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Numero do processo: 13971.001506/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 15 06 /2 00 5- 13 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Em sessão transcorrida em 19 de março de 2015, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802004.264, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O julgador tem a prerrogativa de indeferir pedido de diligência, notadamente àquela cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma análise para saneamento da suposta dúvida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Na realidade em exame, a interessada, repetindo a mesma conduta adotada na primeira instância, não pontuou nos autos os documentos que porventura Fl. 447DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3301002.712 S3C3T1 Fl. 319 3 poderiam comprovar a utilização do produto ou do serviço no processo industrial, muito menos apresentou qualquer levantamento de cálculo ou documentação de caráter técnico, fato que impossibilitou a aceitação como insumo dos itens reclamados. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. O parcelamento de energia elétrica se enquadra na hipótese de creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637 de 2002, inerente a custos com energia elétrica. Recurso ao qual se dá parcial provimento. (grifouse) Em sede de embargos de declaração, aduz a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional que, referente a energia elétrica, o despacho decisório glosou os itens "parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora", e que, nos termos do dispositivo do acórdão embargado, foram "vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica". E continua o douto representante da PGFN: Desse modo, o r. acórdão ao tempo em que admitiu o parcelamento, excluiu as despesas com correção monetária. Contudo, a respeito das glosas de multa, iluminação pública e juros de mora o r. acórdão não emitiu provimento específico. Portanto, fazse necessário, para fins de cumprimento do r. acórdão, que reste esclarecido se foram mantidas as glosas de multa, iluminação pública e juros de mora. Formalizados os embargos, os autos foram movimentados para este conselheiro, relator originário do processo, em obediência ao disposto nos parágrafos 5º e 6º do artigo 49 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. 1 § 5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos Fl. 448DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 É o relatório. de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. § 6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A Fazenda Nacional alega que o acórdão embargado reconheceu o direito de creditamento do PIS/PASEP nãocumulativo calculado sobre o parcelamento de energia elétrica, tendoo glosado em relação à correção monetária sobre energia elétrica. "Contudo, a respeito das glosas de multa, iluminação pública e juros de mora o r. acórdão não emitiu provimento específico". Não obstante, não há nenhuma omissão que mereça ser sanada no acórdão vergastado, eis que no mesmo está claro que as glosas de multa, iluminação pública e juros de mora foram mantidas, de sorte que não foi reconhecido o direito de creditamento em relação às citadas rubricas. Tal questão, com efeito, está clara no voto condutor do acórdão em evidência, onde está consignado que, dentre as glosas perpetradas pela autoridade administrativa, deverá ser admitido o desconto de créditos calculados unicamente sobre o parcelamento de energia elétrica, "em vista de este caracterizar mero diferimento dos custos com a energia elétrica consumida". Confirase: Quanto às despesas acessórias com energia elétrica Extraise do relatório de auditoria fiscal (fls. 268/269) que a própria fiscalização já reconheceu o direito creditório calculado em relação ao custo com energia elétrica ("consumo, demanda e encargo de aquisição de energia elétrica, inclusive emergencial"), tendo glosado, contudo, os montantes correspondentes a "parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora". O sujeito passivo, por seu turno, defende que estas também deveriam ter sido consideradas. Com efeito, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, assim como o inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, permitem o desconto de créditos do PIS e da COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Das glosas acima citadas entendo que deverá ser admitida aquela inerente a parcelamento, em vista de este caracterizar mero diferimento dos custos com a energia elétrica consumida. Nessa parte, portanto, dáse parcial provimento ao recurso formulado pelo sujeito passivo. (os destaques em sublinhados não constam do original) Fl. 449DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13971.001506/200513 Acórdão n.º 3301002.712 S3C3T1 Fl. 320 5 Logo, como se vê, não houve nenhuma omissão no acórdão embargado, uma vez que está claro no mesmo que o desconto dos créditos pelo regime da nãocumulatividade da COFINS restringiuse ao parcelamento da energia elétrica, não alcançando tal desconto as rubricas correspondentes a correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora. Por conta disso é que a ementa do acórdão contempla, unicamente, para fins de creditamento, o parcelamento de energia elétrica, em vista de este se enquadrar na hipótese de creditamento objeto do regime da nãocumulatividade da contribuição social em evidência. A questão, portanto, não se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição". Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de omissão que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 09 de dezembro de 2015. Francisco José Barroso Rios – Relator 2 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720250/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO. DOCUMENTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS.
Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos.
LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis as despesas médicas pagas dentro do ano calendário referente a tratamento do contribuinte e de seus dependentes.
Comprovado que o gasto com despesa médica refere-se à contribuinte, as despesas médicas que haviam sido glosadas em razão da glosa devem ser restabelecidas.
No presente caso, ficou claro, pela documentação apresentada, que a despesa médica ocorreu, para e com a recorrente, motivo da dedutibilidade da despesa e, portanto, provimento do recurso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento os valores decorrentes da glosa das despesas médicas no valor de R$4.236,45.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO. DOCUMENTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS. Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis as despesas médicas pagas dentro do ano calendário referente a tratamento do contribuinte e de seus dependentes. Comprovado que o gasto com despesa médica refere-se à contribuinte, as despesas médicas que haviam sido glosadas em razão da glosa devem ser restabelecidas. No presente caso, ficou claro, pela documentação apresentada, que a despesa médica ocorreu, para e com a recorrente, motivo da dedutibilidade da despesa e, portanto, provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento os valores decorrentes da glosa das despesas médicas no valor de R$4.236,45. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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PRECLUSÃO. DOCUMENTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS. Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis as despesas médicas pagas dentro do ano calendário referente a tratamento do contribuinte e de seus dependentes. Comprovado que o gasto com despesa médica referese à contribuinte, as despesas médicas que haviam sido glosadas em razão da glosa devem ser restabelecidas. No presente caso, ficou claro, pela documentação apresentada, que a despesa médica ocorreu, para e com a recorrente, motivo da dedutibilidade da despesa e, portanto, provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 02 50 /2 01 2- 20 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de excluir do lançamento os valores decorrentes da glosa das despesas médicas no valor de R$4.236,45. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.720250/201220 Acórdão n.º 2402004.925 S2C4T2 Fl. 112 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão de primeira instância, proferida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou a impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de EMENTA, conforme Portaria SRF n. 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação naquilo em que contraditou o lançamento, para manter o crédito tributário apurado no Despacho Decisório de fl. 81, devendo o montante ser recalculado na data do efetivo pagamento. Saliente se que o crédito tributário não contraditado foi transferido deste para o processo n. 10640.720958/201361, conforme termo de fl. 74 e extrato de fls. 91/92. Para esclarecimento, a Portaria citada na ementa possui a seguinte determinação: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, tendo em vista o disposto no art. 29 da Portaria MF nº 258, de 24 de agosto de 2001, e considerando a necessidade simplificar a elaboração dos acórdãos para agilizar o julgamento dos processos nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), resolve: Art. 1º Fica dispensado de conter ementa o acórdão resultante de julgamento de processo que contenha: I exigência de crédito tributário ou manifestação de inconformidade contra indeferimento de direito creditório, de valor inferior a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), assim considerado principal e multa de ofício; ou II manifestação de inconformidade relativa a reconhecimento de isenção e de benefício fiscal. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Art. 2º A dispensa de que trata o art. 1º não se aplica a processo: I que envolva compensação de prejuízo fiscal; II de apuração de preço de transferência; ou III de que tenha resultado representação fiscal para fins penais. Prosseguindo, segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), como muito bem relatado na decisão a quo, o lançamento referese aos seguintes pontos: "A exação originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual(DAA)/2010, às fls. 58/64, sendo constatadas as seguintes infrações: a omissão de rendimentos pagos por Itaú Vida e Previdência, , à fl. 7, apurada no confronto entre as informações presentes em DIRF e na DAA; e, por falta de atendimento à intimação, deixou a interessada de comprovar as deduções a título de despesas médicas (fl. 8) e de contribuição à previdência privada/fapi (fl. 9). Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Em 04/01/2012 foi dada ciência ao recorrente do lançamento. Contra o lançamento, o recorrente apresentou impugnação, em 01/02/2012, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: 1. não houve omissão de rendimentos, porquanto o pertinente valor fora declarado como “rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas pelo titular com exigibilidade suspensa”; 2. o valor gasto com despesas médicas é afeto, parcialmente, à própria contribuinte à Unimed, pois se referem a mensalidades pagas em face de pessoas que não se constituem em suas dependentes para efeito da legislação do imposto de renda; 3. para amparo de suas aduções, a impugnante fez colacionar os documentos de fls. 12/33; Houve a revisão de ofício por parte da autoridade preparadora, que excluiu parcelas exigíveis e manteve o lançamento no que se refere a omissão de rendimentos pagos por Itaú Vida e Previdência e deduções a título de despesas médicas (pagamento à Unimed). A contribuinte foi intimada do despacho revisional e não apresentou novos argumentos. A DRJ analisou o lançamento e a impugnação, julgando a impugnação procedente em parte, pois conforme a decisão a quo: "Não há reparo a fazer nas observações constantes no Termo Circunstanciado de fl. 80, porquanto: I – nada apresentou a interessada que permitisse inferir a suspensão da exigibilidade de imposto referente aos rendimentos pagos por Itaú Vida e Previdência S/A, sob a rubrica “Vida Gerador de Benefício Livre – VGBL”, porquanto o informe financeiro de fl. 12, em Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.720250/201220 Acórdão n.º 2402004.925 S2C4T2 Fl. 113 5 contrário do aduzido pelo sujeito passivo, discrimina o valor como rendimento tributável, sem qualquer ressalva; II – também deixou a impugnante de trazer elemento probatório acerca da parcela de R$ 4.237,20 alegada como destinada à sua quota pessoal no plano de saúde Unimed. Voto, então, por considerar procedente em parte a impugnação naquilo em que contestou o lançamento." A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 26/10/2013, conforme aviso de recebimento anexo. Inconformada com a decisão, a contribuinte, em 07/11/2013, apresentou recurso voluntário, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que a glosa com despesa médica deve levar em consideração o valor pago a plano de saúde com gastos para a contribuinte, conforme documento anexo fornecido pelo plano de saúde, que atesta seu argumento, solicitando acolhimento e provimento dede seu recurso. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Primeiramente, cabe esclarecer que a contribuinte só questiona, em seu recurso, a glosa de despesas médicas. Assim, transita administrativamente a parte do lançamento referente à omissão de rendimentos pagos por Itaú Vida e Previdência, apurada no confronto entre as informações presentes em DIRF e na DAA. Feito o esclarecimento, quanto ao mérito, a recorrente somente contesta o valor que foi pago a plano de saúde para seu benefício, anexando documentos. Essa juntada de documentos não está em desacordo com a legislação. Não desrespeitamos o § 4º, Art. 16, do Decreto 70.235/1972, pois mesmo com documento apresentado após a emissão da decisão a quo, esse se mostra válido para a solicitação do litígio, pois foi somente um detalhamento de outros documentos já apresentados. A utilização dessa documentação para a solução da questão está em consonância com decisões já proferidas pelo CARF. Sobre a questão, muito bem desenvolve a questão da preclusão o nobre conselheiro Ronnie Soares Anderson, que no acórdão 2802003.088 assim se pronuncia: "A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas, os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativo tributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boa fé. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizando se assim o Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.720250/201220 Acórdão n.º 2402004.925 S2C4T2 Fl. 114 7 atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários." A documentação apresentada soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados, desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos, por iso deve ser conhecido e analisado. Pois bem, para demonstrar sua parcela com gasto em saúde, a recorrente traz aos autos "Demonstrativo de Gastos com Plano de Saúde", do ano calendário em questão, que demonstra, de forma clara, que do valor total R$ 4.236,45 foram pagos para o plano de saúde para custear despesas em seu nome. Assim, deve ser excluído esse valor do lançamento, pois devidamente comprovado que se trata de despesa médica da contribuinte. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, a fim de excluir do lançamento os valores oriundos da glosa das despesas médicas da recorrente (R$ 4.236,45), conforme documento anexo ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726568/2013-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, exclui-se da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada.
Numero da decisão: 1402-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, exclui-se da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. No caso, excluise da exigência o montante correspondente aos depósitos com origem devidamente demonstrada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 65 68 /2 01 3- 83 Fl. 7284DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2009, incluindo juros de mora, multa de ofício aplicada em conjunto com o tributo e multa isolada aplicada pelo não recolhimento do valor desses tributos devidos a título de estimativa. Foi apurada omissão de receitas decorrente de depósitos bancários sem comprovação de origem e também em função do sujeito passivo ter declarado em DIPJ um valor de receita (R$ 53.689.476,19) inferior àquele registrado na contabilidade (R$ 56.163.616.69). A interessada impugnou tempestivamente o feito arguindo, em síntese: Inadmissível que todos os depósitos bancários sejam considerados como omissão de receita sem uma análise mais detalhada das operações efetuadas pela empresa; A mera análise dos extratos bancários não se enquadra na previsão legal que caracterizaria omissão de receitas e, sem exame da contabilidade, pode induzir a fiscalização ao erro; Para comprovar, apresenta extratos e declarações obtidos junto às instituições financeiras que demonstram a circulação de valores entre contas de mesma titularidade e estorno de salários; Requer a redução da base de cálculo em 50% do valor tributado, para compensação dos custos e despesas assumidos pela impugnante; Pleiteia a dedução de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL; Reclama pela impossibilidade de concomitância das multas. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 1260.881 dando parcial provimento à impugnação. Pela exame dos documentos trazidos aos autos com a peça recursal, entendeu como justificados alguns depósitos que se constatou referentes a transferência entre contas de mesma titularidade, além de alguns valores correspondentes à estorno de salários. Dessa decisão. a autoridade julgadora recorreu de ofício a esta Corte. Quanto à parcela mantida da exigência, o sujeito passivo formalizou pedido de desistência no intuito de usufruir do pagamento como os benefícios da norma exonerativa. Os valores correspondentes foram apartados e estão sendo acompanhados nos autos do processo 10680.722669/201592. É o relatório. Fl. 7285DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15504.726568/201383 Acórdão n.º 1402002.105 S1C4T2 Fl. 7.285 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto A partir do pedido de desistência do recurso voluntário formalizado sujeito passivo, a Unidade Local apartou os autos mantendo neste processo a matéria submetida ao recurso de ofício. Tendo em vista que a autuação envolveu omissão de receitas decorrente de depósitos bancários sem comprovação de origem, a atividade julgadora consistiu fundamentalmente num juízo de valoração probante em relação às justificativas apresentadas para demonstrar a procedência dos valores. Nesse ponto, a decisão recorrida foi extremamente criteriosa identificando e acatando os valores que restaram demonstrados como transferência de mesma titularidade e DOCs devolvidos referentes a estornos de salários. Além disso, os cálculos foram retificados com dedução – dentro dos limites legais – do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de períodos anteriores, providência essa correta a fim de que o resultado apurado reflita fidedignamente a situação do sujeito passivo. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 7286DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10746.000158/2005-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA AGRAVADA. LUCRO ARBITRADO.
Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.
Numero da decisão: 9101-002.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e negado provimento por unanimidade de votos.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e negado provimento por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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Agravamento. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRASÍLIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA AGRAVADA. LUCRO ARBITRADO. Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido e negado provimento por unanimidade de votos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 01 58 /2 00 5- 32 Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial (fls.1.007/1.014) contra decisão nãounânime de Câmara, por Contrariedade à Lei, interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em 28/04/2009, com fundamento no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A Recorrente insurgese contra o Acórdão nº 10709.600, de 17/12/2008, proferido pela 7a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício de 225% (multa qualificada e agravada) para 150% (multa qualificada sem o agravamento). O Acórdão recorrido, na parte que interessa ao caso concreto, está assim ementado (fls.954/955): PENALIDADE QUALIFICADA A conduta reiterada, consistente em informar à administração tributária receitas muito inferiores à informada ao fisco estadual, subsumese, perfeitamente, à figura típica da sonegação, justificando a qualificação da multa de ofício de 75% para 150%. PENALIDADE AGRAVADA Não se justifica o agravamento da penalidade de 150% para 225% quando as negativas ou evasivas do contribuinte é que levaram ao arbitramento dos lucros que, embora não se configure como penalidade é conseqüência direta da falta de sujeição do contribuinte ao dever geral de colaboração. A recorrente alega que a decisão recorrida afronta o art. 44, inciso I, parágrafo 2° da Lei 9.430/1996, e está em desacordo com decisão proferida pela 8a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, Acórdão n° 10808.356, assim ementado, na parte que diz respeito ao arbitramento e a multa de ofício: (...) ARBITRAMENTO DO LUCRO FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro líquido do exercício, ajustandoo, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável. (...) MULTA DE OFÍCIO — Nos lançamentos decorrentes de auditoria, fiscal cabe a aplicação de multa de oficio. Havendo descumprimento de intimação fiscal, correto o agravamento do coeficiente aplicado, nos termos da letra 'a' do § 2". do artigo 44 da Lei 9430/1996. O entendimento no acórdão recorrido é que não justifica o agravamento da multa de ofício quando a falta de atendimento às intimações levou ao arbitramento dos lucros. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10746.000158/200532 Acórdão n.º 9101002.235 CSRFT1 Fl. 1.221 3 A Recorrente sustenta que o legislador instituiu como hipótese sancionatória a atitude do contribuinte que, devidamente intimado, deixar de prestar esclarecimentos ou apresentar os livros fiscais e contábeis. Não menciona em nenhum momento nos dispositivos do art. 44 da Lei 9.430/1996 a possibilidade de dispensa dessa multa (Art. 44, I, § 2°, I da Lei 9.430/96) caso o auditor fiscal consiga efetuar o lançamento fiscal por outros meios. Argumenta ainda a Recorrente que: como inexiste norma que permita a dispensa da multa revista no art.44, inc. I, § 2 ° da Lei 9.430/96, a posição adotada pela e. Câmara a quo também, incorre em conflito com o art.172 do CTN. Finalmente a Recorrente requer seja dado provimento ao recurso especial para restabelecer o agravamento da multa no percentual de 50% da multa aplicada do art. 44, inciso II c/c § 2°, da Lei n. 9.430/96, hoje art. 44, inciso I c/c §§ 1° e 2° da mesma Lei. Cientificado do Recurso Especial, interposto pela PFN, a empresa BRASÍLIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, apresenta Contrarrazões alinhadas com os fundamentos do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O Recurso Especial, interposto pelo procurador da Fazenda Nacional, é tempestivo e reúne todos os pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Conforme relatado, o acórdão recorrido considerou que não se justifica o agravamento da penalidade de 150% (multa qualificada) para 225% (multa agravada) quando as negativas ou evasivas do contribuinte é que levaram ao arbitramento dos lucros que, embora não se configure o arbitramento como penalidade, é conseqüência direta da falta de sujeição do contribuinte ao dever geral de colaboração. O voto condutor do acórdão recorrido adotou os seguintes fundamentos para o desagravamento da multa (fl.964 e 965): O arbitramento dos lucros era a única alternativa que se apresentava à fiscalização, pois a fiscalizada e seus sócios, apesar de reiteradamente intimada, não apresentou contabilidade regular que permitisse ao fisco verificar o lucro efetivamente auferido que é a regra da tributação pelo imposto de renda e contribuição social. O arbitramento dos lucros, consoante expressa disposição legal citada nos Autos de Infração, se faz, preferencialmente, com base na receita bruta conhecida. As declarações prestadas ao fisco estadual e confirmadas pelo contador da fiscalizada contem a receita bruta auferida. Salientese que a fiscalizada foi regularmente intimada de que a fiscalização tomaria referida receita como sendo a receita bruta conhecida, não tendo havido manifesto dos intimados, conforme detalhadamente exposto no Relatório da fiscalização e no Voto do Relator do julgamento do Acórdão recorrido. Os demonstrativos constantes do Relatório Fiscal e dos Anexos integrantes dos Autos de Infração são claros, permitindo à autuada e ao responsabilizado o integral e perfeito conhecimento das acusações, do cálculo dos tributos e contribuições e das penalidades impostas. A fiscalização empreendeu todas as tentativas ao seu alcance para intimar previamente os envolvidos. Todas foram frustradas, ou porque as pessoas não eram encontradas nos endereços informados à administração tributária, ou porque, quando intimados por procuradores que se apresentavam, não atendiam as intimações ou as atendiam de forma insatisfatória. O Relator do julgamento de Primeiro Grau, bem historiou esses eventos. O fato de a fiscalização ter tomado como receita os valores declarados ao fisco estadual, ao invés da movimentação financeira a que teve acesso, não invalida os lançamentos, pois a utilização de informações bancárias foi subsidiária, no caso, pois a receita era conhecida e, desse modo, preferencial. A movimentação bancária analisada pelo fisco serviu como indício da ligação de terceiros com a fiscalizada, como demonstrado no Relatório Fiscal. Só há uma ressalva a ser feita no tocante ao agravamento das penalidades que incidiram sobre os tributos e contribuições decorrentes das diferenças Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10746.000158/200532 Acórdão n.º 9101002.235 CSRFT1 Fl. 1.222 5 entre os valores declarados à Receita Federal e aqueles informados à Receita Estadual. Dela cuidarei em tópico próprio. (...) Qualificação e Agravamento das Penalidades Declarar à administração tributária Federal, por anos seguidos, receitas muito inferiores àquelas declaradas ao fisco estadual, não pode ser qualificado como mero erro em Declarações. Tratase de conduta deliberada e reiterada, tendente a ocultar da administração tributária ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições, fato típico da sonegação. Por isso, deve ser mantida a qualificação da penalidade em 150% (cento e cinquenta por cento) para os tributos e contribuições advindos das diferenças apuradas entre a receita declarada e a receita provada pelo fisco. Já a agravação da penalidade para 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) não pode ser aceita nos casos em que a negativa do contribuinte em apresentar livros e documentos ou suas evasivas às intimações fiscais, levaram de forma inexorável ao arbitramento dos lucros. O não cumprimento por inteiro do dever geral de colaboração para com a fiscalização em matéria tributária não pode ser tomado como passível de agravamento da penalidade, quando o fisco lança mão de ferramentas legais à sua disposição, exatamente para suprir a falta de colaboração do administrado, como é o caso das presunções legais. O arbitramento dos lucros é uma presunção legal de auferimento de renda tributável. Mesmo nas contribuições que não decorrem do arbitramento dos lucros, o conhecimento por parte do fisco da receita efetiva deuse independentemente das negativas do contribuinte, uma vez que o procedimento de obtenção de receitas declaradas ao fisco estadual é previsto em convênio firmado pelos órgãos e que serviu, exatamente para a tipificação da sonegação, punida com a multa qualificada de 150%. Para melhor clarificar a matéria transcrevese, a seguir, a legislação que rege a aplicação da multa de ofício, verbis: Art. 44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do capute o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (GRIFEI) O entendimento da Recorrente é no sentido de que o não atendimento às intimações da fiscalização que levaram ao arbitramento da base tributável é motivo suficiente para o agravamento da penalidade de ofício. A Recorrente sustenta que o legislador instituiu como hipótese sancionatória a atitude do contribuinte que, devidamente intimado, deixar de prestar esclarecimentos ou apresentar os livros fiscais e contábeis. Não menciona em nenhum momento nos dispositivos do art. 44 da Lei 9.430/1996 a possibilidade de dispensa dessa multa (Art. 44, I, § 2°, I da Lei 9.430/96) caso o auditor fiscal consiga efetuar o lançamento fiscal por outros meios. Argumenta ainda a Recorrente que: como inexiste norma que permita a dispensa da multa revista no art.44, inc. I, § 2 ° da Lei 9.430/96, a posição adotada pela e. Câmara a quo também, incorre em conflito com o art.172 do CTN. Da redação do artigo transcrito, notase que a lei pretendeu restringir os casos para agravamento da penalidade elegendo as três hipóteses dispostas nos incisos "I", "II" e "III", do artigo 44, §2°, da Lei nº 9430/96. Os autos não tratam das situações descritas nos incisos "II" e "III", compreendidos como rol taxativo de documentos que, se não entregues no prazo estipulado na intimação, autorizam o agravamento. Quanto à prestação de esclarecimento prevista no inciso "I" do artigo transcrito, temse que o conhecimento do fato é pressuposto para que sobre ele sejam prestados esclarecimentos, o que não se confunde com a entrega de livros e documentos fiscais e contábeis necessários ao procedimento fiscal e sua falta suficiente ao arbitramento dos lucros. Dos fatos apurados, descritos no voto condutor do acórdão recorrido, depreendese que o auto de infração foi lavrado com base em informações declaradas ao Fisco Estadual divergentes da receita bruta declarada ao Fisco Federal, o que configurou a receita bruta conhecida para fins de arbitramento dos lucros e apuração do IRPJ e da CSLL. E que o Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10746.000158/200532 Acórdão n.º 9101002.235 CSRFT1 Fl. 1.223 7 arbitramento dos lucros se deu em virtude de a fiscalizada e seus sócios, apesar de reiteradamente intimada, não apresentarem contabilidade regular que permitisse ao fisco determinar o lucro real. O entendimento no acórdão recorrido é que não justifica o agravamento da multa de ofício quando a falta de atendimento às intimações em apresentar livros e documentos levou ao arbitramento dos lucros. Conforme explicitado acima, inferese do inciso I do § 2º do art.44 da Lei nº 9.430/96 que o agravamento da multa de ofício tem cabimento quando o sujeito passivo não atende, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos; que, à obviedade, devem guardar relação com a matéria apurada pela fiscalização, em contraste com o pagamento a menor ou com a declaração, inexata ou inexistente, com ela incompatível. No caso dos autos, a fiscalizada e seus sócios deixaram de apresentar os livros contábeis e fiscais, razão pela qual se deu o arbitramento dos lucros. Dos dispositivos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 depreendese que não se impõe penalidade para o fato de o contribuinte deixar de apresentar os livros fiscais e contábeis, pois o §2° do citado art.44 é exaustivo e não permite a interpretação extensiva pelo aplicador da lei, já que estabelece uma penalidade. Com efeito, o termo "para prestar esclarecimentos" não tem o condão de abranger genericamente a intimação para a entrega de documento, a não ser àquele específico para o qual se tenha expressamente solicitado o devido esclarecimento. Assim, não há previsão legal para o agravamento da penalidade nos casos de não apresentação de livros e documentos solicitados pela fiscalização como sugere a Recorrente. Portanto, não há que se falar em contrariedade à lei ou dispensa de multa pelo autuante, como afirmado pela Recorrente, e sim aplicação expressa da lei. No caso vertente, a fiscalização concluiu pela impossibilidade de se apurar o lucro real com base na escrita da recorrente, lançando mão do arbitramento do lucro, como modalidade alternativa de apuração. E, neste caso, entendendo como conhecida a receita bruta, com base em informações declaradas ao Fisco Estadual. A diferença a lançar (que interessa pra o cálculo do agravamento) é determinada pela base de cálculo, assim obtida de oficio, em contraste com a base declarada pela recorrente. Partilho do entendimento dos que laboram na tese de que, nos casos em que se adota o regime de tributação com base no lucro arbitrado, tornase incabível o agravamento da multa de ofício de 75% para 112,5%, ou de 150% para 225% (que é o caso), quando o contribuinte não exibe, à fiscalização, os livros comerciais e fiscais e que foi motivo para o arbitramento do lucro pela autoridade lançadora. (Precedente nos Acórdãos nº 10194.147, em 19/03/2003 (DOU 03/06/2003), e nº 10194.444, em 03/12/2003 (DOU 18/03/2004). Sendo o caso dos presentes autos, resta afastado o agravamento da multa de ofício aplicada; reduzindoa, portanto, de 225% para 150%, inclusive com supedâneo na Súmula CARF nº 96, verbis: Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial do procurador da Fazenda Nacional. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10580.733211/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
Ementa:
ARBITRAMENTO. PERCENTUAL.
Na circunstância em que a autoridade fiscal, embora tenha constatado a exploração de atividades diversificadas por parte do contribuinte, quantifica o crédito tributário levando em conta tão somente as receitas auferidas em uma das atividades, para fins de arbitramento do lucro, deve aplicar o percentual aplicável a essa atividade. Na determinação das exações devidas, devem ser computados os eventuais recolhimentos efetuados pelo fiscalizado, ainda que promovidos em regime diverso do considerado para fins de lançamento de ofício.
SIMPLES NACIONAL. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. OPÇÃO. VEDAÇÃO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.
A pessoa jurídica na qual fica constatada a exploração econômica da atividade de intermediação de negócios de qualquer tipo, à luz do que dispunha o inciso XI do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, não poderia optar pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional.
Numero da decisão: 1301-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos (ofício e voluntário).
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos (ofício e voluntário). documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
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PERCENTUAL. Na circunstância em que a autoridade fiscal, embora tenha constatado a exploração de atividades diversificadas por parte do contribuinte, quantifica o crédito tributário levando em conta tão somente as receitas auferidas em uma das atividades, para fins de arbitramento do lucro, deve aplicar o percentual aplicável a essa atividade. Na determinação das exações devidas, devem ser computados os eventuais recolhimentos efetuados pelo fiscalizado, ainda que promovidos em regime diverso do considerado para fins de lançamento de ofício. SIMPLES NACIONAL. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. OPÇÃO. VEDAÇÃO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. A pessoa jurídica na qual fica constatada a exploração econômica da atividade de intermediação de negócios de qualquer tipo, à luz do que dispunha o inciso XI do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, não poderia optar pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos (ofício e voluntário). “documento assinado digitalmente” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 32 11 /2 01 2- 44 Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.490 2 Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.491 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativas ao anocalendário de 2008, formalizadas em razão da exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES NACIONAL. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela contribuinte em sede de impugnação, reproduzo fragmentos do relato feito em primeira instância. [...] O procedimento fiscal teve início com o Mandado de Procedimento Fiscal nº 05.1.01.002012006616, conforme relatado no termo de verificação fiscal, à fl. 73. Após sequência de intimações fiscais, cujo histórico está relatado às fls. 73/75, a fiscalização concluiu que a contribuinte exerceu, desde 01/07/2007, atividade vedada ao Simples Nacional, qual seja, o exercício de serviços de “rádio chamadas” ou “rádio táxi”. Assim, no curso de procedimento administrativo autônomo (instruído nos autos do processo nº 10580.733212/201299), a autoridade fazendária formalizou o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 003, de 03/12/2012 (ver fl. 48 do processo nº 10580.733212/201299, cujo excerto reproduzo a seguir), de maneira a excluir a contribuinte do SIMPLES. ... As razões que deram suporte ao ato de ofício estão esmiuçadas na “Representação Fiscal – Exclusão do Simples Nacional”, juntada às fls. 02/06 do processo nº 10580.733212/201299. A fiscalização evidencia, à fl. 80, que a SALTTUR mantevese irregularmente no SIMPLES de 2007 até a data da expedição do ato declaratório, em função de ter promovido seu registro no CNPJ originalmente com uma CNAE indevida – 49.23001 (correspondente a “serviço de táxi”), enquanto a CNAE correta deveria ser a de nº 52290/01 (correspondente a “serviços de apoio ao transporte por táxi, inclusive centrais de chamada”). Salienta, ainda, que em face do disposto no art. 3º da Resolução CGSN nº 6º/2007 e art. 8º, §§ 2º e 3º da Resolução CGSN nº 94/2011, o exercício da atividade de “rádiochamada” ou “rádiotaxi” obsta a opção pelo SIMPLES, ainda que a contribuinte a exerça concomitantemente com outros tipos de atividade. De acordo com o art. 2º do ADE nº 003/2012 transcrito acima, a exclusão foi tipificada no art. 31, II, da Lei Complementar n º 123/2006, que prevê efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva, ou seja, agosto de 2007. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.492 4 O processo de exclusão do SIMPLES foi apensado aos presentes autos e, face à relação de prejudicialidade, os dois processos serão apreciados conjuntamente nesta mesma sessão de julgamentos. Em face da exclusão do SIMPLES [cujo procedimento, repiso, foi instruído junto ao processo nº 10580.733212/201299], a fiscalização promoveu o lançamento de ofício dos tributos descortinados como devidos, na modalidade do lucro arbitrado. O arbitramento do lucro deveuse ao fato de que a escrituração apresentada pela contribuinte revelouse imprestável para fins de apuração do lucro real, conforme disposto no art. 530, II, do RIR/991 (ver auto de infração, fl. 05). Após análise dos contratos e documentos fiscais apresentados pela contribuinte no curso da fiscalização, assim concluiu a AFRFB, à fl. 81: Diante de tudo aqui exposto e considerando que; 1 A fiscalizada exerce a atividade de exploração do ramo de serviços de rádio chamadas, rádio táxi, telecomunicações, atividade vedada ao ingresso no Regime Especial Unificado do Simples Nacional; 2 Que a escrituração contábil apresentada pela fiscalizada não comporta a escrituração de todas as receitas, especialmente aquela referente aos serviços de transportes; 3 Que embora tenha sido franqueada a oportunidade da fiscalizada refazer sua escrituração contábil e se tributar pelo lucro real trimestral, ela não manifestou interesse em assim proceder; 4 Que a escrituração contábil apresentada pela fiscalizada, em relação ao ano de 2008, por não contemplar os lançamentos de todas as suas receitas auferidas, especialmente aquelas que diz respeito ao transporte de pessoas e coisas, através de contratos com pessoas jurídicas, a tributação com base no lucro real tornase impossível (já que a contabilidade mostrase imprestável); 5 Que por assim ser, a tributação em 2008 terá como base o lucro arbitrado e o levantamento das Receitas foi feito através das Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Salttur e contabilizadas na Conta Contábil: 001383 RECEITA P/REPASSE TAXISTAS (folhas 243 a 273 do Razão). Da impugnação A impugnação, tempestiva, foi juntada às fls. 1380/1392. Em breve síntese, as razões da interessada são as seguintes: a) a AFRFB fundamentou sua decisão em solução de consulta (Solução de Consulta SRRF/5ªRF/Disit nº 3) estranha à impugnante e inadequada ao caso concreto, o que deve repercutir na anulação de todos os atos praticados após sua utilização; b) a referida solução de consulta não foi disponibilizada à fiscalizada, o que representa cerceamento ao direito de defesa; c) não houve apresentação à contribuinte do demonstrativo de apuração do IRPJ Lucro Arbitrado referente ao 2º trimestre de 2008, o que também representa Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.493 5 causa suficiente para anulação do auto ou, ao menos, determinação de “renovação da diligência devolvendo o prazo de defesa após cumpridas as formalidades de praxe”; d) “(...) o procedimento da apuração do LUCRO ARBITRADO só deverá ser aplicado em situações em que torne difícil a verificação do lucro de determinada empresa ou atividade. O que não se aplica a uma atividade como a da impugnante que mantém contabilidade regular e é optante da forma de tributação do SIMPLES NACIONAL”; e) foram desconsideradas as parcelas recolhidas na sistemática do SIMPLES; f) houve utilização de coeficiente de arbitramento de 32% irrestritamente, desconsiderandose o fato de que as receitas derivadas de transportes de passageiros deveriam ser tributadas à base de 16%, conforme disposto no art. 519, §1º, II do RIR/99; g) “Apesar da Fiscal ter entendido que a Impugnante exerce atividade de intermediação de negócios, a tributou com base no valor global do negócio que intermedeia (100% dos valores da NF), contudo a receita do intermediador é um percentual daquele negócio e não a sua totalidade”. h) “(...) sendo uma questão de difícil compreensão, notadamente pela contraposição de entendimentos perfilados, não é razoável determinar a exclusão da autuada do Simples Nacional com data retroativa à 01/07/2007 e autuála em montante surreal de R$ 4,5 milhões, sob pena de inviabilizar a sua atividade e afetar a vida de quase 300 taxistas conveniados, além de empregados diretos e indiretos”. E ainda: “No mínimo, usando a razoabilidade, havendo o consenso somente a partir desta autuação, ocorrida em 2012, que a Impugnante seja desenquadrada do Simples Nacional a partir do trânsito em julgado deste processo administrativo, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica”. Na parte final, sob o tópico “Da representação para exclusão do regime tributário simples”, repisa os argumentos firmados na manifestação de inconformidade relativa à exclusão do SIMPLES, juntada ao processo de nº 10580.733212/201299. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, apreciando as razões trazidas na defesa interposta, decidiu, por meio do acórdão nº 1052.714, de 13 de novembro de 2014, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabível o arbitramento do lucro, se a escrituração apresentada pela contribuinte revelouse imprestável para fins de apuração do lucro real. ARBITRAMENTO. TRANSPORTE DE PESSOAS. IRPJ. No caso de receitas derivadas do exercício da atividade de transporte de pessoas, o lucro arbitrado para fins de apuração do IRPJ será calculado mediante aplicação do percentual de dezesseis por cento, acrescido de vinte por cento. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.494 6 Tendo exonerado a contribuinte de parte do crédito tributário constituído, a Turma Julgadora de primeiro grau recorreu de ofício. Como já visto, contra a contribuinte foram formalizados dois processos administrativos. O presente, que cuida dos lançamentos tributários decorrentes da exclusão da fiscalizada do regime de SIMPLES NACIONAL, e o de nº 10580.733212/201299, que trata da referida exclusão. No processo nº 10580.733212/201299, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o ato administrativo de exclusão, que, apreciada pela mesma 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, foi julgada improcedente por meio do acórdão nº 1052.712, também de 13 de novembro de 2014. Referida decisão foi assim ementada: SIMPLES. EXCLUSÃO. RÁDIOTÁXI OU CENTRAIS DE CHAMADA. É vedado o exercício da opção pelo Simples às pessoas jurídicas que prestam serviços de agenciamento de clientes (rádiotáxi ou centrais de chamada), pois tais atividades caracterizam intermediação de negócios. Inconformada, a contribuinte interpôs o recurso de fls. 1.473/1.481, direcionado para as duas decisões exaradas em primeira instância, isto é, contestando a sua exclusão do SIMPLES NACIONAL e os lançamentos tributários. Nesse diapasão, sustenta: que, considerando que a questão da natureza da atividade que ela exerce é de difícil compreensão, não é razoável determinar a sua exclusão do SIMPLES NACIONAL com data retroativa a 01/07/2007 (argumenta que referido desenquadramento deveria se dar a partir do trânsito em julgado deste processo administrativo); que, ao pedir o seu enquadramento no SIMPLES NACIONAL, o fez "em extrema boafé", acreditando que a atividade que explora estava autorizada a optar pelo citado regime de recolhimento; que a Lei Complementar nº 123, de 2006, já permite que a atividade de rádio taxi possa optar pelo SIMPLES NACIONAL; que a decisão recorrida não enfrentou totalmente a sua argumentação acerca da base de cálculo (reconhecida a intermediação de negócio, a receita tributável estaria representada por somente 25% do valor da nota, e não pelo montante global); que a totalidade de sua atividade resumese ao transporte de pessoas, mediante serviços de táxi para pessoas físicas e jurídicas É o Relatório. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.495 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. O montante de imposto e multa de ofício cancelado por meio da decisão exarada em primeira instância supera o limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, e o recurso voluntário foi interposto tempestivamente, motivos pelos quais conheço dos apelos, eis que atendidos os requisitos de admissibilidade. Cuida a lide de EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL e formalização de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativas ao anocalendário de 2008, decorrentes dessa referida exclusão. RECURSO DE OFÍCIO As matérias submetidas ao recurso necessário são as seguintes: i) coeficiente de determinação do lucro arbitrado em relação às receitas apuradas; e ii) desconsideração dos pagamentos realizados no âmbito do SIMPLES. Assinala o voto condutor do ato decisório de primeiro grau: [...] Conforme descrito às fls. 77/78, a contribuinte explora a atividade de “rádio táxi” ou “radiochamada”, mediante a prestação de duas espécies distintas de serviços, caracterizadas pela formalização de tipos também distintos de contratos, a saber: a) a prestação de serviços de transporte de passageiros, conforme delineado (i) nos contratos de fls. 160/353 e (ii) nos contratos de fls. 96/159 [serviços de “captação de corridas de táxi” na modalidade “convênio”], onde a SALLTUR cobra um preço [das pessoas jurídicas contratantes] pelos serviços de transporte prestados, utilizase do concurso de terceiros [taxistas] para a prestação desses serviços e assume contratualmente as responsabilidades e custos inerentes aos serviços de transporte; b) a prestação de serviços de “captação de corridas de táxi” na modalidade “radiochamada”, conforme descrito nos contratos de fls. 96/159, onde a SALLTUR cobra dos taxistas uma parcela fixa mensal. Na tabela a seguir, as principais diferenças entre um e outro tipo de prestação de serviços, à vista do relatório fiscal: Captação de corridas de táxi “Por convênio” Captação de corridas de táxi "Por radiochamada “prestação de serviços de táxi para “serviço de exploração de radiochamada” Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.496 8 transportar empregados com ou sem volumes, a serviços ou treinamento, em Salvador e área metropolitana”. (...), “onde a contratada recebe as solicitações de corridas via telefone, de pessoas não conveniadas, e repassa estas solicitações via rádio diretamente para os taxistas contratados (...)”. Tomador dos serviços: contratante pessoa jurídica, a exemplo dos contratos de fls. 160/353. Tomador dos serviços: pessoas não conveniadas. Documentos fiscais emitidos: valores faturados contra as pessoas jurídicas tomadoras dos serviços. Notas fiscais escrituradas na conta de passivo 1383 (ver fl. 1199 e seguintes). Documentos fiscais emitidos: Não houve, no caso concreto, emissão de “(...) nota fiscal, recibo, ou qualquer outro documento com relação aos recebimentos oriundos dos contratos celebrados com as pessoas físicas (taxistas)”. Natureza jurídica da atividade: “transporte de pessoas e coisas”. Natureza jurídica da atividade: “intermediação dos serviços de transporte, executado por táxi, ao usuário do serviço”. Na descrição de fl. 78, a fiscalização certifica que as notas fiscais emitidas pela contribuinte dizem respeito exclusivamente aos contratos formalizados com pessoas jurídicas, atinentes à atividade que designou, no relatório fiscal, como “por convênio”. Se não, vejamos o excerto a seguir: Os contratos celebrados pela Salttur com as empresas contratantes, na essência, têm o mesmo caráter, ou seja, transportar funcionários e colaboradores da contratante no perímetro urbano de Salvador e região metropolitana. A contratada. Salttur, é quem responde integralmente pelos contratos, que para executálos. subcontrata os taxistas conveniados/associados. Os dados aqui transcritos foram retirados do contrato de n° 006/2008, datado de 01 de fevereiro de 2008, e firmado com a contratante EBCT Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Diretoria Regional da Bahia. CNPJ n° 34.028.316/000537. As Notas Fiscais de Serviços emitidas, durante o ano calendário de 2008, pela Satttur, foram emitidas contra as empresas contratantes (contratos com pessoa jurídica). Não tendo sido emitida nota fiscal, recibo, ou qualquer outro documento com relação aos recebimentos oriundos dos contratos celebrados com as pessoas físicas (taxistas). Ademais, a fiscalizada não considerou os valores auferidos, decorrentes dos contratos firmados com as empresas contratantes, como receitas operacionais, em sua escrita contábil. Procedeu ao registro destas operações, sempre em contas de ativo e passivo, não afetando, portanto, seu resultado operacional.[Grifei] Em resumo, a fiscalização de fato identificou a realização de dois tipos distintos de atividades pela contribuinte – uma das quais vedada ao SIMPLES –, mas, ao quantificar as receitas conhecidas para fins de arbitramento do lucro, tomou como referência exclusivamente os registros havidos na conta contábil 001383, onde constam apenas valores correspondentes ao “transporte de pessoas e coisas”, como se vê à fl. 81: Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.497 9 4 Que a escrituração contábil apresentada pela fiscalizada, em relação ao ano de 2008, por não contemplar os lançamentos de todas as suas receitas auferidas, especialmente aquelas que diz respeito ao transporte de pessoas e coisas, através de contratos com pessoas jurídicas, a tributação com base no lucro real tornase impossível (já que a contabilidade mostrase imprestável); 5 Que por assim ser, a tributação em 2008 terá como base o lucro arbitrado e o levantamento das Receitas foi feito através das Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Salttur e contabilizadas na Conta Contábil: 001383 RECEITA P/REPASSE TAXISTAS (folhas 243 a 273 do Razão). De outro lado, a fiscalização optou por não incluir na base tributável do lucro arbitrado as receitas indicadas na conta 002777 – SERVIÇOS DIVERSOS, que foram precisamente aquelas que compuseram a DASN do exercício 2009, à vista da declaração de fl.1358. Diante deste cenário, cumpre acatar a alegação da impugnante (i) de que o arbitramento deveria ter sido levado a efeito mediante aplicação do percentual de 16%, previsto no art. 15 da Lei nº 9.249/1995 (art. 519, §1º, II do RIR/99), bem como de que (ii) deveriam ter sido levados em consideração nos autos de infração os valores recolhidos a título de SIMPLES, relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008. Os ajustes cabíveis estão demonstrados nos anexos I e II à presente decisão. No que tange ao aproveitamento dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES, penso que a matéria não é merecedora de qualquer aprofundamento, revelandose correta a decisão de primeiro grau ao admitir que pagamentos efetuados no âmbito do referido regime de recolhimento sejam considerados na apuração dos montantes a serem exigidos por meio dos lançamentos de ofício. Relativamente ao coeficiente de determinação do lucro arbitrado, depreende se que o ato decisório recorrido, tomando por base as informações aportadas aos autos, concluiu que, não obstante a Fiscalização tenha identificado a exploração de serviços distintos por parte da autuada (intermediação de negócio e prestação de serviço de transporte de passageiros), ao quantificar a receita tributável, o fez considerando tão somente as que tiveram por origem a atividade de prestação de serviço de transporte de passageiros. Penso que tal conclusão não é merecedora de reparo. Com efeito, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 73/82), a autoridade autuante registra que "as notas fiscais de serviços emitidas, durante o ano calendário de 2008, pela Salttur, foram emitidas contra as empresas contratantes (contratos com pessoa jurídica)" e que não foi "emitida nota fiscal, recibo, ou qualquer outro documento com relação aos recebimentos oriundos dos contratos celebrados com as pessoas físicas (taxistas)". Afirma, ainda, que "a fiscalizada não considerou os valores auferidos, decorrentes dos contratos firmados com as empresas contratantes, como receitas operacionais, em sua escrita contábil", vez que "procedeu ao registro destas operações, sempre em contas de ativo e passivo, não afetando, portanto, seu resultado operacional". Ao tratar da quantificação da receita auferida, assinala: ... a tributação em 2008 terá como base o lucro arbitrado e o levantamento das Receitas foi feito através das Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Sal Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.498 10 ttur e contabilizadas na Conta Contábil: 001383 RECEITA P/REPASSE TAXISTAS (fls. 243 a 273 do Razão). Para fins de apuração das Receitas auferidas em 2008, foi elaborada planilha demonstrativa contendo os dados das notas fiscais de serviços emitidas pela Salttur em 2008 e contabilizadas na conta acima referida (conta de passivo) Ora, se, diante das atividades exercidas pela fiscalizada (intermediação e serviços de transporte), para uma (intermediação) não foram localizados quaisquer documentos correspondentes às receitas auferidas, e, para a outra (serviços de transporte) tais documentos foram devidamente identificados, diante da circunstância de que a receita considerada para fins de arbitramento foi a retratada nas notas fiscais, a conclusão inafastável é de que, para fins de quantificação da matéria tributável, só foram considerados os ingressos provenientes da atividade de transporte de passageiros, conforme contratos realizados com pessoas jurídicas. Neste caso, sendo cediço que tratandose de atividades diversificadas devese levar em consideração o percentual aplicável a cada uma das (atividades) que foram identificadas, a Fiscalização deveria ter aplicado o percentual de 16% (art. 15, inciso II, alínea "a" , Lei nº 9.249/95), acrescido de 20% (art. 16 da Lei nº 9.249/95). Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente alega que não é razoável, no seu caso, que a exclusão do SIMPLES NACIONAL tenha efeitos retroativos. Ao menos em âmbito administrativo, é defeso à autoridade julgadora decidir, na hipótese em que a lei disciplina de forma exaustiva a matéria sob litígio, segundo o juízo de razoabilidade. No caso vertente, abstraída a apreciação acerca do fato propulsor da exclusão, a Lei Complementar nº 123, de 2006, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores contemplados pela autuação, estabelecia: [...] Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; ... Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: ... II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.499 11 ... Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: ... II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; Vêse, pois, que a Lei Complementar nº 123, de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, disciplina, com clareza solar, os efeitos da exclusão da sistemática do SIMPLES NACIONAL na situação em que, tendo incorrido em causa excludente, o contribuinte não comunica o fato à Receita Federal. No caso vertente, em virtude do fato de a Recorrente explorar atividade econômica não admitida no âmbito do SIMPLES NACIONAL e não promover qualquer comunicação à Receita Federal (na verdade, como à época da instituição da sistemática de recolhimento a contribuinte já explorava a atividade vedada, ela não poderia sequer optar pelo referido regime), a exclusão foi efetuada de ofício, nos termos do disposto no inciso I do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006, acima transcrito. Cabe destacar, inclusive, que as disposições legais acima mencionadas constam da fundamentação legal do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 003, de 2012, anexado às fls. 48 do processo nº 10580.733212/201299. É certo que o dispositivo que dispunha sobre a vedação à opção pelo SIMPLES NACIONAL no caso que ora se aprecia (inciso XI do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006), foi revogado pela Lei Complementar nº 147, de 2014, porém, o presente processo cuida de fatos geradores ocorridos no ano de 2008, período em que o exercício da atividade de intermediação de negócios, de qualquer tipo, era impeditivo da opção em questão. Como já visto, embora a Fiscalização tenha constatado que, de fato, a Recorrente explorava a atividade de prestação de serviços de transportes de passageiros e de intermediação de negócios, o crédito tributário foi constituído levando em consideração tão somente os documentos correspondentes à primeira dessas atividades (prestação de serviços de transportes de passageiros), haja vista a mais absoluta ausência de elementos que possibilitassem aferir as receitas decorrentes da intermediação de negócios. Assim, descabe falar em tributação com base em 25% do valor das notas fiscais, eis que tais documentos sequer foram apresentados à Fiscalização. Diante das razões expostas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos interpostos, de ofício e voluntário. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10580.733211/201244 Acórdão n.º 1301001.887 S1C3T1 Fl. 1.500 12 Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/0 1/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10803.720146/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
A teor do art. 17 do Decreto 70.235/72 e alterações, é precluso à defesa o direito de apresentar matéria nova em sede recursal, uma vez que tal matéria, por não ter sido expressamente contestada em sede de impugnação, é considerada não impugnada.
Numero da decisão: 1402-001.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso apenas na parte que se refere ao pedido de perícia, negando-lhe provimento. Vencido quanto ao não conhecimento o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou pela apreciação do recurso em sua integralidade e fará declaração de voto. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A teor do art. 17 do Decreto 70.235/72 e alterações, é precluso à defesa o direito de apresentar matéria nova em sede recursal, uma vez que tal matéria, por não ter sido expressamente contestada em sede de impugnação, é considerada não impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso apenas na parte que se refere ao pedido de perícia, negandolhe provimento. Vencido quanto ao não conhecimento o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou pela apreciação do recurso em sua integralidade e fará declaração de voto. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 01 46 /2 01 2- 25 Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.055 2 Relatório C.N.S. COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Recife/PE, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1.706 a 1.713), do Programa de integração Social – PIS (fls. 1.825 a 1.830), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 1.811 e 1.816) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.1.764 a 1.771), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 3.202.698,89 (vide demonstrativo da fl. 1.705). 2. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 1.840 a 1.853), o lançamento decorreu das seguintes infrações: 2.1 – Omissão de receita, caracterizada por falta de comprovação da origem de recursos utilizados em depósitos bancários. 2.2 – Não escrituração de movimentação financeira no livro caixa nos anos objeto da autuação, apurouse lucro presumido , o que implicou arbitramento do lucro com base na receita de revenda de mercadorias. 2.3 – Não oferecimento à tributação de juros sobre capital próprio. 2.4 – Omissão de receitas financeiras. 3. Agravouse a multa quanto às infrações dos itens 2.3 e 2.4. Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais. 4. Apresentouse impugnação, às fls. 1.870 a 1.881, contrapondose, em síntese, que: 4.1 – Teria ocorrido decadência para mais da metade do período objeto da autuação. 4.2 – As receitas financeiras não poderiam compor a base cálculo do PIS e da Cofins. 4.3 – O agravamento da multa teria sido indevido. 5. É o Relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 11 42.298 (fls. 1.9221.928) de 28/08/2013, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.056 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. NÃO COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula DECADÊNCIA. TRIBUTOS. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FRAUDE. Nos tributos sujeitos à homologação do lançamento, em havendo pagamento antecipado, decai em cinco anos, a partir da data do fato gerador, o direito de a Fazenda constituir crédito tributário. Na ocorrência de fraude, o prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. AGRAVAMENTO. A prática das condutas previstas no art. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, enseja o agravamento da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, consoante previsão do §1º do mesmo artigo.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/02/2014 (A.R. de fl. 1.998) a interessada interpôs recurso voluntário em 27/03/2014 (fls. 2.0022.033) questionando matéria não trazida por ocasião de sua impugnação a legalidade da presunção de omissão de receitas dos depósitos bancários e requerendo perícia para que sejam demonstrados cada um dos lançamentos bancários realizados em sua conta corrente, com as respectivas justificativas. É o relatório. Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.057 4 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Do pedido de perícia Argumenta a recorrente quanto a necessidade de perícia para elucidar as imputações do Fisco que levaram ao lançamento. Com efeito, o pedido de perícia deve vir acompanhado de seus elementos constitutivos, conforme preceitua o art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Não tendo sido formulado a contento, há que se rejeitálo de plano. Ainda assim, supondo que a recorrente se refira a um pedido de diligência, considero que, apesar de lhe ser facultado tal pleito, em conformidade com o já citado art. 16, IV do PAF, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, devendo indeferir sempre que considerar as pretendidas provas como prescindíveis ou impraticáveis, na forma do art. 18 daquele diploma legal. Como na negativa anterior, por ocasião da decisão recorrida, destaco que a realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, bem como dirimir dúvidas que o exame dos autos não seja suficiente para esclarecer. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua necessidade. Nego provimento, pois, ao recurso para rejeitar o pedido de diligência ou perícia da recorrente. Da legalidade da presunção de omissão de receitas dos depósitos bancários Quanto ao remanescente da matéria de mérito apresentada em recurso voluntário a legalidade da presunção de omissão de receitas dos depósitos bancários da análise dos autos depreendese ser essa estranha àquele apresentada em sua impugnação, constituindose em matéria nova submetida a julgamento somente nesta ocasião. A teor do art. 17 do Decreto 70.235/72 e alterações, é precluso à defesa o direito de apresentar matéria nova em sede recursal, uma vez que tal matéria, por não ter sido expressamente contestada em sede de impugnação, é considerada não impugnada. Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.058 5 Por todo o exposto, deixo de conhecer do recurso voluntário quanto a esse tópico. Conclusão Diante do exposto, Voto por conhecer do recurso apenas na parte que se refere ao pedido de perícia, negandolhe provimento. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Declaração de Voto Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI Tratase de Recurso Voluntário em que o sujeito passivo foi autuado pela alegada falta de pagamento de Imposto de Renda – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro líquido – CSLL e reflexos no PIS e na COFINS. Houve instauração do processo administrativo fiscal por meio de impugnação tempestiva do contribuinte. A decisão de primeira instância (Delegacia de Julgamento DRJ) foi pela manutenção parcial do lançamento. O contribuinte recorreu então a este Conselho, requerendo a nulidade do auto de infração e consequente reforma da decisão proferida pela DRJ, na parte que lhe foi desfavorável. O eminente Relator constatou, corretamente, que no Recurso Voluntário o sujeito passivo questiona matéria não trazida por ocasião de sua impugnação, qual seja, a legalidade da presunção de omissão de receitas dos depósitos bancários e requer também perícia para que sejam demonstrados cada um dos lançamentos bancários realizados em sua conta corrente, com as respectivas justificativas. Por esta razão, a maioria dos colegas conselheiros decidiu por não conhecer do recurso voluntário, exceto na parte relativa ao pedido de perícia, que foi indeferido com base nos argumentos constantes do voto vencedor. A decisão, de fato, tem o respaldo da legislação vigente (art. 17 do decreto 70.235|72) que considera preclusa matéria não impugnada inicialmente. Contudo, entendo que este Colegiado tem elementos suficientes para examinar o processo no seu mérito, mesmo tendo ocorrido a preclusão em relação ao contribuinte, alicerçado num dos especiais objetivos deste órgão julgador: a busca da Verdade Material. A busca da Verdade Material no recurso administrativo Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.059 6 Habitualmente, em todos os ordenamentos que possuem em sua estrutura de Estado um Poder Judiciário, está a ideia de que o processo busca estabelecer se os fatos realmente ocorreram ou não. A Verdade dos fatos no processo é tema altamente problemático e produz inúmeras incertezas ao tentarse definir o papel da prova nesse contexto. A Verdade formal seria estabelecida no processo por meio das provas e dos procedimentos probatórios admitidos pela lei. De outra banda, a Verdade material é aquela ocorrida no mundo dos fatos reais, ou melhor, em setores de experiência distintos do processo, obtido mediante instrumentos cognitivos distintos das provas judiciais. Nesse contexto, não é difícil definir o que vem a ser a Verdade formal, pois é aquela obtida – repitase – mediante o uso dos meios probatórios admitidos em lei. O problema é conceituar a Verdade material, pois inicialmente chegamos ao seu conceito por mera exclusão. Qualquer outra “Verdade” que não a formal, é a material. A Verdade material, nesse sentido, admite outros meios de comprovação e cognição não admissíveis no âmbito do processo. Obedecidas as regras do ônus da prova e decorrida a fase instrutória da ação, cumpre ao juiz ter a reconstrução histórica promovida no processo como completa, considerando o resultado obtido como Verdade — mesmo que saiba que tal produto está longe de representar a Verdade sobre o caso em exame. Com efeito, as diversas regras existentes no Código de Processo Civil tendentes a disciplinar formalidades para a colheita das provas, as inúmeras presunções concebidas a priori pelo legislador e o sempre presente temor de que o objeto reconstruído no processo não se identifique plenamente com os acontecimentos verificados in concreto induzem a doutrina a buscar satisfazerse com outra “categoria de Verdade”, menos exigente que a Verdade material. É por isso que, ao admitir a adoção da Verdade material como Princípio regente do processo, os conceitos extraprocessuais tornamse importantes, sobretudo os filosóficos, epistemológicos, que buscam definir como podemos conhecer a Verdade. Mas não é só isso. A doutrina moderna tem reconhecido o chamado Princípio da Busca da Verdade Material, tornandoo relevante também para o Direito Processual, na medida em que algumas modalidades de processo supostamente admitem sua aplicação de forma ampla. Partese da premissa de que o processo civil, por lidar supostamente com bens menos relevantes que o processo penal, por exemplo, pode contentarse com menor grau de segurança, satisfazendose com um grau de certeza menor. Seguindo esta tendência, a doutrina do processo civil passou a dar mais relevo à observância de certos requisitos legais da pesquisa probatória (através da qual a comprovação do fato era obtida), do que ao conteúdo do material de prova. Passou a interessar mais a forma que representava a Verdade do fato do que se este produto final efetivamente representava a Verdade. Mas ainda assim, reconheciase a possibilidade de obtenção de algo que representasse a Verdade, apenas ressalvavase que o processo civil não estava disposto a pagar o alto custo desta obtenção, bastando, portanto, algo que fosse considerado juridicamente verdadeiro. Era uma questão de relação custobenefício entre a necessidade de decidir rapidamente e decidir com segurança; a doutrina do processo civil optou pela preponderância da primeira1. 1 Vejase: Sergio Cruz Arenhart e Luiz Guilherme Marinoni (Comentários… Op. Cit. p. 56.) Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.060 7 Nessa medida, a expressão “Verdade material”, ou outras expressões sinônimas (Verdade real, empírica etc.) são etiquetas sem significado se não estiverem vinculadas ao problema geral da Verdade. A doutrina moderna do direito processual vem sistematicamente rechaçando esta diferenciação2, corretamente considerando que os interesses, objeto da relação jurídica processual penal, por exemplo, não têm particularidade nenhuma que autorize a inferência de que se deva aplicar a estes métodos de reconstrução dos fatos diverso daquele adotado pelo processo civil. Se o processo penal lida com a liberdade do indivíduo, não se pode esquecer que o processo civil labora também com interesses fundamentais da pessoa humana pelo que totalmente despropositada a distinção da cognição entre as áreas. Na doutrina brasileira não faltam críticas para a adoção da Verdade formal, especialmente no processo civil. Boa parte dos juristas desse movimento, entende que desde o final do século XIX não é mais possível ver o juiz como mero expectador da batalha judicial, em razão de sua colocação eminentemente publicista no processo (processo civil inserido no direito público), conhecendo de ofício circunstâncias que até então dependia da alegação das partes, dialogando com elas e reprimindo condutas irregulares.3 Outro aspecto que dificulta ainda mais uma solução para o problema é o fato de que a única Verdade que interessa é aquela ditada pelo juiz na sentença, já que fora do processo não há Verdade que interesse ao Estado, à Administração ou às partes. A Verdade no seu conteúdo mais amplo é excluída dos objetivos do processo, em particular do processo civil. José Manoel de Arruda Alvim Netto aponta que o Juiz sempre deve buscar a Verdade, mas o legislador não a pôs como um fim absoluto no Processo civil. O que é suficiente para a validade da eficácia da sentença passa ser a verossimilhança dos fatos4. O jurista reconhece a Verdade formal no processo civil, mas salienta que quando a demanda tratar de bens indisponíveis, “...procurase, de forma mais acentuada, fazer com que, o quanto possível, o resultado obtido no processo (Verdade formal) seja o mais aproximado da Verdade material...” Diante do reconhecimento de tal diferenciação (Verdade material versus Verdade formal), ao mesmo tempo se reconhece que, em determinadas áreas do processo, a Verdade material é almejada com mais afinco que em outras. Naquelas áreas em que se considera a Verdade material essencial para a solução da controvérsia, se diz que o Princípio da Verdade Material rege a causa. O Princípio da Verdade Formal, por outro lado, rege o Processo em que não se considera essencial a busca da Verdade real, contentandose portanto com a verossimilhança ou a probabilidade. Dejalma de Campos, afirma que pelo Princípio da Verdade Material, o magistrado deve descobrir a Verdade objetiva dos fatos, independentemente do alegado e 2 TARUFFO, Michele. La prova dei fatti giuridice. Milão: Giufrè, 1992. p.56 3 Neste sentido Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pelegrini Grinover e Candido Rangel Dinamarco. (Teoria Geral do Processo. 26 ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 70). 4 Manual de Processo Civil. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. p. 932. Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.061 8 provado pelas partes, e pelo Princípio da Verdade formal, o juiz deve dar por autênticos ou certos, todos os fatos que não forem controvertidos.5 A predominância da busca da Verdade material no âmbito do direito administrativo fica evidenciada nas palavras de Celso Antonio Bandeira de Mello, quando afirma: Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a Verdade substancial.6 Paulo Celso Bergston Bonilha ressalta que o julgador administrativo não está adstrito as provas e a Verdade Formal constante no processo e das provas apresentadas pelo contribuinte. Segundo ele, outras provas e elementos de conhecimento público ou que estejam de posse da Administração podem ser levados em conta para a descoberta da Verdade.7 Ainda no âmbito do direito administrativo, há aplicação ampla do Princípio da Verdade material, mesmo que com outras denominações. Hely Lopes Meirelles chama de Princípio da Liberdade de Prova aquele em que a administração tem o poderdever de conhecer de toda a prova de que tenha conhecimento, mesmo que não apresentada pelas partes litigantes. Hely Lopes salienta que no processo judicial o juiz cingese às provas indicadas, e no tempo apropriado, enquanto que no processo administrativo a autoridade processante pode conhecer das provas, ainda que produzidas fora do processo, desde que sejam descobertas e trazidas para este, antes do julgamento final8. Constatase dessa exposição inicial que temos dois extremos, no que tange a aplicação concreta do principio da busca da verdade material: de um lado a liberdade de prova (já admitida em outros julgados por este Colegiado); de outro lado a ausência de Preclusão. Entendo que, se o que caracteriza a busca da verdade material é a possibilidade de o julgador (administrativo, no caso), a qualquer tempo, buscar elementos – de fato e de direito – que o convençam para julgar corretamente, independentemente do que foi trazido pelas partes no curso do processo, então mais razão para que qualquer das partes também traga ao processo, elementos de fato e de direito, em qualquer momento processual. 5 Lições do processo civil voltado para o Direito Tributário. In O processo na constituição. Coord . Ives Gandra da Silva Martins e Eduardo Jobim. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 691. 6 Curso de Direito administrativo. 26 ed. rev. ampl. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 497. O autor se socorre da definição de Hector Jorge Escola, para quem o Princípio da Verdade Material consiste na busca daquilo que é realmente a Verdade independentemente do que as partes hajam alegado ou provado. 7 BONILHA. Paulo Celso Bergstrom. Da prova no processo administrativo tributário. 2 ed. São Paulo: Dialética, 1997. p. 76. 8 Direito Administrativo Brasileiro. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989. p. 584. Em outra passagem da obra, o autor classifica o processo administrativo com base em duas espécies: o disciplinar e o tributário. Segundo ele, ambos, mesmo que usualmente tratados pela doutrina separadamente, possuem o mesmo núcleo de Princípios. Hely Lopes Meirelles faleceu Agosto de 1990. Sua obra passou a ser atualizada por outras pessoas e encontrase na sua 33ª edição. Sem qualquer demérito a estes juristas, procuramos aqui refletir a opinião autêntica do autor, mediante consulta a edição imediatamente anterior a sua morte (julho de 1989), sobre um tema de cunho Princípiológico que, aliás, ultrapassa as barreiras da legislação alterada posteriormente. Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.062 9 Neste exato sentido, já me manifestei anteriormente em trabalho acadêmico publicado. (Verdade Material no Direito Tributário. São Paulo: Ed. Malheiros, 2013) É bom lembrar que a preclusão, enquanto modalidade de decadência lato senso, isto é, perda de um direito pelo decurso do tempo (direito de manifestarse no processo) é regra meramente processual, infraconstitucional. Com isso quero dizer que não se pode, por exemplo, mitigar institutos constitucionais, tais como a decadência (stricto senso), a prescrição, a coisa julgada, o ato jurídico perfeito etc. Mas, em se tratando de normas de nível de lei ordinária, deve prevalecer, como o próprio nome já diz: o PRINCÍPIO (da verdade material, no caso). Ademais, a Lei Geral do Processo Administrativo Federal LGPAF (Lei Federal 9.784/99), reconhece implicitamente o principio em mais de uma passagem de seu texto, das quais destaco uma, particularmente aplicável ao caso concreto: “Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. ” Destaco o parágrafo segundo acima. Vejase que por “preclusão administrativa” deve ser entendido como a chamada “coisa julgada administrativa”, i. e., exceção aplicável apenas no caso do inciso IV, posto que, se não há mais processo, a autoridade julgadora não tem mais competência para tratar o tema. Vejase que o parágrafo primeiro dá outra solução também ao inciso II, privilegiando outro principio, conhecido por fungibilidade e informalismo. Se, por uma hipótese, o parágrafo não fosse aplicável nos casos de perda de prazo processual, restaria apenas o “exame de oficio” para o caso de parte ilegítima (inciso III) o que faria o parágrafo perder completamente seu sentido. Há uma clara antinomia em relação ao disposto no artigo 17 do decreto 70.235|72, posto que no artigo 63 acima não consta a falta de inclusão na impugnação como causa de preclusão contra o contribuinte. Na minha opinião, a LGPAF deveria ser aplicável, em razão da sua novidade, mas mesmo para aqueles que entendem que prevalece o “Decreto” por ser norma especial, não há antinomia em relação ao paragrafo segundo. Com isso quero dizer que, mesmo admitindo que o recurso pudesse ser não conhecido, este conselho de forma alguma está impedido de analisar livremente o tema, coincidente ou não com o argumento trazido no recurso. Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10803.720146/201225 Acórdão n.º 1402001.997 S1C4T2 Fl. 2.063 10 Finalmente, outra passagem da LGPAF deixa evidente o alcance do principio da busca da verdade material, seja para a instrução probatória, seja para elementos de interpretação da lei vigente, verbis: “Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.” Este dispositivo é aplicável a favor do administrado, pois não poderá tal revisão resultar em agravamento da sanção, bem como deve respeitar os institutos constitucionais de decadência, prescrição etc., mas evidencia sem duvida a busca da verdade material. Ora, se este Conselho pode, por iniciativa própria, acolher a outros aspectos de fato ou de direito, não necessariamente trazidos ao processo pelas partes, perguntase por que então as partes (fisco ou contribuinte) também não podem, se o objetivo desta esfera de julgamento é um só para todos: a verdade!! Vejase ainda que, no caso concreto, o pedido de diligencia – que é não foi ventilado na impugnação foi conhecido. Diante do exposto, ilustres conselheiros, mesmo não conhecendo do Recurso Voluntário, na forma do Voto do colega relator, ainda assim, votei pela verificação da legalidade da presunção de omissão de receitas dos depósitos bancários noticiados no processo, inclusive com eventual resolução para a realização de diligencias nesse sentido, se fosse o caso, realizando assim o competente controle de legalidade do lançamento, em atendimento ao principio da busca da Verdade Material. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por DEMET RIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10730.722566/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INEXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO AUTORIDADE FISCAL.
A apresentação de boletos/faturas e extratos de pagamentos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física.
In casu, tratando-se de Plano de Saúde, não constando dos documentos ofertados pela contribuinte, notadamente boletos/faturas de pagamentos e extratos, outros beneficiários, senão o próprio titular (autuada), não cabe à fiscalização presumir que haveriam mais beneficiários simplesmente porque a contribuinte não produziu prova negativa neste sentido.
Mais a mais, a própria natureza de tais documentos, na condição de declarações exclusivas do serviço contratado, nos conduz a conclusão que somente o titular era beneficiário do Plano de Saúde, como afirmado desde a defesa inaugural.
Não bastasse isso, o elevado valor, que poderia ser motivo de desconfiança da autoridade fazendária, se justifica pela idade avançada da contribuinte, à época das despesas, 85 (oitenta e cinco) anos de idade, o que conjugada com os demais elementos de prova acostados aos autos, oferece sustentação à tese da recorrente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. INEXISTÊNCIA BENEFICIÁRIOS NO BOJO DOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. VALIDADE. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO AUTORIDADE FISCAL. A apresentação de boletos/faturas e extratos de pagamentos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. In casu, tratandose de Plano de Saúde, não constando dos documentos ofertados pela contribuinte, notadamente boletos/faturas de pagamentos e extratos, outros beneficiários, senão o próprio titular (autuada), não cabe à fiscalização presumir que haveriam mais beneficiários simplesmente porque a contribuinte não produziu prova negativa neste sentido. Mais a mais, a própria natureza de tais documentos, na condição de declarações exclusivas do serviço contratado, nos conduz a conclusão que somente o titular era beneficiário do Plano de Saúde, como afirmado desde a defesa inaugural. Não bastasse isso, o elevado valor, que poderia ser motivo de desconfiança da autoridade fazendária, se justifica pela idade avançada da contribuinte, à época das despesas, 85 (oitenta e cinco) anos de idade, o que conjugada com os demais elementos de prova acostados aos autos, oferece sustentação à tese da recorrente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 25 66 /2 01 4- 17 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento, nos termos do relatório e voto. André Luis Marsico Lombardi Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10730.722566/201417 Acórdão n.º 2401004.116 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CIOMAR BRAGA DE MACEDO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0436.688/2014, às fls. 32/33, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente constatação da dedução indevida de despesas médicas por falta de comprovação ou de previsão legal, em relação ao exercício 2013, conforme peça inaugural do feito, às fls. 03/06, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 14/05/2014, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação No decorrer da ação fiscal foi solicitado através do Termo de Intimação Fiscal documento que informasse os valores discriminados por beneficiários do Plano Sul América Companhia de Seguro Saúde, não tendo o contribuinte ofertado tal documentação, razão da glosa procedida pela fiscalização. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à fl. 44, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que são dedutíveis na declaração as despesas previstas na legislação do imposto de renda, desde que sejam comprovadas por documentação hábil e idônea, conforme documentos em anexo, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, requer a contribuinte o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas suportadas no exercício objeto do lançamento. Uma vez intimada a listar os beneficiários do Plano de Saúde, a autuada deixou de apresentálo, razão pela qual a fiscalização entendeu por bem proceder a glosa de aludida despesa, com a consequente lavratura da presente notificação de lançamento. Em sede de impugnação, de fl. 02, a contribuinte informou ser a própria beneficiária do plano de saúde constante de sua Declaração, trazendo à colação extrato emitido pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas, de fl. 09, constando o autuado como Titular do Plano, bem como os valores pagos no decorrer do anocalendário 2011. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pela contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que o documento apresentado de fl. 9 não especifica os beneficiários do plano de saúde, informando somente o titular, não sanando, portanto, a irregularidade apontada pelo malha fiscal. Ainda irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são dedutíveis na declaração as despesas previstas na legislação do imposto de renda, desde que sejam comprovadas por documentação hábil e idônea, conforme documentos em anexo, impondo seja decretada a improcedência do feito. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Lei nº 9.250/1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;” “Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10730.722566/201417 Acórdão n.º 2401004.116 S2C4T1 Fl. 4 5 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Na hipótese dos autos, a querela se resume em definir se as despesas médicas da contribuinte, Plano de Saúde, se destinada exclusivamente ao titular (autuada) ou se possuía algum beneficiário, os quais poderiam ser excluídos se não atendidos as normas de regência. Assim, a contribuinte fora intimada para prestar tal informação, não o tendo feito na forma pleiteada pela fiscalização, que achou por bem glosar a integralidade da despesa. Com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, trouxe à colação por ocasião da impugnação extrato com os valores pagos ao Plano de Saúde, de fl. 09, explicitando ser o único beneficiário do Plano de Saúde, documentação que não fora aceita pelo julgador de primeira instância. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Em seu recurso voluntário, repisa a hipótese de isenção das despesas médicas suportadas pelo contribuinte, acostando ao processo, além do extrato, os boletos/faturas de pagamentos, com mais informações, igualmente, procurando ilidir a infração imputada. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito da contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cabe ressaltar que o lançamento encontrase escorado em pura e simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal. No entanto, aprofundando ainda mais nos documentos trazidos à colação pela contribuinte, conjugada com suas razões de defesa, melhor sorte não está reservada ao fisco. Com efeito, desde o primeiro momento a contribuinte vem informando ser o único beneficiário do Plano de Saúde. Do extrato ofertado, somente consta a informação do titular, não trazendo qualquer menção a eventuais beneficiários. De fato, o extrato se apresenta muito superficial, não elucidando ponto crucial do lançamento. Entrementes, os boletos/faturas de pagamento colacionadas junto ao recurso voluntário, às fls. 50/60, melhor esclarece os fatos, demonstrando com maiores detalhes as especificidades do plano. Destarte, consta de tais documentos a confirmação da titularidade do contribuinte do plano de saúde, bem como a relação de benefícios, qual seja, o próprio Seguro de Saúde. Não consta, novamente, relação de beneficiários. Isto porque, em nossa conclusão, inexistem outros beneficiários do plano de saúde, como afirmado pela contribuinte. Ora, o cidadão que tem plano de saúde e costuma analisar os boletos para pagamento, bem sabe que referido documento, via de regra, traz em seu bojo a lista dos benefícios e respectivos beneficiários. Assim, não constando do corpo do boleto/fatura outros beneficiários, senão o próprio titular do plano, concluímos, por óbvio, que inexistem outros beneficiários. Referidos documentos se apresentam, pela sua própria essência, como declarações exclusivas. Ou seja, o que não se encontra ali inserido não é de direito do contratante. Talvez a suspeita da autoridade fiscal tenha recaído no elevado valor do Plano de Saúde. Olvidouse, porém, que se trata de uma senhora de 90 (noventa) anos de idade, ou melhor, 85 (oitenta e cinco) na época do exercício sob análise, consoante Cartão de Identidade do Ministério da Aeronáutica, de fls. 10, data de nascimento 01/11/1926, e Planos de Saúde para Idosos, de fato, se apresentam caros. A corroborar esse entendimento, em rápida pesquisa no site do Plano de Saúde Sulamérica do Rio de Janeiro, no campo de "cotação online" (http://www.planosdesaudesulamericarj.com.br//?ass=22314&vamos_para=bra_individual), prestando informações pertinentes a pessoa de 85 (oitenta e cinco) anos, o Plano de Saúde orçado variou entre R$ 1.4042,26 a R$ 4.289,86. Aliás, a prova que a fiscalização requer da contribuinte tem natureza negativa, o que acaba por inviabilizar sua produção por parte da recorrente. Mais a mais, a Fl. 71DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10730.722566/201417 Acórdão n.º 2401004.116 S2C4T1 Fl. 5 7 documentação acostada ao processo já é por demais enfática que o beneficiário é o próprio titular não elencando qualquer outro, impondo seja decretada a improcedência do feito. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência total do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/03/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 13811.002249/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
Consideram- se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
CRÉDITO. IMPROCEDÊNCIA. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA
A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não contempla as despesas com frete decorrente da transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao creditamento em relação aos serviços de laboratório, serviços de frete para aquisição de insumos não tributados e aos serviços de movimentação portuária, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, que negavam o direito para os serviços de frete para aquisição de insumos não tributados e a Conselheira Sarah Araújo que reconhecia o direito de crédito para serviços profissionais e de limpeza. Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz - OAB 257324 - SP.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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MATÉRIA NÃO LITIGIOSA As matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, tornandose preclusa a matéria somente suscitada na peça recursal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Em face da Lei nº 9.430, de 1996, § 6º do art. 74 , atribuir o caráter de confissão de dívida à declaração de compensação, os débitos decorrentes do não reconhecimento do direito creditório, já estão confessados, não se operando a decadência suscitada nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Consideram se insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITO. IMPROCEDÊNCIA. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 22 49 /2 00 5- 70 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 A sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não contempla as despesas com frete decorrente da transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao creditamento em relação aos serviços de laboratório, serviços de frete para aquisição de insumos não tributados e aos serviços de movimentação portuária, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, que negavam o direito para os serviços de frete para aquisição de insumos não tributados e a Conselheira Sarah Araújo que reconhecia o direito de crédito para serviços profissionais e de limpeza. Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz OAB 257324 SP. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA, com CNPJ 61.156.501/000156, em face do Acórdão nº. 35.889, de 26/01/2012, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SP1, que, à unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Tendo em vista a minudência da situação fática retratada, adoto o relatório da r. decisão de primeira instância, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de “Declaração de Compensação” (fl. 1) relativa a alegado crédito da Contribuição para o PIS, referente ao 4º trimestre de 2004. Apensos os processos 13811.002246/200536 e 13811.002253/200538. Pelo Despacho Decisório de fls. 232/254 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“mercado externo”; fl. 253), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite do crédito deferido. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 620 3 A Autoridade Fiscal responsável pelos trabalhos de auditoria levados a efeito descreve os procedimentos adotados e os exames efetuados, os quais resultaram tanto em aceitação como em rejeição de valores, esta última concretizada por via da glosa de importâncias referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, mão deobra temporária, serviços de movimentação portuária e fretes sobre aquisições de insumos (notar quadro de glosas em fl. 238, item “9.5”). Externa a Fiscalização, em síntese, entendimento no sentido: de que o serviço de laboratório, conforme Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não pode ser considerado como aplicado ou consumido diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que os serviços profissionais, conforme análise da documentação apresentada para comproválos, referemse a limpeza, conservação, manutenção, locação de mãodeobra e remuneração de serviços, que estão sujeitos à retenção pelo tomador do serviço e, portanto, não são passíveis de crédito, também sendo considerados pela Contribuinte gastos com funcionários, tais como bolsa estágio, C.I.E.E. e vistorias, entre outros, que pela Solução de Divergência 15/2008 não se enquadram no conceito de insumo (cita em fls. 239/240 pontos do referido ato administrativo); de que, com relação a fretes sobre insumos, houve a constatação de créditos calculados sobre fretes relativos a aquisições tributadas a alíquota zero, portanto em desacordo com o art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei 10.833/2003, e além disso alguns lançamentos na conta contábil 3061 se referiam a transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens; de que a movimentação portuária referese a serviços de descarga de insumos prestados pelo porto, não havendo no art. 3º da Lei 10.833/2003 previsão de crédito para a espécie, que não se caracteriza como insumo, conforme art. 8º, inciso I, alínea b, e § 4º, I, da IN SRF 404/2004; de que as importâncias relativas a movimentação interna referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de movimentação de materiais no interior da indústria, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que as importâncias relativas a mãodeobra temporária referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de locação de mãodeobra, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à Fl. 622DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 espécie; Também cita as despesas que foram aceitas por encontrálos condizentes ou sem divergências. Reconhece que as devoluções de venda de mercadoria tributada originalmente pela saída mediante a alíquota de 7,6% relativamente à Cofins e 1,65% relativamente ao PIS dão azo a creditamento, mas observa que este deve ser tratado a parte, sem o concurso de rateio proporcional, dada a relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento, em mesmo montante e tipo de crédito, no caso de eventual devolução. Contra o Despacho Decisório foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 257/287) onde se alega, em síntese, no sentido: de que, embora o procedimento fiscal tenha sido efetuado dentro do prazo legal previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, a glosa pretendida não pode produzir efeitos posto que fulminada pela decadência do direito de lançar previsto no Código Tributário Nacional; de que a glosa de créditos promove o carregamento para o futuro de valores já utilizados na compensação de tributos devidos, com a subversão da finalidade do procedimento de homologação e indireta alteração do prazo decadencial, em evidente prejuízo da legalidade; de que o procedimento é igualmente nulo porquanto a Autoridade Fiscal procedeu a diversos ajustes no valor das receitas auferidas com reflexo na base de cálculo das contribuições devidas a cada mês e não indicou a razão dos ajustes e nem a base legal respectiva (menciona, a título de exemplo, o item 8 do Relatório fiscal); de que houve a glosa de valores referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, serviços de movimentação portuária, mãodeobra temporária e fretes sobre aquisições de insumos, basicamente pelo entendimento de que não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de fertilizantes, não se admitindo, por essa razão, a apuração de créditos relativamente a tais despesas, mas que tal interpretação não está em estrita consonância com a lei tributária, sendo que o direito ao crédito surge da utilização de um insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados a venda; de que, para Marco Aurélio Greco, a acepção do termo “insumo” deve estar vinculada necessariamente ao contexto da exação exigida, devendo, no caso da Cofins, estar atrelada ao aferimento de “receita”; de que a lei requer tão somente, para o deferimento do direito ao crédito, que os insumos sejam apenas utilizados na fabricação ou produção de produtos; de que a Autoridade Fiscal procedeu à glosa de créditos decorrentes de serviços laboratoriais, valendose de Solução de Consulta isolada sem caráter vinculativo; de que os serviços de análise de laboratório consistem em serviços para auditoria do Ministério da Agricultura, análise laboratorial na fabricação e serviços referentes a controle de qualidade; de que a ausência de análise laboratorial impossibilita a identificação da qualidade e especificação técnica de produto que a empresa se propõe a vender, e, deste modo, verificase que tais gastos dizem respeito a insumos utilizados no processo fabril como itens Fl. 623DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 621 5 imprescindíveis para o regular funcionamento da Empresa e para a geração das receitas tributáveis; de que, quanto aos serviços profissionais, a lei não veda a utilização de créditos com relação a insumos que tenham sido tributados na fonte e, se os serviços são tributados na fonte, é porque são insumos sujeitos à contribuição e, deste modo, podem gerar créditos se forem utilizados no processo de fabricação; de que limpeza, conservação e manutenção são atividades intrinsecamente ligadas à fabricação, não exigindo a lei, para fins de outorga do direito de crédito, que os insumos sejam consumidos em contato com o produto fabricado; de que basta para a lei “que os insumos sejam utilizados e sejam devidamente consumidos no processo fabril, até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 270); de que, no que concerne aos gastos com serviços profissionais, não está a Solução de Divergência 15/2008, adotada para legitimar a glosa, em consonância com a lei; de que, se a lei quisesse que o direito de crédito estivesse vinculado unicamente ao contato do insumo com o produto fabricado, não teria feito menção às despesas, exigindo a lei, para fins de outorga de crédito, apenas e tão somente que os insumos guardem alguma relação com a fabricação de produtos e sejam utilizados no estabelecimento fabril; de que a Manifestante contrata com pessoas jurídicas a prestação de serviços de movimentação portuária consistentes na locação de equipamentos (pá carregadeira) destinadas ao transporte de matériasprimas adquiridas desde o navio até o silo; de que a movimentação de mercadorias no âmbito de um porto constitui atividade de transporte em sentido amplo, devendo a sua remuneração ser considerada em essência com frete; de que, relativamente ao serviço de descarga portuária, há duas tomadas de crédito, decorrentes de créditos distintos, pois houve dois pagamentos da contribuição, um por parte dos prestadores de serviços sobre a receita auferida (PIS) e outro por parte da Empresa por conta da importação de bens estrangeiros (PISimportação), sendo um crédito tomado por esta tendo em vista a Contribuição no preço do produto e outro crédito tomado pela Contribuinte em face da importação, sendo que o creditamento referente ao Cofins importação decorre da permissão para o desconto de crédito em relação às importações sujeitas à contribuição na hipótese de bens utilizados como insumos, conforme Lei 10.865/2004, art. 15, II; de que os serviços de movimentação interna foram indevidamente glosados com base num critério de utilização direta na industrialização enquanto que, para a lei, basta “que os insumos sejam utilizados e esses são devidamente consumidos no processo fabril, até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 289); de que a Autoridade Fiscal não nega a vinculação desses insumos com o processo produtivo, apenas firmase no pressuposto de que tais serviços não se enquadram no conceito de insumo; de que, na falta de delimitação ou condição imposta por lei, insumo é toda utilidade que contribui em caráter essencial para o normal funcionamento de uma fábrica; Fl. 624DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 de que, para a lei, o direito de crédito nasce com a utilização de um insumo no processo de produção, fabricação ou prestação de serviços; de que a lei, quando empregou a vocábulo “utilizado”, quis fazer referência ostensiva aos bens e serviços usados, empregados, aplicados, gastos, adotados, tornados úteis, proveitosos ou que tenham alguma valia ou que serviram para alguma finalidade; de que os serviços tomados a título de mão deobra temporária visam suprir a necessidade de força de trabalho no processo fabril, contribuindo diretamente no processo produtivo mediante a colocação e retirada de matérias primas nas máquinas misturadoras de fertilizantes, não havendo óbice para creditamento, sendo tais serviços contratados sob o regime da Lei 6.019/74 com pessoa jurídica contribuinte do PIS, vedando a lei, unicamente, a escrituração de créditos decorrentes de aquisição de insumos de pessoas físicas; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão de mercadorias adquiridas (importadas) sob alíquota zero, posto que não geram direito a crédito e, daí, o frete correspondente também não geraria, mas se o frete, em si, não está sujeito a alíquota zero, o raciocínio carece de congruência lógica; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão do transporte de mercadorias de/para armazenagem ou depósito, despesas que constituem insumos utilizados na fabricação do produto a ser vendido, sendo que os depósitos de guarda de mercadorias participam do processo industrial, representando uma extensão do estabelecimento industrial; e de que o empréstimo de mercadorias constitui o cerne do contrato de mútuo e quando a Manifestante está na posição de mutuaria, ela adquire mercadorias com fulcro no que dispõe o art. 587 do Código Civil, sob um regime jurídico distinto do aplicável ao contrato de compra e venda e quando obtém bens destinados ao seu processo produtivo e paga pelo respectivo transporte, “a MANIFESTANTE adquire um insumo vinculado à produção da mesma natureza daquele necessário à obtenção do bem (a matériaprima) sob o regime do contrato de compra e venda, razão pela qual não pode lhe ser negado o direito ao crédito” (fl. 287). Requer a declaração de nulidade do procedimento fiscal em razão da decadência do direito da Fazenda e o restabelecimento in totum dos créditos glosados. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade da decisão proferida por autoridade competente, contra a qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 622 7 DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO. O prazo decadencial do direito de Lançar tributo não rege o instituto da compensação e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte. SERVIÇOS NÃO APLICADOS OU CONSUMIDOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO.CREDITAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Serviços, em que pese poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade do contribuinte, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de produto quando realizados anterior, posterior ou paralelamente à fabricação de produtos em si mesma, não dando azo a creditamento. DESPESAS COM TRANSPORTE ENTRE DISTINTAS UNIDADES DO SUJEITO PASSIVO OU DENTRO DA MESMA UNIDADE PRODUTIVA.CREDITAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Impossível a constituição de créditos sobre fretes pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País relativos a transporte entre distintas unidades do sujeito passivo e sobre despesas com transporte/movimentação de matériasprimas, produtos em elaboração ou elaborados dentro da mesma unidade produtiva do sujeito passivo FRETE NA AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO O crédito sobre o valor do frete na aquisição é permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento e na mesma proporção em que esse se der, já que o frete compõe o custo de aquisição. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/05/2013, conforme Termo de Abertura de Documento de fl.354, através da Caixa Postal, Modulo eCAC do site da Receita Federal, nos termos do inciso III, "b" do §2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 357/404 e documentos de fls.405/495, em 23/05/2013, fl.357, no qual reitera os mesmos argumentos já colacionados na Manifestação de Inconformidade, aduzindo ainda a arguição de nulidade quanto aos procedimentos adotados pelas Autoridades Fiscais em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para o reconhecimento do direito creditório, ferindo assim o princípio da verdade material . Nesse sentido sustenta que a fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais o da motivação e o da legalidade, assim jamais poderia o Agente Fiscal ter emitido Despacho Decisório e a DRJ validado sem fazer uma detida e profunda análise do direito creditório da Recorrente, ignorando e glosando os vultosos créditos dessa contribuição. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Às fls. 499/513 a Recorrente apresenta petição onde reitera os argumentos já trazidos em sede recursal, anexando os documentos de fls. 514/618, entre os quais o Parecer de fls.539/618. Cita respeitável doutrina e também jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Decadência. Não cabimento Observase da dicção do 1§ 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 que o prazo para a Fazenda Pública homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Com efeito, o § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, atribuiu o caráter de confissão de dívida à declaração de compensação, nesse sentido os débitos decorrentes do não reconhecimento do direito creditório, já estão confessados, não comportando portanto a arguição de decadência com fundamento no § 4º do art. 150 do CTN. 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 627DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 623 9 Pontua o Parecer PGFN/CAT/Nº 632/2011: 10. A declaração constitutiva do crédito tributário substitui o lançamento. Uma vez apresentada, a formalização do débito prescinde de qualquer ato adicional do Fisco. Dessa forma, não se opera a decadência, que consiste na "perda do direito de 'constituir o crédito tributário (ou seja, de lançar) pelo decurso de certo prazo.(grifei). 11. Eventuais diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna da RFB deverão ser objeto de lançamento, uma vez que não constam da declaração entregue e, portanto, não integram o crédito constituído. Nesse caso, observamse os prazos do art. 150, §4º, ou do art. 173, I, do CTN, de forma a evitar a decadência em relação aos débitos não constantes da declaração. É de relevo realçar que no âmbito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência ocorre quando o contribuinte não confessa o tributo por meio de declaração, a exemplo da DCTF, DCOMP, etc. e a Fazenda Pública não efetua o lançamento dentro do prazo previsto no CTN, logo, na hipótese de o contribuinte confessar a sua dívida, não se fala mais em decadência (em relação à parte confessada), uma vez que a declaração por parte do contribuinte constitui o crédito tributário. A matéria inclusive está sumulada no Superior Tribunal de Justiça STJ, conforme se transcreve a seguir: Súmula 436/STJ. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.1 (STJ, Súmula 436, 1ª S., j. em 14/04/2010, DJe de 13/05/2010). Diante do acima exposto inferese que o instituto da decadência não se opera no caso em exame. Da Inexistência de Nulidade Da Preclusão quanto à arguição de superficialidade do Trabalho Fiscal Ausência da Verdade Material Após a sumarização fática, a Recorrente inicia a peça recursal arguindo a nulidade do Despacho Decisório e da decisão de primeira instância em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para o reconhecimento do direito creditório, ferindo assim o princípio da verdade material . Quanto à nulidade suscitada relativa aos procedimentos fiscais e respectivo despacho decisório, considerase preclusa a matéria trazida na peça recursal, visto que não houve o prequestionamento desta na manifestação de inconformidade, suprimindo assim a apreciação pela primeira instancia da respectiva matéria. No tocante à suposta ausência de motivação e superficialidade da decisão de primeira instância quanto à análise dos créditos pleiteados cabem as seguintes considerações. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Constatase que a decisão de piso, fls.322/352 fundamentadamente efetuou a análise de todas as matérias arguídas na Manifestação de Inconformidade, notadamente quanto às glosas dispostas no Despacho Decisório de fls. 238/260, por conseguinte, em vista do suporte probatório carreado aos autos pelo contribuinte, a decisão de piso amparada no regramento do art.29 do Decreto nº 70.235, de 1972 e na legislação citada na referida peça processual emitiu sua interpretação sobre os fatos submetidos à apreciação. Nesse mister cumpre observar que nos processos de restituição, ressarcimento, reembolso e compensação, chamados de "processos de reconhecimento de direito creditório, a fase inicial se inicia com o pleito do contribuinte, sendo o Despacho Decisório, no qual o chefe da unidade que jurisdiciona o domicílio do sujeito passivo ou o local onde foi efetuado o despacho aduaneiro se manifesta quanto à procedência ou não da repetição pretendida, o ato administrativo que dá margem à inauguração da fase contenciosa. Tratando o presente processo administrativo de Declaração de Compensação, cujo crédito tributário é extinto sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação, conforme disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, vinculando os respectivos elementos de prova aos créditos pleiteados, pontuando assim, de forma inequívoca, a improcedência da glosa. Rejeito portanto a nulidade suscitada. NO MÉRITO Do conceito de insumo A Recorrente que atua na importação, comercialização e distribuição de matériasprimas e na produção de ingredientes para nutrição animal e fertilizantes para aplicação em todas as culturas agrícolas insurgese quanto às glosas a seguir identificadas: A análise das glosas acima destacadas impõe necessariamente uma análise preliminar quanto à conceituação de insumo e da possibilidade de desconto de valores a título de crédito no sistema não cumulativo de PIS e COFINS nos termos dispostos na legislação de regência. Nesse sentido, dispõe a Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...); Fl. 629DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 624 11 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Quanto ao conceito de insumo, tema já recorrente no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, cujas teses abrangem desde a aplicação mais restrita, nos exatos termos da legislação do IPI quanto ao conceito mais alargado de custos e despesas, de aplicação segundo a legislação do imposto de renda (RIR artigos 290/299) e considerando a conceituação trazida pela recorrente na peça recursal "... o conceito de insumo, na sistemática nãocumulativa das contribuições em comento, é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados à obtenção de receita", decidiu recentemente a terceira turma, através do Acórdão nº 3302001.781, 22 de agosto de 2012, cujos excertos do voto condutor, no tocante ao conceito em exame, abaixo reproduzo: Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com os sistemas do IPI, do ICMS ou do IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração não cumulativa dos tributos. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e do PIS/COFINS, tenho defendido a total diferença entre os regimes1, o que causa reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e para a COFINS, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em decorrência deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, confunde e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as Medidas Provisórias nº 66/02 e 135/03, posteriormente Fl. 630DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº 10.833/03 – COFINS. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da Carta Magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. .................................................... .......................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)”Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/COFINS, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita2 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da nãocumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco3: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto Fl. 631DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 625 13 industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação, a respeito da geração dos créditos que visam evitar a cumulatividade, para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS, que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos, em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito na sistemática aplicada ao PIS e à COFINS, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma através da qual se deu esta tributação ou o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pela sistemática do SIMPLES, até porque o montante recolhido a título de PIS e COFINS não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário4. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito a um crédito correspondente à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa para a apuração do crédito sobre o insumo, ao contrário do que ocorre na apuração de créditos nos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes, com outros inevitavelmente inovadores, pois formados de significação específica para a sistemática de não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de Fl. 632DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. (...) Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, estabelecidos pelos artigos 2906 e 2997 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (por exemplo, despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc...) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, considerados como insumos geradores de crédito na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos. Da mesma forma, o conceito de custo de produção também é diferente do conceito de insumos utilizado pela legislação das contribuições, basta constatar que as Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a equiparação do valor gasto com a folha de salários com o conceito de insumo para o PIS e para a COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e para a COFINS, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (...)”. A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 8 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativos para a Fl. 633DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 626 15 produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte.(grifos do original). Ultrapassada a questão conceitual analisase de per si as seguintes glosas questionadas: Serviço de laboratório: serviço contratado para efetuar análise do produto da empresa. Conforme aduz a Recorrente na peça recursal, "...os serviços de laboratório contratados estão relacionados com o controle técnico e de qualidade dos produtos por ela fabricados. (...) utiliza diversos materiais químicos, como o sulfato de amônio ou sulfato de potássio, por exemplo, em diversas formulações, que irão variar conforme a condição do solo em que serão utilizadas. Assim, os produtos são testados em laboratório para garantir que as formulações estão corretas e, assim, atenderão as necessidades de cada cliente."(sic.) Na esteira da conceituação de insumo acima abordada que elege como critério a essencialidade/indispensabilidade destes na atividade de produção ou prestação de serviços cujo viés interpretativo se coaduna como a hipótese legal (bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos art. 3º, II da Lei nº 10.637, de 2002), e considerando o conjunto de documentos colacionados, documento (4), para demonstrar os exames laboratoriais, inferese que tais serviços na medida em que objetivam aferir a qualidade técnica dos produtos fabricados, guardam inegavelmente relação de essencialidade visto que o controle técnico (micronutrientes, acidez, umidade, dureza, granulometria, e outros), conforme documentos de fls.478/479 e descrição da Recorrente quanto ao processo produtivo, tornase indispensável para assegurar a otimização e eficácia do produto para os fins a que se destina. Nesse sentido rejeito a glosa acima referida. Serviços profissionais: de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, locação de mãodeobra e remuneração de serviços. Também foi considerado pelo contribuinte, pagamentos efetuados com gastos de funcionários tais como: bolsa estágio, C.I.E.E, vistorias, entre outros. Depreendese do texto legal que não há amparo para créditos dessa natureza. Notese que ainda que tivesse amparo legal, não há nos autos suporte probatório suficiente para inferir acerca da utilização/indispensabilidade desses serviços. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 Quanto à glosa acima analisada, não há reparos na decisão de piso. Fretes sobre compras: Com relação à glosa de Fretes sobre aquisições de insumos, trago excertos do Despacho Decisório de fls. 246/248 pela distinção que cabe considerar: Fretes sobre Insumos: o frete sobre insumo foi extraído da conta contábil 3061 — fretes sobre ingresso de insumos. Foram considerados na Dacon créditos calculados sobre fretes sobre aquisições de insumos, tributados à alíquota zero, portanto, em desacordo com o art. 3º,§ 2°, inciso II, da Lei n° 10.637/2002.(grifei) Conforme art. 289, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/ 99, os custos de transporte integram o custo de aquisição da mercadoria, portanto, estando a mercadoria sujeita à alíquota zero o frete a ela vinculado não gera direito a créditos em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637/2002. Além disso, constatouse pelos históricos que alguns lançamentos na conta contábil 3061 (Fretes sobre Ingressos de Produtos), se referiam a transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens. Os esclarecimentos fornecidos pela empresa vieram a corroborar as constatações e, portanto, foram efetuadas as glosas referentes aos seguintes históricos dos lançamentos: Vejase o quadro resumo quanto à distinção quantitativa referente à glosa que de Fretes sobre aquisições de insumos Fl. 635DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 627 17 Conforme acima demonstrado a fundamentação da glosa de créditos calculados sobre fretes prendese ao fato de que as aquisições dos insumos são tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002. No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403001.944, de 09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Nesse sentido, registro excertos da referida decisão, nos termos do voto condutor: A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei). “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados Fl. 636DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 18 pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)”(grifei). Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). )(grifei). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Rejeito parcialmente a glosa ao item analisado, mantendo porém a glosa que compõe a rubrica "Frete sobre compras", referente ao frete sobre ingresso de produto quanto a (transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens), conforme cálculo demonstrado no subitem 9.5.4 do Despacho Decisório de fls. 238/260, por entender que não há amparo legal para o referido crédito. MãodeObra Temporária: com relação a esse item mantenho a glosa efetuada por não encontrar amparo na legislação de regência consoante o pressuposto conceitual acima definido, dada a natureza eventual, não indicando a imprescindibilidade desses serviços, inclusive pela ausência de prova documental que assim comprove. Serviços de Movimentação Interna : Em que pesem possam ser necessários à movimentação dos produtos, segundo aduz a Recorrente [que tais serviços consistem na movimentação de insumos para abastecimento das moegas das fábricas], no entanto não demonstra a Recorrente a natureza de tais serviços cuja prova documental possa ser conformada à legislação para dela se apreender que sejam utilizados e imprescindíveis ao produto/serviço final. Mantenho assim a glosa quanto a esse item. Movimentação Portuária: Discorre a Recorrente sobre a natureza de tais serviços e nesse aspecto tem razão a defesa quando alude aos conceitos de capatazia e estiva definidos no 2art. 57, § 3º, incisos I e II da Lei nº 8.630, de 1993, destacando a importância da contratação dos referidos serviços para recepção a da matériaprima. Embora não acoste 2 Art. 57. No prazo de cinco anos contados a partir da publicação desta lei, a prestação de serviços por trabalhadores portuários deve buscar, progressivamente, a multifuncionalidade do trabalho, visando adequálo aos modernos processos de manipulação de cargas e aumentar a sua produtividade. § 3° Considerase: I Capatazia: a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações de uso público, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário; II Estiva: a atividade de movimentação de mercadorias nos conveses ou nos porões das embarcações principais ou auxiliares, incluindo o transbordo, arrumação, peação e despeação, bem como o carregamento e a descarga das mesmas, quando realizados com equipamentos de bordo; Fl. 637DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002249/200570 Acórdão n.º 3302002.922 S3C3T2 Fl. 628 19 documentos para comprovar, no entanto considerando que referida glosa não ocorreu pela não comprovação dos serviços contratados e sim por uma interpretação conferida pela autoridade jurisdicionante e instância a quo aos dispositivos da lei já destacados no presente voto, rejeita se a glosa referente a essa rubrica. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao creditamento em relação aos serviços de laboratório, serviços de frete para aquisição de insumos não tributados e aos serviços de movimentação portuária. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 638DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 10707.000852/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 03/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator. EDITADO EM: 03/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Numero do processo: 16327.720906/2013-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2010
Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Recurso Especial Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de dissídio jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto. - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de dissídio jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto. - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, , julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Recurso Especial Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por ausência de dissídio jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto. Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 06 /2 01 3- 24 Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.720906/201324 Acórdão n.º 9303003.429 CSRFT3 Fl. 1.392 2 Tratase de recurso especial de divergência, por meio do qual se busca a reforma do Acórdão nº 3302002.835, de 28/01/2015, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2010 DEVER DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS. DISPOSIÇÃO DO ARTIGO 4º DA LEI Nº 9.784/1999. Constitui dever legal do contribuinte a prestação de esclarecimentos e apresentação da documentação necessária à verificação por parte da autoridade fiscal quanto ao cumprimento das obrigações tributárias. Recurso de Ofício Provido. O acórdão foi alvo de embargos de declaração, mas tais embargos foram rejeitados de plano, nos termos do despacho às fls. 1212 e 1213. Inconformado, o contribuinte apresenta seu recurso especial, colacionado às fls. 1322 a 1336, pleiteando a reforma integral do aresto. Com vistas à objetividade da discussão, tratarei exclusivamente dos argumentos atrelados à matéria admitida pelo despacho às fls. 1369 a 1374. No caso, o ônus de quantificar e especificar o quantum devido. Com relação a essa matéria, destaquese, o colegiado recorrido assentou a interpretação no sentido de que o contribuinte possuiria o dever legal de colaborar com a investigação e que o descumprimento desse dever, máxime quando injustificado, autorizaria a lavratura do auto de infração a partir das informações à disposição da Fiscalização. A recorrente, em contraposição, alega que o Fisco não teria cumprido com seu dever legal, na medida em que não teria quantificado e identificado o crédito tributário. O acórdão recorrido, a seu turno, ao referendar tal procedimento, contrariara a jurisprudência administrativa, conforme restaria evidenciado na leitura do acórdão apontado como paradigma1 (nº 1301001.569). Eis a sua ementa, parcialmente transcrita, na fração que interessa a solução do presente litígio: CONDUTA INFRACIONAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Incumbe ao autor do feito colacionar aos autos prova de que o contribuinte fiscalizado incorreu nas infrações a ele imputadas. Ausentes tais elementos, insubsistentes são os lançamentos tributários que decorrem da circunstância em referência. 1 Doc. às fls. 1355 e seguintes. Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.720906/201324 Acórdão n.º 9303003.429 CSRFT3 Fl. 1.393 3 Regularmente cientificada do prosseguimento parcial do recurso, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas contrarrazões, colacionadas às fls. 1378 e seguintes Em síntese, aduz a PFN que a recorrente não teria demonstrado a necessária divergência interpretativa, na medida em que os acórdãos recorrido e paradigma tratam de legislação e fatos diversos, bem assim que a recorrente estaria buscando a reabrir a análise das provas. No mérito, pleiteia que se reconheça a improcedência do recurso, essencialmente, pelos mesmos argumentos do acórdão recorrido e, alternativamente, caso venha a ser reconhecida a imprecisão da descrição, seja o lançamento seja anulado por vício formal. Ou seja, que não seja cancelada a autuação. É o Relatório Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Antes de passar à análise das matérias recursais, fazse necessário revisitar o exame de admissibilidade. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo. Em primeiro lugar, como já antecipado, no caso concreto, o acórdão recorrido parte do pressuposto de que o Fisco dispunha dos valores globais relativos a Receitas Financeiras, mas entendeu que deveria segregar e excluir da tributação os valores oriundos de aplicação em investimentos compulsórios e de formação de reservas técnicas. Para tanto, intimou a contribuinte a segregar essas receitas. Ocorre que, quando da apresentação de sua resposta, a Contribuinte terseia negado a promover a segregação requerida, sob a alegação de que todas as receitas financeiras estariam excluídas do campo de incidência das contribuições debatidas. Assim, partindo do pressuposto de que o Sujeito Passivo não cumprira seu dever legal de prestar informações, gizados no art. 4º da Lei nº 9.784, de 1999 e no art. 23 do Decreto nº 7.574, de 2011, o Colegiado ratificou a conduta de proceder ao lançamento sobre a integralidade das receitas financeiras. Ou seja, em momento algum restou caracterizado que a autoridade estava desincumbida de demonstrar os fatos e quantificar o crédito, mas que, diante da negativa da Fiscalizada em apresentar elementos que permitissem reduzir o quantum debeatum, caberia proceder ao lançamento a partir dos documentos disponíveis. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.720906/201324 Acórdão n.º 9303003.429 CSRFT3 Fl. 1.394 4 Após analisarse o acórdão apontado como paradigma, chegase à conclusão de que tal discussão não fora travada naquele processo. Muito pelo contrário, ali, debateuse a hipótese em que o Fisco dispunha de elementos para aprofundar sua verificação, mas optara por promover análise superficial das matérias auditadas, sem criticar as informações prestadas pelo sujeito passivo. Confirase o seguinte excerto do voto condutor do acórdão paradigma. Observo que a autoridade fiscal lavrou um único Termo solicitando esclarecimentos acerca dos registros feitos nas contas acima referenciadas (fls. 10/11), e, tomando por base as suas descrições e a informação prestada pela fiscalizada (fls. 20/21), concluiu que os recursos recebidos derivaram de receitas efetivamente auferidas, ou seja, não existe nos autos qualquer indicação de que o agente autuante tenha extraído a sua conclusão da análise da documentação que serviu de lastro para os registros contábeis, até porque nenhuma referência há neste sentido. (Original não destacado) Ademais, ao examinarse o acórdão apontado como paradigma, verificase que, naquela decisão, não foram debatidos os efeitos da negativa de prestar esclarecimento, aspecto essencial para a decisão veiculada no acórdão recorrido. Lá, o Autuante teria agido com displicência (sem o devido cuidado em checar as informações prestadas pelo Sujeito Passivo), aqui, a Fiscalização, mesmo tendo intimado e reintimado o Sujeito Passivo a fornecer os dados relativos às receitas auditadas, não os obteve, já que a ora Recorrente, limitouse a informar que tais receitas não faziam parte da base de cálculo do PIS e da Cofins. Em resumo, no paradigma, a "displicência" da Fiscalização em verificar a veracidade das infrações prestados pelo Sujeito Passivo, justificou o cancelamento da exigência fiscal, aqui, a situação fática, absolutamente distinta da verificada no paradigma, a autuação foi mantida, justamente, porque o sujeito passivo não cumpriu seu dever de prestar as informações requisitadas pela autoridade fiscal, acarretando, a falta ou recusa, no entender do Colegiado recorrido, a possibilidade de lançamento com as informações de que se dispuser. Em outro giro, a admissibilidade do recurso especial de divergência, nos termos da regra contida no art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprovou o atual regimento do CARF, já vigente à época da apresentação do recurso, está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Consequentemente, não há falarse em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Não se estaria diante de divergência interpretativa, mas fática. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso especial e, consequentemente, manter a decisão recorrida. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 16327.720906/201324 Acórdão n.º 9303003.429 CSRFT3 Fl. 1.395 5 Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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