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Numero do processo: 12585.000244/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 44 /2 01 0- 28 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 164 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 165 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/PASEP Não Cumulativa decorrentes da aquisição, no mercado interno, de Gasolina A e Óleo Diesel, cujo PER/DCOMP n° 41293.05483.131008.1.1.101584, foi transmitido pelo interessado em 13/10/2008 (fls. 05 a 07). O Pedido de Ressarcimento do PIS/PASEP referese ao crédito atinente ao 4º trimestre de 2005, no montante de R$ 2.539.742,49 (dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil e setecentos e quarenta e dois reais e quarenta e nove centavos). Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir (fl. 130/136): 1. FLAG DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, empresa acima identificada, apresentou Pedido de Ressarcimento relativo a créditos de PIS não cumulativo apurados no 4º trimestre de 2005. 2. Por intermédio do Despacho Decisório de fls. 19/23, proferido pela DERATSP, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, por falta de apresentação dos documentos comprobatórios solicitados pela Administração . 3. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 79/118, em 09/11/2011 na qual alegou em síntese: a Todo o tratamento legal aqui abordado cingese apenas a creditamento na aquisição de Gasolina A e Óleo Diesel, doravante englobados apenas pelo termo combustível; b Foi desejo do legislador que não houvesse mais qualquer vedação ao creditamento no regime nãocumulativo; c O contribuinte como distribuidor de combustíveis é obrigado a optar pelo regime nãocumulativo; d Não há lei que vede o aproveitamento de crédito por parte dos distribuidores de combustíveis; e A tributação com alíquota zero não se confunde com tributação monofásica; f Faz distinção entre produtor e distribuidor; g O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 determina que as vendas realizadas com alíquota zero não impedem o creditamento do PIS e da COFINS; h Discorre acerca da diferença existente entre os regimes nãocumulativos do PIS/COFINS e do IPI/ICMS; i Requer o deferimento do crédito pleiteado. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 166 4 A Delegacia de Julgamento em São Paulo desproveu integralmente o apelo do contribuinte (fls. 130/136) por entender que a vedação ao creditamento pretendido encontra se prevista no art. 3º, I, “b” c/c art. 2º, § 1º., I da Lei n. 10.637/2002. Tal vedação, no entender da Delegacia, aplicavase ao contribuinte em análise, distribuidor dos produtos listados nos mencionados dispositivos, sobre os quais a incidência do PIS é monofásica. A decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. CRÉDITO. As aquisições de gasolina e óleo diesel efetuadas por distribuidoras de combustíveis não geram crédito de PIS não cumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, Recurso Voluntário (fls. 144/160), em que essencialmente, conclui o seu recurso afirmando os seguintes pontos: afirma que a empresa é tributada pelo Lucro Real, e, portanto havia sido posta compulsoriamente na incidência do regime nãocumulativo para o PIS/COFINS (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); afirma que para solucionar o caso, o julgamento deve se ater ao Principio da Legalidade, portanto, o único instrumento, com poderes para criar restrições a direitos como vedação a creditamento, é a lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; afirma que é inegável a existência de uma norma que previu, expressamente, que a Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; afirma que houve a introdução no universo jurídico do art. 17 da Lei nº 11.033/04, prevendo expressamente que, para todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditarse de PIS/COFINS; afirma que a Lei nº 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas, ainda que de diversas matérias; afirma que o art. 16 da Lei 11.116/05 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; afirma que sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos; o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a Contribuinte; sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 167 5 afirma que o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS; e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; afirma que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é justamente norma geral para os casos específicos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; afirma que o Poder Executivo, via Medida Provisória nº 413/08, tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; e, apesar de ensaiar nova tentativa vedatória na Medida Provisória nº 451/08, esta também não foi convertida em lei; mas já provando que, quando quer, o Poder Executivo dá direito de creditamento, e expressamente também quando não quer, cria norma vedando a tomada de crédito. conclui arguindo que viola o arcabouço jurídico ser indeferido o direito da Contribuinte, de tomar os créditos aqui discutidos, pois amparada legal e constitucionalmente. E o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 168 6 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS NãoCumulativa (fls. 05 a 07), referente ao 4º Trimestre de 2005, no valor de R$ 2.539.742,49. O v. acórdão recorrido negou o direito ao crédito da contribuinte por entender que o art. 3º, I, “b”, da Lei n. 10.637/2002, redação está abaixo transcrita, seria aplicável ao caso concreto e conteria vedação expressa ao creditamento pretendido pela contribuinte, reza o mencionado dispositivo: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já o § 1° do art. 2º, I, referido expressamente pela r. decisão, tem a seguinte redação: “Art. 2° Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)“ O aresto recorrido embasou seu entendimento no fato de que o combustível revendido pela contribuinte no caso concreto teria tributação monofásica e, portanto, sujeita às alíquotas dispostas nos incisos I a III do art. 4º. da Lei n. 9.718/98. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 169 7 Em que pese o respeito pelo Ilmo. Julgador a quo, a interpretação por ele outorgada não é a que melhor se aplica ao caso em análise. A priori é de se destacar que no caso concreto, como bem ressalvado inclusive no relatório do aresto recorrido, trata de pedido de creditamento, por DISTRIBUIDOR, de supostos créditos decorrentes de aquisição, para revenda, de GASOLINA A e ÓLEO DIESEL. Sob esse enfoque é de se ressaltar que a vedação do art. 3º. destaca que a pessoa jurídica que apurar o tributo PIS, na forma do que determina o caput do art. 2º da Lei n. 10.637/2002, não poderá descontar do valor a ser recolhido crédito decorrente de bens para a revenda descritos no § 1° do art. 2º, dentre os quais estão relacionados a gasolina A e o óleo diesel. Analisando a Exposição de Motivos da MP 164/2004, que foi convertida na Lei n. 10.865/2004, a qual introduziu a exceção descrita no famigerado art. 3º., I, “b”, extraise o seguinte excerto, especificamente sobre a norma mencionada: “3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS cumulativa e nãocumulativa no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência nãocumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória.” Notese que a preocupação do legislador, desde o início da instituição dessas vedações introduzidas pela Lei n. 10.685/2004, era outorgar ao produto importado o mesmo tratamento do produto produzido no Brasil. Isso porque, para esse efeito, o importador, quando adquiria produto destinado a revenda no mercado interno, não possuía o mesmo tratamento do produtor nacional, vez que não havia previsão expressa para o seu aproveitamento de crédito. Tanto esse objetivo é verdadeiro que, para dirimir essa diferenciação, a Lei n. 10.685/2004, fazia constar crédito específico para o importador, em seus arts. 15 e 17: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 170 8 II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II – produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º e 5º a 10 do art. 8º desta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 8º. – (...) § 8º A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação, e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido Já o produtor nacional, como era sabido, já tinha o crédito garantido pelo que determinava o art. 3º, II da Lei n. 10.637/2002, em sua redação original, litteris: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 170DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 171 9 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Diante dessa nova inserção – do crédito para o importador – por meio de dispositivo legal específico e regulado de forma igualmente específica, faziase necessário vedar, PARA O IMPORTADOR, por já haver previsão legal, o crédito descrito no art. 3º. quando se destinasse à aquisição de gasolina e seus derivados para revenda. Assim, tanto pela exposição de motivos da norma que introduziu a vedação contida no inciso I, “b”do art. 3º. da Lei n. 10.637/2002, como pela lógica legislativa empregada na interpretação das normas, concluise que a vedação não poderia atingir, de forma alguma, o DISTRIBUIDOR dos derivados de petróleo, que continuava a deter os créditos normalmente atribuídos pelo regime nãocumulativo do PIS. Nesse ponto, tenho por bem fazer uma colocação no tocante ao regime aplicável à relação jurídicotributária estabelecida nesses autos, pois entendo que, nessa hipótese, o regime adotado não é o monofásico, mas o plurifásico, em que há incidência de imposto em todas as fases, mas apenas na primeira há uma alíquota positiva e, nas demais, a alíquota é zero. Também entendo se tratar de um sistema plurifásico regido pela não cumulatividade, em que os créditos decorrentes desse sistema devem ser reconhecidos. De toda a forma, ainda que meus pares não concordem com essas colocações, tal diferenciação passou a não fazer qualquer diferença para o caso concreto a partir da edição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 que veio a explicitar o direito ao crédito de PIS e COFINS em situações como a presente, considerando tratarse de sistema monofásico ou não. De fato, é o que se extrai do seu conteúdo, in litteris: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Como se verifica, pelo que se extrai do teor da norma, a possibilidade de aproveitamento dos créditos autorizada pelo art. 17 aplicase para os casos que eventualmente tinham vedação expressa. Isso porque, para os demais casos, não havia necessidade dessa expressa autorização, na medida em que não estavam vedados, decorrendo da própria norma da nãocumulatividade. Nesse toada, após toda essa evolução legislativa, foi publicada a MP 413/2008, que expressamente buscava coibir o aproveitamento desses créditos de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao chamado regime monofásico (assim tratados pela legislação) a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal dos dispositivos que seriam por ela alterados (arts. 14 e 15 da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/200). A tentativa de alteração das normas pela MP deixava evidente que os mencionados créditos sempre existiram, já que não se pode extinguir o que antes não existia. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 172 10 Ocorre que essa norma foi afastada pelo Congresso Nacional, por ocasião da conversão da MP 413 na Lei n. 11.727/2008, na qual os dispositivos mencionados não foram aproveitados. Após essa tentativa, o Poder Executivo buscou novamente afastar esse crédito por meio da MP 451/08, que continha dispositivos com a mesma finalidade da MP anterior, os quais foram igualmente rechaçados pelo Congresso, sendo a mencionada MP convertida na Lei n. 11.945/2009 sem tais disposições. Tais tentativas, por parte do Poder Executivo, só deixa ainda mais evidenciado que o direito ao crédito pleiteado nesses autos sempre existiu. O fato de o Poder Legislativo sempre ter repugnado essas investidas, deixa ainda mais evidenciada a legitimidade desses créditos, donde decorre que, esse Eg. CARF, como órgão aplicador das normas vigentes, também deve reconhecêlo. Por fim, importa registrar que, a despeito das diversas tentativas do Poder Executivo, todas frustradas, em tentar obstar o aproveitamento desses créditos, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece ser possível à convivência do direito de crédito para as pessoas jurídicas que esteja submetidas à alíquota zero. Tal conclusão é possível de se extrair da ementa da Solução de Consulta n. 18, de 25 de abril de 2013, que abaixo se transcreve, litteris: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de Abril de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Observadas as limitações legais ao creditamento, o comerciante varejista de combustíveis pode manter os créditos da não cumulatividade da Cofins que sejam vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero em virtude do regime monofásico, quando apurados em decorrência de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, de pagamentos a pessoa jurídica referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa e de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa. É possível o ressarcimento de tais créditos ou sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, por meio do sistema PER/DCOMP, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos pela IN RFB nº 1.300, de 2012, e que o Pedido de Ressarcimento, obrigatório também no caso de compensação, seja efetuado dentro do prazo de cinco anos do encerramento do trimestrecalendário. Nos períodos compreendidos entre 01/05/2008 a 23/06/2008 e 01/04/2009 a 04/06/2009, esteve em vigor vedação expressa à manutenção de quaisquer créditos da Cofins nãocumulativa relacionados às vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada constantes no § 1º do art. 2º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, por parte de distribuidores ou comerciantes atacadistas e varejistas, em decorrência das Medidas Provisórias nº 413, de 2008, e nº 451, de 2008. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 173 11 No mesmo sentido, a resposta dada pela Administração da Receita no “Perguntão” perguntas e Respostas Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídica, publicado no site da SRFB, sobre a possibilidade de creditamento no chamado regime monofásico, verbis: 16. Em que consiste o sistema de tributação monofásica? É um tratamento tributário próprio e específico que a legislação veio dar à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de determinados produtos. O objetivo é concentrar a tributação nas etapas de produção e importação, desonerando as etapas subsequentes de comercialização. A concentração da tributação ocorre com a aplicação de alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, e a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica venha a estar submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, a tributação monofásica também tem natureza não cumulativa, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos. (fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj 2013/Capitulo_XXI_DisposicoesGerais_PISPasep_Cofins_2013) Diante de todo o exposto só se pode constatar que o direito ao crédito ora pleiteado é, de fato, indubitável e decorrente não apenas da Lei, mas da mais adequada interpretação das normas. Assim, sendo inegável tal direito, não cabe a esse Conselho restringir e limitar os créditos onde a lei não o fez, sendo de rigor o provimento do recurso da contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relatora Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 174 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. A matéria discutida no presente processo já foi objeto de análise e julgamento em outras turmas da 3ª Seção de Julgamento. Neste sentido invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar o voto do Conselheiro José Luiz Bordignon, abaixo transcrito, como razão de decidir. O voto foi retirado do Acórdão nº 3801001381, processo nº 10315.720434/200986, proferido na Sessão de 19/07/2012. “Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 , e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 175 13 § 1ºA Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2º, 5ºA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2º .............................................................. § 1º ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão Fl. 175DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 176 14 calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foram instituídos pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltamse, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 177 15 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou não cumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). O regime diferenciado de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 178 16 Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da empresa no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente à revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º, §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades nãocumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da não cumulatividade. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação às aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 têm natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da contribuinte ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000244/201028 Acórdão n.º 3301002.349 S3C3T1 Fl. 179 17 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente.” Do meu ponto de vista, por qualquer ângulo que se observe esta questão, a conclusão a que se chega é que o aproveitamento de crédito é totalmente incompatível com o regime monofásico de apuração das contribuições do PIS e da Cofins. Somente a título ilustrativo, caso fosse acatado o entendimento defendido pela recorrente de que se pudesse aproveitar o crédito nas vendas com alíquota zero de combustíveis e óleo diesel, temos que lembrar que tanto às distribuidoras e varejistas teriam direito a este aproveitamento. Nesta situação houve a incidência do PIS e da Cofins somente na refinaria e teria que ser ressarcido o mesmo valor para os dois elos da cadeia de distribuição. Nesta hipótese, chegaríamos ao absurdo de ter uma tributação negativa, tendo a Fazenda Nacional recolhido um valor, para em seguida devolvêlo em dobro. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13888.908788/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 87 88 /2 01 2- 50 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908788/201250 Acórdão n.º 3301002.435 S3C3T1 Fl. 93 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela Recorrente que foi não homologado diante da inexistência de crédito A Recorrente apresentou em face do indeferimento, Manifestação de Inconformidade alegando que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário a Recorrente aponta que possui os créditos pleiteados, que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado e que somente não retificou as declarações de modo que os mesmos devem ser homologados. É o que importa relatar. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908788/201250 Acórdão n.º 3301002.435 S3C3T1 Fl. 94 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No presente caso, apesar da contribuinte reiteradamente se manifestar acerca do seu direito creditório e ter sido avisada pela DRJ de que deveria comproválo, conforme consta reiteradamente no acórdão da Manifestação de Inconformidade, a mesma não apresentou nenhuma prova. Prova conforme o velho e conhecido Aurélio Buarque de Holanda é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer da Contribuinte com relação aos fatos apresentados. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte administrado apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, e que essas provas se revestissem de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908788/201250 Acórdão n.º 3301002.435 S3C3T1 Fl. 95 4 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10735.902830/2009-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1801-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 28 30 /2 00 9- 89 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.902830/200989 Acórdão n.º 1801002.208 S1TE01 Fl. 107 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.. Relatório ABOLIÇÃO CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1239.206 (fl. 32), pela DRJ Rio de Janeiro I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 21026.23797.300306.1.3.043222 (fl. 21), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 26: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do credito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que afirma existir equívoco na decisão atacada, uma vez que o crédito apontado tem origem em pagamento a maior e não em estimativa a ser aproveitada no saldo negativo. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dando a seguinte ementa à sua decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO A falta de comprovação do crédito implica no não reconhecimento do direito credit6rio e conseqüentemente a não homologação da compensação. Cientificado dessa decisão em 10/05/2013, por meio de remessa postal (fl. 45), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 48), em 07/06/2013, em que alega que o único fundamento da decisão recorrida é a impossibilidade de compensação de crédito originado em pagamento de estimativa e que tal fundamento contraria a ordem jurídica. É o relatório Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.902830/200989 Acórdão n.º 1801002.208 S1TE01 Fl. 108 3 Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual extinguiu débito de estimativa de CSLL do mês de fevereiro de 2006, apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL referente a janeiro de 2006. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual da contribuição. A decisão da DRJ manteve a decisão de não homologação baseada em dois fundamentos. No seu primeiro fundamento, a decisão recorrida afirma que o indébito teria surgido em razão de DCTF retificadora e, nesse caso, é exigido do contribuinte que demonstre o erro que deu ensejo à referida retificação, o que não teria ocorrido na espécie. Todavia, verificase que a DCTF retificadora apontada foi apresentada em 31/03/2006 (fl. 6), um dia após a apresentação da DCOMP em análise (30/03/2006) e muito antes da ciência do despacho decisório de não homologação, dada em 02/04/2009. Neste caso, a DCTF tem presunção de legitimidade na mesma medida da DCTF original, em razão do §1º do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.100, de 2010: § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Assim, não assiste razão à decisão recorrida ao afastar a compensação com esse fundamento. No seu segundo fundamento, a decisão recorrida faz coro com a decisão da DRF por não homologar a compensação em razão de seu crédito ter origem em pagamento a maior de estimativa, o que seria defeso. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10735.902830/200989 Acórdão n.º 1801002.208 S1TE01 Fl. 109 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16327.003406/2003-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA.
A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL - JUROS DE MORA - INCIDÊNCIA - Ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário em face de decisão judicial favorável, devem incidir os juros de mora, ex vi do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de depósito integral.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria concomitante com a ação judicial e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL JUROS DE MORA INCIDÊNCIA Ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário em face de decisão judicial favorável, devem incidir os juros de mora, ex vi do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de depósito integral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria concomitante com a ação judicial e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 34 06 /2 00 3- 52 Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Na origem, tratase de Auto de Infração lavrado em 30 de setembro de 2003 por ter a fiscalização constatado a não retenção e, via de conseqüência, o não recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira — CPMF, no período de 23.06.1999 a 03.09.2003. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, referido crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de sentença concessiva de segurança, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.5101011938 5, distribuído a 10a Vara Federal/RJ, motivo pelo o qual o lançamento foi efetuado sem a exigibilidade de multa de ofício para prevenção da decadência. Os valores foram apurados a partir de demonstrativo apresentado pela contribuinte. Segundo relato da contribuinte: “Essa ação mandamental foi impetrada em 26.06.2001, objetivando o reconhecimento do direito liquido e certo da ora Impugnante ao recolhimento, alíquota zero, da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras — CPMF prevista nas Emendas Constitucionais (EC) n°s 21/99 e 37/02, incidente sobre todas as movimentações financeiras decorrentes de operações de arrendamento mercantil por ele realizadas, previstas na Resolução n° 2.309/96 do CMN, a partir de 17.06.1999.” O autuante registra que a liminar foi indeferida. Mas, em 14 de setembro de 2001 o contribuinte obteve sentença que lhe foi favorável ((efls 114 A 134). Em 19/03/2002 a Procuradoria da Fazenda Nacional entrou com apelação. Houve a juntada das contrarazões pela contribuinte e o processo aguarda decisão. Este mandado de segurança está sendo acompanhado no âmbito do Ministério da Fazenda através do PAJ nº 10768.008436/200118. Desse modo, à época da lavratura, o crédito tributário encontravase suspenso por força de sentença judicial, até decisão em contrário do Poder Judiciário. A contribuinte impugna o lançamento, iniciando o presente litígio, na qual afirma que “o lançamento deve ser imediatamente cancelado, pois a Impugnante está sujeita à incidência da contribuição ora exigida á alíquota zero, já que é equiparada às instituições financeiras para fins fiscais e referidas Portarias expressamente incluem no rol das atividades beneficiadas pela alíquota zero da CPMF as operações de arrendamento mercantil. E que, Além disso, é manifestamente ilegal a inclusão de juros de mora no cômputo do alegado débito, pois sua exigibilidade já se encontrava suspensa por força de sentença concessiva da segurança, proferida antes da data de lavratura do presente auto de infração, não havendo que se falar em mora no cumprimento da respectiva obrigação tributária que justifique a incidência dos juros moratórios.” Questiona, ainda, a utilização da SELIC como taxa de juros. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.003406/200352 Acórdão n.º 3302002.773 S3C3T2 Fl. 1.372 3 Após análise da impugnação, a DRJ em Campinas – SP profere o Acórdão nº 12.384, de 6 de março de 2006, (Efls. 544 a 560), que considerou procedente o lançamento, relativamente a auto de infração de CMPF dos períodos de 23 de julho de 1999 a 3 de setembro de 2003, nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário,com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente, reputandose o crédito tributário definitivamente constituído na esfera administrativa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, devem incidir os juros de mora, ex vi do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de depósito integral. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS. LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL. A limitação constitucional à cobrança de juros reais superiores a 12% ao ano não é autoaplicável, carecendo de regulamentação para se efetivar, regulamentação que não aconteceu até que o dispositivo constitucional fosse revogado. Lançamento Procedente 273ª Sessão da 3ª Turma de Julgamento. Em 06 de março de 2006.” Em 13 de abril de 2006 (AR efl 578),.por meio da INTIMAÇÃO Dicat/Eqcct n° 321/2006, a contribuinte tomou ciência do Acórdão DRJ/CPS n° 12.384, de 06/03/2006 e, ainda irresignada, apresentou, em 16 de maio de 2006, o recurso voluntário (efls 580 a ), no qual reprisa seus argumentos de defesa e acrescenta argumento acerca do direito de ter a sua impugnação analisada, posto que jamais renunciou à discussão administrativa e por não haver previsão legal que exclua esse direito, segundo os itens e sub itens a seguir: I — DA TEMPESTIVIDADE Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 II— DA GARANTIA DE INSTÂNCIA III— DOS FATOS IV — DO DIREITO IV.1— Do DIREITO à DISCUSSÃO DO ALEGADO CRÉDITO NA VIA ADMINISTRATIVA IV.2 DA ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO IV.3 — DA INDEVIDA INCLUSÃO DE JUROS MORATÓRIOS NO CÔMPUTO DO VALOR TOTAL DOS ALEGADOS DÉBITOS DE CPMF V — DO PEDIDO O pedido da recorrente é formulado nos seguintes termos: “Por todo o exposto, o ora Recorrente vem requerer a este Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes que seja dado provimento ao recurso ora interposto para que seja conhecida a impugnação apresentada pelo ora Recorrente, com a respectiva anulação da r. decisão ora recorrida, determinando o retorno dos autos à primeira instância administrativa, de forma seja apreciado e julgado o mérito do lançamento nesta via administrativa, uma vez que não houve renúncia à discussão na esfera administrativa, e tampouco seria inócua a apreciação da questão de mérito que é objeto de discussão na via judicial; ou, pelo principio da celeridade e da economia processual, que o mérito do presente recurso seja, desde já, apreciado e julgado por este E:Segundo Conselho de Contribuintes, no sentido de desconstituir o lançamento efetuado, pelo fato de a CPMF incidir à alíquota zero para as sociedades de arrendamento mercantil, as quais si o equiparadas às instituições financeiras. Sucessivamente, requer seja dado provimento ao presente recurso para determinar a exclusão dos juros de mora incidentes sobre os supostos débitos de CPMF, pois a sua exigibilidade já estava suspensa antes da lavratura do auto de infração aqui impugnado, por força de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.51010119385.” Em julgamento anterior, a antiga Primeira Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 20100.649, de 07 de novembro de 2006 entendeu por transformar o julgamento em diligência para que fosse verificada a existência de depósitos judiciais, seu montante, integralidade ou não e se situação atual, apresentando demonstrativo, se necessário, abrindo, em seguida, oportunidade para a contribuinte manifestarse. O resultado da diligência encontrase no Despacho de efls 1331 a 1333, afirmando e demonstrando nas planilhas de cálculos anexas a insuficiência do depósito judicial, sendo, portanto, insuficiente para suspender a exigibilidade dos créditos tributários em discussão, na forma do artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional. A contribuinte manifestase afirmando que “a discussão acerca da suficiência do depósito judicial realizado é totalmente inócua, haja vista que os créditos Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.003406/200352 Acórdão n.º 3302002.773 S3C3T2 Fl. 1.373 5 tributários de CPMF em discussão por meio do presente processo administrativo permanecem com a sua exigibilidade suspensa, na forma dos incisos III e IV, do artigo 151, do Código Tributário Nacional, eis que o recurso voluntário interposto pelo Requerente permanece pendente de apreciação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, ainda, na medida em que a 3ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2 Região negou provimento a remessa necessária e ao recurso de apelação interposto pela Fazenda Nacional nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0119385 2”. Afirma que “atualmente, o citado processo judicial encontrase no Superior Tribunal de Justiça, aguardando o julgamento dos recursos especiais interpostos contra o referido acórdão, o que significa dizer que permanece em vigor a decisão judicial que reconheceu o direito liquido e,certo do Requerente a sujeitarse à aliquota zero da CPMF nas operações de arrendamento mercantil por ele realizadas.” Retornaram os autos a este Conselho para continuidade do julgamento, tendo sido a mim distribuído, em conformidade com o Regimento. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente por advogado devidamente nomeado e constituído, preenchendo, em regra, os requisitos de admissibilidade. Constatase que são matérias sob litígio nesta fase recursal: 1) A alegação do direito de análise no julgamento administrativo acerca do mérito da exigência da CPMF, inobstante a questão da concomitância de matéria levada preventivamente para apreciação judicial, com o pedido de anulação da decisão recorrida, para que essa analise o mérito; 2) ou, pelo principio da celeridade e da economia processual, que o mérito do presente recurso seja, desde já, apreciado e julgado por este E:Segundo Conselho de Contribuintes, no sentido de desconstituir o lançamento efetuado, pelo fato de a CPMF incidir à alíquota zero para as sociedades de arrendamento mercantil, as quais são equiparadas às instituições financeiras; 3) a incidência dos juros de mora, tendo em conta que à época do lançamento encontravase o crédito tributário da CPMF, no período fiscalizado, com a exigibilidade suspensa em face de decisão judicial favorável. A contribuinte não mais questiona a utilização da Selic como taxa de juros. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Passase à análise. Da alegação do direito de análise de Mérito no Julgamento administrativo. Concomitância. Cabe ressaltar que não há controversa sobre a existência de concomitância. De fato, para o período a partir de 17 de junho de 1999 — data em que iniciou a eficácia da cobrança da CPMF com base na Emenda Constitucional n° 21, de 18.03.1999 a contribuinte impetrou Mandado de Segurança preventivo nº 2001.51010119385 objetivando ver reconhecido o seu direito, por ela dito como liquido e certo, de se utilizar do beneficio da alíquota zero da CPMF, concedido às instituições financeiras já que, segundo seu entendimento, as sociedades de arrendamento mercantil a elas se equiparam para fins fiscais. Na impugnação, a contribuinte apresenta seus argumentos de mérito acerca de igual matéria. Mas, ao apreciar a impugnação apresentada pela ora Recorrente, a 3ª Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento de Campinas não conheceu a defesa quanto à questão do mérito da exigência da CPMF, por ter entendido que o ora Recorrente teria renunciado à esfera administrativa quando da impetração do supramencionado mandado de segurança. O Acórdão DRJ/CPS nº 12.384, de 06.03.2006, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas (SP) conheceu da impugnação apenas quanto as matérias não discutidas judicialmente e, no mérito, considerou procedente o lançamento efetuado através do presente auto de infração lavrado objetivando a constituição e cobrança de supostos créditos tributários de Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), apurados no período de 23/06/1999 a 03/09/2003. Daí, é que, defende a recorrente possuir o “direito de ver suas alegações apreciadas no julgamento administrativo, posto que o Recorrente ingressou em Juizo ANTES da lavratura do auto de infração, e da respectiva ciência, quando foi aberto o prazo para apresentação da impugnação.” Que, “diferentemente do que entendeu a Delegacia de Julgamento, o Recorrente jamais renunciou ao seu direito constitucionalmente assegurado à ampla defesa na esfera administrativa, já que a 'renúncia' e definida como "o abandono voluntário e sem transferência, pelo seu titular, de um direito já adquirido Ao ingressar em Juizo, o Recorrente ainda não tinha adquirido direito à ampla defesa em sede administrativa, uma vez que ainda não havia sido autuada, ou seja, ate então a Secretaria da Receita Federal ainda não havia lhe exigido os créditos tributários ora impugnados.” Questiona o Ato Declaratório Normativo n° 03/96, do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação porque, um ato declaratório não tem o condão de restringir norma legal e, muito menos constitucional e afirma inexistir qualquer norma legal que disponha sobre a possibilidade de não conhecimento e julgamento do mérito deste alegado debito na esfera administrativa, com o que deve ser dado regular prosseguimento ao processo, com a apreciação da defesa apresentada pelo ora Recorrente quanto questão do seu direito a sujeitarse à incidência da CPMF à aliquota zero, tal como as instituições financeiras autorizadas a realizarem operações de arrendamento mercantil. Atesta que a apreciação, em âmbito administrativo, da questão de mérito que é objeto de discussão na via judicial jamais será inócua, já que poderá eventualmente alterar a eficácia de um provimento definitivo na esfera judicial favorável à União Federal. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.003406/200352 Acórdão n.º 3302002.773 S3C3T2 Fl. 1.374 7 Pede a anulação da decisão recorrida. Ou, pelo principio da celeridade e da economia processual, que o mérito do presente recurso seja, desde já, apreciado e julgado por este E:Segundo Conselho de Contribuintes, no sentido de desconstituir o lançamento efetuado, pelo fato de a CPMF incidir à alíquota zero para as sociedades de arrendamento mercantil, as quais são equiparadas às instituições financeiras. Não merecem guarida tais alegações. Sabese que a autoridade julgadora de 1ª instância encontrase vinculada à legislação tributária e que tal vinculação advém da Lei n° 8.112 de 11/12/1990, no inciso III de seu artigo 116, que elenca como um dos deveres do servidor observar as normas legais e regulamentares. O artigo 96 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172, de 25/10/66) estabelece: “Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Portanto, as normas complementares, gênero do os Atos Declaratórios Normativos são espécie, enquanto "atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas" (art. 100, inciso I, do CTN), vinculam as autoridades julgadoras de 1ª instância administrativa: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II – as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III – as práticas, reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV – os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.” ( grifei). Também, a Portaria SRF n.° 3.608/94 estabelece a obrigatoriedade de as autoridade julgadoras das Delegacias da Receita Federal de Julgamento observarem preferencialmente em seus julgados, o entendimento da Administração da Secretaria da Receita Federal, expresso em Instruções Normativas, Portarias e despachos do Secretário da Receita Federal, e em Pareceres Normativos, Atos Declaratórios Normativos e Pareceres, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação. De modo que, estando aquelas autoridades vinculadas, por determinação legal, às normas legais e regulamentares, sob este aspecto, não se encontra incorreção sobre a decisão adotada pela autoridade de primeira instância, que fundamentou o seu voto no Ato Declaratório Normativo n° 03/96, do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, o qual estipula que "a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto , importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto". Por outro lado, esta questão já foi pacificada neste Conselho, tendo sido emitida Súmula: “SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” A súmula acima transcrita impede que este colegiado acate o pleito da recorrente no sentido de que este colegiado, em face do princípios da celeridade e da economia processual, analise o mérito da CPMF com incidência à alíquota zero para as sociedades de arrendamento mercantil, sob a alegação de que estas são equiparadas às instituições financeiras, posto que tal matéria já foi previamente levada para análise do judiciário. Da alegação da Indevida Inclusão de Juros Moratórios no Cômputo do Valor Total dos Alegados Débitos de CPMF Relativamente ao questionamento da incidência dos juros de mora, a Delegacia de Julgamento entendeu que estes são devidos desde a data do vencimento da contribuição, independentemente de os respectivos créditos encontraremse com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, devendo ser utilizada a taxa SELIC para o seu cálculo, em razão de expressa previsão legal. Segundo a recorrente, os juros de mora não poderiam ser exigidos, em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, antes da lavratura do auto de infração ora sob litígio, por força de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.51010119385. Na manifestação apresentada em face do resultado da diligência realizada, aduz ser inócua a discussão acerca da suficiência ou não do depósito judicial realizado, haja vista que os créditos tributários de CPMF em discussão por meio do presente processo administrativo permanecem com a sua exigibilidade suspensa, na forma dos incisos III e IV, artigo 151, do Código Tributário Nacional, eis que o recurso voluntário interposto pelo Requerente permanece pendente de apreciação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, ainda, na medida em que a 3ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2 Região negou provimento à remessa necessária e ao recurso de apelação interposto pela Fazenda Nacional nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0119385 2. Entretanto, cabe registrar que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos previstos no art. 151, incisos IV e V do CTN1, implica tão somente a impossibilidade temporária da cobrança do crédito. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I – moratória; II – o depósito do seu montante integral; Nota: STJ Súmula nº 112: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro.” Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.003406/200352 Acórdão n.º 3302002.773 S3C3T2 Fl. 1.375 9 0 vencimento da obrigação ocorre na data estabelecida em lei e não sofre alteração em face de a cobrança do crédito tributário haver sido suspensa. Assim, para sustar a incidência dos juros ao longo do tempo, cabe à contribuinte efetuar o devido pagamento na data fixada em lei ou, em caso de contestação judicial e ou administrativa, efetuar o depósito integral do crédito tributário questionado. Mas, no caso específico, conforme se extrai da petição do MS 2001.51.01119385 (e fl 78), cabe esclarecer que o depósito judicial foi efetuado pelo impetrante, ora requerente, nos autos de outro Mandado de Segurança, qual seja, o de n° 97.01.03627 1, impetrado em 19 de novembro de 1997, que questiona a Lei n° 9.311/96, com matriz na Emenda Constitucional n° 12/96, de modo que, tanto o depósito efetuado quanto a liminar concedida naquela ação amparam o impetrante, ora recorrente, somente com relação ao período de 23 de janeiro de 1997 até 17 de junho de 1999, período esse não inserido no lançamento ora sob litígio. Portanto, não se deve levar em conta, nestes autos, os depósitos efetuados naquela ação. Independementemente do esclarecimento acima, mesmo que fosse o caso, constatouse na diligência, pela insuficiência do depósito judicial efetuado naquela ação judicial. 0 conceito de mora, da forma como alegada pela interessada, não tem aplicação no Direito Tributário, uma vez que o art. 161 do CTN dispõe que não efetuado o pagamento na data prevista em lei, incidem os juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante da falta: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. § 2º. O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Portanto, devese manter o cômputo dos juros de mora, tal como se deu no lançamento. Verificase nos autos que a contribuinte não mais questionou no recurso voluntário a utilização da Taxa SELIC, sendo, portanto, tal matéria, não mais objeto de litígio. III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV – a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (AC) (Inciso acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10.01.2001 , DOU 11.01.2001) VI – o parcelamento. (AC) (Inciso acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10.01.2001 , DOU 11.01.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 CONCLUSÃO Em face da fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário quanto ao mérito da incidência da CPMF, para as sociedades de arrendamento mercantil, em face da matéria ter sido levada para apreciação do Poder Judiciário e na parte conhecida, Negar Provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.906298/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 29 8/ 20 09 -2 1 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.906298/200921 Resolução nº 9303000.045 CSRFT3 Fl. 309 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.906298/200921 Resolução nº 9303000.045 CSRFT3 Fl. 310 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.906298/200921 Resolução nº 9303000.045 CSRFT3 Fl. 311 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 10680.914981/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE.
A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação.
IRRF. COMPROVAÇÃO EFETIVADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto, e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente.
Numero da decisão: 1402-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao ano-calendário de 2006, no valor de R$ 126.648,70, bem como homologar parcialmente a compensação mediante a utilização do direito de credito reconhecido, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. IRRF. COMPROVAÇÃO EFETIVADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 49 81 /2 01 0- 04 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10680.914981/201004 Acórdão n.º 1402001.861 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ SA, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 17.262.213/000194, com domicílio fiscal na cidade do Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, na Avenida do Contorno, nº 8.123, Bairro Cidade Jardim, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls.106/113), prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 118/125. A requerente transmitiu, em 20/07/2007, a Declaração de Compensação DCOMP nº 38109.05646.200707.1.3.021199, cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2006, no valor de R$ 1.437.675,88. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Belo Horizonte, através do Despacho Decisório (fl. 09), apreciou e concluiu, em 01/11/2010, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que a análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, portanto, indica que as antecipações do imposto indicadas pelo contribuinte têm origem unicamente ao IRF, que foi validado parcialmente pela DRF; que o Saldo Negativo de IRPJ reconhecido como válido pela DRF importou em R$ 1.156.476,90, enquanto o apurado pelo contribuinte alcançou a importância de R$ 1.437.675,88; que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual Homologo Parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 10/11/2010, conforme Termo constante à fl. 64, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (10/12/2010), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 02/08, instruído pelos documentos de fls. 09/56, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a IN RFB nº 600, de 2005 previa a utilização dos créditos do sujeito passivo em compensações de débitos próprios através da declaração de compensação; que o valor de R$ 281.198,98, não confirmado pela autoridade fiscal, corresponde às retenções na fonte suportadas pela recorrente e tais retenções suportam o montante compensado e superam os informados na DIPJ; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que, portanto, o contribuinte detalha o IRF deduzido na DIPJ, informando a anexação dos documentos comprobatórios das retenções sofridas. Acrescenta que o detalhamento apresentado comprova um IRF no importe de R$ 299.251,28; que comprovadas as retenções e o direito ao crédito, não pode haver óbice à homologação das compensações; que o reconhecimento do direito creditório em sua totalidade e a homologação integral das compensações declaradas. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 24/07/2013, a 3° Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 106/113): que o julgamento em primeira instância de processos administrativos fiscais referentes à manifestação de inconformidade relativa ao indeferimento da restituição e contra a não homologação da compensação apresentada pelo contribuinte, contra apreciações dos Delegados/Inspetores da Receita Federal relativas aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento; assim dispõe o art. 212 da Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009; que cabe, inicialmente, a identificação do litígio em curso, ou seja, o documento foi protocolizado pelo contribuinte na vigência do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, na versão dada pela Lei nº 10.637, de 2002: DCOMP – Declaração de Compensação, mediante a utilização do Saldo Negativo de IRPJ apurado no período de 27/06/2006 a 31/12/2006; que, sendo assim, a DRF reconheceu como válida somente parte do crédito utilizado pelo contribuinte, que foi insuficiente para extinguir a totalidade dos débitos compensados pelo contribuinte na DCOMP em análise. O manifestante se insurge quanto à parcela do crédito não reconhecida; não houve manifestação acerca da utilização do crédito reconhecido; que todas as antecipações do IRPJ do período têm origem no IRF. Assim sendo, cabe esclarecer que o IRF somente pode ser deduzido do imposto apurado no final do período se o contribuinte possuir o comprovante de rendimentos e respectiva retenção na fonte, desde que as receitas correspondentes integrem a apuração do imposto devido; que a legislação tributária vigente art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996 determina a apuração do IRPJ/CSLL por períodos de apuração; neste contexto, os “saldos negativos de IRPJ/CSLL” são apurados período por período e devem ser controlados individualmente, em respeito ao artigo 168 do CTN que limita o direito à restituição (ou sua utilização em DCOMP) ao decurso do prazo de cinco (05) anos. Neste contexto, as receitas são oferecidas à tributação pelo regime de competência e o IRF é deduzido do imposto apurado no final do período em que ocorreu a retenção, originando o Saldo Negativo de IRPJ quando for o caso; que o crédito identificado pelo contribuinte na DCOMP em litígio neste processo reportase ao Saldo Negativo de IRPJ apurado no período de 27/06/2006 a 31/12/2006; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10680.914981/201004 Acórdão n.º 1402001.861 S1C4T2 Fl. 4 5 que cabe esclarecer ainda que todo o imposto retido deve ser deduzido do imposto apurado no período próprio, inexistindo previsão legal para sua dedução em períodos posteriores, em consonância com o prazo previsto no art. 168 do CTN/ que considerando a análise efetuada, além do já computado pela DRF, o manifestante comprovou o direito à dedução do IRF no valor de R$ 11.247,80; que considerando o IRPJ do período igual a ZERO, cabe ainda reconhecer ao contribuinte o direito à utilização do crédito no valor de R$ 11.247,80 na extinção dos débitos declarados na DCOMP em litígio neste processo; que utilizando o direito de crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados na DCOMP, a planilha de cálculos anexada ao processo indica que o crédito reconhecido é insuficiente para homologar integralmente as compensações em litígio neste processo. Assim sendo, impõese a HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações em litígio neste processo, nos limites do crédito reconhecido. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. IRRF COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto, e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/08/2013, conforme Termo constante à fl. 117, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (04/09/2013), o recurso voluntário de fls. 118/125, instruído pelos documentos de fls. 126/225, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que o contribuinte foi notificado sobre o referido acórdão em 05 de Agosto de 2013, segundafeira. Nos termos do artigo 33, do Decreto n° 70.235/72, o prazo para Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 interposição do Recurso Voluntário é de 30(trinta) dias, contados da data de ciência ao contribuinte; que o termo inicial de contagem do prazo foi o dia 06 de Agosto, terçafeira, primeiro dia útil seguinte à data da intimação. Contados os 30 (trinta) dias, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento conforme determinação do artigo 5°, do Decreto n° 70.235/72 o termo final do prazo é dia 04/09/2013, quartafeira. Desse modo, a interposição do recurso nesta data lhe confere incontestável tempestividade, merecendo regular processamento; que, portanto, do despacho decisório e da manifestação de inconformidade e do acórdão recorrido, neste sentido, em apertada síntese, cuidase do processo originado de Declaração de Compensação de saldo negativo de IRPJ, PER/DCOMP n° 38109.05646..200707.1.3.021199 – n° Rastreamento 893919532, em que a recorrente buscava o reconhecimento de crédito no valor original de R$ 1.437.675,88, oriundo de saldo negativo de IRPJ apurada no exercício de 2007 anocalendário 2006, período compreendido entre 27/06/2006 a 31/12/2006 em função de um evento de cisão parcial. O Despacho Decisório inicial houve por bem homologar parcialmente a compensação declarada; que da decisão recorrida não reúne condições de prosperar em sua integralidade perante esse Colendo Conselho, ou seja, o consórcio constituído na forma do artigo 278 da lei 6.404/1976, não tem personalidade jurídica e por consequência suas receitas são oferecidas nas consorciadas na proporção de sua participação e, por consequência, as retenções por este suportada também devem ser levadas as consorciadas na proporção de sua participação; que diferente do que consta no respeitável acórdão, a recorrente ao preparar sua manifestação de inconformidade, preocupouse em detalhar todas as retenções, comprovar através de comprovante de rendimentos e retenções fornecidos pela fonte pagadora e ainda destacou que sua participação era conforme a constante no quadro de sócios e administradores que nada mais e que uma informação da própria Receita Federal, ou seja, esta vinculada as informações cadastrais do consorcio perante este órgão; que a participação da recorrente nos consórcios poderia ser comprovada no próprio sistema do fisco federal. Esta foi a preocupação da recorrente em detalhar, comprovar e informar onde constava a informação de sua participação; que devese buscar aqui a verdade real. Formalidades que eventualmente não tenham sido observadas pela recorrente em sua manifestação não podem ser consideradas de forma absoluta para a glosa do direito creditório da recorrente; que, de qualquer forma, a recorrente nesta oportunidade apresenta contrato de constituição dos consórcios onde constam sua participação e os comprovantes de rendimentos e retenções com detalhamento das retenções suportadas pela recorrente apenas no período de junho a dezembro de 2006; que, neste sentido, a parcela recorrida, corresponde a: (a) – Fonte pagadora CNPJ 00.000.000/044210 – Banco do Brasil – Valor R$ 19.871,07; (b) – Fonte pagadora CNPJ 33.700.394/000140 – Unibanco do Brasil – Valor R$ 78.941,39; (c) – Fonte pagadora CNPJ 07.002.898/000186 – Banco Safra – Valor R$ 6.150,94; e (d) – Fonte pagadora CNPJ 60.746.948/000112 – Banco Bradesco – Valor R$ 21.685,30; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10680.914981/201004 Acórdão n.º 1402001.861 S1C4T2 Fl. 5 7 que os demais valores julgados improcedentes e que no detalhamento anterior (objeto desse recurso) serão devidamente quitados. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos, constatase que tem como objeto este processo, conforme assinalado às fls. 57/63, a Declaração de Compensação – DCOMP nº 38109.05646.200707.1.3.021199, cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, do ano calendário de 2006, no valor de R$ 1.437.675,88. Sendo que o crédito identificado pelo contribuinte na DCOMP em litígio neste processo reportase ao Saldo Negativo de IRPJ apurado no período de 27/06/2006 a 31/12/2006. Observase, ainda, que através de Despacho Decisório a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – MG indica que as antecipações do imposto indicadas pela contribuinte têm origem unicamente ao IRF, que foi validado parcialmente pela DRF. Desta feita, o Saldo Negativo de IRPJ reconhecido como válido pela DRF importou em R$ 1.156.476,90, enquanto o apurado pelo contribuinte alcançou a importância de R$ 1.437.675,88. Inconformada com a decisão da autoridade administrativa jurisdicionada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG a qual decide, por sua vez, reconhecer a compensação parcial da parcela no valor de R$ 11.247,80 e, em consequência, o valor creditório correspondente. Irresignada, de forma parcial, com a decisão de Primeira Instância a contribuinte apresenta a sua peça recursal para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais motivada no entendimento de que comprovadamente faz jus as seguintes compensações: (a) – Fonte pagadora CNPJ 00.000.000/044210 – Banco do Brasil – Valor R$ 19.871,07; (b) – Fonte pagadora CNPJ 33.700.394/000140 – Unibanco do Brasil – Valor R$ 78.941,39; (c) – Fonte pagadora CNPJ 07.002.898/000186 – Banco Safra – Valor R$ 6.150,94; e (d) – Fonte pagadora CNPJ 60.746.948/000112 – Banco Bradesco – Valor R$ 21.685,30. Como visto, a discussão versa, tãosomente, sobre a não homologação da retenção de fonte no valor de R$ 126.648,70. Assim sendo, o ponto central da discussão nestes autos é a exigência de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte, que gerou saldo negativo de IRPJ. O saldo negativo apurado pela contribuinte foi compensado em 20/01/2007. Segundo a autoridade revisora a contribuinte não logrou demonstrar que o imposto de renda retido na fonte tem vinculação e foi efetivamente recolhido pela fonte pagadora, por isso indeferiu a compensação nesta parte. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10680.914981/201004 Acórdão n.º 1402001.861 S1C4T2 Fl. 6 9 Como se sabe, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) da recorrente, no ano de 2006, correspondente ao exercício de 2007, estava submetido à modalidade de lançamento por homologação, em que cabe ao sujeito passivo realizar todos os procedimentos de apuração, formalização e liquidação das obrigações tributárias, principais e acessórias. Não há dúvidas de que nessa modalidade de lançamento, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Realizada a atividade, compete à autoridade fazendária “homologar” o procedimento, dandoo por bom, quando o seja, ou refazendoo através de correções ou de lançamento de ofício. Assim, o prazo de homologação previsto no Código Tributário Nacional diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). Nesta linha de raciocínio passo a analisar a matéria de mérito. Sobre o assunto a decisão recorrida se manifestou da seguinte forma: No intuito de validar o IRF glosado pela DRF, o manifestante apresenta os documentos anexados às fls. 10 a 52. Apreciando as alegações do contribuinte e os documentos apresentados, temse: Fonte pagadora CNPJ 00.000.000/44210 – Banco do Brasil 10.1 O manifestante argumenta que tratase do IRF retido através do Consórcio Queiroz G Andrade Gutierrez, portador do CNPJ 07.012.698/000104. Para comprovação apresenta os documentos anexados às fls. 10 a 14. Verificando os documentos apresentados: • A planilha à folha 10 identifica os rendimentos e os valores retidos e menciona a participação da Construtora Andrade Gutierrez no consórcio; contudo, não foi apresentado o documento comprobatório do seu percentual de participação Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 neste consórcio. Os dados apresentados não estão situados no tempo, apesar do período em análise reportarse ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006. • Os documentos à fl. 11/12, emitidos pelo Banco do Brasil, identificam rendimentos e IRF atribuídos ao CNPJ 07.012.698/000104, mas referese ao período de janeiro a maio de 2006, portanto, ainda que comprovado o percentual de participação da manifestante – e não foi – o IRF correspondente não pode ser deduzido da apuração do IRPJ no período em análise. • Os documentos às fl. 13/14 emitidos pelo Banco do Brasil, identificam rendimentos e IRF atribuídos ao CNPJ 07.012.698/000104; apesar de correspondentes ao período de outubro a dezembro/2006, não há como verificar qual a parcela é atribuída ao litigante, uma vez que não apresentado o documento comprobatório de sua participação no consórcio. Fonte pagadora CNPJ 04.256.109/000145 – Instituto Telemar 10.2 Para comprovação do IRF atribuído ao Instituto Telemar o contribuinte apresenta os documentos às fls. 15/16. O contribuinte deduziu na DIPJ o IRF no valor de R$10.421,64, atribuído a serviços prestados ao Instituto Telemar; a DRF validou o IRF no valor de R$ 9.145,04, valor maior que o invocado pelo contribuinte na manifestação de inconformidade. Assim sendo, os documentos apresentados não habilitam o contribuinte à dedução do IRF em valor maior que o já validado pela DRF. Fonte pagadora CNPJ 07.758.573/000128 – Associação Terço Bizantino 10.3 O manifestante apresenta os documentos anexados às fls. 17 a 22 no intuito de validar a dedução do IRF decorrente da prestação de serviços à Associação Terço Bizantino. Dos documentos apresentados extraemse as seguintes informações: (...) 10.3.1 A nota fiscal nº 100 referese a período de apuração diverso daquele em análise neste processo; 27/06/2006 a 31/12/2006. Tanto os rendimentos quanto o IRF devem ser computados no período próprio. 10.3.2 Os demais documentos estão amparados pelas informações prestadas pela fonte pagadora em DIRF e comprovam o IRF no valor de R$ 11.247,80. A receita de prestação de serviços oferecida à tributação conforme DIPJ é compatível com o IRF deduzido. Fonte pagadora CNPJ 33.000.167/000101 – Petróleo Brasileiro S A 10.4 O manifestante apresenta os documentos anexados às fls. 23 a 29 no intuito de comprovar o IRF atribuído à fonte pagadora Petróleo Brasileiro. Contudo, todos os documentos apresentados correspondem à operações ocorridas em Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10680.914981/201004 Acórdão n.º 1402001.861 S1C4T2 Fl. 7 11 janeiro/2006; a DIRF apresentada pela fonte pagadora confirma rendimentos e IRF somente nos meses de janeiro e fevereiro/2006, período diverso daquele em análise neste processo 27/06/2006 a 31/12/2006. Tais rendimentos, bem como o IRF devem ser computados no período próprio. Fonte pagadora CNPJ 33.700.394/000140 – Unibanco 10.5 O manifestante argumenta que tratase do IRF retido através do Consórcio Via Amarela, portador do CNPJ 05.942.531/000117. Para comprovação apresenta os documentos anexados às fls. 30 a 32. Verificando os documentos apresentados: • A planilha à folha 30 identifica os rendimentos e os valores retidos e menciona a participação da Construtora Andrade Gutierrez no consórcio; contudo, não foi apresentado o documento comprobatório do seu percentual de participação neste consórcio. Os dados apresentados não estão situados no tempo, apesar do período em análise reportarse ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006. • O documento às fls. 31/32, emitido pelo Unibanco, identifica rendimentos e IRF atribuídos ao Consórcio Via Amarela, mas referese ao período de janeiro a dezembro de 2006, portanto, ainda que comprovado o percentual de participação da manifestante – e não foi – somente as operações referentes ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006 podem ser deduzidos da apuração do IRPJ no período em análise. Contudo, não há como verificar qual a parcela é atribuída ao litigante, uma vez que não apresentado o documento comprobatório de sua participação no consórcio. Fonte pagadora CNPJ 07.002.898/000186 – Banco Safra 10.6 O manifestante argumenta que tratase do IRF retido através do Consórcio Via Amarela, portador do CNPJ 05.942.531/000117. Para comprovação apresenta os documentos anexados às fls. 33/34. Verificando os documentos apresentados: • A planilha à folha 33 identifica os rendimentos e os valores retidos e menciona a participação da Construtora Andrade Gutierrez no consórcio; contudo, não foi apresentado o documento comprobatório do seu percentual de participação neste consórcio. Os dados apresentados não estão situados no tempo, apesar do período em análise reportarse ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006. • O documento à fls. 34, emitido pelo Banco Safra, identifica rendimentos e IRF atribuídos ao Consórcio Via Amarela, mas referese ao período de janeiro a junho de 2006, portanto, ainda que comprovado o percentual de participação da manifestante – e não foi – o valor retido somente pode ser deduzido da apuração do IRPJ no período em análise. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Fonte pagadora CNPJ 60.746.948/000112 – Banco Bradesco 10.7 O manifestante argumenta que tratase do IRF retido através do Consórcio Via Amarela, portador do CNPJ 05.942.531/000117. Para comprovação apresenta os documentos anexados às fls. 35 a 52. Verificando os documentos apresentados: • A planilha à folha 35 identifica os rendimentos e os valores retidos e menciona a participação da Construtora Andrade Gutierrez no consórcio; contudo, não foi apresentado o documento comprobatório do seu percentual de participação neste consórcio. Os dados apresentados não estão situados no tempo, apesar do período em análise reportarse ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006. • Os documentos apresentados, emitidos pelo Bradesco, identificam rendimentos e IRF atribuídos ao Consórcio Via Amarela, mas referese ao período de fevereiro a dezembro de 2006, portanto, ainda que comprovado o percentual de participação da manifestante – e não foi – somente as operações referentes ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006 podem ser deduzidos da apuração do IRPJ no período em análise. Contudo, não há como verificar qual a parcela é atribuída ao litigante, uma vez que não apresentado o documento comprobatório de sua participação no consórcio. Como se verifica a decisão recorrida se amparou nas seguintes negativas: que os documentos às fl. 13/14 emitidos pelo Banco do Brasil, identificam rendimentos e IRF atribuídos ao CNPJ 07.012.698/000104; apesar de correspondentes ao período de outubro a dezembro/2006, não há como verificar qual a parcela é atribuída ao litigante, uma vez que não apresentado o documento comprobatório de sua participação no consórcio; que o documento às fls. 31/32, emitido pelo Unibanco, identifica rendimentos e IRF atribuídos ao Consórcio Via Amarela, mas referese ao período de janeiro a dezembro de 2006, portanto, ainda que comprovado o percentual de participação da manifestante – e não foi – somente as operações referentes ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006 podem ser deduzidos da apuração do IRPJ no período em análise. Contudo, não há como verificar qual a parcela é atribuída ao litigante, uma vez que não apresentado o documento comprobatório de sua participação no consórcio; que a planilha à folha 33 identifica os rendimentos e os valores retidos e menciona a participação da Construtora Andrade Gutierrez no consórcio; contudo, não foi apresentado o documento comprobatório do seu percentual de participação neste consórcio. Os dados apresentados não estão situados no tempo, apesar do período em análise reportarse ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006; que os documentos apresentados, emitidos pelo Bradesco, identificam rendimentos e IRF atribuídos ao Consórcio Via Amarela, mas referese ao período de fevereiro a dezembro de 2006, portanto, ainda que comprovado o percentual de participação da manifestante – e não foi – somente as operações referentes ao período de 27/06/2006 a 31/12/2006 podem ser deduzidos da apuração do IRPJ no período em análise. Contudo, não há como verificar qual a parcela é atribuída ao litigante, uma vez que não apresentado o documento comprobatório de sua participação no consórcio. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10680.914981/201004 Acórdão n.º 1402001.861 S1C4T2 Fl. 8 13 Agora na fase recursal a recorrente pretende que ao menos os valores a seguir transcritos sejam reconhecidos como sendo componente do saldo negativo de IRPJ, portanto, créditos compensáveis: (a) – Fonte pagadora CNPJ 00.000.000/044210 – Banco do Brasil – Valor R$ 19.871,07; (b) – Fonte pagadora CNPJ 33.700.394/000140 – Unibanco do Brasil – Valor R$ 78.941,39; (c) – Fonte pagadora CNPJ 07.002.898/000186 – Banco Safra – Valor R$ 6.150,94; e (d) – Fonte pagadora CNPJ 60.746.948/000112 – Banco Bradesco – Valor R$ 21.685,30, totalizando R$ 126.648,70. Para tanto anexa os documentos de fls. 138/225 os documentos comprobatórios das retenções e de sua participação nos consórcios. Após a analise da documentação acostada aos autos e constatado o teor comprobatório, é de se aceitar o valor pleiteado de R$ 126.648,70 como sendo parte integrante do saldo negativo de IRPJ. Assim sendo, é de se reconhecer ao contribuinte o direito à utilização do crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006 no valor de R$ 126.648,70, a ser utilizado na DCOMP cadastrada neste processo, bem como homologar parcialmente a compensação em litígio neste processo, mediante a utilização do direito de credito reconhecido. Quanto às demais retenções na fonte informadas pela recorrente não seguiu as determinações legais existentes. Verificase que a mesma não apresentou o Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte, em descumprimento ao exigido pelo artigo 815 do Decreto 3.000/99 (RIR/99). Não são correspondentes ao período solicitado e/ou não apresentou o necessário rateio. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006, no valor de R$ 126.648,70, bem como homologar parcialmente a compensação mediante a utilização do direito de credito reconhecido. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10469.723238/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO JUDICIAL ANTERIOR AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 32 38 /2 01 2- 13 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10469.723238/201213 Acórdão n.º 2801003.940 S2TE01 Fl. 71 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 5.565,40, incluídos multa e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 6 deste processo digital, que da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, bem como das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, constatouse compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, no valor de 10.856,88, referente à fonte pagadora Comando do Exército. Após ser intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2, que não foi conhecida pelos julgadores da instância de piso, conforme acórdão de fls. 19/22. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/05/2012 (fl. 26), o Interessado interpôs, em 21/06/2012, o recurso de fls. 30/32, acompanho dos documentos de fls. 33/65. Na peça recursal aduz, em síntese, que: É portador de doença grave desde 1997, mas o laudo apresentado não foi suficiente para interromper a retenção na fonte do imposto de renda. Assim, entrou com ação judicial para resolver este problema, obtendo decisão de primeiro grau favorável em dezembro de 2011. Obteve orientação na RFB de que poderia fazer a retificação de suas declarações dos últimos cinco anos e apresentar os documentos à Malha Fiscal. Contudo, o imposto de renda retido na fonte foi glosado pelo Fisco erroneamente, não sendo devolvido nem administrativa, nem judicialmente. Impugnou o lançamento. Porém, recebeu o acórdão da DRJ/REC alegando que a ação judicial era contra a Fazenda Pública e que no momento do ajuizamento da ação abdicou do direito administrativo relacionado ao processo. Contudo, ainda que não pudesse pleitear nenhum direito administrativamente, o resultado máximo esperado seria a RFB não aceitar a retificação da declaração e manter a posição tributária da declaração anterior, ou seja, para o contribuinte não existiria a cobrança nem valor a receber, até o trânsito em julgado do processo judicial. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso para: cancelar a cobrança tributária com a exclusão de multa e juros, uma vez que o imposto retido na fonte foi glosado indevidamente; reconhecer administrativamente a solicitação da restituição; em último caso, determinar o integral cancelamento do lançamento, uma vez que a restituição está correta, não existindo cobrança nem valor a receber até que o processo judicial transite em julgado. Voto Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10469.723238/201213 Acórdão n.º 2801003.940 S2TE01 Fl. 72 3 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Às fls. 51/56 foi juntada pelo Recorrente petição inicial da ação ordinária por ele ajuizada em face da União Federal na qual um dos pedidos é o seguinte: F) Que ao final seja julgado procedente o pedido para declarar que o REQUERENTE é portador de cardiopatia grave desde o dia 21/03/1995, data em que foi submetido à cirurgia cardíaca, devendo a REQUERIDA restituir os valores debitados indevidamente nos contracheques do Autor, devidamente corrigidos, obedecendo ao prazo prescricional. À fl. 12 foi anexada sentença prolatada pelo Juízo de 1º grau cujo dispositivo, na parte que interessa, está vazado nos seguintes termos: Ante o exposto, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido, declarando que os proventos de reforma percebidos pelo autor estão isentos do imposto de renda a partir de outubro de 1997. Condeno a União à restituição dos valores recolhidos indevidamente, devidamente atualizados, a partir de cada recolhimento, apenas pela taxa SELIC, que já inclui juros de mora e correção monetária, observada, entretanto, a prescrição qüinqüenal (aplicação da LC nº 118/05). (...) Sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição. A folha de rosto da “Notificação de Lançamento” e a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 5/6) evidenciam que a Autoridade lançadora glosou o imposto de renda retido pela fonte pagadora e que fora compensado pelo Interessado em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2009. Assim, correto o procedimento levado a cabo pela Autoridade fiscal, porquanto a inexistência da glosa pode acarretar a restituição do imposto retido em duplicidade, uma na instância administrativa e outra na ação judicial. Não restam dúvidas, portanto, que o objeto da ação judicial guarda identidade com o objeto do presente lançamento, sendo aplicável, à espécie, a Súmula CARF nº 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10469.723238/201213 Acórdão n.º 2801003.940 S2TE01 Fl. 73 4 Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10768.023491/99-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO.
Configurada contradição entre a decisão e seus fundamentos, devem ser acolhidos os embargos para saná-la.
IRPJ - DEDUTIBILIDADE DE JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE TRIBUTOS PROVISIONADOS E NÃO PAGOS.
A regra a comandar a dedutibilidade dos juros de mora deve ser a mesma que comanda a dos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal.
Numero da decisão: 9101-002.070
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÃMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, embargos de declaração acolhidos e não providos. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo Mendonça Marques (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
(documento assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araujo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Leonardo Mendonça Marques (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1989, 1990, 1991 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO. Configurada contradição entre a decisão e seus fundamentos, devem ser acolhidos os embargos para sanála. IRPJ DEDUTIBILIDADE DE JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE TRIBUTOS PROVISIONADOS E NÃO PAGOS. A regra a comandar a dedutibilidade dos juros de mora deve ser a mesma que comanda a dos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal. ACORDAM os membros da 1ª Turma, por unanimidade de votos, embargos de declaração acolhidos e não providos. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo Mendonça Marques (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 02 34 91 /9 9- 80 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.023491/9980 Acórdão n.º 9101002.070 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Rafael Vidal de Araujo, Valmir Sandri, Antonio Carlos Guidoni Filho (Suplente Convocado), Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado), Leonardo Mendonça Marques (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Cuidase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, referentes ao Acórdão n. 910100.558 (sessão de 12 de março de 2010), quando do julgamento de seu recurso especial em face do Acórdão 10320.394. Ao apreciar o recurso voluntário do sujeito passivo Banco Rural S/A., a 3ª Câmara do extinto 1º Conselho de Contribuintes deulhe provimento parcial, tendo excluído da tributação nos anoscalendário de 1989, 1990 e 1991, verbas referentes à glosa de despesas de variação monetária passiva, juros e multa de mora incidentes sobre a provisão da Contribuição Social sobre o Lucro contabilizada, que se encontrava com a exigibilidade suspensa na forma do inciso IV do art. 151 do CTN. Inconformada, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial suscitando dissídio jurisprudencial quanto às despesas com provisão de correção monetária, juros e multa de mora, incidentes sobre tributos não recolhidos, apontando como paradigma o acórdão 107 05.673, que declarou indedutíveis os valores relativos a correção monetária, juros e multa de mora referentes à CSLL não paga. Submetido a julgamento em sessão de 12 de março de 2010, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais não conheceu o recurso na parte relativa à dedutibilidade dos juros de mora, por entender não caracterizado o dissídio. Assentou o voto condutor que: “Acórdão recorrido e acórdão paradigma, ainda que por fundamentos distintos, reconheceram a dedutibilidade dos juros de mora incidentes sobre os tributos provisionados e não pagos após o vencimento. Sobre esse tópico, vejase trecho do voto condutor do acórdão paradigma, verbis: ‘Quanto aos juros de mora, o entendimento é o de que os valores referentes a este acréscimo moratório acompanham o valor do tributo devido e não pago. Um acessório que necessariamente segue o principal, caracterizandose como despesa dedutível.’” Sobre o ponto específico, a Fazenda Nacional interpõe embargos de declaração alegando contradição e obscuridade. Afirma a Embargante: A parte do paradigma reproduzida no voto condutor do acórdão ora embargado, no entanto, referese somente ao provisionamento da CSLL do ano de 1990, conforme se lê no trecho abaixo transcrito do mesmo paradigma: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.023491/9980 Acórdão n.º 9101002.070 CSRFT1 Fl. 4 3 "Entendo que a decisão recorrida merece reparo somente quanto aos juros de mora referentes ao provisionamento da CSLL do ano de 1990. Quanto ao ano de 1988 está correto o procedimento fiscal, uma vez que, apesar de a empresa provisionar o pagamento do imposto corrigido monetariamente, com juros e multa de mora, esta Contribuição não foi e tampouco será paga, porque o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro no períodobase de 1988. Desta feita é incoerente a empresa lançar uma despesa que não foi incorrida, cujo valor não será efetivamente pago." Com efeito, o precedente acima não se mostra divergente para a provisão relativa ao ano de 1990, por considerar os correspondentes juros de mora despesas dedutíveis, sob o entendimento de que o acessório segue o principal. Contudo, em relação a provisão de 1988, o paradigma expressa entendimento diverso ao considerar indedutíveis os juros de mora, porquanto a contribuição de tal anobase, por ter sido declarada inconstitucional, corresponde a valor que não será efetivamente recolhido. No caso, a glosa discutida se refere a provisão contabilizada em 1988, conforme se infere da leitura do acórdão recorrido, as fls. 145. Logo, neste caso, o entendimento do paradigma está em consonância com a presente autuação. Verificase, portanto, que o colegiado, em suas razões de decidir, teria partido de premissa equivocada ao efetuar o cotejo da decisão recorrida e o paradigma, pois comparou situações diversas ao valerse de trecho do precedente sobre provisão relativa ao anobase de 1990, quando a divergência se mostra em relação ao ano base de 1988. Constatase, portanto, certa obscuridade no acórdão, que teria assentado seu entendimento em pressuposto contraditório, fazendose necessário a integração do julgado para esclarecer a questão.” É o relatório. Voto Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.023491/9980 Acórdão n.º 9101002.070 CSRFT1 Fl. 5 4 Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. O recurso especial objeto do acórdão ora embargado postulou uniformização de interpretação quanto à dedutibilidade de acréscimos legais (atualização monetária, juros de mora e multa de mora incidentes sobre tributo vencido e não pago ‘provisionado’). Pelo Acórdão n. 910100.558, esta 1ª Turma não conheceu o recurso no que diz respeito aos juros de mora, ao fundamento de que a decisão do paradigma teria sido convergente com a do acórdão recorrido. Especificamente sobre a matéria objeto dos embargos, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos confrontados são idênticas (dedução dos juros de mora incidentes sobre a CSLL do anobase de 1988, provisionada e não paga). Contudo, diferentemente do assentado no acórdão embargado, as decisões foram divergentes: enquanto o acórdão recorrido considerouos dedutíveis, o paradigma considerouos indedutíveis. Assim, especificamente quanto aos juros incidentes sobre a CSLL de 1988, a decisão de não conhecer o recurso especial está em contradição com o fundamento apontado (convergência das decisões confrontadas). Dessa forma, acolho os embargos da Fazenda Nacional e conheço do recurso também quanto à dedutibilidade dos juros de mora. Passo a analisar o mérito. Conforme descreve a decisão de primeira instância que foi objeto de recurso voluntário “os autuantes eliminaram da apuração dos lucros reais de 1989, 1990 e 1991 as despesas efetuadas com a provisão dos encargos de variação monetária, juros de mora e multa de mora (...) incidentes sobre as contribuições sociais sobre o lucro (CSLL) dos períodosbase de 1988 a 1990 não pagas até o seu vencimento, uma vez que elas somente são dedutíveis, de acordo com o art. 44 da Lei nº 7.799/89, quando o pagamento dos tributos ocorre dentro do prazo fixado”. A limitação referente ao art. 44 da Lei nº 7.799/89 não se aplica à dedutibilidade de encargos moratórios, dizendo respeito exclusivamente à atualização monetária. A ver: Art. 44. A atualização monetária dos duodécimos ou quotas do imposto de renda, das prestações da contribuição social e do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido somente poderá ser deduzida na determinação do lucro real se o duodécimo, a quota, a prestação ou o imposto na fonte for pago até a data do vencimento. Assim, a dedutubilidade dos juros de mora incidente sobre a CSLL provisionada e não paga, não está condicionada ao pagamento do tributo no exercício de competência, restrito, portanto, a atualização monetária. Logo, não havendo norma específica na legislação tributária para reger a dedutibilidade do referido acréscimo moratório, a regra a comandála deve ser a mesma da Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.023491/9980 Acórdão n.º 9101002.070 CSRFT1 Fl. 6 5 regra que comanda a dedutibilidade do tributo, dada sua condição de acessório. Essa questão assim está tratada no Acórdão 10196.424/2007: “ A regra a comandar dedutibilidade dos juros deve ser a mesma que comanda a dos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal. Não colhe a alegação da Recorrente, de que os juros de mora não se caracterizam como acessório, porque não têm natureza tributária. A condição de “acessório” independe de terem os juros, natureza “tributária”. Os juros de mora são “acessório” porque não existem sem o débito tributário sobre o qual incidem, a ele se agregando sem o integrarem. Entre outros, o verbete “Acessório” tem os seguintes significados : “2. Que se acrescenta a uma coisa, sem fazer parte integrante dela; suplementar; adicional. 3 Aquilo que se junta ao objeto principal, ou é dependente dele; complemento; achega.” 1 O acórdão nº 10320.394 (recorrido) reconheceu a dedutibilidade dos juros de que se trata por corresponderem a “encargos incorridos em razão de obrigações conhecidas e existentes”, assentando que “quando a recorrente, fundada à época na legislação de regência — ainda inatacada por ADIn (ou no controle difuso) , reconhecera vazada no regime de competência, em 1988, as despesas tributárias incorridas de que aqui se cuida, segundo o regime de competência e com fundamento em lei até então eficaz e juridicamente válida, o fez com a eficácia dos efeitos sobre situações jurídicas consolidadas (lei vigente e eficaz — reiterase), (...)”. O paradigma, reconhecendo que, de acordo com a legislação vigente quando da ocorrência o fato gerador, os juros seriam dedutíveis por constituírem acessório de principal dedutível, manteve a glosa por considerar incoerente a dedução, porque eles não seriam pagos. A conferir: “ Quanto ao ano de 1988 está correto o procedimento fiscal, uma vez que, apesar de a empresa provisionar o pagamento do imposto corrigido monetariamente, com juros e multa de mora, esta Contribuição não foi e tampouco será paga, porque o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro no períodobase de 1988. Desta feita é incoerente a empresa lançar uma despesa que não foi incorrida, cujo valor não será efetivamente pago." Como visto acima, antes da edição da Lei nº 8.541/92 a dedução independia do pagamento. No ano em que restou definitivamente decidido que o contribuinte não deveria pagar a contribuição relativa ao ano calendário de 1988 (quer pelo trânsito em julgado da ação em que figurou como autor, quer pela Resolução do Senado nº 11, de 1995, que suspendeu a execução do art. 8º da Lei nº 7.689/88), as provisões constituídas deveriam ser revertidas, computandose o respectivo valor como receitas tributáveis naquele ano. Tal como expressado no Acórdão 10320.394 (recorrido) “a exigência fiscal ou deveria eleger o anobase em que a ação judicial da defendente, na espécie, transitara em julgado, ou após a publicação da Resolução senatorial de 12 de abril de 1995, se aquela ocorreu antes deste momento em que a 1 Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda – Dicionário da Língua Portuguesa “Novo Aurélio Século XXI” Editora Nova Fronteira, 3ª Ed. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.023491/9980 Acórdão n.º 9101002.070 CSRFT1 Fl. 7 6 lei em debate com eficácia entre as partes , no que se refere ao seu artigo 8º fora declarada inconstitucional (...)”. Esse foi, inclusive, o entendimento manifestado pelo acórdão embargado, quando apreciou a questão da correção monetária da CSLL relativa ao anobase de 1988, cuja indedutibilidade assentada no paradigma fundamentouse no mesmo argumento utilizado para a indedutibilidade dos juros, qual seja, o de que “é incoerente a empresa lançar uma despesa que não foi incorrida, cujo valor não será efetivamente pago.” A conferir: “Quanto à CSLL relativa ao anobase de 1988, sustenta o aresto paradigma que o procedimento fiscal (de glosa da correção monetária) estaria correto, pois “apesar de a empresa provisionar” o pagamento do imposto corrigido monetariamente, com juros e multa de mora, esta Contribuição não foi e tampouco será paga, porque o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro no períodobase de 1988. Desta feita, é incoerente a empresa lançar uma despesa que não foi incorrida, cujo valor não será efetivamente pago". 0 acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que o caso não se trataria de provisão, mas sim de apuração da contribuição devida, ao menos até que decisão judicial transitada em julgado reconhecesse a inexigibilidade do tributo. Nesses termos, entendeu que a despesa de correção monetária era plenamente dedutível no período em que feita a dedução pelo contribuinte, sendo necessária eventual reversão ao resultado das parcelas em referência quando do trânsito em julgado da sentença que reconhecesse a inconstitucionalidade do tributo. No limite, alega ainda o acórdão recorrido, estarseia diante de hipótese de postergação tributária, caso o contribuinte tenha reconhecido a indedutibilidade das parcelas a posteriori mediante reversão ao resultado dos valores respectivos. Pareceme correto o acórdão recorrido. Em que pese impressione à primeira vista o citado argumento do paradigma, não era possível ao contribuinte no momento em que realizou a dedução das parcelas de correção monetária intuir o resultado final da demanda e ter a certeza de que a despesa efetivamente jamais seria incorrida. Se era admitida a dedutibilidade das despesas em referencia mesmo se existente demanda judicial, premissa incontroversa inclusive pelo aresto paradigma entendo, tal como o acórdão recorrido, que eventual lançamento deveria eleger o anobase em que transitada em julgado a sentença proferida no processo movido pelo contribuinte para questionar a exigência ou em que publicada a Resolução Senatorial de 12.04.1995, o que ocorresse primeiro. Apenas a partir dessas datas é que se tornaria certa a inocorrência da despesa (principal) e, por conseguinte, de seus acessórios; é a partir daí que incumbiria ao contribuinte a reversão ao resultado das parcelas anteriormente deduzidas. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.023491/9980 Acórdão n.º 9101002.070 CSRFT1 Fl. 8 7 Como visto, a interpretação jurídica sobre a matéria “dedutibilidade dos encargos moratórios sobre tributos provisionados” dada pela 7ª Câmara, não divergiu da interpretação dada pela 3ª Câmara, por isso, o recurso especial não fora conhecido. Contudo, como a 7ª Câmara, especificamente para os juros de mora sobre a CSLL de 1988, deu um tratamento diferente, a PFN embargou, e os embargos foram acolhidos. Ocorre que a decisão dada pela 7ª Câmara não se funda em nenhum argumento jurídico, mas apenas porque, segundo entendeu o relator, a dedução seria “incoerente”. Já o acórdão recorrido traz uma interpretação jurídica, que não difere da do paradigma, de que o reconhecimento das despesas tributárias se deu segundo o regime de competência, e com fundamento em lei até então eficaz e juridicamente válida, e por isso os valores são dedutíveis. Esse é o mesmo entendimento do paradigma. A única diferença entre o acórdão recorrido e o paradigma está na distinção que o paradigma fez para o tributo referente a 1988, não apoiado em fundamento jurídico, mas em alegada “incoerência”. Porém, como destaca o acórdão paradigma: Quanto aos juros de mora, o entendimento é o de que os valores referentes a este acréscimo moratório acompanham o valor do tributo devido e não pago. Um acessório que necessariamente segue o principal, caracterizandose como despesa dedutível. Assim, no períodobase de que se trata (anterior à Lei nº 8.541) os tributos eram dedutíveis pelo período de competência, independentemente do pagamento, o mesmo acontecendo com os juros de mora sobre eles incidentes. A particularidade decorrente de que a CSLL de 1988 nunca seria paga, em razão da ulterior decisão do STF, não afeta a dedução feita em períodos anteriores, quando o dispositivo era válido. O tratamento a ser dado a essa questão particular não pode ser glosar a despesa corretamente contabilizada por competência. No ano em que restou definitivamente decidido que o contribuinte não deveria pagar a contribuição relativa ao ano calendário de 1988 (quer pelo trânsito em julgado da ação em que figurou como autor, quer pela Resolução do Senado nº 11, de 1995 que suspendeu a execução do art. 8º da Lei nº 7.689/88), as provisões constituídas deveriam ser revertidas, computandose o respectivo valor como receitas tributáveis naquele ano. Daí porque, quando a recorrente, fundada à época na legislação de regência — ainda inatacada por ADIn (ou no controle difuso) , reconhecera vazada no regime de competência, em 1988, as despesas tributárias incorridas de que aqui se cuida, segundo o regime de competência e com fundamento em lei até então eficaz e juridicamente válida, o fez com a eficácia dos efeitos sobre situações jurídicas consolidadas (lei vigente e eficaz — reitera se), ainda que, concomitantemente sobre ela tenha sido suscitada decisão judicial acerca de sua constitucionalidade. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.023491/9980 Acórdão n.º 9101002.070 CSRFT1 Fl. 9 8 Pelas razões explanadas, acolho os embargos da Fazenda Nacional para conhecer do recurso especial também quanto à dedutibilidade dos juros de mora e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13135.000647/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CÁLCULO DO IMPOSTO.
Constatada a omissão de rendimentos recebidos no ano calendário, exige-se o imposto correspondente, acrescido da multa prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, mediante lançamento de ofício.
Segundo o parágrafo único do artigo 3º da lei nº 9.250, de 1995, o imposto de renda será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês.
RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA.
Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto no regime de antecipação e a entrega do comprovante de rendimentos pagos e imposto retido ao beneficiário, o seu não cumprimento, no caso, não exclui aquela do contribuinte declarante. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito do alegado não recebimento do comprovante que deveria ser emitido pelo responsável tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araújo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CÁLCULO DO IMPOSTO. Constatada a omissão de rendimentos recebidos no ano calendário, exigese o imposto correspondente, acrescido da multa prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, mediante lançamento de ofício. Segundo o parágrafo único do artigo 3º da lei nº 9.250, de 1995, o imposto de renda será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês. RETENÇÃO DO IMPOSTO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto no regime de antecipação e a entrega do comprovante de rendimentos pagos e imposto retido ao beneficiário, o seu não cumprimento, no caso, não exclui aquela do contribuinte declarante. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito do alegado não recebimento do comprovante que deveria ser emitido pelo responsável tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 5. 00 06 47 /2 00 8- 13 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13135.000647/200813 Acórdão n.º 2801003.807 S2TE01 Fl. 74 2 Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araújo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto como relatório aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, que complemento ao final: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida por auditor da Delegacia da Receita Federal em Anápolis a notificação de lançamento, de fl.02/04, referente ao imposto de renda pessoa fisica, exercício 2006, anocalendário 2005. 0 crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto Suplementar 2.232,90 Multa Proporcional (passível de redução) 1.674,67 Juros de Mora (cálculo até 09/2008) 640,84 Total do Crédito Tributário 4.548,41 A notificação de lançamento teve origem na constatação da seguinte infração, conforme demonstrativos de descrição dos fatos e enquadramento legal. fl. 03 Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, do trabalho sem vinculo empregatício com a Prefeitura Municipal de Vianópolis, no valor de R$21.000,00. Na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido sobre os rendimentos omitidos. Na impugnação apresentada, a contribuinte, inicialmente, informa que extinguiu o contrato de prestação de serviços com a Prefeitura de Vianópolis e mudouse para a cidade de Colinas do Sul, não tendo recebido o comprovante de rendimentos referente ao período de janeiro a abril de 2005. Em seguida, alega que, os rendimentos não foram declarados por falta do documento hábil para tanto. Acrescenta, que as fontes pagadoras têm o prazo até o dia 28 de fevereiro do ano subseqüente para fornecer o comprovante de rendimentos aos seus beneficiários, o que não foi feito. Conclui que o sujeito passivo não pode ser penalizado, por falta do cumprimento da legislação pela fonte pagadora, que neste ato, também, sofre penalidades. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13135.000647/200813 Acórdão n.º 2801003.807 S2TE01 Fl. 75 3 Ao final, solicita o cancelamento do auto de infração. Conhecida e tratada pela DRJ em Brasília/DF, a manifestação da contribuinte impugnante mereceu as seguintes considerações, em resumo: A despeito de suas alegações esclarecese que a obrigação legal de submeter A. totalidade dos rendimentos recebidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual é do contribuinte, que tal obrigação não admite transferência a terceiros. Assim, o fato de a fonte pagadora não ter cumprido a sua obrigação não pode constituir óbice para que os contribuintes deixem de declarar os rendimentos recebidos. No tocante a omissão de rendimentos apurada no procedimento de oficio, a contribuinte não apresentou argumentos específicos e nem provas para contraditála. Dessa feita, decidiuse pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário em discussão. Cientificada dessa decisão em 05/01/2010, conforme Aviso de Recebimento na folha 39, a contribuinte apresentou recurso voluntário, com protocolo em 18/01/2010 (fl. 40) onde, em suma, assim manifesta sua inconformidade: a) apresentou declaração de IRPF no ano calendário de 2005, com a rendimentos de R$ 90.591,07 (Noventa mil quinhentos e noventa e um reais e sete centavos), e imposto retido de R$16.410,04 (Dezesseis mil quatrocentos e dez reais e quatro centos); b) omitiu receita no valor de R$ 12.600,00 (Doze mil e seiscentos reais), com imposto de renda retido no valor de R$ 2.068,95 (Dois mil sessenta e oito reais e noventa e cinco centavos), rendimentos estes obtidos junto a Prefeitura Municipal de Vianópolis, Estado de Goiás, no período de janeiro a março de 2005, e não de R$ 21.000,00 (Vinte e um mil reais) como consta da Notificação de Lançamento. c) explica que a Prefeitura Municipal de Vianópolis declarou na "DIRF de 2006, dois meses do ano calendário de 2004, como se fossem rendimentos do ano calendário de 2005". d) considerese ainda que o contribuinte recolheu imposto de renda no "ano exercício de 2006" no valor de R$ 1.936,81 (hum mil novecentos e trina e seis reais e oitenta e um centavos. PEDE que seja acolhido seu recurso para "cancelar o débito fiscal" ou que sejam feitos "novos cálculos", anexando documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13135.000647/200813 Acórdão n.º 2801003.807 S2TE01 Fl. 76 4 A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf) Primeiramente, noto que a Recorrente faz certa confusão ao referirse a "ano calendário" e "exercício". O imposto de renda tem fato gerador que se completa a partir de um fluxo anual, dito periódico ou complexivo, em 31 de dezembro de cada ano, quando se considera ocorrido. Assim, a tributação aqui em causa referese ao ano calendário, ou período de apuração, que vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2005. O exercício da declaração é 2006, quando a mesma é entregue, referindose aos fatos ocorridos ao longo do ano anterior. Os documentos de arrecadação que anexou ao recurso, nas folhas 60 e 61, dizendo que "já pagara" R$ 1.936,81, referemse ao período de apuração de 2006, portanto exercício de 2007, como pode observar no campo próprio existente e, como informa a Unidade preparadora na folha 72, já estão devidamente alocados aos débitos correspondentes. Bem, feitas essas considerações, observo ainda que o imposto de renda apura se no mês de seu recebimento, e não no mês da prestação do serviço, conforme o parágrafo único do artigo 3º da Lei nº 9.250, de 1995. Assim, o serviço prestado em dezembro, que é remunerado até o décimo dia após vencido, como consta de cláusula do "credenciamento médico" efetuado junto à Prefeitura competente, computase como rendimento de janeiro. Ainda, a Recorrente diz que a Prefeitura informou "dois meses" de 2004, como sendo pagos no ano de 2005, provavelmente porque efetuou pagamento em atraso, mas isso não ilide a tributação no mês do recebimento. A Recorrente admite que recebeu e omitiu R$ 12.600,00 o que corresponde aos meses de janeiro a março de 2005, ou seja, recebia R$ 4.200,00 por mês, e essa parcela é portanto incontroversa. Quanto aos outros R$ 8.400,00, devemse a dois meses de 2004, como ela também admite, que foram pagos em 2005. O de dezembro, naturalmente, como já explicado. Os recibos que apresenta, referentes aos três primeiros meses de 2005, não impedem que tenha recebido, em 2005, valores pela prestação de serviços em meses de 2004. Aliás, veja que cada recibo foi assinado em data do mês posterior ao da competência do serviço prestado. Considerando isso, a contribuinte não traz nenhuma prova de que a DIRF então apresentada pela Prefeitura esteja errada. E o ônus da prova, no caso, era seu. Observese ainda que na Notificação de Lançamento foi compensado o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 3.416,07 e não de R$ 2.068,95, como alude a Recorrente na reforma de cálculos que propõe Face ao exposto, não comprovado nenhum erro na DIRF apresentada pela Prefeitura Municipal, fonte pagadora dos rendimentos, que serviu de base ao lançamento de ofício, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13135.000647/200813 Acórdão n.º 2801003.807 S2TE01 Fl. 77 5 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 04 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002633/2001-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1995 a 31/07/1996, 01/01/1997 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPOSTA CONTRADIÇÃO EM RELAÇÃO ÀS PROVAS. INADIMISSIBILIDADE.
Os embargos de declaração não são cabíveis para reanalisar prova, ainda que o embargante entenda que o julgamento foi contrário a elas.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INTRÍNSECA NO ACÓRDÃO. CABIMENTO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente contradição dentro do próprio acórdão.
Numero da decisão: 3401-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do relator.
Robson José Bayerl - Presidente.
Jean Cleuter Simões Mendonça - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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SUPOSTA CONTRADIÇÃO EM RELAÇÃO ÀS PROVAS. INADIMISSIBILIDADE. Os embargos de declaração não são cabíveis para reanalisar prova, ainda que o embargante entenda que o julgamento foi contrário a elas. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INTRÍNSECA NO ACÓRDÃO. CABIMENTO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente contradição dentro do próprio acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Robson José Bayerl Presidente. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 26 33 /2 00 1- 21 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 606/609) ao acórdão nº 340101.397 proferido por esta Turma. O acórdão negou provimento ao recurso voluntário que combatia a lavratura de auto de infração pelo qual era exigida a diferença entre o valor declarado e o valor devido de COFINS. A Embargante aponta a suposta existência quatro contradições ao longo do acórdão, a saber: 1 O acórdão afirma a inexistência de prova quanto às receitas de terceiros, enquanto a auditoria fiscal dá conhecimento de que tais valores não transitaram pelas contas da Recorrente, não consistindo, portanto, nem receitas e nem novos ingressos; 2 No acórdão, está consignada a inexistência de prova de exclusão da venda de carros usados, mas a referida prova foi produzida pelo fisco; 3 A decisão estabelece como premissa a equivalência dos valores demonstrados pelo fisco e os apurados pela contribuinte. Contudo, tais valores não “batem”. Há duplicidade de base de cálculo, motivo pelo qual o indeferimento da perícia caracterizou cerceamento do direito de defesa porque o acórdão cita carência de produção de prova pela Recorrente e ao mesmo tempo fica a inexatidão substancial do lançamento fiscal e semestralidade; 4 No voto, há uma procedência parcial quanto à semestralidade, todavia, no acórdão, o recurso voluntário foi julgado improcedente em sua integralidade. Ao final, a Recorrente pede o conhecimento dos embargos com a resolução das contradições apontadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Os embargos são tempestivos e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 11543.002633/200121 Acórdão n.º 3401002.771 S3C4T1 Fl. 650 3 A Embargante aponta existência de supostas quatro contradições. Não obstante, as três primeiras, listadas no relatório, são supostas contradições entre o julgamento e as provas. Ocorre que a análise dessas contradições depende, necessariamente, da reanálise das provas dos autos, o que não é permitido em sede de embargos de declaração. A contradição ensejadora dos embargos de declaração é aquela dentro do próprio acórdão, quando o julgador em um momento afirma algo, mas posteriormente conclui de forma diversa. Essa contradição que deve ser sanada em sede de embargos. Em suma, os embargos de declaração não são o recurso cabível para atacar decisão entendida pelo interessado como contrária às provas. Por essa razão, não acolho os embargos quanto às três primeiras contradições arguidas pela Embargante. Concernentemente à alegação de que se deu provimento parcial em relação à semestralidade, mas a conclusão do acórdão foi no sentido de negar integralmente provimento ao recurso, é cabível o acolhimento dos embargos. O segundo parágrafo da fl. 604 contém o seguinte trecho do voto condutor do acórdão embargado: “Diante da ausência de provas quanto aos valores da base de cálculo questionados, os valores constantes do Auto de Infração devem ser mantidos, apenas com a redução decorrente da aplicação da semestralidade, abordada no item seguinte”. (grifo nosso) Ocorre que no item seguinte, último do voto, a semestralidade não foi tratada. Além disso, a conclusão do voto foi: “Pelo exposto, nego provimento ao Recurso”. Se não bastasse, na conclusão do acórdão consta o seguinte: “ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator”. Assim, notase que no voto foi reconhecida a semestralidade, mas no dispositivo do próprio voto e na conclusão do acórdão foi negado provimento, afastando, pois, a semestralidade, levando à contradição que merece ser sanada. Avaliando o contexto do julgamento, notase que em dois momentos foram consignados a negativa do provimento do recurso voluntário. Além disso, o então Relator, Conselheiro Emanuel Carlos Dantes de Assis, muito embora tenha ventilado a questão da semestralidade, não a fundamentou, como afirmou que iria fazêlo. Se não bastasse, o processo Fl. 655DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L 4 trata de lançamento da COFINS, enquanto a semestralidade é matéria atinente ao PIS. Tudo isso leva à conclusão de mero erro material do Relator, que provavelmente percebeu a inaplicabilidade da semestralidade no presente caso, mas esqueceu de apagar do voto o trecho referente a essa matéria. Sendo assim, deve ser desconsiderado do texto do voto o trecho: “apenas com a redução decorrente da aplicação da semestralidade, abordada no item seguinte”, de modo que o lançamento deve ser mantida e reafirmada a negativa de provimento do recurso voluntário. Ex positis, acolho parcialmente os embargos de declaração para sanar a contradição em relação à semestralidade, esclarecer o real sentido do julgamento embargado e negar os efeitos infringentes. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonçca Relator Fl. 656DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L
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