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Numero do processo: 13016.000034/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário:2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
A arguição, em Recurso Voluntário, de matéria não levada à apreciação da instância inferior, consubstancia a preclusão consumativa e o seu conhecimento, pelo órgão ad quem, caracteriza supressão de instância. Portanto, as matérias não levadas à apreciação da DRJ não devem ser conhecidas pelo CARF.
Numero da decisão: 3401-001.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da ocorrência de preclusão consumativa.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro De Miranda.
Nome do relator: Jean Cleuter Simões Mendonça
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário:2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A arguição, em Recurso Voluntário, de matéria não levada à apreciação da instância inferior, consubstancia a preclusão consumativa e o seu conhecimento, pelo órgão ad quem, caracteriza supressão de instância. Portanto, as matérias não levadas à apreciação da DRJ não devem ser conhecidas pelo CARF.
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PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A arguição, em Recurso Voluntário, de matéria não levada à apreciação da instância inferior, consubstancia a preclusão consumativa e o seu conhecimento, pelo órgão ad quem, caracteriza supressão de instância. Portanto, as matérias não levadas à apreciação da DRJ não devem ser conhecidas pelo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da ocorrência de preclusão consumativa. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro De Miranda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 00 34 /2 00 4- 17 Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /10/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROS ENBURG FILHO 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação de débitos de janeiro de 2004, com crédito de suposto recolhimento indevido do IOF do ano de 2004 (fls.01/03). Em decorrência de a contribuinte não ter comprovado que fazia jus à alíquota zero nas operações de crédito, além de divergências de valores informados pela Contribuinte e pelos bancos, a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul/RS, reconheceu parcialmente o valor pleiteado e homologou a compensação somente até o valor reconhecido (fls.1070/1071). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.1109/1119), a qual não obteve sucesso, haja vista o acórdão prolatado pela DRJ em Porto Alegre/RS, com a seguinte ementa (fls.1147/1149): “COMPENSAÇÃO – Não comprovados os pagamentos indevidos ou a maior do imposto, não se reconhecem créditos passíveis de restituição e conseqüentemente não se homologam as declarações de compensação vinculadas ao direito creditório pleiteado. CARTA COBRANÇA A carta cobrança, expedida em decorrência de compensação não homologada, não comporta manifestação de inconformidade, perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto. Solicitação Indeferida”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 18/06/2009 (fl.1153) e interpôs Recurso Voluntário em 17/07/2009 (fls.1155/1161) alegando, em resumo, que em alguns casos, a Instituição Financeira confirmou o recolhimento indevido, maior que o pleiteado pela Recorrente, mas a Autoridade Fiscal não considerou essa informação. Nesse caso, em atendimento ao Princípio da Moralidade, a Autoridade Fiscal deveria ter restituído a Recorrente, mesmo que esta não tivesse pleiteado o valor. Ao fim, a Recorrente pediu o reforma do acórdão da DRJ, para que seja reconhecido o crédito e os débitos sejam integralmente compensados. É o Relatório. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /10/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROS ENBURG FILHO Processo nº 13016.000034/200417 Acórdão n.º 3401001.342 S3C4T1 Fl. 1.192 3 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo. A Recorrente busca o ressarcimento do IOF, supostamente recolhido a maior, e traz como cerne do seu Recurso o não ressarcimento de ofício, nos período em que a instituição financeira demonstrou um recolhimento maior que o pleiteado pela Recorrente. Ocorre que na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente não tratou dos valores reconhecidos pela Instituição Financeira. O art. 17, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com alteração da Lei no 9.532/97, assim determina: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. O dispositivo acima é claro: se a matéria não foi expressamente contestada, considerase não impugnada. Na instância inferior, a Recorrente não suscitou a matéria, motivo impeditivo da apreciação por este Conselho, por caracterizar a supressão de instância e preclusão consumativa. Há longa data esse é o entendimento na jurisprudência da esfera administrativa, senão, vejamos: “NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário.Processo anulado”. (Segundo Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Turma Ordinária. Acórdão nº 20312965 do Processo 10510720038200781. 04/06/2008) (grifo nosso) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. Recurso voluntário não conhecido, por preclusão” Como a Recorrente inovou em sua alegação e não refutou a decisão da instância inferior, não se deve conhecer do Recurso em razão da preclusão. Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /10/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROS ENBURG FILHO 4 Ex positis, não conheço do Recurso Voluntário interposto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /10/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por GILSON MACEDO ROS ENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16048.000007/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO DE IPI.
O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI e decorrente do principio constitucional da não cumulatividade; tratando-se de instituto de direito público, deve o seu exercício dar-se nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos.
IPI CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA DE CONTROLE ALTERNATIVO.
O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado às exigências regulamentares previstas no RIPI, entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro Registro de Controle de Produção e Estoque.
Dispensa-se tal requisito quando o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista dispõem de sistema de controle quantitativo de produtos permitindo a perfeita apuração do estoque permanente.
Numero da decisão: 3201-001.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de créditos referentes a estornos de saídas em razão de retorno à produção própria e revendas referentes aos CFOPs 1.201/2.201/2/1.202/2.202/1.949/2.949, devendo a autoridade fiscal verificar a regularidade dos créditos pleiteados pela recorrente por meio da análise dos dados contidos no sistema por ela utilizado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO DE IPI. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI e decorrente do principio constitucional da não cumulatividade; tratando-se de instituto de direito público, deve o seu exercício dar-se nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. IPI CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA DE CONTROLE ALTERNATIVO. O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado às exigências regulamentares previstas no RIPI, entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro Registro de Controle de Produção e Estoque. Dispensa-se tal requisito quando o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista dispõem de sistema de controle quantitativo de produtos permitindo a perfeita apuração do estoque permanente.
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O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI e decorrente do principio constitucional da não cumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. IPI CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA DE CONTROLE ALTERNATIVO. O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado às exigências regulamentares previstas no RIPI, entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro Registro de Controle de Produção e Estoque. Dispensase tal requisito quando o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista dispõem de sistema de controle quantitativo de produtos permitindo a perfeita apuração do estoque permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de créditos referentes a estornos de saídas em razão de retorno à produção própria e revendas referentes aos CFOPs 1.201/2.201/2/1.202/2.202/1.949/2.949, devendo a autoridade fiscal verificar a regularidade dos créditos pleiteados pela recorrente por meio da análise dos dados contidos no sistema por ela utilizado. JOEL MIYAZAKI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 8. 00 00 07 /2 00 7- 08 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de pedido de ressarcimento relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI apurado no quarto trimestre de 2006, no valor de R$ 12.835.175,57, cumulado com declarações de compensação. Por intermédio do despacho decisório de fls. 671/673, a unidade de origem, acolhendo as razões constantes do relatório fiscal de fls. 588/595, reconheceu a existência de crédito no valor de R$ 8.973.694,79 (com a glosa de R$ 3.861.480,78), homologando as declarações de compensação correlatas até o limite do crédito reconhecido. Os fundamentos determinantes para tanto constam do relatório fiscal de fls. 588/595, como seguem: a) Foram glosados créditos indevidos decorrentes da aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, ante a ausência de disposição normativa que lhes sirva de amparo. b) Foram glosados créditos indevidos decorrentes de operações de devolução de mercadorias, inclusive em virtude de substituição em garantia. Ocorre que tais créditos seriam legítimos se e somente se LG cumprisse as normas estabelecidas a partir do art. 167 do RIPI/2002, em especial que escriturasse um controle de fluxo de mercadorias que preenchesse os requisitos legais. O direito ao crédito por devoluções está condicionado à comprovação inequívoca de que a venda/revenda que retornou entrou nos estoques do contribuinte e teve, posteriormente, saída tributada. Um controle hábil, portanto, deve propiciar, de forma inquestionável, o exato momento de retorno aos estoques e o exato momento da nova saída do estabelecimento industrial. O sujeito passivo limitouse a exibir documentos em língua estrangeira os quais não representam, porém, um efetivo controle de fluxo de mercadorias. Os demais créditos, inscritos em CFOPs 1.913/1.914/2.914 e outros, de diminutas proporções, deveriam ter a comprovação do efetivo uso produtivo das mercadorias que os originaram, o que não foi demonstrado pelo contribuinte, justificando a sua retirada da Apuração do IPI. c) O contribuinte teve todo o seu saldo credor do primeiro trimestre de 2006 inteiramente ressarcido, motivo pelo qual iniciou o segundo trimestre de 2006 sem saldo credor anterior. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16048.000007/200708 Acórdão n.º 3201001.767 S3C2T1 Fl. 1.263 3 Cientificado em 16/11/2011 (fl. 677), o contribuinte apresentou, em 16/01/2012 (fl. 678), a manifestação de inconformidade de fls. 678/699, na qual alega: a) Em relação ao direito a creditamento na aquisição de insumos isentos advindos da Zona Franca de Manaus, sustenta que o mesmo encontrase alicerçado no princípio constitucional da nãocumulatividade, conforme doutrina, jurisprudência e julgados administrativos que refere. b) Foram questionados os créditos relativos a devoluções ou retornos em garantia de produtos acabados anteriormente saídos do estabelecimento do requerente. Tais entradas, cujas notas fiscais não foram listadas nos autos (pelo que resta descumprido o artigo 142 do CTN e o princípio da ampla defesa), não permitiriam o registro dos créditos correspondentes, ante alegada ausência de comprovação da efetiva reentrada das mercadorias no estabelecimento industrial, em razão da falta de escrituração das notas fiscais correspondentes no livro Registro de Controle da Produção e Estoque ou sistema equivalente. No entanto, o requerente registrou todas as entradas referentes a devoluções e retornos em seu livro Registro de Entradas e, ainda, comprovou a reentrada física das mercadorias em tela em seu estabelecimento, eis que registrou em seu estoque cada uma dessas operações, em controle próprio que permite a perfeita identificação das aludidas entradas, atendendo ao preceito legal. Apresenta, a título exemplificativo, jogos de notas fiscais de venda e de devolução relativas a mercadorias saídas do estabelecimento da requerente e devolvidas por seus clientes, acompanhados dos respectivos lançamentos do crédito correspondente em sua contabilidade, demonstrando que os registros das entradas oriundas de devoluções foram registrados no seus sistema de controle de estoque. Aduz que seus controles são completamente inteligíveis e a forma de sua apresentação não prejudica em nada a identificação da escrituração da entradas por devolução e, portanto, a legitimidade dos créditos apurados. Tais sistemas consistem, basicamente em tabelas nas quais as poucas informações abreviadas e termos correntes em inglês são as constantes em alguns títulos das colunas, as quais são facilmente compreendidas, conforme se verifica no cotejo que se junta de uma das telas em inglês e outra traduzida para o português. Resta comprovado que os retornos e devoluções questionados foram devidamente comprovados, de sorte que são legítimos os créditos respectivos. Sobreveio decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 PAF. ATO ADMINISTRATIVO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no ato administrativo que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. IPI. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Observo, inicialmente, que os créditos glosados devido ao não atendimento de intimação para apresentação de documentos, referentes ao retorno de mercadoria ou bem remetidos para exposição, feira ou para demonstração (CFOPs 1.913/1.914/2.914), não foram objeto de questionamento pela recorrente em seu recurso voluntário, e, desta forma, não serão objeto desta decisão. Foram postas em debate duas questões, quais sejam: o direito a creditamento de IPI em relação a insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus e a glosa dos créditos decorrentes de devoluções ou retornos de mercadorias devido a falta de escrituração do Livro de controle da Produção e do Estoque. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16048.000007/200708 Acórdão n.º 3201001.767 S3C2T1 Fl. 1.264 5 Em relação à primeira questão, adoto e transcrevo voto proferido pela CSRF no acórdão nº 0203.071, sessão de 5/5/2008, de relatoria do conselheiro Henrique Pinheiro Torres: Do creditamento relativo às entradas de produtos isentos A solução da primeira questão cingese em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito ao ressarcimento de créditos desse tributo referente à aquisição de matériaprima isenta. A controvérsia tem como "pano de fundo" a interpretação do principio constitucional da não cumulatividade do imposto. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria prima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal principio está insculpido no art. 153, § 3º, inc. II, verbis: "Art. 153. Compete a União instituir imposto sobre: I omissis IV produtos industrializados § 3º O imposto previsto no inc. IV: I Omissis II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" (grifo não constante do original) Para atender à. Constituição, o C.T.N. da, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse principio e remete à lei a forma dessa implementação. Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes." Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do Decreto 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O principio da não cumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147, inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea "a" do Decreto 2.637/1998, a seguir transcrito: "Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16048.000007/200708 Acórdão n.º 3201001.767 S3C2T1 Fl. 1.265 7 Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em virtude de isenção, não há falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a não cumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como "imposto contra imposto" (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada "base contra base", (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base), é adota, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de alíquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Assim, se a alíquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase "a" está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5%, e agregouse, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase "a" forem taxados em 5% e o da "h" em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15%, como mostrado a seguir. Fase "a": valor agregado $1.000,00, alíquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $ 50,00. Fase "b": valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 8 Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de alíquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao principio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo As entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado a alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o principio da nãocumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos tributados não constitui, absolutamente, afronta ou restrição ao principio da não cumulatividade do IPI ou a qualquer outro dispositivo constitucional. Tendo em vista que os créditos glosados referemse à aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, não se permite a apropriação de créditos do IPI, mostrandose correta a decisão recorrida. Da glosa dos créditos decorrentes de devoluções ou retornos de mercadorias CFOPs 1.201/2.201/2/1.202/2.202/1.949/2.949. Foram glosados os créditos referentes a estornos de saídas em razão de retorno à produção própria e revendas, inclusive em virtude de substituição em garantia, referentes aos CFOPs 1.201/2.201/2/1.202/2.202/1.949/2.949. A autoridade fiscal motiva a glosa com as seguintes considerações: Ou seja, regulamentarmente, tais créditos só seriam legítimos se, somente se, LG cumprisse as normas estabelecidas a partir do Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16048.000007/200708 Acórdão n.º 3201001.767 S3C2T1 Fl. 1.266 9 art. 167 do RIPI/ 02, em especial se LG escriturasse o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Conforme registrado em Termo de Constatação n° 1, de 17 de fevereiro de 2011, alínea a, fls. 648, o pretendido registro equivalente ao Livro regulamentar tela está anexado em fls. 649 e seguintes folhas exemplificativas. Em idioma inglês, com se vê. O que o torna inábil para qualquer comprovação acerca dos valores em tela, justificando, destarte, a sua retirada do Registro de Apuração do IPI. A recorrente, ao contestar a glosa de seus créditos, afirma possuir controle equivalente ao Livro Registro de Controle de Produção e Estoque, e que o simples fato deste sistema apresentar informações na língua inglesa não é suficiente para o mesmo ser desconsiderado, pois é de fácil compreensão para qualquer usuário. Delimitada a lide, verificase que o crédito pleiteado pela recorrente tem por fundamento o artigo 167 do RIPI/2002, que assim dispõe: Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 30). O artigo 169 deste regulamento estabelece as condições para o aproveitamento de créditos referente a produtos recebidos em devolução, das quais ressaltase a exigência de escrituração das notas fiscais recebidas nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente: Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências ( Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): I pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem assim indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; e II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388; e c) prova, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição do mesmo, ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à volta do produto, pertencente a terceiros, ao estabelecimento industrial, Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 10 ou equiparado a industrial, exclusivamente para conserto. (grifo nosso) A recorrente não possui o livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Apresenta, contudo, sistema de controle que entende ser equivalente. O citado artigo 388 do RIPI 2002 permite a utilização de sistema de controle alternativo, exigindo apenas que o mesmo permita a perfeita apuração do estoque permanente: Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação. (grifo nosso) A recorrente apresenta inúmeros elementos, com telas do sistema e descrições do funcionamento do mesmo, que demonstram que o seu sistema de controle estaria apto para comprovar o seu direito creditório. A fiscalização, contudo, não aceitou o sistema pois o mesmo utilizaria o idioma inglês, o que o tornaria inábil para este fim. Neste ponto, verificando os documentos trazidos aos autos, constatase que o sistema foi desenvolvido na língua inglesa. Não se trata, contudo, de um documento complexo, redigido em uma língua obscura, mas sim de um software que, assim como tantos outros, utiliza o idioma inglês. Verificase ainda que as informações dos documentos fiscais são apresentadas conforme constam nestes documentos, e que por meio dele é possível a apuração do estoque permanente, o que permite a análise da veracidade dos créditos pleiteados. Desta forma, constatado que a recorrente possui sistema de controle quantitativo de produtos que permite a apuração do seu estoque permanente, não se mostra correta a glosa de seus créditos referentes a estornos de saídas em razão de retorno à produção própria e revendas referentes aos CFOPs 1.201/2.201/2/1.202/2.202/1.949/2.949, devendo a autoridade fiscal verificar a regularidade dos créditos pleiteados pela recorrente por meio da análise dos dados contidos no sistema por ela utilizado. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar procedência parcial ao recurso voluntário, nos termos deste voto. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16048.000007/200708 Acórdão n.º 3201001.767 S3C2T1 Fl. 1.267 11 Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10730.904669/2009-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 279 1 278 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.904669/200928 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.823 – 1ª Turma Especial Data 18 de setembro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RODOCON CONSTRUCOES RODOVIARIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .9 04 66 9/ 20 09 -2 8 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904669/200928 Resolução nº 3801000.823 S3TE01 Fl. 280 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DComp n 27121.41573.061206.1.3.043913, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 11/11/2005, a título de PIS, atinente ao período de apuração outubro 05, com débito da própria interessada. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, o Delegado da DRF Niterói não homologou a compensação declarada, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débito de PIS, período de apuração outubro05,, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp. Cientificada, a Interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de folha 2, na qual alega, em síntese: Tratarse de empresa prestadora de serviços no ramo de Engenharia e que exerce atividades de conservação e restauração de estradas, conservação de áreas verdes e tem como clientes Órgãos Públicos Federais, Estaduais e Municipais; Que apura impostos federais por estimativa mensal e usa como base de cálculo as receitas efetivamente auferidas no mês (regime de caixa); Enquadrarse para fins de recolhimento da Cofins e do PIS, tanto nos regimes cumulativo quanto não cumulativo; O recolhimento em questão, código 6912, foi apurado tomandose como base de cálculo o valor de R$ 1.036.537,67. Posteriormente verificou ter usado base de cálculo a maior, em decorrência da inclusão de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada, que conforme Lei 10.865/04, artigo 10, inciso XX, sujeitamse à alíquota da contribuição cumulativa. Assim, verificou recolhimento a maior .no montante de R$ 7.890,36. Em tempo, retificou a DCTF do período acima em 21/05/2009. Solicita homologação da compensação e cancelamento da cobrança decorrente do indeferimento.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/11/2005 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904669/200928 Resolução nº 3801000.823 S3TE01 Fl. 281 3 Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904669/200928 Resolução nº 3801000.823 S3TE01 Fl. 282 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da contribuição ao PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF conforme Recibo 1726.37:86.5816 de 21/05/2009. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na apuração em outubro de 2005 de PIS não cumulativos na qual verificouse pagamento a maior em decorrência da inclusão de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada, que conforme LEI 10.865/04 (sic), Art 10. inciso XX, sujeitam se à alíquota da contribuição cumulativa. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Portanto, mesmo que haja a retificação extemporânea da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. No entanto, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904669/200928 Resolução nº 3801000.823 S3TE01 Fl. 283 5 Apesar da complementação da documentação comprobatória ter sido apresentada apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o pagamento a maior em decorrência da inclusão na base cálculo de PIS não cumulativo de receitas oriundas de contratos de prestação de serviços de construção civil por empreitada ou subempreitada que se sujeitaria à alíquota da contribuição cumulativa. O Art 10. inciso XX da Lei 10.833/2003 assim dispõe: Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º:(...) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014)(...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto:(...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; E segundo entendimento da Receita Federal exposto na Solução de Consulta Nº 21 de 27 de Outubro de 2006: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: "OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL". SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO NA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Para fins de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, enquadramse no conceito de obras de construção civil as obras e serviços auxiliares e complementares de construção, tais como aquelas relacionadas no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30, de 1999. Consoante o citado Ato Declaratório enquadramse como construção civil as seguintes atividades: construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; sondagens, fundações e escavações; construção de estradas e logradouros públicos; construção de pontes, viadutos e monumentos; terraplenagem e pavimentação; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.904669/200928 Resolução nº 3801000.823 S3TE01 Fl. 284 6 Assim, segundo a recorrente, ela apurou o imposto referente a outubro de 2005 código 6912, com base de cálculo no valor/de R$1.036.531,67 e constatou que houve recolhimento com a alíquota de 1,65%, onde deveria ser de 0,65%, originando um recolhimento a maior no valor de R$ 7.890,36(sete mil oitocentos e noventa reais e trinta e seis centavos).. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · Cópias autenticadas da Nfs. para comprovação da Base de Cálculo; · Cópias autenticadas das páginas do Livro Diário que contém a escrituração contábil, bem como Termo de Abertura e Encerramento; · Cópias autenticadas dos Contratos de Serviços: · Cópia autenticada dos DARF; · Cópia do Contrato Social: · Demonstrativo Base de Cálculo do PIS Regime Não Cumulativo; · Demonstrativo Base de Cálculo credito do PIS Regime Não Cumulativo. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição ao PIS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de PIS, conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; b) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 284DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907331/2011-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/08/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/08/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 73 31 /2 01 1- 17 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.907331/201117 Acórdão n.º 3801003.724 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.907331/201117 Acórdão n.º 3801003.724 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.907331/201117 Acórdão n.º 3801003.724 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.907331/201117 Acórdão n.º 3801003.724 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.907331/201117 Acórdão n.º 3801003.724 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.907331/201117 Acórdão n.º 3801003.724 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12448.901050/2010-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRAZO LEGAL.
E intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação declarada. É considerada válida a intimação por via postal realizada no domicílio fiscal do contribuinte, nos termos da Súmula nº 9 deste CARF.
Numero da decisão: 1803-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, HENRIQUE HEIJI ERBANO E MEIGAN SACK RODRIGUES
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRAZO LEGAL. E intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação declarada. É considerada válida a intimação por via postal realizada no domicílio fiscal do contribuinte, nos termos da Súmula nº 9 deste CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, HENRIQUE HEIJI ERBANO E MEIGAN SACK RODRIGUES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 10 50 /2 01 0- 16 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 01/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MCM EMPREENDIMENTOS LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) que não conheceu a impugnação apresentada pelo contribuinte. 2. Os autos em questão cuidam de Declaração de Compensação Eletrônica, transmitida em 22/11/2006, na qual a empresa sustenta possuir direito de compensar saldo negativo de Impsoto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2003 com débitos perante a fazenda. 3. Após análise da requisição, a DRF do Rio de Janeiro I, por meio do Depacho Decisório nº 863962421 (fl. 166), reconheceu parcialmente o crédito pleiteado pelo contribuinte e concluiu: “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar itnegralmente s débitos informados pelo sujeito passivo, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL e NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações declradas nos PER/DCOMP listados no endereço eletrônico indicado abaixo. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2010. PRINCIPAL MULTA JUROS 305.418,70 61.083,56 201.698,73 5. Devidamente cientificado do lançamento o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 14/06/2010, conforme fl. 165, e apresentou manifestação de inconformidade às fls. 168/170 em 20/07/2010. No entanto, a DRJ d Rio de Janeiro (RJ) não conheceu da peça impugnatória por considerala intempestiva. O acórdão restou lavrado com a seguinte ementa: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRAZO LEGAL. É intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do despacho que não homologou a compensação declarada. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade intempestiva não comporta julgamento em primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Direito Creditório Não Reconhecido. (fl. 214)” 6. Cientificado da decisão em 09/04/2011, conforme AR de fl. 222, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 225/235), o qual em síntese tem como argumentos recursais o que segue: Fl. 336DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 01/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12448.901050/201016 Acórdão n.º 1803002.358 S1TE03 Fl. 3 3 a) preliminarmente, sustenta a tempestividade da manifestação de inconformidade, ao contrário, do que considerou o colegiado de primeira instância e suscita o conhecimento do Recurso Voluntário para reforma da decisão em comento; b) alega impropriedades jurídicas da decisão, haja vista que essa é pobre de técnica jurídica e termina por confundir conceitos a seu bel prazer para concluir que a Manifestação de Inconformidade não foi juntada no prazo correto; c) que a autoridade julgadora, empresta ao “aviso de cobrança” a força e a representatividade de um Auto de Infração, de um orçamento ex officio, de uma notificação de débito; e) argumenta que a jurisprudência, em âmbito nacional, acabou por sedimentar entendimento de que, quando houver a intimação através de envio postal, mesmo que identificável por AR é necessário que o agente recebedor seja representante legal do sujeito passivo; f) no mérito, após descrição dos fatos, entende que a empresa não deve pagar o IRPJ eis que, quando compensado com o montante supra, em verdade a empresa possui o crédito de R$ 303.470,54; g) que a recorrente apresentou DIPJ retificadora, exercício 2004, na qual informou adequadamente todos os valores a título de IRRF; e h) alega que comprovou, por meio do Informe de Rendimentos Financeiros que houve, efetivamente, a retenção a título de IRRF no AC 2003. 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Arthur José André Neto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, de forma que dele conheço. DA PRELIMINAR DE INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO Preliminarmente a recorrente sustenta sua tese de tempestividade da manifestação de inconformidade e o conhecimento da peça impugnatória, em síntese, sob o Fl. 337DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 01/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 argumento de que na intimação por meio de envio postal, mesmo que identificável por AR é necessário que o agente recebedor seja representante legal do sujeito passivo. Ocorre que não obstante aos argumentos trazidos pela recorrente, a notificação por via postal, com o devido Aviso de Recebimento, deuse nos termos mandamentais da legislação. Por oportuno, transcrevemos os trechos do art. 23 do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) II – por via postal, teleográfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) §2º Considerase feita a intimação: II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) A legitimidade do recebimento da intimação por qualquer empregado da empresa que se encontre no endereço tributário eleito pelo contribuinte é pacífica nesse Conselho, inclusive, a matéria é objeto da Súmula CARF nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio discal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Insta mencionar que tal interpretação está em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), haja vista que o Tribunal consolidou sua jurisprudência no sentido de admitir a citação, por via postal, de pessoa jurídica, se ou quando recebida a carta por simples funcionário da empresa, sendo desnecessário que o recebimento seja feito, exclusivamente, por pessoa ou pessoas que, instrumentalmente ou por delegação expressa da empresa, representem a sociedade. PROCESSO CIVIL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – CITAÇÃO TEORIA DA APARÊNCIA. 1. Negase seguimento a embargos de divergência quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência dominante no Tribunal. 2. Aplicação do entendimento prevalente da Corte Especial no sentido de adotarse a Teoria da Aparência, reputandose válida a citação da pessoa jurídica quando esta é recebida por quem se apresenta como representante legal da empresa e recebe a citação sem ressalva quanto à inexistência de poderes de representação em juízo. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EREsp 205275/PR, CORTE ESPECIAL, Rel. Ministra ELIANA CALMON, DJ de 28/10/2002.) PROCESSUAL CIVIL. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. RECEBIMENTO QUE SE APRESENTA COMO Fl. 338DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 01/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12448.901050/201016 Acórdão n.º 1803002.358 S1TE03 Fl. 4 5 REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. Em consonância com o moderno princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovida de efeitos prejudiciais, é de se aplicar a teoria da aparência para reconhecer a validade da citação da pessoa jurídica realizada em quem, na sua sede, se apresenta como sua representante legal e recebe a citação sem qualquer ressalva quanto a inexistência de poderes para representála em Juízo. Embargos de Divergência conhecidos e acolhidos. (EREsp 156970/SP, CORTE ESPECIAL, Rel. Ministro VICENTE LEAL, DJ de 22/10/2001.) No caso em análise, consta à fl. 165 dos autos cópia do AR de intimação do Despacho Decisório, tendo como destino o domicílio tributário eleito pelo contribuinte, datado e devidamente assinado em 14/06/2010. Posteriormente há a apresentação de manifestação de inconformidade, intempestivamente, às fls. 168/170 em 20/07/2010. Assim, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão proferida pela instância a quo, que não conheceu a manifestação de inconformidade da empresa, tendo em vista a sua intempestividade. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator Fl. 339DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 01/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 18471.000288/2005-54
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA A ZERO. INAPLICABILIDADE.
Tratando-se de redução de alíquota a zero, não se está diante de norma que tenha deixado de definir determinado ato como infração, mesmo porque tributo, lato sensu, não constitui sanção de ato ilícito (art. 3º do Código Tributário Nacional - CTN - Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966).
Numero da decisão: 1803-002.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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CUMPRIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Enquanto não for alterada a legislação que trata do assunto nem reformada a decisão proferida em processo de consulta, há que se cumprila na esfera administrativa, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) manifestar opinião diferente sobre o tema. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA A ZERO. INAPLICABILIDADE. Tratandose de “redução de alíquota a zero”, não se está diante de norma que tenha “deixado de definir determinado ato como infração”, mesmo porque tributo, lato sensu, “não constitui sanção de ato ilícito” (art. 3º do Código Tributário Nacional CTN Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 88 /2 00 5- 54 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000288/200554 Acórdão n.º 1803002.252 S1TE03 Fl. 184 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler e Roberto Armond Ferreira da Silva. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000288/200554 Acórdão n.º 1803002.252 S1TE03 Fl. 185 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 96 a 98): Tratase de auto de infração de fls. 16/25, lavrado contra a empresa qualificada em epígrafe, em virtude da apuração de diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos (verificações obrigatórias) da Cofins para os meses 04 a 12/2001; 01, 05, 07 a 09, 11 e 12/2002; 01 a 11/2003 e 01/2004, exigindoselhe contribuição de R$ 66.026,70, multa de ofício de R$ 49.519,94 e juros de mora de R$ 28.957,95, calculados até 28/02/2005, perfazendo o total de R$ 144.504,59. No Termo de Constatação de folhas 12 a 14, o fiscal autuante informa que a ação fiscal decorreu de diligência proposta no âmbito do Processo nº 13701.000909/200282, que resultou na perda da isenção estabelecida pelo artigo 174 do RIR/99, diante da constatação de que a empresa exercita atividade econômica. Informa, ainda, que o contribuinte foi intimado a apresentar relações individualizadas, mês a mês, das contribuições para o PIS, no período de janeiro/98 a dezembro/2004, e para a Cofins, no período de abril/2001 a dezembro/2004. Quanto ao PIS, a empresa realizava os recolhimentos tomandose por base as folhas de salários, uma vez que entendia estar isenta do IRPJ (artigo 174 do RIR). Quanto à Cofins, foram detectadas diferenças em diversos meses, após análise das relações apresentadas e os seus registros fiscais e contábeis. O enquadramento legal encontrase a(s) fl(s). 19 e 20. Cientificada em 31/03/2005, a interessada apresentou, em 29/04/2004, a impugnação de fls. 35/51, da qual transcrevo suas alegações: A CPAD, desde o início de suas atividades, no ano de 1940, é uma entidade religiosa, sem fins lucrativos, vinculada à Convenção Geral das Assembléias de Deus, (entidade que exerce o governo da Igreja no Brasil, também, por sua vez, entidade religiosa sem fins lucrativos), cumprindo atividade genuinamente religiosa de evangelização, mediante a divulgação da Palavra de Deus, na forma escrita (...) (...) As entidades religiosas, na literalidade do Código Civil, organizações religiosas, sabidamente não possuem fins lucrativos. A entidade, ora autuada, evidentemente não os possui, assim rege os seus estatutos, a sua estrutura jurídica, a sua operação, a sua missão. Não se trata de uma sociedade, na entidade não existem donos, lucros, portanto não pode haver, por este simples aspecto, tributação pelo COFINS, na medida em que, por não sujeitarse à incidência de impostos pela via constitucional da imunidade concedida aos templos de qualquer culto, assim entendida a pessoa jurídica entidade religiosa, estaria esta, pois, por consequência, também livre da incidência da COFINS. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000288/200554 Acórdão n.º 1803002.252 S1TE03 Fl. 186 4 A venda das escrituras sagradas, hinários, livros teológicos e demais elementos integrantes do culto a Deus, praticado pela Igreja Assembléia de Deus, no Brasil e no mundo, é atividade usual de todas as comunidades religiosas (...) Sendo entidade religiosa, sem fins lucrativos, não distribuindo lucros (pois juridicamente não os possui), não remunerando os seus dirigentes (chamados conselheiros), possuindo escrituração contábil detalhada, não se pode falar na incidência do PIS, senão aquela de 1% sobre o valor da folha de pagamento que sempre o fez. (...) ...optou o legislador, em sua primazia, de poder constituinte, pelo meio constitucional que lhe é exclusivo, ímpar, único, em estender a liberdade de crença ao campo tributário, excluindo, do campo da incidência tributária, os aspectos financeiros diretamente vinculados à manifestação religiosa em suas diversas vertentes. Assim o fez, quando, no artigo 150, inciso VI, “b”, veda ao Estado instituir impostos sobre os templos de qualquer culto. Isto é, a imunidade tributária aplicase, em consonância com o princípio da livre manifestação religiosa e na sua total dimensão, qual seja, na sua manifestação de culto, divulgação de idéias, comportamento social e administração. (...) Enfim, a entidade é pessoa jurídica sem fins lucrativos, organização religiosa, imune a impostos, conforme aplicação da norma constitucional de imunidade aplicável às organizações religiosas. Não sujeita à incidência pelo imposto de renda, por consequência inaplicável a incidência da COFINS. (...) ...solicita a entidade autuada, aos Julgadores integrantes desta Respeitada Delegacia de Julgamento, que seja rejeitado, in totum, o lançamento tributário efetuado (...), visto que: a) Inaplicável o lançamento do COFINS, tendo por base o faturamento, pelo fato de se tratar de organização religiosa, sem fins lucrativos, cujos conselheiros não são remunerados; por possuir escrituração contábil completa, reveladora de sua tipicidade operacional, diversa das características de uma empresa; e por aplicar todos os seus recursos, só e somente só, na prática religiosa; b) Não se trata de desvio de finalidade de que trata a Lei 9.532, de 1997, arts. 15 a 18, pois que a atividade é religiosa, somente trata de assuntos vinculados à fé cristã conforme o seu credo. Tratase de organização religiosa mundial, estruturada em todo o mundo de forma semelhante, e, portanto, consoante o princípio da liberdade religiosa, extravasado na Carta Constitucional, art. 5º, VI, e art. 19, I; e de forma equivalente exposta no Código Civil, pela letra da Lei 10.825, de 22 de dezembro de 2003, imune é do imposto de renda e, por consequência, também não se aplica a COFINS. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 95): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 31/10/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000288/200554 Acórdão n.º 1803002.252 S1TE03 Fl. 187 5 31/08/2002, 30/09/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/01/2004 COFINS TEMPLOS IMUNIDADE. A imunidade não se estende às contribuições sociais incidentes sobre as receitas advindas da produção e comercialização de livros, ainda que os rendimentos obtidos revertam em benefício do culto. ISENÇÃO. EDIÇÃO DE LIVROS. A edição de livros corresponde a uma atividade de industrialização e o desenvolvimento de atividades paralelas, como industrialização, comércio e prestação de serviços é incompatível com o gozo do benefício da isenção da Cofins. SOLUÇÃO DE CONSULTA. Solução de Consulta emanada de órgão competente tem efeito vinculante, sujeitando o consulente ao seu cumprimento. Lançamento Procedente 3. Cientificada da referida decisão em 07/08/2008 (fls. 103), a tempo, em 04/09/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 105 a 119, instruído com os documentos de fls. 120 a 144, nele argumentando, em síntese: a) que não alegou imunidade, mas isenção, embora entenda que seja imune ao imposto; b) que, de qualquer forma, é isenta, nos termos da Lei (Medida Provisória nº 2.15835, artigo 14, X); c) que a consulta anteriormente apresentada teve inúmeros equívocos em sua resposta, e que devem ser corrigidos por este Egrégio Conselho; d) que as receitas de mensalidades, doações, não são receitas decorrentes de faturamento, não sendo caso de isenção, mas de não incidência, e que o fato de receber pela edição de livros não desnatura a isenção; e) que a lei nova deixou de considerar, como infração, o não pagamento da COFINS sobre o faturamento no caso do livro, caso em que a lei tem aplicação retroativa para dispensála não só do tributo, como da penalidade, nos termos do art. 106, II, “a”, do CTN; f) que, na hipótese de não ser considerado improcedente, requer a exclusão de penalidade, quer nos termos do art. 106, II, “a”, do CTN, ou nos termos da alínea “c” desse dispositivo; e g) que, na hipótese da não aplicação dos itens anteriores, requer a graduação da pena, nos termos do art. 112 do CTN. Em mesa para julgamento. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000288/200554 Acórdão n.º 1803002.252 S1TE03 Fl. 188 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Não se justificaria, no presente caso, em princípio, a extensa argumentação da Impugnante/Recorrente, fulcrada ora em suposta isenção, ora em pretensa não incidência, ora em alegada imunidade em relação à exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 5. É que o lançamento, relativamente a essa contribuição, se baseou, exclusivamente, em diferenças a recolher apontadas pela própria Recorrente, em relações individualizadas por ela apresentadas, mês a mês, relativas ao período de abril de 2001 a dezembro de 2004 (fls. 8 a 11). 6. Do Termo de Constatação, elaborado pela Fiscalização, extraise (fls. 12 e 14 – grifouse): Em fiscalização junto ao contribuinte acima identificado, iniciada por diligência fiscal, no sentido de atender o proposto às fls. 55, do processo nº 13701.000909/200282, que resultou na perda da isenção estabelecida pelo artigo 174, do RIR/99, conforme cópias de folhas nºs 52/55, do citado processo, constatei os seguintes fatos que geraram a emissão de Autos de Infração relativos ao IRPJ e CSSL, tomandose por base o LUCRO REAL, dos anoscalendário de 1999; 2000; 2001 e 2002, exercícios de 2000; 2001; 2002 e 2003, respectivamente, de acordo com os registros contábeis e fiscais apresentados pelo contribuinte no decorrer da ação fiscal. Constatei também, irregularidades quanto ao cálculo e recolhimento das Contribuições para o PIS e para a COFINS, conforme relações apresentadas do período de janeiro/1998 a dezembro/2004, do PIS, e de abril/2001 a dezembro/2004, da COFINS, tendo sido lavrados os correspondentes Autos de Infração tomandose por base o QUADRO DEMONSTRATIVO Nº 3, anexo, que fica fazendo parte integrante dos mesmos. [...]. II) QUANTO AO PIS e a COFINS: O contribuinte foi intimado a apresentar relações individualizadas mês/mês das contribuições para o PIS, no período de janeiro/1998 a dezembro/2004 e para a COFINS, no período de abril/2001 a dezembro/2004. O contribuinte apresentou as citadas relações, tendo sido constatadas diferenças a recolher, gerando insuficiência de recolhimento destas contribuições. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000288/200554 Acórdão n.º 1803002.252 S1TE03 Fl. 189 7 Quanto ao PIS, a empresa realizava os recolhimentos tomando se como base a folha de salários de seus empregados, uma vez que ela entendia estar enquadrada na legislação que permitia Isenção do IRPJ (artigo 174, do RIR/99) e, por conseguinte, do Pis s/ Faturamento em sua atividade. Quanto à COFINS, detectei diferenças a recolher em diversos meses, após análise das relações apresentadas e os seus registros fiscais e contábeis. 7. Já do correspondente auto de infração, destacase (fls. 18): Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 COFINS FATURAMENTO DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO – COFINS (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme TERMO DE CONSTATAÇÃO, anexo, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. 8. Ou seja, o entendimento de que não faria jus a qualquer isenção, não incidência ou imunidade em relação à Cofins é da própria Recorrente, devidamente espelhado em seus registros contábeis e fiscais e nas informações prestadas à Fiscalização. 9. De se ressaltar, por oportuno, que, em procedimento de consulta, formalizado no processo administrativo nº 13701.000909/200282, no qual a Recorrente indagou da Administração Tributária acerca de sua sujeição à Cofins, foilhe respondido afirmativamente, em caráter definitivo, conforme Solução de Consulta SRRF/7ª RF/Disit nº 281, de 27/11/2002 (fls. 26 a 29), cujas conclusões são as seguintes (destaques do original): a) As entidades sem fins lucrativos abrangidas pelo art. 13, IV, da MP nº 2.15835, de 2001, que têm isenção da Cofins relativa às suas receitas de atividades próprias, são somente aquelas que cumprem todos os requisitos para usufruir a isenção do IRPJ de que trata o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997. b) A entidade constituída como sem fins lucrativos, mas cuja atuação é eminentemente de natureza econômica não está abrangida pelo disposto no art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997. c) A edição de livros corresponde a uma atividade de industrialização e o desenvolvimento de atividades paralelas, como industrialização, comércio e prestação de serviços é incompatível com o gozo do benefício da isenção. d) A consulente está sujeita ao pagamento da Cofins, devendo observar o disposto na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e na Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000288/200554 Acórdão n.º 1803002.252 S1TE03 Fl. 190 8 10. Como bem exposto pela decisão recorrida (fls. 101): Vêse que a interessada provocou a administração a manifestar se a respeito de aspecto de direito relativo à legislação tributária. A RFB, no uso da competência estabelecida pelo artigo 48 da Lei nº 9.430/96, pronunciouse emitindo a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 281, que constitui decisão administrativa definitiva. Ora, se a interessada procurou a administração a fim de dirimir questão que considerava controversa, o que desejava era a segurança jurídica para os atos que viria a praticar. Assim, se a decisão lhe fosse favorável, não poderia a administração adotar entendimento diverso para exigirlhe tributo. Ao contrário, se a decisão lhe fosse desfavorável, obrigavase a cumprir o entendimento nela contido. Em outras palavras, com a decisão definitiva exarada no processo de consulta, esgotase a discussão da matéria na esfera administrativa. Desta forma, enquanto não for alterada a legislação que trata do assunto nem reformada a decisão proferida no processo de consulta, há que se cumprila na esfera administrativa. Não cabe, pois, a este órgão julgador manifestar opinião diferente sobre o tema. 11. Observase, por outro lado, que, ainda que já não houvesse entendimento oficial da Administração Tributária contrário à pretendida isenção da Cofins pela Recorrente, tais alegações deveriam ter sido apresentadas no âmbito do processo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (processo nº 18471.000286/200565), no qual não se admitiu a isenção do IRPJ, à qual se vincularia aquela isenção da Cofins (arts. 14, inciso X, e 13, inciso IV, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), processo, este, já findo administrativamente, sem qualquer questionamento por parte da Recorrente. 12. Com relação à alegação de que a lei nova teria deixado de considerar, como infração, o não pagamento da Cofins sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de livros (art. 6º da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que alterou a redação do art. 28 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004), ressaltase que, tratandose, no caso, de “redução de alíquota a zero”, não se está diante de norma que tenha “deixado de definir determinado ato como infração” ou “cominado penalidade menos severa que a prevista na lei”, mesmo porque tributo, lato sensu, “não constitui sanção de ato ilícito” (art. 3º do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). 13. Por fim, não remanescendo qualquer dúvida quanto à lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inciso I – fls. 20), seja relativamente à capitulação legal do fato; seja quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; seja quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; seja, ainda, quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, também não se aplica à Recorrente o disposto no art. 112 do CTN. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18471.000288/200554 Acórdão n.º 1803002.252 S1TE03 Fl. 191 9 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10280.720820/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.156
Decisão: VISTOS, relatados e discutidos estes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos,CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA, conforme relatório e voto proferidos pelo relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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A. FAZENDA NACIONAL VISTOS, relatados e discutidos estes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos,CONVERTER o presente julgado em DILIGÊNCIA, conforme relatório e voto proferidos pelo relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 20 82 0/ 20 08 -3 1 Fl. 14182DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Adotando os termos do relatório oferecido pela r. decisão de primeira instância, destaco: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 133138, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, ano(s)calendário 2004, com crédito total apurado no valor de R$ 253.100.735,65, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/11/2008. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Custos e despesas não comprovados. Também integra os Autos de Infração a Planilha de folhas 139148, onde são detalhas as contas de custos e despesas glosadas. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 18/12/2008 (fls. 156) e apresentou sua impugnação em 19/01/2009 (fls. 10141048), na qual alegou em síntese que: Da glosa das despesas 1. A glosa de todos os valores contabilizados como custos e despesas é inconcebível, conforme jurisprudência administrativa (Recursos Voluntários n° 109.902 e 135.225); 2. Apresentou à fiscalização diversos documentos fiscais e informou a mesma que os demais documentos solicitados se encontravam na filial localizada em Monte Dourado, requerendo, dessa forma, que os apresentasse na Inspetoria da Receita Federal daquele Município, ou então que a Fiscalização se deslocasse para aquela localidade, o que não foi deferido; Das despesas com o PIS e a COFINS 3. A Fiscalização desconsiderou os pagamentos e compensações efetuados para os débitos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); 4. Em relação ao PIS, a Autoridade Autuante, equivocadamente, computou no mês de outubro, em relação à filial de Paranaguá, o valor de R$ 109.349,94, quando na realidade o valor recolhido foi R$ 19.349,94; 5. Em referência ao mês de abr/04, a fiscalização não considerou os estornos contabilizados nas contas 4110100.101302 e 4110100.100402 (doc. n° 10), referentes à COFINS de Paranaguá e Munguba, respectivamente; Fl. 14183DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.720820/200831 Resolução nº 1301000.156 S1C3T1 Fl. 4 3 6. No período de maiago/04, bem como em nov/04, a Fiscalização não considerou, no cálculo das contribuições devidas pela filial de Munguba, os valores das devoluções constantes do balancete da Impugnante; Da CFEM 7. Efetuou o regular recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais CFEM durante o período apurado; 8. A Fiscalização apurou, como valor devido a título de CFEM, a provisão do quantum devido, quando, na realidade, a Impugnante procedia à apuração do montante efetivo devido e estornava a provisão para, em seguida, realizar o lançamento definitivo do montante devido e pago; Do IRPJ e da CSLL 9. Efetuou o recolhimento do IRPJ e da CSLL através do pagamento de estimativas mensais. Dessa forma, a glosa dessas despesas com estes tributos é indevida; 10. É indevida também pelo fato destas despesas já serem adicionadas na base de cálculo do lucro real; Da apresentação extemporânea de provas 11. Protesta pela posterior juntada de documentos, a fim de que se comprovem os demais custos e despesas glosados pela Fiscalização, tendo em vista que tal documentação é vastíssima e o sistema utilizado pela Impugnante àquela época foi alterado, o que dificulta o levantamento das informações exigidas; Da perícia contábil 12. Requer que seja deferida a realização de perícia contábil, para que fiquem definitivamente comprovados as despesas e custos deduzidos do IRPJ, relativos ao ano calendário 2004. Pelo que apresenta à fl. 182 os requisitos exigidos pelo art. 16 do Decreto n° 70.235/72; Da redução do IRPJ 13. Faz jus ao benefício de redução do Imposto de Renda, conforme Declaração n° 10/2005, expedida pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA. Razão porque pede que seja revisto a apuração deste imposto a fim de se considerar o benefício fiscal. Para comprovar o alegado a recorrente trouxe os documentos de folhas 187879. Em 30/04/2009 e 11/05/2009, apresentou, extemporaneamente, através dos requerimentos de folhas 881884, os documentos que integram os anexos II a XII. Apresentou também, em 03/06/2009, por meio do requerimento de folhas 886887, os documentos que integram os Anexos XIII a XVI. Em 12/07/2009 e 15/09/2009, apresentou outros dois requerimentos (fls. 889, 896897), que tratam dos documentos integrantes dos anexos XVII a XLVII. Fl. 14184DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.720820/200831 Resolução nº 1301000.156 S1C3T1 Fl. 5 4 O processo retornou em diligência à unidade de origem para que esta adotasse as seguintes providências (fls. 900903): [...] 1. Juntar aos autos cópia de todas as contas de custos e despesas do Balancete; 2. Certificar se a apuração do resultado declarado na DIPJ corresponde aos valores escriturados na contabilidade, mormente no que diz respeito aos custos e despesas; 3. Identificar as parcelas dos custos e despesas glosados que correspondem, ou não, aos valores declarados pelo contribuinte, levando em consideração os valores dos estornos e das devoluções; 4. Identificar as parcelas dos custos e despesas glosados que foram adicionados pelo contribuinte na apuração do lucro real; 5. Apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte, inclusive após a impugnação, para efeito de comprovação dos custos e despesas em litígio; 6. Dar ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação; [...] A unidade de origem diligenciou a recorrente a apresentar os originais dos documentos acostados nos Anexos, referente aos custos e despesas, conforme balancete separado por conta. Após a analise dos documentos apresentados, considerou manterse pertinente as seguintes glosas: • R$ 6.004.678,12, relativa ao grupo de contas compras de insumos a prazo (Ficha 4A, item 03, DIPJ); • R$ 2.810.504,26, relativa ao grupo de contas Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (Ficha 4A, item 13, e Ficha 5A, item 04, DIPJ); • R$ 3.093.319,60, relativa aos grupos de contas Outros Custos e Despesas Gerais (Ficha 04A, item 16, e Ficha 5A, item 30, DIPJ); • R$ 3.155.057,57, relativa ao grupo de contas Custos/Despesas (Ficha 5A, DIPJ) • R$ 4.614.354,61, relativa a subconta Manut. Sindus da conta Manutenção e Reparo de Bens Aplicados na Produção (Ficha 4A, item 8, DIPJ); • R$ 1.243.745,57, relativa a subconta Manut. Mecânica da conta Manutenção e Reparo de Bens Aplicados na Produção (Ficha 4A, item 8, DIPJ). Tendo tomado ciência do resultado da diligência, a recorrente apresentou peça denominada “Impugnação” (fls. 10141048), na qual alegou em síntese que: Fl. 14185DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.720820/200831 Resolução nº 1301000.156 S1C3T1 Fl. 6 5 Da decadência 14. A diligência representou um novo lançamento, pois reduziu significativamente a base tributável de R$ 253.100.735,65 para R$ 20.921.661,73. Dessa forma, o novo lançamento está atingido pela decadência, na forma do art. 150, §4º, CTN; 15. Se entendesse que não houve um novo lançamento, mas sim uma revisão de ofício do lançamento originariamente efetuado, com fundamento no disposto no art. 149 do CTN, ainda assim seria aplicável o prazo decadencial previsto no art. 150, §4°, do CTN; 16. Nos termo do parágrafo único do art. 149 do CTN, o prazo decadencial que se tem para efetuar a revisão do lançamento é o mesmo que se teria para efetuar o lançamento originário; 17. Não se aplica ao presente caso a disposição contida no art. 173, II, do CTN, que trata do reinício do prazo decadencial a partir da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado; Da nova documentação apresentada 18. Reuniu grande parte da documentação dos custos e despesas que comprovam a glosa mantida pela unidade de origem, documentação essa que se encontra anexada à presente impugnação; 19. Protesta pela apresentação posterior da documentação ainda não localizada; 20. Pela análise da tabela às folhas 10281029, relativa a Insumos, Manut. Sindus e Manut. Mecânica, constatase que, do total de R$ 11.862.780,30, cerca de R$ 7.380.929,35 já se encontram devidamente comprovados pela documentação ora acostada, qual seja, planilha explicativa e respectivas notas fiscais (Doc. 02 – fls. 10571224) 21. Pela análise da tabela à fl. 1029, relativa a Serviços Prestados por Pessoa Jurídica, constatase que, do total R$ 2.810.504,26, cerca de R$ 1.333.218,98 já se encontram devidamente comprovados pela planilha explicativa e respectivas notas fiscais (Doc 03 – fls. 12261552) 22. Pela análise da tabela à fl. 1030, relativa a Outros Custos e Despesas Gerais, constatase que, do valor total de R$ 4.167.051,01, houve a comprovação, por parte da impugnante, de cerca de R$ 1.593.404,19, conforme planilha em anexo (Doc. 04 – fls. 15531554). Que as notas fiscais referentes a esse último valor indicado serão oportunamente juntadas; 23. Pela análise da tabela à folha 1031, relativa a Custos e Despesas, constatase que, do total R$ 6.923.344,47, houve a comprovação, por parte da impugnante, de cerca de R$ 4.580.063,59, conforme planilha em anexo (Doc 05 – fls. 15551556). Que as notas fiscais referentes a esse último valor serão oportunamente juntadas; Dos erros cometidos pela fiscalização Fl. 14186DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.720820/200831 Resolução nº 1301000.156 S1C3T1 Fl. 7 6 24. A Fiscalização desconsiderou os pagamentos e compensações efetuados para os débitos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); 25. A Fiscalização apurou, como valor devido, a título de CFEM, a provisão do quantum devido, quando, na realidade, a Impugnante procedia à apuração do montante efetivo devido e estornava a provisão para, em seguida, realizar o lançamento definitivo do montante devido e pago; 26. Efetuou o recolhimento do IRPJ e da CSLL através do pagamento de estimativas mensais. Dessa forma, a glosa dessas despesas é indevida. Que é indevida também pelo fato das despesas com o estes tributos não serem dedutíveis da apuração do lucro real; 27. Que faz jus ao benefício de redução do IRPJ. Analisando esses argumentos e elementos até então contidos nos autos, pronunciouse a douta 1a Turma da DRJ/BEL pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO, destacando, na ementa do acórdão proferido, o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 Ementa: DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. No caso de lançamento de ofício, não é admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento. GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO. Comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da despesa, ela deve ser excluída do lançamento baseado na falta de comprovação da mesma. CSLL. Aplicase à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em decorrência da exoneração parcial do crédito tributário constituído, consta do acórdão a específica menção à interposição do respectivo RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/72, conforme ali expressamente destacado. Após a prolação dessa decisão, mas ainda antes da intimação da contribuinte a respeito de seus termos, foi por ela então apresentado (no dia 31/08/2011) novas planilhas com documentos comprobatórios de custos e despesas por ela suportados, a serem, ainda, devidamente adicionados àqueles anteriormente apresentados, comprovando, assim, a efetiva existência das despesas registradas e, com isso, a invalidade da glosa procedida, o que, entretanto, pelo momento processual em que então se encontravam os autos, não puderam ser então devidamente analisados pela douta DRJ. Fl. 14187DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.720820/200831 Resolução nº 1301000.156 S1C3T1 Fl. 8 7 Intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão então proferida no dia 14/09/2011, foi por ela então interposto o seu competente RECURSO VOLUNTÁRIO, protocolado no dia 14/10/2011, argüindo, em apertada síntese, o seguinte: i) A existência de documentação comprobatória da regularidade dos custos e despesas faltantes, já juntadas aos autos mas não analisadas pelo julgador de primeira instância; ii) A aplicação de alíquota reduzida do IRPJ em decorrência do gozo de benefício fiscal, tendo em vista estar ela devidamente enquadrada nas hipóteses do benefício SUDAM. É o que importa relatar. Fl. 14188DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.720820/200831 Resolução nº 1301000.156 S1C3T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo regular o recurso de ofício e, ainda, devidamente tempestivo o recurso voluntário interposto, conheço de ambos os recursos. Da análise ainda que apenas sumária das circunstâncias apresentadas nos autos, verificase que a discussão aqui empreendida referese, especificamente, à (in)validade da glosa de despesas promovida pela fiscalização em decorrência da suposta não comprovação da sua efetiva realização, decorrente da suposta nãoapresentação dos respectivos documentos comprobatórios, quando da realização da fiscalização efetivada. Ocorre que, após a apresentação da impugnação foram apresentados diversos outros documentos pela contribuinte, destacando a sua existência e, com isso, a regularidade de todos os seus registros contábeis, destacando, já naquela oportunidade, a manutenção das buscas junto em seus arquivos e também junto a suas filiais, reiterando, a todo momento, a possibilidade de sua juntada posterior e, com isso, mantendo a demonstração da regularidade de suas atividades. A questão da apresentação documental nos presentes autos, de fato, é efetivamente relevante, sobretudo porque, conforme se verifica, com a documentação apresentada nos autos após a impugnação, foi determinada a conversão do julgamento em diligência pela DRJ, e, naquela oportunidade, verificada a validade dos registros contábeis da contribuinte e, com isso, a redução do crédito tributário constituído proporcionalmente aos documentos então apontados. A matéria recebida por este CARF, pelo que se verifica, fundase então – em relação ao recurso voluntário , aos montantes remanescentes das glosas efetivadas e que ainda não teriam tido a regular comprovação documental, o que, entretanto, aqui é apresentado simplesmente desconsiderando os documentos acostados pela contribuinte a partir de sua petição de fls. 11.643 e seguintes (protocolo efetivado em 31/08/2011), o que, conforme se destaca em seu recurso, seria suficiente para a comprovação da regularidade senão de todas, mas de grande parte das despesas indevidamente glosadas pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração em referência. Em face dessas considerações, e, ainda, tendo em vista a relevância da análise documental para a solução da presente demanda, cumpre ressaltar que a prolação de decisão sem a necessária apreciação dos documentos acostados pela contribuinte representaria, de fato, efetivo e inválido cerceamento ao direito de defesa, o que, definitivamente, deve ser efetivamente privilegiado no âmbito do presente processo administrativo fiscal, como forma de possibilitar, inclusive, a completa e regular apreciação do controle de legalidade do ato administrativo de lançamento efetivado. Diante dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, no sentido de determinar a baixa dos Fl. 14189DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10280.720820/200831 Resolução nº 1301000.156 S1C3T1 Fl. 10 9 autos à competente unidade preparadora, solicitando, então, a promoção da específica análise dos documentos apresentados pela contribuinte após a apontada petição do dia 31/08/2011 (fls. 11.643 e seguintes), verificandose, assim, a realização, ou não, da efetiva comprovação da regularidade das despesas apontadas nestes autos como glosadas, identificandoas e demonstrandoas em específicos demonstrativos, com vistas a possibilitar, então, a análise por esse CARF e, em caso de julgamento de procedência do recurso voluntário, possibilitando a identificação da específica matéria exonerada, nos termos, inclusive, já antes devidamente promovidos pela autoridade julgadora de primeira instância. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 14190DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904967/2012-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2003 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 67 /2 01 2- 29 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904967/201229 Acórdão n.º 3801004.513 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904967/201229 Acórdão n.º 3801004.513 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904967/201229 Acórdão n.º 3801004.513 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904967/201229 Acórdão n.º 3801004.513 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904967/201229 Acórdão n.º 3801004.513 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904967/201229 Acórdão n.º 3801004.513 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904967/201229 Acórdão n.º 3801004.513 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001392/2009-95
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não-assalariado podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com livro caixa no valor de R$ 99.870,19, nos termos do voto Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não-assalariado podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido. Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTOS DECORRENTES DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho nãoassalariado podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, até o valor do rendimento recebido. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com livro caixa no valor de R$ 99.870,19, nos termos do voto Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 13 92 /2 00 9- 95 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.001392/200995 Acórdão n.º 2801003.827 S2TE01 Fl. 480 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7a Turma da DRJ/CTA (Fls. 455), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Notificação de Lançamento lavrado contra o contribuinte acima mencionado, para exigência dos seguintes valores, relativos ao IRPF do Exercício 2006, AnoCalendário 2005: IRPF – suplementar (sujeito à multa de ofício) R$ 26.403,34 Multa de Ofício R$ 19.802,50 Juros de Mora (calculados até 30/05/2008) R$ 6.540,10 Total do Crédito Tributário Apurado R$ 52.745,94 Segundo consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 17) e o lançamento é decorrente das seguintes irregularidades: Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa no valor de R$ 99.870,79, indevidamente deduzido. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fl. 01), esclarecendo que não recebeu nenhuma intimação ou notificação prévia para esclarecimentos, que houve falha do correio na entrega de eventual intimação. Alega que recebeu receitas somente de pessoas jurídicas e que por este motivo somente apareceu despesas no livro caixa e não apareceu receitas. Aduz que os documentos escriturados no livro caixa estão no seu poder à disposição da RFB e requer a revisão dos procedimentos de fiscalização. Em 25/05/2010, a SACAT emitiu Despacho Decisório, no qual alega que o contribuinte se manifestou apenas em 30/03/2009, sendo assim, não logrou o efeito de fazer instaurar a fase litigiosa do processo administrativo. A Notificação de Lançamento foi enviada via correio, retornando devido à ausência do contribuinte, sendo em seguida providenciado a intimação por edital, tendo o prazo de até 30 dias da data de 12/09/2008. Consta, ainda, do Despacho que foi realizado o exame do requerimento tão somente em decorrência do exercício do poder de autotutela. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.001392/200995 Acórdão n.º 2801003.827 S2TE01 Fl. 481 3 Outrossim, a fiscalização entendeu que como o local dos atos e fatos jurídicos tem o mesmo endereço da empresa PARANÁ INFORMÁTICA LTDA, as despesas comuns teriam sido atribuídas a um único livro caixa, o que retiraria a credibilidade do livro caixa apresentado. Além do que o contribuinte utilizou as notas fiscais da citada empresa como de despesas, bem como não registrou honorários contábeis da empresa. Ressalta, ainda, que as notas fiscais da PARANÁ INFORMÁTICA LTDA, tem como autorização de emissão a data de 13/11/1995, bem como seu endereço não correspondente ao da empresa emitente. Por fim, informa que determinadas despesas com pagamentos foram registrados com recibos/duplicatas e não através de notas fiscais, e, ainda, não atestam se são relativas a aquisição de materiais para uso e consumo, de livros técnicos ou outra destinação. Às fls. 352, consta o Despacho 680/2010, intimando o contribuinte a recolher dentro do prazo de 30 dias o débito discriminado em anexo da intimação, sob pena de encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. Às fls. 355, o contribuinte apresenta impugnação a notificação do lançamento em complemento à impugnação 200690000001273, com as seguintes alegações: Que discorda com a glosa no valor de R$ 99.870,19, pois são despesas necessárias ao desenvolvimento da atividade que exercia como contador autônomo. Informa que mantém escritório de contabilidade individual no endereço Rua Joubert de Carvalho nº 623, Sala 706 em Maringá no período de 16/01/1997 até 05/10/2007, conforme comprovam os documentos em anexo. Alega que as seis últimas DIRPF foram verificadas pela malha fiscal, todas aprovadas, exceto a que está sendo questionada pelo motivo exposto na petição de 30/03/2009, pelo fato da intimação não ter sido entregue pelo correio. Não contesta que no seu endereço consta também a sede da empresa PARANÁ INFORMÁTICA LTDA, porém afirma que os dois contribuintes encontravamse legalizados perante os fiscos e recolheram suas contribuições. Argumenta que não há nenhum impedimento legal para a instalação de mais de um estabelecimento no mesmo endereço, uma vez que há compatibilidade com o local e região. Ressalta que pode ter acontecido de lançar, indevidamente, alguma despesa no livro caixa, mas não toda a despesa necessária a execução da atividade do impugnante conforme afirmou a Fiscalização. Informa que no local existiam 2 linhas telefônicas da Brasil Telecom em nome do requerente, porém em julho de 2005, por razões de economia foi cancelada a assinatura e passou a Fl. 481DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.001392/200995 Acórdão n.º 2801003.827 S2TE01 Fl. 482 4 utilizar os serviços da GVT em nome da Paraná Informática Ltda, mas de uso exclusivo do requerente. Afirma que as notas fiscais emitidas pela Paraná Informática Ltda foram emitidas há mais de 9 anos, mas isso não quer dizer que a empresa estava irregular, naquela época o Município de Maringá – PR não estipulava data limite para emissão de notas fiscais, que só veio a ser regulamentado pela LC 6/77, art. 80 § 6º. Em relação ao endereço constante das notas fiscais, salienta que em 22/06/1999 a empresa mudou sua sede para o mesmo endereço do contribuinte individual. Por fim, alega que a afirmação do auditor de que o livro caixa não merece crédito por: 1 – sediar uma outra empresa no mesmo local; 2 – utilizar notas fiscais desta mesma empresa como despesas; 3 – não perceber ou não registrar os honorários contábeis da citada empresa, não têm fundamento legal, ou seja, não há nenhuma legislação que proíbe, desde que as atividades sejam compatíveis como o processamento de dados e contabilidade. Aduz que os Fiscos autorizaram/homologaram o funcionamento da empresa no mesmo local do seu escritório. Em anexo, apresenta cópias das notas fiscais que deram origem ao pagamento das duplicatas relativas a despesas com impressos. Às fls. 405, consta a Comunicação nº 496/2010, no qual informa o indeferimento da solicitação protocolada em 10/08/2010, e tendo em vista a não regularização do débito, informa que o mesmo está sendo encaminhado à cobrança executiva perante a Procuradoria da Fazenda Nacional. Às fls. 412 a 414, consta o Termo de Inscrição de Dívida Ativa. Às fls. 415 a 437, consta o deferimento da liminar do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte, no qual determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a determinação para que se proceda ao recebimento da impugnação oferecida pelo impetrante, considerandoa tempestiva e instaurando o competente processo administrativo objetivando à revisão do lançamento questionado. Em 25/05/2010, a SACAT/DRF/MAG/PR propõe o encaminhamento do processo à DRJ/Curitiba para prosseguimento, tendo em vista sentença judicial `as fls. 445 a 448. Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: COMPETÊNCIA. ATIVIDADE FISCALIZADORA. Compete a autoridade administrativa apurar os fatos tal como efetivamente ocorridos, sendo tal poder da própria essência da Fl. 482DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.001392/200995 Acórdão n.º 2801003.827 S2TE01 Fl. 483 5 atividade fiscalizadora que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS À PERCEPÇÃO DOS RENDIMENTOS E À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado somente poderá deduzir as despesas previstas na legislação como necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Cientificado em 10/11/2011 (Fls. 468), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 12/12/2011 (fls. 469 a 477), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início verifico que tratao litígio de Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa no valor de R$ 99.870,79. A autoridade lançadora assim descreveu os fatos: “Dedução indevida de despesas de Livro Caixa. De acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em LivroCaixa, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vinculo empregatício, está sendo glosado o valor de R$ 99.870,79 informado a titulo de Livro Caixa, indevidamente deduzido.(pág. 20 dos autos) Por sua vez, o contribuinte afirma que a apresentação dos recibos e notas fiscais é suficiente para o afastamento das glosas. Tenho o entendimento de que, sendo o motivo da glosa pela fiscalização apenas o fato de que o contribuinte não declarou rendimentos de trabalho não assalariado, basta ao contribuinte provar que declarou tais rendimentos para restabelecer as deduções. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.001392/200995 Acórdão n.º 2801003.827 S2TE01 Fl. 484 6 Deste modo, não cabe a autoridade julgadora, seja de primeira ou segunda instância, perquiri sobre outros motivos para a manutenção da glosa, sob pena de modificação na fundamentação do lançamento. Contudo, a DRJ, por Sua vez, julgou improcedente a impugnação apresentada em razão de entender que as despesas do livro caixa não estavam comprovadas por documentação idônea que contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços para que possam ser enquadradas como necessárias e indispensáveis à manutenção da fonte produtora. Verificase, assim, que a Autoridade julgadora alterou a moldura fática utilizada pela Autoridade lançadora na feitura do lançamento, atuando aquela como se estivesse investida na função desta. Os fatos narrados, por si sós, são suficientes para anulação do lançamento e da decisão recorrida. Nada obstante, entendo prescindível a nulidade de tais atos administrativos, haja vista que, nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Passo, então, a analisar se o Recorrente declarou ou não rendimentos de trabalho não assalariado. Compulsando os autos, percebo que o Recorrente declarou ser técnico das ciências administrativas e contábeis (contador), que o mesmo declara ter recebido rendimentos de 65 pessoa jurídicas, que os rendimentos declarados de cada uma destas pessoas jurídicas são de pequena monta, e que não há declaração de Imposto Retido na Fonte. Entendo que um contador, profissional autônomo, que presta serviço para 65 empresas, recebendo honorários de pequena monta, sem retenção na fonte, não poderia estar prestando trabalho assalariado. Ademais, não existe nos autos nenhum elemento que permita inferir que os rendimentos por ele recebidos não decorrem de “trabalho não assalariado”. Razão pela qual penso que, ao contrário da fundamentação da fiscalização, o contribuinte declarou rendimentos de trabalho não assalariado e poderia deduzir despesas escrituradas em livro caixa. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com livro caixa no valor de R$99.870,19. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 484DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.001392/200995 Acórdão n.º 2801003.827 S2TE01 Fl. 485 7 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 11/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 11543.004371/2004-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.111
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/JFA (Fls. 53), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte, acima identificado, insurgiuse contra o lançamento do IRPF/2001 (anocalendário 2000) consubstanciado no Auto de Infração de fl. 06, que apurou omissão de rendimentos tributáveis e efetuou glosa do imposto retido na fonte, o que gerou crédito tributário total apurado de R$ 44.604,63. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11543.004371/200481 Resolução n.º 2801000.111 S2TE01 Fl. 524 2 Inconformado, o interessado apresentou impugnação parcial, alegando, em síntese, que do valor de R$ 92.043,59 auferido em ação trabalhista deve ser abatida a quantia de R$ 18.353,49, paga a titulo de honorários advocatícios. Ainda, alega que o imposto de renda na fonte foi retido e deve ser considerado no cálculo de sua declaração. Para instruir o pleito, o contribuinte anexou os documentos de folhas 05 a 39. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/JFA entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DESPESAS COM HONORÁRIOS'ADVOCATÍCIOS. Poderá ser.deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento de rendimentos recebidos acumuladamente, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte. GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. É de se manter a glosa do valor informado a titulo de imposto de renda na fonte quando o interessado não carreou aos autos qualquer documento que comprove a retenção de imposto. Cientificado em 26/06/2008 (Fls. 66 verso), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 03/07/2008 (fls. 67), reiterando argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, acrescentando ainda, em síntese: Ora, o recorrente apresentou impugnação no ano de 2004, e estamos no ano de 2008. O processo trabalhista sofreu alterações substanciais daquela data para frente, o que possibilita e autoriza o recorrente a juntar os documentos novos produzidos nesses autos. Todavia, para perfeita compreensão, considerando que o processo judicial consiste em atos concatenados, juntase o feito como atualmente se encontra. Requer, assim, a juntada da cópia integral do processo trabalhista, contendo todos os seus andamentos da impugnação em diante, documentos novos imprescindíveis à compreensão da situação debatida. (...) Antes de mais nada, há que se dizer que o recorrente está sendo sujeito à uma situação absurda. Pois ao mesmo tempo em que a receita pretende lhe cobrar imposto que afirma não foi retido na fonte, está executando o referido imposto nos autos do processo trabalhista! Ora, se o imposto não tivesse sido retido na fonte, como então poderia estar sendo executado no processo trabalhista, e executado contra quem de direito, ou seja, o exempregador do recorrente, responsável pela retenção e que, entretanto, não procedeu ao pagamento devido? Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11543.004371/200481 Resolução n.º 2801000.111 S2TE01 Fl. 525 3 Tratase do odioso bis in idem. A Receita cobra do trabalhador na esfera administrativa, injustamente, enquanto cobra, com justiça, na via judicial do verdadeiro devedor. (...) E a Procuradoria da Fazenda Nacional, como provado, está executando nesse exato momento o valor do IRRF, que embora retido na fonte, não foi recolhido, pois o empregador, fonte pagadora e responsável pela retenção, não entregou ao Juízo verbas suficientes. Apenas para que não reste a menor dúvida, vejamos o cálculo da contadoria do Juízo de fls. 232. (...) Pelo exposto, requer o provimento deste recurso, para reconhecer que houve, sim, retenção na fonte, e que pelo fato da Fazenda Nacional estar executando naqueles autos, e pelo fato de que, retido na fonte, a responsabilidade é da fonte pagadora, e pelo fato, ainda, de que a execução se processa de ofício na Justiça do Trabalho, seja reformada in totum a decisão recorrida, para desconstituir o lançamento efetuado. (...) Portanto, independente do que for entendido a respeito do ponto recursal lançado acima, há de se concluir que não procede o quadro realizado pela decisão recorrida. Os rendimentos tributáveis NÃO SÃO R$ 89.783,00, mas apenas R$ 42.938,37. Aliás, cometeu um grave equívoco a decisão recorrida ao dizer encontrar o valor tributável subtraindo os honorários advocatícios (R$ 18.353,49) de R$ 108.136,49. De onde os nobres julgadores tiraram esse valor de R$ 108.136,49? Após uma análise detida dos autos judiciais, chegamos à conclusão que tal valor foi encontrado em virtude do valor que foi lançado no alvará judicial de fls. 237. Todavia, data vênia, não atentou o julgado para o fato de que o valor do principal ali lançado é de somente R$ 92.043,59, sendo o restante honorários de sucumbência. Ou seja, honorários pagos pela parte contrária ao advogado da parte vencedora. (...) Sendo assim, independente do julgamento do tópico recursal anterior, requer seja reformada a decisão recorrida, para reconhecer que o valor a ser considerado para fins de rendimentos tributáveis é de somente R$ 42.938,37, conforme fixado pela Justiça do Trabalho, e considerando que tal valor foi objeto de concordância pela Fazenda Nacional nos autos judiciais, tendo em vista que, embora executando o Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11543.004371/200481 Resolução n.º 2801000.111 S2TE01 Fl. 526 4 imposto retido na fonte, jamais questionou a base de cálculo (o montante fixado pela Justiça do Trabalho como tributável). Por cautela, requer ainda que seja refutada a conta efetuada pela decisão recorrida, pois em hipótese alguma o recorrente recebeu a quantia de R$ 108.136,49. Recebeu apenas R$ 73.690,00. Os honorários de advogado foram descontados sobre R$ 92.043,59. A diferença deste valor e o valor do alvará referese a honorários de sucumbência (pagos pela parte perdedora da ação ao advogado, e não ao recorrente) lançados no alvará. (...) Quanto às multas Com o provimento desse recurso, será reconhecido: a) que houve retenção na fonte, e a Fazenda Nacional está executando o empregador, que é a fonte pagadora. Portanto, não há responsabilidade do contribuinte, devendo ser desconstituído o lançamento e referido auto de infração, declarandose nada ser devido pelo contribuinte recorrente, estando ocorrendo o fenômeno do bis in idem. b) que o valor recebido pelo contribuinte jamais foi a quantia de R$ 108.136,49, mas tão somente R$ 92.043,59, dos quais foram deduzidos honorários de R$ 18.353,49, resultando na diferença de R$ 73.690,00. c) Que o valor efetivamente tributável, assim declarado pela Justiça do Trabalho e reconhecido pela Fazenda Nacional nos autos, que executando o IRRF jamais questionou a sua base de cálculo, é de apenas R$ 42.938,37! Portanto, nada é devido pelo recorrente a título de principal, e não sendo devido principal, também não é devida nenhuma multa. Por cautela, se fosse devido algum imposto, o que se admite somente para argumentar, deveria ser calculado sobre os R$ 42.938,37. Fazendo jus o recorrente, ainda, ao desconto da declaração simplificada. Logo, a multa não é devida. E, se devida 'fosse, não poderia ser aplicada como pretendeu a decisão recorrida. É cabal a improcedência do lançamento e do auto de infração. (...) ANEXOS: Cópia integral do processo judicial, como atualmente se encontra e procuração do recorrente a este patrono. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11543.004371/200481 Resolução n.º 2801000.111 S2TE01 Fl. 527 5 De proêmio, verificase que o lançamento objeto do presente processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, denotase que a fiscalização, ao proceder a exigência tributária, aplicou a tabela progressiva anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo recorrente no anocalendário de 2000, valores estes decorrentes de ação trabalhista ajuizada contra o Sociedade Brasileira de Parafusos S/A SOBRAPA. Cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, Dje043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11543.004371/200481 Resolução n.º 2801000.111 S2TE01 Fl. 528 6 Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o acima exposto, VOTO por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/ 04/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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