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Numero do processo: 18471.001592/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
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INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 92 /2 00 8- 61 Fl. 451DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 10 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; Fl. 452DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 11 3 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da Fl. 453DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 12 4 obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 13 5 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Fl. 455DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 14 6 Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." Fl. 456DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 15 7 O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão Fl. 457DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 16 8 paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE. O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 17 9 O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do contencioso e tomando por base a impugnação original. Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do Fl. 459DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 18 10 CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a Fl. 460DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 19 11 comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou Fl. 461DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 20 12 compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. MÉRITO. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 21 13 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de Fl. 463DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 22 14 legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de Fl. 464DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 23 15 interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 465DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 24 16 reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 25 17 Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 467DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 26 18 Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Fl. 468DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 27 19 Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento Fl. 469DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 28 20 esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 29 21 dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 30 22 E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 472DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 31 23 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 473DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 32 24 § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Fl. 474DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 33 25 Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 34 26 autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 35 27 Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Fl. 477DF CARF MF Processo nº 18471.001592/200861 Acórdão n.º 2402006.248 S2C4T2 Fl. 36 28 Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 478DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.925311/2016-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.925311/201609 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.936 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente ALGAR TI CONSULTORIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2014 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 11 /2 01 6- 09 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10680.925311/201609 Acórdão n.º 3301004.936 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.517. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10680.925311/201609 Acórdão n.º 3301004.936 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10680.925311/201609 Acórdão n.º 3301004.936 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10680.925311/201609 Acórdão n.º 3301004.936 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10680.925311/201609 Acórdão n.º 3301004.936 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002222/2006-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002
REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE.
De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador.
EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006.
A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia.
Numero da decisão: 9303-007.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2002 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006. A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 652 1 651 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.002222/200699 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.405 – 3ª Turma Sessão de 18 de setembro de 2018 Matéria CIDEREMESSAS Recorrente SAS INSTITUTE BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006. A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 22 /2 00 6- 99 Fl. 652DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 653 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 461 a 504), contra o Acórdão 3201001.498, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 405 a 418), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 NORMAS COMPLEMENTARES. OBSERVÂNCIA NÃO CONFIGURADA. CABIMENTO DAS MULTAS APLICADAS E DOS JUROS DE MORA. Não se configurando a observância de normas complementares, não há que se falar na aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN para fins de exclusão das penalidades e dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso ... Primeiramente, foram opostos Embargos de Declaração (fls. 425 a 429), alegando o sujeito passivo (no que interessa a este julgamento) que foi mantida a autuação “sob o argumento de que o lançamento referirseia à incidência da CIDE sobre pagamentos de software e que a nãoincidência da CIDE sobre tais remessas somente poderia ser aplicada a partir de janeiro de 2006, nos termos da Lei n.° 11.452/2007” e “não há no acórdão qualquer referência ao julgamento do mérito do lançamento fiscal, ou seja, sobre a possibilidade ou não de cobrança da CIDE sobre as remessas ao exterior ...”. Os embargos foram acolhidos, conforme Acórdão 3201002.009 (fls. 445 a 452), reconhecendo a Turma que houve omissão quanto à ementa e determinando no Voto que ela assim ficasse (grifei): Fl. 653DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 654 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NA APRECIAÇÃO DE PRELIMINAR. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Não há nulidade do julgado, quando da omissão de análise de matéria suscitada em sede preliminar, não decorreu preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto n. 70.235/72. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE A partir de janeiro de 2006, as remessas para pagamento pela licença de uso dos softwares, dos quais não decorram transferência de tecnologia, não estão sujeitas à incidência da CIDE. NORMAS COMPLEMENTARES. OBSERVÂNCIA NÃO CONFIGURADA. CABIMENTO DAS MULTAS APLICADAS E DOS JUROS DE MORA. Não se configurando a observância de normas complementares, não há que se falar na aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN para fins de exclusão das penalidades e dos juros de mora. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial (fls. 624 a 627), pois “comprovada, apenas, a divergência principal, no sentido da não incidência da CIDE, mesmo antes da edição da Lei nº 11.452/07, sobre as remessas efetuadas ao exterior, como pagamento de licença e utilização de softwares”. Diz o Conselheiro no Exame de Admissibilidade que “O simples confronto das ementas/votos comprova a divergência principal. Ao contrário da decisão recorrida, o acórdão paradigma decidiu que: ‘O artigo 20 da Lei n° 11.452/07, que alterou a Lei nº 10.168/00 para determinar a não incidência da CIDE sobre remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, tem caráter puramente interpretativo.’, entendendo pela não incidência da CIDE, sobre as remessas efetuadas ao exterior, como pagamento de licença e utilização de softwares, mesmo antes da sua edição”. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 635 a 650). É o Relatório. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 655 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a discussão cingese à incidência ou não da CIDERemessas na remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador, que não impliquem transferência de tecnologia, em 2002. A Jurisprudência majoritária desta 3ª Turma é no sentido da incidência da contribuição, para os fatos geradores sob análise, conforme Acórdão recente, de minha lavra (nº 9303006.251, de 24/01/2018), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de Apuração: 31/07/2004 a 31/12/2004 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006. A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia. O período de apuração, neste caso, é anterior (2002), mas, como a vigência da Lei nº 10.332/2001, que alterou a Lei nº 10.168/2000, se deu a partir de 1º de janeiro Fl. 655DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 656 5 daquele ano, adoto como razões de decidir as mesmas do Voto Condutor do acórdão citado, afirmando, de início, que a transferência de tecnologia não é, como regra, pressuposto para a incidência da CIDE, considerando, em especial, que a alteração legislativa ampliou (e muito) o campo de incidência da contribuição. Vejamos a redação dada à lei que originalmente instituiu a CIDERemessas: Art. 2º Para fins de ... ................... § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) Quanto aos serviços técnicos, a Súmula CARF nº 127 espancou qualquer dúvida a respeito: Súmula CARF nº 127: A incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. Tratando agora mais especificamente dos programas de computador, passo a transcrever literalmente excertos do referido Voto: “E norma legal superveniente ... deixa ainda mais claro o que aqui defendo, se vista a contrario sensu, que é o § 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, incluído pelo art. 20 da Lei nº 11.452/2007: § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Ora, se a transferência de tecnologia fosse pressuposto para a incidência da contribuição, qual a razão de ser desta norma ?? Se a CIDE já não incidisse pelo fato de que não estivesse envolvida na operação a transferência de tecnologia, por óbvio, seria ela totalmente desnecessária. O contribuinte alega que o dispositivo teria caráter interpretativo, ou seja, seus efeitos seriam retroativos, mas a própria lei (nº 11.452/2007), em seu art. 21, como já visto, tratou logo de afastar este entendimento: Fl. 656DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 657 6 Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. O CTN é claríssimo ao exigir que, para ser retroativa, a lei seja expressamente interpretativa (por exemplo, que diga, como em regra ocorre, “para fins de interpretação do art. ....): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Não estamos aqui diante de aplicação pretérita de penalidades, mas tãosomente de cobrança de tributo. Absolutamente, então, não vejo nenhuma razão para que alguém entenda que esta lei seja retroativa até janeiro de 2002, pois ela fixa, outrossim, expressamente, a data em que o seu art. 20 passaria a produzir efeitos, qual seja, 1º de janeiro de 2006. ................... Muito recentemente (23/10/2017), foram publicados dois Acórdãos do STJ, exatamente com o mesmo teor (REsp nº 1.642.249SP e nº 1.650.115SP, respectivamente, das empresas SYMANTEC e TELEFONICA), que convergem para tudo o que aqui defendo – e ainda vão além, tratando das mais recorrentes discussões quanto à incidência ou não da CIDERemessas em casos análogos. Transcrevo, no que interessa, a Ementa do segundo, cuja simples leitura dispensa maiores comentários ...: ... CIDE REMESSAS. ART. 2°, CAPUT E § 1°, DA LEI N. 10.168/2000 E ART. 10, I, DO DECRETO N. 4.195/2002. INCIDÊNCIA SOBRE O PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NO EXTERIOR PELA EXPLORAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS RELATIVOS A PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE) AINDA QUE DESACOMPANHADOS DA "TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA ". ISENÇÃO APENAS PARA OS FATOS GERADORES POSTERIORES A 31.12.2005. ART. 20, DA LEI N. 11.452/2007. SIGNIFICADOS DAS EXPRESSÕES: "TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA ", "TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA ", "FORNECIMENTO DE TECNOLOGIA " E "ABSORÇÃO DE TECNOLOGIA ". (...) 3. O fato gerador da CIDE Remessas é haver pagamento a residente ou domiciliado no exterior a fim de remunerar (art. 2°, caput e §§ 2° e 3°, da Lei n. 10.168/2000): a) a detenção da licença de uso de conhecimentos tecnológicos (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000); Fl. 657DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 658 7 b) a aquisição de conhecimentos tecnológicos (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000); c) a "transferência de tecnologia" (art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000) que, para este exclusivo fim, compreende c.1) a exploração de patentes (art. 2°, § 1°, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.2) o uso de marcas (art. 2°, § 1°, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.3) o "fornecimento de tecnologia" (art. 2°, § 1°, segunda parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.4) a prestação de assistência técnica (art. 2°, § 1°, terceira parte, da Lei n. 10.168/2000); d) a prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (art. 2°, § 2°, da Lei n. 10.168/2000); ou e) royalties, a qualquer título (art. 2°, § 2°, da Lei n. 10.168/2000). 4. Por especialidade (expressão "para fins desta Lei" contida no art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 Lei da CIDE Remessas), o conceito de "transferência de tecnologia" previsto no art. 2°, caput, da Lei n. 10.168/2000 não coincide com aquele adotado pelo art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98 ("Lei do software "). O primeiro não exige a "absorção da tecnologia", já o segundo, sim. 5. Desse modo, exclusivamente para os fins da incidência da CIDE Remessas, o art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 expressamente não exigiu a entrega dos dados técnicos necessários à "absorção da tecnologia" para caracterizar o fato gerador da exação, contentandose com a existência do mero "fornecimento de tecnologia" em suas mais variadas formas. 6. Nessa linha, o "fornecimento de tecnologia" de que fala o art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000 também engloba a aquisição dos direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, isto porque para ser comercializada a tecnologia precisa primeiramente ser de algum modo fornecida a quem a comercializará. Não há aqui, por especialidade, a necessidade de "absorção da tecnologia" (exigência apenas do art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98). 7. Consoante o art. 2°, § 5°, da Lei n. 9.609/98, os direitos de autor abrangem qualquer forma de transferência da cópia do programa (software). O que há, portanto, nos contratos de distribuição de software proveniente do estrangeiro, é uma remuneração pela exploração de direitos autorais, seja diretamente ao autor, seja a terceiro a título de royalties, o que se enquadra no conceito de "fornecimento de tecnologia" previsto no art. 2°, § 1°, da Lei n. 10.168/2000, pois há o fornecimento a adquirente no Brasil da cópia do programa pelo autor ou por terceiro que explora os direitos autorais no estrangeiro. Em suma: o fornecimento de cópia do programa (software) é "fornecimento de tecnologia", ainda que não haja a Fl. 658DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 659 8 "absorção da tecnologia" (acesso ao código fonte) por quem a recebe. 8. A isenção para a remessa ao exterior da remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) desacompanhada da "transferência da correspondente tecnologia" ("absorção da tecnologia") somente adveio a partir de 1° de janeiro de 2006, com o art. 20, da Lei n. 11.452/2007, ao adicionar o § 1°A ao art. 2°, da Lei n. 10.168/2000. 9. Não há qualquer contradição deste raciocínio com as finalidades da Lei n. 10.168/2000 de incentivar o desenvolvimento tecnológico nacional, visto que a contribuição CIDE Remessas onera a importação da tecnologia estrangeira nas mais variadas formas. O objetivo então é fazer com que a tecnologia (nas várias vertentes: licença, conhecimento/comercialização, transferência) seja adquirida no mercado nacional e não no exterior, evitandose as remessas de remuneração ou royalties. Tal a intervenção no domínio econômico. Precedente: REsp 1.186.160SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26.08.2010. 10. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp nº 1.650.115SP, Relator Min. Mauro Campbell Marques, Dje 23/10/2017)” À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer meu entendimento acerca da matéria em debate. Recordo, para tanto, que se trata de auto de infração lavrado com exigência de CIDE relativo à aquisição de software de prateleira. O cerne da lide posta em recurso versa sobre a discussão acerca do caráter a ser dado ao art. 20 da Lei 11.5421/07 para fins de se definir se o r. dispositivo ao prever que a Fl. 659DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 660 9 CIDE não incide sobre as remessas para a aquisição de softwares sem transferência de tecnologia, inovou no plano tributário, instituindo uma norma de isenção, não retroagindo a fatos pretéritos, OU se reconheceu/esclareceu uma hipótese de não incidência tributária com alcance, por conseguinte, a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência, considerando a disposição contida no art. 2º da Lei 10.168/00. A priori, importante destacar que não há dúvida de que o software objeto do processo que ensejou a remessa ora discutida não ensejou transferência de tecnologia, eis que, se tratam de software de prateleira. Tratase de programas de computador produzidos em larga escala e que não tinham por objetivo serem customizados ou encomendados pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, passo a analisar as normas para elucidar o meu entendimento. Para tanto, importante trazer que a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico foi instituída pela Lei 10.168/00 para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação. Para fins de atendimento ao Programa, então, foi instituída a CIDE que, nos termos do “caput” do art. 2º da r. Lei, seria devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse ínterim, vêse que o próprio “caput” do art. 2º da Lei já trazia que a CIDE não incidiria sobre a remuneração pela aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia. Ora, a CIDE somente foi instituída para onerar a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos em contratos que impliquem a transferência de tecnologia firmados com não residentes, eis que tinha como intuito basilar motivar à inovação NACIONAL utilizando nosso capital humano e científico NACIONAL. Para tanto, deveria haver um estímulo para a utilização de recursos humanos, científicos nacional com aplicação ao capital nacional, quer seja, através de “criação de pedágio tributário” para as pessoas jurídicas que, ao invés de se utilizarem ou disporem oportunidades aos residentes ou domiciliados no país – motivando a inovação nacional, firmavam contratos ou adquiriam conhecimentos tecnológicos que implicassem transferência de tecnologia com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse diapasão, vêse que que, independentemente do advento do art. 20 da Lei 11.452/07 – que trouxe o § 1ºA ao art.2º da Lei 10.168/00 – já era possível se extrair que sobre a remessa para a aquisição de software que não envolvesse transferência de tecnologia não seria devida a CIDE. Eis que não tal evento não conferiria fato gerador passível de incidência da r. contribuição. Tanto é assim que, visando buscar a segurança jurídica para não se tributar pela CIDE as remessas de aquisição de software que não envolva transferência de tecnologia, vários sujeitos passivos formularam consultas à Receita Federal do Brasil. Essa autoridade Fl. 660DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 661 10 fazendária, assim, emitiu entendimento pela não tributação da contribuição tratando da mesma hipótese ora discutida nesse processo. Frisese tal constatação a Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal (Grifos meus): “Solução de Consulta DISIT/SRRF 8 nº 513/06: Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF REMESSAS PARA O EXTERIOR Programas de Computador (Software) Não estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por tratar se de mercadorias. Dispositivos Legais: Art. 710 do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17.06.1999); e Portaria MF nº 181, de 28.09.1989. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições CIDE Não ocorre a incidência da Cide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por não caracterizar hipótese de incidência da referida contribuição. Dispositivos Legais: Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29.12. 2000 (alterado pelo art. 6º da Lei nº 10.332, de 19.12.2001); e art. 10 do Decreto nº 4.195, de 11.04.2002” E as Soluções de Consulta 20/04, 15/04, 290/03, 133/03, 81/03 e 298/02 emitidas pela Receita Federal do Brasil no mesmo sentido. Cabe trazer ainda que tais atos administrativos foram emitidos anteriormente à publicação da Lei 11.452/07 – o que reforça que já era possível afastar, somente observando o art. 2º, caput, da Lei 10.168/00, a CIDE sobre tais remessas. Sendo assim, vêse que o art. 20 da Lei 11.452/07 transcritos abaixo – apenas veio a “ESCLARECER” a aplicação do art. 2º, “caput”, da Lei 10.168/00 para os casos inerentes as remessas para aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia (Grifos meus): “Art. 20. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: Fl. 661DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 662 11 “Art. 2º .................................................................................. .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Tanto é assim que trouxe “textualmente” o termo “não incide”, deixando claro que se trata de norma “esclarecedora”, e não norma institutiva de “isenção”. Não se trata de norma isentiva, pois caso assim fosse, traria literalmente o termo “isenção” para fins de outorgála, em respeito ao art. 111, inciso II, do CTN. Sendo assim, por óbvio, resta estranho considerar o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168/00 – trazida pelo art. 20 da Lei 11.452/07 como norma isentiva, vez que se trata especificamente de norma ESCLARECEDORA das hipóteses de incidência referendadas no caput do art. 2º da Lei 10.168/00. Recordo que no dispositivo em questão traz o termo “não incide” – o que reforça tal entendimento. Entender, assim, que o dispositivo esclarecedor seria, em verdade, norma inovadora por ser norma de isenção e, por conseguinte, aplicar tal “isenção” apenas a partir de 2007, usurparia o art. 111, inciso II, do CTN. Reforço que não se trata de norma isentiva, pois sem o r. dispositivo também poderíamos entender que a CIDE nesse caso não seria devida, pois não poderíamos ignorar a regra matriz de incidência da contribuição que trouxe claramente que a incidência da contribuição abarcaria aquisição e contratos que impliquem transferência de tecnologia. Ou seja, sobre as aquisições e contratos que não impliquem transferência de tecnologia não haveria a INCIDÊNCIA da CIDE. Sendo assim, a norma “esclarecedora”, que apenas clarifica hipótese de incidência já abarcada pela lei original, não deve ser tratada como norma isentiva e inovadora, pois nada inova no ordenamento jurídico. Apenas clarifica que NÃO INCIDE a CIDE sobre remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador quando não envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Dizse que tal norma é somente esclarecedora, pois tem o condão de “esclarecer”, até mesmo aos julgadores e à autoridade fazendária, as hipóteses de incidência e não incidência da CIDE – que já estavam abarcadas e previstas no art. 2º da Lei 10.168/00. Não obstante, podese ainda inferir que tal dispositivo teria o condão de interpretar norma anterior – o que, nos termos do art. 106 do CTN, poderia ser aplicável a fatos pretéritos. Com efeito, independentemente de ser norma “esclarecedora” – que automaticamente aplicaria a fatos pretéritos, se entendêssemos como norma interpretativa, ainda que restasse transparente a não incidência da CIDE no evento em discussão, poderseia Fl. 662DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 663 12 insurgir quando da análise do caráter interpretativo da r. norma se essa seria “expressamente” interpretativa para tentar afastar a não tributação para fatos pretéritos. No entanto, vejo que tal insurgência poderia ser demasiadamente ignorada, eis que tal norma poderia ser vista como “expressamente interpretativa”. Ora, ressurgindo ao dispositivo (Grifos meus): ““Art. 2º .................................................................................. .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Com efeito, resta claro que “expressamente” traz que a CIDE NÃO INCIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, SALVO QUANDO ENVOLVEREM A TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA. Expressamente, então, traz que NÃO INCIDE A CIDE nesses casos – e repete regra já posta na Lei 10.168. Portanto, não há como se entender que tal norma não seria esclarecedora ou interpretativa – com aplicação retroativa. No direito positivo, temse que somente devem observar regras constitucionais de anterioridade quando se tratar de instituição ou majoração de tributos. O que, por conseguinte, vêse não ser o caso em comento. Ademais, é de se esclarecer que também não se trata de norma de isenção com aplicação a partir da publicação da lei, eis que tal norma deverá trazer literalmente a outorga de isenção – conforme pressupõe o próprio art. 111 do CTN. Continuando, se fosse norma isentiva, em respeito ao art. 176 do CTN, vêse ainda que a lei que traria tal norma, deveria especificar as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e não há nada que pudesse nos fazer levála a esse direcionamento. Além disso, a norma de não incidência, ao contrário da isenção, traz enunciado de inexistência de relação jurídica entre as partes. O QUE FEZ!! E a norma isentiva dispensa o pagamento do tributo em razão de determinado ato ou fato jurídico – O que não fez!! Sendo assim, por essas razões, dou provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Proveitoso ainda trazer, com a devida vênia, meu entendimento acerca do recente julgamento da mesma questão pelo STJ, vez que a 2ª Turma daquele tribunal superior se posicionou em sentido contrário ao meu entendimento, quando da apreciação do REsp 1.642.249, pois decidiu que incide CIDE sobre contratos de licença de uso e comercialização Fl. 663DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 664 13 ou distribuição de software em que há remessa de valores ao exterior, independentemente de absorção de tecnologia. Tal julgado envolveu o período de 2000 a 2006. O relator Ministro Mauro Campbell Marques trouxe em ementa: “[...] 4. O fato gerador da CIDE Remessas é haver pagamento a residente ou domiciliado no exterior a fim de remunerar (art. 2º, caput e §§2º e 3º, da Lei n. 10.168/2000): a) a detenção da licença de uso de conhecimentos tecnológicos (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000); b) a aquisição de conhecimentos tecnológicos (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000); c) a "transferência de tecnologia" (art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000) que, para este exclusivo fim, compreende c.1) a exploração de patentes (art. 2º, §1º, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.2) o uso de marcas (art. 2º, §1º, primeira parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.3) o "fornecimento de tecnologia" (art. 2º, §1º, segunda parte, da Lei n. 10.168/2000); ou c.4) a prestação de assistência técnica (art. 2º, §1º, terceira parte, da Lei n. 10.168/2000); d) a prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes (art. 2º, §2º, da Lei n. 10.168/2000); ou e) royalties, a qualquer título (art. 2º, §2º, da Lei n. 10.168/2000). 5. Por especialidade (expressão "para fins desta Lei" contida no art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 Lei da CIDE Remessas), o conceito de "transferência de tecnologia" previsto no art. 2º, caput, da Lei n. 10.168/2000 não coincide com aquele adotado pelo art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98 ("Lei do software "). O primeiro não exige a "absorção da tecnologia", já o segundo, sim. 6. Desse modo, exclusivamente para os fins da incidência da CIDE Remessas, o art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 expressamente não exigiu a entrega dos dados técnicos necessários à "absorção da tecnologia" para caracterizar o fato gerador da exação, contentandose com a existência do mero "fornecimento de tecnologia" em suas mais variadas formas. 7. Nessa linha, o “fornecimento de tecnologia” de que fala o art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000 também engloba a aquisição dos direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, isto porque para ser comercializada a tecnologia precisa primeiramente ser de algum modo fornecida a quem a Fl. 664DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 665 14 comercializará. Não há aqui, por especialidade, a necessidade de "absorção da tecnologia" (exigência apenas do art. 11 e parágrafo único, da Lei n. 9.609/98). 8. Consoante o art. 2º, §5º, da Lei n. 9.609/98, os direitos de autor abrangem qualquer forma de transferência da cópia do programa (software ). O que há, portanto, nos contratos de distribuição de software proveniente do estrangeiro, é uma remuneração pela exploração de direitos autorais, seja diretamente ao autor, seja a terceiro a título de royalties, o que se enquadra no conceito de “fornecimento de tecnologia” previsto no art. 2º, §1º, da Lei n. 10.168/2000, pois há o fornecimento a adquirente no Brasil da cópia do programa pelo autor ou por terceiro que explora os direitos autorais no estrangeiro. Em suma: o fornecimento de cópia do programa (software ) é "fornecimento de tecnologia", ainda que não haja a "absorção da tecnologia" (acesso ao código fonte) por quem a recebe. 9. A isenção para a remessa ao exterior da remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software ) desacompanhada da "transferência da correspondente tecnologia" ("absorção da tecnologia") somente adveio a partir de 1º de janeiro de 2006, com o art. 20, da Lei n. 11.452/2007, ao adicionar o §1ºA ao art. 2º, da Lei n. 10.168/2000. 10. Não há qualquer contradição deste raciocínio com as finalidades da Lei n. 10.168/2000 de incentivar o desenvolvimento tecnológico nacional, visto que a contribuição CIDE Remessas onera a importação da tecnologia estrangeira nas mais variadas formas. O objetivo então é fazer com que a tecnologia (nas várias vertentes: licença, conhecimento/comercialização, transferência) seja adquirida no mercado nacional e não no exterior, evitandose as remessas de remuneração ou royalties . Tal a intervenção no domínio econômico. Precedente: REsp 1.186.160SP, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26.08.2010. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.” Vêse que o ministro relator entendeu que o conceito de “transferência de tecnologia” de que trata o art. 2º da Lei 10.168/00 não coincide com a Lei do Software – Lei 9.609/98 – que, por sua vez, exige a “absorção” de tecnologia. O que, por conseguinte, entende que ainda que não haja acesso ao código fonte por quem a recebe, o fornecimento de cópia de programa comercializável seria fornecimento de tecnologia. Para tanto, traz que: “Para ser comercializada, a tecnologia precisa ser de algum modo fornecida a quem vai comercializar. Não há necessidade de absorção de tecnologia”. E ainda ao mencionar o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168 – dispositivo incluído pela Lei 11.452/07, reflete que o enunciado está abarcado pelo instituto da “isenção”. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 666 15 Como havia refletido anteriormente, entendo que esse dispositivo não estaria abarcado pelo instituto da isenção, pois se trata de norma de hipótese de NÃO INCIDÊNCIA. Recordo o § 1ºA: “§ 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia” A norma de “não incidência” esclarece que a situação do fato, quando realizada, não faz nascer a obrigação tributária, vez que não está enquadrado na hipótese de incidência do tributo. O art. 2º, caput, da Lei 10.168/00 contempla expressamente a hipótese de incidência – qual seja, no caso, que a CIDE INCIDE sobre, entre outros, contratos que IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. Sendo assim, os contratos que não envolvam transferência de tecnologia NÃO INCIDEM a CIDE. Enquanto o instituto da isenção, por sua vez, exclui da lei parcela da hipótese de incidência tributária. Ou seja, caso haja algum fato que se subsume à hipótese de incidência, a lei poderá excluíla da tributação, ainda que se trate de um fato que se enquadre na hipótese de incidência. Vêse claro no presente caso que o art. 2º, § 1ºA, da Lei 10.168/00 não confere o instituto da isenção, pois o fato de adquirir software sem transferência de tecnologia já NÃO se encontra na hipótese de incidência. Ademais, importante trazer que a transferência de tecnologia de que trata a lei envolve efetivamente o acesso ao código fonte, pois somente com essa “inteligência” é que teríamos a transferência de tecnologia para o desenvolvimento de produtos. A transferência de tecnologia implica de per si a absorção da tecnologia, justamente para ser utilizável para o desenvolvimento de novos produtos. A transferência de tecnologia envolve a “absorção” dessa inteligência para a criação ou customização de novos produtos. Na aquisição de software de prateleira não há implicação de transferência de tecnologia. A mera aquisição, sem a absorção da inteligência (tecnologia) e, para fins comerciais, confere a situação de mera aquisição de mercadorias. Se entendêssemos que o software de prateleira tem tecnologia e, portanto, implica transferência de tecnologia, ainda que não seja essa absorvida pelo adquirente, já não faríamos mais distinção do que seria “serviço” ou mercadoria. Do que seria customizável ou não. Do que poderia incidir ISS ou ICMS. IPI? E, se assim pensássemos, por que então o dispositivo em questão traria “salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia”, já que toda a aquisição de software possui “internamente” tecnologia e seria tributável pela CIDE? Seja software de prateleira ou não? Por isso, entendo que a Lei 9.609/98 trouxe corretamente o conceito de contratos de licença de uso, de comercialização e de transferência de tecnologia. A implicação de transferência de tecnologia implica efetivamente a absorção da tecnologia. Como pode haver “transferência” sem absorção da tecnologia? Fl. 666DF CARF MF Processo nº 19515.002222/200699 Acórdão n.º 9303007.405 CSRFT3 Fl. 667 16 Em vista de todo o exposto, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 667DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.908558/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2001
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2001 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 58 /2 01 1- 49 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.483. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.388, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10850.908558/201149 Acórdão n.º 3301005.039 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.904317/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior.
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 17 /2 01 0- 41 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13884.904317/201041 Acórdão n.º 3302005.763 S3C3T2 Fl. 93 2 Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao segundo trimestre de 2004. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13884.904317/201041 Acórdão n.º 3302005.763 S3C3T2 Fl. 94 3 que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 90 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 81 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 82 a 88) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000085/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 85 /2 00 7- 95 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 3 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 4 3 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 5 4 obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 6 5 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 7 6 Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 9 8 paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE. O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 10 9 contencioso e tomando por base a impugnação original. Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 11 10 Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 12 11 O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 13 12 De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. MÉRITO. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 14 13 Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 15 14 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 16 15 construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 17 16 Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 18 17 Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 19 18 Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 20 19 Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 21 20 De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 22 21 Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 23 22 pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 24 23 administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 25 24 "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 26 25 Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 27 26 CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11330.000085/200795 Acórdão n.º 2402006.238 S2C4T2 Fl. 28 27 Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 609DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.004995/2004-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. SÚMULA CARF 107.
A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 2.
É vedado ao CARF apreciar matéria relativa ao afastamento de lei vigente sob o argumento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 3401-005.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por dar parcial provimento ao recurso: (i) por unanimidade de votos, para afastar o lançamento no que se refere à exclusão da isenção em relação a atividades contraprestacionais (Súmula CARF 107), e (ii) por maioria de votos, para manter o lançamento no que se refere a receitas financeiras, vencido o Conselheiro Cássio Schappo.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. SÚMULA CARF 107. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 2. É vedado ao CARF apreciar matéria relativa ao afastamento de lei vigente sob o argumento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por dar parcial provimento ao recurso: (i) por unanimidade de votos, para afastar o lançamento no que se refere à exclusão da isenção em relação a atividades contraprestacionais (Súmula CARF 107), e (ii) por maioria de votos, para manter o lançamento no que se refere a receitas financeiras, vencido o Conselheiro Cássio Schappo. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 49 95 /2 00 4- 93 Fl. 498DF CARF MF 2 TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em razão de decisão da DRJ/POA que manteve o lançamento de oficio (fls. 03/18) referente a Cofins devida nos períodos de apuração de janeiro de 2002 a dezembro de 2003. Do Lançamento de Ofício A autoridade fiscal constatou que a contribuinte não incluiu na base de cálculo da COFINS entre 2002 e 2003 as seguintes rubricas: · Anuidades, conta 3.1.01.01.001, · Inscrição Vestibular", conta 3.1.01.01.002, · Taxa de Transferência", conta 3.1.01.03.002, · Taxa de Serviços", conta 3.1.01.03.003, · Taxa de Serviços c/ Xerox", conta 3.1.01.03.006, · Biblioteca", conta 3.1.01.03.007, e · Cursos", conta 3.1.01.03.008. Foi constatado que, a partir de 2003, também passou a não incluir na base de cálculo as receitas financeiras registradas no plano de contas como: · Juros Recebidos, conta 3.3.05.02.001; e · Descontos Obtidos, conta 3.3.05.02.002. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 11080.004995/200493 Acórdão n.º 3401005.094 S3C4T1 Fl. 455 3 Em sua argumentação, a autoridade fazendária esclareceu que: · A imunidade prevista no artigo 150, VI, da Constituição Federal, é restrita aos impostos, não abrangendo a Cofins; · A “isenção” prevista no artigo 195, § 7° da Constituição Federal, não é aplicável, porque somente é aplicável às entidades beneficentes de assistência social, que atendam os requisitos estabelecidos no artigo 55 da Lei Federal n°8.212/91, não sendo o caso da interessada; · A isenção do artigo 14, inciso X, da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, somente se aplica às receitas relativas às atividades próprias das entidades referidas naquele inciso, ou seja, receitas auferidas sem caráter contraprestacional · A contribuinte não é reconhecida como de utilidade pública e não dispõe de Certificado Beneficente de Assistência Social, não sendo filantrópica nem beneficente e não estando isenta do recolhimento do INSS conforme esclarecido pela própria contribuinte. Da Impugnação A contribuinte afirmou, em sua peça impugnatória, o seguinte: · Embora não seja filantrópica ou gratuita, não visa qualquer finalidade lucrativa, mas à obtenção de recursos para a manutenção das suas atividades dentro do setor privado em caráter complementar aos serviços estatais; · Alega que preenche as condições para o gozo da isenção da Cofins previstas no artigo 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e cujas condicionantes estão previstas no artigo 13 da mesma MP, atendendo os requisitos dispostos na Lei n° 9.532/1997, bem como atende o estipulado nos artigos 205 e 209 da Constituição Federal; · Pretende afastar a aplicação da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, porque esta estaria estabelecendo limite não previsto em lei; · Alega que "não distribui quaisquer parcelas de seu patrimônio ou lucros, aplicando seus recursos exclusivamente na manutenção de suas atividades, mediante escrituração fiscal plenamente em dia, em perfeita regularidade nos seus recolhimentos fiscais, salários e contribuições previdenciárias, bem como regular exercício de atividades, legitimada a prestação de serviços de ensino superior, conforme reconhecimento advindo das autoridades públicas, sistemáticas comprovações de âmbito regulador e pleno atendimento de natureza educacional, em perfeita consonância a sua postura ética"; Fl. 500DF CARF MF 4 · Alega, por fim, ser indevida a incidência da Cofins sobre suas receitas financeiras, tendo em vista a ilegitimidade do alargamento de sua base de cálculo, nos moldes da Lei n° 9.718/98. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1016.597, exarado pela 2ª Turma da DRJ/POA, que manteve o lançamento nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 Ementa: ISENÇÃO ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL — Para o gozo do beneficio da isenção deve a entidade comprovar ter cumprido os requisitos firmados na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. PEDIDO DE PERÍCIA — Ê de ser negado pedido de perícia de elementos que a interessada poderia ter juntado na impugnação. Dessa decisão, importante destacar os seguintes excertos: (...) Mesmo se cumpridas as exigências para beneficiarse da isenção, o que não é o caso, como se viu, a reclamação quanto à Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002, não encontra sustentação já que em nada ultrapassa a determinação expressa na lei, mas apenas manifesta o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil acerca do dispositivo legal. No caso, a isenção da Cofins, conforme o disposto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, é aplicável apenas para as receitas relativas às atividades próprias da contribuinte. O entendimento da SRF foi dado pela IN que conceituou o que seja receita de atividade própria: aquela receita auferida sem caráter contra prestacional direto. Também a ilegalidade da Lei n° 9.718, de 1997, que constituiria na determinação da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da Cofins, procedimento que alargaria a base de cálculo da Contribuição, não pode ser aqui analisada, já que já que é principio assente na doutrina 'Atria o de que os órgãos administrativos em geral não podem negar aplicação a uma Lei ou Decreto porque lhes pareça inconstitucional, já que leis emanadas do Poder competente gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta só elidida pelo Poder Judiciário. Por oportuno, vale lembrar os reiterados pareceres administrativos sobre a matéria, podendose citar, entre outros, o PN CST 329/1970 e o PN CST 70/1977. Do Recurso Voluntário Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11080.004995/200493 Acórdão n.º 3401005.094 S3C4T1 Fl. 456 5 Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio apenas a reperisar os argumentos apresentados na impugnação, informando que fora parte de ação judicial que discutira a incidência de COFINS sobre suas receitas operacionais, com transito em julgado favorável. É o relatório. Voto Conselheiro TIAGO GUERRA MACHADO Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que lhe tomo conhecimento. Do Mérito O cerne da questão em litígio no presente Recurso não consiste em reconhecer a isenção da COFINS sobre as receitas auferidas decorrentes das atividades próprias da Recorrente. Isto porque tal direito já fora reconhecido em âmbito judicial no Processo 2005.71.00.023366, já transitado em julgado desde 2007. Naquela oportunidade, a sentença – que restou mantida pelo Tribunal Regional Federal – assim dispôs: "No caso da parte autora, conforme se vê de seu estatuto social (fls. 19/26), tratase de uma sociedade educacional sem fins lucrativos que tem por finalidade o ensino em seus vários graus, principalmente o ensino superior. A isso se soma a declaração apresentada à fL 30, que dá conta que a entidade não distribui lucros e não remunera os dirigentes pelos serviços prestados. De tal modo, tenho que as receitas decorrentes das atividades próprias à instituição são isentas da COFINS." Assim, compete a esse Colegiado verificar se as receitas excluídas da base de cálculo da contribuição social são, de fato, de natureza própria das atividades desempenhadas pela Recorrente, cujo objeto social, nos termos que se verifica de seu Estatuto, é o “ensino em seus vários graus, principalmente o Ensino Superior e dentro dos princípios da moral cristã e da consciência democrática do povo brasileiro”. Fl. 502DF CARF MF 6 Ora, a atividade da Recorrente compreende todas as funções relativas ao exercício de seu objeto, de forma que as receitas decorrentes dessas funções devem ser consideradas abarcadas pelo bojo da decisão transitada em julgado, tais como aquelas que foram desconsideradas a saber: · Anuidades, conta 3.1.01.01.001, · Inscrição Vestibular", conta 3.1.01.01.002, · Taxa de Transferência", conta 3.1.01.03.002, · Taxa de Serviços", conta 3.1.01.03.003, · Taxa de Serviços c/ Xerox", conta 3.1.01.03.006, · Biblioteca", conta 3.1.01.03.007, e · Cursos", conta 3.1.01.03.008. Vejam que a autoridade fiscal, ao ignorar a existência de tal decisão, acabou por não analisar – e por isso, não há qualquer menção no termo de verificação – se as receitas registradas sob as rubricas acima eram de fato atinentes ao objeto social da contribuinte; contudo, não havendo críticas quanto à classificação e quanto ao conteúdo de cada conta, considero fato incontroverso e não passível de reforma ou questionamento por esse Colegiado. Nesse mesmo sentido, vale citar o Acórdão CSRF nº 9303005;980, que afastou a aplicação da in srf 247, na linha do que o próprio STJ já havia decidido: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de atividades próprias de associações civis sem fins lucrativos, conforme estabelecido no seu Estatuto Social, em consonância com os objetivos sociais para os quais foi criada, estão isentas da COFINS, sendo irrelevante o caráter contraprestacional, nos termos do artigo 14, inciso X da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART. 62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na Fl. 503DF CARF MF Processo nº 11080.004995/200493 Acórdão n.º 3401005.094 S3C4T1 Fl. 457 7 sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. STJ. ISENÇÃO DE COFINS. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. No sentido de reconhecer aplicável a isenção da COFINS, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002 da Secretaria da Receita Federal, pronunciouse o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do recurso especial nº 1353111 / RS, pela sistemática dos recursos repetitivos. Em decorrência disso, foi emanada a Súmula CARF 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Diante disso, reformo a decisão recorrida para excluir os lançamentos referentes a tais receitas. Por outro lado, não há como entender que as receitas financeiras são parte decorrente diretamente da atividade própria da Recorrente; pelo que entendo haver a incidência de COFINS nessa parcela. Quantos aos argumentos de índole constitucional, reservome à aplicação da Súmula CARF nº 2, eis que o que a Recorrente pleiteia é o afastamento de aplicação de legislação vigente em razão de inconstitucionalidade. Pelo todo exposto conheço do Recurso Voluntário, porém doulhe parcial provimento. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 504DF CARF MF 8 Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721518/2016-56
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 15 18 /2 01 6- 56 Fl. 254DF CARF MF 2 Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, anocalendário de 2012, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 41.475,00, por falta de comprovação de pagamento, bem como dedução indevida de previdência social (Estado de São Paulo CNPJ 46.379.400/000150), no valor de R$ 488,66, por falta de apresentação de comprovante de recolhimento ou Comprovante de Rendimentos emitido pela fonte pagadora, gerando um saldo de imposto de renda complementar de R$9.608,13, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação de fls 04 e ss, juntando documentos e alegando, em síntese, que em relação à dedução indevida de Previdência Social, o valor foi efetivamente retido pela fonte pagadora e em relação às infrações de deduções indevidas de despesas médicas, anexa documentos comprobatórios. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no seguinte sentido: 1 com relação a dedução indevida de previdência social tendo em vista que o valor glosado não foi informado em Dirf pela fonte pagadora supracitada e que não foram anexados aos autos comprovantes de seu recolhimento/retenção, deve ser mantida a glosa; 2 com relação às despesas de Iragildo Nunes Neve Machado, no valor de R$100,00 (fl. 36), Otávio Mangabeira do Nascimento, no valor de R$500,00 (fl. 37), Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, R$ 95,00 (fl. 44) e André Leandro Knebel Castanhede, no valor de r$ 520,00 (fl. 39), estas foram comprovados, devendo ser restabelecida a dedução de despesas médicas no valor de R$ 1.215,00; 3 com relação às demais despesas médicas, quais sejam Paulo Edson Reis Jacob Neto (R$ 300,00) , Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (R$ 60,00 serviço de triagem particular sem previsão legal para dedução), Anderson da Silva Farias (R$ 20.020,00) e Solange de Souza Rodrigues (R$ 20.150,00), apesar de a contribuinte ter sido intimada a comprovar o efetivo pagamento de tais valores, ou apresentar declaração completa emitida pelos médicos, de forma objetiva, contendo todas os detalhes e informações determinados por lei, não o fez. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte os mesmos argumentos, apresenta diversos documentos que não atendem ao quanto solicitado de forma clara e objetiva e requer acolhimento do seu pedido para considerar como dedutível as despesas em comento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10073.721518/201656 Acórdão n.º 2001000.603 S2C0T1 Fl. 3 3 Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente argumenta que efetuou o pagamento das despesas médicas, sem, no entanto, apresentar prova documental contundente para tal. A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas nem a contribuição a previdência social , nos seguintes termos: “[...] Em relação à comprovação do efetivo pagamento, e como se depreende da legislação anteriormente transcrita, cabe ao contribuinte comprovar, segundo expressa disposição legal o pagamento das despesas médicas. Comumente são aceitos, para comprovar o pagamento das despesas médicas, os recibo ou notas fiscais emitidos pelos profissionais prestadores dos serviços. Fl. 256DF CARF MF 4 No entanto, mesmo que o contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços, é licito à autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Assim, a autoridade lançadora está autorizada a intimar o contribuinte para que comprove, mediante apresentação de outros documentos, o efetivo pagamento das despesas informadas nos recibos e notas fiscais ou a efetividade da prestação dos serviços. Destaquese que, em relação às deduções na declaração do imposto sobre a renda, o art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, regulamentado pelo art. 73 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, a juízo da autoridade lançadora, deslocando para ele o ônus probatório. Portanto, cabe à contribuinte provar que as despesas médicas declaradas existiram, tendo em vista que a inclusão de tais despesas na declaração de ajuste anual resulta em um benefício para a impugnante, já que reduzem a base de cálculo do imposto devido. Dessa forma, fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas na declaração, para ter direito às respectivas deduções, não basta à contribuinte apresentar simples recibos ou declarações dos profissionais, cabendo sim, quando questionada pela autoridade administrativa, comprovar, de forma objetiva, a vinculação da prestação do serviço médico com o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. No presente caso, conforme já mencionado, foi solicitado à contribuinte que comprovasse o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas como pagas a Anderson da Silva Farias (R$ 20.020,00) e Solange de Souza Rodrigues (R$ 20.150,00). Diante da ausência de comprovação na forma solicitada, a dedução foi glosada. Em sua impugnação, a contribuinte anexa extrato bancário demonstrando os saques efetuados durante o anocalendário em análise (fl. 23), bem como as declarações de fls. 24/25) e os recibos de fls. 28 a 35. Contudo, tais documentos não são suficientes para demonstrar o efetivo pagamento, requisito solicitado pela autoridade fiscal, conforme Intimação já mencionada. Simples recibos/declarações, não são suficientes para comprovar o efetivo desembolso dos valores declarados como pagos aos profissionais, e não é possível concluir que os saques em conta apresentados no extrato bancário referemse às despesas declaradas, pois não foi possível Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10073.721518/201656 Acórdão n.º 2001000.603 S2C0T1 Fl. 4 5 vincular os referidos saques com os recibos apresentados (datas e valores). Ressaltese que a disponibilidade financeira, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas. Tal comprovação requer a coincidência de datas e valores, e a impugnante não logrou êxito em fazer a vinculação entre as despesas realizadas e os saques efetuados. Devese destacar, ainda, que inexiste obrigação legal de que a contribuinte efetue os pagamentos com cheque nominal, sendo possível que os pagamentos das despesas médicas declaradas sejam feitos em dinheiro, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, a interessada abriu mão da força probatória de outros documentos bancários, dificultando a comprovação dos dispêndios. Portanto, uma vez que não houve a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os saques efetuados, não restou comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas como pagas a Anderson da Silva Farias (R$ 20.020,00) e Solange de Souza Rodrigues (R$ 20.150,00). Destaquese, ainda, que a contribuinte também não apresentou documentos que comprovassem a indicação clínica para a fisioterapia, conforme solicitado na intimação de fl. 118. Dessa forma, tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade fiscal e que estas não foram realizadas satisfatoriamente, concluise que a glosa das despesas médicas relativas a Paulo Edson Reis Jacob Neto (R$ 300,00), Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro (R$ 60,00), Anderson da Silva Farias (R$ 20.020,00) e Solange de Souza Rodrigues (R$ 20.150,00) encontrase perfeitamente embasada. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. Fl. 258DF CARF MF 6 De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental que NÃO atendeu ao quanto solicitado clara e objetivamente pela fiscalização, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto mantida a glosa da despesa médica em questão e mantida a glosa da dedução indevida de previdência social (Estado de São Paulo CNPJ 46.379.400/000150), no valor de R$ 488,66, por falta de apresentação de comprovante de recolhimento ou Comprovante de Rendimentos emitido pela fonte pagadora . CONCLUSÃO: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10073.721518/201656 Acórdão n.º 2001000.603 S2C0T1 Fl. 5 7 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa Fl. 260DF CARF MF 8 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Quanto à glosa da dedução indevida de previdência social (Estado de São Paulo CNPJ 46.379.400/000150), no valor de R$ 488,66, não foram apresentados argumentos objetivos contrários no recurso, devendo ser considerada matéria preclusa. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, aceitando as despesas médicas. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.721667/2012-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-000.621
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
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O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 16 67 /2 01 2- 12 Fl. 208DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 7.939,74, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão da inexistência de comprovação da decisão judicial que homologou o acordo referente à pensão alimentícia paga e da idade de um dos filhos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à idade de um dos filhos e à falta de comprovação da decisão judicial definidora da prestação alimentar ou homologatória de acordo, exigência da legislação vigorante, nos termos que segue: Trata o presente processo de impugnação a notificação de lançamento de fls. 04 a 07, na qual é exigido imposto de renda pessoa físicasuplementar no valor de R$ 7.939,74 acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2009, em decorrência de dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública. Sobre a dedução de pensão judicial, o art. 78 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe que poderá ser deduzida da base de cálculo a pensão judicial, nos seguintes termos: (...) São, portanto, requisitos para a dedutibilidade: 1. que o pagamento tenha a natureza de alimentos; 2. que sejam fixados em decorrências das normas do Direito de Família; 3. que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública (Código Civil, artigo 1.124A). Pensão Aleixo e Emerson Conforme inicial no processo de separação consensual de fls. 11 e 12 e revisão da prestação de alimentos de fl. 08, o contribuinte ficou obrigado ao pagamento de alimentos no valor de 4 salários mínimos mensais para os filhos Aleixo Brizolari (nascido em 14/05/1982) e Emerson Brizolari (nascido em 13/05/1985). Os filhos, no anocalendário 2009, já tinham mais de 21 anos. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13851.721667/201212 Acórdão n.º 2001000.621 S2C0T1 Fl. 209 3 Ao atingir a maioridade, o filho perderia, a princípio, o direito à pensão alimentícia. No entanto, a doutrina e boa parte da jurisprudência admitem que tal pagamento se dê até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese, que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência. Por outro lado, para que eventuais repasses financeiros a filho maior de 24 anos de idade possam ser classificados como pensão alimentícia, necessário seria que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, nos termos do art. 1.695 do Código Civil. A partir da maioridade dos filhos, qualquer repasse de numerário efetuado pelo pai em seu favor se equipara aos repasses efetuados pelos demais pais, que nunca estiveram obrigados a efetuar pagamentos a título de pensão alimentícia. Tratase de uma mera liberalidade. A possibilidade de deduzir pensão alimentícia deve ser analisada tendose como referência os mesmos requisitos necessários para a relação de dependência estabelecida na legislação do imposto de renda. A Lei nº 9.250/1995, assim dispõe em seu art. 35, base legal do art. 77, do RIR/1999, em relação à figura dos dependentes: (...) No caso, ficou comprovada a incapacidade do filho Aleixo Brizolari, tendo sido aceita pela fiscalização à dedução da pensão alimentícia no valor de R$11.060,00. Com relação ao filho Emerson Brizolari não foi apresentando nenhum documento comprovando sua incapacidade física ou mental para o trabalho ou que ele estivesse cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Mantida a glosa da dedução referente aos pagamentos efetuados ao Emerson. Pensão – Jéssica O impugnante apresentou às fls.13 e 14 cópia do Termo de Audiência na Ação Revisional de Alimentos realizado em maio de 2008. Por oportuno, transcrevese parte do termo: 1. Doravante, o alimentante pagará pensão alimentícia somente em benefício de sua filha JÉSSICA, em importância mensal de R$ 2.000,00 (dois mil reais), todo dia 05 de cada mês, a partir de 05/junho/2008, mediante depósito em conta bancária da representante da credora no Banco Nossa Caixa, agência 08338, conta n° 010028410. O valor dos alimentos será corrigido anualmente pelos índices de variação do IGPMFGV, incidindo o primeiro reajuste a partir da parcela com vencimento em 05/junho/2009 e assim sucessivamente. As Fl. 210DF CARF MF 4 parcelas com vencimentos em 05/novembro, 05/dezembro e 05/janeiro de todos os anos senão acrescidas de 1/3 (um terço) do valor dos alimentos mensais em vigor no mês do efetivo pagamento, a título de pensão alimentícia sobre o 13° salário 2) O alimentante fica exonerado da obrigação alimentar em relação a exesposa ADRIANA, a partir da parcela com vencimento em junho/2008, possuindo ela meios próprios de subsistência. 3) Com a intenção de novar, .estabelecem as partes o débito de alimentos até a presente data (credoras a ex esposa e a filha na proporção de metade para cada qual) em R$51.000,00 (cinquenta e um mil reais) que o devedor pagará em 34 parcelas fixas e irreajustáveis de R$ 1.500,00 cada com vencimentos todo dia 10 de cada mês, no período de 10/junho/2008 a 10/março/2011, mediante depósito na mesma conta bancária em nome da exesposa ADRIANA. Essas parcelas serão pagas sem prejuízo das pensões vincendas em benefício da filha JÉSSICA (item 1 acima) Comprovando o pagamento da pensão, consta nas fls 35 a 39 recibos de depósito para Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari. A dedução da pensão alimentícia judicial está condicionada à existência de uma decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de pagamento. No lançamento foi considerado o pagamento da pensão alimentícia no valor de R$24.509,53 (R$2.000,00 mais a correção do IGPMFGV por mês). No entanto, o contribuinte estava obrigado também ao pagamento de R$1.500,00 mensais referente a débito de alimentos. Assim, deve ser considerada também a dedução do valor de R$18.000,00 (R$12xR$1.500,00). A legislação transcrita é clara ao dispor que a dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia somente abrangerá os valores determinados ou homologados em juízo. Assim, valores que eventualmente tenham sido pagos sem a devida homologação judicial configuram mera liberalidade do contribuinte, não podendo ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda, por falta de previsão legal. Outrossim, deve ser observado que o valor da pensão alimentícia que, por determinação judicial, houver sido descontada do 13º salário, não pode ser considerado como dedução na Declaração de Ajuste Anual. Como o imposto devido em razão do pagamento do 13º salário (ou gratificação natalina) é exclusivo na fonte, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, prevê em seu art. 7º que qualquer dedução que tenha sido utilizada na sua apuração não poderá ser novamente considerada para a determinação da base de cálculo de quaisquer outros rendimentos, inclusive os tributados na declaração anual. A dedução de pensão alimentícia judicial no valor de R$18.000,00, resulta no imposto a ser cancelado de R$4.950,00 (R$18.000,00*27,5%). Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13851.721667/201212 Acórdão n.º 2001000.621 S2C0T1 Fl. 210 5 Diante do exposto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, cancelando o imposto no valor de R$4.950,00. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para reduzir a exigência do Lançamento em R$ 4.950,00, como imposto suplementar. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Restou demonstrado que o Recorrente, efetuou em 2008 o pagamento à título de Pensão Alimentícia Judicial, em nome de Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari – CPF: 167.064.57892, comprovados através de comprovantes de depósitos bancários, e em nome de Rita de Cássia Brizolari – CPF: 094.184.35802, comprovados através de declaração da mesma, visto que os comprovantes se apagaram com o tempo, apresentou junto aos comprovantes, todos os acordos solicitados em Intimação. É incontroverso nos autos do processo administrativo, a informação de que a pensão alimentícia devidamente paga à “Rita de Cassia” será parcialmente aceita, haja visto a maioridade dos filhos incapazes, então, reitera o fato de que ambos os filhos, (Aleixo e Emerson) são deficientes físicos e mentais, e que só apresentou documento comprovante a incapacidade de um dos filhos, cumprindo a Intimação da RFB. É controverso ainda, a informação da falta da apresentação de decisão judicial, que determina a pensão alimentícia para a “Adriana”, e a decisão de aceito parcial dos pagamentos efetuados, haja visto, que não houve homologação do acordo de redução da pensão a partir de Maio/2008 e os pagamentos de janeiro à abril/2008, não foram considerados na soma da pensão paga, observando que o Recorrente, respondeu à todos os Termos de Intimação encaminhados pela RFB, apresentando os acordos e os comprovantes de pagamentos feitos no decorrer do ano de 2008. Fato 1 o Recorrente foi casado com Rita de Cássia Brizolari, e que desta união tiveram 2 (dois) filhos, Aleixo Brizolari e Emerson Brizolari, e ambos apresentam deficiência por causa genética (consanguinidade dos pais), com reflexos mentais e físicos severos, conforme comprova o relatório psicológico da APAE e o Atestado emitido pelo DR. Lineu Hamilton Cunha, médico que atende ambos na Unidade Hospitalar Dr. José Nigro Neto, na cidade de Américo Brasiliense. (docs. Anexo). Acrescenta aos documentos, ainda como prova de deficiência dos 02 (dois) filhos, a Cédula de Identidade e a Certidão de Nascimento, onde consta a Interdição dos mesmos. (Emerson em 04/2004 e Aleixo em 02/2007). Após a separação, ficou determinado e homologado, que a partir do mês de julho de 1992, o recorrente passaria a prestar alimentos aos Fl. 212DF CARF MF 6 filhos Aleixo Brizolari e Emerson Brizolari, o valor mensal correspondente à 04 (quatro) salários mínimos. Fato 2 em período posterior, o Recorrente casouse com Adriana Maria Almeida Brandão Brizolari, e desta união nasceu em 12.11.1992 a filha do casal Jessica Maria Brandão Brizolari. No ano 2000, iniciouse o processo de separação do casal, onde, a partir do mês de outubro de 2000, foi determinado que o Recorrente passasse a pagar a título de pensão alimentícia, o valor mensal de R$ 2.000,00 (Dois Mil Reais) – Processo 591/00, chegando o valor da pensão a valor equivalente a 22,22 salários mínimos. Não estando apto financeiramente para cumprir o pagamento da pensão determinada em 2002, o Recorrente partir para processo de apelação e acordo entre as partes, reduzindo a partir de 2006, o pagamento de 13,24 salários mínimos a título de pensão alimentícia, conforme Processo 819/06. Em 2007, o Recorrente teve problemas graves de saúde e não conseguiu cumprir com os valores exatamente determinados, chegando até a ser preso, mas somente em Maio de 2008, houve a audiência revisional de alimentos, reduzindo a pensão e acordando o pagamento a ser feito de pesões em atraso. Nos Termos de audiência de 19/05/2008, ficou definido que a partir de junho/2008, o Recorrente pagaria a pensão de R$ 2.000,00, acrescido da pensão em atraso, na totalidade de R$ 51.000,00, dividido em 34 parcelas de R$ 1.500,00. Julga importante ressaltar que, conforme descrito nesta Intimação, nº 255/2014, página 03, sobre a dedução de pensão judicial, o art. 78 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe que poderá ser deduzida da base de cálculo judicial, nos seguintes termos: (...) O Recorrente, com o intuito de justificar e comprovar que todos os valores depositados a título de pensão alimentícia, se deram para o devido cumprimento da Lei, anexa cópia de todos os Processos e Decisões Judiciais para análise. Ante o exposto requer seja recebida, autuada e integralmente provido o presente Recurso Administrativo, para fins de reconhecer a nulidade dos débitos demonstrados, tudo como forma pura e verdadeira de justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13851.721667/201212 Acórdão n.º 2001000.621 S2C0T1 Fl. 211 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Acórdão da DRJ dá provimento parcial para reconhecer a regularidade no pagamento da pensão alimentícia somente ao filho beneficiário Aleixo Brizolari, com pagamentos realizados através da progenitora Rita de Cássia Brizolari, o que fez reduzir o valor do crédito tributário originalmente lançado. A divergência fixa no que se refere à pensão alimentícia ao filho Emerson Brisolari por falta de comprovação de sua incapacidade física ou mental. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo Fl. 214DF CARF MF 8 homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Decreto nº 3.000/99. Art. 77. (...) § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. No que se refere aos filhos Aleixo Brisolari e Emerson Brisolari foi anexada aos autos comprovação da incapacidade física e mental e, por consequência, a dependência física e financeira de ambos em relação aos progenitores, mesmo após a maioridade que se estende ao anocalendário abrangido pelo Lançamento. Resta evidente a existência de decisão judicial definidora da pensão alimentícia, desde período anterior ao anocalendário correspondente ao lançamento tributário ora em contestação, cujo pagamento foi devidamente comprovado, razão pela qual deve ser aceito como dedutível do imposto sobre a renda por ocasião da Declaração de Ajuste Anual. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou elemento probante da existência material da pensão alimentícia homologada no judiciário, desde períodos muito anteriores ao Lançamento, embora pendente de tramitação somente o que se referia à revisão de valores pleiteada pelo alimentante, tendo, Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13851.721667/201212 Acórdão n.º 2001000.621 S2C0T1 Fl. 212 9 portanto, satisfeito as condições para utilização daquele dispositivo legais permissivo da dedução pleiteada na DAA, por prestação de alimentos nos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, para exclusão do crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.723478/2015-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório 1. O presente processo administrativo trata de autos de infração lavrados em virtude da identificação de irregularidades na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no anocalendário 2011. Nesse período, a contribuinte declarou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. As irregularidades identificadas pela fiscalização redundaram na redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .7 23 47 8/ 20 15 -7 1 Fl. 4300DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 3 2 2. O trabalho fiscal identificou irregularidades no registro de despesas na conta contábil “Outras Despesas Operacionais”, bem como em exclusões efetuadas pelo contribuinte para fins de apuração do resultado tributável. 3. Por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, trecho do relatório constante da decisão de primeira instância: "Apresento, abaixo, resumo das infrações: Irregularidades de despesas na conta “Outras Despesas Operacionais” O contribuinte foi intimado a comprovar valores apontados na rubrica “Outras Despesas Operacionais” da ficha “Despesas Operacionais” da declaração de rendimentos do anocalendário 2011. O valor total apontado na rubrica foi de R$ 106.073.884,04 (linha 34 da ficha 5D – fl. 4.143). Essa rubrica contempla valores lançados na escrita comercial. Após a requisição de comprovação das despesas selecionadas por amostragem e a apresentação de esclarecimentos e provas pelo contribuinte, em procedimento que demandou diversas intimações fiscais e respectivas manifestações do sujeito passivo, a fiscalização concluiu pela existência de irregularidades que deram ensejo à contestação fiscal das despesas elencadas no “Anexo IX” (fl. 3.228). Esse quadro (“Anexo IX”) resume as despesas glosadas, que se encontram relacionadas e justificadas nos Anexos I a VIII, assim distribuídos: Resumo, então, as glosas objeto de cada um dos anexos acima referidos. Provisões não dedutíveis objeto do Anexo I (fls. 3.178/90) O contribuinte contabilizou diversas provisões. Parte das provisões não poderia ser deduzida em função da vedação prevista no artigo 13, I, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. O interessado foi intimado a comprovar o estorno contábil das referidas provisões, posto que não verificada a adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de Fl. 4301DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 4 3 qualquer valor a esse título. Houve, então, a comprovação parcial do estorno contábil das provisões indedutíveis. Foi, então, solicitada manifestação do contribuinte. Ele informou que “muito embora tenha constado do histórico de alguns lançamentos o termo “provisão”, tratamse, em verdade, de gastos com o programa Roda a Roda Jequiti, Direitos Autorais, incentivos dos programas Vale Desconto e Vale Saúde, bem como despesas Diversas com Vendas, sendo que eventuais valores que diziam respeito a provisões foram devidamente estornados pela Requerente”. A fiscalização apontou que a escrita faz prova contra o seu titular, cabendo a ele a comprovação de eventual erro de escrituração. Como não foi comprovada a existência de erro de escrituração, houve a glosa das provisões não estornadas no montante de R$ 3.661.346,28 (“Termo de Verificação Fiscal” fls. 3.145 a 3.147). Despesas não comprovadas objeto do Anexo II (fl. 3.191) A fiscalização, ao analisar despesas, não identificou a comprovação de dois lançamentos registrados na conta “Roda a Roda Jequiti”. O primeiro foi efetuado em 30 de abril de 2011, no valor de R$ 87.710,32, contendo o seguinte histórico: “2.004:60063 Item Docto 3398 de TVSBT Canal 4 de São Paulo SA Acertos de Programas Jequiti – nota de débito 3398”. O segundo foi efetuado em 31 de dezembro de 2011, no valor de R$ 232.092,31, contendo o seguinte histórico: “ND 3645 ref Prod Programa Roda Roda”. O contribuinte informou que os valores diriam respeito à veiculação, pela televisão (canal SBT), do seu nome e dos seus produtos. Apresentou como comprovantes duas notas de débito (3679 e 3398, no valores de R$ 232.092,31 e R$ 275.927,32 fls. 2.760 e 2.763) e respectivos comprovantes escriturais de pagamento (Fl. 2.761 e 2.764). Relativamente ao segundo pagamento, o interessado informou que o valor diria respeito a dois programas: “Ganhe Mais Dinheiro com Jequiti”, no valor de R$ 188.217,00, e “Roda a Roda Jequiti”, no valor de R$ 87.710,32. A fiscalização considerou os documentos antes referidos como inábeis para fins de comprovação das operações objeto de lançamento contábil. As notas de débito seriam “meros instrumentos de controle contábil, na qual se cientifica à terceira pessoa a ocorrência de um débito que lhe será atribuído, proveniente de remessas de mercadorias, prestação de serviços, ou de outras origens, desprovido de qualquer atributo que lhes possa assegurar a devida sustentabilidade para fins fiscais, ainda mais quando emitida por sociedade integrante do mesmo grupo econômico”. Ademais, o artigo 61, §1º, e o artigo 81, II, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, fixam os requisitos dos documentos que devem ser emitidos por empresas que exercem a prestação de serviços, determinando que a comprovação de custos e despesas para fins de IRPJ e CSLL se dá a luz desses documentos com os elementos indicados na lei. Não bastasse isso, o histórico dos documentos não permitiria a identificação da natureza do serviço, de sorte a possibilitar a aferição da necessidade e da motivação do dispêndio. Por tais motivos, a dedução em pauta restou glosada (“Termo de Verificação Fiscal” fls. 3.147 a 3.149). Despesas não comprovadas objeto do Anexo III (fls. 3.192/3) A fiscalização identificou a dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que lançado na escrita comercial como despesa, de Fl. 4302DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 5 4 pagamentos efetuados para Martins, Chamon e Franco Advogados. Os documentos que suportaram o lançamento (fls. 2.813 a 2.831), entretanto, indicam que os serviços decorrentes dos pagamentos antes citados foram prestados em favor de Sílvio Santos Participações S.A., sociedade sócia minoritária da interessada (fl. 4.185). O interessado defendeu a existência de erro formal nos documentos emitidos pelo escritório de advocacia. A autoridade lançadora, todavia, percebeu evidências de que a consultoria fora prestada à holding do grupo econômico (Sílvio Santos Participações S.A.), uma vez que o trabalho tratou de reestruturação societária com a finalidade de alienar as participações detidas na “Jequiti Cosméticos”, “revisão de atos societários desde a constituição da holding”, “análise do balanço da holding”, reuniões para “discutir questões relativas ao balanço da holding”. Foi identificado, também, o reembolso do pagamento efetuado pelos consultores à Junta Comercial de São Paulo em função de registros atinentes à cisão parcial da Sílvio Santos Participações S.A.. Assim, como os referidos pagamentos tinham por interessado primário a Sílvio Santos Participações S.A., exatamente como indicado na documentação suporte, a fiscalização efetuou a glosa da despesa. Houve, também, a identificação de irregularidades no estorno de créditos tributários. O contribuinte concluiu que não era titular de crédito de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no valor de R$ 84.020.597,45, mas somente de R$ 75.399.916,39. O valor a maior havia sido contabilizado de 2008 a 2011. Por esse motivo, o interessado resolveu baixar parte do crédito inexistente no montante de R$ 6.689.971,85. Fato semelhante ocorreu relativamente às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para o Programa de Integração Social (Pis). A fiscalização solicitou ao contribuinte que efetuasse a comprovação, por anocalendário, dos valores indevidamente registrados no ativo. Confirase trecho do trabalho fiscal (fls. 3.151 e 3.152): “43. Além de permitir verificar se a contabilização indevida dos créditos de ICMSST, PIS e COFINS foram acrescidas aos resultados fiscais, um dos objetivos da intimação foi verificar se as referidas despesas foram computadas no períodobase competente, pois não pode o contribuinte deixar despesas em ativo para debitálas ao resultado fiscal de períodosbase futuros, salvo permissão legal. Assim, os estornos de créditos de ICMS, PIS e COFINS devem ser debitados aos resultados fiscais dos períodos em que foram indevidamente contabilizados e não em períodosbase futuros. Em outras palavras, sob o ponto de vista fiscal, apenas os créditos de ICMS, PIS e COFINS indevidamente contabilizados no anocalendário de 2011 podem ser debitados ao resultado fiscal do próprio anocalendário de 2011.” O interessado apresentou novas informações e justificou parte dos estornos. Em que pese o ter indicado que o crédito de R$ 84.020.597,45 havia sido registrado de 2008 a 2011, não demonstrou quais créditos continham erros, inviabilizando a identificação do ano calendário ao qual cada erro diria respeito. Verifiquese a conclusão fiscal (fl. 3.152): Fl. 4303DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 6 5 “Dessa forma, considerando a impossibilidade de verificar se as despesas foram computadas nos períodosbase competentes, tais valores devem ser glosados, conforme relação constante na planilha abaixo:” Data Conta Débitos Histórico 31/12/2011 OUTRAS DESP. OPERACIONAIS 6.689.971,85 Regularização ICMS Portaria CAT 31/12/2011 OUTRAS DESP. OPERACIONAIS 24.746,30 ESTORNO CRÉDITOS DE COFINS REF.2006 31/12/2011 OUTRAS DESP. OPERACIONAIS 7.089,41 ESTORNO CRÉDITOS DE COFINS REF.2009 31/12/2011 OUTRAS DESP. OPERACIONAIS 5.372,55 ESTORNO CRÉDITOS DE PIS REF.2006 31/12/2011 OUTRAS DESP. OPERACIONAIS 1.539.27 ESTORNO CRÉDITOS DE PIS REF.2009 Adicionalmente, a autoridade fiscal destacou que os lançamentos contábeis relativos à Cofins e ao Pis indicam os estornos de créditos relativos a 2006 e 2009. Houve, também, a glosa de despesas lançadas na conta “Outras Despesas Operacionais” em função da falta de apresentação de documentação hábil e idônea que desse suporte aos lançamentos. Todas as glosas constam do Anexo III, às folhas 3.192 e 3.193. Despesas não comprovadas objeto do Anexo IV (fls. 3.194/219) A atividade explorada pelo contribuinte contempla a venda de produtos de porta em porta, através de consultoras. Essas consultoras colhem pedidos dos clientes em função de ofertas realizadas por meio de catálogos. O contribuinte apresentou à fiscalização diversas notas fiscais de serviços relativas à impressão dos referidos catálogos. A fiscalização intimou o interessado a comprovar a aquisição da totalidade dos catálogos que tiveram seus custos amortizados no ano calendário 2011. Houve apresentação de planilha que contemplou, também, aquisições operadas no anocalendário 2010. A autoridade fiscal apresentou, então, a seguinte conclusão (fls. 3.154 e 3.155): “57. Dessa forma, considerando que não foi atendida a intimação para comprovar a aquisição da totalidade dos catálogos amortizados, impõese a glosa de todos os lançamentos da presente conta referentes a "apropriação despesas de estoque" e "colheita ciclo", com exceção apenas dos lançamentos para os quais foram apresentados documentos de suporte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 1, referentes às notas fiscais de serviço da LOG e PRINT GRAFICA E LOGÍSTICA S/A. Entre as notas fiscais apresentadas, apenas não serão aceitas como documento de suporte aquelas relacionadas abaixo, por referiremse ao anocalendário anterior (2010), relacionadas na Tabela 3: Fl. 4304DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 7 6 TABELA 3 Número da Nota Fiscal Data da Emissão 244 08/11/2010 697 27/11/2010 737 07/12/2010 743 11/12/2010 Despesas não comprovadas objeto do Anexo V (fls. 3.220/3) A autoridade fiscal constatou a dedução contábil (despesa), sem reversão para fins de apuração do resultado tributável, de gastos com a manutenção de programa de saúde em benefício das pessoas que atuam como consultoras de vendas da interessada e seus dependentes. O referido programa abrange consultas, exames e procedimentos médicos, bem como o desconto na aquisição de medicamentos (fls. 3.155 e 3.156). Ocorre, entretanto, que as consultoras de vendas do contribuinte não mantém vínculo empregatício com ele, fato que acarreta a indedutibilidade da despesa nos termos do artigo 13, V, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Confirase: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica;” Despesas não comprovadas objeto do Anexo VI (fl. 3.224) A fiscalização solicitou ao contribuinte a comprovação dos gastos contabilizados em função dos seguros contratados. O interessado apresentou os documentos que possuía. Ao analisar os referidos documentos, que diriam respeito a uma despesa total de R$ 555.763,62 no anocalendário 2011, a autoridade lançadora entendeu que somente parte da despesa, no valor de R$ 227.488,35, havia sido comprovada. Houve a glosa, portanto, de R$ 328.275,27. A discussão está concentrada na apólice 011481 mantida perante Zurich Vida Empresa (fl. 2.318). Essa apólice foi apresenta sem a assinatura do emissor e sem os respectivos anexos. Chamou a atenção, também, a vigência da referida apólice, de 27 de outubro de 2011 até 27 de outubro de 2012, fato que admitiria a dedução de somente 17,8% do valor total despendido no anocalendário 2011. Por tal motivo, a autoridade fiscal entendeu que o documento não era apto para suportar o lançamento contábil e a respectiva dedução fiscal da despesa (fls. 3.157/8). Despesas indedutíveis Confraternizações objeto do Anexo VII (fl. 3.225/6) Fl. 4305DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 8 7 No curso dos trabalhos de fiscalização, o interessado informou que registrou “dispêndios com eventos para funcionários, tais como a realização de festas juninas e de final de ano, as quais por configurarem despesas operacionais da empresa foram deduzidas fiscalmente, nos termos do artigo 299 do RIR e do Parecer Normativo CST n. 322/1971” (fl. 3.158). A autoridade fiscal, entretanto, entendeu esses gastos como liberalidade da interessada, uma vez que desnecessária segundo estabelecido no artigo 299 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Por esse motivo, glosou as despesas apontadas no Anexo VI. Despesas indedutíveis Ações Especiais objeto do Anexo VIII (fl. 3.227) A fiscalização identificou três contas contábeis que contemplariam saídas de mercadorias em bonificações ou amostras com a finalidade de alavancar as vendas. As referidas contas são denominadas “Incentivos – Ações Especiais”, “Kit Início Jequiti” e “Produto Bonificado CP Semente”. Instado a detalhar as despesas lançadas nas contas, o contribuinte apresentou detalhamento conjunto, não segregado pelas contas. Mais adiante, o interessado esclareceu a natureza dos valores lançados em cada conta. Verifiquese (fl. 3.160): “as despesas questionadas no item em questão referemse tanto a saídas de produtos comercializados pela empresa registrados nas contas Kit Início Jequiti e Produto Bonificado CP por exemplo, caneca, pulseira, brinco, sapatilha como despesas registradas na conta 'Incentivo Ações Especiais', que tinha como objetivo de alavancagem de vendas por exemplo – balões decorativos para encontros que as consultoras realizaram para venda no Dias das Mães, mapa olfativo que serve para auxiliar as consultoras a ofertarem fragrâncias que melhor atendam o perfil de seus clientes e DVD's com informações dos lançamentos e outras informações importantes dos ciclos para que as consultoras utilizarem no Encontro Jequiti juntamente com as apresentações feitas.” Ocorre, entretanto, que nas saídas registradas nas três contas foram emitidas notas fiscais que indicaram o Código Fiscal de Operação e Prestação (CFOP) 6910. Esse CFOP indica “Remessa em bonificação, doação ou brinde”. As bonificações admitidas são aquelas em que os bens concedidos são comercializados pelo contribuinte, nos termos do Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Confirase o teor do ato: “Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de Fl. 4306DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 9 8 bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem.” Assim, como os materiais promocionais objeto das remessas escrituradas na conta contábil “Incentivos – Ações Especiais” não contemplam bonificações, uma vez que os materiais distribuídos não são produtos do contribuinte, a autoridade fiscal glosou a dedução das pretensas bonificações do resultado tributável. Exclusões irregulares Outras exclusões A fiscalização arguiu o contribuinte a respeito do valor de R$ 15.284.938,07 apontado na rubrica “Outras Exclusões” constante da linha 78 da ficha “Demonstração do Lucro Real” da declaração de rendimentos do anocalendário 2011 (fl. 4.149). O interessado esclareceu que o valor diria respeito à conta contábil “Provisão Contribuição Social Diferida”, no valor de R$ 8.354.411,37, e à baixa de títulos considerados incobráveis, no valor de R$ 6.930.526,69. A autoridade fiscal aprofundou os trabalhos em torno da baixa de títulos incobráveis. Verificou que os títulos baixados, que não tinham garantia de valor, contemplavam valores inferiores a R$ 5.000,00 e estavam vencidos há mais de seis meses, nos termos do artigo 9º, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Observou, entretanto, que o valor baixado abrangeu, também, os juros incidentes sobre as dívidas. Por esse motivo, questionou o contribuinte a respeito dos contratos firmados com os devedores que permitiriam a exigência dos referidos juros. A resposta colhida foi a seguinte (fl. 3.166): “em relação aos encargos moratórios referentes a todas as operações que geraram perda de crédito, a Requerente esclarece que não há contrato formal celebrado. A previsão dos encargos moratórios consta nos boletos bancários emitidos quando do atraso do pagamento da dívida.” Diante disso, a autoridade fiscal considerou irregular a dedução dos encargos, uma vez que a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, fixa, em seu artigo 24, § 4º, a necessidade da existência de contrato para possibilitar a dedução dos juros devidos quando da baixa dos créditos. Do valor total baixado, no montante de R$ 6.930.526,69, R$ 276.954,57 dizem respeito a juros. Esse último valor restou, então, glosado. Houve, também, a glosa da baixa do crédito relativo à operação comercial envolvendo Geane Farias Castro, porquanto realizada no valor de R$ 5.037,92, fato que exigia a manutenção da cobrança administrativa para a admissibilidade da dedução. Como não restou comprovada a manutenção da cobrança administrativa, o valor de R$ 5.025,63 restou glosado. Também foram glosadas as baixas de créditos menores envolvendo pessoas ligadas (TV Studios de Ribeirão Preto e Banco Panamericano) Fl. 4307DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 10 9 em razão da vedação fixada no § 6º do artigo 9º da Lei nº 9.430, de 1996. Essa glosa montou R$ 314,42. Assim, o valor total glosado montou R$ 282.294,62. Reversão de provisões não dedutíveis A fiscalização arguiu o contribuinte a respeito do valor de R$ 3.753.395,86 apontado na rubrica “Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis” constante da linha 46 da ficha “Demonstração do Lucro Real” da declaração de rendimentos do anocalendário 2011 (fl. 4.149). O contribuinte esclareceu que o valor de R$ 3.753.395,86 diria respeito à reversão de provisão para perdas com o estoque, objeto das contas contábeis 3205051010016 (R$ 323.009,91), 3310201010026 (R$ 444.479,00) e 3205051010014 (R$ 2.985.906,95). Quando da constituição dessa provisão, que não é dedutível, o valor teria sido adicionado ao resultado tributável, motivo pelo qual a presente exclusão seria admissível quando da reversão da provisão. A referida adição teria ocorrido de forma parcelada nos anoscalendário 2010 (R$ 2.813.059,62 Lalur fl. 2.415) e 2011 (R$ 1.226.375,65 – Lalur fls 2.449 e 2.457). O valor adicionado no anocalendário 2010 teria sido lançado contabilmente na conta 3205051010016 (fl. 3.169, item 116). Já o valor adicionado no anocalendário 2011 teria sido lançado contabilmente também na conta 3205051010016 (fl. 2.448). Diante desse cenário, a fiscalização entendeu que somente os valores revertidos da provisão constituída relativamente à conta 3205051010016 (“Perda por Produtos Descontinuados”) podem ser objeto de exclusão, uma vez que somente esses foram objeto de adição no passado. Restou admitida, portanto, a reversão de R$ 323.009,91. Dessa forma, foi considerada indevida a exclusão de R$ 3.430.385,95 (R$ 3.753.395,86 R$ 323.009,91). Estorno das receitas de vendas A fiscalização identificou diferença entre a receita de venda de mercadorias apontada na declaração de rendimentos (R$ 410.248.346,67 – fl. 4.144) e aquela constante da escrita comercial (R$ 495.607.238,82 conta 3110050000000). O contribuinte justificou a diferença em função de lançamentos em duplicidade os quais “o sistema não aceita correção” (fl. 3.170). Segundo o interessado, houve situações nas quais ocorreu a contabilização da receita com base na emissão da nota fiscal e do título dela decorrente. Teria ocorrido, também, lançamento dúplice baseado exclusivamente no título. A autoridade fiscal, então, empreendeu trabalho por amostragem com a finalidade de verificar a procedência dos argumentos do interessado. Isso se deu por via do “Termo de Intimação n. 7” (fls. 3.063 a 3.065). Dos nove lançamentos objeto da intimação, o contribuinte não logrou êxito na justificação do lançamento no valor de R$ 11.444.957,01. Relativamente a esse lançamento, diferentemente dos demais, de menor valor, não houve a demonstração da alegada duplicidade (fl. 3.065). O Fl. 4308DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 11 10 contribuinte referia duplicidade do mês de abril de 2011, sem a indicação da operação comercial que teria sido registrada de forma dupla. Quanto ao lançamento não justificado, o contribuinte assim se manifestou (fl. 3.172): “No que se refere ao lançamento de R$11.444.957,01 Histórico: Estorno de lançamento duplicado faturamento abril 2011, a Requerente esclarece, da mesma forma como realizado nos itens anteriores, que a partir da emissão da nota fiscal são gerados títulos de cobrança, de modo que a contabilização da receita é realizada por esses títulos. No entanto, neste caso, as receitas também foram contabilizadas pela nota fiscal gerando, assim, a duplicidade (ou multiplicidade) de lançamento de receita. Nesse sentido, a requerente apresenta resumo dos lançamentos por nota fiscal e títulos, cuja diferença aponta o valor questionado pela Fiscalização (Doc. 18), bem como razão contendo os lançamentos de notas fiscais e títulos de cobrança que deram origem à duplicidade questionada (Doc. 19). No entanto, a requerente esclarece que ainda está levantando os lançamentos feitos dos títulos de 60 notas fiscais (doc. 20), para os quais pede prazo complementar de 20 dias. Sem mais, requer prazo complementar de 20 dias para levantamento dos lançamentos comprobatórios dos títulos das 60 notas fiscais citadas, colocandose à disposição para demais esclarecimentos que se fizerem necessários.” A fiscalização requereu comprovação completa no referido lançamento. Transcorrido o prazo de 20 dias requerido pelo interessado, foram apresentadas mais duas notas fiscais. Houve, então, nova intimação para a complementação da necessária comprovação (fls. 3.104/5). O contribuinte apresentou a seguinte resposta (fl. 3.158): “Não obstante, quanto às 58 notas fiscais que haviam ficado pendentes, mencionadas na Resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 07, no total de apenas R$ 16.464,03, a Requerente esclarece que deixou de apresentalas, pois verificou que em relação a essas não houvera lançamento em duplicidade ou multiplicidade.” Diante desse contexto, a autoridade fiscal entendeu que não houve a comprovação da procedência do estorno da receita objeto do lançamento único no valor de R$ 11.444.957,01 (fl. 3.173). Por tal motivo, acresceu o valor antes referido ao resultado tributável apurado no mês de abril de 2011. Redução do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL Repriso trecho do “Termo de Verificação Fiscal” que resume a matéria (fls. 3.173/4): “As irregularidades demonstradas no capítulo anterior resultaram na glosa de no valor total de R$ 40.897.664,56. Com isso, o Prejuízo Fiscal e a Base de Cálculo negativa da CSLL apurados no ano calendário 2011, no valor de R$ 89.337.470,26, foram reduzidos de ofício para o valor de R$ 48.439.805,70.” 4. A contribuinte foi devidamente cientificada da autuação (AR de 19/01/2016, fl. 3274) e apresentou Impugnação (fls. 3283/3309) em 18/02/2016 onde trouxe, Fl. 4309DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 12 11 conforme relatório constante da decisão de 1ª instância, as seguintes questões de fato e de direito: “Passo a apresentar os principais pontos de discordância do impugnante. Impugnação Inicialmente o contribuinte defende a tempestividade da sua manifestação, uma vez que apresentada dentro do prazo legal em função da ciência do lançamento ocorrida no dia 20 de janeiro de 2016. Após, ele esclarece que atua no comércio atacadista de produtos de perfumaria, toucador, higiene pessoal e beleza. Resume, então, as infrações que lhe foram imputadas, antecipando que irá comprovar a incorreção do ato administrativo. Preliminares Preliminarmente, alega a nulidade do lançamento em razão da impossibilidade da exigência fiscal estar baseada exclusivamente em presunções e da falta de clareza das imputações. Quanto às presunções, o impugnante entende que a autoridade administrativa desconsiderou os documentos e esclarecimentos apresentados no curso da fiscalização para presumir a existência de infrações. Exemplificou com a glosa de despesa lançada na conta “Direitos Autorais”, objeto do “Termo de Intimação nº 1”. A fiscalização teria deixado de realizar o seu trabalho de análise da documentação apresentada. Escudase no princípio da tipicidade cerrada e do contraditório para requerer o cancelamento do lançamento. Entende que cabe à fiscalização o ônus da prova daquilo que alega. Caberia a ela comprovar a existência das infrações. Quanto à falta de clareza, aponta falta de conexão entre as normas infringidas apontadas no lançamento e os fatos narrados no trabalho. Assim, desrespeitadas as regras fixadas no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e no artigo 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Confirase trecho da reclamação (fls. 3.287 e 3.288): “18. Todavia, a grande maioria dos artigos utilizados pela D. Fiscalização determina apenas regras gerais de IRPJ e CSLL, tais como conceito de lucro real, conceito de lucro líquido e escrituração contábil para fins da determinação do lucro real tributável, mas sem que nenhum deles se relacione diretamente aos fatos descritos nesta autuação. 19. Ora, uma fiscalização com tantos documentos apresentados (i.e., o processo administrativo em questão tem mais de 3.000 páginas) deveria esclarecer ao contribuinte de maneira clara o que é satisfatório e o que ainda precisa ser completado e não fazer apontamentos genéricos sem vinculações precisas. Fl. 4310DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 13 12 20. Em relação à isso, vale mencionar o item n° 49 do TVF, por exemplo, no qual a D. Fiscalização menciona que: "também foram glosados outros lançamentos de despesas da conta 3520201010003 outras despesas operacionais em razão da falta de apresentação de documentação hábil e idônea suporte. A relação dos itens glosados e justificativas encontramse detalhados no Anexo III do presente TVF". 21. Notase que a D. Fiscalização não explicita quais despesas são essas, quais documentos foram entregues e o porquê de não serem idôneos, sendo que esse Anexo III do TVF mencionado também é lacônico em relação à essas informações, que a propósito, são essenciais.” Alternativamente, caso não acolhidas as preliminares, o impugnante passa a tratar das infrações a ele imputadas. Estorno das receitas de vendas Inicialmente, informa que, por lapso do contribuinte, houve o registro em duplicidade do faturamento relativo ao mês de abril de 2011, uma vez que, em alguns casos, houve o lançamento da receita tanto por via da nota fiscal quanto do título decorrente da operação. Apresenta planilha que conteria “o exato valor questionado pela D. Fiscalização (doc. nº 6), qual seja, R$ 11.444.957,01” (fl. 3.289). Os livros comerciais do impugnante também indicam a existência de lançamentos em duplicidade. O contribuinte apresentou, a título exemplificativo, amostra que demonstra a ocorrência de lançamentos duplicados. Conclui, assim, estar equivocada a fiscalização quanto à identificação de omissão de receita. Glosa de despesas indedutíveis, desnecessárias ou não comprovadas O impugnante informa que, de “maneira geral, todas as despesas necessárias, usuais e normais devem ser consideradas como dedutíveis, desde que embasadas em documentação hábil e idônea” (fl.3.290). Aponta a subjetividade da norma constante do artigo 299 do RIR/99, uma vez que o necessário ou usual para um pode não ser para outro. No que diz respeito aos gastos efetuados no âmbito do programa “Roda a Roda Jequiti”, gastos diversos com vendas e despesas com direitos autorais, o impugnante reclama que tais gastos não constituem provisões, mas despesas. A indicação no histórico do lançamento do termo “provisão” foi um equívoco. O contribuinte alega que o valor das despesas foi adiantado. Quando da emissão da nota fiscal, dentro do período de apuração, a despesa foi apropriada. Dessa forma, seria inaplicável ao caso a regra constante do artigo 335 do RIR/99, que trata da dedutibilidade das provisões. Apresenta, então, duas planilhas (“as planilhas em anexo (docs. n°s 9 e 10)” fl. 3.291). Constam dos autos as planilhas “doc_9_vendas.xlsx” e “doc_10_Direitos_Autorais.xlsx”, às folhas 4.124 e 4.125, respectivamente. A primeira elenca dois grupos de lançamentos. Um com os lançamentos de valores a título de provisão, no valor total de R$ 1.958.420,15, e outro com os estornos, no valor total de R$ 1.381.896,09. Conclui, assim, que somente R$ 576.524,06 deveriam ter sido adicionados para fins de apuração do resultado tributável. A segunda planilha apresenta extensa relação que agrupa débitos Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 14 13 (constituição de provisões) e créditos (estornos) envolvendo royalties e direitos autorais. Conclui pela existência de uma diferença entre débitos e créditos no montante de R$ 109.036,70. Alega já ter apresentado documentos no curso da fiscalização. Apresenta, ainda, as seguintes breves explicações (fl. 3.291): Os valores acima referidos são objeto do Anexo I ao “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 3.178 a 3.190). Despesas com o programa Roda a Roda Jequiti Quanto às despesas glosadas objeto do Anexo II ao “Termo de Verificação Fiscal” (fl. 3.191), o impugnante esclarece que são despesas “relativas ao pagamento para o canal SBT de televisão com relação ao repasse do custo de produção do Programa Roda a Roda” (fl. 3.292). A comprovação teria se dado por via de notas de débito e pagamentos escriturais emitidos pelo banco Bradesco. O contribuinte entende que cabe à fiscalização aprofundar seus exames caso não aceite a documentação que a ela já foi apresentada. Reclama da falta de fundamentação do ato administrativo na justificação da rejeição. Refere jurisprudência administrativa emanada do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) que entende em seu favor. Despesas não comprovadas objeto do Anexo III (fls. 3.192/3) a) dos serviços advocatícios: O impugnante alega a existência de erro formal na emissão da fatura que documentou a operação. Foi apontado o nome da holding do grupo (Sílvio Santos Participações S/A), mas as despesas dizem respeito a assessoria jurídica prestada ao impugnante em sua reestruturação. Observese que a fatura é dirigida ao Diretor Presidente do impugnante à época. O contribuinte apresentou, ainda, documento da lavra do emissor da fatura dando conta de que o serviço teria sido prestado ao impugnante (fl. 3.375). Repisa ser dever da fiscalização aprofundar suas análises. Refere jurisprudência administrativa emanada do Carf que entende em seu favor. b) da regularização do ICMSST e do estorno do Pis e do Cofins: O contribuinte argumenta que, ao adquirir os produtos que comercializa, sujeitase à retenção do ICMS também na qualidade de substituto tributário, por conta de operações futuras no Estado de São Paulo. Ocorre, entretanto, que algumas operações não envolvem contribuintes localizados no Estado de São Paulo. Nesses casos, torna Fl. 4312DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 15 14 se possível a recuperação do tributo que seria devido por potenciais contribuintes paulistas. Em auditoria interna, o impugnante identificou que o seu crédito em função de operações que destinaram produtos a outros Estados da Federação seria de R$ 75.399.916,39, e não o valor de R$ 77.282.654,00 registrado contabilmente. Por esse motivo, o crédito excessivo, já tributado, uma vez que reconhecido como receita, foi baixado no montante de R$ 6.689.971,85. O histórico do lançamento reportouse à Portaria CAT nº 17/99, que trata do ressarcimento do ICMS nessas hipóteses. Apresenta tabela na qual demonstra as diferenças encontradas relativamente aos meses de janeiro a julho de 2011. Protesta, também, contra o entendimento fiscal em torno da impossibilidade do estorno do crédito excessivo relativo a anocalendário anterior, uma vez que o contribuinte teria apurado prejuízo em ambos. Como não houve postergação ou redução indevida do lucro real, nos termos do artigo 273 do RIR/99, a inobservância do período de apuração seria viável. Requer a observância do Parecer Normativo nº 57, de 1979. Refere jurisprudência administrativa emanada do Carf que entende em seu favor. Assim, como o impugnante apurou prejuízos nos anoscalendário 2010 e 2011, não houve qualquer prejuízo ao Fisco com a postergação do reconhecimento da despesa. Com relação aos estornos dos créditos de Pis e Cofins, o impugnante esclarece que identificou diferença entre o crédito efetivo e aquele contabilizado. Por esse motivo, efetuou a baixa de parte do crédito. As fiscalização considerou que os créditos não poderiam ser estornados no anocalendário 2011, uma vez que diziam respeito aos anos calendário de 2006 a 2009. O impugnante defende a possibilidade da dedução pelos mesmos motivos levantados em relação ao ICMS, antes tratado. c) da perda com sucatas: O contribuinte alega que a fiscalização glosou a dedução por falta de apresentação de documentação hábil e idônea. O impugnante apresenta, então, Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica (Danfe) relativamente às operações em questão (fls. 3.617 a 3.859), que documentam saídas de aparas de papelão em vendas, pelo impugnante, de mercadorias recebidas de terceiros. Despesas não comprovadas objeto do Anexo IV (fls. 3.194/219) O impugnante esclarece que trabalha com a venda dos seus produtos de porta em porta, através da atuação de consultoras de vendas. Essas consultoras repassam ao contribuinte os pedidos formulados pelos clientes. Os produtos são escolhidos através de catálogos. Os referidos catálogos são, então, fundamentais para a obtenção das receitas de vendas. Por esse motivo, o dispêndio com a aquisição de catálogos consiste em despesa necessária, usual e normal no ramo de atividade do impugnante. A fiscalização não concordou com parte da despesa incorrida com os catálogos no anocalendário 2011 em função de falta de comprovação da aquisição da totalidade dos catálogos amortizados. Parte da notas fiscais apresentadas refere operações realizadas no anocalendário 2010. Ocorre, entretanto, que tais aquisições visaram a encomenda Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 16 15 antecipada dos catálogos que seriam utilizados no período seguinte. Por esse motivo, as notas fiscais em questão devem ser objeto de dedução no anocalendário 2011. O impugnante apresenta, então, cópias de diversas notas fiscais, parte delas diz respeito à aquisição de catálogos (fls. 3.860 a 3.952) e outra parte à prestação de serviços de envio dos catálogos (fls. 3.953 a 4.058). Nesse acervo, as notas fiscais de aquisição de catálogos foram emitidas em 2011. A planilha denominada “doc_18_Tabela_Compra_Catalogo_Colheita.xlsx” (fl. 4.126) indica 92 notas fiscais emitidas em 2011 que totalizam R$ 4.326.445,79. Já a planilha denominada “doc_19_tabela_NF_serviço.xlsx” (fl. 4.127) indica 41 notas fiscais emitidas em 2011 que totalizam R$ 4.227.386,05. Identifiquei, entretanto, diversas notas fiscais de serviço emitidas em 2010 (fls. 3.953 a 3.955, 3.984, 3.985, 4.055 a 4.058). Refere o impugnante que as notas fiscais emitidas em 2010, de números 244, 697, 737 e 743 dizem respeito ao anocalendário 2011, uma vez que documentam a aquisição de catálogos com antecedência, para distribuição no ano calendário 2011. Defende, então, que a dedução da despesa lastreada em documentos emitidos em 2010, mas referida aos produtos comercializados em 2011, deve ser acolhida pelo Fisco. Para o impugnante, a dedução da despesa somente deve ocorrer no momento da distribuição dos catálogos (fl. 3.300, item 83). Adicionalmente, defende inexistir prejuízo ao Fisco em função de eventual erro na identificação do momento preciso da dedução, no termos do artigo 273 do RIR/99, motivo pelo qual também não haveria procedência na glosa. Despesas não comprovadas objeto do Anexo V (fls. 3.220/3) O impugnante informa que os gastos incorridos com o “Vale desconto/Vale saúde” decorrem de cartões fornecidos às consultoras Jequiti que “conferem descontos em médicos e estabelecimentos vinculados à área de saúde” (fl. 3.301). O objetivo dos gastos “é motivar e recompensar as consultoras para que se empenhem na venda dos produtos” (fl. 3.301), bem como na atração de mais consultoras. O contribuinte defende que os cartões oferecidos não possuem a natureza de seguro de saúde, motivo pelo qual não seria aplicável a regra constante do artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1995. O cartão só serve para sinalizar aos profissionais da saúde que a portadora faz jus a desconto em atendimentos e medicamentos. Salienta o impugnante (fl. 3.301): “89. Frisese: a Requerente apenas gerencia um programa de descontos, que são concedidos diretamente por terceiros, NÃO possuindo médicos credenciados, e nem realizando pagamento de consultas ou reembolsos, características atreladas à um seguro de saúde propriamente dito.” Defende, portanto, a vinculação da despesa com a sua atividade finalística e, por consequência, a necessidade e usualidade do gasto. Despesas não comprovadas objeto do Anexo VI (fl. 3.224) O impugnante ataca o lançamento em função da inexistência de prejuízo ao Fisco em função de eventual equívoco seu relativamente ao período de apuração em que o gasto deveria ter sido registrado Fl. 4314DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 17 16 contabilmente. Escudase, novamente, na regra constante do artigo 273 de RIR/99. Quanto à falta de comprovação do seguro documentado por via da apólice 011481 de Zürich Vida Empresa, o contribuinte junta novos elementos (fls. 4.059 a 4.065). Despesas indedutíveis Confraternizações objeto do Anexo VII (fl. 3.225/6) O impugnante defende que a despesa em tela é necessária e usual, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Assim, é dedutível. Refere jurisprudência do Carf em seu favor. Confirase (fl. 3.306): “DESPESAS COM CONFRATERNIZAÇÃO DEDUTIBILIDADE – Na medida em que contribuem para melhoria do ambiente de trabalho, humanizando o relacionamento empresa e empregados, aumentando a motivação para a consecução dos objetivos sociais, as despesas com confraternização de fim de ano, erroneamente apontadas como despesas com brindes, acabam beneficiando a empresa, afigurandose normais, usuais e necessárias, sendo, por isto mesmo, dedutíveis.” (Acórdão nº 10322.314, 24/02/2006) “CONFRATERNIZAÇÃO São dedutíveis as despesas com eventos de confraternização anual que alcancem todos os empregados.” (Acórdão nº 10512.059, 10/12/1997) Despesas indedutíveis Ações Especiais objeto do Anexo VIII (fl. 3.227) A impugnante entende que, mesmo que os materiais promocionais distribuídos não sejam mercadorias comercializadas pelo requerente, de sorte a configurar bonificações, a distribuição de tais materiais teve por meta alavancar as vendas do contribuinte. Assim, os gastos são dedutíveis consoante disposto no artigo 299 do RIR/99, uma vez que são despesas usuais e normais no ramo de atividade da impugnante. Exclusões irregulares Outras exclusões O impugnante defendeu a existência de respaldo contratual para a incidência de juros moratórios na hipótese do nãopagamento tempestivo dos valores a ela devidos. Argumentou que os boletos bancários estão atrelados a contratos préestabelecidos com seus clientes. Os boletos evidenciariam por sí a existência dos referidos contratos. Juntou aos autos documentos para comprovar suas afirmativas (fls. 4.066 a 4.121). Os documentos apresentados são cadastros de consultoras e procurações das consultoras em favor da impugnante. Adicionalmente, o contribuinte solicitou a conversão do julgamento em diligência caso os documentos apresentados não fossem tidos como suficientes. Reversão de provisões não dedutíveis A impugnante alega que “os valores revertidos para as contas “Lançamentos para FV + Enxoval Jequiti” e “Ajuste Inventário”” Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 18 17 foram adicionados ao resultado tributável nos anoscalendário 2010 e 2011, bem como reconhecidas na Conta Contábil “Provisão por Perda de Produtos Descontinuados”. Ocorre, entretanto, que as reversões foram realizadas equivocadamente por via das “contas Lançamentos para FV + Enxoval Jequiti” e “Ajuste de Inventário” (fl. 3.306). O contribuinte defende o cancelamento do lançamento com base na regra constante dos itens 5.3 e 6 do Parecer Normativo CST nº 57, de 16 de outubro de 1979. Refere jurisprudência administrativa emanada do Carf que entende em seu favor. Apresenta, ao final, o seguinte pleito (fl. 3.307): “117. Desse modo, apesar do mero equívoco contábil realizado, uma eventual autuação somente se justificaria se tal erro resultasse em prejuízo ao fisco, o que não ocorreu no caso concreto dos autos, uma vez que o resultado contábil e fiscal da Requerente em 2010 e 2011 evidenciou situação de prejuízo, e não lucro, conforme já demonstrado de forma detalhada no “item D.2” acima.” CSLL Requer sejam acolhidos os argumentos de fato e de direito aduzidos em relação ao IRPJ para fins da exigência da CSLL. Multa Mesmo não ocorrendo à exigência de multa, uma vez que somente retificado o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, o impugnante solicita a retificação das folhas do auto de infração em que apontada à incidência da multa de ofício de 75% (fls. 3.253 a 3.256, 3.258, 3.260 a 3.262 e 3.265). Pedido Repriso o pedido apresentado (fls. 3.308/9): “VII. CONCLUSÃO E PEDIDO 122. Assim sendo, diante de tudo o que foi exposto, e com base na doutrina e jurisprudência mencionadas, a Requerente requer seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA a presente Impugnação, para o fim de se reconhecer, em preliminar, a NULIDADE dos Autos de Infração impugnados em razão de (i) impossibilidade de exigência de tributos com base em mera presunção; e (ii) falta de clareza na indicação das infrações, bem como falta de precisão na indicação do dispositivo legal infringido. 123. Entretanto, caso assim não entenda essa D. Delegacia de Julgamento, o que se admite a título meramente argumentativo, a Requerente requer seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA a presente Impugnação para que, no mérito, seja reconhecida a total improcedência dos Autos de Infração lavrados, com o consequente arquivamento do processo administrativo correlato, de acordo com os argumentos de mérito desenvolvidos acima. 124. Por fim, na remota hipótese dos pedidos acima não serem acolhidos, a Requerente requer retificação das páginas dos Autos de Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 19 18 Infração nas quais constam a menção da multa de 75%, para que não existam equívocos quanto a esse ponto. 125. Por fim, caso não seja esse o entendimento de Vossas Senhorias, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Requerente pleiteia a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, e do artigo 57, inciso IV, do Decreto n° 7.574/11, cumulados com o artigo 38 da Lei n° 9.784/99. A conversão do processo em diligência é necessária para que a totalidade dos documentos possa ser analisada e não restem dúvidas acerca da improcedência da autuação. 126. Termos em que, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, especialmente pela juntada de novos documentos ou quaisquer outras providências que se entendam necessárias para a elucidação da verdade real dos fatos ora alegados, nos termos do artigo 16, §4°, alínea "a," do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal”. 5. Em sessão de 28 de março de 2017, a 1ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada para manter o crédito tributário lançado, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1058.381 (fls. 4189/4221), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2011 A apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando adotada a sistemática de apuração do lucro real, parte do resultado contábil registrado na escrita. O resultado comercial passa por ajustes (adições e exclusões) para fins de determinação do resultado tributável. Cabe ao contribuinte a comprovação dos fatos registrados na escrita, que devem estar lastreados em documentação hábil. Cabe ao Fisco, caso existente o registro e a respectiva documentação hábil, a prova da inveracidade dos fatos registrados. A escrita faz prova contra a pessoa a que pertence. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Fundamentos da DRJ 6. A DRJ/ POA julgou improcedente a impugnação da contribuinte sob os seguintes fundamentos: 6.1. No presente caso, a autoridade fiscal buscou provas diretas das despesas escrituradas pela contribuinte e diante da ausência de comprovação tomou como verdadeiros os registros contábeis disponíveis. 6.2. A alegação de falta de fundamentação legal que ampare a descrição dos fatos pela autoridade fiscal também não se sustenta, pois os autos de infração, complementados Fl. 4317DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 20 19 pelo Termo de Verificação Fiscal, descrevem em detalhes e identificaram as infrações imputadas a contribuinte. 6.3. Sobre o estorno das receitas de vendas, a contribuinte não foi capaz de apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse suas alegações, seja no curso da fiscalização ou quando da apresentação da impugnação. Ademais, a tabela apresentada que supostamente conteria o exato valor questionado pela fiscalização demonstra valor diverso dos R$ 11.444.957,01. 6.4. A alegação da contribuinte de que teria cometido erro ao escriturar valores em seus livros contábeis, quando na realidade se tratavam de despesas ou de valores diversos, não veio acompanhada de provas. Na ausência de prova em contrário a escrituração deve ser considerada correta. 6.5. Em relação dedutibilidade do "Vale Saúde", considera que tal despesa não pode ser deduzida, pois, apesar de não ser necessariamente um seguro saúde, o benefício ofertado pela contribuinte a suas consultoras se assemelha aos benefícios da previdência social. 6.6. Também não se sustenta a pretensão da contribuinte de deduzir despesas referentes a confraternizações. Considera que tais gastos não são usuais e necessários para o exercício da atividade empresarial da ora Recorrente. 6.7. O pedido de conversão do julgamento em diligência foi afastado em razão de não ter sido formulado nos termos do artigo 16, inciso IV, §1º, do Decreto nº 70.235/72. 6.8. Por fim, afasta o pedido de retificação da aplicação da multa de ofício por entender que, apesar de não existir base de cálculo para a apuração da multa, existe fundamento legal para a sua cobrança, diante da declaração de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em valor superior ao efetivo. 7. Cientificada da decisão (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 03/04/2017, fl. 4225), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 4228/4259) em 27/04/2017, para reiterar as razões já expostas em sua Impugnação e complementar sua defesa com os seguintes pontos: 7.1. Argui que a decisão recorrida deve ser declarada nula por: (i) afastar o pedido de diligência feito em sede de Impugnação; (ii) deixar de analisar os documentos juntados aos autos; e (iii) basear grande parte da decisão na ausência de comprovação sem verificar os equívocos apontados pela defesa da Recorrente. 7.2. Diferente do que foi alegado pela fiscalização e confirmado pela decisão recorrida, os documentos juntados aos autos são hábeis, idôneos e capazes de esclarecer e comprovar que os equívocos cometidos pela fiscalização de fato ocorreram. 7.3. Sobre a despesa relativa às confraternizações, diferente do consignado na decisão de piso, a empresa responsável pela organização dos eventos e confraternizações não atua exclusivamente com turismo e viagens, mas é uma prestadora de serviços de locação de espaços, decoração, logística, coordenação e outros elementos relacionados à realização do evento contratado. Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 21 20 7.4. Em virtude a ausência de cobrança de tributo, fica evidente a necessidade de retificação dos autos de infração para que se afaste a menção da multa de 75%. A própria decisão recorrida reconhece que a cobrança da multa foi obstaculizada pela inexistência de base de cálculo. 7.5. Por fim, a Recorrente requer seja reconhecida a nulidade do acórdão recorrido ou, ao menos, determinada a conversão do julgamento em diligência. Subsidiariamente, requer seja (ii) declarada nulidade dos autos de infração; (ii) reconhecida a total improcedência dos autos de infração; e (iii) retificada as páginas dos autos de infração nas quais constam a multa de 75%. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 8. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 9. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, deixo de apreciar as demais razões suscitadas em sede de Recurso Voluntário e atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 10. A Recorrente, em sede de Impugnação (fls. 3283/3309) instruiu os autos com detalhados esclarecimentos e vasta documentação probatória, especialmente com: (i) Estorno das receitas de vendas: A Recorrente esclareceu que houve registro em duplicidade do faturamento relativo ao mês de abril de 2011, uma vez que, em alguns casos, houve o lançamento da receita tanto por via da nota fiscal quanto do título decorrente da operação. Apresenta planilha que conteria “o exato valor questionado pela D. Fiscalização (doc. nº 6), qual seja, R$ 11.444.957,01” (fl. 3.289). Os livros comerciais da Recorrente também indicam a existência de lançamentos em duplicidade. O contribuinte apresentou, a título exemplificativo, amostra que demonstra a ocorrência de lançamentos duplicados. (ii) Glosa de despesas indedutíveis, desnecessárias ou não comprovadas: A Recorrente prestou os seguintes esclarecimentos: Fl. 4319DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 22 21 No curso da fiscalização e em sede de impugnação a Recorrente apresentou esclarecimentos para materializar as alegações constantes do item 4 (fls. 3.178 a 3.290). Contudo, verifico que as doutas autoridades fiscal e julgadora não procederam a devida apreciação da prova. Da mesma forma, a Recorrente cuidou de demonstrar eventuais gastos com: serviços advocatícios (fls. 3.375); regulação de ICMSST e estorno de PIS/COFINS; perda com sucatas (apresenta documento (Danfe) relativamente às operações em questão (fls. 3.617 a 3.859) que documentam saídas de aparas de papelão em vendas, pela contribuinte, de mercadorias recebidas de terceiros); despesas com catálogos para revendedoras e envio desse material (documentação de fls. 3.860 a 4.058, planilhas com a relação das notas fiscais e amostragem das notas fiscais emitidas). No mais, a Recorrente também prestou esclarecimentos sobre as despesas com: vale desconto/vale saúde; seguro Zurich Vida Empresa (apólice 011481, docs. fls. 4.059 a 4.065); confraternizações e materiais promocionais distribuídos para alavancagem das vendas. A priori, tais despesas estão atreladas a atividade finalística da Recorrente (artigo 299 do RIR/99) e, novamente, não evidencio sob qual motivo houve a desconsideração das provas acostadas e esclarecimentos prestados. (iii) Exclusões Irregulares: a Recorrente presta os devidos esclarecimentos sobre os equívocos contábeis e instrui o processo com a documentação de fls. 3.306, 4.066 a 4.121. Novamente, não evidencio qualquer motivação para ausência de apreciação da prova. Em princípio, considero que tais erros não prejudicam o erário. Contudo, entendo prudente a verificação das declarações e ajustes apresentados pela contribuinte no período de 2010 e 2011 (rubrica "reversão de provisões" não dedutíveis) e eventual complementação probatória por parte do contribuinte. 11. Vejam que, com tais documentos a contribuinte pode, potencialmente, afastar as glosas constantes do presente lançamento. O deferimento da diligência visa garantir ao direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 12. De acordo com o Prof. Doutor Humberto Ávila1 "para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 13. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos viola o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para a própria Administração Pública. 1 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 23 22 14. Em vista da relação supra, fica no mínimo evidente que a ora Recorrente apresentou, de forma organizada, articulada e tempestiva, documentação hábil e idônea capaz de comprovar no todo ou em parte a legitimidade das suas despesas e potencialmente afastar a suposta omissão de receitas. 15. Com efeito, não concordo com as razões constantes da r. decisão da DRJ, visto que não encontrei nos autos efetivo esforço por parte do órgão de 1ª instância em analisar as provas acostadas, tampouco efetiva motivação para desconsiderálas. 16. As autoridades fiscal e julgadora devem cuidar de compreender a operação das companhias e analisar a prova apresentada com a devida neutralidade e razoabilidade, de forma a identificar quais construções probatórias são de fato imprescindíveis para afastar o lançamento tributário. No processo administrativo fiscal, cabe sim ao contribuinte construir provas hábeis contrapor os fatos apresentados pela autoridade fiscal, mas este não tem o dever de atender eventuais anseios volitivos por parte do fisco. 17. Nos termos dos artigos 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/99, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente, sob pena de afronta aos valores constantes dos artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. 18. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas2, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. In casu, a autoridade julgadora não trouxe elementos probatórios ou indiciários que demonstrem e/ou justifiquem a recusa desses documentos por serem "ilícitos, impertinentes, desnecessários ou protelatórios", nos termos do citado §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. 19. Logo, é completamente descabido afastar o pedido de diligência em razão de supostamente não ter sido formulado nos termos do artigo 16, inciso IV, §1º, do Decreto nº 70.235/72. O dispositivo em questão não só foi observado pela contribuinte como evidencio ter sido a autoridade julgadora quem negligenciou à análise da prova apresentada, tempestivamente, em sede de Impugnação. 20. Desse modo, e em linhas com as razões fáticas e jurídicas acima apresentadas, entendo cabível a realização de diligência para que autoridade preparadora preste os devidos esclarecimentos e providencie: (i) Relativamente ao estorno das receitas de vendas, a douta autoridade deve confirmar e motivar se a documentação apresentada pelo Recorrente é suficiente para justificar os registros em duplicidades. Caso considere insuficiente, intime a contribuinte a apresentar eventual complementação e cuide de especificar o nível de amostragem e/ou supostos livros comerciais e fiscais ainda não apresentados. Se necessário, acessar os sistemas internos da SRFB e dos órgãos de arrecadação estadual para que proceda a verificação das informações fiscais apresentadas. (ii) Após a devida apreciação da prova, aponte em quais incidência as despesas (Anexos II a VIII) foram efetivamente suportadas pela Recorrente, independentemente do 2 Constam do rol as provas "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que fogem a realidade do presente caso. Fl. 4321DF CARF MF Processo nº 10882.723478/201571 Resolução nº 1201000.534 S1C2T1 Fl. 24 23 juízo de valor (posterior motivação) acerca da sua dedutibilidade ou não. Da mesma forma que no item anterior, caso considere serem as provas insuficientes, intime a contribuinte a apresentar eventual complementação e cuide de especificar o nível de amostragem e/ou supostos livros comerciais e fiscais ainda não apresentados, se for o caso. (iii) Nas incidências que a Recorrente alega serem as deduções das despesas lastreadas por documentos emitidos em 2010, mas referentes aos produtos comercializados em 2011, deve verificar as declarações apresentadas pela contribuinte no período de 2010 e 2011, a fim de verificar eventual duplicidade de dedução dos gastos. Em caso de dúvidas, a contribuinte deve ser intimada. O mesmo racional é aplicável aos esclarecimentos prestados sobre determinados equívocos contábeis rubrica "exclusões irregulares" / "reversão de provisões não dedutíveis", que remontam incidentes relativos aos anoscalendários de 2010 e 2011. (iv) O parecer da PwC apresentado pela Recorrente às fls. 4280 a 4299, também deve ser objeto de análise juntamente com as demais provas acostadas aos autos, visto que foram analisados substancial número de registros contábeis, extracontábeis e fiscais da Jequiti para fins de afastar as seguintes infrações: glosa de estornos não comprovados; glosa do estorno de créditos de ICMSST, PIS e COFINS; glosa de despesas com direitos autorais; glosa de despesas com catálogos de venda; e exclusões indevidas. (v) Em caso de dúvidas quanto à exatidão das informações prestadas, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos complementares. 21. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/993. Ademais, considero fundamental a observância do princípio da cooperação processual na busca da verdade material. 22. Após a conclusão da diligência, a autoridade preparadora deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 3 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 4322DF CARF MF
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