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Numero do processo: 10882.900500/2008-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 05 00 /2 00 8- 84 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900500/200884 Acórdão n.º 9303002.474 CSRFT3 Fl. 169 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em direito creditório oriundo de suposto pagamento efetuado a maior. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900500/200884 Acórdão n.º 9303002.474 CSRFT3 Fl. 170 3 IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o DecretoLei nº 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar nº 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa Fl. 170DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900500/200884 Acórdão n.º 9303002.474 CSRFT3 Fl. 171 4 determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do nº288/67. Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial foi admitido pelo presidente da câmara recorrida, em relação às duas questões trazidas no recurso, quais sejam: i) a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, o sujeito passivo não fez prova de que as mercadorias foram remetidas à Zona Franca de Manaus, e a ele caberia esse ônus. Ainda, de acordo com a PGFN, as remessas para a ZFM não estavam isentas das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900500/200884 Acórdão n.º 9303002.474 CSRFT3 Fl. 172 5 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Fl. 172DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900500/200884 Acórdão n.º 9303002.474 CSRFT3 Fl. 173 6 Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900500/200884 Acórdão n.º 9303002.474 CSRFT3 Fl. 174 7 impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 174DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11845.000225/2008-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2004
MULTA DE OFÍCIO DE 75% POR FALTA DE PAGAMENTO. DE DÉBITOS NÃO CONFESSADOS EM DCTF.
A falta de pagamento de exações fiscais, cujos débitos não foram confessados na DCTF original ou primitiva, mas tão-somente informados na DIPJ respectiva, implica no lançamento de oficio do principal, mais multa de oficio e juros de mora respectivos.
MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
Numero da decisão: 1803-001.034
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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DE DÉBITOS NÃO CONFESSADOS EM DCTF. A falta de pagamento de exações fiscais, cujos débitos não foram confessados na DCTF original ou primitiva, mas tãosomente informados na DIPJ respectiva, implica no lançamento de oficio do principal, mais multa de oficio e juros de mora respectivos. MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos Fl. 318DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Em 03/10/2008, quando da conclusão do procedimento de revisão interna da DIPJ 2005 (anocalendário 2004), foram lavrados contra a interessada Autos de Infração do IRPJ e reflexo (CSLL), atinentes ao anocalendário 2004, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 192.654,68, assim discriminado por exação fiscal: INFRAÇÕES IMPUTADAS (Auto dc Infração do IRPJ e reflexo): 1) FALTA DE RECOLIIIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 2) INSUFICIÊNCIA DE RECOLII1MENTO/DECLARAÇÃO DA CSLL. 3) MULTAS ISOLADAS — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL,SOBRE A BASE DE CALCULO ESTIMADA. A propósito, quanto às infrações imputadas consta do Relatório Fiscal, o qual é parte integrante do lançamento fiscal, a seguinte descrição dos fatos (fl. 154), verbis: (...) 6. O contribuinte, no anocalendário de 2004, exercício 2005, optou pela apuração da base de cálculo do 1RPJ e da CSLL, pelo lucro real anual com recolhimentos mensais com base na receita bruta e acréscimos (fls. 63 a 132). A opção pelo lucro Fl. 319DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11845.000225/200814 Acórdão n.º 180301.034 S1TE03 Fl. 319 3 real anual com recolhimentos mensais por estimativa estabelecida pela Lei nº 9.430/96, que também previu penalidades na eventual inobservância de suas determinações. 7. O contribuinte apurou, em 31/12/2004, IRPJ e CSLL nos valores de R$ 47.635,82 e R$ 28.242,79, respectivamente (fls. 74 e 79). Em 14/05/2004 foi entregue a DCTF referente ao 1º trimestre/2004 onde foram declarados R$ 2.907,28 de 1RPJ e R$ 2.616,56 de CSLL (fls 133 a 135). Dessa forma, foi constatado pela fiscalização, no cotejo entre os valores declarados em DIPJ e os informados em DCTF ou pagos mediante DARF, que não foram declarados em DCTF e não pagos por meio de DARTF o IRPJ no valor de R$ 44.728,54 e a CSLL no valor de R$ 25.626,23 (fls. 3 e verso e 4). 8. (...) 9) Nos meses de abril a dezembro/2004 o contribuinte apurou 1RPJ e CSLL a pagar por estimativa, com base na receita bruta e acréscimos, não declarados em DCTF e não pagos por meio de DARF ('lis. 71 a 73, 76 a 78 e 136 a 138). Sobre o valor dos pagamentos mensais por estimativa que deixaram de ser efetuados incide multa exigida isoladamente de 50%, conforme previsto no texto atual do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 10. Regularmente cientificado das infrações acima por meio do Termo de Intimação Fiscal de 10/09/2008 (fls. 3 e verso e 4), o contribuinte apresentou as DCTF's retificadoras referentes ao 2º, 3º e 4º trimestres/2004, citadas no parágrafo nº 4 acima (fls. 6 e 22 a 62), onde foram declarados integralmente o IRPJ e a CSLL não declarados anteriormente, informados no parágrafo nº 7 acima.. Essas DCTF's apresentados pelo contribuinte não afastam a aplicação das multas de oficio previstas no art. 44 da Lei nº. 9.430/96, visto que as declarações retificadoras foram, entregues após o inicio do presente procedimento fiscal, regularmente cientificado ao contribuinte, momenta a partir do qual estava excluída a espontaneidade, nos termos do art. 7º, § 1º e inciso I do Decreto nº. 70.235/72. A exclusão da espontaneidade já havia sido comunicada ao contribuinte por meio do termo de Intimação Fiscal de 10/09/2008 (fls. 3 e verso, 4 e 5) 11. Portanto, efetuamos O presente lançamento de Oficio (fls. 13:94a 156), nos termos do art. 926(10 Decreto n°3.000, de 26/03/1999, tendo em vista que foram apuradas as infrações acima relacionadas, em procedimento de revisão da DIPJ relativa ao anocalendário 2004. (...)”. A 3ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP, em sessão de 15/02/2006, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 8.823 entendendo “por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas e, quanto ao mérito, não tomar conhecimento da impugnação em relação às matérias abrangidas pela ação judicial e julgar procedente a incidência dos juros de mora, nos termos do relatório e voto”, mantendo o crédito tributário referente ao ano de 1996, sob argumentos assim ementados: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 320DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 Anocalendário: 1996 Ementa: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em dez anos, segundo dispõe o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991. AUTO DE INFRAÇÃO. INADEQUAÇÃO DO MEIO UTILIZADO. INOCORRÊNCIA. O lançamento do crédito tributário é formalizado mediante auto de infração ou notificação de lançamento, conforme seja efetuado por AuditorFiscal ou pelo dirigente do órgão que administra o tributo. PRELIMINAR. LANÇAMENTO. MATÉRIA "SUB JUDICE". O lançamento deve ser efetuado mesmo na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário e ainda que o crédito tributário não possa ser exigido. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. A via administrativa não é o foro competente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. JUROS DE MORA TAXA SELIC. Os juros de mora não constituem penalidade e são aplicáveis sempre que ficar caracterizada a falta de recolhimento de tributo ou contribuição. Cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para Títulos Federais SELIC, acumulada mensalmente. Lançamento Procedente” Cientificado da decisão em 29/05/2009, interpôs o contribuinte, em 25/06/2009, Recurso Voluntário a este Conselho, a Recorrente manteve os argumentos da peça impugnatória apresentada, com as mesmas preliminares. É o relatório do essencial. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11845.000225/200814 Acórdão n.º 180301.034 S1TE03 Fl. 320 5 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele conheço. Em relação a preliminar levantada, observo diante de tudo que está nos autos que a tese da RECORRENTE não pode prosperar, tendo em vista que, segundo consta nos e ressaltado pela 3ª Turma da DRJ/SÃO PAULO1SP “o procedimento de fiscalização não decorreu de fiscalização externa, mas sim de revisão interna de declarações, comparação entre Os dados, informações, prestados pelo próprio contribuinte na DIPJ 2005 (ano calendário 2004) e nas DCTF respectivas”. Assim, tenho que concordar com a decisão recorrida quando afirma que “na revisão interna de declarações, não se exige Termo dc Inicio de Fiscalização (o qual se exige apenas nas fiscalizações externas). Vale dizer: na revisão interna de declaração há tão somente mera intimação fiscal para prestar esclarecimentos ao fisco, quanto a fatos e atos do contribuinte ocorridos antes da ciência da intimação fiscal (tal intimação inicial, inclusive, pode até ser dispensada)”. Diante disso, mantendo a decisão recorrida no que tange a preliminar de nulidade argüida pela RECORRENTE. Ultrapassado esse ponto, a questão central dos autos gravita pela cobrança de multa de oficio e isolada; sendo que a primeira é em decorrência da falta de pagamento de débitos não confessados em DCTF. Já a segunda decorre da ausência de recolhimento do IRPJ e da CSSL devidos por estimativa mensal e não confessados na DCTF. DA MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Observo que na decisão da A RECORRENTE contesta a multa de oficio isolada, por falta de recolhimento de estimativas, que está sendo exigida em concomitância com a multa de oficio de 75% sobre o mesmo tributo. Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado na 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, trazido a tona através do acórdão CSRF 910100.450, de 04/11/2009, a seguir transcrita: “MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual”. Para um melhor entendimento, fazse necessário transcrever parte do voto condutor daquele julgado, que utilizo como base para a minha decisão: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 “(...)No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do ano calendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, assim determina, “verbis”: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11845.000225/200814 Acórdão n.º 180301.034 S1TE03 Fl. 321 7 estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Diante do exposto e principalmente observado as razões de decidir acima, não tenho como deixar de reformar o acórdão recorrido, tendo em vista que não pode subsistir a aplicação de penalidade isolada quando há concomitância com a multa de oficio sobre a mesma base; uma decorrente da falta de pagamento de exações fiscais, cujos débitos não foram confessados na DCTF original ou primitiva; e, a outra, em decorrência da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, ambos sobre a base de calculo estimada. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela RECORRENTE, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para cancelar a exigência da multa de ofício isolada que está sendo exigida em concomitância com a multa proporcional de 75%, tendo em vista que ambas têm idênticas base de cálculo. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta de pagamento de estimativas devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11845.000225/200814 Acórdão n.º 180301.034 S1TE03 Fl. 322 9 social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? Ora, o fato de haver sido apurado resultado negativo ao final do período anual não significa que, em todos os meses componentes desse mesmo período, também tenha sido apurado resultado negativo; h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11845.000225/200814 Acórdão n.º 180301.034 S1TE03 Fl. 323 11 cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao eventual montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75 % (setenta e cinco por cento) para 50 % (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 2007. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. NEGO PROVIMENTO ao Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 19/1 0/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por SERGIO RODRIGUES MEND ES, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10950.907751/2011-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 51 /2 01 1- 34 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907751/201134 Acórdão n.º 3803005.182 S3TE03 Fl. 83 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/03/2002 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907751/201134 Acórdão n.º 3803005.182 S3TE03 Fl. 84 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907751/201134 Acórdão n.º 3803005.182 S3TE03 Fl. 85 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907751/201134 Acórdão n.º 3803005.182 S3TE03 Fl. 86 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10814.009547/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/12/2003
REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO.
Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostra-se cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Antonio Lisboa Cardozo e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO. Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostrase cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Antonio Lisboa Cardozo e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 06/12/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 95 47 /2 00 5- 72 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS Processo nº 10814.009547/200572 Acórdão n.º 9303002.674 CSRFT3 Fl. 256 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Temse recurso especial interposto pela sociedade empresária acima identificada contra decisão que manteve a nãohomologação de compensações por ela declaradas sob o entendimento de que não restara comprovado o direito creditório alegado. Adviria ele, segundo a recorrente, da redução de alíquota do imposto de importação autorizada pelo art. 5º da Lei 10.182/2001 (“regime automotivo”), a que faria jus porquanto já previamente habilitada na forma do art. 6º daquela Lei, mas que, inadvertidamente, não fora por ela postulada quando efetuou as importações. O direito não foi reconhecido porque a empresa deixou de apresentar certidões negativas de débito relativas às datas de desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas. Segundo a RFB, essa exigência decorre da aplicabilidade do art. 60 da Lei 9.069/95 à hipótese. A defesa da recorrente, desde a manifestação de inconformidade, vem sendo no sentido de que, mesmo que se entenda aplicáveis as disposições da Lei 9.069, descabe exigir nova apresentação de CND no momento do desembaraço se ela já foi apresentada quando da habilitação ao regime. Também desde a manifestação de inconformidade, vem juntando decisões administrativas e judiciais que chegaram a essa conclusão. Dentre as últimas, em seu recurso voluntário enfatizou – em tópico próprio – aquela proferida pelo STJ no RESP 1.041.237, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, e em que se discutia a mesma exigência no âmbito do regime especial de drawback. Essa decisão foi expressamente considerada, como uma das razões de decidir, no acórdão aceito como paradigma, mas não foi sequer mencionada na decisão de que se recorre. O recurso foi admitido pelo Presidente Henrique, já que a decisão apontada como paradigma examinou os mesmíssimos fatos e concluiu na forma pretendida pela recorrente. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em que postulou fossem considerados como seus os argumentos do acórdão 310201.068. Aí se analisou, inclusive, a aplicabilidade da decisão do STJ acima indicada, que foi rejeitada por ter tratado de drawback É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS Processo nº 10814.009547/200572 Acórdão n.º 9303002.674 CSRFT3 Fl. 257 3 O recurso deve ser mesmo admitido uma vez cabalmente demonstrada a divergência. Cumpre iniciar sua análise pela delimitação da questão posta a debate. Resumese ela ao momento em que deve ser apresentada a prova da regularidade fiscal de que trata o art. 60 da Lei 9.069/95. Já está assentado, portanto, que ela se aplica à hipótese aqui discutida – regime automotivo de que cuida a Lei 10.182/2001 – e que essa regularidade se há de demonstrar por meio de certidão negativa de débito (CND). Essa conclusão se impõe quando se vê que a própria decisão aceita como demonstradora da divergência não as rejeitou, apenas estendeu ao benefício aqui discutido – regime automotivo – a conclusão do ministro Fux válida para o drawback. Em outras palavras, no entender da Câmara paradigmática, sempre que se tratar de aplicação do art. 60 da Lei 9.069, a exigência de CND tem de ser única: ou ela é exigida no momento da “concessão” ou no do reconhecimento. Assim, equiparando a figura da habilitação prevista explicitamente na Lei 10.182 à da expedição do ato concessório que se realiza no âmbito do drawback, a Câmara entendeu que, uma vez exigida a CND na habilitação, não cabe exigila de novo, tal qual, segundo o STJ, não cabe fazêlo quando se trata de drawback. Ocorre que os dois institutos, embora benefícios fiscais ambos, não são, a meu ver, equivalentes. De fato, pelo menos duas diferenças são significativas. A primeira, e mais relevante, é que a exigência de comprovação de regularidade fiscal não consta nas disposições da legislação aduaneira atinentes ao drawback (Decretolei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I) mesmo com o “disciplinamento” que lhes dão as normas dos diversos regulamentos aduaneiros baixados, a exemplo dos arts. 335 a 355 do Decreto 4543. No drawback, portanto, toda a exigência se encontra lastreada exclusivamente na própria Lei 9.069/95, que é posterior ao ato legal que instituiu o regime. Nesses termos, a extensão realizada na decisão paradigma somente se poderia efetuar validamente se o regime automotivo, de modo semelhante ao regime aduaneiro especial em causa, não contivesse em sua legislação a exigência. Completamente diversa é, no entanto, a situação do Regime Automotivo: a própria lei que o instituiu – art. 6º, I da Lei 10.182 – já exigiu a “comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais”, aqui equiparada à exibição de CND (ponto sobre o qual também não se instaurou a divergência). Isso é, aliás, reconhecido pela própria recorrente. Ou seja, de um lado se tem um regime aduaneiro especial para cuja validade somente era originalmente exigida, grosso modo, a comprovação da efetiva exportação de certa quantidade de produtos, e ao qual se passou a aplicar adicionalmente a exigência genericamente prevista na Lei 9.069, e, do outro, um regime que, desde o seu nascedouro, já contém tal exigência de forma explícita. Notese que se trata de legislação posterior à Lei 9.069 e específica para o benefício. A segunda diferença é que no drawback se tem, desde o ato concessório, claramente definidos os parâmetros em que a suspensão, isenção ou restituição se dará, cabendo tãosomente ao interessado, após obter tal ato, exportar a quantidade compromissada – modalidade suspensão. Nas duas outras modalidades, tudo já é provado no primeiro momento, isto é, a importação, com pagamento de tributo, de quantidade equivalente àquela objeto da isenção ou da restituição postulada. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS Processo nº 10814.009547/200572 Acórdão n.º 9303002.674 CSRFT3 Fl. 258 4 De se notar que, mesmo assim, a decisão do sr. Ministro Fux não chegou ao ponto de afirmar que seria dispensada a CND para novos requerimentos do mesmo contribuinte. Ou seja, da decisão proferida o que se extrai – ao menos é o que extraio eu – é a dispensa da exigência de nova CND no momento do desembaraço da quantidade cuja importação com isenção ou suspensão previamente fora deferida; novos pedidos requererão nova CND. A aplicação “analógica” desse entendimento, portanto, levaria, a meu sentir, à conclusão oposta à que chegou a câmara paradigmática: a cada importação, no caso do regime automotivo, nova CND há de ser exigida, pois é aí que se tem de fato a concessão ou o reconhecimento para uma dada quantidade e qualidade de mercadoria a ser importada. E essa conclusão se vê reforçada pelo entendimento, já não mais objeto de controvérsia, de que a ele se aplica o art. 60 da Lei 9.069, em adição ou complemento à Lei 10.182, ainda que seja esta última específica do regime e posterior àquela e somente preveja a comprovação da regularidade no momento da habilitação. Por isso é que entendo que somente acatando a pretensão da empresa de que a Lei 9.069 não se aplica ao benefício em causa se poderia cogitar da dispensa da exigência debatida. Pacificada a questão, ao seu recurso especial há de ser negado provimento. E é assim que voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906572/2008-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Ementa:
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Da verificação dos pressupostos objetivos (extrínsecos) do recurso interposto, observa-se que o relativo à tempestividade não obedeceu às formalidades legais. A interposição extemporânea do recurso resulta em preclusão temporal.
Numero da decisão: 3803-004.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 08/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, BELCHIOR MELO DE SOUSA, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Da verificação dos pressupostos objetivos (extrínsecos) do recurso interposto, observa-se que o relativo à tempestividade não obedeceu às formalidades legais. A interposição extemporânea do recurso resulta em preclusão temporal.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Da verificação dos pressupostos objetivos (extrínsecos) do recurso interposto, observase que o relativo à tempestividade não obedeceu às formalidades legais. A interposição extemporânea do recurso resulta em preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 08/05/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 65 72 /2 00 8- 41 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, BELCHIOR MELO DE SOUSA, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES. Relatório Versa o imbróglio sobre compensações de valores resultantes de recolhimentos de tributos realizados a maior/indevidamente, com débitos próprios do contribuinte, que lograram a obtenção da homologação parcial pelo Fisco após a comprovação da origem desses valores, em razão da insuficiência de saldo credor o bastante para à satisfação integral dos débitos declarados à repartição fiscal. O Despacho Decisório nº 790548013 (fl. 19), emitido em 26/09/08, analisou o limite original do crédito informado no Per/DComp na data de sua transmissão quando constatou a sua procedência e reconheceu o valor do crédito pretendido constante do DARF noticiando, entretanto, que o referido crédito revelouse insuficiente para a liquidação dos débitos informados na DComp, homologando parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. Relatou a contribuinte em Manifestação de Inconformidade que ao rever os seus procedimentos fiscais no ano calendário de 2004, constatou que havia recolhido PIS a maior, mês a mês, durante todo o ano de 2003, eis que o fez exclusivamente por meio de DARF’s, sob o código de arrecadação 8109,o único até então existente, embora apurasse o referido tributo com base em dois regimes, quais sejam: o não cumulativo (Lei nº 10.637/02) e o monofásico (Leis 10.147/00 e 10.548/02), respectivamente. Esclareceu que com o advento da edição do Ato Declaratório Corat nº 26, DOU de 28/03/2003, foi criado o código 6912 para o recolhimento de PIS na forma não cumulativa, a partir do período de apuração referente a abril/03, razão pela qual nos períodos atinentes a abril até dezembro de 2003, em caráter de revisão, a contribuinte passou a recolher mensalmente o PIS em DARF’s com códigos de receitas diferentes, utilizando o 69121 para o não cumulativo e o 81092 para o PIS monofásico, o que fez pelos valores originais, resultando daí, a insuficiência para a liquidação do débito descrito no Per/DComp sob análise. Em suma contestou a Manifestante acerca da existência de: Múltiplos regimes de apuração em relação a um único tributo PIS, pois são várias as técnicas para se chegar ao valor de uma única contribuição devida em cada período de apuração, pois se trata de um só tributo e de uma obrigação tributária originada em cada período. Assim sendo há o valor pago do PIS devido no mês de dezembro/2003 de R$ 52.303,26 e o valor recolhido de R$ 149.219,98. Erro de procedimento – inexistência de compensação, cuja existência se dá a partir de dois pressupostos a saber: (a) liquidez e a certeza do crédito de titularidade do sujeito passivo, sendo certo que sua extinção ocorre conforme o art. 156, I, do CTN; e (b) a existência de débito posterior do próprio sujeito passivo, de mesmo/outro tributo federal passível de compensação (art. 156, II, CTN). JUSTIFICOU a Manifestante que no caso vertente não há crédito, nem débito, pois extinta a obrigação não há se falar em tributo indevido, a não ser pela diferença entre os valores efetivamente pagos e aqueles devidos, que Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.906572/200841 Acórdão n.º 3803004.051 S3TE03 Fl. 7 3 são objeto de outro Per/Dcomp não tratada na presente impugnação. Também não há se falar em débito a ser compensado, pois já extinto na data de emissão do DARF pelo pagamento. Erro no cumprimento da obrigação acessória (de fazer/não fazer, art. 113, § 2o, CTN). É mera formalidade que não contribui para a quantificação do devido/indevido a título de PIS. Portanto o não cumprimento de mera formalidade prevista na legislação tributária não pode se constituir em fundamento para a exigência de tributo, notadamente quando já foi extinta a obrigação tempestivamente. É o que estabelece o disposto no art. 113, § 3o, do CTN, afigurandose imprópria a imputação para exigência remanescente de tributo, por mero descumprimento de formalidade na indicação do código do DARF. Inexistência de mora do sujeito passivo. Uma vez demonstrada a ineficácia da chamada ‘declaração de compensação’ pela inexistência de crédito/débito de PIS, foi equivocada a transmissão da DComp, que teve como objetivo único corrigir uma formalidade, no tocante ao código de recolhimento do DARF. Logo, a DRF/Campinas ao não homologar o Per/DComp, invocou a existência de suposta mora do contribuinte no pagamento do PIS, liquidado tempestivamente, conforme comprova o próprio DARF. Assim não há se falar em mora. Desacerto na compensação de ofício efetuada pela RFB. Não há previsão legal que ampare esse procedimento. Assim há desrespeito ao rito previsto no § 2o do art. 34 da IN SRF nº 600/05, que determina a notificação prévia do sujeito passivo à compensação de ofício, para que se manifeste no prazo de quinze dias. Há também desrespeito ao exercício do contraditório e da ampla defesa do sujeito passivo, sendo estas razões o bastante para o cancelamento do Despacho Decisório ora impugnado. Da atualização do valor originalmente recolhido pela taxa Selic. O fundamento para este pleito encontrase no artigo 52, II, da IN SRF nº 600/05. Finalmente, vem a Manifestante requerer: (i) o reconhecimento pela tempestividade dos recolhimentos efetuados no prazo regulamentar, não havendo se falar em mora; (ii) a nulidade do despacho decisório, que calculou juros e mora sobre o valor indicado como débito pela contribuinte, devendo tais valores serem reconhecidos apenas como desdobramento do DARF originalmente pago e, consequentemente a homologação aos procedimentos declarados neste processo; e (iii) se não forem aceitos os pedidos formulados nos itens anteriores, que seja admitido o direito à atualização pela taxa Selic do valor recolhido originalmente a título de PIS (por meio de um único DARF), indicado como crédito no Per/DComp, até a data de sua apresentação (fl. 27). Conclusos os autos foram encaminhados para julgamento em sede de primeira instância, para a 8a Turma da DRJ/CPS, que proferiu decisão formatada no Acórdão nº 0535.083, de 27/07/11, cuja ementa adiante transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Ano Calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que homologou em parte a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, diante da inexistência de comprovação do crédito que a sustentaria. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O voto condutor deste acórdão sintetizou que no presente caso não há provas robustas que respalde as alegações da contribuinte, sendo certo que a afirmação de que os valores a maior foram pleiteados em outras Per/DComp apenas ratifica a insubsistência dos valores utilizados, não servindo para fundamentação para a compensação informada. As demais razões de defesa esposadas pela Manifestante foram enfrentadas sob o argumento da insuficiência de crédito e inexistência de provas robustas a ilidir o conteúdo do despacho decisório, uma vez que a incidência de mora deuse sobre os valores não homologados pela DRF, ante a insuficiência de crédito. No que atine à atualização do valor originalmente recolhido houve a verificação no ‘Demonstrativo Analítico de Compensação’ efetuado pela CODAC, anexado aos autos, que constatou do cálculo para a compensação deferida a inclusão dessa taxa de juros. A ciência da decisão de primeira instância pela contribuinte deuse em 06/02/2012, conforme atesta o AR colacionado aos autos, sendo a interposição do recurso voluntário em 16/03/2012. O conteúdo do recurso aviado reitera os argumentos expendidos na exordial, enfatizando os documentos acostados aos autos nesta fase processual (DACON’s, DARF’s) que, no entender da recorrente, demonstram o efetivo pagamento da contribuição ao PIS e o recolhimento feito a maior durante todo o ano de 2003, bem assim os balancetes referentes a cada período de apuração além de planilha com o cálculo das referidas contribuições, sendo um impropriedade sustentar que há débito para o período de apuração de dezembro/2003, no mesmo período de apuração de crédito a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Ao proceder à análise de admissibilidade do recurso voluntário interposto pela Contribuinte, notadamente quanto ao aspecto de sua tempestividade, verificouse constar do Aviso de Recebimento (AR) que a data da ciência da decisão prolatada no Acórdão nº 05 35.713, deuse em 06/02/2012 (segundafeira), bem como que a data de protocolo desse recurso ocorreu em 16/03/2012 (sextafeira), consoante assinala o carimbo da repartição preparadora. Um dos pressupostos processuais de admissibilidade do recurso voluntário a ser preenchido é a tempestividade, sob o risco de ocorrência de preclusão, o que se afere mediante a verificação do transcurso do lapso temporal ocorrido entre a data de ciência da decisão que se pretende recorrer e a data de protocolo do apelo na repartição fiscal preparadora. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.906572/200841 Acórdão n.º 3803004.051 S3TE03 Fl. 8 5 Neste sentido o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. Por sua vez o caput e o parágrafo único do art. 5º do mesmo diploma legal estabelecem que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, e que só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deve ser praticado o ato. De igual modo seguem as normas estabelecidas no caput e no parágrafo único do artigo 210 da Lei nº 5.172/66 (CTN). Ao se proceder à contagem do prazo processual com vista ao acerto da ocorrência da tempestividade, de acordo com as normas retrocitadas, verificouse que o dies a quo e o ad quem ocorreram em dias úteis, bem assim que o mês de fevereiro do ano de 2012 é bissexto, portanto possuindo 29 (vinte e nove) dias. Assim iniciandose a contagem do trintídio processual no dia 07/02/12 (terça feira), o seu vencimento darseia no dia 08/03/12, uma quintafeira. É certo que a interposição do recurso na CAC/DRF/CampinasSP somente ocorreu em 16/03/12 (sextafeira), portanto em data posterior àquela correspondente ao exaurimento do prazo previsto em lei, resta caracterizada a perda da faculdade processual pelo não exercício do direito subjetivo da contribuinte no prazo legal, o que impede o conhecimento do recurso, em face da ocorrência de preclusão temporal. São precedentes: Acórdão nº 20403247 (Processo 13811003491200137), Acórdão nº 20403244 (Processo 13811002631200150), Acórdão nº 10515455 (Processo 13603002153200486). Ante todo o exposto deixo de conhecer do recurso voluntário interposto. Este foi o entendimento adotado, unanimemente, por este Colegiado, em face dos julgamentos de vários recursos voluntários que relatei na última sessão aqui realizada, e que tratam da mesma matéria ‘intempestividade da interposição de recurso voluntário’, objeto dos acórdãos nº 3803 003. 965, 966, 967, dentre outros. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator – Relator Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902060/2011-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 20 60 /2 01 1- 28 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902060/201128 Acórdão n.º 3801002.240 S3TE01 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902060/201128 Acórdão n.º 3801002.240 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 11/14, interposta aos 17/05/2011 em face do Despacho Decisório com rastreamento nº 916011938, do qual a contribuinte tomou ciência aos 19/04/2011, fl. 10, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife – DRF/REC/PE, fl. 07, por intermédio do qual foi não homologada a compensação objeto da Declaração de Compensação DCOMP nº 37471.37240.130607.1.3.049647 (fls. 02/06). 2. Segundo se verifica às fls. 02/06, o ora recorrente, por meio de supradita DCOMP, declarou a compensação do débito ali descrito com conjecturado crédito, no montante original inicial de R$ 3.631,94, derivado de alegado pagamento a maior da COFINS (código de receita: 2172), período de apuração: 31/12/2002, vencimento: 15/01/2003, realizado aos 15/01/2003 no valor total de R$ 37.724,77.. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl. 07, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei nº5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e no art. 74, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, foi não homologada a supradita compensação, pois o pagamento acima discriminado, embora localizado nos sistemas informatizados da RFB, havia sido integralmente utilizado para a extinção do débito da COFINS, código de receita: 2172, atinente ao período de apuração de dezembro/2002. 4. No recurso interposto, articula o manifestante que teria apurado “créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior”, que foi corretamente informado na DCOMP aqui tratada. 5. Alude ter recebido Despacho Decisório por meio do qual é noticiado que o pagamento descrito na DCOMP, apesar de localizado, fora integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para supradita compensação. 6. Sustenta que “Tratase então, de apenas proceder às retificações das respectivas DCTFs – Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e afirma que “exerceu seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902060/201128 Acórdão n.º 3801002.240 S3TE01 Fl. 112 4 processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. 7. Ademais, o recorrente discorreu acerca do direito à compensação na forma do art. 74, caput e §§1º, 2º, 3º e 5º, da Lei nº 9.430/96, e, com esteio nestes dispositivos, diz ter direito à compensação referente a “pagamento a maior ou indevido” de tributo administrado pela RFB, até mesmo porque não configurada nenhuma das vedações deste § 3º. 8. Externa que obedeceu a forma de realização da compensação determinada pelo art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96 (envio da Declaração de Compensação), cabendo, assim, à RFB o direito de analisar citada Declaração e os documentos a ela concernentes e, deste modo, fazer a homologação do procedimento no prazo de 05 (cinco) anos. 9. Mais adiante, comenta que, em síntese, são “os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias”. 10. Ao final, pugnou pelo acolhimento da Manifestação de Inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PRODUÇÃO CONCRETA DE EFEITOS. DESCONSTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO NA CONFISSÃO. Para desconstituir a confissão de dívida em DCTF que surtiu efeitos concretos quando foi utilizada pela Administração Tributária em Despacho Decisório que decidiu direito à compensação de pagamento indevido ou maior que o devido, é necessário que o sujeito passivo comprove a existência de erro na confissão. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902060/201128 Acórdão n.º 3801002.240 S3TE01 Fl. 113 5 INDÉBITO INCOMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do alegado indébito implica a nãohomologação da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do débito indevidamente compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 APRECIAÇÃO DE PEDIDOS DE RETIFICAÇÃO DE DCTF E DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCOMPETÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para apreciar pedidos de retificação de DCTF e de obrigações acessórias Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902060/201128 Acórdão n.º 3801002.240 S3TE01 Fl. 114 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902060/201128 Acórdão n.º 3801002.240 S3TE01 Fl. 115 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902060/201128 Acórdão n.º 3801002.240 S3TE01 Fl. 116 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902060/201128 Acórdão n.º 3801002.240 S3TE01 Fl. 117 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10166.720038/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Rejeitados os embargos de declaração diante da constatação de inexistência de contradição contida no acórdão embargado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Embora constatada a transcrição no acórdão embargado do dispositivo legal que regulamenta a matéria examinada, acolhe-se os embargos de declaração para fins de acrescentar aos seus fundamentos que, mesmo diante da hipótese de inexistência débitos a serem utilizados para fins de concretização do direito à compensação do IRRF, declarado em sentença judicial, caberia ao contribuinte se utilizar do instrumento atinente ao pedido de restituição PER/DCOMP e não à declaração de ajuste anual.
Embargos acolhidos em parte.
Numero da decisão: 2802-002.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para complementar os fundamentos constantes do voto do Acórdão nº 2802-001.851, de 18 de setembro de 2012, permanecendo inalterado o dispositivo da decisão nele expresso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Doniak Junior.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Rejeitados os embargos de declaração diante da constatação de inexistência de contradição contida no acórdão embargado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Embora constatada a transcrição no acórdão embargado do dispositivo legal que regulamenta a matéria examinada, acolhe-se os embargos de declaração para fins de acrescentar aos seus fundamentos que, mesmo diante da hipótese de inexistência débitos a serem utilizados para fins de concretização do direito à compensação do IRRF, declarado em sentença judicial, caberia ao contribuinte se utilizar do instrumento atinente ao pedido de restituição PER/DCOMP e não à declaração de ajuste anual. Embargos acolhidos em parte.
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CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Rejeitados os embargos de declaração diante da constatação de inexistência de contradição contida no acórdão embargado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Embora constatada a transcrição no acórdão embargado do dispositivo legal que regulamenta a matéria examinada, acolhese os embargos de declaração para fins de acrescentar aos seus fundamentos que, mesmo diante da hipótese de inexistência débitos a serem utilizados para fins de concretização do direito à compensação do IRRF, declarado em sentença judicial, caberia ao contribuinte se utilizar do instrumento atinente ao pedido de restituição PER/DCOMP e não à declaração de ajuste anual. Embargos acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para complementar os fundamentos constantes do voto do Acórdão nº 2802001.851, de 18 de setembro de 2012, permanecendo inalterado o dispositivo da decisão nele expresso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 38 /2 00 9- 18 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Doniak Junior. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração opostos pela contribuinte, em 10/12/2012, fls. 165 a 169, em face do Acórdão nº 2802001.851, proferido por esta 2ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, fls. 146 a 159, cuja ciência foi dada em 05/12/2012, fls. 164, instrumento de procuração anexo fls. 180. A embargante sustenta que a “decisão embargada apresenta contradição quando recomenda o recurso à via da PER/DCOMP que pressupõe a existência de débitos que devem nela ser relacionados para que se cumpra, de forma adequada com o procedimento”. Também entende que houve violação ao princípio da verdade material, eis que o direito de crédito existe e que o procedimento implementado foi aquele recomendado pela sentença. Nesse sentido aduz a decisão incorreu em “nova contradição” ao condenar a declaração de ajuste anual utilizada para compensação, uma vez que “essa Colenda Turma, entende que o procedimento adotado pela embargante tinha por fim a ‘dedução do imposto devido’, porque isto seria o que o procedimento informa, e não compensação”. A embargante alega, ainda, que o acórdão padece de vício de omissão, haja vista que “se é/era possível se operar a compensação tributária por meio do procedimento da IN RFB nº 600/06 a partir da sentença e no contexto fático em que se encontrava e se encontra a embargante, esta tem o direito de saber como isso é/era possível”, uma vez que não dispunha de débitos perante a RFB para fins de compensação. Por fim, considera que “a r. sentença embargada é, do mesmo modo omissa ao não esclarecer de que modo, especificamente, por meio de quais cálculos demonstrativos de erro firmados por profissional idôneo operouse tal impugnação”, em que pese a embargante ter demonstrado que procedeu a liquidação do direito, conforme recomenda o CPC. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Reconhecido como tempestivamente opostos os Embargos de Declaração, passo examinar os argumentos trazidos pela contribuinte. Conforme transcrito no corpo do voto condutor do acórdão embargado, a partir dos fundamentos de mérito da sentença judicial, ficou declarado no âmbito do Poder Judiciário, a teor do disposto na Lei nº 8.383, de 1991, “o direito dos autores à compensação com parcelas vincendas do mesmo tributo nos cinco anos que precedem o ajuizamento da ação, corrigidos monetariamente, a contar do recolhimento indevido até dezembro/95 (...)”. Examinando o comando legal expresso na sentença judicial, a decisão embargada transcreveu e analisou o art. 66 da citada Lei nº 8.383, de 1991, com redação dada pela Lei nº 9.069, de 1995, com o intuito de demonstrar ao contribuinte os instrumentos Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.720038/200918 Acórdão n.º 2802002.666 S2TE02 Fl. 193 3 regulamentados pela autoridade administrativa e que são necessários à formalização e à verificação dos procedimentos administrativos vinculados para a concretização do direito à compensação declarado pela sentença judicial. Do exame do referido comando legal, que se encontra transcrito na decisão embargada, depreendese que do voto proferido pelo acórdão embargado constou que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos federais, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Essa compensação só poderá ser efetuada entre tributos da mesma espécie, sendo facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição (§ 2º do art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991, com redação dada pela Lei nº 9.069, de 1995). A despeito do fato da transcrição do § 2º do comando legal em referência deixar evidente que a decisão embargada mencionou a possibilidade de se optar pelo pedido de restituição do crédito de IRRF pretendido, para fins de esclarecimento à contribuinte convém aqui acrescentar que, mesmo diante da hipótese de inexistência débitos a serem utilizados para fins de concretização do direito à compensação do IRRF, declarado em sentença judicial, caberia à interessada se utilizar do instrumento atinente ao pedido de restituição, e não à declaração de ajuste anual. Isso, fique bem claro, se deve ao fato da necessidade de o pedido de restituição se submeter ao processamento em programa intitulado PER/DCOMP (mesmo programa citado pelo acórdão embargado relativamente ao procedimento de compensação), que significa Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação. Vale observar, ainda, que a decisão embargada transcreveu excerto do acórdão proferido no julgamento de primeira instância nos seguintes termos: “A título de orientação, o § 1º do art. 26 da Instrução Normativa SRF 600, de 28 de dezembro de 2005, que disciplinava o pedido de compensação à época da transmissão da Declaração de Ajuste, determina que a compensação de créditos do contribuinte com débitos próprios deverá ser efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação Ainda, em relação a créditos líquidos e certos reconhecidos por decisão judicial, o art. 51 da IN 600, de 2005, dispõe que a Declaração de Compensação, gerada a partir do Programa PER/DCOMP, somente será recepcionada pela RFB após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Portanto, uma vez que o direito à compensação do IRRF, declarado judicialmente, depende da verificação de procedimentos administrativos que são observados somente a partir da apresentação pelo contribuinte do Pedido de Restituição ou Ressarcimento Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não há como acatar a compensação pleiteada mediante declaração de ajuste anual, mesmo diante da hipótese de inexistência de débito tributário subsequente, alegado pela embargante. Quanto à alegada violação do princípio da verdade material, repisese as razões de decidir proferidas a respeito no voto condutor do acórdão embargado: “Tampouco aplicase ao caso concreto eventual necessidade de observância do princípio da verdade material, uma vez que, conforme alegou a próprio Recorrente, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Nesse aspecto, há que se observar que a realidade do direito da contribuinte à compensação não foi questionada em nenhum momento pela decisão recorrida. Ao contrário, a relatora do voto condutor do respectivo acórdão apresentou ao contribuinte orientação sobre qual o procedimento adequado para se atender às disposições estabelecidas pelo art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, fundamento do dispositivo da sentença favorável ao contribuinte e que foi proferida pela Justiça Federal.” Destituída, pois, dos procedimentos administrativos próprios da PER/DCOMP, a concretização do direito à compensação IRRF reconhecido judicialmente não pode ser operacionalizada por meio da declaração de ajuste anual. Por sua vez, observese que a alegada verdade material atinente ao quantum de direito à compensação não foi fixado pela sentença, haja vista possuir esta decisão natureza declaratória, conforme se vê do despacho proferido pela Juíza Federal, nos autos do respectivo processo judicial, fls. 42. Portanto, o valor passível de restituição/compensação advindo do direito à compensação declarado judicialmente somente fica evidenciado após os procedimentos inerentes e indispensáveis estabelecidos a partir do programa PER/DCOMP, o que não constituiu a matéria tratada nos presentes autos. A embargante alega que “procedeu à liquidação do seu direito, conforme recomenda o Código de Processo Civil – CPC e que a mesma, não fora de qualquer modo, impugnada pela União”. Contudo, tal alegação contradiz o despacho proferido pela mencionada Juíza Federal nos autos do respectivo processo judicial, fls. 42, mediante o qual indeferiu sumariamente o pedido de citação ao empregador da contribuinte para fins de execução da sentença judicial, nos seguintes termos: “Indefiro o pedido de fls. 129/130, uma vez que a sentença declaratória não admite execução” Portanto, por não haver sido processada a liquidação da sentença na esfera judicial, a decisão embargada não cometera a alegada omissão, mesmo porque os cálculos apresentados no processo judicial não surtiram o efeito desejado pela contribuinte naqueles autos. Conforme mencionado anteriormente, o processamento dos valores do imposto de renda que foram glosados da Declaração de Ajuste Anual, por meio da Notificação de Lançamento de fls. 46 a 51, somente se torna possível mediante a utilização do rito e dos procedimentos próprios do programa intitulado PER/DCOMP, que não constituiu o objeto do presente processo. Daí a razão pela qual não caberia à decisão embargada pronunciarse a respeito dos cálculos aos quais a embargante se referiu. Ainda em relação ao assunto, importa observar que as regras regulamentadas pelo citado CPC não se aplicam ao caso concreto analisado nos presentes autos, uma vez que a Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.720038/200918 Acórdão n.º 2802002.666 S2TE02 Fl. 194 5 aplicação destas somente se dá de forma subsidiária aos comandos próprios contidos no Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal. Também à vista da inexistência de nenhuma contradição contida no acórdão embargado, ressaltese, por oportuno, que a complementação das razões de decidir, implementada em face dos embargos ora interpostos, não representa alteração na decisão proferida no acórdão embargado no sentido de que não há como conformar a declaração de ajuste anual (utilizada pelo contribuinte para fins de concretização do direito à compensação do IRRF declarado em sentença judicial) ao PER/DCOMP. Diante do exposto, voto por ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para complementar os fundamentos constantes do voto do Acórdão nº 2802 001.851, de 18 de setembro de 2012, permanecendo inalterado o dispositivo da decisão nele expresso. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.915592/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2002
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
Numero da decisão: 3301-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 55 92 /2 00 9- 54 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Versa o presente litígio sobre Declaração de Compensação, objetivando compensação de valor recolhido a maior a título de COFINS. O despacho eletrônico não homologou o pedido de compensação sob o fundamento de que o valor do DARF em referência teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade apresentada, a ora Recorrente afirmou o seu direito creditório, que teria lastro no art. 74 e parágrafos da Lei n. 9430/96, bem como não estar enquadrada em nenhuma das hipóteses de vedação para a compensação. Acostou à manifestação cópias de documentos relativos à representação, do DARF e cópia do despacho decisório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo intempestiva a retificação da DCTF, além de que não teriam sido apresentadas quaisquer outras provas do direito creditório. No recurso voluntário, a Recorrente argumentou que: i. o seu direito creditório decorreria da inclusão indevida na base de cálculo de PIS e COFINS valores de medicamentos sujeitos à alíquota 0%; ii. que a DCTF retificadora teria sido aceita e processada pelos sistemas da Receita Federal do Brasil; iii. que a Lei 9.430/96 não faz quaisquer restrições à compensação, que tem natureza declaratória; iv. que o modo de processamento eletrônico da compensação obsta que sejam juntados documentos comprobatórios ao pedido, devendo o contribuinte ser intimado para comprovar o crédito, antes de seu indeferimento; v. o fato de o débito ter sido declarado em DCTF não exime o Fisco da obrigação de realizar procedimento fiscalizatório, para verificação de eventuais irregularidades e , assim, promover o lançamento de ofício; vi. não pode prevalecer o lançamento de ofício, sem prévia comprovação de inexistência de indébito. Ademais, discorre sobre a indevida inclusão na base de cálculo de valores relativos a venda de medicamentos, tributados à alíquota 0%, acostando aos autos planilha demonstrativa da recomposição da base de cálculo dos tributos, no período compreendido entre 2001 e 2006. Requer, assim, a procedência do recurso voluntário ou, subsidiariamente, a nulidade de decisão de 1ª instância, por ser configurar a DCTF retificadora prova indiciária do direito creditório. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.915592/200954 Acórdão n.º 3301002.036 S3C3T1 Fl. 87 3 Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne controvérsia dos autos gravita em torno da comprovação do direito creditório. Destarte, embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando esse entendimento, quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação de erro no preenchimento de DCTF pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Não procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco – que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art. 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Outrossim, não pode pretender o contribuinte, que seja subvertido o contencioso administrativo, para que este opere como órgão de auditoria. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.915592/200954 Acórdão n.º 3301002.036 S3C3T1 Fl. 88 5 A despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Nesse contexto, esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. Verificase que a inércia da Recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório, é determinante do não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10480.720046/2013-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCATORIEDADE. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Estando cominada em lei a multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, descabe deixar de aplicá-la por considerações a respeito de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, arguições que desbordam a competência do julgamento administrativo.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
O ICMS - ST não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição devida, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias.
Numero da decisão: 3403-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à exclusão das bonificações da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz; b) por maioria de votos, dar provimento para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e negar provimento quanto à exclusão do rateio das despesas de propaganda da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Redator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCATORIEDADE. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Estando cominada em lei a multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, descabe deixar de aplicá-la por considerações a respeito de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, arguições que desbordam a competência do julgamento administrativo. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O ICMS - ST não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição devida, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à exclusão das bonificações da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz; b) por maioria de votos, dar provimento para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e negar provimento quanto à exclusão do rateio das despesas de propaganda da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Redator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de créditos sobre despesas com fretes limitase às operações de venda. No contexto das atividades de venda a varejo de mercadorias em supermercados, os serviços de transporte de mercadorias entre estabelecimentos não guarda relação de pertinência, não se caracterizando como insumo. CRÉDITOS MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA IMPOSSIBILIDADE O ICMS ST não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição devida, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 46 /2 01 3- 70 Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. DESCONTOS DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. Os descontos de caráter contraprestacional não são considerados descontos incondicionais, e compõem a base de cálculo da Contribuição. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de créditos sobre despesas com fretes limitase às operações de venda. No contexto das atividades de venda a varejo de mercadorias em supermercados, os serviços de transporte de mercadorias entre estabelecimentos não guarda relação de pertinência, não se caracterizando como insumo. CRÉDITOS MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA IMPOSSIBILIDADE O ICMS ST não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição devida, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCATORIEDADE. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Estando cominada em lei a multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, descabe deixar de aplicála por considerações a respeito de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade, arguições que desbordam a competência do julgamento administrativo. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à exclusão das bonificações da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz b) por maioria de votos, dar provimento para excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.713 3 Alexandre Kern e negar provimento quanto à exclusão do rateio das despesas de propaganda da base de cálculo das contribuições, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Redator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório BOMPREÇO SUPERMERCADOS DO NORDESTE LTDA. foi autuado pela Fiscalização da DRF/REC (Equipe de Fiscalização dos Maiores Contribuintes da 4ª RF) para formalização da constituição e exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e da Contribuição para o PIS, abrangendo o período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, em decorrência da não inclusão na base de cálculo de receitas tributáveis e do desconto indevido de créditos. Os valores globais, em Reais, são os seguintes: COFINS R$61.188.739,81 Juros de Mora (calculados até 12/2012) R$22.238.162,56 Multa de Ofício Proporcional (75 %), Passível de Redução R$45.891.554,91 Total R$129.318.457,28 Contribuição para o PIS R$13.284.397,45 Juros de Mora (calculados até 12/2012) R$4.828.022,12 Multa de Ofício Proporcional (75 %), Passível de Redução R$9.963.298,14 Total R$28.075.717,71 De acordo com o Termo de Encerramento Parcial da Ação Fiscal (fls. 028 e 036), a Fiscalização apurou os valores lançados a partir dos livros contábeis (Diário/Razão/Balancetes), espelhados nos arquivos digitais obtidos junto ao repositório nacional do Sistema Público de Escrituração Digital – SPED. As planilhas de apuração das bases de cálculo e das contribuições a pagar, após o desconto dos créditos e das retenções na fonte, apresentadas pela sociedade, foram utilizadas como elemnto de comparação. Instada a explicar a natureza dos lançamentos efetuados nessas contas e a justificar as exclusões, indicando o fundamento legal, de valores registrados em contas que, por sua natureza, comporiam a sua receita bruta, o contribuinte respondeu o seguinte: Conta nº 421302 – DESC. OBTIDOS PROG P: Tratase de descontos financeiros obtidos através de negociações comerciais com os fornecedores, conforme acordo comercial (desconto padrão). Conta nº 430312 – RECEITAS DE PROMOÇÕES: Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 4 São meramente bonificações concedidas sem a realização de compras com os fornecedores, participação em publicidade, aniversário, conforme acordo comercial firmado. Conta nº 430316 – RECEITA DE PROMOÇÃO PUBLICIDADE: São receitas em que são registradas as bonificações decorrentes de ações de publicidade (através de tablóides, vts) em coparticipação com fornecedores, com base no acordo comercial firmado. Conta nº 430320 – RECEITA ENXOVAL NOVAS LOJAS: São bonificações negociadas com fornecedores pela abertura de novas lojas, conforme acordo comercial firmado entre as partes. Conta nº 430322 – RECEITAS ACOR. Ñ DEVO: São receitas em que são registradas as bonificações decorrentes de mercadorias recebidas e não devolvidas fora do padrão de qualidade, ou com avarias. Por esta razão, os produtos são vendidos com uma margem inferior e o fornecedor nos bonifica da diferença, tudo definido em acordo comercial entre as partes. Conta nº 430326 – RECEITA DE EVENTOS PROMOCIONAIS: São receitas de bonificações sobre os eventos promocionais. Conta nº 430331 – RECEITAS NÃO DIFERIDAS: São receitas de bonificações que não devem ser diferidas EITF (decorrentes de acordo de bonificações de recuperação de períodos retroativos). Conclui então a Fiscalização que estas contas referemse a valores recebidos pelo BOMPREÇO de entidades consideradas "parceiras", em virtude de entendimentos contratuais (ou não) e, assim, independentemente da forma como foram contabilizadas tais entradas, elas comporiam o faturamento, consoante previsão do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 1° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Especificamente em relação à Conta nº 421302 – Descontos Obtidos – Programa Pagamento, a Fiscalização detalhou que os descontos “financeiros (ou condicionais)” dependem do implemento de condições futuras e incertas, relacionadas ao pagamento da obrigação. Ou seja, “tratase de estímulo à liquidação antecipada da obrigação assumida, sem relação direta com a transação mercantil em si, pois está relacionado somente com as ... condições de pagamento”, ao passo que o que viram registrado na referida conta se trataria de ganhos decorrentes dos chamados “descontos comerciais”, que não eram destacados no documento fiscal (a autuada registrou a Nota Fiscal de compra pelo seu valor integral, compondo base de cálculo dos créditos PIS/Cofins). Na sua contabilização, como regra geral, o contribuinte registrou os seguintes lançamentos: a débito na conta de estoque de mercadorias (nº 400001 – Mercadoria Nacional Compras), pelo valor total da nota fiscal, e a crédito nas contas dos fornecedores e em contas de receitas de bonificações, dentre estas, a de nº 421302. Ou seja, a nota fiscal do fornecedor é emitida com o valor 'x’ mas o pagamento é feito por ‘xy’ pois, apesar de não constar na nota fiscal, existe um desconto 'y' previamente acertado entre as partes (bonificação). Daí, concluíram os autuantes que o resultado destas operações representam faturamento, nos termos das leis regentes das contribuições. No Demonstrativo de Apuração das Bases de Cálculo do PIS/Cofins – Diferenças a Tributar (fls. 571 e 572) estão os créditos e débitos totais lançados em cada conta, Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.714 5 mês a mês, sendo as diferenças os valores que não foram oferecidos à tributação pelo contribuinte. Em relação aos créditos da nãocumulatividade descontados pelo contribuinte, a Fiscalização promoveu glosas de duas naturezas. Em primeiro lugar, entenderam os autuantes indevido o desconto de créditos sobre despesas com fretes de transferências de mercadorias entre estabelecimentos da pessoa jurídica, não vinculados a operações de venda ocorridas. Ainda, foi considerado a tomada de créditos sobre o ICMS – Substituição Tributária nas compras de mercadorias. O cálculo dos valores que foram glosados está no “Demonstrativo dos Créditos de PIS/COFINS – Diferenças a Tributar” (fls. 575 e 576). A contribuição lançada de ofício, em cada mês, é resultante da soma do resultado da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo relativa às receitas não oferecidas à tributação com os valores das glosas de créditos. Sobreveio Impugnação (fls. 1.350 a 1.415), na qual defende o entendimento de que os descontos pactuados com seus fornecedores não representam receita operacional, mas sim descontos incondicionais prestabelecidos nos acordos comerciais, que resultam na redução do custo das mercadorias adquiridas e que, portanto, não devem ser computados na base de cálculo do PIS e da Cofins. A impugnação foi assim sintetizada no Relatório da decisão recorrida: 10. Como primeiro ponto de discordância, afirma que houve “excesso de autuação”, no que se refere às bonificações recebidas em dinheiro, valores estes que já teriam sido incluídos na base de cálculo na apuração feita pelo contribuinte e, conseqüentemente, já teriam sido pagas as contribuições, não cabendo nova cobrança. 10.1. Relaciona estes valores, mês a mês, sendo que tomamos, para fins de análise, o de janeiro de 2008: R$ 449.934,56. 11. Em seguida, tece o que chama de “Considerações Preliminares a Respeito do Mercado Varejista e dos Descontos Concedidos”, que transcrevemos, procurando resumir: A Impugnante pertence ao Grupo WALMART, que é uma das maiores redes varejistas do mercado e vende produtos das maiores indústrias do Brasil e do mundo. A grande maioria de seus fornecedores são indústrias multinacionais, com vasta experiência no ramo atacadista, tais como BRFOODS, AMBEV, UNILEVER, entre muitos outros. No exercício regular de suas atividades ... mantém com seus fornecedores acordos comerciais típicos do mercado varejista, os quais prevêem descontos incondicionais e entrega de mercadoria bonificada objetivando a redução do custo da mercadoria. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Esses descontos decorrem de uma negociação com o fornecedor, bem como das peculiaridades de cada situação fática. Essa é a prática do mercado varejista. Os descontos objeto da primeira parte da autuação são basicamente relativos à logística de centralização de entrega das mercadorias, marketing e publicidade dos produtos vendidos nas lojas, promoções de aniversário e inauguração das lojas, não devolução de mercadorias quebradas e avariadas, crescimento dos pedidos e vendas das mercadorias adquiridas pela Impugnante e desenvolvimento dos negócios. Assim, se o fornecedor, por exemplo, estipula durante a negociação que entregará seus produtos no Centro de Distribuição, repassará ao BOMPREÇO essa diminuição do custo de suas mercadorias, via desconto prefixado ou em mercadoria. Isso porque, se os fornecedores realizassem a entrega de suas mercadorias nas diversas lojas do BOMPREÇO em todo o Nordeste, o custo da mercadoria seria muito maior, pela necessidade constante de reposição de estoque e distribuição pulverizada. Assim, com a entrega centralizada, o custo da mercadoria comercializada diminui sensivelmente e é repassado à Impugnante via desconto. Em outras palavras, tratase de uma decisão sobre quem arcará com certos custos. A mesma situação ocorre, por exemplo, com a exposição dos produtos nos melhores lugares das gôndolas do supermercado, a distribuição de panfletos com destaque das mercadorias de determinado fornecedor, a realização de festas de inauguração e de aniversário das lojas, etc. O fornecedor sabe que venderá muito mais quando suas mercadorias estão em evidência, que atrairá diversos consumidores e aumentará a venda de seus produtos se a loja realizar festas de inauguração e de aniversário. Por essas razões, concorda em dar descontos preestabelecidos em função do crescimento das vendas. Afinal vender para o Grupo WALMART é, acima de tudo, uma garantia de escoamento de mercadorias. O desconto, em um percentual prefixado, pela não devolução de mercadorias defeituosas, avariadas, quebradas ou impróprias é concedido em razão de avarias ou defeitos de fábrica. À vista da quantidade de mercadorias adquiridas, não se pode esperar que a cada avaria existente ou ocorrida busque ser ressarcida por seus fornecedores ou proceda à devolução de cada um dos produtos. Para a celebração desses contratos, as partes envolvidas necessariamente conhecem e concordam com as cláusulas e condições estipuladas no momento Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.715 7 em que firmam o contrato. Ao fornecedor cabe escolher, livremente, se deseja ou não celebrálo. 12. Em seguida passa a defender que só se pode considerar haver receita quando o patrimônio líquido da empresa efetivamente sofre uma alteração positiva, o que não ocorreria no caso da obtenção de descontos incondicionais preestabelecidos contratualmente. 12.1. A Contabilidade teria construído seu conceito de receita com base no conceito econômico, orientando o Pronunciamento Técnico CPC 30 que receita é "o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades normais de uma entidade que resultam no aumento do Patrimônio Líquido, porém não se relacionam ao aumento de capital promovido pelos acionistas”. 12.2. Estribado na doutrina, conclui que o conceito de receita é extrajurídico, “segundo o qual são consideradas receitas os acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos, originários de outros patrimônios, cuja propriedade é adquirida pela sociedade no exercício de suas atividades e que possam alterar seu próprio patrimônio liquido”. 12.3. Diz que este conceito sofreu ajustes para fins de incidência do PIS/Cofins e, nos termos do art. 1º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, “a classificação contábil dos fatos tendentes a acrescer o patrimônio da sociedade é irrelevante: existe um conceito de receita para fins fiscais distinto daquele adotado pela contabilidade”. 12.4. Defende que não pode ser entendido como receita todo e qualquer ingresso ou movimentação financeira. 13. Em relação aos descontos em discussão, diz que não representam receita porque a adquirente não deve ao fornecedor o valor integral constante da Nota Fiscal, uma vez que o desconto é previamente estipulado. Seriam valores predefinidos, não sujeitos a condição, portanto, incondicionais. 13.1. Ocorreria o mesmo no caso das bonificações em mercadorias, por meio das quais a impugnante “paga por uma determinada quantidade e recebe outra quantidade grátis”. 13.2. Transcreve o dispositivo da Lei nº 10.833/2003 que exclui da base de cálculo da Cofins (faturamento mensal) os descontos incondicionais concedidos, o que “não poderia ser de outra forma, pois tal espécie de desconto não aumenta o patrimônio líquido do contribuinte que está recebendo o desconto”. 13.3. Sendo, na sua visão, incondicionais os descontos em questão, eles refletiriam uma redução no custo das mercadorias e não uma receita ou acréscimo patrimonial. 14. Não seriam condicionais pois não dependem de um evento futuro e incerto, já que o percentual do desconto é previamente pactuado, como procura demonstrar com a seguinte tabela, elaborada a partir de contrato firmado com a GRENDENE, que anexa (fls. 627 a 634): DESCONTO PADRÃO DE ACORDO COMERCIAL PERCENTUAL PA – Bonificação por pedido de compra 8,8 % WA – Desconto por serviços logísticos prestados 4,1 % Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Verbas de Propaganda 1,0 % FDN – Receitas de promoção 1,0 % TOTAL 14,90 % Cita um exemplo concreto da aplicação desta tabela, também amparado por documentação que anexa (fls. 635 e 636), da Nota Fiscal nº 0966506, cujo valor é de R$ 11.827,20. Contabilmente, lança 8,8 % (R$ 1.040,79) na primeira rubrica, 4,1 % na segunda (R$ 484,92) e 1,0 % (R$ 118,27) na terceira e na quarta, totalizando o desconto de 14,9 % (R$ 1.762,25). O valor a ser pago, é o líquido: R$ 11.827,10 – R$ 1.762,25 = R$ 10.064,95. 15. Ainda que se quisesse sustentar que os descontos estão sujeitos a um evento futuro (compra), também nesta hipótese não se estaria diante de uma condição, mas sim de um termo, que é um evento futuro e certo. Na condição, a própria ocorrência do evento é incerta. 16. Em seguida transcreve dois Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes que tratam, dentre outras coisas, de bonificações em mercadorias. Do segundo (nº 20310.152, da 3ª Câmara do 2º CC), traz o seguinte trecho de ementa: BONIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não se subsumem ao conceito de faturamento, nem no conceito de receita, a obtenção de descontos mediante a bonificação de mercadorias, eis que tais vantagens não se originam da venda de mercadorias nem da prestação de serviços, mas estão ligados essencialmente a operações que ensejam custos e não receitas. 16.1. Diz que neste acórdão outros tipos de descontos são abordados, os quais teriam semelhança com os que estão aqui em discussão. Em relação a eles, não transcreve nada da ementa, mas tãosomente trechos do Voto Vencido. 17. Menciona ainda sentença que teria sido favorável a uma empresa do grupo proferida nos autos dos Embargos à Execução Fiscal nº 2009.71.00.0036932/RS, que anexa (fls. 640 a 650). O julgador teria afastado a incidência da Contribuição para o PIS sobre descontos e bonificações em mercadorias, pois representariam apenas uma diminuição do custo de aquisição. 18. Na seqüência, transcreve a ementa da Solução de Consulta nº 58/2012, da Disit da 4ª Região Fiscal, que diz que, para que a bonificação em mercadorias configure desconto incondicional, este deve “constar da mesma nota fiscal que acompanha as mercadorias que deram origem ao prêmio, ou haja um contrato formal que preveja as condições negociais sobre a venda e concessão de bonificações, e não dependa de evento posterior à emissão do documento”. 18.1. Tomando por base esta Solução de Consulta, reputa que o entendimento está pacificado na Receita Federal, pelo que “requer, no mínimo, a aplicação do art. 100 do CTN, afastandose a aplicação de multa e juros no caso concreto, assim como de correção monetária, uma vez que o contribuinte não pode ser penalizado por ter procedido exatamente como determinado pela Administração Pública”. 19. A título de argumentação, pondera que, ainda que os valores recebidos não fossem considerados como descontos incondicionais, seriam receitas financeiras, tributadas à alíquota zero, conforme Decreto nº 5.442/2005. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.716 9 19.1. Diz que o art. 313 do Regulamento do Imposto de Renda trata dos descontos no capítulo de receitas financeiras e, além disso, o Manual de Contabilidade do FIPECAFI ensina o seguinte: Como receitas financeiras, há: Descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. 20. E, finalizando sua defesa no tocante à base de cálculo das contribuições, também a título de argumentação, aduz que, ainda que se pudesse admitir que os descontos seriam condicionais, não poderiam ser havidos como receitas da impugnante, já que, nessa hipótese seriam meros reembolsos de despesas. 21. Diz que no exercício de suas atividades incorre em inúmeros investimentos para manter o sucesso do empreendimento, sendo notória a necessidade, para uma rede varejista, de investir valores significativos em propaganda, campanhas publicitárias dentro e fora de suas lojas, encontros com clientes e fornecedores, promoções de aniversário, inaugurações de lojas, etc. 21.1. Admite que todos esses investimentos também são de interesse dos fornecedores, uma vez que os produtos por eles fornecidos são amplamente divulgados aos consumidores, propiciando o aumento de vendas. 21.2. De qualquer forma, “caso se considerasse os descontos classificados como ressarcimento de custos e despesas incorridos nas referidas atividades, a conclusão não poderia ser diferente, porquanto tais valores não poderiam ser classificados como receitas”. 21.3. Repisa que, para que o ingresso configure receita, deverá causar necessariamente um aumento no patrimônio da pessoa jurídica e “O ressarcimento ou reembolso representa a restituição a alguém do quantum anteriormente desembolsado em nome desse terceiro, não existindo, nesse caso, o acréscimo decorrente de um novo ingresso na esfera patrimonial do contribuinte”. 21.4. Como fundamentação, traz duas citações doutrinárias: a primeira de Rodrigo Petry, trata de valores repassados a uma pessoa jurídica centralizadora dos custos e despesas; a segunda, de Sólon Sehn, diz o seguinte: "Uma vez delimitado o conceitobase de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e da Cofins e, sobretudo, fixada a premissa que receita é acréscimo ao patrimônio líquido, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo – inconfundível, portanto, com a noção neutra de ingresso de caixa –,não há dúvidas de que tais tributos não incidem sobre reembolsos. O reembolso, afinal, constituiu um ingresso sem repercussão patrimonial positiva, que apenas recompõe o patrimônio da pessoa jurídica em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. Não há, destarte, a entrada de riqueza nova ou incremento patrimonial, razão pela qual não ocorre a incidência das contribuições ao PIS/Pasep e da COFINS”. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 10 22. Passa então a tratar das glosas de créditos. 22.1. Introduz o assunto discorrendo sobre o princípio da nãocumulatividade –insculpido no § 12 do art. 195 da CF para as contribuições para a seguridade social sobre o faturamento –, apregoando que, estando o seu setor econômico dentre os eleitos pelo legislador ordinário para os quais ele é aplicável, deve sêlo “de forma legítima, afastandose qualquer possibilidade de aplicação parcial ...”. 23. Abordando mais especificamente a questão do frete sobre as vendas, admitido– quando for o caso, pelo inciso IX da Lei nº 10.833/2003, também aplicável à Contribuição para o PIS, a teor do art. 25 da mesma lei –, desde logo afasta sua vinculação às Soluções de Divergência da Cosit e diz que a jurisprudência do CARF vem caminhando em outro sentido, utilizando como exemplo excertos da ementa e do voto do Acórdão nº 340300.485, que trata do frete na transferência de produtos acabados destinados à exportação para estabelecimento onde se realiza a operação de consolidação e armazenagem de mercadorias. 23.1. Vejamos o que diz a norma em discussão: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ................... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 23.2. Na sua análise da jurisprudência judicial, cita a decisão do STJ no REsp nº 1.215.773/RS, no qual teria sido reconhecido o direito ao creditamento sobre as despesas de frete havidas entre o fabricante e uma concessionária de veículos, independentemente da venda ao consumidor final já ter se concretizado ou não. 23.3. Além disso, pondera que as despesas com frete das mercadorias destinadas a revenda poderiam ser classificadas como insumos para a consecução das suas atividades, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, estabelecendo como primeira controvérsia fixar a exata dimensão do conceito de insumo, “para, ao fim, concluir se o transporte das mercadorias realizado por empresas terceirizadas entre os centros de distribuição e filiais da Impugnante” integra este conceito. 23.4. O referido dispositivo legal reza o seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ................... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto ... 23.5. Afirma que os julgados do CARF e do STJ mais recentes sobre o tema denotam que a interpretação atualmente adotada do termo “insumo” para fins de aproveitamento dos créditos PIS/Cofins é mais flexível, desconsiderando o conceito restritivo das instruções normativas da RFB, que remetem à legislação do IPI. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.717 11 23.6. Entrando no campo fático, traz detalhada explicação sobre a imprescindibilidade da existência de centros de distribuição, pois, por meio deles, “é realizado o planejamento, a implementação e o controle do fluxo dos produtos, essenciais para a consecução das atividades dos supermercados varejistas”. 23.7. Explica que os centros de distribuição: (i) reduzem as distâncias entre os fornecedores e suas lojas; (ii) diminuem a área de armazenagem das lojas; (iii) reduzem os custos de manutenção de estoques; (iv) aumentam o volume de entregas; (v) garantem a disponibilidade dos produtos em todas as lojas da região; (vi) evitam o perecimento das mercadorias nas lojas e (vii) combatem o excesso de produtos nas lojas e erros na previsão de vendas. 23.8. Diz que transporte de mercadorias entre centros de distribuição e suas filiais, realizado de acordo com a demanda das lojas, impacta diretamente no custo de sua atividade, possibilitando ofertar aos seus clientes preços mais competitivos e, assim, vender mais. 23.9. Assim, seria despesa essencial às suas atividades e deveria ser admitida para fins de creditamento PIS/Cofins, pois “nem se alegue que a hipótese de creditamento enunciada pelo art. 3º, II, ... seria aplicável somente às atividades de fabricação ... de bens e ... prestação de serviços, mas não às pessoas jurídicas que estão no ramo de comercialização de produtos, pois o setor de atividade econômica comercial foi expressamente contemplado pela lei com a nãocumulatividade ...”. 24. Empós, passa a contestar a segunda glosa de créditos, referente ao ICMS – Substituição Tributária nas aquisições. 24.1. Pontua que a base para cálculo dos créditos é o valor dos bens adquiridos para revenda, conforme preceitua o art. 3º, I, e § 1º, I, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 (excerto desta última transcrito a seguir): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ................... § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; 24.2. Argumenta que “Muito embora não exista uma definição específica desse conceito na própria legislação do PIS e da COFINS, certo é que o legislador não se utilizou de conceitos mais restritos, tais como, ‘valor da mercadoria’ ou ‘preço da mercadoria líquido de outros encargos” e, assim, o que estaria contemplado na norma é todo o valor despendido para a aquisição daquele bem, o que incluiria os tributos nãorecuperáveis, como o ICMSST. 24.3. Estriba sua defesa na doutrina, em um acórdão do CARF relativo ao IRPJ e à CSLL e em posicionamentos da Receita Federal sobre a possibilidade de apropriação de créditos em relação ao frete pago na aquisição da mercadoria. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 12 24.4. Cita também a IN/SRF nº 404/2004 (que trata da Cofins), da qual transcreve e seguinte excerto: Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto... ................... § 3 º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. 24.5. Diz, com base na legislação do IRPJ, que o custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreende o valor da mercadoria propriamente dita, os gastos com transporte e seguros e os tributos incidentes na aquisição, excluídos apenas os tributos recuperáveis (que não é o caso do ICMSST). 24.6. Procura defender que existe uma recuperação “jurídica” e uma “econômica”, que não se confundem. A jurídica é típica dos tributos indiretos, para os quais ocorre o fenômeno da repercussão tributária, que dá azo ao sistema de débitos e créditos, até o final da cadeia de comercialização. A econômica decorre de que, ao final, quem arca com toda a carga tributária é o consumidor final. 24.7. Argumenta que o ICMSST não é devido em razão da realização de operação futura, como diz a Fiscalização, mas sim devido integralmente na operação de venda realizada pelo substituto (fornecedor) ao substituído (a impugnante). 24.8. Assim, o valor do ICMSST é recolhido em caráter definitivo pelos fornecedores e repassado na forma de preço ao varejista, não mais como um crédito compensável na escrita fiscal. A recuperação que pleiteia então é econômica e não mais jurídica. 24.8.1. Traz excertos do Voto no Ministro Nelson Jobim no julgamento da ADI nº 2.7778/SP, em que se decidiu pela inconstitucionalidade de dispositivo de lei estadual que assegurava a restituição de parcela do ICMSST nas situações em que o fato gerador ocorre em valor inferior ao presumido. 24.9. Os trechos transcritos, em suma, deixam transparecer que o citado Ministro vê que o valor da mercadoria, desde a operação inicial até a final, traz embutido o correspondente imposto devido por substituição tributária. 25. No tópico seguinte, ataca a aplicação da multa de ofício, de 75 %, que, na sua visão, além de confiscatória, seria desproporcional, já que a autuada sempre apresentou toda a documentação e prestou os esclarecimentos solicitados pela Fiscalização, além do que não teria havido propriamente um falta de recolhimento, Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.718 13 mas uma interpretação da legislação em um sentido diverso do que entenderam os autuantes, pelo que pugna, em caráter alternativo, pela aplicação da multa moratória, de 20 %. 26. Finalizando suas argumentações, diz que é ilegal a cobrança dos juros, à Taxa Selic, sobre a multa de ofício, pois o art. 61 da Lei nº 9.430/96 só prevê a sua incidência sobre os débitos “decorrentes de tributos e contribuições” e não sobre penalidades, além do que os juros não têm natureza punitiva, mas indenizatória, por ter sido o credor privado, por determinado período, da utilização do seu capital e, assim, só poderia incidir sobre o tributo pago em atraso. 26.1. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais em seu favor. 27. Ao final, requer que: Seja cancelada a parcela do Auto de Infração referente aos valores recebidos a título de bonificações em dinheiro que já sofreram tributação PIS/Cofins, bem como seja excluída a cobrança sobre mercadorias recebidas em bonificação; “Cumulativamente ... seja o Auto de Infração julgado totalmente improcedente, cancelandose integralmente o crédito tributário por ele constituído”; Caso assim não se entenda, “o que se admite apenas por hipótese”, no mínimo seja afastada a multa e os juros sobre a multa, “bem como a aplicação do art. 100 do CTN, para o afastamento das penalidades e dos consectários legais”. A 2ª Turma da DRJ/REC julgou o lançamento procedente. O Acórdão nº 11 40.912, de 16 de maio de 2013,fls. 1.430 a 1.462, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. DESCONTOS CONCEDIDOS PARA FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE, AINDA QUE IMPLIQUEM CONTRAPRESTAÇÕES. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos obtidos em negociações com fornecedores para financiamento da sua atividade operacional, ainda que haja alguma contrapartida, como prestações de serviços (de transporte, de propaganda, de venda), aluguel de espaços privilegiados nas lojas ou promoção de eventos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 14 Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, que pode também ser na forma de empréstimo (mútuo) ou de pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos comerciais. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. NOTA FISCAL DESVINCULADA. DOAÇÃO. INCIDÊNCIA. As bonificações em mercadorias que não sejam dadas em forma de desconto incondicional, reduzindo o valor da Nota Fiscal de venda, mas em separado, constituemse em doação, que é receita para quem a recebe, sujeita, portanto, à incidência da contribuição. CONTRAPARTIDA INCERTA. REEMBOLSO DE DESPESAS. DESCARACTERIZAÇÃO. As bonificações, na forma de descontos ou em mercadorias, concedidas para financiamento de despesas havidas por quem as recebe, não se configuram como reembolso destas mesmas despesas quando o aporte dos recursos se dá sem uma contrapartida previamente definida e quantificada. ACORDO DE NÃODEVOLUÇÃO. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA. Os descontos concedidos em troca do compromisso de não devolução de mercadorias são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável, computase o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. DESCONTOS CONCEDIDOS PARA FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE, AINDA QUE IMPLIQUEM CONTRAPRESTAÇÕES. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos obtidos em negociações com fornecedores para financiamento da sua atividade operacional, ainda que haja alguma contrapartida, como prestações de serviços (de transporte, de propaganda, de venda), aluguel de espaços privilegiados nas lojas ou promoção de eventos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, que pode também ser na forma de empréstimo (mútuo) ou de pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos comerciais. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.719 15 BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. NOTA FISCAL DESVINCULADA. DOAÇÃO. INCIDÊNCIA. As bonificações em mercadorias que não sejam dadas em forma de desconto incondicional, reduzindo o valor da Nota Fiscal de venda, mas em separado, constituemse em doação, que é receita para quem a recebe, sujeita, portanto, à incidência da contribuição. CONTRAPARTIDA INCERTA. REEMBOLSO DE DESPESAS. DESCARACTERIZAÇÃO. As bonificações, na forma de descontos ou em mercadorias, concedidas para financiamento de despesas havidas por quem as recebe, não se configuram como reembolso destas mesmas despesas quando o aporte dos recursos se dá sem uma contrapartida previamente definida e quantificada. ACORDO DE NÃODEVOLUÇÃO. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA. Os descontos concedidos em troca do compromisso de não devolução de mercadorias são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 1.470 a 1.539, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as mesma razões de defesa já oferecidas em sede de impugnação. Inicialmente, alega excesso na exigência de parcelas que já haviam sido recolhidas sobre bonificações recebidas em dinheiro, cfe. planilhas de cálculo, DACON e DARFs já acostados aos autos na impugnação. Tece, então, considerações a respeito das práticas comerciais no mercado varejista, discorre sobre a base de cálculo das contribuições sociais não cumulativas e sobre a natureza dos descontos que obtém de seus fornecedores, para concluir que os mesmos não representam receita, vez que são previamente estipulados em acordos comerciais, que resultam na redução do custo de aquisição das mercadorias e que não estão sujeitos a qualquer condição, o mesmo ocorrendo com as mercadorias recebidas em bonificações. Argumenta, incidentalmente, que, ainda que se desconsiderasse a natureza incondicional dos descontos, não se poderia tributálos, já que, nesse caso, nada mais seriam do que reembolso de despesas. Na continuação, discorre sobre o que chama de princípio da não cumulatividade das contribuições sociais, para insistir no direito à tomada de créditos sobre fretes pagos no transporte de mercadorias destinadas à venda. Pugna por sua caracterização como insumo. Defende, da mesma forma, seu direito a crédito sobre o valor do ICMS Substituição Tributária nas aquisições de mercadorias destinadas à revenda. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 16 Rechaça a multa de lançamento de ofício aplicada, tachandoa de confiscatória. Ainda, combate a incidência de juros de mora sobre a referida multa, tida como ilegal. Conclui, requerendo o cancelamento integral do lançamento. Alternativa e sucessivamente, que se cancele a exigência relativamente a receitas já tributadas (bonificações recebidas em dinheiro. Requer também que seja previamente intimada na pessoa de suas representantes leqais a seguir relacionadas: Raquel Cristina Ribeiro Novais, Daniella Zagari Gonçalves e Cristiane Romano, inscritas na OAB/SP sob os n°s 76.649, 116.343 n° 123.771, respectivamente, sócias do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, as duas primeiras com endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima n° 3144, 8o andar, CEP 01451000, São Paulo SP e, a terceira, em Brasília, DF, SCN, Quadra 2, Bloco A, Sala 904A, CEP 70712900. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional contrarrazou o feito, fls. 1.615 a 1.642. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.470 a 1.439 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC2ª Turma nº 1140.912, de 16 de maio de 2013. Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Mérito – da bitributação das bonificações recebidas em dinheiro O recorrente explica que, muito embora tenha excluído da base de cálculo das contribuições a conta nº 430312 Receita de Promoções, em que registra as bonificações recebidas em dinheiro, tributa esses valores separadamente. Exemplifica com a ficha 5A da planilha de apuração das contribuições, no mês de janeiro de 2008, em que o total das receitas auferidas pela Recorrente foi de R$ 294.929.661, 82, enquanto que o valor não tributado pelo PIS e COFINS foi de R$ 109.875.332,57, resultando na base de cálculo de R$ 185.054.329,25, pretendendo demonstrar que valor das bonificações recebidas em dinheiro R$ 449.934,56 Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.720 17 está incluído no valor de R$ 185.054.329,25 (base de cálculo das contribuições), tendo sido, portanto, tributado em duplicidade (pelo contribuinte e no auto de infração). A arguição já constou da impugnação e a decisão recorrida demonstrou sua improcedência. A planilha de apuração da base de cálculo referida pelo recorrente, intitulada “PIS NãoCumulativo – 2008 – Ficha 05” (fls. 085), consigna, para aquele mês, o valor de R$ 8.880.779,96 na Conta nº 430312 – Receitas de Promoções e, em destacado – mas ainda dentro da mesma conta –, sob a rubrica “( + ) Bonificações”, precisamente o valor de R$ 449.934,56. Reproduzo, na imagem abaixo, a Ficha 05 da fl. 85, com destaque nas rubricas de que se trata, para maior clareza: A Fiscalização, na apuração da base de cálculo a lançar no Auto de Infração, apenas coligiu as receitas que, segundo o seu entendimento, haviam sido indevidamente excluídas da base imponível, como a Conta Receitas de Promoções. No “Demonstrativo de Apuração das Bases de Cálculo do PIS/Cofins – Diferenças a Tributar” (fls. 571), vêse que foi considerado para esta conta somente o valor de R$ 8.880.779,96, sem a inclusão, portanto, do valor de R$ 449.934,56 referente às bonificações em dinheiro. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 18 Confirase: Assim como procedeu o meticuloso Relator da decisão recorrida, AFRFB Cláudio Losse, também estendi essa verificação a outros meses do mesmo ano, por amostragem, e constatei o mesmo procedimento. Mérito – da tributação dos “descontos” recebidos Os argumentos recursais fundamentais são de que o contribuinte negocia descontos com seus fornecedores, que não se configuram como receita porque não comportam ingressos no patrimônio da sociedade. Enfatizamse o caráter incondicional dos descontos recebidos e a impossibilidade de sua tributação pelas contribuições sociais não cumulativas, mesmo que se desconsiderasse essa sua natureza. O cerne da questão é verificar se os valores que o contribuinte cobra dos fornecedores e desconta no valor a pagar aos fornecedores integram ou não a base de cálculo da COFINS e do PIS. A matéria não é inédita para este colegiado. Lembro a meus pares que, ainda em julho passado, julgamos recurso voluntário proposto por sociedade do mesmo grupo econômico Walmart Brasil, inclusive com contabilidade organizada segundo o mesmo plano de contas, em que se controverteram as mesmas exclusões da base de cálculo das contribuições sociais. Peço licença para reproduzir o voto condutor do Acórdão nº 34032.367, de 24 de julho de 2013, que, com a clareza e precisão peculiar ao Relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, assim tratou a questão: Da delimitação conceitual na matriz legal No presente processo a matéria fática é praticamente toda incontroversa, residindo o contencioso na sua leitura jurídica: tanto a recorrente quanto o autuante (ou mesmo o julgador de primeira instância) especificaram precisamente qual a situação de fato de que tratam os autos. Não há dúvidas de que a recorrente busca por diversos meios (como a propaganda e eventos especiais) melhorar seu desempenho, e os contratos padrão com fornecedores são um mecanismo para atingir esse fim. Sai ganhando a recorrente, que aumenta suas vendas, e saem ganhando os fornecedores, que têm seu produto em evidência, o que também implica maior volume de vendas. É no enquadramento da situação resultante dessa contratação, em face da legislação que rege as contribuições (essencialmente as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003) que repousa a divergência. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.721 19 Dispõe a Lei nº 10.637/2002, que rege a COFINS na sistemática da não cumulatividade: Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 2° A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. 3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos (...) (grifo nosso) De modo absolutamente idêntico dispõe a Lei nº 10.833/2003, que rege a Contribuição para o PIS/PASEP, na mesma sistemática: Art. 1° A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 2° A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. 3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos (...) (grifo nosso) A glosa efetuada pelo fisco, ensejadora da autuação, deveuse ao fato de a recorrente ter tributado à alíquota zero determinadas receitas (contas: receitas de promoções,..., cf. relatório), e de não ter computado outras receitas (contas: Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 20 recuperação ordenado repositores, ..., cf. relatório) na base de cálculo das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS). Na sua defesa (tanto na impugnação quanto no Recurso Voluntário) a empresa sustenta em relação a ambas as situações que se tratam de descontos incondicionais (e, ainda que não o fossem, ad argumentandum tantum, seriam meros reembolsos de despesas, e não receitas). Há uma incongruência preliminar na argumentação da recorrente, pois se ambas as situações se enquadram como descontos incondicionais, ambas deveriam ter sido excluídas da base de cálculo, e não excluídas em algumas contas e tributadas à alíquota zero (por serem receitas financeiras) em outras, como detectou o autuante. Tendo em vista a reiterada afirmação geral feita na defesa de que se tratam de despesas incondicionais, assumirseá aqui que a recorrente está superando seu entendimento contábil inicial, e reclassificando todas as contas como despesas incondicionais (entendimento diverso levaria à conclusão de que a recorrente não impugnou as glosas nas contas com alíquota zero, o que não condiz com o texto da defesa). Ademais, as contas tributadas com alíquota zero nitidamente não guardam correspondência com a definição de receitas financeiras constante do RIR/1999 (art. 373). A discussão sobre o conceito de receita, seja em seu aspecto econômico, como enfatiza a recorrente, seja em sua abordagem histórica, que buscou fazer o julgador de primeira instância, não é revestida da relevância que se tenta atribuir a ela nos autos, diante da delimitação técnica efetuada nas leis que regem a matéria. Contudo, de tal discussão deriva outra inconsistência: se as contas se referem a descontos incondicionais, elas constituem receita (não por força de aspectos históricos ou econômicos, mas porque a lei expressamente o estabelece). Vejase o 3° do art. 1° de qualquer das leis de regência transcritas, que explicitamente afirma que não integram a base de cálculo as receitas referentes a descontos incondicionais concedidos. Assim, a linha ad argumentandum tantum da recorrente, de que caso tais descontos não sejam considerados incondicionais, então não seriam nem receita, mas meros ingressos, é diametralmente oposta à tese principal sustentada. Se os descontos incondicionais são receita (e já se esclareceu aqui que são), não se tem dúvida de que os condicionais também o sejam. Nesse ponto é cabível a interpretação sistemática do direito tributário, para visualizar aquilo que a lei não definiu expressamente, mas está implícito no sistema. A lei inegavelmente estabeleceu que a base de cálculo das contribuições abarca todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e que poderiam ser excluídas de tal base as receitas referentes a descontos incondicionais. Seria absolutamente ilógica a utilização desse mecanismo se os descontos condicionais estivessem excluídos do conceito de receita. Assim, bastaria incluir uma condição ao desconto para que se estivesse fora da área de abrangência do termo receita (e da tributação a ele atrelada). É de se descartar, de plano, assim, a argumentação alternativa do recurso voluntário, e centrar a discussão no tópico essencial ao deslinde do contencioso: o caráter condicional ou incondicional dos descontos concedidos. Do caráter condicional ou incondicional dos descontos concedidos A afirmação constante da autuação de que os descontos derivam de contratos de caráter imperativo e unilateral , nos quais a recorrente impõe aos fornecedores uma série de exigências para que possa adquirir seus produtos , fortalecendo a ideia de prestação de serviços , é refutada pela recorrente, que sustenta que, diante do Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.722 21 porte de alguns de seus fornecedores, seria bastante ingênua a afirmação de que a recorrente impõe a seus fornecedores determinadas exigências para vender seus produtos, quando a mesa de negociação está composta por verdadeiros gigantes , e que ao fornecedor cabe escolher, livremente, se deseja ou não celebrar um contrato com a recorrente . Qualquer que seja a força de negociação dos fornecedores, no entanto, os contratospadrão utilizados (fls. 13120 a 13127) apresentam cláusulas nas quais o fornecedor acorda com o desconto, bancando diversos custos da recorrente com eventos promocionais (cujos nomes podem ser deduzidos a partir das contas contábeis correspondentes, v.g. recuperação de despesas de aniversário Hiper BomPreço , recuperação de despesas Bloco de Parceria ...), publicidade, e outros. Reparese que o fornecedor é que está concedendo o desconto e ainda assumindo obrigações. Contudo, resta questionar a que título o fornecedor acorda com conceder contratualmente um desconto. Na autuação, destacase cláusula do contratopadrão que estabelece: O presente desconto é decorrente de serviços logísticos prestados pelo Bompreço tais como entregas centralizadas, transportes, manuseio, armazenagem de mercadorias e/ou ferramentas de controle . Vejase que tal texto consta inclusive em contratos com empresas de grande porte (v.g. Bunge Alimentos, fls. 13138/13139). 1 Em seu Recurso Voluntário, a recorrente afirma que não presta nenhum tipo de serviço, sendo sua atuação focada no comércio varejista e atacadista de mercadoria , e que a existência de um centro de distribuição ou a elaboração de campanhas de marketing não tornam a recorrente prestadora de serviços de transporte ou de propaganda . Afirma ainda que não há obrigações de fazer impostas pela recorrente . Não nos parece que mereça prosperar tal argumentação, pela simples leitura do próprio texto do contrato padrão. Por sua vez, à afirmação feita pelo julgador, a partir da definição de descontos incondicionais do Programa Perguntas e Respostas da Receita Federal na internet, de que somente serão considerados como descontos incondicionais aqueles que constarem na nota fiscal e não dependerem de evento posterior, a recorrente contrapõe alegação no sentido de que se o desconto já foi previamente acordado, o fato de não estar refletido na nota fiscal de venda não altera sua natureza incondicional, justamente porque esse desconto foi previamente pactuado , calcandose no conceito de condição do Código Civil brasileiro. Contudo, além de não constarem nas notas fiscais, os descontos a que se refere o presente caso são contraprestacionais, e não incondicionais. E se há contraprestação, há a possibilidade de incumprimento desta (por mais que se afirme na defesa da recorrente que os fornecedores não fiscalizam efetivamente se o produto está em gôndolas de destaque, etc.). 1 Nota do relator: No processo 10480.720046/201370, há cópia do "Acordo Comercial" celebrado entre a recorrente e Grendene SA, fls. 627 a 634, com cláusula idêntica à constante do contrato celebrado com Bunge Alimentos, que ilustra o voto do Cons. Rosaldo. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 22 Assim, também não procede a argumentação da recorrente no sentido de que os descontos são incondicionais. Fazendo minhas as palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan, e adotandoas como razão de decidir, nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Mérito Glosa de créditos relativos a fretes pagos nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da sociedade Como se constata, o contribuinte ganha “descontos” para distribuir as mercadorias para as suas diversas lojas, não os tributa e trata de se creditar das despesas incorridas nessa atividade. Sem dúvida, é o melhor negócio do mundo! Pelo menos no que diz respeito aos períodos de apuração objeto da presente atuação, a locupletação não prosperará. O recorrente invoca, num primeiro momento, o inciso IX, art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Mais tarde, pugna pela tomada de crédito dos fretes internos como insumo. Ora, a regra contida no inciso IX do art. 3 , da Lei nº 10.833, de 2003, não comporta outra interpretação senão a de que os créditos sobre fretes limitamse às operações de venda. Quanto a possibilidade de caracterização dos serviços de transporte de mercadorias entre estabelecimentos como insumo, somente podem ser considerados insumos os bens e serviços diretamente utilizados no processo de produção de uma mercadoria destinada à venda e no ato de prestação de um serviço do qual decorra a receita tributada. A propósito, valhome do conceito de insumo deduzido pelo Ministro Campbell Marques, no REsp nº 1.246.317MG, invocado pelo recorrente em seu arrazoado: Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes (negrito na transcrição). Para o Min. Campbell Marques, em síntese, insumo, para fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, há de guardar, cumulativa e obrigatoriamente, relação de pertinência e essencialidade para com o processo produtivo. Como enfatizou a recorrente, a atividade de distribuição das mercadorias do centro de distribuição para as diversas lojas do Bompreço é decorrência dos acordos comercias firmados com seus fornecedores. Vale dizer: se o acordo não for pactuado, caberá ao fornecedor promover essa distribuição. Articulo esse raciocínio para demonstrar que esse serviço de transporte não guarda relação de pertinência com o “processo produtivo” do Bompreço, entendido como tal a sua atividade principal de comércio a varejo de mercadorias, podendo ser suprimido, sem comprometimento de sua qualidade. A jurisprudência administrativa e do STJ estão alinhadas: Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.723 23 RECURSO ESPECIAL Nº 1.147.902 – RS (Min. Herman Benjamim) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS À TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Controvertese sobre a possibilidade de utilização das despesas de frete, relacionadas à transferência de mercadorias entre estabelecimentos componentes da mesma empresa, como crédito dedutível na apuração da base de cálculo das contribuições à Cofins e ao PIS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. 2. A legislação tributária em comento instituiu o regime da nãocumulatividade nas aludidas contribuições da seguridade social, devidas pelas empresas optantes pela tributação pelo lucro real, autorizando a dedução, entre outros, dos créditos referentes a bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial não provido. Acórdão nº 340101.692, de 14 de fevereiro de 2012 (Cons. Odassi Guerzoni Fº) “NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS DE TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. De não se admitir o aproveitamento de créditos originados dos serviços de transportes outros que não apenas relacionados às operações de venda. Aplicação da regra contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003.” Mantenhase a glosa procedida a este título. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 24 Mérito Glosa de créditos sobre ICMS – Substituição Tributária nas compras de mercadorias O recorrente pretende tomar créditos sobre o valor das mercadorias adquiridas para revenda, nele computado o valor do ICMS pago pelo substituto tributário, na hipótese em que o recorrente assume a condição de substituída tributária. Apóiase no inc. I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Lembro ao recorrente que a regra fundamental da técnica da não cumulatividade é a de que somente se toma crédito sobre aquilo que se pagou. Dito de outra forma, não há cumulação a “desmanchar” se não houver incidência na etapa anterior. Digo isso porque o ICMS – Substituição Tributária é expressamente excluído da base de cálculo das contribuições devidas pelo vendedorsubstituto, ou seja, não há incidência de PIS/Cofins sobre o valor do ICMSST na etapa anterior. O ICMS ST não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição devida, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação da contribuição devida pelo contribuinte substituído, na saída das mercadorias. Logo, não há direito a crédito sobre o valor do ICMSST para o revendedor substituído. Mantenhase a glosa. Mérito – confiscatoriedade da multa de lançamento de ofício Retomo o voto proferido pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan para o Acórdão nº 002.367, de 24 de julho de 2013. Discute a recorrente ainda a magnitude da multa de ofício de 75% da diferença de tributos apurada, prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, classificandoa como confiscatória. De pronto, externese que a vedação constitucionalmente consagrada (art. 150, IV) é à utilização de tributo com efeito de confisco, não se referindo o texto magno a penalidade (em sentido oposto, poderseia afirmar que o confisco de bens é uma penalidade constitucionalmente reconhecida, pois expressamente arrolada em seu art. 243, parágrafo único). Contudo, o caso em análise pouco tem a haver com confisco: a penalidade estabelecida em lei é a penalidade a ser aplicada (no caso, a multa de 75% da diferença de tributos apurada, legalmente amparada), não cabendo ao julgador, em regra, a delimitação quantitativa. Na legislação tributária há multas em faixa variável e multas em percentual ou valor determinado. Naquelas representadas por uma faixa variável, o julgador, a partir dos critérios legalmente estabelecidos, poderia fixar o percentual ou valor (desde que dentro da faixa delimitada em lei). Contudo, nas multas em que a lei fixa o valor ou percentual, é defeso ao julgador efetuar ponderações no sentido de redução. A questão é de lege ferenda. Não goza de acolhida, assim, a argumentação em relação a eventual caráter confiscatório da multa expressamente prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.724 25 Ademais, ainda que o julgador administrativo entendesse que a multa expressamente prevista em lei afrontasse algum princípio constitucional, estaria impossibilitado de afastála, em face da Súmula no 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária . Mérito – incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício Por fim, a recorrente retoma a insurgência contra a incidência de juros Selic sobre a multa de lançamento de ofício. Tenho manifestado o entendimento de que o acréscimo de juros sobre o valor da multa de lançamento de ofício não é matéria atinente ao lançamento de ofício. Tratase tão somente de consectário legal decorrente da mora no cumprimento da obrigação, que se evidencia, na tentativa de cobrança amigável, pela emissão do DARF que acompanha a carta cobrança que noticia o resultado do julgamento de primeira instância. A arguição de ilegalidade desse acréscimo, enquanto procedimento de cobrança, não pode ser conhecida no âmbito do rito processual instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, já que essa cartacobrança ou mesmo esse DARF em que consta o acréscimo de juros, não são meio formal de constituição de crédito tributário, nem traduzem, autonomamente, qualquer relação jurídica tributária. Ademais, é de regra que a matéria nem seja abordada pela decisão recorrida, já que não constou da impugnação, fato que retira, definitivamente, sua apreciação da competência desta Turma Recursal, consoante interpretação a contrario sensu da disposição do caput do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. Abro exceção e conheço da matéria nos casos em que, como no presente processo, a matéria já tenha sido arguida em impugnação e conste do acórdão da DRJ. Argumenta a Recorrente que inexiste previsão legal para esse acréscimo. No meu ponto de vista, o Recorrente não tem razão. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 26 Quanto aos acréscimos legais ao crédito tributário, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3°. do art. 5°., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior Nesse contexto, a multa de ofício é débito para com a União e decorre de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos dos seguintes dispositivos do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1°. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Decorre, assim, das expressas disposições legais que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária e, nesse sentido, sequer se poderia afirmar que a multa de ofício não seria decorrente da exigência de tributos e contribuições. Na verdade, a exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de ofício. A própria Lei nº 9.430, de 1996, no artigo 43, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora e os juros de mora devidos, isolada ou conjuntamente, e não teria sentido admitir a incidência dos juros de mora sobre a multa de mora e sobre os próprios juros de mora lançados exofficio e afastar a incidência nos casos de multa objeto de lançamento de ofício. Não há discrimine na legislação que ampare tal distinção. É a seguinte a redação do artigo 43: Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.725 27 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A aplicação às multas de lançamento de ofício do mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos é defendida também na doutrina2: “O § 1º do art. 113 recebe duras críticas da doutrina, devido à redação de sua parte final, onde diz que a obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária. É que o próprio art. 3º do Código Tributário Nacional determina que o tributo não pode consistir no pagamento de prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito. Há o estabelecimento, pelo menos aparente, de verdadeira contradição, por excluir aquele artigo, de maneira cabal, o pagamento das multas como prestação tributária. Com efeito, a afirmação de que a obrigação principal pode versar sobre penalidade pecuniária quadra mal com o anteriormente exposto. O § 3º do art. 113 visa estabelecer uma sanção destinada a punir aquele que descumpre a obrigação acessória. Escolhe a modalidade de uma penalidade de natureza pecuniária. Até esse ponto os tributaristas marcham concordes. Com efeito, nada mais apropriado do que impor uma sanção pecuniária àquele que descumpre com os deveres acessórios. Mas os mesmos críticos que há pouco encrespavam contra a possibilidade de que a obrigação principal pudesse ter por objeto tanto o pagamento de tributo quanto o de penalidade pecuniária, investem agora contra o fato de a obrigação acessória poder converterse em principal, quando não cumprida. Parece, com efeito, do estrito ponto de vista lógico, proceder a crítica destes autores. Não há que falarse em conversão da obrigação acessória em principal, mas sim em sanção. Contudo, a intenção do texto é tão manifesta que acaba por relevar este pecadilho de ordem lógica. É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável a tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo.” (negritamos) Portanto, sendo a multa de ofício débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurase regular a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Nesse sentido vemse solidificando a jurisprudência desta instância recursal, embora reconheça ainda não ser dominante. Ilustro a asserção: 2 BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2001, pp. 192 a 194. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 28 JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138 1ª. Seção. 2 . Câmara. 1ª Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155 1ª Seção. 4ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). E, ainda, o julgado da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido no Acórdão nº 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010 de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Do referido julgado, sobreleva extrair os seguintes trechos: O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p. 172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: [...]. Como referi, há dissenso. Turmas há que admitem o acréscimo, limitandoo à taxa de 1% a.m. (e.g. Acórdão nº 140200.213, Relator Antônio José Praga de Souza), ao passo Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.726 29 que outras, como esta, esforçamse para demonstrar a sua impossibilidade (Acórdão nº 3403 002.051, de 24 de abril de 2013, Relator Antônio Carlos Atulim). Se o CARF ainda está dividido, pareceme que vem se pacificando nas duas Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o entendimento pela legalidade da incidência de juros de mora sobre multas de lançamento de ofício. AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR (2012/01537730) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES AGRAVANTE : … ADVOGADOS : … AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ari Pargendler, Arnaldo Esteves Lima (Presidente) e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 04 de dezembro de 2012 (Data do Julgamento) Devo reconhecer, no entanto, que meu voto é vencido neste Colegiado. A maioria entende que a correção do valor da multa carece de base legal. O voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan para o Acórdão nº 002.367, de 24 de julho de 2013, também quanto a essa matéria, é paradigmático: (...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão débitos tributários abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 30 fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 2 / O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis . A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 1 A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. 2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 3 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o 3 do art. 5 , a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão débitos ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.727 31 ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os débitos referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é créditos . Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 32 Conclusões Por tudo quanto foi aqui considerado, neguese provimento ao recurso. Sala de sessões, em 26 de novembro de 2013 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator designado Restringese o presente voto vencedor à questão referente à incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. A matéria é préquestionada, e é cediço que as autoridades administrativas responsáveis pela execução dos acórdãos têm aplicado juros de mora sobre a multa de ofício, o que tem inclusive ensejado questionamentos em processos autônomos dirigidos a este tribunal. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.720046/201370 Acórdão n.º 3403002.585 S3C4T3 Fl. 1.728 33 A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN 34 Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso, e o exegeta não pode alargar o comando da lei para impor ônus ao sujeito passivo da obrigação. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo reiteradamente adotada por esta Turma. Sala de sessões, em 26 de novembro de 2013 Rosaldo Trevisan Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalment e em 10/12/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10814.009545/2005-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 02/10/2003
REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO.
Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostra-se cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Antonio Lisboa Cardozo e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 265 1 264 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10814.009545/200583 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.673 – 3ª Turma Sessão de 14 de novembro de 2013 Matéria REGIME AUTOMOTIVO Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 02/10/2003 REGIME AUTOMOTIVO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL NO MOMENTO DO DESEMBARAÇO. Definido que ao benefício em discussão se aplica a disposição do art. 60 da Lei 9.069/95, cumulativamente à norma específica do regime, mostrase cabível a exigência de nova CND a cada desembaraço aduaneiro, em nada se opondo esse entendimento àquele oriundo do STJ, aplicável, este último, apenas ao drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Antonio Lisboa Cardozo e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 06/12/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 95 45 /2 00 5- 83 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS Processo nº 10814.009545/200583 Acórdão n.º 9303002.673 CSRFT3 Fl. 266 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Temse recurso especial interposto pela sociedade empresária acima identificada contra decisão que manteve a nãohomologação de compensações por ela declaradas sob o entendimento de que não restara comprovado o direito creditório alegado. Adviria ele, segundo a recorrente, da redução de alíquota do imposto de importação autorizada pelo art. 5º da Lei 10.182/2001 (“regime automotivo”), a que faria jus porquanto já previamente habilitada na forma do art. 6º daquela Lei, mas que, inadvertidamente, não fora por ela postulada quando efetuou as importações. O direito não foi reconhecido porque a empresa deixou de apresentar certidões negativas de débito relativas às datas de desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas. Segundo a RFB, essa exigência decorre da aplicabilidade do art. 60 da Lei 9.069/95 à hipótese. A defesa da recorrente, desde a manifestação de inconformidade, vem sendo no sentido de que, mesmo que se entenda aplicáveis as disposições da Lei 9.069, descabe exigir nova apresentação de CND no momento do desembaraço se ela já foi apresentada quando da habilitação ao regime. Também desde a manifestação de inconformidade, vem juntando decisões administrativas e judiciais que chegaram a essa conclusão. Dentre as últimas, em seu recurso voluntário enfatizou – em tópico próprio – aquela proferida pelo STJ no RESP 1.041.237, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, e em que se discutia a mesma exigência no âmbito do regime especial de drawback. Essa decisão foi expressamente considerada, como uma das razões de decidir, no acórdão aceito como paradigma, mas não foi sequer mencionada na decisão de que se recorre. O recurso foi admitido pelo Presidente Henrique, já que a decisão apontada como paradigma examinou os mesmíssimos fatos e concluiu na forma pretendida pela recorrente. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em que postulou fossem considerados como seus os argumentos do acórdão 310201.068. Aí se analisou, inclusive, a aplicabilidade da decisão do STJ acima indicada, que foi rejeitada por ter tratado de drawback É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS Processo nº 10814.009545/200583 Acórdão n.º 9303002.673 CSRFT3 Fl. 267 3 O recurso deve ser mesmo admitido uma vez cabalmente demonstrada a divergência. Cumpre iniciar sua análise pela delimitação da questão posta a debate. Resumese ela ao momento em que deve ser apresentada a prova da regularidade fiscal de que trata o art. 60 da Lei 9.069/95. Já está assentado, portanto, que ela se aplica à hipótese aqui discutida – regime automotivo de que cuida a Lei 10.182/2001 – e que essa regularidade se há de demonstrar por meio de certidão negativa de débito (CND). Essa conclusão se impõe quando se vê que a própria decisão aceita como demonstradora da divergência não as rejeitou, apenas estendeu ao benefício aqui discutido – regime automotivo – a conclusão do ministro Fux válida para o drawback. Em outras palavras, no entender da Câmara paradigmática, sempre que se tratar de aplicação do art. 60 da Lei 9.069, a exigência de CND tem de ser única: ou ela é exigida no momento da “concessão” ou no do reconhecimento. Assim, equiparando a figura da habilitação prevista explicitamente na Lei 10.182 à da expedição do ato concessório que se realiza no âmbito do drawback, a Câmara entendeu que, uma vez exigida a CND na habilitação, não cabe exigila de novo, tal qual, segundo o STJ, não cabe fazêlo quando se trata de drawback. Ocorre que os dois institutos, embora benefícios fiscais ambos, não são, a meu ver, equivalentes. De fato, pelo menos duas diferenças são significativas. A primeira, e mais relevante, é que a exigência de comprovação de regularidade fiscal não consta nas disposições da legislação aduaneira atinentes ao drawback (Decretolei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I) mesmo com o “disciplinamento” que lhes dão as normas dos diversos regulamentos aduaneiros baixados, a exemplo dos arts. 335 a 355 do Decreto 4543. No drawback, portanto, toda a exigência se encontra lastreada exclusivamente na própria Lei 9.069/95, que é posterior ao ato legal que instituiu o regime. Nesses termos, a extensão realizada na decisão paradigma somente se poderia efetuar validamente se o regime automotivo, de modo semelhante ao regime aduaneiro especial em causa, não contivesse em sua legislação a exigência. Completamente diversa é, no entanto, a situação do Regime Automotivo: a própria lei que o instituiu – art. 6º, I da Lei 10.182 – já exigiu a “comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais”, aqui equiparada à exibição de CND (ponto sobre o qual também não se instaurou a divergência). Isso é, aliás, reconhecido pela própria recorrente. Ou seja, de um lado se tem um regime aduaneiro especial para cuja validade somente era originalmente exigida, grosso modo, a comprovação da efetiva exportação de certa quantidade de produtos, e ao qual se passou a aplicar adicionalmente a exigência genericamente prevista na Lei 9.069, e, do outro, um regime que, desde o seu nascedouro, já contém tal exigência de forma explícita. Notese que se trata de legislação posterior à Lei 9.069 e específica para o benefício. A segunda diferença é que no drawback se tem, desde o ato concessório, claramente definidos os parâmetros em que a suspensão, isenção ou restituição se dará, cabendo tãosomente ao interessado, após obter tal ato, exportar a quantidade compromissada – modalidade suspensão. Nas duas outras modalidades, tudo já é provado no primeiro momento, isto é, a importação, com pagamento de tributo, de quantidade equivalente àquela objeto da isenção ou da restituição postulada. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS Processo nº 10814.009545/200583 Acórdão n.º 9303002.673 CSRFT3 Fl. 268 4 De se notar que, mesmo assim, a decisão do sr. Ministro Fux não chegou ao ponto de afirmar que seria dispensada a CND para novos requerimentos do mesmo contribuinte. Ou seja, da decisão proferida o que se extrai – ao menos é o que extraio eu – é a dispensa da exigência de nova CND no momento do desembaraço da quantidade cuja importação com isenção ou suspensão previamente fora deferida; novos pedidos requererão nova CND. A aplicação “analógica” desse entendimento, portanto, levaria, a meu sentir, à conclusão oposta à que chegou a câmara paradigmática: a cada importação, no caso do regime automotivo, nova CND há de ser exigida, pois é aí que se tem de fato a concessão ou o reconhecimento para uma dada quantidade e qualidade de mercadoria a ser importada. E essa conclusão se vê reforçada pelo entendimento, já não mais objeto de controvérsia, de que a ele se aplica o art. 60 da Lei 9.069, em adição ou complemento à Lei 10.182, ainda que seja esta última específica do regime e posterior àquela e somente preveja a comprovação da regularidade no momento da habilitação. Por isso é que entendo que somente acatando a pretensão da empresa de que a Lei 9.069 não se aplica ao benefício em causa se poderia cogitar da dispensa da exigência debatida. Pacificada a questão, ao seu recurso especial há de ser negado provimento. E é assim que voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANT OS
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