Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13603.721415/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13603.721415/2015-68
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6021423
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-002.092
nome_arquivo_s : Decisao_13603721415201568.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 13603721415201568_6021423.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7789825
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120594251776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 471 1 470 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.721415/201568 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201002.092 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de maio de 2019 Assunto PIS/COFINS Recorrente FCA FIAT CHRYSLER AUTOMOVEIS BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, efls. 429/459, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1292.007 16ª Turma da DRJ/RJO, efls. 396/422, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 21 41 5/ 20 15 -6 8 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 472 2 Trata o presente do exame da Dcomp nº 37651.42556.240613.1.3.04 2702 (fls. 2 a 6), que utiliza créditos de pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 5.632.434,46, oriundos de recolhimento efetuado em 24/12/2009 por meio de DARF no valor R$ 39.802.031,10, referente à Cofins (5856) de 11/2009, com o fim de compensar débito da mesma contribuição de 05/2013, no valor de R$ 7.459.032,96. Por meio do Despacho Decisório nº 360/2015 de fls. 386/388, a autoridade fiscal não homologou a compensação pretendida em razão de não ter sido reconhecido o crédito pleiteado, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 193/227, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A ciência ao sujeito passivo se deu em 24/08/2015 (fl. 391). Consta no aludido Termo de Verificação Fiscal que o procedimento fiscal se concentrou na verificação da legitimidade dos créditos da Cofins não cumulativa do mercado interno, dos períodos de abril a novembro de 2009, sob amparo do MPF nº 06.1.10.002013004351, relativos a vários Per/Dcomp, dentre os quais a Dcomp nº 37651.42556.240613.1.3.042702. Na ocasião, a autoridade fiscal efetuou as seguintes glosas: 1) Em relação bens utilizados como insumos, valores informados na linha 02 das fichas 06A e 16A do Dacon, sobre as partes e peças relacionadas à fl. 213; que não se enquadrariam no conceito de insumo por não serem consumidas diretamente no processo produtivo (Anexo 1 Glosas de Cofins –Item V.1, fl. 228/252); 2) Em relação serviços utilizados como insumos, valores informados na linha 03 das fichas 06A e 16A do Dacon, sobre as prestações relacionadas à fl. 217; que não se enquadrariam no conceito de insumo por não serem aplicadas ou consumidas na produção ou fabricação do produto (Anexo 2 Glosas de Cofins –Item V.2, fl. 253/374); Insatisfeito, o sujeito passivo apresentou em 17/09/2015 a Manifestação de Inconformidade anexada ao documento de fl. 391, por meio da qual sustenta, em síntese, que: A ilegalidade das IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, devendo o conceito de insumo ser definido pela essencialidade do gasto ao desempenho da atividade econômica do contribuinte. Cita doutrina e posicionamentos do CARF e do STJ nesse sentido; O objeto social da Impugnante compreende as seguintes atividades: (a) estudo, desenvolvimento, projeto, a fabricação, o comércio, mesmo que exterior, a representação e a distribuição de automóveis, veículos a motor em geral, motores, outros grupos e subgrupos, componentes, partes e peças, inclusive de reposição, bem como acessórios; (b) participação em sociedade ou empresa que tenham por objeto afim ou conexo com o seu próprio; (c) dar e receber em locação bens móveis em geral; (d) a prestação de serviços relacionados com o objeto social, inclusive o de treinamento, formação, desenvolvimento profissional e consultoria organizacional; (e) a fabricação, o comércio, mesmo exterior, de máquinas, ferramentas e bens de capital; e (f) a prática de Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 473 3 atividades conexas, correlatas ao objetivo social, que independam de autorização legislativa; Os bens relacionados no Anexo 1 Glosas de Cofins –Item V.1 são fundamentais para o processo produtivo e para a obtenção das receitas tributáveis. Como se vê do laudo técnico anexo (doc. nº 05), todos os itens cujos créditos foram glosados são partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos essenciais à produção de bens. A título exemplificativo, citemse os seguintes produtos: mangueiras, graxas e óleos, filtros, pendural de fixação de trilhos, roldanas e talhas. Cita posicionamento do CARF específico sobre esse tipo de gasto; Os serviços relacionados no Anexo 2 Glosas de Cofins –Item V.2 referemse vários dispêndios de caráter essencial, cujos contratos e pedidos de compras seguem em anexo à manifestação de inconformidade; Em relação aos serviços de movimentação interna – handling, prestados pelas empresas Ceva Logistics Ltda, Syncreon Logística S/A, Autolog Logística e Serviços Ltda. e GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda, enquadramse no conceito de insumo, seja pelo critério da essencialidade, seja por tratarse de etapa da armazenagem e do frete na venda. Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio; Em relação aos serviços de limpeza técnica, prestados pelos fornecedores Adservis Multiperfil Ltda e Villanova do Brasil Logística Ltda, consistem os mesmos na limpeza da linha de produção (instalações e equipamentos) e são necessários e essenciais para fabricação de veículos, sob pena de prejudicar e afetar toda linha de produção da Impugnante. Do contrato firmado com a Adservis (doc.nº 07), extraise que o escopo dos serviços é a limpeza técnica dentro do complexo industrial da Impugnante com ciclos previamente definidos, conforme disposto no Anexo I integrante do referido contrato. Igualmente, em relação aos serviços prestados pela Villanova do Brasil, apesar de constar como "serviços de movimentação interna (handling)”, cuidase de serviços de limpeza técnica, como se denota da nota fiscal anexada (doc. nº 07). Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio; Em relação aos serviços de projetação, desenho e cálculo, a maior parte das glosas recaiu sobre tais rubricas. Os serviços foram prestados pelas empresas ABCZ Services Ltda, Altran Consultoria e Tecnologia Ltda, B&B Projetos Ltda, Bonansea Brasil Ltda, CG Engineering do Brasil Ltda, Comau do Brasil Indústria e Comércio Ltda, Continental do Brasil Produtos Automotivos Ltda, Edag do Brasil Ltda., Engineering Simulation and Scientific Software Ltda, General Motors do Brasil Ltda, MTD do Brasil Ltda, MV2 Engenharia Ltda, Magneti Marelli Sistemas Automotivos Indústria e Comércio Ltda, Multicorpos Engenharia Ltda, Promax Engenharia e Projetos Ltda, Resil Minas Indústria e Comércio Ltda, Rieter Automotive Brasil Artefatos de Fibras Têxteis Ltda, Stea Brasil Projetos Industriais, Stola do Brasil Ltda, Thyssenkrupp Automotive Systems do Brasil Ltda, TRW Automotive Ltda, TSP Textura Ltda, Vibracon Engenharia Ltda e Vision Graphic Design do Brasil Ltda; Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 474 4 Os serviços de projetação, desenho e cálculo, regra geral, são espécies dos serviços de engenharia, essenciais às atividades de estudo, desenvolvimento, projetação para fabricação de automóveis, veículos a motor em geral, motores, bem como seus componentes, partes e peças. São atividades essenciais, praticamente indissociáveis do objeto social da Impugnante (o que se vê a todas as luzes), que é uma das maiores montadoras de veículos do País; Cita como exemplos: o serviço prestado pela Stola, “relativo a estudos de projetos de sistemas/componentes de carroceria e acabamento interno, (...), execução de gestão de peso de carroceria (...), atividades de microplanificação (...)"; e o serviço prestado pela Altran, que realiza suporte no desenvolvimento de produtos de veículos comerciais, auxiliando, ainda, nas discussões de DFMEA e PFMEA referentes a produtos ou componentes; Os demais prestadores de serviços de "projetação. desenho e cálculo" conforme contratos e pedidos anexos, exercem atividades de (i) projetação para desenvolvimento de veículos atendendo às metodologias Fiat; (ii) microplanificação, execução de desenhos manuais, desenho CAD 2D e 3D; (III) gestão de documentação técnica, elaboração de documentação técnica; (iv) layout e verificação virtual; (v) estudo e projetação de componentes, de sistemas, de caderno de bordo; (vi) cálculo estrutural (geração de malha, análise estática, análise de impacto); (vii) conversão de matemática; e (vii) assessoria e suporte técnico. Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio; A Fiscalização glosou também serviços técnicos, tomados pela Impugnante dos fornecedores ABCZ Service Ltda., Altran Consultoria e Tecnologia Ltda., Cetesb Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, Ceva Logistics Ltda., Ergom do Brasil Ltda., GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., 19 Design Consultoria e Serviços de Software Ltda., Libra Terminal Rio S.A., Metagal Indústria e Comércio Ltda., MTD do Brasil Tecnologia Automotiva Ltda., Meuller Mineira Indústria, Partner Parcerias Indústrias e Automotivas Ltda., Seacam Comércio e Serviços Ltda., Vesi Consultoria e Assessoria Industrial Ltda. e Vision Graphic Design do Brasil Ltda; Apesar de os serviços prestados pela Ceva e pela GFL terem sido classificados como "serviços técnicos", na verdade, sua essência é de serviços de "movimentação interna (handling)". Da mesma forma, os serviços prestados pela ABCZ, pela Altran, pela MTD, pela Stola e pela Vision Graphic são "serviços de projetação, desenho e cálculo"; Em relação àqueles prestados pela Meuller, vêse da nota fiscal anexa (doc nº 09) se tratar de serviços relacionados à engenharia no desenvolvimento de componentes utilizados na produção de veículos da família Palio, Uno, Stilo, Doblô, Punto, Linea e Idea. É dizer, cuidase de serviço essencial ao processo produtivo da Impugnante e, por essa razão, dá direito ao crédito de COFINS; Da análise dos demais contratos e pedidos anexos (doc. nº 09), vêse que o conteúdo de tais atividades compreende a "(...) prestação de serviços técnicos objetivando a execução de partes determinadas de projetos de desenvolvimento tecnológico de titularidade da FIAT”. Cita Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 475 5 posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio; Em relação aos serviços prestados pela Comau do Brasil Indústria e Comércio Ltda. (doc. nº 09), se extrai do respectivo contrato de prestação de serviços, em especial do seu Anexo I ("escopo dos serviços de manutenção industrial"), que a Comau presta serviços de manutenção industrial, entre os quais se destacam: (i) suporte tecnológico para as atividades manutentivas e atividades de planejamento, gestão de documentação, análise de peças de reposição e análise de quebras; (ii) atividades de troca de ferramentas e eletrodos; (iii) regulagem de braços extratores; (iv) atividades de laboratório eletrônico, com reparação de módulos eletrônicos; (v) serviços e assistência em máquinas especiais, robôs, inversores de frequência ou instalações que requerem meios específicos para sua execução, inclusive knowhow e parâmetros de setup determinados pelos fabricantes etc. (item 4.1 do referido Anexo I). Além disso, a Comau realiza também atividades denominadas "atividades de aviamento e encerramento" (item 4.2 do referido Anexo I), que compreendem diversas atividades relacionadas à ligação, desligamento, preparação e esvaziamento de equipamentos e máquinas das instalações de montagem, pintura e funilaria. Da mesma maneira, devese tratar dos serviços da AVL South America Ltda. (doc. nº 09), que, segundo o contrato, cuidam de serviços de manutenção preventiva, corretiva e calibração dos equipamentos AVL, do Laboratório de Emissões e Consumo e Laboratório de Motores de Engenharia do Produto Powertrain, visando a conservação dos equipamentos em boas condições de funcionamento. Como se infere, todas essas atividades executadas pela Comau e pela AVL integram os serviços de manutenção das instalações produtivas, incluindo equipamentos que fazem parte da linha de produção. Essas atividades de manutenção exigem altos níveis de conhecimento e especialização técnicos, dada a complexidade dos equipamentos que integram a planta industrial de uma empresa montadora de veículos. Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio. Por todo o exposto, a Impugnante requer seja reconhecida a totalidade do crédito em epígrafe, com a consequente homologação integral das DCOMP a ele vinculadas, em razão da completa improcedência dos fundamentos do despacho decisório ora questionado. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 1292.007 16ª Turma da DRJ/RJO está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 AUSÊNCIA DE PROVAS Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 476 6 A manifestação de inconformidade deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações na análise do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo, somente são considerados insumos, para fins de creditamento, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. CRÉDITO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE. REQUISITOS. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda, quando não representarem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, e, ainda, sofrerem alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou em produção, bem como os serviços de manutenção associados são considerados insumo para fins de crédito a ser descontado da Cofins. CRÉDITO. SERVIÇO DE LOGÍSTICA. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. HANDLING. IMPOSSIBILIDADE. Os valores pagos por serviço global de logística (que abrange diversos serviços, tais como armazenamento, movimentação interna, inspeção de mercadorias, controle de estoque, embalagem, classificação, procedimentos para importação e exportação, transporte e distribuição, devolução, processamento de dados, etc. não permitem a apuração de créditos da Cofins, por falta de previsão legal. CRÉDITO. LIMPEZA E DESINFECÇÃO DO AMBIENTE PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a crédito da não cumulatividade da Cofins sobre gastos com materiais de limpeza e de desinfecção do ambiente produtivo. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 477 7 CRÉDITO. DESPESAS COM O DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS. PROJETOS. PROTÓTIPOS. LABORATÓRIO DE TESTES. IMPOSSIBILIDADE. Despesas incorridas com a contratação de serviços para desenvolvimento de produtos, tais como projetos, design, cálculos, ou em laboratórios de testes, não geram crédito do regime de apuração não cumulativa da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumo, nem terem previsão legal expressa para o desconto. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: 2 Fatos A recorrente explica que o presente processo administrativo é fruto de fiscalização instaurada pela DRF de Contagem/MG para verificação da regularidade do crédito decorrente da COFINS não cumulativa, apurada em relação a operações realizadas no mercado interno. Discorre que a fiscalização resultou em 7 (sete) processos administrativos, a saber: 13603.721398/201569, 13603.721412/201524, 13603.721401/201544, 13603.721405/201522, 13603.721408/201566, 13603.721415/201568 e 13603.721544/201556. Tendo em vista a identidade de matéria, requer o julgamento do conjunto dos processos. A recorrente relata que a DRJ/RJO entendeu por julgar parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, para reconhecer os créditos relacionados ao item V.1 do TVF (bens utilizados como insumos). A DRJ/RJO não reconheceu os créditos tomados sobre as despesas referentes aos serviços (item V.2 do TVF) contratados pela Recorrente, mesmo que se mostrem essenciais ao desenvolvimento de suas atividades. 3 – Direito: razões A recorrente sustenta que a DRJ/RJO adotou o conceito restrito de insumo para não reconhecer os créditos oriundos das despesas com serviços contratados. Alega que os serviços contratados se revelam essenciais às suas atividades; logo, inseremse no conceito de insumo e, como tal, seriam passíveis de creditamento. Nesse sentido, pugna pela ilegalidade das Instruções Normativas SRF ns. 247/02 e 404/04. A seu favor, aponta jurisprudência do CARF e do STJ. A recorrente faz uma análise específica dos serviços cujas glosas foram mantidas (item V.2 do TVF), buscando demonstrar a essencialidade desses serviços às suas atividades. Tais serviços são: 3.1 Serviços de movimentação interna (handling) Relata os serviços de movimentação interna (handling) e cita jurisprudência do CARF. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 478 8 Com efeito, segundo o próprio termo de verificação fiscal, as atividades de handling compreendem os serviços de: (i) movimentação e armazenamento de materiais a serem utilizados na linha de produção dos veículos, desova de containers, entre outros; (ii) movimentação interna de material e de veículos; (iii) retirada de peças armazenadas (prateleiras etc.) e execução do respectivo acondicionamento em embalagens; (iv) movimentação interna das peças vindas do armazém, peças e acessórios; (v) gestão dos transportes das cargas de transferência da produção para filiais; (vi) acompanhamento, programação e diligenciamento das entregas de peças dos fornecedores à filial peças e acessórios; (vii) aquisição de embalagens, locação de equipamentos para movimentação dos materiais, realização de atividades de recebimento, armazenagem, movimentação, abastecimento, transporte de materiais. Essas atividades podem se realizar tanto dentro do estabelecimento matriz ou filial quanto podem ocorrer entre matriz/filiais. (efl. 442) De forma didática, reproduzo o serviços de movimentação interna (handling) na tabela a seguir: 3.1 Serviços de movimentação interna (handling) (i) movimentação e armazenamento de materiais a serem utilizados na linha de produção dos veículos, desova de containers, entre outros; (ii) movimentação interna de material e de veículos; (iii) retirada de peças armazenadas (prateleiras etc.) e execução do respectivo acondicionamento em embalagens; (iv) movimentação interna das peças vindas do armazém, peças e acessórios; (v) gestão dos transportes das cargas de transferência da produção para filiais; (vi) acompanhamento, programação e diligenciamento das entregas de peças dos fornecedores à filial peças e acessórios; (vii) aquisição de embalagens, locação de equipamentos para movimentação dos materiais, realização de atividades de recebimento, armazenagem, movimentação, abastecimento, transporte de materiais. No tocante a tais serviços, a Recorrente menciona contratos com prestadores de serviço: Ceva, Syncreon, Autolog e GFL. Cita a seu favor a Solução de Consulta nº 256, de 24 de julho de 2007 e jurisprudência do CARF. 3.2 Serviços de limpeza técnica Relata os serviços de limpeza técnica glosados que foram prestados por empresas contratadas e cita jurisprudência do CARF. (...) os serviços de limpeza técnica consistem na limpeza da linha de produção (instalações e equipamentos) e são necessários e essenciais Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 479 9 para fabricação de veículos, sob pena de prejudicar e afetar toda linha de produção da Recorrente. (efl. 448) De forma didática, reproduzo na tabela a seguir: 3.2 Serviços de limpeza técnica – limpeza da linha de produção (instalações e equipamentos) 3.3 Serviços de projetação, desenho e cálculo Relata os serviços de projeção, desenho e cálculo glosados e que foram prestados por empresas contratadas, citando jurisprudência do CARF. Os serviços de projetação, desenho e cálculo, regra geral, são espécies dos serviços de engenharia, essenciais às atividades de estudo, desenvolvimento, projetação para fabricação de automóveis, veículos a motor em geral, motores, bem como seus componentes, partes e peças. São atividades essenciais, praticamente indissociáveis do objeto social da Recorrente (o que se vê a todas as luzes), que é uma das maiores montadoras de veículos do País. (efl. 450) De forma didática, reproduzo na tabela a seguir: 3.3 Serviços de projetação, desenho e cálculo – espécies de serviços de engenharia para estudo, desenvolvimento e projeção par fabricação de partes e peças de automóveis. 3.4 Serviços técnicos A Recorrente explica que neste item se encontram alguns serviços de movimentação interna (handling) e de projeção, desenho e cálculo tratados anteriormente. Em seguida adentra nas explicações dos serviços técnicos que foram objeto de glosa. Adentrandose, especificamente, nos serviços técnicos, em relação àqueles prestados pela Meuller, vêse da nota fiscal anexa (doc. n. 09, cit) se tratar de serviços relacionados à engenharia no desenvolvimento de componentes utilizados na produção de veículos da família Pálio, Uno, Stilo, Doblô, Punto, Linea e Idea. É dizer, cuidase de serviço essencial ao processo produtivo da Recorrente e, por essa razão, dá direito ao crédito de COFINS. Da análise dos demais contratos e pedidos anexos (doc. n. 09, cit), vê se que o conteúdo de tais atividades compreende a "(...) prestação de serviços técnicos objetivando a execução de partes determinadas de projetos de desenvolvimento tecnológico de titularidade da FIAT". Os serviços poderão abranger, além da projetação para desenvolvimento de veículos atendendo às metodologias Fiat, matemática C, matemática B/A, factibilidade, suporte ao design e graphic design. (efl. 454) De forma didática, reproduzo na tabela a seguir: 3.4 Serviços técnicos – serviços relacionados à engenharia no desenvolvimento de componentes. 3.5 Serviços de experimentação Fl. 479DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 480 10 A Recorrente relata acerca de serviços de experimentação glosados que foram prestados por empresas contratadas e cita jurisprudência do CARF. No que se refere aos serviços prestados pela Magneti Marelli, espécie de serviços de engenharia, é ver que estes visam oferecer melhoria à dirigibilidade dos veículos fabricados e comercializados pela Recorrente. Esses serviços consistem, em resumo, na recalibração da central eletrônica com alterações de parâmetros internos ao software que mudam o comportamento dos veículos em várias condições de funcionamento, tais como rotações de marcha lenta, trocas de marcha, acelerações e desacelerações, partidas a frio e partidas a quente, inserção de ar condicionado com compensação de giro. A análise da nota fiscal anexa (doc. n. 10 da MI, cit), cuja descrição corresponde aos serviços de engenharia/desenvolvimento, corrobora a natureza dos serviços tomados pela Recorrente. Quanto aos serviços prestados pela Roberto Bosch, percebese, pelo contrato e pedido de compra anexados, que se trata da viabilização da produção de ABS e de Sensor de Velocidade da Roda e de calibração dentro dos requisitos de design, performance e qualidade exigidos pela Recorrente. (efl. De forma didática, reproduzo na tabela a seguir: 3.5 Serviços de experimentação – calibração, recalibração e serviços relacionados à engenharia/desenvolvimento. 4 Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: Por todo o exposto, a Recorrente requer a reforma parcial do acórdão recorrido, para que se reconheça a totalidade do crédito controlado no PTA em epígrafe, com a consequente homologação integral das DCOMPs a ele vinculados. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. VOTO Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Do Mérito De forma objetiva, o cerne da questão do presente Recurso Voluntário está no conceito de insumo e nas glosas constantes do Termo de Verificação Fiscal (TVF). Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13603.721415/201568 Resolução nº 3201002.092 S3C2T1 Fl. 481 11 De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, tratase de analisar se os insumos atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Ocorre, todavia, que durante o julgamento do Recurso Voluntário a turma teve dúvidas e surgiram dificuldades em relacionar os itens glosados pela fiscalização com os contratos correspondentes informados nos autos. Assim, existe dúvida razoável no presente processo conceder ou negar o direito ao crédito, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Neste contexto, o CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar documentação vinculando os itens glosados com os contratos. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar a documentação, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689964/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO.
A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes.
Numero da decisão: 3301-006.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.689964/2009-25
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6039881
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.334
nome_arquivo_s : Decisao_10880689964200925.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880689964200925_6039881.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7838224
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120615223296
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-26T13:46:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-26T13:46:53Z; Last-Modified: 2019-07-26T13:46:53Z; dcterms:modified: 2019-07-26T13:46:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-26T13:46:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-26T13:46:53Z; meta:save-date: 2019-07-26T13:46:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-26T13:46:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-26T13:46:53Z; created: 2019-07-26T13:46:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-26T13:46:53Z; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-26T13:46:53Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.689964/2009-25 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-006.334 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Recorrente CALVO COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 64 /2 00 9- 25 Fl. 2460DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.334 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689964/2009-25 integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: a) ao revisar sua escrita fiscal, constatou haver recolhido indevidamente contribuições a título de PIS e COFINS sobre diversos produtos que comercializa, os quais tiveram suas alíquotas incidentes sobre a venda reduzidas a zero, em 2004, 2006 e 2007 ; b) o valor do ICMS incluído no preço de venda, objeto de julgamento em curso no STF, não é receita da empresa, mas sim do Estado, devendo ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) tendo recalculado seus valores devidos de PIS e COFINS com a exclusão das parcelas acima mencionadas, compensou os com seus créditos decorrentes de FINSOCIAL (ação judicial transitada em julgado), de IRPJ e CSLL (recolhimento a maior por não haver incluído os créditos de PIS e COFINS no seu custo) e dos próprios PIS e COFINS recolhidos indevidamente em 2004, 2006 e 2007; os seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – DACON do período abrangido, quando exigíveis, foram retificados, sendo impedido de efetuar o mesmo procedimento quanto às correspondentes Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, por estar sob fiscalização; d) não haveria óbice à compensação declarada no caso em tela e) Por fim, entende demonstrada a insubsistência e a improcedência do Despacho Decisório, requerendo o acolhimento da Manifestação de Inconformidade e a homologação da compensação conforme pleiteada. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que consideram-se confessados os débitos declarados na DCTF, pelo que qualquer retificação posterior deve-se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, aos quais adicionou o seguinte: houve cerceamento do direito de defesa, porque a DRJ julgou improcedente sua manifestação de inconformidade, sem determinar que fosse realizada diligência para confirmar a legitimidade do crédito. Após a protocolização do recurso voluntário, o contribuinte carreou aos autos petição em que relata que possuía créditos derivados de pagamentos indevidos de PIS e COFINS, realizados sobre vendas de produtos cuja tributação pelas contribuições estava com a alíquota reduzida a zero ou que teriam sido tributadas em etapas anteriores da cadeia produtiva, sob o regime de substituição tributária. Estes créditos foram utilizadas em diversas compensações, instruídas por PER/DCOMP. Fl. 2461DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.334 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689964/2009-25 Tal petição foi acompanhada de Laudo Técnico, referente a pesquisa sobre a legislação e aplicação de testes em registros contábeis e fiscais e cuja conclusão foi a seguinte: "1. Há fundamentação legal para os casos de créditos de PIS e da Cofins, pleiteados pela CALVO, decorrentes de vendas de mercadorias com redução de tributação desses encargos a 0% (zero por cento) ou com substituição tributária, para o período de janeiro de 2004 a janeiro de 2007; 2. As transações comerciais da CALVO são realizadas em grande volume diário, como é de praxe em operações de atacado e varejo de mercadorias de consumo alimentício, bebidas, higiene, cigarros, etc.; 3. Mesmo considerando o elevado o número de operações comerciais diárias, foi possível apurar que há consistência nos registros contábeis e fiscais nesse mencionado período, para determinação de bases de cálculo do PIS e da Cofins, bem como do cumprimento das obrigações acessórias tributárias pertinentes; 4. Há elementos de comprovação das operações comerciais realizadas, incluindo aquelas que foram objeto de pleito de créditos de PIS e da Cofins pela Administração da CALVO, no período de janeiro de 2004 a janeiro de 2007;" Reiterou o pedido de homologação da compensação ou, no mínimo, que fosse realizada diligência. Mencionou, ainda, decisão judicial, que teria determinado que todos os recursos administrativos teriam de ser decididos em 360 dias, nos termos do art. 24 da lei n° 11.457/07. Posteriormente, juntou-se aos autos nova petição no intuito de complementar a anterior, trazendo fatos novos, quais sejam: i) decisão do STF, em sede de repercussão geral, sobre a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; e ii) Laudo Técnico Complementar, referente à análises dos créditos de PIS e COFINS derivados de pagamentos indevidos sobre vendas tributadas à alíquota zero ou sob regime de substituição tributária e referentes à inclusão do ICMS nas bases de cálculo. Tais análises, aplicaram teses sobre os valores de ICMS excluídos das bases de cálculo e sobre a documentação relativa às vendas cujas alíquotas estavam reduzidas a zero e sob o regime de substituição tributária. O referido laudo traz dois anexos. No primeiro, as apurações de PIS e COFINS retificadas. E, no segundo, planilhas com as informações contidas em algumas notas fiscais, citadas de forma exemplificativa, cujas vendas teriam sido equivocadamente submetidas à tributação regular pelas contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 2462DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.334 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689964/2009-25 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 325, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.689955/2009-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.325): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar Alegou que a decisão da DRJ seria nula, pois, ao não determinar a realização de diligência para confirmar a legitimidade dos créditos da recorrente, teria cerceado seu direito à ampla defesa e ao contraditório. O ônus de comprovar a existência do direito creditório - pagamentos a maior de PIS e COFINS - é de quem alega detê-lo (inciso I do art. 373 da Lei n° 13.105/15 - Código de Processo Civil). E minha interpretação sistemática do Decreto n° 70.235/72 e da Lei n° 9.784/99 é a de que a diligência não se presta para produzir provas, porém esclarecer dúvidas. Assim, cumpria à recorrente o dever de juntar aos autos a documentação suporte dos créditos. Se não o fez, não cabe às instâncias julgadoras solicitar diligências para que seja então trazida a documentação capaz de legitimar os créditos. Nego provimento. Mérito Trata-se de pagamento supostamente a maior de PIS relativo ao mês de setembro de 2006. A recorrente alegou que o pagamento indevido foi resultado da inobservância das legislações fiscais aplicáveis. E trouxe extensos relatórios de auditoria, cujos trabalhos serviriam de prova da legitimidade dos créditos ou, pelo menos, de motivo para que esta turma converta o julgamento em diligência. Os trabalhos de auditoria consistiram em pesquisas nas legislações e aplicação de testes sobre registros contábeis e fiscais. O objetivo foi o de verificar se os procedimentos de cálculo dos créditos de PIS e COFINS estavam de acordo com as legislações aplicáveis e se tinham suporte em registros contábeis e livros, declarações e notas fiscais. Nos relatórios, consignaram que os resultados foram plenamente satisfatórios, isto é, em princípio, poder-se-ia acreditar que a recorrente realmente detinha o direito creditório. Não obstante, meu voto é por negar provimento ao recurso voluntário, por ausência de provas, isto é, pelo mesmo motivo alegado pela DRJ. E por que assim concluí? Em relação ao período de apuração em comento, setembro de 2006, há apenas aquela que seria a "nova" apuração do PIS e por meio do qual não se apura contribuição a pagar - inferir-se-ia, em princípio, que o valor total recolhido de R$ 14.907,60 seria indevido e, portanto, compensável. Contudo, não foram juntados aos autos: o balancete contábil do mês de setembro de 2006, devidamente conciliado com a nova base de cálculo e, notadamente, com as exclusões do ICMS e das vendas supostamente não tributáveis; conciliação da "nova" base de cálculo com DCTF e DACON Retificadores; e as notas fiscais das vendas não tributáveis ou pelo mesmo uma amostra, devidamente acompanhada de conciliações com os livros contábeis e fiscais e a "nova" apuração. E, em virtude da a ausência de tais documentos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 2463DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.334 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689964/2009-25 Não obstante, cumpre consignar que os conteúdos dos Laudos Técnicos constantes dos autos parecem-me robustos. E que, de forma alguma, este relator deixou de conferir- lhes o devido valor. Contudo, para que reconheçamos um direito creditório, há de existir provas nos autos. Também tenho o dever de mencionar que esta turma privilegia, sempre que admissível, os Princípios da Verdade Material e do Formalismo Moderado. Por diversas vezes, converteu julgamentos em diligências, quando verificou que havia nos autos, senão a totalidade, porém substancial parcela dos documentos que davam suporte ao direito creditório pleiteado. Contudo, reitero que, no caso em tela, sobre o período de apuração de setembro de 2006, há, apenas, a "nova" apuração, o que é definitivamente insuficiente como prova da legitimidade do crédito, bem como para motivar a conversão do julgamento em diligência. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000355/2001-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 67, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados sem que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pelas norma regimental, não deve ser conhecido o recurso.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE INSUMO. LEGISLAÇÃO DO IPI.
A Lei nº 9.363/96 (art. 3º, parágrafo único) remete expressamente à legislação do IPI para o estabelecimento do conceito de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem (conceito este explicitado no Parecer Normativo CST nº 65/79).
ELÉTRICA CONSUMIDA NO PROCESSO DE ELETRÓLISE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 as aquisições de energia elétrica, no caso da produção do alumínio, porque ela se integra ao produto final da eletrólise.
Numero da decisão: 9303-008.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados sem que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pelas norma regimental, não deve ser conhecido o recurso. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE INSUMO. LEGISLAÇÃO DO IPI. A Lei nº 9.363/96 (art. 3º, parágrafo único) remete expressamente à legislação do IPI para o estabelecimento do conceito de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem (conceito este explicitado no Parecer Normativo CST nº 65/79). ELÉTRICA CONSUMIDA NO PROCESSO DE ELETRÓLISE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 as aquisições de energia elétrica, no caso da produção do alumínio, porque ela se integra ao produto final da eletrólise.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10320.000355/2001-29
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6026076
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.503
nome_arquivo_s : Decisao_10320000355200129.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10320000355200129_6026076.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7808445
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120624660480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.034 1 2.033 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10320.000355/200129 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303008.503 – 3ª Turma Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria IPI Crédito Presumido Recorrentes FAZENDA NACIONAL e SOUTH32 MINERALS S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados sem que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pelas norma regimental, não deve ser conhecido o recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE INSUMO. LEGISLAÇÃO DO IPI. A Lei nº 9.363/96 (art. 3º, parágrafo único) remete expressamente à legislação do IPI para o estabelecimento do conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem (conceito este explicitado no Parecer Normativo CST nº 65/79). ELÉTRICA CONSUMIDA NO PROCESSO DE ELETRÓLISE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 as aquisições de energia elétrica, no caso da produção do alumínio, porque ela se integra ao produto final da eletrólise. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 03 55 /2 00 1- 29 Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.035 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.554 a 1.568) e pelo contribuinte (fls. 1.822 a 1.838), contra o Acórdão 3301002.283, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.193 a 1.204), sob a seguinte ementa (registrese, totalmente dissociada do Voto/ discussões): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório. O que na realidade aqui se decidiu (no que interessa ao Recurso Especial da PGFN), pode, exemplificativamente, ser visto na ementa do Acórdão 3401002.926, no Processo nº 10320.001950/200262, citado no Acórdão recorrido (fls. 1.194): CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. PRAZO. Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.036 3 Empreendimento, identificado no ato constitutivo de consórcio operacional como a construção do parque industrial, o refino de bauxita e a redução de alumina para a obtenção do alumínio, tem grau de determinação suficiente para fim de respaldar a constituição de um consórcio de sociedades nos termos da legislação comercial. Não há falar em perpetuação de empreendimento que tem prazo determinado em 50 (cinqüenta) anos, ainda que renovável. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.581 a 1.584), a PGFN, em apertada síntese, alega que os consórcios de empresas, para que possam ser considerados como tal, devem se destinar à consecução de um empreendimento determinado, conceito este que envolve as noções de transitoriedade, temporariedade e unicidade, sendo que a SOUTH32 MINERALS não teria legitimidade para pleitear o Crédito Presumido de IPI, pois não teria procedido à aquisição dos insumos e à industrialização dos produtos exportados, mas sim o complexo ALUMAR. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 1.774 a 1.787). No seu Recurso Especial, ao qual também foi dado seguimento (fls. 2.019 a 2.021), pugna da possibilidade de creditamento das despesas com energia elétrica consumida na operação de eletrólise, na redução da alumina para a produção do alumínio, em razão de ser consumida em contato direto com o produto em fabricação. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 2.023 a 2.032), questionando, o conhecimento do Recurso, pois estaria a contrariar a Súmula CARF nº 19, que consolida o entendimento que não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 as aquisições de combustíveis e energia elétrica. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator 1) Recurso Especial da PGFN (Possibilidade de apuração do Crédito Presumido por empresa do Consórcio ALUMAR). Quanto ao conhecimento do Recurso Especial da PGFN, temos dois Acórdãos desta Turma que vão enfaticamente no sentido da negativa, um dos quais também da SOUTH32 MINERALS S.A., que resultou da cisão da BHP BILLITON METAIS S.A. Trata se do Acórdão nº 9303005.841, de 17/10/2017, de relatoria da ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, decisão com a qual anui: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.037 4 Nos termos do art. 67, §1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados sem que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pelas norma regimental, não deve ser conhecido o recurso. Posteriormente, no julgamento de um Processo da ALCOA ALUMÍNIO (outra integrante do Consórcio ALUMAR), Acórdão nº 9303.006.257, de 26/01/2018, o Acórdão transcrito foi citado e, em essência, foi a razão de decidir (também de relatoria da Dra. Vanessa, desta feita, do Voto Vencedor): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, §1º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados se que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pela norma regimental, não deve ser conhecido o recurso. A Ementa dos dois é idêntica. Como também, compulsando no eProcesso, vi que o Recurso Especial da Procuradoria, no primeiro caso, é uma cópia fiel do aqui trazido, utilizandose do mesmo paradigma – nº 340200.597 (totalmente pertinente, já que os Processos tratam do mesmo tema, em situação fática também idêntica). Assim, transcrevo parte do Voto Condutor da Dra. Vanessa no primeiro caso, para embasar minha convicção, no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional: “A demanda cingese à análise da validade do Consórcio Alumar e da legitimidade da Contribuinte para pleitear o ressarcimento de créditos presumidos de IPI decorrentes da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, consoante previsto no art. 1° da Lei n° 9.363/96, utilizados no processo produtivo, na qualidade de produtora e exportadora de mercadoria nacional. No acórdão recorrido, foi reconhecida a caracterização do Consórcio Alumar como, de fato, um consórcio, nos termos dos artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404 e a legitimidade da empresa Recorrida, que é uma das consorciadas, para postular o Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.038 5 ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados na produção da alumina e do alumínio, no âmbito do consórcio. A Fazenda Nacional, por meio do recurso especial, alega divergência em relação ao Acórdão n° 3402000.597, no qual foi consignado tratarse o Consórcio Alumar de uma sociedade de fato. Do exame do recurso especial, com a devida vênia às conclusões postas no exame de admissibilidade efetuado pelo Presidente da 4a Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, verificase carecer o apelo dos pressupostos necessários ao seu prosseguimento. O art. 67, §1°, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, estabelece como condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos confrontados recorrido e paradigma. Tal providência não foi adotada no caso em exame, pois, embora a Fazenda Nacional colacione a redação dos artigos 278 e 279 da Lei n° 6.40476, não aponta objetivamente qual seria a violação infligida aos mesmos pela decisão recorrida ou no que se teria dado a interpretação conflitante com o julgado tido por paradigmático. Além disso, nos acórdãos confrontados, a interpretação diversa não se deu com relação à legislação tributária, mas sim quanto às provas acostadas aos autos, mais especificamente, ao Contrato do Consórcio Alumar para a caracterização da figura societária. Estáse diante de divergência em relação ao contrato celebrado entre as empresas consorciadas, e não quanto à legislação de regência para a constituição dos consórcios. Para elucidar a assertiva e demonstrar que a interpretação divergente deuse em relação ao conjunto probatório e não à lei, como exigido para a via do recurso especial ... transcrevese trechos dos acórdãos ... (recorrido) e ... (paradigma) ... (...) Ambos julgados convergem para o entendimento de que para ser perfectibilizada a figura do consórcio, devese ter a presença inequívoca dos elementos estabelecidos pela legislação, a saber, nos artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404/76, principalmente, constituirse seu objetivo na realização de empreendimento único e por prazo determinado. Ocorre que, enquanto o acórdão recorrido ao analisar o contrato do Consórcio Alumar entendeu estarem presentes referidas características, o acórdão paradigma apresentou entendimento divergente, pois analisando o mesmo contrato concluiu não se tratar de um consórcio, e sim de uma sociedade de fato, por não ter vislumbrado os requisitos impostos na legislação. Tendo em vista ser o escopo do recurso especial a uniformização de interpretações divergentes conferidas ao mesmo dispositivo Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.039 6 de lei, e não com relação às provas trazidas aos autos, verifica se não reunir o presente recurso os requisitos necessários ao seu prosseguimento, pois pretende o reexame da prova”. No entanto, caso a Turma decida pelo conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional, no Mérito aí externo minha posição de que as empresas que compõem o Consórcio ALUMAR efetivamente detêm direito ao Credito Presumido do IPI. Transcrevo inicialmente excertos da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações) no que tange aos consórcios, e na parte que nos interessa: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. ... Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; Vejamos agora o que diz o Contrato de Constituição do Consórcio ALUMAR, também na parte que interessa à discussão (iniciase às fls. 417): OBJETO E DESCRIÇÃO DO CONSÓRCIO Pelo presente Contrato, a Alcoa, Billiton, Alcon e Abdico estabelecem um consórcio que tem por objeto a aquisição, montagem e construção de instalações para o Refino de Alumina, e de Instalações para a Redução de Alumínio, juntamente com instalações de apoio, nas vizinhanças de São Luís, Estado do Maranhão ..., assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita, a partilha da alumina produzida por Alcoa, Billiton, Alcon e Abalco, a partilha do alumínio produzido por Alcoa e Billiton e uma correspondente participação nos custos de produção da alumina e do alumínio... 3.02. Objeto, Fiscalização e Poderes do Consórcio. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.040 7 (a) Objeto. O Objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituílo são de dedicarse aos Empreendimentos descritos no Artigo I deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformandoa em alumina no Empreendimento de Refino de Alumina, e alumina em alumínio no Empreendimento de Redução de Alumínio, utilizandose de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, e assim, dando o direito a cada Consorciada de receber uma participação (se houver) da alumina e do alumínio produzidos, até o limite dos seus respectivos Direitos de Alumina e Direitos de Alumínio, com cada Consorciada responsabilizandose por sua respectiva participação nos custos e despesas, determinados e alocados de acordo com os termos e condições do presente Contrato, incorridos com as referidas construção e propriedade, assim como com a produção da alumina e do alumínio. Na cláusula 7.01 do Contrato estão discriminadas a propriedade e a participação proporcional de cada consorciada. Na cláusula 7.04, "a", é prevista a " hipótese de expansão da capacidade do Empreendimento”, cujas instalações adicionais tornarseão "Ativos Comuns", com o correspondente ajuste da participação proporcional de cada consorciada. Quanto ao prazo de vigência do consórcio, consta da cláusula 18.01 que o mesmo "permanecerá em vigor até 31 de março de 2.050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano". Vistas as questões formais, dou agora a devida ênfase à análise da realidade empresarial, na prática. A lei que regula os Consórcios é de nº 6.404/76. É sem dúvida, o fundamento primeiro da legislação societária brasileira. Mas é de 1976; de lá para cá, houve significativas mudanças. Em um aspecto não mudou: vale ainda hoje o famoso lema da época de Regime Militar: “Exportar é o que Importa”. E isto levou à criação de vários benéficos, como os extintos CréditoPrêmio do IPI e o BEFIEX. Para se adequar às normas internacionais, sobreveio o Crédito Presumido do IPI, que, na realidade, utilizase da escrita fiscal do IPI apenas como uma forma de desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia produtiva distinta, na qual incidem as contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado – ou, ao menos, buscar uma maior equiparação. Pesquisando na Internet, na conhecida Wikipédia, encontramos lá o seguinte, em relação ao Consórcio ALUMAR: Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.041 8 “Em julho de 1980, em meio a uma fase política e econômica conturbada, o projeto para instalação de uma fábrica de alumínio da Alcoa Alumínio S.A. na Ilha de São Luís foi aprovado por cinco ministérios e pelo então presidente do Brasil, o General João Batista Figueiredo. O local foi escolhido devido à localização estratégica, às vantagens portuárias e ao suprimento de energia da Usina de Tucuruí. Com um investimento de 1,475 bilhão de dólares, a mineradora iniciou as obras em agosto desse ano. Em 29 de setembro de 1981, com a construção em andamento, a BHP Billiton comprou 40% das ações do empreendimento, firmando consórcio com a Alcoa Alumínio .... A bauxita chega através do porto e é trazida de minas em Trombetas e Juruti, no oeste do Pará. Na Refinaria, o minério é submetido ao processo ... do qual se obtém a alumina ... Na Redução, ... sendo obtido alumínio metálico através de eletrólise. Também através do porto, a produção da planta da Alumar é escoada”. A questão da logística é fundamental: 1) Vantagens portuárias ("um Porto para todo mundo", em localização estratégica para receber matériasprimas e exportar produtos); 2) Suprimento de Energia da Usina de Tucuruí; 3) Matériaprima trazida de minas em Trombetas e Juriti, no oeste do Pará; 4) Investimento e operação integrada de várias empresas de porte em um empreendimento só. Hoje as montadoras, por exemplo, não trabalham mais com estoques (é o chamado "just in time"). Antes, elas compravam de fornecedores, muitas vezes distantes, fabricavam muita coisa verticalizada; hoje, em boa parte da fábrica, em cada espaço tem um fornecedor. A realidade empresarial produtiva mudou. Não há como ignorar isto. A própria Receita Federal, como dito no Relatório, já viu os Consórcios “de outra forma”, admitindoos para a industrialização de produtos, em Instrução Normativa de 2008 (nº 834), revogada pela de nº 1.199/2011, mas que até trata a questão de forma mais abrangente. Senão, vejamos: Art. 8º Se das operações do consórcio decorrer industrialização de produtos, os créditos referentes às aquisições de matérias primas, de produtos intermediários e de material de embalagem e os débitos referentes ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) serão computados e escriturados, por estabelecimento da pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento industrial, conforme documento arquivado no órgão de registro. Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.042 9 ... § 2º O disposto neste artigo aplicase inclusive no caso de as pessoas jurídicas operarem sob a forma de condomínio em um mesmo estabelecimento industrial. E, em relação a ser o Consórcio ALUMAR regularmente constituído ou não, adoto aqui os mesmos fundamentos do Acórdão recorrido, quais sejam: “Com efeito, no que concerne ao objeto do consórcio e à sua duração, a lei ressalta apenas que do consórcio deverão constar, dentre outros, "77 o empreendimento que constitua o objeto do consórcio", e "777 a duração, endereço e foro". Portanto, a norma legal não apresenta condições ou limitações no que concerne ao seu objeto e à sua duração, de sorte que, penso, não há razão legal para descaracterizar o consórcio objeto do litígio com base na ressaltada indeterminação de seu objeto ou na sua suposta perenidade pelo fato de o prazo ser muito extenso. ... o objeto do consórcio Alumar, acima transcrito, atende sim aos requisitos na Lei das S.A., eis que delimita, com detalhes, empreendimento destinado, resumidamente, à edificação e à operação de instalações com fulcro na produção de alumínio.” E o mesmo Acórdão aborda a realidade empresarial, sobre a qual falei, que leva a este tipo de empreendimento: “Quanto ao prazo de vigência do consórcio, a magnitude do empreendimento em tela, retratada na sua complexidade e nos altos aportes de capital necessários à sua execução, justificam plenamente o extenso prazo de sua vigência. Em consórcios de tal porte a limitação do prazo poderia inviabilizar atividades empresarias complexas dada a frustração das perspectivas de retorno e da sustentabilidade da organização frente à imposição de limitações temporais incompatíveis com o empreendimento. Justamente por isso é que a Lei n° 6.404/76 não estabeleceu nenhum limite, o que retrata a razoabilidade do legislador ao normatizar a atividade societária com vistas no desenvolvimento da atividade econômica com fulcro na produção e na circulação de bens ou serviços. Com efeito, o consórcio em tela envolve vultosos montantes de ativos de longo prazo, como, aliás, comprovam os documentos acostados aos autos em função da diligência requerida por este CARF (vide resposta da interessada e anexos de efls. 1356/1380). Ativos desse naipe tem como característica maturação demorada, implicações de risco e de retorno distintos dos ativos de curto prazo. Por conta disso, o horizonte de consórcios envolvendo aplicações dessa monta há que ser Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.043 10 compatível com a complexidade da atividade e a magnitude dos montantes investidos em sua infraestrutura. Legítima, pois, a utilização de créditos presumidos do IPI em relação ao processo produtivo realizado no âmbito do "Consórcio de Alumínio do Maranhão ALUMAR". Desta última afirmação é que agora temos que tratar: o reflexo tributário que está no cerne de toda esta discussão: tem ou não a SOUTH32 MINERALS direito ao Crédito Presumido nas suas operações dentro do Consórcio ALUMAR, considerada a sua participação no empreendimento ?? Para isto, precisamos saber se: A SOUTH32 MINERALS adquiriu insumos no mercado interno; com eles industrializou produtos e os exportou. Fundamentais aí são os fatos, e estes nos foram trazidos na diligência solicitada pela DRJ Juiz de Fora, via Despacho às fls. 721 a 731, cujo resultado (extraído do resumidamente consignado no Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade (fls. 1.056 e 1.057): "Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála corno empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho de fls. 360/364, o processo foi novamente encaminhado à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à nova solicitação o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 493. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do beneficio". Ressalva, é bem verdade, a Unidade de Origem reconheceu em parte o direito, mas, como eu disse, estamos na busca dos fatos, e eles mostram que, a SOUTH32 MINERALS teria, sim, direito, em tese, ao Crédito Presumido.” Assim, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda. 2) Recurso Especial do Contribuinte (Glosa de créditos relativo a gastos com energia elétrica no etapa de eletrólise). Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a discussão gira em torno da possibilidade de creditamento das despesas com energia elétrica consumida na operação de eletrólise, na redução da alumina para a produção do alumínio. Quanto à energia elétrica, o acórdão recorrido entendeu que na reação de eletrólise a energia elétrica é consumida em ação direta com a alumina, gerando o alumínio Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 10320.000355/200129 Acórdão n.º 9303008.503 CSRFT3 Fl. 2.044 11 como produto final.Utilizo o entendimento contido no item 4.2 do Parecer normativo CST nº 65/79 no sentido de que somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integram nem sejam consumidos na operação de industrialização.Assim, de fato, a energia elétrica na obtenção do alumínio é insumo de aplicação muito relevante no processo industrial mesmo se integrando ao produto final, devido à grande parte desse produto ser obtido diretamente com o consumo direto da energia elétrica. À vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e DAR provimento ao interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2044DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.005555/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS, CARACTERIZAÇÃO PARCIAL.
Comprovada omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, ainda que parcialmente, é procedente o lançamento em face da omissão efetivamente apurada.
Numero da decisão: 2402-007.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo-se o Imposto de Renda suplementar lançado de R$ 20.573,52 para R$ 2.755,30, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS, CARACTERIZAÇÃO PARCIAL. Comprovada omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, ainda que parcialmente, é procedente o lançamento em face da omissão efetivamente apurada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13706.005555/2008-16
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6024940
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.355
nome_arquivo_s : Decisao_13706005555200816.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13706005555200816_6024940.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo-se o Imposto de Renda suplementar lançado de R$ 20.573,52 para R$ 2.755,30, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
id : 7804291
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120638291968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 92 1 91 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.005555/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.355 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2019 Matéria IRPF Recorrente CELITA ALDA CASTELLO BRANCO DE LACERDA COUTINHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS, CARACTERIZAÇÃO PARCIAL. Comprovada omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, ainda que parcialmente, é procedente o lançamento em face da omissão efetivamente apurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindose o Imposto de Renda suplementar lançado de R$ 20.573,52 para R$ 2.755,30, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 55 55 /2 00 8- 16 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13706.005555/200816 Acórdão n.º 2402007.355 S2C4T2 Fl. 93 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 80/83) em face do Acórdão n. 12 47.374 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I DRJ/RJ1 (efls. 68/71), que julgou procedente em parte a impugnação de efls. 02/07, apresentada em 28/07/2008, mantendo em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 07/07/2008 (efl. 33) mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2006/607420123352030 Exercício: 2006 no montante de R$ 184.289,15 (efls. 11/16) com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Cientificada da decisão de piso em 27/05/2014 (efl. 77), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 20/06/2014 (efls. 80/83), oportunidade em que repisa, em linhas gerais, alegando a inexistência de omissão de rendimentos, bem assim a ocorrência de retenção de imposto de renda na fonte. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele conheço. O lançamento consignado na Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2006/607420123352030 (efls. 11/16) foi objeto de análise das questões de fato alegadas pelo sujeito passivo suscitadas na impugnação (efls. 02/07), com a consequente lavratura de Termo Circunstanciado (efls. 37/39), conforme previsto no art. 6°. A da Instrução Normativa RFB n. 958, de 15 de julho de 2009, incluído pela Instrução Normativa RFB n. 1061, de 04 de agosto de 2010. No Termo Circunstanciado (efls. 37/39), a autoridade lançadora entendeu por reduzir a omissão de rendimentos de R$ 333.985,76 para R$ 74.812,81, que restou consolidado no Despacho Decisório (efl. 40). Assim, o imposto suplementar (Código de Receita 2904) inicialmente apurado no valor de R$ 91.846,08 foi reduzido a R$ 30.593,09. Cientificado do o Despacho Decisório (efl. 40) em 22/08/2008 (efl. 42), o impugnante manifestouse, em 20/09/2011 (efls. 45/46). Muito bem. A decisão recorrida elucidou de forma satisfatória a compensação de IRRF, verbis: [...] Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13706.005555/200816 Acórdão n.º 2402007.355 S2C4T2 Fl. 94 3 Com relação à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, a fiscalização promoveu a glosa corretamente, uma vez que a contribuinte informou os rendimentos como recebidos do Comando do Exército, quando, na realidade, os rendimentos decorrentes da ação judicial tiveram como fonte pagadora a Caixa Econômica Federal CEF. No entanto, tal glosa não acarretou qualquer prejuízo à contribuinte já que o exato valor de R$10.019,57 foi incluído pela fiscalização sobre os rendimentos lançados como omitidos da CEF, conforme consta da fl. 14. Assim, houve uma mera transposição do valor de R$10.019,57 da fonte pagadora Comando do Exército para CEF, não tendo efeito prático no cálculo do imposto no ajuste anual do exercício de 2006, ano calendário 2005. [...] Esclarecida a questão da glosa de IRRF, concentrase a irresignação da Recorrente em face da infração caracterizada por omissão de rendimentos no valor remanescente de R$ 74.812,81. A Recorrente afirma que a omissão de rendimentos pelo valor residual de R$ 74.812,81, corresponde, na verdade, a honorários advocatícios pagos a advogados da causa, havendo recebido o valor líquido de R$ 259.172,95. A soma dos valores R$ 74.812,81 com R$ 259.172,95 equivale exatamente a R$ 333.985,76 informado no Alvará de Levantamento n. 222/2005 (efl. 86). Entretanto, apenas em sede de recurso voluntário vem a Recorrente apresentar os recibos de pagamentos de honorários advocatícios (efl. 87), vez que até então tais documentos não foram trazidos aos autos. Sobre esse fato, assim se pronuncia a instância de piso: [...] Com relação aos valores informados na DIRPF como honorários advocatícios, há de se esclarecer, em princípio, que todas as informações prestadas nas declarações de rendimentos estão sujeitas à comprovação a juízo da autoridade fiscal, conforme determina o art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999. No presente processo, a contribuinte apresentou a impugnação com a alegação de pagamento de honorários advocatícios sem apresentar os devidos recibos emitidos pelos advogados. Frise se que a impugnação deve ser instruída com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa, conforme determinam os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não devem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é como não alegar. A fim de suprir tal deficiência, a Receita Federal intimou a contribuinte a apresentar especificamente os comprovantes de Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13706.005555/200816 Acórdão n.º 2402007.355 S2C4T2 Fl. 95 4 pagamentos de honorários advocatícios com a ação judicial, conforme se verifica à fl. 21. No entanto, a contribuinte não juntou os recibos emitidos pelos advogados acerca dos honorários, tampouco comprovantes de transferência bancária com identificação dos advogados. Os documentos juntados às fls. 25 a 27 revelamse insuficientes para a pretendida comprovação. O documento de fl. 25 representa o alvará de levantamento em nome da contribuinte, o de fl. 26 reportase ao pagamento de imposto de renda retido na fonte e o de fl. 27, além de estar quase ilegível, identifica o valor depositado para a contribuinte, mas não é suficiente para comprovar pagamento de honorários. Na sequência, a autoridade lançadora ao emitir o Termo Circunstanciado de fls. 37 a 39 explicitou, na fl. 38, que não houve comprovação dos valores pagos a título de honorários advocatícios porque a contribuinte não apresentou os pertinentes recibos. Cientificada do teor de tal decisão, a contribuinte, mais uma vez, manifestouse às fls. 45 e 46 no sentido de que havia pago honorários advocatícios, mas não apresentou os recibos emitidos pelos advogados. [...] Pois bem. De plano, verificase nos recibos (efl. 87) que, na verdade, ratificam outros supostamente já emitidos que a soma dos valores pagos a título de honorários advocatícios é da ordem de R$ 64.793,24 e não R$ 74.812,81 como afirma a Recorrente. Sobre essa matéria, a instância de piso esclarece: [...] A contribuinte informou que recebeu o valor líquido de R$259.172,95 já deduzidos os honorários advocatícios no valor de R$74.812,81. De acordo com informação contida na declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2006, verificase que a contribuinte informou, à fl. 30, pagamento de honorários nos valores de R$51.834,60 (Sergio Costa) e R$12.958,64 (Alexandre Fontenelle), o que totaliza R$64.793,24, e não R$74,812,81, conforme afirmou na impugnação. A diferença no valor de R$10.019,57 referese ao valor que foi retido na fonte a título de imposto de renda. Ocorre que tal valor integra o montante de rendimentos tributáveis a ser levado ao ajuste anual, sendo compensado na declaração no campo próprio. Da forma como procedeu a contribuinte, esta se beneficiou do valor de R$10.019,57 em duplicidade, já que deduziu do montante de rendimentos tributáveis e depois compensou o mesmo valor como imposto de renda retido na fonte. Portanto, procede a infração de omissão de rendimentos relativa a esse valor. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13706.005555/200816 Acórdão n.º 2402007.355 S2C4T2 Fl. 96 5 [...] Do extrato bancário apresentado à efl. 27, apesar das precárias condições de legibilidade, concluise que foi depositado um valor líquido para a Recorrente na ordem de R$ 259.172,95. Subtraindose deste valor a quantia de R$ 333.985,76 (valor total informado no Alvará de Levantamento efl. 86), temse a diferença de R$ 74.812,81. Considerandose que da diferença de R$ 74.812,81, R$ 64.793,24, referemse a despesas advocatícias (efl. 87), passíveis de dedução do IRPF, ex vi Lei n. 7.713/88, é forçoso admitirse que a omissão de rendimentos em apreço resumese a R$ 10.019,57. Desta forma, resta assim apurado o imposto suplementar: Descrição Valores (R$) 1) Total dos rendimentos tributáveis declarados 490.304,95 2) Omissão de rendimentos apurada 10.019,57 3) Total das deduções declaradas 30.627,56 4) Glosa de deduções indevidas 0,00 5) Previdência Oficial sobre rendimento omitido 0,00 6) Base de cálculo apurada 469.696,96 7) Imposto apurado após alterações 123.582,47 8) Dedução de incentivo declarada 0,00 9) Glosa de dedução de incentivo 0,00 10)Total de imposto pago declarado 66.159,90 11) Glosa de imposto pago 10.019,57 12) IRRF sobre infração 10.019,57 13) Saldo de imposto a pagar apurado após alterações 57.422,57 14) Saldo do imposto a pagar declarado 54.667,18 15) Imposto já restituído 0,00 16) Imposto suplementar 2.755,39 Isto posto, impõese reduzir o imposto suplementar de R$ 20.573,52, apurado pela decisão recorrida, para R$ 2.755,39 apurado em segunda instância, que deve ser acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora, na forma da legislação aplicável. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13706.005555/200816 Acórdão n.º 2402007.355 S2C4T2 Fl. 97 6 Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial para reduzir o imposto suplementar de R$ 20.573,52, apurado pela decisão recorrida, para R$ 2.755,39, apurado em segunda instância, que deve ser acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora, na forma da legislação aplicável. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730598/2017-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/02/2014, 30/05/2014
De acordo com o que estabelece a Súmula CARF nº 2, esta instância de julgamento administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-006.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques dOliveira, que votou por sobrestar o processo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/02/2014, 30/05/2014 De acordo com o que estabelece a Súmula CARF nº 2, esta instância de julgamento administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.730598/2017-95
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020593
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.133
nome_arquivo_s : Decisao_11080730598201795.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 11080730598201795_6020593.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques dOliveira, que votou por sobrestar o processo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7782238
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120654020608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 227 1 226 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.730598/201795 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.133 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2019 Matéria PIS Recorrente LOUIS DREYFUS COMPANY BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/02/2014, 30/05/2014 De acordo com o que estabelece a Súmula CARF nº 2, esta instância de julgamento administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, que votou por sobrestar o processo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 05 98 /2 01 7- 95 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11080.730598/201795 Acórdão n.º 3301006.133 S3C3T1 Fl. 228 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 182 a 193) interposto pelo Contribuinte, em 14 de dezembro de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 12103.892 (fls. 163 a 172), de 28 de novembro de 2018, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) – DRJ/RJO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação (fls. 11 a 23) apresentada pelo Contribuinte, exonerando parcialmente o crédito lançado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de Notificaca̧õ de Lançamento no NLMIC – 70/2017 (fl. 2), ) de 05/09/2017, para lançamento de multa em decorrência de Declarações de Compensação (DCOMP) não homologadas, no valor total de R$ 3.649.836,86. As Declarações de Compensaçaõ (DCOMP) a seguir não foram homologadas, conforme Despacho Decisório exarado no Processo Administrativo no 10880.941648/201275, que tratou de créditos de Cofins nãocumulativa Mercado Externo relativos ao 4º trimestre de 2011. Declaração de Compensação (DCOMP) Valor não homologado (R$) Multa de 50% 013600842505021417089593 970.096,56 485.048,28 026952168305021417080273 88.135,15 44.067,58 154420640205021417082018 94.498,90 47.249,45 179133164705021417082399 10.980,69 5.490,35 182099933105021417082023 277.473,90 138.736,95 188423325405021417081945 7.827,37 3.913,69 193920387105021417089204 1.293.26,11 646.613,06 204632581205021417084302 188.221,83 94.110,92 197534617030051413080073 4.369.213,21 2.184.606,61 O contribuinte foi cientificado em 10/11/2017 (fl. 6) e apresentou impugnação (fl. 11/23 ) em 17/11/2017 alegando em síntese: 1. Ante a intimação do despacho decisório parcialmente favorável, a Impugnante, em 15 de abril de 2015, protocolou sua Manifestação de Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11080.730598/201795 Acórdão n.º 3301006.133 S3C3T1 Fl. 229 3 Inconformidade, visando discutir as glosas efetuadas no crédito pleiteado, sendo certo que a conclusão do aludido processo ainda pende de julgamento, conforme se verifica das cópias anexas (Doc. 03), bem como da mera consulta ao andamento processual possível de ser realizada pelo sistema informatizado; 2. Cumpre ressaltar, sobretudo, que caso ocorra integral deferimento do crédito ao final, a Autoridade Fiscal homologará integralmente as DCOMP’s vinculadas, ou seja, não restará saldo devedor passível de qualquer aplicação de multa; 3. Assim, a despeito do quanto aduz a D. Autoridade Fiscal, verificase que a pretensão quanto ao pagamento da multa não encontra qualquer fundamento, já que os valores se encontram com exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo pendente de julgamento; 4. A multa, enquanto sanção punitiva, traduz penalidade pela prática de ato ilícito tributário, como por exemplo, a falta de pagamento de tributo ou inobservan̂cia de obrigações acessórias, tendo caráter “pedagógico”, ou seja, inibidor de condutas infracionais; 5. Nesta seara, entretanto, a despeito do viés educacional da multa, é imperativo destacar que a penalidade exigida no presente caso acabou por equiparar o direito da Impugnante, de apresentar declaração de compensação, a um ato ilícito, uma vez que afastou sua boafé; 6. Assinalase que, neste sentido, a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1.999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, abriga diretrizes a serem observadas na atuação administrativa, preceituando em seu artigo 2o que deverão ser observados os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, etc; 7. Neste sentido, ainda que as compensações realizadas pela Impugnante estejam pendentes de homologação, considerando o fato de que o respectivo pedido encontra fundamento na legislacã̧o pertinente e, também, com base no próprio direito de petição, tornase ilegítima e desarrazoada a cobranca̧ de multa pois, conforme visto, não se distinguiria a boafé da máfé por parte da Impugnante, restando presumido que tenha agido de forma abusiva; 8. Por fim, é imperioso destacar que, por mera dedução lógica, considerar como legítima e devida a multa imposta pela Notificação, ora impugnada, seria reconhecer a perda do interesse processual da Impugnante na discussão tratada nos autos do Processo nº 10880.941648/201275; 9. Portanto, o mero ato de insurgência praticado naqueles autos, com a interposição de Manifestação de Inconformidade, reconhece, por si só, que qualquer ato tendente a cobrança dos deb́itos compensados e seus reflexos é manifestamente indevido ou, ao menos, inexigível até final decisão a ser proferida nos autos do processo administrativo em que se discute o crédito; É o relatório. Voto Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11080.730598/201795 Acórdão n.º 3301006.133 S3C3T1 Fl. 230 4 Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 12103.892 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário, ora em análise, visa reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/02/2014, 30/05/2014 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, mesmo na hipótese na qual a multa é aplicada sobre a compensação não homologada que está sendo discutida em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. MULTA. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE. Uma vez ocorrido a não homologação, a multa deve ser lançada, contudo, sua exigibilidade deve ficar suspensa ainda que não impugnada, no caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. MULTA. COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. Aplicase a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quando a multa a ser aplicada é a de 150% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte O Contribuinte no seu recurso alega 1) da inocorrência do fato gerador da multa isolada de 50% sobre o valor dos débitos cujas compensações não foram homologadas; 2) da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96; e, 3) da violação ao direito de petição. Salientase que as Declarações de Compensação (DECOMP) não foram homologadas de acordo com Despacho Decisório constante no Processo nº 10880.941648/201275 que trata de créditos de COFINS nãocumulativa mercado externo relativos ao 4º Trimestre de 2011. Cito trechos do recurso do Contribuinte que bem esclarecem os pontos objeto da lide, ou seja, apenas a questão da multa isolada de 50% incidente sobre os valores dos débitos de compensações não homologadas: II – DO DIREITO II.a – DA INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA MULTA ISOLADA Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11080.730598/201795 Acórdão n.º 3301006.133 S3C3T1 Fl. 231 5 04. A lavratura de Auto de Infração e Imposiçaõ de Multa efetuada pela Impugnada com fundamento no §17, do artigo 74, da lei 9.430/96, à razão de 50% sobre o valor dos débitos cujas compensações não foram, num primeiro momento, homologadas extrapola a interpretação da norma. (...) 11. A constituição da multa isolada, portanto, acarreta o acúmulo indevido de juros de mora sobre a penalidade durante o período em que subsiste a discussão administrativa acerca da compensação. Deste modo, nos casos em que a não homologação da compensação for mantida, a Impugnante terá que arcar com o valor dos juros sobre a multa, o que não ocorreria se a aplicação de tal multa fosse realizada em compasso com o artigo 116, inciso II, do CTN. 12. Da forma semelhante, considerando a possibilidade de discussão judicial acerca da não homologação da compensaca̧õ após o encerramento do processo administrativo, haverá uma indevida majoração do valor da garantia porventura exigida da Impugnante, o que pode ser interpretado como um embaraço ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. 13. Cabe sublinhar que a observância do artigo 116, inciso II, do CTN, não acarreta prejuízo ao Fisco, na medida em que há a possibilidade de discussão administrativa acerca da compensação, o que, por si só, suspende a exigibilidade da multa isolada. Além disso, considerando que o fato gerador da multa isolada é a decisão definitiva, o lanca̧mento não será atingido pela decadência mesmo que o processo administrativo em que se discute a compensação demore para ser julgado, o que também não pode servir de amparo legal para justificar o comentado lanca̧mento prematuro. 14. À vista disso, deve ser observado o artigo 116, inciso II, do CTN, para lanca̧mento da multa isolada, e não imputar tal penalidade indistintamente a todos os débitos cujas compensações não foram, num primeiro momento, homologadas. Com efeito, se há defesa administrativa penden te de julgamento, o lanca̧mento de ofício é nitidamente prematuro, na medida em que não contempla adequadamente o fato gerador da multa isolada, o que, por sua vez, acarreta sua nulidade, em decorrência da violaçaõ ao artigo 142, do CTN. II.b – DA COMPENSAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 74 DA LEI 9.430/96 15. O artigo 74 da Lei n.º 9.430/96, por meio da redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015, foi alterado em seu §17 a fim de instituir multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. 16. Tal alteração teve o nítido propósito de, por meio de ameaça de penalização, desencorajar o cidadãocontribuinte a exercitar seu constitucional direito de peticionar aos poderes públicos e de reaver valores recolhidos impropriamente. 17. Ora, tratandose da compensação ou restituição de indébitos de direito dos contribuintes, toda e qualquer resisten̂cia do Fisco ao exercício deste direito, por si só, é inconstitucional. 18. Com efeito, sancionar o simples exercício do direito do contribuinte de requerer seus créditos recolhidos indevidamente ou fruto de atividades que, legalmente, lhe garantem o direito a créditos tributários é contrariar os seus direitos fundamentais. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11080.730598/201795 Acórdão n.º 3301006.133 S3C3T1 Fl. 232 6 19. A imposição de multa nos termos constantes do §17 da Lei n.o 9.430/96 viola (i) o direito fundamental de petição aos poderes públicos (art. 5.o, XXXIV, a); (ii) o direito fundamental ao contraditório e à ampla defesa (art. 5.o, LV); (iii) a vedação da utilização de tributos com efeito de confisco (art. 150, IV); (iv) além dos princípios da razoabilidade, da proporcionalida de; (v) resultando em verdadeira sanção política, o que há tempos é vedado pelo Supremo Tribunal Federal por inconstitucional. 20. O Artigo 18 da Lei n.º 10.833/2003, já previa a aplicação de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, tendo tido várias alterações desde então. 21. Assim, a novel normatização passou a penalizar o simples exercício do direito de petica̧õ aos órgãos públicos, sem a existência e comprovação da máfé do contribuinte. 22. Em que pese o caráter arrecadatório das proposicõ̧es constantes do §17 do artigo 74 da Lei n.o 9.430/1996 e, a despeito da complexidade e das diversas alterações das normas tributárias sobre o tema restituição/compensação, a imposição de multa isolada fere frontalmente a Constituição Federal. II.c – DA VIOLAÇÃO AO DIREITO DE PETIÇAÕ 23. É fato notório é que os contribuintes se encontram inibidos na busca de ressarcimentos e compensações, ante a “automaticidade” da imposição da multa isolada pelo simples indeferimento de seu pedido, em vista do disposto nos §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. 24. Isso porque, em razão do ato administrativo ser vinculado, os agentes da Receita Federal do Brasil tem̂ que agir em razão da lei, que ora impõe a abusiva penalidade e cria obstáculos inconstitucionais ao exercício do direito de peticã̧o do contribuinte. 25. Com efeito, vêse maltratado o artigo 5.o, inciso XXXIV, “a” da Constituicã̧o Federal que assegura ao contribuinte o "direito de petiçaõ aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.” 26. O direito de petição justamente alberga a garantia de apresentação de qualquer pedido que represente defesa do direito ou contrariedade de ilegalidade em favor do cidadão perante o Estado. 27. Dentre as consequências do direito constitucional de petição, incluise o dever da administraçaõ pública de responder à petiçaõ em tempo razoável, cabendo a mesma apreciar o pleito do contribuinte e proferir decisão motivada, pelo seu deferimento ou indeferimento, somente se justificando eventual punicã̧o se a máfé for concretamente aferida, certamente no âmbito do devido processo legal. 28. Nesse contexto, a punicã̧o automática pelo exercício do pedido de ressarcimento ou compensação constituise em lamentável arbítrio, na medida em que a norma peca por presumir a máfé do contribuinte, a ponto de justificar a sua automática punição em virtude do simples exercício de um direito constitucionalmente a ele assegurado. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11080.730598/201795 Acórdão n.º 3301006.133 S3C3T1 Fl. 233 7 29. Em questão similar, na qual se onerava financeira ou economicamente o contribuinte como condição para o exercício do direito de peticã̧o, o Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade de norma que exigia o depósito prévio de parte do crédito tributário questionado administrativamente, como requisito de admissibilidade de recurso administrativo, justamente por considerar que tal exigen̂cia, dentre outras inconstitucionalidade, vulnerava o direito de petiçaõ do contribuinte: (...) 30. Nesse sentido, o E. Tribunal Regional da 3a Região assim tem se manifestado: (...) 31. O tema, inclusive é objeto de discussão no âmbito de repercussão geral no E. Supremo Tribunal Federal: (...) 32. A própria Procuradoria Geral da República, pelo então procurador Rodrigo Janot Monteiro de Barros, assim se manifestou no caso concreto: (...) 33. Com efeito, o simples indeferimento do pedido de ressarcimento ou a não homologação da compensacã̧o ensejar a aplicaçaõ automática da multa prevista no §17, sem qualquer comprovação de máfé do contribuinte é violaca̧õ frontal aos direitos do contribuinte. 34. De outra forma, não havendo qualquer prejuízo ao Fisco diante do indeferimento do pedido de ressarcimento deduzido pelo contribuinte ou da compensação levada a efeito, resulta translúcida a agressão também ao devido processo legal substancial (ausência de razoabilidade da multa em questão, dada a absoluta desnecessidade e inadequaçaõ do instrumento), para além da injustificável investida contra o direito de petiçaõ, previsto no art. 5º, XXXIV, 'a', da Constituição Federal. 35. Mais, a referida norma, não adentrando ao mérito da máfé do contribuinte, coloca no mesmo cesto contribuintes que fazem devidamente e com boafé os pedidos de compensacã̧o com aqueles que não o fazem, em afronta violaca̧õ ao Princípio da Isonomia previsto no artigo 150, II da Carta Maior. III – DO PEDIDO 36. Ante todo o exposto, demonstrada a insubsistência da decisão ora recorrida, requerse o julgamento procedente do presente recurso, sendo, ao final, anulada a multa isolada aplicada, pela ilegalidade e inconstitucionalidade do §17º do art. 74, da Lei 9.430/96, como medida de Justiça! (grifouse). Em que pese os argumentos do Contribuinte, de que o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a imposição de multa isolada, fere frontalmente a Constituicã̧o Federal, e ainda, que a multa é uma ameaca̧ de penalização e cria obstáculos inconstitucionais ao exercício do direito de petição do contribuinte, salientase que não cabe a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais discutir a constitucionalidade ou não de determinada legislação. Assim já sumulou o CARF: Súmula CARF nº 2 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11080.730598/201795 Acórdão n.º 3301006.133 S3C3T1 Fl. 234 8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já quanto ao procedimento de cobrança dos débitos controlados no presente processo, por força de determinação legal, fica suspensa a sua exigência até que sejam resolvidos em definitivo na esfera administrativa os pedidos de compensação não homologados que deram origem a multa em comento, tendo em vista que tais pedidos foram objeto de impugnação e posterior recurso voluntário, nos termos previstos no art. 74, § 18 da Lei nº 9.430/96. Portanto, voto por não conhecer do recurso do Contribuinte, visto que esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720074/2007-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
SALDO CREDOR - DESCABE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito solicitado em pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Súmula CARF 125
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR - DESCABE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito solicitado em pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Súmula CARF 125 Recurso especial do Procurador provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.720074/2007-29
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6021446
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.623
nome_arquivo_s : Decisao_11020720074200729.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 11020720074200729_6021446.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7789876
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120657166336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.720074/200729 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.623 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2019 Matéria PIS NÃOCUMULATIVO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO ÔNIBUS E IMPLEMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR DESCABE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito solicitado em pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Súmula CARF 125 Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 74 /2 00 7- 29 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11020.720074/200729 Acórdão n.º 9303008.623 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 145/152), admitido pelo despacho de fls. 169/171, contra o Acórdão 3301002.739 (fls. 134/142), de 25/06/2016, assim ementado na parte devolvida ao nosso conhecimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 ... SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O desfecho do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, julgado conforme procedimentos previsto para os Recursos Repetitivos, Acórdão transitado em julgado em 03/03/2010, embora tenha sido proferido em torno de IPI, aplicase a todos os casos de pedidos de ressarcimento, quando o creditamento, regularmente solicitado pelo contribuinte, tenha sido indevidamente obstaculizado em face de resistência normativa ou por meio de ato expresso emitido pela administração impedindo sua utilização. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que é devida a atualização dos créditos, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).O contribuinte desistiu do recurso especial que havia manejado. Insurgese a Fazenda quanto à parte do recorrido que reconheceu ao contribuinte o direito de aplicar juros de mora com base na taxa Selic sobre o saldo credor do PISnão cumulativo. Em contrarrazões (fls. 178/190), requer o contribuinte que seja negado provimento ao recurso especial fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do Procurador nos termos em que foi admitido. A matéria não é nova para esta E. Turma julgadora. E nosso entendimento majoritário está assentado no sentido de que há previsão legal expressa que impossibilita, no caso de PIS e COFINS nãocumulativa, a incidência de correção monetária e/ou juros de mora Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11020.720074/200729 Acórdão n.º 9303008.623 CSRFT3 Fl. 4 3 sobre eventual saldo credor. Transcrevo, a título de exemplo, a ementa do Acórdão 9303 007.138 (de 11/07/2018), relatado pelo i. Conselheiro Rodrigo Pôssas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃOCUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 15, c/c art. 13, da Lei nº 10.833/2003). Vejase o que dispõe a legislação, Lei 10.833/2003, sobre a quaestio: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Matéria, inclusive, que já se encontra sumulada. Vejase: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Dessarte, deve ser revertido o recorrido neste ponto. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial da Fazenda e doulhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11020.720074/200729 Acórdão n.º 9303008.623 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900635/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.900635/2014-16
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020798
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.351
nome_arquivo_s : Decisao_10880900635201416.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10880900635201416_6020798.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7785056
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120663457792
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-12T18:31:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-12T18:31:16Z; Last-Modified: 2019-06-12T18:31:16Z; dcterms:modified: 2019-06-12T18:31:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-12T18:31:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-12T18:31:16Z; meta:save-date: 2019-06-12T18:31:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-12T18:31:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-12T18:31:16Z; created: 2019-06-12T18:31:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-12T18:31:16Z; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-12T18:31:16Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.900635/2014-16 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.351 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2019 Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 35 /2 01 4- 16 Fl. 69DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 70DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 71DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 72DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 73DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.908016/2009-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO/RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação.
A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao(s) valor(es) retificado(s) não tem o condão de reverter o ônus da prova, que continua sendo daquele que alega fato constitutivo do seu direito.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO/RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao(s) valor(es) retificado(s) não tem o condão de reverter o ônus da prova, que continua sendo daquele que alega fato constitutivo do seu direito. Recurso especial do contribuinte negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.908016/2009-33
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023352
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.790
nome_arquivo_s : Decisao_10283908016200933.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10283908016200933_6023352.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7794925
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120667652096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.908016/200933 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.790 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2019 Matéria COFINS INDÉBITO PROVA Recorrente JABIL DO BRASIL INDÚSTRIA ELETROELETRÔNICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO/RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao(s) valor(es) retificado(s) não tem o condão de reverter o ônus da prova, que continua sendo daquele que alega fato constitutivo do seu direito. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 80 16 /2 00 9- 33 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10283.908016/200933 Acórdão n.º 9303008.790 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 163/171), admitido pelo despacho de fls. 210/213 contra o Acórdão 3803006.915 (fls. 129/132), de 18/03/2015, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Em síntese, entende o recorrente que o fato de ter apresentado DCTF retificadora após a apresentação do PER/DCOMP não pode infligir seu direito à repetição/compensação, vez entender que a entrega da DACON e DCTFretificadora bastam para fazer prova do alegado indébito. Acresce que o aresto recorrido teria sido omisso em não apreciar "fato conexo introduzido ao processo em sede de sustentação oral". Alega que a compensação objeto do presente processo seria conexo com aquelas inclusas no PA 10283.904360/200953, visto trataremse de mesmo crédito. Conclui que o correto seria a suspensão do presente feito ou que se estendesse aos autos decisão harmônica à da Resolução nº 3401000.456, que converteu o julgamento em diligência. Finaliza que "está segura que a diligência provará seu direito e assim se encerrará a questão". Em contrarrazões (fls. 215/244), pugna a PFN pelo improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que admitido. A questão é exclusivamente de direito, e, mais especificamente, em quem recai o ônus da prova em processos de repetição de indébito/compensação. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10283.908016/200933 Acórdão n.º 9303008.790 CSRFT3 Fl. 4 3 Primeiramente, não identifico qualquer omissão na decisão recorrida, e, caso houvesse, deveria ser postulado seu saneamento por meio de embargos, pois para tal não se presta o recurso especial de divergência. Portanto, hígida a decisão recorrida. As compensações alegadas foram protocolizadas em processos apartados, e, portanto, deveria o mesmo suposto crédito provado em cada processo. Se em um deles o processo foi baixado em diligência para produzir prova em favor de direito alegado pela empresa, o que entendo equivocado, esta decisão não se espraia ao presente caso, nem tampouco nos vincula. O contribuinte apresentou DCOMP e esta não foi homologada porque o valor indicado no DARF referente ao suposto indébito havia sido integralmente utilizado para quitação de débito seu, dessa forma não havendo crédito disponível para compensação. O mesmo valor foi informado na Dacon. Posteriormente ao despacho decisório, o contribuinte retificou a DCTF. Contudo, desde então em vez de produzir a prova do direito que alega ter, pugna para que a Administração produza a mesma em seu favor em nome da verdade material. Ou seja, a empresa alega ter créditos absolutamente ilíquidos, retifica sua DCTF e avisa, Fisco trate de provar o que eu estou declarando. Com a devida vênia, chega a ser risível a postura da recorrente, para dizer o mínimo. Esta Turma tem firme jurisprudência em casos de repetição/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação, que o ônus da prova é do contribuinte. E isso tem com fundamento jurídico o art. 373 do vigente CPC, que dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Portanto, descabido o argumento de que ao retificar a DCTF, desacompanha de qualquer elemento probatório do alegado direito, o ônus probatório fica revertido, tendo o Fisco que provar que o direito alegado é bom. Como já decidimos em variados julgados, nada obsta à retificação das DCTF, mesmo que efetuada após o despacho decisório1, mas, porém, ela por si só não tem o condão de comprovar o alegado indébito. Vejase, a propósito, decisão unânime em que a ora recorrente era parte no Acórdão 9303006.937, de 13/08/2018, de relatoria da Dra. Érika Costa Camargo Autran: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.ÔNUS DA PROVA. 1 Nesse sentido, Acórdão 9303006.977, de 13/06/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas, em que a recorrente igualmente era parte: DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste impedimento à retificação da DCTF, ainda que efetuada e transmitida depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado. DCTF RETIFICADORA. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Demonstrado e provado que a DCTF retificadora não comprovou o indébito reclamado pelo contribuinte, ou seja, a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na compensação, mantémse a não homologação da Dcomp. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10283.908016/200933 Acórdão n.º 9303008.790 CSRFT3 Fl. 5 4 A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo,a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. O decidido no Acórdão 9303007.458, de 20/09/2018, de minha relatoria, perfilhou mesmo entendimento. Vejase sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. Recurso Especial do Procurador parcialmente provido. Portanto, escorreita a r. decisão, a qual deve ser mantida. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10283.908016/200933 Acórdão n.º 9303008.790 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721769/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. GLOSA.
O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista.
GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica, incluídos nesta situação os diretores da empresa sem vínculo empregatício.
DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL
Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste.
PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA.
De acordo com a legislação fiscal os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuados apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. Ausente evidências de que outros encargos competiriam ao período fiscalizado, para além daqueles já reconhecidos na decisão de 1ª instância, a exigência remanescente deve ser reduzida, apenas, em razão da adição comprovada pelo sujeito passivo.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL.
Constatando-se a existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em montante suficiente para a compensação com o lucro real obtido no ano calendário autuado, deve ser afastada a tributação referente à compensação indevida de prejuízo fiscal.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA.
A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
O não recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário.
MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996.
MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO PARCIAL DA EXIGÊNCIA. As multas isoladas devem ser excluídas na proporção das glosas revertidas na apreciação do recurso voluntário, bem como deve ser mantida a exclusão promovida em decisão de 1ª instância, cujos fundamentos restaram inalterados na apreciação do recurso de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. GLOSA.
O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista.
GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE.
Em face da ausência de norma na legislação da CSLL prescrevendo a adição das despesas com o pagamento de gratificações a administradores na apuração da base desta contribuição, a glosa efetuada não deve prosperar.
DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL.
Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste.
MULTAS INDEDUTÍVEIS.
Mantém-se as glosas efetuadas pois a legislação de regência prescreve a indedutibilidade, como despesas operacionais, das multas fiscais e das multas de natureza não tributária, na apuração da base de cálculo da CSLL, excetuando apenas as multas fiscais de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, tais como, as decorrentes do recolhimento de tributo fora do prazo legal e aquelas por apresentação espontânea de declarações fora do prazo.
DESPESAS COM REPRESENTAÇÃO.
Mantém-se a glosa efetuada, pois há vedação legal expressa para a dedução de gastos relativos a pagamento de refeições de diretores na apuração da base de cálculo da CSLL.
PAGAMENTO DE DIREITOS AUTORAIS.
Considerando a ausência de norma estabelecendo a indedutibilidade de tal despesa, e tendo em vista que se reputa comprovadamente paga, pois não foi objeto de qualquer ressalva ou contestação, neste requisito, por parte da fiscalização, a glosa correspondente não deve prosperar, por falta de amparo na legislação fiscal de regência.
OUTRAS DESPESAS INDEDUTÍVEIS.
Mantém-se a glosa do valor adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro real e não adicionado no cálculo da base da CSLL, sob o título de outras despesas, por não ser possível admiti-lo como dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, uma vez que o documento apresentado não permite a identificação da despesa, tampouco é hábil para comprovar o efetivo pagamento.
PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA.
De acordo com a legislação fiscal, os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuado apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa.
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA.
Estando demonstrada a insuficiência de base de cálculo negativa de CSLL acumulada de períodos anteriores, para a compensação com a base de cálculo da CSLL do ano-calendário autuado, efetuada pela contribuinte, é de se manter parcialmente a tributação referente à compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA.
A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento.
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CSLL SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS.
Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa mensal de CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos previstos na legislação de regência, mesmo após o encerramento do ano-calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional sobre a contribuição anual lançada.
Numero da decisão: 1402-003.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre a CSLL deduzidos na apuração do IRPJ; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa; i.iv) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de prejuízos fiscais; i.v) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.vi) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência; i.vii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à multa isolada, votando pelas conclusões os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone, Evandro Correa Dias e Edeli Pereira Bessa, cujas razões devem ser incorporadas ao voto do Relator; ii) por maioria de votos: ii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de gratificações a administradores na apuração do IRPJ, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas indedutíveis adicionadas apenas à base de cálculo do IRPJ e de despesas desnecessárias com multas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento parcial para afastar a glosa de "despesas com operações financeiras", e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; iii) por voto de qualidade: iii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às exigências de multa isolada, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.iii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com direitos autorais e de pagamentos aos administradores, vencido o Relator acompanhado pelos Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13971.721769/2012-71
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6032712
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.899
nome_arquivo_s : Decisao_13971721769201271.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 13971721769201271_6032712.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre a CSLL deduzidos na apuração do IRPJ; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa; i.iv) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de prejuízos fiscais; i.v) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.vi) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência; i.vii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à multa isolada, votando pelas conclusões os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone, Evandro Correa Dias e Edeli Pereira Bessa, cujas razões devem ser incorporadas ao voto do Relator; ii) por maioria de votos: ii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de gratificações a administradores na apuração do IRPJ, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas indedutíveis adicionadas apenas à base de cálculo do IRPJ e de despesas desnecessárias com multas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento parcial para afastar a glosa de "despesas com operações financeiras", e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; iii) por voto de qualidade: iii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às exigências de multa isolada, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.iii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com direitos autorais e de pagamentos aos administradores, vencido o Relator acompanhado pelos Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7820938
ano_sessao_s : 2019
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. GLOSA. O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista. GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica, incluídos nesta situação os diretores da empresa sem vínculo empregatício. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste. PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. De acordo com a legislação fiscal os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuados apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. Ausente evidências de que outros encargos competiriam ao período fiscalizado, para além daqueles já reconhecidos na decisão de 1ª instância, a exigência remanescente deve ser reduzida, apenas, em razão da adição comprovada pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Constatando-se a existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em montante suficiente para a compensação com o lucro real obtido no ano calendário autuado, deve ser afastada a tributação referente à compensação indevida de prejuízo fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO PARCIAL DA EXIGÊNCIA. As multas isoladas devem ser excluídas na proporção das glosas revertidas na apreciação do recurso voluntário, bem como deve ser mantida a exclusão promovida em decisão de 1ª instância, cujos fundamentos restaram inalterados na apreciação do recurso de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. GLOSA. O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista. GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. Em face da ausência de norma na legislação da CSLL prescrevendo a adição das despesas com o pagamento de gratificações a administradores na apuração da base desta contribuição, a glosa efetuada não deve prosperar. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL. Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Mantém-se as glosas efetuadas pois a legislação de regência prescreve a indedutibilidade, como despesas operacionais, das multas fiscais e das multas de natureza não tributária, na apuração da base de cálculo da CSLL, excetuando apenas as multas fiscais de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, tais como, as decorrentes do recolhimento de tributo fora do prazo legal e aquelas por apresentação espontânea de declarações fora do prazo. DESPESAS COM REPRESENTAÇÃO. Mantém-se a glosa efetuada, pois há vedação legal expressa para a dedução de gastos relativos a pagamento de refeições de diretores na apuração da base de cálculo da CSLL. PAGAMENTO DE DIREITOS AUTORAIS. Considerando a ausência de norma estabelecendo a indedutibilidade de tal despesa, e tendo em vista que se reputa comprovadamente paga, pois não foi objeto de qualquer ressalva ou contestação, neste requisito, por parte da fiscalização, a glosa correspondente não deve prosperar, por falta de amparo na legislação fiscal de regência. OUTRAS DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Mantém-se a glosa do valor adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro real e não adicionado no cálculo da base da CSLL, sob o título de outras despesas, por não ser possível admiti-lo como dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, uma vez que o documento apresentado não permite a identificação da despesa, tampouco é hábil para comprovar o efetivo pagamento. PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. De acordo com a legislação fiscal, os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuado apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. Estando demonstrada a insuficiência de base de cálculo negativa de CSLL acumulada de períodos anteriores, para a compensação com a base de cálculo da CSLL do ano-calendário autuado, efetuada pela contribuinte, é de se manter parcialmente a tributação referente à compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CSLL SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS. Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa mensal de CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos previstos na legislação de regência, mesmo após o encerramento do ano-calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional sobre a contribuição anual lançada.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120692817920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 78; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 779 1 778 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.721769/201271 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402003.899 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2019 Matéria IRPJ Recorrentes CIA HERING FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. GLOSA. O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista. GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica, incluídos nesta situação os diretores da empresa sem vínculo empregatício. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste. PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. De acordo com a legislação fiscal os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuados apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. Ausente evidências de que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 17 69 /2 01 2- 71 Fl. 6967DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 780 2 outros encargos competiriam ao período fiscalizado, para além daqueles já reconhecidos na decisão de 1ª instância, a exigência remanescente deve ser reduzida, apenas, em razão da adição comprovada pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Constatandose a existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em montante suficiente para a compensação com o lucro real obtido no ano calendário autuado, deve ser afastada a tributação referente à compensação indevida de prejuízo fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO PARCIAL DA EXIGÊNCIA. As multas isoladas devem ser excluídas na proporção das glosas revertidas na apreciação do recurso voluntário, bem como deve ser mantida a exclusão promovida em decisão de 1ª instância, cujos fundamentos restaram inalterados na apreciação do recurso de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. GLOSA. O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista. GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 6968DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 781 3 Em face da ausência de norma na legislação da CSLL prescrevendo a adição das despesas com o pagamento de gratificações a administradores na apuração da base desta contribuição, a glosa efetuada não deve prosperar. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL. Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Mantémse as glosas efetuadas pois a legislação de regência prescreve a indedutibilidade, como despesas operacionais, das multas fiscais e das multas de natureza não tributária, na apuração da base de cálculo da CSLL, excetuando apenas as multas fiscais de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, tais como, as decorrentes do recolhimento de tributo fora do prazo legal e aquelas por apresentação espontânea de declarações fora do prazo. DESPESAS COM REPRESENTAÇÃO. Mantémse a glosa efetuada, pois há vedação legal expressa para a dedução de gastos relativos a pagamento de refeições de diretores na apuração da base de cálculo da CSLL. PAGAMENTO DE DIREITOS AUTORAIS. Considerando a ausência de norma estabelecendo a indedutibilidade de tal despesa, e tendo em vista que se reputa comprovadamente paga, pois não foi objeto de qualquer ressalva ou contestação, neste requisito, por parte da fiscalização, a glosa correspondente não deve prosperar, por falta de amparo na legislação fiscal de regência. OUTRAS DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Mantémse a glosa do valor adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro real e não adicionado no cálculo da base da CSLL, sob o título de “outras despesas”, por não ser possível admitilo como dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, uma vez que o documento apresentado não permite a identificação da despesa, tampouco é hábil para comprovar o efetivo pagamento. PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. De acordo com a legislação fiscal, os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuado apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. Estando demonstrada a insuficiência de base de cálculo negativa de CSLL acumulada de períodos anteriores, para a compensação com a base de cálculo da CSLL do anocalendário autuado, efetuada pela contribuinte, é de se Fl. 6969DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 782 4 manter parcialmente a tributação referente à compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CSLL SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS. Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa mensal de CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos previstos na legislação de regência, mesmo após o encerramento do ano calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional sobre a contribuição anual lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre a CSLL deduzidos na apuração do IRPJ; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa; i.iv) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de prejuízos fiscais; i.v) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.vi) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência; i.vii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à multa isolada, votando pelas conclusões os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone, Evandro Correa Dias e Edeli Pereira Bessa, cujas razões devem ser incorporadas ao voto do Relator; ii) por maioria de votos: ii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de gratificações a administradores na apuração do IRPJ, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas indedutíveis adicionadas apenas à base de cálculo do IRPJ e de despesas desnecessárias com multas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento parcial para afastar a glosa de "despesas com operações financeiras", e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; iii) por voto de qualidade: iii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às exigências de multa isolada, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.iii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com direitos autorais e de pagamentos aos administradores, vencido o Relator acompanhado pelos Fl. 6970DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 783 5 Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Fl. 6971DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 784 6 Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício (fls.1049) e de Recurso Voluntário (fl.1447/1514) ambos interpostos face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Salvador (fls.1171/1279) que decidiu cancelar parcialmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal. Foi lavrado Auto de Infração imputando as seguintes infrações: 1 Juros sobre o capital próprio, devido a inobservância do regime de competência; (Infração posta no item 3.1 do TVF) 2 Glosa de despesa relativa aos pagamentos aos administradores não empregados, referentes a participação nos resultados a título de gratificação, décimo terceiro salário a titulo de gratificação e 1/3 de férias. (Item 3.2 do TVF) Tais pagamentos foram considerados pela fiscalização como despesas não necessárias e não dedutíveis da apuração do IRPJ e da CSLL, eis que os administradores não eram empregados da autuada e foram feitos por liberalidade da empresa. 3 Despesas indedutíveis: a) A Fiscalização glosou os juros de mora de CSLL relativos à débitos de imposto incluídos em parcelamento previsto na Lei 11.941/09. (item 3.3.1 do TVF) b) As diferenças entre as bases de cálculo do Lucro Real e da CSLL. (item 3.3.2 do TVF) Neste tópico foi foram glosadas despesas que não foram b2) Multa por infrações fiscais e contratuais (infração 3.3.2.1 do TVF). b3) Outras despesas (item 3.3.2.2 do TVF) Fl. 6972DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 785 7 Em relação ao IRPJ, glosou as despesas relativas a multa por descumprimento de regra contratual, consideradas não dedutíveis pela legislação do IRPJ, mas dedutíveis nas regras da CSLL. E considerou como não dedutíveis para a apuração da base de calculo da CSLL as despesas/custo relativos as multas por infrações fiscais. c) Multas indedutíveis conta 42140008. (Infração 3.3.3 do TVF) Neste item foi glosado tanto na apuração do IRPJ, como da CSLL, devido a fiscalização ter considerado como não dedutíveis multas de transito e do inmetro. (repete a mesma fundamentação posta no item 3.3.2.1 do TVF). d) Devido a falta de comprovação dos requisitos legais (art. 365 do RIR/99) para a dedução do valor doado, a Fiscalização considerou como não dedutíveis o montante relativo as doações para a Fundação Hermann Hering. (infração 3.3.4 do TVF). e) Pagamento de Dívida Ativa, em desconformidade ao regime da competência. (fls. 14/15 infração 3.3.5 do TVF). 4 Compensação de prejuízo fiscal de IRPJ e de base de cálculo negativa de CSLL. (fl. 16 infração 3.4 do TVF). Segundo a fiscalização a infração foi a seguinte: 5 Aplicou multa isolada. (Infração 3.5 do TVF) Devidamente notificada, a Recorrente apresentou impugnação de fls.569/626 com documentos de fls. 627/788. Após analise dos documentos apresentados com a impugnação, foi proferido despacho de fls. 789 informando a parte que não foi defendida e que restou incontroversa nos autos, relativa as despesas incorridas pela doação feita para a Fundação Hermann Hering, bem com que o IRPJ e a CSL incidente sobre estes valores foram pagos conforme documentos de fls. 681/684. Fl. 6973DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 786 8 Em seguida os autos foram encaminhados para a DRJ analisar e julgar a impugnação, que por sua vez decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 792/799) nos seguintes termos: Consoante despacho de fls. 792 a 799, esta Delegacia de Julgamento determinou a realização de diligência, em face da alegação da existência de saldos de base de cálculo negativa de CSLL, oriundos da incorporação do CNPJ n° 82.639.139/0001 44, ocorrida no ano de 1999, no valor de R$118.120.635,64, saldos estes, que a Receita Federal do Brasil, quando da incorporação do CNPJ nº 82.639.139/000144, entendera que a Recorrente não teria direito a apropriar, e considerando que: "– a impugnante afirma ter obtido êxito na demanda judicial impetrada, contra a RFB, por meio do Mandado de Segurança n° 2004.72.05.0008833, tendo sido reconhecido o seu direito de apropriação do saldo de Base Negativa da incorporada, conforme decisão final favorável transitada em julgado em 08/03/2010 (documentos anexos aos autos); – da leitura do Mandado de Segurança (fls. 730/752), verificase que este foi impetrado contra os despachos emitidos pela DRF de Blumenau, nos processos administrativos de números 13971.000560/0010, 13971.000563/0008, 13971.000657/0041 e 13971.000988/0017, envolvendo operações em que a impugnante transfere bases de cálculo negativa de CSLL para terceiros, optantes do Refis, instituído pela Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, tendo em vista que referidos despachos reconheceram, parcialmente, os créditos cedidos pela impugnante, sob o fundamente de que o cedente não dispunha de saldo suficiente de base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário de 1998, para transferir o crédito informado, no valor de R$ 80.550.250,00, porque o montante de base de cálculo negativa de CSLL acumulado até o anocalendário de 1998 seria de R$ 34.406.966,11;– os documentos acostados aos autos não são suficientes para o perfeito esclarecimento da matéria impugnada. Deve ser efetuada diligência, objetivando verificar o seguinte: 1) caso se confirme ser definitiva a aludida sentença judicial, qual o valor do saldo de base de cálculo negativa de CSLL que a impugnante teria direito de se apropriar, oriundo da incorporação da Cia Hering, CNPJ n° 82.639.139/000144, ocorrida no ano de 1999, levandose em conta, inclusive, a repercussão dos efeitos da cisão parcial, da incorporada, ocorrida em 1997, no eventual saldo de base de cálculo negativa de CSLL que a impugnante poderia se apropriar; 2) se, porventura, houve utilização deste eventual saldo negativo de base de cálculo de CSLL, nos mencionados processos, referentes às operações de transferência de bases de cálculo negativa de CSLL da impugnante para terceiros, no âmbito do Refis. Caso as verificações anteriores resultem em alteração dos saldos de base de cálculo negativa de CSLL registrados no Sapli, Fl. 6974DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 787 9 considerados no Auto de Infração da CSLL, demonstrar o efetivo montante de base de cálculo negativa de CSLL existente no ano calendário de 2009;" A Delegacia da Receita Federal de Blumenau se manifestou nos autos fls. 802/803 e juntou documentos de fls. 804/805: – quanto ao primeiro quesito do despacho de diligência, responde que: · o saldo de base de cálculo negativa de CSLL que a impugnante poderia se apropriar, oriundo da incorporação ocorrida em 1999, é de R$18.896.816,64. Este valor foi deferido para transferência para terceiros no âmbito do Refis (processos 13971.000560/0010, 13971.000563/0008, 13971.000657/0041 e 13971.001004/0043); · no referido montante estão considerados 11,49% (patrimônio líquido remanescente na incorporada após a cisão parcial) de R$109.985.134,18 (saldo da base de cálculo negativa da CSLL existente em 1997 – ano da cisão parcial); · para justificar a permanência de 11,49% do saldo da base de cálculo negativa da CSLL, junta a Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 11/09/1997 e a Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 22/09/1997 (continuação da primeira), em que constam as condições da cisão; · como não existe qualquer determinação especial no sentido de mudar a proporção da base de cálculo negativa da CSLL nos documentos acostados, deve prevalecer a mesma proporção da cisão parcial do patrimônio líquido (R$44.993.588,13 X R$346.576.881,88) ou seja, 11,49%; Fl. 6975DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 788 10 – concernente ao segundo quesito, responde que: · o valor total deferido para transferência para terceiros no âmbito do Refis foi R$53.303.782,74 (processos 13971.000560/0010, 13971.000563/0008, 13971.000657/0041 e 13971.001004/0043), resultado da soma de R$34.406.966,11 (da incorporadora) e R$18.896.816,63 (da incorporada). Estes valores correspondiam aos saldos da base de cálculo negativa da CSLL respectivamente na incorporadora e na incorporada; · não há alteração a ser feita nos saldos de base de cálculo negativa de CSLL registrados no Sapli, considerados no Auto de Infração da CSLL. A autuada se manifesta e junta aos autos cópia dos despachos decisórios relativos aos processo de transferência de créditos a terceiros e cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária relativa a incorporação. Em seguida a autuada se manifesta sobre a informação de diligência as fls. 838/848 e junta documentos de fls. 849/960. A DRJ de Salvador, ao analisar os documentos profere despacho de diligência (fls. 963/964) nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além da Multa exigida Isoladamente por Falta de Recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre Bases de Cálculo Estimadas, pertinentes ao anocalendário de 2009. A Contribuinte reconheceu o crédito tributário relativo às glosas das despesas referentes à “Doação à Fundação Herman Hering” (item 3.3.4), no valor de R$2.316.000,00 (tanto na apuração da base de cálculo do IRPJ quanto na base de cálculo da CSLL), e à multa indedutível contabilizada na conta 4214008, no valor de R$6.637,87 (item 3.3.3), esta última reconhecida apenas no que se refere ao IRPJ, e impugnou as demais infrações relatadas no Termo de Verificação Fiscal. Entretanto, verificouse que o valor de R$1.522.753,88, correspondente à infração descrita no item 3.3.1 do Termo de Verificação Fiscal – glosa de despesas com Juros de CSLL – não foi incluído na determinação da base de cálculo anual do IRPJ e da CSLL. Constatouse, ainda, que também não foram incluídos na determinação da base de cálculo anual da CSLL os valores de R$2.650.152,22 e R$23.306.789,31, referentes às infrações relatadas nos itens 3.2.1 (Gratificações pagas aos administradores) e 3.3.5 (Pagamento de dívida ativa – princípio da competência), do Termo de Verificação Fiscal, respectivamente. Fl. 6976DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 789 11 Dessa forma, esta 2ª Turma da DRJ/Salvador decidiu, por unanimidade, converter o julgamento do processo em diligência com base no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, para que seja verificado se seriam aplicáveis ao presente caso as disposições do art. 41, § 1º, inciso I, alínea “b”, e § 4º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011." Após a verificação do despacho de diligência, a Autoridade Fiscal procedeu lançamento complementar (fls. 966/986) ao presente Auto de Infração nos seguintes termos: A contribuinte apresenta outra impugnação ao lançamento complementar de janeiro de 2014 (fls. 999/1035) originando o Processo 13971.720.163/201481, já apensado a este processo conforme fl. 989, TVF e Auto de Infração fls. 966/986. Em seguida a DRJ de Salvador profere v. acórdão (fls. 1171/1279) analisando os dois processos em conjunto, cancelando parcialmente as exigências fiscais. A DRJ afastou a glosa dos créditos relativos aos pagamentos de honorários realizados aos administradores deduzidos da base de calculo da CSLL item 3.2, afastou a glosa de pagamentos realizados a titulo de direitos autorias deduzidos da base de calculo da CSLL por ausência de previsão legal na legislação da CSLL (item 3.3.2), reconheceu a dedução dos juros e encargos legais incorridos no anocalendário de 2009 com relação aos débitos da COFINS incluídos no REFIS IV (item 3.3.1), afastou a tributação referente à compensação de prejuízo fiscal em relação ao IRPJ, retificou a base de cálculo negativa da CSLL (Item 3.4 do TVF) e por consequencia realizou o recalculo da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo das estimativas. Em relação a infração de 3.3.5 Pagamento de Dívida Ativa em descumprimento ao regime de competência, a DRJ reduziu/recalculou uma pequena parcela relativa aos juros acumulados e encargos legais. Em relação ao não reconhecimento do saldo de base de cálculo negativa da CSLL que era da empresa incorporada, a DRJ entendeu que a Recorrente não teria comprovado Fl. 6977DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 790 12 nos autos que ficou com os 100% do saldo após as operações de cisão em 1997 e a incorporação em 1999 e, por tal motivo, manteve a porcentagem apontada na diligência de 11,49% que corresponde ao importe de R$ 18.896.816,64 Manteve o restante das exigências dispostas nos dois lançamentos. Por fim interpôs Recurso de Ofício. A atuada apresenta Contrarazões de Recurso de Ofício de fls. 1429/1444 requerendo a manutenção da parte cancelada e as fls. 1447/1514 interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegações feitas na impugnação e junta diversos documentos que foram anexados aos autos às fls. 1515/5319. No Recurso Voluntário, a contribuinte Recorrente reiterou as alegações da impugnação e trouxe aos autos documentos para comprovar suas alegações. Resumidamente a Recorrente alega: 1 que é indevida a glosa dos valores pagos à titulo de juros sobre capital próprio; 2 aduz que são dedutíveis os valores pagos aos diretores à titulo de PLR, 13 salário, 1/3 de férias como verbas componentes da remuneração mensal. 3 alega que são dedutíveis as despesas incorridas no anocalendário de 2009, sendo que as despesas com juros devidos pelo atraso do pagamento da CSLL devem ser deduzidas da base de calculo da CSLL ou na apuração do lucro real. 4 afirma que o CARF/MF tem competência para analisar a ilegalidade de atos normativos infralegais e que no presente caso a IN da SRF 390/2004 utilizada para regulamentar as despesas não dedutíveis na apuração da base de calculo da CSLL, afronta a Lei 7.689/88 e por isso as disposições da instrução normativa são ilegais. 5 aduz que as despesas com representação da empresa (almoços com clientes) são dedutíveis da base de calculo da CSLL e apresenta comprovantes dos gastos no documento 4 anexo ao recurso. 6 afirma que a glosa referente a "outras despesas" que foram deduzidas da base da CSLL não deve persistir, eis que são gastos com empresas pertencentes ao grupo e junta aos autos comprovantes de pagamentos das despesas (doc. 5 acostado junto ao recurso). 7 Alega não ter lançado despesas com débitos de COFINS no ano calendário de 2009 e que os únicos valores apropriados fiscalmente foram os encargos incidentes sobre os débitos, no valor de R$ 4.608.973,18 que são despesas dedutíveis e apuradas efetivamente em 2009 pelo regime de competência, que se referem aos juros de 2009 e encargos legais devidos pela adesão ao REFIS no mesmo ano de 2009. (infração 3.3.5). 8 Afirma que existia saldo de base negativa da CSLL em montante suficiente para suportar as operações realizadas no ano de 2009. Explica que as operações societárias ocorreram da seguinte forma: Fl. 6978DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 791 13 Em 1997 a Cia Hering S.A. (CNPJ 82.639.136/000144), controladora das companhias Hering Textil S.A. (CNPJ 78.876.950/000171) e Ceval Alimentos S. A. (CNPJ 84.046.101/000193), após as deliberações societárias cindiram parcialmente a Cia Hering S.A. (doc.9). Aduz em síntese que apenas o capital investido pela Cia Hering S.A. (empresa cindida) na empresa Ceval Alimentos S.A. seria vertido em favor da nova empresa criada Ceval Participações S.A., conforme se comprova pelo Protocolo de Justificação de Cisão e pela Ata de Assembléia Extraordinária realizada entre os acionistas da empresa (docs. 9 e 10). Com a operação de cisão parcial em comento (no qual só foi cindida parcela de seu investimento), a empresa Cia Hering S.A. permaneceu com o saldo de base negativa de CSLL no montante de R$ 120.538.516,13 (valor apurado em 31/12/1997). Em 1999, a Cia Hering S.A. passou por uma nova reestruturação societária, de modo que a Cia Hering S.A. (CNPJ 82.639.139/000144) foi incorporada à Hering Textil S.A. (CNPJ 78.876.950/000171). Após a operação de incorporação, alterouse a denominação da empresa Hering Textil S.A. para Cia Hering S.A. Com a referida operação de incorporação, a Hering Textil S.A. (atual Cia Hering S.A.) incorporou também o saldo de base negativa de CSLL, no montante de R$ 118.120.635,64. Junta documentos que, segunda a Recorrente, demonstram que ficou com o saldo negativo de CSLL no importe de R$ 120.538.516,13 apurado em 31/12/1997, descordando do v. acórdão recorrido que decidiu que a empresa após a cisão a Cia Hering (CNPJ 82.639.139/000144) tinha ficado com 11,49% do saldo da base negativa da CSLL, proporcional ao patrimônio liquido remanescente, saldo este que depois foi transferido para a autuada. Aduz que o saldo de base negativa de CSLL permaneceu integralmente com a Cia Hering S.A. CNPJ 82.639.136/000144 e posteriormente foi incorporado pela Hering Textil S.A. CNPJ 78.876.950/000171, atual Cia Hering S. A. Recorrente. Acostou junto ao Recurso Voluntário diversos documentos de fls. 1515/5319, dentre os quais temos Protocolo de Cisão Parcial (doc. 9), Ata de Assembléia Geral Extraordinária (doc. 10), Laudo de Avaliação da Trevisan Auditores Independentes relativo ao patrimônio que foi retirado da empresa cindida constante no Protocolo de Justificação (doc. 11), DIPJs de 1991 do anocalendário 1990 até o ano de 2002 dos CNPJs 78.876.950/00071 e 82.639.139/000144 da Cia Hering, cópia do LALUR B e Laudo da KPMG elaborado com base no LALUR parte B, DIPJs e telas do sistema SAPLI da RFB de forma que o salda da base negativa da CSLL foi recomposto desde o ano de 1996 até o ano de 2010 quando foi integralmente recompensado pela Recorrente (docs. 12 fls. 1677/2695, 13, 14 e 15). Apresenta informações societárias, contábeis e financeiras acompanhadas do Laudo da Auditoria Independente da KPMG que segundo a Recorrente comprova que ficou com o saldo de base negativa da CSLL mesmo após as operações de cisão ocorrida em 1997 e incorporação em 1999. Fl. 6979DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 792 14 Alega também que a decisão judicial transitada em julgado que afastou a aplicação dos artigos 32 e 33 do Decreto Lei 2.341/1987 antes da edição da Medida Provisória 1.8586 e garantiu a utilização de 100% do saldo da base negativa da CSLL para fins de aproveitamento pela empresa incorporada e retirou a limitação da utilização do saldo da base negativa da CSLL até o limite do patrimônio liquido remanescente pela empresa cindida, foi totalmente restringida e ignorada pela DRJ, que proferiu o v. acórdão "a quo" entendendo que há de prevalecer a mesma proporção da cisão parcial do patrimônio liquido, uma vez que a Recorrente não teria comprovado que permaneceu com a totalidade do saldo. Face os motivos acima apontados, requer a recomposição dos saldos de base negativa da CSLL, bem como a compensação do lucro apurado no ano de 2009, eis que permaneceu com a integralidade do saldo da base negativa da CSLL no importe de R$ 118.120.635,64, após a operação de cisão e posteriormente incorporação realizadas entre as empresas Hering Textil S.A. e a Cia Hering S.A. Apresenta planilhas em seu recurso que segunda a Recorrente demonstram ser suficientes o saldo de base negativa da CSLL para as compensações realizadas no ano de 2009. 9 Alega a impossibilidade de aplicação da multa isolada concomitante com a de ofício. 10 Alega a impossibilidade da exigência da multa isolada após o encerramento do anocalendário. 11 Alaga não ser legítimo a incidência de juros de mora atualizado pela Taxa Selic sobre a multa de ofício. Juntou também Planilha de Composição de Débitos da COFINS incluídos no REFIS (doc. 06), Documentos de adesão ao REFIS (doc. 07), Documentos contábeis (Razão) do Lançamento de despesas com juros e encargo legal de débitos da COFINS no ano calendário de 2009 (doc. 8), entre outros vários documentos constantes às fls.1515/5319. Requer seja o Recurso Voluntário conhecido e provido integralmente para reformar o v. acórdão parcialmente, cancelando totalmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração. Por fim, requer o julgamento conjunto do processo principal 13971.721.769/2012/71 com o do lançamento complementar PAF 13971.720.163/201481. Em seguida esta C. Turma Ordinária decidiu converter o julgamento dos recursos em diligência nos seguintes termos: Pagamento da dívida ativa – Princípio da Competência:RV A Recorrente contesta a glosa das despesas de Cofins, no valor de R$23.306.789,31, por ter a autoridade fiscal considerado que tal montante – referente a débitos de Cofins, dos meses de outubro de 1999 a abril de 2003, inscritos em dívida ativa e integralmente pagos em novembro de 2009 – teriam sido deduzidos pela pessoa jurídica na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano de 2009, indevidamente, tendo em vista que, por não se tratar de hipótese de suspensão de Fl. 6980DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 793 15 exigibilidade, à luz do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, a dedução dessas despesas deve seguir a regra geral, ou seja, o regime de competência. Alega a Recorrente, ter escriturado como despesa o valor atualizado do débito pago de acordo com as regras do “REFIS IV”, no montante de R$23.306.789,31 (composto por R$18.697.816,13, relativo ao saldo em 31/12/2008, acrescido dos juros/encargos apurados no ano de 2009, que totalizaram R$ 4.608.973,18). Todavia, afirma que teria adicionado ao lucro líquido no LALUR o valor de R$18.697.816,13, de modo que apenas a quantia de R$4.608.973,18, referente aos encargos e atualização do débito é que teriam sido deduzidos do lucro líquido, na apuração do lucro real do anocalendário de 2009. Acrescenta que, caso se reconheça o suposto erro, apenas em relação à despesa, estaria oferecendo à tributação não somente o valor da despesa glosada (R$23.306.789,31), mas também da adição que aumentou o lucro fiscal do período (R$18.697.816,13), de modo que o valor tributado seria de R$42.004.605,44. A Recorrente alega incessantemente que o valor de R$ 18.697.816,13 foi escriturado no LALUR, mas não indica precisamente qual a rubrica, página ou linha que consta o montante. Todavia, de uma análise mais acurada dos documentos acostados aos autos, desde a impugnação, constatei que na rubrica 5.5 do LALUR (fls.237/274 fl. 38 do arquivo) consta o valor de R$ 19.237.681,04, com o título de "Redução conforme a Lei 11.941" onde, provavelmente, deve estar escriturado o montante de R$ 18.697.816,13, alegado pela Recorrente. Vejamos no quadro abaixo colacionado, o qual extraí da cópia do LALUR (fls. 237/274 fl. 38 do arquivo), onde aparece o valor de R$ 19.237.681,04 escriturado como " Redução conforme Lei 11.941": Fl. 6981DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 794 16 Ocorre que a rubrica 5.5 não foi aberta, dificultando a verificação da escrituração dos R$ 18.697.816,13 no respectivo LALUR. Assim, para que se possa verificar que o valor de R$ 18.697.816,13 foi realmente escriturado no LALUR, conforme exaustivamente alegado pela Recorrente, entendo ser necessária a demonstração detalhada da composição do montante apontado na rubrica 5.5 do livro, mediante indicação das contas contábeis que abrigam os lançamento. Entendo que esta informação é de extrema importância, eis que se constatado que a Recorrente adicionou os R$ 18.697.816,13 na rubrica 5.5 do LALUR, restaria comprovado que tal valor já tinha sido oferecido a tributação e, nesta hipótese, o AI estaria cobrando o respectivo valor duas vezes, o que não se pode admitir. Desta forma, face aos motivos acima apontados, voto em converter o julgamento em diligência, para que: 1 Seja a Recorrente notificada a apresentar, dentro do prazo de 30 dias, a composição detalhada dos valores escriturados na rubrica 5.5 do LALUR, mediante a indicação das contas contábeis que abrigam o lançamento, para que se possa identificar, dentre eles, se realmente consta a alegada quantia de R$ 18.697.816,13. 2 Ato contínuo, remetamse os autos ao Agente Fiscal da Unidade Local, para que analise a documentação fornecida pela Contribuinte e elabore Relatório Circunstânciado, indicando se realmente consta, ou não, o valor de R$ 18.697.816,13 na rubrica 5.5, conforme alegado na peça recursal. 3 Em seguida, intime a Contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 dias, sobre o Relatório Circunstânciado elaborado pelo Agente Fiscal. Por fim, retornemse os autos à esta C. 2ª Turma Ordinária, para que se de continuidade ao julgamento dos recursos. Em seguida a Recorrente apresentou manifestação de fls. fls. 5357/5365 e junta documentos aos autos. Ato contínuo, foi acostado aos autos o Relatório de Diligência (fls.6716/6717), informando que o valor de R$ 18.697.816,13 não consta na rubrica 5.5 do LALUR. Fl. 6982DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 795 17 A Recorrente apresenta nova petição se manifestando sobre a diligência. (6919/6921). Ato contínuo, esta C. Turma decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal analisasse os novos documentos costados aos autos pela Recorrente em relação a infração tratada no tópico 3.5.5 relativa a pagamento de Dívida Ativa, em desconformidade ao regime da competência. (Resolução de fls. 6931/6946). O Auditor Fiscal respondeu a diligência da seguinte forma: Preliminarmente, em relação ao saldo da base de cálculo negativa da CSLL após as operações de cisão e incorporação, ficou demonstrado na autuação que, a despeito do que previa a legislação, apesar de não constar dos protocolos de cisão qualquer deliberação especial acerca do destino do referido saldo, ele remanesceu na autuada. A permissão para tanto deveria estar em dispositivo especial nos contratos de cisão, o que não foi feito. Logo, o saldo total ficou com a autuada, como comprovam os registros no LALUR, repiso, contrariando legislação vigente. Registrese que já houve diligência sobre o “22440299 – Cofins – Reversão” (Docs. 04, 05 e 06). Segundo a contribuinte, o efeito líquido no passivo das contas “22440203 – Cofins a Recolher – assunto, cuja Informação Fiscal, está em fls. 802 e 803, seguida dos elementos coletados. Em relação aos demais argumentos trazidos pela contribuinte, resumidamente, a contribuinte alega que os débitos de COFINS originários dos PAF’s nº 13971.003925/200751 e 13971.001144/200722 (período de 10/99 a 01/03, com exceção dos meses de 12/00, e 06/01 a 12/01) foram inscritos em DAU, em 2008. Afirma que neste mesmo ano de 2008 o valor de R$ 18.697.816,13 já estava reconhecido no passivo pela Recorrente na conta contábil “22440203 – Cofins a Recolher – 1%”, conforme indicado no Doc. 3 acostado a manifestação. Aduz, que, naquele mesmo ano, por acreditar no êxito da discussão judicial acerca da inexigibilidade dos referidos débitos de COFINS, “reverteu” o montante anteriormente reconhecido no seu passivo, contabilizando o valor de R$ 18.697.816,13 a crédito no resultado em contrapartida a débito na conta do passivo, especificamente, na conta denominada 1%” e “22440299 – Cofins – Reversão” ficou igual a zero. Assim, para que tal reversão contábil não gerasse efeito fiscal, excluiu em 2008 o valor R$ 18.697.816,13 da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, passando a controlar o saldo na Parte B do LALUR (Doc.07 – pp. 3, 5 e 6 e Doc.08). Em seguida, em 2009, por força de sua adesão ao REFIS DA CRISE, Lei nº 11.941/09, a contribuinte desistiu da discussão judicial dos débitos de COFINS. Fl. 6983DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 796 18 Assim, segundo a contribuinte, após a adesão ao REFIS, procedeu à anulação da reversão contábil efetuada em 2008, creditando o valor de R$ 18.697.816,13 na conta de passivo “22440299 – Cofins – Reversão” para zerar o seu saldo (Doc.10) e debitou o mesmo valor na conta de passivo “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” (Doc.11 – 1º lançamento do dia 23/11/09), de tal forma que ambas as contas passaram a ter um saldo zero no passivo. Posteriormente, a contribuinte fez transitar pelo resultado o pagamento do débito atualizado até novembro de 2009, no valor de R$ 23.306.789,31, como despesa (ou seja, a débito) no resultado de 2009. Considerando que no valor de R$ 23.306.789,31 está contido o montante de R$ 18.697.816,13 (vez que o primeiro se refere à atualização do débito até o mês de novembro de 2009 e o segundo se refere à atualização deste mesmo débito até dezembro de 2008) e que a dedutibilidade desse valor já foi realizada em períodos anteriores, a fim de evitar qualquer prejuízo ao Fisco, a contribuinte alega ter realizado a adição ao lucro real e a base de cálculo da CSLL do valor de R$ 18.697.816,13 (Doc.01 – págs. 1, 4 e 5), em contrapartida ao “zeramento” do saldo controlado na Parte B do LALUR (Doc.15), gerado em razão da exclusão efetuada deste mesmo valor em 2008. Deste modo, teria anulado, no ano de 2009, o efeito do valor da despesa de R$ 18.697.816,13, vez que o adicionou na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contra a baixa do saldo da Parte B do LALUR. Alega que ao registrar como despesa no resultado o valor de R$ 23.306.789,31 e ao adicionar ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o valor de R$ 18.697.816,13, a Recorrente gerou o efeito fiscal de dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL efetivo, no ano de 2009, apenas referente à diferença no valor de R$ 4.608.973,18, que corresponde exatamente à diferença entre o mesmo débito tributário atualizado até novembro de 2009 (no valor de R$ 23.306.789,31) e até dezembro de 2008 (no valor de R$ 18.697.816,13), ou seja, correspondente aos juros e encargos legais incorridos em 2009, respeitando assim o regime de competência. Eis o Relatório Circunstanciado. Esta fiscalização não tem outros dados a acrescentar. Qualquer manifestação acerca dos argumentos e provas trazidos aos autos até o presente momento, seria, em minha humilde opinião, invasão na seara do julgamento. Em seguida a Recorrente se manifestou sobre a diligência, alegando que na diligência o Auditor Fiscal concordou que a autuada ficou o totalidade do saldo de base Fl. 6984DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 797 19 negativa de CSLL, no importe de R$ 109.958.134,18 após as operações de incorporação e cisão, afastando a limitação relativa ao teto do patrimônio liquido remanescente imposta pela DRJ em seu acórdão recorrido. Em relação a infração relativa a adição do valor de R$ 18.697816,13 no ano de 2009, relativa a pagamento da Divida Ativa da União em desconformidade ao regime de Competência, alega que como o Auditor Fiscal não apresentou os pontos com os quais não concorda e concluiu que "não tem outros dados a acrescentar", não se opôs ao que restou afirmado pela autuada nos autos, o que de maneira indireta concordou com as considerações feitas pela Recorrente sobre esta infração. É o relatório. Fl. 6985DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 798 20 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Matérias Não Impugnadas: A Autuada reconhece estar correta a glosa da quantia de R$2.316.000,00, referente à “Doação à Fundação Hermann Hering”, tanto no Auto do IRPJ quanto no Auto de CSLL. Concorda, também, com a glosa no valor de R$6.637,87, referente a “Multas Indedutíveis Conta 4214008”, apenas no tocante ao Auto do IRPJ. Apresenta os comprovantes de pagamento dos débitos de IRPJ e CSLL não impugnados, nos montantes de R$ 945.313,64 (Doc. 07) e de R$339.340,32 (Doc. 08), respectivamente, acostados na impugnação. Sendo assim, tais matérias não serão analisadas no julgamento dos recursos, devido à constatação de seu pagamento, devendo ser apartado o lançamento relativo a estes créditos. Passo aos recursos. Ambos recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual conheço do Recurso de Ofício e do Voluntário. Inicio com a infração que ocasionou mais discussão nos autos e que é matéria recorrida por meio de Recurso Voluntário. Recurso Voluntário: Da utilização dos 100% do Saldo de Base Negativa da CSLL após a operação de cisão e incorporação: Inicialmente, para evitar equívocos, cumpre destacar que a acusação de que a Recorrida teria utilizado quantia a maior do que o registrado no Sapli, no anocalendário de 2008 de saldo de base de cálculo negativa de CSLL para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009 (REFIS IV), não se confunde com a acusação relativa à insuficiência ou não reconhecimento do saldo de base negativa de CSLL que a Recorrente teria adquirido nas operações de cisão e incorporação. A primeira acusação que foi cancelada pelo v. acórdão e deve ser analisada no Recurso de Ofício exigia a diferença de R$ 33.264.958,16 existente entre os R$ Fl. 6986DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 799 21 138.402.959,41 de saldo de base negativa da CSLL existente no Sapli e os R$ 171.667.917,57 que a fiscalização achou que a Recorrente tinha utilizado para pagamento do tributo por meio do REFIS IV. A Fiscalização achou que a Recorrente teria utilizado R$ 171.667.917,57 de saldo de base de cálculo negativa da CSLL, saldo este maior do que existia nos sistemas da RFB, no importe de R$ 138.402.959,41, decidindo então glosar a diferença no importe de R$ 33.264.958,16 (R$ 171.667.917,57 R$ 138.402.959,41 = R$ 33.264.958,16). Posteriormente, restou comprovado nos autos que a Recorrente teria utilizado o saldo de base negativa até o limite de R$ 138.402.959,41 para pagamento dos processos administrativos 13971.001075/200412, 13971.001144/200722 e 13971.003925/200751 cancelando assim a exigência dos R$ 33.264.958,16, sobrando R$ 255.940,05 de saldo de base de cálculo negativa para utilizar. A Fiscalização descontou este valor restante de R$ 255.940,05 dos R$ 27.464.741,43 que está sendo exigido na segunda acusação relativa a falta de comprovação de que teria ficado com 100% do saldo de base negativa de CSLL na operação de cisão e incorporação, restando o valor exigido de R$ 27.208.801,38 . A segunda acusação tratouse da utilização pela Recorrente de R$27.464.741,43 para compensar a base de cálculo de CSLL do anocalendário 2009 DIPJ/2010. Dessa forma, todo o valor compensado na DIPJ/2010 (R$27.464.741,43) foi considerado como compensação indevida, e é esta acusação que estamos tratando agora. Lembrando que após o cancelamento da primeira acusação a Fiscalização deduziu o montante que restou de saldo de base negativa de R$ 255.940,05, restando o valor R$ 27.208.801,38. A exigência deste valor de R$ 27.208.801,38 pode ser cancelada se comprovado que a Recorrente ficou com os 100% da base de saldo negativo da empresa incorporada. Vejamos a parte do v. acórdão que tratou deste assunto: "Por outro lado, da análise dos argumentos no sentido de que os valores descontados de bases de cálculo negativas de CSLL a título de pagamento no Refis IV totalizaram apenas R$138.402.959,41, de modo que a diferença para os R$171.667.917,57 (no valor de R$33.264.958,16) referese a glosas realizadas em decorrência da desistência no PAF nº 13971.002328/200548, reitero os mesmos fundamentos expostos anteriormente neste voto, quando foi examinada a glosa referente à compensação indevida de prejuízo fiscal. Em outras palavras, não há evidência nos autos, como também, não há registro nos sistemas de controle da RFB, pesquisados, que confirmem a utilização das bases de cálculo negativas em Fl. 6987DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 800 22 discussão, no montante de R$33.264.958,16, devendo ser acolhidos os argumentos da Impugnante no sentido de que este valor se refere à baixa das bases de cálculo negativas, em decorrência das glosas efetuadas no Auto de Infração de que trata o processo nº 13971.002328/200548, mantidas na decisão da DRJ/Florianópolis, que resultaram em redução das bases de cálculo negativas dos períodos autuados, cujos ajustes foram devidamente procedidos pela RFB no sistema Sapli, mas que a Contribuinte somente veio a proceder, em seus controles de bases de cálculo negativas acumulados, em 2009, quando desistiu do referido PAF, a fim de incluir, no parcelamento concedido nos termos da Lei nº 11.941, de 2009, os débitos relativos aos lançamentos de CSLL, dos anoscalendário de 2000 e 2003, mantidos na aludida decisão. As bases de cálculo negativas de CSLL, cuja utilização para liquidação de débitos nos termos da MP 470/2009 e da Lei nº 11.941/2009 restou demonstrada, importam nos montantes de R$77.273.932,41 (para liquidar débitos constantes do processo nº 13971.001075/200412) e de R$61.129.027,00 (para liquidar juros referentes aos débitos constantes dos processos 13971.001144/200722 e 13971.003925/200751) totalizando R$138.402.959,41, tal como arguido pela Impugnante. Assim, o valor das bases de cálculo negativas de CSLL utilizado para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, constante do Auto de Infração do IRPJ, deve ser retificado de R$171.667.917,57 para R$138.402.959,41. Deduzindose do saldo de bases de cálculo negativas de CSLL acumulado no anocalendário de 2008, no montante de R$138.658.899,46, registrado no Sapli, o valor de R$138.402.959,41, utilizado para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, remanesce a quantia de R$255.940,05. Como foi utilizado o montante de R$27.464.741,43, para a compensação com a base de cálculo da CSLL apurada no anocalendário de 2009, efetuada na DIPJ/2010, houve insuficiência de R$27.208.801,38, sobre a qual deve ser mantida a tributação." Passo a analisar se a Recorrente ficou com 100% do saldo de base de cálculo negativa da CSLL após as operações de cisão e incorporação, para reconhecer ou não a compensação feita no ano de 2009 relativa ao valor de R$ 27.208.801,38. Ao compulsar os autos, verifiquei que existe um ponto a ser preliminarmente esclarecido antes de serem julgadas as alegações de mérito dos outros pontos dispostos nos respectivos recursos. A Recorrente acostou diversos documentos ao Recurso Voluntário (fls. 1515/5319) que comprovam que ficou com a totalidade do saldo de base negativa da CSLL após as operações de cisão e a incorporação. Dentre a enorme quantidade de documentos acostados às fls. 1515/5319, destaco os docs. 9 a 15 (fls. 1649/5319), que tratam de demonstrar que a Recorrente ficou com Fl. 6988DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 801 23 a totalidade do saldo de base negativa da CSLL, refutando os fundamentos da infração de maior valor, mantida pelo v. acórdão recorrido. Vejamos. O v. acórdão decidiu que a Recorrente não teria comprovado que tinha ficado com o saldo da base negativa da CSLL após a operação de cisão e incorporação, julgando então no sentido de que havia insuficiência de R$ 27.208.801,38 para serem compensados e, por tal motivo, manteve a tributação e a conseqüente glosa. Os julgadores que proferiram o v. acórdão recorrido, após analisarem a decisão judicial transitada em julgado que afastou a aplicabilidade do artigo 33 do Decreto Lei nº 2.341/87, antes da vigência da MP nº 1.8586/99, entenderam que a Recorrente não teria conseguido comprovar que tinha permanecido com 100% do saldo de base negativa da CSLL, após as operações de cisão e incorporação, nos seguintes termos: "A Impugnante, primeiramente, alega que a RFB desconsiderou integralmente o saldo de base de cálculo negativa de CSLL, no montante de R$118.120.635,64, apropriado pela Cia Hering quando da incorporação da Cia Hering (CNPJ 82.639.139/0001 44), em 1999, por entender que a Recorrente não teria direito à apropriação efetuada, motivo pelo qual impetrou o Mandado de Segurança nº 2004.72.05.0008833, para o reconhecimento do seu direito, obtendo êxito na demanda judicial, tendo a decisão favorável transitado em julgado em 08/03/2010. Em segundo lugar, assegura que os valores descontados a título de pagamento no Refis IV totalizaram apenas R$138.402.959,41, de modo que a diferença para os R$171.667.917,57 (no valor de R$33.264.958,16) referese a glosas realizadas em decorrência da desistência no PAF nº 13971.002328/200548, e ocorreu em virtude dos mesmos motivos que ensejaram a divergência ocorrida com relação à apuração do prejuízo fiscal, já relatados. A questão relativa à alegada desconsideração de base de cálculo negativa de CSLL, no valor de R$118.120.635,64, apropriado pela Cia Hering quando da incorporação da Cia Hering (CNPJ 82.639.139/000144), ensejou a realização da diligência, determinada por meio do despacho de fls. 792 a 799, da qual resultou a documentação de fls. 802 a 960. Na Informação Fiscal, elaborada por ocasião da diligência realizada, respondendo aos quesito formulados no despacho de diligência, afirmou a Autoridade Fiscal que o valor das bases de cálculo negativas de CSLL que a Contribuinte poderia apropriar, oriundo da incorporação ocorrida em 1999, é de R$18.896.816,64, valor este, deferido para transferência para terceiros no âmbito do Refis (menciona os números dos processos). Explica que o montante de R$18.896.816,64, resultante da aplicação do percentual de 11,49% sobre o valor de R$109.985.134,18 (saldo da base de cálculo negativa da CSLL existente em 1997 – ano da cisão parcial), sendo 11,49% o percentual do patrimônio líquido remanescente na incorporada após a cisão parcial), tendo em vista a ausência de qualquer determinação especial no sentido de mudar a proporção da base de cálculo negativa da CSLL, na Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 11/09/1997 e na Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 22/09/1997 (continuação da primeira) – fls. 834 e 835 – em que constam as condições da cisão. Conclui a Autoridade Fiscal que não há alteração a ser feita nos saldos de base de cálculo negativa de CSLL registrados no Sapli, considerados no auto de Infração da CSLL. Fl. 6989DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 802 24 A Impugnante, por sua vez, manifestouse arguindo que o entendimento da RFB, tanto na análise dos processo referentes à cessão de base de cálculo negativa da CSLL, quanto na Informação Fiscal, contraria a decisão judicial transitada em julgado, já que mantém a restrição contida no parágrafo único do art. 33 do DecretoLei nº 2.341, de 1987, que havia sido afastada, lhe garantindo a utilização do saldo de base de cálculo negativa de CSLL sem qualquer restrição, quando da operação de cisão em 1997, ficando, portanto, com 100% do saldo de base de cálculo negativa de CSLL em seu patrimônio líquido. Também, considera absurda a alegação de que deve comprovar que a incorporada ficou com a totalidade do saldo de base de cálculo negativa de CSLL, na ocasião da cisão parcial. É certo que a decisão judicial transitada em julgado impediu a aplicação, à CSLL, da vedação de aproveitar créditos oriundos de base de cálculo negativa pela sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão, prevista no artigo 33 do DecretoLei nº 2.341, de 1987, antes da entrada em vigor da MP nº 1.8586, de 30 de agosto de 1999, que em seu art. 20, assim dispõe: MP nº 1.8586/99 [...] art. 20 . Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei no 2.341, de 29 de junho de 1987. Decretolei nº 2.341/87 [...] art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Entretanto, da análise dos documentos inseridos nos autos, pertinentes ao assunto em discussão, e da principal argumentação da Impugnante, entendo que a sua interpretação sobre a extensão do direito que a decisão judicial lhe concedeu não pode prosperar, pois, como restou claro na própria decisão judicial, a inaplicabilidade, à CSLL, da restrição contida no parágrafo único do art. 33 do Decreto nº 2.341, de 1987, não retira a necessidade de comprovação do saldo de bases de cálculo negativas que permaneceu com a Cia Hering (CNPJ 82.639.139/000144), posteriormente, incorporada pela Impugnante. Portanto, a convicção no sentido de que, em virtude da cisão parcial ocorrido em 1997, a Cia Hering (CNPJ 82.639.139/000144) ficou com 11, 49% do saldo de bases de cálculo negativas existentes até a data daquele evento, ou seja, proporcional ao patrimônio líquido remanescente, saldo este, posteriormente transferido para a Impugnante (Cia Hering CNPJ 78.876.950/000171), fundamentase, não na questionada aplicação da restrição contida no art. 33 do Decretolei nº 2.341, de 1987, mas sim na falta de comprovação de que mesmo com a cisão parcial a Cia Hering (CNPJ Fl. 6990DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 803 25 82.639.139/000144) permaneceu com a totalidade do saldo de bases de cálculo negativas de CSLL apuradas até então, tendo em vista a ausência, na Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 11/09/1997 e na Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 22/09/1997 (continuação da primeira), em que constam as condições da cisão, de qualquer determinação especial no sentido de mudar a proporção da base de cálculo da CSLL. Logo, há de prevalecer a mesma proporção da cisão parcial do patrimônio líquido, pois, se assim não fosse, a nova empresa surgida com a cisão havida em 1997 (Ceval Participações SA), e que ficou com 88,51% do capital cindido, numa eventual incorporação por outra empresa, e com base em decisão judicial da mesma natureza, teria o direito de absorver também os 100% do saldo de bases de cálculo negativas de CSLL, resultando duplicidade no aproveitamento da base de cálculo negativa de CSLL. [...] Como se vê, a questão já está decidida pelo acórdão do TRF da 4ª Região, que afastou a carência de ação, reconhecida pela sentença monocrática, por não ter a impetrante apresentado "prova da permanência do valor integral da base de cálculo negativa da CSLL, no patrimônio líquido da empresa cindida", mas determinou a comprovação na esfera administrativa ["Assim, a apresentação da documentação será feita na via administrativa quando da efetivação da compensação”; "O afastamento da preliminar se deve pelo fato de que a apresentação dos documentos exigidos pela Administração para reconhecimento dos créditos não é requisito essencial para verificação do interesse processual no presente mandado de segurança. Utilizando as próprias palavras da recorrente em seu apelo, em que pese esta decisão fundarse a declaração da existência de tal direito pela falta de prova na ação mandamental, uma vez obtido o direito de mérito principal, poderá a detentora do direito [direito ao aproveitamento de créditos referentes à base de cálculo negativa pela sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão] demonstrálo no momento oportuno já que de cunho declaratório em razão do exercício do direito no ato da cisão, fato que não prejudica a decisão de mérito que foi justamente prolatada pelo MM Juízo de origem segundo o convencimento do mesmo]. Assim, como a Impugnante não comprovou/demonstrou administrativamente que, mesmo com a cisão parcial, a sua incorporada permaneceu com "a totalidade dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL apuradas até então", passíveis de lhe serem transferidos por ocasião da incorporação em 1999, não há que se falar em descumprimento da decisão judicial. Dessa forma, não há qualquer alteração a fazer no saldo de bases de cálculo negativas de CSLL controlado no sistema Sapli e considerado no Auto de Infração da CSLL, em virtude da argumentação exposta na Impugnação, acerca de não reconhecimento de supostos saldos apropriados em decorrência da incorporação da Cia Hering." Ou seja, a decisão recorrida reconhece o êxito da Recorrente no judiciário para afastar a aplicação do artigo 33 do Decreto Lei 2.341/87 e em cumprimento à ordem judicial não discute o mérito da aplicabilidade dos referidos dispositivos no presente caso, mas mantém a exigência por entender que a autuada deveria comprovar que tinha ficado com a totalidade deste saldo de base negativa da CSLL para utilizálo na compensação com a base de calculo da CSLL no ano de 2009. Fl. 6991DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 804 26 Por tal motivo, o valor compensado na DIPJ/2010 foi mantido como compensação indevida eis que, segundo o v. acórdão, a Recorrente não tinha conseguido comprovar que tinha ficado com este saldo negativo e decidiu então negálo para declarar a inexistência do montante de R$ 27.208.801,38 utilizado para compensação. Ocorre que a Recorrente apresenta junto com seu Recurso Voluntário diversos documentos (docs. 8 à 15 fls. 1649/5319) que ao indicam que a autuada tem razão ao alegar que tinha ficado com os 100% do saldo de base negativa da CSLL. Os documentos são: Protocolo de Cisão Parcial (doc. 9), Ata de Assembléia Geral Extraordinária (doc. 10), Laudo de Avaliação da Trevisan Auditores Independentes relativo ao patrimônio que foi retirado da empresa cindida constante no Protocolo de Justificação (doc. 11), DIPJs de 1991 do anocalendário 1991 até o ano de 2002 dos CNPJs 78.876.950/00071 e 82.639.139/000144 da Cia Hering, cópia do LALUR B e Laudo da KPMG elaborado com base no LALUR parte B, DIPJs e telas do sistema SAPLI da RFB de forma que o saldo da base de cálculo negativa da CSLL foi recomposto desde o ano de 1996 até o ano de 2010 quando foi integralmente recompensado pela Recorrente (docs. 12 fls. 1677/2695, 13, 14 e 15). Vejam D. Conselheiros dentre os documentos, temos dois laudos, um da Trevisan e outro da KPMG, sendo que o primeiro analisou o patrimônio que foi retirado da empresa cindida constante no Protocolo de Justificação e o segundo foi elaborado com base no LALUR parte B, DIPJs e telas do sistema SAPLI da RFB de forma que o saldo da base negativa da CSLL foi recomposto desde o ano de 1996 até o ano de 2010, quando foi integralmente recompensado pela Recorrente (docs. 12 fls. 1677/2695, 13, 14 e 15). Tais documentos no meu entender demonstram que a Recorrente permaneceu com a integralidade do saldo da base de cálculo negativa da CSLL no importe de R$ 118.120.635,64, após a operação de cisão e posteriormente incorporação realizadas entre as empresas Hering Textil S.A. e a Cia Hering S.A. Ademais, após a conversão do julgamento em diligência (Resolução fls. 6931/6946), o Auditor Fiscal confirmou que apesar de não constar nos protocolos de cisão qualquer deliberação especial acerca do destino do referido saldo, ele remanesceu com a autuada, conforme registros no LALUR (fls. 6949/6953 página 3 Relatório Fiscal). Vejamos o parágrafo que tratou sobre este assunto na Resposta da Diligência. Preliminarmente, em relação ao saldo da base de cálculo negativa da CSLL após as operações de cisão e incorporação, ficou demonstrado na autuação que, a despeito do que previa a legislação, apesar de não constar dos protocolos de cisão qualquer deliberação especial acerca do destino do referido saldo, ele remanesceu na autuada. A permissão para tanto deveria estar em dispositivo especial nos contratos de cisão, o que não foi feito. Logo, o saldo total ficou com a autuada, como comprovam os registros no LALUR, repiso, contrariando legislação vigente. Registrese que já houve diligência sobre o assunto, cuja Informação Fiscal, está em fls. 802 e 803, seguida dos elementos coletados. Fl. 6992DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 805 27 De acordo com a manifestação do Auditor Fiscal, apesar de não constar no protocolo de cisão parcial deliberações no sentido de alterar a proporção do saldo de base negativa de CSLL a ser transferido, restou comprovado nos autos por meio de outros documentos, no caso o LALUR, que tais créditos permaneceram em sua totalidade com a Recorrente após a cisão. Assim, como restou comprovado nos autos que no âmbito da Administração Pública a Recorrente ficou com o saldo negativo de CSLL e a decisão judicial transitada em julgado, acima comentada, autoriza a Recorrente a utilizar a totalidade deste crédito, entendo que o pedido da Recorrente deve ser provido em respeito à determinação prevista na ordem judicial. Desta forma, com base dos documentos constantes nos autos, entendo que a Recorrente permaneceu com a integralidade do saldo de base negativa da CSLL, devendo a exigência do valor de R$ 27.208.801,38 ser cancelada integralmente. Juros sobre Capital Próprio Regime de Competência: Em relação a esta matéria, relativa ao pagamento dos juros sobre capital próprio desobedecendo o regime de competência, a C. Câmara Superior deste E. CARF/MF já pacificou seu entendimento no sentido de que é devida a glosa de determinados créditos. Vejamos a ementa do v. acórdão 1402000.204 de Relatoria do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, que tratou de matéria e situação fática análoga a dos autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O termo inicial para contagem do prazo decadencial nos casos de amortização de ágio tida como indevida corresponde à data em que a pessoa jurídica efetuou a dedução pela primeira vez. Não há que se falar em contagem da caducidade a partir da operação em que foi gerada o ágio pois, nesse momento, anda não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária como decorrência da dedução indevida. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando constatado dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo (STJ Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJ 18/09/2009). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PESSOAS LIGADAS. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação Fl. 6993DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 806 28 societária realizada entre pessoas ligadas, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES.VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL Os juros sobre capital próprio que são dedutíveis na apuração do resultado tributável são somente os que são pagos ou creditados individualizadamente a cada titular, sócio ou acionista a título de remuneração do capital. Não se enquadram como tal e são indedutíveis os juros pagos ou creditados que excederem ao que beneficiário teria direito de acordo com sua participação no capital social da empresa. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação. MULTA QUALIFICADA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ENTRE EMPRESAS LIGADAS SEM PAGAMENTO. Operações empreendidas no universo de um mesmo grupo econômico, com transferência de ações com sobrepreço para integralizar o capital social de uma empresa de papel, sem sacrifício de ativos, sem pagamento pelo sobrepreço, que foi criado artificialmente e especificamente para consumar o aproveitamento de uma despesa fictícia, implicam na presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e é apenado com a qualificação da multa de ofício. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa Fl. 6994DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 807 29 de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, ensejam a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. O v. acórdão "a quo", seguiu a mesma linha de entendimento da C. Câmara Superior em relação a matéria. Desta forma, em respeito ao entendimento consagrado pela C. Câmara Superior, adoto como motivação do meu voto os fundamentos do v. acórdão recorrido. Juros sobre Capital Próprio – Inobservância do Regime de Competência A primeira das infrações questionadas pela impugnante é aquela referente à inobservância do regime de competência na dedução dos juros sobre o capital próprio. A Fiscalização glosou a parcela de R$7.609.195,78, registrada contabilmente em 31/07/2009 e paga em 10/08/2009, referente a juros sobre capital próprio do ano de 2008, por considerar que tal procedimento afronta o regime de competência, condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados. Em sua impugnação a contribuinte argui a improcedência da glosa efetuada, por entender que os juros sobre o capital próprio dependem da deliberação dos titulares do capital para serem pagos, sendo essa deliberação o “fato gerador” para a determinação do exercício de competência dos juros pagos, sejam eles de períodos anteriores, sejam eles do próprio período em que se está procedendo ao crédito ou pagamento, e que não há vedação para dedução, no ano de 2009 das despesas com o pagamento dos juros apurados em anos anteriores, 2008, exceto se houver o efeito diverso. Traz à colação julgado do STJ que se posiciona na mesma linha de seu entendimento, no sentido de que não há impedimento à dedutibilidade do pagamento ou crédito de JCP quando efetuado em relação a exercícios anteriores, desde que respeitados os limites vigentes em cada um desses exercícios. Antes de tudo, convém observar a legislação que permitiu a dedução dos JCP, materializada no artigo 9º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, matriz legal do artigo 347 do RIR/1990, in verbis: Fl. 6995DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 808 30 [...] A matéria – JCP – foi disciplinada pelos artigos 29 e 30 da Instrução Normativa SRF nº 11/96, de 21/02/1996, nos seguintes termos: [...] Já a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/12/1997, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, dispõe, em seus artigos 29, 30 e 51: [...] Como se vê, o caput do artigo 29 da IN SRF nº 11/1996 já alertava que a dedutibilidade – para fins de determinação do lucro real – dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, deveria obedecer ao regime de competência. Aliás, essa norma guarda consonância com a regra geral de apropriação de custos e despesas ou reconhecimento de receitas, rendimentos e lucros estabelecida para as pessoas jurídicas submetidas ao lucro real, devendo estas manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, em conformidade com os artigos 247, 248 e 251 do RIR/1999. Em se tratando de uma sociedade anônima, como é o caso da Autuada, a previsão de atender ao regime de competência consta do artigo 177 da Lei nº 6.404 (Lei das S/A), de 15/12/1976, verbis: [...] Ainda dispondo sobre juros remuneratórios do capital próprio, a Instrução Normativa nº 41, de 22/04/1998, assim prescreve: [...] Logo, depreendese que o valor relativo à remuneração de capital próprio deve ser deduzido como despesa financeira, na apuração do resultado do exercício, e que se entende ocorrido seu crédito individualizado, consoante o disposto no artigo 9º da Lei nº 9.249/1995, quando a despesa é escriturada, no períodobase ao qual compete, em contrapartida a conta específica, no passivo exigível, que represente os créditos do sócio ou acionista. Os beneficiários dos juros creditados ou pagos, na hipótese de serem também pessoas jurídicas, devem registrálos contabilmente, observandose, igualmente, o regime de competência dos exercícios. Idêntico entendimento está expresso na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT nº 54, de 18 de fevereiro de 2005, citada no Termo de Verificação Fiscal, cuja ementa, mais uma vez, reproduzse: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: A observância do regime de competência é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei nº 9.430, de 1996; art. 78 do RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29. Fl. 6996DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 809 31 Assunto. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: A observância do regime de competência. é condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio, líquido. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei nº 9.430, de 1996, art. 78; RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29. A Impugnante afirma que a observância do regime de competência só é necessária a partir do momento em que nasce a obrigação legal de pagar os JCP, ou seja, quando ocorre a deliberação societária nesse sentido. Conforme já comentado anteriormente, a escrituração das pessoas jurídicas deve submeterse às leis comerciais e fiscais, aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, observando métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo, e obedecer ao regime de competência dos exercícios, ressalvadas algumas situações específicas. No caso das sociedades anônimas, a matéria é tratada no artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976. O artigo 29 da IN SRF nº 11, de 1996, que regulamentou o artigo 9º da Lei nº 9.249, de 1995, esclareceu que, para efeito de determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP poderão ser deduzidos, obedecendo ao regime de competência. Logo, quanto a esse ponto, o assunto é pacífico. Acerta a Impugnante quando diz que o pagamento ou crédito de JCP, bem como sua dedutibilidade nos termos e condições estabelecidos pela Lei nº 9.249, de 1995, constituem uma faculdade concedida à pessoa jurídica, e não uma obrigação. É certo também que o pagamento ou crédito desses valores depende do exercício dessa faculdade pelos acionistas, mediante deliberação em assembleia. Assim, enquanto não houver a deliberação societária, não existe despesa. Ocorrida a deliberação, os valores de JCP passam a ser devidos, cabendo seu pagamento ou crédito, atendidos os parâmetros estabelecidos na Lei nº 9.249/1995, restando garantida sua dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com observância do regime de competência. Até esse ponto, há concordância entre os argumentos apresentados pela Fiscalização e pela Requerente. De outro lado – e aqui surge a controvérsia –, defende a Fiscalização que o direito de exercer a opção pelo pagamento ou crédito de JCP não pode subsistir sem que haja algum limite temporal. Essa faculdade não pode ser exercida a qualquer tempo como, no caso presente, depois de encerrado o período de apuração do respectivo resultado, como pretende a Impugnante. Nesse aspecto, há que se dar razão ao agente fiscal. Senão vejamos. Nos termos do artigo 176 da Lei nº 6.404, de 1976, as contas e os resultados apurados pelas sociedades deverão estar espelhados nas demonstrações financeiras obrigatoriamente elaboradas quando do encerramento de cada exercício social. Essas demonstrações registrarão, inclusive, proposta de destinação dos lucros apurados no exercício, e precisarão ser aprovadas pelos acionistas reunidos em Fl. 6997DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 810 32 Assembleia Geral Ordinária (AGO) a ser realizada nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social, conforme artigo 132 da mesma Lei. Da mesma forma que a proposta de destinação de lucros, incluída nas demonstrações financeiras, no pressuposto de sua aprovação posterior, por ocasião da AGO específica, de acordo com o disposto no artigo 192 e no §3º do artigo 176 da Lei nº 6.404, de 1976, qualquer deliberação sobre o pagamento de JCP, adotada durante o próprio exercício social pelo Conselho de Administração da empresa, será submetida à mesma assembleia, para fins de sua ratificação, após o que todos os atos praticados são considerados perfeitos e acabados, não se lhes permitindo alterações posteriores. Visando a sustentar seu argumento de que a deliberação societária de remunerar os sócios ou acionistas com JCP calculados com referência a um determinado período possa ocorrer em exercícios futuros, a Requerente transcreve trecho de entendimento doutrinário, bem como de idêntico trecho de decisão emanada de órgão julgador administrativo com o seguinte teor: “o período de competência dos JCP é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos...”. Ora, a afirmação não traz nada de novo ou significativo, visto que não há dúvida de que o período de competência dos JCP é o mesmo da deliberação sobre seu pagamento, como já esclarecido anteriormente. O que não se admite é que não haja prazo definido para tal deliberação. Analisadas as contas, as operações e os resultados obtidos, e aprovadas em AGO as demonstrações financeiras, sem que nelas exista a previsão de distribuição de JCP, estará tomada a decisão irrevogável de não distribuir JCP correspondentes ao respectivo exercício social. A propósito, é esclarecedor e categórico o ensinamento do jurista Edmar Oliveira Andrade Filho, na obra “Imposto de Renda das Empresas”, 6ª edição, p. 268, verbis: [...] Desse modo, é necessária a deliberação societária, em tempo hábil – que se constitui no fato gerador da obrigação –, para que os JCP se tornem devidos. Só então fica configurada a existência da despesa, cuja dedutibilidade depende do registro contábil da operação de pagamento ou crédito aos sócios ou acionistas da pessoa jurídica, no exato período de competência, além da observância de todas as condições fixadas na Lei nº 9.249, de 1995, inclusive dos limites legais quanto aos valores pagos ou creditados. O entendimento esposado na obra doutrinária “Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática” (26ª ed., São Paulo, Atlas, 2001, p. 84/85), de autoria dos tributaristas Hiromi Higuchi e Celso Hiroyiuki Higuchi, também é no sentido de que “(...) a contabilização no período base correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos). Fl. 6998DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 811 33 Quanto ao acórdão transcrito, com o entendimento da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao analisar o Recurso Especial nº 1.086.752/PR, no sentido de que a legislação não impõe que a dedução fiscal dos JCP deva ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa, independentemente de qualquer possível semelhança entre os casos, é de se observar o disposto no artigo 472 do Código de Processo Civil (CPC), o qual determina que “a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando nem prejudicando terceiros”. Donde se conclui que, não sendo parte no litígio objeto do acórdão, a Interessada não pode usufruir os efeitos da sentença ali prolatada, posto que é inter partis e não erga omnes. Disso tudo, depreendese que a dedução dos juros sobre o capital próprio, é uma faculdade, que pode ser exercida ou não pela pessoa jurídica, em relação ao período de apuração a que competirem, e quando, dentro das condições e limites fixados, estes são efetivamente pagos ou creditados. Sendo a observância do regime de competência condição para a dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, sobre as contas do patrimônio líquido, é vedado à pessoa jurídica deduzir como despesa, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, juros calculados sobre o patrimônio líquido da companhia relativo a período anterior, para o qual a pessoa jurídica não exerceu a opção de deduzir. Dessa forma, mantémse a glosa da despesa de juros sobre o capital próprio relativa ao ano de 2008, apropriada indevidamente em 2009, no montante de R$7.609.195,78. Desta forma, voto por negar provimento ao pleito da Recorrente. Dedutibilidade das despesas com juros pelo atraso no pagamento da CSLL IRPJ: Os juros incidentes pelo atraso no pagamento do imposto ou da CSLL não são dedutíveis, eis que por ser acessório, segue a mesma regra de dedutibilidade do principal. Assim, devido à relação entre os juros de mora e o principal, inexiste motivo que justifique o tratamento diferenciado para esses encargos moratórios do que o conferido ao principal. Desta forma, à dedutibilidade dos juros relativos ao atraso no pagamento da CSLL, na apuração do lucro real, ou na base de cálculo da CSLL, não é devida, agindo corretamente o agente autuante em efetuar a glosa da dedução em análise. De resto, utilizo os fundamentos do v. acórdão "a quo" para motivar meu voto sobre esta matéria. A impugnante opõese à glosa, no valor de R$1.522.753,88, relativo a despesas com juros devidos pelo atraso no pagamento da CSLL, escrituradas na Conta Contábil 45110005 – Juros s/ Tributos, ao aderir ao parcelamento da Lei nº 11.941/09, glosa esta que foi Fl. 6999DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 812 34 procedida por ter o autuante considerado que os acréscimos moratórios incidentes sobre tributos não pagos no vencimento têm natureza tributária e seguindo a máxima de que “o acessório segue o principal”, como o valor da CSLL não poderá ser deduzido para efeito da determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo, igual tratamento deve ser dado aos juros de mora. Alega que os juros decorrentes do atraso no cumprimento de uma obrigação devem ser tratados como despesas financeiras, assim não haveria que se falar em indedutibilidade dos juros moratórios incidentes sobre CSLL, ou sobre qualquer tributo em atraso, tendo em vista que a obrigação gerada pela mora é de natureza estritamente financeira. Da análise do arguido, constatase que não assiste razão à impugnante. A CSLL é indedutível do lucro real e da sua própria base de cálculo, por força do disposto no art. 41, § 2º, da Lei nº 8.981 de 1995, no art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e no art 1º da Lei nº 9.316, de 1996. Os juros de mora como são acessórios em relação ao principal (tributo), salvo disposição em contrário, seguem o destino deste, refletindo o princípio do direito romano positivado no direito brasileiro, entre outros, por meio dos artigos 58 e 59 da Lei nº 3.071, de 1916 (antigo Código Civil), e no artigo 92 da Lei nº 10.406, de 2002, in verbis: Lei nº 3.071/1916 Art. 58. Principal é a coisa que existe sobre si, abstrata ou concretamente. Acessória, aquela cuja existência supõe a da principal. Art. 59. salvo disposição especial em contrário, a coisa acessória segue a principal. Lei nº 10.406/2002 Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal. Sendo os juros de mora acessórios que representam fração do principal, que a este é acrescida em razão da mora incorrida, depreendese que a regra aplicada à dedutibilidade dos juros deve ser a mesma aplicada aos tributos sobre os quais incidem, dada sua natureza de acessório, que segue o principal. Ao impedir a dedutibilidade do tributo, a norma legal impede também a dedutibilidade da parcela acrescida do próprio tributo em razão da mora do contribuinte,quando esta ocorre. A RFB já se manifestou nesse sentido através da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 216, de 11/11/2003, declarando que os juros incidentes sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa são meros acessórios que integram o tributo e, como tais, sujeitamse às mesmas regras vigentes para o principal. Vejase a ementa daquele documento: Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 216/2003 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 7000DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 813 35 Ementa: Os valores provisionados correspondentes a juros calculados pela taxa Selic, relativos a tributo cuja exigibilidade esteja suspensa por força do art. 151, incisos II a IV, da Lei n.° 5.172, de 1966, constituem meros acessórios do tributo. Submetemse às mesmas regras de dedutibilidade impostas ao principal, devendo, por isso, ser adicionados ao lucro liquido do período de apuração para fins de determinação do lucro real. Outro exemplo deste entendimento é expresso no acórdão proferido pela 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, cuja ementa segue abaixo: IRPJ – CSLL – JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal (Acórdão 10196.271, Processo nº16327.001931/200171, decisão de 09/08/2007). Assim, dada a intrínseca relação entre os juros de mora e o principal, inexiste motivo que justifique o tratamento para esses encargos moratórios diferente daquele conferido ao principal, quanto à dedutibilidade da CSLL, na apuração do lucro real, ou na base de cálculo da CSLL, devendose reconhecer que o autuante acertou ao efetuar a glosa da dedução em análise. Desta forma, em relação a este tópico voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Da dedutibilidade dos pagamento feitos aos Administradores: Neste tópico, o v. acórdão manteve a glosa dos créditos relativos à dedução dos pagamentos feitos aos administradores e deduzidos da apuração do IRPJ, e cancelou as deduções feitas na apuração da CSLL. Desta forma, analisarei em sede de Recurso Voluntário a apuração do IRPJ e deixarei a da CSLL para o Recurso de Ofício. Este tópico trata de glosa dos pagamentos efetuados a administradores sem vinculo empregatício, relativos a gratificações de 13º salário, adicional de 1/3 de férias e Participação nos resultados em Gratificação, que compõem parte do valor informado na linha 05A/01 da DIPJ/2010, destinada à “Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração”, por ter a Fiscalização considerado tais despesas não necessárias e não dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. A Recorrente alega que os pagamentos decorrem de programa de remuneração estabelecido previamente à contratação dos diretores, e que são despesas necessárias eis que os valores pagos visam remunerar os serviços prestados pelos Administradores. Fl. 7001DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 814 36 Afirma que os valores são compatíveis aos praticados pelo mercado, com a finalidade de manutenção e continuidade das relações de trabalho. Diz que o Plano de Participação nos lucros estaria em conformidade com o art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal e com a Lei nº 10.101 de 2000. Acrescenta que os valores em questão poderiam estar diluídos nos pagamentos mensais efetuados a título de prolabore, o que não implicaria impedimento à dedução. Assim, pouca relevância teria se a remuneração anual dos seus administradores foi paga em 12 parcelas mensais ou de forma variável. Entretanto, entendo que não assiste razão à Recorrente, eis que os pagamentos foram feitos para pessoas sem vinculo empregatício, como membros do Conselho Administrativo e Consultivo (todos acionistas) e diretores da empresa, os quais não gozam de direitos trabalhistas. Assim, as verbas referentes a 13º salário e pagamento de adicional de 1/3 de férias não são pagas por força de lei trabalhista, uma vez que não incidem encargos trabalhistas sobre os valores por eles recebidos, sendo que referidos dispêndios não têm caráter de despesa operacional dedutível, por lhes faltar os requisitos de necessidade, pois foram pagos por mera liberalidade da Recorrente. A disposição legal relativa à participação dos empregados nos lucros e resultados (PLR) da empresa, prevista no artigo 7º, XI da Constituição Federal de 1988, regulamentada pela Lei nº 10.101, de 2000 – cujo tratamento tributário, previdenciário e trabalhista é diferenciado, mostrase passível de adoção apenas para os empregados. Da mesma forma, entendo que as gratificações/participações nos resultados pagas aos Administradores e Conselheiros contraria o disposto nos artigos 303 e 463 do RIR/99. Esta linha de raciocínio já foi aplicada por este E. CARF/MF, conforme pode se verificar na ementa do v. acórdão (1201001.394) proferido nos autos do processo 16327.721264/201381. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. LEI 10.101, DE2000. Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas incorridas com o pagamento de gratificações e de participação no lucro a administradores. A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, o qual trata de direito dos trabalhadores empregados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. Fl. 7002DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 815 37 É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. No mais, utilizo a fundamentação do acórdão recorrido para motivar meu voto e manter a glosa das despesas deste tópico relativas à apuração do IRPJ. Em seguida, a impugnante questiona a glosa dos pagamentos efetuados a administradores não empregados, relativos a gratificações de 13º salário, adicional de 1/3 de férias e Participação nos resultados em Gratificação, que compõem parte do valor informado na linha 05A/01 da DIPJ/2010, destinada à “Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração”, por ter a Fiscalização considerado tais despesas não necessárias e não dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, sendo que, os únicos pagamentos dentre os efetuados aos administradores, considerados dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, são os efetuados a título de honorários. A impugnante alega não se tratar de pagamentos por mera liberalidade da empresa, pois decorrem de programa de remuneração estabelecido previamente à contratação do diretor, nem de despesas desnecessárias quando os valores pagos visam remunerar os serviços prestados pelos diretores, em valores compatíveis aos praticados pelo mercado, com a finalidade de manutenção e continuidade das relações de trabalho. Diz que o Plano de Participação nos lucros estaria em conformidade com o art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal e com a Lei nº 10.101 de 2000. Acrescenta que os valores em questão poderiam estar diluídos nos pagamentos mensais efetuados a título de prolabore, o que não implicaria impedimento à dedução, de modo que não haveria motivo para diferenciálo apenas pelo critério adotado para fins de pagamento. Assim, pouca relevância teria se a remuneração anual dos seus administradores foi paga em 12 parcelas mensais ou de forma variável. Verificase que no Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação nº 001 e 002 foi solicitado que fossem relacionados, mensalmente, todos os valores apropriados como despesas na contabilidade da autuada a título de valores devidos a diretores ou a membros do conselho de administração, discriminando as parcelas devidas a título de honorários, participações nos resultados da empresa, décimo terceiro salário, liberalidade, bônus, indenização de férias e outras rubricas porventura existentes, abrangendo todos os meses de 2009, inclusive verbas porventura pagas após o desligamento do beneficiário da diretoria ou do conselho de administração da empresa (informando o vínculo trabalhista entre o beneficiário e a empresa). Em resposta a empresa apresentou o demonstrativo denominado “Relação de remuneração aos diretores” (fl. 30) e a relação de pagamentos aos administradores detalhada por beneficiário (fl. 90), em que se visualiza pagamentos feitos a título de: prolabore; Dif CCT; 1/3 Férias; Gratificação e Rem. Comitê. A contribuinte também informou que o valor pago aos diretores a título de participação nos resultados em 2009 (no mês de março) foi de Fl. 7003DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 816 38 R$2.302.799,50, não adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro real. Explica que os valores pagos sob a rubrica “Gratificação” referemse ao décimo terceiro salário (R$269.736,90) e à participação nos resultados dos diretores (R$2.302.799,50). Já os valores pagos sob a rubrica “Rem Comitê” referemse à remuneração devida aos membros do conselho de administração pela participação em reuniões dos comitês de Finanças e Recursos Humanos. Declarou, ainda, a contribuinte, que havia 3 diretores celetistas até abril de 2009. A partir desta data todos são estatutários. Informa, ainda, que os diretores que passaram de celetistas a estatutários em 2009 foram: Edgar Oliveira Filho – CPF 290.284.00982; Moacyr José Matheussi – CPF 216.172.28915; Ronaldo Loos – CPF 309.322.54934. Do Estatuto Social consolidado de que trata o Anexo 1 da Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 28 de abril de 2009 (fls. 6 a 8), depreendese que a Cia Hering é administrada por seu Conselho de Administração e sua Diretoria, podendo, os membros da Diretoria, serem acionistas ou não, eleitos pelo Conselho de Administração. Também possui um Conselho Fiscal e um Conselho Consultivo, este último, órgão de assessoramento. A Assembléia Geral fixará o montante global da remuneração anual dos Administradores da Sociedade, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, cabendo ao Conselho de Administração estabelecer os critérios para rateio da remuneração de cada Conselheiro e Diretor. Abaixo, reproduzse alguns artigos do Estatuto Social consolidado; [...] Foi anexado aos autos, pela Impugnante, o Programa de Participação dos Empregados nos Resultados da Cia Hering – PPR estabelecido pela Cia Hering e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Blumenau, do qual convém transcrever algumas das cláusulas: [...] Na relação de pagamentos aos administradores, detalhada por beneficiário, apresentada pela Contribuinte, observase que foram feitos pagamentos a membros do Conselho Consultivo, a membros do Conselho Administrativo e a membros da Diretoria, a título de 1/3 de férias e de gratificações, sendo que esta última rubrica, de acordo com a informação da Impugnante, engloba valores referentes a décimo terceiro salário (R$269.736,90) e à participação nos resultados dos diretores. Observese que, referente aos diretores Edgar Oliveira Filho, Moacyr José Matheussi e Ronaldo Loos, que passaram de celetistas a estatutários em abril de 2009, constam pagamentos efetuados a título de prolabore (que não estão em discussão), nos meses de maio a dezembro e também sob a rubrica “gratificação”, no mês de novembro, sendo esta nas quantias de R$21.683,81, R$21.683,81 e R$22.064,23, respectivamente. Como se vê, os administradores de que se fala são acionistas da pessoa jurídica (todos os membros dos Conselhos Administrativo e Consultivo Fl. 7004DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 817 39 e alguns diretores) ou diretores com vínculos trabalhistas suspensos, conforme ficou demonstrado na fiscalização. Devido à ausência do vínculo de emprego, os membros dos Conselhos Administrativo e Consultivo (todos acionistas) e os diretores, os quais, mesmos havendo a possibilidade de serem acionistas ou não, são todos não empregados, não gozam de direitos trabalhistas e, por conseguinte, as verbas referentes a 13º salário e pagamento de adicional de 1/3 de férias não são pagas por força de lei trabalhista, uma vez que não incidem encargos trabalhistas sobre os valores por eles recebidos. Portanto, referidos dispêndios não têm caráter de despesa operacional dedutível, por lhes faltar os requisitos de necessidade e usualidade. Sobre o Acordo de Participação dos Trabalhadores nos Resultados da Empresa, apresentado junto com a Impugnação, notase que foi assinado em 27/06/2007, com validade por 18 (dezoito) meses, iniciandose em 01/07/2007 e encerrandose em 31/12/2008. Lêse em sua Cláusula Primeira que foi formalizado nos termos da Constituição da República Federativa do Brasil, pela Consolidação das Leis do Trabalho, dos princípios de boafé preconizados pelo Código Civil Brasileiro e Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000. É importante transcrever os art. 1º e 2º da citada Lei nº 10.101, de 2000, que regulamentou a participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, prevista no artigo 7º, XI da CRFB/88: [...] Notese que por expressa disposição legal a participação dos empregados nos lucros e resultados (PLR) da empresa, prevista no artigo 7º, XI da Constituição Federal de 1988, regulamentado pela Lei nº 10.101, de 2000 – cujo tratamento tributário, previdenciário e trabalhista é diferenciado –, mostrase passível de adoção apenas para os empregados. Há conexão da PLR da Lei nº 10.101/00 ao vínculo de emprego. Há de se observar que os administradores da Companhia também podem receber participações nos lucros e resultados da Companhia. Porém, o regime a ser observado é aquele constante do art. 152 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das S.A.), fixado pela Assembléia Geral e com previsão no Estatuto. O art. 249 do RIR/1999, transcrito no relatório, preconiza que na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração, dentre outros valores (DecretoLeinº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Já os art. 299, 303 e 463, também do RIR/1999, mais uma vez reproduzidos, assim dispõem: [...] Vêse, pois, que as despesas dedutíveis na apuração do lucro real são as despesas operacionais, ou seja, aquelas usuais ou normais, pagas ou incorridas, necessárias para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Fl. 7005DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 818 40 Portanto, além da não aplicabilidade da legislação trabalhista à relação entre a sociedade e os membros dos Conselhos Administrativo e Consultivo (todos acionistas) e diretores não empregados, que, por si só, retira a condição de necessidade das despesas com 13º salário e pagamento de adicional de 1/3 de férias e PRL, prevista na Lei nº 10.101, de 2000, há a vedação expressa contida no art. 303 do RIR/1999 de a pessoa jurídica deduzir como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica. Desse modo, tratandose de valores que não se confundem com a remuneração mensal dos administradores da Cia Hering, nem com aquelas verbas requeridas por lei trabalhista (13º salário, adicional de 1/3 de férias), tampouco com a PRL, da Lei nº 10.101, de 2000, os pagamentos em discussão têm natureza de gratificação, o que impede sua dedução a teor do que prescreve o art. 303 do RIR/99. Logo, em face das disposições contidas nos artigos 249, 299, 303 e 463, do RIR/1999, deve ser mantida a glosa da dedução da base de cálculo do IRPJ, referente às parcelas pagas aos dirigentes e administradores, a título de 13º salário, 1/3 de férias e participação nos resultados, nos montantes apurados no Auto de Infração do IRPJ. Desta forma, voto por manter o v. acórdão recorrido nesta parte e negar provimento ao Recurso Voluntário. Pagamento da dívida ativa – Princípio da Competência: Conforme pode se verificar no relatório, os valores relativos a este item só foram devidamente lançados por meio de Auto de Infração complementar após a DRJ ter convertido o julgamento da impugnação em diligência para que o Auditor Fiscal autuante incluísse o valor de R$ 23. 306.789,31 na base de cálculo do IRPJ e da CSLL exigidos. A Recorrente contesta a glosa das despesas de Cofins, no valor de R$ 23.306.789,31, por ter a autoridade fiscal considerado que tal montante – referente a débitos de Cofins, dos meses de outubro de 1999 a abril de 2003, originários dos PAF’s nº 13971.003925/200751 e 13971.001144/200722 (período de 10/99 a 01/03, com exceção dos meses de 12/00, e 06/01 a 12/01) inscritos em Dívida Ativa em 2008 e integralmente pagos em novembro de 2009 – teria sido deduzido indevidamente pela pessoa jurídica na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano de 2009, tendo em vista que por não se tratar de hipótese de suspensão de exigibilidade, à luz do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, a dedução dessas despesas deve seguir a regra geral, ou seja, o regime de competência. Alega a Recorrente ter escriturado como despesa o valor atualizado do débito pago de acordo com as regras do “REFIS IV”, no montante de R$23.306.789,31 (composto por R$ 18.697.816,13, relativo ao saldo em 31/12/2008, acrescido dos juros/encargos apurados no ano de 2009, que totalizaram R$ 4.608.973,18). Fl. 7006DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 819 41 Todavia, afirma que teria adicionado ao lucro líquido, no LALUR, o valor de R$18.697.816,13, de modo que apenas a quantia de R$4.608.973,18, referente aos encargos e atualização do débito, é que teriam sido deduzidos do lucro líquido na apuração do lucro real do anocalendário de 2009. Acrescenta que, caso se reconheça o suposto erro, apenas em relação à despesa estaria oferecendo à tributação não somente o valor da despesa glosada (R$23.306.789,31), mas também da adição que aumentou o lucro fiscal do período (R$18.697.816,13), de modo que o valor tributado seria de R$42.004.605,44. 1 A Recorrente alega incessantemente que o valor de R$ 18.697.816,13 foi escriturado no LALUR, mas não indica precisamente qual a rubrica, página ou linha em que consta o montante. Após a conversão do julgamento em diligência pela Resolução 1402.000.629 foi constatado que o procedimento da Recorrente foi da seguinte forma: Em relação aos demais argumentos trazidos pela contribuinte, resumidamente, a contribuinte alega que os débitos de COFINS originários dos PAF’s nº 13971.003925/200751 e 13971.001144/200722 (período de 10/99 a 01/03, com exceção dos meses de 12/00, e 06/01 a 12/01) foram inscritos em DAU, em 2008. Afirma que neste mesmo ano de 2008 o valor de R$ 18.697.816,13 já estava reconhecido no passivo pela Recorrente na conta contábil “22440203 – Cofins a Recolher – 1%”, conforme indicado no Doc. 3 acostado a manifestação. Aduz, que, naquele mesmo ano, por acreditar no êxito da discussão judicial acerca da inexigibilidade dos referidos débitos de COFINS, “reverteu” o montante anteriormente reconhecido no seu passivo, contabilizando o valor de R$ 18.697.816,13 a crédito no resultado em contrapartida a débito na conta do passivo, especificamente, na conta denominada “22440299 – Cofins – Reversão” (Docs. 04, 05 e 06). Segundo a contribuinte, o efeito líquido no passivo das contas “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” e “22440299 – Cofins – Reversão” ficou igual a zero. Assim, para que tal reversão contábil não gerasse efeito fiscal, excluiu em 2008 o valor R$ 18.697.816,13 da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, passando a controlar o saldo na Parte B do LALUR (Doc.07 – pp. 3, 5 e 6 e Doc.08). 1 Fl. 7007DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 820 42 Em seguida, em 2009, por força de sua adesão ao REFIS DA CRISE, Lei nº 11.941/09, a contribuinte desistiu da discussão judicial dos débitos de COFINS. Assim, segundo a contribuinte, após a adesão ao REFIS, procedeu à anulação da reversão contábil efetuada em 2008, creditando o valor de R$ 18.697.816,13 na conta de passivo “22440299 – Cofins – Reversão” para zerar o seu saldo (Doc.10) e debitou o mesmo valor na conta de passivo “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” (Doc.11 – 1º lançamento do dia 23/11/09), de tal forma que ambas as contas passaram a ter um saldo zero no passivo. Posteriormente, a contribuinte fez transitar pelo resultado o pagamento do débito atualizado até novembro de 2009, no valor de R$ 23.306.789,31, como despesa (ou seja, a débito) no resultado de 2009. Considerando que no valor de R$ 23.306.789,31 está contido o montante de R$ 18.697.816,13 (vez que o primeiro se refere à atualização do débito até o mês de novembro de 2009 e o segundo se refere à atualização deste mesmo débito até dezembro de 2008) e que a dedutibilidade desse valor já foi realizada em períodos anteriores, a fim de evitar qualquer prejuízo ao Fisco, a contribuinte alega ter realizado a adição ao lucro real e a base de cálculo da CSLL do valor de R$ 18.697.816,13 (Doc.01 – págs. 1, 4 e 5), em contrapartida ao “zeramento” do saldo controlado na Parte B do LALUR (Doc.15), gerado em razão da exclusão efetuada deste mesmo valor em 2008. Deste modo, teria anulado, no ano de 2009, o efeito do valor da despesa de R$ 18.697.816,13, vez que o adicionou na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contra a baixa do saldo da Parte B do LALUR. Alega que ao registrar como despesa no resultado o valor de R$ 23.306.789,31 e ao adicionar ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o valor de R$ 18.697.816,13, a Recorrente gerou o efeito fiscal de dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL efetivo, no ano de 2009, apenas referente à diferença no valor de R$ 4.608.973,18, que corresponde exatamente à diferença entre o mesmo débito tributário atualizado até novembro de 2009 (no valor de R$ 23.306.789,31) e até dezembro de 2008 (no valor de R$ 18.697.816,13), ou seja, correspondente aos juros e encargos legais incorridos em 2009, respeitando assim o regime de competência. Do procedimento adotado pela Recorrente que restou devidamente comprovado nos autos, e na resposta a diligência acima colacionada, se pode concluir que apesar de não ter respeitado o regime de competência, a reversão e posterior adição a base de cálculo do IRPJ e CSLL do valor de R$ 18.697.816,13, o efeito fiscal da dedutibilidade no ano Fl. 7008DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 821 43 de 2009 foi apenas em relação à atualização do débito até novembro de 2009, no importe de R$ 4.608.973,18. Assim, tendo em vista que o procedimento adotado pela Recorrente não gerou prejuízo ao Erário, entendo que a glosa das despesas de Cofins deve ser cancelada. Dedutibilidade das Despesas na apuração da CSLL (Item 3.3.2): Neste tópico, o v. acórdão recorrido apenas cancelou a glosa de despesas com direitos autorais no importe de R$ 164.089,82, que será analisado em sede de Recurso de Ofício, mantendo o restante da glosa no montante de R$ 6.506.000,44. Conforme disposto no v. acórdão "a quo", a Recorrente discorda da glosa das diferenças entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, apontadas pela autoridade fiscal, que motivaram a recomposição da base de cálculo da CSLL, para incluir valores relativos a “direitos autorais” (R$164.089,82), “outras despesas” (R$2.000,00), “despesas com operações financeiras” (R$5.225.518,89), e “multas indedutíveis” (R$1.255.868,99), totalizando R$6.670.090,26, os quais a contribuinte havia registrado no Lalur como adições no cálculo do lucro real, mas não os adicionara à base de cálculo da CSLL. A principal alegação da Recorrente neste tópico é em relação a ilegalidade da IN 390/2004 face à Lei 7.689/1988, onde afirma que a IN inovou e trouxe novas adições em relação à lei. Tal alegação da Recorrente não deve ser provida, eis que de acordo com o artigo 57 da Lei 8.981/95, a regra geral de dedutibilidade deve ser aplica na apuração da base de cálculo da CSLL. Vejamos o texto do artigo: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (grifos não do original) Notase, desse dispositivo legal, que as mesmas regras (gerais) de apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ) devem ser aplicadas à base de cálculo da CSLL, salvo se existir disposição legal expressa e específica que porventura reconheça um tratamento diferenciado para adições, exclusões ou compensações determinadas. No presente caso, não existe nas despesas acima descritas neste tópico disposição legal expressa e específica prevendo sua dedutibilidade. Desta forma, voto por manter o v. acórdão recorrido neste ponto. Para complementar meu voto, utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido que, com exceção das despesas com direitos autorais, manteve as glosas nos termos do Termo de Verificação. Passo então ao exame de cada despesa glosada no item em discussão, começando pelas “despesas com operações financeiras” (R$5.225.518,89) que, de acordo com relatório Fl. 7009DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 822 44 fiscal, referese a multa por descumprimento de contrato, e as intituladas “multas indedutíveis” (R$1.255.868,99). Como se vê, os art. 56 e 57 da IN SRF nº 390, de 2004, prescreveram a indedutibilidade das multas em geral, na apuração da base de cálculo da CSLL, excetuando apenas as multas fiscais de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, tais como as decorrentes do recolhimento de tributo fora do prazo legal e aquelas por apresentação espontânea de declarações fora do prazo. Sobre o tema em discussão, é importante transcrever o decidido na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT Nº 268, de 4 julho de 2005, em que a consulente, indagava se as sanções impostas pela Anatel, em decorrência do nãocumprimento de metas fixadas, constitui despesa dedutível para fins de determinação do lucro real e contribuição social sobre o lucro líquido, cuja ementa e trechos dos fundamentos ali expostos transcrevese: EMENTA Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: DESPESAS INDEDUTÍVEIS. As sanções impostas por descumprimento de metas estabelecidas não são dedutíveis na apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, eis que não se trata de dispêndios necessários ou usuais. (grifei) Dispositivos Legais: RIR/99, arts. 299 e 344; PN CST 32/81. FUNDAMENTAÇÃO 2. Em primeiro lugar, gostaríamos de firmar a natureza jurídica da verba desembolsada pela consulente. Parecenos bastante nítido – e quanto a isso a própria consulente parece concordar – tratase de uma sanção contratual, ou melhor, uma indenização compensatória a ser revertida nos próprios serviços de telecomunicações, em virtude do não cumprimento de metas impostas pela agência reguladora. Ao nosso ver, é caso clássico de responsabilidade civil, eis que, em sua atividade, a consulente não agiu nos termos das regras, exigidas pelos órgão competentes, que norteiam as operações da espécie. 3. Se por um lado é certo que a legislação do imposto de renda não enumera taxativamente as hipóteses de dedutibilidade, por outro, é também certo que nem todas as despesas são dedutíveis, ainda que não tenham sido taxadas expressamente de indedutíveis. 4. O artigo 299 do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 47 da Lei 4.506/64, realmente não estipula um rol de despesas dedutíveis, mas exige que elas preencham alguns requisitos para serem Fl. 7010DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 823 45 assim consideradas. O dispositivo elege duas qualidades fundamentais: a necessidade e a usualidade da despesa. Citemos. “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). (...) 5. Tratandose da necessidade, deve haver um nexo direto entre as despesas e a atividade da empresa. Vale dizer, são despesas necessárias aquelas sem as quais o empreendimento empresarial não pode ir adiante. São dispêndios que possibilitam à empresa promover suas atividades que são, enfim, produtoras dos seus respectivos rendimentos. São dispêndios que colaboram para a consecução da atividade produtora da riqueza. Nesse diapasão, discordase de um dos critérios assinalados pela consulente como justificadores da dedutibilidade, usualidade e necessidade da sanção no exercício da atividade empresarial. Ora, a sanção imposta em razão do descumprimento de metas eleitas pela agência reguladora não pode ser tomada como necessária e usual para prestação de determinado serviço. Aliás, muito pelo contrário, o que se exige durante a prestação de serviço é exatamente o cumprimento das metas fixadas, aí compreendidos todos os esforços para a consecução dessas diretrizes. 6. O parecer Normativo 32/81, da Coordenação do Sistema de Tributação (DOU 19.08.1981), justamente encarando o tema da dedutibilidade, assim define a despesa necessária: 4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos.” 7. Levandose em conta o exposto, podemos dizer que as despesas com as sanções impostas não são feitas no intuito de realizar as operações que constituem a fonte dos rendimentos da pessoa jurídica. Sem sentido, ao nosso ver, a idéia de que o descumprimento de metas fixadas, seja necessário ao desenvolvimento das atividades da empresa. Aliás, salutar que as irregularidades não ocorram. Razão pela qual podemos afirmar que não são necessárias as despesas em apreço. 8. Tais despesas não são efetuadas para a realização de operações econômicas a que a empresa se propõe a promover, nem mesmo para seu fomento, mas para reparar (compensar) sua falta no descumprimento de metas traçadas, algo que não deveria ter perpetrado. Fl. 7011DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 824 46 9. Além disso, tais despesas carecem de usualidade. Despesas usuais são aquelas normais ao exercício de certa atividade, verificandose de forma corriqueira. O mesmo Parecer Normativo acima citado, assim se pronuncia sobre o tema: 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio.” 10. Entendemos como descabida a usualidade de uma paga decorrente de uma sanção imposta à empresa. Não podemos admitir como ordinária a prática de irregularidades por parte de uma empresa a ensejar sanções dedutíveis. Portanto, a sanção imposta por descumprimento de metas não preenche os pressupostos básicos firmados pela legislação para a dedutibilidade, independentemente de não existir norma expressa que defina a indedutibilidade. 11. O fato de alguns tipos de multas tributárias (as compensatórias e as decorrentes de infrações que não acarretem falta de pagamento de tributo) serem dedutíveis não serve de paradigma. Sua dedutibilidade só é possível devido a existência de disposição expressa da legislação. Vale dizer, a dedutibilidade embasase em regra específica do art. 344, § 5º, do RIR/99, e não na regra genérica, que analisamos acima, do art. 299 do mesmo Regulamento. Em verdade, a necessidade de uma tipificação específica se mostra, eis que não se trata de gasto necessário nem usual. 12. A indedutibilidade na apuração do imposto de renda aplica se, subsidiariamente, em matéria de contribuição social sobre o lucro líquido.” (GRIFEI) Passo então ao exame de cada despesa glosada no item em discussão, começando pelas “despesas com operações financeiras” (R$5.225.518,89) que, de acordo com relatório fiscal, referese a multa por descumprimento de contrato, e as intituladas “multas indedutíveis” (R$1.255.868,99). Como se vê, os art. 56 e 57 da IN SRF nº 390, de 2004, prescreveram a indedutibilidade das multas em geral, na apuração da base de cálculo da CSLL, excetuando apenas as multas fiscais de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, tais como as decorrentes do recolhimento de tributo fora do prazo legal e aquelas por apresentação espontânea de declarações fora do prazo. Sobre o tema em discussão, é importante transcrever o decidido na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT Nº 268, de 4 julho de Fl. 7012DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 825 47 2005, em que a consulente, indagava se as sanções impostas pela Anatel, em decorrência do nãocumprimento de metas fixadas, constitui despesa dedutível para fins de determinação do lucro real e contribuição social sobre o lucro líquido, cuja ementa e trechos dos fundamentos ali expostos transcrevese: EMENTA Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: DESPESAS INDEDUTÍVEIS. As sanções impostas por descumprimento de metas estabelecidas não são dedutíveis na apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, eis que não se trata de dispêndios necessários ou usuais. (grifei) Dispositivos Legais: RIR/99, arts. 299 e 344; PN CST 32/81. FUNDAMENTAÇÃO 2. Em primeiro lugar, gostaríamos de firmar a natureza jurídica da verba desembolsada pela consulente. Parecenos bastante nítido – e quanto a isso a própria consulente parece concordar – tratase de uma sanção contratual, ou melhor, uma indenização compensatória a ser revertida nos próprios serviços de telecomunicações, em virtude do não cumprimento de metas impostas pela agência reguladora. Ao nosso ver, é caso clássico de responsabilidade civil, eis que, em sua atividade, a consulente não agiu nos termos das regras, exigidas pelos órgão competentes, que norteiam as operações da espécie. 3. Se por um lado é certo que a legislação do imposto de renda não enumera taxativamente as hipóteses de dedutibilidade, por outro, é também certo que nem todas as despesas são dedutíveis, ainda que não tenham sido taxadas expressamente de indedutíveis. 4. O artigo 299 do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 47 da Lei 4.506/64, realmente não estipula um rol de despesas dedutíveis, mas exige que elas preencham alguns requisitos para serem assim consideradas. O dispositivo elege duas qualidades fundamentais: a necessidade e a usualidade da despesa. Citemos. “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). (...) 5. Tratandose da necessidade, deve haver um nexo direto entre as despesas e a atividade da empresa. Vale dizer, são despesas Fl. 7013DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 826 48 necessárias aquelas sem as quais o empreendimento empresarial não pode ir adiante. São dispêndios que possibilitam à empresa promover suas atividades que são, enfim, produtoras dos seus respectivos rendimentos. São dispêndios que colaboram para a consecução da atividade produtora da riqueza. Nesse diapasão, discordase de um dos critérios assinalados pela consulente como justificadores da dedutibilidade: usualidade e necessidade da sanção no exercício da atividade empresarial. Ora, a sanção imposta em razão do descumprimento de metas eleitas pela agência reguladora não pode ser tomada como necessária e usual para prestação de determinado serviço. Aliás, muito pelo contrário, o que se exige durante a prestação de serviço é exatamente o cumprimento das metas fixadas, aí compreendidos todos os esforços para a consecução dessas diretrizes. 6. O parecer Normativo 32/81, da Coordenação do Sistema de Tributação (DOU 19.08.1981), justamente encarando o tema da dedutibilidade, assim define a despesa necessária: 4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos.” 7. Levandose em conta o exposto, podemos dizer que as despesas com as sanções impostas não são feitas no intuito de realizar as operações que constituem a fonte dos rendimentos da pessoa jurídica. Sem sentido, ao nosso ver, a idéia de que o descumprimento de metas fixadas, seja necessário ao desenvolvimento das atividades da empresa. Aliás, salutar que as irregularidades não ocorram. Razão pela qual podemos afirmar que não são necessárias as despesas em apreço. 8. Tais despesas não são efetuadas para a realização de operações econômicas a que a empresa se propõe a promover, nem mesmo para seu fomento, mas para reparar (compensar) sua falta no descumprimento de metas traçadas, algo que não deveria ter perpetrado. 9. Além disso, tais despesas carecem de usualidade. Despesas usuais são aquelas normais ao exercício de certa atividade, verificandose de forma corriqueira. O mesmo Parecer Normativo acima citado, assim se pronuncia sobre o tema: 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio.” 10. Entendemos como descabida a usualidade de uma paga decorrente de uma sanção imposta à empresa. Não podemos admitir como ordinária a prática de irregularidades por parte de uma empresa a ensejar sanções dedutíveis. Fl. 7014DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 827 49 Portanto, a sanção imposta por descumprimento de metas não preenche os pressupostos básicos firmados pela legislação para a dedutibilidade, independentemente de não existir norma expressa que defina a indedutibilidade. 11. O fato de alguns tipos de multas tributárias (as compensatórias e as decorrentes de infrações que não acarretem falta de pagamento de tributo) serem dedutíveis não serve de paradigma. Sua dedutibilidade só é possível devido a existência de disposição expressa da legislação. Vale dizer, a dedutibilidade embasase em regra específica do art. 344, § 5º, do RIR/99, e não na regra genérica, que analisamos acima, do art. 299 do mesmo Regulamento. Em verdade, a necessidade de uma tipificação específica se mostra, eis que não se trata de gasto necessário nem usual. 12. A indedutibilidade na apuração do imposto de renda aplica se, subsidiariamente, em matéria de contribuição social sobre o lucro líquido.” (GRIFEI) É importante registrar que os fundamentos da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT Nº 268, de 04 julho de 2005, foram adotados pela Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Acórdão proferido no Mandado de Segurança nº 200551010213176, cuja ementa tem o seguinte teor: TRIBUTÁRIO. SANÇÕES IMPOSTAS POR DESCUMPRIMENTO DE METAS ESTABELECIDAS EM CONTRATO DE CONCESSÃO FIRMADO COM A ANATEL. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. IMPOSSIBILIADDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO DESPESA OPERACIONAL. As despesas com as multas por inadimplemento contratual impostas às empresas de telecomunicações sempre que descumpridas as condições de regularidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia e modicidade das tarifas na prestação dos serviços de natureza pública ou inobservados os compromissos com a qualidade, abrangência e oferta assumidos pelas concessionárias por ocasião da celebração de Contrato com a ANATEL, não podem ser incluídas como despesas operacionais da contribuinte, pois ditas despesas não são efetuadas para a realização de operações econômicas a que a empresa se propõe a promover, tampouco para seu fomento, mas sim para compensar o não cumprimento de metas traçadas. Não atendendo aos pressupostos legais da necessidade, normalidade e usualidade ao desenvolvimento as atividades da empresa, a teor do disposto no artigo 299 e parágrafos do RIR/99, os dispêndios desembolsados a título da referida despesa não podem ser deduzíveis. Fl. 7015DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 828 50 São, portanto, indedutíveis os valores de R$5.225.518,89, que o autuante diz textualmente ser referente a “multa por descumprimento de contrato, considerada pela fiscalizada, não dedutível para a apuração do IRPJ, mas dedutível para a CSLL”, e de R$1.255.888,89, relativo a “multas indedutíveis”, que a própria impugnante adicionou ao lucro líquido, na apuração do lucro real, ficando mantidas as glosas correspondentes a estes valores. Com relação às “despesas com representação” no montante de (R$22.612,56), a impugnante, quando intimada a justificar a dedutibilidade dessas despesas, adicionadas ao lucro líquido para o cálculo do lucro real e não adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL, de acordo com o Lalur, respondeu que “estas despesas se referem a gastos incorridos com cartão de crédito de uso da diretoria para pagamento de despesas com almoço...”. Logo, considerando a vedação expressa contida no art. 13, inciso IV, da Lei nº 9.249, de 1995, para a dedução de tais despesas da base de cálculo da CSLL, mantémse a glosa efetuada. Quanto às despesas adicionadas ao lucro líquido para o cálculo do lucro real, registradas no Lalur, a título de “despesas com direitos autorais”, no valor de R$164.089,82, mas não adicionadas na apuração base de cálculo da CSLL, considerando que em nenhum dos atos legais e normativos aqui reproduzidos foi estabelecida a indedutibilidade de tais despesas, e tendo em vista que estas se reputam comprovadamente pagas, pois não foram objeto de qualquer ressalva ou contestação, neste requisito, por parte da fiscalização, entendo que as glosas a elas correspondentes não devem prosperar, por falta de amparo na legislação fiscal de regência. No tocante à glosa do valor de R$2.000,00, registrado no Lalur a título de“outras despesas”, indedutíveis no cálculo do Lucro Real, depreendese não ser possível admitila como dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, pois o documento apresentado, às fls. 211/212, em resposta ao Termo de Intimação de fl. 181, não permite a identificação da despesa, tampouco é hábil para comprovar o efetivo pagamento, devendo ser mantida a glosa correspondente. Apenas no que tange ao lançamento da CSLL, a impugnante insurgese contra a glosa de multas contabilizadas na conta contábil “42140008 – Multas Dedutíveis”, no total de R$6.637,87, consideradas indedutíveis, pelo autuante, por não se tratarem de multa moratória sobre recolhimento em atraso, como havia afirmado a fiscalizada em resposta a Termo de Intimação Fiscal, mas sim, de multas de trânsito e INMETRO. Alega a impugnante que a glosa efetuada pela autoridade fiscal está correta em relação à indedutibilidade das referidas despesas na apuração do Lucro Real, tendo em vista que o art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, determina que as despesas Fl. 7016DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 829 51 decorrentes de infrações, tais como multa de trânsito e multa do INMETRO, serão indedutíveis, porém, o mesmo não ocorre em relação aos débitos de CSLL, pois serão adicionadas às apurações de CSLL apenas as provisões indedutíveis para fins de apuração do Lucro Real, de modo que não havendo previsão legal pra a adição das despesas com as multas na base de cálculo da CSLL, o lançamento fiscal estaria revestido de ilegalidade. Entretanto, não assiste razão à impugnante, pois, conforme comentado anteriormente, no que tange à apuração da base de cálculo da CSLL, a Instrução Normativa SRF nº 390/2004, em seu art. 57, prescreve a indedutibilidade das multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária, dentre as quais se inserem as multas em exame. Dessa forma, deve ser mantida a glosa em comento. Por conseguinte, do total glosado tratado neste tópico – R$6.670.090,26 – deve ser restabelecida a dedução referente às “despesas com direitos autorais”, no valor de R$164.089,82, mantendose, portanto a glosa sobre o montante de R$6.506.000,44. Desta forma, voto por negar provimento nesta parte do Recurso Voluntário e manter a glosa das despesas relativas a: “outras despesas” no valor de R$2.000,00, “despesas com operações financeiras” no importe de R$5.225.518,89, e “multas indedutíveis” no valor de R$1.255.868,99. Multa Isolada: Entendo não ser possível a aplicação da multa de oficio no importe de 75% concomitantemente com a multa isolada de 50%. Para fundamentar meu entendimento, me socorro da jurisprudência deste E. CARF e do C. STJ, que vai no sentido de que mesmo após a edição da Lei 11.488/07, que alterou o artigo 44 da Lei 9.430/96, não é possível a aplicação concomitante da multa de oficio com a multa isolada sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Vejamos trecho do voto vencedor do Conselheiro João Otavio Thomé, nos autos do processo 16682.721205/201100, acórdão nº 1102.001.315, que se baseou no voto vencedor do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio do v. acórdão nº 1102001.226, todos da 1ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 1ª Seção, nos autos do processo 1048.720836/201355. Vejamos. “Aduz a Fazenda Nacional que o acórdão embargado foi omisso quanto à possibilidade de aplicação concomitante da multa de Fl. 7017DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 830 52 ofício e da multa isolada sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL não recolhidas após a mudança legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Citado tema já foi apreciado por essa Turma de Julgamento, no Acórdão nº 1102001.226, por meio do qual se decidiu pela impossibilidade de aplicação da multa isolada em concomitância à multa de ofício, mesmo após o advento da Medida Provisória nº 351/07. Confirase trecho do voto do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, relator do citado acórdão: “Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga a forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar mula isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual.” Entendeu o Colegiado que a alteração da redação da norma referida pela Embargante não afasta a legitimidade da aplicação da teoria da consunção ao caso, porquanto não promoveu alteração do regime de apuração dos tributos em referência.” Fl. 7018DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 831 53 O v. acórdão nº 1102001.226 em relação a concomitância das multas restou ementado da seguinte forma: Ementa: “ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. "Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tribut os devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de penalidade de uma obrigação principal de pagar." Este entendimento foi mantido ao ser analisados os Embargos de Declaração nos autos do mesmo processo 16682.721205/201100, de Relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho, conforme se depreende do v. acórdão nº 1102001.315 de 25/09/2015, conforme ementa abaixo. Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DE TRIBUTO. ALTERAÇÕES DA LEI 11.488/07. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ, mesmo após as alterações no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela Lei nº 11.488/07.” Seguindo a mesma linha dos julgados acima apontados deste E. Carf, seguem ementas de v. acórdãos proferidos no C. STJ: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser Fl. 7019DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 832 54 aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1499389 / PB) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (REsp 1496354 / PR RECURSO ESPECIAL2014/02967297). Assim, face jurisprudência acima apontada, voto para que seja afastada totalmente a multa isolada aplicada no auto de infração, mantendo apenas a multa de ofício. Juros de mora (SELIC) sobre a multa de ofício: Fl. 7020DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 833 55 Alega o recorrente a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. De acordo com a jurisprudência desta C. Turma Julgadora, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido em relação a este tópico. Sobre tal tema já se consolidou a jurisprudência deste Colegiado. Tal consolidação decorre de explicitação constante do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." Por sua vez, a Súmula CARF nº 5, esclarece: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A CSRF por meio de sua 2ª Turma, recentemente decidiu nesse sentido (Acórdão 9202003.962, de 10/05/2016): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 20/07/2007, 01/08/2007, 05/11/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte negado Sendo assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário nessa parte. Recurso de Ofício: Da Composição do Saldo de Prejuízo Fiscal – Da Compensação em Duplicidade pela Receita Federal do Brasil de Valores de Prejuízo Fiscal IRPJ: Fl. 7021DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 834 56 A matéria tratada neste tópico, é estritamente pautada na análise do conteúdo probatório existente nos autos, ou seja, consiste apenas em matéria de prova. Ao analisar os documentos acostados aos autos, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido. Desta forma, colaciono abaixo os fundamentos da decisão recorrida para fundamentar meu voto e reconhecer a suficiência do prejuízo fiscal para compensar com o lucro real obtido no anocalendário de 2009, no valor de R$29.465.768,50, efetuada na DIPJ/2010. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o saldo de prejuízo fiscal acumulado no anocalendário de 2008, registrado no Sapli, importa em R$131.268.881,98, sendo que a Interessada utilizou parte destes valores – R$118.791.019,97 – para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, de modo que restou apenas R$12.477.862,01 de prejuízo fiscal a ser compensado em 2009. Como utilizou R$29.465.768,50 para compensar com o lucro real obtido em 2009, o valor de R$16.987.906,49 (R$29.465.768,50 – R$12.477.862,01), correspondente à insuficiência de prejuízo fiscal compensado na DIPJ/2010, foi submetido à tributação. A Impugnante, por sua vez, afirma que os valores descontados a título de pagamento no Refis IV totalizaram apenas R$77.273.932,42, sendo a diferença para os R$118.971.019,97 (no valor de R$41.517.087,56), referente às glosas realizadas em decorrência da desistência no PAF 13971.002328/200548, que já haviam sido devidamente ajustadas pela RFB no sistema Sapli, refletindo, portanto, no saldo apurado no Sapli no ano de 2008, mas que a Contribuinte não havia escriturado em seus controles do prejuízo fiscal, em virtude de a citada glosa ter sido impugnada, e somente com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, quando optou pela desistência da discussão administrativa no PAF 13971.002328/2005 48, lançou a glosa em comento, no ano de 2009, no valor de R$41.517.087,56, correspondente ao valor mantido na decisão proferida pela DRJ de Florianópolis, em 13/04/2009, reduzindo o seu saldo de prejuízo fiscal acumulado até 2008, remanescendo um saldo de R$113.015.756,37 (saldo de R$154.532.843,93.843,93 – R$41.517.087,56). Consta na Parte B do Lalur, pg. 072, anexada à fl. 272 do presente processo, o registro de baixa de prejuízo fiscal, em 23/11/2009, no valor de R$77.273.932,41, com o histórico Baixa com compensação de pagamento de – PIS e Cofins conforme MP 470/09, e no valor de R$41.517.087,56, com o histórico de Baixa por desistência de processos. Fl. 7022DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 835 57 Verificase que, em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, a Contribuinte apresentou, à fl. 17, um demonstrativo da composição do valor da Ficha 09 A, linha 69 – Outras Exclusões, da DIPJ/2010, no qual se visualiza a discriminação dos débitos da Contribuinte administrados pela Receita Federal do Brasil e os débitos para com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que foram pagos, parcelados ou re parcelados, nos termos do art. 3º da Medida Provisória nº 470, de 13 de outubro de 2009, e da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Em atendimento ao item 5 do Termo de Intimação nº 0001 – Planilha de cálculo dos valores compensados com prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição social em 23/11/2009, conforme Lalur, identificando os processos e tributos a que se referem e a base legal – a Contribuinte apresentou a documentação de fls. 90 a 100 e 104 a 109, em que está demonstrada a utilização de prejuízo fiscal no valor de R$77.273.932,41, para, juntamente com a utilização de base de cálculo negativa de CSLL, em igual montante, liquidar débitos constantes do processo nº 13971.001075/200412, na forma do art. 3º da MP nº 470/2009, no valor consolidado de R$26.273.137,02. Constatase, ainda, a utilização de base de cálculo negativa de CSLL, no montante de R$61.129.027,00, para liquidar juros no valor de R$5.501.612,43, referente aos débitos constantes dos processos 13971.001144/200722 e 13971.003925/200751, que foram objeto de pagamento à vista. Convém lembrar, que por meio do Ato Declaratório Executivo Codac nº 65, de 27 de julho de 2009, foram instituídos códigos de receita específicos a serem utilizados no preenchimento do Darf ou da GPS, conforme o caso, para cada uma das diversas modalidades de pagamento previstas na Lei nº 11.941, de 2009. Em pesquisas feitas aos sistemas informatizados da RFB, verificouse a existência de apenas um pagamento, no valor de R$7.849.493,95, com código de receita indicativo de utilização de prejuízo fiscal e/ou base de cálculo negativa de CSLL, mais especificamente, o código 1188 – Lei nº 11.941, de 2009 – PGFN – Demais Débitos – Pagamento à vista com utilização de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL para liquidar multa e juros. Todavia, está comprovado nos autos, às fls. 108 e 109, que tal pagamento se refere aos débitos, já mencionados, constantes dos processos 13971.001144/200722 e 13971.003925/200751, em cuja quitação não foi utilizado prejuízo fiscal, mas sim base de cálculo negativa da CSLL, no montante de R$61.129.029.027, para liquidar juros no valor de R$5.501.612,43. Já a pesquisa feita no sistema DATAPREV INSS revelou a inexistência de registro de utilização de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa para liquidação de multa e/ou juros incidentes sobre débitos referentes a contribuições previdenciárias, pagas, parceladas ou reparceladas, no âmbito da Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 7023DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 836 58 Dessa forma, não há evidência nos autos, como também não há registro nos sistemas de controle da RFB, pesquisados, que confirmem a utilização do prejuízo fiscal em questão, no montante de R$41.517.087,56, devendo ser acolhidos os argumentos da Impugnante no sentido de que este valor referese à baixa de prejuízo fiscal, em decorrência das glosas efetuadas no Auto de Infração de que trata o processo nº 13971.002328/200548, mantidas na decisão da DRJ/Florianópolis, que resultaram em redução do prejuízo fiscal dos períodos autuados, cujos ajustes foram devidamente procedidos pela RFB no sistema Sapli, mas que a Contribuinte somente veio a proceder, em seus controles de prejuízos fiscais acumulados, em 2009, quando desistiu do referido PAF, a fim de incluir, no parcelamento concedido nos termos da Lei nº 11.941, de 2009, os débitos relativos aos lançamentos de CSLL, dos anoscalendário de 2000 e 2003, mantidos na aludida decisão. Assim, o valor do prejuízo fiscal utilizado para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, constante do Auto de Infração do IRPJ, deve ser retificado de R$118.791.019,97 para R$77.273.932,41. Deduzindose do saldo de prejuízo fiscal acumulado no ano calendário de 2008, no montante de R$131.268.881,98, registrado no Sapli, o valor de R$77.273.932,41, utilizado para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, remanesce a quantia de R$53.994.949,57, suficiente para a compensação com o lucro real obtido no ano calendário de 2009, no valor de R$29.465.768,50, efetuada na DIPJ/2010, inexistindo, portanto, a insuficiência de prejuízo fiscal, no valor de R$16.987.906,49, apontada no Auto de Infração e submetida à tributação de ofício, devendo esta ser afastada. Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso de Oficio neste ponto. Da composição do Saldo de Base de Cálculo Negativa da CSLL Inicialmente, para evitar equívocos, cumpre destacar que a acusação de que a Recorrida teria utilizado quantia a maior do que o registrado no Sapli, no anocalendário de 2008 de saldo de base de cálculo negativa de CSLL para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009 (REFIS IV), não se confunde com a acusação relativa à insuficiência ou não de reconhecimento do saldo de base negativa de CSLL que a Recorrente teria adquirido nas operações de cisão e incorporação. A primeira acusação que foi cancelada pelo v. acórdão e deve ser analisada neste Recurso de Ofício, exige a diferença de R$ 33.264.958,16 existente entre os R$ 138.402.959,41 de saldo de base negativa da CSLL existente no Sapli e os R$ 171.667.917,57 Fl. 7024DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 837 59 que a fiscalização achou que a Recorrente tinha utilizado para pagamento do tributo por meio do REFIS IV. A Fiscalização achou que a Recorrente teria utilizado R$ 171.667.917,57 de saldo de base de cálculo negativa da CSLL, saldo este maior do que existia nos sistemas da RFB, no importe de R$ 138.402.959,41, decidindo então glosar a diferença no importe de R$ 33.264.958,16 (R$ 171.667.917,57 R$ 138.402.959,41 = R$ 33.264.958,16). Posteriormente, restou comprovado nos autos que a Recorrente teria utilizado o saldo de base negativa até o limite de R$ 138.402.959,41 para pagamento dos processos administrativos 13971.001075/200412, 13971.001144/200722 e 13971.003925/200751, conforme anteriormente decidido na composição do prejuízo fiscal, cancelando assim a exigência dos R$ 33.264.958,16, sobrando R$ 255.940,05 de saldo de base de cálculo negativa para utilizar. Desta forma, de acordo como os fundamentos acima, voto no sentido de manter a decisão do v. acórdão em relação a este tópico. No mais, segue a parte do v. acórdão relativa a este tópico: Por outro lado, da análise dos argumentos no sentido de que os valores descontados de bases de cálculo negativas de CSLL a título de pagamento no Refis IV totalizaram apenas R$138.402.959,41, de modo que a diferença para os R$171.667.917,57 (no valor de R$33.264.958,16) referese a glosas realizadas em decorrência da desistência no PAF nº 13971.002328/200548, reitero os mesmos fundamentos expostos anteriormente neste voto, quando foi examinada a glosa referente à compensação indevida de prejuízo fiscal. Em outras palavras, não há evidência nos autos, como também, não há registro nos sistemas de controle da RFB, pesquisados, que confirmem a utilização das bases de cálculo negativas em discussão, no montante de R$33.264.958,16, devendo ser acolhidos os argumentos da Impugnante no sentido de que este valor se refere à baixa das bases de cálculo negativas, em decorrência das glosas efetuadas no Auto de Infração de que trata o processo nº 13971.002328/200548, mantidas na decisão da DRJ/Florianópolis, que resultaram em redução das bases de cálculo negativas dos períodos autuados, cujos ajustes foram devidamente procedidos pela RFB no sistema Sapli, mas que a Contribuinte somente veio a proceder, em seus controles de bases de cálculo negativas acumulados, em 2009, quando desistiu do referido PAF, a fim de incluir, no parcelamento concedido nos termos da Lei nº 11.941, de 2009, os débitos relativos aos lançamentos de CSLL, dos anoscalendário de 2000 e 2003, mantidos na aludida decisão. As bases de cálculo negativas de CSLL, cuja utilização para liquidação de débitos nos termos da MP 470/2009 e da Lei nº 11.941/2009 restou demonstrada, importam nos montantes de R$77.273.932,41 (para liquidar débitos constantes do processo nº 13971.001075/200412) e de R$61.129.027,00 (para liquidar juros referentes aos débitos constantes dos processos Fl. 7025DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 838 60 13971.001144/200722 e 13971.003925/200751) totalizando R$138.402.959,41, tal como arguido pela Impugnante. Assim, o valor das bases de cálculo negativas de CSLL utilizado para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, constante do Auto de Infração do IRPJ, deve ser retificado de R$171.667.917,57 para R$138.402.959,41. Deduzindose do saldo de bases de cálculo negativas de CSLL acumulado no anocalendário de 2008, no montante de R$138.658.899,46, registrado no Sapli, o valor de R$138.402.959,41, utilizado para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, remanesce a quantia de R$255.940,05. Como foi utilizado o montante de R$27.464.741,43, para a compensação com a base de cálculo da CSLL apurada no anocalendário de 2009, efetuada na DIPJ/2010, houve insuficiência de R$27.208.801,38, sobre a qual deve ser mantida a tributação. Desta forma, em relação a este ponto voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Da parcela da glosa de despesas com direitos autorais no importe de R$ 164.089,82, que foi excluída pelo v. acórdão recorrido (Dedutibilidade das Despesas na apuração da CSLL no TVF está como Diferença entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL): Nesta parte, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser reformado, eis que de acordo com o artigo 57 da Lei 8.981/95, a regra geral de dedutibilidade para o IRPJ também deve ser aplica na apuração da base de cálculo da CSLL. Vejamos o texto do artigo: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (grifos não do original) Notase, desse dispositivo legal, que as mesmas regras (gerais) de apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ) devem ser aplicadas à base de cálculo da CSLL, salvo se existir disposição legal expressa e específica que porventura reconheça um tratamento diferenciado para adições, exclusões ou compensações determinadas. Desta forma, nesta parte voto por dar provimento ao Recurso de Ofício para manter a glosa relativa a despesa com direito autorias. Fl. 7026DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 839 61 Pagamento da dívida ativa – Princípio da Competência Dos encargos legais da PGFN e os juros de mora incorridos em 2009, no importe de R$143.017,78 que foram cancelados pelo v. acórdão: Em relação a este tópico, como cancelei totalmente a glosa das despesas com débitos de COFINS, entendo que esta parte do Recurso de Ofício perdeu seu objeto. Caso meus pares entendam que não é o caso de cancelamento, então adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido para negar provimento a esta parte do Recurso de Ofício, por entender que os encargos legais da PGFN e os juros de mora incorridos em 2009 respeitaram o regime da competência e são despesas dedutíveis. Colaciono a parte do v. acórdão pertinente a este assunto. Por outro lado, os juros de mora, sendo acessórios da obrigação principal, seguem a mesma sistemática de reconhecimento como despesas dos tributos, qual seja, o regime de competência. Assim, tais despesas deveriam afetar os anoscalendário de 1999 a 2008, e ainda o anocalendário de 2009, até o mês de novembro, em que houve o pagamento, à medida em que foram incorridas. O mesmo se aplica com relação aos encargos legais da Procuradoria da Fazenda Nacional, que devem influenciar os períodos de apuração ocorridos a partir da inscrição dos débitos na Dívida Ativa da União. Dessa forma, tenho que a impugnante poderia deduzir no ano calendário de 2009, as parcelas do débito incorridas no ano calendário de 2009, que são, justamente, os juros de mora e os encargos legais da PGFN, incorridos no período de janeiro a novembro de 2009. Da análise do demonstrativo da consolidação dos débitos na PGFN, às fls. 107 e 109, cujos valores transcrevese a seguir, verificase que o valor principal dos débitos em discussão importa em R$7.849.493,95: [...] Tabela relativa ao débito Aplicando sobre o valor principal, a taxa Selic acumulada de janeiro a outubro de 2009, acrescida do percentual de 1%, no mês de novembro de 2009, no total de 9,11%, chegase a juros de mora incorridos no referido período, no montante de R$715.088,90, enquanto que os encargos legais da PGFN, no percentual de 20%, sobre os juros de mora incorridos em 2009, importam em R$143.017,78, assim demonstrados: [...] Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, para cancelar a glosa relativa aos encargos legais da PGFN e os juros de mora do ano de 2009, no importe respectivamente de R$ 715.088,90 e R$ 143.017,78. Fl. 7027DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 840 62 Da dedutibilidade dos pagamento feitos aos Administradores cancelamento das deduções feitas na apuração da CSLL. Nesta parte, entendo que o v. acórdão deve ser reformado, eis que de acordo com o artigo 57 da Lei 8.981/95, a regra geral de dedutibilidade deve ser aplicada na apuração da base de cálculo da CSLL. Vejamos o texto do artigo: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (grifos não do original) Notase, desse dispositivo legal, que as mesmas regras (gerais) de apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ) devem ser aplicadas à base de cálculo da CSLL, salvo se existir disposição legal expressa e específica que porventura reconheça um tratamento diferenciado para adições, exclusões ou compensações determinadas. Desta forma, voto por dar provimento ao Recurso de Ofício para manter a glosa relativa a despesa com pagamentos feitos aos administradores. Multa Isolada: Este tópico trata do recálculo da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo das estimativas, devido ao cancelamento pela DRJ de parte das infrações acima analisadas. Ocorre que, conforme pode se verificar acima, ao tratar desta matéria em sede de Recurso Voluntário decidi pelo cancelamento total da multa isolada, por entender não ser viável sua concomitância com a multa de ofício de 75%. Assim, como votei pelo cancelamento total da multa isolada em sede de Recurso Voluntário, entendo que os argumentos e alegações abrangidos pelo Recurso de Ofício sobre o recálculo da multa em comento perderam seu objeto. Entretanto, conforme pode se verificar na Ata, ao ser julgado a multa isolada em sede de Recurso Voluntário, este Relator restou vencido por maioria qualificada. Por conseqüência, ao julgarmos o recálculo da multa isolada relativo as infrações que foram canceladas pela DRJ em sede de Recurso de Ofício, alguns dos D. Conselheiros que compuseram o Colegiado, decidiram me acompanhar pelas conclusões, sendo Fl. 7028DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 841 63 determinado pela Presidente da Turma que as razões dos Conselheiros que votaram pelas conclusões fossem incorporadas no voto deste Relator. Desta forma, conforme determinado, seguem as razões: No que tange às exigências de multa isolada, acerca das quais a maioria qualificada do Colegiado decidiu dar parcial provimento ao recurso voluntário. A recorrente aponta a (i) impossibilidade de exigência da referida multa após o encerramento do anocalendário e, ainda, a (ii) impossibilidade da cumulação da multa de ofício (art. 44, I da Lei nº 9.430/1996) com a multa isolada (art. 44, II, "b", da Lei nº 9.430/1996). Contudo, a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o ano calendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar Fl. 7029DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 842 64 balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do ano calendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 7030DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 843 65 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Em razão dos efeitos desta alteração, a 1a Turma da CSRF aprovou a Súmula nº 105 com o seguinte enunciado: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Restou pacificado nesta 1a Seção de Julgamento que até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, que alterou a redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430/96 e deslocou o fundamento legal da penalidade em comento para o inciso I, letra “b” daquele art. Fl. 7031DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 844 66 44, não é possível a exigência concomitante das duas penalidades. Todavia, as infrações aqui punidas ocorreram a partir de janeiro de 2009 e está evidenciado nos autos que a contribuinte, relativamente ao pagamento mensal esperado naqueles períodos, deixou de efetuálo integralmente, descumprindo esta obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das base tributáveis. A multa proporcional, por sua vez, foi aplicada em razão da falta de recolhimento dos tributos devidos ao final do período. Neste contexto, a exigência da multa isolada deve ser mantida, ainda que concomitante com a multa de ofício proporcional, bem como após a concretização do fato gerador anual, na linha da jurisprudência dominante na 1ª Turma da CSRF: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando adotou a redação em que afirma "serão aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de ofício isolada, em razão do recolhimento a menor de estimativa mensal, cumulativamente com a multa de ofício proporcional, em razão do pagamento a menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o final do ano em que tornouse devida a estimativa. (Acórdão nº 9101 002.777 Sessão de 6 de abril de 2017). ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do períodobase de incidência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Repelese o argumento que pretende escorarse na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a Fl. 7032DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 845 67 possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. (Acórdão nº 9101003.597 Sessão de 10 de maio de 2018). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. (Acórdão nº 9101003.611 Sessão de 5 de junho de 2018). Assim, as multas isoladas devem ser reduzidas, apenas, em razão do provimento parcial dado pela DRJ na impugnação nos pontos precedentes, razão pela qual DÁ SE PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para manter a exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas em razão das infrações que subsistiram no presente julgamento. Desta forma, em relação ao recálculo da multa isolada, voto por negar provimento ao Recurso de Oficio. Conclusão: Por todo o exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço de ambos recursos, e dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a infração relativa a utilização de base negativa de CSLL no valor de R$ 27.208.802,38 (infração do item 3.4 do TVF), a infração relativa a pagamento de Dívida Ativa em descompasso com o regime de competência (infração 3.3.5 do TVF) e cancelar a aplicação de multa isolada concomitante Fl. 7033DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 846 68 com a multa de ofício (infração 5 do TVF) e em relação ao Recurso de Ofício dou parcial provimento para restabelecer a parcela da glosa relativa a despesas autorias e o pagamento feito aos administradores, mantendo o restante do v. acórdão em seus termos. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 7034DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 847 69 Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Redatora designada O Relator restou vencido nos seguintes pontos: · glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência, acerca da qual a maioria qualificada do Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário; · exigências de multa isolada, acerca das quais a maioria qualificada do Colegiado decidiu dar parcial provimento ao recurso voluntário; e · glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com direitos autorais e de pagamentos aos administradores, acerca das quais a maioria qualificada do Colegiado decidiu negar provimento ao recurso de ofício. Com referência à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência, tratase da constatação, pela autoridade fiscal, de que a contribuinte deduziu, em novembro de 2009, débitos de COFINS declarados e não pagos de outubro/99 a abril/2003, em razão do pagamento de tais valores, já inscritos em Dívida Ativa da União, com os benefícios da Lei nº 11.941/2009. Sob o entendimento de que tais valores não estiveram com a exigibilidade suspensa e, assim, deveriam ter sido apropriados segundo o regime de competência, a autoridade lançadora promoveu a glosa dos valores contabilizados a título de "Outras Despesas Operacionais", "Multas Dedutíveis" e "Juros s/ Tributos", no valor total de R$ 23.306.789,31. Este valor foi adicionado ao lucro real, à base de cálculo da CSLL e à apuração das estimativas de IRPJ e CSLL em novembro de 2009, sendo a exigência da CSLL devida no ajuste anual foi veiculada no lançamento complementar de fls. 968/986. A autoridade julgadora de 1ª instância acolheu parcialmente a impugnação do sujeito passivo, rejeitando a alegação de que parte da despesa glosada já teria sido adicionada no período autuado, mas admitindo que a diferença entre esses valores, atribuída a encargos e atualização dos débitos pertinentes ao anocalendário 2009 (R$ 4.608.973,18), corresponderia parcialmente a juros de mora (R$ 715.088,90) e encargos legais (R$ 143.017,78) que seriam devidos sobre o valor principal dos débitos pagos. A glosa, assim, foi reduzida a 22.448.682,63 e, nos termos do voto do Relator, foi negado provimento ao recurso de ofício nesta parte. Em recurso voluntário a interessada esclareceu que os valores devidos até 2008 (principal, multa e juros) já haviam sido apropriados segundo o regime de competência, de modo que ao contabilizar o valor pago em 2009 (R$ 23.306.788,94), procedeu à adição dos valores antes apropriados (R$ 18.697.816,13), restando o lucro de 2009 afetado, apenas, pela parcela de R$ 4.608.972,81, pertinente àquele período. Em razão da Resolução nº 1402000.374, que requereu investigações acerca da alegada adição de R$ 18.697.816,13, o Relator entendeu comprovada a adição de R$ 18.697.816,13, no que foi acompanhado pelos demais membros do Colegiado. Já em relação à Fl. 7035DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 848 70 parcela de R$ 4.608.973,18, a maioria qualificada do Colegiado não considerou comprovada sua correspondência com a atualização dos débitos no anocalendário 2009. Isto porque, em impugnação, a contribuinte se limitou a afirmar que a parcela de R$ 4.608.973,18 corresponderia aos encargos pertinentes ao anocalendário 2009, sem demonstrar esta correspondência. E, em recurso voluntário, embora demonstrando os juros e multa de mora incorridos até 2008, a determinação da parcela de R$ 4.608.972,81, como referente a 2009, se fez por diferença em face do total atualizado até a data do pagamento, sem explicitar porque este montante supera aquele demonstrado na decisão recorrida, equivalente aos juros de mora e os encargos legais correspondentes. Vêse, porém, que apenas na demonstração dos acréscimos pertinentes a 2009 a contribuinte adicionou os encargos legais devidos à Procuradoria da Fazenda Nacional, indicandoos nos montantes de R$ 321.754,30 e R$ 3.562.710,52, que correspondem a exatos 20% dos débitos adicionados da multa de mora e dos juros de mora incorridos desde o vencimento, muito embora, como informado pela própria recorrente, tais débitos tenham sido inscritos em dívida ativa e executados através das Execuções Fiscais nº 2008.72.05.0012260 e 2008.72.05.0016719, ou seja, antes do anocalendário 2009. Não merece reparos, portanto, a decisão de 1ª instância que limitou a dedutibilidade, no anocalendário, aos juros de mora incorridos neste período e os correspondentes encargos legais sobre eles incidentes, no total de R$ 858.106,68 (R$ 715.088,90 + R$ 143.017,78). Logo, uma vez demonstrada a adição de R$ 18.697.816,13, a glosa de R$ 23.306.789,31, reduzida a R$ 22.448.682,63 na decisão de 1ª instância, deve ser mantida no valor de R$ 3.750.866,53. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário. No que tange às exigências de multa isolada, acerca das quais a maioria qualificada do Colegiado decidiu dar parcial provimento ao recurso voluntário. A recorrente aponta a (i) impossibilidade de exigência da referida multa após o encerramento do anocalendário e, ainda, a (ii) impossibilidade da cumulação da multa de ofício (art. 44, I da Lei nº 9.430/1996) com a multa isolada (art. 44, II, "b", da Lei nº 9.430/1996). Contudo, a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] Fl. 7036DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 849 71 §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 7037DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 850 72 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Em razão dos efeitos desta alteração, a 1a Turma da CSRF aprovou a Súmula nº 105 com o seguinte enunciado: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Restou pacificado nesta 1a Seção de Julgamento que até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, que alterou a redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430/96 e deslocou o fundamento legal da penalidade em comento para o inciso I, letra “b” daquele art. 44, não é possível a exigência concomitante das duas penalidades. Todavia, as infrações aqui punidas ocorreram a partir de janeiro de 2009 e está evidenciado nos autos que a contribuinte, relativamente ao pagamento mensal esperado naqueles períodos, deixou de efetuálo integralmente, descumprindo esta obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das base tributáveis. A multa proporcional, por sua vez, foi aplicada em razão da falta de recolhimento dos tributos devidos ao final do período. Fl. 7038DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 851 73 Neste contexto, a exigência da multa isolada deve ser mantida, ainda que concomitante com a multa de ofício proporcional, bem como após a concretização do fato gerador anual, na linha da jurisprudência dominante na 1ª Turma da CSRF: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando adotou a redação em que afirma "serão aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de ofício isolada, em razão do recolhimento a menor de estimativa mensal, cumulativamente com a multa de ofício proporcional, em razão do pagamento a menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o final do ano em que tornouse devida a estimativa. (Acórdão nº 9101002.777 Sessão de 6 de abril de 2017). ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do períodobase de incidência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Repelese o argumento que pretende escorarse na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. (Acórdão nº 9101003.597 Sessão de 10 de maio de 2018). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do Fl. 7039DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 852 74 IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. (Acórdão nº 9101003.611 Sessão de 5 de junho de 2018). Assim, as multas isoladas devem ser reduzidas, apenas, em razão do provimento parcial dado ao recurso voluntário nos pontos precedentes, razão pela qual DÁ SE PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para manter a exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas em razão das infrações que subsistiram no presente julgamento. Por fim, quanto à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com direitos autorais e de pagamentos aos administradores, importa inicialmente observar que a autoridade julgadora de 1ª instância as afastou sob os seguintes fundamentos: Com relação à CSLL, alega a Impugnante que mesmo que se entenda que os pagamentos realizados aos administradores, a título de 1/3 de férias, 13º salário e participação nos resultados não se tratam de despesas necessárias às suas atividades, deve ser admitida a dedutibilidade dos referidos valores na composição da base de cálculo da CSLL, pois não haveria previsão legal para que tais despesas não sejam deduzidas da base de cálculo da CSLL. Discutese, portanto, a possibilidade de as regras de dedutibilidade previstas para o IRPJ serem aplicadas também à Contribuição: de um lado, a Fiscalização aplica os conceitos de despesa operacional, necessária e usual contidas no artigo 47 da Lei nº 4.506, de 1964 (artigo 299 do RIR/99) para considerálas indedutíveis na base de cálculo da CSLL; e, de outro, a Empresa as considera dedutíveis ante a ausência de previsão legal específica. A previsão constitucional da CSLL está contida na alínea “c” do inciso I do art. 195, e sua instituição foi dada pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Este mesmo diploma legal estabelece: Art. 6º A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. A Lei nº 8.981 repete essa norma, nestes termos: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Da leitura dos art. 6º, parágrafo único, da Lei nº 7.689, de 1988, e 57 da Lei nº 8.981, de 1995, vêse que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, e, no que couberem, as referentes à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação da CSLL. A Lei nº 7.689, de 1988, previa em seu artigo 2º, após alteração de sua redação pela Lei nº 8.034, de 1990, que: Fl. 7040DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 853 75 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. Posteriormente, a Lei nº 9.249, de 1995, acrescentou as seguintes regras de dedutibilidade: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto noart. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. Fl. 7041DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 854 76 § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata aLei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dosincisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. Notase que, ao prever a indedutibilidade de despesas tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, no caput do artigo há a ressalva “independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964”. O artigo citado é o que define despesa operacional, necessária e usual, definindo, ainda, algumas despesas indedutíveis. Vejamos: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. § 3º Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. § 4º No caso de empresa individual, a administração do imposto poderá impugnar as despesas pessoais do titular da empresa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas se esse não puder provar a relação da despesa com a atividade da empresa. § 5º Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da empresa, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela administração do imposto, se o contribuinte não provar: Fl. 7042DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 855 77 a) no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 6º Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias de bens objeto da inversão, quando decorrerem de condições excepcionais de obsolescência de casos fortuitos ou de força maior, cujos riscos não estejam cobertos por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros. § 7º Incluemse, entre os pagamentos de que trata o § 5º, as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas empresas, com viagens para o exterior, equipandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. Podese concluir que, ao fazer a ressalva do caput do artigo 13 da Lei nº 9.249, o legislador quis dizer que: ainda que operacionais, necessárias e usuais, as despesas abaixo relacionadas são indedutíveis. Mas essa afirmação se dá somente para o IRPJ, uma vez que a Lei nº 4.506, de 1964 é dirigida a este Imposto, mesmo porque a CSLL não existia à época de sua publicação, tampouco houve previsão, por outra norma, de aplicação de seu texto à CSLL. A Instrução Normativa SRF nº 390, 2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, assim se refere à sua base de cálculo: Art. 3ºAplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e, no que couberem, as referentes à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação da CSLL. (...) Art. 14.A base de cálculo da CSLL, determinada segundo a legislação vigente na data de ocorrência do respectivo fato gerador, é o resultado ajustado, presumido ou o arbitrado, de que tratam os arts. 37 e 85, correspondente ao período de apuração. (...) Art. 37.Considerase resultado ajustado o lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o IRPJ, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação da CSLL. Parágrafo único. A determinação do resultado ajustado será precedida da apuração do lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais. O artigo 38 prevê as adições; o 39, as exclusões; e o 40, as compensações relativas ao ajuste do lucro líquido para a obtenção da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A Instrução Normativa (IN) deixa clara a distinção entre a base de cálculo da CSLL e a do IRPJ. Portanto, não se deve ter como próprio da contribuição todo o regulamento do IRPJ, como por exemplo, concernente à apuração da base de cálculo, muito embora, venha se observando que há uma tendência de aproximação. Tanto a base de cálculo do IRPJ quanto a da CSLL são obtidas a partir do lucro líquido contábil apurado pela entidade, com observância da legislação comercial, Fl. 7043DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Acórdão n.º 1402003.899 S1C4T2 Fl. 856 78 depois de procedidos os ajustes (adições e exclusões) estabelecidos pela legislação específica de cada tributo. Em face da ausência de norma na legislação da CSLL, prescrevendo a adição das despesas com o pagamento de verbas a administradores a título de 1/3 de férias, salário e participação nos resultados, na apuração da base desta contribuição, a glosa efetuada não deve prosperar. Quanto às despesas adicionadas ao lucro líquido para o cálculo do lucro real, registradas no Lalur, a título de “despesas com direitos autorais”, no valor de R$164.089,82, mas não adicionadas na apuração base de cálculo da CSLL, considerando que em nenhum dos atos legais e normativos aqui reproduzidos foi estabelecida a indedutibilidade de tais despesas, e tendo em vista que estas se reputam comprovadamente pagas, pois não foram objeto de qualquer ressalva ou contestação, neste requisito, por parte da fiscalização, entendo que as glosas a elas correspondentes não devem prosperar, por falta de amparo na legislação fiscal de regência. A maioria qualificada do Colegiado não endossa o entendimento do Relator no sentido de que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 impõe a aplicação, à CSLL, das regras de dedutibilidade previstas no âmbito do lucro real. Prevalece a interpretação de que referido dispositivo, à semelhança do art. 28 da Lei nº 9.430/96, prestase apenas a transportar, para a legislação de regência da CSLL, as definições acerca de periodicidade e sistemática de apuração aplicáveis ao IRPJ. Considerando que a autoridade lançadora não agregou fundamentos legais específicos para promover as glosas em referência na base de cálculo da CSLL, correta a decisão de 1ª instância que, não vislumbrando amparo a elas na legislação que rege a CSLL, cancelou as exigências correspondentes. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora designada Fl. 7044DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724091/2012-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. MECANISMOS DE AFERIÇÃO.
A exclusão de valores pagos sob a forma de Participação nos Lucros ou Resultados - PLR a empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias está sujeita a definição de mecanismos de aferição para seu pagamento e, quando existentes tais mecanismos, à comprovação de que foi feito o devido acompanhamento do programa, como também a avaliação do desempenho dos empregados quanto ao alcance dos resultados de modo a justificar o pagamento do benefício.
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000.
Os valores pagos a diretores não empregados a título de PLR integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias por inexistir norma específica que preveja sua exclusão do salário-de-contribuição.
A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do PLR paga a administradores não empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO OU DE CASA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
As parcelas pagas a título de prêmio por tempo de serviço ou de casa, ainda que não previstas em contrato, acordo ou convenção coletiva de trabalho, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-007.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral, e a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. MECANISMOS DE AFERIÇÃO. A exclusão de valores pagos sob a forma de Participação nos Lucros ou Resultados - PLR a empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias está sujeita a definição de mecanismos de aferição para seu pagamento e, quando existentes tais mecanismos, à comprovação de que foi feito o devido acompanhamento do programa, como também a avaliação do desempenho dos empregados quanto ao alcance dos resultados de modo a justificar o pagamento do benefício. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. Os valores pagos a diretores não empregados a título de PLR integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias por inexistir norma específica que preveja sua exclusão do salário-de-contribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do PLR paga a administradores não empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias. PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO OU DE CASA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. As parcelas pagas a título de prêmio por tempo de serviço ou de casa, ainda que não previstas em contrato, acordo ou convenção coletiva de trabalho, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.724091/2012-11
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6022112
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.698
nome_arquivo_s : Decisao_15504724091201211.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 15504724091201211_6022112.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral, e a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7790343
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120734760960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.724091/201211 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202007.698 – 2ª Turma Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrentes BANCO BMG SA e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. MECANISMOS DE AFERIÇÃO. A exclusão de valores pagos sob a forma de Participação nos Lucros ou Resultados PLR a empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias está sujeita a definição de mecanismos de aferição para seu pagamento e, quando existentes tais mecanismos, à comprovação de que foi feito o devido acompanhamento do programa, como também a avaliação do desempenho dos empregados quanto ao alcance dos resultados de modo a justificar o pagamento do benefício. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. Os valores pagos a diretores não empregados a título de PLR integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias por inexistir norma específica que preveja sua exclusão do saláriodecontribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do PLR paga a administradores não empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias. PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO OU DE CASA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. As parcelas pagas a título de prêmio por tempo de serviço ou de casa, ainda que não previstas em contrato, acordo ou convenção coletiva de trabalho, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 40 91 /2 01 2- 11 Fl. 1882DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral, e a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 2301004.386, proferido pela 1ª Turma / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Conforme descrito pela DRJ, no acórdão 0256.521: “Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o Banco BMG SA, relativo ao período de 01/2009 a 12/2009, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 47/83, referese a: Autos de Infração de Obrigações Principais • DEBCAD 51.011.8054 – (consolidado em 29/06/2012, no valor de R$ 6.807.080,45) referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os fatos geradores relacionados a seguir, não incluídos em folha de pagamento e não declarados pelo contribuinte na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 3 3 • DEBCAD 51.011.8089 – (consolidado em 29/06/2012, no valor de R$ 1.113.028,72), referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos Salário Educação (FNDE) e INCRA, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados, enumerados a seguir. Auto de Infração de Obrigação Acessória • DEBCAD 51.023.9552 (Código de Fundamentação Legal – CFL 83, no valor de R$ 32.341,96) por deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de 5% da receita bruta, inadmitida qualquer dedução.” O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 580/625 e 942/944. A DRJ/SDR, às fls. 1444/1471, julgou pela parcial procedência da impugnação apresentada, mantendo em parte os créditos tributários exigidos nos AIs Debcads 51.011.8054 e 51.011.8089 e mantendo integralmente o crédito tributário exigido no AI Debcad 51.023.9552. Os demonstrativos para retificação dos lançamentos nos sistemas foram anexados às fls. 1435/1436. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 1487/1532. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1579/1617, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. O pagamento ou crédito de participação nos lucros a diretores não empregados integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de nãoincidência. PREVIDENCIÁRIO. PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. O prêmio por tempo de serviço, não habitual, pago apenas uma vez, sem vínculo pela realização de um trabalho, produção ou meta, não integra o salário de contribuição por sua natureza jurídica não ser salarial. Fl. 1884DF CARF MF 4 PREVIDENCIÁRIO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA. Com a revogação, pelo Decreto 6.727/2009, da alínea “f” do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a partir de 12/01/2009 a contribuição previdenciária passou a incidir sobre a parcela do aviso prévio indenizado e seu reflexo no décimo terceiro salário. PREVIDENCIÁRIO. SOBRESTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO. Na forma da súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Na ocorrência, o lançamento será sobrestado e aguardará o trânsito em julgado. PREVIDENCIÁRIO. AJUDA DE CUSTO. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando não é paga em parcela única e em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PATROCÍNIO A CLUBES DE FUTEBOL PROFISSIONAL. Constitui infração a dispositivo da Lei 8.212/91, deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de cinco por cento da receita bruta.” Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 1630/1638, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: Contribuição Previdenciária – Salário Indireto – Prêmio por Tempo de Serviço/Casa. O acórdão recorrido entendeu que os valores recebidos a título de “prêmio por tempo de serviço/casa”, tem características de ganho eventual, não habitual, pago apenas uma vez, sem vínculo pela realização de um trabalho, produção ou meta, assim, afastou a incidência tributária. Já o entendimento do julgado paradigma foi de manter os valores pagos a título de prêmio por tempo de serviço no salário de contribuição, tendo em vista que tal pagamento não se enquadra no conceito de ganho eventual, hipótese de exclusão da base de cálculo. Ocorre que a eventualidade está relacionada à existência de um evento é futuro e incerto, que não é a hipótese dos autos em que o prêmio é pago em data específica e valores definidos, dependendo apenas do fator temporal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 1647/1650, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Contribuição Previdenciária – Salário Indireto – Prêmio por Tempo de Serviço/Casa. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 4 5 O Contribuinte foi cientificado à fl. 1701. Às fls. 1706/1747, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. Contribuições Previdenciárias Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) paga aos empregados segurados. Alegou que a matéria foi decidida pelo voto de qualidade, descaracterizando os pagamentos feitos a título de PLR pelo Recorrente, por considerar que não estariam presentes, no caso concreto, as metas e os resultados preestabelecidos. Já o voto vencido afastou a exigência por entender que (i) o pagamento da PLR, nos termos da Convenção Coletiva de Trabalho foi vinculado ao resultado lucro (ou seja, não havia uma garantia de participação mínima independentemente de qualquer resultado); (ii) as regras da Convenção Coletiva de Trabalho eram suficientemente claras e abrangeram o direito material/substantivo (pagamento da PLR) e também as regras adjetivas (como fazer para alcançar o direito substantivo), conforme exigido pela Lei nº 10.101/00; e (iii) a lei não vinculou o pagamento da PLR ao acompanhamento do desempenho dos empregados. 2. PLR paga a exdiretores. O acórdão recorrido interpretou que os diretores e administradores do Recorrente, por se tratarem de contribuintes individuais, não estariam alcançados pela regra de não incidência das contribuições previdenciárias prevista no art. 28, §9, “j” da Lei 8.212/91, não se lhes aplicando as disposições da Lei 10.101/00. O acórdão paradigma entendeu que os ditames da Lei nº 10.101/00 aplicamse também ao contribuinte individual, de forma que há isenção da contribuição previdenciária nos pagamentos realizados e este individual. O Contribuinte também apresentou Contrarrazões, às fls. 1838/1845, reiterando os argumentos em relação ao mérito. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, às fls. 1859/1870, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação às seguintes matérias: 1. Contribuições Previdenciárias Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) paga aos empregados segurados. 2. PLR paga a exdiretores. A União apresentou Contrarrazões, às fls. 1872/1879, combatendo o mérito do recurso apresentado pelo Contribuinte. É o relatório. Fl. 1886DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Conforme descrito pela DRJ, no acórdão 0256.521: “Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o Banco BMG SA, relativo ao período de 01/2009 a 12/2009, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 47/83, referese a: Autos de Infração de Obrigações Principais • DEBCAD 51.011.8054 – (consolidado em 29/06/2012, no valor de R$ 6.807.080,45) referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os fatos geradores relacionados a seguir, não incluídos em folha de pagamento e não declarados pelo contribuinte na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; • DEBCAD 51.011.8089 – (consolidado em 29/06/2012, no valor de R$ 1.113.028,72), referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos Salário Educação (FNDE) e INCRA, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados, enumerados a seguir. Auto de Infração de Obrigação Acessória • DEBCAD 51.023.9552 (Código de Fundamentação Legal – CFL 83, no valor de R$ 32.341,96) por deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de 5% da receita bruta, inadmitida qualquer dedução.” O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Contribuição Previdenciária – Salário Indireto – Prêmio por Tempo de Serviço/Casa. Já o Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte Nacional trouxe para análise as seguintes divergências: 1. Contribuições Previdenciárias Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) paga aos empregados segurados. 2. PLR paga a exdiretores. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 5 7 RECURSO DO CONTRIBUINTE PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS PLR O pagamento da participação nos lucros e resultados para trabalhadores, empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF. O dispositivo estabelece que são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa. Assim, se a participação dos lucros está excluída do conceito de remuneração, a contribuição incidirá apenas sobre os demais rendimentos, estes sim, de caráter remuneratório. I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA REGULAMENTADA POR LEI ABRANGE UNICAMENTE RENDIMENTOS ADVINDOS DO TRABALHO. O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”. Contudo, para melhor esclarecer detalhes de sua aplicabilidade tratou de disciplinar a aplicação do referido artigo, por meio da edição da Lei nº 8212/91, conhecida como Lei de Custeio da Previdência Social. Observando tanto o artigo 195 da CF/88, como a referida Lei de Custeio, depreendemos que a tributação previdenciária está claramente limitada a rendimentos do trabalho. A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de ZAMBITTE IBRAHIM: “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a rendimentos do trabalho, tendo em vista o objetivo das prestações previdenciárias em substituir rendimentos habituais do trabalhador, os quais, por regra, são derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara, delimita a incidência previdenciária, em qualquer hipótese, a rendimentos do trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Fl. 1888DF CARF MF 8 Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente sobre as parcelas recebidas a título de remuneração pelo trabalho, são incabíveis as alegações da Fazenda Nacional de que as parcelas advindas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, devam sofrer tal incidência. Isso por que a PLR tem relação intrínseca com remuneração do capital – lucro. Essa distinção é fundamental para que possa compreender o motivo da não incidência de contribuição previdenciária patronal sobre a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores. Para melhor compreendermos, é preciso levar em conta que a participação referida – PLR, tem uma relação intrínseca com o resultado auferido, ela depende exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho. Professor Zambitte Ibrahim bem esclarece esta dicotomia entre as referidas verbas: “É também intuitivo, mesmo para o público leigo, que um conceito não se confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de modo algum, possui liame imediato com o lucro. Não são incomuns as situações de empresários que, mesmo após longa dedicação ao seu mister, não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam relevante perda patrimonial. Já para trabalhadores, com ou sem vínculo empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a eles o risco da atividade econômica, o qual, por natural, é assumido pelo empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade profissional desempenhada”. O próprio ordenamento jurídico tratou de fazer esta distinção, quando elencou no Código Tributário Nacional, por meio do art. 43, os tipos de Rendimentos, que ensejam a aplicação do Imposto de Renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” (grifei) Da leitura do artigo da lei, extraise que a renda tributável, para fins do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é aquela decorrente do produto do capital e/ou trabalho. Contudo resta evidente que a lei tratou de classificar a renda como: produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui um conceito próprio. No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda, não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 6 9 Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários, pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por tributar, somente os rendimentos do trabalho. Assim, “ao contrário do imposto sobre a renda, a incidência previdenciária é circunscrita aos rendimentos do trabalho, unicamente. A disposição é categórica e cristalina. Ainda que permita a inclusão de trabalhadores sem vínculo empregatício, somente valores derivados do trabalho podem sofrer a respectiva tributação. Como não poderia ser diferente, caminha no mesmo sentido a regulamentação infraconstitucional da matéria, em estrita observância do mandamento constitucional”. (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio). II. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA A EC nº 20/98, ampliou as possibilidades de incidência da cota patronal previdenciária, o que foi disciplinado posteriormente pela Lei nº 9.876/99, que deu nova redação ao art. 22, I da Lei nº 8.212/91, responsável pela previsão da cota patronal previdenciária: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (grifei). Observese que o legislador ordinário ao disciplinar as inovações trazidas pela Emenda Constitucional citada, alargou a incidência da cota patronal previdenciária, mas desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se percebe do preceito reproduzido, a incidência é, ainda, restrita aos rendimentos do trabalho. Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da cota patronal é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados. Não por incluir valores outros além dos rendimentos do trabalho, mas, unicamente, pela inserção de remunerações pagas ou devidas a outros segurados, além de empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que este seja advindo do trabalho. Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM: Fl. 1890DF CARF MF 10 “Este sempre foi o real objetivo da alteração constitucional, aqui devidamente conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue a incidência de contribuições previdenciárias sobre os lucros e resultados de diretores nãoempregados. Não é de imposto de renda que se trata, mas sim de contribuição previdenciária. Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como saláriodecontribuição de contribuintes individuais, a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria. O pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se trata de rendimento do trabalho. Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social RPS, no art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, na precisa dicção do RPS, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.” Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas “g” a “i” do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 7 11 III – LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PLR. A Lei 10.101/2000 disciplina as formalidades necessárias para a caracterização de Participação nos Lucros e Resultados. Assim um conjunto de disposições esclarecem quando se trata ou não de parcela não remuneratória e isenta de contribuições previdenciárias. Isso se faz necessário, logicamente, para evitar que o instituto seja desvirtuado, ou que, verbas de natureza remuneratória sejam taxadas como pagamento de PLR., com o fim unicamente de burlar o sistema tributário e não pagar contribuições previdenciárias. Dentre estes requisitos formais, temos, a negociação entre empregadores e empregados, por meio de comissão, integrada também por um representante do sindicato da categoria ou de convenção/acordo coletivo. Assim como requisitos materiais com regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do seu cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão. E o critério de pagamento pode ter por base, entre outros, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade ou de programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Lei 10.101/2000 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I Comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II Convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: Fl. 1892DF CARF MF 12 I A pessoa física; II A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1o deste artigo: I A empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação II Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. O caso dos autos discute o possível descumprimento de destas formalidades, as quais passo a analisar. IV PLR PAGAS AOS EMPREGADOS DA EMPRESA Ausência de Regras Claras e Objetivas No caso dos autos observo que a única formalidade do contrato de PLR que restou para análise foi a referente a regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas. A discussão travada entre as partes, pareceu bem pontuada pelo voto do conselheiro relator, embora este tenha por fim restado vencido, nos seguintes termos: DAS REGRAS Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 8 13 Às fls 304 , consta a Convenção Coletiva de Trabalho sobre a Participação dos Empregados nos Lucros o PLR dos bancos em geral, assinada em 18/10/2007 para o resultado de 2007, pelos sindicatos representantes dos empregados e pela entidade de classe dos empregadores . Na forma do que se exige no art. definiramse regras para pagamento de PLR para todo o segmento. No Caput da cláusula primeira do documento, vinculados à hipótese de ao lucro líquido do banco, e com limites percentuais sobre o resultados , para pagamento até 03.03.2008, valores de 80 % sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial, acrescidos de um valor mínimo fixo de R$ 878,00 limitado ao máximo de R$ 5.826,00. No Parágrafo sexto da cláusula primeira, convencionaramse que o banco que apresentar prejuízo, no exercício de 2007, ( balanço de 31.12.2007) estará isenta da Participação de Lucros ou resultado. Às fls. 373, nos mesmos moldes da CCT de 2007, consta a Convenção Coletiva de Trabalho sobre a Participação dos Empregados nos Lucros o PLR dos bancos em geral, assinada em 03/11/2008 para o resultado de 2008 : “CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2007 em efetivo exercício em 31.12.2008, convencionase o pagamento, pelo banco, até 02.03.2009, de 90% (noventa por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas mensais de natureza salarial, reajustadas em setembro/2008, acrescido do valor fixo de R$ 966,00 (novecentos 26 e sessenta e seis reais), limitado ao valor de R$ 6.301,00 (seis mil, trezentos e um reais).” Na mesma linha, as fls 437 , registramse as regras para o ano de 2009. Aduz que às fls.1.491/1.492, em grau de recurso, a empresa traz argumentos que reputo corretos na medida em que a lei exige estabelecer e fazer constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas. Destaco que as regras têm de ser claras para os pactuantes e não necessariamente para terceiros. Os mecanismos de aferição a que se refere o legislador objetivam permitir pleno entendimento das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Desse modo é pertinente a conclusão a que chegou a recorrente na final dos argumentos postos ao concluir que “ inexiste qualquer obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas para se legitimar os pagamentos realizados a título de PLR . (...)( fls . 1492, parte final). De fato o descrito na parte final do § 1o , II, art. 2°, abre o leque para que se estabeleça qualquer critério, entretanto, há que se Fl. 1894DF CARF MF 14 ter presente, desde que não se desconfigure a natureza jurídica do benefício.: “§ 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições:” No que se impõe estabelecer regras , os Acordos/Convenções Coletivas prevêem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado. Entretanto o PLR não ficou reduzido a isto. No item 2.4.24 do Relatório Fiscal a autoridade autuante descreve em minúcias toda a história do PLR implementado na empresa desde 1997. Inclusive as regras contendo Conceito de Desempenho, Padrões não Cumpridos, Padrões Cumpridos, Padrões Excedentes e Padrões Outsanding. No mesmo sobredito item consta registro de que como foram implementados o PLR para o período autuado: 2.4.24.O plano de participação nos Lucros ou Resultados, recebeu ao longo dos anos aditamentos e reratificações, adiante descritos: (...) Em 01 de dezembro de 2007, foi assinado pelo Banco e Comissão de Funcionários o Aditamento e ReRatificação do plano de Participação nos Lucros ou Resultados da Lei n° 10.101, de 19/12/2000. Resolvem, através deste instrumento, manter a participação do biénio 2008 e 2009 nos mesmos moldes da participação do ano de 2007, observando o seguinte: 1. O Item VIII Disposições de Caráter Geral passa a ter a seguinte redação: Não havendo por parte do funcionário do Banco oposição no prazo de seis meses anteriores ao término o mandato da Comissão, a Comissão eleita para o exercício de cinco anos de mandato terá seu mandato prorrogado automaticamente por mais cinco anos após o término do primeiro mandato, e assim sucessivamente, sendo substituído o membro titular por seu suplente em caso de necessidade. 2. Ficam ratificadas as demais cláusulas não alteradas por este instrumento “ No Relatório Fiscal a autoridade autuante revela seu entendimento sobre direitos substantivos : Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 9 15 “Os direitos substantivos mencionados no § Io do art. 2o da Lei 10.101/00, referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no instrumento de negociação, quanto irão receber se as metas acordadas forem cumpridas. Já as regras adjetivas desse mesmo dispositivo dizem respeito à forma para a obtenção dos direitos substantivos, aos mecanismos de aferição para demonstrar o desempenho do empregado em relação às metas acordadas, à periodicidade da distribuição, ao período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tanto em relação ao direito substantivo quanto em relação às regras adjetivas a lei requer clareza e objetividade de modo a impedir que critérios ou condições subjetivos dificultem a participação dos trabalhadores nos Lucros ou Resultados.” Vêse que comete equívoco a autoridade autuante tendo em vista que ao se referir aos direitos substantivos o legislador quis falar do conjunto de normas que regulam os fatos jurídicos e não da possibilidade de saber quanto o empregador irá ganhar. Este ruído formou convicção de autuar e que tal como vozes dissonantes neste egrégio Conselho entendem que para a aquisição do benefício, o acordo prévio tenha que DEFINIR o que o trabalhador precisa praticar para receber o benefício estabelecendose metas, resultados, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa mediante fixação de regras. De fato a lei define que se estabeleçam regras claras e objetivas. Se os pactuantes , empregados e empregadores, assim as entenderam mediante acordo , penso que descabe tutela. O que ficar pactuado desde que legal, por mais esdrúxulo que pareça para terceiros , terá de ser respeitado. Tratamse de acordos reiterados (2007, 2008 e 2009), houve a legítima participação dos partícipes legalmente habilitados, não restando, portanto, espaço para insurgência da fiscalização quanto ao teor das regras e metas negociadas no contrato de PLR. Da análise de tais ponderações considero que as regras eram suficientes ao cumprimento do dispositivo legal, pois relacionavamse a lucratividade. V – PAGAMENTO DE PLR A DIRETORES NÃO EMPREGADOS O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, RPS, no art. 201, § 5º, dispõe que somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração do capital e do trabalho, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude. Fl. 1896DF CARF MF 16 Para melhor compreender a questão, mister se faz a leitura do dispositivo legal apontado, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, explanada na parte inicial deste voto, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas “g” a “i” do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (grifei) Ad argumentandum tantum, uma vez que vem sendo levantado pela Fazenda Nacional, reputo incabível arguir que o tratamento dado a sócios administradores de sociedades prestadoras de serviço não possam, como exposto no art. 201, § 5º do RPS, aplicarse a administradores nãoempregados de sociedades anônimas. Esta distinção não existe na legislação previdenciária. Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº 9.876/99, que criou o segurado contribuinte individual, mediante a unificação das categorias autônomo, equiparado a autônomo e empresário, houve uma rígida adequação de tais segurados ao mesmo regramento. A ideia geral é no sentido de que contribuintes individuais somente terão a respectiva incidência previdenciária sobre os valores que visarem retribuir o trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 – CASO DE APLICAÇÃO DA LEI ESPECIAL – LEI 6.404/76. Nesse sentido, entendo que para a hipótese de pagamento de PLR a trabalhadores sem vínculo de emprego, como é o caso discutido nos autos, o regramento a ser aplicado será aquele que regula seu pagamento, ou seja, o parágrafo 1º do artigo 152, da Lei 6.404/76. Registro aqui que deixo de aplicar a Lei 10.101/2000, não por entender que ela não se aplica a diretores não empregados, pois a redação da lei se refere a trabalhadores, independentemente de seu vínculo de emprego. Contudo a Lei das S.A.s, é sem dúvida a norma mais específica a ser aplicada, portanto, enquadrada no conceito de “lei específica” apta a regular o pagamento de PLR a administradores, pois, estando tal rubrica desvinculada da remuneração e excluída do conceito legal de salário de contribuição, não se relaciona com rendimentos advindos do trabalho. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 10 17 Também importa notar o art. 152 da Lei nº 6.404/76, ao estabelecer que eventual distribuição de valores derivados do trabalho ou capital é atribuição da Assembléia Geral, nas regras internamente estabelecidas. A inaplicabilidade da Lei nº 10.101/00 ao caso, tendo em vista também a existência regramento mais específico, não implica a admissão, na base previdenciária, de valores completamente desvinculados do rendimento do trabalho. Importante fazer esta ressalva, o fato da Lei 10.101/00 não contemplar diretores não empregados, não afasta de modo algum a aplicação do disposto na lei 6.404/76. Entender diferente denota uma interpretação tendenciosa da norma legal e frustra os objetivos do legislador ordinário que ao criar a PLR pensava especificamente em possibilitar as empresas que se tornassem mais competitivas no mercado, por meio de incentivos previstos em Lei. É nítido que os rendimentos pagos a administradores não empregados, nos termos da Lei nº 6.404/76, diferentemente dos valores pagos a empregados, não possuem correlação necessária com o trabalho, não possuindo, portanto, a mesma natureza contraprestacional que o salário. Isso explica a necessidade de normatização própria da PLR, para empregados, qualificando e delimitando os valores desprovidos de natureza salarial, dentro de um quadro normativo detalhado. Para administradores, como a regra é diversa, a necessidade de legislação especifica perde o sentido, uma vez que a previsão na Lei das SA já era suficiente. Por fim, cumpre citar excerto do artigo recentemente publicado pelo professor Fábio Zambitte no Portal Jurídico Migalhas: “Não obstante o cenário negativo nas jurisprudências judicial e administrativa, tenho convicção que a cobrança da cota patronal previdenciária sobre os valores pagos a diretores nãoempregados não encontra suporte tanto na Constituição como na legislação vigente, externando incongruências irreconciliáveis com a própria regulamentação administrativa da matéria. O tema ainda sofre com as compreensões equivocadas sobre base tributável previdenciária, não raramente tentando igualar as dinâmicas impositivas do imposto de renda e da cota patronal previdenciária. Tal premissa, além de contrária a todos os preceitos normativos vigentes, ainda ignora o papel do sistema protetivo como substituidor de rendimentos habituais, responsáveis pela manutenção do segurado e sua família. A tentativa de alargamento forçado da base previdenciária, mais do que uma preocupação abstrata com a correta aplicação das regras legais e constitucionais de competência tributária, traduz uma arbitrariedade fiscal com foco exclusivo no aumento de receitas para um sistema atuarialmente desequilibrado. Sem embargo, insisto que, como reconhece a própria regulamentação administrativa, se um contribuinte individual, sócio administrador de sociedade limitada, pode receber valores derivados do capital – lucro – sem a conseqüente tributação e independente da submissão aos ditames da Lei nº 10.101/00, o mesmo valerá para qualquer contribuinte individual, o que inclui diretores não empregados de sociedades anônimas”. Por todo o exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para no mérito darlhe provimento, devendo ser reformado o acórdão recorrido, com objetivo e cancelar o auto de infração, pois não há juridicamente como se falar em contribuição previdenciária dos valores pagos pela recorrente a título de PLR objeto do lançamento. Fl. 1898DF CARF MF 18 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para no mérito darlhe provimento. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL O acórdão recorrido entendeu que os valores recebidos a título de “prêmio por tempo de serviço/casa”, tem características de ganho eventual, não habitual, pago apenas uma vez, sem vínculo pela realização de um trabalho, produção ou meta, assim, afastou a incidência tributária. Adoto as razões do acórdão recorrido para dirimir a questão, uma vez que observo que esta não merece reparos. No Relatório Fiscal a autoridade autuante registrou que foram verificadas divergências entre os valores das folhas de pagamento e os da GFIP, na competência de 12/09. Pelo exposto, sou de conferir razão ao contribuinte postos que além de o pagamento numa única competência não caracterizar habitualidade, na exegese do caput, do art. 28, entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Prêmio pago uma única vez por ter sido alcançado um certo tempo de casa não é retribuição por produtividade ou atingimento de meta como assevera a instância a quo: Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Não obstante o bem fundamentado voto da i. Relatora, dele divirjo pelas razões de fato e de direito que exponho a seguir. Temse recursos especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional, cujas matérias devolvidas à apreciação desta Câmara Superior de Recursos Fiscais são as seguintes: Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 11 19 a) Recurso Especial do Contribuinte: PLR paga a segurados empregados; e PLR paga a exdiretores; b) Recurso Especial da Fazenda Nacional: Prêmio por tempo de serviço. Incidência de contribuição previdenciária. Recurso Especial do Contribuinte PLR PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/83), no período objeto da autuação o Sujeito Passivo remunerou segurados a seu serviço por meio de PLR, com base tanto em Convenção Coletiva de Trabalho quanto em Plano Próprio. Assevera a autoridade autuante que as Convenções Coletivas de Trabalho “prevêem uma ‘garantia de participação mínima’, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado”, configurandose verdadeira gratificação semestral ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, em virtude disso, o benefício estaria em desacordo com o caput do art. 3º da Lei 10.101/2000, que estabelece que PLR não substitui ou complementa a remuneração devida ao empregado. Com relação ao Programa de Participação nos Lucros ou Resultados estabelecido pela empresa (Plano Próprio), a Fiscalização concluiu que embora tenha havido o estabelecimento do programa de metas e resultados a serem cumpridos pelos empregados, de maneira a justificar o pagamento do benefício, não foi feito o devido acompanhamento do programa, como também a avaliação do desempenho dos empregados para a obtenção dos resultados alcançados. A exemplo da decisão de primeira instância administrativa, o acórdão recorrido manteve o lançamento pelas seguintes razões: a) com relação à PLR paga com base nas Convenções Coletivas de Trabalho, o instrumento prevê a garantia de participação mínima (pagamento de quantia certa a ser recebida pelos empregados), independentemente de qualquer meta ou resultado; e b) quanto ao Plano Próprio, a empresa não possui os documentos que poderiam ter servido de base para a realização das avaliações de desempenho e declara também não dispor dos resultados das avaliações promovidas no período fiscalizado. Em sede de Recurso Especial, a Recorrente alega que a maior parte da PLR paga no período de 2009 foi feita com base nas Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários, nos exatos termos da Lei 10.101/00, sendo raros os casos de pagamentos além da previsão normativa, ou seja, com base do Plano Próprio da empresa”. Infere ainda que: Apesar disso, o r. acórdão recorrido descaracterizou a natureza indenizatória da PLR, ao argumento de que a exação distribuída pelo Recorrente não cumpria a imposição legal do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000. Além disso, entendeu o voto condutor do Fl. 1900DF CARF MF 20 acórdão recorrido que as regras previstas nas CCT’s dos Bancários não seriam claras e objetivas quanto aos direitos substantivos relativos à PLR e quanto às regras adjetivas para fruição da referida PLR. Sobre a alegação de não cumprimento dos termos da Lei n° 10.101/2000, sobretudo no tocante à ausência de previsão de regras claras e específicas para distribuição da PLR paga com base na Convenção Coletiva de Trabalho, bem como a ausência de comprovação da apuração da avaliação de desempenho ou cumprimento de metas pelos trabalhadores para distribuição da PLR prevista no Plano Próprio, afirma que o rol do § 1º do art. 2º da Lei é exemplificativo e que inexiste qualquer obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas para se legitimar o pagamento do benefício. Segundo entende o Contribuinte, há obrigatoriedade apenas de que estejam previstas regras, de modo a minimizar dúvidas que impeçam ou dificultem o cumprimento do acordo e que o objetivo do dispositivo legal é tão somente assegurar o direito à divisão de lucros, evitandose que o trabalhador tenha seu direito mitigado em razão de cláusulas dúbias e de difícil interpretação. No termos o da peça recursal, as partes têm liberdade para definir o plano que melhor se adeque à sua realidade, desde que mantida a compatibilidade com a natureza e os objetivos da PLR e que o benefício foi pago em razão do auferimento de lucro líquido no período. Pois bem. As contribuições destinadas ao custeio da Previdência Social, incidentes sobre a folha de salários, encontram abrigo na alínea “a” do inciso I e no inciso II do art. 195 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] Como forma de resguardar a previdência pública, o legislador constituinte tratou de esclarecer que a incidência da contribuição alcança a folha de salários, além de todo e qualquer outro rendimento do trabalho, independentemente do nomen jures que lhe venha a ser atribuído. Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 12 21 À luz do que estabelece o texto constitucional, o art. 22 da Lei nº 8.212/1991 instituiu a base de cálculo das contribuições das empresas para o Regime Geral de Previdência Social como sendo o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados a seu serviço, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. No mesmo sentido, no que se refere às contribuições dos segurados, o art. 28 da mesma lei define como hipótese de incidência tributária (saláriodecontribuição) a remuneração auferida em uma ou mais empresas com o intuito de retribuir o trabalho, a qualquer título e independentemente da forma de pagamento. Não restam dúvidas de que a PLR paga aos empregados tem por objetivo retribuir o trabalho. Via de regra, o desígnio dessa verba é premiar o esforço adicional empreendido pelos obreiros no intuito de incrementar os resultados da empresa. Desnecessários, pois, grandes esforços interpretativos para se concluir que a participação nos lucros ou resultados encontrase inserida na base de cálculo do tributo. Aliás, entendimento em sentido diverso não encontra baliza na doutrina especializada, tampouco na jurisprudência consolidada. É certo que a própria Constituição da República elencou entre os direitos sociais do trabalhadores a participação nos lucros ou resultados das empresas, porém, a desvinculação de referida parcela da remuneração está subordinada à observância dos requisitos estabelecidos em lei, conforme preceitua o inciso XI de seu art. 7º: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (Grifouse) Em estrita consonância com o texto constitucional a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/1991 estabelece que a exclusão da parcela paga a título de PLR da composição da base cálculo das contribuições previdenciárias está condicionada à submissão dessa verba à lei reguladora do dispositivo constitucional. Senão vejamos: Art. 28. [...] [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. [...] (Grifouse) A regulamentação reclamada pelo inciso XI de seu art. 7º da CF/1988 somente ocorreu com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei n° 10.101/2000. Antes disso, tendo em vista a eficácia limitada da disposição constitucional, era perfeitamente cabível a tributação das parcelas pagas sob a denominação de PLR pelas contribuições previdenciárias. Ademais, foi Fl. 1902DF CARF MF 22 exatamente nesse sentido que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento a respeito do tema. Confirase: RE393764 AgR /RSRIO GRANDE DO SUL AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. ELLEN GRA CIEJulgamento: 25/11/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma Ementa DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7°, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de cobrança dá contribuição previdenciária em período anterior à edição da Medida Provisória 794/94. Decisão A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso de agravo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2"Turma, 25.11.2008. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa Participação nos lucros. Art. 7º, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. A decisão da Suprema Corte corrobora a cognição de que os valores pagos a título de PLR têm natureza retributiva e sua desvinculação do saláriodecontribuição, repise se, está subordinada ao estrito cumprimento dos requisitos estabelecidos na lei regulamentadora do benefício. A Lei nº 10.101/2000, é a norma que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e define os requisitos para que os valores pagos a esse título passam ser excluídos da base de incidência das contribuições previdenciárias. Vejamos: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante sindicado pelo sindicato da respectiva categoria; Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 13 23 II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. [...] Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. § 4º A periodicidade semestral mínima referida no § 2º poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. À luz das disposições legais encimadas, na redação contemporânea aos fatos geradores, os instrumentos decorrentes da negociação coletiva hão de conter: · regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos trabalhadores; · mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; · periodicidade da distribuição; · período de vigência; e Fl. 1904DF CARF MF 24 · prazos para revisão do acordo. Os incisos I e II do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, trazem ainda, em caráter exemplificativo, alguns parâmetros que poderão ser adotados em decorrência do processo de negociação com vistas à instituição da PLR, são eles: · a estipulação de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, e · programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. A Lei não define de forma detalhada quais são os critérios a serem definidos na instituição de programas de PLR, cabendo aos sindicatos ou às comissões envolvidas no processo de negociação, estabelecer tais critérios. Resta claro, portanto, que o intuito da norma é obstar que critérios ou condições subjetivos impeçam a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. A objetividade e clareza exigidas pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, representam uma forma de garantir que não haja dúvidas que possam impossibilitar ou mesmo dificultar o cumprimento do que venha a ser acordado. Os direitos substantivos referemse a normas estabelecidas para definição da PLR, já as regras adjetivas têm relação com os procedimentos necessários à obtenção do benefício. Todavia, tanto quando o direito substantivo for baseado em resultados quanto em lucro há necessidade de estabelecimento de metas, além de mecanismos de aferição de seu cumprimento, sob pena de desvirtuamento do instituto, com o pagamento de salário sob o manto de participação nos lucros ou nos resultados. Retomandose o exame do caso concreto, importa fazer um reparo nos argumentos trazidos na peça recursal. Ao revés do que infere o Sujeito Passivo, não há no voto condutor da decisão recorrida qualquer consideração a respeito das regras previstas na Convenção Coletiva de Trabalho – CCT. Conforme evidenciado no início deste voto, o Colegiado a quo decidiu por manter o lançamento em relação aos valores pagos a título de PLR com base na CCT porque dito instrumento garante o pagamento de um valor específico, independentemente de qualquer tipo de meta ou resultado. De fato, do exame da Cláusula Primeira da CCT válida para 2009, reproduzida no Relatório Fiscal, não há como concluir de forma diversa. Confirase: CLAUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2007 em efetivo exercício em 31.12.2008, convencionase o pagamento, pelo banco, até 02.03.2009, de 90% (noventa por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas mensais de natureza salarial, reajustadas em setembro/2008, acrescido do valor fixo de RS 966,00 (novecentos e sessenta e seis reais), limitado ao valor de R$ 6.301,00 (seis mil, trezentos e um reais). Ao estabelecer o pagamento de valores fixos mensais, a despeito de metas de desempenho ou exigência de resultados, o que se fez por meio de Convenção Coletiva de Trabalho foi criar uma complementação de salarial, não havendo que se fazer reparos no entendimento do Fisco segundo o qual: 2.4.28 Os Acordos/Convenções Coletivas (firmados em texto único para a categoria com vigência em todo o território nacional) prevêem uma “garantia de participação mínima”, que Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 14 25 representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação semestral ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente do disposto no art. 3º, caput, da Lei 10.101/00, que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. No que respeita o Plano Próprio, dos documentos de fls. 160/189 constam os critérios estabelecidos para o pagamento da PLR. De modo a ilustrar a presente análise, impende reproduzir alguns trechos desses documento, destacados no Relatório Fiscal: I Critérios de Participação nos Lucros ou Resultados “O Banco BMG S. A. distribuirá, por Exercício Fiscal, até 15 % do Lucro Líquido Contábil, conforme Balanço Anual auditado e publicado, dentro do disposto na Lei das S. A.s e condicionado ao programa de Avaliação e Acompanhamento de Desempenho, Anexo 01. [...] IV Forma de distribuição Condicionada ao desempenho da Empresa, conforme Tópico I anterior, e ao Desempenho dos profissionais, tomando por base o Programa de Avaliação e Acompanhamento de Desempenho do Banco BMG S. A., Anexo 1. [...] VIII Disposições de Caráter Geral [...] 04. O Conceito de Desempenho será o considerado após a avaliação individual do funcionário, efetuado por sua chefia imediata e verificação final da chefia mediata do setor de locação do funcionário, considerandose as metas contidas nos Anexos deste instrumento e os critérios e itens de avaliação ali contidos, [...] Em 02 de dezembro de 2002, foi assinado pelo Banco e Comissão de Funcionários o Aditamento e ReRatificação do plano de Participação nos Lucros ou Resultados Medida Provisória 153931 Resolvem, através deste instrumento, Alterar a redação do “Modelo De Distribuição/Referencial Anual firmado em agosto de 1997. As partes resolvem alterar o Modelo de distribuição e avaliação alterando a forma de avaliação de desempenho, que se fará a partir de janeiro de 2003, através do Sistema de Gestão de Performance (SGP) no item 6 “estratégia para administração de remuneração variável) que passa a Fl. 1906DF CARF MF 26 fazer parte deste instrumento substituindo o Anexo I anterior A distribuição de participação será efetuada conforme as regras e parâmetros ali estabelecidos. [...] Apercebase que, relativamente ao Plano Próprio, o lançamento não foi motivado pela ausência de regras claras e objetivas, essas regras estavam devidamente consignadas no documento denominado “Programa de Participação nos Lucros e Resultados” e respectivas alterações. Ocorre que a própria recorrente, mediante solicitação da autoridade autuante, declarou expressamente que não dispunha de registros relacionados às avaliações de desempenho dos beneficiários da PLR ou mesmo dos resultados dessas avaliações. Além do que, não foram apresentadas as atas de reuniões da comissão de empregados, ou seja, inexistem evidências da participação dos empregados na definição dos contornos do Plano Próprio instituído pela empresa, o que contraria o caput do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, segundo o qual,” A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados”. A esse respeito, vejamos o que registra o Relatório Fiscal: 2.4.29 Analisando ainda o contido na correspondência de 08/06/2012 (ANEXO IX) emitida pelo Banco BMG S/A, em atendimento ao TIF 008, conforme descrito no item 2.4.21, onde é declarado não possuir os documentos base para a realização das avaliações de desempenho, declarando também não possuir os resultados das avaliações promovidas nos períodos fiscalizados, concluise que os pagamentos realizados aos empregados e administradores, no período fiscalizado, a título de “PLR” estão em desacordo com a legislação que rege a matéria, especialmente, a Lei n° 10.101/00. 2.4.30 No mesmo documento emitido em 08/06/2012, (ANEXO IX), o Banco declarou não possuir exemplares das “atas de reuniões da comissão de empregados” constituída e registrada no sindicato da classe, evidenciandose que a mesma não estava participando das negociações do plano de participação nos lucros e resultados PLR ou mesmo que estava em funcionamento. (Grifouse) Ao contrário do que aduz o Contribuinte, a Lei 10.101/2000 não impõe apenas a previsão de regras nos instrumentos destinados a instituir a PLR, fazse necessário que essas regras sejam efetivamente aplicadas para a determinação do benefício. No mesmo sentido, conquanto as partes tenham liberdade para definir o plano que melhor se adeque à sua realidade, uma vez não restando comprovada a ocorrência de negociação entre a empresa e seus empregados, por meio de comissão escolhida pelas partes e integrada por um representante sindicado da categoria, resta evidenciado o descumprimento de mais um preceito estabelecido em lei e, por conseguinte, deve incidir a contribuição sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, tendo em vista que a norma isentiva determina que não incidem contribuições sobre valores atribuídos aos trabalhadores sob essa forma, desde que pagos ou creditados “de acordo com lei específica”. PLR PAGA AOS SEGURADOS EXDIRETORES Sobre esse tema, a Recorrente afirma que a exigência teve como único fundamento o de que os diretores e administradores, por se tratarem de contribuintes individuais, não estariam alcançados pela regra de não incidência das contribuições previdenciárias prevista no art. 28, § 9º, “j” da Lei 8.212/91, não se lhes aplicando as Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 15 27 disposições da Lei 10.101/2000. Infere que a PLR não possui nítido caráter não remuneratório, tanto para efeitos trabalhistas como para fins previdenciários e que a Constituição Federal já previu a desvinculação de tal verba da remuneração. Prossegue com a alegação de que a interpretação semântica e teleológica da Constituição e da Lei 10.101/2000 leva à conclusão que os referidos diplomas não diferenciam o trabalhador empregado do contribuinte individual e que o inciso XXXIV e parágrafo único, do art. 7º da CF/1988, referemse especificamente ao trabalhador avulso, que teve seus direitos equiparados e ao doméstico, que na redação original da Carta, os teve diminuídos. Os pagamentos de PLR feitos a contribuintes individuais não empregados, defende, decorre do princípio da igualdade, motivo pelo qual o entendimento diverso implica violação ao próprio art. 150, II da Constituição. Conforme visto no tópico anterior, os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados foram considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias em razão, em razão da inobservância do regramento estabelecido na Lei nº 10.101/2000, isso, de per si, mostrase suficiente para a negativa de provimento do Recurso Especial do Contribuinte também nessa parte. Além do que, de conformidade com o descrito acima, o inciso XI do art. 7º da Constituição Federal 1988 remete à lei ordinária a definição do direito à participação nos lucros ou resultados. De outra parte, o enquadramento de diretores não empregados na categoria de contribuintes individuais decorre da alínea “f” do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: [...] f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Grifouse) O inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 estabelece que, em relação aos contribuintes individuais, a contribuição da empresa incide sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês. No mesmo sentido é o inciso III do art. 28 da mesma lei ao estabelecer a hipótese de incidência da contribuição do próprio contribuinte individual. Fl. 1908DF CARF MF 28 Mais adiante, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 define expressa e exaustivamente as rubricas que, em razão de isenção ou não incidência, não estão sujeitas às contribuições previdenciárias. Entretanto, a situação sob análise não se enquadra em qualquer das hipóteses relacionadas na Lei de Custeio Previdenciário. De se esclarecer que no exame ora empreendido não se debate a possibilidade de enquadramento de contribuintes individuas nas hipóteses relacionadas nos dispositivos legais que tratam de isenções de contribuições sociais, mas da inaplicabilidade do disposto na alínea “t” do referido § 9º a essa espécie de segurado da Previdência Social, por absoluta falta de amparo em virtude de a Lei nº 10.101/2000 reportarse tãosomente a trabalhadores com vínculo empregatício, isto é a segurados empregados. E não poderia ser diferente, pois a lei previdenciária e a própria Lei nº 10.101/2000 foram editadas nos limites do texto constitucional. Não se olvide que o art. 7º da Constituição Federal reportase especificamente a trabalhadores que mantêm relação de emprego com empresa e isso fica muitíssimo claro logo no inciso primeiro do mencionado artigo que assegura a trabalhadores urbanos e rurais “relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa”. Ademais, quando quis estender os direitos sociais relacionados no art. 7º a outra categoria de trabalhadores, que não aqueles vinculados à empresa por meio de contrato formal de trabalho, o legislador constitucional o fez expressamente, conforme se verifica do inciso XXXIV e parágrafo único desse artigo, in verbis: Art. 7º [...] [...] XXXIV igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso [...] Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. De se notar que o dispositivo que relaciona os direitos sociais dos trabalhadores não faz qualquer referência a contribuintes individuais. Além do que, se nos pautássemos pela lógica desenvolvida no Recurso Especial do Contribuinte, de que todos os direitos previstos no art. 7º da Constituição estariam direcionados também a contribuintes individuais, seria desnecessário segregar essa categoria de trabalhadores dos segurados empregados, o que, com a devida vênia, não é o caso. Além do mais, não merece guarida a asserção de que o tratamento diferenciado conferido a empregados e contribuintes individuais, relativamente ao pagamento de PLR, representaria ofensa ao princípio da igualdade, pois, repisese, tais categorias de trabalhadores tem características diversas e o tratamento diferenciado que lhes é dado decorre Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 16 29 da própria constituição e da Lei nº 10.101/2000, que faz referência a participação nos lucros ou resultados destinada a empregados. Confirase: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] Resta claro, portanto, que a alínea “t” do § 9º da Lei 8.212/1991, ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, referiuse à PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000, a qual é destinada exclusivamente aos segurados empregados. Por essa razão, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte também neste ponto. Recurso Especial da Fazenda Nacional O Recurso Especial da Fazenda nacional versa sobre os valores fornecidos em pecúnia aos empregados a título de prêmio por tempo de serviço/antiguidade/casa, os quais, segundo discorre, está abarcada entre as hipóteses sobre as quais incidem as contribuições previdenciárias. Nos termos do acórdão recorrido, “O prêmio por tempo de serviço, não habitual, pago apenas uma vez, sem vínculo pela realização de um trabalho, produção ou meta, não integra o salário de contribuição por sua natureza jurídica não ser salarial”. O Contribuinte, em sede de contrarrazões, afirma que a Lei nº 8.212/1991, ao determinar o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre o salário de contribuição utilizase de termo “remuneração”, mas não o define e nem poderia, por força do artigo 110 do CTN, que determina a observância pela legislação tributária dos conceitos oriundos de outros ramos do Direito, como é o caso do Direito do Trabalho. Consoante consta das contrarrazões, devese recorrer ao ramo do Direito do Trabalho para se buscar o conceito de remuneração, sendo que o art. 457 CLT define que integram o salário as “gratificações ajustadas”, o que significa que as parcelas concedidas por mera liberalidade (ou seja, gratificações não ajustadas/não pactuadas) não assumem natureza salarial e que o prêmio concedido em razão de alguns funcionários completarem 20, 25, 30 anos ou mais na instituição possui caráter eventual, e decorre de ato de liberalidade do empregador, uma vez que não está previsto no contrato de trabalho. Aduz que a parcela relativa ao “Prêmio por Tempo de Casa” não compõe a remuneração salarial ou o salário de contribuição e, nessa condição, não deve sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, enquadrandose na categoria de ganho eventual, nos termos do art. 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/1991. Fl. 1910DF CARF MF 30 Acrescenta o Sujeito Passivo que, em razão da própria natureza da parcela, qual seja, indenizar/reconhecer a fidelidade do empregado que permaneceu na empresa (e mereceu ali permanecer) por mais de 20 anos, os prêmios dependem, para a sua concretização, de circunstância aleatória, incerta e imprevisível, relativa à longa duração do contrato de trabalho (por período superior a 20 anos). De início, é importante ressaltar que, de acordo com o princípio da especialidade, norma especial afasta a incidência da norma geral. In casu, como estamos diante de matéria de índole previdenciária/tributária, o regramento a ser considerado, no que atina à incidência ou não de contribuição previdenciária sobre valores pagos a qualquer título é aquele estabelecido na Lei de Custeio Previdenciário. Assim, a legislação trabalhista não serve de amparo para elidir a incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas a título de prêmio aos empregados do Sujeito Passivo. Além disso, e a despeito do que dispõe a norma trabalhista, o Direito Previdenciário encontra baliza na própria Constituição Federal. Com relação ao custeio do sistema de previdência, o art. 195 da CF/1988 é que estabelece as bases sobre as quais podem incidir as contribuições: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:(Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] (Grifouse) Outro dispositivo constitucional de fundamental importância à matéria em debate é o § 11 do art. 201 da Constituição que dispõe: Art. 201. [...] § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [...] Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 17 31 Essas e outras disposições constitucionais deixam claro que o Direito Previdenciário constituise em ramo autônomo, cujos conceitos não têm a vinculação pretendida por alguns com o Direito do Trabalho. Dito de outra forma, não se pode pretender que as disposições contidas na legislação trabalhista prestemse a afastar a aplicação da norma de custeio previdenciário, a qual deve se pautar no regramento estabelecido pelo Direito Tributário. A esse respeito, o Ministro do Luiz Fux, na decisão que tratou do alcance da expressão “folha de salários”, RE 565.160/SC, faz apontamentos de extremada relevância: Logo, a solução aqui pode ser extraída da interpretação da própria Constituição, sendo desnecessário buscar conceitos em outros ramos do Direito, como o Direito do Trabalho, pois o constituinte foi bem claro acerca da acepção de “folha de salários” que deve ser tida pelo intérprete do Direito Tributário, para fins de delimitação da base de cálculo da contribuição previdenciária do empregador. A diferenciação feita pelo Direito do Trabalho entre “salário” e “remuneração” é indiferente, portanto, para o deslinde da presente questão, posto estarse diante de controvérsia afeta ao Direito Tributário e Previdenciário, extremada pela falta de aplicação prática da autonomia entre esses ramos do Direito e os demais, como bem pontuou o Professor Fábio Zambitte Ibrahim (Curso de direito previdenciário. 13. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2008. p. 251). Dessa forma, a autonomia entre as Ciências impõe que os conceitos sejam interpretados à luz do regime jurídico em que estão inseridos. Assim, se para o Direito do Trabalho, o emprego da expressão “salário” ao invés de “remuneração” é relevante ao ponto de restringir sobremaneira o conteúdo da primeira, o mesmo não ocorre com o Direito Tributário e o Direito Previdenciário. Com efeito, quando a Constituição já traz elementos suficientes para a interpretação das expressões por ela utilizadas no Direito Tributário/Previdenciário, descabe perquirir qual é a acepção dessas mesmas expressões em outros ramos do Direito, porquanto devem ter uma interpretação condizente com a lógica própria do contexto em que estão inseridas, no caso, a Seguridade Social. (Grifouse) Vejase que tanto o texto constitucional quanto a decisão do STF, com repercussão geral reconhecida pela Suprema corte, corroboram a autonomia do Direito Tributário e conduzem à conclusão de que as disposições legais a serem consideradas na definição das bases de cálculo das contribuições previdenciárias são os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/1991. Abaixo, trechos de citados artigos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados Fl. 1912DF CARF MF 32 empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57e58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; [...] Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] Reparese que a base de cálculo das contribuições abrange a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos empregados, incluindose nessa relação as parcelas pagas sob a forma de prêmio, ainda que não previstas em contrato, acordo ou convenção coletiva de trabalho. Nesse ponto há de se concordar com as considerações trazidas no Acórdão Paradigma nº 9202003.044 as quais, ao contrário do que imagina o Contribuinte, indicam que “somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao ‘salário in natura’, por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os ‘ganhos habituais sob a forma de utilidades’”. A lei não faz menção a habitualidade quando se refere a pagamentos feitos em espécie, como é caso. Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 9202007.698 CSRFT2 Fl. 18 33 O Contribuinte apegase ainda ao item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 para aduzir que o prêmio pago aos seus empregados está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o dispositivo: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] e) as importâncias: [...] 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; [...] Não merece acolhida os argumentos trazidos em sede de contrarrazões. É que a eventualidade não está relacionada à frequência ou à periodicidade com que se paga determinada verba, mas à previsibilidade de seu pagamento. Recorrendose mais uma vez ao acórdão paradigma colacionado pela Fazenda Nacional, temse que a eventualidade está relacionada à ocorrência de caso fortuito. Contudo, em se tratando de prêmio por tempo de serviço ou de casa, seu pagamento tem causa determinada. No caso, não se está diante de circunstância aleatória, imprevisível ou incerta como defende o Contribuinte, uma vez que o obreiro, ao permanecer na condição de empregado pelo período definido pela empresa tem a expectativa de receber o prêmio ora analisado. Em razão disso, e uma vez que decorre da relação trabalho, há se reconhecer o caráter remuneratório do prêmio por tempo de serviço ou de casa e consequentemente, a incidência de contribuições previdenciárias sobre essa parcela. Em virtude disso, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão Ante o exposto, conheço dos Recursos Especiais e, no mérito, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte e dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1914DF CARF MF
score : 1.0
