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Numero do processo: 10480.913705/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
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ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 37 05 /2 00 9- 33 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP, o qual visa compensar crédito de CSLL com débito de sua responsabilidade, a título de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurada. A DRF, por meio de Despacho Decisório, ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por entender que não há crédito disponível para compensação dos débitos informados no pedido de compensação, tendo em vista que os pagamentos foram integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que apurava o imposto e a contribuição com o percentual presumido de 32%, enquanto o correto seria de 8% e 12%, respectivamente. Dessa forma, o contribuinte requer a homologação dos despachos decisórios, bem como o devido reconhecimento dos recolhimentos antecipados e a inclusão da DCTF retificadora para o processo do crédito. A decisão da DRJ prolatou o Acórdão mantendo a negativa em relação a compensação, uma vez que constatou que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, destacando, destacando o seu equívoco quando da apuração de base de cálculo do IPRJ e CSLL, o que não obstaria o seu direito creditório. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.889, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.913699/200914, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.889): Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação em que se almeja a extinção de débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme DARF e DCTF apresentada. Ocorre que, a Fiscalização, após realizada análise das bases dos sistemas disponíveis da Receita Federal, verificou que os pagamentos tidos como indevidos ou a maior foram utilizados integralmente para a extinção anterior de débito do contribuinte, não havendo direito creditório em favor do contribuinte. Ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte, a decisão de primeira instância concluiu o quanto segue: A DRF/Recife constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito da CSLL apurado no 4º trimestre do anocalendário de 2007, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Dessa forma, não poderia a autoridade a quo ter reconhecido crédito algum, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) nessa esteira, em vão a discussão acerca dos índices de presunção. Por fim, não é possível observar a declaração retificadora para efeito de reconhecimento da disponibilidade do crédito, pois que apresentada após o despacho decisório uma vez que a disponibilidade do crédito é pressuposto da homologação da compensação, o despacho decisório não prescinde de seu prévio reconhecimento. Em sua defesa, a Recorrente se insurge alegando que apurou de modo equivocado toda sua base de cálculo de IRPJ e CSLL do período da autuação, no percentual de 32%, tanto para serviços realizados com emprego de materiais como para os realizados sem materiais não fazendo assim a devida distinção entre eles, para fins apuração do imposto e contribuição devida, conforme o arts. 15 e 20 da Lei 9.249/95, in verbis: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 5 4 Com base na leitura supra, a Recorrente alega que, em regra, aplicamse os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, às pessoas jurídicas optantes ao lucro presumido ou estimado. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 6 5 Adiante, colaciona o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 06/97 , que interpretou o art. 15 da Lei 9.249/95, ao declarar que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo para o imposto de renda será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a" deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Destacou que a partir de 1ª de janeiro de 1999, o emprego de materiais pelas empreiteiras passou a não mais constituir impedimento à opção das empresas pela tributação através do lucro presumido, como estabelece o art. 14 da Lei 9718/98. Assim, a vedação para a opção do lucro presumido contida no ato normativo supracitado, em seu inciso II, foi extinta a partir dessa data. Assim, trouxe aos autos, que a Recorrente obteve a Solução de Consulta nº 41 SRRF/4ª RF/DISIT de 19 de agosto de 2008, estabelecendo que a pessoa jurídica que apure o IRPJ e CSLL com base no resultado presumido e que exerça a atividade construção por empreitada, com emprego de mãodeobra e materiais, em qualquer quantidade, deverá aplicar os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida, na determinação da base de cálculo do imposto e da contribuição (DOC 02 do Recurso). Com efeito, a Recorrente informa retificou a DCTF posteriormente ao despacho decisório emitido pela DRF competente, o que impossibilitou o agente fiscal a verificar o pagamento a maior de forma eletrônica. Juntou a DCTF retificada (DOC 03 do Recurso) para visualização do crédito pleiteado (DOC 04 do Recurso) que consubstanciou a DCOMP (DOC 05 do Recurso), visando a sua homologação, conforme se extrai da tabela abaixo: [...] Adicionalmente, pugnou pela verdade material relativa aos fatos tributários, de modo que juntou provas que corroboram suas alegações. Pois bem, o cerne da questão cingese no direito creditório pleiteado pela Recorrente gerado por ocasião da retificação da DCTF, quando a alíquota de presunção de sua atividade para fins de IRPJ seria a de 8%.(atividade de mão de obra e materiais) e 12% (sobre a receita bruta auferida) em vez de Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 7 6 32%, conforme orientação jurisprudencial dos tribunais superiores. Inicialmente entendo pela possibilidade de retificação da DCTF, posto que a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. Ressaltase ainda que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos autos nenhuma prova do alegado erro do percentual de presunção, de forma a evidenciar suas receitas individualmente, permitindo o confronto com sua alegação. Nesse ponto, ressalvo que a atividade probatória é fundamental à convicção daqueles que não participaram do procedimento de ofício, configurandose imperiosa para a inteligibilidade dos motivos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal, bem como para a análise do conteúdo do Auto de Infração. A exigência do crédito tributário deve ser sempre pautada em elementos probatórios sólidos para fins de comprovação do ilícito. Dessa forma, ao Fisco incumbe apresentar os elementos probatórios que comprovem a ocorrência do fato gerador, bem como o não cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. Por sua vez, o contribuinte poderá apenas negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação, incumbindolhe produzir provas somente para consubstanciar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No caso concreto, incube a Recorrente o ônus da prova, isto é, o dever de prova existência do crédito pleiteado, por meio de documentos hábeis e idôneos. Entendo, pois, não restou provado a alegação do erro do percentual de presunção. Diante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10480.913705/200933 Acórdão n.º 1301002.895 S1C3T1 Fl. 9 8 Fl. 176DF CARF MF
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Numero do processo: 15521.000335/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. PREVISÃO CONTRATUAL.
Constitui omissão de receita a diferença apurada entre valores a serem faturados baseados em custos incorridos no interesse de tomadora de serviço em comparação com os valores efetivamente apurados na contabilidade a título de receita.
REEMBOLSO. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS E CUSTOS.
É requisito essencial para que se reconheça que um gasto é suscetível de reembolso que o mesmo esteja devidamente segregado na contabilidade em plena consonância com o respectivo contrato de prestação de serviços.
GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS.
Face à comprovação parcial, mantém-se parcialmente a autuação.
MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105.
As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2003, 2004
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Reconhecida a procedência do lançamento do IRPJ procede também o lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1301-002.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar em parte a infração 002 e integralmente a infração 003, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo designado redator do voto vencedor sobre o tema o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PREVISÃO CONTRATUAL. Constitui omissão de receita a diferença apurada entre valores a serem faturados baseados em custos incorridos no interesse de tomadora de serviço em comparação com os valores efetivamente apurados na contabilidade a título de receita. REEMBOLSO. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS E CUSTOS. É requisito essencial para que se reconheça que um gasto é suscetível de reembolso que o mesmo esteja devidamente segregado na contabilidade em plena consonância com o respectivo contrato de prestação de serviços. GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS. Face à comprovação parcial, mantém-se parcialmente a autuação. MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Reconhecida a procedência do lançamento do IRPJ procede também o lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar em parte a infração 002 e integralmente a infração 003, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo designado redator do voto vencedor sobre o tema o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
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PREVISÃO CONTRATUAL. Constitui omissão de receita a diferença apurada entre valores a serem faturados baseados em custos incorridos no interesse de tomadora de serviço em comparação com os valores efetivamente apurados na contabilidade a título de receita. REEMBOLSO. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS E CUSTOS. É requisito essencial para que se reconheça que um gasto é suscetível de reembolso que o mesmo esteja devidamente segregado na contabilidade em plena consonância com o respectivo contrato de prestação de serviços. GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS. Face à comprovação parcial, mantémse parcialmente a autuação. MULTAS ISOLADAS. IMPROCEDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 105. As multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas, lançadas com fundamento no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430/96, não podem ser exigidas concomitantemente com a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 105. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003, 2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 03 35 /2 00 8- 81 Fl. 9839DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.840 2 Reconhecida a procedência do lançamento do IRPJ procede também o lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar em parte a infração 002 e integralmente a infração 003, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram por dar provimento parcial em maior extensão para também obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo designado redator do voto vencedor sobre o tema o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 12082.466, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJO, na sessão de 17 de junho de 2016, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente, entendendo procedente o lançamento tributário efetuado. Fl. 9840DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.841 3 Por bem descrever o ocorrido, valhome parcialmente do relatório confeccionado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementando ao final: Trata o processo dos autos de infração de fls. 1.739 a 1.757, exigindo da Interessada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa do IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), e a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa da CSLL, respectivamente, nos valores de R$7.912.886,19, R$2.822.868,49, R$2.865.919,02 e R$1.471.792,91, acrescidos em cada um dos tributos, de multa de ofício de 75%, e juros de mora. O enquadramento legal consta nos respectivos autos de infração. A descrição dos fatos aponta três infrações: Infração 001. Omissão de receitas de exportação; Infração 002. Glosa de custos; Infração 003. Falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL. No Termo de Verificação Fiscal, fls.1.758 a 1804, consta que: na prestação de serviços com a PETROBRÁS foram firmados dois contratos distintos, um com a controladora localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, PRIDE INTERNATIONAL LTD, específico para o afretamento de embarcações, e outro com a controlada, (a Interessada), que alcança efetivamente a prestação dos serviços; o valor do primeiro contrato, (afretamento de embarcações), corresponde a em torno de 90% do total do valor contratado; conforme contrato, cabe à empresa localizada no exterior, proprietária da plataforma, manter tanto a plataforma quanto os seus pertences arcando com os custos dali advindos; a Interessada tinha a obrigação de prestar os serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou “workover” de poços de petróleo e/ou gás na plataforma fretada, responsabilizandose com os padrões internacionais de segurança e despesas de pessoal; no caso de fornecimento de materiais e contratação de serviços de terceiros, deveria haver prévia aprovação da PETROBRÁS, que, então, iria reembolsála; o que efetivamente ocorreu, foi que a Interessada arcava com todos os custos e despesas, incluindo os de responsabilidade contratual da empresa estrangeira, intrínsecos às plataformas; Fl. 9841DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.842 4 para adimplir estes gastos, a controladora PRIDE INTERNATIONAL LTD enviava mensalmente valores elevados a título de empréstimos; este artifício permitiu o envio pela PETROBRÁS de altas somas à controladora, (PRIDE INTERNATIONAL LTD), já que dessa maneira foi possível enquadrar quase que a totalidade do valor (soma dos valores dos contratos com a empresa estrangeira e com a controlada) sob o alcance da alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações, conforme Lei nº 9.481 de 1997, artigo 1º., inciso I; a empresa do grupo PRIDE, responsável pela plataformas operadas no Brasil, é a PRIDE FORAMER SAS, situada em Velizy/França; a partir de setembro de 2002 foi elaborado um contrato de prestação de serviço entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, (fls.5500 a 5568); o objetivo de tal contrato foi o de respaldar a Interessada a arcar com todos os gastos necessários para manter as plataformas da PRIDE FORAMER, assim, o dinheiro passou a entrar no Brasil como receita de exportação; foram solicitados, dentre eles, relatórios mensais que deveriam segregar os custos e despesas referentes ao mencionado contrato de prestação com base ; às fls.1762, consta que o contrato previa que cabia à Interessada todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das embarcações, sendo que a PRIDE FORAMER outorgou todos os poderes necessários à Interessada para a efetivação de quaisquer pagamentos de despesas em seu nome, (PRIDE FORAMER); o contrato previa que os honorários corresponderiam ao somatório dos custos diretos com 30% de margem, despesas com sub contratação de terceiros, despesas e gastos de capital, e outras despesas necessárias; concluiu a Fiscalização que o referido contrato foi elaborado com a finalidade de amparar os gastos que a Interessada já estava efetuando e cuja obrigatoriedade contratual, conforme os contratos de afretamento entre a PRIDE FORAMER e a PETROBRAS era da empresa estrangeira; às fls.1.763, consta que a Interessada respondeu que era impossível segregar os custos e despesas incorridos em nome da PRIDE FORAMER e os relacionados aos serviços prestados à PETROBRAS; a Fiscalização com base nos contratos elaborados entre a Interessada, a PRIDE FORAMER e a PETROBRAS, concluiu da possibilidade de haver a segregação de, pelo menos, alguns daqueles gastos; Fl. 9842DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.843 5 às fls.1764, item 8, consta que da análise da conta 311000.01 Salário de expatriados, verificouse que os débitos ali contabilizados em 31/01/2002, referentes ao INSS de janeiro das quatro plataformas e o débito contabilizado em 28/02/2002 referente à parte do INSS de fevereiro, os quais totalizaram R$ 427.750,48, foram transferidos para a conta INSS Previdência Social 312000.01; com base nestas constatações a Interessada foi intimada a apresentar manifestações acerca das constatações acima descritas, (detalhadas nos itens l a 7 de fls.1.762 a 1.764); também foi intimada a apresentar documentação comprobatória dos lançamentos discriminados no item 8, acima mencionado, bem como todos os comprovantes de despesas de INSS referente aos Expatriados, que tenham sido lançados nesta conta, durante o anocalendário 2002, agrupandoos mensalmente e demonstrando seus lançamentos no Razão; da mesma forma, a Interessada foi intimada a informar sobre a possibilidade de segregar os custos e despesas referente aos serviços prestados à PETROBRAS dos gastos efetuados em nome da PRIDE FORAMER, em conformidade com o contrato firmado com esta última; às fls.1.605/1.608, consta que a Interessada respondeu que as obrigações comuns foram por ela assumidas, sendo que o método utilizado não causou prejuízo ao Fisco; a Fiscalização intimou a Interessada a apresentar as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas às fls.1.617, conforme termo de intimação de fls.528/533; com base nas cláusulas do contrato de prestação de serviços assinado em setembro de 2002, entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, descritas às fls.1.625/1.638, a Fiscalização concluiu que a Interessada arcou com custos e despesas sem possuir receita correspondente, sendo que tais custos foram incorridos no interesse da PRIDE FORAMER SAS; desta forma, considerouse como omissão de receita de exportação, as diferenças apuradas entre os valores reais a serem faturados, baseados em custos incorridos no interesse da empresa estrangeira, (PRIDE FORAMER SAS), em comparação com os valores efetivamente apurados em sua contabilidade a título de receita de exportação, (Infração 001); as diferenças ocorreram porque a Interessada não considerou todos os custos ocorridos no interesse da PRIDE FORAMER SAS como receita de exportação, mas, sim, como sendo reembolso; às fls.933 e 1.624, consta que a Interessada solicitou à Fiscalização que os saldos credores de IRPJ e CSLL não fossem utilizados para dedução de tributos em possível lançamento de Fl. 9843DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.844 6 ofício, uma vez que os referidos saldos já foram utilizados em DCOMPs; às fls.1.628, consta que a Interessada contabilizou gastos a serem reembolsados na conta 316103.07 “Custos de Drydock Transferidos”; as diferenças entre os valores dos custos referentes aos serviços prestados pela Interessada no interesse da PRIDE FORAMER SAS e os reconhecidos como receita de exportação, estão demonstrados às fls.1.640/1.641 e Anexos A e B de fls.1.645/1.655; registrou a Fiscalização que, pelo fato de os gastos realizados em determinado mês terem as respectivas notas fiscais emitidas apenas no mês seguinte, a diferença apurada no mês de dezembro de 2002, foi lançada no mês de janeiro de 2003; como as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas às fls.1.617, não foram apresentadas, operouse a glosa conforme fls.1.642/1.643, (Infração 002); também foram lançadas multas em decorrência do não recolhimento do IRPJ e CSLL calculados com base no balanço de suspensão/redução recalculados, conforme demonstrado no Anexo C, (Infração 003). Os formulários FAPLI, FACS e demonstrativos de compensação de bases negativas e de prejuízos fiscais estão às fls.1.581/1.589. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal da qual teve ciência do lançamento em 12122008, (fls.1.580), a Interessada apresentou em 12012009, (fls.1.704), a impugnação de fls.1.947 a 1.985, alega em síntese, o que segue: firmou com a PETROBRÁS contratos de prestação de serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou “workover” de poços de petróleo e/ou gás; a PRIDE FORAMER SAS firmou com a PETROBRÁS contratos de afretamento de plataformas, (embarcações), para que fossem utilizadas nos serviços acima mencionados; em meados 2002, celebrou com a PRIDE FORAMER SAS, um contrato de prestação de serviços para que ela possa prestar a esta serviços de apoio logístico necessários para que as plataformas possam desempenhar seu papel no afretamento os contratos de afretamento, de perfuração e este de prestação de serviços de apoio logístico não se confundem; as empresas atuaram dentro dos limite dos seus respectivos contratos; os preços praticados em todos os contratos foi o de mercado; Fl. 9844DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.845 7 a PETROBRÁS participou e assinou os contratos, concordando com tudo que foi praticado; não houve conluio com a PETROBRÁS conforme sugerido pela Fiscalização; o Decreto nº.2.745, de 1998, a Lei do Petróleo e os Regulamentos de Procedimento Licitatório com base em regulamentos e decretos é que impõem a celebração de dois contratos distintos: um com a empresa estrangeira cujo objeto é o afretamento da embarcação, (em que o pagamento representa 85 % a 90% do valor total do contrato) e outro com a empresa brasileira cujo objeto é a prestação de serviços, (em que o pagamento representa 15% ou 10% do valor total do contrato); é equivocada a exigência que os dois contratos firmados pela PETROBRÁS deveriam ser um só; as diversas situações verificadas neste tipo de atividade justificam a segregação adotada: há um negócio essencialmente local, que é a prestação de serviços de perfuração, e um negócio essencialmente internacional, que é o afretamento das plataformas; é equivocado o entendimento que arca com os custos de ambos os contratos; conforme demonstrado às fls.1.899, e DIPJs, auferiu nos períodos lucro operacional, tendo havido prejuízo fiscal apenas por razões extra operacionais, quais sejam, variações cambiais decorrentes da flutuação da taxa de conversão da moeda nacional em dólar norte americano; portanto, o lançamento deve ser anulado por vício de motivo, conforme doutrina e Lei nº.9.784, de 1999; a Fiscalização não provou que houve omissão de receita, portanto, ocorreu erro no enquadramento legal, uma vez que os dispositivos ali mencionados referemse a situações em que restou comprovada a omissão de receita; ocorreu inadequação do enquadramento legal uma vez que a Fiscalização utilizou normas de preços de transferência, tendo sido também violado o artigo 19, da Lei nº.9.430, de 1996, devendo o lançamento por mais esta razão ser anulado; aliese a isto o fato de a Fiscalização não ter mencionado o enquadramento legal das alíquotas, e de ter citado, em relação à CSLL, dispositivo já revogado; houve a segregação na contabilidade dos pagamentos recebidos da PRIDE FORAMER pelos serviços prestados por ela (Interessada), tendo sido os mesmos reconhecidos como receitas; os pagamentos recebidos da PRIDE FORAMER que se destinaram a lhe ressarcir das despesas pagas em nome da Fl. 9845DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.846 8 PRIDE FORAMER, não constituem receita, pois, foram meros reembolsos; as cláusulas 1.01 e 1.02 do seu contrato de prestação de serviços com a PRIDE FORAMER SAS, transcritos às fls.1.733, confirmam que os pagamentos efetuados a título de reembolso destinaramse a lhe ressarcir das despesas pagas em nome daquela empresa estrangeira; a cláusula 1.03, transcrita às fls.1.737, do mesmo contrato, deixa claro que atuou na condição de mera mandatária da PRIDE FORAMER SAS, os artigos 653 e 676, do Código Civil deixa claro que os pagamentos referemse a reembolso do mandante ao mandatário; ocorreram erros na apuração do crédito em decorrência de falhas na análise de cada uma das rubricas de gastos: salários, encargos sociais, materiais, utilidades, uniformes, impostos, taxas, transportes de equipamentos e pessoas, despesas operacionais com veículos, aluguéis, seguros, gastos com expatriados; tais falhas decorreram do fato de ter se utilizado valores referentes a reembolso no cálculo das rubricas de gastos, bem como, de ter se utilizado o método de amostragem no lançamento de tributo; ao interpretar de forma abusiva o contrato de prestação de serviços, classificou como componente do preço valores referentes a reembolso; a cláusula 2.02.c do contrato ao fixar que as despesas e gastos de capital relacionados às plataformas da PRIDE FORAMER SAS devem ser cobradas desta, mas sem a margem de 30%, também deixa claro que se trata de reembolso, já que a margem somente se aplica à alínea “a” da mesma cláusula; a amostragem, por sua vez, restringese à demonstração da ocorrência das infrações, e seu uso indevido levou a que o lançamento tenha sido feito com base em mera presunção; ela e a PRIDE FORAMER SAS adotaram o critério simples e objetivo de utilizar a receita obtida com o contrato de perfuração com a PETROBRÁS como a base para o rateio dos custos após a retirada dos valores que se referiram a reembolso; a Fiscalização, lado outro, pretendeu sustentar que seria necessário um cálculo detalhado, linha a linha, e pretendeu realizar tal cálculo; contudo, deixou de efetuar rateios para valores que demandariam tal providência, sendo que, para os poucos casos em que se propôs a ratear, aplicou critérios insustentáveis; Fl. 9846DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.847 9 quanto as despesas referentes a salários, ordenados, encargos sociais, e outros benefícios, além de a amostragem ter se referido a alguns meses, selecionou aleatoriamente, sem nenhum critério objetivo, os cargos cujos salários foram utilizados para fins de rateio dos custos; às fls.1.955, apresenta planilha em que consta os cálculos por ela realizados e os feitos pela Fiscalização; a glosa de custos decorrente da intimação reportada pela Fiscalização no termo de verificação fiscal, e reproduzida na sua impugnação, foi indevida, pois, o simples fato de não ter apresentado algumas notas fiscais não seria suficiente para a glosa; tais despesas podem ser provadas por outros meios de provas além de notas fiscais, conforme jurisprudência transcrita às fls.1.957 a 1.958; contudo, a Fiscalização limitouse a requerer somente a apresentação de notas fiscais, houvesse intimado a apresentar outros documentos a conclusão teria sido diferente; assim, às fls.1.961, produz quadro vinculando cada uma das contas de despesas/custos glosadas com os documentos de fls.2.197/2.249, que apresenta; no que se refere a concomitância de multas isoladas e multa proporcional, não cabe a cumulação de penalidades para o mesmo fato, caracterizando “bis in idem” de natureza de confisco, conforme doutrina e jurisprudência; às fls.1.964, produziu demonstrativo mostrando a coincidência das bases de cálculo sobre as quais incidiram as duas multas; com base na CRFB/1988 e artigo 161, do CTN, não cabe a incidência de juros moratórios sobre as penalidades pecuniárias, por, dentre outras razões ser matéria de lei complementar, conforme doutrina e jurisprudência; não cabe a aplicação da Selic; finalizou requerendo a produção de prova pericial e diligência, indicando o perito às fls.1.822 e quesitos no Anexo F; Às fls.4.533, consta petição na qual requer a juntada de versão traduzida e juramentada dos documentos em língua estrangeira acostados anteriormente. Os documentos com tradução juramentada estão às fls.4.538 a 5.561. Nas fls. 9625 a 9655 está inserto o Acórdão 1201001.096– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, que anulou o Acórdão 1227.124 de 13/11/2009 proferido pela 8ª Turma da DRJ/RJO. Na ementa consta que não foi analisado o item 10 “Outras Despesas”. Por fim informa que nesse novo julgamento deve ser analisado a exclusão de prejuízo fiscal, considerando que receita não foi faturada e não houve pagamento de tributo. Fl. 9847DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.848 10 Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, que julgou improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2016 NULIDADE DE ACÓRDÃO. Decretada a nulidade de Acórdão pelo CARF devido a falta de análise de algum item da autuação, deve ser elaborado novo Acórdão com a análise deste item. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PREVISÃO CONTRATUAL. Constitui omissão de receita a diferença apurada entre valores a serem faturados baseados em custos incorridos no interesse de tomadora de serviço em comparação com os valores efetivamente apurados na contabilidade a título de receita. REEMBOLSO. SEGREGAÇÃO DE DESPESAS E CUSTOS. É requisito essencial para que se reconheça que um gasto é suscetível de reembolso que o mesmo esteja devidamente segregado na contabilidade em plena consonância com o respectivo contrato de prestação de serviços. GLOSA DE DESPESAS/CUSTOS. Face a falta de comprovação, mantémse a autuação. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A Lei nº.9.430/1996 ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição definitivos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não são excludentes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003,2004 LANÇAMENTO DECORRENTE. Fl. 9848DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.849 11 Reconhecida a procedência do lançamento do IRPJ procede também o lançamento da CSLL, em virtude da relação de causa e efeito que os une. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa autuada foi intimada em 08/07/2016, através de sua caixa postal eletrônica (fls. 9708), e inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, apresentou, em 05/08/2016 (9837), tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. I. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme relatado, tratase o presente PAF de autos de infração com o escopo de constituir créditos tributários referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004. Denotamse dos autos que a Pride Foramer SAS, instituiu no Brasil a controlada Pride do Brasil Serviços de Petróleo Ltda, ora recorrente. Para que estas empresas prestassem serviços junto à Petrobrás, foram firmados dois contratos, um com a empresa estrangeira Pride Foramer SAS, específico para o afretamento de embarcações, e outro com a controlada brasileira Pride do Brasil, relativo ao serviço de perfuração, que alcançava efetivamente a prestação de todos os serviços de que necessitava a Petrobrás. O contrato de afretamento envolvia grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos, enquanto o contrato firmado com a empresa brasileira previa pagamentos da ordem de 10% da soma dos dois contratos. Assim, na ótica do fisco, apesar de os contratos firmados com a Petrobrás preverem que 90% dos pagamentos efetuados iriam para a empresa estrangeira pelo afretamento de suas plataformas, a controlada brasileira prestou a quase totalidade dos serviços contratados, inclusive a administração de plataformas, de tal sorte a arcar com os custos e despesas, incluindo os de responsabilidade contratual da empresa estrangeira, sem possuir uma receita correspondente, o que fez com que apurasse prejuízos consecutivos. Desta forma, segundo ainda a fiscalização, para que fosse possível a adimplência de tais gastos, a Pride Foramer SAS celebrou com a Pride do Brasil um contrato de prestação de serviços e, com base nele, a empresa estrangeira remeteu vultosos valores para Fl. 9849DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.850 12 a coligada brasileira, escriturados por esta última, não como receitas da sua atividade, mas sim como reembolso de custos e despesas realizados por ordem e conta da Pride Foramer SAS. Assim, concluiu a fiscalização que não haveria que se falar em reembolso de despesas, mas em verdadeira auferição de receitas por parte da Pride do Brasil, que, contudo, foram omitidas de sua contabilidade. Por outro lado, após argüir hipóteses de nulidade do auto de infração e acórdão a quo, aduz o contribuinte licitude dos procedimentos adotados, dada a existência de uma motivação operacional a justificar a segregação dos contratos de afretamento e perfuração, além de apontar a existência de erros na apuração do crédito tributário e impossibilidade de se utilizar o método da amostragem para quantificar o tributo decorrente da infração porventura detectada. Por fim, alega ainda a ilegalidade da cumulação de multa de ofício e isolada (estimativas) sobre a mesma base e impossibilidade de incidência da Taxa Selic sobre as penalidades pecuniárias. Pois bem. Passo a analisar argumentos suscitados. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO A QUO. De acordo com sua peça recursal, alega o contribuinte que não foram analisadas as contas contábeis levantadas pela fiscalização relativas a: outros custos diretos, segurança, impostos e taxas, e outras despesas. Em que pese suas alegações, entendo que elas não merecem ser acolhidas. Conforme constatase no TVF (fl. 1.632), a conta contábil denominada "outros custos diretos", referese às despesas com "Combustíveis e Lubrificantes". Ao contrário do que aduz, o acórdão recorrido tratou sim do tema, dedicando, inclusive, tópico específico: 2.5.2. Combustíveis e lubrificantes. A cláusula 4.6.3 do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a PRIDE FORAMER SAS, (Anexo I, fls.15, 178, 397 e 820), e a cláusula 3.23 do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a Interessada, (Anexo I, fls.83, 308, 630 e 722), impunham que tais despesas eram obrigação de ambas as empresas. Portanto, como a Interessada não cumpriu o dever jurídico de segregar estas despesas, haveria de se determinar um critério para rateálas. É assente na jurisprudência administrativa que, em não havendo a correta contabilização das despesas, não cabe ao fisco o ônus de refazer a escrituração para segregar as despesas, sendo correto ratear os custos e despesas com base em cláusulas contratuais firmadas anteriormente pelas partes envolvidas. Portanto, atuou corretamente a Fiscalização quando rateou as despesas em epígrafe com base nos percentuais de receitas previstas nos contratos firmados com a PETROBRÁS (fl. 4.988). Fl. 9850DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.851 13 Assim resta claro que o tema supostamente omitido foi objeto de indeferimento específico por parte da DRJ, não havendo que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. Com referência aos itens "segurança (correspondente ao item 7 do TVF) e "outras despesas" (item 14 do TVF), também não há que se falar em omissão, vez que essas matérias não foram objeto de irresignação por parte da ora recorrente, não havendo se instaurado litígio quanto a elas. Se tais matérias não eram objeto de controvérsia, pois não foram contestadas, não havia porque sobre elas se manifestar o acórdão proferido pela DRJ. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Em sede de preliminar, argüiu a recorrente que o auto de infração questionado é nulo, haja vista a atipicidade da conduta a ele atribuída (omissão de receita) e também pela ausência de diploma legal que a fundamente. Segundo entende, o tipo "omissão de receita" é totalmente inaplicável ao caso concreto na medida em que não há indícios de que houve uma receita efetivamente auferida pela recorrente e, ato contínuo, omitida. Ainda de acordo com a recorrente, a fiscalização teria, também, mencionado regras relativas a preços de transferência, sem que, todavia, qualquer menção a preços de transferência fosse feita em qualquer parte dos autos, e sem que qualquer dos métodos de apuração do preço médio fosse cogitado, mencionado ou calculado. Outrossim, estaria ausente a indicação dos dispositivos atinentes à alíquota a ser aplicada no caso da IRPJ, dos dispositivos que legitimam a incidência adicional do imposto, sua alíquota e base de cálculo. Também não há como concordar com tais argumentos. Da leitura do TVF, resta claro os fatos imputados à empresa autuada, qual seja, omissão de receitas típicas de sua atividade. Vejase que, à despeito e tal conclusão, a fiscalização enquadrou tal constação na previsão contida no artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, o qual é repetido pelo artigo 288 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/99. Esses dispositivos assim prevêem: Lei nº 9.249/1995 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Fl. 9851DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.852 14 § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º Para a determinação do valor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep, na hipótese de a pessoa jurídica auferir receitas sujeitas a alíquotas diversas, não sendo possível identificar a alíquota aplicável à receita omitida, aplicarseá a esta a alíquota mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse ao recolhimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, calculadas por unidade de medida de produto, não sendo possível identificar qual o produto vendido ou a quantidade que se refere à receita omitida, a contribuição será determinada com base na alíquota ad valorem mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6º Na determinação da alíquota mais elevada, considerarse ão: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – para efeito do disposto nos §§ 4o e 5o deste artigo, as alíquotas aplicáveis às receitas auferidas pela pessoa jurídica no anocalendário em que ocorreu a omissão; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – para efeito do disposto no § 5o deste artigo, as alíquotas ad valorem correspondentes àquelas fixadas por unidade de medida do produto, bem como as alíquotas aplicáveis às demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) RIR/99 Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Dessa forma, labora em equívoco o contribuinte quando afirma que a omissão de receitas teria lugar somente no caso das hipóteses por ele referidas. Os artigos 281 a 287 do RIR/999 tratam do lançamento relativo à omissão de receitas por presunção legal, hipótese diversa da contida nos autos onde a infração foi apurada por prova direta. Com efeito, uma vez tendo verificado in loco a omissão de receita da atividade pelo sujeito passivo, haja vista que ele escriturou como reembolso de despesas Fl. 9852DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.853 15 valores que recebeu em razão de contrato de prestação de serviços celebrado com sua coligada no exterior, outro não podia ser o enquadramento legal aplicado senão o do artigo 24 da Lei 9.249/1995, o qual é repetido pelo artigo 288 do RIR/99. Logo, não há como acolher sua argüição de nulidade, pois a fiscalização apontou de forma clara e objetiva a conduta imputada à recorrente, possibilitando, assim, exercer de forma irrestrita o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Vale dizer, o lançamento atendeu a todas as exigências constantes no artigo 10 do Decreto 70.235/72, que prevê: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Todos os elementos essenciais ao auto de infração estão presentes, não estando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa que possa ensejar a decretação de nulidade. DO MÉRITO. DA INFRAÇÃO 001. DA OMISSÃO DE RECEITAS Segundo constatou a fiscalização, a apuração de omissão de receita decorreu do fato do contribuinte ter contabilizado grande parte das receitas advindas dos serviços prestados à sua coligada Pride Foramer SAS como reembolsos de custos e despesas realizados em nome desta. Considerouse, assim, como omissão de receita de exportação as diferenças apuradas ente os valores reais a serem faturados, baseados em custos ocorridos no interesse da empresa estrangeira, em comparação com os valores efetivamente apurados em sua contabilidade a título de receita de exportação. Por sua vez, alega a recorrente licitude dos contratos e procedimentos adotados, assim como a insubsistência da qualificação jurídica atribuída pela fiscalização aos elementos de fato colhidos durante os trabalhos fiscais. O cerne da questão referese à análise da natureza jurídica dos ingressos de recursos em questão. Assim, impõese determinar se os valores ingressaram nos cofres da Fl. 9853DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.854 16 recorrente a título de reembolso de despesas, ou como pagamentos pelos serviços prestados com base no contrato celebrado entre o contribuinte e a Pride Foramer SAS. A solução da presente controvérsia devese pautar, então, pela análise dos contratos de afretamento (celebrados entre Pride Foramer SAS e Petrobrás), de perfuração (celebrados entre Pride do Brasil e Petrobrás) e de prestação de serviços (celebrado entre Prime do Brasil e Pride Foramer SAS), tendo como destaque as cláusulas relativas aos objetos de cada um desses contratos. Os contratos de afretamento tinham por objeto básico o afretamento, à Petrobrás, de plataforma de petróleo,a fim de serem utilizadas na perfuração e/ou avaliação e/ou complementação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás na plataforma continental brasileira ou em águas internacionais (vide Anexo I). No objeto dos contratos estava incluída a execução, pela contratada (Prime Foramer SAS), de todas e quaisquer operações necessárias ao perfeito cumprimento do afretamento objeto do contrato, tais como execução e supervisão do posicionamento, lastreamento e movimentação da unidade. Os contratos de prestação de serviços de perfuração, por seu turno, tinham por objeto essencial a prestação, pela Pride do Brasil, dos serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás natural, na plataforma continental brasileira. Do confronto entre tais contratos, podese observar a existência de algumas obrigações comuns, como por exemplo: (i) providenciar, antes do início do contrato, um teste geral das condições operacionais de todos os equipamentos da unidade e (ii) planejar e conduzir as operações destinadas a evitar e combater erupções de petróleo, gás, incêndios ou outros acidentes. Tais obrigações em comum, contudo, refletiam aspectos meramente acessórios aos verdadeiros objetos contratados. Havia, por outro lado, uma série de obrigações que incumbiam de modo exclusivo a cada uma das contratadas, podendose enumerar, quanto aos contratos de afretamento, como responsabilidade da Pride Foramer SAS: i. o dever de responder pela operação, supervisão, direção técnica e administrativa e pela tripulação necessária à eficiente e completa execução do afretamento contratado, como única responsável; ii. o dever de arcar com o custo de reposição dos equipamentos, materiais e acessórios necessários ao adequado funcionamento da unidade, bem como as despesas com reparos de qualquer natureza nos equipamentos cuja responsabilidade pelo fornecimento seja sua. Como bem ressaltado pelo acórdão proferido pela DRJ, nos contratos de afretamento "também consta que a FORAMER deveria manter, às suas custas, além da Unidade, toda a tripulação adequada e suficiente à sua operação, arcando com todas as obrigações trabalhistas, gastos com movimentação da tripulação e que deveria manter uma identificação especial para essa tripulação de modo a distinguila do pessoal da PETROBRÁS e de outras empresas que, eventualmente, atuassem em outros serviços ligados ao objeto do contrato” (fls. 4.9824.983). Fl. 9854DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.855 17 Uma primeira conclusão que se pode retirar da comparação entre os contratos de afretamento e de perfuração é a de que, apesar de existirem algumas obrigações em comum, tais contratos contemplam obrigações bastante distintas e plenamente segregáveis. Finalmente, no que se refere ao contrato de prestação de serviços celebrado entre a recorrente e a Pride Foramer SAS, seu objeto consistia na prestação de serviços pela Pride do Brasil à Pride Foramer SAS "com a finalidade de manter as operações das embarcações objeto dos contratos no Brasil, incumbindo à prestadora todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das referidas embarcações". A prestação contratada, bem se vê pelos termos empregados, foi a mais ampla possível, de modo que ficou a empresa brasileira, ora recorrente, incumbida de levar a cabo praticamente todas as atividades inerentes ao serviço de afretamento. Tal constatação, aliás, não e sequer negada pela recorrente, que, em suas razões de recurso voluntário, chega a afirmar que, em virtude de as plataformas serem bens cuja logística de operação demanda a contratação de serviços e atividades locais e tendo em vista ainda o fato de que a Prime Foramer não dispunha de pessoal próprio no Brasil, "optouse por atribuir à RECORRENTE a responsabilidade contratual pela consecução de tais atividades" (fl. 5.076). Nesse momento, é importante firmar mais uma inafastável premissa para a solução da presente controvérsia: a Pride do Brasil, por força do contrato de prestação de serviços celebrados com a Pride Foramer SAS arcava efetivamente com os custos tanto dos contratos de afretamento (que tinham como partes a Petrobrás e a Pride Foramer), quanto dos contratos de perfuração. Em que pese essa cumulação de obrigações na recorrente pudesse conduzir à conclusão da impossibilidade de separação dos gastos incorridos para dar cumprimento ao contrato de perfuração e dos gastos incorridos "em benefício" da Pride Foramer para a consecução do afretamento, devese ter em mente que referidos contratos, como já assentado anteriormente, contemplam obrigações bastantes distintas e plenamente segregáveis. Avancemos, então, na análise de algumas cláusulas específicas que regiam o contrato de prestação de serviços originalmente celebrado entre a recorrente e a Pride Foramer SAS. São elas: 1. SERVIÇOS 1.01 O objeto do presente contrato é a prestação de serviços pela PRESTADORA à TOMADORA com a finalidade de manter as operações das embarcações objeto dos Contratos no Brasil, incumbindo à PRESTADORA todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das referidas embarcações. 1.02 Qualquer pagamento de despesas pela PRESTADORA em nome da TOMADORA, no âmbito deste contrato, será reembolsado pela TOMADORA em conformidade com as previsões contidas no item 2. 1.03 Para os fins deste contrato, a TOMADORA outorga à PRESTADORA todos os poderes necessários para a efetivação Fl. 9855DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.856 18 dos referidos pagamentos e para a negociação com terceiros, relativamente a qualquer aspecto relacionado às despesas, interesse da TOMADORA. ............................................................................................... HONORÁRIOS E CUSTOS 2.01 Em conformidade com os serviços a serem prestados pela PRESTADORA no âmbito do presente contrato, a partir da data mencionada no item 5.01 abaixo, a TOMADORA concorda em pagar honorários profissionais de acordo com as previsões desta cláusula. 2.02 Os honorários mencionados na cláusula anterior serão correspondentes ao somatório dos seguintes valores: a) custos diretos (basicamente, custo de matériasprimas, suprimentos, encargos trabalhistas, gastos com reparos e manutenção, desembolsos de aluguel, transporte e seguros, além de gastos com combustíveis e lubrificantes), sobre os quais se aplicará um percentual de margem correspondente a 30% (trinta por cento); b) despesas com subcontratação de terceiros para desempenhar os serviços contratados; c) despesas e gastos de capital relacionadas às plataformas da TOMADORA; d) outras despesas necessárias à consecução dos serviços. (negrito acrescido). A partir de 1º de julho de 2004, com a redação vigente durante todo o período remanescente fiscalizado, o item 2.02, "a", da cláusula referente aos honorários e custos foi modificado, de modo a reduzir para 20% (vinte por cento) o percentual de margem a ser aplicado. Ao interpretar as disposições em comento, aduz a recorrente que as cláusulas 1.01 e 1.02 estabelecem previsão específica de reembolso para as hipóteses em que tenha arcado com despesas em nome da Foramer. Argumenta, ademais, que as hipóteses de reembolso estão relacionadas aos casos em que tenha agido como mandatária da Foramer, encontrandose rigidamente definidas nas alíneas "b", "c" e "d" da cláusula 2.02. Não há como concordar com suas razões. Em primeiro lugar porque a cláusula 2.02 do contrato em nenhuma hipótese estipula que os valores a serem recebidos sem margem teriam a natureza de reembolso. Por outro lado, se algo está dito de modo claro, rígido e expresso na referida cláusula é que todos os valores ali descritos integram os honorários profissionais devidos pela Pride Foramer à Pride do Brasil. Em segundo lugar porque nada há nos autos leva a crer que a recorrente, em qualquer momento que seja, tenha atuado como mandatária da Prime Foramer SAS. Fl. 9856DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.857 19 O contrato de mandato, nos termos do art. 1288 do Código Civil de 1916 e do art. 653 do novo diploma, operase quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome (do mandante), praticar atos ou administrar interesses, sendo a procuração o instrumento do mandato. Dessa forma, sem exceção, entendo que todas as despesas assumidas pela recorrente o foram sempre em nome próprio, não se identificando nos autos uma única nota fiscal que tenha sido faturada em nome da Prime Foramer SAS. Igualmente, não existe nos autos um único contrato, seja de compra e venda de mercadorias, seja de seguro ou de prestação de serviços, em que a recorrente tenha, em nome da Pride Foramer, assumindo algum tipo de obrigação. Entendo ainda que nem mesmo as chamadas "autorizações para Despesas" (Authorizations for Expenditure AFE) prestamse para tal finalidade. Com efeito, a leitura do "Manual de Gestão de Qualidade" emitido pela Pride Internacional, cuja versão devidamente traduzida se encontra às fls. 4.353 a 4.370, revela que tais "Autorizações para Despesas" refletem em verdade uma política interna vigente em todo o Grupo Pride, com vistas a racionalizar o acompanhamento de todos os investimentos realizados, não guardando nenhuma relação com a alegada investidura de poderes para que uma empresa do grupo (no caso a Pride do Brasil) realizasse despesas em nome de outra (Pride Foramer SAS.) Logo, tendo em vista a completa ausência de elementos que demonstrem a efetiva atuação da recorrente na condição de mandatária da Pride Foramer SAS, temse que todas as despesas realizadas com vistas a levar a cabo o afretamento das plataformas de petróleo foram feitas a título de prestação de serviços. E o próprio contrato é muito claro nesse sentido, ao determinar que os serviços a serem prestados pela Pride do Brasil seriam remunerados por meio de honorários profissionais correspondentes ao somatório dos valores referentes a custos diretos (custo de matériasprimas, suprimentos, encargos trabalhistas, gastos com reparos e manutenção, desembolsos de aluguel, transporte e seguros, além de gastos com combustíveis e lubrificantes), sobre os quais recairia um percentual de margem correspondente a 30% (trinta por cento), despesas com subcontratação de terceiros para desempenhar os serviços contratados, despesas e gastos de capital relacionadas às plataformas da tomada e outras despesas necessárias à consecução dos serviços. Diante da clareza do contrato e falta de quaisquer elementos que apontassem alguma atuação da recorrente na qualidade de mandatária, devese manter as conclusões do acórdão recorrido: O que se conclui da interpretação conjunta das cláusulas 1.02 e 2, acima transcritas, é que todos os gastos que representassem custos diretos ou despesas mencionadas na cláusula 2, caracterizariam honorários profissionais. A letra “d” do item 2.02 da cláusula 2 do contrato, fls. 1.501, do Anexo 1, acima transcrita, deixa claro que quaisquer despesas necessárias à consecução dos serviços contratados seriam suscetíveis de incorrer em honorários. Fl. 9857DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.858 20 Portanto, independente de haver cláusula contratual prevendo que determinadas despesas ou gastos deveriam ser cobrados com ou sem a margem de 30%, o fato é que as regras acima expostas deixam claro que todas elas comporiam os honorários profissionais. Deflui do exposto, que a cláusula 1.03, do mesmo contrato, referese tãosomente a situações ligadas a gastos extraordinários que não estejam incluídos na esfera de custos e despesas assinalados na cláusula 2, acima analisada (fls. 4.9844.985). O fato apurado pela fiscalização, não se perca de vista, foi a omissão de receita decorrente da atividade da empresa. Se, por força do contrato de prestação de serviços celebrado com a Pride Foramer SAS, a recorrente, como atividade própria, executou uma série de atividades e incorreu em custos e despesas variados, também fez jus ao ingresso de diversos valores a título de receitas, sendo inquestionável a legitimidade da tributação desses valores. Notese que ao atribuir a qualificação de meros reembolsos a valores que na verdade constituíram receita de sua atividade, o contribuinte autuado manipulava sua contabilidade, escriturando como custos e receitas o que bem queria com o fito de direcionar o resultado do seu estabelecimento ao objetivo pretendido. Conforme ressaltado pelo lançamento, por meio de tal procedimento, o contribuinte conseguia manter um constante prejuízo fiscal ao longo dos anos. DA LEGALIDADE DO LEVANTAMENTO POR AMOSTRAGEM Além de defender a natureza de gastos reembolsáveis dos valores considerados pela fiscalização como sendo gastos faturáveis, a recorrente se insurge contra o método adotado pelo fisco para segregar, com base nas atividades de afretamento e de perfuração, as despesas de salários e encargos. No entender da recorrente, a autoridade fiscal não poderia ter eleito, por amostragem, apenas algumas competências abrangidas no período autuado para decompor a folha de salários global das plataformas de acordo com os cargos que julgou serem vinculados ao afretamento e à perfuração. Mais uma vez, contudo, o direito não socorre às pretensões do contribuinte. De fato, a existência de levantamento por amostragem, por si só, não torna precário o lançamento, e, no caso dos autos, isto efetivamente não ocorreu, tendo o agente fiscal procedido dentro do âmbito de suas atribuições, identificando com clareza a infração, cuja origem não dependia da análise de cada uma das competências abrangidas na autuação. O lançamento foi efetuado dentro da normalidade legal, com todos os elementos necessários e suficientes, como determinam os artigos 142 a 146 do CTN, e obedecidos os ditames contidos no artigo 10 do Decreto 70.235/72. Assim, voto pela manutenção desta infração. Fl. 9858DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.859 21 DA INFRAÇÃO 002. DA GLOSA DE CUSTOS Relatou a fiscalização que intimou a interessada a apresentar as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas no termo de intimação de fls. 529/530 e no termo de constatação às fls. 1.617, glosadas conforme fls. 1.642/1.643. A interessada às fls. 1.798, produziu quadro vinculando cada uma das contas de despesas; custos glosadas com os documentos de fls. 2.030/2.082. Tendo como referência o demonstrativo de fls. 1.642/1.643, produzido pela fiscalização, e o termo de intimação de fls. 529/530, do exame dos documentos apresentados (fls. 2.030/2.082), constatase que todas as despesas foram comprovadas, exceto as abaixo assinaladas: Registrese que constam às fls. 2.030/2.082, notas fiscais dos fornecedores acima mencionados, porém de períodos diversos daqueles referenciados no demonstrativo de fls. 1.642/1.643, que apontou as glosas. Voto pela manutenção parcial desta infração. DA INFRAÇÃO 003. DA ILEGALIDADE DA CUMULAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO COM MULTA ISOLADA A questão que se põe diz respeito à possibilidade ou não de cominação da multa isolada por não pagamento da CSLL calculada com base no regime de estimativas mensais, ao final do ano calendário e concomitantemente com a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo ao final dos anoscalendário 2003 e 2004, fundamentadas nos artigos 44, inciso I e parágrafo 1º., IV, da Lei n. 9430/96., cuja redação original assim versava: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 9859DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.860 22 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. (…)” Tratase de matéria objeto da Súmula n. 105 deste Conselho Administrativo, redigida com os seguintes termos: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (grifouse) Sua aplicação não leva a maiores discussões por se tratar de penalidades aplicadas nos anoscalendário de 2003 e 2004 e, portanto, anteriores à edição da própria súmula e, principalmente, das alterações promovidas no referido artigo 44 da Lei n. 9.430/96 pela Medida Provisória n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488, do mesmo ano, deixandolhe como nova redação. Portanto, aplicase a Súmula CARF n. 105 para afastar a imputação da multa isolada fundamentada no artigos 44, parágrafo 1º., IV, da Lei n. 9430/96., em função de sua concomitância com a multa de ofício. Assim, dou provimento ao recurso voluntário, quanto a este item. DOS JUROS SOBRE A MULTA Com referência à alegação de exclusão dos juros sobre a multa, alinhome às razões da recorrente, no sentido de entender que a incidência de juros sobre a multa de ofício viola o princípio constitucional da legalidade. De fato, não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa. O § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 determina que “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 9860DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.861 23 À evidência, a expressão “sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora ...”, que inaugura o dispositivo supra transcrito, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. Basta ver que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430 está assim redigido: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (...), não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (...)” Resta evidente que o “débito” a que se refere a lei é composto apenas pelo valor do principal, isto é, do tributo vencido e não pago. Posteriormente ao vencimento é que são lançados os acréscimos de multa e juros. Falta, portanto, lei que autorize a União a incluir a multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos, o que viola, segundo meu entender, o princípio da legalidade. Corrobora tal entendimento o votocondutor do ilustre Conselheiro Caio Marcos Cândido, verbis: “Entendo caber razão à recorrente quanto à não aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nem mesmo no percentual de 1%. Reproduzo parte dos argumentos de defesa esposados pela recorrente. O artigo 139 do CTN estabelece que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já o artigo 113 do CTN estatui que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”, nos termos do parágrafo 3º do citado artigo 113. Assim, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. É somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não integralmente paga no respectivo vencimento podem incidir os juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 do CTN, seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no artigo 43 da Lei nº 9.430/1996. Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não pode incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo Fl. 9861DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.862 24 dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.”. Corrobora tal entendimento o voto condutor do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, nos autos do recurso nº 125.436, que deu origem ao acórdão 202 16.397: Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício não pagas no vencimento, dos juros previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: (...) Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Pelo quê, entendo não ser cabível a cobrança de juros moratórios, à taxa de 1% ao mês, sobre a multa de ofício imposta no lançamento.” (Processo n. 16327.004079/200275, Acórdão n. 10196.008, sessão de 01 de março de 2007). Assim, dou provimento ao recurso voluntário, quanto a este item. DA CSLL No julgamento do IRPJ foi reconhecida a procedência parcial. Procede, portanto, parcialmente, a autuação da CSLL em virtude da relação de causa e efeito que os une. DA CONCLUSÃO Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, de forma a: manter a infração 001; manter parcialmente a infração 002; afastar a infração 003 e os juros sobre a multa (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 9862DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.863 25 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado Juros de mora sobre a multa No que concerne à incidência de juros de mora sobre a multa aplicada em lançamento de ofício, peço licença para divergir do ilustre Conselheiro relator, malgrado seu brilhante voto. A matéria já foi diversas vezes trazida à apreciação desta turma ordinária, que sistematicamente vem decidindo pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a chamada multa de ofício. Para tanto, o fundamento legal estaria no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições", constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de forma a abarcar nessa categoria tanto o tributo propriamente dito, quanto a multa. Também esse é o entendimento que tem prevalecido na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, do qual é exemplo o Acórdão nº 9101003.369, cuja ementa, na parte relativa aos juros de mora, foi assim redigida: Juros sobre Multa de Ofício. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Sobressaem, no voto condutor da decisão, os seguintes fundamentos: Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: (...) A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); Fl. 9863DF CARF MF Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1301002.917 S1C3T1 Fl. 9.864 26 b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estado credor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. (...) Do preceito acima invocado (art. 61 da Lei nº 9.430), destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” (grifo do original) Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Com esses fundamentos, indeferese a pretensão da recorrente de impedir a exigência de juros de mora calculados sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 9864DF CARF MF
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Numero do processo: 17698.001108/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS.
A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do ano-calendário subseqüente, sujeitando-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à execução parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação.
A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub-contratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub-contratou.
A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada.
Cobra-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior.
Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender.
Numero da decisão: 1402-002.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do anocalendário subseqüente, sujeitandose às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à execução parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 11 08 /2 00 8- 87 Fl. 881DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 882 2 A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 883 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. CONFISCO. A pessoa jurídica que ultrapassar o limite da receita bruta determinado pela legislação, será excluída do Simples a partir do anocalendário subseqüente, sujeitandose às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à execução parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 884 4 Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. A vedação deve ser dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O caso foi relatado pela instância a quo, in verbis: "A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.02.002008002430, que culminou com a formalização de lançamento de ofício no auto do processo administrativos fiscal n° 17698.001108/200887 (o presente processo) e o de representação fiscal de n° 11040.001397/200862. Ou seja, o AuditorFiscal, após iniciar os trabalhos de fiscalização na empresa originalmente optante pelo SIMPLES: a) realizou lançamento de ofício para fatos geradores ocorridos em 2004, na modalidade SIMPLES, nos autos do processo n° 17698.001108/200887: b) deu continuidade à auditoria fiscal no processo n° 11040,001397/2008 62. onde consta a formalização do Ato Declaratório Executivo de n° 003, por meio do qual procedeuse à exclusão do contribuinte do sistema SIMPLES a partir de 2005; A manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório (fls. 779/798), cujo objeto é exclusivamente a discussão acerca da exclusão da SIMPLES, constava do processo n° 11040.001397/200862 que foi apensado aos presentes autos, haja vista a identidade de provas entre ambos, conforme orienta a Portaria SRF n° 6.129/2005. 1 Da exclusão de ofício do SIMPLES A autoridade fazendária promoveu a exclusão de ofício do contribuinte do SIMPLES, com efeitos a partir de 2005, em virtude de a empresa ter auferido receita bruta em valor superior ao limite a que se refere o inciso II do art. 9o, artigo 12, inciso I do 14, inciso IV Fl. 884DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 885 5 do artigo e 15, da Lei n° 9.317/1996, com suas alterações, bem como nos artigos 20', inciso 11, 21, 23, inciso I, e 24 inciso IV da Instrução Normativa SRF n° 355/2003, conforme apurado no processo Administrativo n° 11040.001397/200862. O contribuinte tomou ciência do Ato Declaratório Executivo n° 003/2009 da DRF/Pelotas, em 26/01/2009 (fls. 775) e, por meio da manifestação de inconformidade apresentada em 19/02/2009 (fls. 800) o contribuinte reclama, fundamentalmente o que segue: a) que o ato de exclusão do Simples tem amparo nas informações colhidas no processo n° 17698.001108/200887, em virtude de suposta diferença entre a receita de serviço de transporte de cargas constante na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ e os valores escriturados no Livro Registro de Saídas, correspondente aos conhecimentos de transportes rodoviários de carga; b) a diferença acima descrita não compõem a receita bruta de seus serviços, pois decorrem de agenciamento de frete, constituindose em meros ingressos não contabilizáveis para fins de apuração da base de cálculo dos tributos abrangidos pelo Simples; c) discorre sobre base de cálculo, receita bruta, capacidade econômica/contributiva, valepedágio, vedação ao confisco e o tratamento diferenciado a ser dispensado às micro e pequenas empresas, reafirmado na Lei n° 9.317/1996; d) considera indispensável para o conhecimento da receita efetiva do contribuinte, conceituar "meras entradas", assim considerados os valores que, embora transitando graficamente pela contabilidade da empresa, não integram seu patrimônio; e) cita decisões do Conselho de Contribuintes sobre fato gerador, base de cálculo, agenciamento de cargas, relacionados aos tributos PIS e COFINS; f) sua principal atividade consiste na intermediação de transporte de carga, aproximando a tomadora dos serviços de transporte de cargas do transportador que detenha veículo compatível com a mercadoria a ser transportada, não possuindo frota própria para o desenvolvimento da atividade de transporte propriamente dita; g) do valor recebido, paga o valor do frete aos agenciados e fica com a diferença do valor da nota fiscal de serviço; e h) comprovada que parcela dos ingressos pertencem a esfera jurídica de outros contribuintes, à título de repasse pelo valor do frete, permanecendo no patrimônio apenas o valor das comissões, deve ser afastada a glosa dos valores supostamente subtraídos à tributação, apurados em virtude da diferença entre os valores declarados em DSPJ e aqueles constantes das Guias Informativa do ICMS, segundo os termos do auto de infração. Requer, ao final, seja anulado o ADE 003/2009, afastando a exclusão do Simples a partir de janeiro/2005. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 886 6 2 Do litígio pertinente ao lançamento de ofício fatos geradores ocorridos em 2004 A matéria em litígio teve origem na fiscalização inaugurada.com â emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 1010200.2008.00243, após observada divergência entre os valores de tributos devidos informados nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica 2005 DSPJ e nas Guias Informativas do ICMS que correspondiam ao registrado no Livro Caixa da Empresa, que culminou com o lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos em 2004, de acordo com o artigo 18 da Lei n° 9.317/1996. O lançamento de ofício está consubstanciado nos autos de infração Simples: Imposto de Renda Pessoa Jurídica.(fls. 22 a 30), Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 31 a 39 ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 40 a 48 ), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ( fls. 49 a 57 ) e Contribuição para Seguridade Social INSS ( fls. 58 a 66 ), apurando o crédito tributário total no valor de R$ 1.824.690,91 ( um milhão, oitocentos e vinte e quatro mil, seiscentos e noventa reais e noventa e um centavos ), aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 29/08/2008. A omissão de receitas está devidamente evidenciada no quadro de fls. 07. O contribuinte declarou à SRF uma receita, para o ano de 2004, no valor de R$ 686.198,40, não obstante ter registrado nos livros do ICMS e no Livro Caixa receitas no montante de R$ 5.876.400,58 no período. A partir desta ação fiscal, constatouse que a empresa auferiu, no ano calendário de 2004, receita bruta total muito superior ao declarado na DSPJ, e os percentuais progressivos aplicáveis às receitas declaradas foram inferiores aos devidos. Sendo assim, foram adequados os percentuais utilizados pelo contribuinte, levandose em consideração a receita bruta efetivamente auferida (escriturada). A ciência ao contribuinte ocorreu em 17/09/2008. A descrição dos fatos está complementada no Relatório da Ação Fiscal de fls. 03/07. Em 14/10/2008 o contribuinte apresenta sua impugnação, alegando: a ) tratase de empresa de pequeno porte, optante pelo Simples no ano da autuação, tendo pleiteado sua inclusão em tal sistema de arrecadação e admitida a sua opção pela Receita Federal, após verificação do cumprimento dos critérios necessários; b ) as atividades da empresa consistem na intermediação entre a pessoa ou a empresa que possui uma carga para ser transportada e entre outra pessoa ou empresa que possui o veículo compatível ao transporte da referida carga. Apenas viabiliza o processamento do transporte: é responsável pela emissão de documentos que possibilitam o trânsito de mercadorias e responsável pela integralidade da carga até a entrega em seu destino; c ) a impossibilidade de ser tributado de modo excessivo, a ponto de ter subtraído a própria fonte geradora da riqueza tributável ( princípio da vedação ao confisco ); Fl. 886DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 887 7 d ) o legislador deve exigir tributos na medida da capacidade econômica de quem é chamado a contribuir ( princípio da capacidade contributiva ); e ) os valores cobrados não condizem com a realidade da empresa, já qué, em todos os anos de suas atividades, sequer chegou a apurar tal valor como receita suscetível de transformarse em riqueza ou patrimônio. Tributar a empresa pelo total em seu caixa, sem considerar a natureza com que se dão tais ingressos, implica que duas pessoas sejam oneradas pela mesma receita: a transportadora e aquele que efetivou o transporte; f ) a maior parte do montante recebido constitui receita de terceiro, qual seja, aquele que possui o veículo capaz de transportar a carga e que efetivamente a transporta, todavia, sob sua responsabilidade; g ) anexa cópia de alguns Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, todos emitidos em seu nome, querendo comprovar que os recolhimentos se basearam na receita que efetivamente pertence à empresa; h ) não condiz com a realidade o argumento trazido pela agente fiscal de que há divergência entre a escrituração dos livros fiscais e os valores apurados para o cálculo do Simples: no Livro de Apuração do ICMS constam todas as entradas no caixa da empresa, porque tais entradas precisam ser analisadas para conclusão a respeito da incidência ou não do ICMS; no Livro de Saídas constam os valores repassados aos terceiros que efetivamente realizaram o transporte e, no Livro Caixa, encontramse as referidas entradas e saídas; e i ) a própria servidora fiscal alegou, quando da assinatura da autuação fiscal, que a empresa deveria ter recolhido seus tributos pelo Lucro real e estava inscrita em sistema de apuração de tributos incorreta, mostrando desta forma a exorbitância dos valores presentes na autuação, extrapolando a realidade. Isto decorre da leitura da letra fria da lei, ao conceituar receita bruta para fins da tributação pelo Simples. Ao final requer seja declarado insubsistente o auto de infração, arquivandoo, para que o ideal da justiça fiscal possa ser alcançada. É o relatório." Do Recurso Voluntário O recorrente apresentou recurso voluntário, reforçando os argumentos utilizados em primeiro grau, alegando que " o conceito de receita bruta é aquela efetivamente percebida pela empresa, e não àquelas que sequer passam pelo seu caixa. E que tal entendimento não for considerado procedente, estarseia tributando duas empresas sobre o mesmo fato gerador, qual seja : "recebimento" de valores a título de pagamento por transporte rodoviário.". O recorrente pleiteou a reforma do Acórdão da 6ª Turma da DRJ/POA, conforme as razões de fato e de direito a seguir expostas: Suporte Jurídico do Simples Fl. 887DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 888 8 1. Receita bruta se constitui do produto da venda de bens e serviços nas operações de contra própria, do preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia. 2. Ou seja, integra para cálculo todos os valores auferíveis como ganhos de capital que entram para a conta do sujeito passivo apontado na norma tributária. Somente aqueles valores que se somem aos já existentes conceito de acréscimo patrimonial poderão representar suporte à aptidão de contribuir. 3. Podese asseverar, então, que é tributável toda aquela parcela de direitos efetivamente acrescidos ao patrimônio do sujeito alvo da lei tributária, deixando exposto, por sua vez, toda a sua capacidade efetiva de ser tributado. Do fato gerador de cálculo dos tributos compreendidos no Simples 4. Receita bruta é todo aquele rendimento auferido pela empresa que pode ser considerado como acréscimo patrimonial, integrado e somado na conta da pessoa jurídica. Por outras palavras, dar possibilidade financeiro econômica de disponibilidade patrimonial. 5. Resta evidente e cristalino, por sua vez, que consoante o já esposado qualquer valor que transite pela conta do contribuinte não integra a base de cálculo no conceito de receita bruta. Da atividade desenvolvida pela empresa 6. Cabe salientar, ainda, para reforçar a tese da empresa, que sua principal atividade é a intermediação de transporte de cargas. Por não possuir frota própria, seu papel é de aproximar a tomadora dos serviços de transporte de cargas com o prestador que detenha veículo compatível com a mercadoria a ser transportada. 7. As cópias dos conhecimentos de transporte e os respectivos recibos de frete dão conta de que a empresa requerente pratica agenciamento de negócios entre as pessoas físicas (transportadores autônomos) e as empresas tomadoras de serviços de transporte de cargas. Fica sob a responsabilidade desse a responsabilidade o pagamento do valor do frete aos transportadores autônomos, reservando somente com a diferença do valor indicado na nota fiscal de serviços. 8. Melhor observando os referidos documentos em anexo e os recibos de frete, identificase claramente que há contratos firmados entre a empresa recorrente e os agenciados motoristas que transportam as cargas não havendo razão, portanto, para a autoridade fazendária desconsiderar a hipótese em comento. 9. Logo, de acordo com todos os documentos juntados ao processo, está comprovada que parcela dos ingressos pertencem a esfera jurídica de outros contribuintes, a título de repasse pelo valor do frete, permanecendo Fl. 888DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 889 9 no patrimônio apenas o valor do agenciamento, descontado o repasse ao frentista. Mister seja afastada a glosa de valores supostamente subtraídos à tributação, apurados em virtude da diferença entre os valores declarados em DSPJ e aqueles constantes nas GIAs, segundo os termos do auto de infração. Da nulidade da autuação 10. O procedimento adotado pela Fazenda Federal viola os preceitos fundamentais de nossa Constituição. Isso porque no mesmo ato da autuação da empresa, excluindoa do SIMPLES, a fiscal da receita já realizou procedimento para apurar eventuais débitos desconsiderando o contraditório e a ampla defesa. 11. O fisco deveria ter adotado o procedimento de, primeiro, apurar valores que pudessem ser incluídos na base de cálculo no conceito de receita bruta e depois de verificado que a empresa tivesse ultrapassado o valor limite para permanecer no SIMPLES, então excluíla e notificála. 12. E sobre o processo de exclusão, ato contínuo, deveria transcorrer toda a fase administrativa neste sentido, cujo objeto de discussão seria o conceito de receita bruta, conforme aqui já debatido, para então saber se efetivamente a empresa ultrapassou o limite fiscal desse regramento diferenciado. 13. Aí sim, em segundo passo, depois de sedimentada e bem resolvida tal discussão, é que se poderia abrir o processo administrativo para apurar eventuais valores de impostos que não compreenderam o enquadramento pelo SIMPLES, e efetivamente autuar com multa e todos os consectários legais. 14. O procedimento adotado foi totalmente diverso, pois, além de excluir a empresa do SIMPLES, de plano, apurou os impostos supostamente devidos. 15. A fiscal da receita, além de considerar subsistente a autuação para excluir o contribuinte do SIMPLES, avançou no sentido de já apurar eventuais valores impagos pelos impostos supostamente não recolhidos, ferindo de forma frontal e direta os preceitos constitucionais de ampla defesa, direito ao contraditório e quiçá a presunção de inocência. 16. Logo, se depreende claramente que, mesmo se fosse procedente a exclusão do SIMPLES, primeiramente, deveria ter havido procedimento administrativo no sentido de excluir a empresa do regime diferenciado para, só então, apurar eventuais débitos. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 890 10 Do Pedido O recorrente em seu pedido, requer que seja acolhido o recurso voluntário para reconhecer a nulidade do auto de infração e, por conseqüência, seja a empresa devolvida ao status quo ante para voltar a integrar o SIMPLES; bem como que seja extinto o débito fiscal lançado de ofício. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 891 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminares Da nulidade do auto de infração O recorrente argumenta que o procedimento adotado pela .Fazenda Federal viola os preceitos fundamentais de nossa Constituição. Isso porque no mesmo ato da autuação da empresa, excluindoa do SIMPLES, a fiscal da receita já realizou procedimento para apurar eventuais débitos desconsiderando o contraditório e a ampla defesa. Notase que os procedimentos não se deram na ordem alegada pela recorrente, primeiro foi apurado a omissão de receitas, em ato contínuo procedeuse à exclusão do SIMPLES. Verificase corretos os procedimentos efetuados pelas Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento de tributos sob o regime de apuração do SIMPLES e a conseqüente exclusão da recorrente desse regime, conforme consta na decisão da Instância a quo: "Registrado pelo órgão fazendário a existência de causa ensejadora de vedação à opção da empresa pelo Simples, correto procedimento de excluílo a partir do exercício seguinte ao da constatação dessa ocorrência e autuálo na condição de optante, para o anocalendário de 2004. De acordo com o art. 16 da lei n° 9.317/1996, a empresa sujeitarseá às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, somente a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão." Conforme relatado, a manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório (fls. 779/798), cujo objeto é exclusivamente a discussão acerca da exclusão da SIMPLES, constava do processo n° 11040.001397/200862 que foi apensado aos presentes autos, haja vista a identidade de provas entre ambos, conforme orienta a Portaria SRF n° 6.129/2005. Ao contrário do alegado pelo recorrente não faz parte do presente auto de infração a apuração de tributos que não compreenderam o enquadramento do SIMPLES. Mesmo que esses tributos tivessem sido lançados, da mesma forma poderiam fazer parte de um mesmo processo, considerando a identidade de provas entre eles, conforme disposto no §1º do Art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, transcrito a seguir. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou Fl. 891DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 892 12 penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Ressaltase que o recorrente teve oportunidade pudesse se defender tanto do lançamento efetuado no regime do SIMPLES quanto da sua exclusão desse regime, que dependiam dos mesmos elementos de provas. Portanto não houve violação ao contraditório e a ampla defesa. Mérito A fiscalização constatou omissão de receita, apurada pelas diferenças entre os valores das receitas registradas nos Livros de Registro de Saída e Apuração do ICMS e valores informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES (anocalendário de 2004) . Verificouse que as receitas escrituradas pela empresa são superiores àquelas informadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) retificadora, referente ao anocalendário 2004. A omissão foi tributada segundo o regime adotado pela recorrente no ano calendário de 2004 (SIMPLES). A recorrente contesta o montante considerado como receita bruta na apuração dos tributos e contribuições, sustentando sua atividade principal é a intermediação de transportes de cargas, contratando com clientes fretes a serem executados por motoristas autônomos. Alega que as provas decorrem dos conhecimentos de transportes e os respectivos recibos de frete juntados aos autos. Sustenta que poderiam ser deduzidos daquela receita os valores repassados aos caminhoneiros autônomos. Todavia, em que pesa a alegação da recorrente, depreendese dos autos que o serviço prestado não é de mera intermediação ou agenciamento de cargas, que seria remunerado através de comissões, mas de transporte de cargas, com remuneração integral pelo transporte. Considerandose que a recorrente presta serviços de transportes de cargas a terceiros, por sua conta e risco, sendo remunerada pelos serviços efetivamente prestados, a apuração de sua receita bruta deve obedecer às normas relativas a cada forma de tributação adotada. O conceito de receita bruta utilizado na sistemática de tributação do SIMPLES é previsto no § 2º do art. 2º da Lei nº 9.317/96, que o considera como sendo “o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços Fl. 892DF CARF MF Processo nº 17698.001108/200887 Acórdão n.º 1402002.974 S1C4T2 Fl. 893 13 prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos”. Portanto não há amparo legal para a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados, quando os serviços de transporte de cargas são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 893DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913817/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.520, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 31/10/2005, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 7/ 20 12 -3 3 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913817/201233 Resolução nº 1302000.561 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913817/201233 Resolução nº 1302000.561 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.913817/201233 Resolução nº 1302000.561 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724670/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos aos processos nº 15504.724669/2011-58 e 15504.724671/2011-27.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos aos processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 377/389) apresentado em face do Acórdão nº 0249.997, da 8ª Turma da DRJ/BHE (fls. 365/372), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo (fls. 310/325) aos autos de infração pelos quais são exigidas contribuições para outras entidades e fundos FNDE e INCRA (Debcad 37.322.3137 fls. 3/45) e multa pelo descumprimento de obrigação acessória (Debcad 37.322.3153 fls. 46/48). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 24 67 0/ 20 11 -8 2 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 428 2 Segundo o relatório preparado pela autoridade fiscal (fls. 49/73), o lançamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos se justificaria em face do pagamento, na competência 03/2007, de valores a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR em desacordo com a legislação de regência, uma vez que o instrumento de negociação conteria a previsão de pagamento mínimo, independentemente do atingimento de qualquer resultado ou meta. Já a constituição do crédito tributário relativo ao descumprimento de obrigações acessórias foi assim justificado pela autoridade lançadora (fl. 55): 34. A empresa deixou de registrar no campo “Remuneração sem 13º salário” da GFIP, nas competências de 03/2007 e 08/2007, os seguintes dados da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, que resultaram em declaração a menor do valor devido correspondente ás contribuições para a Previdência Social: • Pagamentos feitos a empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica ( Lei 10.101/2000) (Levantamento PL) • Pagamento de Participação nos Lucros para diretores não empregados – (Levantamento PD) • Pagamento de Previdência Privada para os diretores da empresa – (Levantamento PR e PR1) • Pagamento de verbas remuneratórias em Processos Trabalhistas movidos contra a auditada (Levantamento RT e RT1) A impugnação ao lançamento deu origem ao Acórdão nº 0249.997, da 8ª Turma da DRJ/BHE, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária, apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com os processos principais os processos vinculados por conexão. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 429 3 A contribuinte tomou ciência dessa decisão em 15/11/2013 (fls. 376) e apresentou, tempestivamente, em 29/11/2013, o recurso voluntário (fls. 377/389). Em suas razões de recorrer, a empresa alega, em síntese, que: 1. O lançamento do crédito principal é improcedente, uma vez que os pagamentos de PLR foram feitos de acordo com a Lei nº 10.101, de 2000, na qual "a existência de um programa de metas e resultados não é condição sine qua non para que a verba seja desvinculada da remuneração". 2. Não houve descumprimento de obrigações acessórias, já que as parcelas consideradas pela autoridade fiscal como geradoras dessa obrigação não compõem o salário decontribuição dos respectivos beneficiados. 3. A legitimidade da pretensão fiscal está sendo discutida no âmbito dos processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127, cujo julgamento favorável à recorrente pode tornar indevida a penalidade aqui exigida. Nesse caso, seria essencial que este Conselho determinasse o sobrestamento do presente processo ou que o julgue em conjunto com aqueles. 4. Mantido o crédito tributário, a multa aplicada deve ser revista em atenção ao princípio da retroatividade benigna. Com base no exposto, formula os pedidos que são textualmente transcritos abaixo: (a) seja declarada a improcedência do lançamento fiscal, cancelandose o DEBCAD nº 37.322.3137, que exige contribuições destinadas a outras entidades e fundos (salárioeducação e INCRA) sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados aos seus empregados; (b) seja determinado o sobrestamento do DEBCAD nº 37.322.3153, que exige multa isolada pela suposta apresentação de GFIP's com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ou, subsidiariamente, seja efetuado o seu julgamento em conjunto com os PTA's nº 15504.724.669/201158 e nº 15504.724.671/2011 27. (c) subsidiariamente, se restar mantido o crédito tributário principal, o que se admite para argumentar, seja revista a penalidade imposta neste auto de infração, para que seja aplicada a multa mais beneficia (em atenção ao princípio da retroatividade benigna), prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Chegando a este Conselho, o processo em análise compôs lote sorteado a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 429DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 430 4 O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Em sede preliminar, deve ser analisada a alegação da recorrente quanto à necessidade de julgamento conjunto com os processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127. O processo em análise está composto por dois autos de infração: o Debcad nº 37.322.3137, relativo a contribuições para outras entidades e fundos FNDE e INCRA, que tem por base de cálculo os valores pagos a título de PLR no mês de março de 2007; e o Debcad nº 37.322.3153, pelo qual se exige multa pelo descumprimento de obrigação acessória em função da declaração a menor do valor devido a título de contribuição à previdência social. A declaração a menor da contribuição previdenciária decorreria da não inclusão, em sua base de cálculo, os seguintes pagamentos: 1. Aos empregados a título de PLR; 2. PLR para diretores não empregados; 3. Previdência Privada a diretores não empregados 4. Verbas remuneratórias em processos trabalhistas. Ocorre que a incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre esses pagamentos está sendo discutida no âmbito dos processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127. Neste caso, a decisão desses processos constitui matéria prejudicial à análise deste: ...as questões prejudiciais são aquelas que, além de constituírem premissas lógicas da sentença, reúnem condições suficientes para ser objeto de ação autônoma. (...) Por uma questão de lógica, havendo suspensão entre dois processos em razão de prejudicialidade externa, é natural que seja suspenso processo prejudicado à espera do julgamento do processo prejudicial. Havendo tal espécie de prejudicialidade, suspendese o processo no qual a relação jurídica controvertida é discutida incidentalmente enquanto o processo no qual a mesma relação jurídica é discutida de forma principal não é decidido. (Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil. Salvador: ed. JusPodivm, 2017, p. 574/575). Do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, extraise o seguinte artigo: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato Fl. 430DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 431 5 idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Em análise ao sistema eprocesso, vêse que os processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127 encontramse na unidade de origem em virtude de pedido de desistência parcial do recurso para adesão à parcelamento especial. Verificandose o histórico de sua movimentação, constatase que nenhum deles chegou a ser distribuído, o que caracteriza a prevenção desta Conselheira. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 15504.724670/201182 Resolução nº 2201000.304 S2C2T1 Fl. 432 6 Conclusão Pelas razões expostas, proponho que o julgamento deste processo seja convertido em diligência para que a unidade preparadora efetue sua vinculação aos processos nº 15504.724669/201158 e 15504.724671/201127. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000193/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2008
ATO DE EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. LOCAÇÃO MÃO-DE-OBRA. CABIMENTO
Deverá haver a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mão-de-obra.
Deverá haver a exclusão do Simples Federal, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mão-de-obra, com efeitos a partir do exercício da atividade impeditiva.
Numero da decisão: 1301-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2008 ATO DE EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. LOCAÇÃO MÃO-DE-OBRA. CABIMENTO Deverá haver a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mão-de-obra. Deverá haver a exclusão do Simples Federal, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mão-de-obra, com efeitos a partir do exercício da atividade impeditiva.
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ATIVIDADE VEDADA Recorrente CLEMENTE GALON EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2008 ATO DE EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. LOCAÇÃO MÃODEOBRA. CABIMENTO Deverá haver a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra. Deverá haver a exclusão do Simples Federal, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra, com efeitos a partir do exercício da atividade impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 01 93 /2 00 9- 81 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 175 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0127.573, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 67/84) protocolizada em 17/07/2009, contra Exclusão do Simples Nacional – ADE n.° 020, de 08 de abril de 2009, que retificou o Ato Declaratório n.° 014, de 23 de março de 2009, e contra Exclusão do Simples Federal Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n.° 013, de 23 de março de 2009. 2. A exclusão deuse em face ao disposto nos artigos 9o , inciso XII, “f”, e art. 16 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, observadas as alterações posteriores, em razão da constatação do exercício de atividade vedada (locação de mãodeobra) e de acordo com o disciplinamento constante do art. 17, XII, da Lei Complementar 123/2006, em razão da constatação do exercício de atividade vedada (locação de mãodeobra). 3. Segundo Representação Administrativa (fls. 01/08) para exclusão do Simples, a locação de mão de obra ficou caracterizada devido ao contrato de prestação de serviços com a empresa STARKFEST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DO VESTUÁRIO LTDA CNPJ n° 73.650.939/00017 e aos fatos de qualificam a subordinação dos empregados da contratada aos ditames da contratante: “(...) A empresa acima referenciada legalmente constituída, estabelecida à Rua Aracaju, 113, Centro, em Pinhalzinho/SC, tem como atividades econômicas principal e secundária, descritas na Declaração de Firma Mercantil Individual: "indústria de confecções em geral" e "prestação de serviço de facção", respectivamente. A empresa exerce, de fato, a atividade de "prestação de serviços". Optou pelo SIMPLES FEDERAL em 17/03/1997 e excluído em 30/06/2007. Incluído no SIMPLES NACIONAL em 01/07/2007. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 176 3 (...) 2) Em procedimento fiscal na empresa CLEMENTE GALON MPF n° 0920300.2008.00633 foram constatados como seguem: O prédio onde está localizado a Empresa é de propriedade da empresa STARKFEST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DO VESTUÁRIO LTDA CNPJ n° 73.650.939/000175. O endereço social da empresa Clemente Galón é Rua Aracaju, mesmo endereço da Starkfest, com numeração diferenciada, pois tratase de prédios separados, mas dentro do mesmo lote urbano n° 01, da quadra n° A6, conforme podemos certificar através da Certidão juntada à fls. 17 a 20 e da fotografia constante à fls. 37. Ficou comprovado por esta fiscalização e demonstrado nas fotografias, constantes à fls. 38, que somente a empresa STARKFEST possui placa de identificação da empresa situada na parte interna do prédio. As empresas CLEMENTE GALON e STARKFEST IND. E COM. DO VESTUÁRIO LTDA apresentam todos os seus funcionários, inclusive sóciosgerentes, trabalhando no mesmo local, ou seja, no mesmo endereço da STARKFEST. Podemos verificar através da foto juntada à fls. 39 a existência de uma rampa de ligação entre as empresas, o que demonstra que essas empresas se fundem num só estabelecimento. O Sr. ANECLETO GALON efetuou um "CONTRATO DE COMODATO'' em 02/07/1999, cópia anexo às fls 13 e 14, no qual dá em comodato à empresa CLEMENTE GALON, um barracão industrial, em alvenaria, com área aproximada de 240,00 m2, localizado no mesmo lote da quadra onde se localiza a empresa STARKFEST. (vide fotografia fls. 37); Consultando o sistema informatizado da Receita Federal Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral (cópias anexas às fls. 11 e 12), constatamos que a descrição das atividades econômicas, principal e secundária, de ambas as empresas (CLEMENTE GALON e STARKFEST) é a mesma: "Confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida" e "facção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas", respectivamente. O controle de ponto das duas empresas (CLEMENTE GALON e STARKFEST) é realizado por meio eletrônico, através da impressão digital. Esse equipamento que controla a entrada e saída dos empregados encontrase próximo à entrada do prédio onde funciona a empresa CLEMENTE GALON, (ver fotografias às fls. 40). Constatamos através dos documentos apresentados que, nas notas fiscais e faturas (cópias anexas, por amostragem, às fls. 22 a 36), houve prestação reiterada de serviços exclusivamente para a empresa STARKFEST IND. E COM. DO VESTUÁRIO LTDA. As notas fiscais em questão se referem a prestação de serviços conforme estabelecido em contrato; Assim, solicitouse a Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 177 4 apresentação do contrato de prestação de serviços estabelecido entre a empresa tomadora (STARKFEST) e a prestadora (CLEMENTE GALON), o qual foi anexado por cópia ao processo, às fls. 15 e 16. Essa prática evidencia que se trata apenas de uma situação de "burla" à Lei do SIMPLES, prejudicando sobremodo os cofres da Previdência Social, além das Terceiras Entidades vinculadas às atividades do comércio. Conforme Contrato de Prestação de Serviço (cópia às fls. 15 e 16) todo o material utilizado para confecção das peças, tais como: modelagem, tecido, etc..será fornecido pela contratante STARKFEST. Bem como as despesas de água, energia elétrica e telefone serão suportadas pela STARKFEST. Ressaltamos que não há lançamentos contábeis na empresa CLEMENTE GALON, referentes às despesas básicas e indispensáveis, como por exemplo: material de limpeza, material de higiene, tesouras, agulhas, linhas, papéis, canetas, arquivos, etc... Curioso é que a empresa Clemente Galon possui contabilizado um computador e uma impressora e não existem registros contábeis de aquisição de papéis, cartuchos para impressora e outros materiais inerentes ao funcionamento desses equipamentos. Ressaltamos também que o mesmo escritório contábil presta serviço para as duas empresas: CLEMENTE GALON e STARKFEST, sendo que a empresa CLEMENTE GALON não registra despesas com pagamentos de honorários contábeis. Dessa forma, podemos afirmar que as despesas registradas na contabilidade da empresa CLEMENTE GALON são basicamente os salários, encargos, impostos e despesas bancárias, não havendo registros contábeis das demais despesas operacionais. É relevante mencionar que as receitas auferidas pela empresa CLEMENTE GALON são resultantes exclusivamente da prestação de serviço à empresa STARKFEST. Observamos, conforme leitura ao Contrato de Comodato, constante às fls. 13 e 14, que na cláusula 4a ficou estabelecido que: "A COMODATÁRIA é obrigada a conservar, como se seu fosse o imóvel cedido a título de empréstimo gratuito, devendo ressarcir o COMODANTE pelos danos que causar". No entanto, em todo período fiscalizado (01/01/2004 a 31/12/2007) não encontramos nenhuma despesa referente à manutenção do imóvel. Verificamos também que esse contrato de comodato é apenas do imóvel e analisando os lançamentos contábeis verificamos que a empresa CLEMENTE GALON possui em seu Ativo Imobilizado Conta n° 1.3.2.01.01.003 Máquinas e Equipamentos, o seguinte: 02 (duas) unidades automáticas para costurar tecidos, uma máquina para costurar debrum e uma máquina de cortar tecido, máquinas essenciais para o desenvolvimento da atividade fim da Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 178 5 empresa. O que nos causa estranheza é que a empresa possui em média 90 empregados e apenas quatro instrumentos de trabalho. Isso nos leva a crer que as demais máquinas e equipamento são fornecidos pela empresa STARKFEST Verificamos através das demonstrações contábeis que a empresa CLEMENTE GALON não contabilizou as despesas provenientes da manutenção de máquinas e equipamentos, para os exercícios de 2004 a 2006. Observamos que a empresa contabilizou no exercício de 2007 apenas duas notas fiscais, no montante de R$ 686,00. Constatamos que a empresa CLEMENTE GALON, no período verificado por esta fiscalização (01/01/2004 a 31/12/2007), não efetuou distribuição de lucro e tampouco há pagamento de pró labore ao dirigente. Salientamos que a empresa apurou um prejuízo acumulado em 31/12/2007, de R$ 209.669,28. Analisando os registros contáveis verificamos que o capital social integralizado da empresa é de R$ 90.000,00, resultando dessa forma um Passivo a descoberto de R$ 119.669,28; Entre os empregados que compõem ou compuseram a folha de pagamento da empresa CLEMENTE GAOLN os seguintes empregados também fizeram parte dos quadros da empresa STARKFEST . Conforme demonstrativo abaixo, os empregados deixavam os quadros da empresa STTARKFEST e eram imediatamente admitidos, na mesma função, na empresa CLEMENTE GALON: (...) Ao se cotejar as relações de cargos e funções das empresas verificamos que os empregados da empresa CLEMENTE GALON e STARKFEST exercem diversas funções ligadas à atividadefim da "empresa contratante" (STARKFEST). A título de exemplo podemos citar as funções de supervisor, confecções de roupas, costureiras, operador de máquinas de bordado e escriturários. Outro fato que nos causa estranheza é que a empresa STARKFEST atualmente não possui empregados na área administrativa. Os empregados que executam essa tarefa (parte administrativa) são registrados na empresa CLEMENTE GALON. Enfim, a empresa STARKFEST (empresa não optante do SIMPLES) possui número reduzido de empregados, que citamos como exemplo o mês de competência 12/2007, apenas 05 empregados, enquanto que a empresa CLEMENTE GALON, nesse mesmo mês possui 93 empregados. 2.16 A empresa é "Firma Individual" em nome do Sr. CLEMENTE GALON, irmão do Sr. Anecleto Galon, sócio majoritário da empresa STARKFEST. 2.17 Salientamos que a empresa CLEMENTE GALON nomeou e constituiu sua Procuradora, conferindo plenos poderes a Srta. FRANDRIÉLI GALON, filha do Sr. Anecleto Galon, conforme Procuração registrada na folha n° 139 do Livro n° 05 do Tabelionato Rui Rolim de Moura, em Águas Frias/SC (cópia à Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 179 6 fls. 21 e verso), "para o fim especial de gerenciar a empresa outorgante, podendo para tanto: pagar e receber contas, promover cobranças amigáveis e judiciais, assinar recibos e quitações, movimentar contas bancárias em quaisquer estabelecimentos de crédito, emitir e endossar cheques, depositar e retirar quaisquer quantias, verificar saldos bancários , requerer talonários, abrir e encerrar contas bancárias, endossar e assinar duplicatas e descontálas; endossar cédulas de crédito comercial, duplicatas mercantis, e de prestação de serviço, letras de câmbio e quaisquer outros títulos de crédito, inclusive na forma de contratos, autorizar a emissão de ordens de pagamento, transferências interbancárias de recursos, assinar correspondências, requerimentos e outros papéis decorrentes da atividade de gestão que envolvem a função sóciogerente, admitir e despedir empregados, representar a empresa em quaisquer repartições públicas federais, estaduais, municipais e autarquias, e bem perante o Instituto Nacional de Previdência Social, Receita Federal, Empresa Brasileira e Correios e Telégrafos, inclusive perante as empresa concessionárias de serviços públicos em geral; representála em juízo, instâncias ou tribunal, inclusive Justiça do Trabalho; constituir procuradores com poderes para o foro em geral inclusive os da cláusula ad e extrajudicia, propor e variar de ações, acordar, transigir, recorrer, interpor recursos, e ainda, para requerer falências, conceder ou embargar concordatas, fazer declarações de crédito, desistir, firmar compromisso e praticar enfim tudo o mais que preciso for, mesmo aqui omitido, para o bom, fiel e integral desempenho do presente mandato (grifamos)." Como depreendemos da leitura dos poderes conferidos à outorgada, a efetiva administração da empresa CLEMENTE GALÓN era e é exercida pela Srta Franciéli Galon, filha do Sr. Anecleto Galon, sóciogerente da empresa STARKFEST. 2.18 É importante destacar ainda, que mesmo se não houvesse esses vínculos familiares entre os sócios das empresas, e a "estranha" coincidência no endereço de ambas as empresas, a empresa CLEMENTE GALON desde o início de sua prestação de serviços exclusiva à empresa STARKFEST, conforme constatou esta fiscalização, estaria de pronto executando atividade vedada pelo artigo 9o, XII, alínea "f” da Lei n° 9.317/96 (LEI DO SIMPLES) e art. 17, inciso XII da Lei Complementar n° 123/2006, pois é nítida que a prestação dos serviços é dada por locação de mãodeobra, a medida que todo o potencial de mãodeobra está à disposição da contratante (STARKFEST), e em suas dependências físicas. 3) Deste modo, resta evidente a intenção da empresa não optante pelo SIMPLES de EVADIRSE de suas obrigações previdenciárias ao constituir uma empresa optante pelo SIMPLES, simulando a existência desta, ou seja, SIMULAR significa aparentar algo que não existe. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 180 7 Esta prática se utiliza dos artifícios que emprestam às simuladas empresas características aparentemente legais, o que permite gozar do tratamento tributário especial estabelecido pela Lei n. 9317/96, de 05/12/1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES e da Lei Complementar n° 123/2006, exonerandoas das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários cota patronal. A Constituição Federal prevê o tratamento tributário especial apenas às micro e pequenas empresas. Este tratamento não alcança aquelas empresas que se utilizam de artifícios ilícitos para alcançar suas benesses 4) A atividade desenvolvida pelo sujeito passivo (CLEMENTE GALON) praticante dos fatos ora representados, em relação à tomadora de serviços TARKFEST IND. E COM. DO VESTUÁRIO LTDA, caracteriza cessão de mãodeobra, nos termos do § 3.° do art. 31 da Lei 8.212/1991, in verbis: "§ 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação." De fato, são prestados serviços contínuos, há colocação de segurados à disposição da empresa tomadora de serviços e tal prestação se dá nas dependências da contratante. 5) Dispõe a Lei 9.317/96: "Art. 9 ° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (...) que realize operações relativas a(...) f) prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra". Do mesmo modo dispõe a Lei Complementar n° 123/2006: "Art. 17 Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; 6) Diante do exposto e evidências podemos reforçar o pedido de exclusão do SIMPLES também pela "constituição de empresa por interposição de pessoas", como dispõe a legislação a seguir: Lei n° 9:317/1996, art. 14, inciso IV: "constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou titular, no caso de firma individuar Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 181 8 Lei Complementar n° 123/2006, art. 29, inciso IV: "a sua constituição por interpostas pessoas" Segundo o "Aurélio", interpostas, são aquelas que, sem ter o legítimo interesse, aparecem em um ato jurídico como parte, a fim de ocultar o verdadeiro interessado, que por motivos quase sempre ilícitos, não quer aparecer. Pelo exposto acima, a empresa tratada na presente representação pratica, pois, atividade vedada à opção pelo SIMPLES. De acordo com a Lei 9.317/199&~a pessoa jurídica que praticar atividade vedada à opção pelo SIMPLES deverá solicitar sua exclusão do Sistema; caso não o faça, deverá ser excluída de ofício, conforme segue: "Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) § 1º A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral.(...) § 3º No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: (...) b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2o do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...)" 9) Dispõe também a Lei Complementar n° 123/2006: "Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 182 9 II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; 10) Diante do exposto, requer o acolhimento desta representação.” 4. O contribuinte, cientificado em 22/06/2009 (fl. 65), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 67/84) protocolizada em 17/07/2009, através da qual vem alegar, em resumo, que: “ (...) O contribuinte em tela, quando do seu registro como firma mercantil individual, na data de 25/02/1997 Registro junto a JUCESC sob n. 42102704478 de 17/03/1997 se encontrava em determinada situação e local. O desenvolvimento da atividade iniciouse no endereço situado na Rua João Pessoa, s/n, Edif. Rogério Rolim de Moura, Bairro Centro, na cidade de Pinhalzinho, Santa Catarina. No seu objeto social, quando do seu registro como Firma Mercantil Individual, já prestava serviço de facção e industria de confecção em geral, não alterando até a presente data. Ocorre que com o passar do tempo, começou prestar serviço de facção, ou seja, prestação de serviço de costura industrial por encomenda. Como o local onde desenvolvia a atividade era locado e já prestava serviço para a empresa Starkfest, surgiu a oportunidade de não pagar mais locação e ampliar a sua atividade econômica. Assim, foi feito um contrato de comodato com um barracão de 240 m2 da empresa Starkfest, que é separado do barracão da sede da empresa Starkfest, tem acesso pra rua, alvará de localização, tudo regularizado, veja que se fosse pagar o aluguel e as demais despesas, se deveria embutir no custo e transferilo no valor da prestação de serviço. Por um lado a empresa recebe o valor da locação e por outro, paga o aluguel e as despesas embutido na prestação do serviço. No tocante ao imobilizado, a autoridade fiscal não empreendeu todas as diligências que lhe cabia. Bastava verificar in loco os equipamentos que existiam no barracão sede que existiam mais equipamentos do que os encontrados na contabilidade. Estes equipamentos, também foram cedidos na forma de comodato, conforme se extrai da cópia dos contratos em anexo. 0 que ocorreu de fato, é que logo após a transferência da firma mercantil para o endereço atual, o titular e empresário Clemente Galon, começou a ter problemas de saúde e não pode continuar a frente do seu negócio, outorgando procuração. O titular começou Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 183 10 a ter problemas relacionados com o sistema cardíaco, efetuou tratamento por um longo período, culminando com intervenção cirúrgica na data de 22 de abril de 2009, conforme pode ser demonstrado com cópia do atestado em anexo. Certo é, que em face desta ausência, os negócios não andaram como deveria, mas sempre honrou com os compromissos, basta se verificar que não há nenhum titulo protestado, débito tributário pendente ou ação de cobrança ou execução em andamento. Desta forma, necessário se fazia a nomeação de um procurador para a administração do negócio, perfeitamente adequado ao ordenamento jurídico vigente. Ocorre, que por uma interpretação pura e simples do ponto de vista formal da ordem tributária, destoada em relação às demais circunstâncias, se interpreta que o fato do Senhor Clemente Galon ser irmão do sóciogerente da empresa Starkfest e a Senhora Franciele Bugnotto ser filha do sóciogerente da Starkfest, tudo é uma única coisa. Ocorre, que se considera locação de mãodeobra, quando uma empresa locadora coloca seus empregados à disposição da locatária para executar trabalhos temporários, em local por esta determinado. No caso concreto, não há por parte da empresa Starkfest uma determinação do local onde os funcionários devam prestar o serviço, assim não está caracterizado a locação de mão deobra . O imóvel onde o contribuinte está localizado é de propriedade da empresa Starkfest, que o cedeu ao Contribuinte sob o regime de comodato, mas esta não possui nenhuma gerência no imóvel e sobre os seus funcionários. Não se caracterizando locação de mãodeobra, não merecendo prosperar o Auto de infração. No tocante a cessão de mãodeobra, as normas específicas a respeito dessa matéria foram disciplinadas pela Ordem de Serviço INSS/DAF N° 209, de 20/05/1999. O Regulamento da Previdência Social define cessão de mãodeobra como sendo a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019/74. Enquadramse como serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: limpeza, conservação e zeladoria; vigilância e segurança; construção civil; serviços rurais; digitação e preparação de dados para processamento; acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; cobrança; Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 184 11 coleta e reciclagem de lixo e resíduos; copa e hotelaria; corte e ligação de serviços públicos; distribuição; treinamento e ensino; entrega de contas e documentos; ligação e leitura de medidores; manutenção de instalações, de máquinas e equipamentos; montagem; operação de máquinas, equipamentos e veículos; operação de pedágios e terminais de transporte; operação de transporte de cargas e passageiros; portaria, recepção e ascensorista; recepção, triagem e movimentação de materiais; promoção de vendas e eventos; secretaria e expediente; saúde; e telefonia, inclusive telemarketing. Em nenhum destes trabalhos, está incluído a costura industrial por encomenda, e também não ficou caracterizado, que a empresa Starkfest comandava os funcionários do contribuinte. O STJ vem entendendo, que não se configura a cessão de mão deobra se ausentes os requisitos de colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao poder de comando deste (art. 31, § 3°, da Lei 8.212/91). Precedente: EDcl no AgRg no REsp 584.890, Relator Ministro Luiz Fux, Ia Turma, D.J. de 28". 02.2005. O § 4º do art. 31 da Lei 8.212/91, dispõe que se enquadram na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 3 de janeiro de 1974. No regulamento Decreto 3.048/99, através da redação do parágrafo 2 ° do art. 219, em nada inovou em termos de inclusão de outras atividades, senão vejamos: "Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 185 12 VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing". Desta forma, consideramse cessão de mãodeobra, somente estas atividades para efeito tributário. O STJ vem firmando entendimento, que apesar do rol de atividades elencadas no art. 31, § 4 °, da Lei n° 8.212/91 (alterada pela Lei n° 9.711/98) não ser taxativo, a inclusão de novos serviços como cessão de mãodeobra somente pode darse por lei ou ato normativo interno do poder público (REsp 587577/RS, Francisco Falcão, DJ de 17.12.2004) . Desta forma, tanto pela concepção de locação de mãodeobra, como pela cessão de mãodeobra, não pode prosperar os respectivos Atos declaratórios, pois em ambas as situações, não se configura a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional. (...) Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 186 13 Não há em toda a fundamentação que sustenta a locação de mão deobra, desde quando o contribuinte teria infringido a legislação do Simples. A única referência que encontramos, referese ao inciso II, do § Io do art. 24 da IN SRF n. 608/06 e com base nisso, afirma que a exclusão deve reportarse a 01/01/2002. Como afirma a autoridade fiscal, o contribuinte estava enquadrado no Simples Federal desde 17/03/1997. Portanto, o contribuinte no período de 17/03/1997 a 31/12/2001 estava enquadrado no Simples Federal. O Inciso I, do Art. 14 da lei. 9317/96, dispõe que a exclusão dar seá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das hipóteses de exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2 ° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; A letra "a" do inciso II do Art. 13, dispõe que a exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá obrigatoriamente, quando incorrer em qualquer das situações excludente constantes do art. 9°. Como se extrai da representação Safiz 002/2009, o motivo do desenquadramento é exercer atividade de locação de mãodeobra, que é impeditiva no enquadramento no Simples. No objeto social da declaração de empresário, não consta à prestação de serviço mediante locação de mãodeobra como atividade a ser implementada pelo contribuinte, assim deveria a autoridade fiscal detalhar desde quando o contribuinte exerce essa atividade. O inciso II do artigo 15 da Lei 9.317/96, dispõe que o efeito do desenquadramento seria a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9º. Caso venha se configurar a locação de mãodeobra, como não está descrito quanto o contribuinte incorreu na situação excludente, o efeito deve ser considerado a partir do ato declaratório, não podendo retroagir, pois não há nenhuma referência no tocante desde quando o contribuinte começou desenvolver atividade vedada pelo Simples Federal e Nacional. 3. No relatório, item 19, foi mencionado que configurouse evidente intuito de fraude, afastandose a aplicação do disposto no § 4° do art. 15 do CTN, e levandose a contagem do prazo decadencial para efetivação do lançamento e ofício para o disposto no inciso I do art. 173 do CTN. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, para fins de afastamento do art. 150, § 4º do CTN na contagem do prazo decadencial. E a RFFP, por sua vez, é comunicação de ocorrência em tese de crime contra a ordem tributária para encaminhamento ao Ministério Público, que muitas vezes irá argüir o dolo elementar na conduta. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 187 14 Dessa forma, se a autoridade lançadora utilizou o art. 173, I, do CTN, para fins de decadência, sob a justificativa de evidente intuito de fraude, haveria de estar demonstrada nos autos as circunstâncias que conduziram a essa conclusão. (...) No presente caso, como o lançamento foi realizado em 17/06/2009 e abrange o período de 01/2004 a 10/2008, temse que as competências anteriores a julho de 2004 são decadentes por qualquer um dos dispositivos do CTN que tratam da matéria. Assim, conforme o entendimento manifestado no parecer PGFN/CAT N° 1617/2008 acima, por ter havido antecipação de pagamento conforme documentos em anexo, a elas se aplicam a regra contida no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, como o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 17/06/2009, as contribuições devidas e não recolhidas, referentes às competências anteriores a junho/204, encontramse decadentes, sendo dever de ofício da autoridade administrativa reconhecer esse fato e excluir essas competências deste lançamento.” Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, pela 2ª Turma da DRJ/BEL, com o seguinte ementário: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 EMENTA Deverá haver a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra. Deverá haver a exclusão do Simples Federal, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação, como o exercício da atividade vedada de locação de mãodeobra, com efeitos a partir do exercício da atividade impeditiva. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Após intimada (efls. 128), empresa autuada apresenta, tempestivamente, seu respectivo Recurso Voluntário, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 188 15 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Como relatado, através do Ato Declaratório nº 013, de 23 de março de 2009, e do Ato Declaratório nº 020, de 8 de abril de 2009 (que retificou o Ato Declaratório nº 014, de 23 de março de 2009), a recorrente foi excluída do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, por configurarse a situação impeditiva prevista nos artigos 9º , inciso XII, “f”, e art. 16 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, observadas as alterações posteriores, em razão da constatação do exercício de atividade vedada (locação de mãodeobra) e de acordo com o disciplinamento constante do art. 17, XII, da Lei Complementar 123/2006, em razão da constatação do exercício de atividade vedada (locação de mãodeobra). Segundo a acusação fiscal, a locação de mãodeobra ficou caracterizada devido ao contrato de prestação de serviços com a empresa STARKFEST (optante pelo lucro presumido) e aos fatos que qualificam a subordinação dos empregados da recorrente (optante pelo SIMPLES) aos ditames da STARKFEST. De acordo com a fiscalização, através dos documentos coletados (notas fiscais e faturas fls. 22 a 36), ficou constatado que houve prestação reiterada de serviços exclusivamente para a empresa STARKFEST, sendo que as notas fiscais em questão se referem a prestação de serviços, conforme estabelecido em contrato. Da análise deste Contrato de Prestação de Serviços (fls. 15 a 16), assinado em 07/07/1999, todo o material utilizado para confecção das peças, tais como: modelagem, tecido, etc., seria fornecido pela contratante STARKFEST, bem como as despesas de água, energia elétrica e telefone também seriam suportadas pela STARKFEST. Constatouse ainda que não havia lançamentos contábeis na empresa CLEMENTE GALON, referentes às despesas básicas e indispensáveis, como por exemplo: material de limpeza, material de higiene, tesouras, agulhas, linhas, papéis, canetas, arquivos, etc., como também o mesmo escritório contábil prestava serviços para as duas empresas: CLEMENTE GALON e STARKFEST, sendo que a empresa GALON não registrava despesas com pagamentos de honorários contábeis. Observase ainda, da leitura de um Contrato de Comodato (fls. 13 a 14), também assinado entre as partes, em especial na cláusula 4ª, estabeleceuse que a recorrente seria obrigada a conservar, como se fosse seu o imóvel cedido a título de empréstimo gratuito, porém em todo período fiscalizado (01/01/2004 a 31/12/2007), não foi encontrado nenhuma despesas referente à manutenção do imóvel. Assim, de uma forma geral, as despesas registradas na contabilidade da recorrente eram basicamente os salários, encargos, impostos e despesas bancárias, não havendo registros contábeis das demais despesas operacionais. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 189 16 No que diz respeito às receitas auferidas pela CLEMENTE GALON, verificouse que eram resultantes exclusivamente da prestação de serviços à empresa STARKFEST. Entre os empregados que compõem ou compuseram a folha da empresa CLEMENTE GALON, verificouse que alguns (vários) deles também fizeram parte dos quadros da empresa STARKFEST. Conforme quadro elaborado pela fiscalização, os empregados deixavam os quadros da empresa STARKFEST e eram imediatamente admitidos, na mesma função, na empresa CLEMENTE GALON. Ao se cotejar as relações de cargos e funções das empresas, a fiscalização constatou ainda que os empregados da empresa CLEMENTE GALON e STARKFEST exercem diversas funções ligadas à atividadefim da "empresa contratante" (STARKFEST), e que esta empresa (STARKFEST) não possuía, no período, empregados na área administrativa, sendo que os empregados que exerciam esta tarefa eram registrados na empresa CLEMENTE GALON, que possuía, no mês de competência 12/2007, 93 (noventa e três) empregados, enquanto a empresa STARKFEST nesse mesmo mês possuía apenas 05 (cinco) empregados. Em sede de recurso, afirma a recorrente existir erros na descrição do relatório do Parecer SAFIS nº 002/2009, e entende cruciais para o deslinde da causa. Inicialmente consigna que apenas mudouse para a Rua Aracaju, n. 113, na cidade de Pinhalzinho, Santa Catarina, na data de 05.05.2005, não merecendo prosperar, portanto, o desenquadramento retroativo a data de 05.05.2005 Alega que afirmações consignadas no referido Parecer são incorretas, sobretudo quanto aos endereços das empresas aqui referidas. No entender da fiscalização, declinado no referido Parecer, elas estariam situadas em um mesmo endereço, diferenciando apenas o número (vide CNPJ folhas 11 e 12, porém, conforme se verifica na Certidão juntada as folhas 17 a 20 e na fotografia da folha 37, tratase do mesmo terreno (lote Urbano n. 01 da Quadra n. A6), com dois prédios separados. Por outro lado, a defesa faz juntada de Certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Pinhalzinho, dizendo que o imóvel matrícula 7.148, situado no lote Urbano n.01 da Quadra n. A6, seria de propriedade de Galon S/A Participação e Investimento, CNPJ: 09.409.214/000190 e de Fábio Zordan Fraracio, CPF: 099.654.05808, e que antes de ser cientificada de sua exclusão, foi protocolada junto a JUCESC a sexta alteração contratual da STARKFEST, onde em sua cláusula 01, dispõe que os sócios por decisão unânime decidiram que a sociedade passou a partir daquela data (18.03.2009) a estabelecerse na Rua Aracaju, n. 203, Bairro Centro, na Cidade de Pinhalzinho, /estado de Santa Catarina. Aduz ainda que procurou saber quem seria o proprietário do imóvel onde passou a STARKFEST estabelecerse, sendo informada pelo Município de que o proprietário desse imóvel seria a empresa CB LUX, o que comprova, em sua ótica, a impossibilidade de se encontrar todos os empregados trabalhando em um mesmo local. Dessa forma, ainda de acordo com suas razões de recurso, não haveria como se admitir que os fatos e documentos juntados pela Autoridade Fiscal mereçam fé, pois, sequer Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 190 17 n. predial 113 estaria localizado no referido lote Urbano n. 01 da Quadra A6, não havendo prova nos autos de que o endereço da recorrente realmente se localizava neste lote. Em que pese suas ponderações, entendo que não lhe assiste razão. A discussão acerca de endereço onde se encontram estabelecidos as empresas locatária e locadora de mãodeobra, não é o centro da controvérsia destes autos. Controverte se nos autos a existência ou não da prática de atividade vedada, qual seja, a locação de mãode obra. Neste tipo de atividade, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade, sendo, assim, responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), para execução dos serviços em sua sede, ou em outro local, porém, a seu mando, independente se o estabelecimento do prestador se encontra situado nas proximidades físicas do estabelecimento do tomador. Importa ao caso que a empresa tomada detenha o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. No caso dos autos, a locação de mãodeobra restou caracterizada devido à notas fiscais emitidas e ao contrato de prestação de serviços com a empresa STARKFEST, e aos fatos que qualificam a subordinação dos empregados da contratada aos ditames da contratante. Esta mantinha o controle do imóvel e do acesso dos funcionários, era proprietária da maior parte das máquinas utilizadas no trabalho, enfim, detinha a locatária o comando das tarefas, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Portanto, sendo o caso de locação de mãodeobra, entendo correta a expedição do Ato Declaratório Executivo em referência, pois não há que se falar em adesão ao Simples nesta hipótese (artigos 9º, inciso XII, “f”, e art. 16 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e art. 17, XII, da Lei Complementar 123/2006). Quantos aos efeitos da exclusão do Simples, também não há reparos a fazer do que restou decidido pelo Colegiado da DRJ, que manteve os efeitos consignados nos Atos Declaratórios atacados pelo sujeito passivo. Assim, mesmo observando que no objeto social da declaração de empresário não constava a prestação de serviço de locação de mãodeobra, esta de fato era a atividade do contribuinte desde 1999, conforme contrato celebrado e datado de 02/07/1999 (fls. 15 e 16) e demais razões consignadas acima. Conclusão Portanto, correta a expedição do Ato Declaratório Executivo nº 020 (que retificou o Ato Declaratório nº 014, de 23 de março de 2009) e Ato Declaratório Executivo nº 13, e os efeitos decorrentes, pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC, excluindo a empresa recorrente do Simples Federal e Nacional. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13982.000193/200981 Acórdão n.º 1301003.083 S1C3T1 Fl. 191 18 Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904223/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.303
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 23 /2 01 2- 20 Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10746.904223/201220 Acórdão n.º 3301004.303 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.872, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.597. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10746.904223/201220 Acórdão n.º 3301004.303 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10746.904223/201220 Acórdão n.º 3301004.303 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10746.904223/201220 Acórdão n.º 3301004.303 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1244DF CARF MF
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Numero do processo: 17613.720623/2016-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA. APOSENTADORIA. DEVOLUÇÃO.
Os rendimentos de aposentadoria mantém essa natureza ainda que reste configurada a necessidade de sua devolução.
Numero da decisão: 2002-000.094
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA. APOSENTADORIA. DEVOLUÇÃO. Os rendimentos de aposentadoria mantém essa natureza ainda que reste configurada a necessidade de sua devolução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 06 23 /2 01 6- 62 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 17613.720623/201662 Acórdão n.º 2002000.094 S2C0T2 Fl. 145 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 7): Rubrica Valor em reais Imposto 3.303,01 Multa de ofício 2.477,25 Juros de mora 429,72 Total à época 6.209,98 As origens do lançamento foram: rendimentos de R$ 14.506,02 da fonte pagadora Fundo do Regime Geral de Previdência Social compensado imposto de renda retido na fonte (IRRF) de R$ 1.510,70, tributado em razão da contribuinte não ter comprovado a devolução do rendimento no ano calendário de 2014 (fl. 8); rendimentos de R$ 9.015,22 de aluguéis, conforme documentos apresentados pela contribuinte e informações constantes dos sistemas da Receita Federal (RFB) (fl. 9); glosa de R$ 1.510,70 de IRRF, por não ter a contribuinte comprovado ser portadora de moléstia grave por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial (fl. 11); Totalizando R$ 23.521,24 de rendimentos omissos apurados (fl. 12). Intimação Intimada, a contribuinte informou que (fl. 3 e ss): o contador fez retificadora errada e colocou como tributável rendimentos oriundos do INSS já declarados desde a declaração original como isento. A contribuinte fez nova declaração retificadora corrigindo o valor dos aluguéis recebidos. Os aluguéis foram declarados conforme declaração em anexo, bem como os rendimentos do INSS; os rendimentos de R$ 14.508,02 foram declarados como rendimentos isentos por aposentadoria por moléstia grave, conforme art. 6º, XIV da Lei 7.713/88. A solicitante é portadora de Parkinson atípico de início precoce, motivo pelo qual foi aposentada em 2012 (carta de concessão em anexo), pois tal moléstia lhe acometia vários sistemas, precisando inclusive ser cuidada, fazendo jus ao acréscimo de 25% tamanho era seu nível de dependência de cuidados; com pouco meses de parcial melhora, pediu perícia para voltar a trabalhar, mas a perita, solicitou dados, como prontuário de hospitais de São Paulo, que seriam impossíveis de serem conseguidos pela paciente ainda comprometida fisicamente, em tempo hábil; Fl. 145DF CARF MF Processo nº 17613.720623/201662 Acórdão n.º 2002000.094 S2C0T2 Fl. 146 3 aceitou oferta de emprego e deu o mesmo número do PIS no qual estava aposentada, a fim de demonstrar não querer esconder fato algum. Após 9 meses pediu nova perícia e, alegando que já trabalhava, pediu ao perito que lhe permitisse, mesmo sendo progressiva a doença, que sua vida fosse plena até o fim. Isto inclui ser médica, profissão que exerce há 18 anos; a solicitante sempre teve ciência de que os valores que o INSS depositava em sua conta não eram seus e que deveriam ser devolvido, o que ocorreu logo após sua desaposentadoria, quando parcelou junto ao INSS sua dívida, pois foi necessário usar tais fundos para se cuidar, como, quando necessitou comprar aparelho que lhe mantém até hoje viva, pois para de respirar enquanto dorme. Também construiu pequena clínica em sua casa para ter garantia de trabalho caso adoecesse; o tratamento multidisciplinar busca contornar os vários sintomas da doença de Parkinson já avançada. Hoje já cursando como distonia insatisfatoriamente controlada a custa de muita medicação antiparkinsoniana fornecidas pela farmácia cidadã estadual e pelas farmácias municipais há anos. Anexa laudo mais recente e receitas mostrando o uso do medicamentos; não houve máfé nem tentativa de omitir renda, mas divergência acerca da categoria na qual o rendimento se enquadra e mantém a firme convicção do direito à isenção tributária. Assim, pede o reconhecimento da isenção; parcelou a devolução integral do dinheiro recebido do INSS e desta forma, não pensava ter de pagar impostos sobre renda que apenas havia sido depositada em sua conta por discordância de opinião entre a declarante e a perita do INSS, discordância esta que foi retroativamente reparada quando o INSS pediu a devolução de tais rendimentos, conforme declaração do INSS em anexo; quanto aos rendimentos de alugueis doados por sua mãe a ela, não foram omitidos, mas houve divergência entre os valores informados a nós pela imobiliária e o valor que informaram à Receita Federal. Os rendimentos tributáveis oriundos dos aluguéis, Prefeitura Municipal de Vila Velha e Governo do Estado do Espírito Santo foram declarados (anexo). Tentou fazer a retificação dos valores dos aluguéis mas a transmissão não concluiu; Diante do exposto, solicita revisão do lançamento e extinção da cobrança de juros de mora sobre os valores pagos pelo INSS porque está devolvido e porque foi por moléstia prevista na legislação como isenta. Solicita ainda cálculo sobre a diferença entre o declarado por ela e o declarado pela imobiliária. Alega estar anexando: comprovante de todos os rendimentos recebidos, contrato de locação, comprovante de recebimento de aluguéis, documento de identidade do signatário, carta do ministério da fazenda, declaração retificadora, declaração original como isento, nova declaração retificadora, comprovante de rendimentos de aluguéis, comprovante de agendamento de atendimento da Receita Federal, notificação sobre a qual versa esta SRL, cópia da carta de concessão de aposentadoria, dados solicitados pela perita para negar alta, parcelamento junto ao INSS, laudo recente com diagnóstico de Parkinson, receitas de medicação antiparkinsoniana desde 2012, comprovante de devolução de valores recebidos do INSS, comprovante de doação de aluguel da mãe à contribuinte, comprovantes dos valores tributáveis recebidos em função dos aluguéis da prefeitura e governo do estado. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 17613.720623/201662 Acórdão n.º 2002000.094 S2C0T2 Fl. 147 4 Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 2) e tempestividade, haja vista que a contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 28/04/2016 (fl. 86) e protocolou sua peça no dia 20/05/2016 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação, em síntese, a contribuinte alega que (fl. 2): os dados referentes aos aluguéis foram declarados, mas não sabia que era um rendimento diferente do que sempre recebeu. Como o comprovante de rendimentos era dado pela imobiliária imaginou ser esta pessoa jurídica a fonte pagadora. Não houve máfé ou tentativa de omissão; quanto aos dados referentes ao auferido pela aposentadoria, desconhecia a necessidade de solicitar formalmente o que consta no seu prontuário médico. Tem Parkinson grave e trata há anos na farmácia da cidade; na intenção de formalizar isto, protocolou pedido junto ao INSS de reconhecimento de moléstia grave. Em breve terá o comprovante. Pede que até lá considerem o parecer do médico Rodrigo Fardim, neurologista reconhecido por tratar moléstias raras como a sua e que também é funcionário do governo do ES. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 6); cópia da notificação de lançamento (fl. 7 e ss); comprovante de rendimentos da Secretaria de Gestão e RH (fl. 14 e 20); comprovante de rendimentos de aluguéis (fl. 15, 17 e 18); comprovante de rendimentos Prefeitura Municipal Vila Velha (fl. 16 e 19); contrato particular de doação (fl. 21 e ss); contrato de locação do imóvel (fl. 24 e ss); contrato de administração de bens (fl. 29 e ss); laudo de solicitação de medicamentos (fl. 33); laudo médico pericial (fl. 34); receitas médicas (fl. 35); 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 17613.720623/201662 Acórdão n.º 2002000.094 S2C0T2 Fl. 148 5 escritura pública compra de imóvel pela mãe da contribuinte (fl. 36 e ss); carta da Receita Federal (fl. 42); tela eDefesa (fl. 43); tela erro na transmissão da declaração (fl. 44); senha de atendimento (fl. 45 e 46); cópia de termo de intimação (fl. 47); declaração Farmácia Cidadã (fl. 48); requerimento de isenção de IRPF por moléstia grave (fl. 49); carta de concessão de aposentadoria por invalidez (fl. 50 e ss); protocolo pedido de isenção no INSS (fl. 52); solicitação de cópia do prontuário médico (fl. 53); histórico de documento parcelamento (fl. 54); declaração da previdência social sobre o parcelamento (fl. 55); DIRPF original (fl. 57); DIRPF retificadora (fl. 56, 65 e ss). Posteriormente, a contribuinte solicita ainda juntada de laudo pericial emitido por serviço médico oficial (fl. 72 e 73). Outras manifestações nos autos Em seguida, a contribuinte peticionou novamente nos autos informando que recebeu DARF cobrando dívidas referente ao IRPF 2015 e pede que suspendam a cobrança até a decisão final quanto as suas manifestações e documentação apresentada (fl. 97). Em outra petição acostada aos autos informa que já quitou todo o seu débito junto ao INSS e pede urgência na avaliação do seu processo (fl. 103). Em despacho de 09/11/2016 a Receita Federal informa que a requerente concordou com parte do lançamento, mas não informou o valor do imposto acatado, contudo, consta pagamento de R$ 1.792,56 do valor originário do imposto, já alocado ao crédito tributário que se encontra na situação "suspenso julgamento da impugnação" (fl. 107). Decisão de 1ª instância A DRJ2 julgou a impugnação procedente em parte (fl. 112 e ss), por entender que apesar de a impugnante ter comprovado ser portadora de moléstia grave, os rendimentos auferidos não possuem natureza de proventos de aposentadoria, requisito indispensável para 2 Delegacia da Receita Federal de Julgamento Fl. 148DF CARF MF Processo nº 17613.720623/201662 Acórdão n.º 2002000.094 S2C0T2 Fl. 149 6 fazer jus à isenção pleiteada (item 9, fl. 116). Contudo, como o IRPF segue o regime de caixa e no ano de 2014 a contribuinte devolveu ao INSS R$ 6.313,74 (fl. 55), deveriam ser levados à tributação somente os valores não devolvidos. Assim, a omissão seria de R$ 7.458,99 e a contribuinte faria jus também a compensação de IRRF proporcional no valor de R$ 776,80. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 133) e tempestividade, haja vista que a contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 16/08/2017 (fl. 127) e protocolou sua peça no dia 12/09/2017 (fl. 131), dentro do prazo de 30 dias3 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário, em síntese, a contribuinte alega que (fl. 131 e ss): os recursos recebidos pela contribuinte do INSS no valor de R$ 14.506,02 durante o ano de 2014 são proveniente de aposentadoria por invalidez concedida no período de 27/04/2012 a 19/02/2014 (fl. 50 e ss); a condição de moléstia grave foi comprovada na fl. 99 do processo, bem como reconhecida no item 8.3 do acórdão da DRJ. Logo os rendimentos são isentos e o regime de caixa, mesmo de valores devolvidos ou não ao INSS, não suprime o direito a isenção do IRPF, dos proventos de aposentadoria recebidos por portadora de moléstia grave. no mais, restituiu ao INSS a integralidade dos proventos recebidos em 2014, quitando sua dívida em 02/06/2016, conforme ofício em anexo. Assim, mesmo que pudessem ser tributados estariam sujeitos a devolução da tributação nos anos subsequentes pelo regime de caixa do imposto de renda, pois foram integralmente devolvidos. A interpretação pelo regime de caixa obrigaria a contribuinte a buscar restituição nos anos subsequentes, problema agravado pela aplicação de multa de ofício e juros, sobre rendimentos isentos, gerando cobrança indevida; Por fim pede que sejam: 1) considerados isentos os proventos de aposentadoria no valor de R$ 14.506,02; 2) levados a tributação os proventos de aluguéis de R$ 9.015,22, pois estes não são alcançados pela mesma isenção dos proventos de aposentadoria, ainda que a contribuinte seja portadora de moléstia grave, e; 3) aplicados os juros e a multa aos aluguéis conforme legislação vigente. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: 3 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 17613.720623/201662 Acórdão n.º 2002000.094 S2C0T2 Fl. 150 7 declaração de quitação de parcelamento INSS (fl. 134); DIRPF 2015/2014 (fl. 138). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão de moléstia grave. Assim, considerando que o pedido da recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Suspensão da cobrança O pedido de suspensão da cobrança até a decisão final também já foi deferido conforme despacho de fl. 107. Dessa forma, não há o que analisar quanto a esta questão também. Mérito Considerando que a contribuinte concordou expressamente com o lançamento na parte referente ao rendimento de R$ 9.015,22 de aluguéis, a controvérsia restringese ao rendimento de R$ 14.506,02 da fonte pagadora Fundo do Regime Geral de Previdência Social e a respectiva glosa de IRRF de R$ 1.510,70. De acordo com a Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O laudo pericial juntado aos autos à fl. 73 foi emitido por serviço médico oficial, qual seja, SEMUS da Prefeitura Municipal de Vitória. No mais, o referido laudo atesta que a contribuinte é portadora, desde de junho de 2011, de Doença de Parkinson, a qual consta do rol isentivo previsto no art. 6º, XIV da Lei 7.713/88. Assim, está preenchido o requisito de comprovação da moléstia prevista no rol legal. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 17613.720623/201662 Acórdão n.º 2002000.094 S2C0T2 Fl. 151 8 A carta de concessão/ memória de cálculo emitida pela Previdência Social (fl. 50 e 51) comprova que o rendimento recebido do INSS é proveniente de aposentadoria, estando assim preenchido o último requisito para o gozo da isenção de IRPF. A demora no deferimento do pedido de desapontadoria da contribuinte, gerou a necessidade de devolução dos valores recebidos, contudo, a natureza dos rendimentos não se altera pela necessidade de sua devolução. Continua a tratarse de proventos de aposentadoria, só que agora estes serão devolvidos a fonte em virtude do próprio pedido da parte. Durante o período em que estão sendo devolvidos, eles não poderiam ser caracterizados como rendimentos do trabalho como foi feito à fl. 8 dos autos, pois não foram pagos em razão do trabalho da contribuinte, mas sim de aposentadoria, conforme prova que consta dos autos (fls. 55 e 110). A tributação de rendimentos de aposentadoria de portadora de moléstia grave não é permitida pela legislação. No mais, o ofício INSS 778/2016 (fl. 134) comprova que a contribuinte já devolveu o valor integral de tais rendimentos. Assim, ainda que, por hipótese, se admitisse que os rendimentos perderam a sua natureza de proventos de aposentadoria durante o período de devolução, ainda assim, não seria cabível a tributação de valores que já foram comprovadamente devolvidos e que já não se encontram mais em poder do sujeito passivo, sob pena de configuração de enriquecimento sem causa do Estado. Além disso, exigir que os valores devolvidos depois de 2014 fossem tributados em 2014 para depois serem restituídos após a sua devolução, seria contraproducente e uma ação nula do ponto de vista arrecadatório, o que fere o princípio constitucional da eficiência que deve ser seguido pela administração pública (art. 37, caput, CF). Pelas razões acima expostas, verifica que o lançamento sobre os rendimentos de R$ 14.506,02 não pode ser mantido. A glosa de R$ 1.510,70 de IRRF foi motivada pela não comprovação de moléstia grave por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial. No entanto, conforme visto acima, esta questão já foi sanada pela parte com apresentação de laudo de fl. 73. Dessa forma, esta parte do lançamento também não se sustenta mais. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, para que: 1. seja extinto o crédito tributário relativo à omissão de rendimentos de R$ 14.506,02 informado pela fonte pagadora Fundo do Regime Geral de Previdência Social, e; 2. seja extinto o crédito tributário referente à glosa de R$ 1.510,70 de imposto de renda retido na fonte pelo Fundo do Regime Geral de Previdência Social. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.903049/2012-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 30 49 /2 01 2- 99 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13851.903049/201299 Acórdão n.º 1302002.648 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático de que "partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (conforme descrito no despacho decisório de fl. 7 a 11). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 19861.05604.240412.1.3.041125, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido no ano de 2009. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a produção de prova adicional e, sucessivamente, a anulação ou a reforma do despacho decisório. A DRJ de Ribeirão Preto houve por bem não conhecer da manifestação oposta, mormente por entender que, uma vez informado na aludida manifestação que o crédito cuja compensação se postulava advinha de pretensa discussão judicial, sem que se tenha juntado ao feito quaisquer provas ou documentos que pudessem identificála (a discussão judicial), seria de tomar como "nãodeclarada" a compensação pleiteada (na forma do art. 74, 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996). A recorrente teve ciência do resultado do julgamento acima em 12/08/2013 (AR de fl. 49), tendo interposto o seu recurso voluntário em 04/09/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fl. 51), por meio do qual se limitou a reiterar os argumentos despendidos em sua impugnação. Este, o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13851.903049/201299 Acórdão n.º 1302002.648 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.642, de 15.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13851.903041/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.642): I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "nãodeclarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "não declarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia. Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº 15313.50413.240412.1.3.045499, que efetivamente descreve o Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13851.903049/201299 Acórdão n.º 1302002.648 S1C3T2 Fl. 5 4 crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais, genérica de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13851.903049/201299 Acórdão n.º 1302002.648 S1C3T2 Fl. 6 5 Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar nãodeclarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13851.903049/201299 Acórdão n.º 1302002.648 S1C3T2 Fl. 7 6 pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço e dou provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.720006/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO.
A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.
O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999.
INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 2301-005.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
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CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, “f”, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 72 00 06 /2 01 2- 71 Fl. 104DF CARF MF 2 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1669.578, exarado pela 12ª Turma da DRJ em São Paulo (efls. 74 a 86). O processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração Debcad n° 51.023.8890, que formaliza multa no montante de R$1.617,12, por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 226, §§ 1° e 2° do Decreto 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), por ter o sujeito passivo deixado de encaminhar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), até o dia 10 do mês seguinte, a relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de “habitese” concedidos mensalmente, ou encaminhar fora do prazo ou apresentar com incorreções ou omissões. O relatório fiscal (efls. 06 a 08) informa que: (a) não constando nos sistemas informatizados da RFB o Relatório Mensal de Alvarás de Construção e Cartas de Habitese, previsto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991 e art. 226 do Decreto 3.048, de 1999, o contribuinte foi intimado ao cumprimento de sua obrigação acessória referente ao mês 07/2007 pela Intimação DRF/LON/PR/SACAT n° 316/2012, de 10 de maio de 2012, recebida em 11/05/2012 (efl. 20); (b) visto que a legislação tributária, mormente a Portaria Interministerial MPS/MF N° 2, de 2012, art. 8°, IV, prevê a multa de R$1.617,12 pelas infrações ao art. 283 do RPS, o qual na alínea "f" define como infração "deixar o dirigente dos órgãos municipais competentes de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social as informações concernentes aos alvarás, "habitese" ou documento equivalente, relativos a construção civil, na forma do art. 226", e até a presente data, expirado o prazo concedido na Intimação, o contribuinte não se manifestou, lavrouse o auto de infração no valor de R$ 1.617,12. Na impugnação (efls. 60 a 69) foi alegado, em síntese: (a) a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa; (b) a inexistência de irregularidade e a necessidade do cancelamento da multa, em face de ser caso de não aplicação da penalidade; (c) a inexistência de irregularidade pela entrega, fora do prazo, da documentação, tendo sido cumprida a obrigação e atingida a finalidade; Fl. 105DF CARF MF Processo nº 16370.720006/201271 Acórdão n.º 2301005.212 S2C3T1 Fl. 3 3 (d) caso se entenda devida a multa, ela deve ser minorada por aplicação analógica do § 2°, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Os pedidos consistem no cancelamento do debcad, e, em consequência, da multa impugnada. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 05/06/2012 Ementa: MUNICÍPIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. São representados em juízo, ativa e passivamente, o Município, por seu Prefeito ou procurador, nos termos do Código de Processo Civil. Nos termos da Lei Orgânica do Município, à Procuradoria Geral do Município, órgão diretamente subordinado ao Prefeito, compete representar judicial e extrajudicialmente o Município. AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no Auto de Infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo Relatório Fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos, será encaminhada mensalmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos é considerado descumprimento de obrigação tributária acessória, que sujeita o infrator à penalidade prevista na alínea "f", do inciso I do art. 283, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária. Fl. 106DF CARF MF 4 A ciência dessa decisão ocorreu em 17/09/2015 (efl. 89). Em 06/10/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 91 a 97), sendo repetidos os argumentos e os pedidos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator. O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE É alegada a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa, ocasionando cerceamento do direito de defesa, já que foi aplicada multa mínima, no valor de R$1.617,12, sendo de R$636,17 o valor mínimo indicado no RPS. Entendo não ter restado configurada qualquer nulidade. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16370.720006/201271 Acórdão n.º 2301005.212 S2C3T1 Fl. 4 5 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, o auto de infração, do qual o “relatório fiscal do auto de infração” é parte integrante, contém a descrição dos fatos e a base legal para a aplicação da multa, não ocorrendo o alegado cerceamento do direito de defesa. Vejamos a base legal citada. Lei 8.212, de 1991: Art. 50. Para fins de fiscalização do INSS, o Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. (Redação dada pela Lei n° 9.476, de 1997) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999: Art. 226. O Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá ao Instituto Nacional do Seguro Social, para fins de fiscalização, mensalmente, relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos, de acordo com critérios estabelecidos pelo referido Instituto. § 1° A relação a que se refere o caput será encaminhada ao INSS até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.(Redação dada pelo Decreto n°4.032, de 2001) § 2° O encaminhamento da relação fora do prazo ou a sua falta e a apresentação com incorreções ou omissões sujeitará o dirigente do órgão municipal à penalidade prevista na alínea "f do inciso I do art. 283. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e Fl. 108DF CARF MF 6 trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...); f deixar o dirigente dos órgãos municipais competentes de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social as informações concernentes aos alvarás, "habitese " ou documento equivalente, relativos a construção civil, na forma do art. 226; e Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria Interministerial MPS/MF n° 02 de 06/01/2012: Art. 8° A partir de 1° de janeiro de 2012: (...); IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos) a R$ 161.710,08 (cento e sessenta e um mil, setecentos e dez reais e oito centavos); Ou seja, não há qualquer omissão na indicação da forma de cálculo do valor da multa, que possa levar ao cerceamento do direito de defesa. DA MULTA PELA FALTA DE ENTREGA DA RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE "HABITESE" CONCEDIDOS PELO MUNICÍPIO DE LONDRINA O recorrente alega que a infração não deve subsistir, uma vez que “a multa se refere à falta de entrega da relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos pelo Município de Londrina”, sendo inaplicáveis os fundamentos legais indicados, os arts. 50 e 102, da Lei 8.212, de 1991 (arts. 283, I, "f" e 373 do Decreto Federal 3.048/99). Aduz que, quanto aos entes públicos, não existe a possibilidade de estipulação de "obrigação acessória tributaria", pois tanto a Constituição quanto o CTN tratam apenas de "cooperação mútua", sendo este o espírito que o legislador deu ao art. 50 da Lei 8.212, de 1991, conforme previsto nos artigos 198, § 2° e 199 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à impossibilidade serem instituídas obrigações acessórias dirigidas a entes públicos, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa para fins da aplicação da Lei 8.212, de 1991 (art. 15, I, parte final, da Lei 8.212, de 1991), estando sujeitos às obrigações acessórias previstas na legislação tributária. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16370.720006/201271 Acórdão n.º 2301005.212 S2C3T1 Fl. 5 7 O art. 50 da Lei 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 9.476, de 1997, dispõe que, para fins de fiscalização da RFB, o município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Regulamentando esse dispositivo, o art. 226 do RPS, determina que a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos será encaminhada à RFB até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. Assim, tratase de obrigação tributária destinada especificamente ao ente municipal, com previsão expressa de multa pelo seu descumprimento no § 2º do art. 226, já transcrito. A autoridade fiscal é vinculada à aplicação da legislação citada, face ao disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, pelo qual “a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A seu turno, o disposto nos arts. 198 e 199 do CTN não possuem o condão de elidir o lançamento, uma vez que o intercâmbio de informações ou a prestação de mútua assistência “para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações” não desobriga ao cumprimento das obrigações acessórias pelo entes públicos. Por outro lado, não existe qualquer ilegitimidade na previsão da multa. Ora, não havendo previsão expressa de multa pelo descumprimento do disposto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991, o art. 92 do mesmo diploma legal determina que seja aplicada multa variável, conforme dispor o regulamento. O art. 226 do RPS, com base nesse permissivo legal, indica que a multa a ser aplicada é a prevista na alínea “f” do inciso I do art. 283. DA ENTREGA, FORA DO PRAZO, DO RELATÓRIO Argumenta o recorrente que, conforme informação da Diretoria de Aprovação de Projetos, da Secretaria Municipal de Obras de Pavimentação do Município de Londrina, ter havido a entrega dos relatórios requeridos após o recebimento da intimação, ainda que não no prazo de vinte dias, não sendo cabível a aplicação de penalidade uma vez cumprida a obrigação, devendo ser anulado o auto de infração. Como visto, o art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991 estabelece ao município a obrigação de fornecer a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Por sua vez, o art. 226 do RPS estabelece o prazo para o cumprimento da obrigação (§ 1º) e regulamenta a sanção no caso de descumprimento (§ 2º). A recorrente não nega a entrega fora do prazo das relações de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Tendo havido a incidência da norma sancionadora, não há como afastála face aos argumentos expostos, ainda que tenham sido entregues, a destempo, os documentos solicitados. DA MINORAÇÃO DO VALOR DA MULTA Fl. 110DF CARF MF 8 A recorrente solicita a minoração do valor da multa, por aplicação analógica do § 2º, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Não há como atender o requerido, uma vez que a legislação apontada aplica se exclusivamente à infração relacionada à entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gfip), documento que não se confunde com o que estamos tratando. No caso, o valor da multa para a infração constatada encontrase expressamente previsto no art. 283, I, "f" e 373 do Decreto 3.048, de 1999. Havendo disposição expressa, não e aplicável o art. 108 do CTN, que dispõe sobre a analogia. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. (Grifouse.) Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 111DF CARF MF
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