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Numero do processo: 10840.720403/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO CABÍVEL.
Comprovado que o contribuinte omitiu rendimentos, é legítimo o lançamento.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. SERVIÇOS ODONTOLÓGICOS.
Comprovada com documentação hábil e idônea, as despesas com cirurgião dentista, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, são dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. PROVA DE REEMBOLSO PLANO DE SAÚDE.
Na falta de recibos que atendam os requisitos legais, para fins de dedução, a prova do pagamento requer que os cheques sejam nominativos ao prestador do serviço médico declarado. Cheques nominativos a terceiros não são prova hábil para o fim almejado, notadamente quando fica comprovado que as despesas não atendem a um dos requisitos legais para a dedução, uma vez que foram reembolsadas por Plano de saúde. A falta de documentação hábil e idônea, que comprove pagamento de despesas dedutíveis legitima a glosa.
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO EM PATAMAR NÃO PREVISTO EM LEI QUE REGE A SITUAÇÃO OCORRIDA.
Não há previsão legal para reduzir a multa de ofício a 20%, o dispositivo do §2º do art. 61 da lei 9.430/1996 não se aplica à hipótese dos autos.
TAXA SELIC. ILEGALIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$11.200,00 (onze mil e duzentos reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO CABÍVEL. Comprovado que o contribuinte omitiu rendimentos, é legítimo o lançamento. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. SERVIÇOS ODONTOLÓGICOS. Comprovada com documentação hábil e idônea, as despesas com cirurgião dentista, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, são dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. PROVA DE REEMBOLSO PLANO DE SAÚDE. Na falta de recibos que atendam os requisitos legais, para fins de dedução, a prova do pagamento requer que os cheques sejam nominativos ao prestador do serviço médico declarado. Cheques nominativos a terceiros não são prova hábil para o fim almejado, notadamente quando fica comprovado que as despesas não atendem a um dos requisitos legais para a dedução, uma vez que foram reembolsadas por Plano de saúde. A falta de documentação hábil e idônea, que comprove pagamento de despesas dedutíveis legitima a glosa. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO EM PATAMAR NÃO PREVISTO EM LEI QUE REGE A SITUAÇÃO OCORRIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 04 03 /2 01 0- 11 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Não há previsão legal para reduzir a multa de ofício a 20%, o dispositivo do §2º do art. 61 da lei 9.430/1996 não se aplica à hipótese dos autos. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$11.200,00 (onze mil e duzentos reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório O processo retorna a essa turma Julgadora após cumprida diligência determinada pela Resolução nº 2802000.111, da qual se extrai o seguinte: Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2007 , anocalendário 2006, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$18.415,00 por falta de comprovação ou ausência de previsão legal e apuração de omissão de rendimentos de aluguéis ou Royalties de R$42.000,00 informados em DIRF como pagos por KAWAKAME & OHY LTDA –ME, CNPJ 00.731.217/000171. No campo denominado “complementação da descrição dos fatos” a autoridade fiscal descreveu que, em razão dos valores envolvidos, a contribuinte foi intimada a comprovar a efetividade dos pagamentos e da utilização dos serviços, referentes a Sérgio Luiz Volpon (R$11.200,00) e Instituto Visão (R$17.094,00) e apresentou cheques emitidos em favor de Luciene de S. F. Volpon, de Instituto Visão (R$9.789,00) e Daniel Marcos dos Santos. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.720403/201011 Acórdão n.º 2802002.904 S2TE02 Fl. 235 3 Apenas o valor comprovado com cheque nominal ao Instituto Visão foi admitido pela fiscalização, os demais foram glosados em síntese, com a fundamentação abaixo transcrita. Em virtude da contribuinte não ter comprovado a efetividade dos pagamentos, através de cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos , não permitindo a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados, é de se glosar as despesas médicas mencionadas acima, na quantia de R$ 18.415,00 (Exigência em conformidade com o artigo 73 do RIR). O contribuinte impugnou sob a alegação de que os valores foram efetivamente pagos com cheques entregues aos prestadores dos serviços, que desconhece porque foram nominais a terceiros; que Luciene S. F. Volpon é esposa do cirurgiãodentista Sérgio Luiz Volpon e que Daniel Marcos dos Santos é “o financeiro” do Instituto Visão, e os prestadores dos serviços forneceram declaração, laudos e descrição dos serviços com a finalidade de comprovar a efetividades dos serviços prestados e do pagamento realizado, a multa aplicada é confiscatória e, quanto à suposta omissão de rendimentos, não consta informações da impugnante de qualquer omissão, sendo necessário proceder levantamento junto ao contador. Em resumo, a impugnação foi indeferida porque (a) o rendimento não declarado deve ser computado como omissão de rendimentos e (b) cheques nominais a terceiros acompanhado de alegações de que essas pessoas são ligadas aos prestadores dos serviços não são hábeis para fins de dedução de despesas médicas; (c) a multa é exigida por expressa disposição legal, de aplicação obrigatória. Ciente da decisão de primeira instância em 14/07/2011, o recorrente apresentou recurso voluntário em 27/07/2011, no qual apresenta os seguintes argumentos: A) reitera os termos da impugnação; B) sustenta que as declarações dos profissionais são instrumento hábil a comprovar as despesas, apontando precedentes das DRJ; C) quanto à multa de ofício, se não afastada por ser confiscatória ao menos deve ser reduzida a 20% como previsto no §2º do art. 61 da lei 9.430/1996; D) inaplicabilidade da Taxa Selic; e falta de previsão legal para incidência dos juros sobre a multa, contrariando o inciso V do art. 97 do CTN e o inciso II do art. 5º da Constituição. A diligência foi realizada com a finalidade de (1) intimar a pessoa jurídica KAWAKAME & OHY LTDA –ME, CNPJ 00.731.217/000171, a comprovar documentalmente o pagamento dos valores informados em DIRF como aluguéis ou royalties pagos ao recorrente no ano calendário 2006 e identificar a causa do pagamento; (2) produzir relatório acerca da diligência realizada; (3) intimar o recorrente acerca da faculdade de manifestarse, dentro de trinta dias, sobre os elementos trazidos aos autos com a diligência. O Relatório de diligência consta às fls. 228/229. Intimada da faculdade de manifestarse, a recorrente quedouse silente. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Recurso já admitido, passase ao exame do mérito. Duas são as questões principais a serem solucionadas: 1) glosa de despesas médicas de R$18.415,00; e 2) Omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties no valor de R$42.000,00. Da omissão de rendimentos Em diligência fiscal, a fonte pagadora confirmou as informações da DIRF, além de apresentar documentação comprobatória dos pagamento em favor da recorrente, que por sua vez não se manifestou. A omissão de rendimentos é inequívoca e, portanto, a decisão que manteve a autuação em relação à omissão de rendimentos está correta. Das despesas médicas A autoridade fiscal descreveu que, em razão dos valores envolvidos, a contribuinte foi intimada a comprovar a efetividade dos pagamentos e da utilização dos serviços, referentes a Sérgio Luiz Volpon (R$11.200,00) e Instituto Visão (R$17.094,00),; em razão disso, a contribuinte apresentou cheques emitidos em favor de Luciene de S. F. Volpon, de Instituto Visão (R$9.789,00) e Daniel Marcos dos Santos. Apenas o valor comprovado com cheque nominal ao Instituto Visão foi admitido pela fiscalização, os demais foram glosados em síntese, por falta de previsão legal ou pela falta de comprovação da efetividade dos pagamentos, através de cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, em conformidade com o artigo 73 do RIR (fls. 4) Essa glosa corresponde a R$ 18.415,00, sendo R$11.200,00 alusivos a Sérgio Luiz Volpon e o restante de Instituto Visão (R$ 7.215,00). O recibo emitido por Sérgio Luiz Volpon, que atesta o referido valor (fls. 97) é complementado por fichas odontológicas, radiografias odontológicas e declaração prestada à Fiscalização (fls. 27/32), formando conjunto probatório que atende aos requisitos do art. 80 do RIR1999. Nessa situação, a exigência de cheque nominativo é prova alternativa posta à disposição do contribuinte, havendo recibos não pode ser eleita como meio de legitimar a glosa. Essa dedução deve ser restabelecida. Quanto ao Instituto Visão, o contribuinte não apresentou recibos e sim cheques nominativos a terceiros, os quais supostamente teriam vínculo com o Instituto Visão. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.720403/201011 Acórdão n.º 2802002.904 S2TE02 Fl. 236 5 Aqui a situação é diversa do tópico precedente, pois, na falta de recibos que atendam os requisitos legais, a prova do pagamento requer que os cheques sejam nominativos ao prestador do serviço médico declarado. A falta de documentação hábil e idônea, que comprove pagamento de despesas dedutíveis legitima a glosa. Assim, cheques nominativos a terceiros não são prova hábil para o fim almejado, notadamente quando fica comprovado que as despesas não atendem a requisitos legais para a dedução, a exemplo da despesa reembolsada por Plano de saúde, a teor do inciso IV do §2º do art. 8º da Lei 9.250/1995. A documentação dos autos (fls. 33/38) demonstra que o recorrente passou por cirurgia no Instituto Visão, que o suposto pagamento total de R$17.094,00 referese não somente ao Instituto Visão (serviços e materiais) mas também a profissionais que teriam participado da cirurgia (nem todos comprovadamente médicos) e que parcela significativa foi reembolsada pelo Plano de Saúde (fls. 132/133), o que assume especial importância pelo fato de ser indedutível essa parcela. O cirurgião teria sido Roberto Pinto Coelho, cujo reembolso somou R$4.184,64. Quanto ao valor apresentado ao Plano de saúde como pago ao Instituto Visão foi reembolsado R$ 4.100,96. Nessas circunstâncias não ficou comprovado o quanto foi efetivamente pago pelo contribuinte em relação a despesas dedutíveis, razão pela qual não cabe restabelecer qualquer outra dedução. Da multa de ofício e dos juros de mora A multa de ofício decorre de previsão legal expressa e não cabe ao CARF analisar pleitos de inconstitucionalidade por ser confiscatória. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não há previsão legal para reduzir a multa de ofício a 20%, o dispositivo do §2º do art. 61 da lei 9.430/1996 não se aplica à hipótese. A Selic é legítima com forma da apuração de juros de mora. Súmula CARF nº4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Analisado o demonstrativo de apuração de juros de mora, fls. 3, verificase que a atualização incidiu somente sobre o imposto e não sobre a multa. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$11.200,00 (onze mil e duzentos reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 239DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003003/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
TRIBUTO COM EXIGILIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. ERRO NA VERIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO INEXATA. DESCABIMENTO.
Improcede a aplicação da multa de ofício, tendo em vista a não configuração da hipótese de declaração inexata, até porque o tributo se encontrava com sua exigibilidade suspensa.
JUROS DE MORA. CABIMENTO.
A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. A suspensão de sua exigibilidade não afasta a incidência de juros moratórios. Aplicação da Súmula nº 5 do CARF.
RO Negado e RV Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento aos recursos, voluntário e de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Julio César Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Cleto Marques Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 TRIBUTO COM EXIGILIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. ERRO NA VERIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO INEXATA. DESCABIMENTO. Improcede a aplicação da multa de ofício, tendo em vista a não configuração da hipótese de declaração inexata, até porque o tributo se encontrava com sua exigibilidade suspensa. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. A suspensão de sua exigibilidade não afasta a incidência de juros moratórios. Aplicação da Súmula nº 5 do CARF. RO Negado e RV Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento aos recursos, voluntário e de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Julio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 30 03 /2 00 3- 11 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 2 (assinado digitalmente) Fernando Cleto Marques Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonca, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte BANCO DE TOKYO MITSUBISHI UFJ BRASIL S.A. em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apenas para a exclusão da multa de ofício aplicada. Em razão da exoneração no que concerne multa de ofício, o Fisco também recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Na espécie vertente, o auto de infração foi lavrado após a realização de auditoria fiscal nas DCTF entregues pela contribuinte referentes aos 4 trimestres de 1998, nas quais constatouse irregularidade, em razão de que os créditos de PIS desse período foram compensados sem DARF com crédito oriundo de suposta sentença judicial sem, no entanto, haver a comprovação de tal decisão judicial. A contribuinte foi intimada da constituição do crédito tributário em 23.07.2003 (fls. 72) e, por não se conformar, apresentou impugnação (fls. 03/25) ao lançamento fiscal. De sua vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), ao acolher parcialmente os argumentos da impugnação da contribuinte, proferiu acórdão lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO NA VERIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO INEXATA. DESCABIMENTO. Improcede a aplicação da multa de ofício, tendo em vista a não configuração da hipótese de declaração inexata. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 16327.003003/200311 Acórdão n.º 3401002.502 S3C4T1 Fl. 238 3 JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A contribuinte foi intimada da referida decisão em 06.09.201, conforme faz prova o AR/ECT de fls. 166, tendo interposto o Recurso Voluntário de fls. 173/183, acompanhado dos documentos de fls. 184/232. Em suas razões recursais, a Recorrente argumenta que, no presente caso, não pode haver cobrança de juros moratórios, eis que está amparada por decisão judicial em medida cautelar, na qual se confere a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo. Salienta que a suspensão da exigibilidade dos tributos opera efeitos sobre a própria pretensão do sujeito passivo, que está impedido de cobrálos tendo em vista a decisão judicial que declarou o direito à compensar os créditos gerados pelo recolhimento de tributo declarado inconstitucional. Fundada na suspensão da exigibilidade, a contribuinte sustenta não ter havido mora, de modo que os juros que se cobram a esse título contrariam a jurisprudência do extinto Conselho dos Contribuintes. Ao final, deduz pedido de declaração da inexistência dos juros moratórios em vista da suspensão, assegurada por decisão judicial, da exigibilidade do crédito tributário em discussão. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram remetidos a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Cleto Marques Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. No tocante ao recurso de ofício, este também apresenta os requisitos para a sua admissibilidade, ensejando, assim, seu conhecimento. DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 4 O artigo 151, inciso IV do Código Tributário Nacional estabelece a concessão de medida liminar em mandado de segurança como uma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Dessa maneira, a concessão de medida liminar na ação mandamental impede a atuação Estatal quanto à cobrança do crédito tributário. O EstadoFisco fica compelido à inexigibilidade do crédito tributário. A decisão concessiva de medida liminar cria uma verdadeira proteção para o contribuinte, uma vez que enquanto perdurar essa tutela preventiva, o Fisco encontrarseá obstado, não podendo praticar nenhum ato para exigir do contribuinte o pagamento da exação. Portanto, a suspensão da exigibilidade impede a ação Estatal, criando verdadeiras amarras que atravancam a atuação do Estado. Acerca dessa questão, Eduardo Arruda Alvim (1998, p.249/250) entende que: Por intermédio da liminar em mandado de segurança, como visto, suspendese a exigibilidade do crédito tributário, impedindose o acesso da Administração à via executiva. Com efeito, só se pode falar em inscrição da dívida (ato de controle administrativo da legalidade, precedente à execução fiscal, a teor do §3°, do art 2° da Lei 6.830/80), se, transcorrido o prazo para pagamento (ou após decisão final em processo regular), não vier este a ser efetuado (cf. art.201, caput, do CTN). Porém, como se sabe, a imposição de prazo para pagamento é fruto do atributo da exigibilidade de que se reveste o ato administrativo do lançamento, de tal sorte que, sendolhe retirado tal atributo, não há como ser desencadeado o processo executivo fiscal. Entretanto, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que acarreta no impedimento da atuação do Estado quanto à cobrança do crédito tributário, só ocorre enquanto a medida liminar produzir efeitos. A tutela preventiva na via mandamental pode ser cassada no curso do processo ou ainda com a sentença denegatória da segurança. Com a revogação da liminar, o Estado retoma o seu direito de proceder a cobrança do crédito tributário, voltando este, portanto, a ser exigível. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula nº 405, estabeleceu que uma vez denegada a segurança, fica sem efeito a liminar, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Diante disso, compreendese que as coisas retornam ao chamado “status quo ante”, ou seja, mais claramente, as coisas retornam ao seu estado anterior. Não seria exagerado afirmar que é como se a liminar anteriormente concedida nunca tivesse existido. A cessação dos efeitos da liminar e o conseqüente retorno das coisas ao estado anterior já é muito bem assentado tanto na doutrina, quanto na jurisprudência. Assim, em respeito a verticalização das decisões, todo o Judiciário decide de forma unânime no sentido de que retroagem os efeitos da decisão contrária. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 16327.003003/200311 Acórdão n.º 3401002.502 S3C4T1 Fl. 239 5 Não restam dúvidas quanto ao retorno do direito de ação do Estado, do direito de poder exigir novamente o crédito tributário, haja vista que não mais está o contribuinte resguardado por decisão judicial. Com a revogação da medida liminar, o EstadoFisco tem passado a exigir o crédito tributário, acrescido de juros de mora e multa de ofício. A possibilidade de cobrança da multa de ofício depois que cessam os efeitos da medida liminar no mandado de segurança é objeto de discordância tanto pela jurisprudência quanto pela doutrina. Questionase então, se pode o Fisco, ao exigir o crédito tributário, também cobrar do contribuinte a multa de ofício por todo o período em que o crédito encontravase suspenso por força de decisão judicial. Eduardo Arruda Alvim (1998, p.221) acredita que não pode ser qualificado como inadimplente o contribuinte que recorre ao Judiciário e ainda demonstra uma pretensão no mínimo aparentemente plausível. Neste passo, afirma que: “Não se pode, assim, qualificar de inadimplente o contribuinte que recorre ao Poder Judiciário, e, além disso, obtém medida liminar em mandado de segurança suspendendo a exigibilidade do crédito em disputa”. Notese que a medida liminar em mandado de segurança só é concedida mediante a demonstração pelo Impetrante da necessidade de concessão da medida preventiva. É imprescindível que os argumentos do requerente sejam fundamentados e demonstrem que o mesmo possui uma grande chance de êxito ao final da demanda. Eduardo Arruda Alvim (1998, p.221) defende ainda que uma eventual morosidade do Poder Judiciário não pode vir a prejudicar o contribuinte. É certo que a demora de uma prestação jurisdicional poderá causar uma grave lesão ao contribuinte se a este não for concedida a segurança. Na hipótese de lhe ser cobrada a multa de ofício, arcará ele com o valor referente a todo o período em que perdurou o processo. De fato, não pode o contribuinte ser castigado por um casual retardamento do processo. Eduardo Arruda Alvim (1998, p. 223) ainda prossegue afirmando que: Parece induvidoso que a mera possibilidade de o contribuinte que logre obter proteção do Judiciário mercê de medida liminar suspensiva da exigibilidade do crédito tributário ser apenado com multa em caso de denegação da segurança acabaria não apenas desencorajando o acesso ao Judiciário como a própria utilização da garantia fundamental do mandado de segurança. Realmente é incompatível o contribuinte ser apenado pelo não recolhimento do tributo. Devese recordar que o crédito tributário estava com a exigibilidade suspensa, assim, não havia razão para o contribuinte realizar o pagamento da exação. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 6 Destarte, ainda que a segurança não tenha sido concedida ao final, à época em que o contribuinte encontravase acobertado por medida liminar nada lhe estava sendo exigido. Hugo de Brito Machado (1995, p. 165) defende a seguinte situação: Se a impetração do mandado de segurança deuse dentro do prazo para o pagamento do tributo, o impetrante, denegada a segurança, terá o prazo que lhe restava para o cumprimento de seu dever fiscal, sem qualquer acréscimo resultante do decurso do tempo, salvo apenas a correção monetária. Se a impetração ocorreu quando já o contribuinte estava em mora, suportará ele os efeitos desta, sem agravamento decorrente do tempo transcorrido entre a data da impetração e a da cassação da liminar ou da sentença. Conforme se depreende do posicionamento supra transcrito, Hugo de Brito propõe uma suspensão do prazo no caso da impetração antes do vencimento do débito tributário. Devese compreender, entretanto, que não é a impetração do mandado de segurança que suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas, sim, a concessão de medida liminar. Dessa maneira, apenas com a concessão da medida liminar podese ter a suspensão do início da mora. Acerca dessa questão, imprescindível ainda colacionar os ensinamentos de Alberto Xavier (1997, p. 426) ao afirmar que: Se o lançamento já foi praticado e a providência foi adotada antes do vencimento, a suspensão da exigibilidade do crédito “constituído” pelo lançamento resulta da suspensão do início da mora, que não começa a correr, inobstante operado o vencimento da obrigação pela ocorrência do prazo; se a providência foi adotada após o vencimento, ocorreu efetivamente a mora, mas a providência opera o duplo efeito de suspender o curso da mora, a partir do momento da sua adoção, e de suspender a exeqüibilidade do crédito, que de outra forma ocorreria, pois estariam reunidas as duas condições necessárias para a propositura da ação executiva: ter sido realizado o lançamento e estar a obrigação vencida e não paga. Por conseguinte, observese o quanto essa questão é bem posta por Alberto Xavier, ao defender que se a medida liminar foi concedida antes do vencimento para pagamento, haverá uma suspensão do início da mora, ao passo que haverá uma suspensão do curso da mora, bem como da exigibilidade do crédito, se a medida liminar fora concedida após o vencimento. Ademais, anotese que a cobrança da multa de ofício nas situações em que não caberia a sua cobrança enseja em um enriquecimento ilícito do Fisco, uma vez que este arrecada uma quantia que não lhe seria devida. Quanto à multa e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi (1996, p.172) afirma que: A relação jurídica da multa pelo não–pagamento nasce independentemente da ocorrência de qualquer dos pressupostos normativos da regramatriz de suspensão da exigibilidade o crédito tributário. Dado o fato do não pagamento de um crédito, a multa incide, fazendo exsurgir a respectiva Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 16327.003003/200311 Acórdão n.º 3401002.502 S3C4T1 Fl. 240 7 relação jurídica: a exigibilidade não é condição necessária para incidência da norma que constitui a multa pelo não pagamento. A inexistência de pagamento injustificadamente deve realmente ensejar na cobrança da multa de ofício. Contudo, devese compreender que o contribuinte que a seu favor tem concedida uma liminar antes do vencimento, não incorre em mora, uma vez que a exigibilidade do crédito encontravase suspensa. Para que essa questão se torne mais clara, imprescindível é trazer à baila a natureza jurídica da multa fiscal. Sacha Calmo Navarro Coêlho (1995, p.7172) relata muito claramente a natureza jurídica da multa fiscal, conforme se percebe do trecho colacionado abaixo: A multa tem como pressuposto a prática de um ilícito (descumprimento a dever legal, estatutário ou contratual). A indenização possui como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa (como nos casos de responsabilidade civil objetiva informada pela teoria do risco). A função da multa é sancionar o descumprimento das obrigações, dos deveres jurídicos. A função da indenização é recompor o patrimônio danificado. Em direito tributário é o juro que recompõe o patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo. A multa é para punir, assim como a correção monetária é para garantir, atualizandoo, o poder de compra da moeda. Multa e indenização não se confundem. Ora, se assim é, que a multa de ofício do direito tributário não substitui a obrigação principal – pagar o tributo – coexistindo com ela, concluise que a sua função não é aquela típica da multa compensatória, indenizatória do direito privado (por isso que seu objetivo é tão somente punir). Sua natureza é estritamente punitiva, sancionante. Nessa esteira de entendimento conclui que (p 109): O desrespeito ao dever de pagar no prazo acarretará uma multa de mora. O desrespeito ao dever acessório provoca a imposição de multa isolada. Assim, qualquer desrespeito a um ou outro tipo de dever é uma infração (hipótese de norma sancionante). Só está sujeito a uma multa de mora quem tenha cometido uma infração a dever ou obrigação principal, isto é, quem tenha deixado de pagar tributo. Conseqüentemente, esta multa de mora é pena e não complemento indenizatório. Em virtude da natureza sancionatória da multa, imprescindível é a ilicitude do ato que enseja a aplicação deste instituto. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 8 A melhor forma de posicionarse acerca da aplicação ou não da multa quando cessam os efeitos da medida liminar no mandado de segurança é justamente saber se há um ato ilícito precedente. Portanto, é imprescindível a natureza jurídica da multa para o tratamento da questão posta em análise. Esta só pode ser aplicada em decorrência da prática de uma infração tributária, o que não é o caso em questão. O contribuinte ao deixar de pagar um tributo porque este se encontra suspenso não incorre na pratica de um ato ilícito. Ao contrário, o faz confiado em decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Dessa maneira, é descabido querer imputar ao contribuinte uma responsabilidade que não lhe é devida. Contudo, para um maior assentamento dessa matéria, importante ressaltar o entendimento da jurisprudência. O Superior Tribunal de Justiça, na maioria dos seus julgados, mostrase de acordo com a cobrança da multa de ofício quando cessam os efeitos da medida liminar. Da mesma maneira que incidem os juros moratórios e a correção monetária, acredita o egrégio Tribunal que deve sobrevir a multa de ofício. São inúmeros os julgados do STJ reformando decisões dos tribunais regionais, as quais se posicionavam pela não cobrança imediata da multa de ofício. Muitas decisões do Tribunal Regional da Primeira Região são no sentido de que a multa apenas é devida se, contados 30 dias da denegação da segurança, o contribuinte não realiza o recolhimento do tributo devido. Essas decisões fundamentamse na Lei n° 9.430/96, artigo 63, §2°, o qual, dada a sua importância, merece ser transcrito. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifos nossos) Essa previsão legal coloca a questão de forma bem posta, pois ainda concede um prazo a mais para que o contribuinte tome ciência da decisão proferida e possa se programar para efetuar o recolhimento do tributo devido. Portanto, tendo em vista ainda essa previsão legal, tornase descabida a imputação de multa de ofício por determinadas decisões. Em julgamento de apelação em mandado de segurança n° 2000.38.00.0392872/MG, a relatora convocada, Senhora Juíza Federal Maízia Seal Carvalho Paponet em seu voto fez as seguintes pontuações: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 16327.003003/200311 Acórdão n.º 3401002.502 S3C4T1 Fl. 241 9 In casu, a multa prevista no art. 2º, § 2º, I e II, da IN/SRF 89/2000, não pode alcançar o período em que vigorava a liminar que suspendeu a exigibilidade da CPMF pelos motivos já explanados, por não ter havido atraso provocado pelo correntista que apenas exerceu seu direito constitucional de bater às portas do judiciário ao entender violado um direito seu. Não pode o contribuinte, beneficiado por decisão judicial, ser apenado com a cobrança dos consectários legais por inadimplemento, posto que não ocorreu impontualidade do pagamento, caso em que a normativa é aplicável. Neste passo, prossegue afirmando que: Destaquese que, in casu, não se afasta a exação em si, que é devida em face da revogação da liminar, mas tãosomente os juros e multa, eis que, enquanto vigente a liminar, não se poderia falar em inadimplência e/ou mora do contribuinte. (grifos nossos) Se a tese fosse abrigada pelo Judiciário, diria até que não careceria mais proferir decisão in limine litis, posto que, nos termos da I.N. 89/00 teria que haver cobrança de juros e mora pelo período da suspensão abarcada pela medida liminar. Assim, só a sentença geraria efeitos, marginalizando os efeitos de liminares. Estaríamos, a meu sentir, diante de uma incoerência jurídica ao punir com aplicação de juros de mora e multa àquele que esteve abrigado por liminar concedida. Conforme se depreende das decisões expostas, não deve a multa de ofício incidir durante o período em que o crédito encontravase suspenso. A Juíza Federal Maízia Seal Carvalho Pamponet ao prolatar seu voto faz uma importante observação, que apesar de clara, merece um destaque. Afirma a mesma que não se está afastada a exação, mas tão somente a multa de ofício. Com isso, sublinhese que dúvidas não há quanto ao direito que possui o Fisco em exigir o seu crédito tributário, a discussão, no entanto, permeia a exigibilidade da multa de ofício. O Superior Tribunal de Justiça, consoante já delineado, tem reformado as decisões desses Tribunais Regionais por entender que a multa é sim devida. O Ministro Relator José Delgado, em julgamento do Resp nº 834.715 afirmou que: Com a cessação dos efeitos da medida liminar, o contribuinte perdeu a proteção judicial que lhe autorizou o recolhimento do FINSOCIAL. Restabeleceuse, portanto, a sua condição de devedor da contribuição sobre os fatos geradores ocorridos no período abrangido pela medida judicial, advindo de tal circunstância a responsabilidade por todos os ônus decorrentes do descumprimento da obrigação tributária, entre eles, a multa de ofício. O Exmo. Sr. Ministro Luiz Fux, na condição de relator do Recurso Especial n° 676.133, decidiu que a multa de ofício é realmente devida uma vez que tanto a doutrina Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 10 quanto a jurisprudência são acordes nesse sentido. Assim, considerou correta a incidência de multa de ofício quando denegada a segurança e conseqüente cassação da liminar. Contudo, pontuou que a multa de ofício apenas deveria ser excluída se a liminar estivesse acompanhada de depósito. Apesar dessa questão do depósito e da medida liminar não fazer parte do escopo do presente trabalho, cabe ressaltar que o Código Tributário Nacional, ao tratar das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito, contempla tanto a medida liminar na ação mandamental quanto o depósito. Assim, são duas formas distintas de suspensão da exigibilidade, razão pela qual parece desarrazoado a exigência de depósito para que possa se tornar possível a concessão de liminar em mandado de segurança. Sendo assim, com o devido respeito, não foi bem posta a questão pelo Exmo. Sr. Ministro Luiz Fux. Após a exposição de posicionamentos da doutrina e da jurisprudência, percebese o quanto essa questão é divergente. São muitas as soluções propostas, motivo pelo qual é necessário que haja uma ponderação entre todos os posicionamentos de modo a ser encontrada a melhor direção para resolução da questão. É incabível a cobrança da multa de ofício, durante o período em que o contribuinte encontravase protegido por uma decisão que determinava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Devese recordar que o contribuinte não incorreu em ato ilícito, ao contrário, estava apoiado por decisão. Assim, estava respaldado na legalidade. Se a multa de ofício tem caráter sancionatório não há razão para a sua incidência em hipóteses como essa, uma vez que o contribuinte deixou de efetuar o pagamento em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Podese considerar a incidência da multa na hipótese de o contribuinte não recolher o tributo depois de denegada a segurança. Em situações como essa não há nem discussão, haja vista que em nada se assegura o contribuinte. Ressaltese que a multa deve referirse apenas ao período após a cessação dos efeitos da liminar. É preciso reiterar que a multa não deve se relacionar ao período em que a decisão concessiva de liminar gerava efeitos. Por outro lado, é oportuno pontuar que a aplicação de multa de ofício nessa hipótese desencoraja o acesso ao Poder Judiciário. Com isso, colocase o contribuinte que, em decorrência de uma decisão determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, deixa de efetuar o recolhimento da exação, em uma situação de total instabilidade. Isso por que, uma vez revogada a liminar, pode lhe ser imputada uma multa de ofício ao argumento de que o mesmo encontravase inadimplente. Assim, irretocável o acórdão neste ponto. DOS JUROS DE MORA Como é cediço, existe um entendimento de que o Fisco não pode lavrar auto de infração e aplicar penalidades, no caso, juros de mora, enquanto a contribuinte estiver acobertado por medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, justamente porque o contribuinte que está discutindo em juízo com liminar não está cometendo qualquer infração. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 16327.003003/200311 Acórdão n.º 3401002.502 S3C4T1 Fl. 242 11 Neste sentido esclareço que o § 2º do artigo 63 da Lei 9.430/96 estabelece que a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Contudo a referida lei nada fala sobre a incidência de juros. Apesar disto, a contribuinte alega que, se a exigibilidade do crédito tributário está suspensa por força de medida liminar, a contribuinte não está em mora, razão pela qual não se justifica a imputação de juros moratórios. Segundo a contribuinte, procurar o Judiciário com o intuito de conseguir uma decisão para afastar o dever de recolher o tributo, não caracteriza nenhum tipo de infração. Desta forma, não pode a contribuinte ser responsabilizado por acréscimos decorrentes da mora, simplesmente porque não há mora, sob pena de se penalizar o ingresso no Judiciário. Contudo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não adotou este entendimento e editou a Súmula nº 5, do seguinte teor: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça tinha decisões nos dois sentidos, mas, recentemente, a Fazenda Nacional opôs embargos de divergência, que é um recurso que tem a finalidade de unificar o entendimento da Corte de Justiça. Neste julgamento, o STJ decidiu, em acordão ainda não publicado, que “no período compreendido entre a concessão de medida liminar e a denegação da ordem incide correção monetária e juros de mora ou a Taxa SELIC, se for o caso”. Eis a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE NO PERÍODO DE VIGÊNCIA DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. Divergência jurisprudencial configurada entre acórdãos da Primeira e Segunda Turmas no tocante à possibilidade de incidência de juros de mora sobre o tributo devido no período compreendido entre a decisão que concede liminar em mandado de segurança e a denegação da ordem. 2. “Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária” (Súmula 405/STF). 3. “A multa de ofício pune o descumprimento da norma tributária que determina o pagamento do tributo no vencimento. Constitui, pois, penalidade cominada para desestimular o atraso nos recolhimentos. Já os juros moratórios, diferentemente, compensam a falta da disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso” (Leandro Paulsen, Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência . 12ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora ESMAFE, 2012, p. 1.105). 4. O art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96 afasta tão somente a incidência de multa de ofício no lançamento tributário destinado a prevenir a decadência na hipótese em que o crédito tributário Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 12 estiver com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de segurança ou em outra ação ou de tutela antecipada. 5. No período compreendido entre a concessão de medida liminar e a denegação da ordem incide correção monetária e juros de mora ou a Taxa SELIC, se for o caso. Afastada a imposição de multa de ofício. 6. Embargos de divergência acolhidos. (Embargos de Divergência em RESP nº 839.962 – MG (2010/01424420). Assim sendo, adotando a Súmula 05 deste Conselho e o posicionamento atual do Superior Tribunal de Justiça, não há como acolher as alegações da contribuinte, mantendo irretocável a decisão de primeira instância neste tópico. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço dos recursos de ofício e voluntário, para, no mérito, negar provimento a eles, mantendo irretocável a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Fernando Cleto Marques Duarte Relator. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
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Numero do processo: 10840.906588/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1102-000.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 65 88 /2 00 9- 15 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.717/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 37 a 43, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade ( PIS e COFINS, apurados no anocalendário de 2005) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 6/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 4 3 que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 6/2001, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais", nos termos do ADN Cosit n.° 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. (....) Voto (...) A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: (...) Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio dedeclarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera deresponsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequadainstrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoantedisciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vezconstatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelasprestadas nas respectivas declarações retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos oselementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos., No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos: (...) Para tanto, imprescindível ajuntada, ao processo, dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 5 4 previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. Embora ausentes os registros contábeis, a interessada apresentou os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido", à fl. 12; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, numeração 314, valor total de R$ 26.686,50, às fls. 21; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 22. Verificase, de plano, que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. De outra parte, com base nos demais elementos probatórios, elaborase o seguinte demonstrativo: A B c D E RECOLHIMENTO DARF PERÍODO DE APURAÇÃO 6/2001 BASE DE CÁLCL'LO DARF* RECEITA BRITADARF* TOTAL NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS DIFERENÇA C D R$ 1.296.00 R$ 8.640,00 R$ 27.000,00 R$ 26.686,50 R$313,50 * Base de cálculo do IRPJestimativa e Receita Bruta do período calculadas a partir do valor recolhido por documento de arrecadação (Darf), considerando a alíquota de 15% conforme art. 3° da Lei n.° 9.249. de 26 de dezembro de 1995. e o percentual (32%) previsto no art. 15 da mesma Lei. Resta assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, no período de apuração em foco. Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 6 5 documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: (...) Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido. Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A empresa interpôs tempestivamente (AR – 21/02/11, fls 46) Recurso – (18/03/11, fls. 47) de fls. 47 a 55, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator Conheço do recurso interposto, por ser tempestivo. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). É justificável observar que a recorrente possui vários pedidos semelhantes os quais não foram acolhidos pela 1a Turma Especial desta 1a Sessão. A tese albergada pela recorrente não merece ser reconhecida por claro desencontro com a norma. Destacase que a recorrente possui vários pleitos apreciados semelhantes neste órgão, sendo alvo de não provimento. Neste sentido, conduzo este voto na mesma esteira do brilhante voto da Conselheira e Relatora Ana de Barros Fernandes – Acórdão 1801001.382 da 1ª Turma Especial em sessão de 10/04/2013. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 7 6 Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 8 7 indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 14 a 17: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 9 8 Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no seu Contrato Social, registrado na JUCESP em 23/01/2004, declara ser para realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos, mas isto não fundamenta o pedido da recorrente para que seja equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, sendo contratada na modalidade de empreitada. Ademais, se bem verificarmos o Contrato Social alterado e arquivado na JUCESP em 29/01/2009 (nos autos), ali, talvez percebendo a recorrente o seu verdadeiro ofício, readequou o seu objeto social para “instalações elétricas e comércio de materiais elétricos”, enquadrada como EPP no mesmo ano. Retomando a questão principal, à receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas (cujo descritivo da mesma é“... instalações elétricas / telefonia e som ...”) e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, ou até para o seu próprio uso e consumo, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 10 9 modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA.PRESTAÇÃODESERVIÇOS.Regularéaaplicaçãodocoefi cientede32%paradeterminaçãodolucropresumidoemrelaçãoarec eitasdecorrentesdeprestaçãodeserviçosemgeral,taiscomo:serviço sdeconsultoria,serviçosdelimpeza,serviçodelocaçãodecontainers, serviçodequeimademadeira,contrataçãodefuncionários,eaautuad anãologracomprovarquesetratoudeconstruçãocivilcomempregod emateriais. RecursoVoluntárioNegado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art.527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Iescrituração contábil nos termos da legislação comercial; IILivro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 11 10 pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 12 11 retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO Processo nº 10840.906588/200915 Acórdão n.º 1102000.905 S1C1T2 Fl. 13 12 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JOAO CARLOS DE F IGUEIREDO NETO
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Numero do processo: 16327.721070/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2008
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, há, nos autos, a comprovação da existência de recolhimentos parciais, motivo da aplicação da regra decadencial determinada no § 4º, Art. 150 do CTN.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). FORMALIZAÇÃO. PERÍODO DE AFERIÇÃO.
A negociação entre a empresa e seus empregados, que tem por objeto a PLR, deve ser concluída e formalizada dentro do período de aferição do resultado constante dos instrumentos de negociação.
No presente caso, a negociação foi concluída e formalizada antes do término do período de aferição dos resultados, motivo do provimento do recurso.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA.
Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CORREÇÃO.
Dos instrumentos decorrentes da negociação - expressa no Art. 2º da Lei 10.101/2000 - deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os critérios e condições citados na Lei.
No presente caso, os acordos firmados estão em consonância com a Lei 10.101/2000, pois deles constavam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, por parte dos segurados e do Sindicato, motivo do provimento do recurso.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDOS. VALORES. SUBSTITUIÇÃO. REMUNERAÇÃO.
Não há, em nenhum dispositivo legal regra que determine valor máximo a ser pago a título de PLR.
No presente caso, pelo valor pago de PLR não configurar substituição da remuneração e por não haver na Lei determinação pro valor máximo a ser pago, não há como conceituar os valores pagos como remuneração, motivo do provimento do recurso nesta questão.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32-A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea c do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LISTADOS EM ANEXO CORESP OU SIMILAR. APLICAÇÃO DA SÚMULA 88 DO CARF.
Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-003.755
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento pela regra decadencial do § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até 07/2006, anteriores a 08/2006, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela regra do I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento ao recurso, na questão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a data de formalização dos acordos ter ocorrido no período de aferição das metas, nos termos do voto do Redator. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, na questão da PLR, devido a existência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da PLR, devido a não existência de suposta substituição da remuneração, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros: 1) Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento ao recurso nesta questão, e 2) Mauro José Silva e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento parcial ao recurso, para manter no lançamento os valores que ultrapassarem a remuneração anual do segurado; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcos César Najjarian Batista. OAB: 127352/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente e Redator
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há, nos autos, a comprovação da existência de recolhimentos parciais, motivo da aplicação da regra decadencial determinada no § 4º, Art. 150 do CTN. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). FORMALIZAÇÃO. PERÍODO DE AFERIÇÃO. A negociação entre a empresa e seus empregados, que tem por objeto a PLR, deve ser concluída e formalizada dentro do período de aferição do resultado constante dos instrumentos de negociação. No presente caso, a negociação foi concluída e formalizada antes do término do período de aferição dos resultados, motivo do provimento do recurso. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CORREÇÃO. Dos instrumentos decorrentes da negociação - expressa no Art. 2º da Lei 10.101/2000 - deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os critérios e condições citados na Lei. No presente caso, os acordos firmados estão em consonância com a Lei 10.101/2000, pois deles constavam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, por parte dos segurados e do Sindicato, motivo do provimento do recurso. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDOS. VALORES. SUBSTITUIÇÃO. REMUNERAÇÃO. Não há, em nenhum dispositivo legal regra que determine valor máximo a ser pago a título de PLR. No presente caso, pelo valor pago de PLR não configurar substituição da remuneração e por não haver na Lei determinação pro valor máximo a ser pago, não há como conceituar os valores pagos como remuneração, motivo do provimento do recurso nesta questão. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32-A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea c do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LISTADOS EM ANEXO CORESP OU SIMILAR. APLICAÇÃO DA SÚMULA 88 DO CARF. Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Recurso Voluntário Provido.
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PREV CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PLR Recorrente BV FINANCEIRA SA CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há, nos autos, a comprovação da existência de recolhimentos parciais, motivo da aplicação da regra decadencial determinada no § 4º, Art. 150 do CTN. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). FORMALIZAÇÃO. PERÍODO DE AFERIÇÃO. A negociação entre a empresa e seus empregados, que tem por objeto a PLR, deve ser concluída e formalizada dentro do período de aferição do resultado constante dos instrumentos de negociação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 70 /2 01 1- 13 Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.887 2 No presente caso, a negociação foi concluída e formalizada antes do término do período de aferição dos resultados, motivo do provimento do recurso. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDOS. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. CORREÇÃO. Dos instrumentos decorrentes da negociação expressa no Art. 2º da Lei 10.101/2000 deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os critérios e condições citados na Lei. No presente caso, os acordos firmados estão em consonância com a Lei 10.101/2000, pois deles constavam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, por parte dos segurados e do Sindicato, motivo do provimento do recurso. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDOS. VALORES. SUBSTITUIÇÃO. REMUNERAÇÃO. Não há, em nenhum dispositivo legal regra que determine valor máximo a ser pago a título de PLR. No presente caso, pelo valor pago de PLR não configurar substituição da remuneração e por não haver na Lei determinação pro valor máximo a ser pago, não há como conceituar os valores pagos como remuneração, motivo do provimento do recurso nesta questão. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.888 3 Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LISTADOS EM ANEXO CORESP OU SIMILAR. APLICAÇÃO DA SÚMULA 88 DO CARF. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento pela regra decadencial do § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até 07/2006, anteriores a 08/2006, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela regra do I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento ao recurso, na questão da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), devido a data de formalização dos acordos ter ocorrido no período de aferição das metas, nos termos do voto do Redator. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso, na questão da PLR, devido a existência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.889 4 negavam provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa pelo descumprimento de obrigação acessória o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da PLR, devido a não existência de suposta substituição da remuneração, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros: 1) Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento ao recurso nesta questão, e 2) Mauro José Silva e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento parcial ao recurso, para manter no lançamento os valores que ultrapassarem a remuneração anual do segurado; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcos César Najjarian Batista. OAB: 127352/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.890 5 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). Para melhor compreensão do caso, passamos a reproduzir o relatório constante do Acórdão a quo: O presente processo administrativo é constituído pelos Autos de Infração (ATs) a seguir descritos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: AIOP DEBCAD n° 37.320.5791, de 31/08/2011: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente a parte patronal para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e referente ao Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT (antigo SAT), no montante de R$117.755.302,48 (Cento e dezessete milhões, setecentos e cinquenta e cinco mil, trezentos e dois reais e quarenta e oito centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o levantamento PL PLR PROGRAMA PRÓPRIO, competência 10/2006, e levantamento PP PLR PROGRAMA PRÓPRIO, abrangendo as competências 02/2006 a 08/2008, consolidado em 30/08/2011. AIOP DEBCAD n° 37.320.5805, de 31/08/2011: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente à contribuição para terceiros Outras Entidades, no montante de R$13.529.183,11 (Treze milhões, quinhentos e vinte e nove mil, cento e oitenta e três reais e onze centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o levantamento PL PLR PROGRAMA PRÓPRIO, competência 10/2006, e levantamento PP PLR PROGRAMA PRÓPRIO, abrangendo as competências 02/2006 a 08/2008, consolidado em 30/08/2011. AIOA DEBCAD n° 37.320.5783, de 30/08/2011 Auto de Infração de Obrigação Acessória, por apresentar a empresa GFIP documento a que se refere o art. 32, IV, §3° da Lei n° 8.212/91, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no montante de R$457.329,00 (Quatrocentos e cinquenta e sete mil e trezentos e vinte e nove reais). A auditoria fiscal realizada no Contribuinte acima identificado, após solicitar documentos e esclarecimentos acerca do pagamento de participação nos lucros e resultados — PLR e da remuneração paga aos administradores concluiu que partes do pagamento da PPR são sujeitas à tributação para a Previdenciária Social. Dos Acordos Próprios de Participação nos Lucros ou Resultados A BV FINANCEIRA apresentou cópia em arquivo PDF de três acordos de PLR firmados, com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, CNPJ (...)A fiscalização destaca alguns trechos de cláusulas dos mesmos. Do acordo firmado em 24/02/2005, com vigência de 02 (dois) anos a partir de 01/07/2004 até 30/06/2006, o auditor destaca, também, algumas cláusulas. Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.891 6 Juntamente ao instrumento de negociação do período de 01/10/2004 até 30/06/2006, foram apresentados 4 anexos, partes integrantes deste Auto de Infração. O anexo I relacionado a Negócios Internos Trata dos direitos substantivos: critérios efetivos para participação coletiva nos lucros ou resultados da BV Financeira S/A, do qual, o Auditor destaca algumas cláusulas. O Anexo 2 relacionado a Negócios Externos Trata dos direitos substantivos: critérios efetivos para participação coletiva nos lucros ou resultados da BV Financeira S/A, do qual, o Auditor destaca algumas cláusulas. O Anexo 3 relacionado à Gestão Integrada Trata dos direitos substantivos: critérios efetivos para participação coletiva nos lucros ou resultados da BV Financeira S/A, do qual, o Auditor destaca algumas cláusulas. O Anexo 4 não foi mencionado no § 2° da Cláusula Segunda do Acordo. relacionado aDATABASE MARKET Trata dos direitos substantivos: critérios efetivos para participação coletiva nos lucros ou resultados da BV Financeira S/A, do qual, o Auditor destaca algumas cláusulas. Do acordo assinado para o período de 01/07/2006 a 31/12/2007 Vale destacar que este Acordo foi assinado em 07/11/2006, após ser aprovado em Assembleia Geral Extraordinária dos empregados, nas dependências do Sindicato em 31/10/2006; atendendo à condição acordada entre o Sindicato e a BV FINANCEIRA para assinatura do acordo, sendo a cópia arquivada na DRT/SP do Ministério do Trabalho em 17/04/2007. Os termos do acordo são iguais aos termos do acordo firmado em 2004, exceção para o período de vigência. Os Anexos 1 e 2 também estão com a mesma redação dos Anexos 1 e 2 do acordo firmado em 2004: Já o Anexo 3 também está com a mesma redação até a Cláusula Segunda, na Cláusula Terceira e Quarta foram incluídos como elegíveis os Supervisores Comerciais. Já, a Formação do Pool, prevista na Cláusula Quarta está com a seguinte redação: Será constituído pool específico para os Gerentes Regionais, Gerentes Comerciais, Supervisores Comerciais e Gerentes Operacionais, conforme regra e política previamente definida e de conhecimento dos elegíveis. O pool será distribuído para os elegíveis de acordo com a pontuação obtida através dos indicadores abaixo: (... ) A BV FINANCEIRA apresentou alguns anexos, como integrantes do programa próprio de PLR, entretanto os mesmos não constam do programa e diversos itens Documento as mancionadosaam0ómnão coniramdop0ograma. O Auditor faz alguns destaques. Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.892 7 Do Acordo assinado para o período de 01/01/2008 a 31/12/2008 Para assinatura deste acordo ocorreram reuniões entre os representantes do Sindicato dos Estabelecimentos Bancários de São Paulo, representado pelo Presidente e um Diretor, e da T'T FINANCEIRA, representada pelo Superintendente e pelo Diretor de Recursos Humanos, na sede daquele, em 15/12/2007, 21/01/2008, 16/04/2008 e 30/06/2008. Na 1a reunião apenas decidiram que o início do período aquisitivo seria o 1° semestre de 2008. Na 2a reunião o período aquisitivo foi definido como o ano de 2008 e os representantes da BV FINANCEIRA informaram que seriam aplicadas as mesmas regras de anos anteriores que são de conhecimento dos empregados; entretanto nas atas dessas reuniões não mencionam que o programa foi objeto de discussão e/ou sugestões. Na 3a reunião o único assunto abordado foi a intenção do Sindicato de levar para Assembleia dos empregados a proposta de manutenção da taxa negocial “j” ou seja, novamente o programa de participação nos lucros PLR não foi objeto de negociação. Somente na 4a reunião, em 30/06/2008, falouse em PLR com a entrega por parte da BV FINANCEIRA da minuta de Acordo de PLR com os Anexos 1 Negócios Internos, Anexo 2 Negócios Externos, Anexo 2A Negócios Externos e Anexo 3 Avaliação de Desempenho; recebidos pelos representantes do Sindicato que se comprometeram a enviar o material para análise da equipe do DIEESE e logo após para o jurídico do Sindicato, bem como submeter à avaliação na reunião da Executiva do Sindicato que se realizaria no dia 03/07/2008. Novamente não há discussão sobre o programa elaborado pela BV FINANCEIRA. O Acordo foi assinado em 22/08/2008 após aprovação em assembleia extraordinária realizada no dia 13/08/2008, do qual destacamse as Cláusulas e condições. (... ) Dos Acordos Coletivos de Participação nos Lucros e Resultados O Plano Próprio da BV FINANCEIRA, prevê que o valor a pagar a título de Participação nos Lucros e Resultados não será inferior ao valor estipulado no Acordo Coletivo firmado entre os Sindicatos representativos das categorias; da cópia desses Acordos, em arquivos PDF fornecidos pela BV FINANCEIRA. Nos exercícios objetos desse Processo Administrativo Fiscal PAF, quais sejam, 2005 a 2008, existe para cada um deles uma Convenção Coletiva de Trabalho sobre a Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados, firmadas entre diversos Sindicatos dos Empregados, congregados na Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras CNITF, referente ao exercício de 2005. Para os exercícios de 2006 a 2008 estão congregados na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.893 8 CONTRAF/CUT denominada SINDICATO DE EMPREGADOS, e representando os empregadores diversos Sindicatos representados pela Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento FENACREFI, denominada SINDICATO DE EMPREGADORES. Nessas Convenções as regras básicas são as mesmas, quais sejam, ser empregado e a Financeira ter lucro no exercício. Dentre as regras, o Auditor destaca algumas cláusulas do acordo referente ao exercício de 2005, 2006, 2007 e 2008. Razões que motivaram o lançamento do crédito tributário Do plano de Participação nos Lucros ou Resultados Dos acordos próprios firmados entre a BV FINANCEIRA e o SINDICATO DOS EMPREGADOS os seguintes pontos não atendem às determinações da legislação específica: Quanto às metas estipuladas Falase reiteradamente em metas, objetivos, avaliação individual quantitativa e qualitativa, dentre outros, mas em nenhum momento são apresentadas as regras que permeiam esses conceitos, sendo impossível de se conhecer qual o esforço que será necessário o empregado empreender para receber a verba aqui estipulada, bem como a forma como será avaliado para tanto. Os Acordos firmados e apresentados pela BV FINANCEIRA diz que as metas constam dos Anexos 1, 2 e 3, sendo apresentado também o Anexo 4 que não está mencionado nos Acordos. Logo este Anexo não tem eficácia para pagamento de PLR. Já as metas estipuladas em tais Anexos possuem características de diretrizes determinadas pela administração da BV FINANCEIRA, pelos motivos descritos a seguir. O Anexo 1 menciona a seguinte fórmula para cálculo do valor a pagar a título de PLR: VDF = ((VRIA/RT) X VD) X FA; foram identificadas as siglas, mas não seus parâmetros, a saber: VD = Valor informado a ser distribuído conforme cláusula 2a não menciona se do Acordo ou do próprio anexo, no Acordo a Cláusula 2a não define o valor a ser distribuído, ela define apenas como apurado o resultado que servirá de base para distribuição, concluindo no §1° que o valor a ser distribuído será informando semestralmente, entretanto não menciona em qual momento (antes do inicio, no decorrer ou no final). VRT Valor Referencial Total representa o somatório dos VRI = Valor Referencial Individual, sendo este representado pela fórmula: VRI = (VBI X FGA), na qual (repetindo a transcrição): VBI = Valor Base Individual. Este é um valor referencial, base anual, atribuído a todo empregado, que dele é formalmente informado. Havendo necessidade de ajuste, durante o ano, as alterações serão processadas consensualmente. Para cálculo do semestre, o valor referencial será dividido por dois. Notase que, tal valor não é de conhecimento prévio, tal e qual é exigido na legislação vigente, diz que o empregado será informado do mesmo; Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.894 9 vislumbra uma possibilidade de ajuste no decorrer do ano sem mencionar os parâmetros que provocariam tais ajustes e tampouco os critérios para reajustar tal valor. Portanto, um valor totalmente desconhecido nos acordos firmados. Há nesse anexo uma meta relacionada à agregação de valor aos resultados da Empresa sem mencionar nenhum parâmetro, ou seja, não há definição de um valor referência a partir do qual será considerada a agregação de valor, pois todo e qualquer trabalho executado em conformidade com as normas estabelecidas pela empresa agrega valor ao resultado. Não consta de forma clara e objetiva, no anexo, como será aferido tal agregação, diz que "Será utilizado um instrumento específico para avaliação deste item e serão considerados os resultados alcançados com a alteração/implementação de rotinas, processos pro .os, operações, etc que tenham agregado valor. A partir do momento que o instrumento de aferição não consta no acordo, i? Jet.e.'inações do §1°, art. 2° da Lei n° 10.101 não foram atendidas; logo tal pagamento não se enquadra como participação nos resultados. O Anexo 2 não menciona fórmula para cálculo do valor a pagar a título de PLR. Consta que (Cláusula 4a) no cálculo da participação serão observados: "Indicador de Performance Realizaremos mensalmente a apuração da performance individual dos envolvidos, onde levaremos em consideração apenas a parte quantitativa do negócio (financeiro)". Notase a falta de parâmetro, qual seja o volume financeiro que ensejará direito à participação. Este indicador leva em conta a "tabela Margem Líquida. Volume de Produção e Quantidade de Contratos", cujos parâmetros também não constam do anexo. Consta uma possibilidade de aumento no valor a receber, caso o desempenho seja excepcional, sem determinar o que seja excepcional. Outra possibilidade de acréscimo do valor a receber está estabelecida como: "Os funcionários da área de negócios externos que apresentarem produção positiva no período terão um acréscimo de 5,5% sobre o valor total apurado no semestre", não há definição do que seja produção positiva, que a princípio seria qualquer transação realizada, basta uma operação para atender à expressão "produção positiva no período" o que foge totalmente da intenção da legislação. O outro indicador deste anexo é o "Indicador de Performance Qualitativa Realizaremos semestralmente a apuração da performance individual dos envolvidos, onde levaremos em consideração a parte qualitativa (qualidade dos negócios)", novamente não menciona os parâmetros a serem considerados, não define o que é qualidade dos negócios, há menção na "tabela semestral de Margem Líquida, considerandose a inadimplência do período", porém não há parâmetros da inadimplência e tampouco consta a tabela mencionada. Vale ressaltar que a formulação de pagamento deste Anexo 2 é muito semelhante aos sistemas utilizados para pagamento de Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.895 10 comissões sobre vendas bem como pelo fato de os empregados da BV FINANCEIRA não receberem comissões sobre os contratos fechados, metodologia adotada em atividades que envolve representantes (vendedores), que possuem remuneração variável, sendo uma parte fixa, normalmente mais baixa, e a variável bem maior (comissões) dependendo da capacidade de negociação de cada empregado; ou seja, aquele que realizar maior volume de vendas receberá comissão maior que os demais. Outro aspecto a corroborar esta linha de pensamento, qual seja, comissões sobre vendas, está no fato de ocorrer pagamento a título de PLR a partir de vendas correspondente a 12,5 salários do empregado, ou seja, valor que supostamente cobre os custos da empresa e seu lucro, um dos parâmetros para calcular comissão. Ressaltese que o parâmetro de 12,5 salários só consta a partir do programa próprio referente ao ano de 2008. Já o Anexo 3, direcionado aos Gerentes Regionais, Gerentes Comerciais e Gerentes Operacionais, diz que visa o reconhecimento da performance individual através de indicadores quantitativos e qualitativos e para tanto foi criado "um sistema de premiação a qual denominamos Gestão Integrada". Entretanto, não menciona a composição desse sistema cujo nome adotado é muito utilizado em administração de empresas, ou seja, determinações dos dirigentes máximos de uma organização a serem cumpridas pelos seus subordinados, jamais um acordo entre partes envolvidas como prevê a Lei n° 10.101/2000. Neste anexo o valor a pagar a titulo de PLR parte da formação de Pool, endo um "constituído pela reserva de 20% (vinte por cento) do valor bruto originado da Apuração do Indicador de Performance acrescido do valor do Indicador de Performance qualitativa dos Gerentes Regionais e Gerentes Comerciais", portanto sobre indicadores não acordados com clareza tanto no Anexo quanto no Acordo propriamente dito; logo este Pool não atende às determinações da Lei n° 10.101/2000. O outro Pool é "constituído pela reserva de 30% (trinta por cento) sobre os valores brutos semestrais de PLR dos Gerentes Operacionais", um bom exemplo de regra clara e objetiva, mas a base de cálculo, qual seja, o valor de PLR dos beneficiários não está determinada de forma clara e objetiva. Neste Anexo constam os seguintes indicadores da avaliação qualitativa: Avaliação de Desempenho e Falando Francamente, ambos sem definições claras e objetivas, sendo que avaliação de desempenho já mencionada em outros pontos do Anexo apenas indica os fatores que comporão a avaliação, sendo todos subjetivos. Os indicadores da avaliação quantitativa são: Margem Líquida, Formalização, Fraude e Inadimplência. Novamente não há definição e parâmetros dos indicadores. Finalizando o Anexo 4, como já dito, não consta do Acordo o que o torna inadmissível para pagamento de valores a titulo de PLR; entretanto algumas considerações acerca de dispositivos que não atendem às determinações da Lei n° 10.101/2000 que constam desse anexo: Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.896 11 Este Anexo diz que no cálculo do valor da participação serão observados os seguintes critérios: Indicador de Performance Quantitativa e Indicador de Performance Qualitativo. Vale ressaltar que o Anexo menciona 3 (três) indicadores, mas na realidade constam somente dois Indicadores. O Indicador de Performance Quantitativa está baseado no valor apurado conforme descrito no Anexo 2, que como já visto, não atende à legislação específica. Está dividido em dois grupos de empregados, sendo o primeiro os Gerentes que terão a média dos seus indicadores e para os Coordenadores e Analistas um percentual sobre a média dos indicadores dos Gerentes, ou seja, remuneração variável, pois não há objetivos a cumprir, a base de cálculo desse valor está baseada no valor apurado ao aplicar as regras do Anexo 2 onde não existem regras claras e objetivas/apenas indicadores;sem mensurálos, como já dito anteriormente. Já o Indicador de Performance Qualitativo conta com dois itens, sendo que o primeiro está baseado no valor apurado conforme descrito no Anexo 1 em relação à Avaliação de Desempenho do funcionário, como já visto, tratase de critério subjetivo direcionado a gestão de pessoas e não regras claras e objetivas que atenda aos requisitos legais para pagamentos a titulo de PLR. O segundo item é a evolução da margem líquida da empresa no período, margem essa mencionada em outros momentos e não especificada e/ou quantificada em evolução dessa margem líquida desconhecida. Para apurar esse indicador existem duas fórmulas sem indicação para qual grupo de empregados será aplicada e não está especificado, como já dito, o fator FIE Fator Índice de Evolução da Margem Líquida. As considerações até o momento referemse ao período de janeiro/2006 a dezembro/2007, exceção para Cláusula quarta do Anexo 3 que no acordo referente ao período de julho/20 6 a dezembro/2007 trouxe inovação na formação do pool com a criação de "pool específico para os Gerentes Regionais, Gerentes Comerciais, Supervisores Comerciais e Gerentes Operacionais, conforme regra e política previamente definida e de conhecimento dos elegíveis", entretanto as regras e políticas previamente definidas não constam do referido anexo. A distribuição desse pool está condicionada ao indicador de avaliação entre filiais em relação à média e a evolução dos seguintes indicadores: Gestão de Pessoas, Gestão de Custo, Gestão de Cobrança e Gestão de Qualidade; novamente temos definições incompletas, pois em nenhum momento tais indicadores foram descritos, tanto no acordo quanto nos anexos. Pela denominação dos grupos de indicadores percebese um viés administrativo, quais sejam políticas adotadas pelos administradores da BV FINANCEIRA. Quanto ao indicador Gestão de Pessoas o nome reflete a prática do mercado, qual seja, controle dos empregados com vistas a selecionar o melhor, conhecer a capacidade do corpo funcional e melhor alocação dos recursos humanos entre tantas outras finalidades de uma boa gestão de pessoas Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.897 12 Infelizmente a falta de menção nos acordos e nos Anexos não foi somente as já mencionadas, pois a BV FINANCEIRA apresentou como integrantes dos Anexos 1 a 4 os Anexos 1 A, 2 A, 3 A e 4 A com a finalidade de detalhar os indicadores de performance do período de julho/2006 a dezembro/2007. Por tratarse de Anexos não mencionados os mesmos não serão avaliados, entretanto nota se no exemplo de cálculo do valor devido a título de PLR, constante na página 5 do Anexo 2 A, que um operador com salário mensal de R$1.000,00 pode receber a título de PLR em um único mês a importância de R$4.880,00, ou seja, 448% de sua remuneração; outro exemplo no mesmo Anexo (página 7) o valor da PLR pode representar 6 (seis) salários nominais, qual seja, 600%. Sendo o Anexo 2 direcionado aos empregados com atividades externas, esta, é mais uma demonstração de que a comissão foi transferida para o PLR. Já no Anexo 4A percebese que os itens objeto de avaliação dos empregados na maioria são subjetivos, o que pode gerar notas diferentes dependendo do avaliador, ou seja, referemse à Gestão de Pessoas no sentido de manter o empregado, transferir para outra atividade ou departamento ou solicitar a despedida do empregado. Em suma, os instrumentos decorrentes das negociações baseados em programas de metas devem ser formalizados anteriormente ao ano base, devendo deles constar, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba. Isso não acontece no caso em tela no qual as regras não constam de forma clara nos acordos assinados, em completo afronto à legislação específica. Em relação aos valores a pagar No Anexo 1 do Acordo firmado para o ano de 2008, reprisese aprovado em assembleia de 13/08/2008 e assinado em 22/08/2008, portanto não válido para o primeiro semestre de 2008, temse mais um indicativo de que o valor pago a título de PLR para os empregados em atividades externas (Anexo 2) referese à comissão destes beneficiários, pois este valor será deduzido do Valor Base Gerencial VGB sobre o qual será aplicado um percentual para apurar o valor a distribuir a título de PLR. Portanto podese afirmar que se trata de uma despesa operacional da BV FINANCEIRA. Da data de realização das reuniões e assinatura dos Acordos Ora, para ter direito ao recebimento da PLR são impostas condições ao empregado, e este precisa saber quais são e mais, em tempo hábil, sob o risco de ter sua expectativa de direito de pronto prejudicada. Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. O Acordo referente ao período de 07/2006 a 12/2007 foi precedido das reuniões que ocorreram em 12 de junho de 2006 e 13 de julho de 2006; cujas atas mencionam que a BV FINANCEIRA entregou a minuta do programa que ela montou, após avaliação do Sindicato Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.898 13 foi exigido que o valor não fosse inferior ao valor estipulado na Convenção Coletiva de PLR, que os empregados afastados fossem beneficiados e aprovação por assembleia dos empregados. A assinatura do acordo ocorreu em 07 de novembro de 2006. Portanto, a assinatura do acordo, com o consequente conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreu muito após o início de vigência dos mesmos, isso nos leva a crer que ao funcionário basta executar a sua rotina determinada pela administração, haja vista que na data de assinatura do acordo já havia transcorrido 4 (quatro) meses do segundo semestre de 2006. Logo para o segundo semestre de 2006 não havia acordo que suportasse pagamento a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, que permita isenção da Contribuição Previdenciária. No momento em que a participação foi pactuada, já havia ocorrido diversos fatores que poderiam ou não contribuir para o atingimento das metas (não comprovadas), sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos trabalhadores na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa. O Acordo firmado para o exercício de 2008 foi assinado em 22 de agosto de 2008, tendo como diretriz apuração semestral, logo não suporta pagamento a título de Participação nos Lucros ou Resultados, que permita isenção da Contribuição Previdenciária, referente ao primeiro semestre de 2008 (pago em 08/2008). Antes da assinatura desse Acordo ocorreram 4 (quatro) reuniões entre representantes do Sindicato e da BV FINANCEIRA, em 15/12/2007, 21/01, 16/04 e 30/06/2008, sendo nessa última entregue pela BV FINANCEIRA a minuta do Acordo de PLR e os Anexos 1, 2, 2A e 3, com promessa do Sindicato de levar tais minutas para avaliação do Departamento Jurídico. Ou seja, até 30/06/2008 não havia Acordo assinado nos moldes da legislação pertinente. Quanto ao valor pago a título de PLR No caso dos planos ora questionados foram apontados, no Anexo Comparativo Salário mensal x PLR semestral, dados através dos quais é possível notar a existência de luas "castas" de empregados no que tange ao recebimento da PLR. Ao comparar o total de gastos com remuneração aos empregados constante nas GFIP, com os valores pagos a título de PLR, notase que a PLR não representa um plus na remuneração conforme prevê a legislação, mas é parte importante e fundamental da remuneração total percebida pelos empregados (anexo no CD a relação). Desta feita; não se evidencia aqui base legal que justifique o pagamento de valores tão altos de PLR, nem para uma distribuição de forma tão desigual entre os empregados; além, de clara desobediência ao art. 3° da Lei n° 10.101/2000. Diferentemente das Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos, firmados para os exercícios de 2005 a 2008, entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Instituições Financeiras (CNTIF) e os Sindicatos dos Empregadores, cujos valores devidos a título de PLR, para todos os exercícios, compõem Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.899 14 se de 80% da remuneração mensal acrescido de uma parcela fixa respeitandose um limite; transcrito em Acordos Celebrados, ou seja, o mesmo tratamento para todos os empregados. Portanto a BV FINANCEIRA deveria adotar um dos procedimentos e não efetuar pagamentos pelas duas opções que a Lei permite. No programa próprio consta a determinação de que o valor a pagar não poderá ser inferior ao valor da Convenção Coletiva, e caso o empregado não atinja a meta será pago o valor da Convenção. Quanto ao total devido a título de PLR da Convenção Coletiva As Convenções Coletivas dão aos empregadores a opção de descontar ou não o valor da PLR convencionada da PLR de programa próprio, entretanto a Lei determina que se deve estipular as regras de forma clara e objetiva, portanto não se vislumbra deixar ao prazer e humor do empregador pagar além do convencionado ou acordado. Em razão do não atendimento às determinações da legislação sobre PLR dos Acordos próprios da BV FINANCEIRA, do total pago a título de PLR foi deduzido o valor correspondente ao valor da Convenção Coletiva de PLR. Do Salário de Contribuição e do Valor Apurado Considerando que a Convenção Coletiva (baseada apenas no lucro) atende os requisitos da Lei n° 10.101, do valor pago a título de PLR Programa Próprio foi deduzido o valor referente à PLR da Convenção Coletiva. Os valores objeto do presente lançamento constaram nas folhas de pagamento com a denominação de P.L.R. Programa Próprio, cujo código rubrica é 066, e PLR CCT, cujo código rubrica é 1101. O valor originário do crédito apurado corresponde, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas, incidentes sobre valores pagos a título de Participação nos Resultados aos empregados. Constam no Discriminativo do Débito DD, o período, a base de cálculo e as alíquotas aplicadas. Planilhas anexas no CD constam os valores individuais pagos. Da Multa Aplicada nos Créditos Previdenciários A Lei n° 11.941, de 27/05/2009 (conversão da MP n° 449/2008), alterou a Lei n° 212/91, quanto aos cálculos de multas previstos no §5° do art. 32 e no inciso II do art. 35, q e estabeleciam multa por falta de declaração, ou declaração inexata, e de mora, por atraso no pagamento. Portanto, deve ser comparada a situação anterior com a nova sistemática imposta pela MP n° 449/2008 para fins de aferição da norma mais benéfica ao contribuinte e, consequentemente, de eventual retroação, nos termos do art. 106, II, "c", do CTN. Sob a égide da sistemática anterior à Lei n° 11.941/2009, a constatação pelo Fisco de que o Contribuinte apresentara Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.900 15 declaração inexata implicaria a aplicação da multa prevista no §5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91. Nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa de mora prevista na redação anterior do inciso II, do art. 35 da Lei n° 8.212/91. Em anexo, gravado no CD, encontrase uma planilha demonstrativa denominada "COMPOSIÇÃO DA MULTA". (...) Devido ao fato de não considerar remuneração sujeita às contribuições os pagamentos mencionados, a BV FINANCEIRA não declarou na GFIP os valores pagos a título de PLR cujo programa não atende às determinações da legislação em vigor. Logo a empresa não apresentou a GFIP, documento a que se refere o art. 32, IV, §3° da Lei n° 8.212/91, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em síntese, a fiscalização entendeu que a recorrente descumpriu os seguintes requisitos legais em relação ao pagamento de PLR (item 5 do Relatório Fiscal): · inexistências de regras claras e objetivas no acordo próprio. Havia critérios repletos de subjetividade como versatilidade, adaptabilidade, bem como há conceitos indefinidos que não permitiam ao empregado conhecer previamente a meta a ser alcançada; · alguns critérios constavam de um Anexo que não fez parte do Acordo próprio; · pagamento de PLR sem acordo definido previamente ao exercício a que se referem as metas; 1. para o período de 07/2006 a 12/2007, o Acordo foi concluído em 07/11/2006; 2. para o exercício 2008, o Acordo foi assinado em 22/08/2008; · PLR utilizada em substituição ao salário. A PLR chegava a atingir 280% do salário anual; · utilização de Acordo próprio e de Acordo Coletivo para justificar o pagamento de PLR; Após tomar ciência pessoal da autuação em 31/08/2011, fls. 72, 78, 84, a recorrente apresentou impugnação, fls. 659/736, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.901 16 A 12ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 1702/1754, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 30/01/2013, fls. 1808. O recurso voluntário, apresentado em 14/02/2013, fls. 1810/1879, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos em seus aspectos relevantes. Inicia protestando pela inconstitucionalidade da exação. Ressalta que nenhum pagamento foi feito antes da assinatura do Acordo. Qualquer atraso nas negociações deveuse exclusivamente a atitudes do sindicato da categoria. Insiste que sempre buscou negociar o pagamento de PLR com antecedência. Sustenta que nada existe que apoie a ideia de não houve boafé na celebração do Acordo, suscitando dispositivos do Código Civil em sua defesa. Tudo teria sido feito em harmonia com a Lei 10.101/2000. Insiste que os pagamentos foram feitos da forma como prevista no Acordo, não havendo obrigação legal de adotar exatamente os mesmo critérios apenas sugeridos pela Lei. Entende que o texto legal não veda a distribuição da PLR com base em resultados atingidos mesmo antes da celebração do Acordo. O pagamento era feito uma única vez no ano baseandose em metas negociadas entre empregados e sua chefia. Insiste que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Colaciona inúmeras jurisprudências sobre PLR para defender seus argumentos. Informa que a autuação relativa ao período de 1995 a 2005, com configuração fática similar, foi afastada, tendo a decisão já atingido a definitividade administrativa. Apresenta elementos para demonstrar que houve lucro. Aponta que todos os critérios para pagamento da PLR estavam previstos no Acordo e enumera todos os artigos da Lei 10.101/2000, defendendo que todos foram obedecidos. Protesta contra a tentativa de igualar a PLR ao pagamento de comissões. Defende que o pagamento de PLR equivalente a 280% do salário anual não foi contestada pelo Sindicato, tendo sido por este homologado. Assim, tal fato não pode servir para afastar o benefício de isenção/imunidade dos respectivos pagamentos. Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.902 17 É o relatório. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.903 18 Voto Vencido Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.904 19 Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.905 20 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.906 21 “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.907 22 pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.908 23 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.909 24 fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.910 25 que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.911 26 primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.912 27 aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 31/08/2011, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2005. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Porém, no caso em análise inexistem fatos geradores atingidos pela caducidade. Mérito Inicio a análise do litígio posicionandome sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.913 28 com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em consequência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.914 29 constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em consequência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.915 30 (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um consequente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.916 31 “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.917 32 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.918 33 Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.919 34 arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.920 35 Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.921 36 Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.922 37 acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS Nº 31 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. Valor pago a título de PLR que se mostra excessivo e de caráter substitutivo ao salário A questão que agora enfrentamos diz respeito à existência de um limite ao pagamento da PLR. Parecenos que a interpretação do caput do art. 3º da Lei 10.101/2000 esclarece a dúvida. A norma regulamentadora de tal dispositivo determina que a PLR “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado”. Ou seja, não pode a verba paga a título de PLR tomar uma feição de parcela que remunere a prestação do trabalho. Para tanto, os indícios colhidos na situação fática devem ser cuidadosamente analisados. O Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.923 38 principal indício de que a empresa está usando a PLR como substituição do salário é a elevada proporção entre PLR e salário. È certo que a lei não estabelece tal limite, mas essa não é situação inédita no direito tributário. Nossas leis tributárias estão repletas de conceitos indeterminados que suscitou a atuação do hermeneuta. Como exemplo, temos a determinação do valor de tributo que torna a exação confiscatória. A Corte Constitucional brasileira no ADI 551 debateu a respeito da configuração de uma situação de confisco tributário. Naquela ocasião, o Ministro Sepúlveda da Pertence afirmou que não sabia “a que altura um tributo ou uma multa se torna confiscatório; mas uma multa de duas vezes o valor do tributo, por mero retardamento da satisfação, ou de cinco vezes, em caso de sonegação, certamente sei que é confiscatório e desproporcional”. Em outra ocasião, na ADI 520, o Ministro Celso de Mello reconheceu que a vedação ao confisco é uma “cláusula aberta veiculadora de um conceito jurídico indeterminado, mas o excesso de poder estatal na fixação do tributo pode ser verificado pelo juiz diante do caso concreto”. Nos casos referidos a Corte Constitucional tratava de afastar por inconstitucionalidade norma validamente inserida em nosso ordenamento, o que é vedado para este Tribunal Administrativo. No entanto, o raciocínio utilizado pelos Ministros pode ser utilizado num caso de aplicação de limite não previsto expressamente em lei, mas decorrente de interpretação fundada na finalidade da lei, como é o caso do limite para a PLR. Assim, se não sabemos qual valor torna uma PLR substitutiva do salário, podemos, in casu, concluir que uma parcela paga a título de PLR que seja equivalente a mais de doze vezes o salário mensal, ou equivalente ao salário anual, certamente já assumiu a feição de contraprestação pelo trabalho, de remuneração, portanto, pois certamente o trabalhador só substituiria seu salário por valor equivalente ou maior. Nesses casos a parcela, por ter verdadeira natureza remuneratória e estar em ofensa ao art. 3º da Lei 10.101/2000, deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. A par das digressões jurídicas genéricas já apresentadas, passamos a analisar o caso concreto. No tocante às datas de celebração dos acordos são duas as situações: 1. O Acordo de 07/2006 a 12/2007 foi concluído em 13/07/2007, fls. 975. Segundo nossas conclusões acima apresentadas, adotamos como prazo limite para conclusão do acordo o semestre que antecede o fim do período a que se referem os resultados ou o lucro. No presente caso, tal prazo não foi respeitado, porém havia indicações que nesse mesmo prazo as negociações estavam adiantadas a ata de reunião de maio e junho/2007 mostram o avanço das negociações, fls. 973/974. Como a empresa comprovou que as negociações estavam em curso em junho/2007 e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Logo, o acordo assinado em 13/07/2007 obedece aos limites que estipulamos em nossa interpretação do dispositivo legal; 2. O Acordo de 2008 foi concluído em 22/08/2008, mas podemos verificar que as negociações iniciaramse em 12/2007, fls. 1030, e em 06/2008 as metas e critérios estavam bem delineadas, fls. 1033, o que, Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.924 39 em harmonia com nossa posição acima explanada, nos leva a concluir que havia uma pactuação prévia de metas e resultados para esse ano. Os critérios de avaliação previstos para o Fator Grau de Avaliação, fls. 984, não se referem ao mundo dos objetos, sendo nitidamente subjetivos, contrariando nossas conclusões acima apresentadas sobre as exigências legais nesse aspecto. Adaptabilidade, versatilidade, capacidade de análise crítica, comunicação, entre outros, são critérios obviamente subjetivos. Ademais, as fórmulas utilizam bases de cálculo desconhecidas e não previamente definidas como, por exemplo, o Valor Referencial Individual (VRI). Por conta disso, o empregado não consegue estimar o valor de sua parcela de PLR e não sabe previamente, portanto, qual o incentivo receberá pela melhoria dos resultados ou do lucro. Nesse aspecto concordamos com a autoridade fiscal quanto à ausência de regras claras e objetivas , o que representa ofensa ao §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000. O caráter substitutivo da PLR fica evidenciado na existência de pagamentos que atingem 280% do salário anual. Conforme nossas conclusões já apresentadas, quando a PLR ultrapassa o equivalente a doze salários mensais, então assumimos o caráter substitutivo do pagamento, o que é vedado pelo art. 3º da Lei 10.101/2000. Porém, não podemos generalizar tal conclusão para todos os pagamentos. Assim, somente os pagamentos que ultrapassem tal limite é que podem ser considerados em substituição ao salário e em ofensa ao art. 3º da Lei 10.101/2000. Quanto a existência de Acordo Coletivo e do Acordo próprio celebrado por comissão escolhida pelas partes, a Lei 10.101/2000 não permite a sua aplicação simultânea, pois o art. 2º usa a expressão "mediante um dos procedimentos a seguir", devendo a empresa optar por uma das formas. Evidente que o acordo que mais beneficiar os trabalhadores absorverá o outro, mas a existência de dois acordos de per si não macula a PLR. Em resumo, portanto, a análise conjunta dos motivos apresentados pela fiscalização e contraditados pela recorrente induz ao não provimento do recurso. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.925 40 Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.926 41 Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.927 42 habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.928 43 Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.929 44 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.930 45 · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a: (a) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, limitar esta a 20%; (b) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, manter a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91; (c) determinar que no caso de aplicação direta das multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, sejam estas comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.931 46 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre e excelso relator, divirjo de suas conclusões sobre a regra decadencial a ser utilizada e sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Ressaltese que quanto ao assunto multa o voto do nobre Relator foi vencedor, devendo prevalecer nesta questão. DECADÊNCIA. Quanto à regra decadencial a ser utilizada, o cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como solicitado pelo sujeito passivo, ou a constante do I, Art. 173 do CTN, como aplicou a fiscalização e defende o relator. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.932 47 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.933 48 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos encontramos provas e informações sobre valores recolhidos no período que importa para a definição da regra. Em termo lavrado pela fiscalização, Termo de Encerramento de Procedimento Ação Fiscal (TEPF), há a informação, em “Informações Complementares”, sobre a existência de recolhimentos por parte da empresa. Destaquese que o próprio relator, corretamente, afirma que há pagamentos efetuados, mas não sobre essa rubrica/levantamento: “Observamos a inexistência de pagamentos relativos aos fatos geradores que interessam para a discussão sobre a decadência, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 31/08/2011, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 11/2005. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Porém, no caso em análise inexistem fatos geradores atingidos pela caducidade.” Ainda na análise em questão, o sujeito passivo, em sua impugnação, fls. 024, afirma que recolheu valores no período, fato que a DRJ não discorda, pois assim, se pronunciou, fls. 033, na decisão: “Assim, pela regra do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional e em obediência ao disposto no Parecer PGFN/CAT 1617/2008, a competência 02/2006 poderia eventualmente estar abrangida pela decadência, caso o contribuinte houvesse antecipado o pagamento, mesmo que parcialmente, das contribuições devidas. De acordo com o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores do presente Auto de Infração os valores pagos aos empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a legislação específica, em função de Convenção Coletiva de Trabalho, sem desvinculação expressa da remuneração. Tais valores não foram declarados em GFIP e não integraram a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa, como reconhece a própria Impugnante, que afirma ter recolhido, mas somente sobre a base de cálculo apurada a partir das verbas por ela consideradas como salariais. Nessas condições, em que não houve a declaração nem a inclusão desse valores na base de cálculo considerada pela Autuada, não há que se falar que esta apurou a contribuição devida ou efetuou o recolhimento antecipado no tocante aos fatos geradores objeto da presente autuação.” Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.934 49 Como fica fácil de se notar pelas provas dos autos, a DRJ analisou a questão sobre o ponto de vista de que o sujeito passivo deveria ter recolhido parcialmente as contribuições sobre a “rubrica” PLR, para aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150. Não concordamos com a decisão. Como determina a Lei, o fato gerador da contribuição previdenciária das empresas é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... I vinte por cento sobre o TOTAL das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (rubrica/levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a TOTALIDADE dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.935 50 Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.936 51 uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Assim, claro está que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, salário de contribuição, fato gerador do tributo em questão, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conseqüentemente, como a ciência do sujeito passivo ocorreu em 08/2011, conforme constam das capas das autuações, pela regra acima, Art. 150, § 4º, do CTN, devem ser excluídas do lançamento todas as contribuições até 07/2006, anteriores a 08/2006, nos termos do voto. PLR. Quanto ao mérito, sobre a incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), também não concordamos com o nobre relator, pois votamos pela procedência do recurso. Para chegarmos à nossa conclusão: 1. Analisamos a acusação constante do lançamento, presente no Relatório Fiscal (RF) e nas provas; 2. Analisamos a documentação, alegações e provas apresentadas pelo sujeito passivo; e 3. Confrontamos com a legislação vigente sobre o tema. No RF encontramse os motivos descritos pela fiscalização para que os pagamentos de PLR sejam considerados como fatos geradores de contribuição previdenciária. Devido a esses motivos, a fiscalização concluiu que os valores concedidos aos funcionários a título de PLR constituem parcelas remuneratórias, fornecidas em desacordo com a Lei 10.101/2000, devendo, portanto, integrar o SC. Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.937 52 Quanto a Legislação, a Lei 10.101/2000 surgiu para regular a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos determinados pelo art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Lei prevê que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante procedimentos, escolhidos pelas partes de comum acordo: 1) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e 2) convenção ou acordo coletivo. Dos acordos surgidos na negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, onde deverá constar mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo. A legislação exemplifica (“podendo”) critérios e condições, como índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Ponto importante da Lei é que a PLR não tem natureza remuneratória e que não substitui ou complementa o salário. Ou seja, a empresa não pode reduzir a remuneração do empregado, substituindo a parte reduzida por PLR, no que desvirtuaria o propósito buscado pela Constituição Federal (CF/88). A legislação ainda afirma que a PLR não constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Outro ponto de extrema relevância presente na Lei é a determinação de que quando surgirem impasses as ferramentas para sua solução são a mediação e a arbitragem de ofertas finais. Na acusação fiscal, como muito bem destacado no Relatório, acima, a fiscalização entendeu que o pagamento de PLR pela recorrente não atende completamente a legislação específica, Lei 10.101/2000, pelas seguintes razões (item 5.3, fls. 029 do Relatório Fiscal (RF)): 1. 5.3.1, “QUANTO ÀS METAS ESTIPULADAS”fls. 036 do Relatório Fiscal: Após várias considerações a respeito das metas e dos direitos a serem obtidos com o alcance das metas, a fiscalização conclui: ”Em suma, os instrumentos decorrentes das negociações baseados em programas de metas devem ser formalizados anteriormente ao ano base, devendo deles constar, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba. Isso não acontece no caso em tela no qual as regras não constam de forma clara nos acordos, em completo afronto à legislação específica”; Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.938 53 2. 5.3.2, “EM RELAÇÃO AOS VALORES A PAGAR”, fls. 036 do Relatório Fiscal: Em redação confusa, a fiscalização afirma que: ”No Anexo I, do Acordo firmado para o ano de 2008, reprise aprovado em assembléia em 13/08/2008 e asinado em 22/08/2008, portanto não válido para o primeiro semestre de 2008, temse mais um indicativo de que o valor pago a título de PLR para os empregados em atividades externas (Anexo 2) referese à comissão destes beneficiários, pois este valor será deduzido do Valor Base Gerencial – VGB sobre o qual será aplicado um percentual para apurar o valor a distribuir a título de PLR, portanto podese afirmar que se trata de uma despesa operacional da BV FINANCEIRA”; 3. 5.3.3, “DA DATA DE REALIZAÇÃO DAS REUNIÕES E ASSINATURA DOS ACORDOS”, fls. 037 do Relatório Fiscal: Em síntese, a fiscalização define que os valores devem integrar a base de cálculo das contribuições pois: “Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a quês e referem os lucros ou resultados, pois é relativo a esse período pactuado”. Ressaltese que a fiscalização aponta somente dos períodos/anos em que, para ela, a regra dteria sido descumprida: a) segundo semestre de 2006, em que a assinatura do acordo ocorreu em 07/11/2006; e b) exercício de 2008, em que o acordo foi assinado em 22/08/2008, para o primeiro semestre de 2008; 4. 5.3.4, “QUANTO AO VALOR PAGO A TÍTULO DE PLR”, fls. 037 do Relatório Fiscal: Novamente em redação confusa, a fiscalização acusa que os pagamentos foram feitos em desacordo com a legislação, em síntese, por dois motivos: a) A PLR substituiu a remuneração, devido a seu valor ser muito mais alto que a remuneraçãoanula, chegado a 280% da remuneração; e b) foram efetuados pagamentos desiguais entre os empregados; 5. Fora do item sobre os pontos dos acordos que descumpriram a legislação (item 5.3), a fiscalização faz mais duas acusações: 5.1 5. 4, “EM RELAÇÃO À OPÇÃO DE PROGRAMA A UTILIZAR”, fls. 040 do Relatório Fiscal: Para a fiscalização, o sujeito passivo deveria adotar somente um dos procedimentos citados no Art. 2º, da Lei Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.939 54 10.101/2000, e não efetuar pagamentos pelas duas opções que a Lei determina; 5.2 5. 5, “QUANTO AO VALOR DEVIDO A TÍTULO DE PLR DE CONVENÇÃO COLETIVA”, fls. 040 do Relatório Fiscal: Para a fiscalização, as convenção coletivas dão aos empregadores a opção de descontar, ou não, o valor da PLR convencionada da PLR de program pórpio, entretanto a Lei determina que se deve estipular as regras de forma clara e objetiva, portanto não se vislumbra deixar ao prazer e humor do empregador pagar além do convencionado ou acordado. Confrontando a legislação, os motivos elencados pela fiscalização que foram determinantes para a conclusão de que os pagamentos a título de PLR são fatos geradores de contribuições previdenciárias e os documentos anexados chegamos a conclusões. O trabalho de fiscalização tributária, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, pode vir a acarretar o lançamento tributário, ato administrativos impositivo, de império, gravosos para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos da lavratura da exigência Atualmente, o Estado não pode e não deve obrigar pessoas físicas e jurídicas sem provas do que alega. A Constituição Federal determina essa conduta pelo Estado. O direito ao devido processo legal vem consagrado pela Constituição Federal no art. 5º., LIV e LV, ao estabelecer que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal e ao garantir a qualquer acusado em processo judicial o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Portanto, o devido processo legal pressupõe uma imputação acusatória certa e determinada, permitindo que o réu, conhecendo perfeita e detalhadamente a acusação que se lhe pesa, possa exercitar a sua defesa plena. Analisaremos, em respeito ao devido processo legal, cada acusação expressa no RF e verificaremos as provas e a legislação, a fim de chegarmos a uma conclusão sobre a incidência, ou não, de contribuições sobre essas verbas pagas a título de PLR. Na primeira acusação (5.3.1, “QUANTO ÀS METAS ESTIPULADAS”fls. 036 do Relatório Fiscal), a fiscalização afirma que: ”Em suma, os instrumentos decorrentes das negociações baseados em programas de metas devem ser formalizados anteriormente ao ano base, devendo deles constar, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba. Isso não acontece no caso em tela no qual as regras não constam de forma clara nos acordos, em completo afronto à legislação específica”. Portanto, para o Fisco, não há regras claras no acordo. É de se ressaltar que na análise integral desse item (5.3.1), que trata da suposta ausência das regras claras, só há menção ao acordo válido para o período de avaliação Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.940 55 de 01/07/2006 a 31/12/2007. Após várias leituras, não encontramos menção alguma – nesta acusação ao acordo com vigência válida no período de 01/01/2008 a 31/12/2008. Nesse sentido, fomos verificar as provas, ou seja, o acordo de 01/07/2006 a 31/12/2007, apresentado na impugnação (Documento 05) – onde constam os termos citados no RF e na decisão de primeira instância – a fim de verificar se constava, ou não, detalhamento e clareza sobre metas e direitos dos segurados empregados do sujeito passivo. Neste acordo encontramos: 1. Envio ao Sindicato, para registro e arquivamento; 2. Atas de reunião que comprovam que, desde 15/05/2006, o suejito passivo e o sindicato negociavam os termos do acordo; 3. Acordo de PLR entre o sujeito passivo e o sindicato dos segurados; 4. Obrigatoriedade de prestar informação sobre o valor a ser distribuído aos segurados empregados (Cláusula Segunda, § 1º); 5. Previsão de existência de anexos ao acordo (Cláusula Segunda, § 2º), onde deverá constar a forma de distribuição da PLR; 6. Bases de cálculo para pagamento da PLR (Cláusula Segunda, § 3º); 7. Datas de pagamento (Cláusula Terceira); 8. Amplo acesso às informações (Cláusula Quinta, § 1º); 9. Acesso do Sindicato aos instrumentos de aferição para a obtenção dos valores de PLR pelos segurados (Cláusula Quinta, § 1º); 10. Vigência do acordo (Cláusula Sétima). Já nos anexos do Acordo, previstos no Acordo e anexos a ele, devidamente vistados, encontramos: 1. Anexos por área da empresa; 2. Obrigatoriedade de informação ao Sindicato sobre o valor a ser distribuído (Anexo I, Cláusula Segunda); 3. Extensão a todos os empregados de negócios internos (Anexo I, Cláusula Terceira); 4. Regras claras e detalhadas sobre o valor a ser recebido pelo segurado empregado (Anexo I, Cláusula Quarta); 5. Possibilidade de recurso do empregado sobre sua avaliação (Anexo I, Cláusula Quarta); 6. Anexo IA, devidamente vistado, com detalhamento do Anexo I; Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.941 56 7. Obrigatoriedade de informação ao Sindicato sobre o valor a ser distribuído (Anexo II, Cláusula Segunda); 8. Extensão a todos os empregados de negócios externos (Anexo II, Cláusula Terceira); 9. Regras claras e detalhadas sobre o valor a ser recebido pelo segurado empregado (Anexo II, Cláusula Quarta); 10. Anexo IIA, devidamente vistado, com detalhamento do Anexo II; 11. Obrigatoriedade de informação ao Sindicato sobre o valor a ser distribuído (Anexo III, Cláusula Segunda); 12. Extensão a todos os empregados com cargos e funções citadas (Anexo III, Cláusula Terceira); 13. Regras claras e detalhadas sobre o valor a ser recebido pelo segurado empregado (Anexo III, Cláusula Quarta); 14. Anexo IIIA, devidamente vistado, com detalhamento do Anexo III; 15. Anexo IV A, com maiores esclarecimentos. Assim, pela análise do acordo e de seus anexos, verificamos que todas as determinações exigidas pela Lei 10.101/2000 foram cumpridas. As normas do acordo podem ser de difícil compreensão por parte do Fisco e dos julgadores, pois referemse a atividade que o sujeito passivo exerce, com toda sua peculiaridade, expertise, complexidade. Dificuldade que não existe para os segurados empregados do sujeito passivo e para o sindicato que os representam que podem, pela Lei e pelas disposições do acordo acompanhar, recorrer, questionar as regras para o atingimento das metas e os ganhos por sua obtenção. Os segurados e o sindicato, com a riqueza de detalhes que possui o acordo, possuíram conhecimento claro e objetivo sobre as metas e os direitos que receberiam se atingissem a meta. A determinação de acompanhamento, pelos segurados e pelo Sindicato, somado à riqueza de detalhes do próprio acordo não nos permite concluir que se trata de um pagamento com a finalidade de prejudicar a Fazenda ou os segurados, com o pagamento de algo que não é PLR, para aumentar a remuneração dos segurados envolvidos, sem a devida tributação previdenciária. Além do já exposto, voto elucidativo sobre o tema consta no processo 14485.001820/200711, citado nos autos, referente ao mesmo sujeito passivo, de lavra do nobre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, acompanhado por unanimidade neste ponto (regras claras), que utilizamos, também, como razões de decidir, por refletirem solução para o litígio em questão: “O Fisco concluiu também que os acordos firmados pelas empresa não continham regras claras e objetivas passíveis de Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.942 57 mensuração. Afirma que os ajustes continham regras subjetivas e critérios de participação diferenciados em função do nível hierárquico dos empregados. Para arrematar, a Auditoria asseverou que o tipo de premiação aplicado pelas empresas não é aquele que a lei visou isentar da incidência de contribuições, mas se trata, na verdade, de gratificação habitual que tem como objetivo premiar o esforço individual dos empregados e, como tal, deve compor o saláriodecontribuição. Inicialmente cabe destacar que de acordo com o § 1. do art. 2. da Lei n. 10.101/2000, que estabelece requisitos a serem observados nos acordos para pagamento da PLR, estabelece a necessidade de inclusão de regras claras e objetivas que indiquem como se dará a aquisição do direito ao pagamento do benefício e como será o critério de distribuição da verba, devendo ser previsto inclusive mecanismo de aferição do cumprimento do acordado. Tomemos como exemplo o acordo firmado com a BV FINANCEIRA. Analisando o ajuste estipulado pela empresa e o sindicato que representa os seus empregados, pude observar que na Cláusula Segunda há a previsão de que a PLR será distribuída com base no resultado ajustado por fatores externos que possam afetar o mesmo. O parágrafo primeiro desta Cláusula estabelece que semestralmente a empresa informará o valor a ser distribuído. Já o parágrafo segundo indica que os anexos que integram o acordo descrevem a forma de distribuição da verba. A Cláusula Quinta do acordo, por sua vez, garante que, tanto os empregados, quanto o Sindicato, terão acesso às informações às premissas e aos resultados previstos no acordo. Diante dessas constatações, não tenho dúvida de que os requisitos legais quanto aos termos do acordo e a periodicidade do pagamento foram observados. Não enxergo no texto legal qualquer determinação para que os pagamentos tenham que se dar na mesma proporção para todos os empregados e diretores, não se podendo exigir esse requisito não previsto na norma específica. De outra banda, mesmo para os ocupantes de iguais funções, não há de se exigir que a verba tenha idêntico valor, posto que um dos parâmetros de aferição do quantum a ser repassado leva em conta o desempenho individual do trabalhador. Ao analisar os acordos firmados com as empresas BV SERVIÇOS e BV PROMOTORA DE VENDAS, a outra conclusão não posso chegar. Nesse sentido, não constato que inexistiram nos acordos para pagamento de PLR regras claras e objetivas.” Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.943 58 Portanto, de todo exposto, por estar claro na análise do que consta nos acordos firmados e da legislação – que há clareza e objetividade nas metas e direitos dos segurados, previstos nos acordos, não há como alegar que a Lei 10.101/2000 foi descumprida, motivo do provimento do recurso neste ponto. No segunda acusação (5.3.2, “EM RELAÇÃO AOS VALORES A PAGAR”, fls. 036 do Relatório Fiscal) a fiscalização fundamenta sua conclusão na alegação de que: ”No Anexo I, do Acordo firmado para o ano de 2008, reprisese aprovado em assembléia em 13/08/2008 e assinado em 22/08/2008, portanto não válido para o primeiro semestre de 2008, temse mais um indicativo de que o valor pago a título de PLR para os empregados em atividades externas (Anexo 2) referese à comissão destes beneficiários, pois este valor será deduzido do Valor Base Gerencial – VGB sobre o qual será aplicado um percentual para apurar o valor a distribuir a título de PLR, portanto podese afirmar que se trata de uma despesa operacional da BV FINANCEIRA”. Primeiramente temos a salientar – como demonstrado na integral descrição da acusação, acima – que a mesma só se refere ao acordo de 2008. Em segundo lugar cabe destacar a confusão na redação, pois há citação – no mesmo ponto – sobre o Anexo I e o Anexo II. Após ler e reler o acordo e todos seus anexos do ano de 2008 – pois não foi demonstrado no RF onde (claúsula, paragráfo, etc) se encontrava o fundamento da acusação conseguimos encontrar a fórmula da VBG, que significa Valor Base Gerencial, em que é aplicado um percentual para se definir o valor a ser distribuído (VD) a título de PLR. No cálculo desse VBG há a dedução dos valores contidos no anexo II do acordo, que se referem a pagamentos a segurados que atuam em negócios externos. Para a fiscalização essa dedução demonstraria que se trata de uma comissão, despesa operacional do sujeito passivo. Com todo respeito, não há razão, nem lógica, na afirmação do Fisco. A dedução dos valores constantes do anexo II faz parte da fórmula para a definição do VBG, que foi aceita pelo sindicato da categoria. Não há como conceituar a PLR como remuneração por parcela ser dedutível de uma fórmula. Tratase de definição obtida em negociação e não encontramos no que essa determinação descumpriria dispositivo da Lei 10.101/2000, aliás, ressaltese, que nem o Fisco demonstrou qual dispositivo estaria sendo descumprido. Portanto, pelo disposto no acordo não descumprir nenhum dispositivo da Lei 10.101/2000, não há, também, razão no lançamento neste ponto. Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.944 59 Em outra acusação (5.3.3, “DA DATA DE REALIZAÇÃO DAS REUNIÕES E ASSINATURA DOS ACORDOS”, fls. 037 do Relatório Fiscal), a fiscalização afirma que “cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo a esse período pactuado”. Ressaltese que a fiscalização aponta somente dois períodos em que, para ela, a regra teria sido descumprida: a) segundo semestre de 2006, em que a assinatura do acordo ocorreu em 07/11/2006; e b) exercício de 2008, em que o acordo foi assinado em 22/08/2008, para o primeiro semestre de 2008. Não concordamos com a fiscalização. Primeiramente, cabe esclarecer que não há, em nenhum dispositivo da Lei 10.101/2000, nem em outra Lei ou Decreto a determinação sobre a data máxima em que os acordos para pagamento de PLR devem ser formalmente concluídos e assinados. Não é o caso dos autos, mas claro que não se pode conceber um acordo de PLR que visa incentivar a produtividade, como manda a Lei tratar de meta já totalmente conhecida, ou seja, concluído e assinado após o período de aferição. Não devemos desconhecer que a verba PLR coloca dois lados com objetivos antagônicos em uma negociação. De um lado as empresas, que buscam ter maior lucro líquido, com resultados maiores e pagamentos de PLR menores. De outro lado os trabalhadores, que buscam obter o maior valor possível de PLR, com resultados menores e valores maiores. Com certeza, devido a esse antagonismo, é que o Estado ainda não determinou – em normas legais data máxima para a conclusão dessa negociação. Portanto, por não constar determinação sobre a data máxima em que os acordos devem ser formalizados, concluídos, e pelas datas de conclusão dos acordos serem antes do término do período de aferição (11/2006 e 05/2008) concluímos pela procedência do recurso neste ponto. Além do mais, somandose à minha conclusão, há correta posição do Relator, que acompanhamos e utilizamos, também, como razões de decidir, nos seguintes termos: “Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. ... No tocante às datas de celebração dos acordos são duas as situações: Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.945 60 1. O Acordo de 07/2006 a 12/2007 foi concluído em 13/07/2007, fls. 975. Segundo nossas conclusões acima apresentadas, adotamos como prazo limite para conclusão do acordo o semestre que antecede o fim do período a que se referem os resultados ou o lucro. No presente caso, tal prazo não foi respeitado, porém havia indicações que nesse mesmo prazo as negociações estavam adiantadas a ata de reunião de maio e junho/2007 mostram o avanço das negociações, fls. 973/974. Como a empresa comprovou que as negociações estavam em curso em junho/2007 e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Logo, o acordo assinado em 13/07/2007 obedece aos limites que estipulamos em nossa interpretação do dispositivo legal; 2. O Acordo de 2008 foi concluído em 22/08/2008, mas podemos verificar que as negociações iniciaramse em 12/2007, fls. 1030, e em 06/2008 as metas e critérios estavam bem delineadas, fls. 1033, o que, em harmonia com nossa posição acima explanada, nos leva a concluir que havia uma pactuação prévia de metas e resultados para esse ano. Como está demonstrado nos autos, no acordo de avaliação semestral, válido no período de 01/07/2006 a 31/12/2007 as negociações já estavam ocorrendo em 15/05/2006, conforme ata assinada pelos representantes das partes. Já no acordo de avaliação semestral, válido no período de 01/01/2008 a 31/12/2008 as negociações já estavam ocorrendo em 15/12/2007, conforme ata assinada pelos representantes das partes Assim, somandose a conclusão já externada sobre a questão, a demonstração de que já existia negociação entre as partes antes mesmo do período de aferição nos leva a decidir pela procedência do recurso. Em sua quarta fundamentação da acusação (5.3.4, “QUANTO AO VALOR PAGO A TÍTULO DE PLR”, fls. 037 do Relatório Fiscal), a fiscalização afirma que os pagamentos a título de PLR constituemse em remuneração e não devem gozar do benefício da imunidade, pois: a) A PLR substituiu a remuneração, devido a seu valor ser muito mais alto que a remuneração anual, chegado a 280% da remuneração; e b) A PLR devem integra o Salário de Contribuição (SC), pois foram efetuados pagamentos desiguais entre os empregados. Quanto a esses dois pontos, em que novamente não concordamos com o Fisco, esclarecemos que não há em nenhum dispositivo legal determinação de que os valores pagos a Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.946 61 título de PLR devem ter um teto máximo e/ou que esses valores devem ser proporcionais, igualitários, entre os segurados envolvidos. Não é demais destacar que – ao contrário dos servidores públicos – aos particulares é permitido praticar o que a legislação não veda. Em nosso Estado Democrático de Direito quem cria e determina regras a serem seguidas pelos integrantes da sociedade são os Poderes devidamente constituídos. Portanto, por não existir vedação, proibição, às duas condutas praticadas pelo sujeito passivo, segundo o Fisco, na Lei 10.101/2000 somos pela procedência do recurso neste ponto. Em outra acusação (5. 4, “EM RELAÇÃO À OPÇÃO DE PROGRAMA A UTILIZAR”, fls. 040 do Relatório Fiscal), a fiscalização afirma que o sujeito passivo descumpriu a lei 10.101/200, pois deveria adotar somente um dos procedimentos citados no Art. 2º, da Lei 10.101/2000, e não efetuar pagamentos pelas duas opções que a Lei determina. Cabe transcrever o artigo citado, para entendermos sua determinação. Lei 10.101/2000: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo.” Ressaltese que a fiscalização também transcreveu o mesmo artigo transcrito acima e definiu: “Portanto a BV Financeira deveria adotar um dos procedimentos e não efetuar pagamentos pelas duas opções que a Lei permite. No programa próprio consta a determinação de que o valor a pagar não poderá ser inferior ao valor da Convenção Coletiva e caso o empregado não atinja a meta será pago o valor da Convenção. “ Primeiramente cabe destacar e esclarecer que nenhum pagamento foi efetuado pela comissão citada no I, Art. 2º da Lei 10.101/200, acima, pois todos os pagamentos foram efetuados devido a Convenção ou a Acordo Coletivo. Cabe destacar as devidas definições legais. CLT: “Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acôrdo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.947 62 estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais emprêsas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da emprêsa ou das acordantes respectivas relações de trabalho.” Portanto Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo normativo pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho no âmbito das respectivas representações. Já Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) é o acordo que estipula condições de trabalho no âmbito da empresa ou empresas acordantes, às respectivas relações de trabalho. A celebração dos acordos coletivos de trabalho é facultado aos sindicatos representativos das categorias profissionais. Assim, descabe a acusação de que o sujeito passivo utilizou as duas formas previstas no Art. 2º, da Lei 10.101/2000, pois, como já destacamos, não foi utilizada a forma prevista no inciso I. Como não está claro e para ficar decidido, caso a acusação tenha sido no sentido de vedar eu haja acordo e convenção coletivos para pagamento de PLR, novamente destacamos que a Lei 10.101/2000 não veda que sejam utilizadas as duas formas de celebração, desde que válidos, legais e que sejam respeitados e cumpridos. Portanto, o recurso deve ser provido nesta questão. Por fim (5. 5, “QUANTO AO VALOR DEVIDO A TÍTULO DE PLR DE CONVENÇÃO COLETIVA”, fls. 040 do Relatório Fiscal), a fiscalização afirma que as convenções coletivas dão aos empregadores a opção de descontar, ou não, o valor da PLR convencionada da PLR de programa próprio, entretanto a Lei determina que se deve estipular as regras de forma clara e objetiva, portanto não se vislumbra deixar ao prazer e humor do empregador pagar além do convencionado ou acordado. Primeiramente, cabe destacar a ausência de lógica na afirmação, pois se as convenções dão a opção aos empregadores para descontar valores não há como o pagamento ficar além do acordado, mas sim aquém. Além do mais, não há demonstração, prova ou mesmo fundamentação nos autos de que essa tal opção foi utilizada pelo empregador;sujeito pasivo. Assim e por fim, também não há razão no lançamento neste ponto. Conseqüentemente, por todo o exposto, deve ser dado provimento ao recurso, a fim de que as autuações originadas do suposto descumprimento das regras determinadas na Lei 10.101/2000 (AIOP´s 37.3205791 e 37.320.5885 e AIOA 37.320.5783), quanto ao pagamento de PLR, nos períodos em questão, sejam declaradas improcedentes. Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.948 63 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto pelo provimento do recurso, a fim de: a) excluir do lançamento pela regra decadencial expressa no Art. 150, § 4º, do CTN todas as contribuições apuradas até 07/2006, anteriores a 08/2006, nos termos do voto; e b) que as autuações originadas do suposto descumprimento das regras determinadas na Lei 10.101/2000 (AIOP´s 37.3205791 e 37.320.5885 e AIOA 37.320.5783), quanto ao pagamento de PLR, nos períodos em questão, sejam declaradas improcedentes, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.721070/201113 Acórdão n.º 2301003.755 S2C3T1 Fl. 1.949 64 Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10480.007532/2002-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL.
A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA.
Cancela-se o auto de infração lastreado em falsa causa.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancela-se o auto de infração lastreado em falsa causa. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancelase o auto de infração lastreado em falsa causa. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 75 32 /2 00 2- 46 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração eletrônico com ciência do contribuinte por via postal em 17/06/2002, lavrado para exigir débitos em aberto de Finsocial relativo aos fatos geradores ocorridos entre julho e dezembro de 1997. Segundo a descrição eletrônica dos fatos ocorreu declaração inexata porque o crédito vinculado às compensações não estaria confirmado, em razão de "proc jud de outro CNPJ", que deve significar que o contribuinte indicou na DCTF processo judicial do qual não era autor. Em sede de impugnação foi apresentada a petição inicial e as principais peças do mandado de segurança nº 97.00002527, por meio do qual o contribuinte obteve decisão final com trânsito em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade dos recolhimentos do Finsocial com alíquota superior a 0,5% e autorizou a compensação com débitos vincendos da Cofins, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91. Disse que embora a ação judicial tenha contemplado tanto a matriz quanto a filial, a Receita Federal não aceitou as compensações declaradas nas DCTF da filial e emitiu o auto de infração. Por meio do Acórdão 27.867, de 21 de outubro de 2009, a 2ª Turma da DRJ Recife julgou a impugnação improcedente. O auto de infração foi mantido, sob os seguintes fundamentos: a) a compensação só pode ser feita com créditos líquidos e certos e na época da ocorrência dos fatos geradores o contribuinte ainda não possuía decisão definitiva transitada em julgado, que determinasse a extinção dos débitos da Contribuição para Programa de Integração Social PIS (sic) por meio da compensação com créditos decorrentes de pagamento a maior ou indevido ou gerados de valores a serem ressarcidos/restituídos, definitivamente reconhecidos; e b) o contribuinte não comprovou que efetuou a compensação na sua contabilidade antes do lançamento de ofício. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 13/04/2001 o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/05/2011 por meio do qual reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. A simples leitura do relatório torna flagrante a improcedência do auto de infração eletrônico. A improcedência decorre de vícios formais e materiais. Vejamos. O auto de infração decorreu de revisão interna de DTCF e foi elaborado em 10/05/2002 (fl. 06) e notificado ao contribuinte em 17/06/2002 (fl. 42). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.007532/200246 Acórdão n.º 3403002.776 S3C4T3 Fl. 4 3 Nessa ocasião, já estava em vigor o art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 abril de 2002, cuja redação original estabelecia o seguinte: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: (...)” Grifei. Tendo sido detectada nas DCTF a ocorrência “Proc. Jud de outro CNPJ”, que significa que o contribuinte usou o processo judicial de outro contribuinte, era dever legal da administração intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos e somente depois disso, se fosse o caso, lavrar o auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Esse vício formal de procedimento, acabou acarretando o vício material do qual decorre a improcedência do lançamento pelo mérito. Isto porque o contribuinte, além de ter comprovado que o mandado de segurança nº 97.00002527 se referia ao CNPJ da matriz e da filial, comprovou que obteve decisão final com trânsito em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da elevação da alíquota do Finsocial e também o direito de compensar esse indébito com a Cofins. A compensação do indébito do Finsocial com crédito do próprio Finsocial podia ser feita com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91, independentemente de autorização judicial, pois se tratava de compensação de tributo da mesma espécie. A sentença reconhecendo a inconstitucionalidade está datada de 02 de maio de 1997 (fl. 29) e o contribuinte efetuou e declarou as compensações no segundo semestre de 2007. Portanto, o contribuinte tinha uma declaração de inconstitucionalidade declarada por sentença e podia compensar o indébito com as parcelas do próprio Finsocial, independentemente de autorização judicial. Entretanto, diante dessas constatações, em vez de julgar o lançamento improcedente, resolveu a DRJ alterar os motivos da autuação, passando a exigir o trânsito em julgado, a comprovação de que a compensação havia sido feita na contabilidade e a comprovação da certeza e liquidez do crédito. Ora, esses motivos lançados no voto da DRJ são os motivos que deveriam ter constado inicialmente do auto de infração, caso a autoridade administrativa tivesse se desincumbido do dever legal estabelecido no art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Concluise daí, que o vício de procedimento (falta de intimação prévia determinada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002), acarretou a falsa causa do auto de infração, conforme comprovado pela documentação anexa ao processo. Da obra de Hely Lopes Meirelles extraise o seguinte: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). No caso dos autos, é evidente o descompasso entre a motivação do auto de infração e a situação real do contribuinte, que era o autor do mandado de segurança e possuía decisão judicial reconhecendo não só a inconstitucionalidade do Finsocial, mas também o direito de compensação. Com base nesses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001470/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006, 01/09/2006 a 30/09/2006, 01/12/2006 a 31/07/2007
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2302-002.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 14 70 /2 00 9- 81 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001470/200981 Acórdão n.º 2302002.697 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória nº 37.227.2509, lavrado em 06/07/2009, em face de LOURIVAL JOSE DA SILVA ESPOLIO, no valor de R$ 159.501,60 (cento e cinquenta e nove mil quinhentos e um reais e sessenta centavos) por ter o contribuinte deixado de informar, nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, fatos geradores de contribuições previdenciárias (CFL 68) relativos às competências de 01/2006 a 03/2006, 09/2006, 12/2006, 01/2007 a 07/2007, infringindo, assim, o art. 32, inciso IV e §5°, da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 9.528/1997. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 30 e seguintes, entretanto, a autuação foi mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, às fls.135/144, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. PROCEDIMENTO FISCAL. INTIMAÇÕES. REGULARIDADE. As intimações perpetradas pelo auditor autuante no desenvolvimento do procedimento fiscal foram efetuadas de forma regular. Qualquer prejuízo que porventura tenha suportado o autuado, deuse por culpa in eligendo ou in vigilando, de responsabilidade exclusiva do mesmo. As Lei 9.784/1999 e 5.869/1973 aplicamse ao Processo Administrativo Fiscal apenas de forma subsidiária, enquanto o Regulamento do Estado da Paraíba sequer subsidiariamente se aplica ao caso concreto. CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PRONUNCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de normas. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. As penalidade aplicadas obedeceram à legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, respeitando a retroatividade benigna provocada pela posterior vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001470/200981 Acórdão n.º 2302002.697 S2C3T2 Fl. 4 3 Irresignado, o contribuinte interpôs, em 13/04/2011, Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 149/185, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: a) A intimação da conclusão da fiscalização é nula, uma vez que foi realizada a pessoa que não detinha poderes para tal ato. b) Também nulo é o Auto de infração por ausência de requisitos essenciais para sua validade e constituição, qual seja, a indicação da fundamentação legal da autuação. c) Outra causa de nulidade do Auto de Infração é o cerceamento de defesa promovido em razão de não constar, na autuação, a alíquota e a base de cálculo utilizadas. d) A multa foi aplicada em duplicidade, uma vez que no Auto de Infração n° 37.227.2487 consta penalidade pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias. e) É impossível a manutenção da multa, em razão do crédito principal estar parcelado, nos termos da lei n° 11.941/2009. f) A Recorrente está sendo bitributada pelo mesmo fato gerador, visto que recolheu as contribuições previdenciárias no prazo. g) A cobrança do SAT é inconstitucional, por ferir o princípio da legalidade, uma vez que a lei 8.212/91 não trata dos conceitos básicos relativos ao fato gerador do tributo, e o princípio da isonomia, além de afrontar os arts. 154, I e 195, parágrafo 4º, da CF/88, que exige lei complementar para a instituição de contribuições para custeio da seguridade social. Ademais, o Poder Executivo não pode, por ato próprio, aumentar a sua alíquota. h) A multa é nula, em razão de terem sido aplicadas concomitantemente a multa de ofício (75%), as multas referente às CFL 67 e 68 e a multa de mora. i) A multa não observa os princípios da tipicidade, proporcionalidade e da razoabilidade. j) A penalidade imposta possui caráter confiscatório. k) É possivel aos tribunais administrativos apreciar a inconstitucionalidade das normas. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001470/200981 Acórdão n.º 2302002.697 S2C3T2 Fl. 5 4 A ora Recorrente tomou ciência do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, no dia 03/03/2011, e apresentou seu Recurso Voluntário em 13/04/2011. Todavia, o art. 33, da Lei 70.235/75, diz que o prazo para a apresentação do referido Recurso é de 30 dias, contados a partir da ciência da decisão pelo contribuinte, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 03/03/2011, o fim do prazo para a apresentação do Recurso ocorreu em 02/04/2011. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (13/04/2011), temos que o Recurso em referência se encontra intempestivo, tornando, portanto, incabível sua apreciação por este Conselho. Da Conclusão Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por ser este intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10410.003687/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. APURAÇÃO DO CRÉDITO.
Ao fazer as adições de créditos excluídos nos meses anteriores e fazer a exclusão ao final do período de apuração dos créditos de MP, PI e ME, a fiscalização apurou de forma correta o valor a ser ressarcido ao contribuinte.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por esta razão, admite-se a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas efetuadas junto a pessoas físicas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. APURAÇÃO DO CRÉDITO. Ao fazer as adições de créditos excluídos nos meses anteriores e fazer a exclusão ao final do período de apuração dos créditos de MP, PI e ME, a fiscalização apurou de forma correta o valor a ser ressarcido ao contribuinte. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por esta razão, admite-se a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas efetuadas junto a pessoas físicas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
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CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. APURAÇÃO DO CRÉDITO. Ao fazer as adições de créditos excluídos nos meses anteriores e fazer a exclusão ao final do período de apuração dos créditos de MP, PI e ME, a fiscalização apurou de forma correta o valor a ser ressarcido ao contribuinte. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por esta razão, admitese a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas efetuadas junto a pessoas físicas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 36 87 /2 00 6- 61 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003687/200661 Acórdão n.º 3301002.311 S3C3T1 Fl. 479 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003687/200661 Acórdão n.º 3301002.311 S3C3T1 Fl. 480 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, adoto o relatório elaborado pela DRJ/Recife, abaixo transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fl. 05), de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, e a Portaria MF nº 38/97, no valor de R$ 6.905.770,58, referente ao 4º trimestre de 2003, cumulado com pleito compensatório de débito de IRPJ (código 2362) efetivado por meio da declaração de compensação inserta à fl. 06. Com o propósito de atestar a veracidade do crédito pleiteado, foi realizada diligência fiscal (conforme documentação anexada às fls. 049/111) que deu margem a elaboração de termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 109/110), onde a autoridade responsável pelos exames apresenta relato a respeito dos procedimentos efetivados e pronunciase pela admissão de crédito em favor do contribuinte, no valor de R$ 4.054.410,14. Todavia, em decisão inicial (fls. 133/145), embasada no art. 31 da IN SRF nº 600, de 2005, o pedido de ressarcimento em apreço foi considerado como não formulado e a respectiva compensação como não declarada. Posteriormente, sentença emitida no curso do processo judicial nº 000.6642 83.2011.4.058000 (fls. 206/218) determinou que fosse apreciada a homologação ou não da compensação efetuada pelo contribuinte no presente processo administrativo. Finalmente, em obediência à determinação judicial citada, a unidade jurisdicionante, por meio do Despacho Decisório de fl. 228, considerando os fundamentos contidos no termo de Encerramento de Ação Fiscal supra referido e no Parecer nº 326/2012 (fls. 225/227), acatou parcialmente o pleito requerido e indicou como compensação aceita o exato valor do crédito admitido, ou seja, a quantia de R$ 4.054.410,14. Devidamente cientificado em 16/08/2012 (AR à fl. 229), o interessado apresentou, tempestivamente, em 17/09/2012, manifestação de inconformidade (fls. 238/246) onde formula, em síntese, as seguintes considerações: a) Discorre sobre o resultado da apreciação do seu pleito e afirma que o crédito requerido (presumido) foi apurado em face das alterações introduzidas no sistema da não cumulatividade, no caso do PIS, pela Lei nº 10.637/2002, e, com relação à COFINS, pela Lei nº 10.833, de 2003. b) Tece comentários a respeito do MS nº 000.664283.2011.4.058000 e defende, com vistas à observância do contraditório e da ampla defesa, assim como, do devido processo legal administrativo, a necessidade de recebimento da peça de defesa apresentada. c) Aduz que o não reconhecimento integral do crédito pleiteado se deu em função da efetivação de glosas equivocadas por parte da fiscalização. Nesse sentido alega que, ao invés das requisições de material do almoxarifado, foram consideradas as notas fiscais de entrada, o que afrontaria a legislação (cita o art. 3º da Portaria MF nº 38/1997 e o art. 9º da IN SRF nº 313/2003), como também, deixaram de ser Fl. 480DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003687/200661 Acórdão n.º 3301002.311 S3C3T1 Fl. 481 4 levados em conta os valores do creditamento decorrente da aquisição de canade açúcar. Sobre o tema, além de transcrever excertos doutrinários, pugna pelo respeito aos princípios da verdade material e da razoabilidade, de forma a serem evitadas restrições desnecessárias ao exercicio do direito ao crédito pretendido. Por fim, requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação em sua totalidade. É o que importa relatar. Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 2ª Turma da DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1141.320, de 31/05/2013, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. NOTAS FISCAIS. O crédito presumido do imposto deve ser calculado considerandose o valor constante da nota fiscal emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. VEDAÇÃO. É vedada a inclusão, na base de cálculo do benefício, de valores referentes a insumos adquiridos de fornecedores pessoas físicas nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário repetindo basicamente as mesmas questões de fato e de direito trazidos por meio da manifestação de inconformidade. Porém faz os seguintes acréscimos em seu recurso, em síntese: 1) Insiste que houve erro na apuração do crédito presumido, pois a fiscalização não teria observado que a apropriação de seus custos se faz na metodologia do custo integrado e, neste caso, os valores apropriados de custos em um mês são decorrentes de notas fiscais de aquisição de períodos anteriores. Esta teria sido a razão de os valores constantes das notas fiscais de aquisição de determinado período estarem inferiores ao correspondente montante de crédito presumido de IPI aproveitado naquele mês. Para enriquecer o debate traz o seguinte exemplo, o qual transcrevo abaixo: “ No mês de fevereiro de 2002 foi adquirida a quantidade de 1000 produtos (p. ex.: materiais de embalagem) mediante Nota Fiscal de entrada “X”; em razão do sistema de custo integrado os 1000 produtos são registrados no almoxarifado no momento da entrada; Todavia, 400 produtos foram utilizados no mesmo mês de fevereiro de 2002 e o restante (600 produtos) somente foi utilizado no mês de abril de 2002, de acordo com a requisição ao almoxarifado e ficha Kardex; Fl. 481DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003687/200661 Acórdão n.º 3301002.311 S3C3T1 Fl. 482 5 Desse modo, temos que: a) Em fevereiro de 2002 foi apropriado no custo da produção o valor equivalente aos 400 produtos e, b) Em abril de 2002 foi apropriado no custo de produção o valor correspondente aos 600 produtos remanescentes; Com base no exemplo acima, é possível concluir que no mês de abril de 2002 não existirá Nota Fiscal, emitida naquele mês, equivalente aos 600 produtos remanescentes visto que foram adquiridos através da Nota Fiscal de entrada “X” emitida em fevereiro de 2002” 2) Em relação aos insumos adquiridos de pessoas físicas, ressalta o seu entendimento quanto à possibilidade de apropriar o crédito presumido e cita jurisprudência judicial e administrativa que vão ao encontro de sua tese. É o relatório. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003687/200661 Acórdão n.º 3301002.311 S3C3T1 Fl. 483 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Sem preliminares a serem apreciadas, passa se à análise de mérito dos pontos defendidos pela recorrente. 1) ERRO DE METODOLOGIA DA FISCALIZAÇÃO NA APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Como relatado, o contribuinte afirma que houve erro na apuração do crédito presumido, pois a fiscalização não teria observado que a apropriação de seus custos se faz na metodologia do custo integrado e, neste caso, os valores apropriados de custos em um mês são decorrentes de notas fiscais de aquisição de períodos anteriores. Esta teria sido a razão de os valores constantes das notas fiscais de aquisição de determinado período estarem inferiores ao correspondente montante de crédito presumido de IPI aproveitado naquele mês. O crédito presumido de IPI foi instituído pela Lei nº 9.363/96 que assim dispunha: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. (...) Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003687/200661 Acórdão n.º 3301002.311 S3C3T1 Fl. 484 7 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. (...) Com base no comando legal, foi editada a Portaria MF nº 38/1997: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. Amparado nestes dispositivos o contribuinte afirma que a fiscalização teria se equivocado no cálculo de seu crédito presumido, pois teria apurado o seu crédito somente com base nos valores das notas fiscais de entrada em seu respectivo mês. Os atos normativos citados pelo contribuinte estão corretos, porém não são suficientes para atestar que houve equívoco por parte da fiscalização. Como as notas fiscais que foram utilizadas pela fiscalização não foram contestadas, concluise, com base na metodologia demonstrada na planilha de fls. 104/105, os cálculos efetuados para apuração do crédito presumido foram elaborados corretamente. O crédito presumido só pode ser apurado mediante a existência da nota fiscal de aquisição da MP, PI e ME. A fiscalização demonstrou que foram utilizadas, no cálculo, todas as notas fiscais por ele consideradas e relacionadas nas planilhas mensais. No caso a apuração foi sendo feita acumulada até o mês de dezembro/2003. Em relação a janeiro/2013 (planilha de fl. 104) foi acrescentado à base de cálculo do crédito presumido o valor de R$ 84.675.379,67 (Linha 14) que é justamente os valores acumulados de MP, PI e ME que haviam sido excluídos no mês anterior, ou seja, neste momento acrescentou todos os produtos com direito a creditamento adquiridos em meses anteriores e não utilizados. Desta forma, não há que se falar em localizar notas fiscais de períodos anteriores, pois todo o estoque de produtos ainda não utilizados foi considerado a partir deste momento. Em seguida foram apropriados créditos de todas as notas fiscais dos meses que abrangeram a presente análise e, naturalmente no último mês do período foi efetuada a exclusão dos valores das MP, PI e ME que estavam em estoque e, portanto serão utilizados na base do crédito presumido do IPI no período subseqüente. Portanto, correto o procedimento adotado que, a meu ver, não feriu a legislação e não trouxe prejuízos ao contribuinte. OBS.: o intitulado doc7 apresentado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, fls. 286/305, que demonstra os registros no Livro Diário das requisições efetuadas ao almoxarifado é relativo ao ano de 2002, sendo que os valores apurados no presente processo são do ano de 2003. Houve um equívoco, por parte do contribuinte, que inseriu estes dados do ano de 2002 em sua manifestação de inconformidade. Os dados de 2003 foram inseridos no processo nº 10410.003245/200614 que trata do crédito presumido do ano de 2002. Porém, como sou relator dos dois processos, não houve prejuízo na sua defesa, uma vez que considerei para análise o Livro Diário de 2003 inserido naquele processo. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003687/200661 Acórdão n.º 3301002.311 S3C3T1 Fl. 485 8 2) MATÉRIAS PRIMAS ADQUIRIDAS DE PESSOAS FÍSICAS A fiscalização e a DRJ entenderam, a meu ver corretamente, que o valor das matériasprimas adquiridas diretamente de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, pois não sendo eles contribuintes do PIS e da Cofins, não haveria o que ressarcir. Ocorre que esta questão já foi pacificada pelo STJ que, ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidiu que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da IN SRF nº 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Neste sentido está pacificada também a jurisprudência deste tribunal administrativo em diversas decisões. Citase a título exemplificativo O Acórdão da CSRF nº 9303002.057, de 27/09/2013, da relatoria do presidente desta 3ª Câmara, Conselheiro Rodrigo da Costa Possas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstacularizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Desta forma, atendendo ao comando da decisão do STJ, por força do art. 62a do Regimento Interno do CARF, acato o recurso voluntário no que diz respeito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI nas aquisições de matériaprima de pessoas físicas. 3) CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário somente para incluir no cálculo do crédito presumido os valores glosados decorrente das aquisições de matéria prima de pessoas físicas. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003687/200661 Acórdão n.º 3301002.311 S3C3T1 Fl. 486 9 Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 13962.000730/2007-69
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1802-002.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). DENÚNCIA ESPONTÂNEA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 07 30 /2 00 7- 69 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.20/21) que a seguir transcrevo: Em procedimento fiscal automático foi expedido em 10/11/2007, contra a sociedade empresária em epígrafe, o Auto de Infração (N2 do Rastreamento: 728782261) à f.15, de "Multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF 2003" relativa aos trimestres do ano calendário de 2003, no valor de R$ 4.324,24, em vista de sua entrega, em 31/10/2007, ao passo que os prazos finais correspondente expiraram em 15/5/2003, 15/8/2003, 14/11/2003 e 13/2/2004, respectivamente. Inconformada, a contribuinte impugnou o lançamento pela petição de f. 1 a 7, da lavra da Dra. Bárbara Baron Silveira (OABSC 21.183), ut instrumento de mandato à f.8, em que argumenta: (...) II DOS FATOS E DO DIREITO Em 11 de maio de 2005, a autoridade fazendária, encaminhou Intimação DRF/BLU/SACAT nº 34/2005 (Doc. ANEXO) à Impugnante, solicitando apresentação dos seguintes documentos: 1. "Apresentação do Livro Caixa e de Inventário dos últimos 05 (cinco) anos); 2. Comprovantes de aquisição/alienação de bens (móveis ou imóveis) em nome da empresa nos últimos cinco anos; 3. Livro de ICMS (entrada, saída e apuração) e GIAS dos últimos 05 (cinco) anos; 4. Caso esta empresa esteja obrigada a entrega de DCTF, apresentar as declarações dos últimos 05 (cinco) anos acompanhadas dos seus respectivos recolhimentos (DARF's)." Sendo assim, a Impugnante em 15 de setembro de 2005, apresentou todos os documentos acima solicitados e, espontaneamente, apresentou também (Doc.ANEXO): 1. "Retificação dos valores DIPJ ano calendário 2000; 2. Nova DIPJ 2001 e 2002 no Lucro Presumido; 3. DCTF's 2001 e 2002; 4. PER/DECOMP dos impostos pagos SIMPLES em 2001 e 2002; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13962.000730/200769 Acórdão n.º 1802002.131 S1TE02 Fl. 3 3 5. Solicitação de exclusão do SIMPLES em 01/01/2001 e posterior reinclusão em 01/01/2003; ...” Sendo assim, a Impugnante agiu corretamente, tomando todas as providências solicitadas e também, providenciou, espontaneamente, a retificação das DCTF's, visto o desenquadramento da mesma no SIMPLES, feito sem qualquer Auto de Infração por parte da autoridade fazendária (Docs. ANEXO). A autoridade fiscal competente, não procedeu em nenhum momento, com atividade fiscalizatória em relação ao desenquadramento da empresa no Simples, não permitindo dessa forma, que a Reclamante pudesse apresentar sua defesa. Ademais, as declarações entregues em 31/10/2007, SÃO RETIFICADORAS, pois, â época da entrega das declarações originais a Impugnante estava enquadrada no SIMPLES. Assim agindo, não pode a Impugnante ser compelida ao pagamento de multa, que conforme já visto, são declarações meramente retificadoras. A presente penalidade não merece prosperar, visto que ocorreu o encaminhamento espontâneo pela Impugnante de Retificação das DCTF's, sem que para tanto, tivesse sido lavrado Auto de Infração especifico, desenquadrando a Impugnante do SIMPLES. Portanto, conforme consta do Auto de Infração em epígrafe, a entrega da declaração foi espontânea e não ocorreu nenhum ato fiscalizatório relacionado à infração em epígrafe, ou seja, não foi dado inicio a nenhum procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com a infração, sendo assim, exclui a aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante disposição exarada no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Como indicado nas próprias notificações de lançamento, a Impugnante apresentou as DCTF's, de forma intempestiva, porém, retificadoras e antes de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria especifica. Portanto, faz jus à fruição do favor fiscal de que trata o artigo 138 do CTN, não podendo a autoridade fiscal fazer incidir penalidade pecuniária, a posteriori, quando a obrigação acessória já se encontrava adimplida. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0716.618, de 12 de junho de 2009. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 14/07/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 12/08/2009. A Recorrente, em sede recursal, no essencial, traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação, portanto, desnecessário repetilos. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa aos 04 (quatro) trimestres de 2003, de que trata o Auto de Infração, fl.14, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 4.324,24. Consta do mencionado Auto de Infração que as DCTFs dos trimestres, tinham como prazo final para a entrega 15/5/2003, 15/8/2003, 14/11/2003 e 13/2/2004, respectivamente, e somente foram entregues à Receita Federal em 31/10/2007. A Recorrente alega que as declarações entregues em 31/10/2005, são RETIFICADORAS, pois, à época da entrega das declarações originais a Recorrente estava enquadrada no SIMPLES. Assim agindo, não pode a Recorrente ser compelida ao pagamento de multa, que são declarações meramente retificadoras. A Recorrente argúi que, a entrega da declaração foi espontânea e não ocorreu nenhum ato fiscalizatório relacionado à infração em epígrafe, ou seja, não foi dado inicio a nenhum procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com a infração, sendo assim, exclui a aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante disposição exarada no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Consta da defesa que a Recorrente solicitou exclusão do SIMPLES em 01/01/2001 e posterior reinclusão em 01/01/2003. Todavia, se encontra nos autos, fls.39/43, cópia de decisão administrativa de primeira instância no processo nº 13962.000715/200711 no qual se discute a procedência da imposição de multa regulamentar, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, relativa ao ano calendário de 2003, na modalidade de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo lucro presumido, entregue em 12/3/2007, ao passo que o prazo final correspondente expirara em 30/6/2004. O auto de infração em que se exigia a mencionada multa regulamentar (por atraso na entrega da DIPJ/2004) foi julgado improcedente pelos seguintes fundamentos: ... Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13962.000730/200769 Acórdão n.º 1802002.131 S1TE02 Fl. 4 5 Além da solicitação acima transcrita, não há prova de que a sociedade tenha demonstrado suas condições de opção pelo Simples Federal (especialmente cm termos de receita bruta total anual) para o anocalendário de 2003 (a partir de 1º de janeiro de 2003), nem que tenha encaminhado FCPJ relativa à opção (evento 301). Assim, o cadastro da RFB registra a reinclusão retroativa no Simples Federal da contribuinte apenas a partir de 1º de janeiro de 2004, pelo evento 319 — Inclusão no Simples Federal por decisão administrativa; consta no Sistema Comprot (extrato à f. 20) que o processo administrativo fiscal n2 13971.001011/2006 75, de interesse da ora impugnante, tinha como objeto "INCLUSÃO COM DATA RETROATIVA — IMPOSTO SIMPLES" mas a contribuinte não instruiu o pedido ora analisado com elementos daquele processo que pudessem esclarecer sua assertiva, de modo que não há como acatarse a correspondente afirmação anteriormente transcrita ("A autoridade fiscal competente, não procedeu em nenhum momento, com atividade fiscalizatória em relação ao desenquadramento da empresa no Simples, não permitindo dessa forma, que a Reclamante pudesse apresentar sua defesa."). Poderseia objetar que a RFB aceita a DIPJ — Lucro Presumido em razão de considerar nula a primeira entrega (DAS — Simples), em razão do disposto no § 4º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, que assim dispõe (negrito aposto): ... Não é, porém, o que se tem aqui: a primeira declaração (DAS — Simples) atendia as especificações técnicas da RFB e foi aceita (apenas posteriormente foi cancelada),de modo que a segunda (DIPJ — Lucro Presumido) foi efetivamente recepcionada como retificadora, para todos os efeitos legais, como se constata nos extratos de f. 22 e 25. ... Destarte, é de ser julgado improcedente o Auto de Infração impugnado. ... Depreendese do julgado acima que de fato em 2003 a Recorrente se encontrava sob o regime do Lucro Presumido e, não pelo Simples e, não há prova nos autos de que as DCTFs relativas ao anocalendário de 2003 relacionadas no Auto de Infração são retificadoras como alegado pela defesa. A entrega da DCTF, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de (2%) dois por cento ao mêscalendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, respeitado o percentual máximo de 20%. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 A recorrente alega que apresentou a DCTF junto à Receita Federal e efetuou a denúncia espontânea antes de ter iniciado qualquer procedimento fiscal, assim é incabível a aplicação da multa. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. No que tange a alegada ofensa ao artigo 138 do CTN, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, decorre de expressa disposição legal, e,não se aplica ao cumprimento das obrigações acessórias (caso dos presentes autos) o instituto da confissão espontânea de infração, a que se refere o art. 138 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, conforme entendimento esboçado na Súmula nº 49 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Observase ainda, que no Auto de Infração (fl.14) consta a redução de 50% da multa, por haver a empresa autuada efetuado a entrega das DCTFs espontaneamente. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Estando o crédito tributário legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. A DCTF entregue com atraso, constante do Auto de Infração (fl.14), trata de obrigação acessória relativa a período de apuração trimestral distinto com fato gerador e base de cálculo em que repercute a obrigação acessória. A cada DCTF entregue com atraso deve ser aplicada a multa correspondente de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF entregue com atraso, respeitados os limites máximo e mínimo, em observância ao artigo 7º, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. A Recorrente alega ,ainda, que a entrega de declaração consiste em obrigação acessória e que seu descumprimento fora do prazo não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Aduz que a obrigação principal foi devidamente cumprida, com o pagamento, dentro do prazo legal, assim configuraria a falta de prejuízo ao erário pela entrega a destempo da DCTF . Tal alegação não pode prosperar, pois, o atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as Fl. 63DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13962.000730/200769 Acórdão n.º 1802002.131 S1TE02 Fl. 5 7 multas decorrentes por tal procedimento (não pagamento de tributo), a teor do artigo 113 do Código Tributário Nacional. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. O artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DCTF se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do tributo informado na DCTF, “ainda que integralmente pago”. Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16327.003942/2003-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
INCENTIVO FISCAL. FINAM. FINOR. PERC. DEFERIMENTO POSTERIOR DA OPÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Confirmada a opção do PERC na destinação ao FINOR e FINAM de parte do imposto de renda devido resta insubsistente o lançamento que baseava-se no inicial indeferimento do pleito.
Numero da decisão: 1402-001.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. Declarou-se impedido o Conselheiro Carlos Pelá.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 INCENTIVO FISCAL. FINAM. FINOR. PERC. DEFERIMENTO POSTERIOR DA OPÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Confirmada a opção do PERC na destinação ao FINOR e FINAM de parte do imposto de renda devido resta insubsistente o lançamento que baseava-se no inicial indeferimento do pleito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. Declarou-se impedido o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 386 1 385 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.003942/200358 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.640 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2014 Matéria IRPJ PERC DEFERIMENTO POSTERIOR Recorrente SANTANDER S/A CORRETORA DE CÂMBITO E TÍTULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 INCENTIVO FISCAL. FINAM. FINOR. PERC. DEFERIMENTO POSTERIOR DA OPÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Confirmada a opção do PERC na destinação ao FINOR e FINAM de parte do imposto de renda devido resta insubsistente o lançamento que baseavase no inicial indeferimento do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. Declarouse impedido o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 39 42 /2 00 3- 58 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.003942/200358 Acórdão n.º 1402001.640 S1C4T2 Fl. 387 2 Relatório Tratase de auto de infração objeto da Resolução nº 10800.473, decidida na sessão de 18 de outubro de 2007. A então relatora do processo, Conselheira Karem Jureidini Dias, propôs a conversão do julgamento em diligência, sendo acompanhada de forma unânime pelo colegiado. Por bem delimitar a lide até aquele momento, transcrevo a seguir o relatório da resolução em comento: Cuidase de Auto de Infração lavrado em 04/12/03, com ciência dada ao contribuinte em 15/12/03 (fls. 17), formalizando lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 02/06). O lançamento visa à cobrança de valores recolhidos a menor no anocalendário de 1998, em razão da não aceitação pela Receita Federal da opção realizada pelo contribuinte na DIPJ/99, de aplicação incentivada de parcela dos tributos devidos, nos fundos de investimento FINOR/FINAM. O valor total lançado foi de R$ 11.581.693,24 (onze milhões, quinhentos e oitenta e um mil, seiscentos e noventa e três reais e vinte e quatro centavos). Deste total, R$ 4.361.234,09 (quatro milhões, trezentos e sessenta e um mil, duzentos e trinta e quatro reais e nove centavos) referemse ao principal. R$ 3.949.533,59 (três milhões, novecentos e quarenta e nove mil, quinhentos e trinta e três reais e cinquenta e nove centavos) referemse a juros de mora (calculados até 28/11/03) e R$ 3.270.925,56 (três milhões, duzentos e setenta mil, novecentos e vinte e cinco reais e cinquenta e seis centavos) referemse à multa aplicada no percentual de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls.07/08), durante o processamento da DIPJ/99 da ora Recorrente foi constatada a existência de processo fiscal em fase de cobrança final, o que, por afronta ao disposto no art. 60 da Lei n° 9.069/95, impede que o contribuinte goze de benefícios fiscais. Consta, ainda, que o contribuinte encontravase omisso em relação à declarações junto à SRF. A auditoria da DIPJ/99 resultou no processo administrativo n° 16327.003552/200388. Em razão da constatação acima mencionada, os recursos recolhidos pela Recorrente em nome dos Fundos (FINOR/FINAM) não foram considerados como extinção da parcela do IRPJ devido, mas sim como aplicações próprias nos fundos. Verificouse, portanto, falta de recolhimento de uma parcela do imposto apurado, o que culminou na lavratura do auto de infração sob análise. O Termo ressalta, ainda, que o contribuinte não contestou a falta de acolhimento de sua opção pela aplicação incentivada, o que poderia ter sido realizado por meio de apresentação de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. O Recorrente apresentou tempestivamente sua Impugnação ao lançamento (fls. 28/52), requerendo o cancelamento do auto de infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.003942/200358 Acórdão n.º 1402001.640 S1C4T2 Fl. 388 3 (i) nulidade do auto de infração, pois não há comprovação de que o contribuinte realmente não tivesse cumprido os requisitos para opção pelos Fundos, além de também não ter sido comprovada notificação do contribuinte em relação à não aceitação de sua opção pelos investimentos nos Fundos; (ii) nulidade do auto de infração porque o contribuinte não obteve qualquer informação a respeito de eventual débito que pudesse impedir o gozo do benefício em questão, seja porque não foi notificado da não aceitação da opção, seja porque não lhe foi fornecido, pela Receita Federal, seu conta corrente da época dos fatos (não obstante o tenha requerido). Logo, não teve ciência da existência do débito, tampouco pôde contestálo; (iii) possibilidade de que o débito a que se refere o Termo de Verificação Fiscal esteja com sua exigibilidade suspensa, pois o contribuinte possuía Certidão Positiva com Efeitos de Negativa expedida em setembro de 1998, o que significa que não tinha pendências quanto à quitação de tributos que fossem exigíveis à época, e que, portanto, não poderiam obstar o gozo do incentivo em questão; (iv) suposta omissão de declaração, conforme alegado pela fiscalização, não é razão para negativa da opção realizada pelo contribuinte, pois o art. 60 da Lei n° 9.069/95 determina que somente falta de quitação de tributos seria empecilho ao gozo de benefícios; (v) recebimento de confirmação da sua opção pelo investimento no FINAM da Gerência de Marketing do Banco da Amazônia e jamais recebeu qualquer comunicação oficial da Receita Federal de que tanto seu investimento no FINAM, como no FINOR haviam sido rejeitados; (vi) o auto de infração padece de vício por ausência de motivação quanto à não aceitação do investimento; (vii) há, por consequência, ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, na medida em que não havendo motivo para a não aceitação dos investimentos há correspondente cobrança do tributo, acrescidos de juros e multa. Às fls. 101/102 há um Ofício DIORT informando não ter sido localizado o Aviso de Recebimento (AR) correspondente à notificação da Recorrente a respeito da não aceitação de sua opção. No mesmo ofício há despacho do DEFIS no sentido de que não é de sua competência a revisão de ofício do lançamento, razão pela qual encaminha os autos à DEINF/SP. Na sequência (fls.105) há um Termo de Intimação expedido em 17/06/05, relativo ao processo administrativo através do qual não foi aceita a opção do contribuinte pelos investimentos nos fundos FINAM e FINOR. A intimação foi expedida para que a Recorrente pudesse apresentar o PERC em relação aos investimentos realizados no ano calendário de 1998. Em seguida estão anexados aos autos o Despacho Decisório que indeferiu o PERC (fls. 107/110), bem como cópia da Decisão da DRJ (fls.112/124) que indeferiu a Fl. 388DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.003942/200358 Acórdão n.º 1402001.640 S1C4T2 Fl. 389 4 manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, contra o indeferimento do PERC. Não há, todavia, cópia de nenhuma das manifestações da Recorrente nos autos daquele processo administrativo que analisou sua opção, "reiniciado" em 2005 com intimação para apresentação do PERC, e autuado sob o número 16327.001210/200595. Tanto a Decisão da DRJ como o Despacho Decisório que indeferiram as solicitações da Recorrente, quanto à manutenção do benefício em questão fundamentamse na necessidade de comprovação pelo contribuinte de quitação de tributos e contribuições federais. Ademais, segundo a DRJ a Recorrente "ao passar o tempo e não ter recebido nenhuma notificação da Administração Tributária, acatando, ou não, sua opção pelo incentivo fiscal, o contribuinte deveria ter procurado assegurar o atendimento ao seu pleito, Não o fez.". Dentre outros pontos, a decisão baseiase na inércia do contribuinte em não questionar a decisão da Receita Federal de não acolher sua opção pelo benefício fiscal. Ato contínuo à decisão da DRJ a respeito do PERC a mesma DRJ julgou a Impugnação ao auto de infração objeto do presente, cuja decisão restou assim ementada (fls. 125/132): "FINOR. INDEFERIMENTO DE PERC. O indeferimento de PERC justifica o lançamento de IRPJ que deixou de ser recolhido. Lançamento procedente." De acordo com a decisão proferida, porque não haveria outras questões a serem discutidas nestes autos, senão aquelas que já foram objeto de discussão no processo administrativo que tratou do PERC, decidem pela procedência do lançamento. Devidamente intimado em 04/12/06, o Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário (fls. 136/164), no qual, além de reiterar as razões apresentadas em sua Impugnação, acrescenta os seguintes argumentos: (i) a decisão do processo administrativo do PERC, na qual se baseia o lançamento ora combatido, foi proferida um ano e meio depois da lavratura do auto de infração. Portanto, o lançamento deve ser cancelado, tendo em vista que na data da lavratura não havia fundamento que autorizasse a constituição do crédito tributário ora em discussão; (ii) em verdade, enquanto não sobrevier uma decisão definitiva no processo administrativo que trata do PERC não há fundamento jurídico que autorize a lavratura de auto de infração para constituição de crédito tributário sobre o qual não há certeza de sua existência; (iii) a Norma de Execução CORAT 07/2003 determina revisão de ofício do lançamento e reabertura do prazo para exame do PERC; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.003942/200358 Acórdão n.º 1402001.640 S1C4T2 Fl. 390 5 (iv) o julgamento do processo referente ao PERC em mesma sessão que o presente, perante a DRJ inibe qualquer chance de apresentação de defesa apropriada pela Recorrente; (v) é nula a decisão proferida pela DRJ, por ausência de motivação e fundamentação adequada, visto que não foram apreciadas as razões de impugnação trazidas pelo contribuinte, sob o pretexto de que as mesmas já teriam sido objeto de análise em outro processo, qual seja, aquele relativo ao PERC; (vi) requer o sobrestamento da decisão destes autos até manifestação final e definitiva no processo administrativo que trata do PERC, já referido; (vii) ocorreu a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário relativo às antecipações de IRPJ realizadas pela Recorrente nos meses de janeiro a novembro de 1998, visto ter tomado ciência do auto de infração somente em 15/12/03, e ser aplicável o prazo decadencial determinado pelo art. 150 §4° do Código Tributário Nacional, de cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador do tributo; (viii) finalmente, em relação à colocação da DRJ de que o contribuinte deve manter sua regularidade fiscal no momento em que o gozo do benefício é analisado, e não no momento em que o aproveita, a Recorrente esclarece que manteve sua regularidade fiscal durante os anos de 2005, 2006 e 2007, o que comprova por meio das Certidões Positivas com Efeitos de Negativa acostadas ao Recurso. Conforme salientado, os autos foram convertidos em diligência por meio da Resolução nº 10800.473. Requereuse maiores informações sobre os débitos que motivaram o indeferimento do PERC, bem como cópia integral do processo nº 16327.001210/200595 no qual se as questões atinentes ao PERC. À fl. 338, a autoridade responsável pela execução da diligência informou que “Não foram identificados débitos no processo nº 16327.001210/200595”. Intimado a manifestarse sobre o resultado da diligência, a Recorrente apresentou o expediente de fls. 343348, onde teceu esclarecimentos a respeito do andamento do processo referente ao PERC. Em resumo, esclareceu que tal processo já fora julgado perante o CARF, tendo sido dado provimento parcial ao recurso para considerar que o contribuinte havia comprovado a regularidade fiscal, determinandose o retorno dos autos à origem a fim de que fosse dado andamento à análise do PERC, desconsiderandose a questão da regularidade fiscal já superada. Informa ainda a Recorrente que a autoridade fiscal responsável pela nova análise do PERC entendeu que havia novo óbice para seu deferimento, argumentando que nem todo o IRPJ do período teria sido recolhido, apontando como obstáculo o crédito tributário constituído justamente em razão do indeferimento inicial do PERC, objeto da presente lide. Em razão da circularidade criada reforça o pedido de cancelamento da exigência. Apresentada manifestação de inconformidade em relação a tal decisão, informa a Recorrente em Memoriais que autoridade julgadora de primeira instância julgoua Fl. 390DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.003942/200358 Acórdão n.º 1402001.640 S1C4T2 Fl. 391 6 procedente. Anexou inteiro teor do acórdão número 1647.968 – 8ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa restou assim redigida: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC. Preenchidos todos os requisitos legais pelo contribuinte deve ser reconhecido o direito aos incentivos fiscais. Manifestação de Inconformidade Procedente. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.003942/200358 Acórdão n.º 1402001.640 S1C4T2 Fl. 392 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso foi alvo de conhecimento quando da conversão do julgamento em diligência. Deixo de abordar as questões prejudiciais e nulidade arguidas pois, no mérito, entendo assistir razão à Recorrente. A infração que ensejou a presente exigência originouse da não aceitação da opção realizada pela Recorrente, em sua DIPJ/2009, de aplicação incentivada no FINOR e FINAM como parte do imposto de renda devido, matéria objeto de discussão no processo nº 16327.001210/200595. Contudo, conforme relatado, por meio do acórdão nº 1647.968 lavrado pela 8ª Turma da DRJ/SP1 na sessão de 25 de junho de 2013, o pedido de revisão de ordem de emissão incentivos fiscais da Recorrente foi reconhecido, deferindolhe o direito à opção de aplicação incentivada realizada. Ressaltase que tal decisão possui caráter definitivo. Desse modo, sendo a presente exigência mera decorrência do indeferimento inicial do PERC, posteriormente validado pela RFB, voto por dar provimento ao recurso voluntário, extinguindo o crédito tributário correspondente. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10920.911354/2012-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 54 /2 01 2- 03 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 211,42, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 14/03/2003. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório.. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911354/201203 Acórdão n.º 3803005.303 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro · Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911354/201203 Acórdão n.º 3803005.303 S3TE03 Fl. 50 5 Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911354/201203 Acórdão n.º 3803005.303 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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