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Numero do processo: 10882.900421/2009-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 21 /2 00 9- 54 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 3801004.958 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.918964/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/03/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 64 /2 01 2- 21 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918964/201221 Acórdão n.º 3801005.141 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918964/201221 Acórdão n.º 3801005.141 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918964/201221 Acórdão n.º 3801005.141 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918964/201221 Acórdão n.º 3801005.141 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918964/201221 Acórdão n.º 3801005.141 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918964/201221 Acórdão n.º 3801005.141 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918964/201221 Acórdão n.º 3801005.141 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918964/201221 Acórdão n.º 3801005.141 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.005379/2005-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
TAXA CACEX. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF. IMPOSSIBILIDADE.
Não sendo a taxa instituída pela Lei nº 2.145 tributo administrado pela SRF, impossível a compensação de indébitos a ela relativos com outros tributos administrados pela SRF na forma da Lei 9.430.
Numero da decisão: 9303-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso apenas parcialmente e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabíola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 03/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez Lopez e Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente da Primeira Seção, que substituiu o Presidente Otacílio Cartaxo, ausente justificadamente. Também ausente, justificadamente, em função do Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres .
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ADMINISTRAÇÃO. COMPENSABILIDADE COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EVADIN INDÚSTRIAS AMAZÔNIA SOCIEDADE ANÔNIMA ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 TAXA CACEX. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo a taxa instituída pela Lei nº 2.145 tributo administrado pela SRF, impossível a compensação de indébitos a ela relativos com outros tributos administrados pela SRF na forma da Lei 9.430. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso apenas parcialmente e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabíola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 03/07/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 53 79 /2 00 5- 91 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabíola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez Lopez e Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente da Primeira Seção, que substituiu o Presidente Otacílio Cartaxo, ausente justificadamente. Também ausente, justificadamente, em função do Memo. PRES/CARF S/Nº, de 27 de maio de 2014, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres . Relatório Recorre a Fazenda Nacional de decisão proferida pela Segunda Câmara, Primeira Turma Ordinária, da Terceira Seção do CARF, que proveu recurso voluntário do contribuinte. O processo foi assim relatado quando do julgamento realizado na DRJ: Em 16/11/2005, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 112, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus indeferiu a restituição pleiteada e considerou não homologadas todas a compensações pretendidas pela contribuinte, sob o fundamento de que "o suposto crédito pleiteado e vinculado a essas declarações de compensação não é relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal do Brasil, o que contraria o disposto no artigo 74, caput, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.637/2002, e no artigo 170 do Código Tributário Nacional Por essencial, e dada a sua brilhante concisão, impõese a transcrição do voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do i. Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, na parte em que enfrentou a matéria trazida ao pronunciamento desta instância especial : (...) O contribuinte alega que a Instrução Normativa SRF n° 600 de 28/12/2005, repetindo o que já constava na IN SRF n° 210/2002, expressamente estabeleceu que a competência para a homologação de compensação e a restituição de tributo ou contribuição incidentes sobre operação de comércio exterior, é da própria Receita Federal do Brasil, quando dispôs: Art. 47. A homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à SRF será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º Tratandose de compensação de crédito relativo a tributo ou contribuição incidentes sobre operação de comércio exterior, será competente para reconhecer o direito creditório do sujeito passivo, para fins do disposto no caput, a autoridade a que se refere o caput do art. 42. Art. 42. O reconhecimento do direito creditório e a restituição de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF Fl. 438DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10283.005379/200591 Acórdão n.º 9303002.932 CSRFT3 Fl. 13 3 incidente sobre operação de comércio exterior caberão ao titular da DRF, da Inspetoria da Receita Federal de Classe Especial (IRFClasse Especial) ou da Alfânde ga da Receita Federal (ALF) sob cuja jurisdição for efetuado o despacho aduaneiro da mercadoria. Ocorre que não há menção expressa ao tributo em exame e aceitar esta interpretação seria estender exageradamente o alcance deste dispositivo. Em verdade, para que se possa corretamente apreciada (sic) a extensão da competência da Receita Federal do Brasil, socorrome da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que assim decidiu: RECURSO ESPECIAL ALÍNEA "A" TAXA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF — PRETENDIDA COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO POSSIBILIDADE — TRIBUTOS ARRECADADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL ART. 74 DA LEI N. 9.430/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI N 10.637, DE 20.12.2002PRECEDENTES. Na assentada de 23 de novembro de 1994, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, em acórdão proferido no RE 167.992/PR, Rel. Min. Ilmar Galvão, cujo trânsito em julgado ocorreu em 25.02.1995, reconheceu a inconstitucionalidade da Taxa de Licenciamento de Importação instituída pelo art. 10 da Lei n. 2.145, de 29.12.53, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n. 7.690 de 15.12.88. À luz da orientação firmada por este Sodalício e com base no exame da legislação que rege a espécie, forçoso concluir que assiste razão ao contribuinte ao pleitear a compensação da exação indevida com o imposto de importação. A atual redação do art. 74 da Lei n. 9.430/96 dispõe que "o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão". Dessa forma, para que o contribuinte realize a compensação, exigese apenas que os tributos objeto de compensação sejam arrecadados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Precedentes: REsp 422.435/DF, relatado por este subscritor, DJU 02/02/2004; REsp 442.808/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJU 15/12/2003 e REsp 507.542/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJU, 19/12/2003 e REsp 373.264/RJ, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU 06.10.2003. Recurso especial provido (STJ, REsp 371.253/RS, relator Ministro Franciulli Netto, DJ 07/03/2005). (grifos acrescidos ao original) Fl. 439DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 Ou seja, aquela Corte Superior entende que a Taxa Cacex era tributo administrado pela Receita Federal do Brasil (quando ainda Secretaria da Receita Federal) e pode ser compensado com qualquer tributo administrado por esta. Ademais, se dúvida havia a este respeito, a leitura da Instrução Normativa n° 89, de 15 de junho de 1988, afasta qualquer remanescente, quando dispõe: O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto na Portaria Interministerial n°183, de 18 de março de 1980, resolve: 1. Os valores recebidos pela Carteira do Comércio Exterior (CACEX), relativos à cobrança das Taxas de Emissão de Licenças ou Guias de Importação previstas no artigo 10 da Lei n°2.145, de 29.12.53, alterado pelo artigo 1° do DecretoLei n° 1.416, de 25.0.75, e relativos a retornos e receitas líquidas de financiamentos serão recolhidos ao Tesouro Nacional, através de documento de arrecadação de receitas federais (DARF), preenchido de acordo com as instruções anexas. (.) Se o Secretário da Receita Federal tem competência para editar normas sobre a arrecadação da Taxa Cacex, é evidente que este é um tributo administrado pela Receita Federal do Brasil. A decisão enfrentou ainda a competência para julgamento de recursos sobre a matéria e a forma de apuração do indébito, deferindo os chamados expurgos inflacionários, matérias que, no entanto, não fazem parte do recurso. E não foi confrontada por embargos. Ainda assim, o recurso especial, além de buscar a demonstração da divergência no que tange a ser a taxa em discussão administrada ou não pela SRF por meio de julgado que afirma não ser, começa por pugnar a nulidade (ainda que parcial) da decisão prolatada em virtude de o despacho decisório inicial que não homologou as compensações ter sido “anulado” pela mesma autoridade prolatora, que proferiu outro, já depois da decisão da DRJ, no qual considera as compensações “não declaradas” e determina a impossibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade (já ocorrida e julgada). Esse “novo despacho decisório” foi prolatado após o encaminhamento, pelo contribuinte, do seu recurso voluntário, mas antes do julgamento realizado pela Câmara recorrida. Dele teve ciência a postulante que apenas teria “reiterado os termos do recurso já apresentado”. A nulidade se configuraria porque a decisão teria ignorado esses novos “fatos processuais importantes” e julgado a partir de “decisão de primeiro grau inexistente”. O recurso foi admitido pela Presidente da Câmara recorrida em despacho em que apenas cuidou do tópico relativo à administração da taxa, nada reportando quanto ao seu cabimento no que se refere à pretensão de nulidade. Sobre o ponto expressamente admitido, aduz a Fazenda Nacional: (...) Dentre as competências da Carteira de Comércio Exterior, estava emitir licenças de exportação e importação, aos que requererem e comprovarem cobertura cambial (...), incidindo sobre esta a taxa em questão. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10283.005379/200591 Acórdão n.º 9303002.932 CSRFT3 Fl. 14 5 Pois bem, conforme disposto no § 3° do art. 10 da Lei n° 2.145, de 1953 (Redação dada pela Lei n° 7.690, de 1988), os recursos provenientes dessa taxa eram recolhidos à conta do Tesouro Nacional, como receita orçamentária da União, nos termos do DecretoLei n° 1.755, de 31 de dezembro de 1979, nunca tendo sido administrados pela SRFB. 42. O referido Decretolei estabelecia o seguinte: "Art. 1º A arrecadação de todas as receitas da União farseá na forma estabelecida pelo Ministério da Fazenda, devendo o seu produto ser obrigatoriamente recolhido à conta do Tesouro Nacional. Art. 6º A Secretaria de Planejamento da Presidência da República e o Ministério da Fazenda baixarão as normas complementares necessárias à implementação do disposto neste Decretolei." É de se ressaltar que este mesmo dispositivo legal autorizou o MF a contratar o Banco do Brasil para a execução dos serviços da carteira. 44. Ademais, ainda que assim não o fosse, o pedido de restituição formulado pelo contribuinte não se encontra revestido das exigências legais necessárias para tanto. Especificamente em relação aos pedidos de restituição de receitas não administradas pela SRF, mas recolhidas mediante DARF, a IN SRF n° 600/2005 traz os seguintes ditames: (...) 45 Os procedimentos em tela não trazem maiores novidades, que a IN SRF n° 96, de 26/11/1985, em vigor na data do pedido da interessada, prévio reconhecimento do direito por parte do órgão que detivesse a competência legalmente estabelecida. E não poderia ser diferente, em função da estrita necessidade de se observar a competência legal dos diferentes órgãos que fazem a Administração Pública. 46. Do que até aqui exposto, fica evidente que a restituição, por parte da SRF, de receita que não seja administrada por esta, exige o atendimento de quatro pressupostos cumulativos: (i) que a receita seja da União; (ii) que seja arrecadada mediante DARF; (iii) que o contribuinte anexe documentos capazes de comprovar a existência do direito creditório; e (iv) que o órgão ou entidade responsável pela administração da receita tenha se manifestado favoravelmente à pertinência do pedido. 47. Observese, com isso, que a dita competência pertence apenas à SECEX, que é quem pode reconhecer ou não o referido direito creditório, bem como se pronunciar sobre o pedido formulado pelo contribuinte, nos termos contidos na IN SRF n° 600/2005. Dai a impossibilidade da restituição ora pleiteada ser procedida pela SRFB, haja vista a absoluta falta de previsão legal. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 48. Mas não é só isto. 49. Por outro lado, no caso especifico destes autos nos quais se discute a possibilidade de compensação da Taxa CACEX com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, além das razões já expostas, cabe citar os termos do Parecer PGFN/CAT/N° 1.776/2007, que conclui pela impossibilidade de compensação, visto não ser a Taxa CACEX administrado pela Receita Federal: 'Taxa de Licenciamento de Importação CACEX – impossibilidade de compensação por não ser tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Oficio nº 058/CONJUR/MDIC, de 23 de abril de 2007 A Consultoria Jurídica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior encaminhou a esta Procuradoria, Geral expediente contendo solicitação de manifestação acerca da negativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil em deferir compensação entre créditos que um determinado contribuinte teria decorrentes da declaração de inconstitucionalidade da Taxa de Licenciamento de Importação CACEX, com imposto de importação por ele devido. 2. O indeferimento do pleito do contribuinte foi justificado, em resumo, porque a SRFB entende que a referida taxa não era um tributo por ela administrado, e que, portanto, haveria impedimento legal para a compensação solicitada. 3. Preliminarmente, é importante destacar que não é atribuição da PGFN responder consultas de contribuintes em casos concretos ou atuar como instância reformadora das decisões proferidas pelas projeções da SRFB. Em conseqüência, a presente análise jurídica se limitará à análise dos diferentes instrumentos normativos trazidos pela consulta do MDIC. 4. A Taxa CACEX foi instituída pela Lei nº 2.145, de 29 de dezembro de 1953, nos seguintes termos: "Art 1º É extinta a Carteira de Exportação e Importação do Banco do Brasil S.A. em sua substituição instituída a Carteira de Comércio Exterior. Art 2° Compete à Carteira de Comércio Exterior, observadas as decisões e normas que forem estabelecidas pelo Conselho da Superintendência da Moeda e do Crédito: I emitir licenças de exportação e de importação, aos que o requererem e provarem dispor da cobertura cambial prevista no art. 6º, §§ 1º e 2º desta lei ou dela independerem na conformidade de normas previamente estabelecidas; II exercer a fiscalização de preços, pesos, medidas, classificações e tipos declarados nas operações de exportação e importação, com o fim de evitar fraudes cambiais; III classificar, ouvida a Comissão Consultiva do Intercâmbio Comercial com o Exterior e dependente de aprovação do Conselho da Superintendência da Moeda e do Crédito, as Fl. 442DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10283.005379/200591 Acórdão n.º 9303002.932 CSRFT3 Fl. 15 7 mercadorias, e produtos de importação, de acordo com a sua natureza e grau de essencialidade, fixando as categorias de sua distribuição para efeito da compra do câmbio; IV financiar, em casos especiais, e mediante critério que será fixado depois de ouvida a Comissão Consultiva do Intercâmbio Comercial com o Exterior, a exportação e a importação de bens de produção e consumo de alta essencialidade. Art 10. Fica a Carteira de Comércio Exterior autorizada a cobrar taxas pela emissão das licenças .. (vetado), por forma a ser regulamentada, não excedentes de 0,1% (um décimo por cento) do valor da licença." 5. A primeira dificuldade interpretativa que se apresenta é pensar a exação ao tempo em que instituída, na segunda presidência de Getúlio Vargas e em um tempo em que o Banco do Brasil exercia atividade claramente estatal. Destacase que a Carteira de Comércio Exterior possuía diversas atribuições fiscalizadoras e burocráticas e não somente a atividade de arrecadação, como a desempenhada pelos Bancos nos dias de hoje. 6. Este art. 10 foi alterado pelo art. 1º do DecretoLei nº 1.416, de 25 de agosto de 1975, e pelo art. 1° da Lei n° 7.690, de 15 de dezembro de 1988. Por fim, a exação foi extinta pela Lei 8.522 de 11 de dezembro de 1992. Em 1994, a taxa foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 167.9921, e após o julgamento do Recurso Extraordinário n° 188.1071, teve sua execução suspensa pela Resolução do Senado Federal nº 11, de 22 de junho de 2005. As citadas decisões fixaram que a exação possuía natureza de taxa, por remunerar "atividade estatal específica, o exercício do poder de polícia administrativa". Seria contrária à Constituição Federal pois possuía base de cálculo idêntica àquela utilizada pelo Imposto de Importação. 7. Cumpre saber, portanto, se durante a sua existência, ainda que inconstitucional, o tributo foi administrado pela Secretaria da Receita Federal. Desde já, adiantamos que a resposta é negativa. 8. Em vários dispositivos legais, é utilizada a expressão "tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal" do Brasil. Enquanto que as atividades de arrecadação e cobrança são de fácil conceituação, a administração de tributos não tem contornos claramente definidos. 9. Afastandose a interpretação civil do vocábulo, vemos este termo pela ótica do direito administrativo que fornece parâmetros e princípios para a atuação do Estado e de seus agentes. Quando a lei dispõe que determinado órgão ou agente possui competência para administrar determinado tributo, lhe está conferindo a Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 8 atribuição para a prática dos atos administrativos relativos àquela exação, sendo o mais importante deles o lançamento. 10. O art. 142 do Código Tributário Nacional define o lançamento, e, em seu parágrafo único, expressa que se trata de atividade vinculada e obrigatória. Assim sendo, deve ser efetuado nos limites estritos da lei, sob pena de responsabilidade funcional. Em conseqüência, se somente a lei pode atribuir a determinado agente ou órgão a atribuição de lançar tributo, deve se procurar se há instrumento legal que tenha atribuído à SRFB a atividade de lançamento da Taxa CACEX. No expediente e em pesquisa realizada não há nenhuma lei que traga esta disposição. Da Lei nº 2.145, de 1953, somente se poderia concluir que a competência para lançar a referida Taxa era da própria CACEX, especialmente a partir da redação dada pelo DecretoLei 491, de 1969:" "Art. 10. Fica a CACEX Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S. A. autorizada a cobrar exclusivamente na importação e pela emissão de licenças de importação, guia de importação ou qualquer documento de efeito equivalente, taxa de expediente não excedente de 0,3% (três décimos por cento) sobre o valor das importações." 11. Como dito acima, a administração de um tributo não se restringe somente ao lançamento, mas diz respeito a todos os respectivos atos administrativos. Dessa forma, também não consta instrumento legal que atribua à SRFB outros atos, como certidões ou parcelamentos, por exemplo. 12. Alegam o contribuinte e o MDIC que a Instrução Normativa SRF nº 89, de 15 de junho de 1988, demonstra que a Taxa pela Emissão de Licenças ou Guias de Importação estaria sob a administração da SRF. Entretanto, tal argumento não se sustenta em uma análise mais profunda. 13. Diz a IN que a referida Taxa seria recolhida mediante DARF e repassada ao Tesouro Nacional. Em seu item 1.1, determina que o Banco do Brasil S.A. deveria efetuar tais pagamentos em prazos que especifica. Não trata da relação entre o Fisco e o contribuinte, mas entre o arrecadador Banco do Brasil e o Tesouro Nacional. 14. Mais evidente ainda, o preâmbulo da própria IN SRF n° 89, de 1988, cita como supedâneo jurídico para sua edição a Portaria Interministerial nº 183, de 18 de março de 1980. Recuperando o teor desta Portaria, citamos: "1. Todas as receitas da União deverão ser recolhidas ao Tesouro Nacional, na forma da legislação em vigor, utilizandose documento de arrecadação instituído pela Secretaria da Receita Federal SRF e contabilizadas pelo Banco do Brasil S/A, à conta Receita da União: 4. A Secretaria da Receita Federal baixará as normas complementares que se fizerem necessárias à execução desta Portaria, fixando prazos para recolhimento das receitas, quando a legislação não dispuser a respeito, e instituindo documentos Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10283.005379/200591 Acórdão n.º 9303002.932 CSRFT3 Fl. 16 9 próprios para o cumprimento do estabelecido no artigo 5º do DecretoLei nº 1.755, de 31 de dezembro de 1979." 15. Como bem ensinado pelo Ministro Eros Grau, "não se interpreta o direito em tiras, aos pedaços". Devese interpretar as normas de forma sistemática, em conjunto com aquelas que lhe dão suporte, até chegar à Constituição Federal. Isoladamente, a IN SRF nº 89, de 1988, aparenta que a Secretaria da Receita Federal estava regulamentando a própria Taxa pela Emissão de Licenças ou Guias de Importação. Entretanto, se lida em conjunto com a Portaria Interministerial denota que se está tratando dos prazos e guias utilizados para os repasses do Banco do Brasil para a conta do Tesouro Nacional. Fica claro que a SRF não estava “administrando" a Taxa Cacex mas tão somente o trânsito de valores. 17. Como bem assinala a Nota MDIC CONJUR DVG n° 0110 7.9/2007, compete à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional desempenhar as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos, no âmbito do Ministério da Fazenda, incluídos os assuntos de natureza .fiscal, relativos aos tributos de competência da União. Nestes termos, concluímos que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não pode acatar pedidos de compensação cujo crédito do contribuinte seja derivado da inconstitucionalidade da Taxa de Licenciamento de Importação CACEX, posto que este tributo nunca foi administrado pela SRFB." 50. Como se vê o Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional aborda com profundidade e fundamentadamente a questão aqui tratada, não deixando qualquer sombra de dúvidas de que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil não pode acatar pedidos de compensação cujo crédito do contribuinte seja derivado da inconstitucionalidade da Taxa de Licenciamento de Importação CACEX, posto que este tributo nunca foi administrado pela SRFB". Por fim, e diante da incapacidade de concisão deste relator quando comparado à demonstrado pelo dr. Marcelo, julgo imprescindível transcrever a “fundamentação” da decisão apontada como paradigmática da divergência: (...) Cumpre examinar, inicialmente, a possibilidade de utilização dos referidos títulos para efeitos da extinção de créditos tributários da União. A Lei n° 2.145, de 1953, que criou a Cacex, autorizou o Ministério da Fazenda a contratar o Banco do Brasil para a execução dos serviços de licenciamento e emissão de guias de importação. Naturalmente, não sendo esse gravame — taxa — administrado pela Secretaria da Receita Federal, não encontra base legal para ser restituído ou compensado, nos termos da Instrução Normativa n°21 de 1997, ou outra norma vigente. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 10 Por outro lado, as modalidades de extinção (...) É o não tão sucinto Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS As transcrições (longas, sei) que fiz visaram melhor (re) enfrentar o tema do conhecimento. Após muito meditar, concordei com aquele proposto pela d. Presidente Judith do Amaral Marcondes. Minhas dúvidas decorriam da constatação, que procurei demonstrar com as longas transcrições, de que apenas temos um voto que efetivamente declina as razões pelas quais se deve entender ser da competência da SRF a administração da discutida taxa. Essa decisão é exatamente a de que pretende recorrer a Fazenda. Com efeito, embora trate rigorosamente dos mesmos fatos e da mesma legislação – daí porque também a admito como comprobatória da divergência – a decisão trazida como paradigma não diz por que, no entender da relatora, dáse o oposto do que entendido pelo dr. Marcelo, isto é, por que não era a SRF quem administrava a taxa. A menos que para tanto se considere bastante a palavra “naturalmente...” Deve ser, então, admitido o recurso, mas apenas quanto a este ponto como já decidido. É que, mais uma vez, pretende a Fazenda Nacional incluir no julgamento pretensão contra a qual não apresentou paradigma. Refirome à postulação de nulidade da decisão recorrida. Ela não pode ser admitida, seja porque: a) não foi expressamente referida no despacho de admissibilidade; b) não fora discutida na Câmara recorrida, faltandolhe o requisito do prequestionamento; c) não foi apresentado qualquer paradigma; Destarte, conheço do recurso apenas quanto à possibilidade de compensação de indébitos relativos à taxa CACEX por ser esta administrada, ou não, pela SRF. E uma vez admitida a matéria, é forçoso reconhecer que ela bem longe está de ser simples. De fato, como bem apontado no Parecer PGFN transcrito no recurso especial, não há nenhum ato legal que expressamente diga de quem seria a competência para administrar a exação. Para piorar a situação, sequer a decisão do excelso STJ que embasa o voto do dr. Marcelo o afirma expressamente. Deveras, ali parece tomarse tal característica como dada, discutindose, muito mais, a possibilidade de enquadramento nas disposições da Lei 9.430. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10283.005379/200591 Acórdão n.º 9303002.932 CSRFT3 Fl. 17 11 De sorte que, de um lado temse uma decisão – a recorrida – que se afirma embasada na decisão do STJ que não enfrentou expressamente a matéria e do outro temse o paradigma, para o qual “naturalmente” a taxa não era administrada pela SRF. Além disso, apenas o segundo fundamento usado pelo douto relator da decisão recorrida, qual seja o fato de a IN SRF 89 ter cuidado da exação. Quanto a ele, porém, adiro por completo aos contraargumentos expendidos no Parecer da PGFN trazido à colação em seu recurso: ali apenas se dava cumprimento a determinação da Portaria 183. Notese que este último ato autorizou a Receita Federal a cuidar até mesmo de recolhimentos de receitas que nem fossem de origem tributária. Resta, assim, como argumento único, a decisão do STJ. Lendoa, porém, não me convenço na forma como o fez o dr. Marcelo. É que ali, como já expressei, o que parece estar em discussão é se a postulante poderia recorrer ao Judiciário para ver reconhecido direito de compensação entre tributos diferentes. Ou seja, parece que a empresa pretendia compensar tributos diversos sem ter que submeter o seu pleito à Receita Federal como determinado na Lei 9.430. Pelo menos essa parece ter sido a leitura feita pelo exmo. Ministro Franciulli. E daí que concluiu ele pela possibilidade, tomando como premissa que se estavam confrontando tributos administrados pela Receita Federal, ponto sobre o qual não houve discussão. Nesses termos, não me parece forçoso aplicar a conclusão ali expendida, a menos até que, eventualmente, ratificada por decisão que efetivamente enfrente a discussão aqui posta. E de fato com ela não concordo. Isso porque, também muito bem observado no bem elaborado recurso especial, a atribuição de administrar um tributo não se confunde com a de arrecadálo, mas tem a ver, muito mais, com a prática de atos que tornem essa arrecadação efetiva, com amplo destaque para a atribuição de lançamento do crédito tributário. É certo que até aí ainda não avançamos muito, na medida em que não tenho notícia de qualquer auto de infração que tenha sido lavrado para exigência do tributo em discussão, seja pela CACEX seja pela Receita Federal. E essa ausência não é de estranhar quando se tem em mente o período em que vigeu – plena ditadura militar – bem como o fato de que somente mediante o seu efetivo recolhimento tinham os contribuintes o direito a realizar a importação pretendida. Ou seja, somente algum contribuinte que ousasse recorrer ao Judiciário poderia, desde que por este autorizado, promover alguma importação sem ter, antes, recolhido a taxa. E só neste caso surgiria a necessidade de lançamento para prevenir a decadência. A outra hipótese decorreria de eventual erro de cálculo, o que exigiria fiscalização prévia, atividade também englobada, ao meu ver, na expressão “administração do tributo”. Destarte, na ausência de dispositivo legal que expressamente defina a competência e igualmente ausente decisão judicial que efetivamente tenha enfrentado a discussão, mantenho o posicionamento que externei quando do julgamento de processo relativo Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 12 aos direitos antidumping na sessão de fevereiro deste ano (processo nº 10283.001632/2001 12): a competência para lançamento é daquele ente que detém a competência para “cobrar” o tributo. Ali registrei: Dado que a “cobrança” há de estar formalizada em algum documento, a ser encaminhado à PFN como dito no parágrafo 1º do art. 1º da Lei e que, na SRF, somente auditores fiscais têm competência legal para a prática de tal ato, pareceme que só se pode concluir que a atribuição de competência à SRF implica que, na ausência de confissão por parte do importador, o direito somente pode ser exigido se formalizado em auto de infração lavrado por auditor fiscal. Naquele julgamento, definia a lei ser da SRF a competência para cobrar os direitos antidumping . Aqui definea como sendo da CACEX. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/07/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 10711.004881/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/07/2008
PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente.
COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003.
Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente.
Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52).
Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009.
Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa.
Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3803-006.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/07/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 166 1 165 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.004881/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.928 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO MULTA ADMINISTRATIVA Recorrente KUEHNE NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/07/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Inferese ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 48 81 /2 00 9- 11 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004881/200911 Acórdão n.º 3803006.928 S3TE03 Fl. 167 2 Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de auto de infração em que a fiscalização impõe multa à ora Recorrente por ter deixado de observar os prazos para a “prestação de informações sobre veículo ou carga transportada, ou a operação que seria executada”. Segundo a Fiscalização, o transportador ou o agente de cargas estão obrigados a prestar à Receita Federal do Brasil informações sobre a chegada das cargas transportadas, na forma e nos prazos definidos pela legislação. No caso, a embarcação atracou no Porto do Rio de Janeiro/RJ em 03/07/2008, sendo que a Recorrente procedeu a desconsolidação somente no dia 04/07/2008. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004881/200911 Acórdão n.º 3803006.928 S3TE03 Fl. 168 3 Por tal motivo, a Recorrente foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a inobservância de prazo para a prestação de informação perante a RFB. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação, sustentando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração pela ausência de descrição clara dos fatos e do próprio enquadramento legal, e no mérito, o não descumprimento do prazo, eis que a prestação de informações estaria disciplinada no artigo 22 da IN RFB 800/2007, cujos efeitos somente entraram em vigor em 1º de abril de 2009, por força da IN 899/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC julgou improcedente a impugnação, mantendo a autuação. Segundo a DRJ/FNS, revelouse insubsistente a alegação de nulidade formal, pelo que rejeitou a preliminar. E no mérito, concluiu que embora o artigo 22 da IN RFB 800/2007 não estivesse em vigor ao tempo dos fatos, a solução do caso estava no parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, que impunha prazos de antecedência para a prestação de informações inerentes ao Controle Aduaneiro. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos. Em síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. A questão me parece bastante simples. A Recorrente está certa ao defender que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800/2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de julho de 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da IN RFB 800/2007, com redação dada pela IN 899/2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004881/200911 Acórdão n.º 3803006.928 S3TE03 Fl. 169 4 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, impossível se cogitar que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800/2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800/2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que a embarcação atracou em 03/07/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 04/07/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir a Recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004881/200911 Acórdão n.º 3803006.928 S3TE03 Fl. 170 5 (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) Assim, penso que a exigência fiscal está correta, de modo que não vislumbro argumentos capazes de infirmar a presente autuação. Em tempo, registramos que a tese levantada pela empresa recorrente, acerca da denúncia espontânea prevista na atual redação do artigo 102 e parágrafos do DecretoLei 37/66, não se aplica ao caso dos autos. Explico a partir da transcrição do dispositivo legal: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Como se vê, o parágrafo 1º do artigo 102 do Decretolei 37/66 não considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. O ato que determina o início do despacho aduaneiro de importação é o registro da DI no Siscomex. No caso dos autos há uma particularidade que envolve as novas ferramentas à disposição do controle aduaneiro, sobretudo a implantação do SISCOMEX Cargas, cujos prazos de transmissão de informação de conteúdo de carga estão disciplinados pela IN 800/2007. Isto é, pela observância obrigatória do SISCOMEC Cargas, o despacho aduaneiro terá início no momento da inclusão das informações no referido sistema, cujo prazo limite será o da atracação. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004881/200911 Acórdão n.º 3803006.928 S3TE03 Fl. 171 6 Vejamos as razões extraídas do próprio auto de infração: A Receita Federal do Brasil, no âmbito da competência conferida pelo Art. 37 do DecretoLei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo Art. 77 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e na maneira prevista no Art. 64 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabeleceu que o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados deverá ser procedido de acordo com a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, que em seus Artigos 10 e 52 dispõe: "Art. 1º 0 controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RW) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: (grifo nosso) I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), gerenciado pelo departamento do Fundo da Marinha Mercante (DEFI0), pelos transportadores, agentes marítimos e agentes de Carga; e II diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes". Conforme explicitado, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como às relativas às escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga dar seá pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. (...) 0 planejamento das ações de Fiscalização, a partir da implementação do Siscomex Carga, está fundamentado em critérios de análise de risco. 0 gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e consequentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10711.004881/200911 Acórdão n.º 3803006.928 S3TE03 Fl. 172 7 providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate A pirataria. Portanto, a atracação se deu no dia 03/07/2008 e o conhecimento de embarque ocorreu apenas no dia 04/07/2008, ou seja, já no curso do despacho aduaneiro, o que atrai a hipótese de não aplicação da denúncia espontânea prevista no artigo 102 do DecretoLei 37/66. Derradeiramente, ainda existe outra regra que afasta a denúncia espontânea no caso dos autos. Tratase do parágrafo 3º do artigo 612 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos. In verbis: Art. 612, § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. É como penso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12585.000198/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO. Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação de LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S.A., doravante referida apenas como Recorrente. Para bem contextualizar a controvérsia existente nos autos do presente processo, convém transcrever o relatório da decisão recorrida, in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .0 00 19 8/ 20 10 -6 7 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12585.000198/201067 Resolução nº 3201000.542 S3C2T1 Fl. 841 2 Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual surtiu Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 49/52, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no que tange aos períodos de apuração de novembro de 2005, janeiro de 2006 e junho de 2006. O crédito tributário apurado relativo ao PIS, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 30/09/2010), perfaz o total equivalente a R$ 815.644,12 (oitocentos e quinze mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e doze centavos). A ação fiscal também resultou em Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 55/58, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no que tange a períodos de apuração de dezembro de 2005 e janeiro de 2006. O crédito tributário apurado relativo à Cofins, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora (calculados até 30/09/2010), perfaz o total equivalente a R$ 4.398.440,74 (quatro milhões, trezentos e noventa e oito mil, quatrocentos e quarenta reais e setenta e quatro centavos). Registra a Autoridade Lançadora que houve falta de recolhimento das contribuições em virtude da glosa de créditos pleiteados em pedidos eletrônicos de ressarcimento referentes ao 1º e 2º trimestre de 2005. A Contribuinte apresenta Impugnação contra o Lançamento de Cofins, fls. 67/89, alegando, em síntese, no sentido: de que está sendo questionado administrativamente o indeferimento de pleiteados créditos de PIS e de Cofins dos 1º e 2° trimestres de 2005 e, por conseqüência, todos os débitos decorrentes de tal indeferimento devem ter sua exigibilidade suspensa; de que deve ser reconhecida a conexão entre o presente feito e os processos 13804.003550/200590 e 13804.004217/200506, com a consequente reunidão deles para julgamento conjunto, nos termos dos artigos 103 e 105 do Código de Processo Civi1, de aplicação subsidiária em razão da ausência de previsão para reunião dos feitos em casos conexos como o aqui relatado, isso porque todos eles possuem o mesmo objeto, qual seja, os créditos de Cofins dos 1° e 2° semestres de 2005, ressaltando a Impugnante que caso a conexão não seja reconhecida, correrseá o risco de julgamentos conflitantes, o que frustrará o interesse das partes; de que o cálculo da proporcionalidade das receitas de exportação – rateio –empregado nos Despachos Decisórios dos processos 13804.003550/200590 e 13804.004217/200506 não é devido, pois as receitas de exportação decorrentes de operações registradas no CFOP 7.501 integram o montante das receitas de exportação, para fins de apuração da proporcionalidade, dado a inexistência de norma legal determinando o contrário e, de outro lado e na pior das hipóteses, as receitas de exportação deveriam corresponder a montantes e proporções que levem em conta as receitas de exportação registradas no CFOP 7.501, decorrentes de mercadorias oriundas de Fl. 841DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12585.000198/201067 Resolução nº 3201000.542 S3C2T1 Fl. 842 3 estabelecimentos da própria empresa, razão pela qual foi requerida diligência para analisar os argumentos de fato e de direito aduzidos; de que nos processos 13804.003550/200590 (Cofins — 1º Trimestre 2005) e 13804.004217/200506 (Cofins — 2° Trimestre 2005), além de se questionar os critérios para o cálculo do percentual de exportação, também restaram parcialmente glosados os créditos presumidos, previstos no art. 8° da Lei 10.925, de 2004; de que o entendimento da Fiscalização é que somente sobre o valor das compras registradas nos CFOP 1.101, 2.101 e 1.401 deveria ser calculado o crédito presumido; por ocasião da manifestação de inconformidade, demonstrouse que o cálculo fiscal deve ser refeito, de modo que também sobre o valor das entradas registradas nos CFOP 1.102, 2.102 e 1.403 (aquisições efetuadas pelas unidades de armazenagem) seja calculado o crédito presumido; de que tendo em vista o disposto no art. 8° da Lei 10.925, de 2004, e na Instrução Normativa n. 660, de 2006, a Companhia calculou crédito presumido de COFINS sobre as aquisições de fornecedores pessoas físicas efetuadas tanto pelas unidades industriais quanto as de armazenagem, por estarem presentes todos os requisitos previstos, quais sejam: a) industrialização de mercadorias de origem vegetal; b) os produtos resultantes da industrialização estão listados no citado artigo 8º; e c) os produtos destinamse à alimentação humana ou animal; de que não houve comercialização dos produtos relativos às notas fiscais com CFOP 1102/2102 e 1403, mas sua transferência a outra unidade da própria Companhia, para industrialização; o CFOP excluído pela Auditoria Fiscal não significa finalidade de comercialização pela Requerente; de que, apesar de constar no DACON crédito presumido decorrente de receitas de exportação, o pedido de ressarcimento efetuado não contemplou valores de crédito presumido e para comprovação afirma que foram refeitas as demonstrações, na forma do DACON, considerando todo o crédito presumido no Campo "Receita no Mercado Interno”; de que pela lei reguladora da Cofins (Lei 10.833/03), há a previsão do direito ao crédito referente a despesas de armazenagem e frete da operação de venda se tais dispêndios forem suportados pelo vendedor, sem qualquer referência à abrangência da expressão "operação de venda", possibilitando a tomada de créditos de PIS e Cofins relativos ao frete de transferência de produtos entre dois estabelecimentos pertencentes ao mesmo contribuinte; de que posicionamento contrário golpearia a não cumulatividade das contribuições e contemplaria restrição não presente nas leis de regência, ferindo os artigos 99 e 100 do Código Tributário Nacional; de que a Auditoria Fiscal entendeu que o procedimento adotado no que concerne ao rateio dos valores referentes a devolução de vendas não estava correto, pois não deveriam ser rateados entre receitas de mercado interno e receitas de exportação, vez que estas, por força por Fl. 842DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12585.000198/201067 Resolução nº 3201000.542 S3C2T1 Fl. 843 4 força constitucional, não são tributadas, raciocínio com o qual concorda a Contribuinte; de que, no entanto, não pode concordar com os valores imputados pela Auditoria Fiscal nas planilhas de folhas 116 a 121; e de que, tendo constatado que parte dos créditos de agosto a dezembro de 2004 não havia sido utilizada nesse período, aproveitoua em janeiro de 2005 como crédito(s) extemporâneo(s) com fundamento no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003, procedimento este adotado pelo fato de que estava submetida a fiscalização em relação ao ano de 2004, não podendo, por conseqüência, efetuar as retificações do DACON do período investigado. Afirma que, em razão das demonstrações efetuadas e da documentação acostada nas Manifestações de Inconformidade dos processos 13804.003550/200590 (Cofins — 1° Trimestre 2005) e 13804.004217/200506 (Cofins — 2° Trimestre 2005), foi requerida diligência para corroborar a certeza e a liquidez dos créditos pleiteados, sendo elaborados quesitos, e também por esta razão, diz a Impugnante, demonstrase cabalmente a conexão entre os processos e a necessidade de julgamento conjunto, visto que a decisão deste depende do que for decidido nos processos 13804.003550/200590 e 13804.004217/200506. Requer a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Pleiteia, ainda, a reunião deste feito com os processos suprareferidos, em razão do reconhecimento da conexão entre eles, por possuírem o mesmo objeto (créditos de COFINS dos 1º e 2° trimestres de 2005), para julgamento conjunto ou, ainda, o sobrestamento do presente feito até a decisão final dos processos 13804.003550/200590 e 13804.004217/200506. Se desse modo não for, requer abertura do prazo para a juntada das provas produzidas nos processos referidos e o sobrestamento do presente feito até o julgamento dos processos citados. A Contribuinte também impugna o Lançamento de PIS, fls. 170/192, trazendo, mutadis mutandis, as arguições e os pleitos constantes da Impugnação contra o Auto de Infração de Cofins. Nesse ritmo, requer a reunião deste feito com os processos 12585.000071/200912 e 12585.000072/200959 (concernentes a alegados créditos de PIS dos 1º e 2° trimestres de 2005), para julgamento conjunto ou, ainda, o sobrestamento do presente feito até a decisão final dos mesmos. A decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 1635.886, de 26/01/2012, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP1, restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 843DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12585.000198/201067 Resolução nº 3201000.542 S3C2T1 Fl. 844 5 Anocalendário: 2005, 2006 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Dentro da sistemática administrativa federal, é a controvérsia com relação ao ressarcimento/restituição e à não homologação de declarações de compensação que deve ser apreciada na esfera do julgamento, não outros assuntos paralelos, tais como suspensão de exigibilidade de crédito tributário, cobrança, certidão negativa, etc. RATEIO. O rateio de receitas não afere a quantidade de créditos, mas é apenas uma ferramenta que permite a distribuição destes entre créditos passíveis de compensação ou ressarcimento e créditos simplesmente descontáveis na apuração da contribuição (não passíveis de compensação ou ressarcimento). Sendo o crédito indevido, não pode o mesmo ser empregado em desconto da própria contribuição e nem aproveitado por outro meio, qualquer que seja o rateio aplicado. CRÉDITO PRESUMIDO. Dá azo ao crédito presumido a aquisição para a industrialização. Portanto, no ato de aquisição já devem estar presentes os requisitos que dão origem ao crédito presumido, sem os quais este não viceja. MERAS ALEGAÇÕES. Meros demonstrativos, desacompanhados de explicações de suporte, não propiciam a modificação ou extinção da pretensão fazendária. TRANSPORTE ENTRE DISTINTAS UNIDADES DO SUJEITO PASSIVO. Há impossibilidade da constituição de créditos sobre fretes pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País relativos a transporte entre distintas unidades do sujeito passivo. CRÉDITOS POR DEVOLUÇÕES. Sendo, nos processos onde se discutem os créditos, intempestivas ou inexistentes as alegações acerca de devoluções de venda, se mantém os Lançamentos decorrentes da glosa de créditos. TOMADA DE CRÉDITOS FORA MÊS DE SUA COMPETÊNCIA. A lei autoriza o regular aproveitamento, em períodos futuros, de créditos anteriormente apropriados e reconhecidos em conformidade com o mês de sua competência, não o simples reconhecimento de um crédito fora do mês ao qual compete. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme entendimento exarado pelo Conselho de Contribuintes, “Tendo em vista o princípio da oficialidade que preside o processo administrativo, não pode a autoridade sobrestar o julgamento”. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12585.000198/201067 Resolução nº 3201000.542 S3C2T1 Fl. 845 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Dentro da sistemática administrativa federal, é a controvérsia com relação ao ressarcimento/restituição e à não homologação de declarações de compensação que deve ser apreciada na esfera do julgamento, não outros assuntos paralelos, tais como suspensão de exigibilidade de crédito tributário, cobrança, certidão negativa, etc. RATEIO. O rateio de receitas não afere a quantidade de créditos, mas é apenas uma ferramenta que permite a distribuição destes entre créditos passíveis de compensação ou ressarcimento e créditos simplesmente descontáveis na apuração da contribuição (não passíveis de compensação ou ressarcimento). Sendo o crédito indevido, não pode o mesmo ser empregado em desconto da própria contribuição e nem aproveitado por outro meio, qualquer que seja o rateio aplicado. CRÉDITO PRESUMIDO. Dá azo ao crédito presumido a aquisição para a industrialização. Portanto, no ato de aquisição já devem estar presentes os requisitos que dão origem ao crédito presumido, sem os quais este não viceja. MERAS ALEGAÇÕES. Meros demonstrativos, desacompanhados de explicações de suporte, não propiciam a modificação ou extinção da pretensão fazendária. TRANSPORTE ENTRE DISTINTAS UNIDADES DO SUJEITO PASSIVO. Há impossibilidade da constituição de créditos sobre fretes pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País relativos a transporte entre distintas unidades do sujeito passivo. CRÉDITOS POR DEVOLUÇÕES. Sendo, nos processos onde se discutem os créditos, intempestivas ou inexistentes as alegações acerca de devoluções de venda, se mantém os Lançamentos decorrentes da glosa de créditos. TOMADA DE CRÉDITOS FORA MÊS DE SUA COMPETÊNCIA. A lei autoriza o regular aproveitamento, em períodos futuros, de créditos anteriormente apropriados e reconhecidos em conformidade com o mês de sua competência, não o simples reconhecimento de um crédito fora do mês ao qual compete. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme entendimento exarado pelo Conselho de Contribuintes, “Tendo em vista o princípio da oficialidade que preside o processo administrativo, não pode a autoridade sobrestar o julgamento”. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o seu recurso Fl. 845DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12585.000198/201067 Resolução nº 3201000.542 S3C2T1 Fl. 846 7 voluntário tempestivamente, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa inaugural. Além disso, pugnou pela reforma da decisão recorrida para que o crédito tributário seja integralmente exonerado. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. De início, impende analisar o pleito da Recorrente de reunião deste feito com os Processos Administrativos nº 13804.003550/200590, 13804.004217/200506, 12585.000071/200912 e 12585.000072/200959, por estarem intrinsecamente vinculados. Os processos mencionados versam sobre o pedido de ressarcimento de créditos de Cofins e PIS dos 1º e 2° trimestres de 2005. Este processo, por sua vez, versa sobre débitos de Cofins e PIS decorrente da glosa dos créditos cujo ressarcimento foi pleiteado nos processos anteriores. Vêse, portanto, que é clara a conexão entre este e os processos acima referidos. A origem dos autos de infração que integram o presente processo foi a análise dos pedidos de ressarcimento dos demais processos, sendo certo que, no curso desta análise, a fiscalização verificou inconsistências na apuração das contribuições, glosando créditos que foram considerados indevidos. Mostrase necessário, desta forma, o sobrestamento do julgamento do processo, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa aos demais processos. Diante do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, reconhecendo a conexão do presente processo com os Processos Administrativos nº 13804.003550/200590, 13804.004217/200506, 12585.000071/200912 e 12585.000072/200959, bem como determinando o sobrestamento do presente julgamento até que tenham sido julgados os recursos voluntários objeto destes processos. Daniel Mariz Gudiño Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado Fl. 846DF CARF MF Impresso em 06/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/08/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10850.002878/2004-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
DECADÊNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual, inexistindo dolo ou declaração, para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, nem declaração prévia do contribuinte, constitutiva do crédito tributário, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-002.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial do Procurador, para restabelecer a exigência da CSLL.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente-substituto
(Assinado digitalmente)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rego, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-presidente), Henrique Pinheiro Torres (Presidente-substituto).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999 REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF. Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual, inexistindo dolo ou declaração, para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, nem declaração prévia do contribuinte, constitutiva do crédito tributário, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 REGIMENTO INTERNO CARF DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF. Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual, inexistindo dolo ou declaração, para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, nem declaração prévia do contribuinte, constitutiva do crédito tributário, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial do Procurador, para restabelecer a exigência da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 28 78 /2 00 4- 64 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidentesubstituto (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rego, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Maria Teresa Martinez Lopes (Vicepresidente), Henrique Pinheiro Torres (Presidentesubstituto). Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 180200.142, proferido pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade dos votos, acolheu a preliminar de decadência para os fatos geradores do 3º trimestre de 1999. Originariamente, o processo versa sobre Autos de Infração (fls. 67/72 e 161/166), cuja notificação foi em 06/12/2004, para exigência de IRPJ e CSLL, referentes à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL supostamente indevidas. O Contribuinte compensou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no 3º e 4º trimestre de 1999, com saldos de prejuízo e base negativa verificados em 31/12/1994, mas, segundo a fiscalização, o contribuinte não conseguiu comprovar a existência desses saldos. Impugnado o lançamento (fls. 177/179), a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP proferiu acórdão nº 1415.854, que julgou improcedente a Impugnação, o qual restou ementado da seguinte forma (fls. 205/210): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. IRPJ. Tratandose de lançamento de oficio, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. CSLL. O prazo decadencial para lançamento das contribuições sociais é de dez anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO A MAIOR DO SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS. Mantémse o lançamento se não comprovada a existência de saldo de prejuízos fiscais em valor suficiente para amparar a compensação pleiteada na declaração de rendimentos. DOCUMENTOS. GUARDA. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO A MAIOR DO SALDO DE BASES DE CALCULO NEGIATIVAS. Mantémse o lançamento se não comprovada a existência de saldo de bases d, e cálculo negativas em valor suficiente para amparar a compensação pleiteada na declaração de rendimentos. DOCUMENTOS. GUARDA. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 NULIDADE. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente o com preterição do direito de defesa. Lançamento Procedente O contribuinte, então, interpôs Recurso Voluntário (fls. 221/225) em que alegou: (i) que a solicitação da Fiscalização se referia a documentos ao anocalendário de 1994, período muito anterior ao lançamento; e (ii) que o lançamento estava alcançado pela decadência, conforme o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional Sobreveio o acórdão nº 180200.142 (fls. 228/233), proferido pela 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, que deu provimento parcial ao recurso, acolhendo a preliminar de decadência para o 3º trimestre de 1999. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 DECADÊNCIA Aplicase o parágrafo 4° do artigo 150 para a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo aos tributos lançados por homologação. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS' FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS DE CSLL . Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 6 5 Os valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL controlados no Sapli da Receita Federal podem ser contestados pelo contribuinte, mas desde que apresentada prova segura da incorreção dos valores ali anotados. Em face dessa decisão, a Procuradoria interpôs Recurso Especial (fls. 237/248) em que argumenta que na decisão recorrida foi aplicado o prazo decadencial do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Alega a Fazenda Nacional que não havendo pagamento antecipado do tributo, como neste caso, o prazo decadencial aplicável seria o do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. O recurso foi objeto de exame de admissibilidade no despacho às fls. 250/251, em que foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte foi notificado do Acórdão nº 180200.142 e do Recurso Especial da Fazenda no dia 07/12/2009, mas não se manifestou. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 250/251, estando clara a divergência jurisprudencial, pelo que dele conheço e passo a dispor. Primeiramente, esclareço que não houve recurso do contribuinte. Quanto ao Recurso da Procuradoria, requerse a aplicação do do art. 173, I do Código Tributário Nacional, alegando que não houve pagamento parcial no 3º trimestre de 1999. Importante mencionar que, tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 8 7 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, decido por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Quanto ao pagamento parcial de tributo, cumpre ressaltar que ele se torna requisito para a aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional se não houver declaração prévia do débito pelo sujeito passivo. Isto porque, segundo a própria ementa do Recurso Especial nº 973.733/SC, repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, o prazo decadencial é sempre quinquenal, variando seu dies a quo. Aplicase o dies a quo previsto no Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 9 8 art. 173, do Código Tributário Nacional, para os seguintes casos: (i) casos dos tributos não sujeitos ao lançamento por homologação; (ii) para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que se constatar dolo, fraude ou simulação; (iii) para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não se constatar dolo fraude ou simulação e não houver declaração prévia constitutiva do débito, tampouco pagamento. Noutras palavras, de acordo com o teor do julgamento proferido no recurso repetitivo, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, depreendese que será aplicável a regra do art. 150, § 4, do Código Tributário Nacional para efeito da contagem do dies a quo do prazo decadencial sempre que, cumulativamente: (i) tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação; (ii) não houver acusação de dolo, fraude ou simulação (iii) houver declaração prévia do contribuinte e/ou pagamento parcial. Voltando ao presente caso, de fato, na decisão recorrida não houve a verificação de pagamento parcial dos tributos, justamente porque foi prolatada anteriormente à alteração do Regimento Interno desta Câmara que adicionou o art. 62A do Anexo II, tendo sido aplicada a contagem do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa forma, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho e dos acórdãos prolatados pelo Poder Judiciário nos termos do art. 543 C do CPC, fazse necessária a verificação de quitação parcial do tributo, para a aplicação da regra decadencial. Verifico nos autos que, embora o contribuinte tenha realizado a compensação de prejuízo fiscal e base negativa, existe tributo devido e a autuação foi por diferença, conforme Demonstrativo de valor Revisado às fls. 62/66, documento juntado pela própria fiscalização. A presunção milita no sentido de que, inclusive, há quitação parcial, relativamente aos débitos informados na DIPJ. Mas independentemente do pagamento parcial, fato é que se tem inequívoca a existência de imposto declarado, posto que, conforme o demonstrativo, o valor revisado pela fiscalização foi diminuído daquele já apurado após a compensação de prejuízo fiscal e base negativa, conforme a tabela juntada nos autos às fls. 66 e Auto de Infração às fls. 73: Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 10 9 Ora, o valor do lançamento referente ao terceiro trimestre do ano calendário de 1999 nada mais é do que a diferença entre o tributo apurado pela Fiscalização e aquele que já havia sido apurado pelo contribuinte (R$ 51.952,38 – R$ 38.870,90 = R$ 13.081,48). Não é o caso de compensação de prejuízo fiscal e base negativa que extingue totalmente o tributo devido e é por isso que o lançamento foi por diferença. Para que não reste dúvida, faço referência a apuração da DIPJ do 3º trimestre de 1999 às fls. 12. Entretanto, de acordo com fls. 160 não houve valor declarado para a CSLL no 3º trimestre do 1999. Nesse sentido, apenas em relação ao IRPJ, como há nos autos prova de que o lançamento foi por diferença, e não se tratando de lançamento de ofício em que houve dolo, fraude ou simulação, afastase a aplicação da contagem prevista no art. 173, inciso I. Aplico, portanto, o prazo previsto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, como no acórdão recorrido. Permanecendo, para a CSLL, a aplicação do art. 173, inciso I, tendo em vista que não houve valor declarado pelo contribuinte e, por consequência, não foi constituído o lançamento por diferença. Assim, para o IRPJ, considerando que o fato gerador do imposto ocorreu em 30/09/1999, o direito da Fiscalização em lançar tal imposto decaiu, vez que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 06/12/2004 (fls. 87). Por outro lado, para a CSLL, considerando que o fato gerador da contribuinte ocorreu em 30/09/1999, o direito da Fiscalização de lançar a contribuição não havia decaído em 06/12/2004, tendo em vista a inexistência de pagamento parcial. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer a exigência apenas em relação à CSLL. (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10850.002878/200464 Acórdão n.º 9101002.119 CSRFT1 Fl. 11 10 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.001676/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF.
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO-INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF.
Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até o mês 05/2004, inclusive, para exclusão do auxílio-transporte e para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO-INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até o mês 05/2004, inclusive, para exclusão do auxílio-transporte e para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Julio César Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente LÍDER RÁDIO E TELEVISÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 76 /2 00 9- 95 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência até o mês 05/2004, inclusive, para exclusão do auxíliotransporte e para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001676/200995 Acórdão n.º 2402004.648 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela desses segurados não desconta em época própria, para as competências 01/2004 a 13/2004. O Relatório Fiscal (fls. 107/121) informa que a empresa, em muitos casos, descumpriu o princípio de competência, lançando a despesa no mês do pagamento. Para apuração do crédito foi observado o princípio da competência, conforme identificado nos documentos fiscais apresentados. Os valores lançados referemse aos seguintes fatos: 1. ValeTransporte pago em dinheiro. A empresa substituiu o Vale Transporte por antecipação ou reembolso de despesas em dinheiro, em caráter de habitualidade, contrariando a Lei 7.418/85 e o Decreto Regulamentador 95.247/87. Levantamento VT2 Vale Transporte em Dinheiro pago a Contribuinte Individual; 2. Caracterização de Segurados Empregados. A empresa remunerou mensalmente durante o ano de 2004 segurados pessoas físicas por serviços prestados de natureza urbana em caráter não eventual, sob sua subordinação, a título de salários, abonos, comissões, férias e décimo terceiro salário; 3. Remuneração a Contribuintes Individuais. A empresa remunerou segurados pessoas físicas sem vínculo empregatício, pela prestação de serviços diversos (advocatícios, manutenção, propaganda em pedágio, comissão), sem ter incluído em Folha de Pagamento, sem ter contribuído à previdência social e sem ter informado em GFIP; 4. Ganho Eventual/Abono. Conforme Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão no Estado de São Paulo e o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo, CLÁUSULA TERCEIRA "GANHO EVENTUAL; 5. Pagamento de Comissões a segurados empregados. A empresa remunerou pessoas físicas registradas como empregados, pela prestação de serviços para a empresa, sem ter incluído em Folha de Pagamento, sem ter contribuído à previdência social e sem ter informado em GFIP; 6. PróLabore. É segurado obrigatório da previdência social como contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que receba Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 remuneração decorrente de seu trabalho na sociedade por cotas de responsabilidade limitada; 7. Diferença de Remuneração de Segurado Empregado. A empresa efetuou pagamentos por serviços diversos lançados na contabilidade para os segurados empregados, sem ter incluído em Folhas de pagamento, em GFIP e sem recolhimento de contribuição previdenciária. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 01/06/2009 (fls. 01/02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 401/437), alegando, em síntese, que: 1. no presente caso houve cerceamento de defesa, vez que ao contribuinte estão sendo imputados fatos os quais a princípio desconhece o teor, não lhe sendo apresentados quaisquer documentos que comprovem a ocorrência dos fatos geradores apontados no Auto de Infração e Imposição de Multa; 2. o auto não merece prosperar, vez que a presente autuação foi lavrada em 01/06/09, ultrapassando, portanto, o prazo decadencial, no que tange o período de janeiro a maio de 2004; 3. Da Multa. A Medida Provisória (MP.) 449/08 trouxe uma redução das multas incidentes sobre o descumprimento das obrigações acessórias relacionadas com as contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212/91. No presente caso devido a ausência de indicação de qual multa deve ser aplicada, ou seja devido a ausência de relatório comparativo, não se pode precisar qual multa está sendo aplicada, se a da MP 449/08 ou a anterior. Da Diligência Fiscal. A planilha comparativa de multa mais benéfica a ser aplicada a este Auto de Infração, encontrase nos Anexos 1 (resumo) e 2 (analítica), fls. 212 e 213, respectivamente. A conclusão da diligência é pela aplicação da multa de mora como a menos severa, conforme apurado anteriormente no auto em referência. Às fls. 217, o Contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal em 01/06/2010, fls. 467. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão 1628.071 da 12a Turma da DRJ/SP1 (fls. 222/249) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que determinou a aplicação da multa de acordo com a retroatividade benéfica (inciso II do art. 106 do CTN), nos seguintes termos: “(...) a multa de ofício de 75% é aplicável, ainda, às competências anteriores a 12/2008, se resultar cm aplicação de penalidade mais benéfica em comparação com as multas”. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001676/200995 Acórdão n.º 2402004.648 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição previdenciária não descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal de fls. 107/121 e seus anexos de fls. 01/170. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/170) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 107/121) e seus anexos (fls. 01/106) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 02/35). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA); Anexos de fls. 122/170; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal (TIF) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 107/121. Registrase que não será acatada a alegação de que o Relatório Fiscal não foi apresentado pelo Auditor Fiscal autuante na entrega do auto. Esse entendimento decorre do fato de que, no dia 01/06/2009, o Procurador da Recorrente declarouse ciente do Auto de Infração e seus Anexos (fls. 02) e, às fls. 121, o mesmo declara que recebeu a 1a via do RELATÓRIO FISCAL. No mesmo sentido, o Fisco, quando do cumprimento da diligência fiscal, afirma que: “O Relatório Fiscal REFISC, parte integrante do auto, conforme consta na capa do mesmo, foi emitido em 2 vias em meio papel, sendo 1 delas entregue no ato da assinatura do auto. O procurador nomeado pelo contribuinte, Antônio Paulo dos Santos recebeu uma via em meio papel, além do Auto, os relatórios FLD, IPC e REFISC, tendo protocolado o recebimento deste último, conforme comprovado na folha 15/15 do mesmo, na via da Secretaria da Receita Federal, o que inviabiliza o motivo para anular o lançamento por "flagrante cerceamento de defesa", visto ser inverídica tal afirmação”. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, correspondente à parcela desses segurados, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/170) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001676/200995 Acórdão n.º 2402004.648 S2C4T2 Fl. 5 7 A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 05/2004, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação decadencial será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2004 a 12/2004 e foi efetuado em 01/06/2009, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01/02). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores o Fisco já reconheceu que a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, conforme Relatório Fiscal (fls. 107/121) e Discriminativo Analítico do Débito DAD (fls. 05/32), ambos afirmam que o lançamento fiscal referese às diferenças de contribuições previdenciárias. Nesse sentido, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 05/2004, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada em parte, excluídose os valores apurados nas competências 01/2004 a 05/2004, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2004 a 12/2004 e as competências posteriores a 05/2004 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, acato parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 05/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Após isso, passo ao exame de mérito. Quanto ao ValeTransporte pago em dinheiro, considerando os princípios da autotutela e da legalidade, devese observar o entendimento da jurisprudência dos tribunais Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001676/200995 Acórdão n.º 2402004.648 S2C4T2 Fl. 6 9 de superposição (STF e STJ) no sentido de que os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro não integram o salário de contribuição, eis que os atos normativos que o disciplinam afrontam a Constituição Federal. Por meio da Lei 7.418/1985, foi instituído o valetransporte como direito do trabalhador a cargo do empregador, pessoa física ou jurídica, a fim de cobrir despesas efetivas de deslocamento da residência para o trabalho e viceversa. A saber: Art. 1º. Fica instituído o ValeTransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, poderá antecipar ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, mediante celebração de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho e, na forma que vier a ser regulamentada pelo Poder Executivo, nos contratos individuais de trabalho. Posteriormente, o Decreto 95.247/1987 veio proibir a concessão de tal benefício mediante pagamento em dinheiro, nos termos do seu art. 5o, in verbis: Art. 5°. É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. A Constituição Federal expressamente consignou que: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. (g.n.) Já o Código Tributário Nacional, complementando a matéria, estabelece que: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. (g.n.) Diante do arcabouço jurídicotributário acima delineado, percebese que o debate acerca deste tema esbarra em questões e postulados jurídicos, o que impede a perpetuação da divergência. Como destacou o Ministro Eros Grau, relator do Recurso Extraordinário (RE) 478410, em seu voto: “a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte – que efetivamente não integra o salário – seguramente afronta a Constituição em sua totalidade normativa”. Transcrevo abaixo trechos das decisões dos tribunais de superposição: “Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001676/200995 Acórdão n.º 2402004.648 S2C4T2 Fl. 7 11 totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/SP, Rel.: Min. EROS GRAU, j.10/03/2010, Dje 13.05.2010, Despacho de publicação no 94 de 12/05/2011) “Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fáticoprobatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido.” (REsp 1194788/RJ, de 19.08.2010) (g.n.) “EMENTA: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos.” (Embargos de Divergência em REsp nº 816.829 – RJ, 2008/02249664) No mesmo caminho da jurisprudência dos tribunais de superposição, a AdvocaciaGeral da União (AGU) publicou no dia 08/12/2011 a Súmula no 60, em que seu Fl. 304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 enunciado estabelece que: “não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando seu caráter indenizatório da verba”. Com isso, como a questão é eminentemente jurídica, inclinome diante da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para considerar que o valetransporte pago em pecúnia (dinheiro) não integra a base de cálculo das contribuições sociais. Logo, os valores das contribuições sociais apuradas, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro (levantamento VT2 Vale Transporte em Dinheiro), deverão ser excluídos do presente lançamento fiscal. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse 1 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001676/200995 Acórdão n.º 2402004.648 S2C4T2 Fl. 8 13 sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/19962, aplicável a todos os demais tributos federais. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001676/200995 Acórdão n.º 2402004.648 S2C4T2 Fl. 9 15 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária quinquenal, os valores apurados até a competência 05/2004, inclusive; (ii) sejam excluídos os valores apurados no levantamento VT2 Vale Transporte pago em dinheiro; e (iii) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13053.000092/2007-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA.
Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO.
Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 11 SS33TTEE0011 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS TTEERRCCEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 13053.000092/200739 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3801005.277 – 1ª Turma Especial SSeessssããoo ddee 18 de março de 2015 MMaattéérriiaa PIS/PASEP RESSARCIMENTO RReeccoorrrreennttee MITA LTDA RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 92 /2 00 7- 39 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13053.000092/200739, contra acórdão da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre (DRJ/POA), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/POA, que assim relatou: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS não cumulativo referente ao primeiro trimestre de 2007, no valor de R$ 41.330,72. O pedido eletrônico (PER), transmitido de acordo com as orientações normativas, consta às fls. 05 a 09 dos autos. Com referência neste crédito, a empresa transmitiu declarações de compensação (Dcomp), fls. 472 a 493. O pedido de ressarcimento foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS) através do Despacho Decisório DRF/SCS n 052/2012 (fl. 288), com base no Parecer DRF/SCS/Safis n 004/2012 (fls. 280 a 287). Foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 11.416,14. Foram glosados valores em dois itens da apuração dos créditos do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições) entregue pela empresa. Da Linha 3 ( serviços utilizados como insumos ) foram excluídos os valores pagos para Tergrasa Terminal Graneleiro S/A, referentes a armazenagem e demais serviços prestados no porto de Rio Grande até o embarque no navio para a remessa ao exterior, por encontraremse em desacordo com a previsão do art. 3o da Lei 10.637/02. O auditorfiscal responsável registra ainda que os gastos também não se referem a armazenagem prevista no inciso IX do art. 3 da Lei 10.833/03, pois os produtos são vendidos após a prestação do serviço, além dos pagamentos não contemplarem apenas gastos de armazenagem. Também foram glosados valores da Linha 7 do Dacon ( despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda ) referentes aos pagamentos para Navegação Aliança que transporta os cavacos de madeira de Taquari até Rio Grande, pois, neste, a carga é formada por produtos acabados e é depositada em nome de Mita LTDA, sendo vendidos posteriormente de acordo com as notas fiscais. A empresa foi cientificada em 05/03/2012 (fl. 289), tendo apresentado manifestação de inconformidade em 03/04/2012 (fls. 292 a 471), cujos argumentos serão relatados logo abaixo. Com referência no deferimento parcial do crédito, foi homologada parcialmente a compensação e indeferido o pedido de ressarcimento, através do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 155 (fls. 494 e 495), abrindose o prazo para o contraditório. A ciência se deu em 06/06/2012 (fl. 501). A empresa apresenta nova manifestação de inconformidade em 05/07/2012 (fls. 502 a 684). Na primeira manifestação, contesta integralmente a glosa do crédito.Preliminarmente, alega a tempestividade. Descreve a sua atividade, destacando que a empresa Mita foi formada a partir de acordo de joint venture entre Mitsubishi Corporation (sediada no Japão) e Setapar, com objetivo de exportar cavacos de madeira (acácia negra) para o Japão. Informa que o contrato era válido por 10 (dez) anos, com cláusula de exclusividade. No mérito, em resumo, aponta que a mercadoria, por força do contrato, encontrase vendida ao único comprador desde a sua saída na empresa e que deve ser entregue em condições para embarcação no porto de Rio Grande. Em função do volume e condições, é necessário o transporte Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 5 4 com a contratada Navegação Aliança até o porto, a armazenagem e a utilização de outros serviços portuários para deixar a mercadoria em condições de embarque, sendo todas as despesas suportadas pela vendedora. A emissão da nota fiscal é posterior por obrigação contratual, questões legais e pela natureza da carga. Em apoio ao argumento, cita a IN SRF 28/94, arts. 27 e 49, que exigem que a pesagem ou arqueação dos navios, nos casos de mercadorias a granel, deve preceder a emissão dos documentos de embarque. Sendo todos os custos decorrentes da operação de venda, entende plenamente enquadrada no art. 3 , IX, da Lei 10.833/03. Cita autores e solução de consulta da 9a Região Fiscal da RFB que forneceriam suporte à tese. Adicionalmente, entende que as operações também poderiam ser abarcadas no conceito de insumo do art. 3 da referida Lei. Alega que as INs da RFB restringem o conceito legal de insumo. Indica que a Lei não aplica o conceito do IPI e que a diferente materialidade da contribuição, incidente quando se aufere receitas, implica em utilizar o conceito de custos necessários. Cita doutrina e jurisprudência sobre o assunto. Argumenta que o entendimento adotado pela DRF implica em resultados opostos ao esperado pela política de fomento às exportações. Requer a reforma do despacho decisório para reconhecimento integral do crédito. Na segunda manifestação de inconformidade entregue, a empresa, basicamente, argumenta no mesmo sentido da primeira. Acrescenta alegação de nulidade do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 155, que homologou parcialmente as compensações e procedeu a cobrança dos valores indevidamente compensados, uma vez que lastreado em decisão não definitiva. Indica que a manifestação anterior referente ao crédito encontrase pendente de apreciação, devendo o processamento das compensações aguardar o julgamento. Requer a suspensão da cobrança decorrente da não homologação das compensações até julgado o recurso no processo de crédito, e, alternativamente, o reconhecimento da existência integral do crédito e da homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação desta DRJ.” A DRJ/POA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Colaciono a ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que a decisão administrativa foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo incidente em suas aquisições. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 6 5 Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS não cumulativo sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem de mercadoria na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, só geram direito ao desconto de créditos na apuração não cumulativa do PIS quando comprovadas de forma individualizada. Entendese por armazenagem estritamente a guarda de mercadoria, não se incluindo nesse conceito operações portuárias diversas.” Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 A recorrente não vende apenas cavados de madeira. Ela também é responsável por agregarlhe todo o aparato logístico necessário para que os mesmos sejam exportados para o Japão; 2 As operações analisadas na decisão recorrida não podem ser tidas como isoladas, mas compreendidas dentro de uma mega estrutura montada para uma finalidade específica: produzir cavacos de madeira para serem exportados para o Japão; 3 As despesas glosadas devem ser enquadradas como insumos ou como inerentes à operação de venda; 4 O conceito de insumo trazido como premissa para interpretar a legislação invocada e discorrer sobre a origem da nãocumulatividade das contribuições para PIS/COFINS; 5 Entendese que o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade do PIS/COFINS. Deve, sim, aterse ao que determina a Constituição Federal, que apenas estabeleceu a definição de setores econômicos a que seria aplicável, não fazendo qualquer referência a uma possível restrição de insumos; 6 A sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS difere daquela aplicável ao IPI e ao ICMS, eis que não se limita ao valor das contribuições recolhidas na operação anterior, mas sim permite a tomada de créditos calculados mediante aplicação das suas respectivas alíquotas sobre os custos com bens e serviços utilizados como insumos na atividade principal da empresa. É o sucinto relatório. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Da existência de direito de crédito a ser pleiteado O pedido de compensação formulado pelo Contribuinte se funda em matéria polêmica na jurisprudência do CARF. No presente caso requer o aproveitamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. O CARF tem adotado diversos entendimentos sobre a matéria, dentre os quais três posicionamentos se destacam: o insumo como todo bem fisicamente integrado ao produto ou serviço; como necessários à atividade ou como necessários à fabricação ou produção de bens e serviços. Esse primeiro entendimento compreende que geram créditos de PIS e Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Utilizase, nesse caso, utilazase o IPI como modelo no aproveitamento de créditos. O segundo entendimento adotase uma perspectiva diversa. Podemos citar como exemplo de decisão nesse sentido o Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, que decidiu que o aproveitamento de insumos abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção da atividade produtiva. Aproximase este modelo daquele utilizado pelo Imposto de Renda. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque a base de cálculo do PIS não abrange somente atividades de industrialização, nem se dirige apenas a comercialização. Esta envolve outras atividades de produção, além da industrialização. De outro lado, não se identifica ao modelo de tributação pelo Imposto sobre a Renda porque esta não procura verificar disponibilidade econômica ou jurídica do contribuinte, o seu acréscimo patrimonial e nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 8 7 ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”. O conceito de insumo utiliza critério de aferição diverso da mera verificação dos i) gastos necessários à industrialização (IPI); ii) dos bens consumidos ou integrados à mercadoria ou iii) daqueles necessários à atividade (IR). Este conceito deve estar vinculado à essência do tributo em questão, ou seja, abranger todos os bens e serviços necessários à industrialização ou produção. Os gastos de materiais de escritório, por exemplo, não são usualmente necessários à produção e, portanto, não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. Nesse sentido entende a 3a Turma da CSRF que são insumos todos os dispêndios “relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social.”. Vejase a ementa do presente acórdão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3o LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado.” (grifouse) (Acórdão no 930301.741, P.A. 13053.000211/200672, 3a Turma da CSRF, Rel. Com. Nanci Gama, julgado em 09.11.2011) A confusão sobre o conceito de insumo surge com a edição da Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03. Estas limitaram a extensão do referido termo à interpretação conferida pela legislação do IPI. Cabe observar que não podem normas infralegais limitar o alcance da aplicação das leis, sob pena de ofensa à legalidade. De outro lado, deve prevalecer o entendimento de que inexistindo limitação por parte da legislação, não se cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 9 8 do princípio da nãocumulatividade. Cabe por fim afirmarse que interpretar restritivamente este conceito implicaria em diversas violações normativas, tais como: i) ofensa à proibição do uso de interpretação analógica (analogia com o IPI); ii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto (ao não se ler a expressão “produção”); iii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto pelo recurso a mens legislatoris (“intenção do legislador em restringir o uso do aproveitamento de créditos”) e iv) proibição de interpretação restritiva com base em interpretação finalística, quando dentre as diversas interpretações possíveis escolhese a mais restritiva utilizando uma análise econômica não autorizada expressamente pelo texto. O presente caso versa sobre a apropriação de créditos de fretes e armazenagem. Entendemos que o princípio da nãocumulatividade permite a tomada de créditos sobre despesas com fretes e armazenagem, quando pagos a pessoas jurídicas compondo valor de aquisição de tal bem. Estes passam a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem. Poderseá admitir igualmente o aproveitamento desses créditos, de frete e armazenagem, por serem insumos necessários no contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Demonstra o contribuinte que as despesas de frete e armazenagem decorrem da localização geográfica da planta industrial, bem como da logística necessária à exportação. Assim devese admitir o aproveitamento desses créditos, tanto pela ótica do conceito de insumo, quanto por serem considerados como despesas de venda. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, ou no inciso IX deste artigo. Em primeiro lugar, a recorrente defende um conceito de insumo bem abrangente, que seja mais amplo do que o utilizado na legislação do IPI ou do ICMS, pois, segundo ela, todos os gastos essenciais ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 11 10 Subsidiariamente, alega que os gastos glosados podem enquadrarse no inciso IX acima. Sobre a abrangência do termo “insumo”, é verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento para o conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 12 11 para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. (...) 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. (...) 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. (...) 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 13 12 alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... (...)” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 247, de 2/11/2002, com alterações da IN SRF nº 358, de 9/9/2003, que dispôs sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 14 13 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifei) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (gn) Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 15 14 PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 16 15 Gastos com fretes e armazenagem. Os gastos com fretes e armazenagem em discussão, relativos a produtos acabados, não se enquadram no conceito de insumo, conforme entendimento aqui adotado, pois não se referem a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos. Os argumentos subsidiários expostos no recurso voluntário também não são suficientes para afastar as razões que conduziram à decisão de primeira instância administrativa, com as quais estou de acordo. Conforme assentado na decisão recorrida, não foi comprovado que os gastos que a contribuinte afirma serem relativos a serviços de armazenagem se referem apenas a estes serviços. Há evidências de que se referem também a despesas com serviços portuários de movimentação e expedição de mercadorias, as quais não podem gerar direito ao crédito pleiteado. Por falta de individualização e comprovação dos gastos com armazenagem propriamente dita, devese manter a decisão recorrida. Despesas com fretes de bens enquadrados como insumos integram o custo destes insumos e não necessitam do inciso IX para gerarem direito ao crédito. Os fretes referentes a transporte de produtos acabados só dão direito a crédito se vinculados a operações de vendas, ou seja, apenas os gastos com transportes de produtos contratados para a entrega ao comprador geram o crédito Estabelecer um alcance maior para o enunciado do citado inciso IX implicaria estender um direito além do previsto em lei, o que é vedado aos membro do CARF. As diversas Soluções de Consulta citadas no acórdão recorrido amparam a conclusão assentada pela turma da DRJ/POA de que “somente os valores da despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos cliente adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela vendedora e o pagamento feito para pessoa jurídica no país, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida”. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000092/200739 Acórdão n.º 3801005.277 S3TE01 Fl. 17 16 Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.720927/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Comprovado a falta de apreciação de documentos e informações apresentadas em momento anterior ao julgamento da primeira instância, deve-se anular o julgamento para que seja proferida nova decisão com a análise dos documentos apresentados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da DRJ para que nova decisão seja exarada.
Joel Miyazaki - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado a falta de apreciação de documentos e informações apresentadas em momento anterior ao julgamento da primeira instância, deve-se anular o julgamento para que seja proferida nova decisão com a análise dos documentos apresentados. Recurso Voluntário Provido em Parte
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ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado a falta de apreciação de documentos e informações apresentadas em momento anterior ao julgamento da primeira instância, devese anular o julgamento para que seja proferida nova decisão com a análise dos documentos apresentados. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da DRJ para que nova decisão seja exarada. Joel Miyazaki Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 09 27 /2 01 1- 04 Fl. 124156DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS no regime nãocumulativo no mercado interno, apresentado em meio eletrônico, fls. 03/05, de nº: 14505.04848.300508.1.1.115525, no montante de R$ 10.033.437,18, relativo ao 1º trimestre de 2008, bem como de Declarações de Compensação atreladas a esse pedido. De acordo com o relatório e Parecer SEORT/DRF/OSA nº 084/2013 (fls. 1.298/1.320) do total das notas fiscais de entrada relativas a operações geradoras de crédito, foram excluídos os valores dos itens cujos NCM não geram crédito por se tratar de Revenda monofásica e alíquota zero (22021000, 22029000, 30049099, 33030010, 33030020, 33041000, 33042010, 33049100, 33049910, 33049990, 33051000, 33059000, 33061000, 33071000, 33072010, 33072090, 33073000, 33079000, 34011190, 34012010, 70091000, 84714900, 84715010, 84716052, 84716053, 85365090, 87112090) e os NCM zerados. Outrossim, não foram reconhecidos os valores informados pelo contribuinte relativos a “02.Bens utilizados como Insumos” e “03.Serviços Utilizados como Insumos” por não constar nos arquivos digitais de notas fiscais apresentados pelo contribuinte, nem os relativos aos itens “04.Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, inclusive sob a forma de Vapor”, “05.Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica”, “06.Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica”, “07.Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda” e “09.Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação)” por não terem sidos comprovados. Cumpre esclarecer que os valores relativos ao item 23, encontrados nos arquivos de notas fiscais de saída, decorrem de devoluções de compra efetuadas pelo contribuinte, o que gera um Ajuste Negativo de créditos no DACON. O contribuinte não atendeu às intimações para esclarecer as divergências encontradas nos DACON de janeiro a março de 2008 em relação ao arquivo de notas fiscais de Entrada (SINTEGRA), mormente ao que tange à informação de quais produtos e qual classificação fiscal a empresa deu saída e que geraram os créditos pleiteados e a indicar, em relação aos produtos que deu saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, qual a legislação que deu suporte a estes Fl. 124157DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10882.720927/201104 Acórdão n.º 3201001.904 S3C2T1 Fl. 13.131 3 benefícios e Composição, por CFOP, das rubricas “1.Bens para Revenda”, “2.Bens utilizados como insumos”, “3.Serviços utilizados como insumos”, “7. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda” e “12.Devoluções de Vendas” da Ficha 06A da Dacon. Também foi intimado, no Termo de Intimação e de Prorrogação de Prazo, a apresentar a documentação comprobatória de todos os bens e serviços que deram origem aos créditos pleiteados. O contribuinte não atendeu as supracitadas intimações. Dos quadros constantes às fls. 1306, 1307 e 1308, depreendese o não reconhecimento pela fiscalização de créditos vinculados à Receita Não tributada no mercado interno, por conseguinte, o não reconhecimento de créditos passíveis de ressarcimento. O contribuinte apresenta informações de créditos não ressarcíveis, ou seja, vinculados a operações tributadas, o que não lhe confere direito ao ressarcimento relativo ao mercado interno, conforme reza o artigo 21, inciso II, da IN RFB 600/2005: O Despacho Decisório (fl. 1.320) indeferiu o pedido de ressarcimento, e não homologou as compensações atreladas a esse pedido. O contribuinte foi cientificado do Parecer e Despacho Decisório (fls. 1.316/1319) em 04/05/2013 (fl. 1.321) e apresentou manifestação de inconformidade em 04/06/2013 (1.361/1370) alegando em síntese: a) Quanto ao não atendimento às intimações Alega que atendeu a todas as intimações expedidas, com exceção da intimação datada de 08/03/2013 da qual tomou ciência em 15/03/2013. Informa que solicitou prorrogação de 30 dias de prazo, contudo, a DRF concedeu apenas 5 dias de prorrogação e acrescentou à intimação a apresentação de documentação comprobatória de todos os bens e serviços que deram origem aos créditos pleiteados. Alega que solicitou nova prorrogação que foi indeferida. Informa que antes desta última intimação a fiscalização nunca havia solicitado os documentos comprobatórios de todos os bens e serviços que deram origem ao crédito. Acrescenta que a autoridade fiscal não analisou corretamente os documentos apresentados e simplesmente indeferiu por completo o crédito pleiteado com o intuito de evitar a homologação tácita do pedido de ressarcimento do crédito de Cofins. b) Da divergência de informações entre DACON e SINTEGRA A autoridade fiscal relata que a requerente não teria atendido às intimações para esclarecer as divergências encontradas nos DACON de janeiro a março de 2008 em relação ao arquivo de notas fiscais de entrada (SINTEGRA) principalmente com relação à informação de quais produtos e qual a classificação fiscal a requerente deu saída com a geração dos créditos pleiteados, com a indicação dos produtos que deu saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. A interessada alega que apresentou diversos documentos, porém que a autoridade fazendose valor da aplicação do princípio do formalismo, violou o Princípio da Verdade Material e limitouse a não reconhecer o crédito pleiteado sem apurar devidamente os Fl. 124158DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 fatos. Acrescenta que a escrituração faz prova a favor do contribuinte e que caberia à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos nela registrados. Afirma que a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material convertendo o julgamento em diligência ou promovendo a intimação da Impugnante. Cita jurisprudência do CARF neste sentido. Acrescenta que as divergências entre informações entre SINTEGRA e DACON são normais, tendo em vista que cada uma trata de um tipo de apuração, mesmo porque da análise dos referidos documentos podese concluir que a Requerente não tomou crédito relativamente aos produtos com saída com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Protesta pela juntada posterior de provas que serão divididos em 3 CD cada um referente à apuração de um mês do primeiro trimestre de 2008. c) Do ajuste negativo de créditos no DACON decorrentes de devoluções de compras A requerente esclarece de uma vez por todas que estornou os créditos relacionados aos produtos devolvidos, razão pela qual não há que se falar em ajuste negativo no DACON o que pode ser facilmente verificado nos documentos ora anexados. Encerra a impugnação requerendo perícia e apresenta os quesitos. Tendo em vista que a interessada menciona na manifestação de inconformidade que haveria posterior juntada de documentação comprobatório em 03 DVD, e que não consta a juntada de tal documentação nos autos, o processo foi retornado a Delegacia de origem para juntar tais arquivos. Em resposta a delegacia respondeu que os arquivos digitais apresentados pelo interessado, foram juntados no processo físico nº 10882.722935/201349." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. AUSÊNCIA DE PROVAS A manifestação de inconformidade deve vir instruída com as provas das alegações, uma vez que a alegação, por si só, não produz modificações na análise do direito creditório. PERICIA DILIGÊNCIA. Fl. 124159DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10882.720927/201104 Acórdão n.º 3201001.904 S3C2T1 Fl. 13.132 5 A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. DEVOLUÇÃO DE COMPRAS Ocorrendo a devolução de mercadorias que geraram crédito na aquisição, deve ser efetuado o estorno do crédito apurado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificadas da decisão, foi interposto recurso voluntário pedindo em sede preliminar a anulação da decisão de primeira instância, os argumentos da Recorrente foram assim apresentados no recurso. "Em 31/10/2013, a turma julgadora decidiu pelo retorno dos autos à Delegacia de origem a fim de que fosse providenciada a juntada dos arquivos contidos nos 03 DVDs apresentados pelo Recorrente e posterior devolução à DRJ. Em seguida, SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco emitiu o seguinte despacho: "Considerando a impossibilidade de se anexar ao presente processo os arquivos digitais apresentados pelo interessado, foi constituído e enviado para a DRJRJO o processo físico nº 10882.722935/201349 contendo os referidos arquivos em 3 DVDs. Em atendimento ao despacho de fls. 1392, devolvase este processo à DRJ RJ 16ª Turma para julgamento da manifestação de inconformidade apresentada". Estando ciente do despacho proferido, a relatora se manfiestou dizendo que até a data do julgamento não haviam sido apresentados os CD com as informações referente ao 1º trimestre de 2008, mas que os CDs que foram juntados no processo físico nº 10882/7229935/201349 referemse ao 1º trimestre de 2009 e que suas informações serão analisadas no processo 10882.21810/201300 relativo ao 1º trimestre de 2009. Ocorre que em 05/06/2013, a Recorrente apresentou petição anexando os 03 (três) DVDs mencionados na Manifestação de Inconformidade, cujo comprovante de protocolo segue abaixo e anexado a este Recurso como Doc. 02." Em anexo ao recurso são apresentados decisões proferidas nos processos administrativos 10882.720930/201110 (COFINS 3º Trimestre de 2008) e 10882.720936/201197 (PIS 3º Trimestre de 2008), que tiveram origem no mesmo Mandado de Procedimento Fiscal do presente processo e em ambos os casos, a turma julgadora decidiu por converter o julgamento em diligência para que fosse feita a juntada dos arquivos apresentados pela Recorrente, relativos ao 3º trimestre de 2008, intimando o contribuinte a reapresentálos, se necessário. Fl. 124160DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 A seguir a Recorrente repisa as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente por tratarse de questão preliminar, merece analise a discussão quanto a controvérsia sobre os CD que foram trazidos ao processo. Conforme consta do termo de juntada de arquivos (anexo 2 do recurso voluntário) foram apresentados 3 CD, trazendo informações referentes ao 3º Trimestre de 2008. A decisão guerreada afirma que não procedeu a análise dos documentos, em razão dos CDs conterem documentos referentes ao 1º trimestre de 2009 incluídos no Processo Administrativo nº 10882.722935/201349. Consultei o Processo Administrativo nº 10882.722935/201349 no sistema e processo e encontrase vazio, ou seja sem documentos armazenados. As informações trazidas aos autos comprovam a apresentação dos 3 (três) CDs com termo fiscal registrando tratarse de informações referentes ao 3º Trimestre de 2008. A posição adotada na decisão de piso referente ao Processo Administrativo nº 10882.722935/201349, não foi possível de confirmação nas consultas realizadas no sistema e processo. A Recorrente trouxe aos autos os documentos referentes ao período em discussão nos autos e considerando que fato similar ocorreu em dois outros processos, onde foi decidido por nova diligência, entendo que a melhor solução seja auditar os documentos trazidos aos autos pela Recorrente, que segundo suas alegações comprovariam o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de anular o processo a partir da decisão da primeira instância, inclusive. Determinando que seja realizado novo julgamento apreciando as informações trazidas aos autos pela Recorrente. Winderley Morais Pereira Fl. 124161DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10882.720927/201104 Acórdão n.º 3201001.904 S3C2T1 Fl. 13.133 7 Fl. 124162DF CARF MF Impresso em 03/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/06/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 19515.003819/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N. 25
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Numero da decisão: 1301-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Depósitos bancários Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TROPICAL ENTRETENIMENTO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF N. 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 19 /2 00 9- 01 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Relatório Tratase, nos presentes autos, de Recurso de Ofício (exclusivamente), interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, em decorrência da decisão de primeira instância que, analisando os termos da impugnação apresentada pela contribuinte, reconheceu a sua parcial procedência, em acórdão que, assim, restou então especificamente ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDEZ. Frustrados os meios reais de intimações (e sem que se exija qualquer ordem de precedência entre eles), seguese a via da intimação ficta por edital. FISCALIZAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESCARACTERIZAÇÃO DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. Tal e assim, não se configura ofensa ao direito de sigilo bancário, mas a sua mera transferência à Autoridade Tributária requisitante. INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. Por outra, em nível administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, não se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. APREENSÃO DE DOCUMENTÁRIO CONTÁBILFISCAL JUNTO À JUSTIÇA CRIMINAL. INDISPONIBILIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A apreensão de livros e documentos da escrita contábilfiscal do Contribuinte à ordem do Poder Judiciário implica desapossamento e não inviabilidade de acesso. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIAS MAJORANTES DO § 2º DO ART. 44 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NÃO CARACTERIZAÇÃO. INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. ESCOPO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. NÃO ATENDIMENTO. No espaço do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o descumprimento de intimação para apresentação de extratos bancários de toda forma e concretamente alcançados por meio de Requisição de Movimentação Financeira não não se confunde com quaisquer das condutas omissivas prestigiadas nos incisos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003819/200901 Acórdão n.º 1301001.726 S1C3T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. A existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações, caracteriza a hipótese de omissão de receita. Presunção elevada à categoria legal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Pelo que se verifica da leitura do inteiro teor do Acórdão recorrido, verifica se que a parte exonerada da obrigação represese, especificamente, à desqualificação da penalidade pecuniária aplicada, o que, conforme se verifica, importa em montante superior àquele determinado pelas específicas legislações regulamentares de regência, impondo, assim, à necessária submissão daquela decisão ao reexame necessário. É o que aqui se tem a relatar. Passo ao meu voto. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Sendo regular o recurso de ofício interposto, admitoo para julgamento. Conforme apresentado no breve relatório aqui trazido à colação, a discussão travada nos presentes autos decorre de identificação, pelos agentes da fiscalização fazendária federal, de efetiva "omissão de receitas" pela contribuinte, que, tendo presente em suas contas bancárias conforme informações obtidas por meio de expedição de RMF (Lei Complementar 105) , efetivos créditos cuja natureza, após a devida e regular intimação, não restara devidamente comprovada, restou então devidamente aplicadas as disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, que, como se sabe, assim expressamente o determina: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: ância,I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Inexistindo recurso da contribuinte a respeito da caracterização ou não das hipóteses apresentadas, temse como efetivamente consolidado o entendimento fazendário a Fl. 682DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003819/200901 Acórdão n.º 1301001.726 S1C3T1 Fl. 4 5 respeito da caracterização da hipótese, nada mais aqui a ser passível de discussão a seu respeito. Pela análise da decisão de primeira instância, o que se verifica é que, apesar de efetivamente reconhecida a caracterização da hipótese de "omissão de receitas", não se teria restado devidamente comprovada a realização de atos que, por si só, comprovassem a prática de condutas próprias de sonegação fiscal, sendo relevante destacar, a esse respeito, o trecho específico do Voto condutor da decisão recorrida que, especificamente sobre esse assunto, assim então objetivamente aponta: Peça (sic) licença ao relator para expressar entendimento diverso sobre a interpretação da norma jurídica prevista no artigo 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atualmente com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...) Entendo que a expressão “prestar esclarecimentos”, contida no transcrito dispositivo, não se aplica apenas a questionamentos efetuados pela fiscalização, mas também a termos fiscais que intimem o contribuinte a apresentar quaisquer livros ou documentos contábilfiscais a que esteja obrigado por lei a escriturar, emitir ou manter. Esclarecimentos ocorrem não apenas com respostas a perguntas formuladas por escrito, mas também, por exemplo, com a simples informação da impossibilidade de apresentação de um documento ou livro anteriormente solicitado no curso de um procedimento fiscal por ter sido extraviado ou destruído. Seria incoerente interpretar que a lei pune com majoração de 50% a simples recusa em responder a perguntas efetuadas pela fiscalização e que não pune a falta de qualquer esclarecimento sobre livros e documentos legalmente obrigatórios ou que esta não apresentação enseja apenas a aplicação da multa regulamentar de R$80,79 a R$242,51 prevista no artigo 948 do Regulamento do Imposto de Renda. Cabe esclarecer que não se está considerando o mesmo fato motivo para utilização da presunção legal de depósitos bancários sem origem comprovada e para majoração da multa de ofício aplicada, pois os motivos ensejadores de cada uma dessas conseqüências jurídicas são diversos. A presunção legal decorre do fato de a contribuinte regularmente intimada não comprovar a origem dos depósitos bancários que a beneficiaram, quer se manifeste, quer permaneça calado. Já a majoração da multa decorre da falta de prestação de uma informação a respeito da origem dos depósitos bancários que está implícita quando foi solicitada, pois se a fiscalizada não pode ou não vai provar a origem dos depósitos bancários, cabe a ela Fl. 683DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 prestar este esclarecimento à autoridade fiscal para que esta não fique perdendo tempo e recursos, que não são da pessoa natural do fiscal, mas da administração tributária, com reintimações desnecessárias. Neste sentido tem decidido o Conselho de Contribuintes: (omissis) Assim, quando a fiscalizada esclarece à fiscalização sobre os motivos pelos quais não pode comprovar a origem dos depósitos solicitados, descabe a majoração da multa. Compulsando os autos, se encontram esclarecimentos (fls. 274/275 e 283/284), acompanhados dos documentos de fls. 276 a 282 e 285 a 292, apresentados pela fiscalizada em agosto de 2009, nos quais descreve os motivos que justificariam, no seu entender, a não comprovação da origem dos depósitos bancários. Portanto, no presente caso a contribuinte prestou esclarecimentos, o que me leva a concordar com a exoneração da diferença entre a multa de ofício majorada (112,5%) e a multa de ofício regular (75%) proposta pelo relator, apesar de interpretar diversamente a expressão “prestar esclarecimentos” contida no inciso I do § 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme nesta declaração de voto exponho. Há ainda outra razão para o cancelamento da majoração da multa de ofício. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 293 a 295), em nenhuma passagem a autoridade fiscal diz porque caberia a aplicação da multa majorada. Dito de outra forma: a fiscalização não diz que omissão da fiscalizada, nem em relação a qual intimação, houve a caracterização da falta de prestação de esclarecimentos nos termos do § 2º, inciso I, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 acima transcritos. Assim dispõem os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo federal e que deve ser aplicada no processo administrativo fiscal federal subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972, no silêncio deste sobre a questão: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) V decidam recursos administrativos; (...) Fl. 684DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003819/200901 Acórdão n.º 1301001.726 S1C3T1 Fl. 5 7 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Desta forma, cabe a exoneração da parcela relativa à majoração da multa de ofício também por falta de motivação deste agravamento da penalidade aplicada (se assim não for, haverá ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa), remanescendo apenas a multa de ofício regular (75%) que prescinde de motivação específica porque incide automaticamente quando presente a motivação para o lançamento de ofício do tributo respectivo. (Grifos e destaques nossos) A matéria posta em debate, portanto, referese, tão somente, à possibilidade (ou não) de admissão da qualificação da multa de ofício aplicada, tendo em vista que, conforme destacado, a contribuinte, quando de sua regular intimação, apresentou todas as informações aos agentes da fiscalização e que, da análise da omissão de receitas apontada, não se extrai, por certo, qualquer conduta que se amolde às circunstâncias do Art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64. A matéria, por certo, é já há tempos conhecida deste conselho, verificandose, a seu respeito, inclusive, o teor das Súmulas CARF ns. 14 e 25, que, assim, inclusive, expressamente determinam. Vejamos: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Em face dessas disposições, não verificando nos presentes autos qualquer consideração que indique a possibilidade de configuração das hipóteses dos artigos mencionados, tratandose de lançamento efetivado com base na exclusiva verificação da Fl. 685DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 configuração da presunção legal de omissão de receitas, entendo, na linha do voto condutor da decisão de primeira instância, pela impossibilidade de admissão da majoração da penalidade, razão porque, então, concluo por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício interposto, mantendo, nesta parte, a exoneração efetivada. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 686DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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