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Numero do processo: 10925.001946/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RESULTADO POSITIVO DE ATO COOPERADO. NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL. ART. 111, DA LEI 5.764/71.
RECEPÇÃO COMO NORMA GERAL EM MATÉRIA TRIBUTARIA PELO ART. 146, INC. III, ALÍNEA “C” DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NÃO REVOGAÇÃO PELAS
LEIS 7.689/88, 8.212/91 E 10.865/2004.
O art. 111 da Lei 5.764/71, recepcionado que foi na forma do art.
146, inc. III, alínea “c” da Constituição Federal, tem status de lei geral em matéria tributária para regrar a tributação das
cooperativas e estabeleceu competência para tributar
exclusivamente o resultado positivo decorrente dos atos
praticados por cooperativas descritos nos art. 85, 86 e 88 da Lei
5.764/71. Portanto, o resultado positivo da pratica de atos
cooperados foi deixado à margem da tributação e não pode ser
tributado.
CSLL. CRIAÇÃO POR LEI POSTERIOR. LEI GERAL. LEI DO COOPERATIVISMO. LEI ESPECIAL.
As Leis 7.689/88 e 8.212/91 não estabeleceram a incidência da
CSLL especificamente sobre os resultados positivos decorrentes
de atos cooperados. Lei geral não revoga lei especial. Portanto as leis 7.689/88 e 8.212/91 não podem revogar a Lei 5.764/71, que
contém regra geral em matéria tributária de aplicação específica
às cooperativas, que foi recepcionada pelo art. 146, inc. III, alínea c da Constituição Federal. A posterior edição da Lei 10.865/2004, isentando os resultados positivos obtidos pelas cooperativas não altera a situação de não incidência da CSLL sobre esses resultados, estabelecida pela Lei 5.764/88. Interpretação conforme.
Numero da decisão: 1201-000.487
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESULTADO POSITIVO DE ATO COOPERADO. NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL. ART. 111, DA LEI 5.764/71. RECEPÇÃO COMO NORMA GERAL EM MATÉRIA TRIBUTARIA PELO ART. 146, INC. III, ALÍNEA “C” DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NÃO REVOGAÇÃO PELAS LEIS 7.689/88, 8.212/91 E 10.865/2004. O art. 111 da Lei 5.764/71, recepcionado que foi na forma do art. 146, inc. III, alínea “c” da Constituição Federal, tem status de lei geral em matéria tributária para regrar a tributação das cooperativas e estabeleceu competência para tributar exclusivamente o resultado positivo decorrente dos atos praticados por cooperativas descritos nos art. 85, 86 e 88 da Lei 5.764/71. Portanto, o resultado positivo da pratica de atos cooperados foi deixado à margem da tributação e não pode ser tributado. CSLL. CRIAÇÃO POR LEI POSTERIOR. LEI GERAL. LEI DO COOPERATIVISMO. LEI ESPECIAL. As Leis 7.689/88 e 8.212/91 não estabeleceram a incidência da CSLL especificamente sobre os resultados positivos decorrentes de atos cooperados. Lei geral não revoga lei especial. Portanto as leis 7.689/88 e 8.212/91 não podem revogar a Lei 5.764/71, que contém regra geral em matéria tributária de aplicação específica às cooperativas, que foi recepcionada pelo art. 146, inc. III, alínea c da Constituição Federal. A posterior edição da Lei 10.865/2004, isentando os resultados positivos obtidos pelas cooperativas não altera a situação de não incidência da CSLL sobre esses resultados, estabelecida pela Lei 5.764/88. Interpretação conforme. Fl. 1203DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares De Queiroz. Relatório Cuidase de auto de infração lavrado para constituir débitos de CSLL nos anos calendário de 2001 a 2004, por redução supostamente indevida do lucro líquido em virtude da não adição na base de cálculo da CSLL de valores decorrentes da prática de atos cooperados. A impugnação está a fls. 403 e sustenta a aplicação à CSLL das mesmas regras de apuração do IRPJ e que as cooperativas não tem fins lucrativos nem auferem lucros, senão sobras que não possuem natureza de resultado da operação, senão de excesso de custeio suportado pelo cooperado, conceito do direito privado que não poderia ser desconsiderado pelo direito tributário. A DRJ negou provimento à impugnação e julgou procedente o lançamento em v. acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 1204DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 3 3 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃOCOOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos a operações com associados ou não (Lei nº 8.212, de 1991, art. 10, Lei nº 7.689, de 1988, art. 4, e IN SRF 198, de 1988). O fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluíla do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados ("sobras"), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto a distribuição do lucro deve guardar relação com a contribuição de cada sócio na formação do capital (Lei if 6.404, de 1976, art. 187). Lançamento Procedente Recurso voluntário a fls. 481, repisando os mesmo argumentos da impugnação trata exclusivamente sobre a não incidência da CSLL sobre o resultado dos atos cooperados. É o relatório. Fl. 1205DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Não incidência da CSLL sobre rendas de atos cooperados A questão nuclear destes autos demanda analisar se a CSLL incidia ou não sobre as rendas de atividade cooperada praticada pela recorrente nos anos 2001 a 2004, quando ocorreu o fato gerador objeto de lançamento. A autoridade autuante entende que àquela época não existia regra que permitisse à recorrente deixar de adicionar na base de cálculo da CSLL as receitas auferidas com realização de atos cooperados, como ocorria em relação ao IRPJ (cfr. art. 182, do RIR/1999). Sustenta que a Constituição Federal impõe o dever de toda a sociedade financiar a seguridade social e concede competência tributária para a União tributar o lucro dos empregadores, das empresas e das entidades equiparadas, no que se incluiriam as cooperativas. Aduziu que a Lei 7.689/88, ao definir os sujeitos passivos desta contribuição social, não excepcionou as cooperativas e que a isenção concedida a elas pelo art. 39, da Lei 10.865/2004 confirmaria a incidência da contribuição sobre os fatos geradores ocorridos antes da sua vigência (01.01.2005). Cumpre deixar desde logo assentado que a Lei 5.764/71 (lei do cooperativismo) classifica as entidades cooperativas como sendo aquelas formadas por um conjunto de “pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro” (art. 3º), ressaltando a inexistência de objetivo de lucro na operação cooperativista clássica. Ao tratar da “Da Ordem Econômica e Financeira” e fixar os “Princípios Gerais Da Atividade Econômica” o art. 174 da Constituição Federal coloca o Estado como “agente normativo e regulador da atividade econômica” por meio da fiscalização, do incentivo e do planejamento do projeto de desenvolvimento nacional, no que deverá obrigatoriamente apoiar e estimular o cooperativismo, em atendimento ao disposto no § 2º. 1 Daí porque a lei do cooperativismo foi recepcionada e está alinhada com esta ideologia constitucional quando estabelece, no parágrafo único, do art. 2º, que o estímulo estatal às cooperativas será dado, dentre outras formas, “mediante prestação de assistência técnica e de incentivos financeiros” (negritamos). 1 Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Fl. 1206DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 5 5 Assim, está posta a “ideologia constitucional” que exige estímulo e incentivo técnico e financeiro às cooperativas. Esta ideologia deverá permear qualquer interpretação que se faça acerca da aplicação da legislação brasileira a estas entidades, privilegiando sempre o desejo constitucional de apoiar e estimular, inclusive financeiramente, o cooperativismo. Avançando no trato constitucional dispensado as cooperativas, o Constituinte estabeleceu, no art. 146, inc. III, alínea “c”,2 competir à lei complementar instituir as normas gerais em matéria de legislação tributária para versar sobre o “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas”. 3 Como desde a promulgação da Constituição Federal em 1988 nenhuma lei complementar versou sobre a tributação do ato cooperativo, tenho que aquelas disposições da Lei 5.764/71 que tem caráter de norma geral em matéria tributária acabaram sendo recepcionadas com status de lei complementar, a exemplo do fenômeno ocorrido com o Código Tributário Nacional. O art. 111 da lei do cooperativismo é, até os dias de hoje, o dispositivo legal com caráter de norma geral em matéria tributária onde o “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas” é tratado explicitamente. Ele dispõe o seguinte: Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. A norma legal é muito clara e objetiva: são tributáveis tão somente os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86 e 88 da lei do cooperativismo; não sendo tributáveis, portanto, os demais resultados positivos por elas obtidos. Notese que a norma geral que trata da tributação das cooperativas tomou o cuidado de não fazer referência a lucro, tendo mencionado “resultados positivos”, uma vez que as cooperativas não têm objetivo de lucro. A cooperativa pode verificar a ocorrência de “sobras líquidas do exercício”, jamais de lucros. Esse elemento não é mero jogo de palavras, senão a essência própria desta forma socialista de organizar a empresa. Voltando, então, à questão da competência constitucional para tributar, notase que a União recebeu competência para tributar exclusivamente as rendas obtidas pelas cooperativas com as operações descritas nos arts. 85, 86 e 88, da Lei 5.764/71. São elas: Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. 2 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. 3 A lei cooperativa define ato cooperativo nos seguintes termos: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 1207DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 6 6 Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16840, de 24 de agosto de 2001) Estas rendas excepcionalmente tributáveis deverão ser apuradas em separado, na forma estabelecida no art. 86 da Lei 5.764/71, de molde a estarem segregadas das rendas decorrentes das demais atividades cooperativas e, assim, poderem ser oferecidas à tributação: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. O art. 111 da lei do cooperativismo é norma geral tributária instituída em Lex Specialis e recepcionada pelo art. 146, inc. III, inciso “c” da Constituição Federal; e determina a não incidência de tributos sobre as rendas das cooperativas que não decorrerem das operações que excepciona, únicas exceções a regra. Notase que a regra geral é a não incidência e excepcional é a competência para tributar os resultados positivos das operações descritas nos art. 85, 86 e 88 da lei do cooperativismo. Desta forma, quando a r. decisão a quo analisou a legislação que estabeleceu a incidência da CSLL aos empregadores, empresas e entidades equiparadas, ela não poderia deixar de considerar a ideologia constitucional que determina ao Estado apoiar e incentivar, inclusive financeiramente, as cooperativas, o que se realizou por intermédio de norma geral em matéria tributária do art. 111 da Lei 5.764/71 – recepcionada pela Constituição Federal na forma do art. 146, inc. III, alínea “c” –, que não permite a incidência tributária senão sobre determinadas rendas das cooperativas, tendo ficado fora do alcance do Fisco, como regra geral, as rendas decorrentes dos atos cooperativos. Isso porque qualquer interpretação teleológica, qualquer preenchimento de lacuna, enfim, toda interpretação sistemática das regras tributárias aplicáveis ao cooperativismo jamais poderá perder de vista que o Constituinte originário determinou ao Estado estimular e apoiar estas instituições, inclusive financeiramente, e, portanto, havendo dúvida acerca do melhor leito interpretativo a ser aplicado ao caso concreto devese privilegiar sempre aquele que melhor atender a essa política constitucional, abandonando as demais possíveis interpretações que, por qualquer meio, vierem a onerar ou criar embaraço ou desestímulo ao desenvolvimento destas instituições. Por isso, o preceptivo constitucional inscrito no art. 195 da Carta – que estabelece o princípio da “solidariedade social” visando orientar e dar sustentação às incidências de diversas contribuições destinadas ao custeio da seguridade social – não é capaz de, por si só, fazer incidir um tributo onde não há lei estabelecendoo nem permite ao legislador infraconstitucional tributar além do mandato de recebeu do Constituinte para exercer sua competência tributária. Fl. 1208DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 7 7 Além do mais, como vimos acima, a legislação de regência das cooperativas, que estabelece regra geral de tributação para estas entidades, tem dispositivo específico para permitir a incidência tributária da contribuição para custeio da seguridade social sobre parte do resultado positivo obtidos pelas cooperativas, o que as coloca indubitavelmente alinhadas com o princípio da solidariedade social e, desta forma, também sujeitas a dar a sua contribuição para o custeio da seguridade, na forma e na extensão desejadas pela lei e pela Constituição Federal. 2. Jurisprudência Sobre a matéria, cumpreme trazer a baila o bem lançado voto proferido nesta Col. Turma pelo E. Conselheiro Rafael Correa Fuso quando do julgamento do PAF nº 10650.001184/200717, cujos argumentos acolhi integralmente naquela ocasião e agora trago a colação: “Quanto à questão das cooperativas de crédito somente passaram a serem isentas da CSLL a partir de 1° de janeiro de 2005, com a edição da Lei n. 10.685/04, artigos 39 e 46, discordamos do entendimento da fiscalização e dos ilustres julgadores de primeira instância administrativa. Isso porque, o artigo 111, combinado com os artigos 79, 85, 86 e 88 da Lei n. 5.764/71, conjugado com o artigo 195, inciso I, alíneas “b”e “c”e artigo 2° da Lei n. 7.689/88, que instituiu em nosso ordenamento jurídico a contribuição social sobre o lucro, permite considerarmos que as sobras dos atos cooperativos não se confundem com os conceitos de receita ou lucro apontados nos atos não cooperativos, descaracterizando a incidência da contribuição social (caso de não incidência), em total respeito ao artigo 110 do Código Tributário Nacional, visto que lucro e receita e sobras apresentarem conceitos de direito privado distintos. Ainda neste sentido, citamos também dois precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais do extinto E. Conselho de Contribuintes, que também enfrentaram a questão da não incidência da CSLL sobre os resultados positivos decorrentes de atos cooperados: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO RESULTADO POSITIVO OBTIDO EM ATOS COOPERATIVOS SOCIEDADES COOPERATIVAS BASE DE CÁLCULO NÃO INTEGRAÇÃO. O resultado positivo obtido pelas Sociedades Cooperativas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperativos; não integra a base de cálculo da Contribuição Social Exegese do artigo 111 da Lei n.° 5.764/71 e artigos 1° e 2° da Lei n.° 7.689/88. (Acórdão unânime do Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 01 1.734 — Rel. Cândido Rodrigues Neuber, DOU de 13.09.96, p. 18.144) (destacamos). “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – SOCIEDADES COOPERATIVAS – A proteção assegurada pelo art. 146, inciso III, alínea “c”da Fl. 1209DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 8 8 Constituição Federal impede a imposição de exação tributária ao amparo de legislação ordinária (Lei 8.212/91, art. 22, § 1º) sobre as cooperativas de crédito. (Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 0104.534 – Voto do Cons. Victor Luiz de Salles Freire, DOU de 16.08.2005, Recorrente Fazenda Nacional, Recorrida Cooperativa Central de Crédito de Santa Catarina Ltda.). (os negritos não constam nos originais) Também nos Tribunais Regionais Federais encontramos jurisprudência favorável ao entendimento da não incidência, verbis: "DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LEI N.° 7.689/88. SOCIEDADE COOPERATIVA. LEI N.° 5.764/71, ART. 79, 86 E 87. SOMENTE OS ATOS NÃO COOPERATIVOS SÃO PASSÍVEIS DE TRIBUTAÇÃO. INCIDÊNCIA INDEVIDA. CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. 1 — Verificase que a parte autora, ora Apelada, é sociedade cooperativa e, portanto, merece tratamento especial, à luz da Lei n.° 5.764/71. Consoante o disposto no artigo 79, da referida lei, os atos cooperativos, restritos às operações realizadas entre os associados e a cooperativa, e viceversa, não são passíveis de tributação. Quanto à prestação de serviços a não associados, o resultado dessas operações é destinado a um "Fundo" e será contabilizado em separado, permitindo cálculo para incidência de tributos (artigos 86 e 87). 2 — No caso em tela, conforme demonstram os documentos acostados aos autos, relativos à declaração do IRPJ e à contabilidade da cooperativa referentes ao exercício de 1991, a dívida foi apurado sobre o valor líquido obtido em função dos resultados globais da cooperativa, sendo certo que, quanto aos atos nãocooperativos ou acessórios, foi registrado valor negativo, caracterizando a existência de prejuízo e não lucro. 3 — Desse modo, bem apreciou a questão o Juízo a quo ao determinar o cancelamento da inscrição em dívida ativa, tendo em vista a inocorrência de fato gerador capaz de ensejar a incidência da CSLL. 4 — Apelação e remessa necessária conhecidas e improvidas, para manter a r. sentença recorrida." (Acórdão Origem: TRIBUNAL – SEGUNDA REGIÃO. Classe: AC APELAÇÃO CÍVEL — 111946; Processo: 9602217170 UF: RJ Órgão Julgador: QUINTA TURMA; Data da decisão: 14/05/2003. Documento: TRF200103016; Fonte DJU DATA:01/09/2003 PÁGINA: 256 Relator(a) JUIZ GUILHERME CALMON NOGUEIRA DA GAMA). O Col. Superior Tribunal de Justiça tem julgado a matéria neste mesmo sentido, conforme os precedentes cujas ementas são transcritas a seguir: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO ATO COOPERATIVO – LEI Nº – ISENÇÃO. Fl. 1210DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 9 9 1. A nãoincidência da CSLL, nos termos da jurisprudência dominante do STJ, em casos de cooperativas, restringese a atos cooperados praticados exclusivamente entre a cooperativa e seus associados. 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 1190066 / SP, Ministra ELIANA CALMON, DJe 28/06/2010) TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. ATO COOPERATIVO TÍPICO. CSLL. NÃOINCIDÊNCIA. ART. 79, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 5.764/1971. PRECEDENTES DO STJ. 1. Nos termos do art. 79 da Lei 5.764/1971, atos cooperativos são aqueles praticados entre a cooperativa e seus cooperados ou entre cooperativas associadas. O ato cooperativo, assim definido, não implica operação de mercado. 2. As cooperativas podem realizar negócios com terceiros não cooperados, desde que observados seus objetivos sociais e disposições legais. Nessa hipótese, contudo, a própria Lei 5.764/1971 dispõe expressamente que os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados (arts. 86 e 87). 3. In casu, o Tribunal a quo acolheu os Embargos à Execução, sob o fundamento de que a Autoridade Fazendária, ao proceder ao lançamento fiscal, não fez distinção entre os atos cooperativos próprios e os nãocooperativos da cooperativa de eletrificação rural. 4. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de ser indevida a cobrança da CSLL sobre atos vinculados à atividade básica da sociedade cooperativa. 5. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 499581 / SC, Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe 30/09/2009) SOCIEDADE COOPERATIVA DE CRÉDITO. CSLL. ISENÇÃO SOBRE OS ATOS TIPICAMENTE COOPERATIVOS. LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 10/STF. INAPLICABILIDADE. I Os atos tipicamente cooperativos por não implicarem em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, conforme a Lei das Sociedades Cooperativas (Lei nº 5.764/71), não geram faturamento, bem assim não produzem lucro para a sociedade, porquanto o resultado positivo decorrente dos seus atos pertence exclusivamente a cada um dos cooperados. Em face de tais peculiaridades, os atos das cooperativas de crédito, ressalvado o disposto nos artigos 86 e 87 da Lei nº 5.5764/71, não sofrem incidência tributária, inclusive de CSLL. Precedentes: AgRg no REsp nº 749.345/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 08/08/2005; AgRg no REsp nº 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de Fl. 1211DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 10 10 17/12/2004; REsp nº 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004 e AgRg nos EDcl no Ag nº 980.095/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008. II Na hipótese dos autos não se cogita de incidência da súmula vinculante nº 10 do STF, porquanto não se está afastando a aplicação do parágrafo 1º do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, que determina para a cooperativa de crédito a contribuição de acordo com o faturamento ou lucro. A norma, ao imputar à sociedade cooperativa a contribuição sobre o faturamento e o lucro (art. 23 da Lei nº 8.212/91), criou hipótese de incidência tributária irrealizável, uma vez que os atos tipicamente cooperativos não produzem qualquer vantagem ou lucro para a cooperativa, não implicando ainda suas atividades em faturamento conforme definido na Lei das sociedades cooperativas (Lei nº 5.764/71). III Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 1057481 / CE, Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe 19/11/2008) 3 Conclusão Em vista do exposto, entendo que as Leis 7.689/88 e 8.212/91 não estabeleceram a incidência da CSLL especificamente sobre os resultados positivos decorrentes de atos cooperados. Que a referência que fazem à sujeição passiva do empregador, da empresa e da entidade equiparada não implica revogação das disposições especiais da lei do cooperativismo (lei geral não revoga lei especial) e, ao revés, devem ser interpretadas em harmonia com a regra geral de não incidência estabelecida sobranceiramente pelo art. 111, da Lei 5.764/71, recepcionado que foi na forma do art. 146, inc. III, alínea “c” da Constituição Federal. Essa é a interpretação conforme a Constituição que coaduna melhor as disposições das Leis 7.689/88 e 8.212/91 com os art. 146, inc. III, alínea “c” c.c. art. 174, §2º, da Constituição Federal. Por essa razão, deve ser afastada a interpretação adotada pela v. decisão a quo, no sentido de que as receitas de atos cooperativos somente foram postas a margem da tributação pela CSLL com a promulgação do art. 39, da Lei 10.865/2004 que fala em isenção, uma vez que o art. 111, da Lei 5.764/71 já previa com status de regra geral em matéria tributária a não incidência da CSLL sobre estas rendas. Desta forma, cabe ao intérprete privilegiar a interpretação que garante a higidez constitucional das disposições das Leis 7.689/88 e 8.212/91, harmonizandoas com o art. 111 da lei do cooperativismo. Fl. 1212DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10925.001946/200619 Acórdão n.º 1201000.487 S1C2T1 Fl. 11 11 4 Dispositivo Isso posto, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente o lançamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Conselheiro Relator Fl. 1213DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 27/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 05/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 10680.925314/2016-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2015
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.939
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 14 /2 01 6- 34 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10680.925314/201634 Acórdão n.º 3301004.939 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.520. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10680.925314/201634 Acórdão n.º 3301004.939 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10680.925314/201634 Acórdão n.º 3301004.939 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10680.925314/201634 Acórdão n.º 3301004.939 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10680.925314/201634 Acórdão n.º 3301004.939 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001474/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO APURADO. BASE A COMPENSAR.
Se a fiscalização equivocadamente desconsiderou a compensação de prejuízo existentes em períodos mais remotos, impende-se afastar tal interpretação e reconhecer a possibilidade de utilização do referido prejuízo apurado à razão do limite de 30%.
RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO
Cabe ao Contribuinte a comprovação de receitas de exportação para que essas sejam decotadas da base de cálculo do imposto. Tendo sido oportunizado tal comprovação e restando silente o contribuinte, deve ser mantida a autuação.
Numero da decisão: 1401-002.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para decotar o valor de R$875,76 relativos ao PIS do primeiro semestre de 2003, bem assim para permitir a dedução dos prejuízos fiscais acumulados e da base de cálculo negativa da CSLL, ainda existentes, no limite de 30%.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO APURADO. BASE A COMPENSAR. Se a fiscalização equivocadamente desconsiderou a compensação de prejuízo existentes em períodos mais remotos, impendese afastar tal interpretação e reconhecer a possibilidade de utilização do referido prejuízo apurado à razão do limite de 30%. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO Cabe ao Contribuinte a comprovação de receitas de exportação para que essas sejam decotadas da base de cálculo do imposto. Tendo sido oportunizado tal comprovação e restando silente o contribuinte, deve ser mantida a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para decotar o valor de R$875,76 relativos ao PIS do primeiro semestre de 2003, bem assim para permitir a dedução dos prejuízos fiscais acumulados e da base de cálculo negativa da CSLL, ainda existentes, no limite de 30%. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 14 74 /2 00 7- 56 Fl. 1275DF CARF MF 2 Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Contra a sociedade acima qualificada foi(ram) lavrado(s) o(s) Auto(s) de Infração de fls. 14 a 35, exigindolhe o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no montante de R$ 1.380.258,83 (um milhão, trezentos e oitenta mil, duzentos e cinqüenta oito reais e oitenta e três centavos), aí incluídos multa por lançamento de ofício e juros moratórios. O lançamento de IRPJ, de que decorrem os demais, originouse da verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte da interessada, ocasião em que se constataram as seguintes infrações: 001 – OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de Receitas caracterizada pelo não oferecimento à tributação dos valores decorrentes da venda de produtos exportados, conforme exposto no Relatório de Auditoria Fiscal, anexo. [...] 002 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE CUSTOS Valor apurado conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal. O Relatório de Auditoria Fiscal consigna (fls. 8 a 13): [...] 3.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 3.1.1 – Não Oferecimento de Receita Decorrente de Venda de produtos Para Exportação. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 13609.001474/200756 Acórdão n.º 1401002.829 S1C4T1 Fl. 1.276 3 Nos períodos fiscalizados a empresa produziu equipamentos a serem remetidos para o exterior, sendo algumas vendas com exportação direta, e outras realizadas através da empresa Cimento Rio Branco S.A. Todas estas receitas foram excluídas da tributação em 2003 e 2004. Conforme legislação aplicável, o lucro oriundo de exportação de produto manufaturado, com exceção do lucro da exploração decorrente de exportação incentivada Befiex, se sujeita à mesma tributação aplicável às pessoas jurídicas em geral. [...] Sob o título “3.1.2 – Glosa de Custos. Não Comprovação da Efetividade de Serviços”, o Autor do feito escreve que a interessada, no anocalendário de 2003, contabilizou “Custos de Serviços Prestados” alegadamente prestados por pessoas jurídicas que se declararam inativas em suas DIPJ – Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica. Informa também que a interessada não logrou esclarecer a natureza dos referidos serviços. Mais adiante, com respeito a estes mesmos custos, aduz o autuante: [...] Ano Calendário de 2003 – A fiscalizada se sujeita ao Regime de Não Cumulatividade e adota como metodologia de apuração dos créditos a serem deduzidos do valor da contribuição à aplicação da alíquota da contribuição sobre o somatório mensal das contas do grupo 4100 Custos Industriais, deduzidos dos valores do ICMS e do IPI recuperados. [...] Em razão da não comprovação das efetividades dos serviços citados nas notas fiscais indicadas no item 3.1.1 acima, gloso os valores dos créditos de PIS delas decorrentes, devendo a fiscalizada retificar sua escrituração de controle dos débitos e créditos do PIS. No tópico “3.2 – Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, – 3.2.1 – Não Oferecimento de Receita de Vendas no Mercado Interno”, volta às receitas de vendas feitas a Cimento Rio Branco S.A. para afirmar que, conforme a legislação aplicável, somente “não são devidas a Contribuição para o PIS sobre as receitas decorrentes de exportação de mercadorias para o exterior”; assim, nenhuma venda realizada no mercado interno poderia ser considerada isenta de PIS. Com respeito à Cofins, tece considerações equivalentes (ver tópico 3.3.1). O Autor do feito acrescenta que, a teor da legislação vigente, “os valores despendidos com serviços prestados por pessoa física” não geram créditos de PIS, tendo sido glosados os correspondentes lançamentos indevidos realizados durante o anocalendário de 2004 na conta 512281 – “Serviços Prestados Por Pessoa Física”. Observações de mesmo teor são feitas em relação à Cofins, no tópico 3.3.3. No título “3.3.2”, o autuante enumera diversas exclusões indevidas da base de cálculo da Cofins, realizadas nos anoscalendário de 2003 e 2004. Esclarece haver intimado a contribuinte a justificar tais exclusões, sem resposta. Fl. 1277DF CARF MF 4 À fl. 10, deparase com o seguinte: No Termo de Início de Fiscalização a empresa foi intimada a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, porém não o apresentou. De acordo com informação do contador o livro não foi encontrado. Assim, não foram compensados possíveis prejuízos fiscais apurados no ano calendário de 2002, conforme consta em sua DIPJ. Ciente em 6 de novembro de 2007 (fl. 14), a interessada apresentou, em 6 de dezembro de 2007 (fls. 909 e 930), a impugnação de fls. 417 a 432, a seguir resumida. Aduz que os pedidos de compra feitos por Cimento Rio Branco S/A, CNPJ 64.132.236/002370, indicariam tratarse de mercadoria destinada a exportação, a par da correspondente legislação. Diz também que os itens produzidos seriam entregues no terminal marítimo pelo qual teriam sido embarcados para o exterior. Alega que algumas notas fiscais consideradas pelo Autor do feito como atinentes a exportação acobertariam, na realidade, vendas para entrega futura. Argumenta que as receitas de exportação, tanto diretas quanto indiretas, seriam imunes à CSLL. Entende que a glosa de custos seria indevida. Afirma, mencionando o artigo 344 do RIR/1999, que os valores de PIS e da Cofins cobrados no presente processo deveriam ser deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Pede a compensação de prejuízos acumulados e de bases negativas de cálculo de CSLL. Diz que a NF n° 000342 referirseia a devolução de material e não a venda, além de apontar divergência em seu valor. Finda requerendo: [...] o acolhimento da presente defesa, para que, nos termos dos Fundamentos expendidos acima, anulemse, cancelemse ou se julguem totalmente improcedentes os Autos de Infração em tela e, via de consequência, o crédito tributário neles pretendido. Por outro lado, a contribuinte requer, expressamente, a juntada posterior de documentos, bem como a realização de diligências para que se investigue no Siscomex o registro das exportações dos bens que a Impugnante vendeu à cimento Rio Branco. Aliás, independentemente disso, a contribuinte pede a intimação da Cimento Rio Branco para que ela informe o seu número de inscrição na SECEX e apresente os documentos que comprovam que ela exportou os equipamentos que lhe foram vendidos pela Impugnante. Em 15 de janeiro de 2008, a interessada juntou o documento de fl. 916, no qual requeria a “ juntada das Notas Fiscais de Prestação de Serviços n°s. 11 (de R$ 11.495,45) e 12 (de R$ 13.031,23)”, alegando nova divergência entre seu valor de face e aquele que foi comutado como receita. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 13609.001474/200756 Acórdão n.º 1401002.829 S1C4T1 Fl. 1.277 5 A DRJ resolveu, em 23 de julho de 2009, converter o julgamento em diligência, solicitandose à origem que averiguasse: a) se Cimento Rio Branco S.A., CNPJ 64.132.236/002370, à época dos fatos geradores aqui indicados, encontravase registrada na Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, na qualidade de empresa exportadora; b) se as mercadorias acobertadas pelas notas fiscais foram efetivamente exportadas; e c) a natureza das notas fiscais supostamente relativas a entrega futura e devolução de mercadorias. Após diversos procedimentos, a DRF de origem informou (fls. 1.011 a 1.016): [...] 7. Analisadas as informações prestadas nas diligências realizadas e a documentação acostada ao processo, passo a responder o que foi pedido no item 6 da Resolução 1.151, às fls. 919 verso: 7.1. Alínea "a": se Cimento Rio Branco S/A encontravase registrada na SECEX como empresa exportadora à época dos fatos geradores. Foi consultada a Secretaria de Comércio Exterior SECEX, através dos relatórios disponibilizados no endereço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foi constatado que Cimento Rio Branco S.A., CNPJ 64.132.236/002370 encontravase registrada naquele órgão, em 2003, na qualidade de empresa exportadora, planilha que ora juntamos. 7.2. Alínea "b": se as mercadorias acobertadas pelas notas fiscais foram efetivamente exportadas. Com base na resposta da Votorantim, item 6.3 desta informação fiscal, nada restou comprovado. Foi consultado o sistema SICOMEX e obtida a relação dos Registros de Exportação 2003 do estabelecimento 64.132.236/002370, cuja cópia está sendo anexada apenas ao processo administrativo por se tratar de documento da Cimento Rio Branco. Notadamente, alguns itens foram efetivamente correlacionados às mercadorias fornecidas pela Engemac, por conterem esta informação no campo Descrição Produtos Exportação, conforme tabela abaixo, resultante da aplicação de filtros sobre o arquivo do Sicomex. Observase que não há menção ao número da nota fiscal da Engemac. [...] Fl. 1279DF CARF MF 6 Tentei associar o Registro de Exportação RE ao número das notas fiscais e verifiquei que não é possível fazêlo com segurança porque as descrições dos produtos exportados não correspondem à descrição dos produtos nas notas fiscais. Da mesma forma, há divergência de valores, de datas, enfim, impossível afirmar conclusivamente se os produtos acobertados pelas notas fiscais analisadas a seguir foram realmente exportados. [...] 7.3. Alínea "c": Não foi possível comprovar se as notas fiscais relacionadas no item 3.3.1 referemse realmente a vendas para entrega futura, considerando que não foram exibidos contratos de prestação de serviços, pedidos de compra ou outros documentos comprobatórios. No corpo das mencionadas notas fiscais encontrase consignado no campo CFOP o código 6116 vendas de produção do estabelecimento para entrega futura e assim elas foram lançadas nos livros fiscais. Nos casos de emissão de notas fiscais por conta de encomenda de bens ou serviços a serem entregues ou prestados futuramente, o vendedor transformase em simples depositário das mercadorias que continuam em seu poder, embora não seja mais seu efetivo proprietário. Neste caso, não existe nada que o impeça de efetuar normalmente o registro contábil da receita da transação. Apenas no caso de não possuir os produtos transacionados é que se distingue contabilmente a venda para entrega futura, mediante a utilização de contas do tipo "Faturamento para Entrega Futura" redutora da conta "Clientes Venda para Entrega Futura". Portanto, do ponto de vista da escrituração contábil, nada restou comprovado. 8. Por fim, inteiro teor da presente Informação Fiscal está sendo enviada ao sujeito passivo para conhecimento e apresentação de razões finais se assim entender, no prazo de 30 (trinta) dias corridos a partir do recebimento via postal, com AR Aviso de Recebimento. [...] Ciente do resultado da diligência, a interessada, de fls. 1.025 a 1.027, reiterou seu entendimento de que a diligência haveria confirmado a exportação das mercadorias vendidas à Rio Branco. Julgado o processo em primeira instância foi mantida em parte a autuação, restando a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 13609.001474/200756 Acórdão n.º 1401002.829 S1C4T1 Fl. 1.278 7 As receitas obtidas por exportação são tributáveis pelo IRPJ. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES Não são dedutíveis, na determinação do lucro real, os impostos e contribuições cujo lançamento haja sido impugnado. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ACUMULADOS E BASES NEGATIVAS DE CSLL Inexiste previsão legal que autorize tal compensação em sede de contencioso administrativo, quando o próprio contribuinte não manifestou o desejo de valerse desta benesse no momento da apresentação da DIPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação no que remanesceu do lançamento. Alegou ainda um erro de julgamento pois apesar de ter sido julgado como legítimo um crédito de PIS de R$875,76 essa diferença não foi computada na tabela do resultado do julgamento, conforme demonstrado abaixo: Vieram os autos a esse Conselho para julgamento quando foram convertidos em diligência para: 01) Investigar os valores dos Prejuízos Fiscais e da Base Negativa da CSLL ainda não compensados, ou seja, passíveis de compensação, a partir de confronto do Sapli e do Lalur, no limite da trava de 30%; 02) Com relação ao outro item da autuação (omissão de receitas/receitas de exportação para comercial exportadora) elaborar tabela correlacionando descrição da nota fiscal/descrição encontrada no Siscomex; Data da nota fiscal e data do registro no Siscomex com valores assemelhados. Fazer constar também os respectivos valores para análise dessas diferenças. Retornaram os autos da diligência onde ficou constatado: Fl. 1281DF CARF MF 8 01) Que a contribuinte possui crédito de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL acumulados em 2003 de R$87.048,32 e em 2004 de R$114.652,21. 02) Com relação às receitas de exportação. O relatório não foi conclusivo, tendo em vista que não há corelação entre as notas fiscais da autuada e as notas fiscais de exportação. Este é o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Com relação à compensação requerida, conforme diligência realizada, a recorrente realmente apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa e que nenhuma compensação foi realizada em 2003. E que também a recorrente apurou prejuízo no quarto trimestre de 2004 bem como sua base de cálculo negativa da CSLL no fim do ano atingiu R$114.652,21. Assim, conduzo meu voto nos sentido de permitir a dedução dos prejuízos acumulados, bem como a base de cálculo negativa da CSLL à razão de 30%. Já em referência ao erro ocorrido no julgamento onde foi considerado o crédito de PIS do primeiro semestre de 2003, no valor de R$875,76, realmente há um erro de lançamento e o valor deve ser decotado da base do PIS a razão do valor acima delimitado. Assim, dou provimento em relação ao erro cometido para decotar do PIS devido o valor de R$875,76. Quanto ao erro de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e da possibilidade da dedutibilidade do PIS e da COFINS, acredito que razão assiste ao recorrente. A fiscalização deveria ter lançados os valores do IRPJ e da CSLL já deduzindo os valores que foram autuados a título do PIS e da COFINS. Assim, permito a dedução dos valores do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Com relação aos demais itens, a diligência realizada não foi suficiente para comprovar o direito da recorrente. Caberia a essa demonstrar seu direito, bem como após o relatório da diligência, tentar demonstrar que as provas eram suficientes para comprovar o alegado. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 13609.001474/200756 Acórdão n.º 1401002.829 S1C4T1 Fl. 1.279 9 Contudo,apesar de regularmente intimada, restou silente a recorrente, sem ao menos argumentar o relatório final. Com isso, a recorrente demonstrou um descaso com as autoridades fiscais que estão empenhadas em busca da verdade real. Pelo acima exposto, nego provimento ao recurso com relação à comprovação de que as mercadorias foram realmente exportadas e mantenho a decisão da DRJ por seus próprios fundamentos. Assim, pelas razões acima, dou provimento parcial ao Recurso para decotar o PIS a razão de R$875,76 e permitir a dedutibilidade do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. bem assim para permitir a dedução dos prejuízos fiscais acumulados e da base de cálculo negativa da CSLL, ainda existentes, no limite de 30%. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 1283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.939147/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
INÉPCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Mesmo em respeito à busca da verdade material e do devido processo legal, expressamente consubstanciado no Decreto 70.235/72 e Lei 9718/92, que regulam o processo administrativo fiscal, se o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, por não ter apresentado as provas necessárias e, também não apresentou os fundamentos legais de sua contestação, não há como conhecer a Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 3201-004.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 INÉPCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Mesmo em respeito à busca da verdade material e do devido processo legal, expressamente consubstanciado no Decreto 70.235/72 e Lei 9718/92, que regulam o processo administrativo fiscal, se o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, por não ter apresentado as provas necessárias e, também não apresentou os fundamentos legais de sua contestação, não há como conhecer a Manifestação de Inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2003 A 31/12/2003 INÉPCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Mesmo em respeito à busca da verdade material e do devido processo legal, expressamente consubstanciado no Decreto 70.235/72 e Lei 9718/92, que regulam o processo administrativo fiscal, se o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, por não ter apresentado as provas necessárias e, também não apresentou os fundamentos legais de sua contestação, não há como conhecer a Manifestação de Inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 91 47 /2 00 8- 86 Fl. 277DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 164 interposto em face da decisão de primeira instância da DRJ/PA de fls. 145, que manteve o Despacho Decisório de fls. 61, que não homologou as compensações solicitadas, com alegados créditos de IPI. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância: Tratase das PER/DCOMP n° 21579.00095.150704.1.3.010557, transmitida em 15/07/2004, e n° 21915.99437.130105.1.3.01 5987, transmitida em 13/01/2005, pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito resultante de ressarcimento de IPI referente ao 3 o trimestre de 2003, no valor de R$ 86.055,97, a ser compensado com débitos no valor R$ 79.349,54. A Delegacia de origem, em análise ao pleito (fl. 58), constatou que: "Valor do crédito solicitado/utilizado: 79.349,54. Valor do crédito reconhecido: 0,00. O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão dos seguintes motivos: Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos; Consta/ação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 21579.00095.150704.1.3.010557 e 21915.99437.130105.1.3.01 5987" Cientificada em 18/10/2008 (fl. 137), a interessada apresentou tempestivamente, em 12.12.2008, manifestação de inconformidade na qual alegou (fl. 59): "Os períodos em referência tem saldo passível de ressarcimento dos débitos declarados, ademais o saldo credor do livro de apuração de IPI é suficientemente credor para os débitos, o fato ocorrido foi que houve um erro material no preenchimento da PER/DCOMP saldo credor do período em referência. Requer conforme documentos em anexos a quitação do referido débito deste processo com a providência de retificar a PER/DCOMP em questão ". È o relatório." A decisão de primeira instância da DRJ/PA foi publicada com a seguinte Ementa: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15374.939147/200886 Acórdão n.º 3201004.045 S3C2T1 Fl. 278 3 "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, a impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Direito Creditório Não Reconhecido." O processo digital foi distribuído e pautado nos moldes do regimento interno vigente. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O mérito, que trata da comprovação da origem, certeza e liquidez dos créditos solicitados, foi contestado de forma muito breve e sucinta, conforme a Manifestação de Inconformidade integralmente transcrita a seguir: Fl. 279DF CARF MF 4 Por si, a simples contestação não foi suficiente para que a Manifestação de Conformidade fosse conhecida. Mesmo em respeito à busca da verdade material e do devido processo legal, expressamente consubstanciado no Decreto 70.235/72 e Lei 9718/92, que regulam o processo administrativo fiscal, se o contribuinte não cumpriu com os ditames estabelecidos nos Art. 16 e 17 do Decreto 70.235/72, que regula o PAF, por não ter apresentado as provas necessárias e, também não apresentou os fundamentos legais de sua contestação, não há como conhecer a Manifestação de Inconformidade. Portanto, inepta. Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 15374.939147/200886 Acórdão n.º 3201004.045 S3C2T1 Fl. 279 5 Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720190/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 3302-005.866
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
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Recorrente INDUSTRIA NACIONAL DE COLCHOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 90 /2 01 1- 44 Fl. 38DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Aproveitase o Relatório apresentado no Acórdão de Impugnação: Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DACON com exigência de crédito tributário no valor de R$ 500,00 e acréscimos legais, período de apuração 05/2010. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2 a 4) contra o lançamento alegando que em 2009 a empresa era optante pelo Simples Nacional e mudou o regime tributário para Lucro Presumido em Jan/2010, passando a ser obrigada a apresentação do Dacon mensal. Acrescenta que a empresa apresentou o Dacon espontaneamente, para a simples regularização de sua situação cadastral na RFB, uma vez que os impostos foram quitados no período. Ressalta o debate em torno do tema nos tribunais e a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso de confissão espontânea. Cita jurisprudência, o art. 138 do CTN, a Constituição Federal de 1988, o Decreto 2124/84 e a IN 124/86, em sua argumentação. Defende que a multa aplicada por atraso na entrega da Dacon não tem fundamento na lei e portanto é ilegal. Em 18 de dezembro de 2012, a segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: o argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A INDUSTRIA NACIONAL DE COLCHOES foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 03/01/2013 (folhas 25). A INDUSTRIA NACIONAL DE COLCHOES ingressou com Recurso Voluntário em 04/02/2013, de folhas 27 a 35. Foi alegado que: O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13749.720190/201144 Acórdão n.º 3302005.866 S3C3T2 Fl. 3 3 obrigado à apresentação de DACON, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regime passou a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DACON espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na Receita Federal, uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiemamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuintes quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar. Especifícamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen". DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 03 de janeiro de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 25 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 04 de fevereiro de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta a questão da Denúncia Espontânea. Fl. 40DF CARF MF 4 Passase à análise. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: Ø n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Ø n° 19200.096, de'o6/10/2008; Ø n° 0709.410, de 30/05/2008; Ø n° 10196.625, de 07/03/2008; Ø n° 10516.674, de 14/09/2007; Ø n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13749.720190/201144 Acórdão n.º 3302005.866 S3C3T2 Fl. 4 5 A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 42DF CARF MF 6 Jorge Lima Abud. Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13932.720069/2017-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO DE DÉBITO. DESISTÊNCIA DA AÇÃO OU RENÚNCIA EXPRESSA AO DIREITO SOBRE O QUAL SE FUNDA A DEMANDA.
Segundo a orientação jurisprudencial do colendo STJ, ao aderir aoparcelamento, o contribuinte confessa e reconhece como devido o valor cobrado na ação fiscal e declara a sua vontade de pagar a dívida junto à Fazenda Pública. Nestes termos, a adesão ao parcelamento torna incompatível o prosseguimento da ação fiscal, para discussão do débito que o próprio contribuinte reconheceu como devido espontaneamente, tendo-se em vista que a adesão não é imposta pelo fisco, mas sim uma faculdade dada à pessoa que, ao optar pelo programa, sujeita-se às regras nele constantes.
Numero da decisão: 2001-000.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO DE DÉBITO. DESISTÊNCIA DA AÇÃO OU RENÚNCIA EXPRESSA AO DIREITO SOBRE O QUAL SE FUNDA A DEMANDA. Segundo a orientação jurisprudencial do colendo STJ, ao aderir aoparcelamento, o contribuinte confessa e reconhece como devido o valor cobrado na ação fiscal e declara a sua vontade de pagar a dívida junto à Fazenda Pública. Nestes termos, a adesão ao parcelamento torna incompatível o prosseguimento da ação fiscal, para discussão do débito que o próprio contribuinte reconheceu como devido espontaneamente, tendo-se em vista que a adesão não é imposta pelo fisco, mas sim uma faculdade dada à pessoa que, ao optar pelo programa, sujeita-se às regras nele constantes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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DESISTÊNCIA DA AÇÃO OU RENÚNCIA EXPRESSA AO DIREITO SOBRE O QUAL SE FUNDA A DEMANDA. Segundo a orientação jurisprudencial do colendo STJ, ao aderir aoparcelamento, o contribuinte confessa e reconhece como devido o valor cobrado na ação fiscal e declara a sua vontade de pagar a dívida junto à Fazenda Pública. Nestes termos, a adesão ao parcelamento torna incompatível o prosseguimento da ação fiscal, para discussão do débito que o próprio contribuinte reconheceu como devido espontaneamente, tendose em vista que a adesão não é imposta pelo fisco, mas sim uma faculdade dada à pessoa que, ao optar pelo programa, sujeitase às regras nele constantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 2. 72 00 69 /2 01 7- 31 Fl. 73DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2015, por meio do qual foram glosadas despesas médicas e com pensão alimentícia, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$ 7.412,76, mais multa e juros. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que seria indevida a glosa de dedução de pensão alimentícia pelo fato de essa pensão ter sido definida em instrumento particular e não em decisão judicial ou em escritura pública, conforme jurisprudência da justiça federal sobre o tema e que as despesas médicas glosadas são relativas a pagamento a plano de saúde e estariam comprovadas com os documentos trazidos com a impugnação. A DRJ Curitiba, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os documentos juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas e da pensão alimentícia. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que aderiu ao programa de parcelamento Pert e que sua adesão já teria sido validada. Assim, desiste de seguir adiante neste processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. No caso em comento verificase a existência da renúncia do direito, do fim da lide, a partir do momento no qual a contribuinte em voga reconheceu o débito, e pagou a primeira parcela do débito outrora discutido. A renúncia ao direito em que se funda a ação é hipótese de solução do mérito do processo (em sentido desfavorável ao autor) prevista no art. 269, V, do CPC. Sustenta DINAMARCO: A renúncia ao direito é o ato unilateral com que o autor dispõe do direito subjetivo que vinha afirmando ter e que, se realmente tivesse, por essa razão deixará de ter. Ou seja, o Contribuinte abre mão do próprio direito material que busca ver reconhecido em juízo. É, em verdade, um ato de direito material, pelo qual a parte, no exercício da autonomia da vontade, regula individualmente seus interesses, dispensando atividade do juiz ou , no caso, este Conselho. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13932.720069/201731 Acórdão n.º 2001000.697 S2C0T1 Fl. 3 3 Tratase, na verdade, de verdadeiro impedimento ao conhecimento do mérito pelo juízo, por ato unilateral da parte, e, bem por isso, a sentença que a reconhece é chamada por DINAMARCO de falsa sentença de mérito, pois, como observa THEODORO JÚNIOR, “demitindo de si a titularidade do direito que motivou a eclosão da lide, o autor elimina a própria lide. E sem lide, não pode haver processo, por falta de objeto”. Ao prever a renúncia como hipótese de solução do mérito, o que a lei faz é emprestar eficácia de coisa julgada material à sentença que a homologa, ainda que não tenha havido cognição judicial sobre o litígio, reconhecendo na hipótese verdadeira autocomposição da lide. Bem por isso, a renúncia, por se tratar de “auto despojamento voluntário de direito disponível da parte, o que é viável em qualquer época, com ou sem processo”, isto é, pode ser exercida a qualquer tempo ou grau de jurisdição, mesmo porque seria igualmente possível a renúncia a direito já reconhecido por sentença passada em julgado. Verdadeiro ato de direito material, por ele é limitada: são insuscetíveis de renúncia os direitos indisponíveis, por exemplo. Sendo assim, tendo em vista que a renúncia e a desistência independem da concordância da parte contrária e de homologação judicial, e os seus efeitos ocasionam o trânsito em julgado antecipado da decisão, tendo em vista que no caso em comento verificase uma hipótese clara de renúncia do direito a partir do momento em que a Contribuinte confirma a adesão ao programa de parcelamento, não há que se falar em análise de mérito. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, NÃO CONHECER o recurso voluntário. Fernanda Melo Leal. Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.723140/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
Simples Nacional. Prática Reiterada de Infração. Dolo. Exclusão.
É cabível a exclusão do Simples Nacional na segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a Fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo.
Simples Nacional. Escrituração Contábil. Falta de Identificação da Movimentação Bancária. Exclusão.
É cabível a exclusão do Simples Nacional da empresa cuja escrituração contábil não identifique a movimentação bancária do período.
Numero da decisão: 1301-003.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 Simples Nacional. Prática Reiterada de Infração. Dolo. Exclusão. É cabível a exclusão do Simples Nacional na segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a Fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Simples Nacional. Escrituração Contábil. Falta de Identificação da Movimentação Bancária. Exclusão. É cabível a exclusão do Simples Nacional da empresa cuja escrituração contábil não identifique a movimentação bancária do período.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. DOLO. EXCLUSÃO. É cabível a exclusão do Simples Nacional na segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a Fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. SIMPLES NACIONAL. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. EXCLUSÃO. É cabível a exclusão do Simples Nacional da empresa cuja escrituração contábil não identifique a movimentação bancária do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 31 40 /2 01 3- 73 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 13855.723140/201373 Acórdão n.º 1301003.364 S1C3T1 Fl. 612 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por F & F PEREIRA LTDA. EPP, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0130.952, da 2ª Turma da DRJ Belém, que negou provimento à impugnação da recorrente, confirmando o Ato Declaratório Executivo nº 02/2014 que a excluíra do Simples Nacional. A autoridade administrativa fundamentou o ato de exclusão em dois motivos independentes e autônomos. O primeiro foi a prática reiterada de infração a dispositivo legal (art. 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006). O segundo, a falta de identificação do movimento bancário ocorrido no período (art. 29, inciso VIII, da mesma lei). No que tange à prática reiterada de infração, foram apontadas pela autoridade fiscal dois ilícitos distintos: a) omissão de receita na venda de veículos, operações essas contabilizadas incorretamente como venda de bens do ativo imobilizado; e b) enquadramento dos serviços prestados no Anexo III da LC Nº 123, quando o correto seria no Anexo IV. Tal irregularidade resultou no recolhimento de quantia menor do que a devida a título de contribuição previdenciária patronal. Diante disso, expediuse o ADE nº 02/2014, que estava preordenado a produzir efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2011. Contra ele foi apresentada impugnação, a que a DRJ BEL negou provimento em arcórdão resumido da seguinte forma: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. Consoante o disposto nos artigos 29 e 30, da Lei Complementar n° 123, de 2006, é cabível a exclusão de ofício das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando constatada a prática reiterada de infração pela ocorrência de omissão de rendimentos praticada em meses sucessivos. Para fins de exclusão de empresa do Simples, considerase prática reiterada de infração à legislação tributária como sendo aquela prática habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13855.723140/201373 Acórdão n.º 1301003.364 S1C3T1 Fl. 613 3 Não resignada, F & F Pereira interpôs recurso. Disse ter por objeto social o comércio varejista de animais vivos e alimentos para animais de estimação. Exerce ainda outras atividades secundárias, todas compatíveis com o Simples. Afirmou jamais ter infringido qualquer disposição da LC nº 123/2006 ou qualquer das resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN. Quanto à escrita contábil, garantiu que nela havia regular registro da movimentação financeira. O Fisco é que não fez prova dos fatos alegados, nem intimou a recorrente a apresentar extratos bancários, a fim de identificar a movimentação financeira, a qual estava suficientemente demonstrada pelas entradas e saídas de mercadorias, pelo registro de valores pagos e recebidos em decorrência de vendas e aquisição de mercadorias e prestação de serviços. No que toca à movimentação bancária, propriamente dita, afirmou não estar obrigada a escriturála, pois na LC nº 123/2006 não existe nenhum dispositivo que a tanto a obrigue. A recorrente não teria obrigação legal de registrar a movimentação bancária, pois a Constituição Federal garante o sigilo de dados. A proteção constitucional da intimidade, da vida privada e do sigilo da comunicação e dos dados encontra respaldo no art. 5º da Constituição Federal. Na esteira desse pensamento, sustenta a impossibilidade de a Administração Tributária quebrar o sigilo bancário do contribuinte. Arremata dizendo que o Fisco é terceiro na relação entre a instituição financeira e o cliente. O segundo fundamento para excluíla do Simples foi a prática reiterada de infrações. A recorrente negou a primeira infração apontada pelo Fisco, dizendo que os veículos vendidos eram usados, adquiridos com o objetivo de revenda. Assim, a forma de tributação do ganho advindo dessa atividade havia de observar a sistemática do art. 5º da Lei n° 9.716/1998. Admitiu ter havido erro material ao classificar às operações, no momento de emitir as notas fiscais. Isso, contudo, não trouxe prejuízo à tributação. Ressaltou que, entre as atividades econômicas exercidas, estava a compra e venda de veículos seminovos e usados para posterior revenda. Esclareceu que, de acordo com a Lei nº 9.503/1997 e outros atos normativos do Conselho Nacional de Trânsito Contran, veículo novo não está sujeito a registro, nem a licenciamento. Depois de registrado e licenciado, o veículo perde a condição de novo. Estando registrados e licenciados, os veículos vendidos pela recorrente já não ostentavam a condição de novos, o que automaticamente atraia a aplicação da regra do art. 5º da Lei nº 9.716/1998. A outra infração consistiu, segundo o Fisco, na tributação das receitas de prestação de serviços segundo as alíquotas do Anexo III da LC nº 123/2006. O Fisco entendeu que o correto seria aplicar o Anexo IV. A recorrente assegurou que grande parte dos serviços por ela prestados se enquadrava no Anexo III. Para comproválo, citou os contratos que instruem a própria representação fiscal. A prova dessa arfimação estaria nos contratos de fls. 290 a 291, 295 a 296, 318 a 319, 342 a 346 e 400 à 412. Quanto aos serviços de conservação e limpeza, as receitas foram tributadas segundo as regras do Anexo IV da LC nº 123/2006. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 13855.723140/201373 Acórdão n.º 1301003.364 S1C3T1 Fl. 614 4 Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, é importante não perder de vista que o objeto deste processo não é a constituição, nem a exigência de crédito tributário, mas a exclusão do Simples Nacional. O que se deve verificar, portanto, é se está comprovada a situação que, descrita no ADE, rendeu ensejo a excluir a recorrente do regime diferenciado e favorecido das microempresas e empresas de pequeno porte. O ADE nº 02/2014, da DRF Franca (fls. 8 e 9), trouxe dois fundamentos distintos e autônomos para justificar a exclusão. São eles: "a prática reiterada de infração a dispositivo legal" e "não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária". O sentido da expressão prática reiterada de infração é dado pelo § 9º do art. 29 da LC nº 123/2006, introduzido pela Lei Complementar nº 139/2011. Como se trata de norma interpretativa, aplicase retroativamente, como prescreve o art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. A prática reiterada de infração é prevista como causa de exclusão do Simples no inciso V do art. 29 da LC nº 123/2006, assim redigido: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; O texto, de forma expressa, indica que a infração que dá causa à exclusão do Simples, quando reiteradamente praticada, é a aquele que implica violação aos dispositivos da LC nº 123/2006. Não se trata de descumprimento de uma norma qualquer da legislação tributária, mas daquilo que dispõe a LC nº 123/2006. Se não fosse assim, o texto, ao invés de se reportar ao disposto neste lei complementar, diria ao disposto na legislação tributária, como o faz o CTN em vários de seus dispositivos. No caso da LC nº 123/2006, não seria nenhum absurdo o emprego da expressão genérica legislação tributária, já que o Simples Nacional abarca tributos federais, estaduais e municipais, estando as empresas que nele ingressam Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13855.723140/201373 Acórdão n.º 1301003.364 S1C3T1 Fl. 615 5 sujeitas à legislação tributária das três entidades tributantes. Ainda assim, o texto legal restringiu o alcance da norma às violações dos dispositivos da LC nº 123/2006. Nessa linha de raciocínio concluise que a exclusão depende de que seja demonstrado o dispositivo da LC nº 123/2006 cuja violação tenha ocorrido de forma reiterada. Isso impede que ilícitos administrativos de menor gravidade, no âmbito da legislação específica de cada tributo, possa dar azo a exclusão do Simples Nacional. Seja como for, é necessário examinar o conceito de prática reiterada dado pelo § 9º do art. 29, para saber se, no caso concreto, se materializou a hipótese legal. Eis o dispositivo: § 9º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. O § 9º contempla duas situações distintas. A primeira fala em infrações idênticas, verificadas em mais de um período de apuração, nos últimos cinco anos, formalizadas em auto de infração ou notificação de lançamento. As infrações referidas no inciso I são as praticadas sem dolo, sem intenção de fraudar. A existência de auto de infração anterior (nos últimos cinco anos) é indispensável para caracterizar a reiteração. Destarte, se a autoridade fiscal fiscalizar dois anos e encontrar uma determinada infração cometida em todos os meses pelo fiscalizado, não se poderá iniciar qualquer procedimento de exclusão do Simples com base na reiteração do ilícito, já que não existe auto de infração anterior colhendo infração idêntica. Ao contrário, se a auditoria fiscal abrangesse apenas um ano e apurasse a prática de certa infração, efetuando a respectiva autuação, e, depois, em nova auditoria abrangendo períodos subsequentes, fosse encontrada a prática do mesmo ilícito, aí sim caberia a exclusão do Simples Nacional. A razão para esse tratamento é a seguinte: ao ser autuado, o contribuinte, que agia de boa fé, passa a ter formalmente ciência do entendimento do Fisco acerca da matéria. Assim, tem ele a possibilidade de espontaneamente corrigir o procedimento adotado (em períodos não abrangidos pela fiscalização antes realizada), e passar a observar, para o futuro, o entendimento que ao Fisco parece correto. Não o fazendo, ficará sujeito à nova autuação e à exclusão do Simples por infração reiterada. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13855.723140/201373 Acórdão n.º 1301003.364 S1C3T1 Fl. 616 6 É por isso que, sem auto de infração ou notificação de lançamento, nos últimos cinco anos, não se tem como caracterizada a reiteração. Já no item II, temse a infração dolosa, praticada com intuito de fraude. Nesse caso, em que o fiscalizado age com inequívoca máfé, não se exige a existência de lançamento anterior (nos últimos cinco anos) colhendo idêntica infração. Basta que o ilícito se reproduza em dois ou mais períodos, ainda que constatados na mesma auditoria fiscal, para que se materialize a reiteração que autoriza excluir do Simples Nacional o infrator. No presente caso, o que se tem é a existência de duas infrações distintas, sendo uma delas a omissão de receitas, que foi apenada com multa qualificada, em auto de infração objeto do processo nº 13855.720480/201423 (apensado a este processo). O lançamento, incluindo a multa qualificada, foi mantido no Acórdão nº 0131.360, da 1ª Turma da DRJ Belém, que entendeu caracterizado o dolo da recorrente. Neste processo, não cabe rediscutir se existiu a infração e tampouco se foi praticada com dolo. Deve ser considerado o quanto decido no processo em que se discutia a infração. Nele a multa qualificada foi mantida. Portanto, a prática reiterada de infração está caracterizada, na forma do § 9º, inciso II, do art. 29 da LC nº 123/2006. A par desse fato, existe ainda outro fundamento para a exclusão do Simples, que é a falta de identificação, no Livro Caixa, da movimentação bancária da recorrente. A própria recorrente admitiu que não identificou os lançamentos nas contas bancárias, pois sustenta não estar obrigada a fazêlo, porquanto tais informações se acham protegidas sob a garantia do sigilo fiscal. Além disso, a Fiscalização não teria provado o fato, pois não chegou sequer a intimar a recorrente a apresentar os extratos bancários. Em primeiro lugar, este processo não comporta a discussão acerca do sigilo bancário. A LC nº 123/2006 exige, como condição de permanência no Simples Nacional, que a movimentação bancária do contribuinte esteja identificada. Confirase: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; Como se vê, a lei exige a identificação da movimentação financeira, enfatizando que nela se compreende a movimentação bancária. Não há dúvida de que não basta, como supõe a recorrente, identificar a compra e venda de mercadorias e a prestação de serviços. É preciso identificar a movimentação de dinheiro nas contas bancárias. A omissão fica evidenciada, não apenas pelo exame do livro apresentado pela recorrente, mas sobretudo pelo dossiê de fls. 97 a 105, elaborado com dados extraídos de Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF, apresentadas por várias instituições financeiras. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13855.723140/201373 Acórdão n.º 1301003.364 S1C3T1 Fl. 617 7 Notese que não é necessário examinar extratos bancários, o que seria exigível apenas se o objetivo fosse lançar crédito tributário. Aqui bastava constatar que a movimentação financeira não havia sido contemplada no livro caixa. Portanto, também por esse fundamento, a exclusão do Simples Nacional é cabível. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer da impugnação, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 617DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900015/2012-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/03/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.181
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 14/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 00 15 /2 01 2- 83 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10840.900015/201283 Acórdão n.º 9303007.181 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.468, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/03/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.900015/201283 Acórdão n.º 9303007.181 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.900015/201283 Acórdão n.º 9303007.181 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.900015/201283 Acórdão n.º 9303007.181 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.900015/201283 Acórdão n.º 9303007.181 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010918/2008-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem responda aos quesitos abaixo.
a) esclareça quais foram os motivos pelos quais o Despacho do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/CPS determinou o arquivamento dos autos em 28/02/2011, a fim de que se possa aferir ocorrência ou não da preclusão do direito de apresentação de Recurso Voluntário;
b) reconheça, ou não, por qualquer dos meios disponíveis (como registro de controle de protocolo, etc), a legitimidade do carimbo de protocolo eletrônico de recepção do Recurso Voluntário de e-fls. 242, inclusive intimando o Recorrente para apresentação do documento original, se necessário, de modo a que se possa identificar, com exatidão, a data nele aposta;
c) informe se o ora Recorrente era optante do domicílio tributário eletrônico à época dos fatos, e, em caso positivo, se consta algum registro de apresentação de Recurso Voluntário por aquele meio, juntando, inclusive, telas de sistemas e outros documentos que possam comprovar a efetiva ciência comprobatórios
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem responda aos quesitos abaixo. a) esclareça quais foram os motivos pelos quais o Despacho do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/CPS determinou o arquivamento dos autos em 28/02/2011, a fim de que se possa aferir ocorrência ou não da preclusão do direito de apresentação de Recurso Voluntário; b) reconheça, ou não, por qualquer dos meios disponíveis (como registro de controle de protocolo, etc), a legitimidade do carimbo de protocolo eletrônico de recepção do Recurso Voluntário de e-fls. 242, inclusive intimando o Recorrente para apresentação do documento original, se necessário, de modo a que se possa identificar, com exatidão, a data nele aposta; c) informe se o ora Recorrente era optante do domicílio tributário eletrônico à época dos fatos, e, em caso positivo, se consta algum registro de apresentação de Recurso Voluntário por aquele meio, juntando, inclusive, telas de sistemas e outros documentos que possam comprovar a efetiva ciência comprobatórios (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 10 91 8/ 20 08 -1 1 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10830.010918/200811 Resolução nº 1002000.018 S1C0T2 Fl. 293 2 Relatório e Voto Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/CPS nº 358707, datado de 22/08/2008 (efl. 4), que excluiu o ora Recorrente do Simples Nacional em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) indeferiu a Manifestação de Inconformidade por meio do acórdão nº 0531.720 (efl. 217), datado de 17/12/2010, o qual recebeu a seguinte Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO. CONFISSÃO DE DÉBITO. INCONSTITUCIONALIDADE. É suficiente à regularidade de qualquer intimação que tal se faça no domicilio fiscal do Contribuinte. Os valores apontados em GFIP constituem confissão de divida. É vedado à Administração afastar a aplicação da Lei ao fundamento de sua alegada inconstitucionalidade. É causa excludente do Simples Nacional a existência de débito com exigibilidade não suspensa. Em 13/01/2011 o interessado foi cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 0531.720, sendo os autos enviados para arquivo em 28/02/11, via despacho interlocutório de efls. 223, presumivelmente por inexistência ou falta de juntada de Recurso Voluntário. Em preliminar de Recurso Voluntário, o ora Recorrente sustenta que o referido recurso foi protocolizado de forma tempestiva, e que desconhece o motivo pelo qual não foi devidamente processado e remetido ao órgão competente para sua apreciação. Examinando os autos e a alegação do Recorrente, entendo que não há condições de prosseguimento da análise do Recurso Voluntário, eis que pairam dúvidas quanto a sua tempestividade, conforme se explica na seqüência. Em primeiro lugar, constatase, às efl. 223, a existência do comunicado Seort no qual foi juntado o Aviso de Recebimento "AR" indicando a ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade pelo interessado em 13/01/2011. Logo, o termo final para apresentação do Recurso Voluntário foi o dia 14/02/2011, de conformidade com as regras de contagem de prazo estabelecidas no decreto nº 70.235/72 (PAF). Ocorre que o Recorrente apresentou em 07/10/2011 (efls. 241) petição onde requereu a juntada de cópia do Recurso Voluntário supostamente protocolizado em 04/02/2011, na qual pugnou pela tempestividade deste. Entretanto, o carimbo de protocolo eletrônico de recepção aposto no documento de efls. 242 está ilegível, não sendo possível identificar, com clareza, se o recurso foi efetivamente apresentado em 04/02/2011 ou em outra data qualquer na DRF/CPS. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.010918/200811 Resolução nº 1002000.018 S1C0T2 Fl. 294 3 Além disso, causa estranheza o fato de o Recurso Voluntário ter sido apresentado via protocolo de recepção manual e não na forma de solicitação de juntada de documento eletrônico no eprocesso, eis que aos optantes do Simples Nacional é obrigatório à opção pelo domicílio tributário eletrônico. Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem responda aos quesitos abaixo: a) esclareça quais foram os motivos pelos quais o Despacho do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/CPS determinou o arquivamento dos autos em 28/02/2011, a fim de que se possa aferir ocorrência ou não da preclusão do direito de apresentação de Recurso Voluntário; b) reconheça, ou não, por qualquer dos meios disponíveis, a legitimidade do carimbo de protocolo eletrônico de recepção aposto no documento de efls. 242, inclusive intimando o Recorrente para apresentação do documento original, se necessário, de modo a que se possa identificar, com exatidão, a data do protocolo nele aposta; c) informe se o ora Recorrente era optante do domicílio tributário eletrônico à época dos fatos, e, em caso positivo, se consta algum registro de apresentação de Recurso Voluntário por aquele meio, juntando, inclusive, telas de sistemas e outros documentos comprobatórios. Após, cientificar o Recorrente sobre o resultado da diligência e retornar os autos ao Relator para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 294DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.909844/2011-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 16/12/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 16/12/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 44 /2 01 1- 41 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10840.909844/201141 Acórdão n.º 9303007.209 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.497, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 16/12/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10840.909844/201141 Acórdão n.º 9303007.209 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10840.909844/201141 Acórdão n.º 9303007.209 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10840.909844/201141 Acórdão n.º 9303007.209 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10840.909844/201141 Acórdão n.º 9303007.209 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 164DF CARF MF
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