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Numero do processo: 15374.919864/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja proferida nova decisão no processo 15374.919865/2008-36, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja proferida nova decisão no processo 15374.919865/2008-36, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 877 1 876 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.919864/200891 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.250 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2014 Assunto DCOMP Recorrente TELE SUDESTE CELULAR PARTICIPAÇÕES S/A (SUCEDIDA POR VIVO PARTICIPAÇÕES S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que seja proferida nova decisão no processo 15374.919865/200836, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 19 86 4/ 20 08 -9 1 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.919864/200891 Resolução nº 1402000.250 S1C4T2 Fl. 878 2 Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação relativo ao suposto saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001. Por bem retratar o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: Versa este processo sobre compensações/restituições identificadas pelo PER/DCOMP com demonstrativo de crédito nº 10864.52125.130104.1.3.020499. Através do Despacho Decisório nº 790536160 (fl. 8), não foi homologada a compensação declarada e foi indeferido o pedido de restituição/ressarcimento. O referido despacho contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$20.179.295,04 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$6.349.652,15 De acordo com a consulta à fl. 7, o AR foi devolvido. Houve afixação de Edital, nos CAC da DeratRio, de 17/11/2008 a 02/12/2008 (fls. 67/70). O interessado apresentou defesa em 20/03/2009 (fls. 10/16). Alega, em síntese, que: previamente à intimação por edital, o Fisco realizou frustrada tentativa de intimação por AR no Rio de Janeiro, onde ficava a sede da antiga Tele Sudeste Participações S/A, incorporada pela Vivo Participações S/A, empresa com sede em São Paulo (a incorporação é de conhecimento da Receita Federal); o não cumprimento da intimação por AR decorreu de erro cometido pelo próprio Fisco, sendo ilegítima a intimação por edital, que, ademais, foi afixado no Rio de Janeiro; em razão do exposto, a manifestação de inconformidade deve ser admitida; a não homologação fundouse única e exclusivamente nas divergências entre a DIPJ e os pedidos de compensação e restituição transmitidos; Fl. 880DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.919864/200891 Resolução nº 1402000.250 S1C4T2 Fl. 879 3 mero erro formal não pode desvirtuar a análise do direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade material. Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls. 71/92. A turma julgadora a quo julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 3.001.712,13, uma vez que reconhecido o direito à dedução do imposto de renda retido na fonte pleiteado. Deixouse de deferir o crédito concernente às estimativas mensais supostamente compensadas diretamente na escrituração, declaradas em DCTF e informadas em DIPJ ante a ausência da comprovação material de tal fato (R$ 3.347.940,02). Cientificado da decisão recorrida em 31 de janeiro de 2011, a Interessada apresentou recurso voluntário em 28 de fevereiro de 2011, aduzindo, em resumo, que: embora a PERDCOMP indicasse como suposto saldo negativo o montante de R$ 20.179.295,04, teria havido um erro formal, sendo correto o valor consignado na DIPJ transmitida, no valor de R$ 6.3449.652,15, valor mais do que suficiente para fazer frente às compensações declaradas; os valores informados em DCTF e consignados na DIPJ seriam suficientes para reconhecimento do direito creditório; a origem do crédito utilizado para compensação das estimativas teria origem no saldo negativo relativo ao anocalendário de 2000, formado a partir de 3 (três) DIPJ transmitidas pela empresa tendo em vista as operações de incorporação (PA 01.01.2000 a 27.10.2000) doc. n° 06 e cisão parcial (28.10.2000 a 30.11.2000) doc. n° 07, além da DIPJ regular (01.12.2000 a 31.12.2000). Pleiteia, ao final, o reconhecimento do crédito indeferido pela decisão recorrida. É o relatório. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.919864/200891 Resolução nº 1402000.250 S1C4T2 Fl. 880 4 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. A controvérsia diz respeito ao reconhecimento de créditos referentes a estimativas do anocalendário de 2001, cujo adimplemento se deu mediante compensação com suposto saldo negativo formado no anocalendário de 2000. O processo relativo ao saldo negativo do anocalendário de 2000 encontrase ainda em litígio, mais precisamente no bojo dos autos nº 15374.919865/200836. Nesta mesma sessão tal processo foi levado a julgamento (acórdão nº 1402001.649), decidindo este Colegiado, por unanimidade de votos, “anular o processo desde o despacho decisório prolatado pela Unidade Local da RFB para que nova decisão seja proferida com análise das DIPJs apresentadas, retomandose a partir daí o rito processual”. Desse modo, para concluirse sobre a correição, ou não, das estimativas cujo crédito ora se pleiteia, necessário se faz aguardar a decisão no processo 15374.919865/2008 36. Isso posto, voto por sobrestar os presentes autos até que sobrevenha decisão nos autos nº 15374.919865/200836 a respeito do saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2000, origem do crédito utilizado para quitação das estimativas mensais que compõem o saldo negativo do anocalendário de 2001, objeto da presente lide. Em caso de não reconhecimento do crédito, ou reconhecimento parcial no processo nº 15374.919865/200836, havendo interposição de recurso voluntário, os autos deverão ser encaminhados para julgamento conjunto com este processo. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 882DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005687/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
FASE DE AUDITORIA. DEVER DE INVESTIGAR
Desde que não ofenda a legalidade, é livre a autoridade fiscal para empreender sua fiscalização segundo a técnica que julgue mais adequada. Eventual insatisfação quanto aos resultados da fiscalização somente encontra foro, no âmbito administrativo, após a instauração válida do contencioso fiscal.
NULIDADE DE LANÇAMENTO
Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária.
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
PAGAMENTO SEM CAUSA
Tanto a glosa de despesa, quanto a imposição da cobrança do IRRF, em relação ao pagamento sem causa, são legais, autorizadas por lei e, por conseguinte, não há que se cogitar da ocorrência de bis in idem.
MULTA QUALIFICADA
A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo-se como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido.
Numero da decisão: 1401-001.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, por maioria, NEGAR provimento. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator) e Sérgio Luiz Bezerra Presta que cancelavam o IRFonte e desqualificavam a multa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luíz Giomes de Mattos. Apresentará Declaração de Voto o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator MAURÍCIO PEREIRA FARO não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram do julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 FASE DE AUDITORIA. DEVER DE INVESTIGAR Desde que não ofenda a legalidade, é livre a autoridade fiscal para empreender sua fiscalização segundo a técnica que julgue mais adequada. Eventual insatisfação quanto aos resultados da fiscalização somente encontra foro, no âmbito administrativo, após a instauração válida do contencioso fiscal. NULIDADE DE LANÇAMENTO Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA Tanto a glosa de despesa, quanto a imposição da cobrança do IRRF, em relação ao pagamento sem causa, são legais, autorizadas por lei e, por conseguinte, não há que se cogitar da ocorrência de bis in idem. MULTA QUALIFICADA A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo-se como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido.
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, por maioria, NEGAR provimento. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator) e Sérgio Luiz Bezerra Presta que cancelavam o IRFonte e desqualificavam a multa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luíz Giomes de Mattos. Apresentará Declaração de Voto o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator MAURÍCIO PEREIRA FARO não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram do julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.005687/201137 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.135 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2014 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA FERROLIGAS MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 FASE DE AUDITORIA. DEVER DE INVESTIGAR Desde que não ofenda a legalidade, é livre a autoridade fiscal para empreender sua fiscalização segundo a técnica que julgue mais adequada. Eventual insatisfação quanto aos resultados da fiscalização somente encontra foro, no âmbito administrativo, após a instauração válida do contencioso fiscal. NULIDADE DE LANÇAMENTO Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA Tanto a glosa de despesa, quanto a imposição da cobrança do IRRF, em relação ao pagamento sem causa, são legais, autorizadas por lei e, por conseguinte, não há que se cogitar da ocorrência de bis in idem. MULTA QUALIFICADA A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendose como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 56 87 /2 01 1- 37 Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, por maioria, NEGAR provimento. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro (Relator) e Sérgio Luiz Bezerra Presta que cancelavam o IRFonte e desqualificavam a multa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luíz Giomes de Mattos. Apresentará Declaração de Voto o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator MAURÍCIO PEREIRA FARO não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram do julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: I – Do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal Mediante o processo em epigrafe foram lavrados os autos de infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Renda Retido na Fonte, relativos ao anocalendário de 2008, sob a fundamentação da constatação de Custos, Despesas Operacionais e Encargos – Despesas não necessárias/Não dedutíveis e Pagamentos sem causa, respectivamente, conforme fls. 03 a 25, com as informações constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 26 a 64, (observese que na digitação do processo, para as fls. 26 a 24, foi consignado o título “Auto de Infração Complementar”. Na verdade tratase efetivamente do Termo de Verificação Fiscal), do qual se extraem os seguintes trechos, inclusive os destaques: Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 4 3 “Analisandose informações extraídas da DIPJ 2009, ano calendário 2008 (anexo DIPJF), item 03 da ficha 06A, {Receita de Venda de Produtos de Fabricação Própria Mercado Interno) as vendas no mercado interno da MINASLIGAS totalizaram no ano de 2008 R$ 193.016.265,67. A partir dos bancos de dados da RFB, apurouse que a MINASLIGAS contratava, no exercício de 2008, diversas empresas que lhe prestavam serviços em setores importantes de suas atividades. Dentre esses prestadores de serviço, encontrase a CENTRIUM Representações e Participações Ltda, doravante denominada CENTRIUM, cujo CNPJ é 04.745.157/000105. No "Contrato de Representação Comercial" apresentado, firmado entre a MINASLIGAS e a CENTRIUM (anexo DOCCENTRI1 e 2) e assinado em 1 a 20/12/2007, encontrase previsto em sua cláusula que a CENTRIUM representará a MINASLIGAS na intermediação comercial de produtos de sua fabricação no mercado interno. Sua cláusula 4 a estabelece que será devida uma comissão de 6% (seis por cento) sobre o valor dessas vendas e que as mesmas serão pagas mensalmente, contra apresentação de Nota Fiscal de Serviço (figura 01). Nesse mesmo contrato, a cláusula 3 a determina que os preços serão fixados pela MINASLIGAS e que a CENTRIUM não poderá alterálos, conceder descontos ou abatimentos sem a prévia autorização daquela Após cruzamento de informações, constatouse que a CENTRIUM pertencia aos sócios José Rodrigo de Machado Zica, Tadeu Machado Zica e Paulo Cezar Fialho, exatamente os mesmos diretores e acionistas controladores da MINASLIGAS relacionados no quadro 01. Concluiuse também que a totalidade do faturamento bruto da CENTRIUM é proveniente exclusivamente de pagamentos efetuados pela MINASLIGAS. Toda essa operacionalização contábil e financeira intermediada pela CENTRIUM, empresa tributada pelo Lucro Presumido, cujos resultados foram distribuídos supostamente como lucros diretamente aos seus sócios, também dirigentes da MINASLIGAS, sem a incidência, nesta última, do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido), demonstra que havia um claro propósito de aumentar com essa operação as despesas da MINASLIGAS, visandose unicamente a redução de sua carga tributária. Portanto, os recursos repassados pela MINASLIGAS a título de pagamentos de supostos serviços prestados pela CENTRIUM que embora os tenha intermediado, em grande parte não os viu sequer transitarem por suas contas bancárias (subtítulo 5.6) , foram irregularmente deduzidos como despesas da MINASLIGAS na apuração de seu lucro real. Demonstrada a não ocorrência da contraprestação de serviços necessária à consumação da operação que envolve a intermediação de vendas Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 5 4 de seus produtos no mercado interno, visto que a mesma foi efetuada de fato pela própria MINAS LIGAS, ficando patente a inexistência de causa aos pagamentos efetuados. Tendo ainda sido formalizados documentos para justificar a transferência desses recursos aos sócios da CENTRIUM e também acionistas majoritários da MINASLIGAS e consequente contabilização como despesas dessa última visando à redução de tributos devidos, fica caracterizado o evidente intuito de fraude, a justificar uma penalidade agravada. Por conseguinte, restando comprovada a manifesta intenção do contribuinte em obter vantagens indevidas em matéria tributária, estando presente o dolo na adoção de procedimentos irregulares que majoraram de forma fictícia as despesas, visando mascarar a ocorrência do fato gerador de imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, ensejase a aplicação da multa qualificada” Informa ainda a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais e no tópico 6.4 trata do Imposto de Renda na Fonte – Pagamento sem causa, registrando: “Com os elementos colhidos e elencados no presente Termo de Verificação Fiscal, permitese concluir que as provas indiciárias estão precisas e convergentes. Buscouse a verdade por coerência e correspondência: houve o pagamento à empresa pelo suposto serviço prestado, mas ficou claro a não ocorrência de fato da operação, da causa, ou seja, da prestação do serviço que justificasse o mesmo. Devese salientar que a tributação exclusiva na fonte independe da glosa de despesas efetuada ou mesmo do regime de tributação adotado (lucro real, lucro presumido, lucro arbitrado ou optante pelo Simples). A infração agora tratada tem por objetivo a tributação dos beneficiários dos rendimentos por meio da cobrança do imposto exclusivo na fonte, por ocasião do pagamento. Rendimentos estes, por sinal, que não sofreram qualquer incidência tributária. A tributação, portanto, não guarda correlação com a determinação do imposto (IRPJ) pela pessoa jurídica pagadora e, em consequência, independe do regime de tributação adotado. Dessa forma, basta haver o pagamento sem a devida contraprestação para caracterizarse a ocorrência do fato gerador da tributação exclusiva. Demonstrada, portanto, a não ocorrência da contraprestação de serviços necessária à consumação da operação que compreende a intermediação de vendas de seus produtos no mercado interno, visto que a mesma foi efetuada de fato com a utilização de recursos, mão de obra, supervisão e infraestrutura da própria MINASLIGAS, fica patente a inexistência de causa aos pagamentos efetuados, implicando na tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores supostamente pagos pelo serviço, à alíquota de trinta e cinco por cento.” II – Da impugnação Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 6 5 Em sua impugnação de fls. 846 a 1003, a interessada destaca no preâmbulo que: “CIA. FERROLIGAS MINAS GERAIS MINASLIGAS, pessoa jurídica sediada na Av. Kenzo Miyawaki, n° 1120, Distrito Industrial Ministro Jorge Vargas, Município de Pirapora/MG, CNPJ n° 16.933.590/000145, inconformada, em parte, com os autos de infração dos quais foi intimada em 13/7/2011, vem, por seus procuradores infraassinados (instrumento de mandato anexo), nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72 1 , apresentar IMPUGNAÇÃO PARCIAL, com base nas razões de fato e de direito expostas a seguir.” No tópico I – A INFRAÇÃO IMPUTADA, a recorrente resume o que consta nos respectivos autos de infração. No tópico II – BREVE ESCLARECIMENTO A RESPEITO DOS FATOS E DELIMITAÇÃO DA DEFESA, contesta as conclusões da fiscalização, ressalvando que: “Pois bem, apesar de a contribuinte discordar veementemente da totalidade do lançamento e de ter ficado extremamente incomodada com as acusações e adjetivações dirigidas a ela, (i) como o idealizador da Centrium faleceu (e apenas ele poderia fornecer alguns dos detalhes cruciais), (ii) a Minasligas deseja preservar a memória de seu sóciofundador, Dr. José Rodrigo Machado Zica, (iii) a autuada se reserva o direito de não expor aos clientes dela a existência do presente lançamento (já que eles não foram acionados antes, não será a contribuinte que irá importunálos com isso) e (iv) a refutação das alegações fiscais demandaria não só a divulgação do caso a terceiros, mas também caríssimas análises econômicas (demonstrando a evolução da Minasligas em função da relação dela com a Centrium), a interessada, esforçandose para demonstrar que a pecha de sonegadora não lhe cabe, resolveu pagar, à vista, o IRPJ e a CSLL decorrentes da glosa de despesas, quase seis milhões de reais 2 (DARFs anexos). A petição protocolada em 27/7/2011 (anexa) esclarece, em detalhes, os valores que compõem a parte não litigiosa do lançamento 3.” No tópico III – VIOLAÇÃO AO ART. 10, IV, DO DECRETO Nº 70.235/72. NULIDADE DO LANÇAMENTO, conclui que: “Portanto, levando em conta que o lançamento referente ao IRF reportase a um decreto regulamentador e não à lei em sentido formal, ele é irremediavelmente nulo.” No tópico IV – PAGAMENTO SEM CAUSA, argumenta que “Ora, não há dúvida de que houve alguma prestação de serviços (ainda que o Fisco queira tachálos de simples, insuficientes, enfim). Não é esse o ponto: a controvérsia se circunscreve ao preço pago. Por considerar que os serviços executados pela Centrium não justificariam os valores pagos a ela, a fiscalização lançou imposto de renda de fonte, pois, supostamente,l não Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 7 6 haveria razão para transferir tais quantias (a falta de causa diria respeito ao preço pago). É importante frisar, contudo, que suspeita de superfaturamento não configura a hipótese de incidência descrita no artigo 61 da Lei 8.981/95. De fato, identificado o beneficiário e o porquê do pagamento (ainda que a natureza e a efetividade da operação sejam questionadas), não há que se falar em tributação a título de pagamento sem causa:” A impugnante insere ementas de decisões administrativas, e continua: “As palavras da fiscalização reforçam esse ponto de vista: n A infração agora tratada tem por objetivo a tributação dos beneficiários dos rendimentos por meio da cobrança do imposto exclusivo na fonte, por ocasião do pagamento. Rendimentos estes, por sinal, que não sofreram qualquer incidência tributária. A afirmação não procede, data venia. A Centrium sofreu retenção na fonte e pagou os tributos incidentes sobre a receita bruta dela 5 (quadro à fl. 59, Informe, DACONs, DIPJ e DARFs anexos). Se a tributação em foco objetiva alcançar aquele que recebeu valores e não pagou os tributos incidentes, e, no presente caso, os tributos devidos foram adimplidos (CND anexa), não resta a menor dúvida de que a tributação prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 não atinge a autuada:” Novamente insere entendimentos administrativos, e assinala: “Observese, por outro lado, sob pena de grave ofensa aos princípios do não confisco 6 e da razoabilidade 7 , que o mesmo fato/valor que servir de base para o lançamento suplementar de IRPJ e CSLL em decorrência de glosa de despesas não pode sofrer a tributação prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/95.” No tópico V – MULTA QUALIFICADA, afirma que a fiscalização não logrou demonstrar o evidente intuito de fraude necessário à aplicação da multa majorada. No tópico VI – NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO, entende que esta incidência não encontra respaldo legal, concluindo: “Diante disso, a impugnante pede não.só que esta DRJ enfrente a questão (de maneira explícita), mas também que determine o fim dessa sobretaxação.” Por fim, no tópico VII – PEDIDO, conclui: “Ante o exposto, a impugnante requer o acolhimento da presente defesa, para que o auto de infração relativo ao IRF seja anulado, cancelado ou julgado totalmente Improcedente e as multas de 150% impostas à autuada nos AI referentes ao IRPJ e à CSLL sejam prontamente desqualificadas. Por outro lado, nos precisos termos do parágrafo 4 o , "a", do art. 16 do Decreto 70.235/72 14 , do artigo 38 da Lei n° 9.784/1999 15 , do princípio da verdade Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 8 7 material 15 e da maciça jurisprudência favorável 17 , a impugnante requer a juntada posterior de documentos, pugnando, desde já, pela análise deles no momento do julgamento.” Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, indeferir a impugnação, conforme consta na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade das normas tributárias regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. MULTA QUALIFICADA A conduta que tenha a finalidade de impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendose como resultado, a efetiva supressão de tributo, está sujeita à multa de 150% aplicada sobre a totalidade do tributo omitido. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Os documentos constantes do presente processo demonstram que os juros de mora incidiram unicamente sobre os tributos. ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 FASE DE AUDITORIA. DEVER DE INVESTIGAR Desde que não ofenda a legalidade, é livre a autoridade fiscal para empreender sua fiscalização segundo a técnica que julgue mais adequada. Eventual insatisfação quanto aos resultados da fiscalização somente encontra foro, no âmbito administrativo, após a instauração válida do contencioso fiscal. NULIDADE DE LANÇAMENTO Verificada nos autos a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 9 8 comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA Tanto a glosa de despesa, quanto a imposição da cobrança do IRRF, em relação ao pagamento sem causa, são legais, autorizadas por lei e, por conseguinte, não há que se cogitar da ocorrência de bis in idem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão de Primeira Instância, a Companhia Ferro Ligas Minas Gerais interpôs Recurso Voluntário É o relatório. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração visando a cobrança de IRPJ e CSLL, bem como de IRFFonte, em decorrência de glosas de despesas apuradas, bem como da aplicação da multa qualificada e de juros sobre a multa. Em decorrência do pagamento efetuado e comprovado nos autos no que tange ao IRPJ e a CSLL, no valor de quase R$ 6.000.000,00 (seis milhões) entendo que o presente caso versa quanto a incidência do IRFfonte, aplicação da multa qualificada, e juros sobre a multa. Contudo, antes de adentrar ao mérito, é necessário analisar a preliminar de nulidade levantado pela Recorrente. I. Da Nulidade do Lançamento pela violação do artigo 10, IV do Decreto 70.235/72. A Recorrente alega nulidade do Auto de Infração, uma vez que no mesmo somente constaria o enquadramento legal referente aos artigos 674 e 675 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000 de 1999), sendo que de acordo com o Decreto 70.235/72 deveria constar infração a disposição de lei, e não somente de decreto. Completamente infundada a alegação da Recorrente, uma vez que o Regulamento de Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999) é a compilação de todas as leis referentes a tributação sobre a renda reunidas. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 11 10 Não merece nenhum amparo alegação da corrente, uma vez que resta clara qual seria a infração apontada no auto de infração (pagamento sem causa), sendo inclusive possível a defesa a Recorrente. Nesse ponto, não vislumbro nenhum nulidade, motivo pelo qual entendo este ponto estar superado, e passo a analise do mérito. II. Do Pagamento sem Causa Conforme relatado, além de glosar diversas despesas contabilizadas pelo contribuinte, por insuficiência de comprovação, o Fisco ainda lançou o IRFonte sobre os mesmo valores referente as glosas de despesas incorridas pela Recorrente, por entender se tratar de pagamento sem causa. No que tange ao Decreto 3.000/99(Regulamento do Imposto de Renda), os artigos 674 e 675, assim dispõe: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 1º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). De igual forma assim também dispõe a incidência do IRFonte no artigo 61 da Lei nº 8981/1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 12 11 pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Bem, no presente caso percebese que que houve a identificação da empresa recebedora do dinheiro (empresa Centrium), ocasião em que percebese que há a indicação do beneficiário no presente caso. Além disso, também consta nos autos a identificação de que houve serviços prestados pela empresa Centrium para a Recorrente, ainda que os mesmos não tenham sido em vultosas quantidades, inclusive identificados pela próprio fiscalização no sentido em que houve gastos gerados pela empresa. Gastos estes que, geraram, equivocadamente, as supostas despesas dedutíveis para a Recorrente, que diante da fiscalização efetuou o pagamento de aproximadamente 6 (seis) milhões de reais quando da autuação fiscal pertinente a este ponto. Nesse sentido, percebese que a Recorrente, diante do planejamento tributário que realizou para dedutibilidade de despesas, já arcou com a tributação referente a esta infração, ou seja, já suportou a tributação referente a glosa de despesas. Assim, aplicar à mesma contribuinte a penalidade de IRFonte, quando da contrapartida da glosa de despesas, a meu ver, seria tributar duas vezes pelo mesmo ato, sendo que nesse caso as duas infrações não se confundem. Nesse sentido já se posicionou este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARFMF: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1998 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. A tributação do IRFonte por pagamento sem causa, não se confunde com a glosa de despesas, por falta de comprovação da necessidade, ainda que baseados nos mesmos elementos de prova. Toda a constatação de que a empresa efetivamente realizou os pagamentos, não autoriza, por si só, a tributação do IRfonte com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995. Recurso Voluntário Provido. (CARF, 1ª Seção, 4ª Camara, 2ªTurma Ordinária, Acordão 140200.441, Processo 18471.002033/200283, Relator Conselheiro Antônio José Praga, Julgamento em 24/02/2011) Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 13 12 IRRF. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO DE IRPJ. NE BIS IN IDEM. INCIDÊNCIA ÚNICA DE TRIBUTO SOBRE A MESMA BASE DE CÁLCULO. Desde a edição da Lei nº 9.249/96, em critério legislativo alternativo, busca se privilegiar, sempre que possível, a incidência do tributo ou em face da pessoa jurídica, ou perante a pessoa física (os sócios). Dessa maneira, impossível conceber o lançamento de IRRF em consideração, espeque em “pagamentos sem causa”, acaso estes já tenham ensejado glosas de deduções em face do lucro real, com a consequente formalização do IRPJ sonegado.(CARF, 1ª Seção, 1ª Camra, 1ª Turma Ordinária, Acordão 1101 000.767, Processo nº 16095.000.724/200766, Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Julgamento em 05/06/2012) Logo, diante desses pontos , entendo que deverá ser afastada a incidência do IRFonte no presente caso, sobe pena de estar penalizando duas vezes a mesma contribuinte, motivo pelo qual acolho e dou provimento ao Recurso Voluntário quanto a este ponto. III. Da Multa Qualificada Com o acolhimento das razões quanto ao tópico anterior, não seria necessário a análise do presente tópico em decorrência da exoneração do crédito tributário supra, contudo, pelo princípio da eventualidade merece comentário acerca da qualificação da multa tratada no presente caso. Para a Fiscalização aplicar a multa qualificada, há que restar provado, ao menos, a existência da sonegação ou da fraude. Tanto a fraude quanto a sonegação correspondem, segundo os art. 71 e 72, da Lei n° 4.502/64, a atos comissivos ou omissivos que visem impedir ou retardar a constituição do crédito tributário ou a sua satisfação. Depreende se, ainda, da leitura dos dispositivos acima transcritos que, para aplicar a multa qualificada, é necessário observar a existência do elemento subjetivo — dolo — para caracterizar o intuito (dolo direto), ou o risco assumido (dolo indireto), de fraudar ou de sonegar. Sustenta a decisão recorrida que, no caso em tela, resta justificada a aplicação da multa no percentual de 150% pela ocorrência dos ilícitos previstos na Lei n° 4.502/64, conclusão a que se chegou em razão dos fatos e situações que teriam sido colhidos dos autos do presente processo e que demonstram clara intenção em reduzir, indevidamente, o montante de tributos a recolher, haja vista que, a Recorrente realizou pagamentos a Centrium e deduziu despesas de seu lucro real. Nesse aspecto, também entendo que merece reforma a decisão recorrida. Isso porque, para que ocorra a fraude definida pelo artigo 72 da Lei n.º 4.502/64 como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento” é necessário demonstrar não que o contribuinte teve a intenção de pagar menos imposto, mas que ele teve a intenção de empregar meios ilícitos, “fraudulentos”, para obter a economia fiscal desejada. É o que se depreende, inclusive, da leitura de dispositivos da Lei n.º 8.137/90, que define os crimes contra a ordem tributária, nos seguintes termos: Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 14 13 “Artigo 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II FRAUDAR a fiscalização tributária, INSERINDO ELEMENTOS INEXATOS, OU OMITINDO OPERAÇÃO DE QUALQUER NATUREZA, EM DOCUMENTO OU LIVRO EXIGIDO PELA LEI FISCAL; (...).” “Artigo 2° Constitui crime da mesma natureza: I FAZER DECLARAÇÃO FALSA OU OMITIR DECLARAÇÃO SOBRE RENDAS, BENS OU FATOS, OU EMPREGAR OUTRA FRAUDE, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...)” (não destacados no original). Como se percebe pela simples leitura do inciso II do artigo 1º da Lei n.º 8.137/90, fraudar a fiscalização tributária significa inserir elementos inexatos ou omitir operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Da mesma forma, o inciso I do artigo 2º desta lei deixa bem claro que o núcleo do tipo correspondente à fraude fiscal é a falsidade. Ora, se a fraude pressupõe a apresentação pelo sujeito passivo de elementos falsos ou a omissão de ato sobre o qual a administração tributária deveria ter ciência, é certo que a autoridade autuante, para impor a multa qualificada, deve apontar com toda a precisão os elementos que demonstrem a fraude. Nesse sentido, é pacífica a Jurisprudência administrativa, que reserva a aplicação da multa qualificada de apenas para casos em que haja a tentativa de enganar, esconder, iludir, como, por exemplo: emissão de “notas calçadas” (Ac. 1052.984); conta bancária fictícia (Ac. 10312.178); escrituração pública por valor menor do efetivamente praticado (Ac. 1063.408/91); apresentação de documentos falsos (Ac. 10318.019); falsidade ideológica (Ac. CSRF/010.351); utilização de notas emitidas por empresa inexistente (Ac. 107233); reiterado oferecimento à tributação de parcela ínfima dos rendimentos (Ac. 101 94.111); subfaturamento (Ac. 1076.041); efetuação de aplicação financeira em nome de pessoa interposta, praticando omissão de receitas (Ac. 10807539); operações de compra e venda de títulos inexistentes para comprovação de origem de depósitos bancários (Ac. 103 22457); uso reiterado de documentos falsos referentes à empresa inexistente (Ac. 10704255); saída de recursos da empresa para terceiros distintos daqueles indicados na escrituração (Ac. 10515267). Em sentido parecido, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já editou Súmula quanto à qualificação da multa de ofício, ainda que naquele caso seja referente à omissão de receita, e no presente caso verse sobre glosa de despesas, o que importa é a questão da presunção: Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 15 14 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para, rejeitar a preliminar de nulidade, e exonerar o credito tributário referente ao IRFonte, bem como, cancelar a multa qualificada da presente autuação. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 16 15 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O ilustre Conselheiro Relator apresentou respeitável voto, em que deu provimento ao recurso voluntário para, rejeitar a preliminar de nulidade, exonerar o crédito tributário referente ao IRFonte, bem como cancelar a multa qualificada da presente autuação.. No entender do ilustre Conselheiro, exigir o IRFonte, simultaneamente com a glosa das despesas significaria tributar duas vezes a contribuinte pelo mesmo ato. Além disso, entendeu o ilustre Relator que não há comprovação do dolo específico para aplicação da multa qualificada (150%). Após os debates, foram colhidos os votos dos demais conselheiros integrantes desse colegiado, tendo o ilustre Relator restado vencido, por maioria de votos, em relação a estas duas questões. Fui designado pelo conselheiro Presidente para redigir o voto vencedor, demonstrando os motivos pelos quais este colegiado considerou devida a incidência do IR Fonte sobre os pagamentos sem causa, bem como considerou presentes os requisitos para a qualificação da multa de ofício. É o que passo a fazer, com a devida vênia do ilustre Conselheiro Relator. Incidência do IRFonte sobre pagamentos sem causa Conforme relatado, além de glosar diversas despesas contabilizadas pelo contribuinte, por insuficiência de comprovação, o Fisco também lançou o IRFonte sobre os mesmo valores referente as glosas de despesas incorridas pela Recorrente, por entender se tratar de pagamento sem causa. O fundamento para a exigência do IRFonte encontrase no artigo 61 da Lei nº 8981/1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 17 16 § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Este artigo foi regulamentado pelos arts. 674 e 675 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), verbis: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 1º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). O Termo de Verificação Fiscal foi bastante preciso e objetivo ao identificar os fatos que ensejaram a exigência do IRFonte, verbis: Demonstrada, portanto, a não ocorrência da contraprestação de serviços necessária à consumação da operação que compreende a intermediação de vendas de seus produtos no mercado interno, visto que a mesma foi efetuada de fato com a utilização de recursos, mão de obra, supervisão e infraestrutura da própria MINASLIGAS, fica patente a inexistência de causa aos pagamentos efetuados, implicando na tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores supostamente pagos pelo serviço, à alíquota de trinta e cinco por cento. Em sua preça recursal, repetindo o que alegou na peça impugnatória, a contribuinte defendeu a efetiva prestação do serviço, afirmando que a relação Minasligas/Centrium proporcionou expressivo aumento nas vendas. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 18 17 No entanto, conforme bem apontado pela decisão de piso, a recorrente limitouse ao campo das alegações, abstendose de apresentar qualquer elementos de prova tendente a comprovar o efetivo aumento de vendas e o eventual liame de causalidade entre este suposto incremento e o alegado serviço que teria sido prestado pela Centrium. A recorrente também questionou o fato de a autoridade fiscal não ter dirigido perguntas aos clientes da Minasligas. Tal alegação foi devidamente refutada pela decisão de piso, fls. 1015: Se a fiscalização entendeu desnecessário intimar os clientes da Minasligas, a impugnante foi intimada e poderia ter apresentado as provas. Como poderia ainda, em segunda oportunidade, nesta fase de defesa, apresentálas. Mas, novamente, apenas alega. Acrescentese, por oportuno, que na fase recursal a contribuinte teve nova oportunidade para produzir a prova que desejasse, mas novamente se absteve de fazêlo. Argumentou a recorrente que o ponto central da presente controvérsia se circunscreve ao preço pago e que o Fisco levantou a suspeita de superfaturamento. O eventual superfaturamento, contudo, não autorizaria a aplicação da regra contida no art. 61 da Lei 8.981/95. Não assiste razão à recorrente. A presente autuação baseiase exclusivamente na acusação de pagamento sem causa. Não há qualquer referência a eventual superfaturamento. Sobre o tema, é suficientemente clato o Termo de Verificação Fiscal, verbis (grifado): Demonstrada, portanto, a não ocorrência da contraprestação de serviços necessária à consumação da operação que compreende a intermediação de vendas de seus produtos no mercado interno, visto que a mesma foi efetuada de fato com a utilização de recursos, mão de obra, supervisão e infraestrutura da própria MINASLIGAS, fica patente a inexistência de causa aos pagamentos efetuados, implicando na tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores supostamente pagos pelo serviço, à alíquota de trinta e cinco por cento. A recorrente alegou que a Centrium sofreu retenção na fonte e pagou os tributos incidentes sobre a receita bruta dela. Esta alegação foi devidamente refutada pela decisão de piso, fls. 1016, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, verbis: [...] estes fatos, ainda que verdadeiros, não possuem o condão de afastar a exigência. De um lado, o cumprimento das obrigações por parte da Centrium não comprovam a retenção do IRF que ora é exigido da Companhia Ferro Ligas. Por outro lado, se a impugnante recolheu algum valor a título de IRRF, o fato decisivo para a autuação fiscal não se perde, qual seja, pagamento sem causa. Resta, por fim, analisar o argumento constante do voto vencido, no sentido de que não seria possível o mesmo fato/valor que servir de base para o lançamento suplementar de IRPJ e CSLL (em decorrência de glosa de despesas) também servir como base para exigência do IRFonte, conform art. 61 da Lei nº 8.981/95. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 19 18 As arguições sobre nãoconfisco e razoabilidade, apresentados pela recorrente fogem à competência deste colegiado. No que tange ao argumento empregado pelo ilustre Conselherio Relator, cumpre registrar que o pagamento sem causa tem duas implicações: a) glosa do seu valor como despesa (despesa indedutível); b) obrigação de retenção do IRFonte. Estas duas conseqüências são autorizadas por lei e pelo regulamento do IR. Consequentemente, em relação ao pagamento sem causa, tanto a glosa de despesa quanto a cobrança do IRRF constituem exigências perfeitamente legais, não havendo que se cogitar da ocorrência de bis in idem. Pelas razões expostas, em relação ao presente tema, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Multa qualificada A qualificação da multa de ofício foi assim justificada pela decisão de piso, fls. 1017 (grifado): Conforme fartamente demonstrado, a Centrium não cumpriu o papel de prestar serviços à impugnante. É verdade que a remuneração, ou melhor, o valor combinado foi pago. E por ter sido realizado pagamento sem causa, os tributos estão sendo exigidos. Pela minuciosa descrição dos procedimentos adotados pelas fiscalização, alicerçados em documentos constantes dos autos, concluise que tudo foi rigorosamente planejado. Não se trata de um caso ocasional. A Centrium foi criada e gerenciada pelos próprios sóciosdiretores da impugnante, que representavam as duas empresas em todas as ocasiões. Ora assinavam por uma, ora assinavam por outra. A tomada de decisão era una, indivisível, concomitante. Como demonstra a fiscalização, documentos de uma e de outra eram assinados pela mesma pessoa. Eis o que consta no Termo de Verificação Fsical e não é contestada pela impugnante: “As informações anteriores comprovam claramente que pelo menos dois dos três sócios quotistas da CENTRIUM (senhores Tadeu Machado Zica e Paulo César Fialho) a administravam e gerenciavam. Como se tratam das mesmas pessoas que administravam e dirigiam a MINASLIGAS, constatase que representavam indistintamente as duas empresas ao mesmo tempo.” A Centrium não tinha autonomia, não tinha funcionários, despesas insignificantes, não tinha outras receitas, apresentava o mesmo endereço da impugnante, embora não se soubesse da sua existência naquele local, enfim, não tinha qualquer infraestrutura para prestação de serviços, completamente desconhecida no mercado, conforme inúmeras pesquisas e diligências efetuadas pela fiscalização. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 20 19 A autoridade fiscal registra ainda a opção utilizada para o registro contábil das operações MinasLigas/Centrium. Depois de apontar a técnica correta, o Termo de Verificação Fiscal registra: “Em grande parte dos lançamentos, no entanto, esses recebimentos eram baixados a crédito da conta clientes “Cia Ferooligas – MINASLIGAS’, mas debitados na conta do passivo “Lucros Acumulados Exercício Atual”, com o detalhe de que eram pagos diretamente aos três únicos sócios, conforme se esperava, sobretudo com a inclusão do parágrafo terceiro à cláusula sétima na 3ª alteração do contrato social. (...) Constatase, por conseguinte que a 3ª alteração contratual (inclusão do parágrafo terceiro à cláusula sétima) efetuada na CENTRIUM teve com principal finalidade, via suposta prestação de serviço como representante comercial da MINASLIGAS, simplificar a canalização dos recursos provenientes desta última, tornandoa praticamente automática, para seus três diretores e acionista majoritários (Sr.s Jose Rodrigo Machado Zica, Tadeu Machado Zica e Paulo Cezar Fialho) – exatamente os mesmos sócios da CENTRIUM.” Creio desnecessário tecer mais comentários ou descrever o minucioso relato do Termo de Verificação Fiscal. Se toda esta engenharia não foi proposital, intencional, deliberada, haveria de se riscar estas palavras da língua pátria. A simulação aflora de maneira cristalina. Se as supostas operações foram registradas em livros contábeis/fiscais e informadas à RFB carecem de documentação comprobatória [...] O ilustre Conselheiro Relator, em seu voto vencido, fez referência expressa à Súmula CARF n° 25, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Completamente inaplicável tal Súmula ao caso sob análise, pois não estamos diante de uma situação de omissão de receitas por presunção, mas de glosa de custos por pagamentos efetuados sem causa. Os elementos constantes dos autos demonstram que o procedimento da contribuinte de manter efetuar pagamentos sem causa à Centrium prática deliberada, sistemática e reiterada, com o evidente intuito de sonegar tributos. No caso sob análise, resta evidenciado que a contribuinte dolosamente praticou (ou deixou de praticar) lançamentos contábeis com o objetivo precípuo de fraudar a incidência do tributo. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 15504.005687/201137 Acórdão n.º 1401001.135 S1C4T1 Fl. 21 20 Pelas razões expostas, considero sobejamente demonstrados os pressupostos autorizadores da qualificação da multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000056/2004-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
REGRAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Verificada a decadência impõe-se reconhecer que o crédito tributário constante do auto de infração está extinto, nos termos do artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1301-001.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 REGRAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Verificada a decadência impõese reconhecer que o crédito tributário constante do auto de infração está extinto, nos termos do artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 56 /2 00 4- 24 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, desafiando o Acórdão nº 188.978 (fl. 326), proferido DRJ em Santa Maria/RS. Segundo depreendese do presente processo administrativo, em desfavor da recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de créditos tributários relativos ao anocalendário 1998, porquanto constatou a fiscalização que a recorrente não teria comprovado a origem de numerário que ingressou em seu patrimônio, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (fl. 169 185), caracterizada a omissão pela falta de comprovação da origem de suprimentos efetuados pelo sócio Carlos Alberto de Oliveira Andrade, na conta n° 0520115.5693 do UNIBANCO, para amortização de empréstimos. A recorrente foi devidamente cientificada e apresentou Impugnação (fls. 213 – 217), com os documentos de folhas 218 a 297, alegando em síntese ser incoerente o fato de a presente autuação decorrer do valor de R$ 2.550.676,08 (dois milhões, quinhentos e cinquenta mil, seiscentos e setenta e seis reais e oito centavos), como omissão de receita e este mesmo valor, considerado como omissão, ter sido excluída a parcela de R$ 2.291.165,50, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário corrente de 1998. Aduziu ainda que a fiscalização estaria equivocada em autuar o lucro fiscal remanescente de R$ 259.510,58, pois deste saldo remanescente foram desconsiderados, para efeito de compensação: i) os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas realizadas desde os anos base de 1992 a 1994, acumulados e corrigidos em 31/12/1995, que estariam devidamente escriturados, conforme se inferiria da parte “b " do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), a seguir demonstrado, situação em 31/12/1997 e 31/12/1998: Anos base Prejuízos fiscais – BCNCSLL 1992/1992 20.802.810,77, 21.186.865,72 saldos em 31/12/1997 e 31/12/1998 1992/1994 20.802.810, 77 21.186.865,72; ii) o limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, introduzida pela medida provisória n” 812, de 31/12/1994, transformada na Lei n° 8981/95, seria aplicado ao arrepio do princípio constitucional da anterioridade, pois os contribuintes somente tomaram conhecimento da nova legislação tributária no primeiro dia útil de janeiro de 1995, o que faz com que a lei não possa ser aplicada retroativamente ao ano calendário de 1994, foi observado pela fiscalização, pois se assim fosse pelo menos 30% da matéria tributável teria sido excluída; iii) a lei nº 8981/95 fere o princípio constitucional da irretroatividade tributária, pois seus dispositivos legais só poderiam dispor sobre os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativa da CSLL apurados a partir de 01/01/1995, sendo inconstitucional portanto, a limitação por ela imposta retroativamente, por ferir: o direito adquirido e o ato jurídico perfeito protegidos pela constituição, posto que, pelo princípio da anterioridade, um tributo só pode ser exigido no ano seguinte à criação da lei que o instituiu; iv) do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL de R$ 2.550.676, contabilizados e registrados no Lalur, em 31/12/1998, sequencialmente deveriam ser excluídos os seguintes valores: do prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL realizados no anocalendário 1998 no valor de R$ 2.191.165,50; os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL, realizadas nos anos base de 1992 e 1994, pois os mesmos, ao se submeterem à legislação vigente à época de sua realização, absorvem integralmente o saldo remanescente tributável de R$259.510,58; Anos base Prejuízos fiscais – BCNCSLL 1992/1992 20.802.810,77 21.186.865,72 1998 + R$ 259.510,58 + 259.510,48 saldo R$ Fl. 381DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000056/200424 Acórdão n.º 1301001.724 S1C3T1 Fl. 3 3 20.543.300,19 20.91 7.355,14 3.5 compensação de 100% do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL dos anos base de 1992 1994 ou se for, pelos menos os 30% de compensação devem ser assegurados à impugnante, tanto para o IRPJ como para a CSLL. Quanto ao mérito, defendeu que não há base legal para a autuação do IRPJ e da CSLL, como constou do auto de infração, mas sim uma flagrante desconsideração do princípio constitucional da anterioridade, já que os prejuízos fiscais realizados no valor de R$ 20.802.810,77 e as bases de cálculo negativas da CSLL realizadas no valor de R$ 21.186.865,72, absorvem integralmente o lucro real remanescente e a base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$259.510,58, pois os anos base de 1992 a 1994 estão excluídos do limite de 30%, sobre o lucro real apurado, limite esse vigente a partir ao ano calendário de 1995 e que a constituição federal e o CTN proíbem a aplicação da lei a fato gerador ocorrido antes. A DRJ considerou a impugnação procedente em parte para determinar que fosse feita a compensação com prejuízos acumulados, uma vez que somente havia sido realizada a compensação com prejuízos do próprio exercício. Cientificado dessa decisão em 26/08/1998, por via postal (fl. 350), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 351), em 17/09/2008, repisando os mesmos argumentos já apresentados em sede de impugnação. O feito foi primitivamente remetido à 1ª Turma Especial desta Primeira Seção de Julgamento, que proferiu a Resolução nº 1801000.348 (fls. 374 – 379), declinando a competência porquanto o crédito tributário aqui discutido extrapolaria o limite de sua alçada, por considerar que o valor da presente lide não se restringe aos valores exigidos nos autos de infração, mas alcança também os valores de IRPJ e CSLL compensados dos prejuízos fiscais do exercício e dos prejuízos fiscais de anos anteriores. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como registrado no relatório acima circunstanciado a contribuinte foi autuada por não ter comprovado a origem de numerário que ingressou em seu patrimônio, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (fl. 169 185), caracterizada a omissão pela falta de comprovação da origem de suprimentos efetuados pelo sócio Carlos Alberto de Oliveira Andrade, na conta n° 0520115.5693 do UNIBANCO, para amortização de empréstimos. Antes mesmo de avaliar os argumentos da contribuinte no tocante a não ocorrência da omissão de receitas ou a inaplicabilidade do limite de compensação do prejuízo fiscal e base negativa ao anocalendário em questão, imperioso destacar que a zelosa 1ª Turma Especial, na Resolução nº 1801000.348 (fls. 374 – 379), ao declinar a competência fez uma ressalva de que o crédito tributário aqui tratado se acha extinto pela decadência. Sendo assim, convém avaliar a ressalva feita, porquanto se confirmada a decadência impõese reconhecêla de ofício e declarar de fato a extinção do crédito tributário. Com efeito, bem assinalou a 1ª Turma Especial que os fatos geradores dos créditos tributários aqui exigidos ocorreram todos no ano 1998, sendo que para esse ano, o contribuinte apresentou a DIPJ de folha 13, estampando que realizou a apuração do IRPJ pelo lucro real anual, declarando prejuízo fiscal em todos os meses (fls. 22/27) e evidenciando o recolhimento de IRRF no total de R$ 693.860,98, gerando um saldo negativo de igual valor. Por igual turno, também foi informada a apuração e pagamento das contribuições do PIS e da Cofins em todos os meses do ano. Já a ciência dos autos de infração se deu em 29/01/2004 (fls. 207, 211, 215 e 219), ou seja, o lançamento se deu após decorrerem mais de cinco da ocorrência dos fatos geradores. O cômputo deve ser realizado na forma do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, eis que se trata de tributo objeto de lançamento por homologação e não há imputação de dolo, fraude ou simulação. Quanto à condicionante jurisprudencial de efetivo pagamento, observase que houve retenção de IRPJ na fonte pagadora e que houve pagamento de PIS e Cofins, a revelar que os créditos tributários aqui exigidos já estavam mesmo extintos no momento em que os lançamentos tributários foram consumados. Verificada a decadência, de rigor pronunciar a extinção do crédito tributário nos exatos termos do artigo 156, inciso V, motivo pelo qual encaminho meu voto no sentir de dar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.000056/200424 Acórdão n.º 1301001.724 S1C3T1 Fl. 4 5 Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 17/12/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000033/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
NORMAS PROCEDIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA.
Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3102-01.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 NORMAS PROCEDIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA. Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido.
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CONCOMITÂNCIA. Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes Filho e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 00 33 /2 00 9- 90 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem resumir os autos até a fase respectiva, peço vênia para integrar ao presente ato o relato empreendido pela 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP no julgamento da manifestação de inconformidade de inconformidade do contribuinte epigrafado: Trata o presente de indeferimento de pedido de ressarcimento do crédito presumido, em razão do contribuinte ter exportado produtos classificados na TIPI como NT (nãotributados pelo IPI). A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando que a lei não vedaria tal incentivo no caso de suas exportações, conforme doutrina e julgados que cita, bem como defende o direito de compor o crédito com aquisições de insumos de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS e a correção monetárias dos valores a serem ressarcidos. Encerrou requerendo diligências que possam aferir seu processo produtivo. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, pelos motivos bem retratados na ementa do julgamento, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000033/200990 Acórdão n.º 3102001.286 S3C1T2 Fl. 234 3 INDEFERIMENTO. , Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese; por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado quanto a decisão a quo, o contribuinte manejou competente recurso voluntário, pelo qual basicamente reitera os seus argumentos já expostos por ocasião da sua manifestação de inconformidade, quais sejam: a necessidade da inclusão da receita relacionada à exportação de produtos classificados na TIPI como NT – não tributados – no cálculo do crédito presumido de que trata da Lei n º 9.363/96, ao argumento de que a legislação haveria eleito como destinatário dos créditos o produtor e exportador de mercadorias nacionais, não tendo ela feito qualquer menção a necessidade dessas serem tributadas pelo IPI; a necessidade da inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas igualmente no cálculo do crédito em pauta, sob a alegação de que o regime jurídico do crédito presumido visa desonerar o peso das contribuição ao PIS e da Cofins de toda a cadeia produtiva, em nenhum momento tendo disposto quanto ao ônus imediato sobre o insumo; a correção dos créditos pela taxa Selic. Antes de iniciado o julgamento, por ocasião da sessão, chegou às mãos dos conselheiros, por meio do patrono, Acórdão proferido em sede de Reexame Necessário em Mandado de Segurança impetrado pela empresa (Processo n º 001058190.2008.404.7002/PR), que trataria de matéria idêntica a versada nos autos. Os documentos foram juntados aos autos às fls. 216 a 232. Em face do encerramento do mandato do Conselheiro Relator e da não formalização do acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório, no essencial. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, redator designado. O recurso voluntário atende aos seus pressupostos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta 3a. Seção. Conforme retratado na parte final do relato, o patrono da Recorrente noticiou que o tema que deveria ser debatido no curso dos autos é alvo de debate judicial em sede de Mandado de Segurança, cuja transcrição de parte da ementa do julgamento nos autos do Reexame Necessário n º 001058190.2008.404.70002/PR já é suficiente a elucidar propugnada identidade: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. COFINS. LEI Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 N. 9.363/96. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA JUNTO A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO FINAL NÃO TRIBUTADO. IN/SRF 23/97. PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. ART. 24 DA LEI 11.457/2007. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. ÓBICE DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. FIXAÇÃO DE MULTA. APÓS DESCUMPRIMENTO DA ORDEM JUDICIAL. Nos termos da Súmula CARF n º 1, : “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”. Atento aos termos do Acórdão trazido aos autos pelo patrono da parte antes do início do julgamento, que versa sobre tema idêntico ao que seria tratado no mérito do presente recurso, resta este Colegiado impedido de examinar o tema. Isto posto, não conheço do recurso, em face da concomitância entre esta via administrativa e a judicial. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Redator Designado. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11020.003361/99-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 1998
DECORRÊNCIA.
O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo. O lançamentos de IPI sendo decorrente das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins.
Numero da decisão: 1803-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Relator
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O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo. O lançamentos de IPI sendo decorrente das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado às exigências principais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 33 61 /9 9- 91 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 427 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0309 com a exigência do crédito tributário no valor de R$102.389,04 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) juros de mora e multa de ofício proporcional, referente aos meses do anocalendário de 1997. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 1 VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL (DEMAIS CASOS) O estabelecimento industrial deu saída a produto(s) tributado(s), sem lançamento do imposto, caracterizada pela falta de emissão de Nota Fiscal, apurada através de omissão de receita conforme Relatório de Atividade Fiscal em anexo. PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR APURADO 103/97 43.157,01 106/97 48.831,58 109/97 98.219,42 112/97 30.894,29 [...] Artigos 55, I, "h" e II, "c"; 107, II c/c 29,11 ; 112, IV e 59; todos do RIPI aprovado pelo Decreto 87.981/82. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 6169, com as seguintes alegações: Pela análise da Fiscalização, foi imputado Impugnante o fato de não ter lançado na conta "Débitos em Conta Corrente" todos os valores que transitaram em suas contas, do que concluiuse que a Impugnante detinha recursos sem comprovação de origem e, por via de consequência, realizava débitos em desconformidade com os recursos efetivamente lançados: "Pela análise dos registros efetuados no Livro Caixa constatase que a empresa não efetuou os lançamentos no referido livro dos valores que transitaram pelas contas correntes bancárias mantidas pela empresa como débitos diversos. Em virtude desta constatação foi realizado levantamento dos valores a estes Títulos, constantes nos extratos bancários referentes as contas correntes mantidas junto ao Banco do Brasil, Banrisul e Banco Meridional do Brasil." A apuração dos lançamentos constantes do Livro Caixa da Impugnante dá conta da correção de seu procedimento. Porém, a Fiscalização, em atitude afoita, sem tomar a devida precaução de efetuar uma análise mais aprofundada dos lançamentos, com a busca de informações junto aos documentos da Impugnante, dos quais dispunha, entendeu mais Ma desconsiderar os lançamentos em seu todo. Demonstração flagrante do despreparo e desrespeito perpetrado pela Fiscalização é o fato de considerar como débito em conta corrente o lançamento datado de 28/07/1997, nominado como "débito conforme aviso", no valor de R$32.670,00 (trinta e dois mil e seiscentos e setenta reais). Ora, se a Fiscalização houvesse agido com isenção e visando a busca da verdade real haveria constatado que tal lançamento, ao contrário da conclusão precipitada que obteve, tratase de débito para pagamento de câmbio. Tal Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 428 3 lançamento não fora contabilizado pela Impugnante na conta "Débitos em Conta Corrente" uma vez que referese a aquisição(importação) de matériaprima, o qual teve lançamento próprio na conta Recursos Aplicados. Observase ainda, que a Fiscalização quando da elaboração da conta Recursos Aplicados contabilizou tal valor como pertinente a importação de matériaprima, assim sendo não poderia têlo lançado novamente, agora na conta "Débitos em Conta Corrente", sob pena de caracterizar duplicidade de lançamento, e por consequência, prejudicar os resultados finais da planilha em referencia. VALORES REFERENTES A COMPRAS REALIZADAS Na elaboração da planilha relativa a Valores Referentes a "Compras Realizadas" mais uma vez a Fiscalização laborou em profunda confusão, efetuando lançamentos errados, desconsiderando suas corretas rubricas. Conforme contatase da planilha elaborada pela Fiscalização foram incluídos como valores referentes a compras realizadas valores efetivamente estranhos a esta rubrica. A Fiscalização, em profunda confusão, considera como compras realizadas operações de prestações de serviços realizadas por terceiros. Não fosse isso, tais valores não poderiam ser considerados nesta planilha, na medida em que os pagamentos já constaram do Caixa anteriormente. Em assim fazendo incorreu em duplicidade de registros, com manifesto prejuízo a conclusão sobre a matéria, vez que já contabilizado como saída de caixa pelo pagamento. Indispensável trazer a baila os valores envolvidos para demonstrar a repercussão dos mesmos no resultado do trabalho de Fiscalização que redundou na desconsideração dos lançamentos realizados pela Impugnante em seu Livro Caixa e na lavratura dos Autos de Infração. Valores lançados em duplicidade pela Fiscalização como compras realizadas: (Discriminação e documentos anexos) 1° Trimestre: R$1.824,24 2° Trimestre: R$20.831,50 3° Trimestre: R$27.625,22 4° Trimestre: R$32.353,30 TOTAL = R$82.364,26 Seguindo nas impropriedades, a Fiscalização considerou na conta "Valores Referentes a Compras Realizadas" as despesas com serviços de telecomunicação e energia elétrica dos períodos. Tais valores, mais uma vez, estão lançados em duplicidade, uma vez que constaram no caixa como despesas, e assim o foram considerados pela própria Fiscalização. Porém, e se assim foi, não podem os mesmos valores serem contabilizados novamente como desembolso na conta relativa as compras realizadas, sob pena de redundar na duplicidade de lançamento. Nestas rubricas o total de lançamento em duplicidade monta R$59.904,10 (cinquenta e nove mil, novecentos e quatro reais e dez centavos). Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 429 4 RECEITAS Também na apuração das receitas da Impugnante houve a Fiscalização por utilizar de critério totalmente dissociado do correto, o que, conjugado como todos os erros anteriormente apontados, redundou na desqualificação da contabilidade da Impugnante. Neste caso, a Fiscalização utilizou o critério de desconsiderar os valores do IPI destacados nos documentos fiscais, computando somente o valor sem o imposto; este mesmo critério foi utilizado na apuração das compras realizadas pela Impugnante. Tal critério não causaria qualquer distorção na contabilidade acaso houvesse sido desprezados os valores pagos pela Impugnante a titulo de IPI, o que não ocorreu. Os Valores pagos pela Impugnante a titulo de IPI foram contabilizados pela Fiscalização como despesas, no item "Tributos e contribuições pagos ou depositados no período", no valor total de R$168.802,74 (cento e sessenta e oito mil, oitocentos e dois reais e setenta e quatro centavos), o que se comprova através dos documentos em anexo. Obviamente que sendo desconsiderados os valores do IPI na 'entrada da mercadoria e principalmente os valores do imposto na sua saída, os valores pagos do imposto, que nada mais é do que o confronto entre o imposto pago na entrada com aquele relativo a saída dos produtos, restaram desprovidos de suporte de receita. O critério utilizado pelo Fisco mostrase absurdo na medida em que o único resultado a ser apurado é o de que o caixa obteve mais despesas do que receitas, na medida em que aquilo que entrou no caixa da empresa não foi considerado IPI na saída de mercadorias) sendo considerado unicamente os valores pagos pela Impugnante(valores do IPI pagos), resultando, somente neste aspecto, em desconsideração de receita correspondente a R$168.802,74 (cento e sessenta e oito mil, oitocentos dois reais e setenta e quatro centavos). DA NECESSIDADE DA PERÍCIA Constatados todos os equívocos laborados pela Fiscalização nos trabalhos realizados junto a Impugnante e considerando a necessidade de apuração minuciosa sobre tais fatos, apesar dos elementos que a Impugnante ora disponibiliza, indispensável se faz a realização de perícia técnico contábil, visando a confirmação de todos os erros no trabalho de fiscalização e o consequente cancelamento dos lançamentos lavrados e extinção dos Autos de Infração, decorrentes que são de equivoco. [...] DO PEDIDO Pelo exposto, manifesto que os Autos de Infração atacados pela presente encontramse eivados de erros materiais e impropriedades, requer a Impugnante o deferimento da perícia contábil requerida, com a intimação do Perito Assistente ora indicado do inicio dos trabalhos, bem como que sejam respondidos os quesitos formulados, resguardando o direito pela apresentação de quesitos suplementares. Ao final, requer a total procedência da presente Impugnação, para cancelar integralmente os créditos tributários constituídos pelos lançamentos, com o integral cancelamento dos Autos de Infração. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 11.080, de 09.02.2007, fls. 392399: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 430 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 SALDOS CREDORES DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. Os saldos credores de caixa são considerados receitas sem comprovação e tidos como provenientes de vendas não registradas e sobre elas é exigido o IPI. Não sendo possível identificar os produtos cujas vendas não foram registradas, aplicase, sobre os valores das receitas omitidas, a maior alíquota incidente sobre os produtos do autuado, para cálculo do imposto devido. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Indeferese a perícia requerida pelo sujeito passivo, para esclarecer fatos que foram plenamente elucidados por diligência fiscal. Lançamento Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os autos, acordam os membros da Terceira Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, julgar procedente em parte o lançamento, para cancelar a exigência do IPI, no valor de R$24,01 (vinte e quatro reais e um centavo), e respectivos juros de mora e multa de oficio de 75%, conforme especificado no demonstrativo do item 16 do voto, restando mantida a parcela remanescente da exigência, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Notificada em 09.04.2007, fl. 407, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 03.05.2007, fls. 408416, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera as alegações apresentadas na impugnação. Vale transcrever essencialmente: Ocorre porém que a recomposição do caixa da Recorrente está eivada de erros materiais que comprometem todo o trabalho de fiscalização, o que foi devidamente demonstrado durante a instrução do feito, em especial em face da diligência fiscal realizada, o que determina no completo cancelamento do lançamento dos créditos tributários e a extinção dos Autos de Infração lavrados. A decisão proferida pela Delegacia de Julgamento de Porto Alegre está fundada eminentemente no relatório da fiscalização, tendo, inclusive, o voto condutor se reportado a tal relatório para fundar sua decisão. Assim sendo, necessário que a Recorrente faça nova análise dos termos do relatório da Fiscalização, bem como aos termos da diligência realizada, para demonstrar a improcedência do lançamento e a necessidade da reforma da decisão ora recorrida. Pela análise da Fiscalização, foi imputado à Recorrente o fato de não ter lançado na conta "Débitos em Conta Corrente" todos os valores que transitaram em suas contas, do que se concluiu que a Recorrente detinha recursos sem comprovação de origem e, por via de conseqüência, realizava débitos em desconformidade com os recursos efetivamente lançados: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 431 6 Pela análise dos registros efetuados no Livro Caixa constatase que a empresa não efetuou os lançamentos no referido livro dos valores que transitaram pelas contas correntes bancárias mantidas pela empresa como débitos diversos. Em virtude desta constatação foi realizado levantamento dos valores a estes títulos, constantes nos extratos bancários referentes as contas correntes mantidas junto ao Banco do Brasil, Banrisul e Banco Meridional do Brasil. Neste aspecto a Fiscalização houve por constatar seu equivoco, e corrigilo quando da realização da diligência fiscal instaurada. Consta do item b das respostas elaboradas pela Fiscalização: b "verifique se os R$32.670,00 foram ou não considerados no valor das compras"— A empresa comprovou que o valor de R$32.670,00 é decorrente de contrato de câmbio de venda — tipo 2 importação — efetuado em 28/07/1997 com data limite para liquidação 30/071997. Tal operação é decorrente da aquisição de U$ 30.000,00 (trinta mil dólares americanos) em matéria prima efetuada em fevereiro de 1997. No entanto, apesar da comprovação da operação registrada no extrato bancário a empresa não contabilizou a mesma em seu Livro Caixa (doc. Fls. 263 a 298). Em razão de tal esclarecimento, restou reconhecido pela Fiscalização que o valor de R$ 32.670,00, relativo à compra de matéria prima, foi lançado em duplicidade no Auks de Infração, sendo, em razão da Diligência Fiscal, retificado o lançamento. Esclareçase que a Fiscalização quando da elaboração da conta Recursos Aplicados contabilizou tal valor como pertinente à importação de matériaprima, assim sendo não poderia têlo lançado novamente, agora na conta "Débitos em Conta Corrente", sob pena de caracterizar duplicidade de lançamento, e por conseqüência, prejudicar os resultados finais da planilha em referência. VALORES REFERENTES A COMPRAS REALIZADAS Na elaboração da planilha relativa a Valores Referentes a "Compras Realizadas" mais uma vez a Fiscalização laborou em profunda confusão, efetuando lançamentos errados, desconsiderando suas corretas rubricas. Conforme se constata da planilha elaborada pela Fiscalização, foram incluídos como valores referentes a compras realizadas valores efetivamente estranhos a esta rubrica. A Fiscalização, em profunda confusão, considera como compras realizadas operações de prestações de serviços realizadas por terceiros. Não fosse isso, tais valores não poderiam ser considerados nesta planilha, na medida em que os pagamentos já constaram do Caixa anteriormente. Em assim fazendo incorreu em duplicidade de registros, com manifesto prejuízo à conclusão sobre a matéria, vez que já contabilizado como saída de caixa pelo pagamento. Indispensável trazer à baila os valores envolvidos para demonstrar a repercussão dos mesmos no resultado do trabalho de Fiscalização que redundou na desconsideração dos lançamentos realizados pela Recorrente em seu Livro Caixa e na lavratura dos Autos de Infração. Valores lançados em duplicidade pela Fiscalização como compras realizadas: (Discriminação e documentos anexos) Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 432 7 1° Trimestre: R$ 1.824,24 2° Trimestre: R$ 20.831,50 3° Trimestre: R$ 27.625,22 4° Trimestre: R$ 32.353,30 TOTAL = R$ 82.364,26 Seguindo nas impropriedades, a Fiscalização considerou na conta "Valores Referentes a Compras Realizadas" as despesas com serviços de telecomunicação e energia elétrica dos períodos. Tais valores, mais uma vez, estão lançados em duplicidade, uma vez que constaram no caixa como despesas, e assim o foram considerados pela própria Fiscalização. Porem, e se assim foi, não podem os mesmos valores serem contabilizados novamente como desembolso na conta relativa as compras realizadas, sob pena de redundar na duplicidade de lançamento. Nestas rubricas o total de lançamento em duplicidade monta R$ 59.904,10 (cinqüenta e nove mil, novecentos e quatro reais e dez centavos). Quando, e apesar da diligência fiscal realizada, no que diz respeito aos valores referentes a compras realizadas pela Recorrente, manteve o julgado monocrático o critério utilizado pela Fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração. O total das compras, apurados com base no livro de apuração do IPI, 6 composto por diversos valores, dentre estes: matériasprimas; material de embalagem; energia elétrica; entre outros. Ocorre que o valor relativo 6. energia elétrica, por orientação da Fiscalização, foi incluído no levantamento do fluxo financeiro. Porém, e assim considerando, não poderia ser considerado, como foi pela Fiscalização, duas vezes, no levantamento das compras realizadas e no fluxo de pagamentos feitos. Em assim procedendo, e mantendo o critério já utilizado quando da lavratura do Auto de Infração, houve a fiscalização por lançar em duplicidade tais valores relativos à energia elétrica, o que, por certo, repercute no resultado final da apuração, distorcendoa. RECEITAS Também na apuração das receitas da Recorrente houve a Fiscalização por utilizar critério totalmente dissociado do correto, o que, conjugado como todos os erros anteriormente apontados, redundou na desqualificação da contabilidade da Recorrente. Neste caso, a Fiscalização utilizou o critério de desconsiderar os valores do IPI destacados nos documentos fiscais, computando somente o valor sem o imposto; este mesmo critério foi utilizado na apuração das compras realizadas pela Recorrente. Tal critério não causaria qualquer distorção na contabilidade acaso houvesse sido desprezados os valores pagos pela Recorrente a titulo de IPI, o que não ocorreu. Os valores pagos pela Recorrente a titulo de IPI foram contabilizados pela Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 433 8 Fiscalização como despesas, no item "Tributos e contribuições pagos ou depositados no período", no valor total de R$ 168.802,74 (cento e sessenta e oito mil, oitocentos e dois reais e setenta e quatro centavos), o que se comprova através dos documentos em anexo. Obviamente que sendo desconsiderados os valores do IPI na entrada da mercadoria e principalmente os valores do imposto na sua saída, os valores pagos do imposto, que nada mais é do que o confronto entre o imposto pago na entrada com aquele relativo a saída dos produtos, restaram desprovidos de suporte de receita. O critério utilizado pelo Fisco e acolhido pela decisão ora recorrida mostrase absurdo na medida em que o único resultado a ser apurado é o de que o caixa obteve mais despesas do que receitas, na medida em que aquilo que entrou no caixa da empresa não foi considerado (IPI na saída de mercadorias) sendo considerado unicamente os valores pagos pela Recorrente (valores do IPI pagos), resultando, somente neste aspecto, em desconsideração de receita correspondente a R$ 168.802,74 (cento e sessenta e oito mil, oitocentos dois reais e setenta e quatro centavos). Tal aspecto também foi objeto da diligência, porém, da mesma forma que para os anteriores, manteve o julgador de primeiro grau o critério equivocado utilizado pela Fiscalização, já verificado e apontado pela Recorrente em sua impugnação, quando trata das "Receitas", na medida em que, repitase apesar da Fiscalização excluir o valor do IPI incidente na entrada e na saída da mercadoria, considera o valor do IPI pago como aplicação de recursos. Desta forma, e apontados os equívocos contidos no lançamento, apesar da Diligência realizada, reitera a Recorrente o pleito pela total procedência do presente recurso, para que seja cancelado integralmente o Auto de Infração objeto do presente feito. DA DECISÃO HAVIDA NO AUTO DE INFRAÇÃO N° 11020 003.362/9953 Necessário neste feito referir a decisão proferida no processo administrativo n° 11020.003362/9953, no qual se discute a incidência dos tributos reflexos, decorrentes dos mesmos fatos analisados neste feito. Naquele feito, em decisão que analisa todos os aspectos postos pela ora Recorrente, foi, como não poderia ser diferente, constatadas as inconsistências do lançamento, que, se aplicam integralmente ao presente. Desta forma, necessário transcrever a decisão lá proferida: Procede a impugnação da autuada, como passo a expor: Afirma a fiscalização que: no primeiro levantamento foram tomados os valores de vendas informados pela autuada nas planilhas de fluxo de caixa; e no segundo, foram consideradas as vendas, liquidas de IPI, ,apuradas no registro de saídas. Todavia, os números são iguais nos dois levantamentos de fluxo de caixa, do que se conclui que desde o inicio foram computados os valores de receita de vendas, líquidos de IPI e conforme o regime de competência. Na há dúvida de que é sobre Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 434 9 essa receita que se apura o lucro presumido. Por outro lado, ela não se presta à elaboração de fluxo de caixa, por dois motivos: ela não segue o regime caixa, mas o de competência; e os valores de IPI ingressarão no caixa quando forem recebidos os valores das vendas (notese que o IPI pago foi computado nos desembolsos). Mesmo com a inconsistência derivada do regime de competência, não se afigura inútil analisar o que seria o saldo de caixa caso fossem adicionados os ingressos relativos ao IPI destacado nas vendas. Isso acontece porque os valores de IPI nas vendas foram de R$50.225,15, R$61.620,32, R$60.318,27 e R$64.623,87, respectivamente no primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres, totalizando no ano R$236.787,61 (fls. 212), valor superior ao saldo credor de caixa apurado pela fiscalização, que foi de R$221.102,30, no primeiro levantamento, e de R$220.982,23, no segundo (fls. 221). Por esses dois motivos — a incompatibilidade dos valores de receita com o regime de caixa e o expurgo do IPI nas vendas entendo que não está suficientemente demonstrada a existência de saldo credor de caixa —e, em conseqüência, de omissão de receita. Pelo exposto, voto julgar improcedentes os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins e cancelar os créditos tributários constituídos mediante sua lavratura. Conforme se vê, a decisão acima transcrita, tomando por base os mesmos fatos que deram ensejo ao lançamento de débito objeto da discussão neste feito, uma vez que se trata de lançamento reflexo a este, em analisando profundamente o lançamento e os fatos envolvidos, houve por extinguir o crédito tributário, por completa falta de suporte fático. Por fim, e considerando a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1976, na qual foi declarada a inconstitucionalidade das alterações procedidas na lei do processo administrativo federal, que impunham o arrolamento de bens para a admissão e seguimento de recurso voluntário do contribuinte, o presente recurso 6 apresentado sem arrolamento de bens. Pelo exposto, a Recorrente requer a V.Sa. que receba o presente recurso, para, ao final julgálo totalmente procedente, determinando a total extinção do débito tributário contra si lançado. Requer ainda o recebimento do presente recurso sem o arrolamento de bens, em face da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN no 1976. Em conformidade com o Acórdão nº 34010001.658, de 24.01.2012, fls. 420 423, proferido nos presentes autos pela 1ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL, ficou assim decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1997 a 01/12/1997 IRPJ. DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA. De acordo com o Regimento Interno do CARF, cabe à 1ª Sessão de julgamento desse Conselho a apreciação de lides relacionadas a Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. [...] Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 435 10 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do Recurso Voluntário por ser competência de julgamento da Primeira Seção. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 221, publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e cinco dias do mês de novembro do ano de dois mil e quatorze, às nove horas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, FERNANDO FERREIRA CASTELLANI, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES, e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Processo: 11020.003361/9991 Recorrente: ACF INDUSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.448 Decisão: Por unanimidade de votos deram provimento ao recurso voluntário. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 436 11 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do lançamento de ofício de IPI, porque é decorrente das exigências principais de IRPJ IRPJ, CSLL, PIS e Cofins formalizadas no processo nº 11020.003362/9953 que foram consideradas improcedentes pela decisão de primeira instância de julgamento. Consta no Relatório de Atividade Fiscal e Termo de Encerramento, fls. 09 10: 1. INTRODUÇÃO Em 25/06/99 foi iniciada a fiscalização na empresa acima identificada com o principal objetivo de verificação da movimentação de recursos ocorridos no ano calendário de 1997(fl. 09). A empresa possui como atividades declaradas a "Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Plásticos e tudo o que lhe convier o ramo; Indústria e Confecções de Matrizes; Indústria Metalúrgica" (doc. fl. 12 a 15). 0 regime de tributação adotado pela empresa foi o Lucro Presumido com escrituração simplificada através de Livro Caixa, não possuindo escrituração dos demais livros contábeis, conforme descrito em sua resposta ao "Termo de Intimação Fiscal" datado de 25/06/99 (fl. 10 e 11). 2. BASE DE CALCULO DO IPI Em decorrência de fiscalização realizada na movimentação financeira da empresa constatouse a existência de omissão de receita proveniente da atividade da mesma. Tendo o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e tributos reflexos sido lançados através de autos de infração específicos, os quais encontramse protocolados administrativamente sob o nº 11020.003362/9953, remetemos a este processo toda e qualquer explicação relativa a forma de apuração da receita omitida. Sendo a atividade desenvolvida proveniente da industrialização e comercialização de produção própria sujeita a tributação do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, considerase que sobre o valor total da omissão de receita também incide este imposto. Conforme determina o § 2° do art. 343 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — RIPI aprovado pelo Decreto n.° 87.981, de 23/12/82 e § 2° do art. 423 do RIPI aprovado pelo Decreto n.° 2.637, de 25/06/98, apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseá provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto sobre produtos industrializados. Os citados.artigos também determinam que no caso de utilização de alíquotas utilizadas pelo estabelecimento, o imposto será calculado com base na mais elevada dentre as utilizadas. ' Através de levantamento realizado nas notas fiscais saídas emitidas no ano de 1997, constatouse a existência de produtos tributados a alíquota de até 202/0 (doc. fls. 16 a 20), Assim sendo, esta fiscalização calculou o imposto devido a esta alíquota conforme determina a legislação. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 437 12 Para melhor visualização foi elaborada planilha demonstrando os valores totais que foram considerados como omissão de receita — tributados em processo parte — bem como o cálculo do IPI devido sobre estes. (doc. fl. 08) 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Desta forma e considerando que a presente fiscalização se desenvolveu pelo processo de amostragem, foi verificado o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados, onde foram constatadas as irregularidades mencionadas no item 2 do presente relatório. Considerando que os valores do crédito tributário apurado constam de demonstrativos próprios que integram este processo (docs. fls. 02 a 05). Apuramos, em decorrência da(s) infração(ções) lançada(s), um crédito a favor da União no valor de R$102.389,04 (Cento e dois mil, trezentos e oitenta e nove reais e quatro centavos) Ressaltamos que do mesmo procedimento de fiscalização resultaram Autos de Infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no montante de R$24.433,64, constantes em processo a parte. E, para constar, e produzir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, o qual faz parte integrante e inseparável dos Autos de Infração lavrados nesta data, ocasião em que liberamos e devolvemos todos os livros e documentos utilizados na presente fiscalização, no estado em que foram recebidos. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 1. Em relação aos lançamentos principais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) formalizados no processo 11020.003362/9953, que se encontra no Arquivo Geral da SAMF/RS, desde 25.03.2009, conforme sistema Comprot, a Recorrente afirma que na decisão de primeira instância de julgamento assim ficou decidido: Afirma a fiscalização que: no primeiro levantamento foram tomados os valores de vendas informados pela autuada nas planilhas de fluxo de caixa; e no segundo, foram consideradas as vendas, liquidas de IPI, ,apuradas no registro de saídas. Todavia, os números são iguais nos dois levantamentos de fluxo de caixa, do que se conclui que desde o inicio foram computados os valores de receita de vendas, líquidos de IPI e conforme o regime de competência. Na há dúvida de que é sobre essa receita que se apura o lucro presumido. Por outro lado, ela não se presta à elaboração de fluxo de caixa, por dois motivos: ela não segue o regime caixa, mas o de competência; e os valores de IPI ingressarão no caixa quando forem recebidos os valores das vendas (notese que o IPI pago foi computado nos desembolsos). 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11020.003361/9991 Acórdão n.º 1803002.448 S1TE03 Fl. 438 13 Mesmo com a inconsistência derivada do regime de competência, não se afigura inútil analisar o que seria o saldo de caixa caso fossem adicionados os ingressos relativos ao IPI destacado nas vendas. Isso acontece porque os valores de IPI nas vendas foram de R$50.225,15, R$61.620,32, R$60.318,27 e R$64.623,87, respectivamente no primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres, totalizando no ano R$236.787,61 (fls. 212), valor superior ao saldo credor de caixa apurado pela fiscalização, que foi de R$221.102,30, no primeiro levantamento, e de R$220.982,23, no segundo (fls. 221). Por esses dois motivos — a incompatibilidade dos valores de receita com o regime de caixa e o expurgo do IPI nas vendas entendo que não está suficientemente demonstrada a existência de saldo credor de caixa —e, em conseqüência, de omissão de receita. Pelo exposto, voto julgar improcedentes os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins e cancelar os créditos tributários constituídos mediante sua lavratura. O lançamento de IPI sendo decorrente das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele dado como improcedentes pela decisão de primeira instância de julgamento às exigências principais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins formalizadas no processo nº 11020.003362/9953. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, é pertinente. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10580.725280/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CANCELAMENTO. EXTINÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES.
Tendo sido o Ato Cancelatório de Isenção baixado, é mister que sejam extintas as contribuições previdenciárias exigidas em decorrência dele.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.609
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725280/200989 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.609 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Recorrente MONTE TABOR CENTRO ITALO BRASILEIRO DE PROMOÇÃO SANITÁRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CANCELAMENTO. EXTINÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES. Tendo sido o Ato Cancelatório de Isenção baixado, é mister que sejam extintas as contribuições previdenciárias exigidas em decorrência dele. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 52 80 /2 00 9- 89 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10580.725280/200989 Acórdão n.º 2402004.609 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 21/09/2009 (fl. 02) para exigir contribuições de terceiros, no período de 01/2005 a 12/2006. De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 96), a autuação foi lavrada em virtude da emissão do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 02/2009. O Recorrente interpôs impugnação (fls. 116/446) requerendo a total improcedência do auto de infração. A DRJ em Salvador/BA, ao analisar o presente caso (fls. 453/464), julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, entendendo, em suma, que: (i) a inexistência de decisão definitiva no processo administrativo no qual se discute o cancelamento da isenção da entidade não constitui óbice à constituição do crédito tributário; (ii) a decisão definitiva no processo de isenção é requisito apenas para que a União proceda à cobrança das contribuições lançadas; e (iii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. O Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 468/533), no qual sustenta, em síntese, que: (i) o auto de infração é nulo por ofensa ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal; (ii) a autuação é nula pois não existia Ato Regulatório Cancelatório regular antes da sua lavratura; (iii) é detentora do direito à imunidade tributária; (iv) os fatos instigados que levaram à lavratura do Ato Cancelatório ocorreram em período prescrito; (v) a informação fiscal que deu origem ao cancelamento da isenção tem como objeto fatos que já estão sendo analisados pela Receita Federal do Brasil, o que configura litispendência administrativa e, consequentemente, dupla condenação da Instituição, por idênticos fatos e fundamentos; (vi) é inviável a rediscussão da matéria, pois o extinto Conselho de Recursos da Previdência Social já tinha dado ganho de causa à Instituição em relação ao cancelamento da isenção; (v) a multa é confiscatória; e (vi) a multa não pode ser cumulada com a SELIC. É o relatório. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica à fl. 96, o presente lançamento decorreu da lavratura do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Previdenciárias nº 02/2009, objeto do processo administrativo nº 18050.001428/200813. Assim, a exigência do presente débito previdenciário está atrelada ao desfecho da discussão acerca do referido Ato Cancelatório. Nesse sentido, destacase que foi dado provimento ao recurso voluntário interposto nos autos nº 18050.001428/200813, determinandose, consequentemente, a baixa do Ato Cancelatório nº 02/2009. Desta forma, tendo o Ato Cancelatório sido cancelado, não há mais que se falar na exigência das contribuições previdenciárias decorrentes. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, a fim de que os débitos ora exigidos sejam baixados. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000311/2004-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Data do fato
gerador: 31/12/1999
Ementa: ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA E/OU INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
Os ajustes contábeis comandados pelos atos das autoridades monetárias com naturezas assemelhadas à antecipação de receitas e provisão de expectativa de perdas, devido a suas características peculiares. Apesar de ser permitido o seu trânsito pelo resultado do exercício, como é o caso dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação, é necessário que exista a
expressa previsão legal para produzir qualquer efeito tributário. No caso,
invertido a lógica comumente aceita de que tudo o que compõe o lucro
liquido já seria o ponto de partida natural para gerar efeitos tributários. Se
faltar essa previsão legal, os efeitos tributários devem ser anulados por suas
contrapartes, extracontabilmente.
Tratando-se da CSLL, apesar de não ter
sido previsto isso explicitamente no Ato Declaratório n° 34/87, vale o mesmo
raciocínio utilizado para o IRPJ, pois o ponto de partida de ambos os tributos
é o mesmo (lucro liquido).
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. RECOMPOSIÇÃO DE OFICIO.
Cancelada a exigência a titulo de superveniência de depreciação, deve ser
também cancelada a exigência dela decorrente referente a compensação
indevida de base negativa.
Numero da decisão: 1102-000.674
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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SUPERVENIÊNCIA E/OU INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Os ajustes contábeis comandados pelos atos das autoridades monetárias com naturezas assemelhadas à antecipação de receitas e provisão de expectativa de perdas, devido a suas características peculiares. Apesar de ser permitido o seu trânsito pelo resultado do exercício, como é o caso dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação, é necessário que exista a expressa previsão legal para produzir qualquer efeito tributário. No caso, invertido a lógica comumente aceita de que tudo o que compõe o lucro liquido já seria o ponto de partida natural para gerar efeitos tributários. Se faltar essa previsão legal, os efeitos tributários devem ser anulados por suas contrapartes, extracontabilmente. Tratandose da CSLL, apesar de não ter sido previsto isso explicitamente no Ato Declaratório n° 34/87, vale o mesmo raciocínio utilizado para o IRPJ, pois o ponto de partida de ambos os tributos é o mesmo (lucro liquido). COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. RECOMPOSIÇÃO DE OFICIO. Cancelada a exigência a titulo de superveniência de depreciação, deve ser também cancelada a exigência dela decorrente referente a compensação indevida de base negativa. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, DAR recurso, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO – Presidente e Relatora Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 205 2 EDITADO EM:26/03/2012. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Oppermann Thomé,Silvana Rescigno Guerra Barretto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 206 3 Relatório Tratase de exigência para a Contribuição Social Sobre o Lucro, decorrente do Auto de Infração de fls.85, lavrado, segundo Termo de Verificação de fls.81/92, pelos seguintes motivos: 1) o fiscalizado procedeu à exclusão do valor de R$ 16.952.074,66 da base de cálculo da CSLL, lançandoo na Linha 19 da Ficha 30 da DIPJ do referido AC/99; 2) regularmente intimado a esclarecer a natureza do seu procedimento, o fiscalizado salientou que o valor informado referese a receita com superveniência,apurada na forma do quanto disposto na Circular do Banco Central do Brasil nº 1429, de 20/01/89, conforme relatórios demonstrativos a este anexados; 3) a referida Circular estabelece os mecanismos contábeis (Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro COSIF) a serem observados pelas empresas de Arrendamento Mercantil, no tocante ao ajuste da carteira de arrendamento efetuado na escrituração e nas demonstrações financeiras, objetivando refletir os resultados das baixas dos bens arrendados; 4) os mencionados ajustes serão contabilizados em contrapartida de Rendas de Arrendamento Superveniência/Insuficiência de Depreciação (Circular 1429/89), sendo que não serão computados na apuração do Lucro Real e deverão ser segregados contabilmente de forma a permitir seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados, conforme esclarecido nos itens “I e II” do Ato Declaratório (Normativo) CST nº 34, de 23/04/87; 5) a teor das citadas legislações e considerando ainda a inexistência de previsão legal nas disposições que regulam a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (Lei nº 7689/88 com as alterações posteriores promovidas pelo art. 2º da Lei nº 8034/90), o valor para exclusão dos ajustes decorrentes das superveniências de depreciações no montante de R$ 16.952.074,66, realizada no AnoCalendário de 1999 será desconsiderado para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, com vistas a que, de ofício, procedase à constituição do pertinente crédito tributário mediante a lavratura do competente Auto de Infração de CSLL, do qual o presente “Termo” fará parte integrante juntamente com seus anexos, sendo que o complemento do enquadramento legal encontrarseá alinhavado nas respectivas “Folhas de Continuação do Auto de Infração”. Como havia base negativa de CSLL apurada no período, no valor de R$ 14.673.390,70, a exigência se deu sobre a diferença, conforme fls.83.O enquadramento legal consta das fls.86: (art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 207 4 9.430/96; art. 7º da MP nº 1.807/99 e reedições; art. 273 do RIR/99; art. 6º da MP nº 1.858/99 e reedições). Ciente da exigência em 04 de março de 2004, oferece as razões impugnatórias de fls. 98/120, acompanhada dos documentos de fls. 121 a 131, onde, em síntese, se contrapõe ao entendimento do fisco. Ponderando os fundamentos expostos na impugnação, a 1a. Turma da DRJ/JFA por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, nos termos do acórdão 1615.250, de 29 de outubro de 2007, de fls.135/146, conforme se observa na leitura da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/1999 VALIDADE DA AUTUAÇÃO. A falta de consideração de eventual efeito da postergação não enseja nulidade da autuação. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LIQUIDO. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. Na falta de previsão legal, não há como excluir o ajuste relativo à superveniência de depreciação, determinado pela autoridade monetária, pois compõe o resultado contábil a partir do qual apurase a base de cálculo da contribuição social. POSTERGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase postergada a parcela do imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora são devidos a partir do vencimento até a data do efetivo pagamento e são calculados pela Taxa Selic, conforme legislação. Ciente da decisão em 02 de janeiro de 2008, às fls.149, interpôs as razões recursais às fls.150/177, em 24/01/2008, onde após narrar os fatos e os valores exigidos, reclama da conclusão do acórdão recorrido. Afirma que, em estrita conformidade com os Princípios Fundamentais de Contabilidade excluíra da base de cálculo da CSLL as denominadas "receitas com superveniência ativa", no valor total de R$ 16.952.074,66, no ano de 1999, em virtude dos ajustes obrigatórios exigidos pelo Banco Central do Brasil.(Resolução n° 1.429, de 20 de janeiro de 1989). E uma melhor análise da questão confirmaria seu procedimento. No tocante ao mérito, necessário considerar os aspectos inerentes à atividade de arrendamento mercantil, no País. As operações (também denominadas de leasing)são disciplinadas pela Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974, alterada pela Lei n° 7.132, de 26 de outubro de 1983. Discorre sobre o contrato pelo qual o arrendador concede ao arrendatário o direito de usar um bem (ativo), mediante o pagamento de contraprestações, e, que ao final do contrato, permite ao arrendatário exercer (ou não) a opção de adquirir a propriedade do ativo, após cumpridas condições previamente estabelecidas. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 208 5 Por suas características essencialmente financeiras, a legislação determinou que todas as operações de arrendamento mercantil fossem reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil, segundo Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional ("COSIF"). cujas normas observam os ditames do Conselho Monetário Nacional ("CMN").As arrendantes devem, segundo essas normas, ajustar o “valor contábil dos contratos ao valor presente considerandose a taxa interna de retorno das operações de arrendamento mercantil. A questão discutida diz respeito à tributação (ou não) das receitas obtidas em virtude da obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem como às normas dos órgãos competentes CVM e BACEN no que se refere às superveniências (ou insuficiências) com a depreciação dos bens objeto de arrendamento. Na época dos fatos a Portaria do Ministro da Fazenda n° 140/1984 permitia às sociedades de arrendamento mercantil depreciarem os bens arrendados utilizando a taxa "acelerada" , reduzindo em 30% (trinta por cento) o prazo normal para a depreciação do bem. Comenta que tanto a contabilização dessas operações, quanto as demonstrações financeiras dessas empresas devem se adequar aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, que preconizam, entre outros, o princípio da essência do negócio sob sua forma legal. E com a finalidade de mais adequadamente refletir tanto o resultado, quanto ao patrimônio líquido das sociedades de arrendamento mercantil, os órgãos regulatórios competentes criaram a obrigatoriedade de se ajustar o valor contábil dos contratos, mensalmente, ao valor presente, com base na taxa interna de retorno. Vale dizer que a referida "taxa Interna de retorno" mede o retorno do valor aplicado no início da operação. A Circular do BACEN n° 1.429, de 20 de janeiro de 1989, determina para cálculo do referido ajuste, o valor presente de todas as contraprestações dos contratos, com base na taxa interna de retorno, registrandose na contabilidade por complemento ou estorno, nas contas de despesas ou de rendas com arrendamentos, em contrapartida com as contas de insuficiência ou de superveniência de depreciação. Exemplifica a forma da operação e diz que, para o valor contábil do contrato no mês 1 se igualar ao valor presente do contrato, é necessário que a depreciação acumulada seja menor em valor equivalente à diferença entre ambos. Em outras palavras, houve superveniência de depreciação. Assim, no mês 1, o ajuste é positivo e a CSLL incidente sobre esse valor deve ser diferida para períodos subseqüentes. Por este exemplo o valor total da receita com superveniência apurada no final do contrato, de R$ 7.901,84, é revertida no momento do encerramento do contrato, como insuficiência no mesmo valor, submetendose, nesse momento, à tributação pela CSLL. Discorre sobre o aspecto científico da Contabilidade, e sua obrigatória observação quando registrados eventos na contabilidade e nas demonstrações das sociedades, por força do disposto no artigo 177 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, ("Lei das Sociedades por Ações), que assim dispõe: "a escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos.” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 209 6 Também transcreve o artigo 220 do RIR/1994, (cuja base legal é, do Decreto lei 1598/77, art.67,XI e da Lei 7450/85, artigo 18) cujo dispositivo aponta a sanção para os casos de descumprimento das normas societárias, caso alguém (acionistas ou mesmo terceiros) se sentissem prejudicados. O que aponta para a positivação desses princípios no ordenamento jurídico pátrio. Estende o comando legal para CSLL, nos termos do artigo 2o, da Lei n° 7.689/1988, que ao tratar sobre a apuração da sua base de cálculo estatui que parta do "resultado do exercício”.E completa que o próprio entendimento do Fisco, exarado por meio da Instrução Normativa SRF n° 198/88, dispõe que será 'apurado na forma do Inciso V, do artigo 187, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976'. Por isto, despropositada a alegação dos julgadores de que "como não há previsão legai de exclusão do item superveniência de depreciação na base de cálculo da CSLL, verificase que a autuação está correta”. Elenca os Princípios Contábeis e as correspondentes Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade ("CFC") n° 750, de 29 de dezembro de 1993 e n° 774, de 16 de dezembro de 1994, bem como destaca o papel do Instituto Brasileiro de Contabilidade (IBRACON), na classificação didática destes princípios, os quais replica. Nesses princípios se apoiou para excluir as receitas com superveniência de depreciação, seguindo a essência do negócio e a realidade do fato gerador contábil, observando o Princípio Contábil da Competência dos Exercícios, aprovado pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC n° 750, de 29 de dezembro de 1993, cujo artigo 9o transcreveu e comentou. Ainda, na peculiar contabilização da depreciação dos bens arrendados, a qual está sujeita, é imprescindível que efetue as exclusões das receitas com superveniência de depreciação tanto da base de cálculo do IRPJ, como da base de cálculo da CSLL. Essas receitas, conforme demonstrou, constituem meros ajustes contábeis, necessários para que a essência econômica das demonstrações financeiras se sobreponha à forma jurídica. Ou seja, estes ajustes contábeis fazem com que o valor patrimonial dos seus ativos sejam representados por valores que a Ciência Econômica considera mais adequados. E, em hipótese alguma eles refletem a realidade jurídica, ou seja, esta receita de superveniência não pode ser considerada lucro efetivo da sociedade única hipótese possível para que fosse tributada mas tão somente um ajuste contábil de modo a melhor refletir a sua situação patrimonial.O seu lucro somente pode ser auferido na medida em que recebe os valores do arrendamento e ao término de cada um dos contratos, com a alienação, ou não, dos bens arrendados. A receita de superveniência constitui uma ficção jurídica, que em apego ao princípio da verdade material e a necessidade da materialidade do fato gerador, jamais poderia exigir a obrigação do recolhimento tanto do IRPJ, quanto da CSLL.(Aqui a razão para a Lei n° 6.099/74 não reconhecer a tributação deste efeito seja quando ele é positivo superveniência seja quando ele é negativo insuficiência). Ela não criou qualquer direito. Apenas, reconheceu o que já era evidente, ou seja, o aspecto de lucro fictício do evento, resultado de um simples ajuste contábil. E mais, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 210 7 também não mencionou a base de cálculo da CSLL porque ela só foi criada após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Comenta que para excluir a receita de superveniência da base de cálculo da CSLL não necessita de lei específica, porque, conforme já dito antes, esta receita é mera ficção jurídica, a qual não pode ser objeto de tributação, sob pena de se tributar o irreal, o inexistente. Julgados insuficiente os argumentos até então expendidos, a exigência também não prosperaria porque o fato implicaria , quando muito, na “hipótese de postergação do pagamento do tributo”. A "irregularidade" que lhe foi imputada diz respeito à exclusão de receitas da base de cálculo da CSLL relativamente ao anocalendário de 1999. Desse modo, qualquer crédito tributário que se pretendesse exigir deveria se restringir somente à diferença que viesse a resultar do diferimento do recolhimento da CSLL, nunca nos moldes em que foi formulada pelo Fisco, que não levou em conta a recomposição das bases de cálculo nos exercícios subsequentes em que teria ocorrido eventual postergação no pagamento da Contribuição. Conforme demonstrara no exemplo prático anteriormente mencionado, no início dos contratos sempre há a auferimento de receitas de superveniência, que, posteriormente acarretam despesas de insuficiência com depreciação, as quais foram adicionadas à base de cálculo da CSLL. Repisa a ocorrencia da tributação destes valores para a CSLL, no sentido das disposições legais pertinentes encontradas no artigo 219 do RIR/94, vigente à época dos fatos que ocasionaram a autuação. Reproduz o dispositivo. Comenta a necessidade de recomposição do lucro líquido dos exercícios em que tiver ocorrido a postergação, a fim de se exigir apenas a diferença de tributo resultante da inobservância quanto ao periodobase de escrituração de despesa. Discorre sobre o instituto da postergação, transcreve as ementas das decisões do Ac. n° 10191.456/98 ; 10319.544/98; 10186.768; n° 10189.196/96; 10192.173/98; 10512.479/98; 10191.840/98; 108 05.134/980.Comenta que as decisões ali consignadas deixam claro que o lançamento da diferença do tributo, nos casos de postergação, deve observar, rigorosamente, os ditames da lei de regência, que determinam a recomposição do lucro líquido para efeito de apuração do lucro real dos períodosbase alcançados pela postergação, a fim de verificar a existência de eventual diferença de imposto devido, única hipótese que autoriza a formalização do lançamento de oficio. Destaca a importancia do Parecer Normativo COSIT n° 2, de 02 de agosto de 1996, onde o Fisco, consciente das dúvidas remanescentes sobre a matéria, tanto por parte dos contribuintes quanto dos Auditores Fiscais e, preocupado com a correta aplicação do artigo 219 do RIR/94, estabeleceu os procedimentos a serem observados para a correta determinação do montante tributável, nestes casos. Conforme se pode observar da análise dos documentos juntados, caso o fiscal tivesse feito a recomposição dos lucros auferidos no período, bem como nos subseqüentes, verificaria que ao final do anobase de 1999, sua equação fecharia. Compensara integralmente o saldo de prejuízos fiscais. Por isto seria imperioso ser decretada a “ nulidade da autuação pela falta da postergação “, na forma do disposto no Parecer Normativo COSIT n° 2/1996, que disciplina a Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 211 8 postergação de pagamento de tributo em virtude da inobservância do regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas. Discorre, também, sobre a “inaplicabilidade da taxa selic como juros de mora”, por sua natureza remuneratória. Diz que não pede ao Colegiado que declare a inconstitucionalidade da taxa SELIC, mas, tãosomente que verifique a inadequação da sua exigência. Finaliza com pedido de recebimento e acolhimento de suas razões, com vistas a reforma da decisão combatida e consequente cancelamento da exigencia. Despacho de fls. 203 encaminha os autos ao CARF. Por sorteio os recebo. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 212 9 Voto O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Como anteriormente relatado, tratase de exigência para a Contribuição Social Sobre o Lucro, devido à exclusão do valor de R$ 16.952.074,66 da base de cálculo da CSLL, referente ao ano calendário de 1999. A recorrente excluiu receita com superveniência, apurada na forma do quanto disposto na Circular do Banco Central do Brasil nº 1429, de 20/01/89, conforme relatórios demonstrativos constantes dos autos. Referida Circular estabeleceu os mecanismos contábeis (Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro COSIF) de observância obrigatória para empresas de Arrendamento Mercantil, no tocante ao ajuste da carteira de arrendamento efetuado na escrituração e nas demonstrações financeiras, objetivando refletir os resultados das baixas dos bens arrendados. Ditos ajustes foram contabilizados em contrapartida de Rendas de Arrendamento Superveniência/Insuficiência de Depreciação, nos termos da Circular antes mencionada, e não foram computados na apuração do Lucro Real, com base nos esclarecimentos dos itens “I e II” do Ato Declaratório Normativo CST nº 34, de 23/04/87. Houve, ainda, a segregação contábil de forma a permitir a determinação e o tratamento tributário a eles dispensados. Entendeu o atuante que o procedimento fora realizado sem base legal. Deste modo recompôs a CSLL. Como havia base negativa apurada no período, no valor de R$ 14.673.390,70, a exigência se deu sobre a diferença. O enquadramento se fez no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 7º da MP nº 1.807/99 e reedições; art. 273 do RIR/99; art. 6º da MP nº 1.858/99 e reedições. A Recorrente propugna pelo cancelamento da exigência, argüindo, em síntese, que a exigência infringe princípios norteadores da ciência contábil, além de colidir com a legislação específica do arrendamento mercantil, (Lei nº. 6099/74, alterada pela Lei nº. 7132/83). Invoca postergação do pagamento do imposto, reclama da exigência dos juros com taxa Selic. A matéria já foi objeto de conhecimento pela 1a.Turma Ordinária da 2a.Sessão do CARF, na sessão de 17 de junho de 2009, através do acórdão 120100.097, assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: ARRENDAMENTO MERCANTIL. SUPERVENIÊNCIA E/OU INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Os ajustes contábeis comandados pelos atos das autoridades monetárias com naturezas assemelhadas h antecipação de Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 213 10 receitas e provisão de expectativa de perdas, devido a suas características peculiares. Apesar de ser permitido o seu trânsito pelo resultado do exercício, como é o caso dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação, é necessário que exista a expressa previsão legal para produzir qualquer efeito tributário. No caso, invertido a lógica comumente aceita de que tudo o que compõe o lucro liquido já seria o ponto de partida natural para gerar efeitos tributários. Se faltar essa previsão legal, os efeitos tributários devem ser anulados por suas contrapartes, extracontabilmente. Tratandose da CSLL, apesar de não ter sido previsto isso explicitamente no Ato Declaratório n° 34/87, vale o mesmo raciocínio utilizado para o IRPJ, pois o ponto de partida de ambos os tributos o mesmo (lucro liquido). COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. RECOMPOSIÇÃO DE OFICIO. Cancelada a exigência a titulo de superveniencia de depreciação, deve ser também cancelada a exigência dela decorrente referente a compensação indevida de base negativa. Por bem definir a matéria dos autos me louvei nos brilhantes fundamentos expendidos no voto condutor desse acórdão da lavra do i.Conselheiro Antonio Bezerra Neto. A fiscalização acusa a empresa de ter excluído da base de cálculo da CSLL, sem previsão legal em sua legislação especifica de regência, os valores das receitas apuradas de acordo com as disposições da Circular do Banco Central do Brasil nº 1429, de 20/01/89. É a seguinte a legislação correlata: Lei n° 7.689/88, com a redação do art. 20 da Lei n.° 8.034/90 LEI No 7.689, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1988. Art. 1° Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1° Para efeito do disposto neste artigo: c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela (redação da Lei 8.034/90): 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida n ão tenha sido computada no resultado do períodobase; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 214 11 3 adição do valor das provisões não dedutiveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase." A Lei no.6.099/74 é a matriz legal que regulamenta o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil, na ordem seguinte: LEI no. 6.099, DE 12 DE SETEMBRO DE 1974. Art 1° O tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil regerseá pelas disposições desta Lei. Art. 7o. Todas as operações de arrendamento mercantil subordinamse ao controle e fiscalização do Banco Central do Brasil, segundo normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, a elas se aplicando, no que couber, as disposições da Lei número 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e legislação posterior relativa ao Sistema Financeiro Nacional. Art 12. Serão admitidas como custos das pessoas jurídicas arrendadoras as cotas de d epreciação do prego de aquisição de bem arrendado, calculadas de acordo com a vida útil do bem. § 1° Entendese por vida útil do bem o prazo durante o qual se possa esperar a sua efetiva utilização econômica. § 2° A Secretaria da Receita Federal publicará periodicamente o prazo de vida útil admissível, em condições normais, para cada espécie de bem. § 3° Enquanto não forem publicados os prazos de vida útil de que trata o parágrafo anterior, a sua determinação se fará segundo as normas previstas pela legislação do imposto de renda para fixado da taxa de depreciação. Art 13. Nos casos de operações de vendas de bens que tenham sido objeto de arrendamento mercantil, o saldo não depreciado será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda. Art 14. Não será dedutível, para fins de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda, a diferença a menor entre o valor contábil residual do bem arrendado e o seu prego de venda, quando do exercício da opção de compra. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 215 12 O Ato Declaratório Normativo CST 34/87, que esclarece o contexto no qual aqueles ajustes determinados pelo Banco Central do Brasil estão inseridos (Superveniência de Depreciação e Insuficiência de Depreciação): "I Na determinação do lucro liquido das sociedades de arrendamento mercantil deverão ser observadas as disposições da Lei n' 6.099, de 12 de setembro de 1974, com as alterações introduzidas pela Lei n° 7.132, de 26 de outubro de 1983 e o disciplinado nas Portarias MF 376E, de 28 de setembro de 1976, n° 564, de 03 de novembro de 1978 e 140, de 27 de julho de1984, permitidos os ajustes determinados pela aplicação do Plano de Contas aprovado pelo Banco Central do Brasil. II Os ajustes de que trata o item anterior, quando relacionados com fatos administrativos cuja apropriação está disciplinada pelos atos ministeriais referidos, não serão computados na apuração do lucro real e deverão ser segregados con tabilmente, de forma a permitir seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados. III — O mencionado procedimento de ajustes não poderá alterar os efeitos tributários decorrentes da aplicação das disposições dos atos legais referidos no item I." (destaques do voto original) "Circ. BACEN 1.429/89 Circ. Circular BANCO CENTRAL DO BRASIL BACEN n° 1.429 de 20.01.1989 D.O.U.: 20.01.1989 (Alterar os itens 1.7.3 e 1.11.8, e incluir os itens 1.11.9.6 e 1.11.10.8, no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF)) (..) COSIF 1.11 8. Imobilizado de Arrendamento I. Imobilizado de Arrendamento compõese dos bens de propriedade da instituição, arrendados a terceiros. 2. Os bens objeto de contratos de arrendamento são registrados no desdobramento Bens Arrendados, pelo seu custo de aquisição, composto dos seguintes valores: preço normal da operação de compra acrescido dos custos de transporte, seguros, impostos e gastos para instalação necessários à colocação do bem em perfeitas condições de funcionamento. 3. A instituição deve abrir desdobramentos de uso interno para os subtítulos de BENS ARRENDADOS, destinados a registrar, separadamente, os bens arrendados ao amparo das Portarias MF 564/78 e 140/84. 4. A depreciação dos bens arrendados reconhecese mensalmente, nos termos da legislação em vigor, devendo ser registrada a débito de DESPESAS DE ARRENDAMENTO, subtítulo Depreciação de Bens Arrendados, em contrapartida com DEPRECIAÇÃO ACUMULADA DE BENS ARRENDADOS, a qual figura como conta retificadora do subgrupo Imobilizado de Arrendamento. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 216 13 5. A escrituração contábil e as demonstrações financeiras ajustamse com vistas a refletir os resultados das baixas dos bens arrendados. Os ajustes efetuamse mensalmente, conforme segue: a) calculase o valor presente das contraprestações dos contratos, utilizandose a taxa interna de retorno de cada contrato. Consideramse, para este efeito, os Arrendamentos e Subarrendamentos a Receber, inclusive os cedidos, os VALORES RESIDUAIS A REALIZAR, inclusive os recebidos antecipadamente, e os registrados em CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO ; b) apurase o valor contábil dos contratos pelo somatório das contas abaixo: (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS INTERNOS (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS EXTERNOS (+) ARRENDAMENTOS A RECEBER EM ATRASO () RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS RECEBER RECURSOS INTERNOS () RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER RECURSOS EXTERNOS (+) SUBARRENDAMENTOS A RECEBER (+) SUBARRENDAMENTOS A RECEBER EM ATRASO () RENDAS A APROPRIAR DE SUBARRENDAMENTOS A RECEBER (+) VALORES RESIDUAIS A REALIZAR () VALORES RESIDUAIS A BALANCEAR (+) CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇ A 0 () RENDAS A APROPRIAR DE CRÉDITOS DE ARRENDAMENTO EM LIQUIDAÇÃO (+) BENS ARRENDADOS () VALOR A RECUPERAR () DEPRECIAÇÃ 0 ACUMULADA DE BENS ARRENDADOS (+) BENS NÃO DE USO PRÓPRIO (relativos aos créditos de arrendamento mercantil em liquidação); (+) PERDAS EM ARRENDAMENTOS A AMORTIZAR () AMORTIZAÇÃO ACUMULADA DO DIFERIDO Perdas em Arrendamento a Amortizar c) o valor resultante da diferença entre "a" e "b", acima, constitui o ajuste da carteira em cada mês. 6. O valor do ajuste apurado conforme a letra "c" do item supra registrase por complemento ou estorno, em DESPESAS DE ARRENDAMENTO ou RENDAS DE ARRENDAMENTOS RECURSOS INTERNOS ou outra conta adequada, em contrapartida coin INSUFICIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES ou SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECL4ÇÕES. 7. O resultado na venda de valor residual, decorrente do exercício da opção de compra pela arrendatária, ou pela apropriação do valor residual garantido, contabilizase: a) a crédito de LUCROS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS, se positivo; Fl. 13DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 217 14 b) a débito de PERDAS EM ARRENDAMENTOS A AMORTIZAR, se negativo. 8. Os lucros ou prejuízos na venda a terceiros, não arrendatários, são registrados, respectivamente, a crédito de LUCROS NA ALIENAÇÃO DE VALORES E BENS ou a débito de PREJUÍZOS NA ALIENAÇÃO DE VALORES E BENS. 9. Para efeito de contabilização do ajuste mensal previsto no item 1.11.8.5, observase que: a) o seu registro deve ser efetuado pelo valor bruto; b) a parcela do Imposto de Renda não dedutivel no período, incidente sobre os ajustes negativos, deve ser registrada em CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS IMPOSTO DE RENDA; c) a parcela do Imposto de Renda relativa aos ajustes positivos, devida em períodos subseqüentes, registrase em 8.9.4.10.006 IMPOSTO DE RENDA, em contrapartida com PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA DIFERIDO; d) o montante registrado na forma da letra "h" supra deve ser objeto de nota explicativa nas demonstrações financeiras, de forma a evidenciar seus efeitos. 10. 0 valor residual contábil dos bens cuja opção de compra não foi exercida pela arrendatária deve ser transferido, quando da sua efetiva devolução, para BENS NÃO DE USO PRÓPRIO, inclusive aqueles objeto de reintegração de posse. 11. No caso de venda do bem objeto de contrato de arrendamento pela arrendadora a terceiros por valor superior ao valor residual garantido ou opção de compra, a diferença deve ser contabilizada em CREDORES DIVERSOS PAIS, cuja baixa ocorre pela devolução à arrendatária. As sociedades de arrendamento mercantil, criadas pela Lei n° 6.099, de 12/09/1974, são as instituições que têm por objeto o arrendamento de bens imóveis e móveis, de produção nacional, classificáveis no então ‘ativo fixo”, adquiridos pela arrendadora para uso da arrendatária. Segundo definição do Banco central do Brasil. A locação financeira, ou arrendamento mercantil, também conhecido pelo termo em inglês leasing, é um contrato através do qual a arrendadora ou locadora (a empresa que se dedica à exploração de leasing) adquire um bem escolhido por seu cliente (o arrendatário, ou locatário) para, em seguida, alugálo a este último, por um prazo determinado. Ao término do contrato o arrendatário pode optar por renoválo por mais um período, por devolver o bem arrendado à arrendadora (que pode exigir do arrendatário, no contrato, a garantia de um valor residual) ou dela adquirir o bem, pelo valor de mercado ou por um valor residual previamente definido no contrato. A operação é regida por contrato cujas cláusulas principais estabelecem: a descrição dos bens objeto do contrato; o valor das contraprestações e forma de pagamento pela arrendatária; o prazo de vencimento; a opção, no vencimento do contrato, pela devolução do Fl. 14DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 218 15 bem arrendado, pela renovação do contrato ou pela aquisição do bem, garantido o seu valor residual; reajustes, despesas e encargos contratuais. A combinação dessas variáveis irão determinar a natureza do arrendamento, se operacional ou financeiro. (...) INSUFICIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES ou SUPERVENIÊNCIAS DE DEPRECIAÇÕES. Em resumo, podese verificar que as empresas dedicadas à atividade de arrendamento mercantil, como a Recorrente, têm duas origens relevantes de despesas e de receitas. As despesas são decorrentes de (a) depreciação dos bens arrendados e (b) de juros e outros encargos decorrentes da captação de recursos. As receitas, por sua vez, originamse de (a) contra prestações de arrendamento mercantil e (b) de ganho no exercício da opção de compra do bem pelo arrendatário. No caso que se cuida a depreciação é que está em foco. O que as diferenciam das demais pessoas jurídicas é ocorrência do descasamento entre os prazos dos contratos de arrendamento mercantil e os prazos previstos para depreciação dos bens arrendados. Esse descasamento ainda é mais justificado pelo incentivo ofertado a essas empresas pela Lei n° 6.099/74 e regulamentada, entre outras, pela Portarias MF ns 376E, de 28 de setembro de 1976, que entre outros regramentos estabeleceu, que: "(.) 11.6 O prazo usual de vida útil dos bens arrendados poderá, a critério das empresas arrendadoras, ser considerado com a redução de 30% (trinta por cento), para efeito de determinação da taxa anual de depreciação. (..)"(destaques do voto original) Com efeito, considerandose que a maior fonte de receitas das empresas de leasing decorre das contra prestações do contrato, que devem ser reconhecidas em função do prazo do mesmo, bem como que o volume mais expressivo das despesas decorre da depreciação dos bens arrendados, que tem o seu prazo estabelecido em função da vida útil do bem, resta nítido que o desequilíbrio entre os dois prazos afeta os resultados das arrendadoras, fazendo com que haja reconhecimento antecipado de receitas ou despesas. Nesse contexto, em virtude dessa incompatibilização entre as receitas e despesas desse tipo de sociedade e para evitar prováveis distorções nas demonstrações financeiras, é que as autoridades monetárias as quais elas também estão sujeitas decidiram por equalizar o tratamento contábil a ser seguido pelas mesmas. Sob a forma de ajustes de suas despesas de depreciação dos bens arrendados para os prazos dos contratos de arrendamento. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 219 16 Dessa forma, a partir de 30/06/1988, com a criação do Plano Contábil das Instituições Financeiras COSIF, aprovado pela Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273, de 29.12.87, os referidos ajustes contábeis foram criados. Segundo o Banco Central as funções dessas contas são as seguintes: "Titulo: INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÕES () Conta:2.3.2.40.005 Função: Registrar a diferença entre o valor contábil e o valor atual dos contratos em andamento, as taxas pactuadas, quando este for menor. Quando da baixa do bem arrendado, com apuração de prejuízo com recebimento de valor residual garantido ou exercício da opção de compra pelo arrendatário, esta conta deve ser debitada pelo valor do prejuízo, em contrapartida com Bens Arrendados. Base Normativo: (Circ. 1273) (destaques do original) Ou seja, o Banco Central estabeleceu, por esses dispositivos, a existência de duas contas no Ativo Permanente. (a primeira redutora desse Ativo e a outra não) com contrapartidas em contas de resultado (despesas de arrendamento e rendas de arrendamento) a fim de ajustar as diferenças acima apontadas. Insuficiência de Depreciações – A primeira delas "Insuficiência de Depreciações" (Código 2.3.2.40.005),conta redutora, deve ser utilizada quando o valor das contra prestações decorrentes contrato de arrendamento mercantil trazidos a valor presente (valor presente do fluxo futuro de recebimentos tomando por base as taxas de juros contratuais) for menor do que sua carteira ajustada já pelas baixas e depreciações acumuladas (valor contábil). Quando o valor presente é, menor que a simples soma desses recebimentos futuros, o ativo contábil da empresa ajustado também se reduz quando se usa o artifício da insuficiência de depreciação. Por outro lado quando o prazo dos contratos de arrendamento não é suficiente para que seja realizada a depreciação do bem temse uma despesa adicional decorrente da insuficiência de depreciação Contabilização Mensalmente, debitase despesas de arrendamento e creditase a conta redutora do ativo "Insuficiência de Depreciações" Superveniencia de Depreciações A outra conta do ativo "Superveniencia de Depreciações" (Código 2.3.2.30.008), conta normal do ativo, nãoredutora, deve ser utilizada no sentido inverso, quando o valor das contra prestações decorrentes contrato de arrendamento mercantil trazidos a valor presente do fluxo futuro de recebimentos tomando por base as taxas de juros contratuais for maior do que sua carteira ajustada já pelas baixas e depreciações acumuladas (valor contábil). Quando o valor presente é maior que a simples soma desses recebimentos futuros, o ativo contábil da empresa ajustado também é aumentado quando se usa o artificio da superveniência de depreciação. Por outras palavras, quando o prazo de depreciação é menor do que o contrato de arrendamento, ocorre Fl. 16DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 220 17 a necessidade da sua diluição, redundando a mesma na superveniência de depreciação. Contabilização Mensalmente, creditase receitas de arrendamento e debitase a conta do ativo "Superveniência de Depreciações" Como os ajustes são efetuados mensalmente, na apuração anual do lucro real poderá haver a concomitância de ajustes extracontábeis tanto relativo A. "Insuficiência de Depreciações" quanto A "Superveniência de Depreciações", como 6. o caso dos autos. O autuante, no caso, glosou o efeito liquido dessas duas rubricas nos ajustes do lucro liquido da CSLL. Efeitos Tributários Como afirmado, em relação à "insuficiência de depreciações", as despesas de depreciação deveriam ser reconhecidas em momento diferente, mas são "corrigidas" contabilmente para correta apuração dos resultados das empresas de arrendamento mercantil segundo a sistemática do Banco Central. No segundo, ocorre o inverso, na medida em que as despesas de depreciação são "postergadas" para serem reconhecidas juntamente com as respectivas receitas. O Ato Declaratório Normativo CST 34/87, bem esclarece o contexto no qual esses ajustes determinados pelo Banco Central do Brasil estão inserido (Insuficiência de Depreciação e Superveniência de Depreciação : "I Na determinação do lucro liquido das sociedades de arrendamento mercantil deverão ser observadas as disposições da Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974, com as alterações introduzidas pela Lei n° 7.132, de 26 de outubro de 1983 e o disciplinado nos Portarias MT es 3 76E, de 28 de setembro de 1976, n° 564, de 03 de novembro de 1978 e 140, de 27 de julho de 1984, permitidos os ajustes determinados pela aplicação do Plano de Contas aprovado pelo Banco Central do Brasil. II Os ajustes de que trata o item anterior, quando relacionados com fatos administrativos cuja apropriação está disciplinada pelos atos ministeriais referidos, não serão computados na apuração do lucro real e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados. III — O mencionado procedimento de ajustes não poderá alterar os efeitos tributários decorrentes da aplicação das disposições dos atos legais referidos no item 1" (nossos destaques) O inciso I é bastante claro em traçar as normas legais e infralegais (Portarias Ministeriais) que dão o tom do tratamento tributário a ser seguido pelas empresas desse setor. Em sua ressalva final, permite que os ajustes contábeis referenciados pelos atos normativos do Banco Central sejam efetuadas. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 221 18 O inciso III do referido preceptivo legal é bastante claro em enfatizar que os referidos ajustes não poderão "alterar os efeitos tributários decorrentes da aplicação das disposições dos atos legais referidos no item I" Ou seja, do inciso III se pode extrair dois pressupostos: i) as despesas com depreciação com suas especificidades tratadas nos atos legais referidos, por exemplo, não podem ser sobrepujadas ou anuladas pelo o quer que as normas do banco central determinem; ii) o lucro liquido não pode ser afetado por esses mesmos ajustes. Portanto, é óbvio que os ajustes contábeis feitos no lucro liquido apenas para efeito de equalização entre receitas e despesas das sociedades de arrendamento mercantil não podem produzir efeitos fiscais e que por isso tais ajustes precisam ser anulados por suas inversões, extracontabilmente, para fins de cálculo da CSLL. Cabe salientar um ponto importante, apesar de a terminologia tratada nesses ajustes não contemplar especificamente a expressão "provisões", na verdade tais ajustes não passam de antecipações de receitas e/ou provisões e reversão de provisões com uma nova roupagem. Quando ocorre "insuficiência de depreciações" fazse na verdade uma provisão, creditandose uma conta redutora do ativo e debitandose uma conta de resultado(despesa). Em período em que ocorre "superveniência de depreciações" nada mais se faz do que reverter aquelas provisões ou mesmo antecipar receitas (caso em que as provisões ou ainda não foram feitas ou superem as provisões já ativadas), creditandose uma conta de receita e debitandose uma conta do ativo (superveniência de depreciações), que é a contrapartida da conta redutora desse ativo (insuficiência de depreciações). A complexidade está apenas em que a conta de provisão está bipartida em 2(duas) contas cujos efeitos devem ser considerados em conjunto. Tratandose de provisão indedutível, então, o problema da falta de previsão legal não mais se coloca, pois a Lei 7.689/89 passa a dar guarida ao desfazimento de tudo que lhe diz respeito, inclusive as reversões. Com razão a recorrente quando argumenta que as regras aplicáveis na apuração da capacidade contributiva da pessoa jurídica na determinação de seu lucro para fins de incidência do Imposto sobre a Renda também devem ser aplicáveis à CSLL Discordo, portanto, do autuante e da decisão de piso quando mantêm o lançamento sob o argumento de que a legislação aplicável A. Contribuição Social não tratou especificamente dos referidos ajustes, pelo seguinte motivo: Os ajustes contábeis comandados pelos atos das autoridades monetárias com naturezas assemelhadas à antecipação de receitas e provisão de expectativa de perdas, devido a suas características peculiares. Apesar de ser permitido o seu trânsito Fl. 18DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 222 19 pelo resultado do exercício, como é o caso dos ajustes de superveniências e insuficiências de depreciação, necessário que exista a expressa previsão legal para produzir qualquer efeito tributário. No caso, é invertido a lógica comumente aceita de que tudo o que compõe o lucro liquido já seria o ponto de partida natural para gerar efeitos tributários. Se faltar essa previsão legal, os efeitos tributários devem ser anulados por suas contrapartes, extracontabilmente. Tratandose da CSLL, apesar de não ter sido previsto isso explicitamente no Ato Declaratório no 34/87, vale o mesmo raciocínio utilizado para o lRPJ, pois o ponto de partida de ambos os tributos é o mesmo (lucro liquido). Corroborando com o item anterior, de que certos aspectos lógicos nem mesmo precisa estar explicito no sistema de Direito Positivo, lição do saudoso Lourival Vilanova em seu clássico "As estruturas lógicas e o Sistema de Direito Positivo", a Receita Federal tratou de explicitar que pode ser excluído do lucro liquido "quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro liquido que, de acordo com essa mesma legislação, não devam ser computados na determinação do resultado ajustado (IN 390/2004, art. 39, inciso II) I . E em sentido reverso em relação aos custos que foram deduzidos sem previsão legal da legislação de regência (IN 390/2004, art. 38, inciso I) Também considero o entendimento da DRJ em relação ao Ato Declaratório n°34/87 deveras literal e em dissonância com uma interpretação sistemática das normas envolvidas. Vejamos as próprias palavras da DRJ: "Contudo, o entendimento da defesa não é correto uma vez que o texto do Ato Declaratório n°34/87, em seu inciso I, é claro no sentido de que.” Os ajustes de que trata o item anterior, quando relacionados com fatos administrativos cuja apropriação está disciplinada pelos atos ministeriais referidos, não serão computados na apuração do lucro real. Portanto, verificase que o Ato Declaratório Normativo CST 34/87 trata especificamente de apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ e, uma vez que distintas as bases de cálculo, a orientação normativa do referido ADN 34/87 não pode ser estendida a CSLL criada pela Lei n° 7.689/88 que, acrescentese, é posterior ao referido Ato Declaratório. Alega a requerente, ás fls. 62, que o ajuste previsto na Circular n° 1429, de 20/01/1989, registrado como complemento ou estorno nas contas de Despesas de Arrendamento em contrapartida com Insuficiência de Depreciação ou Superveniência de Depreciações visa melhor refletir o resultado auferido pela sociedade nas suas demonstrações financeiras (destaque da impugnação). Dessa forma, concluise que a requerente, por força de sua atividade, está sujeita as normas de contabilização expedidas pelo Banco Central e, portanto, o resultado a que se refere a Lei Fl. 19DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 223 20 n° 7.689/88 (art. 2°) é aquele apurado na contabilidade, com a observância de tais normas." (grifos no original) A decisão de piso analisou isoladamente o inciso II do Ato Declaratório 11034/87, esquecendose de vislumbrar as considerações já aqui colocadas neste voto sobre os demais itens (I e III). Apegouse a expressão isolada "Lucro Real" para dai concluir que as especificidades ali tratadas diziam respeito apenas ao IRPJ e não à CSLL. Esqueceuse, primeiro, de aquilatar que ajustes eram aqueles e a natureza dos mesmos: diziam respeito apenas a ajustes contábeis a serem efetuados sobre o lucro liquido; ponto de partida para o IRPJ e a CSLL. Segundo, o seu argumento de que a Lei n° 7.689/88 por ser posterior ao referido Ato Declaratório corroboraria mais ainda a sua tese. Pelo contrário, a expressão lucro real, quiçá foi utilizada pelo legislador apenas porque o IRPJ era o único imposto sobre o lucro então vigente; Por último, o sentido da expressão "Lucro Real" pode ser substituída por algo correlato a "acertos extra contábeis" sem perda de seu conteúdo. Por fim, aqui se coloca um último questionamento, se o ajuste liquido dessas superveniências tivesse se concretizado em sentido oposto ao aqui colocado, ou seja se ao fim e ao cabo redundasse em contabilização a maior de despesas no lucro liquido do que o previsto pela legislação de regência ou mesmo se as adições superassem as exclusões, o que é perfeitamente possível a depender da composição da carteira da arrendadora. O autuante iria de desfazer as adições extracontábeis e restituir o "imposto pago a maior" ? COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. RECOMPOSIÇÃO DE OFICIO. Cancelada a exigência a titulo de superveniência de depreciação, deve ser também cancelada a exigência dela decorrente referente à compensação indevida de base negativa. Cabe a autoridade executora deste Acórdão alimentar o sistema SAPLI de forma a restabelecer o saldo de base negativa da CSLL glosada. A matéria também foi conhecida no julgamento do acórdão 10196.306, de 13 de setembro de 2007, quando se referindo à neutralidade dos ajustes contábeis decorrentes da Circular BACEN 1429/89, assim dispôs, na ementa: (...) AJUSTE CIRCULAR BACEN 1429/89 – Uma vez que os ajustes contábeis determinados pela Circular Bacen 1429/89 não podem alterar os efeitos tributários decorrentes dos atos legais e complementares que disciplinam a determinação do lucro real das atividades de arrendamento mercantil, é necessário, para Fl. 20DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 224 21 apurar o lucro real, segregar o resultado da correção monetária das contas de ajuste. E no voto condutor do acórdão, assim versou: (...) “Inicialmente registro que, não havendo razões específicas relacionadas à exigência da CSLL, a ela se aplica o decidido em relação ao IRPJ” Diante de todo exposto, como os fatos são os mesmos, também concluo que os ajustes realizados , tanto para o IRPJ, quanto para CSLL, não produziram qualquer efeito tributário. Nesta ordem de juízos DOU provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 16327.000311/200468 Acórdão n.º 1102.00674 S1C1T2 Fl. 225 22 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília 01 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Maria Conceição de Sousa Rodrigues Primeira Câmara da Primeira Seção Fl. 22DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918900/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/07/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 24/07/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 00 /2 01 2- 21 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918900/201221 Acórdão n.º 3801005.083 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918900/201221 Acórdão n.º 3801005.083 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918900/201221 Acórdão n.º 3801005.083 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918900/201221 Acórdão n.º 3801005.083 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918900/201221 Acórdão n.º 3801005.083 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918900/201221 Acórdão n.º 3801005.083 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918900/201221 Acórdão n.º 3801005.083 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918900/201221 Acórdão n.º 3801005.083 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001520/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário:
2003, 2004, 2005
Concomitância. Efeitos
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
Sendo diversos os objetos, cabe conhecer o recurso.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
Perdas com Operações de Swap. Indedutibilidade
Para efeito de cálculo da contribuição para o PIS, somente serão reconhecidas perdas em operações nos mercado de derivativos, alegadamente realizadas com a finalidade de hedge, ou seja, de proteção do patrimônio da sociedade, se demonstrada a posição de risco que está sendo protegida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.081
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Efeitos Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Sendo diversos os objetos, cabe conhecer o recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Perdas com Operações de Swap. Indedutibilidade Para efeito de cálculo da contribuição para o PIS, somente serão reconhecidas perdas em operações nos mercado de derivativos, alegadamente realizadas com a finalidade de hedge, ou seja, de proteção do patrimônio da sociedade, se demonstrada a posição de risco que está sendo protegida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Luciano Pontes de Maya Gomes., Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fl. 801DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001520/200771 Acórdão n.º 310201.081 S3C1T2 Fl. 736 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de impugnação (fls. 513 a 528) a Auto de Infração (fls. 490 a 495) de CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS, por FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, lavrado pela Delegacia de Instituições Financeiras de São Paulo – DEINF/SPOI, em 10/09/2007, com exigibilidade suspensa, por força de sentença proferida no Mandado de Segurança 2005.61.00.0105908. 2. O crédito tributário assim constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados : PIS............................................................................ R$ 56.902,01 Juros de Mora (calculados até 31/08/2007) ............R$ 26.355,13 Valor do crédito tributário apurado ....................... R$ 83.257,14 3. Como enquadramento legal do lançamento do tributo, o autuante assinala os artigos 2º, inciso I, alínea a e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51, do Decreto 4.524/2002, o artigo 3º, da Lei 9.718/98 e o artigo 27 da IN SRF 247/2002 (fl. 493). Para os juros de mora traz como fundamento legal o artigo 61, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96 e, para a não aplicação da multa de ofício, o artigo 63, da Lei 9.430/96 (fl. 489). 4. No Termo de Verificação 01/2006002718 (fls. 496 a 511), a autoridade noticia, em resumo, que: i) o autuado teria deduzido da base de cálculo do PIS e da COFINS , nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, despesas relativas a perdas com swaps dólar X DI, contratados, alegadamente, sob o conceito de hedge de capital, mas, de fato, com caráter eminentemente especulativo, sem, portanto, fundamento para a exclusão prevista no parágrafo 6º, inciso I, alínea e, do artigo 3º da Lei 9.718/98; ii) as mencionadas operações de hedge, consoante informado pelo autuado, teriam por fim proteger a participação de investimentos estrangeiros no seu patrimônio, contra variação cambial; iii) tratarseia, porém, de empresa brasileira, com capital em reais e sócios acionistas de nacionalidade brasileira, inexistindo investidor estrangeiro na sociedade; a atribuição à sociedade do ônus de proteger o capital do sócio implicaria confusão das personalidades da empresa com a personalidade dos sócios, o que não tem fundamento legal, para fins tributários; Fl. 802DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001520/200771 Acórdão n.º 310201.081 S3C1T2 Fl. 737 3 iv) as bases de cálculo declaradas nas DIPJ´s 2003 e 2004 e DACON 2005, as exclusões efetuadas sem base legal a título de hedge de capital, as bases de cálculo corretas e os valores lançados são mostrados nas planilhas produzidas pela autoridade (fls. 509 e 510); v) para o mês 07/2003, foi considerado o valor declarado na DIPJ na linha ”Despesas em Operações com Derivativos Objeto de Hedge” (R$ 125.000,00), que não consta da planilha entregue pelo autuado; vi) para o mês de 07/2005 o lançamento foi de R$ 1.932,49, que é o valor do tributo correspondente á base de cálculo declarada na DACON, tendo o autuado declarado débito zero em DCTF para o mencionado mês; vii) não foi lançada a multa de ofício em razão da sentença judicial proferida no Mandado de Segurança 2004.61.00.0105908, que considerou inconstitucional o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. 5. Cientificado do lançamento em 11/09/2007 (fl. 490), o autuado protocolizou a impugnação em 10/10/2007 (fl. 513), na qual alega, em resumo, que : i) seria legítima a operação de hedge do patrimônio líquido, e, conseqüentemente, do capital, para buscar a proteção deste contra perda futura decorrente dos riscos do negócio ou de alterações no mercado financeiro; inexistiria qualquer dispositivo legal obstando as empresas nacionais de efetuarem operações de hedge; ii) o fato de o autuado ser empresa de capital nacional não o impediria de efetuar operações em moeda estrangeira; o entendimento de que empresa nacional não poderia ou não teria interesse em efetuar hedge de seu capital, alienase da realidade e nega a existência de uma sociedade globalizada, onde qualquer empresa pode efetuar operações em qualquer tipo de moeda estrangeira; iii) o autuado seria empresa integrante de conglomerado internacional ING, cuja controladora está sediada no Exterior; a ING EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, que pertence ao conglomerado, seria detentora de 99% do seu capital e teria como sócios várias empresas que possuem capital em dólar, conforme documentação que junta (fls. 668 a 676); iv) assim, inobstante estar sediado no Brasil, seria controlado indiretamente por empresa estrangeira, com matriz no Exterior e capital em dólar, conforme previsto no artigo 254A, parágrafo 1º, da Lei 6.404/76 alterada pela Lei 10.303/2001; tendo em vista o envolvimento indireto de controle e de capital internacional, teria havido, então, necessidade de proteção do capital; Fl. 803DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001520/200771 Acórdão n.º 310201.081 S3C1T2 Fl. 738 4 v) os valores do notional dos swaps US$ versus CDI contratados seriam próximos do patrimônio líquido ajustado do período dos contratos, cujos prazos eram de 90 dias, havendo, para sua manutenção, nova contratação a cada encerramento de período; vi) mesmo que não fossem consideradas operações de hedge, seriam caracterizadas como títulos de renda variável, podendo ser enquadradas no artigo 3º, parágrafo 6º, inciso I, alínea d, da Lei 9.718/98, conforme se inferiria da resposta à questão 592 do “Perguntas e Respostas” – Pessoa Física 2002; por definição os derivativos seriam equiparáveis aos títulos de renda variável; vii) o impedimento da dedução representaria tratamento anti isonômico, conforme definido em doutrina cujo excerto colaciona , em face dos demais contribuintes que realizem operações em mercados futuros de bolsa no mesmo período e procedam à dedução conforme o disposto na mencionada alínea d, inciso I, parágrafo 6º, do artigo 3º da Lei 9.718/98. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. PERDAS EM OPERAÇÕES DE SWAP. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Não comprovado que as operações de SWAP de derivativos tiveram finalidade de hedge, tornase inadmissível a exclusão de eventuais perdas delas decorrentes, da base de cálculo do PIS, descabendo, ainda, argüirse que, não sendo caso de tal hipótese, tais operações poderiam ser consideradas, para fins de exclusão, como aplicações em títulos de renda variável. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator 1 Preliminarmente O recurso é tempestivo. Fl. 804DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001520/200771 Acórdão n.º 310201.081 S3C1T2 Fl. 739 5 Entretanto, antes de adentrar na análise do mérito, entendo relevante expor as razões pelas quais, no meu entendimento, deva ser conhecido, apesar da lavratura do auto de infração reconhecer a suspensão da exigibilidade da exigência, em razão do litígio travado nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.0105908. Com efeito, naquele processo judicial, o sujeito passivo discute a integralidade da exigência fiscal fundada no art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, entretanto, admitindose que não haja sucesso integral em tal pedido, sem a manifestação deste Colegiado, não haveria como proceder à cobrança dos créditos, eis que permaneceria a incerteza acerca da base de cálculo a ser considerada para efeito da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. 2 Mérito Aduz o Fisco que o Sujeito Passivo deduzira indevidamente da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep despesas financeiras atreladas a contratos de swap dólar x taxa DI, efetuados com empresa do mesmo grupo, ING BANK NV, CNPJ 49.336.860/000190, assim descrita no Termo de Verificação que respalda o Auto de Infração litigioso (original não destacado): A operação global envolve a emissão de Export NotesEN por uma empresa, exportadora, que recebe um prêmio da corretora pelo assim chamado "aluguel" da EN, que corresponde a um contrato de cessão com retrocessão. Essa EN funciona como lastro para a corretora propiciar a um cliente, denominado aplicador, a possibilidade de aplicar valores em reais e obter rendimentos pela variação cambial do real em relação ao dólar, mais juros, através de um contrato de cessão e retrocessão da EN. Ao contrário do contrato com o exportador, aqui existe o pagamento de uma quantia em reais referente ao principal, pelo aplicador à corretora, que por sua vez aplica o valor em reais e obtém pelo mesmo o rendimento da variação da taxa DI. Segundo sustenta a Autoridade Fiscal, tal dedução não encontraria respaldo legal, eis que não se incluiria em quaisquer das alíneas do § 6º, I , da Lei nº 9.718, de 1998: § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 805DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001520/200771 Acórdão n.º 310201.081 S3C1T2 Fl. 740 6 e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; Disciplinando o dispositivo legal, art. 26, do Decreto nº 4.524, de 17/12/2002, repete a redação acima e, no parágrafo único dispõe (destaques acrescidos): Art. 26. Os bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem deduzir da receita bruta o valor (Lei nº 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 1º , inciso III, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º , §§ 4º e 5º e inciso I do § 6º , com a redação da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 2º ): (...) VII das perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e VIII das perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge. Parágrafo único. A vedação do reconhecimento de perdas de que trata o inciso VII aplicase às operações com ações realizadas nos mercados à vista e de derivativos (futuro, opção, termo, swap e outros) que não sejam de hedge. Por outro lado, a operação de hedge, como é cediço, caracterizase pelo “objetivo de obter proteção contra o risco de variações de taxas de juros, de paridade entre moedas e do preço de mercadorias”, conforme glossário editado pelo Banco Central do Brasil1. Não é outro o conceito fixado na § 1º do art. 77 da Lei nº 8.981, de 1995. Vejamos (destaques acrescidos): Art. 77. O regime de tributação previsto neste capítulo não se aplica os rendimentos ou ganhos líquidos: (...) V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão. § 1º Para efeito do disposto no inciso V, consideramse de cobertura (hedge) as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; 1 Disponível em http://www.bcb.gov.br/glossario.asp?Definicao=495&idioma=P&idpai=GLOSSARIO Fl. 806DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001520/200771 Acórdão n.º 310201.081 S3C1T2 Fl. 741 7 b) destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica.” Swap, por outro lado, nos termos do § 1º do art. § 1º, da Resolução nº 2.138, de 29 de dezembro de 1994, do Conselho Monetário Nacional, está assim conceituado: Parágrafo 1º Para os efeitos desta Resolução, definemse como de "swap" as operações consistentes na troca dos resultados financeiros decorrentes da aplicação de taxas ou índices sobre ativos ou passivos utilizados como referenciais. A acusação do Fisco, portanto, está fundada na convicção de que tais contratos, não se inserem no conceito de hedge, mas operações com derivativos (especulativas), hipótese em que a dedução encontraria óbice na legislação de regência já transcrita acima. Não se trataria de hedge de capital, em razão de que não haveria investimentos estrangeiros a proteger. Os sócios da companhia seriam pessoas físicas residentes ou pessoa jurídica estabelecida no Brasil. Por outro lado, as operações envolvendo contratos, não se confundiriam com aquelas que tratam de títulos, o que afastaria igualmente a alegação de que tais rendimentos se equiparariam a aplicações no mercado de renda variável. Em sentido oposto, aduz o contribuinte que, dado o percentual do patrimônio líquido envolvido, caracterizado estaria o hedge de capital. Por outro lado, a Recorrente seria controlada pela ING EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. em cujo quadro societário figurariam investidores estrangeiros, que realizaram aporte de capital igualmente em moeda estrangeira. Aduz,ainda, que as operações com derivativos seriam equiparadas a títulos de renda variável, segundo o próprio “perguntas e respostas” da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Com o devido respeito, não vejo como acolher tais alegações. Em primeiro lugar, o grau de comprometimento do patrimônio líquido (em Reais) com a aquisição desses derivativos demonstra uma política comercial da pessoa jurídica, mas não se traduz na “proteção” desse patrimônio, mediante a aquisição de posições em moeda estrangeira com o intuito de lucro. Ou seja, o sujeito passivo não está garantindo seu patrimônio, mas investindo seu patrimônio. Com efeito, não foi trazido ao processo qualquer elemento que infirme a convicção de que a pessoa jurídica não manteria no patrimônio líquido qualquer conta expressa em Dólar, nem muito menos a necessidade de proteger o investimento de sócio estrangeiro, aportado em dólares. Como já mencionado, todos os sócios são residentes ou estabelecidos no Brasil. Nessa mesma linha já se manifestou o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. Confirase a ementa do acórdão 10420.132, de 12/08/2004: Fl. 807DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001520/200771 Acórdão n.º 310201.081 S3C1T2 Fl. 742 8 OPERAÇÃO FINANCEIRA CLASSIFICAÇÃO COMO "HEDGE" PARA PROTEÇÃO DE POSIÇÕES DE RISCO CARACTERIZAÇÃO Não se classificam como "hedge" para proteção de posições de risco as operações financeiras de natureza eminentemente especulativa em que não fique caracterizada a posição de risco que está sendo protegida. Notese que não se discute, no presente processo, a licitude da política de investimentos do sujeito passivo, perfeitamente lícita, segundo noticiado nos autos. O litígio cingese à dedutibilidade das perdas incorridas em tais operações e tal dedutibilidade, como já se viu, não guarda relação com a higidez das operações, mas com a sua natureza. Por outro lado, o fato de que a pessoa jurídica que controla um dos sócios da Recorrente possuir uma grande fração de seu capital decorrente de investimento estrangeiro não imprimiria o alegado caráter protecionista à operação, na medida em que o patrimônio investido não pertencia à sócia ou à sua controladora, mas a uma terceira empresa, no caso, a Recorrente. Sabidamente, o patrimônio da sociedade não se confunde com o dos seus sócios. Não se pode ignorar, ainda, que, mesmo que se amplie os conceitos empregados no mercado financeiro e se considere as operações com Swap como de renda variável, não haveria como reconhecer a dedutibilidade das perdas: a lei só admite deduzir as perdas com aquisições de títulos, hipótese que não se confunde com a tratada nos autos. Finalmente, não há como enfrentar as alegações de violação ao princípio da isonomia em razão de que, como já se viu, a distinção do tratamento conferido às operações que admitem dedução das que não admitem decorrem de lei vigente. Afastar tal comando, portanto, implicaria controle de constitucionalidade, expressamente vedado a este Colegiado por força do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, introduzido pela Medida Provisória nº 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 20092. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 7 de julho de 2011. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 2 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 808DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001520/200771 Acórdão n.º 310201.081 S3C1T2 Fl. 743 9 Fl. 809DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.904856/2013-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/01/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/01/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 48 56 /2 01 3- 52 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904856/201352 Acórdão n.º 3801005.050 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904856/201352 Acórdão n.º 3801005.050 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904856/201352 Acórdão n.º 3801005.050 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904856/201352 Acórdão n.º 3801005.050 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904856/201352 Acórdão n.º 3801005.050 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904856/201352 Acórdão n.º 3801005.050 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904856/201352 Acórdão n.º 3801005.050 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904856/201352 Acórdão n.º 3801005.050 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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