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Numero do processo: 10660.720084/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do Fato Gerador: 22/01/2007, 08/02/2007, 09/02/2007, 14/02/2007, 16/02/2007
Ementa:
PROVAS - A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Cabe a Autoridade Fiscal comprovar a ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a feitura do auto de infração, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Guindastes pneumáticos autopropulsados, acionados por motor a diesel, próprios para elevação e movimentação de cargas, que não são montados sobre caminhões, que possuem cabines e rodas para se deslocar sem depender de carretéis transportadoras, podendo trafegar em rodovias deve ser classificados na posição 8426.41.90 da NCM.
Numero da decisão: 3402-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Winderley Morais Pereira e Fernando Luiz da Gama Lobo DEça.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Cabe a Autoridade Fiscal comprovar a ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a feitura do auto de infração, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Guindastes pneumáticos autopropulsados, acionados por motor a diesel, próprios para elevação e movimentação de cargas, que não são montados sobre caminhões, que possuem cabines e rodas para se deslocar sem depender de carretéis transportadoras, podendo trafegar em rodovias deve ser classificados na posição 8426.41.90 da NCM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 00 84 /2 00 7- 66 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 205 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Winderley Morais Pereira e Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Em ato de Revisão Aduaneira, dentro do procedimento de auditoria das importações realizadas pela empresa Costa Equipamentos Ltda., o Serviço de Fiscalização Aduaneira (SEFIA) da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (CONFINS IRFBH) verificou irregularidade na classificação fiscal das mercadorias importadas e desembaraçadas através das Declarações de Importação (DI) nºs 07/00885280, registrada em 22/01/2007, 07/01735990, registrada em 08/02/2007, 07/01736784, registrada em 08/02/2007, 07/01736903, registrada em 08/02/2007, 07/01796876, registrada em 09/02/2007, 07/02005066, registrada em 14/02/2007, 07/02153960, registrada em 16/02/2007, e 07/02153995, registrada em 16/02/2007, o que deu margem à lavratura, em 19.11.2007, de três Autos de Infração (AI). Em 08 de agosto de 2007, a equipe que iniciou o procedimento de fiscalização, enviando via "AR" o MPFD, n.° 06.1.51.002007002752, e o Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação. O contribuinte foi intimado a apresentar documentos originais relativo as Declarações de Importação (DI), citadas acima, bem como, “packing list”, faturas e notas fiscais de entrada, catálogos técnicos e informação sobre a localização física das máquinas importadas. Tomou ciência dos termos, à época dos fatos, o Sr.Eric Paiva, sócio da empresa Diretriz Informática Ltda, CNPJ n° 22.493.902/000140, que presta serviço para Costa Equipamentos Ltda. Em 28/09/2007, o Sr. Eric Paiva nos acompanhou à visita técnica ao pátio da empresa onde estava o equipamento relacionado nas DI n°s: 07/01735990, 07/01736784, 07/01796876, 07/02153960, caminhão guindaste da marca ZOOMLION PUYUAN, quando apresentou parte dos documentos solicitados e esclareceu alguns questionamentos técnicos, documentado em fotos dos equipamentos. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 206 3 A verificação física em questão foi relativa aos equipamentos relacionados nas DI n°s 07/00885280, 07/01736903, 07/02005066 e 07/02153995, com fotos, às fls. 61 a 78. Os outros equipamentos estavam alugados para empresas situadas em Macaé/RJ e São Luiz/Maranhão, conforme informado pelo contribuinte à folha n° 142. Devido a dificuldade de deslocamento e por se trata de mercadorias idênticas optamos pela não verificação física destas. No dia 12.11.2007, o restante dos documentos, relativos aos equipamentos solicitados na Intimação Fiscal, foram enviados à fiscalização através de Correio Eletrônico. O primeiro AI foi lavrado para a cobrança da diferença do Imposto de Importação (II), às fls 03 a 11 do processo digital (alíquota ad valorem de 35%), acrescido dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, além de multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadoria, no valor total de R$ 697.106,72 (seiscentos e noventa e sete mil, cento e seis reais e setenta e dois centavos), nos termos dos Demonstrativos de fls.09 a 13. O segundo AI deuse para a cobrança da CofinsImportação, em decorrência da alteração ocorrida na base de cálculo dessa contribuição, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, no valor total de R$ 82.384,09 (oitenta e dois mil, trezentos e oitenta e quatro reais e nove centavos), nos termos dos Demonstrativos de Apuração de fls.14 a 21. O terceiro AI deuse para a cobrança do PIS/Pasep, também em decorrência da alteração ocorrida na base de cálculo dessa contribuição, por conta da reclassificação das mercadorias importadas, às fls.22 a 25 dos autos digitais, no montante de R$ 14.417,20 (quatorze mil, quatrocentos e dezessete reais e vinte centavos), incluídos os juros e a multa de ofício de 75%, nos termos dos Demonstrativo de Apuração de fls. 20 a 23. O crédito tributário totalizou a soma de R$ 1.113.492,99 (um milhão, cento e treze mil, quatrocentos e noventa e dois reais e noventa e nove centavos) Termo de Encerramento à fl.30. No Relatório de Fiscalização, às fls. 33 a 63, as autoridades lançadoras explicam que o importador identificou as mercadorias, nas respectivas DI, como: “Guindastes autopropulsados, pneumáticos, com capacidade de carga igual a 30 t, marca Zoomlion Puyuan, modelo QY30V, CRANNE, chassis nºs L5E5H3D506A003981, L5E5H3D506A003981,L5E5H3D5764003976, 5E5H3D506A003978, L5E5H3D526A003979, L5E5H3D596A003977, L5E5H3D596A003980, L5E5H3D536A003974, L5E5H3D516A003973, completo, com acessórios para seu funcionamento”, classificandoas no código 8426.41.90 da NCM/TEC, com alíquotas de 14% de II, quando deveria têlos classificado no código 8705.10.90, com alíquotas do II de 35%, conforme Resolução CAMEX nº 43, de 2006. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 207 4 As autoridades lançadoras analisaram o código adotado pelo importador e aquele por elas indicado (subitem 4.2 do Relatório Fiscal). Por meio de fotos, juntadas aos autos, e manuais técnicos dos veículos (também anexos), observaram as autoridades lançadoras que o equipamento completo é provido de duas cabines de comando: uma pertencente ao caminhão, com todos os comandos necessários para o seu deslocamento, e outra pertencente ao guindaste, possuindo comando para elevação do mesmo, e concluiu que, não sendo guindastes sobre pneus capazes de se locomover por meios próprios (autopropulsores), não se classificam no código NCM/TEC indicado pelo importador (subitem 4.2 do Relatório Fiscal). Promoveram, portanto, a reclassificação das mercadorias para o código NCM/TEC, então vigente, 8705.10.90, ao amparo das Regras Gerais do SH nº 1 e 6, subsidiadas pela Notas Explicativas do SH (NESH), relativas às Posições 8426 (indicada pelo importador) e 8705 (indicada pela fiscalização), com alíquota de 35% de II, o que acarretou diferença na apuração desse tributo, além de diferença relativa a Cofins Importação e ao PIS/Pasep, em razão da alteração da base de cálculo dessas contribuições, além dos acréscimos legais e multas cabíveis. (parágrafo oitavo a décimo primeiro deste Relatório). Não houve a cobrança de IPI porque a sua alíquota era zero. Observam, finalmente, as autoridades lançadoras, que todos os caminhões guindastes foram emplacados no Departamento de Trânsito, como se verifica dos números de chassis, constantes dos extratos do RENAVAN juntados aos autos digitais, às fls. 54 a 64, além de outros documentos e de fotos dos veículos importados, às fls.65 a. 78. Argumentam que o emplacamento não seria necessário para guindastes montados sobre rodas. Foram anexados os extratos das DI, as Faturas Comerciais e Manuais técnicos e operacionais do fabricante, a respeito das mercadorias importadas, com instruções, fotos e desenhos das mesmas, às fls. 82 a 221 do processo digital. DA IMPUGNAÇÃO Intimada, a empresa apresentou, tempestivamente a sua impugnação, anexando vasta documentação, que, em linhas gerais, repete a apresentada pela autuação, alegando, em resumo: Na Preliminar: 1) Da Revisão Aduaneira: Alega que a reclassificação fiscal, sem amparo em laudo pericial, não pode ocorrer, após o desembaraço das mercadorias. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 208 5 No Mérito: 2) Das características e classificação: Afirma que os equipamentos importados não se enquadram na Posição 8705, veículos especiais, dentre eles os caminhões guindastes, porque os guindastes objeto da autuação possuem capacidade de carga igual a 30t. Alega que a Posição 8705 “...diz respeito aos guindastes de pequeno porte, que não apresentam significância se comparados aos caminhões que os comportam...” E que esses equipamentos (da 8705) “...são montados com um chassi adicional sobre um chassi veicular de um caminhão regular, que não se assemelham aos importados, que foram concebidos especialmente para formarem um conjunto homogêneo/único” Outra diferença levantada pela defendente, é que os guindastes são dotados de uma sapata hidráulica estabilizadora, tecnologia exclusiva dos guindastes autopropulsores. Cita as NESH sobre a Posição 8705, quando excluem dela as máquinas propulsoras com rodas, cujo chassi e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro, de modo a formar um conjunto homogêneo. Neste caso, o instrumento de trabalho não está simplesmente montado sobre o chassi de veículo automóvel, mas inteiramente integrado a ele, e não pode ser utilizado para outro fim. Explica que a parte inferior dos guindastes, objeto das DI sob análise, é dotada de suspensão hidráulica, composta por cilindros, que quando em funcionamento ajustam a sua pressão para atingir o ponto de nível de suspensão e o peso (pressão) do conjunto completo nos diferentes eixos. Ressalta, ainda, que os bens importados não podem ser tomados simplesmente por “...um chassi de automóvel sobre o qual foi acoplado um guindaste rotativo...”, como acontece com os chamados caminhões guindastes da Posição 8705. No caso da defendente, o chassi e o guindaste foram desenhados e fabricados especialmente um para o outro, apresentandose, pois, como um conjunto homogêneo e inteiramente integrado. E que os guindastes são incapazes de se deslocarem, quando carregados, não possuindo qualquer espaço para receber carga. Apresenta um trabalho técnico desenvolvido pelo Perito Juarez Porto Henrique, que respondeu a quesitos formulados pela RFB, sobre as características de guindastes importados através de outras DI (fl.243) e Parecer Técnico do Instituto de Pesquisa Tecnológicas, às fls. 266 a 352, que versa sobre a classificação fiscal de guindastes de pneumáticos autopropulsados da marca Zoomlion/Puyuan (por ele importada), relativo a diversos modelos de guindastes, dentre eles o modelo objeto da autuação. 3) Da Jurisprudência administrativa: Fl. 516DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 209 6 Cita, também, duas ementas de Acórdãos prolatadas pelo E. Conselho de Contribuintes (fls.244 e 245), a respeito da classificação de um guindaste hidráulico na Posição 8426. 4) Da Perícia Técnica: Requer a realização de perícia técnica, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, não formulando para tal quesitos e nem indicando técnico credenciado para o exame em questão. 5) Das Multas: Alega que foi utilizada a mesma base de cálculo para aplicação de duas penalidades, no caso do II (cumulatividade da multa de ofício com a multa isolada), o que caracteriza ilegalidade, havendo vasta jurisprudência sobre a matéria, a qual cita. A Quinta Turma da DRJ de Recife (PE) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 1136.226, de 14 de março de 2012, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/01/2007, 08/02/2007, 09/02/2007, 14/02/2007, 16/02/2007 Classificação incorreta de mercadorias As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) Tarifa Externa Comum (TEC). Caminhãoguindaste, autopropulsado, pneumático, com capacidade de carga igual a 30 t, montado em chassi próprio de caminhão, provido de cabines separadas, uma comportando os comandos próprios de locomoção do veículo: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de marchas (velocidades), órgãos de direção e de travagem, e a outra com os comandos pertinentes às operações da haste, classificase no código 8705.10.90, da NCM/TEC, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/01/2007, 08/02/2007, 09/02/2007, 14/02/2007, 16/02/2007 Insuficiência de recolhimento do II. Multa de ofício de 75% Constatado o não recolhimento de diferença do II incidente sobre os bens importados, em razão de erro ocorrido em sua classificação fiscal, cabe o lançamento da diferença desse imposto, acrescida de juros de mora e da multa de ofício de 75%. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 210 7 Classificação incorreta de mercadorias. Multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro Pela classificação incorreta das mercadorias na NCM/TEC, cabe a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Insuficiência de recolhimento da Cofins. Multa de Ofício. Em razão da diferença da alíquota do II, em decorrência da desclassificação fiscal das mercadorias importadas, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa contribuição e o recolhimento de sua diferença, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 22/01/2007, 08/02/2007, 09/02/2007, 14/02/2007, 16/02/2007 Insuficiência de recolhimento do PIS/PASEP. Multa de Ofício. Em razão da diferença das alíquotas do II, em decorrência da desclassificação fiscal das mercadorias importadas, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa contribuição e o recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, acrescida dos juros moratórios e da multa de ofício de 75%., nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/01/2007, 08/02/2007, 09/02/2007, 14/02/2007, 16/02/2007 Revisão de Ofício. Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de ofício e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do desembaraço da mercadoria, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. Jurisprudência Administrativa. Efeitos. As decisões de órgãos singulares ou colegiados de jurisdição administrativa possuem efeito inter partes. Para que se constituam em normas complementares da legislação tributária, necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 518DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 211 8 Inconformado com a decisão de primeiro grau, o recorrente protocolou recurso voluntário, valendose dos mesmos argumentos apresentados na impugnação. Termina a petição recursal requerendo o descabimento da exigência dos tributos e seus respectivos consectários em sua totalidade. Alternativamente, caso se entenda como correta a classificação fiscal adotada pela fiscalização, que sejam afastadas as multas e os juros de mora. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que dele conheço e passo a análise de mérito. A pedra angular do litígio posta nos autos está adstrita em decidir a classificação de oito guindastes autopropulsores com capacidade de carga igual a 30 t, marca Zoomlion Puyuan, modelo QY30V. O recorrente adotou o código 8426.41.90. A fiscalização, em revisão aduaneira, reclassificouos para o código 8705.10.90. Delimitada a lide passo ao exame. Preliminarmente, ressalto que a Fiscalização não utilizou laudos técnicos para reclassificar o produto e dar supedâneo ao auto de infração. Diferente foi a atitude do recorrente, que apresentou o Parecer Técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas nº 13 266301, assinado pelo Engenheiro Naval Alexandre Ferraz Naunoff, pelo Engenheiro Mestre Osvaldo Jeniti Katano, responsável pelo Laboratório de Equipamentos Mecânicos e Estruturas e pelo Engenheiro PhD Luiz Eduardo Lopres, diretor do centro de Integridade de Estruturas e Equipamentos. Reproduzo partes do laudo Técnico do IPT: O presente trabalho tem por objetivo atender a solicitação da Costa Equipamentos Ltda., para analisar e avaliar a natureza e características dos Guindastes de Pneumáticos Autopropulsados, também Chamados de Guindastes Rodoviários, modelos QY30V, QY35H, QY6SH e QY70V, fabricados pela Puyuan Sub Company, Changsha Zoomtion Heavy índustry Science & Technology Development Co. Ltd. Localizada no N°613, 3rd Section, Furong, Midle Road, em Changsha, Hunan, China, caracterizando a sua classificação fiscal de acordo com a Tarifa Externa Comum (TEC), e o código da Nomenclatura Comum do Mercosul, do Sistema Harmonizado (NCM/SH). OBJETO Os carros guindastes, em questão, tratamse de guindastes telescópicos hidráulicos, autopropulsados, acionados por motor Fl. 519DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 212 9 diesel, próprios para elevação e movimentação de cargas, dentro de um raio máximo permitido para cada peso, e de acordo com a sua lança, sobre pneumáticos com quatro eixos (para cargas de 35t 65t, e 701) sendo dois com rodas direcionáveis, e com três eixos (para 30t) sendo um com rodas direcionáveis e deslocamento longitudinal dirigido (o deslocamento não é nem transversal nem diagonal). (...) Os Guindastes de Pneumáticos Autopropulsados em questão, não são montados sobre caminhões; mas são guindastes que possuem mais uma cabine e rodas com pneumáticos para poder se deslocar para os seus diversos tocais de operação, sem depender de carreteis transportadoras, podendo trafegar em rodovias normais, pois o número de eixos foi projetado para atender a lei da balança, e eles podem trafegar com velocidades que variam entre 70 km/h a 75 km/h. Já o guindaste do tipo Guindaste Autopropelido RT mostrado na Fotografia n° 3 do Anexo E, não tem licença para trafegar em rodovias, (RT significa Rough Terrain, com rodas para fora de estrada e é normalmente lento) e tem de ser transportado em carretas para o local de operação. Assim os Guindastes Rodoviários modelos QY30V, QY35H, QY65H, e QY70V da ZOOMLION/PUYUAN devem ser classificados no Sistema Harmonizado em 84.26.41.90. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os Guindastes de Pneumáticos Autopropulsados, também chamados de Guindastes Rodoviários modelos QY30V, QY35H, QY65H, e QY70V, da ZOOMLION/PUYUAN , de acordo como descritos no item 2 deste Parecer, e apresentados em seus catálogos e nas Fotografias n°s 1, 2, 3, 4, 5, 8, 9, 10, 15 e 16 dos Anexos A e E, apresentam as seguintes características: (a) Como mostrado em 4.1, estes guindastes apesar de possuírem rodas, somente elevam e movimentam cargas, de acordo com suas Tabelas de Capacidades, com os Estabilizadores Hidráulicos totalmente estendidos e em solo firme, isto é, estes Guindastes Rodoviários não transportam cargas. (b) No mesmo item é visto que as rodas com pneumáticos e a cabina para a operação destes Guindastes, são projetadas especialmente para eles, e estão incorporadas diretamente na Estrutura da Base destes Guindastes. (c) Também neste item foi visto que todos Guindastes Rodoviários possuem uma 5ª sapata hidráulica estabilizadora, enquanto os caminhões com guindaste não a possuem. (d) Ainda neste item 4.1 é visto que a faixa de velocidades de deslocamento transversal e o número de eixos com pneumáticos, permite que estes Guindastes trafeguem em rodovias, dispensando que sejam transportados em carretas, para se deslocarem aos seus locais de operação. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 213 10 (e) No item 4.2, foi verificado que de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), da Tarifa Externa Comum (TEC) e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a posição correta destes Guindastes Rodoviários também chamados de Guindastes de Pneumáticos Autopropulsados é: 84.26.41.90. (f) Neste mesmo item 4.2 também é visto que estes Guindastes Rodoviários não podem ser chamados de Caminhões Guindastes, pois não estão instalados sobre nenhum chassi com cabina de um veículo automóvel ou caminhão. (g) No item 4.3 o Departamento Nacional de Transito (DENATRAN), classifica estes Guindastes Rodoviários, em seu Certificado de Adequação à Legislação de Transito, de TRATORES DE RODAS e não como Caminhões. (...) Respostas aos Quesitos do MPF n 0811000/0078/06 Q1) Descrição completa do equipamento. R: Guindastes Rodoviários, também chamados de Guindastes de pneumáticos Autopropulsados são assim descritos: Guindastes telescópicos hidráulicos, autopropulsados, acionados por motor diesel, próprios para elevação e movimentação de carga, dentro de um raio máximo permitido para cada peso, e de acordo com a sua lança, sobre pneumáticos com 4 eixos (para cargas de 35t, 65t e 70t) sendo 2 com rodas direcionáveis, e com 3 eixos (para 30t) sendo 1 com rodas direcionáveis, e deslocamento longitudinal dirigido. Q2) Quais as funções que podem ser executadas pelo equipamento e, dentre elas, identificar qual a principal ou principais e qual a secundária ou secundárias, esclarecendo as razões. R: A principal função é a elevação e movimentação de carga, dentro de um raio máximo para cada peso. A função secundária é o seu autodeslocamento dirigido (sem carga) podendo transitar em rodovias, sem ter necessidade de ser transportado em carretas. Q3) À vista das características técnicas do equipamento (1º quesito) e das funções executadas (2° quesito) o equipamento seria um caminhão munido de um guindaste ou um guindaste autopropulsado sobre chassis com rodas pneumáticas? R: Por suas características técnicas e construtivas, o equipamento é um "Guinaste Autopropulsado sobre Rodas Pneumáticas". Q4) O que fundamentalmente caracteriza um e outro dos equipamentos do 3º quesito? Fl. 521DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 214 11 R: Os "Guindastes Rodoviários" são basicamente guindastes que para sua facilidade de locomoção foi acrescentado a sua estrutura da base, um conjunto de eixos com rodas pneumáticas (de acordo com a lei da balança) de uma cabina numa das extremidades para permitir o seu tráfego em rodovias. Os "Caminhões Guindastes", são basicamente caminhões, com chassi e cabina sobre os quais foi montado um guindaste. Num caminhãoguindaste sempre haverá o chassi do caminhão apoiando a estrutura do guindaste. Q5) O guindaste autopropulsado sobre chassis com rodas pneumáticas pode conter duas cabinas ou, necessariamente sempre terá uma única cabina? Explicar. R: O guindaste autopropulsado poderá conter 2 ou mais cabinas, pois a cabina principal é para comandar a lança e a secundária é para facilitar o comando de sua translação. 06) O caminhão guindaste pode dispor de quantas cabinas? Por que? R: O caminhãoguindaste tem normalmente a cabina do caminhão, e pode ter mais uma quando o guindaste que estiver montado sobre o seu chassi também possuir cabina para comando de lança. Q7) Descrever o guindaste autopropulsado tipo caranguejo? R: Guindastes autopropulsados tipo caranguejo, são guindastes autopropulsados de pneumáticos com rodas móveis que não possuem a limitação de ângulo de 45° como os guindastes rodoviários, desta maneira eles podem se deslocar tanto em sentido longitudinal, como transversal e diagonal. Descrito o produto importado, parto para análise da classificação adotada pelo recorrente. O que diz a Nesh da posição 8426? a) Que a presente posição compreende os aparelhos fixos e os aparelhos móveis, mesmo autopropulsores, salvo algumas exclusões; b) Que os aparelhos montados em chassis automóveis ou em caminhões de elevação ou de movimentação (guindastes (gruas) comuns, guindastes (gruas) de estrutura leve para reparações, etc.) que se apresentam montados em verdadeiro chassi automóvel ou em caminhão que reúne nele próprio, pelo menos, os seguintes órgãos mecânicos: motor de propulsão; caixa e dispositivos de mudança de velocidade; órgãos de direção e frenagem (travagem); devem ser classificados na posição 87.05 como veículos automóveis de uso especial, e esta classificação deve ser observada quer o Fl. 522DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 215 12 mecanismo de elevação ou de movimentação esteja simplesmente montado no veículo, quer forme com este último um conjunto mecânico homogêneo, salvo se se tratarem de veículos especialmente concebidos para o transporte, incluídos na posição 87.04; c) Continuam classificados na posição 8426 os aparelhos simplesmente autopropulsores, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando acima indicados se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação (mais freqüentemente um guindaste (gruas)) montado em chassi com rodas, mesmo que este conjunto possa circular pelos seus próprios meios. Os guindastes (gruas) da presente posição geralmente não se deslocam carregados ou apenas efetuam, neste estado, deslocamentos de pequena amplitude que desempenham um papel auxiliar em relação à função de elevação que os caracteriza. Nos termos do Parecer Técnico da IPT, o produto importado tratase de guindastes pneumáticos autopropulsados, acionados por motor a diesel, próprios para elevação e movimentação de cargas. Não são montados sobre caminhões, possuem cabines e rodas para se deslocar sem depender de carretéis transportadoras, podendo trafegar em rodovias. Não tem as características de um caminhãoguindaste. Possui rodas direcionáveis e com três eixos, sendo um com rodas direcionáveis e deslocamento longitudinal dirigido. O deslocamento não é transversal nem diagonal. Portanto, não é do tipo caranguejo. Diante dessa descrição, soa límpido e claro que a posição do produto em questão deve ser a 8426.41.90, posição adotada pelo recorrente e contestada pelo fisco sem embasamento técnico. Quanto à reclassificação do produto importado efetuada pela Autoridade Fiscal sem laudo técnico, com base apenas na observação do Fiscal, sinto necessidade de tecer breves linhas sobre o assunto. O art. 333 do Código de Processo Civil define o ônus da prova no sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 216 13 É sobremodo importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. Segundo Francesco Carnelutti: (...) as provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Nas linhas de Moacir Amaral Santos: A prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. Moacir Amaral Santos conceitua prova: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade Fl. 524DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10660.720084/200766 Acórdão n.º 3402002.251 S3C4T2 Fl. 217 14 de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Como o processo trata de auto de infração oriundo de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, cujo ônus da prova cabe à fiscalização e o procedimento foi desacompanhado de embasamento técnico, mantenho a classificação adotada pelo recorrente. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar os autos de infração em discussão neste processo administrativo. É como voto. Sala das Sessões, 26/11/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 525DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 0/12/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10865.001687/2006-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 3101-001.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário e declinar competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 13/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 670 1 669 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001687/200688 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.362 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2013 Matéria IPI Recorrente MASTRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário e declinar competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 13/04/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 16 87 /2 00 6- 88 Fl. 740DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: No âmbito do procedimento instituído pelo Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n. 08.1.12.00200600004 82, contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no valor de R$1.201.000,61 acrescidos de juros de mora de R$1.106.995,11 e multa de ofício de R$900.750,31, totalizando R$3.208.746,03, baseado em glosa de valores relativos a vendas canceladas. Segundo consta do Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 18/29), intimada a prestar esclarecimentos sobre o valor de R$13.536.218,58, registrado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente a vendas canceladas, devoluções e descontos concedidos (fl. 482), a contribuinte respondeu que não dispunha dos documentos comprobatórios de vendas canceladas/devolvidas, bem como das compras e vendas efetuadas no anocalendário de 2001 em vista de que haviam sido roubados. Embora tivesse declarado não dispor das notas fiscais a contribuinte apresentou relação na qual constam o nome da empresa emitente, CNPJ, número da nota fiscal, data de entrada e de emissão, valor, base de cálculo e valor do IPI (fls. 19). Instada a apresentar cópia da publicação alusiva ao roubo, contemporânea aos fatos e veiculada em jornal de grande circulação, tal como preceituam as regras, respondeu que não efetuara tal providência por entender que tais normas não se aplicavam ao caso de furto ou roubo. Considerando que a importância deduzida sob tal rubrica correspondia a 24% de seu faturamento houve circularização para alguns dos clientes da contribuinte, intimandoos a se manifestarem sobre as notas fiscais correspondentes às vendas efetuadas, que ela havia deduzido na escrita fiscal (fls. 20/22). Segundo registrou a autoridade fiscal, as informações das clientes intimadas apontaram um pequeno percentual de vendas canceladas, descritas no demonstrativo de fls. 24/25. Novamente intimada a comprovar a efetividade das vendas canceladas, lançadas na DIPJ, a contribuinte reafirmou que não dispunha dos documentos fiscais solicitados. Em vista de que a contribuinte expressamente declarou que não dispunha dos documentos fiscais que embasavam a dedução lançada na DIPJ, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo Fl. 741DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 3101001.362 S3C1T1 Fl. 671 3 das devoluções comprovadas, cujos valores serviram de base para cálculo do IPI a ser deduzido do imposto lançado (fls. 24/25). De posse de tais informações, elaboraramse planilhas com informação do IPI sobre as devoluções não comprovadas, a dedução do imposto sobre as devoluções comprovadas e, por fim, o valor do IPI devido, apurado decendialmente, objeto do lançamento tributário (fls. 27/28). Regularmente intimada da imposição tributária ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 799/853, capeada por expediente em que pleiteia sejam as notificações remetidas para o endereço dos representantes. Alegou preliminarmente nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa caracterizado por falta de intimação à impugnante informandoa da possibilidade de pagamento com multa moratória, tal como estabelece o art. 844 do Regulamento do Imposto de Renda; No mérito arguiu que é incabível o lançamento do crédito tributário em desfavor da impugnante em vista de que as devoluções efetivamente aconteceram, não havendo que se falar em incidência de tributos pois não ocorreu transferência da titularidade jurídica das mercadorias. O fato de as notas fiscais não terem sido exibidas por um motivo justificado não pode ocasionar glosa dos registros contábeis a título de devolução, ausente a comprovação de que efetivamente inexistiram as aludidas devoluções; por tratarse de lançamento por homologação houve decadência do direito de o Fisco lançar os tributos anteriores a setembro de 2001; em face de que a natureza jurídica do tributo é a de ser não cumulativo, é inconstitucional a vedação ao creditamento do IPI na aquisição de insumos, matérias primas e material imune; a multa aplicada é confiscatória e fere a capacidade contributiva; a utilização da taxa Selic é inconstitucional. Ao final, protestou pela juntada de novos documentos e declarações não colacionados em função da exiguidade do tempo, pela produção de outras provas como perícia, ofícios, declarações, constatações e diligências e consubstanciou seu pleito nos seguintes pedidos: a) preliminarmente, seja declarado nulo o Auto de Infração por falta de intimação prévia da impugnante para prestar esclarecimentos ou quitar o suposto débito, nos termos do art. 844 do RIR/99; b) ou então, no mérito, que sejam os autos julgados totalmente improcedentes, i) pela legitimidade das operações de creditamento de IPI; ii) pela não comprovação (sic) das infrações Fl. 742DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 apontadas; iii) pela inexistência de qualquer efeito tributário nas operações tidas por infracionais, irrelevantes para o fisco; c) ou então, que ao menos seja reduzido o valor lançado, iv) afastando os créditos relativos ao período de janeiro a agosto de 2001, diante da decadência do direito da Fazenda Pública em constituir os valores tidos por devidos; v) pela ilegalidade da vedação ao aproveitamento de créditos do IPI; vi) pela necessária redução da multa para o percentual de 20%, sob pena de confiscatoriedade; vii) bem como seja excluída a aplicação da taxa Selic, aplicandose os juros de 1% ao mês, conforme previsto no art. 161 do Código Tributário Nacional. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou a Impugnação Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2001 CREDITAMENTO. DOCUMENTOS DE ESCRITURAÇÃO FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. A falta de apresentação à autoridade fiscal dos documentos que embasaram os registros contábeis autoriza o lançamento do tributo por creditamento indevido. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. MARCO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO. A sistemática de lançamento denominada por homologação exige o pagamento do tributo, previsto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, bem assim a inocorrência das hipóteses de dolo, fraude ou simulação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. Apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade refoge à competência da instância administrativa. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular, e ao final requer a nulidade do Auto de Infração; ou sua improcedência, ante a legitimidade das operações de creditamento de IPI, não comprovação das infrações apontadas e inexistência de qualquer efeito tributário nas operações tidas por infracionais; ou então que seja reduzido o valor lançado: decadência parcial (janeiro a agosto de 2001), redução da multa para o percentual de 20% e excluída a aplicação da taxa Selic. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10865.001687/200688 Acórdão n.º 3101001.362 S3C1T1 Fl. 672 5 Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria deste contencioso, apesar de versar sobre o IPI, que normalmente é da nossa órbita de competência, hodiernamente, é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no inciso IV do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009 demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Estreme de dúvida, as infrações à legislação do IRPJ (vendas canceladas, devoluções e descontos concedidos) é que deram azo aos autos de infração reflexos CSLL, PIS e COFINS, e ao conexo, ora discutido neste contencioso. Dessarte, em virtude de o presente recurso tratar de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de inexistência de competência desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, devese declinar da competência para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No vinco do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e endereçálo à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. Sala das Sessões, em 19 de março de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 744DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13888.910974/2009-53
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 10 97 4/ 20 09 -5 3 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.299, às fls. 83 a 91: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 71/74, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de Cofins (código de receita: 2172) e IRPJ (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 70, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 23293.40885.171207.1.3.044706, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte,“não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada. interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/69, na qual alega, em síntese, que: a) o crédito utilizado em compensação é referente a pagamento a maior realizado pela impugnante em razão de apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido no percentual de 32%, quando os serviços prestados pela mesma enquadramse em serviços hospitalares, cujo percentual é de 8% para fins de aferimento do tributo; b) em 17/11/2009, retificou a DCTF do 2° trimestre do anocalendário de 2001; c) o despacho decisório não homologou a compensação sob o prisma de que o valor recolhido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte; d) a impugnante é sociedade empresarial formada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnostico e Terapia”; e) a impugnante exerce atribuição que a principio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios ao particular para sua satisfação perante à sociedade; f) a Lei n° 9.249/95 aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população; g) prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a impugnante sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente; h) após retificação da DIPJ do anocalendário de 2001, ingressou com pedido de compensação do valor recolhido indevidamente, ora não homologado; i) para sanar qualquer omissão, em 17/11/2009, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 4 3 transmitiu DCTFretificadora relativa ao 2° trimestre de 2001; j) transcreve julgados administrativos e judiciais; k) da legislação e jurisprudência arroladas, verificase perfeitamente que diante do enquadramento da impugnante, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8%, sendo que os valores excedentes recolhidos a titulo de IRPJ sob a alíquota de 32% devem ser ressarcido na forma pleiteada. Ao final, requer a reforma total do despacho decisório proferido pela autoridade administrativa, com a conseqüente homologação da compensação realizada, haja vista enquadramento da requerente no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei n° 9.249/95, bem como ressalta que, caso esta Delegacia entenda imprescindível, a impugnante está à disposição para quaisquer diligências necessárias à comprovação de seu enquadramento fiscal. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender aos requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005 e sigam os dispositivos emanados no ADI n° 19 de 10/12/2007. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 24/09/2010 (sexta feira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 25/10/2010, com os argumentos descritos abaixo: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 5 4 DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; levada para apreciação da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ), a manifestação de inconformidade restou rejeitada, sob o infundado argumento de que a Recorrente, para fazer jus à aludida tributação benéfica, deveria preencher cumulativamente os requisitos impostos pelas Instruções Normativas SRF nºs 480/2004 e 539/2005, bem como no ADI (Ato Declaratório Interpretativo) 19/2007, a maioria deles relacionados com custos, estrutura física e capacidade de internação de pacientes; alegou ainda a DRJ que a requerente deixou de comprovar seu caráter empresarial, pois não demonstrou atender os quesitos do ADI SRF n° 18/2003; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 6 5 conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 7 6 competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitou se a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 8 7 no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõe se a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 9 8 excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confunde se com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 10 9 DA SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIAS — NEGATIVA DA DELEGACIA DE JULGAMENTO a solicitação de diligências se deu para efeito de corroborar as informações trazidas na defesa apresentada e documentos arrolados, que até prova em contrário detém o condão de veracidade não obstante a assunção de responsabilidade cível e criminal por suas declarações; em verdade todo, o alegado já se encontra consubstanciado nos documentos anexos, e afastandose as exigências das IN's 480/2004 e 539/2005, conforme amplamente fundamentado, é de rigor o reconhecimento do direito da Recorrente; todavia, caso este Conselho Julgador entenda necessário, a Recorrente mantémse à disposição para que se realizem quaisquer diligências no âmbito de seus estabelecimentos, ratificando todas as argumentações explicitadas nesta peça; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 11 10 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Este é o Relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 12 11 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 17/12/2007 (fls. 73 a 76), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 2º trimestre de 2001. Consta da declaração de compensação, às fls. 74, que o crédito nela utilizado já havia sido informado em outro PER/DCOMP (nº 22520.26014.140404.1.2.045640), e a consulta ao sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil esclarece que esse foi apresentado em 14/04/2004, portanto, dentro do prazo previsto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional CTN. O DARF gerador do crédito utilizado no PER/DCOMP objeto destes autos foi recolhido em 31/07/2001 e possui o valor total de R$ 34.006,65. A compensação abrange débito de COFINS de abril de 2005 e débito de IRPJ/Lucro Presumido do segundo trimestre de 2006, que somam R$ 60.418,26 (incluindo principal e acréscimos legais). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 34.006,65 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 72. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009); que faria jus ao coeficiente de 8% para a apuração do IRPJ/Lucro Presumido, por estar enquadrada no artigo 15, §1°, III, “a”, da Lei n° 9.249/95 (serviço hospitalar); e que teria realizado recolhimento a maior que o devido pela utilização equivocada do coeficiente de 32% na apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o atendimento dos requisitos legais para o enquadramento na referida regra do art. 15 da Lei 9.249/95, o que comprometeria a liquidez e certeza do alegado direito creditório, nos seguintes termos: Como verificado, para ser considerado prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido. o estabelecimento assistencial de saúde deverá atender cumulativamente aos requisitos previstos no art. 27 da IN SRF Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 13 12 nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005 retrocitados. As atividades profissionais desenvolvidas pela contribuinte — Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia — para serem consideradas corno serviços hospitalares, necessitam cumprir os requisitos previstos na Resolução RDC n° 50/2002 da ANVISA, conforme discriminado nas alíneas "a" e "b" retromencionadas. Com relação ao requisito concernente ao caráter empresarial, a contribuinte não demonstrou atender os quesitos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18/2003, pois não são considerados serviços hospitalares aqueles prestados na sede da empresa, exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica, ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, pro fissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa. Da mesma forma, a Recorrente não apresentou qualquer documentação que demonstrasse cumprir as exigências do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 19/2007 supra transcrito. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, por ocasião do presente contencioso, a declaração de compensação sob exame deveria estar, necessariamente, instruída com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena de indeferimento. [...] Por tais razões, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. No tocante à solicitação de diligências, cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748, de 1993, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis (art. 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei nº 8.748/93). No caso em questão, não há como justificar o pedido de diligência, urna vez que a Recorrente não apresentou documentos que comprovassem sua qualidade de prestadora de serviços hospitalares, pretendendo caracterizar essa situação apenas com seu contrato social e alegação de que a radiologia caracteriza serviços hospitalares, independente do atendimento das normas editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 14 13 Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 15 14 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 16 15 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 17 16 atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 18 17 O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 19 18 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 20 19 Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado. Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário de 2001; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.910974/200953 Resolução nº 1802000.412 S1TE02 Fl. 21 20 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 2º trimestre de 2001; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 276DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11080.724939/2011-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 61 1 60 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.724939/201106 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.275 – 1ª Turma Especial Data 20 de novembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ANTONIO CONCEIÇÃO JOBIM DORR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 8a Turma da DRJ/POA (Fls. 81), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 10/14, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de ofício e juros de mora no valor total de R$ 449,15, calculados até 31/05/2011, em virtude da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 24 93 9/ 20 11 -0 6 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.724939/201106 Resolução nº 2801000.275 S2TE01 Fl. 62 2 constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2008, anocalendário de 2007. A fiscalização informa às fls. 11/12 que procedeu à glosa de despesas médicas, no valor de R$ 15.981,20, relativamente a Clínica Geriátrica Conviver. O notificado, por intermédio de representante, apresentou impugnação conforme instrumento de fls. 02/05, alegando, resumidamente, que a Clínica Geriátrica Conviver tem como atividade econômica principal “clínica e residência geriátrica” – código 87.11501, conforme demonstra o registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e o registro no cadastro do ISSQN do município de Porto Alegre, sendo válida a dedução da despesa com a referida clínica. Passo adiante, a 8ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Cientificado em 20/12/2011 (Fls. 88), o Recorrente, por sua representante, interpôs Recurso Voluntário em 09/01/2012 (fls. 90 a 93), argumentando em síntese: (...) Foi apresentada prova de que a clínica Geriátrica Conviver encontra se inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica da República Federativa do Brasil, como Clínica Geriátrica Conviver Sociedade Simples Ltda, sob o número 08.585.902/000149, tendo como código e descrição da atividade econômica principal 87.11501 – clínicas e residências geriátricas – e, como código e descrição das atividades econômicas secundárias 86.30502 – atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares. E que esses códigos descritos anteriormente constam na Comissão Nacional de Classificação (CNAE 2.0), na Seção Q, referente à saúde humana e serviços sociais, mesma Seção onde estão classificados os hospitais. Com relação ao registro junto ao Cadastro Nacional e Estabelecimento de Saúde – CNES do Ministério da Saúde, segundo consta do CNES, o gestor do Sistema, no Rio Grande do Sul, é a Secretaria Municipal de Saúde, com competência para registrar os estabelecimentos de saúde. E, conforme informações obtidas junto à Secretaria de Saúde Municipal, órgão também responsável pelo alvará de funcionamento da referida Clínica, tal estabelecimento somente será cadastrado no CNES se viesse trabalhar junto ao SUS, caso contrário apenas os médicos, responsáveis técnicos pelo estabelecimento, precisam possuir o cadastro no CNES. E é o que se verifica no caso em apreço, em que os responsáveis técnicos pela Clínica Geriátrica Conviver, a Médica Geriátrica Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.724939/201106 Resolução nº 2801000.275 S2TE01 Fl. 63 3 Doutora Bárbara Agra Louzada (CRM 24104) e o Doutor Geraldo Zanini Louzada (CRM 3205), possuem registro junto ao CNES, respectivamente , nº 3824748 e nº 3824713. (...) Por oportuno, acrescenta que o beneficiário da isenção do pagamento de imposto de renda, por ser o contribuinte portador do Mal de Parkinson, foi concedido no ano de 2008, por ter sido pleiteado somente posteriormente pela sua representante, haja vista a necessidade de efetuar, preliminarmente, a interdição e curatela. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Antes de tudo, é dever analisar as condições de admissibilidade do recurso. É que, conforme se verifica nos autos, o recurso foi apresentado pela Sra. Ana Flávia Dorr Becker; que informa ser herdeira e representante do contribuinte, que veio a falecer no ano de 2009. Contudo, não constam nos autos documentos que atestem ser a Sra. Ana Flávia Dorr Becker, que assina o recurso, a representante legal do espólio do contribuinte autuado. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora solicite da Sra. Ana Flávia Dorr Becker documentação que comprove ser esta a representante legal do espólio do contribuinte autuado. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902262/2010-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 22 62 /2 01 0- 21 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902262/201021 Acórdão n.º 3802002.142 S3TE02 Fl. 54 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. ‘O contribuinte transmitiu em 12/01/2007 Per/Dcomp para compensar o crédito proveniente de pagamento indevido a maior de Cofins, período de apuração maio de 2004, com débito de PIS, período de apuração dezembro de 2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis não homologou a compensação realizada e, no Despacho Decisório de fl. 31, justificou a decisão com os dizeres: “A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp.” No Despacho Decisório consta também que o pagamento de R$24.797,91 está integralmente vinculado ao débito de Cofins, código 2172, período de apuração 31/05/2004, conforme DCTF ativa. Irresignado com a decisão, ciência em 20/09/2010, a requerente apresenta Manifestação de Inconformidade, em 08/10/2010, para pedir, preliminarmente, que “seja declarado nulo o citado despacho, tendo em vista a deficiência de fundamentação deste, o que impossibilita a plena defesa da manifestante.” Alega também “que não existe nenhuma norma que determine a retificação das DCTFs nos casos de pagamentos indevidos a maior, para que seja suprimido em tal declaração o valor do crédito compensado.” Solicita, ainda, que “caso não seja declarado nulo o citado despacho, o que se admite tãosomente pelo princípio da eventualidade e para efeitos de pedido, que ele seja julgado improcedente, com a conseqüente homologação das compensações.”’ A DRJ/BHE decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozarem de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação.” Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902262/201021 Acórdão n.º 3802002.142 S3TE02 Fl. 55 3 Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, cujas alegações são as mesmas da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de Cofins. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação, devendo ser afastada a preliminar de nulidade do despacho decisório. O art. 165 do CTN dispõe que o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo, entre outros, no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido. O art. 170 do CTN diz que poderá ser autorizada a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, nas condições e sob as garantias que a lei estipular ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa. No presente caso, o DARF informado no PER/DCOMP não prova a existência de pagamento indevido ou a maior, porque vinculado a tributo declarado em DCTF, que é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, por força do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984. A contribuinte não provou o fato constitutivo do direito alegado: a existência de crédito líquido e certo. Não poderia extinguir, por compensação com o alegado crédito, débito perante a Fazenda Pública, confessado em declaração de compensação. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902262/201021 Acórdão n.º 3802002.142 S3TE02 Fl. 56 4 Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário a contribuinte afirma que não há lei que a obrigue a retificar a DCTF e que deveria prevalecer a informação constante do PER/DCOMP, posterior àquela, de que houve de fato pagamento indevido ou a maior. Depreendese disto que a DCTF estaria incorreta. Porém, a interessada não formalizou DCTF retificadora nem alegou em sua defesa eventual erro. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902262/201021 Acórdão n.º 3802002.142 S3TE02 Fl. 57 5 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902262/201021 Acórdão n.º 3802002.142 S3TE02 Fl. 58 6 O acórdão 380100.190, de 22/05/2012, de 22/05/2012, da 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes, expressa o mesmo entendimento deste voto. Cito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Várias decisões da 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento foram tomadas com base no mesmo entendimento. Transcrevo a ementa do acórdão nº 3402 001.668, de 15/02/2012: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902262/201021 Acórdão n.º 3802002.142 S3TE02 Fl. 59 7 Assim como este voto, estas decisões estão amparadas: i) na legislação tributária, que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN); ii) no artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso,.que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito; iii) na lei que trata do processo administrativo tributário federal, que estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Pelo exposto, em especial, tendo em vista que a contribuinte não comprovou existência de direito de crédito líquido e certo, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917013/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 3803-004.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Arlyson George Gann Horta, OAB/DF 24613.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Arlyson George Gann Horta, OAB/DF 24613. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 13 /2 00 9- 95 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de compensação não homologada. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico emitido em 09/04/2009, a autoridade administrativa após analisar o crédito constante de DARF pelo seu valor original, constatou a sua utilização integral para pagamento de outros débitos próprios, não restando saldo credor suficiente para a compensação declarada. Por conseguinte não homologou a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade ao teor do despacho a interessada aduziu pela existência de erro material no preenchimento da DCTF, mês de competência de dezembro/2003, eis que o valor efetivamente devido seria de R$ 3.769,73 e não de R$ 10.388,82, para requerer pelo reconhecimento do crédito e extinção do débito indevidamente imputado . Conclusos foram os autos levados a sessão de julgamento em 14/07/2011, quando por meio do Acórdão nº 1238.695 a 3ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu decisão sintetizada ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.917013/200995 Acórdão n.º 2803004.546 S2TE03 Fl. 5 3 A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. I0F. ANOCALENDÁRIO DE 2003. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado .pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. 10F. ANOCALENDÁRIO 2003. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A ciência da decisão deuse por meio de AR em 14/09/11, e a interposição do recurso voluntário em oposição à mesma ocorreu em 14/10/11, conforme consta do envelope digitalizado. Na ocasião a interessada reiterou minudentemente os termos exarados na exordial, inclusive conclamando pela conversão do julgamento em diligência, se porventura a prova produzida não for suficiente para à comprovação da regularidade da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo apresentado perante esta Corte busca reformar a decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade, que não reconheceu o direito creditório alegado pela contribuinte e não homologou a compensação por ela declarada, ante a constatação de inexistência de saldo credor à satisfação dos débitos nela informados. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O debate enfrentado nos autos não comporta discussão sobre matéria de direito, resumindose o deslinde da querela à demonstração pela contribuinte de que faz jus à homologação da compensação intentada. Compulsando os autos verificouse que a recorrente apenas fez colação de relação dos valores pagos a título de IOF, entretanto, sem disponibilizar outro documento para exame pela fiscalização, por meio do qual fosse possível atestar que tais valores efetivamente constituíam o crédito informado e mais, que estes créditos corresponderiam ao mesmo montante de débitos tributários previamente informados aos sistemas de dados da Receita Federal do Brasil, na data de transmissão do Per/Dcomp, por meio das DCTF e/ou demais declarações que servem para aferir a regularidade fiscal da contribuinte. Com isso a recorrente nem logrou apontar em que irregularidade incorreu o despacho decisório eletrônico, portanto presumese, desde logo que o mesmo não merece reparo, nem mesmo conseguiu demonstrar a liquidez, a certeza e a disponibilidade de saldo credor o bastante para ensejar a homologação da compensação declarada, cuja forma poderia ser em consonância com o disposto no artigo 333 do CPC. Finalmente no que atine ao pedido de diligência, entendo não haver razoabilidade no mesmo, uma vez que cabe à contribuinte no momento de apresentação de sua impugnação aduzindo os motivos de fato e de direito, também fazêlo em relação às provas documentais que possam a vir demonstrar o alegado, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, precluindo o direito subjetivo de apresentação em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o instituto da diligência é uma faculdade de que dispõe o julgador, discricionária, a ser utilizada para sanar dúvidas acerca de determinada prova/documentos, que deveriam fazer parte dos autos e lá não se encontram, impedindo que o juiz firme a sua convicção em relação ao direito sobre o qual deve se pronunciar com vista ao deslinde da querela, não sendo este o caso encontrado nos autos sob exame. As assertivas ora formuladas por este julgador encontram ressonância nos diversos precedentes, à unanimidade, onde partes e objeto foram coincidentes. Ante todo o exposto nego provimento ao recurso interposto. É como voto (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.917013/200995 Acórdão n.º 2803004.546 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/12/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723042/2010-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONOS NÃO EXPRESSAMENTE DESVINCULADOS DO SALÁRIO.
A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados, a título de abono não expressamente desvinculado do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A perda da espontaneidade do sujeito passivo ocorre pelo início do procedimento fiscal, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize.
Os atos de confissão de dívida, praticados após o início da ação fiscal, não têm força para impedir a constituição do crédito tributário.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.RETIFICAÇÃO DE VALORES.
Quando, sem a interposição de recurso de ofício, a primeira instância determinar a exclusão de valores do débito e, por alguma razão tais valores não forem excluídos, cabe à segunda instância corrigir a falha e determinar a exclusão.
Numero da decisão: 2403-002.337
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a retificação (exclusão) dos valores referentes aos contribuintes individuais nas competências 01, 07, 09, 10, 11 e 12/2007, levantamento CI1, conforme tabela apresentada no voto.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONOS NÃO EXPRESSAMENTE DESVINCULADOS DO SALÁRIO. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados, a título de abono não expressamente desvinculado do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A perda da espontaneidade do sujeito passivo ocorre pelo início do procedimento fiscal, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize. Os atos de confissão de dívida, praticados após o início da ação fiscal, não têm força para impedir a constituição do crédito tributário. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.RETIFICAÇÃO DE VALORES. Quando, sem a interposição de recurso de ofício, a primeira instância determinar a exclusão de valores do débito e, por alguma razão tais valores não forem excluídos, cabe à segunda instância corrigir a falha e determinar a exclusão.
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decisao_txt : Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a retificação (exclusão) dos valores referentes aos contribuintes individuais nas competências 01, 07, 09, 10, 11 e 12/2007, levantamento CI1, conforme tabela apresentada no voto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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ABONOS NÃO EXPRESSAMENTE DESVINCULADOS DO SALÁRIO. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados, a título de abono não expressamente desvinculado do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A perda da espontaneidade do sujeito passivo ocorre pelo início do procedimento fiscal, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize. Os atos de confissão de dívida, praticados após o início da ação fiscal, não têm força para impedir a constituição do crédito tributário. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.RETIFICAÇÃO DE VALORES. Quando, sem a interposição de recurso de ofício, a primeira instância determinar a exclusão de valores do débito e, por alguma razão tais valores não forem excluídos, cabe à segunda instância corrigir a falha e determinar a exclusão. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 30 42 /2 01 0- 55 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando a retificação (exclusão) dos valores referentes aos contribuintes individuais nas competências 01, 07, 09, 10, 11 e 12/2007, levantamento CI1, conforme tabela apresentada no voto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0239.527 da 7ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Conforme os autos, tratase de crédito da Seguridade Social, correspondente à parte patronal, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados e parte patronal incidente sobre remuneração paga a contribuintes individuais, apurado através dos levantamentos discriminados a seguir: Levantamento AF e AF1 Abono de Férias Convenção refere se a valores extraídos das folhas de pagamento da empresa relativas à rubrica Abono Convenção códigos 029 e 034, paga aos empregados por força de Convenção Coletiva de Trabalho. Levantamento AB1 Abono PLR referese a valores extraídos das folhas de pagamento da empresa relativas à rubrica Abono código 150, paga aos empregados por força de Convenção Coletiva de Trabalho em substituição aos benefícios do programa de participação nos lucros ou resultados não implementado pela empresa. Levantamento AM1 Abono Motivacional referese a valores extraídos das folhas de pagamento da empresa relativas à rubrica Abono código 612, não contemplada na Convenção Coletiva de Trabalho e paga aos empregados por liberalidade da empresa. Levantamento CI e CI1 Contribuinte Individual referese a valores extraídos do Livro Razão referente às contas de despesas que registram pagamentos a contribuintes individuais (honorários advocatícios, honorários contábeis, autônomos e manutenção e conservação). O crédito lançado perfaz o valor total de R$37.478,65 consolidado em 16/11/2010. O Auto de Infração foi lavrado em 24/11/2010, tendo o contribuinte sido cientificado em 27/11/2010, através de seu representante legal, conforme fls. 02. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls. 16, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 0611000.2010.00459. O contribuinte apresentou impugnação em 23/12/2010, fls. 58/85, conforme a síntese a seguir: De início, faz um relato a respeito de suas atividades e contesta a autuação de forma geral. Alega que o §2° do artigo 22 da Lei 8.212/91 afasta expressamente da base de cálculo da contribuição previdenciária, as verbas previstas no parágrafo 9° de seu artigo 28 e que as verbas pagas ao empregado em decorrência da relação de emprego ou de trabalho, mas não propriamente em retribuição ao trabalho, devem ser excluídas do conceito de salário de contribuição e, portanto, da base de cálculo da contribuição previdenciária. Argumenta que o abono de férias previsto em Convenção Coletiva de Trabalho não possui natureza remuneratória e que a própria legislação previdenciária exclui o abono de férias na forma dos artigos 143 e 144 da CLT do conceito de salário de contribuição. Cita trechos de julgados e alega ilegalidade na cobrança da referida contribuição. Faz considerações acerca da natureza não remuneratória do Abono PLR previsto em Convenção Coletiva de Trabalho citando o artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal de 1988. Alega que a fiscalização promoveu o lançamento da contribuição no equivocado entendimento de que a PLR deve ser paga com observância dos requisitos previstos na lei específica para fazer jus à não incidência de contribuição previdenciária. Prossegue argumentando que a impugnante não se furta a demonstrar o cumprimento dos requisitos da lei específica e que todos os pagamentos a título de PLR abrangidos pela autuação preenchem os requisitos estabelecidos pela Lei 10.101/00. Finaliza argumentando que não há como prosperar a alegação de que a impugnante não atendeu a legislação que regula a PLR, devendo ser cancelada a cobrança da contribuição previdenciária. Reitera os argumentos apresentados anteriormente para contestar o lançamento relativo à rubrica Abono Motivacional, alegando que tal parcela não tem natureza salarial e sim indenizatória, sendo imprópria a cobrança pretendida pela fiscalização. Quanto à cobrança de contribuição sobre remuneração paga a contribuintes individuais, alega que a fiscalização não considerou toda a documentação contábil produzida pela impugnante. Discrimina, por competência, os questionamentos, conforme a seguir sintetizado: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 4 5 Competência Janeiro/2007: Conta Manutenção e Conserv – 3.1.1.01.3017, montante lançado de R$125,00, correspondente ao salário líquido do contribuinte individual Vander José Machado, conforme GFIP – Alega que tal verba foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que a remuneração do referido autônomo, na realidade no valor de R$140,00 foi devidamente lançada na GFIP e tributada. Competência Abril/2007: na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032, cujo montante lançado foi de R$6.862,74 (somatório de R$1.562,74 + R$2.500,00 + R$2.758,00 + R$42,00, conforme Razão), o pagamento de R$2.500,00 feito ao contribuinte José Felipe Jorge Filho referese à competência Maio/2007 e o pagamento de R$2.758,00 feito à pessoa jurídica Assis Contábil Ltda foi indevidamente incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que não se trata de contribuinte individual. Competência Maio/2007: na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032, cujo montante lançado foi de R$2.500,00 correspondente ao pagamento feito ao contribuinte José Felipe Jorge Filho, conforme GFIP e Razão, tal remuneração foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinha sido devidamente lançada na GFIP e tributada. Competência Julho/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$959,00, correspondente à remuneração, que na realidade foi de R$950,00 paga ao contribuinte Geraldo Magno Soares, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinha sido devidamente lançada na GFIP e tributada. Competência Setembro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$1.680,00 (somatório de R$1.360,00 + R$320,00) correspondente a s remunerações pagas aos contribuintes Geraldo Magno Soares e Luiz Carlos da Silva, respectivamente, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas. Competência Outubro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$4.580,00 (somatório de R$3.750,00 + R$830,00) correspondente às remunerações pagas aos contribuintes Geraldo Magno Soares e Luiz Carlos da Silva, respectivamente, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas. Competência Novembro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$6.894,00 (somatório de R$900,00 + R$3.950,00+ R$10.667,00 + Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 R$310,00 + R$1.734,00) correspondente às remunerações pagas aos contribuintes Fernando César, Geraldo Magno Soares, Gustavo A. Jorge Horta, Luiz Carlos da Silva e Zenilton Adriano de Souza, respectivamente, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas. Competência Dezembro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$9.356,00, o montante de R$4.260,00 (somatório de R$1.200,00 + R$898,00 + R$400,00 + R$950,00) correspondente às remunerações pagas aos contribuintes Daniel A Castro de Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes Oliveira e Wesley Anderson Ribeiro, respectivamente, conforme GFIP e Razão, foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas. Por fim, reconhece como correta parte do levantamento realizado pela fiscalização a saber: Argumenta que, tendo em vista que a Secretaria da Receita Federal não aceitou o parcelamento de parte da autuação, Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 5 7 apesar do Auto de Infração mencionar nas Instruções para o Contribuinte que a parte não contestada poderia ser paga ou parcelada, requer, após a finalização do processo administrativo, seja oportunizado o parcelamento do débito confessado com a correspondente redução da multa de ofício. Requer a exclusão total da cobrança da contribuição previdenciária exigida da impugnante incidente sobre o abono de férias, abono PLR e abono motivacional pagos a seus funcionários, bem como a exclusão de parte da cobrança vertida sob o fundamento do não recolhimento da contribuição previdenciária da empresa sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais devidamente relacionados na impugnação. Requer o cancelamento da multa e juros correspondentes aos créditos tributários excluídos da cobrança, bem como a autorização para parcelamento do débito ora confessado, com a redução da multa de ofício. Diante dos argumentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação, os autos foram encaminhados ao Auditor Fiscal autuante para análise e pronunciamento, conforme despacho de fls. 167. O Auditor Fiscal autuante juntou aos autos a informação fiscal de fls. 173, onde retificou parcialmente o lançamento, conforme a seguir transcrito em síntese: competência janeiro/2007: retirar R$125,00 de Vander José Machado, passando o valor de R$2.261,71 para R$2.136,71. competência abril/2007: retirar R$2.758,00 de Assis Contábil, permanecendo o valor de José Felipe Jorge Filho, por não constar da GFIP antes da ação fiscal, passando o valor de R$9.562,74 para R$6.804,74. competência maio/2007: permanece o mesmo valor, pois José Felipe Jorge Filho, não consta da GFIP antes da ação fiscal. competência julho/2007: retirar R$959,00 referente a Geraldo Magno Soares, passando o valor de R$3.184,00 para R$2.225,00. competência setembro/2007: retirar o valor de R$1.680,00, passando o valor de R$3.110,00 para R$1.430,00, com a exclusão de Geraldo Magno Soares e Luiz Carlos da Silva. competência outubro/2007: retirar o valor de R$4.580,00, passando valor de R$6.380,00 para R$1.800,00, com a exclusão de Geraldo Magno Soares e Luiz Carlos da Silva. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 competência novembro/2007: retirar o valor de R$6.894,00, passando valor de R$10.014,30 para R$3.120,30, com a exclusão de Fernando César, Geraldo Magno Soares, Luiz Carlos da Silva e Zenilton Adriano. competência dezembro/2007: retirar o valor de R$3.448,00, passando valor de R$11.396,00 para R$7.948,00, com a exclusão de Daniel A Castro de Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes de Oliveira e Wesley Anderson Ribeiro. A informação prestada pela fiscalização acompanhada do despacho de diligência, foi encaminhada ao contribuinte, ao qual foi dado o prazo regulamentar para manifestação. O contribuinte manifestouse quanto às informações prestadas pelo Auditor Fiscal autuante às fls. 179/181, conforme a síntese que se segue: Ao analisar a documentação acostada à impugnação e as razões apresentadas pela impugnante, houve por bem o Auditor Fiscal retificar grande parte dos débitos lançados a tal título. Entretanto, relativamente às competências maio/2007 e dezembro de 2007, a impugnante tem a considerar: competência maio/2007: a remuneração paga ao contribuinte individual José Felipe Jorge Filho, lançada na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032 no valor de R$2.500,00, foi devidamente lançada na GFIP originalmente elaborada, conforme cópia anexa e tributada, razão pela qual não procede a alegação de que não consta na GFIP antes da fiscalização. competência dezembro/2007: as remunerações pagas aos contribuintes individuais Daniel A Castro Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes Oliveira e Wesley Anderson Ribeiro, lançadas na conta Autônomos 3.3.1.02.6058, cuja exclusão foi acatada pelo Auditor totalizam o valor de R$4.260,64, conforme GFIP anexa, razão pela qual a retificação somente do valor de R$3.448,00 não deve proceder devendo ser excluído o total de R$4.260,64. Estas são as considerações a serem feitas em relação às informações fiscais prestadas e que deverão ser objeto de nova análise que acarretará a exclusão do valor de R$2.500,00 na competência maio/2007 e o total de R$4.260,64 na competência dezembro/2007 e que terão reflexos nos processos administrativos n° 13603.723043/201008, 13603.723044/2010 44, 13603.723045/201099, 13603.723046/201033, 13603.723047/2010 88. Foi apresentado Discriminativo Analítico do Débito Retificado e informado da preclusão da parte não impugnada, não mais podendo ser discutida na fase recursal. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 6 9 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Abonos (férias, PLR e motivacional). Não incidência da contribuição previdenciária. · Natureza não remuneratória do abono de férias previsto em convenção coletiva. · Natureza não remuneratória do abono PLR previsto em convenção coletiva. · Natureza não remuneratória do abono motivacional. · Tributação dos contribuintes individuais: · competência maio/2007: · Na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032, cujo montante lançado foi de R$ 2.500,00 (corresponde à remuneração do contribuinte individual José Felipe Jorge Filho, conforme GFIP e Razão), dita remuneração foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já havia sido devidamente lançada na GFIP e tributada; · competência dezembro/2007: · Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$ 9.356,00, deverá ser retificado para R$ 5.095,36, e não R$ 5.908,00, posto que o montante do somatório das remunerações pagas aos contribuintes Daniel ª Castro de Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes oliveira e Wesley Anderson Ribeiro, e que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas, perfaziam a quantia de R$ 4.260,64 e não de R$ 3.448,00. · Apesar de a decisão determinar a retificação dos valores das competências 01, 07, 09, 10, 11 e 12/2007, o DADR não os retificou. É o relatório Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. 1 – VERBAS TRIBUTÁVEIS A recorrente alega que os abonos pagos (férias, PLR e motivacional) não têm natureza salarial tendo em vista que não retribuem o trabalho e são indenizatórias. As contribuições para a seguridade social tem sua base imponível definida na Constituição da República de 1988, prevendo esta, para a empresa, a contribuição incidente sobre folha de salários e também sobre os demais rendimentos do trabalho. Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; A especificação do que deve ser tributado e o que não deve está no artigo 28 da Lei 8.212/91. A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 7 11 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do mesmo artigo 28. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias:(Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas noinciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma doart. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos daLei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870, Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 8 13 de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, osarts. 9ºe468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)15 t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim, o conceito de saláriodecontribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. Cabe registrar que os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, ainda que expressamente desvinculem abonos concedidos do salário, não têm força de lei para impor a não incidência de tributos. A Convenção Coletiva tem força de lei vinculando as partes. Conforme o CTN, entretanto, não vincula a Administração Tributária quando estabelece que salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 1.1 – ABONO DE FÉRIAS A recorrente afirma que a verba não é remuneratória. Cita o artigo 28, § 9º, alínea “d” da Lei 8.212/91 e o artigo 144 da CLT. Discorre sobre o abono de férias do inciso XVIII, do artigo 7 da Constituição. Lei 8.212/91 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; CLT Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 9 15 Pra o caso presente, o que se tem, é um abono, definido em convenção coletiva (cláusula 14ª, denominado Abono de Férias), que é pago no dia do início das férias a quem não tiver mais de 7 faltas ao serviço, justificadas ou não. È um abono em razão da assiduidade. Não se trata de pagamento do abono de férias nos moldes dos artigos 143 e 144, da CLT e nem de um abono expressamente desvinculado do salário por força de lei. Também não se enquadra em nenhuma das hipóteses excludentes do salário de contribuição dispostas no artigo 28, § 9° da Lei n° 8.212/91. Entendo que deve incidir tributação. 1.2 ABONO PLR A recorrente discorre sobre a natureza não remuneratória, sobre o artigo 7º, inciso XI da Constituição, da Lei 10.101/2000, da Lei 8.212/91, artigo 28, § 9º, “j”, e sobre PLR em geral. O que temos neste processo, não é PLR, é um abono estabelecido em Convenção Coletiva,na cláusula 2ª “ABONO ÚNICO ESPECIAL – EMPRESAS QUE NÃO POSSUEM PLR”, pago em 2 parcelas. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Assim sendo, em respeito à regra geral de incidência e à falta de provisão de não incidência, entendo correta a tributação. 1.3 – ABONO MOTIVACIONAL. Novamente a tese é que não possui natureza salarial e que é indenizatória. Entendo que indenização está associada à compensação por dano sofrido. Não consegui vislumbrar o aspecto indenizatório. A verba é paga por liberalidade da empresa. Novamente, em respeito à regra geral de incidência e à falta de provisão de não incidência, entendo correta a tributação. 2 – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 10 17 Para os contribuintes individuais a recorrente reapresenta os argumentos trazidos na impugnação, isto é: competência maio/2007: Na conta Honorários Contábeis – 3.1.1.01.3032, cujo montante lançado foi de R$ 2.500,00 (corresponde à remuneração do contribuinte individual José Felipe Jorge Filho, conforme GFIP e Razão), dita remuneração foi indevidamente incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que já havia sido devidamente lançada na GFIP e tributada; competência dezembro/2007: Na conta Autônomos – 3.3.1.02.6058, cujo montante lançado foi de R$ 9.356,00, deverá ser retificado para R$ 5.095,36, e não R$ 5.908,00, posto que o montante do somatório das remunerações pagas aos contribintes Daniel ª Castro de Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes oliveira e Wesley Anderson Ribeiro, e que já tinham sido devidamente lançadas na GFIP e tributadas, perfaziam a quantia de R$ 4.260,64 e não de R$ 3.448,00. Concordo com a manifestação da DRJ. Para a competência 05/2007, ficou comprovado que a inclusão de José Felipe Jorge Filho na GFIP ocorreu após o início da ação fiscal e não caracteriza denúncia espontânea. O valor deve permanecer. Para a competência 12/2007, os valores pagos aos contribuintes individuais Daniel A Castro Oliveira, Reinaldo Ramos Pinto, Sebastião Gomes Oliveira e Wesley Anderson Ribeiro foram excluídas conforme os valores declarados. Destaco que os valores correspondentes a cada contribuinte individual foram identificados, conforme abaixo. Voto DRJ No que se refere ao levantamento relativo às remunerações pagas aos trabalhadores autônomos (Levantamentos CI e CI1 Contribuinte Individual), os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação foram objeto de diligência fiscal, onde parte do lançamento foi retificada. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse às fls. 179/181, contestando apenas o lançamento relativo às competências 05/2007 e 12/2007. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Portanto, após a manifestação do contribuinte em relação ao resultado da diligência, restaram impugnadas somente as competências 05/2007 e 12/2007 (parcialmente). Em relação à competência 05/2007, o contribuinte alega que o valor pago ao segurado José Felipe Jorge Filho deverá ser excluído, pois o mesmo consta da GFIP. No entanto, tal argumento não pode ser acolhido, uma vez que na data do início da ação fiscal, 09/07/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF de fls. 17, na GFIP relativa à competência 05/2007 (n° de controle MGvpJZTzcRH00000, enviada em 29/05/2007) não consta o referido segurado, que somente foi incluído na GFIP posterior entregue em 16/07/2010, no curso da ação fiscal (n° controle Gjbw5Fgv12I00006). No entanto, as declarações entregues após o início do procedimento fiscal não produzem efeitos tributários e não podem ser acolhidas como eficazes, em consonância com o disposto no parágrafo único do artigo 138, do Código Tributário Nacional que assim dispõe: CTN Art. 138 (..) Parágrafo único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionadas com a infração. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento da base de cálculo de R$2.500,00, referente a José Felipe Jorge Filho na competência 05/2007. Em relação à competência 12/2007, o contribuinte alega que o valor a ser excluído deverá ser de R$4.260,64 e não de R$3.448,00 como efetuado pela fiscalização, restando como impugnado, portanto, o valor de R$812,00. Não há qualquer reparo a ser feito no levantamento fiscal que retificou o débito excluindo os valores lançados na GFIP vigente no início da ação fiscal (n° controle Oej09HjQ3T00006, enviada em 08/09/2008) tendo em vista que na referida GFIP constam os seguintes valores discriminados por segurado: Daniel A Castro Oliveira R$1.200,00, Reinaldo Ramos Pinto R$898,00, Sebastião Gomes de Oliveira R$400,00 e Wesley Anderson Ribeiro R$950,00, perfazendo o total de R$3.448,00, conforme retificado pela fiscalização. 3 – RETIFICAÇÃO DO DÉBITO DADR A recorrente afirma que apesar de a decisão determinar a retificação dos valores das competências 01, 07, 09, 10, 11 e 12/2007, o DADR não os retificou. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13603.723042/201055 Acórdão n.º 2403002.337 S2C4T3 Fl. 11 19 Assiste razão à recorrente. A decisão de primeira instância foi por, para os contribuintes individuais, levantamentos CI e CI1, excluir valores das competências 1, 4, 7, 9, 10, 11 e 12, conforme “Tabela 1 – Demonstrativo de alteração de valores lançados” abaixo copiada. O Discriminativo Analítico do Débito Retificado – DADR apresentado somente excluiu R$ 2.758,00 da competência 04, levantamento CI e nada excluiu das demais competências, levantamento CI1. O DADR deve se retificado conforme a tabela acima. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a retificação (exclusão) dos valores referentes aos contribuintes individuais nas competências 01, 07, 09, 10, 11 e 12/2007, levantamento CI1, conforme tabela apresentada no voto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 35166.000249/2002-87
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2000
RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Com a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/91, através da Lei nº 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/91, através da Lei nº 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 02 49 /2 00 2- 87 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 35166.000249/200287 Acórdão n.º 2803002.908 S2TE03 Fl. 142 2 Relatório 1. Tratase de recurso (fls. 66/68) interposto em 14/02/02 por JOSÉ ALVES BEZERRA em face da decisão (fls. 59/63) que julgou improcedente a impugnação apresentada, relativa ao Auto de Infração – DEBCAD nº 35.138.2895. 2. Conforme o relatório fiscal, o recorrente deixou de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do referido órgão, o que constitui infração ao art. 32, inciso IV, §§ 4º e 7º, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 284, inciso I, § 1º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. 3. O despacho decisório n.º 12.401.4/0005/2002 que analisou a defesa do contribuinte, com fulcro no art. 41 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 289 do Dec. nº 3.048/99, julgou a autuação procedente, sob o entendimento de que o dirigente de Órgão Público da Administração Federal, Estadual ou Municipal, é pessoalmente responsável por infração à Legislação Previdenciária ocorrida no período de sua gestão. 4. A decisão/notificação exarada em primeira instância restou ementada nos seguintes termos: “INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR ORIGINAIS DAS GFIPS À FISCALIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Constitui infração, deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse da Previdência Social na forma estabelecida no Art. 32, Inciso IV, da Lei n° 3.212/91 e alterações posteriores. O dirigente de órgão Público da Administração Federal, Estadual ou Municipal, é pessoalmente responsável por infração à Legislação Previdenciária ocorrida no período de sua gestão. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” 5. Da decisão supra o contribuinte tomou conhecimento em 01/02/2002, conforme AR do serviços postal, de nº RI 635817167 BR (fl. 64), tendo interposto recurso em 14/02/2002 perante o Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, órgão este até então competente para, em segunda instância, apreciar o feito. 6. Conforme constam das fls. 125/127 e do Despacho Interlocutório nº 066/2002 (fl. 130), houve conversão do julgamento em diligência pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. 7. Antes que fosse a referida diligência cumprida pela autoridade fiscal da Previdência Social responsável pela lavratura do Auto de Infração, para prosseguimento do Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 35166.000249/200287 Acórdão n.º 2803002.908 S2TE03 Fl. 143 3 feito, em face da disposição contida no art. 47, I, da Lei nº 11.457/2007, em 11/09/2007 foram os presentes autos transferidos para Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. “Art. 47. Fica o Poder Executivo autorizado a: I transferir, depois de realizado inventário, do INSS, do Ministério da Previdência Social e da ProcuradoriaGeral Federal para a Secretaria da Receita Federal do Brasil e para a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional acervos técnicos e patrimoniais, inclusive bens imóveis, obrigações, direitos, contratos, convênios, processos administrativos e demais instrumentos relacionados com as atividades transferidas em decorrência desta Lei; (...).” 8. Do Despacho de Devolução (fl. 139), exarado em 21/10/2011, consta que a DRF de Julgamento em Belém – PA se pronunciou a respeito como segue: “Durante o procedimento de triagem do processo digital, constatouse que já foi emitida decisão em primeira instância pelo antigo Serviço de Análise de Defesas e Recursos ADREC que decidiu pela procedência da autuação (fls. 58/62). O interessado interpôs recurso à segunda instância, isto é, ao antigo Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS (fls. 65/67), que posteriormente converteu o julgamento em diligência (fls. 124/126). Tendo em vista que a competência da Delegacia de Julgamento em Belém DRJ/BEL para julgar limitase a primeira instância e esta já possui decisão proferida pela antiga ADREC, proponho a devolução dos autos a DRF de origem para que sejam tomadas as medidas cabíveis para o prosseguimento do julgamento em segunda instância.” 9. Por conseguinte, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 35166.000249/200287 Acórdão n.º 2803002.908 S2TE03 Fl. 144 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NÃO NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL 2. Conforme consta do Despacho Interlocutório nº 066/2002, (fl. 130), os membros da 2ª. Câmara de Julgamento do CRPS, através do Decisório n° 000339, de 24/04/2003 (fl.127) decidiram converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora esclarecesse os seguintes pontos: “a) Quais os critérios utilizados para estabelecer o quantitativo de segurados, e, por conseguinte, os valores aplicados na penalidade; b) Relacionar os segurados filiados ao Regime Geral de Previdência, objeto do presente autodeinfração; c) Juntar documentação comprobatória das atribuições do Prefeito Municipal, dos signatários dos Termos de Início da Ação Fiscal TIAF e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; d) Identificar a pessoa responsável pelo cumprimento da obrigação acessória, em discussão, no organograma da Prefeitura Municipal de ToméAçú, caso não seja atribuição das pessoas citadas no item "c".” 3. Dos autos verificase que os esclarecimentos acima solicitados se prestariam apenas para a materialização da imputação de responsabilidade ao recorrente, na qualidade de gestor público municipal, por descumprimento de obrigação acessória previdenciária. 4. Ocorre que, tal responsabilização já não mais subsiste face à alteração introduzida pela Lei nº 11.941, de 2009 que revogou o art. 41 da Lei nº 8.212/91 que tratava da responsabilidade pessoal do recorrente, no caso, como veremos mais adiante. 5. Assim, com vista a novel legislação revogadora inferese que o pedido de diligência perdeu seu objeto, desnecessária, portanto, a análise dos autos. DO LANÇAMENTO 6. O lançamento referese a auto de infração aplicado contra o Sr. JOSÉ ALVES BEZERRA, que ocupava o cargo de Prefeito Municipal de Tomé – Açu, no Estado do Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 35166.000249/200287 Acórdão n.º 2803002.908 S2TE03 Fl. 145 5 Pará (fl. 2), por ter deixado de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do referido órgão. 7. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontrava respaldo no art. 41 da Lei nº 8.212/1991, como segue: “Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição.” 8. No entanto, o referido artigo foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, afastando assim a base legal de imputação de responsabilidade ao dirigente de órgão público, na hipótese ora analisada. 9. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 10. Assim sendo, revogada a lei que determinava a responsabilidade pela infração, com fulcro no artigo 106, II, do CTN, deve o presente recurso ser provido, tornado a autuação insubsiste. CONCLUSÃO 11. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento, reconhecendo a improcedência do crédito, em face da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10183.720378/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP.
Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS.
Faz-se necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I - destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular.
VALOR DA TERRA NUA - VTN.
Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras - SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP. Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS. Faz-se necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I - destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA - VTN. Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras - SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los. Recurso Negado
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Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS. Fazse necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA VTN. Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 03 78 /2 00 7- 61 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de processo de Notificação de Lançamento (fl. 01/04), que exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercício 2003, no valor de R$ 301.175,00, incluído multa de ofício e juros de mora, do imóvel rural inscrito na Receita Federal, sob o nº 3.206.8026, localizado no município de Barra do Garças, MT. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela Recorrente, tendo sido constatado pelo Fisco, a falta de recolhimento do ITR, que decorreu de glosa da área declarada como de preservação permanente e de reserva legal, por ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Constou na descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 02), que houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT, e em conseqüência, houve o aumento da base de cálculo da alíquota e do valor devido do tributo. A Recorrente foi cientificada da Notificação de Lançamento do ITR em 19/12/2007 (fl. 10). Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720378/200761 Acórdão n.º 2102002.720 S2C1T2 Fl. 154 3 Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 18/01/2008 (fls. 12/22) e juntou documentos (fls. 23/42). Em síntese, alegou que o imóvel possui 4.494 ha de preservação permanente e 1.464 ha de reserva legal, que são isentas de ITR. Aduziu que ha 3.030 ha de áreas de “pastoreio temporário”, que devem ser consideradas de interesse ecológico e que também devem ser excluídas da tributação. Segundo a Recorrente, toda área da propriedade é isenta de imposto. Sustentou que no caso de remanescer algum saldo de imposto a ser pago, deve ser recalculado, utilizandose a alíquota de 2.9%, constante da tabela III, anexa a Lei nº 8.847/94. Insurgiuse contra a incidência da SELIC, que afirma ser inconstitucional. A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte proferiu a seguinte decisão: [...]Em sede de preliminar, a impugnante invoca aspectos relativos à inconstitucionalidade de normas que fundamentam a autuação. Convém esclarecer que não cabe esta apreciação na esfera administrativa, pois, compete a esta Delegacia, como membro integrante do Poder Executivo, julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. [...] Logo, em obediência ao principio da legalidade objetiva, estampado na Constituição Federal, durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendo lhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade do lançamento. [...] A questão suscitada no presente processo é meramente de direito, estando o lançamento devidamente amparado por Leis que disciplinam a matéria. Os fundamentos legais da autuação serão oportunamente enunciados, razão pela qual devem ser também afastadas as preliminares de ilegalidade constantes da impugnação. Por estes motivos, devem ser rejeitadas as preliminares arguidas. No mérito, o lançamento foi correta e legalmente efetuado, utilizandose os dados informados na DITR do respectivo Exercício. Com a entrada em vigor da Lei n.° 9.393, de 1996, o ITR passou a ser tributo lançado por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro 1966, o Código Tributário Nacional — CTN. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 O lançamento de ofício no caso de informações inexatas encontra amparo no art. 14, da Lei n° 9.393/1.996, abaixo transcrito, o qual também prevê a exigência da multa cabível no procedimento de ofício: [...] A multa aplicável, no caso, é a de 75%, conforme art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, e os juros de mora em percentual equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com o art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/96. Relativamente aos juros, o § 1° do artigo 161 do Código Tributário Nacional diz que os juros são calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. A exegese que se extrai do citado dispositivo é a de que o quantum previsto no CTN somente é aplicável de forma supletiva, na ausência de lei que discipline a matéria, o que não constitui a hipótese. O artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe que, a partir de 01/01/1997, sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Portanto, a taxa SELIC é índice de juros de mora, por determinação legal. É de se esclarecer que essa taxa não é "fixada" pelo Poder Executivo, mas sim determinada pelo mercado de títulos federais registrados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. É calculada pelo Banco Central do Brasil, é informada ao Poder Executivo, que apenas a divulga por meio de um ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Assim, a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC significa apenas uma adequação desses juros aos valores de mercado, uma vez que, no sentido de se desindexar a economia, foi abolida a cobrança de correção monetária. [...] Para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado. O contribuinte estava ciente da necessidade da entrega do ADA, haja vista que se trata de orientação constante dos manuais de instruções de preenchimento das DITR. Apenas para melhor ilustrar o entendimento da Secretaria da Receita Federal em relação ao assunto, vejase, a título de exemplo, as Perguntas n° 64, 65, 66, 67, 72 e 78 da publicação "Perguntas e Respostas do ITRI2002": [...] Verificase, assim, que os atos normativos, ao estabelecerem a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, por meio de ADA e averbação, fixaram condição para fins da não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720378/200761 Acórdão n.º 2102002.720 S2C1T2 Fl. 155 5 utilização limitada, não podendo a autoridade lançadora dispensar os requisitos previstos na legislação tributária. Com relação à área de reserva legal, conforme acima mencionado, deveria ser apresentada a Certidão atualizada da Matricula do Imóvel, na qual deveria constar a prévia averbação. Efetivamente, a legislação que rege a matéria exige que seja tal reserva averbada, à margem da matricula de registro de imóveis, conforme se depreende do art. 16, § 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, in verbis: [...] Para o cumprimento dessa obrigação, deve ser obedecida a disposição contida no art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação no caso do ITR, de acordo com o art. 1º caput, da Lei n° 9.393/96, o dia 1° de janeiro de cada ano. Assim, a área de reserva legal somente pode ser excluída da tributação se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício. No caso do exercício 2005, a obrigação teria que ter sido cumprida até 1° de janeiro de 2005 o que não ocorreu em relação à área declarada, conforme análise da documentação acostada. De fato, não é necessária prévia comprovação das áreas isentas. Com isso, quis o legislador deixar expresso que, no ato da entrega da DITR, o contribuinte não deveria, a contrário do que acontecia anteriormente, anexar nenhum documento comprobatório do que foi declarado. Esta orientação não se destina apenas às áreas isentas, mas abrange tudo o que foi declarado pelo contribuinte. Tanto é verdade que a comprovação não deve ser apresentada com a DITR, que o legislador estipulou o prazo de seis meses, contados da data final prevista para a entrega da declaração, para que o contribuinte protocolizasse, junto ao IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental. [...] Nos presentes Autos, não foram juntados ADA e averbação tempestivos para o Exercício do lançamento. Por estas razões, não há como acatar as áreas de preservação permanente e de reserva legal pretendidas pela impugnante. Há de ser frisado, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo supracitado (Lei n° 9.393/96, art. 14). O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor apurado fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo o que ser revisto no valor atribuído ao imóvel no lançamento. [...] É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. Não há como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. Com relação à alíquota aplicada, não há nada que ser questionado no lançamento, haja vista que, conforme a área total do imóvel e considerada a sua utilização, foi aplicada corretamente a alíquota estipulada pela Lei n° 9.393/96. Conforme a própria impugnante reconhece, no início de sua peça, a Lei n° 8.847/94 foi revogada. Não há que ser invocada, portanto, a Tabela de alíquotas aplicável anteriormente à edição da Lei n° 9.393/96. Assim, concluise que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontrase devidamente amparado pela legislação que rege a matéria. [...] A interessada foi cientificada do Acórdão nº 0418.032, da 1ª Turma da DRJ/CGE em 11/12/2009 (fl. 73). Sobreveio Recurso Voluntário em 12/01/2010 (fls. 74/85), que, em síntese, reprisou as alegações da impugnação. No mérito, sustentou que foi preenchido todos os requisitos necessários à correta informação do valor devido de ITR, e no que diz respeito à exclusão do valor das áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como de interesse ecológico, na forma contida no art. 10, §1º, II, a e b, da Lei 9.393. Afirmou ainda, que a Lei supra não contém nenhum dispositivo que exija a apresentação do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal e da base de cálculo do ITR. Referiu que o art. 17, o, da Lei 6.9368/81, prevê o recolhimento de uma taxa ao IBAMA nos casos de apresentação do ADA, no entanto, não condiciona a entrega de tal documento à definição de uma determinada área como de preservação permanente ou de reserva legal, para fins de redução da área tributável pelo ITR. Sustentou a Recorrente que o descumprimento de uma obrigação acessória em relação a eventual existência de obrigação principal de pagamento do imposto, não pode tornála devedora do tributo em litígio, porque a obrigação tributária principal não existe. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720378/200761 Acórdão n.º 2102002.720 S2C1T2 Fl. 156 7 Aduziu que não foi oportunizado a Recorrente, quando da instauração do processo administrativo, a comprovação de seu enquadramento nas situações legais, bem como alegou que poderia ter sido realizada perícia em instância administrativa. Acrescentou que embora tivesse conhecimento da impossibilidade da área ser utilizada para outro fim, que não o pastoreio restrito e temporário, a área deve ser considerada como de interesse ecológico, com fundamento no art. 10, §1º, II, a e b, da Lei 9.393. Por fim, referiu que o valor da terra nua atribuído pelo Fisco deve ser desconsiderado, pois segundo a Recorrente, toda área é isenta, em razão de reserva legal, preservação permanente e interesse ecológico. Requereu o provimento do Recurso e o cancelamento do lançamento fiscal, subsidiariamente, em caso de não ser a área considerada isenta na sua integralidade, requereu que a área tributável seja recomposta, a fim de excluir as áreas de preservação, correspondente à 4.494 ha, de sua respectiva base de cálculo. Em caso de não acolhimento dos pedidos acima, requereu que o Recurso seja convertido em diligência para verificar a efetiva destinação e caracterização do imóvel. Juntou documentos (fls. 87/152). É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia dos requisitos para a exclusão das Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, da base de cálculo do ITR. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11727, de 2008). O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. No caso em questão, existem algumas discussões: a) exigência de ADA; e b) não incidência de ITR sobre determinadas áreas (Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico), que passo a analisálas. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. No entanto, em que pese esta relatora entenda que o ADA não é exigência necessária para a constituição das Áreas de Preservação Permanente, verificase que o laudo técnico acostado pela Recorrente (fls. 34/42), datado de 26/04/1998, faz menção apenas à Área de “Reserva Permanente de 1.464 ha” (fl. 42), e ainda, conforme Notificação de Lançamento Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720378/200761 Acórdão n.º 2102002.720 S2C1T2 Fl. 157 9 das fls. 01/04, a Recorrente declarou para o exercício 2003, Área de Preservação Permanente de 5.958 ha (fl. 03). Portanto, não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. Quanto à Área Reserva Legal, é exigência legal, que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Vislumbrase que, distintamente da Área de Preservação Permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei e comprovados no laudo técnico não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a Área de Reserva Legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Cabe lembrar ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ª Seção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. No que tange à Área de Interesse Ecológico, fazse necessário que seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I – destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II – comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não sendo aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14). Assim, a par dar considerações acima expostas, verificamse exigências específicas para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, as quais não foram devidamente cumpridas pela contribuinte, portanto, devem ser afastadas àquelas da isenção da tributação do Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, deveria o Recorrente ter acostado laudo técnico atual, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua. Constatase pelo laudo acostado às fls. 34/42, que em 26/04/1998, o Valor da Terra Nua fora avaliado em R$ 430.998,60, este mesmo valor, conforme consta da Notificação de Lançamento de fls. 01/04, também fora declarado para a DITR do exercício 2003 (fl. 03), portanto tal valor encontrase defasado, não podendo persistir sem um laudo atualizado, que confirmasse que o Valor da Terra Nua não sofreu nenhuma valoração. Assim, prevalece o valor atribuído pelo Fisco, apurado com base no valor do Sistema de Preços de Terras – SIPT. Quanto ao pedido de diligências e perícias, estes podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. No presente caso, entendo que não cabe perícia e/ou diligência, tendo em vista que foi oportunizado à Recorrente corroborar as suas alegações com provas hábeis a demonstrar a verdade material, as quais poderiam ter sido acostadas quando da intimação do Termo de Procedimento Fiscal, ou ainda, por ocasião da Impugnação e interposição do presente Recuso Voluntário. Assim, diante do entendimento desta relatora sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10850.722849/2012-22
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DBF. MP N° 2.158-35/2001, ART. 57. NOVA NORMA SOBRE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCOMPATIBILIDADE. PARECER NORMATIVO N° 3/2013.
A multa por atraso na entrega da DBF é incompatível com a nova redação da base legal das multas por descumprimento de obrigações acessórias (art. 57 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001), de acordo com o entendimento exarado no Parecer Normativo Cosit n° 3/2013.
Numero da decisão: 1801-001.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso.
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 95 1 94 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.722849/201222 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.765 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de novembro de 2013 Matéria DBF Multa por atraso na entrega Recorrente POTIRENDABA PREFEITURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DBF. MP N° 2.15835/2001, ART. 57. NOVA NORMA SOBRE DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCOMPATIBILIDADE. PARECER NORMATIVO N° 3/2013. A multa por atraso na entrega da DBF é incompatível com a nova redação da base legal das multas por descumprimento de obrigações acessórias (art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001), de acordo com o entendimento exarado no Parecer Normativo Cosit n° 3/2013. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 28 49 /2 01 2- 22 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Trata o processo de Multa por atraso na entrega da Declaração de Benefícios Fiscais (DBF), às fls. 29/30, relativa ao ano calendário 2011. Foi lavrada a multa por atraso na entrega da DBF, relativa ao ano calendário 2011, no valor de R$ 25.000,00. Foi interposta manifestação de inconformidade (fls. 02/23), que foi julgada improcedente pela DRJ/Ribeirão Preto, conforme acórdão de fls. 38/45, prolatado em 01/11/2012. Cientificada da decisão em 14/11/2012, conforme AR de fl. 48, tempestivamente, em 07/12/2012, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 51/91, que se resume a seguir: DO DIREITO. Da Falta de Embasamento Legal para Penalidade de Multa a. Alega que a Notificação de Lançamento em debate padece de vício de legalidade, haja vista que os parâmetros usados em relação à sanção pelo atraso da Declaração (DBF) em comento, bem como a definição de seu valor estão embasados no artigo 57, da Medida Provisória n.° 2.15835, de 24 de agosto de 2001; b. Tece comentários acerca das Medidas Provisórias; c. Entende que a Medida Provisória n.° 2.18535, de 24 de agosto de 2001, já perdeu sua eficácia há anos e em hipótese alguma tem o condão de estabelecer critérios para aplicação de sanção de multa no caso de atraso da entrega da Declaração em debate. Diante disto, notória a profunda lesão ao Princípio da Legalidade, insculpido no artigo 5o, II, 37 e mais peculiar ao caso em tela, no artigo 150, inciso I, todos da Constituição Federal. Evidente, pois, que a imposição de multa ao Recorrente não encontra fundamento legal; d. Com base no artigo 53 da Lei Federal n.° 9784/90, afirma que o dispositivo legal pacifica o debate de forma límpida, haja vista que, a plena inexistência de previsão legal para o lançamento da multa em questão, faz com que o lançamento da aludida multa deva ser anulado. De mais a mais, não obstante a completa ausência de previsão legal para a imposição da multa em comento, temos que o enquadramento deficitário da capitulação legal para a imposição da multa, como ocorre no caso presente, é causa de nulidade do ato de lançamento; e. Aduz que, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável ou a sua graduação, conforme roga o art. 112, I e IV, do CTN, deve a lei ser aplicada de forma mais benéfica ao acusado, no caso o Recorrente; Da Instituição das Denominadas Obrigaíções Acessórias por Ato Infralegal de Conteúdo Procedimental: f. Tece comentários sobre a obrigação acessória; g. Assevera que as obrigações acessórias visam tutelar a fiscalização e a arrecadação dos tributos, são fundamentais para a efetivação do pagamento do tributo. Todavia, mesmo com tal desiderato, é indiscutível que a obrigação acessória exige prestações positivas ou negativas dos contribuintes e de não contribuintes (terceiros). Fixam obrigações acessórias ou deveres instrumentais a serem cumpridos. Na literalidade do § 2o, do Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.722849/201222 Acórdão n.º 1801001.765 S1TE01 Fl. 96 3 artigo 113, do CTN, a instituição da obrigação acessória pode ser ultimada por ato infralegal. Por uma simples Instrução Normativa baixada pelo Secretário da Receita; h. Concorda que a Instrução Normativa integra o rol dos atos normativos previstos no artigo 96 do CTN. Nessa visão, a Instrução Normativa representa legítimo instrumento para criação das obrigações acessórias. Todavia, não se pode esquecer que a obrigação acessória determina condutas obrigatórias (fazer e nãofazer), tanto dos contribuintes, como de não contribuintes. Como, então, superar o mandamento inscrito no artigo 5o, II, da Constituição, que traz a seguinte garantia constitucional: "II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei"? i. Cita doutrina; j. Cita o artigo 16, da Lei n° 9.779, de 1999, e afirma que ele não tem os requisitos básicos da obrigação acessória. Não tem os contornos básicos das referidas obrigações, que é de reserva de lei em sentido estrito, como assim entende a doutrina. O referido artigo 16 transferiu as Instruções Normativas não apenas regulamentam, ou apontam a pormenorização dessa obrigação. Na realidade, por delegação do citado artigo 16, as Instruções Normativas baixadas pelo Secretário da Receita Federal, autonomamente, instituem essas obrigações acessórias, dandolhes não apenas a pormenorização do comando previamente previsto em lei, mas, sim, a efetiva conformação legal, o que representa ofensa ao artigo 5o, inciso II, da Carta Magna; k. Conclui que, não existindo previsão legal para a imposição da obrigação acessória consistente na entrega da DBF, não pode a mesma ser exigida com base em Instrução Normativa, sob pena de afronta ao art. 5o, II, da CF, razão pela qual o Auto de Infração e a aplicação de penalidade de multa por atraso na entrega da DBF por parte do Recorrente não pode subsistir; Da Penalidade Instituída por Intermédio de Medida Provisória para Punir Conduta Omissiva Definida por Instrução Normativa l. Cita o art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, e reclama que Medida Provisória não é veículo adequado para a instituição de penalidade. Sem embargo, o artigo 57 da referida Medida Provisória não instituiu diretamente a referida penalidade: o fez mediante a referência ao artigo 16 da Lei n° 9.779, de 1999, de modo que esse artigo 16 integra a norma secundária regra punitiva constante do aludido artigo 57. Não haveria nenhum problema nesse procedimento se o art 16 fosse completo. Todavia, ele não é completo. Nele não está definida a conduta, cuja omissão será punida com a aplicação da venalidade instituída pelo referido artigo 57; m. Segue argumentando que, num procedimento progressivo, a real conduta a ser punida, por conta da delegação contida no citado artigo 16, será definida pela Instrução Normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal para instituir a obrigação tributária acessória. Portanto, no final, será uma simples Instrução Normativa que definirá a norma primária, cujo descumprimento será punido pela norma secundária constante do artigo 57 Medida Provisória n° 215835/2001. Ora, uma norma de cunho penal não pode ser integrada por uma simples Instrução Normativa. Desta feita, também neste enfoque, o auto de infração e lançamento não pode subsistir; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Do erro de direito na acumulação da penalidade isolada prevista art. 57 da medida provisória n° 2.15835/2001: n. Observa que, na sua literalidade, o artigo 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, fixou a cifra de "R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados". No tocante à DBF, o absurdo está na interpretação conferida pelo fisco ao art. 57 da referida Medióla Provisória, que instituiu uma penalidade isolada (não acumulável) por mêscalendário, no contexto de informações de terceiros que visam formar o banco de dados da Administração Tributária; o. Defende que não se pode confundir a penalidade instituída pelo art. 7o da Lei n°. 10.426/02 com a penalidade prevista no art. 57 da multicitada Medida Provisória. A penalidade instituída pela Lei n° 10.426/02 tem como objetivo forçar o próprio contribuinte ao cumprimento da obrigação principal e, por isso, foi estruturada de forma acumulada por mêscalendário ou fração de atraso; p. Anota que nada disso está presente na multa do art. 57 da MP 2.158'5/2001, que pune as omissões nas informações exigidas de terceiros nãocontribuintes, ou, como no caso presente, de declaração envolvendo informação que não integra o campo de tributação (DBF). Por isso, a penalidade instituída pelo citado art. 57 é isolada; q. Pondera que o art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, em seu inciso I, que é base legal da penalidade em exame, comina uma penalidade de R$ 5.000,0 por mêscalendário e não por mêscalendário em atraso. Tratase, portanto, de uma penalidade isolada e única: R$ 5.000,00 pela informação não fornecida no mêscalendário. A Lei n° 10.426/02, por sua vez, com as alterações da Lei n° 11.051/04, fixa penalidade proporcional de 2% (dois por cento) ao mêscalendário, o que marca a sua natureza acumulativa, em consonância com o seu objetivo de forçar o cumprimento da obrigação principal; r. Acrescenta que s situação prevista na referida lei guarda relação com as declarações que têm vínculo direto com o recolhimento do tributo. Assim, a penalidade nela prevista visa garantir a regularidade das seguintes declarações: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, todas voltadas para garantir o cumprimento da obrigação principal. Neste contexto, é razoável que a Lei n° 10.426/02 determine penalidade cumulativa, já que visa punir a conduta omissiva continuada a não entrega, por exemplo, da DCTF que contribuiu para o atraso no recolhimento do tributo. Na terminologia legal, a penalidade instituída por essa lei alcança a conduta omissiva por mês calendário ou fração de atraso, o que é muito diferente da não apresentação da DBF, na qual a informação não tem vínculo com o tributo não recolhido. Todavia, mesmo tendo vínculo com a obrigação principal, a própria lei 10.426/02 limita a penalidade nela prevista ao percentual máximo de 20% (vinte por cento); s. Alega que a conduta visada pelo art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 é radicalmente distinta da prevista na Lei n° 10.406, de 2002. Com efeito, o bem jurídico tutelado pelo]citado artigo 57 é completamente diferente: visa punir as omissões das informações exigidas de terceiros nãocontribuintes. Assim, diferentemente da penalidade da Lei n° 10.426/02, a multa instituída pela referida Medida Provisória não tem relação direta com a obrigação principal: alcança as omissões nas informações exigidas de caso da DBF, cujos fatos, por definição legal, estão fora do campo triL +^rio. Portanto, não é possível que Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.722849/201222 Acórdão n.º 1801001.765 S1TE01 Fl. 97 5 essa penalidade tenha a mesma estrutura das multas vinculadas às obrigações acessórias da Lei n° 10.426/02, que visam garantir o recolhimento do tributo; t. Frisa que a prova definitiva de que a penalidade do art. 57 em exame é isolada está na ausência de sua limitação legal. Não existe essa limitação por uma razão muito simples: esse artigo 57 instituiu uma penalidade isolada ou não cumulativa. Vale dizer, não sendo cumulativa, não há necessidade de limitação da penalidade aplicada; u. Observa que o parágrafo primeiro do art. 7o da Lei n° 10.426/02 tem outra previsão que é muito importante para o deslinde do presente controvérsia. A definição do termo inicial e final, na própria lei, revelase imperativa quando a penalidade for acumulada, como é o caso da multa da Lei n° 10.426/02. Ora, na penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 não há definição sobre esses termos, o que também confirma o seu caráter de penalidade isolada. Portanto, por qualquer ângulo de análise, a conclusão alcançada é sempre a mesma: a penalidade instituída pela referida Medida Provisória não pode ser aplicada de forma acumulada; v. Entende que o Auto de Infração ou Auto de Lançamento por atraso na entrega da DBF deve ser cancelado ou anulado, ou ainda reduzido o valor da multa para R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por constituir penalidade única, isolada; Da Imunidade Recíproca Impossibilidade de Aplicação de Multa por Atraso no Cumprimento de Obrigação Assessoria: w. Tece comentários sobre a imunidade; x. Aduz que a entrega tardia da DBF, ainda que o Município Recorrente esteja obrigado a cumprir tal obrigação acessória, não autoriza a imposição de multa, pois não implica em sonegação fiscal e muito menos impede a fiscalização por parte do fisco; y. Evidencia que não pode ser aplicada a imposição de multa por atraso na entrega da DBF, em razão da imunidade tributaria recíproca existente entre os entes federados, sobretudo em razão da inexistência de sonegação fiscal e ausência de óbice à fiscalização do fisco, pelo que o lançamento em questão deve ser anulado ou cancelado; Da denúncia espontânea Impossibilidade de Aplicação de Multa: z. Explica que apresentou a DBF antes da instauração de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do fisco, razão pela qual deve ser reconhecida a denúncia espontânea, sendo, portanto, indevida a imposição de penalidade de multa; aa. Cita doutrina e jurisprudência; bb. Conclui que, em tendo a Municipalidade Recorrente apresentado a Declaração de Benefícios Fiscais — DBF antes do início de qualquer a procedimento administrativo no sentido de exigila, deve ser reconhecida a denúncia espontânea prevista no art. 138, do CTN, razão pela qual inaplicável a penalidade de multa. Deve, pois, ser anulado o lançamento da multa em questão; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Do Princípio da Vedação da Cobrança de Tributo com Efeito de Confisco aplicável à Cobrança de Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória Desproporcionalidade e Ausência de Razoabilidade: cc. Tece comentários sobre o princípio do não confisco, e alega que referida limitação constitucional merece ser trazida a lume em função do art. 113, §3°, do Código Tributário Nacional, que determina a conversão da obrigação acessória em penalidade pecuniária, submetendo a multa imposta ao regime jurídico dos tributos; dd. Defende ser perfeitamente aplicável o principio da vedação de confisco em relação às multas aplicadas pelo fisco em razão de descumprimento ou cumprimento tardio de obrigação acessória, como ocorre no caso presente, às chamadas "multas isoladas"; ee. Reclama que o valor da multa aplicada é absolutamente desproporcional e não razoável, tendo em vista que o total arrecadado com as doações totalizara a quantia de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), quando o valor da multa aplicada pelo simples atraso na entrega da DBF que não causa prejuízo algum ao fisco — soma o incrível valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), mostrandose nítido o seu caráter confiscatório. É nítido que se mantida a multa lançada, os valores arrecadados para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Município de Potirendaba esvaziados, ou seja, confiscados; ff. Conclui que deve o lançamento ser anulado, por flagrante lesão ao artigo 150, inciso IV, da Carta Maior; DO PEDIDO gg. Ao final, requer que seja dado PROVIMENTO ao presente recurso, para que seja ANULADO ou CANCELADO o lançamento da multa em questão, sendo seu registro arquivado definitivamente, ou para que seja atenuado o valor da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O contribuinte recebeu notificação de lançamento de multa por atraso na entrega da declaração DBF relativa ao exercício 2011, com exigência de penalidade no valor de R$ 25.000,00. Conforme consta na notificação, às fls. 29/30, a declaração foi enviada em 22/08/2012, sendo que o prazo final de entrega era 30/03/2012. Os prazos de entrega da DBF, para o período em questão, estão definidos na Instrução Normativa RFB nº 1.220, de 22 de dezembro de 2011, que define, em seu artigo 4°, o último dia do mês de março em relação ao anocalendário imediatamente anterior. Os valores da multa são previstos no art. 5°: Art. 4º A DBF deverá ser apresentada até o último dia útil do mês de março, em relação ao anocalendário imediatamente Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.722849/201222 Acórdão n.º 1801001.765 S1TE01 Fl. 98 7 anterior, por meio da Internet, utilizandose o programa Receitanet, disponível no endereço mencionado no caput do art. 3º. Art. 5º A não apresentação da DBF no prazo estabelecido no art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da declaração ou de sua entrega depois do prazo; e II multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I tem, por termo inicial, o 1º (primeiro) dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DBF ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. A base legal da multa por atraso na entrega da DBF é o art. 57 da MP n° 2.15835/2001, que sofreu profundas alterações com o advento da Lei nº 12.766, de 27/12/2012, pela qual foram reduzidos os valores das multas por descumprimento de obrigações acessórias. Essa nova norma retroage por força do princípio da retroatividade benigna prevista no art. 103, inciso II “c” do CTN: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) A Administração Tributária, visando a disciplinar os efeitos dessa alteração legislativa nas várias multas incidentes sobre obrigações acessórias, publicou o Parecer Normativo nº 3, de 10 de junho de 2013. A orientação dada foi de que a multa por atraso na entrega da DBF, ao lado de diversas outras multas previstas por instrução normativa, deixaram de ter base legal, mas, em princípio, as condutas nelas previstas devem se amoldar à nova redação do art. 57 da MP n° 2.15835/2001. Especificamente em relação à multa da DBF, restou decidido que não é possível aplicar sequer o citado dispositivo, ainda que de forma residual. Isso porque no inciso I (apresentação extemporânea), que seria a hipótese aplicável ao caso concreto, o legislador direcionou a penalidade às empresas com fins lucrativos, já que especifica as formas de apuração de lucro, presumido ou real. Tal interpretação leva em conta a diretiva da proibição da analogia em matéria penal. Confirase o teor do trecho pertinente no PN n° 3/2013: 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10850.722849/201222 Acórdão n.º 1801001.765 S1TE01 Fl. 99 9 RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (eLalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. 6.1.2. Quanto à IN RFB nº 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB nº 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. O aspecto quantitativo dos incisos I e III pressupõe a sanção à pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, já que pessoa física, pessoa jurídica imune ou de direito público não têm forma de apuração de lucro presumido ou real (inciso I) nem receita bruta (inciso III). Como o direito tributáriopenal deve respeito ao princípio da tipicidade cerrada, não se pode aplicar analogia para a configuração da multa. Não há base legal, atualmente, para a multa por atraso na sua entrega (inciso I), bem como para informações inexatas, incompletas ou omitidas em relação a ela (inciso III). Somente é passível de aplicação da multa à situação do inciso II, ou seja, após a intimação para entrega dos arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos. Assim, a própria Administração Tributária reconheceu que a multa por atraso na entrega da DBF é incompatível com a atual base legal das multas por descumprimento de obrigações acessórias. Tanto assim que, pouco depois da divulgação do Parecer Normativo nº 3, de 10 de junho de 2013, sobreveio a Instrução Normativa nº 1.389, de 30 de agosto de 2013, que revogou o art. 5° da Instrução Normativa RFB nº 1.307, de 27 de dezembro de 2012 (atual IN que disciplina a DBF), que cominava a referida penalidade. Art. 5º A não apresentação da DBF no prazo estabelecido no art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (Revogado pela Instrução Normativa nº 1.389, de 30 de agosto de 2013) I multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de sua entrega depois do prazo; e II multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas. Parágrafo único. A multa a que se refere o inciso I do caput tem por termo inicial o 1º (primeiro) dia subsequente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 apresentação da DBF ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. Deixo de apreciar os demais argumentos levantados pela defesa, que restaram prejudicados pela decisão favorável ao contribuinte. Pelo exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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