Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10120.728985/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS.
Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.728985/2013-51
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897496
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.687
nome_arquivo_s : Decisao_10120728985201351.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
nome_arquivo_pdf_s : 10120728985201351_5897496.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7409252
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586877788160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 249 1 248 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.728985/201351 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.687 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente TOCA CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 FALTA DE INTIMAÇÃO VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin , Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 89 85 /2 01 3- 51 Fl. 249DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento de saldo negativo de IRPJ no ano de 2008, no valor de R$ 236.720,92, transmitida através do PER/Dcomp nº 08071.62071.010711.1.3.023953. A DRF de Curitiba não homologou a compensação por não ter a recorrente tentando em momento algum justificar ou comprovar as parcelas de composição de crédito que declarou ou, ao menos, comprovar o efetivo recebimento do valor sobre o qual teriam recaído as retenções alegadas, ou seja, sem observar a exigência contida no art. 943,§ 2º, do Decreto nº 3.000/99. Alega a contribuinte em seu Recurso Voluntário, única e exclusivamente sobre a falta de contraditório e ampla defesa pois não pôde ser cientificado por via postal, pois o endereço constante da correspondência era diverso de seu endereço cadastral. Assim, tendo em vista a falta de intimação válida da contribuinte, foi arguido a nulidade de todo o procedimento fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Da preliminar Nulidade de julgamento intimação por edital Pois bem, cumpre ressaltar que a decisão de primeira instância apreciou o recurso da contribuinte tendo sido ementada da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PARCELAS DE COMPOSIÇÃO NÃO CONFIRMADAS. Não comprovada a existência das parcelas de composição do direito creditório declarado pelo contribuinte, é impossível homologar as compensações declaradas. RETENÇÃO EM FONTE. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10120.728985/201351 Acórdão n.º 1401002.687 S1C4T1 Fl. 250 3 Ou seja, apesar da alegação da contribuinte de nulidade do feito, sua manifestação de inconformidade foi devidamente recebida e julgada. Ocorre que a intimação da Contribuinte, realmente foi feita de forma equivocada. Contudo, apesar disso, foi apresentada manifestação de inconformidade dentro do prazo legal e devidamente apreciada pela DRJ competente. Se houvesse a contribuinte alegado qualquer prejuízo pela falta de intimação válida, ou, ainda se tivesse juntado aos autos, mesmo que extemporaneamente documentação comprobatória de seu direito, deveria o julgador, por força do contraditório e ampla defesa, aceitar tais documentos. Ou ainda, quem sabe se a contribuinte tivesse apresentado sua defesa fora do prazo, ou tivesse requerido dilação do prazo mediante comprovação de que o edital foi afixado em local de difícil acesso e que não teve ciência da intimação em tempo hábil. Porém, o que se verifica no presente auto é que a contribuinte apresentou sua regular manifestação de inconformidade, sem lograr êxito em apresentar a documentação comprobatória suficiente e, ainda, apresentou recurso voluntário alegando tãosomente a nulidade do processo pelo vício da não intimação. Cumpre observar que a nulidade pela falta de intimação não é absoluta e pode ser sanada pela apresentação espontânea do contribuinte. Se essa foi prejudicada por prazo a menor, deveria ter arguido tal fato em sua defesa, e não simplesmente argumentar que o processo é inválido se teve oportunidade de se defender, através da competente manifestação de inconformidade e, ainda, quando da interposição do Recurso. A ausência de intimação, a princípio, constitui vício que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que a contribuinte não houvesse apresentado sua competente defesa, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea da manifestação de inconformidade por parte da recorrente, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Fl. 251DF CARF MF 4 Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas denullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas. Conclusão Pelo acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer da nulidade arguida pela recorrente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000854/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/07/2005
CORESP - RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS. SUMULA CARF Nº 88.
"Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa."
DECADÊNCIA
Súmula Vinculante STF nº 8, prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias fixado em 5 anos, nos termos previsto no Código Tributário Nacional.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no Art. 116, Parágrafo Único do CTN e não se confunde com a Desconsideração da personalidade jurídica.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ABARCAR FATO DIVERSO DO LEGALMENTE PREVISTO PARA INCIDÊNCIA.
A validade de um lançamento tributário advém da subsunção do fato gerador a hipótese de incidência, sendo a base de calculo essencial a sua caracterização. Ao adotar base de calculo da diversa da prevista em lei, tomando como tal o valor recolhido a título de imposto e faturamento das empresas, o lançamento se torna nulo.
Numero da decisão: 2402-006.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e a decadência e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de calculo multa as parcelas destacadas nas notas fiscais a título de tributos.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/07/2005 CORESP - RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS. SUMULA CARF Nº 88. "Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." DECADÊNCIA Súmula Vinculante STF nº 8, prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias fixado em 5 anos, nos termos previsto no Código Tributário Nacional. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no Art. 116, Parágrafo Único do CTN e não se confunde com a Desconsideração da personalidade jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ABARCAR FATO DIVERSO DO LEGALMENTE PREVISTO PARA INCIDÊNCIA. A validade de um lançamento tributário advém da subsunção do fato gerador a hipótese de incidência, sendo a base de calculo essencial a sua caracterização. Ao adotar base de calculo da diversa da prevista em lei, tomando como tal o valor recolhido a título de imposto e faturamento das empresas, o lançamento se torna nulo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11330.000854/2007-55
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893051
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.249
nome_arquivo_s : Decisao_11330000854200755.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 11330000854200755_5893051.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e a decadência e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de calculo multa as parcelas destacadas nas notas fiscais a título de tributos. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7396555
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586890371072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 4.675 1 4.674 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000854/200755 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.249 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente VALESUL ALUMÍNIOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/07/2005 CORESP RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. NÃO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES E SÓCIOS. SUMULA CARF Nº 88. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." DECADÊNCIA Súmula Vinculante STF nº 8, prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias fixado em 5 anos, nos termos previsto no Código Tributário Nacional. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A desconsideração, pela autoridade fiscal, de ato ou negócio jurídico simulado, praticado com abuso de direito ou forma é prevista no Art. 116, Parágrafo Único do CTN e não se confunde com a Desconsideração da personalidade jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ABARCAR FATO DIVERSO DO LEGALMENTE PREVISTO PARA INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 08 54 /2 00 7- 55 Fl. 4675DF CARF MF 2 A validade de um lançamento tributário advém da subsunção do fato gerador a hipótese de incidência, sendo a base de calculo essencial a sua caracterização. Ao adotar base de calculo da diversa da prevista em lei, tomando como tal o valor recolhido a título de imposto e faturamento das empresas, o lançamento se torna nulo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4676DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.676 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e a decadência e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da base de calculo multa as parcelas destacadas nas notas fiscais a título de tributos. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 4677DF CARF MF 4 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 4.651 usque 4.670, voltandose contra ACórdão da 10ª Turma de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Julgamento no RJ RJO1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, mantendo a autuação atacada e relevando parcialmente a multa aplicada tendo em vista a correção parcial da falta, conforme disposto no § 10 do artigo 291 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Está assim lançado o relatório da decisão objurgada: DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.056.7951 CFL 68), lavrado contra a interessada, em 29/11/2006, no montante de R$ 559.663,41. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 32), a interessada deixou de declarar em GFIP's os valores referentes aos pagamentos efetuados a título de compensação de funcionários Cedidos às suas sócias majoritárias: CIA. VALE DO RIO DOCE e BHP BILLITON METAIS S/A, que cederam funcionários para ocupar os cargos de DiretorPresidente e Diretor Industrial bem como os valores apurados a título de despesas com alimentação e Refeitórios que foram considerados salário in natura, o que constituiu infração ao artigo 32, inciso IV e § 50, da Lei 8.212/1991. 3. A multa aplicada, foi apurada conforme previsto no artigo 32, § 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso II (com redação dada pelo Decreto 4.729/2003), e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS n°342/2006. 4. Não foram configuradas as circunstâncias agravantes nem atenuantes previstas nos artigos 290 e 291, respectivamente, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DA IMPUGNAÇÃO 5. A interessada manifestouse (fls.45/2176 e 2182/2406), juntando os documentos (fls.96/98) que comprovam a capacidade postulatória do advogado que assina a peça e trazendo as alegações a seguir, reproduzidas em síntese: DOS FATOS 5.1. A autuação foi lavrada com base no argumento de que a Impugnante não informou a totalidade de fatos geradores de contribuições previdenciárias referente aos valores pagos pela Impugnante a suas sócias majoritárias a título de remuneração pela cessão de funcionários, considerados como remunerações Fl. 4678DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.677 5 pagas a contribuintes individuais, através da NFLD n° 37.056.7927; e, valores a título de despesas com alimentação e refeitórios, considerados como salário in natura, através do LDC n° 37.056.7935. 5.2. Esclarece a Impugnante que concorda com a presente autuação, tão somente no que se refere aos valores não declarados em GFIP a título de contribuição previdenciária incidente sobre as referidas despesas com alimentação e refeitórios; 5.3. Informa ainda a Impugnante que corrigiu a falta originária da referida cobrança dentro do prazo legal, junta cópia das GFIPs, é primária, não ocorreu nenhuma circunstância agravante, requer, que a multa referente à parcela considerada incontroversa seja relevada, ou, ao menos atenuada em 50% (cinqüenta por cento), nos termos do artigo 291, § 1°, c/c artigo 292, inciso V, do Decreto n°3.048/1999; 5.4. no que tange aos valores relativos aos funcionários cedidos pelas sócias majoritárias, descabida é a pretensão da autoridade autuante, eis que as contribuições em questão são totalmente indevidas. 5.5. esclarece que celebrou contratos de prestação de serviços com suas sócias majoritárias, Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Metais S/A, por meio dos quais estas se comprometeram a ceder determinados empregados para trabalhar nas dependências da impugnante, mediante o recebimento de contraprestação; 5.6. mensalmente, as referidas empresas emitem notas fiscais de cobrança relativas aos serviços de disponibilização de seus funcionários para a Impugnante, sendo que os valores das faturas correspondem ao preço dos serviços prestados pelas sócias majoritárias, incluindo despesas administrativas e fiscais; 5.7. os trabalhadores cedidos mantiveram seus vínculos empregatícios com as sócias majoritárias e são remunerados exclusivamente por elas que são responsáveis pelo recolhimento dos respectivos encargos trabalhistas e previdenciários; 5.8. acosta, por amostragem, cópia de documentos do funcionário cedido Ricardo Moura de Paula Fonseca para comprovar que inexiste qualquer relação de trabalho entre a Impugnante e os funcionários cedidos, contudo o caso em tela tratase de mera cessão de funcionários; 5.9. os valores lançados na conta contábil da Impugnante n° 432409 (funcionários cedidos), seriam verdadeiras remunerações de contribuintes de acordo com a fiscalização; 5.10. o presente lançamento foi efetuado mediante arbitramento em relação a maior parte dos funcionários cedidos e os valores entregues a suas sócias majoritárias, não constituem hipótese de contribuição previdenciária; Fl. 4679DF CARF MF 6 5.11. a notificação em comento padece de vício insanável consubstanciado na ausência de fundamento para o arbitramento realizado e a incompetência da Secretaria da Receita Previdenciária para desconsiderar a personalidade jurídica da Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Metais S/A; DO MÉRITO 5.12. quanto ao mérito não merece prosperar a presente cobrança, a saber: 5.12.1. a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos funcionários foi devidamente recolhida por seus empregadores e, admitir a contribuição social sobre os valores pagos a suas sócias majoritárias, pela disponibilização dos funcionários, além de contra legem significa verdadeiro bis in idem; 5.12.2. inexiste relação de trabalho entre a Impugnante e os funcionários cedidos, sendo a única obrigação da Impugnante remunerar suas sócias majoritárias; 5.12.3. ao não identificar os valores dos saláriosde contribuição de cada um dos trabalhadores ce idos, a notificação em apreço viola os princípios que norteiam o direito previdenciário; 5.12.4. evidenciase a impropriedade da base de cálculo eleita pelo fiscal autuante, ao considerar o valor das notas fiscais emitidas pelas sócias majoritárias, que diz respeito ao seu faturamento pela cessão de funcionários. DAS PRELIMINARES Da ilegitimidade Passiva dos Sócios da Empresa 5.13. somente se configura a responsabilidade pessoal dos sócios por obrigações tributárias assumidas pela pessoa jurídica nas hipóteses de práticas de atos que constituam excesso de poder ou infração à lei, ao contrato social ou estatutos; 5.14. a obrigação de recolher tributos devidos pela Empresa é da pessoa jurídica, não dos sócios, a teor do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, sendo que no presente caso, os sócios da Impugnante foram citados corno coresponsáveis pelos créditos exigidos através da NFLD, mesmo não se enquadrando nas exceções do citado artigo; 5.15. importa frisar que nenhum dos requisitos necessários à caracterização da responsabilidade pessoal do sócio se faz presente na notificação em debate, assim a falta de recolhimento de tributo não pode ser caracterizada como infração à lei nem o administrador pode ser enquadrado como responsável solidário ao pagamento de dívida assumida pela Sociedade; 5.16. cita jurisprudência e decisões do STF/STJ para concluir pela necessidade de exclusão do pólo passivo da NFLD dos sócios listado S como coresponsáveis pelo suposto débito. Fl. 4680DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.678 7 Da Decadência do Direito de Lançar 5.17. discorre sobre a natureza tributária das contribuições previdenciárias, cita decisões do STF/STJ e conclui que as contribuições sociais em discussão estão sujeitas ao lançamento por homologação, pelo que se aplica o artigo 150, § 4°, do CTN, desta forma, resta evidente a decadência dos supostos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos nos períodos de agosto de 2000 a novembro 2001. Da Nulidade da Notificação 5.18. os funcionários cedidos ocupantes de cargo de diretoria foram enquadrados como contribuintes individuais pela fiscalização e a suposta remuneração paga aos funcionários foram verificados nas Atas de Assembléia dos Acionistas; 5.19. ocorre que, tais valores não configuram remuneração paga pela Impugnante a tais funcionários que, repitase, é paga exclusivamente por seus empregadores; 5.20. a menção de valores de tais diretores nas Atas de Assembléia dos Acionistas decorre exclusivamente de formalidade inerentes à legislação societária; 5.21. face à alegação da fiscalização de que tais valores seriam remunerações pagas aos funcionários cedidos, decorre de mera presunção das autoridades fiscais, assim caberia ao fiscal autuante, no mínimo, ter comprovado o recebimento dessas quantias pelos referidos trabalhadores; 5.22. em relação aos demais funcionários cedidos, a fiscalização considerou os valores das notas fiscais emitidas pela Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Metais S/A como remuneração entregue aos mesmos; 5.23. pela simples leitura do relatório que embasa a ora combatida NFLD verificase que em momento algum o fiscal autuante menciona o supracitado dispositivo legal ou esclarece as razões pelas quais efetuou o lançamento mediante arbitramento, restando evidente vício insanável, devendo ser decretada a nulidade do lançamento a teor do artigo 33 da Portaria n° 520/2004; 5.24. tal vício resulta em evidente cerceamento de defesa, fazendose necessário anular a notificação em questão. Da Incompetência das Autoridades Fiscais para Desconsideração da Pessoa Jurídica 5.25. Outra preliminar de nulidade diz respeito à ausência de competência das autoridades fiscais para promover a desconsideração de personalidade jurídica; 5.26. de acordo com o artigo 50, do Código Civil, alterado em 2002, somente o juiz, a pedido da parte ou do Ministério Fl. 4681DF CARF MF 8 Público, cabe desconsiderar a personalidade jurídica o que somente ocorre em hipóteses excepcionais, conforme se infere de julgados do TRF; 5.27. nenhum dos requisitos ensejadores da desconsideração da personalidade jurídica restou preenchido no presente caso, nem poderia as autoridades fiscais fazer tal desconsideração com fulcro no parágrafo único do artigo 116 do CTN, por se tratar de norma de eficácia limitada, razão pela qual enquanto não for editada a lei ordinária prevista no referido artigo, faltalhe a plenitude da produção dos seus efeitos. DO DIREITO Da Base de Incidência da Contribuição Previdenciária 5.28. na presente notificação foi utilizado como base de cálculo o valor das notas fiscais emitidas pela Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Meais S/A, assim, duas leituras podem ser feitas: ou está se determinando uma nova incidência sobre o faturamento (já onerado pela COFINS/PIS), ou ainda, está se tomando de empréstimo a base de cálculo do Imposto sobre Serviços (Município), em ambos os casos, há violação à Constituição Federal; 5.29. ao exigir a contribuição social sobre o valor bruto da nota fiscal, ao invés da folha de salários, caracterizase um verdadeiro bis in idem, vedado pela Constituição; 5.30. a quantificação do tributo deve guardar relação entre o fato gerador e a respectiva base de cálculo e no presente caso não existe correlação entre o valor das notas fiscais emitidas pelas sócias majoritárias e a remuneração dos funcionários cedidos; Do Recolhimento de Contribuição Previdenciária pela Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Metais S/A. 5.31. a remuneração dos funcionários cedidos é exclusivamente paga pelas sócias majoritárias e a contribuição previdenciária incidente sobre tais montantes vem sendo devidamente recolhida por essas empresas; 5.32. o fiscal autuante reconhece que os segurados mantiveram vínculo empregatício com os sócios majoritários ao declarar que 'não foi levantada a contribuição do segurado prevista na Lei 10.666/03, pois em consulta ao CNIS, constatouse que os mesmos já foram descontados pelo teto máximo da Previdência Social'. 5.33. os valores não são entregues diretamente aos funcionários, mas sim a suas sócias majoritárias, ditos recursos não possuem qualquer relação com a remuneração paga pelas empresas aos funcionários cedidos, configuram obrigação da Impugnante com essas empresas, dizem respeito tão somente ao montante estipulado entre as partes pela disponibilização de funcionários, a relação existente entre as empresas é estritamente contratual e a Impugnante não tem nenhuma participação na relação laborai entre empregador e empregado, e mesmo que a Impugnante não Fl. 4682DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.679 9 pagasse as notas fiscais emitidas por suas sócias, à responsabilidade tributária pelo recolhimento da contribuição sobre a "folha de salários" recairia sobre as suas duas sócias. Da Não Identificação dos SaláriosdeContribuição dos Funcionários Cedidos 5.34. a fiscalização previdenciária pretende efetuar cobrança de contribuição social sobre valores supostamente entregues aos mencionados funcionários cedidos, sem sequer identificar os valores dos saláriosdecontribuição de cada um dos trabalhadores; 5.35. ao não vincular a contribuição aos funcionários cedidos, tais montantes não poderão ser levados em consideração quando da aposentadoria dos contribuintes individuais e os mesmos jamais terão qualquer sorte de vantagem especial da Previdência Social no que tange aos valores ora exigidos da Impugnante, sendo evidente que tais montantes não podem figurar como base de cálculo de incidência da contribuição social. Da Penalidade Abusiva 5.36. além de ter sido lavrada indevida notificação para cobrança de contribuição, tais valores estão sendo exigidos novamente através do presente Auto de Infração, mediante a imposição de multa com efeito confiscatório, no montante de 100% da contribuição; 5.37. com o advento da Constituição Federal de 1988 — CF/88, essa contribuição, está sujeita ao princípio do nãoconfisco, previsto pelo artigo 150, inciso IV, da CF/88, que veda à União Federal, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a utilização de tributo com efeito confiscatório; 5.38. considerando que a penalidade que está sendo exigida através do presente auto de infração foi fixada em patamares excessivos, desprovidos de razoabilidade, concluise pelo efeito confiscatório da mesma; Do Pedido 5.39. pelo exposto, requer a Impugnante, seja desmembrado o presente Auto de Infração, a fim de que a multa decorrente dos valores lançados através do LDC n° 37.056.7935 seja relevada ou, ao menos, atenuada em 50%; e, no que tange aos valores decorrentes da NFLD n°37.056.7927, seja julgado totalmente insubsistente; 5.40. por derradeiro, requer, a produção de quaisquer provas que se façam necessárias, caso os documentos anexados ao presente não sejam suficientes à elucidação dos fatos. Em seu recurso, reprisando os argumentos lançados em sua peça de Defesa, preliminarmente, alega a recorrente haver ilegitimidade passiva dos sócios para figurarem na Fl. 4683DF CARF MF 10 presente demanda, uma vez que não caberia, no presente caso, a responsabilidade pessoal dos sócios, posto que tal condição só seria cabível em caso de "excesso de poder ou infração à lei, ao contrato social ou estatutos". Logo, sendo a obrigação de recolher tributos da própria empresa (pessoa jurídica), não poderiam os sócios figurarem no pólo passivo da presente demanda fiscal, nos termos do art. 135, inc. III do Código Tributário Nacional. Em tal ponto, defendendo sua tese, colaciona diversos julgados oriundos dos colendos Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, em casos que a responsabilidade dos sócios apenas seria permitida em situação de comprovada condutas dolosas e de afronta a lei. Em seguida, ainda em preliminar, alega que, conforme Sumula Vinculante nº 8, que julgou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.121/91, o presente auto de infração, lavrado em 28/11/2006, já teria sido alcançado pela decadência, no que se refere aos períodos de janeiro a novembro de 2001, sendo, portanto, extintos nos termos do art. 150§4º, combinado com o art. 156, V, ambos do Código Tributário Nacional. Sequencialmente, alega a total nuldiade da NFLD nº 37.056.7927 (referente ao processo nº 11330.000450/200761, apenso ao presente). Isso porque, no RF, o i. fiscal autuante enquadrou os funcionários ocupantes de cargo de diretoria na alínea "f" do in. V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, e os demais funcionários foram enquadrados na alínea "g" do mesmo dispositivo de Lei, argumentando que os valores constantes da Ata de Assembleia dos Acionistas da Impugnante seriam os montantes pagos aos funcionários considerados diretores não empregados. No entanto, a Recorrente tenta afastar tais alegações, uma vez que os "mencionados valores verificados nas Atas de Assembleia dos Acionistas não configuram remuneração paga pela Recorrente a tais fucnionários. Repitase, a remuneração de tais trabalhadores é paga exclusivamente por seus empregadores,Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billion Metais S/A." (fls. 4661) E acrescenta: "a menção de valores a título de remuneração de tais diretores nas Atas de Assembléia dos Acionistas decorre exclusivamente de formalidades inerentes à legislação societária". Aponta que, se tais valores foram realmente fossem remunerações pagas aos funcionários, caberia ao fiscal ter comprovado o recebimento dessas quantias pelos trabalhadores, o que não teria sido feito, tendo o fiscal feito o lançamento apenas por mera "presunção", devendo o fazer levantamento completo dos fatos processuais, e não "meras presunções e palpites". Nesse ponto, arremata, às fls. 4.662: " Desde já, cumpre esclarecer que a ausência de individualização das remunerações dos funcionários cedidos e (it) o reconhecimento, pelo próprio fiscal autuante, de que tais funcionários mantiveram seu vínculo empregatício com a Companhia Vale do Rio e Doce e BHP Billiton Metais S/A, serão tratados em tópicos específicos." Desse modo, estariase perante notificação insustentável, uma vez que lhe faltariam requisitos essenciais de existência, a saber, fundamentação e capítulo legal. Fl. 4684DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.680 11 No mérito, quanto à base de incidência da contribuição previdenciária, advoga que, como na presente notificação foi utilizado como base de cálculo o valor das notas fiscais emitidas pela Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Meais S/A, duas leituras seriam possíveis: "ou está se determinando uma nova incidência sobre o faturamento, já onerado pela COF1NS (artigo 195, I, da CF/88) e pelo PIS (artigo 239 da CF/88), ambas contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social, ou ainda, está se tomando de empréstimo a base de cálculo do Imposto sobre Serviços, de competência municipal. Em ambos os casos, conforme restará demonstrado, há violação à Constituição Federal." (fls. 4663), o que, a seu ver, caracterizaria bis in idem. Soma que: " Ao exigir a contribuição social sobre o valor bruto da nota fiscal, o fiscal autuante extrapolou a base de cálculo da contribuição previdenciária prevista na Constituição Federal — folha de salários — penetrando em universo já gravado por outras contribuições — o faturamento da empresa — o que, além de caracterizarse num verdadeiro bis in idem, vedado pela Constituição, desvirtua a própria matriz constitucional do tributo em comento." " Ou, ainda, temse configurada inconstitucional invasão de competência, ao se pretender tributar uma base de cálculo própria do Imposto sobre Serviços ISS, previsto no artigo 156, III da Lei Maior como tributo cujo ente federativo tributante são os Municípios. Notese, aliás, que o fornecimento de mãode obra está contemplado no item 84 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar n° 56/87." Às fls. 4.664 aponta: "Destarte, a cobrança de contribuição previdenciária sobre uma base de cálculo artificial, presumida e arbitrária , própria de outros tributos discriminados na Constituição (faturamento ou preço dos serviços ) importa em contribuição nova com idêntica base de cálculo de tributos já anteriormente previstos no texto constitucional, o que vai de encontro às disposições do artigo 154, I , que somente prevê a criação de impostos , pela União, desde que sejam nãocumulativos ou não tenham base de cálculo ou fato gerador próprios dos .impostos constitucionalmente previstos." Assim, afia que a própria retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, prevista pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, corresponderia a percentual significantemente inferior ao montante arbitrado pelo fiscal. Aponta, assim, que há ilegalidade na cobrança no montante autuado. Em continuação, que ambas as empresas (Vale do Rio Doce e BHP Billiton Metais S/A) estão recolhendo o imposto devido, referente à remuneração dos funcionários cedidos, não havendo que se questionar o pagamento das contribuições previdenciárias em tela. Isso porque, simples consulta às GFIPs das empresas, comprovariam o pagamento de tais valores, uma vez que até mesmo o i. Fiscal autuante, teria reconhecido a manutenção do vínculo entre os funcionários e a empresa. Fl. 4685DF CARF MF 12 Advoga, neste capítulo, que houve omissão de informações por parte do i. Fiscal autuante, uma vez que teria ignorado as provas carreadas nos autos, que comprovariam o pagamento de todo o crédito perseguido no presente procedimento fiscal. Alude, às fls. 4667: "Tal assertiva pode ser comprovada através do confronto entre as notas fiscais emitidas pela Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Metais S /A e os montantes recolhidos por tais empresas sobre a remuneração paga aos funcionários cedidos. Tais dados podem ser facilmente obtidos pela fiscalização através da simples consulta ao sistema da Secretaria da Receita . Previdenciária." Em seguida, denuncia que, ao não vincular a contribuição aos funcionários cedidos, tais montantes não poderão ser levados em consideração quando da aposentadoria desses trabalhadores, o que seria inaceitável. Dessa forma, sendo certo que os supostos contribuintes individuais jamais terão qualquer sorte de vantagem especial da previdência social no que tange aos valores exigidos da Recorrente, seria evidente que tais montantes não poderiam figurar como base de cálculo de incidência da contribuição social. Por tudo acima exposto, requer seja o auto de infração julgado improcedente relativamente ao período de janeiro a novembro de 2001, uma vez que tal período teria sido albergado pela decadência, bem como seja dado integral provimento ao recurso, com a consequente desconstituição da multa exigida ou, de forma alternativa, seja o presente julgamento atrelado ao Recurso Voluntário nº 11330.000450/200761. É o suficiente relatório. Fl. 4686DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.681 13 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza – Relator 1 – Admissibilidade O presente Recurso Voluntário está relacionado aos lançamentos realizados por força do DEBCAD: 37.056.7951, cuja infração assim está sumariamente descrita: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e paragrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados na° correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuicoes previdenciarias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e paragrafo 5., tambem acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e paragrafo 4., do Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, paragrafo 5., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso II (com a redacao dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. DISPOSMVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$ 559.663,41 QUINHENTOS E CINQÜENTA E NOVE MIL E SEISCENTOS E SESSENTA E TRÊS REAIS E QUARENTA E UM CENTAVOS.* O Relatório por sua ve apresenta a seguinte descrição: Em auditoria fiscal desenvolvida na empresa, constatouse que a mesma apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, não Informando a totalidade de fatos geradores de contribuições previdenciárias . Foram pagos valores a título de Compensação de Funcionários Cedidos, que constituem de fato remunerações pagas, devidas ou creditadas a contribuintes individuais. Os sócios majoritários da VALESUL ALUMÍNIO S.A., CIA VALE DO RIO DOCE E BI110 BILLITON METAIS S.A., cederam funcionários para ocupar os cargos de DiretorPresidente e Diretor Industrial. Os valores correspondentes às remunerações devidas a estes segurados Fl. 4687DF CARF MF 14 relativos aos serviços prestados à VALESUL ALUMÍNIO S.A. eram lançados na conta contábil 432409 Funcion. Cedidos Compensação. A empresa também forneceu alimentação sem a regular inscrição no PAT no período de 01/01/2004 a 31/07/2005. Os valores apurados a título de despesas com Alimentação e Refeitórios foram considerados como salário in natura. Em razão do exposto a empresa agiu em desacordo com o disposto no art. 32, IV e § 50 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97 c/c art. 225, IV, § 40 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Não ocorreram circunstâncias agravantes nem outras circunstâncias atenuantes E quanto a multa prossegue em sua fundamentação nos seguintes termos: Nos termos do art. 32, IV e § 5° da Lei 8.212/91, acrescentados pela Lei 9.528/97, a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, sujeita a empresa à multa de 100°k (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, IV, § 4° da Lei 8.212/91. Não há autos de infração anteriores a serem considerados para fins de reincidência. Considerando a atualização determinada pela Portaria 342 de 16/08/2006, art.7, V, o valor da multa a ser aplicada é de R$ 559.663,41 (quinhentos e cinqüenta e nove mil seiscentos e sessenta e três reais e quarenta e um centavos). Segue em anexo relatório de cálculo da multa, relatório discriminativo das remunerações e Planilha de Apuração das Bases do Salário in Natura. O Recurso Voluntário, em momento algum tratou das questões relacionadas a salario in natura, aborando apenas os seguintes tópicos: 111.1 — DAS PRELIMINARES 111.1.1 — Da Ilegitimidade Passiva dos Sócios da Empresa 111.1.2 Da Súmula Vinculante 08 do STF: Decadência do Direito de Lançar: 111.1.3 Da Nulidade da NFLD n°37.056.7927 III. 2 — DO MÉRITO 111.2.1 — Da Base de Incidência da Contribuição Previdenciária 111.2.2 — Do Recolhimento de Contribuição Previdenciária pela Companhia Vale do Rio Doce e BHP Billiton Metais S/A IV3 — Da Não Identificação dos SaláriosdeContribuição dos Funcionários Cedidos Portanto, considerando que temse por não impugnada a matéria não aduzida em seu recurso, somente os tópicos transcritos serão objeto do presente voto. Nesse sentido, uma vez que tempestivo e atendendo aos requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, voto por conhecer nos limites das questões trazidas à lide. Fl. 4688DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.682 15 2. Razões Preliminares 2.1. Da ilegitimidade passiva dos sócios da empresa. O primeiro ato recursal está centrado na rejeição de suposta tese fiscal referente a responsabilidade pessoal dos sócios por obrigações tributárias assumida pela empresa, argumentando que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no polo passivo apenas em casos excepcionais, conforme disposto no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Quanto ao tema, a decisão recorrida assim foi erigida: "no que se refere à indicação dos sócios na lista de co responsáveis, é importante esclarecer que, ao contrário do entendimento da impugnante, o documento "Relação de Co Responsáveis" (CORESO), a teor do disposto no art. 660, X, da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14107/2005, apenas"(..) lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação". Assim sendo, a fiscalização apenas atendeu ao comando do referido ato normativo, identificando, no relatório pertinente, os sócios da empresa e seus respectivos períodos de autuação, sem tecer nenhum juízo de valor sobre uma possível responsabilidade pelo pagamento do crédito em exame. " Tal argumento não encontrou acolhida na decisão recorrida e, nos parece que a insistência do Recorrente quanto a tal questão, advém do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de CoResponsáveis. Apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e Fl. 4689DF CARF MF 16 a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, voto pela rejeição da preliminar recursal, neste ponto. 2.2. Da Decadência do Direito de Lançar Como matéria preliminar ao mérito, o recorrente brada pela declaração de extinção de parte das obrigações objeto do lançamento em razão de terse operado a decadência. Fundamenta sua pretensão em diversos precedentes, onde se verifica o reconhecimento da natureza tributária das contribuições previdenciárias, atraindo para as mesmas a aplicação da rega geral prevista no Art. 156, V do CTN. Por seu racional, tendo em conta ter sido a NFLD lavrada em 26 de novembro de 2006, teriam sido fulminadas pela decadência as obrigações tributárias com fatos geradores ocorridos entre agosto de 2000 e novembro de 2001. A decisão recorrida foi prolatada em 26/09/2007, momento em que a questão ainda estava por ser definida no âmbito dos tribunais superiores e no próprio CARF, razão pela qual caminhou no sentido de rejeitar a preliminar em debate, eis que a época o entendimento fiscal registrava prazo decadencial de 10 anos, nos termos previstos no então vigente Art. 45 da Lei 8.212/91. Em 2008, portanto após o julgamento que gerou o Acórdão atacado, o Supremo Tribunal Federal, de modo definitivo e vinculante, decidiu pela inconstitucionalidade do Art. 45 da Lei 8.212/91, emitindo a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: "SÚMULA VINCULANTE 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Isto posto, a nova conformação jurídica sobre decadência de contribuições previdenciárias, atrai obrigações com tal natureza a uma subsunção a regra geral de decadencial prevista no CTN, fixando o prazo para realização de um lançamento eficaz em 5 anos. O termo inicial de contagem do prazo, no que se refere as contribuições previdenciárias relacionadas ao presente processo, seria aquele disposto na Súmula CARF nº 99, vez que o relatório fiscal nada tratou em sentido contrário, não apontando ausência plena de recolhimentos mas apenas recolhimento insuficiente, com omissão de alguns fatos geradores que foram objeto do lançamento. "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Fl. 4690DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.683 17 Devemos registrar que o presente lançamento referese penalidades aplicadas em decorrência do descumprimento de obrigações acessórias relativas a prestação de informações adequadas em GFIP. O entendimento do Relator, alinhando a precedentes desta turma, é no sentido de que, em que pese a referida Súmula tratar apenas da obrigação principal, com o o reconhecimento da decadência da mesma, restaria prejudicada a aplicação de penalidade que toma por base a ausência o deficiência de informações relativas a tais obrigações. De outro lado, é necessário registrar a existência de entendimentos divergentes no sentido de tratase de autuação autônoma, passível de lançamento por mero descumprimento da obrigação de declarar, ainda que tributo algum seja apurado e que, por consequência, subsistiria ainda que as obrigações principais tidas por objeto de omissão declaratória sejam fulminadas pela decadência. Para os Conselheiros que se filiam a tal entendimento, o prazo decadencial aplicável a tais lançamentos seria aquele de que trata o art. 173, I do CTN. Isso posto, seja por adoção da tese de prejudicialidade do lançamento da infração ante a extinção da obrigação principal tida por omitida, ou tomando por base a divergência na qual seria a decadência das obrigações tidas por objeto de omissão não teriam influencia sobre a subsistência da multa, decadencial parcial ha de ser reconhecida. Independente do posicionamento do colegiado sobre o tema, parte do presente lançamento deve ser anulada eis que prejudicado pela decadência, a diferença que se estabelece estaria centrada no período a ser anulado. Para este relator, o lançamento das obrigações principais foi atingindo pela decadência, nos termos da Súmula vinculante nº 08 do STF, restando fulminadas as obrigações lançadas até novembro de 2001, e neste caso, pelos razões já indicadas, a parcela das infrações decorrentes da ausência de declaração de tais obrigações restaria anulada. Ainda que, quanto a tal entendimento venha a ser vencido, não há como negar que, nos termos do Art. 173, I do CTN, parcela dos lançamentos realizados a titulo de multa por descumprimento de obrigações acessórias restaria fulminada pela decadência. Nesta hipótese, apenas as autuações relativas a descumprimento de obrigações acessórias ocorridos até novembro de 2000 restariam decaídas. É como voto nesse ponto. 2.3. Da nulidade da Autuação. O Recorrente articulada pela nulidade da autuação, sustentando ter ocorrido arbitramento sem indicação de suas fundamentos fáticos ou legais bem como ausência de indicação de elementos essenciais a verificação de materialidade do fato tendo ocorrido o lançamento com base em meras presunções, em especial quanto ao efetivo pagamento de remuneração aos profissionais que estão no centro da contenda. Sobre o tema a decisão recorrida assim se posicionou: Fl. 4691DF CARF MF 18 "Não procede a alegação de que o presente lançamento foi efetuado mediante arbitramento em relação a maior parte dos funcionários, padecendo a notificação de vício insanável consubstanciado na ausência de fundamento legal para o arbitramento, pois o Relatório Fiscal, no item 14, remete ao Relatório de Fundamentos Legais do Débito — FLD (fls. 40/41), para informar os fundamentos legais que amparam a exigência das contribuições ora apuradas." Analisando os elementos contidos nos autos percebese relevância da investigação que desafia este colegiado, entretanto, apesar de oposta como questão preliminar, seu conhecimento desafia incursão ao mérito. Em pese o mérito avançar nas questões de licitude da própria operação de cessão de funcionários, também tangencia as questões de arbitramento e bases adequada para o lançamento. Por ser adepto a teoria de asserção, este relator acredita que estão presentes elementos suficientes para se proceder a uma investigação plena da demanda e a análise minuciosa dos elementos probatórios pertinentes, não havendo nulidade que possa ser declarada de plano sem que implique em prejuízo a outra parte ou mesmo prejuízo ao Recorrente em se analisar tais questões conjuntamente com o mérito. É nesta condição que emitiremos nosso voto quanto a alegada nulidade. 2.4. Da alegada incompetência das autoridades fiscais para desconsideração da pessoa jurídica. Neste ponto a Recorrente, de modo preliminar, sustenta a incompetência da autoridade fiscal para aplicação da desconsideração da personalidade jurídica das empresas que cederam os funcionários. Sobre esse tema, a decisão recorrida foi acertada. Em que pesa os termos contidos no Relatório Fiscal denotar ausência qualquer esmero técnico quanto ao uso dos termos aplicados neste ponto, inclusive realizando citações doutrinárias impertinentes, pelo contexto, não há como configurar desconsideração da personalidade jurídica no presente caso. Em realidade, tratase de hipótese de desconsideração de ato ou negócio jurídico simulado, realizado com abuso de forma ou com abuso de direito, nos termos previstos do Parágrafo Único do Art. 116 do CTN: "Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: [...] Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)" Por todo os exposto, considerando a argumentação do Recorrente neste ponto, a preliminar erigida não merece prosperar, eis que não é o caso de desconsideração da personalidade jurídica. 3. Mérito Fl. 4692DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.684 19 Nas questões de mérito o Recorrente se insurge contra a base de cálculo adotada, alega a inexistência relação jurídica com os funcionários cedidos no que se refere as notas fiscais desconsideradas, sustenta a impossibilidade de caracterização do tributo lançado em razão da falta de referibilidade das contribuições aos fins de que trata a lei e, subsidiariamente, a ilegalidade da aplicação de taxa Selic. 3.1. Da alegada antijuridicidade da aplicação de taxa Selic sob juros moratórios. Em que pese tratarse de argumento exposto de modo subsidiário aos demais, dado o fato de ser situação jurídica já pacificada, iniciaremos a análise meritória por este ponto. O CARF, em razão de precedentes repetitivos no mesmo sentido, pacificou entendimento quanto a aplicabilidade da taxa Selic sobre juros moratórios nos termos dispostos na Súmula nº 4: "Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais" Em razão disto, neste ponto, voto por negar provimento ao recurso. 3.2. Da base de incidência da Contribuição Previdenciária. Com efeito, o deslinde da questão, ante as argumentações do Recorrente, impõe uma análise dos elementos estruturais do lançamento, em confronto com a hipótese de incidência das Contribuições Previdenciárias ora resistidas. Os apontamentos recursais realizados, em preliminar e no mérito, levantam dúvidas razoáveis quanto à perfeita identificação entre o fato gerador, base de calculo e outros elementos adotados pela fiscalização e a estrutura matriz do tributo em voga. A hipótese de incidência da Contribuição Previdenciária em julgamento pode ser extraída das disposições dos arts. 195, inciso I, alínea a, e 114, §3º da CFRB/88, que autoriza a instituição de tributos destinados ao financiamento da seguridade social. Da leitura de tais dispositivos constitucionais as contribuições previdenciárias objeto da lide teriam com base imponível “a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Noutras palavras, o critério material contido na hipótese constitucionalmente autorizada para incidência das contribuições de natureza previdenciária em foco, pode ser descrito como “pagar ou creditar salário ou rendimento do trabalho à pessoa física que lhe preste serviço mesmo sem vinculo de emprego”, permitindo, assim, a identificação de um verbo (pagar ou creditar) e seu complemento (salário ou rendimento do trabalho à pessoa física que lhe preste serviço). Este é o cerne da hipótese ou antecedente do tributo em lide. É o núcleo central descritivo do fato apto a dar nascimento à obrigação tributária referente à contribuição previdenciária de que estamos a tratar, tendo tais termos constitucionalmente previstos seu reflexo na legislação de instituição do tributo, cujo fato gerador o Agente Fiscal reputou ocorrido. Fl. 4693DF CARF MF 20 O Relatório fiscal, em seu item 3, Fato Gerador, registra que: "O Fato Gerador do presente levantamento foi o pagamento efetuado aos sócios controladores [pessoas jurídicas] a título de compensação de funcionários cedidos, que de fato constituem remuneração paga, devida ou creditada a contribuintes individuais a seu serviço, nos termos do art. 12, V, f e g da Lei 8.212/91 e Art. 9º, V, f e j do RPS". Através de registros contábeis, notas fiscais e dos registros contidos no Relatório fiscal, é possível extrair dos autos que os pagamentos foram efetuados em beneficio de pessoas jurídicas por meio de compensação suportadas as operações por notas fiscais que foram objeto de desconsideração pelo Fisco, que reclassificou as operações de modo a enquadrálas como pagamentos pelo trabalho de contribuintes individuais atuando na administração e em outras funções junto a Recorrente. Veja os termos do Relatório: "Assim, as notas fiscais emitidas e contabilizadas como compensação dos funcionários cedidos, tratamse de fato dos valores pagos, devidos ou creditados a estes contribuintes individuais, que atuaram como DiretorPresidente, Diretor Industrial e diversas atividades em nível de Direção. Tratase de desconsideração das notas fiscais emitidas pelas Pessoas Jurídicas, sócios controladores da empresa objeto desta ação fiscal, e a caracterização destes valores como remuneração paga, devida ou creditada a contribuintes individuais." Sem ingressar na discussão quanto a possibilidade de efetivação da relação jurídica nos moldes intentados pela Recorrente e seus sócios, eis que o Recurso, quanto aos Administradores, não buscou desconstruir a tese fiscal quanto a impossibilidade de pessoas jurídicas atuarem na Administração de Sociedades Anônimas, mas simplesmente se limitou por hipótese investigativa, ao aceitarmos como válida a tese fiscal de que a relação em questão deve ser desconsiderada, para este Relator, é possível identificar fragilidades na constituição do lançamento guerreado. Ao tomar como base de cálculo para o lançamento a totalidade dos recursos objeto de compensação por funcionários cedidos, sem verificar ou diligenciar junto às pessoas jurídicas interpostas o quanto efetivamente foi pago, creditado ou era devido a essas pessoas físicas, o Agente Fiscal realizou o lançamento com base em presunções, o que é excepcional em nossos direito. O lançamento em questão, pelo simples fato de ter sido a operação original desconsiderada, toma por premissa a presunção de que a totalidade dos valores compensados foi transferida ao patrimônio das pessoas físicas tidas por contribuintes individuais, entretanto, este não é um racional válido. Conforme já articulado, a hipótese de incidência da contribuição previdenciária em lide consiste na ocorrência de pagamento ou crédito a pessoa física em razão do trabalho, se parte dos valores compensados não se prestava a tal fim, o presente lançamento tende a incidir sobre faturamento e não sobre remuneração em razão do trabalho. Os próprios documentos utilizados para dar azo a identificação e quantificação do tributo guerreado, por si só provam que as pessoas físicas tidas por contribuintes individuais não receberam a totalidade dos valores constantes nas notas fiscais Fl. 4694DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.685 21 desconsideradas, pois essas mesmas notas indicam que parte de tais valores são tributos como o ISSQN, IRFonte, Pis, Cofins e CSLL. A base de cálculo adotada pelo Agente Fiscal, conforme se pode extrair do Relatório e confirmar através dos documentos disponíveis nos autos, abarcou os valores brutos dos pagamentos realizados e desconsiderados, incluindo os valores destacados para pagamento de tributos administrados pela própria Receita Federal. Além dos tributos, o fiscal claramente considerou a totalidade do valores como efetivamente pagos ou creditados as pessoas físicas relacionadas, dispensando qualquer verificação junto as empresas que cederam tais funcionários, o que alarga a base de calculo para alem da incidência constitucional e legalmente estipulada. Ao transpor o véu que, segundo a tese fiscal, encobria uma simulação ou abuso de forma, situações aptas a permitir a desconsideração da operação como inicialmente formulada, as situações econômicas expostas a reclassificação segundo a verdade material que o Agente Fiscal pretendia expor não podem ser transmutadas em algo que não são. Mesmo que a tese fiscal de desconsideração das operações fosse aceita como válida, os valores tidos por rendimentos devidos, creditados ou pagos em razão do trabalho de pessoas físicas não empregadas seriam apenas aqueles que se acresceram ao patrimônio de tais pessoas, ainda que como crédito. A realidade exposta pela desconsideração não é apta a promover o alargamento da base de cálculo legalmente prevista de maneira a abarcar tributos e eventual faturamento acordado entre as pessoas jurídicas. Ainda que o negócio original não tenha produzido seus efeitos do modo pretendido, a verdade material não se altera e valores de tributo inclusos nesta operação não se transmutam em rendimento das pessoas físicas, tão pouco o faturado que, desde a origem, não se destinava a estes contribuintes individuais passa a possuir natureza de rendimento do trabalho. Aceitar que tributos, claramente identificados nas notas fiscais desconsideradas, possam ser incluídos na base de cálculo de outro tributo, administrado pelo mesmo ente tributário que realizou a atuação e situação jurídica contrária à ordem publica, eis que o ordenamento não possui normas destinadas a gerar o enriquecimento do Estado sem base legal. Outrossim, ainda que o Agente fiscal não pudesse verificar o quanto efetivamente era devido, foi creditado ou pago aos trabalhadores, o que não é o caso, ao menos os tributos da operação deveriam ter sido excluídos da base de calculo, o que não ocorreu, conforme já relatamos. Os elementos do auto de infração não estão circunstanciados de modo a fundamentar tese capaz de validar a inclusão dos valores brutos da forma com que se procedeu. O lançamento, para além da remuneração pelo dito trabalho de autônomos, incidiu sobre faturamento e tributos, fatos que não se inserem no núcleo material das contribuições previdenciárias. Fl. 4695DF CARF MF 22 As discussões, neste ponto, abarcam as questões preliminares quanto a nulidade do lançamento, porém, exploradas de modo mais amplo. De toda sorte, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso neste ponto. 3.2. Alegada inexistência de relação jurídica entre a Recorrente e os empregados cedidos, no que se refere às notas fiscais desconsideradas. Nesse ponto, a alegação consiste em demonstrar a impossibilidade de se estabelecer vinculo jurídico entre os funcionários cedidos e a Recorrente em razão das notas fiscais desconsideradas. Para esta avaliação é preciso ter atenção à existência de duas situações diversas. A primeira referese aos funcionários cedidos que foram eleitos como administradores não empregados da Recorrente e a segunda situação referese aqueles que o Agente fiscal convencionou denominar de "outros funcionários cedidos", portanto, não administradores. No primeiro caso, a fundamentação erigida pelo Agente fiscal tem por supedâneo a previsão do Art. 143 da Lei 6.404/76 e entendimentos doutrinários no sentido de que somente pessoas físicas podem ocupar a função de administrador e nessa condição a relação existente seria direta entre a Recorrente e estes administradores. "De acordo com o art.143 da Lei 6.404/76, "a diretoria será composta por 02 (dois) ou mais diretores, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo Conselho de Administração ou, se inexistente, pela Assembleia Geral,..." concluise que a sociedade não pode ser administrada por pessoa jurídica. Depreendese assim que os diretores são pessoas físicas, respondendo juridicamente pela empresa em seus nomes e não em nome das pessoas jurídicas que os indicam, conforme constatado em documentos apresentados pela empresa." Com suporte nessa tese, o Agente fiscal os considerou como contribuintes individuais e realizou o lançamento das contribuições previdenciárias, a base de 20%, incidentes sobre a remuneração devida, creditada ou paga em razão do trabalho. O Relatório circunstanciado registra que, durante todo o período as pessoas físicas referenciadas na contenda mantiveram vinculo empregatício com as pessoas jurídicas cedentes, Vale do Rio Doce e Billiton Metais S/A,. Parte das pessoas físicas relacionadas ao fato eram administradores, já outra parcela, aqueles cuja remuneração, segundo o relatório, não puderam ser individualizadas dando azo a arbitramento, ocupavam diversos cargos não claramente identificados, mas certamente, não cargos de administração. "Também foram identificados outros funcionários cedidos, conforme listagem em anexo, porém não foi claramente caracterizada a subordinação e a dependência econômica entre os mesmos e o contribuinte, um dos requisitos indispensáveis para o enquadramento deles como empregados da VALESUL ALUMÍNIO S.A." Quanto a descaracterização da relação entre as pessoas jurídicas cedentes, passando a considerálos administradores sem vinculo empregatício, é possível, ainda que não se concorde com a tese, identificar os fundamentos para tal posicionamento. Fl. 4696DF CARF MF Processo nº 11330.000854/200755 Acórdão n.º 2402006.249 S2C4T2 Fl. 4.686 23 Entretanto, para os "outros funcionários cedidos" não há fundamentação que sustente a desconsideração do negócio jurídico original. Simplesmente alegar que não foi "claramente caracterizada a subordinação e a dependência econômica entre os mesmos e o contribuinte" não é argumento suficiente para descaracterizar a operação. Caberia ao agente fiscal evidenciar, ainda que por amostragem, com que base chegou a essa conclusão. Realizou entrevistas? Analisou os atos profissionais praticados? Analisou o conjunto relacional? Como? Ao contrário, registrou no Relatório Fiscal e juntou provas no processo, de que tais pessoas físicas, "outros funcionários cedidos", mantiveram vínculo de emprego com as empresas cedentes. E ainda que houvesse comprovado a ausência de relação empregatícia entre esses outros funcionários cedidos e a Recorrente, diferente do fundamento dado para o estabelecimento de relação com os administradores não empregados, algo que decorre diretamente da lei, não há norma jurídica que imponha a esses "outros funcionários cedidos" a manutenção de vinculo empregatício com a Recorrente. Se de um lado a tese fiscal sustenta a impossibilidade de pessoas jurídicas se tornarem administradores, eis que a Lei das S.A. permite apenas que pessoas físicas atuem como tal, não há vedação para que funcionários de pessoas jurídicas, sob contrato de prestação de serviço, atuem no estabelecimento do contratante. Outrossim, a prestação de serviços no estabelecimento do contratante não exige a formação de vinculo empregatício com este, tão pouco representa serviço das pessoas físicas. Não sendo vedado ou estabelecida forma diversa em lei, considerando o fato de tais pessoas físicas serem empregados das empresas cedentes, não haver meios de evidenciar o vínculo empregatício com a Recorrente seria o caminho normal da terceirização. Nessa condição, o fato de haver vínculo empregatício claramente reconhecido com as empresas cedentes, não haver forma exigida ou vendada em lei que impossibilite considerar a operação com as empresas cedentes e a Recorrente regular, bem como a regularidade dos recolhimentos típicos do vinculo empregatício, nos termos alegados pela Recorrente e extraídos do próprio processo, somados a ausência de fundamentos e elementos probatórios aptos a sustentar aquilo que o Agente Fiscal alega ser motivador da desconsideração, nos levam a acolher os argumentos da Recorrente neste ponto. 3.3. Da impossibilidade de realizar o presente lançamento sem a identificação dos contribuintes e apropriação dos valores recolhidos conforma a finalidade do tributo. Parte do lançamento guerreado foi objeto de arbitramento sob o argumento de ser impossível identificar e quantificar a parcela de rendimento do trabalho a qual cada uma das pessoas físicas consideradas contribuintes individuais pelo Agente Fiscal. "Assim, esta auditoria fiscal classificouos como contribuintes individuais, e os valores creditados conjuntamente na conta de compensação de funcionários cedidos foram considerados como remunerações creditadas a estes, sendo lançados por arbitramento no levantamento CED, em razão da impossibilidade de individualização destas remunerações. Cabe ressaltar que Fl. 4697DF CARF MF 24 durante o mesmo período, estes segurados mantiveram vínculo empregatício com os sócios majoritários." A Recorrente alega que uma das características deste tipo de contribuição previdenciária e a necessária apropriação dos valores recolhidos com o fim de viabilizar a aposentadoria destes trabalhadores. Em razão do arbitramento realizado, não seria possível apropriar as contribuições de modo a garantir tal beneficio. O Recorrente busca descaracterizar o tributo em questão com base no princípio da referibilidade que se aplica as contribuições previdenciárias de beneficio. Entretanto, desde março de 2001, sobre o pagamento realizado a Contribuintes Individuais, as empresas estão obrigadas a proceder a retenção da Contribuição vinculada a benefícios de aposentadoria com alíquota de 11% e, como contribuintes, recolher Contribuição Previdenciária com alíquota de 20%, esta última destinada ao custeio geral da seguridade social. A referibilidade é característica apenas das contribuições destinadas e vinculadas ao custeio de benefícios individuais de aposentadoria, não se aplicando as contribuições destinadas ao custeio geral da seguridade social. Em razão do exposto, neste ponto, não merece prosperar os argumentos recursais. Conclusão Ante ao exposto voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e a decadência de parte das obrigações lançadas e, no mérito no darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 4698DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.722141/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados.
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS.
As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados.
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS.
As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo da COFINS.
Numero da decisão: 3301-004.756
Decisão:
Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo da COFINS.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11070.722141/2011-31
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893618
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.756
nome_arquivo_s : Decisao_11070722141201131.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11070722141201131_5893618.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7398512
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586898759680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 581 1 580 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.722141/201131 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.756 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente UNIMED MISSOES SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVICOS MEDICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 21 41 /2 01 1- 31 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 582 2 Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral, a qual advém de não associados. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandao Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira. Relatório Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 583 3 Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1040.542 2ª Turma da DRJ/POA (fls 534/548): Contra a cooperativa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de PIS cumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 281.808,18, referente a fatos geradores entre 30/11/2006 e 31/12/2010. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Constou base legal. Houve ciência em 24/11/2011; b) o segundo formalizou a exigência de COFINS cumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 1.298.496,76, referente a fatos geradores entre 30/11/2006 e 31/12/2010. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 24/11/2011. Foi produzido Termo de Constatação Fiscal de PIS e COFINS incidentes sobre o ato não cooperativo, onde ficou registrado (excertos): (...) são objetos de lançamento através do presente processo apenas os valores de PIS e COFINS apurados sobre as receitas relacionadas aos atos praticados pela cooperativa com terceiros, ou ato não cooperativos, chamados pelo contribuinte como atos cooperativos auxiliares. Os valores apurados a título de PIS sobre as receitas relacionadas aos atos cooperativos próprios do período de 11/2006 a 12/2010 foram lançados de ofício através do processo administrativo 11070.722140/201196, tendo em vista que atualmente o contribuinte discute judicialmente o direito à isenção do PIS (Ação ordinária n° 2001.71.00.015415 2/RS), depositando judicialmente os valores dessa contribuição apurados por ele. A cooperativa foi autuada em função de diferenças resultantes de falta de recolhimento de PIS e de COFINS sobre o faturamento, com fundamento: a) na exclusão indevida da base de cálculo da contribuição de determinados custos e despesas; b) na manutenção, na base de cálculo das contribuições, de valores recebidos pela cooperativa relativos à coparticipação dos usuários dos planos de saúde, registrados como Recuperação de Eventos Indenizáveis (grupo 4.1.2); c) na manutenção, na base de cálculo das contribuições, de valores percebidos pela cooperativa relativos à coparticipação dos usuários dos planos de saúde, registrados como Recuperação de Despesas com Eventos Indenizáveis (grupo 4.1.3); d) na reclassificação e rateio de contas do grupo 3.3 Outras receitas operacionais. Tais divergências foram discriminadas por ano; Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 584 4 e) na reclassificação de contas do grupo 3.1.3 Receita com Administração de Planos de Assistência; f) na glosa da conta de despesa 4.4.1.3.8.7.02 (indicada erroneamente 4.4.1.3.6). Em 21/12/2011 a contribuinte apresentou, através de procurador, arrazoados impugnatórios referentes ao PIS e à COFINS. Em relação ao PIS (atos cooperativos auxiliares período 30/11/2006 a 31/12/2010), referiu: Preliminar de nulidade • a autuação não é clara ao ponto de saber a cooperativa exatamente o motivo de sua lavratura. O relatório não foi preciso, restando prejudicada a defesa, eis que não sabe se a autuação pretende a tributação do ato principal, do auxiliar ou de ambos, bem como o motivo da tributação; • a Fiscalização afirmou que deduções de usuários próprios não podem ser realizadas com base na Lei nº 9.718, de 1998 (art. 3º, § 9º), dizendo que somente usuários de intercâmbio permitem tais abatimentos. No entanto, glosa essas deduções com a mesma censura que realizou para os beneficiários próprios; • não houve intimação para apresentação de defesa, conforme o inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972; • postula, em preliminar, pela nulidade da autuação, porquanto em muito ficou dificultada a sua defesa, com violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, consagrados constitucionalmente. Decadência • o mês de novembro de 2006 decaiu, na medida que se tratam de diferenças de contribuições, incidindo, por decorrência, o art. 150, § 4º, do CTN. Mérito • a autuação nega as deduções previstas na Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP nº 2.15835, de 2001. Deduções legais • pelo teor da documentação acostada na autuação, crê que o objeto da exigência fiscal decorre de ter a cooperativa excluído da base de cálculo do PIS, os eventos ocorridos e efetivamente pagos, na forma da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP nº 2.15835, de 2001; • a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001 (alterou a Lei nº 9.718, de 1998), a cooperativa, por ser uma operadora de planos de saúde, pode abater da base de cálculo os valores decorrentes dos pagamentos que realiza por conta da utilização dos planos de saúde pelos usuários. Incluemse aí os pagamentos Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 585 5 de médicos, hospitais, laboratórios, clínicas, etc, todos relacionados ao atendimento coberto pelo contrato de plano de saúde; • a Fiscalização entendeu que somente poderiam ser deduzidos da base de cálculo das contribuições os valores decorrentes de pagamentos a outros cooperados de outra operadora de planos. A postura adotada pelo Fisco contraria a letra da lei, eis que a norma não restringe a utilização do benefício; • a nomenclatura adotada pelo legislador tributário, no que tange às parcelas que podem ser abatidas da base de cálculo do PIS (e da COFINS) pelas operadoras de planos de assistência à saúde, partiu de definições utilizadas nos contratos de seguro. Entendese por coresponsabilidade cedida, expressão utilizada no inciso I, § 9, do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, o repasse total ou parcial do risco contratado e da mensalidade do contrato respectivo de uma operadora para outra. O inciso II da norma legal refere que a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas (ou reservas técnicas) podem ser deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS (Provisão de Risco, Provisão para eventos ocorridos e não avisados); • quanto ao inciso III, motivador da autuação, indenização é o pagamento das despesas decorrentes dos eventos ocorridos. Evento, por sua vez, é sinônimo de sinistro. Sinistro, na linguagem securitária, é a ocorrência do acontecimento previsto no contrato de seguro. Ou seja, evento é todo o procedimento relacionado à assistência à saúde adimplido pela Operadora de Planos de Saúde; • os pagamentos de despesas com prestadores credenciados, como hospitais, laboratórios, clínicas, bem como com médicos, enfim, todas as despesas com o atendimento cuja cobertura contratual esteja prevista, são eventos; • quando a norma tributária diz que pode ser abatido da base de cálculo do PIS o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, quer dizer, em consonância com o primeiro inciso, que o montante pago em decorrência da utilização do plano pelo usuário (cliente), poderá ser abatido da base de cálculo das referidas contribuições, deduzido do valor eventualmente recebido de outra operadora em decorrência da transferência de responsabilidade pelo atendimento deste beneficiário; • os valores deduzidos são, todos eles, decorrentes de pagamentos feitos pela cooperativa aos prestadores médicos sócios e credenciados, sempre em decorrência da utilização do plano pelo beneficiário; Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 586 6 • seja porque são atos cooperativos principais, seja porque são eventos, as deduções foram legítimas, sendo descabida a autuação. Tópicos da autuação • os três primeiros pontos da autuação não sobrevivem em razão da existência de lei que permite os abatimentos realizados. Se a cooperativa pode deduzir os eventos ocorridos, efetivamente pagos, ela abate destas deduções os ressarcimentos recebidos como sendo redutor destes eventos. Logo, tais valores são tributáveis, dado que diminuem a extensão dos eventos dedutíveis, na conta redutora que a ANS determina sejam alocados. Este procedimento faz com que tais valores sofram a tributação, já que limitam as deduções permitidas no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998; • quanto ao rateio da receita (item 4), ele é feito conforme os custos, seguindo os ditames do PN CST nº 73, de 1975. De acordo com os custos, segrega as receitas, oferecendo à tributação o que de fato está sujeito à incidência, como é o resultado do ato cooperativo auxiliar (abatidos os eventos art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998). O valor gasto com serviços próprios é considerado ato cooperativo principal, conforme PN CST nº 38, de 1980, que diz serem atos auxiliares os serviços contratados de terceiros, como hospitais e rede credenciada. Logo, o que integra a rede própria é ato cooperativo principal. Não há contratação de serviços de terceiros para a viabilização do objeto social da cooperativa. Os custos com serviços de auxilio ao diagnóstico e terapia (SADT) são eventos, dedutíveis da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998), sendo eles próprios ou não; • os atendimentos em regime de intercâmbio, por serem atos cooperativos, não são tributáveis e os valores pagos aos serviços credenciados são dedutíveis como eventos; • as taxas de administração cobradas são rateadas conforme o PN 73/75. São imputados os custos diretos e rateados entre os atos (cooperativo principal ou auxiliar), quando indiretos; • a taxa incidente no ato cooperativo visa o sustento da cooperativa, que é realizado pelo sócio, retornando, via sobra, ao final do exercício, aos cooperados, se nada mais houver para ratear de despesas decorrentes das atividades da cooperativa; • quanto ao item 5, dado que quem custeia a sociedade é o cooperado, aplicase o entendimento anterior. A taxa cobrada utiliza os critérios do Fisco para a divisão da receita; • no que tange ao item 6, não houve oferecimento dessas receitas à tributação porque são típicas de atos cooperativos, na medida em que relacionadas entre os sócios e as cooperativas associadas. Entende a Fiscalização que quando os valores são pagos aos serviços credenciados, as despesas são dedutíveis. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 587 7 Receitas não operacionais • pede sejam excluídas do lançamento eventuais receitas não operacionais, face a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, tal como declarado pelo STF nos recursos extraordinários n°s 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840 (sessão plenária de 09/11/2005). Diligência • entende que a Fiscalização deve esclarecer quais repasses não poderiam ser realizados e para quem, na medida em que, se os destinatários forem médicos sócios da cooperativa, ato cooperativo principal será (como também são eventos); se forem os prestadores de serviços credenciados (hospitais, laboratórios, clínicas), eventos serão. Conclusão • postula, em preliminar, pela nulidade da autuação, porquanto ausentes todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972; • requer, também, a procedência de sua defesa, para efeitos de que seja integralmente cancelado o auto de infração lavrado, em face dos argumentos expostos; • pede, em qualquer hipótese, o acolhimento da decadência, na forma postulada; • pede a realização de diligência para que seja cabalmente comprovado que as deduções realizadas foram feitas de acordo com as normas legais vigentes. Na impugnação referente à COFINS (atos cooperativos auxiliares – período 30/11/2006 a 31/12/2010), reprisa os argumentos apontados na impugnação ao PIS. A repartição preparadora atestou a tempestividade das peças de contestação. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 535): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 588 8 Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 LANÇAMENTOS. PRAZO DECADENCIAL. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. Observada eventual decisão contrária em processo judicial, a partir de novembro de 1999 a base cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES ESPECÍFICAS. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo da COFINS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 550/571), no qual a Recorrente corrobora as alegações constantes da Impugnação. É o relatório. Voto Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 589 9 Conselheira Liziane Angelotti Meira. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente invocou preliminar de nulidade por defeitos do lançamento de cunho material e formal. Contudo, da análise dos autos, é de se concluir, no mesmo sentido da decisão recorrida, que os fatos foram devidamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal pertinente. Além disso, a fiscalização elaborou um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos no Auto de Infração, demonstra a forma de apuração e cálculo das contribuições devidas, caracterizando todos os elementos do fato jurídico tributário. Dessa forma, não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. Outrossim, confirmase, tanto na Impugnação quanto no Recurso Voluntário, que a Recorrente demonstrou, mediante as razões ofertadas, a compreensão dos motivos das autuações, tentando rebater as infrações apontadas, não havendo de se cogitar de violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. No mérito, assevera a Recorrente que a decisão de piso está equivocada ao restringir as deduções da base de cálculo do PIS e da Cofins para os custos de rede própria ou conveniada de beneficiários de outras operadoras. Defende que (fl. 559): 43. Assim, quando a norma tributária diz poder ser abatido da base de cálculo do PIS e da Cofins "o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades", quer dizer que o montante pago em decorrência da utilização do plano pelo usuário (cliente), poderá ser abatido da base de cálculo das referidas contribuições, deduzido do valor eventualmente recebido de outra operador em decorrência da transferência de responsabilidade pelo atendimento deste beneficiário. O entendimento constante do Auto de Infração e da decisão recorrida está respaldado em jurisprudência do CARF, colacionamos excerto do voto vencedor no Acórdão no 3403003.470– 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, de 12 de dezembro de 2014, de Relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan Igualmente no que se refere ao inciso I do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, como destaca a DRJ, não há controvérsia de que a dedução tem cabimento no caso de que os usuários da cedente sejam atendidos por outra operadora, não sendo apresentado no recurso qual o eventual equívoco encontrado nos cálculos. (...) Em novembro de 2003 chegamos inclusive a elaborar representação gráfica simplificada das conclusões externadas, facilitando a visualização das situações tratadas nos incisos I e III Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 590 10 do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (Acórdão n. 3403 002.590): (...) Assim, mantemos o entendimento de longa data predominante nesta turma de que a dedução a que se refere o III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 abarca os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras e os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. Não há, assim, qualquer autorização para dedução de valores referentes a atendimento com a rede própria da recorrente. Sendo assim, comungamos do entendimento constante da decisão recorrida e a mantemos pelos fundamentos expostos. A Fiscalização, conforme consta do "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL DE PIS E COFINS INCIDENTE SOBRE O ATO NÃO COOPERATIVO", verificou minuciosamente as receitas da Recorrente, promovendo a reclassificação e o devido rateio daquelas que não considerou decorrentes de ato cooperativo. Destacamse algumas: 1. valores recebidos pelo contribuinte relativos à coparticipação dos usuários nos planos de saúde, registrados como Recuperação de Eventos Indenizáveis (cf. fl. 429/430); 2. valores recebidos pelo contribuinte relativos à coparticipação dos usuários nos planos de saúde, registrados como Recuperação de Despesa com Eventos Indenizáveis (cf. fl. 431); Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 591 11 3. Reclassificação e rateio de contas do grupo 3.3 Outras Receitas Operacionais têmse no Auto a indicação de receitas consideradas ato não cooperativo, por exemplo, as taxas de administração, cartão desconto (receita de comercialização de um cartão de acesso a serviços e consultas e alguns exames complementares de baixo custo); "atendimento em serviço próprio da Unimed (Pronto Atendimento e Urgência) para pacientes "particulares" não beneficiários de planos de saúde; "Receitas de Meios Próprios" (cf. fl. 431/442); 4. Reclassificação e rateio de contas do grupo 3.1.1 Receita com Adm. de Planos de Assistência segundo a Recorrente, tratase de uma taxa de inscrição, cobrada por beneficiário na firmatura de um contrato na modalidade custo operacional e que tal taxa é transferida aos vendedores; segundo o Fisco, não se trata de ato cooperativo (cf. fl. 442/443). A lista completa de receitas rateadas e reclassificadas consta "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL DE PIS E COFINS INCIDENTE SOBRE O ATO NÃO COOPERATIVO" (fls. 423/445). No Recurso Voluntário, a Recorrente defendeu que "todas as receitas que não sejam de prestação de serviço devem ser excluídas da base de cálculo dos tributos objetos deste contencioso admnistrativo"; que a "receita da prestação de serviço, numa cooperativa operadora de planos de saúde, corresponde ao preço que se cobra para administrar os planos de saúde"; e que "Não integram por corolário, os valores arrecadados e repassados aos prestadores de serviços credenciados ou mesmo cooperados" . Assim, "Só a taxa de administração, ou comissão, cobrada pela administração e intermediação realizada em face dos planos de saúde é que servem de base de cálculo" (grifos no original) Consignase na decisão recorrida que a "base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento das cooperativas, independentemente do fato de este advir de atos cooperativos ou não cooperativos, observadas as exclusões e deduções legais" e se indica como fulcro os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Na decisão de piso, entendese que está correta a tributação de todos os itens relacionados no Termo de Constatação Fiscal relativamente ao PIS e à Cofins. Ressaltase que não consta do Auto de Infração lançamento referente a receitas decorrentes do ato cooperativo próprio (ACP) e que as receitas advindas dos atos não cooperativos permanecem se submetendo à tributação regular. Colacionase o entendimento do STJ, no REsp 1.164.716, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de que a tributação de PIS e COFINS somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 592 12 para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. Único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Dessa forma, diante do trabalho da fiscalização de indicar, de modo específico e fundamentado, as receitas que não advém de atos cooperativos e, considerando que Recorrente não logrou afastar as conclusões do Auto de Infração corroboradas pela decisão recorrida, propõese não acatar o pleito da Recorrente nesta matéria e manter a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. A Recorrente pede ainda que em razão da Taxa SELIC, outros acréscimos como juros de mora e correção monetária sejam afastados. Cumpre consignar que se deve seguir, nos cálculos executórios, os encargos previstos na lei vigente. Por fim, solicita a Recorrente diligência para se esclarecer se os valores recebidos por atendimento a usuários de outras operadoras foram incluídos na base de cálculo. Tendo em conta que houve oportunidade para se trazer as provas aos autos e que o lançamento encontrase devidamente respaldado, denegase por precluso e desnecessário, o pedido de diligência. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida, nos termos do § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e do § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF), e voto por conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11070.722141/201131 Acórdão n.º 3301004.756 S3C3T1 Fl. 593 13 Fl. 593DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.900800/2008-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2004
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS À TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
DCOMP NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO DE NÃO QUITADO. EXIGÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. PRESCRIÇÃO LEGAL.
Sobre o débito não quitado, declarado em compensação não homologada, incidem os acréscimos moratórios prescritos em lei.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/11/2004
COMPENSAÇÃO - ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR.
A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução) e por não estar devidamente comprovado o erro
In casu, face a não apresentação de qualquer documento de prova, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, incabível a aplicação da Súmula CARF nº 84.
Numero da decisão: 1001-000.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2004 MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2 Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). DCOMP NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO DE NÃO QUITADO. EXIGÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. PRESCRIÇÃO LEGAL. Sobre o débito não quitado, declarado em compensação não homologada, incidem os acréscimos moratórios prescritos em lei. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO - ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução) e por não estar devidamente comprovado o erro In casu, face a não apresentação de qualquer documento de prova, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, incabível a aplicação da Súmula CARF nº 84.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13855.900800/2008-89
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892572
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.632
nome_arquivo_s : Decisao_13855900800200889.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 13855900800200889_5892572.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7393141
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586906099712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 125 1 124 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.900800/200889 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.632 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente DEMOCRATA CALÇADOS E ARTEFATOS DE COURO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2004 MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2 Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). DCOMP NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO DE NÃO QUITADO. EXIGÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. PRESCRIÇÃO LEGAL. Sobre o débito não quitado, declarado em compensação não homologada, incidem os acréscimos moratórios prescritos em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 08 00 /2 00 8- 89 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 126 2 Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução) e por não estar devidamente comprovado o erro In casu, face a não apresentação de qualquer documento de prova, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, incabível a aplicação da Súmula CARF nº 84. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. mediante o Acórdão nº 1430.898, de 20/09/2010 (efls. 97/102), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrever as partes mais importantes, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Tratase de processo eletrônico relativo à compensação não homologada pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC) da Receita Federal, conforme despacho decisório de fl. 20, referente à Declaração de Compensação (DCOMP) de n° Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 127 3 26200.99996.291204.1.3.046181 (fls. 21/25), transmitida em 29/12/2004, por meio da qual a contribuinte declarou a compensação de débito de estimativa de IRPJ (2362), vencido em 30/12/2004, no valor de R$ 7.277,93, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior da mesma exação, ocorrido em 30/11/2004. Segundo consignado no referido despacho, a compensação não foi homologada em razão da constatação de que o crédito informado referese a pagamento por estimativa, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado para dedução do tributo apurado no final do ano, para compor o saldo negativo. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade em face do referido despacho, conforme peça de fls. 01/18, por meio da qual aduz, em síntese, que: a) “em outubro de 2004, por equívoco a impugnante recolheu a título de IRPJ o valor de R$ 369.874,71, sendo que o valor correto seria de R$ 362.668,83”. A diferença do recolhimento, acrescida de juros de 1%, foi utilizada na compensação declarada não homologada; b) a exigência fiscal não pode prevalecer porque fundada em “lançamento equivocado de débitos pelo Requerente não ocorrência do fato gerador”; c) a vedação contida no art. 10 da IN SRF n° 600/2005 não encontra respaldo no disposto no art. 165, inc. I, do CTN, que “é claro, explícito, no sentido de que a compensação, como in casu, independe de qualquer notificação prévia ao sujeito ativo”. Neste sentido, referido dispositivo normativo fere o princípio constitucional da legalidade, ao qual a Administração Pública encontrase vinculada, nos termos do art. 5°, inc. Il e 37 da CF/88, e também do art. 2° da Lei n° 9.784/99; d) o antigo Conselho de Contribuintes já decidiu que “o valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte”, conforme consta em ementa de acórdão trazido à colação; e) “a exigência da TAXA SELIC sobre o débito exigido também não encontra respaldo jurídico”, porquanto “em descompasso com o art. 161 do CTN; Í) “a multa aplicada no presente caso ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5°, inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal”. Conclui a recorrente pleiteando o julgamento pela improcedência do “lançamento tributário”. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto condutor transcrevo a seguir: (grifos não constam do original) Tratase de julgar recurso interposto em face da nãohomologação de compensação declarada por meio de DCOMP eletrônica, transmitida em 29/12/2004. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 128 4 O fundamento normativo para a não homologação da compensação, tal como apontado no despacho recorrido, é a prescrição contida no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, que segue transcrito, in verbis: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Esta disposição normativa, registrese, já se encontrava prescrita no mesmo art. 10 da IN SRF n° 460, de 2004, vigente à época da transmissão da DCOMP não homologada. Portanto, em que pese os argumentos trazidos pela recorrente, é inconteste que seu procedimento não observou as normas aplicáveis à espécie. Isto porque, como se viu, o pagamento informado como origem do crédito na DCOMP reportase ao recolhimento de débito de estimativa relativa ao mês de outubro de 2004. Assim sendo, o alegado indébito, relativo a este recolhimento, só poderia ser aproveitado para integrar eventual saldo negativo ao final do período de apuração, momento em que se comprova o pagamento a maior que o devido passível de restituição. Com efeito, como se viu, o crédito informado na DCOMP aqui analisada foi utilizado para a quitação do débito da estimativa do IRPJ apurada em novembro, a qual integrou o saldo negativo apurado ao final do ano (fl. 32). Portanto, a recuperação do indébito há que ser procedida pela repetição do referido saldo e não, diretamente, do valor que teria sido pago indevidamente, relativo ao mês de outubro. De se consignar que o art. 74 da Lei n° 9.430/96, fundamento jurídico do direito pleiteado, só autoriza o direito à compensação de indébitos tributários passíveis de restituição, o que não se aplica às antecipações de estimativas. Vejase a letra do comando legal referenciado, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados' por aquele Órgão. E o § 14, deste mesmo artigo, autoriza a Receita Federal a editar normas que disciplinarão o procedimento da compensação. Isto foi feito mediante a edição das referidas INs 460/2004 e 600/2005, entre outras. Portanto, a vedação que motivou o indeferimento da compensação declarada pela contribuinte encontra respaldo na lei que rege a matéria. Quanto à mencionada decisão do antigo 1° Conselho de Contribuintes, que evidentemente não vincula o presente julgamento, o entendimento esposado na sua Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 129 5 ementa não se coaduna com a prescrição contida no art. 10 da IN SRF n° 93, de 1997, verbis: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: 1 suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso. é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores aquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; I1 reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2 ° Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, devera levantar novo balanço ou balancete. (..) Portanto, era este o procedimento que a contribuinte deveria ter adotado para aproveitar o imposto pago em relação a mês anterior (suspensão e redução do imposto, mediante balanço ou balancetes contábeis). E que o que se tem na espécie, segundo se observa na Ficha l l da DIPJ entregue pela contribuinte (fl. 3l), é que a contribuinte optou por apurar a estimativa do mês de novembro com base na receita bruta e acréscimos (assim como fez nos demais meses do ano). Devo pontuar, outrossim, que as disposições normativas editadas pela Receita Federal devem ser observadas pelos contribuintes, assim como pelas autoridades administrativas, que a ela se vinculam. Especificamente em relação ao julgamento administrativo, o art. 7° da Portaria MF n° 58, de 2006, comanda a vinculação deste julgador ao entendimento da Receita Federal disposto em atos normativos. Ademais, já se encontra pacificado na jurisprudência administrativa a incompetência desta instância para apreciar alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação positivada. Com efeito, a seara administrativa não é mesmo o locus adequado para a sua veiculação, porquanto a autoridade administrativa vinculase à legislação regente, não lhe competindo afastar a sua incidência ao caso concreto sob pretexto de alegado vício de inconstitucionalidade no processo legislativo originário. Os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar as normas cuja validade está sendo questionada quanto aos Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 130 6 supracitados aspectos, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172/66. De fato, as Turmas de Julgamento Colegiado (DRJ), órgãos do Poder Executivo, não têm competência apreciar a conformidade de lei vigente com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declarar lhe a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Desse modo, compete às Turmas Colegiadas de Julgamento, e aos seus julgadores, tãosomente o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Nesse sentido, o Parecer Normativo CST n° 329, de 1970, da antiga Coordenação do Sistema de Tributação, cita Ruy Barbosa Nogueira (Da interpretação e da aplicação das leis tributárias 1965 pg. 35), em menção a Tito Rezende: "É princípio assente, e com muito sólido fundamento lógico, o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma lei ou um decreto, porque lhes pareça inconstitucional. A presunção natural é que o Legislativo, ao estudar o projeto de lei, ou o Executivo, antes de baixar o decreto, tenham examinado a questão da constitucionalidade e chegado à conclusão de não haver choque com a Constituição: só o Poder Judiciário é que não está adstrito a essa presunção e pode examinar novamente aquela questão." Esta questão, inclusive, já está sumulada pela jurisprudência administrativa, não merecendo, assim, maiores digressões. Observese: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E o mesmo argumento vale para que também não sejam acatados os protestos contra a incidência dos juros e da multa moratória sobre o débito indevidamente compensados, porquanto fundada em legislação vigente (art. 61 da Lei n° 9.430/96), conforme comanda o art. 30 da IN SRF n° 460/2004 (mesmo dispositivo da IN SRF n° 600/2005), verbis: Art. 30. O tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Especificamente sobre a questão da exigência dos juros moratórios com base na variação da taxa Selic, tema objeto da maior parte das laudas do recurso, vejase o conteúdo da Súmula n° 4, do CARF: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários' administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 131 7 O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/11/2004 IRPJ. ESTIMATIVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar O valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/ 11/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2004 DCOMP NÃO HOMOLOGADA. DÉBITO DE NÃO QUITADO. EXIGÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. PRESCRIÇÃO LEGAL. Sobre o débito não quitado, declarado em compensação não homologada, incidem os acréscimos moratórios prescritos em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 29/03/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 92, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 20/04/2011 (efls. 93/95), conforme carimbo aposto na fls. 93. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 132 8 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente repete todos os argumentos apresentados em sede de primeira instância, a única alteração em relação à manifestação de inconformidade foi o primeiro parágrafo, quando agora se dirige ao CARF. Trata o presente processo de declaração de compensação, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ. O indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em primeiro lugar, mister registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. In casu, houve apresentação de nenhum documento de prova, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário. Considerando que não há nenhuma prova de que houve o alegado erro, ou seja, de que no recolhimento por estimativa de novembro/2004 houve um pagamento indevido ou a maior que o devido, levandose em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução), não há como aplicar a Súmula CARF nº 84. Quanto às demais alegações esposadas pela recorrente, entre eles, da ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação dos juros SELIC e do caráter excessivo e confiscatório da multa aplicada, esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 133 9 quando foram aplicadas as Súmulas CARF nº 2 e 4, fundamentos estes com os quais concordo e adoto como minhas razões de decidir, com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o disposto no §3º do art. 57 do RICARF. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Os fatos que conduziram o litígio até o presente julgamento já foram devidamente exposto no relatório do i. Relator, portanto, passo as minhas considerações de mérito. Conforme se extrai do despacho decisório (fls. 21) a compensação intentada não foi homologada sob o seguinte argumento: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao finai do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período." Nos mesmos trilhos seguiu a DRJ de origem, conforme consignou em seu voto: "(...) Segundo consignado no referido despacho, a compensação não foi homologada em razão da constatação de que o crédito informado referese a pagamento por estimativa, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado para dedução do tributo apurado no final do ano, para compor o saldo negativo. (...) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 134 10 O fundamento normativo para a não homologação da compensação, tal como apontado no despacho recorrido, é a prescrição contida no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, que segue transcrito, in verbis: Art. 10. A pessoa jurídica tríbutada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa juridica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao jinal do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Portanto, em que pese os argumentos trazidos pela recorrente, é inconteste que seu procedimento não observou as normas aplicáveis à espécie. Isto porque, como se viu, o pagamento informado como origem do crédito na DCOMP reportase ao recolhimento de débito de estimativa relativa ao mês de outubro de 2004. Assim sendo, o alegado indébito, relativo a este recolhimento, só poderia ser aproveitado para integrar eventual saldo negativo ao final do período de apuração, momento em que se comprova o pagamento a maior que o devido passível de restituição. Com efeito, como se viu, o crédito informado na DCOMP aqui analisada foi utilizado para a quitação do débito da estimativa do IRPJ apurada em novembro, a qual integrou o saldo negativo apurado ao final do ano (fl. 32). Portanto, a recuperação do indébito há que ser procedida pela repetição do referido saldo e não, diretamente, do valor que teria sido pago indevidamente, relativo ao mês de outubro. (...)" Notese que tanto a DRF de origem em seu despacho decisório, quanto a DRJ que exarou o acórdão alvejado pelo recurso em julgamento discutem apenas a possibilidade jurídica de compensação imediata dos valores pagos em montantes superiores que os devidos a título de estimativas. Em momento algum qualquer um desses órgãos questionam a efetiva ocorrência do pagamento a maior, ou dão qualquer indicação de que tal circunstância não estaria suficientemente demonstrada. Outrossim, caso houvesse dúvida quanto ao efetivo recolhimento a maior por parte do Contribuinte, bastaria a autoridade fiscal dizer em seu despacho decisório que não restou demonstrada a existência de crédito, sem precisar adentrar na questão jurídica da possibilidade ou não de compensação imediata. Destarte, como a Autoridade Fiscal fundamentou sua decisão pela não homologação entendendo que os valores pagos a maior deveriam compor saldo negativo ao fim do período de apuração, me parece evidente que não há dúvidas por parte do Fisco quanto a efetiva existência destes. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13855.900800/200889 Acórdão n.º 1001000.632 S1C0T1 Fl. 135 11 Desta forma, entendo que a matéria objeto do presente litígio posta sob a análise desta Turma de segunda instância se resume tão somente na possibilidade jurídica de se compensar imediatamente os valores pagos a maior a título de estimativas mensais. Nesta toada, a questão jurídica objeto do Recurso ora em análise foi magistralmente tratada pelo i. Relator em seu voto ao trazer que a questão já foi definitivamente solucionada por este CARF por meio da edição da Súmula nº 84, que autoriza a compensação pretendida pela Recorrente. Entendimento este ao qual adoto em termos semelhantes aos do Relator. Com essa conclusão, entendo que a aplicação da súmula supracitada esgota toda a matéria delimitada no presente Recurso, não devendo estes julgadores se debruçarem sobre novos questionamentos, não formulados em nenhuma outra fase prévia do processo, sob pena de inovação. Portanto, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de parte de suas conclusões e encaminhar o meu VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário oferecido pela parte. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000758/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.682
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18088.000758/2008-56
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894227
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-000.682
nome_arquivo_s : Decisao_18088000758200856.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 18088000758200856_5894227.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7402453
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586927071232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 4.541 1 4.540 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000758/200856 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.682 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 5 de julho de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente UNIÃO TAQUARITINGA SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 75 8/ 20 08 -5 6 Fl. 4541DF CARF MF Processo nº 18088.000758/200856 Resolução nº 2401000.682 S2C4T1 Fl. 4.542 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por meio do Acórdão nº 1437.918, de 31/05/2012, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 4.331/4.352): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2008 Debcad: 37.212.8017 DECADÊNCIA. Ocorrendo o recolhimento parcial de contribuição, o início da contagem do prazo qüinqüenal da decadência será definido pela ocorrência da homologação do crédito, de acordo com o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. ATO DECLARATÓRIO Nº 3/2011. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Deve ser excluído do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições incidentes sobre as parcelas de auxílio alimentação in natura fornecidas pela empresa aos seus empregados (Ato Declaratório PGFN nº 3/2011). TRANSFERÊNCIA IRREGULAR DE EMPREGADOS PARA REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. Caracterizada a situação de transferência de segurados empregados para interpostas empresas com a finalidade de irregular redução de contribuição previdenciária, os empregados deverão ser considerados como se fossem empregados da principal, prevalecendo a realidade dos fatos. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO. Empréstimos realizados entre empresa e sócios deverão ser contabilmente comprovados com a entrada do valor posteriormente devolvido, em caso contrário, presumese a ocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A discussão de ilegalidade de lei não é apropriada nesta esfera administrativa, por falta de competência. Fl. 4542DF CARF MF Processo nº 18088.000758/200856 Resolução nº 2401000.682 S2C4T1 Fl. 4.543 3 PERÍCIA. A realização de perícia será deferida desde que haja fatos com complexidade técnica que a justifique. Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do Relatório Fiscal que o processo administrativo é composto, na origem, do Auto de Infração (AI) nº 37.212.8017, abrangendo as competências de 12/2002 a 01/2008, referente à contribuição previdenciária a cargo dos segurados, cujo responsabilidade pelo recolhimento é da empresa (fls. 356/422). 3. Descreve o agente lançador que os fatos geradores correspondem às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados verificadas a partir de folhas de pagamentos, escrituração contábil e apuradas por aferição indireta, nos termos do § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, esta última hipótese em razão da apresentação deficiente da documentação. 3.1 O crédito tributário compreende o lançamento incidente sobre diversos pagamentos avaliados como de natureza remuneratória que deixaram de ser oferecidos à tributação. 3.2 Além disso, a fiscalização também procedeu à caracterização como segurados vinculados à pessoa jurídica autuada com respeito aos trabalhadores formalmente registrados em nome das empresas prestadoras de serviços Marina Tomoe Ogata Kodama ME, CNPJ 04.071.124/000110, Marcos Baldassa ME, CNPJ 03.659.088/000146, e José Roberto de Souza Monte Alto ME, CNPJ 03.658.542/000144, doravante denominados de MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO, respectivamente. 3.3 Tais empresas foram consideradas interpostas pessoas, optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal) e, a partir de julho/2007, pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), concluído a autoridade tributária que a prestação dos serviços, na verdade, ocorria para a autuada. 3.4 Para fins de constituição do crédito tributário, a autoridade fiscal distribuiu as bases de cálculo do lançamento em diferentes levantamentos, conforme a origem e natureza dos fatos geradores, representados por 32 (trinta e dois) códigos a seguir indicados: AB, AFM, AFN, JRA, JRN, JRQ, MAA, MAE, MAN, MBN, MBQ, UIE, UIN, C01, C04, C06, C08, C09, C10, C14 a C20, C22 a C25, C28, C30 e C32. 4. A ciência do lançamento deuse no dia 30/12/2008, com apresentação de impugnação em 29/01/2009 (fls. 02 e 425/472). 5. Previamente à decisão de primeira instância, os autos foram remetidos à fiscalização, em dois momentos, para manifestação sobre os elementos de prova juntados pela impugnante (fls. 4.226/4.237 e 4.303/4.304). Fl. 4543DF CARF MF Processo nº 18088.000758/200856 Resolução nº 2401000.682 S2C4T1 Fl. 4.544 4 5.1 O agente lançador pronunciouse sobre a documentação dos autos, concluindo pela necessidade de retificação parcial da exigência fiscal, em pontos específicos (fls. 4.250/4.259 e 4.306/4.307). 5.2 Nas duas oportunidades, ao manifestarse sobre as diligências fiscais, a empresa reiterou que, apesar da farta documentação apresentada pela impugnante, pouca coisa foi acolhida como prova de suas alegações de improcedência dos valores lançados pela fiscalização pela ausência de natureza salarial (fls. 4.262/4.276 e 4.310/4.328). 6. A empresa autuada foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/09/2012, com protocolo de recurso voluntário no dia 02/10/2012, em que aduz, em síntese, os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso e pretensão fiscal (fls. 4.353/4.354 e 4.356/4.418): (i) a decisão recorrida é nula, porquanto deixou de analisar e avaliar os argumentos mais relevantes de defesa e o respectivo suporte documental apresentado no processo administrativo; (ii) a fiscalização abrangeu outras pessoas jurídicas distintas do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), extrapolando a autorização contida no documento; (iii) o princípio da verdade material restou ignorado pela fiscalização e decisão de primeira instância, tendo em vista os documentos apresentados aptos a comprovar a inexistência de relação jurídica tributária da recorrente com respeito as contribuições lançadas; (iv) na hipótese de considerar irregular o planejamento tributário realizado pela recorrente, que se deu a partir da terceirização de determinados serviços complementares ligados à revenda de automóveis, caberia a apuração correta da base de cálculo das contribuições, assim como o aproveitamento dos recolhimentos efetuados pelas empresas em que registrados os trabalhadores; (v) o lançamento foi efetuado com base em presunções, na medida em que o agente fiscal utilizou para fins de base de cálculo valores referentes a registros contábeis de natureza diversa de salário ou remuneração pelo trabalho, a exemplo das transferências para as empresas contratadas, a título de ajuste comercial; (vi) há ilegitimidade passiva da recorrente para responder por créditos tributários pertencentes a outras empresas que lhe prestaram serviços, como se fossem seus estabelecimentos, quais sejam: MARINA, BALDASSA e JOSÉ ROBERTO; Fl. 4544DF CARF MF Processo nº 18088.000758/200856 Resolução nº 2401000.682 S2C4T1 Fl. 4.545 5 (vii) na hipótese de irregularidade fiscal nas empresas prestadoras de serviços, o procedimento adequado era a prévia exclusão do regime do Simples e o lançamento das respectivas contribuições em nome dessas pessoas jurídicas, e jamais imputar a responsabilização tributária da recorrente por dívidas de terceiros; (viii) a existência de lançamentos na contabilidade da recorrente com respeito a despesas destinadas a pagamentos de viagens, verbas salariais, folhas de pagamento e retenção de imposto de renda para segurados empregados registrados nas empresas prestadoras de serviços é explicada por um encontro de contas entre débitos e créditos, ao final de cada mês, para apuração dos valores finais, o que poderia ser elucidado e comprovado por intermédio de realização de perícia contábil, a qual, no entanto, foi indeferida pelo órgão julgador de primeira instância; (ix) ao ignorar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, a autoridade fiscal deixou de observar o parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que impõe condições para a desconsideração de atos e negócios; (x) há equívocos nas ocorrências e nos períodos trabalhados apurados pela autoridade fiscal relativamente às seguintes pessoas físicas: Ediva de Moura, Isabel Endres, Alan Patrick Lopes, Andrea Martins da Silva, Gustavo R. Gomes e Vanessa Keila Tozatto; (xi) o valor arbitrado de 10 (dez) salários mínimos na competência 01/2008 para o prólabore dos sócios Marcos Takeo Ogata e Marina Tomoe Ogata Kodama, devido à falta de apresentação de documentos, não está compatível com o patamar verdadeiramente auferido, que pode ser obtido a partir dos dados disponíveis no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil; (xii) o levantamento C01 diz respeito a incentivos pagos pelos bancos conveniados para a promoção de venda de financiamentos, oferecidos aos funcionários das empresas a título de gratificação pecuniária, a qual não se reveste de natureza salarial, pois são pagamentos oriundos de terceiras pessoas; (xiii) o levantamento C02 contém valores retirados de conta contábil relacionada a devoluções e pagamentos de empréstimos cedidos e efetuados em nome da empresa MARINA, sendo incorreto interpretálos como pagamentos a título de prólabore para a sócia Marina Tomoe Ogata Kodama; Fl. 4545DF CARF MF Processo nº 18088.000758/200856 Resolução nº 2401000.682 S2C4T1 Fl. 4.546 6 (xiv) o levantamento C03 contém valores relativos a operações de empréstimos com a pessoa jurídica Prisma Tintas de Jaboticabal Ltda, descabendo a interpretação que equivalem a pagamentos a título de prólabore para o sócio em comum Marcos Takeo Ogata; (xv) os levantamentos C05 e C06 contêm lançamentos equivocadamente atribuídos pela fiscalização como sendo pagamentos de prólabore e/ou remuneração a segurado empregado; (xvi) o levantamento C08 contém lançamentos referentes à venda de veículo e serviços ao sócio Kioschi Ogata, devidamente adimplido pelo comprador, razão pela qual não podem ser considerados prólabore; (xvii) os levantamentos C09, C10 e C17 dizem respeito a valores relacionados a operações de empréstimos à empresa autuada pelo funcionário Tsikassi Ogata, os quais, adimplidos a seu modo e tempo, não constituem remuneração pelo trabalho; (xviii) os levantamentos C14, C15, C16 e C17 são referentes a pagamentos de comissões aos segurados empregados das empresas prestadoras de serviços, lançados indevidamente em nome da recorrente, conforme razões antes mencionadas; (xix) os levantamentos C18, C19 e C20 contêm lançamentos de comissões pagas a terceiros e pagamentos a pessoas que não pertencem ao quadro funcional da empresa, não possuindo natureza salarial; (xx) o levantamento C26 diz respeito a empréstimos efetuados à empresa pelo sócio Marcos Takeo Ogata, de maneira que os valores não constituem pagamentos a título de prólabore; (xxi) o levantamento C27 contém valores retirados de conta contábil relacionada a devoluções e pagamentos de empréstimos cedidos e efetuados em nome da empresa JOSÉ ROBERTO, descabendo a interpretação que equivalem a pagamentos a título de remuneração do funcionário José Roberto de Souza; (xxii) os levantamentos C28, C29 e C30 equivalem a despesas operacionais da recorrente, contabilizados com histórico equivocado, em nada se equiparando à remuneração paga a segurados; Fl. 4546DF CARF MF Processo nº 18088.000758/200856 Resolução nº 2401000.682 S2C4T1 Fl. 4.547 7 (xxiii) os levantamentos C31, C32, C33, C34 e C35 dizem respeito a pagamentos efetuados pela recorrente às empresas prestadoras de serviços na oportunidade do acerto de contas; e (xxiv) os levantamentos C36 e C37 são referentes a operações de capitação de recursos com o propósito de financiar o capital de giro da recorrente, realizadas mediante levantamento de crédito junto a instituições financeiras através de desconto de títulos emitidos por funcionários, sócios ou prestadores de serviços, devidamente quitados na época própria. 7. Em segunda instância, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, por meio do Resolução nº 2401000.440, de 22/01/2015, com a finalidade de aguardar o resultado da diligência determinada no processo principal nº 18088.000757/200810 (fls. 4.436/4.447). 8. Oportunizado o contraditório, a recorrente expressou sua opinião sobre o resultado da diligência fiscal no processo principal (fls. 4.465/4.518). 8.1 Em seu ponto de vista, o agente fazendário esquivouse de cumprir a diligência fiscal, ao deixar de analisar integralmente a documentação, limitandose a relacionála, porém sem vinculála às acusações fiscais. Após reforçar o exame do conjunto probatório carreado aos autos, destacando os principais aspectos de fato e direito favoráveis a sua linha argumentativa, requereu a prevalência das provas produzidas pelo contribuinte que confirmam a inexistência de natureza remuneratória no tocante aos valores apurados pela autoridade fiscal no auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 9. Em cognição não exauriente, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. 10. Pois bem. A fim de evitar decisões despedidas de congruência em face do sujeito passivo, estão sendo julgados nesta sessão do colegiado os recursos voluntários relativos aos processos administrativos nº 18088.000757/200810, 18088.000758/200856, 18088.000759/200809, 18088.000764/200811 e 18088.000767/200847, formalizados no mesmo procedimentos fiscal, com base nos mesmos elementos de prova. Fl. 4547DF CARF MF Processo nº 18088.000758/200856 Resolução nº 2401000.682 S2C4T1 Fl. 4.548 8 11. O presente recurso diz respeito à exigência da contribuição previdenciária a cargo do segurado, vinculada com fatos geradores e bases de cálculo que estão sendo discutidos no processo principal nº 18088.000757/200810, o qual é referente ao AI nº 37.212.8009. 12. Nesta sessão o colegiado converteu em diligência novamente o processo nº 18088.000757/200810, nos termos da Resolução nº 2401000.681, o implica a prejudicialidade para o julgamento do presente feito, devendose esperar o resultado do processo principal. 13. Por tais motivos, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do presente processo, de forma a aguardar o resultado da diligência relativa ao processo principal nº 18088.000757/200810. 14. Após o cumprimento das etapas no processo principal, retornemse os autos para julgamento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 4548DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001622/2004-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que o termo lavrado pelo Fisco descreve com detalhes os procedimentos e critérios adotados e que os demonstrativos e cópias de livros contábeis e fiscais acostados aos autos permitem a clara identificação das diferenças objeto de lançamento, não se há de reconhecer qualquer cerceamento ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório. Em
consequência, nenhuma nulidade há no lançamento.
CRÉDITOS OUTORGADOS DE ICMS. FORMA ALTERNATIVA DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO.
Os assim chamados “créditos outorgados” de ICMS, com base em percentual sobre as saídas de produtos, são forma de aproveitamento de créditos daquele tributo alternativa e excludente à forma usual, com base nos valores efetivamente pagos na aquisição de insumos e mercadorias. Desta forma, não
se constituem em receitas passíveis de tributação pelo lucro presumido.
Numero da decisão: 1301-000.575
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a tributação incidente sobre os “créditos outorgados” de ICMS. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que o termo lavrado pelo Fisco descreve com detalhes os procedimentos e critérios adotados e que os demonstrativos e cópias de livros contábeis e fiscais acostados aos autos permitem a clara identificação das diferenças objeto de lançamento, não se há de reconhecer qualquer cerceamento ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório. Em consequência, nenhuma nulidade há no lançamento. CRÉDITOS OUTORGADOS DE ICMS. FORMA ALTERNATIVA DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. Os assim chamados “créditos outorgados” de ICMS, com base em percentual sobre as saídas de produtos, são forma de aproveitamento de créditos daquele tributo alternativa e excludente à forma usual, com base nos valores efetivamente pagos na aquisição de insumos e mercadorias. Desta forma, não se constituem em receitas passíveis de tributação pelo lucro presumido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13830.001622/2004-66
conteudo_id_s : 5884672
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.575
nome_arquivo_s : Decisao_13830001622200466.pdf
nome_relator_s : Waldir Veiga Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 13830001622200466_5884672.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a tributação incidente sobre os “créditos outorgados” de ICMS. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
dt_sessao_tdt : Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
id : 7370687
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586931265536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2079; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 420 1 419 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.001622/200466 Recurso nº 168.456 Voluntário Acórdão nº 130100.575 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria IRPJ Recorrente INDÚSTRIA DE ALIMENTAÇÃO MONJOLINHO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que o termo lavrado pelo Fisco descreve com detalhes os procedimentos e critérios adotados e que os demonstrativos e cópias de livros contábeis e fiscais acostados aos autos permitem a clara identificação das diferenças objeto de lançamento, não se há de reconhecer qualquer cerceamento ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório. Em consequência, nenhuma nulidade há no lançamento. CRÉDITOS OUTORGADOS DE ICMS. FORMA ALTERNATIVA DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. Os assim chamados “créditos outorgados” de ICMS, com base em percentual sobre as saídas de produtos, são forma de aproveitamento de créditos daquele tributo alternativa e excludente à forma usual, com base nos valores efetivamente pagos na aquisição de insumos e mercadorias. Desta forma, não se constituem em receitas passíveis de tributação pelo lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a tributação incidente sobre os “créditos outorgados” de ICMS. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13830.001622/200466 Acórdão n.º 130100.575 S1C3T1 Fl. 421 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório INDÚSTRIA DE ALIMENTAÇÃO MONJOLINHO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1419.947, de 07/08/2008, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, que transcrevo a seguir. Em procedimento de verificações obrigatórias na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram apuradas diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago, referente ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004. O termo de apuração fiscal de fls. 11/12 indica que, do confronto entre as Declarações de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) e os registros nos livros fiscais, se constatou que houve recolhimentos a menor de IRPJ, uma vez que a contribuinte teria deixado de incluir na base de cálculo desse tributo as outras receitas auferidas. O crédito tributário lançado totalizou R$ 308.413,75 (trezentos e oito mil e quatrocentos e treze reais e setenta e cinco centavos), conforme demonstrativo de fl. 3, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 4/10, para exigir o IRPJ nos seguintes termos: Imposto: R$ 157.165,13 Juros de mora: R$ 33.374,82 Multa proporcional: R$ 117.873,80 Enquadramento legal: Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –, arts. 518, 519, 521, 541 542 e 841; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 25. Notificada do lançamento em 29/10/2004, conforme auto de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 29/11/2004, com a impugnação de fls.245/254, alegando, em suma: Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13830.001622/200466 Acórdão n.º 130100.575 S1C3T1 Fl. 422 3 • Preliminarmente, cerceamento de defesa, pois a metodologia utilizada no lançamento não permite a identificação da operação que deu causa ao fato gerador; • No mérito, conforme se deduz do termo de apuração fiscal, a exigência do crédito tributário decorre da falta de inclusão ao lucro presumido de outras receitas que foram apuradas, conforme livro Razão de fls. 81 a 122; • Por dedução, inferese que a fiscalização tributou os valores relativos à conta “97114 – Recuperação ICMS Crédito Outorgado”, conforme consta do Razão analítico de fls. 94/95 e 106; • Em relação ao produto resultante da industrialização da mandioca, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo concedeu duas alternativas para o aproveitamento do crédito de ICMS das entradas: aquele destacado na nota fiscal de entrada ou o calculado com aplicação dos percentuais definidos sobre a saída dos produtos derivados da mandioca; • O ICMS, para fins contábeis, segue o mesmo tratamento dado ao IPI, não se incluindo na receita bruta; • A contrapartida do crédito do ICMS deveria ter como conta aquela representativa do estoque, e não a conta de resultado que foi utilizada pela impugnante; • Embora tecnicamente incorreto, o critério contábil adotado não alterou a apuração do resultado final, pois, se o crédito do ICMS foi contabilizado como receita, igual valor foi apropriado como custo do produto vendido; • A forma de escrituração não determina a realização do fato gerador; • Pretendeu modificar o critério de aproveitamento do crédito do ICMS, alterando o crédito normal destacado nas notas de entrada, já escrituradas, pelo crédito outorgado, previsto na legislação, requerendo a retificação das GIA do ICMS e, antes de qualquer deferimento, efetuou a contabilização dos valores pelo regime de competência, conforme lançamentos constantes nos documentos de fls. 94, 95 e 106; • Formulou consulta à Consultoria Tributária da Secretaria da Fazenda, e a solução foi dada conforme documentos de fls. 216/218, com o indeferimento do pedido; • Para regularização contábil, os lançamentos foram estornados após a ciência do indeferimento dos créditos, tornandose indispensável analisar a situação sob a ótica dos arts. 116 e 117 do Código Tributário Nacional (CTN); • O indeferimento do pedido desata o liame potencial da obrigação tributária, uma vez que a condição não se realizou, não havendo que se falar em ocorrência do fato gerador; • Por tal razão, devem ser excluídos da tributação os valores relativos ao crédito do ICMS outorgado, conforme demonstrativo; • Além da exigência fiscal sobre o valor dos créditos outorgados, foram relacionados pela fiscalização diversos outros itens para os quais não há Fl. 429DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13830.001622/200466 Acórdão n.º 130100.575 S1C3T1 Fl. 423 4 possibilidade de identificação, pois são genericamente tratados como “ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos de receitas não compreendidas na atividade social”; • Quando a apuração do resultado se faz com base no lucro presumido, presumese que ele é decorrente da apropriação de todas as receitas, inclusive aquelas diferentes à atividade operacional da empresa, bem assim todos os custos, despesas e encargos, em relação à receita bruta; • Tomando por exemplo os descontos obtidos no pagamento de uma duplicata relativa à aquisição de insumos, é certo que é um fator de diminuição do custo dos produtos vendidos, portanto essa variável já faz parte do lucro presumido, de forma que sua tributação não pode prevalecer; • Com relação aos ganhos de capital, os respectivos valores foram adicionados ao lucro presumido apurado, tendo recolhido o correspondente imposto. Requereu o reconhecimento da improcedência do lançamento. O processo foi encaminhado em diligência à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Marília, para que a fiscalização se manifestasse sobre a procedência dos esclarecimentos da contribuinte sobre os créditos outorgados de ICMS. Retornou com os documentos de fls. 277/380, acompanhados da informação fiscal de fls. 381/384. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1419.947, de 07/08/2008 (fls. 394/402), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO PRESUMIDO. GANHOS DE CAPITAL. OUTRAS RECEITAS. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas que não integram a receita bruta, serão acrescidos à base de cálculo do imposto apurada com base no lucro presumido. ICMS. CRÉDITO OUTORGADO. Devem ser considerados como outras receitas, a serem acrescidas à base de cálculo do IRPJ, apenas os valores correspondentes a crédito outorgado do ICMS efetivamente reconhecidos pela Secretaria da Fazenda. Assunto: Processo Administrativo Fiscal ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13830.001622/200466 Acórdão n.º 130100.575 S1C3T1 Fl. 424 5 Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Ciente da decisão de primeira instância em 25/09/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 409, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/10/2008 conforme carimbo de recepção à folha 410. No recurso interposto (fls. 410/417), a interessada alega preliminarmente que teria havido cerceamento ao seu direito de defesa, pois, a partir da análise dos documentos de fls. 81/112, citados no acórdão recorrido, não haveria a mínima possibilidade de chegar ao montante tributado a título de descontos obtidos, juros recebidos, ganhos de capital, bonificações recebidas, e variações monetárias ativas. Nem mesmo seria possível determinar o total do valor que constou do lançamento. No mérito, os argumentos da recorrente se dirigem exclusivamente contra o lançamento incidente sobre os créditos outorgados de ICMS. Segue apertada síntese. • O ICMS é tributo de caráter não cumulativo, incidente sobre as saídas dos produtos derivados de mandioca, fabricados e vendidos pela recorrente. A não cumulatividade implica que “o valor do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entradas relativas às aquisições de insumo dá direito a um crédito que será compensado com o que for devido nas operações de saída de seus produtos”. • Entretanto, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo concedeu, à opção do contribuinte, uma outra forma de aproveitamento do crédito do ICMS, relativamente à operação com produtos resultantes da industrialização da mandioca. A legislação pertinente seria o Decreto Estadual nº 45.490/2000, em vigor à época dos fatos aqui discutidos. Essa outra forma consistiria na aplicação de um percentual sobre o imposto devido na operação de saída, em substituição ao aproveitamento na forma usual dos créditos na entrada dos insumos. O crédito calculado segundo essa metodologia alternativa recebeu o nome de crédito outorgado. A recorrente ressalta que “não se trata de nenhum incentivo fiscal, mas uma opção de aproveitamento do crédito, cujas alternativas são excludentes entre si”. • Acrescenta que “desvirtuandose da boa técnica contábil, o crédito do ICMS foi contabilizado em conta de receita (97114 — Recuperação ICMS Crédito Outorgado) quando o correto seria o crédito na conta representativa do estoque. É verdade que tal lançamento não altera o resultado do exercício, mas induziu a fiscalização para o entendimento de que se tratava de uma receita tributável”. Tal fato, no entanto, não modificaria a natureza jurídica do crédito, nem propiciaria a ocorrência do fato gerador do IRPJ ou da CSLL. • A recorrente se reporta ao art. 521 do RIR/99 e ao Perguntas e Respostas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, edição 2006, questão 527, item 2. Sustenta que a relação que ali consta dos rendimentos que devem ser adicionados ao lucro presumido da atividade operacional seria taxativa, não exemplificativa, e entre esses rendimentos não haveria qualquer menção “a algo parecido como crédito outorgado de ICMS”. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13830.001622/200466 Acórdão n.º 130100.575 S1C3T1 Fl. 425 6 Não foram aduzidas razões de mérito acerca da tributação, mantida em primeira instância, incidente sobre as “outras receitas”, diversas dos créditos outorgados de ICMS. A recorrente conclui com o pedido de reconhecimento da improcedência do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A recorrente alega preliminarmente que teria havido cerceamento ao seu direito de defesa, pois, a partir da análise dos documentos citados no acórdão recorrido, não haveria a mínima possibilidade de chegar ao montante tributado a título de descontos obtidos, juros recebidos, ganhos de capital, bonificações recebidas, e variações monetárias ativas. Nem mesmo seria possível determinar o total do valor que constou do lançamento. Compulsando os autos, constato que o Termo de Apuração Fiscal (fls. 11/12), que acompanha o auto de infração, descreve em detalhe os procedimentos e critérios adotados pelo Fisco, inclusive as fontes a partir das quais foram obtidos os valores que levaram às diferenças objeto de lançamento. De especial interesse o trecho a seguir transcrito: 8. As diferenças apuradas (IRPJ) constam dos demonstrativos de fls. 124 a 126 e 228, sendo que os valores devidos (imposto mais adicional) foram calculados de acordo com as bases de cálculo (fls. 127 a 162 e 229 a 234) extraídas dos livros ficais do contribuinte: ANO CALENDÁRIO 2001: faturamento: conforme resumos do Livro de Registro de Saídas (fls. 44 a 55); devolução: conforme resumos de Livro de Registro de Entradas (fls. 56 a 67) demais receitas: conforme Livro Razão (fls. 81 a 87); ANOS CALENDÁRIO 2002 E 2003: faturamento e devolução: foram considerados os valores registrados nos demonstrativos do contribuinte de fls. 36 a 41, já que os mesmos conferem com os livros fiscais, com exceção do total das vendas de dezembro/2002 que, por apresentar divergência, consideramos os valor do Livro de Registro de Saídas (fls. 68); demais receitas: conforme Livro Razão (fls. 88 a 106); ANO CALENDÁRIO 2004: faturamento: conforme resumos do Livro de Registro de Saídas (fls. 69 a 74); devolução: conforme resumos do Livro de Registro de Entradas (fls. 75 a 80); demais receitas: conforme Livro Razão (fls. 107 a 112). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13830.001622/200466 Acórdão n.º 130100.575 S1C3T1 Fl. 426 7 Com o intuito de verificar se a descrição acima seria suficiente para chegar aos montantes do lançamento, reconstituí o valor lançado no primeiro trimestre do ano calendário 2003, conforme segue: a) O faturamento e respectivas devoluções de vendas constam do demonstrativo de fl. 39, fornecido pela própria fiscalizada e validado pelo Fisco com base nos livros fiscais. A receita bruta do trimestre é, então, R$1.549.474,98. Aplicandose sobre esse valor o percentual de 8%, chegase a R$123.958,00. b) As Outras Receitas, que devem ser adicionadas ao valor obtido em (a), acima, estão totalizadas por mês nos demonstrativos de fls. 151, 152 e 153. Esses totais mensais correspondem ao somatório dos valores registrados, em cada mês, no livro Razão, nas contas 97102 – Descontos Obtidos (fls. 97/98); 97104 – Juros Recebidos (fls. 98/105); 97109 – Amostra Grátis (fl. 105); e 97114 – Recuperação ICMS Crédito Outorgado (fl. 106). O total do trimestre é de R$ 71.692,93. A base de cálculo do imposto corresponde, então, a (R$ 123.958,00 + R$ 71.692,93 = ) R$ 195.650,93, valor idêntico ao do demonstrativo de fl. 126. c) O imposto devido (15%) mais o adicional (10% sobre a parcela que excede R$ 60.000,00) pode ser calculado como sendo R$ 42.912,73 (fl. 126). d) Considerando que foi declarado o montante de R$ 24.989,50, a diferença objeto de lançamento de ofício é de (R$ 42.912,73 – R$ 24.989,50 = ) R$ 17.923,23, mesmo valor que consta do auto de infração à fl. 05. O mesmo procedimento, repetido para os demais períodos de apuração objeto de lançamento, conduz às diferenças exigidas pelo Fisco. Não vislumbro, portanto, qualquer cerceamento ao direito da interessada à ampla defesa e ao contraditório, e rejeito essa preliminar. No mérito, os argumentos da recorrente se dirigem exclusivamente contra o lançamento incidente sobre os créditos outorgados de ICMS, escriturados entre julho/2002 e dezembro/2003. De se observar que, em primeira instância, parte dos valores objeto de lançamento já havia sido afastada, em face da constatação de que uma parcela dos valores escriturados a esse título foi indeferida pela Secretaria Estadual de Fazenda. A interessada ressalta que a natureza desses “créditos outorgados” não seria de benefício nem de incentivo fiscal, mas sim uma alternativa ao aproveitamento dos créditos a que faz jus na aquisição (entrada) de insumos e mercadorias. A adoção dessa forma alternativa excluiria o aproveitamento dos créditos pela via usual. A recorrente admite que se teria equivocado ao registrar os “créditos outorgados” em sua contabilidade. O correto seria fazêlo a crédito dos estoques, e não, como o fez, a crédito de conta de receita, o que teria induzido a fiscalização a acreditar que se tratava de receita tributável. Entretanto, sustenta que o resultado tributável se mantém inalterado. Compulsando os autos, especialmente a consulta formulada pela interessada à Secretaria Estadual de Fazenda e respectiva resposta (fls. 209/218), constato que assiste razão à interessada. De fato, o assim chamado “crédito outorgado” de ICMS, regulado pelo Decreto Estadual nº 45.490/2000 (que aprovou o Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo) é Fl. 433DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13830.001622/200466 Acórdão n.º 130100.575 S1C3T1 Fl. 427 8 uma forma alternativa de aproveitamento de créditos. Os seguintes excertos da resposta (fl. 217) são elucidativos (grifos não constam do original): a) o objetivo do legislador ao alterar o dispositivo foi vedar o aproveitamento de quaisquer créditos relacionados com os produtos originários da mandioca (matériaprima, insumos, serviços tomados, ativo imobilizado e material de uso e consumo), nos termos da LC 87/96. b) [...] c) [...] Assim, concluímos que tanto nas operações internas ou interestaduais tributadas com alíquota de 7% (sete por cento) o contribuinte poderá efetuar o crédito relacionado com os produtos originários da mandioca proporcionalmente ao volume dessas operações, ficando vedado nesse caso, a utilização de crédito outorgado. Nas operações tributadas com alíquotas de 12% (doze por cento), 17% (dezessete por cento) ou 18% (dezoito por cento), ao contribuinte que optar pelo crédito outorgado previsto no artigo 6º do Anexo III do RICMS/SP fica vedada a utilização de quaisquer outros créditos relacionados à essas operações. Concluo, então, que o “crédito outorgado” não é um benefício fiscal que possa ser compreendido como subvenção para investimentos (art. 443 do RIR/99) nem como subvenção corrente para custeio ou operação (art. 392 do RIR/99), de tal forma que não constitui, sob qualquer ângulo, uma superveniência que possa receber o tratamento de receita tributável pelo lucro presumido. Não é a forma de sua contabilização que determina a incidência tributária, antes é a natureza da rubrica que o faz. E sua natureza não é de receita. Poderseia argumentar que, ainda que as alternativas sejam mutuamente excludentes, seria tributável, em cada período, a parcela do “crédito outorgado” que excedesse o montante dos créditos a que o contribuinte faria jus pela via tradicional de aproveitamento, caso não houvesse optado pela via alternativa. Sob tal ótica, esse excesso constituiria, de fato, um benefício concedido pelo Poder Público, verdadeira subvenção, alcançada pela incidência tributária. No entanto, esse argumento não poderia subsistir. A uma, porque não encontro nos autos prova de que tal excesso tenha de fato ocorrido, muito embora se possa supor que sim, visto que o contribuinte há de ter auferido algum benefício ao exercer a opção. A duas, porque o cálculo do suposto excesso demandaria o refazimento de toda a escrita fiscal do ICMS do contribuinte pela via tradicional de aproveitamento de créditos, para o que não encontro elementos nos autos nem considero cabível nesta fase processual, desde que o lançamento foi feito de forma diversa. Concluo, assim, que deve ser afastada a tributação incidente sobre os valores escriturados a crédito da conta 97114 – Recuperação ICMS Crédito Outorgado – que ainda haviam remanescido após a decisão de primeira instância (vide quadro à fl. 399). Finalmente, lembro que não foram aduzidas razões de mérito acerca da tributação, mantida em primeira instância, incidente sobre as “outras receitas”, diversas dos créditos outorgados de ICMS, pelo que estes valores devem ser mantidos. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito pelo provimento do recurso voluntário, para afastar a tributação incidente sobre os “créditos outorgados” de ICMS. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13830.001622/200466 Acórdão n.º 130100.575 S1C3T1 Fl. 428 9 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 435DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000799/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Caracterizam-se como omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO
Cabível a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício de acordo com as normas que dispõe sobre atualização monetária do crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário quanto ao seu mérito. No tocante à incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício foi negado provimento ao recurso voluntário por maioria de votos. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vice-presidente), Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam-se como omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Cabível a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício de acordo com as normas que dispõe sobre atualização monetária do crédito tributário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16024.000799/2008-61
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878664
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.325
nome_arquivo_s : Decisao_16024000799200861.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
nome_arquivo_pdf_s : 16024000799200861_5878664.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário quanto ao seu mérito. No tocante à incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício foi negado provimento ao recurso voluntário por maioria de votos. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vice-presidente), Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7360075
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586941751296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 411 1 410 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16024.000799/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.325 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente GIROLIMP COMÉRCIO DE ARMARINHOS. DESCARTÁVEIS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizamse como omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Cabível a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício de acordo com as normas que dispõe sobre atualização monetária do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário quanto ao seu mérito. No tocante à incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício foi negado provimento ao recurso voluntário por maioria de votos. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 07 99 /2 00 8- 61 Fl. 411DF CARF MF 2 Letícia Domingues Costa Braga Relator. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vicepresidente), Letícia Domingues Costa Braga, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe os impostos e contribuições integrantes do SIMPLES, ou seja, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 57.342,56 (fl. 180), Contribuição para o PIS de R$ 57.342,56 (fl. 186), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) de R$ 89.736,28 (fl.192), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 179.472,53 (fl. 198) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) de R$ 378.754,24 (fl. 206), acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 1.736.583,07 (fl. 01), em virtude de omissão de receita caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O procedimento fiscal iniciouse em 19/09/2007 com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização de fl. 06, por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar, relativamente ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, o livro Caixa, livro Diário ou Razão no caso de possuílos, relação de todas as contas mantidas em instituições financeiras e os respectivos extratos. Em 27/11/2007 a contribuinte foi cientificada do Termo de Constatação e Reintimação de fls. 93/95 no qual a autoridade fiscal informou que em virtude de ter transcorridos mais de 50 (cinqüenta) dias sem a contribuinte apresentar os documentos solicitados, exceto cópia de alterações contratuais, foram requisitadas ao Banco Itaú S/A informações bancárias relativas ao período de 2004 a 2005, e reintimou a empresa a apresentar uma relação de todas as contas bancárias, bem assim os livros Razão e Diário relativos ao período de 01/01/2004 a 31/12/2005 e, no caso de não possuílos, apresentar o livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. Em 19/12/2007 a empresa apresentou a carta de fls. 97/98 informando que estaria apresentando os extratos bancários e o livro Caixa do período solicitado. Em 16/01/2008 a contribuinte foi cientificada do Termo de Constatação de fls. 99/102 no qual a autoridade fiscal informou, em síntese, que, além da conta bancária informada (conta corrente 727660, agência 0041 do Banco Itaú), foi constatada a existência de uma outra conta, a de n° 725763 no mesmo banco e agência; e que os extratos bancários entregues pela fiscalizada referemse somente à conta corrente no 727660 do período de junho/2004 a dezembro/2005, sendo impossível a leitura de algumas cópias dos extratos. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16024.000799/200861 Acórdão n.º 1401002.325 S1C4T1 Fl. 412 3 Em 26/03/2008 a empresa foi intimada a indicar as contas correntes bancárias e a fornecer cópia dos extratos bancários do Banco Itaú uma vez constatada a existência de duas contas correntes na mesma agência. Em 28/05/2008 a fiscalização elaborou as planilhas de fls. 106/131 relacionando os depósitos/créditos efetuados nas contas correntes de n's 727660 e 725763 mantidas na agencia 0041 do Banco Itaú e intimou (fl. 103) a empresa apresentar os documentos que comprovassem os créditos e depósitos nas referidas contas. Em 25/06/2008 foi reiterada a intimação (fl. 122). Em 29/08/2008 a fiscalização cientificou a empresa da continuidade da ação fiscal (fl. 161) e intimoua a apresentar o livro Diário e Razão do anocalendário de 2004, assim como os demais livros fiscais e comerciais, inclusive o livro de Inventário e o livro de Apuração do Lucro Real, e colocar à disposição os documentos que lastrearam os registros contábeis do ano de 2004. Não consta ter havido atendimento à intimação. Em razão da contribuinte não ter comprovado ou mesmo justificado a origem dos recursos depositas/creditados em suas contas bancárias, a fiscalização, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, entre outros, tributou como omissão de receita os depósitos/créditos bancários relacionados na planilha denominada " Relação de Depósitos e Créditos não Comprovados" de fls. 137/159, consolidados mensalmente e por trimestres à fl. 163, informando que teria excluído da totalidade dos depósitos aqueles que tiveram origem em transferências bancárias de conta de mesma titularidade, estornos, e ainda excluise a receita informada na Declaração Simplificada para fins de apuração da receita omitida, conforme demonstrativo de fl. 166. Cientificada dos autos de infração em 28/10/2008, a empresa, inconformada, ingressou em 25/11/2008 por intermédio de seu procurador legalmente constituído (fl. 212), Dr. Jacy Antônio da Silva, com a impugnação de fls. 217/233 aduzindo como razões de defesa o seguinte: 1. Nulidade. Cerceamento do direito de defesa. Alegou que no Relatório Fiscal não traz qualquer referência a exigência relativa a "insuficiência de recolhimento", nem consta qualquer demonstrativo para justificar os valores apontados pelo Fisco, evidenciado, assim, cerceamento do direito de defesa, o que implica em nulidade dos autos de infração. 2. Arbitramento com base em depósitos bancários: Inaplicável a presunção do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, para empresa optante pelo SIMPLES. Reportandose ao art. 18 da Lei n° 9.317, de 1996, a impugnante alegou que o legislador estendeu para as empresas do SIMPLES somente as "presunções de omissão de receita existentes nas legislações", ou seja, só aquelas que estavam em vigor na data em que foi publicada a Lei n° 9.317, de 1996; e, ainda assim, as presunções legais à época só poderiam ser aplicadas para as empresas do SIMPLES, desde que a efetiva apuração da receita fosse efetuada "com base nos livros e documentos que estiverem obrigadas" as empresas do SIMPLES, exigências essas que não foram observadas quando dos lançamentos, pois o art. 42 da Lei n° 9.460, de 1996, foi criado posteriormente ao art. 18 da Lei n° 9.317, de 1996, e a apuração feita pelo fisco se deu exclusivamente com base em extratos bancários, razão pela qual deveria ser decretada a imprestabilidade dos autos de infração. Fl. 413DF CARF MF 4 Alegou que houve desrespeito a proibição de que trata o § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, pois está comprovado nos autos que a fiscalização foi motivada por informe da movimentação financeira colhida da CPMF, ao arrepio do citado § 3°. 3. Iliquidez dos lançamentos tributários. Alegou que a relação de depósitos/créditos bancários relacionados pela fiscalização contém valores que, pelo próprio histórico colhido dos extratos, deveriam ser excluídos da relação, independentemente de qualquer outra comprovação. Acrescentou que no "Relatório Fiscal" há aceno de que foram expurgadas operações dessa natureza, mas que, no entanto, isso não condiz com a realidade dos fatos, tampouco foi demonstrada qualquer exclusão pelo AuditorFiscal e não há qualquer indicativo de quais valores foram eventualmente excluídos pela fiscalização. Procurando demonstrar a incerteza dos valores lançados, a impugnante relacionou alguns valores de depósitos/créditos que constaram da planilha elaborada pela fiscalização, os quais, segundo ela, foram computados indevidamente como receita, pois tratam de cheques estornados ou devolvidos. Segundo a impugnante, a relação de depósitos sem ordem cronológica dificultou sobremaneira a correlação entre os valores apontados pelo Fisco e aqueles existentes nos extratos, o que conspira contra a certeza e liquidez das apurações efetuadas pela fiscalização. 4. Presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários. Alegou que entre os depósitos bancários e a omissão de receita não há correlação lógica direta e segura, pois nem sempre o volume de depósitos injustificados leva ao valor da receita omitida, fato que levou a edição da Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e do Decretolei n° 2.471, de 1988, que determinou o arquivamento de todos os processos administrativos que exigiam imposto de renda com base exclusivamente em depósitos bancários. Também nesse sentido, acrescentou a contribuinte, o Conselho de Contribuinte tem decido pela não aplicabilidade da simples presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 5. Extratos bancários protegidos pelo sigilo. Alegou que o acesso as informações bancárias sempre esteve e ainda está condicionado à autorização do Poder Judiciário e tendo o Fisco ignorado regra notória, aproveitandose das informações contidas nos extratos bancários para lavrar auto de infração, deveria ser decretada a nulidade do procedimento fiscal. 6. Procedimentos Reflexos. Alegou que as objeções trazidas na impugnação relativamente ao IRPJ devem, por pertinentes, ser consideradas igualmente como oponíveis aos autos de infração lavrados por via reflexa. 7. Selic sobre a multa de oficio. Impossibilidade. Alegou, em síntese, que não incidem juros de mora sobre a multa de mora, não devem incidir os mesmos juros de mora sobre a multa de oficio, por absoluta ausência de previsão legal. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16024.000799/200861 Acórdão n.º 1401002.325 S1C4T1 Fl. 413 5 Diante da constatação de possíveis equívocos, por parte da Autoridade Fiscal, ao computar alguns valores de depósitos em duplicidade, os autos retornaram a origem, por meio do Despacho de fls. 248/249, a fim de que fosse revisto o lançamento, com a reabertura do prazo para a contribuinte, querendo, se manifestar. Atendendo a solicitação, a Autoridade Fiscal procedeu a uma "Nova Relação de Depósitos e Créditos não Comprovados" (fls. 253/284) excluindo da Relação anterior os valores que haviam sido computados em duplicidade. Reaberto o prazo para manifestação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 286/308, na qual reiterou as alegações apresentadas na impugnação inicial e acrescentou que a autoridade fiscal não procedeu a revisão de oficio solicitada no Despacho de fls. 248/249, proferido pelo Presidente da 5ª Turma de Julgamento desta Delegacia, uma vez que se limitou a excluir da base de cálculo alguns valores computados em duplicidade, sem apurar o quantum supostamente devido, contrariando, assim, o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, além de cercear o seu direito de defesa, uma vez que não foi intimada ao menos dos valores exatos das exigências fiscais pretendidas. Alegou que o lançamento anterior foi reconhecido como imprestável e como a nova tentativa de aprimorálo ocorreu em 15/12/2009, revisão esta ainda não finalizada, teria ocorrido decadência em relação as exigências do período de junho a 15 de dezembro de 2004, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Manejado o recurso voluntário, foram repisados praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Em síntese, este é o relatório. Voto Vencido Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos da legislação, dele devendose conhecer. 01) Cerceamento de defesa Quanto ao alegado cerceamento de defesa, por não ter sido demonstrado qual seria o crédito tributário, feito o lançamento de forma adequada, não procedem as alegações da contribuinte. Foi oportunizado à Recorrente, por diversas vezes se manifestar sobre a inconsistência os depósitos em sua conta corrente.Esses depósitos, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou rendimentos. Fl. 415DF CARF MF 6 Quando foram identificados alguns equívocos por parte da fiscalização, retornaram os autos a origem para que se fosse realizada a verificação de alguns valores em duplicidade. A Autoridade Fiscal procedeu uma "Nova Relação de Depósitos e Créditos", tendo sido oportunizado à Contribuinte se manifestar sobre a origem dos depósitos e créditos. Contudo, não houve qualquer manifestação da parte autuada sobre a comprovação da origem dos valores. 02) Da decadência. Com relação à decadência também não assiste razão a contribuinte, pois a data do fato gerador mais antigo é 30/06/2004 e aplicandose a regra do art. 150, § 4 do CTN, temse que o prazo decadencial iniciouse em 30/06/2004 encerrandose em 30/06/2009. Como a ciência dos autos de infração ocorreu em 28/10/2008, não há que se falar em decadência. Não há que se falar também em novo prazo decadencial em face de novo lançamento, pois este não houve e nem deveria haver, pois apenas foi reduzida a base de cálculo, mantendose os critérios e a fundamentação legal da Autuação. 03) Do arbitramento e da presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 Aduz a recorrente que depósitos bancários não configuram renda, trazendo jurisprudência nesse sentido, invocando também a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Muito embora o arrazoado expendido pela autuada, cabe salientar que os depósitos/créditos em conta corrente, sem a comprovação da origem, de fato, fazem presumir a existência da omissão de receitas/rendimentos. Tal presunção é legal, não havendo como se acatar qualquer alegação no sentido de que é inviável o lançamento de tributos com base apenas em depósitos bancários ou que o fisco não comprovou a ocorrência do fato gerador. A argumentação de que os depósitos bancários não podem servir de base para o lançamento do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como da contribuição para o INSS, carece de sustentação, já que o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei n. 9.430/1996. Dispõe o referido texto legal, com alteração posterior introduzida pelo art. 4° da Lei n. 9.481/1997, que: Lei n. 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16024.000799/200861 Acórdão n.º 1401002.325 S1C4T1 Fl. 414 7 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a RS 12.000, 00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário,não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Art. 42, § 3°, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c art: 4° da Lei n° 9.481, de 13/08/1997). O dispositivo acima transcrito estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas/rendimentos que autoriza o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não há aqui meros indícios de omissão, razão por que não há a necessidade de se comprovar que aos depósitos correspondem alterações patrimoniais positivas do contribuinte. Basta, para a ocorrência do fato gerador, a existência de depósitos de origem não comprovada nos limites previstos em lei. A presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Ao utilizarse de uma presunção legalmente estabelecida, o agente fiscal fica dispensado de provar, no caso concreto, a omissão de receitas, admitindose prova em contrário, cuja produção cabe sempre ao contribuinte (presunção juris tantum). Conforme nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira "o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." (Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTEC, RJ, 1979, pág. 806). Dessa forma, cabe ao contribuinte que pretender refutar a presunção da omissão de receitas estabelecida contra ele, provar, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores são provenientes de valores não tributáveis. É função do fisco comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, intimar o contribuinte a justificar a origem desse crédito e examinar a correspondente declaração de informações econômicofiscais, com vistas à verificação da ocorrência da omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n. 9.430/1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Fl. 417DF CARF MF 8 A contribuinte foi regularmente intimada a apresentar as justificativas quanto aos depósitos/créditos, devidamente individualizados, entretanto não logrando fazêlo. Assim, em cumprimento ao determinado no art. 142 do Código Tributário Nacional, procedeuse corretamente à lavratura do auto de infração. No que tange à Súmula n. 182 do extinto TFR, temse que ela foi editada antes da vigência da legislação atual, que permite a presunção de omissão de receitas, conforme acima explicitado, não sendo pois aplicável. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, Súmula nº 26, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Com relação ao art. 18 da Lei nº 9.317/96, tal dispositivo não é incompatível com a Lei 9.430/96. Naquele dispositivo, permitese a aplicação das presunções de omissão de receitas às empresas de pequeno porte, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Ele trata apenas da não penalização das pessoas sujeitas ao regime do simples, por não apresentarem escriturações às quais não estão obrigadas. Outrossim, meu ver, tal artigo reforça a aplicação da Lei 9.430/96 às pequenas empresas pois diz expressamente que a elas se aplicam TODAS as presunções de omissão de receitas. 3) Dos Extratos e o sigilo fiscal Com relação a essa alegação da recorrente de que a todos é garantido o sigilo fiscal, não cabem quaisquer argumentações, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão definitiva quanto a constitucionalidade do artigo 6° da Lei Complementar 105/2001, que permite à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial 4) Da incidência da selic sobre a multa de ofício Com relação à incidência dos juros selic sobre a multa de ofício assiste razão à Contribuinte, pois carece a autoridade fazendária de legislação que suporte essa exigência nos seguintes termos: A Lei nº 9.430/96 prevê expressamente no art. 61 que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 418DF CARF MF Processo nº 16024.000799/200861 Acórdão n.º 1401002.325 S1C4T1 Fl. 415 9 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) ” Vêse claro que somente os débitos de tributos e contribuições – valor principal se sujeitam aos juros de mora, e não os decorrentes de multa de mora. Assim, não incidindo os juros de mora sobre a multa de mora, tornase claro que também não cabe impor tais juros sobre a multa de ofício. Ademais, importante trazer que não há como se entender que o débito tributário seja composto por juros de mora e outras penalidades tributárias, vez que a legislação vigente, em respeito à natureza jurídica de cada evento, demonstra a segregação de cada débito, quer seja, de débito tributário, débito decorrente de encargos moratórios e débito relativo à penalidade administrativa. Essa distinção é demonstrada expressamente no artigo 161, caput, do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. ” Tal dispositivo dispõe que o crédito tributário deve ser acrescido dos juros de mora e das penalidades cabíveis – segregando o crédito tributário dos juros de mora e das penalidades cabíveis. Concluise que somente são devidos os juros Selic sobre os tributos no período da inadimplência, não abrangendo eventuais multas de ofício cobradas no mesmo Se assim o fosse, não estaria a Lei Complementar (o CTN) a diferenciar o crédito tributário das penalidades cabíveis. Conclusão Em face do exposto, conduzo meu voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário para no mérito manter a cobrança e decotar a incidência da selic sobre a multa de ofício aplicada. Fl. 419DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Da legalidade da incidência de juros sobre a multa isolada. Peço a devida venia para discordar do ilustre relator em apenas um ponto. Com relação à alegação de impossibilidade de incidência de juros calculados pela SELIC sobre a multa de ofício, entendo por bastante elucidativa a argumentação apresentada em voto proferido pela DRJ/Florianópolis no acórdão nº 0738.069 3ª Turma da DRJ/FNS relativo ao assunto. Por isso transcrevo a parte do mesmo o adoto como suficiente para justificar a não aceitação das alegações do recorrente quanto a este ponto. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 16024.000799/200861 Acórdão n.º 1401002.325 S1C4T1 Fl. 416 11 Fl. 421DF CARF MF 12 Corroboram este entendimento os seguintes precedentes do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 9101003.009, de 08 de agosto de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.957, de 03 de julho de 2017) JUROS DE MORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO. CÁLCULO INDIRETO. POSSIBILIDADE. A multa de oficio incide sobre o valor do crédito tributário devido e não pago, acrescido dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, logo, se os juros moratórios integram a base de cálculo da referida multa, necessariamente, eles comporão o valor da multa de ofício devida. (Acórdão 3302004.496, de 25 de julho de 2017) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. (Acórdão 1401 001.903, de 20 de junho de 2017) Pelo apresentado acima, entendo estar correta a decisão de Piso na parte em manteve a exigência da aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário relativo à multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso quanto a este ponto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.724770/2016-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - SÓCIO PESSOA JURÍDICA FONTE PAGADORA - COMPROVAÇÃO PAGAMENTO - SOLIDARIEDADE
A dedução do IRRF sobre rendimentos pagos ao sócio-administrador da pessoa jurídica está condicionada à comprovação do efetivo recolhimento do tributo retido.
Numero da decisão: 2002-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - SÓCIO PESSOA JURÍDICA FONTE PAGADORA - COMPROVAÇÃO PAGAMENTO - SOLIDARIEDADE A dedução do IRRF sobre rendimentos pagos ao sócio-administrador da pessoa jurídica está condicionada à comprovação do efetivo recolhimento do tributo retido.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18186.724770/2016-51
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888339
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.181
nome_arquivo_s : Decisao_18186724770201651.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 18186724770201651_5888339.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7382710
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586949091328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 84 1 83 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18186.724770/201651 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.181 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SÓCIO PESSOA JURÍDICA FONTE PAGADORA COMPROVAÇÃO PAGAMENTO SOLIDARIEDADE Recorrente CRISTIAN EDUARDO DIEDRICH JUAN JORGE LAHUSEN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SÓCIO PESSOA JURÍDICA FONTE PAGADORA COMPROVAÇÃO PAGAMENTO SOLIDARIEDADE A dedução do IRRF sobre rendimentos pagos ao sócioadministrador da pessoa jurídica está condicionada à comprovação do efetivo recolhimento do tributo retido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 47 70 /2 01 6- 51 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 18 a 22), relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, visto que não apresentou os comprovantes de recolhimento do IRRF, enquanto sócioadministrador de empresa, fonte pagadora. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 21.285,69, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 16 dos autos, no qual a contribuinte alega, conforme relatório da decisão da DRJ, às efls. 56 a 63: Por todo o exposto, demonstrada de maneira cabal e conclusiva a absoluta inexistência de qualquer fato capaz de dar arrimo à presente Autuação Fiscal, requer que a presente impugnação seja julgada procedente para anular o lançamento suplementar do imposto de renda contra o Impugnante, uma vez que o IRRF já foi descontado dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, o que foi comprovado neste ato, sendo certo que o Impugnante também procedeu em declarálos na sua Declaração de Ajuste Anual, devendo o imposto ser exigido da Fonte Pagadora (WESER LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA). reconhecendose, ademais, o direito do Impugnante a restituição do imposto. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade, em 18/01/2017, no acórdão 0837.146, às efls. 60 a 68, julgou improcedente as razões apresentadas pela contribuinte. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 22/11/2016, apresentou recurso voluntário, às efls. 71 a 80, no qual alega, em resumo, que: § O responsável pela retenção e posterior recolhimento dos valores de imposto de renda retido na fonte é da sociedade empresária, enquanto fonte pagadora, sendo que este ônus não pode ser repassado ao contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 85DF CARF MF Processo nº 18186.724770/201651 Acórdão n.º 2002000.181 S2C0T2 Fl. 85 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 27/10/2016, efls. 81, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 22/11/2016, às efls. 71, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo trata de notificação de lançamento relativa a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, da qual o contribuinte é sócio da empresa WESER LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA. A fiscalização imputou ao recorrente a responsabilidade solidária pelo pagamento do imposto de renda retido na fonte, que deveria ter sido repassado aos cofres públicos pela pessoa jurídica empregadora. O artigo 121 do Código Tributário Nacional (CTN) tem a seguinte redação: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária: Parágrafo Único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: (...) II responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. O parágrafo único do retro mencionado artigo autoriza, expressamente, a atribuição da fonte pagadora da renda os dos proventos auferidos, a condição de responsável tributário, devendo reter o valor do imposto de renda de seus colaboradores na fonte. Ainda que seja o contribuinte pessoa física quem possua a disponibilidade econômica dos valores, o responsável pela retenção é um terceiro, a pessoa jurídica empregadora, em relação ao fato gerador do tributo, conforme dicção do artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. O artigo 45 do CTN estabelece que a lei poderá atribuir a responsabilidade da fonte pagadora reter e recolher o tributo, como se vê: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 86DF CARF MF 4 Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Assim, a fonte pagadora recolhe e repassa os valores de imposto de renda da pessoa física, podendo o contribuinte, quando da apresentação de sua DAA, deduzir as parcelas do imposto retidas antecipadamente: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): I as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional dc Apoio à Cultura PRONAC, de que trata o art, 90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais de que tratam os arts. 97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103. Na mesma linha segue o artigo 55, da lei nº 7.450/85: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Da leitura dos dispositivos acima colacionados chegase a conclusão de que, para a dedução do imposto de renda retido na fonte, a posse, pelo contribuinte, de comprovante de retenção emitido pela sociedade empresária (fonte pagadora) é requisito essencial. Nos casos em que o contribuinte é sócio ou administrador da pessoa jurídica, como no caso em tela, a regra aplicável é aquela contida no artigo 723 do RIR/99: Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 18186.724770/201651 Acórdão n.º 2002000.181 S2C0T2 Fl. 86 5 A legislação tributária condiciona a compensação do imposto de renda retido na fonte, nesses casos, a comprovação do efetivo pagamento do imposto, sendo que a pessoa física, por ser sócio da pessoa jurídica, é solidariamente responsável com a empresa, na apresentação dos documentos comprobatórios da quitação do imposto de renda retido na fonte. Em apertada síntese, nos casos em que o beneficiário dos rendimentos também seja o responsável pela administração da empresa (fonte pagadora), é necessária a comprovação do efetivo recolhimento do imposto retido. O teor do artigo 723 do RIR/99 se adequa perfeitamente ao artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso, a fiscalização entendeu que, enquanto sócia da empresa, a contribuinte não comprovou o recolhimento do imposto de renda retido na fonte que lhe caberia, enquanto colaboradora da sociedade jurídica, como se depreende da decisão da DRJ: O art. 723, do RIR/1999, transcrito acima, estabelece a responsabilidade solidária entre os sócios e gerentes pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto retido. Apenas após o pagamento de todas as parcelas com os devidos acréscimos moratórios, o crédito será extinto e, então, o contribuinte poderá compensálo na declaração de ajuste. Não é possível a compensação ou até mesmo a restituição antes do pagamento. À vista do exposto, não merece guarida os argumento proferidos pelo impugnante em sua peça contestatória, neste sentido. Como demonstrado pelo arcabouço legislativo colacionado na presente decisão, o contribuinte, enquanto sócio da empresa, é responsável solidário pela comprovação do recolhimento do imposto de renda retido na fonte devido pela pessoa física. Isto pois, como pratica os atos de administração da sociedade empresária, é totalmente crível que detenha os documentos comprobatórios da quitação do imposto, como a DIRF. Assim segue a jurisprudência deste CARF: Fl. 88DF CARF MF 6 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. SÓCIO ADMINISTRADOR DA FONTE PAGADORA. GLOSA DE FONTE. RESPONSABILIDADE. Por força do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o contribuinte sócioadministrador da empresa (fonte pagadora), incabível a compensação do I.R. Fonte quando comprovada a inexistência do recolhimento do tributo retido.” (Acórdão nº 220200.826, de 19 de outubro de 2010) GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do imposto retido na fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é sóciogerente da fonte pagadora dos rendimentos.” (Acórdão nº 280101.284, de 2 de dezembro de 2010) Nos autos, não há qualquer documento que tenha o condão de afastar a autuação fiscal, vez que não há qualquer comprovação do efetivo recolhimento do IRRF. Ainda, o contribuinte menciona decisões judiciais no Recurso Voluntário, contudo, estas se limitam a produzir efeitos as partes litigantes. Por todo exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário exigido. Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Thiago Duca Amoni Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914198/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.889
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914198/2012-10
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879973
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.889
nome_arquivo_s : Decisao_10980914198201210.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980914198201210_5879973.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363195
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587007811584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914198/201210 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.889 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 41 98 /2 01 2- 10 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914198/201210 Acórdão n.º 3201003.889 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.823, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914198/201210 Acórdão n.º 3201003.889 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.914198/201210 Acórdão n.º 3201003.889 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.914198/201210 Acórdão n.º 3201003.889 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720179/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10410.720179/2011-16
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887868
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.993
nome_arquivo_s : Decisao_10410720179201116.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10410720179201116_5887868.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7375814
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587010957312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1315; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720179/201116 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.993 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente INDUSTRIA DE LATICINIOS PALMEIRA DOS INDIOS S/A ILPISA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 79 /2 01 1- 16 Fl. 59250DF CARF MF Processo nº 10410.720179/201116 Acórdão n.º 3401004.993 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59251DF CARF MF Processo nº 10410.720179/201116 Acórdão n.º 3401004.993 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59252DF CARF MF Processo nº 10410.720179/201116 Acórdão n.º 3401004.993 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59253DF CARF MF Processo nº 10410.720179/201116 Acórdão n.º 3401004.993 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59254DF CARF MF Processo nº 10410.720179/201116 Acórdão n.º 3401004.993 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59255DF CARF MF Processo nº 10410.720179/201116 Acórdão n.º 3401004.993 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59256DF CARF MF
score : 1.0
