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Numero do processo: 19515.008470/2008-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO - RECURSO DE OFÍCIO - ERRO MATERIAL - INVERSÃO DE VALORES
Embargos manejados pelo Delegado da Derat/São Paulo para possibilitar a correta execução do acórdão embargado. Decadência quanto ao lançamento das multas isoladas referentes às estimativas de CSLL de abril, maio, julho a novembro de 2003. Recurso de ofício negado, enchendo-se o vazio da omissão no dispositivo. Erro material com inversão de valores das CSLL efetivas de 2003 e de 2004, a qual, corrigida, leva à redução das multas isoladas para R$ 451.916,04, correspondente a 50% da CSL efetiva de 2003.
Numero da decisão: 1103-000.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR provimento aos embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso de ofício e para reduzir a exigência das multas isoladas relativas às estimativas de CSLL de 2003 para R$ 451.916,04, passando a ser este o dispositivo do acórdão embargado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO RECURSO DE OFÍCIO ERRO MATERIAL INVERSÃO DE VALORES Embargos manejados pelo Delegado da Derat/São Paulo para possibilitar a correta execução do acórdão embargado. Decadência quanto ao lançamento das multas isoladas referentes às estimativas de CSLL de abril, maio, julho a novembro de 2003. Recurso de ofício negado, enchendose o vazio da omissão no dispositivo. Erro material com inversão de valores das CSLL efetivas de 2003 e de 2004, a qual, corrigida, leva à redução das multas isoladas para R$ 451.916,04, correspondente a 50% da CSL efetiva de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 84 70 /2 00 8- 13 Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.034 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.035 3 Relatório DO LANÇAMENTO Em decorrência de ação fiscal direta, a recorrente foi autuada, em 24/12/2008 (fl. 43), e intimada a pagar o crédito tributário constituído relativo à multa isolada incidente sobre estimativas de CSL não pagas referentes aos meses de março a dezembro de 2003 e fevereiro a abril de 2004. Conforme o termo de verificação fiscal de fls. 33 a 36, a recorrente deixou de pagar total ou parcialmente e/ou declarar em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) as estimativas de CSL, relativas aos meses supramencionados, registradas nas DIPJs dos anoscalendário 2003 e 2004, como se observa no quadro constante de fl. 34. Intimada a justificar a insuficiência de pagamento dos valores apurados no período e a ausência de declaração dos mesmos nas DCTFs, a recorrente apresentou esclarecimentos informando que os referidos valores foram objeto de compensação do saldo de IRPJ dos exercícios anteriores. No entanto, não apresentou qualquer comprovação de pedido de compensação, declaração de compensação ou de inclusão dos valores em DCTF. Pelo exposto, os valores em questão tornaramse objeto de lançamento de multa de ofício isolada, nos termos dos artigos 835 e 841, do RIR/99, por ter a recorrente infringido os artigos 222, 843 e 858, do RIR/99 cumulado com o art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei 11.488/07, cumulado com o art. 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada com os lançamentos, a recorrente apresentou em 23/01/2009 impugnação de fls. 45 a 69, alegando, em síntese, o que segue. Preliminarmente, pela decadência do prazo para constituição do crédito tributário. Apresenta tabela à fl. 51 com as datas dos fatos geradores, entre 31/03/2003 e 30/11/2003, alegando ter sido intimada regularmente em 24/12/2008, e, portanto, sujeitandose todos os lançamentos anteriores à data de 24/12/2003 à decadência. Requer sejam excluídos dos autos os referidos lançamentos. No mérito. Discorda do entendimento adotado pelo fisco sobre o fato de que as DIPJs e os demais documentos apresentados tenham levado à conclusão de que não houve o pagamento dos valores apontados na fl. 55, entendendo que o resultado foi apenas consolidar infrações e aplicação de multa a que não deu causa. Aponta, ainda, a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais – prejuízo ocorrido entre 2001 e 2003 – nos termos do art. 35 da Lei 8.981/95, apurados na demonstração Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.036 4 do Lucro Real, atualizados monetariamente pela SELIC. Assim, a recorrente apenas procedeu à quitação de tributos pela via da compensação, inexistindo inadimplemento. Afirma ter realizado sua gestão tributária com base em balanço/balancete de suspensão/redução, o que diferencia da forma de apuração do IR por estimativa. Esclarece que, por mero erro de procedimento, foi lançado nas DCTFs relativas aos trimestres de 2003 e 2004 a forma de tributação por lucro real/estimativa, quando o correto seria ter apresentado a tributação apurada por lucro real/balanço/balancete de suspensão/redução no trimestre, não tendo, portanto, ocorrido qualquer lesão ao fisco. Afirma não ter deixado de honrar a responsabilidade pelo pagamento tributário, ao contrário, as compensações exaradas demonstram claramente o seu cumprimento. Aponta vício insanável nos autos de infração, vez que se confrontados os valores cobrados pelo fisco e os que foram pagos pelo contribuinte, resta inequívoca a extinção do crédito tributário. Afirma que são indevidos a aplicação penas acessórias de multa e juros moratórios, tendo em vista que não teria agido com dolo ou culpa, vez que não houve intenção de praticar ato lesivo. Entende não poderem ser impostos ao contribuinte a multa e os juros moratórios sobre as multas, relacionadas no total do crédito tributário constituído no auto de infração. DA DECISÃO DA DRJ Em 5/06/2009, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo I, por maioria de votos, considerar procedente em parte o lançamento, conforme decisão de fls. 856 a 872, com o entendimento que segue. Preliminarmente, é procedente, em parte, o argumento de decadência suscitado pela recorrente. Observase que houve pagamento nos meses de abril, maio, julho, agosto, setembro outubro e novembro de 2003. Assim, a contagem do prazo decadencial deste período se dará de acordo, conforme, conforme disposto no art. 150, caput, §§ 1º e 4º, do CTN. Portanto, os últimos dias dos meses de abril, maio e julho a novembro de 2008, são a data limite de constituição do crédito tributário para os respectivos meses. Tendo em vista que apenas em 24/12/2008 a recorrente foi devidamente cientificada, resta decaída a parcela da multa isolada calculada sobre as estimativas devidas nos referidos meses. Quanto aos fatos geradores ocorridos nos últimos dias dos meses de março, junho e dezembro de 2003 e fevereiro e março de 2004, onde não ocorreu qualquer pagamento das estimativas, a contagem para o prazo decadencial iniciase após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsão do art. 173, I, do CTN. Dessa forma, as datas limites de constituição de crédito tributário seriam, respectivamente 31 de dezembro de 2008 e 31 de dezembro de 2009. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.037 5 A julgar pela data em que a recorrente foi cientificada, 24/12/2008, não restou decaída a parcela da multa isolada. No tocante ao mérito, cumpre esclarecer que a recorrente informou nas DIPJs apresentadas que havia calculado as estimativas de CSL do período aduzido com base em balanço/balancete de suspensão/redução, conforme consta da ficha 16 da DIPJ2003, às fls. 12 a 15 e fls. 299 a 302; e ficha 16 da DIPJ2004 às fls. 23 a 26 e fls. 167 a 170. Fez constar a mesma informação também nas DCTFs retificadoras que apresentou referentes aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2003 e ao 1º de 2004, fls. 842 a 855; só não o fez na DCTF relativa ao 1º semestre de 2003 pelo fato de não ter declarado as estimativas devidas deste período. E, ainda, ao contrário do que defendido pela recorrente, entendese que o mero erro de preenchimento nas declarações nas DCTFs não invalidaria o lançamento, sendo possível ser somente uma declaração incorreta dos valores devidos a título de estimativa. Sobre os balanços/balancetes de suspensão/redução que alega ter utilizado para cálculo das estimativas dos anoscalendário de 2003 e 2004, cabe ressaltar que não foram encontradas provas ou indícios de que tenham sido elaborados de acordo com o que previsto pelas legislações comerciais e fiscais, tampouco que tenham sido transcritos no Livro Diário. O que há são somente DIPJs e DCTFs confirmando os valores declarados que serviram como base para o lançamento de ofício dos quais aqui se trata. Também não se pode admitir que a recorrente tenha extinguido as estimativas devidas com compensações com saldos negativos de CSL apurados em períodos anteriores. Isto porque a forma por ela utilizada não esteve de acordo com as previsões legais para a compensação tributária federal regulada pelo art. 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pelas Leis 10.637/02/02 e 10.833/03, vigente à época dos fatos geradores: não há qualquer prova ou indício de que a recorrente tenha apresentado à Receita Federal declarações de compensação. Restou comprovado, portanto, que as estimativas de CSL devidas referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004 não foram extintas quer por pagamento, quer por compensação. No tocante à cobrança de multa e juros moratórios sobre aquela, cumpre esclarecer que não houve qualquer cobrança dos mesmos sobre a multa isolada no auto de infração. Deduz que é legítima a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício, acréscimo que será apurado a partir da data do vencimento das multas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em recurso voluntário de fls. 877 a 902, a recorrente reitera o ponderado na impugnação. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.038 6 DO ACÓRDÃO DO CARF Em sessão do dia 10/4/2012, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, mediante o Acórdão nº 110300.648, de minha relatoria, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reduzir a exigência da multa isolada relativa às estimativas de CSLL do anocalendário 2003 para R$ 1.444.024,75. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata (Relator), Cristiane Silva Costa e Hugo Correia Sotero. A seguir o entendimento proferido. A recorrente invocou decadência das multas isoladas referentes a períodos anteriores a 24/12/03, vez que o lançamento se aperfeiçoara em 24/12/08, sendo aplicável o art. 150, § 4º, do CTN, independentemente de algum pagamento existir, porquanto o que se homologa é a atividade, e não o pagamento. Sobre a aplicabilidade da homologação tácita do art. 150, § 4º, do CTN e, assim, de sua contraface, o prazo decadencial nele contido, para multas isoladas, apresentouse excerto do Acórdão nº 110300.598, também de relatoria do Conselheiro Marcos Shigueo Takata: É evidente que o prazo decadencial contido no art. 150, § 4º, do CTN é aplicável às multas. Ao teor do CTN, art. 113, § 3º, o inadimplemento da obrigação acessória (dever de pagar no vencimento as estimativas de IRPJ) convertea em obrigação principal. Ainda, conforme o art. 139 do CTN, o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, e, na dicção do art. 142 do CTN, o crédito tributário compreende a penalidade aplicável – ainda que a linguagem do CTN seja criticável. E o § 4º do art. 150 do CTN fala “considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito”, com o decurso de 5 anos do fato gerador, ao estabelecer a homologação tácita, contraface da decadência do “direito” de lançar. Ademais, suponhase o caso de pagamento parcial do tributo – como é o caso dos autos, embora a questão da decadência não se refira à multa proporcional. Ao ser lavrado o auto de infração com exigência do principal e de multa de ofício (como a proporcional), seria considerado o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN? Claro que não; inclusive quanto à multa cominada. Seria aplicável o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. É evidente que o prazo decadencial contido no art. 150, § 4º, do CTN é aplicável às multas. (grifamos) Sobre a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, mesmo sem algum pagamento, afirmouse ser necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.039 7 Em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. O julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Em que pese o dislate redacional contido no referido acórdão do STJ, em sede de procedimento repetitivo, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, entendeuse que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto nenhum com termo inicial previsto em algum artigo do CTN. Entendimento do órgão julgador de origem ao qual não foram realizados reparos, de modo que foi negado provimento sobre a questão da decadência invocada na peça recursiva. A recorrente articulou erro na determinação da base de cálculo, porquanto as estimativas de CSL, quando não pagas, foram adimplidas por compensação com saldos negativos. Isso, apesar de em sua peça recursiva lançar confusão entre saldos negativos e estoque de prejuízos fiscais (a bem ver, estoque de bases negativas de CSL). Em que pese a confusão lançada pela recorrente, que, nesse sentido, apresentou planilhas da apuração das bases negativas de CSL, verificouse que a compensação efetivamente veiculada cuida dos saldos negativos – até porque, diversamente do alegado, bases negativas de CSL não são “selicadas”, tampouco os prejuízos fiscais. O primeiro equívoco da recorrente foi segregar o regime de pagamento de CSL mensal por estimativa do pagamento mensal de CSL com base no balanço de suspensão ou redução. A Lei 9.430/96 consagrou expressamente o regime jurídico de estimativa quanto ao dever de pagar a CSL mensalmente – para aqueles que não apuram o lucro presumido, arbitrado, ou lucro real trimestral. Assim, aos que optarem pela apuração do lucro real anual – e, pois, da base de cálculo da CSL anual – há o dever de pagar o IRPJ e a CSL mensalmente sob o regime de estimativa. Isso significa que, no caso, a CSL apurável e pagável mensalmente é estimativa, e não a CSL efetiva. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.040 8 Aos que apuram a CSL mensal por balanço de suspensão ou redução, a CSL apurada e devida se coloca sob o regime jurídico de estimativa. Ainda que o valor da CSL dessa forma apurada venha a coincidir com a CSL efetiva anual – caso de aplicação do balanço de suspensão ou redução em dezembro – a CSL devida mensalmente não se confunde com a CSL efetiva anual, juridicamente. Isso não resultou compreendido pela recorrente. Mesmo a apuração da CSL mensal com base no balanço de suspensão ou redução, ela não é CSL efetiva, mas estimativa de CSL. Nesse sentido é expresso o art. 2º, caput, da Lei 9.430/96, ao falar da base de cálculo estimada, fazendo expressa remissão ao art. 35 da Lei 8.981/95, que cuida do balanço de suspensão ou redução. E o título do art. 2º, como do art. 6º (tributo efetivamente devido, para quem o apura anualmente, com dever de pagamento mensal), é “Pagamento por Estimativa”. E o art. 28 da Lei 9.430/96 estende esses preceitos à CSL. Seria possível discutir se os pagamentos mensais de IRPJ e de CSL, antes da Lei 9.430/96, precisamente, sob a égide da Lei 8.981/95 eram tributos efetivos ou não, já que persistia o dever de apuração anual. Mas, com a Lei 9.430/96, essa discussão deixa de existir, com a expressa consagração do dever de pagar mensalmente o IRPJ e a CSL como estimativas desses tributos, ainda que apurados com base em balanço de suspensão ou redução. A opção pela apuração anual de CSL se dá por meio do pagamento mensal da CSL – ou seja, do pagamento da CSL sob o regime jurídico de estimativa. É o caso da recorrente, a diverso senso do alegado por ela. A partir da MP 66/02, convertida na Lei 10.637/02 a compensação de tributos federais administrados pela Receita Federal passou a se dar mediante a apresentação da declaração de compensação, ao se dar nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96. Não se verificou dos autos nenhum indicativo de que tenha se processada a satisfação de CSL mensal por compensação com algum indébito tributário, mediante apresentação de DCOMP. Nem mesmo há indicação de compensação no regime anterior – o que nem seria o caso, porquanto as CSL mensais são de 2003 e 2004 – em que aquela se processava na escrituração contábil do contribuinte, e simplesmente indicada nas DCTFs, tratandose de compensação com indébitos tributários de mesma natureza. Nesse sentido, negouse provimento sobre essa questão alegada pela recorrente. Outra questão que se pôs foi o limite da aplicação das multas isoladas. Observouse que a multa isolada do art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 só tem ocasião antes do prazo de vencimento da CSL efetiva, ou seja, até o último dia útil de março do anocalendário seguinte ao da apuração, conforme o art. 6º, § 1º, I c/c o art. 28, da Lei 9.430/96. A partir de então, a multa aplicável é a prevista para a proteção do bem jurídico maior, a CSL efetiva, a multa do art. 44, I, da Lei 9.430/96, deixando de haver espaço jurídico para incidência da apenação por ofensa ao bem jurídico contido no outro bem jurídico tutelado, o tributo devido efetivo. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.041 9 Entretanto, por se tratar de entendimento vencido neste Colegiado, utilizouse a interpretação dominante quanto a sua aplicabilidade sem restrição temporal, a não ser pelo fenômeno decadencial. Superado esse ponto, outro que se coloca é se a recorrente apurara nos anos calendário de 2003 e de 2004 bases negativas de CSL ou CSL efetivamente devidas (CSL anual) e em que montante. Tendose apurado base negativa de CSL, não seria possível aplicar a multa isolada por falta de pagamento das estimativas mensais de CSL. Se não há lugar para apenar por vulneração do bem jurídico maior tutelado, a CSL efetiva, não há lugar para apenar por ofensa ao conteúdo daquele. Por outro lado, se a CSL efetiva for inferior à somatória das insuficiências de pagamento da CSL por estimativa, entendese que a multa cominável se limita à calculada sobre o valor da CSL efetiva. Em outras palavras, esse é o “teto” da multa aplicável. Mais uma vez, a pena infligida por vulneração do bem jurídico menor não pode ser maior que a prevista para a tutela do bem jurídico maior. Dos autos se verificou que a CSL efetiva do anocalendário de 2003 foi de R$ 2.888.049,50, segundo a linha 39 da ficha 17 da DIPJ/04 (fl. 27). Esse valor é inferior à base de cálculo total para aplicação das multas isoladas. O montante integral das multas isoladas relativas ao anocalendário de 2003 foi de R$ 3.054.966,51 (base de cálculo total de R$ 6.109.933,02). Por conseguinte, reputouse que o total das multas isoladas deve ser reduzido para R$ 1.444.024,75 (R$ 2.888.049,50 x 50%). Já, a CSL efetiva do anocalendário de 2004 foi de R$ 903.832,09, conforme linha 38 da ficha 17 da DIPJ/05 (fl. 16). A base de cálculo total das multas isolada é menor do que aquele valor. Devendo, dessa forma, prevalecer o valor das multas isoladas exigidas. Por fim, a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto a esta questão, o art. 61, caput e § 3º, da Lei 9.430/96 dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3.º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º. do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.042 10 O caput do art. 61 ao falar em débitos “decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” quis se referir a débitos decorrentes de fatos geradores de tributos (e contribuições, na linguagem do preceito). Ou seja, o caput do art. 61 quis se referir a débitos correspondentes a tributos (e contribuições) que são os débitos decorrentes de fatos geradores de tributos (e contribuições) e não a débitos de penalidades decorrentes de não pagamento de tributos. A chancelar tal entendimento milita o próprio caput do art. 61 em questão, pois nele é previsto que sobre tais débitos incide multa de mora (a penalidade). Se o que o caput do art. 61 quis dizer com o uso do termo “decorrentes” foi débitos decorrentes de fatos geradores de tributos a expressão “decorrentes” constitui erronia. Débitos decorrentes de fatos geradores tributários são os tributos (e contribuições, na fala do preceito), ou seja, tributos já são os débitos. Nessa linha, o caput do art. 61 deve ser lido: os débitos para com a União de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal ... serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Portanto, como já dito, o caput do art. 61 se refere a débitos de tributos (e contribuições, conforme o preceito), os quais são acrescidos de multa de moral1. O § 3º do art. 61 prevê que os débitos de que trata este artigo são acrescidos de multa de mora. Os débitos em questão são os ora mencionados (tributos). São os débitos referidos no caput do art. 61. A multa de mora é consequência prescrita no caput para os débitos nele referidos. Se o legislador quisesse que os juros de mora incidissem também sobre multa de mora ele assim teria previsto, tal como quis fazer e fez para o lançamento de multa de mora previsto no art. 43 da mesma lei. Aí ele previu que sobre a multa de mora ou sobre os juros de mora ou sobre os dois, constituídos (lançados) sem tributo, incidem juros de mora a partir do 1º dia do mês seguinte ao do vencimento do lançamento. Portanto, seja numa interpretação lógica, seja numa interpretação sistemática, sobre a multa de mora consequência prevista no caput aos débitos nele referidos prevista no art. 61 não incidem juros de mora à taxa Selic. Se sobre a multa de mora não são aplicáveis juros moratórios à taxa Selic ao teor do art. 61 da Lei 9.430/96, com igualdade de razões, não se hão de aplicar tais juros sobre a multa de ofício, porquanto ambas apresentam o mesmo caráter punitivo ou apenatório. Aliás, incidem juros moratórios na forma do § 3º do art. 61 sobre os débitos de que trata o caput do art. 61, i.e., sobre tributos (e contribuições) – jamais sobre multa de ofício, até porque se a multa de ofício estivesse incluída no art. 61, chegarseia ao absurdo de se ter de concluir que esse artigo prevê a incidência de multa de mora sobre multa de ofício. Isso porque, sobre os débitos a que se refere o art. 61, é prevista a aplicação da multa de mora (além dos juros de mora à taxa Selic). 1 Aliás, nem juros nem multa decorrem de tributos; eles decorrem da falta de pagamento de tributos como também já se havia dito. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.043 11 Já, o art. 43 da Lei 9.430/96 tem a seguinte dicção: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Numa interpretação lógica e sistemática a multa referida no art. 43 é a multa de mora, pois a multa de ofício, ainda que aplicada isoladamente, é prevista no art. 44 da mesma lei. O art. 43 da Lei 9.430/96, nesse sentido, reforça o entendimento sobre o alcance do art. 61 dessa lei: segundo o art. 43 da Lei 9.430/96, se o auto de infração for lavrado para exigência isolada de multa de mora, aí sim é prevista a incidência de juros à taxa Selic, mas a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento da multa de mora exigida. Em razão disso tudo, se verificou serem aplicáveis juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. De outra parte, o CTN utiliza a expressão “crédito tributário” com conotações diversas: ora para conceituálo como o tributo e a penalidade pecuniária (arts. 139 e 142 c/c os arts. 113, § 1º e 121, do CTN), ora lhe fazendo referência somente como tributo – é o caso, por ex., do art. 164 do CTN: Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: I de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; II de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal; III de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador. § 1º. A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. § 2º. Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Se o art. 164 do CTN diz que cabe consignar judicialmente a importância do “crédito tributário” quando há subordinação de seu recebimento ao pagamento de penalidade, o “crédito tributário” é aí empregado no sentido de tributo, sem incluir a penalidade pecuniária. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.044 12 O mesmo se entrevê no art. 161, caput, do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O caput do art. 161 dispõe sobre a incidência de juros de mora sobre o “crédito tributário”, sem prejuízo da incidência das penalidades cabíveis. Logo, o “crédito tributário” é utilizado aqui como sinonímia de tributo pois sobre tal crédito é que incidem as penalidades cabíveis, além dos juros de mora. O § 1º do art. 161 do CTN, evidentemente, subordinase ao caput do dispositivo. Outrossim, também não se considerou serem aplicáveis à multa de ofício os juros de mora previstos no § 1º do art. 161 do CTN (juros de 1% ao mês), porquanto, como visto, o caput do art. 161 do CTN se refere a crédito tributário como tributo (e só). Pelas razões e nos termos postos, foi dado provimento ao recurso para afastar a exigência de juros de mora sobre as multas de ofício, pelas razões e nos termos postos. Sob essa ordem de considerações e juízo, foi dado provimento parcial, para reduzir a exigência das multas isoladas relativas às estimativas de CSL de 2003 para R$ 1.444.024,75, e excluir os juros de mora sobre as multas de ofício. Nos seguintes termos o voto vencedor: O relator, com o brilho habitual, votou pela não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Neste particular, penso de modo diverso. O CTN – Código Tributário Nacional determina, no art. 161, a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Na definição de crédito tributário, incluemse as multas, conforme o comando do art. 139 do referido Código. Os art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96 prescrevem a aplicação da taxa Selic como juros de mora aos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. A exceção se restringe à multa de mora, por disposição expressa do art. 16, parágrafo único, do Decretolei 2.323/1987 e art. 6o do Decretolei 2.331/1987, reproduzidos no art. 953, §2º, do RIR/1999. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.045 13 Vêse, pois, que incidem juros de mora sobra a multa de ofício. Em tudo o mais, acompanho o voto do relator. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO O Delegado da Derat/São Paulo apresentou embargos de declaração de fls. 1128 a 1130, arguindo, em síntese, o que segue. Após colacionar excerto do acórdão embargado que trata do limite ao qual a multa isolada estaria sujeita, asseverou ter ocorrido “lapso manifesto” acerca dos valores apurados a título de CSL efetiva nos anoscalendário de 2003 e 2004. E afirmou: Da análise das DIPJ juntadas aos autos, constatase que a CSLL devida no ano calendário de 2003 corresponde ao montante de R$ 903.832,09 ao invés de R$ 2.888.049,50 (linha 37 da Ficha 17 da DIPJ 2004, ano calendário 2003, fls. 16), já a contribuição efetiva do ano calendário de 2004 corresponde ao montante de R$ 2.888.049,50 ao invés de R$ 903.832,09 (linha 39 da Ficha 17 da DIPJ 2005, ano calendário 2004, fls. 27), portanto, no Acórdão houve a inversão do limite tributável entre 2003 e 2004 alterando assim o valor da multa a ser mantida. Acrescentou, ainda, que não houve menção no acórdão recorrido sobre o recurso de ofício. Em que pese o fato de a decadência – matéria objeto da exoneração – “ter sido objeto de julgamento no recurso voluntário”. Pelo exposto, requereu a manifestação do colegiado sobre o vício apontado, com o fim de possibilitar a correta execução e cumprimento da decisão embargada É o relatório. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.046 14 Voto Conselheiro Marcos Takata Como se viu do relatório, tratase de embargos opostos pelo Delegado da Derat/São Paulo, que é o órgão encarregado pela liquidação e execução do acórdão do CARF. Vêse do pedido que os embargos manejados se preordenam a possibilitar a correta execução e cumprimento da decisão embargada. Impõese o conhecimento dos embargos, pela dúplice razão: potencialidade do vício acusado, e oposição para execução correta do acórdão embargado. Sobre a legitimidade ativa para essa espécie recursiva, bem como sobre os limites para tanto, em relação ao Delegado do órgão competente para liquidação e execução de acórdão do CARF, transcrevo excertos do que tive ocasião de dizer (“Questões Controvertidas no Processo Administrativo Fiscal – CARF”. Coordenador, Ives Gandra da Silva Martins. São Paulo: Revista dos Tribunais, Pesquisas Tributárias – Nova Série nº 18, 2012, pp. 512 e 513): 8.8. Num primeiro momento, parecenos que a legitimidade para embargos de declaração conferida ao Titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão deve considerar a competência atribuída a esse órgão, conforme o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (aprovado pela Portaria MF 587/10). (...) 8.12. Posto o texto no contexto, parecenos que o sentido lógico para atribuição de legitimidade processual para o Titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão é reservada à existência de omissão, contradição ou obscuridade que inviabilize ou provoque dúvidas (a dúvida é mera consequência da obscuridade ou da contradição existentes2 ) à execução do acórdão, incluindose aí a liquidação. Esse sentido igualmente é o que parece defluir da ponderação sistemática dos elementos intrasistêmicos. (...) 9. Num segundo momento, o alcance da legitimidade para embargos declaratórios conferido ao Titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão merece ser apreciado com base no princípio da unirrecorribilidade, à luz da isonomia processual e da plena legitimidade processual do Procurador da Fazenda Nacional junto ao CARF. (…) 2 Como ensina José Carlos Barbosa Moreira, op. cit., pp. 551 e 552. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.047 15 9.2. Sob esse aspecto, também, parecenos que a legitimidade do Titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão restringese à existência de omissão, contradição ou obscuridade que inviabilize ou “prejudique” a execução do acórdão, incluindose aí a liquidação. Pois bem. Assiste razão ao embargante. Reconheço o equívoco cometido no acórdão embargado. Como se vê da fl. 1.099, no voto do acórdão embargado, fazse remissão à linha 39 da ficha 17 da DIPJ/04, com indicação da fl. 27, e à linha 38 da ficha 17 da DIPJ/05, com indicação da fl. 16. Isso, para se dizer que a CSL efetiva do anocalendário de 2003 foi de R$ 2.888.049,50, valor inferior ao total da base de cálculo da aplicação das multas isoladas; e que a CSL efetiva do anocalendário de 2004 foi de R$ 903.832,09, valor maior que o total da base de cálculo utilizada para aplicação das multas isoladas. Assim, reconheceuse que o total das multas isoladas para o anocalendário de 2003 deve ser reduzido de R$ 3.054.966,51 [R$ 6.109.933,02 (total da base de cálculo das multas isoladas) x 50%] para R$ 1.444.024,75 (50% de R$ 2.888.049,50), com manutenção do valor total das multas isoladas para o anocalendário de 2004. Houve inversão na indicação dos valores das CSL efetivas de 2003 e de 2004, com inversão das fls. identificadas: a CSL efetiva do anocalendário de 2003 foi de R$ 903.832,09, conforme a linha 38 da ficha 17 da DIPJ/04 (fl. 16); a CSL do anocalendário de 2004 foi de R$ 2.888.049,50, segundo a linha 39 da ficha 17 da DIPJ/05 (fl. 27). Reconhecida essa inversão de valores, impõese a correção da redução das multas isoladas infligidas em relação ao anocalendário de 2003. Como havia dito no voto do acórdão embargado, a base de cálculo total das multas isoladas foi de R$ 6.109.933,02 (somatória dos valores constantes na 2ª coluna do quadro do Termo de Verificação Fiscal de fl. 36; que é igual à somatória do demonstrativo de apuração de fl. 37 multiplicado por 2; e que é igual à somatória dos valores do auto de infração de fl. 40 multiplicado por 2). Porquanto a CSL efetiva do anocalendário de 2003 foi de R$ 903.832,90 (e não de R$ 2.888.049,50, que foi a CSL efetiva de 2004), o total das multas isoladas relativas ao anocalendário de 2003 deve ser reduzido para R$ 451.916,04 (R$ 903.832,90 x 50%). Já as multas isoladas referentes ao anocalendário de 2004 permanecem não redutíveis. O total da base de cálculo delas monta R$ 217.775,78: somatória dos valores da 2ª coluna do quadro do Termo de Verificação Fiscal de fl. 36; que é igual à somatória do Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.048 16 demonstrativo de apuração de fl. 38 multiplicado por 2; e que é igual à somatória dos valores do auto de infração de fls. 40 e 41. A CSL efetiva do anocalendário de 2004 foi de R$ 2.888.049,50 (e que, no voto embargado, havia sido invertido com o valor da CSL efetiva de 2003, i.e., informado tal valor como desse ano, e o do anocalendário de 2004 como o de 2003). Incabível a redução das multas isoladas quanto ao anocalendário de 2004, porquanto o total da base de cálculo de tais multas não supera a CSL efetiva desse anocalendário. Por fim, há a questão da suposta omissão quanto ao recurso de ofício do acórdão da 1ª Turma da DRJ/São Paulo I. A exoneração superou o patamar de R$ 1.000.000,00 (fls. 858 e 872). Ela decorre do reconhecimento da decadência do lançamento das multas isoladas quanto às estimativas de CSL de abril, maio, julho a novembro de 2003, em relação às quais houve pagamento, como se vê das telas do sistema SINAL08 – fls. 834 a 840. A ciência do lançamento se dera em 24/12/08 (fl. 43). Embora nos fundamentos3 houvesse dito que esse entendimento do órgão julgador a quo não merece reparos, com a aplicabilidade do art. 150, § 4º, do CTN, não houve manifestação sobre isso no dispositivo do acórdão embargado. Cabe reconhecer a omissão no dispositivo, enchendose o vazio com a negativa de provimento ao recurso de ofício, pelas razões ora expostas e já deduzidas no acórdão embargado. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento aos embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso de ofício e para reduzir a exigência das multas isoladas relativas às estimativas de CSL de 2003 para R$ 451.916,04, passando a ser este o dispositivo do acórdão embargado. É o meu voto. Sala das Sessões, em 11 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator 3 Erro material ora corrigido por se ter referido a abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.008470/200813 Acórdão n.º 1103000.901 S1C1T3 Fl. 1.049 17 Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/08/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15758.000527/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3301-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do Acórdão da DRJ DE SÃO PAULO II (SP) (fls. 477/485), que julgou procedente o auto de infração de fls. 290/295, no qual está sendo exigida a multa regulamentar prevista no art. 491, do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/2002), proporcional (50%) ao valor das mercadorias ou produtos estrangeiros em situação irregular, transportados pela Recorrente no período de 01/01/2005 a 31/12/2007. A ação fiscal tem por base as operações investigadas na “Operação Persona”, descrita no relatório de diligência fiscal de fls. 211 e seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 57 58 .0 00 52 7/ 20 10 -3 9 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15758.000527/201039 Resolução nº 3301000.168 S3C3T1 Fl. 657 2 "Operação Persona" foi a denominação adotada pelo Departamento da Polícia Federal DPF, fruto de 2 anos de investigações conjuntas do DPF, da Receita Federal do Brasil RFB, do Ministério Público Federal MPF e da Justiça Federal, objetivando apurar a existência de diversos ilícitos, tais como, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, entre outras. Deflagrada em 16 de outubro de 2007, compreendeu a execução de 59 mandados de busca e apreensão e 41 mandados de prisão, realizados em três unidades federadas, a saber: Estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. Resultou na retenção judicial de mercadorias em despacho e trânsito aduaneiro, retenção judicial dos estoques de mercadorias e na apreensão de vasto material que comprovam os ilícitos. O procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil em conjunto com a Polícia Federal onde foi apurado a logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO SYSTEM INC, constituído a partir de uma sucessão de empresas exportadoras e distribuidoras nos Estados Unidos da América EUA, e, no Brasil, de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial, de despacho aduaneiro, aparentemente, distintas umas das outras, mas que, de fato, constituíam uma organização sob comando único, conforme vínculos dos seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais e, excluindo, por meio de interposição fraudulenta, do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., CNPJ 04.867.975/000172, e ocultando a grande interessada na colocação de produtos no mercado brasileiro, a CISCO SYSTEM INC. dos EUA. Consta que a investigação apurou vários ilícitos fiscais que o grupo econômico cometeu. Como resultado da ação fiscal de tributos internos desenvolvida na operação acima relatada foram lavrados contra a empresa MUDE os seguintes autos de infração: (IPI 10803.000133/200850 dez/08; MULTAS DIVERSAS 10803.000134/200802 dez/08; MULTAS DIVERSAS 10803.000038/200937 jul/09, e; IPI E MULTAS DIVERSAS 10803.000071/200967 em dez/09). Consta, por fim, que as operações envolveram a importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO SYSTEM INC. no Brasil, através da empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, que trazia em seu bojo, como intuito principal, a internação de produtos da matriz americana para a verdadeira importadora "MUDE", sem que esta aparecesse como a real importadora mas tão somente como adquirente de produtos importados já internados por outras pessoas jurídicas interpostas. Assim o real interesse da orquestração perpetrada pelo grupo e CISCO/MUDE visava permitir a eles (reais importadores e adquirentes) atuarem no comércio exterior sem sujeitarse a qualquer controle exercido pela Receita Federal do Brasil RFB. “Todas as nacionalizações foram declaradas ao Fisco como importações realizadas por conta própria das importadoras interpostas, quando na realidade são operações por conta e ordem de terceiros (MUDE/CISCO). O real importador e adquirente, portanto, permanecia oculto ao Fisco.” O extenso relatório traça a ação de cada empresa interposta, no qual a MC TRANS TRANSPORTE E LOGÍSTICA LTDA., CNPJ/MF n°. 04.775.642/000113, Empresa de transportes, ora Recorrente, era encarregada do fluxo terrestre nacional das mercadorias importadas, do local do desembaraço até a MUDE Dentre as irregularidades Fl. 657DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15758.000527/201039 Resolução nº 3301000.168 S3C3T1 Fl. 658 3 consta que a MC TRANS foi a responsável pela movimentação rodoviária das mercadorias em todas as partes da cadeia, ou seja, importador interposto distribuidor interposto – MUDE, sendo constatado que, na maioria das vezes, a data de saída da mercadoria para a MUDE coincide com a data de chegada da mesma no importador ou distribuidor interpostos (PRl 502, ABC 058, BRA 692, por exemplo), em outros casos, no mesmo dia, houve a utilização de um único veículo para a entrega da mercadoria no importador e na MUDE (SOFT ARC 634, SOFT ARC 647, por exemplo) fato que sugere que a carga nem passou fisicamente na importadora ARCO indo parar diretamente na empresa MUDE. Constatamos, também, que as mercadorias importadas foram parar na sua totalidade na MUDE, haja vista que, o peso bruto ou cubado, assim como a quantidade transportada, permaneceram inalterados em todos os trajetos. Quanto às intercepções telefônicas, autorizadas pela Justiça, o relatório destaca o seguinte trecho das conversas gravadas, envolvendo a Sra. Maria do Carmo, sócia gerente da MC Transportes Ltda: 1183145107_20070326114025_5027391.wav. Celular de Reinaldo Grillo (What's UP) X Maria do Carmo (MC TRANS) "...é difícil de explicar porque você trabalha pra Mude, você trabalha pra Tecnosul, você trabalha pra Nacional, você trabalha pra Brastec, você trabalha pra ABC. Ta complicado porque é a única empresa que trabalha assim pra todos, porque o despachante aduaneiro só trabalha pra importadora, entendeu? Nos outros lugares num tem nenhum elo. O único elo é exatamente a transportadora, que esta cobrando, esta recebendo, está tudo em ordem, mas é difícil de explicar. Só isso. O relatório de informação fiscal concluiu o seguinte: A MC TRANS, assim como as demais empresas, integrou um bem urdido esquema de INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, que agia na importação de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações, para abastecer o mercado nacional, concentrado em São Paulo/SP. O objetivo era ocultar os reais importadores destes produtos, mediante o uso de empresas interpostas, envolvendo a prática de diversos ilícitos fiscais, tais como: sonegação de tributos; subfaturamento das importações; remessa de divisas para o exterior, sob a forma de pagamento de importações e distribuição de lucros; crédito indevido de ICMS, entre outros, que estariam lesando os cofres públicos. Esta cadeia de interposição buscou esconder, a princípio, a empresa MUDE, para a qual se destinava a quase totalidade das importações efetuadas pelas empresas interpostas, tornandoa uma grande distribuidora nacional de produtos de informática e eletroeletrônicos, em quase sua totalidade de fabricação CISCO, mesmo sem ter realizado praticamente nenhuma importação desde janeiro de 2004. A MC TRANS, na função de transportadora dessas empresas interpostas, dentro da seqüência da cadeia engendrada, demonstrou possuir conhecimento de que a real importadora era a MUDE, haja vista a participação na simulação perpetrada nos conhecimentos de transportes e notas fiscais de serviços com a finalidade de dar a entender que as mercadorias transitaram em todos os destinatários informados. Entretanto, os documentos fiscais acima relacionados, demonstram a entrega das mercadorias diretamente na MUDE em diversas ocasiões, havendo a omissão proposital, em muitos casos, dos dados dos veículos utilizados na prestação do frete, e peso das mercadorias, etc. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15758.000527/201039 Resolução nº 3301000.168 S3C3T1 Fl. 659 4 Diante do exposto, é indubitável que houve conduta dolosa reiterada da MC TRANS buscando, a todo custo, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal federal, do real importador, do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, confingurandose, portanto, os fatos descritos à hipótese disposta no artigo 491 do Decreto n° 4.544 (Regulamento do IPI), de 26/12/2002: Art. 491. Incorrerá na multa de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria o transportador que conduzir produto de procedência estrangeira que saiba, ou deva presumir pelas circunstâncias do caso, ter sido introduzido clandestinamente no País, ou importado irregular ou fraudulentamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, § 2º). O Acórdão recorrido julgou procedente a multa regulamentar aplicada, conforme sintetiza a ementa a seguir transcrita (fl. 477): Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 MULTA REGULAMENTAR. TRANSPORTE DE MERCADORIAS IMPORTADAS FRAUDULENTAMENTE. Incorrerá em multa regulamentar o transportador que conduzir produto de procedência estrangeira que saiba, ou deva presumir pelas circunstâncias do caso, ter sido introduzido clandestinamente no país ou importado irregular ou fraudulentamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão em 24/10/2011 (por AR – fl. 637), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 607/632, em 22/11/2011, onde reitera os argumentos constantes da impugnação, aduzindo, em síntese, o seguinte: Em sede de preliminar, alega nulidade da decisão recorrida, porquanto não houve qualquer comprovação quanto à suposta conduta delitiva da Recorrente, nos termos do art. 142, do CTN e, no caso específico, no art. 83, § 2º da Lei nº 4.502/64, estando a acusação baseada em meras presunções, com violação ainda ao art. 5º, LV, da CF, cita doutrina e jurisprudência. Em relação ao mérito aduz que a Fiscalização utilizou técnica conhecida como “autenticação por associação” para embasar a lavratura do Auto de Infração. Ocorre, que a referida técnica perspicaz, faz com que fatos duvidosos pareçam verdadeiros, vez que procura demonstrar a verossimilhança da alegação associandoa à situações questionáveis com outros acontecimentos tidos como notoriamente verídicos. Desta forma, os fatos incontroversos serem como uma espécie de autenticação dos fatos falsos, ou seja, se aqueles são verdadeiros, então estes também os são. Assim, pretendeu a Fiscalização comprovar, sem êxito, a suspeita do conhecimento da Recorrente sobre a suposta ocorrência de fraude nas importações, para efeitos de aplicação do disposto previsto no art. 83, § 2º da Lei nº 4.502/64. Requer por fim, seja o recurso voluntário julgado procedente. Às fls. 645 e seguintes a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pelo indeferimento do recurso voluntário. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15758.000527/201039 Resolução nº 3301000.168 S3C3T1 Fl. 660 5 É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Conforme relatado, tratase de recurso em face de decisão da DRJ/SP (i) que julgou procedente a multa regulamentar prevista no art. 491, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), correspondente a 50% do valor das mercadorias ou produtos estrangeiros em situação irregular, transportados pela Recorrente no período de 01/01/2005 a 31/12/2007, em relação aos quais a Recorrente, na condição de transportadora, conhecia ou deveria conhecer. Toda a ação fiscal decorre da chamada “Operação Persona”, descrita no relatório de diligência fiscal de fls. 211, novamente aqui transcritos: "Operação Persona" foi a denominação adotada pelo Departamento da Polícia Federal DPF, fruto de 2 anos de investigações conjuntas do DPF, da Receita Federal do Brasil RFB, do Ministério Público Federal MPF e da Justiça Federal, objetivando apurar a existência de diversos ilícitos, tais como, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, entre outras. Deflagrada em 16 de outubro de 2007, compreendeu a execução de 59 mandados de busca e apreensão e 41 mandados de prisão, realizados em três unidades federadas, a saber: Estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. Resultou na retenção judicial de mercadorias em despacho e trânsito aduaneiro, retenção judicial dos estoques de mercadorias e na apreensão de vasto material que comprovam os ilícitos. O procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do Brasil em conjunto com a Polícia Federal onde foi apurado a logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO SYSTEM INC, constituído a partir de uma sucessão de empresas exportadoras e distribuidoras nos Estados Unidos da América EUA, e, no Brasil, de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial, de despacho aduaneiro, aparentemente, distintas umas das outras, mas que, de fato, constituíam uma organização sob comando único, conforme vínculos dos seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais e, excluindo, por meio de interposição fraudulenta, do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., CNPJ 04.867.975/000172, e ocultando a grande interessada na colocação de produtos no mercado brasileiro, a CISCO SYSTEM INC. dos EUA. Desta forma, a fiscalização aplicou a multa prevista no art. 83, § 2º, da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 491, do Regulamento do IPI, Decreto nº 4.544/2002, que assim dispõe: (Lei nº 4.502/64): Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (Vide Decreto Lei nº 326, de 1967) Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15758.000527/201039 Resolução nº 3301000.168 S3C3T1 Fl. 661 6 I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) (Vide Decretolei nº 2.331, de 1987) II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, notafiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do impôsto e ainda que a nota se refira a produto isento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) § 1º No caso do inciso I, a pena não prejudica a que fôr aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e no caso do inciso II, é independente da que fôr cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do impôsto, em razão da utilização da nota, não podendo, em qualquer dos casos, o mínimo da multa aplicada ser inferior ao grau máximo da pena prevista no artigo seguinte para a classe de capital do infrator. § 2º Incorre na multa de 50% (cinqüenta por cento) do valor comercial da mercadoria o transportador que conduzir produto de procedência estrangeira que saiba, ou deva presumir pelas circunstâncias do caso, ter sido introduzido clandestinamente no país ou importado irregular ou fraudulentamente. (grifado) O Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, assim dispunha sobre o assunto: Art. 491. Incorrerá na multa de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria o transportador que conduzir produto de procedência estrangeira que saiba, ou deva presumir pelas circunstâncias do caso, ter sido introduzido clandestinamente no País, ou importado irregular ou fraudulentamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, § 2º). (grifado). Conforme relatado, a “Operação Persona” envolveu diversas empresas que se associaram com a finalidade de reduzir fraudulentamente o recolhimento de tributos sobre operações de importação, dentre elas consta a MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, contra a qual foram lavrados diversos autos de infração, dentre eles, deve ser aqui citado o relativo ao processo nº 10803.00038/200937, no qual foi exigida a multa regulamentar prevista no art. 490, I, do Decreto nº 4.445/2002, (“entregarem a consumo, ou cosumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente”), in verbis: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15758.000527/201039 Resolução nº 3301000.168 S3C3T1 Fl. 662 7 registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); e O referido processo teve o recurso voluntário julgado na sessão de 22/05/2012, conforme sintetiza a ementa do v. acórdão: Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão nº 320100.974–2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2012 Matéria IPI MULTA Recorrente MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: MULTA. Art. 490, I, do Decreto 4.445/2002. Inaplicável a multa prevista neste artigo. Em relação ao bem jurídico tutelado, o IPI, já foi cobrado, com multa específica, em outro processo. Ademais, as importações foram submetidas ao controle aduaneiro legalmente previsto. Recurso do Contribuinte provido. Para uma melhor compreensão do assunto peço vênia para transcrever os seguintes trechos do voto condutor do acórdão: [...]Conforme relatado, a autuação é decorrente dos trabalhos de fiscalização das operações de comércio exterior operadas pela empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ nº 04.867.975/000172, relaciona das às vendas de produtos importados de eletrônica e informática da empresa CISCO INTERNACIONAL. Os trabalhos foram conduzidos pela Equipe Especial de Fiscalização Aduaneira – Operação Persona. Este Processo trata da multa prevista no art.490, inciso I, do Decreto 4.544, de 2002, apurada para o exercício de 2004. A Decisão da DRJ ora combatida ficou assim ementada: [...]MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. [...] Fl. 662DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15758.000527/201039 Resolução nº 3301000.168 S3C3T1 Fl. 663 8 Devese, ainda, ter em mente que as operações praticadas em 2004, objeto do AI em análise, foram submetidas ao controle aduaneiro pelos importadores, mediante registro das cabíveis Declarações de Importação (“DI”) nos órgãos competentes para efetuar o despacho aduaneiro. Esta Turma, em julgamento cujo Relator foi o Dr. Luciano Lopes de Almeida Moraes (Acórdão 30238072) e esta Relatora participou como Presidente, em decisão unânime e já transitada em julgado (não restou admitido o RESP da Fazenda Nacional), analisou caso semelhante ao presente e se manifestou firme no sentido de que “a mercadoria importada introduzida no País albergada por declaração de importação, forma regular de entrada, não pode ser classificada aquela importação clandestina, fraudulenta ou irregular.” Ora, se a mercadoria foi importada regularmente, passando pela Fiscalização aduaneira e sendo posteriormente liberada, não há como, ainda que existindo falta de informação na DI quanto ao real adquirente, prevalecer a sanção prevista no art. 490, I, do RIPI. E como somente em 2010, com a adoção da Medida Provisória nº 497/2010, convertida na Lei nº12.350/2010, que alterou o art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 passou a ser apenada a “revenda” de mercadoria importada irregular ou clandestinamente, resta evidente que, no ano de 2004, sequer a multa aduaneira poderia ter sido aplicada (para o IPI, nem mesmo com as modificações introduzidas em 2010 foi incluída a hipótese de “revenda” na conduta delitiva passível de ser sancionada pela multa regulamentar). Mas atendose à multa do IPI, que incide sobre consumo ou entrega a consumo, deveria haver a comprovação por parte dos Agentes Fiscais de que teria o corrido um desses dois eventos, definidos pela legislação onsumerista, excluindose as operações feitas com integradores, pois se trata de verdadeira “revenda” (para não consumidor final). Devese esclarecer que, em 30 de dezembro de 1968, momento da veiculação do atual art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64 (redação dada pelo DecretoLei nº 400/68), as operações de importação que poderiam ser tidas por clandestinas, irregulares ou fraudulentas e, por isso, comporiam o elemento do tipo penal em questão eram aquelas que, fundamentalmente, se referiam à utilização de documento falso ou, nas palavras do então Ministro da Fazenda, Dr. Antonio Delfim Netto, contidas na exposição de motivos do aludido Decreto Lei”. Não se falava, naquela época, por óbvio, em interposição fraudulenta de terceiros, tampouco em multa para essa modalidade de ilícito. A interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importação e as consecutivas multas aplicáveis apenas foram introduzidas em nosso ordenamento jurídico em agosto de 2002, com a Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). Antes disso, nem sequer se falava em interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importação. Com essa figura devidamente inserida no ordenamento jurídico, aí sim se pôde falar em hipótese válida ensejadora da pena, que aliás é aquela propriamente prevista na norma e possui sanção própria (aduaneira). Apenas para reforçar, tomando por emprestadas as palavras do Conselheiro Daniel Gudino, no âmbito das importações, em termos gerais, dois bens jurídicos podem ser tutelados: o tributo e outros valores aduaneiros (não fiscais). Com relação ao tributo, as regras punem a interposição fraudulenta e a entrega a consumo. Contudo, a regra prevista no art. 490, I, do RIPI, é uma regra que tem origem em 1968, quando sequer existia a figura jurídica “interposição de pessoas”, razão pela qual a regra não se aplica aos bens não fiscais protegidos pelas Aduanas. Esses são motivos suficientes para se concluir que, no presente caso, não poderá subsistir a multa imposta pelas Autoridades Fiscais, prevista no art.490, I, do RIPI, seja Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 15758.000527/201039 Resolução nº 3301000.168 S3C3T1 Fl. 664 9 porque o bem jurídico tutelado (IPI) já foi cobrado com multa específica em outro processo, seja porque as importações foram submetidas ao legítimo controle aduaneiro ou porque, ainda que possam haver determinados erros nos documentos de importação, o que não verifiquei posto que não são objeto deste auto de infração, isso não torna a operação clandestina, irregular ou fraudulenta para fins do aqui pretendido. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário da Mude Comércio e Serviços Ltda., assim como dos demais solidários que igualmente apresentaram tal argumento, para cancelar a multa imposta, prevista no art. 490, I, do RIPI. No caso acima mencionado a multa foi excluída por dois motivos, primeiramente porque o IPI já teria sido cobrado com multa específica, ainda que em outro processo, e segundo, “as importações foram submetidas ao controle aduaneiro legalmente previsto”. Logo, o mesmo resultado deve ser dado ao presente caso, dado os mesmos fatos existentes. Entretanto, a referida decisão ainda não é definitiva, conforme depreendese do andamento do Processo nº 10803.000038/200937, o qual se encontra em fase de apreciação de embargos de declaração. Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que os autos sejam retornados à Unidade de origem para que se aguarde o resultado final do processo 10803.000038/200937. Requer ainda, seja juntado aos presentes autos a decisão final do processo nº 10803.000038/200937, e os mesmos sejam devolvidos a este colendo CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 05/06/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720140/2011-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratar-se norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratar-se norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. Recurso de Ofício Não Conhecido
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 40 /2 01 1- 41 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13864.720140/201141 Acórdão n.º 2403002.211 S2C4T3 Fl. 291 3 Relatório Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, DEBCAD 37.331.8685 e 37.331.8693, para constituição de créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, respectivamente: contribuições do contratante e dos contribuintes individuais. De acordo com o Relatório Fiscal foi verificado que as empresas INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA, CNPJ 05.604.139/000168, E EXPERTISE COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA, CNPJ 03.069.255/000107, foram classificados contabilmente na Conta 43111006 PROPAGANDA COOPERADA tendo a fiscalização constatado que houve pagamento pela prestação de serviço, chamada de "premiação" a prestadores de serviços autônomos, chamados de "parceiros comerciais". Após a apresentação da impugnação pela autuada a DRJ julgou improcedente o lançamento através do Acórdão 0537.308 que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA Considerando as disposições da Súmula Vinculante STF 8/2008 e da Lei 11.417/06; e, considerando que não se encontra demonstrada nos autos a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no final do parágrafo quarto do artigo 150 do CTN (“comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação”), a regra aplicável para determinação da decadência é a da parte inicial do aludido parágrafo. DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constitui requisito fundamental do lançamento fiscal o integral cumprimento das exigências constantes do artigo 142 do CTN. O lançamento deve compreender pelo menos o relato circunstanciado dos fatos, elementos e circunstâncias que demonstrem a viabilidade da presunção de que os fatos inferidos tenham realmente acontecido. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Desta forma, a Receita Federal apresenta recurso de ofício para para apreciação deste conselho. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso de ofício vem para análise desta turma, em face da do Acórdão 05 37.308 7ª Turma da DRJ/CPS que julgou improcedente o lançamento. O recurso de ofício não deve ser conhecido, como passaremos a demonstrar. Não obstante a legislação invocada pela autoridade julgadora de primeira instância, ao recorrer de ofício da decisão deu provimento ao contribuinte, o recurso não merece ser conhecido, em virtude da ocorrência de legislação sobre limite de alçada, senão vejamos: O recurso de ofício no caso de decisão que exonerar parte ou integralmente o crédito tributário, bem como o limite de alçada a ser observado, encontramse fundamentados no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, nos seguintes termos: Decreto nº 70.235/72 Art.34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Portaria MF nº 03/2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001.” Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13864.720140/201141 Acórdão n.º 2403002.211 S2C4T3 Fl. 292 5 Conforme se depreende dos dispositivos legais acima transcritos, o limite de alçada é no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), relativamente aos créditos exonerados em decisão de primeira instância. Assim, tratandose de norma processual, esta disposição legal deverá ser aplicada à época do julgamento do recurso, em detrimento à legislação vigente quando da interposição da peça recursal, consoante jurisprudência firme e mansa deste Colegiado, como fazem certo os julgados com suas ementas abaixo transcritas: RECURSO DE OFÍCIO ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA TEMPUS REGIT ACTUM RETROATIVIDADE LEGÍTIMA É legítima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de ofício interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legítima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada na apreciação do recurso. (Recurso de Ofício).Recurso de ofício não conhecido por falta de objeto. [...]” (5ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 151.280, Acórdão nº 10516879, Sessão de 04/03/2008) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJExercício: 1991, 1992, 1993NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA RETROATIVIDADE DE REGRA PROCESSUAL PORTARIA MF nº 3/2008.Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela regra administrativa constante da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07.01.2008, deixase de conhecer o recurso de ofício, por se tratar de regra processual aplicável de imediato, com efeito, retroativo.Recurso de Ofício Não Conhecido.” (8ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 158.704, Acórdão nº 108 09810, Sessão de 19/12/2008) “Assunto: Processo Administrativo FiscalAnocalendário: 2003RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO LIMITE ALÇADA. NÃO CONHECIDO.Não se conhece o Recurso de Ofício interposto antes da edição da Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008, que exonera o contribuinte do pagamento de tributo e multa de ofício em valor inferior R$1.000.000,00, por se tratar de norma processual de aplicação imediata. Recurso de ofício não conhecido.” (6ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº Como se verifica, a norma processual tem aplicação imediata. Aliás, o próprio Código de Processo Civil (aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal) consagrou aludida regra, em seu artigo 1.211, in verbis: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 A jurisprudência de nossos tribunais não discrepa desse entendimento, consoante se extrai dos seguintes julgados: Ementa: PROCESSUAL PENAL RECURSO DE OFÍCIO ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA LEGÍTIMA DEFESA RECURSO NÃO CONHECIDO. Ainda que o recurso tenha sido interposto antes das reformas trazidas pela Lei n.º 11.689/2008, é sabido que as normas processuais têm aplicação imediata, inclusive aos casos anteriormente julgados, como ocorre na hipótese em julgamento, pois, o Código de Processo Penal, em seu art. 2.º, consagrou o princípio segundo o qual o tempo rege o ato, ao dispor que ""a lei processual penal aplicarseá desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior"". Portanto, diante do princípio da imediatividade que rege a sucessão das leis processuais no tempo, não sendo mais contemplado o reexame necessário da sentença de absolvição sumária, não é possível conhecer de recurso já abolido do ordenamento jurídico. Recurso de ofício não conhecido. Súmula: NÃO CONHECERAM DO RECURSO. (TJ/MG Número do processo: 1.0261.06.0387675/001(1) Relator: ANTÔNIO ARMANDO DOS ANJOS Data do Julgamento: 14/10/2008 Data da Publicação: 23/10/2008) (grifamos) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PELO DESPACHO DO JUIZ QUE DETERMINA A CITAÇÃO. ART. 174 DO CTN ALTERADO PELA LC 118/2005. APLICAÇÃO IMEDIATA AOS PROCESSOS EM CURSO. EXCEÇÃO AOS DESPACHOS PROFERIDOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI. DEMORA NA CITAÇÃO. INÉRCIA DA EXEQUENTE. PRESCRIÇÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência desta Corte pacificarase no sentido de não admitir a interrupção da contagem do prazo prescricional pelo mero despacho que determina a citação, porquanto a aplicação do art. 8º, § 2º, da Lei 6.830/80 se sujeitava aos limites impostos pelo art. 174 do CTN; Contudo, com o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005, que alterou o art. 174 do CTN, foi atribuído ao despacho do juiz que ordenar a citação o efeito interruptivo da prescrição. 2. Por se tratar de norma de cunho processual, a alteração consubstanciada pela Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 ao art. 174 do CTN deve ser aplicada imediatamente aos processos em curso, razão pela qual a data da propositura da ação poderá serlhe anterior.[...] 6. Recurso especial nãoprovido.” (REsp nº 1074146/PE – Min. Benedito Gonçalves – Primeira Turma, Data Julgamento: 03/02/2009 – DJe 04/03/2009, Unânime) Na hipótese dos autos, com mais razão o limite de alçada hodierno deve ser levado a efeito em detrimento àquele vigente à época da interposição do recurso de ofício, tendo em vista tratarse de regra processual emitida/estabelecida pelo Fisco e de seu próprio interesse, visando à celeridade processual nos Órgãos Julgadores de segunda instância. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13864.720140/201141 Acórdão n.º 2403002.211 S2C4T3 Fl. 293 7 Em outras palavras, como o valor da presente autuação é de R$ 546.083,97 (quinhentos e quarenta e seis mil, oitenta e três reais e noventa e sete centavos) conforme se depreende às fls. 13 dos autos, o presente recurso de ofício não deve ser conhecido. Por todo o exposto, estando o RECURSO DE OFÍCIO em dissonância com as normas processuais que disciplinam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊ LO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15374.916982/2009-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/10/2001
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 82 /2 00 9- 29 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Rio de Janeiro I (fls. 100/107), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação da interessada formalizada contra a não homologação de compensação de reclamados créditos pelo pagamento a maior de IOF (código de receita 7893), no valor de R$ 3.214,00, recolhido em 24/10/2001. A compensação não foi homologada sob o fundamento de que, inerente ao pagamento em tela, não havia nenhum crédito disponível para compensação, pois o recolhimento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito outrora existente. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde afirmou ser entidade fechada de previdência complementar e que se equivocara no cálculo do IOF do período referente a operações de empréstimo, nos termos de laudo técnico apresentado, equívoco este repetido na DCTF correspondente, onde fora declarado como débito o valor indevidamente recolhido a maior. Ressaltou, ainda que os equívocos nas declarações não criam tributos, não podendo, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária. Apresentou planilha demonstrativa do aduzido erro cometido. A manifestação de inconformidade, contudo, não foi acolhida pela primeira instância, a qual, como ressaltado, indeferiu o pleito em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2001. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2001. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 13/10/2011 (fls. 111). Inconformada, a autuada apresentou, em 11/11/2011 (v. fls. 130 e 152), o recurso voluntário de Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.916982/200929 Acórdão n.º 3802002.043 S3TE02 Fl. 155 3 fls. 113/128, onde reafirma a existência de direito creditório por conta do pagamento a maior do imposto, ressaltado ainda: a) que, no caso concreto, teria havido a autorização do contribuinte de direito para que a fonte pagadora recorrente pleiteasse a restituição do indébito, inclusive com registro dos créditos pleiteados no passivo contábil perante os participantes; b) que, no preenchimento da última DCTF entregue à Receita Federal, a manifestante equivocouse em seu preenchimento e não demonstrou a existência de crédito de IOF em outubro de 2001; contudo, referido crédito poderia ser comprovado pela simples comparação entre os valores apresentados como devidos no período e a guia de recolhimento que instruíram a manifestação de inconformidade; c) cita respeitáveis entendimentos doutrinários para defender que os equívocos nas declarações do contribuinte não geram obrigação tributária, não podendo ser considerada receita do Estado; e, d) ressalta que se a confissão do débito pelo contribuinte se deu em virtude de erro, a mesma poderia ser revogada, a teor do disposto no artigo 352 do CPC. O sujeito passivo também pleiteia seja o julgamento convertido em diligência para apuração do indébito e comprovação da regularidade da compensação acaso as provas acostadas aos autos sejam consideradas insuficientes para a demonstração do direito reclamado, como lhe asseguram os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o processo baixado em diligência, nos termos acima propostos. O sujeito passivo acostou aos autos, em sede do presente recurso, expedientes internos e impressos do “razonete” da conta “recuperação de créditos IOF s/empréstimos”, bem como do “balancete. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 13/10/2011 (fls. 111). Por sua vez, o recurso voluntário foi postado nos Correios em 11/11/2011 (v. fls. 130 e 152), tempestivamente, portanto. Além disso, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento do tributo devido no período, e que o débito declarado em DCTF não corresponderia à realidade fática. Assevera ainda que a natureza do erro em que teria incorrido seria insuficiente para criar Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 obrigação tributária, e que o artigo 352 do CPC autorizaria a revogação da confissão da dívida em tal condição. De fato, o processo administrativo tributário não pode deixar de homenagear o princípio da verdade material. Exatamente por isso é que esta Turma, ao analisar pedidos de compensação como o presente, admite, em alguns casos, a dispensa de apresentação de DCTF retificadora, mas sempre se caracterizado o erro em que incorreu o sujeito passivo, ou, em outras palavras, se comprovado o indébito declarado na DCOMP, ressalvados os casos em que o contribuinte deliberadamente se recusa ao cumprimento de suas obrigações acessórias. Isso se dá em virtude da possibilidade de retificação de ofício da DCTF, admitida unicamente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como bem destacado na primeira instância. Com efeito, a título comprobatório do direito aduzido o sujeito passivo acostou aos autos parecer contábil de empresa de consultoria privada acompanhado de uma planilha de cálculo, além de expedientes internos que noticiam o reclamado pagamento a maior do imposto. Tal documentação não pode substituir a escrituração contábil e os documentos em que esta se embasa, como, no caso específico dos autos, os contratos dos empréstimos relacionados na citada planilha que deram origem ao IOF, bem como a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Mesmo ciente da necessidade de comprovação documental do direito – questão muito transparente na decisão de primeira instância –, a interessada comparece novamente aos autos sem apresentar prova suficiente do reclamado indébito, e requer seja o processo baixado em diligência para a comprovação do seu direito, o que não se pode admitir, uma vez que é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. É este quem detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. No caso presente, como já dito, a recorrente não trouxe a documentação minimamente necessária à comprovação de seu reclamado direito, não sendo razoável admitir a inversão do ônus da prova para o Fisco. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido a apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Assim, manifestome no sentido de rejeitar a diligência pretendida. Especificamente em relação aos pedidos de reconhecimento de indébitos relativos ao IOF há ainda uma particularidade: a restituição ou compensação desse imposto, em sintonia com o disposto no artigo 61 do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007 (Regulamento do IOF), deve vir acompanhada da comprovação das exigências estabelecidas no do artigo 8º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.916982/200929 Acórdão n.º 3802002.043 S3TE02 Fl. 156 5 Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. Assim, em face da natureza do crédito pleiteado, além da necessidade de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado, a recorrente deveria também demonstrar que devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, bem como que providenciou, juntamente com a contribuinte que sofreu a retenção, os estornos dos lançamentos contábeis e as retificações nas declarações entregues à Receita Federal, o que o não ocorreu, conforme anteriormente explicitado. Para tanto, não são suficientes os expedientes internos e as decisões do Conselho Deliberativo, muito menos os impressos do “razonete” da conta “recuperação de créditos IOF s/empréstiimos” e do “balancete” (com a correspondente escrituração da citada conta), os quais, segundo a recorrente, provariam a autorização do contribuinte de direito para que a fonte pagadora pleiteasse a restituição do indébito. Tais documentos não são minimamente suficientes para fazer prova nesse sentido, nem satisfazem às exigências legais para a repetição de indébito por quem fez retenção tributária na condição de responsável. Tudo isso está em sintonia com o disposto no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.894/94, segundo o qual o contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica tomadora do crédito, combinado com o artigo 166 do CTN, que exige que a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, a transferência do respectivo encargo financeiro, seja instruída com a prova de que o pleiteante assumiu o referido encargo, ou de que este está expressamente autorizado por quem efetivamente suportou o imposto. No mais, resta claro que o indébito reclamado carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisitos indispensáveis à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Nesse ponto, a Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10880.925615/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/01/2006
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na tentativa de inversão do ônus da prova com transferência para o Fisco da obrigação de comprovação do direito aduzido, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/01/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU DE PERÍCIA DESTINADAS À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECUSA DELIBERADA DE APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES RETIFICADORAS CONTEMPLANDO AS ADUZIDAS CORREÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO SUPOSTAMENTE RECOLHIDO A MAIOR. INDEFERIMENTO. A diligência ou a perícia não são instrumentos de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizadas para suprir deliberada ação omissiva de sujeito passivo que, unilateralmente, resolve não apresentar as declarações retificadoras a que estava obrigado (DCTF, DIPJ e DACON) contemplando as alegadas correções da base de cálculo do tributo supostamente recolhido a maior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/01/2006 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados, materializada na tentativa de inversão do ônus da prova com transferência para o Fisco da obrigação de comprovação do direito aduzido, impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 56 15 /2 00 9- 82 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 289/298 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório arguido e não homologou a compensação formalizada pela suplicante, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/01/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar Fl. 374DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.925615/200982 Acórdão n.º 3802001.987 S3TE02 Fl. 374 3 que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 24234.80519.240609.1.3.048508) em 24/06/2009, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls. 2 e seguintes). Nesta declaração, pretende o Contribuinte quitar os débitos declarados às fls. 3, no valor total de R$ 49.262,00, com supostos créditos (R$ 34.873,28) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 34.873,28 (código de receita: 5856), recolhido em 13/01/2006. A origem do crédito do Contribuinte utilizado nesta declaração foi informado às fls. 2 (DARF). 1.1. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SP) emitiu o Despacho Decisório de fls. 5, no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo Contribuinte às fls. 2. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 2. Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs tempestivamente a Manifestação de Inconformidade de 08/12/2009 (fls. 9/29), com a juntada de documentos de fls. 30/283 (Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral – CNPJ; Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social; Procuração ad judicia et extra e Substabelecimento; cópia do Despacho Decisório e do PER/DCOMP; planilhas demonstrativas), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 2.1. Afirma ser tempestiva a Manifestação de Inconformidade protocolizada no dia 08/12/2009, considerando a data de ciência do Despacho Decisório. 2.2. Alega que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base unicamente no cruzamento eletrônico das informações constantes em seu sistema informatizado, dispensando qualquer análise manual do caso e também a expedição de termo de intimação prévio, não identificou o crédito tributário existente em favor da Manifestante. 2.3. Confirma a ocorrência de erros materiais em suas declarações que acabaram dificultando o reconhecimento do seu direito creditório, motivo pelo qual pretende demonstrálos na Impugnação, de forma a possibilitar a retificação de oficio do lançamento levado a efeito, em atenção ao principio da verdade material. 2.4. Afirma que a parcela do crédito tributário discutido no presente PER/DCOMP faz parte de um conjunto maior que tem origem numa mesma situação ocorrida entre o período de janeiro/2003 e dezembro/2007, período este no qual tributou indevidamente receitas decorrentes de operações de venda destinadas (i) ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (exportação indireta), bem como (ii) a empresas comerciais fabricantes (portanto não atacadistas ou varejistas). 2.4.1. Em relação às vendas destinadas à exportação, a Manifestante alega ter informado erroneamente o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) nas respectivas notas fiscais de saída (5101 — “renda de produção do estabelecimento”, ao invés de 5501 — “remessa de produção do estabelecimento com o fim especifico de exportação”), o que acarretou a tributação indevida das correlatas receitas, já que em tais operações de exportação indireta não incide PIS e COFINS, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. 2.4.2. Já a segunda parcela do direito creditório decorre de vendas realizadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, posto que, por se tratarem de empresas comerciais fabricantes, deveriam ser observadas as alíquotas comuns do PIS e da COFINS de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e não as diferenciadas de 2,3% e 10,8%, conforme dispõe o artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.485/02. 2.5. Afirma que o crédito total apurado encontrase demonstrado nas planilhas que acompanham sua defesa, estando fundado nos documentos fiscais e comerciais pertinentes, idôneos e revestidos das formalidades legais, sendo de possível reconstituição por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio das diversas informações constantes em seu sistema informatizado, documentos tais que se encontram à disposição desse órgão. 2.5.1. A Manifestante deixou de juntar ao feito todas as notas fiscais de saída emitidas entre os períodos de apuração do credito (jan/03 a dez/07), alegando impossibilidade material e por acarretar demasiado transtorno processual (autuação e manuseio dos autos), já que se trata de milhares e milhares de documentos, motivo pelo qual se faz necessária a conversão do julgamento em diligência e/ou determinação de perícia técnica, nos termos dos artigos 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72 (aplicáveis ao rito da Manifestação de Inconformidade por força do § 11, do artigo 17, da Lei nº 9.430/96), a fim de que as planilhas demonstrativas do crédito aqui apresentadas sejam devidamente validadas. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.925615/200982 Acórdão n.º 3802001.987 S3TE02 Fl. 375 5 2.6. Ressalta que, quando da identificação dos erros cometidos na tributação das vendas em questão e conseqüente apuração dos correlatos créditos tributários, a Manifestante acabou apenas transmitindo os PER/DCOMP, deixando de promover, porém, a retificação das obrigações acessórias envolvidas (DCTF, DACON e DIRPJ), nas quais deveria ter reduzido os montantes de PIS e COFINS devidos nos termos das planilhas mencionadas. 2.6.1. Entende que tal ausência de retificação das obrigações acessórias envolvidas seja prescindível de justificativa para fins de julgamento do presente feito e retificação de oficio do lançamento com base na verdade material. 2.6.2. Explica que tais retificações seriam realizadas via processos administrativos, hoje de competência do chefe da DIORT, nos termos do artigo 2º, inciso III, da Portaria DERAT/SP nº 413/2009, processos administrativos esses morosos, de difícil solução e de eficácia limitada, que poderia acarretar na prescrição do direito creditório, inviabilizando as compensações pretendidas. 2.7. Em razão da ausência de retificação das DCTF envolvidas, os supostos recolhimentos indevidos acabaram sendo integralmente imputados para pagamento dos débitos declarados, não remanescendo qualquer saldo em favor da Manifestante nos seguintes processos: 10880.690.786/200985, 10880.690.781/200952, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.915.257/200908, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.925.615/200982, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976, 10880.690.799/200954 e 10880.925.616 72009 27. 2.8. Tendo em vista que os 22 (vinte e dois) PER/DCOMP mencionados possuem por base o mesmo direito creditório discutido (mesma origem e fundamento), e considerando o pedido de conversão do julgamento em diligência, mostrase necessário, por medida de economia e celeridade processual, com fundamento na Portaria RFB nº 666/08, o apensamento dos feitos por anexação para julgamento conjunto, de modo a evitar decisões contraditórias entre as Turmas da própria DRJ. 2.9. Afirma que, em função da ausência de retificação da DCTF do período, o respectivo recolhimento acabou sendo integralmente apropriado, não remanescendo valor passível de restituição e compensação. Porém, ao recompor a apuração da contribuição à COFINS devida (exclusão de parte de sua base de cálculo e reajustando a correta alíquota a ser observada sobre parte das receitas de vendas), chegarseá ao saldo devedor correto. Nesses termos, a decisão ora impugnada está fundada, exclusivamente, nos erros cometidos pelo Contribuinte quando do preenchimento de suas obrigações acessórias e na ausência de apreciação de fatos não conhecidos ou não provados por ocasião do despacho decisório. 2.9.1. Contudo, em atenção ao principio da verdade material, cumpre à Administração Fazendária rever o lançamento levado a efeito, mostrando se imprescindível a conversão do julgamento em diligência a fim de que seja validado o saldo credor apurado e utilizado pela Manifestante. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 2.9.2. No momento em que o Fisco constata que o contribuinte errou ao prestar informações à Administração Fazendária, ou mesmo prestou informações inconsistentes ou insuficientes, deve de pronto retificar eventuais atos que decorreram dessas equivocadas informações, pautando sua atuação nos fatos efetiva e concretamente ocorridos. 2.10. De forma a cumprir os requisitos legais previstos no citado artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, informa a Impugnante que a diligencia ou perícia pretendida se justifica em razão da necessidade de se validar, através da análise das notas fiscais de saída emitidas pela Manifestante no período de jan/2003 a dez/07, dos memorandos de exportação, da atividade das empresas comerciais fabricantes cujas alíquotas diferenciadas do PIS e da COFINS foram indevidamente adotadas e demais documentos pertinentes, o crédito tributário apurado e aproveitado para a compensação veiculada nos PER/DCOMP discutidos. Indica Perita Contábil e formula quesitos. 2.11. Assim, requer a Manifestante o conhecimento e regular processamento da presente Manifestação de Inconformidade; o apensamento deste feito aos demais 22 (vinte e dois) processos correlacionados, com os seus encaminhamentos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento; seja determinada a realização de diligência e/ou perícia técnica conforme delimitado; no mérito, em atenção ao principio da verdade material, sejam as defesas julgadas procedentes para o fim de homologar as compensações pleiteadas, extinguindose os créditos tributários em cobrança. 2.11.1. Por derradeiro, protesta a Manifestante pela juntada de eventual documentação complementar que se faça necessária, bem como apresentação de novos esclarecimentos ou quesitos complementares em relação ao pedido de diligência e/ou perícia técnica formulado. 2.12. A representação processual foi regularizada pela Manifestante por meio da entrega da petição anexada às fls. 284/287. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 08/09/2011 (fls. 302). Inconformada, a interessada apresentou, em 04/10/2011, o recurso voluntário de fls. 303/323, onde reitera que o crédito alegado seria decorrente de pagamento indevido da contribuição do período, ressaltando ainda: a) que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a presunção de legitimidade dos atos administrativos é relativa, de sorte que, tendo a recorrente demonstrado a fragilidade do despacho decisório com base nos demonstrativos acostados aos autos, jamais poderia ter sido indeferido o pedido de diligência formulado, imprescindível para a validação do direito creditório pleiteado; b) que apesar de a recorrente haver manifestado a “[...] absoluta impossibilidade material e por acarretar transtorno processual (autuação e manuseio dos autos), já que se trata de milhares de milhares de documentos) [...]”, o julgador de primeira instância manteve o despacho decisório com fundamento, exatamente, na falta de comprovação dos erros materiais e do direito creditório; c) que, “também de forma contraditória indeferiu o pedido de diligência porque: (i) ‘em relação às supostas vendas destinadas à exportação, deixou a Manifestante de apresentar as cópias das Notas Fiscais e contratos comerciais, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.925615/200982 Acórdão n.º 3802001.987 S3TE02 Fl. 376 7 dentre outros documentos, que comprovariam a destinação dos produtos ao exterior...’; e (ii) ‘em relação às vendas realizadas às empresas Rassini e Magnet Marelli (empresas comerciais fabricantes), (...), faltou igualmente ao Contribuinte comprovar a origem (Notas Fiscais) dos valores incluídos em suas planilhas explicativas (...). Destaquese se que o Contribuinte sequer logrou êxito em comprovar que as citadas empresas compradoras seriam fabricantes de veículos e máquinas (...) não há descrição precisa sequer dos nomes das empresas compradoras, nem da identificação de seu CNPJ’”; d) assim, “o julgador desconsiderou por completo os argumentos e fundamentos que embasaram o pedido de diligência, apenas reforçando a necessidade e imprescindibilidade de tal procedimento”; e) que “as empresas ‘Rassini’ e ‘Magnet Marelli’ são, respectivamente, a maior fabricante de molas originais da América do Sul e a maior fabricante de sistemas e componentes automotivos do mundo [...], sendo, portanto, fato notório que se tratam de comerciais fabricantes, dispensando, portanto, provas nesse sentido (Código de Processo Civil, artigo 334, I)”; f) que, “de qualquer forma, a Recorrente apresenta, exemplificativamente, notas fiscais de saídas destinadas às referidas empresas (doc. 03), de modo a provocar a conversão do julgamento em diligência, nos termos requeridos”; g) que, “em relação às saídas destinadas à exportação, [...] apresenta notas fiscais e memorandos de exportação (doc. 04), com o mesmo objetivo de infirmar a alegada presunção de legitimidade dos atos administrativos em que se fundou a decisão recorrida e possibilitar a conversão do julgamento em diligência”; h) que o presente litígio integra um total de 22 processos correlatos os quais devem ser apensados por anexação para julgamento em conjunto, bem como para fins de conversão do julgamento em diligência; i) apresenta argumentos inerentes à materialidade do erro cometido – fonte do aduzido direito creditório – e, forte no princípio da verdade material, defende a obrigatoriedade de a Administração Fazendária rever o lançamento que originou o débito em cobrança, de sorte a adequálo à realidade fática; fundamentase nos artigos 145, III e 149, IV, V e VIII do CTN; transcreve ementas de acórdãos dos Conselhos de Contribuintes em defesa de sua tese; j) que a exposição da situação dos períodos de 2003 a 2007 e a apresentação de planilhas sintéticas e analíticas de apuração do indébito tributário infirmam a suposta presunção de legitimidade em que se funda o despacho decisório; apresenta doutrina em sintonia com seu argumento; k) que o julgador de primeira instância “não conseguiu fundamentar a ausência do direito creditório e também ficou em dúvida sobre a veracidade das alegações da Recorrente, o que, apesar de justificar a conversão do julgamento em diligência, acabou embasando a improcedência da defesa apresentada?!”; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 l) que os documentos em que se embasaram as planilhas demonstrativas não foram acostados aos autos “seja porque se encontram, em parte, disponíveis no sistema informatizado da Administração Fazendária Federal, seja porque o seu volume mostrase por demais exagerado, fato esse que acabaria por tumultuar o bom andamento do presente processo [...]”; m) assim, “para a validação dos créditos tributários apurados e demonstrados [...] mostrase necessário que o Órgão Fazendário analise as notas fiscais de saída emitidas no período compreendido entre janeiro/2003 e dezembro/2007, de modo a excluir da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS as receitas decorrentes de vendas destinadas ao exterior e reajustar as alíquotas corretas nas vendas para as empresas comerciais fabricantes, retificando de ofício os débitos erroneamente declarados em DCTF, portanto em desacordo com a verdade material, e, com isso, homologando as compensações pleiteadas”; n) requer a realização de diligência ou de perícia, indicando perita contábil e formulando quesitos. Diante do exposto, requer a interessada a apensação do feito aos demais 22 processos que tratam da mesma matéria, para que seja determinada a realização de diligência ou de perícia técnica, nos termos referenciados, e, no mérito, seja dado provimento ao recurso e homologada integralmente a compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, o pedido de compensação formalizado pelo sujeito passivo em 24/06/2009 objetivava a liquidação de débitos tributários com supostos créditos da interessada decorrentes de aduzido pagamento a maior da COFINS nãocumulativa (código de receita 5856) realizado em 13/01/2006, na quantia de R$ 34.873,28. Atendome, de início, unicamente à questão de direito reclamada pela interessada, é verdade que a tese em que a mesma se alicerça possui verossimilhança, já que, de fato, o PIS e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação (Lei nº 10.637/2002, artigo 5º, inciso III1 e Lei nº 10.833/2003, artigo 6º, inciso III2). No tocante às vendas a “empresas comerciais fabricantes”, a Lei nº 10.485/2002, em seu artigo 3º, estabelece alíquotas reduzidas 1 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 2 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.925615/200982 Acórdão n.º 3802001.987 S3TE02 Fl. 377 9 das aludidas contribuições no caso de as vendas para as empresas Rassini e Magnet Marelli se enquadrarem na hipótese que o legislador procurou albergar com a edição da norma em tela3. Em diversas situações em que analisamos recursos contra a nãohomologação de pedidos de compensação foi feita verdadeira auditoria nas provas colacionadas aos autos pelo sujeito passivo, mesmo quando tais provas foram apresentadas somente em sede de recurso voluntário. Nos casos em que tal análise não foi possível neste foro, nos manifestamos pela baixa dos autos em diligência para a confirmação dos registros fiscais, planilhas e documentos apresentados pela interessada a fim de verificar a liquidez e a certeza do direito creditório aduzido. Em todos esses casos, frisese, o contribuinte sempre demonstrou procurar adequar a sua situação fática às obrigações acessórias correspondentes, com apresentação, quando possível, das declarações retificadoras a que estava obrigado. Esta é a linha de entendimento normalmente consensual que esta Turma tem adotado nos inúmeros casos que julgou concernentes a recursos contra a nãohomologação de pedidos de compensação, e isso, justamente, em homenagem ao princípio da verdade material. Contudo, a realidade ora examinada diverge de outras tantas já apreciadas por esta Turma, uma vez que, agora, o sujeito passivo pleiteia o completo exame de sua escrituração pela Administração Fazendária sem ter retificado nenhuma das declarações de apresentação obrigatória (DCTF, DACON e DIPJ) em sintonia com o suposto pagamento indevido da contribuição. Com efeito, como a própria recorrente informa em sua manifestação de inconformidade, e reitera em seu recurso voluntário, deixou de providenciar “[...] a retificação das obrigações acessórias envolvidas (DCTF, DACON e DIRPJ, nas quais deveria ter reduzido os montantes de PIS e COFINS devidos, conforme se encontra demonstrado nas planilhas acima já mencionadas” (v. fls. 310). Assim, a interessada comparece novamente aos autos apresentando, a título comprobatório do direito creditório, unicamente, “planilhas sintéticas e analíticas”, bem como amostras de notas fiscais de saídas destinadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, além de exemplos de notas fiscais e de memorandos de exportação. Em seu recurso voluntário a interessada afirma que os documentos em que se embasaram as planilhas demonstrativas não foram acostados aos autos “seja porque se encontram, em parte, disponíveis no sistema informatizado da Administração Fazendária Federal, seja porque o seu volume mostrase por demais exagerado, fato esse que acabaria por tumultuar o bom andamento do presente processo [...]”. De fato, a própria reclamante assevera que as notas fiscais representam “[...] milhares e milhares de documentos [...]” (v. fls. 308), mas entende que a validação dos créditos tributários apurados em suas planilhas torna “[...] necessário que o Órgão Fazendário analise as notas fiscais de saída emitidas no período 3 Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 compreendido entre janeiro/2003 e dezembro/2007, de modo a excluir da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS as receitas decorrentes de vendas destinadas ao exterior e reajustar as alíquotas corretas nas vendas para as empresas comerciais fabricantes, retificando de ofício os débitos erroneamente declarados em DCTF, portanto em desacordo com a verdade material [...]”. A leitura que faço desses argumentos é a de que o sujeito passivo pretende transferir para o Fisco o ônus de comprovação do direito creditório que alega em seu favor e, pior, sem ter sido minimamente diligente no que concerne à apresentação das declarações a que estava obrigado (DCTF, DIPJ e DACON) contemplando as proclamadas corretas bases de cálculo e montantes devidos do PIS e da COFINS. Com isso, o sujeito passivo privou a Administração Tributária da auditoria eletrônica das informações que integram as declarações de apresentação obrigatória, e agora, pretende que a mesma Administração dispense seus já reconhecidamente escassos recursos de mãodeobra especializada na análise dos “[...] milhares e milhares de documentos [...]” da empresa, pleito que não guarda a menor razoabilidade diante da realidade presente. Não pode ser ignorado o fato de que a ausência de apresentação das declarações retificadoras (DCTF, DACON e DIPJ) não se deu por esquecimento, equívoco ou motivo de força maior, mas foi uma atitude deliberada do sujeito passivo, que, unilateralmente, concebeu tais obrigações como prescindíveis. Também procurou justificar se alegando morosidade no exame das declarações retificadoras, “[...] de difícil solução e de eficácia limitada [...]”, que poderia redundar na “[...] prescrição do direito creditório [...]” (o que não é verdade, uma vez que diante da competência do fato gerador – de dezembro de 2005 – e da data em que foi apresentado o PER/DCOMP, 24/06/2009, leiase, momento em que se pode afirmar o pleno conhecimento do “equívoco” pela interessada –, é evidente que havia elástico tempo hábil à apresentação das declarações). Confirase o seguinte trecho extraído de sua manifestação de inconformidade (v. fls. 16 do processo eletrônico), que corrobora a firmação acima consignada: Ocorre que, quando da identificação dos erros cometidos na tributação das vendas em questão e conseqüente apuração dos correlatos créditos tributários, a Manifestante acabou apenas transmitindo os PER/DCOMP's de modo a aproveitar o direito creditório existente em seu favor e se resguardar quanto a eventual decurso do prazo prescricional, deixando de promover, porém, a retificação das obrigações acessórias envolvidas (DCTF, DACON e DIRPJ), nas quais deveria ter reduzido os montantes de PIS e COFINS devidos, conforme se encontra demonstrado, também, nas planilhas acima já mencionadas. Tal ausência de retificação das obrigações acessórias envolvidas, não obstante seja prescindível de justificativa para fins de julgamento do presente feito e retificação de ofício do lançamento com base na verdade material, se explica pela necessidade de se realizar via processos administrativos, hoje de competência do chefe da DIORT, nos termos do artigo 2º, inciso III, da Portaria DERAT/SP nº 413/2009, processos administrativos esses, como se sabe, morosos, de difícil solução e eficácia limitada, podendo acarretar, consequentemente, a prescrição do direito creditório, inviabilizando as compensações pretendidas. (grifos nossos) Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.925615/200982 Acórdão n.º 3802001.987 S3TE02 Fl. 378 11 Logo, o pedido de diligência ou de perícia formulado não se subsume às hipóteses em que o Processo Administrativo Fiscal as admite, seja diante da preclusão da apresentação da prova documental do direito (notadamente, as declarações retificadoras da interessada) – § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 –, seja pelo fato de a baixa dos autos para que a Fazenda reconstitua a escrituração da empresa – lembrando, que negouse a apresentar as declarações retificadoras a que estava obrigada –, mediante a análise de “[...] milhares e milhares de documentos [...]”, revestirse em procedimento impraticável, o que autoriza seu indeferimento com base no artigo 18 do mesmo Decreto nº 70.235/72. A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. No caso presente, como já dito, houve deliberada ação omissiva da recorrente caracterizada pela recusa na prestação das obrigações acessórias a que estava obrigada, não sendo razoável admitir a inversão do ônus da prova do direito para o Fisco, que, no entender do sujeito passivo, teria a obrigação de se debruçar sobre sua farta documentação para provar direito o qual deveria ter sido demonstrado, pelos meios normativamente estipulados, por quem alega e detém interesse. Assim, manifestome no sentido de rejeitar diligência ou perícia destinada a confirmar o crédito tributário reclamado, bem como indefiro a apensação do feito aos outros 22 processos da interessada para a realização de diligência conjunta, por consequência lógica. Inadmitida a baixa dos autos em diligência, passase à analise propriamente dita do mérito da compensação vislumbrada. Nesse âmbito, a reconhecida necessidade de exame dos documentos da interessada revela que o indébito reclamado carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisito indispensável à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. De fato, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN, o que não se constatou na realidade presente. Nesse sentido, a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Recurso provido. Decisão unânime. (Recurso Especial no 98.899/SC. Relator Min. Demócrito Reinaldo. Publicado no D.J. de 29/10/1996 – grifos nossos) Inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, legítima a cobrança dos créditos tributários que intentava extinguir por compensação. Deixo de examinar os argumentos destinados a contraditar as razões do indeferimento do pleito pela primeira instância, uma vez que a linha aqui adotada, muito embora, no mérito, deságue no mesmo entendimento pelo desprovimento do recurso em vista da não comprovação do direito creditório, aborda tratamento divergente com respeito à possibilidade de apreciação da prova, nos termos acima tratados. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 22 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10469.721379/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 13 79 /2 00 9- 98 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, SEBASTIÃO AMBRÓSIO DE MELO, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 11/14, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2006, relativo ao imóvel denominado "Fazendas Serra Pelada", localizado no município de Taipu RN, com área total de 540,0 ha, cadastrado na RFB sob o n° 1.248.0100, no valor de R$ 9.010,45 (nove mil dez reais e quarenta e cinco centavos), acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora perfazendo um crédito tributário total de R$ 18.760,65 (dezoito mil setecentos e sessenta reais e sessenta e cinco centavos). O contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos e documentos para comprovação dos valores declarados na Declaração do ITR DITR/2006, pelo Termo de Intimação Fiscal TIF n° 04201/00022/2009, fls. 01/03. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2006 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 13, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) declaração, indevida, de 170,0 ha de área de preservação permanente; b) declaração, indevida, de 100,0 ha de área de reserva legal; c) subavaliação do Valor da Terra Nua. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 21/08/2009, conforme fls. 15/16. Não concordando com a exigência o contribuinte apresentou impugnação de fl. 18, em 22/09/2009, fl. 18, alegando ipsi litteri: "Venho através desta justificar por motivo de erro no preenchimento da Declaração Imposto Territorial Rural, colocou na Preservação Permanente e não na Area Pastagem e requerer que esta forma de penalidade seja analisada, esses valores estão fora da nossa realidade ". A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10469.721379/200998 Acórdão n.º 2202002.444 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi cientificada ao contribuinte através do correio em 04/08/2011 (fls.35). Entretanto a peça recursal, somente, foi protocolada em 29/09/2011, fora do prazo fatal. Acrescentese que a autoridade lançadora já havia indicado a intempestividade do recurso nas fls.76. Caberia ao suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor o recurso. Nestes termos, posicionome no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000596/2008-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO INDEVIDO/FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. IRPJ.
Constatado que o IRPJ não é objeto litigioso do processo judicial que se restringe à CSLL e ao PIS, e, não havendo prova nos autos de que houve pagamento a maior de IRPJ no ano calendário de 2004, inexiste fundamento jurídico que permita a sua compensação com débitos próprios do contribuinte.
PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CSLL.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido de tributo e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que supostos recolhimentos de CSLL a compor o saldo negativo do ano calendário de 2004 foram efetuados com a alíquota majorada de 30% de que trata a ação judicial a que se refere o interessado. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO/FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. IRPJ. Constatado que o IRPJ não é objeto litigioso do processo judicial que se restringe à CSLL e ao PIS, e, não havendo prova nos autos de que houve pagamento a maior de IRPJ no ano calendário de 2004, inexiste fundamento jurídico que permita a sua compensação com débitos próprios do contribuinte. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CSLL. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido de tributo e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que supostos recolhimentos de CSLL a compor o saldo negativo do ano calendário de 2004 foram efetuados com a alíquota majorada de 30% de que trata a ação judicial a que se refere o interessado. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
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COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. IRPJ. Constatado que o IRPJ não é objeto litigioso do processo judicial que se restringe à CSLL e ao PIS, e, não havendo prova nos autos de que houve pagamento a maior de IRPJ no ano calendário de 2004, inexiste fundamento jurídico que permita a sua compensação com débitos próprios do contribuinte. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. CSLL. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido de tributo e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que supostos recolhimentos de CSLL a compor o saldo negativo do ano calendário de 2004 foram efetuados com a alíquota majorada de 30% de que trata a ação judicial a que se refere o interessado. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 05 96 /2 00 8- 78 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório O presente processo trata dos PER/DCOMP de fls. 02/09, relativos a supostos créditos de saldo negativo de IRPJ (fl.07) e CSLL (fl.03) do período de apuração de 2004, ambos dito oriundos do processo judicial n° 9500008009 da 29ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Consta do relatório do Parecer n° 005/2009 Deinf/RJO/Diort (fls. 32/36) que a referida ação judicial é um mandado de segurança impetrado por Motor Union Seguros S/A CNPJ 60.398.310/000138 e outro (fl. 18) e que, acórdão do TRF da 2ª Região exarado na Apelação em Mandado de Segurança com Recurso Extraordinário e Especial, processo n° 97.02.200725, "concedeu segurança para que o impetrante se abstenha de recolher a CSSL e o PIS, com alíquotas majoradas, por força da ECR 1/94 e MP's editadas com fulcro na referida ECR 1/94, enquanto não existir lei regulando Fundo Nacional de Emergência." (fls. 20 a 25). Conforme o Despacho Decisório no Parecer n° 005/2009 (fls. 32/36), não foi reconhecido o direito creditório (decorrente de CSLL, no valor de R$ 5.192,40, e de IRPJ, no valor de R$ 44.952,35), e não foram homologadas as compensações declaradas por meio dos PER/DCOMPs: nº 10618.06601.150304.1.3.535731, Saldo Negativo de CSLL, R$ 5.192,40 (fls.02/05) e nº 31013.94121.150304.1.3.521078, Saldo Negativo de IRPJ, R$ 44.952,35 (fls.06 a 09), uma vez que o mandado de segurança não sendo substituto da ação de repetição de indébito não é a via adequada para obtenção de decisão judicial que atribua o direito de devolução nem compensação de valores pagos indevidamente, pois, não tendo natureza condenatória no sentido estrito, jamais poderá conceder qualquer prestação econômica em favor do autor, sendo sua índole unicamente obstar a prática de ato ou procedimento que ofenda direito líquido e certo. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 42/49, na qual alega, em síntese, que: o direito creditório não reconhecido decorre de mandado de segurança proposto por sua sucedida (Motor Union Seguros S/A); se os créditos tributários recolhidos foram considerados ilegítimos por uma sentença transitada em julgado, não pode haver dúvidas de que se abre o direito à compensação de tais indébitos; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000596/200878 Acórdão n.º 1802001.827 S1TE02 Fl. 3 3 não podem subsistir os argumentos contidos no Parecer 005/2009. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ1) indeferiu a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que a decisão judicial em sede de mandado de segurança não pode alcançar os pedidos de compensação, porque deles não cuidou, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1234.861, de 16 de dezembro de 2010 (fls.69/72), cientificado ao interessado em 25/05/2011(Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. Mantémse o Despacho Decisório, se não apresentado elemento de prova que o modifique. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. Mantémse o Despacho Decisório, se não apresentado elemento de prova que o modifique. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/06/2011 no qual aduz que os fundamentos para o indeferimento do pleito não merecem prosperar pelas seguintes razões: De fato, a ação mandamental não é substitutiva da ação de cobrança (Súmulas n°s 269 e 271 do STF) . Tratandose, contudo, de supostos débitos recolhidos no curso da ação, sobrevindo o trânsito em julgado da sentença que determinou à autoridade impetrada que se abstenha de exigir o tributo, é evidente que essa decisão judicial deverá ter alguma eficácia prática no mundo dos fatos; No caso de recolhimentos que, com a decisão judicial final, tornaramse indébitos, tem o contribuinte o direito de vêlos restituídos pelo regime de compensação, pois o reconhecimento do seu direito já foi fixado pelo Poder Judiciário; A Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil n° 973, de 27 de novembro de 2009, é reconhecimento cabal da procedência do direito da recorrente. Traz ela a melhor interpretação a ser conferida à hipótese, uma vez que, no caso dos presentes autos, também restou declarada a inconstitucionalidade da lei "em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte", ali não se fazendo qualquer ressalva quanto à espécie de medida judicial em que reconhecido o direito. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Quanto ao fundamento de que a recorrente não apresentou elementos de prova em sua manifestação de inconformidade que conduzissem a conclusões diversas daquelas apresentadas no despacho decisório. A recorrente argúi que, não se trata de matéria de prova e, sim, de questão puramente lógica, pois, a partir do momento em que determinado débito já quitado foi julgado indevido, nasce um crédito para o contribuinte, cuja compensação a Instrução Normativa n° 460/2004, artigo 26, § 1º, que vigorava à época das compensações em comento, em nenhum momento vedou. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso, para reformar a decisão recorrida e homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem nos PER/DCOMPs nº 10618.06601.150304.1.3.535731 e 31013.94121.150304.1.3.521078, transmitidos em 05/03/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins, código 7987, relativo ao mês de fevereiro de 2004, com a utilização de créditos decorrentes de Saldo Negativo de CSLL, no valor de R$ 5.192,40 (fls.02/05) e, Saldo Negativo de IRPJ, no valor de R$ 44.952,35 (fls.06 a 09), respectivamente, relativos ao período de apuração de 2004, oriundos de Ação Judicial (processo nº 9500008009, da 29a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro). Conforme já relatado, o processo judicial mencionado trata de mandado de segurança em que o TRF da 2ª Região autorizou o interessado a não recolher CSLL e PIS com as alíquotas majoradas por força da ECR 1/94 e Medidas Provisórias editadas com fulcro na referida emenda constitucional de revisão (ECR 1/94) enquanto não existir lei regulamentando o Fundo Nacional de Emergência (fls. 20 a 25). Como se vê, o IRPJ não é objeto litigioso do processo judicial que se restringe à CSLL e ao PIS. No tocante ao PER/DCOMPs nº 31013.94121.150304.1.3.521078 (fls.06 a 09) o suposto crédito seria decorrente de saldo negativo de IRPJ, do ano calendário de 2004, oriundo de Ação Judicial (processo nº 9500008009, da 29a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. De plano, não subsiste a pretensão da Recorrente, porque simplesmente a decisão judicial não tratou de qualquer ilegalidade em relação ao IRPJ. Com efeito, constatado que o IRPJ não é objeto litigioso do processo judicial que se restringe à CSLL e ao PIS, e não havendo prova nos autos de que houve pagamento a maior de IRPJ no ano calendário de 2004, inexiste fundamento jurídico que permita a sua Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000596/200878 Acórdão n.º 1802001.827 S1TE02 Fl. 4 5 compensação com débitos próprios do contribuinte, que justifique a apresentação do referido PER/DCOMP, razão pela qual não deve ser homologada a compensação declarada. No que diz respeito ao saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2004, iniciemos, pois, sua análise a teor da EMENDA CONSTITUCIONAL DE REVISÃO Nº 1, DE 01 DE MARÇO DE 1994 que, ao acrescentar os artigos 71, 72 e 73 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, assim dispôs: ... Art. 1.º Ficam incluídos os arts. 71, 72 e 73 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com a seguinte redação: Art. 71. Fica instituído, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, o Fundo Social de Emergência, com o objetivo de saneamento financeiro da Fazenda Pública Federal e de estabilização econômica, cujos recursos serão aplicados no custeio das ações dos sistemas de saúde e educação, benefícios previdenciários e auxílios assistenciais de prestação continuada, inclusive liquidação de passivo previdenciário, e outros programas de relevante interesse econômico e social. Parágrafo único. Ao Fundo criado por este artigo não se aplica, no exercício financeiro de 1994, o disposto na parte final do inciso II do § 9.º do art. 165 da Constituição. Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: ... III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1.º do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, passa a ser de trinta por cento, mantidas as demais normas da Lei n.º 7.689, de 15 de dezembro de 1988; III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1º do Art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 10, de 1996) ... Art. 73. Na regulação do Fundo Social de Emergência não poderá ser utilizado o instrumento previsto no inciso V do art. 59 da Constituição. ... Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Com efeito, a Emenda Constitucional de Revisão n. 1, de 01.03.1994, incluiu o art. 72, III, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que elevou a 30% a alíquota da CSLL exigida das pessoas jurídicas constantes no § 1º do art. 22 da Lei n. 8.212, de 24.07.1991, que são, as instituições financeiras. A Emenda Constitucional de Revisão nº 1, que introduziu, no ADCT, os arts. 71, 72 e 73,sobre o Fundo Social de Emergência, entrou em vigor em março de 1994, com efeitos, também, a partir de janeiro do mesmo ano, tendo o prazo de vigência do Fundo Social de Emergência exaurido em 31/12/1995. A Emenda Constitucional nº 10/1996 alterou os arts. 71 e 72, do ADCT, prorrogandose a vigência do Fundo Social de Emergência, no período de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997. Assim, exaurido o prazo de vigência do Fundo Social de Emergência a 31/12/1995, com fulcro na referida emenda constitucional de revisão (ECR 1/94), a decisão judicial em sede de mandado de segurança tem eficácia restrita ao seu conteúdo e ao tempo de sua vigência em que a alíquota de exigência da CSLL era de 30% . Ressaltese que, a alíquota nominal da CSLL, conforme o artigo 11 da Lei Complementar nº 70/1991 era de 23%, sendo alterada para 30% a partir de junho de 1994 a 1996 para às Instituições Financeiras, empresas de seguros privados e demais entidades submetidas à competência normativa do Banco Central do Brasil (Bacen) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep), inclusive corretoras de seguros, de acordo com as Emendas Constitucionais nº 1/1994 e 10/1996. Sem embargo, desde 1997, a CSLL deixou de ser dedutível, e, a alíquota da CSLL ficou reduzida aos seguintes percentuais diante dos fundamentos legais, a seguir: a) 1997 e 1998 18% (Arts. 1º e 2º da Lei nº 9.316/1996 Conversão da Medida Provisória no 1.5162, de 24 de outubro de 1996. ) b) 01/01/1999 a 30/04/1999 8% ( Art. 7º da MP nº 2.158/2001 e reedições posteriores); c) 01/05/1999 a 31/01/2000 12% (Arts. 6º e 7º da MP nº 2.158/2001 e reedições posteriores); d) 01/02/2000 a 30/04/2008 9% (Arts. 6º e 7º da MP nº 2.158/2001 e reedições posteriores e Art. 37 da Lei nº 10.637/2002) e) A partir de 01/05/2008 15% ( Art.17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 – Conversão da MP 413 de 03/01/2008, Alterada pela Medida Provisória n° 425, de 30 de abril de 2008) e (Art. 1º da IN RFB nº 810/2008). Portanto, desde 01/02/2000 até 30/04/2008, a alíquota da CSLL, aplicável à sua base de cálculo, era uniforme em relação a todos os contribuintes. Dessa forma, tanto os contribuintes sujeitos ao Lucro Real, quanto ao Presumido ou Arbitrado, aplicavam sobre a base de cálculo apurada de acordo com um desses regimes a alíquota de 9% (nove por cento). O artigo 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, alterou o artigo 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, verbis: Art.17. O art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com seguinte redação: "Art.3º A alíquota da contribuição é de: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000596/200878 Acórdão n.º 1802001.827 S1TE02 Fl. 5 7 Iquinze por cento, no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, as de capitalização e as referidas nos incisos I a XII do § 1º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001; e II nove por cento, no caso das demais pessoas jurídicas."(NR) Assim, com o advento da MP 413,de 2008, a partir de 01/05/2008, a CSLL será determinada mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) para os contribuintes (instituições financeiras, seguros privados e capitalização) e 9% (nove por cento) para as demais pessoas jurídicas, passou a ser previsto o percentual de 15%, para os contribuintes (instituições financeiras, seguros privados e capitalização). A Recorrente fundamenta sua pretensão invocando a decisão judicial, ao afirmar que, sobrevindo o trânsito em julgado da sentença que determinou à autoridade impetrada que se abstenha de exigir a CSLL, é evidente que essa decisão judicial deverá ter alguma eficácia prática no mundo dos fatos. No caso de recolhimentos que, com a decisão judicial final, tornaramse indébitos, tem o contribuinte o direito de vêlos restituídos pelo regime de compensação, pois o reconhecimento do seu direito já foi fixado pelo Poder Judiciário. Conforme relatado, no processo judicial "concedeu segurança para que o impetrante se abstenha de recolher a CSSL e o PIS, com alíquotas majoradas, por força da ECR 1/94 e MP's editadas com fulcro na referida ECR 1/94, enquanto não existir lei regulando Fundo Nacional de Emergência." (fls. 20 a 25). Como explicitado acima, a Emenda Constitucional de Revisão n. 1, de 01.03.1994, incluiu o art. 72, III, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que elevou a 30% a alíquota da CSLL exigida das pessoas jurídicas constantes no § 1º do art. 22 da Lei n. 8.212, de 24.07.1991, que são, as instituições financeiras. A alíquota nominal da CSLL, conforme o artigo 11 da Lei Complementar nº 70/1991 era de 23%, sendo alterada para 30% a partir de junho de 1994 a 1996 para às Instituições Financeiras, empresas de seguros privados e demais entidades submetidas à competência normativa do Banco Central do Brasil (Bacen) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep), inclusive corretoras de seguros, de acordo com as Emendas Constitucionais nº 1/1994 e 10/1996. No PER/DCOMP nº 10618.06601.150304.1.3.535731 a contribuinte pretende compensar débito de Cofins, código 7987, relativo ao mês de fevereiro de 2004, com a utilização de crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, R$ 5.192,40 (fls.02/05) do ano calendário de 2004, período em que vigente a aplicação da alíquota de 9%. A recorrente não traz aos autos qualquer prova no sentido de que o saldo credor da CSLL do ano calendário de 2004 contém pagamento de CSLL em que fosse aplicada a alíquota majorada de 30% com fulcro na referida ECR 1/94, e não, a alíquota de 9%. Observase que, a alíquota era de 23% (artigo 11 da Lei Complementar nº 70/1991), majorada para 30%, e, no período de 01/02/2000 a 30/04/2008 (Arts. 6º e 7º da MP nº 2.158/2001 e reedições posteriores e Art. 37 da Lei nº 10.637/2002) a alíquota da CSLL, aplicável à sua base de cálculo, era de 9% , uniforme em relação a todos os contribuintes. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Depreendese, pois, que, no ano calendário de 2004, o saldo credor de CSLL em que a Recorrente postula sua compensação, foi apurado com a aplicação da alíquota de 9%, e não com a alíquota de 30%. A rigor, caso houvesse recolhimento de CSLL com alíquota de 30%, no ano calendário de 2004, seria tratado como pagamento indevido ou a maior independente de sentença judicial. A recorrente argúi que, não se trata de matéria de prova e, sim, de questão puramente lógica, pois, a partir do momento em que determinado débito já quitado foi julgado indevido, nasce um crédito para o contribuinte, cuja compensação a Instrução Normativa n° 460/2004, artigo 26, § 1º, que vigorava à época das compensações em comento, em nenhum momento vedou. O argumento da recorrente é desprovido de lógica, no caso concreto, pois, não se pode dar elastério a ordem mandamental que apenas determinou ao Fisco a se abster de exigir a CSLL com a alíquota de 30%. Ora, se o contribuinte não traz aos autos a prova de que houve recolhimento de CSLL em 2004 com a aplicação da alíquota de 30%, pois, no ano calendário de 2004, a alíquota aplicável sobre a base de cálculo era na ordem de 9% (Arts. 6º e 7º da MP nº 2.158/2001 e reedições posteriores) não há falar em crédito para o contribuinte a ser compensado, justamente por faltarlhe o requisito essencial, a saber: o pagamento indevido. Ainda no que diz respeito à CSLL, o alegado artigo 26, § 1º da Instrução Normativa n° 460/2004, que vigorava à época das compensações apresentadas em 2004, assim dispunha: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VI, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Indubitavelmente, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. O efeito do trânsito em julgado, no caso concreto é de o fisco se abster de exigir a CSSL e o PIS, com alíquotas majoradas, por força da ECR 1/94, sem conferir qualquer direito à compensação (fls. 20 a 25). Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000596/200878 Acórdão n.º 1802001.827 S1TE02 Fl. 6 9 reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, os PERDCOMPs, foram transmitidos pela pessoa jurídica em 05/04/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 16/02/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 10/03/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado conforme o artigo 170 do CTN. Concluindose pela falta de tal comprovação não se pode homologar a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10875.908201/2009-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 61/65), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação declarada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 20 1/ 20 09 -6 8 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908201/200968 Resolução nº 3802000.120 S3TE02 Fl. 98 2 homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP alicerçada em suposto pagamento a maior de COFINS, declaração a qual não foi homologada tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório foi integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que o crédito seria decorrente do pagamento a maior efetuado em 14/11/2002. Ressalta, ainda, que a RFB não se aprofundou na análise da questão, pois acaso houvesse requisitado esclarecimentos do contribuinte teria constatado o equívoco deste e procedido à retificação de ofício da DCTF, haja vista não mais ser possível a citada retificação através do programa próprio, posto já haver excedido o prazo de cinco anos nos quais é admitida a utilização do aludido programa. Assevera que se porventura os esclarecimentos que viessem a ser fornecidos fossem insuficientes, necessário seria que a Delegacia de Julgamento determinasse o diligenciamento na empresa para aferição da absoluta procedência do pleito. Ressalta que seu direito está amparado nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. A título de comprovação do crédito apresentou cópia de DARF e da DCTF do período (parcial), solicitando, ao final, a homologação da compensação pretendida. Ao examinar a questão, a DRJ Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado (artigo 170 do CTN), já que o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao direito aduzido. Quanto ao pedido de diligência, o mesmo foi indeferido sob o argumento de que o momento de apresentação de provas é quando da formalização da impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como por não constar dos autos nenhuma apuração ou outro indício que indicasse pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Cientificada da referida decisão em 08/02/2012 (vide AR às fls. 67 do processo eletrônico), a interessada, em 08/03/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 70/77, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal relativamente à legitimidade do crédito, tendo aduzido, adicionalmente, que o indeferimento da diligência na primeira instância prejudicou a instrução processual e a formação de convicção dos julgadores, razão pela qual requer “seja determinada a diligência indeferida, pois, desta forma, restará confirmada a efetiva base de cálculo do tributo no período de apuração aqui em questão”. Acosta aos autos planilhas demonstrativas de cálculo (fls. 80/86), cópias parciais da DCTF e da DIPJ do período (aparentemente, das declarações originais) – fls. 87/92, e cópias Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908201/200968 Resolução nº 3802000.120 S3TE02 Fl. 99 3 de DARF (fls. 93/94). Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência com fito na comprovação da legitimidade dos cálculos apresentados pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A decisão de primeira instância entendeu por bem não acolher a manifestação de inconformidade da interessada em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito destinado a compensação via DCOMP. Com efeito, a DRJ Campinas se alicerçou na falta de um conjunto probatório capaz de comprovar o pagamento indevido aduzido pelo sujeito passivo. Ressaltou que a interessada não apresentou “nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior [...]”. De fato, a suplicante, naquela instância, não acostou ao autos nenhum demonstrativo ou documento que comprovasse o reclamado pagamento indevido necessário a dar suporte à compensação pleiteada. Nesta segunda instância a recorrente apresenta demonstrativo de cálculo das receitas financeiras do período, já que o suposto pagamento a maior seria decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre essa questão, de fato, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, “no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. Posteriormente, o mesmo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema. Aludida decisão há que ser observada pelos conselheiros deste CARF, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 62 do Anexo II do Regimento deste Conselho, e, notadamente, em seu artigo 62A, segundo o qual “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, quanto ao direito substancial invocado, há plausibilidade no pleito da recorrente, já que, diante da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é indevido o pagamento das contribuições (PIS ou COFINS) sobre as receitas financeiras. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908201/200968 Resolução nº 3802000.120 S3TE02 Fl. 100 4 Concernente aos demonstrativos anexados pela interessada, consta da primeira planilha (fls. 80) que as receitas financeiras do mês de outubro/2002 correspondem a R$ 5.564.304,49, sobre cujo valor, se aplicada a alíquota da COFINS, chegase ao montante do crédito aduzido, qual seja, R$ 166.929,13. As rubricas que compõem o total das receitas financeiras constam da tabela de fls. 85. Nesta, contudo, observase que alguns dos registros geram dúvida quanto à legitimidade de seu enquadramento como receitas financeiras. Tal questão, merece ser analisada pela unidade preparadora. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se a base de cálculo declarada das receitas financeiras corresponde à contabilizada na escrituração da contribuinte, atentando para a natureza das rubricas discriminadas na tabela de fls. 85, notadamente: “outras receitas” e “descontos s/pagamentos Farma”. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.915603/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2004
DCTF PRAZO RETIFICAÇÃO
Extingue o direito de retificação da DCTF em 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual se refere à declaração (§ 5º do artigo 9º da IN RFB nº 1.110/2010), diante do que o crédito tributário retificado passa a ser definitivo, existindo, portanto, direito creditório a pleitear.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3101-001.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR Provimento Parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência em relação a DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos a DRJ para nova decisão, considerando a DCTF retificada dentro do prazo e demais condições para a homologação da compensação apresentada.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em DAR Provimento Parcial ao recurso voluntário, para afastar a decadência em relação a DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos a DRJ para nova decisão, considerando a DCTF retificada dentro do prazo e demais condições para a homologação da compensação apresentada. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 56 03 /2 00 9- 04 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915603/200904 Acórdão n.º 3101001.452 S3C1T1 Fl. 22 2 Relatório Segundo o relatório de fls. 23 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto da relatora Adriana Ramos Pinzolas indica que: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/11/2002. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em 27/05/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida. Narrando os fatos considerados na emissão do despacho decisório, aduz que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente à época em que foram feitas as compensações, utilizandose de Per/Dcomp, sendo que apenas não retificou as DCTFs e demais obrigações acessórias. Acrescenta que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art.74 da Lei n° 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de vedações legais. Requereu acolhimento de sua Manifestação de inconformidade. A luz do relato feito e da análise do presente processo, verificouse que o indeferimento do pedido, pela DRF de origem, foi motivado pelo fato de o pagamento mencionado no Per/Dcomp ter sido utilizado integralmente na quitação de débito de Cofins relativo a 31/07/2004. Embora informe que não procedeu à retificação da DCTF e das demais obrigações acessórias, verificase que houve a entrega de DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 31/07/2004, na qual o contribuinte vincula parte do DARF discriminado no Per/Dcomp, gerando o crédito a ser compensado. Ocorre que a DCTF na qual foi retificado o débito de Cofins referente ao período de apuração de 31/07/2004 e foi enviada pelo contribuinte apenas em 06/08/2009. De fato, verificouse que na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 31/07/2004, o contribuinte vincula parte do DARF discriminado no Per/Dcomp, restando saldo de crédito suficiente para compensar o débito indicado na declaração de compensação. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0238.172 de fls. 22 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2004 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915603/200904 Acórdão n.º 3101001.452 S3C1T1 Fl. 23 3 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Recorrente apresentou um longo Recurso Voluntário, manifestando sua inconformidade e requerendo o provimento do seu recurso, para reconhecer que a DCTF enviada e aceita é legitima para validar o procedimento de compensação, gerando, assim o direito creditório e por consequência seja homologada a sua compensação, com o reconhecimento da validade da sua DCTF retificadora transmitida, mesmo como prova indiciária, como direito da contribuinte de excluir os medicamentos sujeitos à alíquota zero da base de cálculo do PIS e COFINS . É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. O crédito objeto da presente compensação não homologada decorre de suposto pagamento a maior a título de COFINS, espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e portanto, jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º do CTN, segundo as quais, compreende como atividade do Contribuinte de apurar o montante do tributo devido e efetuar o recolhimento antecipado. Para estes casos, o crédito tributário propriamente dito constituise com a formalização da obrigação tributária mediante a apuração e entrega pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF. A DCTF, inicialmente denominada Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi instituída pela IN SRF nº 129/1986 para prestação de informações de débitos, e, posteriormente, substituída pela Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais instituída pela já revogada IN SRF nº 126/1998, a qual, na época dos fatos, era regulamentada pela IN SRF nº 695/2006. O efeito de constituição do crédito e confissão de dívida das declarações prestadas pelo Contribuinte está previsto no § 1º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124/84: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915603/200904 Acórdão n.º 3101001.452 S3C1T1 Fl. 24 4 constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Corroborando o Decretolei nº 2.341/84, foi editada a IN SRF nº 77/98 que veio justamente confirmar a constituição do crédito pela DCTF, determinando a remessa direta dos débitos declarados e não quitados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Ou seja, a DCTF, ato decorrente do lançamento por homologação, constitui confissão de dívida, tornando líquido e certo o crédito tributário declarado pelo sujeito passivo, cabendo ao Fisco homologar expressa ou tacitamente o lançamento. Assim, partindo do pressuposto de que a DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, tornandoo líquido e certo, por consequência lógica, basta o confronto dos valores constituídos em DCTF com o valor do pagamento para que se apure eventual recolhimento a maior ou indevido passível de restituição/compensação. No presente caso, alega a Recorrente que declarou e efetuou o recolhimento a maior a título de COFINS, cujo indébito surgiria com a retificação da DCTF. Ocorre que a DCTF não foi retificada pela Recorrente em tempo hábil, uma vez que, nos termos do §5º do artigo 9º da IN RFB nº 1.110/2010, a retificada só poderá ser feita dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados a partir do exercício seguinte ao qual deveria ter sido declarado: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915603/200904 Acórdão n.º 3101001.452 S3C1T1 Fl. 25 5 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. A regra se coaduna com os prazos prescricionais previstos no CTN. Ora, se o direito creditório pleiteado na DCOMP referese à DCTF de julho/2004, a retificação surgimento do indébito poderia ter sido enviada até 31 de dezembro de 2009, o que de fato ocorreu. A DCTF retificadora foi protocolizada pela Recorrente em 06/08/2009, portanto, foi apresentada dentro do prazo para retificação. De modo que o crédito tributário confessado não tornouse definitivo. Portanto, julgo no sentido de Dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência em relação a DCTF retificadora, devendo o processo retornar a DRJ para novo julgamento considerando a retificação da DCTF como válida e análise das demais condições para a homologação da compensação referida. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.915603/200904 Acórdão n.º 3101001.452 S3C1T1 Fl. 26 6 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15197.000208/2008-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2003
VINCULAÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
A obrigação de declarar ocorrências em GFIP está vinculada à caracterização dos fatos geradores da obrigação principal.
Numero da decisão: 2403-002.148
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2003 VINCULAÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação de declarar ocorrências em GFIP está vinculada à caracterização dos fatos geradores da obrigação principal.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15197.000208/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.148 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TEKSID ALUMÍNIO DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2003 VINCULAÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA À OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação de declarar ocorrências em GFIP está vinculada à caracterização dos fatos geradores da obrigação principal. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 19 7. 00 02 08 /2 00 8- 10 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000208/200810 Acórdão n.º 2403002.148 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Belo Horizonte, Decisão Notificação – DN 11.401 4/0412/2006, que julgou a autuação procedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório da decisão acórdão recorrida: Conforme o descrito no Relatório Fiscal da Infração, às fls.03/04, tratase de infringência ao art. 32, Inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212, de 24/07/91, com a redação da Lei n.° 9.528/97, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP com informações que alteram o valor das contribuições, preenchendo incorretamente as informações referentes ao "Código de Ocorrência" de funcionários que exercem de forma permanente, não ocasional nem intermitente, atividades em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física dos mesmos. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a multa aplicada foi no valor de R$ 688.886,80 (seiscentos e oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e seis reais e oitenta centavos), correspondente a cem por cento do valor da contribuição devida e não declarada, respeitados os limites previstos, conforme artigo 32, inciso IV, parágrafos 4.° e 5.° da Lei n.° 8.212/91, e artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. 3. 0 Auto de Infração foi lavrado em 28/06/04, tendo a empresa dele tomado conhecimento em 30/06/04, conforme xerocópia do Aviso de Recebimento AR, às fls. 21. DA DEFESA 4. A empresa, inconformada com a autuação, apresentou impugnação, às fls. 23/110, tempestivamente, alegando, em síntese, o seguinte: 4.1 preliminarmente, pede o sobrestamento do processo, pois a matéria esta sendo discutida na NFLD n.° 35.525.1205 e nos Als n.°s 35.525.1221, 35.525.1264 e 35.525.1280, e que o cabimento da presente autuação esta relacionado à procedência dos mesmos, que estão sendo integralmente questionados por Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 meio de outras impugnações apresentadas, e que os referidos processos sejam reunidos para decisão final conjunta; 4.2 nulidade do Auto de Infração, face a ausência da devida fundamentação legal, e que não foi lavrado de forma clara, estando repleto de imperfeições, que afrontam o disposto nos artigos 37, da Lei n.° 8.212/91 e 142, do Código Tributário Nacional, além do principio constitucional da ampla defesa e do contraditório, e devido ainda ao fato do cálculo da multa ter sido apurado com base no valor da contribuição indevida, apurada por arbitramento; 4.3 conforme demonstrado na impugnação apresentada na NFLD n.° 35.525.1205, é indevida a exigência da contribuição adicional sobre os valores pagos pela notificada a titulo de adicional de SAT, já que a aquisição, o fornecimento adequado, o controle, o uso de Equipamento de Proteção Individual — EPI eficazes, são capazes de neutralizar a ação de agentes nocivos, tornando o ambiente de trabalho dentro das condições e limites admitidos por lei. Em razão dessa situação não configurar fato gerador do tributo exigido, não é necessária a menção desses valores em GFIP; 4.4 no presente caso, o Sr. Auditor Fiscal efetuou o lançamento fiscal sem a prévia apuração da suposta contribuição não declarada na GFIP, desconsiderando os critérios para o cálculo e teto do valor limite da multa; 4.5 não houve a devida observância as determinações contidas na Ordem de Serviço n.° 214/99, que dispõe sobre os procedimentos fiscalizatórios, sobre a lavratura de Auto de Infração, aplicação de multa e outras providências; 4.6 caso os valores lançados na NFLD não forem entendidos como devidos pelo CRPS, nenhum recolhimento ou a inclusão desses valores nas GFIP poderá ser exigível. Isto porque a obrigação acessória em questão originase da obrigação principal, tal como previsão expressa no CTN; 4.7 para calculo do valor limite da multa, a fiscalização utilizou o número total de segurados existentes na notificada, faixa de 1001 a 5000, quando deveria ter utilizado apenas o número de empregados em relação aos quais não houve a apresentação da GFIP tal como determina a legislação; 4.8 desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa imposta, com nítidos tragos de confisco, impõese, no minim, a redução, para percentuais razoáveis; 4.9 requer que todas as comunicações/notificações sejam feitas somente em nome do advogado José Roberto Pisani, cujo escritório esta situado na Rua Boa Vista, 254, 9° andar —CEP 01014907— São Paulo/SP, telefone (11) 32478400. DO DESPACHODECISÓRIO n.° 11.401.410027/2005, de 18/07/2005 5. Tendo em vista a análise dos autos, houve retificação da multa aplicada (através do Despacho Decisório Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000208/200810 Acórdão n.º 2403002.148 S2C4T3 Fl. 4 5 11.401.4/0027/2005, de 18/07/2005), que passou de R$ 688.886,80 (seiscentos e oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e seis reais e oitenta centavos), para R$ 72.514,40 (setenta e dois mil, quinhentos e quatorze reais e quarenta centavos), já que foram mantidas na autuação exclusivamente as infrações referentes as competências posteriores publicação do Decreto n.° 4.729/2003, que alterou a redação do inciso II, do artigo 284, do RPS (Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99), ou seja, competências 06/2003 e 07/2003 (conforme Relatório de Aplicação da Multa, as fls.05107). Estas infrações caracterizam infração ao art. 32, inciso IV, parágrafo 5.° da Lei 8.212/91, com a redação da Lei n.° 9.528/97. 6. As demais infrações (referentes ao período de 01/02 a 05/03), caracterizam infração cometida com base no disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 6.°, da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97, pelo fato da empresa apresentar GFIP/GRFP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A multa relativa corresponde a cinco por cento do valor mínimo previsto no artigo 92, da Lei n.° 8.212191, atualizado pela Portaria MPS n.° 479/2004, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4º do artigo 32, da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97, nos termos do disposto no artigo 284, inciso Ill do Regulamento da Previdência Social — RPS (Decreto n.° 3.048/99) e artigo 32, inciso IV, parágrafo 6.° da Lei n.° 8.212/91. 7. Observese que tal revisão deveuse A alteração provocada pelo Decreto n.° 4.729, de 09/06/2003. Após sua publicação, com a nova redação do inciso II do artigo 284 do RPS, mudou conseqüentemente o procedimento adotado pela Administração. Assim, o fato da empresa ter apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, do período de 01/2002 a 07/2003, preenchendo incorretamente as informações referentes ao "Código de Ocorrência" de funcionários que exercem de forma permanente, não ocasional nem intermitente, atividades em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física dos mesmos, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, As fls.03/04, caracterizou infração: ao art. 32, inciso IV, § 6.° da Lei 8.212/91, no período de 01/02 a 05/03, e ao art. 32, inciso IV, § 5.° da Lei 8.212/91, no período de 06 e 07/03. Isto porque, com as alterações introduzidas no inciso II do artigo 284 do RPS pelo Decreto n.° 4.729/2003, as informações incorretas nos campos da GF1P que reduzem o valor das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, como no caso da presente autuação, que anteriormente consistiam em Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 6.°, da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97, (Código de Fundamentação Legal 69) passaram a ser incluídas entre as infrações capituladas no artigo 32, inciso IV, 50 da mesma Lei (Código de Fundamentação Legal 68). 8. Nesse sentido, cumpre transcrever os referidos dispositivos abaixo: "Artigo 32— A empresa é também obrigada a: IV — informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Parágrafo 5. 0 A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator 6 pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor relativo 6 contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior." Parágrafo 6.° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator 6 pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no artigo 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4.°."(grifos nossos) 9. Conforme Despacho Decisório 11.401.4/0027/2005, de 18/07/2005, foi determinada a lavratura de Auto de Infração com fundamento no artigo 32, inciso IV, parágrafo 6.°, da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei n.° 9.528/97, (Código de Fundamentação Legal 69), caso persistisse a infração relativa ao período anterior à publicação do Decreto n.° 4.729/2003, tendo sido também reaberto o prazo de defesa inicialmente concedido. DO ADITAMENTO À DEFESA 10. As fls. 130/149, a empresa ingressou com aditamento à defesa no prazo acima consignado. 11. Insiste na alegação de que o cumprimento da obrigação acessória relativa a esta autuação está intrinsecamente ligado à confirmação de procedência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 35.525.1205, na qual se discute a obrigatoriedade do recolhimento da contribuição previdenciária correspondente (obrigação principal). 12. Insiste, também, na alegação de nulidade do Auto de Infração, afirmando que a autuação não foi clara, estando repleta de imperfeições que infringem o principio constitucional da ampla defesa e do contraditório. 13. Questiona o critério utilizado pela fiscalização quando da definição do valor limite máximo da multa, que considerou o n.° total de empregados da empresa, ao invés de considerar o n.° de Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000208/200810 Acórdão n.º 2403002.148 S2C4T3 Fl. 5 7 empregados correspondente às contribuições não declaradas em GFIP. 14. Reitera também a alegação de inconstitucionalidade da multa imposta, já apresentada anteriormente, afirmando sobre a desproporcionalidade, irrazoabilidade e a natureza confiscatória da mesma, impondose, no mínimo, sua redução a percentuais razoáveis. 15. Requer, na hipótese de ser reconhecida a procedência do débito relativo à obrigação principal, que o cálculo da multa seja efetuado com base na regra do art. 32, inciso IV, § 6.° da Lei n.° 8.212/91 para todo o período de irregularidade do campo "Ocorrência" (inclusive para as competências de 06 e 07/03), já que comprovadamente mais benéfico para a autuada. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário ao CRPS, onde alega, em síntese, que: · Sobrestamento do processo. Vinculação de processos matéria discutida na NFLD n° 35.525.1205 (deixou de efetuar o pagamento de adicional das contribuições previdenciárias supostamente devidas em complementação Aquelas pagas a titulo de SAT) e nos AI n°s 35.525.1221 (divergência entre Formulários DSS 8030 e o LTCAT), 35.525.1248 (deixou de incluir todas as contribuições e valores exigidos na referida NFLD em GFIP), 35.525.1264 (apresentou documentos relacionados ao tema em descumprimento com as normas vigentes); e 35.525.1280 (emitiu documentação imprópria, relativamente à concessão de aposentadoria especial). · Nulidade total do lançamento fiscal, em face do reconhecido equivoco na fundamentação . O próprio DespachoDecisório n° 11.401.4/0027 12005 reconhece o equivoco da D. Fiscalização na capitulação legal da suposta infração cometida. · Equivoco no cálculo do valor limite da multa. Para efeito do cálculo do valor limite da multa, a fiscalização utilizou o número total de empregados existentes na empresa, quando deveria ter utilizado apenas o número de empregados em relação aos quais não houve a apresentação da GFIP em cada competência, tal como determina a legislação. · Caso os valores cobrados na referida NFLD sejam indevidos, não deverão ser incluídos nas respectivas GFIP, nem poderá ser exigida a presente multa. · Caráter confiscatório da multa aplicada. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 O CRPS baixou o processo em diligência, determinando a realização de perícia. Antes de adentrar no mérito do recurso, entendo necessário o esclarecimento de pontos fundamentais para o deslinde da controvérsia em apreço. Ante a alegação da recorrente de que seus empregados não estão sujeitos aos riscos ocupacionais apontados pela fiscalização, bem como, em face da documentação anexa a estes autos, entendo que esta em dúvida o lançamento realizado. Assim, entendo cabível a conversão do julgamento em diligência para a realização de perícia. ... De antemão, apresento os quesitos desta Câmara a serem respondidos, nos termos do art. 426, inciso II do CPC, tanto pelo perito da recorrente, como pelo do Governo: 1°. Existem condições especiais que prejudiquem a saúde ou integridade física, no ambiente de trabalho, capazes de implicar no direito à aposentadoria especial aos segurados da Notificada? 2°. Em caso de resposta positiva, quais são e se é possível delimitar a área, setor ou processo produtivo? 3°. E em quais condições foram observados? 4°. Em que fundamente legal se encaixa tal condição, se existente? 5°. Há histórico, de concessão de aposentadoria especial aos segurados da Notificada? 6°. Em caso positivo, em função de qual agente nocivo? 7°. Ha prova da utilização de equipamentos de proteção coletiva ou individual, nos termos dá NR respectiva, capazes por si só, de afastarem a concessão do 8°. Os equipamentos de minimização dos riscos ambientais do trabalho atendem às especificações técnicas? 9°. Os argumentos da Recorrente quanto ao controle das condições do ambiente do trabalho procedem? 10º. As condições do ambiente do trabalho podem ser consideradas as mesmas para todo o período pretérito abrangido pela Fiscalização? 11º. O perito pode prestar quaisquer outros esclarecimentos que possam elucidar a questão controvertida. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000208/200810 Acórdão n.º 2403002.148 S2C4T3 Fl. 6 9 Observo que na mesma sessão de julgamento, foi determinada diligência/perícia para os processos relativos aos Debcads 35.25.1205, 35.525.1221, 35.525.1264 e 35.525.1248. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A recorrente manifestase pela vinculação deste processo com os demais lançamentos efetuados na ação fiscal, especialmente com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 35.525.1205, processo 15197.000204/200823 e argumenta que o cumprimento da obrigação acessória relativa a esta autuação está intrinsecamente ligado à confirmação de procedência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 35.525.1205, na qual se discute a obrigatoriedade do recolhimento da contribuição previdenciária correspondente (obrigação principal). Concordo com esse entendimento. Observo que foi dado provimento ao recurso voluntário no processo 15197.000204/200823 em razão de vício material. O mesmo destino deve ter este processo. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15197.000208/200810 Acórdão n.º 2403002.148 S2C4T3 Fl. 7 11 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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