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Numero do processo: 11070.002089/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/06/2008 a 31/12/2009
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas.
ALEGADAS VENDAS PARA ENTREGA FUTURA.
A falta de indicação, na nota fiscal, de que se trata de operação de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, implica considerar o produto como saído do estabelecimento emitente da nota, para efeito de exigência do IPI e acréscimos, sem prejuízo de novo pagamento do tributo por ocasião da efetiva saída do produto.
DEPÓSITOS NÃO INTEGRAIS.
Os depósitos que não tenham sido efetuados no montante integral não excluem o acréscimo de multa e juros e não suspendem a exigibilidade do credito tributário discutido.
MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Os juros de mora incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos, por qualquer motivo, nos prazos previstos na legislação específica, são equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento.
BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS.
Os descontos concedidos integram o valor da operação, não se excluindo da base de cálculo do IPI.
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fiquem demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/06/2008 a 31/12/2009 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. ALEGADAS VENDAS PARA ENTREGA FUTURA. A falta de indicação, na nota fiscal, de que se trata de operação de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, implica considerar o produto como saído do estabelecimento emitente da nota, para efeito de exigência do IPI e acréscimos, sem prejuízo de novo pagamento do tributo por ocasião da efetiva saída do produto. DEPÓSITOS NÃO INTEGRAIS. Os depósitos que não tenham sido efetuados no montante integral não excluem o acréscimo de multa e juros e não suspendem a exigibilidade do credito tributário discutido. MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos, por qualquer motivo, nos prazos previstos na legislação específica, são equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Os descontos concedidos integram o valor da operação, não se excluindo da base de cálculo do IPI. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fiquem demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
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A PROPOSITURA PELO CONTRIBUINTE, CONTRA A FAZENDA, DE AÇÃO JUDICIAL, POR QUALQUER MODALIDADE PROCESSUAL, ANTES OU DEPOIS DA AUTUAÇÃO, COM O MESMO OBJETO, IMPORTA A RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. ALEGADAS VENDAS PARA ENTREGA FUTURA. A FALTA DE INDICAÇÃO, NA NOTA FISCAL, DE QUE SE TRATA DE OPERAÇÃO DE SIMPLES FATURAMENTO DECORRENTE DE VENDA PARA ENTREGA FUTURA, IMPLICA CONSIDERAR O PRODUTO COMO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO EMITENTE DA NOTA, PARA EFEITO DE EXIGÊNCIA DO IPI E ACRÉSCIMOS, SEM PREJUÍZO DE NOVO PAGAMENTO DO TRIBUTO POR OCASIÃO DA EFETIVA SAÍDA DO PRODUTO. DEPÓSITOS NÃO INTEGRAIS. OS DEPÓSITOS QUE NÃO TENHAM SIDO EFETUADOS NO MONTANTE INTEGRAL NÃO EXCLUEM O ACRÉSCIMO DE MULTA E JUROS E NÃO SUSPENDEM A EXIGIBILIDADE DO CREDITO TRIBUTÁRIO DISCUTIDO. MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, É VEDADO AOS ÓRGÃOS DE JULGAMENTO AFASTAR A APLICAÇÃO OU DEIXAR DE OBSERVAR TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO, SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE OS DÉBITOS PARA COM A UNIÃO, DECORRENTES DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 20 89 /2 01 0- 11 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 4 2 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, NÃO PAGOS, POR QUALQUER MOTIVO, NOS PRAZOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA, SÃO EQUIVALENTES À TAXA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQUENTE AO DO VENCIMENTO DO PRAZO, ATÉ O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO, E DE UM POR CENTO NO MÊS DO PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. OS DESCONTOS CONCEDIDOS INTEGRAM O VALOR DA OPERAÇÃO, NÃO SE EXCLUINDO DA BASE DE CÁLCULO DO IPI. PROVA DOCUMENTAL. A PROVA DOCUMENTAL DEVE SER APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO, PRECLUINDO O DIREITO DE O IMPUGNANTE FAZÊLO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL, A MENOS QUE FIQUEM DEMONSTRADA AO MENOS UMA DAS EXCEÇÕES LEGAIS, O QUE NÃO É O CASO. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 349 a 354 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator José Alexandre Grassi, nos seguintes termos: “O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFBs) lotados na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo (DRF/SAO), por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota. A exigência foi formalizada no Auto de Infração das fls. 197 a 200, e anexos, no valor principal de R$ 806.806,89, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, inclusive nos casos em que esse imposto não foi exigido, em face da cobertura de créditos, somando, na data da autuação R$ 2.832.036,13. Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no Termo de Verificação Fiscal das fls. 206 a 220, a seguir resumido. Notese que qualquer menção às folhas do presente processo diz respeito à numeração de folhas do processo digitalizado. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 5 3 A ação fiscal teve início em 1º de outubro de 2008, data da ciência do Termo de Intimação nº 56508/001, segundo consta na fl. 3, e foi realizada para exame da legitimidade de saldos credores do IPI, informados nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMPs), referentes ao período que vai do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, sendo que, neste processo, foram examinados os PER/DCOMPs relacionados na fl. 206. Nessa verificação, foi constatada a falta de lançamento do referido imposto, por erro de classificação fiscal e de alíquota, tendo sido apurados, neste processo, débitos do IPI, em relação aos períodos de apuração a partir de junho de 2008, sendo que as infrações de mesma natureza, apuradas no período de julho de 2005 a maio de 2008, foram objeto de autuação em separado, no Processo nº 11070.001396/201085, pela seguinte razão: o interessado propôs, em julho de 2008, perante a Vara Federal de Cruz Alta/RS, a Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) nº 2008.71.16.0004989, em que discute, conforme petição inicial reproduzida nas fls. 35 a 84, a classificação fiscal do produto em relação ao qual foi constatada a falta de lançamento do IPI, tendo sido apresentadas guias de depósitos judiciais, referentes aos valores controvertidos nos períodos de apuração de junho 2008 a abril de 2010. Na referida ação, foi indeferida a antecipação de tutela e ainda não houve decisão de primeira instância. Quanto ao erro de classificação fiscal e de alíquota, que motivou a presente exigência, a fiscalização ressalta que o interessado fabrica implementos agrícolas e suas partes e peças, em especial, semeadeiras, plantadeiras, classificador de sementes e plataformas para colheita de milho, tendo sido constatado que, ao dar saída às citadas plataformas, a título de venda, remessa de venda futura, simples remessa, remessa de faturamento antecipado, utilizou o código 8433.51.00 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), alusivo à ceifeirasdebulhadoras, ao qual corresponde alíquota zero, ao passo que o correto seria ter utilizado o código 8433.90.90, Ex 01, referente a partes de colheitadeiras, com alíquota de 4%. A plataforma para colheita de milho, segundo a fiscalização, é projetada para ser acoplada à uma máquina colheitadeira, e é dependente dessa última para funcionar. Os autores do procedimento fiscal acrescentam que a classificação do mesmo produto foi objeto da Solução de Consulta SRRF/10a RF/Diana nº 57, de 23 de abril de 2003, com ementa publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 8 de julho de 2003, e da Solução de Consulta SRRF/10a RF/Diana nº 74, de 29 de setembro de 2006, ambas elaboradas na superintendência Regional da Receita Federal na 10a Região Fiscal, em nome de outros sujeitos passivos, no sentido de que as plataformas para colheita, quer sejam especificas para colheita de milho ou se tratando das denominadas “para colheita de grãos”, ambas produzidas para serem acopladas a colheitadeiras, classificamse no código 8433.90.90. A fiscalização menciona que a infração apurada neste processo já havia sido motivo de autuação, conforme Processo nº 11070.000705/200532, relativo aos períodos de apuração de abril de 2000 a abril de 2004. Essa outra autuação foi contestada pelo interessado, mas foi mantida na íntegra pelo Acórdão DRJ/POA nº 7220, de 5 de janeiro de 2006, e também foi confirmada em segunda instância, conforme Acórdão nº 30238.171, de 8 de novembro de 2006, da Segunda Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que manteve o entendimento do fisco no que tange à classificação fiscal, e conforme Acórdão nº 20312.053, de 22 de maio de 2007, da Terceira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso voluntário, em relação aos demais itens contestados. Na sequência, prossegue a fiscalização, o interessado apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), reconsiderando, todavia, em 21 de dezembro de 2009, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 6 4 data em que requereu desistência dos recursos administrativos interpostos, em decorrência de adesão a parcelamento dos débitos discutidos no processo, conforme consta na fl. 124. Ainda com respeito à infração em comento, o interessado, ao emitir notas fiscais de operações de venda futura e de faturamento antecipado, não lançou o IPI correspondente, nem o fez na nota fiscal de remessa, cabendo, consequentemente, o lançamento de ofício, com base na data da ocorrência do fato gerador, ou seja, na data da saída dos produtos. Em relação às saídas de plataformas para colheita de milho a título de simples remessa, objeto de lançamento de ofício, a fiscalização constatou que tais operações não se vincularam a vendas para entrega futura, nem a operações de faturamento antecipado. As notas fiscais que o interessado vinculou com notas de simples remessa se referem a vendas da produção do estabelecimento, enquadradas nos CFOPs 5.101 ou 6.101, sem que nelas haja qualquer referência de que se tratavam de vendas para entrega futura e de que teriam sido emitidas para simples faturamento. Na realidade, concluiu a fiscalização, tratamse de duas saídas distintas, tendo ocorrido, portanto, dois fatos geradores do IPI. No “Demonstrativo dos Depósitos Judiciais” das fls. 156 e 157, foram consolidadas as informações dos depósitos judiciais efetuados pelo interessado, onde se verifica, por período de apuração: valor do IPI não lançado, calculado pelo contribuinte; valor do IPI não lançado, calculado pela fiscalização; valor principal depositado no período da espontaneidade; data em que os depósitos foram efetuados; valor depositado, com os acréscimos correspondentes; valor dos acréscimos legais apurados pela fiscalização, mediante utilização do sistema Sicalc, da Secretaria da Receita Federal do Brasil; e diferença de acréscimo legal existente entre o valor depositado pelo contribuinte e o apurado através do sistema Sicalc (as telas do sistema Sicalc, com a apuração dos acréscimos legais, encontramse nas fls. 112 a 123). No referido “Demonstrativo dos Depósitos Judiciais”, a fiscalização discriminou os depósitos realizados antes e após a perda da espontaneidade, para o que foram utilizadas, como referência, as datas de ciência dos termos de intimação fiscal, conforme consta na “Tabela de Referência para Análise da Espontaneidade dos Depósitos”, tabela essa que integra o aludido “Demonstrativo dos Depósitos Judiciais”. Da análise do “Demonstrativo dos Depósitos Judiciais”, a fiscalização constatou que os depósitos não são integrais, pelos motivos que seguem: a) grande parte dos depósitos (83% do valor do principal) foram efetuados após a perda da espontaneidade, pois ocorreram somente após o contribuinte ter sido intimado, em 9 de junho de 2010, a apresentar comprovação dos depósitos judiciais realizados; b) os valores depositados no período em que o contribuinte gozava de espontaneidade correspondem a uma reduzida parcela do IPI apurado pelo próprio contribuinte (17% do valor do principal), em cada período de apuração; c) os valores do IPI não lançado, calculados pela fiscalização, em sua grande maioria, foram superiores aos valores calculados pelo contribuinte; d) o contribuinte deixou de efetuar os depósitos com o acréscimo de multa de mora a que estariam sujeitos, pois foram efetuados, em sua grande maioria, após o prazo de vencimento do imposto; e e) em alguns períodos de apuração o contribuinte deixou de calcular os juros de mora por ocasião do depósito realizado após o prazo de vencimento do tributo. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 7 5 À vista disso, e tendo presente a redação do art. 151, II, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), a fiscalização concluiu que os depósitos efetuados pelo contribuinte não suspendem a exigibilidade do crédito tributário apurado neste processo, por não serem integrais. Foi elaborado o “Demonstrativo do Cálculo do IPI não Lançado”, das fls. 158 a 181, de junho de 2008 até dezembro de 2009, onde se encontram relacionados os dados das notas fiscais de saída das plataformas para colheita de milho, bem assim o valor do IPI não lançado, por nota fiscal, totalizado por período de apuração. Os valores apurados no citado “Demonstrativo do Cálculo do IPI não Lançado” foram transcritos para o “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal”, da fl. 182, em que os créditos informados nos PER/DCOMPs de início referidos foram absorvidos, em grande parte, pelos débitos do IPI apurados de ofício, neste processo, por ser essa a forma de utilização prioritária dos créditos do referido imposto. Em decorrência disso, a escrita fiscal do estabelecimento, que apresentava exclusivamente saldos credores, conforme “Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal (antes da reconstituição)”, da fl. 183, passou a evidenciar saldos devedores em diversos períodos de apuração, tendo sido formalizada a exigência do crédito tributário correspondente. Os valores informados no “Demonstrativo de Dados Apurados”, da fl. 184, na coluna “Créditos Apurados”, referemse à reversão, efetuada pela fiscalização, dos estornos de créditos indevidamente solicitados em ressarcimento pelo interessado. Na coluna “Débitos”, no mês de junho de 2008, o valor informado serve para ajustar o saldo inicial do período de apuração, tendo em vista o IPI não lançado dos períodos anteriores apurados pela fiscalização, mediante a seguinte operação: R$ 304.906,87 (saldo credor no livro RAIPI), menos R$ 2.041,61, correspondente ao saldo credor do período anterior reconstituído, resultando em R$ 302.865,26, que é o valor do ajuste. Na coluna “Débitos”, nos meses de outubro de 2008 e de outubro de 2009, os valores referemse aos estornos dos créditos do IPI admitidos pela fiscalização para ressarcimento. Adiante, conforme “Demonstrativo de Apuração do Crédito do IPI a Ressarcir”, da fl. 185, a fiscalização apurou os saldos credores que restaram em favor do estabelecimento, do segundo trimestre de 2008 ao quarto trimestre de 2009, levando em consideração o IPI que deixou de ser lançado pelo contribuinte. Na coluna “Trimestre do Ressarcimento”, o estorno do valor admitido foi efetuado com base na data da transmissão do Per/Dcomp correspondente. Em relação ao citado demonstrativo, os autores do procedimento fiscal fizeram as seguintes observações: (a) no final do segundo trimestre de 2008, do quarto trimestre de 2008, do primeiro trimestre de 2009, do segundo trimestre de 2009 e do quarto trimestre de 2009 foi apurado saldo devedor; (b) no terceiro trimestre de 2008 e no terceiro trimestre de 2009, foram apurados saldos credores passíveis de ressarcimento, nos montantes de R$ 173.107,48 e de R$ 155.469,52, respectivamente. Na fl. 219, consta resumo do crédito admitido, por PER/DCOMP. Tendo presente o teor do art. 20 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, no sentido de que é vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido (disposição mantida pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008), a fiscalização pondera que os saldos credores do IPI, até os Fl. 401DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 8 6 montantes admitidos na ação fiscal, passíveis de ressarcimento, não serão afetados pela decisão definitiva na Ação Ordinária no 2008.71.16.0004989, motivo pelo qual se entendeu que não existe impedimento para que sejam ressarcidos os saldos credores do terceiro trimestre de 2008 e do terceiro trimestre de 2009. As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: arts. 15, 16, 17, 24, II, 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 127, 130, 131, II, 199, 200, IV, 202, III, 207 e 208 do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época; Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002 (TIPI de 2003); Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006 (TIPI de 2007); Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto no 435, de 28 de janeiro de 1992, com texto consolidado pela Instrução Normativa SRF no 157, de 10 de maio de 2002, e alterações posteriores; Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, e Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008; art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 75%, por falta de lançamento do IPI, inclusive nos períodos de apuração em que esse imposto não foi exigido, dada a cobertura de créditos, conforme art. 80, caput, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. Para cobrança dos juros de mora, o fato foi enquadrado no art. 61, § 3o, da Lei no 9.430, de 1996. Impugnação Cientificado da autuação em 4 de outubro de 2010, conforme consta na fl. 198, o sujeito passivo impugnou tempestivamente a exigência, em 3 de novembro de 2010, por meio do arrazoado das fls. 226 a 265, firmado por advogado, credenciado pelo mandato da fl. 266 e pelas cópias dos atos societários das fls. 267 a 277 e do documento de identidade do signatário, na fl. 339, além de estar instruído com os documentos das fls. 278 a 337, alegando, em síntese, o que segue. O impugnante principia, dizendo que não existe concomitância de discussão judicial e administrativa, em que pese a propositura da Ação Declaratória de Inexigibilidade Tributária cumulada com Pedido de Tutela Antecipada e Depósito nº 2008.71.16.0004989, perante a Vara Federal de Cruz Alta/RS, visando a classificação fiscal das plataformas para colheita de milho por ele fabricadas. A defesa entende que esse fato não impede o conhecimento da impugnação apresentada, porque as questões trazidas ao processo administrativo são totalmente diferentes da questão proposta na ação declaratória (existência de depósito judicial, impossibilidade de cobrança de multa e juros, impossibilidade de inclusão na base de cálculo do imposto em tela dos valores relativos às notas fiscais de simples saída, da 6 DRJ/POA Fls. 354 7 inobservância cometida pelo ente fiscal do princípio constitucional da nãocumulatividade na apuração do IPI, do caráter confiscatório da multa aplicada, da impossibilidade de aplicação da Taxa Selic etc.). Segue a defesa, alegando que existem depósitos judiciais no montante integral dos valores relativos ao IPI calculado com base na classificação pretendida pela fiscalização, referentes ao período de junho de 2008 a dezembro de 2009. Nesse contexto, ressalta a espontaneidade dos depósitos judiciais, a ocorrência de denúncia espontânea, pelo ajuizamento da ação judicial antes mencionada e alega que recobrou a espontaneidade após 60 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 9 7 dias do início da fiscalização. Em face da existência de depósitos, são indevidos os juros e a multa, além do que fica excluída a cobrança do crédito tributário, enquanto perdurar o litígio. Adiante, o interessado argumenta que existem débitos do IPI apurados em duplicidade, porquanto foram consideradas notas fiscais de simples remessa do produto, enquadradas nos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOPs) 5.949 ou 6.949, simples remessa que não é fato gerador do IPI. O imposto já havia incidido na emissão da nota fiscal de venda, sob os CFOPs 5.101 ou 6.101, o que gerou a tributação em duplicidade. Na sequência, o interessado alega impossibilidade de inclusão, na base de cálculo do IPI, dos valores relativos aos descontos concedidos. Em tópico específico, o impugnante sustenta a impossibilidade de classificação das plataformas para colheita de milho como partes de colheitadeiras. Alega ainda que a multa aplicada caracteriza confisco, o que é vedado pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil. Por último, pede que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário discutido, com base no art. 151, III, do Código Tributário Nacional, e requer o reconhecimento da total improcedência do Auto de Infração contestado.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1038.326 de fls. 348 e 349 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/06/2008 A 31/12/2009 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A PROPOSITURA PELO CONTRIBUINTE, CONTRA A FAZENDA, DE AÇÃO JUDICIAL, POR QUALQUER MODALIDADE PROCESSUAL, ANTES OU DEPOIS DA AUTUAÇÃO, COM O MESMO OBJETO, IMPORTA A RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. ALEGADAS VENDAS PARA ENTREGA FUTURA. A FALTA DE INDICAÇÃO, NA NOTA FISCAL, DE QUE SE TRATA DE OPERAÇÃO DE SIMPLES FATURAMENTO DECORRENTE DE VENDA PARA ENTREGA FUTURA, IMPLICA CONSIDERAR O PRODUTO COMO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO EMITENTE DA NOTA, PARA EFEITO DE EXIGÊNCIA DO IPI E ACRÉSCIMOS, SEM PREJUÍZO DE NOVO PAGAMENTO DO TRIBUTO POR OCASIÃO DA EFETIVA SAÍDA DO PRODUTO. DEPÓSITOS NÃO INTEGRAIS. OS DEPÓSITOS QUE NÃO TENHAM SIDO EFETUADOS NO MONTANTE INTEGRAL NÃO EXCLUEM O ACRÉSCIMO DE MULTA E JUROS E NÃO SUSPENDEM A EXIGIBILIDADE DO CREDITO TRIBUTÁRIO DISCUTIDO. MULTA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 10 8 NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, É VEDADO AOS ÓRGÃOS DE JULGAMENTO AFASTAR A APLICAÇÃO OU DEIXAR DE OBSERVAR TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO, SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE OS DÉBITOS PARA COM A UNIÃO, DECORRENTES DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, NÃO PAGOS, POR QUALQUER MOTIVO, NOS PRAZOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA, SÃO EQUIVALENTES À TAXA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQUENTE AO DO VENCIMENTO DO PRAZO, ATÉ O MÊS ANTERIOR AO DO PAGAMENTO, E DE UM POR CENTO NO MÊS DO PAGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. OS DESCONTOS CONCEDIDOS INTEGRAM O VALOR DA OPERAÇÃO, NÃO SE EXCLUINDO DA BASE DE CÁLCULO DO IPI. PROVA DOCUMENTAL. A PROVA DOCUMENTAL DEVE SER APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO, PRECLUINDO O DIREITO DE O IMPUGNANTE FAZÊLO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL, A MENOS QUE FIQUEM DEMONSTRADA AO MENOS UMA DAS EXCEÇÕES LEGAIS, O QUE NÃO É O CASO. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF onde faz em resumo as alegações a seguir: “Do Direito: I – Da Inexistência de concomitância de instância judicial e administrativa: possibilidade de discussão administrativa da matéria; II – Da inviabilidade de tributação em duplicidade de uma única receita – impossibilidade de inclusão, na base de cálculo do auto de infração, das notas fiscais de simples remessa da mercadoria (venda com entrega futura); III – Do Recobro da Espontaneidade; IV – Do Depósito Judicial dos valores lançados; V – Da impossibilidade de cobrança de multa de ofício sobre a totalidade dos valores depositados sem espontaneidade; VI – Da Impossibilidade de cobrança do crédito lançado; Fl. 404DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 11 9 VII – Da inconstitucionalidade da multa aplicada – Do caráter confiscatório; VIII – Da taxa SELIC; IX – Da impossibilidade da inclusão na base de cálculo do IPI dos valores relativos aos descontos concedidos; X – Da inexistência de documentos juntados posteriormente; Dos Pedidos: Requer o julgamento procedente de seu Recurso Voluntário para o efeito de declarar a nulidade da decisão administrativa de 1º instância, ou alternativamente entendam pela inexistência da mesma, seja reformada a decisão recorrida nos pontos atacados no presente recurso, para que seja anulado o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar, que o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte não trouxe nenhum elemento novo e convincente a ponto de abalar a decisão recorrida. Assim, corroboro com o voto condutor da decisão recorrida de fls. 354 a 361 que aqui repito como se fosse minhas as razões de decidir: “Opção pela via judicial O Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, da então Secretaria da Receita Federal, hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), publicado no Diário Oficial da União, de 15 de fevereiro de 1996, assentou o entendimento de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial (por qualquer modalidade processual), antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este último terá prosseguimento normal, no que se relaciona à matéria diferenciada, esclarece o referido ato declaratório. No caso da coincidência de objetos, o ADN Cosit nº 3, de 1996, orienta que a autoridade julgadora não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida, encaminhando o processo para inscrição em dívida ativa, exceto na ocorrência das hipóteses dos incisos II ou IV do art. 151 do Código Tributário Nacional, respectivamente, depósito do montante integral do crédito tributário e concessão de medida liminar em mandado de segurança. Registrese que o art. 1º da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, acrescentou o inciso V ao referido art. 151 do CTN, segundo o qual a concessão de tutela antecipada também suspende a exigibilidade do crédito tributário. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 12 10 Posteriormente, o Ministro da Fazenda baixou a Portaria nº 258, de 27 de agosto de 2001, para disciplinar a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJs), dispondo, sobre o tema em comento, o que vem transcrito na sequência: “.................... Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. ....................” A regra mencionada no item precedente também constou no art. 26 da aria MF nº 58, de 17 de março de 2006, e se encontra repetida no art. 26 da vigente Portaria MF no 341, de 12 de julho de 2011. Vale transcrever, além disso, a Súmula nº 1, do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, aprovada em sessão plenária do referido colegiado, no dia 18 de setembro de 2007, com o seguinte enunciado: “SÚMULA Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” O teor dessa súmula se encontra hoje na Súmula nº 1 do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do Ministério da Fazenda, divulgada, com os correspondentes acórdãos paradigmas, pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010, do Presidente do Carf, publicada no Diário Oficial da União de 23 de dezembro de 2010, Seção 1, páginas 87 a 90, conforme transcrição que segue: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10193877, de 20/06/2002 Acórdão nº 10321884, de 16/03/2005 Acórdão nº 10514637, de 12/07/2004 Acórdão nº 10706963, de 30/01/2003 Acórdão nº 10807742, de 18/03/2004 Acórdão nº 20177430, de 29/01/2004 Acórdão nº 20177706, de 06/07/2004 Acórdão nº 20215883, de 20/10/2004 Acórdão nº 20178277, de 15/03/2005 Acórdão nº 20178612, de 10/08/2005 Acórdão nº 20177430, de 29/01/2004 Acórdão nº 30330029, de 07/11/2001 Acórdão nº 30131241, de 16/06/2003 Acórdão nº 30236429, de 19/10/2004 Acórdão nº 30331801, de 15/03/2005 Acórdão nº 30131875, de 15/06/2005” Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 13 11 No caso concreto, ao contrário do que afirma a defesa, é certo que, no tocante à classificação fiscal das plataformas para colheita de milho, existe coincidência de objetos, entre o lançamento impugnado e a mencionada Ação Ordinária nº 2008.71.16.0004989. À vista disso, descabe tomar conhecimento da impugnação das fls. 226 a 265, no que diz respeito à classificação fiscal das plataformas para colheita de milho, sem que isso configure preterição do direito de defesa, restando definitiva a exigência do principal, sob esse enfoque. A título de mero registro, notese que, se não houvesse a referida coincidência de objetos, caberia dizer que a classificação fiscal em causa já foi suficientemente analisada e definida no sentido contrário ao da pretensão do impugnante, pelos atos citados no relatório que antecede este voto, a saber: Solução de Consulta SRRF/10a RF/Diana nº 57, de 23 de abril de 2003; da Solução de Consulta SRRF/10a RF/Diana nº 74, de 29 de setembro de 2006; e Acórdão DRJ/POA nº 7220, de 5 de janeiro de 2006, elaborado no Processo no 11070.000705/200532, confirmado pelo Acórdão nº 30238.171, de 8 de novembro de 2006, da Segunda Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes. Quanto aos demais pontos controvertidos neste processo, cabe efetivamente pronunciamento nesta instância administrativa, o que será feito na sequência, neste voto. Alegadas vendas para entrega futura diz a defesa que, em razão de alegadas vendas para entrega futura, em que ocorre a emissão de duas notas fiscais, uma no faturamento antecipado e outra na efetiva remessa do produto, existiriam, no caso, débitos do IPI apurados em duplicidade, porquanto houve lançamento de ofício em relação às notas fiscais de simples remessa do produto, enquadradas, pelo interessado, nos CFOPs 5.949 ou 6.949, tendo havido lançamento de ofício também em relação às respectivas notas fiscais de venda, sob os CFOPs 5.101 ou 6.101. Sobre esse argumento, cumpre tecer as considerações que seguem. Notese que no Termo de Verificação Fiscal das fls. 206 a 220 consta afirmação no sentido contrário ao da inconsistência alegada pelo impugnante, esclarecendo que, ao serem emitidas notas fiscais alusivas a operações de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, enquadradas nos CFOPs 5.922 ou 6.922, não houve lançamento do IPI, o que também não aconteceu na emissão das vinculadas notas fiscais de venda da produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura, enquadradas nos CFOPs 5.116 ou 6.116, tendo ocorrido o lançamento de ofício do referido imposto, na ação fiscal em comento, exclusivamente por ocasião da ocorrência do fato gerador, ou seja, na data da efetiva saída dos produtos (CFOPs 5.116 ou 6.116). Sobre os exemplos trazidos à baila pela defesa, simplesmente citando as Notas Fiscais nºs 93395/93919 (CFOPs 6.101/6.949), 98902/99596 (CFOPs 5.101/5.949), 102518/102670 (CFOPs 6.101/6.949) e 106060/106898 (CFOPs 6.101/6.949), notas que não foram juntadas a este processo, verificase, de pronto, que, se realmente se tratavam de operações de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, o interessado errou Fls. 357 ao utilizar CFOPs inadequados para essas operações. Com efeito, nesses exemplos, segundo o relato do impugnante, foram utilizados os CFOPs 5.101 ou 6.101, referentes a venda da produção do estabelecimento, pura e simples, em vez de terem sido utilizados os CFOPs próprios para operações de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, que são o 5.922 ou o 6.922. Prosseguindo no exame da defesa, também houve erro na etapa subsequente das operações alegadas, ao serem utilizados os CFOPs 5.949 ou 6.949, referentes a outras saídas não especificadas, em vez de terem sido utilizados os CFOPs próprios para Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 14 12 venda da produção do estabelecimento originada de encomenda para entrega futura, que são o 5.116 ou o 6.116. Mais grave ainda, é a outra irregularidade apontada pela fiscalização, no sentido de que, nas notas fiscais de venda (CFOPs 5.101 ou 6.101), não há qualquer menção ao fato de que se trataria de operação de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, o que vai de encontro ao disposto no art. 341, VIII, do RIPI de 2002, que obriga esse registro, nos casos da espécie. Diante do descumprimento da norma regulamentar mencionada no final do item precedente, o Regulamento do IPI é drástico, pelo que se lê no art. 353, IV, e parágrafo único, desse diploma, conforme transcrição que segue: “Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2o, alteração 15a): .................... IV não contiverem a declaração referida no inciso VIII do art. 341. Parágrafo único. No caso do inciso IV, considerarseá o produto como saído do estabelecimento emitente da nota fiscal, para efeito de exigência do imposto e acréscimos legais exigíveis, sem prejuízo de novo pagamento do tributo por ocasião da efetiva saída da mercadoria.” Consequentemente, com base nos dispositivos que regem a matéria, houve lançamento de ofício em relação às duplas de notas fiscais, sob os CFOPs 5.101/6.101 e 5.949/6.949, sem que isso signifique exigência indevida do IPI, devendo ser mantido o lançamento contestado, sob esse ponto de vista. Depósitos judiciais não integrais Sobre a alegação da defesa, de que seriam indevidos os juros e a multa e de que a cobrança estaria suspensa, na pendência do litígio, dado que existem depósitos judiciais dos valores relativos ao IPI calculado com base na classificação pretendida pelo fisco depósitos esses referentes ao período de junho de 2008 a dezembro de 2009, cabe referir o que segue. Pelo Termo de Intimação Fiscal nº 565/08006, da fl. 10, com ciência em 9 de junho de 2010, o estabelecimento foi intimado a apresentar, em relação à Ação Ordinária nº2008.71.16.0004989 (RS): (1) cópia da petição inicial e do laudo técnico, (2) cópia das guias comprobatórias dos depósitos judiciais efetuados; e (3) planilhas de apuração do IPI, elaboradas para fins de depósito judicial, correspondentes às saídas das plataformas, de maneira que ficasse demonstrada a vinculação entre o depósito e o correspondente período de apuração. Conforme resposta, na fl. 11, entregue em 14 de junho de 2010, o interessado forneceu cópia das guias de depósito referentes ao período de junho de 2008 a abril de 2010, bem assim planilha mensal dos valores apurados para pagamento referente ao período de junho de 2008 a abril de 2010. Com base no “Demonstrativo dos Depósitos Judiciais” das fls. 156 e 157, verificase que o efeito pretendido pela defesa, de inexigibilidade de multa e juros e de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não pode ser reconhecido, no caso, porquanto os depósitos a que se referem as cópias de Documento para Depósitos Judiciais ou Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 15 13 Extrajudiciais à Ordem e à Disposição de Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE) se referem, na maioria das vezes, a débitos vencidos, tendo sido efetuado o depósito exclusivamente com o acréscimo de juros de mora, sem o devido acréscimo da multa correspondente. O demonstrativo citado, e a “Tabela de Referência p/ Análise da Espontaneidade dos Depósitos” que o integra (fl. 157), discrimina os depósitos efetuados em datas em que o interessado gozava de espontaneidade, daqueles realizados em datas em que a espontaneidade estava excluída, por força do disposto no art. 7º, I, e §§ 1º e 2º do Decreto nº 70.235, de 1972, e com base nos termos de intimação fiscal citados na tabela de referência antes aludida. O único depósito integral, segundo o “Demonstrativo dos Depósitos Judiciais” das fls. 156 e 157, é o correspondente a setembro de 2008, efetuado na data do vencimento da obrigação, mas em relação ao qual não foi exigida, com acerto, a multa de ofício de 75%, sobre o valor não lançado do IPI, de R$ 36.978,25, segundo consta na fl. 194, sendo que, nesse mesmo período de apuração, tampouco houve exigência a título de IPI, porquanto em setembro de 2008 se chegou a saldo credor na reconstituição da escrita. Nos demais casos, em que os depósitos não foram integrais, era devido o acréscimo de multa, e não apenas dos juros, motivo pelo qual esses depósitos não suspendem a exigibilidade do crédito tributário discutido. Quanto ao acréscimo de juros, devese ter em vista, em primeiro lugar, que, nos casos de ação judicial, mesmo acompanhada de depósito integral, essa parcela deve constar do lançamento de ofício, pois esse ato administrativo é vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional, conforme art. 142 do CTN, ainda que os valores lançados estejam com a exigibilidade suspensa, ficando inibida exclusivamente a cobrança dos débitos. Em segundo lugar, o art. 161 do mesmo código é claro, ao determinar que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido dos juros de mora, sem qualquer hipótese de exclusão, que não seja o pagamento tempestivo, que não se confunde com o depósito. Notese que o depósito, embora suspenda a exigibilidade do crédito, segundo o art. 151, II, do Código Tributário Nacional, não é garantia plena de transformação em pagamento definitivo, caso a decisão seja favorável ao fisco, pois, mediante ordem da autoridade judicial, a qualquer momento do litígio, pode ser autorizado o levantamento dos valores depositados, em favor do contribuinte, restabelecendo a exigibilidade do crédito, sem olvidar que também é possível o encerramento da ação sem julgamento do mérito, caso em que os depósitos não serão convertidos em renda da União. Nas situações em que o depósito é tempestivo e integral e ocorre a conversão em renda, não são exigidos juros de mora constantes do auto de infração. Consequentemente, por não terem sido integrais os depósitos efetuados pelo interessado, em relação aos valores exigidos neste processo, não fica excluído o acréscimo de multa e juros e há suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido. Alegação de denúncia espontânea. Mudando de assunto, agora sobre a invocação do art. 138 do Código Tributário Nacional, no sentido de que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração, cumpre deixar claro, no tocante à situação verificada no presente processo, que não houve qualquer pagamento do IPI, tendo havido exclusivamente depósitos parciais dos valores objeto de controvérsia, motivo pelo qual resta completamente descabida a alegação de denúncia espontânea. Alegação de inconstitucionalidade da multa Fl. 409DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 16 14 Sobre a alegação de que a multa aplicada caracterizaria confisco, o que é vedado pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, cumpre esclarecer que argumento dessa natureza não pode ser conhecido por esta Turma, conforme demonstração que segue. Com efeito, no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhe foi dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a seguir reproduzido, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei, sob fundamento de inconstitucionalidade: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” Consequentemente, falece competência ao julgador administrativo para examinar a alegação de inconstitucionalidade da multa, que está devidamente prevista em lei, no caso, no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com as alterações sucessivas do art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, do art. 13 da Medida Provisória nº 351, de 2007, e do art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007. O exame de argumento dessa natureza é prerrogativa do Poder Judiciário. Vale ressaltar que o entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula nº 2, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), divulgada, juntamente com os números dos respectivos acórdãos paradigmas, pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010, do Presidente do Carf, publicada no Diário Oficial da União de 23 de dezembro de 2010, Seção 1, páginas 87 a 90, conforme transcrição que segue: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005” À vista disso, descabe tomar conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa. Juros Selic Sobre a inconformidade do impugnante, quanto aos juros de mora, calculados pela taxa Selic, cumpre esclarecer que esse acréscimo foi exigido em razão do 1011 Acórdão n.º 1038.326 DRJ/POA Fls. 360 disposto no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, norma de aplicação obrigatória pela administração tributária. Assim, os juros de mora incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos, por qualquer motivo, nos prazos previstos na legislação específica, são Fl. 410DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 17 15 equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Esse entendimento consta da recente Súmula nº 4 do Carf, transcrita a seguir, juntamente com os números dos respectivos acórdãos paradigmas: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194511, de 20/02/2004, Acórdão nº 10321239, de 14/05/2003, Acórdão nº 10418935, de 17/09/2002, Acórdão nº 10514173, de 13/08/2003, Acórdão nº 10807322, de 19/03/2003, Acórdão nº 202 11760, de 25/01/2000, Acórdão nº 20214254, de 15/10/2002, Acórdão nº 20176699, de 29/01/2003, Acórdão nº 20308809, de 15/04/2003, Acórdão nº 20176923, de 13/05/2003, Acórdão nº 30130738, de 08/09/2003, Acórdão nº 30331446, de 16/06/2004, Acórdão nº 30236277, de 09/07/2004, Acórdão nº 30131414, de 13/08/2004 e Acórdão nº 20176923, de 13/05/2003” À vista disso, é legítima a exigência dos juros de mora, nos termos em que ocorreu na autuação. Demais aspectos No tocante à contestação do interessado sobre a inclusão, na base de cálculo do IPI, dos valores relativos aos descontos concedidos, o RIPI de 2002 é muito claro a respeito, conforme transcrição que segue: “Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: .................... II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). .................... § 3º Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 2o, Decretolei no 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). ....................” Essa matéria está, inclusive, pacificada há muito tempo em segunda instância, cabendo exemplificar com a ementa do Acórdão no 20173504, da Primeira Câmara do antigo Fl. 411DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 18 16 Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no Diário Oficial da União de 12 de julho de 2000, a seguir transcrita, em parte: “IPI – (...) BASE DE CÁLCULO – DESCONTOS INCONDICIONAIS – Os descontos concedidos, mesmo que não subordinados à incerteza de acontecimentos futuro, integram o valor da operação, não se excluindo da base de cálculo do imposto (art. 14, § 2º, da Lei nº 4.502/64, e suas alterações posteriores, após as modificações introduzidas pelo artigo 15, Lei nº 7.798/89). (...)” Resta sem razão, outra vez, o impugnante. Quanto ao pleito de hipotética juntada de documentos após o prazo para impugnação da exigência, com fulcro no art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, cumpre dizer que, de acordo com os parágrafos invocados pela defesa, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de situações excepcionais, no caso não configuradas, razão pela qual o pedido é inepto. Com respeito à solicitação de que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário discutido, com base no art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN), devese ter presente que solicitação nesse sentido é desnecessária, por se tratar de efeito que se opera automaticamente, pela entrega da impugnação tempestiva. Sobre o argumento de que não teria sido observado o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI no lançamento impugnado, cumpre repetir que os valores apurados no “Demonstrativo do Cálculo do IPI não Lançado” das fls. 158 a 181 foram transcritos para o “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal” da fl. 182, em que os créditos informados nos PER/DCOMPs relacionados na fl. 206 foram absorvidos, em grande parte, pelos débitos do IPI apurados de ofício, neste processo, por ser essa a forma de utilização prioritária dos créditos do referido imposto, segundo o princípio que a defesa alega, sem razão, ter sido descumprido. Caso houvesse outros créditos a deduzir dos débitos apurados de ofício, o art. 191 do RIPI de 2002 permitiria considerálos, também, como escriturados, desde que fossem devidamente comprovados e fossem alegados até a impugnação. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de (a) não tomar conhecimento da impugnação das fls. 226 a 265, no que diz respeito à classificação fiscal das plataformas para colheita de milho, rejeitando a preliminar de nulidade por preterição do direito de defesa, (b) não tomar conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa, (c) considerar inepto o pleito de hipotética juntada de documentos após o prazo para impugnação, e, no mérito, (d) julgar improcedente a impugnação das fls. 226 a 265, para manter integralmente a exigência formalizada no Auto de Infração das fls. 197 a 200.” Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto Fl. 412DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11070.002089/201011 Acórdão n.º 3101001.551 S3C1T1 Fl. 19 17 Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 413DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /02/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10925.900901/2008-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-002.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 09 01 /2 00 8- 91 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Tratase da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 03461.40423.111104.1.3.040407 (fls.88/92), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856), referente ao período de apuração: setembro/2004, vencimento: 15/10/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 2.011,52). Por intermédio do despacho decisório de fl.06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado com o referido decisório, o contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu fato gerador da CSLL, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.069, de 30 de junho de 2011 (fls.99/100). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 02/09/2011 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 28/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente conclui que, restando comprovado nos documentos acostados aos autos que houve recolhimento de tributos sem a ocorrência do fato gerador da obrigação, tais valores hão de ser declarados de direito da recorrente, para ser deferido o pedido de compensação protocolado, sob pena de se perpetuar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.277, de 06/08/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900901/200891 Acórdão n.º 1802002.102 S1TE02 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Joaçaba/SC, após a diligência efetuada elaborou Informação Fiscal conclusiva para a análise cientificada ao sujeito passivo em 23/10/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR). Transcorrido o prazo legal sem a manifestação do interessado, os autos retornaram ao CARF para prosseguir o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802 000.277, de 06/08/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 03461.40423.111104.1.3.040407 (fls.88/92), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856), referente ao período de apuração: setembro/2004, vencimento: 15/10/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 2.011,52). Conforme relatado, pelo despacho decisório de fl.06, emitido em 09/05/2008, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 16/06/2008 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0725.069, de 30 de junho de 2011 (fls.99/100) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Embora não conste dos autos a cópia de DCTFs, consta do processo nº 10925.900861/200887,em julgamento nesta mesma sessão, que, o Recorrente em 28/05/2008, após a expedição do despacho decisório de 09/05/2008, cientificado ao contribuinte em 21/05/2008 (fl.96) e, antes de apresentar a manifestação de Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 inconformidade (16/06/2008), retificou a DCTF do 1º trimestre de 2004 na qual altera para “zero”, o débito da CSLL – estimativa mensal relativa ao mencionado trimestre. A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade e repisada no recurso voluntário é que, no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu o fato gerador da CSLL, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. O crédito aventado nos presentes autos referese a pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 2.011,52). É cediço, que a CSLL determinada mensalmente com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução deve ser paga até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996). Apesar de a DPJ/2005 Ficha 16 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Mensal por Estimativa discriminar a FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO DA CSLL “Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”, o Recorrente não juntou aos autos os balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. O contribuinte requer a compensação do valor pago por estimativa mensal e vincula seu pleito a saldo negativo da CSLL em 2004, apresentando a DIPJ/2005 com base de cálculo negativa em todos os meses do ano calendário de 2004. Cabe verificar: a) se o pagamento efetuado de CSLL à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, DARF: R$ 2.011,52, foi utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004; b) se o pagamento da CSLL foi calculado com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução e, c) se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Joaçaba/SC, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor da CSLL por estimativa a maior, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900901/200891 Acórdão n.º 1802002.102 S1TE02 Fl. 4 5 contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. ... Da Informação Fiscal apresentada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC consta o seguinte: (...) Para responder as indagações formuladas pela digna autoridade julgadora, foi regularmente intimada a contribuinte para esclarecer a apuração do saldo negativo bem assim apresentar os Livros Diários em que foram transcritos os balanços ou balancetes que teriam sido utilizados para cálculo das estimativas mensais de 2004, bem como as memórias de cálculo respectivas, enfim qualquer outro elemento que pudesse demonstrar e comprovar a apuração do saldo negativo. A contribuinte, em resposta, apenas esclareceu que os recolhimentos teriam sido efetuados de forma "equivocada e aleatória, não se baseando em memórias de cálculo especificas", e por esta razão, "não há que se falar em apresentação dos livros diários". Em razão da interessada se negar a apresentar os livros diários do período não há como se responder, com base nos registros contábeis, se os recolhimentos a título de estimativa mensal foram utilizados na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do ano de 2004. Na DIPJ apresentada (ficha 11) informa que optou pelos recolhimentos da estimativa com base nos balanços ou balancetes de suspensão, sem qualquer outro registro. Na DCTF (original) informou débito da CSLL com base na receita bruta e acréscimos, porém posteriormente retificoua, zerando o valor. Relativamente à segunda questão (se o pagamento da CSLL foi calculado com base na receita bruta e acréscimo ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução), a reclamante informou, apenas que "os recolhimentos foram equivocados e aleatórios". ... Quanto a terceira indagação: se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da lei n° 8.981 de 1995, não se pode responder, dada a recusa da contribuinte em apresentar o respectivo livro. (...) Cientificado da Informação Fiscal, após a realização da diligência, a Recorrente nada contraditou. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Como se vê, a Recorrente apresentou PERDCOMP no qual sustenta crédito a título de CSLL por estimativa mensal paga a maior mas não comprova tal crédito, ainda que oportunizada pela diligência realizada. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a existência e o exato valor do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 2.011,52, adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de verificar a existência do pagamento indevido pleiteado. A autoridade fiscal foi além e tentou junto ao contribuinte que lhe fosse apresentado livros e documentos para saber da existência de saldo Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900901/200891 Acórdão n.º 1802002.102 S1TE02 Fl. 5 7 negativo no ano calendário de 2004. No entanto, a pessoa jurídica em nada colaborou para tal desiderato. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 11/11/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, (fl.06), e apresentou a manifestação de inconformidade em 16/06/2008 (fls.01/05). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10932.000328/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 01.
Conforme contido na Súmula CARF nº 01 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 1301-001.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, recurso não conhecido por opção pela via judicial.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 01. Conforme contido na Súmula CARF nº 01 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, recurso não conhecido por opção pela via judicial. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 28 /2 00 8- 24 Fl. 740DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Extraise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foi lavrado Auto de Infração de IRPJ (fls. 486/489e 492/496), relativo ao ano calendário de 2005, em razão de haver sido apurado omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, de revenda de mercadorias e de prestação de serviços. Como a infração apurada apresenta reflexos nos valores devidos às contribuições sociais, foram lavrados autos de infração referentes ao Programa de Integração Social – PIS (fls. 497/502), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 503/508 e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 509/517). Os valores relativos aos fatos geradores verificados encontramse indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário consolidado originariamente no montante de R$ 2.527.265,84 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos, acrescidos da multa de ofício de 75%, e dos juros de mora calculados até 31/07/2007. De acordo com o Termo de Início de Fiscalização (fl. 04), a Contribuinte foi intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais e a documentação correspondente e a apresentar os extratos bancários do período de janeiro a dezembro de 2005. Não atendida a intimação, a Contribuinte foi reintimada, em 04/06/2008 (fl. 7/8), com a advertência de que, na falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais a apuração do lucro seria pela forma arbitrada, nos termos do artigo 530 do RIR/99. Às fls. 9/13 estão contidas as descrições dos procedimentos fiscais e das irregularidades apontadas pelo autuante como infrações à legislação tributária, que motivaram a lavratura do presente Auto de Infração e seus reflexos, consignandose que embora intimada, a contribuinte deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações (depósitos ou créditos) acolhidas pela movimentação bancária, no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, conforme o item 8 do Termo de Verificação Fiscal e que embora intimada e reintimada, a contribuinte, injustificadamente, não apresentou os livros e/ou documentos especificados no item 5 do Termo de Verificação Fiscal de 09/09/2005, assinalandose que a receita da Revenda de Mercadorias encontrase refletida no Demonstrativo de Apuração da Receita Auferida (item 6 coluna "E" "C"). Fl. 741DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10932.000328/200824 Acórdão n.º 1301001.282 S1C3T1 Fl. 3 3 Apurouse ainda, que embora intimada e reintimada, a contribuinte, injustificadamente, não apresentou os livros e/ou documentos especificados no item 5 do Termo de Verificação Fiscal de 09/09/2005, que faz parte integrante deste procedimento. A Receita da Prestação de Serviços encontrase refletida no Demonstrativo de Apuração da Receita Auferida (item 6 coluna C). Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 309/358), alegando em síntese que dentre os valores que compõem a receita omitida, encontramse “valores que se devem a estorno acertocrédito, transferências bancárias, estorno de valores creditados indevidamente bem como liberação de operações de crédito.”, conforme relação que apresenta à fl. 530, cujo total é de R$ 7.273.283,87. No tocante ao arbitramento, limitouse a reproduzir ementas de acórdãos do CARF, juntando cópia do livro de apuração do IPI e aduzindo que o arbitramento aplicado está em desacordo com o posicionamento da Câmara do Conselho de Contribuintes e esse entendimento está em perfeita sintonia com a jurisprudência desta Casa, no sentido de que a aplicação do arbitramento é medida extrema, que só deve ser utilizada como último recurso, por impossibilidade absoluta de apuração do lucro real. Relativamente à receita omitida, alegou que no levantamento fiscal “foram apurados valores que se devem a estorno acertocrédíto, transferências bancárias, estorno de valores creditados indevidamente bem como liberação de operações de crédito” e que emitiu a relação de fl. 530, onde discrimina valores que no seu entender não representariam novo ingresso em suas contas bancárias, pois, estariam na situação descrita acima. Requereu que se constate que o crédito mencionado de R$ 6.937.033,00, conforme relação de créditos anexado ao Termo presente é do Banco Gerdau S/A e não do Banco do Brasil S/A, conforme consta da relação. No que concerne aos valores tributados como “Revenda de Mercadorias” e “Prestação de Serviços” assinalouse que a contribuinte não trouxe qualquer alegação o que tornariam tais exigências definitivas, por força do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235 de 1972. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento parcialmente procedente, firmando entendimento de que, relativamente ao arbitramento o contribuinte reproduz ementas do CARF cujo entendimento é o de que “o arbitramento é medida extrema, que só deve ser utilizada como último recurso, por impossibilidade absoluta de apuração do lucro real”, ocorrendo, no caso que aqui se tem, a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os livros contábeis e fiscais com a documentação que lhe dá suporte, e tampouco apresentou tais elementos por ocasião da apresentação de sua impugnação, considerandose imperioso destacar, no tocante ao arbitramento que, estando a contribuinte obrigada a tributação com base no lucro real, teria deixado de cumprir as obrigações acessórias relativas a sua determinação, infringindo a Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430 de 1996, art. 1º, base legal do art. 530 do RIR/99, concluindose assim, que os elementos do processo demonstram que a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os Livros Diário e Razão e a respectiva documentação que lhe dava suporte, nos termos do RIR/1999, mas deixou de atender a intimação, sujeitandose ao arbitramento de seu lucro nos termos da legislação citada. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Em relação à autuação relativa às receitas omitidas, provenientes de depósitos bancários, relembrou a decisão recorrida que a contribuinte apresentou o Demonstrativo de fl. 530, cujos valores alega ser referente a transferência entre contas de mesma titularidade, estornos, etc.,, sendo que confrontandose o demonstrativo apresentado pelo Contribuinte com a Relação de fls. 411/420, emitida pela Fiscalização, a decisão recorrida constatou que alguns valores integravam também a Relação Fiscal, assinalando que os demais valores apontados pelo Contribuinte não foram relacionados pela Fiscalização, ou seja, não fazem parte do total da receita omitida. Feita esta ressalva, a decisão recorrida entendeu que no tocante aos valores coincidentes verificavase que assistia, em parte, razão ao Contribuinte, porquanto os valores creditados no Banco Mercantil, recebidos por meio de DOC’s que foram transmitidos da conta corrente nº 562.768X do Banco do Brasil, cujo titular é o próprio Contribuinte resultam plenamente justificados, por força do comando legal inserto no § 3º do art. 42, da Lei nº 9.430/1996 (transferências de outra conta da mesma titularidade do contribuinte). Sendo assim, concluiu a decisão recorrida que os demais valores creditados no Banco Daycoval e no Banco do Brasil, recebidos por meio de TED’s, não estão comprovados, pois, o Contribuinte não logrou identificar a origem desses créditos e o valor de R$ 6.937.033,00 que o Contribuinte informa que a operação deuse no Banco Gerdau, não procede. De acordo com o extrato de conta corrente do Banco Gerdau, fl. 102, esta importância foi creditada e estornada no mesmo dia (21/09/2005), entendendo assim que deveriam ser excluídas do montante das receitas omitidas os seguintes valores: a) da base de cálculo do 1º trimestre excluir o valor de R$ 4.300,00; b) da base de cálculo do 2º trimestre excluir o valor de R$ 750,00 c) da base de cálculo do 3º trimestre excluir o valor de R$ 7.000,00 Com relação aos lançamentos de PIS, Cofins e da CSLL, por se tratarem de mera decorrência dos fatos apurados no auto de infração principal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, entendeu a decisão recorrida que deveriam ter a mesma sorte do lançamento que lhes deu origem, julgandose assim, parcialmente procedente as exigências. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, relatando os fatos e aduzindo, unicamente que houve equívoco causado pelo Banco Gerdau S.A. que indevidamente creditou na conta corrente da contribuinte o valor de R$ 6.937.033,00, sendo que ao reconhecer o equívoco cometido o banco teria efetuado o estorno, mas, em nada obstante esta operação gerou suposta omissão de receita, apuradas pela sistemática do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Dito isso, assinalou que propôs Ação Anulatória de Débito Fiscal contra a União para reconhecimento dos fatos descritos acima, sendo a que a Procuradoria da Fazenda Nacional reconheceu o equívoco cometido, juntando o Parecer elaborado e acostado aos autos do processo judicial e diversos outros documentos, para ao fim requerer o provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10932.000328/200824 Acórdão n.º 1301001.282 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Conquanto tenha apresentado tempestivo Recurso Voluntário o apelo do contribuinte não pode ser conhecido. Digo isso porque verificando o conteúdo material do Recurso Voluntário, tal como descrito acima, anoto que o recorrente se insurge apenas contra determinado valor que compôs a base de cálculo da receita considerada omitida, já que o Banco Gerdau S.A. indevidamente creditou em conta corrente o valor de R$ 6.937.033,00, sendo que ao reconhecer o equívoco cometido o banco teria efetuado o estorno. Sendo esta a única insurgência da contribuinte, o fato impeditivo do conhecimento do seu Recurso Voluntário dáse justamente porque fez ver o contribuinte que propôs Ação Anulatória de Débito Fiscal contra a União justamente para reconhecimento dos fatos descritos acima. Tendo a questão sido submetida ao controle Judicial, pouco importa se a Procuradoria da Fazenda Nacional reconheceu o equívoco cometido, sendo vedado, consoante verbete da Súmula CARF nº 01, a apreciação de matéria levada ao Poder Judiciário. Aliás, o recorrente não noticia qualquer decisão, favorável ou não, precária ou definitiva, situação que a fortiori impede o formal conhecimento do seu Recurso Voluntário, evitando assim decisões eventualmente contrárias entre si, ou de alcances distintos, situação que acarretaria prejuízos à própria contribuinte e poderia aparentar óbice à soberania das decisões judiciais. Apenas para fins de registro anotese o conteúdo da Súmula CARF nº 01: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Considerando assim a renúncia à esfera administrativa com relação à omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, bem como a absoluta falta de insurgência em relação às demais matérias, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Fl. 745DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 07/02/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 13054.001685/2008-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para aguardar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (RE 606107), nos termos do voto do relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RECEBIMENTO POR TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente MINUANO CORTE E COSTURA INDUSTRIAL LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para aguardar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (RE 606107), nos termos do voto do relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 2ª Turma da DRJ que julgou procedente em parte manifestação de inconformidade contra despacho decisório que deferiu parcialmente Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) referente a crédito do PIS nãocumulativo. A ementa do acórdão contempla o seguinte: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE ICMS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 54 .0 01 68 5/ 20 08 -9 3 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13054.001685/200893 Resolução nº 3401000.714 S3C4T1 Fl. 223 2 Os valores recebidos em decorrência de transferência de créditos de ICMS a terceiros devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, exceto nas hipóteses de créditos oriundos de operações de exportação a partir de 1º de janeiro de 2009. No recurso, tempestivo, a contribuinte insiste no ressarcimento integral, defendendo, inclusive, a não inclusão, na base de cálculo da Contribuição, da cessão de créditos do ICMS a terceiros. É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não deve ser julgado nesta oportunidade, por conter matéria submetida à repercussão geral no STF. Refirome à inclusão (ou não) dos valores correspondentes ao recebimento pela transferência de créditos do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins não cumulativos, tema que está sob análise do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 606107, com repercussão geral já definida. Como informa o sítio do Colendo Tribunal na internet (consulta em 14 de maio de 2013), o debate no RE nº 606107 versa sobre o seguinte: 283 Incidência do PIS e da COFINS nãocumulativos sobre valores recebidos a título de transferência de ICMS. Recurso extraordinário em que discute, à luz dos artigos 149, § 2º, I; 150, § 6º; 155, § 2º, X, a; e 195, caput, I, b, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da exigência de que o valor correspondente às transferências de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS pela empresa contribuinte seja integrado à base de cálculo das contribuições Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS nãocumulativas. Impõese o sobrestamento do julgamento em obediência ao § 2º do art. do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13054.001685/200893 Resolução nº 3401000.714 S3C4T1 Fl. 224 3 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão ou não, na base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins nãocumulativos, dos valores recebidos pelas transferências de créditos do ICMS. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 224DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.906681/2011-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA SE DECLARAR A NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. MANUTENÇÃO.
Tendo o ato administrativo cumprido todos os requisitos legais, não há que se falar em nulidade.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DO DISPOSITIVO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
O fato de não constar expressamente o dispositivo legal referente ao juros de mora não invalida o ato praticado, tampouco cerceia o seu direito de defesa da Recorrente.
Numero da decisão: 1802-002.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA SE DECLARAR A NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. MANUTENÇÃO. Tendo o ato administrativo cumprido todos os requisitos legais, não há que se falar em nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DO DISPOSITIVO LEGAL. INOCORRÊNCIA. O fato de não constar expressamente o dispositivo legal referente ao juros de mora não invalida o ato praticado, tampouco cerceia o seu direito de defesa da Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.906681/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.002 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria DCOMP Recorrente A CUPELLO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA SE DECLARAR A NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. MANUTENÇÃO. Tendo o ato administrativo cumprido todos os requisitos legais, não há que se falar em nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DO DISPOSITIVO LEGAL. INOCORRÊNCIA. O fato de não constar expressamente o dispositivo legal referente ao juros de mora não invalida o ato praticado, tampouco cerceia o seu direito de defesa da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 66 81 /2 01 1- 41 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906681/201141 Acórdão n.º 1802002.002 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906681/201141 Acórdão n.º 1802002.002 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Através das DCOMP Eletrônica n° 28957.16846.200808.1.3.035005, a Recorrente buscou a compensação de saldo negativo de contribuição social sobre o lucro líquido (“CSLL”) apurado no anocalendário de 2007 (R$ 271.774,45) com débitos do PIS e da Cofins de julho de 2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ, por meio de despacho decisório (fl. 02), proferido em 01/11/2011, cuja ciência foi dada ao interessado em 22/11/2011 (fl.03), homologou parcialmente as compensações uma vez que a soma das parcelas de composição do crédito informadas na Dcomp não era suficiente para compensar integralmente os débitos informados na DComp. A Recorrente então foi intimada a efetuar o recolhimento dos débitos que não foram homologados, no total de R$ 18.011,67, acrescido de multa de mora (R$ 3.602,33) e de juros de mora de R$ 6.044,71, calculados para pagamento até 30/11/2011. Irresignada com a decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 04/06), acompanhada dos documentos (fls. 7/15), alegando, em síntese, que: a) é nulo o despacho decisório, pois não se encontram explicitados os elementos que auxiliam na identificação da sistemática utilizada para o cálculo da multa e dos juros moratórios imputados; alternativamente, requer a reconsideração dos termos do despacho decisório para fazer constar a tipificação legal da multa e dos acréscimos moratórios, sendo ainda devolvido prazo para apresentação de sua defesa. A DRJ do Rio de Janeiro/RJ, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando suas conclusões com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO. Afastase a alegação de nulidade do ato administrativo, ante a obediência às disposições legais para sua lavratura. COMPENSAÇÃO DECLARADA NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS NÃO RECOLHIDOS NO VENCIMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906681/201141 Acórdão n.º 1802002.002 S1TE02 Fl. 39 4 Os débitos decorrentes de impostos e contribuições não pagos nos prazos previstos na legislação específica devem ser acrescidos de multa e juros de mora. Os acréscimos legais efetivamente devidos serão apurados na data do recolhimento dos débitos indevidamente compensados. Os valores consolidados no despacho decisório são meramente informativos se os pagamentos não ocorrerem até a data nele prevista. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Também inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/01/2013, a Contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 15/02/2013, onde pede a aplicação do Decreto nº 70.235/72, art, 10, IV no que diz respeito ao cerceamento do direito de defesa ante a forma como o cálculo dos acréscimos moratórios foi apresentado. Este é o Relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906681/201141 Acórdão n.º 1802002.002 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo inteiro conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não reconhecendo o direito creditório integrante da DCOMP Eletrônica. A lide do presente processo está calcada na validade ou não do despacho decisório que não homologou a integralidade da compensação pleiteada por insuficiência de crédito disponível gerado pela imposição da penalidades moratórias. No presente processo não há que se falar em ineficácia do ato administrativo, eis que o despacho decisório atende os requisitos da competência, finalidade, forma, motivo e objeto. O Decreto 70.235/1972, norma que dipõe sobre o processo administrativo fiscal prevê as hipóteses em que se reconhece a nulidade, senão vejamos: “Art 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.” Não resta dúvida que o despacho decisório foi proferido por autoridade competente e devidamente fundamentado e motivado. A Recorrente neste turno não questiona a homologação parcial da compensação declarada, mas alega falta de enquadramento legal dos acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos não compensados. Entendo que os acréscimos moratórios não necessitam de subsídio no despacho decisório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906681/201141 Acórdão n.º 1802002.002 S1TE02 Fl. 41 6 Nos termos da Lei nº 9.430/96, art. 74, § 2º, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O despacho decisório se presta a informar o motivo pelo qual a compensação não se efetivou, trazendo a descrição e a fundamentação analítica para que o contribuinte possa fazer a sua defesa. Vale dizer que isso tudo se dá em razão dos créditos ofertados para compensação com os débitos oferecidos. Os acréscimos moratórios não são objeto do despacho decisório, mas postos de forma meramente indicativa para que o contribuinte, querendo, possa liquidar o passivo que a Receita Federal entende estar em aberto e que será objeto de cobrança. Sendo assim, eles não são objeto do despacho decisório, mas de uma obrigação pelo não recolhimento da exação de modo tempestivo. Nos termos do Código Tributário Nacional (“CTN”), art. 161, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de multa de mora e juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Esses acréscimos estão previstos na Lei nº 9.430, art. 61 e §§. “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, não se trata de disposição omitida no despacho, mas de uma lei que de acordo com a Lei de Introdução do Código Civil (“LICC”), Decretolei nº 4.657/72, com alterações posteriores, ninguém pode alegar o desconhecimento de uma lei para deixar de cumprila, senão venjamos: “Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.” Com efeito, o fato de não constar expressamente o dispositivo legal referente ao juros de mora não invalida o ato praticado, tampouco cerceia o seu direito de defesa da Recorrente. Pelo exposto, não pode ser outro o entendimento, senão o de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.906681/201141 Acórdão n.º 1802002.002 S1TE02 Fl. 42 7 (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10945.900101/2013-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/03/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 01 01 /2 01 3- 07 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900101/201307 Acórdão n.º 3801003.048 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900101/201307 Acórdão n.º 3801003.048 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900101/201307 Acórdão n.º 3801003.048 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900101/201307 Acórdão n.º 3801003.048 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900101/201307 Acórdão n.º 3801003.048 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900101/201307 Acórdão n.º 3801003.048 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900101/201307 Acórdão n.º 3801003.048 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001466/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DIMOF.
Para o ano calendário 2008, somente estavam sujeitos à entrega da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira - DIMOF, os bancos de qualquer espécie, as cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo.
Numero da decisão: 1803-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DIMOF. Para o ano calendário 2008, somente estavam sujeitos à entrega da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira - DIMOF, os bancos de qualquer espécie, as cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo.
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DIMOF. Para o ano calendário 2008, somente estavam sujeitos à entrega da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF, os bancos de qualquer espécie, as cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 14 66 /2 00 9- 09 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório PACIFIC INVEST DTVM LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Contra a contribuinte acima identificada foi emitida notificação de lançamento exigindo multa por atraso na entrega da Declaração de Informações Sobre Movimentação Financeira DIMOF, relativa ao 1º semestre de 2008, no valor de R$ 15.000,00. O lançamento teve como fundamentação legal: Art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 7º da IN SRF nº 811, de 2008. Notificada dos lançamentos, a interessada apresentou impugnação, alegando: Notamos que a empresa PACIFIC INVEST DTVM LTDA, não está enquadrada na legislação para entrega da DIMOF – Declaração de Informações Sobre Movimentação Financeira (Par. 2º da IN RFB 878 de 15/10/2008), e portanto pedimos que seja excluída da Base de Dados da receita federal as Declarações dos períodos 01/2008 (Recibo de entrega 18.39.37.16.6326) e 02/2008 (35.37.79.44.5775). A Declaração do Período 01/2008 foi entregue fora do prazo o que gerou a Notificação de Lançamento 03.83.11.37.69.60.17. Então, excluídas as declarações pedimos que seja desconsiderada a Notificação de lançamento citada. A DRJ FLORIANÓPOLIS (SC), através do acórdão nº 0727.703, de 09 de março de 2012 (fls. 21/23), julgou procedente o lançamento, cujo acórdão dispensado de ementa fundamenta a decisão na obrigatoriedade da contribuinte por estar equiparada a instituição financeira por se tratar de distribuidora de títulos e valores mobiliários. Ciente da decisão em 16/04/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 42), apresentou o recurso voluntário em 14/05/2012 fls. 47/54, onde reitera não estar sujeita à DIMOF em 2008. É o relatório Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10925.001466/200909 Acórdão n.º 1803002.106 S1TE03 Fl. 59 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega da DIMOF relativa ao primeiro semestre de 2008, conforme se observa da Notificação de Lançamento (fls. 13/15). Alega a recorrente em síntese: Que embora tenha em seu objeto social diversas atividades enquadradas no conceito de instituição financeira como distribuidora e corretora de títulos, não estava sujeita à entrega da DIMOF para o ano calendário 2008. Assiste razão à interessada. Com efeito, a redação original da Instrução Normativa RFB nº 811, de 28 de janeiro de 2008, que instituiu a obrigatoriedade de entrega da DIMOF, tem a seguinte redação: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007 , e tendo em vista o disposto no art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001 , no Decreto nº 4.489, de 28 de novembro de 2002 , no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 , no art. 30 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e na Instrução Normativa RFB nº 802, de 27 de dezembro de 2007 , resolve: Art. 1º. Instituir a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), cuja apresentação é obrigatória para os bancos de qualquer espécie; cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo. A redação original foi modificada através da Instrução Normativa RFB nº 1.092, de 02 de dezembro de 2010, passando incluir na exigência também as instituições autorizadas a realizar operações no mercado de câmbio, o que incluiu aparentemente a recorrente consoante seu objeto social constante do Contrato Social (fl. 07), a partir do 2º Semestre de 2010. Considerando que a expressão “bancos de qualquer espécie”, somente contempla os bancos comerciais; bancos múltiplos, bancos de investimento e desenvolvimento, segundo informações colhidas no sítio do Banco Central, e que exige tipo societário de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Sociedade Anônima e a obrigatória expressão “Banco” em sua denominação social, está descartado o enquadramento da recorrente na obrigatoriedade de entrega da DIMOF em 2008. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 20/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10675.720941/2011-45
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior que votaram pelo prosseguimento do julgamento. (Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vencidos os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso e Jaci de Assis Júnior que votaram pelo prosseguimento do julgamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2010, anocalendário 2009, decorrente de apuração de omissão de rendimentos caracterizada pela não comprovação da origem de créditos efetuados em contas bancárias, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996. A autuação é descrita no Termo de Verificação Fiscal (fls. 10 e ss.). A autoridade fiscal informou que o procedimento de fiscalização teve início com intimação para apresentar extratos bancários no Banco Itaú; e que, em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou extratos das contas de poupança e corrente mantidas no Banco Itaú e Bank Boston, bem como de diversos fundos de investimentos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 20 94 1/ 20 11 -4 5 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 300 2 Em seguida, o AuditorFiscal descreve que, a fim de corroborar, os documentos apresentados pelo contribuinte, expediuse Requisição de Informação Financeira – RMF (fls. 57 e ss.), obtendose os extratos junto às instituições financeiras. O contribuinte alegou que os depósitos eram decorrentes de valores recebidos em diversas operações de venda de veículos usados, que executava mais por hobby e pelo desejo de dirigir veículos diferentes. Destacamse os seguintes tópicos do Termo de Verificação Fiscal: a) são indicados os depósitos que a autoridade fiscal considerou comprovados (item 3); b) é explicado que a conclusão acima baseouse, principalmente, no fato de (a) o contribuinte ter tido a propriedade dos veículos mencionados, (b) as operações terem sido registradas na declaração de rendimentos do fiscalizado e do adquirente e (c) haver correspondência em datas e valores. De modo diverso, em relação às alegadas transações em que o contribuinte intermediou a transação (sem ter a propriedade do veículo), não foram apresentados documentos que comprovassem a origem dos recursos (item 4);. c) são apontados os depósitos com as respectivas justificativas apresentadas pelo contribuinte e as razões pelas quais a autoridade fiscal não as acatou (ainda no item 4); d) é informado que foram expurgados os valores referentes a “devoluções de cheques depositados”, os rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas e jurídicas (item 7). Na impugnação, o contribuinte reafirmou sua condição de microemrpesário e a prática – por hobby de compra e venda de veículos usados, o que provocou movimentação em suas contas bancárias, e sustenta que a origem dos depósitos é comprovada, bem como destaca que possuía disponibilidade patrimonial inicial que possibilitou a movimentação dos recursos financeiros. Ressaltou que a atividade de compra e venda de veículos usados é definida pelos usos e costumes, pela relação de confiança mútua e possui características próprias que a diferencia de uma atividade comercial pura e simples, sendo comum a entrega de recibo de transferência assinado pelo vendedor, em branco para preenchimento e entrega diretamente ao novo adquirente, de forma que o valor indicado no recibo nem sempre reflete o real valor da operação de venda, assim como é costumeiro a entrega de um veículo de menor valor como parte de pagamento ou o pagamento com vários cheques prédatado e, muitas vezes, de terceiros, outras vezes, um veículo financiado é quitado e novamente financiado pelo adquirente. O impugnante indica o acórdão 10417.277, de 07/12/1999 como precedente deste Conselho que reconheceria as referidas peculiaridades. Em seguida, o impugnante faz contrapontos a cada um dos tópicos do item 4 do Termo de Verificação Fiscal para demonstrar que os créditos tiveram origem comprovada. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 301 3 Alega, ainda, que a jurisprudência reconhece que não é somente a transferência do veículo junto ao Detran que comprova sua propriedade, sendo possível provar a alienação por outros meios. Apontou o art. 1.226 do Código Civil e precedentes judiciais. A impugnação foi indeferida, sob fundamento de que o contribuinte não se desincumbiu de comprovar individualizadamente a origem dos valores creditados, foi corroborada a fundamentação da autoridade lançadora e, relativamente a cada um dos tópicos, foram apontadas as razões específicas pelas quais o julgador formou sua convicção. Ciência do acórdão em 23/12/2011. Interposição de recurso voluntário em 20/01/2012. Em resumo, o recurso voluntário contém a argumentação abaixo: Preliminarmente, alega que: 1. o acórdão recorrido não se manifestou quanto à aplicabilidade da jurisprudência que ampara o recorrente nas alegações quanto às peculiaridades no comércio de veículos, um aspecto fundamental da defesa; e 2. reivindica o cancelamento da exigência devido à inconstitucionalidade do afastamento do sigilo de dados bancários sem autorização judicial, como reconhecido no Recurso Extraordinário 389.808/PR; 3. não deferida a preliminar imediatamente acima, ao menos devese sobrestar o julgamento, até o desfecho final do entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF; No merito 4. reitera as argumentações trazidas na fase de fiscalização e na impugnação, carreando novos esclarecimentos e documentos para contrapor uma a uma as razões do acórdão recorrido. Fundamentação lançamento e DRJ Alegação do recorrente Depósitos : Todos Presunção legal dispensa o fisco de comprovar o efetivo acréscimo patrimonial Doutrina e jurisprudência do CARF reconhecem que os depósitos bancários não podem caracterizado fato gerador do imposto de renda, o que é reforçado pelo reconhecimento da inconstitucionalidade alegada em preliminar (RE 389.808/PR). Depósitos: 37.000,00 – 15/04/09; e 55.000,00 – 15/05/09 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 302 4 Incoerência entre os valores, pois o TED é de R$37.000,00, enquanto o contrato cita R$50.000,00 em dinheiro, além de o veículo ter sido informado na DIRPF de Javan Aguiar como vendido por R$122.989,36 ao passo que a venda foi de R$92.000,00. Não houve comprovação da transferência dos recursos entre o adquirente Amair Vasconcelos Rodrigues e o contribuinte; não houve correspondência de valores nem de datas, nem a propriedade do veículo por parte do contribuinte; e, se fosse o caso, também não teria sido comprovada a transferência de recursos do contribuinte para seu pai; Compra e venda de Mitsubishi Triton pertencente a seu pai, Javan Aguiar, apresenta contrato de compra e venda, no qual o vendedor Luiz Fernando de Carvalho Aguiar e adquirente Amair Vasconcelos Rodrigues, no valor de R$92.000,00, constando que o débito de financiamento seria, posteriormente, quitado pelo “vendedor” e que R$50.000,00 seria pago por meio de TED depositado na conta do “vendedor”; Declaração do Sr. Javan Aguiar, datada de 11/04/2011, confirmando ter possuidor o veículo e ter vendido a Amair Vasconcelos Rodrigues, em operação mediada pelo contribuinte, que embora conste na DIRPF o valor de R$122.989,36, o valor real foi de R$92.000,00; Recibo de TED de Safe Segurança para o fiscalizado, datado de 15/04/2009, valor de R$37.000,00. O acórdão não apreciou a jurisprudência que reconhece as características do comércio de veículos, conforme declaração (fls. 193/197) foi comprovado que o contrato foi firmado com a Srª Amair Vasconcelos Rodrigues e que o pagamento foi feito por seu filho, que é sócio da empresa Safe Segurança, emitente do TED. Há jurisprudência que a transferência de propriedade pela tradição (art. 1.226 do Código Civil), independente da transferência no DETRAN. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 303 5 Depósitos: 4.232,48 (29/05/2009); 17.466,50 (17/06/2009); 29.000,00 (06/07/2009); 1.975,00 (21/07/2009); 7.912,37 (10/08/2009) O contribuinte vinculou esses depósitos à venda do Jeep Cherokee, placa HCD6700 a Carlos Rossato Dal Pont, conforme declarado na DIRPF2010. O contribuinte apresentou recibo de pagamento efetuado pelo comprador à financeira Alfa, no valor de R$16.220,04, para justificar devolução de R$22.000,00 como devolução de empréstimo e documento de transferência por R$75.000,00. A Fiscalização acatou a comprovação até o valor do repasse do financiamento, com isso restou comprovada a origem dos depósitos de 22.000,00 (08/05/2009); 380,00 (29/05/2009); 422,75 (02/07/2009); e 701,00 (10/08/2009). O impugnante alegou que embora tenha constado na DIRPF2010 o valor pago de R$23.527,00, o financiamento foi quitado para transferência e, ainda que tenha constado no recibo de transferência o valor de R$75.000,00, os pagamento foram parcelados em vários cheques, implicando acréscimos financeiros, o que levou o valor a R$84.090,10, valor próximo ao de aquisição em outubro de 2008 (R$90.000,00). O acórdão recorrido ratificou a fundamentação do lançamento e indicou que a documentação apresentada comprova, no máximo, que o contribuinte repassou o financiamento para o adquirente. As alegação são reiteradas: a) embora tenha constado na DIRPF2010, o pagamento de R$23.527,00, o veículo foi quitado para transferência; b) ainda que tenha constado no recibo de transferência R$75.000,00, o pagamento foi por meio de vários cheques, com acréscimos financeiros que levaram o valor a R$84.090,10; c) essa prática é tão usual, que o autuante aceitou pagamentos parcelados de 08/05/2009 a 10/08/2009, anuindo tacitamente como esse procedimento. Depósitos: 40.000,00 (01/06/2009); e 16.000,00 (04/06/2009) Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 304 6 Alegação de recebimento pela venda do veículo New Beetle, apresentou: a) recibo de R$53.000,00 emitido por Cristiani Gabriela S. Freitas, informando pagamento de R$42.000,00 por TED e R$11.000,00 com cheques prédatados (compra de New Beetle na Saga Autominas) b) TED de 42.000,00 emitido pelo contribuinte a favor de Saga Automóveis, datado de 06/01/2009; c) contrato de compra e venda de um New Beetle 08/09, placa HJS5588, datado de 10/03/2009, firma reconhecida em 04/2011, no qual o contribuinte é vendedor e compradora a empresa Moto Mais Multimarcas, preço ajustado em R$55.000,00, a ser pago com cheque para 10/05/2009. As alegações não foram acatadas em razão de: a) diferença de datas e valores, b)falta de comprovação de transferência de recursos entre a compradora, constante no contrato, e o fiscalizados, sendo que a transferência de R$16.000,00 foi originária de outra empresa (BL Comércio de Veículos Ltda); c) contrato emitido em data recente (30/11/2010) e sem reconhecimento de firmas, sequer assinado pelo adquirente, d) operação assemelhase a intermediação de veículo, sem que o contribuinte tenha correlacionado os créditos à efetiva transação nem apresentado detalhamento sobre os valores de comissões recebidas, que seriam tratadas como rendimentos tributáveis. A diferença de valores deveuse a acréscimos financeiros e outros adicionais (transferência de seguros, etc). É sabido a ocorrência de pagamentos por conta de terceiros, advindo de outras negociações. O contrato é uma segunda via, impressa em 30/11/2010, para atendimento à intimação nº 01, na ocasião, devido ao grande volume de itens solicitados, o contrato não foi assinado pelo vendedor, o que foi providenciado posteriormente, com o reconhecimento de firma, o que caracteriza a veracidade da informação. O recibo nº 002169, emitido por Saga Autominas, no valor de R$53.000,00 comprova a aquisição do veículo (fls. 201). O contrato de compra e venda (fls. 202/203) comprova a venda por R$55.000,00, tendo recebido mais R$1.000,00 devido ao atraso nos pagamentos (01/06/2009 e 04/06/2009), fato normal no comércio de veículos. Depósitos: 17.391,55 (18/08/2009); 1.000,00 (18/08/2009); e 15.000,00 (24/08/2009). Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 305 7 Alegação de que decorreram da venda da Toyota Fielder 1998 para OKei Veículos. Alegações de que é normal no comércio de veículos o fato de o veículo não ser transferido para o nome do comprador e o pagamento por conta de terceiros. Documentos apresentados: a) contrato de compra e venda de um Fielder 1998, placa HCC1919, datado de 30/07/2009, em que o contribuinte e OK veículos são vendedor e comprador, respectivamente. Razões da autoridade fiscal para não aceitar a comprovação: a) a diferença de datas e valores; b) a impossibilidade de correlacionar os depósitos; c) a não comprovação de transferência de recursos entre a empresa compradora constante no contrato, com TED creditado em 18/08/2009, no valor de R$17.391,55 tendo remetente diverso do comprador; d) descrição no contrato do repasse para uma terceira empresa (Calipso Gestão Negócios); e) o fiscalizado nunca deteve a propriedade do veículo, a operação assemelhase a intermediação, sem comprovação e detalhamento dos valores da comissão. Reitera que os recursos vieram da venda da Toyota Fielder e que o pagamento por conta de terceiros e a não transferência do veículo para o comprador são fatos normais na operação em apreciação. O contrato de compra e venda firmado com Okei Veículos Ltda é legítimo, comprova a operação e justifica os depósitos questionados (fls. 204). Depósitos: 50.650,00 (26/08/2009); 9.950,00 (26/08/2009); 6.342,00 (09/09/2009); 807,65 (11/09/2009); 9.266,00 (15/09/2009); 3.671,62 (23/09/2009); e 774,90 (13/07/2009). O último na conta do Banco Boston, os demais no Itaú. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 306 8 O contribuinte adquiriu um Dodge Ram em 13/07/2009 de Maqnelson e pagou em dinheiro R$3.097,00, um TED de 49.500,00,00 e o restante com diversos cheques (fls. 205/206). Alega que os depósitos em discussão decorram da venda desse Dodge Ram 2500 para Alberto Zertolini, com pagamento inicial de R$50.650,00 por TED, em 26/08/2009, já analisada pelo Auditorfiscal (fls. 207). Documentos apresentados: a) pedido de faturamento emitido por Manelson, datado de 13/07/2009, tendo o contribuinte como cliente; b) extrato de sua contacorrente no qual consta débito de R$49.500,00 em 13/07/2009; c) comprovante de transferência de R$50.650,00, de Alberto Zetolini para o contribuinte, em 26/08/2009; d) documento de transferência de veículo, tendo como vendedor João Batista de Melo e comprador Alberto Zertolini, assinado em 23/09/2009, preço de R$110.000,00. A Fiscalização apontou que a documentação comprova tão somente a venda de João Batista de Melo para Alberto Zertolini por R$110.000,00 , em 23/09/2009, que o veícul nunca este na propriedade do contribuinte, nem da Maqnelson, que o crédito se deu em data anterior à transferência, de forma que não foi comprovada a vinculação dos depósitos com a referida operação. O recorrente reafirma as peculiaridades do comércio de veículos usados, notadamente operações baseadas na confiança. Informa que, embora o vepiculo tenha sido vendido à Maqnelson que o vendeu ao recorrente que o vendeu a Alberto Zertolini, a transferência da titularidade do veículo foi efetuada do Sr. Jô]ao Batista de Melo (pessoa que vendeu o veículo à Maqnelson) diretamente para o Sr. Alberto Zertoloni. Depósito de R$45.000,00, em 29/09/2009, e não 20/09/2009 como constou no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 307 9 O contribuinte alega que recebeu esse valor pela venda do Ford Fusion, intermediada pela empresa BL Comércio de Veículos, veículo que adquiriu de Lívio Augusto Villela Stecca e foi vendido para Eduardo Pires Dias, sócio da Auto Mais Multimarcas. A Fiscalização apontou que o contrato tinha data recente e não havia reconhecimento de firma, bem como toda intermediação foi realizada pela BL Comércio de Veículo, o que não justifica o depósito de todo o valor na conta do recorrente e o veículo não era de propriedade do recorrente. O recorrente sustenta que a propriedade não se adquire somente com a transferência perante o Detran, que há declaração da BL Comércio de Veículos que confirma a transação da qual originou o depósito em sua conta , que a data recente no contrato decorrer de ser uma segunda via obtida para atender à intimação fiscal e que providenciou o reconhecimento de firma para assegurar veracidade às informações. Depósitos: R$ 6.500,00 (30/09/2009), R$ 1.000,00 (06/10/2009), R$20.000,00 (19/10/2009), R$ 6.469,35 (19/10/2009) e R$ 60.500,000 (22/10/2009) Banco Itaú conta 030953; R$ 17.000,00 (17/08/2009), R$ 6.500,00 (25/08/2009) e R$ 11.100,00 (26/08/2009) Banco Boston conta 343282 e RS 5.900,00 Banco Itaú conta 066544. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 308 10 O contribuinte vincula estes créditos à venda de um veículo BMW X5, adquirido em 13/07/09, sem transitar pelo seu nome. Documentos apresentados: a) Declaração da empresa B & L Comércio de Veículos Ltda, datada de abril/2011, informando que vendeu para o contribuinte o citado veículo em julho/2009, tendo recebido como pagamento dois TED nos valores de R$ 61.250,00 e R$ 60.000,00. e que o veículo estaria em nome de Jane Cunha Borsari, tendo sido transferido diretamente para Nilda Maria Pereira Duarte. b) Documento de Transferência de um veículo BMW X5 FB51, placa HTA3230, onde figuram como vendedor Nilda Maria Pereira Duarte e comprador Agropecuária Mario Franco Ltda, assinado em 18/08/09 pelo preço de R$170.000,00 (fls. 220 e 221). c) Comprovantes de repasses dos valores de R$ 61.250,00 e R$ 60.000,00, em 13/07/2009, do fiscalizado para a empresa B &L Com. Veículos. Ltda.. d) Declaração de Nilda Maria Oliveira Duarte, datada de abril/2011, informando que o citado veículo figurou provisoriamente sem seu nome, sendo de propriedade do contribuinte, tendo sido transferido para a Agropecuária Mario Franco Ltda. A fiscalização argumenta que os documentos apresentados comprovam a aquisição do referido automóvel pela empresa Agropecuária Mario Franco Ltda, mas não vinculam os depósitos efetuados na conta do fiscalizado a esta transação. Poderia o fiscalizado ter atuado como intermediário na venda, já que nunca deteve a propriedade do veículo, sendo assim, deveria comprovar e detalhar os valores de comissões recebidas, as quais seriam rendimentos tributados. Reitera a argumentação. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 309 11 Os TED não têm autenticação bancária. A venda teria sido realizada em agosto de 2009 e os diversos valores fracionados creditados, no valor total de R$ 134.969,35, datam de agosto, setembro e outubro de 2009. O contribuinte deveria ao menos comprovar que tais créditos foram feitos pelo suposto comprador, Agropecuária Mario Franco Ltda. TED é uma transação financeira feita toda de forma eletrônica. Ao contrário do que espera a sra. Relatora, TED não tem autenticação. 8. Depósito de R$ 22.000,00 (30/09/2009), Banco Itaú conta 030953 (a data correta é 30/10/09 e não 30/09/09 conforme constou do Termo de Verificação Fiscal). O contribuinte alega que decorre da venda de um veículo Montana, conforme contrato de compra e venda apresentado (fl. 222), datado de 05/11/09, onde consta como vendedor, o contribuinte, e como comprador, Luciano de Paula, no valor de R$ 30.000,00, cuja condição de pagamento descreve o repasse de TED na conta do cliente. O contribuinte alega que a operação de venda do veículo foi intermediada pela empresa B &L Com. de Veículos, tendo esta feito o pagamento inicial acima, em 30/10/09, através de TED. As assinaturas do contrato de compra e venda do veículo tiveram as firmas reconhecidas para maior clareza e confirmação da operação. A Fiscalização indica que não há coincidência do valor e data do crédito com a transação referida, assim como a transferência do valor de R$ 22.000,00 não é originária do comprador do veículo. A DRJ indica que persistem as incoerências entre data e valor, não se justificando a origem do crédito. O recorrente alega que a divergência de data e valor se justifica diante das peculiaridades das operações com veículos. A assinatura no documento de transferência do veículo é o documento básico e essencial na operação sendo o contrato apenas uma formalidade complementar e quanto aos pagamentos estes podem ser repactuados, não implicando que o preço ajustado tenha de ser pago em uma única parcela. 9) Depósitos de R$ 70.000.00 e R$ 25.000,00 (20/11/2009) Banco Itaú conta 030953: Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 310 12 O contribuinte alega que decorrem da venda de um veículo Mitsubishi Triton, placa HJS 8899, apresentando os seguintes documentos para comprovação: a) NFe de n° 010708, datada de 02/04/2009, na qual consta a aquisição do veículo Mitsubishi 1200, placa HJS 8899, pelo preço de R$ 94.000,00. b) Cópia do recibo firmado pela concessionária Kamel Veículos Ltda, confirmando o recebimento do valor de R$ 94.000,00. c) Impressões de tela, que o contribuinte alega serem de sistema do DETRAN MG. e) Declaração de Carlos Henrique de Souza, informando que comprou o veículo de Javan Aguiar, tendo efetuado o pagamento ao contribuinte por meio de TED feito pela Brasil Automóveis Ltda, no valor de R$ 70.000,00 e cheque, no valor de R$ 25.000,00. f) Declaração de Javan Aguiar, pai do contribuinte, informando sobre a venda do veículo à Carlos Henrique de Souza. O contribuinte ainda havia apresentado à fiscalização contrato de venda de veículo firmado entre o fiscalizado vendedor e o comprador Carlos Henrique de Souza, CPF 706.735.00691, descrevendo como forma de pagamento um TED no valor de R$ 95.000,00 a ser creditado na conta do vendedor. A fiscalização argumenta que Javan Aguiar não informou o veículo em sua declaração, assim como o adquirente Carlos Henrique de Souza não declara o bem nem demonstra possuir capacidade financeira para tal e que não há como correlacionar os créditos a esta transação, considerando ainda que o TED de R$ 70.000,00 não foi remetido pelo adquirente do veículo, mas sim pela empresa Brasil Automóveis Ltda. O contribuinte alega que a aquisição do veículo pelo Sr. Javan Aguiar foi feito junto à Kamel Veículos Ltda., através da NFe 010708, de 02/04/09 (embora conste na NF o nome de Luiz Fernando de Carvalho Aguiar) e pago na mesma data conforme recibo de R$ 94.000,00 e que não declarado por ter sido vendido no mesmo ano da aquisição. A omissão ou falta de capacidade financeira do adquirente, Sr. Carlos Henrique de Souza não pode servir de respaldo para anular uma operação devidamente comprovada. Telas do DETRANMG emitidas em 08/04/2011, trazem o seguinte histórico do veículo placa HJS 8899 (doe. n° 17, fls. 225/227): d) Almerindo Medrado CPF 384.668.05591 R$105.000,00 Compra: data do recibo 30/01/2009, data do registro: 07/04/2009 Venda: data do recibo 27/05/2009, data do registro: 22/06/2009 e) Javan Aguiar CPF 012.100.92620 R$90.000,00 Compra: data do recibo 27/05/2009, data do registro: 22/06/2009 Venda : data do recibo 19/11/2009, data do registro: 11/12/2009 f) Cilene Custódio Pereira CPF 393.864.06691 R$95.000,00 Registro: 11/12/2009 Declaração firmada pelo comprador, sr. Carlos Henrique de Souza, CPF 706.735.00691, confirma a aquisição do veículo em questão, bem como, os pagamentos efetuados (cheque de R$25.000,00 e TED efetivada pela Brasil Automóveis Ltda R$70.000,00) para Luiz Fernando de Carvalho Aguiar (doe. n° 18, fls. 228/229). O sr. Javan Aguiar, confirma que tanto a compra como a venda do seu veículo foi efetuado por Luiz Fernando de Carvalho Aguiar e informa a cronologia do veículo Triton placa HJS 8899 (doe. n° 19, fls. 229). Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 311 13 Primeiramente, vêse que embora o contribuinte alegue que foi Javan Aguiar quem comprou o veículo, na nota fiscal e no recibo constam como comprador o contribuinte. Ademais, foi apresentado à fiscalização contrato de compra e venda do veículo, firmado entre o contribuinte, vendedor, e o comprador, Carlos Henrique de Souza, CPF 706.735.00691, descrevendo como forma de pagamento um TED no valor de R$ 95.000,00 a ser creditado na conta do vendedor. No entanto, o contribuinte achou por bem não citar tal documento, tendo em vista que os argumentos ora apresentados não são coerentes com o documento citado. Ainda, como argumenta a fiscalização, TED no valor de R$ 70.000,00 não foi remetido pelo adquirente do veículo, mas sim pela empresa Brasil Automóveis Ltda. Operações tidas como não comprovadas pela fiscalização, sem ter o contribuinte correlacionado os créditos com as supostas operações com veículos: R$ 201.908,59. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 312 14 Quanto aos demais créditos, o contribuinte alega que seriam justificados pelas operações com cheques prédatados originados nas vendas dos veículos que discrimina. No entanto, não individualiza os créditos e, por conseguinte, não os correlacionam as operações que cita, fazendo alegações de maneira genérica. E equivocado o raciocínio de que a informalidade dos negócios entre as partes pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. A relação entre fisco e contribuinte é de outra natureza: é formal e vinculada à lei. Assim, se o contribuinte tinha o costume de realizar operações de venda de veículos usados, conforme suas alegações, deveria ter se cercado de precauções para a eventual necessidade de comprovação, o que não fez. Também fazem parte deste item os créditos nos valores de R$ 8.263,00 (14/05/09), R$ 450,00 (14/05/09), R$ 9.393,00 (10/07/09) e R$ 1.000,00 (04/09/09), que o contribuinte afirmou à fiscalização trataremse de empréstimos feitos com cheques de terceiros em resposta ao Termo ae Intimação n° 02, sem, no entanto, ter o contribuinte obtido êxito em comproválos. Em sua 'impugnação, o contribuinte não faz menção a tais créditos e a tais justificativas. O recorrente sustenta que os demais cheques intimados, são plenamente justificados pelas operações com cheques pré datados, recebidos nas vendas dos veículos a seguir, cujas operações foram analisadas pelo sr. Auditor e tacitamente aceitas: 1 TOYOTA LAND CRUISER PLACA HEZ 7007 O veículo foi adquirido em 18/03/2009, de Eunice Dorotéia Neves, através de arrendamento mercantil via Dibens Leasing S/A, por R$110.000,00, quitado em 16/06/09 e vendido em 26/06/09, por R$110.000,00, conforme documento (doc.n°. 20, fls. 230/233). 2 TOYOTA HILUX CD 4X4 PLACA HLC 7666 Foi adquirido em 15/06/2009, por R$117.810,00, e vendido em 06/08/2009 por R$114.000,00, conforme documento (doc.n0 21, fls. 234/236). 3 RANGE ROVER SPORT PLACA JPX5689 Adquirido em 04/09/2009 por R$160.000,00 e vendido em 20/12/2009 pelo mesmo valor, conforme documento (doe. n° 22, fls. 237/240). As operações acima ensejaram a movimentação de recursos em volume (R$384.000,00) que justificam plenamente os demais questionamentos bancários Além da negociação inicial com o veículo Jeep Cherokee e recursos que constavam da minha declaração de rendimentos, e o veículo marca BMW 3201 ano 2007, que também constava na minha declaração de bens e que foi vendido. Somemse a isso os recursos financeiros iniciais no montante de R$157.164,57, constantes da minha declaração de bens e que contribuíram para alavancar minha movimentação bancária durante o ano de 2009. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 313 15 O recorrente sustenta, ainda, que, na hipótese de não serem acatadas as suas justificativas e comprovações, devese atentar que nas negociações com veículos usados a margem de ganho raramente ultrapassa 5% (cinco por cento) da operação, de forma que, tendo sido comprovado que as movimentações financeiras foram decorrentes da negociação com veículos deveria ser exigido somente imposto sobre 5% do montante questionado pelo sr. Auditor, ou seja, R$733.976,70 x 5% = R$36.698,83., o que ensejaria um Imposto de Renda sobre ganho de capital de R$5.504,82 (R$36.698,83 x 15%). É o relatório. Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Preliminares O recorrente alega que o acórdão recorrido não se manifestou quanto à aplicabilidade da jurisprudência que ampara o recorrente nas alegações quanto às peculiaridades no comércio de veículos, oque entende ser um aspecto fundamental da defesa. Entretanto, o órgão julgador não está obrigado a enfrentar um a um todos os argumentos da defesa, desde que tenha fundamentação suficiente para a decisão que adotar. A indicação de precedentes sem força vincultante – como ocorreu – não caracteriza, por si só, um ponto sobre o qual o órgão julgador estivesse obrigado a se manifestar pontualmente. De todo modo, esse ponto não foi ignorado, pois constou no relatório (fls. 247) e em trecho do voto condutor do acórdão, como exemplificado abaixo: O contribuinte, mais uma vez, argumenta sobre as características próprias da venda de veículos usados, baseada em confiança e etc. No entanto, mais uma vez, não comprova a origem dos créditos questionados, tendo em vista que, como argumenta a fiscalização, não há qualquer vinculação do repasse de R$ 50.650,00 com esta transação, o mesmo ocorrendo com os demais créditos para os quais o contribuinte quer atribuir a esta operação.(fls. 254) O órgão julgador de primeira instância firmou entendimento que, tendo ou não características próprias a atividade de comercialização de veículos usados, no caso concreto, a análise das provas levouo a concluir que não foi comprovada a origem dos créditos questionados, bem como, em mais de um trecho, o acórdão descreveu que a comprovação deveria ser feita como documentação hábil e idônea, o que, no seu juízo de análise das provas, o Colegiado entendeu não ser ter ocorrido em relação aos créditos em litígio. De outro giro, admitir a existência de características próprias na atividade em questão, não implicaria necessariamente considerar comprovada a origem dos depósitos. Preliminar rejeitada. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 314 16 Em seguida, o recorrente reivindica o cancelamento da exigência devido à inconstitucionalidade do afastamento do sigilo de dados bancários sem autorização judicial, como reconhecido no Recurso Extraordinário 389.808/PR. Entretanto, esse Recurso não tem efeito vincultante nem força normativa que o torne obrigatória a aplicação no presente julgamento, pois não se encaixa em qualquer das hipóteses excepcionais do parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Aplicase a Súmula CARF nº 2. Esta sim de reprodução obrigatória pelos membros deste Conselho. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Subsidiariamente, o recorrente requereu que fosse sobrestado o julgamento, até o desfecho final do entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF. No entendimento deste relator, não há óbice ao julgamento do recurso voluntário pois: a) é incontroverso que o contribuinte apresentou os extratos bancários à autoridade fiscal, de forma que a requisição de informações financeiras não teria causado prejuízo à defesa; b) quanto à aplicação do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as peculiaridades acima resumidas diferenciam o caso concreto da hipótese do Recurso Extraordinário nº 601.314, notadamente pela interpretação restritiva que lhe é dada pela Portaria CARF nº 01/2012; c) diferentemente da situação fática deliberada, nesta mesma seção, no processo 10675.721726/200161, nestes autos o uso de RMF não complementou as infromações já apresentadas pelo contribuinte à Fiscalização, de forma que não poderia, por si só, causar qualquer prejuízo à defesa do contribuinte. Este relator entende que a providência cabível é o prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. Não obstante, a decisão adotada pela Turma Julgadora é o sobrestamento pelos fundamentos abaixo. Em vritude da utilização da RMF diretamente às Instituições Financeiras, a medida cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, tal como exemplificado pelas transcrições abaixo. DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 315 17 para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) (grifos acrescidos) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) (grifo acrescido) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Resolução nº 2802000.192 S2TE02 Fl. 316 18 PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos) Portanto, a Turma Julgadora, por maioria, resolve sobretar o julgamento, nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, até o julgamento definitivo da matéria pelo STF. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.721685/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS.
Cabível o arbitramento do lucro quando a recorrente não apresenta qualquer livro comercial ou fiscal e nem a documentação que deveria lastrear a escrita contábil o arbitramento do lucro ocorreu porque a recorrente não apresentou qualquer livro comercial ou fiscal e nem a documentação que deveria lastreá-los.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS.
Irrepreensível o trabalho fiscal que antes de efetuar o lançamento, analisa os extratos bancários, exclui os depósitos relativos às transferências entre contas correntes de mesma titularidade, elabora tabela com depósitos pendentes de comprovação de origem e intima previamente a recorrente comprová-los.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Há que se manter a responsabilidade solidária, quando resta plenamente demonstrado, por sólido conjunto probatório, que o mandatário com ilimitados poderes e se valendo de interpostas pessoas era o verdadeiro beneficiário das atividades da pessoa jurídica.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários da contribuinte e do responsável solidário, Paulo Jabur Maluf, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr, Waldir Rocha, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Eduardo Andrade e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. Cabível o arbitramento do lucro quando a recorrente não apresenta qualquer livro comercial ou fiscal e nem a documentação que deveria lastrear a escrita contábil o arbitramento do lucro ocorreu porque a recorrente não apresentou qualquer livro comercial ou fiscal e nem a documentação que deveria lastreá-los. DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Irrepreensível o trabalho fiscal que antes de efetuar o lançamento, analisa os extratos bancários, exclui os depósitos relativos às transferências entre contas correntes de mesma titularidade, elabora tabela com depósitos pendentes de comprovação de origem e intima previamente a recorrente comprová-los. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Há que se manter a responsabilidade solidária, quando resta plenamente demonstrado, por sólido conjunto probatório, que o mandatário com ilimitados poderes e se valendo de interpostas pessoas era o verdadeiro beneficiário das atividades da pessoa jurídica. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários da contribuinte e do responsável solidário, Paulo Jabur Maluf, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr, Waldir Rocha, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Eduardo Andrade e Hélio Araújo.
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Recorrente VTC COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA EPP (e responsável solidário Paulo Jabur Maluf). Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. Cabível o arbitramento do lucro quando a recorrente não apresenta qualquer livro comercial ou fiscal e nem a documentação que deveria lastrear a escrita contábil o arbitramento do lucro ocorreu porque a recorrente não apresentou qualquer livro comercial ou fiscal e nem a documentação que deveria lastreá los. DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Irrepreensível o trabalho fiscal que antes de efetuar o lançamento, analisa os extratos bancários, exclui os depósitos relativos às transferências entre contas correntes de mesma titularidade, elabora tabela com depósitos pendentes de comprovação de origem e intima previamente a recorrente comproválos. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Há que se manter a responsabilidade solidária, quando resta plenamente demonstrado, por sólido conjunto probatório, que o mandatário com ilimitados poderes e se valendo de interpostas pessoas era o verdadeiro beneficiário das atividades da pessoa jurídica. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 85 /2 01 2- 00 Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários da contribuinte e do responsável solidário, Paulo Jabur Maluf, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr, Waldir Rocha, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Eduardo Andrade e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso de voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1647.116 da 2ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. A escrituração que contenha vícios e não reflita toda a movimentação bancária da empresa implica o arbitramento do lucro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir de 1997, caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração dos valores auferidos bem como a ausência da comprovação de sua natureza caracteriza omissão de receitas e o montante omitido será considerado para o cálculo dos tributos devidos de acordo com a legislação de regência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 17/07/2013 (cf. AR a fls. 3355) e interpôs recurso voluntário em 07/08/2013 (doc. a fls. 3356 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que afirma a senhora fiscal que a recorrente, optante pelo lucro presumido, teria tido movimentação financeira de R$ 2.729.201,40 supostamente incompatível com a receita declarada de R$ 318.525,72; b) que afirma também a autuante que a recorrente teria obstruído a fiscalização e praticado fraude a fim de omitir a existência do suposto sócio, Sr. Paulo Jabur Maluf, o que a levou a arbitrar os lucros da contribuinte agravar a multa lançada contra a contribuinte para 150%; Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.721685/201200 Acórdão n.º 1302001.363 S1C3T2 Fl. 3.429 3 c) que, tendo a recorrente recebido o auto de infração pelo correio somente no dia 31/07/2012, portanto, com referência as competências de janeiro a junho de 2007, há mais de 60 meses (5 anos), o que determina a decadência destes créditos tributários injustamente lançados; d) que o acórdão recorrido se equivoca ao sustentar que houve embaraço à fiscalização, para tanto, conclui que ao ser intimada à apresentar os livros e documentos necessários a recorrente não o fez, não obstante a própria decisão recorrida admita que a recorrente fez declaração de extravio; e) que não cabia o arbitramento, já que a autuante detinha documentos suficientes para a apuração do eventual passivo, que, quando muito, caracteriza omissão de receita, e não fraude ou sonegação; f) que a recorrente não formou renda com as transferências bancárias, porquanto referidos valores não passaram de empréstimo existente entre as empresas coligadas; g) que não houve qualquer recebimento dos valores declarados pela CETELEM, CIELO e REDECARD pelo simples motivo de que lhe foram antecipados em 2006 e foram compensados ao longo de 2007, de modo que o fato gerador do tributo ocorreu em 2006 e não em 2007; h) que só seria cabível o arbitramento se tivesse havido qualquer obstrução da ação fiscal, fato claramente inexistente; i) que não tendo havido faturamento, especialmente em relação às importâncias declaradas pela CETELEM, CIELO E REDECARD cujos pagamentos foram antecipados em 2006, não se pode falar em hipótese de incidência para o PIS e a COFINS, cujo fato gerador só ocorre com o faturamento; j) que autoridade fiscal transcreve todas as normas legais que julgou aplicável para a duplicação da multa, mas não demonstra a ocorrência cabal de suposta sonegação, ou seja, alega sem produzir provas de suas alegações; l) que mesmo que eventualmente um empresa tenha “laranjas” no seu quadro societário, se ela paga os tributos que deve não ocorre sonegação; m) que, em verdade, o que a autoridade sustenta ter ocorrido é apenas a falta de pagamento do tributo; n) que requer: a extinção do processo que constituiu tributos decaídos; a nulidade devido à indicação de fundamento legal inexistente ou irregular da multa aplicada; no mérito, a anulação do auto de infração, vez que não existiu fraude ou obstrução à fiscalização; e alternativamente, que o lançamento seja reconstituído para o lucro presumido e a multa reduzida para 75%. O responsável solidário, Paulo Jabur Maluf, tomou ciência da decisão recorrida em 11/07/2013 (cf. AR a fls. 3354) e interpôs recurso voluntário em 07/08/2013 (doc. a fls. 3393 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que afirma a autoridade, com base em informação desconhecida do recorrente, datada de 2009, que ele seria um sócio oculto da empresa, vez teria interesse no resultado da mesma ; b) que o recorrente não é sócio da VTC há 12 anos e não trabalha nela há 10 anos, como também não tem e nem nunca teve qualquer interesse na sua atividade operacional; Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 c) que o recorrente transferiu sua participação societária em 30/06/2000, tendo se responsabilizado apenas pelo passivo bancário até meados de 2002, razão que o levou a administrar esta dívida até quitálas; d) quanto ao fato de o recorrente ter o seu nome no cartão de assinatura do Banco Bradesco, sem dúvida esta é uma informação antiga que não condiz com a realidade atual; e) que, à questão, se aplica as Súmulas STJ 430 e julgados do STJ e o RE 562276/PR; f) que as hipótese nas quais cabe atribuir responsabilidade solidária estão expressas em lei e não ocorrendo o que está descrito na norma não deve a autoridade fiscal criar uma situação que não existe no intuito de lançar dentro de um processo fiscal pessoa que há décadas não possui qualquer relação com a empresa relacionada no feito, pois agindo assim teremos, na verdade, um redirecionamente esdrúxulo da exigência do crédito tributário contra que não tem qualquer relação com o fato gerador do mesmo; g) que a multa deve ser reduzida para 75%. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Os recursos voluntários são tempestivos e foram subscritos por mandatários com poderes para tal, conforme procurações a fls. 3.156 e 3.207, razão pela qual deles conheço. Passo, desde já, a analisar a sujeição passiva do Sr. Paulo Jabur Maluf, tendo em vista a relação de causa e efeito que há com a questão relativa a preliminar de mérito, ou seja, se resta demonstrado fraude ou dolo a justificar a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, do CTN. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DO SR. PAULO MALUF A transcrição, feita pelo autuante no TVF, dos fatos extraídos da Representação Fiscal 15563.000.1.149/201071, a qual por sua vez recebeu provas produzidas em ação fiscal de 2005, é de uma riqueza de detalhes que retiram qualquer dúvida sobre a responsabilidade tributária do Sr. Paulo J. Maluf. Inicialmente vejamos alguns pontos do depoimento feito, em 2005, pelo sócio da recorrente, Sr. Antônio Salviano Santos Neto, à Receita Federal, in verbis: “que é sócio da Mr. Feel Good Comércio de Roupas Ltda., PA Varo Comércio de Roupas Ltda., Espaço Paulista Comércio de Roupas Ltda., Work Brother’s Comércio de Roupas Ltda e V.T.C. Comércio de Roupas Ltda e que adquiriu as empresas acima através de um conhecido que trabalhava na área de vendas, mas que não se lembra do nome, o qual teria lhe oferecido o negócio, o qual foi pago um valor de sinal, que não se recorda quanto era esse valor, que o restante foi parcelado, sendo que o pagamento da parte parcelada foi efetuado com depósitos em uma conta que lhe foi passada, que os pagamentos eram feitos com cheques de clientes, que não sabe de quem era a empresa antes dele e do seu sócio e irmão, José Hilton de Melo, ...que as empresas estão em funcionamento, mas que não sabe quem são seus fornecedores, que as cinco empresas só Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.721685/201200 Acórdão n.º 1302001.363 S1C3T2 Fl. 3.430 5 tem uma empregada de nome Michele, que tem quase certeza que essa funcionária está registrada na Espaço Paulista, que quem administra as empresas é a contadora Maria Catarina, que a contadora tem procuração para fazer tudo pela empresa, inclusive movimentar as contas, que não sabe em que bancos tem contas...que tinha carteira assinada como auxiliar administrativo recebendo R$ 800,00 por mês, que mora numa casa no terreno de propriedade de sua mãe, que não tem veículo próprio, que não sabe dizer a quanto tempo trabalha no ramo de confecções, que não sabe dizer quem são seus fornecedores, que somente trabalhava com vendas no varejo, que não movimenta contas bancárias, que só trabalhava com dinheiro de vendas, que as empresas não tem filiais, que nunca teve negócios em São Paulo, que nunca esteve em São Paulo,... Vejamos os comentários e informações adicionadas pela Auditora: “Todas as empresas acima mencionadas são originadas do Estado de São Paulo, tendo, posteriormente, transferido seu domicílio para o Rio de Janeiro;... H – (...) O Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) identifica vínculos empregatícios de Antonio Salviano com as empresas acima mencionadas, que posteriormente foram transferidas para o seu nome, sendo que a ficha “Consulta Atividades do Contribuintes Individual” indica a atividade de Antonio Salviana como “Vigia, Guarda Noturno”... I – (...) O sócio José Hilton teve vínculo empregatício com diversas empresas, porém com nenhuma das mencionadas acima. Na ficha “Consulta Dados Cadastrais do Trabalhor” seu grau de instrução consta como Analfabeto; J – (...) Toda a movimentação bancária e os cheques emitidos pela empresa foram assinados pelo procurador Paulo Jabur Maluf; K – (...) Nos documentos bancários encaminhados a esta AuditoraFiscal pelo HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo encontrase um aviso de recebimento de procuração em favor de Paulo Jabur Maluf datado, “São Paulo, 17 de julho de 2006”, comprovando que, mesmo após o ingresso de Antonio Salviano Santos Neto e José Hilton de Melo como sócios da empresa, o sr. Paulo Jabur Maluf continuou a ser responsável por suas movimentações financeiras; L – (...) O Sr. Paulo Jabur Maluf ingressou na sociedade por ocasião de sua constituição, em 15/04/1992, conforme contrato social registrado na JUCESP sob o nº 145620/0920 (fls. 667/669), nela permanecendo somente até 30/06/2000, quando transferiu a totalidade de suas cotas, através da alteração do contrato social registrada em 24/07/2000 na JUCESP sob o nº.... M – (...) Em 29/11/2004 a empresa, representada pelo sócio Alvaro Jabur Maluf, outorgou procuração a Paulo Jabur Maluf, registrada à folha 185 do livro 2.127 do Cartório do 12º Tabelião de Notas, com “os mais amplos, gerias e ilimitados poderes para, agindo isoladamente, independentemente da ordem de nomeação, gerir e administrar todos os bens, negócios e interesses dela outorgante, podendo adquirir e vender Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 mercadorias de seu ramo de negócio,; representandoa em todos os atos e contratos de seu interesse” N – (...) O sócio Alvaro Jabur Maluf desligouse da sociedade em 05/05/2005... O – (...) Nessa data os Srs. Fernando Carlos Almeida,...., e Osmar de Carvalho,..., passaram a ser os únicos sócios da empresa, tendo se desligado em 26/06/2006 e transferido suas cotas para Antonio Salviano Santos Neto, ..., e José Hilton Melo, ..... Em todos esses períodos o Sr. Paulo Jabur Maluf se manteve como responsável pela movimentação financeira da empresa junto aos bancos em que a mesma mantinha conta;... H6. Em 11/04/2012 emitimos RMF complementar para os bancos Safra e HSBC Bank Brasil S.A. solicitando cópis dos cheques de valores superiores a R$ 1.000,00 para subsidiar a fiscalização em andamento. H7. O Banco HSBC Bank Brasil S.A., em resposta a solicitação complementar efetuada, enviou relatório de 177 cheques compensados e cópias de 53 cheques emitidos onde constatamos que todos os documentos emitidos foram assinados pelo sr. Paulo Jabur Maluf; H8. O Banco Safra S.A. em atenção à RMF complementar efetuada encaminhou cópias dos cheques onde constatamos que todos os documentos enviados foram assinados pelo sr. Paulo Jabur Maluf.”. Diante de um quadro fático como o acima exposto, é totalmente irrelevante o Sr. Paulo Maluf alegar que não é sócio e que se retirou da empresa em 2000. Como alguém se retira de uma empresa em 2000 e, em 2007, ainda é responsável por toda a sua movimentação financeira? Aliese a isso, o fato de que não há dúvida que os Srs. Antonio Salviano e José Hilton são interpostas pessoas, utilizadas pelo Sr. Paulo Maluf na sua empreitada delituosa. Quanto ao enquadramento legal, entendo perfeita a aplicação do art. 124, I, combinado com o art. 135, II e III, do CTN, pois o Sr. Paulo Jabur Maluf, além de mandatário com ilimitados poderes, sob um outro prisma, podese dizer que é o sócio de fato da recorrente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA VTC Afasto de plano a preliminar de mérito, por entender que resta plenamente demonstrada a sonegação, na medida em que é inconstestável que o Sr. Paulo Maluf se utilizou de interpostas pessoas para impedir o conhecimento do Fisco da sua condição de responsável tributário, inclusive, o sr. Paulo Maluf não se utilizou apenas dos Sr. Antonio Salviano e José Hilton, mas também da própria recorrente, para exercer, em benefício próprio, empresa em nome de outros e assim escamotear a sua responsabilidade tributária. Logo, aplicase, in casu, a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, de forma que, para fatos geradores de 2007, ainda que mensal, tendo a ciência dos autos de infração se dado em 31/07/2012, não há que se falar em decadência. No mérito, equivocase a recorrente quando alega que só seria cabível o arbitramento se tivesse havido qualquer obstrução da ação fiscal. Em verdade, o arbitramento do lucro ocorreu porque a recorrente não apresentou qualquer livro comercial ou fiscal e nem a documentação comprobatória. Quanto às omissões de receitas, o trabalho fiscal é irrepreensível, pois, após analisar os extratos bancários, excluíram os depósitos relativos às transferências entre contas Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.721685/201200 Acórdão n.º 1302001.363 S1C3T2 Fl. 3.431 7 correntes da recorrente, elaboraram a tabela com os depósitos pendentes de comprovação de origem pela recorrente (doc. a fls. 3.108) e a intimaram, mas nenhuma resposta foi dada. Quanto à alegação da recorrente de que não houve qualquer recebimento dos valores declarados pela CETELEM, CIELO e REDECARD pelo simples motivo de que lhe foram antecipados em 2006 e foram compensados ao longo de 2007, ainda que existisse prova nos autos de tal fato, equivocase a recorrente ao afirmar que, neste caso, o fato gerador do tributo ocorreu em 2006 e não em 2007, pois meras antecipações de clientes não são receitas, mas tão somente quando a contraprestação a que se refiram tenha sido cumprida, o que, pelo exposto, ocorreu em 2007. De qualquer sorte, é irrelevante a recorrente aduzir alegações se não as lastreia em documentação idônea Por último, diante de tudo o quanto foi sustentado anteriormente, mantenho a qualificação da multa de ofício, pois resta plenamente demonstrada a sonegação. Em face do exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários da contribuinte e do responsável solidário – Paulo Jabur Maluf. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005937/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
MULTA POR ATRASO/FALTA NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO.
A jurisprudência administrativa firmou-se no sentido de que o mesmo imposto devido não pode funcionar como base de cálculo para a multa de ofício proporcional e a multa por falta da entrega da Declaração de Ajuste Anual, sob pena de dupla penalidade incidente sobre a mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 MULTA POR ATRASO/FALTA NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. A jurisprudência administrativa firmou-se no sentido de que o mesmo imposto devido não pode funcionar como base de cálculo para a multa de ofício proporcional e a multa por falta da entrega da Declaração de Ajuste Anual, sob pena de dupla penalidade incidente sobre a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 424 1 442233 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.005937/201076 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.832 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Multa por atraso na entrega da DAA Recorrente CANUTO DIAS BORBOREMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 MULTA POR ATRASO/FALTA NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. A jurisprudência administrativa firmouse no sentido de que o mesmo imposto devido não pode funcionar como base de cálculo para a multa de ofício proporcional e a multa por falta da entrega da Declaração de Ajuste Anual, sob pena de dupla penalidade incidente sobre a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 24/02/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 59 37 /2 01 0- 76 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.005937/201076 Acórdão n.º 2102002.832 S2C1T2 Fl. 425 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CANUTO DIAS BORBOREMA foi lavrado Auto de Infração, fls. 302/306, para formalização de exigência de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Ajuste Anual (DAA), referente aos exercícios 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008, no valor total de R$ 126.455,51. No Termo de Verificação Fiscal consta que o valor da multa aplicada corresponde a 20% do imposto devido apurado em outro Auto de Infração, objeto do processo administrativo fiscal nº 10950.005932/201043, no qual está sendo exigido do contribuinte o crédito tributário decorrente da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, sendo também esclarecido que o contribuinte deixou de apresentar as DAA dos anoscalendário em questão, encontrandose, portanto, omisso. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 311/322, que foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 0634.222, de 27/10/2011, fls. 325/329. Cientificado da referida decisão, por via postal, em 12/12/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 391, o contribuinte apresentou, em 11/01/2012, recurso voluntário, fls. 392/421, onde alega, em síntese, que a multa por atraso não é devida, principalmente no valor exigido no lançamento, posto que o imposto devido pelo contribuinte ainda é objeto de discussão. É o Relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.005937/201076 Acórdão n.º 2102002.832 S2C1T2 Fl. 426 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de exigência de multa por atraso na entrega da DAA, exercícios 2008 e 2009 que é exigida do contribuinte em decorrência da apuração da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, sendo certo que o contribuinte encontravase omisso, quando instaurado o procedimento fiscal. O crédito tributário relativo à infração de omissão de rendimentos encontra se consubstanciado no processo 10950.005932/201043, onde está sendo exigido do contribuinte o correspondente imposto devido, a multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora. A referida multa por atraso foi calculada na proporção do limite de 20% do imposto devido, nos termos do disposto no art. 964 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Ocorre que o contribuinte deixou de apresentar as DAA, exercício 2008 e 2009, de modo que a base de cálculo da multa por atraso exigida no lançamento corresponde a mesma utilizada para o cálculo da multa de ofício proporcional. Ou seja, houve a incidência de duas penalidades distintas (a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por omissão de rendimentos) sobre a mesma base de cálculo. A jurisprudência deste CARF firmouse no sentido de que o imposto devido apurado de ofício não pode funcionar como base de cálculo para a multa de ofício proporcional e a multa por falta da entrega da declaração, conforme se infere dos seguintes julgados: processo 13855.001187/200149 acórdão nº 210101.082, de 10/02/2011; processo 10820.001888/200511 – acórdão nº 280200345, de 16/06/2010; processo 11522.000845/200545 – acórdão nº 280101.587, de 13/05/2011 e processo 10830.003929/200631 – acórdão 210200813, de 19/08/2010. Nestes termos, devese cancelar a exigência da multa por falta de apresentação das DAA, exercícios 2008 e 2009. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 426DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.005937/201076 Acórdão n.º 2102002.832 S2C1T2 Fl. 427 4 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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