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Numero do processo: 15374.001500/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR. RESERVA REMUNERADA. DIREITO. ENUNCIADO Nº 43 DA SÚMULA CARF.
Os proventos recebidos por militar da reserva remunerada estão alcançados pela isenção para portador de moléstia grave.
Numero da decisão: 2201-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR. RESERVA REMUNERADA. DIREITO. ENUNCIADO Nº 43 DA SÚMULA CARF. Os proventos recebidos por militar da reserva remunerada estão alcançados pela isenção para portador de moléstia grave.
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MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR. RESERVA REMUNERADA. DIREITO. ENUNCIADO Nº 43 DA SÚMULA CARF. Os proventos recebidos por militar da reserva remunerada estão alcançados pela isenção para portador de moléstia grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 00 /2 00 9- 34 Fl. 142DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário formulado em face do Acórdão nº 1317.229, da 2ª Turma da DRJ/RJOII, que negou provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que reclassificou rendimentos declarados por ele como isentos de tributação para rendimentos tributáveis. Ao impugnar o lançamento, o contribuinte alegou ser portador de moléstia grave, conforme comprovaria Termo de Inspeção de Saúde da Junta de Saúde da Marinha do Brasil e o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte. A decisão de piso considerou improcedente a impugnação, por entender que a isenção de moléstia grave não beneficiaria militar da reserva remunerada, situação na qual se enquadraria o contribuinte. A ciência da decisão de piso ocorreu em 06/11/2007 (fl. 123) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 26/11/2007. Em sede recursal, o autuado volta a defender seu direito à isenção, uma vez que a reserva remunerada seria equivalente à aposentadoria. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A questão em litígio consiste em definir se os rendimentos percebidos por militar da reserva estariam compreendidos na isenção de que trata o art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que essa matéria já foi pacificada no âmbito deste colegiado, eis que tratada pelo enunciado nº 43 da Súmula CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Entre os Acórdãos que serviram de paradigma, destacase o de número 104 21.935, cuja ementa determina, in verbis: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE MILITAR TRANSFERIDO PARA RESERVA REMUNERADA Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15374.001500/200934 Acórdão n.º 2201004.666 S2C2T1 Fl. 143 3 Não é demais registrar ainda o ATO DECLARATÓRIO 1 PGFN, DE 123 2018, que: DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, abrange os proventos percebidos por militar na reserva remunerada". Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe dar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720047/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para verificar os valores passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições na forma do art. 3º, III, §9º-A, da Lei nº 9.718/98. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para verificar os valores passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições na forma do art. 3º, III, §9º-A, da Lei nº 9.718/98. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Recorrente UNIMED CAÇADOR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO DA REGIÃO DO CONTESTADO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para verificar os valores passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições na forma do art. 3º, III, §9ºA, da Lei nº 9.718/98. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .7 20 04 7/ 20 11 -9 0 Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 486 2 Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de Auto de Infração relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 419.594,73, e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 90.912,20, acrescidos de juros de mora e multa proporcional, referente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2008. A empresa em epígrafe tratase de uma cooperativa de profissionais médicos, operadora de plano de assistência à saúde registrado na ANS sob o nº. 346951. A base de cálculo considerada pela fiscalização foi o faturamento, correspondente à receita bruta, conforme dispõe a Lei nº. 9.718/98, art. 2º. e 3º., Decreto nº. 4.524/02, IN SRF nº. 247/02, art. 10, e IN SRF nº. 635/06, art. 6º., caput. Os valores discriminados nas planilhas “Demonstrativo de Apuração PIS e da Cofins – 2007 e 2008 (PIS e Cofins a lançar) foram compulsados nos valores lançados nas planilhas de Composição dos Saldos das Rubricas Contábeis/Planilha Auxiliar de Determinação dos Ingressos/Receitas/Glosas/Deduções (2007 e 2008)”, extraídos da contabilidade regular da contribuinte, conforme arquivo digital entregue pelo mesmo em atendimento aos termos de intimações. Foram consideradas as deduções legais, conforme item “5.1.3. Das deduções relativas às sociedade cooperativas de médicos que operam planos de assistência à saúde”. No item “6. Da apuração do Pis e da Cofins a ser lançada” do relatório fiscal, consta que as contribuições foram apuradas na forma cumulativa, com a alíquota de 3% para o cálculo da Cofins e 0,65% para o cálculo do PIS. Nas razões da impugnação, inicialmente, a contribuinte discorre sobre o que entende ser o “ato cooperativo”, remetendo ao art. 79 da Lei das Sociedades Cooperativas – Lei nº. 5.764/71. Após, alega, em síntese, que a função essencial da cooperativa médica é prestar serviços exclusivamente para seus cooperados, todos médicos, realizados em proveito comum, a teor do art. 3º. da Lei 5.764/71 e que estas devem ser examinadas à luz de suas características próprias e diversas dos demais serviços médicos ofertados em planos de saúde, por entidades que não são cooperativas, sendo que o ato de angariar clientes para seus cooperados é ato tipicamente cooperativo, visto que direcionam os possíveis usuários para serviços prestados exclusivamente pelos associados. Conforme a contribuinte, o tratamento “adequado”, insculpido na Constituição Federal de 1988, significa não tributar o que é adequado ao cooperativismo e tributar o que “não é adequado”; a prestação de serviços pelo cooperado é tributável na pessoa do cooperado; a prestação de serviços ao cooperado (angariar clientes) não é tributável, pois haveria uma Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 487 3 dupla tributação, no cooperado e na cooperativa, pelo mesmo serviço, ou seja, o atendimento médico a terceiros; que não podem ser cobrados tributos das cooperativas pelo ato de repasse dos recursos recebidos aos cooperados. Sustenta que, enquanto substituto tributário (retenção na fonte de tributos devidos por terceiros) a base de cálculo decorre não de seus atos próprios, mas de valores percebidos por terceiros, como, por exemplo, ocorre com a retenção de imposto sobre a renda de trabalhadores que trabalham para cooperativa. Sob o tópico “Do plano de saúde ser produto e não serviço nos termos legais”, alega, em resumo, que as operações realizadas entre a cooperativa e os médicos cooperados configuram atos cooperativos principais; as operações de contratação de serviços credenciados, pela sociedade, configuram atos cooperativos auxiliares, mas que todos eles integram, necessariamente, o gênero “atos cooperativos”, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/71. Faz uma extensa explanação sobre a legislação que rege os planos de saúde e as operadoras destes planos, bem como suas especificidades, e termina por alegar, em síntese que: o que a cooperativa vende é um produto (plano de saúde) que não pode ser confundida com prestação de serviço; quanto à oferta de planos de saúde, incorrendo a cooperativa na busca de sua finalidade principal – prestação de serviços aos médicos cooperados através da captação de clientes – sem objetivar lucros, está executando ato tipicamente cooperativo; pela previsão da lei de regência, as entidades cooperativas são sociedades sem fins lucrativos, logo não estão sujeitas ao recolhimento do imposto incidentes sobre a renda, bem como os seus reflexos, traduzidos nas tributações pertinentes ao Cofisn e PIS; quer sob a ótica da Lei nº. 9.718/98 ou da Lei nº. 5.764/71, a conclusão é que as sociedades cooperativas, relativamente aos atos cooperativos, não estão sujeitas à incidência das contribuições; os atos praticados com terceiros, para a conquista do seu objeto social, são atos cooperativos, aí incluídos os resultantes da relação com o hospitais e demais serviços auxiliares na prestação da atividade médica, sendo a rede hospitalar elemento muitas vezes indispensável ao exercício da atividades pelos médicos cooperados, com cobertura obrigatória por parte da cooperativa; Por fim, requer que se reconheça a natureza jurídica da sociedade cooperativa, bem como sua imunidade e isenção acerca das contribuições para o PIS e a Cofins. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DE ATOS EMPRESARIAIS. PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 488 4 Os atos de venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na comercialização de planos de saúde, sendo que os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise em receita bruta da cooperativa decorrente de atos empresariais, sujeitandose à tributação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DE ATOS EMPRESARIAIS. PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. Os atos de venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na comercialização de planos de saúde, sendo que os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise em receita bruta da cooperativa decorrente de atos empresariais, sujeitandose à tributação. Impugnação Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa arguiu em sede preliminar: a) sobrestamento do julgamento administrativo até a decisão final do RE nº598.085 no qual foi declarado repercussão geral quanto a matéria discutida nos autos atinente a incidência, ou não, da COFINS sobre os atos cooperativos; b) que a forma exigida por lei para a realização do lançamento é a notificação de lançamento e não auto de infração, tal como fez o Auditor Fiscal, ensejando a anulação dos autos de infração; c) falta de indicação do dispositivo legal infringido no auto de infração, também enseja a anulação dos autos de infração; No mérito, a Recorrente apresenta as seguintes argumentações: a) não incidência das contribuições sobre os atos cooperados das Sociedades Cooperativas Médicas; b) exclusão do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades; e c) aplicação indevida da multa de 75%, pois a aplicação desta somente pode se dar diante de pressupostos subjetivos na conduta do contribuinte (art.5º, XLVI, CF/88) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Sousa Bispo Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 489 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Um dos argumentos trazidos pela Recorrente foi no sentido de que o Auditor considerou a menor o valor excluído da base de cálculo, previsto no inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, referente às indenizações correspondentes "aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades", uma vez que foram considerados apenas os valores pagos por serviços prestados a associados de outras operadoras. Segundo seu entendimento, tal dispositivo também lhe permite a exclusão relativa a despesas operacionais ou custos decorrentes do cumprimento dos contratos de prestação de serviços médicos contratados pela Unimed com os seus usuários. Temse que tal arguição não foi suscitada em sede de impugnação, não podendo mais ser analisada nesta instância administrativa por ocorrência de preclusão, nos termos do art.17 do Decreto nº70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Voto vencedor Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Em sessão, fui acompanhada pelos demais integrantes do Colegiado na proposta de conversão do julgamento do presente processo em diligência, nos termos a seguir elucidados. Como indicado pelo I.Conselheiro Relator, a Recorrente invocou a necessidade de adequação da base de cálculo dos valores autuados com fulcro na previsão do art. 3º, III, §9ºA da Lei n.º 9.718/98, incluída pela Lei n.º 12.873/2013, publicada em 25/10/2013, com o seguinte teor: "Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 490 6 § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013)" (grifei) Como debatido em sessão, observase que referido dispositivo foi introduzido após a interposição da Impugnação Administrativa, razão pela qual o argumento em torno de sua eficácia retroativa, aceita no âmbito deste Conselho, não foi invocado pela empresa em sua Impugnação. Com efeito, a eficácia retroativa da referida disposição tem sido amplamente aceita neste CARF, em conformidade com o entendimento externado de forma unânime pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF no Acórdão n.º 9303004.399, abaixo ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9ºA, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9ºA, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei nº 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo." (Número do Processo 13982.001408/200981 Data da Sessão 09/11/2016 Relatora Vanessa Marini Cecconello Nº Acórdão 9303004.399. Unânime grifei) Ora, tratandose de questão que poderá ensejar no cancelamento ainda que parcial da exigência fiscal constante dos autos e como matéria de direito introduzida posteriormente à própria autuação fiscal, julgamos necessária a conversão do processo em diligência para quantificação pelo Auditor Fiscal autuante da repercussão da Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 491 7 interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, sobre os valores exigidos no lançamento. Referida conversão está em conformidade com aquela ocorrida em processos semelhantes, que já vem sendo realizada inclusive pelas Delegacias de Julgamento de origem (vide acórdãos 3402004.337 e 3402004.338, ambos de 26/07/2017, de minha relatoria). Diante destas circunstâncias que entendeu a maioria deste Colegiado pela conversão em diligência deste processo para que a autoridade fiscal de origem quantifique a repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido pela Lei nº 12.873, de 2013, sobre os valores exigidos no lançamento. Em seguida, antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 491DF CARF MF
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Numero do processo: 12664.000043/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.815
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem junte aos autos cópias integrais dos processos administrativos 10183.002797/2007-17 e 12664.000087/2008-56.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem junte aos autos cópias integrais dos processos administrativos 10183.002797/200717 e 12664.000087/200856. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da resolução nº 3302000.582 (fls.582591): Tratase de lançamento no valor total de R$ 1.365.473,40 (fl. 06), referente ao auto de infração de fls. 0314, através do qual a fiscalização, segundo declarado no Relatório de Fiscalização de fls. 321329, entendeu configurada a cessão do nome para acobertamento de operações de importação de terceiros, por parte da empresa BRAIMEX COMÉRCIO IMP. EEXP. DE EQUIP. ELETRÔNICOS LTDA (BRAIMEX), aplicando a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 26 64 .0 00 04 3/ 20 10 -4 1 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 599 2 correspondente a 10% do valor aduaneiro relativo às operações acobertadas, conforme planilha de fls. 316320. No citado Relatório, a fiscalização informa que o procedimento especial que deu origem à autuação foi decorrente dos processos administrativos 10183.002797/200717 e 12664.000087/200856, tendo sido o primeiro apensado ao segundo. Na descrição dos fatos do Auto de Infração, à fl. 07, consta: “A Empresa (Pessoa Jurídica), devidamente identificada, cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação, conforme relatório integrante ao processo administrativo n° 12664000087/200856 e anexo a este Auto de Infração objeto do processo administrativo n ° 12664.000043/201041”. No referido Relatório, a fiscalização, ao discorrer sobre o histórico da BRAIMEX, afirma que a movimentação financeira e a declaração de IRPF dos sócios não são compatíveis com as alterações contratuais da empresa. Analisando o passivo da BRAIMEX, a fiscalização declara que o valor de R$ 6.109.725,76 que consta como origem de recursos no livro Razão de 2007, à fl. 302, é, na verdade, adiantamento de clientes, utilizado para pagamento das importações. No tópico “ANÁLISE FINANCEIRA”, os autuantes revelam que, através das cópias das notas fiscais emitidas ao longo do ano de 2007, bem como das informações contidas nos livros de controle de entrada e saída de mercadorias do mesmo ano, podese verificar que as datas de emissão das NF’s de entrada são bem próximas daquelas NF’s de saída. Aduzem também, os fiscais, que os valores das mercadorias na entrada são bastante equivalentes daqueles constantes das NF’s de saída. A conta "Estoques" do fechamento do balanço do ano de 2007 apresenta saldo muito baixo, se comparando ao total de entradas de mercadorias. No sentido de ressaltar os itens acima, foi, segundo a fiscalização, verificado in loco que a empresa não dispõe de local de armazenagem de estoque, conforme foto e termo de constatação. Alegam os autuantes que, conforme o livro Razão da BRAIMEX, o total de lançamentos a débito e o de lançamentos a crédito são praticamente idênticos, sendo que os saques em sua grande parte são para fechamento de câmbio e pagamento de tributos devidos no desembaraço. Não há conta "Clientes" ou qualquer outra que denote vendas a prazo. Todas contrapartidas da conta de receita "Venda de Mercadoria" são "Adiantamento de Clientes", ou seja, não se referem a recebimento de duplicatas, mas sim à baixa de uma conta do "passivo" chamada "Adiantamento de Clientes". No tópico “VÍCIO DE ATO PERANTE O CNPJ”, a fiscalização aduz que, em alteração contratual ocorrida em 23/01/2004, houve irregularidade, uma vez que o valor de R$ 6.000.000,00, relativo a linha de crédito concedida pelo Banco Scharin, não foi utilizado, tendo sido o registro apenas escritural. Ao tratar do “MODO DE OPERAÇÃO DA EMPRESA”, os autuantes declaram que todas as importações realizadas pela empresa foram em regime de entreposto aduaneiro. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 600 3 Essas mercadorias eram entrepostadas em nome da permissionária do Porto Seco de Cuiabá, e desembaraçadas em nome da BRAIMEX, que as distribuía aos seus "clientes"; até aqui, segundo a fiscalização, temse uma operação, em tese, dentro da legalidade. Entretanto, a BRAIMEX recebia o pagamento de seus "clientes" a título de adiantamento de vendas e, em seguida, nacionalizava os produtos, recolhendo apenas os tributos referentes ao desembaraço. A atividade comercial pressupõe risco, e essa forma de operar da BRAIMEX, recebendo recursos adiantados de terceiros para financiar suas operações é uma prova inequívoca de que a empresa só existe para beneficiar os terceiros que realizam as importações, via BRAIMEX, sem comprovar a origem dos recursos e sem recolher todos os tributos devidos, uma vez que a maior parte dos tributos ficará a cargo da BRAIMEX que provavelmente não os recolherá, como não recolheu até o momento. Esses terceiros beneficiados pelas operações da BRAIMEX seriam seus "clientes", os quais são de fato os adquirentes das mercadorias, ou seja, os reais importadores e, portanto, são considerados contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, incidente sobre a revenda da mercadoria importada no mercado interno, por equiparação a estabelecimento industrial, conforme artigo 79 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 combinado com o artigo 2°, inciso II, da Lei nº 4.502/1964. À fl. 326, a fiscalização apresenta quadro com diversos clientes da BRAIMEX por ordem decrescente do valor das notas fiscais de saída para cada um. Os quatro maiores clientes respondem, no período analisado, por 90% das vendas realizadas pela BRAIMEX, sendo que as duas primeiras empresas, ADV e DVG, que respondem por 61% das vendas e são controladas pelo sr. Luis Carlos Klein, conforme procurações. Em relação à empresa Ana Cunha, a fiscalização afirma que teve acesso ao livro de entrada de mercadorias e, por meio de comparação com as notas fiscais NF de saída da BRAIMEX, verificou que várias NF’s de saída desta empresa, com destino à Ana Cunha, não foram nelas registradas como entrada e nem canceladas por aquela, conforme registro no Livro de Saída da BRAIMEX. Analisando esses documentos, a fiscalização declara que constatou que o empresário Luis Carlos Klein simulava uma operação comercial, "vendendo" os produtos importados para as empresas ADV e DVG, que ele mesmo controlava, ou seja, ele vendendo para ele mesmo a um preço abaixo do valor de mercado, para livrar essas empresas de uma tributação na operação comercial seguinte e ainda obter créditos de tributos não pagos na operação anterior. Nessa sistemática de operação, a BRAIMEX, segundo os autuantes, só recolhia os tributos federais devidos no desembaraço aduaneiro, jamais tendo recolhido qualquer tributo federal devido nas operações de revenda no mercado interno conforme consulta aos sistemas da RFB. Esta é uma prática de empresas importadoras preparadas para fraudar o fisco: vendem os produtos para empresas que participam do esquema e não são contribuintes do IPI; desta forma, o IPI devido na operação de revenda fica todo na conta da empresa importadora, que nunca recolherá tal tributo e ainda passará um crédito de PIS/COFINS/ICMS para a empresa compradora. Essa operação fraudulenta é a chamada "Quebra da cadeia do IPI". Essa intenção fraudulenta da BRAIMEX é, segundo a fiscalização, corroborada pelas características da empresa: não tem patrimônio nem capacidade operacional necessários à realização de seu objeto social. A empresa não possui depósito e conta com apenas um funcionário para realizar todas as atividades inerentes ao comércio. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 601 4 Fica claro que a empresa empresta seu nome para suas principais clientes, que são de fato os reais importadores. Outro indício da ação fraudulenta da empresa é o fato dela operar sempre no prejuízo. Esse modus operandi da BRAIMEX, de emprestar seu nome para efetuar importações para terceiros sem declarálas à Receita Federal do Brasil, nos termos da legislação vigente é enquadrada no art. 33 da Lei 11.488/2007. Da impugnação Cientificada do lançamento em 24/06/2010 (fl. 09), a BRAIMEX insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 26/07/2010, a impugnação de fls. 332345, em que, após discorrer sobre tempestividade e fatos, alega: preliminarmente, houve nulidade do auto de infração porque está lastreado em processo administrativo de procedimento especial, instaurado pelo MPF nº 01301002008.005999, que visava apurar capacidade econômica e valoração de mercadorias, anos de 2007 e 2008, mas foi encerrado em 05/11/2008, conforme Ficha de Procedimentos Especiais (fl. 31 dos autos); conforme essa ficha, o processo nº 12664000087/200856, citado no auto de infração, foi encerrado em 05/11/2008, concluindo que a origem dos recursos foi devidamente identificada. Consequentemente, não houve qualquer ocultação do real adquirente; se o processo foi concluído, eis que encerrada a ficha de procedimento especial, o MPF n° 01301002008.005999 encontrase extinto pelo decurso de prazo, em 05/11/2008, conforme determina o art. 14, I da Portaria SRF n° 11.371/2007. Desse modo, a expedição do MPF nº 01301002009.002403, nomeando para execução o mesmo AFRFB Alexandre Duarte, que constava no MPF anterior, contrariou o art. 15, § único, da Portaria SRF n° 11.371/2007. Por esse motivo, todos os atos subsequentes são nulos, já que assinados pelo referido auditor; também de forma preliminar, há nulidade do auto de infração porque o sócio proprietário da impugnante, Luis Carlos Klein, foi inquirido pelo AFRFB Alexandre Duarte, em 20/01/2009 (fl.86), quando o MPF nº 01301002008.005999 já estava extinto. Da mesma forma, as intimações a terceiros, clientes da impugnante, que se encontram sem número de MPF, encontramse eivadas de vícios, não podendo ser utilizadas como prova, tendo sido rechaçadas pela IRF/SP por esse motivo; podese afirmar que esses atos praticados pelo citado auditor Alexandre Duarte foram executados com desvio de poder, eis que inobservaram o interesse público com objetivo diverso do previsto na lei, podendo inclusive adentrar na seara penal (Lei nº 4.898/1995, art. 4º, "h"); nesse processo está bem claro que a intenção do referido AFRFB não era alcançar os interesses públicos, mas tão somente pessoais, eis que o sócio da empresa impugnante foi obrigado a representar contra o mesmo no Ministério Publico Federal por excesso de exação; esse fato ocasionou a exclusão do referido AFRF do MPF que lastreia o presente auto de infração, porém não impediu de que o mesmo praticasse atos posteriores, inclusive por vingança de tal representação, o que novamente obrigou o sócio Luis Klein a comunicar o fato a Superintendência da Receita Federal; os atos são assinados por outros auditores, porém quem de fato os executa é citado AFRFB Alexandre, bastando citar que em 07/10/2009, (já excluído do MPF) o mesmo invadiu o escritório de contabilidade que presta serviços para impugnante ameaçando verbalmente o contador, e em 14/10/2009, o referido escritório recebeu a intimação n° 0157/09 EFA (fls.168), assinada pelos AFRFB Ênio e Antonio Ferreira, porém entregue pessoalmente pelo AFRFB Alexandre, conforme declaração daquela empresa à fl.167; ficam claros a intimidação e o desvio de poder exercido em apoio classista pelos AFRFB no cumprimento de suas funções quando se faz a leitura da resposta de fls. 174 à intimação 0157/09 supracitada, na qual foi destacado: “Quanto à ameaça de denúncia junto ao CRC/MT, vejo como uma forma de intimidação e pressão Fl. 601DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 602 5 psicológica para forçar uma situação, lembrando que o poder público também tem código de ética para cumprir, dentre eles: ‘Legalidade, Moralidade, Publicidade’”; esse desvio de poder e de finalidade vem causando prejuízos a impugnante já que não consegue cumprir seus contratos e operar com rapidez, já que o referido AFRFB Alexandre inseriu dados no arquivo radar da empresa, na "ficha alerta", de forma leviana, o que ocasionou a abertura de procedimento especial previsto na IN 206/2002 em todos os despachos subsequentes efetuados pela defendente, em todas as unidades da federação em que adentravam as mercadorias importadas; o referido fato corrobora a afirmação de desvio de poder, pois em procedimento especial de fiscalização concluído em 05/11/2008, o resultado da fiscalização exercida pelo mesmo auditor Alexandre Duarte aponta terem sido identificadas e constatadas a origem de todos os recursos utilizados para as transações internacionais (importações) no período fiscalizado (01/03/2005 a 10/07/2007), (fls.31); o desvio de poder esta gritante, pois fica clara a pessoalidade" exercida no procedimento, como "vingança" diante da representação da BRAIMEX junto ao Ministério Publico, para apurar o ato praticado pelo AFRF Alexandre; ou seja, a finalidade do procedimento não era fiscalizar a empresa, mas tão somente fazêla ficar inoperante até que ocorresse sua quebra pela paralisação das atividades mercantis; o referido Auditor cometeu vários atos abusivos inclusive procedendo à busca de documentos pessoais de funcionário e na empresa impugnante conforme relato encaminhado à Inspetoria em 03/09/2009 (doc.03); grande parte dos princípios contidos no art. 2º e § único, especialmente o inciso VI, da Lei nº 9.784/1999, não foram observados no procedimento de fiscalização, restando viciado o procedimento administrativo que deu origem ao auto de infração pelo desvio de poder, devendo o auto ser anulado e desconstituído o crédito nele apurado; outra nulidade no auto de infração em comento é ter seu enquadramento legal fundamentado em legislação revogada, caso do Decreto nº 4.543/2002, o qual foi revogado pelo Decreto 6.759/2009, impedindo assim que seja feita uma defesa específica aos fatos apontados, o que causa o cerceamento de defesa; se já não bastasse o enquadramento errôneo, a impugnante não possui todos os documentos que instruíram o presente auto de infração, tendo sido obrigada a requerer e pagar pelas cópias que deveriam ter sido fornecidas integralmente e gratuitamente conforme dispõe o art. 9° do Decreto n° 70.235/1972; por não terlhe sido fornecida a cópia integral do processo, inclusive com documentos desentranhados, não há possibilidade de combater as alegações contidas no auto de infração e no relatório elaborado, já que não há como saber de que forma se apurou o credito tributário descrito no auto de infração; salientese que a impugnante requereu novamente o complemento das peças citadas no relatório e as desentranhadas do processo, fato que não foi atendido, impedindo que fosse exercido o direito constitucional previsto no art. 5°, XXXIV, "a" e LV da CF/88, e no art. 3°, II da Lei n° 9.784/1999; conforme art. 3º, inciso II, da Lei nº 9.784/1999, o administrado tem o direito de ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; desta forma, requer a anulação do auto de infração por cerceamento da defesa do contribuinte, tendo em vista não terem sido fornecidos os documentos requeridos, ou sequer lhe ter sido concedida a reabertura de prazo para suprir tal falha, devendo, de oficio, ser anulado o auto e desconstituído o respectivo credito tributário apurado; em relação às operações com a empresa Ana P. Cunha, a impugnante tem lucro de 7% na venda de Disco CDR, o que é aceitável dentro de um mercado com concorrência desleal em virtude da pirataria; havendo lucro, há impostos federais, inclusive IPI, diferente do que alega a fiscalização; como a BRAIMEX possui um crédito de US$ 5.000.000,00 junto ao fornecedor LG da Koreia, firmado em 2005 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 603 6 (fls. 17 a 23), bem como um crédito de R$ 6.000.000,00, no Brasil, junto ao Banco Scharin, não necessita utilizar o capital depositado pelos clientes para pagar as importações; apesar de a fiscalização afirmar que a empresa possuía entrada e saída sequenciais, com a neutralização dos lançamentos de débito, pelos lançamentos de crédito, o que importa, é que o dinheiro efetivamente utilizado pela BRAIMEX era proveniente de seus recursos, já que possuía o credito conforme acima mencionado; isso ocorria porque a mercadoria encontravase armazenada em regime de entreposto no Brasil com tributação suspensa aguardando a comercialização pela BRAIMEX, já que esta não possui depósito. Assim, quando nacionalizava um lote para revendêlo, essa operação de venda era feita quase sempre no mesmo dia da liberação ou no máximo na mesma semana, e desta forma deveria haver o pagamento pelos clientes, o que justifica totalmente a neutralização dos débitos pelos créditos oriundos dessas vendas; nos autos não há provas de que os recursos para as compras no exterior eram dos clientes; as DI’s citadas pela fiscalização para exemplificar os adiantamentos de clientes (07/00713250 e 07/00777959) não são as mesmas a que se referem os depósitos citados; os clientes da BRAIMEX não são adquirentes, pois não possuem qualquer vínculo ou contato como fornecedor estrangeiro; também não há nos autos prova de interposição fraudulenta, sendo que, conforme fl. 31, a origem dos recursos relativos às importações de 2007 foi comprovada; o valor do presente auto sequer é possível ser discutido, pois há apenas uma planilha de importações referente ao ano de 2007 que somadas totalizam CIF R$ 13.654.734,00 (treze milhões seiscentos e cinquenta e quatro mil setecentos e trinta e quatro reais), e sobre esse valor foi aplicada a multa de 10%; por que foram utilizados esses valores? Qual o suporte documental e fático que o respalda? Quais são as pessoas jurídicas que estão sendo colocadas na condição de adquirentes? Não existem documentos nos autos que permitam tal interpretação ou resposta a esses questionamentos; corroborando a existência de capacidade econômica da BRAIMEX, no processo administrativo nº 15165.001232/201050 a própria Receita Federal confirma que a BRAIMEX é responsável pela distribuição dos produtos das marcas LG e ACCUREC, reconhecendo o contrato existente e o vínculo com o exportador estrangeiro colocando a impugnante na condição de adquirente, e reconhecendo a origem dos recursos; desta forma, requer que sejam acolhidas as preliminares para anulação do presente auto de infração, julgandose seu mérito conforme determina o art. 28 do Decreto 70.235/72, para ao final julgálo improcedente, desconstituindose definitivamente o crédito tributário apurado. Através da Resolução nº 2.658, de 27/03/2014, da Sétima Turma deste órgão julgador, decidiuse converter o julgamento em diligência, enviando o processo à unidade de preparo, para esta: “1) anexar comprovante de que foi fornecida à impugnante cópia integral do presente processo administrativo; 2) na hipótese do item 1 acima, cabe cientificar o sujeito passivo acerca da diligência efetuada, assegurandolhe o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as informações e os documentos trazidos aos autos, decorrente da providência solicitada; 3) no caso de não ter havido fornecimento, intimar a impugnante, cientificandolhe de que fica facultada vista aos autos no prazo fixado no art. 24 da Lei nº 9.784/1999, e, caso solicitado dentro do mesmo prazo, fornecer cópias das folhas de seu interesse, mediante adoção dos procedimentos previstos na legislação de regência; 4) na hipótese do item 3 acima, cabe assegurar à impugnante o direito de se pronunciar nos autos, no prazo de trinta dias contados da data de vista aos autos.” Fl. 603DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 604 7 Em decorrência, à BRAIMEX, através da Intimação de fls. 450 (ciência eletrônica por decurso de prazo em 25/04/2014 – fl. 451), constando a abertura do documento como sendo 08/05/2014 (fl. 452), foi facultada vista ao processo, bem como obtenção de cópias, em conformidade com o art. 24 da Lei nº 9.784/1999, assim como a apresentação de manifestação em trinta dias. Tendo os autos retornado à DRJ/Fortaleza, em virtude do despacho de fl. 453, datado de 23/05/2014, com a constatação de não haver manifestação da impugnante, foram juntados, posteriormente, os documentos de fls. 456468, onde consta manifestação da defendente, em 26/05/2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada de fl. 455, datado de 10/06/2014. Tendo sido constatada a ausência de assinatura da manifestação apresentada pela impugnante, através da Resolução nº 2.847, de 13/11/2014, da Sétima Turma deste órgão julgador, decidiuse converter novamente o julgamento em diligência, enviando o processo à unidade de preparo, para: “que a empresa interessada seja cientificada das razões acima expostas e intimada a, no prazo de cinco dias, prorrogável por igual período, adotar as providências cabíveis no sentido de sanar a irregularidade atinente à falta de assinatura na manifestação de fls. 458464, mediante a anexação de petição com idêntico teor, devidamente assinada na forma preconizada na legislação, ou de petição devidamente assinada convalidando a manifestação anteriormente apresentada. Em virtude da referida Resolução, foi solicitado à BRAIMEX, através da Intimação de fls. 474 (ciência eletrônica por decurso de prazo em 12/12/2014 – fl.475), constando a abertura do documento como sendo 15/12/2014 (fl. 476), que saneasse a manifestação apresentada. Em resposta, a impugnante apresentou, em 16/12/2014, às fls. 478488, a mesma manifestação de fls. 456468, agora devidamente assinada pelo advogado, na qual, após citar a decisão que converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 2.658), alega: o contribuinte nem precisou fazer vista do processo, eis que não houve qualquer alteração no quadro, pois o citado AFRF apenas intimou o contribuinte para obtenção de cópias deste procedimento; porém existem peças desentranhadas deste processo e utilização de outros processos os quais não foram fornecidas cópias ao contribuinte. Basta se verificar a reiteração do requerimento constante as fls. 354; se o processo 12664.000087/200856 está vinculado ao processo 12664.0000071/201087 e que serviram para embasar a fundamentação do presente auto de infração, o contribuinte necessita da copia desses procedimentos para ter a informação de como foram obtidas as provas; porém, o AFRF não lhe concedeu as cópias daqueles procedimentos sob argumento de que ainda estavam em andamento, o que pior fica, pois, se não havia conclusão, as provas não poderiam ter sido utilizadas até o termino daqueles, portanto o cerceamento continua latente; quanto aos documentos desentranhados às fls. 269270 do processo 12664.000087/200856, o qual serviu para embasar o presente auto e que também foram solicitados no requerimento do contribuinte, não foram fornecidos, e serviram de base para representação fiscal conforme consta no termo de desentranhamento daquelas folhas; se as peças foram desentranhadas deveriam ser substituídas, eis que se aquele procedimento estava em curso, o contribuinte deveria ter acesso ao mesmo; conforme se pode verificar as fl. 18, o processo ora combatido se lastreia totalmente no procedimento 12664.000087/200856, do qual não foi fornecida cópia ao contribuinte e está arquivado; na realidade o AFRF que negou as cópias do processo ao contribuinte em 14/05/2010 Fl. 604DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 605 8 (fls. 355) faltou com a verdade, eis que, conforme ficha de procedimentos especiais às fls. 46 (fl. 49 do eprocesso) o processo findou em 05/11/2008; em suma nada mudou com relação ao vício de cerceamento, eis que o processo 12664.000087/200856 que embasou toda fundamentação do auto de infração encontrase juntado aos pedaços, não tendo como se defender plenamente sem que o mesmo seja juntado na íntegra; há incongruências nas conclusões do procedimento, uma vez que na ficha de procedimentos especiais consta que, a princípio, as origens de recursos utilizados no período fiscalizado foram identificadas; mas na fundamentação do auto de infração consta que houve cessão do nome; se não bastasse, resta demonstrado que o processo n° 12664.000087/200856, que lastreou o presente procedimento, também esta eivado de vícios, eis que o mandado de procedimento fiscal MPFD que o amparou, findou em 20/11/2008 (fl. 21– fl. 24 do eprocesso) e as diligências continuaram mesmo com sua extinção, conforme se depreende dos documentos de fls. 101 em diante; também resta demonstrado que o contribuinte já requereu e pagou a cópia integral do processo 12664.000087/200856 conforme comprovam documento e DARF de fls. 324/325, porém nunca o recebeu; em conclusão, o contribuinte continua impedido de exercer seu direito constitucional previsto no art. 5º, XXXIV, "a" e LV da CF/88, e no art. 3°, II da Lei n° 9.784/99; por todo exposto reitera a preliminar já exposta na impugnação, para requerer que seja anulado o presente auto de infração pelo cerceamento de defesa, desconstituindose assim o respectivo credito tributário apurado. Conclusos, os autos retornaram a este órgão julgador. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fato gerador: 23/06/2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal e eventuais falhas na sua execução não configuram motivo suficiente para abalar a constituição do crédito tributário, se esta se deu conforme os ditames dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 142 do CTN. DEVIDO PROCESSO LEGAL. ARGUIÇÃO DE EXCESSO DE EXAÇÃO, DESVIO DE PODER OU DE FINALIDADE. NULIDADE NÃO COMPROVADA. Inexistem elementos nos autos que comprovem ter havido irregularidade hábil a macular o procedimento administrativo, sendo que os argumentos aduzidos pela impugnante não são aptos a formar o convencimento de que tenha havido o alegado vício de nulidade. ARGUIÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica referentes à infração, e tendo a empresa tomado conhecimento de todas as imputações e respectivas provas, não há falar em cerceamento de defesa. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 606 9 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fato gerador: 23/06/2010 CESSÃO DE NOME PARA A REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR DE TERCEIROS. PENALIDADE. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. Referida resolução foi proferida para certificar a tempestividade do recurso voluntário, fato este ocorrido por meio do despacho de fls.596. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No relatório de fls.321329, a fiscalização informa que o procedimento especial que deu origem à autuação foi decorrente dos processos administrativos 10183.002797/2007 17 e 12664.000087/200856, tendo sido o primeiro apensado ao segundo. Na descrição dos fatos do Auto de Infração, à fl. 07, consta: “A Empresa (Pessoa Jurídica), devidamente identificada, cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação, conforme relatório integrante ao processo administrativo n° 12664000087/200856 e anexo a este Auto de Infração objeto do processo administrativo n ° 12664.000043/201041”. Em relação aos citados processos, a Recorrente alegou, em suma, que os processos foram encerrados com a conclusão de que a origem dos recursos foi devidamente identificada e, assim, não houve qualquer ocultação do real adquirente.Alegou, ainda, que não teve acesso aos processos por negativa da fiscalização. Compulsando os autos constatasse que a fiscalização juntou parte do processo administrativo nº 12664.000087/200856, contudo, não trouxe aos autos cópia do PA 10183.002797/200717 que, segundo a fiscalização a presente autuação decorreu dos fatos apurados nestes processos. Não longe disso, a Recorrente alegou que nos referidos processos houve conclusão favorável por parte da fiscalização, fato este, no entendimento deste relator, de suma importância para o deslinde do presente processo. Com efeito, a ausência de cópia dos referidos processos impede este relator de analisar corretamente se há similaridade de procedimentos e documentos e eventual causa de decorrência entre as lides. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 607 10 Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a fiscalização traga aos autos cópia integral dos processos administrativos 10183.002797/2007 17 e 12664.000087/200856. Após, intimese a Recorrente para, querendo, apresentar manifestação sobre os documentos no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. (assinatura digital) Walker Araujo Fl. 607DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977148/2016-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 48 /2 01 6- 03 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.977148/201603 Acórdão n.º 1401002.627 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/03/2013, no valor de R$ 171.831,75, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977148/201603 Acórdão n.º 1401002.627 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977148/201603 Acórdão n.º 1401002.627 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.014173/2008-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2001-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o recorrente apresente elementos de comprovação do que foi alegado quanto à desistência do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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Numero do processo: 10680.928386/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 83 86 /2 01 1- 29 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.928386/201129 Acórdão n.º 1401002.454 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de janeiro de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.928386/201129 Acórdão n.º 1401002.454 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de janeiro de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.928386/201129 Acórdão n.º 1401002.454 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10680.928386/201129 Acórdão n.º 1401002.454 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 15211.720029/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PRELIMINAR. DECISÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO. COISA JULGADA PERANTE A FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste coisa julgada perante a fiscalização tributária a decisão da Justiça do Trabalho em que foram partes da reclamação trabalhista o contribuinte e sua antiga empregadora. Inteligência do art. 506 do CPC/2015 e art. 472 do CPC/1973.
NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS NO CONTEXTO DA PERDA DE EMPREGO
Quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
(Assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto, Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (Suplente Convocado), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 PRELIMINAR. DECISÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO. COISA JULGADA PERANTE A FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Inexiste coisa julgada perante a fiscalização tributária a decisão da Justiça do Trabalho em que foram partes da reclamação trabalhista o contribuinte e sua antiga empregadora. Inteligência do art. 506 do CPC/2015 e art. 472 do CPC/1973. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS NO CONTEXTO DA PERDA DE EMPREGO Quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto, Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (Suplente Convocado), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson.
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DECISÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO. COISA JULGADA PERANTE A FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Inexiste coisa julgada perante a fiscalização tributária a decisão da Justiça do Trabalho em que foram partes da reclamação trabalhista o contribuinte e sua antiga empregadora. Inteligência do art. 506 do CPC/2015 e art. 472 do CPC/1973. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS NO CONTEXTO DA PERDA DE EMPREGO Quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 1. 72 00 29 /2 01 4- 15 Fl. 267DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto, Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (Suplente Convocado), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR): Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 18/22, lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2011, anocalendário 2010, que converte saldo de imposto a restituir de R$ 27.162,65 em imposto a pagar de R$ 9.269,14, multa de ofício de R$ 6.951,85, e demais encargos legais, que, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fl. 19 constatou: · omissão de rendimentos recebidos acumuladamente – Tributação Exclusiva, no valor de R$ 128.248,01. Tendo sido devidamente cientificado do lançamento em 06/02/2014 (fl.41) o interessado ingressou com a impugnação de fls. 02/3, instruído com os documentos de fls.14/17. Considerase a impugnação tempestiva, tendo em vista que não consta dos autos sua data de protocolo; além da declaração contida no despacho de fl. 42. A impugnação foi apresentada pelo representante legal, devidamente constituído, através do documento de fl. 14. Insurgese contra a notificação argumentando que os valores ora discutidos não se configurariam como omissão de rendimentos, tendo em vista que teriam sido declarados de acordo com o determinado em sentença no processo trabalhista de n° 018830094.20045.03.0099. Sustenta que a autoridade tributária estaria considerando na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física os valores relativos aos juros moratórios, o que estaria em desacordo com a decisão da Justiça do Trabalho. Manifestase contrariamente ao entendimento da Receita Federal do Brasil no que diz respeito à tributação dos juros de mora recebidos em função da ação trabalhista, tendo em vista que jurisprudência dos tribunais superiores já teria decidido que os mesmos seriam isentos, independentemente da natureza das verbas sobre as quais incidem. Sendo assim, a tributação sobre o valor total dos rendimentos recebidos e declarados como isentos e não tributáveis em sua DAA seria indevida. Ilustra a questão trazendo jurisprudência referente ao tema. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 268 3 Defende, ainda, que no que diz respeito à base de cálculo e alíquotas de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente a decisão judicial já fez coisa julgada, não cabendo à RFB discutir ou contestar os valores constantes no processo. O valor do imposto retido estaria de acordo com os cálculos homologados, cuja decisão teria transitado em julgado, não cabendo ao fisco o direito de alterálos. Requer o acolhimento da defesa e o conseqüente cancelamento do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Física Exercício: 2011 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não são normas gerais, razão pela qual seus julgados ficam restritos à ocorrência objeto da decisão. RENDIMENTOS PAGOS EM RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.NATUREZA DAS VERBAS. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO.ISENÇÃO. NECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL. O cálculo efetuado no processo da Justiça Trabalhista não tem efeito vinculante quanto à natureza tributável das verbas pagas, porque a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza constitui fato gerador do IRPF,considerandose isentos apenas os rendimentos expressamente previstos em lei. AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS. Por expressa disposição da legislação tributária, há incidência de imposto de renda sobre os juros de mora correspondentes às verbas tributáveis percebidas por meio de ação trabalhista. O contribuinte foi cientificado da referida decisão (AR fls. 59) e apresentou o recurso voluntário de fls. 61/72, no qual reitera as alegações suscitadas quando da impugnação. Na sessão de 04 de julho de 2017 esta turma decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2202000.780 para que o Recorrente junte aos autos os seguintes documentos do processo 018830082.2004:5.03.0099 que tramitou perante a 2ª Vara de Governador Valadares/MG: a) petição inicial; b) contestação c) sentença d) certidão de trânsito em julgado e) liquidação de sentença f) cópia da execução. Fl. 269DF CARF MF 4 Intimado, o contribuinte juntou os documentos solicitados às fls. 95/259. Nessa documentação, consta o Despacho Alvará nº 028/2013 (fls. 233/234) emitido 2ª Vara do Trabalho de Governador Valadares, cujo teor é o seguinte: Tendo em vista que o Imposto de Renda, no caso em apreço, em razão do valro incontroverso ter sido liberado ao reclamante em 12 de julho de 2010, dever ser calculado mês a mês (regime de competência), na forma prevista no art. 12A da Lei 7.713/1998 (alterado pela MP 497/2010) e da IN 1.127/2011 da SRF/MF, bem como reiterados posicionamentos do STJ nesse sentido (REsp 505081/RS, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª T, j. em 06/04/2004, DJ 31/05/2004, p. 185; REsp 1075700/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, 2ª T, j. em 05/11/2008; AgRg no REsp 641.531/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell, 2ª T., em 21/10/2008, DJe 21/11/2008; REsp 901.945/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, 1ª T, j. em 02/08/2007, DJ 16/08/2007, p. 300), e que não devem incidir sobre os juros de mora (Orientação Jurisprudêncial nº 400, da SDI, do TST); Considerando que, no caso, segundo o quadro de cálculos de fls. 1.192, apresentado pela reclamada, a base de cálculo do Imposto de Renda, referentemente ao reclamante, foi R$ 441.850,80, mas que, excluída dela a importância de R$ 128.284,01 de juros de mora (que não deveriam compôla), deveria ser, em 30 de abril de 2007, R$ 313.566,79; Considerando que, atualizada aludidade base de cálculo com o mesmo índice determiando no despacho de fls. 1600 1,0353504 na data da liberação do crédito ao substituído supracitado, a mesma era de R$ 324.651,79; Considerando que, tomandose como base as diretrizes da Instrução Normativa nº 1.127, de fevereiro de 2011, da Receita Federal, apurandose o Imposto de Renda sobre base de cálculo sem os juros de mora, com a alíquota 27,5%, e deduzindose R$ 662,94 cinquenta e oito vezes (número de meses do débito acumulado), encontramos R$ 50.828,64 de Imposto de Renda o que significa que R$ 69.999,62 de valor calculado ao título, à fls. 1.192, pela reclamada, e do reclamente. Considerando, assim, que o valor de R$ 69.999,62, acrescido de correção monetária a partir de 30 de abril de 2007, pelo índice 1,0353504, bem como de juros de 1% ao mês, no total de 39%, no importe, portanto, até 09 de julho de 2010, data da liberação do crédito incontroverso de R$ 100.739,04, deve, também, ser liberado ao reclamante, com rendimentos a partir da data da sobredita liberação. (...) De acordo com despacho supra transcrito fica claro que o valor de R$ 128.284,01 referese aos juros de mora recebidos em decorrência da ação trabalhista ajuizada pelo ora Recorrente, bem como que a natureza indenizatória da referida verba foi definida pela justiça do trabalho e não foi objeto do competente recurso por parte da União Federal. Com efeito, conforme se constata pela decisão proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (fls. 239) a impugnação apresentada pela União Federal à sentença de liquidação se Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 269 5 limitou a contestar os valores que serviram de base de cálculos das contribuições sociais, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Por sua vez, a UNIÃO interpôs IMPUGNAÇÃO À SENTENÇA DE LIQUIDAÇÃO, insurgindose contra a decisão que homologou os cálculos periciais, asseverando, em síntese, que a atualização dos créditos previdenciários devem ser apurados utilizandose a taxa SELIC; mas a prestação dos serviçso que, sendo competente esta Especializada para, nos termos do artigo 114 da Constituição Federal, executar não apenas as contribuições previdenciárias, mas, também, os seus acréscimentos, deve ser determinada a cobrança da multa moratória e consectários, a partir do mês de vencimento da obrigação; que a alíquota aplicável à cota patronal não está correta; que as diferenças de adicional noturno não compuseram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ao final, requereu o acolhimento da impugnação para que os cálculos sejam corrigidos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINAR A maior parte do Recurso Voluntário destinase a pleitear a aplicação da decisão proferida na demanda trabalhista 0188300.2004.5.03.0099, que tramitou na 2ª Vara do trabalho de Governador Valadares/ MG. Em outras palavras, o recurso requer a aplicação da coisa julgada ao lançamento ora promovido pela União Federal. O Código de Processo Civil (2015), assim como anterior, determina que a coisa julgada não abrange terceiros, conforme se verifica pela leitura do artigo 506, abaixo transcrito: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros Fundamental, entretanto, fazer distinção entre os limites subjetivos da coisa julgada e a extensão subjetiva da eficácia da sentença, pois, esta última, opera fora dos limites subjetivos da coisa julgada . Essa preciosa distinção, de enormes conseqüências práticas para o caso em questão, foi formulada por Enrico Tullio Liebman em sua obra Eficácia e Autoridade da Sentença 1, nestes termos: 1 LIEBMAN, Enrico Tullio – Eficácia e Autoridade da Sentença e outros escritos sobre a coisa julgada. Ed. Forense, 2 edição, 1981, p. 123 Fl. 271DF CARF MF 6 “A sentença, como ato de autoridade ditado por um órgão do Estado, reivindica naturalmente, perante à todos, seu ofício de formular qual seja o comando concreto da lei, ou, mais genericamente, a vontade do Estado, para um caso determinado. As partes, como sujeitos da relação a que se refere a decisão, são certamente as primeiras que sofrem a sua eficácia, mas não há motivo que exima os terceiros de sofrêla igualmente. Uma vez que o juiz é o órgão ao qual atribui o Estado o mister de fazer atuar a vontade da lei no caso concreto, apresentase sua sentença como eficaz exercício dessa função perante todo ordenamento jurídico e todos os sujeitos que nele operam. ... O juiz que, na plenitude de seus poderes e com todas as garantias outorgadas pela lei, cumpre sua função, declarando, resolvendo ou modificando uma relação jurídica, exerce essa atividade (e não é possível pensar diversamente) para um escopo que outra coisa não é senão a rigorosa e imparcial aplicação da lei; e não se compreenderia como esse resultado todo objetivo e de interesse geral pudesse ser válido e eficaz só para determinados destinatários e limitados a eles. Concepção assim restrita dos efeitos da sentença poderia ser lógica quando tinha o processo caráter de atividade privada, e o fundamento da eficácia da sentença era um contrato ou quase contrato pelo qual se submetiam as partes, mais ou menos voluntária e livremente ao iudicium e à sentença que se devia prolatar. Mas desde que recebe a sentença a sua eficácia do poder soberano da autoridade em cujo nome é pronunciada, da qualidade pública e estatal do órgão que a prolata (visto que já se logrou plena consciência desta verdade), seria de todo em todo inexplicável que valesse ela só para um e não para todos em formulação da vontade do Estado no caso concreto.(grifamos) A prova de que os efeitos da sentença atingem terceiros, segundo Liebman2, encontrase nos institutos da intervenção e oposição de terceiros, expressamente previstos no capítulo VI do Código de Processo Civil (Código de 1973). Com efeito, qual a necessidade de assegurar a intervenção de terceiros no processo se esse só produzisse os seus efeitos entre os litigantes? Alega o Recorrente que, tendo em vista que a União Federal participou do processo de conhecimento perante à Justiça do Trabalho, deveria se submeter a coisa julgada lá formada. Em outras palavras, não teria a Receita Federal competência para realizar lançamento que tivesse como objeto o mérito das questões decididas no mencionado processo, sob pena de ofensa à coisa julgada. A Consolidação das Leis do Trabalho disciplina os efeitos das decisões trabalhistas em relação à União Federal, nestes termos: Art. 831 A decisão será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. 2 LIEBMAN, Enrico Tullio, ob cit, p. 127 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 270 7 Art. 832 Da decisão deverão constar o nome das partes, o resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos da decisão e a respectiva conclusão. § 1º Quando a decisão concluir pela procedência do pedido, determinará o prazo e as condições para o seu cumprimento. § 2º A decisão mencionará sempre as custas que devam ser pagas pela parte vencida. § 3o As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso. § 4o A União será intimada das decisões homologatórias de acordos que contenham parcela indenizatória, na forma do art. 20 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, facultada a interposição de recurso relativo aos tributos que lhe forem devidos § 5o Intimada da sentença, a União poderá interpor recurso relativo à discriminação de que trata o § 3o deste artigo. § 6o O acordo celebrado após o trânsito em julgado da sentença ou após a elaboração dos cálculos de liquidação de sentença não prejudicará os créditos da União. (...) Exatamente por impor à União Federal os efeitos da sentença é que o referido artigo lhe confere a possibilidade de recurso relativamente aos tributos que lhe são devidos. Dessa forma, não se sustenta, a conclusão firmada pela decisão recorrida de que a sentença trabalhista estaria restrita às partes do processo. Em primeiro lugar, porque não existe o direito de crédito antes de definido pela Justiça do Trabalho. Esse direito de crédito só nasce depois de reconhecido judicialmente pela justiça competente. Em segundo lugar, porque ao prever expressamente a legitimidade recursal da União, enquanto terceiro sujeito aos efeitos da sentença trabalhista, assegura o direito ao contraditório. O Tribunal Superior do Trabalho TST, após anos de discussões doutrinárias e jurisprudenciais acerca da constitucionalidade da determinação de retenção por parte do Magistrado Laboral, fixou a Súmula n. 368, que assim dispõe: Súmula n. 368 do TST DESCONTOS PREVIDENCIÁRIOS E FISCAIS. COMPETÊNCIA. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO. FORMA DE CÁLCULO. I A Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento das contribuições fiscais II É do empregador a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais, resultante de crédito do empregado oriundo de condenação judicial, devendo ser calculadas, em relação à incidência dos descontos fiscais, mês a mês, nos termos do art. 12A da Lei n. 7.713, de 22.12.1988, com a redação dada pela Lei n. 12.350/2010. (grifo nosso). Fl. 273DF CARF MF 8 O Supremo Tribunal Federal, esclareceu os limites da competência da Justiça do trabalho, inclusive em relação ao Imposto de Renda, conforme se verifica pela decisão abaixo transcrita: COMPETÊNCIA EXECUÇÃO TÍTULO JUDICIAL TRABALHISTA DESCONTOS PREVIDENCIÁRIO E DO IMPOSTO DE RENDA CONTROVÉRSIA. Cumpre à própria Justiça do Trabalho, prolatora do título judicial e competente para a execução respectiva, definir a incidência, ou não, dos descontos previdenciários e para o imposto de renda. (RE 196517, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Segunda Turma, julgado em 14.11.2000, DJ 20.04.2001. (grifamos) Dessa forma, entendo que a sentença condenatória prolatada pela justiça do trabalho produz efeitos perante a União Federal e, como visto pelos documento trazidos aos autos, ela não recorreu da parte da sentença que determinou a exclusão dos juros. Em face do exposto acolho a preliminar de coisa julgada. II MÉRITO Ainda que superada a preliminar de coisa julgada é indispensável a documentação juntada em cumprimento da diligência demonstrou que os valores glosados referemse à juros recebidos em decorrência de ação movida pelo Recorrente junto à justiça do trabalho. Sobre o tema, transcrevo as razões de decidir expostas pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, redator designado para o Acórdão 2101002.547: Sobre o tema da tributação dos juros, vale ressaltar o entendimento inicial, no sentido de que tais rendimentos, a princípio, deveriam seguir a natureza tributável da verba principal, por sua característica acessória, escorado no artigo 55, inciso XIV, do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que estipula serem tributáveis "os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis". Com efeito, a Lei n° 4.506, de 1964, em seu artigo 16, é expressa quanto à exigência do imposto de renda sobre os juros de mora e quaisquer outras indenizações pagas pelo atraso no pagamento de rendimentos do trabalho. Vejamos o texto, ipsis litteris: Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5° do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento; [...]Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 271 9 quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo. Sendo assim, tendo em vista o disposto no artigo 3°, § 4° da Lei n° 7.713, de 1988, os juros incidentes sobre as verbas de natureza salarial recebidas acumuladamente não poderiam, a princípio, escapar à tributação pelo IRPF. Todavia, com fundamento na legislação acima citada, o Superior Tribunal de Justiça também tem se manifestado pela existência de exceções quanto à incidência do imposto de renda sobre os juros de mora recebidos quando do recebimento de verbas no âmbito de rescisão do contrato de trabalho, consoante posicionamento externado quando do julgamento do REsp no 1.089.720/RS, em 10.10.2012 (publicado em 16.12.2012), cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e ao qual aqui se acede, por ter não só mantido o teor do anteriormente decidido no âmbito do REsp 1.227.133 citado no Voto Vencedor, como também explicitado de forma clara, em sua ementa, a forma de sua aplicação. Vejamos, assim, a ementa da decisão cujo teor aqui se adota : PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não (grifei). Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a Fl. 275DF CARF MF 10 incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). [...]4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". [...]7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (grifamos) Como se verifica pela decisão acima transcrita Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, acolho a preliminar de coisa julgada e, caso superada a preliminar suscitada, no mérito, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado. Peço vênia à ilustre Relatora a divergir em parte com seu voto, pois não concordo com seu entendimento em relação ao acolhimento da preliminar. Ocorre que sustenta a recorrente a aplicação da decisão proferida na demanda trabalhista nº 0188300.2004.5.03.0099, que tramitou na 2ª Vara do trabalho de Governador Valadares/ MG. Em outras palavras, conforme referiu a Relatora, o recurso requer a aplicação da coisa julgada ao lançamento ora promovido pela União. A Conselheira Relatora bem referiu o disposto no artigo 506 do Código de Processo Civil/2015, que assim determina: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. (grifouse) Por sua vez, o Código de Processo Civil//1973, no artigo 472, assim tratava do assunto: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15211.720029/201415 Acórdão n.º 2202004.426 S2C2T2 Fl. 272 11 Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. (grifouse) Conforme se verifica, seja pela legislação processual revogada ou pela ora em vigência, a coisa julgada faz coisa entre as partes, ou seja, entre o contribuinte e sua ex empregadora, polo passivo da ação trabalhista. Ademais, está claro na legislação proceussal não prejudicará terceiros, tal qual a Fazenda Nacional. Importa referir que cabe a Receita Federal do Brasil realizar a fiscalização tributária dos tributos federais, podendo ela se insurgir em face do decidido pela Justiça do Trabalho, cujo processo não foi parte. Acrescento, por oportuno, que o mesmo não poderia ser procedido na hipótese de a decisão ser da Justiça Federal em ação que tenha sido parte a União (Fazenda Nacional), porém não é este o caso ora em análise. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto, Redator designado Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.906579/2014-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 06 57 9/ 20 14 -9 7 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.674 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de pedido de restituição do Contribuinte onde foi exarado despacho decisório indeferitório, referente ao exercício de 2013, no valor de R$ 1.777,44 conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 02. A autoridade fiscal indeferiu o mencionado pedido de restituição em face do pagamento objeto do pedido de restituição estar alocado aos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade (fl.10 e fl.19), alegando, em síntese, que é portador de moléstia grave do período de 11.04.2006 a 11.04.2011, além do período de novembro de 2012 a novembro de 2017, e, consequentemente, isento do imposto de renda, tendo retificado sua declaração dos exercícios de 2009 a 2012, tornando o pagamento objeto do pedido de restituição indevido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0437.815 da 1ª Turma da DRJ/CGE, às fls. 27/28, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A falta de liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte impede seu reconhecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 54/55), no qual o contribuinte Informa que no decorrer de 11/04/2006 a 11/04/2011 e novembro de 2012 foi acometido por doença grave conforme laudos anexados ao presente processo. Nesses períodos, recolheu através de DARF, código 0211, IRPF indevidamente, pois já estava isento de acordo com a Lei nº 7.713/88. Conforme consta do acórdão recorrido, restou evidenciado que somente uma parte do imposto seria isento, quais sejam, novembro e dezembro de 2012. Informa que até a data da interposição do recurso ainda não havia sido ressarcido dos valores. Nesses termos, requer a revisão do acórdão hostilizado. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Todavia, o julgamento foi convertido em diligência, Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.674 S2C4T1 Fl. 4 3 determinando que a Secretaria da Receita Federal do Brasil junte aos autos cópias das declarações do imposto de renda do contribuinte durante o período questionado, ou seja, relativa aos exercícios 2010; 2011; 2012 e 2013, anoscalendários 2009; 2010; 2011 e 2012, respectivamente, bem como das declarações retificadoras. Referida determinação sobrou atendida pelo que se observa dos documentos juntados às fls. 72/123. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DO MÉRITO Tratase de pedido de restituição interposto com vistas a reaver o valor do Imposto de Renda de Pessoa Física referente ao exercício 2013, Ano Calendário 2012, no valor total de R$ 1.777,44 (hum mil setecentos e setenta e sete reais e quarenta e quatro reais). A isenção do imposto de renda sobre proventos da aposentadoria está prevista na Lei nº 7.713, de 1998, artigo 6º, inciso XIV, com redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004, a saber: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”; Ainda em relação à isenção acima referida, a Lei nº 9.250, de 1995, no artigo 30 e §§ estabeleceu a forma do seu reconhecimento. Recordese: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.674 S2C4T1 Fl. 5 4 § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose)”. Portanto, a isenção dos rendimentos dependem da comprovação que eles sejam decorrentes de aposentadoria ou reforma; que a doença esteja arrolada no inciso XIV, artigo 6º da Lei nº 7.713/88 e que o interessado apresente laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, fixando o prazo de validade e a data de início da incapacidade provocada pela doença. No caso presente, o interessado comprovou a moléstia grave, bem como a sua condição de aposentado. Assim, resta nos autos a discussão de qual o período a isenção é devida. Compulsando os autos, verificase que o Contribuinte foi, inicialmente, mediante laudo médico pericial, emitido em 16/01/2013, considerado portador de carcinoma de próstata, CID C 61, 150, 125.5, neoplasia maligna, desde 11/04/2006. O mesmo laudo, todavia, considerou a moléstia como passível de controle, determinando a sua validade até 11/04/2011 (fl.21). Por outro lado, consta um segundo laudo médico, datado de 03/09/2013, no qual se observa que o contribuinte foi acometido por câncer de pele (CID C44.2 e C44.6) desde novembro de 2012, sendo a doença passível de controle e a validade do laudo até 08/11/2017. A DRJ em Campo Grande entendeu que não assiste razão ao contribuinte tendo vista que o apenas os rendimentos recebidos em novembro e dezembro de 2012 estariam isentos do imposto de renda, e os recebidos de janeiro a outubro de 2012 são tributáveis. Recordese: “Não assiste razão ao contribuinte que apresentou o laudo médico oficial do INSS caracterizando a moléstia a que foi acometido o contribuinte no período de 11.04.2006 a 11.04.2011, e novembro de 2012 a novembro de 2017 fls. 10. Considerando que o ano calendário relativo aos recolhimentos referemse a 2012 e a isenção a partir de novembro de 2012, somente uma parte dos rendimentos recebidos em 2012, quais sejam os recebidos em novembro e dezembro de 2012 estariam isentos do imposto de renda, e os recebidos de janeiro a outubro/2012 tributáveis. Considerando ainda que não há elementos nos autos para que se identifique os rendimentos tributáveis e isentos no período de 2012, não há como se deferir o pedido de restituição por falta de liquidez e certeza, pois, o pedido de restituição foi do recolhimento do imposto sobre a renda do ano todo de 2011, cuja declaração original considerou os rendimentos tributáveis, que ocasionou os recolhimentos. Pelos motivos acima, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado”. Conforme se observa da Manifestação de Inconformidade (fl.10), o contribuinte informa que confeccionou declaração retificadora (nº 2264179196), relativa aos exercícios Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10980.906579/201497 Resolução nº 2401000.674 S2C4T1 Fl. 6 5 2010; 2011; 2012 e 2013, anoscalendários 2009; 2010; 2011 e 2012, respectivamente, requerendo a restituição dos valores que estaria isento nesse período. As respectivas retificadoras foram juntadas da seguinte forma: Exercício 2010 (fls. 78/81); Exercício 2011 (fls. 94/98); Exercício 2012 (fls. 106/110); e Exercício 2013 (fls. 118/123). Ocorre que, após análise da documentação acima mencionada, constatouse que para que se possa formar a convicção necessária ao julgamento da presente lide, fazse imperiosa a juntada de novos documentos, razão pela qual, converto o presente julgamento em diligência para solicitar que: a) A Unidade de Origem junte aos presentes autos as DIRF´s do ano calendário 2012 de todas as fontes pagadoras que tenha como beneficiário o Recorrente; b) Caso não seja possível identificar as remunerações referentes aos meses de novembro e dezembro de 2012 com base nas DIRF´s acima solicitadas, o Recorrente deverá ser intimado para discriminar os valores recebidos no ano calendário de 2012, com os respectivos documentos comprovatórios. Ressaltese que é a solicitação de rendimentos do ano calendário de 2012 que compõem a declaração da pessoa física, ou seja o Contribuinte deve apresentar somente o que ele declarou em Imposto de Renda. Após, retornem os autos para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.721608/2013-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2009
IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 150, § 4o, DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF. No entanto, existindo pagamento, aplica-se a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do mesmo CTN.
IPI. REGIME ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 56 DA MP 2.158-35/2001. REQUISITOS.
O direito ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP no 2.158-35/2001 depende do cumprimento cumulativo dos requisitos ali estabelecidos, sendo incabível a fruição do crédito se a empresa, intimada a comprovar o atendimento dos requisitos, não o faz, pedindo prazo adicional, ao final do qual nada apresenta em complemento.
Numero da decisão: 3401-005.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos valores lançados que indicaram como fato gerador 01/09/2008. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2009 IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 150, § 4o, DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF. No entanto, existindo pagamento, aplica-se a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do mesmo CTN. IPI. REGIME ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 56 DA MP 2.158-35/2001. REQUISITOS. O direito ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP no 2.158-35/2001 depende do cumprimento cumulativo dos requisitos ali estabelecidos, sendo incabível a fruição do crédito se a empresa, intimada a comprovar o atendimento dos requisitos, não o faz, pedindo prazo adicional, ao final do qual nada apresenta em complemento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos valores lançados que indicaram como fato gerador 01/09/2008. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 150, § 4o, DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. No entanto, existindo pagamento, aplicase a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do mesmo CTN. IPI. REGIME ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 56 DA MP 2.15835/2001. REQUISITOS. O direito ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP no 2.158 35/2001 depende do cumprimento cumulativo dos requisitos ali estabelecidos, sendo incabível a fruição do crédito se a empresa, intimada a comprovar o atendimento dos requisitos, não o faz, pedindo prazo adicional, ao final do qual nada apresenta em complemento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos valores lançados que indicaram como fato gerador 01/09/2008. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 16 08 /2 01 3- 28 Fl. 311DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Rodolfo Tsuboi (suplente), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 151, lavrado em 30/09/2013, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente a escrituração e utilização de valores indevidos a título de crédito presumido sobre frete, no período de 01/09/2008 a 01/12/2009, no valor original de R$ 5.338.863,63, a sofrer ainda acréscimos de juros de mora e multa de ofício (75%), com detalhamento em Relatório Fiscal. No Relatório Fiscal de fls. 16 a 21, narra a fiscalização que: (a) a empresa invocou benefício fiscal previsto no art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001, mas não cumpriu o requisito para fruição constante na alínea “b” do § 1o do referido artigo, que exige que no preço da operação esteja incluído o frete pago pelo adquirente, devendo, conforme Regulamento do IPI (RIPI) de 2002 (art. 339, V, “f”), tal valor estar explicitamente indicado na Nota Fiscal da operação; (b) houve ainda o descumprimento do requisito que figura na alínea “c” do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 (frete compreendendo a totalidade do trajeto, do estabelecimento industrial até o local de entrega), visto que a empresa não cobra o frete para levar seus veículos da sede até o local de entrega do produto ao adquirente; (c) intimada a apresentar documentação comprobatória do cumprimento dos requisitos para fruição do benefício, a empresa não o fez; e (d) já houve procedimento anterior, lavrado contra a mesma empresa, e mantido pela DRJ, no processo administrativo no 10860.721154/201212. Ciente da autuação em 30/09/2013 (fl. 3), a empresa apresentou Impugnação em 30/10/2013 (fls. 51 a 65), argumentando, em síntese, que: (a) o valor do frete somente pode ser informado na nota fiscal quando o emitente é o próprio prestador do serviço de transporte, o que não ocorreu no caso, visto que a empresa contratou o frete junto a empresas terceirizadas, cobrandoos dos consumidores finais juntamente com o preço dos veículos, sendo prova cabal disso a sistemática adotada nas notas fiscais (CIF – exemplo às fls. 55/56); (b) não se exige, para fruição do benefício, que conste o frete explicitamente na nota fiscal, mas apenas que este seja cobrado juntamente com o preço dos produtos; (c) o frete abrange a totalidade do trajeto desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente, havendo confusão, por parte da fiscalização, em relação à política de preços da empresa em diferentes locais do país (que está dentro da liberalidade comercial da empresa), sendo os preços dos fretes diferentes, por região, ao contrário do que afirma o fisco (exemplos às fls. 59 a 62); e (d) a interpretação dada pelo fisco ao art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 é demasiadamente restritiva, sequer encontrando respaldo na literalidade da norma. Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância foi proferida em 11/02/2014 (fls. 133 a 140), acordandose unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) a empresa incide em flagrante engano quando afirma que “o valor do frete somente pode ser informado na nota fiscal quando o emitente é o próprio prestador do serviço de transporte”, pois se depreende da simples e direta leitura do art. 339 do 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 312 3 RIPI/2002 que o quadro “Transportador/volumes Transportados” da nota fiscal modelos 1 ou 1ª destinase, especificamente, ao registro do nome ou razão social do transportador, e, na hipótese de o transportador ser o próprio remetente ou o destinatário, tal circunstância deverá ser indicada no campo “Nome/Razão Social”, do quadro “Transportador/Volumes Transportados”, com a expressão “Remetente” ou “Destinatário”, conforme elucida o art. 342, XII, do mesmo RIPI/2002; (b) ao optar por, supostamente, levar as despesas de transporte à composição do preço de venda dos produtos em tela, o sujeito passivo deu a tais dispêndios a natureza de custo da produção, deixando de lhes aplicar o tratamento de frete; (c) o contribuinte, quando intimado a fazer prova do direito invocado, simplesmente fez informar que “não pode apresentar as informações/documentos acerca do crédito presumido IPI/frete”, e, reiterando sua conduta, já em sede de impugnação, deixou de exibir qualquer documentação contábil ou fiscal que corroborem sua alegação, limitandose a produzir, ao seu querer, planilhas avulsas; e (d) a ausência de documentação comprobatória impede ainda que se repute atendida a condição presente na alínea “c” do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001, sequer havendo exibição dos contratos firmados com os transportadores para comprovar o alegado, incumbindo ao demandante do crédito a prova do cumprimento dos requisitos exigidos na legislação. Ciente da decisão de piso em 06/03/2014 (cf. termo de fl. 143), a empresa apresentou recurso voluntário em 04/04/2014 (fls. 145 a 166), reiterando os argumentos expressos em sua impugnação, e acrescentando que, tendo em vista que a ciência da autuação se deu em 30/09/2013, parte do crédito tributário se encontra fulminada pela decadência (fatos geradores anteriores a 30/09/2008), conforme art. 150, § 4o do Código Tributário Nacional e REsp no 973.733/SC, que vincula as decisões do CARF. O processo foi encaminhado ao CARF pelo despacho de fl. 218, de 25/04/2014, que atestou a tempestividade da peça recursal, e distribuído a conselheiros que, posteriormente, renunciaram ao mandato, sendo a mim redistribuído, por sorteio, em fevereiro de 2018. Cabe derradeiramente destacar que a empresa apresentou, em 07/02/2018, peça denominada de “razões complementares” (fls. 276 a 292), mencionando a Solução de Consulta SRRF09/Disit no 26/2012, que traz parágrafo no sentido de que o frete seria obrigatório na nota fiscal apenas quando for cobrado em separado do comprador, um precedente do CARF (Acórdão no 3402004.086), e a exposição de motivos da Medida Provisória no 2.11329. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. Fl. 313DF CARF MF 4 O presente contencioso versa, basicamente, sobre a leitura jurídica do benefício (regime especial de apuração do IPI) estatuído pelo art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001. No entanto, traz a recorrente ao colegiado, ainda que de forma tardia, pois não invocada na origem, matéria que se revela de ordem pública: a eventual ocorrência de decurso do prazo decadencial, e que será aqui analisada tãosomente em função da natureza do tema. Da decadência A autuação, como relatado, referese ao período de 01/09/2008 a 01/12/2009, e foi cientificada ao sujeito passivo em 30/09/2013. Entende a recorrente que seria aplicável ao caso a regra decadencial presente no art. 150, §4o, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A recorrente invoca ainda em seu favor precedente do STJ (REsp no 973.733/SC), julgado na sistemática do artigo 543C do antigo CPC (atual artigo 1036 do novo CPC, veiculado pela Lei no 13.105/2015), e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o artigo 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 313 5 previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) Fl. 315DF CARF MF 6 De fato, é assentado neste tribunal administrativo o entendimento de que se aplica a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, caso exista pagamento, e que, na ausência de pagamento, aplicase a regra prevista no art. 173, I, do mesmo CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Nesse sentido, diversas decisões do CARF, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3401004.472, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 17.abr.2018) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403003.106 e 107, no 3403 003.305, no 3101001.267, no 3302002.589, no 3403002.767, no 9202003.060, no 9303002.849 e no 9303002.857). No caso concreto, tratase de glosa de crédito presumido, e não, propriamente, de ausência de pagamento, não havendo que se falar em aplicação do art. 173, I do CTN. Ademais, no texto da própria autuação se destaca que trata o lançamento de recolhimento a menor (fl. 4): Sendo a ciência da autuação em 30/09/2013, esta não pode, então, exigir valores referentes a fatos geradores anteriores a 30/09/2008, impondose o afastamento da exigência assim detalhada na autuação (ainda à fl. 4): Analisada a questão referente à decadência, passase ao tema principal da autuação, que se refere à aplicação do disposto no art. 56 da Medida Provisória no 2.158 35/2001. Do crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 314 7 O art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 estabeleceu regime especial de apuração do IPI, prevendo crédito presumido em relação à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte de alguns produtos: “Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput, em todas as operações de saída do estabelecimento industrial; c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. § 2o O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial nos termos do § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. § 3o Na hipótese do § 2o deste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1o alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente.” (redação original – grifo nosso) Tal redação, destaquese, sofreu sensíveis alterações de texto em 21/11/2008 (com efeitos imediatos), pela Lei no 11.827, que, em seu art. 3o, II, b, passou a dispor: “b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial”. E, mais recentemente, em 2011, recebeu o acréscimo de um § 4o, interpretativo (pois invoca o art. 106, I do CTN) pela Lei no 12.407/2011, dispondo: “O regime especial de tributação de que trata este artigo, por não se configurar como benefício ou incentivo fiscal, não impede ou prejudica a fruição destes”. Como relatado, acusa a fiscalização, no caso em análise, que a empresa não cumpriu o requisito para fruição constante na alínea “b” do § 1o do referido artigo, que exige que no preço da operação esteja incluído o frete pago pelo adquirente, devendo, conforme Regulamento do IPI (RIPI) de 2002 (art. 339, V, “f”), tal valor estar explicitamente indicado na Nota Fiscal da operação, e que não cumpriu também o requisito que figura na alínea “c” do Fl. 317DF CARF MF 8 inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 (frete compreendendo a totalidade do trajeto, do estabelecimento industrial até o local de entrega), visto que a empresa não cobra o frete para levar seus veículos da sede até o local de entrega do produto ao adquirente. Acrescenta o fisco, ainda, que a empresa, intimada a apresentar documentação comprobatória do cumprimento dos requisitos para fruição do benefício, não o fez. De fato, consta dos autos que a empresa foi intimada, em 27/08/2013 (fls. 28/29), a apresentar relação de despesas incorridas com frete em 2008/2009, e a colocar à disposição da fiscalização, para eventual checagem, memórias de cálculo, registros contábeis/fiscais que comprovassem o cumprimento das condições previstas no inciso II do art. 56 da referida MP. Em 04/09/2013, a empresa apresentou as seguintes respostas às indagações do fisco: E, em 25/09/2013, registrou a fiscalização que a empresa não poderia apresentar os documentos solicitados, com ciência do representante da empresa: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 315 9 Após a lavratura de tal termo de constatação, nada mais foi apresentado pela empresa à fiscalização, o que culminou na lavratura do auto de infração. Em sede de impugnação, a empresa argumenta, inicialmente, que o valor do frete somente pode ser informado na nota fiscal quando o emitente é o próprio prestador do serviço de transporte, o que não ocorreu no caso, visto que a empresa contratou o frete junto a empresas terceirizadas, cobrandoos dos consumidores finais juntamente com o preço dos veículos, sendo prova cabal disso a sistemática adotada nas notas fiscais. Tal argumento foi legitimamente rechaçado, pela DRJ, no julgamento de piso, visto que o art. 339 do RIPI/2002 expressa que o quadro “Transportador/volumes Transportados” da nota fiscal modelos 1 ou 1ª destinase, especificamente, ao registro do nome ou razão social do transportador, e, na hipótese de o transportador ser o próprio remetente ou o destinatário, tal circunstância deverá ser indicada no campo “Nome/Razão Social”, do quadro “Transportador/Volumes Transportados”, com a expressão “Remetente” ou “Destinatário”, conforme elucida o art. 342, XII, do mesmo RIPI/2002. Aliás, o argumento utilizado pela DRJ para rechaçar a tese da defesa sequer é enfrentado especificamente no recurso voluntário. O valor do frete, no caso em análise, então, indiscutivelmente não foi incluído na nota fiscal, e deveria ter sido incluído. Resta saber se a não inclusão do frete nas notas fiscais é relevante para o preenchimento do requisito estabelecido na alínea “b” do inciso II do § 1o art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001: ser o valor do frete cobrado “juntamente com o preço dos produtos”. A matéria não é nova neste colegiado. Tanto o autuante quanto a recorrente invocam precedentes em seu favor. A fiscalização cita, na autuação, que, em processo de teor idêntico (de no 10860.721154/201212), teria sido mantido o lançamento administrativamente, o que checamos em nome da verdade material. Em tal processo, percebese que, no CARF, o julgamento foi convertido em diligência, unanimemente, por meio da Resolução no 3201000.439, de 23/10/2013, acompanhandose voto da Cons. Mércia Helena Trajano D’Amorim, para que a unidade preparadora da RFB, superando a questão referente a constarem os valores discriminados em nota fiscal, verificasse se o frete compôs a base de cálculo, foi inserido no preço de venda, e se foi contabilizado em conta segregada de receita com venda do veículo. Demandou a conversão em diligência também providência a cargo da postulante ao crédito, para que comprove se “houve declaração (ou contrato de quem pratica o frete) e apresente planilha com os fretes diferenciados dos Estados (análise por parte da fiscalização, inclusive)”. No retorno da diligência, foi negado provimento ao recurso voluntário, por maioria, no meio do Acórdão no 3201002.247, de 23/06/2016, vencidos os Cons. Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, após a unidade preparadora da RFB informar que “nenhum dos frete pagos... foi acompanhado de seus registros contábeis”. Assim, concluiu a relatora, com acolhida da maioria do colegiado, que “a recorrente não juntou cópia de nota fiscal que apresentasse o destaque do valor do frete, tampouco, apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete, abonado pela diligência solicitada”. Fl. 319DF CARF MF 10 Na ocasião, o Cons. Cássio Schappo apresentou declaração de voto, onde esclareceu porque votava pelo provimento ao recurso voluntário: O contribuinte por sua vez comprova que é o contratante do serviço de transporte e faz a juntada do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga, onde consta que o frete é pago por conta do remetente. Da mesma forma indica da Nota Fiscal de Saída do produto que o frete é por conta do emitente e por fim, junta planilha de custo do produto vendido onde contém incluído o frete. Cabe destacar que o presente processo, no atual estado, não reúne as circunstâncias assinaladas na citada declaração de voto. O referido Acórdão no 3201002.247, por fim, foi objeto de embargos de declaração, por parte do contribuinte, unanimemente rejeitados pelo colegiado, no Acórdão no 3201002.766, de 25/04/2017, não sendo admitido o recurso especial interposto pela empresa (por não rezarem os paradigmas assinalados sobre o tema em análise – carência probatória – mas sobre necessidade de destaque em nota fiscal). Interposto agravo regimental, foi dado seguimento ao recurso especial, em 06/07/2018. Assim, o precedente invocado pela fiscalização, embora lhe favoreça, ainda não teve desfecho administrativo. A recorrente, por seu turno, invoca, como precedente que lhe beneficia, o Acórdão no 3402004.086, que trata do mesmo tema de fundo: aplicação do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001: “REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001)” (Rel. Cons. Maysa de Sá Pittondo Deligne, maioria, vencidos os Cons. Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, sessão de 27.abr.2017). Vêse, pelo voto condutor de tal julgado, que, com fundamento na Solução de Consulta SRRF/09 no 26/2012, entendeuse que o valor do frete somente deve ser incluído na nota fiscal se cobrado em separado, bastando para o cumprimento dos requisitos impostos pelo art. 56 da MP e pela norma infralegal que o disciplina (IN SRF no 91/2001) ser comprovado que o frete seja cobrado conjuntamente com o preço da mercadoria. Naquele julgado há ainda argumento que, no presente processo, é suscitado pela empresa em sua peça recursal: a Exposição de Motivos da Medida Provisória no 2.11329, que deu origem ao art. 56 da MP no 2.15835/2001. A transcrição da referida exposição de motivos, naquele processo, só endossa nossa percepção de que apesar de ser obrigatória e relevante a inclusão em nota fiscal, como aqui já exposto, o descumprimento de tal requisito não enseja, por si, necessariamente, a negativa do crédito, visto que o requisito legal reside na “cobrança conjunta”, que pode ser comprovada por outros meios que não a nota fiscal. No entanto, naquele processo, narra a relatora que o problema não era probatório, mas simplesmente de ausência de destaque nas notas fiscais: Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 316 11 “De fato, considerando todos os requisitos apontados acima, a fiscalização indicou que a Recorrente não teria adimplido aquela trazida nos pontos (c.2) e (c.3) por não ter segregado o valor do frete na nota fiscal. Contudo, todo o requisito (c) foi devidamente adimplido pela Recorrente vez que, como informado pela própria fiscalização, ela realizou as operações de saída com uma cláusula C&F, qual seja, cláusula CIF, arcando com o valor do frete realizado entre o estabelecimento industrial e o local de entrega do produto ao adquirente, incluindo esse valor na composição do preço da mercadoria (em conformidade, como visto, com o art. 2o, §2 o e art. 5 o da IN n. 91/2001). Da mesma forma, indicou em todas as suas notas fiscais que o frete foi por ela arcado na condição de “Emitente" das notas fiscais. Acrescese que a Recorrente trouxe aos autos documentos demonstrando, de forma exemplificativa, que os valores dos fretes foram incluídos no preço dos produtos (efls. 140/245), evidenciando o cumprimento dos requisitos legais. Entretanto, salientese que em qualquer momento essas questões foram postas em xeque na presente autuação, vez que a fiscalização relatou o procedimento adotado pela Recorrente de incluir o preço do frete por ela contratado no preço das mercadorias. Contudo, no seu entendimento, esse frete deveria vir apartado na nota fiscal. No presente caso, repitase, o único fundamento da autuação foi no sentido de que o frete não constava destacado nas notas fiscais e não teria sido arcado pelos adquirentes.” (grifo nosso) No presente processo, como aqui se relatou, a discussão é também probatória, e inclui o descumprimento da alínea “c” do inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001. Assim, guarda o caso em análise pouca semelhança com aquele julgado. De qualquer forma, aproveitamos a ocasião para endossar nossa acordância com a conclusão da citada decisão no sentido de que a simples ausência de destaque na nota fiscal não é suficiente, por si, para a negativa do crédito presumido previsto no art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001. E adotamos tal premissa no julgamento do presente processo, já acrescentando que tal conclusão foi confirmada unanimemente no julgamento daquele mesmo precedente por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001).” (Acórdão no 9303 006.465, Rel. Cons. Charles Mayer de Castro Souza, unânime, sessão de 13.mar.2018) Fl. 321DF CARF MF 12 Apesar de acordarmos com a conclusão de que a simples ausência de destaque na nota fiscal não é suficiente, por si, para a negativa do crédito presumido previsto no art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001, discordamos da afirmação presente no Acórdão no 3402004.086, de que “o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente”. Reiterese que, como exposto pela DRJ no julgamento de piso, e não enfrentado especificamente pela recorrente, no presente processo, o art. 339 do RIPI/2002 expressa que o quadro “Transportador/volumes Transportados” da nota fiscal modelos 1 ou 1ª destinase, especificamente, ao registro do nome ou razão social do transportador, e, na hipótese de o transportador ser o próprio remetente ou o destinatário, tal circunstância deverá ser indicada no campo “Nome/Razão Social”, do quadro “Transportador/Volumes Transportados”, com a expressão “Remetente” ou “Destinatário”, conforme elucida o art. 342, XII, do mesmo RIPI/2002. Esta turma de julgamento apreciou, recentemente, a matéria, no Acórdão no 3401005.030: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos.” (Rel. Cons. Mara Cristina Sifuentes, maioria, vencidos os Cons. André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, sessão de 22.mai.2018) Na ocasião, a relatora endossou o voto vencedor do Cons. Waldir Navarro Bezerra, no acórdão no 3402003.119, de 22/06/2016, e foi por mim acompanhada, pois tal voto não se apega unicamente ao destaque em nota fiscal, embora o considere obrigatório, como se percebe da transcrição a seguir: “Podese verificar nas cópias de notas fiscais de fls. 70, 76, 80 e 84, que não há nenhum destaque do valor do frete nas referidas notas ficais (NF) de venda emitidas. A autuada não juntou nenhuma cópia de NF que apresentasse o destaque do valor do frete (vide, por exemplo, cópias de fls. 1.241, 1.244 e 1.247), nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete, salvo as telas (prints) anexadas do sistema contábil (corporativo) da empresa. Ou seja, o Fisco concluiu que na ausência do destaque do frete nas notas fiscais de venda emitidas pela Recorrente, denota que o frete não teria sido considerado para o cálculo do preço de venda dos veículos. (...) Preliminarmente, há que se ressaltar que não procede a alegação da Recorrente de que a legislação do IPI não determina o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” da nota fiscal de venda. Muito pelo contrário. Além do citado art. 3º da IN SRF nº 21/01, o art. 339, inciso V, alínea “f” do RIPI/2002 (repetido no art. 413, inciso V, alínea “f” do RIPI/2010), estabelece expressamente que o valor do frete é requisito da nota fiscal:” Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 317 13 No entanto, percebo que, no presente processo, a motivação para a negativa de crédito com fundamento na alínea “b” do inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 resumese à falta de destaque em nota fiscal (fl. 18): Fosse somente essa a imputação fiscal, teria o presente processo o mesmo destino daqueles em igual situação, a improcedência do lançamento, ou, ainda, a conversão em diligência para que fosse esclarecida eventual dúvida sobre o cômputo do frete ou o fato de este ter efetivamente sido cobrado conjuntamente com o preço do produto. Mas, como exposto, a imputação fiscal se alastra à alínea “c” do inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.15835/2001 (fl. 18): E é em relação a esse tema que constam todas as intimações, citadas ao início deste tópico, que restaram sem atendimento. Em sua impugnação, a empresa, sobre o assunto, sustenta que o frete abrange a totalidade do trajeto desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente, havendo confusão, por parte da fiscalização, em relação à política de preços da empresa em diferentes locais do país (que está dentro da liberalidade comercial da empresa), sendo os preços dos fretes diferentes, por região, ao contrário do que afirma o fisco (exemplos às fls. 59 a 62). Às fls. 59 a 62, vêse a informação de que, em relação à Nota Fiscal 2489, de 14/05/2009 (valor de R$ 64.847,60), R$ 580,00 se referem a frete (com destino ao Paraná), e no que se refere à Nota Fiscal 29544, de 11/06/2008 (valor de R$ 79.493,73), R$ 580,00 se referem a frete (também com destino ao Paraná), e que, no que tange à Nota Fiscal 2489, de Fl. 323DF CARF MF 14 14/05/2009 (valor de R$ 65.175,05), R$ 950,00 se referem a frete (com destino ao Mato Grosso do Sul). E afirmava a então impugnante, após os exemplos, que (fl. 62): Temos forte oposição a tal afirmação. Descartandose a nota fiscal exemplificativa que sequer se refere ao período autuado (11/06/2008), vemos que as informações sobre as outras duas, de mesmo número e data (o que, por si, já chama a atenção, na reprodução abaixo, lado a lado), trazem simples dados de controle interno da recorrente, sem qualquer respaldo probatório: À fls. 117, entre os anexos da Impugnação, encontro a Nota Fiscal eletrônica 2489, que corresponde a venda para o Mato Grosso do Sul, mas nenhum elemento que faça menção ao valor do frete, e nenhum documento adicional que comprove ter compreendido o valor do frete (que sequer consta do documento) a totalidade do trajeto, em atendimento à citada alínea “c”. Fazemos coro à decisão de piso, então, quando esta conclui (fl. 140) que: “Neste passo, a ausência de documentação probatória impede, ainda, que se repute atendida a condição da alínea “c” do art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001. Não obstante a constatação de que o não atendimento de uma única condição é causa impeditiva à fruição do regime especial, fato é que a obstinada não exibição dos contratos firmados com os transportadores, em sendo diversos estes, bem como dos competentes registros e documentos relativos às operações de saída, aptos a demonstrar que as mesmas foram conduzidas com cláusula C & F e que alcançaram a totalidade do trajeto, faz reputar que houve o descumprimento das condições do regime especial, caracterizando a falta de recolhimento do correspondente imposto sobre produtos industrializados.” Em síntese, o direito ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP no 2.15835/2001 depende do cumprimento cumulativo dos requisitos ali estabelecidos, sendo incabível a fruição do crédito se a empresa, intimada a comprovar o atendimento dos Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10860.721608/201328 Acórdão n.º 3401005.218 S3C4T1 Fl. 318 15 requisitos, não o faz, pedindo prazo adicional, ao final do qual nada apresenta em complemento. Apesar de ter sido incorreta a premissa adotada para o lançamento com fundamento na alínea “b” do inciso II do § 1o do art. 56 da Medida Provisória no 2.158 35/2001, a fundamentação também na alínea “c”, em função de carência probatória que persiste no presente processo, leva à procedência da autuação, e à manutenção do crédito tributário lançado, à exceção daquele anteriormente indicado como afetado pela decadência. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos valores lançados que indicaram como fato gerador 01/09/2008. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 325DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.722197/2014-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal, com a ciência do sujeito passivo que apresentou impugnação e Recurso Voluntário desenvolvendo argumentação contestatória de sua defesa. Preliminar afastada.
SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA
Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrá-los ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SÚMULA CARF Nº 1
Matéria objeto de discussão judicial o que dá ensejo a renúncia à instância administrativa, por força da aplicação da Súmula CARF nº 1
ABONO FUNDEB
O lançamento se refere à diferenças de remunerações pagas e não declaradas em GFIP, obtidas dos arquivos digitais do sujeito passivo (MANAD), não fazendo qualquer referência a abono FUNDEB.
RETENÇÃO DE 11% SOBRE AS NOTAS FISCAIS. SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL EXECUTADO MEDIANTE EMPREITADA TOTAL. EQUÍVOCO NA CONFIGURAÇÃO DOS FATOS PELO LANÇAMENTO
De acordo com os documentos adunados aos autos, constata-se que o serviço de construção civil foi executado mediante empreitada total, pois a responsabilidade pela execução, fiscalização e materiais da obra foi assumida em sua totalidade pela construtora contratada. Ocorreu erro na configuração dos fatos apurados, razão da insubsistência do lançamento.
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
Numero da decisão: 2401-005.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o crédito tributário apurado no Auto de Infração - AI Debcad 51.041.793-6. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier que negava provimento ao recurso. Vencido o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que dava provimento parcial em menor extensão.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal, com a ciência do sujeito passivo que apresentou impugnação e Recurso Voluntário desenvolvendo argumentação contestatória de sua defesa. Preliminar afastada. SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrálos ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. SÚMULA CARF Nº 1 Matéria objeto de discussão judicial o que dá ensejo a renúncia à instância administrativa, por força da aplicação da Súmula CARF nº 1 ABONO FUNDEB O lançamento se refere à diferenças de remunerações pagas e não declaradas em GFIP, obtidas dos arquivos digitais do sujeito passivo (MANAD), não fazendo qualquer referência a abono FUNDEB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 21 97 /2 01 4- 70 Fl. 2557DF CARF MF 2 RETENÇÃO DE 11% SOBRE AS NOTAS FISCAIS. SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO CIVIL EXECUTADO MEDIANTE EMPREITADA TOTAL. EQUÍVOCO NA CONFIGURAÇÃO DOS FATOS PELO LANÇAMENTO De acordo com os documentos adunados aos autos, constatase que o serviço de construção civil foi executado mediante empreitada total, pois a responsabilidade pela execução, fiscalização e materiais da obra foi assumida em sua totalidade pela construtora contratada. Ocorreu erro na configuração dos fatos apurados, razão da insubsistência do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o crédito tributário apurado no Auto de Infração AI Debcad 51.041.7936. Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier que negava provimento ao recurso. Vencido o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que dava provimento parcial em menor extensão. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, interpostos em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 3 3 (DRJ/BSB) que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 0368.629 (fls. 2141/2159): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas pela empresa e equiparados as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. ÓRGÃO PÚBLICO. O Órgão Público é equiparado à empresa, nos termos do art. 15, I, da Lei n.º 8.212/91. Incidem contribuições para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos servidores efetivos na qualidade de segurados empregados. SERVIDORES TEMPORÁRIOS DO ESTADO. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO COM O RGPS São segurados do Regime Geral de Previdência Social os servidores públicos admitidos pelo Município mediante contratos de trabalho temporário, ainda que esses servidores permaneçam prestando serviços por tempo superior ao previsto em seus contratos. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO CRÉDITO O recolhimento das contribuições previdenciárias efetuado indevidamente ao RPPS não altera a responsabilidade do Estado pelo recolhimento dessas contribuições para o RGPS. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. Os valores pagos a título de adicional constitucional de férias (1/3) e de rateios pagos a professores (FUNDEF/FUNDEB) compõem o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária, não havendo previsão legal para sua exclusão, por não se enquadrarem no rol taxativo e exclusivo do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não impedem o lançamento do crédito fiscal. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Fl. 2559DF CARF MF 4 As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada esta oportunidade de defesa, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de cinco Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, consolidados em 08/10/2014, referentes ao não recolhimento das contribuições destinadas a Seguridade Social, e não declaração em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, correspondente ao período de 01/2010 a 12/2010: 1. DEBCAD nº 51.064.7898: relativo à quota patronal e para os Riscos Ambientais do Trabalho RAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviços à SEDUC, no valor de R$ 33.065.467,13 (fls. 60/66); 2. DEBCAD nº 51.064.7901: relativo a contribuições dos segurados contratados e contribuintes individuais, não declarados em GFIP, no valor de R$ 2.412.287,47 (fls. 67/71); 3. DEBCAD nº 51.064.7910: relativo à parte dos segurados empregados, provenientes do Quadro Suplementar, incidentes sobre as remunerações destes, no valor de R$ 12.642.177,19 (fls. 72/77); 4. DEBCAD nº 51.064.7928: relativo às contribuições pagas às pessoas físicas sem vínculos empregatícios, considerados contribuintes individuais autônomos no mês 12/2010, proveniente da DIRF, no valor de R$ 426.742,70 (fls. 78/82); 5. DEBCAD nº 51.064.7936: relativo aos valores de retenção destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas emitidas por prestador de serviços, e não recolhidas pelo tomador, no valor de R$ 299.145,17 (fls. 83/87). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 88/95): 1. Os fatos geradores do lançamento referemse aos valores pagos, devidos ou creditados aos segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS a serviço da SEDUC, não pertencentes ao Regime Próprio de Previdência da Secretaria de Estado da Educação do Estado do Amazonas (AMAZONPREV) e não declarados em GFIP – Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 4 5 2. No ano de 2000 o então Governador do Estado do Amazonas, por meio da Lei Estadual nº 2.624/2000, aprovada pela Assembléia Legislativa, efetivou mais de 10 mil empregados celetista/temporários em vários órgãos do Estado, sem concurso público, considerandoos estáveis em decorrência da edição da citada Lei, e desconsiderados pela fiscalização, uma vez que do ponto de vista legal, deverão ter seus benefícios negados pelo Regime Próprio do Estado e serão absorvidos pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS, sem que tenha havido a correspondente fonte de custeio; 3. O presente Auto de Infração abrange os seguintes fatos geradores: a. Contribuição previdenciária incidente sobre pagamento a trabalhador com vínculo empregatício; b. Contribuição previdenciária incidente sobre pagamento a trabalhador sem vínculo empregatício; c. Não recolhimento de retenção pelo tomador de serviços – SEDUC referentes a valores destacados em Notas Fiscais para o INSS pelo prestador de serviços que se presumem devidamente retidos; 4. Com relação aos trabalhadores considerados com vínculos, são os celetistas/temporários considerado estáveis pela SEDUC em decorrência da Lei estadual nº 2.624/2000; 5. Com relação aos trabalhadores sem vínculos, tratase de pagamentos a 540 pessoas, declarados na DIRF, no código 588 Rendimentos do Trabalho Sem Vínculo Empregatício, que não foram declarados em GFIP; 6. Com relação aos valores destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas, são as emitidas pela Kairos Construtora Ltda., sem o devido recolhimento pela SEDUC; 7. O crédito previdenciário foi apurado com base na análise das GFIP, DIRF 2010 e 2011 e nas Notas Fiscais Eletrônicas do prestador de serviços Kairos Construtora Ltda., CNPJ nº 02.549.438/000159, haja vista não ser possível detectar os recolhimentos no CNPJ do prestador. Em 14/10/2014 o Contribuinte tomou ciência pessoal dos Autos de Infração lavrados (fls. 60, 67, 72, 78 e 83) e, em 13/11/2014, tempestivamente, apresentou impugnações distintas para cada AIOP: 1. DEBCAD nº 51.064.7898: Juntada às fls. 1687 a 1704, instruída com os documentos nas fls. 1704 a 1758. Juntadas novamente às fls. 2044 a 2061, instruída com os documentos nas fls. 2062 a 2115; Fl. 2561DF CARF MF 6 2. DEBCAD nº 51.064.7901: Juntada às fls. 2030 a 2035, instruída com os documentos nas fls. 2036 a 2043; 3. DEBCAD nº 51.064.7910: Juntada às fls. 1759 a 1772, instruída com os documentos nas fls. 1773 a 1822; 4. DEBCAD nº 51.064.7928: Juntada às fls. 2015 a 2020, instruída com os documentos nas fls. 2021 a 2029; 5. DEBCAD nº 51.064.7936: Juntada às fls. 1826 a 1840, instruída com os documentos nas fls. 1841 a 2014. Diante das impugnações tempestivas, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0368.629, em 23/06/2015, a 5ª Turma votou no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, reduzindo a alíquota SAT/GILRAT de 3,1750% para 1,5875%, conforme tabela constante do voto na fl. 2156. Decidiuse também pelo RECUSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o previsto no artigo 34, inciso I do Decreto 70.235/72, em razão do valor exonerado ser superior ao previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, vigente à época. Em 18/08/2016 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (fl. 2172) e, em 17/09/2015, inconformado com a decisão tomada interpôs o RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 2176 a 2197, instruída com os documentos nas fls. 2198 a 2469 e documentos nas fls. 2480 a 2552. No RV fala da sua tempestividade (fl. 2176), faz um breve resumo dos fatos e da decisão decorrida (fls. 2176/2177) e se insurge contra a cientificação da Ação Fiscal, argumentando que o Estado só foi cientificado quando já estavam encerrados todos os prazos concedidos para apresentação de documentos (fls. 2177/2179). Segue argumentando: 1. Com relação aos DEBCAD’s nº 51.064.7899 e nº 51.064.7910, sobre: a. O Quadro Suplementar de Servidores (fls. 2179/2183); b. A falta de análise dos argumentos acerca da aposentadoria pelo RPPS de vários servidores (fl. 2183); c. As parcelas que não integram o Salário de Contribuição (fls. 2183/2189); 2. Com relação ao DEBCAD nº 51.064.7936, sobre a Retenção de 11% (fls. 2189/2196). Conclui o RV requerendo ao Órgão Julgador, em observância aos argumentos e razões de fato e de direito expostos: 1. O conhecimento do Recurso Voluntário apresentado; Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 5 7 2. A baixa dos autos em diligência para que sejam verificados os pontos arguidos (Servidores não vinculados a Lei 2.624/2000; Indevida inclusão de parcelas no Salário de Contribuição; Serviços de construção civil realizados por empreitada total); 3. A procedência do RV para o efeito de reformar o lançamento. Com relação aos DEBCAD’s nº 51.064.7901 e 51.064.7928), eles foram pagos pelo Contribuinte, conforme se verifica no Extrato de Processo (fls. 2471/2476). É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Recurso de Ofício Em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Com efeito, a verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente, conforme sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. Fl. 2563DF CARF MF 8 No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada (fl. 2156). Por todo o exposto, não conheço do Recurso de Ofício, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situarse abaixo do limite de alçada vigente. Recurso Voluntário O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade do Lançamento O Recorrente se insurge contra o lançamento e pleiteia a sua nulidade sob a alegativa de cerceamento do direito de defesa. Alega que a intimação do Estado ocorreu na fase final da ação fiscal, o que acarretou na falta de esclarecimentos acerca da existência de servidores estabilizados pelo art. 19 do ADCT e já aposentados. Pois bem. A Procuradoria Geral do Estado do Amazonas foi intimada do Termo de Ciência e Procedimento Fiscal, em 04/09/2014, (fls. 53/55), objetivando a obtenção de informações e esclarecimentos acerca dos fatos narrados. Em 19/09/2014, foi protocolado o Ofício número 2951/2014, emitido pelo órgão do governo do Estado sujeito à fiscalização (Secretaria de Educação SEDUC), através do qual foram prestados esclarecimentos e anexadas as justificativas relacionadas ao Termo de Constatação, Intimação e Solicitação de Esclarecimentos nº 01. Ou seja, opcionalmente, o sujeito passivo apresentou sua resposta por meio de um dos órgãos do executivo do ente federativo, o qual tinha relação direta com a obrigação tributária objeto da fiscalização, esclarecendo inclusive que não havia GFIP a ser retificada. Conforme se vê, durante o procedimento de auditoria fiscal, o Estado do Amazonas tomou conhecimento da fiscalização, ocasião em que lhe foi oportunizado apresentar todos os esclarecimentos necessários relativamente aos fatos alegados nas intimações fiscais. Posteriormente, após o lançamento fiscal, e já na fase contenciosa do processo administrativo, apresentou suas razões de defesa e procedeu a juntada de documentos com o fito de contrapor à acusação fiscal que lhe foi imposta. Nesse diapasão, não há que se falar em nulidade por cerceamento ao direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito carreadas pelo Auditor Fiscal, com a ciência do sujeito passivo que ofereceu impugnação e Recurso Voluntário desenvolvendo argumentação contestatória de sua defesa. Se as razões do lançamento são suficientes ou não, será analisado por ocasião da apreciação do mérito do Recurso. Assim, afasto a preliminar suscitada. Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 6 9 Mérito Dos Segurados empregados temporários A Recorrente se insurge contra o lançamento efetuado aduzindo que existem servidores alcançados pelo art. 19 do ADCT e afirma que os documentos adunados aos autos comprovam referida situação. Inicialmente, mister se faz esclarecer que a publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1988, que incluiu o § 13 no art. 40 da Constituição Federal, trouxe profundas modificações no regramento jurídico relativo à vinculação dos servidores temporários obrigatoriamente ao RGPS, conforme se destaca a seguir: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) [...] § 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) A redação estabelecida no § 13 deixa claro que, a partir da publicação da EC nº 20, em 15/12/1998, os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos vinculamse obrigatoriamente ao RGPS. Essa regra foi corroborada com a edição da Lei nº 9.717/1998, através da qual o legislador ordinário concedeu o direito de participação em regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo somente aos servidores titulares de cargos efetivos, verbis: "Art.1º. Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Fl. 2565DF CARF MF 10 Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, assim determinou acerca dos segurados obrigatórios e dos que são excluídos do Regime Geral de Previdência Social: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assevera a Recorrente que as funções exercidas pelos servidores admitidos em caráter temporário corresponderiam às atribuições próprias de servidores em cargos efetivos e que muitos servidores seriam alcançados pela estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT, cuja transcrição segue: Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público. Nesse ponto, cabe destacar que o Parecer MPS/CJ nº 3.333, publicado no Diário Oficial da União de 29.10.2004, ao interpretar a abrangência do Parecer nº GM 030/02, da Advocacia Geral da União, assim concluiu quanto àqueles que estão albergados pelo RPPS: i) aplicase o regime de previdência previsto no caput do art. 40 da Constituição da República aos servidores que por força do disposto no art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT foram considerados estáveis no serviço público, desde que submetidos a regime estatutário; ii) aplicase o regime de previdência previsto no caput do art. 40 da Constituição da República aos servidores não estabilizados por não cumprirem o interregno de 05 (cinco) anos previsto no caput do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, desde que a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados seja permanente e estejam submetidos a regime estatutário; iii) aplicase a exegese literal do art. 40 da Constituição da República aos servidores admitidos no serviço público após a promulgação da Constituição de 1988, somente sendo aplicável o regime previdenciário próprio previsto no caput do citado artigo aos servidores nomeados para cargo de provimento efetivo. De acordo com o explicitado no Relatório Fiscal, durante o ano de 2000, o Estado do Amazonas, através da Lei Estadual nº 2.624/2000, aprovada pela Assembléia Legislativa, efetivou, sem concurso, mais de 10 mil empregados celetistas/temporários em vários órgãos do Estado, transformando as funções exercidas pelos temporários da Lei nº 1.674/84 em cargos, e enquadrando os servidores que as exerciam em quadro suplementar. Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 7 11 Conforme relatado pela fiscalização, referida Lei foi declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, tendo em vista a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI interposta pelo Ministério Público Estadual. Cabe ressaltar que o Recurso Extraordinário (RE nº 658375) apresentado pelo Estado do Amazonas não foi conhecido pelo STF que também negou provimento ao Agravo Regimental interposto contra o não conhecimento do RE, prevalecendo a decisão proferida pelo Tribunal de Justiça, restando assim vedada qualquer forma de estabilidade excepcional do servidor público não prevista no ADCT da Constituição da República, possibilitando a transformação das funções em cargo apenas para aqueles servidores abrangidos pela estabilidade excepcional, o que não ocorreu no presente caso. Nesse contexto, não obstante os documentos adunados ao processo administrativo pelo Recorrente, constatase que referidas provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos estabelecido no referido artigo, para enquadrálos ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. Destarte, a alteração das funções em cargos operada com o advento Lei nº 2.624, de 2000, não descaracterizou a natureza temporária das atribuições dos servidores, que, por esta razão, continuaram vinculados ao RGPS. No que tange à alegação de que a vinculação dos servidores temporários ao RGPS traria insegurança jurídica e prejuízos para estes, porque nunca conseguiriam se aposentar, referido argumento não cabe à análise deste Conselho por se tratar de situação extra autos, criada pelo próprio sujeito passivo, não havendo, in casu, competência normativa para a análise da discussão acerca da aposentadoria apresentada em Recurso Voluntário. Ademais, conforme bem colocado na decisão de piso, ainda que a intenção do contribuinte tenha sido de beneficiar os servidores regularizando a sua situação funcional, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Sendo assim, a auditoria fiscal, ao aplicar a legislação, não tem faculdade discricionária, somente a vinculada nos termos do que disciplina o artigo 142, parágrafo único, do CTN, não podendo, portanto, agir de forma diversa, ainda que por uma nobre razão. Assim, deve ser mantido o lançamento nos termos em que efetivados. Do terço constitucional de férias A Recorrente se insurge contra a exigência de contribuição sobre 1/3 de férias. Traz aos autos decisão judicial proferida em que reconhece a ilegalidade da exigência da contribuição patronal e de terceiros incidente sobre o terço constitucional de férias (fls. 2094/2102), o que dá ensejo a renúncia à instância administrativa quanto à matéria discutida judicialmente, por força da aplicação da Súmula CARF nº 1. Fl. 2567DF CARF MF 12 Ademais, cabe ressaltar que referida rubrica não foi objeto de lançamento e a Recorrente sequer demonstrou quais os valores deveriam ser excluídos da base de cálculo. Dessa forma, não conheço do recurso quanto à matéria suscitada. Abono FUNDEB Cingese ainda contra o abono FUNDEB, aduzindo que em face da sua não habitualidade deveria ser excluído da base de cálculo das contribuições previdenciárias. No entanto, verificase que a fiscalização nada menciona acerca da inclusão desse abono na base de cálculo do lançamento, não constando essa rubrica nos autos de infração ora combatidos. Observase que o lançamento se refere às diferenças de remunerações pagas e não declaradas em GFIP, obtidas dos arquivos digitais do sujeito passivo (MANAD), não fazendo qualquer referência FUNDEB. Ademais, o Recorrente não traz os fundamentos que embase o argumento inserido em sua defesa no sentido de que a verba paga a título de FUNDEB estaria livre da incidência da contribuição previdenciária. Em face do exposto, concluise pela improcedência do argumento recursal. Retenção dos 11% sobre as Notas Fiscais Segundo o Recorrente, o serviço tratado no lançamento foi o de construção civil, que enseja a retenção quando prestado tanto mediante cessão de mão de obra, quanto por empreitada de mão de obra. No entanto, o lançamento foi absolutamente omisso quanto a este ponto, sem detalhar os elementos necessários à sua efetivação, conforme estatuído no art. 142 do Código Tributário Nacional. Inicialmente, cabe ressaltar que o inciso VI do artigo 30 da Lei nº 8.212/91, estabelece a responsabilidade solidária do dono da obra, conforme se infere a seguir: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Conforme se depreende do dispositivo legal acima referido, a retenção é uma faculdade à disposição do dono da obra (contratante), com o objetivo de elidir a responsabilidade solidária, que lhe fora atribuída legalmente, pelo cumprimento das obrigações Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 8 13 relativas às contribuições previdenciárias decorrentes da utilização de mão de obra na construção civil. Nos termos dispostos no artigo 220 do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99), cabe ao dono da obra exigir do construtor a comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias, sendolhe facultada a retenção da importância correspondente: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Destarte, já no caso da retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, a empresa contratante dos serviços é incluída no polo passivo da relação jurídicotributária, na qualidade de responsável por substituição, decorrente do disposto no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, assim disposta: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. [...] § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; Fl. 2569DF CARF MF 14 II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Importante, outrossim, destacar o que determina o Regulamento da Previdência Social: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216 § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: III construção civil; § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. Ainda nesse contexto, verificase que o § 5º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 atribui a responsabilidade exclusivamente ao contratante, caso não efetue a retenção e o recolhimento. Vejamos: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Nesse diapasão, ao contratar obra de engenharia civil a administração deveria efetuar a retenção em uma das hipóteses anteriormente colocadas. Ainda sobre o tema, o artigo art. 71 da Lei nº 8.666/93, estabelece tão somente a responsabilidade fiscal do contratado resultante da execução do contrato, sendo que a sua inadimplência não transfere à administração a responsabilidade pelo pagamento. No entanto, no caso de execução do contrato efetuada nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o contratante continua responsável pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 9 15 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) Destaquese ainda decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça que explicita, de forma pormenorizada, as normas atinentes à matéria debatida: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELOS EMPREGADOS, TRABALHADORES TEMPORÁRIOS E AVULSOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. DONO DA OBRA E CONSTRUTOR OU EMPREITEIRO. SUBSTITUTOS TRIBUTÁRIOS. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA (SÚMULA 126/TRF ANTERIOR À PROMULGAÇÃO DA CF/88). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (CF/88 ATÉ A LEI 9.711/98). RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO DE EMPREITADA DE MÃODEOBRA (LEI 9.711/98). [...] 19. Deveras, quanto ao último regime legal vislumbrado, convém assinalar que, cotejandose as normas contidas nos artigos 30, inciso VI, e 31, caput, da Lei 8.212/91, ambas com a redação dada pela Lei 9.528/97, dessumese que a responsabilidade solidária instituída entre os substitutos tributários (dono da obra e construtor, no que pertine às contribuições sociais devidas pela mãodeobra) e substituto e contribuinte (dono da obra e construtor, respectivamente, no que pertine às contribuições devidas pela empresa contratante da mãodeobra), no que concerne à construção civil, passou a ser, exclusivamente, regulada pelo artigo 30. 20. A Lei 9.711, de 20 de novembro de 1998, por seu turno, reformulou inteiramente o artigo 31, prescrevendo forma diferenciada de recolhimento das contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, e caracterizando, como serviço executado mediante cessão de mãodeobra, a "empreitada de mãode obra". 21. A doutrina do tema afirma que: "Relativamente aos contratos de empreitada de mãodeobra, a Lei 9.711/98 submete expressamente ao regime de substituição tributária do art. 31, da Lei 8.212/91, de modo que, mesmo que não se trate, efetivamente, de um contrato típico de cessão de mãodeobra, resta abrangido pelo novo regime. Fl. 2571DF CARF MF 16 Quanto aos demais contratos atinentes à construção civil, apenas haverá submissão à retenção se configurada efetiva cessão de mãodeobra. Do contrário, aplicável será apenas a solidariedade prevista no art. 30, VI, da Lei 8.212/91" (Leandro Paulsen, in "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência", 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado e Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006, pág. 1.033). 22. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no REsp 1177895/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe 17/08/2010). (Grifamos). Traçadas essas premissas, cabe no caso, examinar de que forma se deu a obra de construção civil. De acordo com os documentos adunados aos autos, constatase que o serviço de construção civil foi executado mediante empreitada total pois a responsabilidade pela execução, fiscalização e materiais da obra foi assumida em sua totalidade pela construtora contratada (Kairos Construtora Ltda.). Frisese que na cláusula segunda do contrato consta que a execução dos serviços deve ser realizada sob o regime de empreitada total (fl. 1845 e 1884), o que atrai a incidência do artigo 30 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que o lançamento foi efetuado com base no disposto no artigo 31 do mesmo diploma legal, o que configura erro na configuração dos fatos apurados. Ademais, a IN RFB nº 971/2009 preceitua que aos órgãos públicos da administração direta, autarquias e fundações de direito público, não se aplica a retenção dos 11% (onze por cento), quando contratantes de obra de construção civil mediante empreitada total, in verbis: Art. 164. A contratante de empreitada total poderá elidirse da responsabilidade solidária mediante a retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços contra ela emitido pela contratada, inclusive o consórcio, a comprovação do recolhimento do valor retido, na forma prevista no Capítulo VIII do Título II, e a apresentação da documentação comprobatória do gerenciamento dos riscos ocupacionais, na forma prevista no art. 291, observado o disposto no art. 145. § 3º A partir de 21 de novembro de 1986, não existe responsabilidade solidária dos órgãos públicos da administração direta, autarquias e fundações de direito público, portanto, a esses não se aplica a retenção prevista neste artigo quando forem contratantes de obra de construção civil mediante empreitada total. Conforme se percebe o fiscal não fez a correta aplicação do artigo 142 do CTN, em virtude de claro erro na caracterização dos fatos. Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 10283.722197/201470 Acórdão n.º 2401005.605 S2C4T1 Fl. 10 17 Diante do exposto, acolho os argumentos inseridos no Recurso Voluntário, razão porque deve ser cancelado o lançamento com relação ao Auto de Infração nº 51.041.793 6. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso de Ofício; CONHEÇO parcialmente do Recurso Voluntário, afasto a preliminar suscitada e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para cancelar o lançamento com relação ao Auto de Infração nº 51.041.7936. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2573DF CARF MF
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