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Numero do processo: 13161.000425/2010-06
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram, ainda, da presente sessão, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 105/107), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO DE IPI. VEDAÇÃO NA CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .0 00 42 5/ 20 10 -0 6 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13161.000425/201006 Resolução nº 3802000.072 S3TE02 Fl. 129 2 É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. (art. 25 da IN RFB nº 900, de 2008, com redação dada pela IN RFB nº 1.224, de 2011) Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada, com base no artigo 11 da Lei no 9.779/99, formalizou pedido de ressarcimento do IPI de competência do 2o trimestre de 2007, cumulado com pedido de compensação. Instada a se pronunciar sobre o direito creditório alegado, a Seção de Fiscalização da DRF Dourados encontrou irregularidades na saída de produtos com suspensão do IPI, fato que motivou a lavratura do auto de infração objeto do processo no 13161.720020/201080. As irregularidades apontadas na ação fiscal, inerentes ao não atendimento das condições para a saída com suspensão do IPI, motivaram a recomposição dos valores e o lançamento para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto apurado a menor. Consequentemente, foi indeferido o pedido de ressarcimento do imposto e não homologada a DCOMP correspondente. O valor total pleiteado foi de R$ 41.323,65. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que as exigências objeto do procedimento fiscal referenciado ainda estavam pendentes de julgamento, de forma que o crédito tributário constituído contra a empresa só seria definitivo, sendo o caso, depois de transitada em julgado a lide administrativa. Ao examinar a questão, a DRJ Juiz de Fora não acolheu os argumentos apresentados pela interessada em sua manifestação de inconformidade, o que fez alicerçada no artigo 25 da IN RFB no 900, de 20/12/20081 (vide fls. 108/109 do processo eletrônico). Cientificada da referida decisão em 05/07/2012 (vide AR de fls. 111), a recorrente apresentou, em 25/07/2012, o recurso voluntário de fls. 112/115, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito reiterando a necessidade de exaurimento da lide administrativa relativa ao processo de formalização da exigência do IPI, e ainda, em defesa de aduzida ofensa a princípios de natureza constitucional no seio do artigo 25 da IN SRF no 900, de 2008, notadamente o princípio de ampla defesa e o direito de petição (CF, artigo 5o, incisos LV e XXXIV, respectivamente). Aduz, também, que a proibição assinalada no referido artigo 25 da IN no 900/2008 só se caracterizaria quando pudesse “[...] ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal”. O caso presente, contudo, por carecer da referida decisão definitiva, deveria ser sustado até o julgamento final do processo de exigência dos créditos. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. 1 Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 129DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13161.000425/201006 Resolução nº 3802000.072 S3TE02 Fl. 130 3 Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A contenda decorre da não homologação de declaração de compensação em virtude de a unidade preparadora, ao examinar o direito creditório apontado pela interessada, haver concluído pela sua inexistência, inclusive tendo formalizado lançamento contra o imposto – IPI – relativamente ao qual a recorrente alega possuir direito creditório. Em outras palavras, no entender da fiscalização, a interessada, no lugar de crédito, seria devedora para com a Fazenda Pública. A consulta ao processo correspondente ao lançamento do IPI (no 13161.720020/201080) revelou que o mesmo ainda carece de decisão da primeira instância, a ser proferida pela DRJ Juiz de Fora. Esta, mediante o despacho no 28, de 09/05/2012, baixou o processo em diligência, já tendo adiantado, de antemão, que ao menos parte dos créditos consignados no lançamento seria improcedente, nos termos do referenciado despacho, abaixo transcrito: Irresignado, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, constituído às fls. 394/395, apresentou a impugnação de fls. 371/380 e fez juntada dos documentos de fls. 381/393 e 396/442. Na peça impugnatória, o contribuinte contestou o lançamento efetuado em razão das 4 (quatro) modalidades em que ocorreu: fornecimentos a optantes pelo simples, a pessoas físicas, a pessoas jurídicas que não apresentaram a declaração de condição ou a apresentaram em data posterior às respectivas aquisições de insumos. Especialmente em relação às aquisições de contribuintes optantes pelo Simples (federal e nacional), o contribuinte alegou que quem dera causa às saídas com suspensão indevida do IPI era o próprio comprador que lhe enviara correspondência declarando atender às condições para o gozo da suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637,de 2002. Nesse contexto, entende a relatora que as saídas com suspensão do IPI, direcionadas a optantes pelo SIMPLES, quando de fato houve declaração específica para esse fim pelo adquirente dos insumos, são eles, os adquirentes, que deram causa à suspensão indevida do tributo. Depreendese o fato pelo que estipula o parágrafo único do art. 5º da IN SRF nº 207, de 27/09/2002, que primeiro regulamentou a matéria: Art. 5º Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), quando adquiridos por estabelecimento industrial fabricante, preponderantemente, de componentes, chassis, carroçarias, partes e peças para industrialização dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5 e 87.01 a 87.06 da Tipi. Parágrafo único. Para os fins do disposto no caput, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. O dispositivo acima transcrito foi repetido pelas Instruções Normativas que sucessivamente foram utilizadas para a regulamentação do incentivo fiscal, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13161.000425/201006 Resolução nº 3802000.072 S3TE02 Fl. 131 4 ou seja, as IN SRF nos 235, de 31/10/2002; 296, de 06/02/2003, e IN RFB nº 948, de 15/06/2009, sempre no respectivo parágrafo único do art. 5º. Assim sendo, o crédito tributário estribado nas saídas para optantes pelo simples devem ser expurgados da autuação. Para tanto, deverá ser refeita a escrituração fiscal do contribuinte, a fim de determinar quais os créditos tributários deverão ser mantidos para cada período autuado. No que tange a uma outra contestação do contribuinte, que diz respeito às declarações de condição de utilização da suspensão relativas ao anocalendário de 2007, disse o contribuinte que não foi intimado a apresentálas, mas que as apresentou juntamente com os arquivos SINTEGRA. Sobre as declarações do anocalendário de 2007, a fiscalização deve se manifestar para informar se o contribuinte realmente às apresentou e se apresentadas foram se consideradas na sua totalidade, à vista dos documentos disponibilizados pelo contribuinte e de acordo com o entendimento expresso pela fiscalização no Relatório Fiscal. Esclarece a relatora que vale para o anocalendário de 2007 o mesmo entendimento expresso para os fornecimentos a optantes pelo Simples (federal e nacional). Pelo exposto, PROPÕESE que os autos retornem à DRF de origem para que seja reformulada a reconstituição da escrituração fiscal do contribuinte, com a exclusão dos débitos lançados relativamente às saídas com suspensão do IPI para adquirentes optantes pelo Simples (nacional e federal) e para que se manifeste a fiscalização sobre as declarações do anocalendário de 2007, tal qual esclarecido no parágrafo anterior. Apesar de o entendimento acima proferido ainda necessitar do julgamento do colegiado responsável pelo exame da lide, sabese, de pronto, que a situação dos créditos tributários constituídos contra o sujeito passivo é precária. Por sua vez, para exame do presente contencioso, onde a interessada requer a compensação tributária com os supostos créditos do IPI glosados pela fiscalização, há que se ter um entendimento conclusivo relativamente à legitimidade dos créditos alegados, o que só ocorrerá quando do julgamento do processo no 13161.720020/201080. Diante do exposto, proponho seja o presente julgamento convertido em diligência para que a autoridade administrativa responsável pelo indeferimento inicial da compensação, de posse do resultado do julgamento definitivo (art. 42 do Decreto no 70.235/72) do processo no 13161.720020/201080, sendo o caso, informe se os créditos eventualmente reconhecidos em favor da recorrente são suficientes para a quitação dos débitos objeto do presente processo, apresentando demonstrativo, acaso necessário, do crédito tributário remanescente. Instruído o processo com a documentação e os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10120.002239/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Na apuração do imposto, são admitidas deduções de despesas médicas realizadas apenas com o próprio contribuinte e com seus dependentes.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Na apuração do imposto, são admitidas deduções de despesas médicas realizadas apenas com o próprio contribuinte e com seus dependentes. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Fábio Brun Goldschimidt, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado). Ausentes justificadamente os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Relatório MARCOS ANTONIO DE ARAUJO BRAGA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 66) que julgou procedente lançamento, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 22 39 /2 00 9- 58 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 06/10 para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, referente ao exercício de 2006, no valor de R$ 3.775,75, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 7.815,80. A infração que ensejou o lançamento foi a dedução indevida de despesas médicas. Segundo o relatório fiscal, o Contribuinte deduziu como despesas médicas pagamento referentes a procedimentos feitos e pessoa que não figura como sua dependente na declaração de rendimentos. O Contribuinte impugnou o, lançamento e alegou, em síntese, que deduziu despesas feitas com sua esposa Cirene do Vale braga e sua filha Adriana do Vale Braga, e que a legislação permite a dedução de despesas médicas feitas com dependentes. A DRJ/BRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJ observou que a legislação tributária permite a dedução de despesas médicas feitas com dependentes, mas, no caso, a esposa do Recorrente apresentou declaração em separado, informando, i9nclousive, rendimentos tributáveis, e, portanto, não figurava como dependente do Contribuinte; a a Filha, em 2005, tinha 33 anos de didade e, portanto, salvo situação específica de invalidez, também nãos eria sua dependente, e que, de qualquer forma não foi declarada como tal; que, portanto, as deduções eram, de fato, indevidas. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 06/12/2012 (fls. 76) e, em 28/02/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 98/99, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto ao direito à dedução de despesas médicas feitas com dependente. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento pelo qual se exige diferença de importo em decorrência de glosa de dedução de despesas médicas. O fundamento para as glosas foi o fato de a dedução referirse a despesas realizadas com pessoas que não são dependentes do Contribuinte. De fato, é pacífico e dispensa maiores considerações o fato de são devidas as deduções de despesas médicas e outras, como despesas com educação, realizadas com o próprio Contribuinte e seus dependentes. No caso, todavia, as despesas foram realizadas com Cirene do Vale Braga (esposa do Recorrente) e Adriana do Vale Braga (filha), e nem uma, nem outra, figura como sua dependente. Aliás, como ressaltou a decisão de primeira instância, no Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10120.002239/200958 Acórdão n.º 2202002.376 S2C2T2 Fl. 3 3 exercício de 2006 a esposa do Recorrente apresentou declaração em separado e a filha tinha, no ano de 2006, tinha 33 anos e, portanto, salvo situação específica de invalidez, que deveria ser comprovada, não poderia figurar como dependente. Assim, de nada vale o Contribuinte defender o direito á dedução de despesas com dependentes quando na verdade as despesas em questão não foram realizadas com suas dependentes. Corretas, portanto, as glosas, Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.008165/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. -
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias.
Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, b do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS À FISCALIZAÇÃO. - A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, b do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Negado
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Secretaria da Receita Federal do Brasil na administração das contribuições previdenciárias. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 81 65 /2 00 8- 13 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.008165/200813 Acórdão n.º 2302002.510 S2C3T2 Fl. 85 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado em 12/12/2008, com ciência pelo mesmo em 24/12/2008, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso III da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter apresentado à fiscalização os arquivos magnéticos da sua escrituração contábil, no período de 01/2003 a 12/2003. O relatório fiscal da infração, fls. 06, diz que por meio de consulta à DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, ano calendário 2003, Ficha 56 A, Linha 14, foi constatado que a autuada manteve escrituração contábil por processamento eletrônico no período já apontado. O contribuinte foi intimado através do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, fls. 11 e do TIAD – Termo de Intimação para Apresentação dos Documentos, fls. 13, para que apresentação as informações em meio digital, o que não ocorreu. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “b”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e atualizada pela Portaria Ministerial MPS/MF N° 77, de 11 de Março de 2008, DOU de 12/03/2008, elevada em duas vezes em vista da agravante de reincidência. Na impugnação a autuada argúi que não foi intimada a prestar informações cadastrais financeiras e contábeis, sendo insubsistente a autuação. Acórdão de fls. 48/53, confirmou a procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese: a) a inexistência de previsão legal para a incidência de juros sobre multa; b) que decisões deste colegiado afirmam que não incidem juros sobre multa de ofício; c) reitera as consignações apostas na impugnação inicial e requer o provimento do recurso para cancelar a exigência ou determinar a não incidência da taxa SELIC sobre a multa aplicada. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O processo em questão trata da lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em legislação. O auto de infração é o documento lavrado pelo auditor fiscal, para o fim específico de registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, em descumprimento de uma obrigação acessória e constituir o crédito decorrente da multa aplicada. A atividade administrativa de lavratura de auto de infração é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, ao constatar a ocorrência de uma infração o auditor fiscal deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, lavrar o auto e aplicar a multa. No caso presente, foi lavrado o Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, pois conforme consta no Relatório Fiscal da Infração a recorrente deixou de apresentar os arquivos magnéticos relativos à escrituração contábil confeccionada eletronicamente. Os documentos foram devidamente solicitados através de termos próprios, fls. 11 e 13, e se mostravam indispensáveis à fiscalização, para a apuração das contribuições previdenciárias. O artigo 32, inciso III da Lei n.º 8.212/91, diz expressamente que a empresa é obrigada a prestar ao INSS as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, assim como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ainda, o artigo 8º da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, traz in verbis: Art. 8º A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas , escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Também o artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, dispõe: Art.225 A empresa é também obrigada a : (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; §22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.008165/200813 Acórdão n.º 2302002.510 S2C3T2 Fl. 86 5 contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Desta forma ao não apresentar os documentos solicitados que são de sua posse, guarda e responsabilidade dentro do período fiscalizado, a autuada infringiu o dispositivo legal acima referido, sendo inócua a alegação de que não foi intimada para tanto, frente aos já citados TIAF e TIAD, fls. 11 e 13, respectivamente. Relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, me reporto ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração está contida no artigo 283, inciso II, letra “b”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. O artigo 283, inciso II, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial MPS/MF N° 77, de 11 de Março de 2008, DOU de 12/03/2008, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. As alegações acerca da impossibilidade da aplicação da SELIC, para reajustar a multa aplicada, não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado Administrativo, posto que tal matéria não fez parte da impugnação inicial, não sendo, assim, examinada pelo órgão julgador de primeira instância e não integrando o Acórdão recorrido. As arguições sobre a aplicação da SELIC sobre a multa inovaram no processo ora examinado e portanto, não serão conhecidas por força do disposto no artigo 16, inciso III, do Decreto n.º 70235/72, onde está estipulado que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direto em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as provas que houver. Na mesma esteira legal, o artigo 17, traz que a matéria que não tenha sido expressamente contraditada pelo autuado, será considerada como não impugnada. Seguem as transcrições dos artigos legais: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ora, se o recurso busca a reforma da decisão proferida em primeira instância, não há como acatar assunto novo, que não foi mencionado antes da emissão da decisão recorrida e logo, não faz parte da mesma. Portanto, a matéria não expressamente impugnada quando da defesa administrativa será considerada verdadeira, precluindo a oportunidade de impugnação. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10925.904084/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/04/2005
Ementa:
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 1802-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/04/2005 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.904084/200921 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.794 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria PERDCOMP Recorrente CENTRO EDUCACIONAL EXPONENCIAL S/A CEESA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/04/2005 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 84 /2 00 9- 21 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.37) que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda.da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n 5.172, de 265 de outubro de 1966 (CTN) e art: 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei n?9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignada com o feito fiscal, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega: em primeiro lugar, que não apura IRPJ e CSLL sob a forma de estimativa mensal, mas sim sob a forma de balancetes de suspensão ou redução, fato que já seria suficiente para tornar insustentável o despacho decisório; que em momento algum a Lei nº 9.430/96 vedava, à época de transmissão da DComp, a compensação nos moldes do que alega o despacho decisório; que a lista contida no § 3º do art. 74 da Lei n2 9.430/96 é taxativa, não se podendo admitir a criação de novas hipóteses restritivas pela via infralegal; que a vedação à compensação em questão somente veio a ser implementada quando da edição da Medida Provisória nº 449, de 2008; que a vedação contida na MP n 449, de 2008, não consta na Lei n2 11.491/2009. que resultou da conversão daquela MP; que, em vista do que dispõe o inciso VI do art. 97 c/c inciso II do art. 156 do CTC, somente mediante lei se admite a imposição de hipóteses restritivas à extinção do crédito tributário; que o art. 170 do CTN também prestigia o princípio da legalidade em matéria de compensação; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.904084/200921 Acórdão n.º 1802001.794 S1TE02 Fl. 3 3 que é inequívoca a conclusão pela ausência de previsão legal dessa natureza, e qualquer restrição imposta constitui ilegalidade. Por fim, requer a reforma do despacho decisório e a conseqüente homologação das compensações efetuadas. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0724.583, de 27 de maio de 2011 (fls.37/40). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 19/07/2011 (Aviso de RecebimentoAR, fl.42), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 12/08/2011 (fls.43/49). As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer seja provido o presente Recurso, com a reforma do despacho decisório, e da decisão da DRJ, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço por não preencher todos os requisitos de admissibilidade. Com efeito, o presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 34239.67417.251006 1.3.045178 (fls.01/05), transmitido em 25/10/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (DARF: código – 2362, Período de Apuração:31/03/2005, Data de Arrecadação: 29/04/2005, Valor: R$ 11.388,63). Segundo o Despacho Decisório de fl.06, emitido em 11/05/2009, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em sede de primeira instância, a pessoa jurídica apresentou a manifestação de inconformidade em 19/06/2009 (fls.10/14), julgada improcedente mediante o Acórdão nº Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 0724.583, de 27 de maio de 2011 (fls.37/40) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformado com a mencionada decisão, interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 12/08/2011 (fls.43/49) no qual repisa as mesmas alegações da manifestação de inconformidade sintetizadas no relatório acima. Ocorre que, posteriormente, a Recorrente ajuizou ação anulatória de débito fiscal, processada sob o rito ordinário, em face da UNIÃO FAZENDA NACIONAL, objetivando provimento jurisdicional que declare a extinção, por compensação, dos créditos tributários que são objeto dos processos administrativos n. 10925904.091/200922, 10925 904.083/200986, 10925904.092/200977, 10925904.093/200911, 10925904.094/200966, 10925904.085/200975 e 10925 904.084/200921, conforme informado no “Despacho de Encaminhamento” da DRF JOAÇABA / SC de 23/10/2012, constante dos autos, vejamos: Por meio de correio eletrônico datado de 19/10/2012, a DRFJoaçaba tomou conhecimento da ação judicial 5004209 17.2011.404.7202.s.m.j., objeto da referida ação é idêntico ao que se discute no âmbito dos processos administrativos 10925 904.091/200922,10925904.083/200986, 10925904.092/2009 77, 10925904.093/200911,10925904.094/200966, 10925 904.085/200975 e 10925 904.084/200921, os quais encontramse tramitando neste CARF.Desta forma, nos termos do ADN Nº 03 de 14/02/1996, dou ciência da ação judicial ao CARF para que proceda às medidas necessárias. (Grifei) Nos presentes autos a discussão gira em torno da extinção, por compensação, dos créditos tributários que são objeto do processo administrativo nº 10925904.084/200921, incluso na demanda judicial. Desse modo, por se tratar de concomitância de discussão no âmbito administrativo e na esfera judicial há de se aplicar o entendimento desse Conselho Administrativo esboçado na súmula Carf nº 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há como apreciar a questão submetida ao Judiciário, devendo ser declarada a definitividade da não homologação da compensação na esfera administrativa. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso por se tratar de matéria com discussão no âmbito judicial. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.904084/200921 Acórdão n.º 1802001.794 S1TE02 Fl. 4 5 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908874/2009-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE
Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da nãohomologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 74 /2 00 9- 37 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908874/200937 Acórdão n.º 3801001.960 S3TE01 Fl. 95 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, assim expresso: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908874/200937 Acórdão n.º 3801001.960 S3TE01 Fl. 96 5 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário que resumidamente aponta que a parte não tem condições de se defender porque a autoridade julgadora não informou o por quê o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Que a r. decisão não possibilita à contribuinte, condições ideais para combatêla. No mérito, cita uma gama de conteúdo doutrinário e jurisprudência acerca do lançamento sujeito à homologação, decadência e o direito de compensar, requerendo, a final o provimento do recurso voluntário. Apresentado o Recurso Voluntário a DRF de Limeira entendeu por negar seguimento ao mesmo considerando o fato de que a DRJ não havia conhecido da manifestação de inconformidade. Em face dessa decisão a Recorrente interpôs Mandado de Segurança que determinou que se desse seguimento aos recursos da mesma e a sua remessa a esse Conselho. É o que importa relatar, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conheço do recurso. Pelo que se pode defluir da peça recursal a Recorrente entende ser nulo o despacho decisório porque o mesmo não informou o motivo pelo qual a Fazenda concluiu que não sobreviera crédito para a compensação pleiteada. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. A ausência de fundamentação da decisão ou o semsentido dos argumentos utilizados para a sua fundamentação atentam contra a possibilidade de se recorrer da mesma, pois a ausência dos motivos que conduziram o julgador a seu ato decisório impedem a possibilidade de refutação do raciocínio, pois não é possível acesso ao raciocínio, e, conseqüentemente, à construção lógica que culminou na decisão. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Estamos diante de uma declaração de compensação que se opera nos termos do artigo 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim expresso (os destaques são nossos): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O despacho decisório nãohomologou a compensação sob o seguinte fundamento: “Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada” Assim, de modo didático, se me permitem apontar meu raciocínio dessa forma, temos em confronto, por um lado, uma declaração da Contribuinte na qual informou um crédito e, por outro lado, uma decisão da autoridade que informou que esse crédito não existe em seus arquivos. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908874/200937 Acórdão n.º 3801001.960 S3TE01 Fl. 97 7 Temos também a informação prestada pela contribuinte de que nos autos existem ‘fartos’ documentos que, se analisados, nos permitiria inferir a existência do crédito. Como é sabido, na sistemática existente é a contribuinte que informa à Receita Federal os seus débitos e créditos através de inúmeras declarações e cabe à autoridade, se lhe interessar, fiscalizar a sua veracidade. Assim, se a autoridade não homologou a declaração da contribuinte pela inexistência de crédito é porque a própria contribuinte informou que esses créditos já haviam sido utilizados de algum modo, provavelmente na DCTF, que tem caráter de confissão de dívida. E é essa a informação do despacho decisório: a que não havia crédito disponível, é essa suficiente para avisar ao contribuinte o motivo da não homologação – a inexistência de crédito e ao contribuinte caberia contrapor essa informação demonstrando que tinha crédito. Nesse sentido, entendo não haver falta de fundamento que implique em nulidade. No mais, compulsando os autos, não fui capaz de encontrar um documento sequer que se relacione com a escrituração da Recorrente, cópia de pagamento, DCTF, DACON, uma planilha que informe a origem do crédito ou qualquer apontamento que possa nos dizer qual é esse crédito que a contribuinte está querendo compensar. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório porque foi ele que declarou que o tinha. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Assim, na hipótese da compensação declarada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que provas e argumentos sejam carreados aos autos no sentido de refutar o procedimento fiscal e que essas se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário carregado de doutrina e jurisprudência escrito em linguagem profundamente empolada – quase um soneto de Francisco de Vasconcelos –, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13839.002420/2009-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, reconhecer a decadência por qualquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário nacional - CTN , quer seja o Art. 150 ou o Art. 173 .
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, reconhecer a decadência por qualquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário nacional CTN , quer seja o Art. 150 ou o Art. 173 . Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de SouzaRelator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 24 20 /2 00 9- 66 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002420/200966 Acórdão n.º 2403001.885 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Vinculados às mesmas bases de cálculos e fato gerador, aduz que apensado ao processo principal de n° 13839.002418/200997, tratase de Auto de Infração lavrado em razão de o contribuinte não ter adimplido suposta obrigação de desconta erepassar aos cofres públicos as contribuições dos empregados segurados referidas no item 1 do Relatório Fiscal de fls. 15 : “ 1. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração AI mencionado no preâmbulo e referese As contribuições previdenciárias, destinadas à Seguridade Social, relativas a contribuição dos segurados, não recolhidas em época própria, tendo sido o débito lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta para regularização da obra referente A construção civil sob responsabilidade da pessoa física acima mencionada, conforme Art. 33, § 4° da Lei N° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009. ” Cumpre notar que os autos não foram devidamente instruídos ou não digitalizaramse os todos os documentos pertinentes. Fato é que não constam colacionados o Acórdão, o Recurso Voluntário e demais eventuais registros. O inciso XIII do parágrafo único do art. 2o da Lei n o 9.784, de 29 de janeiro de 1999, determina que nos processos administrativos se deva observar entre outros, os critérios que garanta o atendimento do fim público a que a norma se dirige: Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. ” No sítio http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/index.jsf configurase que a missão deste Egrégio Conselho é : “ Assegurar à sociedade imparcialidade e celeridade na solução dos litígios tributários. Integrado ao sobredito propósito, nas circunstâncias, entendo que, não obstante a falta apontada, se deva proceder ao julgamento e decisão deste processo que na verdade já ocorrera alhures quando, por questão de prioridade lógica, relatei o voto do processo principal. Entendo que restando caracterizada economia processual a medida a ser implementada não trará prejuízos ao contribuinte. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE Em razão da circunstância, não há que falar em tempestividade. Abaixo, segue as razões que levaram à conclusão do voto do processo principal de n 13839.002418/200997. DO VOTO AD QUOD Na condução do voto às fls. 75, para negar provimento sobre os documentos e a decadência a instância “ ad quod “ assim se manifestou: “ Assim, considerando que a edificação dessa obra é noticiada com a apresentação da DISO (fls. 21 e 22), isto 6, no mês de 04/2009, temos que as contribuições incidentes sobre o valor da mãodeobra aplicada sobre a mesma poderiam ter sido lançadas em maio de 2009 isto 6, após vencido o prazo para o respectivo recolhimento, como constou do ARO Aviso de Regularização de Obra (fls. 32 e 33). Logo, considerando que o contribuinte tomou ciência do presente lançamento ainda no ano de 2009, isto 6, no dia 24 de agosto, não há que se falar em decadência. Quanto aos documentos juntados pela Autuada (Declarações de Ajuste Anual Simplificada, Contas de Telefone e de Luz e Apólice de Seguro), temos que os mesmo não são suficientes para a pretendida decadência, conforme exigia a Instrução Normativa – IN SRP n° 3, de 1472005, art. 482, §§ 3° e 4 ° (vigente â época), in verbis: Art. 482. (.) § 3° A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I habitese, Certidão de Conclusão de Obra CCO; (...) IV auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pela SRP; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002420/200966 Acórdão n.º 2403001.885 S2C4T3 Fl. 4 5 (..) § 4° A comprovação de que trata o § 3° deste artigo darsea também com a apresentação de, no mínimo, três dos seguintes documentos: I correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial; II contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período decadencial; III declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria a Secretaria da Receita Federal, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área;(..) O que é ratificado pela IN RFB no 971, de 13112009, art. 390, §§ 3° e 4°,in verbis: Art. 390. (..) ” Na seqüência o Julgador ad quod destacou : “Destaquese que não é apresentado nenhum documento de que cuida os §§ 3° acima transcritos e que não existe a previsão de que a apólice de seguro possa ser considerada como prova do término da obra em período decadencial. Já os §§ 4° admitem a apresentação de outros documentos, porém, no mínimo 3 (três). Analisemos, portanto, se os demais documentos apresentados se subsumem A norma em questão. • Declarações de Ajuste Anual Simplificada Ressaltese que inciso III do § 4° exige, além da discriminação do imóvel, que conste a Area. Ocorre que nessas declarações constou obra concluída, porém, sem a indicação da Area. • Conta de Luz De novembro de 2003, em nome de José Afonso Davo, relativo ao imóvel situado na R. Cinco, 65, em Itupeva (fls. 67). • • Contas de Telefone De outubro e dezembro de 2003 (fls. 65 e 66), das quais constaram o nome do contribuinte José Antonio Davo , porém, em endereço diverso (RDV MARIO TONOLI 1.250). Assim, diante desses documentos temos que somente a conta de luz é que serve como prova do término da obra em período decadencial. Entretanto, os §§ 4° acima transcritos exigem, no mínimo, três documentos. ” (grifos de minha autoria) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 DAS PRELIMINARES De plano há que se destacar que na forma da sobredita Instrução Normativa – IN SRP n° 3, de 1472005, o § 3°do art. 482, que pautou o voto “ ad quod ”, bastava a apresentação de apenas 1 ( um ) documento : “ Art. 482. (.) § 3° A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I habitese, Certidão de Conclusão de Obra CCO; ” Não é sem razão que o legislador elegeu a apresentação única do habitese para fazer prova na forma do sobredito art. 482. "Habitese" é ato administrativo emanado de autoridade competente. Tratase de um documento que comprova que um empreendimento ou imóvel foi construído seguindose as exigências (legislação local, especialmente o Código de Obras do município) estabelecidas pela prefeitura para a aprovação de projetos. O documento é emitido pela prefeitura da cidade onde o imóvel encontrase localizado. A prefeitura jurisdicionante do imóvel quando da emissão do habitese, de ofício, é obrigada a verificar se a construção esta em dia com as obrigações tributárias , neste bojo as Contribuições Previdenciárias e o Imposto sobre Serviço (ISS). Assim, se essas obrigações não tiverem sido adimplidas na ocasião do requerimento, quer pelo pagamento ou pela decadência, a requerente não obterá o documento. Ressaltese que o contribuinte providenciou o habitese que foi concedido sem ressalvas de cobrança de impostos atrasados. O documento de fls. 30, juntado pela autoridade autuante , registra que em 07 de abril de 2009, antes da ação fiscal, a obra estava concluída logo, de fato, não se trata de obra nova: “ HABITESE NÚMERO: 208/2009 (CERTIFICADO DE VISTORIA FINAL) Saibam todos que este virem, de ordem superior, a vistoria do despacho exarado no requerimento protocolo, sob o n° 1633/2009, que em vistoria realizada no local pelo órgão competente verificouse que a REGULARIZAÇÃO DE RESIDÊNCIA UNIFAMMAR, com área de 965,92 m2, sito 6. RUA SANTOS DUMONT (05), LOTE 9A, QUADRA H, N°65 , RES. V. MORRO ALTO, ITUPEVA SP, de propriedade de JOSÉ AFONSO DAVO, tendo como Autor(a) do Projeto e Responsável pela Fiscalização da Obra o (a) ENG° EDUARDO ARCIERI ORDINE, CREA 0641792963 e ART 20090149354, esta concluida e atendendo A. legislação em vigor e portanto em condições de uso. OBS.: ASSUNTO: REGULARIZAÇÃO DE RESIDÊNCIA UNIFAMILIAR, CHURRASQUEIRA, PISCINA, BAR, SALÃO DE JOGOS E QUIOSQUES. BAIRRO: VILLAGE MORRO ALTO. Itupeva, 07 de abril de 2009.” ( grifos de minha autoria) Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002420/200966 Acórdão n.º 2403001.885 S2C4T3 Fl. 5 7 Também colacionada pela Autoridade autuante a Certidão de fls. 31 passada pela Prefeitura Municipal de Ituverava, em 07 de abril de 2009, a unificação dos lotes 09, 10 e 11 onde fora construído o imóvel. Ressaltese que endereço é o mesmo que consta na Declaração do imposto de Renda do contribuinte fls. 30 (IR). Conduzindo o voto sob os auspícios do § 4° do artigo 482, supra, passou desapercebido que ali preceituase uma segunda hipótese de se fazer a comprovação de que trata o § 3° não sendo compulsória a exigência caso adimplida na forma anterior: “ § 4° A comprovação de que trata o § 3° deste artigo darsea também com a apresentação de, no mínimo, três dos seguintes documentos ” Aduz que , como adiante também será demonstrado, o contribuinte adimpliu as exigências em tela . DA IN 971 , DE 13/11/2009 Tendo presente que a notificação ocorreu em 27/09/2009, as orientações trazidas à colação na forma da IN 971 de 13/11/2009 não prevalecem por supervenientes. DA INSTRUÇÃO NORMATIVA – IN SRP N° 3, DE 14/7/2005 Tratandose de norma exarada no âmbito da então Secretaria da Receita Previdenciária, não se vislumbra legal introduzir exigência de obrigação para cumprimento fora da jurisdição em que atua. As instrução de preenchimento do IRPF subordinadas à esfera da então Secretaria da Receita Federal não exigiam que se definissem a área do imóvel. A IN 971 da RFB, citada, ao copiar a íntegra da IN SRP n° 3, produziu conflito com suas reiteradas instruções de preenchimento do IRPF umas vez que o contribuinte dispensado de informar a área dos imóveis nas declarações de renda será surpreendido em ocasião futura com eventual exigência que ressaltese, quase é colocada de modo quase impercetível ao final do inciso III do § 4° da caudalosa Instrução Normativa, verbis: “ III declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria a Secretaria da Receita Federal, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área;” No que concerne aos imóveis, (todos os tipos, inclusive as construções que são definidas sob código 16 ), na recente e específica instrução de preenchimento do IRPF 2012, no item Bens e Direitos na tabela de códigos do sobredito regulamento, embora a IN 971 a que se refere a instância ad quod não se verificam determinações de informar área do imóvel mas tãosomente “ endereço, número de registro, data da aquisição, informações sobre condomínios e usufruto, se for o caso” Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Quando quis ser detalhista para efeito de exemplo se o bem em questão fosse um automóvel , a mesma instrução IRPF 2012 determinou que fosse registradas : “ a marca, modelo, o ano de fabricação, placa ou registro, data e forma de aquisição.” Na declaração de ajuste anual simplificada ano 2003 colacionada às fls. 50 , o item 3 da declaração de bens e direitos registra que a construção em comento houvera sido concluída em 2002 ao custo de R$ 560.680,00. Informa ainda que ao final de 2001 o valor do bem era de R$ 130.000 variando ao final de 2002 para R$ 720.680,00. Desse modo, exigir em ocasião futura cumprimento de obrigação não imposta na origem não pode ser exeqüível. DAS CONTAS DE TELEFONE O documento conta de telefone não foi aceito em sede de impugnação em razão der o I. Julgador ter entendido que se referia a endereço diverso do contribuinte. Na oportunidade assim se manifestou : “ De outubro e dezembro de 2003 (fls. 65 e 66), das quais constaram o nome do contribuinte José Antonio Davo , porém, em endereço diverso (RDV MARIO TONOLI 1.250).” Olhar mais atento faz verificar que no canto superior direito dos documentos consta o registro de que a correspondência tem como destino o “ COND VILLAGE MALTO ”. Às fls 72, a Apólice de Seguro Residencial também trazida para fazer prova de que o imóvel já houvera sido concluído naquela época, endereçada ao mesmo Cond.Vilag Morro Alto Morro Alto , com vigência 07/01/2003 a 07/01/2004, no valor R$ 1.000.000, 00 já trazia a atualização referida no Auto de Infração : Rua Santos Dumont 65 Cond.Vilag Morro Alto Morro Alto. Neste sentido, às fls. 201 a recorrente destaca que o endereço tem o nome onde está assentado o condomínio . Como prova juntou o documento de fls. 207 . O regulamento interno do condomínio colacionado às fls.212 aduz que o condomínio de fato situase à rua Mario Tonolli, 1.250. Portanto, não se trata de endereço diverso. DA DECLARAÇÃO E INFORMAÇÃO SOBRE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DISO O Relatório Fiscal de fls. 16 aduz que : Foi emitido o Aviso de Regularização de Obras ARO de n° 293982 em 08/04/2009, com base na Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil DISO, assinada pelo contribuinte em 08/04/2009, para uma obra nova, em alvenaria, composta de um imóvel residencial, com dois pavimentos.O DISO a que se refere o autor resta colacionado às Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002420/200966 Acórdão n.º 2403001.885 S2C4T3 Fl. 6 9 fls. 21 pela própria Autoridade autuante e nos campos reservados ao início e término da obra constam incoerentes registros de 06/04/2009 e término para 08/04/2009 o qual na forma do sobredito Relatório Fiscal pautou o lançamento como início de obra nova. Improcedente pois. DA DECADÊNCIA A Recorrente alega em recurso que : Consoante preceitua o artigo 150, § 4° e 173 do CTN o prazo para lançamento do crédito tributário pela União é de 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito.(...) Outrossim, corroborando o quanto exposto, segue em anexo documentação que comprova que o imóvel do Impugnado encontrase construído desde 2003, quais sejam: (i) Declaração de Imposto de Renda; (ii) contas de telefone e; (iii) apólice de seguro residencial (doc. 01, 02 e 03). Conforme assinatura no AI de folhas 01, a notificação ocorreu no exercício de 2009 em 27/09/2009. Produzi o quadro abaixo com os cálculos efetuados sob o preceituado nos arts. 150 e 173 do Código Tributário nacional – CTN: 150 173 27/9/2009 27/9/2009 1 2008 2 2008 2 2007 3 2007 3 2006 4 2006 4 2005 5 2005 5 2004 1/1/2005 D 08//2004 N 2004 N 12//2003 D 13//2003 D 11//2003 Legenda: D = Decadente. N = Não decadente. Desse modo, dou provimento às alegações do contribuinte reconhecendo que o direito de a Autoridade autuante de constituir o crédito mediante o lançamento fora fulminado pelo instituto da decadência. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, EM PRELIMINAR determino que se reconhecer a decadência da exação por qualquer dos critério estabelecidos no Código Tributário nacional – CTN , quer seja o art. 150 ou 173, de vez que as competências 11/2003 e anteriores foram alcançadas pelo instituto da decadência em razão de a construção motivo do lançamento em comento já ter sido concluída no período decaído. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901047/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA
Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores-Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações;
Numero da decisão: 1801-001.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, por ausência de litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, por ausência de litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0336.896/10 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, fls. 32 a 34, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 13 a 17. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 10 47 /2 00 8- 19 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Trata o presente processo de despacho decisório (fl. 5), no qual a autoridade fiscal competente não homologou a Dcomp n° 42575.05279.180804.1.3.045130 (fls. 13 a 17), apresentada pela contribuinte acima identificada, por constatar que o crédito discriminado no Per/Dcomp já havia sido totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1 a 3) em 29/05/2008, na qual faz demonstrativo de CSLL apurada trimestralmente no ano calendário 2003 informada na DIPJ/2004 retificadora apresentada em 18/09/2007, e argumenta que tendo em vista ter pago a mais algumas guias e ter vários créditos retidos por órgão públicos, após a revisão todas as notificações deverão ser canceladas. [...] Na Dcomp (fls. 13/17), como se nota, a contribuinte compensou crédito (R$ 3.126,86) relativo à suposto recolhimento indevido de CSLL efetuado em 31/07/2003, com débito de mesmo valor de CSLL apurada em 30/03/2003, vencido em 31/07/2003; porém, a compensação não foi homologada por inexistência do crédito. Nos termos da legislação tributária de regência (CTN, art. 170), a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Na espécie, a contribuinte não juntou aos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhado da documentação hábil, para provar a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação de débito confessado na Dcomp, faz apenas demonstrativo da CSLL apurados nos trimestres de 2003 informados na DIPJ/2004 retificadora apresentada em 18/09/2007, após a data (18/08/2004) transmissão do Per/Dcomp. No demonstrativo, a contribuinte não informa o total das receitas auferidas nos trimestres do anocalendário 2003, informa apenas o valor de CSLL a recolher e deduz valores pagos e retidos; contudo, esse procedimento, por si só, não é suficiente para comprovar o valor devido da CSLL a pagar e a certeza e liquidez do crédito compensado. [...]” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 06/07/10, fls. 35; Recurso – 26/07/10, fls. 38) o Recurso de fls. 38 a 50, argumentando que incidiu em erro ao emitir o Per/Dcomp objeto dos autos. A recorrente possuía créditos oriundos de tributos retidos, mas os valores foram devidamente informados em DIPJ e DCTF, pelo que não é cabível o Per/Dcomp. Alega que as CSLL tanto do 1º trimestre, quanto do 2º trimestre de 2003, foram devidamente recolhidas aos cofres públicos, não havendo nem valor a maior a ser restituído, nem valor a ser cobrado. Junta ao recurso cópias de folhas do Livro Razão, planilha de cálculos e recolhimentos de CSLL devidas em 2003, Darf respectivos, entre outros. Insurgese contra a exigência dos acréscimos legais incidentes sobre o débito cobrado, pelo princípio da eventualidade. Requer: “Diante do exposto, demonstrado o equivoco cometido pelo recorrente na apresentação da PER/Dcomp, requerse o cancelamento do pedido de compensação com o consequente reconhecimento da inexistência de débito fiscal por parte da empresa.” Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.901047/200819 Acórdão n.º 1801001.520 S1TE01 Fl. 3 3 (grifos não pertencem ao original) É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Não se conhece do recurso voluntário, pelas razões de direito a seguir expostas. A recorrente alterou em fase recursal as razões de defesa, as quais instauraram o litígio. Revela não mais inconformidade com o Despacho Denegatório de fls. 05, mas requer o cancelamento integral do Per/Dcomp objeto dos autos, por manifesto lapso no envio, argumentando que não há direito creditório a ser reconhecido, tampouco débito tributário. Não havendo direito creditório a ser reconhecido, foge ao escopo deste órgão julgador pronunciarse sobre o débito tributário, por ser valor confessado pela recorrente, ainda que indevidamente. Tratandose de confissão de dívida realizada de forma unilateral pelo contribuinte, não há que se falar em instauração de litígio, quando o contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco. Não há, pois, litígio administrativo, mas solicitação de cancelamento da declaração entregue pelo contribuinte – daí que o rito processual não é o previsto pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, mas segue o rito previsto na Lei nº 9.784/99 (processos administrativos em geral). A competência para julgar o cancelamento do Per/Dcomp, regularmente emitido eletronicamente – fls. 13 a 17 –, é da unidade de jurisdição da recorrente. A decisão cabe às autoridades com competência para processar as declarações entregues, ou seja, em primeira instância as unidades de jurisdição do contribuinte (DRF Delegado) e em segunda instância a autoridade hierárquica superior (Superintendência da Região Fiscal – SRRF). Dispõe o artigo 302, inciso XI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...] XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Pelo exposto, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/07/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11543.005181/2002-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa que davam provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11543.005181/200210 Recurso nº 337.945 Especial do Procurador Acórdão nº 920202.122 – 2ª Turma Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ARACRUZ CELULOSE S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa que davam provimento. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Aracruz Celulose S.A. foi lavrado o auto de infração de fls. 27/29, objetivando a exigência de Imposto Territorial Rural do exercício de 1998, tendo sido glosada a área declarada como de reserva legal em decorrência da ausência de averbação dessa área na matricula do imóvel. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30335.237, que se encontra às fls. 128/135 e cuja ementa é a seguinte: “IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL (ARL). A teor do artigo 10°, § 7° da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA "A", DA LEI N° 9393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE RESERVA LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 14/08/2008 (fls. 137) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 141/151, pleiteando a reforma do v. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11543.005181/200210 Acórdão n.º 920202.122 CSRFT2 Fl. 2 3 acórdão sustentando, em síntese, a necessidade de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador para que a área em questão seja excluída da base de cálculo do ITR. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 308, de 05/08/2008 (fls. 154/155). Regularmente intimado do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 159/171. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito, em relação ao exercício de 1998 (objeto do presente lançamento) o ITR era regido pela Lei nº 9.393/1996 (ainda em vigor), que prevê a exclusão das áreas de utilização limitada no artigo 10, parágrafo 1º, II, alínea `a`: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindose, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 11543.005181/200210 Acórdão n.º 920202.122 CSRFT2 Fl. 3 5 matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigêncai do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 No presente caso, a autoridade fiscal, ao examinar a documentação comprobatória das informações declaradas na DITR, constatou a existência da averbação da área de reserva legal no montante de 371,03ha, conforme se verifica da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 29), mas não a considerou como apta a permitir a exclusão da base de cálculo do ITR por ser posterior ao fato gerador. Verifico que a averbação se deu em 12/11/2002 (fls. 45vº), posteriormente, inclusive, à ciência do termo de intimação de início do procedimento fiscal que se deu em 30/07/2002 (fls. 02/03). Nada obstante, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR ou ao início do procedimento fiscal, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. Como a contribuinte declarou em sua DITR uma área de reserva legal de 1.135,4ha, sendo que a matrícula do imóvel (fls. 45vº) e o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta (fls. 40), indicam que a área de reserva legal é de 371,03ha, razão pela qual somente esse valor deve ser mantido como reserva legal. Em face de todo o exposto encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer como área de reserva legal a área de 371,03ha (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 36202.004132/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FATOS GERADORES Recorrente CISA TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32 A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com informações que não compreendiam todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa a ser aplicada, o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 41 32 /2 00 6- 85 Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.004132/200685 Acórdão n.º 2402003.555 S2C4T2 Fl. 1.330 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em virtude de a empresa acima identificada \apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV e § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c com inciso IV e § 4º, art. 225, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fl. 20), foram considerados os valores não declarados em GFIP a partir de 01/1999 até 02/2006, com cientificação da recorrente em 16/02/2006 e se referem a remuneração dos: 1. empregados a titulo de assistência médica; 2. empregados a título de previdência privada; 3. empregados a titulo de cursos de capacitação e qualificação profissional; 4. empregados a título de participação nos lucros e resultados; 5. empregados a título de seguro de vida em grupo; 6. empregados a título de ajuda de custo; 7. contribuintes individuais por serviços prestados à empresa; 8. dos diretoresempregados a titulo de empréstimos sem a comprovação da devolução. A autoridade autuante informa no relatório de aplicação da multa (fl. 21) que a empresa autuada é reincidente, mas que conforme a IN SRP 003/2005 este fato não pesa como agravante para o gradação da multa (apenas obsta a relevação da mesma), e que a multa aplicada foi calculada conforme demonstrativo de fls 22 a 24. A empresa notificada em 16.02.2006 apresentou impugnação alegando: a) que a assistência médica ofertada pelo empregador na nova redação da Lei 10243/2001 não é considerada salário; b) que o plano de previdência complementar pago pela empresa não se destina a retribuir o trabalho do segurado e não deve integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária; Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 c) que os benefícios com educação foram excluídos do conceito jurídico de remuneração nos termos do artigo 458 consolidado; d) que a empresa atendeu aos critérios de distribuição dos lucros e resultados, sendo inconstitucional a sua inclusão na base de calculo da contribuição social; e) que o premio de seguro de vida em grupo não constitui salário de contribuição, pois trata de medida de proteção social; f) que os valores percebidos pelos empregados a titulo de ajuda de custo referemse a ressarcimento com despesas de viagem e como tal devem estar excluídos do salário de contribuição; g) que os estagiários foram enquadrados como contribuintes individuais, quando deveriam se facultativos; h) que a fiscalização usurpou funções do legislador ao fazer integrar na estrutura normativa do tipo tributário os empréstimos concedidos pela empresa aos seus funcionários. i) que a multa aplicada é abusiva e fere os princípios da proporcionalidade. A Secretaria da Receita Previdenciária, através da DN de fls. 569 a 600 considerou procedente a autuação e manteve o lançamento. Desta decisão recorre a empresa às folhas 607/681 alegando: 1. em preliminar a improcedência dos lançamentos; 2. no mérito se limitou a repisar os argumentos expendidos em sede de impugnação, elencados acima nas alíneas “a” a “i” A Secretaria da Receita Previdenciária, pelo despacho de fls. 864, requer o improvimento do recurso. A recorrente faz às fls. 686/687 requerimento de devolução do deposito recursal ante o entendimento do STF acerca da inconstitucionalidade desta exigência. Incluído em pauta de julgamentos, na sessão de 06/07/2010, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que viessem aos autos as informações acerca do julgamento das NFLD´s relativas aos lançamentos principais não declarados em GFIP e que geraram o presente Auto de Infração. É o relatório. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.004132/200685 Acórdão n.º 2402003.555 S2C4T2 Fl. 1.331 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, cumpre asseverar que se trata do lançamento de obrigações acessórias, de modo que indubitavelmente a regra a ser adotada é a do art. 173, I do CTN. Logo, considerando que o contribuinte fora cientificado do presente Auto de Infração em 16/02/2006, estão fulminadas pela decadência as competências lançadas até 11/2000. MÉRITO Conforme já relatado, tratase do retorno de diligência na qual foram requeridas informações sobre o andamento do lançamento dos processos principais relacionados com o presente Auto de Infração. Em resposta, assim se manifestou a fiscalização (fls. 1.325): 1. NFLD 35.776.4218 Processo 36202.003743/200614 Objeto da NFLD: Assistência Médica O processo digital encontrase atualmente no CARF/MF, pendente de julgamento, uma vez que a UNIÃO (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial em 19/01/2012, em face do Acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária do Carf. 2. NFLD 35.776.4226 Processo 36202.003784/200601 Objeto da NFLD: Previdência privada O processo digital encontrase atualmente no CARF/MF, pendente de julgamento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte em 08/11/2011. 3. NFLD 35.776.4234 Processo 36202.001127/200611 Objeto da NFLD: Cursos de capacitação e qualificação profissional O processo digital encontrase atualmente no CARF/MF, onde após proferidos Acórdãos pelo CARF, o contribuinte interpôs em 24/01/2012, Recurso Especial, Contrarrazões e Recurso Extraordinário. Processo pendente de julgamento. 4. NFLD 35.776.4242 Processo 36202.001227/200647 Objeto da NFLD: Participação nos lucros e resultados. O processo papel encontrase atualmente no SECAT/DRF/VITÓRIAES. O contribuinte apresentou pedido de desistência e o crédito tributário esta incluso no parcelamento especial de que trata a Lei 11941/2009. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.004132/200685 Acórdão n.º 2402003.555 S2C4T2 Fl. 1.332 7 5. NFLD 35.776.4250 Processo 12045.000648/200723 Objeto da NFLD: Seguro de vida em grupo. O processo digital encontrase atualmente no CARF/MF, 2ª Turma/4ª Câmara em situação no eProcesso: analisar embargo de declaração. Uma vez que o processo ainda não encontrase totalmente digitalizado, não foi possível relatar situação do mesmo e nem obter com cópia da NFLD e Acórdãos. 6. NFLD 35.776.4269 Processo 36202.001225/200658 Objeto da NFLD: Ajudas de custo. O processo papel encontrase atualmente no SECAT/DRF/VITÓRIAES. O contribuinte apresentou pedido de desistência e o crédito tributário esta incluso no parcelamento especial de que trata a Lei 11941/2009. 7. NFLD 35.776.4277 Processo 36202.001124/200687 Objeto da NFLD: Remuneração paga a contribuintes individuais por serviços prestados à empresa. O processo papel encontrase arquivado e o crédito tributário liquidado por pagamento. 8. NFLD 35.776.4285 Processo 12045.000643/200709 Objeto da NFLD: Remuneração paga a diretoresempregados a título de empréstimos sem a comprovação da devolução. O processo digital encontrase atualmente no CARF/MF. Proferido acórdão 240200.857 em 08/06/2010. Conforme consulta no e_Processo esta na situação: analisar embargo de declaração. Verificase, portanto, que todas as NFLD´s relacionadas ao presente Auto de Infração já foram julgadas, tendo a recorrente sagradose vitoriosa somente nos seguintes casos: a) NFLD 35.776.4218 Processo 36202.003743/200614 : Recurso Voluntário totalmente provido. b) NFLD 35.776.4226 Processo 36202.003784/200601: Recurso voluntário provido em parte, pela decadência, com base no art. 173, I do CTN; c) NFLD 35.776.4234 Processo 36202.001127/200611: Recurso voluntário provido em parte, pela decadência, com base no art. 150, §4o do CTN; d) NFLD 35.776.4250 Processo 12045.000648/200723: Recurso Voluntário provido em parte, pela decadência, com base no art. 173, I do CTN; Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Por tais motivos, em se tratando de caso do lançamento de multa por ter deixado a recorrente de informar em GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias acerca dos lançamentos supra, entendo que o presente lançamento possua caráter de acessoriedade em relação ao principal, de modo que devem ser excluídos do presente lançamento os valores de multa relativamente aos fatos geradores expurgados no julgamento dos processos principais supra transcritos nas alíneas “a” a “d”. no caso dos autos, em se tratando do lançamento de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias há de se observar aquilo o que determinado pela Lei 11.941/09. Sobre o assunto, a Lei 11.941/09 acrescentou na Lei 8.212/91 os artigos 32A e 35A, os quais dispõem o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36202.004132/200685 Acórdão n.º 2402003.555 S2C4T2 Fl. 1.333 9 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estaria sujeito o contribuinte. A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, assim devendo ser consideradas as informações relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual entendo deva ser, no presente caso, o dispositivo legal aplicável, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, que determina a aplicação retroativa da Lei nova, quando dispuser sobre penalidades e que possa vir a ser mais benéfica ao acusado, no caso o contribuinte. Ante todo o exposto voto no sentido de acolher de ofício a preliminar de decadência para julgar extinto o lançamento até a competência de 11/2000, inclusive, e, no mérito em DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja excluída do lançamento a multa efetuado o recálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16095.720057/2011-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2007
DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91
Toda empresa está obrigada a exibir os documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização.
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira.
PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA
Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea a da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas.
MULTA.
No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2007 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 Toda empresa está obrigada a exibir os documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização. Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea a da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720057/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.095 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente DIVICOM ASSESSORIA E NEGOCIOS S.S. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2007 DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91 Toda empresa está obrigada a exibir os documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização. Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA Constitui infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n. 8.212/91, deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 57 /2 01 1- 18 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720057/201118 Acórdão n.º 2403002.095 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão 0535.983 da 7ª Turma da DRH/CPS que manteve as autuações lavradas no processo em epígrafe que é composto dos seguintes DEBCADS: i) 37.283.5180 – Obrigação Acessória – R$ 15.235,55 – Infração ao art. 283, II, “j” do RPS, por ter deixado de apresentar Livros Diário e Razão dos anos 2006 e 2007 e Notas Fiscais emitidas pela Empresa Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização; ii) 37.283.5198 – Obrigação Acessória – R$ 1.523,57 – Infração ao art. 283, inc I, alínea “a” do RPS, por não ter a empresa elaborado as folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço em desacordo com as normas e padrões estabelecido pelo INSS, no período de 05/2006 a 07/2007, referentes às remunerações pagas a título de premiação através do cartão OUROCARD; iii) 37.283.5201 – Obrigação Acessória – R$ 1.523,57 – Infração ao art. 283, inc. I, alínea “g” do RPS, por ter deixado de arrecadar, mediante descontos das remunerações pagas aos contribuintes individuais e segurados empregados, a totalidade das contribuições devidas pelos referidos segurados, no período de 05/2006 a 07/2007, pagamento premiação cartão OUROCARD; iv) 37.283.5210 – Obrigação Acessória – R$ 15.235,55 – Infração ao art. 283, inc. II, alínea “b” do RPS, por ter a empresa, apesar de intimada para tanto, deixado de discriminar nominalmente os beneficiários e valores recebidos referentes às Notas Fiscais emitidas pela empresa Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização em razão das Notas Fiscais apresentadas; v) 37.283.5228 – Obrigação Acessória – R$ 38.089,10 – Infração ao art. 32, inciso IV da Lei 8.212/91, por ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, uma vez que não incluiu os pagamentos efetuados a título de premiação a contribuintes individuais e segurados empregados, através do cartão OUROCARD; vi) 37.283.5236 – Obrigação Principal (Terceiros) – R$ 30.307,78 – Lavrado em decorrência da não comprovação dos recolhimentos das contribuições sociais destinadas à Terceiros (INCRA e SEBRAE) nas competência 05/2006 a 13/2007; vii) 37.283.5244 – Obrigação Principal (Segurados) – R$ 124.196,87 – Lavrado em decorrência da Não comprovação dos recolhimentos das contribuições destinadas à previdência social referente ao pagamento Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 efetuado a contribuinte individual a partir de 01/04/2003 (11% não retido pela empresa) e contribuições do segurado empregado (não retido pela empresa), premiação através do cartão OUROCARD; viii) 37.283.5252 – Obrigação Principal (Patronal) – R$ 563.257,65 – Lavrado em decorrência da não comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias previstas no art. 22, incisos I, II e III da Lei 8.212/91; Constituem fatos geradores destes autos, as contribuições sociais lançadas sobre: a) pagamentos das remunerações a contribuintes individuais, no período de 05/2006 a 07/2007; b) pagamentos de remunerações a segurados empregados de 08/2006, 09/2006 e 04/2006 a 08/2007 (premiação pelo cartão OUROCARD); c) diferenças de recolhimento de terceiros (SEBRAE e INCRA) de 05/2006 a 13/2007, pagamentos de remunerações em folha de pagamento. Os fatos geradores não foram informados nas Guias de Recolhimento do FGTS no período referenciado. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 254/266, verbis: (...) 2.1. Pagamento de remuneração a contribuintes individuais e segurados empregados a título de prêmio 2.1.1. Do exame de contrato entre a empresa Divicom e a empresa Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda e Notas Fiscais emitidas verificouse pagamentos de remuneração a BENEFICIÁRIOS a título de “premiação”, efetuados através do cartão eletrônico OUROCARD. 2.1.2. O cartão em foco era gerenciado pela empresa Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda CNPJ 05.604.139/000168, cartão magnético administrado pelo Banco do Brasil S.A. (“Instituição Financeira”) que disponibilizava créditos aos beneficiários mediante um sistema de pontuação, podendo, tais créditos serem utilizados para a aquisição de produtos e/ou serviços na Rede Conveniada com a bandeira VISA ou sacados nos terminais AutoAtendimento do Banco do Brasil. A Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda atuava com intermediária e percebia, em contraprestação pelos serviços prestados, comissão calculada de acordo com as condições previstas no contrato firmado com a Divicom Assessoria e Negócios S.S, ora autuada. 2.1.3. Do exposto, depreendese que a Infinit Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda atuava como intermediárias para pagamento de prêmio (produtividade extra folha de pagamento, aos segurados da autuada. (...) 4. Bases de Cálculo e Origens dos Dados Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720057/201118 Acórdão n.º 2403002.095 S2C4T3 Fl. 4 5 4.1. As bases de cálculos utilizadas para obterse os valores das contribuições dos segurados devidas, foram extraídas das planilhas e Notas Fiscais, fornecidas pela empresa. 4.2. As alíquotas aplicadas no cálculo das contribuições devidas estão informadas, por competência no Anexo DD – Discriminativo de Débito – que integra este AI. (...) 8 Considerações Finais (...) 8.3. Importar frisar que os valores declarados em GFIP antes do início da ação fiscal não foram objeto de lançamento na presente fiscalização porque já foram constituídos através da própria GFIP, que possui caráter declaratório e natureza jurídica de confissão de dívida, segundo reza o art. 33, parágrafo 7º da Lei 8.212/91, com redação da Lei 11.941/2009. Estas GFIPs serão objeto de análise futura pela Receita Federal do Brasil, através do setor específico de cobrança automática de divergências GFIP x GPS, ocasião em que os recolhimentos efetuados pela empresa serão confrontados efetivamente com os valores declarados em GFIP. (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 687/838. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, na sessão de 24 de novembro de 2011, prolatou o Acórdão 0535.983, julgamento a impugnação improcedente e mantendo o crédito tributário, conforme se percebe da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS, DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTUAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. REMUNERAÇÃO POR “CARTÕES DE PREMIAÇÃO. JUÍZO DE LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. De início, por oportuno, ressalvo que, embora a Impugnação argua a constitucionalidade de normas, com base nas quais se deu o lançamento, é vedado à instância administrativa de Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 julgamento proferir decisões a respeito, em face das disposições do artigo 26A do Decreto 70.235/1972. CONTRIBUIÇÕES PARA O FNDE E SEBRAE. Constitucionalidade assentada pelo Supremo Tribunal Federal. ERRO FORMAL “VÍCIO NA INSTRUÇÃO ACUSATÓRIA” Não obstante as alegações de que o lançamento não teria descrito adequadamente as “razões fáticas”, o próprio Contribuinte, ao iniciar suas Impugnações, traçando as sínteses dos lançamentos, demonstra claramente o entendimento dos lançamentos fiscais. Além do mais, o Relatório Fiscal (fls. 254/266) descreve satisfatoriamente as razões de fato que ensejaram os correspondentes lançamentos, cujos respectivos anexos (DD, RL, RADA e FLD) complementam as informações necessárias, sendo subsidiados pelo anexo IPC Instruções para o Contribuinte. REMUNERAÇÃO POR “CARTÕES DE PREMIAÇÃO” A concessão de prêmios, na forma de cartão de crédito, vinculados a resultados em campanhas de incentivo, tem evidente natureza remuneratória, integrando, por isso, o salário decontribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs recurso de fls. 891/993, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Nulidade da autuação uma vez que as contribuições haveriam sido apuradas indevidamente por aferição indireta; Falta de razoabilidade e proporcionalidade na aplicação das multas; Necessidade de observância da boafé para relevação da multa; Busca pela verdade material; A abusividade das multas; A presença de erro formal (vício na instrução acusatória) no DEBCAD 37.283.5228 É o relatório. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720057/201118 Acórdão n.º 2403002.095 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl.91, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR – DA NULIDADE POR AFERIÇÃO INDIRETA Aduz o recorrente que há nulidade comum a todos os DEBCAD`s lavrados, uma vez que o fiscal apurou as contribuições por aferição indireta, sem qualquer respaldo lógico e coerente. No entanto, cumpre esclarecer que a atitude do fiscal não contrariou qualquer dispositivo da legislação ou mesmo qualquer princípio de direito tributário, tendo seguido o disposto no art. 33 da Lei 8.212/91, haja vista a sonegação de documentos, abaixo o dispositivo em comento: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Nesse sentido, vem julgando esta 2ª seção, conforme se percebe do precedente abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. NFLD. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA. INCENTIVO DE VENDAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. I – Contendo, a NFLD, todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa; II – É legítimo a presunção da base de cálculo, mediante arbitramento, quando omitidos pelo contribuinte, os documentos necessário para sua real quantificação, cabendo a recorrente demonstrar eventuais equívocos na base presumida; III – É pacífico o entendimento de que os valores pagos a empregados ou contribuintes individuais a título de marketing de incentivo, encontrase abrangido pelo conceito de saláriodecontribuição, portanto, deve haver a incidência do tributo previdenciário. Recurso Voluntário Negado. (CARF. 2ª SEÇÃO. Processo 15563.000042/200816, Recurso Voluntário 166.543, Acórdão 240200.439 – 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinário, sessão de 25 de janeiro de 2010) Portanto, não há nulidade. DO MÉRITO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – DO PRÊMIO DE INCENTIVO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Neste ponto serão analisadas as alegações comuns aos DEBCADs 37.283.5180 (Deixar de exibir livros), 37.283.5198 (Deixar de preparar folhas de pagamento), 37.283.5201 (deixar de descontar as contribuições dos segurados), 37.283.5210 (deixar a empresa de prestar a RFB todas as informações relativas aos beneficiários) e 37.283.5228 (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores). DA SUPOSTA FALTA DE RAZOABILIDADE E DE PROPORCIONALIDADE Afirma o recorrente que a fiscalização não se utilizou da razoabilidade e proporcionalidade ao realizar a gradação das multas constantes no art. 283 do RPS. Segundo ele, deveria ser aplicada a multa de R$ 636,17 e R$ 6.361,73, para os casos do inciso I e II, Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720057/201118 Acórdão n.º 2403002.095 S2C4T3 Fl. 6 9 respectivamente, do art. 283 do regulamento. Seu pleito estaria amparado pelo disposto no art. 291, I, do mesmo decreto. Para melhor analisar a matéria, há de se colacionar os dispositivos do Decreto 3.048/99, relacionados à imputação: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 **************************************************** Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (DEBCAD 37.283.5198) (...) g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (DEBCAD 37.283.5201) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; (DEBCAD 37.283.5210) (...) Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (DEBCAD 37.283.5180) (...) § 3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). **************************************************** Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso; (...) Os valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II serão estabelecidos pelo fiscal a partir de critérios de ponderação da gravidade da infração que podem variar do valor de R$ 636,17 para as infrações descritas no inciso I e R$ 6.361.73 para aquelas do inciso II, até o importe de R$ 63.617,35, caso não haja agravantes. Portanto, insubsistente a alegação recursal. DA APLICAÇÃO DA BOAFÉ PARA RELEVAÇÃO DA MULTA Afirma o recorrente que em momento algum ficou comprovado dolo, fraude, máfé ou simulação, mas sim a completa lisura do procedimento adotado pelo Recorrente. Apesar da razão recursal, esclareçase que o critério de aplicação das penalidades em apreço não são de caráter subjetivo, mas sim, objetivos, não havendo qualquer influência a presença dos elementos de fraude, dolo, simulação, etc. Assim, não merece prosperar o fundamento. DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL Aduz o sujeito passivo que no caso em tela o fiscal não buscou, dentro de todas as suas possibilidades, a verdade material, tendo apenas desistido da averiguação dos fatos e optado pela aplicação da multa à recorrente. Entretanto, não é o que se verifica. A empresa foi intimada a apresentar diversos documentos, através de Termo de Início de Procedimento Fiscal e reiterados termos de intimação que, no decorrer da fiscalização, deu subsídios para lavrar os 08 autos de infração decorrentes do MPF n. 08111002010001056. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720057/201118 Acórdão n.º 2403002.095 S2C4T3 Fl. 7 11 Todos os fatos demonstrados e comprovados pelo fiscal são apenas questionados em tese pelo contribuinte, não trazendo qualquer contraprova que pudesse infirmar as alegações da autoridade fazendária. Nesse sentido é a legislação que rege o Processo Administrativo Tributário, in casu, o art. 28 do Decreto 7.574/2011 e o art. 36 da Lei 9.784/99, respectivamente trazidos à colação: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. **************************************************** Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Logo, não vislumbro qualquer afronta ao princípio da verdade material. DA ABUSIVIDADE DA MULTA Neste ponto, afirma o recorrente que a multa é confiscatória e afronta o disposto no art. 150, IV da Constituição federal. A matéria posta no recurso não pode ser analisada por este conselho, por expressa determinação do art. 72 do Regimento Interno que vincula o conselheiro aos enunciados das súmulas do CARF, que no caso, a súmula 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributário. Também, haveria afronta ao disposto no art. 26A do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Em face do exposto, não será analisada a matéria. DO ALEGADO VÍCIO FORMAL NO DEBCAD 37.283.5228 Aduz o recorrente que há falha técnica insuperável cometida pelo agente fiscal por tipificação inadequada da infração pois tanto o parágrafo 3º como o parágrafo 5º do art. 32 da Lei 8.212/91 estariam revogados a partir do advento da Lei 11.941/09, o que iria de encontro ao art. 142 do CTN. Descabida a alegação recursal, haja vista o art. 32 da Lei 8.212/91 ser contemporâneo à época dos fatos geradores, tendo o fiscal agido em consonância com o art. 106 do CTN que determina a comparação entre multas, princípio da retroatividade benigna. Logo, não há que se falar em vício na instrução acusatória. DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 A seguir serão analisados os DEBCADs 37.283.5244 (Segurados), 37.283.5252 (Patronal) e 37.283.5236 (Terceiros), que tratam da obrigação principal. Com relação às alegações que coincidirem com as das obrigações acessórias, adoto os mesmos argumentos acima ventilados. DO PRÊMIO DE INCENTIVO A base de cálculo das contribuições previdenciárias está contida no art. 28, da Lei n. 8.212/91, ou seja, o salário de contribuição, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa Observase que a definição de salário de contribuição tanto para o empregado quanto para o contribuinte individual é ampla, não importando, via de regra, a forma e a que título foi paga, devida ou creditada, se de maneira direta ou indireta, pelo empregador ou terceiro interessado no pagamento ou não, a titulo de premiação/bonificação ou não. No entanto há exceções contidas no §9, do mesmo artigo. Elas compreendem quatro grupos principais: a) pagamentos com caráter indenizatório; b) ressarcimentos de despesas; c) ferramentas de trabalho; e d) retribuições provenientes de terceiros. A parcela a título de prêmio, da forma pela qual foi paga in casu, não se encaixa em qualquer das modalidades de exceção elencadas na norma supracitada. Ao contrário do que alega o recorrente, está caracterizada a continuidade da prestação, uma vez que o funcionário, cumpridor de suas metas com periodicidade mensal, chegando a conter nos autos dezenas de notas fiscais expedidas diariamente, conforme consta no anexo ao Auto de Infração. Afora isso, a matéria já foi objeto de diversos julgamentos anteriores por este conselho, conforme se verifica dos acórdãos: 230101.625 — 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, 19 de agosto de 2010, 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010, 230101.878 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 15 de março de 2011, 2401001.796 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 14 de abril de 2011 e 230102.065 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 12 de maio de 2011. Segue abaixo um dos arestos informados para ilustrar o entendimento do colegiado: REMUNERAÇÃO INDIRETA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CARTÃO PRÊMIO. Valores pagos indiretamente a empregados e contribuintes individuais por intermédio de prêmio/plano de incentivo são considerados salários de contribuições para a Previdência Social, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n. 8.212/91. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720057/201118 Acórdão n.º 2403002.095 S2C4T3 Fl. 8 13 O pagamento de prêmio/plano de incentivo ao empregado por empresas que não se revistam da qualidade de empregador, mas com o consentimento deste, aproveitando a relação de emprego e as oportunidades dai advindas, integra o salário de contribuição. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEGALMENTE CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN. Crédito tributário deve estar revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CIN. A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. (Acórdão 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010) Quanto à alegação de que a parcela não é destinada à contraprestação ao trabalho, também não merece guarida uma vez que se trata de remuneração indireta pois sabendo o funcionário de que caso alcance aquela meta que faz parte de suas atividades laborativas, será credor daquela parcela. O objeto já foi discutido inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme: PET 6243/SP, Eliana Calmon, REsp 863.244/SP, Min Luiz Fux e REsp 735.866/PE, Min. Teori Albino Zavascki. No tocante alegação de que a entrega da premiação é feita por empresa terceirizada não merece também acolhimento. Apesar de ser utilizada terceira pessoa estranha à relação trabalhista direta, a verba a título de prêmio é vinculada a remuneração, encargo do empregador. Tanto é que o valor do prêmio é pago pela empregadora, em razão do cumprimento da meta atingida, à empresa interposta, mais a porcentagem contratual, para que assim retorne ao funcionário do empregador. DAS MULTAS APLICADAS DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Quanto a esta exigência, afirma o fiscal na fl. 262 que: 5.1. Os fatos geradores objeto do presente auto de infração ocorreram nos exercícios de 2006 e 2007, período de vigência do art. 32, II, alínea a, da Lei n. 8.212/91, que determinava a aplicação de multa de mora correspondente a 24% sobre as contribuições sociais em atraso, quando do lançamento de ofício. (...) 5.3. Com o advento da Medida Provisória n. 449/2008 (DOU de 04/12/2008), convertida na Lei n. 11.941/2009 (art. 35A), que alterou a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, a penalidade aplicável simultaneamente, à ausência de recolhimento e à omissão de fatos geradores em GFIP, nos casos de lançamento de ofício, passou a ser definida pelo art. 44, I, da Lei n. 9.430/96, Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 que estabelece a aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os valores lançados de ofício. (...) 5.6. Nos meses em que a multa mais benéfica foi a prevista na legislação anterior 05/2006, 04/2007 a 06/07, aplicouse a multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento), que penaliza apenas a ausência de recolhimento, e foi lavrado o auto de infração n. 37.283.5228 ( Código de Fundamentação Legal 68), em razão da omissão de fatos geradores nas GFIP`s das referidas competências. 5.7. Nas competências em que a multa mais benéfica foi a prevista na legislação atual 06/2006 a 03/07, 07/07 e 08/07, a multa aplicada sobre os valores referentes à obrigação principal foi de 75% (setenta e cinco por cento), penalidade que contempla simultaneamente, as condutas de ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias e omissão de fatos geradores em GFIP. (...) No entanto, percebese que apesar de ter tentado alcançar o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional, o fiscal realizou a comparação entre multas de forma equivocada. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720057/201118 Acórdão n.º 2403002.095 S2C4T3 Fl. 9 15 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DEBCAD 37.283.5228 Quanto a esta exigência, afirma o fiscal na fl. 262 que: 5.2. Por seu turno, o art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei 8.212/91, com redação da Lei 9.528/97, dispositivo vigente em 2006 e 2007, prescrevia um valor de multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor das contribuições não declaradas, nos casos de omissão de fatos geradores em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, observandose o limite mensal previsto no parágrafo 4º do inciso IV do art. 32, da Lei no. 8.212/91, definido em função do número de segurados da empresa. (Código de Fundamentação Legal – CFL 68) No próprio auto de infração de fl. 81, o fiscal traz o dispositivo legal da multa, conforme transcrição a seguir: Lei n. 8.212 de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso II (com redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. A multa totaliza o montante de R$ 38.089,10 (trinta e oito mil e oitenta e nove reais e dez centavos). No entanto, não me vejo o comparativo de multas entre o art. 32 vigente à época dos fatos e do art. 32A, trazido pela Lei 11.941/09, para tanto, merece alguns esclarecimentos. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720057/201118 Acórdão n.º 2403002.095 S2C4T3 Fl. 10 17 fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN, a norma anterior, ou a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para, no mérito, determinar o recálculo da multa de mora conforme o disposto no art. 35 (art. 61 da Lei 9.430/96), bem como o recálculo da multa do DEBCAD 37.283.5228, conforme o art. 32A da Lei 8.212/91. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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