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Numero do processo: 13971.900768/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser
objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.486
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação, cujos créditos teriam origem em pagamento a maior da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. A unidade de origem decidiu não homologar o pedido de compensação, em razão de estarem os pagamentos supostamente realizados a maior, alocados a débitos do PIS, conforme declarado em DCTF. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho alegando que houve um erro no preenchimento da DCTF, sendo o valor correto declarado em DIPJ e DACON. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho, exarado pela unidade de origem. Decidindo que os débitos a serem considerados são os declarados em DCTF e não os valores declarados em DIPJ e na DACON, que seriam meramente informativos. A ementa do Acórdão da DRJ foi a seguinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido.” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o equívoco no preenchimento da DCTF, informando a apresentação de DCTFRetificadora, apresentado cópia da DACON e da DIPJ para comprovar as suas alegações. Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora verificasse se os valores informados na DACON e na DIPJ estariam de acordo com os registros contábeis da Recorrente, confirmando o erro no preenchimento da DCTF. A Unidade de origem intimou a Recorrente a apresentar os documentos contábeis que comprovassem os erros no preenchimento da DCTF. Atendendo a intimação, a Recorrente apresentou os livros e lançamento contábeis referentes ao período. De posse dos documentos, a Unidade de Origem verificou os lançamento contábeis e não comprovou os erros alegados. A contabilidade registra como valor devido da contribuição o valor constante da DCTF original, ou seja, aquela que o contribuinte afirmou estar com erro de preenchimento. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900768/200813 Acórdão n.º 310201.486 S3C1T2 Fl. 2 3 Portanto, o valor da DCTF original corresponde aos registros contábeis, não existindo recolhimento a maior da contribuição. Cientificada do resultado da diligência, a Recorrente se manifestou nos autos, reafirmando o seu direito creditório. Informando que procedeu ao lançamento da diferença na contabilidade. Entretanto, não trouxe nenhuma documento ou alegação que confronte a posição relatada pelo fisco na diligência. Os autos retornaram ao CARF para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente alega o direito à restituição sob o argumento que ocorreu um erro no preenchimento da DCTF, sendo lançado um valor da contribuição para o PIS maior do que o realmente devido, apesar do pedido de retificação de DCTF complementar, a época do indeferimento do pedido, a DCTF original registrava a utilização integral do pagamento, não existindo nenhum direito creditório. O Fisco decidiu utilizando as informações apresentadas pela própria Recorrente. Caso exista algum erro nestas informações, conforme alegado na impugnação e posteriormente no Recurso Voluntário, caberia a comprovação do fato. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN, que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” Fl. 436DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez não encontra amparo na legislação. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumente a ocorrência de equívoco no preenchimento da DCTF, informando que teria um crédito referente ao PIS do período de abril de 2003, no valor de R$ 912,94, decorrente da diferença entre o valor recolhido de R$ 18.182,19 e o que seria devido no valor de R$ 17.269,25. Diante deste fato, resolveu a Terceira Turma da Quarta Câmara baixar os autos em diligência para que fossem verificado o suposto equivoco no preenchimento da DCTF. Realizada a diligência, a Unidade de Origem, cotejando os documentos fiscais da Recorrente e as informações prestadas nas declarações, não confirmou o suposto equívoco, visto que os valores constantes dos assentamentos contábeis e fiscais, apresentam um valor devido da contribuição de R$ 17.943,52 e o pagamento de R$ 18.182,19. A diferença foi lançada a título de "PIS a Recuperar", entretanto não fica evidente que este valor a recuperar diga respeito ao Período de Apuração de abril de 2003. As conclusões da diligência foram assim detalhadas no termo de diligência fiscal. " Os registros disponibilizados, porém, NÃO evidenciam o direito creditório da forma como postulado, senão vejamos: o contribuinte alega possuir crédito no valor de R$ 912,94, decorrente da diferença entre o valor recolhido a título de PIS (cód. 8109 – PA 04/2003), R$ 18.182,19, e o efetivamente devido, R$ 17.269,25. ... da obrigação, em 2003, no valor de R$ 17.943,67, e o pagamento de R$ 18.182,19. A diferença, ou seja, R$ 238,52, foi lançada a título de “PIS a Recuperar” (conta contábil 1.1.4.06.02). tais registros, de outra via, não se prestam a comprovar o alegado montante de crédito. Isto porque os lançamentos contábeis efetuados no Livro 76 (fls. 94 e 95) não deixam claro que a importância de R$ 1.684,02, lançada em 30/11/2003 a débito na conta “PIS a Recuperar” (conta contábil 1.1.4.06.02) diga respeito ao PA 04/2003. Em tais condições, é de se concluir que os registros contábeis apresentados não confirmam integralmente a existência do crédito pleiteado através do PER/DCOMP nº 31606.40117.120404.1.3.040758. Com base nos documentos ofertados, somente o valor de R$ 238,52 compreenderia crédito oriundo do pagamento de PIS do PA 04/2003." Diante do exposto, por ausência do indébito tributário, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900768/200813 Acórdão n.º 310201.486 S3C1T2 Fl. 3 5 Winderley Morais Pereira Fl. 438DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000267/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2007
VALE TRANSPORTE PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
SUMULA AGU N 60 DE 2011.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílio transporte, de acordo com o Enunciado de Súmula n 60 da AGU
Numero da decisão: 2302-001.578
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a não incidência sobre auxilio transporte em virtude da Sumula AGU n 60 de 2011.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2007 VALE TRANSPORTE PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SUMULA AGU N 60 DE 2011. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílio transporte, de acordo com o Enunciado de Súmula n 60 da AGU
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Recorrente MAPLAN AEROLEVANTAMENTOS SA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2007 VALETRANSPORTE PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. SUMULA AGU N 60 DE 2011. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de auxílio transporte, de acordo com o Enunciado de Súmula n 60 da AGU. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a não incidência sobre auxiliotransporte em virtude da Sumula AGU n 60 de 2011. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu e Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausente momentaneamente o Conselheiro Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados e da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros. O fato gerador corresponde ao pagamento a título de valetransporte em desacordo com a legislação, abrangendo o período de janeiro de 2001 a março de 2007; conforme relatório fiscal às fls. 50 a 60. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 228 a 260. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro confirmou a procedência, em parte, do lançamento, fls. 875 a 882. Foi reconhecida a extinção parcial do crédito pela aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 902 a 919. Em síntese, a recorrente alega o seguinte: a) Não há descrição clara e precisa dos fatos geradores, devendo ser anulado o lançamento; b) A lei autoriza o desconto do valetransporte; c) O TIAF não traz termo final para conclusão do procedimento; d) Os valores pagos não possuem natureza salarial; e) O não desconto não descaracteriza a natureza da verba; f) A verba foi paga para o trabalho; g) requerendo provimento ao recurso. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.000267/200804 Acórdão n.º 230201.578 S2C3T2 Fl. 934 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 932. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 50 a 60; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 28 a 37; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 19. Todos os segurados com as respectivas bases de cálculo constam na planilha às fls. 61 a 168. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal às fls. 50 a 60: a sociedade empresária pagou valores a título de valetransporte em desacordo com a legislação previdenciária, e não recolheu o tributo devido sobre tais valores. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração dos documentos caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Ao contrário do que afirma a recorrente, o TIAF não tem que conter prazo para conclusão do procedimento. O prazo para conclusão do procedimento consta do MPF, cujo número e código de acesso foram fornecidos à autuada, conforme fls. 45. A questão controversa residia no ponto de as verbas pagas a título de vale transporte integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Digo residia, pois a própria AGU passou a reconhecer que sobre tal rubrica não há incidência de contribuição previdenciária. Nesse sentido é o teor do verbete de Súmula n 60 de 8 de dezembro de 2011, nestas palavras: SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 O ADVOGADOGERAL DA UNIÃO, no uso das atribuições que lhe conferem o art. 4º, inc. XII, e tendo em vista o disposto nos arts. 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no art. 38, § 1°, inc. II, da Medida Provisória n° 2.22943, de 6 de setembro de 2001, no art. 17A, inciso II, da Lei n° 9.650, de 27 de maio de 1998, e nos arts. 2º e Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 3º, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, bem como o contido no Ato Regimental/AGU nº 1, de 02 de julho de 2008, resolve: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Legislação Pertinente: CF, artigos 5º, II, 7º, IV, XXVI, 150, I, 195, I, "a", 201, § 11; Lei nº 7.418/85, artigo 2º; Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e 9º, "f"; Decreto nº 95.247/87, artigos 5º e 6º; Decreto nº 3.048/99, artigo 214, § 10. Precedentes: Tribunal Superior do Trabalho 1ª Turma: TSTAIRR234140 44.2004.5.01.0241, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, j. 26.05.10; 2ª Turma : TSTRR9584079.2007.5.03.0035, Rel. Min. Renato de Lacerda Paiva, j. 23.03.11; 3ª Turma: TSTAIRR76040 07.2006.5.15.0087, Rel. Min. Alberto Luiz Bersciani de Fontan Pereira, j. 15.04.09; 4ª Turma: TSTRR89300 12.2006.5.15.0004, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, j. 22.04.09; 5ª Turma 3534021.2008.5.03.0097, Rel. Min. João Batista Brito Pereira, j. 24.11.10; 6ª Turma: TSTRR16100 63.2006.5.15.0006, Rel. Min. Augusto César Leite de Carvalho, j. 23.03.11; 7ª Turma: TSTRR13120026.2004.5.15.0042, Rel. Min. Pedro Paulo Manus, j. 02.03.11; 8ª Turma: TSTRR4300 57.2008.5.04.0561, Rel. Min. Carlos Alberto Reis de Paula, j. 30.03.11; e SESBDI1: TSTERR1302/20033830200.7, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, j. 17.12.07. Superior Tribunal de Justiça 2ª Turma: REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); 1ª Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 14/03/2011, DJe 25/03/2011. Supremo Tribunal Federal Plenário: RE 478410/SP, Rel. Min. Eros Grau, DJ de 14.05.10. Conforme expressamente previsto no art. 26A do Decreto n 70.235 de 1972, este Colegiado deve observar as Súmulas da AGU na forma do art. 43 da Lei Complementar n 73: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15586.000267/200804 Acórdão n.º 230201.578 S2C3T2 Fl. 935 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO, reconhecendo a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio transporte pago em pecúnia. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 02/02/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 16682.720053/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2009
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á
não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Amoldam-se a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontram-se suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Numero da decisão: 1302-000.827
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Amoldamse a verdadeiras provisões os valores registrados contabilmente como decorrentes de obrigações tributárias cujas respectivas exigibilidades encontramse suspensas, não se admitindo, assim, a dedutibilidade dos correspondentes montantes na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Fl. 341DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 342 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 343 3 Relatório BRASILCAP CAPITALIZAÇÃO S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Multa Isolada, relativas ao anocalendário de 2008, formalizada a partir da imputação de falta de adição ao lucro líquido, na determinação da base de cálculo da exação, de valores correspondentes a tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa e falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 156/167), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que a redução da base de cálculo da CSLL não decorreu da dedução de despesas com a constituição de provisões, conforme equivocadamente entendeu a Fiscalização, mas, sim, da dedução de despesas com passivos efetivos, decorrentes de uma obrigação legal com prazo certo e valor determinado; que lançou como despesas segundo o regime de competência a obrigação legal do pagamento do PIS e COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98, tendo em vista estar amparada no entendimento da Comissão de Valores Imobiliários – CVM contida na Deliberação 489/05, e o fato de o crédito tributário ter sua exigibilidade suspensa em nada interfere na natureza da obrigação; que no auto de infração não foi mencionado o enquadramento legal pertinente ao fato ocorrido, uma vez que o lançamento foi realizado com base no entendimento de que teria ocorrido dedução de despesas com provisões, quando se trata, na verdade, de dedução de despesas com a constituição de obrigações legais, nos termos da Deliberação CVM nº 489/05; que teria havido incongruência entre o fato efetivamente ocorrido e o enquadramento legal da infração, fazendo com que o lançamento esteja em desacordo com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, devendo, por isso, ser julgado improcedente. A já citada 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 34.021, de 28 de outubro de 2010, pela procedência do lançamento. O referido julgado foi assim ementado: MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 344 4 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. Irresignada, a contribuinte interpões recurso voluntário, por meio do qual alega: que, relativamente à multa isolada, não há que se falar em matéria incontroversa quando do julgamento de primeira instância, pois, ao contribuinte, é assegurado o direito de trazer questão apta a anular a exigência das obrigações imputadas tanto na impugnação quanto no recurso administrativo; que o inciso I do art. 42 do Decreto 70.235/72 prevê que somente se tornam definitivas as decisões de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário, sem que esse tenha sido interposto; que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade real e, desse modo, se o contribuinte trouxe somente em seu recurso administrativo matéria que demonstra a impossibilidade de exigência de parte do auto de infração, tal matéria deve ser apreciada pelo órgão superior; que não pode o Fisco transformar uma conta de passivo real em conta de provisão, cujo conceito contábil não se amolda às obrigações decorrentes de lei, caso dos tributos, somente pelo fato de, momentaneamente, estar a exação com exigibilidade suspensa; que, nos termos da Deliberação CVM nº 489/05, por ser uma obrigação legal, o registro das obrigações com tributos e contribuições não pode ser considerada como provisão; que é possível concluir que no auto de infração não foi mencionado pelo Auditor Fiscal o enquadramento legal pertinente ao fato ocorrido, ou seja, a autuação em questão não está em conformidade com o Decreto nº 70.235/72 e afronta os princípios da estrita legalidade e da tipicidade tributária; que, ainda que não sejam acatados os argumentos acima descritos, verifica se que a contribuição para o PIS deve ser tratada como despesa efetivamente incorrida no encerramento do anocalendário de 2008, vez que, em 13 de dezembro de 2006, foi publicado acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, revogandose integralmente a sentença que vigia a seu favor (esclarece a Recorrente que interpôs recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça, que proferiu decisão monocrática, não transitada em julgado, negando seguimento ao citado recurso); Adiante, a contribuinte traz razões de defesa contra a exigência da MULTA ISOLADA. É o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 345 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. O presente processo versa sobre exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Multa Isolada, relativas ao anocalendário de 2008, formalizada a partir da imputação de falta de adição ao lucro líquido, na determinação da base de cálculo da exação, de valores correspondentes a tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa e falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Esclarece a Turma Julgadora de primeira instância que a contribuinte não impugnou a exigência relativa à multa isolada decorrente da falta de recolhimento das estimativas. Em sede de recurso a contribuinte sustenta que não há que se falar em matéria incontroversa quando do julgamento de primeira instância, pois, ao contribuinte, é assegurado o direito de trazer questão apta a anular a exigência das obrigações imputadas tanto na impugnação quanto no recurso administrativo. Diz que o inciso I do art. 42 do Decreto 70.235/72 prevê que somente se tornam definitivas as decisões de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário, sem que esse tenha sido interposto. Alega que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade real e, desse modo, se o contribuinte trouxe somente em seu recurso administrativo matéria que demonstra a impossibilidade de exigência de parte do auto de infração, tal matéria deve ser apreciada pelo órgão superior. Não merecem acolhimento os argumentos da Recorrente. Com efeito, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, abaixo transcrito, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Inaplicáveis, no caso, o disposto no inciso I do art. 42 da norma processual em vigor e os preceitos decorrentes do princípio da verdade real. À evidência, o fato de a norma processual considerar definitiva a decisão administrativa de primeira instância na ausência de interposição de recurso voluntário, não autoriza a conclusão de que, por meio deste, toda e qualquer matéria ou exigência que não tenha sido objeto de impugnação possa ser trazida à apreciação do órgão julgador de segunda instância, pois, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, o litígio é instaurado a partir da impugnação, decorrendo daí que, não existindo esta (impugnação) inexiste lide, sendo impróprio, assim, reportarse à decisão definitiva. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 346 6 No âmbito administrativo, a efetivação do princípio da verdade real se dá, em regra, pelo conhecimento, em instância superior, de provas não submetidas ao crivo da autoridade julgadora de primeiro grau, observadas, contudo, as disposições das alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Esta, contudo, não é a situação retratada nos autos. Imprópria, da mesma forma, a tentativa de aplicação de normas estampadas na Lei nº 9.784, de 1999, vez que em consonância com o disposto do art. 69 do citado diploma legal os processos administrativos específicos, regemse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos ali estabelecidos. O processo administrativo fiscal, como é cediço, representa exemplo de feito administrativo específico, regido por lei própria (Decreto nº 70.235/72), cabendo destacar que, relativamente à matéria sob apreciação, o disciplinamento é exaurido pela norma processual referenciada, não havendo espaço, assim, para aplicação subsidiária de preceitos trazido pela Lei nº 9.784, de 1999. Relativamente à glosa da dedução de valores correspondentes a tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa, argumenta a Recorrente que não pode o Fisco transformar uma conta de passivo real em conta de provisão, cujo conceito contábil não se amolda às obrigações decorrentes de lei, caso dos tributos, somente pelo fato de, momentaneamente, estar a exação com exigibilidade suspensa. Sustenta que, nos termos da Deliberação CVM nº 489/05, por ser uma obrigação legal, o registro das obrigações com tributos e contribuições não pode ser considerado como provisão. Diz que é possível concluir que no auto de infração não foi mencionado pelo Auditor Fiscal o enquadramento legal pertinente ao fato ocorrido, ou seja, a autuação em questão não está em conformidade com o Decreto nº 70.235/72 e afronta os princípios da estrita legalidade e da tipicidade tributária. Adita que, ainda que não sejam acatados os argumentos antes descritos, verificase que a contribuição para o PIS deve ser tratada como despesa efetivamente incorrida no encerramento do anocalendário de 2008, vez que, em 13 de dezembro de 2006, foi publicado acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, revogandose integralmente a sentença que vigia a seu favor. Esclarece, ainda, que interpôs recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça, que proferiu decisão monocrática, não transitada em julgado, negando seguimento ao citado recurso. Observo que a autoridade fiscal assinalou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 145/152), parte integrante do auto de infração lavrado, que os lançamentos contábeis relativos a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões, vez que não refletem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas a exigência certa futura, mas, sim, um provisionamento contra eventuais riscos de a ação impetrada ter resultado desfavorável, precavendose o contribuinte contra possíveis impactos negativos que tal resultado traria a seu patrimônio. Com o devido respeito às posições em sentido contrário, não encontro reparo a ser feito na fundamentação reproduzida no citado Termo de Verificação Fiscal. Ali, encontra se transcrito pronunciamento da Superintendência Regional da Receita Federal (8ª Região Fiscal), do qual releva destacar as seguintes conclusões: 1. não obstante o disposto nos arts. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, e 28 da Lei nº 9.430, de 1996, que estenderam à CSLL as normas de apuração e de cálculo do IRPJ, a base Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 347 7 de cálculo da contribuição em referência continua regida pelo art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, e legislação posterior; 2. não se pode aplicar à CSLL, de forma automática, as adições e exclusões previstas para o imposto de renda pessoa jurídica; 3. a restrição prevista no parágrafo 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, que impede a dedução, na determinação do lucro real, dos tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa, não pode servir de único fundamento para a não aceitação dessa mesma dedução na apuração da base de cálculo da contribuição; 4. não obstante, a letra “c” do parágrafo 1º do art. 2º da Lei nº 7.689/88, na redação que lhe foi dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, dispõe que, na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, o resultado do períodobase será ajustado pela adição do valor das provisões não dedutíveis na determinação do lucro real; 5. o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, ressalvando as que expressamente nomina, veda, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, a dedução de qualquer provisão; 6. os tributos e contribuições que se encontram com a sua exigibilidade suspensa têm natureza de provisão, eis que revelam obrigação incerta, dependente de evento futuro; e 7. os valores deduzidos na apuração do resultado do exercício a título de tributos ou contribuições com exigibilidade suspensa, observado o regime de competência, devem ser adicionados na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Afasto, pois, a alegação de que no auto de infração não foi mencionado o enquadramento legal pertinente ao fato ocorrido. A questão, como se vê, diz respeito a natureza da obrigação revelada pelos tributos e contribuições que se encontram com a exigibilidade suspensa, se provisão, eis que incerta e dependente de manifestação futura acerca da sua própria existência, ou despesa incorrida. Penso que a única razão capaz de impedir a dedução dos tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa reside exatamente no fato de a lei ter concebido que, nesse caso, os valores registrados contabilmente refletem verdadeiras provisões. É certo que a obrigação ex lege desfruta, por presunção, de constitucionalidade e legitimidade, contudo, suspensa a sua exigibilidade por força de mandamento legal, ela perde o atributo de certeza, ficando dependente de pronunciamento futuro, seja judicial, seja da própria Administração. Destaco que o lançamento tributário contestado tomou por base as disposições do art. 2º da Lei nº 7.689/88 e do art. 13 da Lei nº 9.249/95, conforme expressamente assinalado às fls. 140, revelandose imprópria a afirmação de ocorrência de incongruência entre o fato efetivamente ocorrido e o referido enquadramento legal. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16682.720053/201039 Acórdão n.º 130200.827 S1C3T2 Fl. 348 8 Obviamente que a linha de argumentação da Recorrente só tem sustentação a partir da premissa ali considerada, qual seja, a de que tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa representam despesas incorridas. Ocorre, porém, que é exatamente em relação a esta questão que o Fisco fundamentou a autuação, isto é, por entender que, no caso, não estamos diante de despesas incorridas, mas, sim, de provisões. A partir de tal entendimento, para o qual não identifico reparo, a glosa perpetrada revelase adequadamente fundamentada. Quanto à alegação de que, relativamente ao PIS, em razão do desaparecimento da medida suspensiva da exigibilidade em 13 de dezembro de 2006, os valores correspondentes devem ser tratados como despesas efetivamente incorridas no encerramento do anocalendário de 2008, deixo de acolher a argumentação vez que não foram aportados aos autos a respectiva documentação de suporte, bem como não restou explicado o motivo pelo qual, em 2008, os valores foram registrados com a exigibilidade suspensa na Declaração de Informações. A Recorrente não explica também a razão de, em março de 2010, ao apresentar resposta à intimação formalizada pela Fiscalização, não apresentou tal argumentos. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 01 de fevereiro de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/0 2/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 35415.000025/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.105
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1997 a 31/12/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's ir's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. (11)P\-r ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MON 1. EIKO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Cosia e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 35415.000025/2006-10 52-C4T1 Acórdão 2401-01.105 Fl. 246 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCL4. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFICIO, para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, declarando que a integralidade do crédito encontra-se alcançado pela decadência qüinqüenal. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 EL INE GRISTINA-M~RO ESILVA VIEIRA - Relatora 4 0, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35415.000025/2006-10 Recurso n°: 165.656 TERMO DE INTIMAÇÃO Em- cumprimento ao disposto no -parágrafo 3° do artigo 81 -do -Regimento - -- Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.105 Brasília, O de abril de 2010 4 ELIAS S ' PAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 12269.004576/2009-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010
CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA. MATRÍCULA. INFRAÇÃO.
Constitui infração o contribuinte deixar de matricular as obras de construção
civil dentro do prazo legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.485
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA. MATRÍCULA. INFRAÇÃO. Constitui infração o contribuinte deixar de matricular as obras de construção civil dentro do prazo legal. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente MUNICÍPIO DE ANDRADAS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA. MATRÍCULA. INFRAÇÃO. Constitui infração o contribuinte deixar de matricular as obras de construção civil dentro do prazo legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Leoncio Nobre de Medeiros, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 92 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração n° 37.273.2399/2010, código de fundamentação legal 33, lavrado contra o contribuinte acima identificado, conforme Relatório Fiscal de folha 4, com os seguintes fatos: A autuada deixou de matricular as obras de construção civil relativas à construção de 50 casas populares no bairro Jardim Giaretta e Caracol, bem como na Escola Municipal no Bairro dos Gonçalves, ambas localizadas no município de Andradas, conforme ofício n°058/2010 de 29.06.10 da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Anexo I). Em relação às matrículas das obras realizadas tia Escola Municipal Caracolzinho e Escola Municipal Floriza Maniassi Trevisan as mesmas foram identificadas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A constatação da execução das obras se deu durante a análise das Ordens de Pagamento relativas às Notas de Emprenho do período fiscalizado. As referidas obras foram então matriculadas "ex ofício" recebendo identificação 70.004.25182/75 e 70.004.2520470. Em razão da infração cometida foi aplicada uma multa, nos termos do art. 92 e art. 102 da Lei 8.212/1991 c/c art. 283, I, "d" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF 333/2010, por duas ocorrências, conforme descrito no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, à folha 5. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento em 16/9/2010 (folha 01), apresentando defesa. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento, fls. 69 a 70. O contribuinte foi cientificado da decisão em 09/05/2011, apresentando recurso voluntário em 07/06/2011, alegando em síntese: a nulidade da decisão de primeira instância administrativa em razão da inafastabilidade da análise de todos os pontos aventados junto à defesa, quanto à impossibilidade da análise na esfera administrativa, de questões de cunho constitucional, em deferência ao disposto no art. 26A do Decreto 70.235/72, retornando o caso para novo julgamento de primeira instância; a inexistência de amparo legal para imposição de penalidade. A tipificação da conduta junto ao art. 49 e §§ da Lei 8.212/1991, não serve de socorro para salvar da Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 93 3 ilegalidade a penalidade imposta, visto que, a tipificação da conduta há que ser entendida em sentido estrito, ou seja, não pode ter sua abrangência ampliada pelo aplicador; o art. 49 e §§ da Lei 8.212/1991 prevê obrigação à "EMPRESA", entidade esta que em muito se distancia da Administração Pública, cujos fins, aliás, divergem diametralmente uma da outra; a inconstitucionalidade da multa aplicada; por fim, requer a cassação do acórdão n. 0934.454, proferido pela 5a Turma da DRJ/JFA nos autos do processo n. 12963.000794/201092, à vista de sua flagrante contrariedade ao disposto no art. 5o, LV, da CF, ou, caso inacolhida tal pretensão, pela sua total reforma com amparo nas teses aduzidas. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 94 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passo ao exame das questões suscitadas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26A e parágrafo único, do Decreto n. 70.235/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF n º 256, de 22 de junho de 2009. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO D OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O contribuinte deixou de matricular as obras de construção civil relativas à construção de 50 casas populares. As referidas obras foram então matriculadas "exofício" pela fiscalização recebendo identificação 70.004.25182/75 e 70.004.2520470. Pelo exposto, o contribuinte infringiu a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 49, §§1° e 3°, na redação dada pela Lei 11.941, de 27/05/2009, combinados com o art. 256, §1°, II, e §3o, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3. 048, de 06/05/1999: Lei 8.212/91 Art. 49. A matrícula da empresa será efetuada nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o No caso de obra de construção civil, a matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de 30 (trinta) dias, contado do início de suas atividades, quando obterá número cadastral básico, de caráter permanente.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o O não cumprimento do disposto no § 1o deste artigo sujeita o responsável a multa na forma estabelecida no art. 92 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 95 5 O valor da multa aplicada tem por base o art. 92 e 102 da Lei 8.212/91 c/c art. 283, inciso I, alínea “d” e art. 373, do RPS (Dec. 3.048/99), atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF 333/2010. Lei 8.212/91 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Decreto 3.048/99 Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:(Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: d) deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; (...) Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria Interministerial MPS/MF 333/2010 Dispõe sobre o salário mínimo e o reajuste dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e dos demais valores constantes do Regulamento da Previdência Social RPS. Art. 1º Os benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS serão reajustados, a partir de 1º de janeiro de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 96 6 2010, em 7,72% (sete inteiros e setenta e dois centésimos por cento). Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2010: V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.431,79 (um mil quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos) a R$ 143.178,02 (cento e quarenta e três mil cento e setenta e oito reais e dois centavos); O valor da multa aplicada foi de R$2.863,58 (2 obras x valor unitário da multa 1.431,79 = 2.863,58); conforme dispositivos legais mencionados no lançamento fiscal. Não há que se falar em inconstitucionalidade da multa aplicada. Tais dispositivos encontramse em vigor, não havendo manifestação de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal – STF. O auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91. A Portaria Ministerial se limita a atualizar o valor da multa já anteriormente prevista em diploma legal. O valor estabelecido como pena pecuniária não é abusivo e nem confiscatório porque o cálculo desta está previsto na Lei nº 8.212/91, sendo o valor da multa, como visto na fundamentação mencionada, não é relativo, mas sim absoluto. Este é o entendimento do Tribunal Federal – TRF2 quanto ao assunto, cujos transcritos seguem: Processo AC 200150010069641AC APELAÇÃO CIVEL – 375867 , Relator(a) Desembargadora Federal SANDRA CHALU BARBOSA , Sigla do órgão TRF2 , Órgão julgador TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA , Fonte EDJF2R Data::12/11/2010 Página::279/280 Ementa ; TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INADIMPLEMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NA LEI 8.212/91. NÃO VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE CONFISCO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Tratase de apelação contra a sentença que julgou improcedente o pedido de desconstituição do auto de infração nº 35.135.1272, a fim de que seja anulado o decorrente débito fiscal. 2. Inicialmente, é de se dizer que o próprio INSS já reconheceu que o depósito judicial realizado pela autora é suficiente para garantir o crédito tributário em questão, de modo que se mostra desnecessário novo esclarecimento acerca do pagamento integral da dívida em debate. 3. No mérito, cabe consignar que, como bem observou a sentença, “existe fundamento legal para a autuação imposta à autora. Com efeito, encontrase no artigo 32 da Lei 8.212/91, com as alterações empreendidas pela Lei 9.528/97, a obrigação de as empresas apresentarem mensalmente informações relativas às contribuições exigidas pelo INSS, por meio da chamada GFIP”. Por outro lado, também aduziu corretamente a sentença que a Portaria 6.211/00, do Ministério da Saúde e Previdência Social, não criou “embasamento infralegal para a obrigação acessória em tela”, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 97 7 mas sim atualizou “o valor da multa por seu descumprimento”, e que não houve violação ao “princípio da irretroatividade da lei tributária”, eis que a Portaria em questão “foi utilizada pelo agente fiscal para fins de fixação do valor da multa,uma vez que já se aplicava no momento da autuação, nos moldes do § 8º do mesmo artigo 32, Lei 8.212/91”. Outrossim, preciso foi o entendimento do juízo a quo no sentido de que “em relação ao valor da multa aplicada, temos que o que fez o agente administrativo foi apenas aplicar os dispositivos legais transcritos nesta decisão, mediante atividade plenamente vinculada”; de que “o seu valor não é relativo, tomado com base em percentual do montante da obrigação principal, mas absoluto, levando em conta o porte da empresa, com base na quantidade de segurados”; e de que a autora se limitou a pedir a anulação do débito fiscal, não tendo formulado pedido para “a atenuação da multa aplicada”. 4. Oportuno reforçar que o entendimento contido no parecer do Ministério Público Federal é análogo ao da sentença supra especificada, ou seja, que o auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91, e não naPortarianº 6.211/00; que a referida portaria se limitou a “atualizar o valor da multa já anteriormente prevista naquele diploma legal”; que o valor estabelecido como pena pecuniária não é confiscatório porque o cálculo desta está previsto no artigo 32, inciso IV, e §§ 4º e 7º da Lei nº 8.212/91; e que o valor da multa,como visto na sentença, não é relativo, mas sim absoluto. 5. Não obstante os fortes argumentos supra defendidos tanto na sentença quanto no parecer ministerial,vale colacionar os seguintes julgados do Egrégio Superior Tribunal de Justiça acerca do tema: STJ, REsp 1182354/PE, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª T., DJe 30/06/2010; REsp 899.895/SP, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª T., DJe 05/08/2009. 6. Recurso conhecido e desprovido. Data da Decisão 26/10/2010 , Data da Publicação 12/11/2010 Assim sendo, a multa aplicada está de acordo com a Lei 8.212/1991. Não há que se falar em inexistência de amparo legal para imposição de penalidade. A tipificação da infração encontra respaldo legal no art. 49, §§1° e 3°, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e demais dispositivos mencionados na autuação fiscal. O art. 15 da Lei 8.212/91 considera empresa para efeito do cumprimento das obrigações sociais os órgãos e entidades da administração pública direta e indireta: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, Instrução para o Contribuinte – IPC; identificação do Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12963.000794/201092 Acórdão n.º 280301.485 S2TE03 Fl. 98 8 contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes das folhas 01 a 51, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei n° 8.212/91. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000392/2007-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ DO ANO CALENDÁRIO 2006.
A insuficiência de recursos financeiros e/ou a impossibilidade não comprovada da entrega, por si só, não exclui a responsabilidade do
contribuinte em relação ao cumprimento das obrigações acessórias, devendo-se manter a exigência relativa a multa pelo atraso na entrega das obrigações acessórias.
Numero da decisão: 1802-001.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos negar
provimento ao Recurso.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ DO ANO CALENDÁRIO 2006. A insuficiência de recursos financeiros e/ou a impossibilidade não comprovada da entrega, por si só, não exclui a responsabilidade do contribuinte em relação ao cumprimento das obrigações acessórias, devendo-se manter a exigência relativa a multa pelo atraso na entrega das obrigações acessórias.
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A insuficiência de recursos financeiros e/ou a impossibilidade não comprovada da entrega, por si só, não exclui a responsabilidade do contribuinte em relação ao cumprimento das obrigações acessórias, devendo se manter a exigência relativa a multa pelo atraso na entrega das obrigações acessórias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos negar provimento ao Recurso. ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. MARCIEL EDER COSTA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Requer a Recorrente o perdão da multa no valor de R$ 500,00 por ter entregue em atraso a declaração DIPJ do anocalendário de 2006, alegando problemas na geração da mesma e requerendo por deficiência de recursos financeiros o perdão da mesma. Pela clareza na descrição dos fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão n° 1019.889 da 1a Turma da DRJ/POÁ, fls. 22/24: Da autuação. Em 2/7/07 a Administração Tributária emitiu Notificação de Lançamento (fl. 2), referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2007, no valor de R$ 500,00. A referida declaração tinha como prazo final de entrega a data de 29/6/07, mas foi entregue tãosomente em 2/7/07. Tal é o fundamento para a autuação. Da impugnação. 0 contribuinte apresentou impugnação em 12/8/07 (fl.1), tempestiva, alegando que a pessoa jurídica autuada é entidade pequena e pobre e que não dispõe de recursos para quitar as multas. Por este motivo requer o cancelamento da multa. É o breve e essencial relato. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa As Associações possuem regime diferenciado de apuração de impostos, com diversos benefícios fiscais, sendo porém, exigido a estrita observância às obrigações tributárias, em especial, às obrigações acessórias. A DIPJ, declaração anual sujeita às Associações e demais contribuintes que apuram seus impostos e contribuições pelo regime normal (Real, Presumido ou Arbitrado) foi disciplinada pela Instrução Normativa n° 696/06, que estabeleceu em seu artigo 2° o período em que a obrigação deveria ser cumprida: Art. 2 A DIPJ 2007, relativa ao anocalendário de 2006, deverá ser entregue no período de 2 de maio a 29 de junho de 2007. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11041.000392/200721 Acórdão n.º 180201.077 S1TE02 Fl. 30 3 A não entrega da referida declaração no prazo supra, transgride a obrigação acessória, nascendo assim o direito da Fazenda Pública em transformar a infração em multa pecuniária, conforme disciplinado pelo art. 113 § 3°do CTN (Código Tributário Nacional): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória [...] § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Sendo a aplicação da multa em tela exigível em face da infração, não pode ainda o servidor em atividade plenamente vinculada dela se desvencilhar, sob pena de responsabilidade funcional – art. 142 do Código Tributário Nacional. Sobretudo, o perdão ou anistia da multa ora requerido não é possível pela via de julgamento, tendo abrigo somente pela disposição legal, conforme determina o art. 150 § 6° da Constituição: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] §6.° Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155 §2.°, XIII, g. Ressaltese ainda, que a alegação de problemas no envio do arquivo da Declaração não restou comprovado como tendo sido feito tempestivamente, pois o documento de fls. 03 comprovou ter sido enviado somente depois do prazo estabelecido para entrega, em 02/07/2007, não servindo desta forma de salvaguarda à essa alegação. Desta forma, não há como aplicar o perdão da multa em favor da Recorrente pelos motivos supra expostos. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o lançamento. É como voto. Marciel Eder Costa Relator Fl. 34DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11516.004335/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Ano calendário: 2005,2006
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS EM NOME PRÓPRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE EXISTÊNCIA DE DOLO.
Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume como omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos mesmos.
Contudo, desta presunção que decorre da lei não se pode extrair outra presunção de que o titular dos recursos estava agindo com o intuito de sonegar, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador. A omissão de receita se presume, mas a existência de dolo somente pode ser caracterizado mediante provas concretas.
IPI. EMPRESA COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. EXIGÊNCIA CANCELADA.
Nos casos em que a empresa que se dedica somente ao comércio e é optante pelo SIMPLES, inexiste obrigação de pagar valor correspondente ao IPI. A exigência do percentual correspondente ao IPI, previsto em norma específica, importaria em exigir o respectivo tributo sem que tivesse ocorrido o fato gerador correspondente. Quando se está diante de empresa comercial, que
não industrializa produtos, não há aplicação do disposto no artigo 5º, § 2º, da Lei nº 9.137, de 1996, vigente à época dos fatos de que trata este processo.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÕES FÁTICAS E JURÍDICAS ENTRE SITUAÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 124, I, E 135, I e II, DO CTN.
Nas situações previstas no artigo 124, I, do CTN, há uma norma que incide em relação ao contribuinte que participa na situação que constitua o fato gerador que obriga o contribuinte direto. No artigo 135, II e III, além da norma que incide na situação que constitua o fato gerador, há outra norma, de natureza sancionatória, que incide sobre a conduta de terceiro que, não
participando na situação que constitua o fato gerador, se torna responsável por praticar ato ou conjunto de atos que extrapolam seus poderes de comando frente à empresa ou resultam, por ação própria, em violação de normas legais vinculadas à obrigação de pagar tributos devidos pela empresa.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DOS FATOS E DAS PROVAS.
Nos casos do artigo 135 do CTN, em que a responsabilidade é atribuída a terceiros, que não participam na relação jurídica que constitua o fato gerador, por inexistir responsabilidade desvinculada da conduta pessoal, cabe à autoridade lançadora descrever os fatos que caracterizam a responsabilidade
descrevendo, de preferência, quando ocorreram, onde ocorreram e como ocorreram. Não é possível fazer considerações genéricas sem correlacionálas aos fatos.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.042
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a
preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade tributária dos sócios pessoas físicas, cancelar a exigência do IPI e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Alberton Madeiras Ltda, interessada. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: Anocalendário: 2005,2006 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS EM NOME PRÓPRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE EXISTÊNCIA DE DOLO. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume como omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos mesmos. Contudo, desta presunção que decorre da lei não se pode extrair outra presunção de que o titular dos recursos estava agindo com o intuito de sonegar, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador. A omissão de receita se presume, mas a existência de dolo somente pode ser caracterizado mediante provas concretas. IPI. EMPRESA COMERCIAL. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. EXIGÊNCIA CANCELADA. Nos casos em que a empresa que se dedica somente ao comércio e é optante pelo SIMPLES, inexiste obrigação de pagar valor correspondente ao IPI. A exigência do percentual correspondente ao IPI, previsto em norma específica, importaria em exigir o respectivo tributo sem que tivesse ocorrido o fato gerador correspondente. Quando se está diante de empresa comercial, que não industrializa produtos, não há aplicação do disposto no artigo 5º, § 2º, da Lei nº 9.137, de 1996, vigente à época dos fatos de que trata este processo. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÕES FÁTICAS E JURÍDICAS ENTRE SITUAÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 124, I, E 135, I e II, DO CTN. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 2 Nas situações previstas no artigo 124, I, do CTN, há uma norma que incide em relação ao contribuinte que participa na situação que constitua o fato gerador que obriga o contribuinte direto. No artigo 135, II e III, além da norma que incide na situação que constitua o fato gerador, há outra norma, de natureza sancionatória, que incide sobre a conduta de terceiro que, não participando na situação que constitua o fato gerador, se torna responsável por praticar ato ou conjunto de atos que extrapolam seus poderes de comando frente à empresa ou resultam, por ação própria, em violação de normas legais vinculadas à obrigação de pagar tributos devidos pela empresa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DOS FATOS E DAS PROVAS. Nos casos do artigo 135 do CTN, em que a responsabilidade é atribuída a terceiros, que não participam na relação jurídica que constitua o fato gerador, por inexistir responsabilidade desvinculada da conduta pessoal, cabe à autoridade lançadora descrever os fatos que caracterizam a responsabilidade descrevendo, de preferência, quando ocorreram, onde ocorreram e como ocorreram. Não é possível fazer considerações genéricas sem correlacionálas aos fatos. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade tributária dos sócios pessoas físicas, cancelar a exigência do IPI e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório Adoto em parte o relatório da DRJ registrando que o presente processo trata de lançamento de crédito tributário (fls. 224/326), com ciência da pessoa jurídica em 15/12/2010 (fl. 334); do sujeito passivo Evair Alberton em 13/04/2011 (fl. 383) e do sujeito passivo Otaviano Zomer Alberton em 20/12/2010 (fl. 330); decorrentes do SIMPLES (AC 2005 e 2006) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, IPI, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 770.866,90, já acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 30/11/2010. 2. Segundo Termo de Verificação Fiscal (fls. 224/229), a infração foi Omissão de Receitas – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e a multa foi agravada (150%), conforme § 1° do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Do termo de verificação fiscal transcrevo a seguinte passagem: “(...) Durante os procedimentos de fiscalização de um importante grupo industrial domiciliado em Santa Catarina (Moldurarte), observouse que um dos principais fornecedores de madeira, a Alberton Madeiras Ltda, acima descrita, parecia não declarar, nem tributar, boa parte do fornecimento de madeiras que aquele grupo industrial catarinense contabilizara como custos de produção. Tais inconsistências, entre os valores contabilizados em um contribuinte e os valores declarados pelo seu fornecedor (Alberton), obrigaram a fiscalização a efetuar o procedimento fiscal que ora se consubstancia, o que revelou que a Alberton não só omitia receitas de fornecimento de madeira para o grupo situado em Santa Catarina, mas sim grande parte de todos os seus recebimentos bancários (fls. 37 a 108 – fornecidos pela instituição financeira consoante o artigo 6o da Lei complementar 105/2001), conforme detalhado abaixo. (...) Salientese também que, em se tratando de irregularidades reiteradas e contínuas (meses a fio), portanto intencionais e dolosas, além do fato que a contribuinte deixou de atender às intimações, deliberadamente, aplicase a multa agravada de 150%, nos termos do artigo 44 da Lei 9.430/96.... (...) Nestas condições tornase evidente que os contribuintes EVAIR ALBERTON, CPF 576.257.35915 E OTAVIANO ZOMER ALBERTON, CPF 102.800.73968, precisam figurar como pólo passivo na responsabilidade fiscal pelos atos de comércio realizados pela ALBERTON MADEIRAS LTDA, conforme previsto nos artigos 124 e 135 da Lei 5.172/66... Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 4 (...) 3. Protocolouse documento de impugnação (fls. 340/342), em 04/01/2011, em nome da pessoa jurídica, mas assinado pelo contribuinte solidário Otaviano Zomer Alberton. Anexouse procuração do contribuinte solidário Evair Alberton (fls. 345/346), em que este outorga poderes relacionados ao processo administrativo fiscal 11516.004335/201093 e MPF 02101002009.001044 ao contribuinte solidário Otaviano Zomer Alberton. Anexouse também cópia da Quarta Alteração Contratual da Sociedade Limitada Alberton Madeiras Ltda ME, fls.346/349, de 15/10/2008, em que se constata a retirada (formal), da sociedade, dos sócios EVAIR ALBERTON, CPF 576.257.35915 e OTAVIANO ZOMER ALBERTON, CPF 102.800.73968. Segundo o mesmo documento a sociedade seria representada pelo (novo) sócio Paulo Francisco Belo. 3.1. Destacamos, ainda, daquela impugnação (fls. 340/342): “Os valores informados na declaração do Simples Federal nos anos calendários 2005, 2006 e 2007 são verdadeiros e não podem serem vistos como meros números fictícios criados pela autuada, são resultados da venda de madeiras comercializadas junto a empresa Moldurart de Santa Catarina, enquanto os valores movimentados em conta corrente da pessoa jurídica, são resultado de financiamentos e outras transações bancárias junto ao Banco do Brasil – Ag. Moju/Pará, e principalmente de valores repassados pela empresa supracitada, sua principal cliente, que mandava valores em dinheiro para a compra de matéria prima e outras despesas acessórias....” (...) “A fiscalização partiu de Florianópolis (Santa Catarina) e não da jurisdição a qual pertence, dificultando ainda mais, o comparecimento e acesso aos altos e á defesa....” (...) “...não cabe incidência de IPI A decisão recorrida está assim ementada: EMENTA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da aludida decisão, o(s) interessado(s) apresentaram recurso voluntário repisando os argumentos articulados quando da impugnação e, ao final, requerendo o provimento do recurso para cancelar o lançamento, ao menos em parte. É o relatório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Inicio a análise verificando a regularidade processual e o preenchimento dos pressupostos recursais, em especial no que diz respeito à legitimidade. À fl. 189 consta procuração outorgada em 17122010, por Evanir Alberton em favor de Otaviano Zomer Alberton para acompanhar o presente processo. À fl. 346 consta a quarta alteração datada de 15 de outubro de 2008, em que se admite na sociedade os sócios Paulo Francisco Belo e José Roberto Pereira da Silva e retiramse os sócios Evanir Alberton e Otaviano Zomer Alberton. À fl. 352 consta o contrato social indicando que a empresa foi constituída em 1997 com o objeto social de desdobramento e comercialização de madeiras em geral. O termo de fl. 407 demonstra que Marcilene Dias Oliveira, apresentando a procuração de fls. 408, outorgada pela empresa autuada deuse por intimada, em 14092011, do acórdão de fls. 396 a 404. Apesar da procuração conter poderes apenas para parcelamento de débitos, no mesmo dia em que se deu por intimada, a empresa protocolizou a petição de fls. 410, requerendo a desistência do recurso para efeito de parcelamento. Na verdade, entendo eu, que a empresa renunciou ao prazo recursal. Em 14102011 foi protocolizado o recurso de fls. 413 e seguintes, em nome da empresa Alberton Madeiras Ltda. Não há intimação dos responsáveis solidários, exsócios da empresa. Contudo, como está dito no cabeçalho do referido recurso, a parte interessada destacou estar recorrendo por seus exsócios e, ao final, são estes quem assinam o recurso. Idêntico procedimento também se verifica quando da impugnação de fls. 185 a 187. Assim, tenho por convalidada a intimação de todos e admito o recurso de fls. 413 e seguintes como sendo interposto apenas pelos terceiros responsáveis, já que a empresa, em data anterior, praticou ato incompatível com a vontade de recorrer, qual seja, apresentou pedido de desistência. Não localizei nos autos pedido de desistência por parte dos responsáveis solidários. A controvérsia, pelo que se depreende da impugnação e do recurso voluntário diz respeito aos seguintes pontos: a) que a empresa Moldurart, de Santa Catarina, mandava valores em dinheiro para compra de matéria prima e outras despesas acessórias, enquanto os valores informados nas declarações foram resultantes de vendas de madeiras comercializadas junto à Moldurart; b) que a fiscalização foi levada a termo na cidade de Florianópolis, onde foi lavrado o auto de infração, conforme consta da fl. 112 e do termo de encerramento à fl. 169, fato que impossibilitou qualquer esclarecimento por parte dos recorrentes e, por consequência, do direito de defesa; Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 6 c) que não há situação que caracteriza a multa qualificada e tampouco a responsabilidade tributária dos exsócios da empresa. Quanto às demais questões dignas de destaque, observo que apesar da planilha de fls. 113 e seguintes e do quadro de fl. 225 que integra o Termo de Verificação Fiscal relacionar depósitos a partir do mês outubro de 2005, até dezembro de 2007, o lançamento, conforme demonstrativo de fl. 281, não contempla de exigência de crédito tributário do anocalendário de 2007. Por oportuno, ainda, destaco que o presente processo não trata de questões referentes à exclusão do SIMPLES. O confronto entre os depósitos bancários e os valores declarados, a partir do mês de dezembro de 2005 até junho de 2007, consta da fl. 225, de onde extraio a planilha que segue: Inicio a análise do processo a partir das declarações simplificadas nos anos calendário de 2005 e 2006. Vejo que a autuada, em 2005 e 2006, declarou receitas nos valores de R$ 662.154,00 e R$ 691.431,53, respectivamente. (fls. 25 e 43). Contudo, para que tenha noção da diferença entre as receitas declaradas e os depósitos bancários, mês a mês, segue transcrito o seguinte quadro: Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 7 Do exame dos documentos de fls. 38 a 47, que analisei por amostragem, identifiquei que quase todos os valores creditados são realizados em cheques ou TED, com a origem 0738, em montantes exatos de R$ 10.000,00, R$ 6.000,00 e R$ 4.000,00. Os débitos na conta bancária ocorreram de forma fracionada. Normalmente há um valor creditado e inúmeros débitos de importância menor. Não há nos autos notícia de que nenhum destes valores tenha sido utilizado em benefício particular dos então sócios arrolados como devedores solidários. Na fl. 48 identifiquei um depósito no valor de R$ 20.000,00. Posteriormente, conforme relação existente a partir da fl. 114 dos autos, verificamse dezenas de depósitos em valores exatos de R$ 7.500,00, realizados quase que diariamente. O maior valor depositado na conta bancária, no período autuado, foi de R$ 25.000,00 (fl. 115). A sujeição passiva solidária, conforme consta do termo de verificação fiscal, deuse com base em considerações genéricas. Não há um único fato ou descrição de conduta específica dos então sócios. Atribuiuse a estes a responsabilidade tributária com base no fundamento de que, ao não declararem os valores correspondentes aos depósitos bancários restou caracterizado o desvio de finalidade da sociedade, conforme disposto no artigo 50 e 1.016 do Código Civil. Argumenta a autoridade lançadora que, tendo as omissões se caracterizado por meses a fio, restou caracterizada a responsabilidade solidária. Neste sentido, descreveu a autuação: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 8 Por fim, observo, que a autoridade fiscal efetuou o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI. Contudo, não descreveu qual o produto industrializado, em tese, comercializado pela recorrente. Recolocado os fatos, tenho que deve se adentrar ao exame do mérito do recurso interposto pelos terceiros responsáveis para analisar os seguintes pontos a) da questão relacionada à nulidade por cerceamento do direito de defesa; a) inexigibilidade de IPI; b) inexigibilidade da multa qualificada; c) inexistência de situação que os caracterize com devedor solidário. Da questão relacionada à alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Reconheço que a fiscalização levada a efeito no Estado de Santa Catarina, local extremamente distante do domicilio fiscal dos acusados, na prática corresponde à situação que pode resultar em grandes obstáculos ao exercício do direito de defesa e, inclusive, para prestar esclarecimentos ao próprio fisco. Ninguém sai de Manaus e vai ou interior de Santa Catarina, por exemplo, para protocolizar um documento ou obter cópias de processo. O procedimento mais indicado, no caso concreto, seria remeter o expediente para a Delegacia da Receita Federal do domicilio dos fiscalizados. Esta, por estar mais próxima, poderia inclusive realizar melhores diligências com a finalidade de identificar a situação concreta para colher elementos objetivos que pudessem caracterizar determinadas infrações, em especial nas que dizem respeito à responsabilidade de terceiros. Contudo, apesar dos obstáculos, os recorrentes, certamente com mais sacrifício, conseguiram apresentar defesa demonstrando, conforme se Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 9 verá a seguir que, no caso dos autos, inexiste elementos suficientes s para caracterizar a responsabilidade deles pela obrigação de pagar o crédito tributário. Constatado o regular exercício da defesa, rejeito a preliminar de nulidade alicerçada na alegação de cerceamento do direito de defesa. Da questão relacionada ao IPI Tratase de empresa enquadrada no SIMPLES. Na época dos fatos encontravase em vigor a Lei nº 9.317, de 1996, cujos artigos 3º e 5º, § 2º, continham o seguinte teor: Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1º A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996. ... Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I para a microempresa, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); b) de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); c) de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento); II para a empresa de pequeno porte, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento); Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 10 b) de R$ 240.000,01 (duzentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais): 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento); c) de R$ 360.000,01 (trezentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais): 6,2% (seis inteiros e dois décimos por cento); d) de R$ 480.000,01 (quatrocentos e oitenta mil reais e um centavo) a R$600.000,00 (seiscentos mil reais): 6,6% (seis inteiros e seis décimos por cento); e) de R$ 600.000,01 (seiscentos mil reais e um centavo) a R$720.000,00 (setecentos e vinte mil reais): 7% (sete por cento). § 1º O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. § 2º No caso de pessoa jurídica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. Ao dispor o artigo 3º que o enquadramento no SIMPLES importa em pagamento unificado do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI, entendo que o IPI somente é devido nos casos em que caracterizado fato gerador da respectiva exigência. Ao meu sentir, quando se está diante de empresa comercial, que não industrializa produtos, não há aplicação do disposto no artigo 5º, § 2º, da Lei nº 9.137, de 1996, vigente à época, sob pena de se exigir IPI sem o respectivo fato gerador. No caso dos autos, pelo que descrito no contrato social, a empresa autuada limitavase ao comércio e desdobramento de madeiras. Examinando as Declarações entregues, a partir da fl. 11 dos autos, verificase que está informado de que não se trata de empresa contribuinte do IPI. A autoridade fiscal, a partir da presunção de omissão de receita formada a partir dos depósitos bancários, sem descrever qualquer atividade que pudesse caracterizar fato gerador do IPI, efetuou lançamento relativo ao IPI, o que deve ser cancelado. Da presunção de omissão de receita O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume como omissão de receita os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovar a origem dos mesmos. No caso concreto, a autuada alega que a empresa Moldurart, de Santa Catarina, mandava valores em dinheiro para compra de matéria prima e outras despesas acessórias, enquanto os valores informados nas declarações foram resultantes de vendas de madeiras comercializadas junto à Moldurart. Pela tese da recorrente, ela vendia madeira de sua propriedade para a recorrente, cuja receita fora escriturada e, também, adquiria matéria prima para a citada empresa. Os depósitos bancários não contabilizados, na tese da recorrente, referemse a estas transações entre a citada empresa e seus fornecedores. Da análise da prova, há indicativo de que quase todos os depósitos bancários, se não todos, são oriundos de depósitos ou transferência, ao que tudo indica de agência bancária situada em Santa Catarina. As alegações da recorrente possuem lógica quando afirmam que os valores são oriundos da empresa Moldurart, fato este constatado pela própria Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 11 fiscalização. Contudo, apesar desta situação, não há nos autos prova de que os valores não contabilizados como receitas se destinavam a adquirir matérias primas para a Moldurart. Tal alegação, desprovida de prova, não é suficiente para afastar a presunção legal de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Da qualificação da multa Tratase de autuação com base em presunção de omissão de receita a partir de depósito bancário de origem não comprovada. Pelo fato da contribuinte não ter provado que os depósitos bancários não escriturados eram oriundos da empresa Moldurat, de Santa Catarina, e que correspondiam a valores enviados por esta para compra de matéria prima e outras despesas acessórias, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presumese que se trata de receita omitida. Contudo, desta presunção, que decorre da lei, não se pode extrair outra presunção de que a recorrente estava agindo com o intuito de sonegar, ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador. A omissão de receita se presume, mas a existência de dolo somente pode ser caracterizado mediante provas concretas. Ademais, na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. Em relação à movimentação financeira é preciso que se tenha presente as normas contidas nos dispositivos legais anteriormente citados, os quais seguem transcritos: Lei Complementar n° 105, de 2001. .... Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Decreto nº 4.545, de 2002. Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 12 a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... § 2º As instituições financeiras deverão conservar todos os documentos contábeis e fiscais, relacionados com as operações informadas, enquanto perdurar o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários delas decorrentes. § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. No caso dos autos não se trata de recursos depositados em conta de terceiros. Assim, dos fundamentos acima expostos decorre a conclusão de que não há elementos nos autos para caracterizar a existência de dolo como elemento necessário à qualificação da multa. Da solidariedade Sem embargo, a análise da solidariedade, ou melhor, das consequências jurídicas decorrentes da distinção entre devedor solidário e terceiro responsável requer estudo acerca das seguintes situações: I) hipóteses previstas no artigo no artigo 124, I, do CTN, que trata da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, parágrafo único, I)1; II) hipóteses previstas no artigo 124, II, que trata da possibilidade da lei eleger, como responsável pelo crédito tributário, terceiro que não reveste a condição de contribuinte (art. 121, parágrafo único, II); III) hipóteses previstas no artigo 128 em que a lei, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo, atribui a responsabilidade do crédito a terceira pessoa (art. 121, parágrafo único, II); IV) responsabilidade pessoal dos sucessores ou de terceiros que não fazem parte da relação jurídicotributária, mas que podem vir a ser chamados a responder pelo crédito (art. 130 a 133); V) responsabilidade subsidiária das pessoas elencadas no artigo 134, I a VII (pais, tutores, curadores, administradores, inventariante, síndico, 1 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 13 tabeliães, escrivães e sócios, no caso de liquidação de sociedades de pessoas). VI) responsabilidade pessoal dos pais, tutores, curadores, administradores, síndico de massa falida, tabeliães, sócios, mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas quando agem com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos (art. 135); VII) responsabilidade pessoal por infrações conceituadas como crimes ou cuja definição o dolo específico do agente é elementar (137); VIII) responsabilidade de quem não é procurador e nem aparece no quadro social da empresa, mas faz desta instrumento para exercer suas atividades. 2.I. Da solidariedade tributária decorrente do interesse comum Ao tratar da solidariedade tributária o artigo 124, I, do CTN, prevê que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Inicialmente cabe esclarecer que a expressão “interesse comum” não pode ser confundida com interesse econômico. Interesse comum diz respeito à posição ocupada pelo sujeito passivo na relação jurídica tributária. Neste sentido, a seguinte lição extraída da jurisprudência do STJ: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO CONGLOMERADO FINANCEIRO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 124, I, DO CTN. NÃOOCORRÊNCIA. DESPROVIMENTO. 1. "Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas" (HARADA, Kiyoshi."Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador"). 2. Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico. 3. Recurso especial desprovido. (REsp 834.044 / RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 15.12.2008) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 14 O interesse comum de que trata o artigo 124, I, deve ser compreendido como o interesse “na situação que constitua o fato gerador”. Não se pode ler a expressão “interesse comum” sem o complemento que o segue, isto é, sem sua vinculação à participação do sujeito passivo na situação que constitua o fato gerador. Se o sujeito passivo não integrar a relação que constitua o fato gerador não se pode falar em interesse comum2. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, é o interesse ligado ao direito material que mais de uma pessoa possui em relação a determinado bem ou situação jurídica. Se estivéssemos no campo do direito processual diríamos que são os atributos que legitimam o titular de um direito para, em nome próprio, reclamálo em juízo. (art. 6º do CPC). Se A e B são proprietários de determinado imóvel entre eles há interesse comum e o Município pode fazer o lançamento do IPTU em relação a qualquer dos coproprietários. No exemplo aqui citado temse uma única norma jurídica de responsabilidade tributária, qual seja, a norma aplicável em relação a quem é contribuinte direto e, por consequência, participa da relação jurídica de direito tributário. A situação prevista no artigo 124, I, conforme se demonstrará mais adiante, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN, onde vamos encontrar duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte (art. 121, parágrafo único, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação (art. 135). Em situações onde um contribuinte fornece serviços ou produtos a outro, os menos atentos costumam arrolar o vendedor, o adquirente, o fornecedor ou tomador dos serviços, conforme o caso, como responsável solidário, sob o argumento de que estes têm interesse comum e citam para tal o artigo 124, I. Tal procedimento é equivocado. Além de confundirem interesse econômico com interesse jurídico, comprador e vendedor não têm interesse comum, mas sim interesses contrapostos. Neste sentido a doutrina de Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo: “Não podemos confundir interesse comum com interesse contraposto. ..... o interesse do comprador e o vendedor, em contrato de compra e venda, não são interesses comuns, mas interesses contrapostos. Neste sentido, aliás, é a lição autorizada de Silvio Rodrigues, para quem ´na compra e venda, na locação, no depósito etc., os interesses das partes são antagônicos e o contrato surge exatamente para reduzir as oposições e compor ad divergências3” 2 Não se pode confundir interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária com interesse econômico que terceiros, não contribuintes, tenham em face de determinados negócios jurídicos. Por exemplo, no imposto de renda, pessoa física ou jurídica, o acréscimo patrimonial, quantificado por meio do ganho de capital ou lucro, pode interessar de forma comum a vasto conjunto de pessoas (compradores, vendedores, fornecedores, sócios, administradores, trabalhadores, investidores etc), mas nem por isto estas pessoas possuem interesse na situação que constitua o fato gerador. 3 Revista Dialética de Direito Tributário nº 191. Agosto de 2011, pág. 124. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 15 2.II. Das hipóteses previstas no artigo 124, II, que trata da possibilidade da lei eleger, como responsável pelo crédito tributário, terceiro que não reveste a condição de contribuinte (art. 121, parágrafo único, II) O artigo 124, II4, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador5, praticado pelo contribuinte, podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros e nas demais situações elencadas no artigo 32, parágrafo único, do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 20016, onde a lei atribui, de forma expressa, responsabilidade tributária a quem não reveste a condição de contribuinte. 4 Art. 121. .... Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I .... II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 5 Conforme observa Sacha Calmon Navarro Coelho, a vinculação ao fato gerador, no que tange ao responsável, é para garantirlhe o ressarcimento do ônus tributário. Assim, de um lado, assegurase ao Fisco, o jus tributandi do Estado, condições de eficácia e funcionalidade. De outro, garantese ao cidadãocontribuinte o direito de ressarcimento, de modo a evitar o desfalque em seu patrimônio jurídico. (In. Comentários ao Código Tributário Nacional, Coord. Carlos Valter do Nascimento, Forense, Rio de Janeiro, 1977, p. 256295). 6 Artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001, “in verbis”: Art. 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Inciso acrescentado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001, DOU 27.08.2001, em vigor conforme o art. 2º da EC nº 32/2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Inciso acrescentado pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 24.08.2001, DOU 27.08.2001, em vigor conforme o art. 2º da EC nº 32/2001). III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (NR) (Inciso acrescentado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001, DOU 27.08.2001, em vigor conforme o art. 2º da EC nº 32/2001) a) (Suprimida) b) (Suprimida) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.281, de 20.02.2006, DOU 21.02.2006). d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Alínea acrescentada pela Lei nº 11.281, de 20.02.2006, DOU 21.02.2006) Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 16 Não se pode atribuir responsabilidade solidária com base no artigo 124, II, do CTN, sem indicar a norma legal que atribui tal condição às pessoas que não revestem a condição de contribuintes. Convém observar que a solidariedade de que trata o artigo 124, II, não está relacionada a ato ilícito e se aplica a quem, nos termos do artigo 121, parágrafo único, II, do CTN, tem qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é o caso das situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006. Antes de iniciar as questões que dizem respeito à responsabilidade tributária, especial atenção deve ser dispensada ao 125, III, do CTN. Este dispositivo é norma inserida na seção que trata da solidariedade, dispondo que a interrupção da prescrição em favor ou contra um dos obrigados favorece ou prejudica os demais. Neste contexto, oportuno observar que o artigo 124, do CTN, assegura ao sujeito ativo a prerrogativa de efetuar o lançamento contra um, alguns ou todos os obrigados solidários. De sorte que, se escolher apenas um ou alguns dos obrigados não poderá, após o decurso do prazo decadencial, voltarse contra os demais. Devemos nos ater que o que se interrompe é a prescrição e não o prazo decadencial. Enquanto a prescrição é passível de interrupção, o mesmo não ocorre com a decadência. Quanto a esta, a decadência, o Código Civil é expresso: “Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição.” A única hipótese de interrupção da decadência é a que consta no artigo 173, II, do CTN, que prevê o reinício do prazo nos casos de decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente realizado. O prazo decadencial não se suspende e nem se interrompe nem mesmo nas hipóteses em que o Poder Judiciário concede liminar em mandado de segurança, ou antecipação de tutela em outras espécies de ação, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Se o crédito tributário ainda não estiver constituído e não houver depósito judicial do valor, deve ser lavrado auto de infração para constituição, sem a multa de ofício, sob pena do mesmo ser atingido pela decadência. 2.III. Da responsabilidade tributária nas hipóteses previstas no artigo 128 em que a lei, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo, atribui a responsabilidade do crédito a terceira pessoa Em se tratando de responsabilidade de terceiros, essencial à compreensão do instituto da responsabilidade tributária é a noção de que a obrigação do terceiro de responder por dívida originalmente do contribuinte jamais decorre direta e automaticamente da pura e simples ocorrência do fato gerador do tributo. Do fato gerador só surge a obrigação direta do contribuinte. A relação contributiva dáse exclusivamente entre o Estado e o Contribuinte em face da revelação da capacidade contributiva deste. O terceiro que não integra a relação Fl. 492DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 17 jurídica que constitui o fato gerador só pode vir a ser responsável nas hipóteses expressamente previstas em lei (art. 124, II) e nos casos em que por ação ou omissão cometer infração própria cujo nexo pode resultar no não pagamento do tributo (art. 135). Ultrapassada a questão da solidariedade tributária de que trata o artigo 124, I, do CTN, em que o sujeito passivo ostenta a qualidade de contribuinte direto, prossigo na análise da matéria fazendo referência ao artigo 128 do CTN, que prevê que a “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Considerando que na responsabilidade tributária o terceiro pode vir a ser chamado por atos lícitos ou ilícitos, registrase que a norma contida no artigo 128 só trata da responsabilidade em casos de atos lícitos, ou melhor, de responsabilidade atribuída, de modo expresso em lei. Exemplo das situações aqui previstas são os casos de substituição tributária, retenção e recolhimento de contribuições previdenciárias e recolhimento do imposto de renda para os casos de beneficiário nãoresidente no país. Em tais exemplos a responsabilidade do contribuinte direto é excluída, respondendo pela obrigação o terceiro, não contribuinte. Notese que o artigo 128 é norma de aplicação autônoma para situações expressamente previstas em lei (arts. 121, parágrafo único, II e 124, II), sem aplicação ou incidência conjunta para os casos elencados nos artigos 131 a 137, que regulam situações diversas daquelas contempladas no artigo 128. 2.IV. Da responsabilidade pessoal dos sucessores Na responsabilidade dos sucessores (arts. 131 a 133 do CTN) a obrigação se transfere para outrem em virtude da extinção do devedor original. Pode ser por causa mortis do primeiro devedor (nesse caso a transmissão é feita para os herdeiros) ou por ato inter vivos em quatro situações: transmissão de imóveis; transmissão de bens móveis; transmissão de estabelecimento comercial, industrial ou profissional e; transmissão decorrente de fusão, incorporação, transformação ou cisão. Enquanto na situação prevista no artigo 124, I, temse uma única norma de incidência, aplicável a quem tem interesse jurídico em relação ao fato típico descrito na lei, nos artigos 131 a 133 há duas normas, quais sejam: a) a primeira norma é a que incide sobre a conduta do alienante, do sucedido ou do que “de cujos”, contribuintes diretos que participam da relação jurídicotributária (art. 121, parágrafo único, I); b) a segunda norma é aquela que caracteriza determinada situação fática ou jurídica passível de qualificar alguém como adquirente, sucessor, espólio, incorporador etc. (arts. 131 a 133). A responsabilidade por sucessão, assim como nos casos de substituição tributária, de que trata do artigo 128, não decorre de ato ilícito, mas sim de situação prevista em Fl. 493DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 18 lei. É por esta razão que o artigo 131, I, II, e III, do CTN, fala em responsabilidade “pelo tributo”, não contemplando multas em face de ações ou omissões praticadas pelo sucedido7. Dito de outra forma, nos casos previstos no artigo 131, o adquirente, o sucessor, o espólio e o cônjuge meeiro, ao se tornarem titulares de bem ou conjunto de bens e obrigações não cometem ilícito. É por esta razão que em todas as hipóteses previstas nos incisos do artigo 131, assim como nos casos previstos nos artigos 132 e 133, a obrigação fica limitada aos tributos, não incluindo as multas. Enquanto na responsabilidade de terceiros o artigo 134, parágrafo único, diz que o disposto em tal norma, em matéria de penalidade, só se aplica as de caráter moratório; em relação aos artigos 131; 132 e 133, a norma está limitada “aos tributos”, não contemplando nem mesmo as penalidades de caráter moratório. 2.V. Da responsabilidade subsidiária de terceiros, por atos lícitos Ao prever que na impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, esta transferese, nos atos que intervirem, ao pais, tutores, curadores, administradores, inventariante, síndico, tabeliães e sócios, a norma contida no artigo 134, do CTN, indica que as pessoas ali mencionadas não participam na situação que constitui o fato gerador. Não são contribuintes direto. Não praticam atividade ilícita com a finalidade de omitir, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades competentes, mas podem ser chamadas nos casos em que por sua ação ou omissão reste inadimplida a obrigação tributária. Assim, se o tabelião ou escrivão deixar de recolher determinadas taxas ou emolumentos em relação a atos em que intervirem, se tais obrigações não forem satisfeitas pelo contribuinte direto, em que pese não terem praticado nenhuma atividade ilícita, responderão de forma subsidiária. Aqui a responsabilidade decorre da não contribuição para com a Administração Tributária que, em tais casos, exige que as pessoas elencadas no artigo 134 do CTN, ao intervirem em determinados atos, verifiquem a regularidade em relação ao recolhimento dos tributos devidos. O que foi dito no parágrafo anterior também se aplica aos pais pelos tributos devidos pelos filhos menores. Apurado ganho de capital em alienação de bem pertencente a filho menor, se não recolhido o tributo, os pais respondem subsidiariamente. As situações elencadas no artigo 134 não contemplam atos ilícitos daqueles que intervém. Suas responsabilidades, limitada aos atos em que intervirem, decorre do simples fato do tributo não ter sido adimplido pelo contribuinte direto. Por não estar relacionado a fato ilícito o terceiro indicado no artigo 134 não responde pela multa de ofício. O intuito do legislador não é punir o responsável, mas fazêlo garante do crédito tributário. Nos casos de lançamento, para as situações previstas no artigo 134, com relação à multa de ofício, a responsabilidade é do contribuinte, não obrigando o terceiro. Quanto aos tributos e juros de mora, a responsabilidade do terceiro é subsidiária. Em outras palavras, nos casos previstos no artigo 134 o terceiro não responde pela multa de ofício, 7 Neste ponto a advertência sutil diferença entre o artigo 131 que fala em responsabilidade pelo tributo e o artigo 135, que fala em responsabilidade pelos créditos tributárias”. Nos casos dos artigos 135 e 137, por se tratarem de situações ligadas a atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, a responsabilidade do terceiro também se estende em relação às penalidades. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 19 excluída pelo parágrafo único que diz que o disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidade, às de caráter moratório. 2.VI. Da responsabilidade de terceiros por infração à lei, sem que o dolo específico do agente seja elementar Conforme afirmado anteriormente, para as situações previstas no artigo 135 têmse duas normas. Uma correspondente à relação jurídicotributária na situação que constitua o fato gerador e a outra ligada à conduta do agente que caracteriza o excesso de poder ou a infração à lei. Por existirem duas normas, cada uma incidindo sobre suporte fático específico, não pode a autoridade fiscal limitarse a descrever a situação fática e jurídica correspondente à relação jurídicotributária que constitua o fato gerador da exigência do crédito tributário em relação ao contribuinte direto e negligenciar na descrição da situação que caracteriza a responsabilidade tributária do terceiro. Dito de outra forma, verificase que são fatos diferentes, agentes diferentes e normas de incidências distintas. Uma é a norma que incide sobre o fato gerador da obrigação tributária e outra é a norma que incide sobre a conduta praticada pelo terceiro, que lhe torna responsável tributário. Igualmente, há que se observar o prazo decadencial tanto em relação ao fato gerador, quanto à conduta do terceiro que o torna responsável tributário. Se até nos crimes contra a vida o tempo produz efeitos capaz de extinguir a punibilidade, o mesmo se dá em relação às infrações tributárias, sejam estas decorrentes de atos lícitos ou ilícitos. Como o ilícito não pode se desligar da pessoa de seu agente, nos casos em que o contrato social contenha cláusula genérica prevendo a gestão da empresa a todos os sócios, havendo conduta típica descrita na norma sancionatória, aplicável ao terceiro, seja ele sócio ou não, fazse necessário identificar o agente e os atos em que atuou. Dito de outra forma, a responsabilidade decorrente de norma sancionatória não pode se desprender e nem extrapolar os limites da conduta do agente infrator. A contrário senso seria punir todos, de forma objetiva, pela conduta de um ou de alguns. Não é por outra razão que o STF, no julgado acima referido, diz que apenas o pessoalmente responsável pelo ilícito é que deve sofrer as sanções. Aqui vale repetir o que já foi dito anteriormente: O sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em lei. Ademais, em se tratando de contrato que tenha vários sócios com poder de gerência, ou de situações onde se verifica a participação de mais de uma pessoa, indispensável que a autuação, em relação à responsabilidade de terceiros, descreva a conduta delituosa de cada participante indicando a ação ou omissão em relação a cada fato imputado, quando ocorreu, como ocorreu e onde ocorreu, de modo a possibilitar o exercício do direito de defesa e a apreciação da conduta, de forma individualizada, por quem julga. Em havendo a participação com excesso de poderes ou atos ilícitos de apenas um ou alguns dos sócios, gerentes ou prepostos, somente a estes há de se estender os efeitos da responsabilidade tributária e, para cada um, limitada aos autos de que forem responsáveis. Em outras palavras, os requisitos relacionados à infração por responsabilidade de terceiros devem estar descritos com os mesmos rigores contidos no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Isto é, identificar o agente infrator, descrever a conduta Fl. 495DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 20 deste, especificar quando esta ocorreu, sobre quais fatos se deu8 e quais as disposições legais infringidas. Isto é necessário em função da estrutura da norma sancionatória que ostenta a mesma estrutura lógica da regramatriz de incidência. Daí a necessidade de descrição e delimitação da conduta típica praticada pelo terceiro. Neste sentido, oportuna a lição de Paulo de Barros Carvalho: “...as normas sancionatórias são regras de conduta e ostentam a mesma estrutura lógica da regramatriz de incidência: um antecedente, descritor de classe de fatos do mundo real, e uma consequência prescritora de vínculo jurídico que há de formar se entre dois sujeitos de direito.” .... Tudo o que dissemos sobre os critérios da hipótese tributária vale para o antecedente da norma tributária, que tem o seu critério material – uma conduta infringente do dever jurídico , um critério espacial a conduta há de ocorrer em algum lugar – e um critério temporal – o instante em que se considera acontecido o ilícito. Na consequência, deparemonos com um critério pessoal – o sujeito ativo que será aquele investido do direito subjetivo de exigir a multa e um sujeito passivo o que deve pagála – e um critério quantitativo – a base de cálculo da sanção pecuniária e a porcentagh4rem sobre ela aplicada9. A inclusão de terceiro, como responsável tributário, seja ele sócio ou não da empresa contribuinte, requer que se demonstre em que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto. E mais, esta responsabilidade não é irrestrita, mas limitada aos atos em que cada agente agiu com infração. Neste sentido a lição de Francisco Prehn Zavaski: “Embora qualquer das pessoas arroladas nos incisos do artigo 135 do CTN possa ter praticado algum ato com ‘excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos’, isto não significa que ela poderá ser responsável por todos os débitos tributários do devedor originário, sob pena de se criar hipótese de responsabilidade universal, o que, evidentemente não é a intenção da norma. Ao contrário, com fundamento no artigo 135 do CTN, só haverá responsabilidade de terceiros com relação aos créditos tributários que tiverem origem no próprio ato ilícito praticado.” 10 2.VII. Da responsabilidade de terceiros quanto às infrações conceituadas como crimes ou aquelas em cujo dolo específico do agente seja elementar 8 Destaco aspecto relacionado à proporção por entender que o terceiro, não contribuinte, que fez uma ou duas operações com determinado contribuinte não pode ter sua responsabilidade estendida a todas as operações. Aqui adoto como parâmetro algo semelhante aos que importam mediante empresas que atuam neste segmento. Se estas não recolhem o tributo, quem realizou a importação (importador) só responde pelos tributos devidos em relação às suas mercadorias. 9 Paulo de Barros Carvalho. Curso de Direito Tributário. 22a. Edição. 2010, pág. 578 e 584. 10 ZAVASKI, Francisco Prehn. A Responsabilidade Tributária Prevista no Art. 135 do CTN e o Processo de Execução Fiscal. In. Revista Dialética de Direito Tributário, nº 193, outubro 2011, pág. 5253. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 21 Nas hipóteses indicadas no artigo 137 do CTN, que dispõe que a responsabilidade é pessoal do agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes e aquelas cujo dolo específico do agente seja elementar, cabe notar que não se pode confundir as situações em que o agente pratica infrações conceituadas como crime agindo no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, situações em que a responsabilidade tributária será da empresa e do agente infrator, dos casos em que o agente, sem o consentimento do contribuinte, pratica ato ilícito em proveito próprio. Neste segundo caso a responsabilidade pela infração é do agente e tem por finalidade evitar que a empresa, mesmo sendo vítima de conduta ilícita, tenha que suportar as penalidades correspondentes. Neste sentido a lição de Fabrizio Candia dos Santos: “O art. 137 trata de casos derivados de crimes, contravenções e do dolo específico cometidos contra determinadas pessoas. Há dois regimes aplicados: um de solidariedade, no que se refere aos seus dois primeiros incisos e outro de exclusividade, previsto no seu inciso III, pois, neste caso, o agente age contra a pessoa para quem presta serviço, não havendo comunhão de interesses.” .... “O contador de uma casa de câmbio falsifica documentos da empresa, abre uma conta CC5 e processa a remessas ilegais de divisas, sem comprovação de origem, fazendo se passar como uma operação social, vindo a incidir na presunção de renda do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Neste caso, o crime é cometido contra a empresa, aplicase o art. 137, III, b. A responsabilidade é pessoal do agente, não subsistindo responsabilidade à sociedade, visto neste o crime se dá contra a pessoa jurídica mediante ardil. A ausência de solidariedade decorre da inexistência de interesse comum (o interesse é contraposto), exigida no inciso I do art. 124 do CTN.11.” Ao tratar do tema, Hugo de Brito Machado destaca que o artigo 137 do CTN diz respeito somente às penalidades. A responsabilidade pelos tributos eventualmente não pagos em razão de atos que configurem aquelas infrações é de natureza civil e, assim, atribuível à pessoa jurídica em virtude da denominada culpa in eligendo 12. Para nós, provado que o fato típico tributário não foi praticado pela empresa, mas sim por terceiro que se valeu desta, tributase o terceiro, sem responsabilidade solidária ou subsidiária da empresa. E aqui não há responsabilidade solidária porque a empresa não participa na relação jurídica que constitui o fato gerador. Igualmente, nestas circunstâncias, não há responsabilidade subsidiária porque a pessoa jurídica não pratica a conduta típica descrita na norma de responsabilidade subsidiária. A situação é semelhante às hipóteses descritas no artigo 134, VI e 135, do CTN, em que as pessoas lá mencionadas só respondem em face aos atos em que intervirem. 11 SANTOS, Fabrizio Candida dos Santos. A responsabilidade tributária de todos os sócios na dissolução irregular de sociedades limitadas. In. I Prêmio Carf de Monografias em Direito Tributário. BrasíliaDF, 2011, pág. 233. 12 Hugo de Brito Machado. Comentários ao Código Tributário Nacional. Editora Atlas. São Paulo. 2004. pág. 637. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 22 2.VIII. Da responsabilidade do terceiro que não é procurador, preposto, mandatário e nem aparece no quadro social, mas usa a empresa para exercer atividades comerciais A atividade econômica, de natureza civil ou comercial, pode ser exercida por pessoa jurídica ou por pessoas físicas. O artigo 150, § 1º, II, do Regulamento do Imposto de Renda, consolidado no Decreto nº 3000, de 1999, prevê que devem ser tributadas como empresas individuais “as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, artigo 41, § 1º, alínea "b"). Nos casos em que a pessoa física compra e vende produtos, situação que se verifica com mais frequência, por exemplo, entre pequenos comerciantes, vendedores ambulantes, comércio de veículos usados ou de produtos agrícolas, a tributação deve se dar como se pessoa jurídica fosse. Situação diversa é quando as pessoas físicas realizam atividades de natureza comercial, usando para tal pessoa jurídica constituída em nome de outrem. Neste caso é preciso distinguir se a pessoa jurídica que está sendo utilizada para o exercício desta atividade caracterizase por existência apenas formal ou se efetivamente se constitui em ente jurídico dotado de estrutura com prática de atos voltados ao comércio. Nos casos em que a empresa não pratica as atividades constantes de seu objeto social, constituindose apenas de ente com personalidade formal que serve somente para emissão de documento fiscal relativo à atividade que não é praticada por ela, mas por outrem, que pode ser pessoa física ou jurídica, a tributação deve recair em relação àquele que efetivamente praticou o ato jurídicotributário. Não é o registro formal, mas sim a efetiva existência no mundo real que identifica a ocorrência de situação sobre a qual incide a norma tributária. Quando uma empresa dotada de estrutura necessária para exercer as atividades a que se propõe, as exerce em conjunto com outra pessoa física ou jurídica, temse a situação descrita no artigo 124, I, do CTN, isto é, a solidariedade. Neste caso tanto a empresa, quanto à pessoa física, que deve ser considerada firma individual, ou outra pessoa jurídica já existente, praticam ato comum com interesse “na situação que constitua o fato gerador”. Nos casos em que se têm mais de uma pessoa jurídica envolvida é necessário que se verifique quais os atos que estão vinculados à situação que constitua o fato gerador. Por exemplo, se dois prestadores de serviços vencerem uma licitação para desenvolverem determinados programas de informática ou para, mediante parceria, construírem uma ponte, por evidente que a solidariedade entre estes há de ficar limitada aos tributos relacionados à receita decorrente dos serviços advindos do desenvolvimento dos programas de informática ou da construção da ponte. Não é possível estender a responsabilidade a outros atos que não estejam vinculados àqueles efetivamente praticados em conjunto pelas partes. Em relação ao comércio aplicase a mesma regra. Isto é, aquele que se associou, por exemplo, para importar ou comercializar um automóvel ou um caminhão de grãos não pode vir a ser chamado a responder pelos tributos em relação a outras transações que dito contribuinte venha a realizar com terceiros. Pensar de forma diversa seria atribuir responsabilidade objetiva em relação a fato jurídico ou conduta não praticada por aquele a quem se imputa a responsabilidade. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 23 3. Da análise fática do caso concreto No caso dos autos não se tem notícia de um único ato praticado pelos responsáveis tributários em proveito próprio. Igualmente, não se tem notícias de que fora usado recursos da empresa para pagamento de obrigações particulares dos sócios ou de pessoas vinculadas aos sócios. Em momento algum a autoridade fiscal apontou a existência de eventual recurso pertencente à empresa creditado em conta dos sócios ou desviados em poder destes. Também não descreveu conduta destes agindo com excesso de poderem em detrimento da empresa ou em proveito próprio. O argumento de que por serem administradores os sócios contribuíram nas irregularidades que levaram às declarações fraudulentas mostrase genérico e não vinculado à conduta específica. Se a empresa, representada por seus sócios, tivesse depositado os recursos em conta particular dos sócios terseia situação passível de caracterização da responsabilidade solidária desates. Além dos artigos 124 e 135, do CTN, a autoridade fiscal, como fundamento jurídico da solidariedade, aponta os artigos 50, 1.016 e 1.036, do Código Civil, a seguir transcritos, Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Art. 1016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Art. 1032. A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus herdeiros, da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos após averbada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a averbação. No caso dos autos não há abuso da personalidade jurídica. A autuada não está sendo utilizada em desvio de finalidade, isto é, para propósitos estranhos aos seus fins sociais. Também não se pode alegar confusão patrimonial. Como destacado anteriormente, não foi citado no procedimento fiscal um único valor da sociedade que fosse destinado à pessoa física dos sócios, situação que pudesse caracterizar confusão patrimonial. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade tributária dos sócios pessoas físicas, cancelar a exigência do IPI e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 499DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 11516.004335/201093 Acórdão n.º 1402001.042 S1C4T2 Fl. 0 24 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 13837.000685/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
MULTA POR ATRASO NA DIRF. ERRO DE PREENCHIMENTO.
Comprovada que a DIRF entregue em atraso foi transmitida com erro de ano-calendário, restando desobrigado o contribuinte da respectiva entrega, afasta-se o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.922
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ERRO DE PREENCHIMENTO. Comprovada que a DIRF entregue em atraso foi transmitida com erro de ano calendário, restando desobrigado o contribuinte da respectiva entrega, afasta se o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13837.000685/200788 Acórdão n.º 210201.922 S2C1T2 Fl. 51 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 13 a 15: Tratase de Auto de Infração eletrônico relativo à multa por atraso na entrega da DIRF do anocalendário 2006, lavrado para exigência do crédito tributário no valor de R$200,00, face a entrega da declaração em 11/09/2007, portanto, com 08 meses/fração de atraso, haja vista o encerramento do prazo legal em 16/02/2007. A infração foi enquadrada nos seguintes dispositivos legais: art. 7º da Lei nº 10.426/2002 com as alterações dadas pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004; arts. 9º, caput, 11 e 23, caput, III e § 2º, III, do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações dadas pelos arts. 1º da Lei nº 8.748/1993, art. 67 da Lei nº 9.532/1997 e art. 113 da Lei nº 11.196/2005, art. 4º, inciso II, § 3º, e art. 6º, inciso II, da Portaria SRF nº 259/2006. A interessada foi cientificada por via postal. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou, em 21/11/2007, impugnação de fls. 01/02, acompanhada de documentos de fls. 03/07, dizendo ter entregue indevidamente a DIRF, pois não estava obrigada ao cumprimento de tal prestação. Esclarece que, conforme orientação do órgão local, fez um pedido de cancelamento da declaração, em 14/09/2007, cópia anexo. E que ao pedir Certidão Negativa de Débitos foi informada de que a multa encontravase em aberto, sendo necessário o pedido de cancelamento da mesma. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que não restou comprado erro no preenchimento da DIRF, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRF O cumprimento da obrigação acessória apresentação de DIRF fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais. Estando ausente da defesa apresentada a documentação hábil e idônea a comprovar o erro no preenchimento da declaração alegado, mantémse a multa pelo atraso na entrega. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 21/22, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando que na verdade os valores constantes na DIRF anocalendário 2006 objeto da multa impugnada, era na verdade do ano calendário 2005, conforme documentos apensados ao recurso. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13837.000685/200788 Acórdão n.º 210201.922 S2C1T2 Fl. 52 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Alega o recorrente que a DIRF exercício 2007 que deu origem ao lançamento foi transmitida equivocadamente, pois, foi enviada com erro do exercício, seria 2006 e não 2007, e estando o contribuinte desobrigado a entrega dessa declaração no ano autuado, 2007, a multa lançada dever ser cancelada. Para atestar suas alegações o contribuinte apensou o seguinte: 1) As DIRF dos exercícios 2006 e 2007, fls. 24 a 27; 2) DARF de fl. 42 atestando os valores constantes nas DIRF acima e 3) Documentos judiciais que originaram os recolhimentos constantes nas DIRF, fls. 28 a 41. Da análise dos documentos acima, resta inequívoco, especialmente pelos DARF de fl. 2, que assiste razão ao recorrente. Ou seja, os únicos recolhimento constantes na DIRF que originou a multa por atraso se referem a um exercício anterior que foi transmitida com diferença de alguns minutos apenas. Assim sendo, pelo erro de fato comprovado nestes autos, voto pelo cancelamento da DIRF do exercício 2007 e consequentemente da respectiva multa objeto do presente processo. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13837.000685/200788 Acórdão n.º 210201.922 S2C1T2 Fl. 53 4 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10640.003040/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração . 01/01/1997 a 31/12/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.052
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração . 01/01/1997 a 31/12/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10640.003040/2007-14 Recurso n° 163.968 Voluntário Acórdão n° 2401-01.052 — 4' Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente SBA PEÇAS ACABADAS DE ALUMÍNIO LTDA Recorrida DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração . 01/01/1997 a 31/12/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das ' contribuições apuradas. rky 11 ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente . eleI ' th ,1 .1k .1 ',já> —'; '-itar:Rsek•' RYCARDO r NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator ; Participaram, do present 'ulg. ento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, deusa Vieira de e . za, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 .• Processo n°10640.003040/2007-14 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.052 Fl. 181• .• Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: IV 265466 (165466), Processo: n°35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELLIA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n o 2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° • 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In • casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4 0 ou 173, do CTN). • É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CART n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sess n s, em 24 de fevereiro de 2010 Alkist_da RYCAR • 1 • IQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 1 1/4 \ 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 144 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10640.003040/2007-14 Recurso n°: 163368 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.052 Brasília I e março de 2010 ELIAS SA 'AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10909.003123/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/1992 a 28/02/1996
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a
repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Numero da decisão: 3302-001.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber
José da Silva. Fez Declaração de Voto o conselheiro Walber José da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber José da Silva. Fez Declaração de Voto o conselheiro Walber José da Silva. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem sintetizar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Florianópolis: Trata o presente processo de Declarações de Compensação, referentes ao PASEP com período de apuração entre dezembro de 2003 e junho de 2004, referentes a pretensos recolhimentos efetuados a maior a título de Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP no período de 01/11/1992 a 28/02/1996. Na fundamentação de seu pedido, o sujeito passivo entende que os DecretosLeis n° 2.445 e 2.449, de 1998, foram retirados do mundo jurídico pela Resolução do Senado Federal n° 49, argumentando, em síntese, que, nos termos do Decreto n° 71.618/72, as normas previstas na Lei Complementar n° 8/70, e na Lei Complementar n° 26/75 permaneceram válidas até fevereiro de 1996, amparada pela Medida Provisória n° 1212, de 28/11/1995, esta convertida na Lei n°9.715, de 26/11/1998, passando, então, a produzir efeitos. Em relação as PER/DCOMP, o sujeito passivo esclarece que apresentou Pedido de Restituição transmitido em 28 de abril de 2004, no valor de R$ 1.013.281,11. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pelo seu indeferimento (Despacho Decisório folhas 62), fazendoo com o fundamento, constante no Parecer n° 066/77, de que ocorreu a extinção do direito creditório, tendo em vista o pedido ter sido efetuado após o prazo de 5 anos do pagamento indevido. Irresignado com tal indeferimento, encaminhou o sujeito passivo manifestação de inconformidade, às folhas 71 a 74, na qual sustenta, em síntese, o abaixo exposto: Esclarece que, conforme o Decreto n° 4.524/02 e a IN SRF 247/02, o PIS/PASEP tem natureza jurídica de contribuições sociais, e que o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 estabelece prazo decadencial de 10 anos. Assim sendo, o prazo para reclamar a restituição do indébito das contribuições para o PIS/PASEP é de 10 anos contados da Resolução 49 do Senado Federal. Entende que as alterações do CTN propostas pela LC 118/05 não podem atingir direito já adquirido e já postulado. Sustenta ainda que, conforme entendimento do STJ, a decisão que o prazo de 5 anos que normalmente seria aplicável na forma do artigo 168 do CTN começaria a correr após a homologação tácita do crédito na forma do artigo 150, §4° do CTN (também de 5 anos), e somados os prazos teríamos ao todo 10 anos. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.003123/200715 Acórdão n.º 330201.460 S3C3T2 Fl. 122 3 A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1992 a 28/02/1996 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de pleitear a compensação/restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição transmitido em 28/04/2004 e relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS no período de 01/11/1991 a 28/02/1996, alegando teriam ocorrido recolhimentos a maior em virtude da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445 e 2.449. Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.003123/200715 Acórdão n.º 330201.460 S3C3T2 Fl. 123 5 inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 28/04/2004, estando assim submetido ao prazo de 10 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 11/1991 a 02/1996, somente parte dos créditos esta atingida pela prescrição. Neste contexto os alegados pagamentos a maior relativos aos período de 28/04/1994 a 28/02/1996, não estão prescritos, devendo a Delegacia da Receita Federal competente analisar os pedidos de restituição, verificando a existência dos alegados créditos e promovendo sua quantificação, bem como se eram suficientes para a quitação das compensações efetuadas. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.003123/200715 Acórdão n.º 330201.460 S3C3T2 Fl. 124 7 Por todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição em relação aos pagamentos realizados entre 28/04/1994 e 28/02/1996. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Declaração de Voto Não posso acompanhar o Ilustre Conselheiro Relator porque parto do pressuposto de que as informações declaradas em PER/DCOMP são a expressão da verdade, ressalvado algum erro material existe no seu preenchimento. A possibilidade da existência de erro material existe, tanto é que a RFB não localizou os DARF informados pela recorrente em suas PER/DCOMP e emitiu os Termos de Intimação de fls. 52, 53, 54 e 55, solicitando que a Recorrente “verifique se todos os dados da Ficha DARF informados no PER/DCOMP conferem com os dados do DARF original. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária”. Por outro lado, a resposta da Recorrente às referidas intimações não indicou a existência de erro material nos DARF informados nas PER/DCOMP e a sua justificativa, além de conter diversas inverdades, não pode ser aceita porque o procedimento adotado representa uma tentativa de fraudar o sistema de restituição e de compensação, ao inserir informações sobre pagamentos sabidamente inexistentes. Justifica a recorrente o seu procedimento nos seguintes termos: O valor pago a maior e/ou indevidamente, pelo Município de Itajaí, calculado inicialmente, decorre da utilização dos critérios contidos na LC N° 08/70. O seja, a utilização da semestralidade e não mensal estampados DLs declarados inconstitucionais, cujo espectro foi apurado nas planilhas anexas. Assim, mediante a documentação parcial, integrante do processo administrativo iniciando com a apresentação do Pedido de Restituição transmitido à Receita Federal em 28 de abril de 2004, apurouse o valor originário pago a maior na ocasião, na ordem de R$ 378.400,60 que devidamente atualizado em 31 de janeiro de 2004, foi de R$1.013.281,11. Este valor foi utilizado, tanto para preenchimento do PER, quanto de DCOMPs. Se verificarmos, nas planilhas que ora anexamos, o valor acima descrito acima, atualizado em 31 de janeiro de 2004, objeto da primeira inscrição no PER, de R$ 1.013.281,11. No caso da DCOMP transmitida em 05/03/2004, de número 15792.63459.050304.1.3.046058, o valor informado, de R$ Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 983.279,05, é o mesmo valor acima, descrito nas planilhas anexo, mas atualizado em 30 de novembro de 2003. Desta forma, vemos que a diferença entre um e outro se trata tão somente de data de atualização. Desta forma, justificamos inicialmente que o Pedido de Restituição somente foi preenchido com a informação de um único recolhimento, atualizado em 31/01/2004, por limitação do sistema PER/DCOMP, que impossibilita a informação de mais de um DARF simultaneamente. No período, vínhamos aguardando manifestação desta Delegacia da Receita Federal, para que nos permitisse mencionar o ocorrido, baseado em legislação amplamente discutida, tanto na esfera administrativa, quanto judicial. Observese, inclusive, que à época, a própria Receita Federal orientava os contribuintes a procederem o Pedido de Restituição e as Declarações de Compensação, via sistema PER/DCOMP, informando o valor totalizado do crédito, em função da indisponibilidade de outro procedimento no sistema PER/DCOMP, aliado à não aceitação de formulário papel, anexo da IN 210/2002 e alterações posteriores. A oportunidade mencionada pelas INs que regulamentam a matéria, de que o PER e as DCOMPs pudessem ser apresentados, fisicamente, devidamente acompanhados da documentação que comprova a origem do crédito (leiase aqui toda a gama de DARFs, retenções e parcelamentos descritos nas planilhas anexo) jamais foi considerada pela DRF. Cabe esclarecer que, para cada uma das citações de PER/DCOMP transmitidas, tanto no PER Pedido de Restituição, quando em todas as DCOMPs Declarações de Compensação, formulário no qual só é possível constar um único DARF com valores de créditos. Como também não é possível constar o número de um PER/DCOMP, mas tão somente de um processo administrativo, este foi o único procedimento possível. É fundamental esclarecer que os pedidos de restituição foram preenchidos com a informação da arrecadação realizada através de 03 (três) DARF, todos inexistentes, e não de um único DARF como afirma a Recorrente. Também é absolutamente descabida a justificativa da Recorrente de que informou um único DARF porque o Sistema Eletrônico da PER/DCOMP não permite a informação de mais de um DARF. Na verdade, não há nenhum impedimento para a Recorrente transmitir tantos pedidos de restituição quanto forem os DARF com recolhimento indevido. Da mesma forma, é completamente falsa a afirmação da recorrente que a RFB não aceitava o pedido de restituição em papel. Na impossibilidade de utilização do pedido eletrônico, como é caso dos pagamentos que a recorrente alega referiremse a este processo (pagamentos realizados entre 14/11/93 e 05/03/96), o art. 3º da IN nº 323/03, abaixo reproduzido e vigente à época da transmissão dos PER/DCOMP, autoriza a utilização do pedido de restituição e do pedido de compensação em papel. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10909.003123/200715 Acórdão n.º 330201.460 S3C3T2 Fl. 125 9 Art. 3º Os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada à SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF nº 320, de 11 de abril de 2003. Parágrafo único. Na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerarseá não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação. Mais ainda, o parágrafo único do dispositivo acima reproduzido determina que no caso de descumprimento do disposto no caput deve a autoridade da RFB considerar não formulado o pedido de restituição e/ou de compensação. No caso dos autos, é patente que a Recorrente descumpriu o comando normativo e, portanto, deveria a autoridade da RFB ter cumprido o referido dispositivo legal. Não o fez, preferindo discutir a questão da decadência do direito de a recorrente pleitear a restituição, matéria totalmente estranha ao pedido de restituição da Recorrente, posto que os DARF informados nas PER/DCOMP não são os mesmos constantes do anexo à resposta da Recorrente aos Termos de Intimação expedidos. Todos os 03 (três) DARF com suposto pagamento indevido referemse a pagamentos realizados antes de 05 (cinco) anos da data da transmissão das PER/DCOMP. São pagamentos supostamente realizados nos dias 31/12/2003, 30/11/2003 e 31/01/2004. As PER/DCOMP foram transmitidas no período de 11/02/2004 a 24/06/2004. Por tais razões é que voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
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