30 dias foi muito curto para a plena produção de todos os documentos requeridos. Assim, protesta a Impugnante para poder apresentar novos Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.317 58 documentos na medida em que concluir todos os seus trabalhos de instrução das provas processuais. .2. Em face das objeções preliminares (prejudiciais de mérito) quanto aos critérios e cálculos que determinaram a base de cálculo sem fundamento técnico ou jurídico, pede a Impugnante que a decisão seja proferida após o exame do mérito , uma vez que, sendo este favorável à Impugnante, restará aquelas objeções prejudicadas. .2.1. Não lhe sendo favorável o mérito, as questões prejudiciais deverão serem conhecidas e afinal providas, requerendose a produção da prova pericial, cujas formalidades foram observadas a tempo e modo na forma da Lei de regência. .3. Sendo conhecido o mérito, pedese seja reconhecido ser atividade pertinente à Sociedade Controlada (sic) a atividade de suprir suas controladas em fase pré operacional do capital social necessário, sendo portanto, suas despesas financeiras plenamente necessárias e dedutíveis. .3.1. Supletiva e alternativamente, seja considerada válida seu contrato de Adiantamento para Futuro de Capital, de créditos em conta corrente, em 2007, em face da cobrança de juros em montante superior ao custo líquido dos recursos captados no mercado financeiro, em 2008, por ser plenamente válido a contribuição da Sociedade Controlada (sic) para a formação do Capital Social de suas controladas tal como se comprovou efetivado no início de 2009. .3.2. Alternativa e supletivamente, pelo princípio da Eventualidade, seja consideradas as fontes reais dos recursos captados, segundo a0020Demonstração (sic) do Fluxo de Caixa para fins de consideração técnica de determinação da base de cálculo, caso os demais pedidos de mérito não venham a ser providos. .3.3. Pede seja conhecido a impossibilidade jurídica de acumulação de multas punitivas em relação ao mesmo ano calendário de apuração e, pois, em relação ao mesmo IRPJ/CSLL já lançados com a multa punitiva. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, em face da exiguidade do prazo de 30 dias para examinar 948 fls. e verificar dezenas de cálculos envolvendo 36 meses e dezenas de contas, bem como a realização de diligências e perícias, tal como aduzido e requerido. Outrossim, com fundamento no art. 5º, XXXIV, letra "b" da Constituição Federal, requer a Impugnante que seja ressalvado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer documento pela d. autoridade fiscal, ou de qualquer outro fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos, a fim de que possa se manifestar sobre os mesmos, sob pena de violação ao princípio do devido processo legal (art. 5º, LIV da CF/88), do Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.318 59 contraditório e ampla defesa (art. 5º, LV), além de representar inequívoca negativa de vigência ao princípio da verdade material (princípio maior informador do processo administrativo fiscal).” A DRJ manteve os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Provas. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Diligências e Perícias. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Tributação Reflexa. Glosa de Despesas Financeiras Relativas a Empréstimos Repassados. CSLL. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei n° 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalide decisão em contrário do Poder Judiciário. Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Despesas Financeiras Relativas a Empréstimos Repassados. Glosa. Verificada na contabilidade a movimentação de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, característica de mútuo, deve a fiscalização dar a ela os efeitos correspondentes. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.319 60 As despesas financeiras relativas a empréstimos repassados a empresas controladas, sem ou com menor encargo, não se afiguram como necessárias, sendo, pois, indedutíveis. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Multa Isolada. Falta/Insuficiência de Recolhimento de Estimativas de 1RPJ e de CSLL. Constatado que a contribuinte efetuou recolhimento insuficiente das estimativas devidas, diante da glosa de despesas desnecessárias, correta é a exigência da multa isolada sobre a parcela inadimplida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 IOF. Mútuo entre Pessoas Jurídicas. Verificada a existência de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, regular é a exigência do IOF incide sobre tais operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, ressaltando ainda: O manifesto cerceamento do Direito de Defesa pela negativa de perícia necessária; Contestou os critérios adotados pelo fiscal na apuração da base de cálculo, nos seguintes termos: Mesmo que trabalhemos com os critérios estabelecidos pelo Agente Fiscal, concluímos que seu procedimento não pode prosperar: Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.320 61 • Primeiro, porque o Sr. Agente Fiscal não pode simplesmente computar em seus cálculos elementos que não se enquadram na situação descrita e que distorce significativamente o resultado, como demonstrado; • Segundo, porque considera valores de forma inconsistente considerando as despesas financeiras sem considerar as parcelas das receitas de mesma natureza que representam parcelas redutoras da mesma em toda a sistemática de apuração estimada e proporcional de resultados como ocorre nos casos de Lucro da Exploração e Lucro Inflacionário em que as receitas e despesas financeiras são tratadas de forma global e como uma única realidade. • É certo que o Sr. Agente Fiscal não considerou este fato, o que acarretou em imputação de custo irreal e improcedente aos recursos que ele considera como repassados às suas controladas. Em face desses resultados, qualquer analista de balanço pode afirmar que: a) Em 2007, poderseia afirmar que houve repasse, porém, como acima demonstrado, foram cobrados juros em montante compatível ao custo líquido de captação dos recursos; b) Já a partir de 2008, os recursos foram vinculados a composição do capital social das controladas e cuja materialização veio se confirmar como cumprimento do compromisso social para o aumento do capital social; c) Ainda em 2008, afirmar a ocorrência de repasse requer que o mesmo seja rateado pelas respectivas fontes supridoras dos recursos: as provenientes de captação no mercado (41%) e dos recursos provenientes da própria atividade operacional (59%). d) Já em 2009, afirmarse a ocorrência de repasse, é mesmo uma temeridade à toda prova. Não há como comprovar esta ocorrência em face do resultado claro e inequívoco pois nesse ano, não houve captação de recursos no mercado mas liquidação e redução do endividamento. O que revela a impossibilidade de comprovar a afirmação da ocorrência de repasse de recursos tomados no mercado financeiro. Assim, promovendo o rateio em 2008 (o que o bom senso, e o devido processo legal exige) recalculandose os custos a serem considerados em relação a eventuais repasses de recursos a controladas, verificase que os números são absolutamente discrepantes com os apontados pela Fiscalização. [1]. Embora em 2009, não se possa afirmar qualquer repasse (pois não se confirmou aumento dos recursos captados, antes verificouse a redução do seu volume), computouse as despesas sobre os saldos advindos de 2008, até a sua capitalização. [2]. O critério utilizado foi de considerar o repasse dos recursos na medida em que efetivados e segundo a fonte: a) Em 2007 100% considerado repassados recursos captados, deduzidos os juros cobrados das controladas; Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.321 62 b) Em 2008 41% considerado repassados recursos captados, deduzidos dos juros cobrados das controladas. O valor recalculado seria inferior ao próprio prejuízo do ano calendário, não sendo de nenhuma forma subsistente a manutenção do feito. Foram anexados pareceres dos ilustríssimos professores Tércio Sampaio Feraz Junior e Ariosvaldo dos Santos). É o relatório. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.322 63 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Em síntese, entendeu o Fisco que, tendo a Recorrente concedido empréstimos às suas controladas, supostamente para tanto, obtido empréstimo junto a instituições financeiras em montante igual ou superior, porém com encargos superiores aos pactuados, deveriam ser glosadas as diferenças de despesas financeiras que excederam às receitas de mesma espécie, oriundas dos contratos de mútuo entre as controladas, bem assim lançado o IOF sobre as referidas operações de créditos, que deixou de ser constituído. A DRJ também muito bem resumiu o caso, trazendo algumas peculiaridades a mais: Pois bem, no presente caso, a fiscalização questionou a natureza dos lançamentos verificados na conta 1211, de Ativo Realizável a Longo Prazo (venda, adiantamento, empréstimo, etc), tendo obtido da contribuinte a resposta de que teria havido transferências bancárias para empresas do mesmo grupo (controladas), quais sejam, a Açucareira Virgolino de Oliveira S/A (conta 12110009) e Agropecuária Terra Nova S/A (conta 12110010), com a finalidade de utilização para subscrição e integralização de Capital Social, conforme instrumento particular de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital AFAC e Assembléia Geral Extraordinária AGE, de 30/04/2009; bem como para pagamento por conta de entrega à autuada de cana deaçúcar produzida pela Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A (conta 12110011), conforme lançado pela referida controlada na conta 11711007 Contas a Receber Canas, constante do seu livro Razão. Também, questionou as despesas financeiras, especificamente aquelas decorrentes de empréstimos tomados no mercado financeiro e objeto de repasse. E, da análise das contas questionadas, dos instrumentos particulares de AFAC e das declarações apresentadas à RFB, a autoridade fiscal reuniu elementos suficientes para concluir pela existência de um contacorrente com as empresas do grupo, mediante o qual eram realizadas transferências de recursos (mútuo) da controladora (autuada) para as controladas, conforme a necessidade e conveniência, mediante falta ou cobrança de juros inferiores àqueles incidentes sobre os empréstimos tomados no mercado financeiro, tudo com o objetivo de gerar despesas financeiras apenas na controladora, pois as controladas já apresentavam resultado deficitário, por constituírem plantas industriais novas, com elevados custos e despesas préoperacionais e de implantação diferidas. Nesse contexto, além da efetiva existência do mútuo, sobre o qual incide o IOF, o Fisco concluiu serem desnecessárias as despesas financeiras decorrentes dos empréstimos tomados pela autuada, proporcionais à parcela repassada às controladas sem ou com encargos inferiores àqueles assumidos, cuja glosa implicou falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual, bem como em base estimada, ensejando a aplicação da penalidade isolada, inclusive. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.323 64 Perícia/Diligência A contribuinte requer a realização de perícia bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível, o que segundo ele cercearia seu direito de defesa. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontrase nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia/diligência dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. Em sua defesa, a interessada apresenta, basicamente, os mesmos argumentos já ofertados à fiscalização e na fase impugnatória, negando a existência do mútuo, pretendendo darlhe outro caráter, qualificandoo como AFAC e, contraditoriamente, como Contacorrente, para daí também argumentar que nem AFAC nem contacorrente tem o caráter de empréstimo, o que descaracterizaria a incidência do IOF, inclusive. Segundo TVF, o grupo Virgolino se compõe das seguintes empresas: Período Participação (%) Controlada 94,9550 Açucareira Virgolino de Oliveira S/A 99,7961 Agropecuária Terras Novas S/A 01/01/07 a 29/04/09 99,85 Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A Nesse passo, estão também envolvidas aqui três contas contábeis do Ativo Realizável Longo Prazo que registram as operações cuja natureza ora se analisa (12110009, 12110010 e 12110011, respectivamente). O modus operandi é praticamente o mesmo entre as três, com exceção de uma delas que se verá mais adiante a sua particularidade. Trago abaixo trecho relevante do TVF que trata de uma das três contas contábeis envolvidas – 12110010 – conta do ativo realizável a longo prazo, onde estão contabilizadas as operações realizadas com a controlada Agropecuária Terras Novas S/A: 4.2 DAS OPERAÇÕES REALIZADAS NA CONTA 12110010 fls. 314/325 As operações realizadas nesta conta ocorreram de forma similar às realizadas na conta n° 12110009, apenas alterandose o valor e o beneficiário. Com efeito, a conta n° 12110010 é uma conta de ativo realizável a longo prazo, onde estão contabilizadas as operações realizadas com a controlada Agropecuária Terras Novas S/A. Apesar de a fiscalizada alegar que as operações realizadas nesta conta tiveram por finalidade a subscrição e integralização de Capital Social da referida agropecuária, veremos, abaixo, que as operações efetuadas nesta conta possuem natureza de empréstimos (MÚTUO) realizados entre a fiscalizada e a Agropecuária Terras Novas S/A. Senão vejamos: Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.324 65 Analisando os lançamentos desta conta no livro razão, verificamos que os valores consolidados, abaixo informados, nos permitem extrair as mesmas conclusões que chegamos na conta n° 12110009: CONTA SALDO INICIAL LANÇAMENTOS SALDO FINAL TRANSFERÊNCIA ‐ AFAC DATA VALOR D/C DÉBITOS CRÉDITOS DATA VALOR D/C DATA VALOR CONTA 12110010 31/12/2006 23.375.021,30 D 75.541.605,28 17.196.962,25 31/12/2007 81.719.664,33 D 01/01/2008 81.719.664,33 12340003 02/01/2008 ‐ ‐ 73.632.285,95 60.620.528,12 31/12/2009 13.011.757,83 D TOTAL 149.173.891,23 77.817.490,37 Notase que o saldo desta conta, em 31/12/2006, era devedor, no valor total igual a R$23.375.021,30 (vinte e três milhões, trezentos e setenta e cinco mil, vinte e um reais e trinta centavos). Ou seja, a Virgolino de Oliveira já vinha, antes do período fiscalizado, enviando recursos à sua controlada. Mais uma vez, apuramos, nesta conta, vultosos lançamentos a crédito (R$77.817.490,37) e a débito (R$149.173.891,23). Ou seja, pela conta n° 12110010 transitaram recursos tanto da fiscalizada para a controlada, quanto desta para a fiscalizada. Logo, podemos concluir que as operações financeiras entre as empresas participantes do grupo econômico eram realizadas de acordo com a necessidade de cada uma. Portanto, percebemos que as operações realizadas entre as empresas possuíam natureza de contacorrente. Aliás, veremos que os contratos AFAC confirmam que os empréstimos são efetuados por intermédio de contacorrente. Destarte, concluise que os valores enviados pela Virgolino de Oliveira não possuem a natureza de AFAC adiantamento para futuro aumento de capital, já que, neste caso, não haveria lançamentos vultosos a crédito na conta do ativo realizável a longo prazo (conta n° 12110010 fls. 314/325). Analisando os lançamentos efetuados nesta conta verificamos que diversos deles também mencionam a palavra "mútuo". Com efeito, verificamos que ao longo do anocalendário de 2007 foram contabilizadas receitas financeiras relativas às operações de Mútuo firmadas entre a fiscalizada e a Agropecuária Terras Novas: DT.LANCTO CONTA HISTÓRICO VALOR DÉBITO CONTRAPARTIDA HISTÓRICO 31/01/2007 12110010 ATUALIZAÇÃO CDI MUTUO AGRO TN 31/01/07 9.446,36 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 28/02/2007 12110010 ATUALIZAÇÃO CDI MUTUO AGRO TN 28/02/07 8.237,04 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 01/03/2007 12110010 AJUSTE ATUALIZACAO CDI MUTUO AGRO TN 10/06 A 02/07 1.077.723,99 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 31/03/2007 12110010 ATUALIZACAO CDI MUTUO AGRO TN 03/2007 339.412,08 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 30/04/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 04/07 348.024,48 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 01/05/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 04/07 1,40 6 41 1 0 0 1 2 Juros Credores ‐ Mútuo 31/05/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 05/07 453.575,51 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 30/06/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 06/07 430.307,64 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 31/07/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 07/07 518.257,01 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 31/08/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 08/07 604.269,56 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 30/09/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 09/07 541.848,70 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 31/10/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 10/07 656.407,92 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 30/11/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 11/07 665.944,19 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo 31/12/2007 12110010 ATUALIZACAO MUTUO CDI AGRO TN 12/07 680.422,49 64110012 Juros Credores ‐ Mútuo TOTAL 6.333.878,37 Portanto, fica evidente que as operações realizadas nesta conta não se referem a adiantamentos para futuro aumento de capital, já que a própria contribuinte escriturou estes lançamentos como empréstimos (mútuo). Ressaltase que mesmo intimada a apresentar referidos contratos de mútuo, nada foi entregue à fiscalização. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.325 66 Com efeito, veremos que os juros ativos cobrados nas operações de mútuo efetuadas com as controladas são inferiores aos juros incorridos nas operações de créditos (empréstimos e financiamentos) contraídos pela Virgolino de Oliveira. A partir do anocalendário de 2008 (01/01/2008) a contribuinte mudou a forma de contabilização da remessa de recursos para as empresas controladas [transferiu o saldo devedor da conta 12110010 para a conta 12340003 (AFAC)]. Contudo, o modus operandi continuou o mesmo, já que continuou havendo lançamentos a crédito e a débito na conta 12340003 fls. 345/356. (...) Percebese que o modus operandi dos lançamentos continua idêntico aos escriturados na conta n° 12110010. Ou seja, ocorrem vultosos lançamentos a débito e a crédito da conta n° 12340003. Apesar de o contribuinte ter utilizado parte do saldo devedor apurado nesta conta (n° 12340003) para integralizar capital social na empresa Agropecuária Terras Novas S/A [em 30/04/2009, no valor igual a R$100.000,00 (cem mil reais)], verificamos que a fiscalizada transferiu o saldo desta conta (R$ 19.576.771,09), em 30/04/2009, para a conta n° 12110010. Por todo o exposto, restou comprovado que os repasses feitos pela controladora à controlada, desde o anocalendário de 2006, tiveram a natureza jurídica de empréstimos (mútuos) firmados por intermédio de um contacorrente (contas n°s 12110010 e 12340003). Também restou comprovado que somente incidiram encargos de juros ativos, relativos aos empréstimos efetuados às controladas, no ano calendário de 2007, e que estes juros, conforme veremos, é muito inferior aos obtidos nos empréstimos contraídos pela fiscalizada. A conta contábil nº 12110011. por sua vez, possui uma particularidade que não descaracteriza a conclusão chegada pelo fiscal: De acordo com as informações prestadas pela fiscalizada, as transferências bancárias realizadas pela empresa Virgolino de Oliveira à sua controlada (Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A) são relativas às vendas de canadeaçúcar produzida pela Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A. Ou seja, a conta n° 12110011 representa um contacorrente firmado entre a fiscalizada e sua controlada, na medida em que são registradas as remessas de recursos à controlada (lançamento a débito) bem como o recebimento de canade açúcar produzido pela controlada (lançamento a crédito). Feitas essas considerações inicias, passo efetivamente a meu voto. O fulcro da questão, como se vê, se voltará para a questão ligada à dedutibilidade de despesas, uma vez que foram consideradas desnecessárias à atividade da empresa. Sendo assim, segue uma rápida introdução ao conceito de despesa, que nasce na seara contábil e espraia seus efeitos na área fiscal. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.326 67 Contabilmente, podese definir lucro como o resultado positivo obtido do confronto entre receitas e despesas. Receita, por sua vez, é tudo que a empresa aufere com a venda de bens, produtos, mercadorias e serviços. Quanto a despesa ou custo, dá pra se dizer que sua semântica é dependente do conceito de receita. É que o jogo de diferenças entre seus conceitos acabam por jogar luzes nos conceitos individuais de cada uma delas. Nesse passo e a grosso modo, despesa ou custo é todo ônus em que se incorre para conseguir receita, sendo tal conceito taxativo e excludente, pois tudo que não concorrer para se conseguir receita está fora do seu campo semântico. O dispêndio que não visa à obtenção de receita não constitui custo nem despesa, mas sim exercício, pela sociedade, da faculdade de dispor discricionariamente de seu patrimônio e do lucro, ou seja uma mera liberalidade. Em verdade, quando assume certos encargos que necessariamente não lhe propiciarão receita nem sequer em hipótese, a empresa está ou doando seus bens ou distribuindo de antemão os lucros ainda não apurados, em favor ora de terceiros, ora dos próprios sócios. É nesse contexto que se insere o fato inconteste de que a empresa tomava recursos externos pagando juros reais de mercado e os repassava a empresas coligadas/interligadas cobrando, valores representativamente inferiores no anocalendário 2007, e não se cobra nada nos anos posteriores. Os juros por ela pagos sobre os financiamentos foram deduzidos como despesas financeiras e glosados pelas fiscalização no tanto que ultrapassou os juros ativos apropriados pelas controladas, o que se deu apenas em 2007, pois nos anos seguintes a contribuinte muda de “estratégia” e passa a justificar tais operações como se Adiantamento para Futuro aumento de capita o fosse (AFAC), a partir daí então sem cobrança de juros. Como se viu, a condição legal mais importante para a dedutibilidade das despesas é que as mesmas se caracterizem como necessárias às atividades da empresa ou à manutenção da respectiva fonte produtora. Ora, as despesas com financiamento de capital de giro, quando os recursos efetivamente ingressam no ativo da empresa e são utilizados para alavancar suas próprias atividades, se caracterizam de fato como necessárias e assim, dedutíveis. Se os recursos forem repassados a terceiros, mesmo que empresas ligadas, ainda que obtidos através operações designadas como AFAC, inegavelmente devem ser consideradas como despesas desnecessárias à atividade do contribuinte. Veja que tal situação se enquadra em quase uma tautologia lógica, ou seja uma verdade necessária a priori do próprio conceito de despesas necessárias. Ora, as despesas são necessárias à própria atividade do contribuinte. Se a despesa é para fazer face a outro Contribuinte, um terceiro, portanto, aquela despesa logicamente não é dedutível do primeiro. Seria dedutível do outro, se lá na escrita do outro fosse contabilizado, mas que não foi o caso. E não é o caso, principalmente porque não era interesse do grupo em fazêlo. E não venha se alegar, como quis fazer a Recorrente, que os investimentos permanentes em outras sociedades se destinam à manutenção da atividade da própria empresa, porque isso seria ferir de morte o princípio tão caro à contabilidade que é o princípio da entidade, onde o conceito contábil de grupo no Brasil praticamente não existe, a não ser de forma gerencial. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.327 68 Mas, retomando ao que já se disse, por se tratar de uma conclusão lógica extraída a priori, sem mesmo necessitar maiores inquirições no mundo dos fatos, a meu ver, o fiscal nem precisaria ir mais a fundo e investigar a motivação que fez com que o contribuinte trouxesse para si aquelas despesas de terceiros, dandonos os motivos, mesmo assim ele quis fazêlo para justificar aquele apriorismo, e o fez de forma competente, senão vejamos: Porém, a Recorrente se defende aduzindo que o seu caso não se enquadra nesse caso clássico acima demonstrado, ou seja, que não houve, no caso, tomada de empréstimo com o objetivo de repassar os recursos para as controladas, pois afirma que os valores foram disponibilizados em favor delas na condição da AFAC – adiantamento para futuro aumento de capital. De fato, se a disponibilização fosse feita sob o manto desse outro negócio jurídico (AFAC e não mútuo), a jurisprudência se inverte em favor do contribuinte. Cito como exemplo, ementa e excerto relevante do Acórdão nº140100.344, julgado por esta mesma Turma em 12 de novembro de 2010, da Relatoria do Conselheiro Alkmim. No caso, por unanimidade de votos, negouse provimento a ambos os recursos (voluntário e de ofício): ASSUNTO: Imposto Sobre A Renda De Pessoa Jurídica Irpj Anocalendário:2002 EMPRÉSTIMO PARA REALIZAÇÃO DE ADIANTAMENTO FUTURO DE AUMENTO DE CAPITAL – AFAC. DESPESAS FINANCEIRAS Consideramse necessárias as despesas financeiras incorridas pela empresa que toma empréstimo com o objetivo de promover adiantamento futuro de aumento de capital – AFAC em empresa da qual é acionista, ainda que não haja o repasse dos custos financeiros incorridos com referido empréstimo. VOTO (...) De fato, a jurisprudência desse Conselho tem entendimento de que, quando a controladora toma empréstimos que são repassadas, com a mesma natureza, para as controladas, os encargos financeiros decorrentes do empréstimo não são dedutíveis, por desatender o disposto o art. 299 do RIR, ou seja, não são consideradas despesas necessárias. A exceção a este entendimento ocorre quando os encargos financeiros cobrados da destinatária do recurso superam aqueles incorridos pela empresa tomadora do empréstimo. Vejase o entendimento da jurisprudência administrativa, in verbis: IRPJ – ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRÉSTIMOS REPASSADOS NÃO DEDUTIBILIDADE – As despesas financeiras relativas a empréstimos repassados a empresas ligadas não se afiguram como necessárias (usuais e normais), sendo, pois, indedutíveis. (acórdão 10195280) ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRÉSTIMOS REPASSADOS. A variação monetária calculada sobre empréstimo recebido e repassado à controladora sem qualquer encargo representa despesa não necessária, sendo indedutível na apuração do lucro real. (acórdão nº 10195057) DESPESAS FINANCEIRAS. Se o empréstimo obtido no exterior é repassado a empresa ligada com encargos financeiros superiores aos pagos pelo tomador, os Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.328 69 encargos financeiras caracterizamse como despesas necessárias à obtenção das receitas financeiras auferidas no repasse, sendo dedutíveis. (acórdão nº 10196242) IRPJ DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS – Tendo a pessoa jurídica emprestado determinada importância à sua coligada e, no mesmo período, contraído empréstimo bancário a taxas de juros superiores, este financiamento não pode ser tido como necessário e, conseqüentemente, as despesas dele oriundas são passíveis de glosa. (acórdão nº 10193674) No caso em apreço, a Recorrente tomou empréstimo junto à sua controladora (CBB), com o objetivo de disponibilizar referido recurso à empresa controlada (Hohneck), sendo que incorreu, ao tomar referido empréstimo, no pagamento de juros de 1% e IOF. Todavia, aduz a Recorrente que não houve, no caso, tomada de empréstimo com o objetivo de repassar, por meio de empréstimo, os recursos para controlada. Ao contrário, a Recorrente afirma que os valores disponibilizados em favor de sua controlada o forma na condição da AFAC – adiantamento para futuro aumento de capital. Vejamos essa hipótese. Segundo ensina Sérgio de Iudícibus, os “adiantamentos para aumento de capital são os recursos recebidos pela empresa de seus acionistas ou quotistas destinados a serem utilizados para aumento de capital. No recebimento de tais recursos, a empresa deve registrar o ativo recebido, normalmente disponibilidades, a crédito dessa conta específica “Adiantamento a crédito do Capital Social” (Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 7.ed. Atlas, São Paulo, 2008. p. 342). Assim, diferentemente dos empréstimos, o AFAC implica na transferência de recursos da empresa acionista ou sócia cotista para a empresa possuída, com o objetivo de futuramente integrar aumento de seus capital social. No caso dos empréstimo, ao contrário, o valor é disponibilizado de uma empresa para outra, com o objetivo de ser restituído. Dessa forma, não há como se dar o mesmo tratamento da transferência de valores entre empresas considerandoos empréstimo ou AFAC. Isso porque, se a empresa acionista toma empréstimo para repassar o referido valor como empréstimo para a empresa da qual possui ações, somente poderá haver a dedutibilidade das despesas financeiras incorridas por referida empresa se os mesmos encargos forem repassados à empresa tomadora do empréstimo. Lado outro, se a empresa acionista, dentro de seu objeto social, toma empréstimo de terceiros com o objetivo de aumentar seus investimentos na empresa da qual possui ações, e transfere referidos recursos por meio de AFAC, os encargos financeiros decorrentes de referido empréstimo devem ser considerados perfeitamente dedutíveis da base de formação da renda tributável. Apenas se for verificada a prática simulatória da contratação do AFAC, como forma de dissimular um empréstimo entre as empresas, é que os encargos financeiros em voga serão considerados indedutíveis. (...) Porém, como muito bem analisado pelo fiscal e pela decisão de piso, a situação dos autos demonstra que a real natureza do negócio jurídico foi mesmo de empréstimos e não de AFAC, a não ser com as ressalvas que se demonstrará mais adiante. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.329 70 O fiscal autuante chegou acertadamente à conclusão de que os AFACs possuem a natureza de empréstimos por vários indícios fortes e convergentes, senão vejamos: Apesar de os contratos particulares terem sido assinados no dia 01/01/2008, eles possuem saldo inicial oriundo das contascorrente de empréstimos n°s 12110009 e 12110010, nos valores de R$122.275.711,53 e R$ 81.719.664,33, respectivamente. Ou seja, referido AFAC disciplinou fatos ocorridos antes de sua vigência (até 31/12/2007). As transferências efetuadas (Ativo) pela contribuinte às suas coligadas superam, os transferências recebidas em todos os anos autuados, com a característica de que os créditos (transferências recebidas) alcançam vultosos valores, conforme abaixo: CONTAS REALIZÁVEIS A LONGO PRAZO DÉBITO CRÉDITO 12110009 R$ 232.930.758,95 R$138.208.789,94 12110010 R$ 149.173.891,23 R$ 77.817.490,37 TOTAL R$ 382.104.650,18 R$ 116.026.280,31 R$ 382.104.650,18 R$ 116.026.280,31 O que se percebe é que há um verdadeiro contacorrente, ou seja, um fluxo bimembre de entradas e saídas e não de um fluxo em uma direção só, como se esperaria de um verdadeiro Adiantamento para Futuro Aumento de Capital. Ora, a natureza de AFAC de forma alguma comporta essas “idas e vindas”, o fluxo deve ser sempre unilateral, isto é, de quem está adiantando o capital para a empresa investida. A própria contabilidade denuncia essa natureza aparente de AFAC, na medida em que o próprio contribuinte se autodenuncia registrando os referidos eventos com históricos contábeis que mencionam a palavra "mútuo", no caso de 2007. No Anocalendário de 2007, flagrantemente a Recorrente em sua contabilidade registra a operação como de contratos de mútuos, inclusive nessas operações foram registrados juros ativos, porém com valor bem inferior aos juros captados (passivos). No Ano seguinte, ela muda apenas o nome júris da operação para AFAC, mas sem alterar a sua verdadeira natureza de empréstimos (mútuo financeiro), uma vez que continua mantendo o mesmo modus operandi, com fluxos financeiros nos dois sentidos (Controladora para controlada e Controlada para Controladora). A mudança foi meramente cosmética mesmo, pois não se deu nem ao trabalho de isolar as duas contas contábeis de naturezas que teoricamente seriam diferentes, na medida em o saldo inicial da nova conta (AFAC) nada mais é do que o saldo final da Conta que controlava os mútuos com pagamento de juros ocorrido ao longo de 2007. A esse respeito, consta o seguinte no TVF: A partir do anocalendário de 2008 (01/01/2008) a contribuinte mudou a forma de contabilização da remessa de recursos para as empresas controladas [transferiu o saldo devedor da conta 12110010 para a conta 12340003 (AFAC)]. Contudo, o modus operandi continuou o mesmo, já que continuou havendo lançamentos a crédito e a débito na conta 12340003 fls. 345/356. Ademais, basta verificar o histórico do primeiro lançamento efetuado na conta AFAC n° 12 340 003 fl. 345: Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.330 71 Débito: conta n° 12340003 (Agropecuária Terras Novas S/A) Crédito: conta n° 12110010 (Agropecuária Terras Novas S/A) Data: 01/01/2008 Histórico do Lançamento: "TRANSF DA CTA MUTUO 12110010" Valor: R$ 81.719.664,33 Abaixo transcrevemos os valores consolidados dos lançamentos efetuados na conta 12340003: CONTA SALDO INICIAL LANÇAMENTOS SALDO FINAL TRANSFERÊNCIA ‐ AFAC DATA VALOR D/C DÉBITOS CRÉDITOS DATA VALOR D/C DATA VALOR CONTA 12340003 01/01/2008 81.719.664,33 D 64.677.017,26 20.806.517,61 31/12/2008 125.590.163,98 D 31/12/2008 125.590.163,98 D 18.351.732,49 43.941.896,47 30/04/2009 100.000.000,00 D 30/04/2009 100.000.000,00 13110004 TOTAL 83.028.749,75 64.748.414,08 A conta contábil Ativo Realizável ao Longo prazo onde se situam as três contas contábeis que segundo a Recorrente tratarseia de AFAC. De acordo com o art. 179, II, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações LSA), com as alterações legais vigentes nos períodos aqui abrangidos (2007 a 2009), são lá classificáveis os direitos derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da empresa. Por outro lado, as contas do Ativo Permanente constituem recursos aplicados em bens ou direitos não destinados à comercialização. Aí se inserem os Investimentos, os quais caracterizam participações permanentes em outras sociedades, não se destinando, pois, à manutenção da atividade da empresa (art. 179, III, da LSA). Portanto, são classificados como Investimentos (Ativo Permanente) as aquisições de ações de outras sociedades que tenham a característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, pois, nesse caso, classificamse no Ativo Realizável a Longo Prazo. Ou seja, o AFAC deveria ter sido classificado como um Ativo Permanente e não um Ativo Realizável a Longo Prazo, sendo este mais um indício de que não estamos diante de um verdadeiro AFAC, mas sim de empréstimos para as controladas. A particularidade existente no contacorrente com a sua controlada Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A também não desnatura as conclusões aqui chegadas. Nessas conta são igualmente registradas as remessas financeiras de recursos à controlada (lançamento a débito), única diferença é que o crédito se dá com o recebimento de canade açúcar produzido pela controlada (lançamento a crédito), que obviamente é uma devolução de empréstimo não importa de que forma se deu essa devolução, desde que se possa converter tais bens em numerário, como é o caso da venda de canadeaçúcar, caracterizando assim um fluxo bimembre característico dos mútuos. Diversas incoerências apontadas como argumentos subsidiários no minucioso e bem alinhavado voto da decisão de piso: De fato, a argumentação apresentada pela interessada não se mostra coerente, pois inicialmente as transferências foram registradas pela contribuinte em conta do Ativo Realizável a Longo Prazo, a qual, conforme já esclarecido, é própria justamente para o registro de vendas, adiantamentos e empréstimos para suprir Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.331 72 necessidades de caixa de empresas coligadas ou controladas, ainda que de curto prazo, não se destinando referida conta, portanto, ao controle de investimentos permanentes, na qual são lançados os adiantamentos para futuro aumento de capital (AFAC) nas empresas controladas, porque classificáveis no Ativo Permanente; e nem se destinando ao controle dos adiantamentos por conta de compra de matériaprima (in casu, cana de açúcar), porque classificáveis no Estoque. Acrescentese, ainda, mais uma incoerência, qual seja, o registro de um direito no Ativo Realizável a Longo Prazo, pela entrega de numerário vinculada a fornecimento de bens (cana de açúcar), quando o correspondente fornecedor registra a venda do bem no grupo de “contas a receber”, próprio para controle das vendas a prazo, como a impugnante argumenta ter sido realizado pela controlada Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A (conta 11711007 – CONTAS A RECEBER – CANAS), pois a hipótese ensejaria, como contrapartida, o registro de uma obrigação no passivo do beneficiário (contas a pagar). Por outro lado, o próprio histórico dos lançamentos registrados nas contas do Ativo Realizável a Longo Prazo (12110009 Açucareira Virgolino Oliveira S/A e 12110010 Agropecuária Terras Novas S/A), confirma se tratar de operação de mútuo com as controladas, tal como a classificação prevista para o citado grupo de contas. E o histórico dos lançamentos registrados na conta 12110011 Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A, de Ativo Realizável a Longo Prazo, indica liquidações de compromissos da respectiva controlada, inclusive, tais como: (i) a pagamentos referentes pedido de CND junto à prefeitura de Ariranha/SP; (ii) pagamentos referentes a taxa de licença da Agropecuária Virgolino de Oliveira S/A; e (iii) pagamentos referentes a pedido de CND junto ao posto fiscal de Catanduva, entre outros (vide razão de fls. 326/329). Por fim, uma motivação econômica: O fiscal prova que os efeitos fiscais de se fazer a dedução dos juros diretamente nas controladas ou centralizar tudo na controladora tem um impacto bastante diferente. É que a controladora, sendo a empresa mais antiga e há muito tempo operacional era a empresa que gerava lucros vultosos e as duas empresas controladas criadas há muito menos tempo, ainda estavam em fase préoperacional gerando prejuízos. Isso quer dizer que o aproveitamento dessas despesas na controladora era muito mais útil ao grupo. Como se vê, para chegar ilação final de que os AFACs possuem a natureza de empréstimos e, assim, as despesas com juros eram desnecessárias, a fiscalização partiu de vários indícios precisos, “econômicos” e convergentes propiciando a perfeita formação de convicção deste julgador tornando em seu conjunto a prova robusta e concludente. Se analisados de forma isolada, como fez a Recorrente, de fato nada atestam, agrupados porém têm o condão de estabelecer a inequivocidade dessa matéria. Dessa forma, as despesas financeiras relativas a valores que são repassados a empresas ligadas não se afiguram como despesas usuais e normais, sendo, pois, indedutíveis na apuração do lucro real. Não sendo instituição financeira, deveria trazer aos autos razões que justificassem a concessão de empréstimo a encargos menores que os assumidos no financiamento que simultaneamente obteve, mas centrou sua defesa em alegar que estarseia diante de um outro negócio jurídico (AFAC). Porém, pelos motivos já alinhavados se verifica Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.332 73 que na verdade o real negócio jurídico perpetrado pela Recorrente não passou mesmo de empréstimos visando unicamente economizar tributos. Por fim, para que não paire nenhuma dúvida ainda a respeito da questão material dos mútuo, cumpre informar, que o fato de se constatar que se trata de um conta corrente não desnatura a natureza dos mútuos que foram feitos para amparar o contacorrente. Afinal, o contacorrente é apenas um arranjo de mútuos com o fim de facilitar o controle de fluxo de caixa de um grupo, porém, tal controle não pode passar ao largo do princípio da entidade, bem assim se aproveitar para fins fiscais de despesa ou gastos não vinculados à geração de receitas, pois em se admitindo essa espécie de liberalidade, seria subverter a definição de lucro e dar vazão a toda sorte de distorções. Aumento de Capital Um ponto muito relevante deve ser levado em consideração, como se colocou alhures as cláusulas do contrato de AFAC já demonstrarem uma natureza híbrida de conta corrente com AFAC, já que só o saldo remanescente se destinaria ao aumento de capital, no final do prazo previsto para ocorrer a integralização do capital. E isso de fato aconteceu com uma determinada parcela em (30/04/2009), ou seja, R$ 100.0000,000,00 em contraponto ao saldo de R$ 23.761.353,05, saldo este que voltou para a conta de anterior de mútuo (12110009). Vejamos o TVF, tratando dessa questão relevante na conta nº 12110009: (...) Apesar de o contribuinte ter utilizado parte do saldo devedor apurado nesta conta (nº 12340002) para integralizar capital social na empresa Açucareira Virgolino de Oliveira [em 30/04/2009, no valor igual a R$100.000,00 (cem mil reais)] (sic), verificamos que a fiscalizada transferiu o saldo desta conta (R$ 23.761.353,05), em 30/04/2009, para a conta nº 12110009 (os recursos voltaram para a conta de mútuo). Cabe salientar, que o fiscal se equivoca ao se referir a essa integralização de capital como sendo de R$ 100.000,00. Na verdade, tratase de R$ 100.000.000,00, conforme razão fls. 303 e 342 (contas 12110009 e 12340002, respectivamente) e Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 30/04/2009 da empresa Açucareira Virgolino de Oliveira S/A (fls. 238,239 e 241). No próprio relatório da DRJ ela colocou “sic” após a referência numérica erra feita pelo Fiscal no TVF. Isso quer dizer que tal valor (R$ 100.000.000,00) deve ser desconsiderado de forma retroativa dos cálculos referentes à média ponderada dessa conta, tomando como marco a data de 30/04/2009; e assim diminuíram nessa mesma proporção o item “c” da planilha referente ao índice de “percentual dos empréstimos ativos/passivos” que por sua vez é aplicado sobre as despesas financeiras contabilizadas para se chegar nas despesas desnecessárias. Porém, esse cálculo deve ser limitado aos anos calendários de 2008 e 2009, pois como já se viu alhures para 2007 não há dúvidas alguma que se tratava integralmente de mútuos, inclusive por que os históricos contábeis assim eram designados; os valores eram remunerados (embora abaixo do mercado) e não existia nem sequer o contrato híbrido de AFAC. Portanto, dou provimento parcial ao recurso apenas para desconsiderar da média ponderada de forma retroativa dos saldos de ativos concedidos às controladas, tomando como marco a data de 30/04/2009, devendo retroagir a janeiro de 2008, o valor de R$ 100.000.000,00 (fls. 303 e 342, contas 12110009 e 12340002) que foi integralizado no capital Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.333 74 social da empresa conforme razão contábil e Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 30/04/2009 da empresa Açucareira Virgolino de Oliveira S/A (fls. 238, 239 e 241). COPERSUCAR O contribuinte também se insurge contra o cálculo feito pelo fiscal, na medida em que teria deixado de fora contrato de longo prazo com taxas mais baixas, o que teria lhe desfavorecido na sistemática de cálculo aplicada pelo Fiscal. Nada mais equivocado. Segundo o TVF transcrito abaixo o fiscal se preocupou em levar em conta dos empréstimos e financiamentos, inclusive foi o próprio fiscal que identificou outras contas não relacionadas pelo contribuinte, como foi o caso da COPERSUCAR, justamente o caso reclamado: “(...)Já citamos que a contribuinte foi intimada para apresentar cópia de todos os contratos relativos aos empréstimos e financiamentos, cujos encargos foram contabilizados no grupo de contas n° 64106 (“DESPESAS FINANCEIRAS”) – fl.559/561. Além do demonstrativo dos contratos de empréstimos e financiamentos fornecidos pela fiscalizada (fls. 623/624 e 626/627), ela também informou o nº contábil das contas onde foram contabilizadas as obrigações (Empréstimos, Financiamentos etc.) cujas despesas foram contabilizadas no grupo nº 64106 – fls.577/594. Com efeito, a contribuinte relacionou os seguintes grupos de contas: Passivo Circulante – grupo de contas nº 21: 2121– empréstimos; 2122– financiamentos. Passivo Circulante – grupo de contas nº 22: 2221– empréstimos; 2222– financiamentos. Não obstante a fiscalizada relacionar apenas as contas dos grupos nº 21 e 22, cujas despesas foram contabilizadas como financeiras – grupo nº 64106, a fiscalização identificou outras contas, relativas a empréstimos ou financiamentos, cujas despesas também transitaram pela conta nº 64106: grupo de contas nºs 2224 (Adiantamentos da produção Copersucar), do Passivo Exigível a Longo Prazo; grupo de contas nºs 2225 (Copersucar – Adiantamentos prod. Empr. Concedidos), do Passivo Exigível a Longo Prazo; (...)” (destaquei) Afasto, portanto, essa alegação. PARECERES Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.334 75 Do parecer do eminente prof. Tecio Sampaio Ferraz acostado aos autos de forma a amparar a sua defesa, podese extrair, por pertinente o seguinte excerto: (...) Ora, o negócio jurídico (AFAC) traduz exatamente a realidade dos fatos e, consequentemente, a vontade objetiva das partes, não existindo razão para sua desconsideração. Não houve negócio "escondido", simulado, ao contrário, os lançamentos contábeis e o contexto descrito imediatamente acima demonstram que a Consulente atuou realizando negócios jurídicos diretos, com perfeita conformidade entre suas causas típicas e os resultados visados. Não parece plausível, nesse contexto, a requalificação dos fatos promovida pelo AuditorFiscal, simplesmente "transformando" o AFAC em repasse de empréstimos da controladora para suas controladoras, pois assim estarseia economizando tributos. Somente poderia prevalecer o entendimento apresentado pela fiscalização se o AuditorFiscal tivesse qualificado a conduta da controladora como simulada. Em outros termos, acaso tivesse havido uma simulação, ou seja, a "real intenção" da controladora fosse mesmo repassar o empréstimo, aí sim caberia falar em requalificação de fatos e novos efeitos jurídicotributários. Ora, o negócio jurídico (AFAC) traduz exatamente a realidade dos fatos e, consequentemente, a vontade objetiva das partes, não existindo razão para sua desconsideração. Não houve negócio "escondido", simulado, ao contrário, os lançamentos contábeis e o contexto descrito imediatamente acima demonstram que a Consulente atuou realizando negócios jurídicos diretos, com perfeita conformidade entre suas causas típicas e os resultados visados. Não parece plausível, nesse contexto, a requalificação dos fatos promovida pelo AuditorFiscal, simplesmente "transformando" o AFAC em repasse de empréstimos da controladora para suas controladoras, pois assim estarseia economizando tributos. Somente poderia prevalecer o entendimento apresentado pela fiscalização se o AuditorFiscal tivesse qualificado a conduta da controladora como simulada. Em outros termos, acaso tivesse havido uma simulação, ou seja, a "real intenção" da controladora fosse mesmo repassar o empréstimo, aí sim caberia falar em requalificação de fatos e novos efeitos jurídicotributários. Como tenho afirmado nos meus votos que envolvem a análise de planejamentos tributários, costumo dizer que abuso de formas pode até ser o meio utilizado e que termina por descambar em um abuso de direito, simulação ou fraude à lei. Porém, a descrição dos fatos não precisa chegar a uma conclusão perfeita sobre o instituto aqui utilizado (fraude à lei, simulação, abuso de direito, abuso de formas ou mesmo uma combinação deles), uma vez que não há uniformidade de entendimento a respeito desses metaconceitos por demais abstratos, e uma mínima diferença de concepção em um instituto afeta o entendimento do outro, acarretando conclusões díspares no caso concreto. O que importa é que os fatos estejam narrados de uma forma tal que o julgador possa inferir deles patologias, inadequações, discrepâncias entre a forma jurídica adotada e a essência do negócio jurídico; e não que o fiscal diga precisamente que instituto é esse que está sendo aplicado, pois o que importa é que qualquer que sejam eles, os efeitos dos negócios jurídicos contornados ou simulados não serão oponíveis ao fisco. Entretanto, o fiscal deve atribuir as conseqüências tributárias pertinentes de forma a e dar a melhor conformação possível a esse negócio jurídico situandoo diante das leis e do ordenamento jurídico. E a meu juízo, foi o que o fiscal fez perfeitamente, no caso concreto. Sem dizer uma única linha direta a respeito, podese traduzir que ele vislumbrou um Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.335 76 negócio jurídico indireto não oponível ao fisco ou mesmo um abuso de direito, porém, como disse alhures, isso não é muito relevante, a não ser para efeito enquadrar esses tipos para efeito qualificação da multa. Mas como se viu, a multa não foi qualificada e, a meu ver, de forma acertada conforme jurisprudência dessa Turma. Dessa forma, data máxima venia não vislumbro o porquê do estranhamento do eminente professor quanto a esse aspecto, pois se a multa tivesse sido qualificada essa Turma a cancelaria, conforme jurisprudência, não remanescendo qualquer incoerência a esse respeito. E essa distorção apontada pelo fiscal, não importando o seu nome iuris, só se pode verifica com a análise dos fatos e documentos encontrados no processo. É uma análise eminentemente probatória como aqui se fez e não, uma interpretação genérica de normas e leis. Outrossim, o referido parecer centra força mais em considerações e pormenores ligados a distinção entre os diversos institutos (Simulação, fraude a lei etc), do que propriamente nas minúcias do caso. Eis uma passagem do parecer que isso fica bem patente: No caso em tela estamos diante de negócios jurídicos que não possuem qualquer razão para serem desconsiderados (ou requalificados) pelo Fisco. Todas as provas e informações constantes dos autos levam à conclusão de que não houve nenhuma outra intenção por detrás daquela que a realidade denota, razão pela qual devem ser mantidos seus efeitos tributários típicos Outrossim, a teoria do eminente Prof. se adequa aos fatos aqui traçados como uma luva, mas em sentido desfavorável à Recorrente, senão vejamos: (...) Isto porque a questão não está na escolha da forma prescrita ou da forma típica para um fim atípico, mas em se as partes, na forma escolhida, declaram algo diferente daquilo que efetivamente realizam. Isto é, optam por uma forma, mas não realizam de modo algum suas consequências jurídicas, isto é, agem a despeito delas (ignoram a forma típica adotada) e só buscam finalidades econômicas. Se a forma escolhida e a produção dos efeitos jurídicos são compatíveis com a situação econômica visada ou alcançada (o que se demonstra pela execução do negócio) e se a lei tributária toma aquela forma escolhida como premissa para tributar os efeitos econômicos dela, então não pode o Fisco desconsiderála sob a alegação de que haveria alguma outra forma jurídica presumivelmente "mais adequada" para a produção de efeitos econômicos idênticos. Isto seria aplicação arbitrariamente analógica da lei. Vale a regra geral: diante de diversas conformações jurídicas, o contribuinte pode, legitimamente, escolher a que lhe seja tributariamente mais favorável. Ora, o que se demonstrou alhures foi exatamente a advertência feita pelo professor: Optouse por uma forma (AFAC em que não há juros), mas não realizouse de modo algum suas conseqüências jurídicas (por se tratar de contacorrente/mútuo, onde deveria haver juros), “isto é, agem a despeito delas (ignoram a forma típica adotada) e só buscam finalidades econômicas.”. Alegação de impropriedades na quantificação da glosa Por fim, afora o que já foi considerado no tópico “Aumento de Capital”, reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que rejeitaram as “impropriedades” apontadas na quantificação da glosa. A decisão de piso tratou dessa questão de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adotoas também como razões Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.336 77 complementares deste voto, pois inclusive supera as razões do outro parecer aqui acostado ao autos (Parecer do Prof. Ariosvaldo dos Santos): Contudo, nenhum reparo merece o cálculo feito pela autoridade fiscal. Primeiro, porque as contas consideradas de empréstimos e financiamentos foram somente aquelas escrituradas pela própria contribuinte e cujos encargos correspondentes contribuíram para a formação das despesas financeiras computadas, consoante o balancete apresentado. Desse modo, perde o objeto o questionamento feito pela autuada quanto ao fato de a fiscalização ter considerado apenas a conta Coopersucar de longo prazo, desprezando a de curto prazo. Segundo, porque se tomou o universo dos empréstimos e financiamentos acima citados (cujos encargos transitaram pela conta de despesas financeiras computadas) para definir qual o percentual dele foi destinado ao repasse para as controladas, o que, de modo algum, significa concluir ter havido especificamente o repasse do PESA ou do FINAME. Demais disso, cumpre observar que o fato de um recurso ser liberado para aplicação específica, tal como o PESA ou o FINAME, não impede que a contribuinte venha a lhe dar destinação outra. Terceiro, porque incabível a pretensão da contribuinte em considerar as receitas financeiras como elemento redutor das despesas de mesma natureza (custos líquidos), para fins de dedutibilidade do referido encargo, pois inexiste tal critério no âmbito da legislação tributária. Só há de se cogitar do confronto entre receitas e despesas financeiras (custos líquidos) unicamente para fins de elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício DRE (art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976). Evidente que as despesas escrituradas devem guardar pertinência com as receitas correspondentes computadas na determinação do resultado, em obediência ao Regime de Competência contábil (art. 177 da Lei n° 6.404, de 1976, c/c art. 274 do RIR/99). Porém, para fins fiscais, a dedutibilidade da despesa escriturada segundo o Regime de Competência contábil, como já esclarecido, é condicionada, apenas, ao preenchimento dos requisitos de normalidade, usualidade e necessidade (art. 299 do RIR/99). Quarto, porque incabível a pretensão da análise das contas contábeis sem o reflexo de seu saldo inicial e final, dada a necessidade de observância do Princípio Contábil da Continuidade, segundo o qual a Contabilidade deve registrar e resumir todas as mudanças no patrimônio líquido que ocorrem durante o período escolhido e apresentar o resultado nele obtido, bem a situação patrimonial no final do referido período, considerando a existência da pessoa jurídica por prazo indeterminado. Quinto, porque o Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC) não constitui, por si só, prova da inexistência de repasse de empréstimo às controladas, mas, apenas, documento segundo o qual se permite uma avaliação da capacidade da empresa de retornar empréstimos obtidos, além de uma avaliação dos efeitos das transações de investimento e financiamento sobre a posição financeira da empresa. Também, para cumprimento de sua finalidade, o DFC deve evidenciar separadamente, em Notas Explicativas, as transações de investimento e financiamento que afetam a posição patrimonial da empresa, mas não impactam diretamente os fluxos de caixa do período, tais como dívidas convertidas em aumento de capital, entre outros requisitos, o que não foi observado relativamente ao documento apresentado. Ademais, no presente caso, a fiscalização cuidou de registrar que as transações de empréstimos afetaram negativamente o resultado da autuada, dado o repasse de recursos às controladas com maior ônus financeiro, tal como apreendido na análise das DIPJ (lucro operacional negativo). Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.337 78 Assim, mantémse a glosa das despesas desnecessárias como efetuada, bem como o seu reflexo correspondente na determinação do IRPJ e da CSLL. Outrossim, cabe salientar que o critério utilizado pelo fiscal, bem assim o presente julgamento na parte em que se deu provimento parcial, procurouse respeitar o princípio da proporcionalidade. Por óbvio, que qualquer critério que se utilize, independente de quem o elabore, envolvendo situações que ensejam a aplicação desse princípio está sujeito a vieses que podem se afastar um pouco da perfeita realidade. Porém, não vejo inadequação do que foi traçado pelo fiscal, inclusive procurando fazer um levantamento de saldos diários; consolidação através de médias ponderadas mensal e anual e não médias simplesmentes aritiméticas, como colocou o Parecerista Sr. Ariovaldo dos Santos. Dessa forma, a baliza tomada sob a forma de saldos praticamente se alinha no que o Parecerista pleiteou, ou seja, de consideração no cálculo de toda a movimentação e não de simples saldos estáticos. A esse respeito o referido Parecerista equivocase, parecendo desconhecer a sistemática considerando saldos diários e que foi adotada pelo fiscal. Vejamos as suas considerações: As contas de empréstimos a pagar, valores a receber ou aplicações financeiras não são diferentes e podem ter saldos finais que não refletem aquilo que realmente aconteceu durante o período. Um grande empréstimo tomado no último dia do mês, e liquidado nos primeiros dias do mês seguinte, pode levar a conclusões sobre endividamento totalmente diferentes daquelas que efetivamente mostram as necessidades de caixa do dia a dia da empresa. Um aumento de capital no final do exercício pode, se não tratado de forma adequada, provocar grandes distorções nos cálculos de rentabilidade do patrimônio líquido. Óbvio, no caso de uma redução do capital os efeitos serão contrários portanto também podem mostrar resultados distorcidos De outra banda, o fiscal considerou, sim, a movimentação na medida em que fez apurações de saldos diários e utilizandose de média ponderada e não aritimética. Eis as os termos do TVF: Após o agrupamento destas contas (que resultou no grupo nº 011), foi elaborado o demonstrativo de fls. 694/723, no qual efetuamos a consolidação diária de todos os lançamentos do grupo nº 011 (empréstimos passivos). Ou seja, foi elaborada a consolidação diária de todos os empréstimos e financiamentos obtidos pela contribuinte. Ato contínuo foi calculada a média ponderada mensal dos empréstimos e financiamentos contraídos pela fiscalizada. Para tanto, foi realizada a seguinte operação matemática – fls. 694/723: Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.338 79 MPE13 = soma diária (nº dias x saldo acumulado diário da conta empréstimo) Soma do nº de dias do mês (...) Por intermédio da planilha denominada de “Demonstrativo de Apuração das Despesas Financeiras Não Necessárias” – fls. 817, calculamos a proporção entre os empréstimos contraídos pela controladora e os empréstimos concedidos às empresas controladas. Com efeito, para obtermos esta proporção efetuamos a seguinte operação matemática: Percentual = média ponderada mensal dos empréstimos concedidospassivos média ponderada mensal dos empréstimos contraídosativos Desta forma, obtivemos a proporção mensal dos recursos repassados às controladas, relativos aos empréstimos obtidos: MÊS/ANO (A) (B) (C) = (B) / (A) MÉDIA PONDERADA MENSAL DOS PERCENTUAL DOS EMPRÉSTIMOS/FINANCIAMENTOS EMPRÉSTIMOS PASSIVOS ATIVOS ATIVOS/PASSIVOS (CONTRAÍDOS) (CONCEDIDOS ÀS CONTROLADAS) 01/2007 324.898.348,39 77.126.432,81 23,74% 02/2007 330.333.383,55 84.185.144,86 25,48% 03/2007 331.799.282,16 93.259.624,82 28,11% (...) Por fim, o fato de o fiscal ter considerado financiamentos que a princípio teriam uma destinação vinculada (PESA e FINAME), a tudo a que a DRJ já afirmou, acrescento que esse fato não implica dizer necessariamente houve alguma distorção significativa no cálculo final. A Recorrente a esse respeito nem se deu ao trabalho de demonstrar o quanto isso afetaria o resultado final. Isso porque apesar de se retirar denominador do rateio (Passivo) uma quantia fixa, implica em aumento do percentual de rateio a ser aplicado sobre todas as despesas financeiras do período, e na mesma medida há uma diminuição da base de cálculo sobre a qual se aplica esse percentual de rateio, o que demanda cálculos que seriam ônus da Recorrente e que não foi feito. Portanto, não foi demonstrado o prejuízo vislumbrado nessa apontada inadequação. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IOF Conforme já foi muito bem demonstrado a fiscalizada contraiu empréstimos no mercado financeiro (com a incidência de encargos financeiros) e emprestou parte dos 13 MPE média ponderada mensal dos empréstimos e financiamentos Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.339 80 recursos às empresas controladas, sem a incidência de qualquer encargo (anoscalendário de 2008 e 2009) ou com encargos reduzidos (anocalendário de 2007). Os empréstimos repassados às controladas eram contabilizados por intermédio de diversas contascorrente existentes no Ativo Realizável a Longo Prazo da fiscalizada (contas n°s 12110009, 12110010, 12110011, 12340002 e 12340003). Aqui cabe também aquelas mesmas considerações feitas no tópico “Aumento de Capital”, no sentido de desconsiderar da mesma forma do saldo de ativos sujeitos ao IOF os valores de R$ 100.000.000,00 referente a conta da empresa Açucareira Virgolino de Oliveira S/A. Excluindose os valores referidos no parágrafo anterior, resta demonstrado que o saldo remanescente referemse na verdade a empréstimos (mútuos) e possuem natureza jurídica de operações de crédito, estando, portanto, sujeitos à incidência de IOF, ex vi art. 13 da Lei n° 9.779/99: "Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitase à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras." O IOF foi regulamentado pelo Decreto n° 6.306/2007. Abaixo passamos a transcrever as principais peças deste ato normativo: 6.2.1. DO FATO GERADOR Art. 3° O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. § 1° Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operações de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; (...) VII na data lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. (...) § 3°A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, (...); (...) III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.340 81 Portanto, bastante claro a subsunção dos fatos à norma feita pelo fiscal, motivo pela qual não se precisa aqui gastar mais tinta a esse respeito. Dou provimento parcial ao recurso, no que se refere ao IOF, para desconsiderar de sua base de cálculo o valor de R$100.000.000,00 de forma retroativa a 30/04/2009 e limitado a 01/01/2007. Quanto à Responsabilidade Art. 5° São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros. Base de Cálculo Art. 7° A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% (...) § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a IV, conforme o caso. (...) § 15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações de crédito à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento, independentemente do prazo da operação, seja o mutuários pessoa física ou pessoa jurídica. (incluído pelo Decreto n° 6.339, de 03 de janeiro de 2008) § 16. Nas hipóteses de que tratam a alínea "a" do inciso I, o inciso III, e a alínea "a" do inciso IV, o IOF incidirá sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, à alíquota adicional de que trata o § 15. (incluído pelo Decreto n° 6.339, de 03 de janeiro de 2008) A base de cálculo do IOF foi corretamente calculada de acordo com o somatório dos saldos devedores diários, apurados no último dia de cada mês, conforme dispositivo legal acima e encontramse consignadas de forma analítica no demonstrativo de Cálculo do IOF fls. 818/840. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.341 82 Portanto, mantenho em parte o lançamento do IOF. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Em primeiro lugar, cabe salientar que tal raciocínio só é válido para os anos calendários de 2007 e 2009 que tiveram tributos devidos. Em relação ao anocalendário de 2008 houve prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Portanto a Súmula nº105 só aplicase para os anoscalendário de 2007 e 2009, motivo pelo qual devem ser canceladas, subsistindo as multas isoladas para o ano calendário de 2008: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105) Cabe de início esclarecer que não se confundem as duas infrações, pois são distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o anocalendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendoos mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.342 83 a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o deverser do comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerandose o conteúdo das determinações legais. Em relação a tese da consunção, deixo de trazer a baila argumento contra essa tese, pois com a aplicação da Súmula resta superada essa minha argumentação. Portanto, a multa isolada nos exatos termos prescritos na autuação para o anocalendário de 2008, cancelando as multas referentes aos anoscalendário de 2007 e 2009. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a decisão das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso: Cancelar as multas isoladas referentes aos anoscalendários de 2007 e 2009; desconsiderar da média ponderada (de forma retroativa) dos saldos de ativos concedidos às controladas, tomando como marco inicial a data de 01/01/2008 e data final de 30/04/2009, o valor de R$ 100.000.000,00 que foi integralizado no capital social da empresa conforme razões contábeis e Ata da Assembléias Geral Extraordinária de 30/04/2009 da empresa Açucareira Virgolino de Oliveira S/A, afetando a base de cálculo do IRPJ, CSLL e IOF (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.343 84 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o redator designado para o voto vencedor não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Não obstante a coerente fundamentação contemplada no voto do Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a quem presto minhas homenagens, tão bem exposto à Turma em relação ao recurso voluntário, onde os membros do colegiado deram provimento parcial ao recurso, para apenas para cancelar a multa isolada sobre estimativas não pagas. Observando tudo que consta dos autos, não tenho como concordar com as razões de decidir do Conselheiro Antonio Bezerra Neto em relação ao tema da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, neste ponto considero procedentes os argumentos da Recorrente tendo em vista que a questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais já está pacificada no âmbito do processo administrativo fiscal federal. Dos inúmeros julgados a respeito do tema uma maioria esmagadora entende que é impossível à imposição da multa isolada, nos termos do inciso IV do §1º, independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. E, isso demonstra que encerrado a ano calendário, não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Até porque, encerrado o ano calendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do ano calendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do ano calendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Na verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º. do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.344 85 recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do ano calendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele ano calendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do ano calendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. A partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do ano calendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1º. do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. As turmas ordinárias e a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF têm reiteradas decisões no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, que levou ao entendimento ser sumulado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da súmula CARF nº 105, aprovada pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 08/12/2014, com a seguinte disposição: “Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Diante dos sólidos argumentos e os termos da súmula CARF nº 105 demonstram a ampla, geral e irrestrita impossibilidade de exigência concomitante de multa de oficio por falta de recolhimento de tributo devido ao final do exercício e por falta de recolhimento de estimativas no mesmo período. Isso porque, a suposta infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Tais argumentos e decisões têm lastro nas determinações contidas no art. 44 da Lei n° 9.430/96 que autoriza e disciplina a aplicação da multa isolada, conforme pode ser visto abaixo: Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.345 86 “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”. O Art. 2° da Lei n° 9.430/96 assim determina: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts 30 a 32,34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995”. As remissões relevantes contidas nos diplomas legais acima são as seguintes: “Art. 35 (Lei n° 8.981/95) A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2° Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano calendário”. Diante do exposto e principalmente observado as razões de decidir acima, não tenho como deixar de reformar o acórdão recorrido, tendo em vista que não pode subsistir a aplicação de penalidade isolada decorrente da falta de pagamento de exações fiscais, cujos débitos não foram confessados na DCTF original ou primitiva; e, a outra, em decorrência da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, ambos sobre a base de calculo estimada. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, voto no sentindo de dar provimento parcial ao recurso, única e tão somente, para afastar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.367 S1C4T1 Fl. 1.346 87 Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 18/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10580.000277/00-59
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1990, 1991, 1992
Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932)
Numero da decisão: 9900-000.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosemburg Filho - Redator designado
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1990, 1991, 1992 Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932)
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1990, 1991, 1992 Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator designado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 EDITADO EM: 01/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em 14/01/2000, Dunas Empreendimentos e Participações por meio dos documentos de fls. 01/09, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) excedentes ao 0,5% relativo ao período de 09/1989 a 12/1991. A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, exarou o acórdão n° CSRF/0305.470, que se encontra às fls. 199/223 e cuja ementa é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - DUPLO GRAU ANÁLISE DE MÉRITO - Nos processos administrativos fiscais de pedido reconhecimento do direito creditório, cujo litígio instaurou-se apenas quanto ao prazo para interposição do pleito, ou seja, a unidade de origem da Receita Federal não apreciou o mérito, afastada essa preliminar, os autos devem retornar àquela origem para essa análise, podendo o contribuinte apresentar outra manifestação de inconformidade à DRJ, no prazo de 30 dias da ciência, caso discorde da nova decisão. Recurso especial negado. Como se verifica do referido acórdão, prevaleceu, pelo voto de qualidade, o entendimento de que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interposição do pedido de restituição iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da MP nº 1.110/1995, tendo sido determinado o retorno dos autos à DRF de origem para julgamento do mérito. Intimada do acórdão em 08/09/2008 (fls. 225) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 227/236, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/02-02.088, de 17/10/2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 434/08 de 10/10/2008 (fls. 245/246). Fl. 278DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10580.000277/00-59 Acórdão n.º 9900-000.422 CSRF-PL Fl. 2 3 Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarrazões (fls. 250/269). É o Relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho - Conselheiro Redator designado. Preliminarmente, ressalto que o conselheiro Gustavo Lian Haddad relator original não é mais conselheiro do CARF, porém deixou a minuta de voto, apenas não pode assiná-lo. Diante desse quadro, fui designado como redator ad hoc. Reproduzo as razões de decidir do relator original, verbis: O Acórdão CSRF/02-02.088, de 17/10/2005, encontra-se assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte. O dissídio jurisprudencial resta claro ante o confronto das referidas decisões enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos inicia-se a partir da publicação no DOU da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, no acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição de tributos cuja inconstitucionalidade ou não incidência foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado, pela autoridade fiscal ou por ato do Poder Legislativo deveria se dar a partir da data de publicação do ato que reconheceu tal cincurstância. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62-A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 279DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543-C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominam-se leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio Fl. 280DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10580.000277/00-59 Acórdão n.º 9900-000.422 CSRF-PL Fl. 3 5 legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo " os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezá-la se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...)... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "trata-se unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitando-se- lhes os perigos. Compreende-se, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storico-teorico- pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de Fl. 281DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, deve-se, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligá-la com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurge-se o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10580.000277/00-59 Acórdão n.º 9900-000.422 CSRF-PL Fl. 4 7 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 14/01/2000, verifica-se que de fato ocorreu a decadência em relação a recolhimentos de FINSOCIAL relativos às competências até 12/1989 (fatos geradores até 31/12/1989), haja vista o transcurso de mais de 10 anos entre a data do pedido de restituição e a data da ocorrência do respectivo fato gerador do tributo. Em relação aos recolhimentos relativos às competências 01/1990 e seguintes não foi configurada a decadência tendo em vista o não transcurso do prazo de dez anos. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para RECONHECER a decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição em relação aos recolhimentos relativos às competências até 12/1989. Foram esses os fundamentos jurídicos e legais utilizados pelo relator original para negar provimento ao recurso extraordinário. Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 2/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000066/2011-00
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2010
LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA.
A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sendo
condição necessária e suficiente à sua materialização a ocorrência do fato
gerador, independente da existência de dolo ou qualquer outro elemento
subjetivo.
Numero da decisão: 2803-004.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sendo condição necessária e suficiente à sua materialização a ocorrência do fato gerador, independente da existência de dolo ou qualquer outro elemento subjetivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 00 66 /2 01 1- 00 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13931.000066/201100 Acórdão n.º 2803004.080 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável original ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o relatório. Esclareço que aqui reproduzo o relato do relator original, que se encontrava nos sistemas do CARF, com os quais não necessariamente concordo. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão que manteve os créditos tributários lavrados nos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD ns. 37.244.0967, 37.312.8266 e 37.244.0983 (contribuições previdenciárias patronais e GILRAT), ns. 37.244.0975, 37.312.8282 e 37.312.8258 (contribuições a terceiras entidades), ns 37.312.8240 e 37.312.8274 (contribuições dos segurados retidas e não recolhidas. O lançamento foi realizado para apuração das contribuições por ter a empresa recolhido indevidamente como optante do regime simplificado de tributação. Em recurso voluntário, a parte declara que aderiu ao parcelamento da Lei n. 11.941/2009, quanto aos créditos dos seguintes DEBCAD´s ns. 37.244.0967, 37.244.0975, 37.244.0983, 37.312.8240, 37.312.8258, que abrageu todos os períodos entre 07/2007 a 11/2008, requereu o cancelamento dos mesmos em razão do parcelamento, quanto aos demais créditos alegou ser indevida a multa e juros pois os fatos geradores foram declarados em GFIP, e suspensão dos créditos. É o relatório. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Segue o voto constante dos sistemas do CARF. I O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Com a petição apresentado pela autoridade preparadora confirmam que a parte desistiu e optou pelo parcelamento dos créditos objetos do presente processo. Assim, deve ser aplicado o disposto art. 78, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF/MF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Assim, a opção do parcelamento dos créditos constituídos pelos AI´s ns. 37.244.0967, 37.244.0975, 37.244.0983, 37.312.8240, 37.312.8258, é equivalente à desistência do recurso, deixase de apreciálo quanto qualquer questão quanto à sua validade e mérito do lançamento. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13931.000066/201100 Acórdão n.º 2803004.080 S2TE03 Fl. 4 5 III – Quanto aos demais lançamentos, apenas resta a discussão quanto à aplicação da multa de ofício e juros em razão de força maior não tem o condão de afastar a aplicação da legislação tributária. Os dispositivos indicados pela parte (art. 501 da CLT e 4º. Da Lei n. 7855/1989) dizem respeito apenas às relações trabalhistas. A aplicação da legislação tributária é cogente conforme os art. 97 e seguintes do CTN, em especial o art. 111, para fins de interpretação de causas de exclusão ou cumprimento do crédito tributário, o qual devem ser interpretadas de forma literal. IV Quanto aos demais lançamentos, apenas resta a discussão quanto à aplicação da multa de ofício, por terem sido os fatos geradores declarados em GFIP, nos períodos posteriores a 12/2008, também não merece acolhimento ao posto pela Recorrente. Observese que tais créditos já encontravamse sob a vigência do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da MP n. 449/2008 e Lei n. 11941/2009, aplicado a multa o art. 44, I, da Lei n. 9430/1994, nos casos em que a apuração do crédito é realizada por meio de lançamento de ofício em razão por omissões e incorreções das declarações do contribuinte. Nos autos de infração em questão, o lançamento foi realizado em razão de incorreção do enquadramento da empresa em GFIP, fazendose necessário constituição de créditos adcionais não declarados anteriormente, mesmo que os fatos geradores sejam os mesmos. VI Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe parcial provimento. É como voto. Foi assim que o conselheiro original votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10783.724483/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
Ementa:
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES.
Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica da contribuinte são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção.
DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não cumulativo quando vinculados a bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens do ativo imobilizado empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) para reconhecer o crédito sobre os fretes de matéria-prima entre os estabelecimentos da recorrente, vencido o Conselheiro Jorge Freire Freire; (ii) para reconhecer o direito de crédito sobre as despesas de "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)" incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra; (iii) para negar o direito ao crédito sobre a depreciação de vagões, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; iv) para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram pela conversão em diligência para apuração do crédito presumido decorrente da transferência entre filiais. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Ementa: INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica da contribuinte são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não cumulativo quando vinculados a bens do ativo imobilizado diretamente empregados na produção. Tratandose de bens do ativo imobilizado empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) para reconhecer o crédito sobre os fretes de matériaprima entre os estabelecimentos da recorrente, vencido o Conselheiro Jorge Freire Freire; (ii) para reconhecer o direito de crédito sobre as despesas de "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)" incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra; (iii) para negar o direito ao crédito sobre a depreciação de vagões, vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; iv) para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram pela conversão em diligência para AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 44 83 /2 01 1- 96 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 apuração do crédito presumido decorrente da transferência entre filiais. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório. Trata o processo de Pedido de Ressarcimento – PER nº 19729.83273.300107.1.1.081401, de crédito de PIS/Pasep não cumulativo Exportação, nos termos do §1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, relativo ao 2º trimestre de 2006, no montante de R$1.333.660,98. O saldo a ressarcir foi objeto da Declaração de Compensação nº 02233.62813.310107.1.3.089071. A DRF/Vitória reconheceu em parte o direito creditório e homologou parcialmente a compensação declarada. Foi homologado o montante de R$ 381.784,27 (trezentos e oitenta e um mil, setecentos e oitenta e quatro reais e vinte e sete centavos); e não homologado o valor de R$ 951.876,71 (novecentos e cinqüenta e um mil, oitocentos e setenta e seis reais e setenta e um centavos). Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da manifestação de inconformidade, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: (...) Da análise do pleito em questão resultou o Parecer Sefis nº 177/2011, do qual se destaca o seguinte: ...Informa o contribuinte que no 2° trimestre de 2006, no que se refere ao Pis/Pasep – incidência nãocumulativa, gerou créditos relativos a importações ou aquisições no mercado interno vinculados a receitas de exportação, ou vendas a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, em montante superior às deduções decorrentes de operações tributadas no mercado interno, nos termos do art. 5°, §1°, da Lei n° 10.637, de 2002, como demonstrado na tabela abaixo: Fl. 859DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 859 3 ...o objetivo da diligência fiscal foi verificar os procedimentos adotados pelo contribuinte no sentido de apuração dos débitos e créditos, manifestandose sobre procedência ou não dos saldos objeto de pedido de ressarcimento e respectiva declaração de compensação. Para a análise foram considerados os valores informados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, as planilhas com o detalhamento dos valores totalizados no Dacon, e os respectivos registros contábeis. ... DOS CRÉDITOS Bens utilizados Insumos... especificamente em relação aos bens utilizados como insumos, constante da linha 2, da ficha 6A do Dacon, referente a apuração dos créditos do Pis/Pasep, objeto deste tópico, foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que não tiveram ação direta sobre o produto fabricado (os insumos indiretos) e os bens contabilmente registrados no ativo imobilizado, como detalhados no anexo I. ... As despesas relativas a limpeza, laboratório, viagens, hospedagens, alimentação, escritório, informática, etc., apesar de importantes como suporte às atividades da empresa, enquadramse como insumos indiretos, não relacionados diretamente com a produção dos bens destinados à venda, o que não as credencia, no caso concreto, a integrar o rol de insumos que geram crédito na sistemática da nãocumulatividade do PIS/Pasep... As contas 133160501 e 616018501 contemplam uma ampla variedade de itens, enquadradas pelo contribuinte a título de manutenção e conservação: materiais de limpeza, conservação, segurança, escritório, e pequenos reparos, para os quais não se verificou a vinculação direta com o produto em elaboração. Desse modo, foram também excluídos da basedecálculo da apuração dos créditos. No que tange especificamente à conta 133020.502, relativa ao suprimento lenha, as exclusões referemse a aquisições de pessoas físicas e a despesas relativas ao corte da madeira. Com relação às aquisições de lenha de pessoas físicas, como se sabe, um dos pressupostos para a obtenção de créditos na sistemática Fl. 860DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 da nãocumulatividade do Pis/Pasep é a aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no País, com as exceções previstas na lei (o que não foi o caso do item sob análise), de acordo com o art. 3º, §3°, I, da Lei n° 10.637, de 2002. Quanto às despesas referentes a corte de madeira, tratase de serviços prestados na floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria... Quanto aos itens contabilizados no ativo imobilizado, grupo 180000, há expressa vedação, no que se refere a bens utilizados como insumos, à sua apropriação para fins de apuração de créditos, nos termos do art. 8º , §4°, I, "a" , da IN SRF n° 404, de 2004. Serviços utilizados como Insumos...especificamente em relação aos serviços utilizados como insumos, constante da linha 3, da ficha 6A do Dacon, referente a apuração dos créditos do Pis/Pasep – incidência nãocumulativa, objeto deste tópico, foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que, no caso da indústria, não foram aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou no caso da unidade prestadora de serviços, não tenham sido aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Os dados,...,estão detalhados no anexo II. Quanto às despesas relacionadas a fretes, classificou o contribuinte como insumos geradores de créditos o frete fiscal/diversos e o frete sobre transferência. Como frete fiscal/diversos foram classificadas as pequenas remessas não vinculadas diretamente à produção, tais como remessas postais, malotes, etc; e como frete sobre transferências, os deslocamentos entre as unidades da própria ADM, relativos a envio da matériaprima do armazém para a fábrica. Nos dois casos observase que não se trata de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, como define o art. 8ºº, §4°, I, " b ", da IN SRF n° 404, de 2004, com suporte no art. 3º , II , da Lei n° 10.637, de 2002. E também nesse caso não há que se remeter ao conceito de frete na operação de venda, já que o produto sequer foi elaborado (tratase de deslocamento da matériaprima para ser industrializada). ... No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep. Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como “condomínio portuário, movimentação, classificação, água Fl. 861DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 860 5 (CODESP)”, contas contábeis do grupo 54200 e 516120, para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8°, §4°, II ”b”, da IN SRF n° 404, de 2004, combinado com o art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Com relação a manutenção e reparos, conta 520018, os valores referemse a despesas de água e esgoto, limpeza, laboratório, vigilância, combate a insetos, etc, para os quais também não há previsão legal apuração de créditos na sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep. Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado... O contribuinte, na filial Rondonópolis, apropriouse de créditos relativos a depreciação de vagões, como detalhado no anexo III. Os vagões atendem a parte da demanda de transporte do contribuinte. São, portanto, úteis e necessários às atividades da empresa, entretanto operam fora da fábrica, não sendo propriamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, como pressupõe o art. 3°, VI, da Lei n° 10.637, de 2002. Crédito Presumido..., verificouse que, do total do crédito presumido apurado apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerandose a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte significativa do crédito presumido foi apurada (de acordo com informação do contribuinte) com base no preço médio da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação ao estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003). E o que estabelece o art. 8º , §2°, da Lei nº 10.925, de 2004, é que "o direito ao crédito presumido" do Pis/Pasep "só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País (...)". Ou seja, na apuração do crédito presumido caberia ao contribuinte considerar o valor efetivo das aquisições efetuadas nas respectivas datas de emissão das notas fiscais pelos fornecedores... Assim, observandose o procedimento legal estabelecido para a apuração do crédito presumido, tal como previsto no art. 8º , §2°, e §3°, III , da Lei n° 10.925, de 2004, foram efetuadas as glosas como demonstrado sintética mente na tabela abaixo e detalhados no anexo IV. ... CONSIDERAÇÕES FINAIS O somatório das glosas efetuadas, discriminadas mensalmente, estão expressas na tabela abaixo: Fl. 862DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 Na homologação dos créditos, considerando os dados expressos no pedido de ressarcimento formalizado pelo contribuinte, concluiuse o seguinte: Cumpre registrar que, com relação aos meses 05/2006 e 06/2006, apesar de serem glosados valores superiores aos saldos a ressarcir informados pelo contribuinte, não foi constituído crédito tributário do saldo remanescente, uma vez que, não caracterizadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, impôs se a aplicação da decadência, tal como disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 1966. PROPOSIÇÃO Pelo que foi exposto, proponho o deferimento apenas parcial do direito creditório requerido pelo contribuinte no pedido de ressarcimento n° 19729.83273.300107.1.1.081401, relativo a créditos originados da sistemática da nãocumulatividade do Pis/Pasep nos meses de abril, maio e junho de 2006, apurado nos termos da Lei n° 10.637, de 2002 e, conseqüentemente, a fim de que surta os efeitos previstos no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, proponho que seja homologada apenas parcialmente a respectiva compensação, objeto da declaração n° 02233.62813.310107.1.3.089071, nos seguintes termos: homologar R$ 381.784,27 (trezentos e oitenta e um mil, setecentos e oitenta e quatro reais e vinte e sete centavos); e não homologar R$ 951.876,71 (novecentos e cinqüenta e um mil, oitocentos e setenta e seis reais e setenta e um centavos). Com lastro no Parecer acima, a DRF/VITÓRIA exarou o Despacho Decisório de fl. 45, assim decidindo: Aprovo o Parecer DRF/VIT/Sefis n° 177/2011 e, de acordo com o seu teor, nos termos do disposto no art. 280, V I , da Portaria do Ministério da Fazenda n° 125, de 2009, defiro parcialmente o direito creditório do contribuinte relativo a nãocumulatividade do Pis/Pasep de que trata a Lei n° 10.637, de 2002, apurada nos meses de fevereiro e março de 2006. Conseqüentemente, homologo parcialmente a compensação objeto da declaração n° Fl. 863DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 861 7 02233.62813.310107.1.3.089071, nos seguintes termos: valor homologado R$ 381.784,27 (trezentos e oitenta e um mil, setecentos e oitenta e quatro reais e vinte e sete centavos); e valor não homologado R$ 951.876,71 (novecentos e cinqüenta e um mil, oitocentos e setenta e seis reais e setenta e um centavos). Cientificada do Despacho Decisório, em 18/10/2011 (fls. 496), a contribuinte apresentou, em 17/11/2011, a Manifestação de Inconformidade de fls. 498 a 526, na qual alega, em preliminar, a nulidade do Despacho Decisório recorrido por cerceamento do direito de defesa. No mérito, a manifestante apresenta, em síntese as seguintes razões de defesa: a defendente entende que todos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e utilizados, direta ou indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos de PIS e Cofins. Foi esse o claro intuito do legislador ao criar o sistema de créditos e débitos dessas contribuições, sendo equivocada e ilegal, ante a falta de embasamento em lei, a utilização de conceitos próprios do IPI para tanto; a legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos e não faz referência à legislação do IPI, portanto, deve ser utilizado o conceito genérico de insumo; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da pessoa jurídica, de forma que a não cumulatividade dessas contribuições deve considerar os elementos físicos e funcionais que colaboram para a formação dessa receita, não se restringindo aos insumos aplicados diretamente e consumidos no curso do processo produtivo; a título de argumentação, vale ressaltar que a materialidade do PIS e da COFINS é muito mais próxima da do IRPJ do que da do IPI. Se fosse necessário buscar fundamento em legislação tributária anterior para definir os elementos geradores de créditos de PIS e COFINS (o que se admite para fins de argumentação), deverseia utilizar a legislação do IRPJ; o entendimento de que o conceito de insumos na sistemática da não cumulatividade das contribuições deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessários para a atividade da empresa já vem sendo adotado pelo CARF; apesar de o serviço de frete não ser aplicado diretamente no processo de produção, é incontestável que ele é absolutamente necessário e intrínseco a essa atividade de produção. Aliás, se não há a transferência das matériasprimas dos armazéns para a fábrica, a fase de produção não pode ser sequer iniciada; para garantir que os créditos de PIS e COFINS sejam apropriados somente com relação aos bens e serviços portuários utilizados na prestação de serviços a terceiros, a interessada Fl. 864DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 utiliza dois métodos, dependendo da natureza dos custos ou despesas; para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas CODESP relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita a cada embarque; a impugnante realiza o levantamento da quantidade embarcada, verifica a proporção entre os produtos próprios e os produtos de terceiros e aplica a proporção com relação aos custos e despesas relacionados ao embarque. Então, somente a parte dos custos e despesas correspondente aos produtos de terceiros gera créditos de PIS e COFINS; para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tal como almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita com base no volume total movimentado por mês; a impugnante verifica o volume total movimentado na filial no mês, obtém a proporção entre o volume próprio e o volume de terceiros e aplica a proporção sobre os custos e despesas mencionados acima. Novamente, somente a parte dos custos e despesas associados à movimentação de produtos de terceiros gera crédito de PIS e COFINS; ou seja, apesar de não ser possível uma vinculação exclusiva dos gastos cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados pelas autoridades fiscais aos serviços prestados a terceiros, é incontestável que essa vinculação existe, de forma que os créditos devem ser admitidos; transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS; o artigo 3o, inciso IX da Lei n.° 10.833, de 2003, prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado; o artigo 8o da Lei n.° 10.925, de 2004, determina que as pessoas jurídicas produtoras de determinados produtos de origem animal e vegetal fazem jus a crédito presumido de PIS e de COFINS sobre aquisições de produtos in natura de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão dessas contribuições em suas operações; considerando que adquire soja in natura para a produção de derivados, tais como óleo de soja e farelo de soja, a interessada registrou, com base no dispositivo legal acima, créditos Fl. 865DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 862 9 presumidos de PIS e COFINS sobre as operações realizadas nas condições estabelecidas na legislação; a operação de soja é realizada, essencialmente, em cinco fábricas (filiais) da interessada: Rondonópolis, Uberlândia, Campo Grande, Três Passos e Joaçaba. As fábricas de Três Passos e Joaçaba adquirem a soja in natura diretamente dos fornecedores. Já as fábricas de Rondonópolis, Uberlândia e Campo Grande, que são consideradas sedes regionais da empresa, recebem a soja in natura em transferência de outras filiais que adquirem o produto dos fornecedores; o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Impugnante, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS; o valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja — que somente é determinado no encerramento do contrato, após a entrega total dos produtos — mas uma mera estimativa, uma vez que celebra contrato de compra e venda com preço a fixar. Ou seja, há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato; decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Os créditos presumidos de PIS e COFINS somente são apropriados pela Interessada no momento da transferência entre a filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento. Pela peculiaridade da operação, a metodologia não está prevista na legislação fiscal. Ao final requer preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório em vista do claro cerceamento de defesa decorrente da não indicação do critério utilizado na valoração dos créditos glosados e reconhecidos pelas autoridades fiscais. No mérito, requer a reforma parcial do Despacho Decisório recorrido para que seja reconhecido, integralmente, o crédito de PIS relativo ao 2o trimestre de 2006 e, assim, homologadas as respectivas compensações. A interessada apresentou, em 19/12/2013, as razões adicionais de defesa, fls. 602 a 606, acompanhadas dos documentos de fls. 607 a 656. (...) Mediante o Acórdão nº 0950.010, de 27/02/2014, a 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 866DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da não cumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma não cumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. RATEIO. DESPESAS COMUNS. Não há previsão legal para rateio de despesa, encargo ou custo comuns quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado apenas geram direito a crédito se esses bens forem diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda. Diante disso, os encargos de depreciação dos vagões utilizados no transporte de insumos, não são passíveis de gerar crédito da contribuição. CREDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR. A apuração do crédito presumido com base no preço médio da soja para cada filial comercial não encontra amparo legal. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância com a abertura dos arquivos correspondentes no sistema eprocesso em 20/03/2014. Em 04/04/2014 deuse a ciência por decurso de prazo. Em 15/04/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Da nulidade da decisão de primeira instância administrativa Fl. 867DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 863 11 As autoridades julgadoras de primeira instância desconsideraram as alegações e documentos apresentados pela Recorrente em sede de defesa e proferiram sua decisão de forma desvinculada aos argumentos e provas e, portanto, de forma totalmente desmotivada. Essa reprovável conduta fica bastante clara no que concerne aos serviços portuários prestados pela filial de Santos, pois, a despeito de a Recorrente ter demonstrado, em sua manifestação de inconformidade, a metodologia utilizada para a apropriação das despesas com serviços utilizados como insumo na prestação de serviços portuários a terceiros e, ainda, ter apresentado petição juntando toda a documentação necessária para a quantificação e verificação da regularidade dos créditos de PIS advindos de tais despesas, as autoridades julgadoras desconsideraram o que foi apresentado nos autos e preferiram, à margem dos fatos e dos documentos, concluir que não haveria como se autorizar a tomada dos referidos créditos eis que decorrentes de um "rateio de custos" sem autorização legal. Não há como se aceitar que a disputa seja resolvida em primeira instância através da mera transcrição de dispositivos legais, a qual, nem de longe, pode ser considerada como sendo suficiente para provêla da mandatória motivação. A falta de motivação de uma decisão configura cerceamento de defesa, da ampla defesa e do contraditório, em afronta ao previsto no artigo 5º, LV da Constituição Federal. Assim, resta clara a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, a qual deve ser substituída por nova decisão, que, desta vez, traga a devida motivação aos diversos pontos em disputa. NO MÉRITO: a. Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de PIS no regime não cumulativo: A Recorrente entende que todos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e utilizados, direta ou indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos de PIS e Cofins. Por outro lado, as dd. autoridades fiscais e julgadoras, entendem que somente poderiam ser considerados como insumos, para fins de geração de créditos de PIS e Cofins, os bens e serviços aplicados diretamente na produção de bens, ou seja, com a aplicação da legislação do IPI para a definição de insumo. A legislação do PIS e da Cofins não traz conceito de insumos, dessa forma, atendendo ao determinado no artigo 109 do Código Tributário Nacional, devese utilizar o conceito genérico de insumo, qual seja, todos os bens corpóreos ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens ou serviços. A legislação do PIS e da Cofins afastase implicitamente da legislação do IPI pela própria natureza dos créditos admitidos, pois admite créditos com relação a diversos elementos que certamente não seriam passíveis de crédito de IPI, como é o caso de serviços, combustíveis e lubrificantes. A materialidade do PIS e da Cofins não é semelhante à materialidade do IPI. O PIS e a Cofins incidem sobre a receita da pessoa jurídica, de forma que a não cumulatividade dessas contribuições deve considerar os elementos físicos e funcionais que colaboram para a Fl. 868DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 12 formação dessa receita, não se restringindo aos insumos aplicados diretamente e consumidos no curso do processo produtivo. A própria regulamentação da Receita Federal do Brasil indica que custos, despesas e encargos geram créditos de PIS e Cofins passíveis de ressarcimento, sem que haja qualquer restrição aos bens aplicados e consumidos diretamente na produção de bens e serviços. Dessa forma, no presente caso, devem ser admitidos os créditos de PIS relativos a bens e serviços pertinentes à produção de bens e à prestação de serviços, como é o caso dos vestuários, material de limpeza, material de laboratório, treinamentos, fretes, serviços portuários, etc. Despesas com fretes para transporte de matériaprima entre armazéns e fábricas da Recorrente As dd. autoridades fiscais glosaram os créditos relativos a frete sobre transferências entre estabelecimentos da Recorrente. Nos Pareceres SEFIS, as dd. autoridades fiscais reconhecem expressamente que se tratam de "deslocamentos entre as unidades da própria ADM, como o envio da matériaprima do armazém para a fábrica" e que "os produtos são transportados dos armazéns para as fábricas com notas fiscais de simples remessa emitidas pela própria ADM." Dessa forma, mesmo reconhecendo que as despesas com fretes foram incorridas para o transporte de matériaprima para dentro de suas unidades fabris e que, portanto, referidas despesas estão intrinsecamente vinculadas à produção do farelo e do óleo de soja fabricados e vendidos pela Recorrente, as dd. autoridades fiscais preferiram aterse a uma interpretação estritamente literal do artigo 3o, IX da Lei n.° 10.833/2003 para denegar o direito ao crédito de PIS e Cofins sobre tais despesas. Na mesma linha, foi a decisão recorrida. No entanto, sem o transporte da matériaprima entre os estabelecimentos da empresa, não haveria produção e, assim, não seria possível a posterior venda das mercadorias. De forma que, mesmo sendo antes da efetiva operação de venda de mercadorias, os fretes entre estabelecimentos da mesma empresa na situação específica são despesas extremamente necessárias para a manutenção das atividades de comercialização de produtos. O frete entre estabelecimentos da empresa consiste num genuíno insumo na fabricação dos produtos da Recorrente e, portanto, devem gerar créditos de PIS e Cofins. Esse frete compõe o custo da mercadoria, nos termos do artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda, conforme já decidido nos Acórdãos 3403002.753, 3403002.750, 3403002.751 e outros. Insumos na prestação de serviços portuários a terceiros As dd. autoridades fiscais glosaram parcela dos créditos de PIS e Cofins apropriados pela filial de Santos alegando que "foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como 'condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)' para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com os serviços prestados a terceiros ". Diante das alegações de defesa apresentadas pela Recorrente, as dd. autoridades julgadoras analisaram a questão da glosa de créditos de serviços portuários e, inovando com relação ao próprio Despacho Decisório, concluíram que a razão pela não aceitação dos créditos em disputa residiria no presumido fato de que se teria em mãos um Fl. 869DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 864 13 "rateio de despesas" na forma prevista no artigo 3o, §§ 7o, 8°e 9° da Lei n.° 10.637/2002. Contudo, bastaria a leitura dos autos para que os dd. julgadores a quo observassem que a disputa em exame não se trata de "rateio de despesas". A Recorrente presta serviços portuários através de sua filial de Santos, sendo que parte desses serviços se reverte em benefício próprio (transporte de mercadorias da própria ADM) e parte desses serviços é prestado a terceiros, não vinculados à Recorrente. Os custos e despesas relacionadas aos insumos adquiridos para a prestação desses serviços, diferentemente do que concluíram os d. julgadores, não são rateadas com outras pessoas jurídicas mas, sim, integralmente arcadas pela Recorrente, sendo que apenas e tão somente a parcela dos referidos insumos que dizem com a prestação de serviços a terceiros é que foi considerada para fins de cálculos dos créditos de PIS e COFINS ora em disputa. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade e lancha (leitura de calado) contratados pela Recorrente e para os valores pagos à Companhia Docas do Estado de São Paulo ("CODESP") relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação entre os serviços portuários prestados a terceiros daqueles prestados à própria Recorrente é feita a cada embarque. Para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tais como almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação entre os serviços portuários prestados pela filial de Santos a terceiros daqueles prestados à própria Recorrente é feita com base no volume total de produtos movimentado por mês. Essas atividades e o critério para registro dos créditos de PIS e COFINS são facilmente comprovados através dos registros mantidos pela Recorrente, que demonstram, detalhadamente, o procedimento adotado para a segregação dos custos e despesas relacionados ao embarque de produtos próprios e de terceiros em navios atracados no Porto, os quais são juntados novamente aos autos. A recorrente cita como exemplo o mês de maio de 2006 para comprovação da proporcionalidade dos créditos. A legitimidade dessa parcela dos créditos foi reconhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão 3403002.750, de 25 de fevereiro de 2014, em outro processo em que a Recorrente é parte, cujos documentos são idênticos aos juntados nestes autos. Depreciação de vagões As dd. autoridades fiscais e julgadoras alegam que, por não estarem dentro da fábrica, os vagões não participariam do processo de industrialização dos bens, de forma que esse crédito não poderia ser admitido. No entanto, na linha já exposta no recurso voluntário, a Recorrente reforça que o transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da Cofins, devendose ressaltar que o artigo 3º, inciso IX da Lei n.° 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 14 b. Crédito presumido As dd. autoridades fiscais glosaram parte do crédito presumido de PIS registrado pela Recorrente no 2° trimestre de 2006, com base no artigo 8o da Lei n.° 10.925/2004. De acordo com as dd. autoridades, apesar de a Recorrente ter direito de calcular referido crédito nas aquisições de soja realizadas diretamente através de seus estabelecimentos fabris, não poderia ter registrado esse mesmo tipo de crédito sobre as aquisições de soja efetuadas através de seus estabelecimentos comerciais (silos), eis que, nessa situação específica, foram os créditos calculados com base em notas fiscais de transferência dos silos para a fábricas, fora do período da aquisição da soja. O valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja que somente é determinado no encerramento do contrato, normalmente após a entrega total dos produtos mas uma mera estimativa, de forma que há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato. Em outras palavras, o valor constante da Nota Fiscal emitida pelo produtor pode ser inferior ou superior ao preço do produto, que é fixado no fechamento do contrato, de acordo com um preço médio de compra pela Recorrente. Essa forma de contratação é padrão para o mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. O preço da soja pode variar significativamente dentro de uma mesma safra, sendo que a celebração de contratos com preço a fixar consiste em uma forma de resguardar os direitos tanto dos produtores quanto dos adquirentes. Nesse contexto, concluise que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Recorrente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e Cofins. O artigo 8º, §3° da Lei n° 10.925/2004 determina a forma de apuração desses créditos sobre o valor das aquisições, o que, na operação da Recorrente, não corresponde ao valor individual de cada Nota Fiscal recebida pelas filiais comerciais. Dessa forma, para evitar distorções nos cálculos dos créditos presumidos de PIS e Cofins, a Recorrente decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Pela peculiaridade da operação, não obstante a essa metodologia não esteja expressamente prevista na legislação fiscal, ela é, sem dúvida, a mais consistente e razoável, tanto para a Recorrente como para o Fisco Federal. E nem se diga, como tentaram as dd. autoridades fiscais, que a Recorrente não teria como identificar a origem dos créditos presumidos de PIS e Cofins, pois a Recorrente tem controle (e apresentou todos os documentos no curso do procedimento fiscal) das entradas em suas filiais, das devoluções e da apuração do preço médio acumulado. A Recorrente apresentou parecer elaborado pelo Professor Roque Carrazza especificamente com relação ao crédito presumido de PIS e Cofins previsto na Lei n.° 10.925/2004, no qual foi confirmado que a Recorrente tem direito a apropriação de tais créditos presumidos nas operações em que a soja in natura é adquirida pelos estabelecimentos Fl. 871DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 865 15 comerciais da empresa (silos) e que, diante da complexidade dos contratos de compra e venda de soja, tal crédito presumido pode ser calculado sobre o custo médio das aquisições da soja. Alternativa e subsidiariamente, a Recorrente requer, com relação ao crédito presumido de PIS, que, caso seja rejeitado o método adotado para apuração de tal crédito, seja o julgamento convertido em diligência para a apuração do crédito presumido sobre o volume total de aquisições de soja por suas filiais comerciais para o período. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. A preliminar, suscitada pela recorrente, de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa não pode prosperar. O julgador de primeira instância apresentou seu conceito de bens e serviços utilizados como insumo para fins de creditamento das contribuições não cumulativas, em consonância com as Instruções Normativas que regem a matéria, e a seguir, decidiu, motivadamente sobre todas as glosas objeto de contestação cotejandoas com os argumentos apresentados pela manifestante. Com relação especificamente à glosa dos serviços portuários prestados pela filial de Santos, o julgador de primeira instância justificou a manutenção da glosa em face da ausência de previsão legal para cálculos dos créditos por meio de rateio de despesas: (...) Cumpre de pronto destacar que não há controvérsia quanto ao fato de que apenas os insumos vinculados à prestação de serviços a terceiros geram créditos do PIS e da Cofins. A própria interessada admite que os serviços contratados e aplicados nas operações de exportação dos produtos da ADM não devem ser incluídos na base de cálculo dos créditos apurados no regime não cumulativo. Isso porque, nesta situação, tais despesas não se caracterizam como insumo conforme definição dada pela legislação específica, mas sim despesas vinculadas à comercialização. Caberia à interessada, portanto, a comprovação das despesas efetivamente incorridas com a prestação de serviços a terceiros. Ocorre que, de acordo com o alegado, depreendese que a empresa utilizase de um mecanismo de rateio para a apropriação dos custos vinculados aos serviços prestados a terceiros. A utilização de qualquer método de rateio é mecanismo excepcional, somente admitido quando expressamente previsto Fl. 872DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 16 em lei. É o caso, por exemplo, da permissão estabelecida pelo art. 3º, §§ 7º e 8º da Lei 10.637 de 2002, que assim dispõe: Art. 3º (...) Verificase que a previsão de rateio aplicase aos casos em que apenas parte da receita da pessoa jurídica está sujeita a não cumulatividade. Destaquese que quando a lei permite o rateio, ela define em que base será efetuado valor da receita. No caso em exame, não há previsão legal para a utilização de rateio dos custos e despesas efetuado pela interessada. Para o aproveitamento dos créditos pretendidos, necessário se faz que a empresa mantenha escrituração efetuada de forma individualizada que permita a correta identificação das despesas vinculadas à exportação de produtos próprios e as despesas vinculadas aos serviços prestados a terceiros. Portanto, por não estar em conformidade com a legislação que rege a matéria, o método de rateio utilizado pela empresa não se presta à comprovação dos créditos apropriados, sendo ineficaz qualquer tentativa de demonstrálo. Consequentemente, deve ser mantida a glosa efetuada neste item. Diante do exposto ficam mantidas as glosas constantes do anexo II. (...) Razão pela qual não há que se falar, também nessa parte, da ausência de motivação da decisão recorrida, a qual possibilitou à recorrente o pleno exercício do direito de defesa no âmbito administrativo em relação à manutenção das glosas. No mais, a insurgência da recorrente diz respeito ao próprio mérito do recurso. Assim, entendo que a preliminar de nulidade suscitada deve ser rejeitada. MÉRITO: a. Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de PIS no regime não cumulativo: Insurgiuse, genericamente, a recorrente em face da interpretação da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância do conceito restrito de insumos para o reconhecimento dos créditos das contribuições não cumulativas, levando em consideração a regulamentação das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Alega a recorrente que, como a legislação do PIS e da Cofins não traz o conceito de insumo, nos termos do art. 109 do Código Tributário Nacional, deverseia utilizar o conceito genérico de insumo, qual seja, todos os bens corpóreos ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens ou serviços. Argumenta também que a legislação do IRPJ forneceria parâmetros para a definição de insumos, nessa linha, gerariam direito a crédito de PIS e de Cofins as parcelas redutoras do lucro tributável para fins de IRPJ, mais especificamente, os custos definidos no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda e as despesas definidas no artigo 299 desse mesmo regulamento. Ocorre que este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos Fl. 873DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 866 17 veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo como o da legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 18 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Há de se ressaltar, no entanto, com relação à insurgência genérica de recorrente ao conceito de insumo aplicado nas glosas, que o fato de este Colegiado ter entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas. Não há que se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Por certo, não basta ao contribuinte contestar genericamente a interpretação da legislação adotada pela fiscalização e pela Delegacia de Julgamento, sem apresentar todas as razões de fato e de direito com que contesta as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pelo órgão julgador de primeira instância. Não há como acolher a pretensão da recorrente de, em sede de julgamento, ter reconhecido o direito ao crédito sobre todos os bens e serviços sob o entendimento de que todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa gerariam o referido direito creditório. O direito ao crédito da Cofins e do PIS/Pasep não é tão abrangente como quer a recorrente e deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias. A não cumulatividade das contribuições está totalmente regulamentada por lei ordinária, na qual houve a opção de enumerar, de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas que são capazes de gerar o direito ao crédito. Não são todos os custos ou despesas necessários à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, que geram o direito ao crédito do PIS/Cofins, havendo que se analisar o aspecto da pertinência e da essencialidade no processo produtivo para a qualificação como insumo que gera direito ao crédito do PIS/Cofins. Com efeito, no presente caso concreto, incumbe a análise por este Conselho Administrativo, dentro do seu livre convencimento racional, das glosas que foram especificamente contestadas pela recorrente. Despesas com fretes para transporte de matériaprima entre armazéns e fábricas da Recorrente Fl. 875DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 867 19 No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Trata o caso presente de serviço de transporte de matériasprimas entre os estabelecimentos da recorrente dentro do seu contexto produtivo, razão pela qual se enquadra como custo de produção, nos termos do art. 290, I do Regulamento do Imposto de Renda/991, cabendo o creditamento da Cofins com fundamento no art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Nesse sentido já foi decidido no Acórdão nº 340301.556, da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária desta Seção, j. 25 de abril de 2012, Relator Marcos Tranchesi Ortiz, conforme trecho transcrito abaixo da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: (...) PIS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Assim, entendo que deve ser revertida a glosa relativa ao frete de matéria prima entre estabelecimentos da recorrente. Insumos na prestação de serviços portuários a terceiros 1 Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º ): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; (...) Fl. 876DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 20 No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, a fiscalização glosou somente os créditos para os quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros. Entendeu a fiscalização que, quando a recorrente atende a terceiros, ela atua como uma autêntica prestadora de serviços, sendo cabível o creditamento da contribuição, mas quando efetua os serviços a si própria, estes se caracterizam como despesas vinculadas à comercialização do seu produto final, para as quais inexiste previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins. Dessa forma, o motivo da glosa não foi o rateio da recorrente entre as despesas com serviços próprios e para terceiros, conforme constou na decisão recorrida, eis que foi reconhecida pela fiscalização a parcela do direito creditório que estava vinculada, comprovadamente, à prestação de serviços pela recorrente a terceiros. É, portanto, matéria incontroversa nos autos a correção do método de rateio da contribuinte para os serviços prestados a terceiros. Agora resta analisar se as despesas glosadas classificadas como “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”, possuem, de fato, vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros para o direito ao creditamento. Considerando que as despesas relativas a “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)” estão vinculadas, ainda que indiretamente, à atividade da contribuinte no âmbito portuário como um todo, seja para si própria ou para terceiros, é razoável se supor que a parcela dessas despesas, obtida por rateio já aceito pela fiscalização, está vinculada aos serviços prestados a terceiros. Assim, afastando a interpretação restrita do conceito de insumo estabelecida pelas Instruções Normativas, em consonância com os precedentes deste CARF mencionados acima, entendo que as despesas obtidas por rateio relativas a “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)” são essenciais e indispensáveis à prestação dos serviços portuários a terceiros, ainda que sejam indiretamente neles empregados, devendo as correspondes glosas serem revertidas. Depreciação de vagões A recorrente alega que o transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve daria direito a crédito do PIS e da COFINS, sendo que, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão, que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. Os vagões utilizados para transportar produtos da fábrica para o porto, embora sejam essenciais às atividades da recorrente, não se tratam de equipamentos utilizados no seu processo produtivo, conforme exige o art. 3º, VI da Lei 10.637/2002 ("VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;"). Nesse mesmo sentido foi decidido no Acórdão nº 3403002.761, da 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária desta Seção, j. 25/02/2014, em outro processo de interesse da recorrente, em relação a vagões utilizados para o transporte de produtos entre a fábrica e o Fl. 877DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 868 21 porto, conforme trecho abaixo transcrito do Voto do Relator Antonio Carlos Atulim, que ora adoto como fundamentação, nos termos do art. 50, §1° da Lei nº 9.784/99: DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO (VAGÕES) A fiscalização motivou esta glosa no fato de que os vagões não são bens utilizados diretamente na produção. A recorrente alegou, em síntese, que os vagões são utilizados no transporte de produtos entre a fábrica e o porto. Alegou que se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 autoriza a tomada do crédito sobre fretes de produtos acabados, não haveria motivo para negar o crédito sobre a depreciação dos vagões, que cumprem a mesma função de um transportador terceirizado. O problema no argumento da recorrente é que o custo com frete na operação de venda está previsto expressamente na lei como hipótese autorizadora do crédito, enquanto que em relação a bens do imobilizado esse direito só existe em relação aos bens aplicados diretamente na produção, conforme dispõem os arts. 3º, VI, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Também o art. 290, III, do RIR/99 estabelece que a despesa de depreciação só será considerada como custo de produção se estiver vinculada a bem aplicado na produção. No caso concreto, não há direito de tomar o crédito sobre a depreciação dos vagões, pois é incontroverso que os vagões não são utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços. b. Crédito presumido Conforme exposto no Parecer, a fiscalização procedeu às glosas sobre as aquisições em que o contribuinte apurou o crédito presumido com base no preço médio da soja estocada no momento da sua transferência do armazém para a indústria, o que impossibilitou a análise da fiscalização se tais aquisições se refeririam ao mesmo período de apuração. Alega a recorrente que o valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja que somente é determinado no encerramento do contrato, normalmente após a entrega total dos produtos mas uma mera estimativa, de forma que haveria diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente seria ajustada no momento do fechamento do contrato. O valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Recorrente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não poderia servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e Cofins. A recorrente assim descreve a sua metodologia: (...) Dessa forma, para evitar distorções nos cálculos dos créditos presumidos de PIS e COFINS, a Recorrente decidiu adotar como Fl. 878DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 22 base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Nesse cenário: (i) A filial comercial recebe as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, bem como, no fechamento do contrato, emite as Notas Fiscais de Devolução ou recebe as Notas Fiscais de Complemento de preço; (ii) As quantidades de soja e os valores constantes nesses três tipos de Nota Fiscal são consolidados mês a mês e passam a integrar a base acumulada da filial; (iii) Com base nesses valores acumulados, as filiais apuram o preço médio acumulado por quilograma de soja adquirido; (iv)No momento da transferência da soja da filial comercial para a fábrica, as Notas Fiscais de transferência são emitidas com base na legislação estadual, mas, para todos os efeitos contábeis e fiscais, o custo da soja para a fábrica é baseada no preço médio acumulado da filial. Nesse cenário, os créditos presumidos de PIS e COFINS somente são apropriados pela Recorrente no momento da transferência entre a filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento. (...) Pela peculiaridade da operação, não obstante reconheça que essa metodologia não esteja expressamente prevista na legislação fiscal, a recorrente acredita que ela é a mais consistente e razoável, inclusive para o Fisco. Nesse aspecto, conforme todos no processo reconhecem, não há previsão legal para a metodologia utilizada pela recorrente para apuração dos créditos pelo valor médio da soja, além do que, essa forma de apuração impossibilita a verificação do direito ao crédito presumido quanto à necessidade de que o crédito seja do mesmo período de apuração, nos termos do disposto no art. 8º, §2º da Lei nº 10.925/2004, ora transcrito: Art. 8º (...) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no§ 4o do art. 3odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (...) Desta forma, entendo que deve ser mantida a glosa do crédito presumido. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724483/201196 Acórdão n.º 3402002.834 S3C4T2 Fl. 869 23 Também há de ser indeferido o pedido subsidiário da recorrente de, com relação ao crédito presumido de PIS, caso seja rejeitado o método adotado para apuração de tal crédito, seja o julgamento convertido em diligência para a apuração do crédito presumido sobre o volume total de aquisições de soja por suas filiais comerciais para o período, tendo em vista que é da recorrente o ônus da prova do direito alegado por ocasião da apresentação do pedido de ressarcimento ou da manifestação de inconformidade. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas: i) aos fretes de matériaprima entre os estabelecimentos da recorrente; ii) às despesas de “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)” incorridas pela filial Santos Armazenadora na prestação de serviços a terceiros, conforme rateio proposto pela contribuinte. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 880DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
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Numero do processo: 10580.724475/2014-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
PRECLUSÃO. O recurso voluntário devolve à análise do Colegiado as matérias nele tratadas, restando incontestes as que não foram objeto de defesa específica.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A legislação tributária prevê a cobrança da multa juntamente com a totalidade ou diferença de tributo apurada em lançamento de ofício. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem sonegação e fraude, como definido em lei.
MULTA AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar esclarecimentos solicitados pela autoridade lançadora. Meramente cumprir com a formalidade de responder às intimações, sem apresentar qualquer esclarecimento ou documentação solicitados, não é atender às intimações.
MULTAS. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. A análise dos princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco na aplicação de multas é vedada ao CARF, por aplicação da Súmula CARF n. 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. Atribui-se a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, III, do CTN, ao administrador, uma vez comprovado que este cometeu as infrações à lei que deram origem à qualificação e ao agravamento das penalidades aplicadas à pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1401-001.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 PRECLUSÃO. O recurso voluntário devolve à análise do Colegiado as matérias nele tratadas, restando incontestes as que não foram objeto de defesa específica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A legislação tributária prevê a cobrança da multa juntamente com a totalidade ou diferença de tributo apurada em lançamento de ofício. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem sonegação e fraude, como definido em lei. MULTA AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar esclarecimentos solicitados pela autoridade lançadora. Meramente cumprir com a formalidade de responder às intimações, sem apresentar qualquer esclarecimento ou documentação solicitados, não é atender às intimações. MULTAS. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. A análise dos princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco na aplicação de multas é vedada ao CARF, por aplicação da Súmula CARF n. 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. Atribui-se a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, III, do CTN, ao administrador, uma vez comprovado que este cometeu as infrações à lei que deram origem à qualificação e ao agravamento das penalidades aplicadas à pessoa jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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O recurso voluntário devolve à análise do Colegiado as matérias nele tratadas, restando incontestes as que não foram objeto de defesa específica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A legislação tributária prevê a cobrança da multa juntamente com a totalidade ou diferença de tributo apurada em lançamento de ofício. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem sonegação e fraude, como definido em lei. MULTA AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar esclarecimentos solicitados pela autoridade lançadora. Meramente cumprir com a formalidade de responder às intimações, sem apresentar qualquer esclarecimento ou documentação solicitados, não é atender às intimações. MULTAS. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. A análise dos princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco na aplicação de multas é vedada ao CARF, por aplicação da Súmula CARF n. 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADOR. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, III, do CTN, ao administrador, uma vez comprovado que este cometeu as infrações à lei que deram origem à qualificação e ao agravamento das penalidades aplicadas à pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 44 75 /2 01 4- 79 Fl. 11877DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar VillasBôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. Relatório Por bem descrever os fatos adoto parcialmente o relatório do acórdão 06 053.043, proferido pela 1ª Turma da em Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR: Trata o presente processo auto de infração de IRPJ e CSLL, apurados pelo Lucro Real, referente aos anoscalendário 2009 e 2010, no qual se verificou o seguinte: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto 8.283.187,86 Juros de Mora 2.810.107,67 Multa 16.025.016,23 Multa Exigida Isoladamente 3.270.875,14 Valor do Crédito Apurado 30.389.186,90 Contribuição Social s/Lucro Líquido Imposto 13.083.698,32 Juros de Mora 4.490.563,41 Multa 29.438.321,22 Multa Exigida Isoladamente 6.541.849,14 Valor do Crédito Apurado 53.554.432,09 Crédito tributário do processo em R$ 83.943.618,99 2. O Termo de Verificação Fiscal (fls 027 a 065) e outros documentos constantes dos autos nos dão conta de que foram constatadas irregularidades na apuração do IRPJ e da CSLL, as quais serão detalhadas a seguir. Cálculo Incorreto do Lucro da Exploração 3. Durante a análise dos cálculos referentes ao Lucro da Exploração, foram identificadas duas contas contábeis com saldo credor, a saber: Rubrica 2009 2010 Receita s/crédito de Pis/Cofins Bahia 7.823.610,49 7.504.653,99 Receita s/crédito de Pis/Cofins SP 87.095,40 64.085,79 Totais 7.910.705,89 7.568.739,78 4. Por se tratarem das contrapartidas dos lançamentos a débito nas contas PIS e COFINS a recuperar, relativo às importações, tais valores não são considerados como receita e, por isso, foram anulados pela contribuinte por meio de exclusão no cálculo do Lucro Real. Fl. 11878DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.724475/201479 Acórdão n.º 1401001.510 S1C4T1 Fl. 11.878 3 5. Entretanto, o mesmo ajuste não foi efetuado na apuração do Lucro da Exploração, conforme detectado pela fiscalização e confirmado pela própria interessada. 6. Com isso, a autoridade fiscal refez os cálculos do Lucro da Exploração e apurou os seguintes valores, os quais foram lançados de ofício: Tributo 2009 2010 IRPJ R$ 889.954,41 R$ 851.483,23 Multa Isolada – Insuficiência de Recolhimentos de Estimativas (IRPJ e CSLL) 7. Na continuidade da fiscalização foram constatadas divergências entre os valores das estimativas, de IRPJ e CSLL, apuradas em DIPJ com os valores confessados em DCTF e recolhidos. 8. Sobre essa diferença foi aplicada a multa isolada de 50%, conforme inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, que resultou nos valores abaixo: 9. No período de janeiro a setembro de 2009 a fiscalização constatou que parcelas relevantes das estimativas foram declaradas, em DCTF, como suspensas, tendo sido vinculadas às ações judiciais nºs 9800214666SP e 9000019486DF, as quais tratam, entre outros assuntos, da utilização de títulos da dívida pública. 10. Em relação às DCTFs apresentadas no período de outubro a dezembro de 2010 observouse que inicialmente a fiscalizada as apresentou com os débitos de IRPJ e CSLL apurados em DIPJ, porém, as retificou reduzindoos ao valor das estimativas efetivamente pagas, conforme exemplo reproduzido no quadro abaixo: IRPJ e CSLL (Apuração Anual) Pagos a Menor 11. Tendo em vista as diversas retificações de DCTF efetuadas pela interessada, as quais reduziram os valores das estimativas de IRPJ e CSLL aos valores efetivamente pagos, a fiscalização efetuou o recálculo anual dos referidos tributos. 12. Assim, foram apurados os seguintes valores no recálculo anual: Da Utilização de Créditos de Terceiros Fl. 11879DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 13. No decorrer da ação fiscal foi constatado que a empresa utilizou pretensos direitos creditórios de titularidade de terceiros, registrados em conta contábil relativa a tributos federais a recuperar, para extinguir obrigações tributárias próprias. 14. Nesse sentido, “A conta de ativo ‘1.1.2.02.21 – Tributos Federais a Recuperar’ registra as aquisições de diversos títulos, como Apólice de Dívida e da Eletrobrás, registrando lançamentos a crédito, em contrapartida das contas diversos tributos a recolher, inclusive Pis/Cofins. Em DCTF, parcelas consideráveis de débitos de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, foram declarados como suspensos, sob a alegação de tutela que teria sido obtida nos processos 9800214666SP e 9000019486DF”. 15. Concluiu a fiscalização que, no anocalendário de 2009, a interessada adquiriu R$ 45.243.651,40 em títulos da Eletrobrás, pelo valor de R$ 1.010.000,00, tendo sido utilizado R$ 35.469.657,90 para quitar débitos de IRPJ, CSLL, IPI, PIS e COFINS. 16. Da mesma forma, em 2010 a empresa adquiriu R$ 50.000.000,00 em títulos da Eletrobrás, pelo valor de R$ 500.000,00, dos quais R$ 41.718.183,07 foram utilizados para compensar tributos federais. 17. A referida conta contábil funcionava da seguinte forma (exemplo referente ao IRPJ Estimado): 18. Intimada a apresentar cópia dos títulos públicos, a empresa entregou os documentos de folhas 11461 a 11563, os quais faço um resumo no quadro abaixo: Da Vedação da Utilização de Títulos da Dívida Pública em Matéria Tributária 19. Conforme o art. 141 do CTN, o crédito tributário só pode ser extinto ou ter sua exigibilidade suspensa ou excluída nas hipóteses previstas no próprio código (arts 151, 156 e 175), não havendo previsão para a utilização de títulos públicos. 20. Nesse sentido, “Os títulos da dívida pública não foram concebidos pelo legislador como instrumento hábil para modificar parcial ou totalmente o crédito tributário, de modo que, será irregular (ilegal) qualquer tentativa de utilização destes ‘papéis’ objetivando alteração do crédito tributário”. 21. Nessa mesma linha, o art. 34 da IN RFB nº 900/2008, em seu § 3º, inciso I, alínea “c”, veda expressamente a compensação de tributos administrados pela RFB com créditos originados de títulos públicos, assim como, a compensação com créditos oriundos de decisões não transitadas em julgado. 22. Assevera a fiscalização que os títulos públicos são “papéis comerciáveis” que o governo coloca no mercado com a finalidade de captar recursos financeiros. 23. Esclarece também que: Fl. 11880DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.724475/201479 Acórdão n.º 1401001.510 S1C4T1 Fl. 11.879 5 • “Especuladores oportunistas buscam a todo custo ‘dar aproveitamento’ a TDP emitidos no começo do século, os cartulares, os quais, na sua maioria, estão prescritos conforme bem orienta a Secretaria do Tesouro Nacional, sendo absolutamente imprestáveis”. • “Houve, no passado, duas grandes consolidações da Dívida Pública. A primeira consolidação se deu em 1957, quando o governo trocou todos os títulos emitidos entre 1902 e 1955 por títulos novos, os quais prescreveram em 1962”. • “A segunda consolidação se deu em 1967, por meio dos DecretosLei nºs 263/67 e 396/68, os quais anteciparam o vencimento de todas as apólices da dívida pública federal interna emitidas, autorizando a troca por novos títulos até setembro de 1969, dies a quo, para contagem do prazo prescricional de cinco anos, nos termos do § 10, inciso VI, do art. 178 da Lei nº 3.071/1916”. • “Alguns poucos títulos cartulares, expressos em Libras, nos termos do DL nº 6.019/43, ainda são válidos, mas só podem ser resgatados em agente financeiro credenciado, localizado no exterior, conforme orientações da STN, e, mesmo estes, não encontram autorização legal para compensação ou pagamento de tributos federais”. Da Utilização de Créditos de Terceiros para Suspensão de Débitos Próprios 24. Analisando a contabilidade da empresa, a fiscalização constatou que vários débitos tributários foram extintos com a utilização de créditos de terceiros, porém, em DCTF a interessada informou os mesmos débitos como se estivessem com a exigibilidade suspensa. 25. Com mais detalhes, a autoridade fiscal informa que: • “Visualizando todas as DCTF apresentadas pela fiscalizada, contemplando também as retificadoras, observase que, inicialmente, para os débitos de janeiro a novembro/2009, declarou suspensão de parte considerável deles. Posteriormente, entre os meses de maio e junho de 2010, retificou as DCTF, reduzindo os débitos declarados e retirando a informação de suspensão, na mesma medida, em descompasso com os valores de débitos informados na própria contabilidade”. • “... em 25/03/2014, em pleno andamento do presente procedimento fiscal, retificou novamente as DCTF, alterando os débitos declarados conformandoos com o registrado na contabilidade, mas voltando a informar que parcelas substanciais dos débitos estariam suspensas por obtenção de antecipação de tutela em ação judicial”. A Fraude em DCTF 26. Com o que foi relatado até agora, a fiscalização concluiu que houve fraude na apresentação de DCTF. 27. Nesse sentido, informa que a fraude se consubstanciou na vinculação de um débito tributário com um crédito associado a um número de processo judicial, a título de depósito do montante integral, informado no campo “Suspensão”, deixando um valor insignificante como saldo a pagar do débito. Frisese que não houve nenhum depósito judicial. 28. O relato fiscal informa também que: • “O eventual crédito alegado pelo contribuinte, deliberadamente, não é informado em PER/DCOMP para que a União não exerça controle sobre seus ‘indevidos créditos’, o que evidencia o dolo”. • “Ressaltese que é, igualmente vedado, a utilização de crédito decorrente de ação judicial não transitada em julgado. A ação judicial informada pelo contribuinte também se mostra imprópria para os fins de suspensão tributária, uma vez que, carente de qualquer decisão que lhe seja favorável”. 29. Assim, demonstrase que o sujeito passivo deixou de pagar os tributos devidos e dificultou o conhecimento da infração mediante a não apresentação de PER/DCOMP. Fl. 11881DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Da não Colaboração com a Fiscalização 30. Apesar de várias vezes intimada para apresentar esclarecimentos e cópias das ações judiciais, a empresa se limitou a solicitar prorrogação de prazo ou, ainda, solicitar que a ação fiscal fosse suspensa em virtude da impossibilidade de acesso aos processos judiciais. 31. Ademais, mesmo sem ter sido intimado, foram retificadas várias DCTFs referentes ao período fiscalizado, nas quais foi alterada a composição dos tributos auditados neste procedimento. 32. A empresa não apresentou “... cópias dos processos questionados, o que causou prejuízos ao andamento da fiscalização, tanto no que diz respeito à procrastinação, com risco de decadência de parte do lançamento, quanto à ocultação da verdade quanto aos fatos que ensejaram a pretensa suspensão de exigibilidade de elevados créditos tributários”. Dos Processos Judiciais 33. Apesar da falta de colaboração por parte da contribuinte, a fiscalização conseguiu por outros meios as cópias de partes do processo nº 9800214666 SP. 34. Nesse sentido, a autoridade fiscal constatou que o referido processo versa “... sobre a utilização de títulos da Eletrobrás na compensação de tributos federais. Verificando o andamento da ação judicial de SP, identificouse o acórdão do TRF 3ª Região desfavorável ao pleito em 08/10/2009, com interposição de Recursos Extraordinário e Especial”, não tendo sido localizado o nome da interessada entre os autores do processo. 35. A fiscalização ressalta que, de acordo com o Acórdão 694 da 6ª Turma do TRF 3ª Região Fiscal, houve litigância de máfé no referido processo. 36. Com relação ao processo de nº 9000019486DF (renumerado para 000193632.1990.4.01.3400), a fiscalização não obteve cópias. 37. Entretanto, conforme pesquisas no sítio da internet do TRF 1ª Região, foi possível constatar que no referido processo o objeto da causa foi “1070100 – Controle de Preços, Intervenção no Domínio Econômico – Administrativo” e que não constava o nome da interessada como parte. 38. Ademais, verificouse a existência de um Recurso Especial, ligado ao processo em questão, de nº 1095285/DF cuja ementa foi a seguinte: 39. Assim, entendeu a fiscalização que as duas ações não dizem respeito a tributos administrados pela Receita Federal e nem de suspensão de exigência tributária e, tampouco, a fiscalizada figura como parte das mesmas. 40. A situação do processo nº 9800214666 já havia sido objeto de análise por parte da Receita Federal, cuja ciência foi dada à contribuinte através da CartaCobrança nº 359/2009, da qual foram extraídas as seguintes passagens: • “O autor da demanda da Ação Ordinária nº 98.00214666, ajuizada em 02/10/98, na 15ª Vara da Seção Judiciária do Estado de São Paulo, é TRUSTHOUSE TURISMO E REPRESENTAÇÕES LTDA, que, em síntese, busca a declaração de validade das apólices da dívida pública emitidas no início do século passado, para fins de devolução por precatório ou compensação com débitos junto à Fazenda Nacional, ou como moeda em leilões de privatizações”. Fl. 11882DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.724475/201479 Acórdão n.º 1401001.510 S1C4T1 Fl. 11.880 7 • “Em 23/06/98, o juiz de primeiro grau concedeu tutela antecipada à autora (e somente à autora) para compensação com tributos federais e/ou pagamento de aquisição de ações de empresas estatais em leilões de privatização”. • “Decisão proferida em razão do Agravo de Instrumento nº 2001.03.00.0363871, interposto pela Fazenda Nacional, determina a exclusão de empresas admitidas como assistentes litisconsorciais da autora. Nesta relação não constava a fiscalizada”. • “Em 10/03/2006, o juiz titular da 15ª Vara, após ouvir a Fazenda Nacional, aceita a AULIK como assistente simples da autora, mas não há, na decisão, qualquer menção ao reconhecimento de direito creditório e tampouco autorização expressa para iniciar qualquer procedimento de compensação de débitos da AULIK com créditos de terceiros, no caso de titularidade da TRUSTHOUSE TURISMO E REPRESENTAÇÕES LTDA”. • “Em 04/09/2008, o MM. Juiz da 15ª Vara/SP condenou cada um dos assistentes simples, dentre eles a AULIK, ao pagamento da multa prevista no Art. 18, caput, do Código de Processo Civil, por entender que houve litigância de máfé”. • “O juízo entendeu que as compensações efetuadas pelas empresas não podem ser reputadas adequadas aos ditames legais, uma vez que a tutela antecipada foi concedida à TRUSTHOUSE TURISMO E REPRESENTAÇÕES LTDA e seus efeitos não poderiam ser estendidos às empresas adquirentes das apólices, ainda que admitidas como assistentes simples do feito”. • “Em 08/10/2009, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por provocação das apelações interpostas, não reconheceu a validade dos títulos da dívida pública emitidos no início do século passado, considerando improcedente o pedido formulado na petição inicial. Ademais, ratificou a decisão que condenou as empresas assistentes por litigância de máfé, consolidando o entendimento que as compensações efetuadas não encontram amparo legal”. Da Qualificação da Multa 41. Tudo que foi exposto até aqui demonstra, segundo a fiscalização, os artifícios “... que a contribuinte utilizou para impedir e retardar o conhecimento por esta fiscalização das reais dimensões de fatos geradores tributários e de veracidade das informações de suspensão de exigibilidade de parte deles”. 42. Nesse sentido, a autoridade fiscal enumerou as causas para a qualificação da multa: • Prestou informação falsa em DCTF, de que era titular de tutela antecipada em processos judiciais que discutiam créditos com o Tesouro Nacional, para reduzir o montante a pagar de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; • Não apresentou cópias dos referidos processos judiciais, apesar de insistentemente intimado a fazêlo; • Não demonstrou sequer fazer parte dos processos judiciais e nem ter de fato provimento a seu favor; • Mesmo que viessem a ser procedentes em favor dos reais interessados, os direitos decorrentes das ações judiciais não repercutiriam no patrimônio da interessada. 43. Desse modo, foram configuradas a fraude definida no art. 72, a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/1964 e as condutas dolosas pelas práticas reiteradas de apresentações de DCTFs com informação de créditos que não comprovou. 44. Assim, “... verificase que para configurar sonegação não é necessária a ocorrência do falso material, basta a omissão de informações na declaração a que está sujeito o contribuinte. No caso presente, verificouse que o contribuinte inseriu, nas DCTFs, informação de que era beneficiário de tutela antecipada que lhe permitia abater débitos tributários, um falso ideológico”. Do Agravamento da Multa 45. Tendo em vista que a contribuinte foi reintimada nove vezes para apresentar as cópias dos autos relativos às sentenças declaradas em DCTF e em todas as Fl. 11883DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 oportunidades permaneceu inerte, a fiscalização entendeu que coube o agravamento da multa, nos termos do § 2º, I, do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, pois, tal situação trouxe embaraço e prejuízos ao andamento da ação fiscal. Da Solidariedade Passiva do Sócio Administrador 46. Entendeu a fiscalização que o Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell, sócioadministrador da AULIK, CPF nº 039.254.04872, deveria ser responsabilizado nos termos do art. 135, III, combinado com o art. 124, II, do CTN, por ter sido diretamente responsável pelas práticas das infrações à legislação tributária (informações falsas apresentadas em DCTF). 47. Ademais, “... as últimas respostas às intimações, claramente protelatórias e evasivas, foram firmadas pelo Sr. Jacky Gert, que reiteradamente se esquivou de apresentar, e não justificou convincentemente a não apresentação, as cópias e/ou certidões de objeto e pé, e as decisões de tutela antecipada, nos processos 9800214666SP e nº 9000019486DF...”, as quais permitiram substanciais diminuições dos débitos tributários. 48. A autoridade fiscal informa também que a empresa “... retificou as DCTF para corrigir débitos anteriormente confessados a menor, mas o fez novamente suspendendo a parcela não paga, motivando tal suspensão em suporte de antecipação de tutela no mesmo processo que não apresentou, sequer o mandado judicial expedido”. Termo de Sujeição Passiva, Ciência e Impugnação 49. Em 29/05/2014, a empresa foi cientificada, pessoalmente, do resultado da fiscalização. Concomitantemente foi emitido o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls 0082 a 0083), em relação ao sóciogerente Jacky Gert Kirsch Schnell (CPF: 039.254.04872), no qual a fiscalização caracterizou sua sujeição passiva solidária (fl. 11636), de acordo com o art 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 1966, cuja ciência foi realizada em 04/06/2014. 50. Em 26/06/2014 foi apresentada impugnação por parte da pessoa jurídica, conforme de folhas 11673 a 11692, a qual relatarei a seguir. Impugnação 51. A impugnante inicia sua defesa com uma narrativa sobre os fatos e lança algumas argumentações no sentido de que as suspensões informadas nas DCTFs decorreram do exercício regular de um direito, não havendo motivos para penalidades que oscilaram de 50% a 225%. 52. Argumenta também que: • A fiscalização “... reconheceu que algumas espécies de Títulos Públicos, cartulares expressos em libras são possíveis de ser compensáveis. Ainda observa que a Receita Federal recebeu vários pedidos de compensações com os referidos títulos não podendo ser atribuído máfé ao contribuinte contestante...”. • “... o sujeito passivo, sempre que notificado pelo fiscalizante, sempre atendeu todas as determinações advindas do Sr. Auditor Fiscal, inclusive promovendo as retificações contábeis e parcelando os débitos tributários”, por isso entende ser paradoxal a afirmação da fiscalização de que o sujeito passivo não tenha colaborado. Nesse sentido, afirma que os pedidos de prorrogação de prazo foram motivados pela necessidade da contribuinte em defenderse e evitar dúvidas acerca do exercício de direito. • Apesar da suposta máfé na utilização de títulos judiciais, sustentada pela autoridade fiscal, a mesma reconhece que “... o processo existe e houve pedido expresso de substituição do pólo ativo, demanda na qual a FAZENDA NACIONAL é devedor(a) do contribuinte cedente possibilitando a cessão de crédito e conseqüente compensação”. (grifouse) • Com entendimento diverso, a fiscalização aplicou “... multa tributária em percentual extremamente desproporcional em sem razoabilidade inviabilizando a satisfação do crédito tributário...”. Tal multa “... não pode incidir sobre o tributo cobrado sob pena de caracterizar verdadeiro confisco...”. Fl. 11884DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.724475/201479 Acórdão n.º 1401001.510 S1C4T1 Fl. 11.881 9 • “Não houve intenção de dolo do contribuinte e sequer houve falso material conforme alegado pelo Fiscalizante, afinal, o próprio esclarece que o contribuinte sempre atendeu a todas as determinações administrativas...”. • Da mesma forma, em relação ao “... sócioadministrador, também ora recorrente, sempre atendeu as determinações do agente fiscalizador não podendo ser responsabilizado pelo exercício de um Direito, afinal não houve intenção de fraude conforme faz crer o sujeito ativo”. 53. Passando ao à sua defesa propriamente dita, a contribuinte cita o artigo 5º, inciso XXXIV, alínea “a” (direito de petição) e incisos XXXV (vedação ao juízo de exceção), LIV, LV (respeito ao devido processo legal) e LXXVIII da Constituição da República, para fundamentar sua defesa administrativa. 54. A empresa entende que, em relação à compensação de débitos com créditos decorrentes de processo judicial, foi penalizada mesmo exercendo o seu direito de peticionar. 55. Nesse sentido, alega que: • “... informou ser cessionário de crédito tributário onde postulou pela substituição de pólo ativo transformandose em credor da Fazenda Nacional”. • “Não houve pretensão do credor em compensar os créditos tributários tal como exarado na decisão administrativa. O credor, exercendo seu Direito, informou ser detentor de crédito judicial em trânsito para que, após avaliação do sujeito ativo, houvesse a almejada compensação, observados os pressupostos legais”. (grifouse) • A modalidade de compensação é forma lícita de extinção do crédito tributário (art. 156, II, da Lei nº 5.172/66), que dever operarse na forma de petição administrativa, a qual será recebida “... sob condição resolutória para posterior homologação” (art.74 da Lei nº 9.430/96). • “... o contribuinte exerceu seu Direito de pugnar pela compensação aguardando evidentemente apreciação do sujeito ativo na forma resolutória, isto é, não sendo aceito a compensação, o devedor, voltaria ao status quo anterior”. • “Para tanto, no processo judicial, pugnou pela substituição do pólo ativo e com isso buscou se tornar credor da FAZENDA NACIONAL e então exercer seu Direito de compensar o crédito tributário com o crédito judicial”. • “Desta forma, o requisito para exercício do Direito de compensar o crédito tributário é a existência do indébito e caso a declaração de compensação não seja homologada, o crédito constituído pela Receita tornarseá exigível novamente sem qualquer espécie de prejuízo, fato ocorrido em que, o contribuinte, tempestivamente promoveu as devidas retificações, todas confirmadas pelo sujeito passivo da relação tributária”. 56. Assim, a interessada entende que o crédito tributário deverá ter sua exigibilidade suspensa, não podendo ser entendido como ilícito o ato praticado pela contribuinte. Outrossim, cita a Súmula Vinculante nº 21 do STF e afirma que a “... exigibilidade do crédito tributário deverá ser mantida até observado o devido processo legal administrativo”. 57. Ao argumentar, novamente, sobre as retificações e esclarecimentos apresentados à fiscalização, a empresa afirma que exerceu regularmente o direito de petição e, por isso, não pode concordar com a alegada e suposta evidência de fraude. Nesse sentido, traz em seu socorro o art. 188, I, da Lei nº 10.406/02 (não constitui ato ilícito os que forem praticados em legítima defesa ou no exercício de um direito reconhecido). 58. Alega ainda que: • “Não houve dolo, sonegação e nem máfé do peticionário que apenas, pelo exercício regular de um Direito – DIREITO CONSTITUCIONAL DE PETIÇÃO – buscou pela compensação de créditos na forma resolutória que poderiam ser aceitos ou não. MAS, EM HIPÓTESE ALGUMA, VISOU A FRAUDAR A RECEITA”. Fl. 11885DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 • “Reiterese que, o contribuinte, ao atender às exigências do sujeito ativo tributário, ainda na fase administrativa, não pode suportar restrições de Direito, visto que tempestivamente promoveu as devidas retificações tributárias”. • “A infração, no contexto tributário, decorre do inadimplemento tributário; porém, pelas retificações e denúncia espontânea na fase de constituição do crédito tributário, o sujeito passivo não pode suportar sanções e/ou restrições desproporcionais”. • “... pede que seja afastada a decisão que imputa fraude ao contribuinte”. 59. Outrossim, afirma que “a obrigação tributária não pode aniquilar o patrimônio do contribuinte. Com isso, observando a interpretação sistemática Constitucional das políticas, princípios e regras, o tributo não pode ser utilizado com fim de confisco e a multa sobre a obrigação principal. A multa aplicada em 225% não apresenta outro status senão confisco...”. Para corroborar com seu entendimento, transcreve ementa da ADI nº 551, a qual contesta os valores das multas aplicadas pelo estado do Rio de Janeiro. 60. Sobre a responsabilidade solidária do sócioadministrador, o impugnante entende que “... não se pode antecipar julgamento de valor sem que sejam observados os Direitos Constitucionais dos administrados, principalmente vedação ao Juízo de exceção, devido processo legal administrativo com todas as suas instâncias, duplo grau e final presunção de inocência”. 61. Ao retomar o tema do direito de peticionar, a mesma afirma que “Se a norma Constitucional salvaguarda ao cidadão o Direito de peticionar ao poder público, tal Direito, não pode servir como instrumento de restrição de outro Direito, também outorgado ao cidadão sob pena de suscitar verdadeiro paradoxo institucional”. 62. Sobre a responsabilidade do sócioadministrador propriamente dita, argumenta que: • “Para que incida o texto do artigo 135, III do CTN, conforme pretensão administrativa, necessário prova inequívoca do ilícito tributário que somente se dá após encerrado o processo administrativo, mas não sucintamente como pretende o sujeito passivo”. • “Por outro prisma, o contraditório administrativo é prérequisito à constituição do crédito tributário. E o crédito tributário, com a devida licença, se dá com o lançamento definitivo, após contencioso administrativo devendo ser oportunizado ao cidadão as devidas retificações...”. • “As precauções Constitucionais, essenciais ao dia a dia contemporâneo, são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade. Com isso, se a distinção jurídica entre empresário e pessoa física é um benefício do cidadão, não há como conformar com a responsabilidade do sócio pela atividade empresarial’. • “Para que haja o alegado abuso de poder, ou excessos, necessário antes ser oportunizado ao administrado o Direito de resposta evitandose arbitrariedades”. 63. Por fim, a impugnante requer: a) A suspensão da exigibilidade do crédito tributário observandose as intimações pessoais, devido processo administrativo e ampla defesa até o final trânsito em julgado; b) Sejam aceitas as retificações prestadas pelo sujeito passivo face à boafé do contribuinte; c) Seja afastada a responsabilidade do sócio pela ausência da prática de excesso de poderes, principalmente pela ausência de trânsito em julgado do processo administrativo; d) Afastamento da multa aplicada e demais sanções tributárias, as quais somente poderão ocorrer após o trânsito em julgado do processo administrativo; e) Seja oportunizado ao contribuinte o direito de produzir provas documentais, periciais, cálculos, planilhas e demais documentos que ratifiquem os termos da defesa. Do Novo Termo de Sujeição Passiva Solidária Fl. 11886DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.724475/201479 Acórdão n.º 1401001.510 S1C4T1 Fl. 11.882 11 64. Ao analisar o processo constatei que o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls 0082 a 0083) não está em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (fls 0027 a 0065). 65. O TVF menciona que a solidariedade foi configurada de acordo com o art. 135, inciso III, e o art. 124, inciso II, já o TSP menciona apenas o primeiro dispositivo legal. Da mesma forma, o texto do Termo de Sujeição Passiva fala em “... Auto de Infração lavrado relativamente aos tributos Pis e Cofins...”, entretanto o processo referese a IRPJ e CSLL. 66. Assim, foi elaborado o Despacho nº 02 (fl. 11706), de 19/02/2015, encaminhado à EFMAC05SRRF05 para que fosse elaborada correção do Termo de Sujeição Passiva Solidária. 67. Desse modo, em 24/02/2015 o Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell foi cientificado do novo Termo de Sujeição Passiva Solidária, a qual foi impugnado pela pessoa física mencionada por meio do documento juntado às folhas 11796 a 11800, em 24/03/2015 (fl. 11795). 68. A impugnação apresentada não traz nenhuma argumentação nova, apenas repete o que já foi relatado na primeira impugnação. Em sessão de 3 de julho de 2015, a 1ª Turma da DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, sendo acórdão 06053.043 assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anoscalendário: 2009 e 2010 COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PER/DCOMP. O PER/DCOMP é um instrumento fundamental na execução do procedimento, na medida em que identifica os créditos utilizados e os débitos compensados. A DCTF não é o instrumento correto para se postular a compensação de tributos. CESSÃO DE CRÉDITO. Não é válida a compensação quando o sujeito passivo não figura no pólo ativo da ação (crédito de terceiros adquiridos por meio de cessão de direitos creditórios). CRÉDITOS ORIUNDOS DE TÍTULOS PÚBLICOS. NÃO CONSTITUEM TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA RFB. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPEDIMENTO LEGAL. Conforme artigo 74, §12, inciso II, alínea “c” da Lei nº 9.430/96, alterada pela Lei 11.051/04, não é permitida a compensação em que o crédito refirase a título público, sob pena de ser considerada não declarada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e fraude, como definido em lei. MULTA AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar esclarecimentos solicitados pela autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, assim como as detentoras de Fl. 11887DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 poder de administração pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, inc. III do CTN, ao sócio administrador, responsável pela administração e gerência, uma vez comprovado que este cometeu infração à lei, mais precisamente ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 2009 e 2010 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pelo que ambas podem ser aplicadas ao contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Anocalendário: 2009 e 2010 ESTIMATIVAS MENSAIS DE CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pelo que ambas podem ser aplicadas ao contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A mensagem com acesso ao acórdão acima e documentos relacionados foi enviada à Caixa Postal da AULIK INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA em 14/07/2015. Conforme atestam o Termo de Abertura de Documento (fl. 11.846) e o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl. 11.847), a empresa teve ciência de tais documentos por meio de sua Caixa Postal em 15/07/2015. Já o responsável Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell foi intimado pessoalmente em 16/07/2015 por meio do AR de fl. 11.848. Apenas a Aulik Indústria e Comércio Ltda. apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 12/08/2015, tendo o Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell assinado a peça na qualidade de representante legal da empresa. A Recorrente argumenta, em síntese: (i) "Direito Constitucional de petição e ao devido processo legal, sendo vedado à Administração presumir máfé do contribuinte" Neste tópico, a Recorrente se insurge contra a aplicação da multa qualificada, defendendo sua nulidade tendo em vista que esta não poderia ser imposta senão após o fim do processo administrativo. Argumenta que a multa deve ser cobrada junto com o tributo, não podendo ser excessiva ou desproporcional. Após, assevera que não pode ser presumida a sua máfé pois foram atendidas todas as notificações. Então, conclui que "... toda restrição de direitos e punição, antes de ser aplicada, deve observar o contraditório administrativo" e que "A imposição da multa desproporcional junto com o tributo e previamente ao processo administrativo impossibilita o contribuinte regularizar sua situação fiscal". (ii) "Presunção de boafé do contribuinte ao atender a todas as determinações do sujeito ativo tributário" Neste tópico, a Recorrente permanece questionando a multa aplicada. Reitera que atendeu a todas as notificações de maneira que sua máfé não pode ser presumida. Assevera, ainda, que "... exerceu o Direito de Petição na forma resolutiva sem prejudicar o Fl. 11888DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.724475/201479 Acórdão n.º 1401001.510 S1C4T1 Fl. 11.883 13 Poder Público cuja obrigação Constitucional é aceitar ou negar, mas não restringir Direitos de forma desproporcional aniquilando a própria existência empresarial". Observa que a compensação foi realizada nos termos dos arts. 156, II e 170 do CTN, já que o deferimento da tutela antecipada na ação judicial em que pretendeu assumir o polo ativo lhe conferiria o direito utilizar o respectivo crédito. Defende que, na época dos fatos, pelo disposto nos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96 o pedido de compensação era recebido sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e "não como não declarado, posição vigente atualmente". Assim, seu pedido de compensação não pode ser visto como "não declarado" pois "há uma diferença entre receber o pedido na forma 'resolutiva' da forma 'não declarada'". Assim, não havendo a homologação, a administração tributária deveria notificar o contribuinte para pagar o tributo, jamais constrangêlo a pagar multa abusiva e desproporcional. Termina afirmando que "... pela distinção do conceito de tributo, a multa poderá superar a capacidade contributiva do contribuinte. Melhor esclarecendo, a multa não é equilibrada pela capacidade contributiva por tratase de sanção. Com isso, para ser aplicada a multa, essencial observarse os comandos constitucionais já referenciados alhures, principalmente o devido processo legal." (iii) "Multa excessiva, desproporcional e sem razoabilidade" Ainda sobre a multa, a Recorrente agora afirma que "... observando a interpretação sistemática Constitucional das políticas, princípios e regras, o tributo não pode ser utilizado com fim de confisco e a multa sobre a obrigação principal não apresenta outro status senão confisco". Defende que a multa nunca pode ser superior à obrigação principal por força do art. 412 do Código Civil. Após, argumenta que, se aplicando ao caso o postulado da proporcionalidade, concluise que: (iv) "Vedação ao confisco" Neste tópico a Recorrente argumenta que tanto o Poder Executivo quanto o Poder Legislativo devem observar a proporcionalidade e a razoabilidade como princípios fundamentais e por isso adotar o princípio de vedação ao confisco em relação à multa aplicada. Assevera que não houve dolo ou máfé mas apenas o exercício regular de um direito, qual seja, o direito de petição buscando a compensação de créditos. Finaliza afirmando que, no máximo, teria cometido (se é que a cometeu) a hipótese legal da legislação prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Argumenta que na ADI 10751 o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4o da Lei 8846/94, que previa multa de 300% e que, apesar de no caso os percentuais serem distintos o mérito seria o mesmo, qual seja, a inconstitucionalidade da multa superior à obrigação, ensejando a ruína financeira do devedor. Fl. 11889DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 (v) "Ausência de responsabilidade solidária" Neste derradeiro tópico a Recorrente sustenta que o redirecionamento do débito ao sócioadministrador configura desconsideração da personalidade jurídica, e que não restou comprovada a hipótese do art. 135, III, do CTN pois a pessoa física não praticou "atos desidiosos". Por fim, em seu pedido, a Recorrente requer "seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, quer seja pela nulidade e/ou pelo ato desproporcional e sem razoabilidade." Subsidiariamente, requer a desclassificação da multa para 20%. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso é tempestivo e dele conheço. Conforme se depreende do relatório supra, nos diversos tópicos de sua peça recursal a Recorrente se limita a questionar (i) as penalidades aplicadas (multas qualificada e agravada); e (ii) a indicação do sócioadministrador como responsável tributário. Diante disso, entendo que as demais matérias decididas pelo Acórdão 06 053.043, proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA, restaram incontestes. De fato, a extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão do recurso voluntário apresentado, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Não tendo a Recorrente apresentado, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não pode este Conselho fazer as vezes de advogado e tratar temas inexistentes no recurso, não havendo assim o que ser provido. Passo a tratar dos tópicos abordados no recurso voluntário apresentado. Quanto ao devido processo legal para a aplicação da multa, sua qualificação e agravamento, entendo que nos presentes autos este foi observado. Isso porque a legislação tributária prevê a cobrança da multa juntamente com a totalidade ou diferença de tributo apurada em lançamento de ofício: Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 11890DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.724475/201479 Acórdão n.º 1401001.510 S1C4T1 Fl. 11.884 15 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifamos) Portanto, sem razão a Recorrente quando sustenta a nulidade da multa sob o argumento de que esta não poderia ser imposta senão após o fim do processo administrativo. Sobre a alegação de que não seria devida a penalidade visto que todas as intimações foram atendidas, também não assiste razão à Recorrente. Isso porque cumprir com a formalidade de responder às intimações não necessariamente significa "atender a todas as determinações do sujeito ativo tributário". No caso, conforme descrito em detalhes no relatório supra, a Recorrente nunca apresentou provas da suspensão de tributos declarada em suas DCTFs, não obstante tenha sido reintimada nove vezes para tanto. Em seus trabalhos de investigação, a fiscalização obteve por outros meios informações sobre tais processos, tendo apurado que estes não tinham a Recorrente como parte e sequer versavam sobre créditos tributários. Assim, em nenhum momento houve presunção de máfé da Recorrente por parte da fiscalização, mas efetiva subsunção dos atos por ela praticados às hipóteses de qualificação e agravamento da multa previstas na legislação acima transcrita. Fl. 11891DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 16 Nem se alegue que a Recorrente foi punida exclusivamente por exercer o seu direito de petição, pois os comandos constitucionais não são vazios de conteúdo e, mesmo no exercício de seus direitos fundamentais, os indivíduos não podem ir de encontro a normas imperativas estabelecidas na legislação infraconstitucional. Não se pode ignorar que o artigo 170A do CTN veda expressamente a compensação mediante o aproveitamento de tributo que seja objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, bem como que o artigo 74, §12, II, "c" da Lei 9.430/96 veda a utilização de crédito que se refira a título público. Disso se depreende que nem mesmo o alegado (e nunca provado) deferimento da tutela antecipada, nas ações judiciais em que supostamente a Recorrente pretendeu assumir o pólo ativo, lhe conferiria o direito utilizar o indicado crédito, o que afasta de plano a alegação de boa fé da Recorrente. Ademais, sobre a compensação de tributos prevista nos artigos 156, II e 170 do CTN, a legislação prevê procedimento específico, o qual passa necessariamente pela apresentação de declaração de compensação, nos termos do artigo 74 §1o, da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) A leitura do §2o acima transcrito deixa inequívoco que apenas a compensação assim declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Concluise, portanto, ser vedado ao contribuinte pretender a compensação de tributos ao arrepio da legislação sobre a matéria, baseado meramente em seu direito constitucional de petição. Da mesma forma, não subsiste o argumento de que o art. 412 do Código Civil (que trata de limites à cláusula penal no Direito das Obrigações) limitaria as penalidades impostas à Recorrente, pois tal dispositivo não encontra aplicação na seara tributária. Sobre as alegações de excesso, desproporção e falta de razoabilidade das multas, bem como de confisco, tais questões, como reconhece a Recorrente, envolveriam a análise da constitucionalidade da exação, o que é vedado a este Tribunal como revela a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Fl. 11892DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.724475/201479 Acórdão n.º 1401001.510 S1C4T1 Fl. 11.885 17 Por fim, quanto à indicação do sócioadministrador como responsável tributário, também não merece reforma o acórdão recorrido. Isso porque restou provado que o Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell efetivamente praticou os atos apontados como infração de lei que ensejaram a responsabilização nos termos do artigo 135, III, do CTN, seja por ter sido diretamente responsável pelas informações falsas apresentadas nas DCTFs (tanto nas originais quanto nas retificadoras), seja por ter apresentado respostas às intimações claramente protelatórias e evasivas, atitudes que serviram de base respectivamente à qualificação e ao agravamento das multas aplicadas à Recorrente. Por todo o exposto acima, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Fl. 11893DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/03/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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