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7789825 #
Numero do processo: 13603.721415/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO

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3201­002.092  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  22 de maio de 2019  Assunto  PIS/COFINS  Recorrente  FCA FIAT CHRYSLER AUTOMOVEIS BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do Recurso em diligência.  (assinado digitalmente)  CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Leonardo  Correia  Lima  Macedo,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Larissa  Nunes  Girard  (suplente  convocada),  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).    RELATÓRIO  Trata­se  de  Recurso  Voluntário,  e­fls.  429/459,  contra  decisão  de  primeira  instância administrativa, Acórdão n.º 12­92.007 ­ 16ª Turma da DRJ/RJO, e­fls. 396/422, que  julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada.  O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse  sentido, transcreve­se a seguir o referido relatório:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 21 41 5/ 20 15 -6 8 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 472            2 Trata o presente do exame da Dcomp nº 37651.42556.240613.1.3.04­ 2702 (fls. 2 a 6), que utiliza créditos de pagamento indevido ou a maior  no  valor  original  de  R$  5.632.434,46,  oriundos  de  recolhimento  efetuado em 24/12/2009 por meio de DARF no valor R$ 39.802.031,10,  referente à Cofins (5856) de 11/2009, com o fim de compensar débito  da mesma contribuição de 05/2013, no valor de R$ 7.459.032,96.  Por  meio  do  Despacho  Decisório  nº  360/2015  de  fls.  386/388,  a  autoridade fiscal não homologou a compensação pretendida em razão  de  não  ter  sido  reconhecido  o  crédito  pleiteado,  conforme  Termo  de  Verificação Fiscal de fls. 193/227, com fundamento no art. 3º da Lei nº  10.833/2003.  A  ciência  ao  sujeito  passivo  se  deu  em  24/08/2015  (fl.  391).  Consta  no  aludido  Termo  de  Verificação  Fiscal  que  o  procedimento  fiscal  se  concentrou  na  verificação  da  legitimidade  dos  créditos  da  Cofins  não  cumulativa  do  mercado  interno,  dos  períodos  de  abril  a  novembro de 2009, sob amparo do MPF nº 06.1.10.00­2013­00435­1,  relativos  a  vários  Per/Dcomp,  dentre  os  quais  a  Dcomp  nº  37651.42556.240613.1.3.04­2702.  Na ocasião, a autoridade fiscal efetuou as seguintes glosas:  1)  Em  relação  bens  utilizados  como  insumos,  valores  informados  na  linha  02  das  fichas  06A  e  16A  do  Dacon,  sobre  as  partes  e  peças  relacionadas à fl. 213; que não se enquadrariam no conceito de insumo  por não serem consumidas diretamente no processo produtivo (Anexo 1  ­ Glosas de Cofins –Item V.1, fl. 228/252);  2) Em relação serviços utilizados como insumos, valores informados na  linha  03  das  fichas  06A  e  16A  do  Dacon,  sobre  as  prestações  relacionadas à fl. 217; que não se enquadrariam no conceito de insumo  por não serem aplicadas ou consumidas na produção ou fabricação do  produto (Anexo 2 ­ Glosas de Cofins –Item V.2, fl. 253/374);  Insatisfeito,  o  sujeito  passivo  apresentou  em  17/09/2015  a  Manifestação de Inconformidade anexada ao documento de fl. 391, por  meio da qual sustenta, em síntese, que:  ­  A  ilegalidade  das  IN  SRF  nº  247/2002  e  nº  404/2004,  devendo  o  conceito  de  insumo  ser  definido  pela  essencialidade  do  gasto  ao  desempenho  da  atividade  econômica  do  contribuinte.  Cita  doutrina  e  posicionamentos do CARF e do STJ nesse sentido;  ­ O objeto social da Impugnante compreende as  seguintes atividades:  (a) estudo, desenvolvimento, projeto, a fabricação, o comércio, mesmo  que exterior, a representação e a distribuição de automóveis, veículos  a motor em geral, motores, outros grupos e sub­grupos, componentes,  partes  e  peças,  inclusive  de  reposição,  bem  como  acessórios;  (b)  participação em sociedade ou empresa que tenham por objeto afim ou  conexo com o seu próprio; (c) dar e receber em locação bens móveis  em geral; (d) a prestação de serviços relacionados com o objeto social,  inclusive  o  de  treinamento,  formação,  desenvolvimento  profissional  e  consultoria  organizacional;  (e)  a  fabricação,  o  comércio,  mesmo  exterior, de máquinas, ferramentas e bens de capital; e (f) a prática de  Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 473            3 atividades  conexas,  correlatas ao  objetivo  social,  que  independam de  autorização legislativa;  ­ Os bens  relacionados no Anexo 1 ­ Glosas de Cofins –Item V.1 são  fundamentais para o processo produtivo e para a obtenção das receitas  tributáveis. Como se vê do  laudo técnico anexo (doc. nº 05),  todos os  itens cujos créditos foram glosados são partes e peças de reposição de  máquinas  e  equipamentos  essenciais  à  produção  de  bens.  A  título  exemplificativo, citem­se os seguintes produtos: mangueiras, graxas e  óleos,  filtros,  pendural  de  fixação  de  trilhos,  roldanas  e  talhas.  Cita  posicionamento do CARF específico sobre esse tipo de gasto;  ­ Os  serviços  relacionados  no Anexo  2  ­ Glosas  de Cofins  –Item V.2  referem­se  vários  dispêndios  de  caráter  essencial,  cujos  contratos  e  pedidos  de  compras  seguem  em  anexo  à  manifestação  de  inconformidade;  ­  Em  relação  aos  serviços  de  movimentação  interna  –  handling,  prestados pelas empresas Ceva Logistics Ltda, Syncreon Logística S/A,  Autolog Logística e Serviços Ltda. e GFL Gestão de Fatores Logísticos  Ltda,  enquadram­se  no  conceito  de  insumo,  seja  pelo  critério  da  essencialidade, seja por tratar­se de etapa da armazenagem e do frete  na  venda. Cita  posicionamento  do CARF  que  referenda  a  tomada  de  créditos sobre esse tipo de dispêndio;  ­  Em  relação  aos  serviços  de  limpeza  técnica,  prestados  pelos  fornecedores Adservis Multiperfil Ltda e Villanova do Brasil Logística  Ltda,  consistem  os  mesmos  na  limpeza  da  linha  de  produção  (instalações  e  equipamentos)  e  são  necessários  e  essenciais  para  fabricação de veículos, sob pena de prejudicar e afetar  toda  linha de  produção da Impugnante. Do contrato firmado com a Adservis (doc.nº  07), extrai­se que o escopo dos serviços é a limpeza técnica dentro do  complexo  industrial da  Impugnante com ciclos previamente definidos,  conforme  disposto  no  Anexo  I  integrante  do  referido  contrato.  Igualmente,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela  Villanova  do  Brasil,  apesar  de  constar  como  "serviços  de  movimentação  interna  (handling)”,  cuida­se de  serviços de  limpeza  técnica,  como  se denota  da nota fiscal anexada (doc. nº 07). Cita posicionamento do CARF que  referenda a tomada de créditos sobre esse tipo de dispêndio;  ­ Em  relação aos  serviços  de projetação,  desenho  e  cálculo,  a maior  parte  das  glosas  recaiu  sobre  tais  rubricas.  Os  serviços  foram  prestados  pelas  empresas  ABCZ  Services  Ltda,  Altran  Consultoria  e  Tecnologia  Ltda,  B&B  Projetos  Ltda,  Bonansea  Brasil  Ltda,  CG  Engineering  do  Brasil  Ltda,  Comau  do  Brasil  Indústria  e  Comércio  Ltda, Continental do Brasil Produtos Automotivos Ltda, Edag do Brasil  Ltda.,  Engineering  Simulation  and  Scientific  Software  Ltda,  General  Motors  do  Brasil  Ltda, MTD  do  Brasil  Ltda, MV2 Engenharia  Ltda,  Magneti  Marelli  Sistemas  Automotivos  Indústria  e  Comércio  Ltda,  Multicorpos  Engenharia  Ltda,  Promax  Engenharia  e  Projetos  Ltda,  Resil  Minas  Indústria  e  Comércio  Ltda,  Rieter  Automotive  Brasil  Artefatos de Fibras Têxteis Ltda, Stea Brasil Projetos Industriais, Stola  do Brasil Ltda, Thyssenkrupp Automotive Systems do Brasil Ltda, TRW  Automotive  Ltda,  TSP  Textura  Ltda,  Vibracon  Engenharia  Ltda  e  Vision Graphic Design do Brasil Ltda;  Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 474            4 ­  Os  serviços  de  projetação,  desenho  e  cálculo,  regra  geral,  são  espécies dos serviços de engenharia, essenciais às atividades de estudo,  desenvolvimento, projetação para fabricação de automóveis, veículos a  motor em geral, motores, bem como seus componentes, partes e peças.  São atividades essenciais, praticamente indissociáveis do objeto social  da Impugnante (o que se vê a todas as luzes), que é uma das maiores  montadoras de veículos do País;  ­  Cita  como  exemplos:  o  serviço  prestado  pela  Stola,  “relativo  a  estudos  de  projetos  de  sistemas/componentes  de  carroceria  e  acabamento  interno,  (...),  execução  de  gestão  de  peso  de  carroceria  (...),  atividades  de microplanificação  (...)";  e  o  serviço  prestado  pela  Altran, que realiza suporte no desenvolvimento de produtos de veículos  comerciais,  auxiliando,  ainda,  nas  discussões  de  DFMEA  e  PFMEA  referentes a produtos ou componentes;  ­ Os demais prestadores de serviços de "projetação. desenho e cálculo"  conforme  contratos  e  pedidos  anexos,  exercem  atividades  de  (i)  projetação  para  desenvolvimento  de  veículos  atendendo  às  metodologias  Fiat;  (ii)  microplanificação,  execução  de  desenhos  manuais, desenho CAD 2D e 3D; (III) gestão de documentação técnica,  elaboração de documentação técnica; (iv) layout e verificação virtual;  (v)  estudo  e  projetação  de  componentes,  de  sistemas,  de  caderno  de  bordo;  (vi)  cálculo  estrutural  (geração  de  malha,  análise  estática,  análise de impacto); (vii) conversão de matemática; e (vii) assessoria e  suporte técnico. Cita posicionamento do CARF que referenda a tomada  de créditos sobre esse tipo de dispêndio;  ­  A  Fiscalização  glosou  também  serviços  técnicos,  tomados  pela  Impugnante dos fornecedores ABCZ Service Ltda., Altran Consultoria  e  Tecnologia  Ltda.,  Cetesb  Companhia  Ambiental  do  Estado  de  São  Paulo,  Ceva  Logistics  Ltda.,  Ergom  do  Brasil  Ltda.,  GFL Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda., 19 Design Consultoria e Serviços de Software  Ltda.,  Libra  Terminal  Rio  S.A., Metagal  Indústria  e  Comércio  Ltda.,  MTD  do  Brasil  Tecnologia  Automotiva  Ltda.,  Meuller  Mineira  Indústria,  Partner  Parcerias  Indústrias  e  Automotivas  Ltda.,  Seacam  Comércio  e  Serviços  Ltda.,  Vesi  Consultoria  e  Assessoria  Industrial  Ltda. e Vision Graphic Design do Brasil Ltda;  ­  Apesar  de  os  serviços  prestados  pela  Ceva  e  pela  GFL  terem  sido  classificados como "serviços  técnicos", na verdade, sua essência é de  serviços  de  "movimentação  interna  (handling)". Da mesma  forma,  os  serviços  prestados  pela  ABCZ,  pela  Altran,  pela  MTD,  pela  Stola  e  pela Vision Graphic são "serviços de projetação, desenho e cálculo";  ­  Em  relação  àqueles  prestados  pela  Meuller,  vê­se  da  nota  fiscal  anexa (doc nº 09) se  tratar de serviços relacionados à engenharia no  desenvolvimento de componentes utilizados na produção de veículos da  família Palio, Uno, Stilo, Doblô, Punto, Linea e Idea. É dizer, cuida­se  de serviço essencial ao processo produtivo da Impugnante e, por essa  razão, dá direito ao crédito de COFINS;  ­ Da análise dos demais contratos e pedidos anexos (doc. nº 09), vê­se  que  o  conteúdo  de  tais  atividades  compreende  a  "(...)  prestação  de  serviços  técnicos  objetivando  a  execução  de  partes  determinadas  de  projetos de desenvolvimento tecnológico de titularidade da FIAT”. Cita  Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 475            5 posicionamento  do  CARF  que  referenda  a  tomada  de  créditos  sobre  esse tipo de dispêndio;  ­ Em relação aos serviços prestados pela Comau do Brasil Indústria e  Comércio  Ltda.  (doc.  nº  09),  se  extrai  do  respectivo  contrato  de  prestação  de  serviços,  em  especial  do  seu  Anexo  I  ("escopo  dos  serviços de manutenção  industrial"),  que a Comau presta  serviços de  manutenção  industrial,  entre  os  quais  se  destacam:  (i)  suporte  tecnológico  para  as  atividades  manutentivas  e  atividades  de  planejamento, gestão de documentação, análise de peças de reposição  e  análise  de  quebras;  (ii)  atividades  de  troca  de  ferramentas  e  eletrodos;  (iii)  regulagem  de  braços  extratores;  (iv)  atividades  de  laboratório  eletrônico,  com  reparação  de  módulos  eletrônicos;  (v)  serviços  e  assistência  em  máquinas  especiais,  robôs,  inversores  de  frequência  ou  instalações  que  requerem  meios  específicos  para  sua  execução,  inclusive  know­how  e  parâmetros  de  set­up  determinados  pelos  fabricantes  etc.  (item  4.1  do  referido  Anexo  I).  Além  disso,  a  Comau  realiza  também  atividades  denominadas  "atividades  de  aviamento  e  encerramento"  (item  4.2  do  referido  Anexo  I),  que  compreendem  diversas  atividades  relacionadas  à  ligação,  desligamento, preparação e esvaziamento de equipamentos e máquinas  das instalações de montagem, pintura e funilaria.  ­  Da  mesma  maneira,  deve­se  tratar  dos  serviços  da  AVL  South  America  Ltda.  (doc.  nº  09),  que,  segundo  o  contrato,  cuidam  de  serviços  de  manutenção  preventiva,  corretiva  e  calibração  dos  equipamentos  AVL,  do  Laboratório  de  Emissões  e  Consumo  e  Laboratório  de  Motores  de  Engenharia  do  Produto  Powertrain,  visando  a  conservação  dos  equipamentos  em  boas  condições  de  funcionamento.  ­ Como se infere, todas essas atividades executadas pela Comau e pela  AVL  integram os  serviços de manutenção das  instalações  produtivas,  incluindo equipamentos que  fazem parte da  linha de produção. Essas  atividades  de  manutenção  exigem  altos  níveis  de  conhecimento  e  especialização  técnicos,  dada  a  complexidade  dos  equipamentos  que  integram a  planta  industrial  de  uma  empresa montadora  de  veículos.  Cita  posicionamento  do  CARF  que  referenda  a  tomada  de  créditos  sobre esse tipo de dispêndio.  Por todo o exposto, a Impugnante requer seja reconhecida a totalidade  do crédito em epígrafe, com a consequente homologação  integral das  DCOMP  a  ele  vinculadas,  em  razão  da  completa  improcedência  dos  fundamentos do despacho decisório ora questionado.  É o relatório  A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação.  O Acórdão n.º 12­92.007 ­ 16ª Turma da DRJ/RJO está assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009  AUSÊNCIA DE PROVAS  Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 476            6 A  manifestação  de  inconformidade  deve  vir  instruída  com  as  provas  das  alegações,  uma  vez  que  a  alegação,  por  si  só,  não  produz modificações na análise do direito creditório.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009  INCIDÊNCIA  NÃO­CUMULATIVA.  CRÉDITOS.  CONCEITO  DE INSUMO.  No  regime  não  cumulativo,  somente  são  considerados  insumos,  para  fins  de  creditamento,  a  matéria­prima,  o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado;  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção  ou  fabricação  do  produto;  os  bens  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  de  serviços,  desde  que  não  estejam  incluídos  no  ativo  imobilizado;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  aplicados  ou  consumidos  na  prestação  do  serviço.  CRÉDITO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE  MANUTENÇÃO. POSSIBILIDADE. REQUISITOS.  As  partes  e  peças  de  reposição,  usadas  em  máquinas  e  equipamentos  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  quando  não  representarem  acréscimo  de  vida  útil  superior  a  um  ano  ao  bem em  que  forem  aplicadas,  e,  ainda,  sofrerem  alterações,  tais  como o  desgaste,  o  dano,  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação  ou  em  produção,  bem  como  os  serviços  de  manutenção  associados  são  considerados  insumo para fins de crédito a ser descontado da Cofins.  CRÉDITO.  SERVIÇO  DE  LOGÍSTICA.  MOVIMENTAÇÃO  INTERNA. HANDLING. IMPOSSIBILIDADE.  Os  valores  pagos  por  serviço  global  de  logística  (que  abrange  diversos  serviços,  tais  como  armazenamento,  movimentação  interna, inspeção de mercadorias, controle de estoque, embalagem,  classificação,  procedimentos  para  importação  e  exportação,  transporte e distribuição, devolução, processamento de dados, etc.  não  permitem  a  apuração  de  créditos  da  Cofins,  por  falta  de  previsão legal.  CRÉDITO.  LIMPEZA  E  DESINFECÇÃO  DO  AMBIENTE  PRODUTIVO. IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  direito  a  crédito  da  não  cumulatividade  da  Cofins  sobre  gastos  com  materiais  de  limpeza  e  de  desinfecção  do  ambiente  produtivo.  Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 477            7 CRÉDITO.  DESPESAS  COM  O  DESENVOLVIMENTO  DE  PRODUTOS.  PROJETOS.  PROTÓTIPOS.  LABORATÓRIO  DE  TESTES. IMPOSSIBILIDADE.  Despesas  incorridas  com  a  contratação  de  serviços  para  desenvolvimento de produtos, tais como projetos, design, cálculos,  ou  em  laboratórios  de  testes,  não  geram  crédito  do  regime  de  apuração  não  cumulativa  da  Cofins,  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumo,  nem  terem  previsão  legal  expressa  para  o  desconto.    Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário,  por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese:  2 ­ Fatos  A  recorrente  explica  que  o  presente  processo  administrativo  é  fruto  de  fiscalização instaurada pela DRF de Contagem/MG para verificação da regularidade do crédito  decorrente da COFINS não cumulativa, apurada em relação a operações realizadas no mercado  interno.  Discorre  que  a  fiscalização  resultou  em  7  (sete)  processos  administrativos,  a  saber:  13603.721398/2015­69,  13603.721412/2015­24,  13603.721401/2015­44,  13603.721405/2015­22,  13603.721408/2015­66,  13603.721415/2015­68  e  13603.721544/2015­56.  Tendo em vista  a  identidade de matéria,  requer  o  julgamento do  conjunto dos  processos.  A recorrente relata que a DRJ/RJO entendeu por julgar parcialmente procedente  a Manifestação  de  Inconformidade  apresentada,  para  reconhecer  os  créditos  relacionados  ao  item V.1  do  TVF  (bens  utilizados  como  insumos).  A DRJ/RJO  não  reconheceu  os  créditos  tomados  sobre  as  despesas  referentes  aos  serviços  (item  V.2  do  TVF)  contratados  pela  Recorrente, mesmo que se mostrem essenciais ao desenvolvimento de suas atividades.  3 – Direito: razões  A recorrente sustenta que a DRJ/RJO adotou o conceito restrito de insumo para  não  reconhecer  os  créditos  oriundos  das  despesas  com  serviços  contratados.  Alega  que  os  serviços contratados se revelam essenciais às suas atividades; logo, inserem­se no conceito de  insumo e, como tal, seriam passíveis de creditamento.  Nesse sentido, pugna pela ilegalidade das Instruções Normativas SRF ns. 247/02  e 404/04. A seu favor, aponta jurisprudência do CARF e do STJ.  A  recorrente  faz  uma  análise  específica  dos  serviços  cujas  glosas  foram  mantidas  (item V.2  do  TVF),  buscando  demonstrar  a  essencialidade  desses  serviços  às  suas  atividades. Tais serviços são:  3.1 Serviços de movimentação interna (handling)  Relata os serviços de movimentação interna (handling) e cita jurisprudência do  CARF.  Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 478            8 Com  efeito,  segundo  o  próprio  termo  de  verificação  fiscal,  as  atividades de handling compreendem os serviços de: (i) movimentação  e armazenamento de materiais a serem utilizados na linha de produção  dos  veículos,  desova  de  containers,  entre  outros;  (ii)  movimentação  interna de material e de veículos; (iii) retirada de peças armazenadas  (prateleiras  etc.)  e  execução  do  respectivo  acondicionamento  em  embalagens; (iv) movimentação interna das peças vindas do armazém,  peças  e  acessórios;  (v)  gestão  dos  transportes  das  cargas  de  transferência  da  produção  para  filiais;  (vi)  acompanhamento,  programação  e  diligenciamento  das  entregas  de  peças  dos  fornecedores à filial peças e acessórios; (vii) aquisição de embalagens,  locação de equipamentos para movimentação dos materiais, realização  de  atividades  de  recebimento,  armazenagem,  movimentação,  abastecimento,  transporte  de  materiais.  Essas  atividades  podem  se  realizar tanto dentro do estabelecimento matriz ou filial quanto podem  ocorrer entre matriz/filiais. (e­fl. 442)  De forma didática, reproduzo o serviços de movimentação interna (handling) na  tabela a seguir:  3.1 Serviços de movimentação interna (handling)  (i) movimentação e armazenamento de materiais a serem utilizados na linha de produção dos  veículos, desova de containers, entre outros;  (ii) movimentação interna de material e de veículos;  (iii)  retirada  de  peças  armazenadas  (prateleiras  etc.)  e  execução  do  respectivo  acondicionamento em embalagens;  (iv) movimentação interna das peças vindas do armazém, peças e acessórios;  (v) gestão dos transportes das cargas de transferência da produção para filiais;  (vi) acompanhamento, programação e diligenciamento das entregas de peças dos fornecedores  à filial peças e acessórios;  (vii)  aquisição  de  embalagens,  locação  de  equipamentos  para movimentação  dos materiais,  realização  de  atividades  de  recebimento,  armazenagem,  movimentação,  abastecimento,  transporte de materiais.  No tocante a tais serviços, a Recorrente menciona contratos com prestadores de  serviço: Ceva, Syncreon, Autolog e GFL. Cita a seu favor a Solução de Consulta nº 256, de 24  de julho de 2007 e jurisprudência do CARF.  3.2 Serviços de limpeza técnica  Relata  os  serviços  de  limpeza  técnica  glosados  que  foram  prestados  por  empresas contratadas e cita jurisprudência do CARF.  (...)  os  serviços  de  limpeza  técnica  consistem  na  limpeza  da  linha  de  produção  (instalações e equipamentos) e são necessários e essenciais  Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 479            9 para fabricação de veículos, sob pena de prejudicar e afetar toda linha  de produção da Recorrente. (e­fl. 448)  De forma didática, reproduzo na tabela a seguir:  3.2  Serviços  de  limpeza  técnica  –  limpeza  da  linha  de  produção  (instalações  e  equipamentos)  3.3 Serviços de projetação, desenho e cálculo  Relata  os  serviços  de  projeção,  desenho  e  cálculo  glosados  e  que  foram  prestados por empresas contratadas, citando jurisprudência do CARF.  Os serviços de projetação, desenho e cálculo, regra geral, são espécies  dos  serviços  de  engenharia,  essenciais  às  atividades  de  estudo,  desenvolvimento, projetação para fabricação de automóveis, veículos a  motor em geral, motores, bem como seus componentes, partes e peças.  São atividades essenciais, praticamente indissociá­veis do objeto social  da Recorrente  (o que se vê a  todas as  luzes), que é uma das maiores  montadoras de veículos do País. (e­fl. 450)  De forma didática, reproduzo na tabela a seguir:  3.3  Serviços  de  projetação,  desenho  e  cálculo  –  espécies  de  serviços  de  engenharia  para  estudo, desenvolvimento e projeção par fabricação de partes e peças de automóveis.  3.4 Serviços técnicos  A  Recorrente  explica  que  neste  item  se  encontram  alguns  serviços  de  movimentação interna (handling) e de projeção, desenho e cálculo tratados anteriormente. Em  seguida adentra nas explicações dos serviços técnicos que foram objeto de glosa.  Adentrando­se,  especificamente,  nos  serviços  técnicos,  em  relação  àqueles prestados pela Meuller, vê­se da nota fiscal anexa (doc. n. 09,  cit)  se  tratar  de  serviços  relacionados  à  engenharia  no  desenvolvimento de componentes utilizados na produção de veículos da  família Pálio, Uno, Stilo, Doblô, Punto, Linea e Idea. É dizer, cuida­se  de  serviço essencial ao processo produtivo da Recorrente  e,  por  essa  razão, dá direito ao crédito de COFINS.  Da análise dos demais contratos e pedidos anexos (doc. n. 09, cit), vê­ se que o conteúdo de tais atividades compreende a "(...) prestação de  serviços  técnicos  objetivando  a  execução  de  partes  determinadas  de  projetos de desenvolvimento tecnológico de titularidade da FIAT". Os  serviços poderão abranger, além da projetação para desenvolvimento  de veículos atendendo às metodologias Fiat, matemática C, matemática  B/A, factibilidade, suporte ao design e graphic design. (e­fl. 454)  De forma didática, reproduzo na tabela a seguir:  3.4  Serviços  técnicos  –  serviços  relacionados  à  engenharia  no  desenvolvimento  de  componentes.  3.5 Serviços de experimentação  Fl. 479DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 480            10 A Recorrente  relata  acerca de  serviços de experimentação  glosados que  foram  prestados por empresas contratadas e cita jurisprudência do CARF.  No que se refere aos serviços prestados pela Magneti Marelli, espécie  de serviços de engenharia, é ver que estes visam oferecer melhoria à  dirigibilidade  dos  veículos  fabricados  e  comercializados  pela  Recorrente. Esses  serviços  consistem,  em resumo, na  recalibração da  central eletrônica com alterações de parâmetros  internos ao software  que  mudam  o  comportamento  dos  veículos  em  várias  condições  de  funcionamento, tais como rotações de marcha lenta, trocas de marcha,  acelerações  e  desacelerações,  partidas  a  frio  e  partidas  a  quente,  inserção de ar condicionado com compensação de giro. A análise da  nota  fiscal  anexa  (doc. n.  10  da MI,  cit),  cuja  descrição  corresponde  aos serviços de engenharia/desenvolvimento, corrobora a natureza dos  serviços tomados pela Recorrente.  Quanto  aos  serviços  prestados  pela  Roberto  Bosch,  percebe­se,  pelo  contrato e pedido de compra anexados, que se trata da viabilização da  produção de ABS e de Sensor de Velocidade da Roda e de calibração  dentro dos requisitos de design, performance e qualidade exigidos pela  Recorrente. (e­fl.  De forma didática, reproduzo na tabela a seguir:  3.5  Serviços  de  experimentação  –  calibração,  recalibração  e  serviços  relacionados  à  engenharia/desenvolvimento.  4 Pedido  A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede:  Por todo o exposto, a Recorrente requer a reforma parcial do acórdão  recorrido, para que se reconheça a totalidade do crédito controlado no  PTA  em  epígrafe,  com  a  consequente  homologação  integral  das  DCOMPs a ele vinculados.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.  É o relatório.  VOTO  Leonardo Correia Lima Macedo, Relator.  O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão  pela qual dele se conhece.  A seguir passo a análise do Recurso Voluntário.  Do Mérito  De forma objetiva, o cerne da questão do presente Recurso Voluntário está no  conceito de insumo e nas glosas constantes do Termo de Verificação Fiscal (TVF).  Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13603.721415/2015­68  Resolução nº  3201­002.092  S3­C2T1  Fl. 481            11 De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial  nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos,  firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a  eficácia do sistema de não­cumulatividade da contribuição ao PIS e da  COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e  (b)  o  conceito  de  insumo  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  terminado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo Contribuinte.  Assim,  em  vista  do  disposto  pelo  STJ  no  RE  nº  1.221.170/PR  quanto  a  ilegalidade  das  Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  bem  como  da  jurisprudência deste CARF, trata­se de analisar se os insumos atendem ou não aos requisitos da  essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal.  Ocorre, todavia, que durante o julgamento do Recurso Voluntário a turma teve  dúvidas  e  surgiram  dificuldades  em  relacionar  os  itens  glosados  pela  fiscalização  com  os  contratos correspondentes informados nos autos.  Assim, existe dúvida razoável no presente processo conceder ou negar o direito  ao  crédito,  o  que  justifica  a  conversão  do  feito  em  diligência,  não  sendo  prudente  julgar  o  recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas.  Neste  contexto,  o  CARF  possui  o  reiterado  entendimento  de  ser  possível,  em  casos como o presente, a conversão do feito em diligência.  Diante  do  exposto,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência  à  repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar documentação  vinculando os itens glosados com os contratos.  Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo  de  30  (trinta)  dias,  renovável  uma  vez  por  igual  período,  apresentar  a  documentação,  bem  como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos.  Após  a diligência,  retornem os  autos  a  este  colegiado para prosseguimento do  julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Leonardo Correia Lima Macedo ­ Relator.  Fl. 481DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.689964/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes.
Numero da decisão: 3301-006.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-26T13:46:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-26T13:46:53Z; Last-Modified: 2019-07-26T13:46:53Z; dcterms:modified: 2019-07-26T13:46:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-26T13:46:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-26T13:46:53Z; meta:save-date: 2019-07-26T13:46:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-26T13:46:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-26T13:46:53Z; created: 2019-07-26T13:46:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-26T13:46:53Z; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-26T13:46:53Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.689964/2009-25 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-006.334 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Recorrente CALVO COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação da existência do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 64 /2 00 9- 25 Fl. 2460DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.334 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689964/2009-25 integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: a) ao revisar sua escrita fiscal, constatou haver recolhido indevidamente contribuições a título de PIS e COFINS sobre diversos produtos que comercializa, os quais tiveram suas alíquotas incidentes sobre a venda reduzidas a zero, em 2004, 2006 e 2007 ; b) o valor do ICMS incluído no preço de venda, objeto de julgamento em curso no STF, não é receita da empresa, mas sim do Estado, devendo ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) tendo recalculado seus valores devidos de PIS e COFINS com a exclusão das parcelas acima mencionadas, compensou os com seus créditos decorrentes de FINSOCIAL (ação judicial transitada em julgado), de IRPJ e CSLL (recolhimento a maior por não haver incluído os créditos de PIS e COFINS no seu custo) e dos próprios PIS e COFINS recolhidos indevidamente em 2004, 2006 e 2007; os seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – DACON do período abrangido, quando exigíveis, foram retificados, sendo impedido de efetuar o mesmo procedimento quanto às correspondentes Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, por estar sob fiscalização; d) não haveria óbice à compensação declarada no caso em tela e) Por fim, entende demonstrada a insubsistência e a improcedência do Despacho Decisório, requerendo o acolhimento da Manifestação de Inconformidade e a homologação da compensação conforme pleiteada. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que consideram-se confessados os débitos declarados na DCTF, pelo que qualquer retificação posterior deve-se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, aos quais adicionou o seguinte: houve cerceamento do direito de defesa, porque a DRJ julgou improcedente sua manifestação de inconformidade, sem determinar que fosse realizada diligência para confirmar a legitimidade do crédito. Após a protocolização do recurso voluntário, o contribuinte carreou aos autos petição em que relata que possuía créditos derivados de pagamentos indevidos de PIS e COFINS, realizados sobre vendas de produtos cuja tributação pelas contribuições estava com a alíquota reduzida a zero ou que teriam sido tributadas em etapas anteriores da cadeia produtiva, sob o regime de substituição tributária. Estes créditos foram utilizadas em diversas compensações, instruídas por PER/DCOMP. Fl. 2461DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.334 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689964/2009-25 Tal petição foi acompanhada de Laudo Técnico, referente a pesquisa sobre a legislação e aplicação de testes em registros contábeis e fiscais e cuja conclusão foi a seguinte: "1. Há fundamentação legal para os casos de créditos de PIS e da Cofins, pleiteados pela CALVO, decorrentes de vendas de mercadorias com redução de tributação desses encargos a 0% (zero por cento) ou com substituição tributária, para o período de janeiro de 2004 a janeiro de 2007; 2. As transações comerciais da CALVO são realizadas em grande volume diário, como é de praxe em operações de atacado e varejo de mercadorias de consumo alimentício, bebidas, higiene, cigarros, etc.; 3. Mesmo considerando o elevado o número de operações comerciais diárias, foi possível apurar que há consistência nos registros contábeis e fiscais nesse mencionado período, para determinação de bases de cálculo do PIS e da Cofins, bem como do cumprimento das obrigações acessórias tributárias pertinentes; 4. Há elementos de comprovação das operações comerciais realizadas, incluindo aquelas que foram objeto de pleito de créditos de PIS e da Cofins pela Administração da CALVO, no período de janeiro de 2004 a janeiro de 2007;" Reiterou o pedido de homologação da compensação ou, no mínimo, que fosse realizada diligência. Mencionou, ainda, decisão judicial, que teria determinado que todos os recursos administrativos teriam de ser decididos em 360 dias, nos termos do art. 24 da lei n° 11.457/07. Posteriormente, juntou-se aos autos nova petição no intuito de complementar a anterior, trazendo fatos novos, quais sejam: i) decisão do STF, em sede de repercussão geral, sobre a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; e ii) Laudo Técnico Complementar, referente à análises dos créditos de PIS e COFINS derivados de pagamentos indevidos sobre vendas tributadas à alíquota zero ou sob regime de substituição tributária e referentes à inclusão do ICMS nas bases de cálculo. Tais análises, aplicaram teses sobre os valores de ICMS excluídos das bases de cálculo e sobre a documentação relativa às vendas cujas alíquotas estavam reduzidas a zero e sob o regime de substituição tributária. O referido laudo traz dois anexos. No primeiro, as apurações de PIS e COFINS retificadas. E, no segundo, planilhas com as informações contidas em algumas notas fiscais, citadas de forma exemplificativa, cujas vendas teriam sido equivocadamente submetidas à tributação regular pelas contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, Fl. 2462DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.334 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689964/2009-25 de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 325, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.689955/2009-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.325): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar Alegou que a decisão da DRJ seria nula, pois, ao não determinar a realização de diligência para confirmar a legitimidade dos créditos da recorrente, teria cerceado seu direito à ampla defesa e ao contraditório. O ônus de comprovar a existência do direito creditório - pagamentos a maior de PIS e COFINS - é de quem alega detê-lo (inciso I do art. 373 da Lei n° 13.105/15 - Código de Processo Civil). E minha interpretação sistemática do Decreto n° 70.235/72 e da Lei n° 9.784/99 é a de que a diligência não se presta para produzir provas, porém esclarecer dúvidas. Assim, cumpria à recorrente o dever de juntar aos autos a documentação suporte dos créditos. Se não o fez, não cabe às instâncias julgadoras solicitar diligências para que seja então trazida a documentação capaz de legitimar os créditos. Nego provimento. Mérito Trata-se de pagamento supostamente a maior de PIS relativo ao mês de setembro de 2006. A recorrente alegou que o pagamento indevido foi resultado da inobservância das legislações fiscais aplicáveis. E trouxe extensos relatórios de auditoria, cujos trabalhos serviriam de prova da legitimidade dos créditos ou, pelo menos, de motivo para que esta turma converta o julgamento em diligência. Os trabalhos de auditoria consistiram em pesquisas nas legislações e aplicação de testes sobre registros contábeis e fiscais. O objetivo foi o de verificar se os procedimentos de cálculo dos créditos de PIS e COFINS estavam de acordo com as legislações aplicáveis e se tinham suporte em registros contábeis e livros, declarações e notas fiscais. Nos relatórios, consignaram que os resultados foram plenamente satisfatórios, isto é, em princípio, poder-se-ia acreditar que a recorrente realmente detinha o direito creditório. Não obstante, meu voto é por negar provimento ao recurso voluntário, por ausência de provas, isto é, pelo mesmo motivo alegado pela DRJ. E por que assim concluí? Em relação ao período de apuração em comento, setembro de 2006, há apenas aquela que seria a "nova" apuração do PIS e por meio do qual não se apura contribuição a pagar - inferir-se-ia, em princípio, que o valor total recolhido de R$ 14.907,60 seria indevido e, portanto, compensável. Contudo, não foram juntados aos autos: o balancete contábil do mês de setembro de 2006, devidamente conciliado com a nova base de cálculo e, notadamente, com as exclusões do ICMS e das vendas supostamente não tributáveis; conciliação da "nova" base de cálculo com DCTF e DACON Retificadores; e as notas fiscais das vendas não tributáveis ou pelo mesmo uma amostra, devidamente acompanhada de conciliações com os livros contábeis e fiscais e a "nova" apuração. E, em virtude da a ausência de tais documentos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 2463DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.334 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.689964/2009-25 Não obstante, cumpre consignar que os conteúdos dos Laudos Técnicos constantes dos autos parecem-me robustos. E que, de forma alguma, este relator deixou de conferir- lhes o devido valor. Contudo, para que reconheçamos um direito creditório, há de existir provas nos autos. Também tenho o dever de mencionar que esta turma privilegia, sempre que admissível, os Princípios da Verdade Material e do Formalismo Moderado. Por diversas vezes, converteu julgamentos em diligências, quando verificou que havia nos autos, senão a totalidade, porém substancial parcela dos documentos que davam suporte ao direito creditório pleiteado. Contudo, reitero que, no caso em tela, sobre o período de apuração de setembro de 2006, há, apenas, a "nova" apuração, o que é definitivamente insuficiente como prova da legitimidade do crédito, bem como para motivar a conversão do julgamento em diligência. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2464DF CARF MF

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Numero do processo: 10320.000355/2001-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RECURSO ESPECIAL. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DA LEGISLAÇÃO INTERPRETADA DE MODO DIVERGENTE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 67, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera citação dos dispositivos legais supostamente violados sem que haja a indicação objetiva da violação infligida pela decisão recorrida. Ausente o requisito estabelecido pelas norma regimental, não deve ser conhecido o recurso. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE INSUMO. LEGISLAÇÃO DO IPI. A Lei nº 9.363/96 (art. 3º, parágrafo único) remete expressamente à legislação do IPI para o estabelecimento do conceito de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem (conceito este explicitado no Parecer Normativo CST nº 65/79). ELÉTRICA CONSUMIDA NO PROCESSO DE ELETRÓLISE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 as aquisições de energia elétrica, no caso da produção do alumínio, porque ela se integra ao produto final da eletrólise.
Numero da decisão: 9303-008.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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   Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9303­008.503  –  3ª Turma   Sessão de  17 de abril de 2019  Matéria  IPI ­ Crédito Presumido  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL e               SOUTH32 MINERALS S.A.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001  RECURSO  ESPECIAL.  REQUISITO.  DEMONSTRAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO  INTERPRETADA  DE  MODO  DIVERGENTE.  AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.  Nos termos do art. 67, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a interposição de recurso  especial a demonstração da legislação que estaria sendo interpretada de modo  divergente  pelos  acórdãos  recorrido  e  paradigma.  Para  tanto,  insuficiente  a  mera  citação  dos  dispositivos  legais  supostamente  violados  sem  que  haja  a  indicação  objetiva  da  violação  infligida  pela  decisão  recorrida.  Ausente  o  requisito  estabelecido  pelas  norma  regimental,  não  deve  ser  conhecido  o  recurso.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001  CRÉDITO  PRESUMIDO.  CONCEITO DE  INSUMO.  LEGISLAÇÃO  DO  IPI.  A  Lei  nº  9.363/96  (art.  3º,  parágrafo  único)  remete  expressamente  à  legislação  do  IPI  para  o  estabelecimento  do  conceito  de  matéria­prima,  produtos  intermediários  e material  de embalagem  (conceito  este  explicitado  no Parecer Normativo CST nº 65/79).  ELÉTRICA  CONSUMIDA  NO  PROCESSO  DE  ELETRÓLISE.  CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.  Integram  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  da  Lei  nº  9.363/96  as  aquisições de energia elétrica, no caso da produção do alumínio, porque ela  se integra ao produto final da eletrólise.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 03 55 /2 00 1- 29 Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.035          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar­lhe provimento. Acordam, ainda, por  maioria  de  votos,  em  não  conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  vencidos  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto  Natal  e  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  que  conheceram do recurso.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas.  Relatório  Trata­se de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  (fls.  1.554  a  1.568)  e  pelo  contribuinte  (fls.  1.822  a  1.838),  contra  o  Acórdão 3301­002.283, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF  (fls.  1.193  a  1.204),  sob  a  seguinte  ementa  (registre­se,  totalmente  dissociada  do  Voto/  discussões):  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  PROVA  MATERIAL  APRESENTADA  EM  SEDE  DE  RECURSO  VOLUNTÁRIO  PRINCÍPIO  DA  INSTRUMENTALIDADE  PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL.  A  não  apreciação  de  provas  trazidas  aos  autos  depois  da  impugnação  e  já  na  fase  recursal,  antes  da  decisão  final  administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual  prevista  no CPC e a  busca  da verdade material,  que  norteia o  contencioso administrativo tributário.  A  despeito  da  possibilidade  de  análise  posterior  da  documentação, deixou o contribuinte de fazer prova cabal do seu  direito creditório.  O que na realidade aqui se decidiu (no que interessa ao Recurso Especial da  PGFN),  pode,  exemplificativamente,  ser  visto  na  ementa  do  Acórdão  3401­002.926,  no  Processo nº 10320.001950/2002­62, citado no Acórdão recorrido (fls. 1.194):  CONSÓRCIO  DE  EMPRESAS.  REQUISITOS.  EMPREENDIMENTO  DETERMINADO.  CARACTERIZAÇÃO.  PRAZO.  Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.036          3 Empreendimento,  identificado  no  ato  constitutivo  de  consórcio  operacional como a construção do parque industrial, o refino de  bauxita  e  a  redução  de  alumina  para  a  obtenção  do  alumínio,  tem  grau  de  determinação  suficiente  para  fim  de  respaldar  a  constituição  de  um  consórcio  de  sociedades  nos  termos  da  legislação  comercial.  Não  há  falar  em  perpetuação  de  empreendimento que  tem prazo determinado em 50  (cinqüenta)  anos, ainda que renovável.  Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.581 a 1.584), a  PGFN,  em  apertada  síntese,  alega  que  os  consórcios  de  empresas,  para  que  possam  ser  considerados como tal, devem se destinar à consecução de um empreendimento determinado,  conceito este que envolve as noções de transitoriedade, temporariedade e unicidade, sendo que  a SOUTH32 MINERALS não teria legitimidade para pleitear o Crédito Presumido de IPI, pois  não teria procedido à aquisição dos insumos e à industrialização dos produtos exportados, mas  sim o complexo ALUMAR.  O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 1.774 a 1.787).  No seu Recurso Especial, ao qual também foi dado seguimento (fls. 2.019 a  2.021), pugna da possibilidade de creditamento das despesas com energia elétrica consumida  na operação de eletrólise, na redução da alumina para a produção do alumínio, em razão de ser  consumida em contato direto com o produto em fabricação.  A  PGFN  apresentou  Contrarrazões  (fls.  2.023  a  2.032),  questionando,  o  conhecimento  do Recurso,  pois  estaria  a  contrariar  a  Súmula CARF  nº  19,  que  consolida  o  entendimento que não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363/96 as  aquisições de combustíveis e energia elétrica.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  1)  Recurso  Especial  da  PGFN  (Possibilidade  de  apuração  do  Crédito  Presumido por empresa do Consórcio ALUMAR).  Quanto  ao  conhecimento  do  Recurso  Especial  da  PGFN,  temos  dois  Acórdãos desta Turma que vão enfaticamente no sentido da negativa, um dos quais também da  SOUTH32 MINERALS S.A., que resultou da cisão da BHP ­ BILLITON METAIS S.A. Trata­ se  do Acórdão  nº  9303­005.841,  de  17/10/2017,  de  relatoria  da  ilustre  Conselheira Vanessa  Marini Cecconello, decisão com a qual anui:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002  RECURSO  ESPECIAL.  REQUISITO.  DEMONSTRAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO  INTERPRETADA  DE  MODO  DIVERGENTE.  AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.  Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.037          4 Nos termos do art. 67, §1º do Anexo II do Regimento Interno do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é condição para a  interposição  de  recurso  especial  a  demonstração  da  legislação  que  estaria  sendo  interpretada  de  modo  divergente  pelos  acórdãos recorrido e paradigma. Para tanto, insuficiente a mera  citação  dos  dispositivos  legais  supostamente  violados  sem  que  haja  a  indicação  objetiva  da  violação  infligida  pela  decisão  recorrida.  Ausente  o  requisito  estabelecido  pelas  norma  regimental, não deve ser conhecido o recurso.  Posteriormente,  no  julgamento  de  um  Processo  da  ALCOA  ALUMÍNIO  (outra  integrante  do  Consórcio  ALUMAR),  Acórdão  nº  9303.006.257,  de  26/01/2018,  o  Acórdão transcrito foi citado e, em essência, foi a razão de decidir (também de relatoria da Dra.  Vanessa, desta feita, do Voto Vencedor):  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004  RECURSO  ESPECIAL.  REQUISITO.  DEMONSTRAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO  INTERPRETADA  DE  MODO  DIVERGENTE.  AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.  Nos termos do art. 67, §1º do Anexo II do Regimento Interno do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015,  é  condição  para  a  interposição  de  recurso especial a demonstração da legislação que estaria sendo  interpretada  de  modo  divergente  pelos  acórdãos  recorrido  e  paradigma.  Para  tanto,  insuficiente  a  mera  citação  dos  dispositivos  legais  supostamente  violados  se  que  haja  a  indicação objetiva da violação  infligida pela decisão recorrida.  Ausente  o  requisito  estabelecido  pela  norma  regimental,  não  deve ser conhecido o recurso.  A Ementa dos dois é idêntica. Como também, compulsando no e­Processo, vi  que o Recurso Especial  da Procuradoria, no primeiro caso,  é uma cópia  fiel do aqui  trazido,  utilizando­se  do  mesmo  paradigma  –  nº  3402­00.597  (totalmente  pertinente,  já  que  os  Processos tratam do mesmo tema, em situação fática também idêntica).  Assim, transcrevo parte do Voto Condutor da Dra. Vanessa no primeiro caso,  para embasar minha convicção, no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda  Nacional:  “A  demanda  cinge­se  à  análise  da  validade  do  Consórcio  Alumar  e  da  legitimidade  da  Contribuinte  para  pleitear  o  ressarcimento  de  créditos  presumidos  de  IPI  decorrentes  da  aquisição  de  matérias  primas,  produtos  intermediários  e  materiais de embalagem, consoante previsto no art. 1° da Lei n°  9.363/96,  utilizados  no  processo  produtivo,  na  qualidade  de  produtora e exportadora de mercadoria nacional.  No  acórdão  recorrido,  foi  reconhecida  a  caracterização  do  Consórcio Alumar como, de fato, um consórcio, nos termos dos  artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404 e a  legitimidade da empresa  Recorrida,  que  é  uma  das  consorciadas,  para  postular  o  Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.038          5 ressarcimento/compensação  do  crédito  presumido  de  IPI  decorrente  da  aquisição  de  insumos  utilizados  na  produção  da  alumina e do alumínio, no âmbito do consórcio.  A  Fazenda  Nacional,  por  meio  do  recurso  especial,  alega  divergência em relação ao Acórdão n° 3402­000.597, no qual foi  consignado  tratar­se o Consórcio Alumar de uma sociedade de  fato.  Do exame do recurso especial, com a devida vênia às conclusões  postas no exame de admissibilidade efetuado pelo Presidente da  4a  Câmara  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  em  exercício  à  época, verifica­se carecer o apelo dos pressupostos necessários  ao seu prosseguimento.  O art. 67, §1°, do Anexo II do RICARF ­ aprovado pela Portaria  MF n° 343/2015, estabelece como condição para a interposição  de  recurso  especial  a  demonstração  da  legislação  que  estaria  sendo  interpretada  de  modo  divergente  pelos  acórdãos  confrontados  ­  recorrido  e  paradigma.  Tal  providência  não  foi  adotada  no  caso  em  exame,  pois,  embora  a  Fazenda Nacional  colacione  a  redação dos  artigos  278  e  279  da  Lei  n°  6.40476,  não  aponta  objetivamente  qual  seria  a  violação  infligida  aos  mesmos  pela  decisão  recorrida  ou  no  que  se  teria  dado  a  interpretação conflitante com o julgado tido por paradigmático.  Além disso, nos acórdãos confrontados, a interpretação diversa  não se deu com relação à legislação tributária, mas sim quanto  às  provas  acostadas  aos  autos,  mais  especificamente,  ao  Contrato do Consórcio Alumar para a caracterização da figura  societária. Está­se diante de divergência em relação ao contrato  celebrado  entre  as  empresas  consorciadas,  e  não  quanto  à  legislação de regência para a constituição dos consórcios.  Para  elucidar  a  assertiva  e  demonstrar  que  a  interpretação  divergente deu­se em relação ao conjunto probatório e não à lei,  como  exigido  para  a  via  do  recurso  especial  ...  transcreve­se  trechos dos acórdãos ... (recorrido) e ... (paradigma) ...  (...)  Ambos julgados convergem para o entendimento de que para ser  perfectibilizada  a  figura  do  consórcio,  deve­se  ter  a  presença  inequívoca dos elementos estabelecidos pela legislação, a saber,  nos  artigos  278  e  279  da  Lei  n°  6.404/76,  principalmente,  constituir­se  seu  objetivo  na  realização  de  empreendimento  único e por prazo determinado. Ocorre que, enquanto o acórdão  recorrido ao analisar o contrato do Consórcio Alumar entendeu  estarem  presentes  referidas  características,  o  acórdão  paradigma apresentou entendimento divergente, pois analisando  o mesmo contrato concluiu não se tratar de um consórcio, e sim  de uma sociedade de fato, por não ter vislumbrado os requisitos  impostos na legislação.  Tendo em vista ser o escopo do recurso especial a uniformização  de  interpretações  divergentes  conferidas  ao  mesmo  dispositivo  Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.039          6 de lei, e não com relação às provas trazidas aos autos, verifica­ se não reunir o presente recurso os requisitos necessários ao seu  prosseguimento, pois pretende o reexame da prova”.  No entanto, caso a Turma decida pelo conhecimento do Recurso da Fazenda  Nacional, no Mérito aí externo minha posição de que as empresas que compõem o Consórcio  ALUMAR efetivamente detêm direito ao Credito Presumido do IPI.  Transcrevo inicialmente excertos da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por  Ações) no que tange aos consórcios, e na parte que nos interessa:  Art.  278.  As  companhias  e  quaisquer  outras  sociedades,  sob  o  mesmo  controle  ou  não,  podem  constituir  consórcio  para  executar  determinado  empreendimento,  observado  o  disposto  neste Capítulo.  §  1º  O  consórcio  não  tem  personalidade  jurídica  e  as  consorciadas  somente  se  obrigam  nas  condições  previstas  no  respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações,  sem presunção de solidariedade.  ...  Art.  279.  O  consórcio  será  constituído  mediante  contrato  aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a  alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão:  I ­ a designação do consórcio se houver;  II ­ o empreendimento que constitua o objeto do consórcio;  III ­ a duração, endereço e foro;  IV  ­  a  definição  das  obrigações  e  responsabilidade  de  cada  sociedade consorciada, e das prestações específicas;  V  ­  normas  sobre  recebimento  de  receitas  e  partilha  de  resultados;  Vejamos  agora  o  que  diz  o  Contrato  de  Constituição  do  Consórcio  ALUMAR, também na parte que interessa à discussão (inicia­se às fls. 417):  OBJETO E DESCRIÇÃO DO CONSÓRCIO  Pelo  presente  Contrato,  a  Alcoa,  Billiton,  Alcon  e  Abdico  estabelecem  um  consórcio  que  tem  por  objeto  a  aquisição,  montagem  e  construção  de  instalações  para  o  Refino  de  Alumina,  e  de  Instalações  para  a  Redução  de  Alumínio,  juntamente  com  instalações  de  apoio,  nas  vizinhanças  de  São  Luís,  Estado  do Maranhão  ...,  assim  como  a  operação  de  tais  instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita,  a  partilha  da  alumina  produzida  por  Alcoa,  Billiton,  Alcon  e  Abalco, a partilha do alumínio produzido por Alcoa e Billiton e  uma  correspondente  participação  nos  custos  de  produção  da  alumina e do alumínio...  3.02. Objeto, Fiscalização e Poderes do Consórcio.  Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.040          7 (a)  Objeto.  O  Objeto  do  Consórcio  e  o  objetivo  das  Consorciadas  em  constituí­lo  são  de  dedicar­se  aos  Empreendimentos  descritos  no  Artigo  I  deste  instrumento,  através  de,  entre  outras  atividades,  processar  bauxita,  transformando­a  em alumina  no Empreendimento  de Refino  de  Alumina,  e  alumina  em  alumínio  no  Empreendimento  de  Redução  de  Alumínio,  utilizando­se  de  instalações  construídas  e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado  do  Maranhão,  Brasil,  e  assim,  dando  o  direito  a  cada  Consorciada  de  receber  uma  participação  (se  houver)  da  alumina  e  do  alumínio  produzidos,  até  o  limite  dos  seus  respectivos  Direitos  de  Alumina  e  Direitos  de  Alumínio,  com  cada  Consorciada  responsabilizando­se  por  sua  respectiva  participação nos custos e despesas, determinados e alocados de  acordo  com  os  termos  e  condições  do  presente  Contrato,  incorridos  com  as  referidas  construção  e  propriedade,  assim  como com a produção da alumina e do alumínio.  Na  cláusula  7.01  do  Contrato  estão  discriminadas  a  propriedade  e  a  participação proporcional de cada consorciada. Na cláusula 7.04, "a", é prevista a " hipótese de  expansão  da  capacidade  do  Empreendimento”,  cujas  instalações  adicionais  tornar­se­ão  "Ativos  Comuns",  com  o  correspondente  ajuste  da  participação  proporcional  de  cada  consorciada.  Quanto  ao  prazo  de vigência  do  consórcio,  consta  da  cláusula 18.01  que  o  mesmo "permanecerá em vigor até 31 de março de 2.050 e, a partir desta data, será renovado  por períodos de um ano".  Vistas as questões formais, dou agora a devida ênfase à análise da realidade  empresarial, na prática.  A lei que regula os Consórcios é de nº 6.404/76. É sem dúvida, o fundamento  primeiro da legislação societária brasileira. Mas é de 1976; de lá para cá, houve significativas  mudanças.  Em  um  aspecto  não  mudou:  vale  ainda  hoje  o  famoso  lema  da  época  de  Regime Militar: “Exportar é o que Importa”.  E isto levou à criação de vários benéficos, como os extintos Crédito­Prêmio  do IPI e o BEFIEX.  Para se adequar às normas internacionais, sobreveio o Crédito Presumido do  IPI, que, na realidade, utiliza­se da escrita fiscal do IPI apenas como uma forma de desonerar  as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de  forma  presumida  (pois  cada  produto  exportado  tem  uma  cadeia  produtiva  distinta,  na  qual  incidem  as  contribuições  com  menor  ou  maior  reflexo  no  custo),  para  aumentar  a  competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado – ou, ao menos, buscar uma  maior equiparação.  Pesquisando na Internet, na conhecida Wikipédia, encontramos lá o seguinte,  em relação ao Consórcio ALUMAR:  Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.041          8 “Em  julho  de  1980,  em meio  a  uma  fase  política  e  econômica  conturbada,  o  projeto  para  instalação  de  uma  fábrica  de  alumínio  da  Alcoa  Alumínio  S.A.  na  Ilha  de  São  Luís  foi  aprovado  por  cinco  ministérios  e  pelo  então  presidente  do  Brasil, o General João Batista Figueiredo. O local foi escolhido  devido  à  localização  estratégica,  às  vantagens  portuárias  e  ao  suprimento  de  energia  da  Usina  de  Tucuruí.  Com  um  investimento de 1,475 bilhão de dólares, a mineradora iniciou as  obras em agosto desse ano.  Em 29 de setembro de 1981, com a construção em andamento, a  BHP  Billiton  comprou  40%  das  ações  do  empreendimento,  firmando consórcio com a Alcoa Alumínio ....  A  bauxita  chega  através  do  porto  e  é  trazida  de  minas  em  Trombetas e Juruti, no oeste do Pará. Na Refinaria, o minério é  submetido  ao  processo  ...  do  qual  se  obtém  a  alumina  ...  Na  Redução, ... sendo obtido alumínio metálico através de eletrólise.  Também  através  do  porto,  a  produção  da  planta  da  Alumar  é  escoada”.  A questão da logística é fundamental:  1) Vantagens portuárias  ("um Porto  para  todo mundo",  em  localização  estratégica  para receber matérias­primas e exportar produtos);  2) Suprimento de Energia da Usina de Tucuruí;  3) Matéria­prima trazida de minas em Trombetas e Juriti, no oeste do Pará;  4)  Investimento  e  operação  integrada  de  várias  empresas  de  porte  em  um  empreendimento só.  Hoje  as  montadoras,  por  exemplo,  não  trabalham mais  com  estoques  (é  o  chamado  "just  in  time").  Antes,  elas  compravam  de  fornecedores,  muitas  vezes  distantes,  fabricavam muita coisa verticalizada; hoje, em boa parte da fábrica, em cada espaço  tem um  fornecedor.  A realidade empresarial produtiva mudou. Não há como ignorar isto.  A própria Receita Federal, como dito no Relatório, já viu os Consórcios “de  outra  forma”,  admitindo­os  para  a  industrialização  de  produtos,  em  Instrução Normativa  de  2008  (nº  834),  revogada  pela  de  nº  1.199/2011, mas  que  até  trata  a  questão  de  forma mais  abrangente. Senão, vejamos:  Art. 8º Se das operações do consórcio decorrer industrialização  de  produtos,  os  créditos  referentes  às  aquisições  de  matérias­ primas, de produtos intermediários e de material de embalagem  e  os  débitos  referentes  ao  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI)  serão  computados  e  escriturados,  por  estabelecimento  da  pessoa  jurídica  consorciada,  proporcionalmente  à  sua  participação  no  empreendimento  industrial, conforme documento arquivado no órgão de registro.  Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.042          9 ...  §  2º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  inclusive  no  caso  de  as  pessoas  jurídicas operarem sob a  forma de  condomínio em um  mesmo estabelecimento industrial.    E, em relação a ser o Consórcio ALUMAR regularmente constituído ou não,  adoto aqui os mesmos fundamentos do Acórdão recorrido, quais sejam:  “Com  efeito,  no  que  concerne  ao  objeto  do  consórcio  e  à  sua  duração, a lei ressalta apenas que do consórcio deverão constar,  dentre outros, "77 ­ o empreendimento que constitua o objeto do  consórcio",  e  "777­  a  duração,  endereço  e  foro".  Portanto,  a  norma  legal  não  apresenta  condições  ou  limitações  no  que  concerne ao seu objeto e à sua duração, de sorte que, penso, não  há razão legal para descaracterizar o consórcio objeto do litígio  com base na ressaltada indeterminação de seu objeto ou na sua  suposta perenidade pelo fato de o prazo ser muito extenso.  ...  o  objeto  do  consórcio Alumar,  acima  transcrito,  atende  sim  aos  requisitos  na  Lei  das  S.A.,  eis  que  delimita,  com  detalhes,  empreendimento  destinado,  resumidamente,  à  edificação  e  à  operação de instalações com fulcro na produção de alumínio.”  E o mesmo Acórdão aborda a realidade empresarial, sobre a qual falei, que  leva a este tipo de empreendimento:  “Quanto  ao  prazo  de  vigência  do  consórcio,  a magnitude  do empreendimento em tela, retratada na sua complexidade  e nos altos aportes de capital necessários à sua execução,  justificam plenamente o extenso prazo de sua vigência. Em  consórcios  de  tal  porte  a  limitação  do  prazo  poderia  inviabilizar  atividades  empresarias  complexas  dada  a  frustração  das  perspectivas  de  retorno  e  da  sustentabilidade  da  organização  frente  à  imposição  de  limitações temporais incompatíveis com o empreendimento.  Justamente  por  isso  é  que  a  Lei  n°  6.404/76  não  estabeleceu  nenhum  limite,  o  que  retrata  a  razoabilidade  do  legislador  ao  normatizar  a  atividade  societária  com  vistas  no  desenvolvimento  da  atividade  econômica  com  fulcro na produção e na circulação de bens ou serviços.  Com efeito, o consórcio em tela envolve vultosos montantes  de  ativos  de  longo  prazo,  como,  aliás,  comprovam  os  documentos  acostados  aos  autos  em  função  da  diligência  requerida  por  este  CARF  (vide  resposta  da  interessada  e  anexos de e­fls. 1356/1380).  Ativos  desse  naipe  tem  como  característica  maturação  demorada,  implicações de  risco  e de  retorno distintos dos  ativos  de  curto  prazo.  Por  conta  disso,  o  horizonte  de  consórcios envolvendo aplicações dessa monta há que ser  Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.043          10 compatível com a complexidade da atividade e a magnitude  dos montantes investidos em sua infra­estrutura.  Legítima, pois, a utilização de créditos presumidos do  IPI  em relação ao processo produtivo realizado no âmbito do  "Consórcio de Alumínio do Maranhão ­ ALUMAR".  Desta  última  afirmação  é  que  agora  temos  que  tratar:  o  reflexo  tributário  que está no cerne de  toda esta discussão:  tem ou não a SOUTH32 MINERALS direito ao  Crédito Presumido nas suas operações dentro do Consórcio ALUMAR, considerada a sua  participação no empreendimento ??  Para isto, precisamos saber se: A SOUTH32 MINERALS adquiriu insumos  no mercado interno; com eles industrializou produtos e os exportou.  Fundamentais  aí  são  os  fatos,  e  estes  nos  foram  trazidos  na  diligência  solicitada pela DRJ Juiz de Fora, via Despacho às fls. 721 a 731, cujo resultado (extraído do  resumidamente consignado no Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade (fls.  1.056 e 1.057):  "Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no  caso  da  Billiton,  não  haveria  motivos  para  não  enquadrá­la  corno  empresa  produtora  e  exportadora,  segundo  fundamentos  expostos no Despacho de fls. 360/364, o processo foi novamente  encaminhado  à  Defic/Rio  de  Janeiro  para  que  a  fiscalização  procedesse à apuração do crédito presumido.  Em atendimento à nova solicitação o auditor  fiscal verificou os  documentos  e  informações  apresentadas  pela  contribuinte  e  apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de  fl.  493.  Entretanto,  resultou  apurado  montante  inferior  ao  pleiteado  em virtude,  principalmente,  de  o  auditor  ter  excluído  as  aquisições  de  energia  elétrica  e de  combustíveis da  base de  cálculo do beneficio".  Ressalva,  é  bem  verdade,  a  Unidade  de  Origem  reconheceu  em  parte  o  direito, mas,  como  eu  disse,  estamos  na  busca  dos  fatos,  e  eles mostram  que, a  SOUTH32  MINERALS teria, sim, direito, em tese, ao Crédito Presumido.”  Assim, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda.  2) Recurso Especial  do Contribuinte  (Glosa  de  créditos  relativo  a  gastos  com energia elétrica no etapa de eletrólise).  Preenchidos  todos  os  requisitos  e  respeitadas  as  formalidades  regimentais,  conheço do Recurso Especial.  No mérito,  a discussão gira  em  torno da possibilidade de creditamento das  despesas com energia elétrica consumida na operação de eletrólise, na redução da alumina para  a produção do alumínio.   Quanto  à  energia  elétrica,  o  acórdão  recorrido  entendeu  que  na  reação  de  eletrólise  a  energia  elétrica  é  consumida  em  ação  direta  com a  alumina, gerando o  alumínio  Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 10320.000355/2001­29  Acórdão n.º 9303­008.503  CSRF­T3  Fl. 2.044          11 como produto final.Utilizo o entendimento contido no item 4.2 do Parecer normativo CST nº  65/79 no sentido de que somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo  produto  fabricado  e  os  que,  embora  não  se  integrando,  sejam  consumidos  no  processo  de  fabricação  ficando  definitivamente  excluídos  aqueles  que  não  se  integram  nem  sejam  consumidos na operação de industrialização.Assim, de fato, a energia elétrica na obtenção do  alumínio é insumo de aplicação muito relevante no processo industrial mesmo se integrando ao  produto  final,  devido  à  grande  parte  desse  produto  ser  obtido  diretamente  com  o  consumo  direto da energia elétrica.  À  vista  do  exposto,  voto  por  não  conhecer  do  Recurso  Especial  interposto  pela Fazenda Nacional e DAR provimento ao interposto pelo contribuinte.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas                            Fl. 2044DF CARF MF

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Numero do processo: 13706.005555/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS, CARACTERIZAÇÃO PARCIAL. Comprovada omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, ainda que parcialmente, é procedente o lançamento em face da omissão efetivamente apurada.
Numero da decisão: 2402-007.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo-se o Imposto de Renda suplementar lançado de R$ 20.573,52 para R$ 2.755,30, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA

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2402­007.355  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de junho de 2019  Matéria  IRPF  Recorrente  CELITA ALDA CASTELLO BRANCO DE LACERDA COUTINHO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006  OMISSÃO DE RENDIMENTOS, CARACTERIZAÇÃO PARCIAL.  Comprovada  omissão  de  rendimentos  tributáveis  na  declaração  de  ajuste  anual,  ainda  que  parcialmente,  é  procedente  o  lançamento  em  face  da  omissão efetivamente apurada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  reduzindo­se  o  Imposto  de  Renda  suplementar  lançado de R$ 20.573,52 para R$ 2.755,30,  acrescido de multa de ofício de 75% e  juros de  mora.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima ­ Relator    Participaram do presente  julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva,  João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente  convocado),  Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann  Júnior  e  Denny Medeiros da Silveira.             AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 55 55 /2 00 8- 16 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13706.005555/2008­16  Acórdão n.º 2402­007.355  S2­C4T2  Fl. 93          2 Relatório  Cuida­se  de  recurso  voluntário  (e­fls.  80/83)  em  face  do  Acórdão  n.  12­ 47.374  ­  19ª.  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  I  ­  DRJ/RJ1  (e­fls.  68/71),  que  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação  de  e­fls.  02/07,  apresentada  em  28/07/2008,  mantendo  em  parte  o  crédito  tributário  consignado  no  lançamento  constituído  em  07/07/2008  (e­fl.  33)  mediante  a  Notificação  de  Lançamento  ­  Imposto de Renda Pessoa Física ­ n. 2006/607420123352030 Exercício: 2006 ­ no montante de  R$ 184.289,15 (e­fls. 11/16) ­ com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido  na fonte e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.  Cientificada da decisão de piso em 27/05/2014 (e­fl. 77), a impugnante, agora  Recorrente,  interpôs Recurso Voluntário  em  20/06/2014  (e­fls.  80/83),  oportunidade  em  que  repisa,  em  linhas  gerais,  alegando  a  inexistência  de  omissão  de  rendimentos,  bem  assim  a  ocorrência de retenção de imposto de renda na fonte.  Sem contrarrazões.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luís Henrique Dias Lima ­ Relator  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  n.  70.235/72  e  alterações  posteriores,  portanto  dele  conheço.  O lançamento consignado na Notificação de Lançamento ­ Imposto de Renda  Pessoa Física ­ n. 2006/607420123352030 (e­fls. 11/16) ­ foi objeto de análise das questões de  fato alegadas pelo sujeito passivo suscitadas na impugnação (e­fls. 02/07), com a consequente  lavratura  de  Termo  Circunstanciado  (e­fls.  37/39),  conforme  previsto  no  art.  6°.­  A  da  Instrução Normativa RFB n. 958, de 15 de julho de 2009,  incluído pela  Instrução Normativa  RFB n. 1061, de 04 de agosto de 2010.  No  Termo  Circunstanciado  (e­fls.  37/39),  a  autoridade  lançadora  entendeu  por  reduzir  a  omissão  de  rendimentos  de  R$  333.985,76  para  R$  74.812,81,  que  restou  consolidado  no  Despacho  Decisório  (e­fl.  40).  Assim,  o  imposto  suplementar  (Código  de  Receita 2904) inicialmente apurado no valor de R$ 91.846,08 foi reduzido a R$ 30.593,09.   Cientificado do o Despacho Decisório (e­fl. 40) em 22/08/2008 (e­fl. 42), o  impugnante manifestou­se, em 20/09/2011 (e­fls. 45/46).  Muito bem.  A decisão recorrida elucidou de forma satisfatória a compensação de IRRF,  verbis:  [...]  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13706.005555/2008­16  Acórdão n.º 2402­007.355  S2­C4T2  Fl. 94          3 Com relação à infração de compensação indevida de imposto de  renda  retido  na  fonte,  a  fiscalização  promoveu  a  glosa  corretamente,  uma  vez  que  a  contribuinte  informou  os  rendimentos como recebidos do Comando do Exército, quando,  na  realidade,  os  rendimentos  decorrentes  da  ação  judicial  tiveram como fonte pagadora a Caixa Econômica Federal CEF.  No  entanto,  tal  glosa  não  acarretou  qualquer  prejuízo  à  contribuinte  já  que  o  exato  valor  de  R$10.019,57  foi  incluído  pela  fiscalização sobre os rendimentos  lançados como omitidos  da  CEF,  conforme  consta  da  fl.  14.  Assim,  houve  uma  mera  transposição  do  valor  de  R$10.019,57  da  fonte  pagadora  Comando  do  Exército  para  CEF,  não  tendo  efeito  prático  no  cálculo  do  imposto  no  ajuste  anual  do  exercício  de 2006,  ano­ calendário 2005.  [...]    Esclarecida  a  questão  da  glosa  de  IRRF,  concentra­se  a  irresignação  da  Recorrente  em  face  da  infração  caracterizada  por  omissão  de  rendimentos  no  valor  remanescente de R$ 74.812,81.  A Recorrente afirma que a omissão de rendimentos pelo valor residual de R$  74.812,81,  corresponde,  na  verdade,  a  honorários  advocatícios  pagos  a  advogados  da  causa,  havendo recebido o valor líquido de R$ 259.172,95. A soma dos valores R$ 74.812,81 com R$  259.172,95  equivale  exatamente  a R$  333.985,76  informado  no Alvará  de  Levantamento  n.  222/2005 (e­fl. 86).  Entretanto,  apenas  em  sede  de  recurso  voluntário  vem  a  Recorrente  apresentar os  recibos de pagamentos de honorários  advocatícios  (e­fl. 87), vez que até então  tais documentos não foram trazidos aos autos. Sobre esse fato, assim se pronuncia a instância  de piso:  [...]  Com  relação  aos  valores  informados  na  DIRPF  como  honorários advocatícios, há de se esclarecer, em princípio, que  todas as informações prestadas nas declarações de rendimentos  estão  sujeitas  à  comprovação  a  juízo  da  autoridade  fiscal,  conforme  determina  o  art.  835  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda, Decreto nº 3.000, de 1999.  No presente  processo,  a  contribuinte  apresentou  a  impugnação  com a  alegação de  pagamento  de  honorários  advocatícios  sem  apresentar os devidos  recibos emitidos pelos advogados. Frise­ se que a impugnação deve ser instruída com elementos de prova  que  fundamentem  os  argumentos  de  defesa,  conforme  determinam  os  arts.  15  e  16  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972.  Alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não  devem  prosperar,  visto  que  é  assente  em  Direito  que  alegar  e  não provar é como não alegar.  A  fim  de  suprir  tal  deficiência,  a  Receita  Federal  intimou  a  contribuinte  a  apresentar  especificamente  os  comprovantes  de  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13706.005555/2008­16  Acórdão n.º 2402­007.355  S2­C4T2  Fl. 95          4 pagamentos  de  honorários  advocatícios  com  a  ação  judicial,  conforme  se  verifica  à  fl.  21.  No  entanto,  a  contribuinte  não  juntou  os  recibos  emitidos  pelos  advogados  acerca  dos  honorários,  tampouco  comprovantes  de  transferência  bancária  com identificação dos advogados.  Os documentos juntados às fls. 25 a 27 revelam­se insuficientes  para  a  pretendida  comprovação.  O  documento  de  fl.  25  representa o alvará de levantamento em nome da contribuinte, o  de fl. 26 reporta­se ao pagamento de imposto de renda retido na  fonte e o de fl. 27, além de estar quase ilegível, identifica o valor  depositado  para  a  contribuinte,  mas  não  é  suficiente  para  comprovar pagamento de honorários.  Na  sequência,  a  autoridade  lançadora  ao  emitir  o  Termo  Circunstanciado  de  fls.  37  a  39  explicitou,  na  fl.  38,  que  não  houve  comprovação  dos  valores  pagos  a  título  de  honorários  advocatícios  porque  a  contribuinte  não  apresentou  os  pertinentes recibos.  Cientificada do teor de tal decisão, a contribuinte, mais uma vez,  manifestou­se  às  fls.  45  e  46  no  sentido  de  que  havia  pago  honorários advocatícios, mas não apresentou os recibos emitidos  pelos advogados.  [...]  Pois bem.  De plano, verifica­se nos recibos (e­fl. 87) ­ que, na verdade, ratificam outros  supostamente já emitidos ­ que a soma dos valores pagos a título de honorários advocatícios é  da ordem de R$ 64.793,24 e não R$ 74.812,81 como afirma a Recorrente. Sobre essa matéria, a  instância de piso esclarece:  [...]  A  contribuinte  informou  que  recebeu  o  valor  líquido  de  R$259.172,95 já deduzidos os honorários advocatícios no valor  de  R$74.812,81.  De  acordo  com  informação  contida  na  declaração  de  rendimentos  relativa  ao  exercício  de  2006,  verifica­se que a  contribuinte  informou, à  fl.  30,  pagamento de  honorários  nos  valores  de  R$51.834,60  (Sergio  Costa)  e  R$12.958,64 (Alexandre Fontenelle), o que totaliza R$64.793,24,  e não R$74,812,81, conforme afirmou na impugnação.  A diferença no valor de R$10.019,57 refere­se ao valor que  foi  retido na fonte a título de imposto de renda. Ocorre que tal valor  integra  o  montante  de  rendimentos  tributáveis  a  ser  levado  ao  ajuste  anual,  sendo  compensado  na  declaração  no  campo  próprio.  Da  forma  como  procedeu  a  contribuinte,  esta  se  beneficiou  do  valor  de  R$10.019,57  em  duplicidade,  já  que  deduziu  do  montante  de  rendimentos  tributáveis  e  depois  compensou  o  mesmo  valor  como  imposto  de  renda  retido  na  fonte. Portanto,  procede  a  infração de  omissão  de  rendimentos  relativa a esse valor.  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13706.005555/2008­16  Acórdão n.º 2402­007.355  S2­C4T2  Fl. 96          5 [...]  Do extrato bancário apresentado à e­fl. 27, apesar das precárias condições de  legibilidade, conclui­se que foi depositado um valor líquido para a Recorrente na ordem de R$  259.172,95.  Subtraindo­se  deste  valor  a quantia  de R$ 333.985,76  (valor  total  informado no  Alvará de Levantamento ­ e­fl. 86), tem­se a diferença de R$ 74.812,81.  Considerando­se que da diferença de R$ 74.812,81, R$ 64.793,24, referem­se  a  despesas  advocatícias  (e­fl.  87),  passíveis  de  dedução  do  IRPF,  ex  vi  Lei  n.  7.713/88,  é  forçoso admitir­se que a omissão de rendimentos em apreço resume­se a R$ 10.019,57.  Desta forma, resta assim apurado o imposto suplementar:  Descrição  Valores (R$)  1) Total dos rendimentos tributáveis declarados   490.304,95  2) Omissão de rendimentos apurada  10.019,57   3) Total das deduções declaradas  30.627,56  4) Glosa de deduções indevidas  0,00  5) Previdência Oficial sobre rendimento omitido  0,00  6) Base de cálculo apurada  469.696,96  7) Imposto apurado após alterações  123.582,47  8) Dedução de incentivo declarada  0,00  9) Glosa de dedução de incentivo  0,00  10)Total de imposto pago declarado  66.159,90  11) Glosa de imposto pago  10.019,57  12) IRRF sobre infração  10.019,57  13)  Saldo  de  imposto  a  pagar  apurado  após  alterações  57.422,57  14) Saldo do imposto a pagar declarado   54.667,18  15) Imposto já restituído  0,00  16) Imposto suplementar  2.755,39    Isto posto, impõe­se reduzir o imposto suplementar de R$ 20.573,52, apurado  pela decisão recorrida, para R$ 2.755,39 apurado em segunda instância, que deve ser acrescido  de multa de ofício (75%) e juros de mora, na forma da legislação aplicável.  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13706.005555/2008­16  Acórdão n.º 2402­007.355  S2­C4T2  Fl. 97          6 Ante  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário  e  dar­lhe  provimento parcial para reduzir o imposto suplementar de R$ 20.573,52, apurado pela decisão  recorrida, para R$ 2.755,39, apurado em segunda instância, que deve ser acrescido de multa de  ofício (75%) e juros de mora, na forma da legislação aplicável.   (assinado digitalmente)  Luís Henrique Dias Lima                              Fl. 97DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.730598/2017-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/02/2014, 30/05/2014 De acordo com o que estabelece a Súmula CARF nº 2, esta instância de julgamento administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-006.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, que votou por sobrestar o processo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN

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3301­006.133  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2019  Matéria  PIS  Recorrente  LOUIS DREYFUS COMPANY BRASIL S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 05/02/2014, 30/05/2014  De  acordo  com  o  que  estabelece  a  Súmula  CARF  nº  2,  esta  instância  de  julgamento  administrativo  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do  recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, que votou por  sobrestar o processo.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Valcir Gassen ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Winderley  Morais  Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador  Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir  Gassen.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 05 98 /2 01 7- 95 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11080.730598/2017­95  Acórdão n.º 3301­006.133  S3­C3T1  Fl. 228          2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 182 a 193) interposto pelo Contribuinte,  em 14 de dezembro de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 12­103.892 (fls.  163 a 172),  de 28 de novembro de 2018, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  (RJ)  –  DRJ/RJO  –  que  decidiu,  por  unanimidade  de  votos,  julgar  improcedente  a  Impugnação  (fls.  11  a  23)  apresentada  pelo  Contribuinte, exonerando parcialmente o crédito lançado.  Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório  do referido Acórdão:  Trata o presente processo de Notificaca̧õ de Lançamento no NLMIC – 70/2017 (fl.  2),  )  de  05/09/2017,  para  lançamento  de multa  em decorrência  de Declarações  de  Compensação (DCOMP) não homologadas, no valor total de R$ 3.649.836,86.   As  Declarações  de  Compensaçaõ  (DCOMP)  a  seguir  não  foram  homologadas,  conforme  Despacho  Decisório  exarado  no  Processo  Administrativo  no  10880.941648/2012­75,  que  tratou  de  créditos  de Cofins  não­cumulativa Mercado  Externo relativos ao 4º trimestre de 2011.   Declaração de Compensação  (DCOMP)  Valor não homologado  (R$)  Multa de 50%  013600842505021417089593    970.096,56  485.048,28  026952168305021417080273    88.135,15    44.067,58    154420640205021417082018    94.498,90    47.249,45    179133164705021417082399    10.980,69  5.490,35  182099933105021417082023    277.473,90  138.736,95  188423325405021417081945    7.827,37  3.913,69  193920387105021417089204    1.293.26,11  646.613,06  204632581205021417084302    188.221,83  94.110,92  197534617030051413080073    4.369.213,21  2.184.606,61  O contribuinte  foi cientificado em 10/11/2017 (fl. 6) e apresentou  impugnação  (fl.  11/23 ) em 17/11/2017 alegando em síntese:   1.  Ante  a  intimação  do  despacho  decisório  parcialmente  favorável,  a  Impugnante,  em  15  de  abril  de  2015,  protocolou  sua  Manifestação  de  Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11080.730598/2017­95  Acórdão n.º 3301­006.133  S3­C3T1  Fl. 229          3 Inconformidade,  visando  discutir  as  glosas  efetuadas  no  crédito  pleiteado,  sendo certo que a conclusão do aludido processo ainda pende de julgamento,  conforme  se  verifica  das  cópias  anexas  (Doc.  03),  bem  como  da  mera  consulta  ao  andamento  processual  possível  de  ser  realizada  pelo  sistema  informatizado;   2.  Cumpre ressaltar, sobretudo, que caso ocorra integral deferimento do crédito  ao  final,  a  Autoridade  Fiscal  homologará  integralmente  as  DCOMP’s  vinculadas, ou seja, não restará saldo devedor passível de qualquer aplicação  de multa;   3.  Assim, a despeito do quanto aduz a D. Autoridade Fiscal, verifica­se que a  pretensão  quanto  ao  pagamento  da  multa  não  encontra  qualquer  fundamento, já que os valores se encontram com exigibilidade suspensa em  razão de recurso administrativo pendente de julgamento;   4.  A multa,  enquanto  sanção  punitiva,  traduz  penalidade  pela  prática  de  ato  ilícito  tributário,  como  por  exemplo,  a  falta  de  pagamento  de  tributo  ou  inobservan̂cia de obrigações acessórias, tendo caráter “pedagógico”, ou seja,  inibidor de condutas infracionais;   5.  Nesta  seara,  entretanto,  a  despeito  do  viés  educacional  da  multa,  é  imperativo destacar que a penalidade  exigida no presente caso acabou por  equiparar  o  direito  da  Impugnante,  de  apresentar  declaração  de  compensação, a um ato ilícito, uma vez que afastou sua boa­fé;   6.  Assinala­se que, neste sentido, a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1.999, que  regula  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal,  abriga  diretrizes  a  serem  observadas  na  atuação  administrativa,  preceituando em seu artigo 2o que deverão ser observados os princípios da  legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, etc;   7.  Neste  sentido,  ainda  que  as  compensações  realizadas  pela  Impugnante  estejam pendentes de homologação, considerando o fato de que o respectivo  pedido encontra  fundamento na  legislacã̧o pertinente e,  também, com base  no próprio direito de petição,  torna­se  ilegítima e desarrazoada a cobranca̧  de  multa  pois,  conforme  visto,  não  se  distinguiria  a  boa­fé  da  má­fé  por  parte da Impugnante, restando presumido que tenha agido de forma abusiva;   8.  Por  fim,  é  imperioso  destacar  que,  por  mera  dedução  lógica,  considerar  como  legítima e devida  a multa  imposta pela Notificação,  ora  impugnada,  seria reconhecer a perda do interesse processual da Impugnante na discussão  tratada nos autos do Processo nº 10880.941648/2012­75;   9.  Portanto,  o  mero  ato  de  insurgência  praticado  naqueles  autos,  com  a  interposição de Manifestação de Inconformidade, reconhece, por si só, que  qualquer ato tendente a cobrança dos deb́itos compensados e seus reflexos é  manifestamente  indevido  ou,  ao  menos,  inexigível  até  final  decisão  a  ser  proferida nos autos do processo administrativo em que se discute o crédito;   É o relatório.  Voto             Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11080.730598/2017­95  Acórdão n.º 3301­006.133  S3­C3T1  Fl. 230          4 Conselheiro Valcir Gassen ­ Relator  O  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  da  decisão  consubstanciada  no  Acórdão  nº  12­103.892  é  tempestivo  e  atende  os  pressupostos  legais  de  admissibilidade,  motivo pelo qual deve ser conhecido.  O Recurso Voluntário, ora em análise, visa reformar a decisão que possui a  seguinte ementa:   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 05/02/2014, 30/05/2014  SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste  previsão  legal  para  o  sobrestamento  do  julgamento  de  processo  administrativo, mesmo na hipótese na qual a multa é aplicada sobre a compensação  não homologada que está sendo discutida em outro processo sem decisão definitiva  na  esfera  administrativa.  A  administração  pública  tem  o  dever  de  impulsionar  o  processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade.  MULTA. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE.  Uma  vez  ocorrido  a  não  homologação,  a  multa  deve  ser  lançada,  contudo,  sua  exigibilidade deve ficar suspensa ainda que não impugnada, no caso de apresentação  de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação.  MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO­HOMOLOGADA.  Aplica­se  a  multa  de  50%  sobre  o  valor  do  débito  objeto  de  declaração  de  compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada  pelo sujeito passivo quando a multa a ser aplicada é a de 150% prevista no art. 18 da  Lei nº 10.833/2003.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido em Parte  O Contribuinte  no  seu  recurso  alega  1)  da  inocorrência  do  fato  gerador  da  multa isolada de 50% sobre o valor dos débitos cujas compensações não foram homologadas;  2)  da  compensação  prevista  no  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96;  e,  3)  da  violação  ao  direito  de  petição.   Salienta­se  que  as  Declarações  de  Compensação  (DECOMP)  não  foram  homologadas  de  acordo  com  Despacho  Decisório  constante  no  Processo  nº  10880.941648/2012­75  que  trata  de  créditos  de  COFINS  não­cumulativa  mercado  externo  relativos ao 4º Trimestre de 2011.  Cito trechos do recurso do Contribuinte que bem esclarecem os pontos objeto  da  lide,  ou  seja,  apenas  a  questão  da  multa  isolada  de  50%  incidente  sobre  os  valores  dos  débitos de compensações não homologadas:  II – DO DIREITO   II.a – DA INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA MULTA ISOLADA   Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11080.730598/2017­95  Acórdão n.º 3301­006.133  S3­C3T1  Fl. 231          5 04. A lavratura de Auto de Infração e Imposiçaõ de Multa efetuada pela Impugnada  com fundamento no §17, do artigo 74, da lei 9.430/96, à razão de 50% sobre o valor  dos débitos cujas compensações não  foram, num primeiro momento, homologadas  extrapola a interpretação da norma.   (...)  11. A constituição da multa isolada, portanto, acarreta o acúmulo indevido de juros  de  mora  sobre  a  penalidade  durante  o  período  em  que  subsiste  a  discussão  administrativa  acerca  da  compensação.  Deste  modo,  nos  casos  em  que  a  não  homologação da compensação for mantida, a Impugnante terá que arcar com o valor  dos  juros  sobre  a  multa,  o  que  não  ocorreria  se  a  aplicação  de  tal  multa  fosse  realizada em compasso com o artigo 116, inciso II, do CTN.   12. Da forma semelhante, considerando a possibilidade de discussão judicial acerca  da  não  homologação  da  compensaca̧õ  após  o  encerramento  do  processo  administrativo,  haverá  uma  indevida  majoração  do  valor  da  garantia  porventura  exigida  da  Impugnante,  o  que  pode  ser  interpretado  como  um  embaraço  ao  pleno  exercício do contraditório e da ampla defesa.   13. Cabe sublinhar que a observância do artigo 116, inciso II, do CTN, não acarreta  prejuízo ao Fisco, na medida em que há a possibilidade de discussão administrativa  acerca da compensação, o que, por si só, suspende a exigibilidade da multa isolada.  Além disso, considerando que o fato gerador da multa isolada é a decisão definitiva,  o  lanca̧mento  não  será  atingido  pela  decadência  mesmo  que  o  processo  administrativo  em  que  se  discute  a  compensação  demore  para  ser  julgado,  o  que  também  não  pode  servir  de  amparo  legal  para  justificar  o  comentado  lanca̧mento  prematuro.   14.  À  vista  disso,  deve  ser  observado  o  artigo  116,  inciso  II,  do  CTN,  para  lanca̧mento da multa isolada, e não imputar tal penalidade indistintamente a todos os  débitos cujas compensações não foram, num primeiro momento, homologadas. Com  efeito, se há defesa administrativa penden­ te de julgamento, o lanca̧mento de ofício  é nitidamente prematuro,  na medida  em que não contempla  adequadamente o  fato  gerador da multa isolada, o que, por sua vez, acarreta sua nulidade, em decorrência  da violaçaõ ao artigo 142, do CTN.   II.b – DA COMPENSAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 74 DA LEI 9.430/96   15. O artigo 74 da Lei n.º 9.430/96, por meio da redação dada pela Lei nº 13.097, de  2015, foi alterado em seu §17 a fim de instituir multa isolada de 50% sobre o valor  do débito objeto de declaração de compensação não homologada.   16.  Tal  alteração  teve  o  nítido  propósito  de,  por meio  de  ameaça  de  penalização,  desencorajar  o  cidadão­contribuinte  a  exercitar  seu  constitucional  direito  de  peticionar aos poderes públicos e de reaver valores recolhidos impropriamente.   17.  Ora,  tratando­se  da  compensação  ou  restituição  de  indébitos  de  direito  dos  contribuintes, toda e qualquer resisten̂cia do Fisco ao exercício deste direito, por si  só, é inconstitucional.   18. Com efeito, sancionar o simples exercício do direito do contribuinte de requerer  seus créditos  recolhidos indevidamente ou fruto de atividades que,  legalmente,  lhe  garantem  o  direito  a  créditos  tributários  é  contrariar  os  seus  direitos  fundamentais.   Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11080.730598/2017­95  Acórdão n.º 3301­006.133  S3­C3T1  Fl. 232          6 19. A imposição de multa nos termos constantes do §17 da Lei n.o 9.430/96 viola (i)  o direito  fundamental  de petição  aos poderes públicos  (art.  5.o, XXXIV,  a);  (ii) o  direito fundamental ao contraditório e à ampla defesa (art. 5.o, LV); (iii) a vedação  da  utilização  de  tributos  com  efeito  de  confisco  (art.  150,  IV);  (iv)  além  dos  princípios  da  razoabilidade,  da  proporcionalida  de;  (v)  resultando  em  verdadeira  sanção  política,  o que há  tempos é vedado pelo Supremo Tribunal Federal por  inconstitucional.   20. O Artigo 18 da Lei n.º 10.833/2003, já previa a aplicação de multa isolada sobre  as  diferenças  apuradas  decorrentes  de  compensação  indevida  e  aplicar­se­á  unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação  por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que  ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502,  de 30 de novembro de 1964, tendo tido várias alterações desde então.   21. Assim, a novel normatização passou a penalizar o simples exercício do direito de  petica̧õ  aos  órgãos  públicos,  sem  a  existência  e  comprovação  da  má­fé  do  contribuinte.   22. Em que pese o caráter arrecadatório das proposicõ̧es constantes do §17 do artigo  74 da Lei n.o 9.430/1996 e, a despeito da complexidade e das diversas alterações das  normas  tributárias  sobre  o  tema  restituição/compensação,  a  imposição  de  multa  isolada fere frontalmente a Constituição Federal.   II.c – DA VIOLAÇÃO AO DIREITO DE PETIÇAÕ   23.  É  fato  notório  é  que  os  contribuintes  se  encontram  inibidos  na  busca  de  ressarcimentos  e  compensações,  ante  a  “automaticidade”  da  imposição  da  multa  isolada pelo simples indeferimento de seu pedido, em vista do disposto nos §17 do  art. 74 da Lei 9.430/96.   24. Isso porque, em razão do ato administrativo ser vinculado, os agentes da Receita  Federal do Brasil tem̂ que agir em razão da lei, que ora impõe a abusiva penalidade e  cria  obstáculos  inconstitucionais  ao  exercício  do  direito  de  peticã̧o  do  contribuinte.   25. Com efeito,  ve­̂se maltratado o  artigo 5.o,  inciso XXXIV, “a” da Constituicã̧o  Federal que assegura ao contribuinte o "direito de petiçaõ aos Poderes Públicos em  defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.”   26. O direito de petição  justamente alberga a garantia de apresentação de qualquer  pedido que represente defesa do direito ou contrariedade de ilegalidade em favor do  cidadão perante o Estado.   27. Dentre as consequências do direito constitucional de petição, inclui­se o dever da  administraçaõ pública de responder à petiçaõ em tempo razoável, cabendo a mesma  apreciar o pleito do contribuinte e proferir decisão motivada, pelo seu deferimento  ou  indeferimento,  somente  se  justificando  eventual  punicã̧o  se  a  má­fé  for  concretamente aferida, certamente no âmbito do devido processo legal.   28. Nesse contexto, a punicã̧o automática pelo exercício do pedido de ressarcimento  ou  compensação  constitui­se  em  lamentável  arbítrio,  na  medida  em  que  a  norma  peca  por  presumir  a má­fé  do  contribuinte,  a  ponto  de  justificar  a  sua  automática  punição  em  virtude  do  simples  exercício  de  um  direito  constitucionalmente  a  ele  assegurado.   Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11080.730598/2017­95  Acórdão n.º 3301­006.133  S3­C3T1  Fl. 233          7 29.  Em  questão  similar,  na  qual  se  onerava  financeira  ou  economicamente  o  contribuinte  como  condição  para  o  exercício  do  direito  de  peticã̧o,  o  Supremo  Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade de norma que exigia o depósito  prévio  de  parte  do  crédito  tributário  questionado  administrativamente,  como  requisito  de  admissibilidade  de  recurso  administrativo,  justamente  por  considerar  que tal exigen̂cia, dentre outras inconstitucionalidade, vulnerava o direito de petiçaõ  do contribuinte:   (...)  30. Nesse sentido, o E. Tribunal Regional da 3a Região assim tem se manifestado:   (...)  31. O tema, inclusive é objeto de discussão no âmbito de repercussão geral no  E. Supremo Tribunal Federal:   (...)  32. A própria Procuradoria Geral da República, pelo então procurador Rodrigo Janot  Monteiro de Barros, assim se manifestou no caso concreto:   (...)  33.  Com  efeito,  o  simples  indeferimento  do  pedido  de  ressarcimento  ou  a  não  homologação da compensacã̧o ensejar a aplicaçaõ automática da multa prevista no  §17,  sem  qualquer  comprovação  de  má­fé  do  contribuinte  é  violaca̧õ  frontal  aos  direitos do contribuinte.   34. De outra forma, não havendo qualquer prejuízo ao Fisco diante do indeferimento  do pedido de ressarcimento deduzido pelo contribuinte ou da compensação levada a  efeito,  resulta  translúcida  a  agressão  também ao  devido  processo  legal  substancial  (ausência de razoabilidade da multa em questão, dada a absoluta desnecessidade e  inadequaçaõ do  instrumento), para além da  injustificável  investida contra o direito  de petiçaõ, previsto no art. 5º, XXXIV, 'a', da Constituição Federal.   35.  Mais,  a  referida  norma,  não  adentrando  ao  mérito  da  má­fé  do  contribuinte,  coloca  no  mesmo  cesto  contribuintes  que  fazem  devidamente  e  com  boa­fé  os  pedidos  de  compensacã̧o  com  aqueles  que  não  o  fazem,  em  afronta  violaca̧õ  ao  Princípio da Isonomia previsto no artigo 150, II da Carta Maior.   III – DO PEDIDO   36.  Ante  todo  o  exposto,  demonstrada  a  insubsistência  da  decisão  ora  recorrida,  requer­se  o  julgamento  procedente  do  presente  recurso,  sendo,  ao  final,  anulada  a  multa  isolada  aplicada, pela  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  do  §17º  do  art.  74, da Lei 9.430/96, como medida de Justiça! (grifou­se).  Em que pese os  argumentos do Contribuinte, de que o §17 do artigo 74 da  Lei nº 9.430/1996, com a imposição de multa isolada, fere frontalmente a Constituicã̧o Federal,  e  ainda,  que  a  multa  é  uma  ameaca̧  de  penalização  e  cria  obstáculos  inconstitucionais  ao  exercício  do  direito  de  petição  do  contribuinte,  salienta­se  que  não  cabe  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recurso  Fiscais  discutir  a  constitucionalidade  ou  não  de  determinada  legislação. Assim já sumulou o CARF:  Súmula CARF nº 2  Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11080.730598/2017­95  Acórdão n.º 3301­006.133  S3­C3T1  Fl. 234          8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei  tributária.  Já quanto ao procedimento de cobrança dos débitos controlados no presente  processo,  por  força  de  determinação  legal,  fica  suspensa  a  sua  exigência  até  que  sejam  resolvidos em definitivo na esfera administrativa os pedidos de compensação não homologados  que  deram  origem  a  multa  em  comento,  tendo  em  vista  que  tais  pedidos  foram  objeto  de  impugnação  e  posterior  recurso  voluntário,  nos  termos  previstos  no  art.  74,  §  18  da  Lei  nº  9.430/96.   Portanto,  voto  por  não  conhecer  do  recurso  do Contribuinte,  visto  que  esta  instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.  (assinado digitalmente)  Valcir Gassen                               Fl. 204DF CARF MF

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Numero do processo: 11020.720074/2007-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SALDO CREDOR - DESCABE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito solicitado em pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Súmula CARF 125 Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE

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9303­008.623  –  3ª Turma   Sessão de  15 de maio de 2019  Matéria  PIS ­ NÃO­CUMULATIVO    Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SAN MARINO ÔNIBUS E IMPLEMENTOS LTDA     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006  SALDO CREDOR ­ DESCABE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC  Por  expressa  disposição  legal,  o  aproveitamento  de  crédito  solicitado  em  pedido  de  ressarcimento  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  não­cumulativa  não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos  valores. Súmula CARF 125  Recurso especial do Procurador provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em dar­lhe provimento.    (Assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente    (Assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama,  Luiz Eduardo  de Oliveira  Santos,  Demes  Brito,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Érika  Costa  Camargos  Autran  e  Vanessa  Marini Cecconello.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 74 /2 00 7- 29 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11020.720074/2007­29  Acórdão n.º 9303­008.623  CSRF­T3  Fl. 3          2 Trata­se de  recurso  especial  de  divergência  interposto  pelo Procurador  (fls.  145/152),  admitido  pelo  despacho  de  fls.  169/171,  contra  o  Acórdão  3301­002.739  (fls.  134/142), de 25/06/2016, assim ementado na parte devolvida ao nosso conhecimento:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006  ...  SALDO  CREDOR.  RESSARCIMENTO.  ATUALIZAÇÃO  PELA  TAXA  SELIC.  ÓBICE  CRIADO  PELA  ADMINISTRAÇÃO.  INCIDÊNCIA.  O  desfecho  do  Recurso  Especial  nº  1.035.847/RS,  julgado  conforme procedimentos  previsto  para  os Recursos Repetitivos,  Acórdão  transitado  em  julgado  em  03/03/2010,  embora  tenha  sido  proferido  em  torno  de  IPI,  aplica­se  a  todos  os  casos  de  pedidos de ressarcimento, quando o creditamento, regularmente  solicitado  pelo  contribuinte,  tenha  sido  indevidamente  obstaculizado em face de  resistência normativa ou por meio de  ato  expresso  emitido  pela  administração  impedindo  sua  utilização.  O  art.  13  da  Lei  n°  10.833/2003,  que  veda  a  atualização  monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora  no  ressarcimento  decorre  de  óbice  criado  pela  própria  Administração, caso em que é devida a atualização dos créditos,  com  base  na  Selic,  desde  o  protocolo  do  pedido  até  o  efetivo  ressarcimento  do  crédito  (recebimento  em  espécie  ou  compensação  com  outros  tributos).O  contribuinte  desistiu  do  recurso especial que havia manejado.  Insurge­se  a  Fazenda  quanto  à  parte  do  recorrido  que  reconheceu  ao  contribuinte o direito de aplicar juros de mora com base na taxa Selic sobre o saldo credor do  PIS­não cumulativo.  Em  contrarrazões  (fls.  178/190),  requer  o  contribuinte  que  seja  negado  provimento ao recurso especial fazendário.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire ­ Relator  Conheço do recurso do Procurador nos termos em que foi admitido.  A matéria não  é nova para  esta E. Turma  julgadora. E nosso  entendimento  majoritário está assentado no sentido de que há previsão  legal expressa que  impossibilita, no  caso de PIS e COFINS não­cumulativa, a incidência de correção monetária e/ou juros de mora  Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11020.720074/2007­29  Acórdão n.º 9303­008.623  CSRF­T3  Fl. 4          3 sobre  eventual  saldo  credor.  Transcrevo,  a  título  de  exemplo,  a  ementa  do  Acórdão  9303­ 007.138 (de 11/07/2018), relatado pelo i. Conselheiro Rodrigo Pôssas:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004   PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO PARA  O  PIS/PASEP  NÃO­CUMULATIVA.  ATUALIZAÇÃO  PELA  TAXA  SELIC.  DESCABIMENTO,  POR  EXPRESSA  DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO.  Por  expressa  disposição  legal,  o  aproveitamento  de  créditos  solicitados  em  Pedidos  de  Ressarcimento  da  Contribuição para o PIS/Pasep não­cumulativa não enseja  atualização  monetária  ou  incidência  de  juros  sobre  os  respectivos  valores  (art.  15,  c/c  art.  13,  da  Lei  nº  10.833/2003).  Veja­se o que dispõe a legislação, Lei 10.833/2003, sobre a quaestio:  Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º,  do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II  do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou  incidência de juros sobre os respectivos valores.  Matéria, inclusive, que já se encontra sumulada. Veja­se:  Súmula CARF nº 125  No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não  cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos  dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.  Dessarte, deve ser revertido o recorrido neste ponto.  CONCLUSÃO  Em  face  do  exposto,  conheço  do  recurso  especial  da  Fazenda  e  dou­lhe  provimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire  Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11020.720074/2007­29  Acórdão n.º 9303­008.623  CSRF­T3  Fl. 5          4                             Fl. 204DF CARF MF

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7785056 #
Numero do processo: 10880.900635/2014-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER

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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 35 /2 01 4- 16 Fl. 69DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 70DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 71DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 72DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 73DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.351 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900635/2014-16 Fl. 74DF CARF MF

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Numero do processo: 10283.908016/2009-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO/RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao(s) valor(es) retificado(s) não tem o condão de reverter o ônus da prova, que continua sendo daquele que alega fato constitutivo do seu direito. Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE

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9303­008.790  –  3ª Turma   Sessão de  13 de junho de 2019  Matéria  COFINS ­ INDÉBITO ­ PROVA    Recorrente  JABIL DO BRASIL INDÚSTRIA ELETROELETRÔNICA LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006  PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO/RESSARCIMENTO. ÔNUS DA  PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O  PLEITO.  Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido  de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de  compensação.  A  mera  apresentação  de  DCTF  retificadora,  desacompanhada  de  provas  quanto ao(s) valor(es)  retificado(s) não  tem o condão de reverter o ônus da  prova, que continua sendo daquele que alega fato constitutivo do seu direito.  Recurso especial do contribuinte negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, em negar­lhe provimento.    (Assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente    (Assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire – Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 80 16 /2 00 9- 33 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10283.908016/2009­33  Acórdão n.º 9303­008.790  CSRF­T3  Fl. 3          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama,  Luiz Eduardo  de Oliveira  Santos,  Demes  Brito,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire,  Érika  Costa  Camargos  Autran  e  Vanessa  Marini Cecconello.  Relatório  Trata­se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls.  163/171),  admitido  pelo  despacho  de  fls.  210/213  contra  o  Acórdão  3803­006.915  (fls.  129/132), de 18/03/2015, assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  ÔNUS  DA  PROVA.  ERRO  EM  DECLARAÇÃO.  A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que  não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de  provar  suposto  erro  de  fato  que  aponta  para  a  inexistência  do  débito  declarado.  O  contribuinte  possui  o  ônus  de  prova  do  direito  invocado  mediante  a  apresentação  de  escrituração  contábil  e  fiscal,  lastreada  em  documentação  idônea  que  dê  suporte aos seus lançamentos.  Em  síntese,  entende  o  recorrente  que  o  fato  de  ter  apresentado  DCTF  retificadora  após  a  apresentação  do  PER/DCOMP  não  pode  infligir  seu  direito  à  repetição/compensação,  vez  entender  que  a  entrega  da DACON e DCTF­retificadora  bastam  para fazer prova do alegado indébito. Acresce que o aresto recorrido teria sido omisso em não  apreciar  "fato  conexo  introduzido  ao  processo  em  sede  de  sustentação  oral".  Alega  que  a  compensação  objeto  do  presente  processo  seria  conexo  com  aquelas  inclusas  no  PA  10283.904360/2009­53,  visto  tratarem­se  de  mesmo  crédito.  Conclui  que  o  correto  seria  a  suspensão do presente feito ou que se estendesse aos autos decisão harmônica à da Resolução  nº 3401­000.456, que converteu o  julgamento  em diligência. Finaliza que "está  segura que a  diligência provará seu direito e assim se encerrará a questão".   Em contrarrazões (fls. 215/244), pugna a PFN pelo improvimento do recurso  especial.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire ­ Relator  Conheço do recurso nos termos em que admitido.  A  questão  é  exclusivamente  de  direito,  e,  mais  especificamente,  em  quem  recai o ônus da prova em processos de repetição de indébito/compensação.   Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10283.908016/2009­33  Acórdão n.º 9303­008.790  CSRF­T3  Fl. 4          3 Primeiramente, não identifico qualquer omissão na decisão recorrida, e, caso  houvesse,  deveria  ser postulado  seu  saneamento  por meio de  embargos,  pois para  tal  não  se  presta o recurso especial de divergência. Portanto, hígida a decisão recorrida.   As compensações alegadas foram protocolizadas em processos apartados, e,  portanto,  deveria  o  mesmo  suposto  crédito  provado  em  cada  processo.  Se  em  um  deles  o  processo  foi  baixado  em  diligência  para  produzir  prova  em  favor  de  direito  alegado  pela  empresa,  o  que  entendo  equivocado,  esta  decisão  não  se  espraia  ao  presente  caso,  nem  tampouco nos vincula.  O contribuinte apresentou DCOMP e esta não foi homologada porque o valor  indicado  no  DARF  referente  ao  suposto  indébito  havia  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débito  seu,  dessa  forma  não  havendo  crédito  disponível  para  compensação.  O  mesmo  valor  foi  informado  na Dacon.  Posteriormente  ao  despacho  decisório,  o  contribuinte  retificou a DCTF. Contudo, desde então em vez de produzir a prova do direito que alega ter,  pugna para que a Administração produza a mesma em seu favor em nome da verdade material.  Ou  seja,  a  empresa  alega  ter  créditos  absolutamente  ilíquidos,  retifica  sua  DCTF e avisa, Fisco trate de provar o que eu estou declarando. Com a devida vênia, chega a  ser risível a postura da recorrente, para dizer o mínimo.  Esta  Turma  tem  firme  jurisprudência  em  casos  de  repetição/ressarcimento,  cumulado ou não com declaração de compensação, que o ônus da prova é do contribuinte. E  isso tem com fundamento jurídico o art. 373 do vigente CPC, que dispõe:  Art. 373. O ônus da prova incumbe:   I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  Portanto, descabido o argumento de que ao retificar a DCTF, desacompanha  de qualquer elemento probatório do alegado direito, o ônus probatório fica revertido,  tendo o  Fisco que provar que o direito alegado é bom.  Como já decidimos em variados julgados, nada obsta à retificação das DCTF,  mesmo que efetuada após o despacho decisório1, mas, porém, ela por si só não tem o condão de  comprovar o alegado indébito. Veja­se, a propósito, decisão unânime em que a ora recorrente  era parte no Acórdão 9303­006.937, de 13/08/2018, de relatoria da Dra. Érika Costa Camargo  Autran:  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO TRIBUTÁRIO.ÔNUS DA PROVA.                                                               1 Nesse sentido, Acórdão 9303­006.977, de 13/06/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas, em que a recorrente  igualmente era parte:  DCTF. RETIFICAÇÃO. IMPEDIMENTO. INEXISTÊNCIA.  Inexiste  impedimento à  retificação da DCTF, ainda que efetuada e  transmitida depois de o contribuinte  ter sido  intimado do despacho decisório que não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro reclamado.  DCTF RETIFICADORA. CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. FALTA DE COMPROVAÇÃO.  DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Demonstrado e provado que a DCTF retificadora não comprovou o indébito reclamado pelo contribuinte, ou seja,  a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na compensação, mantém­se a não homologação da Dcomp.    Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10283.908016/2009­33  Acórdão n.º 9303­008.790  CSRF­T3  Fl. 5          4 A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação  do Despacho Decisório não é condição para a homologação das  compensações. Contudo,a referida declaração não tem o condão  de,  por  si  só,  comprová­lo.  É  do  contribuinte  o  ônus  de  comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de  documentos  contábeis  e  fiscais  revestidos  das  formalidades  legais.  O  decidido  no  Acórdão  9303­007.458,  de  20/09/2018,  de  minha  relatoria,  perfilhou mesmo entendimento. Veja­se sua ementa:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006   PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  DA  PROVA.  FATO  CONSTITUTIVO  DO  DIREITO  NO  QUAL  SE  FUNDA  O  PLEITO.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  constitutivos  de  seu  direito  em  pedido  de  ressarcimento,  cumulado  ou  não  com  declaração de compensação.  Recurso Especial do Procurador parcialmente provido.  Portanto, escorreita a r. decisão, a qual deve ser mantida.  CONCLUSÃO  Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e nego­lhe  provimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire  Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10283.908016/2009­33  Acórdão n.º 9303­008.790  CSRF­T3  Fl. 6          5                             Fl. 250DF CARF MF

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Numero do processo: 13971.721769/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. GLOSA. O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista. GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica, incluídos nesta situação os diretores da empresa sem vínculo empregatício. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste. PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. De acordo com a legislação fiscal os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuados apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. Ausente evidências de que outros encargos competiriam ao período fiscalizado, para além daqueles já reconhecidos na decisão de 1ª instância, a exigência remanescente deve ser reduzida, apenas, em razão da adição comprovada pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Constatando-se a existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em montante suficiente para a compensação com o lucro real obtido no ano calendário autuado, deve ser afastada a tributação referente à compensação indevida de prejuízo fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO PARCIAL DA EXIGÊNCIA. As multas isoladas devem ser excluídas na proporção das glosas revertidas na apreciação do recurso voluntário, bem como deve ser mantida a exclusão promovida em decisão de 1ª instância, cujos fundamentos restaram inalterados na apreciação do recurso de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. GLOSA. O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista. GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. Em face da ausência de norma na legislação da CSLL prescrevendo a adição das despesas com o pagamento de gratificações a administradores na apuração da base desta contribuição, a glosa efetuada não deve prosperar. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL. Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Mantém-se as glosas efetuadas pois a legislação de regência prescreve a indedutibilidade, como despesas operacionais, das multas fiscais e das multas de natureza não tributária, na apuração da base de cálculo da CSLL, excetuando apenas as multas fiscais de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, tais como, as decorrentes do recolhimento de tributo fora do prazo legal e aquelas por apresentação espontânea de declarações fora do prazo. DESPESAS COM REPRESENTAÇÃO. Mantém-se a glosa efetuada, pois há vedação legal expressa para a dedução de gastos relativos a pagamento de refeições de diretores na apuração da base de cálculo da CSLL. PAGAMENTO DE DIREITOS AUTORAIS. Considerando a ausência de norma estabelecendo a indedutibilidade de tal despesa, e tendo em vista que se reputa comprovadamente paga, pois não foi objeto de qualquer ressalva ou contestação, neste requisito, por parte da fiscalização, a glosa correspondente não deve prosperar, por falta de amparo na legislação fiscal de regência. OUTRAS DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Mantém-se a glosa do valor adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro real e não adicionado no cálculo da base da CSLL, sob o título de “outras despesas”, por não ser possível admiti-lo como dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, uma vez que o documento apresentado não permite a identificação da despesa, tampouco é hábil para comprovar o efetivo pagamento. PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. De acordo com a legislação fiscal, os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuado apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. Estando demonstrada a insuficiência de base de cálculo negativa de CSLL acumulada de períodos anteriores, para a compensação com a base de cálculo da CSLL do ano-calendário autuado, efetuada pela contribuinte, é de se manter parcialmente a tributação referente à compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CSLL SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS. Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa mensal de CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos previstos na legislação de regência, mesmo após o encerramento do ano-calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional sobre a contribuição anual lançada.
Numero da decisão: 1402-003.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre a CSLL deduzidos na apuração do IRPJ; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa; i.iv) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de prejuízos fiscais; i.v) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.vi) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência; i.vii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à multa isolada, votando pelas conclusões os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone, Evandro Correa Dias e Edeli Pereira Bessa, cujas razões devem ser incorporadas ao voto do Relator; ii) por maioria de votos: ii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de gratificações a administradores na apuração do IRPJ, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas indedutíveis adicionadas apenas à base de cálculo do IRPJ e de despesas desnecessárias com multas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento parcial para afastar a glosa de "despesas com operações financeiras", e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; iii) por voto de qualidade: iii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às exigências de multa isolada, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.iii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com direitos autorais e de pagamentos aos administradores, vencido o Relator acompanhado pelos Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) dar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre a CSLL deduzidos na apuração do IRPJ; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa; i.iv) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de prejuízos fiscais; i.v) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de compensação de bases negativas; i.vi) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência; i.vii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à multa isolada, votando pelas conclusões os Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone, Evandro Correa Dias e Edeli Pereira Bessa, cujas razões devem ser incorporadas ao voto do Relator; ii) por maioria de votos: ii.i) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de gratificações a administradores na apuração do IRPJ, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas indedutíveis adicionadas apenas à base de cálculo do IRPJ e de despesas desnecessárias com multas, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento parcial para afastar a glosa de "despesas com operações financeiras", e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa; iii) por voto de qualidade: iii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às exigências de multa isolada, vencido o Relator que dava provimento ao recurso, acompanhado pelos Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio; iii.iii) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com direitos autorais e de pagamentos aos administradores, vencido o Relator acompanhado pelos Conselheiros Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. GLOSA. O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista. GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis, como custos ou despesas operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica, incluídos nesta situação os diretores da empresa sem vínculo empregatício. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste. PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. De acordo com a legislação fiscal os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuados apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. Ausente evidências de que outros encargos competiriam ao período fiscalizado, para além daqueles já reconhecidos na decisão de 1ª instância, a exigência remanescente deve ser reduzida, apenas, em razão da adição comprovada pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. Constatando-se a existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em montante suficiente para a compensação com o lucro real obtido no ano calendário autuado, deve ser afastada a tributação referente à compensação indevida de prejuízo fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas, desde que a exigência não se refira a infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO PARCIAL DA EXIGÊNCIA. As multas isoladas devem ser excluídas na proporção das glosas revertidas na apreciação do recurso voluntário, bem como deve ser mantida a exclusão promovida em decisão de 1ª instância, cujos fundamentos restaram inalterados na apreciação do recurso de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. GLOSA. O pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas é uma faculdade das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, que precisa ser exercida no devido tempo, e sua dedutibilidade está condicionada a seu registro contábil como despesa financeira, com observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta individualizada do passivo, que represente o direito de crédito do sócio ou acionista. GRATIFICAÇÕES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. Em face da ausência de norma na legislação da CSLL prescrevendo a adição das despesas com o pagamento de gratificações a administradores na apuração da base desta contribuição, a glosa efetuada não deve prosperar. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL. Ao impedir a dedutibilidade da CSLL no cálculo do Lucro Real e da sua própria base de cálculo, a norma legal impede também a dedutibilidade dos juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Mantém-se as glosas efetuadas pois a legislação de regência prescreve a indedutibilidade, como despesas operacionais, das multas fiscais e das multas de natureza não tributária, na apuração da base de cálculo da CSLL, excetuando apenas as multas fiscais de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, tais como, as decorrentes do recolhimento de tributo fora do prazo legal e aquelas por apresentação espontânea de declarações fora do prazo. DESPESAS COM REPRESENTAÇÃO. Mantém-se a glosa efetuada, pois há vedação legal expressa para a dedução de gastos relativos a pagamento de refeições de diretores na apuração da base de cálculo da CSLL. PAGAMENTO DE DIREITOS AUTORAIS. Considerando a ausência de norma estabelecendo a indedutibilidade de tal despesa, e tendo em vista que se reputa comprovadamente paga, pois não foi objeto de qualquer ressalva ou contestação, neste requisito, por parte da fiscalização, a glosa correspondente não deve prosperar, por falta de amparo na legislação fiscal de regência. OUTRAS DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Mantém-se a glosa do valor adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro real e não adicionado no cálculo da base da CSLL, sob o título de “outras despesas”, por não ser possível admiti-lo como dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, uma vez que o documento apresentado não permite a identificação da despesa, tampouco é hábil para comprovar o efetivo pagamento. PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. De acordo com a legislação fiscal, os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL segundo o regime de competência, não sendo admissível a apropriação do montante integral no momento do pagamento, excetuado apenas os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO INSUFICIENTE. GLOSA. Estando demonstrada a insuficiência de base de cálculo negativa de CSLL acumulada de períodos anteriores, para a compensação com a base de cálculo da CSLL do ano-calendário autuado, efetuada pela contribuinte, é de se manter parcialmente a tributação referente à compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendo-se que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CSLL SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS. Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa mensal de CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos previstos na legislação de regência, mesmo após o encerramento do ano-calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional sobre a contribuição anual lançada.

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1402­003.899  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de maio de 2019  Matéria  IRPJ  Recorrentes  CIA HERING              FAZENDA NACIONAL.    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  REDUÇÃO  INDEVIDA  DO  LUCRO  REAL.  GLOSA.  O  pagamento  ou  crédito  de  juros  sobre  o  capital  próprio  a  seus  sócios  ou  acionistas  é  uma  faculdade  das  pessoas  jurídicas  tributadas  pelo  lucro  real,  que  precisa  ser  exercida  no  devido  tempo,  e  sua  dedutibilidade  está  condicionada  a  seu  registro  contábil  como  despesa  financeira,  com  observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta  individualizada  do  passivo,  que  represente  o  direito  de  crédito  do  sócio  ou  acionista.  GRATIFICAÇÕES.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE.  Não  são dedutíveis,  como custos ou despesas operacionais,  as  gratificações  ou participações no resultado, atribuídas aos dirigentes ou administradores da  pessoa jurídica, incluídos nesta situação os diretores da empresa sem vínculo  empregatício.  DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL  Ao  impedir  a  dedutibilidade  da  CSLL  no  cálculo  do  Lucro  Real  e  da  sua  própria base de cálculo, a norma legal  impede também a dedutibilidade dos  juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste.  PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA.  De acordo com a legislação fiscal os  tributos e contribuições são dedutíveis  na  determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL  segundo  o  regime  de  competência,  não  sendo  admissível  a  apropriação  do  montante  integral  no  momento  do  pagamento,  excetuados  apenas  os  tributos  e  contribuições  cuja  exigibilidade esteja  suspensa. Ausente  evidências de  que     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 17 69 /2 01 2- 71 Fl. 6967DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 780          2 outros  encargos  competiriam  ao  período  fiscalizado,  para  além  daqueles  já  reconhecidos na decisão de 1ª  instância,  a exigência  remanescente deve  ser  reduzida, apenas, em razão da adição comprovada pelo sujeito passivo.  COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL.  Constatando­se  a  existência  de  saldo  de  prejuízo  fiscal  acumulado  em  montante  suficiente  para  a  compensação  com  o  lucro  real  obtido  no  ano  calendário  autuado,  deve  ser  afastada  a  tributação  referente  à  compensação  indevida de prejuízo fiscal.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONHECIMENTO.  LEGALIDADE DA COBRANÇA.  A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz  parte  do  lançamento  e  deve  ser  conhecida  por  este  órgão  julgador,  entendendo­se  que  a  multa  de  ofício,  como  parcela  integrante  do  crédito  tributário,  está  sujeita  aos  juros  de  mora,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subsequente ao do vencimento.  MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.  O não recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício  isolada, ainda que encerrado o ano­calendário.   MULTA  ISOLADA.  CUMULAÇÃO  COM  MULTA  DE  OFÍCIO.  COMPATIBILIDADE.  É  compatível  com  a  multa  isolada  a  exigência  da  multa  de  ofício  relativa  ao  tributo  apurado  ao  final  do  ano­calendário,  por  caracterizarem  penalidades  distintas,  desde  que  a  exigência  não  se  refira  a  infrações ocorridas na vigência da redação original do art. 44, §1o, inciso IV  da Lei nº 9.430, de 1996.  MULTA  ISOLADA.  EXONERAÇÃO  PARCIAL  DA  EXIGÊNCIA.  As  multas  isoladas  devem  ser  excluídas  na  proporção  das  glosas  revertidas  na  apreciação  do  recurso  voluntário,  bem  como  deve  ser  mantida  a  exclusão  promovida  em  decisão  de  1ª  instância,  cujos  fundamentos  restaram  inalterados na apreciação do recurso de ofício.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2009  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME  DE COMPETÊNCIA. REDUÇÃO  INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO  DA CSLL. GLOSA.  O  pagamento  ou  crédito  de  juros  sobre  o  capital  próprio  a  seus  sócios  ou  acionistas  é  uma  faculdade  das  pessoas  jurídicas  tributadas  pelo  lucro  real,  que  precisa  ser  exercida  no  devido  tempo,  e  sua  dedutibilidade  está  condicionada  a  seu  registro  contábil  como  despesa  financeira,  com  observância do regime de competência, em contrapartida a conta ou subconta  individualizada  do  passivo,  que  represente  o  direito  de  crédito  do  sócio  ou  acionista.  GRATIFICAÇÕES.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE.  Fl. 6968DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 781          3 Em face da ausência de norma na legislação da CSLL prescrevendo a adição  das  despesas  com  o  pagamento  de  gratificações  a  administradores  na  apuração da base desta contribuição, a glosa efetuada não deve prosperar.  DESPESAS INDEDUTÍVEIS. JUROS DE CSLL.  Ao  impedir  a  dedutibilidade  da  CSLL  no  cálculo  do  Lucro  Real  e  da  sua  própria base de cálculo, a norma legal  impede também a dedutibilidade dos  juros de mora pois sendo acessórios do principal seguem o destino deste.  MULTAS INDEDUTÍVEIS.  Mantém­se  as  glosas  efetuadas  pois  a  legislação  de  regência  prescreve  a  indedutibilidade, como despesas operacionais, das multas fiscais e das multas  de  natureza  não  tributária,  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  excetuando apenas as multas fiscais de natureza compensatória e as impostas  por descumprimento de  obrigações  tributárias meramente  acessórias de que  não  resultem  falta  ou  insuficiência  de  pagamento  de  tributo,  tais  como,  as  decorrentes  do  recolhimento  de  tributo  fora  do  prazo  legal  e  aquelas  por  apresentação espontânea de declarações fora do prazo.  DESPESAS COM REPRESENTAÇÃO.  Mantém­se a glosa efetuada, pois há vedação legal expressa para a dedução  de gastos relativos a pagamento de refeições de diretores na apuração da base  de cálculo da CSLL.  PAGAMENTO DE DIREITOS AUTORAIS.  Considerando  a  ausência  de  norma  estabelecendo  a  indedutibilidade  de  tal  despesa, e tendo em vista que se reputa comprovadamente paga, pois não foi  objeto  de  qualquer  ressalva  ou  contestação,  neste  requisito,  por  parte  da  fiscalização, a glosa correspondente não deve prosperar, por falta de amparo  na legislação fiscal de regência.  OUTRAS DESPESAS INDEDUTÍVEIS.  Mantém­se a glosa do valor adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro  real  e não  adicionado no  cálculo  da base  da CSLL,  sob  o  título  de  “outras  despesas”, por não ser possível admiti­lo como dedutível na apuração da base  de  cálculo  da CSLL,  uma vez  que o  documento  apresentado  não  permite  a  identificação  da  despesa,  tampouco  é  hábil  para  comprovar  o  efetivo  pagamento.  PAGAMENTO DE DÍVIDA ATIVA. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA.  De acordo com a legislação fiscal, os tributos e contribuições são dedutíveis  na  determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL  segundo  o  regime  de  competência,  não  sendo  admissível  a  apropriação  do  montante  integral  no  momento  do  pagamento,  excetuado  apenas  os  tributos  e  contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa.  COMPENSAÇÃO  DE  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA.  SALDO  INSUFICIENTE. GLOSA.  Estando  demonstrada  a  insuficiência  de  base  de  cálculo  negativa  de CSLL  acumulada de períodos anteriores, para a compensação com a base de cálculo  da  CSLL  do  ano­calendário  autuado,  efetuada  pela  contribuinte,  é  de  se  Fl. 6969DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 782          4 manter parcialmente a  tributação  referente  à compensação  indevida de base  de cálculo negativa de CSLL.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  CONHECIMENTO.  LEGALIDADE DA COBRANÇA.  A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz  parte  do  lançamento  e  deve  ser  conhecida  por  este  órgão  julgador,  entendendo­se  que  a  multa  de  ofício,  como  parcela  integrante  do  crédito  tributário,  está  sujeita  aos  juros  de  mora,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subsequente ao do vencimento.  MULTA  ISOLADA.  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  DE  CSLL  SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS.  Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa  mensal de CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos  previstos  na  legislação  de  regência,  mesmo  após  o  encerramento  do  ano­ calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional  sobre a contribuição anual lançada.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado:  i)  por  unanimidade  de  votos:  i.i)  dar  provimento ao  recurso voluntário  relativamente  à glosa de  compensação de bases negativas;  i.ii)  negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de juros sobre a CSLL deduzidos na  apuração do IRPJ; i.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros  de  mora  sobre  a  multa;  i.iv)  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício  relativamente  à  glosa  de  compensação de prejuízos fiscais; i.v) negar provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa  de  compensação  de  bases negativas;  i.vi)  negar provimento  ao  recurso  de  ofício  relativamente  à  glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência; i.vii) negar provimento  ao  recurso  de  ofício  relativamente  à  multa  isolada,  votando  pelas  conclusões  os  Conselheiros  Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone, Evandro Correa Dias e Edeli Pereira Bessa, cujas  razões devem ser incorporadas ao voto do Relator; ii) por maioria de votos: ii.i) negar provimento  ao  recurso  voluntário  relativamente  à  glosa  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  divergindo  os  Conselheiros  Caio  Cesar  Nader  Quintella  e  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio;  ii.ii)  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  relativamente  à  glosa  de  gratificações  a  administradores  na  apuração do IRPJ, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia  Sampaio; ii.iii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa na base de cálculo da  CSLL  de  despesas  indedutíveis  adicionadas  apenas  à  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  de  despesas  desnecessárias  com multas,  divergindo  os  Conselheiros  Caio  Cesar  Nader Quintella, Mauritânia  Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento parcial para  afastar a glosa de "despesas com operações financeiras", e votando pelas conclusões a Conselheira  Edeli Pereira Bessa;  iii) por voto de qualidade: iii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário  relativamente à glosa de dedução de tributos com inobservância de regime de competência, vencido  o  Relator  que  dava  provimento  ao  recurso,  acompanhado  pelos  Conselheiros  Caio Cesar Nader  Quintella,  Mauritânia  Elvira  de  Sousa  Mendonça  e  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio;  iii.ii)  dar  provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às exigências de multa  isolada, vencido o  Relator  que  dava  provimento  ao  recurso,  acompanhado  pelos  Conselheiros  Caio  Cesar  Nader  Quintella, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Junia Roberta Gouveia Sampaio;  iii.iii) negar  provimento ao recurso de ofício relativamente à glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com  direitos  autorais  e  de  pagamentos  aos  administradores,  vencido  o  Relator  acompanhado  pelos  Fl. 6970DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 783          5 Conselheiros Marco Rogério Borges,  Paulo Mateus Ciccone  e  Evandro Correa Dias. Designada  para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.  (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa ­ Presidente e Redatora Designada.     (assinado digitalmente)    Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogerio  Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves,  Evandro  Correa  Dias,  Mauritania  Elvira  de  Sousa  Mendonça  (Suplente  Convocada),  Junia  Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.                                    Fl. 6971DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 784          6 Relatório    Trata  o  presente  de  Recurso  de  Ofício  (fls.1049)  e  de  Recurso  Voluntário  (fl.1447/1514) ambos interpostos face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal  de Salvador ­ (fls.1171/1279) que decidiu cancelar parcialmente as exigências perpetradas nos  Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal.  Foi lavrado Auto de Infração imputando as seguintes infrações:  1  ­  Juros  sobre  o  capital  próprio,  devido  a  inobservância  do  regime  de  competência; (Infração posta no item 3.1 do TVF)  2  ­  Glosa  de  despesa  relativa  aos  pagamentos  aos  administradores  não  empregados,  referentes  a participação nos  resultados a  título de gratificação, décimo  terceiro  salário a titulo de gratificação e 1/3 de férias. (Item 3.2 do TVF)  Tais  pagamentos  foram  considerados  pela  fiscalização  como  despesas  não  necessárias e não dedutíveis da apuração do IRPJ e da CSLL, eis que os administradores não  eram empregados da autuada e foram feitos por liberalidade da empresa.   3 ­ Despesas indedutíveis:  a) ­ A Fiscalização glosou os juros de mora de CSLL relativos à débitos de  imposto incluídos em parcelamento previsto na Lei 11.941/09. (item 3.3.1 do TVF)     b) ­ As diferenças entre as bases de cálculo do Lucro Real e da CSLL. (item  3.3.2 do TVF)  Neste tópico foi foram glosadas despesas que não foram     b2) Multa por infrações fiscais e contratuais (infração 3.3.2.1 do TVF).   b3) Outras despesas (item 3.3.2.2 do TVF)  Fl. 6972DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 785          7 Em  relação  ao  IRPJ,  glosou  as  despesas  relativas  a  multa  por  descumprimento de regra contratual, consideradas não dedutíveis pela legislação do IRPJ, mas  dedutíveis nas regras da CSLL.  E  considerou  como  não  dedutíveis  para  a  apuração  da  base  de  calculo  da  CSLL as despesas/custo relativos as multas por infrações fiscais.  c) ­ Multas indedutíveis ­ conta 42140008. (Infração 3.3.3 do TVF)   Neste item foi glosado tanto na apuração do IRPJ, como da CSLL, devido a  fiscalização  ter  considerado  como  não  dedutíveis multas  de  transito  e  do  inmetro.  (repete  a  mesma fundamentação posta no item 3.3.2.1 do TVF).   d) ­ Devido a falta de comprovação dos requisitos legais (art. 365 do RIR/99)  para  a  dedução  do  valor  doado,  a  Fiscalização  considerou  como  não  dedutíveis  o montante  relativo as doações para a Fundação Hermann Hering. (infração 3.3.4 do TVF).  e)  ­  Pagamento  de  Dívida  Ativa,  em  desconformidade  ao  regime  da  competência. (fls. 14/15 ­ infração 3.3.5 do TVF).  4 ­ Compensação de prejuízo fiscal de IRPJ e de base de cálculo negativa de  CSLL. (fl. 16 ­ infração 3.4 do TVF).  Segundo a fiscalização a infração foi a seguinte:     5 ­ Aplicou multa isolada. (Infração 3.5 do TVF)   Devidamente notificada, a Recorrente apresentou impugnação de fls.569/626  com documentos de fls. 627/788.  Após analise dos documentos apresentados com a impugnação, foi proferido  despacho de fls. 789 informando a parte que não foi defendida e que restou incontroversa nos  autos, relativa as despesas incorridas pela doação feita para a Fundação Hermann Hering, bem  com que o IRPJ e a CSL incidente sobre estes valores foram pagos conforme documentos de  fls. 681/684.  Fl. 6973DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 786          8 Em  seguida  os  autos  foram  encaminhados  para  a  DRJ  analisar  e  julgar  a  impugnação, que por sua vez decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 792/799) nos  seguintes termos:  Consoante  despacho  de  fls.  792  a  799,  esta  Delegacia  de  Julgamento  determinou  a  realização  de  diligência,  em  face  da  alegação da existência de saldos de base de cálculo negativa de  CSLL, oriundos da incorporação do CNPJ n° 82.639.139/0001­ 44,  ocorrida  no  ano  de  1999,  no  valor  de  R$118.120.635,64,  saldos  estes,  que  a  Receita  Federal  do  Brasil,  quando  da  incorporação do CNPJ nº 82.639.139/0001­44, entendera que a  Recorrente não teria direito a apropriar, e considerando que:  "–  a  impugnante  afirma  ter  obtido  êxito  na  demanda  judicial  impetrada,  contra a RFB, por meio do Mandado de Segurança  n° 2004.72.05.0008833, tendo sido reconhecido o seu direito de  apropriação  do  saldo  de  Base  Negativa  da  incorporada,  conforme  decisão  final  favorável  transitada  em  julgado  em  08/03/2010 (documentos anexos aos autos);  – da leitura do Mandado de Segurança (fls. 730/752), verifica­se  que  este  foi  impetrado  contra  os  despachos  emitidos pela DRF  de  Blumenau,  nos  processos  administrativos  de  números  13971.000560/0010,  13971.000563/0008,  13971.000657/0041  e  13971.000988/0017, envolvendo operações em que a impugnante  transfere  bases  de  cálculo  negativa  de  CSLL  para  terceiros,  optantes do Refis, instituído pela Lei nº 9.964, de 10 de abril de  2000,  tendo  em  vista  que  referidos  despachos  reconheceram,  parcialmente,  os  créditos  cedidos  pela  impugnante,  sob  o  fundamente de que o cedente não dispunha de saldo suficiente de  base de cálculo negativa da CSLL ao final do ano­calendário de  1998,  para  transferir  o  crédito  informado,  no  valor  de  R$  80.550.250,00,  porque  o montante  de  base  de  cálculo  negativa  de CSLL acumulado até o ano­calendário de 1998  seria de R$  34.406.966,11;–  os  documentos  acostados  aos  autos  não  são  suficientes  para  o  perfeito  esclarecimento  da  matéria  impugnada.  Deve ser efetuada diligência, objetivando verificar o seguinte:  1)  caso  se  confirme  ser  definitiva  a  aludida  sentença  judicial,  qual o valor do saldo de base de cálculo negativa de CSLL que a  impugnante  teria  direito  de  se  apropriar,  oriundo  da  incorporação  da  Cia  Hering,  CNPJ  n°  82.639.139/0001­44,  ocorrida  no  ano  de  1999,  levando­se  em  conta,  inclusive,  a  repercussão  dos  efeitos  da  cisão  parcial,  da  incorporada,  ocorrida em 1997, no eventual saldo de base de cálculo negativa  de  CSLL  que  a  impugnante  poderia  se  apropriar;  2)  se,  porventura,  houve  utilização  deste  eventual  saldo  negativo  de  base de cálculo de CSLL, nos mencionados processos, referentes  às  operações  de  transferência  de  bases  de  cálculo  negativa  de  CSLL da impugnante para terceiros, no âmbito do Refis.  Caso as verificações anteriores resultem em alteração dos saldos  de  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  registrados  no  Sapli,  Fl. 6974DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 787          9 considerados no Auto de Infração da CSLL, demonstrar o efetivo  montante de base de cálculo negativa de CSLL existente no ano­ calendário  de  2009;"  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Blumenau  se  manifestou  nos  autos  fls.  802/803  e  juntou  documentos de fls. 804/805:    – quanto ao primeiro quesito do despacho de diligência, responde que:  · o  saldo  de  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  que  a  impugnante  poderia  se  apropriar,  oriundo  da  incorporação  ocorrida em 1999, é de R$18.896.816,64. Este valor foi deferido  para transferência para terceiros no âmbito do Refis (processos  13971.000560/00­10,  13971.000563/00­08,  13971.000657/0041  e 13971.001004/00­43);  · no referido montante estão considerados 11,49% (patrimônio  líquido  remanescente  na  incorporada  após  a  cisão  parcial)  de  R$109.985.134,18  (saldo da base de  cálculo negativa da CSLL  existente em 1997 – ano da cisão parcial);  · para justificar a permanência de 11,49% do saldo da base de  cálculo  negativa  da  CSLL,  junta  a  Ata  da  Assembleia  Geral  Extraordinária  de  11/09/1997  e  a  Ata  da  Assembleia  Geral  Extraordinária de 22/09/1997 (continuação da primeira), em que  constam as condições da cisão;  · como não existe qualquer determinação especial no sentido de  mudar  a  proporção  da  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  nos  documentos  acostados,  deve  prevalecer  a mesma  proporção da  cisão  parcial  do  patrimônio  líquido  (R$44.993.588,13  X  R$346.576.881,88) ou seja, 11,49%;  Fl. 6975DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 788          10 – concernente ao segundo quesito, responde que:  · o  valor  total  deferido  para  transferência  para  terceiros  no  âmbito  do  Refis  foi  R$53.303.782,74  (processos  13971.000560/00­10,  13971.000563/00­08,  13971.000657/0041  e 13971.001004/00­43),  resultado da  soma de R$34.406.966,11  (da  incorporadora)  e  R$18.896.816,63  (da  incorporada).  Estes  valores  correspondiam  aos  saldos  da  base  de  cálculo  negativa  da CSLL respectivamente na incorporadora e na incorporada;  · não  há  alteração  a  ser  feita  nos  saldos  de  base  de  cálculo  negativa de CSLL registrados no Sapli, considerados no Auto de  Infração da CSLL.  A  autuada  se  manifesta  e  junta  aos  autos  cópia  dos  despachos  decisórios  relativos  aos  processo  de  transferência  de  créditos  a  terceiros  e  cópia  da Ata  da Assembléia  Geral Extraordinária relativa a incorporação.  Em seguida a autuada se manifesta  sobre  a  informação de diligência  as  fls.  838/848 e junta documentos de fls. 849/960.  A  DRJ  de  Salvador,  ao  analisar  os  documentos  profere  despacho  de  diligência (fls. 963/964) nos seguintes termos:   "Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam  crédito  tributário  relativo  ao  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL),  além da Multa exigida Isoladamente por Falta de Recolhimento  do  IRPJ  e  da  CSLL  sobre  Bases  de  Cálculo  Estimadas,  pertinentes ao ano­calendário de 2009.  A Contribuinte reconheceu o crédito tributário relativo às glosas  das  despesas  referentes  à  “Doação  à  Fundação  Herman  Hering”  (item  3.3.4),  no  valor  de  R$2.316.000,00  (tanto  na  apuração da base de cálculo do IRPJ quanto na base de cálculo  da CSLL), e à multa indedutível contabilizada na conta 4214008,  no  valor  de  R$6.637,87  (item  3.3.3),  esta  última  reconhecida  apenas  no  que  se  refere  ao  IRPJ,  e  impugnou  as  demais  infrações relatadas no Termo de Verificação Fiscal.  Entretanto,  verificou­se  que  o  valor  de  R$1.522.753,88,  correspondente  à  infração  descrita  no  item  3.3.1  do  Termo  de  Verificação Fiscal – glosa de despesas com Juros de CSLL – não  foi incluído na determinação da base de cálculo anual do IRPJ e  da CSLL.  Constatou­se,  ainda,  que  também  não  foram  incluídos  na  determinação da base de cálculo anual da CSLL os  valores de  R$2.650.152,22  e  R$23.306.789,31,  referentes  às  infrações  relatadas  nos  itens  3.2.1  (Gratificações  pagas  aos  administradores) e 3.3.5 (Pagamento de dívida ativa – princípio  da  competência),  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  respectivamente.  Fl. 6976DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 789          11 Dessa  forma,  esta  2ª  Turma  da  DRJ/Salvador  decidiu,  por  unanimidade, converter o julgamento do processo em diligência  com base no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, alterado pelo  art.  1º  da  Lei  nº  8.748,  de  1993,  para  que  seja  verificado  se  seriam aplicáveis ao presente caso as disposições do art. 41, §  1º,  inciso  I,  alínea  “b”,  e  §  4º,  do Decreto  nº  7.574,  de  29  de  setembro de 2011."   Após a verificação do despacho de diligência, a Autoridade Fiscal procedeu  lançamento complementar (fls. 966/986) ao presente Auto de Infração nos seguintes termos:    A contribuinte apresenta outra impugnação ao lançamento complementar de  janeiro de 2014 (fls. 999/1035) originando o Processo ­ 13971.720.163/2014­81, já apensado a  este processo conforme fl. 989, TVF e Auto de Infração fls. 966/986.   Em seguida a DRJ de Salvador profere v. acórdão (fls. 1171/1279) analisando  os dois processos em conjunto, cancelando parcialmente as exigências fiscais.   A  DRJ  afastou  a  glosa  dos  créditos  relativos  aos  pagamentos  de  honorários  realizados  aos administradores deduzidos da base de  calculo da CSLL  item  3.2, afastou a glosa de pagamentos  realizados a  titulo de direitos autorias deduzidos da  base  de  calculo  da  CSLL  por  ausência  de  previsão  legal  na  legislação  da  CSLL  (item  3.3.2), reconheceu a dedução dos juros e encargos legais incorridos no ano­calendário de  2009 com relação aos débitos da COFINS incluídos no REFIS IV (item 3.3.1), afastou a  tributação  referente  à  compensação  de  prejuízo  fiscal  em  relação  ao  IRPJ,  retificou  a  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  (Item  3.4  do  TVF)  e  por  consequencia  realizou  o  recalculo da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de  cálculo das estimativas.   Em  relação  a  infração  de  3.3.5  ­  Pagamento  de  Dívida  Ativa  em  descumprimento  ao  regime  de  competência,  a  DRJ  reduziu/recalculou  uma  pequena  parcela relativa aos juros acumulados e encargos legais.  Em relação ao não reconhecimento do saldo de base de cálculo negativa da  CSLL que era da empresa incorporada, a DRJ entendeu que a Recorrente não teria comprovado  Fl. 6977DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 790          12 nos  autos  que  ficou  com  os  100%  do  saldo  após  as  operações  de  cisão  em  1997  e  a  incorporação  em  1999  e,  por  tal  motivo, manteve  a  porcentagem  apontada  na  diligência  de  11,49% que corresponde ao  importe de R$ 18.896.816,64 Manteve o  restante das exigências  dispostas nos dois lançamentos.   Por fim interpôs Recurso de Ofício.   A  atuada  apresenta  Contra­razões  de  Recurso  de  Ofício  de  fls.  1429/1444  requerendo a manutenção da parte cancelada e as fls. 1447/1514 interpôs Recurso Voluntário,  reiterando as alegações feitas na impugnação e junta diversos documentos que foram anexados  aos autos às fls. 1515/5319.  No  Recurso Voluntário,  a  contribuinte  Recorrente  reiterou  as  alegações  da  impugnação e trouxe aos autos documentos para comprovar suas alegações.  Resumidamente a Recorrente alega:  1  ­  que é  indevida  a glosa dos valores pagos  à  titulo de  juros  sobre  capital  próprio;  2 ­ aduz que são dedutíveis os valores pagos aos diretores à titulo de PLR, 13  salário, 1/3 de férias como verbas componentes da remuneração mensal.   3­ alega que são dedutíveis as despesas incorridas no ano­calendário de 2009,  sendo  que  as  despesas  com  juros  devidos  pelo  atraso  do  pagamento  da  CSLL  devem  ser  deduzidas da base de calculo da CSLL ou na apuração do lucro real.   4  ­  afirma que o CARF/MF  tem competência para analisar a  ilegalidade de  atos  normativos  infra­legais  e  que  no  presente  caso  a  IN  da  SRF  390/2004  utilizada  para  regulamentar as despesas não dedutíveis na apuração da base de calculo da CSLL, afronta a Lei  7.689/88 e por isso as disposições da instrução normativa são ilegais.  5  ­  aduz  que  as  despesas  com  representação  da  empresa  (almoços  com  clientes) são dedutíveis da base de calculo da CSLL e apresenta comprovantes dos gastos no  documento 4 anexo ao recurso.   6 ­ afirma que a glosa referente a "outras despesas" que foram deduzidas da  base da CSLL  não  deve  persistir,  eis  que  são  gastos  com empresas  pertencentes  ao  grupo  e  junta aos autos comprovantes de pagamentos das despesas (doc. 5 acostado junto ao recurso).   7  ­  Alega  não  ter  lançado  despesas  com  débitos  de  COFINS  no  ano­ calendário  de  2009  e  que  os  únicos  valores  apropriados  fiscalmente  foram  os  encargos  incidentes  sobre  os  débitos,  no  valor  de  R$  4.608.973,18  que  são  despesas  dedutíveis  e  apuradas efetivamente em 2009 pelo regime de competência, que se referem aos juros de 2009  e encargos legais devidos pela adesão ao REFIS no mesmo ano de 2009. (infração 3.3.5).  8  ­  Afirma  que  existia  saldo  de  base  negativa  da  CSLL  em  montante  suficiente para suportar as operações realizadas no ano de 2009.  Explica que as operações societárias ocorreram da seguinte forma:   Fl. 6978DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 791          13 Em  1997  a  Cia  Hering  S.A.  (CNPJ  82.639.136/0001­44),  controladora  das  companhias Hering Textil S.A.  (CNPJ 78.876.950/0001­71)  e Ceval Alimentos S. A.  (CNPJ  84.046.101/0001­93), após as deliberações societárias cindiram parcialmente a Cia Hering S.A.  (doc.9).  Aduz  em  síntese  que  apenas  o  capital  investido  pela  Cia  Hering  S.A.  (empresa cindida) na empresa Ceval Alimentos S.A. seria vertido em favor da nova empresa  criada  Ceval  Participações  S.A.,  conforme  se  comprova  pelo  Protocolo  de  Justificação  de  Cisão e pela Ata de Assembléia Extraordinária realizada entre os acionistas da empresa (docs.  9 e 10).  Com a operação de cisão parcial em comento (no qual só foi cindida parcela  de seu investimento), a empresa Cia Hering S.A. permaneceu com o saldo de base negativa de  CSLL no montante de R$ 120.538.516,13 (valor apurado em 31/12/1997).  Em 1999, a Cia Hering S.A. passou por uma nova reestruturação societária,  de modo que a Cia Hering S.A.  (CNPJ 82.639.139/0001­44)  foi  incorporada à Hering Textil  S.A. (CNPJ 78.876.950/0001­71). Após a operação de incorporação, alterou­se a denominação  da empresa Hering Textil S.A. para Cia Hering S.A.   Com  a  referida  operação  de  incorporação,  a  Hering  Textil  S.A.  (atual  Cia  Hering  S.A.)  incorporou  também  o  saldo  de  base  negativa  de  CSLL,  no  montante  de  R$  118.120.635,64.   Junta documentos que, segunda a Recorrente, demonstram que ficou com o  saldo  negativo  de  CSLL  no  importe  de  R$  120.538.516,13  apurado  em  31/12/1997,  descordando  do  v.  acórdão  recorrido  que  decidiu  que  a  empresa  após  a  cisão  a  Cia Hering  (CNPJ  82.639.139/0001­44)  tinha  ficado  com  11,49%  do  saldo  da  base  negativa  da  CSLL,  proporcional ao patrimônio liquido remanescente, saldo este que depois foi transferido para a  autuada.   Aduz que o saldo de base negativa de CSLL permaneceu integralmente com  a  Cia  Hering  S.A.  CNPJ  82.639.136/0001­44  e  posteriormente  foi  incorporado  pela  Hering  Textil S.A. CNPJ 78.876.950/0001­71, atual Cia Hering S. A. Recorrente.   Acostou junto ao Recurso Voluntário diversos documentos de fls. 1515/5319,  dentre  os  quais  temos  Protocolo  de  Cisão  Parcial  (doc.  9),  Ata  de  Assembléia  Geral  Extraordinária (doc. 10), Laudo de Avaliação da Trevisan Auditores Independentes relativo ao  patrimônio  que  foi  retirado  da  empresa  cindida  constante  no  Protocolo  de  Justificação  (doc.  11), DIPJs de 1991 do ano­calendário 1990 até o ano de 2002 dos CNPJs 78.876.950/000­71 e  82.639.139/0001­44  da Cia Hering,  cópia  do  LALUR B  e  Laudo  da KPMG  elaborado  com  base no LALUR parte B, DIPJs e telas do sistema SAPLI da RFB de forma que o salda da base  negativa  da  CSLL  foi  recomposto  desde  o  ano  de  1996  até  o  ano  de  2010  quando  foi  integralmente recompensado pela Recorrente (docs. 12 fls. 1677/2695, 13, 14 e 15).  Apresenta informações societárias, contábeis e financeiras acompanhadas do  Laudo  da Auditoria  Independente  da KPMG que  segundo  a Recorrente  comprova  que  ficou  com o saldo de base negativa da CSLL mesmo após as operações de cisão ocorrida em 1997 e  incorporação em 1999.  Fl. 6979DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 792          14 Alega  também  que  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado  que  afastou  a  aplicação dos artigos 32 e 33 do Decreto Lei 2.341/1987 antes da edição da Medida Provisória  1.858­6  e  garantiu  a  utilização  de  100%  do  saldo  da  base  negativa  da  CSLL  para  fins  de  aproveitamento pela empresa incorporada e retirou a limitação da utilização do saldo da base  negativa da CSLL até o  limite do patrimônio  liquido remanescente pela empresa cindida,  foi  totalmente restringida e ignorada pela DRJ, que proferiu o v. acórdão "a quo" entendendo que  há  de prevalecer  a mesma proporção  da  cisão  parcial  do  patrimônio  liquido,  uma vez  que  a  Recorrente não teria comprovado que permaneceu com a totalidade do saldo.   Face os motivos acima apontados, requer a recomposição dos saldos de base  negativa  da  CSLL,  bem  como  a  compensação  do  lucro  apurado  no  ano  de  2009,  eis  que  permaneceu  com  a  integralidade  do  saldo  da  base  negativa  da  CSLL  no  importe  de  R$  118.120.635,64,  após  a  operação  de  cisão  e  posteriormente  incorporação  realizadas  entre  as  empresas Hering Textil S.A. e a Cia Hering S.A.   Apresenta  planilhas  em  seu  recurso  que  segunda  a Recorrente  demonstram  ser suficientes o saldo de base negativa da CSLL para as compensações realizadas no ano de  2009.   9 ­ Alega a impossibilidade de aplicação da multa isolada concomitante com  a de ofício.   10  ­  Alega  a  impossibilidade  da  exigência  da  multa  isolada  após  o  encerramento do ano­calendário.  11­ Alaga não ser legítimo a incidência de juros de mora atualizado pela Taxa  Selic sobre a multa de ofício.  Juntou também Planilha de Composição de Débitos da COFINS incluídos no  REFIS (doc. 06), Documentos de adesão ao REFIS (doc. 07), Documentos contábeis (Razão)  do  Lançamento  de  despesas  com  juros  e  encargo  legal  de  débitos  da  COFINS  no  ano­ calendário de 2009 (doc. 8), entre outros vários documentos constantes às fls.1515/5319.   Requer  seja  o  Recurso  Voluntário  conhecido  e  provido  integralmente  para  reformar o v. acórdão parcialmente, cancelando totalmente as exigências perpetradas nos Autos  de Infração.   Por  fim,  requer  o  julgamento  conjunto  do  processo  principal  13971.721.769/2012/71 com o do lançamento complementar PAF 13971.720.163/2014­81.  Em  seguida  esta  C.  Turma  Ordinária  decidiu  converter  o  julgamento  dos  recursos em diligência nos seguintes termos:   Pagamento  da  dívida  ativa  –  Princípio  da  Competência:RV  A  Recorrente contesta a glosa das despesas de Cofins, no valor de  R$23.306.789,31, por ter a autoridade fiscal considerado que tal  montante – referente a débitos de Cofins, dos meses de outubro  de  1999  a  abril  de  2003,  inscritos  em  dívida  ativa  e  integralmente  pagos  em  novembro  de  2009  –  teriam  sido  deduzidos pela pessoa  jurídica na apuração do  lucro  real  e da  base de cálculo da CSLL no ano de 2009, indevidamente, tendo  em  vista  que,  por  não  se  tratar  de  hipótese  de  suspensão  de  Fl. 6980DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 793          15 exigibilidade,  à  luz  do  art.  41  da  Lei  nº  8.981,  de  1995,  a  dedução  dessas  despesas  deve  seguir  a  regra  geral,  ou  seja,  o  regime de competência.  Alega  a  Recorrente,  ter  escriturado  como  despesa  o  valor  atualizado do débito pago de acordo com as regras do “REFIS  IV”,  no  montante  de  R$23.306.789,31  (composto  por  R$18.697.816,13,  relativo  ao  saldo  em  31/12/2008,  acrescido  dos juros/encargos apurados no ano de 2009, que totalizaram R$  4.608.973,18).  Todavia, afirma que teria adicionado ao lucro líquido no LALUR  o valor de R$18.697.816,13, de modo que apenas a quantia de  R$4.608.973,18, referente aos encargos e atualização do débito  é  que  teriam  sido  deduzidos  do  lucro  líquido,  na  apuração  do  lucro  real do  ano­calendário  de  2009. Acrescenta  que,  caso  se  reconheça o suposto erro, apenas em relação à despesa, estaria  oferecendo à tributação não somente o valor da despesa glosada  (R$23.306.789,31), mas também da adição que aumentou o lucro  fiscal  do  período  (R$18.697.816,13),  de  modo  que  o  valor  tributado seria de R$42.004.605,44.  A  Recorrente  alega  incessantemente  que  o  valor  de  R$  18.697.816,13  foi  escriturado  no  LALUR,  mas  não  indica  precisamente  qual  a  rubrica,  página  ou  linha  que  consta  o  montante.  Todavia,  de  uma  análise  mais  acurada  dos  documentos  acostados  aos  autos,  desde  a  impugnação,  constatei  que  na  rubrica  5.5 do LALUR  (fls.237/274  fl.  38  do arquivo)  consta o  valor de R$ 19.237.681,04, com o título de "Redução conforme a  Lei  11.941"  onde,  provavelmente,  deve  estar  escriturado  o  montante de R$ 18.697.816,13, alegado pela Recorrente.  Vejamos no quadro abaixo colacionado, o qual extraí da cópia  do LALUR (fls. 237/274 fl. 38 do arquivo), onde aparece o valor  de R$ 19.237.681,04 escriturado como " Redução conforme Lei  11.941":      Fl. 6981DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 794          16    Ocorre  que  a  rubrica  5.5  não  foi  aberta,  dificultando  a  verificação da escrituração dos R$ 18.697.816,13 no respectivo  LALUR.  Assim,  para  que  se  possa  verificar  que  o  valor  de  R$  18.697.816,13  foi  realmente  escriturado  no  LALUR,  conforme  exaustivamente alegado pela Recorrente, entendo ser necessária  a demonstração detalhada da composição do montante apontado  na rubrica 5.5 do livro, mediante indicação das contas contábeis  que abrigam os lançamento.  Entendo que esta informação é de extrema importância, eis que  se  constatado que a Recorrente adicionou os R$ 18.697.816,13  na rubrica 5.5 do LALUR, restaria comprovado que tal valor já  tinha sido oferecido a tributação e, nesta hipótese, o AI estaria  cobrando  o  respectivo  valor  duas  vezes,  o  que  não  se  pode  admitir.  Desta  forma,  face  aos  motivos  acima  apontados,  voto  em  converter o julgamento em diligência, para que:  1 Seja a Recorrente notificada a apresentar, dentro do prazo de  30  dias,  a  composição  detalhada  dos  valores  escriturados  na  rubrica  5.5  do  LALUR,  mediante  a  indicação  das  contas  contábeis  que  abrigam  o  lançamento,  para  que  se  possa  identificar, dentre eles, se realmente consta a alegada quantia de  R$ 18.697.816,13.  2  Ato  contínuo,  remetam­se  os  autos  ao  Agente  Fiscal  da  Unidade Local, para que analise a documentação fornecida pela  Contribuinte e elabore Relatório Circunstânciado,  indicando se  realmente  consta,  ou  não,  o  valor  de  R$  18.697.816,13  na  rubrica 5.5, conforme alegado na peça recursal.  3  Em  seguida,  intime  a  Contribuinte  para  se  manifestar,  no  prazo de 30 dias, sobre o Relatório Circunstânciado elaborado  pelo Agente Fiscal.  Por  fim,  retornem­se  os  autos  à  esta  C.  2ª  Turma  Ordinária,  para que se de continuidade ao julgamento dos recursos.  Em  seguida  a  Recorrente  apresentou manifestação  de  fls.  fls.  5357/5365  e  junta documentos aos autos.  Ato  contínuo,  foi  acostado  aos  autos  o  Relatório  de  Diligência  (fls.6716/6717),  informando  que  o  valor  de  R$  18.697.816,13  não  consta  na  rubrica  5.5  do  LALUR.   Fl. 6982DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 795          17 A  Recorrente  apresenta  nova  petição  se  manifestando  sobre  a  diligência.  (6919/6921).  Ato  contínuo,  esta C.  Turma decidiu  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  analisasse  os  novos  documentos  costados  aos  autos  pela  Recorrente em relação a infração tratada no tópico 3.5.5 relativa a pagamento de Dívida Ativa,  em desconformidade ao regime da competência. (Resolução de fls. 6931/6946).  O Auditor Fiscal respondeu a diligência da seguinte forma:  Preliminarmente,  em  relação  ao  saldo  da  base  de  cálculo  negativa  da CSLL  após  as  operações  de  cisão  e  incorporação,  ficou demonstrado na autuação que, a despeito do que previa a  legislação,  apesar  de  não  constar  dos  protocolos  de  cisão  qualquer  deliberação  especial  acerca  do  destino  do  referido  saldo,  ele  remanesceu  na  autuada.  A  permissão  para  tanto  deveria  estar  em  dispositivo  especial  nos  contratos  de  cisão,  o  que não foi feito. Logo, o saldo total ficou com a autuada, como  comprovam  os  registros  no  LALUR,  repiso,  contrariando  legislação  vigente.  Registre­se  que  já  houve  diligência  sobre  o  “22440299 – Cofins – Reversão” (Docs. 04, 05 e 06).  Segundo  a  contribuinte,  o  efeito  líquido  no  passivo  das  contas  “22440203  –  Cofins  a  Recolher  –  assunto,  cuja  Informação  Fiscal, está em fls. 802 e 803, seguida dos elementos coletados.  Em  relação  aos  demais  argumentos  trazidos  pela  contribuinte,  resumidamente, a contribuinte alega que os débitos de COFINS  originários  dos  PAF’s  nº  13971.003925/2007­51  e  13971.001144/2007­22 (período de 10/99 a 01/03, com exceção  dos meses de 12/00, e 06/01 a 12/01)  foram inscritos em DAU,  em 2008.  Afirma  que  neste  mesmo  ano  de  2008  o  valor  de  R$  18.697.816,13 já estava reconhecido no passivo pela Recorrente  na  conta  contábil  “22440203  –  Cofins  a  Recolher  –  1%”,  conforme indicado no Doc. 3 acostado a manifestação.  Aduz,  que,  naquele  mesmo  ano,  por  acreditar  no  êxito  da  discussão  judicial  acerca  da  inexigibilidade  dos  referidos  débitos  de  COFINS,  “reverteu”  o  montante  anteriormente  reconhecido  no  seu  passivo,  contabilizando  o  valor  de  R$  18.697.816,13 a crédito no resultado em contrapartida a débito  na conta do passivo, especificamente, na conta denominada 1%”  e “22440299 – Cofins – Reversão” ficou igual a zero.  Assim, para que  tal  reversão contábil  não gerasse  efeito  fiscal,  excluiu  em  2008  o  valor  R$  18.697.816,13  da  apuração  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  passando  a  controlar  o  saldo na Parte B do LALUR (Doc.07 – pp. 3, 5 e 6 e Doc.08).  Em  seguida,  em  2009,  por  força  de  sua  adesão  ao  REFIS DA  CRISE,  Lei  nº  11.941/09,  a  contribuinte  desistiu  da  discussão  judicial dos débitos de COFINS.  Fl. 6983DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 796          18 Assim,  segundo  a  contribuinte,  após  a  adesão  ao  REFIS,  procedeu  à  anulação  da  reversão  contábil  efetuada  em  2008,  creditando  o  valor  de  R$  18.697.816,13  na  conta  de  passivo  “22440299  –  Cofins  –  Reversão”  para  zerar  o  seu  saldo  (Doc.10)  e  debitou  o  mesmo  valor  na  conta  de  passivo  “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” (Doc.11 – 1º lançamento  do dia 23/11/09), de tal forma que ambas as contas passaram a  ter um saldo zero no passivo.  Posteriormente,  a  contribuinte  fez  transitar  pelo  resultado  o  pagamento do débito atualizado até novembro de 2009, no valor  de  R$  23.306.789,31,  como  despesa  (ou  seja,  a  débito)  no  resultado de 2009.  Considerando que no valor de R$ 23.306.789,31 está contido o  montante  de  R$  18.697.816,13  (vez  que  o  primeiro  se  refere  à  atualização  do  débito  até  o  mês  de  novembro  de  2009  e  o  segundo  se  refere  à  atualização  deste  mesmo  débito  até  dezembro  de  2008)  e  que  a  dedutibilidade  desse  valor  já  foi  realizada  em  períodos  anteriores,  a  fim  de  evitar  qualquer  prejuízo ao Fisco, a contribuinte alega ter realizado a adição ao  lucro  real  e  a  base  de  cálculo  da  CSLL  do  valor  de  R$  18.697.816,13  (Doc.01  –  págs.  1,  4  e  5),  em  contrapartida  ao  “zeramento”  do  saldo  controlado  na  Parte  B  do  LALUR  (Doc.15),  gerado  em  razão  da  exclusão  efetuada  deste  mesmo  valor em 2008.  Deste modo, teria anulado, no ano de 2009, o efeito do valor da  despesa  de  R$  18.697.816,13,  vez  que  o  adicionou  na  base  de  cálculo do IRPJ e da CSLL, contra a baixa do saldo da Parte B  do LALUR.  Alega que ao registrar como despesa no resultado o valor de R$  23.306.789,31 e ao adicionar ao lucro real e à base de cálculo  da  CSLL  o  valor  de  R$  18.697.816,13,  a  Recorrente  gerou  o  efeito  fiscal de dedutibilidade da base de cálculo do  IRPJ e da  CSLL efetivo,  no ano de 2009, apenas  referente à diferença no  valor  de  R$  4.608.973,18,  que  corresponde  exatamente  à  diferença  entre  o  mesmo  débito  tributário  atualizado  até  novembro  de  2009  (no  valor  de  R$  23.306.789,31)  e  até  dezembro  de  2008  (no  valor  de  R$  18.697.816,13),  ou  seja,  correspondente aos juros e encargos legais incorridos em 2009,  respeitando assim o regime de competência.  Eis o Relatório Circunstanciado.  Esta fiscalização não tem outros dados a acrescentar. Qualquer  manifestação acerca dos argumentos e provas trazidos aos autos  até  o  presente  momento,  seria,  em  minha  humilde  opinião,  invasão na seara do julgamento.    Em seguida a Recorrente se manifestou sobre a diligência,  alegando que na  diligência  o  Auditor  Fiscal  concordou  que  a  autuada  ficou  o  totalidade  do  saldo  de  base  Fl. 6984DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 797          19 negativa  de  CSLL,  no  importe  de  R$  109.958.134,18  após  as  operações  de  incorporação  e  cisão, afastando a limitação relativa ao teto do patrimônio liquido remanescente imposta pela  DRJ em seu acórdão recorrido.   Em relação a infração relativa a adição do valor de R$ 18.697816,13 no ano  de 2009,  relativa  a pagamento da Divida Ativa  da União  em desconformidade  ao  regime de  Competência,  alega  que  como  o Auditor  Fiscal  não  apresentou  os  pontos  com  os  quais  não  concorda  e  concluiu  que  "não  tem  outros  dados  a  acrescentar",  não  se  opôs  ao  que  restou  afirmado pela autuada nos autos, o que de maneira indireta concordou com as considerações  feitas pela Recorrente sobre esta infração.     É o relatório.   Fl. 6985DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 798          20 Voto Vencido  Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Relator    Matérias Não Impugnadas:    A Autuada  reconhece  estar  correta  a  glosa  da  quantia  de  R$2.316.000,00,  referente à “Doação à Fundação Hermann Hering”, tanto no Auto do IRPJ quanto no Auto de  CSLL.  Concorda, também, com a glosa no valor de R$6.637,87, referente a “Multas  Indedutíveis Conta 4214008”, apenas no tocante ao Auto do IRPJ.    Apresenta os comprovantes de pagamento dos débitos de IRPJ e CSLL não  impugnados,  nos  montantes  de  R$  945.313,64  (Doc.  07)  e  de  R$339.340,32  (Doc.  08),  respectivamente, acostados na impugnação.    Sendo assim, tais matérias não serão analisadas no julgamento dos recursos,  devido  à  constatação  de  seu  pagamento,  devendo  ser  apartado  o  lançamento  relativo  a  estes  créditos.     Passo aos recursos.    Ambos recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, razão pela qual  conheço do Recurso de Ofício e do Voluntário.  Inicio com a infração que ocasionou mais discussão nos autos e que é matéria  recorrida por meio de Recurso Voluntário.    Recurso Voluntário:   Da  utilização  dos  100%  do  Saldo  de  Base  Negativa  da  CSLL  após  a  operação de cisão e incorporação:     Inicialmente, para evitar equívocos, cumpre destacar que a acusação de que a  Recorrida  teria utilizado quantia  a maior do que o  registrado no Sapli,  no  ano­calendário de  2008 de saldo de base de cálculo negativa de CSLL para pagamento de tributos com fulcro na  MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009 (REFIS IV), não se confunde com a acusação relativa  à  insuficiência ou não  reconhecimento do saldo de base negativa de CSLL que a Recorrente  teria adquirido nas operações de cisão e incorporação.   A primeira acusação que foi cancelada pelo v. acórdão e deve ser analisada  no  Recurso  de  Ofício  exigia  a  diferença  de  R$  33.264.958,16  existente  entre  os  R$  Fl. 6986DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 799          21 138.402.959,41 de saldo de base negativa da CSLL existente no Sapli e os R$ 171.667.917,57  que a fiscalização achou que a Recorrente tinha utilizado para pagamento do tributo por meio  do REFIS IV.  A Fiscalização achou que a Recorrente teria utilizado R$ 171.667.917,57 de  saldo de base de cálculo negativa da CSLL,  saldo este maior do que existia nos  sistemas da  RFB, no importe de R$ 138.402.959,41, decidindo então glosar a diferença no importe de R$  33.264.958,16 (R$ 171.667.917,57 ­ R$ 138.402.959,41 = R$ 33.264.958,16).   Posteriormente, restou comprovado nos autos que a Recorrente teria utilizado  o  saldo  de  base  negativa  até  o  limite  de  R$  138.402.959,41  para  pagamento  dos  processos  administrativos  13971.001075/2004­12,  13971.001144/2007­22  e  13971.003925/2007­51  cancelando assim a exigência dos R$ 33.264.958,16, sobrando R$ 255.940,05 de saldo de base  de cálculo negativa para utilizar.  A  Fiscalização  descontou  este  valor  restante  de  R$  255.940,05  dos  R$  27.464.741,43 que está sendo exigido na segunda acusação relativa a falta de comprovação de  que  teria  ficado  com  100%  do  saldo  de  base  negativa  de  CSLL  na  operação  de  cisão  e  incorporação, restando o valor exigido de R$ 27.208.801,38 .     A  segunda  acusação  tratou­se  da  utilização  pela  Recorrente  de  R$27.464.741,43  para  compensar  a  base  de  cálculo  de  CSLL  do  ano­calendário  2009  ­  DIPJ/2010.    Dessa  forma,  todo  o  valor  compensado  na  DIPJ/2010  (R$27.464.741,43)  foi  considerado  como  compensação  indevida,  e  é  esta  acusação  que  estamos tratando agora.    Lembrando  que  após  o  cancelamento  da  primeira  acusação  a  Fiscalização  deduziu  o  montante  que  restou  de  saldo  de  base  negativa  de  R$  255.940,05,  restando o valor R$ 27.208.801,38.    A  exigência  deste  valor  de R$  27.208.801,38  pode  ser  cancelada  se  comprovado  que  a  Recorrente  ficou  com  os  100%  da  base  de  saldo  negativo  da  empresa  incorporada.     Vejamos a parte do v. acórdão que tratou deste assunto:     "Por outro lado, da análise dos argumentos no sentido de que os  valores  descontados  de  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL  a  título  de  pagamento  no  Refis  IV  totalizaram  apenas  R$138.402.959,41,  de  modo  que  a  diferença  para  os  R$171.667.917,57  (no  valor  de  R$33.264.958,16)  refere­se  a  glosas  realizadas  em  decorrência  da  desistência  no  PAF  nº  13971.002328/2005­48, reitero os mesmos fundamentos expostos  anteriormente  neste  voto,  quando  foi  examinada  a  glosa  referente à compensação indevida de prejuízo  fiscal. Em outras  palavras,  não  há  evidência  nos  autos,  como  também,  não  há  registro  nos  sistemas  de  controle  da  RFB,  pesquisados,  que  confirmem  a  utilização  das  bases  de  cálculo  negativas  em  Fl. 6987DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 800          22 discussão,  no  montante  de  R$33.264.958,16,  devendo  ser  acolhidos os argumentos da Impugnante no sentido de que este  valor  se  refere  à  baixa  das  bases  de  cálculo  negativas,  em  decorrência  das  glosas  efetuadas  no  Auto  de  Infração  de  que  trata o processo nº 13971.002328/2005­48, mantidas na decisão  da DRJ/Florianópolis, que resultaram em redução das bases de  cálculo  negativas  dos  períodos  autuados,  cujos  ajustes  foram  devidamente procedidos pela RFB no  sistema Sapli, mas que a  Contribuinte  somente  veio  a  proceder,  em  seus  controles  de  bases  de  cálculo  negativas  acumulados,  em  2009,  quando  desistiu  do  referido  PAF,  a  fim  de  incluir,  no  parcelamento  concedido  nos  termos  da  Lei  nº  11.941,  de  2009,  os  débitos  relativos  aos  lançamentos  de  CSLL,  dos  anos­calendário  de  2000 e 2003, mantidos na aludida decisão.  As  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL,  cuja  utilização  para  liquidação  de  débitos  nos  termos  da MP 470/2009  e  da  Lei  nº  11.941/2009  restou  demonstrada,  importam  nos  montantes  de  R$77.273.932,41  (para  liquidar  débitos  constantes  do  processo  nº 13971.001075/2004­12) e de R$61.129.027,00 (para  liquidar  juros  referentes  aos  débitos  constantes  dos  processos  13971.001144/2007­22  e  13971.003925/2007­51)  totalizando  R$138.402.959,41, tal como arguido pela Impugnante.  Assim, o valor das bases de cálculo negativas de CSLL utilizado  para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na  Lei nº 11.941/2009, constante do Auto de Infração do IRPJ, deve  ser retificado de R$171.667.917,57 para R$138.402.959,41.  Deduzindo­se  do  saldo  de  bases  de  cálculo  negativas  de CSLL  acumulado  no  ano­calendário  de  2008,  no  montante  de  R$138.658.899,46,  registrado  no  Sapli,  o  valor  de  R$138.402.959,41,  utilizado  para  pagamento  de  tributos  com  fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, remanesce a  quantia  de  R$255.940,05.  Como  foi  utilizado  o  montante  de  R$27.464.741,43, para a compensação com a base de cálculo da  CSLL  apurada  no  ano­calendário  de  2009,  efetuada  na  DIPJ/2010,  houve  insuficiência  de  R$27.208.801,38,  sobre  a  qual deve ser mantida a tributação."  Passo a analisar se a Recorrente ficou com 100% do saldo de base de cálculo  negativa  da  CSLL  após  as  operações  de  cisão  e  incorporação,  para  reconhecer  ou  não  a  compensação feita no ano de 2009 relativa ao valor de R$ 27.208.801,38.  Ao compulsar os autos, verifiquei que existe um ponto a ser preliminarmente  esclarecido  antes  de  serem  julgadas  as  alegações  de mérito  dos  outros  pontos  dispostos  nos  respectivos recursos.   A  Recorrente  acostou  diversos  documentos  ao  Recurso  Voluntário  (fls.  1515/5319) que  comprovam que  ficou  com a  totalidade do  saldo de base negativa da CSLL  após as operações de cisão e a incorporação.  Dentre  a  enorme  quantidade  de  documentos  acostados  às  fls.  1515/5319,  destaco os docs. 9 a 15 (fls. 1649/5319), que tratam de demonstrar que a Recorrente ficou com  Fl. 6988DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 801          23 a  totalidade  do  saldo  de  base  negativa  da  CSLL,  refutando  os  fundamentos  da  infração  de  maior valor, mantida pelo v. acórdão recorrido. Vejamos.   O v. acórdão decidiu que a Recorrente não teria comprovado que tinha ficado  com  o  saldo  da  base  negativa  da  CSLL  após  a  operação  de  cisão  e  incorporação,  julgando  então no sentido de que havia  insuficiência de R$ 27.208.801,38 para serem compensados e,  por tal motivo, manteve a tributação e a conseqüente glosa.  Os  julgadores  que  proferiram  o  v.  acórdão  recorrido,  após  analisarem  a  decisão judicial transitada em julgado que afastou a aplicabilidade do artigo 33 do Decreto Lei  nº  2.341/87,  antes  da vigência da MP  nº  1.858­6/99,  entenderam que  a Recorrente  não  teria  conseguido comprovar que tinha permanecido com 100% do saldo de base negativa da CSLL,  após as operações de cisão e incorporação, nos seguintes termos:     "A  Impugnante,  primeiramente,  alega  que  a  RFB  desconsiderou  integralmente  o  saldo  de  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL,  no  montante de R$118.120.635,64, apropriado pela Cia Hering quando da  incorporação  da  Cia  Hering  (CNPJ  82.639.139/0001­  44),  em  1999,  por  entender  que  a  Recorrente  não  teria  direito  à  apropriação  efetuada,  motivo  pelo  qual  impetrou  o  Mandado  de  Segurança  nº  2004.72.05.000883­3,  para  o  reconhecimento  do  seu  direito,  obtendo  êxito  na  demanda  judicial,  tendo  a  decisão  favorável  transitado  em  julgado  em  08/03/2010.  Em  segundo  lugar,  assegura  que  os  valores  descontados  a  título  de  pagamento  no  Refis  IV  totalizaram  apenas  R$138.402.959,41, de modo que a diferença para os R$171.667.917,57  (no  valor  de  R$33.264.958,16)  refere­se  a  glosas  realizadas  em  decorrência  da  desistência  no  PAF  nº  13971.002328/2005­48,  e  ocorreu  em virtude dos mesmos motivos que ensejaram a divergência  ocorrida com relação à apuração do prejuízo fiscal, já relatados.  A  questão  relativa  à  alegada  desconsideração  de  base  de  cálculo  negativa de CSLL, no valor de R$118.120.635,64, apropriado pela Cia  Hering  quando  da  incorporação  da  Cia  Hering  (CNPJ  82.639.139/0001­44),  ensejou a  realização da diligência, determinada  por  meio  do  despacho  de  fls.  792  a  799,  da  qual  resultou  a  documentação de fls. 802 a 960.  Na Informação Fiscal, elaborada por ocasião da diligência realizada,  respondendo  aos  quesito  formulados  no  despacho  de  diligência,  afirmou a Autoridade Fiscal que o valor das bases de cálculo negativas  de  CSLL  que  a  Contribuinte  poderia  apropriar,  oriundo  da  incorporação  ocorrida  em  1999,  é  de  R$18.896.816,64,  valor  este,  deferido  para  transferência  para  terceiros  no  âmbito  do  Refis  (menciona  os  números  dos  processos).  Explica  que  o  montante  de  R$18.896.816,64,  resultante  da  aplicação  do  percentual  de  11,49%  sobre o valor de R$109.985.134,18 (saldo da base de cálculo negativa  da CSLL existente  em 1997 – ano da cisão parcial),  sendo 11,49% o  percentual do patrimônio líquido remanescente na incorporada após a  cisão  parcial),  tendo  em  vista  a  ausência  de  qualquer  determinação  especial no sentido de mudar a proporção da base de cálculo negativa  da CSLL, na Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 11/09/1997 e  na  Ata  da  Assembleia  Geral  Extraordinária  de  22/09/1997  (continuação  da  primeira)  –  fls.  834  e  835  –  em  que  constam  as  condições da cisão. Conclui a Autoridade Fiscal que não há alteração  a ser feita nos saldos de base de cálculo negativa de CSLL registrados  no Sapli, considerados no auto de Infração da CSLL.  Fl. 6989DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 802          24 A Impugnante, por sua vez, manifestou­se arguindo que o entendimento  da RFB, tanto na análise dos processo referentes à cessão de base de  cálculo  negativa  da CSLL,  quanto  na  Informação  Fiscal,  contraria  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  já  que  mantém  a  restrição  contida  no  parágrafo  único  do  art.  33  do  Decreto­Lei  nº  2.341,  de  1987, que havia sido afastada, lhe garantindo a utilização do saldo de  base de cálculo negativa de CSLL sem qualquer restrição, quando da  operação de cisão em 1997, ficando, portanto, com 100% do saldo de  base de cálculo negativa de CSLL em seu patrimônio líquido. Também,  considera  absurda  a  alegação  de  que  deve  comprovar  que  a  incorporada  ficou  com  a  totalidade  do  saldo  de  base  de  cálculo  negativa de CSLL, na ocasião da cisão parcial.  É  certo  que  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado  impediu  a  aplicação, à CSLL, da vedação de aproveitar créditos oriundos de base  de cálculo negativa pela sociedade sucessora por incorporação,  fusão  ou cisão, prevista no artigo 33 do Decreto­Lei nº 2.341, de 1987, antes  da entrada em vigor da MP nº 1.858­6, de 30 de agosto de 1999, que  em seu art. 20, assim dispõe:  MP nº 1.858­6/99  [...]  art. 20 . Aplica­se à base de cálculo negativa da CSLL o disposto  nos  arts.  32  e  33  do Decreto­Lei  no  2.341,  de  29  de  junho  de  1987.  Decreto­lei nº 2.341/87  [...]  art.  33. A pessoa  jurídica sucessora por  incorporação,  fusão ou  cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida.  Parágrafo  único.  No  caso  de  cisão  parcial,  a  pessoa  jurídica  cindida  poderá  compensar  os  seus  próprios  prejuízos,  proporcionalmente  à  parcela  remanescente  do  patrimônio  líquido.  Entretanto,  da  análise  dos  documentos  inseridos  nos  autos,  pertinentes ao assunto em discussão, e da principal argumentação da  Impugnante,  entendo  que  a  sua  interpretação  sobre  a  extensão  do  direito que a decisão judicial lhe concedeu não pode prosperar, pois,  como  restou  claro  na  própria  decisão  judicial,  a  inaplicabilidade,  à  CSLL, da restrição contida no parágrafo único do art. 33 do Decreto  nº 2.341, de 1987, não retira a necessidade de comprovação do saldo  de  bases  de  cálculo  negativas  que  permaneceu  com  a  Cia  Hering  (CNPJ  82.639.139/0001­44),  posteriormente,  incorporada  pela  Impugnante.  Portanto, a convicção no sentido de que, em virtude da cisão parcial  ocorrido  em  1997,  a  Cia  Hering  (CNPJ  82.639.139/0001­44)  ficou  com 11, 49% do saldo de bases de cálculo negativas existentes até a  data  daquele  evento,  ou  seja,  proporcional  ao  patrimônio  líquido  remanescente,  saldo  este,  posteriormente  transferido  para  a  Impugnante (Cia Hering CNPJ 78.876.950/0001­71), fundamenta­se,  não  na  questionada  aplicação  da  restrição  contida  no  art.  33  do  Decreto­lei  nº  2.341,  de  1987, mas  sim  na  falta  de  comprovação  de  que  mesmo  com  a  cisão  parcial  a  Cia  Hering  (CNPJ  Fl. 6990DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 803          25 82.639.139/0001­44) permaneceu com a  totalidade do saldo de bases  de  cálculo negativas  de CSLL  apuradas  até  então,  tendo  em  vista  a  ausência, na Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 11/09/1997 e  na  Ata  da  Assembléia  Geral  Extraordinária  de  22/09/1997  (continuação da primeira), em que constam as condições da cisão, de  qualquer determinação especial no sentido de mudar a proporção da  base de cálculo da CSLL. Logo, há de prevalecer a mesma proporção  da cisão parcial do patrimônio líquido, pois, se assim não fosse, a nova  empresa  surgida  com  a  cisão  havida  em  1997  (Ceval  Participações  SA),  e  que  ficou  com  88,51%  do  capital  cindido,  numa  eventual  incorporação  por  outra  empresa,  e  com  base  em  decisão  judicial  da  mesma natureza, teria o direito de absorver também os 100% do saldo  de  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL,  resultando  duplicidade  no  aproveitamento da base de cálculo negativa de CSLL.  [...]  Como  se  vê,  a  questão  já  está  decidida  pelo  acórdão  do  TRF  da  4ª  Região,  que  afastou  a  carência  de  ação,  reconhecida  pela  sentença  monocrática,  por  não  ter  a  impetrante  apresentado  "prova  da  permanência do valor integral da base de cálculo negativa da CSLL, no  patrimônio  líquido  da  empresa  cindida",  mas  determinou  a  comprovação  na  esfera  administrativa  ["Assim,  a  apresentação  da  documentação será  feita na via administrativa quando da efetivação  da compensação”; "O afastamento da preliminar se deve pelo fato de  que a apresentação dos documentos exigidos pela Administração para  reconhecimento dos créditos não é requisito essencial para verificação  do interesse processual no presente mandado de segurança. Utilizando  as  próprias  palavras  da  recorrente  em  seu  apelo,  em  que  pese  esta  decisão fundar­se a declaração da existência de tal direito pela falta de  prova  na  ação  mandamental,  uma  vez  obtido  o  direito  de  mérito  principal, poderá a detentora do direito [direito ao aproveitamento de  créditos referentes à base de cálculo negativa pela sociedade sucessora  por incorporação, fusão ou cisão] demonstrá­lo no momento oportuno  já que de cunho declaratório em razão do exercício do direito no ato da  cisão,  fato  que  não  prejudica  a  decisão  de mérito  que  foi  justamente  prolatada  pelo  MM  Juízo  de  origem  segundo  o  convencimento  do  mesmo].  Assim,  como  a  Impugnante  não  comprovou/demonstrou  administrativamente  que,  mesmo  com  a  cisão  parcial,  a  sua  incorporada permaneceu com "a totalidade dos prejuízos fiscais e bases  de  cálculo  negativas  da  CSLL  apuradas  até  então",  passíveis  de  lhe  serem transferidos por ocasião da incorporação em 1999, não há que  se falar em descumprimento da decisão judicial.  Dessa  forma, não há qualquer alteração a  fazer no saldo de bases de  cálculo negativas de CSLL controlado no sistema Sapli e considerado  no Auto de Infração da CSLL, em virtude da argumentação exposta na  Impugnação,  acerca  de  não  reconhecimento  de  supostos  saldos  apropriados em decorrência da incorporação da Cia Hering."    Ou  seja,  a  decisão  recorrida  reconhece  o  êxito  da Recorrente  no  judiciário  para  afastar  a  aplicação  do  artigo  33  do  Decreto  Lei  2.341/87  e  em  cumprimento  à  ordem  judicial não discute o mérito da aplicabilidade dos referidos dispositivos no presente caso, mas  mantém  a  exigência  por  entender  que  a  autuada  deveria  comprovar  que  tinha  ficado  com  a  totalidade deste saldo de base negativa da CSLL para utilizá­lo na compensação com a base de  calculo da CSLL no ano de 2009.  Fl. 6991DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 804          26 Por  tal  motivo,  o  valor  compensado  na  DIPJ/2010  foi  mantido  como  compensação  indevida  eis  que,  segundo  o  v.  acórdão,  a  Recorrente  não  tinha  conseguido  comprovar que  tinha  ficado com este  saldo negativo  e decidiu  então negá­lo para declarar  a  inexistência do montante de R$ 27.208.801,38 utilizado para compensação.   Ocorre  que  a  Recorrente  apresenta  junto  com  seu  Recurso  Voluntário  diversos documentos (docs. 8 à 15 fls. 1649/5319) que ao indicam que a autuada tem razão ao  alegar que tinha ficado com os 100% do saldo de base negativa da CSLL.   Os documentos são:   Protocolo  de  Cisão  Parcial  (doc.  9),  Ata  de  Assembléia  Geral  Extraordinária  (doc. 10), Laudo de Avaliação da Trevisan Auditores Independentes relativo ao patrimônio que  foi retirado da empresa cindida constante no Protocolo de Justificação (doc. 11), DIPJs de 1991  do ano­calendário 1991 até o ano de 2002 dos CNPJs 78.876.950/000­71 e 82.639.139/0001­44  da Cia Hering, cópia do LALUR B e Laudo da KPMG elaborado com base no LALUR parte B,  DIPJs e telas do sistema SAPLI da RFB de forma que o saldo da base de cálculo negativa da  CSLL  foi  recomposto  desde  o  ano  de  1996  até  o  ano  de  2010  quando  foi  integralmente  recompensado pela Recorrente (docs. 12 fls. 1677/2695, 13, 14 e 15).    Vejam  D.  Conselheiros  dentre  os  documentos,  temos  dois  laudos,  um  da  Trevisan  e outro  da KPMG,  sendo que  o  primeiro  analisou  o  patrimônio  que  foi  retirado  da  empresa cindida constante no Protocolo de Justificação e o segundo foi elaborado com base no  LALUR  parte  B,  DIPJs  e  telas  do  sistema  SAPLI  da  RFB  de  forma  que  o  saldo  da  base  negativa  da  CSLL  foi  recomposto  desde  o  ano  de  1996  até  o  ano  de  2010,  quando  foi  integralmente recompensado pela Recorrente (docs. 12 fls. 1677/2695, 13, 14 e 15).    Tais documentos no meu entender demonstram que a Recorrente permaneceu  com  a  integralidade  do  saldo  da  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  no  importe  de  R$  118.120.635,64,  após  a  operação  de  cisão  e  posteriormente  incorporação  realizadas  entre  as  empresas Hering Textil S.A. e a Cia Hering S.A.   Ademais,  após  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  (Resolução  fls.  6931/6946),  o  Auditor  Fiscal  confirmou  que  apesar  de  não  constar  nos  protocolos  de  cisão  qualquer  deliberação  especial  acerca  do  destino  do  referido  saldo,  ele  remanesceu  com  a  autuada, conforme registros no LALUR (fls. 6949/6953 ­ página 3 ­ Relatório Fiscal). Vejamos  o parágrafo que tratou sobre este assunto na Resposta da Diligência.  Preliminarmente,  em  relação  ao  saldo  da  base  de  cálculo  negativa  da CSLL  após  as  operações  de  cisão  e  incorporação,  ficou demonstrado na autuação que, a despeito do que previa a  legislação,  apesar  de  não  constar  dos  protocolos  de  cisão  qualquer  deliberação  especial  acerca  do  destino  do  referido  saldo,  ele  remanesceu  na  autuada.  A  permissão  para  tanto  deveria  estar  em  dispositivo  especial  nos  contratos  de  cisão,  o  que não foi feito. Logo, o saldo total ficou com a autuada, como  comprovam  os  registros  no  LALUR,  repiso,  contrariando  legislação  vigente.  Registre­se  que  já  houve  diligência  sobre  o  assunto, cuja Informação Fiscal, está em fls. 802 e 803, seguida  dos elementos coletados.  Fl. 6992DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 805          27 De acordo com a manifestação do Auditor Fiscal,  apesar de não constar no  protocolo  de  cisão  parcial  deliberações  no  sentido  de  alterar  a  proporção  do  saldo  de  base  negativa  de  CSLL  a  ser  transferido,  restou  comprovado  nos  autos  por  meio  de  outros  documentos,  no  caso  o  LALUR,  que  tais  créditos  permaneceram  em  sua  totalidade  com  a  Recorrente após a cisão.   Assim, como restou comprovado nos autos que no âmbito da Administração  Pública a Recorrente  ficou com o saldo negativo de CSLL e a decisão  judicial  transitada em  julgado, acima comentada, autoriza a Recorrente a utilizar a  totalidade deste crédito, entendo  que  o  pedido  da Recorrente  deve  ser  provido  em  respeito  à determinação  prevista na  ordem  judicial.   Desta forma, com base dos documentos constantes nos autos, entendo que a  Recorrente  permaneceu  com  a  integralidade  do  saldo  de  base  negativa  da CSLL,  devendo  a  exigência do valor de R$ 27.208.801,38 ser cancelada integralmente.     Juros sobre Capital Próprio ­ Regime de Competência:     Em  relação  a  esta  matéria,  relativa  ao  pagamento  dos  juros  sobre  capital  próprio desobedecendo o regime de competência, a C. Câmara Superior deste E. CARF/MF já  pacificou seu entendimento no sentido de que é devida a glosa de determinados créditos.  Vejamos a ementa do v. acórdão 1402­000.204 de Relatoria do Conselheiro  Leonardo de Andrade Couto, que tratou de matéria e situação fática análoga a dos autos.     Assunto:  Normas  Gerais  de  Direito  Tributário  Ano­calendário:  2006,  2007,  2008,  2009,  2010  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  DECADÊNCIA.  TERMO  INICIAL.  O  termo  inicial  para  contagem  do  prazo  decadencial  nos  casos  de  amortização de ágio tida como indevida corresponde à data em que a  pessoa  jurídica  efetuou  a  dedução  pela  primeira  vez.  Não  há  que  se  falar  em  contagem  da  caducidade  a  partir  da  operação  em  que  foi  gerada o ágio pois, nesse momento, anda não ocorreu o  fato gerador  da obrigação tributária como decorrência da dedução indevida.    DECADÊNCIA.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando  constatado  dolo,  fraude  ou  simulação  do  sujeito  passivo  (STJ  ­  Primeira Seção de Julgamento, Resp 973.733/SC, Relator Ministro Luiz  Fux,  julgado  em  12/08/2009,  DJ  18/09/2009).    Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2006,  2007,  2008,  2009,  2010  DESPESAS  COM  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  PESSOAS  LIGADAS.  INDEDUTIBILIDADE.  Incabível  a  formalização  do  ágio  como  decorrência  de  operação  Fl. 6993DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 806          28 societária  realizada  entre  pessoas  ligadas,  pela  inexistência  da  contrapartida  do  terceiro  que  gere  o  efetivo  dispêndio    JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO  REGIME  DE  COMPETÊNCIA  E  A  CRITÉRIOS  TEMPORAIS.  DEDUÇÃO  EM  EXERCÍCIOS  POSTERIORES.VEDAÇÃO.  O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou  sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em  razão  do  regime  de  competência.  Incabível  a  deliberação  de  juros  sobre  capital  próprio  em  relação  a  exercícios  anteriores  ao  da  deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária  e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de  competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto  daquele  que  as  ensejou.    JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  PAGAMENTO  DESPROPORCIONAL  À  PARTICIPAÇÃO  NO  CAPITAL  SOCIAL  Os  juros  sobre  capital  próprio  que  são  dedutíveis  na  apuração  do  resultado  tributável  são  somente  os  que  são  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  cada  titular,  sócio  ou  acionista  a  título  de  remuneração do capital. Não se enquadram como tal e são indedutíveis  os  juros pagos ou creditados que excederem ao que beneficiário teria  direito de acordo com sua participação no capital social da empresa.    AUTO  DE  INFRAÇÃO.  MULTA  DE  OFÍCIO.  Nos  termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é  cabível  a  imputação  da  multa  de  ofício  na  lavratura  de  auto  de  infração,  quando  inexistente  qualquer  das  hipóteses  de  suspensão  de  exigibilidade  previstas  na  legislação.    MULTA  QUALIFICADA.  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO  ENTRE  EMPRESAS  LIGADAS  SEM  PAGAMENTO.  Operações empreendidas no universo de um mesmo grupo econômico,  com transferência de ações com sobrepreço para integralizar o capital  social  de  uma  empresa  de  papel,  sem  sacrifício  de  ativos,  sem  pagamento  pelo  sobrepreço,  que  foi  criado  artificialmente  e  especificamente  para  consumar  o  aproveitamento  de  uma  despesa  fictícia,  implicam  na  presença  dos  elementos  volitivo  e  cognitivo,  caracterizando  o  dolo  na  conduta  que  ultrapassa  o  tipo  objetivo  da  norma  tributária  e  é  apenado  com a  qualificação da multa  de ofício.    INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA  ISOLADA.  A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP  nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa  previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos  que  deixaram  de  ser  realizados  concernentes  ao  imposto  de  renda  a  título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do  período  de  apuração  e  independentemente  da  imputação da multa de  ofício  exigida  em  conjunto  com  o  tributo.    JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  A obrigação  tributária principal compreende  tributo e multa de ofício  proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa  Fl. 6994DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 807          29 de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa  Selic.    SUJEIÇÃO  PASSIVA  SOLIDÁRIA.  INTERESSE  COMUM  NÃO  DEMONSTRADO.  IMPROCEDÊNCIA.  A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do  art.  124, do CTN,  prescinde da  demonstração do  interesse  comum de  natureza  jurídica,  e  não  apenas  econômica,  entendendo­se  como  tal  aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de  gerar  a  tributação.    SUJEIÇÃO  PASSIVA.  MULTA  QUALIFICADA.  RESPONSABILIDADE  ATRIBUÍDA  A  ADMINISTRADOR  DA  PESSOA  JURÍDICA.  ART.  135,  III,  DO  CTN.  POSSIBILIDADE.  A  cominação  da  penalidade  qualificada  baseada  em  conduta  dolosa  que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na  esfera  criminal,  ensejam  a  responsabilização  dos  administradores  da  pessoa  jurídica  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  da  obrigação tributária em questão.    O v. acórdão "a quo", seguiu a mesma linha de entendimento da C. Câmara Superior  em relação a matéria.   Desta  forma,  em  respeito  ao  entendimento  consagrado  pela  C.  Câmara  Superior,  adoto como motivação do meu voto os fundamentos do v. acórdão recorrido.     Juros  sobre  Capital  Próprio  –  Inobservância  do  Regime  de  Competência  A  primeira  das  infrações  questionadas  pela  impugnante  é  aquela  referente  à  inobservância  do  regime  de  competência  na  dedução  dos  juros sobre o capital próprio.  A  Fiscalização  glosou  a  parcela  de  R$7.609.195,78,  registrada  contabilmente em 31/07/2009 e paga em 10/08/2009, referente a juros  sobre  capital  próprio  do  ano  de  2008,  por  considerar  que  tal  procedimento  afronta  o  regime  de  competência,  condição  para  a  dedutibilidade dos juros pagos ou creditados.  Em  sua  impugnação  a  contribuinte  argui  a  improcedência  da  glosa  efetuada, por entender que os juros sobre o capital próprio dependem  da  deliberação dos  titulares do  capital  para  serem pagos,  sendo essa  deliberação  o  “fato  gerador”  para  a  determinação  do  exercício  de  competência dos juros pagos, sejam eles de períodos anteriores, sejam  eles  do  próprio  período  em  que  se  está  procedendo  ao  crédito  ou  pagamento, e que não há vedação para dedução, no ano de 2009 das  despesas  com  o  pagamento  dos  juros  apurados  em  anos  anteriores,  2008, exceto se houver o efeito diverso. Traz à colação julgado do STJ  que  se  posiciona na mesma  linha  de  seu  entendimento,  no  sentido  de  que não há impedimento à dedutibilidade do pagamento ou crédito de  JCP  quando  efetuado  em  relação  a  exercícios  anteriores,  desde  que  respeitados os limites vigentes em cada um desses exercícios.  Antes  de  tudo,  convém observar  a  legislação  que  permitiu  a  dedução  dos  JCP, materializada  no  artigo  9º  da  Lei  nº  9.249,  de  26/12/1995,  matriz legal do artigo 347 do RIR/1990, in verbis:   Fl. 6995DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 808          30 [...]  A matéria – JCP – foi disciplinada pelos artigos 29 e 30 da Instrução  Normativa SRF nº 11/96, de 21/02/1996, nos seguintes termos:  [...]  Já a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/12/1997, aplicável aos fatos  geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, dispõe, em seus artigos 29,  30 e 51:  [...]  Como se vê, o caput do artigo 29 da IN SRF nº 11/1996 já alertava que  a dedutibilidade – para fins de determinação do lucro real – dos juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  deveria  obedecer ao regime de competência.  Aliás,  essa  norma  guarda  consonância  com  a  regra  geral  de  apropriação  de  custos  e  despesas  ou  reconhecimento  de  receitas,  rendimentos e lucros estabelecida para as pessoas jurídicas submetidas  ao lucro real, devendo estas manter escrituração com observância das  leis  comerciais  e  fiscais,  em  conformidade com os artigos 247, 248  e  251 do RIR/1999.  Em se tratando de uma sociedade anônima, como é o caso da Autuada,  a previsão de atender ao regime de competência consta do artigo 177  da Lei nº 6.404 (Lei das S/A), de 15/12/1976, verbis:  [...]  Ainda  dispondo  sobre  juros  remuneratórios  do  capital  próprio,  a  Instrução Normativa nº 41, de 22/04/1998, assim prescreve:  [...]  Logo,  depreende­se  que  o  valor  relativo  à  remuneração  de  capital  próprio  deve  ser  deduzido  como  despesa  financeira,  na  apuração  do  resultado  do  exercício,  e  que  se  entende  ocorrido  seu  crédito  individualizado,  consoante  o  disposto  no  artigo  9º  da  Lei  nº  9.249/1995, quando a despesa é escriturada, no período­base ao qual  compete, em contrapartida a conta específica, no passivo exigível, que  represente os créditos do sócio ou acionista. Os beneficiários dos juros  creditados ou pagos,  na hipótese de  serem  também pessoas  jurídicas,  devem registrá­los contabilmente, observando­se, igualmente, o regime  de competência dos exercícios.  Idêntico entendimento  está expresso na Solução de Consulta SRRF/9ª  RF/DISIT  nº  54,  de  18  de  fevereiro  de  2005,  citada  no  Termo  de  Verificação Fiscal, cuja ementa, mais uma vez, reproduz­se:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ementa: A  observância  do  regime de  competência  é  condição  para a  dedutibilidade  dos  juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido.  Dispositivos  Legais:  Lei  nº  9.249,  de  1995,  art.  9º;  Lei  nº  9.430,  de  1996; art. 78 do RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29.  Fl. 6996DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 809          31 Assunto. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL  Ementa: A observância do regime de competência. é condição para a  dedutibilidade  dos  juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio, calculados sobre as contas do patrimônio, líquido.  Dispositivos  Legais:  Lei  nº  9.249,  de  1995,  art.  9º;  Lei  nº  9.430,  de  1996, art. 78; RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29.  A Impugnante afirma que a observância do regime de competência só é  necessária  a  partir  do  momento  em  que  nasce  a  obrigação  legal  de  pagar os JCP, ou  seja, quando ocorre a deliberação societária nesse  sentido.  Conforme  já  comentado  anteriormente,  a  escrituração  das  pessoas  jurídicas deve submeter­se às  leis  comerciais e  fiscais, aos princípios  de contabilidade geralmente aceitos, observando métodos ou critérios  contábeis  uniformes  no  tempo,  e  obedecer  ao  regime de  competência  dos exercícios, ressalvadas algumas situações específicas. No caso das  sociedades  anônimas,  a  matéria  é  tratada  no  artigo  177  da  Lei  nº  6.404, de 1976.  O artigo 29 da IN SRF nº 11, de 1996, que regulamentou o artigo 9º da  Lei nº 9.249, de 1995, esclareceu que, para efeito de determinação do  lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  calculados  sobre  as  contas  do  patrimônio  líquido  e  limitados  à  variação,  pro  rata  dia,  da  Taxa  de  Juros  de  Longo  Prazo  –  TJLP  poderão  ser deduzidos,  obedecendo ao  regime de  competência.  Logo,  quanto a esse ponto, o assunto é pacífico.  Acerta a Impugnante quando diz que o pagamento ou crédito de JCP,  bem como sua dedutibilidade nos termos e condições estabelecidos pela  Lei  nº  9.249, de  1995,  constituem  uma  faculdade  concedida  à  pessoa  jurídica,  e  não  uma  obrigação.  É  certo  também  que  o  pagamento  ou  crédito  desses  valores  depende  do  exercício  dessa  faculdade  pelos  acionistas, mediante deliberação em assembleia. Assim, enquanto não  houver a deliberação societária, não existe despesa.  Ocorrida  a  deliberação,  os  valores  de  JCP  passam  a  ser  devidos,  cabendo  seu  pagamento  ou  crédito,  atendidos  os  parâmetros  estabelecidos  na  Lei  nº  9.249/1995,  restando  garantida  sua  dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com observância  do  regime  de  competência.  Até  esse  ponto,  há  concordância  entre  os  argumentos apresentados pela Fiscalização e pela Requerente.  De outro lado – e aqui surge a controvérsia –, defende a Fiscalização  que o direito de exercer a opção pelo pagamento ou crédito de JCP não  pode subsistir sem que haja algum limite temporal. Essa faculdade não  pode ser exercida a qualquer tempo como, no caso presente, depois de  encerrado  o  período  de  apuração  do  respectivo  resultado,  como  pretende a Impugnante.  Nesse  aspecto,  há  que  se  dar  razão  ao  agente  fiscal.  Senão  vejamos.  Nos  termos  do  artigo  176  da  Lei  nº  6.404,  de  1976,  as  contas  e  os  resultados  apurados  pelas  sociedades  deverão  estar  espelhados  nas  demonstrações  financeiras  obrigatoriamente  elaboradas  quando  do  encerramento  de  cada  exercício  social.  Essas  demonstrações  registrarão,  inclusive, proposta de destinação dos  lucros apurados no  exercício,  e  precisarão  ser  aprovadas  pelos  acionistas  reunidos  em  Fl. 6997DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 810          32 Assembleia  Geral  Ordinária  (AGO)  a  ser  realizada  nos  quatro  primeiros  meses  seguintes  ao  término  do  exercício  social,  conforme  artigo 132 da mesma Lei.  Da mesma forma que a proposta de destinação de lucros, incluída nas  demonstrações financeiras, no pressuposto de sua aprovação posterior,  por  ocasião  da  AGO  específica,  de  acordo  com  o  disposto  no  artigo  192  e  no  §3º  do  artigo  176  da  Lei  nº  6.404,  de  1976,  qualquer  deliberação  sobre  o  pagamento  de  JCP,  adotada  durante  o  próprio  exercício  social  pelo  Conselho  de  Administração  da  empresa,  será  submetida  à  mesma  assembleia,  para  fins  de  sua  ratificação,  após  o  que  todos  os  atos  praticados  são  considerados  perfeitos  e  acabados,  não se lhes permitindo alterações posteriores.  Visando a sustentar seu argumento de que a deliberação societária de  remunerar os sócios ou acionistas com JCP calculados com referência  a  um  determinado  período  possa  ocorrer  em  exercícios  futuros,  a  Requerente  transcreve  trecho de  entendimento doutrinário,  bem como  de  idêntico  trecho  de  decisão  emanada  de  órgão  julgador  administrativo  com  o  seguinte  teor:  “o  período  de  competência  dos  JCP  é aquele  em que há deliberação de órgão ou pessoa competente  sobre o pagamento ou crédito dos mesmos...”.  Ora, a afirmação não traz nada de novo ou significativo, visto que não  há  dúvida  de  que  o  período  de  competência  dos  JCP  é  o  mesmo  da  deliberação sobre seu pagamento, como já esclarecido anteriormente.  O  que  não  se  admite  é  que  não  haja  prazo  definido  para  tal  deliberação.  Analisadas  as  contas,  as  operações  e  os  resultados  obtidos,  e  aprovadas em AGO as demonstrações financeiras, sem que nelas exista  a previsão de distribuição de JCP, estará tomada a decisão irrevogável  de não distribuir JCP correspondentes ao respectivo exercício social.  A  propósito,  é  esclarecedor  e  categórico  o  ensinamento  do  jurista  Edmar  Oliveira  Andrade  Filho,  na  obra  “Imposto  de  Renda  das  Empresas”, 6ª edição, p. 268, verbis:  [...]  Desse modo, é necessária a  deliberação societária, em  tempo hábil –  que  se  constitui  no  fato gerador  da obrigação –,  para que os  JCP  se  tornem devidos. Só então fica configurada a existência da despesa, cuja  dedutibilidade depende do registro contábil da operação de pagamento  ou  crédito  aos  sócios  ou  acionistas  da  pessoa  jurídica,  no  exato  período  de  competência,  além  da  observância  de  todas  as  condições  fixadas na Lei nº 9.249, de 1995, inclusive dos limites legais quanto aos  valores pagos ou creditados.  O entendimento esposado na obra doutrinária “Imposto de Renda das  Empresas: Interpretação e Prática” (26ª ed., São Paulo, Atlas, 2001, p.  84/85), de autoria dos  tributaristas Hiromi Higuchi e Celso Hiroyiuki  Higuchi, também é no sentido de que “(...) a contabilização no período­ base correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o  capital próprio por tratar­se de opção do contribuinte. Sem o exercício  da  opção  de  contabilizar  os  juros  não  há  despesa  incorrida.  É  diferente  de  juros  calculados  sobre  o  empréstimo  de  terceiro  porque  neste, há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só  no pagamento” (grifos acrescidos).  Fl. 6998DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 811          33 Quanto ao acórdão transcrito, com o entendimento da Primeira Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  ao  analisar  o  Recurso  Especial  nº  1.086.752/PR, no sentido de que a legislação não impõe que a dedução  fiscal  dos  JCP  deva  ser  feita  no  mesmo  exercício  financeiro  em  que  realizado o lucro da empresa, independentemente de qualquer possível  semelhança entre os casos, é de se observar o disposto no artigo 472  do Código de Processo Civil (CPC), o qual determina que “a sentença  faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando nem  prejudicando  terceiros”.  Donde  se  conclui  que,  não  sendo  parte  no  litígio objeto do acórdão, a Interessada não pode usufruir os efeitos da  sentença ali prolatada, posto que é inter partis e não erga omnes.  Disso  tudo,  depreende­se  que  a  dedução  dos  juros  sobre  o  capital  próprio,  é  uma  faculdade,  que  pode  ser  exercida  ou  não  pela  pessoa  jurídica,  em  relação  ao  período  de  apuração  a  que  competirem,  e  quando, dentro das condições e limites  fixados, estes são efetivamente  pagos ou creditados.  Sendo  a  observância  do  regime  de  competência  condição  para  a  dedutibilidade  dos  juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  sobre  as  contas  do  patrimônio  líquido,  é  vedado  à  pessoa  jurídica  deduzir  como  despesa,  na  apuração  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  juros  calculados  sobre  o  patrimônio  líquido  da  companhia  relativo a  período anterior,  para  o qual a pessoa  jurídica  não exerceu a opção de deduzir.  Dessa  forma, mantém­se  a glosa  da  despesa de  juros  sobre  o  capital  próprio  relativa ao ano de 2008, apropriada  indevidamente em 2009,  no montante de R$7.609.195,78.  Desta forma, voto por negar provimento ao pleito da Recorrente.     Dedutibilidade  das  despesas  com  juros  pelo  atraso  no  pagamento  da  CSLL ­ IRPJ:    Os  juros  incidentes pelo  atraso no pagamento do  imposto ou da CSLL não  são dedutíveis, eis que por ser acessório, segue a mesma regra de dedutibilidade do principal.  Assim, devido à relação entre os juros de mora e o principal, inexiste motivo  que justifique o tratamento diferenciado para esses encargos moratórios do que o conferido ao  principal.  Desta forma, à dedutibilidade dos juros relativos ao atraso no pagamento da  CSLL,  na  apuração  do  lucro  real,  ou  na  base  de  cálculo  da  CSLL,  não  é  devida,  agindo  corretamente o agente autuante em efetuar a glosa da dedução em análise.  De  resto,  utilizo  os  fundamentos  do  v.  acórdão  "a  quo"  para  motivar  meu  voto sobre esta matéria.   A impugnante opõe­se à glosa, no valor de R$1.522.753,88, relativo a  despesas  com  juros  devidos  pelo  atraso  no  pagamento  da  CSLL,  escrituradas  na  Conta  Contábil  45110005  –  Juros  s/  Tributos,  ao  aderir  ao  parcelamento  da  Lei  nº  11.941/09,  glosa  esta  que  foi  Fl. 6999DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 812          34 procedida  por  ter  o  autuante  considerado  que  os  acréscimos  moratórios  incidentes  sobre  tributos  não  pagos  no  vencimento  têm  natureza tributária e seguindo a máxima de que “o acessório segue o  principal”, como o valor da CSLL não poderá ser deduzido para efeito  da  determinação  do  lucro  real,  nem  de  sua  própria  base  de  cálculo,  igual tratamento deve ser dado aos juros de mora.  Alega  que  os  juros  decorrentes  do  atraso  no  cumprimento  de  uma  obrigação  devem  ser  tratados  como  despesas  financeiras,  assim  não  haveria  que  se  falar  em  indedutibilidade  dos  juros  moratórios  incidentes sobre CSLL, ou sobre qualquer tributo em atraso, tendo em  vista  que  a  obrigação  gerada  pela  mora  é  de  natureza  estritamente  financeira.  Da  análise  do  arguido,  constata­se  que  não  assiste  razão  à  impugnante.  A CSLL é  indedutível do lucro real e da sua própria base de cálculo,  por força do disposto no art. 41, § 2º, da Lei nº 8.981 de 1995, no art.  2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e no art 1º da Lei nº  9.316, de 1996.  Os  juros  de  mora  como  são  acessórios  em  relação  ao  principal  (tributo),  salvo  disposição  em  contrário,  seguem  o  destino  deste,  refletindo  o  princípio  do  direito  romano  positivado  no  direito  brasileiro, entre outros, por meio dos artigos 58 e 59 da Lei nº 3.071,  de  1916  (antigo  Código  Civil),  e  no  artigo  92  da  Lei  nº  10.406,  de  2002, in verbis:  Lei nº 3.071/1916  Art.  58.  Principal  é  a  coisa  que  existe  sobre  si,  abstrata  ou  concretamente.  Acessória, aquela cuja existência supõe a da principal.  Art. 59. salvo disposição especial em contrário, a coisa acessória segue  a principal.  Lei nº 10.406/2002  Art.  92.  Principal  é  o  bem  que  existe  sobre  si,  abstrata  ou  concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal.  Sendo  os  juros  de  mora  acessórios  que  representam  fração  do  principal,  que  a  este  é  acrescida  em  razão  da  mora  incorrida,  depreende­se que a regra aplicada à dedutibilidade dos juros deve ser  a  mesma  aplicada  aos  tributos  sobre  os  quais  incidem,  dada  sua  natureza de acessório, que segue o principal.  Ao impedir a dedutibilidade do tributo, a norma legal impede também a  dedutibilidade  da  parcela  acrescida  do  próprio  tributo  em  razão  da  mora do contribuinte,quando esta ocorre.  A RFB já se manifestou nesse sentido através da Solução de Consulta  SRRF/8ª  RF/DISIT  n°  216,  de  11/11/2003,  declarando  que  os  juros  incidentes sobre  tributos cuja exigibilidade esteja suspensa são meros  acessórios que integram o tributo e, como tais, sujeitam­se às mesmas  regras vigentes para o principal. Veja­se a ementa daquele documento:  Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 216/2003 Assunto: Imposto  sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ  Fl. 7000DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 813          35 Ementa: Os valores provisionados correspondentes a juros calculados  pela  taxa  Selic,  relativos  a  tributo  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa  por  força  do  art.  151,  incisos  II  a  IV,  da  Lei  n.°  5.172,  de  1966,  constituem meros acessórios do tributo. Submetem­se às mesmas regras  de  dedutibilidade  impostas  ao  principal,  devendo,  por  isso,  ser  adicionados  ao  lucro  liquido  do  período  de  apuração  para  fins  de  determinação do lucro real.  Outro  exemplo  deste  entendimento  é  expresso  no  acórdão  proferido  pela  1ª  Câmara  do  1º  Conselho  de Contribuintes,  cuja  ementa  segue  abaixo:  IRPJ  –  CSLL  –  JUROS  DE  MORA  SOBRE  TRIBUTOS  COM  EXIGIBILIDADE  SUSPENSA  POR  FORÇA  DE  MEDIDAS  JUDICIAIS. – Por  constituírem acessório  dos  tributos  sobre os  quais  incidem,  os  juros  de  mora  sobre  tributos  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa  por  força  de  medidas  judiciais  seguem  a  norma  de  dedutibilidade  do  principal  (Acórdão  101­96.271,  Processo  nº16327.001931/2001­71, decisão de 09/08/2007).  Assim, dada a intrínseca relação entre os juros de mora e o principal,  inexiste  motivo  que  justifique  o  tratamento  para  esses  encargos  moratórios  diferente  daquele  conferido  ao  principal,  quanto  à  dedutibilidade  da  CSLL,  na  apuração  do  lucro  real,  ou  na  base  de  cálculo  da  CSLL,  devendo­se  reconhecer  que  o  autuante  acertou  ao  efetuar a glosa da dedução em análise.  Desta forma, em relação a este tópico voto por negar provimento ao Recurso  Voluntário.    Da dedutibilidade dos pagamento feitos aos Administradores:    Neste tópico, o v. acórdão manteve a glosa dos créditos relativos à dedução  dos pagamentos  feitos  aos  administradores  e deduzidos da apuração do  IRPJ,  e  cancelou as  deduções feitas na apuração da CSLL.   Desta forma, analisarei em sede de Recurso Voluntário a apuração do IRPJ e  deixarei a da CSLL para o Recurso de Ofício.  Este  tópico  trata de  glosa dos  pagamentos  efetuados  a  administradores  sem  vinculo  empregatício,  relativos  a  gratificações  de  13º  salário,  adicional  de  1/3  de  férias  e  Participação nos resultados em Gratificação, que compõem parte do valor informado na linha  05A/01  da  DIPJ/2010,  destinada  à  “Remuneração  a  Dirigentes  e  a  Conselho  de  Administração”,  por  ter  a  Fiscalização  considerado  tais  despesas  não  necessárias  e  não  dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL.   A  Recorrente  alega  que  os  pagamentos  decorrem  de  programa  de  remuneração  estabelecido  previamente  à  contratação  dos  diretores,  e  que  são  despesas  necessárias  eis  que  os  valores  pagos  visam  remunerar  os  serviços  prestados  pelos  Administradores.  Fl. 7001DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 814          36 Afirma que os valores são compatíveis aos praticados pelo mercado, com a  finalidade de manutenção e continuidade das relações de trabalho.  Diz que o Plano de Participação nos  lucros estaria em conformidade com o  art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal e com a Lei nº 10.101 de 2000.  Acrescenta  que  os  valores  em  questão  poderiam  estar  diluídos  nos  pagamentos  mensais  efetuados  a  título  de  pro­labore,  o  que  não  implicaria  impedimento  à  dedução. Assim, pouca  relevância  teria  se a  remuneração anual dos  seus  administradores  foi  paga em 12 parcelas mensais ou de forma variável.  Entretanto,  entendo  que  não  assiste  razão  à  Recorrente,  eis  que  os  pagamentos foram feitos para pessoas sem vinculo empregatício, como membros do Conselho  Administrativo e Consultivo (todos acionistas) e diretores da empresa, os quais não gozam de  direitos trabalhistas.  Assim, as verbas referentes a 13º salário e pagamento de adicional de 1/3 de  férias não são pagas por força de lei trabalhista, uma vez que não incidem encargos trabalhistas  sobre os valores por eles recebidos, sendo que referidos dispêndios não têm caráter de despesa  operacional dedutível, por lhes faltar os requisitos de necessidade, pois foram pagos por mera  liberalidade da Recorrente.   A  disposição  legal  relativa  à  participação  dos  empregados  nos  lucros  e  resultados  (PLR)  da  empresa,  prevista  no  artigo  7º,  XI  da  Constituição  Federal  de  1988,  regulamentada  pela  Lei  nº  10.101,  de  2000  –  cujo  tratamento  tributário,  previdenciário  e  trabalhista é diferenciado, mostra­se passível de adoção apenas para os empregados.   Da mesma  forma,  entendo que  as  gratificações/participações  nos  resultados  pagas  aos  Administradores  e  Conselheiros  contraria  o  disposto  nos  artigos  303  e  463  do  RIR/99.  Esta linha de raciocínio já foi aplicada por este E. CARF/MF, conforme pode  se  verificar  na  ementa  do  v.  acórdão  (1201001.394)  proferido  nos  autos  do  processo  16327.721264/201381.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010  PARTICIPAÇÃO  NO  LUCRO  E  GRATIFICAÇÕES  PERCEBIDAS  POR  ADMINISTRADORES.  INDEDUTIBILIDADE.  LEI  10.101,  DE2000.  Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas  incorridas  com  o  pagamento  de  gratificações  e  de  participação  no  lucro a administradores.  A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI  do  artigo  7º  da  Constituição  Federal,  o  qual  trata  de  direito  dos  trabalhadores empregados.  MULTA DE  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE MORA. POSSIBILIDADE.  Fl. 7002DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 815          37 É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a  qual integra o crédito tributário.    No  mais,  utilizo  a  fundamentação  do  acórdão  recorrido  para  motivar  meu  voto e manter a glosa das despesas deste tópico relativas à apuração do IRPJ.    Em seguida, a impugnante questiona a glosa dos pagamentos efetuados  a  administradores  não  empregados,  relativos  a  gratificações  de  13º  salário,  adicional  de  1/3  de  férias  e  Participação  nos  resultados  em  Gratificação, que compõem parte do valor informado na linha 05A/01  da DIPJ/2010, destinada à “Remuneração a Dirigentes  e a Conselho  de  Administração”,  por  ter  a  Fiscalização  considerado  tais  despesas  não  necessárias  e  não  dedutíveis  na  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL,  sendo  que,  os  únicos  pagamentos  dentre  os  efetuados  aos  administradores,  considerados  dedutíveis  na  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL, são os efetuados a título de honorários.  A impugnante alega não se tratar de pagamentos por mera liberalidade  da empresa, pois decorrem de programa de remuneração estabelecido  previamente à contratação do diretor, nem de despesas desnecessárias  quando os valores pagos visam remunerar os serviços prestados pelos  diretores, em valores compatíveis aos praticados pelo mercado, com a  finalidade de manutenção e continuidade das relações de trabalho. Diz  que o Plano de Participação nos lucros estaria em conformidade com o  art.  7º,  inciso  XI,  da Constituição  Federal  e  com  a  Lei  nº  10.101  de  2000.  Acrescenta  que  os  valores  em  questão  poderiam  estar  diluídos  nos  pagamentos  mensais  efetuados  a  título  de  pro­labore,  o  que  não  implicaria  impedimento  à  dedução,  de modo  que  não  haveria motivo  para  diferenciá­lo  apenas  pelo  critério  adotado  para  fins  de  pagamento. Assim, pouca relevância teria se a remuneração anual dos  seus  administradores  foi  paga  em  12  parcelas  mensais  ou  de  forma  variável.  Verifica­se que no Termo de Início de Procedimento Fiscal e Termos de  Intimação  nº  001  e  002  foi  solicitado  que  fossem  relacionados,  mensalmente,  todos  os  valores  apropriados  como  despesas  na  contabilidade da autuada a  título de valores devidos a diretores ou a  membros  do  conselho  de  administração,  discriminando  as  parcelas  devidas  a  título  de  honorários,  participações  nos  resultados  da  empresa, décimo  terceiro  salário,  liberalidade, bônus,  indenização de  férias  e  outras  rubricas  porventura  existentes,  abrangendo  todos  os  meses de 2009, inclusive verbas porventura pagas após o desligamento  do  beneficiário  da  diretoria  ou  do  conselho  de  administração  da  empresa  (informando  o  vínculo  trabalhista  entre  o  beneficiário  e  a  empresa).  Em  resposta  a  empresa  apresentou  o  demonstrativo  denominado  “Relação  de  remuneração  aos  diretores”  (fl.  30)  e  a  relação  de  pagamentos aos administradores detalhada por beneficiário (fl. 90), em  que se visualiza pagamentos feitos a título de: pro­labore; Dif CCT; 1/3  Férias; Gratificação e Rem. Comitê.  A contribuinte também informou que o valor pago aos diretores a título  de  participação  nos  resultados  em  2009  (no  mês  de  março)  foi  de  Fl. 7003DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 816          38 R$2.302.799,50, não adicionado ao lucro líquido na apuração do lucro  real.  Explica  que  os  valores  pagos  sob  a  rubrica  “Gratificação”  referem­se ao décimo terceiro salário (R$269.736,90) e à participação  nos resultados dos diretores (R$2.302.799,50). Já os valores pagos sob  a  rubrica  “Rem  Comitê”  referem­se  à  remuneração  devida  aos  membros do conselho de administração pela participação em reuniões  dos comitês de Finanças e Recursos Humanos.  Declarou,  ainda,  a  contribuinte,  que  havia  3  diretores  celetistas  até  abril  de  2009.  A  partir  desta  data  todos  são  estatutários.  Informa,  ainda,  que  os  diretores  que  passaram  de  celetistas  a  estatutários  em  2009 foram: Edgar Oliveira Filho – CPF 290.284.009­82;  Moacyr José Matheussi – CPF 216.172.289­15; Ronaldo Loos – CPF  309.322.549­34.  Do  Estatuto  Social  consolidado  de  que  trata  o  Anexo  1  da  Ata  da  Assembleia Geral Extraordinária realizada em 28 de abril de 2009 (fls.  6 a 8), depreende­se que a Cia Hering é administrada por seu Conselho  de Administração e sua Diretoria, podendo, os membros da Diretoria,  serem acionistas ou não, eleitos pelo Conselho de Administração.  Também  possui  um  Conselho  Fiscal  e  um  Conselho  Consultivo,  este  último,  órgão  de  assessoramento.  A  Assembléia  Geral  fixará  o  montante  global  da  remuneração  anual  dos  Administradores  da  Sociedade,  inclusive  benefícios  de  qualquer  natureza  e  verbas  de  representação, cabendo ao Conselho de Administração estabelecer os  critérios para rateio da remuneração de cada Conselheiro e Diretor.  Abaixo, reproduz­se alguns artigos do Estatuto Social consolidado;  [...]  Foi anexado aos autos, pela Impugnante, o Programa de Participação  dos  Empregados  nos  Resultados  da  Cia  Hering  –  PPR  estabelecido  pela  Cia  Hering  e  o  Sindicato  dos  Trabalhadores  nas  Indústrias  de  Fiação  e  Tecelagem  de  Blumenau,  do  qual  convém  transcrever  algumas das cláusulas:  [...]  Na  relação  de  pagamentos  aos  administradores,  detalhada  por  beneficiário,  apresentada  pela  Contribuinte,  observa­se  que  foram  feitos pagamentos a membros do Conselho Consultivo, a membros do  Conselho Administrativo e a membros da Diretoria, a  título de 1/3 de  férias e de gratificações, sendo que esta última rubrica, de acordo com  a  informação  da  Impugnante,  engloba  valores  referentes  a  décimo  terceiro  salário  (R$269.736,90)  e  à  participação  nos  resultados  dos  diretores.  Observe­se que, referente aos diretores Edgar Oliveira Filho, Moacyr  José  Matheussi  e  Ronaldo  Loos,  que  passaram  de  celetistas  a  estatutários em abril de 2009, constam pagamentos  efetuados a  título  de  pro­labore  (que  não  estão  em  discussão),  nos  meses  de  maio  a  dezembro e também sob a rubrica “gratificação”, no mês de novembro,  sendo esta nas quantias  de R$21.683,81, R$21.683,81 e R$22.064,23, respectivamente.  Como se vê, os administradores de que se fala são acionistas da pessoa  jurídica (todos os membros dos Conselhos Administrativo e Consultivo  Fl. 7004DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 817          39 e  alguns  diretores)  ou  diretores  com  vínculos  trabalhistas  suspensos,  conforme ficou demonstrado na fiscalização.  Devido à ausência do vínculo de emprego, os membros dos Conselhos  Administrativo e Consultivo (todos acionistas) e os diretores, os quais,  mesmos havendo a possibilidade de serem acionistas ou não, são todos  não empregados, não gozam de direitos trabalhistas e, por conseguinte,  as verbas referentes a 13º salário e pagamento de adicional de 1/3 de  férias  não  são  pagas  por  força  de  lei  trabalhista,  uma  vez  que  não  incidem  encargos  trabalhistas  sobre  os  valores  por  eles  recebidos.  Portanto, referidos dispêndios não têm caráter de despesa operacional  dedutível, por lhes faltar os requisitos de necessidade e usualidade.  Sobre o Acordo de Participação dos Trabalhadores nos Resultados da  Empresa,  apresentado  junto  com  a  Impugnação,  nota­se  que  foi  assinado  em  27/06/2007,  com  validade  por  18  (dezoito)  meses,  iniciando­se em 01/07/2007 e encerrando­se em 31/12/2008.  Lê­se  em  sua  Cláusula  Primeira  que  foi  formalizado  nos  termos  da  Constituição da República Federativa do Brasil, pela Consolidação das  Leis  do  Trabalho,  dos  princípios  de  boa­fé  preconizados  pelo Código  Civil Brasileiro e Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000.  É  importante  transcrever  os  art.  1º  e  2º  da  citada  Lei  nº  10.101,  de  2000,  que  regulamentou  a  participação  dos  empregados nos  lucros  e  resultados da empresa, prevista no artigo 7º, XI da CRFB/88:  [...]  Note­se  que  por  expressa  disposição  legal  a  participação  dos  empregados  nos  lucros  e  resultados  (PLR)  da  empresa,  prevista  no  artigo 7º, XI da Constituição Federal de 1988, regulamentado pela Lei  nº  10.101,  de  2000  –  cujo  tratamento  tributário,  previdenciário  e  trabalhista é diferenciado –, mostra­se passível de adoção apenas para  os empregados. Há conexão da PLR da Lei nº 10.101/00 ao vínculo de  emprego.  Há  de  se  observar  que  os  administradores  da  Companhia  também  podem  receber  participações  nos  lucros  e  resultados  da  Companhia.  Porém, o regime a ser observado é aquele constante do art. 152 da Lei  nº  6.404,  de  15  de  dezembro  de  1976  (Lei  das  S.A.),  fixado  pela  Assembléia Geral e com previsão no Estatuto.  O  art.  249  do  RIR/1999,  transcrito  no  relatório,  preconiza  que  na  determinação  do  lucro  real,  serão  adicionados  ao  lucro  líquido  do  período  de  apuração,  dentre  outros  valores  (Decreto­Leinº  1.598,  de  1977, art. 6º, § 2º): I ­ os custos, despesas, encargos, perdas, provisões,  participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro  líquido  que,  de  acordo  com  este  Decreto,  não  sejam  dedutíveis  na  determinação do lucro real;  Já  os  art.  299,  303  e  463,  também  do  RIR/1999,  mais  uma  vez  reproduzidos, assim dispõem:  [...]  Vê­se, pois, que as despesas dedutíveis na apuração do lucro real são  as despesas operacionais, ou seja, aquelas usuais ou normais, pagas ou  incorridas, necessárias para a realização das transações ou operações  exigidas pela atividade da empresa.  Fl. 7005DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 818          40 Portanto,  além  da  não  aplicabilidade  da  legislação  trabalhista  à  relação entre a sociedade e os membros dos Conselhos Administrativo  e Consultivo (todos acionistas) e diretores não empregados, que, por si  só,  retira  a  condição  de  necessidade  das  despesas  com  13º  salário  e  pagamento  de  adicional  de  1/3  de  férias  e  PRL,  prevista  na  Lei  nº  10.101,  de  2000,  há  a  vedação  expressa  contida  no  art.  303  do  RIR/1999  de  a  pessoa  jurídica  deduzir  como  custos  ou  despesas  operacionais, as gratificações ou participações no resultado, atribuídas  aos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica.  Desse  modo,  tratando­se  de  valores  que  não  se  confundem  com  a  remuneração  mensal  dos  administradores  da  Cia  Hering,  nem  com  aquelas verbas requeridas por lei trabalhista (13º salário, adicional de  1/3  de  férias),  tampouco  com  a  PRL,  da  Lei  nº  10.101,  de  2000,  os  pagamentos em discussão  têm natureza de gratificação, o que  impede  sua dedução a teor do que prescreve o art. 303 do RIR/99.  Logo,  em  face  das  disposições  contidas  nos  artigos  249,  299,  303  e  463,  do  RIR/1999,  deve  ser  mantida  a  glosa  da  dedução  da  base  de  cálculo  do  IRPJ,  referente  às  parcelas  pagas  aos  dirigentes  e  administradores,  a  título  de  13º  salário,  1/3  de  férias  e  participação  nos resultados, nos montantes apurados no Auto de Infração do IRPJ.    Desta  forma,  voto  por  manter  o  v.  acórdão  recorrido  nesta  parte  e  negar  provimento ao Recurso Voluntário.     Pagamento da dívida ativa – Princípio da Competência:    Conforme pode se verificar no  relatório,  os valores  relativos  a  este  item  só  foram  devidamente  lançados  por  meio  de  Auto  de  Infração  complementar  após  a  DRJ  ter  convertido  o  julgamento  da  impugnação  em  diligência  para  que  o  Auditor  Fiscal  autuante  incluísse o valor de R$ 23. 306.789,31 na base de cálculo do IRPJ e da CSLL exigidos.   A  Recorrente  contesta  a  glosa  das  despesas  de  Cofins,  no  valor  de  R$  23.306.789,31, por ter a autoridade fiscal considerado que tal montante – referente a débitos de  Cofins,  dos  meses  de  outubro  de  1999  a  abril  de  2003,  originários  dos  PAF’s  nº  13971.003925/2007­51 e 13971.001144/2007­22 (período de 10/99 a 01/03, com exceção dos  meses de 12/00, e 06/01 a 12/01) inscritos em Dívida Ativa em 2008 e integralmente pagos em  novembro de 2009 –  teria  sido deduzido  indevidamente pela pessoa  jurídica na  apuração do  lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano de 2009, tendo em vista que por não se tratar de  hipótese de suspensão de exigibilidade, à  luz do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, a dedução  dessas despesas deve seguir a regra geral, ou seja, o regime de competência.    Alega a Recorrente ter escriturado como despesa o valor atualizado do débito pago de  acordo  com  as  regras  do  “REFIS  IV”,  no montante  de R$23.306.789,31  (composto  por  R$  18.697.816,13, relativo ao saldo em 31/12/2008, acrescido dos juros/encargos apurados no ano  de 2009, que totalizaram R$ 4.608.973,18).    Fl. 7006DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 819          41 Todavia,  afirma  que  teria  adicionado  ao  lucro  líquido,  no  LALUR,  o  valor  de  R$18.697.816,13, de modo que apenas a quantia de R$4.608.973,18, referente aos encargos e  atualização do débito, é que teriam sido deduzidos do lucro líquido na apuração do lucro real  do  ano­calendário  de  2009.  Acrescenta  que,  caso  se  reconheça  o  suposto  erro,  apenas  em  relação  à  despesa  estaria  oferecendo  à  tributação  não  somente  o  valor  da  despesa  glosada  (R$23.306.789,31),  mas  também  da  adição  que  aumentou  o  lucro  fiscal  do  período  (R$18.697.816,13), de modo que o valor tributado seria de R$42.004.605,44. 1    A Recorrente alega incessantemente que o valor de R$ 18.697.816,13 foi escriturado  no  LALUR,  mas  não  indica  precisamente  qual  a  rubrica,  página  ou  linha  em  que  consta  o  montante.    Após a conversão do julgamento em diligência pela Resolução 1402.000.629  foi constatado que o procedimento da Recorrente foi da seguinte forma:  Em  relação  aos  demais  argumentos  trazidos  pela  contribuinte,  resumidamente, a contribuinte alega que os débitos de COFINS  originários  dos  PAF’s  nº  13971.003925/2007­51  e  13971.001144/2007­22 (período de 10/99 a 01/03, com exceção  dos meses de 12/00, e 06/01 a 12/01)  foram inscritos em DAU,  em 2008.  Afirma  que  neste  mesmo  ano  de  2008  o  valor  de  R$  18.697.816,13 já estava reconhecido no passivo pela Recorrente  na  conta  contábil  “22440203  –  Cofins  a  Recolher  –  1%”,  conforme indicado no Doc. 3 acostado a manifestação.  Aduz,  que,  naquele  mesmo  ano,  por  acreditar  no  êxito  da  discussão  judicial  acerca  da  inexigibilidade  dos  referidos  débitos  de  COFINS,  “reverteu”  o  montante  anteriormente  reconhecido  no  seu  passivo,  contabilizando  o  valor  de  R$  18.697.816,13 a crédito no resultado em contrapartida a débito  na  conta  do  passivo,  especificamente,  na  conta  denominada  “22440299 – Cofins – Reversão” (Docs. 04, 05 e 06).  Segundo  a  contribuinte,  o  efeito  líquido  no  passivo  das  contas  “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” e “22440299 – Cofins –  Reversão” ficou igual a zero.  Assim, para que  tal  reversão contábil  não gerasse  efeito  fiscal,  excluiu  em  2008  o  valor  R$  18.697.816,13  da  apuração  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  passando  a  controlar  o  saldo na Parte B do LALUR (Doc.07 – pp. 3, 5 e 6 e Doc.08).                                                              1    Fl. 7007DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 820          42 Em  seguida,  em  2009,  por  força  de  sua  adesão  ao  REFIS DA  CRISE,  Lei  nº  11.941/09,  a  contribuinte  desistiu  da  discussão  judicial dos débitos de COFINS.  Assim,  segundo  a  contribuinte,  após  a  adesão  ao  REFIS,  procedeu  à  anulação  da  reversão  contábil  efetuada  em  2008,  creditando  o  valor  de  R$  18.697.816,13  na  conta  de  passivo  “22440299  –  Cofins  –  Reversão”  para  zerar  o  seu  saldo  (Doc.10)  e  debitou  o  mesmo  valor  na  conta  de  passivo  “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” (Doc.11 – 1º lançamento  do dia 23/11/09), de tal forma que ambas as contas passaram a  ter um saldo zero no passivo.  Posteriormente,  a  contribuinte  fez  transitar  pelo  resultado  o  pagamento do débito atualizado até novembro de 2009, no valor  de  R$  23.306.789,31,  como  despesa  (ou  seja,  a  débito)  no  resultado de 2009.  Considerando que no valor de R$ 23.306.789,31 está contido o  montante  de  R$  18.697.816,13  (vez  que  o  primeiro  se  refere  à  atualização  do  débito  até  o  mês  de  novembro  de  2009  e  o  segundo  se  refere  à  atualização  deste  mesmo  débito  até  dezembro  de  2008)  e  que  a  dedutibilidade  desse  valor  já  foi  realizada  em  períodos  anteriores,  a  fim  de  evitar  qualquer  prejuízo ao Fisco, a contribuinte alega ter realizado a adição ao  lucro  real  e  a  base  de  cálculo  da  CSLL  do  valor  de  R$  18.697.816,13  (Doc.01  –  págs.  1,  4  e  5),  em  contrapartida  ao  “zeramento”  do  saldo  controlado  na  Parte  B  do  LALUR  (Doc.15),  gerado  em  razão  da  exclusão  efetuada  deste  mesmo  valor em 2008.  Deste modo, teria anulado, no ano de 2009, o efeito do valor da  despesa  de  R$  18.697.816,13,  vez  que  o  adicionou  na  base  de  cálculo do IRPJ e da CSLL, contra a baixa do saldo da Parte B  do LALUR.  Alega que ao registrar como despesa no resultado o valor de R$  23.306.789,31 e ao adicionar ao lucro real e à base de cálculo  da  CSLL  o  valor  de  R$  18.697.816,13,  a  Recorrente  gerou  o  efeito  fiscal de dedutibilidade da base de cálculo do  IRPJ e da  CSLL efetivo,  no ano de 2009, apenas  referente à diferença no  valor  de  R$  4.608.973,18,  que  corresponde  exatamente  à  diferença  entre  o  mesmo  débito  tributário  atualizado  até  novembro  de  2009  (no  valor  de  R$  23.306.789,31)  e  até  dezembro  de  2008  (no  valor  de  R$  18.697.816,13),  ou  seja,  correspondente aos juros e encargos legais incorridos em 2009,  respeitando assim o regime de competência.    Do  procedimento  adotado  pela  Recorrente  que  restou  devidamente  comprovado  nos  autos,  e  na  resposta  a  diligência  acima  colacionada,  se  pode  concluir  que  apesar de não ter respeitado o regime de competência, a reversão e posterior adição a base de  cálculo do IRPJ e CSLL do valor de R$ 18.697.816,13, o efeito fiscal da dedutibilidade no ano  Fl. 7008DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 821          43 de 2009 foi apenas em relação à atualização do débito até novembro de 2009, no importe de R$  4.608.973,18.   Assim,  tendo  em  vista  que  o  procedimento  adotado  pela  Recorrente  não  gerou prejuízo ao Erário, entendo que a glosa das despesas de Cofins deve ser cancelada.  Dedutibilidade das Despesas na apuração da CSLL (Item 3.3.2):   Neste tópico, o v. acórdão recorrido apenas cancelou a glosa de despesas  com  direitos  autorais  no  importe  de  R$  164.089,82,  que  será  analisado  em  sede  de  Recurso de Ofício, mantendo o restante da glosa no montante de R$ 6.506.000,44.  Conforme disposto no v. acórdão "a quo", a Recorrente discorda da glosa das  diferenças entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, apontadas pela autoridade fiscal, que  motivaram  a  recomposição  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  para  incluir  valores  relativos  a  “direitos autorais” (R$164.089,82), “outras despesas” (R$2.000,00), “despesas com operações  financeiras”  (R$5.225.518,89),  e  “multas  indedutíveis”  (R$1.255.868,99),  totalizando  R$6.670.090,26, os quais a contribuinte havia registrado no Lalur como adições no cálculo do  lucro real, mas não os adicionara à base de cálculo da CSLL.  A principal alegação da Recorrente neste tópico é em relação a ilegalidade da  IN 390/2004 face à Lei 7.689/1988, onde afirma que a  IN inovou e trouxe novas adições em  relação à lei.   Tal  alegação da Recorrente não deve ser provida,  eis que de  acordo com o  artigo 57 da Lei 8.981/95, a regra geral de dedutibilidade deve ser aplica na apuração da base  de cálculo da CSLL. Vejamos o texto do artigo:  Art.  57.  Aplicam­se  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  as  mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  inclusive  no  que  se  refere  ao  disposto  no  art.  38, mantidas  a  base  de  cálculo  e  as  alíquotas  previstas  na  legislação  em  vigor,  com  as  alterações  introduzidas por esta Lei. (grifos não do original)  Nota­se, desse dispositivo  legal, que as mesmas  regras  (gerais) de apuração  do lucro real (base de cálculo do IRPJ) devem ser aplicadas à base de cálculo da CSLL, salvo  se  existir  disposição  legal  expressa  e  específica  que  porventura  reconheça  um  tratamento  diferenciado para adições, exclusões ou compensações determinadas.  No  presente  caso,  não  existe  nas  despesas  acima  descritas  neste  tópico  disposição legal expressa e específica prevendo sua dedutibilidade.   Desta forma, voto por manter o v. acórdão recorrido neste ponto.   Para complementar meu voto, utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido  que, com exceção das despesas com direitos autorais, manteve as glosas nos termos do Termo  de Verificação.   Passo  então  ao  exame  de  cada  despesa  glosada  no  item  em  discussão,  começando  pelas  “despesas  com  operações  financeiras”  (R$5.225.518,89)  que,  de  acordo  com  relatório  Fl. 7009DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 822          44 fiscal,  refere­se  a multa  por  descumprimento  de  contrato,  e  as  intituladas “multas indedutíveis” (R$1.255.868,99).  Como  se  vê,  os  art.  56  e  57  da  IN  SRF  nº  390,  de  2004,  prescreveram  a  indedutibilidade  das  multas  em  geral,  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  excetuando  apenas  as  multas  fiscais  de  natureza  compensatória  e  as  impostas  por  descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias  de  que  não  resultem  falta  ou  insuficiência  de  pagamento  de  tributo, tais como as decorrentes do recolhimento de tributo fora  do  prazo  legal  e  aquelas  por  apresentação  espontânea  de  declarações fora do prazo.  Sobre o tema em discussão, é importante transcrever o decidido  na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT Nº 268, de 4 julho de  2005, em que a consulente, indagava se as sanções impostas pela  Anatel,  em  decorrência  do  não­cumprimento  de  metas  fixadas,  constitui  despesa  dedutível  para  fins  de  determinação  do  lucro  real e contribuição social sobre o  lucro  líquido, cuja ementa e  trechos dos fundamentos ali expostos transcreve­se:  EMENTA  Assunto:  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL  Ementa: DESPESAS INDEDUTÍVEIS.  As sanções impostas por descumprimento de metas estabelecidas  não  são  dedutíveis  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição social sobre o lucro líquido, eis que não se trata de  dispêndios necessários ou usuais. (grifei)  Dispositivos Legais: RIR/99, arts. 299 e 344; PN CST 32/81.  FUNDAMENTAÇÃO  2. Em primeiro lugar, gostaríamos de firmar a natureza jurídica  da  verba  desembolsada  pela  consulente.  Parece­nos  bastante  nítido – e quanto a isso a própria consulente parece concordar –  trata­se de uma sanção contratual, ou melhor, uma indenização  compensatória  a  ser  revertida  nos  próprios  serviços  de  telecomunicações,  em  virtude  do  não  cumprimento  de  metas  impostas pela agência reguladora. Ao nosso ver, é caso clássico  de responsabilidade civil, eis que, em sua atividade, a consulente  não  agiu  nos  termos  das  regras,  exigidas  pelos  órgão  competentes, que norteiam as operações da espécie.  3. Se por um lado é certo que a legislação do imposto de renda  não  enumera  taxativamente  as  hipóteses  de  dedutibilidade,  por  outro, é também certo que nem todas as despesas são dedutíveis,  ainda  que  não  tenham  sido  taxadas  expressamente  de  indedutíveis.  4. O artigo 299 do RIR/99, cuja matriz  legal é o art. 47 da Lei  4.506/64, realmente não estipula um rol de despesas dedutíveis,  mas  exige  que  elas  preencham  alguns  requisitos  para  serem  Fl. 7010DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 823          45 assim  consideradas.  O  dispositivo  elege  duas  qualidades  fundamentais: a necessidade e a usualidade da despesa.  Citemos.  “Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  empresa  e  à manutenção da  respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).  §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da  empresa  (Lei  nº  4.506,  de  1964,  art.  47,  §  1º).  §  2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº  4.506, de 1964, art. 47, § 2º). (...)  5. Tratando­se da necessidade, deve haver um nexo direto entre  as despesas e a atividade da empresa. Vale dizer, são despesas  necessárias aquelas sem as quais o empreendimento empresarial  não pode ir adiante. São dispêndios que possibilitam à empresa  promover  suas  atividades  que  são,  enfim,  produtoras  dos  seus  respectivos  rendimentos.  São  dispêndios  que  colaboram para a  consecução da atividade produtora da riqueza. Nesse diapasão,  discorda­se  de  um  dos  critérios  assinalados  pela  consulente  como justificadores da dedutibilidade, usualidade e necessidade  da sanção no exercício da atividade empresarial. Ora, a sanção  imposta  em  razão  do  descumprimento  de  metas  eleitas  pela  agência  reguladora  não  pode  ser  tomada  como  necessária  e  usual para prestação de determinado serviço. Aliás, muito pelo  contrário,  o  que  se  exige  durante  a  prestação  de  serviço  é  exatamente o cumprimento das metas fixadas, aí compreendidos  todos os esforços para a consecução dessas diretrizes.  6. O parecer Normativo  32/81, da Coordenação do Sistema de  Tributação (DOU 19.08.1981), justamente encarando o tema da  dedutibilidade, assim define a despesa necessária:  4.  Segundo  o  conceito  legal  transcrito,  o  gasto  é  necessário  quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela  exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam  vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos.”  7.  Levando­se  em  conta  o  exposto,  podemos  dizer  que  as  despesas  com as  sanções  impostas  não  são  feitas  no  intuito  de  realizar as operações que constituem a fonte dos rendimentos da  pessoa  jurídica.  Sem  sentido,  ao  nosso  ver,  a  idéia  de  que  o  descumprimento  de  metas  fixadas,  seja  necessário  ao  desenvolvimento das atividades da empresa. Aliás, salutar que as  irregularidades não ocorram. Razão pela qual podemos afirmar  que não são necessárias as despesas em apreço.  8.  Tais  despesas  não  são  efetuadas  para  a  realização  de  operações econômicas a que a  empresa se propõe a promover,  nem  mesmo  para  seu  fomento,  mas  para  reparar  (compensar)  sua  falta  no  descumprimento  de  metas  traçadas,  algo  que  não  deveria ter perpetrado.  Fl. 7011DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 824          46 9.  Além  disso,  tais  despesas  carecem  de  usualidade.  Despesas  usuais  são  aquelas  normais  ao  exercício  de  certa  atividade,  verificando­se  de  forma  corriqueira.  O  mesmo  Parecer  Normativo acima citado, assim se pronuncia sobre o tema:  5.  Por  outro  lado,  despesa  normal  é  aquela  que  se  verifica  comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na  realização do negócio,  se apresenta de  forma usual costumeira  ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na  acepção de habitual na espécie de negócio.”  10.  Entendemos  como  descabida  a  usualidade  de  uma  paga  decorrente  de  uma  sanção  imposta  à  empresa.  Não  podemos  admitir como ordinária a prática de irregularidades por parte de  uma empresa a ensejar sanções dedutíveis.  Portanto,  a  sanção  imposta  por  descumprimento  de metas  não  preenche os pressupostos básicos firmados pela legislação para  a  dedutibilidade,  independentemente  de  não  existir  norma  expressa que defina a indedutibilidade.  11.  O  fato  de  alguns  tipos  de  multas  tributárias  (as  compensatórias e as decorrentes de infrações que não acarretem  falta  de  pagamento  de  tributo)  serem  dedutíveis  não  serve  de  paradigma. Sua dedutibilidade só é possível devido a existência  de  disposição  expressa  da  legislação.  Vale  dizer,  a  dedutibilidade embasa­se em regra específica do art. 344, § 5º,  do RIR/99, e não na regra genérica, que analisamos acima, do  art. 299 do mesmo Regulamento. Em verdade, a necessidade de  uma  tipificação  específica  se  mostra,  eis  que  não  se  trata  de  gasto necessário nem usual.  12. A indedutibilidade na apuração do imposto de renda aplica­ se, subsidiariamente, em matéria de contribuição social sobre o  lucro líquido.”  (GRIFEI)  Passo  então  ao  exame  de  cada  despesa  glosada  no  item  em  discussão,  começando  pelas  “despesas  com  operações  financeiras”  (R$5.225.518,89)  que,  de  acordo  com  relatório  fiscal,  refere­se  a multa  por  descumprimento  de  contrato,  e  as  intituladas “multas indedutíveis” (R$1.255.868,99).  Como  se  vê,  os  art.  56  e  57  da  IN  SRF  nº  390,  de  2004,  prescreveram  a  indedutibilidade  das  multas  em  geral,  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  excetuando  apenas  as  multas  fiscais  de  natureza  compensatória  e  as  impostas  por  descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias  de  que  não  resultem  falta  ou  insuficiência  de  pagamento  de  tributo, tais como as decorrentes do recolhimento de tributo fora  do  prazo  legal  e  aquelas  por  apresentação  espontânea  de  declarações fora do prazo.  Sobre o tema em discussão, é importante transcrever o decidido  na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT Nº 268, de 4 julho de  Fl. 7012DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 825          47 2005, em que a consulente, indagava se as sanções impostas pela  Anatel,  em  decorrência  do  não­cumprimento  de  metas  fixadas,  constitui  despesa  dedutível  para  fins  de  determinação  do  lucro  real e contribuição social sobre o  lucro  líquido, cuja ementa e  trechos dos fundamentos ali expostos transcreve­se:  EMENTA  Assunto:  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL  Ementa: DESPESAS INDEDUTÍVEIS.  As sanções impostas por descumprimento de metas estabelecidas  não  são  dedutíveis  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição social sobre o lucro líquido, eis que não se trata de  dispêndios necessários ou usuais. (grifei)  Dispositivos Legais: RIR/99, arts. 299 e 344; PN CST 32/81.  FUNDAMENTAÇÃO  2. Em primeiro lugar, gostaríamos de firmar a natureza jurídica  da  verba  desembolsada  pela  consulente.  Parece­nos  bastante  nítido – e quanto a isso a própria consulente parece concordar –  trata­se de uma sanção contratual, ou melhor, uma indenização  compensatória  a  ser  revertida  nos  próprios  serviços  de  telecomunicações,  em  virtude  do  não  cumprimento  de  metas  impostas pela agência reguladora. Ao nosso ver, é caso clássico  de responsabilidade civil, eis que, em sua atividade, a consulente  não  agiu  nos  termos  das  regras,  exigidas  pelos  órgão  competentes, que norteiam as operações da espécie.  3. Se por um lado é certo que a legislação do imposto de renda  não  enumera  taxativamente  as  hipóteses  de  dedutibilidade,  por  outro, é também certo que nem todas as despesas são dedutíveis,  ainda  que  não  tenham  sido  taxadas  expressamente  de  indedutíveis.  4. O artigo 299 do RIR/99, cuja matriz  legal é o art. 47 da Lei  4.506/64, realmente não estipula um rol de despesas dedutíveis,  mas  exige  que  elas  preencham  alguns  requisitos  para  serem  assim  consideradas.  O  dispositivo  elege  duas  qualidades  fundamentais:  a  necessidade  e  a  usualidade  da  despesa.  Citemos.  “Art.  299.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à atividade  da  empresa  e  à manutenção da  respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47).  §  1º  São  necessárias  as  despesas  pagas  ou  incorridas  para  a  realização das transações ou operações exigidas pela atividade  da  empresa  (Lei  nº  4.506,  de  1964,  art.  47,  §  1º).  §  2º  As  despesas  operacionais  admitidas  são  as  usuais  ou  normais  no  tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº  4.506, de 1964, art. 47, § 2º). (...)  5. Tratando­se da necessidade, deve haver um nexo direto entre  as despesas e a atividade da empresa. Vale dizer, são despesas  Fl. 7013DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 826          48 necessárias aquelas sem as quais o empreendimento empresarial  não pode ir adiante. São dispêndios que possibilitam à empresa  promover  suas  atividades  que  são,  enfim,  produtoras  dos  seus  respectivos  rendimentos.  São  dispêndios  que  colaboram para a  consecução da atividade produtora da riqueza. Nesse diapasão,  discorda­se  de  um  dos  critérios  assinalados  pela  consulente  como justificadores da dedutibilidade: usualidade e necessidade  da sanção no exercício da atividade empresarial. Ora, a sanção  imposta  em  razão  do  descumprimento  de  metas  eleitas  pela  agência  reguladora  não  pode  ser  tomada  como  necessária  e  usual para prestação de determinado serviço. Aliás, muito pelo  contrário,  o  que  se  exige  durante  a  prestação  de  serviço  é  exatamente o cumprimento das metas fixadas, aí compreendidos  todos os esforços para a consecução dessas diretrizes.  6. O parecer Normativo  32/81, da Coordenação do Sistema de  Tributação (DOU 19.08.1981), justamente encarando o tema da  dedutibilidade, assim define a despesa necessária:  4.  Segundo  o  conceito  legal  transcrito,  o  gasto  é  necessário  quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela  exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam  vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos.”  7.  Levando­se  em  conta  o  exposto,  podemos  dizer  que  as  despesas  com as  sanções  impostas  não  são  feitas  no  intuito  de  realizar as operações que constituem a fonte dos rendimentos da  pessoa  jurídica.  Sem  sentido,  ao  nosso  ver,  a  idéia  de  que  o  descumprimento  de  metas  fixadas,  seja  necessário  ao  desenvolvimento das atividades da empresa. Aliás, salutar que as  irregularidades não ocorram. Razão pela qual podemos afirmar  que não são necessárias as despesas em apreço.  8.  Tais  despesas  não  são  efetuadas  para  a  realização  de  operações econômicas a que a  empresa se propõe a promover,  nem  mesmo  para  seu  fomento,  mas  para  reparar  (compensar)  sua  falta  no  descumprimento  de  metas  traçadas,  algo  que  não  deveria ter perpetrado.  9.  Além  disso,  tais  despesas  carecem  de  usualidade.  Despesas  usuais  são  aquelas  normais  ao  exercício  de  certa  atividade,  verificando­se  de  forma  corriqueira.  O  mesmo  Parecer  Normativo acima citado, assim se pronuncia sobre o tema:  5.  Por  outro  lado,  despesa  normal  é  aquela  que  se  verifica  comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na  realização do negócio,  se apresenta de  forma usual costumeira  ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na  acepção de habitual na espécie de negócio.”  10.  Entendemos  como  descabida  a  usualidade  de  uma  paga  decorrente  de  uma  sanção  imposta  à  empresa.  Não  podemos  admitir como ordinária a prática de irregularidades por parte de  uma empresa a ensejar sanções dedutíveis.  Fl. 7014DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 827          49 Portanto,  a  sanção  imposta  por  descumprimento  de metas  não  preenche os pressupostos básicos firmados pela legislação para  a  dedutibilidade,  independentemente  de  não  existir  norma  expressa que defina a indedutibilidade.  11.  O  fato  de  alguns  tipos  de  multas  tributárias  (as  compensatórias e as decorrentes de infrações que não acarretem  falta  de  pagamento  de  tributo)  serem  dedutíveis  não  serve  de  paradigma. Sua dedutibilidade só é possível devido a existência  de  disposição  expressa  da  legislação.  Vale  dizer,  a  dedutibilidade embasa­se em regra específica do art. 344, § 5º,  do RIR/99, e não na regra genérica, que analisamos acima, do  art. 299 do mesmo Regulamento. Em verdade, a necessidade de  uma  tipificação  específica  se  mostra,  eis  que  não  se  trata  de  gasto necessário nem usual.  12. A indedutibilidade na apuração do imposto de renda aplica­ se, subsidiariamente, em matéria de contribuição social sobre o  lucro líquido.”  (GRIFEI)  É  importante  registrar  que  os  fundamentos  da  Solução  de  Consulta SRRF/7ª RF/DISIT Nº 268, de 04 julho de 2005, foram  adotados  pela  Terceira  Turma  Especializada  do  Tribunal  Regional  Federal  da  2ª  Região,  no  Acórdão  proferido  no  Mandado de Segurança nº 200551010213176, cuja ementa tem o  seguinte teor:  TRIBUTÁRIO.  SANÇÕES  IMPOSTAS  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  METAS  ESTABELECIDAS  EM  CONTRATO  DE  CONCESSÃO  FIRMADO  COM  A  ANATEL.  DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO.  IMPOSSIBILIADDE.  NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO DESPESA OPERACIONAL.  As  despesas  com  as  multas  por  inadimplemento  contratual  impostas  às  empresas  de  telecomunicações  sempre  que  descumpridas  as  condições  de  regularidade,  eficiência,  segurança, atualidade, generalidade, cortesia e modicidade das  tarifas  na  prestação  dos  serviços  de  natureza  pública  ou  inobservados os compromissos com a qualidade, abrangência e  oferta  assumidos  pelas  concessionárias  por  ocasião  da  celebração  de  Contrato  com  a  ANATEL,  não  podem  ser  incluídas como despesas operacionais da contribuinte, pois ditas  despesas  não  são  efetuadas  para  a  realização  de  operações  econômicas  a  que  a  empresa  se  propõe  a  promover,  tampouco  para seu fomento, mas sim para compensar o não cumprimento  de metas traçadas.  Não  atendendo  aos  pressupostos  legais  da  necessidade,  normalidade  e  usualidade ao  desenvolvimento  as  atividades  da  empresa,  a  teor  do  disposto  no  artigo  299  e  parágrafos  do  RIR/99,  os  dispêndios  desembolsados  a  título  da  referida  despesa não podem ser deduzíveis.  Fl. 7015DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 828          50 São, portanto, indedutíveis os valores de R$5.225.518,89, que o  autuante  diz  textualmente  ser  referente  a  “multa  por  descumprimento  de  contrato,  considerada  pela  fiscalizada,  não  dedutível  para  a  apuração  do  IRPJ,  mas  dedutível  para  a  CSLL”,  e  de R$1.255.888,89,  relativo  a  “multas  indedutíveis”,  que  a  própria  impugnante  adicionou  ao  lucro  líquido,  na  apuração  do  lucro  real,  ficando  mantidas  as  glosas  correspondentes a estes valores.  Com relação às “despesas com representação” no montante de  (R$22.612,56),  a  impugnante,  quando  intimada  a  justificar  a  dedutibilidade  dessas  despesas,  adicionadas  ao  lucro  líquido  para o cálculo do lucro real e não adicionadas na apuração da  base de cálculo da CSLL, de acordo com o Lalur, respondeu que  “estas  despesas  se  referem  a  gastos  incorridos  com  cartão  de  crédito  de  uso  da  diretoria  para  pagamento  de  despesas  com  almoço...”.  Logo,  considerando  a  vedação  expressa  contida  no  art. 13,  inciso IV, da Lei nº 9.249, de 1995, para a dedução de  tais  despesas  da  base  de  cálculo  da CSLL,  mantém­se  a  glosa  efetuada.  Quanto às despesas adicionadas ao lucro líquido para o cálculo  do  lucro  real,  registradas  no  Lalur,  a  título  de  “despesas  com  direitos  autorais”,  no  valor  de  R$164.089,82,  mas  não  adicionadas  na  apuração  base  de  cálculo  da  CSLL,  considerando que em nenhum dos atos legais e normativos aqui  reproduzidos  foi  estabelecida  a  indedutibilidade  de  tais  despesas,  e  tendo  em  vista  que  estas  se  reputam  comprovadamente  pagas,  pois  não  foram  objeto  de  qualquer  ressalva  ou  contestação,  neste  requisito,  por  parte  da  fiscalização,  entendo que as glosas a  elas  correspondentes não  devem  prosperar,  por  falta  de  amparo  na  legislação  fiscal  de  regência.  No tocante à glosa do valor de R$2.000,00, registrado no Lalur  a  título  de“outras  despesas”,  indedutíveis  no  cálculo  do Lucro  Real, depreende­se não ser possível admiti­la como dedutível na  apuração  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  pois  o  documento  apresentado, às fls. 211/212, em resposta ao Termo de Intimação  de  fl.  181, não permite a  identificação da despesa,  tampouco é  hábil para comprovar o efetivo pagamento, devendo ser mantida  a glosa correspondente.  Apenas  no  que  tange  ao  lançamento  da  CSLL,  a  impugnante  insurge­se  contra  a  glosa  de  multas  contabilizadas  na  conta  contábil  “42140008  –  Multas  Dedutíveis”,  no  total  de  R$6.637,87, consideradas indedutíveis, pelo autuante, por não se  tratarem  de  multa  moratória  sobre  recolhimento  em  atraso,  como  havia  afirmado  a  fiscalizada  em  resposta  a  Termo  de  Intimação Fiscal, mas sim, de multas de trânsito e INMETRO.  Alega a impugnante que a glosa efetuada pela autoridade fiscal  está  correta  em  relação  à  indedutibilidade  das  referidas  despesas na apuração do Lucro Real,  tendo em vista que o art.  41  da  Lei  nº  8.981,  de  1995,  determina  que  as  despesas  Fl. 7016DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 829          51 decorrentes de infrações, tais como multa de trânsito e multa do  INMETRO,  serão  indedutíveis,  porém, o mesmo não ocorre  em  relação  aos  débitos  de  CSLL,  pois  serão  adicionadas  às  apurações  de CSLL  apenas  as  provisões  indedutíveis  para  fins  de apuração do Lucro Real, de modo que não havendo previsão  legal  pra  a  adição  das  despesas  com  as  multas  na  base  de  cálculo  da  CSLL,  o  lançamento  fiscal  estaria  revestido  de  ilegalidade.  Entretanto,  não  assiste  razão  à  impugnante,  pois,  conforme  comentado anteriormente, no que  tange à apuração da base de  cálculo  da CSLL,  a  Instrução Normativa  SRF nº  390/2004,  em  seu art. 57, prescreve a indedutibilidade das multas impostas por  transgressões de leis de natureza não tributária, dentre as quais  se inserem as multas em exame.  Dessa forma, deve ser mantida a glosa em comento.  Por  conseguinte,  do  total  glosado  tratado  neste  tópico  –  R$6.670.090,26 – deve ser restabelecida a dedução referente às  “despesas  com  direitos  autorais”,  no  valor  de  R$164.089,82,  mantendo­se,  portanto  a  glosa  sobre  o  montante  de  R$6.506.000,44.    Desta forma, voto por negar provimento nesta parte do Recurso Voluntário e  manter a glosa das despesas relativas a: “outras despesas” no valor de R$2.000,00, “despesas  com operações financeiras” no importe de R$5.225.518,89, e “multas indedutíveis” no valor de  R$1.255.868,99.    Multa Isolada:    Entendo não ser possível a aplicação da multa de oficio no importe de 75%  concomitantemente com a multa isolada de 50%.  Para fundamentar meu entendimento, me socorro da jurisprudência deste E.  CARF  e  do C. STJ,  que vai  no  sentido  de  que mesmo  após  a  edição  da Lei  11.488/07,  que  alterou o artigo 44 da Lei 9.430/96, não é possível a aplicação concomitante da multa de oficio  com a multa isolada sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL.   Vejamos  trecho  do  voto  vencedor do Conselheiro  João Otavio Thomé,  nos  autos  do  processo  16682.721205/2011­00,  acórdão  nº  1102.001.315,  que  se  baseou  no  voto  vencedor do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio do v. acórdão nº 1102­001.226, todos da  1ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 1ª Seção, nos autos do processo 1048.720836/2013­55.  Vejamos.     “Aduz a Fazenda Nacional que o acórdão embargado foi omisso  quanto  à  possibilidade  de  aplicação  concomitante  da multa  de  Fl. 7017DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 830          52 ofício  e  da multa  isolada  sobre  estimativas  mensais  de  IRPJ  e  CSLL não recolhidas após a mudança legislativa promovida pela  Medida  Provisória  nº  351/2007  (convertida  na  Lei  nº  11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96.  Citado tema já foi apreciado por essa Turma de Julgamento, no  Acórdão  nº  1102001.226,  por  meio  do  qual  se  decidiu  pela  impossibilidade de aplicação da multa isolada em concomitância  à multa de ofício, mesmo após o advento da Medida Provisória  nº  351/07.  Confira­se  trecho  do  voto  do  Conselheiro  Ricardo  Marozzi Gregório, relator do citado acórdão:  “Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no  artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas  pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da  multa isolada pode ser feito em duas hipóteses:  (i) Antes da apuração do  tributo devido no balanço do final do  anocalendário,  quando  a  base  para  a  imposição  da  multa  observará  um  dos  seguintes  critérios:  (i.1)  o  valor  correspondente  às  antecipações  não  pagas  calculadas  a  partir  da  margem  setorial  (o  percentual  definido  em  lei)  da  receita  bruta  acumulada;  ou  (i.2)  o  valor  correspondente  às  antecipações  não  pagas  calculadas  a  partir  do  balanço  de  redução ou suspensão  (neste último caso, ainda que  tenha sido  apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL).  (ii)  Após  a  apuração do  tributo  devido  no  balanço  do  final  do  ano­calendário,  somente  se  ficar  constatado que houve parcela  daquele  tributo  devido  que  deixou  de  ser  paga  a  forma  de  antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi  paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá  exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por  óbvio,  que  tal  base  supere  o  valor  do  tributo  devido  apurado.  Assim,  há  que  se  verificar  se  os  valores  de  estimativa  a  pagar  foram  deduzidos  na  apuração  anual.  Em  caso  positivo,  isto  significa  que  o  tributo  devido  não  foi  recolhido  nem  como  estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata  de  cobrar  mula  isolada,  mas,  sim,  de  cobrar  o  tributo  acompanhado  da  multa  proporcional.  Em  caso  negativo,  isto  significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi  recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa  isolada.  Contudo,  a  base  para  a  imposição  da  multa  deverá  corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser  deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite,  também,  que  essa  base  supere  o  valor  do  imposto  devido  calculado na apuração anual.”  Entendeu  o  Colegiado  que  a  alteração  da  redação  da  norma  referida pela Embargante não afasta a legitimidade da aplicação  da  teoria  da  consunção  ao  caso,  porquanto  não  promoveu  alteração do regime de apuração dos tributos em referência.”    Fl. 7018DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 831          53 O v. acórdão nº 1102­001.226 em relação a concomitância das multas restou  ementado da seguinte forma:     Ementa:  “ESTIMATIVAS.  MULTA  ISOLADA.  CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL.            "Incabível  a  aplicação  simultânea  sobre  a  mesma infração da  multa  isolada pelo  não  pagamento  de  estimativas  apuradas  no  curso do ano­calendário e da multa proporcional concernente à  falta de pagamento do  tributo devido apurado no balanço  final  do  mesmo  ano­calendário.  Isso  porque  o  não  pagamento  das estimativas é apenas  uma etapa  preparatória  da  execução  da infração.  Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tribut os  devidos,  a  concomitância  significaria  dupla  imposição  de  penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de  penalidade de uma obrigação principal de pagar."      Este entendimento foi mantido ao ser analisados os Embargos de Declaração  nos  autos  do mesmo  processo  16682.721205/2011­00,  de  Relatoria  do  Conselheiro  Antônio  Carlos Guidoni Filho, conforme se depreende do v. acórdão nº 1102­001.315 de 25/09/2015,  conforme ementa abaixo.     Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­  IRPJ  Ano­calendário:  2006,  2007  MULTA  ISOLADA.  FALTA  DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA  COM  MULTA  DE  OFÍCIO  EXIGIDA  EM  LANÇAMENTO  LAVRADO PARA A COBRANÇA DE TRIBUTO. ALTERAÇÕES  DA LEI 11.488/07. A multa isolada por falta de recolhimento de  estimativas não pode  ser  exigida ao mesmo  tempo da multa de  ofício  por  falta  de  pagamento  de  IRPJ,  mesmo  após  as  alterações no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela  Lei nº 11.488/07.”    Seguindo a mesma linha dos julgados acima apontados deste E. Carf, seguem  ementas de v. acórdãos proferidos no C. STJ:    TRIBUTÁRIO.  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  ART. 44 DA LEI N. 9.430/96  (REDAÇÃO DADA PELA LEI N.  11.488/07).  EXIGÊNCIA  CONCOMITANTE.  IMPOSSIBILIDADE NO CASO.  PRECEDENTE.  1.  A  Segunda  Turma  desta  Corte,  quando  do  julgamento  do  REsp  nº  1.496.354/PR, de  relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe  24.3.2015,  adotou  entendimento  no  sentido  de  que  a multa  do  inciso  II  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96  somente  poderá  ser  Fl. 7019DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 832          54 aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso  I  do  referido dispositivo.  2. Na ocasião, aplicou­se a  lógica do  princípio  penal  da  consunção,  em  que  a  infração  mais  grave  abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de  forma  que  não  se  pode  exigir  concomitantemente  a  multa  isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo  apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação  sob  a  forma estimada. Cobra­se  apenas  a multa  de oficio  pela  falta  de  recolhimento  de  tributo.  3.  Agravo  regimental  não  provido. (AgRg no REsp 1499389 / PB)    PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535  DO  CPC.  DEFICIÊNCIA  DA  FUNDAMENTAÇÃO.  SÚMULA  284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N.  9.430/96  (REDAÇÃO  DADA  PELA  LEI  N.  11.488/07).  EXIGÊNCIA  CONCOMITANTE.  IMPOSSIBILIDADE  NO  CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de  cumulação  das  multas  dos  incisos  I  e  II  do  art.  44  da  Lei  n.  9.430/96  no  caso  de  ausência  do  recolhimento  do  tributo.  2.  Alegação genérica de  violação do art. 535 do CPC.  Incidência  da  Súmula  284  do  Supremo  Tribunal  Federal.  3.  A  multa  de  ofício  do  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  n.  9.430/96  aplica­se  aos  casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do  inciso  II  é  cobrada  isoladamente  sobre  o  valor  do  pagamento  mensal:  "a)  na  forma  do  art.  8°  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no  caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b)  na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída  pela  Lei  nº  11.488,  de  2007)".  5.  As  multas  isoladas  limitam­se  aos  casos  em  que  não  possam  ser  exigidas  concomitantemente  com  o  valor  total  do  tributo  devido.  6.  No  caso,  a  exigência  isolada da multa  (inciso  II)  é  absorvida  pela  multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas  de menor gravidade. Princípio da  consunção. Recurso  especial  improvido.  (REsp 1496354 /  PR  ­  RECURSO  ESPECIAL2014/0296729­7).  Assim,  face  jurisprudência  acima  apontada,  voto  para  que  seja  afastada  totalmente a multa isolada aplicada no auto de infração, mantendo apenas a multa de ofício.    Juros de mora (SELIC) sobre a multa de ofício:    Fl. 7020DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 833          55 Alega  o  recorrente  a  ilegalidade  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício.  De acordo com a jurisprudência desta C. Turma Julgadora, entendo que o v.  acórdão recorrido deve ser mantido em relação a este tópico.     Sobre  tal  tema  já  se  consolidou  a  jurisprudência  deste  Colegiado.  Tal  consolidação decorre de explicitação constante do CTN:    "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e  da  aplicação  de  quaisquer  medidas  de  garantia  previstas  nesta  Lei  ou  em  lei  tributária."    Por sua vez, a Súmula CARF nº 5, esclarece:    São  devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante  integral.    A  CSRF  por  meio  de  sua  2ª  Turma,  recentemente  decidiu  nesse  sentido  (Acórdão 9202003.962, de 10/05/2016):    Assunto:  Imposto  sobre  a Renda Retido  na Fonte  IRRF Data  do  fato  gerador:  20/07/2007,  01/08/2007,  05/11/2008  JUROS  DE  MORA  SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício  proporcional,  e  sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.  Recurso Especial do Contribuinte negado    Sendo assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário nessa parte.    Recurso de Ofício:    Da  Composição  do  Saldo  de  Prejuízo  Fiscal  –  Da  Compensação  em  Duplicidade pela Receita Federal do Brasil de Valores de Prejuízo Fiscal ­ IRPJ:  Fl. 7021DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 834          56   A matéria tratada neste tópico, é estritamente pautada na análise do conteúdo  probatório existente nos autos, ou seja, consiste apenas em matéria de prova.   Ao  analisar  os  documentos  acostados  aos  autos,  entendo  que  o  v.  acórdão  recorrido deve ser mantido.  Desta  forma,  colaciono  abaixo  os  fundamentos  da  decisão  recorrida  para  fundamentar meu  voto  e  reconhecer  a  suficiência  do  prejuízo  fiscal  para  compensar  com  o  lucro  real  obtido  no  ano­calendário  de  2009,  no  valor  de  R$29.465.768,50,  efetuada  na  DIPJ/2010.    De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal,  o  saldo  de  prejuízo fiscal acumulado no ano­calendário de 2008, registrado  no Sapli, importa em R$131.268.881,98, sendo que a Interessada  utilizou  parte  destes  valores  –  R$118.791.019,97  –  para  pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº  11.941/2009,  de  modo  que  restou  apenas  R$12.477.862,01  de  prejuízo  fiscal  a  ser  compensado  em  2009.  Como  utilizou  R$29.465.768,50  para  compensar  com  o  lucro  real  obtido  em  2009,  o  valor  de  R$16.987.906,49  (R$29.465.768,50  –  R$12.477.862,01),  correspondente  à  insuficiência  de  prejuízo  fiscal compensado na DIPJ/2010, foi submetido à tributação.  A Impugnante, por sua vez, afirma que os valores descontados a  título  de  pagamento  no  Refis  IV  totalizaram  apenas  R$77.273.932,42,  sendo  a  diferença  para  os  R$118.971.019,97  (no valor de R$41.517.087,56), referente às glosas realizadas em  decorrência da desistência no PAF 13971.002328/2005­48, que  já  haviam  sido  devidamente  ajustadas  pela  RFB  no  sistema  Sapli, refletindo, portanto, no saldo apurado no Sapli no ano de  2008,  mas  que  a  Contribuinte  não  havia  escriturado  em  seus  controles do prejuízo fiscal, em virtude de a citada glosa ter sido  impugnada, e somente com o advento da Lei nº 11.941, de 2009,  quando  optou  pela  desistência  da  discussão  administrativa  no  PAF  13971.002328/2005­  48,  lançou  a  glosa  em  comento,  no  ano  de  2009,  no  valor  de R$41.517.087,56,  correspondente  ao  valor mantido na decisão proferida pela DRJ de Florianópolis,  em  13/04/2009,  reduzindo  o  seu  saldo  de  prejuízo  fiscal  acumulado  até  2008,  remanescendo  um  saldo  de  R$113.015.756,37  (saldo  de  R$154.532.843,93.843,93  –  R$41.517.087,56).  Consta  na  Parte  B  do  Lalur,  pg.  072,  anexada  à  fl.  272  do  presente  processo,  o  registro  de  baixa  de  prejuízo  fiscal,  em  23/11/2009, no valor de R$77.273.932,41, com o histórico Baixa  com compensação de pagamento de – PIS e Cofins conforme MP  470/09, e no valor de R$41.517.087,56, com o histórico de Baixa  por desistência de processos.  Fl. 7022DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 835          57 Verifica­se  que,  em  atendimento  ao  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal,  a  Contribuinte  apresentou,  à  fl.  17,  um  demonstrativo da composição do valor da Ficha 09 A, linha 69 –  Outras  Exclusões,  da  DIPJ/2010,  no  qual  se  visualiza  a  discriminação  dos  débitos  da  Contribuinte  administrados  pela  Receita Federal do Brasil e os débitos para com a Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional, que foram pagos, parcelados ou re­ parcelados, nos termos do art. 3º da Medida Provisória nº 470,  de 13 de outubro de 2009, e da Lei nº 11.941, de 27 de maio de  2009.  Em  atendimento  ao  item  5  do  Termo  de  Intimação  nº  0001  –  Planilha de cálculo dos valores compensados com prejuízo fiscal  e  base  de  cálculo  negativa  da  contribuição  social  em  23/11/2009,  conforme  Lalur,  identificando  os  processos  e  tributos  a  que  se  referem  e  a  base  legal  –  a  Contribuinte  apresentou a documentação de fls. 90 a 100 e 104 a  109, em que está demonstrada a utilização de prejuízo fiscal no  valor de R$77.273.932,41, para, juntamente com a utilização de  base de cálculo negativa de CSLL, em  igual montante,  liquidar  débitos  constantes  do  processo  nº  13971.001075/2004­12,  na  forma  do  art.  3º  da MP  nº  470/2009,  no  valor  consolidado  de  R$26.273.137,02.  Constata­se,  ainda,  a  utilização  de  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL,  no  montante  de  R$61.129.027,00,  para  liquidar  juros  no  valor  de  R$5.501.612,43,  referente  aos  débitos  constantes  dos  processos  13971.001144/2007­22  e  13971.003925/2007­51, que foram objeto de pagamento à vista.  Convém  lembrar,  que  por meio  do  Ato Declaratório  Executivo  Codac nº 65, de 27 de julho de 2009,  foram instituídos códigos  de  receita  específicos  a  serem  utilizados  no  preenchimento  do  Darf ou da GPS, conforme o caso, para cada uma das diversas  modalidades de pagamento previstas na Lei nº 11.941, de 2009.  Em  pesquisas  feitas  aos  sistemas  informatizados  da  RFB,  verificou­se a  existência de apenas um pagamento, no  valor de  R$7.849.493,95,  com código  de  receita  indicativo  de  utilização  de prejuízo  fiscal  e/ou base de  cálculo negativa de CSLL, mais  especificamente, o código 1188 – Lei nº 11.941, de 2009 – PGFN  –  Demais  Débitos  –  Pagamento  à  vista  com  utilização  de  Prejuízo  Fiscal  e  Base  de  Cálculo  Negativa  da  CSLL  para  liquidar multa e  juros. Todavia, está comprovado nos autos, às  fls.  108  e  109,  que  tal  pagamento  se  refere  aos  débitos,  já  mencionados, constantes dos processos 13971.001144/2007­22 e  13971.003925/2007­51,  em  cuja  quitação  não  foi  utilizado  prejuízo  fiscal, mas  sim  base  de  cálculo  negativa  da CSLL,  no  montante de R$61.129.029.027, para liquidar juros no valor de  R$5.501.612,43.  Já  a  pesquisa  feita  no  sistema  DATAPREV­ INSS revelou a inexistência de registro de utilização de prejuízo  fiscal ou de base de cálculo negativa para  liquidação de multa  e/ou  juros  incidentes  sobre  débitos  referentes  a  contribuições  previdenciárias, pagas, parceladas ou re­parceladas, no âmbito  da Lei nº 11.941, de 2009.  Fl. 7023DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 836          58 Dessa forma, não há evidência nos autos, como também não há  registro  nos  sistemas  de  controle  da  RFB,  pesquisados,  que  confirmem  a  utilização  do  prejuízo  fiscal  em  questão,  no  montante  de  R$41.517.087,56,  devendo  ser  acolhidos  os  argumentos da Impugnante no sentido de que este valor refere­se  à baixa de prejuízo  fiscal, em decorrência das glosas efetuadas  no  Auto  de  Infração  de  que  trata  o  processo  nº  13971.002328/2005­48,  mantidas  na  decisão  da  DRJ/Florianópolis, que resultaram em redução do prejuízo fiscal  dos  períodos  autuados,  cujos  ajustes  foram  devidamente  procedidos pela RFB no  sistema Sapli, mas que a Contribuinte  somente veio a proceder, em seus controles de prejuízos  fiscais  acumulados, em 2009, quando desistiu do referido PAF, a fim de  incluir, no parcelamento concedido nos termos da Lei nº 11.941,  de  2009,  os  débitos  relativos  aos  lançamentos  de  CSLL,  dos  anos­calendário de 2000 e 2003, mantidos na aludida decisão.  Assim,  o  valor  do  prejuízo  fiscal  utilizado  para  pagamento  de  tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009,  constante  do  Auto  de  Infração  do  IRPJ,  deve  ser  retificado  de  R$118.791.019,97 para R$77.273.932,41.  Deduzindo­se  do  saldo  de  prejuízo  fiscal  acumulado  no  ano­ calendário  de  2008,  no  montante  de  R$131.268.881,98,  registrado no Sapli, o valor de R$77.273.932,41, utilizado para  pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº  11.941/2009,  remanesce  a  quantia  de  R$53.994.949,57,  suficiente para a compensação com o lucro real obtido no ano­ calendário  de  2009,  no  valor  de R$29.465.768,50,  efetuada  na  DIPJ/2010,  inexistindo,  portanto,  a  insuficiência  de  prejuízo  fiscal,  no  valor  de  R$16.987.906,49,  apontada  no  Auto  de  Infração  e  submetida  à  tributação  de  ofício,  devendo  esta  ser  afastada.    Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso de Oficio neste ponto.     Da composição do Saldo de Base de Cálculo Negativa da CSLL ­     Inicialmente, para evitar equívocos, cumpre destacar que a acusação de que a  Recorrida  teria utilizado quantia  a maior do que o  registrado no Sapli,  no  ano­calendário de  2008 de saldo de base de cálculo negativa de CSLL para pagamento de tributos com fulcro na  MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009 (REFIS IV), não se confunde com a acusação relativa  à insuficiência ou não de reconhecimento do saldo de base negativa de CSLL que a Recorrente  teria adquirido nas operações de cisão e incorporação.   A primeira acusação que foi cancelada pelo v. acórdão e deve ser analisada  neste  Recurso  de  Ofício,  exige  a  diferença  de  R$  33.264.958,16  existente  entre  os  R$  138.402.959,41 de saldo de base negativa da CSLL existente no Sapli e os R$ 171.667.917,57  Fl. 7024DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 837          59 que a fiscalização achou que a Recorrente tinha utilizado para pagamento do tributo por meio  do REFIS IV.  A Fiscalização achou que a Recorrente teria utilizado R$ 171.667.917,57 de  saldo de base de cálculo negativa da CSLL,  saldo este maior do que existia nos  sistemas da  RFB, no importe de R$ 138.402.959,41, decidindo então glosar a diferença no importe de R$  33.264.958,16 (R$ 171.667.917,57 ­ R$ 138.402.959,41 = R$ 33.264.958,16).   Posteriormente, restou comprovado nos autos que a Recorrente teria utilizado  o  saldo  de  base  negativa  até  o  limite  de  R$  138.402.959,41  para  pagamento  dos  processos  administrativos  13971.001075/2004­12,  13971.001144/2007­22  e  13971.003925/2007­51,  conforme  anteriormente  decidido  na  composição  do  prejuízo  fiscal,  cancelando  assim  a  exigência dos R$ 33.264.958,16, sobrando R$ 255.940,05 de saldo de base de cálculo negativa  para utilizar.  Desta  forma,  de  acordo  como  os  fundamentos  acima,  voto  no  sentido  de  manter a decisão do v. acórdão em relação a este tópico.  No mais, segue a parte do v. acórdão relativa a este tópico:  Por outro lado, da análise dos argumentos no sentido de que os  valores  descontados  de  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL  a  título  de  pagamento  no  Refis  IV  totalizaram  apenas  R$138.402.959,41,  de  modo  que  a  diferença  para  os  R$171.667.917,57  (no  valor  de  R$33.264.958,16)  refere­se  a  glosas  realizadas  em  decorrência  da  desistência  no  PAF  nº  13971.002328/2005­48, reitero os mesmos fundamentos expostos  anteriormente  neste  voto,  quando  foi  examinada  a  glosa  referente à compensação indevida de prejuízo  fiscal. Em outras  palavras,  não  há  evidência  nos  autos,  como  também,  não  há  registro  nos  sistemas  de  controle  da  RFB,  pesquisados,  que  confirmem  a  utilização  das  bases  de  cálculo  negativas  em  discussão,  no  montante  de  R$33.264.958,16,  devendo  ser  acolhidos os argumentos da Impugnante no sentido de que este  valor  se  refere  à  baixa  das  bases  de  cálculo  negativas,  em  decorrência  das  glosas  efetuadas  no  Auto  de  Infração  de  que  trata o processo nº 13971.002328/2005­48, mantidas na decisão  da DRJ/Florianópolis, que resultaram em redução das bases de  cálculo  negativas  dos  períodos  autuados,  cujos  ajustes  foram  devidamente procedidos pela RFB no  sistema Sapli, mas que a  Contribuinte  somente  veio  a  proceder,  em  seus  controles  de  bases  de  cálculo  negativas  acumulados,  em  2009,  quando  desistiu  do  referido  PAF,  a  fim  de  incluir,  no  parcelamento  concedido  nos  termos  da  Lei  nº  11.941,  de  2009,  os  débitos  relativos  aos  lançamentos  de  CSLL,  dos  anos­calendário  de  2000 e 2003, mantidos na aludida decisão.  As  bases  de  cálculo  negativas  de  CSLL,  cuja  utilização  para  liquidação  de  débitos  nos  termos  da MP 470/2009  e  da  Lei  nº  11.941/2009  restou  demonstrada,  importam  nos  montantes  de  R$77.273.932,41  (para  liquidar  débitos  constantes  do  processo  nº 13971.001075/2004­12) e de R$61.129.027,00 (para  liquidar  juros  referentes  aos  débitos  constantes  dos  processos  Fl. 7025DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 838          60 13971.001144/2007­22  e  13971.003925/2007­51)  totalizando  R$138.402.959,41, tal como arguido pela Impugnante.  Assim, o valor das bases de cálculo negativas de CSLL utilizado  para pagamento de tributos com fulcro na MP nº 470/2009 e na  Lei nº 11.941/2009, constante do Auto de Infração do IRPJ, deve  ser retificado de R$171.667.917,57 para R$138.402.959,41.  Deduzindo­se  do  saldo  de  bases  de  cálculo  negativas  de CSLL  acumulado  no  ano­calendário  de  2008,  no  montante  de  R$138.658.899,46,  registrado  no  Sapli,  o  valor  de  R$138.402.959,41,  utilizado  para  pagamento  de  tributos  com  fulcro na MP nº 470/2009 e na Lei nº 11.941/2009, remanesce a  quantia  de  R$255.940,05.  Como  foi  utilizado  o  montante  de  R$27.464.741,43, para a compensação com a base de cálculo da  CSLL  apurada  no  ano­calendário  de  2009,  efetuada  na  DIPJ/2010,  houve  insuficiência  de  R$27.208.801,38,  sobre  a  qual deve ser mantida a tributação.    Desta forma, em relação a este ponto voto por negar provimento ao Recurso  de Ofício.     Da parcela da glosa de despesas com direitos autorais no importe de R$  164.089,82,  que  foi  excluída pelo  v.  acórdão  recorrido  (Dedutibilidade  das Despesas  na  apuração da CSLL ­ no TVF está como Diferença entre as bases de cálculo do IRPJ e da  CSLL):   Nesta parte, entendo que o v. acórdão recorrido deve ser reformado, eis que  de acordo com o artigo 57 da Lei 8.981/95, a regra geral de dedutibilidade para o IRPJ também  deve ser aplica na apuração da base de cálculo da CSLL. Vejamos o texto do artigo:  Art.  57.  Aplicam­se  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  as  mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  inclusive  no  que  se  refere  ao  disposto  no  art.  38, mantidas  a  base  de  cálculo  e  as  alíquotas  previstas  na  legislação  em  vigor,  com  as  alterações  introduzidas por esta Lei. (grifos não do original)  Nota­se, desse dispositivo  legal, que as mesmas  regras  (gerais) de apuração  do lucro real (base de cálculo do IRPJ) devem ser aplicadas à base de cálculo da CSLL, salvo  se  existir  disposição  legal  expressa  e  específica  que  porventura  reconheça  um  tratamento  diferenciado para adições, exclusões ou compensações determinadas.  Desta forma, nesta parte voto por dar provimento ao Recurso de Ofício para  manter a glosa relativa a despesa com direito autorias.     Fl. 7026DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 839          61 Pagamento da dívida ativa – Princípio da Competência  ­ Dos  encargos  legais da PGFN e os juros de mora incorridos em 2009, no importe de R$143.017,78 que  foram cancelados pelo v. acórdão:    Em relação a este tópico, como cancelei totalmente a glosa das despesas com  débitos de COFINS, entendo que esta parte do Recurso de Ofício perdeu seu objeto.  Caso meus pares entendam que não é o caso de cancelamento, então adoto os  fundamentos do v. acórdão recorrido para negar provimento a esta parte do Recurso de Ofício,  por  entender  que  os  encargos  legais  da  PGFN  e  os  juros  de  mora  incorridos  em  2009  respeitaram  o  regime  da  competência  e  são  despesas  dedutíveis.  Colaciono  a  parte  do  v.  acórdão pertinente a este assunto.  Por outro lado, os juros de mora, sendo acessórios da obrigação  principal, seguem a mesma sistemática de reconhecimento como  despesas  dos  tributos,  qual  seja,  o  regime  de  competência.  Assim, tais despesas deveriam afetar os anos­calendário de 1999  a  2008,  e  ainda  o  ano­calendário  de  2009,  até  o  mês  de  novembro, em que houve o pagamento, à medida em que foram  incorridas. O mesmo se aplica com relação aos encargos legais  da Procuradoria da Fazenda Nacional, que devem influenciar os  períodos de apuração ocorridos a partir da inscrição dos débitos  na Dívida Ativa da União.  Dessa  forma,  tenho que a  impugnante poderia deduzir no ano­ calendário  de  2009,  as  parcelas  do  débito  incorridas  no  ano­ calendário de 2009, que são, justamente, os juros de mora e os  encargos  legais  da  PGFN,  incorridos  no  período  de  janeiro  a  novembro de 2009.  Da  análise  do  demonstrativo  da  consolidação  dos  débitos  na  PGFN,  às  fls.  107  e  109,  cujos  valores  transcreve­se  a  seguir,  verifica­se  que  o  valor  principal  dos  débitos  em  discussão  importa em R$7.849.493,95:   [...] Tabela relativa ao débito   Aplicando  sobre  o  valor  principal,  a  taxa  Selic  acumulada  de  janeiro  a  outubro  de  2009,  acrescida  do  percentual de  1%,  no  mês de novembro de 2009, no  total de 9,11%, chega­se a  juros  de  mora  incorridos  no  referido  período,  no  montante  de  R$715.088,90,  enquanto  que  os  encargos  legais  da  PGFN,  no  percentual de 20%, sobre os juros de mora incorridos em 2009,  importam em R$143.017,78, assim demonstrados:  [...]    Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, para cancelar  a glosa relativa aos encargos legais da PGFN e os juros de mora do ano de 2009, no importe  respectivamente de R$ 715.088,90 e R$ 143.017,78.   Fl. 7027DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 840          62   Da  dedutibilidade  dos  pagamento  feitos  aos  Administradores  ­  cancelamento das deduções feitas na apuração da CSLL.     Nesta parte, entendo que o v. acórdão deve ser reformado, eis que de acordo  com o artigo 57 da Lei 8.981/95, a regra geral de dedutibilidade deve ser aplicada na apuração  da base de cálculo da CSLL. Vejamos o texto do artigo:  Art.  57.  Aplicam­se  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  as  mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  inclusive  no  que  se  refere  ao  disposto  no  art.  38, mantidas  a  base  de  cálculo  e  as  alíquotas  previstas  na  legislação  em  vigor,  com  as  alterações  introduzidas por esta Lei. (grifos não do original)    Nota­se, desse dispositivo  legal, que as mesmas  regras  (gerais) de apuração  do lucro real (base de cálculo do IRPJ) devem ser aplicadas à base de cálculo da CSLL, salvo  se  existir  disposição  legal  expressa  e  específica  que  porventura  reconheça  um  tratamento  diferenciado para adições, exclusões ou compensações determinadas.  Desta  forma,  voto  por  dar  provimento  ao Recurso  de Ofício  para manter  a  glosa relativa a despesa com pagamentos feitos aos administradores.    Multa Isolada:     Este  tópico  trata do recálculo da multa  isolada por falta de recolhimento do  IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo das estimativas, devido ao cancelamento pela DRJ de  parte das infrações acima analisadas.   Ocorre  que,  conforme  pode  se  verificar  acima,  ao  tratar  desta  matéria  em  sede de Recurso Voluntário decidi pelo cancelamento total da multa isolada, por entender não  ser viável sua concomitância com a multa de ofício de 75%.  Assim,  como  votei  pelo  cancelamento  total  da  multa  isolada  em  sede  de  Recurso Voluntário, entendo que os argumentos e alegações abrangidos pelo Recurso de Ofício  sobre o recálculo da multa em comento perderam seu objeto.  Entretanto, conforme pode se verificar na Ata, ao ser julgado a multa isolada  em sede de Recurso Voluntário, este Relator restou vencido por maioria qualificada.   Por  conseqüência,  ao  julgarmos  o  recálculo  da  multa  isolada  relativo  as  infrações  que  foram  canceladas  pela  DRJ  em  sede  de  Recurso  de  Ofício,  alguns  dos  D.  Conselheiros que compuseram o Colegiado, decidiram me acompanhar pelas conclusões, sendo  Fl. 7028DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 841          63 determinado  pela  Presidente  da  Turma  que  as  razões  dos  Conselheiros  que  votaram  pelas  conclusões fossem incorporadas no voto deste Relator.   Desta forma, conforme determinado, seguem as razões:     No que tange às exigências de multa isolada, acerca das quais a  maioria  qualificada  do  Colegiado  decidiu  dar  parcial  provimento ao recurso voluntário.  A  recorrente  aponta  a  (i)  impossibilidade  de  exigência  da  referida multa após o encerramento do ano­calendário e, ainda,  a (ii) impossibilidade da cumulação da multa de ofício (art. 44, I  da Lei nº 9.430/1996) com a multa  isolada  (art. 44,  II,  "b",  da  Lei  nº  9.430/1996).  Contudo,  a  legislação  fixa  como  regra  a  apuração  trimestral  do  lucro  real  ou  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  e  faculta aos contribuintes a apuração destes  resultados  apenas  ao  final  do  ano­calendário  caso  recolham  as  antecipações  mensais  devidas,  com  base  na  receita  bruta  e  acréscimos,  ou  justifiquem  sua  redução/dispensa  mediante  balancetes de suspensão/redução.   Se  assim  não  procedem,  desde  a  redação  original  da  Lei  nº  9.430/96 estava assim disposto:  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:   I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;   [...]  §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:   [...]  IV  ­isoladamente,  no  caso  de  pessoa  jurídica  sujeita  ao  pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o  lucro  líquido, na  forma do art.  2º,  que deixar de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­ calendário correspondente;   [...]   Conclui­se, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de  a  penalidade  ser  aplicada  mesmo  depois  de  encerrado  o  ano­ calendário  correspondente,  e  ainda  que  evidenciada  a  desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência  de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerar­se  da  referida  obrigação,  cumpria  à  contribuinte  levantar  Fl. 7029DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 842          64 balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de  base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo  o ano­calendário.   Ausente  tal  demonstração,  resta  patente  a  inobservância  da  obrigação  imposta  àqueles  que  optam  pela  apuração  anual  do  lucro.  Logo,  para  não  se  sujeitar  à  multa  de  ofício  isolada,  deveria  a  contribuinte  ter  apurado  e  recolhido  os  valores  estimados  com  os  acréscimos  moratórios  calculados  desde  a  data  de  vencimento  pertinente  a  cada  mês,  e  não  meramente  determinar o  valor que, ao  final,  ainda  remanesceu devido nos  cálculos do ajuste anual.   Ou  seja,  para  desfazer  espontaneamente  a  infração de  falta  de  recolhimento  das  estimativas,  deveria  a  contribuinte  quitá­las,  ainda  que  verificando que  os  tributos  devidos  ao  final  do  ano­ calendário  seriam  inferiores  à  soma  das  estimativas  devidas.  Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao  encerramento  do  ano­calendário,  resultaria  em  um  saldo  negativo  de  IRPJ  ou  CSLL,  passível  de  compensação  com  débitos de períodos  subseqüentes,  à  semelhança do que  viria a  ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no  prazo legal.  Já  se  a  contribuinte  assim  não  age,  o  procedimento  a  ser  adotado  pela  Fiscalização  difere  desta  regularização  espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que  deixaram  de  ser  recolhidos  mensalmente  e,  ao  mesmo  tempo,  considerá­los  quitados  para  recomposição  do  ajuste  anual  e  lançamento  de  eventual  parcela  excedente  às  estimativas  mensais.  Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor  principal  não  antecipado,  e  reconhecimento  dos  efeitos  de  sua  ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do  valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta  as  estimativas,  porque  não  recolhidas.  E,  para  que  a  falta  de  antecipação de estimativas não ficasse impune,  fixou­se, no art.  44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre  esta  ocorrência,  distinta  da  falta  de  recolhimento  do  ajuste  anual, como já explicitado.   Observe­se,  ainda,  que  a  norma  antes  citada  recebeu  a  seguinte  redação  pela  Medida  Provisória  n.º  351/2007,  posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007:  Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  passa  a  vigorar  com  a  seguinte  redação,  transformando­se  as  alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  Fl. 7030DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 843          65 pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  nº  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  I ­ (revogado);  II ­ (revogado);  III­ (revogado);  IV ­ (revogado);  V ­ (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta Lei.  ................................................. ”   Em  razão  dos  efeitos  desta  alteração,  a  1a  Turma  da  CSRF  aprovou  a  Súmula  nº  105  com  o  seguinte  enunciado: A multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996,  não  pode  ser  exigida  ao mesmo  tempo  da  multa  de  ofício  por  falta  de  pagamento  de  IRPJ  e  CSLL  apurado  no  ajuste  anual,  devendo  subsistir  a multa de  ofício. Restou  pacificado nesta  1a  Seção de Julgamento que até a vigência da Medida Provisória nº  351/2007, que alterou a redação original do art. 44, §1o,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430/96  e  deslocou  o  fundamento  legal  da  penalidade  em comento  para  o  inciso  I,  letra “b” daquele  art.  Fl. 7031DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 844          66 44,  não  é  possível  a  exigência  concomitante  das  duas  penalidades.  Todavia, as infrações aqui punidas ocorreram a partir de janeiro  de  2009  e  está  evidenciado  nos  autos  que  a  contribuinte,  relativamente ao pagamento mensal esperado naqueles períodos,  deixou de efetuá­lo integralmente, descumprindo esta obrigação  acessória  imposta  aos  optantes  pela  apuração  anual  das  base  tributáveis. A multa proporcional, por  sua vez,  foi  aplicada em  razão da  falta de  recolhimento dos  tributos devidos ao  final do  período.   Neste  contexto,  a exigência da multa  isolada deve  ser mantida,  ainda que concomitante com a multa de ofício proporcional, bem  como após  a  concretização do  fato  gerador anual,  na  linha  da  jurisprudência dominante na 1ª Turma da CSRF:  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  LANÇAMENTO  APÓS  O  ENCERRAMENTO  DO ANO.  A  alteração  legislativa  promovida  pela  Medida  Provisória  nº  351,  de  2007,  no  art.  44,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  quando  adotou a  redação em que afirma "serão aplicadas as  seguintes  multas",  deixa  clara  a  necessidade  de  aplicação  da  multa  de  ofício isolada, em razão do recolhimento a menor de estimativa  mensal, cumulativamente com a multa de ofício proporcional, em  razão  do  pagamento  a  menor  do  tributo  anual,  independentemente de a exigência ter sido realizada após o final  do ano em que tornou­se devida a estimativa. (Acórdão nº 9101­ 002.777 ­ Sessão de 6 de abril de 2017).  ESTIMATIVAS  NÃO  RECOLHIDAS.  MULTA  ISOLADA.  CONCOMITÂNCIA  COM  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  POSSIBILIDADE.  Nos  casos  de  falta  de  recolhimento  de  estimativas  mensais  de  IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados  em balanço de  suspensão ou  redução,  é  cabível a  cobrança da  multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa,  com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento  do  mesmo  tributo,  apurado  de  forma  incorreta,  ao  final  do  período­base de incidência.  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA  CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.   Repele­se  o  argumento  que  pretende  escorar­se  na  tese  da  consunção  para  afastar  a  aplicação  simultânea  das  multas  comentadas. Não há como  se  reduzir  o  campo de aplicação da  multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o  mesmo  fato,  seja  porque  os  fatos  ora  descritos  não  são  os  mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso  I  do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996,  com a  redação dada pela  Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II  do  mesmo  artigo.  Não  há,  pois,  dúvida  alguma  sobre  a  Fl. 7032DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 845          67 possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da  multa isolada. (Acórdão nº 9101­003.597 ­ Sessão de 10 de maio  de 2018).  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  CONCOMITÂNCIA  COM  A  MULTA  DE  OFÍCIO  SOBRE O  TRIBUTO DEVIDO  NO  FINAL  DO  ANO.  INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.  A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa  pela  falta  de  recolhimento  do  tributo  apurado  em  31  de  dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para  diferentes  situações/fatos,  e  com  a  finalidade  de  compensar  prejuízos  financeiros  também  distintos,  não  havendo,  portanto,  que se falar em bis in idem. A multa normal de 75% pune o não  recolhimento  de  obrigação  vencida  em  março  do  ano  subseqüente  ao  de  apuração,  enquanto  que  a multa  isolada  de  50%  pune  o  atraso  no  ingresso  dos  recursos,  atraso  esse  verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração  (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano  subseqüente.  A  partir  do  advento  da  Medida  Provisória  nº  351/2007,  convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art.  44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca  da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa  isolada  cominada  pela  falta  de  pagamentos  das  estimativas  mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de  ofício  decorrente  da  falta  de  pagamento  do  imposto  e  da  contribuição  devidos  ao  final  do  ano­calendário.  (Acórdão  nº  9101­003.611 ­ Sessão de 5 de junho de 2018).  Assim, as multas isoladas devem ser reduzidas, apenas, em razão  do provimento parcial dado pela DRJ na impugnação nos pontos  precedentes, razão pela qual DÁ ­SE PROVIMENTO PARCIAL  ao  recurso  voluntário,  para  manter  a  exigência  das  multas  isoladas por  falta de recolhimento de estimativas em razão das  infrações que subsistiram no presente julgamento.     Desta  forma,  em  relação  ao  recálculo  da  multa  isolada,  voto  por  negar  provimento ao Recurso de Oficio.     Conclusão:    Por  todo o exposto e por  tudo que consta processado nos autos, conheço de  ambos  recursos,  e  dou  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  cancelar  a  infração  relativa a utilização de base negativa de CSLL no valor de R$ 27.208.802,38 (infração do item  3.4 do TVF), a infração relativa a pagamento de Dívida Ativa em descompasso com o regime  de competência (infração 3.3.5 do TVF) e cancelar a aplicação de multa isolada concomitante  Fl. 7033DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 846          68 com  a multa  de  ofício  (infração  5  do  TVF)  e  em  relação  ao Recurso  de Ofício  dou  parcial  provimento para restabelecer a parcela da glosa relativa a despesas autorias e o pagamento feito  aos administradores, mantendo o restante do v. acórdão em seus termos.      (assinado digitalmente)  Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Relator.     Fl. 7034DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 847          69 Voto Vencedor  Conselheira Edeli Pereira Bessa ­ Redatora designada  O Relator restou vencido nos seguintes pontos:  · glosa  de  dedução  de  tributos  com  inobservância  de  regime  de  competência,  acerca  da  qual  a  maioria  qualificada  do  Colegiado  decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário;  · exigências de multa isolada, acerca das quais a maioria qualificada do  Colegiado decidiu dar parcial provimento ao recurso voluntário; e  · glosa na base de cálculo da CSLL de despesas com direitos autorais e  de  pagamentos  aos  administradores,  acerca  das  quais  a  maioria  qualificada  do  Colegiado  decidiu  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.   Com  referência  à  glosa  de  dedução  de  tributos  com  inobservância  de  regime de competência,  trata­se da constatação, pela autoridade fiscal, de que a contribuinte  deduziu, em novembro de 2009, débitos de COFINS declarados e não pagos de outubro/99 a  abril/2003, em razão do pagamento de tais valores, já inscritos em Dívida Ativa da União, com  os  benefícios  da Lei  nº  11.941/2009.  Sob  o  entendimento  de  que  tais  valores  não  estiveram  com  a  exigibilidade  suspensa  e,  assim,  deveriam  ter  sido  apropriados  segundo  o  regime  de  competência,  a autoridade  lançadora promoveu a glosa dos valores  contabilizados a  título de  "Outras Despesas Operacionais",  "Multas Dedutíveis" e  "Juros s/ Tributos", no valor  total de  R$  23.306.789,31.  Este  valor  foi  adicionado  ao  lucro  real,  à  base  de  cálculo  da  CSLL  e  à  apuração das estimativas de IRPJ e CSLL em novembro de 2009, sendo a exigência da CSLL  devida no ajuste anual foi veiculada no lançamento complementar de fls. 968/986.  A autoridade julgadora de 1ª instância acolheu parcialmente a impugnação do  sujeito passivo, rejeitando a alegação de que parte da despesa glosada já teria sido adicionada  no período autuado, mas admitindo que a diferença entre esses valores, atribuída a encargos e  atualização dos débitos pertinentes ao ano­calendário 2009 (R$ 4.608.973,18), corresponderia  parcialmente a  juros de mora (R$ 715.088,90) e encargos  legais  (R$ 143.017,78) que seriam  devidos sobre o valor principal dos débitos pagos. A glosa, assim, foi reduzida a 22.448.682,63  e, nos termos do voto do Relator, foi negado provimento ao recurso de ofício nesta parte.  Em  recurso  voluntário  a  interessada  esclareceu  que  os  valores  devidos  até  2008 (principal, multa e juros) já haviam sido apropriados segundo o regime de competência,  de modo que ao contabilizar o valor pago em 2009 (R$ 23.306.788,94), procedeu à adição dos  valores antes apropriados (R$ 18.697.816,13), restando o lucro de 2009 afetado, apenas, pela  parcela de R$ 4.608.972,81, pertinente àquele período.   Em razão da Resolução nº 1402­000.374, que requereu investigações acerca  da  alegada  adição  de  R$  18.697.816,13,  o  Relator  entendeu  comprovada  a  adição  de  R$  18.697.816,13, no que foi acompanhado pelos demais membros do Colegiado. Já em relação à  Fl. 7035DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 848          70 parcela de R$ 4.608.973,18, a maioria qualificada do Colegiado não considerou comprovada  sua correspondência com a atualização dos débitos no ano­calendário 2009.  Isto porque, em impugnação, a contribuinte se limitou a afirmar que a parcela  de  R$  4.608.973,18  corresponderia  aos  encargos  pertinentes  ao  ano­calendário  2009,  sem  demonstrar  esta  correspondência. E,  em  recurso voluntário,  embora demonstrando os  juros  e  multa  de  mora  incorridos  até  2008,  a  determinação  da  parcela  de  R$  4.608.972,81,  como  referente a 2009, se fez por diferença em face do total atualizado até a data do pagamento, sem  explicitar porque  este montante  supera  aquele demonstrado na decisão  recorrida,  equivalente  aos juros de mora e os encargos legais correspondentes.   Vê­se,  porém,  que  apenas  na  demonstração  dos  acréscimos  pertinentes  a  2009 a contribuinte adicionou os encargos legais devidos à Procuradoria da Fazenda Nacional,  indicando­os nos montantes de R$ 321.754,30 e R$ 3.562.710,52, que correspondem a exatos  20%  dos  débitos  adicionados  da  multa  de  mora  e  dos  juros  de  mora  incorridos  desde  o  vencimento, muito embora, como informado pela própria recorrente, tais débitos tenham sido  inscritos em dívida ativa e executados através das Execuções Fiscais nº 2008.72.05.001226­0 e  2008.72.05.001671­9, ou seja, antes do ano­calendário 2009.  Não  merece  reparos,  portanto,  a  decisão  de  1ª  instância  que  limitou  a  dedutibilidade,  no  ano­calendário,  aos  juros  de  mora  incorridos  neste  período  e  os  correspondentes  encargos  legais  sobre  eles  incidentes,  no  total  de  R$  858.106,68  (R$  715.088,90 + R$ 143.017,78). Logo, uma vez demonstrada  a adição de R$ 18.697.816,13,  a  glosa de R$ 23.306.789,31, reduzida a R$ 22.448.682,63 na decisão de 1ª  instância, deve ser  mantida no valor de R$ 3.750.866,53.  Por  tais  razões,  deve  ser  DADO  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário.  No  que  tange  às  exigências  de multa  isolada,  acerca  das  quais  a maioria  qualificada do Colegiado decidiu dar parcial provimento ao recurso voluntário.  A recorrente aponta a (i) impossibilidade de exigência da referida multa após  o  encerramento do  ano­calendário  e,  ainda,  a  (ii)  impossibilidade da cumulação da multa de  ofício  (art.  44,  I  da  Lei  nº  9.430/1996)  com  a  multa  isolada  (art.  44,  II,  "b",  da  Lei  nº  9.430/1996). Contudo, a  legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da  base de cálculo da CSLL,  e  faculta aos  contribuintes a apuração destes  resultados apenas ao  final do  ano­calendário  caso  recolham as  antecipações mensais devidas,  com base na  receita  bruta  e  acréscimos,  ou  justifiquem  sua  redução/dispensa  mediante  balancetes  de  suspensão/redução.   Se assim não procedem, desde a  redação original da Lei nº 9.430/96 estava  assim disposto:  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas,  calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:   I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento,  pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa  moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata,  excetuada  a  hipótese do inciso seguinte;   [...]  Fl. 7036DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 849          71 §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:   [...]  IV ­isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de  renda  e  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  na  forma  do  art.  2º,  que  deixar  de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente;   [...]   Conclui­se, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade  ser  aplicada  mesmo  depois  de  encerrado  o  ano­calendário  correspondente,  e  ainda  que  evidenciada  a  desnecessidade  das  antecipações,  nesta  ocasião,  por  inexistência  de  IRPJ  ou  CSLL  devidos  na  apuração  anual.  Para  exonerar­se  da  referida  obrigação,  cumpria  à  contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a  inexistência de base de  cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o ano­calendário.   Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta  àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício  isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos  moratórios  calculados  desde  a  data  de  vencimento  pertinente  a  cada mês,  e  não meramente  determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual.   Ou seja, para desfazer espontaneamente a  infração de  falta de  recolhimento  das estimativas, deveria a contribuinte quitá­las, ainda que verificando que os tributos devidos  ao  final  do  ano­calendário  seriam  inferiores  à  soma  das  estimativas  devidas.  Apenas  que  a  quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do ano­calendário,  resultaria  em um saldo negativo de  IRPJ ou CSLL, passível de  compensação com débitos de períodos  subseqüentes,  à  semelhança  do  que  viria  a  ocorrer  se  a  contribuinte  houvesse  recolhido  as  antecipações no prazo legal.  Já  se  a  contribuinte  assim  não  age,  o  procedimento  a  ser  adotado  pela  Fiscalização  difere  desta  regularização  espontânea.  Isto  porque  seria  incongruente  exigir  os  valores  que  deixaram  de  ser  recolhidos  mensalmente  e,  ao  mesmo  tempo,  considerá­los  quitados  para  recomposição  do  ajuste  anual  e  lançamento  de  eventual  parcela  excedente  às  estimativas mensais.  Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não  antecipado,  e  reconhecimento  dos  efeitos  de  sua  ausência  no  ajuste  anual,  com  conseqüente  exigência  apenas  do  valor  apurado  em  definitivo  neste  momento,  sem  levar  em  conta  as  estimativas,  porque  não  recolhidas.  E,  para  que  a  falta  de  antecipação  de  estimativas  não  ficasse  impune,  fixou­se,  no  art.  44,  §1º,  inciso  IV, da Lei nº 9.430/96,  a penalidade  isolada  sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado.   Observe­se, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela  Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007:  Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com  a seguinte redação, transformando­se as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e  III:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:  Fl. 7037DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 850          72 I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata;  II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento mensal:  a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de  ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de  ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  §  1o  O  percentual  de  multa  de  que  trata  o  inciso  I  do  caput  deste  artigo  será  duplicado  nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis.  I ­ (revogado);  II ­ (revogado);  III­ (revogado);  IV ­ (revogado);  V ­ (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  § 2o Os percentuais de multa a que se  referem o  inciso  I do caput e o § 1o deste  artigo  serão  aumentados  de  metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo, no prazo marcado, de intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II  ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que  tratam os arts. 11 a 13 da Lei no  8.218, de 29 de agosto de 1991;  III ­ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.  ................................................. ”   Em razão dos efeitos desta alteração, a 1a Turma da CSRF aprovou a Súmula  nº 105 com o seguinte enunciado: A multa  isolada por  falta de  recolhimento de estimativas,  lançada  com  fundamento  no  art.  44  §  1º,  inciso  IV  da Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado  no  ajuste  anual,  devendo  subsistir  a  multa  de  ofício.  Restou  pacificado  nesta  1a  Seção  de  Julgamento  que  até  a  vigência  da  Medida  Provisória  nº  351/2007,  que  alterou  a  redação  original  do  art.  44,  §1o,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430/96  e  deslocou  o  fundamento  legal  da  penalidade em comento para o  inciso  I,  letra “b” daquele art. 44, não é possível a exigência  concomitante das duas penalidades.  Todavia,  as  infrações  aqui  punidas  ocorreram  a  partir  de  janeiro  de  2009  e  está  evidenciado  nos  autos  que  a  contribuinte,  relativamente  ao  pagamento mensal  esperado  naqueles períodos, deixou de  efetuá­lo  integralmente, descumprindo esta obrigação acessória  imposta aos optantes pela apuração anual das base tributáveis. A multa proporcional, por sua  vez, foi aplicada em razão da falta de recolhimento dos tributos devidos ao final do período.   Fl. 7038DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 851          73 Neste  contexto,  a  exigência  da  multa  isolada  deve  ser  mantida,  ainda  que  concomitante  com  a  multa  de  ofício  proporcional,  bem  como  após  a  concretização  do  fato  gerador anual, na linha da jurisprudência dominante na 1ª Turma da CSRF:  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO.  A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art.  44,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  quando  adotou  a  redação  em  que  afirma  "serão  aplicadas as seguintes multas", deixa clara a necessidade de aplicação da multa de  ofício  isolada,  em  razão  do  recolhimento  a  menor  de  estimativa  mensal,  cumulativamente  com  a  multa  de  ofício  proporcional,  em  razão  do  pagamento  a  menor do tributo anual, independentemente de a exigência ter sido realizada após o  final  do  ano  em  que  tornou­se  devida  a  estimativa.  (Acórdão  nº  9101­002.777  ­  Sessão de 6 de abril de 2017).  ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM  A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.  Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei  nº  11.488/2007,  quando  não  justificados  em  balanço  de  suspensão  ou  redução,  é  cabível  a  cobrança  da  multa  isolada,  que  pode  e  deve  ser  exigida,  de  forma  cumulativa,  com  a multa  de  ofício  aplicável  aos  casos  de  falta  de  pagamento  do  mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período­base de incidência.  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA  CONCOMITANTE.  CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.   Repele­se o argumento que pretende escorar­se na tese da consunção para afastar a  aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de  aplicação  da  multa  isolada  com  lastro  no  suposto  concurso  de  normas  sobre  o  mesmo  fato,  seja  porque  os  fatos  ora  descritos  não  são  os  mesmos,  seja  porque  quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com  a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso  II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação  concomitante  da multa  de  ofício  e  da multa  isolada.  (Acórdão  nº  9101­003.597  ­  Sessão de 10 de maio de 2018).  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO  SOBRE O  TRIBUTO DEVIDO  NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.  A  multa  pela  falta  de  estimativas  não  se  confunde  com  a  multa  pela  falta  de  recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades  distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar  prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis  in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em  março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50%  pune  o  atraso  no  ingresso  dos  recursos,  atraso  esse  verificado  desde  o  mês  de  fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês  de março do ano subseqüente.  A  partir  do  advento  da  Medida  Provisória  nº  351/2007,  convertida  na  Lei  nº  11.488/2007,  que  alterou  a  redação  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  não  há  mais  dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência  da multa  isolada  cominada  pela  falta  de  pagamentos  das  estimativas mensais  do  Fl. 7039DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 852          74 IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de  pagamento  do  imposto  e  da  contribuição  devidos  ao  final  do  ano­calendário.  (Acórdão nº 9101­003.611 ­ Sessão de 5 de junho de 2018).  Assim,  as  multas  isoladas  devem  ser  reduzidas,  apenas,  em  razão  do  provimento parcial dado ao recurso voluntário nos pontos precedentes, razão pela qual DÁ ­SE  PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para manter a exigência das multas isoladas  por  falta de  recolhimento de  estimativas  em  razão das  infrações que  subsistiram no presente  julgamento.   Por  fim,  quanto  à  glosa  na  base  de  cálculo  da  CSLL  de  despesas  com  direitos autorais e de pagamentos aos administradores, importa inicialmente observar que a  autoridade julgadora de 1ª instância as afastou sob os seguintes fundamentos:  Com  relação  à  CSLL,  alega  a  Impugnante  que  mesmo  que  se  entenda  que  os  pagamentos realizados aos administradores, a  título de 1/3 de férias, 13º salário e  participação  nos  resultados  não  se  tratam  de  despesas  necessárias  às  suas  atividades, deve ser admitida a dedutibilidade dos referidos valores na composição  da base de cálculo da CSLL, pois não haveria previsão legal para que tais despesas  não sejam deduzidas da base de cálculo da CSLL.  Discute­se, portanto, a possibilidade de as regras de dedutibilidade previstas para o  IRPJ serem aplicadas também à Contribuição: de um lado, a Fiscalização aplica os  conceitos de despesa operacional, necessária e usual contidas no artigo 47 da Lei nº  4.506, de 1964  (artigo 299 do RIR/99) para considerá­las  indedutíveis na base de  cálculo da CSLL; e, de outro, a Empresa as considera dedutíveis ante a ausência de  previsão legal específica.  A  previsão  constitucional da CSLL está  contida na alínea “c” do  inciso  I  do art.  195, e sua instituição foi dada pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Este  mesmo diploma legal estabelece:  Art.  6º  A  administração  e  fiscalização  da  contribuição  social  de  que  trata  esta  lei  compete à Secretaria da Receita Federal.  Parágrafo  único.  Aplicam­se  à  contribuição  social,  no  que  couber,  as  disposições  da  legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à  cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo.  A Lei nº 8.981 repete essa norma, nestes termos:  Art.  57. Aplicam­se  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  (Lei  nº  7.689,  de  1988)  as  mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das  pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de  cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas  por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995)  Da  leitura  dos  art.  6º,  parágrafo  único,  da Lei  nº  7.689,  de  1988,  e  57 da Lei  nº  8.981, de 1995, vê­se que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de  pagamento  estabelecidas  para  o  IRPJ,  e,  no  que  couberem,  as  referentes  à  administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias  e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na  legislação da CSLL.  A Lei nº 7.689, de 1988, previa em seu artigo 2º, após alteração de sua redação pela  Lei nº 8.034, de 1990, que:  Fl. 7040DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 853          75 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da  provisão para o imposto de renda.  § 1º Para efeito do disposto neste artigo:  (...)  c ) o resultado do período­base, apurado com observância da legislação comercial, será  ajustado pela:  1 ­ adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio  líquido;  2  ­  adição  do  valor  de  reserva  de  reavaliação,  baixada  durante  o  período­base,  cuja  contrapartida não tenha sido computada no resultado do período­base;  3 ­ adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a  provisão para o Imposto de Renda;  4  ­  exclusão  do  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  de  patrimônio líquido;  5 ­ exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de  aquisição, que tenham sido computados como receita;  6 ­ exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do  item 3, que tenham sido baixadas no curso de período­base.  Posteriormente,  a  Lei  nº  9.249,  de  1995,  acrescentou  as  seguintes  regras  de  dedutibilidade:  Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social  sobre  o  lucro  líquido,  são  vedadas  as  seguintes  deduções,  independentemente  do  disposto noart. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964:  I  ­  de  qualquer  provisão,  exceto  as  constituídas  para  o  pagamento  de  férias  de  empregados e de décimo­terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20  de  janeiro de 1995,  com as  alterações  da Lei nº 9.065, de 20 de  junho de 1995,  e  as  provisões  técnicas  das  companhias  de  seguro  e  de  capitalização,  bem  como  das  entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a  elas aplicável;  II  ­  das  contraprestações  de  arrendamento mercantil  e  do  aluguel  de  bens móveis  ou  imóveis,  exceto  quando  relacionados  intrinsecamente  com  a  produção  ou  comercialização dos bens e serviços;  III  ­  de  despesas  de  depreciação,  amortização,  manutenção,  reparo,  conservação,  impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto  se  intrinsecamente  relacionados  com  a  produção  ou  comercialização  dos  bens  e  serviços;  IV ­ das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores;  V ­ das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos  de  saúde,  e  benefícios  complementares  assemelhados  aos  da  previdência  social,  instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica;  VI ­ das doações, exceto as referidas no § 2º;  VII ­ das despesas com brindes.  Fl. 7041DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 854          76 § 1º Admitir­se­ão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa  jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados.  § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações:  I ­ as de que trata aLei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991;  II ­ as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada  por  lei  federal  e  que  preencham  os  requisitos  dosincisos  I  e  II  do  art.  213  da  Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de  computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte;  III ­ as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica,  antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas  no  Brasil,  sem  fins  lucrativos,  que  prestem  serviços  gratuitos  em  benefício  de  empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da  comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras:  a)  as  doações,  quando  em  dinheiro,  serão  feitas  mediante  crédito  em  conta  corrente  bancária diretamente em nome da entidade beneficiária;  b)  a  pessoa  jurídica  doadora  manterá  em  arquivo,  à  disposição  da  fiscalização,  declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela  entidade beneficiária,  em que  esta  se  compromete  a  aplicar  integralmente os  recursos  recebidos  na  realização  de  seus  objetivos  sociais,  com  identificação  da  pessoa  física  responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens  a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto;  c)  a  entidade  civil  beneficiária  deverá  ser  reconhecida  de  utilidade  pública  por  ato  formal de órgão competente da União.  Nota­se  que,  ao  prever  a  indedutibilidade  de  despesas  tanto  para  o  IRPJ  quanto  para a CSLL, no caput do artigo há a ressalva “independentemente do disposto no  art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964”. O artigo citado é o que define  despesa  operacional,  necessária  e  usual,  definindo,  ainda,  algumas  despesas  indedutíveis. Vejamos:  Art.  47.  São  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à  atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora.  § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou  operações exigidas pela atividade da empresa.  § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações,  operações ou atividades da empresa.  § 3º Somente  serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação  indébita,  furto,  por  empregados  ou  terceiros,  quando  houver  inquérito  instaurado  nos  termos  da  legislação  trabalhista  ou  quando  apresentada  queixa  perante  a  autoridade  policial.  § 4º No caso de  empresa  individual,  a  administração do  imposto  poderá  impugnar  as  despesas pessoais do titular da empresa que não forem expressamente previstas na  lei  como deduções admitidas se esse não puder provar a relação da despesa com a atividade  da empresa.  § 5º Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da empresa, ou a  parente  dos  mesmos,  poderão  ser  impugnados  pela  administração  do  imposto,  se  o  contribuinte não provar:  Fl. 7042DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 855          77 a)  no  caso  de  compensação  por  trabalho  assalariado,  autônomo  ou  profissional,  a  prestação efetiva dos serviços;  b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação  ou transação.  § 6º Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias  de  bens  objeto  da  inversão,  quando  decorrerem  de  condições  excepcionais  de  obsolescência de  casos  fortuitos ou de  força maior,  cujos  riscos não estejam  cobertos  por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros.  § 7º Incluem­se, entre os pagamentos de que trata o § 5º, as despesas  feitas, direta ou  indiretamente, pelas empresas, com viagens para o exterior, equipando­se os gerentes a  dirigentes de firma ou sociedade.  Pode­se concluir que, ao fazer a ressalva do caput do artigo 13 da Lei nº 9.249, o  legislador quis dizer que: ainda que operacionais, necessárias e usuais, as despesas  abaixo  relacionadas  são  indedutíveis.  Mas  essa  afirmação  se  dá  somente  para  o  IRPJ, uma vez que a Lei nº 4.506, de 1964 é dirigida a este Imposto, mesmo porque  a CSLL não existia à época de sua publicação, tampouco houve previsão, por outra  norma, de aplicação de seu texto à CSLL.  A  Instrução  Normativa  SRF  nº  390,  2004,  que  dispõe  sobre  a  apuração  e  o  pagamento da CSLL, assim se refere à sua base de cálculo:  Art.  3ºAplicam­se  à  CSLL  as  mesmas  normas  de  apuração  e  de  pagamento  estabelecidas  para  o  Imposto  sobre  a  Renda  das  Pessoas  Jurídicas  (IRPJ)  e,  no  que  couberem,  as  referentes  à  administração,  ao  lançamento,  à  consulta,  à  cobrança,  às  penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as  alíquotas previstas na legislação da CSLL.  (...)  Art. 14.A base de cálculo da CSLL, determinada segundo a legislação vigente na data  de  ocorrência  do  respectivo  fato  gerador,  é  o  resultado  ajustado,  presumido  ou  o  arbitrado, de que tratam os arts. 37 e 85, correspondente ao período de apuração.  (...)  Art. 37.Considera­se resultado ajustado o lucro líquido do período de apuração antes da  provisão  para  o  IRPJ,  ajustado  pelas  adições  prescritas  e  pelas  exclusões  ou  compensações autorizadas pela legislação da CSLL.  Parágrafo único. A determinação do resultado ajustado será precedida da apuração do  lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais.  O artigo 38 prevê as adições; o 39, as exclusões; e o 40, as compensações relativas  ao  ajuste  do  lucro  líquido  para  a  obtenção  da  base  de  cálculo  da  Contribuição  Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).  A Instrução Normativa (IN) deixa clara a distinção entre a base de cálculo da CSLL  e a do IRPJ.  Portanto,  não  se  deve  ter  como  próprio  da  contribuição  todo  o  regulamento  do  IRPJ,  como  por  exemplo,  concernente  à  apuração  da  base  de  cálculo,  muito  embora, venha se observando que há uma tendência de aproximação.  Tanto a base de cálculo do  IRPJ quanto a da CSLL são obtidas a partir do  lucro  líquido contábil apurado pela entidade, com observância da  legislação comercial,  Fl. 7043DF CARF MF Processo nº 13971.721769/2012­71  Acórdão n.º 1402­003.899  S1­C4T2  Fl. 856          78 depois de procedidos os ajustes (adições e exclusões) estabelecidos pela legislação  específica de cada tributo.  Em face da ausência de norma na legislação da CSLL, prescrevendo a adição das  despesas  com o  pagamento  de  verbas  a  administradores  a  título  de  1/3  de  férias,  salário  e  participação nos  resultados,  na  apuração da  base  desta  contribuição,  a  glosa efetuada não deve prosperar.  Quanto  às  despesas  adicionadas  ao  lucro  líquido  para  o  cálculo  do  lucro  real,  registradas  no  Lalur,  a  título  de  “despesas  com  direitos  autorais”,  no  valor  de  R$164.089,82,  mas  não  adicionadas  na  apuração  base  de  cálculo  da  CSLL,  considerando  que  em  nenhum  dos  atos  legais  e  normativos  aqui  reproduzidos  foi  estabelecida  a  indedutibilidade  de  tais  despesas,  e  tendo  em  vista  que  estas  se  reputam  comprovadamente pagas,  pois  não  foram objeto  de  qualquer  ressalva ou  contestação, neste requisito, por parte da fiscalização, entendo que as glosas a elas  correspondentes não devem prosperar, por falta de amparo na legislação fiscal de  regência.  A maioria qualificada do Colegiado não endossa o entendimento do Relator  no  sentido  de  que  o  art.  57  da  Lei  nº  8.981/95  impõe  a  aplicação,  à  CSLL,  das  regras  de  dedutibilidade  previstas  no  âmbito  do  lucro  real.  Prevalece  a  interpretação  de  que  referido  dispositivo, à semelhança do art. 28 da Lei nº 9.430/96, presta­se apenas a transportar, para a  legislação  de  regência  da  CSLL,  as  definições  acerca  de  periodicidade  e  sistemática  de  apuração aplicáveis ao IRPJ.   Considerando  que  a  autoridade  lançadora  não  agregou  fundamentos  legais  específicos  para  promover  as  glosas  em  referência  na  base  de  cálculo  da  CSLL,  correta  a  decisão de 1ª  instância que, não vislumbrando amparo a elas na legislação que rege a CSLL,  cancelou as exigências correspondentes.  Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício.  (assinado digitalmente)  Edeli Pereira Bessa ­ Redatora designada                Fl. 7044DF CARF MF

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7790343 #
Numero do processo: 15504.724091/2012-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. MECANISMOS DE AFERIÇÃO. A exclusão de valores pagos sob a forma de Participação nos Lucros ou Resultados - PLR a empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias está sujeita a definição de mecanismos de aferição para seu pagamento e, quando existentes tais mecanismos, à comprovação de que foi feito o devido acompanhamento do programa, como também a avaliação do desempenho dos empregados quanto ao alcance dos resultados de modo a justificar o pagamento do benefício. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. Os valores pagos a diretores não empregados a título de PLR integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias por inexistir norma específica que preveja sua exclusão do salário-de-contribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do PLR paga a administradores não empregados da base de cálculo das contribuições previdenciárias. PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO OU DE CASA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. As parcelas pagas a título de prêmio por tempo de serviço ou de casa, ainda que não previstas em contrato, acordo ou convenção coletiva de trabalho, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-007.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral, e a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES

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   Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9202­007.698  –  2ª Turma   Sessão de  27 de março de 2019  Matéria  Contribuições Previdenciárias  Recorrentes  BANCO BMG SA e FAZENDA NACIONAL                   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. MECANISMOS DE  AFERIÇÃO.  A  exclusão  de  valores  pagos  sob  a  forma  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  ­  PLR  a  empregados  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  está  sujeita a definição de mecanismos de aferição para  seu  pagamento e, quando existentes tais mecanismos, à comprovação de que foi  feito o devido acompanhamento do programa, como também a avaliação do  desempenho  dos  empregados  quanto  ao  alcance  dos  resultados  de  modo  a  justificar o pagamento do benefício.  PAGAMENTO  DE  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  A  SEGURADOS  SEM  VÍNCULO  DE  EMPREGO.  FALTA  DE  PREVISÃO  DA  SUA  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000.  Os valores pagos a diretores não empregados a título de PLR integram a base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  por  inexistir  norma  específica  que preveja sua exclusão do salário­de­contribuição.  A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do  PLR  paga  a  administradores  não  empregados  da  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias.  PRÊMIO POR TEMPO DE  SERVIÇO OU DE CASA.  INCIDÊNCIA DE  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  As parcelas pagas a título de prêmio por tempo de serviço ou de casa, ainda  que  não  previstas  em  contrato,  acordo  ou  convenção  coletiva  de  trabalho,  integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 40 91 /2 01 2- 11 Fl. 1882DF CARF MF     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  Recurso  Especial  do  Contribuinte  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  em  negar­lhe  provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita  Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral, e a conselheira Ana Cecília  Lustosa da Cruz, que lhe deu provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos,  em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em  dar­lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva,  Ana  Cecília  Lustosa  da  Cruz  e  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri,  que  lhe  negaram  provimento.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro Mário  Pereira  de  Pinho  Filho.  (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício    (Assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes – Relatora      (Assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes,  Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,  Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).    Relatório  Os presentes Recursos Especiais  tratam de pedido de análise de divergência  motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 2301­004.386, proferido  pela 1ª Turma / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento.  Conforme descrito pela DRJ, no acórdão 02­56.521:   “Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  contra  o  Banco  BMG  SA,  relativo  ao  período  de  01/2009  a  12/2009,  que  de  acordo  com  o  Relatório  Fiscal de fls. 47/83, refere­se a:  Autos de Infração de Obrigações Principais   •  DEBCAD  51.011.805­4  –  (consolidado  em  29/06/2012,  no  valor  de  R$  6.807.080,45)  referente  a  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondentes  à  parte  da  empresa  e  do  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  os  fatos  geradores relacionados a seguir, não incluídos em folha de pagamento e não  declarados  pelo  contribuinte  na  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações à Previdência Social – GFIP;  Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 3          3 •  DEBCAD  51.011.808­9  –  (consolidado  em  29/06/2012,  no  valor  de  R$  1.113.028,72),  referente  às  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos ­ Salário Educação (FNDE) e INCRA, incidentes sobre valores pagos  aos segurados empregados, enumerados a seguir.  Auto de Infração de Obrigação Acessória  • DEBCAD  51.023.955­2  (Código  de  Fundamentação  Legal  –  CFL  83,  no  valor  de  R$  32.341,96)  por  deixar  a  empresa  ou  entidade  que  repassar  recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional,  a  título  de  patrocínio,  licenciamento  de  uso  de  marcas  e  símbolos,  publicidade,  propaganda  e  transmissão  de  espetáculos,  de  reter  para  recolhimento  o  percentual  de  5%  da  receita  bruta,  inadmitida  qualquer  dedução.”  O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 580/625 e 942/944.  A  DRJ/SDR,  às  fls.  1444/1471,  julgou  pela  parcial  procedência  da  impugnação apresentada, mantendo em parte os créditos tributários exigidos nos AIs Debcads  51.011.805­4  e  51.011.808­9  e  mantendo  integralmente  o  crédito  tributário  exigido  no  AI  Debcad 51.023.955­2. Os demonstrativos para retificação dos lançamentos nos sistemas foram  anexados às fls. 1435/1436.  O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 1487/1532.  A  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  às  fls.  1579/1617, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim  ementada:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS.  Incide  contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a  Lei nº 10.101/2000.  PREVIDENCIÁRIO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS.  O  pagamento  ou  crédito  de  participação  nos  lucros  a  diretores  não  empregados  integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por  falta de previsão legal de não­incidência.  PREVIDENCIÁRIO.  PRÊMIO  POR  TEMPO  DE  SERVIÇO.  INCIDÊNCIA.  O  prêmio  por  tempo  de  serviço,  não  habitual,  pago  apenas  uma  vez,  sem  vínculo  pela  realização  de  um  trabalho,  produção  ou  meta,  não  integra  o  salário de contribuição por sua natureza jurídica não ser salarial.  Fl. 1884DF CARF MF     4 PREVIDENCIÁRIO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA.  Com a revogação, pelo Decreto 6.727/2009, da alínea “f” do inciso V do § 9º  do  art.  214  do Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo Decreto  3.048/99,  a  partir  de  12/01/2009  a  contribuição  previdenciária  passou  a  incidir  sobre  a parcela do  aviso prévio  indenizado e  seu  reflexo no décimo  terceiro salário.  PREVIDENCIÁRIO. SOBRESTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO.  Na forma da súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –  CARF,  “Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do  processo  judicial.”  Na  ocorrência, o lançamento será sobrestado e aguardará o trânsito em julgado.  PREVIDENCIÁRIO. AJUDA DE CUSTO.  Integra  o  salário  de  contribuição  a  ajuda  de  custo  quando  não  é  paga  em  parcela  única  e  em  decorrência  de  mudança  de  local  de  trabalho  do  empregado.  PREVIDENCIÁRIO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS.  PATROCÍNIO  A  CLUBES  DE  FUTEBOL  PROFISSIONAL.  Constitui  infração  a  dispositivo  da  Lei  8.212/91,  deixar  a  empresa  ou  entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de  futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e  símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para  recolhimento o percentual de cinco por cento da receita bruta.”  Recurso Voluntário Provido em Parte  Às fls. 1630/1638, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo,  divergência  jurisprudencial  acerca  das  seguintes  matérias:  Contribuição  Previdenciária  –  Salário Indireto – Prêmio por Tempo de Serviço/Casa. O acórdão recorrido entendeu que os  valores recebidos a título de “prêmio por tempo de serviço/casa”, tem características de ganho  eventual,  não  habitual,  pago  apenas  uma  vez,  sem  vínculo  pela  realização  de  um  trabalho,  produção  ou  meta,  assim,  afastou  a  incidência  tributária.  Já  o  entendimento  do  julgado  paradigma foi de manter os valores pagos a título de prêmio por tempo de serviço no salário de  contribuição, tendo em vista que tal pagamento não se enquadra no conceito de ganho eventual,  hipótese  de  exclusão  da  base  de  cálculo.  Ocorre  que  a  eventualidade  está  relacionada  à  existência de um evento é futuro e incerto, que não é a hipótese dos autos em que o prêmio é  pago em data específica e valores definidos, dependendo apenas do fator temporal.  Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela  Fazenda  Nacional,  às  fls.  1647/1650,  a  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  DEU  SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em  relação  à  seguinte matéria: Contribuição Previdenciária  – Salário  Indireto  – Prêmio por  Tempo de Serviço/Casa.   Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 4          5 O Contribuinte foi cientificado à fl. 1701.  Às  fls.  1706/1747,  o  Contribuinte  interpôs  Recurso  Especial,  arguindo,  divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. Contribuições Previdenciárias ­  Salário  indireto  ­  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR)  paga  aos  empregados  segurados.  Alegou  que  a matéria  foi  decidida  pelo  voto  de  qualidade,  descaracterizando  os  pagamentos feitos a título de PLR pelo Recorrente, por considerar que não estariam presentes,  no  caso  concreto,  as metas  e  os  resultados  preestabelecidos.  Já  o  voto  vencido  afastou  a  exigência  por  entender  que  (i)  o  pagamento  da  PLR,  nos  termos  da Convenção Coletiva  de  Trabalho  foi  vinculado  ao  resultado  lucro  (ou  seja,  não  havia  uma  garantia  de  participação  mínima  independentemente  de  qualquer  resultado);  (ii)  as  regras  da Convenção Coletiva  de  Trabalho eram suficientemente claras e abrangeram o direito material/substantivo (pagamento  da  PLR)  e  também  as  regras  adjetivas  (como  fazer  para  alcançar  o  direito  substantivo),  conforme  exigido  pela  Lei  nº  10.101/00;  e  (iii)  a  lei  não  vinculou  o  pagamento  da  PLR  ao  acompanhamento do  desempenho dos  empregados.  2. PLR paga a  ex­diretores. O  acórdão  recorrido  interpretou  que  os  diretores  e  administradores  do  Recorrente,  por  se  tratarem  de  contribuintes  individuais,  não  estariam  alcançados  pela  regra  de  não  incidência  das  contribuições previdenciárias prevista no art. 28, §9, “j” da Lei 8.212/91, não se lhes aplicando  as  disposições  da  Lei  10.101/00.  O  acórdão  paradigma  entendeu  que  os  ditames  da  Lei  nº  10.101/00  aplicam­se  também  ao  contribuinte  individual,  de  forma  que  há  isenção  da  contribuição previdenciária nos pagamentos realizados e este individual.  O  Contribuinte  também  apresentou  Contrarrazões,  às  fls.  1838/1845,  reiterando os argumentos em relação ao mérito.  Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo  Contribuinte,  às  fls.  1859/1870,  a  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento,  DEU  SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em  relação  às  seguintes  matérias:  1.  Contribuições  Previdenciárias  ­  Salário  indireto  ­  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR)  paga  aos  empregados  segurados.  2.  PLR  paga a ex­diretores.  A União apresentou Contrarrazões, às  fls. 1872/1879, combatendo o mérito  do recurso apresentado pelo Contribuinte.    É o relatório.  Fl. 1886DF CARF MF     6   Voto Vencido  Conselheira Ana Paula Fernandes ­ Relatora  Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte  são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser  conhecidos.  Conforme descrito pela DRJ, no acórdão 02­56.521:   “Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  contra  o  Banco  BMG  SA,  relativo  ao  período  de  01/2009  a  12/2009,  que  de  acordo  com  o  Relatório  Fiscal de fls. 47/83, refere­se a:  Autos de Infração de Obrigações Principais   •  DEBCAD  51.011.805­4  –  (consolidado  em  29/06/2012,  no  valor  de  R$  6.807.080,45)  referente  a  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondentes  à  parte  da  empresa  e  do  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  os  fatos  geradores relacionados a seguir, não incluídos em folha de pagamento e não  declarados  pelo  contribuinte  na  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações à Previdência Social – GFIP;  •  DEBCAD  51.011.808­9  –  (consolidado  em  29/06/2012,  no  valor  de  R$  1.113.028,72),  referente  às  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos ­ Salário Educação (FNDE) e INCRA, incidentes sobre valores pagos  aos segurados empregados, enumerados a seguir.  Auto de Infração de Obrigação Acessória  • DEBCAD  51.023.955­2  (Código  de  Fundamentação  Legal  –  CFL  83,  no  valor  de  R$  32.341,96)  por  deixar  a  empresa  ou  entidade  que  repassar  recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional,  a  título  de  patrocínio,  licenciamento  de  uso  de  marcas  e  símbolos,  publicidade,  propaganda  e  transmissão  de  espetáculos,  de  reter  para  recolhimento  o  percentual  de  5%  da  receita  bruta,  inadmitida  qualquer  dedução.”  O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário.   O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a  seguinte divergência: Contribuição Previdenciária – Salário Indireto – Prêmio por Tempo  de Serviço/Casa.  Já  o Recurso Especial,  apresentado  pelo Contribuinte Nacional  trouxe  para  análise  as  seguintes  divergências:  1.  Contribuições  Previdenciárias  ­  Salário  indireto  ­  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR)  paga  aos  empregados  segurados.  2.  PLR  paga a ex­diretores.  Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 5          7         RECURSO DO CONTRIBUINTE    PAGAMENTO DE LUCROS E RESULTADOS ­ PLR    O  pagamento  da  participação  nos  lucros  e  resultados  para  trabalhadores,  empregados ou não de uma empresa, sem o recolhimento da contribuição previdenciária, está  assegurado pelo artigo 7º, inciso XI, da CF.  O dispositivo estabelece que são direitos dos  trabalhadores urbanos e rurais  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa.  Assim,  se  a  participação  dos  lucros  está  excluída  do  conceito  de  remuneração,  a  contribuição  incidirá  apenas  sobre  os  demais  rendimentos,  estes  sim, de caráter remuneratório.    I. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL – INCIDÊNCIA  REGULAMENTADA  POR  LEI  ABRANGE  UNICAMENTE  RENDIMENTOS  ADVINDOS DO TRABALHO.    O legislador ordinário foi muito zeloso ao instituir o a base legal de custeio  previdenciário, o fazendo de modo expresso na Constituição Federal, em seu art. 195, I, “a”.  Contudo,  para  melhor  esclarecer  detalhes  de  sua  aplicabilidade  tratou  de  disciplinar  a  aplicação  do  referido  artigo,  por meio  da  edição  da  Lei  nº  8212/91,  conhecida  como Lei de Custeio da Previdência Social.   Observando  tanto  o  artigo  195  da  CF/88,  como  a  referida  Lei  de Custeio,  depreendemos  que  a  tributação  previdenciária  está  claramente  limitada  a  rendimentos  do  trabalho.  A doutrina é maciça neste sentido, como podemos observar as pontuações de  ZAMBITTE IBRAHIM:    “Tanto histórica como normativamente, a contribuição previdenciária é delimitada a  rendimentos  do  trabalho,  tendo  em vista  o  objetivo  das  prestações  previdenciárias  em  substituir  rendimentos  habituais  do  trabalhador,  os  quais,  por  regra,  são  derivados da atividade laboral. Ou seja, a legislação vigente, de forma muito clara,  delimita  a  incidência  previdenciária,  em  qualquer  hipótese,  a  rendimentos  do  trabalho.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio).     Fl. 1888DF CARF MF     8 Partindo da premissa que a contribuição previdenciária é devida tão somente  sobre  as  parcelas  recebidas  a  título  de  remuneração  pelo  trabalho,  são  incabíveis  as  alegações  da  Fazenda  Nacional  de  que  as  parcelas  advindas  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados – PLR, devam sofrer  tal  incidência.  Isso por que a PLR tem relação  intrínseca  com remuneração do capital – lucro.  Essa distinção é  fundamental para que possa compreender o motivo da não  incidência  de  contribuição  previdenciária  patronal  sobre  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados – PLR, recebidas por empregados e administradores.  Para melhor  compreendermos,  é  preciso  levar  em  conta  que  a  participação  referida  –  PLR,  tem  uma  relação  intrínseca  com  o  resultado  auferido,  ela  depende  exclusivamente do êxito, enquanto que a remuneração advinda do trabalho independe do risco  para ser adimplida, basta a contraprestação do trabalho.  Professor Zambitte  Ibrahim bem esclarece  esta  dicotomia  entre  as  referidas  verbas:    “É  também  intuitivo, mesmo para  o  público  leigo,  que um  conceito  não  se  confunde com o outro. É natural e facilmente perceptível que o trabalho, de  modo  algum,  possui  liame  imediato  com  o  lucro.  Não  são  incomuns  as  situações  de  empresários  que, mesmo  após  longa  dedicação  ao  seu mister,  não alcançam qualquer proveito econômico e, não raramente, ainda observam  relevante  perda  patrimonial.  Já  para  trabalhadores,  com  ou  sem  vínculo  empregatício, o rendimento do trabalho é assegurado pela lei, pois não cabe a  eles  o  risco  da  atividade  econômica,  o  qual,  por  natural,  é  assumido  pelo  empresário. Seus rendimentos traduzem mera contraprestação pela atividade  profissional desempenhada”.  O  próprio  ordenamento  jurídico  tratou  de  fazer  esta  distinção,  quando  elencou  no  Código  Tributário  Nacional,  por meio  do  art.  43,  os  tipos  de Rendimentos,  que  ensejam a aplicação do Imposto de Renda:    Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição  da  disponibilidade  econômica  ou  jurídica:   I  ­  de  renda,  assim  entendido  o  produto  do  capital,  do  trabalho  ou  da  combinação de ambos;   II ­ de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais  não compreendidos no inciso anterior.   §  1º  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita  ou  do  rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e  da forma de percepção” (grifei)     Da  leitura  do  artigo  da  lei,  extrai­se  que  a  renda  tributável,  para  fins  do  imposto  sobre  a  renda  e  proventos  de  qualquer  natureza,  é  aquela  decorrente do  produto  do  capital  e/ou  trabalho.  Contudo  resta  evidente  que  a  lei  tratou  de  classificar  a  renda  como:  produto do capital, produto do trabalho ou da combinação de ambos, ou seja, cada uma possui  um conceito próprio.  No caso em tela se estivéssemos discutindo a incidência de imposto de renda,  não haveria qualquer dúvida que este seria aplicável sobre ambas. Ou seja, “se há incremento  patrimonial – e este é o aspecto nuclear do imposto sobre a renda – proveniente de lucros da  atividade econômica pelo empresário ou, cumulativamente, das retribuições pecuniárias pelos  seus serviços, há, em qualquer hipótese, renda tributável.” (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio).  Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 6          9 Isso por que a base de incidência do Imposto de renda engloba proventos de  ambas as naturezas: trabalho e capital. Contudo, o mesmo não ocorre para fins previdenciários,  pois a CF/88 mesmo após a EC nº 20/98, optou por  tributar, somente os rendimentos do  trabalho.   Assim,  “ao  contrário  do  imposto  sobre  a  renda,  a  incidência  previdenciária  é  circunscrita  aos  rendimentos  do  trabalho,  unicamente.  A  disposição  é  categórica  e  cristalina.  Ainda  que  permita  a  inclusão  de  trabalhadores  sem  vínculo  empregatício,  somente  valores  derivados  do  trabalho  podem  sofrer  a  respectiva  tributação.  Como  não  poderia  ser  diferente,  caminha  no  mesmo  sentido  a  regulamentação  infraconstitucional  da  matéria,  em  estrita  observância  do  mandamento  constitucional”.  (ZAMBITTE IBRAHIM, Fábio).     II.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  PATRONAL  –  LIMITAÇÕES LEGAIS DE INCIDÊNCIA     A  EC  nº  20/98,  ampliou  as  possibilidades  de  incidência  da  cota  patronal  previdenciária,  o  que  foi  disciplinado  posteriormente  pela  Lei  nº  9.876/99,  que  deu  nova  redação  ao  art.  22,  I  da  Lei  nº  8.212/91,  responsável  pela  previsão  da  cota  patronal  previdenciária:     Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do  disposto no art. 23, é de:   I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a  qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos  que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato  ou,  ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho ou sentença normativa. (grifei).     Observe­se  que  o  legislador  ordinário  ao  disciplinar  as  inovações  trazidas  pela Emenda Constitucional citada, alargou a  incidência da cota patronal previdenciária, mas  desta vez, com a competência tributária prévia devidamente estabelecida. No entanto, como se  percebe  do  preceito  reproduzido,  a  incidência  é,  ainda,  restrita  aos  rendimentos  do  trabalho.   Para melhor compreender esta alteração – ampliação da base de incidência da  cota patronal ­ é necessário mencionar que a alteração produzida pela nova lei foi unicamente  no sentido de incluir outros segurados além da categoria dos empregados.   Não  por  incluir  valores  outros  além  dos  rendimentos  do  trabalho,  mas,  unicamente,  pela  inserção  de  remunerações  pagas  ou  devidas  a  outros  segurados,  além  de  empregados. Mantendo, portanto, a mesma regra quanto ao tipo de rendimentos, qual seja, que  este seja advindo do trabalho.  Ainda citando Professor ZAMBITTE IBRAHIM:    Fl. 1890DF CARF MF     10 “Este  sempre  foi  o  real  objetivo  da  alteração  constitucional,  aqui  devidamente  conquistado. Novamente, não há qualquer previsão na Lei nº 8.212/91 que albergue  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  lucros  e  resultados  de  diretores  não­empregados.  Não  é  de  imposto  de  renda  que  se  trata,  mas  sim  de  contribuição previdenciária.     Neste ponto, merece referência a Lei nº 8.212∕91, no art. 28, III, a qual prevê, como  salário­de­contribuição  de  contribuintes  individuais,  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta  própria.  O  pagamento de lucros e resultados, como visto, não reflete remuneração, pois não se  trata de rendimento do trabalho.     Aqui, não há inclusão de tais valores na base previdenciária, seja do segurado ou da  empresa. Como reconhece o próprio Regulamento da Previdência Social ­ RPS, no  art. 201, § 5º, somente na hipótese de ausência de discriminação entre a remuneração  do  capital  e  do  trabalho,  na  precisa  dicção  do  RPS,  é  que  haverá  a  potencial  incidência  sobre  o  total  pago  ou  creditado  ao  contribuinte  individual,  haja  vista  a  comprovada fraude.”     Diante da citação feita pelo doutrinador, mister se faz a leitura do dispositivo  legal apontado, art. 201, § 5º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº  3.048/99, em sintonia com a Constituição e a Lei nº 8.212/91, que expressamente reconhece a  dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, especialmente quando voltados a segurados  contribuintes individuais:     Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de:   (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos  ao exercício de profissões  legalmente  regulamentadas, a contribuição da empresa  referente aos segurados a que se referem as alíneas “g” a “i” do inciso V do art. 9º,  observado  o  disposto  no  art.  225  e  legislação  específica,  será  de  vinte  por  cento  sobre:   I ­ a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de  acordo com a escrituração contábil da empresa; ou   II  ­  os  valores  totais  pagos  ou  creditados  aos  sócios,  ainda  que  a  título  de  antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a  remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratar­se  de  adiantamento  de  resultado  ainda  não  apurado  por  meio  de  demonstração  de  resultado do exercício. (grifei)     Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº  9.876/99, que  criou o  segurado contribuinte  individual, mediante a unificação das  categorias  autônomo,  equiparado  a  autônomo  e  empresário,  houve  uma  rígida  adequação  de  tais  segurados ao mesmo regramento. A  ideia geral  é no sentido de que contribuintes  individuais  somente  terão a  respectiva  incidência previdenciária  sobre os valores que visarem retribuir o  trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária  patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos.    Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 7          11 III – LEI 10.101/2000 – FORMALIDADES PARA IMPLEMENTAÇÃO  DA PLR.    A  Lei  10.101/2000  disciplina  as  formalidades  necessárias  para  a  caracterização  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados.  Assim  um  conjunto  de  disposições  esclarecem  quando  se  trata  ou  não  de  parcela  não  remuneratória  e  isenta  de  contribuições  previdenciárias.  Isso  se  faz  necessário,  logicamente,  para  evitar  que  o  instituto  seja  desvirtuado,  ou  que,  verbas  de  natureza  remuneratória  sejam  taxadas  como  pagamento  de  PLR.,  com  o  fim  unicamente  de  burlar  o  sistema  tributário  e  não  pagar  contribuições  previdenciárias.  Dentre  estes  requisitos  formais,  temos,  a  negociação  entre  empregadores  e  empregados,  por meio  de  comissão,  integrada  também por  um  representante  do  sindicato  da  categoria ou de convenção/acordo coletivo.   Assim  como  requisitos  materiais  com  regras  claras  e  objetivas  quanto  aos  direitos  substantivos  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  do  seu  cumprimento, periodicidade da distribuição, vigência e prazos de revisão.   E  o  critério  de  pagamento  pode  ter  por  base,  entre  outros,  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  ou  de  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados previamente.    Lei 10.101/2000    Art.  2º A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos  procedimentos  a  seguir  descritos,  escolhidos pelas partes de comum acordo:    I  ­  Comissão  paritária  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ Convenção ou acordo coletivo.    § 1º Dos  instrumentos decorrentes da negociação deverão  constar regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo,  podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes critérios e condições:    I ­ Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa;  II ­ Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.    §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade  sindical  dos  trabalhadores.  § 3º Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei:  Fl. 1892DF CARF MF     12   I ­ A pessoa física;  II ­ A entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente:    a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes,  administradores ou empresas vinculadas;  b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País;  c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de  encerramento de suas atividades;  d)  mantenha  escrituração  contábil  capaz  de  comprovar  a  observância  dos  demais  requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que  lhe sejam aplicáveis.    § 4º Quando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II  do § 1o deste artigo:    I  ­  A  empresa  deverá  prestar  aos  representantes  dos  trabalhadores  na  comissão  paritária informações que colaborem para a negociação  II ­ Não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho.    Art.  3º  A  participação  de  que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa  a  remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de  qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.      O caso dos autos discute o possível descumprimento de destas formalidades,  as quais passo a analisar.    IV ­ PLR PAGAS AOS EMPREGADOS DA EMPRESA        Ausência de Regras Claras e Objetivas    No caso dos autos observo que a única formalidade do contrato de PLR que  restou  para  análise  foi  a  referente  a  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos da participação e das regras adjetivas.  A  discussão  travada  entre  as  partes,  pareceu  bem  pontuada  pelo  voto  do  conselheiro relator, embora este tenha por fim restado vencido, nos seguintes termos:    DAS REGRAS  Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 8          13 Às  fls  304  ,  consta  a Convenção Coletiva  de Trabalho  sobre  a  Participação dos Empregados nos Lucros o PLR dos bancos em  geral, assinada em 18/10/2007 para o resultado de 2007, pelos  sindicatos  representantes  dos  empregados  e  pela  entidade  de  classe  dos  empregadores  .  Na  forma  do  que  se  exige  no  art.  definiram­se  regras  para  pagamento  de  PLR  para  todo  o  segmento.  No  Caput  da  cláusula  primeira  do  documento,  vinculados  à  hipótese de ao lucro líquido do banco, e com limites percentuais  sobre o resultados , para pagamento até 03.03.2008, valores de  80 % sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial,  acrescidos  de  um  valor  mínimo  fixo  de  R$  878,00  limitado  ao  máximo de R$ 5.826,00.  No  Parágrafo  sexto  da  cláusula  primeira,  convencionaram­se  que  o  banco  que  apresentar  prejuízo,  no  exercício  de  2007,  (  balanço de 31.12.2007) estará isenta da Participação de Lucros  ou resultado.  Às  fls.  373,  nos  mesmos  moldes  da  CCT  de  2007,  consta  a  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  sobre  a  Participação  dos  Empregados  nos  Lucros  o PLR  dos  bancos  em  geral,  assinada  em 03/11/2008 para o resultado de 2008 :  “CLÁUSULA  PRIMEIRA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS (P.L.R)  Ao empregado admitido até 31.12.2007 em efetivo exercício em  31.12.2008,  convenciona­se  o  pagamento,  pelo  banco,  até  02.03.2009,  de  90%  (noventa  por  cento)  sobre  o  salário­base  mais  verbas  fixas mensais de natureza salarial,  reajustadas  em  setembro/2008, acrescido do valor fixo de R$ 966,00 (novecentos  26 e sessenta e seis reais), limitado ao valor de R$ 6.301,00 (seis  mil, trezentos e um reais).”  Na mesma linha, as fls 437 , registram­se as regras para o ano  de 2009.  Aduz que às fls.1.491/1.492, em grau de recurso, a empresa traz  argumentos que reputo  corretos na medida em que a  lei  exige  estabelecer  e  fazer  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas.  Destaco  que  as  regras  têm  de  ser  claras  para  os  pactuantes  e  não  necessariamente  para  terceiros.  Os  mecanismos  de  aferição  a  que  se  refere o  legislador objetivam  permitir  pleno  entendimento  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento do acordado. Desse modo é pertinente a conclusão  a  que  chegou  a  recorrente  na  final  dos  argumentos  postos  ao  concluir que “  inexiste qualquer obrigatoriedade de que sejam  fixados  objetivos  e  metas  para  se  legitimar  os  pagamentos  realizados a título de PLR . (...)( fls . 1492, parte final).  De fato o descrito na parte final do § 1o , II, art. 2°, abre o leque  para que se estabeleça qualquer  critério,  entretanto,  há que se  Fl. 1894DF CARF MF     14 ter presente, desde que não se desconfigure a natureza  jurídica  do benefício.:  “§  1o  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:”  No  que  se  impõe  estabelecer  regras  ,  os Acordos/Convenções  Coletivas prevêem uma “garantia de participação mínima”, que  representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados,  independentemente de qualquer meta ou resultado.  Entretanto o PLR não ficou reduzido a  isto. No  item 2.4.24 do  Relatório  Fiscal  a  autoridade  autuante  descreve  em  minúcias  toda a história do PLR implementado na empresa desde 1997.  Inclusive as regras contendo Conceito de Desempenho, Padrões  não  Cumpridos,  Padrões  Cumpridos,  Padrões  Excedentes  e  Padrões Outsanding.  No mesmo  sobredito  item  consta  registro  de  que  como  foram  implementados  o  PLR  para  o  período  autuado:  2.4.24.O  plano  de  participação  nos  Lucros  ou  Resultados,  recebeu ao longo dos anos aditamentos e re­ratificações, adiante  descritos:  (...)  Em  01  de  dezembro  de  2007,  foi  assinado  pelo  Banco  e  Comissão  de  Funcionários  o  Aditamento  e  Re­Ratificação  do  plano  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  da  Lei  n°  10.101, de 19/12/2000.  Resolvem, através deste  instrumento, manter a participação do  biénio 2008 e 2009 nos mesmos moldes da participação do ano  de 2007, observando o seguinte:  1.  O  Item  VIII  Disposições  de  Caráter  Geral  passa  a  ter  a  seguinte redação:  Não  havendo  por  parte  do  funcionário  do  Banco  oposição  no  prazo  de  seis  meses  anteriores  ao  término  o  mandato  da  Comissão, a Comissão eleita para o exercício de cinco anos de  mandato  terá  seu  mandato  prorrogado  automaticamente  por  mais  cinco  anos  após  o  término  do  primeiro mandato,  e  assim  sucessivamente,  sendo  substituído  o  membro  titular  por  seu  suplente em caso de necessidade.  2. Ficam ratificadas as demais cláusulas não alteradas por este  instrumento “   No  Relatório  Fiscal  a  autoridade  autuante  revela  seu  entendimento sobre direitos substantivos :  Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 9          15 “Os direitos substantivos mencionados no § Io do art. 2o da Lei  10.101/00,  referem­se  à  possibilidade  de  os  trabalhadores  conhecerem previamente, no instrumento de negociação, quanto  irão receber se as metas acordadas forem cumpridas.  Já as regras adjetivas desse mesmo dispositivo dizem respeito à  forma  para  a  obtenção  dos  direitos  substantivos,  aos  mecanismos  de  aferição  para  demonstrar  o  desempenho  do  empregado em relação às metas acordadas, à periodicidade da  distribuição,  ao  período  de  vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo.  Tanto  em  relação  ao  direito  substantivo  quanto  em  relação  às  regras  adjetivas  a  lei  requer  clareza  e  objetividade de modo  a  impedir  que  critérios  ou  condições  subjetivos  dificultem  a  participação dos trabalhadores nos Lucros ou Resultados.”  Vê­se que comete equívoco a autoridade autuante tendo em vista  que ao se referir aos direitos substantivos o legislador quis falar  do conjunto de normas que regulam os fatos jurídicos e não da  possibilidade  de  saber  quanto  o  empregador  irá  ganhar.  Este  ruído  formou  convicção  de  autuar  e  que  tal  como  vozes  dissonantes  neste  egrégio  Conselho  entendem  que  para  a  aquisição  do  benefício,  o  acordo  prévio  tenha  que DEFINIR  o  que  o  trabalhador  precisa  praticar  para  receber  o  benefício  estabelecendo­se  metas,  resultados,  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa  mediante  fixação  de  regras.  De fato a lei define que se estabeleçam regras claras e objetivas.  Se  os  pactuantes  ,  empregados  e  empregadores,  assim  as  entenderam mediante acordo  , penso que descabe tutela. O que  ficar pactuado desde que  legal, por mais esdrúxulo que pareça  para terceiros , terá de ser respeitado.    Tratam­se  de  acordos  reiterados  (2007,  2008  e  2009),  houve  a  legítima  participação  dos  partícipes  legalmente  habilitados,  não  restando,  portanto,  espaço  para  insurgência da fiscalização quanto ao teor das regras e metas negociadas no contrato de PLR.  Da análise de  tais ponderações  considero que  as  regras  eram suficientes  ao  cumprimento do dispositivo legal, pois relacionavam­se a lucratividade.    V – PAGAMENTO DE PLR A DIRETORES NÃO EMPREGADOS    O Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo Decreto  nº  3.048/99,  RPS, no art. 201, § 5º, dispõe que somente na hipótese de ausência de discriminação entre a  remuneração do capital e do trabalho, é que haverá a potencial incidência sobre o total pago ou  creditado ao contribuinte individual, haja vista a comprovada fraude.  Fl. 1896DF CARF MF     16 Para melhor  compreender  a  questão,  mister  se  faz  a  leitura  do  dispositivo  legal  apontado,  em  sintonia  com  a  Constituição  e  a  Lei  nº  8.212/91,  que  expressamente  reconhece a dualidade entre rendimentos do capital e trabalho, explanada na parte inicial  deste voto, especialmente quando voltados a segurados contribuintes individuais:       Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de:   (...) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos  ao exercício de profissões  legalmente  regulamentadas, a contribuição da empresa  referente aos segurados a que se referem as alíneas “g” a “i” do inciso V do art. 9º,  observado  o  disposto  no  art.  225  e  legislação  específica,  será  de  vinte  por  cento  sobre:   I ­ a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de  acordo com a escrituração contábil da empresa; ou   II  ­  os  valores  totais  pagos  ou  creditados  aos  sócios,  ainda  que  a  título  de  antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a  remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratar­se  de  adiantamento  de  resultado  ainda  não  apurado  por  meio  de  demonstração  de  resultado do exercício. (grifei)       Ad argumentandum tantum, uma vez que vem sendo levantado pela Fazenda  Nacional, reputo incabível arguir que o tratamento dado a sócios administradores de sociedades  prestadoras  de  serviço  não  possam,  como  exposto  no  art.  201,  §  5º  do  RPS,  aplicar­se  a  administradores  não­empregados  de  sociedades  anônimas.  Esta  distinção  não  existe  na  legislação previdenciária.   Com a reclassificação dos segurados da Previdência Social advinda da Lei nº  9.876/99, que  criou o  segurado contribuinte  individual, mediante a unificação das  categorias  autônomo,  equiparado  a  autônomo  e  empresário,  houve  uma  rígida  adequação  de  tais  segurados ao mesmo regramento. A  ideia geral  é no sentido de que contribuintes  individuais  somente  terão a  respectiva  incidência previdenciária  sobre os valores que visarem retribuir o  trabalho, e nunca o capital. O que deixa nítida a não incidência da Contribuição Previdenciária  patronal sobre a PLR paga no caso concreto dos autos.        INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 – CASO DE APLICAÇÃO  DA LEI ESPECIAL – LEI 6.404/76.      Nesse  sentido,  entendo  que  para  a  hipótese  de  pagamento  de  PLR  a  trabalhadores sem vínculo de emprego, como é o caso discutido nos autos, o regramento a ser  aplicado será aquele que regula seu pagamento, ou seja, o parágrafo 1º do artigo 152, da Lei  6.404/76.  Registro aqui que deixo de aplicar a Lei 10.101/2000, não por entender que  ela não se aplica a diretores não empregados, pois a redação da  lei se  refere a  trabalhadores,  independentemente de seu vínculo de emprego.   Contudo  a  Lei  das  S.A.s,  é  sem  dúvida  a  norma  mais  específica  a  ser  aplicada, portanto, enquadrada no conceito de “lei específica” apta a regular o pagamento de  PLR a administradores, pois, estando tal rubrica desvinculada da remuneração e excluída do  conceito  legal  de  salário  de  contribuição,  não  se  relaciona  com  rendimentos  advindos  do  trabalho.  Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 10          17 Também  importa  notar  o  art.  152  da  Lei  nº  6.404/76,  ao  estabelecer  que  eventual distribuição de valores derivados do  trabalho ou capital  é  atribuição da Assembléia  Geral, nas regras internamente estabelecidas. A inaplicabilidade da Lei nº 10.101/00 ao caso,  tendo em vista  também a existência  regramento mais específico, não  implica a admissão, na  base previdenciária, de valores completamente desvinculados do rendimento do trabalho.   Importante  fazer  esta  ressalva,  o  fato  da  Lei  10.101/00  não  contemplar  diretores não empregados, não afasta de modo algum a aplicação do disposto na lei 6.404/76.  Entender diferente denota uma interpretação tendenciosa da norma legal e frustra os objetivos  do legislador ordinário que ao criar a PLR pensava especificamente em possibilitar as empresas  que se tornassem mais competitivas no mercado, por meio de incentivos previstos em Lei.  É  nítido  que  os  rendimentos  pagos  a  administradores  não  empregados,  nos  termos  da  Lei  nº  6.404/76,  diferentemente  dos  valores  pagos  a  empregados,  não  possuem  correlação  necessária  com  o  trabalho,  não  possuindo,  portanto,  a  mesma  natureza  contraprestacional que o salário.   Isso  explica  a  necessidade  de  normatização  própria  da  PLR,  para  empregados, qualificando e delimitando os valores desprovidos de natureza salarial, dentro de  um quadro normativo detalhado. Para administradores, como a regra é diversa, a necessidade  de  legislação  especifica  perde  o  sentido,  uma  vez  que  a  previsão  na  Lei  das  SA  já  era  suficiente.    Por  fim,  cumpre  citar  excerto  do  artigo  recentemente  publicado  pelo  professor Fábio Zambitte no Portal Jurídico Migalhas:    “Não obstante o cenário negativo nas jurisprudências judicial e administrativa, tenho  convicção que a cobrança da cota patronal previdenciária sobre os valores pagos a  diretores  não­empregados  não  encontra  suporte  tanto  na  Constituição  como  na  legislação  vigente,  externando  incongruências  irreconciliáveis  com  a  própria  regulamentação administrativa da matéria. O tema ainda sofre com as compreensões  equivocadas sobre base tributável previdenciária, não raramente tentando igualar as  dinâmicas  impositivas  do  imposto  de  renda  e  da  cota  patronal  previdenciária. Tal  premissa, além de contrária a todos os preceitos normativos vigentes, ainda ignora o  papel do sistema protetivo como substituidor de rendimentos habituais, responsáveis  pela manutenção do segurado e sua família. A tentativa de alargamento forçado da  base previdenciária, mais do que uma preocupação abstrata com a correta aplicação  das  regras  legais  e  constitucionais  de  competência  tributária,  traduz  uma  arbitrariedade  fiscal  com  foco  exclusivo  no  aumento  de  receitas  para  um  sistema  atuarialmente desequilibrado. Sem embargo, insisto que, como reconhece a própria  regulamentação  administrativa,  se  um  contribuinte  individual,  sócio  administrador  de  sociedade  limitada,  pode  receber  valores  derivados  do  capital  –  lucro  –  sem  a  conseqüente  tributação  e  independente  da  submissão  aos  ditames  da  Lei  nº  10.101/00,  o  mesmo  valerá  para  qualquer  contribuinte  individual,  o  que  inclui  diretores não empregados de sociedades anônimas”.     Por  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Especial  interposto  pelo  Contribuinte para no mérito dar­lhe provimento, devendo ser  reformado o acórdão  recorrido,  com  objetivo  e  cancelar  o  auto  de  infração,  pois  não  há  juridicamente  como  se  falar  em  contribuição  previdenciária  dos  valores  pagos  pela  recorrente  a  título  de  PLR  objeto  do  lançamento.    Fl. 1898DF CARF MF     18 Em face  ao  exposto,  conheço do Recurso Especial  do Contribuinte para no  mérito dar­lhe provimento.    RECURSO DA FAZENDA NACIONAL  O acórdão  recorrido  entendeu  que  os  valores  recebidos  a  título  de  “prêmio  por  tempo de serviço/casa”,  tem características de ganho eventual, não habitual, pago apenas  uma  vez,  sem  vínculo  pela  realização  de  um  trabalho,  produção  ou  meta,  assim,  afastou  a  incidência tributária.  Adoto  as  razões  do  acórdão  recorrido  para  dirimir  a  questão,  uma  vez  que  observo que esta não merece reparos.  No Relatório Fiscal a autoridade autuante  registrou que  foram  verificadas  divergências  entre  os  valores  das  folhas  de  pagamento  e os da GFIP, na competência de 12/09. Pelo exposto, sou de conferir razão ao contribuinte postos  que  além  de  o  pagamento  numa  única  competência  não  caracterizar  habitualidade,  na  exegese  do  caput,  do  art.  28,  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês, destinados a retribuir o trabalho. Prêmio  pago  uma  única  vez  por  ter  sido  alcançado  um  certo  tempo  de  casa  não  é  retribuição  por  produtividade  ou atingimento de meta como assevera a instância a quo:  Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para  no mérito negar­lhe provimento.    É como voto.    (assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes       Voto Vencedor  Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado  Não  obstante  o  bem  fundamentado  voto  da  i.  Relatora,  dele  divirjo  pelas  razões de fato e de direito que exponho a seguir.  Tem­se  recursos  especiais  do  Contribuinte  e  da  Fazenda  Nacional,  cujas  matérias devolvidas à apreciação desta Câmara Superior de Recursos Fiscais são as seguintes:  Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 11          19 a) Recurso Especial do Contribuinte:  ­ PLR paga a segurados empregados; e   ­ PLR paga a ex­diretores;  b) Recurso Especial da Fazenda Nacional:  ­ Prêmio por tempo de serviço. Incidência de contribuição previdenciária.  Recurso Especial do Contribuinte  PLR PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS  De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/83), no período objeto da autuação  o  Sujeito Passivo  remunerou  segurados  a  seu  serviço  por meio  de  PLR,  com  base  tanto  em  Convenção Coletiva de Trabalho quanto em Plano Próprio.  Assevera  a  autoridade  autuante  que  as  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  “prevêem  uma  ‘garantia  de  participação  mínima’,  que  representa  uma  quantia  certa  a  ser  recebida  pelos  empregados,  independentemente  de  qualquer  meta  ou  resultado”,  configurando­se  verdadeira  gratificação  semestral  ajustada,  sem  nenhum  caráter  de  “participação nos  lucros ou  resultados”,  em virtude disso,  o benefício  estaria  em desacordo  com  o  caput  do  art.  3º  da  Lei  10.101/2000,  que  estabelece  que  PLR  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida ao empregado.  Com  relação  ao  Programa  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  estabelecido pela empresa (Plano Próprio), a Fiscalização concluiu que embora tenha havido o  estabelecimento do programa de metas e resultados a serem cumpridos pelos empregados, de  maneira  a  justificar  o  pagamento  do  benefício,  não  foi  feito  o  devido  acompanhamento  do  programa,  como  também  a  avaliação  do  desempenho  dos  empregados  para  a  obtenção  dos  resultados alcançados.  A  exemplo  da  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  o  acórdão  recorrido manteve o lançamento pelas seguintes razões:  a) com relação à PLR paga com base nas Convenções Coletivas de Trabalho,  o  instrumento  prevê  a  garantia  de  participação  mínima  (pagamento  de  quantia  certa  a  ser  recebida pelos empregados), independentemente de qualquer meta ou resultado; e  b)  quanto  ao  Plano  Próprio,  a  empresa  não  possui  os  documentos  que  poderiam ter servido de base para a realização das avaliações de desempenho e declara também  não dispor dos resultados das avaliações promovidas no período fiscalizado.  Em sede de Recurso Especial, a Recorrente alega que a maior parte da PLR  paga  no  período  de  2009  foi  feita  com  base  nas  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  dos  Bancários, nos exatos termos da Lei 10.101/00, sendo raros os casos de pagamentos além da  previsão normativa, ou seja, com base do Plano Próprio da empresa”. Infere ainda que:  Apesar disso, o r. acórdão recorrido descaracterizou a natureza  indenizatória da PLR, ao argumento de que a exação distribuída  pelo Recorrente não cumpria a imposição legal do §1º do art. 2º  da Lei nº 10.101/2000. Além disso, entendeu o voto condutor do  Fl. 1900DF CARF MF     20 acórdão  recorrido  que  as  regras  previstas  nas  CCT’s  dos  Bancários  não  seriam  claras  e  objetivas  quanto  aos  direitos  substantivos  relativos à PLR e quanto às  regras adjetivas para  fruição da referida PLR.  Sobre  a  alegação  de  não  cumprimento  dos  termos  da  Lei  n°  10.101/2000,  sobretudo no tocante à ausência de previsão de regras claras e específicas para distribuição da  PLR  paga  com  base  na  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  bem  como  a  ausência  de  comprovação  da  apuração  da  avaliação  de  desempenho  ou  cumprimento  de  metas  pelos  trabalhadores para distribuição da PLR prevista no Plano Próprio, afirma que o rol do § 1º do  art. 2º da Lei é exemplificativo e que inexiste qualquer obrigatoriedade de que sejam fixados  objetivos e metas para se legitimar o pagamento do benefício. Segundo entende o Contribuinte,  há obrigatoriedade apenas de que estejam previstas regras, de modo a minimizar dúvidas que  impeçam ou dificultem o cumprimento do acordo e que o objetivo do dispositivo legal é tão­ somente assegurar o direito à divisão de lucros, evitando­se que o trabalhador tenha seu direito  mitigado em razão de cláusulas dúbias e de difícil interpretação.  No termos o da peça recursal, as partes têm liberdade para definir o plano que  melhor  se adeque à  sua  realidade, desde que mantida a compatibilidade com a natureza e os  objetivos  da  PLR  e  que  o  benefício  foi  pago  em  razão  do  auferimento  de  lucro  líquido  no  período.  Pois  bem.  As  contribuições  destinadas  ao  custeio  da  Previdência  Social,  incidentes sobre a folha de salários, encontram abrigo na alínea “a” do inciso I e no inciso II do  art. 195 da CF/1988:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições  sociais:  (Vide  Emenda  Constitucional  nº  20,  de  1998)  I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma da  lei,  incidentes sobre:  (Redação dada pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 20, de 1998)  [...]  II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)  [...]  Como  forma  de  resguardar  a  previdência  pública,  o  legislador  constituinte  tratou de esclarecer que a incidência da contribuição alcança a folha de salários, além de todo e  qualquer outro rendimento do trabalho, independentemente do nomen jures que lhe venha a ser  atribuído.  Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 12          21 À luz do que estabelece o texto constitucional, o art. 22 da Lei nº 8.212/1991  instituiu a base de cálculo das contribuições das empresas para o Regime Geral de Previdência  Social  como  sendo  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante o mês, aos segurados a seu serviço, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja  a sua forma. No mesmo sentido, no que se refere às contribuições dos segurados, o art. 28 da  mesma  lei  define  como  hipótese  de  incidência  tributária  (salário­de­contribuição)  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas  com  o  intuito  de  retribuir  o  trabalho,  a  qualquer título e independentemente da forma de pagamento.  Não  restam  dúvidas  de  que  a  PLR  paga  aos  empregados  tem  por  objetivo  retribuir  o  trabalho.  Via  de  regra,  o  desígnio  dessa  verba  é  premiar  o  esforço  adicional  empreendido  pelos  obreiros  no  intuito  de  incrementar  os  resultados  da  empresa.  Desnecessários, pois, grandes esforços interpretativos para se concluir que a participação nos  lucros ou resultados encontra­se inserida na base de cálculo do tributo. Aliás, entendimento em  sentido  diverso  não  encontra  baliza  na  doutrina  especializada,  tampouco  na  jurisprudência  consolidada.  É  certo  que  a  própria  Constituição  da  República  elencou  entre  os  direitos  sociais  do  trabalhadores  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  das  empresas,  porém,  a  desvinculação  de  referida  parcela  da  remuneração  está  subordinada  à  observância  dos  requisitos estabelecidos em lei, conforme preceitua o inciso XI de seu art. 7º:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  [...]  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei. (Grifou­se)  Em estrita consonância com o texto constitucional a alínea “j” do § 9º do art.  28  da  Lei  n°  8.212/1991  estabelece  que  a  exclusão  da  parcela  paga  a  título  de  PLR  da  composição da base cálculo das contribuições previdenciárias está condicionada à  submissão  dessa verba à lei reguladora do dispositivo constitucional. Senão vejamos:  Art. 28. [...]  [...]  § 9º Não integram o salário­de­contribuição:  [...]  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica.  [...] (Grifou­se)  A  regulamentação  reclamada  pelo  inciso  XI  de  seu  art.  7º  da  CF/1988  somente  ocorreu  com  a  edição  da Medida  Provisória  n°  794,  de  29  de  dezembro  de  1994,  reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei n° 10.101/2000. Antes disso,  tendo em vista a  eficácia  limitada  da  disposição  constitucional,  era  perfeitamente  cabível  a  tributação  das  parcelas pagas  sob a denominação de PLR pelas  contribuições previdenciárias. Ademais,  foi  Fl. 1902DF CARF MF     22 exatamente nesse sentido que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento a respeito do  tema. Confira­se:  RE393764  AgR  /RS­RIO  GRANDE  DO  SUL  AG.REG.NO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIORelator(a):  Min.  ELLEN  GRA  CIEJulgamento:  25/11/2008  Órgão  Julgador:  Segunda  Turma  Ementa  DIREITO  CONSTITUCIONAL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SOBRE  A  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  ART.  7º,  XI,  DA  CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94.  1. A  regulamentação  do  art.  7°,  inciso XI,  da Constituição Federal  somente  ocorreu  com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de  cobrança dá contribuição previdenciária em período anterior à  edição da Medida Provisória 794/94.  Decisão  A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso  de agravo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, licenciado,  o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2"Turma, 25.11.2008.  RE  398284  /  RJ  ­  RIO  DE  JANEIRO  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  Relator(a): Min. MENEZES DIREITO   Julgamento: 23/09/2008   Órgão Julgador: Primeira Turma  Ementa  Participação  nos  lucros.  Art.  7º,  XI,  da  Constituição  Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O  exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição  Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para  regulamentá­lo, diante da imperativa necessidade de integração.  2.  Com  isso,  possível  a  cobrança  das  contribuições  previdenciárias  até  a  data  em  que  entrou  em  vigor  a  regulamentação  do  dispositivo.  3.  Recurso  extraordinário  conhecido e provido.  A decisão da Suprema Corte corrobora a cognição de que os valores pagos a  título de PLR têm natureza retributiva e sua desvinculação do salário­de­contribuição, repise­ se,  está  subordinada  ao  estrito  cumprimento  dos  requisitos  estabelecidos  na  lei  regulamentadora do benefício.  A Lei nº 10.101/2000, é a norma que regula a participação dos trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  e define  os  requisitos  para  que  os valores  pagos  a  esse  título passam ser excluídos da base de incidência das contribuições previdenciárias. Vejamos:  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante sindicado pelo sindicato da respectiva categoria;  Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 13          23 II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  [...]  Art.  3º  A  participação  de  que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.  [...]  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.  § 3º Todos os pagamentos  efetuados  em decorrência de planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  § 4º A periodicidade semestral mínima referida no § 2º poderá  ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000,  em função de eventuais impactos nas receitas tributárias.  À luz das disposições legais encimadas, na redação contemporânea aos fatos  geradores, os instrumentos decorrentes da negociação coletiva hão de conter:  · regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  dos  trabalhadores;  · mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento  do acordado;  · periodicidade da distribuição;  · período de vigência; e  Fl. 1904DF CARF MF     24 · prazos para revisão do acordo.  Os incisos I e  II do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000,  trazem ainda, em  caráter  exemplificativo,  alguns  parâmetros  que  poderão  ser  adotados  em  decorrência  do  processo de negociação com vistas à instituição da PLR, são eles:  · a estipulação de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade  da empresa, e  · programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.  A Lei não define de forma detalhada quais são os critérios a serem definidos  na  instituição  de  programas  de PLR,  cabendo  aos  sindicatos  ou  às  comissões  envolvidas  no  processo de negociação, estabelecer tais critérios. Resta claro, portanto, que o intuito da norma  é obstar que  critérios ou  condições  subjetivos  impeçam a participação dos  trabalhadores nos  lucros ou resultados da empresa. A objetividade e clareza exigidas pelo § 1° do art. 2° da Lei  n°  10.101/00,  representam  uma  forma  de  garantir  que  não  haja  dúvidas  que  possam  impossibilitar ou mesmo dificultar o cumprimento do que venha a ser acordado.  Os direitos substantivos referem­se a normas estabelecidas para definição da  PLR,  já  as  regras  adjetivas  têm  relação  com  os  procedimentos  necessários  à  obtenção  do  benefício. Todavia,  tanto  quando o  direito  substantivo  for  baseado  em  resultados  quanto  em  lucro  há  necessidade  de  estabelecimento  de metas,  além  de mecanismos  de  aferição  de  seu  cumprimento,  sob  pena  de  desvirtuamento  do  instituto,  com  o  pagamento  de  salário  sob  o  manto de participação nos lucros ou nos resultados.  Retomando­se  o  exame  do  caso  concreto,  importa  fazer  um  reparo  nos  argumentos trazidos na peça recursal. Ao revés do que infere o Sujeito Passivo, não há no voto  condutor  da  decisão  recorrida  qualquer  consideração  a  respeito  das  regras  previstas  na  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  –  CCT.  Conforme  evidenciado  no  início  deste  voto,  o  Colegiado a quo decidiu por manter o lançamento em relação aos valores pagos a título de PLR  com  base  na  CCT  porque  dito  instrumento  garante  o  pagamento  de  um  valor  específico,  independentemente de qualquer tipo de meta ou resultado.  De  fato,  do  exame  da  Cláusula  Primeira  da  CCT  válida  para  2009,  reproduzida no Relatório Fiscal, não há como concluir de forma diversa. Confira­se:  CLAUSULA  PRIMEIRA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS (P.L.R)  Ao empregado admitido até 31.12.2007 em efetivo exercício em  31.12.2008,  convenciona­se  o  pagamento,  pelo  banco,  até  02.03.2009,  de  90%  (noventa  por  cento)  sobre  o  salário­base  mais  verbas  fixas mensais de natureza salarial,  reajustadas  em  setembro/2008, acrescido do valor fixo de RS 966,00 (novecentos  e  sessenta  e  seis  reais),  limitado  ao valor  de R$ 6.301,00  (seis  mil, trezentos e um reais).  Ao estabelecer o pagamento de valores fixos mensais, a despeito de metas de  desempenho  ou  exigência  de  resultados,  o  que  se  fez  por  meio  de  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  foi  criar  uma  complementação  de  salarial,  não  havendo  que  se  fazer  reparos  no  entendimento do Fisco segundo o qual:  2.4.28  Os  Acordos/Convenções  Coletivas  (firmados  em  texto único para a  categoria  com vigência  em  todo o  território  nacional) prevêem uma “garantia de participação mínima”, que  Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 14          25 representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados,  independentemente  de  qualquer  meta  ou  resultado,  configurando­se verdadeira gratificação semestral ajustada, sem  nenhum  caráter  de  “participação  nos  lucros  ou  resultados”,  desvirtuando completamente do disposto no art. 3º, caput, da Lei  10.101/00,  que  rege  a  matéria,  quando  assevera  que  a  participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa  a remuneração devida a qualquer empregado.  No que respeita o Plano Próprio, dos documentos de fls. 160/189 constam os  critérios  estabelecidos  para  o  pagamento  da  PLR.  De  modo  a  ilustrar  a  presente  análise,  impende reproduzir alguns trechos desses documento, destacados no Relatório Fiscal:  I ­ Critérios de Participação nos Lucros ou Resultados  “O Banco BMG S. A. distribuirá, por Exercício Fiscal, até 15 %  do Lucro Líquido Contábil, conforme Balanço Anual auditado e  publicado, dentro do disposto na Lei das S. A.s e condicionado  ao programa de Avaliação e Acompanhamento de Desempenho,  Anexo 01.  [...]  IV­ Forma de distribuição  Condicionada  ao  desempenho  da  Empresa,  conforme  Tópico  I  anterior, e ao Desempenho dos profissionais, tomando por base  o  Programa  de  Avaliação  e  Acompanhamento  de  Desempenho  do Banco BMG S. A., Anexo 1.  [...]  VIII ­ Disposições de Caráter Geral  [...]  04.  O  Conceito  de  Desempenho  será  o  considerado  após  a  avaliação  individual  do  funcionário,  efetuado  por  sua  chefia  imediata  e  verificação  final  da  chefia  mediata  do  setor  de  locação do  funcionário, considerando­se as metas  contidas nos  Anexos deste  instrumento e os critérios e  itens de avaliação ali  contidos,  [...]  Em 02 de dezembro de 2002,  foi assinado pelo Banco e Comissão  de  Funcionários  o  Aditamento  e  Re­Ratificação  do  plano  de  Participação nos Lucros ou Resultados Medida Provisória 1539­31  Resolvem, através deste instrumento, Alterar a redação do  “Modelo  De  Distribuição/Referencial  Anual  firmado  em  agosto de 1997.  As  partes  resolvem  alterar  o  Modelo  de  distribuição  e  avaliação alterando a forma de avaliação de desempenho,  que se fará a partir de janeiro de 2003, através do Sistema  de  Gestão  de  Performance  (SGP)  no  item  6  “estratégia  para administração de remuneração variável) que passa a  Fl. 1906DF CARF MF     26 fazer  parte  deste  instrumento  substituindo  o  Anexo  I  anterior   A distribuição de participação será efetuada conforme as  regras e parâmetros ali estabelecidos.  [...]  Aperceba­se  que,  relativamente  ao  Plano  Próprio,  o  lançamento  não  foi  motivado  pela  ausência  de  regras  claras  e  objetivas,  essas  regras  estavam  devidamente  consignadas no documento denominado “Programa de Participação nos Lucros e Resultados” e  respectivas  alterações.  Ocorre  que  a  própria  recorrente,  mediante  solicitação  da  autoridade  autuante, declarou expressamente que não dispunha de registros relacionados às avaliações de  desempenho dos beneficiários da PLR ou mesmo dos  resultados dessas  avaliações. Além do  que, não foram apresentadas as atas de reuniões da comissão de empregados, ou seja, inexistem  evidências  da  participação  dos  empregados  na  definição  dos  contornos  do  Plano  Próprio  instituído pela empresa, o que contraria o caput do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, segundo o  qual,” A participação nos  lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e  seus empregados”. A esse respeito, vejamos o que registra o Relatório Fiscal:  2.4.29  Analisando ainda o contido na correspondência de  08/06/2012  (ANEXO  IX)  emitida  pelo  Banco  BMG  S/A,  em  atendimento ao TIF 008, conforme descrito no item 2.4.21, onde  é declarado não possuir os documentos base para a realização  das avaliações de desempenho, declarando também não possuir  os  resultados  das  avaliações  promovidas  nos  períodos  fiscalizados,  conclui­se  que  os  pagamentos  realizados  aos  empregados  e  administradores,  no  período  fiscalizado,  a  título  de  “PLR”  estão  em  desacordo  com  a  legislação  que  rege  a  matéria, especialmente, a Lei n° 10.101/00.  2.4.30  No  mesmo  documento  emitido  em  08/06/2012,  (ANEXO  IX),  o  Banco  declarou  não  possuir  exemplares  das  “atas  de  reuniões  da  comissão  de  empregados”  constituída  e  registrada no sindicato da classe, evidenciando­se que a mesma  não  estava  participando  das  negociações  do  plano  de  participação nos lucros e resultados ­ PLR ou mesmo que estava  em funcionamento. (Grifou­se)  Ao  contrário  do  que  aduz  o  Contribuinte,  a  Lei  10.101/2000  não  impõe  apenas  a  previsão  de  regras  nos  instrumentos  destinados  a  instituir  a PLR,  faz­se  necessário  que  essas  regras  sejam efetivamente  aplicadas para a determinação do benefício. No mesmo  sentido, conquanto as partes tenham liberdade para definir o plano que melhor se adeque à sua  realidade,  uma  vez  não  restando  comprovada  a  ocorrência  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  por  meio  de  comissão  escolhida  pelas  partes  e  integrada  por  um  representante sindicado da categoria, resta evidenciado o descumprimento de mais um preceito  estabelecido  em  lei  e,  por  conseguinte,  deve  incidir  a  contribuição  sobre  os  valores  pagos  a  título de participação nos lucros ou resultados, tendo em vista que a norma isentiva determina  que não incidem contribuições sobre valores atribuídos aos trabalhadores sob essa forma, desde  que pagos ou creditados “de acordo com lei específica”.  PLR PAGA AOS SEGURADOS EX­DIRETORES  Sobre  esse  tema,  a  Recorrente  afirma  que  a  exigência  teve  como  único  fundamento  o  de  que  os  diretores  e  administradores,  por  se  tratarem  de  contribuintes  individuais,  não  estariam  alcançados  pela  regra  de  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias  prevista  no  art.  28,  §  9º,  “j”  da  Lei  8.212/91,  não  se  lhes  aplicando  as  Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 15          27 disposições da Lei 10.101/2000. Infere que a PLR não possui nítido caráter não remuneratório,  tanto para efeitos  trabalhistas como para  fins previdenciários e que a Constituição Federal  já  previu a desvinculação de tal verba da remuneração.  Prossegue com a alegação de que a interpretação semântica e teleológica da  Constituição e da Lei 10.101/2000 leva à conclusão que os referidos diplomas não diferenciam  o trabalhador empregado do contribuinte individual e que o inciso XXXIV e parágrafo único,  do art. 7º da CF/1988, referem­se especificamente ao trabalhador avulso, que teve seus direitos  equiparados  e  ao  doméstico,  que  na  redação  original  da  Carta,  os  teve  diminuídos.  Os  pagamentos  de  PLR  feitos  a  contribuintes  individuais  não  empregados,  defende,  decorre  do  princípio da  igualdade, motivo pelo qual o entendimento diverso  implica violação ao próprio  art. 150, II da Constituição.  Conforme visto no  tópico anterior, os valores pagos a  título de participação  nos  lucros  ou  resultados  foram  considerados  como  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  em  razão,  em  razão  da  inobservância  do  regramento  estabelecido  na  Lei  nº  10.101/2000,  isso,  de per  si, mostra­se  suficiente  para  a negativa  de  provimento  do Recurso  Especial do Contribuinte também nessa parte.  Além do que, de conformidade com o descrito acima, o inciso XI do art. 7º  da Constituição Federal 1988  remete à  lei ordinária a definição do direito à participação nos  lucros ou resultados.  De outra parte, o enquadramento de diretores não empregados na categoria de  contribuintes individuais decorre da alínea “f” do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/1991:  Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:  [...]  V ­ como contribuinte individual:  [...]  f)  o  titular  de  firma  individual  urbana  ou  rural,  o  diretor  não  empregado  e  o  membro  de  conselho  de  administração  de  sociedade  anônima,  o  sócio  solidário,  o  sócio  de  indústria,  o  sócio  gerente  e  o  sócio  cotista  que  recebam  remuneração  decorrente  de  seu  trabalho  em  empresa  urbana  ou  rural,  e  o  associado  eleito  para  cargo  de  direção  em  cooperativa,  associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem  como  o  síndico  ou  administrador  eleito  para  exercer  atividade  de  direção  condominial,  desde  que  recebam  remuneração;  (Grifou­se)  O inciso  III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 estabelece que, em relação aos  contribuintes  individuais,  a  contribuição  da  empresa  incide  sobre  o  total  das  remunerações  pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês. No mesmo sentido é o inciso III do  art.  28  da  mesma  lei  ao  estabelecer  a  hipótese  de  incidência  da  contribuição  do  próprio  contribuinte individual.  Fl. 1908DF CARF MF     28 Mais  adiante,  o  §  9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/1991  define  expressa  e  exaustivamente as  rubricas que, em razão de  isenção ou não  incidência, não estão sujeitas às  contribuições previdenciárias. Entretanto, a situação sob análise não se enquadra em qualquer  das hipóteses relacionadas na Lei de Custeio Previdenciário.  De se esclarecer que no exame ora empreendido não se debate a possibilidade  de  enquadramento  de  contribuintes  individuas  nas  hipóteses  relacionadas  nos  dispositivos  legais que tratam de isenções de contribuições sociais, mas da inaplicabilidade do disposto na  alínea “t” do referido § 9º a essa espécie de segurado da Previdência Social, por absoluta falta  de  amparo  em virtude  de  a Lei  nº  10.101/2000  reportar­se  tão­somente  a  trabalhadores  com  vínculo empregatício, isto é a segurados empregados.  E  não  poderia  ser  diferente,  pois  a  lei  previdenciária  e  a  própria  Lei  nº  10.101/2000 foram editadas nos limites do texto constitucional. Não se olvide que o art. 7º da  Constituição  Federal  reporta­se  especificamente  a  trabalhadores  que  mantêm  relação  de  emprego  com  empresa  e  isso  fica muitíssimo  claro  logo  no  inciso  primeiro  do mencionado  artigo  que  assegura  a  trabalhadores  urbanos  e  rurais  “relação  de  emprego  protegida  contra  despedida arbitrária ou sem justa causa”.  Ademais,  quando quis  estender  os  direitos  sociais  relacionados  no  art.  7º  a  outra categoria de trabalhadores, que não aqueles vinculados à empresa por meio de contrato  formal  de  trabalho,  o  legislador  constitucional  o  fez  expressamente,  conforme  se verifica  do  inciso XXXIV e parágrafo único desse artigo, in verbis:  Art. 7º [...]  [...]  XXXIV ­  igualdade de direitos entre o  trabalhador com vínculo  empregatício permanente e o trabalhador avulso  [...]  Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores  domésticos os direitos previstos nos  incisos IV, VI, VII, VIII, X,  XIII,  XV,  XVI,  XVII,  XVIII,  XIX,  XXI,  XXII,  XXIV,  XXVI,  XXX,  XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e  observada  a  simplificação  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias,  principais  e  acessórias,  decorrentes  da  relação  de  trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III,  IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência  social.  De  se  notar  que  o  dispositivo  que  relaciona  os  direitos  sociais  dos  trabalhadores  não  faz  qualquer  referência  a  contribuintes  individuais.  Além  do  que,  se  nos  pautássemos pela  lógica desenvolvida no Recurso Especial  do Contribuinte,  de que  todos os  direitos  previstos  no  art.  7º  da  Constituição  estariam  direcionados  também  a  contribuintes  individuais,  seria  desnecessário  segregar  essa  categoria  de  trabalhadores  dos  segurados  empregados, o que, com a devida vênia, não é o caso.  Além  do  mais,  não  merece  guarida  a  asserção  de  que  o  tratamento  diferenciado conferido a empregados e contribuintes  individuais, relativamente ao pagamento  de  PLR,  representaria  ofensa  ao  princípio  da  igualdade,  pois,  repise­se,  tais  categorias  de  trabalhadores tem características diversas e o tratamento diferenciado que lhes é dado decorre  Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 16          29 da própria constituição e da Lei nº 10.101/2000, que faz referência a participação nos lucros ou  resultados destinada a empregados. Confira­se:  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  [...]  Art.  3º  A  participação  de  que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.  [...]  Resta claro, portanto, que a alínea “t” do § 9º da Lei 8.212/1991, ao excluir  da  incidência  das  contribuições  os  pagamentos  efetuados  de  acordo  com  a  lei  específica,  referiu­se  à  PLR  paga  em  conformidade  com  a  Lei  10.101/2000,  a  qual  é  destinada  exclusivamente aos segurados empregados.  Por  essa  razão,  nego  provimento  ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte  também neste ponto.  Recurso Especial da Fazenda Nacional  O Recurso Especial  da  Fazenda  nacional  versa  sobre  os  valores  fornecidos  em pecúnia aos empregados a título de prêmio por tempo de serviço/antiguidade/casa, os quais,  segundo  discorre,  está  abarcada  entre  as  hipóteses  sobre  as  quais  incidem  as  contribuições  previdenciárias.  Nos  termos  do  acórdão  recorrido,  “O  prêmio  por  tempo  de  serviço,  não  habitual,  pago  apenas  uma  vez,  sem  vínculo  pela  realização  de  um  trabalho,  produção  ou  meta, não integra o salário de contribuição por sua natureza jurídica não ser salarial”.  O Contribuinte, em sede de contrarrazões, afirma que a Lei nº 8.212/1991, ao  determinar  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  sobre  o  salário  de  contribuição  utiliza­se de termo “remuneração”, mas não o define e nem poderia, por força do artigo 110 do  CTN, que determina a observância pela legislação tributária dos conceitos oriundos de outros  ramos do Direito, como é o caso do Direito do Trabalho.   Consoante consta das contrarrazões, deve­se recorrer ao ramo do Direito do  Trabalho  para  se  buscar  o  conceito  de  remuneração,  sendo  que  o  art.  457  CLT  define  que  integram o salário as “gratificações ajustadas”, o que significa que as parcelas concedidas por  mera  liberalidade  (ou  seja,  gratificações não ajustadas/não pactuadas) não  assumem natureza  salarial  e  que  o  prêmio  concedido  em  razão  de  alguns  funcionários  completarem  20,  25,  30  anos  ou  mais  na  instituição  possui  caráter  eventual,  e  decorre  de  ato  de  liberalidade  do  empregador, uma vez que não está previsto no contrato de trabalho. Aduz que a parcela relativa  ao  “Prêmio  por  Tempo  de  Casa”  não  compõe  a  remuneração  salarial  ou  o  salário  de  contribuição e, nessa condição, não deve sofrer a incidência das contribuições previdenciárias,  enquadrando­se na categoria de ganho eventual, nos termos do art. 28, § 9°, alínea “e”, item 7,  da Lei n° 8.212/1991.  Fl. 1910DF CARF MF     30 Acrescenta o Sujeito Passivo que, em razão da própria natureza da parcela,  qual  seja,  indenizar/reconhecer  a  fidelidade  do  empregado  que  permaneceu  na  empresa  (e  mereceu ali permanecer) por mais de 20 anos, os prêmios dependem, para a sua concretização,  de  circunstância  aleatória,  incerta  e  imprevisível,  relativa  à  longa  duração  do  contrato  de  trabalho (por período superior a 20 anos).  De  início,  é  importante  ressaltar  que,  de  acordo  com  o  princípio  da  especialidade, norma especial afasta a incidência da norma geral. In casu, como estamos diante  de matéria de índole previdenciária/tributária, o regramento a ser considerado, no que atina à  incidência ou não de contribuição previdenciária sobre valores pagos a qualquer título é aquele  estabelecido  na  Lei  de  Custeio  Previdenciário.  Assim,  a  legislação  trabalhista  não  serve  de  amparo para elidir a incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas a título  de prêmio aos empregados do Sujeito Passivo.  Além  disso,  e  a  despeito  do  que  dispõe  a  norma  trabalhista,  o  Direito  Previdenciário  encontra  baliza  na  própria  Constituição  Federal.  Com  relação  ao  custeio  do  sistema de previdência, o art. 195 da CF/1988 é que estabelece as bases sobre as quais podem  incidir as contribuições:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições  sociais:(Vide  Emenda  Constitucional  nº  20,  de  1998)  I ­ do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre:(Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  a) a  folha de  salários  e demais  rendimentos do  trabalho pagos  ou  creditados,  a  qualquer  título,  à  pessoa  física  que  lhe  preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda  Constitucional nº 20, de 1998)  [...]  II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão  concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata  o art. 201;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de  1998)  [...] (Grifou­se)  Outro  dispositivo  constitucional  de  fundamental  importância  à  matéria  em  debate é o § 11 do art. 201 da Constituição que dispõe:  Art. 201.  [...]  §  11.  Os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei.  [...]  Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 17          31 Essas  e  outras  disposições  constitucionais  deixam  claro  que  o  Direito  Previdenciário  constitui­se  em  ramo  autônomo,  cujos  conceitos  não  têm  a  vinculação  pretendida por alguns com o Direito do Trabalho. Dito de outra forma, não se pode pretender  que as disposições contidas na legislação trabalhista prestem­se a afastar a aplicação da norma  de  custeio  previdenciário,  a  qual  deve  se  pautar  no  regramento  estabelecido  pelo  Direito  Tributário.  A esse respeito, o Ministro do Luiz Fux, na decisão que tratou do alcance da  expressão “folha de salários”, RE 565.160/SC, faz apontamentos de extremada relevância:  Logo,  a  solução  aqui  pode  ser  extraída  da  interpretação  da  própria Constituição, sendo desnecessário buscar conceitos em  outros  ramos  do Direito,  como  o  Direito  do  Trabalho,  pois  o  constituinte  foi  bem  claro  acerca  da  acepção  de  “folha  de  salários” que deve ser tida pelo intérprete do Direito Tributário,  para  fins  de  delimitação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária do empregador.  A diferenciação feita pelo Direito do Trabalho entre “salário” e  “remuneração”  é  indiferente,  portanto,  para  o  deslinde  da  presente questão, posto estar­se diante de controvérsia afeta ao  Direito  Tributário  e  Previdenciário,  extremada  pela  falta  de  aplicação prática da autonomia entre esses  ramos do Direito e  os  demais,  como  bem  pontuou  o  Professor  Fábio  Zambitte  Ibrahim (Curso de direito previdenciário. 13. ed. Rio de Janeiro:  Impetus, 2008. p. 251).  Dessa  forma,  a  autonomia  entre  as  Ciências  impõe  que  os  conceitos  sejam  interpretados  à  luz  do  regime  jurídico  em  que  estão inseridos. Assim, se para o Direito do Trabalho, o emprego  da expressão “salário” ao invés de “remuneração” é relevante  ao ponto de restringir  sobremaneira o conteúdo da primeira, o  mesmo  não  ocorre  com  o  Direito  Tributário  e  o  Direito  Previdenciário.  Com efeito, quando a Constituição já traz elementos suficientes  para  a  interpretação  das  expressões  por  ela  utilizadas  no  Direito  Tributário/Previdenciário,  descabe  perquirir  qual  é  a  acepção dessas mesmas expressões em outros ramos do Direito,  porquanto devem ter uma interpretação condizente com a lógica  própria  do  contexto  em  que  estão  inseridas,  no  caso,  a  Seguridade Social. (Grifou­se)  Veja­se  que  tanto  o  texto  constitucional  quanto  a  decisão  do  STF,  com  repercussão  geral  reconhecida  pela  Suprema  corte,  corroboram  a  autonomia  do  Direito  Tributário  e  conduzem  à  conclusão  de  que  as  disposições  legais  a  serem  consideradas  na  definição das bases de cálculo das contribuições previdenciárias são os arts. 22 e 28 da Lei nº  8.212/1991. Abaixo, trechos de citados artigos:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  Fl. 1912DF CARF MF     32 empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  de  trabalho ou  sentença  normativa.  (Redação dada pela Lei  nº  9.876, de 1999).  II  ­ para o  financiamento do benefício previsto nos arts.  57e58  da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e  trabalhadores avulsos: (Redação dada  pela Lei nº 9.732, de 1998).  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;  b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;  c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave.  III  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados  contribuintes individuais que lhe prestem serviços;  [...]  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa;  [...]  Repare­se que a base de  cálculo das  contribuições  abrange  a  totalidade dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos empregados, incluindo­se nessa  relação as parcelas pagas sob a forma de prêmio, ainda que não previstas em contrato, acordo  ou convenção coletiva de trabalho.  Nesse ponto há de  se  concordar  com as  considerações  trazidas no Acórdão  Paradigma nº 9202­003.044 as quais, ao contrário do que imagina o Contribuinte, indicam que  “somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao ‘salário in natura’, por  incluir,  expressamente,  no  conceito  de  remuneração  os  ‘ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades’”. A  lei  não  faz menção  a habitualidade quando  se  refere a pagamentos  feitos  em  espécie, como é caso.  Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 15504.724091/2012­11  Acórdão n.º 9202­007.698  CSRF­T2  Fl. 18          33 O Contribuinte apega­se ainda ao item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da  Lei nº 8.212/1991 para aduzir que o prêmio pago aos seus empregados está fora do campo de  incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o dispositivo:  Art. 28. [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:  [...]  e) as importâncias:  [...]  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário;  [...]  Não merece acolhida os argumentos trazidos em sede de contrarrazões. É que  a  eventualidade  não  está  relacionada  à  frequência  ou  à  periodicidade  com  que  se  paga  determinada verba, mas à previsibilidade de seu pagamento. Recorrendo­se mais uma vez ao  acórdão  paradigma  colacionado  pela  Fazenda  Nacional,  tem­se  que  a  eventualidade  está  relacionada  à  ocorrência  de  caso  fortuito. Contudo,  em  se  tratando  de  prêmio  por  tempo  de  serviço  ou  de  casa,  seu  pagamento  tem  causa  determinada.  No  caso,  não  se  está  diante  de  circunstância aleatória,  imprevisível ou  incerta como defende o Contribuinte, uma vez que o  obreiro, ao permanecer na condição de empregado pelo período definido pela empresa tem a  expectativa de receber o prêmio ora analisado.  Em razão disso, e uma vez que decorre da relação trabalho, há se reconhecer  o  caráter  remuneratório  do  prêmio  por  tempo  de  serviço  ou  de  casa  e  consequentemente,  a  incidência de contribuições previdenciárias sobre essa parcela.  Em virtude disso, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.  Conclusão  Ante  o  exposto,  conheço  dos  Recursos  Especiais  e,  no  mérito,  nego  provimento  ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte  e  dou  provimento  ao  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional.    (Assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho                  Fl. 1914DF CARF MF

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