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Numero do processo: 10120.726066/2012-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007.
Numero da decisão: 9202-006.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, eis que o dispositivo legal cabível tipifica duas condutas distintas, para fatos geradores posteriores a 2006, face a alteração legislativa ter sido operacionalizada tão somente em 22.01.2007 com a MP 351/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 60 66 /2 01 2- 62 Fl. 31617DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301004.553, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2008, decorrente de (a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório; (b) redução indevida das bases de cálculo mensal (carnê leão) e anual (declaração de ajuste anual) do imposto de renda com dedução a título de livro caixa; (c) multa isolada por falta de recolhimento do imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) a título de carnêleão (detalhamento das infrações e enquadramento legal nos autos, fls. 8886 a 8908), no valor de R$ 2.148.650,58 (dois milhões, cento e quarenta e oito mil, seiscentos e cinquenta reais e cinquenta e oito centavos), sendo: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar de R$ 657.121,39; Juros de Mora (calculados até 05/2012) de R$ 199.502,05; Multa proporcional (passível de redução) de R$ 985.682,09 e Multa Isolada (passível de redução) de 306.345,05. O Contribuinte apresentou a impugnação. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, reconhecendo despesas adicionais (livrocaixa) no valor de R$566.719,34; restabelecendo, a título de despesas de livrocaixa, o valor de R$ 54.569,54; reduzindo a multa isolada para R$ 231.429,59 e o saldo total de imposto a pagar de R$ 486.266,95, sendo R$ 443.273,42 com multa de ofício de 150% e juros de mora, e R$ 42.993,53 com multa de ofício de 75% e juros de mora. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 9493/9515, no qual foram reiterados, em síntese, os termos da impugnação: pediu o parcial provimento ao recurso para reformar a decisão de primeira instância na parte em que manteve o lançamento; caso o acórdão recorrido fosse mantido, ainda que em parte, que fosse afastada a incidência da multa agravada, devido a não comprovação de atuação dolosa do recorrente, e os juros SELIC sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal para o mister. O processo foi distribuído para a Turma Ordinária em 12/03/2015 (fl. 31537). Em 27/03/2015, o contribuinte apresentou sua desistência parcial do recurso voluntário, para efeito do que dispõe a Lei 11.941, de 2009, pela qual informou que continuará discutindo, na via administrativa e por meio do processo supramencionado, os débitos provenientes da multa isolada (código 6352), na importância de R$ 306.345,05. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, no sentido de cancelar do lançamento relativo à multa isolada (50%), por falta de recolhimento do IRPF. A Decisão restou assim ementada: Fl. 31618DF CARF MF Processo nº 10120.726066/201262 Acórdão n.º 9202006.905 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2007 Ementa: MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. BIS IN IDEM. PRINCÍPIO PENAL DA CONSUNÇÃO. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de carnêleão ou estimativas. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnê leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. Ambas as infrações são resultado de um fato comum, que não podem caracterizar, mais de uma infração, pois resultaria em o bis in idem o qual é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Ademais, cabe aplicar a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Recurso Voluntário Provido Às fls. 31572/31585, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: possibilidade de concomitância de multas isoladas e de ofício, mantendose a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento do imposto de renda devido a título de carnêleão. A Câmara a quo entende que não pode ser exigida concomitantemente a multa por lançamento de ofício e a multa isolada, considerando o princípio da consunção. Por sua vez, os acórdãos paradigmas entenderam que as duas multas podem ser exigidas simultaneamente, sem ofensa a qualquer dispositivo legal ou princípio do ordenamento jurídico pátrio, por se tratarem de hipóteses distintas. Destacaram, ainda, que as respectivas exigências são posteriores à alteração legislativa advinda com a Medida Provisória 351/07, convertida na Lei 11.488/07, o que afastaria qualquer alegação de concomitância. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 31588/31590, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, Fl. 31619DF CARF MF 4 concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: concomitância de multas isolada e de ofício. Cientificado à fl. 31596, em 26/08/2016, o Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 31598/31610, arguindo, preliminarmente, não ter o recurso especial preenchido os requisitos para a sua admissibilidade, pois o paradigma não guarda similitude fática com o acórdão recorrido. No mérito, reforçou os argumentos anteriores e os adotados pelo acordão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração referente ao imposto sobre a renda da pessoa física – IRPF, anocalendário 2008, decorrente de (a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório; (b) redução indevida das bases de cálculo mensal (carnê leão) e anual (declaração de ajuste anual) do imposto de renda com dedução a título de livro caixa; (c) multa isolada por falta de recolhimento do imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) a título de carnêleão (detalhamento das infrações e enquadramento legal nos autos, fls. 8886 a 8908), no valor de R$ 2.148.650,58 (dois milhões, cento e quarenta e oito mil, seiscentos e cinquenta reais e cinquenta e oito centavos), sendo: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar de R$ 657.121,39; Juros de Mora (calculados até 05/2012) de R$ 199.502,05; Multa proporcional (passível de redução) de R$ 985.682,09 e Multa Isolada (passível de redução) de 306.345,05. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à possibilidade de concomitância de multas isoladas e de ofício. A discussão da cumulação das multas ofício e isolada possuem diferentes conseqüências no mundo jurídico, as quais variam de acordo com a data do fato gerador. Isso por que a norma anterior a 22.01. 2007 não trazia previsão legal para esta exigência cumulativa, mas este cenário sofreu drástica aliterarão na nova redação, ocorrida por meio da MP 351, na data anteriormente citada. Deste modo, observase que há um alinhamento neste Tribunal sobre o encaminhamento dado a estas questões, cito aqui voto elucidativo da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão N. 9202004.022– 2ª Turma: Tratase de divergência interpretativa suscitada em face da nova redação dada ao art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Fl. 31620DF CARF MF Processo nº 10120.726066/201262 Acórdão n.º 9202006.905 CSRFT2 Fl. 11 5 Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. No caso do acórdão recorrido, que trata de fatos geradores ocorridos à luz da nova redação do dispositivo ora tratado, a multa isolada do carnêleão foi exonerada, sob o fundamento de impossibilidade de concomitância com a multa de ofício. Confirase a respectiva ementa, na parte em que trata da matéria: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. CARNÊLEÃO. DEDUÇÕES INDEVIDAS. A cumulação da multa de ofício com a multa isolada, sobre a mesma base de cálculo, acarreta bis in idem e é incompatível com o regime estabelecido pelo art. 112, do CTN. Jurisprudência consolidada deste conselho. Recurso Voluntário Provido" De plano, constatase que tal fundamento era o mesmo aplicado no julgamento de casos cujo fato gerador ocorrera à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A Fazenda Nacional, por sua vez, alega divergência interpretativa, no que tange à possibilidade de exigência concomitante de duas multas, o que estaria consignado no art. 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Nesse passo, indica como paradigmas os Acórdãos nºs 1401000.761 e 2201001.994. Quanto ao primeiro deles, a Fazenda Nacional registra que o fato de dito julgado tratar de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, e o acórdão recorrido abordar o Imposto de Renda de Pessoa Física, não constituiria óbice à demonstração do dissídio jurisprudencial. Assim, instaurandose a divergência quanto à possibilidade de cobrança concomitante de duas multas, sendo uma de ofício genérica, no percentual de 75% sobre o rendimento omitido no ajuste (inciso I do art. 44), e outra no percentual de 50% sobre o valor da antecipação mensal (inciso II do art. 44), sem que se verifique qualquer diferenciação em razão da incidência específica de carnêleão ou estimativa, constatase efetivamente a inexistência de óbice à aceitação do paradigma como apto a demonstrar eventual divergência. Esclareçase desde logo que tal situação paradigmática nunca foi aceita à luz da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, eis que eram tipificadas três multas diferentes, em três incisos independentes (de ofício pela omissão em geral, por falta de recolhimento de carnêleão e por falta de recolhimento de estimativa), sem qualquer liame entre as duas últimas, o que foi feito na nova redação do dispositivo, que agora tipifica claramente duas penalidades, uma pela omissão do rendimento no ajuste e outra pela falta de recolhimento da antecipação, Fl. 31621DF CARF MF 6 igualando assim as situações de IRPF e IRPJ em um mesmo inciso, já que o sistema de antecipação é uma característica do Imposto de Renda, em geral. No caso dos autos tratase de anocalendário posterior a 2006, mais especificamente 2007. Assim, a interpretação da recente jurisprudência da 2ª Turma da Câmara Superior deste CARF (Acórdão 9202004.022 – CSRF 2ª Turma) conduz ao entendimento que somente para fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnê leão, aplicada concomitante com a multa de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual, conforme Acórdão nº 2201 002.718, de 09/12/2015, uma vez que a redação anterior do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, “efetivamente deixava dúvidas acerca da obrigatoriedade de imposição das duas multas simultaneamente”. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 31622DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.015371/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: INCORPORAÇÃO,
A pessoa jurídica de direito privado que incorporar outra é
responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas
pessoas jurídicas de direito privado por ela incorporadas.
Porém, na hipótese de não haver comunicação oficial da
incorporação e já tendo se iniciada a fiscalização, a válida a
autuação da empresa incorporada e não da incorporadora.
É válida a exigência de crédito tributário quando formalizada em autos de infração por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, mercê de prevenção de sua jurisdição e prorrogação de sua competência.
MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA - VEDAÇÃO DE CONFISCO- MATÉRIA CONSTITUCIONAL
A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponivel
na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua
competência o julgamento da matéria, do ponto de vista
constitucional.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: mantido o lançamento principal, igual sorte caberá a seus consectdrios, em virtude da relação causal que os une.
Lançamento Procedente.
Numero da decisão: 1301-000.373
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / lª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ricardo Luiz Leal de Melo
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INCORPORADORA DE BRASMILHO INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida 4' TURMA / DRJ BELO HORIZONTE / MG Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: INCORPORAÇÃO, A pessoa jurídica de direito privado que incorporar outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado por ela incorporadas. Porém, na hipótese de não haver comunicação oficial da incorporação e já tendo se iniciada a fiscalização, a válida a autuação da empresa incorporada e não da incorporadora. É válida a exigência de crédito tributário quando formalizada em autos de infração por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, mercê de prevenção de sua jurisdição e prorrogação de sua competência. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA - VEDAÇÃO DE CONFISCO- MATÉRIA CONSTITUCIONAL A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponivel na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. LANÇAMENTOS REFLEXOS: mantido o lançamento principal, igual sorte caberá a seus consectdrios, em virtude da relação causal que os une. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 33 câmara / la turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. L ONARD D AND C T Presidente RICARDO UIZ L L DE MELO - Relator EDITADO EM: 2 8 A 2 () 1 I Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jackson da Silva Lucas e Fabio Soares de Melo. Relatório CENTRAL FORTE IMPORTADORA E EXPORTADORA DO BRASIL LTDA. INCORPORADORA DE BRASMILHO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 10,091, de 22/12/2005, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado quando do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: RELATÓRIO Contra a sociedade acima qualificada foram lavrados Autos de Infração que lhe exigem o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos montantes respectivos de R$ 148.346.19 (cento e quarenta e oito mil, trezentos e quarenta e seis reais e dezenove centésimos), R$ 57333,45 (cinqüenta e sete mil, trezentos e trinta e tress reais e quarenta e cinco centavos). R$ 98A84,85 (noventa e oito mil, quatrocentos e oitenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos) e R$ 264,482,02 (duzentos e sessenta e guano mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e dois centavos), valores estes que incluem multa por lançamento de oficio e juros moratórios. 2 Processo n° 10680,015371/2004-70 Sl-C31- 1 Acórao n.° 1301-00.373 Fl 2 Tais lançamentos originaram-se de arbitramento do lucro da interessada, que, intimada neste sentido, deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração 7), 0 lucro foi calculado em função de receita omitida pela interessada, oriunda de revenda de mercadorias sem escrituração, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls, 56 a 65 e seus anexos. Fundamentos legais As fls. 7, 19, 22, 23, 30, .34, 43, 46, 47 e 54, Ciente em 14 de janeiro de 2005 (fl. 230), a interessada apresentou, em 24 de janeiro de 2005, sua impugnação de lis, 2.32 a 246, alegando, em resumo, o que segue. Principia por dizer que os Autos de Infração em exame foram lavrados em nome de BRASMILHO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, extinta por incorporação pela ora impugnante, CENTRAL FORTE IMPORTADORA E EXPORTADORA DO BRASIL LTDA, aos 31 de outubro de 200.3. Com base nesta informação, alega ilegitimidade passiva da empresa BRASMILHO INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA, uma vez que "todas suas obrigações perante terceiros ficaram a cargo da incorporadora" (fl. 234). Alega também a ilegitimidade ativa da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, dado que seu domicilio fiscal encontra-se em Sao Paulo, invocando os arts. 10 e 59 do Decreto n°70,235, de 6 de março de 1972. A seguir, afirma que teria optado pelo parcelamento instituído pela Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), o qual teria absorvido todos seus débitos, inclusive os porventura oriundos da sociedade incorporada, Junta (fls. 279 a 297) copias da Declaração PAES apresentada pela incorporadora, CNPJ 03218.309/0001-40, Prosseguindo, afirma que (if 236): . face ao sistema jurídico vigente, não é lícito ao ,fisco presumir a ocorrência do fato gerador e sua base de cálculo. Cabe-fite efetuar o lançamento com base em fatos e números devidamente comprovados. Com efeito, o valor tributado pelo IRPJ CSSL. COFINS e PIS não pode sei; única e exclusivamente, a receita bruta auferida pela totalidade das vendas efetuadas, sem quaisquer descontos. lb/ 3 Não obstante, o .fisco ao realizar o lançamento do ano de 1999, a 2,002, utilizou dados fornecidos pelos clientes sem considerar as devoluções, transferencias, vendas canceladas, e outros fatos que interferem diretamente na apuração dos tributos em questão, A seguir, a impugnante afirma que a multa seria também indevida, tanto em face de sua qualidade acessória em relação à cobrança de imposto, quanto por entender que "o percentual exigido na legislação retrocitada a titulo de multa é confiscatório, Patente é sua inconstitucionalidade 111 ferindo o consignado no inciso IV do art, 150 da Magna Carta", Encerra afirmando que ser incabível a cobrança de juros moratórios equivalentes as taxas do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para Títulos Federais (SELIC), ao argumento de que estas possuiriam natureza remuneratória, Aduz que a Lei n. 9.069, de 29 de junho de 1995, se ria inválida porque não estabeleceu uma taxa de juros a ser aplicada especificamente sabre os créditos tributários, mas apenas limitou-se a determinar a utilização de uma taxa de juros preexistente e de natureza diversa daquela que deve incidir sobre os mesmos em face de sua natureza remuneratória. Após transcrever doutrina e jurisprudência, encerra pedindo: liminarmente, o cancelamento do Auto de Infração, tendo em vista a adesão ao PAES e a consolidação total dos débitos; b) caso não seja este o entendimento de V. Exas., a procedência da presente Impugnação, para que seja determinado o cancelamento do presente Auto de Infração, declarando-se nulos todos os seus efeitos; c) finalmente, caso se entenda pelo não cancelamento do auto de infração, seja cancelada a aplicação da multa dado o seu caráter confiscatório, bem como o cancelamento da aplicação da taxa referencial da Selic, dada sua ilegalidade e inconstitucionalidade, A zln Turma da DIU em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 10,091, de 22/12/2005 (fls. 111/118), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRN Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 4 Process() rt° 10680.015371/2004-70 S1 -C3T1 Acórdão n,° 1301-00.373 Fl 3 Ementa: INCORPORAÇÃO, A pessoa juridica de direito privado que incorporar outra 6 responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas juridicas de direito privado por ela incorporadas, válida a exigência de crédito tributário quando formalizada em autos de infração por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo, mercê de prevenção de sua jurisdição e prorrogação de sua competência. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA - VEDAÇÃO DE CONFISCO- MATÉRIA CONSTITUCIONAL A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA: em sede de contencioso administrativo-tributário, a doutrina e jurisprudência não têm efeitos erga armies, ressalvados, para esta última, os casos previstos em lei. LANÇAMENTOS REFLEXOS: mantido o lançamento principal, igual sorte caberá a seus consectdrios, em virtude da relação causal que os une. Lançamento Procedente. O órgão preparador buscou cientificar o sujeito passivo da decisão de primeira instancia por via postal, em seu domicilio tributário. Entretanto, a correspondência de foi devolvida ao remetente pela empresa de Correios (AR juntado à if 353 verso). Nova tentativa foi feita, desta vez para o endereço da pessoa que consta nos cadastros da RFB como responsável pelo sujeito passivo, tendo sido a correspondência entregue em 28/06/2006, conforme Aviso de Recebimento h ft .364. A contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/07/2006 conforme carimbo de recepção à folha 366. No recurso interposto (fls, 366/383), a interessada repete, corn as mesmas palavras, os argumentos anteriormente aduzidos na impugnação. o Relatório. Voto Conselheiro RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A Recorrente alega, em preliminar, a ilegitimidade passiva da empresa BRASMILHO INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. em cujo nome foram lavrados os autos de infração ora combatidos, uma vez que aquela sociedade extinguiu-se por incorporação. Examinando-se os documentos de fls. 249 a 279, constata-se que, em 31 de outubro de 2003, as empresas PUROMILHO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 03.196,014/0001-10, BRASMILHO INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 02.341A 16/0001-10 e BRASFORTE EMPREENDIMENTOS LTDA., CNPJ 03.767A68/0001-l5, foram incorporadas por CENTRAL FORTE IMPORTADORA E EXPORTADORA DO BRASIL LTDA., CNPJ 03,218.30910001-40. Todavia, em momento algum as empresas Brasmilho e/ou Central comunicaram tal fato ao auditor fiscal responsável pela fiscalização em curso. Sendo assim, afasto a referida preliminar, já que o Fisco Federal somente tomou ciência da incorporação quando do envio da intimação da decisão de primeira instância administrativa. Além disso, a Recorrente defende a ocorrência de ilegitimidade ativa em decorrência do fato de a incorporadora ter domicílio fiscal em São Paulo. A tal respeito, cabe relembrar o que reza o Decreto n° 70 235, de 1972: Art. 9°A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas ern autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 9.12.1993) 2' Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7°, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. (Parágrafo acrescentado pela Lei n°8348, de 9.12.1993), 3° A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Parágrafo renumerado pela Lei re 8.748, de 9.12.1993). Resta claro, então, que os Autos de Infração são corretos também sob esta Oka, Ainda a fundamentar tal raciocínio existe o fato de a incorporação não ter sido noticiada anteriormente e Brasmilho se encontrar no Estado de Minas Gerais no inicio da fiscalização. A Recorrente informa haver optado pelo parcelamento instituído pela Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), parcelamento este que incluiria todos seus débitos, inclusive os porventura oriundos da incorporada Ora, como visto, a sociedade incorporadora absorveu três empresas. Toma-se, portanto, impossível saber se os valores constantes da Declaraçã• PAES incluem ou não todos os débitos das incorporadas e, menos ainda, todos os détritos ' a empresa BMSMILHO IND. E COM. LTDA. 6 044, yt, Processo n° 10680 015371/2004-70 SI -C3T1 Acórdão n,° 1301-00.373 Fl 4 Compulsando-se os autos, não se encontra qualquer indício de que os valores parcelados abranjam os créditos tributários aqui discutidos. Logo, não 6 possível dar acolhida a este argumento. Evidentemente, a Recorrente poderia ter instruído sua peça de recurso com prova desta assertiva, caso dela dispusesse, mas não o fez. Quanto ao lançamento em si, a Recorrente não se opõe ao arbitramento do lucro, mas apenas ao valor da respectiva base de calculo, valor este que ela desejaria ver decotado de todos os eventos redutores da receita bruta, como "devoluções, transferencias, vendas canceladas, e outros fatos que interferem diretamente na apuração dos tributos em questão". Outra vez analisando os autos, não se depara corn nenhuma prova de tenham ocorrido incidentes desta natureza. Portanto, a Recorrente se limitou a defender essa hipótese, sem oferecer nenhum dado concreto que a sustentasse. A Recorrente afirma que a multa seria também indevida, entendendo que "o percentual exigido na legislação retrocitada a titulo de multa" seria "confiscatório" e feriria o disposto no inciso IV do art. 150 da Constituição da República. Ora, não cabe h autoridade administrativa analisar discussões acerca de inconstitucionalidade, já que a Administração não resta outra alternativa senão a estrita observância ao principio da legalidade, nos termos do art. 37 da Constituição Federal. Se assim sucede, a Recorrente levanta questão alheia à competência deste Colegiado, como adverte a Súmula CARF n 02, de seguinte dicção: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, no que tange à cobrança de juros moratórios equivalentes as taxas do Sistema Especial de Liquidação e Custodia para Títulos Federais (SELIC), a impugnante outra vez alega que a Lei n° 9,069, de 29 de junho de 1995, seria invalida porque "lido estabeleceu urna taxa de juros a ser aplicada especificamente sobre os créditos tributários, mas apenas limitou-se a determinar a utilização de uma taxa de juros preexistente". Todavia, mais urna vez carece razão à alegação da Recorrente, já que ha súmula deste Tribunal Administrativo no sentido de que a incidência de SELIC 6 legítima. Por todo o exposto, em conclusão, voto por negar provimento do recurso voluntário e, consequentemente, mantenho a exigência. Sa i a das Sess L I ICARDO L es ibm 5 de agoto,de0lp,05 de agosto de 2010. IZ LEA DE MELO - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720061/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que esta solicite, junto à recorrida e/ou à Via Varejo, os registros contábeis da Globex - atual Via Varejo - com vistas a comprovar a escrituração dos investimentos estrangeiros em sua contabilidade, relativa aos períodos indicados no RDE-IED/SISBACEN. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que entenderam que os elementos constantes dos autos seriam suficientes para negar provimento ao recurso de ofício. Votou com o relator, pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que esta solicite, junto à recorrida e/ou à Via Varejo, os registros contábeis da Globex - atual Via Varejo - com vistas a comprovar a escrituração dos investimentos estrangeiros em sua contabilidade, relativa aos períodos indicados no RDE-IED/SISBACEN. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que entenderam que os elementos constantes dos autos seriam suficientes para negar provimento ao recurso de ofício. Votou com o relator, pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que esta solicite, junto à recorrida e/ou à Via Varejo, os registros contábeis da Globex atual Via Varejo com vistas a comprovar a escrituração dos investimentos estrangeiros em sua contabilidade, relativa aos períodos indicados no RDEIED/SISBACEN. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que entenderam que os elementos constantes dos autos seriam suficientes para negar provimento ao recurso de ofício. Votou com o relator, pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso de Ofício (efl. 1237) com fulcro no art. 34, I, do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n. 9.532/1997, c/c Portaria MF n. 63, de 09 de fevereiro de 2017 em face do Acórdão n. 0963.402 2ª. Turma da Delegacia RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 06 1/ 20 14 -8 5 Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201485 Resolução nº 2402000.669 S2C4T2 Fl. 3 2 da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (efls. 1236/1246) que julgou procedente a impugnação de efls. 516/814 e exonerou o crédito tributário consignado no lançamento Auto de Infração IRRF no valor total de R$ 119.318.120,39 (efls. 502/510) constituído em 30/06/2014 (efls. 511/513), conforme discriminado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de efls. 479/501. Os motivos de fato e de direito que levaram à constituição do crédito tributário em lide constam do TVF (efls. 479/501), resumido na decisão recorrida na forma que segue: “6. O presente procedimento teve por escopo verificar o imposto de renda devido na fonte sobre o ganho de capital decorrente da alienação para a fiscalizada de participações societárias que as empresas "KEENE INV CORPORATION S.A" (KEENE), "PHILLIMORE HOLDINGS LLC" (Phillimore) e "LINNETSONG INVESTMENTS LTD" (Linnetsong), todas sediadas no exterior, detinham na GLOBEX UTILIDADES S/A, CNPJ: 33.041.260/065290. [...] 9. Com base em informações obtidas junto à GLOBEX UTILIDADES S/A, CNPJ: 33.041.260/065290 (atual 'Via Varejo SA"), constatamos que participações societárias na referida sociedade foram, no curso do ano de 2009, adquiridas pela fiscalizada (Morzan) de diversas pessoas jurídicas para, posteriormente, serem alienadas à MANDALA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 10.641.438/000102. Dentre os alienantes das participações para a fiscalizada, destacamse as sociedades "KEENE INV CORPORATION S.A", "PHILLIMORE HOLDINGS LLC", e "LINNETSONG INVESTMENTS LTD", todas sediadas no exterior. [...] 28. Apesar de o fiscalizado ter sido reiteradamente intimado para comprovar o custo de aquisição das participações societárias para os alienantes domiciliados no exterior (KEENE, Linnetsong e Phillimore), não apresentou elementos aptos para tal. [...] 32. Nada obstante, deixou de apresentar qualquer elemento destinado a comprovação do custo relativo à KEENE e, em relação à Linnetsong e à PHllimore, apresentou telas do Banco Central do Brasil com informações singelas, das quais não é possível sequer aferir o valor do custo por ocasião da efetiva aquisição, menos ainda, comprovar o referido custo. [...] 34. Em resposta (Doe 06 e 07), a fiscalizada aduziu ter trazido telas adicionais do SISBACEN "contendo todas as informações solicitadas". Nada obstante, além de as telas apresentadas não corresponderem a documentos aptos à comprovação dos referidos custos, o que iremos discutir mais adiante, nelas não há sequer elementos numéricos capazes de indicar os custos nas datas das operações de aquisição. [...] 40. Em primeiro lugar, o custo somente pode ser apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil vinculado à compra do bem ou direito. Pois bem, as telas apresentadas pelo fiscalizado não se reportam às operações de compra e, muito menos, identificam ou permitem identificar o valor, em reais, de tais operações. Em segundo lugar, ainda que tais telas identificassem tais elementos Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201485 Resolução nº 2402000.669 S2C4T2 Fl. 4 3 numéricos, elas não poderiam ser acatadas como comprovação do custo. A razão é que os registros apresentados pelo interessado são meramente declaratórios, conforme pode ser atestado pelo próprio título das telas (RDE, ou seja, registro declaratório eletrônico), ou seja, não passaram pelo crivo da fiscalização do Banco Central do Brasil. [...] 42. Notese que a expressão adotada pela Instrução Normativa é "capital registrado" e não "capital declarado" justamente para evidenciar que a informação passível de ser acatada pelas autoridades fiscais é apenas aquela que já tenha sofrido o crivo da autoridade monetária e não aquelas meramente prestadas pelo contribuinte sem sofrer qualquer verificação documental das operações por autoridade pública. 43.Dessarte, uma vez não comprovado o custo, só nos restou, nos termos da legislação de regência, atribuirlhe valor zero." Irresignada com o lançamento de efls. 502/510, a Recorrida (então impugnante) apresentou a impugnação de efls. 516/814, resumida na decisão recorrida conforme segue: "Tendo tomado ciência da autuação por via postal em 30/06/2014, o contribuinte interpôs em 30/07/2014, a impugnação de fls. 516/544. Após fazer um rápido resumo dos fatos, vem clamando, em preliminar, pela declaração de nulidade do lançamento sob o argumento de que a autoridade fiscal não lhe teria dado tempo razoável para apresentação de alguns documentos, como vemos no trecho a seguir transcrito: "11. Desta maneira, foram concedidos, no total, apenas 15 (quinze) dias para que a Impugnante conseguisse reunir toda a documentação referente a uma série de operações internacionais que exigem a articulação de diversos departamentos das empresas envolvidas, demandando um lapso temporal razoável para o fornecimento dos ditos documentos. 12. Tal prazo viola, manifestamente, os princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, dado que a realidade fática não permitiria que a Impugnante colacionasse o vasto rol de documentos no tempo exigido pelo D. Agente Fiscal. Com efeito, o art. 59, II do Decreto n° 70.235/72 ..." A defesa de mérito pode ser resumida pelos excertos da impugnação abaixo reproduzidos: "15. Conforme demonstrado abaixo, não restam dúvidas de que a Impugnante já apresentou toda a documentação hábil (i.e., registros completos do BACEN) para comprovar os custos de aquisição das empresas estrangeiras nas Ações Globex. Não faz qualquer sentido, portanto, subsistir a alegação do D. Agente Fiscal de que tal custo deveria ser totalmente desconsiderado, aplicandose custo zero. Isto porque: (i) há mais de 50 anos é cediço que o registro de investimentos de empresas estrangeiras no Brasil junto ao BACEN é documentação hábil para comprovar o seu custo de aquisição; e (ii) as telas completas do registro junto ao BACEN contêm todas as informações necessárias para se aferir, com relação aos investimentos registrados, (a) as datas das operações; (b) os tipos de operações; e (c) os valores das operações. [...] Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201485 Resolução nº 2402000.669 S2C4T2 Fl. 5 4 17.7. As normas acima transcritas demonstram, inequivocamente, que o registro de capitais estrangeiros é feito necessariamente pelo sistema declaratório e eletrônico. Em outras palavras, não existe registro de capitais estrangeiros que não seja declaratório e eletrônico. Isso é válido tanto para os registros de capitais ingressados no país em moeda estrangeira quanto para aqueles em moeda nacional, previstos nas Leis n° 4.131/62 e 11.371/06, respectivamente. [...] 17.10. Não se diga que o registro declaratório eletrônico não seria "registro" porque se refere a capital simplesmente "declarado", que não passa pelo crivo da autoridade monetária. Tal afirmação seria falsa. Os registros declaratórios eletrônicos são fiscalizados pelo Banco Central do Brasil (artigo 5o da Resolução n° 3.844/10). [...] 20.3. Ou seja, o registro declaratório eletrônico representa toda e qualquer compra, em sentido amplo, de ações ou quotas de sociedades brasileiras — seja por aquisição a qualquer título de ações ou quotas de propriedade de terceiros, seja por integralização de novas ações ou quotas. ... 22. A Impugnante fez novos esforços junto a tais entidades estrangeiras a fim de obter documentação comprobatória adicional aos registros do BACEN, tendo sido capaz de juntar documentos mais do que suficientes para suportar seuscustos de aquisição nas Ações Globex. Isto mais uma vez demonstra quão absurda é a pretensão da D. Autoridade Autuante de zerar tais custos." Finalizando sua peça de impugnação vem requerendo, em preliminar, a declaração de nulidade do lançamento. No mérito, veio requerer o acolhimento de seus argumentos de defesa e o cancelamento integral da exigência consubstanciada no auto de infração." A Recorrida (então impugnante) ainda solicitou na peça impugnatória de e fls. 516/814 que se procedesse à diligência junto ao Banco Central do Brasil, visando a dirimir eventual dúvida quanto ao custo de aquisição das ações da Globex, no que foi atendida pela DRJ/JFA, que determinou a realização de diligência junto àquela autarquia visando à coleta de informações acerca da existência, bem assim do montante dos valores dos custos das operações objeto do lançamento, eventualmente registrados nos seus sistemas, conforme despacho inicial de efls. 819/821, reiterados às efls. 1136/1137, resultando assim no Relatório de Diligência Fiscal (efls. 1181/1189), que historia e consolida os fatos. A impugnação de efls. 502/510 foi julgada procedente pela DRJ/JFA que exonerou, portanto, o crédito tributário consignado no Auto de Infração (efls. 502/510), nos termos do Acórdão n. 0963.402 (efls. 1236/1246). A Recorrida foi cientificada do teor do Acórdão n. 0963.402 (efls. 1236/1246) na data de 09/06/2017 (efls. 1247/1248) e atravessou petição (efl. 1253) requerendo prioridade e julgamento do Recurso de Ofício (efls. 1237). Sem recurso voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201485 Resolução nº 2402000.669 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso de Ofício (efl. 1237) atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 34, I, do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n. 9.532/1997, c/c Portaria MF n. 63, de 09 de fevereiro de 2017, conforme se depreende do valor total do crédito tributário exonerado abaixo indicado: Portanto, dele CONHEÇO. A decisão da instância de piso, com fulcro na diligência materializada no Relatório de Diligência Fiscal (efls.1181/1189), bem assim nos documentos de efls. 839/1107, concluiu pela improcedência do lançamento, nos termos do Acórdão n. 0963.402 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (efls. 1236/1246). Pois bem. Verificase que, em decorrência de diligência promovida pela autoridade fiscal, determinada pela instância julgadora de primeira instância, consoante os termos do Despacho n. 145 2ª. Turma da DRJ/JFA (efls. 819/821), foram acostados aos autos os documentos de efls. 829/1107, que visam a comprovar os registros efetuados no RDE IED/SISBACEN (efls. 183/191; 359/370; e 843/875). Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201485 Resolução nº 2402000.669 S2C4T2 Fl. 7 6 O conjunto probatório acostado aos autos compreende quadros e planilhas informativos, confeccionados pela Recorrida, que especificam e detalham a data e o tipo da operação realizada, o número de ações e o respectivo valor, correlacionandoos com a tela do RDEIED, correspondente a cada um dos alienantes (Keene Inv. Corporation S/A; Phillimore Holdings LLC; e Linnetsong Investiments Ltd.) das ações da Globex Utilidades S/A CNPJ 33.041.260/065290 atual Via Varejo S/A. Tais informações denunciam o custo de aquisição das referidas ações. Outrossim, os quadros e planilhas em tels reportam os respectivos documentos de suporte (contratos, atas de assembléia geral ordinárias e extraordinárias das diversas pessoas jurídicas envolvidas, inclusive da Globex, bem assim comprovantes bancários). É forçoso admitirse que o nível de detalhamento e de consistência das informações acima referidas são suficientes para se concluir pela procedência dos RDE IED/SISBACEN. Todavia, não resta comprovada a condição consubstanciada na exigência de que o registro no RDEIED/SISBACEN em apreço, relativo ao capital estrangeiro de que trata o art. 5º. da Lei n. 11.371/2006, conste regularmente dos registros contábeis da pessoa jurídica receptora do capital estrangeiro (no caso concreto, a Globex, atual Via Varejo), vez que aqueles não constam dos autos, impossibilitando assim tal aferição. Com efeito, assim estabelece o art. 5°. da Lei n. 11.371/2006: Art. 5o Fica sujeito a registro em moeda nacional, no Banco Central do Brasil, o capital estrangeiro investido em pessoas jurídicas no País, ainda não registrado e não sujeito a outra forma de registro no Banco Central do Brasil. § 1o Para fins do disposto no caput deste artigo, o valor do capital estrangeiro em moeda nacional a ser registrado deve constar dos registros contábeis da pessoa jurídica brasileira receptora do capital estrangeiro, na forma da legislação em vigor. [...](grifei) No mesmo diapasão, a Circular Bacen n. 3.344/2007 revogada a partir de 03/02/2014 pela Circular Bacen n. 3.691, de 16/12/2013, mas vigente à época dos fatos, que assim determina, no Título 3 Capitais Estrangeiros no País Capítulo 4 Capital em moeda nacional Lei n. 11.371/2006 (NR) item 1: Circular Bacen n. 3.344/2007 Titulo 3 Capitais Estrangeiros no País Capítulo 4 Capital em moeda nacional Lei n. 11.371/2006 (NR) 1. Deve ser registrado, a partir de 19 de março de 2007, em moeda nacional, no Sistema de informações Banco Central Sisbacen, Registro Declaratório Eletrônico Módulo Investimento Externo Direto RDEIED, o capital estrangeiro de que trata o art. 5º da Lei nº 11.371, de 28 de novembro de 2006, desde que conste regularmente dos registros contábeis da empresa brasileira receptora do capital estrangeiro, observado o seguinte: Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201485 Resolução nº 2402000.669 S2C4T2 Fl. 8 7 [...](grifei) Observase que o art. 5º. da Lei n. 11.371/2006, supra referenciado, inovou na matéria ao determinar que o valor do capital estrangeiro em moeda nacional a ser registrado deve constar dos registros contábeis da pessoa jurídica brasileira receptora do capital estrangeiro, na forma da legislação em vigor, estabelecendo, assim, um novo requisito para o registro do capital estrangeiro investido em pessoas jurídicas no País. No plano infralegal, a Circular Bacen n. 3.344/2007, também acima transcrita, reproduz esse entendimento. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF n. 208, de 27/09/2002 DOU 01/10/2002 , com a redação vigente à época dos fatos geradores em litígio (antes, portanto, das alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB n. 1.662/2016), informa nos §§ 3°. e 4°., do art. 26, verbis: Art. 26. A alienação de bens e direitos situados no Brasil realizada por não residente está sujeita à tributação definitiva sob a forma de ganho de capital, segundo as normas aplicáveis às pessoas físicas residentes no Brasil. [...] § 3º O valor de aquisição do bem ou direito para fins do disposto neste artigo deve ser comprovado com documentação hábil e idônea. § 4º Na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição é: I apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil, vinculado à compra do bem ou direito; II igual a zero, nos demais casos. [...]. (grifei) É oportuno destacar a natureza meramente declaratória do registro declaratório eletrônico do RDE/IED (registro de capitais estrangeiros no Banco Central do Brasil), vez que a partir dele não se constitui um direito, mas tãosomente declarase uma situação préexistente, no caso específico, operações relacionadas a investimentos externos diretos em empresas brasileiras, para as quais exigese que deva constar dos registros contábeis da pessoa jurídica brasileira receptora do capital estrangeiro. É dizer, não é com o registro declaratório eletrônico que se constitui o direito, vez que já existia ou pelo menos deveria ter existido. O RDEIED, ex vi legis, apenas o revela ao órgão de controle responsável, no caso o Banco Central do Brasil, cabendo a este determinar que os responsáveis pelo registro mantenham à sua disposição, atualizada e em ordem, a documentação comprobatória de todas as informações declaradas no RDE, até o termo final do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do término da participação no capital social da pessoa jurídica receptora, no caso de investimento estrangeiro direto, ou da conclusão da operação, nos demais casos, observandose ainda que a realização do registro em apreço não exime os responsáveis pelo registro do cumprimento das disposições legais e regulamentares aplicáveis às operações registradas, inclusive as de natureza tributária, cabendo a esses a responsabilidade pela veracidade, legalidade e fundamentação econômica das declarações prestadas. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201485 Resolução nº 2402000.669 S2C4T2 Fl. 9 8 É nesse sentido a Resolução n. 3.844, de 23/03/2010 (DOU 26/03/2010) do Conselho Monetário Nacional, que dispõe sobre o capital estrangeiro no País e seu registro no Banco Central do Brasil, vigente até os dias atuais, verbis: Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre o capital estrangeiro ingressado ou existente no País, em moeda ou em bens, e seu registro no Banco Central do Brasil, aí incluído o registro das movimentações financeiras com o exterior dele decorrentes. § 1º O registro de que trata o caput, efetuado de forma declaratória e eletrônica, compreende as seguintes modalidades, cujos Regulamentos encontramse anexos à presente Resolução: I investimento estrangeiro direto; [...] Art. 3º Para os fins do disposto nesta Resolução, conceituase como registro o lançamento, no Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) – Registro Declaratório Eletrônico (RDE), das informações necessárias à identificação das partes e à caracterização individualizada das operações atinentes ao capital estrangeiro investido no País. [...] Art. 4º Os responsáveis pelo registro, indicados nos Regulamentos Anexos a esta resolução, devem manter à disposição do Banco Central do Brasil, atualizada e em ordem, a documentação comprobatória de todas as informações declaradas no RDE, até o termo final do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do término da participação no capital social da pessoa jurídica receptora, no caso de investimento estrangeiro direto, ou da conclusão da operação, nos demais casos. [...]. (grifei) Apenas para contextualizar, é oportuno destacar que os fatos geradores em apreço eram disciplinados pela IN SRF n. 208/2002 (mais precisamente, art. 26, § 4°., inciso I), que determinava que a apuração do custo de aquisição com base no capital registrado no Banco Central do Brasil, vinculado à compra do bem ou direito, ocorre quando da impossibilidade de comprovação do valor de aquisição do bem ou direito com documentação hábil e idônea. E apenas nesta hipótese. Em 07/03/2014 passou a vigorar a Instrução Normativa RFB n. 1.455/2014 dispondo sobre a incidência do IRRF sobre rendimentos pagos, creditados, empregados, entregues ou remetidos para pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, nas hipóteses que menciona vindo a normatizar, de forma específica, a tributação de ganho de capital auferido no Brasil por pessoa jurídica domiciliada no exterior, até então regida, por analogia, pelos arts. 26 e 27 da IN SRF n. 208/2002, vez que ausente, até a edição da IN RFB n. 1.455/2014, dispositivo infralegal dispondo sobre a matéria, relativamente ao tratamento da pessoa jurídica. Por óbvio, a IN RFB n. 1.455/2014 não alcança os fatos geradores que ensejaram o lançamento em apreço, vez que ocorridos no período compreendido entre 08/07/2009 a 14/04/2011. Todavia, a Instrução Normativa RFB n. 1.662/2016 (DOU 03/10/2016), nos arts, 1°. e 2°., alterou, de uma só empreitada, o § 4°., I, do art. 26 da Instrução Normativa SRF n. 208/2002 e o § 2°., I, do art. 23 da Instrução Normativa RFB n. 1.455/2014, conferindolhes nova redação no sentido de que, na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição será igual a zero, e, suprimiu o inciso I, nos dois casos, que estabelecia que o custo de aquisição Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 16561.720061/201485 Resolução nº 2402000.669 S2C4T2 Fl. 10 9 seria apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil vinculado à compra do bem ou direito (na impossibilidade de sua comprovação). É dizer, atualmente não há mais previsão normativa para que, na impossibilidade de comprovação, o custo de aquisição deva ser apurado com base no capital registrado no Banco Central do Brasil vinculado à compra do bem ou direito, sendo, nessa circunstância (impossibilidade de comprovação), aquele igual a zero. Nessa perspectiva, concluise que, a despeito dos documentos acostados às e fls. 829/1107, acima referidos, é imperioso observarse a determinação estampada no art. 5º. da Lei n. 11.371/2006, no sentido de que o valor do capital estrangeiro em moeda nacional a ser registrado deve constar dos registros contábeis da pessoa jurídica brasileira receptora do capital estrangeiro, na forma da legislação em vigor. E a única forma de concretizarse tal exigência é, mediante diligência a ser realizada pela autoridade lançadora (unidade de origem), solicitar da Recorrida e/ou da Via Varejo os registros contábeis da Globex (atual Via Varejo) pessoa jurídica nacional receptora do capital estrangeiro de forma a comprovar a escrituração dos investimentos estrangeiros em sua contabilidade relativa aos períodos indicados no RDEIED/SISBACEN. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso de Ofício (efl. 1237) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à autoridade fiscal lançadora (Unidade de Origem), para solicitar da Recorrida e/ou da Via Varejo os registros contábeis da Globex (atual Via Varejo) pessoa jurídica nacional receptora do capital estrangeiro , visando a comprovar a escrituração dos investimentos estrangeiros em sua contabilidade relativa aos períodos indicados no RDEIED/SISBACEN, observandose que após a diligência em tela, deverá a autoridade lançadora (Unidade de Origem) proceder à elaboração de Informação Fiscal em face dos documentos apresentados, cientificando a Recorrida da referida informação, concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que a Recorrida, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1262DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.721043/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL.
Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento.
ÁGIO DE SI MESMO.
O ágio de si mesmo, caracterizado quando a empresa detentora de fração do capital de outra, é tanto vendedora como compradora dessa fração, numa operação societária que gerou ágio, é indedutível para fins fiscais, haja vista que os pagamentos/recebimentos ocorreram na mesma pessoa compradora/vendedora, não atendendo à premissa de realização de operação entre partes independentes.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
MULTA ISOLADA.
A multa de 50%, aplicada isoladamente, incide sobre as estimativas mensais devidas e não recolhidas, quando o contribuinte é tributado pelo lucro real anual, ainda que tenha sofrido prejuízo fiscal ou apresente base de cálculo negativa de CSLL no ano-calendário correspondente.
Numero da decisão: 1201-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, limitando a autuação e seus consectários ao valor proporcional ao capital total detido pela Odebrecht na Politeno e na Polialden. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues, que davam provimento ao Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. ÁGIO DE SI MESMO. O ágio de si mesmo, caracterizado quando a empresa detentora de fração do capital de outra, é tanto vendedora como compradora dessa fração, numa operação societária que gerou ágio, é indedutível para fins fiscais, haja vista que os pagamentos/recebimentos ocorreram na mesma pessoa compradora/vendedora, não atendendo à premissa de realização de operação entre partes independentes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MULTA ISOLADA. A multa de 50%, aplicada isoladamente, incide sobre as estimativas mensais devidas e não recolhidas, quando o contribuinte é tributado pelo lucro real anual, ainda que tenha sofrido prejuízo fiscal ou apresente base de cálculo negativa de CSLL no ano-calendário correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, limitando a autuação e seus consectários ao valor proporcional ao capital total detido pela Odebrecht na Politeno e na Polialden. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues, que davam provimento ao Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
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AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. ÁGIO DE SI MESMO. O ágio de si mesmo, caracterizado quando a empresa detentora de fração do capital de outra, é tanto vendedora como compradora dessa fração, numa operação societária que gerou ágio, é indedutível para fins fiscais, haja vista que os pagamentos/recebimentos ocorreram na mesma pessoa compradora/vendedora, não atendendo à premissa de realização de operação entre partes independentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MULTA ISOLADA. A multa de 50%, aplicada isoladamente, incide sobre as estimativas mensais devidas e não recolhidas, quando o contribuinte é tributado pelo lucro real anual, ainda que tenha sofrido prejuízo fiscal ou apresente base de cálculo negativa de CSLL no anocalendário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 10 43 /2 01 4- 27 Fl. 21366DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, limitando a autuação e seus consectários ao valor proporcional ao capital total detido pela Odebrecht na Politeno e na Polialden. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Eduardo Morgado Rodrigues, que davam provimento ao Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Eva Maria Los Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Por bem retratar a demanda ora em questão, me baseio no Relatório desenvolvido pelo ilustre relator da DRJ. A Equipe Regional Especializada na Fiscalização de Maiores Contribuintes (Efmac) da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 5ª Região Fiscal lavrou autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) contra a interessada (Braskem), do qual resulta exigência tributária total de R$ 101.301.392,53, considerando o montante dos tributos e seus consectários legais, apurados até setembro de 2014. A autuação referese a fatos geradores ocorridos nos anoscalendários 2009 a 2012. Nesse período, a contribuinte estava obrigada a apurar o IRPJ e a CSLL com base no lucro real, por força do art. 14 da Lei 9.718/98, com a redação dada pela Lei 10.637/02. Fl. 21367DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 4 3 A autuada optou pela apuração do lucro real anual, com pagamento de imposto mensal determinado sobre base de cálculo estimada. A fiscalização não concordou com registros envolvendo amortização de ágio interno, efetuados pela contribuinte em sua escrita. Por conseguinte, constituiu autos de infração, glosando valores contabilizados e/ou excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e lançando multa isolada pelo não pagamento da diferença sobre estimativas mensais nos anos calendários 2009 a 2011. O ágio contestado pelo autuante tem origem na avaliação econômica da sociedade Intercapital, baseada na expectativa de rentabilidade futura de duas sociedades investidas: Politeno e Polialden. O organograma adiante resume a estrutura societária do complexo petroquímico de Camaçari, que controlava a Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene) em 2001 (atualmente denominada Braskem), antes da série de fatos societários que serão adiante relatados: Em 25/7/01, o Banco Central promoveu leilão de alienação dos ativos do Banco Econômico no Polo Petroquímico de Camaçari, porquanto que esta instituição estava em processo de liquidação extrajudicial. No edital do leilão, constava que os grupos Odebrecht e Mariani poderiam exercer o direito de venda conjunta (tag along) de seus ativos (Ativos Protocolo), retirando, ao final, suas participações na Norquisa e na Copene, tal como se visualiza adiante: Fl. 21368DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 5 4 Segundo consta em instrumentos contratuais (anexos considerandos, contratos de opção de compra de quotas, fls. 745/758 e fls. 786/799), os grupos Econômico e Odebrecht convidaram o grupo Mariani a aderir ao bloco de venda, incluindo seus ativos, para, supostamente, maximizar o preço e otimizar o processo de venda dos Ativos Nordeste. Em troca, foilhe concedida a possibilidade de beneficiarse de parte do prêmio de controle da Conepar: a Nova Odequi outorgava o direito de compra de 49% do capital social da Intercapital, sendo 29,4% para a Pronor e 19,6% para a CBP. Depois do insucesso de dois leilões, os grupos Odebrecht e Mariani mudaram a estratégia para o leilão de 25/7/01. O primeiro criou a sociedade de propósito específico Nova Camaçari, que participou do leilão e arrematou as ações da Esae, detidas pelo Banco Econômico. Por decorrência, obrigouse a adquirir as participações das diversas sociedades, tendo em vista o acordo de venda conjunta acima referido. Apesar de comporem os “Ativos Protocolo” no leilão e constituírem direito de opção de venda, as participações da Pronor (Mariani) e da Trikem (Odebrecht) na Norquisa mantiveramse nos respectivos grupos, sem alteração de propriedade ou percentual de participação. Em 27/7/01, dois dias depois do leilão, a Nova Camaçari quitou o débito frente ao Banco Econômico e ao BNDESPAR, bem como pagou parcela dos valores devidos à Nova Odequi pela alienação da participação da Intercapital, com recursos provenientes de empréstimos obtidos junto ao ABN Amro e Citibank. Na mesma data, a sociedade adquiriu da Pronor e da CBP as opções de compra de 49% das quotas de participação na Intercapital, exercendo os respectivos direitos perante a Nova Odequi. Fl. 21369DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 6 5 No mesmo dia, a Nova Odequi (grupo Odebrecht) adquiriu as ações da Norquisa, detidas pela Petronor, passando a ter, em conjunto com grupo Mariani, o controle indireto da Copene, por meio do controle direto na Norquisa (fls. 15053/15054). Em 28/9/01, a Copene incorporou a Nova Camaçari, sendo suas ações adquiridas da OPPQ e Odequi, pelo total de R$ 100,00. Em decorrência, a Copene acabou assumindo as obrigações da incorporada, como em relação aos empréstimos citados e demais passivos vinculados ao leilão. O foco de trabalho da fiscalização centrouse na aquisição da Intercapital, ocorrido mediante expressivo ágio interno, cujo fundamento foi estabelecido, em tese, sobre a rentabilidade futura da Politeno e da Polialden. O valor pago pela participação no capital social da Intercapital foi de R$ 444.980.450,39. O ágio de R$ 397.260.450,39 decorre da diferença entre o pagamento e o valor do investimento, contabilizado por R$ 47.720.000,00. Em 16/8/02, os grupos Odebrecht e Mariani aportaram o restante de seus ativos petroquímicos na Copene, mediante incorporação das respectivas holdings (OPP Produtos Petroquímicos S/A e 52.114 Participações S/A). Na mesma oportunidade, a razão social da Copene alterouse para Braskem. A seguir, a Braskem incorporou, em sequência: a Esae, a Nitrocarbono e a OPPQ, em 31/3/03; a Trikem, em 15/1/04; a Odequi, em 31/3/05; a Polialden, em 31/5/06; e a Politeno, em 2/4/07. A amortização do ágio contestado passou a ocorrer a partir da aquisição da Polialden e da Politeno. A seguir são elencados os principais fundamentos da fiscalização para a glosa do ágio: a) a organização Odebrecht participou do leilão realizado em 25 de julho de 2001 na qualidade de adquirente e alienante das quotas do capital social da Intercapital; b) 99% do capital da Nova Camaçari foi alienado pela Nova Odequi à OPPQ (ambas do grupo Odebrecht) quatro dias antes do leilão, mas a contabilidade da OPPQ nada registra sobre essa transferência; c) o ágio foi formado em operação de aquisição de quotas da Intercapital, envolvendo partes ligadas e dependentes, infringindo premissa básica para o surgimento e contabilização da dedução, que é a independência entre os partícipes; d) não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica da operação e por não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre os envolvidos; e) o Ofício Circular CVM/SNC/SEP 01, de 14 de fevereiro de 2007, e o Novo Manual de Contabilidade Societária da Fipecafi entendem que o ágio não pode ser Fl. 21370DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 7 6 reconhecido, econômica e contabilmente, pelo acréscimo de riqueza em face de transação dos acionistas com eles próprios, mas apenas se a transação fosse realizada entre partes independentes (“arm’s length”); f) não é possível desprezar os efeitos que o ágio produz na apuração do lucro líquido, que é a base primeira para apuração do lucro real, ainda que o tema “ágio em investimentos” seja objeto de regulação expressa na legislação tributária; g) os pagamentos efetuados à Nova Odequi pela Nova Camaçari (inicialmente 100% do Odebrecht) e Copene (controlada e administrada pelo Odebrecht após o leilão) pela aquisição das quotas da Intercapital foram feitos por empresas envolvendo o mesmo grupo econômico (Odebrecht); h) os pagamentos realizados pela Copene à Nova Odequi, à OPPQ e à Trikem, em face da aquisição com ágio interno de quotas do capital social da Intercapital, representam mera circulação de valores entre empresas do mesmo grupo econômico; e i) a exposição e motivos da Medida Provisória 1.602/97, convertida na Lei 9.532/97, estabeleceu que a validade da amortização do ágio estaria restrita a hipóteses de casos reais e não apenas a planejamento tributário, cujo objetivo se resumisse a reduzir a carga tributária; A fiscalização explica que se valeu de rateios para identificar a amortização do ágio oriundo da rentabilidade da Polialden, pois os demonstrativos e registros contábeis, bem como o Lalur, continham informações anuais e consolidadas, contidas em designação genérica (“ágio oriundo da aquisição, pela Nova Camaçari, de ações da Intercapital, Esae e Conepar, detidas pelo BNDESPAR, no âmbito do leilão ocorrido em 25 de julho de 2001”). A glosa dos ágios realizada pela auditoria produziu a redução do prejuízo fiscal a ser compensado em períodos posteriores. Com isso, segundo a fiscalização, a Braskem teria compensado indevidamente, no âmbito do Refis/99, os montantes de R$ 27.066.114,04 e R$ 23.751.884,79. Além disso, deveria ser eliminado o saldo de R$ 28.384.530,99, registrado a parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), relativamente ao anocalendário 2010, bem como reduzido o saldo de prejuízo a compensar em 2012 para R$ 23.226.455,08. Os mesmos efeitos seriam observados quanto à base negativa de CSLL: aproveitamento irregular de R$ 27.066.114,05 e R$ 23.751.884,79 no Refis/99; eliminação do saldo de R$ 30.380.343,31 no LACS do anocalendário 2010 e ajuste no saldo a compensar em 2012, por R$ 37.405.398,04. A fiscalização lançou multa de ofício de 75% sobre a diferença exigida de IRPJ e CSLL. A falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL fundamentou as exigências de multas isoladas, conforme art. 44, II, b, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/07. Da Impugnação Fl. 21371DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 8 7 A contribuinte impugna, requerendo a improcedência dos autos de infração (fl. 20.918). A defesa traz um breve relato histórico acerca do desenvolvimento do setor petroquímico nacional, com ênfase ao pólo baiano. Contém informações sobre a constituição da Copene – indústria produtora de insumos básicos (primeira geração) – em 1972, mediante aplicação exclusiva de capital estatal (Petroquisa/Petrobras). Discorre sobre o processo de privatização da Copene e da transferência de seu controle para a Norquisa – empresa constituída pelos fabricantes de produtos petroquímicos básicos (segunda geração) do polo de Camaçari. Destaca que os partícipes do setor petroquímico iniciaram um processo de reestruturação do segmento, com objetivo de vencer a crise então existente e melhorar a sinergia entre as indústrias de primeira e de segunda geração, mediante ganhos de escala e desatamento do nó societário provocado pela miríade de relações no controle da Copene. O objetivo final seria a transformação da Copene na empresa líder no mercado de resinas termoplásticas da América Latina. As principais razões apresentadas pela defendente estão elencadas a seguir: a) o direito de a fazenda lançar tributos em relação ao ágio formado em 2001 decaiu, considerando ainda que a primeira amortização do ágio ocorreu em 2006 (incorporação Polialden) e 2007 (incorporação Politeno); b) as operações societárias realizadas, que resultaram no aproveitamento fiscal de ágio, foram lícitas e decorrentes de legítimos objetivos empresariais; c) não houve ágio gerado internamente, pois não havia controle comum entre o alienante e o efetivo adquirente da participação societária com ágio, mas sim a participação de terceiros; d) o valor da aquisição foi determinado em condições de livre mercado (leilão) e convalidado por três laudos de avaliação independentes; e) houve pagamento do ágio amortizado e tributação de todo o ganho de capital pela alienante da participação societária em 2001; f) a aquisição das quotas da Intercapital com ágio fundado na rentabilidade futura da Polialden e Politeno teve nítido propósito negocial, pois representou a primeira e mais importante etapa dareestruturação do polo petroquímico de Camaçari e formação da Braskem; g) o direito à dedutibilidade fiscal deve ser reconhecido, independentemente das orientações contábeis: a restrição à amortização fiscal de ágio interno somente surgiu com a edição da Lei 12.973/14 e, portanto, não pode ser aplicada retroativamente; h) as regras, vedações e restrições previstas para a apuração do lucro real não se aplicam para a CSLL no que se refere à possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio; Fl. 21372DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 9 8 i) não há tipificação da multa isolada; j) é impossível a concomitância da multa isolada com a multa de ofício; k) as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não foram adequadamente recompostas para a constituição dos créditos tributários; e l) são inaplicáveis juros sobre a multa de ofício. Da decisão de 1° instância Em decisão de 29/06/15, a 1° Turma da DRJ/POA, julgou a Impugnação parcialmente procedente para manter integralmente as exigências de IRPJ e CSLL e para reduzir as multas isoladas, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. A geração de ágio em operações societárias levadas a efeito apenas dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas, sem comprovação de efetivo ônus para a adquirente da participação societária e com uso de empresa de curta duração constitui prova da artificialidade e da falta de fundamento econômico do ágio, tornando inválida a sua posterior amortização. INCENTIVO FISCAL. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. DEDUÇÃO. FORMALIZAÇÃO. O auto de lançamento ou o processo administrativo fiscal não se constituem em instrumentos jurídicos apropriados para o sujeito passivo formalizar ou elevar o montante da dedução do incentivo fiscal do PAT. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. Fl. 21373DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 10 9 O gozo da isenção ou redução do imposto como incentivo ao desenvolvimento regional e setorial depende de escrita mercantil regular. A recomposição do lucro da exploração não se justifica com a superveniência de lançamento de ofício. TRIBUTO A PAGAR. DEDUÇÃO DE ANTECIPAÇÕES E RETENÇÕES NA FONTE. A dedução de antecipações e retenções na fonte constitui faculdade cujo exercício depende da manifestação do sujeito passivo na DIPJ. O auto de infração ou a impugnação não são os instrumentos adequados para formalizar tal dedução. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. As despesas desnecessárias também são indedutíveis na determinação da base de cálculo da CSLL. MULTA ISOLADA. A multa de 50%, aplicada isoladamente, incide sobre as estimativas mensais devidas e não recolhidas, quando o contribuinte é tributado pelo lucro real anual, ainda que tenha sofrido prejuízo fiscal ou apresente base de cálculo negativa de CSLL no anocalendário correspondente. Recurso Voluntário e Recurso de Ofício Em razão de mencionada decisão, foi apresentado um extenso Recurso Voluntário através do qual o Recorrente ratifica suas alegações de Impugnação, bem como, fora apresentado Recurso de Ofício em razão da parte do débito que fora cancelada. Parecer da FIPECAFI Posteriormente, a contribuinte apresentou Parecer elaborado pela FIPECAFI, no qual foram analisadas as operações ora em debate e, posteriormente, respondidos quesitos apresentados pela contribuinte dos quais destaco: Quesito 1: Quem efetivamente suportou o pagamento à Nova Odequi, Pronor e CBP, em contrapartida à aquisição das quotas da Intercapital no âmbito do leilão dos Ativos Nordeste Operacionais? Conforme comentado anteriormente, antes do leilão importantes acionistas da COPENE, como Petros, Previ e Petroquisa, se comprometeram, por meio de Memorandos de Entendimento com os Grupos Odebrecht e Mariani, em adquirir os ativos petroquímicos de segunda geração em condições de mercado, Fl. 21374DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 11 10 bem como a própria COPENE, por meio de deliberação de seu Conselho de Administração, se comprometeu a adquirir os ativos leiloados do vencedor do Leilão, nas condições e preço especificados no certame. Portanto, a aquisição das quotas da Intercapital detidas por Nova Odequi (Grupo Odebrecht), Pronor e CBP (Grupo Mariani), embora tenha sido formalmente realizada pela Nova Camaçari Participações Ltda., , foi, em essência, suportada pela COPENE. É importante ressaltar aspectos da reestruturação societária ocorrida, embora apenas as referidas quotas tenham sido objeto da autuação que ora analisamos. Vejamos inicialmente trechos da nota explicativa às Demonstrações Contábeis da Nova Camaçari em 31/08/2001 (valores expressos em milhares de reais): (...) Quesito 2: A parcela do ágio pago pela Nova Camaçari à Nova Odequi, Pronor e CBP, referente à aquisição das quotas da Intercapital,foi corretamente contabilizada ou se tratou de ágio gerado internamente? Mais especificamente, o registro do referido ativo ocorreu em conformidade com as normas contábeis aplicáveis, sobretudo considerando o teor do Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 01/2007? A análise do caso indica claramente que o ágio registrado decorreu de transações entre partes independentes, e portanto os aspectos levantados em relação ao Ofício Circular CVM/SNC/SEP nO01/2007, que inclusive é posterior aos fatos, não são aplicáveis. Ainda, ressaltese que o valor pago pela opção de quotas do Grupo Mariani bem ilustra o fato de ser uma operação que envolve grupos independentes, tendo em vista se tratar de organização distinta da Odebrecht. Em julho de 2001, a Nova Camaçari Participações S.A. adquiriu as quotas da Intercapital, junto a Nova Odequi, Pronor e CBP, com ágio de R$ 397 milhões, e fez uso da legislação vigente à época para registrar em seus livros contábeis toda a movimentação econômica que envolveu a operação. (...) IV. CONCLUSÃO Com base na análise dos documentos e informações que nos foram encaminhados,concluímos que: (1) A essência das operações indica que foi a COPENE a real adquirente, sendo que os efeitos econômicos, e correspondentes reflexos contábeis se dariam caso formalmente o tivesse realizado diretamente, considerandose obviamente as mesmas condições de mercado adotadas, com a utilização da Nova Fl. 21375DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 12 11 Camaçari. Ainda, o aspecto da opção de compra pelo Grupo Mariani corrobora a existência de partes independentes; (2) Os ágios registrados pela Nova Camaçari por conta do leilão da ESAE, incluindo aquisições em condições equivalentes da Intercapital e do BNDESPar, foram adequadamente contabilizados, conforme as normas legais e contábeis da época; (3) No processo de incorporação da Nova Camaçari e da Intercapital pela COPENE, os ágios existentes foram adequadamente contabilizados, de acordo com as normas legais e contábeis da época; (4) A amortização desse ativo diferido pela COPENE (atual BRASKEM) encontra igualmente respaldo na regulamentação legal e contábil; (5) Esse tratamento não era condenado por órgãos reguladores da profissão contábil; ao contrário, tratavase de prática regulamentada, aceita e praticada, tanto é que jamais foi questionada pelos auditores independentes ou pelos órgãos reguladores de qualquer das empresas envolvidas; (6) A Lei das Sociedades por Ações, em seu artigo 248, o DecretoLei no 1.598, artigo 20 e a Lei 9.532/97, arts. 7° e 8°, e a regulamentação da CVM também não faziam qualquer restrição ao registro desses ágios, inclusive os casos em que se tratavam de empresas sob controle comum, o que no caso concreto não é realidade, dada a complexa teia de controle compartilhado, inclusive participações recíprocas então existente; e (7) Entendemos finalmente que a complexa reorganização, realizada entre partes independentes, justificase pelos aspectos extrafiscais demonstrados nos autos. Manifestação da PGFN Chama a se manifestar acerca do parecer apresentado, a PGFN apresentou manifestação que rebate a conclusão do parecer , conforme trecho que abaixo transcrevo: A conclusão do parecer juntado aos autos não é correta uma vez que o seu conteúdo não analisou os principais aspectos que atestam a natureza interna do ágio, quais sejam: primeiro, o fato de a decisão da COPENE de adquirir as quotas da INTERCAPITAL ter sido adotada pelos Grupos Odebrecht e Mariani, os quais, conforme o próprio parecer atesta, eram os controladores da INTERCAPITAL; segundo, o pagamento decorrente dessa aquisição foi interno com relação a esses Grupos. Com efeito, o parecer conclui pela dedutibilidade do ágio com base em uma principal premissa: os Grupos Odebrecht e Mariani não eram controladores da COPENE. Sendo assim, Fl. 21376DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 13 12 “claramente” (como o opinativo diz) o ágio decorreu de uma efetiva aquisição. Todavia, o parecer deixou de analisar como e por quem foi tomada a decisão da COPENE de adquirir as quotas da INTERCAPITAL. Tal como ressaltado em sede de contrarrazões, embora os Grupos Odebrecht e Mariani não detivessem o controle da COPENE antes do leilão, a decisão dessa empresa de adquirir as quotas da INTERCAPITAL foi tomada por esses Grupos, de acordo com Memorandos de Entendimentos assinados com outros acionistas dessa companhia. Conforme tais Memorandos, os quais já identificavam os Grupos Odebrecht e Mariani como CONTROLADORES, caso os Grupos adquirissem o controle da COPENE por meio do leilão, essa empresa estava obrigada a comprar as quotas da INTERCAPITAL, as quais pertenciam justamente a esses Grupos. Ora, não há como, portanto, considerar que tal aquisição foi entre partes independentes. A compra das quotas da INTERCAPITAL não foi realizada com base na decisão dos controladores da COPENE antes do leilão, mas sim dos Grupos Odebrecht e Mariani, os quais eram os detentores dessas mesmas quotas. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, merece ser acolhido. O Recurso de Ofício também merece ser conhecido. Resumo dos fatos A autuação se refere à glosa da dedução de ágio pela Braskem, ora Recorrente, no valor de R$ 397,3 milhões, que fora gerado na operação de aquisição da empresa Intercapital, cujo valor se refere à rentabilidade futura de duas empresas controladas pela Intercapital que são a Politeno Indústria (R$ 193,9 milhões) e Polialden Petroquimica (R$ 203,4 milhões). Entendeu a fiscalização se tratar de ágio interno e artificial. Isso porque, segundo a Fiscalização, a empresa Nova Odequi, controladora da empresa Intercapital, que Fl. 21377DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 14 13 fora alienada através de leilão, e a empresa Nova Camaçari, que figurou como arrematante, eram ambas empresas do mesmo grupo Grupo Odebrecht. Como detalhadamente descrito no relatório, foram diversas operações societárias ocorridas entre o momento do nascimento do ágio e sua efetiva dedução pela ora Recorrente. O fluxo de pagamento pode ser assim resumido: Assim, o presente voto deverá avaliar se, de fato, tal ágio fora gerado intragrupo e de forma artificial. Preliminar Decadência Alega a Recorrente a ocorrência da decadência, vez que o ágio em debate fora gerado em operação ocorrida no ano de 2001, mais de cinco anos antes do lançamento. Não compartilho do mesmo entendimento. O fato gerador tributário é evento completamente distinto do negócio jurídico que originou o ágio. Neste sentido, apenas a ocorrência do fato gerador, previsto na hipótese de incidência tributária, é que dá nascimento à obrigação tributária. Nos termos do art. 150, § 4º, Fl. 21378DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 15 14 do CTN, somente a partir deste momento é que a autoridade tributária conta com cinco anos para constituir o respectivo crédito tributário. No caso em tela, o prazo decadencial do fisco começa a ser contado a partir do momento em que a ora Recorrente passa a amortizar e deduzir o ágio e não no nomento em que tal ágio foi gerado. Não há como concordar com o racional da Recorrente no sentido de que o fisco não poderia mais desafiar a formação do ágio, pois, tal racional configura verdadeiro desrespeito ao disposto no art. 37 da Lei 9.430/96. Neste sentido, faço uso de mesma jurisprudência utilizada pela decisão da DRJ: DECADÊNCIA. FATOS COM REPERCUSSÃO EM PERÍODOS FUTUROS. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. (Carf, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão 1102000.875, sessão de 12/6/13 – Matéria: amortização de ágio) DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. (Carf, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão 1402001.337, sessão de 6/3/13). Neste sentido, afasto a preliminar de decadência. Mérito A questão posta se refere à determinar se o ágio nascido na empresa Intercapital foi gerado internamente (intragrupo) ou não. A Recorrente alega que não havia qualquer relação de dependência entre a sociedade alienante (Nova Odequi) da Intercapital e a adquirente (Nova Camaçari), ambas integrante do Grupo Odebrecht. Isso porque, defende a Recorrente que a adquirente real das quotas da empresa Intercapital fora a empresa Copene, cujo controle era exercido pela Norquisa, sendo Fl. 21379DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 16 15 que o grupo Odebrecht não possuia o controle da Copene, ainda que se considerasse conjuntamente a parcela detida pelo grupo Mariani. Ainda segundo a Recorrente, o grupo Odebrecht adquiriu da empresa Petronor, o capital votante da Norquisa (23,69%), garantindolhe o controle indireto da Copene (real adquirente da Intercapital) se considerada em conjunto com a participação detida pelo grupo Mariani. As demais participações tiveram a Copene como adquirente. Cabe ressaltar aqui, a fiscalização não contesta que o ágio fora efetivamente pago, contudo, alega se tratar de ágio interno vez que muito embora a Nova Camaçari tenha efetuado o pagamento à Nova Odequi pela aquisição da Intercapital, tais empresas e a Copene eram todas controladas pelo grupo Odebrecht, configurando o chamado "ágio interno". Discordo do agente fiscal neste ponto. Conforme o conjunto de informações e documentos acostados aos autos (cuja veracidade não fora contestada pela fiscalização), o gatilho do conjunto de operações societários foi a necessária efetivação do leilão público dos ativos do Grupo Econômico, que não possuía qualquer relação com o grupo Odebrecht, o que só viria a acontecer após a autorização do Banco Central do Brasil que na época estava em pleno processo de intervenção no Grupo Econômico. Neste sentido, me parece que as condições iniciais da operação foram estabelecidas dentro de um ambiente competitivo de livre mercado, vez que qualquer pessoa teria condições de dar lances.Além disso, o preço de aquisição estava respaldado em 03 laudos de avaliação distintos. Cabe ressaltar aqui, tivemos no conjunto de operações societárias, a participação de 03 grupos distintos (Econômico, Odebrecht e Mariani) além da própria empresa Copene cujo controle era compartilhado por diversos grupos econômicos, dentre os quais Mariani, Dow, Ultra, Petroquisa, Petros e Previ. Conforme consta nos autos, tais grupo ou empresas não possuiam controlador em comum ou qualquer outra evidência de dependência entre elas. Neste sentido, destaco aqui a operação em que as empresa Odequi (Grupo Odebrecht) e Pronor Petroquimica e CBP (Grupo Mariani) firmam em 20/09/00, contratos de opção de Compra de Quotas da Intercapital (onde surgiu o ágio), onde ao final o Grupo Mariani saiu com 49% das quotas. Cabe mencionar, neste tipo de operação societária complexa, formada por diversas etapas e empresas, é de suma importância investigar e identificar qual das partes efetivamente pagou pela participação societária precificada com ágio, ou seja, quem arcou com o ônus financeiro do qual se originou o ágio. Neste ponto específico, o parecer da Fipecafi juntado aos autos chegou à conclusão de que, muito embora a aquisição tenha sido realizada do ponto de vista formal pela empresa Nova Camaçari Participações Ltda., em essência, quem suportou o ônus financeiro foi a empresa Copene. Isso porque, conforme demonstrado nos autos, temos que a empresa Nova Camaçari efetuou o pagamento pelas quotas da Intercapital quando figurou como ganhadora do do leilão de 25/07/2001, contudo, na sequência, a Nova Camaçari foi adquirida e finalmente incorporada pela empresa Copene, empresa esta última que não era controlada do Grupo Odebrecht na época. Fl. 21380DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 17 16 Não á toa, o parecer da Fipecafi, com o qual me alinho, conclui que a operação que gerou o ágio envolveu partes independentes, não havendo que se falar em ágio interno. Em suma, temos que o ágio gerado na aquisição da Intercapital, fora efetivamente pago, tem rastro econômico, tendo decorrido de operação realizada em ambiente de leilão público, tendo o preço sido definido por terceiros (no caso o Grupo Econômico sob intervenção do Banco Central do Brasil) e ratificado por 03 laudos distintos de avaliação e tendo como partes empresas de grupos econômicos distintos. Assim, discordo do entendimento da fiscalização de que a operação se tratou de operação intragrupo que tenha gerado um ágio interno e, por consequência, discordo também que os valores envolvidos que deram origem ao ágio, tenham sido criados de forma artificial. Da amortização e dedução do ágio interno Ainda que os elementos de prova trazidos aos autos não fossem suficientes para afastar o entendimento de que a operação gerou um ágio interno, tenho que no presente caso o aproveitamento do ágio não deveria ser glosado. A autoridade fiscal se vale de normas e doutrina contábil, para concluir que é vedada dedução da despesa de amortização de ágio originado em operações entre partes ligadas. Contudo, invoco aqui o Princípio da Legalidade para concluir que tal racional é infundado. Da leitura dos art. 385 e 386 do RIR/99 podemos concluir que o ágio decorrente de operações realizadas entre partes ligadas, por si só, não implica na respectiva impossibilidade de dedução. Isso porque, não há qualquer vedação legal à dedução do chamado ágio interno, da mesma forma que não existe qualquer determinação de que o ágio seja originado em operação entre partes independentes para que seja válida a respectiva dedução fiscal, sendo totalmente descabida a autuação baseada, tão somente, em normas e princípios contábeis. Ora, a Lei nº 11.638/2007 que introduziu no Brasil o IFRS, prevê a segregação dos sistemas contábil e fiscal e, isso já é reconhecido pela própria PGFN, conforme se verifica da leitura do Parecer PGFN/CAT/nº 202/13: " (...) O que se verificou, a partir da Lei nº 11.638, foi uma profunda mudança em conceitos básicos da própria contabilidade mercantil brasileira, rompendo com práticas que até então eram adotadas para a demonstração do patrimônio líquido das entidades e dos seus lucros. Tal rompimento atingiu até os Princípios Fundamentais de Contabilidade aprovados pela Fl. 21381DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 18 17 Resolução nº 750, de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade, que outrora eram chamados “princípios contábeis geralmente aceitos” e assim estão referidos no art. 177 da própria Lei nº 6.404. Com efeito, desde época imemorial o lucro sujeito à incidência tributária é o apurado na contabilidade comercial, a partir do qual são feitos ajustes de natureza exclusivamente fiscal, determinados pela legislação do IRPJ (e mais recente pela da CSL) com vista à quantificação das respectivas bases de cálculo. Tais ajustes, como se sabe, são os de receitas não tributáveis ou com tributação diferida, e os de custos ou despesas não dedutíveis ou com dedução diferida, assim como os dedutíveis até certo limite de valor ou sob determinadas condições, e também aqueles que recebem algum tratamento especial, inclusive a título de incentivo fiscal, procedendose, por fim, à compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores. Ocorre que as modificações na contabilidade, estribadas na lei nº 11.638, não mais permitem a partida, pura e simplesmente, do lucro líquido contábil, com vistas ao cálculo do lucro tributável. Isto ficou assim em virtude de que tanto as normas contábeis, inclusive e especialmente as normas jurídicas sobre contabilidade refletidas na Lei nº 6.404, quanto as normas tributárias estavam construídas sobre alicerces comuns, os quais faziam com que elas caminhassem lado a lado, sem muitos conflitos, e distanciandose apenas quando as leis tributárias determinassem algum tratamento fiscal a este ou aquele componente do lucro, diferente do que figurava na contabilidade. (...)”. 13. Tornouse necessária a adoção de uma alternativa legal que preservasse a incidência tributária dos efeitos imprevistos e, até então, imprevisíveis, trazidos pela Lei nº 11.638, de 2007. Foi nesse cenário que veio a lume o Regime Tributário de Transição, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, mediante o qual se buscava neutralidade fiscal, conforme já devidamente explicitado na Nota Técnica da RFB. 14. Com efeito, a intenção do RTT foi manter os critérios contábeis previstos na Lei nº 6.404, de 1976, antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007, de forma a que as novas regras contábeis não influenciassem a apuração dos tributos respectivos (IRPJ, CSLL, PIS/COFINS). No que concerne ao IRPJ e CSLL, tributos mais afetados diretamente pelas referidas regras, por terem como base de cálculo o lucro real, o RTT determina que o lucro a ser considerado como base para a quantificação do lucro real deve desconsiderar, para sua composição, as regras contábeis trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. 15. O RTT procurou, enfim, manter os procedimentos tributários utilizados antes do advento da Lei nº 11.638, de 2007. A partir dele, houve uma separação de mundos que até então tinham suporte comum. O RTT é o divisor de águas. A contabilidade Fl. 21382DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 19 18 societária tomou um rumo e a fiscal outro, sendo que tal Regime atingiu todas as disciplinas referentes à tributação. (...) 17. Efetivamente, os artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941, de 2009, expressamente determinam a observância, para fins tributários, dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, até que entre em vigor lei que discipline os efeitos tributários desses novos métodos e critérios contábeis, ou seja, a legislação tributária vigente nessa época permanece aplicada não sendo considerados os efeitos dos novos critérios contábeis. Dizer diferente significa dar efeito tributário às alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007, o que não se pode admitir em face dos claros mandamentos da Lei nº 11.941, de 2009. ... 31. Assim, tendose em mente que as regras contábeis instituídas pela Lei nº 11.638, de 2007, não podem gerar efeitos tributários, nem servir ao cálculo de tributos, parece claro que os lucros ou dividendos não sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte são os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados segundo as normas tributárias vigentes a partir do advento do Regime Tributário de Transição (RTT), o “lucro fiscal”, e, portanto, regras societárias originais da Lei nº 6.404, de 1976, anteriores à Lei nº 11.638, de 2007. A própria Administração Tributária reconhece deve haver total separação dos sistemas contábil e fiscal, sob pena de os novos conceitos trazidos pelas novas regras, como a avaliação do patrimônio a valor justo, valor de mercado, etc., interferissem indiretamente na base de cálculo dos tributos com conseqüente redução na arrecadação tributária. Na realidade do caso concreto, a autoridade fiscal para considerar ter havido infração e fraude, partiu de premissas equivocadas à luz da “teoria contábil, só que esta teoria está lastreada em regras contábeis editadas em períodos posteriores aos fatos ocorridos. Aceitarse tal interpretação implicaria, de uma só vez, em macular dois princípios da ordem jurídica pátria, a legalidade e a irretroatividade. Ora, se nem a lei pode retroagir, muito menos a interpretação. Somente à partir da Lei 11.638/2007, é que passou a ser exigido o resultado consolidado do grupo e foi vedada, a partir de então, apenas para fins societários, a utilização do chamado ágio gerado internamente. Tudo regulado pelos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC. Tal conclusão é de fácil verificação, haja vista que a Lei nº 11.941/2009 criou o RTT exatamente para regrar essas separações de sistemas e, da simples leitura do texto legal constatase que o conceito de balanço consolidado não foi aceito pela lei fiscal, bem assim, as regras de dedutibilidade do ágio continuaram plenamente em vigor, eis que, além de não existir na lei fiscal vedação ao ágio gerado internamente dentro do grupo, a lei também não exigiu que houvesse propósito negocial ou pagamento. Fl. 21383DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 20 19 Portanto, se não por outros motivos, ainda que se admitisse a possibilidade de se transportar para a área fiscal a nova interpretação das regras contábeis, digase de passagem, não da lei societária, mas de pronunciamentos do CPC, aplicáveis a partir de 2010, ainda assim, pelo princípio da irretroatividade tal interpretação não poderia retroagir para alcançar fatos anteriores à sua existência. Ora, cabe ressaltar aqui que todo o tratamento fiscal vigente à época dos fatos, entendase aqui, os artigos 385 e 386 do RIR/99, faz todo sentido, pois, o ágio decorre da aquisição de um investimento por seu valor de mercado, superior ao valor contábil do investimento e, tal condição, é exigida pelo legislador em outras hipóteses de operações entre partes relacionadas vide as regras de Transfer Pricing e de Distribuição Disfarçada de Lucros. DDL. Sempre que se avalia uma operação entre partes relacionadas, a primeira providência que se toma é verificarse se a operação se deu em condições "Arm's Lenght". Por que, numa aquisição de investimento, o Fisco entende de forma oposta e conclui que, se a operação se deu a valor de mercado, então, se trata de verdadeiro planejamento tributário ou, simplesmente, o ágio é indedutivel? Se uma determinada empresa possui bem totalmente depreciado em sua contabilidade e o vende por 1 centavo para empresa ligada, podemos considerar que se trata de operação Arm's Lenght? Então, quando se trata de investimento, por que a adoção de condições de mercado coloca a operação em condição suspeita, ou pior, em condição tributária menos favorecida (despesa indedutível)? Não parece razoável. Vejamos alguns julgados do CARF neste sentido: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Fl. 21384DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 21 20 (Acórdão n. 1301001.224 1. Turma 3. Câmara 1. Seção) INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EMPRESAS DO MESMO GRUPO O registro foi expressamente admitido pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, não podendo a administração tributária recusar lhe os efeitos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.542/97. EFEITOS DO ART. 36 DA LEI Nº 10.637/2002 O art. 36 da Lei nº 10.637/2002 autorizou o diferimento da tributação do ganho de capital, representado pela reavaliação de participação societária para fins de incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, para o período base em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. A incorporação, da pessoa jurídica para a qual foi transferido o investimento, pela pessoa jurídica investida, implica realização prevista no § 1º do art. 36 (baixa a qualquer título), fazendo cessar o diferimento do valor controlado no LALUR. A hipótese não se encontra abrangida pela exceção prevista no § 2º do artigo, por não ocorrer transferência da participação ao patrimônio de outra pessoa jurídica, mas sua extinção por confusão patrimonial entre investidora e investida. (Acórdão 1301001.299 1. Turma 3. Câmara 1.Seção) Cabe ressaltar, somente a partir da edição da Lei n. 12.973/14 é que o chamado ágio interno passou a ser indedutível. Assim, por expressa previsão legal, já não é mais permitida a dedução do ágio formado intragrupo. Contudo, tal normativo, por óbvio, não pode ter efeitos retrospectivos e alcançar as operações que ocorreram antes de sua edição, como é o caso em tela. Além disso, a lei vem sempre para inovar o ordenamento jurídico e assim, por conclusão lógica, temos que o chamado ágio interno não era vedado antes da edição da Lei n. 12.973/14. Pensar de forma distinta seria admitir que a Lei n. 12.973/14 veio somente para "confirmar" o que já era previsto de forma "implícita" na Lei n. 9.532/97. Em razão do exposto, entendo que ainda que entendido que o ágio ora em debate tenha sido originado em operação perpetrada entre empresas do mesmo grupo econômico, tal fato, por si só, não prejudica a dedução da despesa de amortização de ágio pela Recorrente. Para desqualificar a operação e glosar o aproveitamento do ágio, não pode a fiscalização, simplesmente, argüir que o ágio fora gerado internamente e adotar tal motivo, per Fl. 21385DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 22 21 si, como suficiente para o lançamento. Deve o fisco demonstrar que o ágio gerado decorreu de atos simulados ou perpetrados com abuso de direito. Contudo, a própria demonstração de que além do caminho efetivamente escolhido pela contribuinte, haviam outros caminhos igualmente válidos e legais, que levariam ao mesmo resultado, já constitui forte evidência da inexistência de elementos que desqualifiquem o aproveitamento do ágio no caso em tela, vejamos aqui, trecho do parecer do FIPECAFI: Quesito 4: O referido ágio, originalmente registrado pela Nova Camaçari, seria igualmente pago e contabilizado pela Copene / Braskem nos seguintes cenários alternativos? a) Copene, sagrandose vencedora do leilão dos Ativos Nordeste Operacionais, adquire as quotas de emissão da Intercapltal detidas pela Nova Odequi, nas mesmas condições e preço determinados no lellão; e b) Nova Odequi não exerce seu direito de venda conjunta no âmbito do leilão e aliena, posteriormente, a preço de mercado, sua participação societária na Inter capital à Copene. A Nova Camaçari, após vencer o leilão, foi incorporada pela COPENE (BRASKEM). Caso fosse esta que tivesse adquirido diretamente os ativos leiloados, pelo mesmo preço e condições efetivamente ocorridas, os efeitos contábeis e fiscais seriam exatamente os mesmos. Por tudo que analisamos, e considerando as consequências da complexa reestruturação promovida, verificase que a COPENE (BRASKEM) foi a adquirente dos diversos ativos ("Nordeste Operacionais"), embora a Nova Camaçari tenha sido a vencedora do leilão. Na sequência, e tendo e vista a imediata incorporação da Nova Camaçari pela COPENE, foi esta que liquidou o passivo gerado na compra dos ativos. Conforme se verifica de diversos documentos, por exemplo ata do Conselho de Administração da COPENE, em 24/07/2001 (um dia antes do leilãO),onde se lê: V. O projeto de restruturação do Pólo de Camaçari que aqui se apresenta visa a aquisição pela Copene dos Ativos Nordeste Operacionais, após o descruzamento societário, junto a empresas controladas pelo Grupo ou Grupos vencedores do leilão de venda de certos ativos operacionais do Pólo Petroqufmico de Camaçari ('Leilão'), sejam elas quais forem; VI Em vista do acima exposto, é essencial que o Conselho de Administração autorize, de forma impessoal e imparcial, a aquisição pela Copene dos Ativos Nordeste Operacionais, desde que atendidas as condições previstas nos Anexos 1 e 2 desta Proposta. E. nessa oportunidade (do leilão, e portanto a geração do ágio) a COPENE não era controlada pelo Grupo Odebrecht. Isso descaracteriza a ocorrência de ágio interno, muito embora a Fl. 21386DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 23 22 regulamentação então vigente (Le. artigo 248 da Lei 6.404/76, artigo 20 do DecretoLei 1.598/77, e artigo 7° da Lei 9.532/97) sequer fizesse restrição a operações que envolvessem empresas sob controle comum. Nessa intrincada composição acionária da COPENE à época, caso a Nova Odequi (empresa holding do Grupo Odebrecht no setor petroquímico à época) não exercesse seu direito de venda conjunta no leilão, como de fato ocorreu, alienando posteriormente sua participação na Intercapital à COPENE, os efeitos seriam os mesmos, observandose obviamente as condições de mercado. Dessa forma, com ou sem a utilização da Nova Camaçari, os efeitos decorrentes da aquisição da participação da Intercapltal ocorreriam na COPENE (BRASKEM),tal e qual as demais partes adquiridas no leilão. Por fim, temos que: i) o ágio fora gerado em operação entre partes independentes; ii) o valor do ágio fora efetivamente pago; iii) o preço praticado fora determinado por terceiros (Grupo Econômico) e ratificado por 03 laudos de avaliação distintos; iv) houve efetiva confusão patrimonial entre investidora (Copene) e investidas (Politeno e Polialden) e v) ausente qualquer evidência de artificialidade ou simulação no caso em tela. Além disso, diante da falta de evidência de que os atos ou valores envolvidos foram simulados ou artificiais, ainda que fosse considerado que o ágio fora gerado intragrupo, tal fato, por si só, não invalida a dedução do ágio, desde que os demais requisitos previstos em lei seja preenchidos. Multas Isoladas A contribuinte argumentou que o agente fiscal cometeu erros que resultaram em indevido aumento total de multa isolada exigida. Os erros se referem à valores considerados como saldos de IRPJ e CSLL pagos a maior por antecipação nos meses anteriores, consideração a menor do IRPJ pago em janeiro de 2010 e da CSLL devida e sujeita a recolhimento referente aos meses julho e agosto de 2010. Fl. 21387DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 24 23 A contribuinte apresentou, ainda em Impugnação, demonstrativos detalhados dos ajustes relacionados a cada um dos itens que abordou e que trata da recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL (fls. 17854/17866). Com nos demonstrativos apresentados, a própria DRJ concluiu ter restado inconteste a incorreção nos cálculos da autuação, conclusão com a qual concordo, isso porque,como bem destacado pela DRJ, não é possível que o somatório de valores positivos de meses anteriores possa gerar um resultado inferior em um mês posterior. Assim, acertada a decisão da DRJ no ponto em que reduziu as multas isoladas lançadas, não merecendo prosperar o Recurso de Ofício apresentado. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício para NEGARLHE Provimento e CONHEÇO do Recurso Voluntário para DARLHE Provimento. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 21388DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 25 24 Voto Vencedor Conselheira Eva Maria Los, Redatora Designada. 1 Estrutura do Conjunto de Sociedades 1. Anexei à pág. 21.362, gráfico demonstrativo da Estrutura do Conjunto de Sociedades que detinham participação nas empresas vendidas/compradas antes do Leilão Extrajudicial, obtido no recurso voluntário, à pág. 21.006 (também constante do Relatório): a. Grupo Suzano/Japão; b. Grupo Econômico, com as empresas ESAE, Conepar, Politeno, Polialden, Petronor, Norquisa, Copene (posteriormente Braskem); c. Grupo Odebrecht, com as empresas Odequi, Nova Odequi, Intercapital, QPP Química, Trikem, Trikem Participações, Proppet; d. Grupo Mariani, PQBA, Pronor, Nitrocarbono, Proppet; e. Grupo Ultra. 2 Síntese das operações societárias em análise. Apuração de ágio. 2. Apresento a seguir a síntese esquematizada, para maior compreensão, que foi apresentada na sessão de julgamento. "Os Autos de Infração de IRPJ e CSLL foram lavrados no regime do lucro real anual, com estimativas mensais, relativos às seguintes infrações: a) Infração 001 Glosa de amortização de ágio INTERNO, gerado em 2001, oriundo da rentabilidade futura das empresas Politeno Indústria e Comercio S.A, CNPJ n° 13.603.683/000113 e Polialden Petroquímica S/A, CNPJ n° 13.545.769/000137, com fatos geradores em 31/05/2009 (incorporação), 31/12/2009, 31/12/2010, 31/12/2011; estes ágios se originaram de: a.1) aquisição cotas Intercapital, incluso ágio Politeno, no valor de R$193.863.099,76; a.2) aquisição cotas Intercapital, incluso ágio Polialden, no valor de R$203.397.350,63: b) Infração 002 Adições não computadas, referentes a baixa indevida, na parte B do LALUR, compensação indevida de prejuízos e BC negativas CSLL, no Refis 09; fatos geradores em 05/05/2009, 31/12/2009, 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, decorrentes da infração 001,. c) Infração 003 Multas isoladas, devido ao não recolhimento estimativas mensais. *** A sequência dos fatos ocorridos foi a seguinte: 13/07/2001 Edital de Liquidação Extrajudicial dos ativos detidos pelo grupo Banco Econômico (ALIENANTE), no Pólo Petroquímico Camaçari que eram: 63,82% do Capital Votante CV e 56,31% do Capital Total CT da Cia Nordeste de Participações Conepar (citados como "Ativos Nordeste Operacionais"), por meio de sua subsidiária ESAE, págs. 14.718/14.736. A Odebrecht detinha 36,18% CV e 31,93% CT da Conepar (por meio das suas subsidiárias Odequi, Nova Odequi e Intercapital) O BNDES detinha 0% CV e 11,76% CT Tag Along: (ALIENANTES) Odebrecht(Odequi) e grupo Mariani(PQBA), direito de venda em conjunto dos Ativos Protocolo: Fl. 21389DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 26 25 100%da Intercapital, que era 100% Odebrecht) CV Proppet (Odebrecht 49%CV e grupo Mariani 51%CV) 1,66% CV e 0,60% CT Copene/Braskem, da Odebrecht 16,02% CV e 13,79% CT Norquisa (via Trikem, da Odebrecht) 16,07% CV e 13,83% CT Norquisa (via Pronor, 100% do gr Mariani) Preço Edital: ref.Conepar/ESAE, para Gr Econômico = valor mínimo de R$785.000.000,00 ref. Conepar/ESAE, para BNDESPAR, Tag Along ref . 11,76% do CT Tag Along Odebrecht (Odequi) e Mariani (PQBA) só se adquirente for terceiro Total 210% * 786 Milhões (ou proposta vencedora) = 1.650,6 Milhões ou < 864,6 Milhões preço mínimo ativos Tag Along *** 01/06/2000 constituída Enderbury Ltda (depois Nova Camaçari), com dois sócios, pessoas físicas e capital social de R$100,00, sociedade de propósito específico; 01/06/2000 a 15/07/2001 a Enderbury Ltda (depois Nova Camaçari), mantevese sem movimento neste período; 19/04/2001 a Nova Camaçari é convertida em S/A; 25/06/2001 os sócios pessoas físicas da Nova Camaçari transferem as ações, por doação, para Nova Odequi (99 ações) e Odequi (1 ação), restando dessa forma 100% detida pelo grupo Odebrecht. 16/07/2001 são eleitos diretores da Nova Camaçari ADQUIRENTE da Conepar/ESAE e dos Ativos Protocolo, que o Autuante destaca serem os mesmos diretores que os da Nova Odequi, que é a empresa do grupo Odebrecht ALIENANTE da Conepar/ESAE e dos Ativos Protocolo. *** 25/07/2001 (data do Leilão) ocorre a venda da Conepar/ESAE e dos Ativos Protocolo, entre os quais a Intercapita (100% Odebrecht)l. *** 25/07/2001 vencedor do Leilão ADQUIRENTE Nova Camaçari: . aquisição de 63,82% do Capital Votante CV e 56,31% do Capital Total CT da Conepar/ESAE . aquisição dos Ativos Protocolo . aquisição da participação do BNDESPAR na Conepar. fonte: pág. 14.754 (SEAE/MF Ato Concentração): Objeto da aquisição: i. Conepar/ESAE pelo preço mínimo R$785.000.000,00 ii. Intercapital da Nova Odequi (Odebrecht) R$444.980.000,00 iii. 11,76% CT Conepar, do BNDES R$163.997.000,00 iv. Proppet, 51% do gr Mariani; 49% Odebrecht R$23.535.000,00 v. Odequi (Odebrecht), controladora da Nova Camaçari, comprou da Nova Odequi (Odebrecht) ações da Copene/Braskem (Odebrecht) por R$8.127.000,00; vi. ref. Norquisa: Nova Camaçari adquiriu opções de compra, e cedeu opções de venda e finalmente as cedeu à Odequi (Odebrecht) Total R$1.425.629.000,00, sem considerar valor trocas de R$163.604.000,00 (o que totalizaria R$1.589.233.000,00). Pág. 14.755 DEAE/MF Ato de Concentração: Fl. 21390DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 27 26 Assim, a Nova Camaçari passou a deter 100% CV Conepar 100% CV Proppet 66,67% CV Polialden 35% CV Politeno E: . Nova Odequi (100% Odebrecht) comprou a participação da Petronor/Polialden, na Norquisa por R$ 241.952.764,56. Entre estas aquisições, ocorreu a aquisição pela Nova Camaçari (da Odebrecht) de 36,18% CV e 31,93% CT da Intercapital (valor com ágio): ref. Polialden R$203.397.350,63 ref Politeno R$193.863.099,76 TOTAL.......... R$397.260.450,39+ R$PL 47.720.000,00 = R$444.980.450,00 *** 27/07/2001 sócias da Nova Camaçari naquele momento (OPP Quimica e Odequi ambas 100% Odebrecht), alienam Nova Camaçari à Copene (Braskem), por R$100,00 (fonte: SEAE/MF Ato Concentração) 28/09/2001 Braskem incorpora Nova Camaçari (pág. 63 TVF) *** 10/200101/2002: Fonte: TVF págs. 50 Nova Camaçari e Copene/Braskem pagaram: a) R$ 241.952.764,56 para Nova Odequi: e BR$139.052.142,24 ref Intercapital para Nova Odequi Fonte: Impugnação págs. 14.623/14.624:: a) R$241.952.764,56 Nova Camaçari para Nova Odequi (100% Odebrecht), que endossou para 52102 Participações S/A (subsidiária Petronor, subsidiária da Polialden) ref aquisição 20,4 % do CT Norquisa, controladora da Copene/Braskem b) R$139.052.142,24 pela Copene/Braskem para Nova Odequi (100% Odebrecht) ref Acordo entre Mariani (Pronor/CBP) e Odebrecht depois Pronor/CBP cederam dir de compra da Intercapital à Nova Camaçari, que efetuou o pagamento (pagto pela cessão onerosa da Opção de Compra). (a) + (b) = 85,62% do total Fl. 21391DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 28 27 c) 14,38% = R$51.475.543,59 + R$12.500.000,00 para gr. Mariani d) TOTAL pago pela Nova Camaçari e (Copene)Braskem R$444.980.450,39 01/11/2001 Odequi (100% Odebrecht) incorpora Nova Odequi (100% Odebrecht) 31/03/2001 Braskem incorpora Odequi (100% Odebrecht) 31/03/2003 Braskem incorpora ESAE 28/09/2001 Braskem incorpora Intercapital 15/01/2004 Braskem incorpora Trikem (100% Odebrecht) 31/05/2006 Braskem incorpora Polialden 02/04/2007 Braskem incorpora Politeno E passa a amortizar ágio. 05/05/2009 Braskem incorporou Petroquímica Triunfo S/A (elaborou DIPJ, motivo da data base 05/05/2009, no auto de infração) *** A Nova Camaçari era empresa de propósito definido, cujo objetivo foi servir de meio para a concretização do Leilão, por meio do qual foi concretizada a reorganização societária, que concentrou as atividades de 1ª e 2ª geração na Copene/Braskem; o grupo Econômico se retirou, restando os demais. fonte: pág. 14.754 (SEAE/MF Ato Concentração): O grupo Odebrecht foi tanto vendedor como adquirente em parcela dos ativos da Politeno e Polialden, que detinha via a empresa Intercapital. fonte: Termo de Verificação Fiscal pág. 64: Após o Leilão, o ágio interno, bem como a obrigação de pagar, inicialmente estavam contabilizados na Nova Camaçari, porém, em 28 de setembro de 2001, a Copene/Braskem a incorporou internalizando o referido Ativo e Passivo. Conforme o gráfico demonstrativo da Estrutura do Conjunto de Sociedades, temse que as participações da Odebrecht via Odequi, Nova Odequi e Intercapital (todas 100% Odebrecht), antes do leilão eram: Polialden: 31,93% do CT da Conepar, que detinha 30,99% CT, resultando em 9,895% do CT; Politeno: 31,93% CT x 42,64%¨CT, resultando em participação de 13,61% do CT. Dessa forma, a proporção de ágio sobre a parcela alienada/ adquirida que lhe coube foi: Infração 001: Demonstrativo nº 01, pág. 65, Polialden Acórdão CARF Período Glosa ágio Intercapital/Polialden Glosa 9,895% até 05/2009 6.765.147,83 669.411,38 de 05 a 12/2009 13.530.295,66 1.338.822,76 2010 20.295.443,50 2.008.234,13 2011 12.213.811,64 1.208.556,66 Demonstrativo nº 06, pág. 67, Politeno Acórdão CARF Período Glosa ágio Intercapital/Politeno Glosa 13,61% até 05/2009 6.462.020,89 879.481,04 de 05 a 12/2009 12.924.041,77 1.758.962,08 2010 19.386.062,66 2.638.443,13 2011 11.308.536,55 1.539.091,82 Infração 002: Demonstrativo nº 01, pág. 65, Polialden Acórdão CARF Período Parte B LALUR Glosa 9,895% Fl. 21392DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 29 28 até 05/2009 6.515.023,63 644.661,59 de 05 a 12/2009 13.030.047,25 1.289.323,18 2010 19.545.070,89 1.933.984,76 2011 8.143.779,54 805.826,99 Demonstrativo nº 06, pág. 67, Politeno Acórdão CARF Período Parte B LALUR Glosa 13,61% até 05/2009 7.323.921,71 996.785,74 de 05 a 12/2009 14.647.843,41 1.993.571,49 2010 21.971.765,12 2.990.357,23 2011 21.971.765,12 2.990.357,23 2012 5.492.941,28 747.589,31 (...)" 3 Ágio de si mesmo. 3. Existem numerosos Acórdãos CARF referentes a ágio interno, gerado intra grupo econômico: Data da Sessão 06/04/2016 Nº Acórdão 9101002.301 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, conhecer por unanimidade de votos o Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito do tema ágio, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por unanimidade de votos. Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 .CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO.A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. (Grifouse.) Data da Sessão 20/09/2017 Nº Acórdão 1201001.896 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa, que lhe davam provimento.Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAno calendário: 2010, 2011, 2012 Fl. 21393DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 30 29 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO.Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. Data da Sessão 10/05/2017 Nº Acórdão 9101002.804 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, (i) quanto à decadência, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento e (ii) quanto ao ágio, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que lhe deu provimento. O conselheiro Gerson acompanhou a relatora pelas conclusões.Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO.Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico. Data da Sessão 10/08/2016 Nº Acórdão 1201001.470 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em segunda votação, por dar parcial provimento ao recurso, para afastar a qualificação da multa, reduzindoa para 75%, vencidos os conselheiros Luis Fabiano, José Roberto e Ronaldo Apelbaum, que lhe davam provimento e José Carlos e Ester Marques, que lhe negavam provimento. Designada a Conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Ronaldo entendeu que não era cabível a aplicação de multa e apresentará declaração de voto.(assinado digitalmente) Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2009, 2010 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. Data da Sessão 03/02/2016 Nº Acórdão 1401001.535 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício; II) Em relação Fl. 21394DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 31 30 ao recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: II.a) Por maioria de votos, CANCELAR as multas isoladas a partir de 2007. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto; II.b) Por maioria de votos, manter a glosa dos Juros sobre capital próprio (JCP). Vencido o Conselheiro Marcos de Aguiar Villas Boas; e II.c) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO. ABUSO DE DIREITO. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE.Na operação em que a controlada incorpora coligada imediatamente após esta ter adquirido suas quotas de capital, não se justifica o incorporador contabilizar ágio de si próprio. Data da Sessão 04/02/2015 Nº Acórdão 1301001.762 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, 1) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. 2) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PREMISSAS.As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o., inciso III, e 8o. da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto não há espaço para a dedutibilidade do chamado “ágio de si mesmo”, cuja amortização é vedada para fins fiscais, sendo que no caso em questão essa prática ocorreu. 4. A jurisprudência deste Conselho tem sido no sentido de exigir para a dedutibilidade do ágio, a presença dos seguintes características: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações entre partes não ligadas. 5. No presente caso, na fração da glosa que se considera procedente, a autuada deduziu ágio de si mesma, uma vez que já era detentora desta participação nas empresas Polialden e Politeno, antes das operações societárias. Fl. 21395DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 32 31 6. Obviamente, o contribuinte, busca a redução de custos e despesas, inclusive a redução dos tributos, porém, no presente caso, mesmo que tal ágio corresponda à realidade, as circunstâncias em que foi criado não permitem à Recorrente o gozo desse benefício fiscal. 7. Mesmo que reflitam a realidade de mercado e tenham objetivo negocial de desfazer o "nó societário", parte do valor das operações não se inseriu nas condições em que a jurisprudência do CARF prevê a dedutibilidade do ágio: que a outra parte seja independente (no caso, tratase dela mesma), que ocorra o pagamento ao terceiro não ligado. 8. Temse que pagamento foi efetuado, via Nova Camaçari (100% Odebrecht), que pagou à Nova Odequi (100% Odebrecht), R$241.952.764,56, isto é, de si mesma para si mesma, sendo que este valor representa 16,97% do total de R$1.425.629.000,00 da transação; e via Copene/Brasquem, pagou R$139.052.142,24 para Nova Odequi, sendo que este valor representa 9,75% do total de R$1.425.629.000,00 da transação. 9. Destacase que foram mantidas neste voto a glosa de 9,895% do ágio da Poliaden autuado, e a glosa de 13,61% do ágio da Politeno autuado; em valores, temse que o auto de infração glosou o total de R$102.885.360,50 de ágio, e este voto mantém a glosa de R$12.041.003,01, isto é 11,70%, portanto este valor da glosa mantida está compreendido no valor que a empresa pagou a si mesma na reorganização societária: Infração 001: Demonstrativo nº 01, pág. 65, Polialden Auto de Infração Acórdão CARF Período Glosa ágio Intercapital/Polialden Glosa 9,895% até 05/2009 6.765.147,83 669.411,38 de 05 a 12/2009 13.530.295,66 1.338.822,76 2010 20.295.443,50 2.008.234,13 2011 12.213.811,64 1.208.556,66 Total (1) 52.804.698,63 5.225.024,93 Demonstrativo nº 06, pág. 67, Politeno Auto de infração Acórdão CARF Período Glosa ágio Intercapital/Politeno Glosa 13,61% até 05/2009 6.462.020,89 879.481,04 de 05 a 12/2009 12.924.041,77 1.758.962,08 2010 19.386.062,66 2.638.443,13 2011 11.308.536,55 1.539.091,82 Total (2) 50.080.661,87 6.815.978,08 Total (1)+(2) 102.885.360,50 12.041.003,01 Percentual mantido 11,70% 4 Valores das infrações mantidos neste Acórdão. 10. A conclusão no voto vencedor é: a) Infração 001 despesa de amortização de ágio glosada Fato gerador Valor apurado 05/05/2009 R$(669.411,38+879.481,04=) 1.548.892,42 31/12/2009 R$(1.338.822,76+1.758.962,08=) 3.097.784,84 Fl. 21396DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 33 32 31/12/2010 R$(2.008.234,13+2.638.443,13=) 4.646.677,26 31/12/2011 R$(1.208.556,66+1.539.091,82=) 2.747.648,49 b) Infração 002 adições não computadas ao lucro real e à BC Fato gerador Valor apurado 05/05/2009 R$(644.661,59+996.785,74=) 1.641.447,33 31/12/2009 R$(1.289.323,18+1.993.571,49=) 3.282.894,66 31/12/2010 R$(1.933.984,76+2.990.357,23=) 4.924.342,00 31/12/2011 R$(805.826,99+2.990.357,23=) 3.796.184,22 31/12/2012 R$ 747.589,31 c) Infração 003 multas isoladas, estimativas mensais não pagas c.1) de IRPJ Fato gerador Valor mantido mai/09 99.698,12 jun/09 99.698,12 jul/09 1.876.992,46 ago/09 99.698,12 set/09 99.698,12 out/09 99.698,12 jan/10 2.697.780,86 jun/10 498.490,57 jul/10 12.837,29 ago/10 186.558,95 out/10 199.396,23 jan/11 68.164,92 mar/11 70.731,89 abr/11 64.196,91 mai/11 68.164,92 jun/11 68.164,93 c.2) de CSLL Fato gerador Valor mantido mai/09 35.891,32 jun/09 35.891,32 jul/09 35.891,32 ago/09 35.891,32 set/09 35.891,32 out/09 35.891,33 jan/10 35.891,32 mai/10 143.565,29 jun/10 35.891,32 jul/10 189.775,98 ago/10 419.399,52 Fl. 21397DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 34 33 out/10 71.782,64 jan/11 24.674,37 5 Demonstração da apuração dos valores a serem exigidos. 11. A seguir, as planilhas que evidenciam os cálculos dos valores que restaram mantidos, consoante o Acórdão. IRPJ e CSLL por período 01/01/200905/05/2009 AI DRJ Voto vencedor Resultado declarado 228.311.718,22 228.311.718,22 228.311.718,22 (+) infrações 27.066.114,05 27.066.114,05 3.190.339,75 Prejuízo do período compensado 27.066.114,05 27.066.114,05 3.190.339,75 Prejuízo do per anteriores compe 0,00 0,00 0,00 Valor tributável após compensação 0,00 0,00 0,00 IRPJ 0,00 0,00 0,00 Multa isolada IRPJ 0,00 0,00 0,00 CSLL 0,00 0,00 0,00 Multa isolada CSLL 0,00 0,00 0,00 06/05/200931/12/2009 AI DRJ Voto vencedor Resultado declarado 1.788.701.092,31 1.788.701.092,31 1.788.701.092,31 (+) infrações 54.132.228,10 54.132.228,10 6.380.679,50 Prejuízo do período compensado 54.132.228,10 54.132.228,10 6.380.679,50 Prejuízo do per anteriores compe 0,00 0,00 0,00 Valor tributável após compensação 0,00 0,00 0,00 IRPJ 0,00 0,00 0,00 Multa isolada IRPJ 5.074.896,39 6.852.190,73 2.375.483,05 CSLL 0,00 0,00 Multa isolada CSLL 1.826.962,70 1.826.962,70 215.347,93 01/01/201031/12/2010 AI DRJ Voto vencedor Lucro declarado após comp de prejuízod (DIPJ) 53.012.934,45 53.012.934,45 53.012.934,45 (+) infrações 81.198.342,17 81.198.342,17 9.571.019,26 Prejuízo do período compensado 0,00 0,00 0,00 Prejuízo do per anteriores compe 0,00 0,00 0,00 Valor tributável após compensação (*) 81.198.342,17 81.198.342,17 9.571.019,26 IRPJ 15% 12.179.751,33 12.179.751,33 1.435.652,89 AIR 10% 8.119.834,22 8.119.834,22 957.101,93 IRPJ a exigir 20.299.585,54 20.299.585,54 2.392.754,81 Multa isolada IRPJ 19.599.552,62 11.056.243,38 3.595.063,90 CSLL a exigir 9% 7.307.850,80 7.307.850,80 861.391,73 Fl. 21398DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 35 34 Multa isolada CSLL 9.928.443,75 3.582.330,68 896.306,07 (*) apuração realizada sobre o valor do lucro não oferecido à tributação, apurado no AI 01/01/201131/12/2011 AI DRJ Voto vencedor Resultado declarado 76.864.347,93 76.864.347,93 76.864.347,93 (+) infrações 53.637.892,85 53.637.892,85 6.543.832,70 Prejuízo do período compensado 53.637.892,85 53.637.892,85 6.543.832,70 Prejuízo do per anteriores compe 0,00 0,00 0,00 Valor tributável após compensação (*) 0,00 0,00 0,00 IRPJ 0,00 0,00 0,00 Multa isolada IRPJ 5.507.125,07 3.282.802,33 339.423,57 CSLL 0,00 0,00 0,00 Multa isolada CSLL 1.662.109,15 771.445,52 24.674,37 01/01/201231/12/2012 AI DRJ Voto vencedor Resultado declarado 1.160.099.697,90 1.160.099.697,90 1.160.099.697,90 (+) infrações 5.492.941,28 5.492.941,28 747.589,31 Prejuízo do período compensado 5.492.941,28 5.492.941,28 747.589,31 Prejuízo do per anteriores compe 0,00 0,00 0,00 Valor tributável após compensação (*) 0,00 0,00 0,00 IRPJ 0,00 0,00 0,00 Multa isolada IRPJ 0,00 0,00 0,00 CSLL 0,00 0,00 0,00 Multa isolada CSLL 0,00 0,00 0,00 Total AI DRJ Voto vencedorCARF IRPJ 20.299.585,54 20.299.585,54 2.392.754,81 Multa isolada IRPJ 30.181.574,07 21.191.236,43 6.309.970,52 CSLL 7.307.850,80 7.307.850,80 861.391,73 Multa isolada CSLL 13.417.515,60 6.180.738,89 1.136.328,38 Multas isoladas Multas isoladas IRPJ 2009 IRPJ Voto venc jan/09 fev/09 mar/09 abr/09 mai/09 jun/09 BC IRPJ decl DIPJ/LALUR 175.794.435,23 115.802.045,26 231.521.794,32 230.549.989,88 7.216.829,35 17.785.510,71 (+) infração 797.584,94 1.595.169,88 2.392.754,82 3.190.339,76 797.584,94 1.595.169,88 BC IRPJ ajustada 174.996.850,29 114.206.875,38 229.129.039,50 227.359.650,12 8.014.414,29 19.380.680,59 IRPJ 15% 0,00 0,00 0,00 0,00 1.202.162,14 2.907.102,09 AIR 0,00 0,00 0,00 0,00 799.441,43 1.934.068,06 Fl. 21399DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 36 35 IRPJ apurado 0,00 0,00 0,00 0,00 2.001.603,57 4.841.170,15 Deduções 0,00 0,00 0,00 0,00 1.802.207,34 4.641.773,91 () Inc Fiscais 0,00 0,00 0,00 0,00 43.300,98 1.952.189,09 () IR devido meses anteriores 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1.958.302,59 () IRRF 0,00 0,00 0,00 0,00 1.758.906,36 731.282,23 () IRRF Org/Aut/Fund F 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () IRRF demais ent fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ a pagar 0,00 0,00 0,00 0,00 199.396,23 199.396,24 Est decla DCTF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Valor recolh DARF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Suspensão dep Judic 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ est não decl/recolh 0,00 0,00 0,00 0,00 199.396,23 199.396,24 Multa isolada (50%) 0,00 0,00 0,00 0,00 99.698,12 99.698,12 IRPJ Voto venc jul/09 ago/09 set/09 out/09 nov/09 dez/09 BC IRPJ decl DIPJ/LALUR 208.065.552,27 231.101.378,88 293.527.474,67 311.347.605,44 980.780.125,60 1.788.701.092,31 (+) infração 2.392.754,82 3.190.339,76 3.987.924,70 4.785.509,64 5.583.094,58 6.380.679,52 BC IRPJ ajustada 210.458.307,09 234.291.718,64 297.515.399,37 316.133.115,08 975.197.031,02 1.782.320.412,79 IRPJ 15% 31.568.746,06 35.143.757,80 44.627.309,91 47.419.967,26 0,00 0,00 AIR 21.039.830,71 23.421.171,86 29.741.539,94 31.601.311,51 0,00 0,00 IRPJ apurado 52.608.576,77 58.564.929,66 74.368.849,84 79.021.278,77 0,00 0,00 Deduções 26.747.126,53 56.376.182,96 67.057.270,28 77.805.192,63 42.784.247,23 42.784.247,23 () Inc Fiscais 23.858.145,47 26.656.841,95 34.642.581,31 36.237.031,54 0,00 () IR devido meses anteriores 2.888.981,06 28.750.431,30 31.908.087,71 39.726.268,53 42.784.247,23 42.784.247,23 () IRRF 0,00 968.909,71 506.601,26 1.841.892,56 0,00 0,00 () IRRF Org/Aut/Fund F 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () IRRF demais ent fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ a pagar 25.861.450,25 2.188.746,70 7.311.579,56 1.216.086,14 42.784.247,23 42.784.247,23 Est decla DCTF 22.107.465,33 1.989.350,46 7.112.183,33 1.016.689,90 0,00 0,00 Valor recolh DARF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp 22.107.465,33 1.989.350,46 7.112.183,33 1.016.689,90 0,00 0,00 Suspensão dep Judic 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ est não decl/recolh 3.753.984,92 199.396,24 199.396,23 199.396,24 0,00 0,00 Multa isolada (50%) 1.876.992,46 99.698,12 99.698,12 99.698,12 0,00 0,00 Multas isoladas CSLL 2009 CSLL voto vencedor jan/09 fev/09 mar/09 abr/09 mai/09 jun/09 Base de cálc CSLL DIPJ/LALUR (a) 176.155.700,36 317.326.870,11 233.302.260,67 232.779.006,73 6.933.981,05 16.591.115,11 (+) infração (b) 797.584,94 1.595.169,88 2.392.754,82 3.190.339,76 797.584,94 1.595.169,88 BC CSLL (a+b) 175.358.115,42 315.731.700,23 230.909.505,85 229.588.666,97 7.731.565,99 18.186.284,99 CSLL alíqu 9% (d) 0,00 0,00 0,00 0,00 695.840,94 1.636.765,65 Deduções DIPJ (e) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 695.840,94 () CSLL devida meses anteriores 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 695.840,94 () CSLL retida òrg/Aut/FundFed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/Ent Adm Publ Fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/PJ Dir Priv 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fl. 21400DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 37 36 CSLL a pagar/Est mensal (f=de) 0,00 0,00 0,00 0,00 695.840,94 940.924,71 Est decl DCTF (g) 0,00 0,00 0,00 0,00 624.058,29 869.142,07 Valor recolh DARF (h) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp (i) 0,00 0,00 0,00 0,00 624.058,29 869.142,07 CSLL est não recolh 0,00 0,00 0,00 0,00 71.782,65 71.782,64 Multa 50% 0,00 0,00 0,00 0,00 35.891,32 35.891,32 CSLL voto vencedor jul/09 ago/09 set/09 out/09 nov/09 dez/09 Base de cálc CSLL DIPJ/LALUR (a) 206.458.719,53 229.250.261,45 291.240.419,39 308.690.117,80 985.290.446,35 1.790.696.904,64 (+) infração (b) 2.392.754,82 3.190.339,76 3.987.924,70 4.785.509,64 5.583.094,58 6.380.679,52 BC CSLL (a+b) 208.851.474,35 232.440.601,21 295.228.344,09 313.475.627,44 979.707.351,77 1.784.316.225,12 CSLL alíqu 9% (d) 18.796.632,69 20.919.654,11 26.570.550,97 28.212.806,47 0,00 0,00 Deduções DIPJ (e) 1.636.765,65 18.796.632,69 20.919.654,11 26.570.550,97 28.212.806,47 28.212.806,47 () CSLL devida meses anteriores 1.636.765,65 18.796.632,69 20.919.654,11 26.570.550,97 28.212.806,47 28.212.806,47 () CSLL retida òrg/Aut/FundFed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/Ent Adm Publ Fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/PJ Dir Priv 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 CSLL a pagar/Est mensal (f=de) 17.159.867,04 2.123.021,42 5.650.896,86 1.642.255,50 28.212.806,47 28.212.806,47 Est decl DCTF (g) 17.088.084,40 2.051.238,77 5.579.114,22 1.570.472,85 0,00 0,00 Valor recolh DARF (h) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp (i) 17.088.084,40 2.051.238,77 5.579.114,22 1.570.472,85 0,00 0,00 CSLL est não recolh 71.782,64 71.782,65 71.782,64 71.782,65 0,00 0,00 Multa 50% 35.891,32 35.891,32 35.891,32 35.891,33 0,00 0,00 Multas isoladas IRPJ 2010 Apuração Estimativas Mensais Voto vencedor jan/10 fev/10 mar/10 abr/10 mai/10 jun/10 BC IRPJ decl DIPJ/LALUR 139.573.723,00 100.776.624,40 4.193.773,60 109.960.477,14 188.000.746,17 230.173.487,50 (+) infração 797.584,94 1.595.169,88 2.392.754,82 3.190.339,76 3.987.924,70 4.785.509,64 BC IRPJ ajustada 140.371.307,94 102.371.794,28 1.801.018,78 113.150.816,90 191.988.670,87 234.958.997,14 IRPJ 15% 21.055.696,19 15.355.769,14 0,00 16.972.622,54 28.798.300,63 35.243.849,57 AIR 14.035.130,79 10.233.179,43 0,00 11.307.081,69 19.188.867,09 23.483.899,71 IRPJ apurado 35.090.826,99 25.588.948,57 0,00 28.279.704,23 47.987.167,72 58.727.749,29 Deduções 18.860.532,68 35.090.827,02 35.090.827,02 38.642.726,73 49.190.387,33 57.730.768,15 () Inc Fiscais 17.456.100,01 17.456.100,04 17.456.100,04 21.007.999,75 31.555.660,35 33.126.263,25 () IR devido meses anteriores 0,00 17.634.726,98 17.634.726,98 17.634.726,98 17.634.726,98 17.634.726,98 () IRRF 1.404.432,67 0,00 0,00 0,00 0,00 6.969.777,92 () IRRF Org/Aut/Fund F 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () IRRF demais ent fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ a pagar 16.230.294,31 9.501.878,45 35.090.827,02 10.363.022,50 1.203.219,61 996.981,14 Estim decla DCTF 10.834.732,59 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Valor recolh DARF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp 10.834.732,59 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Suspensão dep Judic 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ est não decl/recolh 5.395.561,72 0,00 0,00 0,00 0,00 996.981,14 Multa isolada (50%) 2.697.780,86 0,00 0,00 0,00 0,00 498.490,57 Fl. 21401DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 38 37 Apuração Estimativas Mensais Voto vencedor jul/10 ago/10 set/10 out/10 nov/10 dez/10 BC IRPJ decl DIPJ/LALUR 233.652.889,11 245.304.235,02 217.593.660,99 276.265.106,52 186.330.385,76 53.012.934,45 (+) infração 5.583.094,58 6.380.679,52 7.178.264,46 7.975.849,40 8.773.434,34 9.571.019,28 BC IRPJ ajustada 239.235.983,69 251.684.914,54 224.771.925,45 284.240.955,92 195.103.820,10 62.583.953,73 IRPJ 15% 35.885.397,55 37.752.737,18 33.715.788,82 42.636.143,39 29.265.573,02 9.387.593,06 AIR 23.909.598,37 25.152.491,45 22.459.192,55 28.404.095,59 19.488.382,01 6.234.395,37 IRPJ apurado 59.794.995,92 62.905.228,64 56.174.981,36 71.040.238,98 48.753.955,03 15.621.988,43 Deduções 59.769.321,34 62.532.110,74 59.647.325,89 70.641.446,52 64.816.720,63 37.685.775,07 () Inc Fiscais 34.167.835,30 34.429.897,15 31.171.994,40 38.013.935,13 31.790.416,78 4.659.471,22 () IR devido meses anteriores 25.601.486,04 25.627.160,62 28.475.331,49 28.475.331,49 33.026.303,85 33.026.303,85 () IRRF 0,00 2.475.052,97 0,00 4.152.179,90 0,00 () IRRF Org/Aut/Fund F 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () IRRF demais ent fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ a pagar 25.674,59 373.117,89 3.472.344,52 398.792,46 16.062.765,61 22.063.786,64 Estim decla DCTF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Valor recolh DARF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Suspensão dep Judic 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ est não decl/recolh 25.674,59 373.117,89 0,00 398.792,46 0,00 0,00 Multa isolada (50%) 12.837,29 186.558,95 0,00 199.396,23 0,00 0,00 Multas isoladas CSLL 2010 CSLL Voto vencedor jan/10 fev/10 mar/10 abr/10 mai/10 jun/10 Base de cálc CSLL DIPJ/LALUR (a) 140.024.113,45 101.296.430,28 8.418.624,04 120.931.503,14 199.078.150,42 243.563.533,68 (+) infração (b) 797.584,94 1.595.169,88 2.392.754,82 3.190.339,76 3.987.924,70 4.785.509,64 BC CSLL (a+b) 140.821.698,39 102.891.600,16 10.811.378,86 124.121.842,90 203.066.075,12 248.349.043,32 CSLL alíqu 9% (d) 12.673.952,86 9.260.244,01 973.024,10 11.170.965,86 18.275.946,76 22.351.413,90 Deduções DIPJ (e) 0,00 12.673.952,86 12.673.952,86 12.673.952,86 12.673.952,86 18.275.946,76 () CSLL devida meses anteriores 0,00 12.673.952,86 12.673.952,86 12.673.952,86 12.673.952,86 18.275.946,76 () CSLL retida òrg/Aut/FundFed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/Ent Adm Publ Fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/PJ Dir Priv 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 CSLL a pagar/Est mensal (f=de) 12.673.952,86 3.413.708,84 11.700.928,76 1.502.986,99 5.601.993,91 4.075.467,14 Est decl DCTF (g) 12.602.170,21 0,00 0,00 0,00 5.314.863,33 4.003.684,49 Valor recolh DARF (h) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp (i) 12.602.170,21 0,00 0,00 0,00 5.314.863,33 4.003.684,49 CSLL est não recolh 71.782,65 0,00 0,00 0,00 287.130,58 71.782,65 Multa 50% 35.891,32 0,00 0,00 0,00 143.565,29 35.891,32 CSLL Voto vencedor jul/10 ago/10 set/10 out/10 nov/10 dez/10 Base de cálc CSLL DIPJ/LALUR (a) 246.983.192,67 255.505.596,98 225.786.765,75 284.286.453,02 193.667.334,20 63.263.357,38 (+) infração (b) 5.583.094,58 6.380.679,52 7.178.264,46 7.975.849,40 8.773.434,34 9.571.019,28 BC CSLL (a+b) 252.566.287,25 261.886.276,50 232.965.030,21 292.262.302,42 202.440.768,54 72.834.376,66 Fl. 21402DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 39 38 CSLL alíqu 9% (d) 22.730.965,85 23.569.764,89 20.966.852,72 26.303.607,22 18.219.669,17 6.555.093,90 Deduções DIPJ (e) 22.351.413,90 22.730.965,85 23.569.764,89 23.569.764,89 26.303.607,22 26.303.607,22 () CSLL devida meses anteriores 22.351.413,90 22.730.965,85 23.569.764,89 23.569.764,89 26.303.607,22 26.303.607,22 () CSLL retida òrg/Aut/FundFed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/Ent Adm Publ Fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/PJ Dir Priv 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 CSLL a pagar/Est mensal (f=de) 379.551,95 838.799,03 2.602.912,17 2.733.842,33 8.083.938,05 19.748.513,32 Est decl DCTF (g) 0,00 0,00 0,00 2.590.277,05 0,00 0,00 Valor recolh DARF (h) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp (i) 0,00 0,00 0,00 2.590.277,05 0,00 0,00 CSLL est não recolh 379.551,95 838.799,03 0,00 143.565,28 0,00 0,00 Multa 50% 189.775,98 419.399,52 0,00 71.782,64 0,00 0,00 Multas isoladas IRPJ 2011 IRPJ Voto vencedor jan/11 fev/11 mar/11 abr/11 mai/11 jun/11 BC IRPJ decl DIPJ/LALUR 19.516.504,86 2.044.578,38 83.946.322,75 285.869.959,37 309.184.598,45 412.615.946,26 (+) infração 545.319,39 1.090.638,78 1.635.958,18 2.181.277,57 2.726.596,96 3.271.916,35 BC IRPJ ajustada 20.061.824,25 953.939,60 85.582.280,93 288.051.236,94 311.911.195,41 415.887.862,61 IRPJ 15% 3.009.273,64 0,00 12.837.342,14 43.207.685,54 46.786.679,31 62.383.179,39 AIR 2.004.182,43 0,00 8.552.228,09 28.797.123,69 31.181.119,54 41.576.786,26 IRPJ apurado 5.013.456,06 0,00 21.389.570,23 72.004.809,23 77.967.798,85 103.959.965,65 Deduções 4.571.330,25 5.013.456,06 18.339.417,96 41.694.647,14 77.831.469,00 100.651.408,15 () Inc Fiscais 2.315.378,73 2.315.378,73 7.169.124,27 24.158.220,47 27.984.565,89 39.204.593,98 () IR devido meses anteriores 0,00 2.698.077,33 2.698.077,33 14.220.445,96 47.846.588,76 49.983.232,96 () IRRF 2.255.951,52 0,00 8.472.216,36 3.315.980,71 2.000.314,35 11.463.581,21 () IRRF Org/Aut/Fund F 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () IRRF demais ent fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ a pagar 442.125,81 5.013.456,06 3.050.152,27 30.310.162,09 136.329,85 3.308.557,50 Estim decla DCTF 305.795,97 0,00 2.908.688,48 30.181.768,28 0,00 3.172.227,65 Valor recolh DARF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp 305.795,97 0,00 2.908.688,48 30.181.768,28 0,00 3.172.227,65 Suspensão dep Judic 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ est não decl/recolh 136.329,84 0,00 141.463,79 128.393,81 136.329,85 136.329,85 Multa isolada (50%) 68.164,92 0,00 70.731,89 64.196,91 68.164,92 68.164,93 IRPJ Voto vencedor jul/11 ago/11 set/11 out/11 nov/11 dez/11 BC IRPJ decl DIPJ/LALUR 408.128.408,78 383.841.068,17 382.271.056,53 242.463.403,25 21.156.694,10 76.864.347,93 (+) infração 3.817.235,74 4.362.555,14 4.907.874,53 5.453.193,92 5.998.513,31 6.543.832,70 BC IRPJ ajustada 411.945.644,52 388.203.623,31 387.178.931,06 247.916.597,17 27.155.207,41 70.320.515,23 IRPJ 15% 61.791.846,68 58.230.543,50 58.076.839,66 37.187.489,58 4.073.281,11 0,00 AIR 41.180.564,45 38.804.362,33 38.699.893,11 24.771.659,72 2.693.520,74 0,00 IRPJ apurado 102.972.411,13 97.034.905,83 96.776.732,76 61.959.149,29 6.766.801,85 0,00 Fl. 21403DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 40 39 Deduções 104.373.128,54 104.390.705,45 102.624.449,14 92.556.632,83 70.022.545,20 64.755.371,67 () Inc Fiscais 39.617.756,87 39.635.333,78 37.869.077,47 27.801.261,16 5.267.173,53 0,00 () IR devido meses anteriores 64.755.371,67 64.755.371,67 64.755.371,67 64.755.371,67 64.755.371,67 64.755.371,67 () IRRF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () IRRF Org/Aut/Fund F 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () IRRF demais ent fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ a pagar 1.400.717,41 7.355.799,63 5.847.716,38 30.597.483,54 63.255.743,35 64.755.371,67 Estim decla DCTF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Valor recolh DARF 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Suspensão dep Judic 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 IRPJ est não decl/recolh 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Multa isolada (50%) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Multas isoladas CSLL 2011 CSLL Voto vencedor jan/11 fev/11 mar/11 abr/11 mai/11 jun/11 Base de cálc CSLL DIPJ/LALUR (a) 19.274.945,31 2.668.548,54 78.011.593,05 279.318.775,79 301.653.212,30 403.579.891,83 (+) infração (b) 545.319,39 1.090.638,78 1.635.958,18 2.181.277,57 2.726.596,96 3.271.916,35 BC CSLL (a+b) 19.820.264,70 1.577.909,76 79.647.551,23 281.500.053,36 304.379.809,26 406.851.808,18 CSLL alíqu 9% (d) 1.783.823,82 0,00 7.168.279,61 25.335.004,80 27.394.182,83 36.616.662,74 Deduções DIPJ (e) 0,00 1.783.823,82 1.783.823,82 7.168.279,61 25.335.004,80 27.394.182,83 () CSLL devida meses anteriores 0,00 1.783.823,82 1.783.823,82 7.168.279,61 25.335.004,80 27.394.182,83 () CSLL retida òrg/Aut/FundFed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/Ent Adm Publ Fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/PJ Dir Priv 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 CSLL a pagar/Est mensal (f=de) 1.783.823,82 1.783.823,82 5.384.455,79 18.166.725,19 2.059.178,03 9.222.479,90 Est decl DCTF (g) 1.734.475,08 0,00 6.157.382,45 18.117.646,44 2.010.099,29 9.173.401,15 Valor recolh DARF (h) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp (i) 1.734.475,08 0,00 6.157.382,45 18.117.646,44 2.010.099,29 9.173.401,15 CSLL est não recolh 49.348,74 0,00 772.926,66 49.078,75 49.078,74 49.078,75 Multa 50% 24.674,37 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 CSLL Voto vencedor jul/11 ago/11 set/11 out/11 nov/11 dez/11 Base de cálc CSLL DIPJ/LALUR (a) 398.026.265,09 371.281.506,42 369.130.537,75 227.695.785,06 11.416.936,50 91.043.290,89 (+) infração (b) 3.817.235,74 4.362.555,14 4.907.874,53 5.453.193,92 5.998.513,31 6.543.832,70 BC CSLL (a+b) 401.843.500,83 375.644.061,56 374.038.412,28 233.148.978,98 17.415.449,81 84.499.458,19 CSLL alíqu 9% (d) 36.165.915,08 33.807.965,54 33.663.457,11 20.983.408,11 1.567.390,48 0,00 Deduções DIPJ (e) 36.616.662,74 36.616.662,74 36.616.662,74 36.616.662,74 36.616.662,74 36.616.662,74 () CSLL devida meses anteriores 36.616.662,74 36.616.662,74 36.616.662,74 36.616.662,74 36.616.662,74 36.616.662,74 () CSLL retida òrg/Aut/FundFed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/Ent Adm Publ Fed 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 () CSLL retida p/PJ Dir Priv 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 CSLL a pagar/Est mensal (f=de) 450.747,66 2.808.697,20 2.953.205,63 15.633.254,63 35.049.272,25 36.616.662,74 Fl. 21404DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 41 40 Est decl DCTF (g) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Valor recolh DARF (h) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Dcomp (i) 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 CSLL est não recolh 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Multa 50% 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 6 Recurso Voluntário. Matérias contestadas. Não votadas na sessão de julgamento. 12. O Recurso Voluntário de págs. 20.981/21.234, contestou: IV. Decadência...................................................................................................................................................14 VI. Da Consistência Econômicado Ágio e sua Dedutibilidade.........................................................................39 13. As contestações supra, bem como a relativa a erros na apuração das estimativas mensais que deram origem aos valores de multa isolada, foram analisadas pelo Relator, e a Dedutibilidade do Ágio, pelo Relator e pela Redatora do Voto Vencedor. 14. Porém, a Recorrente também contestou as seguintes matérias: IX. Da Improcedência da Multa Isolada Súmula CARF N.g 105 (1.ª Turma CSRF).....................................84 IX.1 Da Ausência de Tipificação da Multa Isolada no Caso Concreto IX.2 Da Concomitância Indevida da Multa Isolada e da Multa de Ofício X. Dos Erros de Cálculos Cometidos pela Fiscalização.........................................................................................96 XI. Da Inadequada Recomposição do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL................................................98 Xl.l. Da inadequada apuração do IRPJ e CSLL devidos em 31/12/2010 (ajuste anual)....................................100 ÍX.1.1. Dedução do beneficio fiscal de redução do IRPJ calculado com base no lucro da exploração.........100 XI. 1.2. Dedução do beneficio fiscal relativo ao PAT.....................................................................................103 XI. 1.3. Dedução dos saldos de retenções e dos valores pagos por antecipação...........................................104 XI.2. Da inadequação das multas isoladas pelo não recolhimento de antecipações mensais............................107 Xl.2.1. Soldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL passível de compensação....................107 XL2.2. Aumento do valor do adicional do benefício de lucro da exploração.................................................109 XI.23. Dedução do benefício fiscal relativo ao PAT.......................................................................................109 Xl.2.4. Dedução, das estimativas mensais, dos correspondentes saldos de retenções....................................109 XII. Da Inaplicabilidade de Juros Sobre Multa de Oficio..................................................................................110 15. A Recorrente reconhece: Ao apreciar as referidas inconsistências nos cálculos elaborados pela Fiscalização, a DRJ reconheceu que os Auditores Fiscais realmente haviam se equivocado quanto à fórmula de cálculo aplicada para quantificação da multa isolada sobre as estimativas de 2010 e 2011, tendo, consequentemente, revisto o lançamento nesse aspecto. 16. Os cálculos no Voto Vencedor das estimativas mensais, levaram em conta as correções efetuadas pela DRJ e as alterações decorrentes do voto vencedor, mas NÃO as matérias adicionais suscitadas no Recurso Voluntário e não discutidas na sessão de julgamento. 17. Mas, a Recorrente reclama ainda que: Entretanto, em relação aos valores devidos e sujeitos a recolhimentos das estimativas mensais de IRPJ (jan/2010) e de CSLL (jul e ago/2010), a DRJ não acatou os valores das citadas estimativas declaradas pela Recorrente em sua DIPJ, alegando Fl. 21405DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 42 41 que para o cálculo da multa prevista no art. 44, inciso II, b, da Lei n° 9.430/96 devese levar em consideração o valor do IRPJ ou CSLL que deixou de ser declarado ou pago. Ocorre que a Recorrente declarou e pagou a estimativa de IRPJ relativa ao mês de janeiro de 2010, no valor de RS 16.030.898,04, assim como as estimativas relativas a julho e agosto de 2010, nos valores deR$ 307.769,31 e R$ 767.016,39, respectivamente. De fato, tais valores estão devidamente declarados na DIPJ/2011, anocalendario 2010, conforme se observa das fls. 9412 e 18265 (estimativa IRPJ jan/2010) e fls. 9420/9421 e 18273/18274 (estimativa CSLL jul e ago/2010) dos presentes autos. Esses montantes também estão devidamente declarados em DCTF, conforme atestam os documentos ora colacionados à presente peça (doc. 06). Como pode se observar das DCTFs aqui juntadas, observase que as referidas estimativas mensais foram quitadas por meio das seguintes compensações: Estimativa de IRPJ de Janeiro/2010 (RS 16.030.898,04): Declaração de Compensação Valor Compensado 3 1871.75821.260210.1.3.020415 9.083.626,62 26665.68782.260210.1.3.020786 5.196.165,45 31966.45377.050410.1.7.028742 1.200.164,36 41380.27176.111110.1.7.029390 550.941,61 Total 16.030.898,04 Os dd. Auditores Fiscais reconheceram, como visto acima, o pagamento de R$ 10.834.732,59 da estimativa ora tratada, que é justamente o somatório dos valores quitados por meio das DCOMPs n. 31871.75821.260210.1.3.020415 (RS 9.083.626,62), 31966.45377.050410.1.7.028742 (R$ 1.200.164,36), 41380.27176.111110.1.7.029390 (RS 550.941,61). Faltou, portanto, os dd. Auditores Fiscais reconhecerem o pagamento realizado por meio do processamento da DCOMP n° 26665.68782.260210.1.3.020786 (doe. 07), no valor de RS 5.196.165,45. Essa DCOMP, ressaltese, foi devidamente homologada pela Receita Federal do Brasil, conforme comprovam as telas de consulta ao processamento da declaração de compensação, extraídas por meio do Portal eCAC da RFB (doc. 08) 18. Na sessão de julgamento, essas questões não foram objeto de apreciação, dado que o Relator votou pelo provimento do Recurso Voluntário. 19. Assim, este voto vencedor, apresenta os argumentos pela procedência parcial da autuação, mas não se pronuncia em relação à matérias não votadas. 20. Esta julgadora formaliza o Acórdão em conformidade com o decidido e apresentará Embargos de Declaração, para apontar as omissões. Fl. 21406DF CARF MF Processo nº 13502.721043/201427 Acórdão n.º 1201001.861 S1C2T1 Fl. 43 42 7 Conclusão. Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 21407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912302/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.912302/201231 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.830 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 23 02 /2 01 2- 31 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912302/201231 Acórdão n.º 3201003.830 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.675, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.912302/201231 Acórdão n.º 3201003.830 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.912302/201231 Acórdão n.º 3201003.830 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.912302/201231 Acórdão n.º 3201003.830 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.720344/2012-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PRELIMINAR. NÃO CONHECIMENTO. ANÁLISE DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Para que se identifique a existência de divergência jurisprudencial, com o fim de demonstração dos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, necessário se faz a menção de um paradigma que se preste a consubstanciar aplicação distinta da norma aplicada ao recorrido.
Numero da decisão: 9202-006.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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NÃO CONHECIMENTO. ANÁLISE DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para que se identifique a existência de divergência jurisprudencial, com o fim de demonstração dos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, necessário se faz a menção de um paradigma que se preste a consubstanciar aplicação distinta da norma aplicada ao recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 03 44 /2 01 2- 23 Fl. 190DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402005.214 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 13 de abril de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 142: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. CARF NÃO POSSUI ATRIBUIÇÃO PARA REFAZER LANÇAMENTO FISCAL. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. ATRIBUIÇÃO PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação incorreta da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza incongruência no aspecto quantitativo do fato outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, foi efetuado lançamento de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 2 a 36. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 111 a 114. Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, por meio do Acórdão n.º 2402005.214, foi dado provimento ao recurso, fls. 142 a 149. Após ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 151 a 156, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10508.720344/201223 Acórdão n.º 9202006.867 CSRFT2 Fl. 3 3 determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 166 a 171, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Por meio de contrarrazões, fls. 180 a 182, o Contribuinte não se insurgiu relativamente ao conhecimento do recurso, de forma específica, mas somente quanto ao mérito, sustentando, em síntese, que: a) seja negado seguimento ao Recurso Especial de Divergência ou, no mérito, entendase pela total improcedência das razões do presente recurso. É o relatório Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conhecimento. Embora não suscitado pela Recorrente, suscito o não conhecimento do recurso, de ofício. Compulsandose os autos, extraise que a decisão recorrida teve como fundamento o RE n.º 614.406, julgado sobre a sistemática dos repetitivos, em razão da vinculação do Colegiado à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Já a osacórdãosparadigmasn.º 2201.002.588 teve como fundamento o REsp 1.118.429/SP e o REsp 1.227.133/RS, julgados pela sistemática dos repetitivos. Fl. 192DF CARF MF 4 Ocorre que, ao aplicar a norma vinculante decorrente do RE n.º 614.406, a decisão a quo entendeu que a inconstitucionalidade declarada ocasionara o cancelamento do auto de infração. Contudo, o paradigma não divergiu acerca da aplicação da norma extraída do referido Recurso Extraordinário, de modo que não há como identificar a divergência argüida, pois as conclusões constantes do acórdão paradigma poderiam ser similares, caso houvesse a aplicação da decisão do Supremo. Desse modo, entendo que o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional não deve ser conhecido. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722007/2016-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RRA. FÉRIAS GOZADAS. PAGAMENTO EM DOBRO.
A dobra de férias gozadas paga fora do contexto da rescisão contratual é tributável.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PEDIDO. PRECLUSÃO.
É incabível a inovação de pedidos em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 2002-000.191
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 RRA. FÉRIAS GOZADAS. PAGAMENTO EM DOBRO. A dobra de férias gozadas paga fora do contexto da rescisão contratual é tributável. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PEDIDO. PRECLUSÃO. É incabível a inovação de pedidos em sede de recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
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FÉRIAS GOZADAS. PAGAMENTO EM DOBRO. A dobra de férias gozadas paga fora do contexto da rescisão contratual é tributável. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PEDIDO. PRECLUSÃO. É incabível a inovação de pedidos em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 20 07 /2 01 6- 68 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11516.722007/201668 Acórdão n.º 2002000.191 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF1 nos seguintes valores (fl. 37): Rubrica Valor em reais Imposto 17.846,47 Multa de ofício 13.384,85 Juros de mora 2.709,09 Total à época 33.940,41 As bases do lançamento foram: Natureza Valor Descrição dos fatos Rendimentos recebidos acumuladamente 82.921,41 Tratase de pagamento de férias em dobro e correção monetária sobre férias pagas em atraso, conforme processo judicial 053632009 01612008. Tais rendimentos são tributáveis, pois não se enquadram no Ato Declaratório PGFN 14, de 1/12/2008 (fl. 40) Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 9, 11 e 12) e tempestividade, haja vista que a contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 28/06/2016 (fls. 54 a 56) e protocolou sua peça no dia 25/07/2016 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss), em síntese, a contribuinte alega que: a decisão judicial transitada em julgado (doc. 3) diz que os rendimentos de dobra de férias não são tributáveis e o lançamento não pode alterála (art. 468, CPC); a Justiça do Trabalho tem competência para definir questões ligadas aos tributos e contribuições sobre verbas debatidas, em razão disso pede o cancelamento do lançamento; caso superado o item anterior, eventual diferença deve ser exigida da fonte pagadora, pois não pode a contribuinte, por falha da fonte pagadora, ser compelida ao pagamento do tributo acrescido de juros e multa, por isso pede a declaração da ilegitimidade passiva da parte; caso superado o item anterior, é importante notar que o empregador descumpria o art. 145 da CLT, que, indiretamente, inviabiliza o gozo do direito do empregado. Para compensar o trabalhador pelo direito não usufruído o Judiciário determinou o recebimento da parcela em debate. Assim, não resta dúvida que a quantia recebida decorre de indenização 1 Imposto de Renda Pessoa Física 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11516.722007/201668 Acórdão n.º 2002000.191 S2C0T2 Fl. 4 3 por "inviabilizar o gozo do direito do empregado", logo, não há que se falar em tributação pelo imposto de renda e faz referência a trecho da decisão e art. 46, § 1º, I da Lei 8.541/92; Por fim, requer: o recebimento e o processamento da impugnação; prioridade na tramitação; o cancelamento do lançamento; o cancelamento da exigência; a extinção do crédito tributário. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: procuração (fl. 11); documento de identidade dos advogados (fl. 12); lançamento (fl. 14 e ss); decisões judiciais (fl. 25 e ss). Revisão do lançamento A DRF3 revisou o lançamento (fl. 58 e ss), mantendoo integralmente, nos seguintes termos: falece à Justiça do Trabalho competência constitucional para imiscuirse em questões tributárias (art. 114, CF), sendo controverso que eventual pronunciamento nessa seara produza coisa julgada em relação à Fazenda Pública que não figurou como parte no litígio judicial; o lançamento se justifica porque, a priori, o pagamento de férias ampliado (férias em dobro), não foge da característica de remuneração de férias e o ato declaratório da PGFN 14/2008 só dispensa a exigência tributária no contexto da rescisão trabalhista, onde há possibilidade de que esta verba tenha natureza indenizatória, por não ter o trabalhador gozado das férias; a correção monetária é verba acessória das férias em dobro; a verba em comento, apesar do nome, não se trata realmente de indenização pelo não gozo das férias, pois é claro nos autos que as férias foram efetivamente gozadas, sendo que a sentença teve por efeito real acrescer um valor ao comumente pago, assim como a correção monetária; 3 Delegacia da Receita Federal Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11516.722007/201668 Acórdão n.º 2002000.191 S2C0T2 Fl. 5 4 quanto à não retenção do imposto pela fonte pagadora, sanase a omissão através do lançamento efetuado. Manifestação do contribuinte Intimado da decisão acima em 05/02/2017 (fl. 62), com retificação em 15/02/2017 (fls. 63 e 64), a contribuinte apresentou manifestação em 08/03/2017 (fl. 65 e ss), em síntese alegando que: corrobora a impugnação e requer a sua análise pela DRJ; o Judiciário é quem define a natureza do pagamento e tal classificação não pode ser alterada pela autoridade fiscal; a condenação deuse como indenização pelo descumprimento da obrigação por parte do empregador e serve como indenização à empregada; ao fiscal cabe verificar os efeitos do fato jurídico no mundo tributário. Não se pode modificar a natureza da condenação, no máximo, verificar se tal condenação deve sofrer tributação pelo IRPF, ou não, mas no caso concreto, nem isso é possível, pois a própria decisão aplica o art. 46, § 1º, I da Lei 8.541/92. Assim é impossível a cobrança pretendida em virtude da decisão judicial e da lei; o ato declaratório trata de férias pagas em dobro na rescisão contratual e o processo trata de férias pagas em dobro na ação judicial e cita parecer da PGFN sendo o motivo da cessação do contrato irrelevante [conforme trecho do parecer citado], também o é o momento do pagamento das referidas verbas. Assim, não há alteração da natureza dos valores se o pagamento ocorreu no fim do contrato ou se ocorreu em ação judicial. Decisão de 1ª instância A DRJ4 julgou a impugnação procedente (fl. 74 e ss). A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. FÉRIAS GOZADAS. PAGAMENTO FORA DO PRAZO. NÃO RESCISÃO CONTRATUAL. DOBRA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Em decorrência do disposto no art. 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, somente não são tributados pelo Imposto sobre a Renda na fonte, nem na Declaração de Ajuste Anual, os pagamentos efetuados sob as rubricas de férias não gozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, e de adicional de um terço constitucional quando agregados a pagamento de férias, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria, ou 4 Delegacia da Receita Federal de Julgamento Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11516.722007/201668 Acórdão n.º 2002000.191 S2C0T2 Fl. 6 5 exoneração, observados os termos dos atos declaratórios editados pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em relação a essas matérias. A referida decisão cita Solução de Divergência 1/2009 e o Perguntas e Respostas IRPF e dispõe que: o art. 2º da Lei 11.457/07 permitiu que a Receita Federal tivesse a prerrogativa de planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades de tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais; a competência da justiça trabalhista (art. 114, CF) apenas alberga a possibilidade de execução de ofício das contribuições sociais oriundas da sentença condenatória originada pela reclamação trabalhista. Portanto, a jurisdição laboral continua sendo absolutamente incompetente para julgar dívidas de outros tributos incidentes sobre a remuneração do trabalho, como por exemplo, aqueles oriundos do imposto sobre a renda proveniente de remuneração; considerando os atos declaratórios, a competência da Receita Federal e que as verbas referemse a férias gozadas, pagas em dobro em razão do atraso no pagamento e não decorrem de rescisão do contrato de trabalho, resta concluir que são tributadas. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 104) e tempestividade, haja vista que a contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 07/07/2017 (fl. 92) e protocolou sua peça no dia 20/07/2017 (fl. 95), dentro do prazo de 30 dias5 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 95 e ss), em síntese, a contribuinte alega que: o momento do auferimento da renda não modifica a sua natureza; o ato declaratório não dispensa a tributação, mas apenas reconhece que esse rendimento, por ser verba indenizatória, não está sujeito ao IRPF. A autoridade fiscal equipara o ato declaratório a uma lei que prevê isenção, o que o ato não faz; é incabível a cobrança pretendida em virtude da impossibilidade da autoridade lançadora modificar a natureza indenizatória reconhecida na própria condenação judicial (férias em dobro); cita o acórdão Carf; os demais argumentos repetem a impugnação. Por fim, requer: o recebimento e processamento do recurso voluntário; a prioridade na tramitação processual; 5 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11516.722007/201668 Acórdão n.º 2002000.191 S2C0T2 Fl. 7 6 a extinção do crédito tributário; o cancelamento do lançamento; o cancelamento da exigência; Alternativamente, pede que seja afastada a aplicação de penalidade, vez que terceiro foi responsável pelo ato. Documentos do recurso voluntário Após o recurso voluntário consta acórdão do Carf (fl. 105 e ss). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido da contribuinte já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito O ponto central da lide referese a tributação ou isenção de rendimentos acumulados de dobra de férias e sua respectiva correção monetária, ambos recebidos em virtude de ação judicial. O Fisco alega que o referido pagamento é remuneração de férias, pois as férias foram gozadas sendo que a sentença acresceu um valor ao comumente pago. A contribuinte alega que o empregador não pagou as férias em até 2 dias antes do seu início (art. 145, CLT) e o judiciário entendeu que isto, indiretamente, inviabiliza o gozo do direito às férias e para compensar, determinou o seu pagamento em dobro, sendo portanto uma indenização. De acordo com o art. 43, II do Decreto 3.000/99 (RIR) Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: [...] Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11516.722007/201668 Acórdão n.º 2002000.191 S2C0T2 Fl. 8 7 II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; Todavia, o Ato Declaratório PGFN 14/2008, dispôs que, nas ações onde se discute a incidência de IR sobre rendimentos de férias em dobro, pagos em rescisão contratual, a PGFN está autorizada a não contestar, não recorrer e desistir dos recursos já interposto, desde que inexista outro fundamento relevante. O Parecer PGFN/CRJ 2607/2008 que deu origem ao ato declaratório supracitado, em seu item 7, analisa a questão da seguinte forma: Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ que não é devido o imposto de renda sobre os valores pagos pelo empregador e recebido pelo empregado, a título de férias em dobro não gozadas quando da rescisão contratual. Nas palavras do Ministro Castro Meira: “Independentemente do motivo da cessação do contrato de trabalho, conta o trabalhador com o direito de receber o pagamento das férias não gozadas simples ou em dobro. (...) É pacífico o entendimento do caráter indenizatório das férias pagas em dobro, uma vez transcorridos os períodos aquisitivo e concessivo” (trecho do voto no RESP 643.947SP, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/10/2004, DJ 28/02/2005 p. 300). Por força de lei6, o entendimento em questão vincula7 a Receita Federal. Por isso, as férias não gozadas, pagas em dobro, em rescisão contratual são isentas. No entanto, no caso em tela as férias foram gozadas, ou seja, a empregada ficou sem trabalhar nesse período, só que não recebeu o pagamento adiantado como previsto em lei, o que prejudicou o gozo de suas férias haja vista a ausência do dinheiro necessário para melhor usufruíla. Vejamos trecho da decisão judicial juntada pela contribuinte (fl. 28): Na espécie, a Corte Regional reconheceu que os autores perceberam, antes do início de gozo do período de férias, o pagamento do abono constitucional equivalente a 1/3, além do abono pecuniário para aqueles que converteram 10 dias do período de férias, sendolhes pago o salário correspondente ao mês de férias somente após o seu retorno à atividade. Diante disso, o Judiciário aplicou sanção à empresa, imputandolhe o pagamento em dobro. Contudo, não se pode dizer que a situação equivale a férias não gozadas, não se aplicando a ela a isenção supramencionada. Inexistindo, comando normativo que excepcione a regra do art. 43, II do RIR no caso de férias gozadas, sobre o seu pagamento, ainda que em dobro, incide imposto de renda. 6 Art. 19, IV e V e §§ 4º, 5º e 7º da Lei nº 10.522/2002 7 Importante: Não haverá a vinculação da RFB nas matérias em que a PGFN decidir continuar contestando e recorrendo, mesmo tendo havido julgamento desfavorável à Fazenda Nacional sob os ritos da Repercussão Geral ou dos Recursos Especiais Repetitivos. Nestas hipóteses, também será emitida uma Nota Explicativa pela PGFN, conforme dispõe o caput do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, explicitando os motivos da não vinculação. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11516.722007/201668 Acórdão n.º 2002000.191 S2C0T2 Fl. 9 8 É bem verdade que a decisão judicial juntada pela parte entende que os referidos rendimentos são isentos (fl. 27). No entanto, tal decisão só faz coisa julgada entre as partes (art. 506, CPC). Como a Fazenda Pública não foi parte na ação, a coisa julgada não a alcannça. No mais, não fazem coisa julgada a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença (art. 504, CPC). Dessa forma, o fato de as férias terem sido gozadas é o cerne que determina a tributação ou não das verbas no caso em questão. Estando o gozo das férias provado nos autos, as respectivas verbas são tributáveis. O art. 46, § 1º, I da Lei 8.541/92 citado pela contribuinte e pela decisão judicial trata de juros e indenizações por lucros cessantes. O art. 28, § 9º, d, da Lei 8.212/91 referese a contribuições previdenciárias. Portanto, ambos não se aplicam ao caso em tela. A contribuinte alega que não há alteração da natureza dos valores se o pagamento ocorreu no fim do contrato ou se ocorreu em ação judicial. Contudo, ocorrer na rescisão, ou em ação judicial, não são condições excludentes. A dobra de férias pode ser paga em virtude de rescisão por meio de ação judicial ou fora dela. Não é esta a questão. A questão é que o ordenamento jurídico atual só excepciona a tributação da dobra quando as férias não foram gozadas e quando o pagamento foi feito em razão de rescisão contratual. O acórdão do Carf citado pela contribuinte referese a férias não gozadas e pagas em pecúnia, caso diferente do que se apresenta nos presentes autos. A fonte pagadora tem o dever de retenção, contudo, a eventual falta de cumprimento deste dever não exime o sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo. Desse modo, a falta da retenção é regularizada com o lançamento. Quanto ao pedido de afastamento da penalidade, cabe destacar que os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurandose a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal. Dessa forma, o referido pedido não pode ser atendido, tendo em vista que não foi formulado na impugnação, não sendo cabível inovar os pedidos em sede de recurso voluntário, por tratarse de matéria preclusa. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11516.722007/201668 Acórdão n.º 2002000.191 S2C0T2 Fl. 10 9 Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.720077/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. ÔNUS PROBATÓRIO.
Para o legítimo exercício do direito ao ressarcimento de PIS e Cofins decorrente do crédito presumido do IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996, deve a contribuinte comprovar minimamente se tratar de empresa, cumulativamente, produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incumbindo a prova dessa situação jurídica à própria interessada, inteligência que decorre do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil e do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, sob pena de não reconhecimento do direito ao crédito vindicado.
Numero da decisão: 3401-005.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. ÔNUS PROBATÓRIO. Para o legítimo exercício do direito ao ressarcimento de PIS e Cofins decorrente do crédito presumido do IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996, deve a contribuinte comprovar minimamente se tratar de empresa, cumulativamente, produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incumbindo a prova dessa situação jurídica à própria interessada, inteligência que decorre do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil e do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, sob pena de não reconhecimento do direito ao crédito vindicado.
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CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. ÔNUS PROBATÓRIO. Para o legítimo exercício do direito ao ressarcimento de PIS e Cofins decorrente do crédito presumido do IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996, deve a contribuinte comprovar minimamente se tratar de empresa, cumulativamente, produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incumbindo a prova dessa situação jurídica à própria interessada, inteligência que decorre do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil e do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, sob pena de não reconhecimento do direito ao crédito vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 77 /2 01 0- 59 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13830.720077/201059 Acórdão n.º 3401005.144 S3C4T1 Fl. 626 2 conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase do despacho decisório que indeferiu pedido de ressarcimento de IPIcrédito presumido, previsto nas Leis nº 9.363/1996 e 10.276/2001, por entender a autoridade fiscal não ser possível se afirmar que a contribuinte realiza atividade de industrialização dos produtos (madeira) por ela adquiridos e posteriormente exportados, especificamente quanto aos procedimentos de beneficiamento e acondicionamento ou reacondicionamento da madeira. Nos termos da decisão recorrida, a apreciação e julgamento do presente litígio é realizada "(...) em conjunto com outros processos, agrupados como um lote, o qual fundamentase pelas mesmas razões, seja no indeferimento do pleito da manifestante, seja pelo teor de sua manifestação de inconformidade", composto pelos seguintes processos, todos pautados para a presente sessão de julgamento": PROCESSO ADMINISTRATIVO PERÍODO DE APURAÇÃO 13830.720073/201071 01/04/2008 a 30/06/2008 13830.720074/201015 01/10/2008 a 31/12/2008 13830.720075/201060 01/01/2009 a 31/03/2009 13830.720077/201059 01/04/2009 a 30/06/2009 13830.720079/201048 01/10/2009 a 31/12/2009 13830.720081/201017* 01/04/2010 a 30/06/2010 2. Cumpre esclarecer que, do indeferimento do ressarcimento pleiteado no Processo Administrativo nº 13830.720081/201017 (*), resultou a Representação DRF/MRA/SAORT nº 012/2011, que culminou na lavratura de auto de infração com a finalidade de formalizar exigência de multa isolada por compensação indevida, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, em discussão no Processo nº 13830.722126/201179, igualmente pautado para a presente sessão de julgamento. 3. A contribuinte, no caso epigrafado em apreço, apresentou manifestação de inconformidade na qual argumentou, em síntese, que: (i) é empresa Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13830.720077/201059 Acórdão n.º 3401005.144 S3C4T1 Fl. 627 3 industrial do ramo madeireira cuja atividade principal, segundo seu contrato social, é o "(...) comercio atacadista importação e exportação de madeiras em geral, bruta e beneficiada e de materiais de construção, indústria de beneficiamento de madeiras com processos de secagem, classificação, padronização, aplainamento, embalagem, acondicionamento; transporte rodoviário de cargas em geral"; (ii) no ano de 2008, apresentou consulta à Receita Federal acerca do crédito presumido de IPI, na qual, em que pese ter descrito se tratar de empresa comercial com base no texto constante no Contrato Social contemporâneo ao seu protocolo, já exercia, de fato, a atividade industrial, pela prática consistente na atividade de beneficiamento das madeiras, processo por meio "(...) do qual se efetuava classificação e a embalagem, pois as madeiras eram adquiridas em estado bruto e vendidas secas, aparadas, cortadas transversalmente e ou longitudinalmente, padronizadas, pintadas e classificadas por tamanho e embaladas". Neste sentido, uma vez que a atividade efetivamente exercida se encontrava em desacordo com o objeto social descrito no Contrato Social, e para sanar tal discrepância, em 2008 foi realizada a alteração contratual para adequar o objeto descrito à atividade sempre exercida, em cuja oportunidade solicitou à CETESB/SP Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, órgão público vinculado à Secretaria do Meio ambiente do Governo do Estado de São Paulo, as Licenças Prévia e de Instalação e Licenças de Operação que, após verificação e inspeção do local da fábrica, foram concedidas "(...) com base nas informações apresentadas pelo interessado", com validade para "(...) a produção média anual de 5.400 m3 de madeira serrada e enfardada, utilizando, para tanto, as áreas, processos e os equipamentos descritos no Memorial de Caracterização do Empreendimento apresentado"; (iii) o beneficiamento ocorre pelo processamento da madeira por meio da secagem, cortes, remoção de aparas e pintura, enquanto que o acondicionamento pela aposição das embalagens, onde as madeiras são separadas por lotes e embaladas em filmes plásticos e fitas de PVC ou de aço. Assim, as mercadorias exportadas passam por um processo industrial ao passo em que promove a transformação das mercadorias (matérias primas), por meio do processo de secagem, classificação, cortes e reparos e embalagem, o que se adequa ao requisito da Lei; (iv) não se concebe que as disposições e conceitos fixados pelo regulamento de IPI (Decreto nº 4.544/2002 e, atualmente, o Decreto nº 7.212/2010), sejam ignorados em face de mero Parecer Normativo editado em 1970 e que não pode ser aplicado a fatos ocorridos em 2004; (v) no caso de não homologação, seja suspensa a exigibilidade dos débitos confessados por intermédio do PER/DCOMP; (vi) a correção dos créditos pleiteados pela taxa Selic. 4. Não obstante, no Processo nº 13830.722126/201179, requer a contribuinte, complementarmente, o reconhecimento da suspensão da exigência do crédito tributário lançado no auto de infração nele debatido até o ulterior trânsito em julgado do Processo nº 13830.720081/201017, pois dele decorrente, encontrandose ambos pautados para a presente sessão de julgamento. 5. Em 29/08/2014, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1051.578, situado às fls. 80 a 96, de relatoria do AuditorFiscal Fernando Lopes Pauletti, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INDUSTRIALIZAÇÃO. BENEFICIAMENTO. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13830.720077/201059 Acórdão n.º 3401005.144 S3C4T1 Fl. 628 4 ACONDICIONAMENTO OU REACONDICIONAMENTO. O corte para padronização de tamanho do produto, mesmo que para encomenda, bem como a sua secagem, natural ou em estufas, e proteção, quando desacompanhado de alteração nas suas características originais, não se inclui no conceito de beneficiamento. O acondicionamento ou reacondicionamento, para que caracterize industrialização, necessita alterar a apresentação do produto, não se enquadrando no conceito a embalagem para fins de transporte. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRONTA, COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Somente ensejam direito ao benefício as aquisições de insumos, conceituados como tal pela legislação do IPI. A aquisição de produtos acabados, que não sofrem qualquer etapa de industrialização no estabelecimento industrial exportador, não dá direito ao Crédito Presumido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia. Não cabe à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação, mas, tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros Selic sobre o ressarcimento de créditos de IPI. ÔNUS DA PROVA. Ao peticionário cumpre a instrução dos autos e o ônus da prova de suas alegações, respaldado nos respectivos documentos fiscais e contábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6. A contribuinte, intimada da decisão em 07/10/2014 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 100, interpôs, em 06/11/2014, em Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13830.720077/201059 Acórdão n.º 3401005.144 S3C4T1 Fl. 629 5 conformidade com o termo de solicitação de juntada, situado à fl. 102, recurso voluntário, situado às fls. 103 a 124, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 8. A vexata quæstio a ser apreciada se refere à divergência de entendimento quanto à ocorrência ou não de industrialização, pela contribuinte, quanto aos produtos (madeira) por ela adquiridos e posteriormente exportados, especificamente quanto aos procedimentos de beneficiamento e acondicionamento ou reacondicionamento da madeira. Recortase, da decisão recorrida, por pertinente, o seguinte arrazoado: (...) O Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212, de 2010) dispõe, em seu art. 3º, que produto industrializado é o resultante de qualquer operação nele definida como industrialização, mesmo que incompleta, parcial ou intermediária. Conforme artigo 4º do mencionado ato legal, industrialização é a operação que modifica a natureza, altera o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoa para consumo, sendo irrelevante, para esse enquadramento, o meio utilizado para a produção da mercadoria e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. (...) Segundo o inciso II do art. 4º do Ripi, a operação de beneficiamento é aquela que modifica, aperfeiçoa ou altera o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto. Situações relacionadas com a apresentada pela manifestante foram analisadas pela Coordenação do Sistema de Tributação, que se pronunciou por meio dos Pareceres Normativos CST nº 300/1970, 642/1971 e 436/1985, afirmando, em síntese, que o simples corte do material para redução de tamanho, sendo mantidas todas as características e formas originais, não se caracteriza como industrialização por beneficiamento. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13830.720077/201059 Acórdão n.º 3401005.144 S3C4T1 Fl. 630 6 PN CST 300/70 “Corte de chapas de ferro, aço ou vidro, para simples redução de tamanho, em forma retangular ou quadrada, sem modificação da espessura. Não se caracteriza como beneficiamento.” PN CST 642/71 “Não é industrialização o corte de chapas de eucatex, sob diversos moldes, seguido de aplicação em revestimento interno de veículos (...). Isto, entretanto, se as chapas referidas forem simplesmente cortadas, sem serem submetidas a qualquer processo que vise à sua transformação, beneficiamento ou aperfeiçoamento, de qualquer forma.” PN CST 436/85 “Não se inclui no conceito de beneficiamento, à luz da legislação do IPI, a simples redução de tamanho, por corte e/ou serragem de produto (folha, telha, placa, etc. de madeira, ferro, aço, plástico, vidro e outros) que mantenha todas as suas características originais, mesmo para atender a encomenda ou pedido dos adquirentes. (...) Eis que, na hipótese, estaria ocorrendo somente uma ação mecânica com a mera finalidade de reduzir o comprimento do produto” (...). Continuando na análise da suposta industrialização, pela manifestante, da madeira a ser posteriormente exportada, o relatório, bem como as fotos trazidas aos autos pela fiscalização, são claros no sentido de que os procedimentos realizados pela empresa limitamse a adequar a madeira recebida a tamanho, proteção e acondicionamento com vistas à remessa para o destinatário, inclusive no exterior. A argumentação trazida pela manifestante não foi suficiente para afastar a convicção manifestada na decisão da DRF de que os procedimentos eventualmente submetidos à madeira a ser exportada não se caracterizam como industrialização e, conseqüentemente, não faz ela jus ao crédito pretendido" (seleção e grifos nossos). 9. Adicionase, a este respeito, que a recorrente realizou consulta à Receita Federal, em 19/02/2008, acerca do crédito presumido de IPI, tratada no Processo nº 13830.000238/200870, na qual e declarou como exportadora de produtos adquiridos de terceiros, sem industrializálos. 10. Em que pese a ulterior alteração do contrato social da recorrente para passar a incluir em seu contrato social a atividade de industrialização, e em que pese, ainda, a afirmação de que se tratava de estabelecimento industrial de fato à época, recortase o seguinte Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13830.720077/201059 Acórdão n.º 3401005.144 S3C4T1 Fl. 631 7 trecho da consulta fiscal redigida pela contribuinte, especificamente a respeito de sua atuação empresarial: 11. Em igual sentido, a licença ambiental para corte, serragem e enfardamento de madeira foi feita apenas em 2008 e, recordese, concedida "(...) com base nas informações apresentadas pelo interessado" (g.n.), como recorda a própria contribuinte em sua manifestação de inconformidade e em seu recurso voluntário. 12. Assim, até 20/12/2008, data em que recebe a título provisório a licença em referência, simplesmente inexistem elementos que sustentem a alegação da contribuinte de que empreendia atividade de industrialização. Na verdade, até esta data, "(...) não apenas não estava autorizada a operar na industrialização da madeira, como nenhum outro elemento por ela trazido foi capaz de modificar este entendimento". 13. E, ainda que se admitisse a existência da atividade de industrialização, a inexistência de controle de estoques não permitiria segregar, entre os produtos adquiridos, aqueles que foram submetidos à industrialização, aqueles que foram exportados e aqueles simplesmente destinados ao mercado interno. Como bem aponta a decisão recorrida, a própria contribuinte informa que "(...) parte da madeira era enviada para secagem em estufas por terceiros". 14. Entendemos que somente as MP, PI e ME que tenham sofrido incidência do PIS e da Cofins poderiam ser incluídos no cálculo do benefício com o objetivo de ressarcimento das contribuições incidentes sobre tais materiais utilizados "no processo produtivo", i.e., aquele conjunto de ações do qual resulta a produção da empresa exportadora, o que implica a cumulação de dois requisitos inexoráveis à empresa: tratarse de produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13830.720077/201059 Acórdão n.º 3401005.144 S3C4T1 Fl. 632 8 15. Neste sentido, ademais, a decisão recorrida: "Notese que são dois requisitos cumulativos para se alcançar o benefício: produzir e exportar. No presente caso, o que se tem, é que as mercadorias, adquiridas de terceiros e exportadas, não foram submetidas pela exportadora a qualquer processo de industrialização, razão pela qual não podem ser incluídas no montante das exportações utilizadas para o cálculo que determinará o percentual das aquisições que comporá a base de cálculo do benefício. (...) o artigo 1º da Lei nº 9.363/96 prevê que a empresa produtora e exportadora fará jus a crédito presumido do IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS e Cofins, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo. Assim, entre os insumos não se incluem os produtos que, sem qualquer industrialização efetuada pelo adquirente, são revendidos no mercado interno ou são exportados para o exterior, porquanto não se conformam em matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem submetidos a qualquer processo de industrialização. Não havendo um controle sobre o estoque e sua aplicação, não se pode afirmar que os produtos adquiridos pela manifestante foram, de fato industrializados e destinados à exportação. E esta é mais uma razão que, ainda que se considerasse a industrialização caracterizada, seria fator impeditivo de reconhecimento do crédito pretendido. Mais uma vez deve ser destacado que, em se tratando de um benefício postulado pela manifestante, cabe a ela demonstrar inequivocamente a sua certeza e liquidez. Não sendo possível, não há como reconhecer o crédito." (seleção e grifos nossos). 16. Tal constatação decorre da leitura do art. 1º da Lei nº 9.363/1996: Lei nº 9.363/1996 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. 17. Concluise, desta feita, que não restaram sequer minimamente comprovados, por parte da contribuinte recorrente, os fatos alegados constitutivos de seu direito, nos termos do quanto preceituado pelo art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13830.720077/201059 Acórdão n.º 3401005.144 S3C4T1 Fl. 633 9 18. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto, em virtude de carência probatória. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000407/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998
DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova da legitimidade dos lançamentos que importem redução do crédito tributário. A dedutibilidade das despesas está condicionada à comprovação de sua existência e necessidade às atividades da empresa.
Numero da decisão: 1301-000.601
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova da legitimidade dos lançamentos que importem redução do crédito tributário. A dedutibilidade das despesas está condicionada à comprovação de sua existência e necessidade às atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Observase pela análise do presente processo que em desfavor da recorrente foi lavrado Auto de Infração (fls. 172 – 179). O Termo de Verificação Fiscal está contido às folhas 166 a 170. Referido auto de infração prestouse para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social (CSLL), ambos com multa de 75% e juros de mora. Depreendese ainda, que o lançamento foi efetuado em virtude de procedimento fiscal no qual se efetivou glosa de despesas, assentando a Fiscalização, que a recorrente foi intimada a apresentar documentação referente a despesas, a justificar a necessidade e a provar o efetivo pagamento, deixando de comprovar devidamente os valores relacionados no bojo do auto de infração. Cientificada da autuação (fls. 172 e 176), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 203 – 218), alegando em síntese, que a exação é indevida, abusiva e arbitrária, restrita a aspectos superficiais e que ao mencionar "valor tributável ou imposto", tomase patente a imprestabilidade da autuação. Argumentou ainda que houve inversão do ônus da prova pelo Fisco, bem como, falta de clareza na imputação causando assim, cerceamento do direito de defesa e implicando a nulidade do lançamento. No mais, aduziu que na falta de comprovação documental da parcela glosada, a escrituração da despesa se encontrava apoiada em documentos e recibos que se constituiriam em provas hábeis das despesas e que falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços e dos requisitos de dedutibilidade das parcelas glosadas a exigência não poderia prosperar frente aos elementos de prova anexados, sendo que o ônus da prova (quanto à despesa não ser necessária) era do Fisco e que juntou contratos de prestação de serviços, notas fiscais, requereu diligência e pugnou pela improcedência do lançamento. A 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 299 a 305, manteve o auto de infração assentando que o lançamento foi efetuado com observância dos requisitos do artigo 142 do CTN, não se configurando qualquer violação aos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/72, porquanto a recorrente foi regularmente intimada, tendo recebido cópia do auto de infração e que está se encontrava descrita de forma detalhada e capitulada, sendo que a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a autuação. Assentouse ainda, que a indicação, no auto de infração, de se tratar de "valor tributável ou imposto" não prejudica o entendimento do lançamento, uma vez que o Termo de Verificação deixou claro os valores das despesas que objeto da glosa e, nos Demonstrativos de Apuração do IRPJ (fl. 174) e da CSLL (fl. 178), os valores exigidos se encontram demonstrados. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 18471.000407/200315 Acórdão n.º 130100.601 S1C3T1 Fl. 2 3 Assentouse ainda, que em se tratando do pedido de perícia ou diligência, caberia observar que o inciso III, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir" e que o mesmo artigo aduz em seu § 4°, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. Dito isso, entendeu a decisão recorrida que o contribuinte não pode se eximir do ônus da prova mediante solicitação de perícia ou diligência, indeferindose a solicitação de perícia ou diligência. Quanto ao mérito, entendeu a decisão recorrida que as despesas têm o condão de reduzir o Lucro Real e, consequentemente, o crédito tributário, de sorte que seria ônus do interessado provar a existência e o preenchimento dos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade e que a ausência ou falha em qualquer dos requisitos elencados impossibilitaria o incurso do ato ou fato econômico à categoria de despesa, permanecendo mero dispêndio, aquém da possibilidade de dedução no sistema jurídicotributário de determinação do lucro tributável. Nessa toada, consignouse que a prova não se faz apenas com a apresentação de Notas Fiscais, mas com a demonstração da relação do pagamento com o serviço prestado e que a demonstração da efetiva prestação dos serviços é condição de dedutibilidade, sendo o ônus da prova dos valores escriturados do interessado, não podendo prosperar a alegação do interessado no sentido de caber à fiscalização a prova da não veracidade dos fatos escriturados e estes devem estar embasados em documentos hábeis e idôneos. Na sequência a decisão recorrida enfrentou minudentemente a imputação contida no item 1 do Termo de Verificação, relembrando que a Fiscalização efetuou a glosa de diferença de R$ 4.828,00, apontando que a recorrente foi intimada a comprovar o valor de R$ 39.633,00, contabilizado a titulo de aluguel e condomínio tendo comprovado o montante de R$ 34.805,00 e que os documentos apresentados em sede de impugnação foram os mesmos já apresentados à fiscalização, sendo que as notas fiscais de folhas 259 e 262 foram aceitas pela fiscalização e totalizam o montante comprovado (R$34.805,00). Analisando o documento de folha 260, concluiuse que se tratava de documento interno denominado "Cópia de Cheque", sem qualquer valor probante, motivo pelo qual, remanesceria sem comprovação a diferença de R$4.828,00. Quanto ao item 2 da autuação, relembrou a decisão recorrida que a Fiscalização efetuou glosa de despesas (R$ 3.400,00 e R$ 3.921,30) contabilizadas a título de aluguel e condomínio, uma vez que a recorrente "comprovou apenas o depósito em conta de terceiro, sem apresentar notas fiscais que descriminasse que tipo de produto ou serviço foi adquirido". Diante disso, afirmouse que os documentos apresentados em sede de impugnação foram os mesmos já apresentados à Fiscalização, consistentes nos recibos de depósito em conta corrente (fls. 263 264) e tais documentos não comprovariam as referidas despesas e nem mesmo as identificariam, considerando, portanto, não comprovadas as despesas glosadas (R$ 3.400,00 e R$ 3.921,30). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Quanto ao item 3 do Termo de Verificação, seguiuse a mesma sistemática relembrando que a Fiscalização efetuou glosa de despesas (R$ 10.060,29 e R$ 3198,80) uma vez que a recorrente "não apresentou qualquer documento que justificasse sua dedutibilidade como despesa", ocorrendo que na impugnação, o único documento apresentado foi a nota fiscal de folha 265, que não teria qualquer relação com as despesas glosadas (não há identidade de valor, nem de data), considerando assim, não comprovadas as despesas glosadas (R$ 10.060,29 e R$ 3.198,80), concluindo, entendeu a decisão que o item 4 do Termo de Verificação, que por igual turno glosou despesas com serviços prestados por “Viga Assessoria Contábil e Planejamento Ltda.”, tendo em vista que a recorrente, intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços, não apresentou relatórios descrevendo as atividades desenvolvidas mensalmente e o contrato, além de não ter sido registrado, não especificaria os serviços, sendo que os cheques utilizados para pagamento das referidas despesas foram depositados em conta corrente de Orla DTVM Ltda. Relembrou ainda, que a Fiscalização apurou que a empresa Viga apresenta DIPJ como inativa e não informou a existência de qualquer receita de prestação de serviços no ano calendário 1998, considerandose, em face do exposto, que as notas fiscais seriam insuficientes para a comprovação das despesas e os documentos apresentados em sede de impugnação foram os mesmos já apresentados à Fiscalização — notas fiscais e cópias dos cheques (fls. 266 295) e que estes, como observado pela Fiscalização, em face dos fatos apurados e relatados acima, não seriam aptas a comprovar as referidas despesas. Fundamentouse ainda, que a nas Notas Fiscais de Serviços apresentadas, a discriminação seria genérica (serviços de assessoria contábil), sendo que no caso de despesa de prestação de serviços, a Nota Fiscal de Serviços deveria discriminar detalhadamente os serviços prestados, mantendose a glosa e os lançamentos dela decorrentes. Devidamente cientificada da decisão desfavorável (fl. 312), a contribuinte interpôs Recuso Voluntário (fls. 313 – 323), reiterando os argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, conheçoo. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 18471.000407/200315 Acórdão n.º 130100.601 S1C3T1 Fl. 3 5 Cuidase aqui, como detalhado no relatório, de glosa de despesas ante a não comprovação das despesas deduzidas. Às folhas 166 a 170 a Fiscalização delineou cuidadosa descrição dos fatos demonstrando em quatro tópicos a não comprovação integral das despesas deduzidas e subsequentemente glosadas. A decisão recorrida, cotejando o panorama das provas produzidas pela recorrente, entendeu que esta não comprovou a efetividade das despesas, porquanto os documentos apresentados em nada inovariam em relação àqueles apresentados à época da autuação. Com razão a decisão recorrida. A glosa foi levada a efeito ante a não comprovação da efetividade na despesa considerada incorrida, motivo pelo qual, competia à contribuinte o ônus de evidenciar a legitimidade dos lançamentos, porquanto a dedução implica em redução do crédito tributário, não subsistindo assim, os argumentos da recorrente quanto à suposta inversão do ônus da prova. Tratandose de dedutibilidade de despesas, é dever inafastável do contribuinte, comprovar todos os requisitos impostos à dedutibilidade, motivo pelo qual, não prosperam as alegações preliminares da recorrente e pela natureza da prova a ser produzida, negase qualquer pedido de diligência ou perícia. No mérito, de igual forma são improcedentes os argumentos da contribuinte, registrandose nesse mister que o Recurso Voluntário em nada inovou nos fundamentos afastados pela decisão recorrida. Com efeito, a glosa contida no primeiro item do cuidadoso relatório da autuação (fls. 166 – 170), se deu em vista de uma diferença, cuja efetividade, a recorrente foi intimada a comprovar, mas, em relação a parcela glosada não o fez. No mesmo sentido da decisão recorrida, observo que os documentos apresentados após a lavratura do auto de infração foram os mesmos já apresentados ainda no curso da fiscalização e são de fato, imprestáveis para comprovar as diferenças, porquanto as notas fiscais de folhas 259 e 262 já foram aceitas e compõem o valor cuja dedutibilidade foi reconhecida, sendo certo afirmar que o documento interno denominado "Cópia de Cheque", encartado na folha 260, que não tem a necessária força probante para demonstrar a certeza do pagamento. Já o segundo tópico das constatações da Fiscalização, cuja manutenção da glosa foi reconhecida pela decisão recorrida, observase que a contribuinte contabilizou despesas de aluguel e condomínio, mas comprovou apenas o depósito em conta de terceiro, ocorrendo, novamente, que os documentos apresentados, consistentes nos recibos de depósito em conta corrente (fls. 263 264) não têm de fato, o condão de comprovar as despesas e por corolário, tornálas dedutíveis. Subsiste também as constatações da Fiscalização, ao se observar os itens 3 e do Termo de Verificação, tendo em vista que a nota fiscal de folha 265, não guarda qualquer relação com as despesas glosadas e os serviços que teriam sido prestados por “Viga Assessoria Contábil e Planejamento Ltda.”, ainda carecem de comprovação hábil e idônea que indique efetiva prestação dos serviços, e como assinalado pela decisão recorrida e pela Fiscalização a empresa Viga apresenta DIPJ como inativa e não informou a existência de qualquer receita de prestação de serviços no ano calendário 1998. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Por essas considerações, afasto qualquer preliminar de nulidade e no mérito, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, assinalando que as despesas glosadas carecem de comprovação, por parte do contribuinte, da satisfação dos requisitos autorizadores da dedutibilidade como despesas, mantendose a exigência fiscal decorrente do impacto da dedução indevida, aplicandose o mesmo entendimento aos eventuais reflexos na CSLL. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 10580.722324/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS.
A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontando-as da respectiva remuneração.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos. Não tendo transcorrido tal prazo, considera-se a inocorrência da decadência.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar e a recolher as contribuições dos segurados empregados, descontandoas da respectiva remuneração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos. Não tendo transcorrido tal prazo, considerase a inocorrência da decadência. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 24 /2 01 0- 52 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.722324/201052 Acórdão n.º 2202004.452 S2C2T2 Fl. 210 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.722324/201052, em face do acórdão nº 0643.932, julgado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), em sessão realizada em 30 de setembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo de impugnação apresentada em face do Auto de Infração de fl. 2, DEBCAD nº 37.235.1360, cadastrado no COMPROT sob nº 10580.722324/201052 e lavrado em 10/03/10 contra a empresa UNIBAHIA UNIDADE BAIANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO LTDA., no valor de R$ 15.856,36 (quinze mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e trinta e seis centavos), o qual se refere “às contribuições sociais dos segurados empregados a seu serviço, arrecadadas pelo empregador mediante desconto, incidente sobre as respectivas remunerações (conforme folhas de pagamentos) e não repassadas em época própria à Seguridade Social, atinentes às competências 04/2005 e 13/2005.” 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 70 a 79, as contribuições foram lançadas nos seguintes códigos de levantamento: ND (Folha Não Declarada em GFIP) referese às remunerações pagas a segurados empregados na competência Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10580.722324/201052 Acórdão n.º 2202004.452 S2C2T2 Fl. 211 3 13/2005 as quais não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), conforme folhas de pagamentos e Livros Diários do período fiscalizado. ND1 (Folha Não Declarada em GFIP) referese às remunerações pagas a segurados empregados e sócios nas competências 03/2005 a 01/2006, as quais não foram declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), conforme folhas de pagamentos e Livros Diários do período fiscalizado. 3. O procedimento fiscal e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal já citado e nos demais anexos (em especial: DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, fls. 5 e 6, RDA – RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, fls. 7 a 9 e RADA – RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, fls. 10 a 15). A fundamentação legal foi exposta no anexo FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, fls. 16 e 17. 4. Informa o Relatório Fiscal, ainda, que, por ter sido “verificada a omissão em GFIP das contribuições sociais da empresa, o que configura, em tese, o ilícito tipificado no artigo 337A, I, do Decreto Lei 2.848/40 o fato será objeto de comunicação à autoridade pública competente para a proposição de eventual ação penal Ministério Público Federal, em relatório à parte.” 5. Cientificado do lançamento em 10/03/10, conforme recibo de entrega de arquivos de fls. 149 a 151, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 157 a 176, em 09/04/10, alegando, em síntese, que: a) decaiu o direito da Fazenda pública de lançar os créditos referentes à competência 03/2005, haja vista o disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; b) “todas as remunerações pagas às pessoas que se relacionaram com a Impugnante, seja como segurado empregado, seja com qualquer outra natureza, foram declaradas cm GFIP”; c) “os pagamentos feitos constantes em folha de pagamento e Livros Diários que não foram declarados em GFIP foram devido ao fato, justamente, de não se tratarem de remuneração por serviços prestados, mas sim de outros pagamentos de natureza diversa (ressarcitória e afins, dentre outras), pagamentos estes que não integram o salário de contribuição e, consequentemente, não são base de cálculo para as contribuições previdenciárias”; d) quanto ao código de levantamento ND (Folha Não Declarada em GFIP), esclarece que “efetuou corretamente as informações em GFIP, declarando todas as remunerações, inclusive aquelas pagas aos segurados empregados na competência 13/2005”; Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10580.722324/201052 Acórdão n.º 2202004.452 S2C2T2 Fl. 212 4 e) em relação ao código de levantamento ND1 (Folha Não Declarada em GFIP), repetese, aqui, os mesmos argumentos do item anterior, ou seja, foram efetuadas corretamente as informações em GFIP, declarandose “todas as remunerações, inclusive aquelas pagas que integram o salário de contribuição — aos segurados empregados e sócios nas referidas competências”; f) no caso em tela, “verificase a necessidade de realização de diligências e perícias (contábil e in locu) para averiguar não só os equívocos constantes nos dados utilizados no Auto de Infração, mas, também, a razão das alegações promovidas nas impugnações específicas.” Para tal, nomeia como “assistente pericial [...] Vanize Reis da Hora Santana, CRC 024271/BA, com endereço profissional no loteamento Varandas Tropicais, Lote 18, Quadra 01, Lauro de FreitasBa”, para responder às questões que seguem na impugnação. 6. Diante dessas considerações, requer o Impugnante o reconhecimentos da decadência e a declaração de improcedência do Auto de Infração ora questionado, bem como a juntada de todas as provas que se fizerem necessárias e a realização de perícia contábil. 7. O presente processo foi juntado, por apensação, ao processo nº 10580.722322/201063. 8. É o Relatório." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 198/202, onde reitera as alegações expostas em impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares. Da alegação de decadência. O prazo de decadência para o lançamento de ofício da diferença não paga é contado com base no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos, a contar do fato gerador; salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que atrairia a regra do art. 173 do CTN, por força da própria parte final do § 4° do art. 150 do CTN. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10580.722324/201052 Acórdão n.º 2202004.452 S2C2T2 Fl. 213 5 Acontece, porém, como acertadamente referiu o voto da DRJ de origem, que em relação à competência 03/2005, o fato gerador (o pagamento dos salários) ocorreu somente no final do mês de março ou no início de abril. Portanto, quando o lançamento foi efetuado, ou seja, em 09/03/10, o direito aos créditos referentes à competência 03/2005 ainda não havia decaído. Rejeito a preliminar de decadência, portanto. Preliminares. Pedido de produção de provas, diligências e perícia. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedentes tais pedidos. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pela contribuinte. Mérito. Conforme se observa na defesa apresentada, o Impugnante alega, em relação a todos os códigos de levantamento, que efetuou corretamente as informações em GFIP e que se algum valor não foi informado em GFIP, não o foi por não integrar o salário de contribuição e, consequentemente, não compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em que pese a defesa pretendida, observase que a contribuinte faz apenas uma argumentação genérica, tanto em recurso voluntário quanto em impugnação, sem demonstrar que os valores apontados pela fiscalização não estão corretos. A esse respeito, cabe destacar que a fiscalização foi bastante minuciosa ao detalhar, em seu Relatório Fiscal, as irregularidades apuradas durante o procedimento. Vide o seguinte trecho extraído das fls. 71 e 72 dos autos: 15 Nessa fiscalização foram apurados valores que o contribuinte deixou de declarar em GFIP, em época própria, referentes às seguintes situações diferentes: 15.1 Em uma primeira situação, o contribuinte deixou de declarar valores pagos a contribuintes individuais conforme subitem 5.3 e deixou de declarar valores pagos a segurados empregados e a sócios administradores conforme subitens 5.1 e 5.2. 15.2 Numa segunda situação a empresa declarou valores menores em GFIP (nas competências 03/2005, 05/2005 a 11/2005 e 01/2006) do que os valores já recolhidos/pagos antes Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10580.722324/201052 Acórdão n.º 2202004.452 S2C2T2 Fl. 214 6 do início da ação fiscal, através de Guias da Previdência Social (GPS). 15.3 Para as competências 03/2005 a 12/2005 e 01/2006 a 03/2006 as respectivas GFIP foram declaradas antes do inicio dessa ação fiscal e são, também, anteriores a 04/12/2008, ou seja, foram entregues antes da vigência da Medida Provisória n2 449/2008. 15.4 A GFIP referente à competência 13/2005 foi declarada em 05/06/2009, portanto já na vigência da Medida Provisória ns 449/2008. 15.5 As GFIP referentes às competências 03/2005 a 08'2005, 11/2005, 12/2005 e 02/2006 a 03/2006 tiveram alguns segurados declarados erroneamente no código FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) 515, sendo que para o ramo de atividade da UNIBAHIA o código FPAS correto é o 574. Portanto, tendo em vista que a recorrente não demonstrou a alegada improcedência dos valores apurados pela fiscalização e nem carreou aos autos elementos de prova capazes de firmar a convicção para a procedência do recurso, concluise pela manutenção do lançamento conforme operado pela fiscalização. Cumpre ressaltar, outrossim, que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cabe à contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção, o que não ocorreu no caso presente. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Portanto, carece de razão à recorrente, devendo ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10580.722324/201052 Acórdão n.º 2202004.452 S2C2T2 Fl. 215 7 Fl. 215DF CARF MF
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