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Numero do processo: 11030.002417/2004-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE
A Matéria foi tratada nos autos do REsp 993.164-MG, julgada pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu ser cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas.
Consoante ao art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal- STF e pelo Superior Tribunal de Justiça- STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, atualizado pelo CPC 2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO.
Na vigência da Portaria MF nº 64/2003, as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem as Receitas de Exportação (RE) para apuração do coeficiente de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI.
Numero da decisão: 9303-005.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir da receita de exportação os produtos exportados adquiridos no mercado interno, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE A Matéria foi tratada nos autos do REsp 993.164-MG, julgada pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu ser cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Consoante ao art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal- STF e pelo Superior Tribunal de Justiça- STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, atualizado pelo CPC 2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Na vigência da Portaria MF nº 64/2003, as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem as Receitas de Exportação (RE) para apuração do coeficiente de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. POSSIBILIDADE A Matéria foi tratada nos autos do REsp 993.164MG, julgada pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu ser cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Consoante ao art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, atualizado pelo CPC 2015, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Na vigência da Portaria MF nº 64/2003, as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem as Receitas de Exportação (RE) para apuração do coeficiente de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir da receita de exportação os produtos exportados adquiridos no mercado interno, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 17 /2 00 4- 16 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 3 2 vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito – Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 340200.541, de 28 de abril de 2010, proferido pela 4º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) para reconhecer o direito ao credito de insumos adquiridos de pessoa física e (ii) em dar provimento parcial para reconhecer a inclusão das receitas de revenda na receita operacional bruta. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de Recurso Voluntário (fls. 94/107) contra o Acórdão DRJ/STM n° 188.588 de 07/12/07 constante de fls. 85/91 exarado pela la Turma da DRJ de Santa Maria RS que, por unanimidade de votos, houve por bem "indeferir" a Manifestação de Inconformidade de fls. 26/39, mantendo o Despacho Decisório de fls. 20 da DRF de Passo Fundo — RS e respectivo Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 17/18), que indeferiu parcialmente (glosa de R$ 214.387,54; reconhecimento de R$ 19.784,03) o Pedido de Ressarcimento ou restituição de declaração de compensação de crédito presumido de IPI (fls.02/06) protocolado em 23/07/04 no valor de R$ 234.171,57 e relativo ao período relativo ao 2° trimestre de 2004. O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS. INCLUSÃO. LEI 9.363/96. IN/SRFs nos Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 4 3 23/97 e 103/97. RESTRIÇÕES INDEVIDAS. ARTS. 96, 99 E 100 DO CTN. Incluemse na base de cálculo do beneficio as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem a pessoas físicas, ainda que não tenham sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1°, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as aludidas aquisições feitas de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. RECEITA DE EXPORTAÇÃO: INCLUSÃO PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS E EXPORTADOS. Não há vedação expressa na Lei para que seja desconsiderado no cômputo da receita bruta de exportação a venda para o exterior e para empresa comercial exportadora de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros". Recurso Provido em Parte. Irresignada, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto as aquisições de pessoas físicas, por não sofrerem a incidência de PIS/Pasep e Cofins, e não devem compor a apuração do crédito presumido em tela, por ausência de previsão legal, bem assim, como as receitas de exportação decorrentes de revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, que não sofrerem industrialização, não devem ser incluídas dentre as receitas de exportação, por integrarem a receita operacional bruta. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 20402.250 e 20179.254. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de julgamento deu seguimento ao recurso, fls. 161/162. A Contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo que seja mantido o acórdão a quo por seus próprios fundamentos jurídicos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 5 4 Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, a matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a duas controvérsias: (i) as aquisições de pessoas físicas, por não sofrerem a incidência de PIS/Pasep e Cofins, não devem ou não compor a apuração do crédito presumido em tela e (ii) as receitas de exportação decorrentes de revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, que não sofrerem industrialização, devem ou não ser incluídas dentre as receitas de exportação que integrarem a receita operacional bruta. Quanto a primeira divergência, a Matéria foi tratada nos autos do REsp 993.164MG, julgada pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu ser cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 6 5 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 7 6 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Referente a segunda matéria divergente, A Fazenda Nacional aduz que as receitas de exportação decorrentes de revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, por não sofrerem industrialização, não devem ser incluídas dentre as receitas de exportação, por integrarem a receita operacional bruta. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 8 7 Com efeito, à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, entendo que, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. A Lei 9.363/96, ao instituir o benefício aos exportadores, misturou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, às contribuições, vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Dessa forma, a Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afetos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, in verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Como visto, essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção referente à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Por outro lado, não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Sem embargo, resta claro que, a norma não restringiu o benefício aos produtores aos produtores, exportadores contribuintes do IPI, em razão de que é indevida a exclusão da Receita de Exportação de Produtos adquiridos de terceiros para efeito de determinação da relação do percentual entre Receita de Exportação e Receita Operacional Bruta. Diante do que foi exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional.. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 9 8 Demes Brito Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao ilustre relator, discordo de seu entendimento quanto à possibilidade de inclusão, na receita de exportação, para os fatos geradores do presetne processo, dos produtos adquiridos de terceiros e exportados, para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9363/96. Ou seja, aqui os produtos não foram industrializados pelo exportador, mas adquiridos e revendidos em operação de exportação. Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 10 9 acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Portanto o benefício foi concedido para a empresa produtora e exportadora. Porém, a discussão travada no âmbito do presente recurso referese à composição da Receita de Exportação RE para cálculo do coeficiente de exportação a ser aplicado sobre os insumos adquiridos para cálculo do crédito presumido do IPI. Nesse sentido, o art. 6º da Lei nº 9.363/96, de forma expressa delegou competência ao Ministro da Fazenda a regulamentação do cálculo, inclusive quanto à definição do que seja receita de exportação. No Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 11 10 uso destas atribuições, foi editada inicialmente a Portaria MF nº 38/97, que assim dispôs quanto ao cálculo do coeficiente de exportação: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 12 11 ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. § 16. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. Assim, tem se que o coeficiente de exportação, composto pela receita de exportação (RE) e receita operacional bruta (ROB), tinha a seguinte cofiguração: RE/ROB. Da leitura da referida portaria destacase que compõe a RE todas as exportações de mercadorias nacionais, não fazendo qualquer limitação de que seja restrita a produtos industrializados pelo exportador. Constatase, que se estivéssemos analisando fatos geradores ocorridos na vigência da citada portaria, estariam corretos o acórdão recorrido bem como o entendimento conspurcado no voto do relator do presente processo, de que exportação de mercadorias adquiridas de terceiros, compunham tanto a RE quanto a ROB. Porém, os fatos geradores do presente processo referemse à apuração do crédito presumido do IPI relativos ao 2º trimestre de 2003, quando não mais vigente a Portaria MF nº 38/97, a qual foi revogada pela Portaria MF nº 64, de 24/03/2003, que passou a regulamentar a apuração do crédito presumido de forma diversa. Vejamos: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, de MP, de PI e de ME utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual referida no inciso II sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso III por 5,37%, cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração, observado o disposto nos §§ 13 e 14 deste artigo; V diminuir, do valor apurado conforme o inciso IV, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para dedução do valor do IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Secretaria da Receita Federal (SRF). Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11030.002417/200416 Acórdão n.º 9303005.894 CSRFT3 Fl. 13 12 § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do § 1º. (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Observase que a partir da vigência da Portaria MF nº 64/2003, houve uma mudança substancial no cálculo do coeficiente de exportação, passando a compôlo somente o resultado das operações com produtos industrializados pelo próprio contribuinte, alterandose os dois lados do coeficiente. Passou a ser uma relação entre a receita de produtos industrializados exportados (mercado externo) sobre a receita total com produtos industrializados pelo contribuinte (mercados interno e externo). Concluise então que as receitas decorrentes da exportação de produtos adquiridos de terceiros não compõem a receita de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI em relação ao 2º trimestre de 2003. Diante de tudo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para excluir das receitas de exportação o valor das exportações de produtos adquiridos de terceiros. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723736/2013-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 36 /2 01 3- 89 Fl. 54DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0361.948 da 4ª Turma da DRJ/BSB, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzido o voto: Voto É tempestiva e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade a manifestação de inconformidade manejada pelo interessado, razão por que merece ser conhecida. Acerca dos procedimentos para se efetuar a opção de ingresso ao Simples Nacional, temse, no campo infralegal, a Resolução CGSN nº 94/2011: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção. A DRF de origem traz aos autos telas de sistemas da RFB (fl. 14) que permitem verificar que o débito motivador do indeferimento foi quitado em 27/03/2013. O despacho de folha 16 ratifica as informações dos sistemas da RFB. Sendo assim, em vista dos elementos contidos nos autos, não se comprovou a plena regularização das pendências que motivaram o indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013 no prazo regulamentar (31/01/2013). Fl. 55DF CARF MF Processo nº 15504.723736/201389 Acórdão n.º 1001000.217 S1C0T1 Fl. 3 3 Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade e, no mérito, julgála improcedente Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Em se recurso voluntário, a recorrente não touxe fatos novos que merecessem serem analisados. O débito só foi recolhido, como bem demonstrado pela DRJ, em 27/03/2013, portanto, fora do prazo previsto na legislação para regularização da pendência, já analisada pela DRJ e acima mencionada. Entendo não assistir razão a recorrente, consequentemente, acompanho a decisão da DRJ em sua irretocável decisão e nego provimento ao recurso voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720493/2015-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011
ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE.
As competências funcionais não exclusivas podem ser delegadas por ato da autoridade originária, desde que o outorgado detenha competência para constituir o crédito tributário e decidir sobre questões a ele relacionadas.
ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. LEGALIDADE.
É legítimo o Ato Declaratório de suspensão de isenção devidamente fundamentado na premissa de que a entidade beneficiária descumpriu os requisitos legais para a escrituração e manutenção dos seus registros contábeis.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE.
A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011
DESPESAS INEXISTENTES E DESPESAS DESNECESSÁRIAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL E FALTA DE PROPÓSITO.
Quando apuradas despesas inexistentes a correspondente glosa deve ser efetuada pela autoridade fiscalizadora. No mesmo sentido, a constatação de despesas não necessárias à atividade da entidade, por mera liberalidade, enseja a glosa dos valores que reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A multa de ofício possui base legal e tem como fundamento o artigo 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada quando apurada falta ou insuficiência de recolhimento do imposto.
Numero da decisão: 1201-001.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, que dava parcial provimento ao recurso apenas para excluir o ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE. As competências funcionais não exclusivas podem ser delegadas por ato da autoridade originária, desde que o outorgado detenha competência para constituir o crédito tributário e decidir sobre questões a ele relacionadas. ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. LEGALIDADE. É legítimo o Ato Declaratório de suspensão de isenção devidamente fundamentado na premissa de que a entidade beneficiária descumpriu os requisitos legais para a escrituração e manutenção dos seus registros contábeis. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 93 /2 01 5- 62 Fl. 7646DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 3 2 DESPESAS INEXISTENTES E DESPESAS DESNECESSÁRIAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL E FALTA DE PROPÓSITO. Quando apuradas despesas inexistentes a correspondente glosa deve ser efetuada pela autoridade fiscalizadora. No mesmo sentido, a constatação de despesas não necessárias à atividade da entidade, por mera liberalidade, enseja a glosa dos valores que reduziram as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício possui base legal e tem como fundamento o artigo 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada quando apurada falta ou insuficiência de recolhimento do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, que dava parcial provimento ao recurso apenas para excluir o ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (destacaremos): Tratase de autuações relativas ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP lavradas em decorrência dos fatos descritos às fls. 05 a 17 e 7167 a 7187 deste processo. Fl. 7647DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 4 3 As Autoridades Administrativas responsáveis pela lavratura descrevem a ação fiscal e os atos do INSTITUTO MANTENEDOR DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA LTDA – ME (IMES) nos seguintes termos (fls. 05 a 17): a) O trabalho fiscal foi realizado com base na escrituração contábil apresentada, documentos e respostas do contribuinte, onde verificamos fatos, em relação ao ano de 2010 e 2011, quanto ao descumprimento de requisitos previstos na legislação tributária para gozo do benefício da isenção dos tributos que tratam a Lei 11.906/2005 e IN SRF 456/2004, realizada ciência dos fatos apurados através da Notificação Fiscal. Inconformado, o contribuinte contestou a notificação quanto à suspensão da isenção e desvinculação da entidade do Programa Universidade para Todos (PROUNI). A contestação gerou um processo de suspensão de isenção de tributos sob o número 10580.720.493/201562; b) Entre as irregularidades constatadas está existência de saldo credor de Caixa nos anos de 2010 (R$ 5.772.176,59) e 2011 (7.152.645,45), configurando a omissão de receitas; c) Além do exposto, também se verificou a contabilização de despesas inexistentes pelo exame da conta contábil nº 312020302009 Serviços PJ Educacionais EAD Parceiros. d) Da conta de nº 312020302009 constam vários lançamentos com histórico "prestação de serviços EAD. Do rol de Parceiros EAD contidos na referida conta contábil foram solicitadas informações ao fiscalizado sobre os seguintes parceiros: a) CONECT EAD Serviços Administrativos Ltda. CNPJ Nº 10.488.068/000115; b) SABER EDUCACIONAL COMERCIO DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA CNPJ Nº 00.405/000192 ; c) SOED CNPJ nº 07.483.188/0001 15; e) Examinando os contratos de prestação de serviços correspondentes à luz das bases de dados da Fazenda Nacional constatouse a existência de despesas realmente assumidas pelo contribuinte, sendo a diferença após a aplicação dos 43% das mensalidades recebidas consideradas como inexistentes, configurando grave infração contábil e fiscal (o índice mencionado decorre de disposição contratual), sem que o fiscalizado tenha apresentado todos os comprovantes de pagamento e extratos bancários pertinentes ao pagamento dos parceiros; f) A conclusão mencionada decorre do conteúdo dos contratos de prestação de serviço relativos a Ensino a Distância (EAD) dos quais constam os seguintes elementos de informação: i) O contrato é da espécie padrão, isto é, seguem com as mesmas cláusulas; ii) O contratante é o IMES o aqui fiscalizado; Fl. 7648DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 5 4 iii) Tem por objeto a implantação e operação de Unidades Pedagógicas em municípios do interior da Bahia; iv) Prazo indeterminado; v) A despesa de publicidade do curso será 1% (um por cento) da receita, dividido o encargo na proporção de 0,43% a cargo do CONTRATADO e 0,57% a cargo do CONTRATANTE; vi) A percentagem de 1% (um por cento) referente à publicidade será abatida da remuneração; vii) A remuneração será da seguinte forma: O CONTRATADO receberá do CONTRATANTE (IMES) o percentual de 43% (quarenta e três por cento), sendo o restante receita do CONTRATANTE (IMES), ou seja, o percentual de 57% (cinqüenta e sete por cento) referente aos valores das parcelas das semestralidades EFETIVAMENTE recebidas dos alunos matriculados nas Unidades Pedagógicas (UP); viii) Os módulos impressos serão comercializados no site da CONTRATANTE sem a intermediação do CONTRATADO. g) Do confronto do teor dos contratos com as declarações dos envolvidos e documentos entregues pela fiscalizada restou evidente a completa desconexão destes em relação à contabilidade da IMES. Assim, resta evidenciado que a IMES escriturou despesas acima do efetivamente ocorrido. Tal fato se infere pela aplicação do percentual de 43% sobre o total das mensalidades pagas pelos alunos, bem como pelo descompasso entre as cópias das notas fiscais apresentadas e os valores declarados pelas empresas contratadas; h) A fiscalizada também foi objeto de autuações anteriores de contribuição previdenciária, no valor total de R$ 4.757.287,96, e IRRF, CSLL, PIS e COFINS no valor de R$ 8.345.432,99, destacandose de que destas autuações resultaram RFFP; i) A legislação de regência determina que para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção, segregados das demais atividades. Fixando ainda que a prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem assim a falta de emissão de notas fiscais, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, ao benefício da isenção em comento. j) A sociedade empresarial INSTITUTO MANTENEDOR DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA LTDA ME (IMES), aderente ao PROUNI, porém, conforme fatos narrados anteriormente, não demonstrou em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem suas receitas e despesas, contrariando requisito necessário para usufruir do benefício da isenção do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS disposto no art. 3º da IN SRF nº 456/2004, bem como requisito estabelecido no art. 12, § 2°, a línea "c" combinado com § 3º do art. 15 da Lei nº 9.532/97. A lavratura dos autos de infração de Fl. 7649DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 6 5 contribuições previdenciárias e tributos fazendários acima referenciados indicam que a empresa não promoveu a quitação de contribuições e tributos federais a que estava obrigada, contrariando o requisito necessário para a concessão de benefício fiscal disposto no art. 60 da Lei nº 9.069/95. k) Diante do exposto, concluise que a sociedade empresarial INSTITUTO MANTENEDOR DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA LTDA ME, CNPJ nº 04.670.333/000189 não atendeu aos requisitos legais para usufruir do benefício da isenção do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS nos anoscalendário de 2010 e 2011, a ela concedido por ter aderido ao PROUNI, sendo necessária, portanto, a suspensão da isenção desses tributos federais nos referidos anoscalendário. Devidamente notificada dos termos das constatações fiscais anteriormente tratadas (fls. 02 a 04), a entidade fiscalizada apresentou impugnação contra a proposta de suspensão de isenção. Alinhou como contrarrazões (fls. 6870 a 6888) que: a) Após o exame da conta CAIXA (cod. 1110101), a autoridade fiscal entendeu pela existência de saldo credor e solicitou explicações; b) “Após as explicações, que foram checadas e confirmadas pelo Fiscal, conforme consta de seu relatório, verificou que a fiscalizada tem um controle financeiro diário e outro controle contábil. No seu controle financeiro todas as receitas são submetidas diariamente ao seu registro. No seu controle contábil, as despesas são escrituradas diariamente, contudo as receitas são consolidadas e contabilizadas na última semana de cada mês. Esses recebimentos consolidados na última semana, mas recebidos ao longo do mês, são divididos em quatro tipos: dinheiro à vista, dinheiro em cobrança, cheque a vista e cheque em cobrança. (destaque acrescido) Com base nesses fatos e em planilha de controle financeiro entregues ao agente fiscal, ele elaborou uma nova planilha (que fundamenta sua acusação), colocando os valores recebidos em dinheiro à vista nas efetivas datas dos recebimentos, dizendo, assim, que essa nova planilha representaria o efetivo ingresso diário de recursos contabilizados na conta CAIXA.”; c) “DOIS GRANDES ERROS EXISTEM NESSA PLANILHA, QUE COMPROMETEM TODA A SUA APURAÇÃO. O PRIMEIRO, E MAIOR DELES, FOI O FATO DE NÃO TER SIDO CONSIDERADO EM SUA PLANILHA AS ENTRADAS DE DINHEIRO COBRANÇA. APENAS COLOCA EM SUA PLANILHA AS SAÍDAS DESSES VALORES DA CONTA CAIXA, NÃO COLOCANDO SUAS ENTRADAS, O QUE É UMA GRANDE FALHA. (destaque contido no texto original) Fl. 7650DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 7 6 Segue anexo, em meio digital, planilha com movimento financeiro dos dois anos em análise (pasta anexo I), estando marcados os valores de entradas não considerados pelo agente fiscal em sua apuração. Os valores não considerados são os seguintes: (...) d) “Da mesma forma que foram feitos com os recebimentos em dinheiro à vista, lançados na data do efetivo recebimento, também deve ser feito com os recebimentos de cheques a vista e cheque cobrança, ou seja, serem lançados nas datas de seus recebimentos, conforme planilha de controle financeiro anexa (utilizada pelo fiscal), e não ao final do mês como consta no levantamento fiscal. Ora, não tem explicação fazer o correto apenas com parte das entradas, se tudo ocorreu da mesma forma. Corrigindo esses erros, ou seja, incluindo as entradas referentes a dinheiro cobrança e lançando todos os recebimentos nas datas que efetivamente fora recebidos, verá que teremos apenas saldo devedor de caixa.” e) Também não são verdadeiras as acusações de lançamentos de despesas inexistentes, não podendo haver a suspensão da isenção pelos motivos elencados nesse tópico, conforme explicaremos. O que ocorreu no caso é que o agente fiscal pediu apenas alguns documentos por amostragem e não solicitou qualquer explicação antes de fazer tão grave acusação e pedir tão drástica punição. (...) CONECT Ead Serviços Administrativos Ltda Essa empresa é parceira da fiscalizada desde o ano de 2005, tendo três unidades, uma em Camaçari, uma em Ituberá e uma em Candeias, conforme contratos anexos. Apenas a unidade de Ituberá foi levada em consideração na análise do agente fiscal, o que já contamina toda sua apuração. Até o ano de 2008, a própria parceira recebia os valores dos alunos diretamente, e repassava à fiscalizada apenas os valores pertencentes a ela na parceria (57%), retendo a parte que lhe seria devido em razão da sua prestação de serviço. Ao fazer isso não emitia competente documento fiscal de sua prestação de serviços. Como não existia o documento fiscal desse pagamento retido, a fiscalizada contabilizava esses pagamentos, fazendo a contrapartida para uma conta de provisão, 21106 PRESTADORES DE SERVIÇOS PARCEIROS EAD, até que fosse emitido o documento. Segue anexo, em meio digital (anexo II), planilhas que demonstram os pagamentos recebidos pela parceira desde o ano de 2005 e o saldo de nota fiscal a ser emitida pela parceira. Fl. 7651DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 8 7 Também segue planilha financeira de todas as notas e pagamentos realizados com a citada parceira. Verificase que em 2009, a parceira Conect tinha o importe de R$ 1.531.447, 92 de valores recebidos sem emissão de notas. No ano de 2009, após auditoria, foram verificados esses problemas, sendo a fiscalizada orientada a pedir aos parceiros para ir emitindo essas notas de valores já recebidos e regularizar a situação, o que foi feito parcialmente em 2010 e 2011, restando saldos a serem solucionados. No ano de 2010, conforme planilha (EAD Custo Conect 2005 a 2011 anexo II) , as unidades da parceira tiveram recebimentos no importe de R$ 1.187.399,35, e não apenas os valores citados pelo agente fiscal. (...) Nesse ano, realmente ela emitiu notas no valor total de R$ 1.655.509,17, sendo que R$ 510.581,72 foram referentes aos recebimentos do próprio ano e R$ 720.217,05 referentes a valores recebidos nos anos anteriores sem emissão de documentos fiscais, sendo abatidos estes últimos valores da conta de provisão. No ano de 2011, as três unidades da parceira tiveram recebimentos no importe de R$ 734.073,70, e não apenas os valores citados pelo agente fiscal. (...) Nesse ano ela emitiu notas no valor total de R$ 402.183,65, sendo que R$ 315.651,69 foram referentes aos recebimentos do próprio ano e R$ 86.531,96, referentes a valores recebidos nos anos anteriores sem emissão de documentos fiscais, sendo abatidos estes últimos valores da conta de provisão. Assim, o que foi emitido de nota a mais do que efetivamente recebeu nos anos de 2010 e 2011, foi referente à parte de valores já recebidos, mas sem emissão de documentos, de forma a tentar regularizar a contabilidade da empresa, não existindo despesas inexistentes como é acusada. f) Para os pagamentos vinculados às avenças com as empresas SABER EDUCACIONAL, SOED, alegou que as Autoridades Administrativas responsáveis pela investigação fiscal também não levaram em consideração o conjunto de suas unidades de atuação e também que não emitiam notas fiscais e que tal situação foi regularizada nos anos de 2010 e 2011 especificando ainda que: SABER EDUCACIONAL COMERCIO DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA (...) Fl. 7652DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 9 8 “No ano de 2010, conforme planilha (EAD Custo Conect 2005 a 2011 anexo III), a receita das unidades da parceira tiveram recebimentos no importe de R$ 1.706.901,00, e não apenas os valores citados pelo agente fiscal. Pela prestação de serviços, coube à parceira (43%) o recebimento no importe de R$ 733.967,43. Nesse ano ela emitiu notas no valor total de R$ 1.198.241,00, sendo que R$ 733.967,43 foram referentes aos recebimentos do próprio ano e R$ 464.273,57 referentes a valores recebidos nos anos anteriores sem emissão de documentos fiscais, sendo abatidos estes últimos valores da conta de provisão. No ano de 2011, as unidades da parceira tiveram recebimentos no importe de R$ 794.517,00, e não apenas os valores citados pelo agente fiscal. Pela prestação de serviços, coube à parceira (43%) o recebimento no importe de R$ 341.642,31. Nesse ano ela emitiu notas no valor total de R$ 376.242,00, sendo que R$ 341.642,31 foram referentes aos recebimentos do próprio ano e apenas R$ 34.599,69, referente a valores recebidos nos anos anteriores sem emissão de documentos fiscais, sendo abatidos estes valores da conta de provisão.” A autuada afirma, nos termos da argumentação anteriormente tratada, que não houve contabilização de despesas inexistentes, mas apenas emissões tardias de notas, no intuito de regularizar a contabilidade da fiscalizada. Aduz também que ainda que se entenda que seu procedimento não foi correto, de toda forma, não seria motivo para a suspensão de sua isenção em razão do PROUNI, pois segundo dispõe o artigo 4o, da Instrução Normativa SRF n. 456/2004, somente é motivo para a suspensão dessa isenção nos casos da prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, o que definitivamente não ocorreu no caso. Assevera ainda que é isenta de pagar IRPJ e CSLL, o fato de ter incluído despesas consideradas inexistentes, o que não é o caso, de toda forma não acarretaria qualquer supressão de impostos, ou seja, não caracterizaria crime contra a ordem tributária. Sobre as autuações anteriores que sofreu afirma que as autoridades fiscais, para sustentar sua pretensão de suspensão da isenção da Fiscalizada nos anos de 2010 e 2011, invocaram os respectivos processos administrativos, mas que isso não pode lhe trazer qualquer prejuízo, pois se referem a outros anos calendário, mais especificamente do ano de 2009. Se houvesse motivos para levantar a suspensão, teria sido feito pelos competentes auditores fiscais da época, para suspensão do anocalendário de 2009, destacando, ainda, que descabe a alegação de que a fiscalizada não teria cumprido os requisitos Fl. 7653DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 10 9 para ter o benefício de isenção por não estar em dia com seus tributos. A prova disso seria que a empresa tem certidão com efeito de negativa em vigor. A inconformidade da fiscalizada contra a notificação fiscal, emitida com a finalidade de suspender a isenção decorrente da Lei 11.096/05, foi objeto de exame na DRF de Salvador e da fundamentação do Despacho Decisório de nº 227/2015 consta, além de breve explanação sobre os fundamentos legais e normativos do benefício fiscal, que: a) Tratase de isenção condicionada, pois sua fruição depende de atendimento a determinados requisitos; b) As Instruções Normativas aplicáveis estabelecem que a instituição de ensino deve demonstrar, em sua contabilidade, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados referentes às atividades beneficiadas pela isenção, em separado das demais fontes de renda da entidade; c) A IN SRF 456/2004 previa que os atos que configurassem crimes contra a ordem tributária e a falta de emissão de notas fiscais levariam à perda da isenção. A IN RFB nº 1.394/2013, por sua vez, prevê que o descumprimento de requisitos ou as condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária levará à expedição de notificação fiscal, por parte da fiscalização tributária, com relatório dos fatos que determinam a suspensão do benefício; d) Quanto à existência do saldo credor de caixa, o fiscalizado argumentou que os auditores não contabilizaram diariamente as entradas de “dinheiro cobrança”, nem os ingressos de “cheque à vista” e “cheque cobrança” como foi feito com os recebimentos de “dinheiro à vista”. Entretanto, a planilha apresentada pelo IMES, no Anexo I da contestação ao Relatório Fiscal, os ingressos de recursos citados (DIN COB, CH A VISTA e CH COB) estão separados da conta caixa (CX). Além disso, as regras de contabilidade ensinam que a contrapartida de “cheques” é a conta “bancos” e não a conta “caixa”. De acordo com o RIR/1999, art. 281, caracterizase como omissão de receita, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência da indicação na escrituração de saldo credor de caixa. O Acórdão nº 101 81.871/1991, do Conselho de Contribuintes, decidiu que as saídas do caixa, mantidas à margem da contabilidade e que, se escrituradas, ensejariam “estouro do caixa”, evidenciam a existência de omissão de receitas operacionais. Outro Acórdão do Conselho de Contribuintes a se reportar é o de nº 10310.379/1990, que corrobora a conclusão, uma vez decide que, na reconstituição da conta “caixa”, não deverão ser considerados os depósitos efetuados nos bancos que por ela não passaram ou que dela não saíram. Fl. 7654DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 11 10 Relativamente ao item 2.2 (despesas inexistentes), a própria explicação do fiscalizado já comprova descumprimento de dispositivos da legislação tributária. Ainda que a totalidade das unidades não tenha sido verificada, conforme alegação do contribuinte, o IMES declara que contabilizava pagamentos, sem o competente documento fiscal, tendo solucionado apenas parte das notas fiscais faltantes. Esse fato aliado aos valores de receita declarados pelas parceiras reforça a tese da fiscalização, de constatação de despesas inexistentes. E a documentação à disposição da Receita Federal já foi verificada, quando da visita às instalações do contribuinte. e) A respeito do tema “despesas inexistentes”, vale fazer referência ao Acórdão nº 10416.151/1998, do Conselho de Contribuintes, sobre IRPJ, que decidiu somente serem admissíveis, em tese, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos. Como também fazse necessário, quando intimado, comprovar que estas despesas correspondem a bens ou serviços efetivamente recebidos e pagos ao fornecedor/prestador. No tocante à existência de autos de infração, na esfera previdenciária e de representações fiscais para fins penais, que indicariam a situação irregular para manutenção de benefícios fiscais, considerando a jurisprudência administrativa, que aceita a regularidade comprovada em certidão positiva com efeito de negativa, esse fato isoladamente não deveria acarretar a suspensão do benefício. Contudo, as outras constatações descritas afrontam diretamente as disposições gerais estabelecidas no art. 11 da IN RFB nº 1.394/2013 e no art. 3º da IN SRF nº 456/2004, uma vez que a contabilidade não demonstrou, com a clareza e a exatidão necessárias, os registros referentes às atividades sobre as quais recaiu a isenção. Ademais, as constatações encontradas no item “2” do Relatório Fiscal enquadramse na previsão do art. 2º, inciso I, da Lei nº 8.137, de 1990, que define crimes contra a ordem tributária, entre outros. O referido dispositivo prevê que fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo constituise em crime contra a ordem tributária, o que obviamente afronta as condições previstas na legislação tributária. Tendo os fundamentos narrados no parágrafo anterior como razões de decidir, a autoridade responsável na DRF de Salvador declarou a improcedência das contrarrazões apresentadas pela contribuinte e encaminhou a publicação de Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 023, de 24 de março de 2015 que suspendeu o benefício de isenção tributária, conferida pelo Programa Universidade para Todos – PROUNI, relativamente aos anoscalendário de 2010 e 2011, do INSTITUTO Fl. 7655DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 12 11 MANTENEDOR DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA LTDA – ME. Como consectário do Ato Declaratório Executivo mencionado, temos a lavratura das autuações de folhas 7081 a 7269. Os fundamentos das autuações citadas constam às folhas 7167 a 7187 e nelas foi consignada a existência das seguintes infrações: 1 Despesas Desnecessárias Financeiras Ao se analisar a contabilidade do INSTITUTO MANTENEDOR DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA LTDA, verificase que ele tem contas com os nomes das outras empresa do grupo que denominadas como suas partes relacionadas, pagando mútuos de uma com outras e despesas das mais diversas, apresentando uma verdadeira confusão patrimonial. Há forte concentração das operações de todas as empresas no INSTITUTO MANTENEDOR DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA LTDA, apontando para a existência de despesas financeiras não necessárias à atividade do contribuinte, criada através da confusão patrimonial e de mútuos dentro do grupo, financiados por empréstimos bancários concentrados no IMES, reduzindo assim os ganhos do contribuinte. (...) a equipe de fiscalização descobriu que o contribuinte possui registrada em sua contabilidade uma série de contratos de mútuos com as seguintes pessoas relacionadas/familiares: Conta contábil nº 1210204 SOCIEDADES RELACIONADAS: (...) As operações acima escrituradas na contacontábil 1210204 – SOCIEDADES RELACIONADAS configuramse operações de créditos com características de mútuos, e com crédito gracioso, pois não foram cobrados juros sobre os valores devedores mantidos nas contas citadas acima. Também contém uma séria de Adiantamentos aos Sócios; conforme escrituração na conta 1210201 Adiantamentos aos Sócios com créditos para as seguintes pessoas físicas sócias da fiscalizada no período desta ação fiscal: (...) Em relação as operações de créditos com terceiros MUTUOS PASSIVOS, a Fiscalização verificou que as operações de créditos estão aglutinadas na conta contábil passiva nº 215 EMPRESTIMOS, FINANCIAMENTOS E LEASINGS com Saldo em 31/12/2010 no valor de R$ 8.307.087,80 e em 31/12/2011 no valor de R$ 6.610.673,80. (...) apesar do contribuinte ter créditos com pessoas físicas e jurídicas relacionadas, a título gracioso, (Adiantamentos a Sócios + Partes relacionadas Mútuos) em 31/12/2010 no montante de R$ 94.178.711,89 e em 31/12/2011 de R$ Fl. 7656DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 13 12 90.671.500,08, o fiscalizado contabilizou financiamentos onerosos destinados a sua operação, nos valores em 31/12/2010 de R$ 7.870.563,64 e em 31/12/2011 de R$ 5.685.946,44 [estes últimos valores já expurgados das quantias vinculadas a sub conta 21530 LEASINGS E ARRENDAMENTOS MERCANTIS]. Após exame de receitas e despesas financeiras, salvaguardando se os desembolsos que têm relação com a atividade da fiscalizada] (...) de forma sintética, o contribuinte em 2010 teve um total de receitas financeiras vinculadas aos mútuos e adiantamentos aos sócios em 2010 no valor de R$ 0,00 e despesas financeiras vinculadas aos empréstimos e títulos onerosos no valor de R$ 12.262.471,20. O mesmo raciocínio se aplica ao ano de 2011 com receitas de R$ 0,00 e despesas de R$ 13.446.809,89. [...] [Nos termos do art. 299 do RIR/99] (...) em 2010 e 2011 as despesas financeiras escrituradas pelo contribuinte correspondentes aos empréstimos bancários contraídos devem ser consideradas desnecessárias por existirem elevadas somas de recursos que foram destinadas a título gratuito para partes relacionadas. Pois, se o contribuinte não tivesse disponibilizado essas somas de dinheiro as suas partes relacionadas, os financiamentos bancários não se fariam necessários para a manutenção de suas atividades operacionais, e por conseguinte, não haveriam despesas relativas a juros passivos de financiamentos bancários. O IMES ao disponibilizar e adiantar recursos próprios para as suas partes relacionadas e não auferir receitas em função desses mútuos e concomitantemente tomar financiamentos bancários, suportando o ônus financeiro, realiza ato de sua própria liberalidade e não necessidade, reduziu a indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Procedimento de apuração do montante a ser glosado: 1. Foram identificadas as contas de mútuos com as pessoas relacionadas existentes no seu Ativo e obtidos os saldos diários de cada conta. Esses saldos foram somados, resultando em um saldo diário representativo dos mútuos ativos com partes relacionadas; 2. O mesmo procedimento anterior foi realizado para as contas representativas de Adiantamentos de Lucros aos Sócios. Pois, o IMES não deveria realizar adiantamentos de lucros, visto que em 2010 teve um prejuízo líquido de R$ 7.498.669,70 (prejuízo acumulado de R$ 180.981.809,32) e em 2011 prejuízo de R$ 4.854.891,63 (prejuízo acumulado de R$ 217.280.276,29) e ao mesmo tempo obter empréstimos onerosos junto a instituições financeiras; 3. Após os procedimentos acima, representativos de mútuos graciosos e adiantamentos de lucros inexistentes, foram Fl. 7657DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 14 13 calculados saldo médios mensais resultantes da soma das contas dos procedimentos anteriores (Mútuos ATIVOS); 4. Em relação as contas representativas de Mútuos Passivos Onerosos foram realizados os mesmos procedimentos contidos item 1 anterior. E em seguida calculados os saldos médios mensais (Mútuos PASSIVOS); 5. Foi calculada a proporção existente entre os saldos médios mensais entre os Mútuos ATIVOS E os Mútuos PASSIVOS, resultando em um coeficiente mensal; 6. Das despesas financeira anteriormente descritas (2010 R$ 12.262.471,20 e 2011 R$ 13.446.809,89) foram consideradas despesas com dedutibilidade questionada. Das receitas financeiras nenhum valor foi considerado, devido ao seu saldo zero em ambos anos; 7. O coeficiente obtido no procedimento 5 acima foi utilizado como parâmetro para se obter o valor das despesas financeiras correspondente aos recursos repassados às partes relacionadas (mútuos gratuitos e adiantamentos a sócios), a ser aplicado sobre as despesas financeiras questionadas. Se o coeficiente for menor que 1 (um) temse a indicação que parte das despesa financeira será considerada como dedutível, pois os recursos repassados as partes relacionadas eram inferiores as dívidas. 8. Da despesa acima obtida seriam descontadas as receitas financeiras se tivessem saldos. Do valor resultante será realizada a sua glosa como despesas desnecessárias. (...) 5.2 Despesas Não Existentes Pólos EAD Inicialmente, o trabalho referente a esse item foi direcionado para a propositura da Suspensão da Isenção Fiscal. Da resposta do Contribuinte, com a sua impugnação, a Fiscalização mais uma vez verificou as alegações postas e os documentos apresentados e a sua escrituração. Assim, da análise, destacamos os argumentos postos antes da Suspensão Fiscal, logo abaixo, e na seqüência as considerações da equipe de fiscalização após a impugnação do contribuinte. Antes da Suspensão da Isenção Fiscal: [...] Em 2010, na contabilidade do IMES, o valor escriturado na conta 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS (com histórico indicando serviços prestados pela empresa Conect Ead Serviços Administrativos) escriturado totalizou R$ 1.655.509,17. E também em sua contabilidade, na conta de passivo IMES 21106 PRESTADORES DE SERVICOS PARCEIROS EAD Fl. 7658DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 15 14 referente a pagamentos a realizar consta R$ 1.544.757,19 Contudo em documento entregue pelo fiscalizado (IMES) referente a rol de alunos da UP da CONECT EAD consta o recebimento das mensalidades no valor de R$ 442.848,62. Assim, o faturamento seria de 43% da mensalidades recebidas, ou seja, R$ 190.424,91. O IMES entregou à Fiscalização cópias de Notas Fiscais emitidas pela CONECT EAD totalizadas no valor de R$ 1.655.509,17 . Contudo a CONECT EAD declarou receita bruta em sua DASN Declaração de Apuração do Simples Nacional no valor de R$ 570.000,00. Em 2011, na contabilidade do IMES, o valor escriturado na conta 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS (com histórico indicando serviços prestados pela empresa Conect Ead Serviços Administrativos) totalizou R$ 374.273,03. E também em sua contabilidade na conta de passivo IMES 21106 PRESTADORES DE SERVICOS PARCEIROS EAD referente a pagamentos a realizar consta R$ 910.553,16. Contudo em documento entregue pelo fiscalizado (IMES) referente a rol de alunos da UP da CONECT EAD consta o recebimento das mensalidades no valor de R$ 378.571,09. Assim, o faturamento seria de 43% da mensalidades recebidas, ou seja, R$ 162.785,57. O IMES entregou à Fiscalização cópias de Notas Fiscais emitidas pela CONECT EAD totalizadas no valor de R$ 374.273,00. Contudo a CONECT EAD declarou receita bruta em sua DASN Declaração de Apuração do Simples Nacional no valor de R$ 406.151,70. 2) SABER EDUCACIONAL COMERCIO DE PRODUTOS DE INFORMATICA LTDA – CNPJ Nº 00.405/000192 Em 2010, na contabilidade do IMES, o valor escriturado na conta 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS (com histórico indicando serviços prestados pela empresa Saber Educacional) totalizou R$ 1.203.415,79. E também em sua contabilidade na conta de passivo IMES 21106 PRESTADORES DE SERVICOS PARCEIROS EAD referente a pagamentos a realizar consta R$ 1.219.016,97. Contudo em documento entregue pelo fiscalizado (IMES) referente a rol de alunos da UP da SABER EDUCACIONAL consta o recebimento das mensalidades no valor de R$ 1.575.469,72 . Assim, o faturamento seria de 43% da mensalidades recebidas, ou seja, R$ 677.451,98. Fl. 7659DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 16 15 O IMES entregou à Fiscalização cópias de Notas Fiscais emitidas pela SABER EDUCACIONAL no valor de R$1.072.573,27 (valor das notas fiscais emitidas representava o valor cheio referente ao convênio e não parte de 43% do convênio). Contudo a SABER EDUCACIONAL declarou receita bruta em sua DASN Declaração de Apuração do Simples Nacional no valor de R$ 0,00 (ZERO) de Receita Bruta, ou seja, DASN Declaração do Contribuinte SEM ATIVIDADE. Em 2011, na contabilidade do IMES, o valor escriturado na conta 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS (com histórico indicando serviços prestados pela empresa Saber Educacional) totalizou R$ 1.001.931,87. E também em sua contabilidade na conta de passivo IMES 21106 PRESTADORES DE SERVICOS PARCEIROS EAD referente a pagamentos a realizar consta R$ 782.767,69. Contudo em documento entregue pelo fiscalizado (IMES) referente a rol de alunos da UP da SABER EDUCACIONAL consta o recebimento das mensalidades no valor de R$ 673.252,02 . Assim, o faturamento seria de 43% da mensalidades recebidas, ou seja, R$ 289.498,37. O IMES entregou à Fiscalização cópias de Notas Fiscais emitidas pela SABER EDUCACIONAL no valor de R$ 390.961,70 (valor das notas fiscais emitidas representava o valor cheio referente ao convênio e não parte de 43% do convênio). Contudo a SABER EDUCACIONAL declarou receita bruta em sua DASN Declaração de Apuração do Simples Nacional no valor de R$ 0,00 (ZERO) de Receita Bruta, ou seja, DASN Declaração do Contribuinte SEM ATIVIDADE. 3) SOED SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO E COMERCIO DE INFORMÁTICA LTDA – CNPJ nº 07.483.188/000115 Em 2010, na contabilidade do IMES, o valor escriturado na conta 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS (com histórico indicando serviços prestados pela empresa Saber Educacional) totalizou R$ 2.091.592,82. E também em sua contabilidade na conta de passivo IMES 21106 PRESTADORES DE SERVICOS PARCEIROS EAD referente a pagamentos a realizar consta R$ 2.136.111,05. Contudo em documento entregue pelo fiscalizado (IMES) referente a rol de alunos da UP da SOED consta o recebimento das mensalidades no valor de R$ 3.185.552,66. Assim, o faturamento seria de 43% da mensalidades recebidas, ou seja, R$ 1.369.787,64. O IMES entregou à Fiscalização cópias de Notas Fiscais emitidas pela SOED no valor de R$ 2.091.592,82 (valor das Fl. 7660DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 17 16 notas fiscais emitidas representava o valor cheio referente ao convênio e não parte de 43% do convênio). Contudo a SOED declarou receita bruta em sua DASN Declaração de Apuração do Simples Nacional no valor de R$ 613.000,00. Em 2011, na contabilidade do IMES, o valor escriturado na conta 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS (com histórico indicando serviços prestados pela empresa Saber Educacional) totalizou R$ 584.007,27. E também em sua contabilidade na conta de passivo IMES 21106 PRESTADORES DE SERVICOS PARCEIROS EAD referente a pagamentos a realizar consta R$ 1.185.686,46. Contudo em documento entregue pelo fiscalizado (IMES) referente a rol de alunos da UP da SOED consta o recebimento das mensalidades no valor de R$ 1.923.543,96. Assim, o faturamento seria de 43% da mensalidades recebidas, ou seja, R$ 827.123,90. O IMES entregou à Fiscalização cópias de Notas Fiscais emitidas pela SOED no valor de R$584.007,18 . A SOED declarou receita bruta em sua DASN Declaração de Apuração do Simples Nacional no valor de R$ 560.615,49 . Constatouse também a existência de escrituração de pagamentos dos parceiros por meio mútuos da OTE, não guardando relação com o montante de valores realmente devido, referentes a 43% das mensalidades pagas pelos alunos. Da análise das informações acima destacadas, verificouse a total desvinculação entre os valores constantes na contabilidade e nos documentos e declarações. Destacase que o fiscalizado não apresentou todos os comprovantes de pagamento e extratos bancários pertinentes ao pagamento dos parceiros. Após a Suspensão Fiscal: Essa constatação acima relatada foi objeto da Notificação Fiscal para Suspensão da Isenção Fiscal. O contribuinte apresentou impugnação quanto aos itens destacados, o qual merecem as seguintes considerações: I CONECT EAD: a) Informa que tem convênio desde 2005 com a referida sociedade empresarial, que possui 03 unidades. b) Até o ano de 2008, a CONECT emitia nota fiscal referente somente a sua parte de 43% do total dos recebimentos, Fl. 7661DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 18 17 repassando o restante dos valores recebidos (57%) a IMES sem emissão da Nota Fiscal; c) Informou que não tinha nota fiscal dos valores retidos, e que contabilizava os pagamentos e fazia provisão na 21106 PRESTADORES DE SERVIÇOS – PARCEIROS EAD até a emissão das notas fiscais; d) Anexou planilha contendo informações desde 2005 sobre o total de recebimentos do pólo EAD e os pagamentos; e) Informou que em 2009 após auditoria, o IMES solicitou a parceira de EAD que regularizasse essa situação emitindo notas fiscais dos recebimentos, o que foi feito parcialmente em 2010 e 2011; f) Destacou que em 2010, a parceira teve o recebimento de R$ 1.187.399,35, afirmando CONTUDO que pela prestação dos serviços (43%) coube a parceira o recebimento de R$ 510.580,72. Informou que a parceira emitiu Notas Fiscais a maior no valor de R$ 1.655.509,17, sendo referente a R$ 510.580,72 pelo serviço prestado no ano de 2010 e R$ 720.217,50 referente a valores recebidos em anos anteriores; Na sua escrituração, o IMES apresenta como despesas de cada anocalendário pertinentes ao contrato de parceria EAD com a CONECT o seguinte valor: 2010 Conta Contábil nº 3120 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS R$ 1.655.509,17. Mas reconhece em sua impugnação ao processo de suspensão da isenção fiscal, que as despesas realmente incorridas no ano de 2010 foram: R$ 510.581,72. A diferença reconhecida em conta de despesa é decorrente de despesas de outros anoscalendário anteriores. Assim, parte desses valores escriturados (relativos a CONECT EAD) não condizem com despesas incorridas no próprio exercício, arcadas com a Parceria EAD, cabendo a Fiscalização de Oficio fazer a glosa dos seguintes valores. II SABER EDUCACIONAL: Fl. 7662DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 19 18 O IMES apresentou as mesmas alegações elencadas sobre a SABER EDUCACIONAL, acima destacadas nos itens a) a e). Destacou que em 2010, a parceira teve o recebimento de importe em R$ 1.706.901,00, afirmando CONTUDO que pela prestação dos serviços (43%) coube a parceira o recebimento de R$ 733.967,43. Informou que a parceira emitiu Notas Fiscais a maior no valor de R$ 1.198.241,00, sendo referente a R$ 733.967,43 pelo serviço prestado no ano de 2010 e R$ 464.273,57 referente a valores recebidos em anos anteriores; Na sua escrituração, o IMES apresenta como despesas de cada anocalendário pertinentes ao contrato de parceria EAD com a SABER EDUCACIONAL os seguintes valores: 2010 Conta Contábil nº 3120 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS R$ 1.203.415,79. 2011 Conta Contábil nº 3120 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS R$ 1.001.931,87. Mas reconhece em sua impugnação ao processo de suspensão da isenção fiscal, que as despesas realmente incorridas nos anos de 2010 e 2011 foram respectivamente: R$ 733.967,43 e R$ 341.642,31. A diferença reconhecida em conta de despesa é decorrente de despesas de outros anoscalendário. Assim, parte desses valores escriturados (relativos a SABER EDUCACIONAL) não condizem com despesas incorridas no próprio exercício, arcadas com a Parceria EAD, cabendo a Fiscalização de Oficio fazer a glosa dos seguintes valores. III SOED: O IMES apresentou as mesmas alegações elencadas sobre a SABER EDUCACIONAL, acima destacadas nos itens a) a e). Não destacou os valores conforme apresentados sobre a CONECT EAD e SABER EDUCACIONAL. Fl. 7663DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 20 19 O IMES não apresentou na sua impugnação planilha explicativa contendo os recebimentos da UP SOED. Desta forma, na sua escrituração, o IMES apresenta como despesas de cada anocalendário pertinentes ao contrato de parceria EAD com a SOED os seguintes valores: 2010 Conta Contábil nº 3120 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS R$ 2.091.592,82. 2011 Conta Contábil nº 3120 312020302009 SERVICOS PJ EDUCACIONAIS EAD PARCEIROS R$ 584.007,27. Mas as despesas realmente incorridas nos anos de 2010 e 2011 foram respectivamente: R$ R$ 613.000,00 e R$ R$ 560.615,49. A diferença reconhecida em conta de despesa é decorrente de despesas de outros anoscalendário e de sua parte na parceria (57%). Assim, parte desses valores escriturados (relativos a SOED) não condizem com despesas incorridas no próprio exercício, arcadas com a Parceria EAD, cabendo a Fiscalização de Oficio fazer a glosa dos seguintes valores: Concluise, assim, que a IMES escriturou despesas acima do efetivamente ocorrido. Tal fato se infere pela aplicação do percentual de 43% sobre o total das mensalidades pagas pelos alunos, bem como pelo descompasso entre as cópias notas fiscais apresentadas e os valores declarados pelas empresas contratadas. Dessa forma, comprovouse a existência de despesas acima da realmente assumida pelo contribuinte, sendo a diferença após a aplicação dos 43% das mensalidades recebidas concebidas como inexistentes, configurando grave infração contábil e fiscal. Fl. 7664DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 21 20 Intimado, após a suspensão fiscal e impugnação, a apresentar esclarecimentos quanto a contabilização dos pagamentos referentes aos serviços de ensino EAD; o contribuinte apresentou carta cujas explicações não sanaram os indícios, na medida que mais uma vez o contribuinte respondeu de forma genérica, não apresentando documentos (a exemplo de extratos bancários) e não explicitando contabilmente as escriturações referente a CONECT EAD, SABER EDUCACIONAL e SOED. 5.3 Falta de Recolhimento do PIS e da COFINS decorrente da Suspensão da Isenção Fiscal Com a sua adesão ao PROUNI, o contribuinte passou a ter o direito a isenção na apuração e recolhimento de tributos , dentre os quais, o PIS e a COFINS. Contudo com a Suspensão da Isenção declarada por Ato da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador Bahia em 2015, referentes aos anoscalendário de 2010 e 2011, tal direito teve os seus efeitos anulados, restabelecendo o dever de apuração e recolhimentos dos tributos. Em decorrência dessa situação, a Fiscalização de ofício irá proceder ao lançamento dos Tributos PIS e COFINS sobre as receitas auferidas e não recolhidas, conforme tabelas abaixo, cujos valores tiveram com base as contas contábeis escrituradas pelo contribuinte: (...) 6 – DOS AUTOS DE INFRAÇÕES I) IMPOSTO DE RENDA Para o período em questão, a empresa ficou sujeita à apuração do Imposto de Renda da Pessoa jurídica sujeita as demais pessoas jurídicas. No primeiro momento, em virtude da suspensão da isenção de tributos, foram lançados de ofício o IRPJ tendo como base de cálculo o Lucro Real nos seguintes períodos: i) 2º Trimestre de 2010 R$ 2.729.669,53 e ii) 2º Trimestre de 2011 R$ 1.742.299,19. Em um segundo momento, em virtude das glosas de despesas não necessárias e não existentes, conforme detalhado acima no TVF (5.1 – Despesas Desnecessárias Financeiras 5.2 Despesas Não Existentes Pólos EAD). II) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Assim como definido na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, será lançado a CSLL referente ao ano calendário de 2010 e 2011, seguindo as mesmas premissas do IRPJ. Fl. 7665DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 22 21 III) PIS/COFINS Consubstanciado na contabilidade apresentada, e documentos recebidos, com base nas infrações detalhadas neste Termo de Verificação Fiscal, nos itens 5.1 Despesas Desnecessárias Financeiras 5.2 Despesas Não Existentes Pólos EAD , que apresentaram valores a serem lançados através de Auto de Infração para constituição de crédito tributário do PIS e COFINS no ano calendário de 2010 e 2011. A base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS, no período fiscalizado, é a receita bruta auferida, deduzidos os descontos concedidos, conforme definida pela Lei n° 9.718/1998, artigos 2º e 3º, com as redações alteradas pela Medida Provisória 2.15835/2001 e suas reedições, Pelo Decreto n°4.524/2002 , artigo 10, pela IN SRF n° 247/2002, artigo 10, Lei 10.833 artigo 10XIV. As alíquotas da Contribuição para o PIS e da COFINS são de 0,65% (prevista no art.8º inciso I da Lei n° 9.715/1998 e no art. 1º da Medida Provisória 2.15835/2001) e de 3% (prevista no art. 8º da Lei n° 9.718/1998). Em oposição ao ato declaratório de suspensão da isenção a autuada apresentou contrarrazões às folhas 7309 a 7336 nos seguintes termos: PRELIMINAR DA NULIDADE FORMAL DO ATO DECLARATÓRIO De acordo com os parágrafos do artigo 5o, da Instrução Normativa SRF 456/2004, (...) caberá a Instituição apresentar defesa e provas que entender necessárias. O Relatório Fiscal e a defesa DEVEM ser apreciados pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL, que decidirá quem está com a razão. Entendendo que fiscalização está correta, ele, o DELEGADO DA RECEITA FEDERAL, expedirá o ato declaratório suspensivo da isenção. (...) compete apenas e exclusivamente ao Delegado da Receita Federal apreciar a defesa preliminar da Instituição, como também expedir o ato declaratório. [...] Ocorre que no caso em tela, quem analisou e julgou improcedentes os argumentos da impugnante, assim como quem expediu o Ato Declaratório de suspensão, foi o Chefe do SEORT/DRF/SDR/BA, que definitivamente não tem competência para tanto. [...] Assim, tendo em vista incompetência do agente fiscal que expediu o Ato Declaratório impugnado, deve ele ser anulado de pleno direito. Fl. 7666DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 23 22 DAS RAZÕES DE MÉRITO DA IMPUGNAÇÃO DO ALEGADO SALDO CREDOR DE CAIXA A primeira acusação do agente fiscal, que sustenta a decisão de suspensão da isenção do PROUNI, é que teria encontrado um saldo credor de caixa nos anos fiscalizados. Chegou a essa conclusão em razão de EQUÍVOCOS em sua apuração, talvez em razão do grande número de informações. [...] (...) a fiscalizada tem um controle financeiro diário e outro controle contábil. No seu controle financeiro todas as receitas são submetidas diariamente ao seu registro. No seu controle contábil, as despesas são escrituradas diariamente, contudo as receitas são consolidadas e contabilizadas na última semana de cada mês. Esses recebimentos consolidados na última semana, mas recebidos ao longo do mês, são divididos em quatro tipos: dinheiro à vista, dinheiro em cobrança, cheque vista e cheque cobrança. [...] [O] GRANDE ERRO É O FATO DE NÃO TER SIDO INSERIDO EM SUA PLANILHA AS ENTRADAS DE DINHEIRO COBRANÇA. O PIOR É QUE O AGENTE FISCAL DEIXA NA SUA PLANILHA AS SAÍDAS DESSES VALORES DA CONTA CAIXA. NÃO COLOCA AS ENTRADAS DOS VALORES, que constam tanto na contabilidade, como na planilha controle financeiro, MAS COLOCA AS SAÍDAS DELES, O QUE É UMA GRANDE FALHA E COMPROMETE TODO O SEU TRABALHO. Foram esquecidos de ser colocados na planilha do agente fiscal mais de seis milhões de reais de entradas, (...) [...] Da mesma forma que foram feitos com os recebimentos em dinheiro à vista, lançados na data do efetivo recebimento, também deve ser feito com os recebimentos de cheques a vista e cheque cobrança, ou seja, serem lançados nas datas de seus recebimentos, conforme planilha de controle financeiro anexada (utilizada pelo fiscal), e não ao final do mês como consta no levantamento fiscal. Ora, não tem explicação fazer o correto apenas com parte das entradas, se tudo ocorreu da mesma forma. Essas entradas de cheques constam na planilha do agente fiscal, não foram esquecidos, porém totalizados ao final de cada mês, e deveriam ser incluídos na planilha nas datas de seus recebimentos. As saldas desses cheques, para conta banco ou fornecedores constam nas datas que se efetivaram. Fl. 7667DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 24 23 Assim, corrigindo os erros da planilha que fundamenta a infeliz e improcedente acusação do agente fiscal, ou seja, incluindo as entradas referentes a dinheiro cobrança e lançando todos os recebimentos nas datas que efetivamente fora recebidos, verá que teremos apenas saldo devedor de caixa. [...] DAS ALEGADAS DESPESAS INEXISTENTES Também não são verdadeiras as acusações de lançamentos de despesas inexistentes, não podendo também haver a suspensão da isenção pelos motivos elencados nesse tópico, conforme explicaremos. O que ocorreu no caso é que o agente fiscal pediu apenas alguns documentos por amostragem e não solicitou qualquer explicação antes de fazer tão grave acusação e pedir tão drástica punição.Segue anexo, em meio digital, planilha idêntica ao que foi feito pelo agente fiscal para fundamentar seu relatório, SÓ QUE INCLUÍDO AS ENTRADAS ESQUECIDAS, demonstrando que apenas corrigindo esse erro não temos mais saldo credor ao final de nenhum mês. [...] Tanto é verdade que não tinha conhecimento certo dos fatos, que depois de fazer a notificação para suspensão da isenção do Prouni, intimou a impugnante para prestar esclarecimentos dessas despesas e suas contabilizações, conforme cópia anexa. Ora se ainda pede explicação e documentos de escrituração dessas despesas, como pode afirmar que são inexistentes? Faltou coerência e zelo, certamente. [...] QUE MOTIVOS TERIA A IMPUGNANTE PARA INVENTAR DESPESAS, SE TEM ISENÇÃO DE IRPJ E CSLL. ISSO SÓ PREJUDICARIA A IMPUGNANTE, DESVALORIZANDO A SUA EMPRESA NO MERCADO. [...]Antes de mais nada, cabe dizer que a contabilização e escrituração da operação EAD (ensino à distância), tanto as receitas, quanto os custos, são feitos pelo valor global da atividade, incluindo todos os parceiros, assim como as operações próprias, o que é feito da seguinte forma: O Faturamento (não recebimento) é contabilizado a crédito na conta "Receita Graduação EAD" (3.1.1.01.01.01.007) e a débito na conta "Mensalidade a Receber" (1.1.2.01.01). Segue anexo, em mídia digital essas duas contas contábeis. A tributação é feita pelo regime de competência, ou seja, é levada a tributação o faturamento, não levando em consideração as datas de recebimentos. Fl. 7668DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 25 24 Os custos com os parceiros, no importe de 43%, da mesma forma, são calculados sobre o faturamento das EAD, e não sobre pagamentos ou recebimentos, tendo em vista adotar o princípio contábil do conservadorismo. Esse custo é calculado da seguinte forma: Verificase o faturamento da graduação EAD, de todas as operações, subtrai o faturamento das EAD's de operações próprias (que não tem parceiros), subtrai os valores de PROUNI, Bolsas, Cancelamento e descontos incondicionais das operações dos parceiros, chegando ao valor do faturamento total das EAD's com parceiros. Sobre tal importância, aplicase o percentual de 43%, sendo contabilizado esse valor a débito na conta "Custos Parceiros EAD" (3.1.2.02.03.02.009) e a crédito na conta "Parceiros EAD a pagar" (2.1.1.06). Segue anexo, em mídia digital essas duas contas contábeis. Assim, o custo contabilizado é levado em consideração o faturamento das EAD' s e não de recebimento ou notas fiscais emitidas. Ao final de cada mês, em razão do custo apurado pelo faturamento e devidamente contabilizado, verifica as notas emitidas pelos parceiros no mês. Caso esses valores fossem inferiores ao custo contabilizado, provisiona essa diferença na conta "Parceiros EAD a pagar" (2.1.1.06), somando com as notas contabilizadas. Caso o valor das notas fosse superior ao custo contabilizado, faz a reversão das provisões na mesma conta "Parceiros EAD a pagar" (2.1.1.06). Nos anos de 2010 e 2011 realmente ocorreu de valores das notas fiscais emitidas ser superior ao custo apurado, em razão dos fatos que explicaremos abaixo, mas que nada influenciou na apuração do custo para efeito de tributação, tendo em vista que este era calculado sobre o faturamento (princípio do conservadorismo). Até o ano de 2009, a própria parceira recebia os valores dos alunos diretamente, e repassava à fiscalizada apenas os valores pertencentes a ela na parceria (57%), retendo a parte que lhe seria devido em razão da sua prestação de serviço. Ao fazer isso muitas vezes não emitia competente documento fiscal de sua prestação de serviços. Como não existia o documento fiscal desse pagamento retido, a fiscalizada contabilizava os custos, com base no faturamento, fazendo a contrapartida na conta 21106 provisionando a diferença do custo com as notas emitidas, conforme explicado. No ano de 2009, após auditoria, foram verificados esses problemas, sendo a fiscalizada orientada a pedir aos parceiros para ir emitindo essas notas de valores já recebidos e Fl. 7669DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 26 25 regularizar a situação, o que foi feito parcialmente em 2010 e 2011. Esses valores maiores de emissão de nota fiscal, que fundamenta a acusação do agente fiscal de ilícito tributário, tendo em vista se tratar de anos anteriores, fizeram apenas que a fiscalizada fizesse a reversão dos valores provisionados na conta "Parceiros EAD a pagar" (2.1.1.06), nada influenciando no custo para apuração tributária. ASSIM, NÃO HÁ QUE SE FALAR EM DESPESAS INEXISTENTES, VEZ QUE ESSAS NOTAS QUE TANTO FALA O AGENTE FISCAL EM NADA, ABSOLUTAMENTE NADA, INFLUENCIARAM NO RESULTADO DA EMPRESA. Passemos a explicar o acerto de emissão de notas fiscais dos três parceiros citados, só pra deixar ainda mais claro que inexistiu contabilização de despesas inexistentes. (...) Para os parceiros CONECT EAD e SABER EDUCACIONAL razões remissivas ao que foi alinhado às folhas 6877 a 6883 acrescendo, para ambos, que: (...) O CUSTO É CONTABILIZADO SOBRE O FATURAMENTO E NÃO PELAS PELOS PAGAMENTOS E EMISSÃO DE NOTA FISCAL. Toda documentação que sustenta as planilhas, em razão da grande quantidade, não tem como ser juntada, estando à disposição para qualquer diligência que se fizer necessária, assim como para realização de perícia contábil indispensável. SOED SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO E COMERCIO DE INFORMÁTICA LTDA Essa empresa é parceira da fiscalizada também de muitos anos, tendo 10 unidades. Apenas cinco foram levadas em consideração na análise do agente fiscal, o que já contamina toda sua apuração. O mesmo que explicamos com as parceiras anteriores, também ocorreu com essa parceira. Segue anexa planilha que demonstram os pagamentos recebidos pela parceira desde o ano de 2005 e o saldo de nota fiscal a ser emitida pela parceira. Também segue planilha financeira de todas as notas e pagamentos realizados com a citada parceira. Verificase que em 2009, a parceira SOED tinha o importe de R$ 953.685,93 de valores recebidos sem emissão de notas. No ano de 2009, após auditoria, foram verificados esses problemas, sendo a fiscalizada orientada a pedir aos parceiros para ir emitindo essas notas de valores já recebidos e Fl. 7670DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 27 26 regularizar a situação, o que foi feito parcialmente em 2010, restando saldos a serem solucionados. No ano de 2010, conforme planilha (EAD Custo Conect 2005 a 2011), as unidades da parceira tiveram recebimentos no importe de R$ 3.154.850,00, e não os valores citados pelo agente fiscal. Pela prestação de serviços, coube à parceira (43%) o recebimento no importe de R$ 1.356.585,50. Nesse ano, realmente ela emitiu notas no valor total de R$ 2.090.866,00, sendo que R$ 1.356.585,50 foram referentes aos recebimentos do próprio ano e R$ 219.405,43 referentes a valores recebidos nos anos anteriores sem emissão de documentos fiscais, sendo abatidos estes últimos valores da conta de provisão. No ano de 2011, as unidades da parceira tiveram recebimentos no importe de R$ 1.740.288,00, e não os valores citados pelo agente fiscal. Pela prestação de serviços, coube à parceira (43%) o recebimento no importe de R$ 748.323,84. Nesse ano ela emitiu notas no valor total de R$ 633.141,00, que o valor que recebeu nesse ano. Assim, o que foi emitido de nota a mais do que efetivamente recebeu nos anos de 2010 e 2011, foi referente a parte de valores já recebidos, mas sem emissão de documentos, de forma a tentar regularizar a contabilidade da empresa, não existindo despesas inexistentes como é acusada, ATÉ PORQUE O CUSTO É CONTABILIZADO SOBRE O FATURAMENTO E NÃO PELAS PELOS PAGAMENTOS E EMISSÃO DE NOTA FISCAL. Ausência de Fundamento para Suspensão Pretendida Como demonstrado acima, não houve contabilização de despesas inexistentes, mas apenas emissões tardias de notas, no intuito de regularizar a contabilidade da fiscalizada, descabendo totalmente a acusação do agente fiscal. Essas notas em nada influenciaram na apuração do resultado. Com ou sem elas, o resultado seria o mesmo; O fato de alguns dos parceiros não apresentarem declarações das notas emitidas e valores recebidos não é problema da fiscalizada, que até agiu de forma a ajudar o fisco, exigindo esses documentos fiscais. Por fim, mesmo se os julgadores entendam que houve contabilização de despesas inexistentes, o que não ocorreu e foi explicado, e é colocado como remota suposição, de toda forma isso não seria motivo para a suspensão de sua isenção em razão do Prouni. Segundo dispõe o artigo 4o, da Instrução Normativa SRF n° 456/2004, somente é motivo para a suspensão dessa isenção nos Fl. 7671DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 28 27 casos de a prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, o que definitivamente não ocorreu no caso. Segundo jurisprudência pacífica do STF que o crime contra a ordem tributária verificase apenas se houver o resultado material, supressão ou redução do tributo, o que não ocorreria no caso, mesmo se as acusações do fiscal fossem verdadeiras. Como a Fiscalizada é isenta de pagar IRPJ e CSSL, o fato de ter incluídos despesas consideradas inexistentes, o que não é o caso, de toda forma não acarretaria qualquer supressão de impostos, ou seja, não caracterizaria crime contra a ordem tributária. (...) Assim, mesmo se existisse o erro que o fiscal acusa a fiscalizada, o que não é verdade, de toda forma não haveria fundamento para a suspensão da isenção em razão do PROUNI. DO PEDIDO DE PERÍCIA Visando reforçar a comprovação da improcedência das acusações da fiscalização, fazse necessário a produção de prova pericial contábil, tendo em vista a grande quantidade de documentos envolvidos. [...] Pretende com a perícia, através da análise de todos os documentos do processo e escritas fiscais, a respostas dos seguintes quesitos: 1 Na planilha elaborada pelo Agente Fiscal Marcelo Amaral de Matos, que acompanha o seu relatório de Fiscalização isenção, com o fim de demonstrar a acusação de saldo credor de caixa, constam as entradas denominadas de dinheiro em cobrança, constantes da contabilidade e planilhas de movimento financeiro? 2 Sendo afirmativa a resposta, qual o valor mensal de entradas que o agente fiscal deixou de fora de seu levantamento? 3 Constam em sua planilha as saídas desses valores referentes a dinheiro cobrança, embora não conste a entrada? 4 As entradas referentes a cheques à vista e cheque cobrança constam na planilha do agente fiscal apenas somadas ao final de cada mês, ou estão lançados nas datas de seus recebimentos, conforme planilha de controle financeiro anexada (utilizada pelo fiscal)? 5 Analisando toda a escrituração da empresa relação aos serviços prestados pelos parceiros EAD, como foram apurados os custos com os parceiros, no importe de 43%, foram calculados sobre o faturamento ou pelos recebimentos/emissão de nota fiscal? 6 As notas fiscais emitidas por parceiros em valores maiores que o custo no ano, tiveram alguma influência no resultado? Ou Fl. 7672DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 29 28 ocasionaram apenas a reversão dos valores provisionados na conta "Parceiros EAD a pagar" 2.1.1.06), nada influenciando no custo para apuração tributária? 7 Nos anos de 2005 a 2008, as emissões de notas fiscais de parceiros foi bem inferior ao valor recebido por eles? Obedecendo o decreto 70.235/72, nomeia como perito o Sr. Antônio Sérgio dos Santos Hegouet, contador, com escritório profissional na cidade de Salvador/BA, na Rua Ceará, 853, Bairro Pituba. Nos termos expostos pede a anulação do Ato Declaratório impugnando, tendo em vista a incompetência de quem o subscreve, mas na eventualidade de que tal não ocorra, reitera o pedido de perícia e que, ao final, seja cancelado o ato declaratório e restabelecida a isenção conferida pelo PROUNI. No que respeita às autuações lavradas, a autuada traz às seguintes contrarrazões: Tais tributos estão sendo exigido em razão da expedição do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n° 23/2015, que suspendeu beneficio da impugnante de isenção tributária, conferida em razão da adesão ao PROUNI, relativamente aos anoscalendário 2010 e 2011, O QUE É OBJETO DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA PELA IMPUGNANTE. Data máxima vênia, como demonstrado na impugnação do ato declaratório, TOTALMENTE IMPROCEDENTE A MEDIDA DRÁSTICA QUE TIROU O BENEFÍCIO DE ISENÇÃO DA IMPUGNANTE NOS ANOS DE 2010 E 2011, tendo em vista ser totalmente improcedentes as acusações que o fundamentam. A primeira acusação do agente fiscal, que sustenta a decisão de suspensão da isenção do PROUNI, é que teria encontrado um saldo credor de caixa nos anos fiscalizados. (...) Não obstante o grande conhecimento e experiência do Auditor Fiscal, ele cometeu erros graves que compromete toda a sua apuração. Corrigindo esses erros, verificará a inexistência desse saldo credor, conforme demonstrado na impugnação do ato declaratório, anexada nesse processo. (...) TANTO É VERDADE QUE NÃO EXISTE ESSA IRREGULARIDADE, QUE NO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO, NEM É CITADO ESSE FATO, O QUE COMPROVA QUE O AGENTE FISCAL VERIFICOU O SEU ERRO. SE REALMENTE EXISTISSE SALDO CREDOR, O AGENTE FISCAL TERIA ALEGADO OMISSÃO DE RECEITA E TRIBUTADO. Fl. 7673DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 30 29 Assim, POR CONFISSÃO DO PRÓPRIO FISCAL, inexiste essa alegada omissão de receitas alegada, não podendo servir de fundamento para suspensão da isenção do Prouni. O outro fundamento para a suspensão da isenção da impugnante foi uma infundada acusação de despesas inexistentes. Também não são verdadeiras essas acusações de lançamentos de despesas inexistentes (...) ALIÁS, QUE MOTIVOS TERIAM A IMPUGNANTE PARA INVENTAR DESPESAS, SE TEM ISENÇÃO DE IRPJ E CSSL. QUAL MOTIVO DE INVENTAR DESPESAS SE MESMO SEM ELAS JÁ TERIA UM ENORME PREJUÍZO NOS ANOS EM TELA E MAIS AINDA ACUMULADOS. ISSO SÓ PREJUDICARIA A IMPUGNANTE, DESVALORIZANDO A SUA EMPRESA NO MERCADO. Cabe salientar que mesmo se fosse verdadeira a acusação dessa contabilização de despesas inexistentes, o que não é, de toda forma não seria motivo suficiente para acarretar a suspensão da isenção em razão do PROUNI, vez que não existiria qualquer tipo de crime de ordem tributária. Razões remissivas sobre crime contra a ordem tributária DESSA FEITA, TENDO EM VISTA SER IMPROCEDENTE A SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO DA IMPUGNANTE DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA, O QUE CERTAMENTE SERÁ DECLARADO NA ANÁLISE DA IMPUGNAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO, POR CONSEQÜÊNCIA, DEVE SER TOTALMENTE CANCELADO OS LANÇAMENTOS FISCAIS QUE EXIGEM TRIBUTOS COM FULCRO NOS VALORES ESCRITURADOS PELA EMPRESA, O QUE SE REQUER. DO CANCELAMENTO PARCIAL DOS AUTOS DE IRPJ E CSSL Na remota hipótese, para não dizer impossível, de não ser totalmente cancelados os autos de infração calculados sobre valores escriturados pela empresa, o que colocamos como suposição, tendo vista o certo cancelamento da suspensão de isenção em razão do PROUNI, de toda forma os autos de IRPJ e CSSL devem ser retificados. Isso porque o lucro real constante da LALUR (anexado ao processo pelo agente fiscal) do segundo trimestre de 2011 é de R$ 1.219.609,44, e não o valor de R$ 1.742.269,19 utilizado pelo agente fiscal para calcular esses tributos, o que deve ser retificado na remota hipótese de não ser totalmente cancelado o lançamento. DO CANCELAMENTO PARCIAL DOS AUTOS DE PIS E COFINS Também na remota hipótese de não ser totalmente cancelados os autos de infração calculados sobre valores escriturados pela Fl. 7674DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 31 30 empresa, tendo vista o certo cancelamento da suspensão de isenção em razão do PROUNI, de toda foram os autos de PIS e COFINS devem ser retificados, tendo em vista erro existente na base de cálculo utilizada para calcular citadas contribuições. Na base de cálculo da COFINS e do PIS lançados, que é o faturamento escriturado, integrase também o montante devido à titulo de Imposto de competência MUNICIPAL, incidente sobre PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA O I.S.S.Q.N, o que não é jurídico ocorrer torna sua incidência inconstitucional, afrontando, sobremaneira, o Principio Constitucional da capacidade contributiva (art. 145, parágrafo 1o), posto que sua incidência atinge montante que não corresponde a sua verdadeira base de cálculo, qual seja, o faturamento, assim como o Principio da Legalidade e, principalmente, o conceito constitucional de faturamento (artigo 195, I ). (...) Essa matéria foi debatida no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Com efeito, o Órgão Pleno do Tribunal julgou recentemente o Recurso Extraordinário 240.785 (...) (...) “A base de cálculo da COFINS não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela, percebida com a operação mercantil, ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda ou prestação de serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta" Como se pode ver, a Suprema Casa estabeleceu que TRIBUTO NÃO É RECEITA DE EMPRESA. TRIBUTO É RECEITA DE ENTE PÚBLICO, NÃO PODENDO, PORTANTO,, ESTAR AGREGADO NO CONCEITO DE FATURAMENTO, PARA FINS DE INCIDÊNCIA DA COFINS. Desta forma, haja vista a premissa estabelecida no julgado acima mencionado, mormente o fato de que o ISS, quando exigido, está incluído no valor do serviço prestado, VALE DIZER, O PREÇO PAGO AO PRESTADOR DE SERVIÇO JÁ TRAZ INCLUÍDO, DENTRO DELE, 0 VALOR DO TRIBUTO A PAGAR, temse que tal parcela, devida a titulo de imposto, deve ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, (...) Não é jurídica, portanto, a incidência do ISSQN sobre o PIS a COFINS se a Lei determina que a base de cálculo destes tributos é o faturamento. Estarseá deturpando o sentido da lei, além de transgredir norma constitucional pétrea, qual seja, a de que a União Federal pode somente agir nos limites impostos pela norma legal, sob pena de praticar ato inválido, através de seus órgãos. Fl. 7675DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 32 31 Do exposto, concluise que a exigência fiscal do PIS e da COFINS ora em lide, tendo como base de cálculo não só o faturamento, mas também o valor devido à guisa de ISS, é totalmente inconstitucional, por ofender os Princípios Constitucionais da Capacidade Contributiva e da Legalidade, assim como por distorcer o verdadeiro conceito constitucional de faturamento, devendo ser retificada, na remota hipótese de não ser totalmente cancelada. DO CANCELAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Novamente agindo em obediência ao princípio da eventualidade, na remota hipótese de não ser totalmente cancelados os autos de infração calculados sobre valores escriturados pela empresa, pelo menos a multa aplicada também deve ser reduzida, vez que é extremamente abusiva e ilegal. Como relata a fiscalização, todas as informações dos valores apurados nesses autos de infração foram retiradas da própria escrituração da empresa, (...) Aliás, a fiscalização em momento algum alega expressamente a existência de omissão de receita, mas sim falta de pagamento. Se nada foi escondido, não há porque aplicar a multa de oficio. Assim, no caso de não cancelamento total dos autos de infração em discussão, requer seja aplicada apenas a multa de mora, no importe de 20%. (...) DA ALEGAÇÃO DE DESPESAS INEXISTENTES Razões remissivas aos argumentos mencionados no parágrafo 13, acrescendo: (...) não houve contabilização de despesas inexistentes, mas apenas emissões tardias de notas, no intuito de regularizar a contabilidade da fiscalizada, descabendo totalmente a acusação do agente fiscal. Essas notas em nada influenciaram na apuração do resultado. Com ou sem elas, o resultado seria o mesmo; Aliás, não tem qualquer fundamento ou lógica as planilhas elaboradas pelo agente fiscal para apurar as despesas tidas como inexistentes. Não dá pra imaginar como ele chegou aos valores que teriam sido contabilizados, para cada um dos parceiros citados, como custo na conta contábil 3.1.2.02.03.02.009, vez que são contabilizados de forma global, de todos os parceiros, com base no faturamento, e não recebimento ou emissão de notas dos parceiros. Realmente, mesmo com muito estudo, não entendemos como chegou a esses valores, o que por si só aniquila sua acusação e lançamento com base nela. Fl. 7676DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 33 32 Além disso, totalmente improcedente utilizar como parâmetro de acusação o que foi declarado por terceira pessoa, para ver se existiu ou não despesas. Porque esses dados são presumidos como certo e da impugnante errados, se nem mesmo foram confirmados? Essas falhas e falta de clareza desses cálculos demonstram a improcedência da acusação. ALIÁS, QUE MOTIVOS TERIAM A IMPUGNANATE PARA INVENTAR DESPESAS, SE TEM ISENÇÃO DE IRPJ E CSSL. QUAL MOTIVO DE INVENTAR DESPESAS SE MESMO SEM ELAS JÁ TERIA UM ENORME PREJUÍZO NOS ANOS EM TELA E MAIS AINDA ACUMULADOS. ISSO SÓ PREJUDICARIA A IMPUGNANTE, DESVALORIZANDO A SUA EMPRESA NO MERCADO. DA ALEGADA EXISTÊNCIA DE DESPESAS DESNECESSÁRIAS A fiscalização presume que despesas financeiras contabilizadas pela empresa seriam desnecessárias, pelo simples fato de existir contas contábeis com repasses/empréstimos feitos a empresas' ligadas, sob a alegação, sem provas, de "confusão patrimonial e de mútuos dentro do grupo, financiados por empréstimos bancários concentrados no IMES, reduzindo assim os ganhos do contribuinte". Há que ficar claro que os procedimentos fiscais consistentes em glosar despesas financeiras, por desnecessárias, em função de empréstimos feitos a outras empresas, como no caso em tela, estão na seara das presunções simples e, como tal, a prova da desnecessidade dos dispêndios é inteiramente da fiscalização. No caso em exame, a fiscalização limitouse a glosar integralmente o valor declarado como despesas financeiras, sem, ao menos, verificar as contas contábeis que compõe o referido saldo. Fez isso também sem verificar a origem e motivos dos repasses a empresas coligadas. Não existem nem mesmo demonstrações de períodos em que foram feitos repasses ou até mesmo contraídas dívidas financeiras, para sustentar acusação que contraiu empréstimos para repasse a terceiros. Limita apenas dizer que tais despesas financeiras seriam desnecessárias, pois PRESUME, sem qualquer prova e demonstração, que as mesmas poderiam ter sido evitadas caso não tivessem ocorrido os repasses de recursos a coligadas. Dessa feita, essas acusações de despesas não necessárias são apoiadas em mera presunção não sustentada em prova convincente. [...] Fl. 7677DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 34 33 O CARF tem posicionamento dominante de que é improcedente glosas na integralidade de despesas financeiras, sob a acusação fiscal de que seriam desnecessárias, sem que haja procedido a uma análise" da natureza de cada uma dessas despesas, limitandose a apenas alegar que as mesmas poderiam ter sido evitadas caso não tivessem ocorrido os repasses de recursos a coligadas, como fez o agente fiscal. (...) DO CANCELAMENTO PARCIAL DO AUTO DA CSLL Na remota hipótese de não ser totalmente cancelados os autos que tem como fundamento contabilização de despesas inexistentes e desnecessárias, o que colocamos como suposição, de toda sorte, deve ser retificado o auto de CSLL, tendo em vista falhas na sua apuração. A primeira falha é a inclusão dos valores das despesas tidas como desnecessárias na base de cálculo da CSLL. Isso porque a CSLL tem como base de cálculo, o lucro liquido, razão pela qual a dedutibilidade de despesas não se sujeita ao juízo de necessidade ou usualidade, estabelecido no art. 299 do RIR/99. Sobre o tema, dispõe expressamente o art. 57 da Lei n° 8.981/95 CSLL LANÇAMENTO DECORRENTE. As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Na matéria em que não há disposição especifica quanto à CSLL, e tratandose da mesma matéria fática, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no principal (que tratase de IRPJ). Recurso Voluntário n° 130.570, Relatora Tânia Koetz Moreira Oitava Câmara, Sessão do dia 06/11/2002. [...] IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E OUTRO AC. 1995 CSLL DESPESAS DESNECESSÁRIAS As despesas desnecessárias são Indedutíveis para o IRPJ, não o sendo para a CSLL por falta de expressa previsão legal, desde que comprovadas por documentos hábeis e Idôneos. Recurso de ofício não provido. Recurso n° 139549 Relator Caio Marcos Cândido Primeira Câmara, Data da Sessão: 27/01/2005. [...] Fl. 7678DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 35 34 Além disso, existe ainda outro grande erro na apuração da CSSL. Ao apurar a base de cálculo da CSSL existente em razão das supostas despesas inexistentes, a autoridade fiscal não levou em consideração o prejuízo fiscal do período declarado, da forma que fez no auto do IRPJ. A base de cálculo do auto da CSSL deveria ser a mesma do IRPJ. Vejamos a apuração feita da CSSL referente ao período de 01/07/2010 a 30/09/2010 (3o Trimestre de 2010): O agente fiscal considerou como base de cálculo o valor das despesas glosadas. Contudo, tinha que subtrair desse valor o prejuízo fiscal declarado do período (R$ 1.915.206,70), da mesma forma que fez na apuração do IRPJ. No 4o trimestre de 2010, a fiscalização também considerou como base de cálculo da CSSL o valor dás despesas glosadas. Ocorre que tinha que levar em consideração o prejuízo fiscal do período declarado, fazendo com que não tenha CSSL a recolher, mesmo com essas glosas. O mesmo ocorreu na apuração 1 o, 3 o e 4o trimestres de 2011. No primeiro trimestre, caso sejam mantidas as glosas de despesas, para apurar base de cálculo da CSSL deve ser levado em consideração o prejuízo declarado de R$ 4.173.085,68. No terceiro trimestre de 2011, mesmo acatando as glosas de despesas, para apurar base de cálculo da CSSL deve ser levado em consideração o prejuízo declarado de R$ 5.516.171,17. Por fim, no quarto trimestre caso sejam mantidas glosas de despesas, para apurar base de cálculo da CSSL, deve ser levado em consideração o prejuízo declarado de R$ 3.069.744,16. Esses erros de apuração do auto de CSSL devem ser retificados, na remota hipótese de não cancelamento total do auto de infração. DOS AUTOS DE PIS E COFINS EM RAZÃO DE ACUSAÇÃO DESPESAS DESNECESSÁRIAS E INEXISTENTES Totalmente improcedente esses autos de infração, mesmo na remota hipótese de ser mantidas as glosas realizadas, isso porque essas contribuições são calculadas sobre faturamento e não pelo lucro. A retirada de despesas em nada influencia no faturamento, logo, na base de cálculos das contribuições de PIS e COFINS. Assim, devem ser totalmente cancelados esses lançamentos. DO PEDIDO DE PERÍCIA Fl. 7679DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 36 35 Visando reforçar a comprovação da improcedência das acusações da fiscalização, fazse necessário a produção de prova pericial contábil, tendo em vista a grande quantidade de documentos envolvidos. A produção dessa prova, por ser matéria extremamente técnica, irá facilitar o trabalho do julgador que terá a opinião de um profissional da área contábil pra ver quem está com a razão, o agente fiscal ou o contribuinte. Como são erros na apuração, é necessária uma verificação contábil, para que se possa verificar toda a escrita fiscal e contábil. Pretende com a perícia, através da análise de todos os documentos do processo e escritas fiscais, a respostas dos seguintes quesitos: Analisando toda a escrituração da empresa em relação aos serviços prestados pelos parceiros EAD, como foram apurados os custos com os parceiros, no importe de 43%, foram calculados sobre o faturamento ou pelos recebimentos/emissão de nota fiscal? As notas fiscais emitidas por parceiros em valores maiores que o custo no ano, tiveram alguma influência no resultado? Ou ocasionaram apenas a reversão dos valores provisionados na conta "Parceiros EAD a pagar" (2.1.1.0,6), nada influenciando no custo para apuração tributária? Nos ano de 2005 a 2008, as emissões de notas fiscais de parceiros foram bem inferior ao valor de custo contabilizado? Obedecendo o decreto 70.235/72, nomeia como perito o Sr. Antônio Sérgio dos Santos Hegouet, contador, com escritório profissional na cidade de Salvador/BA, na Rua Ceará, 853, Bairro Pituba. Nos termos dos argumentos anteriormente referidos, pede o deferimento do pedido de perícia e, ao final, o cancelamento de todo o lançamento fiscal. Em sessão de 23 de maio de 2016, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento de Curitiba, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação aos autos de infração, para desonerar o contribuinte dos montantes de R$ 461.125,02 (IRPJ) e R$ 1.470.038,47 (CSLL), com o consequente reflexo nas multas correspondentes e totalmente improcedente a manifestação de inconformidade relativa ao ato de declaratório de suspensão da isenção. Da decisão houve Recurso de Ofício. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. Fl. 7680DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 37 36 É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. O Recurso de Ofício também será conhecido, posto que o valor exonerado, com as multas, é superior ao atual limite de alçada. Tendo em vista os diversos argumentos formulados pela Recorrente faremos a análise tópica dos pontos controvertidos. a) Da nulidade da decisão recorrida, por negativa de perícia, e da reiteração do pedido de perícia Aduz a Recorrente ser necessária a produção de prova pericial, para que sejam demonstrados os erros na apuração fiscal. Como o pedido foi indeferido pela decisão de piso entende a Recorrente que houve nulidade, por suposto cerceamento do direito de defesa. Penso que não merece reparos a decisão recorrida, pois é cediço que a perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido, conforme autoriza o artigo 18, do Decreto n. 70.235/72, com a redação dada pela Lei n. 8.748/93: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifamos) Da leitura dos autos não se vislumbra a necessidade de perícia. Aliás, se a interessada entende que os argumentos e informações trazidos ao processo carecem de laudo pericial deveria ela própria elaborálo, a fim de subsidiar suas alegações. O tema foi bem destacado pela decisão de piso: Na impugnação aos autos de infração a autuada nem mesmo menciona a questão dos documentos que deixou de apresentar e, sintomaticamente, busca circunscrever a perícia que pretende ver deferida apenas ao que foi juntado a este processo: Fl. 7681DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 38 37 (...) Além de novamente não mencionar os documentos que deixou de apresentar ou mesmo de questionar as assertivas das autoridades da unidade de fiscalização quanto aos documentos que apresentou ou não, claramente quer limitar o escopo do exame. Ora, a fiscalização que resultou na suspensão de sua isenção, bem como nas autuações que instruem este processo estava em curso desde agosto de 2014 e somente se encerrou em maio de 2015. Se existisse boafé por parte da autuada, certamente toda a documentação necessária teria sido apresentada no curso do procedimento fiscal e estaria disponível para a crítica no curso do contencioso. Alegar agora, nesta quadra processual, que quer o exame de questões que evitou abordar ou esclarecer durante o curso da fiscalização é evidentemente uma manobra processual para alongar a discussão. Observese, ainda, que um dos principais argumentos de defesa está calcado na alegação de que “as notas fiscais emitidas por parceiro em valores maiores que o custo no ano” não tiveram influência alguma no resultado e que “ocasionaram apenas a reversão dos valores provisionados na conta "Parceiros EAD a pagar". Constatase, pois, que de nada adiante evocar o princípio da ampla defesa e dele não se valer, sob o argumento de que "deve ser produzida perícia para comprovar os fatos". O pedido não merece guarida e tem caráter nitidamente protelatório, razão pela qual não o acolho nem tampouco vislumbro qualquer nulidade na decisão recorrida. b) Da nulidade formal do ato declaratório Aduz a Recorrente que o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 23/2015 seria nulo, pois a competência para lavrálo seria exclusiva do Delegado da Receita Federal e, no caso sob exame, quem o expediu foi o Chefe do SEORT/DRF/BA. Na esteira do que este Colegiado tem decidido acerca da matéria, penso ser necessário verificar se há, nos autos, prova da delegação de competência para o Chefe do SEORT. Isso porque acolho a tese de que na hipótese é possível a delegação de competência, sem prejuízo dos preceitos legais que regem a matéria e sem qualquer ofensa aos direitos do contribuinte. No caso específico dos benefícios relativos ao Prouni, a competência no âmbito da Receita Federal é regulada pela IN n. 1.394/2013 (destacaremos): Fl. 7682DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 39 38 INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 1394, DE 12 DE SETEMBRO DE 2013 (Publicado(a) no DOU de 13/09/2013, pág. 38) Dispõe sobre a isenção do Imposto sobre a Renda e de contribuições aplicável às instituições que aderirem ao Programa Universidade para Todos. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, na Lei nº 11.128, de 28 de junho de 2005, e no art. 26 da Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011, resolve: Art. 1º Esta Instrução Normativa dispõe sobre a isenção de tributos concedida a instituição de ensino superior, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) em conformidade com o disposto no art. 5º da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005. (...) Art. 13 (...) § 1º Quando for constatado que a instituição beneficiária da isenção está descumprindo os requisitos ou as condições pertinentes à matéria ou previstos na legislação tributária, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A instituição poderá, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado da Receita Federal do Brasil decidirá sobre a procedência das alegações, e, no caso de improcedência, expedirá ato declaratório suspensivo da isenção, do qual dará ciência à instituição. De se notar que o Secretário da Receita Federal, ao atribuir competência aos Delegados do órgão valeuse, entre outros instrumentos jurídicos, do que dispõe o artigo 32 da Lei nº 9.430/96, cujo teor acerca da matéria é basicamente o mesmo veiculado pela IN n. 1.394/2013. Na hipótese dos autos, verificase que o Delegado da DRF Salvador delegou a referida competência ao titular do SEORT daquela unidade, conforme se depreende da Portaria n. 12, de 10 de fevereiro de 2014, publicada no DOU de 12/02/2014 (nº 30, Seção 1, pág. 33): O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SALVADOR, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelos artigos 302 e 307 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Fl. 7683DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 40 39 Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, publicada no Diário Oficial da União DOU de 17/05/2012, alterada pela Portaria MF nº 512, de 02/10/2013, publicada no DOU de 04/10/2013, considerando o disposto nos artigos 11 e 12 do DecretoLei nº 200, de 25/02/1967, regulamentado pelo Decreto 83.937, de 06/09/1979, alterado pelo Decreto 86.377, de 17/09/1981 e pelo Decreto nº 88.354, de 06/06/83, e nos artigos 11 a 15 da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e visando racionalizar serviços e dinamizar decisões em assuntos de interesse do público e da própria administração, resolve: (...) Art. 5º Delegar competência ao chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária Seort e, nos seus impedimentos, a seu substituto eventual, para praticar os seguintes atos: (...) X apreciar e decidir em processos administrativos relativos à imunidade, suspensão, redução e isenção de tributos e contribuições administrados pela RFB, emitindo o correspondente ato declaratório quando couber; Sabese que no direito administrativo predomina o conceito de imposição volitiva do Estado, de forma que todas as competências, originalmente estatais, são distribuídas ao longo da cadeia hierárquica e funcional. Nesse contexto, entendo que a Portaria do Delegado de Salvador, ao outorgar competência ao Chefe do SEORT, não extrapolou os limites legais, até porque fundamentada no mesmo diploma jurídico (artigo 32 da Lei n. 9.430/96) que ensejou a edição da IN n. 1.394/2013 pelo Secretário da Receita Federal. Descabe, portanto, a alegação de nulidade formal do Ato Declaratório expedido por aquela autoridade, razão pela qual afasto a preliminar suscitada pela Recorrente. c) Do mérito do Ato Declaratório Quanto ao mérito, a Recorrente alega a insuficiência (e consequente improcedência) dos motivos que ensejaram a expedição do Ato Declaratório que suspendeu a isenção. Em relação ao saldo credor de caixa, aduz a Recorrente que este não ocorreu. Neste passo, convém destacar, a exemplo do que já apontou a decisão de piso, que a infração de saldo credor de caixa não foi formalizada pelas autoridades autuantes, a despeito das menções efetuadas durante os procedimentos de fiscalização. Aliás, a própria Recorrente, no voluntário, destaca que o saldo credor de caixa não foi autuado pela fiscalização, de sorte que a questão é incontroversa. Fl. 7684DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 41 40 O cerne do mérito repousa, em verdade, sobre o descumprimento dos requisitos contábeis de escrituração para as entidades isentas e também no que tange às despesas glosadas, consideradas inexistentes pelo Fisco. Vejase, a título de elucidação, os fundamentos do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da Recorrente, conforme descritos pela DRJ: Relativamente ao item 2.2 (despesas inexistentes), a própria explicação do fiscalizado já comprova descumprimento de dispositivos da legislação tributária. Ainda que a totalidade das unidades não tenha sido verificada, conforme alegação do contribuinte, o IMES declara que contabilizava pagamentos, sem o competente documento fiscal, tendo solucionado apenas parte das notas fiscais faltantes. Esse fato, aliado aos valores de receita declarados pelas parceira reforça a tese da fiscalização, de constatação de despesas inexistentes. E a documentação à disposição da Receita Federal já foi verificada, quando da visita às instalações do contribuinte. A respeito do tema “despesas inexistentes”, vale fazer referência ao Acórdão nº 10416.151/1998, do Conselho de Contribuintes, sobre IRPJ, que decidiu somente serem admissíveis, em tese, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos. Como também fazse necessário, quando intimado, comprovar que estas despesas correspondem a bens ou serviços efetivamente recebidos e pagos ao fornecedor/prestador. No tocante à existência de autos de infração, na esfera previdenciária e de representações fiscais para fins penais, que indicariam a situação irregular para manutenção de benefícios fiscais, considerando a jurisprudência administrativa, que aceita a regularidade comprovada em certidão positiva com efeito de negativa, esse fato isoladamente não deveria acarretar a suspensão do benefício. Contudo, as outras constatações descritas afrontam diretamente as disposições gerais estabelecidas no art. 11 da IN RFB nº 1.394/2013 e no art. 3º da IN SRF nº 456/2004, uma vez que a contabilidade não demonstrou, com a clareza e a exatidão necessárias, os registros referentes às atividades sobre as quais recaiu a isenção. Quanto à infração por despesas inexistentes, a Recorrente assevera que (grifos no original): O Faturamento (não recebimento) é contabilizado a crédito na conta “Receita Graduação EAD” (3.1.1.01.01.01.007) e a débito na conta “Mensalidade a Receber” (1.1.2.01.01). Segue anexada com a impugnação, em mídia digital, essas duas contas contábeis para análise dos julgadores. Fl. 7685DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 42 41 A tributação é feita pelo regime de competência, ou seja, é levada a tributação o faturamento, não levando em consideração as datas de recebimentos. Os custos com os parceiros, no importe de 43%, da mesma forma, são calculados sobre o faturamento das EAD, e não sobre pagamentos, recebimentos ou emissão de documento fiscal, tendo em vista adotar o princípio contábil do conservadorismo. Esse custo é calculado da seguinte forma: Verificase o faturamento da graduação EAD, de todas as operações, subtrai o faturamento das EAD´s de operações próprias (que não tem parceiros), subtrai os valores de PROUNI, Bolsas, Cancelamento e descontos incondicionais das operações dos parceiros, chegando ao valor do faturamento total das EAD´s com parceiros. Sobre tal importância, aplicase o percentual de 43%, sendo contabilizado esse valor a débito na conta “Custos Parceiros EAD” (3.1.2.02.03.02.009) e a crédito na conta “Parceiros EAD a pagar” (2.1.1.06). Segue anexado com a impugnação, em mídia digital, essas duas contas contábeis. Assim, o custo contabilizado é levado em consideração o faturamento das EAD´s e não de recebimento ou notas fiscais emitidas. A decisão recorrida indicou dois pontos relevantes para o deslinde da questão, a partir das informações trazidas pela própria interessada: a) Entre 2005 e 2009, a autuada operou com diversos parceiros de EAD que não emitiam todas as notas fiscais relacionadas aos serviços que prestavam e em razão disto criou a “provisão” Parceiros EAD a pagar (2.1.1.06), o que caracteriza inequivocamente a criação de passivo fictício relativo a valores anteriormente liquidados; b) No ano de 2009, após auditoria, a autuada teria recebido a orientação de pedir aos seus parceiros de EAD a emissão das notas fiscais faltantes, relativas aos valores que estes terceiros já haviam recebido e, assim, “regularizar” a situação, o que teria ocorrido parcialmente em 2010 e 2011. Notase, portanto, que a própria entidade reconhece que parte de sua escrituração contábil não reproduz a realidade, posto que calcada em registros fictícios e não correlacionados com as notas fiscais, que não foram emitidas ou o foram a destempo, anos depois dos serviços supostamente serem prestados. Não há como acolher o argumento do conservadorismo, mas sim confirmar que a criação de provisões, que são estimativas, para valores que supostamente foram pagos em períodos anteriores, não deixa de configurar passivo fictício, mantido na contabilidade e posteriormente "regularizado", no dizer da interessada. Fl. 7686DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 43 42 Isso, por si só, já afronta o disposto no artigo 11 da IN/RFB nº 1.394/13, que apenas reproduz os requisitos e condições para o gozo de imunidade e isenção previstos pela legislação, a exemplo do que dispõem o Regulamento do Imposto de Renda e a Lei n. 9.532/97: Art. 11. Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais é aplicada a isenção, segregados das demais atividades. e Lei n. 9.532/97: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, exceto no caso de associações, fundações ou organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva e desde que cumpridos os requisitos previstos nos arts. 3o e 16 da Lei no 9.790, de 23 de março de 1999, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; e Decreto n. 3.000/99: Fl. 7687DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 44 43 Art. 170. Não estão sujeitas ao imposto as instituições de educação e as de assistência social, sem fins lucrativos (CF, art. 150, inciso VI, alínea "c"). §1º Para os efeitos deste artigo, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 12). §2º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine o resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais (Lei nº 9.532, de 1997, art. 12, §2º,e Lei n º 9.718, de 1998, art. 10). §3º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 12, §2º): I não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; II aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; III manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Portanto, é dever das entidades que gozam de benefícios fiscais manter escrituração contábil compatível com a realidade de suas operações. Na hipótese dos autos cabe, portanto, apreciar o argumento trazido pela Recorrente, de que os procedimentos irregulares adotados (questão incontroversa) não teriam afetado o resultado dos períodos. Este ponto foi amplamente analisado pela decisão de piso, cujo racional e conclusões adoto neste voto, conforme segue: A par das questões colocadas sobre os registros e livros contábeis da autuada, impende examinar especificamente a sua seguinte alegação: "Nos anos de 2010 e 2011 realmente ocorreu de valores das notas fiscais emitidas ser superior ao custo apurado, em razão dos fatos que explicaremos abaixo, mas que nada influenciou na apuração do custo para efeito de tributação, tendo em vista que este era calculado sobre o faturamento (princípio do conservadorismo)". Tendo em vista a alegação de defesa reproduzida, cabe esclarecer, conforme se verifica nos arquivos nãopagináveis de fls. 6036 e 6037 (SPED 2010 e 2011) e fl. 7303 (Livros Razão Analítico de 2010 e 2011) que as despesas glosadas pela fiscalização (fls. 7081 a 7087) foram escrituradas pela autuada Fl. 7688DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 45 44 como se dissessem respeito aos anoscalendário de 2010 e 2011. Observese o seguinte exemplo: Detalhamento de parte da autuação, relativa às despesas glosadas por inexistência: A glosa do exemplo reproduzido foi parcial, mas se aquilo que consta da escrituração contábil da autuada não foi considerado por ela mesma para a apuração dos resultados que declarou ao Fisco temos, como decorrência lógica, que: a) Ao menos, deveria demonstrar detalhadamente como se dava a sua apuração e, ainda que por amostragem, quais documentos embasaram o que foi informado em suas declarações ao Fisco; e b) Considerando o porte da instituição e que, em 2010, sua Receita Líquida da Atividade de Ensino Superior Isenta – Prouni girava em torno dos 40 milhões de reais por trimestre, podese concluir que necessariamente havia alguma espécie de controle, mas não o formal, em parte, exposto no curso do procedimento fiscal. Neste ponto impende: Fl. 7689DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 46 45 a) Destacar que não socorre à autuada a alegação de que utilizava, para efeito de apuração de tributos, o seu faturamento, pois era optante do lucro real, além do que reconhecia apenas 57% de suas receitas, mas aproveitava intencionalmente o total das despesas correspondentes, ou seja, operava com duplo aproveitamento dos valores retidos pelos parceiros de EAD (43% de sua receita bruta real); b) Repisar o que já foi consignado neste voto quanto à negativa do pedido de perícia, é autoevidente que caberia a autuada, para se contrapor ao conteúdo das autuações, trazer à cognição as memórias de cálculo, relatórios e outros documentos produzidos no curso dos trabalhos levados a efeito para elaboração de suas DIPJ, pois assim teríamos, ao menos, um início de prova documental a apontar que as despesas glosadas poderiam não ter afetado o resultado; Os documentos mencionados forneceriam, no mínimo, uma indicação dos custos totais dos serviços relacionados a cada um dos prestadores ou parceiros da autuada, os quais, no confronto com as DIPJ apresentadas, permitiriam avaliar a utilidade e necessidade da perícia requerida e a boafé na solicitação. Todavia, tal qual ocorreu com o fornecimento de extratos bancários no curso da fiscalização, nenhuma informação ou documento que sustentasse o pedido de perícia foi efetivamente apresentado. Constatase que a Recorrente alegou que as despesas glosadas não afetaram os resultados e as informações declaradas à Receita Federal, mas não demonstrou, de forma cabal e conclusiva, com suporte em documentos, tal situação. Por outro lado, as autoridades fiscais utilizaram, para a configuração da infração de despesas inexistentes, o valor das notas fiscais efetivamente emitidas e os dados constantes nas declarações apresentadas ao Fisco. Não há como apreciar a tese de que a entidade, por ser isenta de IRPJ e de CSLL, não teria motivo para "inventar despesas", como destaca a linha de defesa. Com efeito, o que se pode verificar é o não atendimento dos requisitos legais para as entidades isentas, circunstância que não comporta dúvidas, pois a própria interessada reconhece erros na escrituração. No caso dos autos, não prospera a tese de neutralidade fiscal dos procedimentos irregulares, que deveria ser demonstrada pela própria interessada, de forma clara e inequívoca, única hipótese que nos permitiria, em tese, cotejar tais provas com os documentos e dados apurados pela fiscalização. Nunca é demais lembrar o que dispõe o artigo 923 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo Fl. 7690DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 47 46 sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). O que se vislumbra no processo é exatamente o contrário, pois a escrituração da entidade, em princípio (e como apontado pelas autoridades fiscais), não corrobora os argumentos formulados pela defesa. Assim, entendo que não há como afastar os créditos autuados. Quanto ao pedido de cancelamento parcial do Auto de Infração relativo à CSLL, a decisão de piso reconheceu os argumentos da interessada, sobre o erro na apuração das bases tributáveis, o que motivou parte do Recurso de Ofício. Neste ponto, entendo que não merece reparos a decisão, que recalculou os valores de alguns trimestres (conforme fls. 7.542 a 7.545). Os cálculos me parecem corretos e devem ser mantidos, inclusive no que tange à manutenção de parte da CSLL, relativa à falta ou insuficiência de recolhimento sobre receitas escrituradas e não declaradas para o 2º trimestre de 2011, período em que não foi acolhida a pretensão da interessada, pois o valor lançado corresponde ao que esta informou na DIPJ 2012, deixando de confessálo em DCTF. Não merece reparos, quanto a este ponto, a decisão recorrida, razão pela qual deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao argumento de que devem ser parcialmente cancelados os autos de PIS e de COFINS, pois os valores autuados, baseados no faturamento, alcançam o montante relativo ao ISS, que não poderia compor a base de tais contribuições, entendo que não há como acolhêlo, neste momento. Conquanto seja pessoalmente favorável à tese de excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido a título de impostos, a exemplo do que também se discute no âmbito do ICMS, penso que descabe a este Conselho afastar a incidência de norma válida e vigente, nos termos da Súmula n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já nos posicionamos no sentido de que não compete à autoridade administrativa apreciar arguições desse jaez para declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, posto que tal competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, conforme artigo 102 da Constituição. Ante a existência de lei válida e vigente no ordenamento descabe à autoridade fiscal deixar de aplicála, dada a vinculação do ato do lançamento, assim como não se encontra na esfera de competência do julgador administrativo a possibilidade de negarlhe efeitos. O julgado trazido pela Recorrente, RE 240.785, não produz efeitos erga omnes e, portanto, não pode ser aplicado ao caso concreto em detrimento de norma em vigor. Fl. 7691DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 48 47 No que se refere à multa de ofício, que no entender da Recorrente seria "abusiva e ilegal", também descabe a este Colegiado afastar os efeitos do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, que fundamentam a exação. Como visto, a questão está sumulada no âmbito deste Conselho e não exige maiores digressões, razão pela qual não há como acolher a pretensão da interessada. Por fim, em relação às despesas consideradas desnecessárias, aduz a interessada que caberia à fiscalização provar a suposta liberalidade que lhe foi imputada. Conquanto a defesa alegue que a glosa das despesas ocorreu mediante simples presunção, constatase que a autoridade fiscal descreveu minuciosamente as premissas da autuação: a) Do exame da contabilidade da fiscalizada verificase a existência de contas com os nomes das outras empresas do grupo que denominadas como suas partes relacionadas, pagando mútuos de uma com outras e despesas das mais diversas, apresentando uma verdadeira confusão patrimonial. b) Há forte concentração das operações de todas as empresas no INSTITUTO MANTENEDOR DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA LTDA, apontando para a existência de despesas financeiras não necessárias à atividade do contribuinte, criada através da confusão patrimonial e de mútuos dentro do grupo, financiados por empréstimos bancários concentrados no IMES, reduzindo assim os ganhos do contribuinte; c) A entidade possui registrada em sua contabilidade uma série de contratos de mútuos, dos quais não resultou a cobrança de juros, com as seguintes pessoas relacionadas/familiares Conta contábil nº 1210204 SOCIEDADES RELACIONADAS: d) Apesar do contribuinte ter créditos com pessoas físicas e jurídicas relacionadas, a título gracioso, (Adiantamentos a Sócios + Partes Relacionadas Mútuos) em 31/12/2010 no montante de R$ 94.178.711,89 e em 31/12/2011 de R$ 90.671.500,08, o fiscalizado contabilizou financiamentos onerosos destinados a sua operação, nos valores em 31/12/2010 de R$ 7.870.563,64 e em 31/12/2011 de R$ 5.685.946,44; e) Sinteticamente, então, o contribuinte em 2010 teve um total de receitas financeiras vinculadas aos mútuos e adiantamentos aos sócios no valor de R$ 0,00 e despesas financeiras vinculadas aos empréstimos e títulos onerosos no valor de R$ 12.262.471,20. O mesmo raciocínio se aplica ao ano de 2011 com receitas de R$ 0,00 e despesas de R$ 13.446.809,89. Fl. 7692DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 49 48 Também foram constatados adiantamentos aos Sócios, conforme escrituração na conta 1210201 Adiantamentos aos Sócios com créditos para as seguintes pessoas físicas sócias da fiscalizada no período da ação fiscal: (...) Verificase que os lançamentos relativos às despesas glosadas teve como fundamento a existência de vultosos mútuos passivos, decorrentes de empréstimos bancários, ao mesmo tempo em que as receitas que seriam provenientes dos mútuos ativos simplesmente não foram computadas, posto que estes foram concedidos a partes relacionadas a título gracioso. O argumento da fiscalização, ao considerar as despesas como desnecessárias, baseiase no fato de que os financiamentos bancários não seriam necessários para as atividades operacionais da entidade, pois bastaria não ter disponibilizado somas vultosas, a título gratuito, para os sócios da entidade e partes relacionadas. A partir dessa premissa foi glosada parte das despesas financeiras. Não se trata de mera presunção, como aduz a defesa, mas de constatação concreta acerca da desnecessidade (e, portanto, liberalidade) na contratação de empréstimos bancários, como destacado pela decisão recorrida: Acolher a posição da autuada seria primar pela completa irracionalidade, pois ao mesmo tempo em que sua contabilidade registra dezenas de milhões de reais em empréstimos a pessoas físicas e jurídicas, vinculadas ao IMES, por meio de sócios em comum, sem a cobrança de qualquer juro remuneratório, há expresso registro contábil de pagamentos de juros a instituições financeiras, igualmente milionários. Se os empréstimos fornecidos pela autuada estivessem, ao menos, vinculados à cobrança de juros, evidentemente a sua necessidade de fontes externas de recursos seria menor. Por óbvio, os empréstimos concedidos não terão coincidência de datas com os que foram tomados junto a instituições financeiras, sendo no caso, o tema central, o fato de a entidade autuada arcar com encargos financeiros ao mesmo tempo em que subvenciona pessoas vinculadas a sua administração e empresas sob o comando ou controle destes. Tal questão é expressamente consignada na autuação: O IMES ao disponibilizar e adiantar recursos próprios para as suas partes relacionadas e não auferir receitas em função desses mútuos e concomitantemente tomar financiamentos bancários, suportando o ônus financeiro, realiza ato de sua própria liberalidade e não necessidade, reduziu a indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aliás, o procedimento adotado pelas autoridades fiscais, a partir das informações obtidas na contabilidade da entidade, não deixa margem para dúvidas no que se refere à absurda sistemática adotada: Procedimento de apuração do montante a ser glosado: Fl. 7693DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 50 49 1. Foram identificadas as contas de mútuos com as pessoas relacionadas existentes no seu Ativo e obtidos os saldos diários de cada conta. Esses saldos foram somados, resultando em um saldo diário representativo dos mútuos ativos com partes relacionadas; 2. O mesmo procedimento anterior foi realizado para as contas representativas de Adiantamentos de Lucros aos Sócios. Pois, o IMES não deveria realizar adiantamentos de lucros, visto que em 2010 teve um prejuízo líquido de R$ 7.498.669,70 (prejuízo acumulado de R$ 180.981.809,32) e em 2011 prejuízo de R$ 4.854.891,63 (prejuízo acumulado de R$ 217.280.276,29) e ao mesmo tempo obter empréstimos onerosos junto a instituições financeiras. Neste passo, não podemos olvidar que os benefícios fiscais, notadamente as isenções concedidas a entidades educacionais ou assistenciais, possuem como contrapartida o interesse público, consubstanciado nos serviços prestados à sociedade. A renúncia fiscal decorrente da isenção exige que a entidade aplique integralmente e de modo racional os recursos adicionais mantidos (pelo não recolhimento de tributos), sendo inaceitável qualquer liberalidade que não tenha como fim precípuo o objeto social que ensejou o benefício. Não faz sentido e ofende a teleologia da norma a verdadeira confusão patrimonial que se instaurou entre o IMES e as partes relacionadas, resultando numa atividade claramente deficitária, que contraía empréstimos para ceder recursos a terceiros sem qualquer tipo de remuneração. A renúncia fiscal decorrente da isenção, em meu sentir, tem natureza pública, e exige da entidade beneficiada zelo e vinculação na aplicação dos recursos, o que não se observou no caso dos autos, em que, por mera liberalidade, houve nítido favorecimento a sócios e pessoas ligadas ao interesse destes. Descabe ao beneficiário suportar juros ou encargos em nome de terceiros, ainda que por via indireta, posto que isso desnatura o objeto social de sua atividade. Corretos, portanto, os procedimentos adotados pela fiscalização. Também não prospera o argumento de que parte da autuação relativa à CSLL deveria ser afastada, sob o argumento de que o conceito de despesas necessárias, veiculado pelo artigo 299 do RIR, não seria aplicável à contribuição. Com efeito, sabese que a indedutibilidade de despesas para fins de IRPJ não se aplica, em todos os casos, para fins de CSLL. O discrímen, segundo penso, está na legitimidade das despesas analisadas. Na hipótese dos autos, resta evidente a ilegitimidade das despesas contraídas, que são produto da confusão patrimonial entre o IMES e o grupo empresarial por ele constituído. Fl. 7694DF CARF MF Processo nº 10580.720493/201562 Acórdão n.º 1201001.905 S1C2T1 Fl. 51 50 Conquanto a matéria seja objeto de divergências neste Conselho, há precedentes favoráveis a esta posição, que me parece a mais adequada para o caso em tela, mormente em razão da atividade e dos benefícios outrora conferidos à entidade. No que tange ao PIS e à COFINS, a Recorrente também defende a improcedência da autuação, ante o argumento de que essas contribuições incidem sobre o faturamento e não sobre o lucro. Contudo, na esteira do que restou decidido em primeira instância, a autoridade lançadora consignou que (destacaremos): Com a sua adesão ao PROUNI, o contribuinte passou a ter o direito a isenção na apuração e recolhimento de tributos, dentre os quais, o PIS e a COFINS. Contudo com a Suspensão da Isenção declarada por Ato da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador Bahia em 2015, referentes aos anoscalendário de 2010 e 2011, tal direito teve os seus efeitos anulados, restabelecendo o dever de apuração e recolhimentos dos tributos. Em decorrência dessa situação, a Fiscalização de ofício irá proceder ao lançamento dos Tributos PIS e COFINS sobre as receitas auferidas e não recolhidas. Verificase, portanto, que as autuações relativas ao PIS e à COFINS estão relacionadas à suspensão da isenção e não à imputação de despesas inexistentes e desnecessárias. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento, assim como NEGO provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 7695DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.002324/2008-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL.
Mantida glosa de despesa não dedutível. Matéria não recorrida.
Numero da decisão: 2001-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor total de R$ 19.416,42, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (presidente da turma), José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. Mantida glosa de despesa não dedutível. Matéria não recorrida.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. Mantida glosa de despesa não dedutível. Matéria não recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor total de R$ 19.416,42, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 23 24 /2 00 8- 71 Fl. 115DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (presidente da turma), José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige da contribuinte a importância de R$ 6.164,52, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao exercício de 2004. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente foi intimada a comprovar os pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, com comprovações outras, como se os documentos acostados não estivessem a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços, que nomina, nos termos seguintes: 7. O impugnante pleiteou em sua DIRPF/2004, fls. 39 a 42, deduções a título de despesas médicas no valor total de R$ 27.797,66, e teve R$ 22.416,42 glosados por falta de comprovação do efetivo pagamento. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento abordada no lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pela Recorrente, nos termos a seguir reproduzidos: (...) 5. Em se tratando da dedução a título de despesa médica, glosada na autuação, o Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), em seu art. 80, assim dispõe: “Art. 80”. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 116DF CARF MF Processo nº 19647.002324/200871 Acórdão n.º 2001000.003 S2C0T1 Fl. 3 3 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitais, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.” DecretoLei nº 5.844, de 1943 Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. § 1º As deduções permitidas senão as que corresponderem a despesas efetivamente pagas. (...) § 3º Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4º Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. 6. O art. 8º, inciso II, alínea “b” da Lei 9.250/1995, por sua vez, dispõe que: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: Fl. 117DF CARF MF 4 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) 10. Salientamos que a legislação tributária não dá aos recibos, ainda que venham revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto, não havendo dúvidas de que a efetividade do pagamento a título de despesa médica não se comprova com a mera exibição de recibos, mormente quando os recibos referemse a serviços prestados de valores que somados se mostram bastante expressivos. (...) 11. Somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, as despesas médicas que se apresentarem com a devida comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, e que correspondam a serviços efetivamente recebidos e pagos aos prestadores. O simples lançamento na declaração de rendimentos pode ser contestado pela autoridade fiscal. 12. O artigo 73 do RIR 1999 estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificalas, sendo que se desloca para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova do fisco para o contribuinte transfere para o interessado o ônus de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, deve assumir as consequências legais, ou seja, o lançamento de ofício decorrente do não cabimento das deduções por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica em trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. 13. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde (prestador de serviços), mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso, este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. (...) 15. Por fim, destaquese que, na apreciação dos elementos de prova, é fundamental que estes não só atendam aos requisitos formais previstos na legislação, como sejam pertinentes e coerentes para a formação da convicção do julgador, tal como permitido no art. 63 do Decreto 7.574/2011, que dispõe: (...) (...) 18. Este entendimento, além de amparado no art. 63 do Decreto 7.574/2011, que regulamenta o Procedimento Administrativo Fiscal – Fl. 118DF CARF MF Processo nº 19647.002324/200871 Acórdão n.º 2001000.003 S2C0T1 Fl. 4 5 PAF, é corroborado pelo art. 73, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, RIR/1999, que assim dispõe: Decreto nº 3.000/1999 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifei) 20. Assim, voto pela manutenção da glosa das despesas médicas em questão, no valor de R$ 22.416,42, pois entendo que não foram atendidos os requisitos legais para sua dedutibilidade, qual seja falta de comprovação do efetivo pagamento. (todos os grifos são deste Relator) Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa no valor total R$ 22.416,42, referente às despesas médicas. Por sua vez, irresignada com a decisão do acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: A Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu artigo 8º, II, estabelece que devam ser deduzidas as despesas relativas aos pagamentos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Para a comprovação dos referidos atendimentos, o §2º do referido artigo 8º determina, in verbis: “§ 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Nessa perspectiva, o artigo 80º, §2º, III do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, repete a mesmas exigências comprobatórias, inclusive com a mesma redação da referida Lei. Fl. 119DF CARF MF 6 Logo, diáfano visualizar que há um excesso de rigor na interpretação do art. 63 do Decreto 7.574/2011, pois, apesar de autorizar a livre interpretação das provas apresentadas, o julgador não pode interpretar além do determinado na Legislação específica, requisitos que, no caso, foram plenamente satisfeitos. Ademais, o Lançamento de Ofício, conforme o artigo 841, II do supracitado Decreto 3.000, só pode ser feito quando o sujeito passivo deixar de prestar esclarecimentos, ou quando não os prestar de forma satisfatória. Observese também que o indigitado Decreto 3.000, em seu artigo 845, §1º, determina que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elementos seguros de prova ou indícios veemente de falsidade ou inexatidão. Desta forma, não há no que se falar em inversão do ônus da prova, até mesmo porque ao falar em Prova, os artigos 923 e 924 do Decreto 3.000 estabelece que: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º)”. Por todo o exposto, a Recorrente colima que seja provido o presente recurso, para restabelecer a dedução das despesas médicas realizadas no valor total de R$ 22.416,42 (vinte e dois mil e quatrocentos e dezesseis reais e quarenta e dois centavos). Dessa forma, julgando, improcedente o lançamento realizado. É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide, até mesmo porque a maioria dos dispositivos legais são citados por ambas as partes. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decreto lei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da Fl. 120DF CARF MF Processo nº 19647.002324/200871 Acórdão n.º 2001000.003 S2C0T1 Fl. 5 7 exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da Fl. 121DF CARF MF 8 documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominado ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 19647.002324/200871 Acórdão n.º 2001000.003 S2C0T1 Fl. 6 9 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto à deduções exageradas. Tudo para o resguardo Fl. 123DF CARF MF 10 do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. A desconfiança de que o médico teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, Fl. 124DF CARF MF Processo nº 19647.002324/200871 Acórdão n.º 2001000.003 S2C0T1 Fl. 7 11 limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, Fl. 125DF CARF MF 12 independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). A citação, no recurso, dos arts. 923 e 924 do Decreto nº 3.000/99, embora não trate especificamente sobre dedução de despesas médicas da pessoa física, busca comparativo de similaridade de valor da prova em favor do contribuinte. De entenderse que os registros do Livro Caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória apresentada, se respaldados em escrituração contábil ou livrocaixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória, mantidos de acordo com as normas legais e, fundados em documentos hábeis, serão validos para todos os efeitos e fazem prova verdadeira em favor do cliente/paciente. Em caso de dúvida da inveracidade dos fatos registrados cabe à Autoridade Fiscalizadora auditálos. Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. Contudo, a concepção desse entendimento não recepciona comprovação errônea ou equivocada, o que ocorre parcialmente no presente caso, pela apresentação de um recibo com divergência entre nome do prestador do serviço e sua identificação de registro profissional, conforme consta do lançamento, o que não foi contestado pela Recorrente, devendo ser mantida a glosa do valor da dedução de R$ 3.000,00, correspondente ao documento especificado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a glosa no valor de R$ 3.000,00 por errônea ou equivocada comprovação e restabelecer a dedução das despesas no valor total de R$ 19.416,42. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 19647.002324/200871 Acórdão n.º 2001000.003 S2C0T1 Fl. 8 13 (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002861/2007-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 22/11/2002 a 23/12/2003
MULTA. ART. 33 DA LEI 11.488/2007. CESSÃO DO NOME. IRRETROATIVIDADE DA NORMA PENAL TRIBUTÁRIA.
A multa estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não pode ser aplicada para fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, tampouco substituiu a multa de conversão da pena de perdimento prevista no inciso V do art. 23 do Decreto-lei nº 37/1966, na redação conferida pela Lei nº 10.637/2002.
Numero da decisão: 9303-005.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 22/11/2002 a 23/12/2003 MULTA. ART. 33 DA LEI 11.488/2007. CESSÃO DO NOME. IRRETROATIVIDADE DA NORMA PENAL TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não pode ser aplicada para fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, tampouco substituiu a multa de conversão da pena de perdimento prevista no inciso V do art. 23 do Decreto-lei nº 37/1966, na redação conferida pela Lei nº 10.637/2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
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ADUANEIRO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SERVER COMPANY COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 22/11/2002 a 23/12/2003 MULTA. ART. 33 DA LEI 11.488/2007. CESSÃO DO NOME. IRRETROATIVIDADE DA NORMA PENAL TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não pode ser aplicada para fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, tampouco substituiu a multa de conversão da pena de perdimento prevista no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 37/1966, na redação conferida pela Lei nº 10.637/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 61 /2 00 7- 19 Fl. 701DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3101001.402, de 21/05/2013, proferido pela 1ª Turma da 1ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 22/11/2002 a 23/12/2003 IRRETROATIVIDADE DA NORMA PENAL TRIBUTÁRIA. Incabível a exigência de multa quando se faz necessário retroagir seus efeitos a fim de cominar ao infrator penalidade não prevista quando da ocorrência do respectivo fato imponível. RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIDO Irresignada, a PFN apresentou recurso especial contra o entendimento de que não seria possível manter a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, em relação a condutas realizadas em tempo anterior à vigência da referida lei. Alega divergência de interpretação quanto ao que decidido no Acórdão nº 3201000.846. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 691/692. Intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no exame de admissibilidade, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido adotou o entendimento de que, para períodos anteriores ao início da vigência do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, não há como aplicar a multa isolada nele estabelecida, o acórdão paradigma entendeu cabível a sua aplicação retroativa, mas em substituição à multa de 100% do valor da mercadoria como conversão à pena de perdimento. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/01/2006 a 20/09/2006 Ementa: OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros acobertando os Fl. 702DF CARF MF Processo nº 12466.002861/200719 Acórdão n.º 9303005.986 CSRFT3 Fl. 702 3 reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei nº.11.488/2007, aplicase o artigo 33, retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, posto que à época das importações vigorava a penalidade de 100% do valor da operação em substituição à pena de perdimento. Recurso Voluntário Negado. (g.n.) No mérito, entendemos absolutamente correta a tese encartada no acórdão recorrido. É que a Lei nº 11.488, de 15/06/2007, que resultou da conversão da Medida Provisória MP nº 351, de 2007, instituiu, na verdade, uma nova penalidade, em nada semelhante à pena de perdimento instituída no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Lei nº 10.637, de 2002. Eis a redação de cada qual: Decretolei nº 37, de 1966: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (g.n.) Lei nº 11.488, de 15/06/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização o de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (g.n.) Fl. 703DF CARF MF 4 A pena de perdimento, portanto, consiste na expropriação, mediante processo administrativo regular, da mercadoria importada (como visto, também se aplica na exportação), no caso em que o real importador é dolosamente ocultado. A impossibilidade de sua aplicação, porque não localizada a mercadoria, é que resulta na pena de conversão equivalente a 100% do seu valor. Já a penalidade prevista no art. 33 da Lei 11.488, de 2007, consiste na cessão do nome para a realização de operação de comércio exterior por pessoa jurídica diversa, ou seja, além do perdimento da mercadoria, cuja aplicação, obviamente, visa a penalizar o seu real adquirente, aquele que para este emprestou o seu nome responde pela multa de 10% do valor da operação (ou, no mínimo, R$ 5.000,00). Assim, afigurase manifestamente equivocada, além de sua aplicação retroativa em prejuízo do contribuinte que cedeu o seu nome, também a sua aplicação em substituição à pena de conversão (a tese encartada no paradigma), visto que, para que isto fosse possível, os fatos jurídicotributários definidos como infração nas leis anterior (ocultação) e posterior (cessão do nome) deveriam ser idênticos (art. 106, II, "c", do CTN). Não é o caso. porém. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 704DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006459/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 64 59 /2 00 7- 28 Fl. 61DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10380.006459/200728 Acórdão n.º 2202004.175 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.002803/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
ANO CALENDÁRIO:2000, 2001
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA.
A cada período de apuração deve ser reconhecida a parcela mínima de realização do lucro inflacionário acumulado, na forma legalmente prevista.
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL.
Restando incomprovada a realização integral de todo o saldo do lucro inflacionário antes do início do procedimento fiscal, mantém-se o lançamento.
Recurso negado
Numero da decisão: 1401-000.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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REALIZAÇÃO MÍNIMA. A cada período de apuração deve ser reconhecida a parcela mínima de realização do lucro inflacionário acumulado, na forma legalmente prevista. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL. Restando incomprovada a realização integral de todo o saldo do lucro inflacionário antes do início do procedimento fiscal, mantémse o lançamento. Recurso negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10825.002803/200571 Acórdão n.º 1401000.542 S1C4T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário manejado pelo contribuinte, por bem retratar a situação ora analisada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Em procedimento de revisão da declaração do imposto de renda da contribuinte acima identificada, constatouse, nos anos calendário de 2000 e 2001, que houve a realização do lucro inflacionário acumulado em percentual inferior ao mínimo exigido pela legislação, infringindo o Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR, de 1999), arts. 249, I, e 449; Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 8°; e a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 6° e 7. Foi lavrado o auto de infração de fls. 2 a 8, no qual se exigiu Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 18.714,66, juros de mora de R$ 13.622,39 e multa proporcional de R$ 14.035,98.Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls.101/105, subscrita pelo procurador Sérgio Luiz Amaral Garcia (fls. 120/135), alegando que: Realizou, nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1999, lucro inflacionário em valores superiores ao mínimo legal, os quais, acumulados nos exercícios posteriores, resultaram em pequeno saldo devedor daquele lucro realizado nos anoscalendário de 1998 e 2001; Essas informações são oriundas das fichas "demonstração do lucro inflacionário realizado" das DIPJ relativas aos anos calendário de 1999 a 2003, bem assim das folhas do Lalur (fls. 136/151), todas anexadas nesta oportunidade. Como não tem as cópias das DIPJ dos anoscalendário de 1997 e 1998, solicita que sejam apuradas e ratificadas por este órgão as informações ora prestadas; Conclui que, dos valores apontados no auto de infração, não ensejava a tributação a quantia relativa ao ano calendário de 2000, uma vez que os valores acumulados até o exercício anterior supriram e excederam o valor do período mencionado, bem assim aquele relativo ao anocalendário de 2001, se devido, é inferior ao apontado no referido auto de infração; No anocalendário de 2002, tendo em vista que passou a ser tributada pelo lucro presumido no anocalendário de 2003, além do valor inicialmente realizado (R$35.329,07) foi realizado todo o saldo existente naquela oportunidade (R$ 317.961,65), tendo parcelado o imposto resultante dessa realização (processo n° 10825.001580/200363); Anexou aos autos as cópias do processo de parcelamento, bem assim da primeira parcela recolhida, sendo certo que o parcelamento está sendo recolhido correta e tempestivamente; Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10825.002803/200571 Acórdão n.º 1401000.542 S1C4T1 Fl. 3 3 Restou inequívoco que o valor do imposto objeto do auto de infração foi antecipadamente recolhido, por ocasião dos valores do lucro inflacionário realizado superior ao previsto na lei, nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1999, bem assim todo o saldo remanescente já foi realizado, como registrado no processo de parcelamento. Solicitou o cancelamento do auto de infração. Analisando a impugnação apresentada entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente o auto de infração, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. A cada período de apuração deve ser reconhecida a parcela mínima de realização do lucro inflacionário acumulado, na forma legalmente prevista. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL. Restando incomprovada a realização integral de todo o saldo do lucro inflacionário antes do início do procedimento fiscal, mantémse o lançamento. Lançamento Procedente Irresignado, interpõe o contribuinte o recurso ora analisado reiterando os argumentos expostos anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Trata o presente processo de auto de infração relativo ao IRPJ dos anos calendário de 2000 e 2001, no qual se apurou que houve a realização do lucro inflacionário acumulado em percentual inferior ao mínimo exigido pela legislação. A contribuinte alega que realizou, nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1999, lucro inflacionário em valores superiores ao mínimo legal, os quais, acumulados nos exercícios posteriores, resultaram em pequeno saldo devedor daquele lucro realizado nos anoscalendário de 1998 e 2001. Afirmou que, assim, não há valor a ser tributado no anocalendário de 2000, uma vez que os valores acumulados até o exercício anterior supriram e excederam o valor do período mencionado, e que, se existir lucro inflacionário a ser tributado no anocalendário de 2001, o valor é inferior ao apontado no auto de infração. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10825.002803/200571 Acórdão n.º 1401000.542 S1C4T1 Fl. 4 4 Juntou ao processo cópias das fichas "demonstração do lucro inflacionário realizado" das DIPJ relativas aos anoscalendário de 1999 a 2003, bem assim das folhas do Lalur (fls. 136/151). Constatase, na DIPJ do anocalendário de 1996, que foi realizado o lucro inflacionário no valor de R$ 81.751,99 e não R$ 88.212,82, como alega a contribuinte. As cópias do Lalur apresentadas não são suficientes para comprovar que o valor realizado no referido anocalendário é R$ 88.212,82 e não aquele incluído na DIPJ de fl. 165. Nos anoscalendário de 1997 a 2001 (fls. 166 a 170), foram realizadas as parcelas de lucro inflacionário nos valores constantes no demonstrativo elaborado pela contribuinte (f1.102), a qual reconhece que realizou, nos anoscalendário de 1998, 2000 e 2001, parcela inferior à mínima determinada pela legislação. Cabe esclarecer que, mesmo tendo realizado, nos anoscalendário de 1997 e 1999, valor superior ao mínimo estabelecido na legislação, a contribuinte estava obrigada, nos anoscalendário de 2000 e 2001, a tributar, no mínimo, 10% do saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1995, não podendo se falar em saldo credor em um ano (proveniente de uma realização superior ao mínimo estabelecido pela legislação) para ser compensado com valor a menor realizado nos anos seguintes. Conforme restou consignado na decisão recorrida, é obrigatória a realização do lucro inflacionário em todos os anoscalendário, quer seja proporcionalmente ao valor realizado dos bens do ativo, ou no percentual mínimo fixado pela legislação, não procedendo a alegação de que o valor do imposto objeto do auto de infração foi antecipadamente recolhido, por ocasião da realização do lucro inflacionário em valores superiores ao previsto na lei, nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1999. Quanto ao parcelamento que se alega ser relativo à realização do saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/2002, o processo foi encaminhado em diligência, a qual constatou que referido parcelamento foi deferido em 17/10/2003, portanto, antes do início do procedimento fiscal. Ocorre que foram parcelados os valores de R$ 47.694,25 e R$ 7.796,17, sob o código 3320 (IRPJLucro Inflacionário), indicando como período de apuração 31/12/2002 e vencimento 31/01/2003. Frisese que a contribuinte não incluiu o valor relativo à realização integral do saldo do lucro inflacionário na, DIPJ do anocalendário de 2002, tampouco na declaração relativa ao 1º trimestre de 2003. Se a contribuinte pretendia parcelar o IRPJ correspondente à realização total do saldo de lucro inflacionário acumulado existente em 31/12/2002, tendo em vista a mudança de tributação do lucro real para o lucro presumido no anocalendário de 2003, conforme determina a Lei n° 9.430, de 1996, art. 54, ela deveria ter adicionado referido saldo, que alega ser de R$317.961,65, ao valor do lucro apurado no 1° trimestre de 2003, que era de R$ 126.281,59 (fl.185), o que não ocorreu, como se vê às fls.184 a 186. Assim, os valores de IRPJ incluídos no parcelamento, no total de R$ 55.490,42, não correspondem à realização do saldo integral de lucro inflacionário existente em 31/12/2002. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10825.002803/200571 Acórdão n.º 1401000.542 S1C4T1 Fl. 5 5 Levandose em consideração todas as realizações tributadas espontaneamente nos anos anteriores, inclusive a realização efetuada em anos anteriores por ter ocorrido a decadência (fls. 193/194), mais aquelas tributadas no presente auto de infração, encontrase um saldo de lucro inflacionário a realizar em 31/03/2003 de R$226.661,70. Considerandose a realização do lucro inflacionário de R$ 226.661,70, no 1° trimestre de 2003, obtémse o IRPJ e adicional a pagar nos valores de R$ 52.941,49 e R$29.294,33, respectivamente. Tendo apurado na DIPJ (fls. 184 a 186) o IRPJ e adicional de R$ 18.942,24 e R$ 6.628,16, respectivamente, e parcelado os valores acima citados (R$47.694,25 e R$ 7.796,17), relativamente ao lucro inflacionário, constatase que ainda resta diferença a pagar relativa à realização total do saldo daquele lucro. Ainda que se considerasse a realização total do saldo do lucro inflacionário no valor de R$ 226.661,70, em 31/12/2002, verificase que o valor do IRPJ e do adicional deveriam ser apurados juntamente com os demonstrados na DIPJ do anocalendário de 2002 (fls.174 a 183), restando calculado a menor em virtude da utilização em duplicidade do limite para determinação do adicional. Conforme bem apontado na decisão recorrida, não há que se falar em parcelamento do lucro inflacionário tributado no presente feito, estando correto o lançamento ora discutido, que tributou os valores de R$38.152,74 e R$ 42.514,35, nos anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente, a titulo de lucro inflacionário realizado sem a observância do percentual mínimo estabelecido pela legislação. Ante o exposto, nego o provimento ao recurso. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 11060.722951/2015-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Tendo o contribuinte logrado êxito nesse desiderato, deve o lançamento ser julgado improcedente.
Numero da decisão: 2201-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Tendo o contribuinte logrado êxito nesse desiderato, deve o lançamento ser julgado improcedente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1152; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 391 1 390 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.722951/201530 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.933 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente HERMOGENIO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. Tendo o contribuinte logrado êxito nesse desiderato, deve o lançamento ser julgado improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 29 51 /2 01 5- 30 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11060.722951/201530 Acórdão n.º 2201003.933 S2C2T1 Fl. 392 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação Fiscal de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. A Notificação Fiscal de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, fls. 36/46, é relativa ao ano calendário de 2013, exercício de 2014, que apurou imposto suplementar de R$ 21.461,09 (código 2904) sujeito à multa de oficio e juros legais e imposto de R$ 40.443,24 sujeito à multa de mora e juros legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 38/43, foram apuradas as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente Tributação Exclusiva no valor de R$ 160.795,21, da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica CEE, conforme documentos apresentados e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf enviada pela fonte pagadora; Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente Tributação Exclusiva no valor de R$ 79.170,68, uma vez que este valor não consta em Dirf e os Darfs apresentados foram recolhidos em 2014. Cientificado do lançamento em 09/09/2015, fl. 47, apresentou o sujeito passivo a impugnação, de fls. 02/03, em 15/09/2015, afirmando quanto à omissão de rendimentos, que o valor contestado de R$ 160.795,21 corresponde a honorários advocatícios pagos e/ou outras despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento. Quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 79.170,68, afirma o defendente que este foi pago por meio de DARF. Por fim, o contribuinte requer prioridade de julgamento em face do art. 69 A, inciso I, da Lei 9.784/99. A decisão de primeira instância julgou improcedente o lançamento (fls. 39/41), nos termos da seguinte ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ARGUMENTOS NÃO COMPROVADOS. O contribuinte deve comprovar a natureza dos rendimentos recebidos acumuladamente em ação trabalhista, e também demonstrar que houve a retenção do Imposto de Renda Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11060.722951/201530 Acórdão n.º 2201003.933 S2C2T1 Fl. 393 3 informado, por meio de documentos dos autos judiciais que possam se contrapor às informações prestadas pela fonte pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 15 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Cientificado do acórdão da DRJ por via postal em 21/06/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 07/07/2016 (fls. 223/225), alegando, em síntese, que: O preenchimento da Declaração no campo de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, ocorreu de forma equivocada por separar os rendimentos e com isso informar o mês de recebimento incorreto, visto que não há nenhum processo trabalhista no valor de R$ 178.639,81, o que comprova que esse valor se refere ao processo trabalhista em discussão (recebido em 16/12/2016), e que somado ao valor de R$ 159.054,05, totaliza o valor líquido recebido pelo recorrente, pedese que, com base nessas informações e nos documentos em anexo, considerese que o valor referese ao rendimento recebido em questão, não havendo portanto omissão de rendimentos tributáveis. No que concerne a Compensação Indevida do Imposto Retido na Fonte IRRF, não foi recolhido no código 1889, e não consta na DIRF da fonte pagadora, conforme questionado no acórdão, porque o valor não foi retido no processo, mas orientado seu recolhimento, pois entendido que o valor calculado e retido no processo tratavase de retenção parcial e não total sobre o valor recebido, conforme documentos em anexo. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito Em suas razões recursais, o sujeito passivo traz elementos fáticos e provas documentais que têm o condão de alterar a decisão de primeira instância. Referida decisão abordou as questões tratadas no presente lançamento, quais sejam: compensação indevida de IRRF e omissão de rendimentos de RRA. Compensação indevida de IRRF Para provar o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 79.170,68, o sujeito passivo apresentou, fl. 05, dois Documentos de Arrecadação de Receitas Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11060.722951/201530 Acórdão n.º 2201003.933 S2C2T1 Fl. 394 4 Federais DARF, em seu nome e com a indicação, no campo 01, do processo n° 0061400 70.1998.5.04.0641: Período de Apuração Valor Data de Recolhimento Código 16/12/2013 R$ 60.000,00 09/01/2014 0246 16/12/2013 R$ 19.170,68 10/01/2014 0246 Os motivos pelos quais os DARF carreados aos autos pelo sujeito passivo não podem ser acolhidos para alterar o lançamento foram assim explicitados pela decisão de piso. Não há como fazer uma vinculação entre os DARF e o rendimento recebido acumuladamente pelo sujeito passivo em abril de 2013 pelas seguintes razões: • Nenhum dos documentos que compõem o Processo Trabalhista 006140070.1998.5.04.0641, que tramitou na Vara do Trabalho de Três Passos/RS, apresentados à fiscalização indica que, em abril de 2013, houve a retenção de IRRF de R$ 79.170,68 ou mesmo duas retenções, uma de R$ 60.000,00 e outra de R$ 19.170,68; • O código de recolhimento dos DARF 0246 é concernente a Imposto de Renda Pessoa Física Complementação Mensal e não a Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Rendimentos Acumulados, cujo código correto é 1889; • O período de apuração dos DARF é 16/12/2013, sendo que o IRRF de R$ 79.170,68 foi registrado na Declaração de Ajuste Anual DAA do contribuinte, 24/32, como referente ao recebimento de rendimentos acumulados em abril do mesmo ano, sendo impossível fazer uma vinculação; • O IRRF de R$ 79.170,68 não foi informado nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirfs enviadas pela Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica CEE à Receita Federal do Brasil, fls. 55/58; Entretanto, através de consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificouse que os valores recolhidos não foram aproveitados pelo contribuinte, fato que comprova a sua intenção pagar o tributo devido. O mero erro do código do DARF, por si só, no não pode servir de óbice para a prova do recolhimento do valor do IRRF, de R$ 79.170,68, no mês de abril de 2013. Pelo exposto, entendo que não merece prosperar o lançamento de compensação indevida de IRRF, devendo ser provido o recurso voluntário. Da Omissão de Rendimentos Quanto à omissão de rendimentos apurada de R$ 160.795,21, correspondente ao mês de dezembro de 2013, a DIRF, fl. 55, enviada pela Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica CEE, informa que o rendimento tributável pago ao interessado foi de R$ 423.053,73. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11060.722951/201530 Acórdão n.º 2201003.933 S2C2T1 Fl. 395 5 Destacou a decisão de piso que nos recibos, datados de 16/12/2013, emitidos pelos advogados que atuaram na causa, fls. 111/115, os honorários arcados pelo contribuinte foram os seguintes: Beneficiários Valor Soc. Adv. Trab.Marcos J.B.Azevedo R$ 80.790,63 Alino e Roberto Advogados R$ 8.976,73 Processual Ass.Serviços Ltda R$ 4.488,37 Total R$ 94.255,73 Considerando que essas despesas podem ser abatidas dos rendimentos recebidos, na forma da legislação de regência, temse como rendimento tributável o valor de R$ 328.798,00 (R$ 423.053,73 R$ 94.255,73). O contribuinte informou R$ 159.054,05 de rendimentos tributáveis em sua DAA. Logo, a omissão correta seria de R$ 169.743,95. Como a Fiscalização apurou omissão menor, de R$ 160.795,21 e não havendo como aumentar o valor do imposto apurado, a DRJ manteve o valor lançado. Todavia, compusandose a DIRPF do contribuinte, a situação é bem diferente da narrada acima. O contribuinte declarou todos os rendimentos tido como omitidos, inclusive em valores superiores. Destarte, entendo como incorreta a omissão de rendimentos apurada pela Fiscalização, merecendo reforma a decisão de primeira instância e provido o presente recurso. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11060.722951/201530 Acórdão n.º 2201003.933 S2C2T1 Fl. 396 6 Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720204/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 1401-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora de primeira instância para que efetue novo julgamento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora de primeira instância para que efetue novo julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 04 /2 01 4- 56 Fl. 665DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração relativo ao ano calendário de 2010, através do qual se exige IRPJ e seus reflexos, conforme o demonstrativo abaixo: TRIBUTO VALOR ORIGINÁRIO MULTA DE OFÍCIO (75%) JUROS DE MORA TOTAL IMPOSTO DE RENDA IRPJ 2.619.140,77 1.964.355,58 914.603,96 5.498.100,31 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CSLL 2.486.954,06 1.865.215,55 868.444,36 5.220.613,97 TOTAL 5.106.094,83 3.829.571,13 1.783.048,32 10.718.714,28 A Fiscalização apontou 2 infrações, a saber: 1) Glosa de despesas operacionais pela falta de comprovação de sua necessidade, usualidade e normalidade à atividade operacional da pessoa jurídica, relativas a aeronaves, no valor de R$45.443.323,93; 2) Exclusão indevida da apuração do Lucro Real de valor relativo a ganhos no mercado de renda variável, no importe de R$8.295.347,97; Impugnado o lançamento (v. efls. 182/246), sobreveio o Acórdão nº 02 66.993 (v. efls. 475/500), proferido pela 4ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontrase devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de nulidade do Auto de Infração. VERDADE MATERIAL. Em sendo requerido pela Fiscalização todos os documentos e explicações necessários à apreciação do objeto da revisão fiscal e demonstrada a adequada apreciação pelo AuditorFiscal dos elementos apresentados pela contribuinte, não se pode aceitar a alegação de que os autos de infração foram lavrados sem a profundidade necessária do procedimento de fiscalização, violando o princípio da verdade material. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 DESPESAS COM AERONAVES. LUCRO REAL. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis da base de cálculo do IRPJ as despesas relacionadas a aeronaves, uma vez que não ficou provado que a utilização das aeronaves estava intrinsecamente relacionada à produção ou comercialização dos serviços, nem serem necessárias, usuais e normais à manutenção de sua fonte pagadora. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13864.720204/201456 Acórdão n.º 1401002.114 S1C4T1 Fl. 666 3 RENDIMENTOS DECORRENTES DE APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. REGIME DE RECONHECIMENTO. As pessoas que apuram lucro real devem reconhecer as receitas decorrentes da valorização das cotas dos Fundos de Investimentos segundo o regime de competência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme se infere da ementa acima, o lançamento foi considerado procedente in totum. O referido Acórdão foi cientificado à Contribuinte (v. efls. 501/502 e 507) em 22/02/2016, tendo a mesma apresentado seu Recurso Voluntário (v. efls. 509/600) em 18/03/2016. Reproduzo o preâmbulo do Recurso Voluntário para espelhar os argumentos expendidos pela Recorrente em sua petição: Fl. 667DF CARF MF 4 Para evitar sermos repetitivos, no voto abordaremos mais amiúde cada um dos argumentos trazidos pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13864.720204/201456 Acórdão n.º 1401002.114 S1C4T1 Fl. 667 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente a nulidade da decisão recorrida, haja vista ter a mesma deixado de avaliar diversos argumentos que poderiam infirmar a exigência tributária. Relembrando, o Auto de Infração apontou duas infrações: 1) Glosa de despesas operacionais pela falta de comprovação de sua necessidade, usualidade e normalidade à atividade operacional da pessoa jurídica, relativas a aeronaves, no valor de R$45.443.323,93; 2) Exclusão indevida da apuração do Lucro Real de valor relativo a ganhos no mercado de renda variável, no importe de R$8.295.347,97; Em sua impugnação a Recorrente alegou o seguinte em relação a cada uma das infrações: 1ª Infração: glosa de despesas com aeronaves 1) As despesas com depreciação (R$9.758.741,61), as de variação cambial passiva (R$8.221.533,15) e os juros passivos (R$2.290.003,45), todas incluídas nas despesas com aeronaves, teriam sido adicionadas ao lucro líquido, através de ajustes decorrentes do RTT, devidamente informado nas Fichas 09A e 17 da DIPJ; tais ajustes não foram objeto de apreciação pela DRJ/BHE; 2) A DRJ/BHE também não teria levado em consideração a alegação de que a Recorrente teria efetuado a adição de ajustes decorrentes de preços de transferência por conta dos pagamentos realizados a título de contraprestação do arrendamento mercantil das aeronaves, no importe de R$1.564.955,27; 3) Também não teria sido levado em consideração pela DRJ/BHE, a alegação da existência de contrato firmado pela Recorrente com a Companhia Brasileira de Distribuição CBD, cujo objeto seria a cessão do uso das cinco aeronaves pertencentes à mesma, com o recebimento de R$8.400.000,00 no ano calendário auditado. Tais valores teriam sido oferecidos à tributação pela Contribuinte. 2ª Infração: Glosa da exclusão de valor relativo a ganhos no mercado de renda variável, no importe de R$8.295.347,97 Fl. 669DF CARF MF 6 1) A DRJ/BHE não teria considerado a alegação apresentada em sede de impugnação de que a Recorrente teria auferido perdas com a aplicação nos meses de janeiro, abril, maio, junho e novembro, no importe de R$3.601.587,59, devidamente adicionadas ao lucro líquido e registradas no livro razão. Efetivamente, analisando o Acórdão proferido pela DRJ/BHE, não encontramos nenhuma referência às alegações acima. No caso da primeira infração, vejamos como se manifestou a DRJ/BHE: Ultrapassadas as questões de nulidade e verdade material suscitadas, passase à análise do mérito. INFRAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE AS DESPESAS RELACIONADAS A AERONAVES SÃO NECESSÁRIAS, USUAIS E NORMAIS À ATIVIDADE OPERACIONAL DA PESSOA JURÍDICA E À MANUTENÇÃO DE SUA FONTE PRODUTORA E INTRINSECAMENTE RELACIONADAS COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS. Inicialmente, cumpre salientar que dentre os dispositivos legais que dão sustentação ao lançamento fiscal referente à infração em análise – glosa de despesas – o principal deles é o artigo 299 do RIR/1999, a seguir transcrito, que estabelece determinados requisitos a serem atendidos pela pessoa jurídica, para que seus gastos possam ser deduzidos como despesas operacionais: (...) Resta claro da análise do referido dispositivo que são dedutíveis apenas e tão somente as despesas essenciais, indispensáveis à realização das operações exigidas pela atividade da empresa. Com relação as despesas usuais ou normais, cabe salientar que são aquelas que ocorrem de forma cotidiana/habitual na execução do tipo do negócio. A glosa das despesas com as aeronaves também está fundamentada no art. 13 da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, e art. 25 da IN SRF nº 11, de 21/02/1996, a seguir transcritos: (...) Como se vê o art. 25 da IN SRF nº 11, de 1996, lista os bens e veículos que podem ser considerados “intrisecamente relacionados com a produção e comercialização” e, assim, as despesas a esses bens relacionadas seriam passíveis de dedução para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. As aeronaves não se encontram no rol dos veículos listados no dispositivo em comento. Deste modo, a rigor poderseia entender que despesas com este tipo de veículo seriam indedutíveis. Por sua vez, a contribuinte alega que, após celebração de contratos, as aeronaves foram cedidas mediante pagamento, gerando receita que foi oferecida à tributação além de que eram utilizadas por seus diretores na consecução de seu objeto social. Anexou contratos de cessão das aeronaves e alguns diários de bordo. Entretanto, apesar das alegações e documentação anexada, não vislumbro o atendimento ao requisito, previsto no art. 299 do RIR/1999, de ser o arrendamento de tais aeronaves necessário, indispensável ou essencial à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora, devendo ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13864.720204/201456 Acórdão n.º 1401002.114 S1C4T1 Fl. 668 7 Conforme se depreende do voto acima transcrito, a Autoridade Julgadora a quo limitouse a manter a glosa com as despesas realizadas com as aeronaves única e exclusivamente por conta do entendimento de que tais despesas não seriam necessárias, indispensáveis ou essenciais à atividade da empresa e à manutenção da fonte pagadora. Não se referiu, em uma linha sequer, às alegações da Recorrente que, se procedentes, poderiam reduzir em muito a exigência tributária. Continuando nossa análise, vejamos como se manifestou a decisão a quo a respeito da 2ª infração: INFRAÇÃO EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO DE 2010 NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL De acordo com o TVF, a contribuinte foi intimada a justificar a exclusão do valor de R$ 8.295.347,97 do lucro líquido de 2010 na determinação do Lucro Real. Esta, por sua vez, informou que tal valor correspondia a atualização positiva da cota do investimento no Fundo de investimento em ações Santa Rita e que a tributação deste rendimento ocorreria apenas nos resgate das cotas. A autoridade Fiscal concordou com a contribuinte sob o ponto de vista da tributação na fonte, mas discordou sob o ponto de vista da apuração dos tributos com base no Lucro Real o que motivou o acréscimo de R$ 8.295.347,97 da base de cálculo na apuração do IRPJ e CSLL. Assim, segundo a autoridade autuante, a exclusão acima mencionada seria indevida, na medida em que os rendimentos sob análise deveriam ser tributados pelo regime de competência, aplicável como regra à todas as pessoas que adotam o lucro real. Em entendimento diverso, afirma a interessada que os rendimentos em foco só são tributáveis por ocasião da alienação ou resgate das cotas, fato este que justificaria a neutralização do reconhecimento contábil da receita pela exclusão por ela realizada. Há que se analisar, portanto, o correto regime de reconhecimento e tributação dos rendimentos auferidos com a valorização de cotas de investimentos em ações. Especificamente sobre a tributação dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras em renda fixa e variável, entre elas as aplicações feitas nos chamados Fundos de Investimento, o art 770 do RIR/1999 assim dispõe: (...) Regulamentando a norma anteriormente transcrita, a IN 1022/2010, dispôs sobre os momentos em que ocorrem as retenções na fonte ou pagamentos a título de antecipação e, ainda, sobre o regime (caixa ou competência) a ser observado na apropriação dos rendimentos. Abaixo, transcrevo os artigos da referida IN que são de maior relevância para a presente lide: (...) Conforme acima, os rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa e renda variável sujeitamse à incidência na fonte e integram o lucro real, presumido ou arbitrado. Os valores retidos devem ser abatidos do imposto sobre a renda apurado ao fim do período de apuração e, especificamente no caso do lucro presumido ou arbitrado, conforme exceção prevista no inciso II, § 9º do art 55 da IN 1022/2010, a tributação ocorrerá somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título de aplicação. Fl. 671DF CARF MF 8 Notese que a tributação na fonte de que trata o art 55, inciso I, da IN 1022/2010 tem a natureza de mera antecipação do tributo apurado ao fim do regime de apuração, nada revelando sobre o regime de apropriação das receitas correspondentes. Especificamente sobre a forma de apropriação das referidas receitas financeiras, decorrentes de aplicações em títulos de renda fixa ou variável, a legislação acima referenciada previu a adoção do regime de caixa para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido e arbitrado, mas nenhuma menção fez em relação pessoas jurídicas que, como a interessada, apuram o lucro real. Ora, a ausência de exceção expressa autoriza à conclusão de que, no caso do lucro real, prevalece o regime de competência para a apropriação dos rendimentos em análise. É que nesta modalidade de tributação, conforme art 247 do RIR/1999 e 187 da Lei das SA, temse, como regra geral, que as receitas e despesas são reconhecidas pelo regime de competência, à medida em que tenham sido auferidas e incorridas, independentemente do efetivo trânsito financeiro. Diante da regra geral, qualquer exceção deve ser expressamente pontuada pela legislação, de forma que, no caso dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras que decorram da negociação de títulos de renda fixa e variável, na ausência de norma de exceção, prevalece o regime de competência. Desse modo, não há reparos a fazer na quantificação da base de cálculo apurada pela autoridade fiscal, que também esclarece no TVF que " hipoteticamente, o que poderia ser excluído do lucro real no período de 2010, caso houvesse, seria a parcela adicionada de perdas apuradas que excedessem os ganhos auferidos nos mercados de renda variável, em períodos anteriores a 2010, até o limite correspondente à diferença positiva entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas em 2010 nos mesmos mercados de renda variável." Também em relação a essa segunda infração, não se manifestou a DRJ/BHE em respeito à alegação da Recorrente de que teria adicionado à base de cálculo do lucro real o valor de R$3.601.587,59, relativos a perdas que teriam sido incorridas em alguns meses do ano calendário de 2010. Se acatadas, reduziriam em montante considerável a exigência. Observase que, nessa segunda infração, limitouse a DRJ/BHE a discorrer acerca da aplicação do princípio da competência no reconhecimento da receita decorrente de ganhos auferidos em aplicações financeiras. Resta claro, assim, que não foram apreciadas alegações importantes feitas pela Recorrente, limitandose a decisão recorrida às questões gerais, de fundo, relativamente a cada uma das respectivas infrações (necessidade da despesa e regime de apropriação da receita). A Autoridade Julgadora não atentou para o fato de que os argumentos exposados pela Recorrente poderiam influenciar significativamente no quantum a ser exigido. O Decreto nº 70.235/72 orientase pelo princípio do livre convencimento motivado, como se verifica nos seus artigos abaixo reproduzidos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (...) Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13864.720204/201456 Acórdão n.º 1401002.114 S1C4T1 Fl. 669 9 Significa dizer que, ao identificar motivo suficiente para fundamentar sua decisão, o julgador está dispensado de responder a todos os argumentos apresentados pela defesa. Neste sentido, aliás, é a orientação do Superior Tribunal de Justiça: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONCURSO PÚBLICO. EXAME PSICOTÉCNICO. CRITÉRIOS SUBJETIVOS. ANULAÇÃO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INÉPCIA DA INICIAL. INEXISTÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Tendo o Tribunal de origem se pronunciado de forma clara e precisa sobre as questões postas nos autos, assentandose em fundamentos suficientes para embasar a decisão, como no caso concreto, não há falar em afronta ao art. 535, II, do CPC, não se devendo confundir "fundamentação sucinta com ausência de fundamentação" (REsp 763.983/RJ, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJ 28/11/05). 2. "O pedido é aquilo que se pretende com a instauração da demanda e se extrai a partir de uma interpretação lógicosistemática do afirmado na petição inicial, recolhendo todos os requerimentos feitos em seu corpo, e não só aqueles constantes em capítulo especial ou sob a rubrica 'dos pedidos'" (REsp 120.299/ES, Rel. Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, Quarta Turma, DJ de 21/9/98). 3. Agravo regimental não provido. AgRg no REsp 1198331 / DF; Relator(a): Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA; Órgão Julgador: T1 PRIMEIRA TURMA; Data do Julgamento: 07/10/2010; Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2010. AGRAVO REGIMENTAL PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA ACÓRDÃO QUE SE MANIFESTOU EXPRESSAMENTE SOBRE A SUPOSTA OMISSÃO ULTRAPASSADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DEVERIA O RECURSO ESPECIAL ADENTRAR NO MÉRITO INOCORRÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO. Não há cerceamento de defesa ou omissão quanto ao exame de pontos levantados pelas partes, pois ao Juiz cabe apreciar a lide de acordo com o seu livre convencimento, não estando obrigado a analisar todos os pontos suscitados. O órgão judicial para expressar a sua convicção não precisa aduzir comentários sobre todos os argumentos levantados pelas partes. Embora sucinta ou deficiente a motivação, pronunciandose sobre as questões de fato e de direito para fundamentar o resultado, exprimindo o sentido geral do julgamento, não emoldura negativa de vigência aos arts. 458, II, e 535, II, CPC. Cabia ao recorrente suscitar, em recurso especial, violação aos artigos de lei federal que teriam sido malferidos pelo acórdão recorrido ao excluir a Caixa Econômica Federal da lide. Agravo regimental improvido. AgRg no Ag 593721/MG; Relator(a): Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS; Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA; Data do Julgamento: 16/12/2004; Data da Publicação/Fonte: DJ 07/03/2005 p. 210. Entretanto, uma vez apresentado argumento que, no entender da Recorrente, seria suficiente para anular a exigência (por tornála ilíquida e incerta) ou, no mínimo, reduzíla Fl. 673DF CARF MF 10 em valores importantes, e não se manifestando a autoridade julgadora de 1ª instância a este respeito, a apreciação por este Colegiado dessas matérias, novamente trazidas no recurso voluntário, representaria cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo que, a teor do Decreto nº 70.235/72, tem assegurada a possibilidade de ver seu argumento apreciado ao menos por duas instâncias administrativas de julgamento, antes de se tornar definitiva a acusação fiscal. Em tais condições, o Decreto nº 70.235/72 impõe a declaração de nulidade da decisão recorrida: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifei) Não vejo condições de aplicação do § 3º acima transcrito, haja vista que eventual decisão de mérito proferida nesta instância administrativa de julgamento não reúne condições para, por si só, ser classificada como favorável ao sujeito passivo, na medida em que à Fazenda Nacional está assegurado o direito de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais se caracterizada a divergência de entendimento em relação a julgado proferido por outro Colegiado desta Casa. Nesse sentido, não pode a turma do CARF apreciar essas matérias sob pena de incorrer na indesejável supressão de instância, com claro prejuízo ao sujeito passivo, que deixa de ver apreciadas razões relevantes do seu inconformismo nas duas instâncias de julgamento administrativo. De se concluir que o caminho viável para afastar a mencionada omissão é a determinação de nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos à primeira instância para prolação de novo acórdão. É assim que têm sido encaminhadas questões dessa natureza pelas turmas do CARF, como se pode ver das decisões abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13864.720204/201456 Acórdão n.º 1401002.114 S1C4T1 Fl. 670 11 órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. FALTA DE APRECIAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. A falta de apreciação, por parte do acórdão de primeiro grau, de razões recursais aptas a ensejar a reforma ou cancelamento da exigência, implica em cerceamento de defesa via supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões. Decisão Recorrida Nula." Acórdão n.° 2402004.733, de 09/12/2015 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2011 DECISÃO CITRA PETITA. NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões. Decisão recorrida nula. Acórdão nº 3201002.876, de 26 de junho de 2017 Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 675DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.001671/2003-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LC
Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de escritórios de serviços contábeis no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
Numero da decisão: 9101-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas -Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LC Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de escritórios de serviços contábeis no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 16 71 /2 00 3- 76 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de processo originado pedido de inclusão retroativa no Simples Federal, apresentado em 29/05/2003 (fls. 2). O requerimento foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo, pelas razões seguintes (fls. 19/20): (...) Entretanto, ao analisar a documentação apresentada pela empresa foi verificado no Contrato Social, fls. 02 e , verificouse que objetivo social da empresa é “PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE FATURAMENTO, CONTAS A PAGAR, A RECEBER E SERVIÇOS AUXILIARES DE ESCRITÓRIO”. A IN SRF nº 250, de 26/11/2002, diz em seu artigo 20: “Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: ... XII – que preste serviços profissionais de ..., contador, ... ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.” Face o exposto acima, proponho o indeferimento do processo, tendo em vista que o contribuinte se enquadra em uma das hipótese de Vedação à Opção. Após requerimento do contribuinte para reforma desta decisão (fls. 23), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas manteve o indeferimento à adesão ao Simples, conforme acórdão ementado da forma seguinte (fls 32): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 OPÇÃO. VEDAÇÃO. CONTADOR. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que desempenhem atividades de contador ou a elas assemelhadas. Solicitação indeferida. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13819.001671/200376 Acórdão n.º 9101003.261 CSRFT1 Fl. 126 3 Destaquese trecho do voto condutor do acórdão da DRJ de Campinas: Oportuno salientar que, analisando o significado do termo "assemelhado" constante do inciso XIII, do referido art. 9°, concluise que sua interpretação seja no sentido de que a relação de atividades desse dispositivo não seria exaustiva, incluindo qualqu'er atividade de prestação de serviço que tenha similaridade ou semelhança com aquelas enumeradas. Nessa linha de raciocínio, e tendo em conta que a vedação é para "a pessoa jurídica:que preste serviços profisisionais de", devese assentar o fato de que basta o exercício da prestação dos serviços vedados, com ou sem supervisão, assinatura ou execução por Profissional regulamentado) para que a opção pelo Simples seja vedada. Diante disso, mesmo que os serviços sejam 1 prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não qualificada, a pessoa jurídica não poderá permanecer no regime simplificado. Dessa forma, como o objeto social engloba, entre outros serviços, a soma de faturamento, levantamento de valores a pagar e a receber, o que se assemelha a prestação de serviços de contador, concluise que, de fato, há vedação à opção pelo Simples. A Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 57/60): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 SIMPLES. ATIVIDADE ECONÔMICA. INCLUSÃO. CABIMENTO. O exercício de atividades de escritório de serviços contábeis, por pessoas jurídicas que as exerçam com exclusividade ou as que exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedações no caput do artigo 17 da Lei Complementar n° 123/2006, é permitido por expressa disposição legal) SIMPLES. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. A intenção inequívoca de aderir ao Simples caracterizase pelo pagamento mensal por meio de DARF e a apresentação da Declaração Anual Simplificada, desde que não haja quaisquer outros óbices de natureza legal à opção. Situação em que o permissivo do art. 106 do CTN, admite a possibilidade de retroatividade benigna da data de inclusão na sistemática do Simples. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 05/05/2009 (fls. 63), que interpôs recurso especial em 27/05/2009 (fls. 64), sustentando divergência a respeito da Fl. 127DF CARF MF 4 retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006 para legitimar a permanência da contribuinte no Simples Federal, com os paradigmas nº: (i) 30335326, nos seguintes termos: "a alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo Simples não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, para efeito de reincluir contribuinte regularmente excluído com base na legislação vigente à época do ato.” (ii) 30132325, no qual se decidiu: "Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculo (...) contador, auditor, consultor. (....) e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.” O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (fls. 94/95) Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. O voto do relator do acórdão recorrido conclui pela aplicação retroativa da LC nº 123/2006, entendendo que a restrição constante da lei vigente à época do fato julgado, a Lei nº 9.317/96, autorizaria a incidência do art. 106, do CTN. Em sentido inverso é o entendimento dos acórdãos paradigmas, qual seja, da impossibilidade de aplicação retroativa da LC nº 123, devendo ser considerada a atividade exercida pela empresa sob a égide da Lei nº 9.316/96, aplicandose a restrição da opção ao SIMPLES para pessoas jurídicas que prestem serviços de contador ou assemelhados. Destarte, em vista do exposto DOU SEGUIMENTO ao recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional. O contribuinte foi intimado em 15/06/2010 (fls. 97), apresnetando contrarrazões ao recurso especial em 25/06/2010, requerendo seja negado provimento ao recurso especial. Alega o contribuinte que: (i) O tratamento jurídico diferenciado é assegurado pela Constituição Federal; (ii) Teria sido excluída pelo exercício de atividade “assemelhada” à de contador, qual seja: “serviços de faturamento, contas a pagar, a receber e serviços auxiliares de escritório”, mas tal atividade não seria assemelhada para fins de restrição ao acesso ao Simples Federal; (iii) O emprego de analogia implicaria na exigência de tributo sem previsão legal; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13819.001671/200376 Acórdão n.º 9101003.261 CSRFT1 Fl. 127 5 É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Inicialmente, não conheço das alegações do contribuinte quanto a eventuais inconstitucionalidades, em respeito à Súmula CARF nº 2 ("o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária"). O recurso especial trata de um único tema: retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, que foi o fundamento do acórdão recorrido para assegurar a inclusão do contribuinte no Simples Federal. Reconheço a tempestividade do recurso especial e a demonstração da divergência na interpretação da lei tributária com relação ao tema (retroatividade da LC 123/06), adotando a decisão do Presidente de Câmara para conhecer o recurso neste ponto. A Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário unicamente por entender pela aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006, como se verifica do voto condutor, integralmente colacionado a seguir: Outrossim, a LC 123/06, revogadora da Lei n° 9.317/96, no inciso XXVI do § do seu art. 17, estabeleceu que as vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades de escritórios de serviços contábeis, ou as que exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedações no 'caput do referido artigo. O inciso XXVI desse artigo expressamente autoriza a realização de serviços contábeis, de conceito genérico, portanto, passível de interpretação extensiva. Logo, nesse contexto encontrase inserida a atividade laborai da Recorrente, pouco importando se este serviço é da competência de Contador, ou assemelhado, eis que sobre essa atividade laboral não mais paira óbice de natureza jurídica. Com efeito, a Lei Complementar nº 123/2006, com redação alterada pela Lei Complementar nº 128/2008, autorizou a inclusão de escritórios de serviços contábeis no Simples Nacional, como expressamente consta do artigo 18, III: Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte, optante pelo Simples Nacional, será Fl. 129DF CARF MF 6 determinado mediante aplicação das alíquotas constantes das tabelas dos Anexos I a VI desta Lei Complementar sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo, observado o disposto no § 15 do art. 3º. (...) § 5ºD Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar: (...) VII – escritórios de serviços contábeis; No entendimento da Turma prolatora do acórdão recorrido, a Lei Complementar nº 123/2006, modificada pela LC 128, poderia ser aplicada retroativamente, justificando a inclusão do contribuinte no Simples Federal. Entendo equivocada a decisão recorrida neste ponto, afinal, não há fundamento legal para retroatividade da legislação que trata do regime simplificado (Simples Nacional) estabelecido pela Lei Complementar nº 123/2006 , para assegurar a opção quanto ao Simples Federal que tem regramento próprio, em especial a Lei nº 9.317/1996. O artigo 106, I, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a retroatividade, limitase à hipótese de norma interpretativa, que exclua a aplicação de penalidade, hipótese distinta do caso dos autos. É o teor do artigo 106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, destaco o Enunciado da Súmula do CARF impedindo a retroatividade em casos de atividade anteriormente vedada, verbis: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Em julgamento realizado em 13 de março de 2017, esta Turma da CSRF decidiu pela impossibilidade de aplicação da Lei Complementar nº 123 de forma retroativa, conforme acórdão 9101002.574 do qual se transcreve ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 SIMPLES. LEI 9.317/1996. ACADEMIA DE GINÁSTICA. ATIVIDADE VEDADA. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13819.001671/200376 Acórdão n.º 9101003.261 CSRFT1 Fl. 128 7 As academias de ginástica exercem atividades assemelhadas às de fisicultor, sendo vedada a opção pelo Simples Federal, nos termos do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DESTA LC Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de academias de ginástica no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso especial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006. Esclareço que, em seu recurso especial, a Procuradoria pleitea seja mantida a “exclusão do interessado do Simples”, pedido que não é integralmente acolhido pelo presente voto. Isto porque a Turma a quo não analisou de forma suficiente a matéria que lhe foi devolvida pela interposição de recurso voluntário – notadamente o cerne da discussão no processo administrativo relacionado à interpretação do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. Diante disso, proponho a baixa dos autos para complemento ao julgamento pela Turma a quo e, assim, voto pelo provimento parcial ao recurso especial. Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06. Voto, ainda, pela baixa dos autos para pronunciamento da Turma quanto ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 e documentos constantes dos autos. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 131DF CARF MF
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