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Numero do processo: 16327.000181/98-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ALEGAÇÃO DE OFENSA A COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Em matéria tributária a coisa julgada não tem o condão de perenidade, sobretudo tendo o Supremo Tribunal Federal declarado a constitucionalidade da exigência da contribuição social sobre o lucro instituída pela Lei n° 7.689, de 1988, restando inconstitucional apenas o seu artigo 8°, que é indiferente para o deslinde da controvérsia instaurada. Aplicabilidade, no caso, da Súmula 239 do STF.
A decisão judicial transitada em julgado em favor do Recorrente diz respeito a uma situação produzida pelo quanto determinado na Lei n° 7.689, de 1988, a qual foi alterada por legislação superveniente, ou seja, houve modificação da situação fático-jurídica protegida pela decisão transitada em julgado, de modo que a referida norma individual e concreta que a eximia do recolhimento da contribuição social sobre o lucro não mais se aplica à situação jurídica em que se encontra atualmente.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-001.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negado provimento ao recurso do contribuinte. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. O Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ALEGAÇÃO DE OFENSA A COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Em matéria tributária a coisa julgada não tem o condão de perenidade, sobretudo tendo o Supremo Tribunal Federal declarado a constitucionalidade da exigência da contribuição social sobre o lucro instituída pela Lei n° 7.689, de 1988, restando inconstitucional apenas o seu artigo 8°, que é indiferente para o deslinde da controvérsia instaurada. Aplicabilidade, no caso, da Súmula 239 do STF. A decisão judicial transitada em julgado em favor do Recorrente diz respeito a uma situação produzida pelo quanto determinado na Lei n° 7.689, de 1988, a qual foi alterada por legislação superveniente, ou seja, houve modificação da situação fáticojurídica protegida pela decisão transitada em julgado, de modo que a referida norma individual e concreta que a eximia do recolhimento da contribuição social sobre o lucro não mais se aplica à situação jurídica em que se encontra atualmente. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negado provimento ao recurso do contribuinte. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. O Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 81 /9 8- 63 Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Suzy Gomes Hoffmann, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório PÃO DE AÇÚCAR S/A D.T.V. M, contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob o nº 62.201.553/000160, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo Estado de São Paulo, na Av. Brigadeiro Luiz Antonio, nº 3126 – Bairro Jardim Paulista, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil das Instituições Financeiras em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Segunda Instância prolatada pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.512, de 06/12/2007 (fls. 630/651) cuja decisão, por maioria de votos, negou provimento ao seu recurso voluntário, recorre, tempestivamente, a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do seu Recurso Especial, datado de 17/10/2008 (fls. 711/723), instruído pelos documentos de fls.724/758. O pleito do Contribuinte busca amparo no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que contra o contribuinte da foi lavrado, em 24/08/1998, o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 226/230), com ciência pessoal, em 24/08/1998 (fls. 226/230) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 305.540,04, a título de Contribuição Social, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor da contribuição, referente ao exercício de 1998, correspondente ao anocalendário de 1997. Consta a observação de que o presente Auto de Infração foi lavrado para prevenir a decadência. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver falta de recolhimento da Contribuição Social. Infração capitulada na Lei nº 7.689, de 1988 e alterações posteriores; art. 2º da Emenda Constitucional nº 10, de 1996 e arts. 1º e 2º, da Lei nº 9.316, de 1996. O Termo de Verificação Fiscal, lavrado em 24/08/1998 (fls. 221/225), esclarece, de forma detalhada, os acontecimentos verificados pela autoridade fiscal lançadora, alertando que o contribuinte não vem recolhendo a Contribuição Social sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas argüindo coisa julgada proferida no Acórdão da 4ª• Turma do Egrégio Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.000181/9863 Acórdão n.º 9101001.651 CSRFT1 Fl. 3 3 Tribunal da 1ª Região do dia 18 de novembro de 1991 que, por ocasião do julgamento de remessa exoffício n°.91.01.064703 DF, decidiu pela inconstitucionalidade da Lei n°. 7689, de 1988, que instituiu a referida exação, negando provimento ao recurso, tendo transitado em julgado em 02 de dezembro de 1991. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 18/08/1998 (fls. 233/242) e, em 15/04/2003, após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I, decide julgar procedente o lançamento, mantendo a totalidade do crédito tributário lançado (fls. 333/343), com base, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que o controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico, é feito de modo absoluto pelo Supremo Tribunal Federal. A relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa. A declaração de intributabilidade, no que concerne a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem ao tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Carta Magna, a destacar o da isonomia; que a alteração do estado e direito, pelo surgimento de nova legislação, afeta a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus efeitos nos casos de relação jurídica continuativa. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 27/06/2003, conforme Termo constante às fls. 344/345, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 25/07/2003, o seu Recurso Voluntário (fls. 489/507), instruído pelos documentos de fls. 508/628, o qual, ao ser apreciado pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.512, de 06/12/2007 (fls. 630/651), não teve sucesso (por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso), conforme se verifica de sua ementa: CSLL INOCORRÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NÃO PELO STF O controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico, é feito de modo absoluto pelo Supremo Tribunal Federal. A relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa. A declaração de intributabilidade, no que concerne a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Carta Magna, a destacar o da isonomia. CSLL COISA JULGADA ALTERAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO A alteração do estado de direito, pelo surgimento de nova legislação, afeta a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus efeitos nos casos de relação jurídica continuativa. Recurso negado. Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 4 Cientificado, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 09/06/2008, conforme Termo constante às fls. 658/661, o Contribuinte interpôs, inicialmente, Embargos de Declaração, que foi rejeitado, posteriormente, de forma tempestiva (31/10/2008), interpôs o seu Recurso Especial (fls. 711/723), com amparo no art. 7º, inciso II, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, no qual demonstra irresignação total contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que se trata de processo administrativo, consubstanciado em auto de infração, por meio do qual a Receita Federal do Brasil ("RFB") constituiu, apenas para prevenir a decadência, créditos tributários da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), relativamente ao anobase de 1997, sob a alegação de que a Recorrente teria deduzido indevidamente, da apuração do Lucro Real, as correções Monetárias do "Plano Verão" e do "Plano Real", conforme lhe autorizaram as medidas liminares concedidas nos autos das medidas cautelares no 94.0328621 (Plano Verão) e no 97.00051773 (Plano Real); que o Acórdão em questão não merece prosperar: em razão (i) da evidente afronta ao princípio da segurança jurídica, já que a Recorrente dispõe de decisão judicial, transitada em julgado, que reconheceu a inexistência de relação jurídicotributária com a União, quanto ao recolhimento da CSLL; e (ii) da inexistência de preclusão da alegação relativa à multa de ofício; que com o objetivo de comprovar a divergência de interpretação no caso concreto, e consoante determina o art. 15, §2º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais ("RICSRF"), a Recorrente traz à colação cópia dos acórdãos paradigmas nº 10191.553 (doc. 01) e nº 0304.194 (doc. 02), proferidos pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, respectivamente; que não obstante a alegação exposta pela Recorrente no seu recurso voluntário, a 8 a Câmara do 10 Conselho de Contribuintes entendeu, com base exclusiva na decisão proferida pela DRJ, que as relações jurídicas nascidas em decorrência da aplicação da Lei no 7.689/88 seriam "continuativas" e que, em razão das alterações legislativas ocorridas, estariam presentes os pressupostos para a aplicação do artigo 471, inciso I, do CPC; que, contudo, ainda que se considere a ocorrência de relações continuativas no presente caso, não houve, como entendeu, de forma equivocada, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, qualquer modificação no estado de fato ou de direito que ensejasse a revisão do que foi estatuído na sentença, que transitou em julgado nos autos da ação declaratória; que, de fato, após a Lei n o 7.689/88, diversos outros preceitos normativos vieram a tratar a CSLL de forma parcial. Contudo, não houve a alteração de todos os aspectos da hipótese de incidência dessa contribuição, apenas de algumas questões pontuais; que como se percebe, a modificação introduzida pelo artigo 11 da LC nº 70/91 estabeleceu apenas uma nova alíquota para a CSLL, mas não alterou os demais aspectos da hipótese de incidência fixados pela Lei n o 7.689/88, conforme demonstra o quadro ilustrativo abaixo; que, nesse exato sentido, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, ao analisar caso idêntico ao presente, reconheceu que as normas posteriores à Lei nº 7.689/88, tal como o artigo 11 da Lei Complementar nº 70/91, não modificaram o estado de fato ou de Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.000181/9863 Acórdão n.º 9101001.651 CSRFT1 Fl. 4 5 direito relativamente às relações jurídicas no que concerne à CSLL, o que justifica a interposição de recurso especial quanto a esse ponto; que, assim, diversamente do entendimento exposto pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido, o I. Conselheiro Relator do acórdão paradigma reconheceu a eficácia da coisa julgada relativamente à inconstitucionalidade da CSLL instituída pela Lei n° 7.689/88; que, ainda, conforme se extrai da análise do Termo de Verificação (fls.225 dos autos), verificase que o auto de infração, originário do presente processo administrativo, foi lavrado apenas para prevenir a decadência, eis que o crédito tributário da CSLL estava com a sua exigibilidade suspensa por força das liminares concedidas nos autos da Medida Cautelar n o 97.00051773 (Plano Real) e da Medida Cautelar no 94.00328621 (Plano Verão); que como a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa, não havia, obviamente, possibilidade de cobrança da multa de ofício, conforme já se posicionou, reiteradas vezes, esse E. Conselho de Contribuintes; que muito embora a questão relativa à multa de ofício não tenha sido questionada pela Recorrente no seu recurso voluntário, não poderia a C. Câmara eximirse de apreciar tal matéria, sob pena de violação ao princípio da verdade material, que deve reger todo o processo administrativo tributário; que, nesse sentido já decidiu a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que justifica a propositura de recurso especial também quanto a este item, conforme se verifica da ementa do acórdão paradigma abaixo transcrita (documento anexo), o qual reconhece a necessidade de prevalência da verdade material no processo administrativo fiscal. Seguem abaixo os acórdãos paradigmas apresentados (fls. 729/758), do qual transcrevo as respectivas ementas, na parte que interessa: Acórdão 10191.553: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL EFICÁCIA. DA COISA JULGADA Consoante o disposto no inciso I, do artigo 471 do Código de Processo Civil, somente ocorrendo modificação no estado de fato ou de direito de relações jurídicas continuativas, pode a Fazenda Publica pedir a revisão do que foi estatuído em sentença que transitou em julgado Acórdão CSRF/0304.194: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 6 predomina o princípio da verdade Material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte o Presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, sucessora da então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte exarou o Despacho nº 1202.0.047/2009, de 25/03/2009 (fls. 784/786) dando seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para ciência da Fazenda Nacional, nos termos regimentais, foram apresentadas, em 27/04/2009, as contrarrazões (fls. 789/800), baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a controvérsia verificada nos presentes autos, objeto de desafio pelo contribuinte, gira em torno da alegação, por parte do contribuinte, de que estaria desobrigada da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, anocalendário 1997, em razão de decisão judicial transitada em julgado, proferida nos autos da Ação Declaratória n° 90.49326, pelo juízo da 6ª Vara Federal do Distrito Federal, em que fora reconhecida a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988; que no que se refere à aplicação de multa de ofício, alega a contribuinte, ser a exigência indevida, por entender não cabível nos casos de lançamento para prevenir a decadência; que em uma análise detalhada da documentação constante dos autos, o ilustre Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber, relator, em voto acompanhado pela maioria dos conselheiros, oportunamente reconheceu a procedência da acusação fiscal, e sua conseqüente autuação, entendendo que a coisa julgada evocada pela contribuinte não se aplica à exigência da CSLL, em comento, tendo em vista as posteriores alterações da legislação disciplinadora do referido tributo; que, do caso em comento, verificase que os efeitos da decisão judicial em ação ordinária transitada em julgado, preferida favoravelmente ao contribuinte acerca da CSLL não se sobrepõem a entendimento posterior do Supremo Tribunal Federal, que considerou constitucional aos dispositivos da Lei nº 7.689, de 1988, excetuando o art. 8°, bem como não prevalece a coisa julgada proveniente de decisão transitada em julgado em ação declaratória, em que se tratou de direito material tributário, sobre mudanças advindas das relações jurídico tributárias, decorrentes de novas normas jurídicas. Assim, a coisa julgada não impede que lei nova incida sobre fatos ocorridos a partir de sua vigência, por se tratar de relação jurídica continuativa, nos termos do art. 471, inc. I do CPC; que no que se refere à multa de ofício aplicada, primarcialmente, em razão do contribuinte não têla aduzido em sede de impugnação, operouse a preclusão; que mencionado entendimento de que matéria não versada na fase impugnatória não pode ser alegada na via recursal já se encontra, há muito, pacificada nestes Conselhos de Contribuintes. É o relatório. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.000181/9863 Acórdão n.º 9101001.651 CSRFT1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Relator Ad Hoc Designado Em face da necessidade da formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aliado ao fato de o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, redator inicialmente designado para redigir o voto vencedor, também não mais integra nenhum dos colegiados do CARF, houve por bem o Presidente da 1ª Turma da CSRF designar este conselheiro como redator ad hoc, tão somente para formalizar o acórdão já proferido, mas ainda não publicado, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em maio de 2013, passo a formalizar o voto vencido: Tendo a Contribuinte tomado ciência do decisório recorrido em 09/06/2008 (fls. 658/661), interpôs, tempestivamente, Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados, posteriormente, de forma tempestiva, protocolizou o seu Recurso Especial de Divergência, em 30/10/2008 (fls. 711/723), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da mesma forma, a Contribuinte, cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata das mesmas matérias fáticas e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, refere se a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão são os efeitos da coisa julgada em matéria tributária e a aplicabilidade da multa de ofício nos casos de lançamentos com o objetivo de prevenir a decadência. Afirma que em situação idêntica a sua, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão n° 10191.553 firmou posição diversa a que foi aplicada a seu caso particular, tendo sido reconhecida a eficácia da coisa julgada relativamente à inconstitucionalidade da CSLL instituída pela Lei n° 7.698/88. De fato, filiome à corrente definida no Acórdão 10191.553, cujas razões também adoto para decidir: “O inciso XXXVI do artigo Quinto da Constituição Federal de 1988, dispondo sobre direitos e garantias fundamentais, estabelece que " a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada", Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 8 sendo certo que o parágrafo terceiro da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro esclarece que "chamase coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba mais recurso". Por sua vez, do Capítulo VIII, seção II, do Código de Processo Civil, que trata da coisa julgada, podemos retirar as seguintes lições a) "coisa julgada material é a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário" ; (art. 467). b) " a sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas" ; (art. 468) c) "nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio a modificação no estado de fato ou de direito" ( art. 471, inciso 1); d) "a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros"( art. 472) (…) A proteção e o respeito à coisa julgada estão necessariamente ligados à própria existência do estado de direito, quer para salvaguarda da independência dos Poderes da República, quer para a liberdade de decidir do Poder Judiciário, quer para proteção dos direitos fundamentais do cidadão. É relevante assinalar que, no presente processo, não está em discussão a constitucionalidade ou não da Lei número 7689/88(matéria já pacificada na jurisprudência), mas, sim , a eficácia ou não da coisa julgada material, sendo pertinente à presente questão trecho do voto do eminente Ministro Castro Nunes(transcrito no Memorial apresentado pela recorrente), referindose à Súmula 239 . "Não importa que haja julgados em outras espécies sufragando entendimento diverso, aliás com meu voto. Nem impressiona o argumento de que o caso julgado fere a regra da igualdade tributária, por isso que, em qualquer matéria, fiscal ou não, é uma consequência necessária da intervenção do Judiciário, que só age por provocação da parte e não decide senão em espécie". Entendo que a norma invocada pela autoridade julgadora de primeira instância(artigo ll da LC 70/91) em nada modificou a exigência da Contribuição Social, a não ser para as pessoas jurídicas elencadas no parágrafo primeiro da Lei 8.212/91, o que não é o caso da recorrente. Dispõe o artigo 11 da Lei Complementar 70/91 "Art. 11 Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no parágrajb primeiro do artigo 23 da Lei número 8.212, de 24 de ,julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o parágrafo primeiro do artigo 22 da mesma Lei, mantidas as demais normas da Lei número 7689 de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas". Ora, o parágrafo primeiro do artigo 22 da Lei 8212/91 dirigese exclusivamente aos bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidora de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.000181/9863 Acórdão n.º 9101001.651 CSRFT1 Fl. 6 9 mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autónomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, o que, certamente, não é o caso da recorrente. Entendo que tem razão a recorrente quando afirma que a referência feita no artigo 11 da Lei Complementar 70/91 "mantidas as demais normas da Lei no. 7689 de 15 de dezembro de 1988, com as alterações introduzidas" não corresponde à reinstituição da Contribuição Social por Lei Complementar na verdade, referido dispositivo trata exclusivamente de majoração de aliquota para as categorias de empresas acima referenciadas. Ademais, mesmo que adotássemos o entendimento esposado pela autoridade julgadora a quo, tratarseia apenas de uma mudança de forma e não de substância, o que, segundo penso, não implicaria na modificação do estado de direito a que alude o inciso I, do artigo 471 do CPC” Destarte, considerando que as alterações legislativas supervenientes à Lei nº 7.689/88 não modificaram os fundamentos que ensejaram a decisão transitada em julgado, continuando a ser exigida a Contribuição com as mesmas imperfeições constitucionais que a tornara inaplicável à espécie, não teria havido alteração na situação fática e jurídica que fundamentou a decisão transitada em julgado, cujos efeitos somente cessaria se legislação posterior alterasse em substância o tributo. Feitas tais considerações, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para reconhecer a eficácia da coisa julgada. A segunda divergência indicada pelo recorrente se refere à exigência de multa de oficio nos lançamentos feitos para prevenir a decadência. Entende o contribuinte, que o Conselho de Contribuintes, por reiteradas vezes, se posicionou contrário exigência da multa de oficio nestes casos. Para reforçar os seus argumentos, transcreve as ementas dos acórdãos n° 10323339 e n°10323368. Entende, ainda, que, embora a aplicação da multa de oficio não tenha sido questionada na fase impugnatória e nem no recurso voluntário, a Câmara julgadora não poderia eximirse de apreciar a matéria, sob pena violação ao principio da verdade material, que deve reger todo o processo administrativo tributário. Indicando a divergência neste aspecto, tendo por paradigma a decisão da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão n° 0304.194, cuja ementa é a seguir transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 10 pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Embora a situação analisada no acórdão paradigma seja diversa a do recorrente, cabe o apelo no sentido de igual aplicação do principio da verdade material em respeito à legalidade da exigência tributária. Resta claro nos autos, que o Auto de Infração foi lavrado com o objetivo de prevenir o instituto de decadência (fls. 226). Desta forma, fazse necessário avaliarmos a legalidade da aplicação da multa de ofício, tendo em vista que, no caso, está, na forma prevista no art. 151, inciso IV do Código Tributário Nacional, suspenso o crédito tributário, aqui discutido. Inicialmente é de se esclarecer, que havendo o depósito do montante integral do crédito tributário discutido (tributo ou contribuição), efetuado nos prazos previstos na legislação tributária, este, além de suspender a exigibilidade do crédito, resguarda integralmente a impetrante, pois, conforme preceitua o art. 156, VI, do Código Tributário Nacional, a conversão do depósito em renda é uma das formas de extinção do crédito tributário. Neste sentido, não obtendo êxito em sua tese, a conversão em renda extingue o valor principal, portanto, não lhe deve ser imputada multa de ofício e juros de mora, ou melhor, não há que se falar em encargos legais. Entretanto, existem outras situações, quais sejam: concessão de medida liminar em mandado de segurança sem depósito do montante do crédito tributário discutido, concessão de medida liminar em mandado de segurança com depósito parcial do montante do crédito tributário discutido, concessão de segurança com apelação por parte da União, interposição de ação judicial em andamento, sem concessão de medida liminar ou sentença (débitos sem suspensão de exigibilidade). Sobre o assunto dispõe a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o seguinte: Débitos com Exigibilidade Suspensa: Art. 63 Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativos a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151, da Lei nº 5.171, de 25 de outubro de 1966. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” Disso tudo, é de se concluir que é indevida a multa de lançamento de ofício quando o contribuinte esteja albergado por decisão judicial que suspenda a exigibilidade dos tributos. Como, também, é indevida quando a exigência está suspensa mediante depósito judicial efetuado antes da lavratura do auto de infração. Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.000181/9863 Acórdão n.º 9101001.651 CSRFT1 Fl. 7 11 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial de Divergência do Contribuinte para excluir da exigência tributária a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Voto Vencedor Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Conforme anteriormente mencionado, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Inicialmente, cumpre destacar que a minuta do voto vencedor foi entregue na Secretaria da 1ª Turma da CSRF, pelo redator designado na sessão de julgamento, Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Diante do fato de o mencionado Conselheiro não mais integrar o CARF, e levandose em consideração o que fora decidido, na ocasião, pela 1ª Turma da CSRF, conforme consta da Ata da Sessão, passo a formalizalo abaixo: Voto Vencedor do Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Tendo sido designado para redigir o voto vencedor desta decisão, no que diz respeito à coisa julgada em matéria tributária, passo a discorrer sobre as razões e fundamentos pelos quais divergi do entendimento esposado pelo i. relator, ora vencido. Por oportuno peço vênia para transcrever excertos do voto condutor da decisão proferida no Acórdão nº 10806.232, de 14/09/2000, da lavra do i. Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, que sobre a matéria fez importante análise e que adoto como razões de decidir, conforme segue: Primeiramente, forçoso salientar que a coisa julgada, protegida pelo artigo 5°, XXXVI da Carta Magna consubstanciase no estandarte do princípio da segurança jurídica. Contudo, a aplicação de um determinado princípio constitucional a uma relação jurídica, por vezes, pode causar mácula à verificação de outro princípio. Por oportuno, deveras elucidativa é a lição de Ricardo Lobo Torres, no sentido da ponderação dos princípios. Para o autor, fazse necessária uma interpretação capaz de conciliar princípios no caso concreto, sem proclamarlhes uma hierarquia. Nesse sentido, dita o sábio jurista que os "princípios constitucionais vivem em equilíbrio e em permanente busca de harmonia". Suspendendo por instantes esta elucubração, salientese que o presente caso exterioriza reluzente peculiaridade, a qual cinge Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 12 se no fato de tratarse de uma relação jurídica continuativa, que se perpetua no tempo, ou seja, não imediata. Nesse sentido, Hugo de Brito Machado traça a distinção entre as relações jurídicotributárias instantâneas — exemplificandoas com o ITBI — e as continuativas, ora em exame, dentre as quais enquadramse a cobrança do ICMS, IRPJ e, também, das contribuições sociais. Tal peculiaridade, por conseguinte, demanda uma interpretação restritiva da coisa julgada, sobressaindolhe limites necessários. Nesse tocante, prega o artigo 471, I, do Código Processual que: Art. 471. Nenhum Juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I — se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir revisão do que foi estatuído na sentença. Em mesmo sentido, predomina sólido entendimento doutrinário, aqui externado por Fábio Junqueira de Carvalho e Maria Inês Murgel ("Limites da Coisa Julgada em matéria tributária", in "Problemas de Processo Judicial Tributário", 3° Volume, Ed. Dialética, p. 179): Após o trânsito em julgado da ação, mesmo tendo a decisão final sido favorável ao contribuinte, é, a princípio, possível ao sujeito ativo voltar a cobrar o tributo, desde que existam novas premissas decorrentes da forma de atuação deste contribuinte; de modificação legislativa ou de mudança de entendimento dos tribunais, em especial dos tribunais superiores. (...), com a superveniência da Lei n° 8.212, de 1991 e da Lei Complementar n° 70, de 1991, a par da decisão judicial alegada pelo recorrente, a relação jurídicotributária afastada foi restabelecida. Em verdade, é inegável que a edição das normas supracitadas ensejou a modificação legislativa de que trata a doutrina, ou ainda, a modificação no estado de direito preconizada pelo Estatuto Processual. Com efeito, a Lei n° 8.212, de 1991 — Lei Orgânica da Seguridade Social — traz em seu bojo todos os elementos necessários à instituição da Contribuição Social sobre o Lucro, quais sejam, o fato gerador (art. 11, § único, b), o sujeito ativo (art. 33), o sujeito passivo (art. 15) e, por fim, a base de cálculo e alíquota (art. 23). Destarte, irrefutável a modificação legislativa ocorrida, cuja irradiação de efeitos encampa a relação jurídicotributária continuativa sub examen. Não fosse por este diploma legal, ressalto que a jurisprudência desta Colenda Câmara entende que com a edição da Lei Complementar 70/91, cujos efeitos para as contribuições de que trata se deram com respeito da anterioridade mitigada, é, verdadeiramente, o elemento a gerar novo estado de direito, interrompendo os efeitos de qualquer decisão que tenha fulminado de inconstitucional a Lei 7.689/88, justamente por não ser este último diploma legal uma lei complementar. Vou além no meu entender, para afirmar que a edição de qualquer novo diploma, com elementos da hipótese de incidência suficientes a emoldurar a incidência da contribuição, gera novo Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.000181/9863 Acórdão n.º 9101001.651 CSRFT1 Fl. 8 13 estado de direito, interrompendo os efeitos da coisa julgada. Nenhum conflito no caso em apreço, haja vista que os períodos base em tela estão abrangidos por ambas as leis. Por outro lado, retomando a discussão sob o prisma da segurança jurídica em confronto com os demais princípios constitucionais, salta aos olhos o princípio da isonomia, haja vista que, conforme exarado pela decisão ora recorrida (fls. 215), o E. Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, pela via incidental, em ação diversa da daquela ensejadora da presente situação in concreto, restando inconstitucional apenas o seu artigo 8º, que é indiferente para o deslinde da controvérsia instaurada. Ora, não fosse possível, por alteração legislativa, restabelecer a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro em relação ao contribuinte desobrigado por decisão judicial contrária ao entendimento dos Tribunais Superiores, estaríamos diante de uma decisão que atingiria relações jurídicas futuras, de forma totalmente abstrata, gerando situação extremamente antiisonômica, de grave ameaça à competitividade econômica, uma vez que restaria inalterável o despautério de um só contribuinte estar desobrigado de uma contribuição aplicada a toda a sociedade. Corroborando esse posicionamento, insta transcrever parte do voto do Min. Moreira Alves na Ação Rescisória n° 1.239 (RTJ 132/1113): A meu ver, não cabe ação declaratória para o efeito de que a declaração transite em julgado para os fatos geradores futuros, pois ação desta natureza se destina a declaração de existência, ou não, de relação jurídica que se pretende já existente. A declaração da impossibilidade do surgimento de relação jurídica no futuro porque não é esta admitida pela Lei ou pela Constituição, se possível de ser obtida por ação declaratória, transformaria tal ação em representação de interpretação ou de inconstitucionalidade em abstrato, o que não é admitido em nosso ordenamento. Acrescentese, ainda, que o posicionamento jurisprudencial acima reproduzido é parte de entendimento que dita a restrição do alcance da coisa julgada, havendo, neste sentido, várias decisões do Plenário do Pretório Excelso, dentre as quais pode se citar o julgado em sede de Embargos do Recurso Extraordinário n° 83.225, julgados estes que dão ampla aplicação à Súmula 239 da mesma Corte. Outrossim, em que pese alegar que tal Súmula originouse de julgados que tratavam de executivos fiscais, a necessidade de realçar o princípio da isonomia frente a tais aberrações gerou a acertada ampliação de sua utilização. Vejamos o que determina a Súmula n° 239 do STF: Decisão que declara indevida a cobrança de imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 14 Esclareçase, por fim, que a abrangência da relação tributária continuativa não se refere a uma relação futura e sim a uma relação atual com efeitos futuros. Desse modo a coisa julgada persistirá até que se altere a situação fática ou a lei que rege os direitos e obrigações resultantes da relação jurídica em comento. No caso sob análise, alega a recorrente que as alterações legislativas supervenientes à Lei nº 7.689/88 não modificaram os fundamentos que ensejaram a decisão transitada em julgado, continuando a ser exigida a Contribuição com as mesmas imperfeições constitucionais que a tornara inaplicável à espécie. Dessa forma, não teria havido alteração na situação fática e jurídica que fundamentou a decisão transitada em julgado, cujos efeitos somente cessaria se legislação posterior alterasse em substância o tributo. Entretanto, a legislação superveniente sobre a qual são feitas essas afirmações datam do ano de 1989 até 1991, portanto bem anteriores ao ano de 1997, períodobase em que ocorreu o fato gerador da CSLL objeto do lançamento de ofício em causa, sendo consabido que a partir do ano de 1995 a base de cálculo dessa Contribuição sofreu muitas alterações legislativas, fazendo com que a mesma ficasse bem próxima do lucro real, base imponível do imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ, permitindonos concluir que tais alterações modificaramna substancialmente, a ponto de justificar que os efeitos daquela decisão transitada em julgado no ano de 1991 não mais seriam aplicáveis à situação vigente no períodobase de 1997. Importante ressaltar que as decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre a matéria se reportam às alterações legislativas ocorridas nos acima citados anos de 1989 a 1991, não havendo, pois, qualquer apreciação daquele Tribunal Superior relativamente a alterações ocorridas de 1992 em diante. Dessa forma, decisão proferida pelo STJ em recurso repetitivo, que se refira a fatos geradores ocorridos até o ano de 1991, não são aplicáveis a lançamentos de ofício realizados sobre fatos geradores ocorridos a partir do ano de 1992. Ademais, o Supremo Tribunal Federal – STF consolidou o entendimento de que as discussões acerca da constitucionalidade da cobrança da CSLL cessaram a partir da decisão proferida na ADI 15 que, em controle concentrado, declarara sua constitucionalidade. Nesse diapasão, o STJ proferiu decisão, publicada no DJE 02/02/2012, apreciando Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência no RESP Nº 841.818 – DF, na qual fixa o marco temporal da eficácia da coisa julgada, que é a data do trânsito em julgado da decisão do STF, em controle concentrado, no Acórdão proferido na ADIN 15 (Relator Ministro Sepúlvida Pertence – DJU 01/08/2007), a seguir: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DA CESSAÇÃO DA EFICÁCIA DA COISA JULGADA FORMADA EM CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE, EM FACE DA SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO ADVERSA DO STF EM SEDE CONCENTRADA. EFEITO AUTOMÁTICO E IMEDIATO. APLICAÇÃO ERGA OMNES. DOUTRINA DA COISA JULGADA E DAS DECISÕES DO STF EM JURISDIÇÃO CONSTITUCIONAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PARCIALMENTE ACOLHIDOS. 1. Somente as decisões proferidas pelo STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade dos atos normativos (art. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.000181/9863 Acórdão n.º 9101001.651 CSRFT1 Fl. 9 15 102, I, a da Carta Magna), dotadas de definitividade, força vinculante e aplicabilidade erga omnes, possuem a extraordinária eficácia de paralisar, pronta e automaticamente, a produção de efeitos jurídicos de coisa julgada anterior, com elas inconciliável, que decidira relação obrigacional de trato sucessivo (ou de natureza continuativa). 2. As decisões recursais extraordinárias do STF, quando adotadas no regime de recursos múltiplos fundados em idêntica controvérsia (art. 543B do CPC), têm a aptidão de vincular obrigatoriamente os julgamentos pendentes e futuros da mesma espécie, mas não ostentam, contudo, a força excepcional de paralisar a eficácia de coisas julgadas que lhes são anteriores. 3. As decisões do STF, adotadas em sede de controle difuso de constitucionalidade, têm eficácia inter partes, não vinculando, pelo menos obrigatoriamente, os julgamentos pendentes ou futuros, mas representem precedentes reverenciados, dada a superior autoridade da Corte Suprema. 4. Sobrevindo à coisa julgada difusa, que dantes solucionara relação de trato sucessivo, decisão do STF dotada de vinculação geral e eficácia erga omnes, cessa, tão logo transite em julgado, independentemente de ação rescisória ou anulatória, a eficácia da res judicata precedente com ela incompatível. A força jurídica da decisão suprema concentrada subordina, aliás, todos os órgãos do Poder Judiciário (ADC 1, Rel. Min. MOREIRA ALVES, RTJ 157, p. 377). 5. Lições da doutrina jurídica mais autorizada e da jurisprudência do STJ, em recurso repetitivo (REsp. 1.118.893 MG, Rel. Min ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 6.4.2011). 6. A coisa julgada tributária referente ao REO 89.01.161516 DF, do TRF1 (Rel. Des. Federal FERNANDO GONÇALVES, DJU 05.12.1991), perdeu pronta e automaticamente a sua eficácia, na data do trânsito em julgado do venerando Acórdão proferido pelo STF na ADIN 15 (Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 01.08.2007), veiculante de diretriz que lhe é adversa. 7. Manutenção dos fundamentos da decisão embargada que deu parcial provimento aos Embargos de Divergência, apenas com a redemarcação do termo inicial da cessação da eficácia do REO 89.01.161516DF, fixandoa na data do trânsito em julgado do acórdão do STF na ADIN 15”. É inquestionável, portanto, o fato de que, para o STF, o efeito vinculante da decisão transitada em julgado cessa a partir da decisão definitiva proferida em sentido contrário, em controle concentrado. Por fim, no que pertine à multa de lançamento de ofício nas hipóteses em que o contribuinte esteja albergado por decisão judicial, também tenho que razão não lhe assiste, diante da total ausência de regra legal que preveja o pleiteado pelo Recorrente. Essas foram as razões e os fundamentos que me levaram a divergir do i. relator, para negar provimento ao recurso especial da contribuinte. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 16 (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 2 1/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI
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Numero do processo: 10580.909713/2011-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NULIDADE. DECISÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE PROVAS.
Caracterizar cerceamento de direito de defesa a decisão que deixa de apreciar provas apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade, por meio da qual a Interessada pretende comprovar o direito creditório. Motivo bastante a conduzir a nulidade da decisão de primeira instância.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-003.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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DECISÃO. AUSÊNCIA DE EXAME DE PROVAS. Caracterizar cerceamento de direito de defesa a decisão que deixa de apreciar provas apresentadas prévia e concomitantemente com a manifestação inconformidade, por meio da qual a Interessada pretende comprovar o direito creditório. Motivo bastante a conduzir a nulidade da decisão de primeira instância. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância. Sustentou pela recorrente a Dra. Fabiana Carsoni, OAB/SP 246.569. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 97 13 /2 01 1- 71 Fl. 4478DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Cuida de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve na integra o indeferimento nos termos do Despacho Decisório, que negou a empresa Suzano Celulose S/A o direito do indébito que pretende compensar com débitos próprios, período de apuração de 01/01/2008 a 31/03/200. Inicialmente, a Recorrente requer a reunião desse processado a outros anteriormente distribuídos, entre esse o de número 10580.903389/201269, sorteado ao Conselheiro José Fernandes do Nascimento, da Primeira Câmara, 2ª Turma Ordinária. A celeuma trazida nesse voluntário acentua na ausência de apreciação das provas juntadas com objetivo de demonstrar a certeza e a liquidez do crédito, mesmo que a entrega tenha sido parcial. A Autoridade Fiscal entendeu que a contribuinte deixou de entregar previamente os arquivos digitais que estava obrigada a manter pelo prazo decadencial. Atribuem à atitude da contribuinte o descumprimento determinado pelo art. 65 da IN/RFB nº 900, de 30 de novembro de 2008, parágrafo primeiro incluído pela IN/SRF 981, de 18 de dezembro de 2009. Segundo a fiscalização a recepção de pedido de ressarcimento e compensação está condicionada apresentação prévia dos arquivos digitais de todos os estabelecimentos da Interessada. Esse seria o motivo determinante em considerar não comprovado o crédito. Da outra banda, a Contribuinte diz que entregou todos os arquivos, com exceção do item “1”, que o fez de modo parcial, mesmo assim antes da conclusão do despacho decisório.. No primeiro momento a análise do pedido de compensação deuse por procedimento parametrizado, posteriormente em diligência culminou com Despacho Decisório, parcial, que justificou o indeferimento pela falta de apresentação dos arquivos digitais. Entendimento confirmado pela decisão recorrida que se manteve na mesma linha. É contra esse pensamento que vem a Recorrente resistindo, argüindo em sua defesa que os documentos juntados não foram objeto de exame, tanto pelo auditor que elaborou o despacho negatório, quanto o julgador de piso, pois, segundo entende que não é facultado o direito de apreciar ou não a prova apresentada, essa omissão, assevera, macula o princípio da ampla defesa e do contraditório, leva nulidade da decisão. Os comprovantes da entrega dos arquivos digitais estão colecionados aos autos, na maior parte entregue antes da emissão do Despacho Decisório. Também deixaram ser examinados quando da apreciação da Manifestação de Inconformidade. Transcrevese o relatório da decisão recorrida por refletir exatamente a questão dos autos: “Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório da DRF/Salvador de rastreamento nº 013370614, fl.86, que indeferiu o direito ao crédito relativo ao ressarcimento do crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins não cumulativa exportação, relativo ao período de apuração de 01/10/2007 a 31/12/2007, pleiteado no PER/DCOMP nº 34996.80747.310308.1.1.090484, no valor de R$28.720.858,17, sob o argumento de que a interessada não apresentou os recibos de transmissão dos arquivos digitais referentes a todos Fl. 4479DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909713/201171 Acórdão n.º 3403003.620 S3C4T3 Fl. 14 3 os estabelecimentos da pessoa jurídica, sendo que apenas os estabelecimentos da pessoa jurídica obrigados à Escrituração Fiscal Digital EFD estão dispensados da apresentação dos arquivos digitais com os documentos fiscais de entrada e saídas, conforme previsto na IN SRF n° 86/2001, e especificado nos itens" 4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS" do Anexo Único do Ato Declaratório COFIS n° 15, de 23 de outubro de 2001. Cientificada do indeferimento do pedido em 21/12/2011, fl.91, e inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 18/01/2012, de fls.92/107, alegando que: o despeito da existência do crédito a ser ressarcido e do cumprimento pela requerente de todas as determinações durante a fiscalização, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido sob o fundamento de que houve uma suposta falta de entrega dos documentos elencados no item 01 do Termo de Início de Diligência Fiscal; • apresentou a totalidade dos documentos solicitados; os documentos entregues durante a fiscalização eram suficientes para a análise da existência do crédito; a maioria das filiais da requerente estava obrigada a apresentar EFD, o que a desobriga a apresentar os arquivos da Instrução Normativa nº 86/2001, em parte do período, conforme se verá mais adiante; • requer na preliminar que seja feita uma análise conjunta de todos os pedidos de ressarcimento indicados no MPF 05101002011005608, e reunidos todos os processos que ora lista em um só, pelo princípio da economia processual, relativos ao mesmo objeto, o ressarcimento de crédito de PIS não cumulativo e COFINS não cumulativa, do período de apuração de abril/2007 a dezembro/2010; • durante a diligência fiscal, foi intimada a apresentar os documentos solicitados pela fiscalização. Atendeu a totalidade das exigências, tendo requerido prorrogação do prazo tão somente com relação ao item 01, e à época tendo deixado de atender tão somente o item 01, também de forma parcial; o Sr. Auditor fundamentou o indeferimento dos pedidos de ressarcimento tão somente na suposta falta de apresentação de todos os "recibos de transmissão dos arquivos digitais", item 1 do "Termo de Início de Diligência Fiscal"; • possui 87 filiais em atividade, das quais 67 delas estavam obrigadas a Escrituração Fiscal Digital desde janeiro de 2009, sendo certo que a partir de tal período, essas filiais não estão mais obrigadas a apresentar o documento listado no item 1, conforme expressa autorização contida no artigo 65, § 5º da Instrução Normativa n º. 900, de 2008, Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23 de outubro de 2001, incluído pela Instrução Normativa RFB n° 981, de 18 de dezembro de 2009, que “Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de Fl. 4480DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 que trata o §1°, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB n° 981/2009)", informação constante inclusive no "Termo de Início de Diligência Fiscal"; o Sr. Auditor Fiscal não realizou o efetivo exame da natureza dos créditos objeto dos pedidos de ressarcimento, limitando se a indeferir os pedidos formulados com base na suposta falta de entrega de arquivo digital; o Sr. Auditor Fiscal intimou a Requerente a apresentar todos os recibos de entrega da Escrituração Fiscal Digital EFD do período de 2009 e 2010 em 5 dias e, em resposta tempestiva a tal intimação, a Requerente apresentou todos os recibos de entrega da Escrituração Fiscal Digital das 67 filiais, conforme email de 10.10.11 e reiteração na petição protocolada em 11.10.11 (docs. 07 e 15); • quanto ao período compreendido entre abril de 2007 a dezembro de 2008 para as citadas 67 filiais (obrigadas a EFD a partir de janeiro de 2009) e às demais 20 filiais para o período de abril de 2007 a dezembro de 2010, a Requerente apresentou os documentos na forma digital, nos termos da Instrução Normativa SRF n. 86/2001, tal como exigido no item 1 do Termo de Início de Diligência Fiscal (doc. 14), o que demonstra que a Requerente em nenhum momento tentou se eximir de apresentar os referidos documentos; até 11.10.11, data limite estabelecida pelo Sr. Auditor Fiscal para o cumprimento das exigências, a Requerente apresentou tempestivamente 17 dos 18 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, sendo que apenas parte do item 1 foi apresentada conforme os documentos foram transmitidos e a última transmissão de arquivos ocorreu em 16.12.11. Assim, ainda que parte dos documentos do item 1 tenha sido entregue em prazo tecnicamente factível, embora diverso do fixado, a requerente acabou cumprindo a totalidade das intimações feitas pela fiscalização; • o pedido de dilação de prazo era, portanto, plenamente fundado e mesmo assim foi indeferido, caracterizando cerceamento de defesa reconhecidamente aplicável inclusive aos processos administrativos; • a verdade material é que a requerente tinha créditos legítimos de PIS/PASEP e COFINS em montantes superiores aos utilizados em cada uma das compensações, lastreadas em registros e documentos apropriados. Não pode isto ser desconsiderado com elevadíssimo prejuízo para a Requerente; • não tendo sido este o expediente adotado no presente caso, deve se reconhecer que a glosa é nula, pois a fiscalização não aprofundou a sua investigação, baseando o seu trabalho apenas em suposta não entrega de uma parte dos documentos do item 1 do Termo de Início da Diligência Fiscal; • a jurisprudência administrativa mostra se rigorosa quanto à necessidade de que as autoridades fiscais investiguem os fatos Fl. 4481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909713/201171 Acórdão n.º 3403003.620 S3C4T3 Fl. 15 5 ocorridos, sob pena de invalidade do respectivo trabalho fiscal, nos termos do art.142 do Código Tributário Nacional. No caso dos autos, a fiscalização emitiu despacho decisório, indeferindo o pedido de ressarcimento e deixando de homologar as compensações correspondentes, sem antes proceder a qualquer investigação dos fatos, e se atendo a exigência de arquivos digitais embora estivesse na posse de informações constantes em outros documentos apresentados pela Requerente que davam base para tais compensações; • requer a nulidade do despacho decisório, posto que fora processado em flagrante desrespeito ao direito à ampla defesa e à busca da verdade material, revela pleno privilégio da forma, em prejuízo à finalidade, à eficiência, à proporcionalidade e a razoabilidade, violando princípios fundamentais do processo administrativo, os quais estão presentes no art. 2° da Lei n. 9784, de 20.1.1999; • não obstante os vícios apresentados, os documentos dos itens 6 e 7, "Notas Fiscais de aquisição referentes à totalidade do crédito informado nos referidos DACON, inclusive os referentes a bens do ativo imobilizado" e "Notas Fiscais de saída", que foram colocados tempestivamente à disposição da Fiscalização, possuem todas as informações que os arquivos digitais, exigidos no item 1, possuem; • a empresa KPMG Tax Advisors Ltda., contratada pela requerente, ao analisar os mesmos documentos apresentados durante o MPF: balancetes, memoriais de apuração de base de cálculo, Livros de Registro de Entradas e Registro de Saídas (itens 2,5 e 8 do Termo de Início de Diligência Fiscal), chegou a conclusão de que a empresa desde janeiro de 2003 (PIS) e fevereiro de 2004 (COFINS), possui saldos credores das contribuições e que tais valores estão suportados nos documentos, registros fiscais e contábeis e também nos DACONs transmitidos ao longo deste período, conforme laudo ora apresentado (doc. 17); • protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos.” A decisão recorrida, ao argumento de que as pessoas jurídicas que utilizarem de sistema de processamento eletrônico estão obrigados a manter os respectivos arquivos à disposição da Receita Federal, também deixou de examinar os arquivos apresentados, como se vê da ementa: “Ementa: ARQUIVOS DIGITAIS. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar Fl. 4482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão.” Em razões recursais, sustenta que o Julgador da Instância inferior, como no despacho decisório anteriormente combatido, preponderou o equivocado entendimento de que os créditos de COFINS em questão poderiam ser indeferidos em virtude da simples falta de transmissão prévia dos arquivos com a escrituração fiscal digital, sem a efetiva análise se sua liquidez e certeza, ignorandose o fato de que o pedido de ressarcimento foi transmitido antes da entrada em vigor as alterações promovidas pela IN RFB nº 981, que modificou o art. 65 da IN nº 900/08. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual impõe o seu conhecimento. O pedido de reunião dos processos, bem como, distribuição por dependência a 2ª Câmara. Tenho que nesse caso concreto, independentemente, do indeferimento do pleito decorrer de um só Mandado de Procedimento Fiscal, não há que se falar em conexão, a análise de cada um dos autos independe de decisão que vier a ser prolatada por outros julgadores. O crédito pleiteado pode ser individualmente examinado sem a afluência de elementos que possa por aventura estar em outros processados, em sendo assim, o deslinde depende exclusivamente dos subsídios acostados a cada um dos autos. Sendo assim, cabe indeferir de pronto o apelo de reunião e distribuição por dependência. A controvérsia colocada em exame se refere à obrigatoriedade ou não da Autoridade Administrativa, bem como, do Julgador examinar a prova carreada pela parte Interessada, mesmo sendo essa deficiente, com o objetivo de comprovar o direito pleiteado. Inferese dos autos que Recorrente foi instada a transmitir todos os arquivos digitais, tanto da matriz, quanto das filiais. Assevera a Interessada que diante do prazo exíguo de 20 dias concedido, solicitou o alargamento para o atendimento da intimação, o que foi concedido, como se vê do Despacho Decisório. Do mesmo despacho constatase um segundo pedido de dilatação de prazo para atendimento do item “1”, que restou indeferido. Ao compulsar os documentos anexados aos autos que encontram às fls. 216/4382, conclui que a intimação em sua quase totalidade foi atendida no prazo concedido, constando o atendimento total do item 2 ao 18, não conseguindo em relação ao item 1. Fl. 4483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909713/201171 Acórdão n.º 3403003.620 S3C4T3 Fl. 16 7 Constatado ajuntada de prova pela parte Interessada, impõe o exame, pois esse é o sistema processual brasileiro, e, sendo assim, ampla abertura à produção de provas homenageia o princípio do livre convencimento do julgador, insculpido no artigo 131 do Código de Processo Civil, é o mesmo princípio norteador do processo administrativo que consta do Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 29: “Art. 131 – Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa.” Também cabe anotar outro importante preceito do CPC, que define outra regra fundamental para compreensão do sistema adotado pelo legislador nacional, no caso específico o artigo 333 do CPC . “Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quando à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor... “ Diz a doutrina que ônus é repartido entre o Fisco e o Contribuinte, cabe aquém dela se beneficia: “Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao auto do procedimento, a autoridade fiscal (como disposto na parte final do caput do artigo 9º, do Decreto nº 70.235/1972, os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16 – A impugnação mencionará: III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”.) O ônus é do agente fiscal e do contribuinte consubstanciar com provas os fatos e alegações apresentadas, portanto, verificada a existência, independentemente, da quantidade e qualidade, deve ser objeto de exame e valoração, sob pena de macular o sistema processual brasileiro, seja administrativo, penal ou civil. Ambos assistem o direito de refutar as provas trazidas à colação para corroborar as alegações, desde que essas não contextualizam os elementos relevantes, e, configura meramente coleta infinda de documentos não hierarquizados, isso é não devidamente articulados no sentido de comprovar os fatos alegados. Esse assunto, vinculado ao mesmo contribuinte, foi examinado exaustivamente e decidido pela 1ª Câmara, 2ª Turma, como se infere do Acórdão nº 3102.002 024, nos autos do processo 10580.903389/201269, de relatoria do i. Conselheiro José Fl. 4484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Fernandes do Nascimento, que deu contorno jurídico acertado ao caso, cuja decisão toma como fundamento de decidir do assunto tratado neste caderno processual administrativo. “Do mérito. No mérito o cerne da presente questão gira em torno da comprovação do direito creditório pleiteado. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência colacionado aos autos (fls. 132/137), o fato que motivou o despacho denegatório em apreço foi a não apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais de todos os estabelecimentos não obrigados à Escrituração Fiscal Digital (EFD), contendo os documentos fiscais de entrada e saída, relativos ao período de apuração do crédito em apreço, e o consequente enquadramento normativo nos §§ 1º e 4º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que Fl. 4485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909713/201171 Acórdão n.º 3403003.620 S3C4T3 Fl. 17 9 trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009). § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) (grifos não originais) Previamente, é oportuno ressaltar que, em conformidade com entendimento da explicitado pela recorrente, a hipótese de indeferimento ou não homologação de compensação, prevista no § 4º do art. 65 da em destaque, aplicase somente nos casos em que autoridade fiscal condiciona o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital e este não é apresentado. Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 2º1 da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, que dispõe sobre informações, formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas, e com estatuído no Ato Declaratório Executivo Corat nº 3, de 13 de agosto de 2012, que em seu art. 1º2 concedeu prazo adicional de 110 dias às intimações com solicitação de transmissão dos arquivos digitais exigidos para apreciação dos créditos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativas. Ora, se a própria administração tributária, por meio do seu órgão central, intimou os contribuintes a apresentar os mencionados arquivos digitais, inclusive prorrogando o prazo inicial, consequentemente, nada obstaria que a recorrente fosse intimada a apresentar tais arquivos e que lhe tivesse sido concedido o prazo adicional que foi oportunamente solicitado. Assim, o disposto nos referidos atos normativos é a prova cabal de que o a exigência da prévia apresentação dos arquivos digitais, estabelecida no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, tratase apenas de uma condição para transmissão dos PER/DCOMP atinentes aos pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação dos citados créditos. Além disso, considerar um simples descumprimento de obrigação acessória como fato suficiente para o indeferimento de crédito tributário contraria frontalmente o princípio do contraditório e da ampla defesa, insculpido no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988, o disposto no caput do art. 24 do Fl. 4486DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que tem o seguinte teor: “São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332).” Entretanto, no caso, embora a fiscalização tenha motivado o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações, por inobservância do disposto no § 1º do art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, o fato é que, até a data do encerramento da diligência, a recorrente não tinha apresentado os arquivos digitais das filiais não obrigadas à EFD. Em consequência, se não foram apresentados dentro do prazo estabelecido pela fiscalização, tais arquivos foram considerados não apresentados pela fiscalização, situação que se enquadra na hipótese de indeferimento contemplada no § 4º do art 65 em destaque. Aliás, tal fato é incontroverso nos autos, conforme asseverado pela recorrente no recurso em apreço. Por essa razão, não merece acolhida pedido de nulidade do despacho decisório proferido com base no motivo relatado pela fiscalização no citado Termo de Encerramento de Diligência Fiscal. Porém, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente informou que havia atendido a totalidade das exigências da fiscalização, com a ressalva de que, dos 15 itens do Termo de Início de Diligência Fiscal, 14 foram entregues dentro do prazo estabelecido e apenas parte dos comprovantes de transmissão dos arquivos digitais do item 1, relativos às 61 filiais não obrigadas à EFD, fora apresentada a destempo, mas antes de esgotado o prazo suplementar requerido e da ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento em apreço. Consequentemente, em 14/8/2012, data da apresentação da manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue todos os arquivos digitais, inclusive os relativos as 61 filiais não obrigadas a EFD. Logo, embora na data do encerramento da diligência, a recorrente ainda não tivesse apresentado todos os arquivos digitais solicitados pela fiscalização, fica demonstrado que, previamente, ao início da fase litigiosa do processo, inaugurada com a referenciada manifestação de inconformidade, a recorrente já tinha entregue toda a documentação solicitada pela fiscalização. Dessa forma, como todas as provas solicitadas pela fiscalização foram coligidas aos autos na fase inaugural do contraditório, obviamente, a recorrente procedeu em conformidade com o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 7.235, de 6 de março de 1972 (PAF), logo a autoridade julgadora de primeira instância tinha o dever de analisar tais provas, principalmente, diante do fato de que a fiscalização não as analisara quando da prolação do despacho decisória guerreado. Compulsando a manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que, em várias passagens, a manifestante reitera, insistentemente, para que a documentação por ela já entregue a fiscalização fosse analisada. Fl. 4487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909713/201171 Acórdão n.º 3403003.620 S3C4T3 Fl. 18 11 No entanto, o órgão julgador de primeiro grau não analisou as referidas provas nem determinou que elas fossem analisadas pela fiscalização da Unidade da Receita Federal de origem, o que se fazia necessário ante o disposto no art. 29 do PAF. Além disso, ao invés de analisar o pedido de apreciação das provas, expressamente, formulado pela recorrente, estranhamente, o relator do voto condutor do julgado recorrido, negou a realização de perícia e diligência, que havia sido suscitada pela recorrente, ao final da manifestação inconformidade, apenas a título de protesto geral. Na verdade, o que a recorrente pediu, imediata e expressamente, ressaltase mais uma vez, foi a análise das provas entregue a fiscalização em meio eletrônico (CD) e não a produção de novas provas por meio de perícia ou diligência, como entendeu a nobre relatora do julgado recorrido. Além disso, a Turma de Julgamento a quo apresentou motivo distinto daquele consignado no despacho decisório, ou seja, falta de apresentação, previamente a transmissão dos PER/DCOMP, dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD. Com efeito, para manter o indeferimento dos pedidos de ressarcimento em apreço e a não homologação das compensações declaradas, estranhamente a recorrente alegou falta de apresentação dos arquivos digitais dos 20 estabelecimentos não obrigados à EFD, conforme exposto no trecho extraído do voto condutor do julgado que segue transcrito: A interessada somente a partir de setembro de 2011 iniciou a transmissão dos arquivos digitais relativos aos vários estabelecimentos dos períodos de crédito compreendidos entre o exercício de 2007 até 2011, donde se conclui que à época de transmissão dos PER/DCOMP não havia cumprido as disposições da legislação tributária quanto a apresentação dos arquivos mencionados, estes necessários para averiguação do direito creditório. A exigência para apresentação dos arquivos magnéticos se encontra prevista na legislação e o conseqüente indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação da compensação quando do descumprimento pela interessada dos comprovantes mencionados no art. 65 da IN RFB nº900, de 2008, e de que trata o despacho decisório não pode ser desconsiderada. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito. Da simples leitura do texto transcrito, verificase que a nobre Relatora da decisão recorrida reproduziu, nestes autos, a mesma decisão prolatada no processo nº 10580.909730/201117, atinente a apuração do crédito do 3º trimestre de 2009, Fl. 4488DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 decorrente do procedimento diligência relativo ao MPF nº 05101002011005608, cujo despacho decisório foi baseado em fatos e motivos diferentes dos lançados no despacho decisório em tela. Além disso, se a falta de apresentação de parte dos referidos arquivos digitais foi o motivo para a decisão denegatório consignada no despacho decisório em tela, obviamente, ele não mais existia na fase do contraditório, instaurado com a apresentação da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que tais arquivos já tinham sido anteriormente transmitidos, conforme provas colacionadas aos autos. Assim, se na data do encerramento da diligência e da emissão do contestado despacho decisório, a falta de apresentação dos arquivos digitais dos 61 estabelecimentos não obrigados à EFD encontrava guarida no § 4º do art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, com a transmissão dos citados arquivos, obviamente, tal motivo deixou de existir. É oportuno ainda ressaltar que, nos termos do art. 29 do PAF, a autoridade julgadora é livre para formar convicção sobre a prova, mas, desde que regularmente apresentada, não tem a faculdade de apreciar ou não a prova, principalmente, quando esta é o principal meio de defesa do contribuinte, como no caso em tela. No caso, como o órgão julgador de primeiro grau não analisou as provas apresentadas tempestivamente, a preterição do direito de defesa da recorrente restou configurada, vício insanável que, por força do disposto no art. 54, II, do PAF, impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida, para que outra seja proferida na boa e devida forma. Por todo o exposto, votase por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância e determinar a remessa dos autos ao Órgão de Julgamento de origem para que nova decisão seja prolatada na boa e devida forma. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento” Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso e declarar a nulidade da decisão de piso. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 4489DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.909713/201171 Acórdão n.º 3403003.620 S3C4T3 Fl. 19 13 Fl. 4490DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11030.000989/2004-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA.
Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:06/03/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM:06/03/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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CONCOMITÂNCIA. BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Em se tratando de lançamento de oficio, somente deve ser aplicada a multa de oficio vinculada ao imposto devido, descabendo o lançamento cumulativo da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 09 89 /2 00 4- 52 Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR 2 EDITADO EM:06/03/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Em sessão plenária de 04 de fevereiro de 2009, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário n° 157.218, interposto pelo contribuinte Evandro Nogueira de Azevedo, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão n° 10249.491. A decisão foi assim resumida: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa, no valor de R$ 3.036,54. Por maioria de votos, CANCELAR a multa , isolada por aplicação concomitante com a multa de oficio. Vencida a / Conselheira Núbia Maios Moura (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.. Formalizado o Acórdão acima em 30/07/2009 (fl. 688), fluiu in albis o prazo de 40 dias para ciência pessoal do Procurador da Fazenda Nacional PFN, previsto no art. 23, § 8o , do Decreto n° 70.235/72, sendo os autos remetidos e posteriormente recebidos na Procuradoria da Fazenda em 06/10/2009 (fl. 700), com ciência ficta do Procurador em 05/11/2009, na forma do § 9° do artigo do Decreto antes citado, daí contando o prazo de quinze dias para interposição do Recurso Especial, este na forma do art. 37, § 2o , do Decreto n° 70.235/72. Nos autos, entretanto, há registro de ciência pessoal do Procurador em 04/11/2009, antes da ciência ficta, com interposição do Recurso Especial em 11/11/2009 (fls. 701 e 712), dentro da quinzena legal. Assim, tempestivo o Recurso Especial. Considerando que o julgado aqui guerreado foi prolatado em data anterior a 1707/2009, nos termos dos arts. 4 o e 7 o do Regimento Interno do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra a parte da decisão nãounânime, por entendêla, no ponto, contrária à lei, vergastando a exclusão da multa isolada do carnêleão. O recorrente alegou que a decisão guerreada contrariou frontalmente a lei, a saber, o art. 44, I , c/c o art. 44, § I o , III, tudo da Lei n° 9.430/96, a demonstrar que a decisão nãounânime teria sido proferida de modo contrário à lei. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção decidiu pelo seguimento do REsp interposto, conforme argumentos abaixo colacionados [Despacho n. 2102 0019/2010 – fls. 713 e ss]: [...] Inegavelmente, o Recurso Especial deve ser processado com base no art. 7o , I, do antigo Regimento da Câmara Superior de Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR Processo nº 11030.000989/200452 Acórdão n.º 9202003.552 CSRFT2 Fl. 7 3 Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, à luz dos arts. 4 o e 7 o do vigente Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, na forma dos arts. 67 e 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, DOU seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda, devendo ser dado ciência deste despacho ao sujeito passivo, assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões e, se for o caso, apresentar recurso especial relativa à parte do acórdão que lhe foi desfavorável, na forma do art. 68, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Intimado a se manifestar, o Sujeito Passivo apresentou contrarazões [fls. 720 e ss] que reitera os argumentos expostos no decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e demonstrada a divergência, passo ao exame do mérito. Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na parte em que, por maioria, deu provimento parcial ao recurso interposto pelo contribuinte, excluindo a exigência da multa isolada por falta de recolhimento do imposto de renda mensal (carnêleão), conforme se observa do decisum recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Exercício: 2001 DEDUÇÃO DE INCENTIVO. Do valor do imposto apurado somente podem ser deduzidas as doações para o Fundo da Criança e do Adolescente, Incentivo à Cultura e Incentivo à Atividade Audiovisual. LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil c idônea. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM TRANSPORTE. As despesas com transporte somente são dedutíveis no caso de representante comercial autônomo. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR 4 CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação da multa isolada (inciso III, do par. Io . , do art. 44, da Lei 9.430 de 1.996) e da multa de ofício (incisos 1 e II, do art. 44 da Lei 9.430. 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. [...] ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa, no valor de R$ 3.036,54. Por maioria de votos, CANCELAR a multa isolada por aplicação concomitante com a multa de ofício, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. [Grifo nosso] Segundo consta dos autos, as infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração decorrem da dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida a título de Livro Caixa e dedução indevida do imposto. No que diz respeito à multa agravada, aplicada com arrimo no artigo 44, inciso I, parágrafo 2°, da Lei nº 9.430/96, o fundamento da fiscalização decorre do contribuinte supostamente ter cometido duas infrações distintas: omitiu rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual e deixou de recolher o imposto de renda mensal a que estava obrigado (carnê leão). Ora, é sabido que caso o contribuinte deixe de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) efetuarseá o lançamento e aplicarseá a multa de ofício que incide sobre o tributo não recolhido. Entretanto, feito o lançamento com multa de ofício não se pode aplicar, sobre a mesma base de cálculo, multa isolada, sob pena de dupla incidência de penalidade em relação ao mesmo fato. A jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associada a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. Mas não é o que se vislumbra na hipótese dos autos. Nesse contexto, não há como prosperar a penalidade aplicada, devendo o percentual da multa de ofício em litígio ser reduzido de 112,5% para 75%. Também, verificase que a multa exigida isoladamente tem como base de cálculo imposto devido correspondente aos rendimentos tidos como omitido recebidos de pessoas físicas (honorários advocatícios), ou seja, sobre essa base de cálculo incidiu a multa isolada decorrente da falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão e a multa vinculada de 75% (que foi reduzida para 50% pela decisão recorrida). A impossibilidade da aplicação de duas multas sobre a mesma base de cálculo é matéria pacífica na Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR Processo nº 11030.000989/200452 Acórdão n.º 9202003.552 CSRFT2 Fl. 8 5 “IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Processo 19647.003479/200310, Acórdão n° 920200.883, sessão de 11/05/2010). Portanto, deve ser cancelada a multa exigida isoladamente. DISPOSITIVO Ante o exposto, CONHEÇO DO RECURSO ESPECIAL, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PFN. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUD A JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902211/2008-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/10/2002
PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos.
DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.294
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/10/2002 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 112 1 111 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.902211/200838 Recurso nº 869.986 Voluntário Acórdão nº 310201.294 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2011 Matéria COFINS Recorrente TELEVISAO VITORIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2002 PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O descontopadrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2 RJ, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1325.683, proferido em 16 de julho de 2009. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4º Região Fiscal da Receita Federal do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 310201.294 S3C1T2 Fl. 113 3 Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: 1)queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 75 a 77 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, que entendeu que o desconto devido as agências de propaganda não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação. No presente caso, da análise dos documentos anexados pela interessada ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura. Em momento posterior o veículo de divulgação paga à agência o "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra a interessada, em conformidade com o disposto no subitem 2.4.2 das NormasPadrão da Atividade Publicitária. Os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo das epigrafadas contribuições quando houver dispositivo legal explícito nesse Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 sentido, conforme reza o art. 150, § 6°, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993. A recorrente apresenta recurso voluntário, onde em síntese alega: que o disposto no art. 3o. § 1o. da Lei nº 9718/98 trata de receitas auferidas, e por isso os valores recebidos pela cessão de espaço não deveriam integrar a sua base de cálculo, já que estes valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de mero ingresso no caixa; cita acórdãos do CARF, Parecer Cosit nº 8 e solução de consulta nº 17 para embasar sua argumentação; alega que a Lei 9430/96 vincula a administração tributária quanto ao entendimento exarado em processo de consulta, não podendo a mudança de orientação ter efeitos retroativos; que possui créditos de Confins por ter incluído erroneamente os valores pagos às agencias de publicidade na base de cálculo, fazendo jus portanto à compensação; por fim, pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Este processo foi julgado juntamente com o processo nº 1078.3902206/2008 25, adotado como paradigma. Do pedido de diligência e juntada de novos documentos. A recorrente pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. Entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário. A perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Não é o caso dos presentes autos. Os quesitos formulados pela recorrente podem ser respondidos pela análise dos documentos acostados, que no meu entendimento são mais do que suficientes para esclarecer a demanda. E conforme o Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 310201.294 S3C1T2 Fl. 114 5 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). O indeferimento do pedido de perícia também não afetará o contraditório e a ampla defesa, direitos da recorrente, já que ela demonstra conhecer a matéria discutida nos autos. Do mérito. A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, cuja ementa reproduzo abaixo: Ementa: PROPAGANDA E PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO A AGÊNCIA DE PROPAGANDA. COMISSÃO DE AGENCIADOR. BONIFICAÇÃO. O desconto devido à agência de propaganda, previsto no art. 11 da Lei n°4.680, de 1965, não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, visto que tal receita pertence à mencionada agência, sendo este um mero repassador do numerário devido pelo cliente anunciante. De outra sorte, por falta de previsão legal, o valor pago ao agenciador de propaganda, a título de comissão, pela intermediação de negócios, na forma do art. 2° da aludida Lei n° 4.680, de 1965, não é passível de exclusão da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, sendo despesa deste, decorrente da relação jurídica surgida entre eles. Por sua vez, a bonificação paga à agência, quando esta repassa o valor recebido do anunciante ao veículo de divulgação, antes do vencimento previsto, por se tratar de desconto condicional, não pode ser excluída da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, em virtude de ausência de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei n°4.680, de 1965; Decreto n°57.690, de 1966; arts. ° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1° da Lei n° 10.833, de 2003. A citada Solução de Consulta fundamentouse, por sua vez, no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001, que em suas conclusões assim dispôs: O "desconto de agência", concedido por imposição legal, conforme valor fixado em tabela (previamente divulgada pelo veículo de publicidade) e obedecendo aos parâmetros predeterminados pelas NormasPadrão da Atividade Publicitária (expedidas pelo CENP, em 1998), não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, como também não integra a base de cálculo da Cofins. O valor pago ao agenciador de propaganda a título de "comissão", pela intermediação de negócios, não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 Não há, ainda, previsão legal para a exclusão de "bonificações" concedidas por antecipação de pagamentos, as quais equivalem a descontos condicionados. Este Parecer teve sua parte conclusiva alterada pela Solução de Consulta Interna Cosit n°21, de 15 de maio de 2008, que determinou a retificação do Parecer por concluir que "os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, por falta de previsão legal". A Divisão de Tributação da 4a Região Fiscal publicou a Solução de Consulta n° 24, em 2 de junho de 2008, após a publicação do novo entendimento exarado pela Cosit, na qual conclui "que quaisquer valores repassados ou devidos às agências de publicidade, a título de remuneração, cuja obrigação recaia originariamente sobre o veículo de divulgação, inclusive os denominados "desconto padrão de agência", não podem ser excluídos, por falta de previsão legal, na apuração das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelo veículo de divulgação" e determinou a reforma integral da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 2007. A Lei n° 4.680, de 1965, que trata do exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda assim dispõe, in verbis: Art. 3.° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4 São Veículos de Divulgação, para os efeitos desta lei,quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitários. (...) Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. O Decreto n° 57.690, de 1° de fevereiro de 1966, que aprovou o regulamento para a execução da Lei nº 4680/65 assim dispôs: Art. 10. Veículo de Divulgação, para os efeitos deste Regulamento, é qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecido pelas entidades sindicais ou associações civis representativas de classe, legalmente registradas Art. 11 O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 310201.294 S3C1T2 Fl. 115 7 Art. 12 Ao veículo de Divulgação não será permitido descontar da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, mesmo parcialmente, os débitos não liquidados por Anunciantes, desde que a propaganda tenha sido formal e previamente aceita por sua direção comercial. [...] Art. 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por este fixado em Tabela pública aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art. 15 O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo a Agência responsável pela propaganda. As atividades publicitárias seguem uma norma padrão, editada pelo CENP – Conselho Executivo das NormasPadrão, que assim definem alguns conceitos que interessam a este processo: 1.3 Agência de Publicidade ou Agência de Propaganda: é nos termos do art. 6º do Dec. nº 57.690/66, empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, através de profissionais a seu serviço que estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Comunicação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. 1.4 Veículo de Comunicação ou, simplesmente, Veículo: é, nos termos do art. 10º do Dec. nº 57.690/66, qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. 1.6 Agenciador de Propaganda: é a pessoa física registrada e remunerada pelo Veículo, sujeita à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. 1.11 DescontoPadrão de Agência1 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. 1.13 “Fee”: é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas Normas Padrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 A NormaPadrão da Atividade Publicitária também traz em seu escopo a definição das relações entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação, que abaixo transcrevo no que interessa a lide1: 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso do oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta 1 Disponível no sítio http://www.cenp.com.br/PDF/Normas_padrao_port.pdf acessado em 27092011. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 310201.294 S3C1T2 Fl. 116 9 hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. A NormaPadrão atualmente em vigor difere da NormaPadrão utilizada quando do julgamento pela DRJ, mas em síntese podemos chegar as mesmas conclusões que chegou a DRJ: 1) O veículo de comunicação detém o espaço publicitário; 2) A agência de publicidade é responsável pela venda do trabalho de publicidade ao anunciante e também pela intermediação da divulgação do trabalho no veículo de comunicação; 3) O veículo de comunicação vende seu espaço publicitário diretamente, por meio de agência de publicidade ou por meio de agenciador, pessoa física; 4) A agência de publicidade faz jus a remuneração pelos serviços prestados ao cliente, que recebe o nome de descontopadrão; 5) O veículo emite a fatura em nome do anunciante pelo valor negociado que é composto de valor faturado e descontopadrão. O valor faturado é a remuneração do veículo; 6) A fatura é entregue pelo veículo à agência, a quem cabe cobrar do anunciante o pagamento e repassar o valor faturado ao veículo; 7) Poderá haver acordo entre os três para que: a. O anunciante pague diretamente ao veículo e este repasse o descontopadrão à agência; ou b. O anunciante pague ao veículo o valor faturado e a agência o descontopadrão. Neste processo, ao analisar os documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52, que a recorrente indica como fonte da documentação para todos os processos de compensação) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura, ou, valor negociado. Não existe destaque de valores nas notas fiscais. E o veículo de divulgação posteriormente pagou à agência o "desconto padrão" mediante fatura emitida pela agência contra a recorrente. Inferese que o veículo é responsável pelo faturamento e paga a agência pelo serviço prestado, também podemos chegar a esta conclusão a partir da análise das normas legais e da NormaPadrão quando elas dispõem que o descontopadrão será tabelado, logo temos a presença de um percentual que incide sobre o valor total da venda do espaço publicitário. Foi o que ocorreu no presente caso, o veículo emitiu fatura pelo valor negociado que foi paga pelo anunciante, a agência emitiu fatura pelo descontopadrão que foi paga pelo veículo. Tudo ocorreu conforme disposto nas normas legais e na NormaPadrão da Atividade Publicitária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 10 Para apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, pelo regime cumulativo, seguese o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 1998: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. E para a apuração do PIS e da Cofins apurados pela nãocumulatividade seguese o disposto no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Conforme art. 150 § 6o. da Constituição Federal qualquer subsídio ou isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão só poderá se concedido mediante lei específica. Art. 150. § 6º Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.", XII, g. Existe previsão para exclusão da base de cálculo quando a agência recebe o valor negociado do anunciante e repassa o valor faturado para o veículo de divulgação, a teor Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 310201.294 S3C1T2 Fl. 117 11 do disposto no art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da Confins das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: [...] II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Em 2010 foi publicada a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, que dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências. Dentre estas outra providências estipula a Lei nº 12.232/2010 no seu art. 19 : Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Apesar da afronta ao disposto no art. 150 § 6o. da Constituição Federal a este CARF não cabe se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme já enunciado por Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então devemos analisar a aplicação do art. 19 da Lei nº 12.232/2010 ao caso em exame. A Lei citada dispõe que o veículo de divulgação não pode faturar e contabilizar os valores relativos ao descontopadrão de agência como receita própria, e que tais valores constituem receita da agência de publicidade. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 12 Conforme já explicado o veículo de comunicação faturou o valor negociado diretamente ao anunciante e depois repassou o valor do descontopadrão à agência de publicidade, seguindo as orientações contidas na NormaPadrão: 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. No caso em exame, conforme já esclarecido, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. A Lei nº 12.232/2010 alterou a base de cálculo prevista para o PIS e COFINS definindo que o descontopadrão não é receita do veículo de divulgação, entretanto conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único, a exclusão somente se aplica às relações com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902211/200838 Acórdão n.º 310201.294 S3C1T2 Fl. 118 13 publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. De todo o exposto, concluo que a Lei nº 12.232/2010, art. 19, não se aplica ao presente processo por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. Logo, como não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago as agências de publicidade pelo veículo de comunicação, estes valores compõe a base de cálculo das contribuições citadas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 11968.000609/2008-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/04/2008, 17/04/2008, 28/04/2008, 30/04/2008, 08/05/2008, 09/05/2008, 12/05/2008, 13/05/2008, 19/05/2008, 20/05/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 06 09 /2 00 8- 32 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 3 2 denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ no Recife (PE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/04/2008, 17/04/2008, 28/04/2008, 30/04/2008, 08/05/2008, 09/05/2008, 12/05/2008, 13/05/2008, 19/05/2008, 20/05/2008. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 5 4 Data do fato gerador: 14/04/2008, 17/04/2008, 28/04/2008, 30/04/2008, 08/05/2008, 09/05/2008, 12/05/2008, 13/05/2008, 19/05/2008, 20/05/2008. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ACERCA DA CARGA TRANSPORTADA Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei n 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento eletrônico ou item de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000609/200832 Acórdão n.º 3801004.831 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000762/2003-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. MATÉRIA NÃO DECIDIDA NO ACÓRDÃO RECORRIDO NEM OBJETO DE EMBARGOS. NÃO CONHECIMENTO.
O acórdão recorrido foi omisso na análise de ponto controvertido apontado no recurso voluntário, mas o contribuinte não apresentou embargos de declaração para sanar a omissão.
Se a decisão de 2ª instância não apreciou a matéria, não é possível se dizer que interpretou a lei tributária de forma divergente, nem muito menos se cotejar seu conteúdo com os paradigmas.
Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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MATÉRIA NÃO DECIDIDA NO ACÓRDÃO RECORRIDO NEM OBJETO DE EMBARGOS. NÃO CONHECIMENTO. O acórdão recorrido foi omisso na análise de ponto controvertido apontado no recurso voluntário, mas o contribuinte não apresentou embargos de declaração para sanar a omissão. Se a decisão de 2a instância não apreciou a matéria, não é possível se dizer que interpretou a lei tributária de forma divergente, nem muito menos se cotejar seu conteúdo com os paradigmas. Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13411.000762/200377 Acórdão n.º 920202.281 CSRFT2 Fl. 566 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 380100.002, da 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 520 a 522v), julgado na sessão plenária de 16 de março de 2009, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ITR. OS VALORES LANÇADOS NA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR, DEVEM SER DEVIDAMENTE COMPROVADOS PELO CONTRIBUINTE. Não assiste razão à recorrente em suas alegações recursais por não comprovar os valores lançados em sua DITR. A ausência de provas documentais ou de elementos concretos que possam ilidir o trabalho fiscal realizado dentro dos parâmetros da legalidade. Recurso Voluntário Negado. Cientificado dessa decisão em 8/3/2010 (fl. 558), o contribuinte manejou, em 22/03/2010, recurso especial de divergência (fls. 528 a 557), para defender sua ilegitimidade passiva, por ser mero comodatário do imóvel. O despacho de fls. 560 e verso admitiram o recurso especial Para comprovar a divergência jurisprudencial, foram apresentados os seguintes paradigmas: Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13411.000762/200377 Acórdão n.º 920202.281 CSRFT2 Fl. 567 3 Acórdão no 30334.072: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 Ementa: ITR. 1998. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA COMODATÁRIA NÃO É CONTRIBUINTE DO ITR. NORMAS DA IN SRF 256/2002. A PROPRIETÁRIA DO IMÓVEL E COMODANTE É A COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO DO VALE DO SÃO FRANCISCOCODEVASF. INCABÍVEL A EXIGÊNCIA DE ITR E DEMAIS CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS RURAIS DE PARTE ILEGÍTIMA. Comprovado mediante documentação hábil ser a totalidade da área da propriedade pertencente à Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco CODEVASF, que na qualidade de COMODANTE cedeua, mediante “Contrato de Comodato”, a empresa autuada, nos termos do Art. 4°, §4° da IN SRF 256 de 11/12/2002, não poderá a recorrente ser considerada Contribuinte do ITR, portanto, caracterizado a ilegitimidade passiva. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Acórdão no 30133.425: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: ITR – ILEGITIMIDADE DE PARTE CONTRATO DE COMODATO COMODATÁRIO. De fato, não se torna devida a incidência de ITR sobre o patrimônio do comodatário, que é possuidor temporário, sem ânimo de dono, em regime de dependência com o real proprietário. Ademais, tal posse consiste na utilização limitada da propriedade, sobre o uso e a fruição do bem, com forte grau de precariedade, não sujeitando seu possuidor à glosa fiscal, nos termos do artigo 31 do CTN e da IN n 256, de 2002, da SRF. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Cientificada do recurso especial do contribuinte em 12/11/2010 (fl. 560v), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 563 a 564), onde defende que o recorrente é contribuinte do ITR, pois tem a intenção de ser dono do imóvel, que possui de modo direto. É o relatório. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13411.000762/200377 Acórdão n.º 920202.281 CSRFT2 Fl. 568 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso defende a ilegitimidade passiva do contribuinte, que seria mero comodatário. Para subir o recurso, foram apresentados dois acórdãos do mesmo contribuinte, que cancelavam o lançamento por ilegitimidade passiva sob o argumento do comodato. Entretanto, sou obrigado a divergir do despacho que admitiu o recurso especial, pois a matéria não foi decidida no acórdão recorrido. Observese que o Acórdão nº 380100.002 (fls. 520 a 522v) não fez nenhuma menção à ilegitimidade passiva nem em sua ementa, nem em seu relatório, nem em seu voto. É fato que a matéria consta do recurso voluntário em seus itens 12 a 16 (fls. 354 a 356). Contudo, a decisão recorrida foi omissa na apreciação desse tópico. Assim, deveria o contribuinte ter apresentado embargos de declaração, no prazo de 5 (cinco) dias após a ciência do acórdão, para que a omissão fosse suprida. Em vez disso, manejou recurso especial no prazo de 15 (quinze) dias, o que impede o seu conhecimento como embargos. Não se pode perder de vista que o art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê a possibilidade de recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. E o §6o do mesmo artigo determina que a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Ora, se a decisão de 2a instância não apreciou a matéria, não é possível se dizer que ela interpretou a lei tributária de forma divergente, nem muito menos se cotejar seu conteúdo com os paradigmas. Diante do exposto, não tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 550DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13411.000762/200377 Acórdão n.º 920202.281 CSRFT2 Fl. 569 5 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000728/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO EM DESACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS.
A empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-004.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO EM DESACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. A empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
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NORDESTINA DE PRODUTOS ELÉTRICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO EM DESACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. A empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 07 28 /2 00 7- 38 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 14751.000728/200738 Acórdão n.º 2301004.287 S2C3T1 Fl. 608 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa INORPEL IND. NORDESTINA DE PRODUTOS ELÉTRICOS, em face de acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife (PE), que julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário (CFL 30). 2. De acordo com o relatório fiscal (fls. 21/22), o lançamento referese a auto de infração por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, I, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, I, § 9º do Regulamento da Previdência Social, qual seja, deixar de preparar suas folhas de pagamento de remunerações de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões estabelecidos nesses dispositivos. 3. Ainda, segundo a o relatório fiscal, os dados foram extraídos de recibos de pagamento e da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP. 4. A empresa, após ter sido devidamente intimada, impugnou o lançamento tempestivamente. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa decidiu considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido (ff. 282 a 287), nos seguintes termos: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2007 DSCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIAS. A situação descrita pelo Autuante deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas pertinentes constitui infração por descumprimento de obrigação acessória definida na legislação previdenciária. Lançamento Procedente.” 5. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as (ff. 290/297), no qual aduz em síntese: a) contesta que não é exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para o seguimento do recurso; b) sustenta que em virtude da modalidade ou rotatividade na mãodeobra técnica especializada, tornase impraticável elaborar folha de salário e GFIP por tomador. Além disso, há demandas específicas que ficam a critério de cada tomador, quanto a volume e prazo de execução, período de faturamento, fator que exige grande mobilidade de mãodeobra; c) alega que na busca da verdade material, o intérprete deve privilegiar a interpretação teleológica e sistêmica, afastandose da mera literalidade da Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 14751.000728/200738 Acórdão n.º 2301004.287 S2C3T1 Fl. 609 3 norma. Neste sentido, como não há omissão quanto à relação de segurados, assim como no recolhimento de tributos, carece de justo motivo a aplicação de multa, por supostas violações de obrigações acessórias à Lei nº 8.212/91; d) por fim, requer o provimento do recurso para reformar a decisão da DRJ e, consequentemente, eximir o recorrente do pagamento do crédito tributário. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 14751.000728/200738 Acórdão n.º 2301004.287 S2C3T1 Fl. 610 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. Como se depreende do relatório fiscal, a recorrente foi autuada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, I, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, I, e parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social, qual seja, deixar de preparar suas folhas de pagamento de remunerações de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões estabelecidos nesses dispositivos. 3. Em seu recurso voluntário, insurgese o contribuinte relativamente à exigência da obrigação, alegando, basicamente, que em virtude da modalidade ou rotatividade na mãodeobra técnica especializada, tornase impraticável elaborar folha de salário e GFIP por tomador. Discorre que na busca da verdade material, o intérprete deve privilegiar a interpretação teleológica e sistêmica, afastandose da mera literalidade da norma. 4. Não obstante as alegações da recorrente de que não violou os dispositivos supra mencionados, entendo que razão não lhe assiste. Narra, claramente, a peça introdutória que a infração foi caracterizada, portanto, quando se constatou que a recorrente não elaborou a folha de pagamento por estabelecimento e por tomador, conforme consta no relatório fiscal, especialmente na letra “b” do item I: “no período de 04/2002 a 05/2007 a folha passou a ser elaborada por tomador, entretanto, sem atender a todos os tomadores. A relação dos tomadores para os quais não foi elaborada a folha de pagamento consta da planilha Anexo I: Tomadores de Serviço Sem Folha de Pagamento Especifica”.(f.21) 5. Ademais, a recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, combinado com o inciso I e parágrafo 9º do artigo 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Os citados artigos estão assim redigidos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 14751.000728/200738 Acórdão n.º 2301004.287 S2C3T1 Fl. 611 5 I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; 6. O Decreto n.º 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: “Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...). § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. 7. Na forma especificada no parágrafo anterior, a empresa infringiu o disposto no inciso I do art. 32 da lei nº 8.212/91 c/c o § 9º e inciso I do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 8. Vêse que, de fato, houve descumprimento de obrigação acessória, notadamente, os dispositivos mencionados e os argumentos apresentados pela recorrente não são hábeis a combater os fundamentos da autuação fiscal, dessa forma, mantenho a decisão de primeira instância, eis que proferida em consonância com a legislação previdenciária e tributária de regência da matéria. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 14751.000728/200738 Acórdão n.º 2301004.287 S2C3T1 Fl. 612 6 CONCLUSÃO 9. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento, nos termos acima descritos. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 4/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 10425.001290/2010-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/03/2010
PREVIDENCIÁRIO.COMPENSAÇÃO. GLOSAS. RECOLHIMENTOS NÃO COMPROVADOS.
Não comprovado o recolhimento indevido de contribuições, não se evidencia qualquer crédito em favor do contribuinte, sendo cabível a glosa das compensações efetuadas.
COMPENSAÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO.
O direito de efetuar a compensação de contribuições indevidamente recolhidas prescreve em 5 anos, contados a partir do pagamento.
MULTA ISOLADA
Compensações realizadas com o intuito deliberado de reduzir indevidamente o tributo recolhido, impõem penalidade de multa isolada prevista na Lei 8212/91 - art. 89, parágrafo 10° , aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do debito indevidamente compensado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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GLOSAS. RECOLHIMENTOS NÃO COMPROVADOS. Não comprovado o recolhimento indevido de contribuições, não se evidencia qualquer crédito em favor do contribuinte, sendo cabível a glosa das compensações efetuadas. COMPENSAÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO. O direito de efetuar a compensação de contribuições indevidamente recolhidas prescreve em 5 anos, contados a partir do pagamento. MULTA ISOLADA Compensações realizadas com o intuito deliberado de reduzir indevidamente o tributo recolhido, impõem penalidade de multa isolada prevista na Lei 8212/91 art. 89, parágrafo 10° , aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do debito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 12 90 /2 01 0- 51 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10425.001290/201051 Acórdão n.º 2403002.973 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório O Relatório Fiscal registra que tratase de Auto de Infração AI de n.° 37.277.173 4, referente às competências de 09/2009,a 03/2010, visando constituição de crédito próprio relativo às contribuições sociais devidas pelo MUNICÍPIO DE MONTEIRO PREFEITURA MUNICIPAL ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. Segundo informa, o crédito previdenciário constituído corresponde às contribuições previdenciárias referentes a glosas de compensações procedidas pela Prefeitura em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social), com alegações de que contribuições sobre horas extras e terços de férias foram recolhidas indevidamente. autoridade autuante assevera que não houve comprovação efetiva de tais recolhimentos e nem de sua impropriedade.Aqui também se constituiu o crédito referente às contribuições patronais sobre remunerações de eletivos sem a devida comprovação de recolhimentos. Nos itens 3.6.3, 3.6.4 , 5.2 e 5.2.2 do sobredito Relatório fiscal a autoridade autuante descreve com zelo o procedimento utilizado para concluir devidas as contribuições. Relevante ressaltar que no curso da ação fiscal após intimação para que a autuada apresentasse a memória de cálculo das compensações procedidas em GFIP, juntamente com a documentação que as embasou, o Escritório Bernardo Vidal Advogados encaminhou resposta, imprestatável posto que o fizera por meio de oficio apócrifo: " 3.6.3 Levantamento "CO". O Contribuinte procedeu a compensações de contribuições previdenciárias sobre terço de férias e horas extras, rubricas essas consideradas pela legislação como integrantes da base de cálculo do tributo, sem que houvesse comprovação de recolhimento dos valores correlatos nem de decisão judicial que o amparasse. Assim, essas compensações foram glosadas e consideradas procedidas com dolo. Também foram incluídas neste levantamento as glosas de compensações de contribuições patronais sobre remunerações de eletivos com recolhimentos não constatados. 3.6.4 Levantamento "MI". As compensações com glosas lançadas sob o levantamento "CO" foram consideradas procedidas com falsidade, com lançamento no levantamento "MI" da multa qualificada de 150% sobre esses valores glosados. 5.2 Detalhamento do levantamento "CO" (compensações outras) Após intimação para que a Prefeitura apresentasse a memória de cálculo das compensações procedidas em GFIP, juntamente com a documentação que as embasou, o Escritório Bernardo Vidal Advogados encaminhou resposta, por meio de oficio Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 apócrifo (fls. 3945), datado de 06/05/2010, no qual explica que as compensações investigadas foram feitas por ter o Município recolhido contribuições previdenciárias patronais indevidas sobre subsídios dos agentes políticos, terço constitucional de férias e horasextras. b) Fundamentos Fáticos não Comprovados Quando da elaboração da planilha de créditos de verbas indenizatórias (fls. 51 53), o Contribuinte simplesmente apurou a contribuição patronal sobre as rubricas de horas extras e terço de férias sem porém fazer nenhuma comprovação de seu recolhimento. Dessa forma, foram emitidos os Termos de Intimação 1, 3 e 5, dando prazo de 5 dias úteis, depois mais 40 e mais 10 dias corridos para apresentar tais comprovações, sem que houvesse respostas aos mencionados termos. Observase que no termo 3 (fls. 2328) inclusive há instruções detalhadas de como as provas de recolhimento a maior poderiam ser produzidas, tendo sido também enviados por email, em 22/06/2010, dados que pudessem auxiliar a Prefeitura (fls. 250). 5.2.2 Compensações referentes a recolhimentos não comprovados sobre remunerações de eletivos Percebese que a Prefeitura também procedeu a compensações com base em contribuições patronais sobre remunerações de prefeito, viceprefeito e vereadores, conforme visto na planilha às fls. 47. Essas compensações, em tese, podem ser feitas sem necessidade de pronunciamento judicial, já que o Senado suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91 (Resolução 26/2005). Contudo, evidentemente, somente podem ser compensadas contribuições que foram efetivamente recolhidas, pois não há o menor sentido em se buscar devolução daquilo que não foi entregue. Como já dito anteriormente, foram feitas várias intimações, sem resposta, para a Prefeitura apresentar provas de que as compensações efetuadas se basearam em valores recolhidos. Tendo em vista o silêncio do Contribuinte, a Fiscalização buscou identificar nas GFIPs da Prefeitura e Câmara os exercentes de mandatos eletivos, de 01/1999 a 09/2004, com base em informações extraídas do sitio do Tribunal Regional Eleitoral da Paraiba. Depois, de apurar a contribuições patronal sobre remuneração de eletivos, foram feitas comparações dos valores globais da GFIP com os recolhimentos efetuados em GPS, estabelecendose então os valores efetivamente recolhidos referentes à contribuição patronal sobre subsídios dos exercentes de mandatos eletivos. Esses valores, então, foram atualizados monetariamente para os vencimentos das primeiras competências de compensação, 09 e 11/2009. Dessa forma, ficou estabelecido que a contribuição previdenciária recolhida indevidamente sobre subsídios de vereadores, atualizado para a competência 09/2009 (recolhimento em 20/10/2009), foi de R$ 170.071,26. A contribuição previdenciária sobre remuneração de prefeito e viceprefeito, atualizada para a competência 11/2009 (recolhimento em 20/12/2009), foi de R$ 38.567,45. Esses dois valores foram excluídos dos totais das compensações nas GFIPs de 09 e 11/2009, e o resto do montante foi lançado, Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10425.001290/201051 Acórdão n.º 2403002.973 S2C4T3 Fl. 4 5 por competência, no levantamento "CO", que contempla, então, os valores de glosas de compensações decorrentes de cálculos de contribuições patronais sobre horas extras e terço de férias e sobre remunerações de eletivos sem a devida comprovação de recolhimento. " DA IMPUGNAÇÃO Na impugnação de fls.289, a então impugnante não apresentou argumentos contraditórios ao lançamento que constituiu o crédito previdenciário corresponde às glosas de compensações procedidas pela Prefeitura em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social). Também nada revelou sobre ação no judiciário a respeito de poder proceder o registro de parte das compensações nas GFIP'S. Mas especificamente sobre compensações referentes a recolhimentos que também não foram comprovados sobre remunerações de eletivos. Compulsado os autos , corroborando o relatado, com grifos de minha autoria, aproveito os registros a quo abaixo transcritos : " Pessoalmente cientificado do lançamento em 26/08/2010 (fl. 1), o Autuado apresentou impugnação (fls. 289/294) em 27/09/2010, na qual argúi, em síntese: 1. Das parcelas indenizatórias: 1.1. a matéria não é pacifica, porém é doutrina dominante que não há incidência de INSS sobre o abono de ferias; 1.2. o caráter contributivo do caput do art. 201 da Constituição Federal implica em que não pode ser cobrada uma contribuição sobre uma verba sem que o segurado ao receber beneficio tenha alguma contrapartida relacionada a esta verba; 1.3. "Em relação as citações de jurisprudência alegadas como infundadas para o caso de servidor público vinculado ao RPPS e não ao RGPS, devemos lembrar do principio da equivalência deverá ser observado, e ainda, não pode o RPPS ser regido por normas distintas ao do RGPS quanto a contribuição previdenciária e a concessão de beneficios, assim indago a este Órgão haverá distinção na aplicação da norma no caso concreto?" (sic); 1.4. vários arestos do STF concluíam não incidir contribuição sobre o terço de férias, visto que deteria natureza compensatória, indenizatória, por não se incorporar ao salário do servidor para aposentadoria; 2. Da multa isolada por compensação com falsidade: 2.1. é nítida a necessidade de comprovação da falsidade pelo Fisco e este fato nos causa bastante preocupação, na medida em que a multa será aplicada pelo simples ato de compensar e a Receita Federal não homologar, independentemente do motivo, considerando que o art. 18 da Lei no. 10.833/2003, possibilita, em qualquer caso, a aplicação de multa isolada; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 2.2. "a Lei n°. 9.430/96 levanos a imposição arbitrária e desfundamentada de multa isolada, e ainda, nos percentuais instituidos pela legislação multa isolada desvirtua a própria finalidade da instituição da penalidade, que seja punir pela conduta abusiva e não usar a multa como confisco, infringindo assim o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988". Ao final, requer seja verificado o efetivo recolhimento das contribuições indevidas pelo Município, de acordo com a documentação que teria sido já anexada aos autos, e ainda solicita um prazo de 15 dias para juntada de novos documentos. Com a Impugnação, não apresentou qualquer documento, ao contrario do alegado. " É o Relatório. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 7ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Recife DRJ/REC, em 14 de julho de 2011, exarou Acórdão de n° 1134.389, fls.307, negando provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. fls. 319. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10425.001290/201051 Acórdão n.º 2403002.973 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA IDENTIDADE DE OBJETOS E DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. No Recurso Voluntário interposto a recorrente alega que a Delegacia de Julgamento, no Julgamento n°l 134389, deixou de apreciar na Impugnação Administrativa em razão de ação judicial com mesmo objeto importando em renúncia à instância administrativa: "A Delegacia de Julgamento, no Julgamento n°l 134389, deixou de apreciar na Impugnação Administrativa os argumentos utilizados pelo Município para fazer a compensação dos créditos de mandato eletivo do período de 1999 a setembro de 2004, alegando, com fundamento no art. 126, §3°, da Lei n°8.213/91, que o Contribuinte já tinha ajuizado Judicialmente Procedimento com obieto Idêntico que versaria a Impugnação Administrativa, e, por este motivo teria renunciado à instância administrativa. E concluíra que o Contribuinte tinha renunciado tacitamente às instâncias administrativas referente a discussão do crédito provenientes de recolhimentos indevidos de contribuições exigidas com base no art. 12, inciso I, alínea " h" da Lei n° 8.212/91 (incidentes sobre subsídios de exercentes de mandato eletivo). " É fato que em relação as contribuições incidentes sobre subsídios de exercentes de mandatos eletivos a instância a quo entendeu que houvera identidade de objetos.: " Nestes termos, não haverá pronunciamento administrativo sobre as matérias levadas à discussão na via judiciária, em especial quanto créditos provenientes de recolhimentos indevidos de contribuições exigidas com base no art. 12, inciso I, alínea "h" da Lei n°. 8.212/91 (incidentes sobre subsídios de exercentes de mandatos eletivos)." Relevante destacar que no Relatório Fiscal a autoridade autuante fez o seguinte registro: " contribuições de eletivos com recolhimentos não comprovados Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 a Prefeitura não comprovou os recolhimentos dos valores de contribuições inconstitucionais de exercentes de mandatos eletivos; a Fiscalização apurou que os recolhimentos dessas contribuições foram bem menores que os valores compensados apurados pela Prefeitura. Por tudo exposto, a multa com relação ao crédito constituído, considerado sonegado, foi aplicada em dobro, conforme previsto nas Leis 8.212/91 e 9.430/96: " Muito embora o encimado, também é fato que a autuada, na oportunidade, em sede aquo, não impugnou a matéria que ora alega fora deixada de ser enfrentada. Assim, de toda sorte, agindo como tal, o resultado é o mesmo em razão de ter incidido no comando dos arts. 17 e 58 dos Decretos 70.235/72 e 7.574/2011, respectivamente, que consideram não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, verbis: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ( Redação dada pela Lei n 9.532, de 1997) " "Art. 58. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante ( Decreto n 70.235, de 1972, art. 17), com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67)." Do que foi exposto é licito concluir que não tendo impugnado a matéria , o fato de não ter sido apreciada em sede de impugnação por razão diversa não maculou de vício a decisão. Quanto aos demais levantamentos , esposo os argumentos do voto a quo que por economia processual não expresso argumentos sinônimos para meramente corroborar aquele entendimento. DA AÇÃO JUDICIÁRIA. É relevante destacar que quem trouxe a informação de que houvera ação judiciária com mesmo objeto foi a autoridade autuante sendo certo que uma vez confirmada a existência de matéria impugnada submetida à apreciação judicial, caberia a autuada ter revelado a ocorrência bem como juntado cópia da petição na forma do que se exige no art. 16, V do Decreto 70.235/72, verbis: " Art. 16. A impugnação mencionará: (..) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição .( Incluído pela Lei n 11.196, de 2005) " Reportandose ao sobredito, autoridade autuante procedeu os argumentos abaixo transcritos: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10425.001290/201051 Acórdão n.º 2403002.973 S2C4T3 Fl. 6 9 " (..) Por fim, informase que, apesar da Prefeitura não ter informado haver processos judiciais com decisões que lhe permitissem fazer as compensações de que tratam esse relatório, foram feitas pesquisas no sitio da Justiça Federal, Seção Judiciária da Paraíba, no intuito de verificar a existência de tais lides. O único processo relacionado ao assunto encontrado foi o Mandado de Segurança de n° 0002409 90.2009.4.05.8201, com indeferimento de liminar que tratava somente sobre as contribuições incidentes sobre exercentes de mandatos eletivos da Lei 8.212/91, art. 12, I, "h". Todavia, por meio da Informação Fiscal DRF/CGD/PB n° 026/2010, soubese da existência de Agravo de Instrumento contra a decisão do Juiz de 1ª instância de indeferimento da liminar, com a seguinte decisão prolatada pelo Desembargador Federal Lázaro Guimarães: Em face do exposto, defiro a antecipação da tutela recursal para determinar autoridade impetrada que receba e processe as compensações informadas pelos agravantes em suas GFIP's, abstendose de ignorálas ou indeferilas senão nos termos do procedimento administrativo pertinente, com a observância do contraditório e da ampla defesa. Pelo que se vê, a decisão não trata do mérito das compensações, permitindo inclusive que o Fisco faça as verificações necessárias do procedimento. " Em complemento ao supra ressaltado, faço destaque para que seja notado que no processo de n° 000240990.2009.4.05.8201 (2009.82.01.0024099) Classe: 126 consta que impetraramse MANDADO DE SEGURANÇA configurado na recusa do Senhor ao Sr. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CAMPINA GRANDE PB em aceitar as compensações relativas a contribuição social prevista no art. 12, I, h, da Lei no 8.212/91. Aduz que o Magistrado concedera provimento ao agravo interposto entretanto condicionando a implementação da glosa das compensações na hipótese de Administração Tributária constatar que houve equívoco dos agravantes, é o que consta na condução da sentença às fls 302, verbis : " Ou seja, se ao final do procedimento o Fisco constatar que houve equívoco dos agravantes, a Administração Tributaria poderá simplesmente glosar as compensações efetuadas sem prejuízo algum para o erário. Em face do exposto, defiro a antecipação da tutela recursal para determinar à autoridade impetrada que receba e processe as compensações informadas pelos agravantes em suas GFIP's abstendose de Ignorálas ou indeferilas senão nos termos do procedimento administrativo pertinente, com a observância do contraditório e da ampla defesa. " Pois bem , é poderdever da Receita Federal analisar o pedido de compensação , de modo Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 que, só poderá cobrar eventual débito após a verificação da regularidade da compensação efetuada. Neste sentido, transcrevo o seguinte precedente do coiendo STJ: Processo AGRESP 200600891350 AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 843135 Relator(a) MAURO CAMPBELL MARQUES Sigla do órgão ST] Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DIE DATA:16/09/2009" È compulsório reparar que o magistrado ao exarar a sentença destacou que "se ao final do procedimento o Fisco constatar que houve equívoco dos agravantes, a Administração Tributaria poderá simplesmente glosar as compensações efetuadas sem prejuízo algum para o erário". É o que consta na condução da sentença às fls. 302. DAS PROVAS Na forma do que fora relatado pela autoridade autuante, o que efetivamente deveria ser combatido na impugnaçao à luz de elementos probantes seria a constituição do crédito próprio relativo às contribuições sociais devidas pelo MUNICÍPIO DE MONTEIRO PREFEITURA MUNICIPAL ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. no que se refere a glosa de compensações procedidas pela Prefeitura em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social), com alegações de que contribuições sobre horas extras e terços de férias foram recolhidas indevidamente. É relevante ressaltar que autoridade autuante assevera que não houve comprovação efetiva de tais recolhimentos e nem de sua impropriedade.Aqui também se constituiu o crédito referente às contribuições patronais sobre remunerações de eletivos sem a devida comprovação de recolhimentos. Cumpre reiterar o que fora alhures observado que nos itens 3.6.3, 3.6.4 , 5.2 e 5.2.2 do sobredito Relatório fiscal a autoridade descreve com zelo, o procedimento utilizado para concluir devidas as contribuições. Neste sentido , importa , também, reiterar que no curso da ação fiscal à autuada fora oportunizado justificar com provas seu direito pretendido e jamais o fez. DAS ALEGAÇÕES EM IMPUGNAÇÃO E DOS ENFRENTAMENTOS Visando ilidir hipótese contraditória, abaixo segue resumo das alegações da impugnante que foram devidamente enfrentadas na condução do voto pelo i. Julgador a quo: "1. Das parcelas indenizatórias: 1.1. a matéria não é pacifica, porém é doutrina dominante que não há incidência de INSS sobre o abono de ferias; 1.2. o caráter contributivo do caput do art. 201 da Constituição Federal implica em que não pode ser cobrada uma contribuição sobre uma verba sem que o segurado ao receber beneficio tenha alguma contrapartida relacionada a esta verba; 1.3. "Em relação as citações de jurisprudência alegadas como infundadas para o caso de servidor público vinculado ao RPPS e não ao RGPS, devemos lembrar do principio da equivalência deverá ser observado, e ainda, não pode o RPPS ser regido por normas distintas ao do RGPS quanto a contribuição previdenciária e a concessão de beneficios, assim indago a este Fl. 380DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10425.001290/201051 Acórdão n.º 2403002.973 S2C4T3 Fl. 7 11 Órgão haverá distinção na aplicação da norma no caso concreto?" (sic); 1.4. vários arestos do STF concluíam não incidir contribuição sobre o terço de férias, visto que deteria natureza compensatória, indenizatória, por não se incorporar ao salário do servidor para aposentadoria; 2. Da multa isolada por compensação com falsidade Das chamadas parcelas indenizatórias 0 abono de férias ou abono pecuniário de férias, nos termos do art. 143 1 da Consolidação das Leis trabalhistas (DecretoLei n.° 5.452/43), corresponde à venda de 1/3 dos dias de férias. Tem natureza de verba indenizatória, sobre a qual não incide contribuição previdenciaria, conforme art. 28, §9.°, alínea "e", item 6 da Lei n.° 8.212/91. No entanto, o sujeito passivo não apontou qualquer crédito referente a contribuição incidente sobre a rubrica abono pecuniário nas sua planilha de origem dos créditos (fls. 51/53). Assim, não existe discussão sobre créditos referentes a tal verba. No que se refere ao terço constitucional de férias, integra o saláriodecontribuição, conforme determina o §4.°, art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Quanto is decisões judiciais referidas na impugnação, verificase que o Autuado não faz parte de nenhum dos pólos da relação processual. Os efeitos das decisões apontadas somente recaem sobre as partes da demanda, não podendo ser estendidas ao Impugnante na esfera administrativa. Além disso, todas as decisões mencionadas dizem respeito a Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), instituidos para servidores públicos. Ao contrário do que pretende o Impugnante, estes regimes possuem normas especificas, estabelecidas por leis próprias, federais, estaduais ou até municipais, que diferem em muitos pontos daquelas concernentes ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), estabelecido pela Lei n.° 8.212/91. Por conseguinte, as decisões judiciais relativas a RPPS não podem ser adotadas para o RGPS sem o devido processo legal. Da multa isolada As contribuições sociais se sujeitam ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n°. 5.172, de 25/10/1966), cabendo ao sujeito passivo apurar e recolher o montante devido, sujeitando se ao posterior exame da autoridade administrativa. Tendo efetuado a compensação, cumpre ao sujeito passivo demonstrar a origem dos créditos a seu favor, bem como a forma de atualização dos valores, de modo a possibilitar que a autoridade verifique a regularidade da extinção do crédito tributário em cada competência. Desse modo, cabe ao sujeito Fl. 381DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 passivo demonstrar o efetivo recolhimento indevido das referidas contribuições, ficando de logo rejeitado o pedido para que o Fisco apure supostas contribuições indevidas. Embora intimado repetidas vezes, o sujeito passivo deixou de comprovar os recolhimentos indevidos, bem como deixou de apresentar os demonstrativos da origem dos seus créditos e os indices utilizados para a atualização dos créditos. Por ocasião da impugnação, também nada trouxe no sentido de comprovar seu indébito. Desse modo, não comprovados os recolhimentos indevidos, impossível homologar qualquer compensação feita pelo sujeito passivo e corretas as glosas efetuadas pela Fiscalização. " DA MULTA Às fls. 277, a autoridade fiscal atribuindo falsidade no procedimento revela como teria concluído que a penalidade devesse ser aplicada em dobro na forma da lei: 5.3 Detalhamento do levantamento "Ml" (multa isolada por compensação com falsidade) Como já explicado anteriormente, o levantamento "CO" contempla as glosas de compensação feitas com base em contribuições previdenciárias sobre horas extras, terço de férias e contribuição patronal sobre remuneração de eletivos com recolhimento não comprovado. Tendo em vista todo o exposto na seção 5.2, entendeuse aqui que essas compensações foram feitas com o intuito de deliberadamente reduzir indevidamente o tributo recolhido, pelos motivos já expostos e sintetizados a seguir: horas extras e terço de férias a Prefeitura apresentou argumentos jurídicos aplicáveis a sistema próprio de previdência e não ao RGPS para sustentar a não incidência da contribuição previdenciária sobre as rubricas; a Prefeitura não acionou o Judiciário para análise do direito que alega ter; foram feitas compensações de contribuições em folha de pagamento de período em que havia desconto exclusivamente para o extinto sistema próprio de previdência de Monteiro (ISSMM) ou descontos concomitantes para o INSS, o que demonstra que não se teve o cuidado de verificar se realmente as contribuições compensadas foram recolhidas; a Prefeitura não respondeu às intimações para comprovação do efetivo recolhimento da contribuição compensada; a conta corrente da prefeitura demonstra valores irrisórios, ou mesmo inexistência de valores, em diversos períodos que originaram montantes compensados pela Prefeitura; contribuições de eletivos com recolhimentos não comprovados Fl. 382DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10425.001290/201051 Acórdão n.º 2403002.973 S2C4T3 Fl. 8 13 a Prefeitura não comprovou os recolhimentos dos valores de contribuições inconstitucionais de exercentes de mandatos eletivos; a Fiscalização apurou que os recolhimentos dessas contribuições foram bem menores que os valores compensados apurados pela Prefeitura. Por tudo exposto, a multa com relação ao crédito constituído, considerado sonegado, foi aplicada em dobro, conforme previsto nas Leis 8.212/91 e 9.430/96: " Todas as vezes em que me cabe analisar a aplicação de multa qualificada, se o relatório fiscal não tiver produzido elementos solidamente convincentes tenho por convicção ser refratário a prover a autuação em razão de que a lei exige que se comprove a falsidade e a sonegação. No caso em comento o diligente relatório e a ausência de elementos probantes da parte da autuada no sentido de formar convencimento contrário as irregularidades lhes imputadas , não permitem dar provimento as alegações trazidas nos autos. A fraude ou sonegação fiscal consiste em utilizar procedimentos que violem diretamente a lei fiscal ou o regulamento fiscal. É flagrante e caracterizase pela ação do contribuinte em se opor conscientemente à lei. Desta forma, sonegação é um ato voluntário, consciente, em que o contribuinte busca omitirse de imposto devido. Não obstante a fundamentação legal de fls. 11 que embasaram a aplicação da multa qualificada, também os arts. 1° e 2° da Lei 8.137/1990, contêm previsão de penalidades nas hipóteses de omissão de informação, ou prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias :: " Art. 1o. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) Fl. 383DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; " Diante de tudo que foi exposto, não há como dar provimento às alegações da autuada . CONCLUSÃO Conheço do Recurso para NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13770.000827/2001-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC sobre o valor do débito do contribuinte extinto fora do prazo de vencimento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte de Moura OAB 97692.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 23/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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COMPENSAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC sobre o valor do débito do contribuinte extinto fora do prazo de vencimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte de Moura – OAB 97692. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 23/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 08 27 /2 00 1- 33 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (fls. 01/04), no montante de R$ 6.465.810,00, relativo ao 2º trimestre do anocalendário de 2001, formulado com base na Portaria MF nº 38, de 1997. Ao ressarcimento, vincularamse as DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO de fl. 67/69, que são retificações daquelas apresentadas às fls. 05/07 (nos documentos originais as datas de vencimento estavam incorretas). Da análise do presente pleito na Delegacia de origem, resultou às fls. 146/157, o deferimento do saldo credor pleiteado, tendo sido concedido ao contribuinte o montante de R$ 6.465.810,00 solicitados que, entretanto, não foram suficientes para extinguir os créditos tributários indicados nas Declarações de Compensação, pois a eles foram acrescidos multa e juros de mora. Embora integral o deferimento do incentivo, os cálculos do contribuinte foram refeitos de forma a reduzilo relativamente à sua base de cálculo. Nesse aspecto, alguns trechos do Parecer SEFIS Nº 46/2006, às fls. 146/156, que serviu de sustentáculo ao Despacho Decisório de fl. 157 são esclarecedores, motivo por que serão a seguir reproduzidos: Por amostragem foram conferidos os valores da Receita de Exportação e da Receita Bruta apresentada pelo contribuinte, assim como a apuração do Custo de materiais consumidos no longo processo de fabricação de placas de aço, estando corretas ambas as apurações feitas pelo contribuinte. Entretanto apesar da correta apuração dos valores e da precisa medição do consumo de materiais pela empresa, os fiscais signatários constataram a inclusão de insumos que, por sua forma de utilização no processo produtivo, não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, nos moldes do Parecer Normativo CST n°. 65/79, o que ocasionou uma diferença de R$3.712.788,12 (três milhões, setecentos e doze mil, setecentos e oitenta e oito reais e doze centavos), em relação aos valores apurados pela requerente, conforme demonstrativos infraacostados, para o 2.° trimestre de 2001 (vide Demonstrativo fls. 136 a 138). Todavia, considerando que o valor requerido (fls. 01) era inferior ao valor escriturado (vide fls. 10 verso, 13 verso e 16 verso), e este, por seu turno, inferior ao apurado pela Fiscalização (fls. 142 a 144), opinouse pelo reconhecimento integral do crédito e a homologação das compensações perpetradas, até o limite do crédito, no montante de R$6.465.810,00 (seis milhões quatrocentos e sessenta e cinco mil e oitocentos e dez reais), com a ressalva dos ajustes porventura necessários na escrituração fiscal. (grifos acrescidos) [...]Isto posto, considerando as informações prestadas pelo contribuinte acerca da forma de utilização dos insumos (fls. 114 a 123), com as visitas técnicas realizada ao parque fabril da requerente durante a fiscalização (fls. 125 a 127), bem como, a orientação do Parecer n°. 99/99, de 23/11/99, emitido pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal – 7ª RF, glosamos a parte dos valores relativos aos insumos que não se enquadram nas condições de matériaprima, produto intermediário e materiais de embalagem, a saber: água, energia elétrica, óleo de lavagem de naftaleno, soda cáustica e dióxido de carbono. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 191/199 (Volume I) e 202/210 (Volume II), para alegar: A) quanto à apuração do crédito presumido, a necessidade de reconsiderar a glosa de R$173.874,56, equivalente à glosa de aquisição de água, energia elétrica, Fl. 830DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13770.000827/200133 Acórdão n.º 3102002.409 S3C1T2 Fl. 3 3 óleo de lavagem de naftaleno, soda cáustica e dióxido de carbono. No tocante à energia elétrica e aos combustíveis, aduz que a legislação específica (Leis nos 10637, de 2002, e 10.833, de 2003) os admite como insumos, o que torna patente a legitimidade dos créditos. Este é também o entendimento do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso nos acórdão 20174327 (21/03/2001), 0201158 (DOU 06/08/2003) e 0201192 (12/05/2003). Quanto aos demais insumos (água, soda cáustica, dióxido de carbono), foi apenas admitido o crédito relativo à água bruta utilizada na coqueria, na sinterização, nos lingotamentos contínuos I e II, no condicionamento e na calcinação, áreas onde existe o contato direto do insumo com as diversas etapas do aço na sua fabricação. Todos esses insumos integram o conceito de produto intermediário, na medida em que representam insumos consumidos no processo industrial, essencial e indissociável da produção, conforme descrito no art. 164, I, do RIPI; B) com relação à nãohomologação integral das compensações declaradas: 1) que os débitos da Cofins foram relacionados nas Declarações de Compensação já com o acréscimo dos juros Selic e não pelos seus valores originários; 2) que a multa de mora foi indevida, pois a interessada estava resguardada por medida liminar concedida no Mandado de Segurança nº 99.00013751, impetrado contra a cobrança da Cofins nos moldes da Lei nº 9.718, de 1998, e quando expedida a sentença de mérito de fls. 31/35, concedendolhe parcialmente a segurança, dentro dos 30 (trinta) dias previstos no §2º do artigo 63 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, apresentou à Receita Federal as respectivas Declarações para compensar os débitos da Cofins sub judice. 3) a suspensão da exigibilidade dos débitos não extintos pela compensação. Para solucionar as demandas apresentadas pelo contribuinte, referentes aos itens (1B) e (2B) acima, fezse necessário o retorno dos autos à Delegacia de origem. Por intermédio do expediente de fls. 279/280, os autos foram remetidos à DRF/VIT/ES, para que fossem providenciados: a) a Certidão de Objeto e Pé relativa ao Mandado de Segurança nº 99.00013751 para se pudesse concluir sobre a procedência ou não da aplicação de multa de mora na elaboração dos cálculos de compensação realizados na DRF em Vitória; b) a conferência dos reais débitos do contribuinte concernentes à disputa judicial, a fim de aferir as informações por ele prestadas na manifestação de inconformidade e também às fls. 01/03 sobre a cumulação de juros Selic nos cálculos da compensação, realizados às fls. 168/175; c) atendidos os itens (a) e (b), caso se confirmassem quaisquer das indagações referentes a esses itens, que se elaborasse um novo demonstrativo de compensação para subsidiar a análise da manifestação de inconformidade. Feita análise da petição encaminhada pelo presidente da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, DRJ/JFA/MG (fls. 279/280), demonstrada e relatada às fls.281/399 (Vol. II) e 402/478 (Vol. III), os autos foram remetidos, em 28/09/2009, diretamente à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, SP, Fl. 831DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 DRJ/RPO/SP (fl. 489), pois à época o estabelecimento situavase no município de São Paulo. A DRJ/RPO, com fulcro no Anexo Único da Portaria RFB nº 844, de 09/06/2008, recusouse a analisar a manifestação de inconformidade, sob a justificativa de que não detinha a competência para tanto. O processo foi então devolvido à DRJ/JFA/MG, para prosseguimento. Não bastassem as justificativas legais para tal posicionamento, por exemplo, a análise do processo terse iniciado na DRJ/JFA/MG, a incompetência da DRJ/RPO se fortalece mediante verificação de que, à vista do extrato do sistema CNPJ, à fl. 490, o estabelecimento interessado se localiza atualmente em Vitória, ES. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 VALOR CALCULADO E DEFERIDO CONFORME SOLICITAÇÃO DO INTERESSADO. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Os meandros dos cálculos realizados pela fiscalização e pelo contribuinte deixam de ser relevantes, quando nenhuma modificação ou afirmação de entendimento pode alterar o que já foi deferido (legitimado), tendo em vista que o crédito presumido a que faz jus o contribuinte é o que foi registrado na sua escrita fiscal e a parcela a que faz jus como ressarcimento é aquela requerida no pedido de ressarcimento (art. 21, §3º, inc. II, e §4º, inc. I, da IN RFB nº 900, de 2008). Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 1) MULTA DE MORA. COBRANÇA INDEVIDA. Nos termos do §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, é indevida a cobrança da multa de mora sobre tributo ou contribuição, antes suspenso por medida liminar, quando o contribuinte declara à Receita Federal do Brasil a respectiva compensação, no prazo de 30 (trinta) dias, após a data da publicação da decisão judicial que considera devido o tributo ou contribuição. 2) DILIGÊNCIA. APURAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO PARCIAL DAS AFIRMAÇÕES DO CONTRIBUINTE. Reconhecese parcialmente as razões alegadas pelo contribuinte quando, diante dos trabalhos de diligência, somente parte de suas afirmações é confirmada. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conforme informa, apurou Crédito Presumido do IPI correspondente ao 2º trimestre do anocalendário de 2001 no montante de R$ 7.911.778,54. Revisando a escrita fiscal do contribuinte, a Fiscalização Federal glosou determinados insumos, reconhecendo o direito a um Crédito inferior ao apurado pela empresa, no total de R$ 7.737.903,98. Embora isso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, equivocadamente, “somente deferiu o ressarcimento e conseqüente compensação no valor de R$ 6.465.810,00, por ser esta quantia objeto do Pedido de Ressarcimento da Recorrente [...]”. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13770.000827/200133 Acórdão n.º 3102002.409 S3C1T2 Fl. 4 5 Considera equivocada a glosa de determinados insumos, fundamentada na Portaria MF 38/97 e IN SRF 023/97. Assevera que todos os produtos glosados são utilizados e consumidos no processo de produção da empresa, ainda que não integrem o produto final, condição contemplada no artigo 164, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados. Que há duplicidade de incidência dos juros moratórios sobre o valor da dívida. Em seus cálculos, a Fiscalização partiu do valor já acrescido de SELIC até setembro/2001 (última coluna da planilha acima), sobre ele aplicando multa de 20% e novamente a SELIC (do vencimento até setembro/2001): Adiante, que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento extrapolou sua competência, julgando além das questões suscitadas na Manifestação de Conformidade, interposta apenas “contra o não reconhecimento do seu direito creditório ou a não homologação da compensação decorrente dessa análise do crédito [...]. Segundo a DRJ, a existência de saldo devedor seria inequívoca na medida em que os valores de COFINS declarados pela Recorrente em seu pedido de restituição/compensação seriam inferiores aos realmente devidos no período em questão. Ou seja, a DRJ concluiu pela manutenção da existência de um saldo devedor no presente processo, trazendo um novo fundamento para majoração dos débitos compensados. O Processo foi convertido em diligência para a Unidade Preparadora se manifestasse a respeito da alegação trazida aos autos de que estaria ocorrendo a dupla incidência de juros sobre os débitos declarados pela Recorrente. A seguir a transcrição parcial da Resolução 3102000.286, de 21 de agosto de 2013. De todos os dados apresentados nas tabelas que instruem a diligência e dos esclarecimentos prestados, não encontrei uma informação que me assegurasse de não ter ocorrido a sobreposição da Taxa Selic tal como acusa a Recorrente. Assim, não vejo outra alternativa se não a de converter o julgamento em diligência, com o único objetivo de que o AuditorFiscal responsável pela Informação Fiscal de folhas 325 a 336 ateste a inocorrência da incidência em duplicidade da Taxa Selic, indique a tabela na qual isso está demonstrado ou apresente demonstração e comprovação do fato. Atendida a diligência, o Processo retorna a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Conforme narrativa dos fatos apresentada pela Recorrente, a empresa apurou Crédito Presumido do IPI correspondente ao 2º trimestre do anocalendário de 2001 (01/04/2001 a 30/06/2001) no montante de R$ 7.911.778,54. A Fiscalização Federal, revendo Fl. 833DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 sua escrita fiscal, procedeu à glosa de determinados insumos, reconhecendo com isso direito de crédito inferior, no total de R$ 7.737.903,98. Pois bem. Embora a Recorrente desde o início afirme ter apurado um valor a título de Crédito Presumido do IPI da monta de R$ 7.911.778,54, resta incontroverso dos autos que, na vertente lide, apenas requereu o reconhecimento de um de Crédito no valor de R$ 6.465.810,00, correspondente ao que foi declarado no Pedido de Ressarcimento apresentado, ao qual foram posteriormente vinculados os Pedidos de Compensação aqui controvertidos. Essa é uma questão decisiva para solução deste litígio. De fato, a constituição do crédito a que o administrado faz jus é iniciada com o protocolo do pedido correspondente. A simples anotação dos valores nos registros contábeis, por si só, não gera direito. É necessário que ele seja formalmente apresentado e requerido ao Fisco. No caso concreto, identificamse importantes divergências entre os valores apurados pela empresa e os valores reconhecidos pelo Fisco, mas, a despeito deles, o fato é que, como é afirmado no próprio corpo do Recurso Voluntário, embora tenha apurado um crédito no valor de R$ 7.911.778,54, utilizou apenas parte desse crédito, no valor de R$ 6.465.810,00, para compensação com débitos da Cofins. A ele o presente litígio deve se restringir. Isto posto, também merece destaque o fato de que a Administração reconheceu integralmente o direito pleiteado pela Recorrente, no valor de R$ 6.465.810,00. Com efeito, é importante que fique claro que o que aqui se discute não é o direito ao crédito, pois ele foi deferido no exato valor em que foi requerido. Discutese, sim, o valor do débito, que, extinto por compensação apresentada fora do prazo, foi corrigido pela Taxa Selic e por multa de mora, esta última já excluída em primeira instância de julgamento. Assim, não há que se falar em equivocada glosa de determinados insumos, fundamentada na Portaria MF 38/97 e IN SRF 023/97. Ainda que reconhecêssemos aqui o direito à inclusão de todos os gastos pretendidos pela empresa, impossível ir além dos R$ 6.465.810,00 requeridos. Disso também se conclui que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento não extrapolou sua competência nem inovou na fundamentação como alegado pela defesa. Em lugar disso, apontou a origem da homologação apenas parcial das compensações, recusandose também ela a discutir o alegado não reconhecimento do direito creditório, pelo simples fato de que ele não foi requerido. Feitas essas considerações preambulares, passase aos esclarecimentos prestados em resposta à diligência determinada por este Colegiado. Como sobredito, na Resolução que converteu o julgamento em diligência, falouse da impossibilidade de atestar com segurança a inocorrência da incidência em duplicidade de juros acusada pela Recorrente. Segunda afirmava, ela própria já teria feito incidir juros à Taxa Selic sobre os débitos declarados, juros calculados para o período compreendido entre a data de vencimento e a data de entrega das Declarações de Compensação. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13770.000827/200133 Acórdão n.º 3102002.409 S3C1T2 Fl. 5 7 Na manifestação que fez acerca do Relatório de Diligência, a Recorrente afirma que a questão suscitada na Resolução 3102000.286 não foi respondida. Requer a realização de nova diligência. Não é assim que me parece. Embora a Autoridade diligenciada não tenha de fato demonstrado com a clareza esperada a improcedência das alegações de defesa, acho que é possível extrair incontroverso do resultado da diligência demanda que nenhum equívoco foi cometido a esse respeito, se não vejamos. A forma que a fiscalização apurou os débitos concernentes à disputa judicial está explicitada nas planilhas de fls. 327 a 336. Às fls. 328, 332 e 335, verificase mês a mês a discriminação de cada conta componente da base de cálculo apurada pela contribuinte na contabilidade e se constata a inocorrência de incidência de taxa SELIC nos valores de débitos discutidos apurados. Às fls. 329, 333 e 336, verificase a discriminação de cada conta componente da base de cálculo apurada pela fiscalização na contabilidade e também se constata a inocorrência de incidência de taxa SELIC nos valores de débitos discutidos apurados. (grifos no original) A falta de clareza a que me refiro diz respeito ao fato de não terem sido indicados os assentamentos contábeis correspondentes aos valores apurados pela Fiscalização no trabalho de auditoria como um todo. Embora isso, com base na convicção demonstrada e nos apontamentos feitos, busquei na origem das anotações contidas nas tabelas de fls. 327 a 336 a certeza de que a informação prestada pela Autoridade autuante estava correta. Tomase como exemplo o valor das Receitas Financeiras do mês de maio de 2001. Tal como informado pela Fiscalização no Demonstrativo de folhas 3351, essas receitas perfizeram um total de R$ 1.979.157,02. Esse valor coincide com o que consta à folha 324 na Tabela2 apresentada pela Recorrente em resposta ao Termo de Intimação nº 02/2009, que reflete o valor registrado em sua contabilidade. Se essa é a base de cálculo sobre a qual incidiu a alíquota da Contribuição, resultando no débito aqui controvertido, a única possibilidade de que esse débito estivesse de fato corrigido, como alega a Recorrente, seria se a própria base de cálculo (as receitas financeiras) e não o valor do débito informado ao Fisco nos Pedidos de Compensação tivesse sofrido correção monetária. Essa hipótese, contudo, é inconcebível, pois fere os conceitos contábeis mais comezinhos. É óbvio que o valor das receitas registradas na contabilidade não sofreram qualquer tipo de correção monetária. Ainda mais, além de irregular, tratase de um procedimento que sequer foi alegado pela Recorrente. Finalmente, cumpre fazer referência ao alegado trânsito em julgado da ação impetrada pelo contribuinte perante o Poder Judiciário. Além da decisão que lhe foi favorável, o alargamento da base de cálculo, como é de sabença, é assunto já decidido em Regime de Repercussão Geral (RE 585.235QO, 1 "Demonstrativo do valor discutido da COFINS apurado pelo contribuinte" 2 "Memória de cálculo detalhada da COFINS Ano de 2001" Fl. 835DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Ministro Cezar Peluso) pelo Supremo Tribunal Federal. Inobstante, o fato é que essa matéria não alcança a vertente lide. Aqui discutese exclusivamente os acréscimos legais incidentes sobre débitos confessados pelo contribuinte nos correspondentes Pedidos de Compensação por ele apresentados. Se houve pagamento indevido (ou, como no caso, compensação indevida), o expediente apropriado é o pedido de restituição do indébito. Não vejo como, aqui, exonerar o contribuinte de acréscimos moratórios devidos, pelo fato de eles incidirem sobre um crédito tributário que, no mérito, não seria devido. Para tanto, seria necessário adentrar a uma questão compreendida fora dos limites do Processo. De toda sorte, a aplicação da decisão judicial transitada em julgado compete à autoridade coatora, não a este Conselho e muito menos neste Processo. VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 19 de março de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 836DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13973.000311/2002-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1997 a 30/11/1997
DEPÓSITOS JUDICIAIS. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. MOMENTO DE EXTINÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Depósitos judiciais somente extinguem débitos tributários depois de efetivada sua conversão em renda da União.
LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA.
A atividade de lançamento é vinculada, não podendo ser impedida por depósitos judiciais, não convertidos em renda da União.
DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Depósitos judiciais que não tenham sido no montante integral não suspendem a exigibilidade de crédito tributário nem impedem a exigência de multa de ofício sobre débitos não pagos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que anulavam o lançamento em razão da comprovação da existência da ação judicial indicada
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. MOMENTO DE EXTINÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Depósitos judiciais somente extinguem débitos tributários depois de efetivada sua conversão em renda da União. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade de lançamento é vinculada, não podendo ser impedida por depósitos judiciais, não convertidos em renda da União. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Depósitos judiciais que não tenham sido no montante integral não suspendem a exigibilidade de crédito tributário nem impedem a exigência de multa de ofício sobre débitos não pagos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que anulavam o lançamento em razão da comprovação da existência da ação judicial indicada (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 3. 00 03 11 /2 00 2- 93 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13973.000311/200293 Acórdão n.º 3801005.237 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido por descrever suficientemente a lide: “Trata o processo de Auto de Infração de contribuição ao PIS, de fls. 33/43, decorrente de auditoria interna na DCTF do segundo, terceiro e quarto trimestres de 1997, onde se constatou “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA”, relativo aos períodos de apuração de abril a dezembro/1997, exigindo R$ 2.295,52 de contribuição, R$ 1.721,64 de multa de ofício de 75%, além dos acréscimos legais. No “ANEXO I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS” (fls. 37/39), constam valores informados em DCTF a título de “EXIGIBILIDADE SUSPENSA” e “COMP S/DARF – OUTROS – PJU”, em face da existência do Processo Judicial nº 96.01005560, que não foram confirmados, sob a ocorrência: “PROC JUD NÃO COMPROVAD”. O enquadramento legal dado à infração, à multa de ofício e aos juros de mora encontrase à fl 36. Cientificada em 22/04/2002 (fl. 36), a interessada, por intermédio de seu representante legal (fls. 51/58), apresentou a impugnação de fls. 01/06, ressaltando que, em 1996, protocolou junto à Seção Judiciária de Joinville/SC, uma Ação de Repetição de Indébito, com o intuito de buscar a devolução dos valores que entende ter recolhido indevidamente a título de PIS e Cofins na venda de combustíveis e lubrificantes, por entender que tais produtos gozam de imunidade prevista no art. 155, § 3º, da Constituição Federal de 1988. Tal ação teve o número 96.01.005560, mesmo constante no Auto de Infração. Diz que, protocolizada a referida ação e pretendendo suspender a exigibilidade de tais tributos a partir de então, passou a efetuar mensalmente depósitos judiciais, vinculados ao processo. Por esta razão, entende que a apresentação de cópias dessas guias de depósito é motivo suficiente para o cancelamento do Auto de Infração. Salienta que a segunda modalidade de infração trazida no Auto diz respeito à “Compensação de Créditos s/Darf”. Esse procedimento foi adotado em face da declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, passando a compensar mensalmente o montante de seu crédito com a importância devida na guia de recolhimento. Diz que houve equívoco em informar na DCTF que os valores compensados teriam sua origem em um processo judicial. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13973.000311/200293 Acórdão n.º 3801005.237 S3TE01 Fl. 4 3 Em 15/09/2006, a interessada apresentou requerimento de desistência de impugnação, relativa aos débitos de 04 a 12/1997, no montante de R$ 925,68, tendo em vista Pedido de Parcelamento Excepcional (Paex) trazido pelo art. 1º da MP nº 303/2006 (fl. 63), cujos débitos foram transferidos para o processo nº 10920.003827/200811 (fls. 67/70). Em 04/08/2008, veio o processo a julgamento, de acordo com a Portaria MF nº 179/2007. Tendo em vista a baixa definitiva do processo judicial nº 96.01.005560, retornou o processo a DRF em Joinville para que fosse confirmada conversão dos depósitos em renda União e, se ocorrida entes da lavratura do Auto de Infração, fosse verificado se tal conversão foi suficiente para extinguir o débito em litígio. Cumprida a diligência, retornaram os autos para julgamento.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA julgou procedente o lançamento, mantendo a exigência de R$ 1.369,84 de PIS, além da multa de ofício e encargos legais. A ementa do acórdão é a seguinte: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1997 a 30/11/1997 CONVERSÃO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS EM RENDA DA UNIÃO. MOMENTO DE EXTINÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Depósitos judiciais somente extinguem débitos tributários depois de efetivada a respectiva conversão em renda da União. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais, quando ainda não convertidos em renda da União.” Contra a decisão da DRJ/CTA a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que: segundo o art. 156 do CTN a conversão de depósito judicial extingue o crédito tributário; caso se entenda pela manutenção do auto de infração, a multa deveria ser excluída, pois o lançamento foi realizado para prevenir a decadência, o que, segundo o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, implica o nãocabimento da multa de ofício. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13973.000311/200293 Acórdão n.º 3801005.237 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sérgio Celani Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento por esta Turma Especial. Segundo o art. 151, II, do Código Tributário NacionalCTN, o depósito do montante integral do crédito tributário suspende sua exigibilidade, e conforme o art. 156, VI, do CTN, a conversão de depósito em renda extingue o crédito tributário. Logo, o depósito do montante, antes da conversão em renda, não impede o lançamento, apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário, desde que tenha sido do montante integral. Sendo hipótese de suspensão de exigibilidade, não implica a impossibilidade da lavratura de auto de infração para constituição do crédito tributário, atividade administrativa vinculada, por força do art. 142 do CTN. Em consonância com este entendimento, O CARF editou a Súmula CARF nº 48, que enuncia que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração Ressaltese que só se pode falar em suspensão do crédito tributário pelo seu depósito, se este contempla a totalidade do crédito tributário. Quanto à extinção, uma vez que o que extingue o crédito tributário é a sua conversão em renda, antes do momento desta conversão não ocorre a extinção. Uma vez que os arts. 151, II, e 156, VI, do CTN não tratam de hipóteses de impossibilidade de formalização do lançamento, correta a decisão recorrida ao assentar a procedência do auto de infração, cientificado à contribuinte em 22/04/2002, antes da efetivação da conversão do depósito em renda, ocorrida em 09/07/2004. Quanto a ter sido total ou parcial a extinção do crédito tributário, conforme Informação Fiscal nº 058/2008, elaborada em atendimento à diligência determinada pela DRJ/CTA, e o voto do acórdão recorrido, a unidade de origem da RFB confirmou a existência de depósitos judiciais e a sua conversão em renda da União, concluindo que, após inserir os valores dos débitos, dos pagamentos, das transferências e dos depósitos judiciais no sistema CTSJ II, remanesceram valores nos períodos de apuração 05/97, 09/97 e 11/97. Conforme esclarecimento do Relator do acórdão recorrido, a conversão, “a teor do item 23, nota 5, da Norma de Execução CSAr/CST/CSF nº 002, de 1992, é considerada, para fins de cálculo de extinção, com base no valor dos depósitos à data em que efetuados”. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13973.000311/200293 Acórdão n.º 3801005.237 S3TE01 Fl. 6 5 Não tendo sido suficientes os depósitos para a quitação total dos débitos, do que se deduz que os depósitos para estes débitos não foram no montante integral, os valores remanescentes devem ser exigidos, incluídos multa de ofício e juros. O argumento da recorrente de que, por força do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, a multa de ofício seria indevida, não se sustenta. Esta disposição se aplica aos casos previstos nos incisos IV e V do art. 151 do CTN, hipóteses diferentes da discutida neste processo, pois o depósito do montante integral está inserido no inciso II deste artigo. Vejase a Lei nº 9.430, de 1996: “Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. §2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002).” Conclusão. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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