Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.979290/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.979290/2009-58
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758687
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.716
nome_arquivo_s : Decisao_10880979290200958.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10880979290200958_5758687.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6898628
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468893396992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979290/200958 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.716 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA GATÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 90 /2 00 9- 58 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.979290/200958 Acórdão n.º 1201001.716 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.979290/200958 Acórdão n.º 1201001.716 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979290/200958 Acórdão n.º 1201001.716 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979290/200958 Acórdão n.º 1201001.716 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18329.000220/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO REGISTRO DA DECISÃO. CABIMENTO.
Caracterizada a omissão no registro da decisão sobre matéria amplamente enfrentada na fundamentação do acórdão e ainda expressamente delimitada na respectiva ementa do julgado, justificado está o acolhimento dos embargos de declaração para saneamento do erro apontado.
Numero da decisão: 9202-005.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.477, de 24/05/2017, com efeitos infringentes, adaptar o dispositivo para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a decadência da multa relativa aos meses a partir de dezembro de 2001, e ainda determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO REGISTRO DA DECISÃO. CABIMENTO. Caracterizada a omissão no registro da decisão sobre matéria amplamente enfrentada na fundamentação do acórdão e ainda expressamente delimitada na respectiva ementa do julgado, justificado está o acolhimento dos embargos de declaração para saneamento do erro apontado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18329.000220/2007-81
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5787202
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.754
nome_arquivo_s : Decisao_18329000220200781.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 18329000220200781_5787202.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.477, de 24/05/2017, com efeitos infringentes, adaptar o dispositivo para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a decadência da multa relativa aos meses a partir de dezembro de 2001, e ainda determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
id : 6978095
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468895494144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 311 1 310 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18329.000220/200781 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202005.754 – 2ª Turma Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Embargante CONS. RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI (RELATORA Interessado CARDIO NEFROCLÍNICA DELTA SOC S LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO REGISTRO DA DECISÃO. CABIMENTO. Caracterizada a omissão no registro da decisão sobre matéria amplamente enfrentada na fundamentação do acórdão e ainda expressamente delimitada na respectiva ementa do julgado, justificado está o acolhimento dos embargos de declaração para saneamento do erro apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202005.477, de 24/05/2017, com efeitos infringentes, adaptar o dispositivo para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento parcial, para afastar a decadência da multa relativa aos meses a partir de dezembro de 2001, e ainda determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 32 9. 00 02 20 /2 00 7- 81 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.754 CSRFT2 Fl. 312 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Embargos opostos por esta Conselheira. Em sessão plenária de 24 de maio de 2017, foi julgado o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, proferindose decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202 005.477, o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 30/04/2007 RECURSO ESPECIAL. MEDIDA PROVISÓRIA E LEI DE CONVERSÃO COM MESMO CONTEÚDO NORMATIVO. SITUAÇÃO FÁTICA SEMELHANTE. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Considerando que no caso concreto temos a identidade da norma trazida pela MP nº 449/08 e aquela posteriormente veiculada pela Lei de Conversão nº 11.941/09, devese conhecer de Recurso Especial de Divergência cujo objeto é a discussão acerca da multa mais benéfica para fins de aplicação do art. 106 do CTN. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicandose o art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.754 CSRFT2 Fl. 313 3 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Ocorre que após a formalização do acórdão identificouse lapso manifesto no registro da decisão que deixou de abordar o tema decadência, embora esse tenha sido expressamente enfrentado pelo Colegiado conforme se observa do inteiro teor e da conclusão do voto, e ainda da ementa apresentada. Assim, com base no artigo 66 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15 foram opostos os embargos para supressão do lapso mediante a prolação de um novo acórdão. Analisada a decisão e constato o lapso, os embargos foram recebidos. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme descrito no relatório serve os presentes embargos para suprir lapso manifesto na decisão registrada na ata do respectivo julgamento. Os embargos, diante da tempestividade foram recebidos como embargos de declaração. O registro da decisão do acórdão embargado foi assim grafado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Embora o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional tenha sido integralmente conhecido pelo Colegiado e este tenha enfrentado a matéria, conforme pode ser observado pela fundamentação e conclusão do voto e ainda pela respectiva ementa, a decisão deixou de registrar a posição do Colegiado quanto ao tema "aplicação do artigo 173, I do CTN para fixação do termo inicial do prazo decadencial nos casos de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória". Vejamos a parte da ementa que trata do assunto, respectiva fundamentação e a conclusão do acórdão embargado: "DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTONOMIA. ART. 173, I DO CTN. As obrigações acessórias ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo. Assim o descumprimento de obrigação Fl. 313DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.754 CSRFT2 Fl. 314 4 acessória leva ao lançamento de ofício da penalidade, aplicandose o art. 173, I do CTN." "Do mérito recurso: Conforme exposto no relatório, o Recurso da Fazenda Nacional foi recebido para rediscussão de duas matérias: regra decadencial aplicada aos lançamentos cujo objeto é a cobrança de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória e ainda forma de cálculo da multa aplicada em razão das alterações promovidas na lei nº 8.212/91 com a edição da Lei nº 11.941/2009. Decadência: No que tange a primeira divergência, é sedimentado que o prazo decadencial aplicável às obrigações acessórias é aquele previsto no art. 173, I do CTN. Isso porque, independentemente do reconhecimento da decadência, em algum momento a obrigação principal era devida e por não ter sido adimplida gerou o lançamento de ofício, tanto do tributo quanto do respectivo descumprimento do dever instrumental. A meu ver o art. 113 do CTN deixa claro que as obrigações acessórias, apesar de em sua maioria estarem relacionadas ao dever de pagar um tributo, dessas são distintas e autônomas: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, descumprida uma obrigação acessória haverá o lançamento de ofício da penalidade, sendo irrelevante se discutir acerca da existência ou não de antecipação de pagamento da obrigação principal devendo neste caso ser aplicado o art. 173, I do CTN. Cito, para ilustrar, o entendimento da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no acórdão 2401003.209, que ainda nos traz apontamentos relevantes acerca da finalidade das informações prestadas em GFIP: Fl. 314DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.754 CSRFT2 Fl. 315 5 'Ressalto, que independente da decadência das obrigações principais ter sido decretada a luz do art. 150, § 4, nos autos de obrigação acessória não há como atribuir mesmo raciocínio, tendo em vista serem obrigações distintas, a de recolher a contribuição devida, e a de informar em GFIP fatos geradores de contribuição previdenciária. A informação em GFIP não possui o condão de apenas informar a contribuição devida, mas acima de tudo, informar a remuneração do segurado da previdência social, informação essa que irá subsidiar a concessão de benefícios e o correspondente cálculo do salário de benefício.' Considerando a regra do art. 173, I do CTN a qual determina que o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a contribuição poderia ser lançada, e considerando que o lançamento se reporta ao período de 06/2001 a 04/2007, temos como termo a quo da contagem do prazo decadencial a data de 01/01/2002. Como o contribuinte foi intimado do lançamento em 01/11/2007, deve reconhecer a decadência da multa referente ao descumprimento das obrigações acessórias relativas aos meses de junho a novembro de 2001. Permanece devida a multa relativa ao mês 12/2001, pois neste caso a obrigação acessória deveria ter sido cumprida em 01/2002. "Conclusão: Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito doulhe parcial provimento para i) reconhecer, com base no art. 173, I do CTN a decadência da multa referente ao descumprimento das obrigações acessórias relativas aos meses de junho a novembro de 2001, e ii) determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Assim, constatada a omissão, os embargos devem ser acolhidos. Diante de todo o exposto, conheço e acolho os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202005.477, de 24/05/2017, com efeitos infringentes, adaptar o dispositivo para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para afastar a decadência da multa relativa aos meses a partir de dezembro de 2001, e ainda determinar que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009". É como voto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 315DF CARF MF Processo nº 18329.000220/200781 Acórdão n.º 9202005.754 CSRFT2 Fl. 316 6 Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900266/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.691
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.900266/2013-68
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758116
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.691
nome_arquivo_s : Decisao_10830900266201368.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830900266201368_5758116.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6894253
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468990914560
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T17:44:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T17:44:39Z; Last-Modified: 2017-08-11T17:44:39Z; dcterms:modified: 2017-08-11T17:44:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T17:44:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T17:44:39Z; meta:save-date: 2017-08-11T17:44:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T17:44:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T17:44:39Z; created: 2017-08-11T17:44:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T17:44:39Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T17:44:39Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900266/201368 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.691 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 66 /2 01 3- 68 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900266/201368 Acórdão n.º 3301003.691 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.725, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900266/201368 Acórdão n.º 3301003.691 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900266/201368 Acórdão n.º 3301003.691 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900266/201368 Acórdão n.º 3301003.691 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900266/201368 Acórdão n.º 3301003.691 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900266/201368 Acórdão n.º 3301003.691 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900266/201368 Acórdão n.º 3301003.691 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900266/201368 Acórdão n.º 3301003.691 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.021073/91-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1988, 1989
IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Uma vez apurada irregularidade na representação processual relativa ao recurso voluntário, a contribuinte deve ser intimada a sanar o defeito. A não regularização do feito após regularmente intimada enseja o não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 1201-001.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1988, 1989 IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Uma vez apurada irregularidade na representação processual relativa ao recurso voluntário, a contribuinte deve ser intimada a sanar o defeito. A não regularização do feito após regularmente intimada enseja o não conhecimento do recurso.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.021073/91-12
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5784083
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.893
nome_arquivo_s : Decisao_108800210739112.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
nome_arquivo_pdf_s : 108800210739112_5784083.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6968788
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049468996157440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.021073/9112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.893 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2017 Matéria Irregularidade Processual Recorrente SULIVER S/A COMERCIO EXTERIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1988, 1989 IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Uma vez apurada irregularidade na representação processual relativa ao recurso voluntário, a contribuinte deve ser intimada a sanar o defeito. A não regularização do feito após regularmente intimada enseja o não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 10 73 /9 1- 12 Fl. 416DF CARF MF 2 Relatório O presente processo é decorrente de Autos de Infração de IRPJ e Reflexos, referentes aos anos calendário de 1988 e 1989, resultante da apuração de omissão de receitas devido à não comprovação da origem de recursos utilizados pela contribuinte. Os referidos recursos teriam sido utilizados no fechamento de contratos de câmbio de importação junto ao Banco de Crédito Real de Minas Gerais S.A., contratos estes que, segundo alegado pela fiscalização, foram firmados com Declarações de Importação fraudulentas. Mais precisamente, segundo relato da DRJ (fls. 360): “a contribuinte adquiriu junto ao Banco de Crédito Real de Minas Gerais S/A, por intermédio de contratos de câmbio de importação (assinados pelo Sr. Jayme Abramovich, diretor presiente da empresa em tela) a importância de US$2.089.640, 00, a título de pagamento de importações da Argentina, havendo apresentado, para tanto, Declarações de Importação como tendo sido emitidas pela Inspetoria da Receita Federal em Santos (SP). Do exame realizado nos livros da contribuinte, verificouse que as operações correspondentes as aludidas importações, assim como os depósitos efetuados ao Banco de Crédito Real de Minas Gerais S.A., não foram objeto de nenhum registro contábil demonstrando a movimentação de recursos à margem da escrituração. Intimada a empresa a comprovar a origem dos referidos recursos, a mesma não logrou fazêlo, apresentando em sua defesa cópia do processo judicial movido por ela contra o Banco de Crédito Real de Minas Gerais S.A. Em decorrência, ficou caracterizada a omissão de receita operacional pela não comprovação da origem dos recursos empregados nos depósitos efetuados no Banco de Crédito Real de Minas Gerais S.A., cuja destinação era a de liquidar os contratos de câmbio de importação”. Após intimada, a empresa apresentou impugnação. Protesta inicialmente pela ocorrência de prescrição intercorrente. Alega jamais ter depositado ou pago quaisquer valores, nem nunca possuído conta ou cadastro junto a qualquer agência do Banco de Crédito Real de Minas Gerais S.A.; e que é vítima de terceiros nas aludidas operações, conforme apontaria determinada ação judicial. Em Sessão de 11/11/2009, a 5ª Turma da DRJ/SPO1, por meio do Acórdão 1623.427, julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário de IRPJ e Reflexos. Por unanimidade de votos, foi afastada a caracterização de prescrição intercorrente e foi considerado que a referida ação judicial não possuiria reflexos contrários à autuação. A interessada foi intimada da decisão de primeira instância por edital afixado em 01/02/2010 (fl. 386), após restar infrutífera a comunicação por remessa postal ao endereço constante do cadastro da Receita Federal (fl. 385 – Rua Marcos Frankenthal). Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10880.021073/9112 Acórdão n.º 1201001.893 S1C2T1 Fl. 3 3 Interpôs, mesmo assim intimada, recurso voluntário em 11/02/2010, onde basicamente reforça os argumentos invocados na peça impugnatória. Ato contínuo, foi chamada a regularizar e atualizar sua instrução processual, mas permaneceu inerte. Considerando, porém, que a intimação para a contribuinte regularizar sua qualificação processual ocorreu exclusivamente por meio postal, essa C. Câmara converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade de origem esgotasse todos os meios de intimação previstos no artigo 23, do Decreto nº 70.235/72, a fim de conferir oportunidade plena à Recorrente de comprovar a sua legitimidade processual. Em atendimento, a autoridade fiscal emitiu, tanto por meio postal (fls. 411) quanto por edital (fls. 412), nova Intimação (fls. 406) para a contribuinte regularizar sua representação no recurso voluntário. O contribuinte, todavia, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O despacho da DERAT/SP (fl. 399) registra que as informações sobre a legitimidade de representação processual teriam sido prejudicadas em face do não atendimento das intimações (fls. 377, 381 e 382) relativas ao saneamento da qualificação processual da Recorrente nos autos. De fato, chama atenção o fato de que o recurso voluntário não trouxe nenhum documento de representação tanto da empresa quanto do patrono e não identifica nenhum dado do signatário. No papel timbrado da petição onde foi redigido o recurso há menção a nome de advogados que não constam da impugnação protocolizada em 06 de setembro de 1991 (fls. 160/163). Por entender que a regularização da representação processual constitui medida essencial para a admissibilidade do recurso no âmbito do processo administrativo fiscal federal, ainda mais considerando o longo período entre a defesa (1991) e o recurso (2010), o contribuinte foi chamado a regularizar sua qualificação jurídica para fins de dar continuidade à demanda, bem como para conferir segurança jurídica aos atos processuais praticados. Nesse caso concreto, porém, mesmo intimada em várias oportunidades, por edital e via postal, para suprir a insuficiência de representação processual, a parte contribuinte não apresentou respostas. Repitase: foram dadas várias chances para o contribuinte comprovar sua legitimidade processual, mas a ausência de qualificação adequada permanece. Fl. 418DF CARF MF 4 Ora, a representação ou qualificação da contribuinte consiste ato jurídico apto a conferir capacidade postulatória da parte. Tratase de uma condição de procedibilidade do feito que não pode ser desprezada. Muito pelo contrário, é causa de ineficácia do recurso. A propósito, ao tratar da regularização processual, prescreve o artigo 76 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao PAF1, que: Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. § 1o Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária: I o processo será extinto, se a providência couber ao autor; II o réu será considerado revel, se a providência lhe couber; III o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre. § 2o Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator: I não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente; II determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido Como se nota, a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, ainda que em fase recursal, enseja o não conhecimento do recurso. É requisito de validade da ação. De acordo com o que já decidiu o TRF da 3 Região2: [...] a regularidade da representação processual e a capacidade postulatória são pressupostos subjetivos de desenvolvimento válido e de existência da relação jurídica processual. 4. A ausência de tais pressupostos impede o conhecimento do pedido, porquanto autoriza, ex officio, a extinção do processo sem resolução do mérito. Nesse sentido, e em razão da irregularidade da representação processual da Recorrente, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. 1 Lei n. 13.105/2015. Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. 2 (TRF3. AC 00022408520114036133. 07 de novembro de 2016). Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10880.021073/9112 Acórdão n.º 1201001.893 S1C2T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16027.720246/2015-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2013 a 30/04/2014
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
Numero da decisão: 2401-004.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por observância à Súmula nº 1 do CARF.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2013 a 30/04/2014 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16027.720246/2015-28
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5765836
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.994
nome_arquivo_s : Decisao_16027720246201528.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16027720246201528_5765836.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por observância à Súmula nº 1 do CARF. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6920507
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469017128960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1096; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16027.720246/201528 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.994 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICIPIO DE ITU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2013 a 30/04/2014 NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento da peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 72 02 46 /2 01 5- 28 Fl. 865DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por observância à Súmula nº 1 do CARF. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16027.720246/201528 Acórdão n.º 2401004.994 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MUNICIPIO DE ITU, contribuinte, pessoa jurídica de direito público, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0737.829/2015, às efls. 441/455, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente à multa isolada constante no artigo 89, § 10°, da Lei n° 8.212, de 1991, no que a autoridade lançadora informa que o contribuinte declarou e compensou indevidamente valores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, relativas ao período de apuração de 01/02/2013 a 30/04/2014, conforme Auto de Infração, às e fls.02/03, e demais documentos que instruem o processo. Conforme relatório fiscal, fls. 13/16, a fiscalização apresenta o seguinte relato a respeito dos fatos apurados, conforme segue. Informa que em outro processo administrativo n° 16027.720236/201592 foram analisadas as compensações de contribuições previdenciárias efetuadas em GFIP, pelo contribuinte em epígrafe. Cita que o órgão público efetuou compensações, no período de 01/2013 a 03/2014, alegando que esses valores se referem a diferenças recolhidas a maior no período de 05/2008 a 02/2012, sobre remunerações pagas a seus empregados a titulo de férias, 1/3 de férias, horas extras, abono noturno, abono triênio, gratificação/representação, função gratificada, gratificação lei 1289/11 artº 9, abono periculosidade, abono insalubridade, abono de risco, SUS gratificação, sexta parte e abono aniversário que no seu entendimento não poderiam sofrer incidência de contribuição previdenciária por não integrarem a base de calculo para aposentadoria dos servidores. Relata que o contribuinte também não comprovou possuir crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Que nenhuma das ações judiciais que postulou lhe garante tal direito, ainda mais quanto à possibilidade de realizar compensações. Descreve que, como demonstrado, o município não possui nenhuma medida judicial já com o transito em julgado. Em face a esta situação, a administração tributaria informa que indeferiu a compensação, com base no disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional CTN Lei nº 5.172/1966, e ainda a Lei 12.016/2009, que veda a concessão de liminar e a execução provisória do Mandado de Segurança que verse sobre compensação tributária (art. 7º, § 2º e art.14, § 3º). Cita que em função da auditoria efetuada, restou demonstrado que a compensação incorreta no período de 01/2013 a 03/2014 foi dolosa, cabendo a aplicação da multa de ofício em 150%, nos termos do artigo 89, § 10°, da Lei n° 8.212, de 1991. Cita que a falsidade da declaração se configura na data de entrega/envio da GFIP. A multa isolada é aplicável em relação às GFIPs entregues a partir de 04/12/2008 (Medida Provisória nº 449/2008), independentemente da competência a que se refiram, uma vez que o fato gerador da infração ocorre na data da sua entrega, considerando para tanto a Fl. 867DF CARF MF 4 ultima GFIP enviada, que nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB consta como exportada Apresenta, fl. 16, um quadro demonstrativo, indicando as competências, as datas de envio das GFIPs e o valor compensado que foi considerado na apuração da multa isolada aplicada. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 465/515, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da DRJ quanto os argumentos trazidos. Cita que seu direito e fundamentação jurídica encontramse comprovadas em documentos que anexa, denominado Pastas VII, integrante do recurso de impugnação. Alega que de acordo com a legislação vigente, efetuou as compensações referentes aos créditos apurados com débitos vincendos previdenciários, sem a anuência do judiciário ou de Receita Federal, de acordo com o art. 66 da lei n° 8.383/91 e art. 56 a 59 da IN/RFB n° 1.300/12 (pasta II Do direito a compensação administrativa). Cita que a fiscalização, divergindo do entendimento esposado e pacificado pelo STF e STJ, e sem, qualquer critério ou justificativa fundamentada, ignorou as informações prestadas pelo município, glosando a totalidade das compensações efetuadas e regularmente informadas em GFIP. Aduz que a precária justificativa alegada pelo auditorfiscal, para fundamentar a glosa, pautouse no sentido de falsidade de declaração sem qualquer fundamentação ou prova inequívoca que a corroborasse. Que a autoridade fiscal pautou suas conclusões na apertada síntese de que as compensações somente poderiam terem sido realizadas mediante decisão judicial transitada em julgado e após homologação da RFB. E que o município não detém qualquer decisão judicial que o autorize a realizar as compensações no âmbito administrativo. Sustenta que as alegações não devem prosperar, pois resta claro que, conforme o enunciado previsto do §10 do art. 89 da lei 8.212/91, é imperioso a comprovação da falsidade. No seu entender, com base no crime tal como tipificado no código penal, argumenta que na situação sob análise, necessário seria que o agente (contribuinte) tivesse apresentado uma declaração falsa, ou diversa daquela que deveria ser escrita com o intuito de prejudicar direito, de exigir o montante do crédito tributário, ou mesmo, criar a obrigação de restituição e ressarcimento de crédito tributário. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 16027.720246/201528 Acórdão n.º 2401004.994 S2C4T1 Fl. 4 5 Salienta que, sem dolo, não há delito, tampouco punibilidade. Cita que não será falsa a declaração que o contribuinte previdenciário coloca como remuneração não tributável, (pacificada pelos tribunais superiores), uma remuneração que a autoridade fazendária entende como tributável, desde que se identifiquem corretamente tais remunerações quanto a seus elementos fáticos. Entende que não houve delito e questiona que as Delegacias da Receita Federal de Julgamento tem se manifestado pela improcedência e nulidade da imputação da multa isolada de 150% quando o contribuinte: comprovou que efetuou os recolhimentos das verbas, cujos créditos foram utilizados para a compensação; efetuou a compensação nos moldes do art. 56 a 59 da IN/RFB nº 1.300/12; informou ao fisco as compensações efetuadas, através do lançamento em GFIP, conforme art. 56 a 59 da IN/RFB n° 1.300/12. Alega que a GFIP tem a natureza jurídica de confissão de dívida, não se caracteriza falsidade de declaração, pois os valores inseridos no documento representam fielmente os dados constantes na contabilidade do município. Entende que não constitui falsidade o exercício do direito de compensação em relação às verbas cuja incidência, no âmbito dos tribunais seja discutível, ou em relação a verbas que considera como não sujeitas a incidência de contribuição. Informa que na pasta I de sua impugnação, encontrase de forma pormenorizada o direito consagrado pelo judiciário, no sentido da suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária das verbas utilizadas para compensação. Cita que na pasta VIII, encontrase farta jurisprudência emanada pelos tribunais, inclusive com decisões recentes, os quais confirmam que sobre as verbas acima elencadas, não incidem a contribuição previdenciária. Entende que, portanto, as compensações foram efetuadas, tendo como paradigma, as jurisprudências pacificadas pelo judiciário, não se tratando de interpretação jurídica do próprio contribuinte. Complementa que algumas verbas, cujos créditos foram utilizados para compensação como, por exemplo: Terço constitucional de férias, já foram pacificadas definitivamente pelo judiciário, como excluída da contribuição previdenciária, através do "Incidente de uniformização jurisprudencial e REsp nº 1230957RS Fl. 869DF CARF MF 6 Repetitivo de controvérsia no sistemático do art. 543 c do CPC, promulgado pelo STJ. Argumenta que decisões judiciais do mesmo gênero estão transitando em julgado nos tribunais, no qual cita acórdãos de outros municípios. A seu ver, considera que é descabida a imputação da multa de ofício de 150%, pois não existe a caracterização fraudulenta que respalde o ato da fiscalização, sendo que não restou demonstrado a presença de dolo, tendo em vista que o fisco não teria comprovado a falsidade ou fraude que teria cometido o contribuinte, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da lei 4.502/64, bem como na dicção do art. 147 do CTN, caberia a fisco comprovar falsidade, erro ou omissão em sua declaração. Discorre sobre a aplicação dos citados artigos da lei n° 4.502/64, no que argumenta que não ocorreu, em síntese a sonegação, o conluio e a fraude. Que não teria ocorrido também a conduta dolosa, posto que o fato gerador não teria sido contestado e não teria procedido no sentido de impedir ou retardar a ocorrência do mesmo. Neste contexto, cita que para a aplicação de multa qualificada há necessidade de prova robusta a demonstrar a máfé do contribuinte, o que não foi feito na hipótese do auto de infração. Aduz que, contrariamente ao que consta do auto de infração, não visualiza a possibilidade de se atribuir as questionadas declarações em GFIP, que se constitui em confissão de dívida, o rótulo de falsa declaração para eximirse do pagamento de tributo. Argumenta que o contribuinte buscou a extinção do crédito tributário pelas vias apropriadas, conforme legislação que disciplina a matéria. Relata que o STF e o STJ, através de vários RE repetitivos, que colaciona aos autos, pacificou o entendimento que não incide contribuição previdenciária sobre os valores ainda que permanentes que não se incorporam aos proventos de aposentadoria, tais como horas extras, terço constitucional de férias e demais verbas de natureza compensatória/remuneratória. Ressalta que os Tribunais Regionais Federais tem, sistematicamente aplicado as jurisprudências pacificadas pelos órgãos superiores STF e STJ, sobre as verbas em análise, no que são acompanhados pelos juízes de primeira instancia. Salienta que com base nesse entendimento jurisprudencial, uma quantidade relevante de municípios do Estado de São Paulo interpuseram junto as respectivas unidades da justiça federal, mandado de segurança, objetivando a suspensão da exigibilidade da exação sobre as referida verbas, tendo sido as mesmas concedidas. Entende que não compete a União, através de seus auditores, interpretarem de forma divergente a jurisprudência citada, com o intuito de lesar arbitrariamente os órgãos públicos municipais. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16027.720246/201528 Acórdão n.º 2401004.994 S2C4T1 Fl. 5 7 Argumenta que com base neste entendimento pacificado e esposado pelos tribunais, o Município efetuou a compensação dos créditos apurados, com os débitos previdenciários vincendos e informou a RFB por meio da GFIP, que agiu com transparência, e entende que não ocorreu má fé no procedimento efetuado. Cita que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, utiliza os conceitos do STJ para a sua tomada de decisões sobre a aplicação de determinada legislação e que o município, da mesma forma, se pautou em conceitos do judiciário. Sustenta que a legislação é precisa, no sentido de que na faculdade do auto de infração, o fisco é obrigado a comprovar o fato, erro ou omissão do contribuinte, com o objetivo de dolo, fraude ou lesar o erário público. Que a simples alegação do fisco, sob o prisma da presunção de falsidade de declaração, sem qualquer comprovação que a ampare não autoriza a aplicação indiscriminada da multa isolada de 150%. Aduz que o CARF e as DRJs reconhecem a não falsidade de declaração, referente a compensação lançada em GFIP, quando as compensações tiverem com base matéria discutida nos tribunais, como é o presente caso. Que de acordo com a orientação fixada pelo STF, o princípio da vedação ao efeito confiscatório, aplicamse as multas. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 871DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou na Seção Judiciária do Estado de São Paulo a Ação Anulatória de Débito Fiscal com Pedido de Antecipação de Tutela nº 5000888 03.2016.4.03.6110, objetivando obter perante o Poder Judiciário a anulação em definitivo dos débitos previdenciários constituídos no Auto de Infração/DEBCAD n° 51.064.0907, o qual gerou os processos administrativos n° 16027.720236/201592 (referente à glosa de valores pela fiscalização) e o n° 16027.720246/201528 (multa isolada). Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16027.720246/201528 Acórdão n.º 2401004.994 S2C4T1 Fl. 6 9 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em observância a Súmula n° 1 do CARF, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 873DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002507/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS ALHEIAS À IMPUGNAÇÃO OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO.
É precluso o direito de precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na impugnação ou no decisão recorrida.
CONTRARRAZÕES. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS EM RELATÓRIO FISCAL DE DILIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de contrarrazões que tratem de matérias desconexas às abordadas em relatório fiscal elaborado em face de diligência determinadas pelos órgãos de julgamento administrativo.
Numero da decisão: 2402-005.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e das contrarrazões apresentadas em virtude do Relatório Fiscal de Diligência de fls. 2825/2828.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS ALHEIAS À IMPUGNAÇÃO OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na impugnação ou no decisão recorrida. CONTRARRAZÕES. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS EM RELATÓRIO FISCAL DE DILIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de contrarrazões que tratem de matérias desconexas às abordadas em relatório fiscal elaborado em face de diligência determinadas pelos órgãos de julgamento administrativo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.002507/2008-60
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5764514
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.963
nome_arquivo_s : Decisao_15504002507200860.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 15504002507200860_5764514.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e das contrarrazões apresentadas em virtude do Relatório Fiscal de Diligência de fls. 2825/2828. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6911289
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469036003328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002507/200860 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.963 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente LTW GEOLOGIA E MEIO AMBIENTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS ALHEIAS À IMPUGNAÇÃO OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na impugnação ou no decisão recorrida. CONTRARRAZÕES. MATÉRIAS NÃO ABORDADAS EM RELATÓRIO FISCAL DE DILIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de contrarrazões que tratem de matérias desconexas às abordadas em relatório fiscal elaborado em face de diligência determinadas pelos órgãos de julgamento administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 25 07 /2 00 8- 60 Fl. 2864DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e das contrarrazões apresentadas em virtude do Relatório Fiscal de Diligência de fls. 2825/2828. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 15504.002507/200860 Acórdão n.º 2402005.963 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (2724/2732) em face de auto de infração (AI Debcad 37.090.0839 – CFL 68 – fl. 5), com fulcro no art. 32, IV e § 5º da Lei 8.212/1991 c/c art. 225, IV, e § 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 34), o lançamento foi efetuado em razão de a empresa ter deixado de informar em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, os valores das remunerações pagas a segurados empregados, registrados em folhas de pagamento, no período de 05/1999 a 03/2004. O documento de fls. 49/73 (anexo II ao Relatório Fiscal) lista os segurados em relação aos quais as informações acerca das remunerações não foram prestadas e o quadro de fls. 41/43 (anexo I) detalha o cálculo da multa aplicada. O contribuinte contestou a autuação por meio da impugnação e impugnação complementar de fls. 79/81 e fl. 97. Posteriormente, o julgamento de primeira instância foi convertido em diligência por duas vezes para que Fiscalização i) indicasse se algum dos documentos apresentados por ocasião da impugnação, nos autos deste processo e dos processos referentes às NFLD Debcad N° 37.090.0820 e N° 37.080.0812, resultariam na necessidade de retificação da autuação; e ii) apontasse em que datas foram enviadas as GFIP retificadoras relativas as competências 12/2001 e 04/2002. As alegações da impugnação, o resultado das diligências e as manifestações da impugnante em relação às informações fiscais foram sintetizadas pela DRJ/BHE, nos seguintes termos: Cientificada do presente auto em 22/08/2007 (assinatura A fl. 01), a empresa apresentou defesa em 14/09/2007 (fls. 38/39), na qual, basicamente, alega: que sempre houve a transmissão das GFIP emitidas pela empresa conforme comprovam os extratos emitidos pela Caixa Econômica Federal – CEF e; quando da autuação não foram consideradas as informações do pessoal demitido no período. Em 14/11/2007, o impugnante complementou sua defesa discriminando cópias de documentos juntados aos autos nesta ocasião, conforme fl. 47. Assim, além de cópias de documentos juntadas As fls. 40/45, foram juntados documentos conforme segue: folhas de pagamento relativas As competências de 01/2001 a 10/2001 (fls. 48/199, 202/399 e 402/460); cópias de GPS relativas a retenções, recolhidas por tomadores de serviço para competências que vão do período de 08/2000 a 09/2005 (fls. 461/532); Fl. 2866DF CARF MF 4 cópias de Notas Fiscais emitidas pelo notificado, muitas delas com destaque de Retenção, nas competências que vão de 02/1997 a 01/2006 (fls. 533/599, 602/799 e 802/855) e; cópias de GPS recolhidas pelo contribuinte relativas As competências de 02/1997 a 01/2006 (fls. 856/999 e 1002/1171). A Fiscalização manifestouse as fls. 1.179/1.183, informando, essencialmente: que a empresa juntou aos autos documentação referente às Guias de Recolhimento Rescisório do FGTS – GRFC; que a partir de 28/09/2001 a GRFP que era o documento utilizado cumulativamente para recolhimento do FGTS e para prestação de informações à Previdência Social foi substituída pela Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS – GRFC no que diz respeito ao recolhimentos dos valores do FGTS; que a partir dessa data as informações para Previdência Social, conforme orientação da Caixa Econômica Federal, deveriam ser prestadas por meio de GFIP do mês da rescisão; que , portanto, a juntada dessa documentação pela empresa não impõe a retificação do presente AI; que, dessa forma, não procede a alegação do contribuinte de que não foram consideradas as informações do pessoal demitido na época da autuação; que, entretanto, considerandose os Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (CNISA e GFIPWEB), verificou que foram efetuadas algumas correções pelo contribuinte e; que em razão dessa constatação elaborou quadro contendo o valor não declarado na data de lavratura e o valor não declarado após retificações observadas nos mencionados sistemas (fls. 1.179/1.180). O contribuinte foi cientificado do resultado desta diligência em 03/08/2009, por via postal, conforme cópia de AR RK 22426421 0 BR (fl. 1.184), tendo se pronunciado às fls. 1.186 a 1.187, basicamente, conforme segue: que juntou “Relação de GRFC” de fls. 1.188 a 1.189 que especifica a obra, o nome de cada funcionário desligado, as datas de pagamentos e respectivos valores; que em nenhuma competência existe falta de recolhimento das GRFC; que todos os nomes destacados na Informação Fiscal constam na “Relação de GRFC”; que para comprovar essa alegações juntou, também, cópias das GRFC devidamente quitadas que esses documentos demonstram que o impugnante já recolheu toda a tributação incidente sobre a operação mostrandose indevida a exigência adicional. cita jurisprudência e doutrina e requer seja revisto o lançamento. O contribuinte juntou cópias de GRFC de fls. 1.190 a 1.262. Conforme despacho de fls. 1.273, os autos do presente processo foram novamente baixados em diligência para que a Fiscalização apontasse em que datas foram enviadas as GFIP retificadoras relativas as competências 12/2001 e 04/2002. Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 15504.002507/200860 Acórdão n.º 2402005.963 S2C4T2 Fl. 4 5 A Fiscalização em atendimento ao mencionado despacho informou por meio do documento de fl. 1.275: que a data da GFIP não foi citada na informação fiscal anterior tendo em vista que os fatos geradores apontados no presente AI relativos as competências 12/2001 e 04/2002 foram declaradas em GFIP antes do inicio da Ação Fiscal sendo que esse fato não considerado pela Fiscalização à época. Portanto, em relação essas competências não teria ocorrido a infração devendo seu valor ser excluído do presente Auto de Infração. O impugnante cientificado da relatório de fl. 1.275 manifestouse em 11/05/2010 apontando, essencialmente: que as competências 12/2001 e 04/2002 foram consideradas regulares pela Fiscalização. Juntou cópias de GFIP relativas a essas competências (fls.1.281/1.341) para comprovar essa alegação e; que reitera o contido nas demais manifestações citando doutrina e jurisprudência. A DRJ/BHE considerou o lançamento parcialmente procedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CALCULO. DECADÊNCIA Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Os prazos de decadência são os previstos no Código Tributário Nacional CTN e não na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme Súmula Vinculante n° 8 do STF e Recursos Extraordinários precedentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte O sujeito passivo insurgiuse contra a decisão da DRJ/BHE (Recurso Voluntário de fls. 2742/2754) argumentando, em síntese, que: a) houve problemas por parte do contribuinte no cumprimento da obrigação tributária acessória em algumas competências, pois, em referido período, Fl. 2868DF CARF MF 6 encontravase desassistido por um profissional contábil apto ao atendimento dos preceitos contidos na legislação tributária; b) da inabilidade do contador resultou tremendo equivoco no qual chegouse a movimentar a máquina estatal para instauração de ação penal pública incondicionada pelos crimes de sonegação fiscal e apropriação indébita por erro no cumprimento das obrigações acessória e recolhimento sob códigos equivocados; c) em nenhuma hipótese pretendeu fraudar os cofres públicos e sim foi vitima de inabilidade profissional de terceiro; d) foram anexadas as retificações operadas nas obrigações acessórias, no intuito de minorar as sanções que lhe foram imputadas; e) todos os autos de infração lavrados contra si reportamse a mesma data e a fatos análogos, a incapacidade profissional do contabilista eleito pelo contribuinte e seu equivoco no cumprimento das obrigações tributárias acessórias; f) devese levar em conta seu histórico de cumprimento das obrigações tributárias, visto que não havia sofrido, até aquele momento, com qualquer imputação de omissão de obrigação fiscal; g) procurou retificar seus atos e atender aos preceitos normativos estabelecidos pela legislação; h) tendo em vista que o erro operado restringiuse a uma única conduta infratora e a retificação da obrigação acessória após a notificação do contribuinte, não se mostra justa a aplicação reiterada da multa tributária, mês a mês, visto que, conforme orientação do Superior Tribunal de Justiça, as normas atinentes a aplicação de multa devem ter sua interpretação restringida. Reproduz decisão judicial sobre a não apresentação de declaração relativa a papel imune (DIF); i) a multa tributária deve ser cominada uma única vez sob pena de configurar se um bis in idem, ou seja uma dupla incidência sobre o mesmo fato; j) pretendese exigir do contribuinte multa em muito superior à sua capacidade e, por tal, com finalidade confiscatória. Faz considerações sobre o princípio do não confisco; k) atua como prestador terceirizado para grandes companhias com a Vale e sofre com a ampla concorrência; l) ao responder por uma multa no importe de R$ 19.857,68 (dezenove mil, oitocentos e cinquenta e sete reais e sessenta e oito centavos) por um equivoco praticado sem intenção dolosa por seu contabilista, teria sua capacidade de concorrer e atuar com paridade em relação a seus concorrente drasticamente reduzida; m) mostrarseia justificável a redução da multa cominada a fim de não prejudicar o contribuinte em seu mercado e mantêlo em sua posição de empregador e gerador de renda para os cofres públicos. Requer, por fim, que seja dado provimento ao recurso e retificado o montante aplicado das multas por descumprimento de obrigação acessória. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 2402000.498, de 10/03/2015, fls. 2761/2764) para que o órgão lançador prestasse informações i) sobre a existência de lançamento da obrigação principal vinculada aos fatos geradores omitidos em GFIP; e ii) se antes da ação fiscal houve Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 15504.002507/200860 Acórdão n.º 2402005.963 S2C4T2 Fl. 5 7 recolhimento das contribuições incidentes sobre os fatos geradores omitidos em GFIP, objeto da autuação. Por meio do Relatório Fiscal de Diligência de fls. 2825/2828, o órgão fiscalizador informou que: i) os documentos de débito lavrado no procedimento fiscal que deu origem ao presente auto de infração não lhes são conexos, visto decorrerem de fatos geradores diversos; e ii) é irrelevante a existência de recolhimentos antes da ação fiscal, já que o auto de infração referese, exclusivamente, a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória. Em resposta ao Relatório Fiscal de Diligência o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 2834/2842) em que aduz o seguinte: a) não incorreu em sonegação dado que, conforme demonstrado contabilmente pelos respectivos recolhimentos fiscais, todo o valor devido a título de contribuição foi efetivamente recolhido;. b) não incorreu em descumprimento de obrigação acessória, dado que, ainda que equivocadamente, gerou as guias e recolheu as contribuições sociais devidas; c) demonstrou que as retenções realizadas pelo tomador de serviços, Companhia Vale S/A superam em muito os valores apurados pela fiscalização, gerando um vultuoso crédito em favor da Contribuinte; d) as contribuições lançadas no Debcad 37.090.0839 estão inexoravelmente atreladas ao Debcad 37.090.0820 COMPROT 15504.002504/200826, dado que as contribuições foram recolhidas de forma equivocada, utilizando do CNPJ e não do CEI como comanda a regulamentação tributária; e) conforme farta e sedimentada jurisprudência, a ausência de prejuízo real ao Fisco impõe a necessária insubsistência do auto de infração e seu consequente arquivamento. Reproduz jurisprudência do STJ; f) a legislação tributária apresenta significativos desafios pela complexidade e extensão, não havendo outra alternativa senão a de confiar nos préstimos de um contabilista; g) é credor de quantia muito superior àquela devida em função das autuações decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, conforme pode ser aferido da planilha anexada em sede do recurso voluntário; h) considerando os princípios constitucionais da boa fé e da proteção à iniciativa privada, imperioso o reconhecimento do cumprimento da obrigação e da consequente insubsistência do lançamento fiscal acessório; i) neste momento de grave crise, donde são revistos antigos paradigmas que induziram a semelhante paralização da atividade privada, é muito importante a conjugação de esforços entre a Administração Pública e a iniciativa privada, enxergando o contribuinte como um parceiro e não como um potencial delinquente; j) é empregadora de farta mão de obra e movimenta a economia de sua cidade e região. A manutenção da presente autuação significará a impossibilidade da capacidade de investimento e o agravamento da parca condição financeira em que a empresa encontrase; Fl. 2870DF CARF MF 8 k) está em xeque no presente caso a segurança jurídica, em que o contribuinte não pode se ver surpreendido com a atuação estatal que praticamente lhe induz a mora ao estipular uma autuação que supera em muito qualquer expectativa de lucro do negócio. Cita jurisprudência que julga dizer respeito ao argumento levantado; l) roga que este Conselho reconheça a ocorrência de recolhimento de Contribuições a maior pelo contribuinte nas competências fiscalizadas e, por conseguinte, que declare a compensação no caso concreto; m) está sujeito à retenção pelo tomador de serviços diretamente em sua nota fiscal, recolheu Contribuição Previdenciária em importe muito superior aquele decorrente do tributo devido nos meses/competência, sendo evidenciado crédito; n) é notória a existência de reciprocidade entre os créditos, pelo que, mostra se cabível a compensação. Recorre a doutrina acerca de hipóteses de compensação; o) na hipótese de manutenção das autuações, que seja admitida, em contrapartida a compensação dos débitos com as contribuições realizada a maior no período fiscalizado; Requer que se declare i) o efetivo cumprimento da obrigação fiscal pelo recolhimento realizado em seu CNPJ; ii) a insubsistência das autuações decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, dado o adimplemento da obrigação pelo contribuinte, ainda que de forma diversa à regulamentação; ou, alternativamente, mantendose as autuações: i) se proceda a compensação dos débitos com os créditos decorrentes de recolhimentos a maior nas retenções realizadas pelo tomador nas notas fiscais emitidas no período fiscalizado; e iii) seja reconhecido o recolhimento realizado a maior pelo contribuinte nas competências fiscalizadas, conforme planilha produzida e anexada em sede do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 15504.002507/200860 Acórdão n.º 2402005.963 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Conquanto conste da Resolução nº 2402000.498, de 10/05/2005 (fls. 2761/2764) que o recurso deve ser conhecido por estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o § 5º do art. 63 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 estabelece que “No caso de resolução [...] as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento”. Assim, não obstante constar de citada Resolução que estariam presentes no recurso os requisitos necessários ao seu conhecimento, essa questão foi novamente apreciada no presente voto, concluindose, embora tempestivo, o apelo recursal não atende aos requisitos necessários à sua admissibilidade não devendo, portanto, ser conhecido. É que, de acordo com o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Proferida decisão de primeira instância administrativa que seja total ou parcialmente desfavorável ao contribuinte, desta caberá recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 33 do referido Decreto: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Os dispositivos encimados não deixam dúvidas de que os motivos de fato ou de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados em sede de impugnação. Quanto ao recurso voluntário, este deve ser interposto em face da decisão de piso, restando precluso o direito de se trazer argumentos que não tenham sido suscitados na impugnação ou no decisum a quo. No entanto, compulsando as impugnações e o recurso voluntário constatase que, ainda que em sede impugnatória o recorrente tenha se ocupado em rebater os argumentos trazidos no auto de infração, juntando documentos no intuito de comprovar o cumprimento das obrigações objeto da autuação, no recurso voluntário as alegações voltaramse basicamente à responsabilização do contador contratado pelo sujeito passivo como forma de justificar as infrações admitidamente cometidas. Além disso, o sujeito passivo traz em sua peça recursal argumentos sobre os quais também foi silente na impugnação a respeito do princípio do não confisco e da capacidade contributiva e de suposta ocorrência de bis in idem para concluir que: a) O crédito apontado pela NFLD e parcialmente mantido pelo acórdão 0230.313 originário de multa por descumprimento de Fl. 2872DF CARF MF 10 obrigação acessória deve ser fixado uma única vez e não mês a mês como determinou a primeira instancia; b) Que o montante imputado à obrigação acessória supera a capacidade contributiva do autuado e tem natureza confiscatória; c) A aplicação reiterada da multa por descumprimento de obrigação acessória configura bis in idem. Vejase que, embora desprovidos de consistência, não há como conhecer dos argumentos contidos recurso voluntário, eis que as questões nele abordadas não foram objeto da impugnação, tampouco da decisão recorrida. Com relação às contrarrazões relacionadas ao Relatório Fiscal de Diligência decorrente Resolução nº 2402000.498, de 10/03/2015, o parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011 estabelece: Art.35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação. Apercebase que o dispositivo regulamentar defere o prazo de trinta dias para que o sujeito passivo apresente manifestações sobre fatos ou documentos novos trazidos ao processo a partir de diligências realizadas. Ao revés disso, o recorrente valeuse das contrarrazões que deveriam versar sobre o Relatório Fiscal de Diligência produzido pelo órgão fiscalizador para apresentar um novo recurso, cujas matérias não guardam pertinência com documento produzido pela autoridade autuante ou sequer dizem respeito ao presente processo administrativo, a exemplo de pedido reconhecimento de direito creditório e compensação. Em vista disso, também não há como conhecer das contrarrazões apresentadas. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso e das contrarrazões carreadas aos autos pela recorrente. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 2873DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720124/2006-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA. INCOMPATIBILIDADE COM LANÇAMENTO DE IRPJ. ANÁLISE CASO A CASO.
Não se podendo afirmar taxativamente que a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 não convive com tributação pelo IRPJ e CSLL, pois a análise de suposta incompatibilidade deve ser feita caso a caso. A mencionada incompatibilidade pressupõe a apuração do IRPJ pelo lucro real, pois esta permite a dedução de custos/despesas na apuração do lucro líquido.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. ARTIGO 61, §1º, DA LEI Nº 8.981/95. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. LUCRO DA PESSOA JURÍDICA APURADO POR ARBITRAMENTO.
Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. O rendimento pago será considerado líquido, cabendo o reajuste do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.
O lançamento do IRRF com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995 independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado.
Numero da decisão: 2201-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA. INCOMPATIBILIDADE COM LANÇAMENTO DE IRPJ. ANÁLISE CASO A CASO. Não se podendo afirmar taxativamente que a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 não convive com tributação pelo IRPJ e CSLL, pois a análise de suposta incompatibilidade deve ser feita caso a caso. A mencionada incompatibilidade pressupõe a apuração do IRPJ pelo lucro real, pois esta permite a dedução de custos/despesas na apuração do lucro líquido. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. ARTIGO 61, §1º, DA LEI Nº 8.981/95. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. LUCRO DA PESSOA JURÍDICA APURADO POR ARBITRAMENTO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. O rendimento pago será considerado líquido, cabendo o reajuste do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O lançamento do IRRF com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995 independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10280.720124/2006-63
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5759541
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.741
nome_arquivo_s : Decisao_10280720124200663.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10280720124200663_5759541.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
dt_sessao_tdt : Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
id : 6899348
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469055926272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.126 1 2.125 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720124/200663 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.741 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2017 Matéria IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Recorrente CERPA CERVEJARIA PARAENSE SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA. INCOMPATIBILIDADE COM LANÇAMENTO DE IRPJ. ANÁLISE CASO A CASO. Não se podendo afirmar taxativamente que a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 não convive com tributação pelo IRPJ e CSLL, pois a análise de suposta incompatibilidade deve ser feita caso a caso. A mencionada incompatibilidade pressupõe a apuração do IRPJ pelo lucro real, pois esta permite a dedução de custos/despesas na apuração do lucro líquido. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. ARTIGO 61, §1º, DA LEI Nº 8.981/95. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. LUCRO DA PESSOA JURÍDICA APURADO POR ARBITRAMENTO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. O rendimento pago será considerado líquido, cabendo o reajuste do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O lançamento do IRRF com base no art. 61 da Lei nº 8.981/1995 independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 24 /2 00 6- 63 Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.127 2 Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase Recurso Voluntário de fls. 624/633, interposto contra decisão da DRJ em Belém/PA, de fls. 609/612, que julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF de fls. 522/565, lavrado em 24/11/2006, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2001 a 2003, com ciência da RECORRENTE em 01/12/2006 (fl. 584). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 88.002.777,63, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. O presente processo foi apreciado pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, que converteu o julgamento em diligência (fls. 666/669). Sendo assim, transcrevo o relatório da Resolução nº 3010.017, proferida naquela ocasião, por bem definir o litígio: “De acordo com o Auto de Infração de fls. 510 em diante, houve por parte do interessado pagamento sem causa, decorrente de valores repassados a terceiros sem a comprovação de documentos idôneos. Inconformado com o lançamento levado a efeito pelo Fisco, o contribuinte apresentou sua Impugnação ao Auto de Infração às fls. 555 [567] em diante, sendo que em análise referida defesa sobreveio decisão de primeira instância administrativa (fls. 586 [609] em diante), que considerou o lançamento procedente pelos motivos sucintamente expostos a seguir: Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.128 3 • A base de autuação foi a existência de pagamentos efetuados pela interessada sem comprovação da causa, apesar de intimada para tanto; • Por força do artigo 61, parágrafo 1°. Da Lei 8981 de 1.995, por presunção legal, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica cuja causa não seja comprovada, reputase rendimento líquido do beneficiário e enseja cobrança de IRRF da fonte pagadora; • A afirmação da interessada de duplicidade de lançamento não procede, eis que o outro lançamento trata de omissão de receitas, conforme asseverado na própria peça impugnatória e, portanto, não tem identidade com a presente autuação; • Em que pese a interessada justificar a ausência de documentos em face da busca e apreensão ocorridas, os documentos apreendidos não têm relação com aqueles solicitados pela autoridade fiscal destes autos. Inconformado com a decisão proferida em sede de primeira instância administrativa, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 601 [624] e seguintes, aduzindo em suma que: • O lançamento não pode ser válido por implicar em bitributação, vez que os mesmos fatos geradores foram objeto de auto de infração lavrado em 14.12.2005 conforme MPF. n°. 0210100/00681/03 no valor de R$ 60.408.165,99; • A autoridade fiscal tem meios para apurar a real base de cálculo tributável. Entretanto, preferiu indicála de forma aleatória utilizandose de valores supostamente omitidos encontrados em fichas e extratos bancários; • A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacifica no sentido de inadmitir a utilização do arbitramento do lucro, entendimento que deve ser estendido à hipótese de tributação na fonte.” DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Ao analisar o Recurso Voluntário da RECORRENTE, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, verificou “que, em tese, ‘a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do RPJ pelo lucro real’(Ac. 104.21.757 de 27.07.2006)”. Neste sentido, entendeu que seria necessária uma análise mais detalhada nos autos do processo administrativo de IRPJ e reflexos mencionado pela RECORRENTE (Processo nº. 10.280.005770/200516) a fim de verificar se as receitas e o ano calendário fiscalizado nos presentes autos são idênticos ao do processo de IRPJ e reflexos: Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.129 4 “A alegação do recorrente .de que os mesmos valores utilizados como base de cálculo do presente lançamento foram usados em outra autuação por omissão de rendimentos fizeramme promover urna pesquisa no sitio do CARF. De fato, consta da ementa do Recurso 151340, Processo nº. 10.280.005770/2005 16, de interesse do mesmo contribuinte a determinação de arbitramento de lucro "ex officio", a caracterização de omissão de receitas dos valores mantidos em conta corrente junto à instituição financeira, inclusive com aplicação de multa qualificada. O recurso voluntário apresentado pelo interessado naqueles autos (rec. 151.340) foi distribuído a Primeira Câmara que, unanimemente, negou provimento ao apelo, proferindo o Acórdão n°. 101.95901. Através da ementa acima indicada não há como se confirmar se o ano calendário autuado naquele processo é o mesmo destes autos. Alega o contribuinte que há duplicidade de lançamento. De outro lado, considerando que, em tese, "a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do RPJ pelo lucro real"(Ac. 104.21.757 de 27.07.2006), pareceme necessário saber as receitas e o ano calendário fiscalizado nestes autos são idênticos ao do outro processo, submetendo ao Colegiado todas informações necessárias ao deslinde do caso.” Portanto, determinou a realização de diligência para que fosse acostada cópia integral dos autos do processo nº. 10280.005770/200516 ao presente. Em atendimento à Resolução acima, a referida cópia foi anexada às fls. 694/2.122. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Resultado da diligência. Processo administrativo relativo ao IRPJ. Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.130 5 Em cumprimento à diligência solicitada pela Turma julgadora deste CARF, foi acostada aos presentes autos a cópia integral do processo administrativo nº. 10280.005770/200516, lavrado em desfavor do contribuinte para cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 694/2.122). A intenção da autoridade julgadora foi verificar se a tributação objeto do mencionado processo (que já está em fase de execução fiscal) guardava relação com a mesmo fato que originou o lançamento do IRRF ora cobrado. É que, conforme já demonstrado, o entendimento da CSRF é de que uma mesma base de cálculo que serviu para apuração do IRPJ (seja por omissão de receita, seja por glosa de custos/despesas) não pode ser utilizada para tributação do IRRF como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 IRRFONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI N°. 8981/95 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LIQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE A aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Recurso Especial do Procurador Negado (acórdão nº 0401.094; 4ª Turma da CSRF; julgado em 03/11/2008) Isto porque, nas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, as despesas necessárias à obtenção da receita são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. Neste sentido, é evidente que, na apuração pelo lucro real, tanto a omissão de receitas como a escrituração indevida de despesas não dedutíveis implicam na redução do lucro tributável. Assim, quando se glosa determinada despesa aumentase o lucro e, consequentemente, sobre este lucro majorado há incidência de imposto. Desta forma, em sendo glosada determinada despesa não se pode exigir IRPJ em face do lucro majorado e, ao mesmo tempo, tributar o pagamento da mesma “despesa” com base no art. 61 da Lei n° 8.981/95. Nestes casos, conforme julgado acima transcrito, deve se tributar única e exclusivamente o IRPJ incidente sobre o lucro decorrente da despesa glosada ou da omissão de rendimento apurada. No presente caso, consta da descrição dos fatos e enquadramentos legais do processo nº 10280.005770/200516 (fls. 1.447/1.455) que o mesmo decorreu da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Uma das contas bancárias investigadas naquela ocasião foi a mesma de onde saíram os pagamentos questionados no presente processo (Banco Bradesco, agência 00875, conta 4366). Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.131 6 O período de apuração do IRPJ do processo nº 10280.005770/200516 também coincide com o da presente autuação de IRRF (anoscalendário 2000 a 2003). Todavia, entendo que, particularmente, no presente caso, não existe a incompatibilidade de lançamentos, pelo fato de tal incompatibilidade demandar que o lançamento de IRPJ decorra de apuração pelo lucro real, ao passo que no processo nº 10280.005770/200516 o lançamento de IRPJ lavrado contra a RECORRENTE foi decorrente de arbitramento do seu lucro, conforme trecho abaixo extraído da descrição dos fatos e enquadramentos legais (fls. 1.450/1.451): “As receitas operacionais e não operacionais declaradas na DIPJ dos anoscalendário de 2000 a 2003, fls. 228, 266, 311 e 369, respectivamente, alcançam a quantia de R$ 49.143.124,53 para o ano de 2000; R$ 52.780.827,35 para o ano de 2001; R$ 50.105.073,61 para o ano de 2002; e R$ 35.941.405,35 para o ano de 2003, muito discrepantes dos valores constantes da relação de créditos dos extratos bancários. Para os anos de 2002 e 2003, em que temos os Livros Diários apreendidos pela Justiça Federal na sede da empresa autuada, fizemos uma verificação dos valores constantes dos extratos bancários com aqueles lançados no Livro Diário. Constatamos que poucos lançamentos dos extratos bancários estão devidamente escriturados nos Livros Diário de 2002 e 2003. Este fato repercute em todo o exercício fiscalizado, (...) Constatamos, assim, vultosa diferença entre valores dos créditos em contas bancárias do contribuinte autuado e os lançados em suas DIPJ do anoscalendário de 2000 a 2003. (...) Considerandose que a movimentação financeira de uma empresa em instituições bancárias representa ingressos e saídas de recursos, é lógico e correto esperar que todos os pagamentos de custos e despesas, e o recebimento de receitas, estivessem fidedignamente representados no Livro Diário. Como isso não ocorre no caso da empresa fiscalizada, entendemos, e declaramos: QUE A ESCRITA CONTÁBIL DO CONTRIBUINTE ORA FISCALIZADO 2 INSERVIVEL AO PROPÓSITO DE DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS DA EMPRESA AUTUADA E A CONSEQÜENTE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Resta, desta forma, o ARBITRAMENTO DO LUCRO como único regime de tributação do IRPJ e CSLL possível e cabível para o contribuinte fiscalizado e autuado, em virtude dos fatos anteriormente relatados. O procedimento fiscal adotado por esta fiscalização está legalmente fundamentado nos incisos II e III, do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999.” Ou seja, quando se apurou o IRPJ no processo nº 10280.005770/200516, não foram consideradas quaisquer saídas de numerários realizados pela RECORRENTE para apuração do lucro tributável, uma vez que este foi calculado pela aplicação do percentual de 9,6% sobre todas as receitas da RECORRENTE, nos termos da legislação pertinente. Ou seja, Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.132 7 não foi arbitrado o lucro somente sobre as receitas decorrentes da omissão dos depósitos bancários, mas também os decorrentes das receitas operacionais da RECORRENTE (já escrituradas e declaradas em DIPJ). Todos esses valores fizeram parte da base para apuração do lucro arbitrado (fls. 1.458/1.463). Sendo assim, tendo em vista que o lançamento do IRPJ no processo nº 10280.005770/200516 decorreu do arbitramento do lucro da RECORRENTE, entendo ser inaplicável ao presente caso a incompatibilidade entre o lançamento de IRPJ e de IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, haja vista não estarmos diante de apuração do tributo pelo lucro real. O lançamento do IRRF com base no art. 61 da Lei n° 8.981/95, por sua vez, é plenamente possível tanto nos casos de apuração do lucro por arbitramento como também nos casos de lucro presumido. O CARF possui diversos precedentes nesse sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2010, 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. Estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros quando não comprovada a operação ou a causa a que se referem. Esse regime jurídico, com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, independe da forma de apuração do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, se pelo lucro real, presumido ou arbitrado. PAGAMENTO SEM CAUSA. SUJEITO PASSIVO. FONTE PAGADORA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, o sujeito passivo é a fonte pagadora, na condição de responsável tributário, por substituição, descabendo cogitarse de compensação desse imposto quando da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no período. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. Recurso Voluntário Negado (acórdão nº 2401004.408; 2ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; julgado em 15/06/2016)” Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.133 8 Peço vênia para transcrever trecho do voto proferido pelo Conselheiro Flávio Franco Corrêa no acórdão nº 1301002.102: “Presumir que 90,4% da receita bruta são custos insuscetíveis à sindicância fiscal simplesmente afastaria da incidência da norma o que o texto não prevê. Ao eleger o percentual de 9,6 % para o cálculo do lucro arbitrado, o Estadolegislador constituiu uma ficção jurídica cujos efeitos não se estendem à tributação do IRRF sobre pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, ou quando a causa do pagamento ou a respectiva operação não forem reveladas. Para esses casos, a tributação do IRRF sobre a fonte pagadora permanece incólume.” Portanto, não verifico a suposta bitributação alegada pela RECORRENTE. Do lançamento do IRRF sobre pagamento sem causa ou de operação não comprovada. O art. 61 da Lei nº 8.981/95 estipula o seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramentos legais do presente lançamento (fls. 524/525), da análise de documentos apreendidos no estabelecimento do RECORRENTE (conforme determinação da Justiça Federal – Auto de Busca e Apreensão às fls. 23/24), a fiscalização verificou a existência de fichas contábeis referentes a pagamentos efetuados pelo contribuinte (fls. 245/480), desacompanhados de respectivos documentos comprobatórios idôneos (como notas fiscais, contratos ou similares, exigidos pela legislação tributária para tais transações). Assim, a autoridade fiscal constatou o seguinte: “De posse dos extratos bancários do contribuinte recebidos das instituições financeiras em virtude de emissão de RMF (Requisição de Movimentação Financeira – fls. 18 a 22), realizamos o batimento entre essas fichas contábeis e os pagamentos efetuados – lançamento a débito na conta corrente n° 43664 do Banco Bradesco, agência 8753, o qual gerou o Demonstrativo de Pagamentos sem Comprovação, fls. 209 a 228. Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.134 9 (...) o contribuinte protocolizou nesta Delegacia da Receita Federal resposta ao Termo de Intimação 008 (e reintimado pelo 009), informando da impossibilidade de fornecer os documentos solicitados na intimação em virtude de os mesmos estarem incluídos naqueles apreendidos pela Policia Federal ou entregues espontaneamente ao INSS. Informa, ainda, que tão logo seja encerrado o procedimento fiscal naquela entidade (INSS), se dispõe a encaminhar os documentos a esta Delegacia. Cabe ressaltar, porém, que a alegação do contribuinte não procede, já que os documentos exigidos pela fiscalização nos Termos 008 e 009 não se encontram nem no INSS e nem nesta Delegacia da Receita Federal. Desta forma, caracterizada a incidência do IRE sobre os pagamentos realizados, conforme consta no § 1º do art. 674 do RIR/99, que prevê incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento sobre todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e, no § 1º, também sobre os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, lavrouse Auto de Infração, cujas datas e valores tributáveis dos fatos geradores estão discriminados a seguir, tendo sido observado o que determina o § 3º do art. 674 do RIR/99, que textualiza que o valor pago será considerado como rendimento líquido, cabendo reajustamento do rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto. (...)” Os valores que serviram de base para a apuração do IRRF compõem a planilha de fls. 499/519. Em sua defesa, a RECORRENTE argumenta tão somente “que não é cabível o arbitramento de impostos identificados em contas bancárias, raciocínio que pode ser transplantado para a hipótese de retenção na fonte do mesmo tributo”. Ademais, argumentou que “os documentos que poderiam, se localizados, comprovar a regularidade da situação da impugnante, estão extraviados, podendo perfeitamente estar em poder da fiscalização do INSS, que retirou grande quantidade de livros e pastas com documentos, sem reduzir a termo uma relação de todos eles.” No entanto, entendo que não merecem prosperar as alegações de defesa da RECORRENTE. É que, conforme já exposto, o lançamento de IRRF decorre da estrita aplicação legal (art. 61 da Lei nº 8.981/95), sendo plenamente possível tanto nos casos de apuração do lucro por arbitramento como também nos casos de lucro presumido, desde que comprovada a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. No presente caso, a autoridade fiscal atesta o pagamento realizado pela RECORRENTE tanto através das fichas contábeis elaboradas pela própria contribuinte (fls. 245/480), como também pelos extratos bancários recebidos das instituições financeiras em virtude de emissão de RMF (fls. 34/218). Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.135 10 Assim, para afastar o lançamento de IRRF com base no mencionado dispositivo legal, o contribuinte deve se ater a comprovar a causa/operação e o beneficiário do pagamento realizado. No presente caso, as fichas contábeis de fls. 245/480 apenas indicam a realização de pagamento para as mais diversas operações (compra de jogos de mesa, freezers, etc.; pagamento a empresas de publicidade; promoção de eventos; etc.), porém não indicam o beneficiário do dispêndio nem estão acompanhados de documentação comprobatória de sua causa. Sendo assim, caberia ao RECORRENTE apresentar a prova que atestasse as suas informações contábeis, como notas fiscais, contratos, etc. Contudo, não apresentou qualquer documentação nos autos do presente processo. Também entendo que não merece prosperar a alegação da RECORRENTE de que a documentação comprobatória estaria de posse do INSS, pois foram objeto de busca e apreensão. Contudo, da análise do auto de busca e apreensão (fls. 495/498), não vejo como os documentos apreendidos poderiam auxiliar na produção da prova pelo contribuinte. Ademais, acaso realmente os documentos supostamente não devolvidos fossem demasiadamente importantes para a comprovação das alegações da RECORRENTE, esta poderia ter ao menos diligenciado a fim de obter cópias da documentação, pois entre a data da sua intimação para apresentar os documentos comprobatórios (07/08/2006, conforme Termo de Intimação nº 08 de fl. 219) até a presente data, transcorreu tempo suficiente para verificar a documentação faltante e obter ao menos cópias das mesmas, caso fossem necessárias para comprovação dos seus argumentos de defesa. Assim, entendo que não merecem prosperar as alegações da RECORRENTE e, consequentemente, deve ser mantido o lançamento do IRRF ante a falta de comprovação das causas dos pagamentos identificados. Conclusão. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo ser mantido o crédito tributário lançado. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10280.720124/200663 Acórdão n.º 2201003.741 S2C2T1 Fl. 2.136 11 Fl. 2136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009189/2002-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
DIREITO À COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Quanto à compensação de créditos, o ônus da prova para demonstrar a existência dos referidos créditos cabe ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 DIREITO À COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Quanto à compensação de créditos, o ônus da prova para demonstrar a existência dos referidos créditos cabe ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.009189/2002-63
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5785391
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.800
nome_arquivo_s : Decisao_10120009189200263.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10120009189200263_5785391.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6973245
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469060120576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.009189/200263 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.800 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria PER/DCOMP PIS Recorrente JORLAN ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DIREITO À COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Quanto à compensação de créditos, o ônus da prova para demonstrar a existência dos referidos créditos cabe ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 91 89 /2 00 2- 63 Fl. 186DF CARF MF 2 Relatório Por ser sintético e descrever os fatos, transcrevese o relatório da Resolução nº 3801000.233, fls. 1341: Tratase de Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente em face da nãohomologação da declaração de compensação apresentada em 11 de novembro de 2002, amparada por ação judicial – Mandado de Segurança Individual n° 95.00.040220 –, transitado em julgado em 04 de setembro de 1996 (fls. 29) que afastou a regência dos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88 sob o recolhimento do PIS por parte da Recorrente, mantendoa vinculada ao regime da Lei Complementar nº 07/70. A DRJ de Brasília/DF manteve a não homologação da compensação (fls. 78) com base no entendimento de que decaiu o direito da Recorrente em compensar os referidos valores, com base na seguinte ementa: Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário:2002 Repetição de Indébito Prazo Decadencial O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Inconformada a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 92/107) alegando que, com base no entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o prazo para pedir a Restituição se dá contados cinco anos da homologação do crédito, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação e que, se tratando de tributo declarado inconstitucional o prazo para ingresso do pedido de restituição dos valores pagos indevidamente ou a maior tem inicio quando do afastamento da legislação inconstitucional. Requer, assim, seja homologada a compensação pleiteada. O presente feito foi convertido em diligência, Resolução nº 3801000.233, Relator Sidney Eduardo Stahl, para, in verbis, fls. 136: 1. Seja devolvido o presente processo à DRF de origem para aguardar a decisão definitiva do RE 566.621/RS pela Corte Suprema, juntandose cópia ao presente; 2. Intimese a contribuinte para que demonstre os pagamentos efetuados a maior, fazendo a repartição competente a conferência da apuração apresentada em relatório a ser anexado ao presente; 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10120.009189/200263 Acórdão n.º 3302004.800 S3C3T2 Fl. 3 3 3. Informe a DRF a existência de PAJ relativo ao Mandado de Segurança Individual n° 95.00.040220, juntando, em caso positivo, cópia integral ao presente. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da falta de documentos e da informação fiscal da SEORT A contribuinte justifica que não possui a documentação necessária para a comprovação dos referidos pagamentos, que foram realizados, em razão do lapso temporal e de um incêndio criminoso, que atingiu o seu estabelecimento, fls. 150/152. Ademais, informa que a própria Administração Pública tem acesso em seu sistema os referidos pagamentos. Da informação fiscal, fls. 183/185, retirase o seguinte: 04. Em cumprimento ao solicitado acima, lavrouse o Termo de Intimação Fiscal Seort/DRF/GOI nº 097, datado de 08/03/16, a fim de que fossem apresentados: a) os documentos comprobatórios dos créditos oriundos dos recolhimentos para o Programa de Integração SocialPIS, efetuados com base nos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, em decorrência de sentença, transitada em julgado, proferida nos autos do processo de Mandado de Segurança Individual nº 95.00.040220, da 4a Vara da Seção Judiciária de Goiás; b) cópias dos DARF de PIS; c) cópias das DIRPJ; d) cópias dos lançamentos das bases de cálculo do PIS, nos Livros fiscais/contábeis; e, e) cópias das DCTF e PER/COMP (fls. 140/141). 05. Em 30/03/16, a contribuinte em correspondência encaminhada, requereu a “dilação do prazo para a apresentação dos documentos requisitados... por mais vinte dias, por se tratar de documentos antigos e difícil recuperação”, bem como “em razão do incêndio ocorrido em 01/01/2013, que destruiu o prédio do arquivo da empresa” (fls. 143/147). 06. Posteriormente, em 22/04/16, a empresa novamente requereu a dilação do prazo para a apresentação dos referidos documentos, embasada nos mesmos motivos (fl. 148). 07. Após o vencimento do prazo concedido, a requerente encaminhou resposta em 16/05/2016, informando da Fl. 188DF CARF MF 4 impossibilidade de atender ao Termo de Intimação Fiscal retrocitado, alegando, em síntese, que: a) os dados estão registrados em documentos existentes na própria administração; b) houve a ocorrência de prescrição, já que os documentos solicitados referemse ao ano de 1997; e, c) em razão do incêndio criminoso sofrido em seus arquivos, com encaminhamento de Extrato do Boletim de Ocorrências, publicações do ocorrido em Diário Oficial e jornais, abaixo transcrito (fls. 150/175): (...) 08. Assim, em face da não apresentação dos documentos solicitados na Intimação Fiscal nº 097/2016, e ante a inexistência dos documentos comprobatórios nos autos, que viabilizassem o levantamento dos créditos relativos aos recolhimentos efetuados a maior, com base nos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, não foi possível atender à solicitação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 09. Cumpre informar que inexiste, nesta DRF/GOI, Processo Administrativo de Acompanhamento Judicial PAJ, referente ao Mandado de Segurança Individual n° 95.00.040220, impetrado pela requerente. 10. No concernente ao Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, da Corte Suprema, que tratou da constitucionalidade do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, cujo efeito determinaria o prazo para a contribuinte pedir a restituição do PIS, cumpre ressaltar que já foi decidido de forma definitiva. Houve o trânsito em julgado em 17/11/2011, conforme Consulta Processual ao sítio do STF (fls. 177/182). Cabe esclarecer que o ônus da prova quanto à existência de crédito cabe à Recorrente nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015. Portanto, diante da falta de produção probatória por parte da Recorrente, tornase improcedente o pedido contido no Recurso Voluntário quanto à compensação dos créditos. 3. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas julgálo improcedente. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10120.009189/200263 Acórdão n.º 3302004.800 S3C3T2 Fl. 4 5 Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910768/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.526
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.910768/2011-11
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5779860
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.526
nome_arquivo_s : Decisao_10980910768201111.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10980910768201111_5779860.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6959936
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469071654912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.910768/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.526 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 07 68 /2 01 1- 11 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.910768/201111 Acórdão n.º 3302004.526 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06043.106. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.910768/201111 Acórdão n.º 3302004.526 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.910768/201111 Acórdão n.º 3302004.526 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.910768/201111 Acórdão n.º 3302004.526 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.910768/201111 Acórdão n.º 3302004.526 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.910768/201111 Acórdão n.º 3302004.526 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000217/2009-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15956.000217/2009-44
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5787190
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.657
nome_arquivo_s : Decisao_15956000217200944.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 15956000217200944_5787190.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6978064
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469076897792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1751; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 228 1 227 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15956.000217/200944 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.657 – 2ª Turma Sessão de 26 de junho de 2017 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AJUSTE TRANSP E SERVIÇOS GERAIS DA LAVOURA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 17 /2 00 9- 44 Fl. 228DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação juntado aos autos, este processo encontravase apenso ao Processo 15956.000216/200908, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 15956.000217/200944 Acórdão n.º 9202005.657 CSRFT2 Fl. 229 3 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 230DF CARF MF 4 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 15956.000217/200944 Acórdão n.º 9202005.657 CSRFT2 Fl. 230 5 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 232DF CARF MF 6 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15956.000217/200944 Acórdão n.º 9202005.657 CSRFT2 Fl. 231 7 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 234DF CARF MF 8 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 235DF CARF MF Processo nº 15956.000217/200944 Acórdão n.º 9202005.657 CSRFT2 Fl. 232 9 Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
