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Numero do processo: 10314.001821/2011-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/02/2011, 10/02/2011
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/02/2011, 10/02/2011 JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/02/2011, 10/02/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/02/2011, 10/02/2011 JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 18 21 /2 01 1- 44 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001821/201144 Acórdão n.º 3803006.639 S3TE03 Fl. 386 3 contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/02/2011, 10/02/2011 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 09/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 29/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001821/201144 Acórdão n.º 3803006.639 S3TE03 Fl. 387 5 importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001821/201144 Acórdão n.º 3803006.639 S3TE03 Fl. 388 7 sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001821/201144 Acórdão n.º 3803006.639 S3TE03 Fl. 389 9 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10970.000917/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
VÍCIO DE FORMALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO.
Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2402-004.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício formal.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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CERCEAMENTO DE DEFESA CONFIGURADO. INVALIDADE DO LANÇAMENTO. Invalida o lançamento o vício de formalização que causa prejuízo à defesa. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício formal. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 17 /2 01 0- 71 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0934.252 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 93101, com ciência ao sujeito passivo em 20/04/2011, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.308.3173, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 10/12/2010, fl. 3. De acordo com o relatório fiscal de fl. 6265, o lançamento trata de exigência de contribuições devidas pela empresa a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salário educação e as destinadas ao INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, incidentes sobre pagamentos de diárias de viagens em valor excedente a cinquenta por cento da remuneração fixa mensal dos motoristas, no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Relata, a autoridade lançadora, que as bases de cálculo foram extraídos dos lançamentos contábeis, uma vez que o valor das diárias não foram incluídos em folhas de pagamento. Foi juntado demonstrativo dos fatos geradores contendo relação nominal dos motoristas beneficiados com o pagamento das diárias, o valor das diárias recebidas, a comparação com a remuneração mensal e o valor da contribuição do segurado deduzida a parcela já descontada da sua remuneração (Planilha 01), fl. 82112 do Processo nº 10970.000919/201060. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, falta de clareza quanto à distinção da aplicação dos percentuais de multa, quanto à apuração das diárias e quanto à fundamentação legal da aferição indireta adotada e não reconhecida pelo fisco, e, no mérito, que são válidos os seus registros contábeis e as folhas de pagamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 PEDIDO DE NULIDADE. INDEFERIMENTO. Ausente a demonstração de omissão de elemento ou requisito essencial à formação jurídica do ato, seja referente à sua forma ou a sua substância, não há que se proclamar a nulidade do Auto de Infração. CERCEAMENTO DE DEFESA Inexiste cerceamento de defesa quando os fatos geradores das contribuições e os dispositivos legais que amparam o lançamento encontramse discriminados no Relatório Fiscal e seus Anexos, possibilitando ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e. assim, permitindolhe o exercício do pleno direito de defesa. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000917/201071 Acórdão n.º 2402004.461 S2C4T2 Fl. 141 3 DILAÇÃO DE PRAZO DE DEFESA. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO . Por carência de fundamentação legal, devem ser indeferidos os pedidos de dilação de prazo para aditamento à impugnação e juntada de novos documentos aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS Compete à empresa a obrigação de arrecadar a contribuição do segurado empregado e contribuinte individual, a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em arbitramento de valores quando as bases de cálculo do lançamento foram obtidas diretamente dos documentos apresentados pela empresa, tais como escrituração contábil, documentos de caixa e folha de pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 24/05/2011, a autuada, por meio de seus representantes legais e de advogado, interpôs recurso, fl. 106120, repetido às f. 121134, apresentando suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega invalidade do lançamento por cerceamento de defesa diante da falta de demonstração numérica do cálculo do valor das diárias e de fundamentação fática e jurídica quanto ao uso da técnica do arbitramento. Argumenta que o prazo de trinta dias é insuficiente para analisar os dados da “planilha 01”, de modo que solicita prorrogação do prazo para complementação da defesa e apresentação de provas, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Alega que a autoridade lançadora desconsiderou formais registros contábeis da recorrente, ainda que específicos ao lançamento, presumiu a ocorrência do fato gerador e arbitrou o crédito tributário adotando a metodologia de cálculo narrada no relatório fiscal. Acrescenta que não questiona a utilização do critério de presunção e arbitramento, mas discorda da ausência da descrição, no relatório fiscal, do uso do arbitramento, dos critérios adotados e do correspondente fundamento legal. Justifica sua tese afirmando que constitui arbitramento considerar pagamentos realizados a título de contraprestação de despesas operacionais como se salários fossem, contrariando os registros contábeis e fiscais da empresa. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Cita decisões administrativas reconhecendo a nulidade do lançamento por falta de fundamentação legal do arbitramento. No mérito, alega que o fato tributado se refere a reembolso de despesas de viagem e ajuda de custo concedida aos motoristas, de natureza jurídica indenizatória, conforme julgado do TST que colaciona. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000917/201071 Acórdão n.º 2402004.461 S2C4T2 Fl. 142 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de invalidade do lançamento. Demonstração da base de cálculo. A controvérsia se refere à insuficiente demonstração dos dados quantitativos que compõem a base de cálculo do lançamento. Os fatos tributários considerados no lançamento são os pagamentos de diárias apurados com base na contabilidade da empresa, nos lançamentos contábeis efetuados nas contas nº 3.1.01.01.0001, denominada “venda de mercadorias mercado interno”, com código reduzido “392”, e conta nº 4.1.02.01.0004, denominada “viagens na distribuição”, com código reduzido “326”. Os pagamentos a título de diárias foram extraídos dos lançamentos contábeis efetuados na conta 326, e nessa conta, em regra, o histórico do lançamento vincula a diária ao número da carga. A fiscalização desconsiderou, para fins de apuração do valor de diárias, os lançamentos registrados nessa conta contábil referentes a acertos pendentes, prestação de contas, estornos de lançamentos e, ainda, as viagens sem número de carga. A diária é devida na data da viagem ou na data da emissão da nota fiscal da mercadoria transportada, momento da ocorrência do fato gerador. Como a data do lançamento contábil nem sempre coincide com a data da viagem, a fiscalização, com base no número da carga, identificou, na conta 392, a data da viagem que gerou o pagamento da diária. A “planilha 1”, acostada aos autos, consigna o resultado obtido desse processo analítico, qual seja, o valor total devido a título de diárias aos motoristas no período do lançamento. Vêse que, para chegar ao valor das diárias devidas aos motoristas na competência da viagem adotouse um método que envolveu a análise qualitativa e quantitativa de diversos lançamentos contábeis, sendo que somente o resultado deste processo foi demonstrado. Com efeito, a “planilha 1” apresenta valores agrupados, não há demonstração analítica do resultado anunciado, dos valores individuais que compuseram o total das diárias, os lançamentos contábeis originários não estão identificados e não ficou demonstrada a relação entre a data do registro contábil e a competência do lançamento tributário. Entretanto, ao contrário do alegado, esse defeito não atinge o fato gerador do lançamento porque não é suficiente para infirmar quaisquer dos elementos da regra matriz de incidência ou da relação tributária. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Conforme ficou consignado no processo nº 10.970.000919/201060 (mesmo fato gerador, mas relativo à parte patronal), os documentos juntados àquele processo (recibos de pagamentos e fechamentos de viagens) confirmam o fundamento jurídico do lançamento, pois demonstram que as diárias não estão sujeitas à prestação de contas, não possuindo, portanto, caráter ressarcitório. De todo o exposto é possível afirmar que o vício apontado alcança somente o documento de formalização do crédito tributário (auto de infração). Tratase, portanto, de vício formal, conforme explica Paulsen1: Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei. A formalização insuficiente dificulta a análise do processo a ponto de inviabilizar o contraditório, cerceando o direito de defesa do sujeito passivo. Constatado o prejuízo, cabe reconhecer a nulidade do ato viciado, conforme preconiza o art. 55 da Lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Por incompatibilidade, deixo de apreciar o mérito. Por fim, é recomendável a realização de lançamento substitutivo. Conclusão Com base no exposto, voto por anular o lançamento por vício formal. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora 1 Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10283.006799/2003-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 31/12/1998
UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. DOLO. OCORRÊNCIA.
Mostra-se dolosa a conduta deliberada de falsear ou ocultar a verdade mediante a utilização de documentos sabidamente contrafeitos para realização do desembaraço aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus.
IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO.
A utilização de documentos comprovadamente falsos para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente em entregar a consumo, ou consumir produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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E SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1998 ATO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Na esteira do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, os vícios que acarretam a nulidade dos atos decisórios são a incompetência da autoridade prolatora e a preterição do direito de defesa, o que, em não se verificando, importa a plena validade do ato administrativo. Outrossim, não se vislumbra cerceamento do direito de defesa quando é franqueado ao contribuinte o acesso a todos os documentos que instruem o processo de exigência do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1998 DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. APLICAÇÃO. O prazo para o exercício do direito à constituição/formalização dos créditos tributário, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, contase na forma do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, quando inocorrente hipótese de dolo, simulação ou fraude, ao contrário, quando constatado qualquer destas situações o tratamento dispensado se regula pelo art. 173, I do mesmo diploma legal. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 31/12/1998 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Mostrase dolosa a conduta deliberada de falsear ou ocultar a verdade mediante a utilização de documentos sabidamente contrafeitos para realização do desembaraço aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 67 99 /2 00 3- 23Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de documentos comprovadamente falsos para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente em entregar a consumo, ou consumir produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Versa o presente processo sobre lançamento de multa regulamentar prevista no art. 83, caput e inciso I, da Lei n° 4.502/1964, alterada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/68. Tendo em conta a riqueza de detalhes e a necessária transcrição minuciosa dos fatos ensejadores do lançamento, para confecção do presente aresto, adoto o relatório da decisão de primeiro grau administrativo, verbis: “Segundo a descrição dos fatos objeto do auto de infração em evidência (fls. 02/17), assim como dos relatórios constantes às fls. 30/33 e 61/65 dos autos, o lançamento foi motivado, em síntese, pela ‘falsificação/adulteração de invoices e de conhecimentos de carga ...’ e em virtude da constituição fraudulenta das pessoas jurídicas TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda e SDW Serviços Empresarias Ltda. Os fatos que levaram a essa conclusão foram detalhadamente descritos no auto de infração e nos relatórios acima Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 11 3 referenciados, cuja reprodução dos principais excertos se faz necessária para a plena compreensão da realidade fática que ensejou a formalização da exigência contra as autuadas. Peço vênia, pois, para a reprodução das partes principais do trabalho fiscal elaborado pela autoridade lançadora, in verbis: 1 – PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR – CONSUMO OU ENTREGA A CONSUMO As autuadas, TCE INDUSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. (denominada a seguir como "TCE"), SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. (referida aqui como "SDW") e WILSON LOGISTICS DO BRASIL LTDA. (doravante denominada de "Wilson"), consumiram e/ou entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente. A fraude consistiu, principalmente, na falsificação/adulteração de invoices e de conhecimentos de carga (também chamados de conhecimentos marítimos ou de "B/L") e na constituição fraudulenta das duas primeiras autuadas. As infrações constatadas e provadas nesta peça são de 1998. (...) ANALISANDOSE AS INFORMAÇÕES CONSTANTES DAS FOLHAS CITADAS, NOTARSEÁ QUE AS AUTUADAS TCE E SDW ERAM GERIDAS POR UM MESMO GRUPO DE PESSOAS E QUE FORAM CONSTITUÍDAS PARA FRAUDAR O ESTADO. AS CONSTATAÇÕES ALUDIDAS NAS FOLHAS ELENCADAS FAZEM PARTE DESTA DESCRIÇÃO DOS FATOS, SENDO IMPRESCINDÍVEIS À INTELIGÊNCIA DOS FATOS. (...) Às fls. 397, vêse que a primeira razão social da WILSON, denominada então COMBINED TRANSPORTES DO BRASIL LTDA e, posteriormente, em 1996, de COMBINED LOGISTICS DO BRASIL LTDA. A falsificação/adulteração dos conhecimentos marítimos aconteceu quando a empresa transportadora detinha este último nome social. Diversas infrações cambiais e fiscais, além de crimes, foram cometidas pelas empresas auditadas, razão da lavratura deste Auto de Infração com fundamento, principalmente, no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, no art. 1°, alteração 2ª, do DecretoLei n° 400/1968 regulamentado pelo art. 463, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), in verbis: (....) Assim, ficam os autuados sujeitos solidariamente ao pagamento de multa regulamentar de R$ 282.177,02 (duzentos e oitenta e dois mil, cento e setenta e sete reais e dois centavos), equivalentes ao valor da mercadoria, conforme demonstrativo anexo (fls. 235). Como paradigma de atuação, com relação à TCE e à SDW, destaquese que a ousadia e a fé na impunidade levavam os fraudadores a falsificar/adulterar invoices de diversas empresas, inclusive de grupos transnacionais famosos mundialmente. Para comparar e comprovar, dentre outras provas, apresentamos as invoices falsificadas e adulteradas (fls. 50/53) do Grupo General Eletric Company (GE). As respectivas vias originais/verdadeiras dos documentos internacionais estão juntadas às fls. 54/57. Às fls. 58, há uma fatura falsa/adulterada da Samsung Eletreco Mechanics Co., Ltd. A original/verdadeira está às fls. 59. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 No item "3", será elucidada a questão da falsificação/adulteração das invoices e dos B/L, que basearam os despachos aduaneiros auditados, necessitando se, agora, apenas, explicar que os documentos estão agrupados em jogos numerados de 1 a 3 (conforme demonstrativo às fls. 235), sendo que os jogos de documentos apresentam a invoice falsa assinaladas com letra "A", a original/verdadeira com o vocábulo "B", o packing list regular com "C", a Declaração de Importação correlata com o signo "D", o conhecimento verdadeiro com "E" e o falso com “F”. No mesmo item “3”, inquirida, a GE Plastics afirma que não emitiu as faturas internacionais falsificadas, ou seja, comprovadamente, foi a TCE/SDW quem o fez. Todas as vias falsificadas/adulteradas ("A") seguem o MODELO TIPOGRÁFICO, às fls. 60, PARA A FALSIFICAÇÃO/ADULTERAÇÃO, não trazendo quaisquer verossimilhanças com as originais/verdadeiras ("B"). É muito fácil comprovar as fraudes ocorridas, bastando para isso cotejar as invoices grafadas com código "A" – que são as falsas/adulteradas utilizadas para desembaraçar as mercadorias estrangeiras com as assinaladas com "B", as originais/verdadeiras, emitida pelo exportador. As diferenças são gritantes. Comparando da mesma forma, verificarseá que a via “E” do conhecimento de carga é diferente da via “F”. A ousadia dos fraudadores é tanta que os documentos estavam arquivados juntos quando foram apreendidos em obediência ao Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.45953. O esquema utilizado para a feitura das infrações e crimes apurados neste Auto de Infração segue o mesmo roteiro já identificado em outras ocorrências anteriores, tendo por intuito, sempre, fraudar os cofres públicos. Atua nele o mesmo grupo de pessoas físicas, sócias em várias indústrias importadoras localizadas na ZFM, entre elas estão TCE e a SDW. O restante delas, configurando uma grande rede, está listado, por sócio, das fls. 408 às fls. 437. Como nos despachos aqui auditados, em algumas ocasiões havia também falsificação/adulteração de B/L, com o envolvimento do transportador das cargas nos episódios irregulares. As empresas TCE e SDW têm os mesmos sócios vinculados a outras empresas fraudadoras do regime da ZFM, que, também, por meio da emissão de invoices e de conhecimentos marítimos falsos, tal qual agiram as autuadas neste caso, introduziram mercadorias estrangeiras irregularmente no país, consumindoas e/ou entregandoas para consumo posteriormente. Como exemplo das vinculações existentes, além de as empresas TCE e SDW funcionarem no mesmo local físico, citese o fato de o Sr. Isaac Sverner, figura central na constituição de sociedades que cometeram vários ilícitos na Zona Franca de Manaus, ser sócio majoritário da empresa TCE. Complementando o esquema, um dos sócios da SDW, Sr. Raphael Ades, mantém vínculo familiar com o Sr. César Ades, parceiro do Sr. Isaac Sverner na TCE. É um ciclo fraudador e vicioso. A bem da verdade, conforme se constata na cláusula 45, do contrato social da empresa SDW (fls. 157/158), esta era administrada pelas mesmas pessoas responsáveis pela TCE. Tais vinculações serão abordadas no tópico “1.2” adiante. ____________________________________________________________________ 1 – DA RESPONSABILIDADE DOS AUTUADOS. Os dois autuados TCE e SDW, materialmente, são uma só pessoa jurídica, daí a necessidade de autuálas conjuntamente. Esta afirmação será provada nos itens 1.1 e 1.2 adiante. Por conseguinte, a empresa Wilson, simbioticamente, mancomunandose com as primeiras e emitindo vias adulteradas/falsificadas de conhecimentos marítimos, possibilitou, assim, a efetivação das fraudes apuradas. A Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 12 5 responsabilidade da WILSON e outras nuanças da falsificação/ adulteração dos B/L objeto deste procedimento serão explicados no item "4". A seguir estão os dispositivos legais, vigentes à época dos fatos, utilizados para capitular as ações irregulares, nos quais vêse, dentre outras constatações, que a infração tributária é objetiva: (...) 1. 1 – SIMULAÇÃO, FRAUDE e DOLO NA CONSTITUIÇÃO E GERÊNCIA DAS AUTUADAS TCE e SDW. Como já destacado, AS SIMULAÇÕES, FRAUDES E DOLO TAMBÉM ESTÃO PROVADOS DAS FLS. 30 ÀS FLS. 49, QUE SÃO PARTE INTEGRANTE DESTE AUTO DE INFRAÇÃO. Desta Forma, de acordo com as verificações oferecidas no parágrafo anterior e as seguintes, a Fiscalização prova inequívoca e inexoravelmente que as empresas SDW e TCE são uma única entidade privada, ou melhor, são uma só empresa a mesma unidade econômica , formalizada desta forma bipartida tão somente para usufruir duplamente os saldos de importação autorizados pela Suframa, por meio de aprovação de 2 (dois) Processos Produtivos Básicos (PPB) distintos e para fraudar o Erário. Corroborando, reproduzemse aqui os seguintes excertos do Auto de Infração 0227600/0285/00 (fls. 183 a 234), lavrado em 06/12/2000, originador do PAF 10283.011345/200023 na Alfândega do Porto de Manaus, destacandose os itens "2" e "5": "No curso da ação fiscal desenvolvida no estabelecimento do contribuinte acima identificado, para verificação das operações de importação industrialização e internação, processadas ao amparo do DecretoLei N° 288/67, com as alterações da Lei N° 8.387/91, constatamos os fatos a seguir expostos, referentes aos anos calendários de 1997, 1998 e 1999: 1. A empresa produz e interna para fora da ZFM, utilizando no cálculo do DCR e componentes (...) que são adquiridos da empresa SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda. CGC 84.658.855/0001 02, declarandoos como componentes nacionais, 2. Ocorre que em trabalho de vistoria às instalações fabris, verificamos que as duas empresas estão instaladas basicamente no mesmo endereço, Rua Içá, N° 21, em prédios contíguos, localizados dentro da mesma área, compartilhando, além da dependência administrativa no tocante aos funcionários burocráticos, o portão de entrada e saída, pátio de estacionamento de veículos, área de carga e descarga de insumos e produtos. As linhas de produção, embora autônomas, possuem comunicação interna entre os prédios. 3. A matéria, contemplada no Parecer CST N° 88/75, estabelece que para ser considerada a duplicidade de estabelecimento se faz necessário que os prédios estejam situados em áreas descontínuas, separadas por via pública (ruas, avenidas, rodovias, ferrovias, etc). Acrescente ainda que a descontinuidade geográfica, obrigando o intercâmbio de produtos por via pública, é bastante para caracterizar a duplicidade de estabelecimento respondendo cada um pelas obrigações fiscais próprias. 4. Da presente situação chegase às seguintes constatações: a) As empresas, TCE e SDW, no desenvolvimento de seus projetos, estão agindo como ‘coligadas’, contrariando, o procedimento citado no item 1, a regra jurídica estabelecida pela Lei N° 8.387/91; Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 b) Ressaltese que a expressão ‘coligada’ empregada na retrocitada lei deve ser interpretada no sentido do art. 111 da Lei N° 5.172/66, isto é, usandose a interpretação literal; (...) 5. Concluise que, ao promover as internações (...), a empresa utilizou se indevidamente do beneficio fiscal integral referente às Placas mencionadas, produzidas pela SDW Componentes e declaradas como nacionais quando, deveria acrescer o Imposto relativo (...)". (...) Para não haver repetição, ressaltese que esta peça infracional se fundamenta, em um dos seus pilares, na alegação, antes reproduzida, de que, comprovadamente, a SDW e a TCE são uma só empresa, formalizadas por pessoas físicas vinculadas entre si, conforme será demonstrado no tópico 1.1 e 1.2 desta peça. Entretanto, vale reproduzir o parágrafo único, da cláusula 45, do contrato social da empresa SDW, que, no caput, nomeia como diretores delegados, para exercerem o comando administrativo da aludida empresa, as mesmas pessoas físicas responsáveis pela TCE (fls. 157), eilo: (...) Ou seja, de fato, as empresas TCE e SDW, além de funcionarem no mesmo endereço, utilizando as mesmas instalações industriais, tinham como administradores as mesmas pessoas. Tratase, na verdade, de simulação, fraude e dolo para lesar a economia nacional. Além de ambas as empresas haverem realizado suas atividades concomitantemente em um único imóvel de propriedade do grupo empresarial CCE, cujo sócio majoritário é também o principal quotista da TCE, Sr. Isaac Sverner, corroborando a constatação de que as empresas foram constituídas para usufruírem ilegalmente dos benefícios da Zona Franca de Manaus, há também os anexos relatórios de Diligência Fiscal (fls.61 às 182), dos quais constam as seguintes informações, dentre outras: “( ... ) as pessoas jurídicas SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda e TCE Indústria Eletrônica da Amazônia S/A estavam estabelecidas no mesmo imóvel, tratandose, de fato, ser uma única empresa”. “O endereço 21A, supostamente pertencente à SDW, não existe, sendo na realidade, um único imóvel com divisões internas, ocupadas por essas pessoas jurídicas”. "O imóvel encontrase, atualmente, sublocado à pessoa jurídica WMTM Equipamentos de gases Ltda pelo Sr. Romero Reis, conforme contrato de sublocação; Por sua vez, o Sr. Romero é locatário do imóvel locado pela CCE da Amazônia S/A, proprietária do imóvel, conforme contrato de locação apresentado." Arrematando, um dos relatórios assim concluiu "Considerandose os dois endereços em que estiveram estabelecidas, num mesmo período de tempo, somado às declarações do Sr.WILSON CÉSAR DA C. COUTO, e também a inveracidade da existência do endereço de número 21A, verificamse indícios de que havia, SMJ, um propósito fraudulento na atuação das pessoas jurídicas supra, pelo artifício de passarse por empresas distintas." A (sic) imisção entre a empresa SDW e TCE fica mais uma vez provada quando se verifica os documentos relativos ao jogo de número 3. Analisandoos, notase que a fatura verdadeira (fls. 321), o Packing list original (fls. 322) e a Declaração de Importação (fls. 323/365) estão em nome da SDW. No entanto, a via falsa da fatura (fls. 311/320) em nome da TCE. Pior ainda: o conhecimento Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 13 7 grafado como “ORIGINAL” está “TO ORDER” (fls. 366), enquanto que da outra via – falsa/adulterada – consta a SDW como proprietária (consignatária) das mercadorias (fls. 367). Os dois últimos emitidos pela WILSON. Não existe justificativa legal possível para essas incongruências que não seja a fraude. Repisese, a TCE e a SDW são uma única empresa, um bloco monolítico, com sócios vinculados entre si, que funcionava no mesmo espaço físico, sendo formalizadas com o intuito de obter benefícios fiscais por meio de crime, no mínimo. No caso referido, houve ainda a participação do transportador das cargas, a WILSON, falsificando e adulterando o B/L, fato este que ocorreu nas três operações aqui auditadas. Como já afirmado anteriormente, ressaltese, a formalização das duas empresas TCE e SDW visava somente a facilitar a fruição dos benefícios fiscais disponibilizados para Manaus, não consubstanciado existência de duas empresas separadas, autônomas e independentes, ou coligadas. Tratase de simulação objetivando fraude fiscal e cambial. Destaquese: os documentos coligidos neste Auto de Infração foram encontrados e apreendidos no mesmo endereço, resultando na constatação de que até os arquivos das empresas eram o mesmo, ou seja, independentemente da empresa à qual pertenciam, os documentos eram guardados juntos. É a crença irrefutável na ausência do poder de punição do Estado, de que nunca haveria punição. (...) 2.2 – DAS VINCULAÇÕES EXISTENTES NOS QUADROS SOCIETÁRIOS DA SDW E TCE. No que tange à responsabilidade dos sócios das empresas SDW e TCE, emergem vinculações e informações, as quais, sincronizadas, significam que as pessoas físicas constituidoras das jurídicas autuadas, que são uma só empresa, planejaram e realizaram os atos ilegais aqui delatados para lesar o estado e a economia nacional. Vejamos as comprovações fáticas: a) todos os sócios têm vinculação (familiar e/ou empresarial) entre si; e b) o imóvel no qual funcionavam as empresas autuadas pertence ao Grupo CCE, cujo proprietário majoritário, Sr. Isaac Sverner, também é sócio principal da TCE. Verificandose os documentos e relatórios juntados a este Auto de Infração, notarseá a conjugação das mesmas pessoas jurídicas e físicas, todas envolvidas na feitura de graves fraudes ao regime da Zona Franca de Manaus e à economia nacional, trazendo, assim, prejuízos sociais irreparáveis a sociedade, são elas, agrupadas conforme os laços familiares: ==================================================== SR. ISAAC SVERNER CPF 004.843.85887 (fls. 5.293/5.296 sócio da DM, CCE, TCE, entre outras) SR. ROBERTO SVERNER CPF 038.331.75842 (fls. 5.297/5.298 diretorpresidente da SDW). ==================================================== SR. RAPHAEL ADES CPF 118.087.50870 (fls. 5.299/5.301 sócio da TCE, Diretor/sócio da SDW e parceiro do Sr. Sverner em outras empresas) SR.CÉSAR ADES CPF 044.593.26868 (fls. 5.302/5.305 sócio SDW) ==================================================== SR. VITTORIO DANESI CPF 008.292.71899 (fls. 5.320/5.322 acionista da TCE) SR.ROMEO DANESI CPF 674.210.91515 (fls. 5.315/5.317 sócio SDW) Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 SRa. CLEYS DANESI CPF 028.306.81835 (fls. 5.312/5.315 acionista e diretora da SDW) ==================================================== SR. NELSON SANY WORTSMAN CPF 209.747.01815 (fls. 5.305/5.308 acionista TCE, Diretor SDW) SR. FABRIZIO WORTSMAN CPF 212.734.22830 (fls. 5.309/5.311 acionista SDW) ==================================================== SR. CHRYSSOSTOMOS TSANTULAS CPF 023.814.19853 (fls. 5.318/5.319 sócio Gerente TCE). ==================================================== Digase que No mesmo imóvel onde funcionaram a TCE e a SDW funcionou a empresa "Associação de Tecnologia da Informação". Lendo o contrato Social desta Entidade, das fls. 161 às fls. 182, vêse que ela é fruto da articulação das mesmas pessoas citadas antes, somadas ao Sr. Jesus Manuel Casal Pan, CPF 809.259.52834, ativo administrador das empresas SDW e TCE, conforme os dados às fls. 30/49. (...) 2 – DO PRAZO DECADENCIAL Inicialmente, esclareçase que este auto de infração resulta de verificação de cometimento de infrações e crimes, afastando, de plano, a materialização da decadência, pois o dies a quo se desloca para a hipótese geral do art. 173, I, do CTN (primeiro dia do ano seguinte), quando há fraude, dolo ou simulação. O motivo deste enquadramento, em contraponto ao disposto no art. 150, § 4° do CTN, relacionase com o fato de o sujeito passivo ter se pautado em procedimentos ilegais para realizar as operações aqui auditadas. Assim, "Restando caracterizado o evidente intuito de fraude, as regras de decadência do art. 150 deslocamse para as do art. 173 do CTN”... (...) Com efeito, este Auto de Infração, a despeito de as autuadas terem efetivado inúmeras operações com o mesmo modus operandi, abarca, apenas, as declarações de Importação registradas no ano de 1998, haja vista a peculiaridade dos dispositivos legais antes mencionados. 4) DA FALSIFICAÇÃO DE FATURA COMERCIAL INTERNACIONAL (INVOICE) documento necessário ao desembaraço aduaneiro. A falsificação de faturas comerciais internacionais (invoices), visando obter o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas com os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus, caracteriza o evidente intuito de fraude, por meio de dolo e simulação. (...) Embora já tenha sido explicado antes, dos jogos de documentos, numerados e relacionados da planilha (fls. 235), parte deste Auto de Infração, consta um código alfanumérico. As vias grafadas com a letra "A" são as invoices falsificadas/adulteradas, que seguem o modelo tipográfico às fls. 60. As com "B" são as originais/verdadeiras das faturas internacionais. As vias “C” são os Packing List correlatos à fatura original. As codificadas com "D" são as Declarações de Importação (DI), emitidas quando do registro da importação no Siscomex para o despacho aduaneiro e subsidiadas com a via falsificada/adulterada. As vias com "E" são os conhecimentos marítimos originais, enquanto que aquelas grafadas com “F” são as adulteradas/falsificadas. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 14 9 (...) Assim, facilmente, verificarseá que todos os documentos falsos ("A") têm sempre, tal a certeza de impunidade dos infratores, o mesmo modelo tipográfico, às fls. 60, como já aludido. O processo de falsificação das invoices é grosseiro. Há mixórdia de línguas nos documentos internacionais falsificados/adulterados. Indistintamente, ora se usa o inglês ora o português, ou seja, a despeito de os exportadores estarem situados em países diferentes e de serem as faturas emitidas de acordo com a legislação vigente de cada país, o layout utilizado para a falsificação nunca sofria modificações. Por outro lado, os B/L adulterados/falsos “F” são, dentre outros aspectos, são (sic) diferentes dos verdadeiros no que tange à propriedade das mercadorias. Esse fato se dava para facilitar a mudança de propriedade entre a SDW e a TCE sem os requisitos legais, de acordo com a conveniência para falsificação/adulteração da invoice em contrapartida aos saldos disponibilizados pela Suframa. A descrição das mercadorias nas invoices falsas/adulteradas (A), sempre, em língua portuguesa, é exatamente aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) aprovado pela Suframa. Eis aí um dos motivos de fraude: fazer as mercadorias se enquadrarem no processo produtivo básico (PPB) aprovado pelo órgão anuente citado. Porém, das invoices verdadeiras (B) consta descrição genérica e não explicativa. (...) Provando mais uma vez a falsificação/adulteração, o escritório da Receita Federal nos Estados Unidos (fls. 27) e a Procuradoria da República no Amazonas (fls. 26) remeteram à GE, questionamentos sobre a emissão das invoices (fls. 54/57), das quais constam a marca oficial e a suposta subscrição oficial de funcionário daquela empresa. Não restando dúvidas, desta forma, quanto às falsificações/adulterações realizadas, grosseiramente, pelas autuadas, a GE Plastics assim respondeu, fls. 28/29: "As três faturas que Vsas. anexaram à carta não são as faturas originais que a GE Plastics apresentou ao Banco Boa Vista INTERATLANTICO para estas três transações de importações. (...) Enquanto estas faturas estão aparentemente corretas no total, há erros administrativos que ressaltamos na planilha anexa. Note que algumas das nomenclaturas de cor do produto estão incorretas e alguns dos dados de peso estão em libras aos invés de quilogramas." Alertese que a fatura comercial internacional, também chamada de invoice, não se relaciona com a fatura comercial nacional, pois a primeira é emitida, também, conforme as regras legais vigentes no país do exportador que a emitiu. Sobrepõemse a elas as regras da legislação brasileira quando o importador é localizado no Brasil. (...)’ Cientificadas do lançamento em 15/12/2003 (fls. 01), as autuadas insurgiramse contra a exigência, tendo apresentado as impugnações acostadas às fls. 449/479 (em 13/01/2004, em nome da empresa Wilson Logistics do Brasil Ltda., doravante Wilson), e 510/536 (em 14/01/2004, referente às empresas TCE Indústria Eletrônica da Amazônia Ltda., a seguir denominada simplesmente de TCE, e SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda., ou, simplesmente, SDW). Com respeito à pessoa jurídica SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda., referenciada na segunda impugnação, tratase da antiga denominação social da empresa, uma vez que a mesma fora alterada para SDW Serviços Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Empresariais Ltda., conforme 15ª alteração do contrato social, acostada às fls. 560/577 dos autos. Impugnação apresentada pelas autuadas TCE e SDW A seguir, serão relatados os argumentos trazidos pelas autuadas TCE e SDW, conforme impugnação de fls. 510/536. As alegações da empresa Wilson serão abordadas na seqüência. Assim, na impugnação de fls. 510/536, após ter sido feito um breve relato dos fatos, são aduzidas várias razões em desfavor do lançamento objeto da lide, abaixo discriminadas: 5.1. alegam, inicialmente, que “as supostas infrações consubstanciadas no AIIM não ocorreram”, tendo a autuação se baseado em “meros indícios e não em provas efetivas das situações descritas pelos Srs. Agentes no AIIM sob censura”; 5.2. asseveram que “não há qualquer irregularidade do ponto de vista societário quanto à constituição e a gerência das empresas autuadas”, uma vez que tais empresas teriam sido “constituídas e geridas em conformidade com a lei”; 5.3. no tópico II.1 de sua impugnação, as litigantes se contrapõem preliminarmente contra a contagem do prazo decadencial baseada no art. 173, I, do CTN, dispositivo o qual, conforme sustentam, só poderia ter sido aplicado nos casos de dolo, de fraude ou de simulação, hipóteses estas que estariam ausentes no presente caso; assim, a contagem do prazo decadencial deveria ter se baseado no art. 150, § 4°, entendimento este fundado em doutrina de Luciano da Silva Amaro e em jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ, reproduzidas às fls. 514/516 dos autos; diante disso, requerem seja acatada a preliminar de decadência argüida pelas impugnantes, determinando o cancelamento da exigência consignada no auto de infração sob censura; 5.4. no item II.2 de sua defesa, as recorrentes argúem a nulidade por cerceamento do direito de defesa; com respeito ao citado tema, defendem o seguinte: a) asseveram que a lavratura do auto de infração fora baseada na documentação apreendida em função do mandado de busca e apreensão expedido nos autos do processo n° 2003.32.45953, documentação esta que não mais se achava nas sedes dos estabelecimentos das impugnantes em Manaus, vez que se encontravam “em poder das autoridades fiscais e do Ministério Público Federal”; todavia, conforme alegam, tais documentos não chegaram a ser devolvidos às autuadas após a lavratura do auto de infração, o que implicaria em “nítida ofensa ao princípio constitucional que garante a ampla defesa”, previsto no artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal; nesse sentido, trazem respeitável doutrina de Celso Ribeiro Bastos e de Manoel Gonçalves Ferreira Filho, reproduzidas às fls. 518/519 do presente procedimento fiscal, reforçando ainda sua tese com os seguintes argumentos: Com efeito, considerando a injustificada manutenção da apreensão da documentação pelas autoridades, é induvidoso o prejuízo à defesa imposto às Impugnantes. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 15 11 Não se pode admitir que para a continuidade da defesa no âmbito administrativo, à luz do princípio constitucional que assegura o contraditório, se admita que as Impugnantes se vejam obrigadas a impugnar as supostas alegações de fraude formuladas pela d. fiscalização sem a possibilidade de apresentação de provas que denotem a inexistência de fraude nas operações de importação realizadas no período de 1998. b) na seqüência, trazem à lide jurisprudência do 1° e do 2° Conselho de Contribuintes, transcritas às fls. 520 dos autos; 5.5. numa nova linha de argumentação (vide item II.3 da impugnação), reforçada por jurisprudência do 3° Conselho de Contribuintes (vide fls. 523), alegam as suplicantes que haveria nulidade também em virtude das provas terem sido obtidas por meios ilícitos, em infração ao disposto no inciso LVI, do art. 5°, da Constituição Federal; assim, segundo afirmam, a nulidade do auto de infração seria decorrente dos “procedimentos adotados pelas autoridades policiais em diligência nas dependências das Impugnantes”, uma vez que, quando do cumprimento do mandado de busca e apreensão, tais autoridades não teriam observado os requisitos constantes do art. 240 e seguintes do Código de Processo Penal, conforme asseveram, textualmente: No caso, novamente é patente a violação de garantias constitucionais (contraditório e a ampla defesa) face à inexistência de nenhum representante legal das empresas autuadas no momento da apreensão de toda a documentação utilizada para a lavratura do presente AIIM. Para tanto, vale observar a inexistência de assinatura ou ciência por parte dos detentores da documentação apreendida (representantes legais das pessoas jurídicas TCE e a SDW) no Termo de Arrecadação presente às fls. 128/129 do processo de busca e apreensão mencionado (Doc. 05). Além disso, não foram relacionados os documentos apreendidos, conforme determina o art 245, § 7°, do Código de Processo Penal. Apenas foram genericamente descritos, tais como “item 6 6 (seis) caixas de documentos SDW”, “item 8 2 (duas) pastas de balancetes”, “item 10 2 (dois) engradados com documentos diversos”, sem a especificação necessária de quais e quantos documentos se tratavam, e à quais empresas pertenciam (sic). 5.6. ao iniciarem a parte relativa ao mérito, ressaltam que o lançamento fora baseado em meras presunções, não existindo nexo causal entre os fatos descritos na autuação e os dispositivos legais infringidos; nesse sentido, defendem a impossibilidade de caracterizar a fraude pela simples existência de duas faturas comerciais ou conhecimentos de transporte, a não ser através da presunção, o que seria vedado no âmbito do processo administrativo fiscal, argumento o qual se fundamenta no art. 142 do CTN, assim como em doutrina transcrita às fls. 525 dos autos; 5.7. defendem ainda que as mercadorias importadas teriam sido regularmente desembaraçadas, nos termos do art. 515 do Regulamento Aduaneiro, e que suas importações estariam em conformidade com as informações contidas nas declarações de importação, invoices e packing lists; Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 5.8. com base no art. 13 da IN SRF n° 69/96, argúem que “o único documento que ampara e evidencia a operação de importação é a declaração de importação devidamente registrada no SISCOMEX, e não as faturas comerciais que tratam apenas de documentos secundários que não possuem validade formal para caracterizar ou descaracterizar operações dessa natureza”; nesse sentido, e com base em acórdão do STJ (HC n° 4.307SP – fls. 527/528), defendem que a fraude só poderia ser caracterizada no caso de adulteração da DI ou do correspondente Pedido de Licenciamento da Importação – PLI, e que o desembaraço afastaria a hipótese de “entrega a consumo de mercadorias importadas irregularmente ou de forma fraudulenta, ao contrário do que alega a d. fiscalização”; 5.9. em seguida, as autuadas afirmam que as declarações prestadas pela GE Plastics comprovariam apenas a existência de erros de preenchimento, e não fraude; neste ínterim, destacam que dita declaração (fls. 28/29 dos autos) informaria que “apesar de diferenças nas faturas comerciais emitidas, "estas (as faturas) refletem com precisão o valor total de dólares das transações””; afirmam ainda que em ambas as faturas a unidade de peso utilizada seria o Kg, e que o intuito de fraudar só poderia ser demonstrado se tal unidade houvesse sido modificada para, por exemplo, (sic) “kilo, libras ou quilogramas”; 5.10. ainda sobre o tema, destacam que “se os documentos fiscais supostamente apontados pelas autoridades fiscais como ‘invoices ou B/L falsas’ apresentam tão somente erros ou equívocos quando do seu respectivo preenchimento, sem adulterar contudo os valores da transação, a única conclusão a que se pode chegar é no sentido da existência de erros e não de fraude nos documentos utilizados nas operações efetuadas, sendo impossível imputar a tais situações a existência de irregularidade, sujeitandoas às penalidades sob comento”; 5.11. quanto aos conhecimentos de transporte (B/L) limitamse a asseverar “a existência tão somente de erros que não justificam as suposições formuladas pela d. fiscalização”; 5.12. com respeito às divergências apontadas pela autoridade lançadora nas faturas comerciais (invoices), argumentam as impugnantes que tal fato foi decorrente do cancelamento, “a pedido das impugnantes”, de “faturas comerciais incorretas”, as quais foram indevidamente utilizadas pelo Fisco para comparação com as “faturas comerciais corretas utilizadas para a importação”; a prática de retificação de faturas comerciais seria comum no comércio internacional; 5.13. na seqüência, procuram demonstrar a impropriedade da presunção de fraude baseada na utilização de mesmo modelo tipográfico para a emissão das invoices tidas como falsas, ressaltando que “inexistem requisitos ou formatações específicas para a emissão de faturas comerciais no comércio exterior, podendo os respectivos documentos fiscais ser emitidos de forma diferenciada.”; 5.14. as recorrentes propugnam ainda a inaplicabilidade da multa administrativa tipificada no art. 463, inciso I, do Regulamento do IPI – Decreto n° 2.637/98 (art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64), uma vez que “não importaram clandestinamente, irregularmente ou sequer fraudulentamente mercadorias do exterior, haja vista que todas as operações de importação estão Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 16 13 comprovadas, com o devido recolhimento dos tributos incidentes, e com o cumprimento das demais obrigações”; 5.15. mais adiante (fls. 530/531), asseveram que todas as etapas que antecedem a operação de desembaraço e descarga das mercadorias teriam sido cumpridas (p. ex., conferência de manifesto de carga, consolidação documental dos containers por agente de carga, notificação da SEFAZ, etc.), e que teriam sido comprovadas a “efetividade e legalidade das operações realizadas no ano calendário de 1998, por meio da verificação de guias de recolhimento dos impostos e taxas incidentes nas importações...”, dentre outras formalidades inerentes ao procedimento em tela; em vista disso, sustentam a “nulidade do lançamento face à inexistência de fraude e de provas efetivas que demonstrem, com clareza, as alegações formuladas pela d. fiscalização”, restando evidente “a falta de comprovação por parte das autoridades fiscais da relação de causalidade entre a (suposta) infração cometida pelas Impugnantes e as operações realizadas”; 5.16. sobre as transcrições dos emails, ressaltam o seguinte (cf. fls. 530): Objetivando lograr êxito na alegação de “falsidade documental”, a d. fiscalização em seus trabalhos anexou correspondências (emails) de funcionários de cada pessoa jurídica autuada destacando, em quadro demonstrativo de fls. 20, 21 e 22, apenas alguns trechos extraídos das respectivas correspondências que se lidos fora do contexto das operações comerciais e da dinâmica nas relações comerciais das Impugnantes, induzem à existência de artifícios para o desembaraço de mercadorias, o que, em absoluto, condiz com a realidade dos fatos. 5.17. no item III.2 as autoras alegam a inexistência de fraude ou simulação na constituição de suas empresas, ressaltando o seguinte: a) que as autuadas “foram constituídas em conformidade com a legislação, sendo pessoas jurídicas de fato e de direito independentes na consecução de suas atividades”, possuindo “objetos sociais distintos, conforme Cláusulas Segundas dos respectivos contratos sociais”; b) que “os atos constitutivos das Impugnantes foram devidamente arquivados na junta Comercial do Estado de São Paulo, em 14/11/95, para a empresa TCE e em 17/08/94, para a empresa SDW, na junta Comercial do Amazonas, observados, para tanto todos os requisitos necessários para a constituição de pessoas jurídicas de direito privado tais como a elaboração do contrato social de acordo com a lei comercial, assinatura dos representantes legais, obtenção de registros, etc”; c) que “a fiscalização simplesmente nega todo e qualquer conceito jurídico societário e cria uma ficção jurídica que transformaria qualquer grupo empresarial, ou simples parceiras comerciais, em "uma só empresa" ”; d) após ressaltarem que, nos termos da legislação comercial, a empresa coligada seria aquela que participa com 10% ou mais do capital da outra sem controlála, defendem que a SDW e a TCE não seriam empresas Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 coligadas, mas somente “empresas com relações comerciais entre si e inseridas dentro do mesmo grupo familiar”; e) asseveram que a Fiscalização buscara caracterizar “a existência de uma mesma unidade econômica” com o “argumento singelo de que as Impugnantes seriam domiciliadas no mesmo endereço, conforme constante em seus contratos sociais”; nesse sentido, ressaltam que “se confunde a d. fiscalização na diferenciação dos conceitos de (sic) empresas pertencentes ao um mesmo grupo econômico e de fraude ou simulação na constituição de pessoas jurídicas”, afirmando que “a legislação autoriza o funcionamento de duas unidades econômicas independentes no mesmo endereço desde que a localização das referidas pessoas jurídicas, na mesma área, não impeça a diferenciação de uma empresa da outra”; f) na mesma esteira, alegam que “o compartilhamento de dependências administrativas e de funcionários, por empresas jurídicas distintas e de um mesmo grupo econômico ou não, também não é novidade ou sequer indicativo de fraude ou simulação”, trazendo à lide acórdão do 1° Conselho de Contribuintes, reproduzido às fls. 534 dos autos; g) em reforço à sua tese, sustentam que “foram concedidos em momentos distintos, os alvarás de funcionamento, o que corrobora ainda mais a regularidade e a licitude na forma de funcionamento adotada pelas empresas”; nesse sentido, protestam pela juntada posterior dos documentos comprobatórios; Por fim, reforçam a inexistência das incongruências apontadas pelo Fisco, por serem meros erros de preenchimento incapazes de configurar fraude, requerendo, em seguida, o seguinte: Por todo o exposto, é a presente para requerer se digne V.Sa. declarar a nulidade e a improcedência do lançamento tributado perpetrado, cancelar a exigência fiscal perpetrada e, em conseqüência, arquivar o respectivo processo administrativo, por ser medida de Direito e de Justiça! Por fim, protestam as Impugnantes pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, sem exceção, por mais privilegiado que seja, especialmente pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários à prova de suas alegações. Fundamentadas nos incisos XXXIV, “a”, e LV, ambos do art. 5° da Constituição Federal, c/c art. 14 do Decreto n° 70.235/72, as autuadas TCE e SDW apresentaram, em 26/11/2004, “RAZÕES COMPLEMENTARES DE IMPUGNAÇÃO”, nos termos do documento juntado às fls. 593/625 dos autos. Às fls. 647/648 consta petição protocolada nesta DRJ em 11/01/2005, apresentada pelos procuradores da empresa TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. (nova denominação social da pessoa jurídica TCE Indústria Eletrônica da Amazônia Ltda. – vide 10ª alteração do contrato social às fls. 630/643), onde, fundada no art. 16, § 5°, do Decreto n° 70.235/72, c/c art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal e art. 2° da Lei n° 9.784/99, foi requerida a juntada de parecer proferido pela profa. Íris Sansoni, o qual foi acostado às fls. 649/684 deste procedimento administrativofiscal. Neste parecer constam posicionamentos relativos a três quesitos formulados pela consulente, abaixo reproduzidos, textualmente: Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 17 15 (...) QUESITOS Face ao ocorrido, a empresa acima identificada nos apresenta consulta sobre as seguintes duvidas: 1. No Regime da Zona Franca de Manaus, onde a entrada de mercadorias estrangeiras não se sujeita a pagamento de imposto de importação nem de imposto sobre produtos industrializados, é cabível considerar a existência de fraude tributária na importação (entrada, na Zona Franca)? 2. O que é importação clandestina, irregular ou fraudulenta? E qual é o alcance da infração prevista no artigo 490, I, do RIPI 2002 (cuja base legal é o artigo 83 da Lei 45.02/64, alterada pelo Decreto 400/68)? 3. É possível caracterizarse importação clandestina, irregular ou fraudulenta, quando há registro de Declaração de Importação, obtenção de Licença de Importação, e submissão à fiscalização da Secretaria da Receita Federal, com irregularidades apontadas pelo fisco relativas apenas a dados sem relevância tributária, no conhecimento de embarque ou na fatura comercial? 2. Conforme já ressaltado, a pessoa jurídica Wilson Logistics do Brasil Ltda. (a seguir, meramente Wilson) também insurgiuse contra o lançamento, tendo apresentado a impugnação de fls. 449/479, que vem firmada por Sydnei Fernandes S. Silva (despachante aduaneiro, conforme fls. 489/490), e pelo advogado Fernando Pedrosa Barros, este com poderes outorgados através do instrumento de mandato de fls. 491. (...) Instruem ainda os autos, além de outros documentos de mero expediente, os seguintes: a) “RELATÓRIO INICIAL DE TRABALHOS”, e seus anexos, inerente a investigações preliminares procedidas em relação às pessoas jurídicas TCE Indústria Eletrônica da Amazônia Ltda. (TCE) e SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda. (SDW), objeto do processo administrativo n° 10283.008073/200244 (fls. 30/60); b) cópia de relatório de diligência fiscal, acompanhado dos anexos, inerente à pessoa jurídica TCE Indústria Eletrônica da Amazônia S. A., cujo objetivo foi “verificar a existência da empresa e se o volume por ela importado é compatível com suas instalações físicas” (fls. 61/80); c) impressos dos sistemas CNPJ Consulta, CPF Consulta, Dossiê CNPJ, e Dossiê CPF, relativos às pessoas jurídicas SDW e TCE, assim como às pessoas físicas abordadas na investigação conduzida contra tais empresas (fls. 81/106, 410/442); d) cópia de relatório de diligência fiscal, acompanhado de seus anexos, em nome da pessoa jurídica SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda., conduzido no intuito de verificar se a empresa teria funcionado no endereço “Rua Iça 21a” (fls. 107/144); o relatório de diligência em tela apresenta a seguinte conclusão: Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Por todo o exposto, com base nos documentos anexos, não é difícil de se concluir que há uma suspeitosa relação entre as pessoas jurídicas SDW INDÚSTRIA DE COMPONENTES DA AMAZÔNIA LTDA e TCE INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA S.A. Considerandose os dois endereços em que estiveram estabelecidas, num mesmo período de tempo, somado às declarações do Sr. WILSON CÉSAR DA C. SOUTO, e também a inveracidade da existência do endereço de número 21a, verificase indícios de que havia, S.M.J., um propósito fraudulento na atuação das pessoas jurídicas supra, pelo artifício de passaremse por empresas distintas. e) cópia de atos societários das pessoas jurídicas SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda. (fls. 145/161, 560/577), Associação de Tecnologia da Informação (fls. 162/184), e TCE Indústria Eletrônica da Amazônia Ltda. (fls. 538/558 e 630/643); f) cópia do auto de infração relativo ao MPF n° 0227600/00285/00, lavrado contra a pessoa jurídica TCE Indústria Eletrônica da Amazônia S. A.. em 06/12/2000 (fls. 185/236); g) planilha demonstrativa dos documentos anexos ao auto de infração, acompanhada de cópias dos documentos mencionados na mesma, onde estão indicadas as falsidades apontadas pela Fiscalização nas invoices e nos conhecimentos de carga (fls. 237/369); h) impressos dos sistemas Dossiê CNPJ e CNPJ Consulta, relativos à pessoa jurídica Wilson Logistics do Brasil Ltda. (fls. 19, 370/373 e 386/400); i) documentação da empresa Wilson Logistics do Brasil Ltda., concernente à outorga de poderes relativos ao despacho aduaneiro de mercadorias (fls. 20/22 e 375/385); j) cópia de instrumentos de mandato, de dados cadastrais e de atos societários das impugnantes (fls. 401/409, 482/491, 579/580, 629); k) cópia da capa do processo judicial n° 2003.45953, inerente ao mandado de busca e apreensão conduzido contra a empresa TCE Indústria Eletrônica da Amazônia S.A. (fls. 582); l) cópia de termo de arrecadação inerente a ação policial conduzida nas dependências da pessoa jurídica TCE Indústria Eletrônica Ltda. (fls. 584/585); m) cópia do ofício n° 381/2003/GAB/RKD/PR/AM (fls. 26), remetido à pessoa jurídica GE Plastics, através do qual a Procuradoria da República em Manaus questiona a empresa se a invoice n° 0370 0254 01 fora emitida pela mesma; n) cópia de correspondência remetida à GE Plastics pelo adido da Secretaria da Receita Federal nos Estados Unidos da América (fls. 27), onde foram requeridas informações acerca do real valor dos bens exportados através das invoices nos 0370025401, 0388365601 e 0370025501 (cópias às fls. 50/57) supostamente expedidas pela citada pessoa jurídica; as respostas aos questionamentos formulados constam às fls. 28/29 e 587/588; o) cópia de nota fiscal expedida pela empresa SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda. (fls. 23); Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 18 17 p) cópia de contrato de câmbio firmado entre a pessoa jurídica TCE Indústria Eletrônica da Amazônia Ltda. e o Banco InterAtlântico S.A. (fls. 24/25); q) cópia da invoice n° ILB0040240, expedida pela Samsung Eletromechanisms Co. Ltd. (fls. 58/59);” (destaques no original) A DRJ Fortaleza/CE afastou as preliminares de nulidade e decadência do lançamento, bem assim, indeferiu o pedido de diligência; e, no mérito, excluiu do pólo passivo a pessoa jurídica WILSON LOGISTICS DO BRASIL LTDA., mantendo o lançamento na íntegra em relação aos demais sujeitos passivos, em decisão assim ementada: “IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ARGUMENTOS E JUNTADA DE PARECER DEPOIS DE ENCERRADO O PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO POR OPORTUNA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, são inadmissíveis a apresentação de novos argumentos ou a juntada de parecer depois de encerrado o prazo para apresentação da impugnação, assim como o pedido genérico por oportuna apresentação de provas ou de razões aditivas à impugnação outrora formalizada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO DA EMPRESA. IRRELEVÂNCIA DOS DOCUMENTOS PARA O EXAME DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de diligência para a juntada de documentos que não guardem relação com o objeto do litígio. RETENÇÃO DE DOCUMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. CÓPIAS ACOSTADAS AOS AUTOS. INEXISTÊNCIA DE LESÃO AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. Não há que se falar em lesão ao princípio da ampla defesa em virtude da retenção de documentos do sujeito passivo, mesmo após a lavratura do auto de infração, se as cópias de todos os documentos em que se baseou a autoridade lançadora foram acostadas aos autos do processo administrativo fiscal. Ademais, não é permitida à autoridade lançadora a devolução, ao sujeito passivo, de documentos que constituam prova da prática de ilícito penal ou tributário, uma vez que tal procedimento é vedado pelo § 1º do art. 35 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO DETENTOR NO TERMO DE ARRECADAÇÃO. OBSERVAÇÃO DOS REQUISITOS CONTIDOS NO ARTIGO 245 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. INEXISTÊNCIA DE ILICITUDE NA OBTENÇÃO DAS PROVAS. Uma vez observados os requisitos apregoados pelo artigo 245 do Código de Processo Penal, a ausência da assinatura do detentor no Termo de Arrecadação, decorrente da execução de mandado de busca e apreensão, Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 não é requisito capaz de invalidar a prova obtida através do citado mandado. MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO. TERMO DE ARRECADAÇÃO COM DESCRIÇÃO GENÉRICA DOS DOCUMENTOS APREENDIDOS. PROVA LÍCITA. A elaboração de termo pela autoridade policial, contendo a descrição genérica dos documentos e bens apreendidos, não invalida a prova objeto do mandado de busca e apreensão. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há que se falar em nulidade por infração aos princípios da tipicidade e da legalidade quando o lançamento está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada, tendo restado comprovada nos autos a ilicitude praticada pelo sujeito passivo. DECADÊNCIA. PENALIDADE PECUNIÁRIA. CONTAGEM DO PRAZO COM BASE NO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Nos casos de lançamento de penalidade pecuniária, a contagem do prazo decadencial se sujeita à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, onde está determinado que o dies a quo para a contagem do citado prazo corresponderá ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA REGRA CAPITULADA NO § 4° DO ARTIGO 150 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL CONFORME PRECEITUA O ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Se o caso fático não se aplica à regra de contagem do prazo decadencial preceituada no § 4° do art. 150 do CTN, relativo ao lançamento por homologação, aplicarseá, para a determinação do dies a quo do citado prazo, a regra geral contida no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FRAUDE. DOLO. EMPRESA. A responsabilidade tributária é, em regra, objetiva, havendo, todavia, hipóteses em que deva ser considerado o ato volitivo na configuração do tipo infracional. A empresa, dentre seus diferentes aspectos jurídicos constitutivos, reflete a atuação do empresário que proporcionou seu nascimento, sendo, pois, passível do cometimento de ato volitivo e da prática de fraude, onde o dolo é elemento essencial. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. POSSIBILIDADE O fato de as importações para a Zona Franca de Manaus ocorrerem normalmente com isenção ou redução tributária não impede a caracterização de fraude fundada na falsificação de faturas comerciais, mediante a elaboração, pela empresa importadora, de nova fatura onde foram adulteradas as descrições das mercadorias constante das invoices originais e o destinatário das mercadorias negociadas. Ademais, a caracterização de fraude aduaneira requer, tão somente, a demonstração do Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 19 19 intuito doloso de burlar os controles aduaneiros, sendo irrelevante se houve ou não reflexo no recolhimento de qualquer tributo. CONHECIMENTO DE CARGA. TRANSPORTE MULTIMODAL. EMISSÃO DE VIAS NÃO NEGOCIÁVEIS DE ACORDO COM AS DIFERENTES FASES DO TRANSPORTE. ALTERAÇÃO DA FORMA DE CONSIGNAÇÃO DA MODALIDADE À ORDEM PARA A ESPÉCIE NOMINATIVA. INSUFICIÊNCIA PARA DEMONTRAÇÃO DE FALSIFICAÇÃO DOCUMENTAL. A existência de mais de uma via não negociáveis de conhecimentos de carga relativas às diferentes fases da logística de transporte multimodal, ou a modificação da forma de consignação da modalidade à ordem para a espécie nominativa, por serem permitidas pela lei, não comprovam, em princípio, falsidade relativa à emissão dos citados documentos. Da mesma forma, não caracteriza falsidade documental a constatação de que as divergências contidas nas diversas vias dos citados conhecimentos se referem unicamente às particularidades inerentes à cada fase do transporte multimodal. DESPACHO ADUANEIRO. INSTRUÇÃO. REQUISITOS. FATURA COMERCIAL. O despacho aduaneiro deverá estar instruído pela fatura comercial expedida pelo exportador, não havendo previsão legal para sua substituição por faturas proforma, estas, meros instrumentos negociais de transações comerciais de compra e venda. DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. INSTRUÇÃO COM FATURAS COMERCIAIS FALSIFICADAS. MATERIALIDADE COMPROVADA. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. Constatado que a importação foi instruída com faturas comerciais falsas, temse como legítima a lavratura do auto de infração para a constituição do crédito tributário correspondente à multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, capitulada no art. 83, I, da Lei 4.502/64.” Consta da parte dispositiva da decisão em epígrafe, ainda, que a exclusão da sujeição passiva da pessoa jurídica WILSON LOGISTICS DO BRASIL LTDA. não foi objeto de recurso de ofício por ser a exoneração correspondente inferior ao limite de alçada. Devidamente cientificados os contribuintes remanescentes interpuseram recurso voluntário conjunto onde sustentaram, preliminarmente, i) a nulidade da decisão proferida em face da participação, no julgamento, de autoridade administrativa impedida, falta de apreciação de parecer jurídico e razões complementares, presunção de falsidade de documentos não vinculados ao lançamento, falta de juntada de documentos solicitados pela empresa; ii) cerceamento do direito de defesa pela falta de acesso aos documentos e utilização de prova ilícita; e, iii) decadência do lançamento, por inobservância ao art. 150, § 4º do CTN. No mérito, principiou fixando a acusação fiscal – importação fraudulenta –, em seguida discorreu sobre o conceito de fraude e as regras atinentes às normas sancionatórias para concluir pela sua inocorrência no caso dos autos; defendeu a inaplicabilidade da multa por fraude à importação por entender inexistente “importação”, propriamente dita, na entrada de produtos na ZFM, referenciando a parecer juntado; asseverou a inaplicabilidade da multa administrativa inflingida por ausência de tipicidade; rechaçou a existência de irregularidades nas operações efetuadas; Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 acentuou a regularidade na constituição das pessoas jurídicas, destacando a própria afirmação da fiscalização, quando do procedimento de vistoria realizado, que reconheceu a existência de linhas de produção autônomas; e, por fim, que não haveria que se falar em empresas coligadas, bem assim, que estaria revestida de plena legalidade o funcionamento de pessoas jurídicas distintas no mesmo endereço. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. 1 PRELIMINARES Cumpre, inicialmente, enfrentar as questões preliminares opostas, o que, em função da quantidade de vícios apontados, será realizado mediante apartação em rubricas distintas: vícios formais e vícios materiais. 1.1 VÍCIOS FORMAIS Sob este título serão analisadas as alegações de nulidade da decisão proferida em face da participação no julgamento de autoridade administrativa impedida, falta de apreciação de parecer jurídico e razões complementares, presunção de falsidade de documentos não vinculados ao lançamento e a falta de juntada de documentos solicitados pela empresa. Neste passo, mostrase improcedente o reclamo quanto ao pretenso impedimento de julgador, eis que, segundo o recurso, o AFRFB Luis Carlos Maia Cerqueira, então na qualidade de Inspetor da Alfândega do Porto de Manaus, teria assinado o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF do procedimento fiscal que culminou no lançamento sob vergasta, haja vista que, examinando o documento juntado pelo recorrente, verificase que não há vinculação direta entre aludido documento e o lançamento ora combatido, bastando verificar que os auditores fiscais designados não são os mesmos que lavraram o auto de infração, revelando tratarse de procedimentos fiscais distintos a que se submeteram os recorrentes. Demais disso e diversamente do que defendem, o “impedimento” a que se refere o regimento interno da SRF citado exige a participação efetiva da autoridade administrativa na ação fiscal, o que não se dá pela simples emissão do MPF, que, por si só, não deflagra o início do procedimento fiscal, mas tão somente determina a sua execução, daí porque não há que se falar em “impedimento” algum. Como pacificado ainda à época dos Conselhos de Contribuintes, o procedimento fiscal, nos termos da legislação que rege o processo administrativo fiscal, tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente cientificando o sujeito passivo, ou seu preposto, da obrigação tributária, o que não deve ser confundido com a simples emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Da mesma forma, não merece acolhida a alegação de nulidade da decisão recorrida por ausência de manifestação sobre parecer jurídico e razões complementares. A uma, porque parecer é opinião técnica sobre determinado assunto e, como tal, não se qualifica Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 20 21 como prova, daí porque não tem de ser objeto específico de julgamento, muito menos sopesado na fundamentação da decisão; e, a duas, porque, a teor do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as razões de fato e de direito, além das provas documentais de que se dispõe, devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra oportunidade, de tal forma que, à exceção das ressalvas do parágrafo quarto do mesmo dispositivo – que no caso vertente, à época não foram demonstradas –, não tem a autoridade julgadora de piso que se manifestar a seu respeito. Em outra vertente, os recorrentes aduzem que houve presunção de falsidade de documentos em operações de importação, inclusive pelas “divergências apuradas em faturas emitidas em outros períodos que não o autuado!”, o argumento, porém, imbricase com o próprio mérito da causa, razão porque será examinado no momento apropriado do voto. Relativamente à “falta de juntada de documentos solicitados pela empresa”, os recorrentes não indicam quais seriam os “documentos solicitados pela empresa” e que não foram juntados pela autoridade fiscal ao processo, parecendome mais um argumento retórico do que propriamente uma alegação de defesa, o que leva à refutação da alegação. 1.2 VÍCIOS METRIAIS Nesta oportunidade serão examinadas a falta de acesso aos documentos e a ilicitude da obtenção da prova. Conveniente destacar, nesse ínterim, que o acesso à prova, como averbado pelos próprios recorrentes, fezse mediante cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo judicial 2003.32.00.0045953, em trâmite na 2ª Vara da Justiça Federal do Amazonas, encontrandose os documentos arrecadados em poder das autoridades fiscais e do Ministério Público Federal, por força de ordem judicial específica. Então, tendo em conta que o Ministério Público Federal é o dominus littis, o responsável pela ação penal decorrente da infração fiscal, a Administração Tributária não deteria, sozinha, a livre disponibilidade da documentação apreendida, o que a impediria de devolvêla aos contribuintes sem anuência do parquet. Além do que, todos os documentos que embasaram a imputação de fraude, pela falsificação de documentos utilizados no despacho de importação, encontramse nestes autos administrativos a que os recorrentes tiveram amplo acesso. Se entendiam os recorrentes que necessitavam de outros elementos, além daqueles já coligidos ao processo, cabialhes especificálos e requerer o fornecimento de cópias; aliás, mais uma vez a argumentação mostrase fluida, eis que os interessados não esclarecem quais seriam os indigitados documentos não entregues pela fiscalização e que, pela sua robusteza, teriam a capacidade de profligar o ilícito fiscal que lhes é atribuído, valendo aqui o recurso ao princípio pás de nullité sans grief, consoante a qual não há declaração de nulidade se não houver prova do efetivo prejuízo causado à defesa. Por pertinente, não se diga que, cuidandose de nulidade absoluta, onde o prejuízo é presumido, não se aplicaria tal regra, pois os tribunais superiores vem decidindo que este princípio também se estende a estas hipóteses, como se extrai dos seguintes julgados: STJ (HC 99996 / SP) e STF (HC 85.155/SP, Rel. Min. ELLEN GRACIE, DJU 15.04.05 e AIAgR. 559.632/MG, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 03.02.06). Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 22 Atinente à suposta ilicitude da prova ou mesmo da sua forma de obtenção, acentuo que a sua apropriação em estabelecimento dos contribuintes respaldouse em mandado de busca e apreensão expedido por autoridade judicial competente, de forma que a invalidade deste procedimento, se existente, deve ser reclamado na seara judicial, como bem apontou a decisão recorrida, verbis: “No caso presente, a apreensão dos documentos das impugnantes ocorreu por força do Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.32.45953. Diante disso, é importante ressaltar que não compete a este procedimento administrativo fiscal se pronunciar quanto à admissibilidade ou não do mandado de busca e apreensão, assim como com respeito aos seus requisitos formais, matéria esta tratada nos artigos 240 a 244 do CPP, vez que tal apreciação foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, o qual, como se sabe, julgou pela conveniência do procedimento que redundou na apreensão dos documentos das recorrentes. Qualquer apreciação administrativa valorativa sobre o mandado em evidência representaria lesão ao Princípio da Jurisdição Única.” (destaque no original) Já o câmbio dos documentos de interesse da Administração Tributária, para exigência dos tributos e penalidades aplicáveis, efetivouse por intermédio do competente processo administrativo com a concessão de todos os recursos e faculdades garantidos pela legislação de regência do procedimento contencioso fiscal, de modo que não se vislumbra qualquer mácula na sua produção e introdução nestes autos. Também não prospera a alegação de necessidade de certificação do conteúdo ou origem das mensagens telemáticas obtidas, ao passo que os transmitentes foram identificados e todos eles têm relação, direta ou indireta, com as pessoas jurídicas autuadas, mesmo porque, tais documentos não são os elementos principais a lastrear o lançamento, mas indícios que corroboram a prática fraudulenta. 1.3 DECADÊNCIA Respeitante à ocorrência de decadência, não encontra amparo a pretensão de aplicação das disposições do art. 150 do Código Tributário Nacional para reger os fatos que redundaram no lançamento, pois, como bem observou a decisão a quo, não se trata de exigência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, mas sim de multa administrativa por infração à legislação fiscal. Entretanto, irrefragável que aludido dispositivo, através de seu parágrafo quarto, é expresso em excepcionar a sua incidência aos casos em que ocorrente dolo, simulação ou fraude, como sói ocorrer no caso vertente, tal como demonstrado nestes cadernos processuais, como se verá oportunamente, razão pela qual a decadência, aqui, deve ser tratada pelo art. 173, I do mesmo diploma legal, na linha defendida pela corrente doutrinária majoritária, da qual Luciano Amaro1 é integrante: “A (...) questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação, presentes os quais não há homologação tácita de que trata o dispositivo (art. 150), surgindo a questão de se saber qual seria o prazo dentro do qual o Fisco poderia (demonstrado que houve dolo, fraude ou simulação) recusar a homologação e efetuar o lançamento de ofício. Em estudo anterior, concluímos 1 Direito tributário brasileiro. 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 387. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 21 23 que a solução é aplicar a regra geral do art. 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata. (...)” (destaques no original) No caso dos autos, os fatos que originaram a autuação ocorreram ao longo de 1998, de modo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado o tributo ou multa correspondente recairia em 01/01/1999, sendo este o dies a quo do lapso decadencial, cujo termo final se concretizou em 01/01/2004. Uma vez que a ciência pessoal do lançamento ocorreu em 15/12/2003, não há que se falar em decadência. 2 MÉRITO Ultrapassadas as questões preliminares passo ao mérito. Preambularmente, registro que a infração atribuída aos recorrentes consiste em entregar a consumo ou consumir produtos importados irregularmente, mediante a utilização de faturas irregulares, o que será esclarecido mais detalhadamente adiante , para instrução das declarações de importação registradas, fato este não contestado diretamente pelos recorrentes, que em sua irresignação tentam justificar o modus operandi ou afastar as hipóteses de manutenção do lançamento. Nesta empreitada, os recorrentes aduzem que a decisão recorrida, ao examinar o lançamento, textualmente imputoulhes a prática de importação fraudulenta (item 131) e, após socorreremse do conceito de “fraude” constante do art. 72 da Lei nº 4.502/64, a par de recurso à doutrina a respeito do tema, concluíram pela sua inocorrência, porquanto não houve redução, diferimento ou ausência de pagamento de tributo em decorrência da prática adotada, o que, sob seu prisma seria condição sine qua non para ocorrência da figura, tanto assim, afirmam, que não houve exigência de tributo no auto de infração, mas tão somente de multa administrativa. De fato, a decisão recorrida esclarece que as diferenças entre as faturas objeto de autuação, falsas e verdadeiras, consistiram na alteração da descrição dos produtos listados naqueles documentos e na variação do preço unitário, sem, no entanto, modificar o valor total da operação. É certo, também, que o art. 72 da Lei nº 4.502/64 conceitua fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”; entretanto, não é menos verdade que o termo “fraude”, como de resto boa parte das palavras na língua portuguesa, é polissêmico e possui uma gama de significados, mesmo na seara jurídica, sendo que a decisão recorrida utilizouse do termo “fraude” como sinônimo de “falsear ou ocultar a verdade”, como se infere da seguinte passagem do voto condutor: “131. No caso, o autuante imputou às recorrentes a prática de importação fraudulenta, o que pressupõe a demonstração de que estas agiram de forma dolosa. A fiscalização demonstra a ocorrência de fraude na prática da infração, caracterizada pela falsificação de faturas comerciais com o intuito doloso de alterar a descrição dos produtos ali contidos, de modo a permitir a Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 24 fruição indevida dos benefícios fiscais da ZFM, ou seja, a vantagem de forma ilícita. 132. ‘De Plácido e Silva ensina que o vocábulo ‘fraudar’, derivado do latim fraudare (fazer agravo, prejudicar com fraude), ‘além de significar usar de fraude, o que é genérico, e exprime toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possui, na técnica fiscal, o sentido de falsificar ou adulterar, como o de usar de ardil para fugir ao pagamento da tributação: fraudar o fisco’ (SILVA, DE PLÁCIDO E. Vocabulário jurídico. Rio de Janeiro: Forense, 11.ed., 1991. v.II, p.324). 133. O elemento subjetivo da conduta é o dolo, a intenção de provocar um evento ou resultado contrário ao Direito, que, no caso, se apresenta como a vontade consciente de falsear informações relativas à operação de comércio internacional, o que resta evidente diante dos fatos apreciados nos tópicos anteriores.” (destaques no original) Ou seja, mesmo não sendo devido tributo algum em decorrência da utilização de faturas irregulares, o que, em tese, poderia afastar a qualificação da infração como “fraude”, segundo o conceito da Lei nº 4.502/64 (art. 72), não é possível desqualificar a conduta como fraudulenta, na acepção vincada na decisão reclamada, assim entendido o expediente utilizado, o artifício ou ardil, destinado a falsear ou ocultar a verdade, que no caso concreto se consubstanciou na utilização de documentos inverídicos. Outrossim, vale lembrar que o dispositivo em que incurso os contribuintes – art. 83, I da Lei nº 4.502/64 – dispõe que são apenados com multa igual ao valor da mercadoria aqueles que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal. O fato de não se apurar supressão de tributo, ou mesmo o emprego dos insumos importados no processo produtivo do contribuinte, a meu juízo, não significa refutar a prática deliberada de se utilizar dolosamente de documentos contrafeitos para instrução de despacho aduaneiro, cujos conteúdos apresentam consideráveis alterações nas quantidades, descrição das mercadorias e valores unitários de mercadorias sujeitas a desembaraço. Aliás, relativamente à caracterização e individualização desta falsidade, entendo que a decisão recorrida bem abordou a questão, elaborando minudente relato das informações inverídicas detectadas nos documentos contrafeitos (fls. 730/732), que adoto também como razão fática de decidir. “88. Voltandose agora às faturas diretamente relacionadas ao lançamento, vêse que também não prospera o argumento tendente a descaracterizar as irregularidades ocorridas na importação. O Fisco, ao descrever os fatos que redundaram na autuação, se reportou várias vezes à questão, com destaque para o seguinte trecho: A descrição das mercadorias nas invoices falsas/adulteradas (A), sempre, em língua portuguesa, é exatamente aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) aprovado pela Suframa. Eis aí um dos motivos de fraude: fazer as mercadorias se enquadrarem no processo produtivo básico (PPB) aprovado Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 22 25 pelo órgão anuente citado. Porém, das invoices verdadeiras (B) consta descrição genérica e não explicativa. (grifei) 89. O exame dos documentos acostados às fls. 238/369 demonstra ter havido alteração da descrição das mercadorias em todas as faturas que serviram de base para o lançamento (vide listagem às fl s. 237), assim como divergências em relação aos pesos das mercadorias em algumas faturas. 90. Em duas das faturas que o contribuinte alega terem sido canceladas (utilizadas para a instrução das Declarações de Importação — DI) consta descrição de centenas de itens, o que não se reflete nas faturas correspondentes efetivamente remetidas pelos exportadores (vide as faturas de n DL238239/98 — fls. 238/248, e DL98/4119 — fls. 313/322, ambas contendo 306 itens cada, enquanto as faturas originais correspondentes possuem apenas 2 itens). Na fatura n° DL98/4119 as irregularidades são ainda mais transparentes; a comparação com a invoice original e seu correspondente packing list (fls. 323/324) revela, alem da total divergência constante da descrição das mercadorias, a modificação do importador, o qual, embora informado originalmente como sendo a SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda. (mesma informação constante dos B/L de fls. 368/369), fora alterado para TCE Indústria Eletrônica da Amazônia Ltda. Tal mudança não foi acompanhada da exigida autenticação do emitente, prescrita no parágrafo 2° do artigo 425 do Regulamento Aduaneiro época vigente (Decreto n° 91.030/85). 91. Com respeito à fatura n° JT80038 (fls. 304), constatouse, além da divergência na descrição dos produtos importados, grande diferença no peso das mercadorias e alteração de sua origem, uma vez que enquanto na fatura de fls. 304 consta como originárias de ‘Klang’ (porto que fica próximo à capital da Malásia, Kuala Lumpur), na fatura original está consignado que a carga foi procedente de Hong Kong (China), de onde foram embarcadas, nos termos dos conhecimentos de transporte de fls. 311/312. 92. Em relação ao suposto cancelamento das faturas, a recorrente não comprovou o alegado, deixando de obedecer, portanto, ao disposto nos artigos 15 e 16, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, já comentados na parte preliminar. Ademais, as faturas que teriam sido canceladas, além de apresentarem leiaute e descrição de produtos completamente diversos daquelas efetivamente expedidas pelo exportador, contêm informações divergentes das que foram consignadas nos conhecimentos de embarque. 93. Como se vê, ao contrário do que afirmam as reclamantes, o lançamento não foi baseado em meras presunções, mas em fatos materialmente comprovados de adulteração das faturas comerciais.(...)” (destaques no original) Diante desse contexto, a meu ver, o dolo da conduta ilícita é patente e inequívoco, não havendo motivo plausível que o justifique. Uma vez demonstrada e comprovada nos autos a prática infracional, como dito consistente na ocultação da verdade mediante o uso de documentos falsos, tenho como admissível e possível qualificála, nesta significação (falsear ou ocultar a verdade), como fraudulenta, ocasionando a irregularidade no procedimento de importação, que representa outro núcleo da infração atribuída aos contribuintes. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 26 Também não prospera a assertiva de inaplicabilidade da multa infligida pela suposta inocorrência de verdadeira operação de “importação” quando destinados os produtos estrangeiros à Zona Franca de Manaus, como defendem os recorrentes, através de parecer juntado aos autos, haja vista que a isenção de tributos nestas hipóteses não tem o condão de desvirtuar a natureza da operação, que continua a corresponder à entrada, no território brasileiro, de mercadoria de procedência estrangeira. O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/02, em seu Título III (Dos Regimes Aduaneiros Aplicados em Áreas Especiais), Capítulo I (Da Zona Franca de Manaus), a todo tempo faz referência à entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus como “importação”, e.g. arts. 453 e 455, este último, em especial, destaca que “as importações no regime de que trata este Capítulo (I) estão sujeitas a licenciamento não automático, previamente ao despacho aduaneiro, com a expressa anuência da Superintendência da Zona Franca de Manaus.” (destaquei) O Decreto nº 91.030/85, que aprovou o Regulamento Aduaneiro então vigente, por intermédio de seu art. 395, § 1º, era categórico ao estabelecer que “os despachos de bens importados objeto dos benefícios do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, deverão ser processados na repartição que jurisdiciona o porto de Manaus”. É notório que a legislação aduaneira não faz distinção entre a importação de mercadorias destinadas a áreas agraciadas com benefícios fiscais daquelas sujeitas ao regime geral de tributação, significando importação, em qualquer situação, a entrada de produtos de procedência estrangeira em território nacional. Destacase, então, que o elemento nuclear da importação, para fins tributários, não é a incidência tributária propriamente, mas sim a entrada em território brasileiro de mercadoria de procedência estrangeira. Neste diapasão, entendo que a utilização de documentos irregulares (faturas falsificadas) para proceder ao despacho aduaneiro de importação, ainda que destinada à Zona Franca de Manaus, enquadrase à perfeição à conduta descrita pelo art. 463 do Decreto nº 2.637/98, que impõe, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente, àqueles que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). A propósito, como reconhecem os próprios recorrentes, as condutas descritas no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98) não são autônomas, mas simples variantes de irregularidades no procedimento de importação de mercadorias de procedência estrangeira em território nacional, o que, repito, açambarca a prática de utilizar documentos falsos para instruir aludido procedimento de liberação de mercadorias. Dessarte, se não há autonomia das expressões contidas no preceptivo em tela, deduzse que pouco importa o enquadramento da conduta realizada pelas autoridades fiscais, se importação fraudulenta ou importação irregular, uma vez que todas elas convergem para o mesmo resultado, que é a prática de irregularidades em operações de importação, o que definitivamente ocorreu na presente situação, o que implica infalivelmente na imposição das penalidades indicadas. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 23 27 Como dito linhas atrás, os próprios recorrentes afirmam, na peça recursal (item IV.2.2.3), que emitiam tais faturas “pro forma” para viabilizar o desembaraço aduaneiro, arregimentando suas razões para tanto; todavia, nos documentos de fls. 51 a 53, verificase que estas faturas foram impressas e assinadas, inclusive, como se expedidas pelo exportador estrangeiro. De fato, foram coligidas declarações devidamente vertidas por tradutor juramentado, de emissão de Daewoo Corporation, sediada na Coréia do Sul, e Jean Co. Ltd., sediada na China, aduzindo que, em razão da complexidade da legislação aduaneira brasileira, mediante acordo firmado com TCE/SDW, permitiam que ambas “reimprimissem” as faturas em conformidade com suas necessidades para nacionalização das mercadorias importadas. Contudo, estes “acordos” firmados não têm valor perante a legislação aduaneira brasileira, pois, como bem destacado pela decisão ora combatida, o regulamento aduaneiro então vigente, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, em seu art. 425, § 2º, dispunha expressamente que as emendas, ressalvas ou entrelinhas feitas na fatura deveriam ser autenticadas pelo emitente, o que não ocorreu no caso dos autos. Como não bastasse, a par de tais “declarações” serem emitidas ex post facto, isto é, após a concretização dos fatos, sugere a redação adotada em ambos os documentos que se tratam de textos previamente “encomendados”, porquanto não há como reconhecer coincidência tão grande entre seus termos, a ponto de prestarem as empresas exportadoras declarações incrivelmente similares, considerando que são sociedades instaladas em países distintos, China e Coréia do Sul. A título exemplificativo, transcrevo os seguintes trechos destes documentos: “A relação estabelecida para atender as normas brasileiras foi uma operação CKD (Complete Knock Down) na qual as fabricas da Daewoo Telecom na Coreia e/ou China costumavam remeter um kit CKD completo para ser montado no Brasil na fábrica da TCE e/ou da SDW em Manaus com a qualidade, procedimentos e coordenação da tecnologia Daewoo Telecom. Nosso pessoal de produção e técnico varias vezes visitou a fábrica da TCE e da SDW em Manaus a fim de dar suporte a linha de produção piloto de novos produtos. Uma vez que as normas de exportação relativas a componentes da China e Coréia eram muito complicadas e as normas de importação do Brasil eram ainda mais complicadas no que se refere a liberação alfandegária, a Daewoo Telecom estabeleceu um acordo que permitia a TCE/SDW reemitir as faturas no Brasil já que a documentação de exportação padrão que acompanhava os kits exportados pela Daewoo Telecom não continha informações detalhadas suficientes, conforme exigido pela alfândega brasileira.” (Daewoo Telecom) “As exportações para a TCE e a SDW foram estruturadas como operações CKD, com base nas quais as fábricas da JEAN na Malásia e/ou China enviavam kits CKD completos para serem montados localmente em Manaus, na fábrica da TCE, com a qualidade, os procedimentos e a coordenação da JEAN, e ate com o eventual suporte do pessoal técnico e de produção da própria JEAN. Tendo em vista (i) os complexos regulamentos da China e da Malásia relativos a exportação de componentes de informática; (ii) as complexas normas aplicáveis ao desembaraço aduaneiro no Brasil; (iii) a falta de preparo de nossa Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 28 equipe local; (iv) nossa dificuldade interna em atender algumas solicitações detalhadas do pessoal da TCE e (v) a conseqüente falta de determinadas informações detalhadas em nossas faturas com relação aos componentes exportados, a JEAN autorizou a TCE e a SDW a emitirem novas faturas no Brasil, de acordo com os regulamentos do desembaraço aduaneiro.” (Jean Co. Ltd.) Portanto, não vejo como aceitar as preditas autorizações, como documentos revestidos de validade jurídica para alteração e reimpressão das faturas comerciais, seja a que pretexto for, para modificação substancial da descrição, preço e peso dos produtos importados, como ocorrido, o que só reforça a irregularidade da documentação que instruiu o despacho de importação. Da mesma forma, não deve ser acolhida a ponderação segundo a qual, o fato de as mercadorias importadas terem sido desembaraçadas normalmente, mediante o emprego destas faturas “pro forma”, demonstraria a improcedência do lançamento, porquanto as contrafações foram confirmadas tão somente após a realização do desembaraço, em procedimento de revisão de lançamento, com sustentáculo no art. 149 do Código Tributário Nacional. Na mesma toada, insubsistente o argumento que deveriam ser aplicadas ao caso as penalidades previstas na legislação aduaneira, tendo em conta que a fraude teria sido praticada no curso do despacho de importação, haja vista que a conduta subsumese perfeitamente àquela infração tipificada pela legislação do IPI (art. 463 do RIPI/98), mesmo porque o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não da classificação legal que se lhes atribua. Demais disso, os produtos importados, segundo consta, eram destinados ao processo produtivo dos recorrentes, caracterizandose, nesta condição, como matériaprima, material intermediário ou de embalagem, o que atrairia a incidência da legislação deste imposto (IPI). Como não bastasse, as modificações das faturas (invoices), consoante relato fiscal, visavam, dentre outros objetivos, a adequação dos insumos importados ao Processo Produtivo Básico (PPB) dos recorrentes, tal como aprovado pelo órgão anuente, no caso, a SUFRAMA. Também não aproveita às recorrentes a alegação que as faturas “pro forma” correspondiam exatamente às mercadorias submetidas ao despacho aduaneiro de importação, por ocasião do registro da DI, ao passo que a fraude imputada é justamente a apresentação de um documento mercantil (invoice) que não é reconhecido como de sua emissão pelo suposto exportador, o que acarreta a sua falsidade e implica no fato que aludidas mercadorias não estavam devidamente amparadas por documentação hábil a instruir o despacho de importação, no momento de sua realização. Quanto à regularidade na constituição das recorrentes, temse que a pretensa legalidade de funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço o que já seria por si só discutível , sob a ótica da legislação do IPI, não é admissível, quando se está a falar de unidades produtivas, como o caso dos autos. Nos termos do art. 487, II e III, do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), as expressões "fábrica" e "fabricante" são equivalentes a estabelecimento industrial, sendo que a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.006799/200323 Acórdão n.º 3401002.826 S3C4T1 Fl. 24 29 galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza. A partir desta definição não vislumbro como um único estabelecimento possa pertencer simultaneamente a duas pessoas jurídicas distintas, não militando em favor dos recorrentes o pretenso reconhecimento por parte da autoridade fiscal que haveria linhas de produção autônomas, uma vez que a existência de “linhas de produção autônomas” dentro de um mesmo espaço físico ou prédios contíguos, não isolados, mas dentro de uma mesma área delimitada, não conduz à conclusão de existência de estabelecimentos distintos. Frisese, a existência de linhas de produção autônomas não significa ou se confunde com a existência de estabelecimentos distintos, pois, como se depreende do aludido art. 487, III, o estabelecimento é caracterizado como sendo o(s) prédio(s) em que são exercidas atividades geradoras de obrigações do tributo, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza, de tal sorte que um estabelecimento pode comportar tantas linhas de produção autônomas quanto seu espaço permitir, sem que isso o descaracterize. Entretanto, a recíproca não é verdadeira, pois as linhas de produção autônomas dentre um mesmo espaço físico contínuo ou em prédios contíguos, porém, não cercados, murados ou isolados como unidades independentes não se caracterizam como estabelecimentos distintos, como pretendem os recorrentes. Pelo quadro estampado, somado às constatações arroladas pela fiscalização tais como, funcionamento das pessoas jurídicas no mesmo endereço, compartilhamento da área administrativa e áreas de entrada e saída, o fato dos produtos industrializados pela TCE serem adquiridos pela SDW, a incumbência da gerência das pessoas jurídicas a pessoas comuns ambas ou interligadas por laços familiares, dentre outros, direcionam à conclusão que há, de fato, confusão administrativa e patrimonial entre as pessoas jurídicas em destaque, cuidando se, sob o ponto de vista fático e prático, de uma única pessoa jurídica, motivo mais que suficiente para imputação da responsabilidade tributária solidária, que, por seu turno, não foi especificamente contestada. Por derradeiro, em relação à solicitação de diligência junto aos armazéns gerais Super Terminais Comércio e Indústria Ltda., Aurora da Amazônia Terminais e Serviços Ltda. e Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas, formalizada no curso da peça de defesa, reputoa desnecessária para o deslinde de qualquer questão, porque as próprias recorrentes, como consignado alhures, reconheceram que se utilizaram de faturas por elas mesmas confeccionadas, em substituição às originais, para a instrução do despacho aduaneiro, de modo que a diligência, a meu sentir, mostrase desnecessária. 3 CONCLUSÃO Em síntese, entendo que o lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios e sólidos fundamentos, não merecendo qualquer reparo, razão pela qual nego provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 30 Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10665.722324/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010)
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009, 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 22/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 23 24 /2 01 2- 84 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.722324/201284 Acórdão n.º 2102003.191 S2C1T2 Fl. 238 2 Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra MIGUEL ARCANJO ALVES DA SILVA foi lavrado Auto de Infração, fls. 15/28, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2008 e 2009, exercícios 2009 e 2010, no valor total de R$ 5.927.661,24, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até outubro de 2012. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, fls. 02/14, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/BHE nº 0244.781, de 24/05/2013, fls. 205/209. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 24/06/2013, Aviso de Recebimento (AR), fls. 212, o contribuinte apresentou, em 16/07/2013, recurso voluntário, fls. 214/232, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Das presumidas omissões de receitas – Valendose do somatório dos créditos lançados na conta bancária aberta pelo contribuinte, onde fazia os depósitos das receitas auferidas nas rotineiras transações de compra e venda de gado que realizava na condição de intermediário, a fiscalização, mesmo sabendo que não exerce outra atividade, e que utilizava a conta bancária apenas como um ponto de passagem dos recursos até serem entregues aos reais fornecedores do gado, considerou os ingressos na conta como sendo receitas próprias omitidas à tributação e, ainda, as respectivas saídas como sendo despesas não dedutíveis realizadas nos respectivos períodos. Os depósitos bancários, quando muito, podem configurar meros indícios da auferição de rendas ou de proventos de qualquer natureza. Inconcebível, no entanto, Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.722324/201284 Acórdão n.º 2102003.191 S2C1T2 Fl. 239 3 que meras passagens de recursos pela conta do contribuinte sejam tomadas pelo fisco como renda. Os depósitos bancários podem ser provenientes de incontáveis negócios, sem que qualquer deles represente aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos. É justamente por isso que o CTN, art. 43, não ampara e jamais amparou a tributação pura e simples dos depósitos bancários, como vem sendo arbitrariamente feito a partir da engendrada Lei nº 9.430, de 1996. O depósito bancário, mesmo após o advento da Lei nº 9.430, de 1996, não constitui se, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Em se tratando de rendimentos decorrentes da atividade rural sujeitos à apuração do imposto de renda conforme a Lei nº 8.023, de 1990, e modificações posteriores, é cabível a aplicação do disposto no art. 18, caput e § 2º da Lei nº 9.250, de 1995. As receitas omitidas integram a receita bruta e em razão da falta de escrituração e da não comprovação de origem dos recursos firmase a presunção legal que autoriza o arbitramento da base de cálculo, na forma preconizada pelo autor. Assim, o cálculo deve ser refeito, utilizando como base de cálculo as receitas omitidas, à razão de 20%. No caso em análise, o evento típico que o fisco alega ter ocorrido por força do que estabelece a Lei nº 9.430, de 1996, omissão de receitas ou rendimentos , em valor equivalente ao somatório dos depósitos supostamente não justificados, mesmo porque as respectivas saídas sequer foram avaliadas, não pode ser tido como prova de renda em razão das argumentações alhures expendidas. É o Relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.722324/201284 Acórdão n.º 2102003.191 S2C1T2 Fl. 240 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelos arts. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997 e 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeito ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. No recurso, a defesa alega que o art. 43 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) não ampara a tributação pura e simples dos depósitos bancários, como vem sendo arbitrariamente feito a partir da Lei nº 9.430, de 1996. Optando por essa linha de argumento, o contribuinte subtrai a discussão do âmbito da competência deste Colegiado. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de consentaneidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. É bem possível que as leis padeçam de eventuais vícios, inclusive resultante de atuação dos legisladores com exorbitância de suas atribuições constitucionais. Todavia, deve ficar claro que elaborar juízo de valor acerca dessa matéria e, eventualmente, determinar o afastamento de normas legais em decorrência de eivas é atribuição privativa do Poder Judiciário, que não pode ser usurpada pelos julgadores administrativos. Por essa razão, inconformismos da espécie devem ser desfraldados em face do Poder Judiciário. Aliás, este é o entendimento exarado na Súmula CARF nº 02, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.722324/201284 Acórdão n.º 2102003.191 S2C1T2 Fl. 241 5 É certo também que a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, mencionada pela defesa, encontrase superada, posto que relacionada aos lançamentos efetuados antes da vigência da Lei nº 9.430, de 1996. Ressaltase que quando o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o artigo 43 do CTN. Ora, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Como se vê, o próprio dispositivo legal definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, sendo certo que a falta de demonstração de disponibilidade econômica ou jurídica de renda não tem nenhuma influência no lançamento calcado na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, o patrimônio do contribuinte não influencia a caracterização da presunção. Aliás, a Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, traduz tal entendimento quando afirma que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. No que se refere à comprovação da origem dos créditos efetivados nas contas bancárias do recorrente, a defesa alega tratarse de recursos provenientes da atividade de intermediação na compra e venda de gado. Contudo, tal alegação carece de comprovação. Salvo a apresentação, durante o procedimento fiscal, de cópia de doze notas fiscais, fls. 129/145, relativas a compra e venda de gado, nenhum outro documento foi apresentado pela defesa, sendo certo que, diante do volume de recursos movimentados pelo recorrente em suas contas bancárias, tais notas fiscais não podem ser tomadas como comprovação de que a totalidade dos créditos investigados tenham como origem tal atividade. Aliás, as notas fiscais sequer podem ser tomadas como comprovação inequívoca de que o contribuinte exercia tal atividade. Ressaltese que os créditos bancários nos anoscalendário 2008 e 2009 foram de R$ 5.933.132,07 e R$ 4.624.206,04, respectivamente, ao passo que as notas fiscais apresentadas perfazem o somatório de R$ 43.522,00 e R$ 257.524,86, nos mesmos períodos. Digase que, para o cancelamento da infração, não basta que o contribuinte diga que os recursos são provenientes da atividade de compra e venda de gado. Tal atividade deve estar devidamente comprovada, assim como devese comprovar que os recursos Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.722324/201284 Acórdão n.º 2102003.191 S2C1T2 Fl. 242 6 movimentados em suas contas bancárias são oriundos de tal atividade. Sem tais comprovações deve prevalecer a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Também não pode prosperar a tese defendida pela defesa de aplicação do disposto no art. 18, caput e § 2º da Lei nº 9.250, de 1995, posto que referida legislação cuida da tributação da atividade rural. Veja que o contribuinte afirmou que os recursos são advindos da atividade de intermediação na compra e venda de gado. Ora, tais atividades – intermediação na compra e venda de gado e atividade rural – são completamente distintas. E, ainda que não fossem, vale repisar que o contribuinte não comprovou que os recursos movimentados em suas contas bancárias são oriundos de intermediação na compra e venda de gado, tampouco, que sejam decorrentes da atividade rural. Nestes termos, o lançamento deve ser mantido, posto que não restou comprovada a origem dos recursos creditados nas contas bancárias do contribuinte. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10314.002992/2011-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 04/03/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/03/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/03/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/03/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 29 92 /2 01 1- 91 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002992/201191 Acórdão n.º 3803006.611 S3TE03 Fl. 487 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/03/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002992/201191 Acórdão n.º 3803006.611 S3TE03 Fl. 488 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002992/201191 Acórdão n.º 3803006.611 S3TE03 Fl. 489 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.002992/201191 Acórdão n.º 3803006.611 S3TE03 Fl. 490 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16561.000189/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
IN SRF 243/02. PROPORCIONALIZAÇÃO. LEGALIDADE.
A proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 é uma interpretação razoável e que não desborda dos parâmetros hermenêuticos do art. 18, II, da Lei 9.430/96.
ACONDICIONAMENTO PARA FINS COMERCIAIS. PRL 60. APLICÁVEL.
As operações que se restringem ao acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca se enquadram no conceito legal de industrialização, pois, inegavelmente, há agregação de valor ao produto, razão pela qual, correta a aplicação do PRL60. Apenas o acondicionamento feito unicamente com o propósito de facilitar o transporte do produto fica afastado do conceito de industrialização.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Leonardo Marques.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Leonardo Marques, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Waldir Rocha.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF 243/02. PROPORCIONALIZAÇÃO. LEGALIDADE. A proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 é uma interpretação razoável e que não desborda dos parâmetros hermenêuticos do art. 18, II, da Lei 9.430/96. ACONDICIONAMENTO PARA FINS COMERCIAIS. PRL 60. APLICÁVEL. As operações que se restringem ao acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca se enquadram no conceito legal de industrialização, pois, inegavelmente, há agregação de valor ao produto, razão pela qual, correta a aplicação do PRL60. Apenas o acondicionamento feito unicamente com o propósito de facilitar o transporte do produto fica afastado do conceito de industrialização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF 243/02. PROPORCIONALIZAÇÃO. LEGALIDADE. A proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 é uma interpretação razoável e que não desborda dos parâmetros hermenêuticos do art. 18, II, da Lei 9.430/96. ACONDICIONAMENTO PARA FINS COMERCIAIS. PRL 60. APLICÁVEL. As operações que se restringem ao acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca se enquadram no conceito legal de industrialização, pois, inegavelmente, há agregação de valor ao produto, razão pela qual, correta a aplicação do PRL60. Apenas o acondicionamento feito unicamente com o propósito de facilitar o transporte do produto fica afastado do conceito de industrialização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Leonardo Marques. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 89 /2 00 8- 81 Fl. 3980DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Leonardo Marques, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Waldir Rocha. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1624.706 da 5ª Turma da DRJ/SP1 (doc. a fls. 3900 – vol. XII), cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. Em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do anocalendário, em 31 de dezembro. A partir dessa data, e não da data dos recolhimentos antecipados, tem inicio a contagem do prazo decadencial. PREÇOS DE TRANSFERENCIA. AJUSTES PRL20. CONCORDÂNCIA COM A EXIGÊNCIA FISCAL. Tendo a contribuinte concordado com a exigência fiscal decorrente dos ajustes efetuados com base no método PRL20 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%), mantémse a exigência. PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20. O método do PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no Pais, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. PREÇOS DE TRANSFERENCIA. MÉTODO CAP. AJUSTE DIPJ NÃO CONSIDERADO. Tendo a fiscalização deixado de considerar ajuste declarado pela contribuinte em sua DIPJ (exportação, método CAP Custo de Aquisição ou Produção mais Tributos e Lucro), exonerase parcialmente a exigência. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo A esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica apl tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1624.706 em 13/04/2010 (AR a fls. 3920, vol. XII), interpôs, em 12/05/2010, recurso voluntário (doc. a fls. 3921 e segs. – vol. XII), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que a Recorrente é empresa do ramo farmacêutico que, no regular exercício de suas atividades, é contribuinte de diversos tributos, dentre os quais, ao que interessa o presente Recurso Voluntário, do IRPJ e da CSLL; b) que a Recorrente importou determinados medicamentos de empresa a ela vinculada no exterior, sendo que tais medicamentos foram importados: (i) "in bulk" ou "a granel", ou seja, em sua forma acabada, sendo embalados, rotulados e revendidos Fl. 3981DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000189/200881 Acórdão n.º 1302001.584 S1C3T2 Fl. 3.981 3 no Brasil pela Recorrente ou (ii) na forma de princípios ativos, estando sujeitos adição de excipientes no Brasil; c) que, sendo as transações realizadas com pessoa vinculada no exterior, a Recorrente efetuou os cálculos previstos na Lei 9430/96 a fim de que fossem realizados os ajustes de preços de transferência, os quais foram feitos com base no Método Preço de Revenda Menos Lucro PRL, com aplicação de margem de lucro de 20% ("PRL20%") nos casos dos medicamentos importados em sua forma acabada (a granel) ou com aplicação de margem de 60% ("PRL60%); d) que, não obstante a perfeita adequação dos procedimentos adotados pela Recorrente à legislação em vigor, a Recorrente foi surpreendida pela lavratura de Auto de Infração apontando as seguintes supostas infrações cometidas pela Recorrente ao calcular seu IRPJ e CSL no anocalendário de 2003: d.1) que a Recorrente teria supostamente realizado ajustes de Preços de Transferência referentes à importação de 11 (onze) produtos com a utilização do Método PRL 20% a menor,sendo que, nesse ponto, a D. Fiscalização alega que a Recorrente deveria realizar ajustes adicionais no valor de R$ 1.115.573,38; d.2) que a Recorrente teria supostamente realizado ajustes de Preços de Transferência referentes à importação de 31 (trinta e um) produtos com a utilização do Método PRL 60% a menor, sendo que tais produtos são produtos importados a granel e princípios ativos e a D. Fiscalização utilizandose do PRL 60% recalculou os ajustes feitos pela Recorrente e em consequ ência resultaram ajustes adicionais no valor de R$ 30.583.949,73; e d.3) que a Recorrente teria supostamente realizado ajustes de Preços de Transferência referentes à exportação de 38 (trinta e oito) produtos com a utilização do Método Custo de Produção mais Lucro (Método CAP) a menor, sendo que, nesse ponto, a D. Fiscalização alega que a Recorrente deveria realizar ajustes adicionais no valor de R$ 1.310.508,20; e) que, em decorrência do auto de infração, a Recorrente foi intimada a proceder à retificação de seu Livro de Apuração do Lucro Real LALUR relativo ao ano calendário de 2003, para retificar seu saldo de prejuízo fiscal e da base negativa da CSL no valor de R$ 33.010.031,31; f) que, impugnada a autuação, a a D. Autoridade Julgadora de primeira instância entendeu que: f.1) em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do anocalendário, em 31 de dezembro, e, a partir dessa data, e não da data dos recolhimentos antecipados, tem inicio a contagem de prazo decadencial; f.2) os medicamentos importados a granel devem ter seus ajustes calculados pelo método PRL com margem de 60%, e, nesse ponto, a D. Autoridade Julgadora entendeu que haveria agregação de valor ao produto no pais e por esta razão a Recorrente deveria utilizar o método PRL 60%; f.3) quanto à ilegalidade da IN 243/02, a competência para apreciação da ilegalidade de instruções normativas seria exclusiva do judiciário; f.4) que a fiscalização deixou de considerar ajuste declarado pela Recorrente em sua DIPJ (exportação, método CAP), exonerandose parcialmente a exigência; e f.5) a aplicação da multa de oficio e o cálculo dos juros de mora tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade; g) quanto à decadência que: Fl. 3982DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 g.1) se há pagamentos mensais de tributos ao longo do período base, lícito pressupor a ocorrência de fatos geradores mensais do IRPJ e da CSL, tanto isso é verdade que, caso o contribuinte, por um lapso ou mesmo por sua opção, não realize os recolhimentos mensais por estimativa, a D. Fiscalização exige a multa isolada e também eventuais diferenças dos tributos, logo, nesses casos, não permitido ao contribuinte sustentar que o fato gerador do IRPJ e da CSL só ocorrem em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, portanto, claro está que há fatos geradores mensais do IRPJ e da CSL; g.2) referida autuação não merece prosperar, uma vez que operaram os efeitos do instituto da decadência no que tange o período anterior a de 10.12.2003. Isso porque, o artigo 150, § 4º, do CTN determina que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a Fazenda Pública terá o prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para questionar o recolhimento do tributo efetuado pelo contribuinte; g.3) que a lavratura do Auto de Infração em comento ocorreu apenas em 10.12.2008, decaiu o direito da D. Fiscalização Federal de se pronunciar acerca dos supostos débitos do imposto de renda sobre o lucro inflacionário relativos ao período de janeiro a dezembro de 2003; g.4) que, partindose desta premissa, temse que a presente autuação somente poderia se referir a fatos geradores ocorridos a partir de 10.12.2003, não podendo atingir as operações realizadas antes deste período, logo, resta comprovado que se operou decadência quanto ao direito de o Fisco exigir qualquer parcela do IRPJ e da CSL relativos aos meses de janeiro ate dezembro de 2003, devendo o Auto de Infração, em relação a tais fatos geradores, ser cancelado de plano; h) quanto aos Produtos Importados a granel: h.1) que tange aos produtos importados em sua forma final, a Recorrente calculou seus ajustes pelo Método PRL20%, haja vista não haver qualquer produção no Brasil que impusesse a necessidade de aplicação do Método PRL60%; h.2) que a decisão ora recorrida menciona que "os produtos importados a granel estão semiacabados, pois não estão prontos para venda ao consumidor final, devendo se submeter a um processo produtivo (ainda que mínimo) de blisterização, embalagem (caixa de apresentação) e aposição de marca"; h.3) que a própria decisão menciona que o “Perguntas e Respostas”da DIPJ/2004, nº 842, determina como segue: “Segundo previsão do §10 do art. 4º da IN SRF nº 243, de 2002, o PRL com margem de lucro de 20% (vinte por cento) não pode ser utilizado quando o produto importado houver sido adquirido para emprego na produção de outro bem. É possível a utilização do PRL nas hipóteses de acondicionamento ou reacondicionamento de produto importado? Sim. O acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem, serviço ou direito.” h.4) que, de acordo com o Dicionário Michaelis, acondicionamento é o ato ou efeito de acondicionar ou embalagem, empacotamento, enfardamento; h.5) que, curiosamente, a decisão menciona que "a ação da contribuinte sobre citados itens não se restringiu a simples acondicionamento/reacondicionamento que na definição do artigo 40, inciso IV do Decreto n° 2.637/98 (RIPI) destinase apenas ao transporte de mercadorias"; h.6) que não se pode atribuir conceituação do termo "acondicionamento" diferente daquela conceituada no direito privado, pois o artigo 110 do CTN, no tocante aos princípios do Direito Privado, claramente determina que "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados ou pelas Leis Orgânicas dos Municípios, para definir ou limitar Fl. 3983DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000189/200881 Acórdão n.º 1302001.584 S1C3T2 Fl. 3.982 5 competências tributárias"; h.7) que de acordo com o "Perguntas e Respostas" citado acima "É possível a utilização do PRL nas hipóteses de acondicionamento ou reacondicionamento de produto importado" (...) visto que o_"acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem, serviço ou direito", logo, a Recorrente agiu em plena consonância com a diretiva da Receita Federal; h.8) que a Recorrente inclusive citou em sua Impugnação a Resolução Anvisa RDC n° 350, de 28 de dezembro de 2005, a qual, ao definir produto a granel como "produto processado que se encontra em sua forma definitiva" apenas faltando "o acondicionamento e embalagem para ser considerado produto terminado", demonstrando que os produtos por ela importados seriam apenas acondicionados localmente; h.9) cabe ainda notar que o "Perguntas e Respostas" é uma "norma complementar" que demonstra "práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas" que deverá ser observada não apenas pela D. Fiscalização, mas também pelos órgãos administrativos de julgamento, nos termos do art. 100 do CTN; h.10) que, pelo parágrafo único do art. 100 do CTN, a observância do "Perguntas e Respostas", enquanto "norma complementar", obstará a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo anteriormente cobrado pela D. Fiscalização; h.11) que, tendo em vista que a Recorrente revendeu os medicamentos importados sem submetelos a qualquer processo produtivo precedente, houve por bem utilizar o método PRL20% para efetuar os cálculos de ajustes de preços de transferencia; h.12) que se considerasse que a Recorrente deveria aplicar o método PRL 60% para calcular os ajustes referentes aos produtos importados a granel, o que se admite apenas para argumentar, tais cálculos deveriam ter sido feitos com base na sistemática prevista na Lei 9430/96, alterada pela Lei 9959/00, e não conforme a metodologia prevista pela IN 243/02; i) quanto à ilegalidade da IN 243/02: i.1) que, com a edição da Lei 9.959/00, restou expressamente permitida a utilização do método PRL no caso da importação de bens aplicados à produção, sendo que a modificação trazida pela Lei 9959/00 com relação à sistemática anterior é que deveria ser considerada uma margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço de revenda, diminuído das deduções previstas na Lei 9.430/96 e do valor agregado no Pais; i.2) que a Lei 9430/96, com as alterações trazidas pela Lei 9959/00 deixa claro que o método PRL deveria ser calculado com base no preço de venda do bem produzido, e que este deveria ser tomado em seu valor absoluto, sendo que, com base nesse valor, seriam feitas as deduções previstas e diretamente calculada a margem de lucro e, Finalmente, a margem de lucro seria diretamente diminuída do preço líquido de venda, para apuração do preço parâmetro, sem qualquer cálculo adicional; i.3) que, no entanto, a IN 243/02 modificou a estrutura do PRL no caso de bens aplicados à produção, introduzindo um procedimento adicional, pois, nos termos da IN 243/02, é necessário efetuar um cálculo proporcional sobre o preço líquido de venda, para somente depois determinar o valor da margem de lucro e o prego parâmetro aplicável; i.4) que a sistemática da IN 243/02 claramente não segue os parâmetros estabelecidos pela Lei 9430/96, alterada pela Lei 9959/00, e provoca um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis, introduzindo uma série de elementos no cálculo do PRL 60% que sequer se interpretam do artigo 18, II, da Lei 9.430/96; i.5) que a margem de lucro de 60%, nos termos da IN 243/02, deve ser aplicada somente sobre o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de Fl. 3984DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 venda, e não sobre o preço líquido de venda total, como determina a Lei 9.430/96; i.6) que, por meio da proporcionalização prevista na IN 243/02, o desconto do valor agregado não se faz na apuração da margem de lucro (como propõe a alínea do inciso II do artigo 18 da Lei 9.430/96), mas sim diretamente do preço liquido de venda, como se o valor agregado fosse equivalente aos descontos, impostos e comissões, previstos nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do artigo 18, II, da Lei 9.430/96; i.7) que os ajustes determinados pelas regras de preços de transferência são diretamente agregados à base de cálculo do IRPJ e da CSL, tendo consequ ências imediatas na determinação do montante do debito fiscal do contribuinte, logo, podemos concluir que a alteração no modo de cálculo do método PRL modifica o próprio critério de determinação da base de incidência tributária, assim, jamais poderia ser introduzida por uma Instrução Normativa, que é norma secundária de direito tributário; i.8) que é claro que a IN 243/02, enquanto norma regulamentar secundária, jamais poderia alterar o critério legal de apuração do PRL, agregando novos componentes às disposições da Lei 9430/96, alterada pela Lei 9959/00, de modo a tornar mais onerosos os ajustes tributáveis de preços de transferência; i.9) que a ilegalidade da IN 243/02 já foi objeto de pronunciamento do Judiciário, se não vejamos o seguinte excerto de sentença exarada pelo DD. Magistrado da 9ª Vara da Justiça Federal em Sao Paulo: "De fato, a utilização do critério do 'preço parâmetro', que leva em conta a diferença entre o valor da ‘participação do bem, serviço ou direito importado no preço da venda do bem produzido’, e a margem de lucro, como previu o art. 12, § 11, V, da Instrução Normativa n° 243/2002, distorce os critérios estabelecidos na Lei nº 9.430/96, resultando em um preço de transferência distinto do legalmente estabelecido. De outra parte, não se pode admitir que a Instrução Normativa n° 243/2002 funcione como 'norma interpretativa' da Lei n° 9.430/96.”. i.10) que ainda que se considerasse que a Recorrente deveria utilizar o PRL60% para calcular os ajustes referentes aos produtos importados a granel, tais ajustes deveriam ter sido calculados em conformidade com a Lei 9959/00, face à ilegalidade das disposições da IN 243/02; i.11) que como se pode notar da leitura do dispositivo, o novo método trazido pela MP 478/09 é bastante similar ao previsto na IN 243/02, portanto, a MP 478/09 visa a trazer em lei aquilo que só estava previsto na IN 243/02, ou seja, a ilegalidade da IN 243/02 é tão patente que o legislador buscou trazer por meio de lei aquilo que estava previsto somente em diploma administrativo; j) quanto aos Princípios Ativos: j.1) que, dos 31 (trinta e um) produtos importados pela Recorrente de pessoa vinculada, 13 (treze) produtos foram importados na forma de princípios ativos; j.2) que, com relação a estes produtos, a Recorrente conservadoramente utiliza o método PRL60% para efetuar os seus ajustes, com exceção apenas do produto de Código 20025, "Matériaprima para uso em medicamento", que por equívoco teve seu ajuste calculado com base no Método PRL 20%; j.3) que, todavia, a D. Fiscalização aponta que os ajustes efetuados pela Recorrente não são suficientes, de modo que deveria ser efetuado um ajuste adicional de R$ 5.463.849,25; j.4) que, ao efetuar os seus cálculos, a D. Fiscalização utilizou a metodologia prevista na IN 243/02, que como visto acima, é patentemente ilegal, logo, por esta razão, a D. Fiscalização acabou por chegar a valores de ajuste superiores aos calculados pela Recorrente; Fl. 3985DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000189/200881 Acórdão n.º 1302001.584 S1C3T2 Fl. 3.983 7 j.5) que, no entanto, caso a D. Fiscalização tivesse efetuado estes cálculos com base na metodologia prevista na Lei e não na IN 243/02, o que seria o correto, não se chegaria a qualquer ajuste adicional ou ao menos chegarseia a ajustes bem menores; l) que a multa de ofício configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, na medida em que alem de não ter havido fraude ou sonegação, acompanhadas de dolo ou máfé, o valor exigido a titulo de multa punitiva é extremamente elevado, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida pela D. Autoridade Julgadora; m) que, no que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 3950 e substabelecimento a fls. 3951, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, alerto que, embora a decisão recorrida tenha mantido o ajuste de exportação (CAP) no montante de R$ 1.310.196,34 (foi excluído do valor lançado apenas R$ 311,86), a recorrente só se insurgiu, na sua peça recursal, contra os ajustes de importação (PRL20 e PRL60) no montante de R$ 31.699.523,11. Em segundo, cabe alertar que a autuação em tela versa apenas sobre ajustes de preços de transferência que resultaram em glosa de saldo de prejuízos fiscais e de bases negativas, conforme itens dos autos de infração a fls. 463 e 467, logo, é impertinente a questão levantada pela recorrente sobre lucro inflacionário. DA DECADÊNCIA O fato gerador do IRPJ, para os optantes pelo lucro real anual, ocorre em 31 de dezembro de cada ano, sendo que as apurações mensais do imposto sobre a base estimada nada mais são do que meras antecipações do que será definitivamente devido ao final do ano. Assim, totalmente descabida a alegação da recorrente de que o fato gerador do IRPJ seria mensal, para quem faz antecipações sobre a base estimada. Logo, para o fato gerador de 31/12/2003, o Fisco tinha o prazo para efetuar o lançamento: até 31/12/2008, se aplicável o art. 150, §4º, do CTN; ou 31/12/2009, se aplicável a regra do art. 173, I, também do CTN. Assim sendo, no presente caso, seja qual for a regra decadencial aplicada, não há que se falar em decadência, já que o lançamento foi efetuado em 11/12/2008 (data da ciência conforme doc. a fls. 462, vol. 03). DOS PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL Fl. 3986DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 No mérito, a primeira questão posta em julgamento reside em saber se o processo de blisterização, embalagem e aposição de marca porque passaram os produtos importados a granel impunha a adoção do PRL60. Primeiramente, saliento que o art. 18, II, d, 1 da Lei 9.430/96 (vigente à época) dispunha que o PRL60 era aplicável em caso de “na hipótese de bens importados aplicados na produção”. Ora, bens aplicados na produção são insumos no processo de industrialização, logo, há que se perquirir se o processamento consistente na blisterização, acondicionamento e aposição de marca podem ser entendido como industrialização segundo o Direito pátrio. O art. 3º, II, da Lei 4.502/64 dispõe que não se considera industrialização o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. Assim, é nesse sentido que deve ser entendida a resposta dada no “Perguntas e Respostas” da RFB, citado pela recorrente. Apenas o acondicionamento feito unicamente com o propósito de facilitar o transporte do produto fica afastado do conceito de industrialização. Tanto é assim, que o RIPI/10, no seu art. 4º, IV, ao interpretar o art. 3º, II, da Lei nº 4.502/64, dispõe que se considera industrialização a operação que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). Ora, no presente caso, fica claro que a operação não se restringia ao acondicionamento apenas para o transporte, mesmo porque havia a alteração da apresentação do produto. Ademais, é inegável que a aposição de marca agrega valor ao produto, pois, por exemplo, 50 mg de Citrato de Sildenafil valem menos do que 50 mg de Viagra, ainda que aquele seja o princípio ativo desse, tendo em vista a reputação da marca “Viagra” no mercado. Por último, não há como negar que a blisterização (colocação dos comprimidos em cartelas) também agrega valor ao produto, já que facilita o manuseio e aumenta a segurança contra a violação do produto. Assim, a operação em tela se enquadra no conceito legal de industrialização e inegavelmente agrega valor ao produto, razão pela qual, correta a aplicação do PRL60 para apuração dos ajustes no caso de venda de produtos importados a granel, após sofrerem o processo de blisterização, embalagem e aposição de marca. DA LEGALIDADE DA IN 243/02 A segunda questão posta em julgamento neste Colegiado reside em saber se a metodologia de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60 previsto nos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 encontra amparo na norma legal de regência, ou seja, no inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Inicialmente, ressalvo que qualquer instrução normativa da Receita Federal que veicule matéria sob reserva legal, na parte em que desbordar da simples literalidade da norma legal de regência, nada mais é do que mera interpretação da administração tributária. Muitas das vezes, as instruções normativas da Receita Federal cumprem, extraordinariamente, a função de consolidar normas legais esparsas, estruturandoas de forma a tornar mais fácil a consulta pelos diversos operadores do Direito Tributário (auditores, advogados, contadores etc). Isso decorre do fato de que as instruções normativas percorrem um trâmite muito mais célere para sua publicação do que os Decretos (diploma apropriado para veicular regulamentos de tributos), o que as torna mais aptas a acompanharem o dinamismo (volatilidade) das leis tributárias. Todavia, a força normativa dos dispositivos da Instrução Normativa como do Decreto, em matéria sob a estrita legalidade (art. 150, I, CF/88), não decorre de tais atos por si só, mas das LEIS que os fundamentam. Assim, tanto o Decreto como a Instrução Normativa só Fl. 3987DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000189/200881 Acórdão n.º 1302001.584 S1C3T2 Fl. 3.984 9 têm força normativa, em matéria sob reserva legal, quando sejam meras transcrições de normas legais em vigor (consolidações de normas legais) ou, quando dispositivos autônomos, estes se enquadrarem nos parâmetros hermenêuticos da norma legal de regência da matéria. Com efeito, a norma jurídica, em matéria sob estrita legalidade, é apenas aquela veiculada por LEI ou Medida Provisória (observados os limites estabelecidos no § 2º do art. 62 da CF/88). Logo, os dispositivos da Instrução Normativa que desbordam da simples literalidade da norma legal não são normas jurídicas, mas meras interpretações da administração tributária, cabendo, assim, ao intérprete verificar se tal exegese encontra amparo na LEI. Tanto é assim, que o Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 203/2012), no inciso II do seu art. 1º dispõe que é finalidade da Receita Federal do Brasil “interpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções à sua execução”. É verdade que, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, este Colegiado é obrigado a observar interpretações exaradas em pareceres da Procuradoria da Fazenda Nacional, quando ratificados pelo Ministro de Estado da Fazenda. Tratase, apenas, de uma regra de competência que não transforma o parecer em norma jurídica, mas apenas em uma interpretação vinculante para os órgãos do Ministério da Fazenda. Da mesma forma, os julgadores da Delegacia de Julgamento da Receita Federal estão vinculados, por uma regra de competência, às interpretações exaradas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por meio de Atos Declaratórios e Instruções Normativas. Vínculo esse ao qual não está submetido o julgador do CARF, até mesmo porque é função deste Colegiado fazer o juízo de legalidade das interpretações da lei tributária feitas pela RFB. Pelo contrário, as interpretações do CARF é que podem vincular a RFB, uma vez que, por proposta do Presidente do CARF, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica de nível nacional, habilitadas à indicação de conselheiros, o Ministro de Estado da Fazenda poderá atribuir à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal (art. 75 do Anexo II da Portaria MF 256/09). Notese, por igual ao já dito, que não se trata de erigir a Súmula CARF à categoria de norma jurídica, mas de mera interpretação da norma tributária vinculante à toda administração. Assim, primeiramente, temos que os incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 não veiculam uma norma jurídica, pois não encontra amparo ipsis litteris no inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Em verdade, os referidos incisos do § 11 são mera interpretação da Receita Federal do disposto no inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96, o qual deve ser objeto de juízo de legalidade por parte do julgador deste CARF, mormente por tal questão ser objeto do recurso voluntário. Assim, passo a analisar a questão posta, razão pela qual vale a transcrição dos dispositivos em cotejo: LEI 9.430/96 “Art. 18. Omissis. [..] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 3988DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; [..]” IN SRF 243/02 “Art. 12. Omissis. [...] § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV.” Sustenta a recorrente que a margem de lucro de 60%, nos termos da IN 243/02, deve ser aplicada somente sobre o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido de venda total, como determina a Lei 9.430/96 e que, por meio da proporcionalização prevista na IN 243/02, o desconto do valor agregado não se faz na apuração da margem de lucro (como propõe a alínea do inciso II do artigo 18 da Lei 9.430/96), mas sim diretamente do preço liquido de venda, como se o valor agregado fosse equivalente aos descontos, impostos e comissões, previstos nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do artigo 18, II, da Lei 9.430/96. Ou seja, sustenta a recorrente que o cálculo do preço parâmetro devia seguir a equação abaixo: Preço parâmetro = PLV – 60% (PLV – VA), onde PLV é o preço líquido de venda e VA é o valor agregado no país. Fl. 3989DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000189/200881 Acórdão n.º 1302001.584 S1C3T2 Fl. 3.985 11 Assim, essa linha interpretativa, que foi adotada pela IN SRF 32/01, sustenta que o percentual de 60% deva incidir sobre o preço líquido de revenda já diminuído do valor agregado, o qual entende ser a diferença entre o custo total e o os insumos importados. Essa, certamente, não é a melhor exegese, pois, concordo com o Ilustre Conselheiro João Thomé, quando sustentou que: “Portanto, em que pese a formulação do texto legal, quanto à sua disposição nas alíneas e itens, do inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, não tenha atendido à melhor técnica legislativa, o fato é que as regras de concordância da língua portuguesa levam à conclusão de que a segunda parte do item 1 (‘e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção’) exerce a função, em verdade, de uma alínea à parte, dissociada do cálculo da margem de lucro, i.e., consta ali como se se tratasse de uma alínea ‘e’, aplicável, contudo, somente no caso de bens importados aplicados à produção, mas não às demais hipóteses” (trecho da declaração de voto no Acórdão nº 110200.419, conforme transcrição em Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, 3ª ed., ed. Dialética, p. 254, obra de Luís Eduardo Schoueri). Ademais, por essa interpretação, o inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 levaria ao mesmo preço parâmetro para os diversos insumos importados que compussessem o produto vendido, já que não leva em conta, nos cálculos, a participação do custo unitário de cada insumo importado no custo total. Isso também torna a norma inócua toda vez que a participação do insumo importado no custo total não for majoritária, o que não significa, em absoluto, que não se possa transferir lucros para coligadas no exterior por meio de superfaturamento em importação de insumos de menor participação no custo total do produto. A título ilustrativo, vejamos que, se o preço líquido de venda for, no mínimo, 60% superior ao custo total, desde que o custo do insumo importado não ultrapasse 40% do custo total, não haverá ajuste de preços de transferência. Por exemplo, desde que o preço líquido de venda do automóvel seja, no mínimo, 60% superior ao custo total (insumos importados mais valor agregado), os pneus podem ser importados da coligada no exterior por até 40% do custo total do automóvel que nenhum ajuste de preços de transferência seria gerado relativo a este item. Logicamente, que tal exegese não é a melhor, pois ela anula a finalidade da norma, bastando para tal que se manipule apenas esses dois fatores. Importante também lembrar que a norma de preços de transferência não visa conceder benefícios fiscais nem estimular a produção nacional, pois o seu objetivo é apenas impedir a transferência de bases tributárias para outras jurisdições, pelos diversos motivos que levam os contribuintes a fazêlo, inclusive para reduzir carga tributária. O vetusto, mas nunca esquecido, ensinamento de Carlos Maximiliano professava que: “A palavra é um mau veículo do pensamento; por isso, embora de aparência translúcida a forma, não revela todo o conteúdo da lei, resta sempre margem para conceitos e dúvidas; a própria letra nem sempre indica se deve ser entendida à risca, ou aplicada extensivamente; enfim, até mesmo a clareza exterior ilude; sob um só invólucro verbal se conchegam e escondem várias idéias, valores mais amplos e profundos do que os resultantes da simples apreciação literal do texto” (in Hermenêutica e Aplicação do Direito, ed. Forense, 17ª ed., p. 36). Fl. 3990DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Com esse pensamento, afasto também uma segunda linha interpretativa que se contrapõe à do Fisco, a qual se prende ao conteúdo literal (gramatical) do inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96, para sustentar que o valor agregado deve ser diminuído do resultado da aplicação do percentual de 60% sobre o preço líquido de venda (PP = PLV – 60% PLV – VA). Ocorre que as duas linhas interpretativas tomam como plenamente definido na norma legal o método de cálculo pelo qual seria excluído o “valor agregado no País” do preço parâmetro, o que não é verdade. Assim, a questão posta reside em saber se da expressão “diminuídos... do valor agregado no país” poderia o exegeta concluir que deveria ser levado em conta, para aplicação do percentual de 60%, a parcela do preço líquido de vendas proporcional à participação do insumo importado sobre o custo total. Entendo que sim, pois a proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 é uma interpretação que atende o critério da: a) razoabilidade, pois é mais conforme com o espírito de uma norma (art. 18, II, da Lei 9.430/96) que visa o controle de preços de transferência na importação, garantindo um tratamento isonômico de contribuintes que se encontrem na mesma situação; b) adequação, pois não cabia ao legislador pormenorizar, em texto de lei, o método de cálculo do preço parâmetro, bastando que desse contornos legais, os quais são observados pela IN 243/02; e c) necessidade, pois retificou a equivocada interpretação dada pela IN SRF 32/01, aperfeiçoando o método de cálculo do PRL60, de forma a permitir o controle de preços de transferência quando mais de um insumo importado estiver compondo o produto final vendido. Vale trazer à colação o seguinte julgado que também sustenta a legalidade da IN SRF 243/02, in verbis: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (AMS 17381 Processo nº 2003.61.00.017381 4/SP, TRF/3ª Região). Em razão do exposto, nego provimento ao recurso também nesse ponto. DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS Fl. 3991DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.000189/200881 Acórdão n.º 1302001.584 S1C3T2 Fl. 3.986 13 Deixo de apreciar as questões relativas a: inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada e inaplicabilidade da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, por serem pontos de defesa que contrariam Súmulas deste Colegiado, a saber: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por último, tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.003852/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.232
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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(assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida 4ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Depreendese pela análise do presente processo administrativo que em desfavor da recorrente foi efetivado lançamento de ofício (fls. 95/118) ante a constatada falta de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 85 2/ 20 09 -2 3 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003852/200923 Resolução nº 1301000.232 S1C3T1 Fl. 3 2 recolhimento e/ou declaração por meio de DCTF – da contribuição relativa ao PIS, à COFINS e à CSLL, retidas na fonte de outras pessoas jurídicas de direito privado pela prestação de serviços, cujo registro havia sido realizado na conta contábil n° 021241519 OB. CP. CSLL, PIS, COFINS (MP135) S/SERV. TERC. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 91/93), houve o detalhamento dos procedimentos e intimações realizadas durante a ação fiscal, bem como enquadramento legal (art. 30, caput, e art. 31, caput, da Lei n° 10.833/2003; art. 35 da Lei n° 10.833/2003, com a redação dada art. 5° da Lei n° 10.925/2004; IN SRF n° 459/2004). A recorrente tomou ciência da autuação em 24/09/2009 (fls. 100, 109 e 116) e apresentou Impugnação distinta, uma para cada contribuição, de teor quase idêntico, protocoladas em 27/10/2009 (fls. 195/208, 210/223 e 225/23 8), alegando, em síntese, que a Fiscalização, equivocadamente, considerou como fato gerador das retenções a mera provisão contábil, em total descompasso com os valores devidos/recolhidos a tempo e modo, cuja realização se deu quando da efetiva ocorrência dos respectivos eventos. Sustentou ainda, não obstante o lançamento pautado na totalidade da provisão dos valores na conta contábil em questão, o agente fiscal teria deixado de suprimir em seu cálculo os valores dos pagamentos cuja retenção fora dispensada por força do § 3° do art. 31 da Lei n° 10.833/2003 pagamentos de valores iguais ou inferiores a R$ 5.000,00, dentro de um mesmo mês, defendendo que não foi observado, pela Autoridade Lançadora, alguns aspectos que normalmente influenciaram na periodicidade das retenções, como, por exemplo, postergação/parcelamento de pagamentos, ou a própria não realização da operação inicialmente provisionada. Segundo reputou a contribuinte, disso resulta que ocorreu a presunção da ocorrência do fato gerador das retenções sobre pagamentos realizados a outras pessoas jurídicas, simplesmente pelo desrespeito à previsão inicial constante no Razão da empresa e que não poderia aceitar a imputação, eis que acarretou a constituição da autuação em total descompasso com as determinações da legislação federal, que somente obrigam a realização de retenções sobre os pagamentos levados a efeito pela pessoa jurídica. Defendeu ainda, que a Autoridade Fiscal subverteu a verdade formal e material, por simples presunção, inexistindo presunção legal que suporte seu procedimento, tendo optado por constituir crédito tributário com base em uma previsão de recolhimentos/retenções futuras. Reputou que o artigo 110 do CTN estatui que “A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias, sendo que o que o Fisco está fazendo é simplesmente tributar uma conta de provisão contábil, como se esta fosse, por si só, “pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outra pessoas jurídicas de direito privado nos termos do art. 30 da Lei n° 10.833/2003. Insisitiu que no caso concreto a Autoridade lançadora ignorou o comando contido no Código Tributário Nacional, que determina que, no caso de dúvida e em face de circunstâncias materiais do fato, a observância do disposto no art. 112 do CTN se faz necessária, devendose interpretar em favor do réu, em razão, inclusive, do princípio da estrita legalidade tributária e que importam as provas materiais, válidas e objetivas, sendo que as presunções não só têm que estar autorizadas por lei como também não podem ultrapassar os Fl. 499DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003852/200923 Resolução nº 1301000.232 S1C3T1 Fl. 4 3 limites impostos pelo CTN quanto aos contornos materiais do fato gerador da obrigação tributária e dos elementos constitutivos que a caracterizam. Por fim, concluiu que não é possível conceber tributação de valores que, muito embora provisionados, parcela considerável dos itens listados na coluna “Lançamento” não necessariamente possam ter sido pagos naquele mês ou não, ou até mesmo cancelados, reputando que o antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou por reiteradas vezes no sentido de que mero erro de fato cometido pelo contribuinte não tem o condão de se transformar em fato gerador de imposto (fls. 203/204) e que não seria justo, tampouco razoável, exigir da empresa tributo por conta somente da ausência de correta contabilização de valores, principalmente quando o mesmo não acarretou qualquer prejuízo ao Fisco. Reafirmou que há dispensa legal de retenção de valores iguais ou abaixo de R$ 5.000,00, conforme previsto no § 3º, do art. 31 da Lei n° 10.833/2003, desde que ocorridos num mesmo mês e realizados para uma mesma pessoa jurídica e, portanto, o Agente Fiscal desconsiderou a hipótese legal de dispensa de recolhimentos, onerando o contribuinte com parcela de contribuição que a lei expressamente lhe exime de pagar. Insistiu não admitir que um mero erro de fato possa ser transformado em fato gerador de tributo, aduzindo ser imperioso o cancelamento da cobrança dos valores e multa lançados, em razão dos princípios da razoabilidade e, sobretudo, quando demonstrada a ausência de qualquer prejuízo ao Fisco. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 244 a 249, julgou o lançamento procedente, assentando que o lançamento se deu em razão da não comprovação de valores registrados na conta contábil n° 021241519 OB. CP. CSLL, PIS, COFINS (MP135) S/SERV. TERC, que não foram recolhidos/declarados, relembrando que a recorrente alegava, em linhas gerais, que a conta investigada seria uma conta de provisão, fato este não levado em consideração pela Fiscalização. Segundo a decisão recorrida, no entanto, a empresa foi intimada a comprovar as diferenças verificadas, declarando que a conciliação era difícil em razão da forma escolhida para se contabilizar essas operações, solicitando, inclusive, a juntada posterior de provas nos termos do § 6° do art. 21 do Decreto n° 70.235/ 1972. Diante disso, assinalou a decisão recorrida que a juntada posterior de provas deverá atender ao disposto no precitado artigo, e que nada foi trazido aos autos, até aquele momento, consignandose a ausência de documentos que comprovem a natureza e a forma de escrituração da conta contábil objeto da ação fiscal. Pontuouse ainda, que em se tratando de alegado erro de escrituração, deveria a contribuinte juntar documentos de ordem contábil e fiscal que o consubstanciassem minimamente, restando sem base probatória as alegações dessa ordem, não havendo falar em aplicação de presunção, eis que no presente caso se constatou a ausência de comprovação de recolhimentos de valores lançados em conta de passivo. Entendeuse ainda, que a legislação prevê a necessidade de manutenção da escrituração e documentos de suporte, que não foram apresentados até a decisão relatada, salientando, no que se refere ao argumento de que não foi respeitada a norma que não obrigava a retenção de valores acima de R$ 5.000,00, que a empresa também não fez semelhante prova. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003852/200923 Resolução nº 1301000.232 S1C3T1 Fl. 5 4 A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão mencionada acima (fl. 258), e interpôs Recurso Voluntário (fls. 265 em diante), reiterando seus argumentos consagradores, em resumo, de que a Fiscalização, equivocadamente, considerou como fato gerador das retenções a mera provisão contábil, em total descompasso com os valores devidos/ recolhidos a tempo e modo, realizado quando da efetiva ocorrência dos respectivos eventos. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003852/200923 Resolução nº 1301000.232 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Os Recursos Voluntários (a contribuinte apresentou recurso distinto para cada exigência) são tempestivos e dotados dos pressupostos de recorribilidade. Admitoos para julgamento. Conquanto a contribuinte tenha apresentado recursos distintos, como assinalado acima, a análise do presente caso comporta único enfrentamento porquanto as exigências são correlatas ao mesmo fato. Tal como registrado no relatório acima circunstanciado a recorrente foi autuada ante a não comprovação de que os valores registrados na conta contábil n° 021241519 OB. CP. CSLL, PIS, COFINS (MP135) S/SERV. TERC. foram recolhidos/declarados. De acordo com o disposto pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal de folhas 91 em diante, a recorrente foi intimada a esclarecer o ocorrido, apresentando resposta (fls. 43 e 44), na qual alegou que deparouse com dificuldade de demonstrar os pagamentos efetuados frente aos valores provisionados tendo e vista que houve desencontro das informações. Ainda de acordo com as constatações da Fiscalização, pela explicação prestada pela recorrente, evidenciavase um descontrole entre apuração e pagamento/declaração dos valores, sendo reintimada a apresentar a justificativa para as diferenças apuradas na tabela apresentada, sendo que, em números arredondados, constatou a Fiscalização que houve registro na contabilidade da retenção de RS l.353.000, pagamento de R$ 912.000 e declaração em DCTF de R$ 927.000, considerados os valores originais, sem levar em conta eventuais penalidades moratórias apurou a Fiscalização que a diferença entre o retido e o declarado em DCTF montaria em R$ 426.000, anotando que mesmo o sujeito passivo alegando dificuldades na conciliação dos valores não haveria como negar a vultosa diferença entre o valor apresentado na justificativa anterior a intimação e valor acima citado. Verificada a exata imputação da Fiscalização, e os elementos trazidos pela Contribuinte determino a baixa do processo em diligencia para verificar a integralidade dos pagamentos das contribuições retidas na Fonte. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 21/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10314.001947/2011-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/02/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/02/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/02/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/02/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 19 47 /2 01 1- 19 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001947/201119 Acórdão n.º 3803006.606 S3TE03 Fl. 297 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/02/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 08/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 22/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001947/201119 Acórdão n.º 3803006.606 S3TE03 Fl. 298 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001947/201119 Acórdão n.º 3803006.606 S3TE03 Fl. 299 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001947/201119 Acórdão n.º 3803006.606 S3TE03 Fl. 300 9 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10920.907764/2012-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 64 /2 01 2- 41 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907764/201241 Acórdão n.º 3803006.817 S3TE03 Fl. 67 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 1º de julho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907764/201241 Acórdão n.º 3803006.817 S3TE03 Fl. 68 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907764/201241 Acórdão n.º 3803006.817 S3TE03 Fl. 69 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em julho de 2005 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 26.687,10 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 14.154,83 (conforme índice de juros de 53,04% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 7.785,15, valor esse muito próximo, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907764/201241 Acórdão n.º 3803006.817 S3TE03 Fl. 70 5 com diferença de apenas R$ 0,53, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 7.784,62). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10166.730163/2013-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
COFINS. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA.
Não descaracteriza a condição de preço predeterminada a previsão de cláusula de correção monetária baseada no IGPM ou IPCA, pois tais índices no contrato têm como objetivo preservar o valor do preço predeterminado pelas partes, evitando, assim, os efeitos nefastos da inflação sobre os preços.
COFINS. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. INSTRUÇÃO NORMATIVA N 658/2006.
A Instrução Normativa n658/2006, da RFB, nunca poderia ter restringido o conteúdo do inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003, sem prévia autorização legal, em sentido expresso, nem a IN SRF n 468/2004, conforme reconhecido pelo STJ. Precedente judiciais e administrativos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. A Conselheira Mônica Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 COFINS. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA. Não descaracteriza a condição de preço predeterminada a previsão de cláusula de correção monetária baseada no IGPM ou IPCA, pois tais índices no contrato têm como objetivo preservar o valor do preço predeterminado pelas partes, evitando, assim, os efeitos nefastos da inflação sobre os preços. COFINS. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. INSTRUÇÃO NORMATIVA N 658/2006. A Instrução Normativa n658/2006, da RFB, nunca poderia ter restringido o conteúdo do inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003, sem prévia autorização legal, em sentido expresso, nem a IN SRF n 468/2004, conforme reconhecido pelo STJ. Precedente judiciais e administrativos. Recurso Voluntário Provido.
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ELETRONORTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 COFINS. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. ÍNDICES DE CORREÇÃO MONETÁRIA. Não descaracteriza a condição de preço predeterminada a previsão de cláusula de correção monetária baseada no IGPM ou IPCA, pois tais índices no contrato têm como objetivo preservar o valor do preço predeterminado pelas partes, evitando, assim, os efeitos nefastos da inflação sobre os preços. COFINS. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. INSTRUÇÃO NORMATIVA N 658/2006. A Instrução Normativa n658/2006, da RFB, nunca poderia ter restringido o conteúdo do inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003, sem prévia autorização legal, em sentido expresso, nem a IN SRF n 468/2004, conforme reconhecido pelo STJ. Precedente judiciais e administrativos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. A Conselheira Mônica Garcia de los Rios participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 01 63 /2 01 3- 12 Fl. 4255DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. Eletronorte, apurado por meio do Mandado de Procedimento Fiscal nº 01.1.01.002012026147 relativo ao cumprimento das obrigações tributárias referentes à Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, período de apuração 2009 e 2010. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal de fls. 4.011 a 4.075, entendeu a Fiscalização que a contribuinte, nos anos de 2009 e 2010, embora tendo apurado o PIS e a Cofins no regime cumulativo, já estava sujeita ao regime não cumulativo. Isso porque, a juízo da autoridade lançadora, não se aplicava no caso concreto o disposto no inciso XI, do art. 10, da Lei nº 10.833/2003. Foi descaracterizada a figura do preço predeterminado, dado quea contribuinte, apesar de intimada, não logrou comprovar que os reajustes dos preços ocorreram em função do acréscimo dos custos de produção ou de índices que refletissem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Portanto a contribuinte não teria demonstrado que os reajustes ocorreram em percentual não superior àqueles correspondentes ao acréscimo dos custos de produção. Os contratos foram reajustados pelo IGPM e IPCA. Concluiu a Fiscalização que esses índices refletem a variação dos preçosde uma forma geral, compreendendo desde produtos agrícolas até serviços finais ao consumidor, e, por isso, não atendem ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2005, nem à Instrução Normativa SRF nº 658/2006. Nenhum desses índices refletiria especificamente a variação ponderada doscustos dos insumos necessários à execução dos contratos firmados pela contribuinte, o que afastaria o caráter predeterminado dos preços praticados. A contribuinte apresentou Impugnação, em que alega o seguinte: As receitas cuja tributação se discute são decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. A Instrução Normativa SRF nº 658/2006, na linha do Fl. 4256DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 3403003.482 S3C4T3 Fl. 10 3 disposto no art. 109 a Lei nº 11.196/2005, reconheceu a aplicação do regime cumulativo aos contratos em que o ajuste de preço se efetivasse em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo do custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada os custos dos insumos utilizados; O preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/2003, fosse excluir os contratos com preço preestabelecido e clausula de reajuste, o termo empregado seria preço fixo e não preço predeterminado; A tarifa de energia elétrica é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, não cabendo às concessionárias decidir quanto à sua majoração. Existe manifestação da própria Receita Federal, nos processos administrativos 14033.003352/20818 e 10166.911300/200923, no sentido de que o regime aplicável à Cofins e ao PIS é o da incidência cumulativa; Quanto à multa, arguiu a inadequação do percentual, tendo em vista a boafé da impugnante, no mais, a penalidade tem caráter de confisco, cabendo, na eventualidade de ser mantido o lançamento, a redução do percentual para 20%. A DRJ julgou a Impugnação improcedente sob os seguintes fundamentos. Sobre a matéria, a Receita Federal, através da CoordenaçãoGeral de Tributação, se pronunciou pela Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, sustentando o entendimento de que o IGPM não atende à exigência do art. 109 da Lei nº 11.196/2005. A DRJ utiliza como fundamento a decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegreque apreciou questão semelhante ao presente processo, citando o voto da Relatora Ana Cristina Schneider Martins,que basicamente, se apega à aplicação da Instrução Normativa n 658/2006. A decisão utlizada como fundamento cita, ainda que: Portanto, em que pese orientação da ANEEL, que por meio da Nota Técnica n° 224/2006 SFF/ANEEL, entendeu que a utilização do IGPM não descaracteriza a condição de preço predeterminado dos contratos firmados pela autuada, esse não é o posicionamento adotado pela Receita Federal do Brasil. E finaliza o seu voto, concluindo pela Nota Cosit n 01/2007, anteriormente citado pela DRJ: A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil por meio da Nota Cosit no 1, de 16 de fevereiro de 2007 se posicionou de forma contrária ao entendimento da ANEEL. Essa posição foi corroborada pelo Parecer PGFN/CATn° 1610/2007, emitido pela CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que reitera suas alegações constantes na Impugnação, e descreve que em respostas aos Termos de Intimação 1 a 9, Fl. 4257DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 forneceu toda a documentação e explicações solicitadas pelo auditor fiscal, especialmente acerca da manutenção das receitas de contratos firmados anteriormente a outubro de 2003 no regime de tributação cumulativa. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A matéria é de conhecimento do CARF e do próprio Poder Judiciário e se refere à continuidade ou não de aplicação do regime cumulativo em contratos de fornecimento de bens e serviços firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme disposto no inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Mais especificamente, a discussão se refere à aplicação da condição de preço predeterminado aos contratos da Recorrente, firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 ano, de fornecimento de energia elétrica. De acordo com a Fiscalização, o que contou com a concordância da DRJ, o fato de os contratos da Recorrente conterem cláusula de correção monetária com base no IGPMFGV ou no IPCA desnaturaria a condição de preço predeterminado, sendo que a Recorrente não teria demonstrado que os reajustes ocorreram em percentual não superior àqueles correspondentes ao acréscimo dos custos de produção. Fl. 4258DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 3403003.482 S3C4T3 Fl. 11 5 Importante ressaltar que em decorrência da discussão centrarse no inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003, o artigo 109 da Lei n 11.196/2005, de caráter interpretativo, se aplica ao presente processo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. E, ainda, a Instrução Normativa n 658/2006, cujo artigo 3 assim dispõe: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Caracterizada a situação fática do presente processo, sobre a qual não há discussão, a matéria é exclusivamente de direito e, reitero, a matéria controvertida reside no enquadramento das cláusulas de correção monetária baseadas no IGPM e IPCA no contexto de preço predeterminado ou não. O inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003 não estabelece a definição de preço predeterminado e sequer o artigo 109 da Lei n 11.196/2005, que simplesmente previu adicionalmente que não descaracteriza o preço predeterminado o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 4259DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Em verdade, o artigo 109 da Lei n 11.196/2005 faz referência ao artigo 27 da Lei n 9.069/1995, que dispõe sobre o Plano Real, e estabelece a correção da expressão monetária pelo IPC. Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Segundo o referido dispositivo, a correção pelo IPC não se aplica aos contratos para entrega futura, cujo preço poderá ser ajustado em função do custo de produção ou da variação do índice que reflita a variação ponderada dos custos utilizados, o que, em meu pensar, constitui justamente na adoção de outros índices pelas partes que resolvem adotar que o IGPM ou o IPCA, por exemplo, irão regular a variação monetária daquele contrato. E por variação monetária, conforme é cediço, devese entender a simples manutenção do valor da moeda no tempo, sendo, portanto, natural que a Recorrente e seus contratantes adotem o IGPM ou o IPCA, para melhor refletirem a atualização da moeda, pois tais índices se fundamentam em cesta de índices e levam em conta a variação real de preços aplicáveis ao dia a dia. Ou seja, o IGPM e o IPCA objetivam manter atualizado o preço dos contratos, evitando, assim, que o valor estabelecido pelas partes, predeterminado, seja corroído pelos efeitos da inflação, medida justamente por tais índices que não passam de índices de correção monetária. Mas não é só! Analisando o Relatório e o Voto, até o presente patamar, não se faz necessário muito esforço de raciocínio para se concluir que a Instrução Normativa RFB n 468/2004 e 658/2006 são completamente órfãs, pois sob o argumento de buscarem suposta validade na Lei n 10.833/2003, elas acabam extrapolando o seu conteúdo, restringindo a aplicação do inciso XI, do artigo 10 do referido Diploma Legal. Apenas a Lei poderia dispor sobre o que se considera preço predeterminado ou, conforme intentou fazer as IN´s, restringir o conteúdo da norma contida no inciso XI, do artigo 10 da Lei n 10.833/2003, mas nunca uma mera Instrução Normativa que, como observado anteriormente, não encontra embasamento prévio em Lei. Fl. 4260DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 3403003.482 S3C4T3 Fl. 12 7 O Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1169088 / MT, julgado pela Segunda Turma, reconheceu que a cláusula de correção monetária não desnatura o preço predeterminado no contrato, conforme se verifica na seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de Fl. 4261DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte No mesmo sentido, o decidido no REsp 1089998 / RJ, sendo que a matéria, em verdade, encontrase pacificada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, que autoriza cláusula de correção monetária a repor a inflação, não alterando a qualificação de preço predeterminado, in verbis: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.)Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. Outro não tem sido o entendimento do CARF, que, conforme se verifica na ementa abaixo transcrita, decidiu que cláusula de correção monetária não descaracteriza o preõ predeterminado, sendo que se tal fosse a intenção do legislador, na visão do julgado, a Lei n 10.833/2003 teria utilizado a expressão preço fixo e não predeterminado: Fl. 4262DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10166.730163/201312 Acórdão n.º 3403003.482 S3C4T3 Fl. 13 9 Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Acórdão 3803005.978 Dessa forma, não há como manter a autuação na forma lavrada, pois além das razões anteriormente descritas, ela contraria inclusive precedentes judiciais e administrativos do próprio CARF. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer que as cláusulas de correção monetária adotadas pela Recorrente, tais como o IGPM e o IPCA, não desnaturam a característica de preço predeterminado de seus contratos, que continuam sendo tributados pelo regime cumulativo de apuração das Contribuições ao PIS e COFINS. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 4263DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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