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Numero do processo: 11080.735924/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em seu art. 66, cabem embargos inominados quando o Acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, naquilo que for necessário para sanar o vício apontado.
EMBARGOS INOMINADOS NÃO PROVIDOS. INFORMAÇÕES NO MOMENTO DO JULGAMENTO.
Não havendo incorreções ou inexatidões no conteúdo material, os embargos não devem ser acolhidos. Isso porque não haviam informações de parcelamento do crédito fiscal na época do julgamento, não tendo como o julgador ter elementos suficientes ao momento da análise do processo. Portanto, a decisão prolatada foi tecnicamente correta, não havendo se falar em anulação ou acolhimento de embargos para modificação do julgado.
Numero da decisão: 2301-011.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de voto, não acolher os embargos.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávia Lilian Selmer Dias, Wesley Rocha, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Diogo Cristian Denny (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, o conselheiro(a) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em seu art. 66, cabem embargos inominados quando o Acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, naquilo que for necessário para sanar o vício apontado. EMBARGOS INOMINADOS NÃO PROVIDOS. INFORMAÇÕES NO MOMENTO DO JULGAMENTO. Não havendo incorreções ou inexatidões no conteúdo material, os embargos não devem ser acolhidos. Isso porque não haviam informações de parcelamento do crédito fiscal na época do julgamento, não tendo como o julgador ter elementos suficientes ao momento da análise do processo. Portanto, a decisão prolatada foi tecnicamente correta, não havendo se falar em anulação ou acolhimento de embargos para modificação do julgado.
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E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em seu art. 66, cabem embargos inominados quando o Acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão, naquilo que for necessário para sanar o vício apontado. EMBARGOS INOMINADOS NÃO PROVIDOS. INFORMAÇÕES NO MOMENTO DO JULGAMENTO. Não havendo incorreções ou inexatidões no conteúdo material, os embargos não devem ser acolhidos. Isso porque não haviam informações de parcelamento do crédito fiscal na época do julgamento, não tendo como o julgador ter elementos suficientes ao momento da análise do processo. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 59 24 /2 01 2- 46 Fl. 346DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-011.138 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.735924/2012-46 Relatório Trata-se de Embargos Inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, em face do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2301-010.556 (e-fls. 310 a 321), em sessão de julgamento em 13/06/2023, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BOLSA DE ESTUDOS DE GRADUAÇÃO OU PÓS GRADUAÇÃO CONCEDIDA AOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 149. Nos termos da súmula CARF 149, não integra o salário de contribuição a bolsa de estudos de graduação ou de pós-graduação concedida aos empregados, em período anterior à vigência da Lei nº 12.513, de 2011, nos casos em que o lançamento aponta como único motivo para exigir a contribuição previdenciária o fato desse auxílio se referir a educação de ensino superior. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. PRÊMIOS E COMISSÕES. ÔNUS DA PROVA. Para afastar a natureza de pagamentos constatados como sendo verba salarial pela fiscalização, efetuados mediante premiação ou comissões, cabe à Contribuinte a comprovação de que a referida autuação não tem caráter salarial, devendo, assim, a recorrente efetuar os respectivos recolhimentos das contribuições previdenciárias devidas. ABONO E PRÊMIOS. Conforme o parecer exarado pela PGFN (Ato Declaratório n° 16, de 20 de dezembro de 2011 (DOU de 22.12.2011), o abono único e os prêmios previstos em Convenção Coletiva de Trabalho CCT, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A Lei nº 9.279/98, prescreve desvinculação ao salário do pagamento de abonos, quando cumpridas as condições legais, o que remete à esfera trabalhista, não incidindo natureza salarial e consequentemente não havendo contribuição previdenciária. No presente caso não estavam previstos em convenção coletiva as referidas verbas e, portanto, não podem ser desvinculadas da base de cálculo. REPRESENTAÇÃO FISCAL. SÚMULA CARF N 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). A unidade da administração tributária, ECOA/DEVAT, vinculada à 10ª Região Fiscal, por meio de despacho de encaminhamento de e-fl. 334 informou que os débitos discutidos no presente foram incluídos no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) instituído pela Fl. 347DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-011.138 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.735924/2012-46 Lei nº 13.496/2017 e encontram-se baixados por liquidação, importando em desistência do recurso voluntário, apresentando embargos de declaração. É o breve relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha, Relator. Os embargos de declaração foram recebidos como embargos inominados, uma vez que o despacho de admissibilidade ter considerando o princípio da fungibilidade dos recursos administrativos e com fundamento no arts 65, § 1º e 66, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, e que guardam as formalidades necessárias para seu recebimento. Portanto, passo a analisá-los. O artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF - Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015), assim dispõe: “Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão”. Os embargos de inominados se prestam para sanar vícios materiais encontrados na decisão, podendo resultar em raras vezes em efeitos infringentes. Conforme o Despacho da Unidade executora, de e-fl. 334, há a informação de existência de parcelamento do débito objeto do acórdão prolatado devolvendo o processo ao CARF para análise, nos seguintes termos: Tendo em vista que os débitos 37.374.958-9, 37.374.959-7 e 37.374.960-0 foram incluídos no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT - LEI 13.496/2017) e encontram-se baixados por liquidação, importando em desistência do recurso voluntário, proponho o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para conhecimento. Diante dos documentos juntados pela unidade da administração tributária (e-fls. 327 a 329), verifica-se que a contribuinte incluiu os DEBCADs discutidos no presente processo no parcelamento especial da Lei 13.496/2017, em 14/08/2018. O processo retornou ao CARF, com fundamento ao § 3º, do art. 78 do Anexo II do RICARF, dispõe o seguinte: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo Fl. 348DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-011.138 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.735924/2012-46 contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Ocorre que na época do julgamento do Recurso Voluntário, não havia nos autos informações de parcelamento. Apesar do parcelamento ter ocorrido em data anterior ao julgamento do recurso voluntário (13/06/2023), a informação não era de ciência deste relator ou do colegiado, não havendo informação por nenhuma das partes, como já ressaltado pelo Despacho de Admissibilidade dos embargos. Com a situação posta, tem-se a ocorrência da coisa julgada administrativa, tendo sido prolatada decisão tecnicamente correta. Caso a referida informação tivesse sido trazida aos autos, por qualquer das partes, antes do julgamento, o encaminhamento ali referendado pelo colegiado certamente seria outro. Entende-se que no caso, não se aplica a hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, nos termos do art. 78, do anexo II do RICARF, pois na presente situação não havia ciência pelos julgadores administrativos em segunda instância dos fatos. Com isso, no presente caso, caba a unidade de origem reconhecer a existência do contencioso administrativo, bem como a sua “definitividade”, pela decisão proferida, cotejando- os pagamentos realizados e os possíveis créditos originários da presente demanda administrativa. Nessas circunstâncias, não acolho os embargos opostos. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por não acolher os embargos inominados opostos. (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 349DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721154/2020-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2015, 2016
ÁGIO. AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO COM RECURSOS FINANCEIROS CAPITALIZADOS POR CONTROLADORA ESTRANGEIRA. ACUSAÇÃO DE QUE NÃO HOUVE INCORPORAÇÃO ENTRE INVESTIDOR ORIGINAL E INVESTIDA.
Não subsiste acusação fiscal que busque glosar despesas com amortização fiscal de ágio sob o argumento de que deveria ser considerada como real investidora a sociedade estrangeira de onde originaram os recursos financeiros utilizados na aquisição do investimento. A legislação tributária autoriza o registro do ágio pela pessoa jurídica que detém o investimento, podendo este ser amortizado a partir do momento em que tal sociedade incorpore a investida ou vice-versa.
DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE.
Somente são admitidas como dedutíveis as despesas consideradas necessárias, usuais e normais à manutenção da atividade econômica da pessoa jurídica.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1301-006.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de decadência. No mérito, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, que lhe negava provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Taranto Malheiros - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Jose Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Iagaro Jung Martins, substituído(a) pelo(a) conselheiro (a) Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2015, 2016 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO COM RECURSOS FINANCEIROS CAPITALIZADOS POR CONTROLADORA ESTRANGEIRA. ACUSAÇÃO DE QUE NÃO HOUVE INCORPORAÇÃO ENTRE INVESTIDOR ORIGINAL E INVESTIDA. Não subsiste acusação fiscal que busque glosar despesas com amortização fiscal de ágio sob o argumento de que deveria ser considerada como real investidora a sociedade estrangeira de onde originaram os recursos financeiros utilizados na aquisição do investimento. A legislação tributária autoriza o registro do ágio pela pessoa jurídica que detém o investimento, podendo este ser amortizado a partir do momento em que tal sociedade incorpore a investida ou vice-versa. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE. Somente são admitidas como dedutíveis as despesas consideradas necessárias, usuais e normais à manutenção da atividade econômica da pessoa jurídica. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de decadência. No mérito, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, que lhe negava provimento. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Jose Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Iagaro Jung Martins, substituído(a) pelo(a) conselheiro (a) Carmen Ferreira Saraiva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-06-20T14:16:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-06-20T14:16:55Z; Last-Modified: 2024-06-20T14:16:55Z; dcterms:modified: 2024-06-20T14:16:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-06-20T14:16:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-06-20T14:16:55Z; meta:save-date: 2024-06-20T14:16:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-06-20T14:16:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-06-20T14:16:55Z; created: 2024-06-20T14:16:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 52; Creation-Date: 2024-06-20T14:16:55Z; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-06-20T14:16:55Z | Conteúdo => S1-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16682.721154/2020-07 Recurso Voluntário Acórdão nº 1301-006.940 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2024 Recorrente RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2015, 2016 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO COM RECURSOS FINANCEIROS CAPITALIZADOS POR CONTROLADORA ESTRANGEIRA. ACUSAÇÃO DE QUE NÃO HOUVE INCORPORAÇÃO ENTRE INVESTIDOR ORIGINAL E INVESTIDA. Não subsiste acusação fiscal que busque glosar despesas com amortização fiscal de ágio sob o argumento de que deveria ser considerada como real investidora a sociedade estrangeira de onde originaram os recursos financeiros utilizados na aquisição do investimento. A legislação tributária autoriza o registro do ágio pela pessoa jurídica que detém o investimento, podendo este ser amortizado a partir do momento em que tal sociedade incorpore a investida ou vice-versa. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE. Somente são admitidas como dedutíveis as despesas consideradas necessárias, usuais e normais à manutenção da atividade econômica da pessoa jurídica. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de decadência. No mérito, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, que lhe negava provimento. (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Presidente (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 54 /2 02 0- 07 Fl. 4290DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocado(a)), Jose Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Iagaro Jung Martins, substituído(a) pelo(a) conselheiro (a) Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado contra o acórdão nº 105-004.860, proferido pela 2ª Turma da DRJ/05, na sessão de 25 de junho de 2021, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: Trata-se de impugnação aos lançamentos fiscais de IRPJ e CSLL relativos ao ano- calendário de 2015 e 2016, conforme abaixo detalhado: Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal – TVF, a contribuinte fiscalizada, Rio de Janeiro Refrescos Ltda., pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, doravante denominada RJR, com sede no Rio de Janeiro, nos anos-calendário de 2015 e 2016 fez opção pelo regime de tributação pelo Imposto sobre a Renda com base no Lucro Real Anual, conforme sua Escrituração Contábil Fiscal – ECF de 2015 e 2016, constando como ativa nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil – RFB quando do início deste procedimento fiscal. Foi constatado, no Lalur e no Lacs das ECF’s de 2015 da RJR,uma exclusão de R$ 101.424.304,92 sob o código 152 – Ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente de participação societária entre partes não dependentes, em casos de incorporação, fusão ou cisão e, no Lalur e no Lacs das ECF’s de 2016, uma exclusão de R$ 101.424.306,02 dentro do código 95 – Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis. DO ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS E DOS CASOS EM QUE É PERMITIDA SUA DEDUTIBILIDADE DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL Discorre sobre a legislação que rege o tratamento contábil e fiscal a ser dado ao ágio constituído por ocasião da aquisição de investimentos/participações societárias, de modo a que se possam identificar as condições impostas pela legislação para que se proceda à dedução de valores a esse título das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL Fl. 4291DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 devidos, considerando o determinado no art. 144 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/66, a legislação a que se refere é aquela vigente à época dos fatos geradores. O ágio na aquisição de investimentos representa o montante excedente pago pela investidora em relação ao valor contábil da participação adquirida na investida. As regras para seu registro, no caso das empresas sujeitas à avaliação de investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial, encontram-se previstas no art. 20 do Decreto-Lei n' 1.598/77 (redação dada pela Lei n' 12.973/2014). Obedecido o comando estabelecido no art. 20 do Decreto-lei nº 1.598/77, e em consonância com o Princípio Contábil da Competência, o ágio pago com fundamento na expectativa de rentabilidade futura - caso do ágio ora sob análise, conforme informado - não deve, em princípio, ser lançado como despesa diretamente no resultado do exercício em que foi pago, e sim evidenciado separadamente, como desdobramento do custo do investimento que lhe deu causa, em conta patrimonial representativa da participação societária adquirida. Para fins comerciais, e antes da vigência da Lei nº 11.638/2007, esse ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura podia ser amortizado contabilmente em períodos futuros, com vistas ao confronto da despesa havida com os resultados positivos que motivaram a sua constituição. Todavia, essas amortizações para fins contábeis e comerciais, em regra, nunca puderam gerar efeitos tributários, exceto quando da alienação/liquidação do investimento. É o que determinava o art. 25 do mesmo Decreto-Lei (redação dada pela Lei nº 12.973/2014). Assim, em conformidade com estes dispositivos, os efeitos tributários do ágio pago na aquisição do investimento somente ocorreriam no momento da alienação/liquidação desse investimento, vez que nesse momento o valor do ágio poderia compor o custo contábil do investimento alienado, para fins de se determinar o ganho ou a perda de capital da operação (§6' do art. 20 do Decreto-Lei). A exceção a essa regra veio disposta nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, que passaram a permitir a dedução, para fins fiscais, dos valores relativos às amortizações contábeis do ágio, mesmo antes de ocorrida a alienação/liquidação do investimento. Segundo estes dispositivos, a dedução passou a ser permitida nos casos em que a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra pessoa jurídica na qual detém participação societária adquirida com ágio ou deságio, inclusive nos casos em que a empresa incorporada seja aquela que detinha a propriedade da participação societária que gerou o ágio, ou seja, inclusive nos casos em que a investida é quem incorpora a investidora (a chamada “incorporação reversa”). A esse respeito, também o disposto nos arts. 385, 386, 391 e 426 do Regulamento do Imposto sobre a Renda - RIR/99, veiculado pelo Decreto nº 3.000/99. Assim, o caput do art. 391 do RIR/1999 dispõe expressamente que as contrapartidas (despesas de amortização) do ágio ou deságio de que trata o art. 385 do RIR/1999 não serão computadas na determinação do lucro real, ao passo que o parágrafo único daquele mesmo dispositivo estabelece que, concomitantemente à amortização na escrituração comercial, seja mantido controle no LALUR, para determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento. Por conseguinte, a falta de adição de tais despesas ao lucro real, quando obrigatória, constitui infração à legislação que rege o Imposto sobre a Renda. Da mesma forma, a exclusão indevida de valores a esse título. Com respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, as mesmas afirmações prevalecem, haja vista o disposto no art. 28 da Lei n' 9.430/96: Art. 28. Aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24-B, 26, 55 e 71.(Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012). Fl. 4292DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 A legislação analisada determina o registro do ágio na aquisição de participação societária nos casos de incorporação, fusão ou cisão, considerando tais despesas dedutíveis quando atendidos todos os requisitos nela expressos, do que se depreende a impossibilidade de dedução das despesas de amortização de ágio da base cálculo da CSLL caso aqueles não sejam plenamente atendidos. Nesse sentido, a falta de adição das despesas relativas à amortização de ágio, caso descumpridos os requisitos que permitem a sua dedução, bem como a exclusão indevida de valores a esse título, também constituem infração à legislação que rege a referida contribuição. Nesse sentido o determinado pelo art. 44 da Instrução Normativa nº 390/2004, vigente no período sob fiscalização, que, com fundamento nos dispositivos legais de regência da matéria, regulava a apuração e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. O art. 57 da Lei nº 8.981/95 aponta no mesmo sentido. Conclui-se, assim, que a legislação tributária aplicável ao período sob fiscalização, de um lado preceitua o desdobramento do custo de aquisição do investimento em duas contas distintas, uma com o valor de patrimônio líquido da participação adquirida, outra com o ágio ou deságio havido na aquisição e, de outro, veda a dedução da despesa de amortização do ágio na determinação da base de cálculo dos tributos devidos, respeitadas as exceções trazidas na própria legislação de regência. DA ORIGEM DO ÁGIO AMORTIZADO PELA RJR Questionada, por meio do Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF), sobre as operações que originaram a exclusão de R$ 101.424.304,92 em 2015 e de R$ 101.424.306,02 em 2016 a título de Amortização de Ágio nas respectivas ECF’s de 2015 (sob o código 152 – Ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente de participação societária entre partes não dependentes, em casos de incorporação, fusão ou cisão) e de 2016 (dentro do código 95 –Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis), a contribuinte informou, dentre outras coisas, que: “A Intimada esclarece que os valores de R$ 101.424.304,92 e R$ 101.424.306,02 informados nessas linhas da ECF dos anos-calendário de 2015 e 2016 dizem respeito à exclusão de despesas com a amortização fiscal do ágio pago na aquisição de 100% das ações da Companhia de Bebidas Ipiranga ("Ipiranga"') ocorrida em julho de 2013. O valor desse ágio não é amortizado para fins contábeis. Por se tratar de investimento adquirido avaliado pelo valor de patrimônio líquido, a Intimada, em observância ao disposto na redação original do artigo 20 do Decreto-lei n' 1.598/77 e no artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (aprovado pelo Decreto n' 3.000/99 - "RIR/99", vigente a época dos fatos), desdobrou o custo de aquisição da participação societária na Ipiranga em valor de patrimônio líquido e ágio. O registro do valor integral do ágio teve como fundamento econômico o valor de rentabilidade futura da Ipiranga, conforme confirmado por avaliações econômico- financeiras realizadas por assessores financeiros independentes, arquivadas pela Intimada nos termos do artigo 385, §3' do RIR/99. Em 01.12.2013, foi deliberada a incorporação da Ipiranga pela Intimada, com a consequente extinção da Ipiranga e absorção do seu patrimônio pela Intimada. Após a incorporação e nos termos autorizados pelo artigo 7º da Lei n' 9.532/97 e artigo 386 do RIR/99, a Intimada passou a amortizar o valor do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, à razão de um cento e vinte avos mensais (isto é, pelo prazo de dez anos). Nos anos-calendário de 2015 e 2016, a Intimada reconheceu despesas dedutíveis da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL decorrentes da amortização fiscal de ágio que foram excluídas de seu lucro real tributável por meio de ajustes no e-LALUR, conforme refletido nas (i) contas de código 152, em relação ao ano-calendário de 2015; e (ii) código 95 no ano-calendário de 2016, na Escrituração Contábil Fiscal ("ECF") da Intimada desses anos-calendário. Fl. 4293DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Por fim, a Intimada esclarece que a exclusão do ano-calendário de 2015 foi informada na "Linha 152 - Ágio por rentabilidade futura", na medida em que o Programa Validador e Assinador ("PVA") não obrigava que esta linha tivesse a vinculação com conta contábil, possibilitando, assim, a classificação nesta linha. No ano-calendário de 2016, por sua vez, em razão de uma modificação do sistema do PVA, a exclusão foi informada na "Linha 95 -Reversão de provisão", que alterou a classificação dos valores informados na Linha 152, exigindo que todos os valores declarados tivessem relacionamento com conta contábil específica, o que não é o caso do ágio registrado pela Intimada na aquisição do investimento na Ipiranga, em observância ao regime contábil do artigo 385 do RIR/99 e da redação original do artigo 20 do Decreto-lei n° 1.598/77. Assim, muito embora tenha sido informado em linhas distintas da ECF nos anos-calendário de 2015 e 2016, trata-se do ágio registrado pela Intimada na aquisição da Ipiranga, nos termos explicados acima” (grifou). Para termos uma visão mais ampla do papel da empresa Andina Bottling Investments Dos S.A. (“ANDINA”) com sede no Chile, intimou-se a contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal nº 002 (TIF002), dentre outras informações, a apresentar as suas Demonstrações Contábeis de 2012 a 2016, a qual foi atendida conforme transcrito abaixo: “Em relação a esta solicitação, a RJR esclarece que a Andina Bottling Investments Dos S.A. é uma sociedade localizada no exterior controlada diretamente pela chilena “Embotelladora Andina S.A.”, companhia de capital aberto cujas ações são negociadas na bolsa de valores do Chile e de Nova Iorque. Em razão disso, todas as suas informações financeiras, incluindo as demonstrações contábeis auditadas e consolidadas referentes aos anos calendários de 2012 a 2016, estão divulgadas ao mercado e público em geral no sítio: http://www.koandina.com/pagina.php?p=inversionistas. A RJR esclarece que não possui ingerência ou acesso direto a outras informações administrativas dessas sociedades.” Como no Balanço Geral de 2013 da “ANDINA” (fls. 3.424) houve um acréscimo nos “Pasivos no Corrientes” (Passivo Não Circulante) que passaram de $ 0,00 em 2012 para 289.720.382 mil pesos chilenos em 2013, lavramos o Termo de Intimação Fiscal n' 003 (TIF003), para que a contribuinte justificasse esse aumento do passivo, que foi assim atendido: “A RJR reitera o esclarecimento apresentado anteriormente a esta d. Fiscalização de que a Andina Bottling Investments Dos S.A. é uma sociedade localizada no exterior, controlada diretamente pela chilena “Embotelladora Andina S.A.”, companhia de capital aberto cujas ações são negociadas na bolsa de valores do Chile e de Nova Iorque, de modo que a RJR não possui acesso direto ou ingerência das informações administrativas ou financeiras daquela sociedade. Não obstante, no intuito de demonstrar sua boa-fé e colaboração com essa d. Fiscalização, a RJR esclarece que todas as informações financeiras da “Embotelladora Andina S.A.”, incluindo as demonstrações contábeis auditadas e consolidadas das suas sociedades investidas, estão divulgadas ao mercado e público em geral no sítio: http://www.koandina.com/pagina.php?p=inversionistas. Dentre os documentos públicos, a RJR destaca os reportes financeiros consolidados dessas sociedades investidas, incluindo a própria Andina Bottling Investments Dos S.A., disponível no sítio http://www.koandina.com/uploads/reportes_financieros/2014%20Memoria%20VF%20 ES .pdf, os quais indicam que outras sociedades investidas da Embotelladora Andina S.A. também possuem valores registrados a título de passivo não circulante. Inclusive, a própria “Embotelladora Andina S.A.” se financiou no mercado de capitais internacional junto a terceiros com a emissão de títulos de dívida (international bond) para o regular desenvolvimento de sua atividade como holding com investimentos em diversos países da região. Fl. 4294DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 No que tange à própria RJR, a empresa reitera a informação apresentada anteriormente a esta d. Fiscalização no sentido de que celebrou com a Andina Bottling Investments Dos S.A., em outubro de 2013, o contrato de empréstimo externo direto em moeda estrangeira (Doc_Comprobatorios), cujo valor principal é de USD 360.000.000,00 (trezentos e sessenta milhões de dólares norte-americanos). De acordo com o referido contrato, o valor do principal deverá ser integralmente pago pela RJR à Andina Bottling Investments Dos S.A. em uma parcela única no dia 26.09.2023. Desse modo, é possível que o “passivo não circulante” registrado pela Andina Bottling Investments Dos S.A. nas suas demonstrações financeiras de 2013 esteja relacionado à captação de recursos para a concessão do referido empréstimo à RJR,no regular desenvolvimento de sua atividade de holding.” (Grifou). A informação prestada pela contribuinte não confirma se a alteração dos valores no Balanço Geral de 2013 da “ANDINA” são relacionadas à captação de recursos para a concessão do empréstimo à RJR, então não temos como comprovar se foi, de fato, devido a essa operação que a empresa “ANDINA” teve um acréscimo substancial no seu patrimônio em 2013, de quase três vezes o valor de 2012. Como o patrimônio informado nesse Balanço passou de 159.561.560 pesos chilenos em 2012 para 455.119.777 pesos chilenos em 2013, fica claro que a “ANDINA” não tinha capacidade financeira para fazer o empréstimo à RJR com os números do Balanço de 2012. De acordo com a resposta da contribuinte ao TIAF, a amortização do ágio teve início a partir da incorporação da COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA (CNPJ 55.960.736/0001-01, “CBI”), ocorrida em 01/12/2013. Dessa forma, o item a seguir relata, de forma cronológica, os eventos que serviram para a formação do ágio e sua amortização pela contribuinte. Formação do ágio Para compreender e identificar as operações realizadas para a formação desse ágio, procedeu-se a um levantamento de informações em sítios na internet e nas Juntas Comerciais, confrontando-as com as Demonstrações Financeiras (quando disponíveis) e com as declarações entregues à Receita Federal do Brasil. A fim de permitir a visualização da operação como um todo, apresenta-se, a seguir, um resumo dos eventos apurados, em ordem cronológica: O Balanço Patrimonial da RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA (“RJR”), obtido junto à Jucerja, mostra um Passivo Circulante em que predominam empréstimos bancários (R$ 168 milhões) e Contas a Pagar com empresas relacionadas (R$ 153 milhões) O Capital Integralizado soma cerca de R$ 135 milhões, com Prejuízos Acumulados de R$ 172 milhões e um Patrimônio Líquido de R$ 445 milhões (fls. 1.995). Fl. 4295DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 É realizada a avaliação econômica pela empresa Latin American Company (empresa especializada em fusões e aquisições no sistema Coca-Cola, conforme resposta da contribuinte ao TIF005), às fls. 3.482 a 3.527. A Embotelladora Andina S.A (“Coca-Cola Andina” ou “CCA”), sociedade constituída segundo as leis da República do Chile, controladora indireta da RJR, emitiu Fato Relevante Reservado à Superintendencia de Valores y Seguros (“SVS”), informando que iniciaria conversações formais acerca da aquisição da Companhia de Bebidas Ipiranga (“CBI”) (fls. 2.883). Informa que a empresa CCA detém 99,90% da ANDINA BOTTLING INVESTMENT DOS S/A (“ANDINA”), e esta, por sua vez, detém 99,99% da RJR. A seguir, quadro demonstrativo da estrutura da organização que envolve a RJR e a CCA: É realizada a avaliação econômica pelo Banco JP Morgan (fls. 3.442 a 3.481). CCA aprova, em reunião de diretoria, os termos de aquisição de 100% das ações de CBI (fls. 2.883) Contrato de Compra e Venda relativo a aquisição de 100% das ações de CBI pela RJR (fls. 3.227 a 3.288). CCA informa, por meio de Fato Relevante, que RJR havia celebrado Contrato de Compra e Venda para adquirir as ações de CBI por R$ 1.218.000.000 (fls. 2.883 a 2.884). Em anúncio ao mercado, CCA divulga a operação, apontando que ela foi aprovada pelas diretorias de CCA e CBI, e que teria de ser financiada, mas renderia à RJR a captura de sinergias da ordem de R$ 10 milhões anuais, além dos benefícios tributários como consequência da combinação de negócios (fls. 2.021). Este Contrato ha sido aprobado por los Directorios de Andina e Ipiranga; y se estima que la Transacción se materializará durante el segundo semestre del 2013, una vez cumplidas ciertas condiciones, entre las que se incluyen la aprobación por parte de las autoridades de libre competencia de Brasil y The Coca-Cola Company. El valor acordado para la Transacción asciende a R$1.218 millones (equivalentes aproximadamente a US$539 millones), que corresponden al 100% de los activos de Ipiranga. Para establecer el valor o pagar por las acciones de la compañía, a este valor se le restará la deuda neta de la misma al momento de materializarse la Transacción. Fl. 4296DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Esta transacción, que será financiada con deuda, permitirá a RJR capturar sinergias operativas y logísticas por aproximadamente R$10 millones anuales, así como también benefícios tributarios, como consecuencia de la interación de los negocios. Ipiranga es un embotellador líder dentro del sistema Coca-Cola en Brasil, y opera en parte de los estados de Sao Paulo y Minas Gerais. Durante el 2012, las ventas de Ipiranga fueron de 89,3 millones de cajas unitarias, sus ingresos alcanzaron los R$695 millones, y el EBITDA fue R$112 millones (equivalentes aproximadamente a US$356 millones y US$57 millones respectivamente 2).” (grifou) Comunicação de CCA à Superintendencia de Valores y Seguros (“SVS”) sobre o crédito ponte de até US$ 625.000.000,00 para a RJR adquirir a CBI. A CCA espera refinanciar esse crédito através do lançamento de Bônus no mercado internacional (fls. 2.885 a 2.886). A CCA lança bônus locais para refinanciar alguns passivos. Os prospectos de lançamento, ao descreverem o histórico da companhia, descrevem a aquisição da CBI, e trazem a informação de que o respectivo pagamento será viabilizado por um crédito ponte de até US$ 625 milhões, com duração máxima de 12 meses, que a empresa espera refinanciar com a emissão de bônus no mercado internacional (fls. 2.022 a 2.342 e 3.210). Mais uma vez, é enfatizado o aspecto dos benefícios tributários (fls. 2.118). “El valor acordado por el 100% de los activos de Ipiranga asciende a R$1.218 millones (equivalentes aproximadamente a US$539 millones). Para establecer el valor a pagar por el total de las acciones de Ipiranga, a este valor se le restará la deuda neta de la misma al momento de materializarse la Transacción. Lo que será determinado a través de una auditoria independiente. Al 31 de marzo de 2013, el monto de la deuda neta declarada por Ipiranga ascendia aproximadamente a R$ 148 millones. La Transacción será financiada a través de un crédito puente, que tendrá un plazo máximo de doce meses contado desde la fecha de materialización de la operación. Este crédito estará denominado en dólares de los Estados Unidos de América y su monto total será de hasta US$625 millones. La Compañía espera refinanciar dicho crédito a través de la emisión de un bono en el mercado internacional. La anterior operación permitirá a RJR capturar sinergias operativas y logísticas por aproximadamente R$ 10 millones anuales, así como también beneficios tributarios, como consecuencia de la integración de los negocios.” (grifou) Mediante sua 61ª alteração contratual, RJR aprova aumento de capital de R$ 380 milhões, a ser totalmente subscrito por ANDINA BOTTLING INVESTMENT DOS S/A (“ANDINA”), subsidiária, também chilena, da CCA e controladora de RJR. O capital social anterior era de R$ 135,2 milhões (fls. 3.289 a 3.298). A empresa “ANDINA” teve um acréscimo patrimonial substancial - quase três vezes o valor de 2012 - demonstrado no seu Balanço Contábil de 2013 (fls. 3.424). O patrimônio passou de 159.561.560 pesos chilenos em 2012 para 455.119.777 pesos chilenos em 2013. CCA informa, por meio de Fato Relevante, que definiu as condições para emissão de bônus no mercado internacional, totalizando US$ 575 milhões, a serem pagos em 10 anos (fls. 3.211). No anúncio de emissão do bônus, feito na mesma data, a empresa deixa clara sua vinculação ao financiamento da aquisição de CBI (fls. 2.343). Fl. 4297DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 “Nueva York, 26 de septiembre de 2013 - Coca-Cola Andina ("Andina" o "la Compañía") acordó hoy los términos y condiciones para la emisión de bonos corporativos en el mercado internacional por US$575 millones. El uso de fondos de esta operación es el financiamiento de la adquisición del 100% de las acciones de Companhia de Bebidas Ipiranga ("Ipiranga"), cuyos activos están valorizados en R$1.218 millones. La adquisición de Ipiranga permitirá a Rio de Janeiro Refrescos Ltda. ("RJR"), filial de Coca-Cola Andina en Brasil, capturar importantes sinergias operativas y logísticas, como consecuencia de la integración de los negocios. La operación, asesorada por J.P. Morgan, Itaú BBA y Santander GBM, consistirá en la emisión y colocación de bonos por un monto total de US$575 millones, a 10 años plazo, y a una tasa de 5,025%, lo que implicaria un spread de 237,5 puntos base sobre la tasa de referencia (Bono del Tesoro Americano – 10 Años). La emisión fue clasificada en categoría A- y BBB con perspectivas estables por Fitch y S&P respectivamente.” Reunião de sócios de RJR aprova celebração de contrato de mútuo em moeda estrangeira com ANDINA, no montante de até US$ 360 milhões, com vencimento em 10 anos, com objetivo de financiar parte do preço da aquisição de CBI (fls. 3.299 a 3.302). Nesta data a CCA coloca nos mercados internacionais Bônus no valor total de US$ 575.000.000,00 para a RJR adquirir a CBI (fls. 3.212 a 3.217). /10/2013 É celebrado o Contrato de Empréstimo entre a ANDINA e a RJR no valor de US$ 360 milhões, com vencimento em 10 anos, com objetivo de financiar parte do preço da aquisição de CBI (fls. 3.425 a 3.430). A 62ª alteração contratual de RJR retifica o aumento de capital aprovado em 25/09/2013 para R$ 396,9 milhões (fls. 3.303 a 3.312). A contribuinte realiza os pagamentos para a realizar a aquisição da CBI, conforme os Comprovantes de Pagamento às fls. 3.431 a 3.441. O Termo de Quitação é escriturado, informando que o valor total pago nesta data pela aquisição da CBI por RJR foi de R$ 1.155.445.998,00, com ágio no valor de R$ 1.014.243.048,90 (fls. 3.313 a 3.330). RJR adquire 100% das ações de CBI. Nas palavras do comunicado ao mercado emitido por CCA, RJR “materializou a aquisição de 100% das ações de CBI”. Isso evidencia o papel de mero instrumento ocupado por RJR na operação, simplesmente para “materializar” a aquisição de CBI que, de fato, coube à CCA (fls. 2.344). “(Santiago-Chile, 12 de octubre de 2013) Con fecha 11 de Octubre de 2013, Rio de Janeiro Refrescos Ltda. ("RJR"), filial de Embotelladora Andina S.A. ("Coca-Cola Andina") en Brasil, ha materializado la adquisición del 100% de las acciones de Companhia de Bebidas Ipiranga ("Ipiranga"], en una transacción en efectivo. Esta transacción había sido previamente acordada entre las parles mediante un contrato de compraventa suscrito con fecha 10 de Júlio de 2013. El precio de la compraventa antes descrita fue de R$1.155.445.998.- y fue pagado por la adquirente al contado.” RJR aprova o Protocolo de Incorporação da CCA e Instrumento de Justificação (celebrado nesta data – fls. 1.998 a 2.020) através da 64ª Alteração do Contrato Social (fls. 3.331 a 3.362). Com a incorporação da CBI, a RJR torna formalmente dedutível o ágio pago na aquisição desta e, como consequência, passa a deduzir as despesas de amortização daquele do resultado tributável. Fl. 4298DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 31/12/2013 Na mensagem do presidente de CCA, constante do relatório anual (2013) da companhia, a aquisição de CBI é assim descrita (fls. 2.652): “Por otra parte, en julio de 2013 anunciamos la compra de Companhia de Bebidas Ipiranga (“Ipiranga'), un embotellador brasilero de Coca-Cola, cuya franquicia se encuentra en parte de los estados de São Paulo y Minas Gerais. Su territorio tiene 4,1 millones de habitantes, y durante el a fio 2013 registró ventas por 88,3 millones de Cajas Unitarias (“CU'). Ipiranga es un embotellador que se caracteriza por tener muy altos estándares de operación, así como también excelentes niveles de ejecución en el punto de venta, lo que le permite tener una participación de mercado en gaseosas de 67,2%. Actualmente estamos en el proceso de integrar Ipiranga a Andina Brasil, lo que nos permitirá obtener importantes sinergias, y traspasar las buenas prácticas entre ambas franquicias. El valor pagado por Ipiranga ascendió a R$1.155 millones, y la transacción se materializo el 11 de Octubre del 2013. La operación fue financiada mediante la exitosa emisión de un bono internacional por un monto de US$575 millones, lo que refleja la confianza de los mercados internacionales en la companía.” Conforme se verifica, CCA indica, de forma clara, que a operação foi financiada pela emissão internacional de bônus feita por ela mesma. O formulário 20-F de 2013 de CCA traz as seguintes informações (fls. 2.499): “NOTA 3 – COMBINACIÓN DE NEGOCIOS b) Adquisición de Compañía de Bebidas Ipiranga: “Con fecha de 18 de junio de 2013 el directorio de Embotelladora Andina S.A. aprobó por unanimidad la compra de la Sociedad Brasilera Compafiía de Bebidas Ipiranga. La mencionada Sociedad se dedica a la comercialización y distribución de productos de las marcas Coca-Cola en parte de los territórios de Sao Paulo y Minas Gerais, atendiendo aproximadamente a 23.000 clientes. Dicha aprobación se materializó en un contrato de compraventa firmado con fecha 10 de julio de 2013. Luego de las aprobaciones de la transacción por parte de Coca-Cola y el Consejo Administrativo de Defensa Económica de Brasil, con fecha 11 de octubre de 2013, la filial brasilera Rio de Janeiro Refrescos Ltda. materializó la adquisición del 100% de las acciones de Compañía de Bebidas Ipiranga. El precio de la compraventa fue de MR$1.155.446 (equivalentes a M$261.244.818) y fue pagado por Rio de Janeiro Refrescos Ltda. al contado, usando fondos provenientes de préstamos de compañías relacionadas y aportes de capital de la matriz. Los costos de transacción relacionados de M$578.864 se cargaron a resultados en el momento en que se incurrieron, y se registraron como otros gastos por función dentro de los estados de resultados consolidados de la Sociedad. El valor razonable estimado de los activos netos de Compañía de Bebidas Ipiranga adquiridos es el siguiente: Fl. 4299DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 El valor razonable de los derechos de distribución y la propiedad, planta y equipo, fue calculado por la Compañía, utilizando modelos de valuación como flujo caja descontado. Los derechos de distribución se espera que sean deducibles de impuestos para propósitos de impuestos sobre la renta. La empresa espera recuperar la plusvalía a través de las sinergias relacionadas con la capacidad de producción disponible. La plusvalía se ha asignado al segmento de operación de la Compañía en Brasil M$55.255.194 se espera que la plusvalía sea deducible de impuestos para propósitos de impuestos a la renta.” Essa nota explicativa traz outro ponto que chama a atenção. Na estimativa dos ativos adquiridos apresentada, para um preço de compra de 261.244.818 mil pesos chilenos (equivalentes a R$ 1.155.446 mil), foi atribuído um valor de 228.359.641 mil pesos chilenos aos direitos de distribuição de produtos Coca-Cola (o que corresponderia a R$ 1.010.000 mil). Ou seja, de acordo com as informações prestadas pela controladora indireta de RJR, ao apurar o patrimônio de CBI a valor justo, cerca de 87% do valor dos ativos seria por conta dos direitos de distribuição. O goodwill corresponderia a 55.255.194 mil pesos chilenos (aproximadamente R$ 244.385 mil). CCA declara que espera que os direitos de distribuição sejam dedutíveis para fins de Imposto de Renda. No entanto, tais direitos são classificados como intangíveis e, de acordo com a própria companhia, não possuem vida útil definida, tendo em vista que são renovados “permanentemente” pela Coca-Cola (fls. 2.480) 2.7.2 Derechos de distribución “Corresponden a los derechos contractuales que se tienen para producir y distribuir productos de la marca Coca-Cola en determinados territorios de Argentina, Brasil, Chile y Paraguay. Los derechos de distribución, nacen del proceso de valorización al valor justo de los activos y pasivos de las Sociedades adquiridas en combinaciones de negocios. Los derechos de distribución, poseen vida útil indefinida y no se amortizan (dado que son renovados permanentemente por Coca-Cola), por lo cual son sometidos anualmente a pruebas de deterioro.” Somente nessa data, quase seis meses após a escrituração do Contrato de Compra e Venda e quase três meses após a escrituração do Termo de Quitação, é então elaborado o Laudo de Avaliação que “justificaria” o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (fls. 3.363 a 3.421). O balanço de RJR nessa data apresenta realidade bem distinta daquela de 12/2012: uma dívida com ANDINA (controlada por CCA) superior a R$ 1 bilhão e intangíveis de mais de R$ 1,2 bilhão (fls. 1.996). Fl. 4300DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 DA INDEDUTIBILIDADE DO ÁGIO NA RJR E DA DESPESA NÃO NECESSÁRIA RELATIVA AO CONTRATO DE MÚTUO À ANDINA Considera que o aproveitamento, para fins tributários, das despesas de amortização do ágio apurado na aquisição da CBI apresenta algumas irregularidades. Primeiramente, há que se ressaltar que, ao se iniciarem as tratativas entre o grupo Coca-Cola Andina e os sócios de CBI, RJR não possuía recursos suficientes para concretizar a aquisição. O custo de aquisição de CBI era próximo do valor total dos ativos de RJR e superior ao dobro do patrimônio líquido desta última. Todos os recursos usados na operação em tela foram oriundos da controladora indireta de RJR (a Embotelladora Andina S.A., Coca-Cola Andina ou CCA), que recorreu ao lançamento de bônus no mercado internacional para conseguir capital suficiente para efetivar o pagamento do preço avençado. Isso foi amplamente divulgado pela empresa chilena no mercado local. O ingresso dos recursos no caixa de RJR ocorreu de duas formas, instrumentalizadas por ANDINA (Andina Bottling Investments Dos S.A.), sua controladora direta, mas com recursos de CCA. Uma parte menor ingressou como aumento de capital e uma parte maior, na forma de mútuo (estima-se que essa fórmula tenha sido utilizada apenas para atendimento às regras de subcapitalização). Assim, resta claro que os recursos utilizados na aquisição de CBI eram, de fato, de CCA, a real detentora do ágio (ANDINA também foi um veículo). Nas palavras da própria CCA, RJR serviu apenas para “materializar” a compra. Trata-se do típico caso de internação do ágio. Se a aquisição tivesse ocorrido diretamente por qualquer uma das duas companhias chilenas, o ágio não poderia ser aproveitado para reduzir tributos no Brasil. A dedução da amortização de ágio deve beneficiar quem suportou o ônus de efetivamente pagar por ele; no caso, foi CCA (companhia chilena) que arcou com todos os recursos que propiciaram concretizar a negociação. Fl. 4301DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Em segundo lugar, a maior parte dos recursos injetados em RJR sequer tiveram caráter de investimento permanente, mas, ao contrário, geraram despesas de juros que, além de diminuírem seu resultado tributável, serviram como forma de envio de recursos às suas controladoras direta (ANDINA) e indireta (CCA). Ainda que se considere que as remessas de juros para o Chile são tributadas na fonte a 15%, tais juros vão gerar uma diminuição no resultado que seria tributado a 34% (IRPJ + CSLL). Em caso de aquisição direta por CCA ou ANDINA, não haveria pagamento de tais juros. Um terceiro aspecto ainda merece destaque. Verifica-se que o Laudo de Avaliação elaborado pela Ernest & Young (EY), utilizado para servir de parâmetro na análise da fundamentação no ágio pago na aquisição da CBI pela RJR, foi emitido em 03/01/2014, meses após as operações realizadas, apenas confirmando a avaliação feita pela interessada antes da conclusão dos negócios praticados, de modo que pode ser considerado que nem mesmo a existência e quantificação do ágio foram devidamente comprovados. Dessa forma, não é difícil perceber a enorme vantagem tributária obtida pelo grupo ao optar por esse modelo de negócios. Uma compra direta de CBI por CCA ou ANDINA, seguida de sua incorporação por RJR, traria os mesmos efeitos sob o ponto de vista comercial. No entanto, os ganhos tributários auferidos pela RJR com a amortização do ágio de mais de R$ 1 bilhão, e com a remessa de juros para sua controladora, somente se tornaram possíveis com esse desenho de operação. Como a contribuinte acrescentou em sua resposta ao TIF005 os comprovantes de pagamento e os estudos econômicos realizados pelo Banco JP Morgan e a empresa Latin American Company, deve-se destacar que a Fiscalização não contesta a viabilidade do negócio sob a ótica comercial, mas sim a forma como se operacionalizou a aquisição da CBI pela RJR. Por último, conforme ressaltado na Nota 3b das demonstrações financeiras de CCA, transcrita na página 16 deste Termo, a maior parte do valor pago por CBI corresponderia aos direitos de distribuição dos produtos da Coca-Cola. O balanço patrimonial de CBI em 31/10/2013 registrava como principal item dos ativos o imobilizado (R$ 259 milhões), que incluía diversos imóveis relacionados no Protocolo de Incorporação. Os intangíveis eram da ordem de apenas R$ 4 milhões. Dessa forma, ainda que se considerasse o ágio como efetivamente detido por RJR, não parece razoável atribuir sua fundamentação integralmente à perspectiva de rentabilidade futura da companhia adquirida. O Decreto-Lei 1598/77, com a redação anterior à Lei 12.973/2014, dispunha no artigo 20: “Art 20 - O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: Fl. 4302DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 I - valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II - ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I § 1º - O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º- O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º - O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2' deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º - As normas deste Decreto-lei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicam-se às sociedades que, de acordo com a Lei n' 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada.” Ou seja, o ágio fundamentado em intangíveis, como é o caso dos direitos de distribuição, está previsto no § 2', alínea “c”, do citado artigo. E o art. 7', inciso II, da Lei n' 9.532/97, determina que essa parcela de ágio não está sujeita a amortização. Como a operação que resultou no aproveitamento do ágio pela RJR foi considerada irregular pela fiscalização, o contrato de mútuo tomado da ANDINA (cedente) pela RJR (tomador) também deve ser desconsiderado para fins de dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, haja vista que este contrato somente foi realizado para tornar possível a aquisição da CBI pela RJR (com a vantagem adicional de permitir uma dedução de despesas de juros). Isto porque, se a aquisição da CBI tivesse sido realizada diretamente pela CCA ou sua controlada direta ANDINA, não haveria motivos para que esse contrato de mútuo fosse obtido pela RJR junto a esta última. As despesas relativas a este contrato são, portanto, despesas desnecessárias. De fato, se a negociação houvesse ocorrido entre os sócios de CBI e uma das companhias chilenas, não existiria contrato de mútuo e, consequentemente, também não haveria despesas relativas ao pagamento de juros. Dessa forma, concluí que não pode considerar o contrato de mútuo como necessário a atividade da RJR, conforme descrito no art. 299 do Decreto nº 3.000/99: “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1' São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2' As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3' O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.” Ressalta, ainda, que o contrato de mútuo celebrado com a ANDINA serviu como forma de envio de recursos da RJR para sua controladora, de maneira mais econômica para aquela. Fl. 4303DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Como exemplo, cita o Acórdão nº 14-52.725, da 5ª Turma da DRJ/RPO, relativo ao Processo Administrativo Fiscal nº 16561.720095/2013-99, a seguir: “4.2 - Quanto aos juros sobre empréstimos As despesas para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social devem passar preliminarmente' pela verificação da constituição de despesas necessárias à atividade, conforme definido pelo art. 47 da Lei n' 4.506, de 1964, no período. O art. 299 do Regulamento do Imposto de renda, Decreto nº 3000/99 determina que são operacionais as despesas não computadas nos custos, - necessárias á atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n' 4.506, de 1964, art. 47). As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, ou operações exigidas pela atividade da empresa. No art. 300 há definição de que se aplicasse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. A captação de empréstimos tem como objetivo de incrementar os investimentos necessários para a consecução das suas atividades, o que efetivamente não foi o que aconteceu. O dinheiro obtido pela contribuinte é proveniente de uma empresa que faz parte do mesmo grupo econômico ao qual pertence a Fiscalizada, ou seja, além de não se tratar de dinheiro "novo", não se justifica o pagamento de juros para a sua obtenção, já que são empresas vinculadas entre si. (O dinheiro poderia, por exemplo, ser enviado como aporte de capital). (...) Sabemos que no Brasil é praticado uma das mais altas remunerações de capital do mundo, o que decerto influenciou no modelo de negociação praticado, tendo em vista, que além da redução do lucro tributável no Brasil ainda a controladora do exterior obteve um rendimento financeiro do empréstimo prejudicando, sem necessidade, os cofres públicos brasileiros e em última análise o contribuinte brasileiro. (...) Parece incoerência e de difícil admissibilidade que uma empresa com capital de aproximadamente R$ 18 milhões e sem nenhum patrimônio garantidor, apenas com uma simples nota promissória, pudesse captar cerca de R$ 126 milhões. Isto somente é possível quando há guarida do grupo por inteiro ou como o caso, sejam processadas pelo próprio grupo. Por tudo que foi apresentado é nosso entendimento que era completamente desnecessária e não essencial tais despesas incorridas, concluindo pela glosa dos valores apurados como juros, com objetivos claros de aproveitamento dos juros acima do mercado internacional e de economia tributária. Constata-se então que a própria impugnante reconhece que a EPD Brasil não possuía os recursos necessários à aquisição da Veyance, ou seja, foi sua controladora no exterior que viabilizou o empréstimo. É notório que se trata mesmo de aporte de capital com roupagem de empréstimo. Os fundamentos da Fiscalização não merece reparos, correta, portanto, a glosa da despesas de juros.” DO LANÇAMENTO FISCAL Diante da análise da documentação e esclarecimentos apresentados pela contribuinte, em conjunto com as ECF’s e ECD’s dos anos calendário de 2015 e 2016, as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF’s de 2015 e 2016 e os DARF’s pagos de IRPJ e de CSLL pela contribuinte, constantes como ativas nos sistemas informatizados da RFB quando do início deste procedimento fiscal, apuraram- se valores que ensejaram o lançamento do crédito tributário, haja vista a não observância da legislação em vigor. Amortização do Ágio Fl. 4304DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Com efeito, restou constatado que a fiscalizada excluiu das bases de cálculo valores relativos a despesas de amortização de ágio indedutível para fins fiscais, no valor de R$ 101.424.304,92 em 2015, e de R$ 101.424.306,02 em 2016, gerando assim indevida redução das bases tributáveis e, consequentemente, falta de recolhimento dos tributos devidos, conforme o LALUR, o LACS e o registro M500 da ECF que se encontram anexados às fls. 3.565 a 3.628 deste processo. Portanto, foram calculados os valores exigidos de ofício, anuais, a título de IRPJ e CSLL relativamente aos anos-calendário de 2015 e de 2016, conforme planilha incluída no item 7.2. Pagamento de Juros pelo Contrato de mútuo à ANDINA As despesas de juros incorridas em razão do contrato de mútuo perfizeram o valor de R$ 68.576.610,60 em 2015, e de R$ 75.899.728,20 em 2016, conforme resposta da contribuinte ao TIF002 e o Razão da conta 0210102204 – “Empréstimo Andina V. Cambial”, anexo às fls. 3.630 a 3.633, e diminuíram o resultado desses períodos para fins de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, conforme descrito no item 6 na página 19 e seguintes deste Termo. Esses valores foram levados ao resultado do exercício (através da conta 0710102201 – “Juros s/ outros Financ.”), conforme o Razão e as Demonstrações do Resultado do Exercício Mensais e Anual, em anexo às fls. 3.629 e 3.634 a 3.635. Elaborou a tabela a seguir com os valores apurados pela fiscalização relativos ao IRPJ e CSLL anuais: Da Multa Isolada: Por fim, verificamos ainda que a fiscalizada incorreu na hipótese prevista no inciso II, alínea "b", do art. 44 da Lei 9.430/96, qual seja, a existência de valores devidos e não pagos a título de estimativas/antecipações mensais do IRPJ e da CSLL, haja vista a indevida dedução de despesas de amortização de ágio e do pagamento de juros pelo Contrato de Mútuo com a ANDINA das bases de cálculo mensais. Por tais motivos, o lançamento de ofício abrangerá também a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96. Desse modo, são apresentados a seguir os valores das multas isoladas exigidas de ofício para o IRPJ e a CSLL: Fl. 4305DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Os valores relativos às despesas de juros incorridas em razão do contrato de mútuo, mensalmente, estão de acordo com Razão da conta 0210102204 – “Empréstimo Andina V. Cambial”, anexo às fls. 3.630 a 3.633, da conta 0710102201 – “Juros s/ outros Financ.”, às fls. 3.634 a 3.635, e das Demonstrações do Resultado do Exercício Mensais e Anual, em anexo às fls. 3.629. Já com relação ao ágio indedutível, os valores estão informados, mensalmente, no LALUR, no LACS e no registro M500 da ECF que se encontram às fls. 3.628 deste processo. O cálculo detalhado da apuração dos valores das multas exigidas pela falta de pagamento das estimativas/antecipações mensais do IRPJ e da CSLL encontra-se demonstrado nos Anexos I (IRPJ 2015 e 2016) e II (CSLL 2015 e 2016) do presente Termo de Verificação Fiscal. Fica a contribuinte intimada a efetuar nos LALUR e Livros de Demonstração da Base de Cálculo da CSLL, em suas PARTES A e B, todos os ajustes necessários para que sejam registrados os novos valores apurados nestes Autos de Infração decorrentes de aumento da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como outros que sejam pertinentes. As infrações relatadas no presente Termo, como já assinalado, foram também constatadas no AC 2014, para as quais houve o lançamento dos créditos tributários correspondentes no Processo Administrativo Fiscal nº 16682.721042/2019-12. Em que pese as razões de defesa em sede de Impugnação, os créditos tributários lançados restaram, no mérito, integralmente mantidos, conforme acórdão nº 11-68.161 proferido pela da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC). A fundamentação legal concernente às infrações apuradas é a relatada neste Termo e contida nos respectivos Autos de Infração. Acompanham o Termo de Verificação Fiscal os seguintes Anexos: • Anexo 1 - Demonstrativo de Cálculo da Multa Isolada sobre o IRPJ Mensal em 2015 e 2016, e; • Anexo 2 - Demonstrativo de Cálculo da Multa Isolada sobre a CSLL Mensal em 2015 e 2016. IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou IMPUGNAÇÃO, na qual argumenta, em síntese: I – Considerações Introdutórias A cobrança está relacionada às seguintes supostas infrações: (i) Infração nº 1 - Glosa do Ágio Ipiranga: Glosa de despesas de amortização fiscal do ágio pago pela Impugnante na aquisição da totalidade de ações da Companhia de Bebidas Ipiranga (“Ipiranga”), concluída em 11.10.2013. A Ipiranga era uma engarrafadora e distribuidora do sistema “The Coca-Cola Company” (“Sistema Coca- Cola”), assim como é a Impugnante, sendo reconhecida à época como uma das mais tradicionais empresas desse sistema, com sólida presença no interior dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais. O ágio pago pela Impugnante estava integralmente Fl. 4306DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do investimento nessa sociedade operacional, adquirido junto a partes totalmente independentes mediante pagamento em dinheiro (“Ágio Ipiranga”), e (ii) Infração nº 2 - Glosa de juros pagos ao exterior: Glosa de despesas de juros pagos pela Impugnante à Andina Bottling Investments DOS S.A. (“Andina Investments”), sociedade localizada no Chile e controladora direta da Impugnante, no âmbito do “Contrato de Empréstimo” celebrado em 03.10.2013. Esse contrato foi firmado para financiar parte do preço de aquisição pago em dinheiro aos 16 (dezesseis) antigos acionistas da Ipiranga, pessoas físicas e jurídicas (“Vendedores”). Em relação à Infração n° 1, consta no TVF que a glosa do ágio legitimamente pago e amortizado pela Impugnante seria justificada pelo fato de que a “real detentora do ágio” seria, em verdade, a sociedade chilena Embotelladora Andina S.A. (“CCA”), controladora indireta da Impugnante, com ações negociadas na bolsa de valores de Santiago. Essa empresa estrangeira nunca atuou diretamente no Brasil e não teve qualquer participação direta na aquisição das ações da Ipiranga. Conforme será retomado adiante, a CCA havia emitido títulos de dívida (international bonds) no mercado internacional, cujo principal objetivo era o refinanciamento de seus passivos (fato incontroverso nos presentes autos), assim como levantar recursos que foram repassados para a sua controlada direta Andina Investments que, por sua vez, teria fornecido os recursos à Impugnante a título de aumento de capital e empréstimo. Sob uma ótica simplista puramente ligada a essa operação de captação de recursos pela CCA no mercado de capitais via instrumento de dívida, bem como partindo de referência a trechos isolados de comunicados divulgados ao mercado chileno e documentos públicos que foram retirados do seu verdadeiro contexto (incluindo uma incorreta interpretação de palavras no idioma espanhol), a autoridade lançadora alega no TVF que a “CCA arcou com todos os recursos que propiciaram concretizar a negociação”, sendo que a Impugnante “apenas serviu apenas para ‘materializar’ a compra da Ipiranga” (fl. 3655). Nesse ponto, o TVF demonstra uma clara irresignação da autoridade lançadora em relação à estrutura válida de aquisição do investimento pela Impugnante na Ipiranga, aduzindo que “se a aquisição tivesse ocorrido diretamente por qualquer uma das duas companhias chilenas, o ágio não poderia ser aproveitado para reduzir tributos no Brasil” (fl. 3655) e que uma “compra direta da Ipiranga pela CCA ou Andina Investments, seguida de sua incorporação pela Impugnante, traria os mesmos efeitos sob o ponto de vista comercial sendo que a amortização fiscal do ágio somente seria possível com esse desenho de operação”, sendo a “Fiscalização contesta a forma como se operacionalizou a aquisição” (fl. 3655 e 3656). Para tanto, a autoridade lançadora ignora não apenas toda a documentação que comprova a negociação e aquisição direta da Ipiranga pela Impugnante como também o fato de que a aquisição em questão envolveu a compra de uma sociedade operacional (Ipiranga) por sua competidora (Impugnante) em uma clara operação entre empresas não relacionadas que atuam ativamente no mercado nacional. Tanto é assim que, como será detalhado a seguir, após a aquisição, as empresas foram unificadas por meio da incorporação da Ipiranga pela Impugnante, com a integração efetiva de todos os ativos, clientes, funcionários, etc. Essa unificação entre as operações permitiu ainda a captura de sinergias relevantes, com destaque para a otimização da cadeia de suprimentos (supply chain) e das linhas de produção da Impugnante, absorção do know-how dos negócios da Ipiranga, além da redução de custos com a unificação de áreas administrativas, etc. A ficção criada pela autoridade lançadora de aquisição direta por uma empresa chilena é, portanto, o que seria excepcional e fora do contexto. Não pode o Fisco adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados entre partes contratantes, o que é legítimo desde que suas condutas sejam lícitas. Fl. 4307DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Não pode a autoridade lançadora sugerir outras formas para se realizar a aquisição do investimento na Ipiranga que, no seu entender, então,“trariam os mesmos efeitos sob o ponto de vista comercial”, a qual leva em consideração apenas e tão somente fins arrecadatórios, sem qualquer exame de aspectos envolvidos e que serão adiante retomados em detalhes. O raciocínio fiscal, sob uma ótica puramente baseada nos fluxos financeiros da operação, se revela contraditório em seus próprios termos e fundamentos, pois, caso esse raciocínio fosse levado ao extremo, em detrimento das normas jurídicas e da realidade dos fatos comprovados, a CCA também não poderia ser considerada a “real adquirente da Ipiranga” no presente caso. Isso porque a titularidade dos recursos que foram fornecidos à Impugnante e utilizados para financiar a aquisição da Ipiranga seria, em verdade, dos investidores terceiros que subscreverem títulos de dívida(bônus) emitidos no mercado internacional pela CCA, fato incontroverso nos presentes autos (fls. 3643 e 3644). Além dessas inconsistências, a autoridade lançadora viola a solidez do conjunto probatório, ignorando por completo o conteúdo e informações dos documentos acostados aos autos que infirmam as acusações fiscais, notadamente: (i) que a Impugnante era a parte compradora do Contrato de Compra e Venda (fls. 3227 a 3288) e de todos os demais documentos formalizados no âmbito da operação; (ii) que o preço foi efetivamente pago em dinheiro pela Impugnante aos Vendedores, conforme atestado pelo Termo de Quitação (fls. 3313 a 3330), bem como pelo Certificado dos Vendedores(doc. 01); (iii) que após a conclusão da operação, a Impugnante passou a ser a titular(proprietária) da participação direta na Ipiranga, conforme comprovado pelo Livro de Registro de Ações (fls. 1857 a 1865); (iv) as autoridades reguladoras brasileiras reconheceram a condição da Impugnante como a “real adquirente” do investimento na Ipiranga, com destaque para o Parecer Técnico n° 214 do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (“CADE” - doc. 02); (iv) a Impugnante, após a incorporação da Ipiranga, sucedeu esta companhia em todos os ativos, passivos, direitos e obrigações,inclusive conforme reconhecido pela própria RFB no “extrato conta-corrente” que indica a responsabilidade pela Impugnante, por sucessão, dos débitos tributários que eram de titularidade da Ipiranga (doc. 07), bem como ocorreu a combinação das operações e negócios de produção e distribuição de bebidas no Sistema Coca-Cola; e (v) que as relações comerciais e contratuais mantidas com “The Coca-Cola Company” envolvendo a Impugnante e a Ipiranga (doc. 03), dentre diversos outros documentos e informações atestam a condição da Impugnante como “verdadeira adquirente” do investimento na Ipiranga. Na essência, a autoridade lançadora tenta construir uma ficção jurídica, uma realidade paralela, totalmente desconectada dos fatos comprovados, que é a comprada Ipiranga pela empresa operacional RJR (Impugnante). Essa compra, como será retomado, visou à expansão geográfica da atuação da Impugnante como franqueada do Sistema Coca- Cola no Brasil, consolidando-se no mercado de bebidas da Região Sudeste,assim como o fortalecimento em face de suas principais concorrentes. A autoridade lançadora defende ainda no TVF que (i) o laudo de avaliação elaborado pela Ernest Young (“Laudo E&Y”), o qual teria sido utilizado, segundo o seu entendimento, para “servir de parâmetro na análise da fundamentação do ágio pago” teria sido elaborado “meses após a aquisição do investimento na Ipiranga” (fl. 3655); bem como (ii) que caso se considerasse o ágio como efetivamente sendo de titularidade da Impugnante (isto é, que essa seria a “real adquirente” da Ipiranga), não “seria razoável atribuir sua fundamentação integralmente à perspectiva de rentabilidade futura da companhia adquirida” (fl. 3656). Em relação ao item (i), será evidenciado que o preço de aquisição pago para a compra das ações da Ipiranga estava amparado por estudos técnicos preparados antes da aquisição pela Latin American Company, empresa especializada em fusões e aquisições no Sistema Coca-Cola, assim como pelo Banco JP Morgan,entregues à autoridade lançadora durante o procedimento de fiscalização, os quais foram posteriormente validados pelo Laudo E&Y. Fl. 4308DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 No tocante ao item (ii), será demonstrada outra contrariedade do TVF que faz referência ao artigo 144 do Código Tributário Nacional (“CTN”), exigindo a aplicação da legislação vigente a época dos supostos fatos geradores, mas ignora o conteúdo dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 que é aplicável aos fatos (aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 – “RIR/99”), com fundamento na redação original do artigo 20 do Decreto-lei n° 1.598/77 (todos esses dispositivos serão conjuntamente referidos como– “Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97”). A autoridade lançadora defende uma suposta ordem de prioridade na alocação do Ágio Ipiranga, a qual, contudo, somente passou a existir com a entrada em vigor da Lei n° 12.973/2014, inaplicável ao presente caso nos exatos termos do referido artigo 144 do CTN, assim como em razão da vigência à época do Regime Tributário de Transição (“RTT”). Ao contrário das alegações da autoridade lançadora, está claro que é permitida a amortização fiscal do Ágio Ipiranga no caso presente, o qual observou todos os requisitos do Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97. Destacar desde já que o lançamento não está lastreado em qualquer acusação relacionada aos conhecidos chavões de “empresas-veículos”, “ágio interno” ou “ausência de propósito negocial”, na desconsideração de negócios jurídicos à luz do artigo 116, parágrafo único do CTN, tampouco na inoponibilidade ao Fisco dos atos praticados em razão de qualquer ato abusivo de direito. O TVF está baseado unicamente em acusações genéricas, sem qualquer suporte legal ou fático, além de violar a solidez das provas anexadas aos presentes autos pela Impugnante, concluindo haver “irregularidades no ágio” que é decorrência única de seu raciocínio baseado em ficção jurídica. Consigna que a autoridade lançadora: o Não questionou que o ágio foi decorrente de uma aquisição válida de investimento envolvendo duas empresas brasileiras operacionais que atuavam no setor de bebidas, cujo preço de aquisição foi efetivamente pago em dinheiro a terceiros independentes, sendo superior ao valor do patrimônio líquido da sociedade adquirida, tendo ocorrido o desdobramento desse custo em valor de patrimônio líquido e ágio cujo pagamento foi integralmente motivado pela expectativa de rentabilidade futura do investimento; o Não logrou identificar, nem mesmo suscitar, quaisquer vícios, ilegalidades, ilicitudes ou abusos, reconhecendo a validade de todos os atos jurídicos praticados, seja em relação à vontade das partes, seja em relação à forma ou estrutura adotada para a aquisição do investimento na Ipiranga, limitando-se ao seu mero inconformismo de que a aquisição poderia ter sido realizada diretamente por sociedades chilenas que também integram o Grupo Andina e que esse “desenho da operação traria os mesmos efeitos comerciais” ao referido grupo; e o Não indicou qualquer violação aos dispositivos legais que permitem a amortização fiscal do ágio pago na aquisição de investimentos em sociedades brasileiras por outra sociedade localizada no Brasil, o qual observou integralmente todos os requisitos do Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97. Em relação à Infração n° 2 que envolve a glosa das despesas financeiras com o pagamento de juros à Andina Investments nos anos-calendários de 2015 e 2016: o a autoridade lançadora não nega a efetiva captação de novos recursos pela Impugnante a partir do financiamento tomado junto à sua controladora localizada no Chile, conforme comprovado pelos contratos de câmbio e demais documentos registrados no RDE-ROF do Banco Central do Brasil (“BACEN”); o a autoridade lançadora não descaracterizou a existência e a efetividade do empréstimo; o a autoridade lançadora não nega a existência das despesas de juros, efetivamente pagos ao exterior, conforme também comprovado pelos contratos de câmbio e demais Fl. 4309DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 documentos registrados BACEN, sendo devidamente oferecidos à tributação pelo Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (“IRRF”); o a autoridade lançadora não nega a utilização dos recursos obtidos no empréstimo para a aquisição do investimento na Ipiranga, conforme declarado pela própria Impugnante, isto é, no contexto de uma compra financiada, possibilitando a expansão das operações da Impugnante e da sua área geográfica de atuação no Sistema Coca- Cola, com a entrada em novos mercados de distribuição de produtos dessa marca e sólidas expectativas de crescimento; o a autoridade lançadora não nega que despesas de juros refletiram as condições usuais praticadas no mercado para esse tipo de empréstimo; e o a autoridade lançadora tampouco justificou ou fundamentou a autuação nas (i) regras brasileiras de preços de transferência (“Regras de TP”) para a dedutibilidade de juros (artigo 22, §4º da Lei nº 9.430/10) ou (ii) nas regras de subcapitalização (artigos 24 a 26 Lei nº 12.249/10), que visam evitar a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por endividamento obtido com partes relacionadas, apenas mencionando este último sem qualquer contexto com o deslinde do feito (fl. 3655). Ignorou, nesse contexto, que a legislação brasileira permite a cada empresa decidir como se organizar, investir ou contratar com partes relacionadas no exterior, desde que a forma adotada seja lícita e observe os limites objetivos dessas regras. As despesas de juros incorridas são despesas operacionais perfeitamente dedutíveis, decorrentes de empréstimo legítimo e comprovado por documentação hábil e idônea, tendo atendido a todos os requisitos formais e objetivos previstos na legislação brasileira, além de configurarem despesas necessárias, usuais e normais para as atividades da Impugnante, dentre outros aspectos. II – Os fatos II.1 - Contexto Discorre sobre o contexto da operação. A Impugnante integra o grupo chileno Coca-Cola Andina (“Grupo Andina”) que está entre os três maiores engarrafadores de produtos Coca-Cola na América Latina, com presença na Argentina, Brasil, Chile e Paraguai. A controladora direta da Impugnante é a sociedade chilena Andina Investments que detém 99,99% das suas quotas, sendo a CCA a sua controladora indireta (a Andina Investments é uma subsidiária da CCA). Por integrar o Grupo Andina, são comuns as referências feitas à Impugnante como “Coca-Cola Andina Brasil” ou simplesmente “Andina” em documentos, comunicados, notícias, etc. A Ipiranga, sociedade adquirida e incorporada pela Impugnante, era uma empresa do setor de bebidas, fundada em 1948, com sede em Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, sendo reconhecida como uma das mais tradicionais empresas do Sistema Coca Cola no Brasil. Discorre sobre a atuação da Ipiranga. Na perspectiva da Impugnante, empresa atuante e que buscava a liderança do mercado brasileiro, a aquisição da Ipiranga representou a compra de franqueada do Sistema Coca-Cola no Brasil, sendo um movimento estratégico, natural e decisivo para melhorar o seu posicionamento no mercado de atuação e perfil de crescimento. A aquisição da Ipiranga pela Impugnante representou a oportunidade de concreta expansão das suas atividades operacionais, fortalecendo aposição de liderança no mercado brasileiro do Sistema Coca-Cola e a sua consolidação no mercado de bebidas da Região Sudeste. Permitiu ainda que a Impugnante agregasse as operações de uma companhia com histórico consistente de crescimento e, como resultado dessa integração entre os negócios das duas empresas, a geração e captação de significativas sinergias operacionais, logísticas e comerciais. II.2 Celebração do Contrato de Compra e Venda entre a Impugnante e os Vendedores Fl. 4310DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Após intensa negociação ao longo de 2013, além da devida aprovação da operação pelos sócios da Impugnante na reunião em 10.07.2013, (fls. 1686 a 1687), foi assinado o Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças (“Contrato de Compra e Venda” – fls. 3227 a 3288), pelo qual a Impugnante se comprometeu a adquirir a totalidade das 5.437.316 ações representativas de 100% do capital social da lpiranga junto aos Vendedores. As ações da Ipiranga eram detidas por 9 (nove) acionistas pessoas físicas,quais sejam: (i) Edilah Maria Lacerda Biagi; (ii) André Biagi; (iii) Luiz Lacerda Biagi; (iv) Delia Carina Biagi; (v) Rogério Biagi; (vi) Cristiano Biagi; (vii) Giordano Biagi; (viii) Vinícius Biagi Antonelli; e (ix) Oscar Americano Neto; bem como por 7 (sete) acionistas pessoas jurídicas, quais sejam: (i) ELBEL EMLB Comércio e Participações Ltda.; (ii) ELBEL VBA Comércio e Participações Ltda.; (iii) Edimasa Agricultura Ltda.; (iv) Carbisa Agricultura Ltda.; (v) ELBEL MBA Comércio e Participações Ltda.; (vi) ELBEL AB Comércio e Participações Ltda. e (vii) Anbisa Agricultura Ltda. (conjuntamente referidos como Vendedores). Todos os consentimentos necessários, incluindo a aprovação da operação pelo CADE sem quaisquer restrições no âmbito do Ato de Concentração n° 08700.006723/2013-60, foram obtidos entre os meses de julho e agosto, nos termos dos documentos anexados aos presentes autos (doc. 02) e cujo conteúdo será retomado adiante. Em 11.10.2013, os Vendedores e a Impugnante, na condição de compradora, declararam no “Certificado dos Vendedores e na Declaração” (doc. 01) que as Condições Precedentes contratualmente acordadas foram atendidas e concretizaram, na mesma data, a compra e venda das ações, ocorrendo a transferência da titularidade das ações da Ipiranga para a Impugnante, conforme comprovado pelo livro de transferência de ações, nos termos disciplinados pela Lei n° 6.404/76 (“LSA”). Como contraprestação à aquisição das ações da Ipiranga, a Impugnante efetuou o pagamento do preço em dinheiro, devidamente ajustado, de R$1.155.445.998,00, dos quais R$ 947.895.998,00 foram pagos à vista mediante depósito em conta corrente dos Vendedores, enquanto o valor de R$ 207.550.000,00 foi depositado em conta escrow junto à instituição financeira, sujeito à liberação nos termos e condições acordados contratualmente. O efetivo desembolso desses valores pela Impugnante é comprovado pelo Termo de Quitação (fls. 1987 a 1994) devidamente assinado e subscrito pelos Vendedores, declarando que a Impugnante pagou a quantia total de R$ 1.155.445.998,00, outorgando geral e irrestrita quitação, assim como é reconhecido pelo próprio TVF (fl.3650), sendo, pois, fato incontroverso nos presentes autos. Junta comprovantes de pagamentos. Pela descrição dos fatos acima, que são incontroversos nos presentes autos, fica evidente (i) que toda a motivação da compra da Ipiranga relacionava-se ao negócio da Impugnante no Brasil e não da sua controladora no Chile; (ii) todas as negociações tratadas e Condições Precedentes dizem respeito à Impugnante que, diga-se, é uma pessoa jurídica independente e com personalidade própria para atuar no mercado,e não à CCA ou outra empresa no exterior; e (iii) todos os atos de aquisição e de pagamento do preço de aquisição foram implementados pela Impugnante. II.2.1 O registro do Ágio Ipiranga pago pela Impugnante A Impugnante, como legítima adquirente do investimento naquela companhia, desdobrou, nos termos do artigo 20 do Decreto-lei n°1.598/77 e em observância ao RTT, o custo de aquisição do investimento de R$1.155.445.998,00 em: (i) valor do patrimônio líquido da Ipiranga de R$ 141.202.949,10, conforme evidenciado pelo seu balanço patrimonial (fl.); e (ii) ágio no montante de R$1.014.243.048,90, cujo fundamento econômico foi a expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido na Ipiranga, nos termos do artigo 385, §2º, inciso II do RIR/99. O valor do ágio estava integralmente suportado pela avaliação econômica de estudos técnicos preparados antes da aquisição pela Latin American Company,empresa Fl. 4311DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 especializada em fusões e aquisições no Sistema Coca-Cola, assim como pelo Banco JP Morgan, os quais foram posteriormente validados pelo Laudo E&Y com base na projeção dos resultados futuros da Ipiranga, trazida a valor presente por meio do método do fluxo de caixa descontado, atestando que o valor de mercado das ações dessa companhia variava entre R$ 1,21 bilhões e R$ 1,35 bilhões. O valor de R$ 1,319 bilhões atestado pelo Laudo E&Y era condizente com os valores de avaliação que apresentados pelas empresas especializadas independentes Latin American Company e Banco JP Morgan. O Ágio Ipiranga resultou, portanto, de uma operação efetiva de compra e venda de ações envolvendo empresas operacionais brasileiras totalmente independentes, e somente foi apurado em razão de o valor de mercado estimado para a Ipiranga, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado (DCF), resultar em valor superior ao seu patrimônio líquido calculado à época. O registro desse ágio está igualmente comprovado pelo balanço da Impugnante, bem como está identificado nas obrigações acessórias transmitidas à RFB. II.3 O Contrato de Empréstimo celebrado com a Andina Investments e a emissão de títulos de dívida pela CCA no mercado internacional A Impugnante assumiu, no Contrato de Compra e Venda, a obrigação do pagamento aos Vendedores do preço de aquisição no valor total de R$ 1.218.000.000,00, o qual estava sujeito a ajustes na Data do Fechamento. Optou pelo aumento de seu capital social e pela contratação, junto à sua controladora Andina Investments, de empréstimo internacional. A contratação do empréstimo foi aprovada na Reunião de Sócios da Impugnante ocorrida em 01.10.2013 (fls. 1677 a 1679), autorizando a celebração do contrato de mútuo em moeda estrangeira com valor máximo de U$ 360 milhões. Após essa autorização, em 03.10.2013, a Impugnante celebrou o Contrato de Empréstimo (fls. 3425 a 3430), na qualidade de “Devedora”, com a sociedade chilena Andina Investments, na qualidade de “Credora” do valor mutuado. Destaca que, de acordo com a Cláusula 15ª, esse contrato deve ser regido e interpretado pelas leis brasileiras. As Cláusulas 1ª e 2ª do Contrato de Empréstimo estabelecem que o mútuo tem por valor principal o montante mencionado de U$ 360 milhões, prazo de vencimento em 10 (dez) anos, prazo e taxa de juros acordada no percentual fixo de 6,00% ao ano. Esses valores ingressaram no Brasil em 08.10.2013, conforme comprovado pelos contratos de câmbio anexos (doc.), totalizando a quantia ingressada no Brasil de R$792.576.000,00. Essas condições do empréstimo também são evidenciadas pelo RDE-ROF de número TA667008 (fls. 239 a 243), registrado no SISBACEN sob a forma de empréstimo externo direto, nos termos da Lei n° 4.131/62. Destaca que a Cláusula 4ª do Contrato de Empréstimo prevê que os juros devem ser pagos semestralmente, nos dias 26 de março e de setembro de cada ano,a partir do dia 26.03.2014, condições estas que vem sendo regularmente atendidas pela Impugnante conforme comprovado pelos contratos de câmbio anexos e atestado pelo registro do RDE-ROF (doc. 05). Nota-se que os juros pagos ao exterior são devidamente oferecidos à tributação pelo IRRF no Brasil, mediante à alíquota de 15%, fato incontroverso nos presentes autos. O valor do principal da dívida deve ser pago, em uma única parcela, em 26.09.2023, nos termos acordados pelas partes na referida Cláusula 4ª do Contrato de Empréstimo, conforme formalizado no RDE-ROF anexo aos presentes autos. Quanto à parcela dos recursos oriundas do aumento de seu capital social ,conforme a 62ª Alteração do Contrato Social da Impugnante, arquivado na JUCERJ em 25.09.2013 (fls. 3.303 a 3.312), foi aprovado o aumento do capital social no valor de R$396,9 milhões, o que resultou em um aumento de R$ 135.198.973,45 para R$532.134.973,45, e que foi subscrito e integralizado em dinheiro pela Andina Investments. Fl. 4312DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 II.3.1 A emissão de títulos de dívida no mercado internacional de capitais Conforme Fato Relevante divulgado ao mercado chileno em 26.09.2013, a CCA informou que emitiria títulos de dívida (international bond) no mercado de capitaisinternacional e negociados no mercado norte-americano, no montante total de U$ 575 milhões, taxa de juros de 5%, a serem pagos semestralmente, além de prazo de vencimento de 10 (dez) anos. O vencimento desses títulos somente ocorrerá em 01.10.2023. A emissão desses títulos de dívida no mercado internacional tinha por principal objetivo o refinanciamento de passivos da CCA, assim como levantar recursos que foram repassados para a sua controlada Andina Investments e, por conseguinte,emprestados à Impugnante para viabilizar o financiamento da aquisição das ações da Ipiranga, operação financeira formalizada pelo Contrato de Empréstimo. O racional das operações de financiamento descritas acima é muito claro: a Impugnante precisava de recursos para financiar o pagamento do preço de aquisição da Ipiranga. Dentre as alternativas disponíveis, estava a contratação de empréstimos junto a bancos locais ou o financiamento internacional junto a sua controladora localizada no Chile. II.4. A incorporação da Ipiranga pela Impugnante Após a aquisição da Ipiranga pela Impugnante, decidiu-se pela incorporação da sociedade adquirida, nos termos em que dispõe o artigo 1.116 do Código Civil e o artigo 227 da LSA. A incorporação da Ipiranga está refletida na 64ª Alteração do Contrato Social da Impugnante (fls. 3331 a 3362), no qual os sócios aprovaram a operação sem qualquer restrição, bem como o laudo de avaliação do patrimônio líquido contábil daquela companhia, cujo valor atribuído pelo referido laudo totalizou R$ 164.306.979,45. Como resultado da absorção do patrimônio da Ipiranga, resultando na sua extinção, a Impugnante sucedeu esta companhia a título universal em todos os seus direitos e obrigações, ocorrendo a transferência de aproximadamente 2.400 funcionários do quadro da Ipiranga, conforme comprovado pela RAIS anexa (doc. 04), dos seus ativos circulantes (totalizando R$ 143.646.259,23), ativos não circulantes (totalizando R$296.801.694,87), incluindo as 5 (cinco) linhas de produção, 6 (seis) centros de distribuição, matérias-primas, estoques, frota de caminhões, paletes, assim como passivos, dentre outros bens, direitos e obrigações, conforme evidenciado pelos documentos que formalizaram e suportam a incorporação da Ipiranga pela Impugnante (fls. 3358 a 3362). O organograma abaixo ilustra o antes e o depois dessa unificação das operações entre a Ipiranga e a Impugnante na Região Sudeste: Fl. 4313DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Após a incorporação da Ipiranga e extinção dessa companhia, a Impugnante passou a amortizar o Ágio Ipiranga para fins fiscais à razão de 1/120 avos por mês, exatamente como autorizado pela legislação de regência, notadamente o Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97 aplicável à operação, nos termos em que dispõe o artigo 65 da Lei n° 12.973/2014 e o artigo 144 do CTN. II.5. Conclusões preliminares Considera que essa operação se deu entre partes não relacionadas envolvendo empresas operacionais brasileiras que atuavam no setor do mercado de produção e distribuição de produtos do Sistema Coca-Cola, em condições de livre mercado, com a definição independente do preço e seu pagamento em dinheiro ao Vendedores. A aquisição atendia às necessidades e anseios da Impugnante para expandir suas operações e se consolidar como líder no mercado nacional. Os atos jurídicos praticados e a estrutura adotada para aquisição do investimento na Ipiranga foram guiados por razões negociais estratégicas e operacionais, anteriores e muito mais relevantes do que seus legítimos reflexos tributários. A tabela a seguir bem ilustra os fatos comprovados, nos termos relatados acima, e sua leitura descontextualizada pela autoridade lançadora que ignora a solidez do conjunto probatório dos presentes autos: Fl. 4314DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Não há como se colocar em dúvida a legitimidade do Ágio Ipiranga amortizado para fins fiscais pela Impugnante no anos-calendário de 2015a 2016. A partir dessas constatações, fica claro que as despesas de amortização de ágio deduzidas pela Impugnante foram válidas e não podem ser glosadas pela autoridade lançadora. Também não há que se questionar as despesas financeiras incorridas pela Impugnante com o pagamento de juros à Andina Investments, as quais decorrem de empréstimo legítimo e comprovado por documentação hábil e idônea, incluindo os devidos registros no BACEN. Essas despesas atenderam a todos os requisitos formais e objetivos previstos na legislação brasileira, sendo consideradas necessárias, usuais e normais para as atividades da Impugnante e, por conseguinte, plenamente dedutíveis para fins da apuração do IRPJ e da CSLL. III – O DIREITO – A INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO III.A. A VALIDADE DO ÁGIO IPIRANGA AMORTIZADO PELA IMPUGNANTE III.A.1. O Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97 aplicável ao Ágio Ipiranga amortizado pela Impugnante Discorre sobre o artigo 65 da Lei n° 12.973/2014. O artigo 65 dispõe que: (i) para aquisições efetuadas até 31.12.2014, cuja incorporação ocorresse até 31.12.2017: aplicar-se-ia o Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97 até o término da amortização do ágio, independentemente de a efetiva amortização ocorrer após a edição da Lei n° 12.973/2014; e (ii) aquisições efetuadas a partir de 01.01.2015estão sujeitas ao Novo Regime do Ágio da Lei n° 12.973/2014. No caso dos autos, a aquisição de ações Ipiranga pela Impugnante foi concretizada em outubro de 2013 após o cumprimento das Condições Precedentes, com a posterior incorporação e extinção dessa companhia em dezembro de 2013. Essa operação e o Ágio Ipiranga pago pela Impugnante se submetem, portanto, aos efeitos do Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97, nos termos delineados pelo artigo 65 da Lei n°12.973/2014 e do artigo 144 do CTN. No momento da aquisição do investimento, portanto, a sociedade adquirente deveria desdobrar o custo de aquisição do investimento em valor de patrimônio líquido e ágio, quando o custo de aquisição fosse superior ao valor patrimonial da sociedade adquirida, devendo o lançamento contábil indicar um ou mais fundamentos econômicos do ágio, dentre os seguintes (redação original do artigo 20, §2º do Decreto-lei nº Fl. 4315DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 1.598/77,sem as alterações promovidas pelo Novo Regime do Ágio da Lei n° 12.973/2014): (i) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade (“Ágio Mais-Valia”); (ii) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (“Ágio Rentabilidade”); ou (iii) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas (“Ágio Outras Razões”). O entendimento da autoridade lançadora em relação a uma suposta ordem de prioridade na alocação do Ágio Ipiranga está completamente equivocado e não encontra suporte no Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97 aplicável aos fatos conforme impõe o artigo 144 do CTN, sendo contrário ainda à jurisprudência do E. CARF sobre a matéria e ao próprio entendimento já manifestado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil(“RFB”). Nesse regime, o que determina o registro de ágio ou deságio na aquisição de determinado investimento é, portanto, o ato jurídico válido de aquisição de investimento por valor diverso do patrimônio líquido da sociedade cuja participação foi adquirida, cabendo ao contribuinte eleger e indicar o fundamento econômico que motivou o pagamento e o registro do ágio. Logo, a partir desse momento é que, seguindo a legislação fiscal e societária em vigor na época, a Impugnante apurou ágio em relação ao investimento adquirido na Ipiranga, o qual foi integralmente fundamentado na rentabilidade futura desta companhia, conforme refletido na avaliação econômica de estudos técnicos preparados antes da operação e que suportaram a negociação do preço pago aos Vendedores, cujos valores foram posteriormente atestados pelo Laudo E&Y. Por seu turno, a depender de sua fundamentação econômica (rentabilidade futura, mais-valia de ativos, ou fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas), o ágio registrado na aquisição de investimentos deveria ser amortizado em contrapartida de conta de resultado do exercício segundo diferentes critérios. Nesse sentido, na hipótese de incorporação, fusão ou cisão envolvendo as sociedades investidora e investida, o artigo 7º da Lei nº 9.532/97, refletido no artigo 386do RIR/99, estabelece que: (i) o Ágio Mais-Valia deverá integrar o custo do bem que lhe deu causa, para fins de apuração do ganho ou perda de capital da depreciação, amortização ou exaustão (§1º do artigo 7º da Lei n° 9.532/97); (i) o Ágio Rentabilidade poderá, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL levantados após a ocorrência daqueles eventos, ser amortizado à razão máxima de 1/60 para cada mês do período de apuração (inciso III do artigo 7º da Lei n° 9.532/97), ao passo que o(iii) Ágio Outras Razões não é passível de amortização. III.A.2. O atendimento de todos os requisitos previstos no Regime do Ágio da Lei n°9.532/97 pela Impugnante para amortização fiscal do Ágio Ipiranga O Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97 é aplicável desde que observados todos os requisitos dessa lei e os artigos 385 e 386 do RIR/99. A condição é a de que se trate de operações reais e efetivas, operadas em condições estritas de mercado e assim documentadas, bem como não envolvam vícios de forma ou de vontade. A aquisição da Ipiranga pela Impugnante foi realizada em conformidade com o direito aplicável, em condições de mercado e sem que tenha havido questionamento em torno de sua validade seja pelas partes que os realizaram ou pela própria autoridade lançadora que em nenhum momento contesta a validade jurídica dos referidos atos. O Fisco se insurge tão somente sobre a “forma como se operacionalizou a aquisição do investimento”, sugerindo que “outros desenhos da operação trariam os mesmos efeitos sob o ponto de vista comercial” (fls. 3655 a 3656) e, nesse contexto, que o Ágio Ipiranga apresenta “algumas irregularidades” que inexistem no caso dos presentes autos. Nos termos do Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97, a dedutibilidade das despesas de amortização fiscal do ágio está condicionada à observância exclusiva de quatro requisitos: Fl. 4316DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 o Requisito 1) Aquisição de investimento na Ipiranga com o pagamento do preço de compra e do Ágio Ipiranga O custo de aquisição foi incorrido e pago pela Impugnante em transação válida e com robusta substância econômica e negocial, entre partes que jamais foram dependentes ou relacionadas o Requisito 2) O registro do investimento e desdobramento do custo de aquisição, em valor de patrimônio líquido da Ipiranga e do Ágio Ipiranga A Impugnante estava, assim, legalmente obrigada a desdobrar o custo total do investimento que passou a deter na Ipiranga avaliado pelo MEP em (i) valor de patrimônio líquido das ações desta companhia; e (ii) ágio ou deságio. Como o patrimônio líquido da Ipiranga era de R$ 141.202.949,10 e o preço de aquisição pago aos Vendedores foi de R$ 1.155.445.998,00, a operação resultou no ágio apurado e pago no montante de R$ 1.014.243.048,90, contabilizado para fins fiscais pela Impugnante nos exatos termos em que determinavam o artigo 385 do RIR/99 e artigo 20 do Decreto-lei n° 1.598/77 no âmbito do Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97. o Requisito 3) O pagamento do Ágio Ipiranga foi motivado na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido pela Impugnante Considerando que foi a faixa de avaliação do valor justo de mercado das ações da Ipiranga no montante total entre R$ 1,21 bilhões e R$ 1,35 bilhões indicado no quadro acima que, em última análise, determinou o valor do ágio pago por 100% das ações dessa companhia, e tendo em vista que esse valor de mercado foi calculado com base na projeção dos resultados futuros da Ipiranga, trazida a valor presente por meio do fluxo de caixa descontado (DCF), é consequência lógica que o ágio pago pela Impugnante tenha como fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura. Para fins do Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97 aplicável aos fatos, esse ágio enquadra-se exatamente na hipótese do artigo 385, § 2º, inciso II, do RIR/99, servindo os referidos estudos técnicos e o Laudo E&Y, como “demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração”, conforme previsto no §3º do referido artigo 385. Requisito 4) A incorporação da Ipiranga pela Impugnante Ocorreu, portanto, a reunião do ágio e do investimento que lhe deu causa em uma mesma pessoa jurídica, tal como igualmente exigido pela jurisprudência consolidada da C. CSRF sobre a matéria a qual afasta o direito à amortização fiscal do ágio apenas quando“recursos são transferidos a empresas veículos”. Esse cenário, contudo, inexiste no presente caso que envolveu empresas que existiam há décadas com robusta capacidade econômica e operacional e que integravam o Sistema Coca-Cola, as quais, portanto, em nenhuma hipótese poderiam vir a ser qualificadas como “empresas veículo”, nos termos dos precedentes daquele tribunal. Fl. 4317DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 III.A.3. O equívoco da autoridade lançadora ao qualificar a CCA como “real detentora” do Ágio Ipiranga A autoridade lançadora ignora por completo a importância da Ipiranga para a Impugnante; a negociação e aquisição feita diretamente pela Impugnante e a efetiva integração total da Ipiranga na Impugnante com o crescimento e expansão geográfica dos negócios no Sistema Coca-Cola no Brasil, como reconhecido pelas autoridades governamentais que avaliaram a matéria (CADE), pelo própria Coca-Cola e pelos consumidores em geral. III.A.3.1. A propriedade do investimento validamente adquirido é definida por atos jurídicos válidos: a impossibilidade de desconsideração desses atos à luz de fluxos financeiros Como um conjunto normativo de sobreposição, nos termos do artigo 109 e 110 do CTN, o direito tributário não tem o condão de ampliar ou alterar o alcance dos institutos do direito privado, sob pena de violar o comando legal dos referidos artigos do CTN e dos mais basilares princípios que sustentam o sistema tributário nacional. O conceito de aquisição, as características do contrato de compra e venda e suas consequências jurídicas devem ser respeitados quando da verificação dos seus efeitos tributários, se não se pode imputar-lhe qualquer vício. Discorre sobre o termo aquisição. O artigo 1.228 do Código Civil, ao tratar da propriedade, estabelece que o proprietário é aquele que tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa. Por seu turno, o artigo 1.231 do Código Civil determina que a propriedade se presume plena e exclusiva, até prova em contrário. A correta interpretação da expressão “aquisição de participação societária” para fins do artigo 20 do Decreto-lei 1.598/77 deve ser entendida como negócio jurídico que acarrete a transferência de propriedade das ações ou quotas de determinada sociedade, sendo o “adquirente”, portanto, a pessoa que, por um título translativo (tal como Contrato de Compra e Venda), se torna proprietário dessas ações ou quotas (como a Impugnante). A Impugnante foi a efetiva e verdadeira adquirente das ações da Ipiranga para todos os fins fáticos e legais. A qualificação da CCA como “adquirente” e “detentora do Ágio Ipiranga” é manifestamente ilegal e contrária à realidade dos fatos. Busca suporte unicamente nos fluxos financeiros relativos ao aumento de capital da Impugnante e do Contrato de Empréstimo firmado com a Andina Investments, controladora direta da Impugnante,chegando até mesmo a afirmar que tal sociedade chilena seria um “veículo no exterior” (fl. 3655). A partir disto, confunde os efeitos jurídicos desses atos jurídicos representados (i) pela aquisição pela Andina Investments, de novas quotas emitidas pela Impugnante, a partir do aumento de capital subscrito em dinheiro por tal sociedade chilena; assim como (ii) a disponibilização de recursos à Impugnante no âmbito do Contrato de Empréstimo, por meio do qual a Impugnante assumiu a obrigação de restituí-los em sua integralidade em 26.09.2023, com os efeitos jurídicos do Contrato de Compra e Venda do investimento na Ipiranga, no qual é a Impugnante que tomou parte, pagou o preço e, Fl. 4318DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 como efeito desse ato translativo de propriedade jurídico, qualificou-se como adquirente do investimento naquela sociedade franqueada do Sistema Coca-Cola. No direito pátrio são os atos ou negócios jurídicos praticados pelas partes que delinearão os efeitos jurídicos dos fluxos financeiros, jamais o contrário. No caso de um fluxo de recursos financeiros de uma investidora estrangeira para a sua controlada, são os atos jurídicos de aumento de capital, de empréstimo (ou ainda de outra operação) que qualificarão a que título este fluxo ocorreu e os seus respectivos efeitos. Coube à Impugnante adquirir a totalidade das ações da Ipiranga e pagar o preço de aquisição aos Vendedores com os seus recursos próprios,independentemente da forma em que esses recursos legítimos ingressaram no seu patrimônio (caixa), o que não tem qualquer relevância para tal fim. Tratou-se de recursos próprios, captados junto a terceiros (quotista). Discorre sobre cada um dos atos jurídicos, devidamente tipificados e regulados pelo direito privado, que possuem efeitos próprios e legítimos, impactando a esfera patrimonial das partes envolvidas de forma distinta e individualizada: dos sócios para a sociedade. restituir ao mutuante os valores no prazo acordado. ão de uma ficção jurídica e realidade paralela pela autoridade lançadora. III.A.3.2. Os elementos de prova ignorados pelo TVF e as citações feitas de forma incompleta e descontextualizada: a insuficiência probatória da autuação fiscal A autoridade lançadora acabou por desconsiderar (i) que a Impugnante foi a parte compradora do Contrato de Compra e Venda (fls. 3227 a 3288); (ii) que a aquisição foi devidamente aprovada pelos sócios da Impugnante (fls. 1686 a 1687); (iii) que o preço foi efetivamente pago em dinheiro aos Vendedores pela Impugnante, conforme atestado pelo Termo de Quitação (fls. 3313 a3330) assinado pelos Vendedores, bem como pelo Certificado dos Vendedores (doc. 01); (iv) que após a conclusão da operação, a Impugnante passou a ser a titular (proprietária) da totalidade das ações da Ipiranga, conforme comprovado pelo Livro de Registro de Transferência de Ações (fls. 1857 a 1865); (v) que as autoridades reguladoras brasileira reconheceram a condição da Impugnante como a “real adquirente” do investimento na Ipiranga, com destaque para o Parecer Técnico n° 214 do CADE (doc. 02); (vi) que a Impugnante, após a incorporação da Ipiranga, sucedeu universalmente esta companhia em todos os ativos, passivos, direitos, obrigações, ocorrendo a unificação e consolidação das operações, conforme reconhecido pela própria RFB no “extrato conta-corrente” que aponta a responsabilidade pela Impugnante, por incorporação, dos débitos tributários que eram de titularidade da Ipiranga (doc. 07); (vii) que a “The Coca-Cola Company” e a Recofarma consentiram expressamente e reconheceram que a Impugnante foi a verdadeira adquirente das ações da Ipiranga, autorizando de forma prévia que a empresa passasse a desenvolver as atividades de engarrafamento, fabricação e venda de produtos dessa marca na região de atuação daquela companhia (doc. 03), dentre muitos outros aspectos que foram ignorados pela autoridade lançadora. Colaciona trechos dos documentos: Fl. 4319DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Superintendência Geral do CADE e Despacho n° 766/2013 (doc. 02); -Cola Company” (doc. 03); (fls. 1686a 1687); -corrente” emitido pela RFB (doc. 07); Depreende-se do conteúdo de todos esses documentos que a CCA e/ou qualquer outra empresa estrangeira integrante do Grupo Andina não figuraram como parte dos atos que antecederam ou sucederam a aquisição da totalidade das ações da Ipiranga pela Impugnante. A CCA jamais integrou o Contrato de Contrato de Compra de Venda, nem mesmo como interveniente anuente e jamais assumiu quaisquer obrigações junto aos Vendedores, como indenizações contratuais. Todos os consentimentos são exclusivamente direcionados à Impugnante e à Ipiranga no contexto das suas operações de fabricação e engarrafamento de produtos Coca- Cola no Brasil. O CADE, que reconheceu de forma expressa a condição da Impugnante como legítima adquirente do investimento na Ipiranga. Revela-se inafastável, ao Fisco, o ônus de comprovar tudo o quanto busca imputar a um dado sujeito passivo da tributação, seja no que respeita à cobrança de tributos (capacidade contributiva), seja no que respeita à imposição de penalidades, diante da prática de ilícitos tributariamente sancionados (culpabilidade). Eis o conteúdo vinculante do artigo 142 do CTN que impõe o dever de respeito à verdade material, para fins de investigação da capacidade contributiva de um particular que, como dispõe a CF/88, não pode fugir à legalidade e à segurança jurídica. Cita doutrina. Os fatos relevantes divulgados pela CCA e citados de forma incompleta e descontextualizada pelo TVF. A autoridade lançadora tomou uma declaração de forma totalmente descontextualizada de um Fato Relevante datado de 12.10.2013 para também suportar o seu infundado entendimento de que a CCA seria a “adquirente do investimento” na Ipiranga. Para tanto, a autoridade lançadora faz referência à palavra “materializar”, no idioma espanhol, que constava naquele Fato Relevante, argumentando que a Impugnante teria sido “utilizada” tão somente para adquirir o investimento na Ipiranga e registrar o ágio. No entanto, é evidente que essa palavra foi retirada do seu verdadeiro contexto, pois estava vinculada ao direcionamento da mensagem ao mercado chileno de que a operação foi concluída, implementada e realizada com sucesso. Esse fato é comprovado pelo próprio comunicado citado pela autoridade lançadora, agora no idioma inglês, disponibilizado no sítio eletrônico da CCA (fonte de informações utilizada pela autoridade lançadora que não cuidou, com a devida vênia, de aprofundar o trabalho investigativo), fazendo referência ao termo “closed”, que pode ser traduzido para “concluído/concretizado”. Dessa forma, a expressão “materializou” citada pelo TVF somente pode ser considerada no verdadeiro contexto de que a Impugnante, na qualidade de controlada indireta da CCA, adquiriu a totalidade das ações da Ipiranga, passando a ser sua efetiva proprietária, assumindo e suportando todos os efeitos, direitos e obrigações em decorrência dessa legítima operação de aquisição de investimento ocorrida entre empresas operacionais brasileiras. O contexto da expressão “materializar” também pode ser verificado no âmbito dos demais Fatos Relevantes e notas divulgadas pela CCA ao mercado chileno, informando Fl. 4320DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 que a Impugnante havia adquirido a totalidade do investimento na Ipiranga,possibilitando a expansão das suas operações no Brasil e da sua consolidação no Sistema Coca-Cola. A título ilustrativo, confira-se o conteúdo dos documentos abaixo que foram mencionados pela própria autoridade lançadora: 3) -F submetido às autoridades americanas (fls. 2345 a 2639) Ora, não há absolutamente nada nos anúncios e fatos relevantes divulgados pela CCA aos investidores e ao mercado chileno, mencionados pela autoridade lançadora no TVF, que infirme o que se alega e que evidencie uma manifestação de vontade diversa daquela retratada nos contratos e nos atos societários firmados! Trata-se, novamente, de uma visão fantasiosa da realidade. O raciocínio fiscal levaria ao absurdo de que um determinado grupo empresarial só poderia agir por meio de uma única sociedade, desconsiderando, por completo, as atividades desenvolvidas pelas demais empresas pertencentes ao grupo, o que carece de qualquer lógica fiscal e negocial. O ordenamento brasileiro, as pessoas jurídicas são entidades autônomas e individualizadas apresentando identidade distinta em relação aos seus acionistas ou grupo controlador, quotistas ou em relação a outras pessoas jurídicas que estejam sob controle comum. A própria LSA prevê que mesmo na hipótese de uma sociedade fazer parte de um determinado grupo econômico, a sociedade ainda assim deverá levantar balanços de forma individualizada, demonstrando os seus resultados à luz das efetivas operações por ela realizadas. Repise-se, a aquisição foi realizada diretamente pela Impugnante, com recursos próprios, obtidos a título de aumento de capital e empréstimo – ou seja, não foi a CCA ou qualquer outra sociedade do Grupo Andina que desembolsou os recursos para a aquisição, mas, sim, a própria Impugnante que, efetivamente, adquiriu a Ipiranga mediante pagamento em dinheiro aos Vendedores e suportou todos os efeitos dessa operação. Em suma, não há qualquer ato realizado pela CCA que tenha ultrapassado o papel natural de seu legítimo interesse como acionista controlador indireto da Impugnante. Lamentavelmente, o TVF confunde essa relação de controle com o papel de“adquirente” da Ipiranga e “detentor do ágio” pago pela Impugnante aos Vendedores. Nenhum vício se pode atribuir aos atos jurídicos praticados cujos efeitos são precisamente os de conferir à Impugnante a condição de adquirente. III.A.3.4. A regularidade da estrutura adotada para a aquisição da Ipiranga As aquisições alavancadas (“leveraged buyout” ou apenas “LBO”) são, em apertada síntese, aquisições financiadas por meio de uma estrutura com montante de capital de terceiros. Nessa estrutura, o negócio adquirido tende a gerar um fluxo de caixa necessário para saldar a dívida de sua aquisição. E, sendo essa uma prática comum no mercado e o meio pelo qual a adquirente, no caso a Impugnante, teria como honrar com sua obrigação de pagamento contraída diante da aquisição que realizou, e, mais, tendo a operação de financiamento ocorrido de fato e de direito – e isso é incontroverso nos autos – é certo que, apenas com esse fato (mas não é o único), a Impugnante deveria ser tida como a “real adquirente” das ações da Ipiranga. A Impugnante tinha, como de fato tem, plena liberdade e livre iniciativa econômica, nos termos consagrados pela CF/88, para definir a forma como a aquisição das ações da Ipiranga seria realizada. A liberdade de auto-organização sempre foi tida como resultado das garantias asseguradas por diversos princípios constitucionais. O mais Fl. 4321DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 importante deles, o princípio da legalidade, é basilar em nosso ordenamento jurídico, estando previsto de forma genérica no artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal, e, dada sua cabal importância, adotado específica e expressamente para fins tributários no artigo 150, I, do mesmo diploma. Ademais, ao se analisar a concretização de operações como aquela envolvendo a aquisição da Ipiranga pela Impugnante, jamais se poderia se ater exclusivamente aos aspectos tributários de uma determinada estruturação, mas sim, visualizá-la, principalmente, sob os aspectos negociais e enfoques societários, regulatórios, concorrenciais, entre outros. Da mesma forma, a pretensão da autoridade lançadora de “obrigar” sociedades chilenas a adotar caminho para afastar a aplicação de um legítimo direito positivado na legislação brasileira – investimento direto na Ipiranga sem a possibilidade de futura incorporação e usufruir do direito à amortização fiscal de ágio legitimamente pago– além de carecer de suporte legal – também viola a cláusula de “Não Discriminação” prevista no artigo 23 da Convenção firmada entre o Brasil e a Chile para Evitar a Dupla Tributação, promulgada pelo Decreto nº 4.852/2003. A esse respeito, destaca-se o entendimento do E. CARF nos acórdãos n°1302-001.150 (“Caso Multiplan”, sessão de 07.08.2013), 1302-001.182 (“Caso Dufry”, sessão de 08.08.2013), 1302-002.011 (“Caso APM Terminals”, sessão de 24.01.2017), 1301- 003.656 (“Caso Arcelor Mittal, sessão de 22.01.2019), 1301-003.469 (“Caso CVC Brasil”, sessão de 20.11.2018), 1201-003.203 (“Caso Owens Illinos”, sessão de 16.10.2019) em que o referido tribunal confirma que um investidor estrangeiro não está obrigado a efetuar uma aquisição direta de participação societária caso pudesse fazê- lo por meio de subsidiária brasileira. III.A.3.5. A referência feita no TVF a “benefícios tributários” como supostamente irregulares Considera que o presente caso deve ser visto como a adoção de um direito legalmente positivado no ordenamento jurídico brasileiro para a aquisição do investimento na Ipiranga, operação entre sociedades brasileiras e sem qualquer prejuízo para o Fisco. Diante de regra legal expressa, e sem jamais alterar a essência econômica de seus atos, a Impugnante optou por um legítimo direito plenamente regulado, conforme se mostrava conveniente do ponto de vista comercial e negocial. III.A.4. A regularidade dos demonstrativos arquivados pela Impugnante e que suportam a escrituração do Ágio Ipiranga Estudos financeiros com a avaliação econômica da Ipiranga foram preparados pela Latin American Company, empresa especializada em fusões e aquisições envolvendo empresas do Sistema Coca-Cola, pelo Banco JP Morgan e pelo Laudo E&Y, tendo por base as melhores técnicas de avaliação e efetivamente constituem o suporte documental exigido para o registro do ágio com a sua correta fundamentação econômica. A Impugnante já detinha antes da concretização da aquisição esses estudos acerca da viabilidade do negócio que estimavam a expectativa de rentabilidade futura da Ipiranga com base em suas demonstrações econômico-financeiras e, por conseguinte, suportavam a integralidade do ágio mensurado, apurado e pago aos Vendedores, sendo o Laudo E&Y apenas uma forma conservadora de confirmar essas estimativas prévias. Ou seja, o fundamento econômico do Ágio Ipiranga é suportado por três avaliações econômicas distintas preparadas por renomadas empresas independentes, que confirmaram que todo o valor pago em excesso ao patrimônio líquido tinha total respaldo nas projeções de resultados futuros da investida. Importa também destacar que a legislação fiscal aplicável aos fatos em análise não exige qualquer forma específica para o estudo da avaliação econômica do investimento. A redação do §3º do artigo 20 do Decreto-lei n° 1.598/77 vigente à época dos fatos não previa qualquer elemento temporal em relação a tal demonstração, bastando que seja Fl. 4322DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 um documento hábil e idôneo a suportar a escrituração do investimento, refletindo as condições negociais e econômicas verificadas por ocasião da aquisição da participação e que levaram o adquirente à aquisição do investimento por valor superior ao seu valor patrimonial. III.A.5. A fundamentação econômica do Ágio Ipiranga como rentabilidade futura: mensuração e registro do ágio seguindo o disposto na legislação fiscal e societária As normas aplicáveis não determinavam qualquer sistemática para justificar o desdobramento e a justificativa do ágio. Assim, o §2º do artigo 385 do RIR/99,que reproduzia o artigo 20 do Decreto-lei 1.598/77, simplesmente se limitava a determinar que o contribuinte indicasse o fundamento econômico que deu ensejo ao pagamento do ágio, dentre os seguintes: (i) mais valia de ativos; (ii) expectativa de rentabilidade futura; e (iii) outras razões econômicas. Por força do artigo 385 do RIR/99, cabia ao contribuinte eleger e indicar o fundamento econômico que motivou o registro do ágio. No tocante à regra fiscal, é possível concluir da leitura da redação original do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/77 que inexistia qualquer predominância de algum dos fundamentos para justificar o pagamento do ágio. Isso porque, a própria redação original do §2º deixa claro que o contribuinte deverá apontar, “dentre os seguintes”, o fundamento do ágio, inexistindo, portanto, obrigatoriedade de alocação do valor pago ou aplicação dos critérios de forma sucessiva ou mesmo predominância de um critério em detrimento do outro. O que a lei apenas determina imperativamente é o desdobramento do custo de aquisição para refletir o valor patrimonial contábil da participação adquirida e o respectivo ágio ou deságio, cujo motivo (fundamento econômico) ela não prescreve mandatoriamente deva ser este ou aquele, ou primeiro este, depois este outro e ao fim mais um outro. III.A.5.1. As avaliações econômicas da Ipiranga Discorre sobre as avaliações econômicas da Ipiranga, colacionando trechos dos laudos. Considera que o fluxo de caixa descontado (DCF) revela-se como um critério capaz de aferir um núcleo produtivo de bens, em seu aspecto dinâmico, no que tem de fundamental, isto é, a sua capacidade de produzir recursos. Trazidos a valor presente os fluxos de caixa da empresa, tem-se o resultado presente da perspectiva de rentabilidade futura, que é então adicionado aos ativos da empresa para que se totalize o seu valor de mercado estimado, que no caso da Ipiranga, como visto anteriormente, estava na faixa entre R$ 1,21 bilhões e R$ 1,35bilhões, suportando todo o valor do ágio então pago pela Impugnante como expectativa de rentabilidade futura do investimento, ao passo que o custo total de aquisição pago aos Vendedores foi de R$ 1.155 bilhões. Ou seja, a rentabilidade futura do investimento adquirido na Ipiranga estava tecnicamente justificada nos estudos técnicos preparados da Latin American Company, do Banco JP Morgan e do Laudo E&Y, motivou o pagamento do Ágio Ipiranga aos Vendedores, em estrita observância ao Regime do Ágio da Lei n° 9.532/97, sendo totalmente injustificado o entendimento em sentido contrário, o que também o impõe o cancelamento da cobrança por essa C. Turma de Julgamento. III.A.5.2. Observância do artigo 144 do CTN e a inaplicabilidade retroativa da Lei n° 12.973: adoção equivocada do conceito contábil de goodwill Apenas a partir da entrada em vigor da Lei n° 12.973/2014 em 2015 é que o ágio equivaleu à expressão goodwill, sendo definido pelo montante do preço de aquisição que superar o valor justo dos ativos líquidos da empresa adquirida, isto é, a pretendida ordem de alocação defendida pela autoridade lançadora, inaplicável ao caso presente. Fl. 4323DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Antes da entrada em vigor da referida lei, o RTT, criado pela Lei n° 11.941/2009 e até mesmo citado pela autoridade lançadora no TVF, manteve neutro de efeitos tributários os novos padrões contábeis, de modo que a contabilidade poderia registrar o goodwill, atendendo aos novos padrões, e os registros fiscais, notadamente o Controle Fiscal e Contábil de Transição – FCONT, identificava o ágio amortizável para fins fiscais seguindo as regras contábeis vigentes até 2007. Portanto, valores registrados na contabilidade a título de goodwill eram totalmente irrelevantes para fins tributários. A própria Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 627, convertida na Lei n° 12.973/2014, é esclarecedora quanto às inovações trazidas que buscaram refletira teoria contábil citada pela autoridade lançadora, adotando, em grande parte, os critérios contábeis definidos no CPC 15. Percebe-se que, ao contrário do sustentado pela autoridade lançadora, a obrigatoriedade da alocação do ágio para fins fiscais apenas passou a ser exigida com a Lei n° 12.973/2014. No entanto, essa alocação residual obrigatória somente terá aplicação para os investimentos adquiridos a partir de 2015, como dispõe os artigos 64 e 65 da Lei n° 12.973/2014, o que certamente não engloba o caso dos presentes autos. Dessa forma, se o preço pago na aquisição de uma entidade for integralmente motivado pela sua rentabilidade projetada como ocorre no caso presente, essa fundamentação econômica deve ser indicada em conformidade com a legislação tributária, ainda que existam outros elementos do ativo que pudessem fundamentar outro critério sugerido pela lei fiscal. Cita doutrina e jurisprudência. PARTE B – A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE JUROS DECORRENTES DO EMPRÉSTIMO OBTIDO JUNTO À ANDINA INVESTMENT NO EXTERIOR De acordo com o TVF, os encargos financeiros que compõem as despesas decorrentes do empréstimo obtido pela Impugnante junto à Andina Investments seriam indedutíveis, uma vez que não seriam “necessárias para a atividade” da Impugnante, citando o artigo 299 do RIR/99 como fundamento legal para a glosa dessas despesas incorridas durante os anos-calendários de 2015 e 2016. Ocorre que, as despesas financeiras glosadas pela autoridade lançadora eram plenamente dedutíveis pela Impugnante, tendo em vista sua intrínseca necessidade com a concretização do negócio que culminou na aquisição da totalidade de ações da Ipiranga. Essa aquisição, como dito acima, permitiu a entrada da Impugnante na área de atuação dessa companhia no Sistema Coca-Cola e a expansão das suas operações na Região Sudeste do Brasil, a qual contava com 8 (oito) linhas de produção que engarrafavam 124 milhões de unidades, 5 (cinco) centros de distribuição e aproximadamente 25.000 pontos de venda, abrangendo uma região geográfica com mais de 4 milhões de habitantes e significativo potencial de crescimento. Além disso, como já destacado acima, não cabe ao Fisco apontar qual seria o caminho a ser seguido sob a sua ótica na condução dos negócios da Impugnante ou de seus controladores, tal como se dá com o empréstimo obtido junto à Andina Investments, tampouco a forma de gerir o seu patrimônio financeiro e muito menos ainda a estrutura de capital que tenha observado objetivamente as Regras de TP e de subcapitalização positivadas no ordenamento jurídico brasileiro. As alegações fiscais nesse sentido trazidas pelo TVF são completamente descabidas e carecem de base legal. Defende que: (i) a necessidade e viabilidade na obtenção de empréstimo é uma decisão financeira que compete exclusivamente à administração das empresas; (ii) não há qualquer vedação legal em se realizar um empréstimo previamente à aquisição de participações societárias e demais investimentos, não cabendo ao Fisco questionar os efeitos tributários de uma decisão que está no âmbito da liberdade empresarial; (iii) inexistem quaisquer vícios presentes na operação capazes de invalidar os seus legítimos efeitos; e (iv) foram respeitados os limites objetivos da legislação brasileira Fl. 4324DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 relativos às Regras de TP e de subcapitalização, inexistindo qualquer questionamento nesse sentido. A própria RFB e a PGFN reconhecem expressamente que a qualificação de operações que estão sob escopo do BACEN, como é o caso de empréstimos externos, dependem unicamente do seu enquadramento pelo referido órgão,nos termos formalizados pelos contratos de câmbio celebrados nesse contexto, conforme o entendimento proferido pela RFB na Solução de Consulta COSIT nº 231/2019, e pela PGFN no Parecer SEI nº 83/2019. A existência, regularidade e formalidades do empréstimo não foram questionados pela autoridade lançadora, nem mesmo a remuneração dos juros que observa estritos padrões de mercado, assim como não há qualquer insurgência em relação à comprovação das despesas que estão suportadas por documentação hábil e idônea, além dos registros no BACEN. Esses aspectos ensejariam,por si só, o necessário cancelamento da glosa das despesas de juros legitimamente pagos. III.B.1. A compra financiada da Ipiranga e a possibilidade de dedução das despesas incorridas com o pagamento de juros à Andina Investimentos Trata-se de uma operação normal e usual dentro do contexto econômico, financeiro e administrativo. Não existe nenhuma vedação legal para que um investidor se endivide (busque financiamento) para realizar uma aquisição. Trata-se de uma decisão estritamente gerencial. Os contribuintes possuem liberdade de escolha sobre a forma de conduzir a sua atividade econômica, como assegurado pela CF/88. A realização ou não de empréstimo não possui, direta e necessariamente, relação com o poder financeiro das pessoas que detêm participações societárias, mas, sim, com a avaliação de taxas juros e rentabilidade de outros investimentos detidos pelos acionistas/investidores. Ou seja, questões eminentemente atreladas às avaliações empresariais e de condução dos negócios privados, não podendo a autoridade lançadora afastar os efeitos legítimos e a validade da decisão da administração da Impugnante em efetivar o negócio em questão por meio de empréstimo tomado junto à Andina Investments. A aquisição da totalidade das ações da Ipiranga, além da posterior integração e consolidação das operações no mercado de bebidas do Sistema Coca-Cola diz respeito à Impugnante, correspondendo à sua real intenção no contexto do negócio e a própria realidade dos fatos comprovados nos presentes autos. A autoridade lançadora agiu com verdadeira (e indevida) ingerência sobre as negociações particulares da Impugnante, o que, por não ser admitido, deve ensejar o cancelamento do Auto de Infração ora combatido. III.B.1.1. A existência de previsão legal expressa autorizando a dedução de despesas com juros Os encargos financeiros referentes ao empréstimo contratado pela Impugnante para o pagamento de parte do preço de aquisição da Ipiranga representam, por óbvio, despesa operacional e são plenamente dedutíveis, nos termos do que prevê o artigo 374 do RIR/99, com fundamento legal no artigo 17, parágrafo único do Decreto-lei n° 1.598/77. Tratando-se de despesas com juros oriundos de empréstimo contraído para financiar a aquisição da Ipiranga e possibilitar a expansão dos negócios da Impugnante na nova região de abrangência do Sistema Coca-Cola, não há dúvida que se está tratando de despesa operacional, logo, dedutível. Ainda que o dispositivo em discussão faça referência à hipótese de ativação de tais despesas no caso da investida se encontrar em fase pré-operacional,por óbvio que, sendo operacional, as despesas em questão seriam dedutíveis, conforme situação retratada nestes autos. Fl. 4325DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Em primeiro lugar, em razão da existência de orientação explícita contida no caput do citado artigo 374 do RIR/99 afirmando que os “juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional” Em segundo lugar, porque não existe previsão na legislação aplicável aos fatos em análise que imponha a observância do disposto no artigo 299 do RIR/99antes de se aplicar a regra expressa mencionada no parágrafo anterior. Em terceiro lugar, pois a admissão dessa interpretação configuraria uma clara ofensa ao princípio da especialidade, visto que se estaria aplicando uma regra geral (artigo 299 do RIR/99) em uma situação que o legislador optou por tratar de forma específica (artigo 374 do RIR/99). Portanto, (i) seja em razão da existência de previsão legal expressa(artigo 374 do RIR/99); (ii) seja em razão da ausência de norma condicionando a regrado artigo 374 do RR/99 ao disposto no artigo 299 do mesmo Regulamento; (iii) seja em razão da sua clara afronta ao princípio da especialidade, conclui-se que não pode ser admitido o entendimento da autoridade lançadora. Além disso, deve ser mencionada a previsão específica contida no artigo31 da Lei nº 11.727/2008 que trata da possibilidade de postergação do reconhecimento de despesas financeiras relativas a empréstimos obtidos para investimento em controladas por sociedades holding, atividade que também consta no objeto social da Impugnante, reforçando a possibilidade de dedução dos juros pagos à Andina Investments. Art. 31. A pessoa jurídica que tenha por objeto exclusivamente a gestão de participações societárias (holding) poderá diferir o reconhecimento das despesas com juros e encargos financeiros pagos ou incorridos relativos a empréstimos contraídos para financiamento de investimentos em sociedades controladas. Esse dispositivo legal é de suma importância para o caso concreto pois reconhece a necessidade de uma sociedade ser financiada junto a terceiros para adquirir seus investimentos. Trata-se, assim, de reconhecimento legislativo expresso de que a atividade de holding, contemplada no objeto social da Impugnante, requer financiamento de terceiros, inclusive dos próprios acionistas, para se perpetuar, ou seja,para permitir que a holding exerça sua atividade preponderante que é a aquisição de participações societárias. Cita trecho do Parecer Normativo CST nº 127/73,o qual esclarece que os dispêndios decorrentes da obtenção de empréstimo são despesas operacionais – e, portanto, são dedutíveis – independentemente de sua vinculação direta com a aquisição do bem O Parecer Normativo CST nº 138/75 adota idêntico posicionamento ao concluir que os juros relativos aos empréstimos e saldos credores de contas correntes de sócio, acionista, dirigente, administrador ou participante nos lucros de pessoa jurídica,são admitidos como despesas operacionais desde que haja contrato escrito com cláusula expressa, bem como que as taxas percentuais acordadas não sejam ser superiores às comumente utilizadas no mercado financeiro, e nem às relativas aos empréstimos menos onerosos obtidos pela pessoa jurídica. Logo, em razão (i) da existência de dispositivo legal específico(artigo 374 do RIR/99) que autoriza a dedução de juros decorrentes de empréstimos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, independentemente do disposto no artigo 299 do RIR/99; (ii) do artigo 31 da Lei nº 11.727/2008; assim como (iii) das manifestações formais do próprio Fisco contidas nos pareceres normativos mencionados acima,reconhecendo que as despesas financeiras oriundas de empréstimos são operacionais,conclui-se que as despesas financeiras ora em debate são dedutíveis para a Impugnante. III.B.1.2. A necessidade da despesa à Impugnante: aplicação do artigo 299 do RIR/99 A aquisição de participações societárias é, sem sombra de dúvida,transação necessária, normal e usual ao desempenho da atividade empresarial de qualquer pessoa jurídica, fazendo parte da estratégia de crescimento das empresas em geral. É inegável que a aquisição de um novo investimento em outras empresas operacionais Fl. 4326DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 traz benefícios econômicos efetivos para a sociedade adquirente, visando à conservação e o crescimento da fonte produtora da renda. A compra da Ipiranga pela Impugnante não teria sido viabilizada sem tal financiamento (fosse pela Andina Investments, outra empresa ou instituição financeira no Brasil ou no exterior) o que, como já dito, limitaria o seu desenvolvimento, abrindo- se,inclusive, espaço para os seus principais concorrentes com destaque para a FEMSA SAB,conforme amplamente noticiado à época. Não se pode negar que as despesas de juros se caracterizam como essenciais às atividades da Impugnante. Cita jurisprudência do CARF. Uma vez que a obtenção do empréstimo foi legítima,resultou na efetiva captação de novos recursos pela Impugnante, os quais foram empregados para o pagamento de parte do preço de aquisição da Ipiranga, além de ter buscado a consecução de seu objeto social e expansão das atividades no Sistema Coca-Cola, conclui que as despesas de juros, em padrões de mercado, estão inseridas no contexto operacional regular da Companhia. III.B.1.3. As regras de preços de transferência e subcapitalização e o possível cenário alternativo envolvendo o pagamento de JCP A estrutura de capital adotada pela Impugnante é expressamente autorizada pelo ordenamento jurídico brasileiro. Admitida porque a possibilidade de celebração de empréstimo entre empresas brasileiras e partes relacionadas no exterior, além de não ser vedada pela legislação tributária, é regulada de forma expressa pela Lei n° 9.430/96, diploma que introduziu as Regras de TP, e pela Lei n° 12.249/2010, diploma que introduziu as regras de subcapitalização. No caso em exame, como mencionado anteriormente, inexiste qualquer questionamento em relação aos limites objetivos estabelecidos por essas regras,não sendo possível falar em glosa das despesas financeiras incorridas pela pessoa jurídica brasileira (Impugnante) que mantém empréstimo com pessoa vinculada no exterior(Andina Investments). Assim, diante das expressas Regras de TP e de subcapitalização, assim como ausentes quaisquer vícios nessa operação financeira praticada, resta claro que a estrutura de compra alavancada utilizada para a aquisição das ações da Ipiranga, mesmo quando a dívida é contraída frente a parte estrangeira pertencente ao mesmo grupo econômico, é legítima. Além disso, a Impugnante destaca que as despesas incorridas com o empréstimo, obtido junto à Andina Investments, controladora direta localizada no exterior,poderiam ter sido pagas a essa sócia investidora sob a forma de JCP, também dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, caso esta tivesse optado por aportar a integralidade dos valores a título de aumento do capital social da Impugnante. A despesa financeira com o pagamento ou crédito JCP é dedutível das bases de cálculo desses tributos, desde que observados os limites objetivos do artigo 9º da Lei n° 9.249/95, inclusive sem a necessidade da demonstração da sua necessidade operacional, usualidade e normalidade, sendo expressamente autorizada pela referida norma legal. O empréstimo não gerou qualquer vantagem fiscal indevida, vez que se os tivessem sido totalmente integralizados pela Andina Investments, haveria um numerário maior de JCP a ser pago e, por sua vez, despesa a ser deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, evidenciando também por esse motivo a completa fragilidade e incongruência do raciocínio fiscal e a necessidade do cancelamento integral do Auto de Infração. PARTE C – DEMAIS QUESTÕES III.C.1. Ad argumentandum: a amortização do ágio e seus reflexos em relação à CSLL Fl. 4327DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Contrariamente ao que se verifica com relação ao IRPJ, para o qual a lei (consolidada nos artigos 389, § 1º, e 391 do RIR) veda a dedutibilidade do ágio, inexiste disposição legal que imponha qualquer vedação para fins de apuração da CSLL. A ausência de dispositivo legal que vede a dedutibilidade do ágio para fins de apuração da CSLL é tão clara que o artigo 50 da Lei 12.973/2014 prevê expressamente a aplicação também para essa contribuição das normas legais que impõem que o ágio pautado em expectativa de rentabilidade futura somente poderá ser amortizado pela pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra na qual detinha participação societária. Logo, fica ainda latente que não havia, até a edição da Lei 12.973/2014,previsão legal que vedasse a possibilidade de amortização do ágio para fins de CSLL antes das operações de incorporação, cisão ou fusão. III.C.2. A impossibilidade de exigência da multa isolada de 50% A exigência da multa isolada de 50% pelo Auto de Infração é ilegítima, uma vez que (i) apenas pode ser exigida antes do encerramento do ano-calendário a que se refere; e (ii) está extinto o crédito tributário relativo à multa isolada em razão do transcurso do prazo decadencial, nos termos dos artigos 150, §4º e 156, inciso V do CTN. III.C.2.1. Impossibilidade de se exigir multa isolada após o encerramento do ano- calendário de 2015 e 2016 Apenas pode ser exigida antes do encerramento do ano-calendário a que se refere,isto é, para 2015 e 2016. Até o advento da Lei nº 8.383/91, o IRPJ e a CSLL eram apurados em sistema de “base anual”. Após a edição da referida norma, o IRPJ e a CSLL passaram a ser apurados em sistema de “bases correntes”, isto é, na medida em que os fatos econômicos integrantes do fato gerador ocorrem, quantifica-se as bases de cálculo naquele mesmo mês e o contribuinte efetua mensalmente o pagamento desses tributos, que são os recolhimentos por estimativa. Contudo, mesmo nesta sistemática, ao final do ano-base o contribuinte deve elaborar sua declaração de ajuste anual, com a finalidade de verificar se o montante que foi pago ao longo do ano excede ou fica aquém do que realmente é devido. Como se depreende do artigo 44, inc. II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96, verifica-se que a multa isolada foi instituída com o objetivo de punir o contribuinte que deixar de efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL com base em estimativas mensais, caso tenha optado por esta sistemática de recolhimento. Essa norma não se aplica ao caso em comento por um inquestionável motivo, qual seja, a impossibilidade de se exigir multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL após o encerramento do ano-calendário. A multa isolada prevista no referido artigo 44 é aplicável quando verificada a falta de recolhimento das estimativas mensais antes do encerramento do ano-calendário.Esta conclusão decorre das próprias regras referentes à tributação do IRPJ e da CSLL no regime do lucro real. Não deve prosperar a exigência da multa isolada relativa aos meses de janeiro a dezembro do ano-calendário de 2018, pois como já estava encerrado quando ciência da lavratura do Auto de Infração em comento - 15.12.2019 - não poderia a autoridade lançadora, no presente caso, apurar o IRPJ e a CSLL devidos por estimativa para aplicação dessa penalidade. III.2.2. Abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de ofício O não recolhimento por estimativa é etapa preparatória do ato de reduzir o imposto devido ao fim do ano-calendário. A primeira conduta – insuficiência no recolhimento das estimativas – está compreendida na segunda conduta – insuficiência no recolhimento do imposto anual. Portanto, não há qualquer lógica jurídica em exigir pelo suposto não recolhimento do tributo multa de ofício e multa isolada, sob pena de caracterizar bis in idem. Fl. 4328DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 O aparente conflito entre as normas do artigo 44, I da Lei nº 9.430/96 (multa de ofício de 75%) e artigo 44, II, b da Lei nº 9.430/96 (multa isolada de 50%) citado pela autoridade lançadora no TVF para aplicar as duas multas pode ser facilmente afastado quando se observa que uma conduta está compreendida na outra. Cita jurisprudência. III.C.2.2. Decadência da multa isolada relativa aos meses de janeiro a novembro de 2015: extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156 do CTN A manutenção da cobrança também não seria possível tendo em vista a extinção do crédito tributário pela decadência, nos termos do que dispõe o artigo 150, § 4º do CTN. Esse artigo é aplicável ao caso concreto, uma vez (i) ausentes a figura do dolo, fraude ou simulação; e (ii) a existência de pagamento de antecipações mensais do IRPJ e da CSLL naqueles meses. Desse modo, deve ser reconhecida a extinção do crédito tributário relativa à multa isolada de 50% nos termos do artigo 156, inciso V do CTN, eis que houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador – apuração de bases mensais para fins da estimativa em janeiro a novembro de 2015 – e a notificação do lançamento fiscal em 07.12.2020, nos termos em que previsto no entendimento vinculante do STJ sobre a matéria no REsp nº 973.733/SC (de aplicação obrigatória de acordo com o artigo 62-A do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009 e alterações posteriores), o que enseja o cancelamento da respectiva cobrança. III.C.3. Inaplicabilidade dos juros sobre multa Considera indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada,e não paga no vencimento, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no auto de infração não autoriza a imposição de juros sobre a multa de ofício, mas apenas sobre os tributos supostamente não pagos, nos termos do artigo 61 da Lei n° 9.430/96. IV - Resumo Faz um resumo de seus argumentos de defesa: e iniciativa consagrada na CF/88 V - Pedido Requer seja a presente impugnação julgada integralmente procedente, com a consequente desconstituição dos créditos tributários exigidos, determinando-se o cancelamento do Auto de Infração e o consequente arquivamento do respectivo processo administrativo. Protesta pela produção de todas as provas admitidas, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos,assim como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, que julgou improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2015, 2016 Fl. 4329DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido, mesmo após o encerramento do exercício. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. Não há impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2015, 2016 ÁGIO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. AMORTIZAÇÃO. INVESTIDOR ORIGINAL. DESEMBOLSO DE RECURSOS. A confusão patrimonial que dá ensejo a amortização fiscal de ágio é a que ocorre entre a pessoa jurídica que efetivamente desembolsa recursos, com ágio, e a pessoa jurídica objeto do investimento. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE. Somente são admitidas como dedutíveis as despesas consideradas necessárias, usuais e normais à manutenção da atividade econômica da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2015, 2016 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado da decisão, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando por seu provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Decadência. A Recorrente alega que houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos quando do lançamento da multa isolada. Aduz que in casu deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN, uma vez que ausentes a figura do dolo, fraude ou simulação, sendo incontroverso a existência de pagamentos de antecipações mensais de IRPJ e da CSLL. Assim, como entre a ocorrência do Fl. 4330DF CARF MF Original Fl. 42 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 fato gerador (apuração de bases mensais para fins da estimativa de IRPJ e CSLL), se deu em janeiro a novembro de 2015 e a ciência do lançamento fiscal, em 07/12/2020, encontra-se a pretensão fulminada pela decadência, nos termos em que previsto no entendimento vinculante do STJ sobre a matéria no REsp nº 973.733/SC, o que enseja o cancelamento da respectiva cobrança. Não prospera a alegação. A aplicação do art. 150, §4º do CTN refere-se a tributos lançados por homologação, o que não é o caso de multas. Neste caso, deve ser aplicada a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, tendo-se como início do prazo para o lançamento da multa isolada a data de 01/01/2016 e a data da ciência dos autos de infração em 07/12/2020, é de se ver que não ocorreu a decadência alegada. Portanto, deve ser rejeitada esta alegação. Mérito Amortização de Ágio Controverte-se nos autos glosa de despesas de amortização de ágio incorridas nos anos-calendário 2015 e 2016, acrescidas de multa de ofício de 75%, multa isolada de 50% e juros de mora calculados pela taxa SELIC. A fiscalização glosou as despesas de amortização de ágio, nestes anos- calendário, decorrentes da aquisição da Companhia de Bebidas Ipiranga (CBI), por considerar que a real detentora do ágio foi a controladora chilena da Recorrente, a Coca-Cola Andina (CCA), e sustentou que a Recorrente serviu apenas para internalizar o ágio detido pela companhia chilena, servindo como veículo para aquisição e fruição do ágio. Defendeu ainda a Autoridade Fiscal a intempestividade do laudo de avaliação elaborado pela Ernest Young, bem como, caso se considerasse o ágio como efetivamente sendo de titularidade da Recorrente, que “não seria razoável atribuir sua fundamentação integralmente a perspectiva de rentabilidade futura da companhia adquirida” . Por outro lado, defende a Recorrente a regularidade do registro e dedução fiscal do Ágio em questão, aduzindo que atendeu aos requisitos previstos na Lei nº 9.532/97, que é a real adquirente do investimento na Ipiranga e detentora do ágio; que a empresa estrangeira, sua controladora indireta, possui ações negociadas nas três bolsas de valores chilenas e na bolsa de Nova York e nunca atuou diretamente no Brasil; que esta empresa estrangeira emitiu títulos de dívida no mercado internacional, dada a sua presença e listagem nesse mercado, cujo principal objetivo era o refinanciamento de seus passivos, assim como levantamento de recursos que foram repassados para a sua controlada direta Andina Investments. Aduz ainda que a Andina Investments subscreveu um aumento de capital da Recorrente, provendo-lhe recursos próprios para novos investimentos, bem como celebrou Contrato de Empréstimo, viabilizando o financiamento de parte do preço de aquisição das ações da Ipiranga que foi pago pela Recorrente aos Vendedores. Fl. 4331DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 A DRJ analisou os argumentos de Impugnação, julgando-a improcedente, nos termos do acórdão que ficou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2015, 2016 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido, mesmo após o encerramento do exercício. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. Não há impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2015, 2016 ÁGIO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. AMORTIZAÇÃO. INVESTIDOR ORIGINAL. DESEMBOLSO DE RECURSOS. A confusão patrimonial que dá ensejo a amortização fiscal de ágio é a que ocorre entre a pessoa jurídica que efetivamente desembolsa recursos, com ágio, e a pessoa jurídica objeto do investimento. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUTIBILIDADE. Somente são admitidas como dedutíveis as despesas consideradas necessárias, usuais e normais à manutenção da atividade econômica da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2015, 2016 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em recurso, a Recorrente controverte toda a discussão em derredor da matéria, consignando, em seu recurso, que alguns dos seus fundamentos e fatos por ela comprovados, não foram contestados pela decisão da DRJ, compreendendo-se por fatos incontroversos, a saber: • O lançamento não está lastreado em qualquer acusação relacionada aos conhecidos chavões de “ágio interno”, “transferência de ágio” ou “ausência de propósito negocial”, na desconsideração de negócios jurídicos à luz do artigo 116, parágrafo único do CTN, tampouco na inoponibilidade ao Fisco dos atos praticados em razão de qualquer ato abusivo de direito; • A decisão da DRJ reconhece a validade de todos os praticados, alegando que a autoridade lançadora “não contesta a viabilidade do negócio sob a ótica comercial, mas sim a forma como se operacionalizou a aquisição” da Ipiranga pela Recorrente (fl. 4116), confirmando a mera irresignação do Fisco quanto aos efeitos de atos válidos e que produziram legítimos efeitos tributários; Fl. 4332DF CARF MF Original Fl. 44 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 • A aquisição de 100% das ações da Ipiranga pela Recorrente foi uma operação real, realizada entre empresas operacionais brasileiras independentes que integram o “Sistema Coca-Cola”, as quais negociaram livremente dentro das condições de mercado, bem como que houve o desembolso efetivo do preço de aquisição acordado, mediante pagamento à vista em dinheiro pela Recorrente aos Vendedores . . Ocorreu ainda o desdobramento do custo de aquisição incorrido pela Recorrente em valor de patrimônio líquido e ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da Ipiranga, nos termos do artigo 20 do Decreto-lei n° 1598/77, do artigo 385 do RIR/99 e do RTT; • A decisão da DRJ reconhece que o empréstimo obtido junto à Andina Investments permitiu a captação de novos recursos pela Recorrente, sendo que os valores mutuados foram utilizados na aquisição do investimento na Ipiranga, isto é, no contexto de uma compra financiada, possibilitando a expansão das operações da Recorrente e da sua área geográfica de atuação no Sistema Coca-Cola, com a entrada em novos mercados regionais dessa marca e com sólidas expectativas de crescimento (fl. 4118); • Assim como a autoridade lançadora, a decisão da DRJ (i) reconhece a existência das despesas com juros, os quais foram efetivamente pagos à Andina Investments no exterior, sujeitando-se à incidência do Imposto sobre a Renta Retido na Fonte (“IRRF”) recolhido pela Recorrente; e (ii) não descaracterizou a efetividade do empréstimo, conforme comprovado pelos contratos de câmbio demais documentos registrados BACEN, bem como que os limites das regras de preços de transferência e de subcapitalização foram devidamente observados, simplesmente alegando que a “fiscalização não se opôs à liberdade negocial da empresa, apenas afastou a dedução das despesas de juros” (fls. 4118). A Rio de Janeiro Refrescos utilizada para internalizar o ágio O primeiro ponto a ser analisado é verificar se a empresa Recorrente foi constituída com verdadeiras razões econômicas e negociais. Se foi constituída com essas razões, analisar se efetivamente realizou atividades no contexto de aquisição das ações da Ipiranga, ou atuou apenas para internalizar o ágio proveniente de tal aquisição pelo “real investidor”, no caso, a CCA. Segundo a fiscalização, ratificado pela DRJ, a Recorrente não seria a “real adquirente do investimento na Ipiranga”, com base no argumento de que “o ônus financeiro da aquisição” teria sido suportado pela CCA, que seria a “real detentora” do referido ágio Ipiranga; e por isso, entendeu não ter ocorrido a necessária confusão patrimonial entre tal sociedade estrangeira e a Ipiranga. Confira-se trecho da DRJ: Ocorre que a compra da CBI foi financiada pela CCA, via emissão internacional de bônus, de modo que é esta empresa a real detentora do ágio. A RJR, que não tinha capacidade financeira para realizar a compra, recebeu estes recursos, via ANDINA, por meio de aumento de capital e pelo contratação de mútuo. A RJR e a ANDINA serviram, portanto, como veículos, para aquisição da CBI pela CCA. A despesa de ágio, é, assim, indedutível, já que não ocorreu a confusão entre a real adquirente e a empresa adquirida. Ou seja, a DRJ inferiu que o fato da Recorrente ter sido capitalizada pela Andina Investments, com recursos captados no mercado internacional pela CCA, na condição de companhia aberta, e pela contratação de mútuo, possibilitaria a qualificação da CCA como “real adquirente” do investimento na Ipiranga. Fl. 4333DF CARF MF Original Fl. 45 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Penso que tal raciocínio é equivocado, em razão dos fatos e dos atos jurídicos validamente demonstrados nos autos. Em recurso, a autuada destacou que a aquisição da Ipiranga representou a oportunidade de expansão das suas atividades operacionais, fortalecendo a posição de liderança no mercado brasileiro do Sistema Coca-Cola e a sua consolidação no mercado de bebidas da Região sudeste. Permitiu que agregasse as operações de uma companhia com histórico consistente de crescimento e, como resultado dessa integração entre negócios de duas empresas, a geração e captação de significativas sinergias operacionais, logísticas e comerciais. Analisando a narrativa, vê-se, desde logo, que as motivações apresentadas de compra e benefícios com a aquisição da Ipiranga diz respeito à Recorrente e não a sua controladora (indireta), localizada no exterior. Aliás, não há noticias nos autos de que a referida empresa estrangeira atuou diretamente no Brasil, o que reforça o entendimento, neste cenário, de que ela não teria propósito de adquirir diretamente o investimento, já que era controladora, ainda que indireta, de empresa nacional. Com referência ao fluxo financeiro mencionado pela DRJ, vê-se que é decorre de dois atos jurídicos, a saber: (i) a contribuição de capital que foi subscrita pela Andina Investments; e (ii) o Contrato Empréstimo celebrado entre a Recorrente e a tal controladora estrangeira. O primeiro, a Recorrente, em aumento de capital, integralizado e subscrito pela Andina Investments, sua controladora direta, recebeu recursos do exterior, e, em contrapartida, emitiu novas quotas que foram entregues a tal sociedade estrangeira. Este aumento de capital está refletido na 62ª Alteração do seu Contrato Social, arquivado em 25/09/2013 (fls. 3303 a 3312), tendo aprovado o aumento do capital no valor de R$ 396,9 milhões, que passou de R$ 135.198.973,45 para R$ 532.134.973,45. E, o segundo, a Recorrente contraiu empréstimo internacional também com tal sociedade estrangeira, no valor de U$ 360 milhões (fls. 3425 a 3430), regido e interpretado pelas leis brasileiras (cláusula 15ª), e os valores ingressaram no Brasil em 08/10/2013, conforme se vê pelos contratos de câmbio apresentados na impugnação, na quantia de R$ 792.576.000,00. Estas condições do empréstimo também são evidenciadas pelo RDE-ROF de número TA667008 (fls. 239 a 243), registrado no SISBACEN sob a forma de empréstimo externo direto, nos termos da Lei nº 4.131/62. Obviamente que todos estes recursos passaram a ser de titularidade da Recorrente, sendo indiscutível que era uma empresa operacional franqueada do Sistema Coca- Cola no Brasil, e constituída em 1942, com sede no Rio de Janeiro. Sendo a transferência dos recursos em aumento de capital ato jurídico, onde os bens ou direitos do investidor são transferidos à sociedade investida, cabe a esta última exercer seu legítimo direito de propriedade e por efeito a aquisição sobre este ativo, podendo usar, gozar ou dispor dos bens, valores ou direitos recebidos. A doutrina especializada1 já tratou do tema, de forma semelhante, concluindo que a subscrição do capital implica justamente a transferência de propriedade do bem ou direito. Confira-se: O ato de transferência de bens do subscritor para a companhia é de uma alienação, mas de natureza especial. Não caracteriza uma compra e venda propriamente dita, nem 1 EIZIRIK, Nelson. A lei das S/A Comentada. Volume I. São Paulo: Quartier Latin, 2011. pp. 114 e 115. Fl. 4334DF CARF MF Original Fl. 46 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 permuta, comunhão ou condomínio. Não é alienação propriamente dita porque falta o requisito essencial do preço que, na compra e venda, encerra a relação jurídica entre as partes; não é permuta, pelas mesmas razões, pois as ações que o subscritor recebe pelo valor de seus bens não extinguem as relações entre ele e a sociedade, ao contrário, pois surge um novo direito que é o de acionista, não se trata de caminhão ou condomínio porque os bens entram para o patrimônio da sociedade, que é juridicamente distinto do patrimônio dos acionistas De fato, a integralização de capital é uma forma de alienação do ativo, que passa a constituir o patrimônio da pessoa jurídica, que não se confunde com o do acionista, que recebe apenas o direito de acionista materializado nas ações recebidas. A autonomia patrimonial é principal elemento apontado pela doutrina como identificador da personalidade jurídica. O aporte de dinheiro numa subscrição de capital, com a emissão de novas ações ou quotas, jamais poderia ser classificado como um elemento ensejador de confusão entre os patrimônios da controladora indireta e da controlada, ou muito menos retirar a autonomia jurídica e operacional desta última. Da mesma forma, com referência ao Contrato de Empréstimo, o ingresso de capital, de forma temporária, com assunção de obrigação de restituir o valor recebido em data pactuada, transfere para a pessoa jurídica a propriedade desse ativo. No caso, foi celebrado um contrato de mútuo que traz como característica o empréstimo de bens fungíveis, segundo o qual o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, em determinado prazo pactuado, nos termos do art. 586 do Código Civil. O prazo previsto foi de 10 anos, refletindo as condições dos títulos de dívida que foram emitidos pela CCA, com igual prazo, e data de vencimento em 01/10/2023. Esclarece a Recorrente que esses títulos foram originalmente emitidos pela CCA, sua controladora indireta, pois esta empresa é uma companhia aberta com ações negociadas nas bolsas de valores de Santiago e de Nova Iorque, existindo a constante divulgação dos seus graus de rating por agências de classificação de risco de créditos, o que favoreceu as condições de negociações desses títulos junto aos investidores terceiros, conferindo maior segurança e confiança ao público e ao mercado de capital. Aduz que esta era a opção mais barata para a Recorrente financiar a aquisição da Ipiranga, se comparado a um empréstimo junto a instituições bancárias brasileiras. Não vejo nenhum patologia a adoção desta estratégia, pois embora esses títulos tenham sido emitidos pela CCA no mercado internacional, deve-se perceber que a Recorrente assumiu o encargo de pagar o valor pactuado, em prazo determinado, in casu, até o dia 26/09/23, cujo cumprimento da obrigação, inevitavelmente, é suportado por seu patrimônio e com recursos por ele gerados. Não tem sentido algum, em meu ponto de vista, afirmar que a parte adquirente em um contrato de compra e venda não seria mais aquela que figura como comprador nesse contrato e paga o preço, mas aquele que em outra relação jurídica (totalmente distinta) indiretamente disponibilizou os recursos para a transação, ainda que sob a forma de um empréstimo. Ora, comumente possível, aliás, de nosso dia-a-dia, nos depararmos com aquisições de bens financiados por terceiros (a exemplo de instituições bancárias), e nem por isso seriam eles os detentoras dos bens adquiridos Fl. 4335DF CARF MF Original Fl. 47 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Logo, não há como prosperar o entendimento da DRJ, de que a origem dos recursos deve prevalecer sobre os atos jurídicos efetivamente praticados, e que tiveram o intuito de implementar a aquisição do investimento no Brasil, e buscaram a efetiva motivação da aquisição ligada ao mercado e operações da Recorrente. Absolutamente normal que uma pessoa jurídica, diante da necessidade de caixa para realizar determinada operação, seja financiada pelos seus sócios ou por empresa do mesmo grupo econômico, por meio de aumento de capital e/ou empréstimo, quanto mais se os atos foram efetivamente praticados e os valores efetivamente ingressados no pais, como é o caso em análise. Para que o fisco possa requalificar atos jurídicos legítimos para fins tributários, é fundamental que se identifique e comprove a presença de vícios patológicos, o que não ocorre no caso em análise. Assim, a qualificação pelo fisco da CCA como “adquirente” e “detentora” do ágio Ipiranga é equivocada, vez que é contrária a realidade dos fatos. Laudo de Avaliação. Elaboração de Laudo posterior à Aquisição Quanto a este ponto, a DRJ afirma que Laudo E&Y seria “extemporâneo”, elaborado posteriormente à aquisição da participação societária na Ipiranga, apenas com intuito de confirmar a avaliação feita pela interessada antes da conclusão dos negócios praticados, de modo que pode ser considerado que nem mesmo a existência e quantificação do ágio foram devidamente comprovados. Observe-se que, efetivamente, a lei vigente à época não exige propriamente a produção de um laudo que ateste a rentabilidade futura da coligada ou controlada, senão antes exige uma “demonstração” desta rentabilidade futura — a qual, por certo, também se pode materializar em um laudo. Contudo, a lei exige que essa demonstração seja arquivada como comprovante da escrituração do fundamento do ágio. Escrituração, a qual, aliás, também obrigatoriamente deve indicar o fundamento econômico do ágio, já no momento da aquisição de participação societária. Analisadas em conjunto essas duas disposições legais obrigatórias, percebe-se claramente que o fundamento econômico do ágio há de ser determinado antes — ou, no máximo, até o momento — da aquisição. Assim, a prova de que foi a rentabilidade futura a razão do pagamento do ágio incumbe obrigatoriamente à pessoa jurídica que por ele pagou, e tal prova há de ser feita com documentos anteriores ou contemporâneos aos fatos. Neste sentido, não se pode admitir o Laudo da Ernest & Young serviria para comprovar o ágio com fundamento em rentabilidade futura, posto que foi elaborado posteriormente a realização da operação e ao efetivo pagamento do ágio. Ou seja, a decisão consigna que à época dos fatos não se exigia um laudo para fundamentar o valor do ágio em rentabilidade futura, desprezando, por conseguinte, os dois estudos colacionados aos autos ainda na fase de fiscalização, e que o Laudo da Ernest & Young não serviria ao fim proposto, pois foi elaborado meses após a operação de compra do investimento. Em defesa, o Contribuinte afirma que esse é um outro equívoco cometido pela decisão recorrida, pois existem dois estudos técnicos preparados antes da aquisição da Ipiranga, cujas cópias se encontram anexadas aos presentes autos desde o procedimento de fiscalização Fl. 4336DF CARF MF Original Fl. 48 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 (fls. 3482 a 3527); que estes estudos financeiros com avaliação econômica a Ipiranga foram preparados pela Latin American Company, empresa especializada em fusões e aquisições envolvendo empresas do Sistema Coca-Cola, e pelo Banco JP Morgan, e que estes documentos constituem suporte documental exigido pela legislação à época para o registro do ágio em análise. Compulsando os autos, encontro os demonstrativos mencionados à fls 3482 a 3527. Analisando-os, concluo que apenas o estudo elaborado pelo Banco JP Morgan serve ao fim proposto. As avaliações econômicas de tal estudo evidencia que a motivação econômica para o pagamento do Ágio em tela era a expectativa de rentabilidade futura dessa companhia franqueada do Sistema Coca-Cola, calculada com base no método do fluxo de caixa descontado (DCF), constituindo-se, assim, o suporte documental exigido para o registro do referido ágio. Registre-se que o estudo preparado pela Latin American Company está em língua estrangeira, e para que servisse ao fim proposto, na forma defendida pela defesa, a Recorrente deveria, no mínimo, ter traduzido o referido documento, de forma que o julgador pudesse melhor avaliá-lo. Além desses estudos, encontro às fls. 3363 a 3421 o Laudo da Ernest & Young. Nele, consta (a) o valor do sobrepreço motivado por expectativa de rentabilidade futura, (b) Demonstração do Resultado do Exercício projetada até 2027. (b) balanço patrimonial projetado até 2027, (c) demonstração do fluxo de caixa projetado, entre outras informações. Penso que este documento também possui elementos que fundamentam a decisão do investidor de pagar o sobrepreço na aquisição do investimento, confirmando o estudo antes realizado, e mesmo que elaborado posteriormente à data da operação de compra e venda, o foi com base em informações da época. É de se observar que o § 3º do artigo 20 do Decreto n° 1.598/77 não prevê a necessidade de que o arquivamento do laudo/demonstração seja contemporâneo à escrituração do ágio. Da inteligência do dispositivo acima, deve-se extrair que a demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração deve, isto sim, reportar-se aos fatos contemporâneos à aquisição, não sendo obrigatório que ele (laudo/demonstração) seja contemporâneo ao fato jurídico que originou o ágio. É o que se compreende do seguinte precedente deste Conselho: ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, quanto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época. Portanto, nestes termos, reconhece-se que tanto o estudo elaborado pelo Banco JP Morgan, como o Laudo da E&Y, constituem suporte documental exigido pela legislação à época para o registro do ágio em questão. Fl. 4337DF CARF MF Original Fl. 49 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Fundamentação econômica do ágio Ipiranga como rentabilidade futura Sobre a fundamentação econômica do ágio, a DRJ assim se manifestou: O balanço patrimonial de CBI em 31/10/2013 registrava como principal item dos ativos o imobilizado (R$ 259 milhões), que incluía diversos imóveis relacionados no Protocolo de Incorporação. Os intangíveis eram da ordem de apenas R$ 4 milhões. Dessa forma, ainda que se considerasse o ágio como efetivamente detido por RJR, não parece razoável atribuir sua fundamentação integralmente à perspectiva de rentabilidade futura da companhia adquirida. (...) O ágio fundamentado em intangíveis, como é o caso dos direitos de distribuição, está previsto no § 2º, alínea “c”, do citado artigo. E o art. 7º, inciso II, da Lei nº 9.532/97, determina que essa parcela de ágio não está sujeita a amortização. Segundo a defesa, é evidente o equívoco cometido pela decisão da DRJ em relação a todas essas alegações, pois a rentabilidade futura foi o fundamento econômico validamente apontado e documentado que motivou a Recorrente a pagar o ágio Ipiranga; que a legislação aplicável à época dos fatos não impõe a “apresentação de um laudo”, tampouco regula qualquer procedimento para fins da sua “apresentação a terceiros; que apenas com a publicação da Lei nº 12.973/2014, é que a legislação fiscal passou a impor requisitos à forma de apresentação da demonstração a que se refere o artigo 385, §3º, do RIR/99, por meio da nova redação dada ao artigo 20, §3º, do Decreto-lei nº 1.598/77; que os requisitos formais previstos nesta novel norma não se aplicam aos fatos pretéritos, nos termos do artigo 144 do CTN. Esclarece, então, que comprovou que não desejava adquirir ativos tangíveis ou intangíveis da Ipiranga, mas sim a totalidade das operações dessa companhia em pleno funcionamento no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais, no âmbito do Sistema Coca- Cola, listando alguns dos motivos ensejadores da aquisição, e que esses motivos e premissas macroeconômicas foram consideradas pelos estudos técnicos que avaliaram o negócio da Ipiranga como ”um todo”. É de se concordar com a recorrente. De fato, a motivação econômica do ágio Ipiranga pago não se encontra fundamentada na aquisição de ativos identificáveis, sejam eles direitos de distribuição da Coca- Cola , mas sim motivado pela rentabilidade futura do próprio investimento adquirido, conforme apontado em laudo. Apenas com a entrada em vigor da Lei nº 12.973/2014, é que o ágio equivaleu à expressão goodwill, sendo definido pelo montante do preço de aquisição que superar o valor justo dos ativos líquidos da empesa adquirida, mas esta lei é inaplicável ao caso presente. Logo, se o preço pago na aquisição for integralmente motivado pela rentabilidade projetada, essa fundamentação econômica deve ser indicada em conformidade com a legislação tributária vigente, ainda que existam outros elementos do ativo que pudessem fundamentar outro critério sugerido pela lei fiscal. Portanto, equivoca-se o fisco quando mistura os conceitos de ágio por expectativa de rentabilidade futura do Decreto-lei nº 1.598/77, em sua redação anterior, ou melhor, antes das alterações feitas pela Lei nº 12.973/14, com o goodwill de que trata a nova lei. Isto porque, só há de se falar em goodwill em combinações de negócios, já o ágio por expectativa de rentabilidade futura do Decreto-lei nº 1.598/77 (antes da Lei nº 12.973/14) pode ocorrer independentemente de haver ou não transferência de controle. Fl. 4338DF CARF MF Original Fl. 50 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Outra importante diferença é que o goodwill é residual já que é obrigatória a avaliação a valor justo dos ativos da adquirida em caso de combinação de negócios, e, por sua vez, o ágio por expectativa de resultado futuro em tela não é necessariamente residual, pois não havia exigência na legislação tributária de avaliação dos ativos da adquirida a valor de mercado. Logo, não havia qualquer obrigação de ordem legal para que a Recorrente avaliasse qualquer ativo da Ipiranga a valor de mercado. Ademais, o autuante também se equivoca quando, em análise do balanço patrimonial, alega que a Recorrente deveria ativar um intangível referente ao direito de distribuição do Sistema Coca-Cola. Estou convencido, a partir dos exames do contrato de Compra e Venda e demais provas existentes nos autos, que a Recorrente não se desejava adquirir ativos tangíveis ou intangíveis da Ipiranga como motivo para o pagamento de ágio aos Vendedores, mas sim a totalidade das operações dessa companhia em pleno funcionamento no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais, no âmbito do Sistema Coca-Cola. Desta forma, por todos estes motivos, voto pela reversão da glosa das despesas com amortização de ágio, efetuadas pela fiscalização, nos períodos autuado. DAS DESPESAS DE JUROS Além disso, glosou-se ainda despesas financeiras incorridas pela Recorrente com o pagamento de juros à Andina Botting Investiments, sua controladora, no âmbito do Contrato de Empréstimo firmado. Este contrato, registrado no Banco Central do Brasil, disponibilizou à Recorrente a quantia de USD 360 milhões, e foi firmado com sua controladora direta para financiar parte do preço de aquisição pago aos Vendedores. Neste ponto, a Autoridade Fiscal alega que a despesas de juros são indedutíveis por não serem necessárias à Recorrente com o seguinte entendimento: Como a operação que resultou no aproveitamento do ágio pela RJR foi considerada irregular pela fiscalização, o contrato de mútuo tomado da ANDINA (cedente) pela RJR (tomador) também deve ser desconsiderado para fins de dedução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, haja vista que este contrato somente foi realizado para tornar possível a aquisição da CBI pela RJR (com a vantagem adicional de permitir uma dedução de despesas de juros). Isto porque, se a aquisição da CBI tivesse sido realizada diretamente pela CCA ou sua controlada direta ANDINA, não haveria motivos para que esse contrato de mútuo fosse obtido pela RJR junto a esta última. As despesas relativas a este contrato são, portanto, despesas desnecessárias. De fato, se a negociação houvesse ocorrido entre os sócios de CBI e uma das companhias chilenas, não existiria contrato de mútuo e, consequentemente, também não haveria despesas relativas ao pagamento de juros. Dessa forma, concluímos que não podemos considerar o contrato de mútuo como necessário a atividade da RJR, conforme descrito no art. 299 do Decreto nº 3.000/99: Ou seja, a partir do entendimento de que a Recorrente não foi o “real adquirente” da Ipiranga, não se verificou motivo para o contrato de mútuo celebrado entre a Recorrente e a Andina para pagamento de despesas de aquisição da Ipiranga, e daí se concluiu que os juros com o mútuo não se tratavam de despesas necessárias à atividade da empresa, de forma a não admitir sua dedução para fins de apuração do IRPJ e CSLL. Ou melhor, em decorrência do seu entendimento de que o ágio não foi pago pela Recorrente (causa), concluiu-se que os pagamentos realizados a título de juros seriam desnecessários (consequência). Fl. 4339DF CARF MF Original Fl. 51 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 Sem dúvida, a presente infração decorre do entendimento equivocado da Autoridade autuante. Uma vez reconhecido, nos termos deste voto, que a Recorrente foi a efetiva adquirente do investimento na Ipiranga, e tendo o empréstimo sido contraído para financiar parte do preço de compra da Ipiranga, só por esse motivo, deve-se afastar a conclusão do fisco, cancelando-se, por conseguinte, a glosa efetuada. Com efeito, tratam-se de despesas de juros inerentes a aquisição do investimento, de modo que os requisitos legais para que tais despesas financeiras sejam admitidos foram integralmente atendidos. Nos termos do art. 299 do RIR/99, as despesas operacionais são aquelas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de rendimentos. Por meio desse dispositivo legal, pretendeu o legislador impor algumas condições para que as pessoas jurídicas possam considerar determinadas despesas como sendo operacionais e, consequentemente, deduzi-las para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Considera-se despesas operacionais, portanto dedutíveis, quando forem justificáveis do ponto de vista gerencial, isto é, quando tal dispêndio estiver relacionado à atividade da empresa, ocorrer em seu benefício. No caso em tela, como se viu, o empréstimo foi obtido no contexto de uma operação de compra, por meio do qual o adquirente buscou financiamento para realizar a aquisição do investimento. E, a aquisição de participações societárias é uma transação necessária, normal e usual ao desempenho da atividade empresarial de qualquer pessoa jurídica, vez que faz parte da estratégia de seu crescimento e visa, em última medida, à conservação e o crescimento da fonte produtora da renda. Pois bem. Contrato de Empréstimo a que se refere os juros glosadas, foi firmando entre a Recorrente e a Andina Investments, permitindo que a Recorrente financiasse parte do preço de aquisição da Ipiranga, como estratégia de seu crescimento, operação que visava, sem dúvidas, a expansão dos seus negócios. Dentro desta linha, por óbvio, tratam-se de despesas operacionais e necessárias as suas atividades empresariais. Este também é o entendimento dos seguintes precedentes deste CARF: CONTRATO DE MÚTUO. DESPESAS COM JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. Comprovada a necessidade da contratação do mútuo para a complementação de recursos destinados ao pagamento de aquisição de participação societária e, consequentemente, expansão dos negócios da pessoa jurídica, as despesas com juros e variação cambial decorrentes deste contrato são consideradas dedutíveis para fins de determinação do lucro real. (acórdão nº 1103-001.181, sessão de 03.03.2015) EMPRÉSTIMO UTILIZADO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. EMPRESA VEÍCULO. HOLDING. DEDUTIBILIDADE. SIMULAÇÃO. REAL ADQUIRENTE ESTRANGEIRO. IMPROCEDÊNCIA DA CONSTATAÇÃO FISCAL. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, da vantagem fiscal, obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados. Demonstrado que a empresa poderia obter o mesmo resultado fiscal através de outros meios, plenamente lícitos, não questionados pela Fiscalização, esvazia-se a acusação de planejamento tributário inoponível ao Fisco. (...) As relações de endividamento internacional intragrupo são, per si, lícitas, devendo observar as regras de subcapitalização após a vigência de tal regulamentação. (acórdão nº 1402-002.443, sessão de 10.04.2017) Fl. 4340DF CARF MF Original Fl. 52 do Acórdão n.º 1301-006.940 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.721154/2020-07 De toda forma, a opção pela realização do investimento por meio de empréstimos é uma faculdade colocada à disposição das pessoas jurídicas pelo ordenamento jurídico brasileiro. O juízo quanto à necessidade de captação de financiamento cabe, a meu ver, exclusivamente aos administradores da sociedade. Considerando que a dívida tomada teve como objetivo permitir o investimento na Ipiranga, e que aquisição de participações societárias é, sem dúvida alguma, transação necessária ao desempenho da atividade empresarial, não há como negar, também por essas razões, a dedutibilidade de tais despesas. Pelo exposto, devem ser revertidas as glosas de despesas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. CONCLUSÃO Diante do exposto, rejeito a alegação de decadência e, no mérito, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente as exigências. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 4341DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10665.903503/2010-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULA CARF 177.
Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
Numero da decisão: 1001-003.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o valor suplementar de R$1.235.372,93 a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005 com a consequente homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Raimundo Pires de Santana Filho, Gustavo de Oliveira Machado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULA CARF 177. Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
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As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DIREITO SUPERVENIENTE. IRRF. SÚMULA CARF 177. Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o valor suplementar de R$1.235.372,93 a título de saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 2005 com a consequente homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Raimundo Pires de Santana Filho, Gustavo de Oliveira Machado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Per/DComp e Despacho Decisório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 35 03 /2 01 0- 59 Fl. 408DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 34293.16129.310706.1.3.02-4482 em 31.07.2006, e-fls. 15-22, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor total de R$9.483.252,59 do ano-calendário de 2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 02.05: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE [...] ESTIM. COMP. SNPA [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 6.296.882,83 [...] 7.388.038,79 [...] 13.684.921,62 CONFIRMADAS [...] 6.296.882,83 [...] 6.152.665,86 [...] 12.449.548,69 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 9.483.252,59 Valor na DIPJ: R$ 9.483.252,59 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 14.444.049,00 IRPJ devido: R$ 4.960.796,41 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 7.488.752,28 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 10-65.159, de 15.05.2019, e-fls. 215-221: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO. CONFIRMAÇÃO DAS PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. As parcelas componentes de saldo negativo devem se revestir das condições de liquidez e certeza. Fl. 409DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Recurso Voluntário Notificada em 11.03.2020, e-fl. 307, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.05.2020, e-fls. 309-327, esclarecendo que a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: 03. DA NULIDADE DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO Como pode ser verificado no v. acórdão recorrido, o relator indica que o processo de crédito não era aquele indicado pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, mas sim o processo administrativo n° 10665.000187/2009-28: [...] Verificando a certidão de dívida ativa que instruiu a Execução Fiscal no 5021681-67.2018.4.03.6182 (citada pelo v. acórdão recorrido), verifica-se que os débitos que foram objeto de compensação foram as antecipações mensais de IRPJ de janeiro a março de 2005, agosto e outubro de 2005: [...] A questão que o v. acórdão recorrido não responde é como a Recorrente teria compensado a estimativa do IRPJ dos 3 primeiros meses de 2005 com créditos de IRPJ do próprio exercício de 2005, ainda que o PER/DCOMP tenha sido declarado posteriormente. Neste sentido, a análise feita pela DRJ na apuração do crédito parece pouco cuidadosa, pois indica que o crédito utilizado no PER/DCOMP n° 34293.16129.310706.1.3.02-4482 teria a mesma origem que aquele utilizado na compensação que foi objeto do processo administrativo n° 10665.000187/2009-28. No entanto, o débito que foi declarado no PER/DCOMP n° 34293.16129.310706.1.3.02-4482 era de junho de 2006, compensado com créditos de 2005. Para o v. acórdão recorrido, a análise feita no processo administrativo n° 10665.000187/2009-28 seria aplicável ao presente caso, mas não se explica como, não atentando para o fato de que os débitos compensados neste segundo caso são do primeiro trimestre de 2005. Assim sendo, deve ser anulado o v. acórdão recorrido, a fim de que analise os expressamente os fundamentos da Manifestação de Inconformidade da forma como apresentados. 04. MÉRITO: A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE PARA HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL DAS DCOMP's Caso seja superada a preliminar de nulidade, o que somente por argumentação se admite, tem-se que no mérito não merece melhor sorte o v. acórdão recorrido. Conforme se verifica do r. despacho proferido nos autos do Processo Administrativo no 10665.000187/2009-28, as DCOMPs que geraram o crédito do processo administrativo em questão foram tratadas de forma manual no Processo Administrativo no 10665.000251/2006-28, vez que a Recorrente transmitiu uma DCOMP retificadora alterando o período de apuração do crédito para o ano calendário de 2005: [...] Do extrato acima, verifica-se que o PER/DCOMP no 39952.24512.080606.1.7.02-8007, originário do PER/DCOMP cancelado no Fl. 410DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 39221.84982.210306.1.3.02-7400, foi retificado diversas vezes, mas trata do mesmo débito já extinto pela prescrição: [...] Em outras palavras, se o débito de R$ 831.296,93 referente ao PER/DCOMP no 39952.24512.080606.1.7.02-8007, posteriormente retificado pelos PER/DCOMPs nos 29793.04260.200208.1.7.02-3008, 00432.92306.030709.1.7.02-1138 e 40716.83004.030709.1.3.02-0037, já foi extinto pela prescrição em razão de decisão transitada em julgado nos autos da Execução Fiscal nº 5021681-67.2018.4.03.6182, é patente que não pode ser exigido novamente nos presentes autos! Caso não seja este o entendimento dado por V. Sas. incorreremos na absurda situação de a Recorrente não poder se utilizar do crédito de saldo negativo de IRPJ regularmente formado por parcelas de antecipações, já quitadas por meio do PER/DCOMP n° 39952.24512.080606.1.7.02-8007. Ademais, a medida levada a efeito pela Receita Federal vai de total encontro ao princípio da verdade material, que dentre suas vertentes leva ao entendimento de que a forma não pode se sobrepor ao conteúdo, inclusive admitindo que os processos administrativos de exigência e apuração do crédito tributário sejam convertidos em diligência para real investigação dos fatos, tudo com vistas a resguardar a legalidade da Administração Tributária. [...] Como não poderia deixar de ser, o CARF vem prestigiando o princípio da verdade material, como fazem prova os recentes precedentes [...] Portanto, não se pode admitir o indeferimento da compensação e a consequente cobrança dos débitos sob a alegação de que haveria relação com créditos tributários da União Federal, que na realidade correspondem a débitos já extintos pela prescrição, sob pena de malferir o princípio da legalidade, na forma do art. 97, I, do CTN. Assim, por todo o exposto, não há dúvida acerca do direito creditório da Recorrente, o que denota a necessidade de reforma do v. acórdão, com a consequente extinção dos respectivos créditos tributários, na forma do art. 156, II, do CTN. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: 04. DO PEDIDO Diante do exposto, a Recorrente, respeitosamente, requer a V. Sa. e a este E. CARF o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário para: (i) preliminarmente, anular o v. acórdão recorrido por ausência de análise dos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, determinando-se que seja realizada nova análise; OU ( ii) reformar o v. acórdão n° 10-065.159 para homologar a compensação das DCOMP 's vinculadas ao presente processo administrativo, de forma a extinguir os débitos tributários nelas declarados. É o Relatório. Voto Fl. 411DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Portaria RFB nº 543, de 20 de março de 2020 (DOU de 23.03.2020), Portaria RFB nº 936, de 29 de maio de 2020 (DOU de 29.05.2020), Portaria RFB nº 1087, de 30 de junho de 2020 (DOU de 30.06.2020) e Portaria RFB nº 4.105, de 30 de julho de 2020 (DOU de 31.07.2020), suspendem os prazos para a prática de atos processuais no âmbito da RFB no período de 23.03.2020 a 31.08.2020. Assim, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da existência do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$1.994.500,31 (R$9.483.252,59 - R$7.488.752,28) referente ao ano- calendário de 2005 pleiteado no presente processo (art. 15, art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal - Decreto nº 70.235, de 02 de março de 1972). Nulidade do Despacho Decisório e da Decisão de Primeira Instância A Recorrente alega nulidade de atos administrativos com base no cerceamento do direito de defesa. O Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Fl. 412DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 Está registrado no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 10-65.159, de 15.05.2019, e-fls. 215-221: Em vista disso, considerando que o processo 10665.000.251/2006-28 trata de análise relativa ao saldo negativo do exercício 2004, formalizou-se o presente processo para análise da Dcomp retificadora, que trata do crédito relativo ao exercício 2005. Verifica-se que na decisão de primeira instância procedeu-se às verificações necessárias sobre as compensações das estimativas dos meses de janeiro a maio, julho, agosto e outubro do ano-calendário de 2005 analisadas no processo nº 10665.000.251/2006-28 para fins de averiguar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (art. 170 do CTN e no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridades fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço. Tem-se que houve observância dos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. A proposição afirmada pela Recorrente, desse modo, não pode ser ratificada. Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que deve ser considerado o conjunto probatório produzido nos autos que evidenciam o direito creditório. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os Fl. 413DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, no tempo e lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo como condição absolutamente essencial para fins de verificação da precisão dos dados informados. Cabe a averiguação dos livros de registros obrigatórios pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Devem ser detalhados os motivos de fato e de direito em que se baseiam com exposição de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões. A peça de defesa deve ser instruída com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A “escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Nesse sentido, a legislação exige que a Recorrente produza prova de suas alegações que demonstrem a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (art. 170 do Código Tributário Nacional). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias” (art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de Fl. 414DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Em se tratando da necessidade de se demonstrar a liquidez e certeza do crédito que a Recorrente pretende utilizar no Per/DComp, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou que: “10. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN)” (Agravo Regimental no Recuso Especial 862.572/CE). Nesse sentido, em caso de Per/DComp inverte-se o ônus da prova, cabendo à Recorrente comprovar seu direito líquido e certo. É dever da autoridade fiscal, ao analisar os valores informados em Per/DComp para fins de decidir homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do indébito apurado pela Recorrente. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual ou trimestral. Esta análise destina-se à determinação do saldo de IRPJ ou CSLL negativo ou a pagar no encerramento do período de apuração, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). O Parecer Normativo Cosit nº 02, de 03 de dezembro de 2018, prevê: Síntese conclusiva 13.De todo o exposto, conclui-se: a) os valores apurados mensalmente por estimativa podiam ser quitados por Dcomp até 30 de maio de 2018, data que entrou em vigor a Lei nº 13.670, de 2018, que passou a vedar a compensação de débitos tributários concernentes a estimativas; b) os valores apurados por estimativa constituem mera antecipação do IRPJ e da CSLL, cujos fatos jurídicos tributários se efetivam em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário; não é passível de cobrança a estimativa tampouco sua inscrição em DAU antes desta data; c) no caso de Dcomp não declarada, deve-se efetuar o lançamento da multa por estimativa não paga; os valores dessas estimativas devem ser glosados; não há como cobrar o valor correspondente a essas estimativas, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL. d) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório que não homologou a compensação for prolatado antes de 31 de dezembro, e não foi objeto de manifestação de inconformidade, não há formação do crédito tributário nem a sua extinção; não há como cobrar o valor não homologado na Dcomp, e este tampouco pode compor o saldo negativo de IRPJ ou a base de cálculo negativa da CSLL; e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do ano-calendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico Fl. 415DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança; Os valores confessados a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído definitivamente pela confissão de dívida em Per/DComp. Se o valor confessado integrar saldo negativo de IRPJ ou da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restará constituído pela confissão de dívida e será objeto de cobrança. Para a análise das provas, cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Súmula CARF nº 177 Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Consta no Despacho Decisório, e-fls. 02-05: Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas Período de apuração da estimativa compensada Nº do Processo/Nº da DCOMP Valor da Estimativa compensada PER/DCOMP Valor confirmado Valor não confirmado Justificativa JAN/2005 39952.24512.080606.1.7.02- 8007 1.250.719,59 1.223.875,68 26.843,91 Compensação confirmada parcialmente FEV/2005 39952.24512.080606.1.7.02- 8007 1.020.964,45 986.156,93 34.807,52 Compensação confirmada parcialmente MAR/2005 39952.24512.080606.1.7.02- 8007 1.069.604,63 1.020.689,24 48.915,39 Compensação confirmada parcialmente ABR/2005 39952.24512.080606.1.7.02- 8007 1.536.017,12 1.446.752,13 89.264,99 Compensação confirmada parcialmente MAI/2005 39952.24512.080606.1.7.02- 8007 510.956,32 474.555,84 36.400,48 Compensação confirmada parcialmente JUL/2005 39952.24512.080606.1.7.02- 8007 971.913,88 877.241,74 94.672,14 Compensação confirmada parcialmente AGO/2005 39952.24512.080606.1.7.02- 8007 196.565,87 123.394,30 73.171,57 Compensação confirmada Fl. 416DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 parcialmente OUT/2005 39952.24512.080606.1.7.02- 8007 831.296,93 0,00 831.296,93 Compensação não confirmada Total 7.388.038,79 6.152.665,86 1.235.372,93 Está registrado no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 10-65.159, de 15.05.2019, e-fls. 215-221: Conforme será demonstrado, há outro processo, o de nº 10665.000187/2009-28, o qual está diretamente relacionado ao presente. A interessada compensou estimativas de IRPJ do ano-calendário de 2005 com saldo negativo de períodos anteriores através do PER/DCOMP nº 39952.24512.080606.1.7.02-8007, conforme quadro reproduzido no relatório. Consultando-se a declaração de compensação citada, observa-se que não foi admitida, por se tratar de retificadora com aumento do valor dos débitos. [...] Selecionando-se a aba "PER/DCOMP Relacionados", verifica-se que o PER/DCOMP original, 39221.84982.210306.1.3.02-7400, foi retificado pelo 29793.04260.200208.1.7.02-3008, que, por sua vez, foi retificado pelo 00432.92306.030709.1.7.02-1138. Ainda há o registro do PER/DCOMP relacionado nº 40716.83004.030709.1.3.02-0037. Os dois últimos foram selecionados para análise manual, no processo nº 10665.000187/2009-28. [...] No processo de nº 10665.000187/2009-28 há a seguinte informação: [...] A empresa acima identificada transmitiu as Declarações Eletrônicas de Compensação - Dcomp de nºs 28875.27876.290405.1.3.02-9538, 25160.49811.210306.1.3.02-6803, 20415.27745.210206.1.3.02-3262 e 39221.84982.210306.1.3.02-7400, relativas ao crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício 2004. Essas Declarações de Compensação foram baixadas para análise no processo administrativo n° 10665.000.251/2006-28 sendo que, após esse procedimento, a empresa transmitiu a Dcomp n° 29793.04260.200208.1.7.02-3008, retificadora da Dcomp n°39221.84982.210306.1.3.02-7400, alterando o período de apuração do crédito para o exercício 2005. Referida declaração retificadora permaneceu no Sief na seguinte situação: [...] Por definição do sistema, uma vez informado o tratamento manual o Sief não permite reverter a situação para a análise automática, sendo possível tão- somente a alteração do processo administrativo. Tampouco não é possível informar o resultado da análise relativa ao exercício 2004 posto que é solicitado ao usuário a baixa da Dcomp 39221.84982.210306.1.3.02-7400 para análise no mesmo processo. Em vista disso, considerando que o processo 10665.000.251/2006-28 trata de análise relativa ao saldo negativo do exercício 2004, formalizou-se o presente processo para análise da Dcomp retificadora, que trata do crédito relativo ao exercício 2005. As estimativas foram confirmadas no despacho decisório do presente processo de acordo com o compensado no processo nº 10665.000187/2009-28. Observe-se novamente o quadro que demonstrou as parcelas confirmadas: [...] Abaixo o extrato do processo nº 10665.000187/2009-28: [...] Fl. 417DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 A contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade nos autos do processo nº 10665.000187/2009-28. Os débitos remanescentes, cujas compensações não foram homologadas, foram inscritos em dívida ativa, em 22/03/2011, sob o nº 80 2 11 047444- 60 (comprovante de inscrição em anexo). Nos autos do processo judicial nº 5021681-67.2018.4.03.6182, de execução fiscal, da 6º Vara de Execuções Fiscais Federal de São Paulo, foi proferida sentença, em 02/04/2019, declarando prescrito o crédito em cobrança na Certidão de Dívida Ativa nº 80 2 11 047444-60 e julgando extinta a execução fiscal (sentença em anexo). Assim, o suposto crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 34293.16129.310706.1.3.02-4482 não se revestia das condições de liquidez e certeza, o que contraria o disposto no caput do art. 170 do CTN. [...] Diante do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito pleiteado nos presentes autos. As informações constantes nos sistemas da RFB devem ser analisadas para fins de comprovação da do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005, conforme a Súmula CARF nº 177. A Recorrente apresentou o Per/DComp nº 39952.24512.080606.1.7.02-8007 em que compensa as estimativas dos meses de janeiro a maio, julho, agosto e outubro do ano- calendário de 2005, cujo valor total de R$1.235.372,93 deve ser considerado para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005, de acordo com a Súmula CARF nº 177. Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixa a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento em parte do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005 pleiteado no Per/DComp, conforme demonstrado a seguir: PER/DComp R$ Despacho Decisório R$ Decisão 1ª Instância R$ Decisão de 2ª Instância R$ IRPJ Apurado 4.960.796,41 4.960.796,41 4.960.796,41 4.960.796,41 (-) IRRF (6.296.882,83) (6.296.882,83) (6.296.882,83) (6.296.882,83) (-)Estimativas Compensadas (7.388.038,79) (6.152.665,86) (6.152.665,86) 7.388.038,79 (=) Saldo Negativo de IRPJ (9.483.252,59) (7.488.752,28) (7.488.752,28) (8.724.125,21) Reconhece-se no presente processo o valor suplementar de R$1.235.372,93 (R$8.724.125,21 – R$7.488.752,28) a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005. Jurisprudência e Doutrina No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Ademais, o Parecer Normativo Cosit nº 23, de 06 de setembro de 2013, determina “que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas Fl. 418DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1001-003.392 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10665.903503/2010-59 complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo”. Inconstitucionalidade de Lei Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimento das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário, encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023). Dispositivo Em assim sucedendo voto em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer o valor suplementar de R$1.235.372,93 a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005 com a consequente homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 419DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000170/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de Apuração: 4º trimestre de 2006
Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não
prevista em lei, prejudicando o contribuinte.
Numero da decisão: 3401-001.804
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso nos termos do voto do relator. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões por considerar inafastável o decreto.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões por considerar inafastável o decreto. JULIO CESAR ALVES RAMOS- Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte Relatório Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11686.000170/2008-12 Acórdão n.º 3401-001.804 S3-C4T1 Fl. 2 2 Em 5.3.07, a contribuinte Companhia Riograndense de Mineração (CNPJ 92.724.145/0001-53) transmitiu via internet Pedido de Compensação de PIS no montante de R$ 115.686,48 pago a maior referente ao 4º trimestre de 2006. Em Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre – RS, o direito creditório não foi reconhecido, com base em Informação Fiscal da mesma delegacia. Segundo a informação: a) a maior parte do carvão vendido pela contribuinte é destinada a uma empresa produtora de energia termoelétrica. A Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabelece: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” O Decreto nº 4.524/02, que versa sobre a redução a zero das alíquotas de PIS e COFINS, em seu art. 58, inc. IX, estabelece: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.189-49, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda; e” Para efetivamente se reduzir a alíquota, é necessária a publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Em resposta ao Termo de Intimação nº 001 a contribuinte deixou de comprovar o atendimento aos requisitos do inc. IX do art. 58 do Decreto nº 4.524/02, alegando que o referido Decreto objetiva incentivar a Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11686.000170/2008-12 Acórdão n.º 3401-001.804 S3-C4T1 Fl. 3 3 implantação de novas usinas termoelétricas e que não haveria confronto entre o disposto no referido Decreto e o disposto no art. 2º da Lei nº 10.312/01; b) no processo administrativo nº 11080.002200/2008-36, da própria contribuinte, a questão já fora discutida e o pleito não foi homologado. Em 20.2.09, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) o Decreto nº 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/01, uma vez que ato normativo não pode alterar lei ordinária. b). Só pode ser tido como receita o ingresso de recursos que passem a fazer parte do patrimônio da contribuinte. O simples registro na contabilidade da empresa da entrada de determinada importância não a transforma em receita. Em 17.6.10, a 2º Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS acordou, por unanimidade de votos, não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação. Segundo o voto: a) o Decreto nº 4.524/02 estabelece, em seu art. 34: “Art. 34. A cobertura do custo de combustível de que tratam os incisos I e II do art. 33 ocorrerá, exclusivamente, para usinas termoelétricas a carvão mineral nacional, situadas nas regiões abrangidas pelos sistemas elétrico interligados, que participam da otimização dos referidos sistemas e que mantenham, a partir de 12 de janeiro de 2004, a obrigatoriedade de compra mínima de combustível estipulada nos contratos vigentes em 29 de abril de 2002” Não há que se falar, portanto, em subsídio ou subvenção, no caso dos valores em questão, uma vez que o destinatário de tal reembolso sequer é a contribuinte; b) a Lei nº 10.637/02, relativa ao PIS, e a Lei nº 10.833/03, referente à COFINS, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo das referidas contribuições, concluiu que essa base corresponde ao total das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; c) com a publicação do Decreto nº 4.524/02 ficou estabelecido que a redução de alíquota prevista nos arts. 1º e 2º da Lei nº 10.312/01 está condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda; d) quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da lei nº 10.637/02, a autoridade administrativa não tem competência para julgar a constitucionalidade de normas, e sim apenas garantir sua aplicação. Em 11.11.10, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos apresentados anteriormente. Para isso, transcreve Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11686.000170/2008-12 Acórdão n.º 3401-001.804 S3-C4T1 Fl. 4 4 vasta jurisprudência e doutrina. Por fim, requer que sejam acolhidas as presentes razões para, assim, reformar a decisão. É o relatório Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte transmitiu via internet Pedido de Compensação referente ao 1º trimestre de 2006 e, não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, alegando que o Decreto nº 4.524/02 carece de força hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e a aplicação da Lei nº. 10.312/01. A Lei nº. 10.312/01, em seu art. 2º, estabelece a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições. O Decreto nº 4.524/02, por sua vez, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01, extrapolando, assim, as suas atribuições o que nos permite alegar ser ilegal.. A súmula nº. 2 do CARF estabelece claramente que o Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2. Por outro lado, a Lei nº. 10.312/01, que criou a exigência do ato conjunto dos Ministros para o beneficio do gás natural e que foi a base legal para a edição do Decreto nº. 4.524/02, foi alterada pelo art. 50 da Lei nº. 12.431/11. Esta lei modifica o texto original, retirando aquela exigência. Entendo que esta lei pode ser aplicada ao presente caso, considerando-se sua retroatividade benéfica ao contribuinte, como exposto brilhantemente pela Presidente e Relatora Nayra Bastos Manatta, na sessão de 7 de julho de 2011, na ementa abaixo descrita: “EMENTA: REMISSÃO. APLICAÇÃO DO DISPOSITIVO NO ART. 52 DA LEI Nº. 12.431/2011. O artigo 52 da Lei 12.431/2011 concedeu remissão expressa aos débitos de responsabilidade da pessoa jurídica supridora de gás e das companhias distribuidoras de gás estaduais, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, correspondente à Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11686.000170/2008-12 Acórdão n.º 3401-001.804 S3-C4T1 Fl. 5 5 (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 2002 até a data anterior à publicação desta Lei. (Rec. Vol. 253.806, Acórdão 3402-001.382, Relatora Nayra Bastos Manatta, Sessão de 7.7.2011)” Frente a todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso, homologando o pedido de compensação. É como voto. Fernando Marques Cleto Duarte – Relator. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/10/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10875.000119/2003-06
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. EFICÁCIA DE MEDIDA PROVISÓRIA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. A Medida Provisória só possui o condão de paralisar temporariamente a eficácia da norma vigente, esta adquire sua eficácia caso a MP seja declarada inconstitucional. Entre o período de 01/10/1995 e 29/02/1996 aplica-se a normatização da LC nº 7 de 1970.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-00.679
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: SANDRA BARBON LEWIS
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Ministério da Fazenda'kel^,w2t' MINISTÉRIO DA FAZENDA 2•CC-MF VI. r"n:.,..7iç Segundo Conselho de Contribuintes Segundo Conselho de Contribuintes -1 Publicado no Diário Oficial da União Processo n2 : 10875.000119/2003-06 j De--±11__Qt_i 06 Recurso te : 126.969 Acórdão n2 : 204-00.679 Recorrente : BRASFILTER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida : DRJ em Campinas - SP NORMAS PROCESSUAIS. EFICÁCIA DE MEDIDA DA FA7E.: t, CC I PROVISÓRIA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. A Medida Provisória só possui o condão de paralisar CONFERE SOM ClZÉ . BRAS1LIA •i-A) . .2.95 $, temporariamente a eficácia da norma vigente, esta adquire sua eficácia caso a MP seja declarada inconstitucional. Entre o VISTO período de 01410/1995 e 29/02/1996 aplica-se a normalização da LC n° 7 de 1970. Recurso negado. ' istos, datados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BRASFIL'TER • DÚ' E COMÉRCIO LTDA. A I O . 4" os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, po un id de de votos, em negar provimento ao recurso. Sala I es, 20 de outubro de 2005. enri • ue 'Ferres President • 4 \ Sandra B: Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos e Adriene Maria de Miranda. 1 • •-n,„ '4 Ministério da Fazenda miN. DA FAZEMOA y cc 22 CC-MF W2., Ir.:. zn.---44' Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE Aipis% o ORIGINAL Fl 8RASLLIA 0-6.. Processo n2 : 10875.000119/2003-061 Recurso n2 : 126.969 _ VISTO Acórdão n2 : 204-00.679 Recorrente : BRASFILTER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição de valores recolhidos a maior, referente ao PIS (fls. 01). A decisão do STF na ADIN 1417-0 considerou inconstitucional a expressão "aplicando-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995", constante no artigo 18 da Lei n° 9.715/98 o que serviu de respaldo ao pleito do contribuinte. Entende o Contribuinte que não houve fato gerador no período entre 01 de outubro de 1995 até 25 de novembro de 1998, data da publicação da Lei n° 9.715, em face da alegada inconstitucionalidade da norma e, conseqüentemente, das Medidas Provisórias que antecederam a Lei. A Delegacia da Receita Federal em Guarulhos — SP, às fls. 23/26, decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório. Não reconheceu o alcance das Medidas Provisórias pretendido pelo contribuinte, alegando que a decisão do STF alcança somente o período compreendido entre outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, referente à MP 1.212/95, posto que o STF julgou constitucional o artigo 17 da Lei n° 9.715/98, convalidando o entendimento do Fisco em reconhecer como corretos os recolhimentos realizados com base na MP 1.676-37 de 25 de setembro de 1998, última reedição da MP 1.212/95. Entendeu a DRJ que o único ponto declarado inconstitucional foi o desrespeito à anterioridade nonagesimal. Alegou decadência dos créditos pleiteados entre 15/11/1995 e 15/03/1996. A restituição data de 13/01/03, ou seja, passados mais de cinco anos, conforme artigos 168, 156, 165 do CTN, item I do Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999. O Contribuinte apresentou Impugnação às fls. 31/40. Alegou, que a IN SRF n° 006/2000 prevê a imediata restituição ou compensação dos valores recolhidos a maior referente ao PIS, com base no artigo 18 da Lei n° 9.715/98, declarada inconstitucional. Sustentou, a impossibilidade da volta por repristinação, já que a Lei n° 07/70 ao ser revogado pela Lei n° 9175 e esta tendo sido considerada inconstitucional, não pode a Lei n° 07/70 ter seus efeitos restaurados, por repristinação tácita, o que inexiste no ordenamento jurídico brasileiro e é vedado pelo artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil. Apresentou doutrina e jurisprudência para melhor elucidar seus pleitos e, por fim, requereu a reforma do despacho decisório combatido e a imediata compensação com débitos vincendos com os valores pagos a mais, conforme DARFs de 10/95 a 02/96, ou a devolução em moeda corrente nacional. Decidiu a DRJ em Campinas — SP, pelo indeferimento da solicitação. Com relação ao requerimento de restituição do indébito e quanto à eficácia da norma tida como inconstitucional, entendeu o Fisco que a norma paralisada por medida provisória, declarada inconstitucional, readquire sua vigência, porquanto a negativa para o 2 4 Wh/. DA FAZE NDA - CC CC-MF4Ministério da Fazenda 1W-AII ll" Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE eçom o CRIGINAL Fl. BRASILIA d-CV A-1) 06- Processo ne : 10875.000119/2003-06 Recurso n' : 126.969 VISTO Acórdão o" : 204-00.679 pedido de restituição reveste-se de plena validade. Ressaltou que apenas um artigo da Lei n° 9715 foi declarado como inconstitucional. Referentemente ao pleito de restituição, entende o fisco que houve decadência, obedecendo ao prazo de cinco anos para pleitear a restituição, contados da data da extinção do crédito tributário. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 60/68, onde repisa todos os argumentos apresentados em sua peça impugnatória e acrescenta jurisprudências que reforçam suas alegações. É o relatório. 3 PCUMA; EDR43 Fk.,"407.: OAIR 10221N AT CC-MF 4,77k-Ort Ministério da Fazenda Fl.vPrtit-A.ne Segundo Conselho de Contribuintes 8RAsita 20y Processo n2 : 10875.000119/2003-06 / Recurso n2 : 126.969 — TO Acórdão n/' : 204-00.679 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA SANDRA BARBON LEWIS 1. Restituição dos valores pagos entre 10/95 e 02/96 — Vigência da norma tributária. Mesmo que se supere a argumentação referente ao prazo do contribuinte em pleitear a restituição ou compensação dos tributos, vê-se que a argumentação defendida pelo Recorrente no sentido que no período entre 10/1995 e 02/1996 não havia norma hábil para fimdamentar a cobrança do PIS não pode prosperar. A Lei Complementar n°7 de 1970 não foi revogada pela MP 1.212/1995 pelo fato que a edição de Medida Provisória não tem o condão de revogar a norma tributária vigente. Ao contrário do que alega a Recorrente em seu Recurso Voluntário (fls. 65) não ocorre no presente caso a figura jurídica da repristinação. A Medida Provisória só possui o condão de paralisar temporariamente a eficácia da Lei Complementar n° 7 de 1970 até que seja aprovada e, não sendo aprovada, restaura-se a força e a validade da norma primitiva. A MP 1.212 de 1995 só passou a obter eficácia a partir de 1/03/1996, após decorrido o prazo de noventa dias de sua publicação. Assim, no interregno existente entre 1/10/1995 e 29/02/1996 vale a regulação instituída pela Lei Complementar n° 70 de 1970, em decorrência de Liminar obtida em Cautelar que suspendeu a eficácia da segunda parte do art. 15 da MP 1.212 de 1995 que pretendia a vigência da norma a partir de 1/10/1995, pois a liminar foi obtida em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 1417-0), suspendendo a eficácia na norma questionada. Desta forma, afastada a norma específica que pretendia dar vigência imediata a MP 1.212 de 1995, volta a viger a norma geral que institui o prazo de noventa dias para entrada em vigor (eficácia) da legislação sobre a contribuição social, conforme disciplina o § 6°, art. 195 da CF/88. O que foi 1. . do inconstitucional foi apenas o artigo que determinava a aplicação retroativa da MP e 1995. Essa é a pos do • upremo Tribunal Federal, que já firmou jurisprudência sobre o assunto. Deste modo, - • 10 '5 e 02/96 há uma norma tributária que regula a matéria combatida nos autos. 2. Conclusões Ante o expost, 'to II, sentido de indeferir o Recurso Voluntário interposto, mantendo inalterada a decisão . É COMO voto. Sala das Sessões, • e outubro de ! SANDRA BARBO4r 4 Page 1 _0047000.PDF Page 1 _0047100.PDF Page 1 _0047200.PDF Page 1
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Numero do processo: 13896.907197/2019-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. APRESENTAÇÃO. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO
O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual falta de análise das provas pela Fazenda não pode figurar como óbice ao direito creditório. Neste caso, o processo deve retornar à Receita Federal para reanálise do direito creditório vindicado e emissão de despacho decisório complementar.
Numero da decisão: 1201-006.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Eduardo Genero Serra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pelo conselheiro Gustavo de Oliveira Machado.
Nome do relator: JOSE EDUARDO GENERO SERRA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. APRESENTAÇÃO. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual falta de análise das provas pela Fazenda não pode figurar como óbice ao direito creditório. Neste caso, o processo deve retornar à Receita Federal para reanálise do direito creditório vindicado e emissão de despacho decisório complementar.
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(SUCESSORA DA DU PONT DO BRASIL S A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. APRESENTAÇÃO. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual falta de análise das provas pela Fazenda não pode figurar como óbice ao direito creditório. Neste caso, o processo deve retornar à Receita Federal para reanálise do direito creditório vindicado e emissão de despacho decisório complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 71 97 /2 01 9- 32 Fl. 679DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-006.775 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.907197/2019-32 Trata-se de recurso voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte manifestação de inconformidade cujo objeto era a reforma de despacho decisório proferido pela unidade de origem, que homologou parcialmente compensações declaradas pelo contribuinte de débitos próprios com crédito de decorrente de saldo negativo de IRPJ. O despacho decisório homologou em parte as compensações declaradas em razão de as retenções na fonte terem sido confirmadas parcialmente. A autoridade julgadora de primeira instância efetuou revisão de ofício, perquirindo as retenções declaradas em DIRF pelas pessoas jurídicas que se declararam fontes pagadoras da recorrente. De tal feito, resultou o reconhecimento de direito creditório adicional. Cientificada do acórdão da DRJ, a recorrente interpôs recurso voluntário em que, além de reiterar as alegações e provas apresentadas em primeira instância, trouxe relatório DIRF em que consta como beneficiário de rendimentos, sobre os quais incidiram retenções. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Genero Serra, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Cinge-se a controvérsia à parcela não reconhecida de retenções na fonte, em tese, sofridas pela recorrente. Desta feita, restou homologada em parte a compensação efetuada. Vejamos a legislação sobre o matéria. O artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o sobredito dispositivo, o artigo 74 da Lei 9.430/96 dispõe que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. Nos termos do art. 373 do CPC, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar Fl. 680DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-006.775 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.907197/2019-32 os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, cabe ao contribuinte provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Assim, anexados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Por outro lado, a não apresentação de elementos probatórios prejudica a liquidez e certeza do crédito vindicado, o que inviabiliza a repetição do indébito. No caso em análise, com vistas a comprovar o crédito vindicado, além dos comprovantes de rendimentos já apresentados em primeira instância, a recorrente juntou relatórios da DIRF com potencial de infirmar o decidido pela autoridade julgadora de piso. A alegação de defesa goza de elevada verossimilhança, tendo em vista que, tanto o despacho decisório, quanto a decisão de primeira instância, basearam-se unicamente em informações declaradas em DIRF. De outro lado, a recorrente, além de contrapor-se aos feitos, com relatório DIRF juntados, viu seus informes não serem considerados. O que se tem, por conseguinte, é uma questão de direito não originariamente apreciada no despacho decisório recorrido, fazendo incidir o Parecer Normativo Cosit nº 02/16, assim ementado: “PROCEDIMENTO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO EM QUE HOUVE DECISÃO EM JULGAMENTO ADMINISTRATIVO QUE APENAS ANALISOU QUESTÃO PREJUDICIAL E NÃO ADENTROU NO MÉRITO DA LIDE. Exclusivamente no processo administrativo fiscal referente a reconhecimento de direito creditório em que ocorreu decisão de órgão julgador administrativo quanto à questão prejudicial, inclusive prescrição para alegar o direito creditório, incumbe à autoridade fiscal da unidade local analisar demais questões de mérito ainda não apreciadas no contencioso (matéria de fundo, inclusive quanto à existência e disponibilidade do valor pleiteado), cuja decisão será passível de recurso sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972, não tendo que se falar em decurso do prazo de que trata o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.” (grifei) Fato é que os elementos probatórios anexados aos autos, se por um lado não são suficientes para, de per salto, reconhecer o direito creditório em análise em sede de julgamento de segunda instância, têm força probante suficiente para demandar uma nova análise pela Receita Federal, ocasião em que poderá haver um aprofundamento probatório, bem como apresentação de novas provas, caso necessário. Conclusão Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para retorno do processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração os documentos juntados aos autos (tanto por ocasião a manifestação de inconformidade – informes de rendimentos –, quanto por ocasião do recurso voluntário – relatório DIRF), podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) José Eduardo Genero Serra Fl. 681DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-006.775 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.907197/2019-32 Fl. 682DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19395.720716/2019-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2016
SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL. VALIDADE.
Correta a exclusão do Simples Nacional quando comprovado que a receita bruta auferida no ano-calendário foi superior ao limite legal para adesão/permanência no sistema de tributação simplificada.
Numero da decisão: 1002-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Miriam Costa Faccin, Luís Ângelo Carneiro Baptista, José Roberto Adelino da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2016 SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL. VALIDADE. Correta a exclusão do Simples Nacional quando comprovado que a receita bruta auferida no ano-calendário foi superior ao limite legal para adesão/permanência no sistema de tributação simplificada.
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EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ACIMA DO LIMITE LEGAL. VALIDADE. Correta a exclusão do Simples Nacional quando comprovado que a receita bruta auferida no ano-calendário foi superior ao limite legal para adesão/permanência no sistema de tributação simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Miriam Costa Faccin, Luís Ângelo Carneiro Baptista, José Roberto Adelino da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/JFA. A controvérsia instaurada no processo decorre de Manifestação de Inconformidade contra Ato Declaratório Executivo DRF Macaé-RJ nº 8, de 26 de novembro de 2019 que excluiu a interessada do Simples Nacional com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2017. A razão para tanto está relacionada ao fato de ter sido alcançado em dezembro de 2016 receita bruta acumulada da ordem de R$ 3.911.342,12 o que extrapolaria, à época, o limite legal para permanência naquele sistema de recolhimento (R$ 3.600.000,00), sem ter havido qualquer comunicação à RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 07 16 /2 01 9- 87 Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Segundo a unidade de origem, tal circunstância configuraria situação de desenquadramento de ofício, prevista na norma construída a partir do inc. II e §§ 9º e 9º-A, do art. 3º, do inc. I, do art. 29, da alínea ‘b' e §1º do inc. IV, do art 30, todos dispositivos da Lei Complementar n° 123/2006. Trago outras constatações relatadas, aderentes ao julgamento: I. Antes do início da ação fiscal (que envolveu os anos calendário de 2015 e 2016), as declarações relacionadas ao Simples Nacional foram entregues sem qualquer informação de rendimento percebido; II. A interessada, instada a apresentar documentação contábil-fiscal, entregou à auditoria os Livros Razão e Diário, sem, contudo, encaminhar os Livros Caixa daquele período; III. Fora também indicado que nem todas as notas fiscais estavam escrituradas, sendo as faltantes obtidas mediante consulta ao Sistema Nota Carioca. A defesa, por sua vez, argumenta que: 1. A fiscalização teria tomado “como parâmetro todas as notas emitidas no período de 2015 e 2016, assumindo que todas correspondem a serviços prestados cujos pagamentos aconteceram dentro do ano. Portanto, nem toda nota correspondeu a ingresso de receita, de modo estas não devem ser computadas"; 2. “os valores que são recebidos pela pessoa jurídica e repassados aos entes federados a título de tributos, por imposição legal, não correspondem à receita bruta sua". Cita neste aspecto a contribuição previdenciária: "Tomando de exemplo a Nota Fiscal nº 633 de 5/01/2016 (documento nº 1), foi considerado como receita da Requerente a entrar no cômputo do limite para permanência no SIMPLES o valor de R$ 21.834,10. Deste montante R$ 2.147,65, como destacado na Nota Fiscal, foi revertido à previdência social, nunca tendo constituído receita da Requerente. Ou seja, excluindo-se todos os valores de tributos federais que estão embutidos nas notas fiscais, a conclusão a que se chegará outra não será, senão pela observância do limite do SIMPLES pela Requerente"; 3. Devem ser respeitados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade entre o ato e o fim almejado: “No caso em comento, pretende-se a exclusão da Requerente por ter auferido no ano de 2016 o valor de R$ 3.911.342,12, quando o limite de permanência no SIMPLES seria de R$ 3.600.000,00, o valor que ultrapassa tal limite representa apenas e tão somente 8,64% do montante permitido, e é derivado dos contratos assumidos pela empresa de longo prazo"; e 4. A alteração do limite para permanência no SIMPLES NACIONAL levado a cabo com a introdução da LC nº 155/2006, ao modificar o patamar de exclusão do regime de R$ 3.600.000,00 para R$ 4.800.000,00, a partir de 01/01/2018, gerou confusão de entendimento entre os operadores e beneficiários daquele sistema de tributação. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/JFS, conforme acórdão n. 09-075.001, de 21 de maio de 2020 (e-fls. 212). Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 226, cujos fundamentos são reproduzidos resumidamente na sequência. Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Traz a baila o artigo 3º, §1º, da Lei Complementar nº 123/2006, para arguir que o conceito de receita bruta (sic) “...equivale ao de faturamento, se não por uma consequencia lógica da contabildiade, pelo que expõe a Lei nº 9.718/1998: ” e que “Tanto a receita bruta, quanto o faturamento, não compreendem os valores que embora adentrem a contabilidade da empresa, sejam destinados aos entes federativos como contraprestação tributária.” Aduz que “Da mesma forma, que não representam o faturamento da empresa Recorrente, os valores por esta retidos a título de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, como por exemplo a Contribuição Previdenciária.” Sustenta que “Os valores retidos a título de Contribuição Previdenciária, por serem os únicos mencionados nas notas fiscais, mereciam, assim como merecem, serem excluídos, de ofício pela Receita Federal, do montante auferido como receita bruta, posto que, cabalmente não representam a receita da Recorrente.” Afirma que, se retirados da receita bruta os valores de retenções ao INSS, ”...o valor final da receita bruta APENAS DA RECORRENTE, e não de outras pessoas, não ultrapassaria o valor de R$ 3.600.000,00, estipulados como limite para permanência no SIMPLES NACIONAL.” Acrescenta que “Além dos valores retidos a título de Contribuição Previdenciária, tem-se ainda os demais tributos incidentes sobre o montante da Nota Fiscal, como o ISS, tampouco pode ser compreendido como receita bruta da Recorrente.” Registra que “O Pleno do Supremo Tribunal Federal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra CÁRMEN LÚCIA, apreciando o Tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao referido recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: ‘O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins’” e que “Diferentemente do aduzido pelo acórdão recorrido, a decisão proferida pela Suprema Corte tem aplicação imediata, não havendo nenhuma determinação legal para que a ela o ambiente administrativo não se adeque, como vem entendendo o CARF, ao reconhecer que o ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da COFINS: .” Conclui, afirmando que “Mostra-se equivocada, portanto, a base de cálculo adota pela d. Fiscalização, pois da receita bruta da Recorrente para o ano de 2016, devem ser excluídos o ISS, COFINS, PIS e Contribuição Previdenciária, uma vez que não representam a receita ou faturamento da recorrente, e sim montantes repassados aos entes federativos.” Noutro giro, pugna pela aplicação dos princípios positivados da razoabilidade e da proporcionalidade ao caso concreto, argumentando que “...torna-se desarrazoado e flagrantemente desproporcional o ato de exclusão da Recorrente do SIMPLES NACIONAL com base na superação em apenas 8% do limite da Lei Complementar nº 123/2006.” Defende, ainda, que “...deve ser levada em consideração a alteração da legislação do SIMPLES durante o ano de 2016” que “...alterou significativamente o limite para permanência no SIMPLES NACIONAL, o valor que até então era de R$ 3.600.000,00 foi deslocado para R$ 4.800.000,00”, que deve “...ser reconhecida a enorme confusão causada aos operadores do SIMPLES NACIONAL com a alteração do limite de R$ 3.600.000,00 para R$ 4.800.000,00” e que deve este último “...ser aplicado ao caso em comento, e por consequência Fl. 257DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 ser reformado o acórdão recorrido, mantendo-se a Recorrente no regime simplificado da Lei nº 123/2006.” Ao final, requer o provimento do recurso e a manutenção do contribuinte no Simples Nacional. É o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva , Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 43 c/c o 65 da Portaria MF nº 1.634/2023 (Regimento Interno do CARF). Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito O Recorrente foi excluído do Simples Nacional a partir de 01/01/2017, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 8, de 26 de novembro de 2019 (e-fls. 190), expedido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Macaé/RJ, em razão de por ter excedido, no mês de dezembro do ano calendário de 2016, o limite de receita bruta anual, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 3º, inciso II e §§ 9º e 9º-A, art. 29, inciso I, art. 30, inciso IV, §1º e inciso IV, alínea b, conforme apurado no processo administrativo fiscal nº 19395.720716/2019-87. Nas suas razões de defesa, como primeiro argumento, o Recorrente evoca uma suposta equivalência entre os conceitos de faturamento e receita bruta, objetivando a exclusão dos tributos incidentes sobre a receita constantes nas notas ficais, a exemplo do ISS e da contribuição previdenciária, para fins de aferição do limite de receita bruta para adesão/permanência no Simples Nacional. Assim, se tais tributos fossem deduzidos do faturamento da empresa no período- base sob exame a receita bruta não ultrapassaria o valor legal de R$ 3.600.000,00 para fins de adesão/permanência no Simples Nacional. Sem razão o Recorrente quanto a este ponto. Como dito, o motivo da exclusão foi o excesso de receita bruta acima do limite legal para adesão/permanência no Simples Nacional, cabendo a este julgador, tão somente, aferir se o fundamento jurídico da exclusão amolda-se à hipótese prevista na Lei Complementar nº 123/2006 e se está de acordo com as provas carreadas aos autos. Fl. 258DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Nesse sentido, constata-se que a fiscalização considerou como Receita Bruta do ano-calendário de 2016, pelo regime de competência, um total de R$ 3.911.342,12, como demonstrado na tabela seguinte, extraída da representação fiscal: Fl. 259DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Fl. 260DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Fl. 261DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Fl. 262DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 Como se observa, a receita bruta apurada no ano-calendário de 2016 totalizou R$ 3.911.342,12, valor superior ao limite legal de R$ 3.600.000,00, previsto no artigo 3º da Lei complementar nº 123/2006 (vigente à época dos fatos) para adesão/permanência no Simples Nacional (destaques deste relator), reproduzido a seguir: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). O alcance ou extensão do conceito de receita bruta para fins de aplicação da norma em questão é dada pelo § 1º, do mesmo artigo: § 1º Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos Para fins de apuração do limite legal de adesão/permanência no Simples Nacional, vê-se, claramente, que o permissivo legal autoriza a não inclusão na receita bruta apenas das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, não havendo qualquer previsão para exclusão de tributos sobre ela incidentes. Sendo assim, a pretensão do Recorrente não encontra suporte legal, do que resulta legítimo o fundamento para exclusão do sujeito passivo do sistema de tributação simplificada. Um segundo argumento do Recorrente diz respeito a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade ao caso concreto. Tal pretensão também não deve prosperar, eis que a Lei nº 9.784/1999 – na qual tais princípios foram positivados - não tem aplicação direta ou automática no contencioso administrativo fiscal, mas apenas subsidiária. No presente caso, como visto, houve, pura e simplesmente, a incidência do artigo 3º da Lei Complementar n° 123/2006 ao caso concreto, consubstanciada no enquadramento da situação que foi relatada na representação fiscal à norma legal em abstrato. Não é o caso, portanto, de se recorrer a princípios, que, em regra, são aplicáveis ao preenchimento de lacunas normativas. Por fim, o Recorrente argumenta que deve ser considerado no caso concreto a alteração da legislação ocorrida no ano de 2016, que elevou o limite de receita bruta para adesão/permanência no Simples Nacional de R$ 3.600.000,00 para R$ 4.800.000,00. Também não assiste razão ao Recorrente quanto ao ponto trazido a lume. Fl. 266DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1002-003.501 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 19395.720716/2019-87 De fato, houve alteração do inciso II do artigo 3º da Lei complementar nº 123/2006, tal qual afirmado pelo Recorrente, entretanto, tal alteração só passou a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2018. Confira-se (destaques deste relator): Art. 11. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - na data de sua publicação, com relação ao art. 9 o desta Lei Complementar; II - a partir de 1 o de janeiro de 2017, com relação aos arts. 61-A, 61-B, 61-C e 61- D da Lei Complementar n o 123, de 14 de dezembro de 2006; III - a partir de 1 o de janeiro de 2018, quanto aos demais dispositivos. Considerando que a extrapolação da receita bruta ocorreu no ano-calendário de 2016 não há que se falar em aplicação retroativa da norma em questão. Nesse quadro, o não provimento do recurso é medida que se impõe ao colegiado. Dispositivo Pelo exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 267DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm#art61a https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm#art61b https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm#art61c https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm#art61d https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm#art61d
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Numero do processo: 10940.900657/2015-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2012
SALDO NEGATIVO DE IRPJ - COMPENSAÇÃO
Se não restarem provadas, nos autos, a retenção do IRRF, assim como a tributação dos respectivos rendimentos, no mesmo período de apuração do saldo negativo, não se admite a sua compensação.
Numero da decisão: 1002-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Miriam Costa Faccin, Luís Ângelo Carneiro Baptista e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012 SALDO NEGATIVO DE IRPJ - COMPENSAÇÃO Se não restarem provadas, nos autos, a retenção do IRRF, assim como a tributação dos respectivos rendimentos, no mesmo período de apuração do saldo negativo, não se admite a sua compensação.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-06-17T19:02:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-06-17T19:02:33Z; Last-Modified: 2024-06-17T19:02:33Z; dcterms:modified: 2024-06-17T19:02:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-06-17T19:02:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-06-17T19:02:33Z; meta:save-date: 2024-06-17T19:02:33Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-06-17T19:02:33Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-06-17T19:02:33Z; created: 2024-06-17T19:02:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2024-06-17T19:02:33Z; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-06-17T19:02:33Z | Conteúdo => S1-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10940.900657/2015-05 Recurso Voluntário Acórdão nº 1002-003.498 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 5 de junho de 2024 Recorrente HUHTAMAKI DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012 SALDO NEGATIVO DE IRPJ - COMPENSAÇÃO Se não restarem provadas, nos autos, a retenção do IRRF, assim como a tributação dos respectivos rendimentos, no mesmo período de apuração do saldo negativo, não se admite a sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva – Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Miriam Costa Faccin, Luís Ângelo Carneiro Baptista e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 108-003.772 da 4ª Turma da DRJ08 que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, apresentada pela ora recorrente, contra o Despacho Decisório - DD (fl.42), que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, n° 06813.70862.060114.1.3.04-5595, posto que inexistente o crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade (MI), a ora recorrente, em síntese, alega: 1) No dia 07/05/2015 a ora Peticionária recebeu da Receita Federal o Despacho Decisório sob n.° de rastreamento 100631906 (anexo I), o qual informa que o valor do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 06 57 /2 01 5- 05 Fl. 243DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-003.498 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.900657/2015-05 crédito de IRPJ-PERDCOMP 06813.70862.060114.1.3.04-5595 no valor de 49.752,14 foi glosado. 2) O crédito glosado mencionado no item 1 acima se refere a valores pagos indevidamente a titulo de IRPJ referente a dezembro de 2012. 3) No exercício de 2013— 01/01/2012 a 31/12/2012 — Apresentou IRPJ devido no valor de R$ 1.020.368,68 (informado em DIPJ); 4) Durante o ano de 2012 recolheu em DARF, referente a pagamento por estimativa, o valor de R$ 1.672.669,59, conforme planilha abaixo: 5) Ainda no Exercício de 2012 teve R$ 46.183,17 de IRRF sobre resgate de aplicações financeiras e juros sobre capital próprio, conforme abaixo: 6) Ainda no Exercício de 2012 teve estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores o valor de 250.874,61. 7) Em virtude dos itens 3 à 6, os valores apresentados redundaram em um crédito de R$ 974.423,54, conforme abaixo: Fl. 244DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-003.498 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.900657/2015-05 8) O Saldo credor de IRPJ foi objeto do PER/DCOMP nr. 17704.28664.101213.1.3.02-4503. 9) Pelo demonstrativo apresentado acima verifica-se que o valor de 49.752,14 pago em DARF referente ao PA 31/12/2012 não foi utilizado na composição do saldo credor de IRPJ, portanto, sua constituição é legítima. 11) Dessa forma, merece revisão o entendimento consignado no despacho decisório sob n.° de rastreamento 100631906, na medida que os valores glosados estão efetivamente demonstrados como corretos. A DRJ indeferiu a MI, em síntese, após uma análise do art. 74, da Lei 9.430/96, argumenta que: 5.1. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.2. Destarte, a Declaração de Compensação, por intermédio do Per/Dcomp, se presta a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os pretensos créditos e os respectivos débitos a serem extintos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos a ele vinculados (até o limite do crédito reconhecido). 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débito para a Cofins e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do pretendido crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fl. 7). 6.1. O referido DD aponta como causa da não homologação o fato de que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. 6.1.1. Efetuada pesquisa no sistema Sief da RFB, constatou-se que o valor do DARF registrado no Per/Dcomp (R$ 49.752,14) - recolhido em 29/01/2013 - foi Fl. 245DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-003.498 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.900657/2015-05 alocado ao débito que consta no DD, pertinente ao Período de Apuração Dezembro/2012, estando correto o DD que se examina: ... 6.1.4. Portanto, o DD apontou corretamente a alocação do valor indicado (R$ 49.752,14) ao Período de Apuração Dezembro/2012. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Por oportuno, registre-se que, nos termos do artigo 170, do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente a Fazenda Pública. 7.1. De se notar que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º, do Decreto-lei nº 2.124, de 13/06/1984, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). 8. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório, que não homologou a compensação, com registro de que no ano-calendário 2012 apurou IRPJ no montante de R$ 1.020.368,68 – conforme informado em DIPJ –, e recolheu DARF, referente a pagamentos por estimativa, no valor de R$ 1.672.669,59. Acrescenta que teve R$ 46.183,17 retidos, a título de IRRF, sobre resgates de aplicações financeiras e juros sobre o capital próprio, além de ter estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores no valor de R$ 250.874,61. Finaliza que em razão do exposto entende que tem direito a um crédito de R$ 974.423,54 - conforme quadro a seguir transcrito – que foi objeto do Per/Dcomp nº 17704.28664.101213.1.3.02-4503, e pelo demonstrativo apresentado pode-se verificar que o valor de R$ 49.752,14, recolhido em DARF e pertinente ao Período de Apuração 31/12/2012, não foi utilizado na composição do saldo credor de IRPJ, sendo sua constituição legítima: ... 8.1. Neste quesito, cabe enfatizar que o valor indicado no DARF, de R$ 49.752,14, teve toda a sua alocação devidamente rastreada pelo sistema Sief, não restando crédito a ser concedido, sendo o devido pagamento compatível, como já asseverado, com o que a Litigante declarou em sua DCTF (R$ 49.752,14). 8.2. Esclareça-se que DIPJ ativa no sistema da RFB demonstra que não foi devido IRPJ por estimativa para a competência 12/2012 (nem mesmo na declaração que foi retificada): ... 8.4. Portanto, persiste a constituição do crédito via DCTF, que poderia ter sido retificada até 31/12/2017 e não fora. O sujeito passivo tomou ciência do DD em 13/05/2015, e o prazo para se retificar a DCTF ainda estava em aberto. Fl. 246DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-003.498 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.900657/2015-05 8.5. Observe-se, ainda, que, em consonância com a legislação acima citada, consta das “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” (disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil), a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. 8.6. Verificada a não existência de parte ou mesmo da totalidade do crédito, pela Autoridade Administrativa, cumpre ao autor a comprovação do direito alegado, cuja negativa restou demonstrada no Despacho Decisório, conforme dispõe o art. 333, do antigo Código Processual Civil – CPC (Lei nº 5.869, de 11/01/1973): ... 8.8. Ademais, conforme o art. 16, do Decreto nº 70.235/1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato da Administração finda no mesmo prazo para a apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazê-lo em outra oportunidade. 9. Além disso, cabe asseverar que a Autoridade Julgadora vê-se livre quanto ao convencimento quando da apreciação das provas trazidas aos autos, consoante previsto no art. 29, do Decreto nº 70.235/1972. 9.1. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no Despacho Decisório, com documentação hábil, idônea e suficiente, correto o não reconhecimento do direito creditório pleiteado e, consequentemente, a não homologação da compensação requerida. A recorrente foi cientificada em 13/05/2021 (fl. 48) e apresentou o seu recurso voluntário em 10/06/2021 (fl.50). Em seu RV, a recorrente reafirma ter direito ao crédito conforme restou demonstrado, a partir da análise da DIPJ, que o valor compensado não havia sido utilizado na composição do saldo credor de IRPJ. Tendo identificado não haver IRPJ a pagar, a recorrente retificou a DIPJ entregue, apurando, então saldo negativo e reverteu (contabilmente) o lançamento: Assim, aduz que: E, diferentemente do que restou consignado no Acórdão recorrido, o crédito compensado não integrou o saldo negativo apurado em dezembro de 2012. Referido saldo negativo, no importe de R$1.173.462,79, conforme demonstrado na manifestação de inconformidade1, estava assim composto: Fl. 247DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-003.498 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.900657/2015-05 Estes valores também foram objeto de compensação, via PER/DCOMP nº 17704.28664.10213.1.3.02-4503, a qual foi devidamente homologada pela Receita Federal do Brasil: ... Dessa forma, considerando-se o exposto e a documentação anexa, evidencia-se que o crédito de R$49.752,14 não compôs o saldo negativo de IRPJ apurado em dezembro de 2012, o que autoriza a reforma do Acórdão ora recorrido. Note-se que, embora a ora Recorrente não tenha procedido à retificação da DCTF correspondente, tal fato não implica na exigibilidade do tributo. A confissão tácita decorrente do lançamento de valores em DCTF pode ser afastada mediante a demonstração da não ocorrência do fato gerador do tributo. E, no caso em análise, a ora Recorrente demonstrou, por meio dos lançamentos realizados na DIPJ e no PER/DCOMP 17704.28664.10213.1.3.02-4503, que o recolhimento do IRPJ no valor de R$49.752,14 foi indevido e não integrou o saldo negativo de IR apurado em dezembro de 2012. Eventual erro ou atraso na entrega de DCTF pode acarretar na aplicação de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória, mas não tem o condão de gerar a cobrança do tributo, sob pena de inverter-se toda ordem tributária nacional. Também não merece prevalecer o entendimento consignado no Acórdão recorrido de que a ora Recorrente não apresentou documentação idônea para provar o direito creditório pleiteado. Ao contrário, o pedido de compensação está fundamentado em toda documentação fiscal disponível no sistema de informações e declarações tributárias. Em assim sendo, resta demonstrado que: Fl. 248DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-003.498 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.900657/2015-05 1) o recolhimento do IRPJ em 29/01/2013 no valor de R$49.752,14 é indevido uma vez que a ora Recorrente não apurou saldo de imposto a pagar no período de apuração 12/2012; e 2) referido valor não integrou a composição do saldo negativo do imposto de renda objeto da PER/DCOMP 28602.18444.030915.1.7.02-9936 já homologada. Anexa DIPJ (original e retificadora) e Razão Contábil e requer provimento ao seu recurso. Em julgamento, ocorrido em 02 de fevereiro de 2023, através da resolução de número 1001-000.629, foi decidido, por unanimidade de votos, a sua conversão em diligência. Trata-se, pois, de retorno de tal diligência. Reproduzo, parcialmente, o voto proferido na referida diligência: Superados os óbices de não ter havido a retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência à Unidade de Origem para que esta verifique/confirme que o recolhimento do IRPJ no valor de R$49.752,14 foi indevido e não integrou o saldo negativo de IR, apurado em dezembro de 2012, mediante análise da idoneidade da documentação, anexada aos autos, para provar o direito creditório pleiteado. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo e que o contribuinte seja intimado, no prazo de 30 dias, a apresentar as considerações, adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. A Unidade de Origem efetuou o trabalho requerido na diligência e anexou o seu relatório às fls. 234/236, no qual concluiu: 2.Quanto à utilização do pagamento em questão para compor ou dar origem ao saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/12, verifica-se na própria DCOMP inicial que utilizou daquele crédito, a 28602.18444.030915.1.7.02-9936 (fls. 224 a 233), que o contribuinte não o relacionou entre as parcelas que o compuseram ou lhe deram origem (fls. 227 a 230). 2.1 – Esta DCOMP, e a com ela conexa, a 26411.92005.230216.1.3.02-5607, únicas da família, encontram-se, no SCC, na situação de “homologação total”, e sem emissão de Despacho Decisório. Nesta condição, atualmente, por força do que dispõe o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, estão homologadas por disposição legal. Fl. 249DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-003.498 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.900657/2015-05 2.2 – Assim estando, poder-se-ia cogitar que a homologação pudesse ter acontecido sem a verificação do crédito. Hipótese esta em que, então, ainda que o contribuinte não tivesse feito constar aquela parcela na referida DCOMP inicial, como compondo ou dando origem ao saldo negativo, se pudesse concluir, feita a devida análise do crédito, que a verdade era outra. 2.2.1 – Mas não. Pelo que também consta naquele SCC, o sistema realizou o Reconhecimento do Direito Creditório (RDC), em 10/10/15, conforme se comprova na tela a seguir. Antes, portanto, da ocorrência da homologação tácita, e até mesmo antes da apresentação da segunda e última DCOMP da família. 2.2.2 – Portanto, se o SCC concluiu pela disponibilidade do crédito tomando por base as parcelas informadas pelo contribuinte na DCOMP 28602.18444..., e entre as parcelas informadas como compondo ou dando origem ao saldo negativo, não consta o pagamento aqui em causa, forçoso é concluir-se que tal pagamento não foi utilizado para tal fim. 3.Outro aspecto a considerar, diz respeito a se o contribuinte concluiu pelo indébito daquele pagamento, ou seja, que em dezembro de 2012 não apurou estimativa de IRPJ devida, com base em balanço/balancete de suspensão/redução, como prescreve o art. 230, § 1º, I, do Decreto nº 3.000/99, então vigente. 3.1 – Procurando elucidar este aspecto, solicitou-se ao contribuinte, pelo Termo de Intimação Fiscal nº 4.892/2023 (fl. 214), que apresentasse cópia do Livro Diário com a transcrição do balanço/balancete demonstrando não ter apurado estimativa de IRPJ devida naquele mês de dezembro. 3.1.1 – O contribuinte tomou ciência deste Termo de Intimação, em 22/03/23 (fl. 216), e, transcorrido o prazo dado para atendimento (20 dias), em quase o dobro, não apresentou a documentação solicitada. Ao final do Termo de Intimação, assim se dispôs: A falta de atendimento ao presente, no prazo dado, implica proceder-se à análise solicitada pelo CARF, tomando por base os demais documentos presentes, Fl. 250DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-003.498 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10940.900657/2015-05 Cientificada em 03/05/2023, a recorrente não se manifestou. Consequentemente, nego provimento ao RV, para manter a decisão da DRJ. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 251DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11516.002617/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 30/11/2001
PIS/PASEP. ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE
DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA.
Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da
contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-001.708
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento ao recurso por
unanimidade de votos.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento ao recurso por unanimidade de votos. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira e Ribeiro, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Este processo retorna a este Colegiado em face da conclusão da diligência que determináramos por meio da Resolução nº 340100.074, de 30/09/2010. Para melhor compreensão da matéria em julgamento reproduzo o relato que fiz quando da primeira vez em que o processo aqui aportou: “Relatório Tratase de PER/Dcomp entregue em 12/05/2006 com a indicação da existência de Crédito Pagamento Indevido ou a Maior PIS/Pasep no valor original de R$ 179.989,71, relativo ao pagamento do PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2001, efetuado em 15/02/2002, para a compensação de débito do próprio PIS/Pasep do período de apuração de abril de 2006, com vencimento para 15/05/2006. Todavia, do confronto que fez entre o valor PIS/Pasep devido e o valor recolhido, a DRF/FlorianópolisSC não vislumbrou a existência de nenhum saldo credor em favor do interessado e não homologou a compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade a interessada trouxe à baila informações mais detalhadas acerca da origem do crédito pleiteado, ou seja, não tratarseia de um recolhimento a maior puro e simples, mas, sim, de um recolhimento feito a maior por ter incluído na formação da base de cálculo do PIS/Pasep o valor correspondente a “Outras Receitas” (receitas financeiras e receitas não operacionais), não integrantes do faturamento. Assim, insurgindose contra a parte do Despacho Decisório que não reconhecera o seu direito ao crédito, desfilou argumentos direcionados na defesa da tese de que o “alargamento da base de cálculo da Cofins” trazido pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, fora julgado inconstitucional pelo STF, o que estaria a justificar o seu pedido de reconhecimento de pagamento a maior ou indevido. Juntou, à fl. 41, demonstrativo demonstrando os efeitos da inclusão na base de cálculo dos valores correspondentes às receitas financeiras e às receitas não operacionais. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, entendeu não poder manifestarse a respeito de ilegalidades ou de inconstitucionalidades de legislação tributária e manteve na integra o Despacho Decisório. No Recurso Voluntário, a interessada repetiu os argumentos em defesa de seu alegado crédito (inclusão indevida na base de cálculo do PIS/Pasep do valor das receitas financeiras e das receitas não operacionais), de seu procedimento de compensação, e, para pedir a reforma da decisão recorrida, invocou o parágrafo 6º, do art. 26A, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela 11.941, de 27/05/2009, cuja aplicação teria cabimento em face do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, já ter sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF. Assim, para a Recorrente, não se trataria de permitir ao órgão administrativo declarar a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, mas, sim, da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar uma norma inconstitucional. [...]” Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11516.002617/200751 Acórdão n.º 340101.708 S3C4T1 Fl. 134 3 Dos fundamentos de que me vali na ocasião para propor a diligência ao final aprovada, reproduzo os seguinte excerto: “Inicialmente, de se ressaltar que a DRF não teceu qualquer consideração acerca do real motivo que levou a interessada a formular o pedido de reconhecimento de um crédito, qual seja, o “alargamento da base de cálculo”, até porque os campos disponíveis para preenchimento nas Dcomp não chegam a tal nível de detalhamento, o que só se deu quando da Manifestação de Inconformidade. Assim, a DRF formou sua convicção quanto à inexistência de crédito diante apenas do confronto que fizera entre o valor indicado na DCTF e o valor recolhido. Notese que o valor pleiteado nada mais é do que aquele obtido pela aplicação da alíquota do PIS/Pasep, de 0,65%, sobre R$ 27.690.724,78, correspondente à soma das rubricas receitas financeiras e receitas não operacionais (fl. 41), ou seja, os R$ 179.989,71 indicados como pagamento a maior. E essa matéria – alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – embora venha recebendo da parte deste Colegiado o mesmo tratamento reclamado pela ora Recorrente, não pode ser ainda julgada haja vista que, no presente caso, não foram carreados ao processo elementos capazes de elidir quaisquer dúvidas quanto à formação dos valores daquelas receitas, ou seja, não se tem a certeza de que nelas não estejam outros valores que não apenas os decorrentes do faturamento da empresa.” Pois bem. O resultado da diligência confirmou que no valor das rubricas “Receitas Financeiras” e “Receitas Não Operacionais” dos períodos de apuração de novembro de 2001 não existe nada relacionado ao faturamento da empresa, por este entendido o produto da venda de mercadorias e serviços. Instada a se manifestar quanto aos termos da diligência a Recorrente apenas repetiu o pedido para provimento de seu recurso. No essencial, é o Relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Como visto acima, a matéria de fundo deste julgamento está afeita à questão do alargamento da base de cálculo trazida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, isto é, tendo, à época do recolhimento do PIS/Pasep de novembro de 2001, incluído na base de cálculo valores outros que não apenas aqueles decorrentes de seu faturamento, deseja agora a Recorrente reaver o valor pago a maior em face, justamente, do entendimento manifestado pelo STF quanto à inconstitucionalidade daquele dispositivo. De fato, o entendimento pacificado no STF é o de que, na vigência da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, o PIS/Pasep e a Cofins só podem se fazer incidir sobre o montante do faturamento, assim considerado apenas o produto da venda de mercadorias de bens e/ou serviços; nada além disso. Senão, vejamos o julgado no Recurso Extraordinário 346.084 – Paraná, Relatoria Ministro Ilmar Galvão: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – Pis – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98/98. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindose à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº Lei nº 9.718/98/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” A par disso, de se considerar que partir da Portaria MF nº 586, de 2010, que introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, de se dar provimento ao recurso no sentido de se reconhecer o direito ao crédito, no valor original de R$ 179.989,71, correspondente ao pagamento a maior do PIS/Pasep havido em 15/02/2002, referente ao período de apuração de novembro de 2001. Odassi Guerzoni Filho Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13984.720238/2010-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3002-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta i)analise os itens indicados pela Recorrente como insumos ao processo produtivo, bem como todos os documentos e informações apresentadas nos presentes autos e, sendo necessário, intime a Recorrente para demonstrar, de forma complementar e detalhada, a comprovação acerca do enquadramento dos itens glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, considerando o conceito de insumo, segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no REsp nº 1.221.170/PR e Nota SEI/PGFN 63/2018; ii)realize eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada na presente Resolução; iii)elabore relatório fiscal conclusivo manifestando-se acerca dos documentos e das informações apresentadas nos presentes autos, avaliando a eventual revisão das glosas realizadas, trazendo os esclarecimentos e as considerações pertinentes quanto ao enquadramento de cada item no conceito de insumo delimitado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR;iv)recalcule as apurações e resultado da diligência; v)intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Keli Campos de Lima - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Catarina Marques Morais de Lima, Gisela Pimenta Gadelha, Keli Campos de Lima, Neiva Aparecida Baylon, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Marcos Antônio Borges (Presidente).
Nome do relator: KELI CAMPOS DE LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta i)analise os itens indicados pela Recorrente como insumos ao processo produtivo, bem como todos os documentos e informações apresentadas nos presentes autos e, sendo necessário, intime a Recorrente para demonstrar, de forma complementar e detalhada, a comprovação acerca do enquadramento dos itens glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, considerando o conceito de insumo, segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no REsp nº 1.221.170/PR e Nota SEI/PGFN 63/2018; ii)realize eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada na presente Resolução; iii)elabore relatório fiscal conclusivo manifestando-se acerca dos documentos e das informações apresentadas nos presentes autos, avaliando a eventual revisão das glosas realizadas, trazendo os esclarecimentos e as considerações pertinentes quanto ao enquadramento de cada item no conceito de insumo delimitado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR;iv)recalcule as apurações e resultado da diligência; v)intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Keli Campos de Lima - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Catarina Marques Morais de Lima, Gisela Pimenta Gadelha, Keli Campos de Lima, Neiva Aparecida Baylon, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Marcos Antônio Borges (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 84 .7 20 23 8/ 20 10 -5 1 Fl. 582DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto contra o acordão 09-63.669 da 1º Turma da DRJ/JFA que julgou parcialmente procedente manifestação de inconformidade, mantendo a glosa de créditos da Contribuição para o PIS/ Pasep não cumulativa relativo ao 2º trimestres de 2005, decorrente das operações da Recorrente com mercado externo, na forma prevista no §1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, conforme decisão abaixo ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação da existência do direito creditório. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, são considerados insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens não incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Fl. 583DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Para fins de economia processual adoto parte do relatório da decisão recorrida a fim de elucidar os fatos que motivaram a autuação, vejamos: Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento - PER nº 35168. 77998.180907.1.1.08-4900 envolvendo crédito relativo ao PIS - incidência não cumulativa - exportação, referente ao 2º trimestre de 2006, sobre custos, encargos e despesas vinculados às receitas de exportação, na forma prevista no §1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, no total de R$ 11.037,38. O Despacho Decisório nº 236/2011 - DRF/LAG (fls. 368/398) exarado pela Delegacia da Receita Federal em Lages/SC deferiu o Pedido de Ressarcimento no montante de R$ 2.840,19, após a dedução da contribuição apurada no período. Decisório encontra-se consignado, resumidamente, que: (...) 4. Análise da Pertinência da Base de Cálculo Utilizada pelo Contribuinte 4.1 - Bens Utilizados como Insumos - Linha 02 da Dacon 4.1.1 - Combustíveis e Lubrificantes Combustíveis e lubrificantes, em princípio, não poderiam gerar créditos da não-' cumulatividade do Pis/Pasep e da Cofins por não serem, em regra, diretamente utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. ... ainda que utilizados apenas indiretamente no processo produtivo, podem vir a compor a base de cálculo dos créditos com base no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Isto porque tais dispositivos, ao criarem a regra, criaram também uma exceção. Embora o comando principal seja no sentido de que apenas os insumos diretos - aqueles que entram em contato direto com o bem em produção/fabricação - possam gerar créditos, é possível inferir que a menção expressa a combustíveis e lubrificantes teve o condão de autorizar também o cálculo de créditos com base em insumos indiretos, desde que expressamente autorizados. Atente-se que o dispositivo legal não determina que a simples aquisição de combustíveis e lubrificantes autorize o cálculo de.créditos. O que se determina é que estes combustíveis e lubrificantes componham a base de cálculo quando forem insumos, ainda que indiretos. Manifesta, à luz do que foi dito, a importância de a autoridade tributária zelar pela minuciosa análise do destino dado a cada um dos combustíveis e lubrificantes Fl. 584DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 utilizados na base de cálculo dos créditos. Tal análise é feita a partir, das informações prestadas pelo contribuinte, sobre o qual recai o ônus da prova, conforme exposto no item 3. Tais informações A resposta às perguntas "onde o bem^ objeto do documento foi utilizado" e "como o bem objeto do documento foi utilizado'/, associadas a outras informações e a uma diligência objetivando conhecer o processo produtivo é o que possibilita ao auditor- fiscal aferir se determinado bem pode ou não ser considerado insumo do processo produtivo. Com relação a uma possível diligência para conhecer o processo produtivo, esta já não é mais possível, pois a planta industrial da Incema encontra-se desativada, entretanto, com relação as demais informações, não cuidou o contribuinte para que fossem adequadamente respondidas com relação aos combustíveis e a outros bens dos quais trataremos mais a frente. Não constam nos arquivos digitais, com relação aos combustíveis, nenhuma resposta para as perguntas "onde" e "como" foi utilizado no processo produtivo. Sem isto, não é possível concluir pela condição de insumo destes combustíveis, motivo pelo qual serão glosados. Encontramos ainda uma nota fiscal relativa a "gás de empilhadeira", objeto do- .documento n° 1543, emitido por Índio José de Araújo e Filhos.Ltda. Como já dito, não consideramos que uma empilhadeira faça parte do processo produtivo da Incema e, conseqüentemente, o mesmo entendimento adotamos com relação ao gás GLP nela utilizado, ou. seja, não se trata de um insumo e desta forma deve ser glosado: QUADRO I - GLOSAS REALIZADAS NA LINHA 02 - COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS, MAS QUE NÃO SE REVESTEM DA CONDIÇÃO DE INSUMO DO PROCESSO PRODUTIVO DA EMPRESA ... TOTAL MÊS DE ABRIL R$ 7.248,03 ... TOTAL MÊS DE MAIO R$ 6.827,58 TOTAL MÊS DE JUNHO R$ 5.687,40 TOTAL NO 2º TRIMESTRE R$ 19.763,40 4.1.2 Embalagens de Transporte e Bens Correlacionados Parte das embalagens utilizadas ... na formação da base de cálculo dos créditos demonstrados na Dacon não são de apresentação, mas tão somente de transporte, as quais não se enquadram no conceito de insumos. São consideradas de transporte as embalagens destinadas precipuamente ao transporte dos produtos elaborados, como os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, em que não há um acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetivam valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagens de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido (Decreto n° 4.544, art. 4o , IV, e art. 6o). Muito embora as embalagens de transporte possam eventualmente se prestar também à garantia da integridade de seu conteúdo, ainda assim, pôr não conterem rótulos indispensáveis ou indicações promocionais que impliquem despesas mais elevadas em sua elaboração, não possuem o objetivo de, por si só, motivar a compra do produto nelas acondicionado ou valorizá-los em razão dos materiais e acabamentos nelas empregados, que é o que caracteriza uma embalagem de apresentação. Fl. 585DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 Com base no acima exposto e por considerarmos embalagens de transporte ou bens correlacionados, entre outros, bobinas de papel, filme stretch e papelão ondulado, glosaremos os itens abaixo relacionados: 4.1.3 - Dos Bens Adquiridos de Pessoas Físicas Os bens adquiridos de pessoas físicas, por não sofrerem tributação do PIS/Pascp e da Cofíns não podem gerar direito a crédito. Em virtude disso, devem ser glosados os valores relativos à compra dos seguintes bens: 4.1.4 — Demais Bens não Caracterizados como Insumos Pudemos atestar, com relação a vários dos bens utilizados pelo contribuinte na formação da base de cálculo de seus créditos, a sua condição de insumos com base tão somente nos documentos juntados aos autos. Entretanto, com relação, a outros, estes mesmos documentos não se mostraram capazes de evidenciar qual a possível relação direta guardada com o processo produtivo ..., o que é indispensável para caracterizá- los como insumos. Com base no motivo acima exposto, serão glosados os seguintes itens: 4.1.5 - Dos Bens Caracterizados como "Genéricos" O item 12 da Intimação Fiscal Nurac DRF/Lages n° 666/2010 é bastante claro ao requisitar que nas informações relativas aos bens utilizados como insumos houvesse, para cada documento comprobatório, a descrição do bem objeto adquirido. ... Se na resposta encaminhada ..., a quem cabe o ônus da prova, demonstra não ter certeza sobre quais bens estão associados a determinadas notas fiscais - a existência da locução "PODE SER" evidencia isso - não há como o Auditor�Fiscal, da mesma Fl. 586DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 forma, dar-se por convencido quanto à exatidão das informações e, conseqüentemente, avaliar a condição de insumos de bens que, possivelmente, nem sejam aqueles descritos pelo contribuinte. . 4.1.6 - Transferência de Bens da Filial para a Matriz da Pessoa Jurídica Encontramos nos arquivos digitais encaminhados pelo contribuinte registros de envio de toras de madeira de pinus da filial para a matriz ... ... os códigos CFOP informados foram ... 1.151, 1.552 e 1.557, correspondentes, respectivamente, a entrada de mercadoria recebida em transferência de outro estabelecimento da mesma empresa para ser utilizada em processo de industrialização, a entrada de bem destinado ao ativo imobilizado recebido em transferência de outro estabelecimento da mesma empresa e a entrada de material para uso ou recebido em transferência de outro estabelecimento da mesma empresa. Com relação ao CFOP 1.151, cremos que o contribuinte tenha pretendido equiparar a operação a uma compra para industrialização. Entretanto, para tanto, do negócio jurídico deveriam ter participado, ao menos, duas diferentes pessoas jurídicas, o que não se pode dizer do caso cm questão. Tratou-se, na verdade, de mera transferência para industrialização entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, o que não gera direito ao cálculo de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos. Quanto ao CFOP 1.552, ... o objetivo do contribuinte foi o cálculo de créditos com base nos encargos de depreciação, mas algumas exigências devem ser observadas para isso, como se depreende da leitura dos dispositivos legais a seguir transcritos: Lei n" 10.637, de ... 2002 Art. 3 º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar, créditos calculados em relação a: (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados do ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e Vil do caput, incorridos no mês: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão-de-obra paga a pessoa física; e Fl. 587DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição Para que se possa calcular créditos com base em bens que venham a compor o ativo imobilizado, além de outras condições legais, ele deve ter sido "adquirido" ou fabricado" pela pessoa jurídica, o que de pronto verificamos não ter ocorrido, pois com base nos arquivos digitais em análise observa-se que as operações são apenas de transferência, ou seja, os bens não foram nem fabricados nem adquiridos pela Incema. ... o cálculo de créditos com base nas operações de transferência realizadas sob o CFOP 1.552,. por não estarem sujeitas ao pagamento da contribuição, vai de encontro ao disposto no inciso II, §2° do art. 3º das Leis n° 10.637/02 e ... Observe-se, aliás, que este raciocínio serve para qualquer operação de transferência, a exemplo daquelas realizadas pelo contribuinte com base nos CFOP's 1.151 e 1.557. Já com relação ao CFOP. 1.557, além dos argumentos já expostos, há que se destacar que materiais de uso ou consumo, em hipótese alguma, podem ser considerados insumos do processo produtivo de uma empresa fabricante de móveis como a Incema. Com base no que foi. expresso, serão glosados os valores abaixo relacionados: 4.1.7 Serviços de Manutenção e Bens a Eles Relacionados Embora a linha 2 seja destinada a demonstração dos bens utilizado como insumos, alguns serviços foram nela incluídos equivocadamente. Dentre eles, encontramos os de manutenção de informática, empilhadeiras e veículos. Nenhum dos elementos juntados aos autos demonstra qual a pertinência direta dos bens de informática, empilhadeiras e veículos com o processo produtivo da Incema, motivo pelo qual estes serviços devem ser excluídos da base de cálculo dos créditos, conforme demonstrado no quadro abaixo: Também devem ser glosados os bens e serviços de manutenção descritos de forma genérica, sem indicação de aonde foram aplicados. Hipoteticamente, quando o contribuinte demonstra com clareza que contratou a manutenção elétrica de uma máquina responsável pelo corte de toras de pinus, entendemos válido que o valor despendido com este serviço componha a base de cálculo dos créditos. Fl. 588DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 O mesmo não se pode dizer quando a única informação de que se dispõe sobre o serviço contratado seja o de que se trata de "manutenção elétrica", "manutenção mecânica", "diversos itens de manutenção em geral" ou "manutenção em geral/epis". A partir de descrição tão genérica, é impossível ao auditor-fiscal responsável pela decisão formar convicção quanto à legalidade da utilização destes serviços na formação dos créditos, o que gera a obrigação de glosar os valores correspondentes. Pelo exposto, devem ser glosados os valores abaixo relacionados: 4.1.8 - Omissão na Prestação das Informações Requeridas Alguns dos documentos fiscais que, segundo o contribuinte, compuseram a base de cálculo de seus créditos, foram entregues com campos em branco, inviabilizando qualquer análise relativa a serem ou não insumos ao processo produtivo ... 4.1.9 - Materiais de Escritório/ Expediente As Leis ri° 10.637/02 e n° 10.833/03, ... não facultaram ... a possibilidade de calcular créditos com base nas aquisições de materiais de escritório/expediente, ...: Não havendo previsão legal para o crédito com base na aquisição de materiais de escritório e/ou ... 4.2 - Despesas de Energia Elétrica - Linha 04 da Dacon A Dacon .. informa que as despesas com energia elétrica ... foram de R$ 143.584,57. Da análise das faturas ..., extrai-se que o contribuinte incluiu na base de cálculo ... Fl. 589DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 valores relativos à contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. Esta não gera créditos da não-cumulatividade ... por total falta de previsão legal. 5. Rateio Proporcional Com base no documento de fl. 329, constatou-se que o contribuinte realizou no trimestre operações de cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços e Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), conforme indicado abaixo: Esse tipo de operação, regulada pela legislação estadual, equipara-se a verdadeira alienação de direitos. Por via de conseqüência, origina receita tributável da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Adernais, a previsão legal para excluir esse tipo de receita da base de cálculo das contribuições não-cumulativas somente surgiu em nosso ordenamento jurídico a partir da publicação da Medida Provisória n° 451, ... de 2008, produzindo efeitos para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009. Até então, conforme se depreende da leitura da lista taxativa de que trata o art. 1º , § 3º , da Lei 10.637/2002 e do art. Iº , § 3º, da Lei 10.833/2003, as transferências onerosas de créditos do ICMS consubstanciavam receitas tributáveis das contribuições não-cumulativas. Assim dispondo, a legislação manifestava entendimento inequívoco no sentido de que, ao compor a base de cálculo dos créditos da não-cumulatividade nas aquisições de insumos, o valor do ICMS deveria, também, ser oferecido à tributação quando de sua alienação a título oneroso. Ou seja, os valores correspondentes às transferências de créditos do ICMS modificam a participação proporcional das receitas decorrentes de operações com do mercado externo em relação ao total das receitas auferidas pelo contribuinte, bem como o valor da contribuição apurada. 7. Decisão Após a glosa do valor, de R$ 471.891,18 da base de cálculo e ante todas as demais informações e ajustes constantes nos autos, DECIDO: a) RECONHECER o valor de R$ 2.840,19 ... como sendo o saldo de créditos do PIS/Pasep não-cumulativo - mercado externo - ao final do 2º trimestre de 2006, após a dedução da contribuição apurada no período; .... Fl. 590DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 350/364) com várias alegações. Abaixo transcreve-se os itens que sintetizam toda a argumentação: (...) É o relatório. Intimada da respectiva decisão, a Recorrente apresenta em 25/08/2017 recurso voluntário argumentando o principio da não-cumulatividade e a possibilidade de tomada de créditos em relação aos itens glosados, vejamos resumidamente: Combustíveis – Gás de empilhadeira - Sustenta ser essencial transporte de madeira, dentro das dependências da própria empresa, à evidência, é atividade diretamente vinculada à produção, e portanto gera direito de crédito. Não há como produzir móveis sem a transferência interna dos insumos. Embalagens - que caixas de papelão não são embalagens de transporte, mas sim de apresentação. As fotos constantes dos autos (fls.) espelham muito claramente esta realidade. Demais bens não considerados insumos: (a) Embrasil (na verdade Embala Embrasil) Impressora Ltda. - trata-se de embalagem de apresentação (caixa) para venda de móveis linha Espanha (doc. anexo); (b) SPL Dessecantes Ltda. - sachês de sílica, que acompanham a embala�gem de apresentação, a fim de evitar danos decorrentes de umidade (docs. anexos); e (c) Geremia Redutores Ltda. - manutenção elétrico-mecânica de máqui�nas da produção, em virtude de desgastes da produção, sem aumento da vida útil do equipamento (docs. anexos). Bens cuja descrição foi acrescida da locução “pode ser: (a)Reunidas Transportadora - conhecimentos de transporte nos 6.229 / 195.556 (transporte de elementos de embalagens de apresentação - forne�cedor: Sulfitas), 105.561 (transporte de cavilhas, que são peças de madei�ras produzidas por terceiros, utilizadas no produto final - fornecedor: JKM Cavilhas), 126.283 / 992.406 (transporte de cola, utilizada na mon�tagem do produto final - fornecedor: Mercantil Raoli) e 125.920 (trans�porte de tintas utilizadas na produção dos móveis); e (b) Auto Viação Catarinense - conhecimentos nos 450.348 e 450381 - transporte de ferramentas que formam kit de montagem dos móveis, in�cluído dentro da caixa de apresentação - fornecedor: Spare Parts. Fl. 591DF CARF MF Original Fl. 11 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 Serviços de manutenção – Sustenta direito de crédito sobre gastos com manutenção que não aumentou vida útil do bem, tais como as notas fiscais emitidas, p. ex., pela Wurth do Brasil (limpeza e lubrificação de máquinas), Rolapec Rolamentos (rolamentos de máquinas) e Marrari Automação (manutenção das estufas de secagem de madeira). Energia elétrica – Sustenta Ao contrário do que assentou o v. acórdão recorrido, pouco importa que a COSIP não tenha relação com a contribuição ao PIS/COFINS, pois o que gera direito de crédito é a essencialidade da despesa. Correção monetária – Sustenta que a empresa tem direito, à incidência da taxa SELIC sobre o seu crédito, a contar do momento em que restou configurada a mora da fazenda pública na análise dos pedidos de ressarcimento, conforme reconhecido nos autos do mandado de segurança nº 2009.72.06.002469-9. É o relatório. Voto Conselheira Keli Campos de Lima, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Conforme relatado, a controvérsia cinge às glosas de crédito da Contribuição para o PIS/ Pasep não cumulativa, decorrente de interpretação jurídica restrita sobre o conceito de insumos amparada nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e SRF nº 404/2004 (fls. 434/462). Isto porque, não foram apuradas divergências ou inconsistências na escrituração contábil e fiscal da Recorrente. Em apreciação da irresignação contra as glosas apresentada pela Recorrente, a DRJ manteve integralmente o posicionamento da auditoria fiscal, vejamos passagem do acordão recorrido proferido no ano de 2017 “(...) Ao contrário do rguido pela interessada, nem toda despesa dá direito ao contribuinte de creditar-se da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e o conceito de insumo para o instituto da não cumulatividade dessas contribuições é tão amplo como por ela defendido. Em recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, cuja ementa transcrever-se-á abaixo, está esposado entendimento de que a interpretação dada ao termo “insumos” não pode ser extensiva, uma vez a não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins se consubstanciar em benefício fiscal. Nessa mesma decisão, ficou definido que “as Instruções Normativas SRF nº 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03”: STJ – RECURSO ESPECIAL Resp 1020991 RS 2008/0000796-8 Data de publicação: 14/05/2013 Relator: Min. Sérgio Kukina Ementa: PROCESSUAL CIVIL E Fl. 592DF CARF MF Original Fl. 12 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO�CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de não�cumulatividade, previsto no art. 195 , § 12, da CF , é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637 /02 e 10.833 /03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no Resp 1.335.014/CE , Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, Dje 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. O artigo 66 da IN SRF nº 247/2002 há uma lista de quais operações geram direito ao crédito do PIS/Pasep não cumulativo. O mesmo ocorre no artigo 8º da IN SRF nº 404/2004. Assim sendo, resta claro que a lei e as instruções normativas evidenciadas restringem o desconto dos créditos de PIS/Pasep e Cofins aos casos especificados Cumpre salientar, ainda, que a atividade do Auditor-Fiscal é plenamente vinculada, ou seja, deve estrita obediência não só à lei como também às normas infralegais. Desde que haja norma formalmente editada, encontrando-se em vigor, cabe o seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido as orientações do Parecer Normativo CST/SRF nº 329, de 1970 e Parecer PGFN/CRF nº 439, de 1996. Não havia, portanto, qualquer margem para que o Auditor-Fiscal responsável pela análise ampliasse o alcance do termo “insumos”, como pretende a contribuinte. Mais ainda: ele não podia deixar de aplicar os dispositivos das supramencionadas instruções normativas. Também, não há tampouco autorização ao julgador administrativo para afastar essa imposição. (...) Verifica-se pela leitura da passagem acima colacionada que não há outro fundamento além da aplicação das referidas instruções normativas, inclusive, com menção expressa da vinculação à autoridade fiscal e da Delegacias de julgamento ao referido normativo, sob pena de responsabilidade funcional. Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça – STJ no julgamento do RESP nº 1.221.170/PR –Tema 779 - sob a sistemática de recursos repetitivos reconheceu a ilegalidade das restrições impostas pelas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e SRF nº 404/2004 e trouxe para ordenamento a necessidade de aferir o conceito de insumo a partir dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço dentro do desenvolvimento da atividade econômica do Contribuinte. (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e Fl. 593DF CARF MF Original Fl. 13 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Neste sentido, fato é que os posicionamentos adotados tanto pela auditoria fiscal na análise do crédito, quanto o posicionamento da DRJ na analise da manifestação de inconformidade da Recorrente, divergem do atual conceito de insumos que obrigatoriamente deve ser aplicado por este Colegiado, nos termos do 99 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica nos casos em que houver recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o mesmo tema decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos. Pondera-se que, por terem sido realizados antes do julgamento do RESP 1.221.170 STJ (acordão publicado em 24/04/2018 e transitado em julgado em 29/06/2023), nem o Recurso Voluntário (interposto em 08/2017) e nem o acórdão recorrido (proferido em 06/2017) trataram do conceito contemporâneo de insumo. Logo, não houve analise da essencialidade ou relevância, considerando a imprescindibilidade ou a importância dos itens glosas dentro da atividade econômica da Recorrente. Assim, considerando que este Colegiado tem se posicionado sob a prevalência da verdade material como norteadora do processo administrativo fiscal, assim entendido como busca efetiva da realidade dos fatos o que, entendo que no caso, a aplicação do referido princípio se aperfeiçoa com a oportunidade da fiscalização identificar os créditos pleiteados relativos os produtos e serviços, dentro dos critérios de relevância e/ou essencialidade nos termos do entendimentos firmados no julgamento do REsp 1.221.170/STJ e. na perspectiva do processo produtivo e das atividades desempenhada pela Recorrente. Neste sentido, para que não haja prejuízos e correto saneamento do processo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: i. analise os itens indicados pela Recorrente como insumos ao processo produtivo, bem como todos os documentos e informações apresentadas nos presentes autos e, sendo necessário, intime a Recorrente para demonstrar, de forma complementar e detalhada, a comprovação acerca do enquadramento dos itens glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, considerando o conceito de insumo, segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no REsp nº 1.221.170/PR e Nota SEI/PGFN 63/2018; ii. realize eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada na presente Resolução; Fl. 594DF CARF MF Original Fl. 14 da Resolução n.º 3002-000.324 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.720238/2010-51 iii. elabore relatório fiscal conclusivo manifestando-se acerca dos documentos e das informações apresentadas nos presentes autos, avaliando a eventual revisão das glosas realizadas, trazendo os esclarecimentos e as considerações pertinentes quanto ao enquadramento de cada item no conceito de insumo delimitado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; iv. recalcule as apurações e resultado da diligência; v. intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (documento assinado digitalmente) Keli Campos de Lima. Fl. 595DF CARF MF Original
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