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Numero do processo: 10840.002019/2005-75
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 1003-000.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972).
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ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido (art. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 20 19 /2 00 5- 75 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10840.002019/200575 Acórdão n.º 1003000.164 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1421.338, de 06 de novembro de 2008, da 3ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, mantendo o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF. Aos 19/07/2005, a Recorrente apresentou impugnação contra Auto de Infração fls. 03, que autuou a mesma por atraso na entrega de DCTF relativa aos 1º, 2º, 3º e 4º/trimestres/2003. A DRJ/ RPO analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO. DCTF. A partir de 27 de dezembro de 2001, a falta de entrega da DCTF nos prazos fixados sujeitase às multas previstas na MP n° 16, de 2001. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, destaca: (i) que é inaceitável a obrigação de pagar multa pela entrega da DCTF fora do prazo, com base em leis posteriores à ocorrência do fato que poderia gerar a obrigação em debate. Aduz que no exercício de 2001 não existia qualquer lei em vigor prevendo a aplicação de multa pela entrega da declaração fora do prazo, já que a MP nº 16/01 foi publicada em 27.12.2001, produzindo efeitos somente no exercício posterior; (ii) que o auto de infração é nulo em razão de equivocada capitulação legal dos fatos, pois teria apontado normas que não dispõem sobre a entrega da DCTF e que tampoco estabelecem aplicação da multa; (iii) que cumpriu espontaneamente a obrigação de entrega da DCTC, antes de qualquer iniciativa ou providência por parte do Fisco e, por conseguinte, o cumprimento espontâneo de obrigações acessórias a destempo está abrigado pelo art. 138 do CTN, o qual esclarece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea; (iv) por fim, requereu o cancelamento da multa. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10840.002019/200575 Acórdão n.º 1003000.164 S1C0T3 Fl. 4 3 Antes de analisar o mérito do Recurso, fazse imprescindível verificar se esse recurso voluntário preenche todos os requisitos de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, a Recorrente foi notificada do julgamento de sua manifestação de inconformidade em 22/12/2008 (segundafeira) (fls. 16 e 17 e verso). Tendo iniciada a contagem do prazo para a apresentação de recurso voluntário no primeiro dia útil seguinte, qual seja, 23/12/2008 (terçafeira). A Portaria nº 855, de 26 de dezembro de 2007 divulgou os dias de feriado nacional e ponto facultativo no ano de 2008 para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo. Por essa Portaria, no mês de dezembro de 2008 foram pontos facultativos os dias 24 e 31 de dezembro de 2008 e feriado o dia 25 de dezembro de 2008. Concluise, portanto, que o dia 23/12/2008 (terçafeira) teve expediente normal na Receita Federal, data que iniciou a contagem do prazo para apresentação de recurso voluntário. O Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina que, do julgamento de primeira instância, cabe apresentação de recurso voluntário total ou parcial no prazo de trinta dias, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Ainda, o mesmo Decreto acima citado esclarece como deve ser realizada a forma de contagem dos prazos no âmbito dos processos administrativos, vide abaixo: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso dos presentes autos, a Recorrente recebeu a decisão da DRJ no dia 22/12/2008 (segundafeira) e o início da contagem do prazo recaiu no dia 23/12/2008 (terça feira), conforme comentado acima, e, por conseguinte, possuía como termo final para apresentação do recurso o dia 21/01/2009 (quartafeira). Contudo, segundo carimbo de recebimento do recurso voluntário (fls. 18), esse foi protocolizado apenas em 23/01/2009 (sextafeira), dois dias após o vencimento. O recurso voluntário em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois o prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição do mesmo já havia transcorrido na data em que foi protocolada a peça ora em análise. Registrese que a análise do prazo foi realizada nos moldes legais, contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindose o do vencimento. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10840.002019/200575 Acórdão n.º 1003000.164 S1C0T3 Fl. 5 4 Também é de se considerar que não há nos autos nenhuma informação ou prova de que a Recorrente tenha experimentado qualquer dificuldade para protocolar o recurso voluntário na data do seu vencimento. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.726327/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante.
TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado pela não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3301-004.834
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado pela não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado pela não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 63 27 /2 01 1- 61 Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.894 2 retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1656.4586ª Turma da DRJ/SP1 (fls 2.700/2.738): 4. O processo em exame versa sobre pedido de ressarcimento de crédito de Cofins pertinente a receitas de exportação, no montante de R$ 36.081.172,49, o qual teria sido apurado no 3o trimestre de 2008 pelo regime nãocumulativo. 5. Ao referido pedido se acham vinculadas diversas declarações de compensação. 6. Em despacho decisório exarado nas fls. 2.413/2.448, a Equipe especial de Auditoria (EQAUD) da DERAT/SPO deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito de R$ 4.903.461,73, e homologou até esse valor as compensações declaradas. 7. Intimada da decisão por via postal em 03/04/2012 (fl. 2.452), apresentou a contribuinte em 27/04/2012 — tempestivamente portanto — a manifestação de inconformidade anexa às fls. 2.459/2.511, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de alguns documentos. Resumo da impugnação I. Dos créditos sobre bens sujeitos à alíquota zero Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.895 3 (fls. 3/6 do recurso) a) Alega basicamente que os bens sujeitos à alíquota zero trazem embutidos em seu preço tanto o Pis quanto a Cofins, visto que, incidindo nas etapas anteriores da comercialização, essas contribuições oneram em cascata o custo do produto final, que é adquirido como insumo pela empresa. b) Assim — prossegue — ainda que tenha adquirido insumos tributados à alíquota zero, é fato incontestável tratarse de operações sujeitas ao pagamento dessas contribuições, de modo que não incide no caso o óbice a que alude o art. 3o, § 2o, da lei n° 10.833/2003. c) Cita em seu favor jurisprudência do STJ e do CARF, afirmando tratarse de posicionamento unânime nos tribunais administrativos e judiciais. d) Argumenta ainda que — caso se entenda não lhe assistir direito aos créditos integrais decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero — devese reconhecer nesse caso seu direito ao crédito presumido previsto no art. 8o da lei n° 10.925/2004, calculado sobre o valor dos bens citados no art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003. II. Do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais Insumos adquiridos de pessoas físicas (fls. 6/11 do rec.) e) Esclarece inicialmente que, segundo o entendimento da autoridade administrativa, na apuração do crédito presumido relativo às aquisições de pessoas físicas, a recorrente “deveria aplicar a alíquota de 35% previstas (sic) no inciso III do §3° do artigo 8° da Lei n° 10.925/04 de acordo com cada insumo adquirido”. f) Acrescenta que, ainda segundo a referida autoridade, a contribuinte “teria utilizado, equivocadamente, a alíquota de 4,56% sobre as aquisições de alguns insumos”, quando, na verdade, deveria ter aplicado a alíquota de 2,66%. g) Discordando dessa tese, alega em síntese que os percentuais de crédito presumido previstos no art. 8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos elaborados (no caso produtos de origem animal, sobretudo carne de suínos e aves, classificados no capítulo 2 da TIPI) e não como afirma a autoridade administrativa em função dos insumos utilizados (no caso, além de insumos vegetais, animais vivos, classificados no capítulo 1). h) Assim, prossegue, as empresas agroindustriais que fabricam produtos de origem animal, como é o seu caso, têm direito ao crédito presumido calculado à alíquota de 60% (art. 8°, § 3°, I), pouco importando se os insumos adquiridos de pessoa física ou pessoa jurídica são de origem animal ou vegetal, da mesma forma que as fabricantes de bens de origem vegetal, Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.896 4 independentemente da natureza dos insumos utilizados, devem creditarse com base na alíquota de 35% (art. 8°, § 3°, III), relativa a produtos vegetais. i) Escudada em tal raciocínio e considerando a alíquota de 7,6% prevista no art. 2o da lei n° 10.833/2003, contesta a glosa dos créditos presumidos por ela apropriados à alíquota de 4,56% (60% X 7,6%), glosados por entender a autoridade fiscal que a alíquota aplicável seria 2,66% (35% X 7,6%). [Vide a esse respeito o item 33 na fl. 13 do despacho decisório] j) Observa que sua interpretação do art. 8o está de acordo com o pronunciamento da Receita Federal no processo de consulta n° 134/09, da 8a Região Fiscal, cuja ementa reproduz nas fls. 9/10 do recurso. j1) Argumenta ainda que a intenção do legislador teria sido conceder aos produtores de bens de origem animal maior percentual de crédito presumido devido ao fato de sua cadeia de custos ser mais onerada pelo Pis e pela Cofins do que a cadeia de custos relativa à produção de bens de origem vegetal. j2) Pondera também que, se a intenção do legislador fosse realmente conceder o direito ao crédito presumido com base nas entradas, teria incluído no inciso I do § 3° do art. 8° os animais vivos, visto tratarse do “principal insumo de parte significativa da agroindústria de alimentos de origem animal”. j3) Concluindo, contesta as glosas realizadas, declarando corretos os procedimentos que adotou para apropriarse do crédito presumido sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas. III. Do conceito de insumo (fls. 11/19 do recurso) K) Em longa dissertação entremeada de citações de doutrina e jurisprudência administrativa, salientando a ausência de positivação do conceito de insumo nas leis que disciplinam o regime nãocumulativo do Pis e da Cofins e invocando os arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, advoga a tese de que o referido termo deve ser entendido em acepção ampla, abarcando todos os custos de produção e despesas operacionais necessários à atividade geradora de receita da pessoa jurídica, tais como matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica, marketing, produtos intermediários, arrendamentos, etc. l) Assevera que qualquer outra interpretação que se aplique à nãocumulatividade do Pis e da Cofins implicaria afronta à Constituição Federal, particularmente aos princípios da isonomia tributária, do nãoconfisco e da capacidade contributiva. m) Nesse sentido, salientando a impossibilidade de restringir o conceito de insumo a determinadas operações, para fins de tomada de créditos, visto estar ligado aos custos e despesas Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.897 5 inerentes à atividade ensejadora de receita tributável, alega que as instruções normativas n° 247/2002 (art.66) e n° 404/2004 (art.8°) em que, abusivamente, se fundam diversas respostas a consulta — extrapolam a competência regulamentar do Poder Executivo, “aplicando restrições que não encontram respaldo no sistema de nãocumulatividade criado para o PIS/COFINS”. IV. Das glosas resultantes do conceito de insumo adotado pela autoridade fiscal (fls. 19/47 do recurso) n) Esclarece de início que a autoridade administrativa glosou créditos oriundos da aquisição dos bens indicados na linha 2 do DACON por entender que não se enquadram no conceito de insumo delimitado no artigo 8° , § 4°, inciso I, alíneas " a " e " b", da IN SRF n° 404/2004. o) Discordando da glosa, sob a alegação de que tais bens teriam sido consumidos no processo produtivo, protesta pela posterior juntada de laudos técnicos que demonstrarão de forma detalhada sua utilização no referido processo, mencionando especialmente os seguintes insumos: a) Combustíveis e lubrificantes; b) Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas; c) Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento; d) Serviços prestados; e) Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. IV. 1 Da utilização da graxa no processo produtivo (fls. 20/22) p) Afirma que a “graxa”, assim como o “óleo lubrificante”, é uma espécie do gênero “lubrificante”, tendo portanto previsão legal o direito ao crédito sobre sua aquisição, visto que o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 menciona expressamente os “combustíveis e lubrificantes”. q) Com base em excerto transcrito do despacho decisório, assevera que o próprio auditor fiscal admite que a “graxa” é um “lubrificante”, acrescentando que em momento algum a referida lei limitou o direito ao crédito apenas aos “óleos lubrificantes”, como afirma a dita autoridade. r) Ressalta ainda ser a “graxa” essencial a seu processo produtivo, tendo fundamental importância para manter em pleno funcionamento as máquinas e equipamentos nele utilizados. IV. 2 Das despesas com locação de imóveis (fls. 22/24) s) Alega que, embora as despesas de comissões sobre vendas devessem constar da linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON, as enquadrou por equívoco como créditos advindos de despesas com aluguel. t) Entretanto, prossegue, como tais despesas também são insumos, devem ser reclassificadas na referida linha 03, devendo se reconhecer os créditos delas decorrentes. Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.898 6 u) Retomando alguns dos argumentos expendidos ao discutir o conceito de insumo, observa que as despesas com comissão de vendas, ou seja, as comissões pagas a representantes comerciais autônomos de acordo com os pedidos de compra que obtenham, constituem insumos porque são essenciais à atividade da empresa, viabilizandolhe a comercialização das mercadorias produzidas. IV. 3 Das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (fls. 24/47) v) Inicialmente relata, de forma bastante pormenorizada, as várias fases da auditoria realizada pela autoridade fiscal no tocante a este tópico, bem como as conclusões a que ela chegou (fls. 24/29). x) Passa em seguida a examinar individualmente cada uma das rubricas glosadas, aduzindo diversos argumentos: 1a Rubrica: Créditos relativos a armazenagem (fl. 29) y) Reconhece que, de fato, parte do montante registrado como despesa com armazenagem se refere a aluguéis pagos a pessoas jurídicas que foram indevidamente classificados na linha 07. z) A seu ver, tais parcelas devem ser consideradas como créditos nas linhas 05 e 06 das fichas 06A e 16A dos DACON do período fiscalizado, tratandose portanto de “mera reclassificação na declaração e não de glosa a afetar o valor do pedido de ressarcimento analisado”. 2a Rubrica: Créditos relativos a frete sobre transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa (fls. 30/35) aa) Retomando argumentos já expendidos ao tratar do conceito legal de insumo, refuta novamente a legitimidade da IN SRF n° 404/2004, sob a alegação de que as leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 jamais o definiram nem tampouco “previram a aplicação subsidiária de uma outra norma”. bb) Afirma, em síntese, que as transferências de mercadorias entre centros de distribuição (CD) ou entre estes e lojas varejistas não têm outro propósito senão a operação de venda, constituindo etapa essencial à atividade econômica da pessoa jurídica, de modo que todas essas operações geram direito ao creditamento do frete e não apenas o “deslocamento da mercadoria da loja varejista para o consumidor final, como querem fazer crer as autoridades fiscais”. cc) Acrescenta que “o «frete transferência» compõe o custo de produção ou comercialização de uma mercadoria, dentro da acepção de insumo já plenamente defendida nesta manifestação de inconformidade” e que o legislador, ao valerse da expressão “operação de venda” em vez de referirse à “venda” propriamente dita, não teve outro intuito senão o de “conferir crédito de PIS e COFINS sobre o frete para transporte de Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.899 7 mercadorias, sempre que este transporte estiver relacionado à atividade de venda”. dd) Cita em seu favor um excerto de doutrina, uma sentença judicial e um acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). ee) Assinala que as Soluções de divergência mencionadas no despacho decisório se originam não apenas de decisões desfavoráveis, senão também de decisões favoráveis aos contribuintes, como o demonstra a Solução de Consulta n° 71/2005, da 9ª Região Fiscal, cuja ementa reproduz na fl. 33 da manifestação de inconformidade. ff) Alega ainda que “as manifestações da RFB em respostas a consulta sobre IMPOSSIBILIDADE de creditamento sobre o valor incorrido a título de fretes entre estabelecimentos de uma mesma empresa não encontra[m] supedâneo legal e transgride[m] elementos nevrálgicos ínsitos a não cumulatividade do PIS/COFINS, razão pela qual a glosa procedida deve ser revertida”. gg) Concluindo as considerações a respeito deste tópico, observa haver juntado à manifestação de inconformidade, como forma de provar o alegado, “cópia de demonstrativo contendo resumo das entradas e saídas por CFOP envolvendo os CDs da fiscalizada nas filiais abaixo citadas nos períodos de 10 a 12/2007, 10 a 12/2008, 10 a 12/2009 (docs): (docs): SP CD JANDIRA FILIAL 147; DF CD BRASILIALFILIAL 163; BA CD SIMOES FILHO FILIAL 345”. 3a Rubrica: Créditos relativos a frete pago na subcontratação de transporte de carga (fls. 36/40) — Tese 1 hh) Afirma constar de seu objeto social a atividade de “transporte rodoviário de mercadorias próprias e de terceiros” (fl. 2.516) e que possui filiais em diversos estados habilitadas perante a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) para o exercício dessa função (fls. 2.544/2.549). ii) Como não dispõe de frota própria prossegue , subcontrata transportadores autônomos (pessoas físicas) e transportadoras (pessoas jurídicas), utilizandoos não apenas para atividade de transporte interno, mas também para transportar mercadorias de terceiros, conforme documentos anexos às fls. 2.542/2.543, o que corrobora “a efetividade de seu objeto social quanto a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga”. jj) Conclui daí, em vista de “sua legítima atividade de transporte”, assistirlhe direito ao creditamento dos custos com a contratação de transportadores, seja por meio de crédito ordinário, consoante o art. 3o, II, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 (subcontratação de pessoa jurídica), seja por meio de crédito presumido, na forma do art. 3o, § 19, II, e § 20, da lei Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.900 8 n° 10.833/2003 (subcontratação de pessoa física). Reproduz em parte o referido art. 3o nas fls. 36/37 da manifestação de inconformidade. kk) Alega que o fato de haver enquadrado, por equívoco, o custo em causa na linha 07 dos DACON entregues (“frete na operação de venda”) não significa a inexistência de direito a crédito, cabendo à autoridade fiscal alocar e considerar o dito custo nas linhas 03 (“insumo – contratação de transportador PJ”) e 18 (“crédito presumido – contratação de transportador PF”) das fichas 06A e 16A, “conforme amplamente demonstrado durante a auditoria fiscal e também nesta manifestação”. ll) Quanto à afirmação de que a atividade de transporte por ela exercida não gera receita, contida na fl. 31 do despacho decisório, afirma não haver nenhuma exigência legal que condicione à geração de receita o direito ao crédito, sujeito apenas às condições previstas no art. 3o, §§ 2o e 3o, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, as quais enumera na fl. 39 da manifestação de inconformidade. mm) Em remate, argumenta que na hipótese de os custos com subcontratação de transportadoras não serem aceitos como insumos da atividade de serviços de transporte é manifesta a possibilidade de enquadrálos, alternativamente, como insumos da atividade agroindustrial, no que toca às “aquisições de serviços de transporte junto a pessoas jurídicas”, como mostrará a seguir. 3a Rubrica: Créditos relativos a frete pago no transporte de insumos e matériaprima no sistema de parceria (fls. 40/47) — Tese 2 nn) Discorrendo sobre o conceito de integração vertical ou verticalizada (agrupamento de diversas fases da cadeia produtiva dentro de uma mesma empresa), observa adotar, em suas atividades agroindustriais, a chamada “integração para trás”, controlando a produção de seus “inputs” (insumos), bem como seus canais de distribuição. oo) Descreve de maneira pormenorizada as diversas fases do processo produtivo, assim como o sistema de parceria que lhe é inerente, procurando demonstrar a existência de “uma série de movimentos logísticos de insumos e matériasprima” necessários ao ciclo de produção. pp) Afirma não se resumir sua atividade ao abate e processamento de carne, visto que seu processo produtivo abarca, “além da planta industrial de abate, as fabricas de rações, os domicílios rurais dos parceiros agrícolas, os custos com medicação, vacinas, veterinário, assistência técnica aos produtos parceiros”, etc. qq) Assim, no seu entender, “os fretes incorridos nos deslocamentos de insumos e matériasprimas da Seara para o produtor parceiro e viceversa Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.901 9 fazem parte do seu custo de aquisição de mercadorias para fabricação de produtos destinados a venda”. rr) Informa terem sido objeto de glosa os CFOP de saída, acrescentando que, embora não tenham a denominação de venda, estão diretamente vinculados à venda ou ao processo produtivo, sendo incontestável que geram crédito de Pis e Cofins. ss) Relaciona a seguir alguns CFOP que deram origem a fretes cujo crédito foi glosado, explicando por que, a seu ver, lhe dariam direito a crédito: 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento (Vide fls. 43/44). 5451 Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor (Vide fl. 44). 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação (Vide fl. 44). 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (Vide fl. 44). 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação (Vide fls. 44/45). 5905/6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral (Vide fl. 45). 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado (Vide fl. 45). 6151 Transferência de produção do estabelecimento (Vide fls. 45/46). 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviço Não Especificada (Vide fl. 46). tt) Assevera ser “notório que todas as atividades acima discriminadas estão vinculadas ao processo produtivo, não havendo justificativa plausível para a glosa realizada pela fiscalização”. uu) Em remate, afirma que os citados fretes constituem insumos de sua atividade produtiva, nos termos do art. 3o, II, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 tomado o termo insumo na acepção já exposta e portanto geram direito a crédito do Pis e da Cofins, conforme o demonstra o acórdão do CARF cuja ementa reproduz nas fls. 46/47. V. Dos créditos extemporâneos (fls. 47/53 do recurso) vv) Alega inicialmente constituir mera formalidade, sem o condão de invalidarlhe o direito creditório, o fato de haver Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.902 10 incluído os créditos de diversos trimestres em um único pedido de ressarcimento, visto que, segundo aponta a própria fiscalização, têm eles como base a aquisição de insumos, a qual gera direito aos créditos pleiteados. xx) Acrescenta que a inobservância de formalidade pertinente ao procedimento de restituição, além de não acarretar prejuízo ao erário, não ilide a boafé da requerente e tampouco a materialidade de seu crédito, o qual é líquido e certo, achandose devidamente amparado pela legislação em vigor. yy) Invoca o texto legal contido no art. 3°, §°4, da lei n° 10.833/2003, assim redigido: “§ 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. zz) Da leitura desse dispositivo depreende ser permitido o creditamento extemporâneo da Cofins, visto não haver restrições temporais ao direito de crédito, salvo a decadência. Em outras palavras, acrescenta, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo em mês subseqüente. aaa) Aludindo ao entendimento da autoridade fiscal, contesta a afirmativa de que, em se verificando crédito extemporâneo, caberia à empresa “efetuar a retificação prévia da Dacon, com a finalidade de se ajustar os créditos não aproveitados naquele momento”. bbb) Invocando o princípio da legalidade, o princípio da verdade material (que prevalece “em detrimento do princípio da verdade formal”) e citando três acórdãos do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), aponta a inexistência de previsão legal ou infralegal (IN 600/2005, arts. 21 e 22) que exija a mencionada retificação e declara que qualquer entendimento contrário ao aproveitamento de crédito extemporâneo “viola o propósito da regra de nãocumulatividade estampado no § 12° do artigo 195 da CF/88”. VI. Do Pedido (fl. 53 do recurso) ccc) Por fim, dando por encerrada a exposição de suas razões de defesa, requer: 1. a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; 2. o reconhecimento integral do crédito pleiteado, bem como a homologação total das compensações que realizou; e, 3. na hipótese de este órgão julgador não se convencer de seus argumentos, a conversão do julgamento em diligência. 4. No mais, “protesta pela juntada de novos documentos a fim de corroborar todas as argumentações acima expostas”. Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.903 11 8. Posteriormente, em 29/06/2012, apresentou a recorrente um aditamento à manifestação de inconformidade (fls. 2.562/2.589), cujo teor resumo abaixo, acompanhado de alguns documentos. Resumo do aditamento à manifestação de inconformidade I. Do conceito de insumo e glosas a ele vinculadas (fls. 1/17 do rec.) a) Informa que como já observou na manifestação de inconformidade a autoridade administrativa glosou créditos oriundos da aquisição dos bens indicados na linha 2 do DACON por entender que não se enquadram no conceito de insumo delimitado no artigo 8°, § 4°, inciso I, alíneas " a " e " b ", da IN SRF n° 404/2004. b) Tais bens, acrescenta, relacionados nas fls. 17/21 do despacho decisório, foram agrupados pela referida autoridade nos seguintes itens: a) Combustíveis e lubrificantes; b) Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas; c) Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento; d) Serviços prestados; e) Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. c) Contestando as glosas em apreço, afirma que os produtos citados devem ser considerados como insumos utilizados no processo produtivo, porquanto “foram integralmente consumidos durante o processo de produção das mercadorias comercializadas”. d) Argumenta que, ao contrário do que afirma a fiscalização, “o conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS e da COFINS deve ser entendido como qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é diversa da materialidade do PIS e da COFINS”. e) “Desse modo, prossegue, a legislação atinente à não cumulatitividade da apuração do PIS e da COFINS permite o creditamento em relação à aquisição de todo e qualquer insumo, sem limitações, sendo inaplicável ao presente caso, portanto, o conceito de insumo atinente à apuração e recolhimento do IPI.” f) Observando que a autoridade tributária glosou os créditos relativos a uma extensa gama de produtos, listados nas fls. 3/4 do recurso em exame, considera improcedente essa glosa, por tratar se de “combustíveis aplicados em seu processo produtivo, no qual sofrem desgaste físico que legitima, inquestionavelmente, o creditamento efetuado”. g) Ressalta que tanto o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 quanto o art. 8°, I, “b”, da IN SRF n° 404/2004 admitem “o creditamento de combustíveis utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou prestação de serviços”, donde Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.904 12 conclui ser “de todo arbitrária, ilegal e inadmissível” a glosa realizada. h) Em seguida, nas fls. 5/6 do recurso, apresenta sucinta descrição dos produtos citados nas fls. 3/4 (exceto a soda cáustica), indicando seu emprego no processo produtivo. i) Observa, além disso, ter juntado “aos autos laudo técnico que discrimina a destinação dos produtos adquiridos e a sua utilização como insumo no processo produtivo”. j) Cita ainda em seu favor uma Solução de Consulta da 9ª Região Fiscal, uma Solução de Divergência da Cosit e um acórdão relativo à própria Seara Alimentos S/A, proferido pela DRJ 2 do Rio de Janeiro, o qual, segundo se depreende do trecho transcrito, versa sobre “óleo diesel para geradores de combustível utilizado no processo produtivo da empresa” (fls. 6/8 do recurso). k) Apoiada sobretudo nesse acórdão, assinala que “a própria Secretaria da Receita Federal admite o crédito de COFINS sobre a aquisição de combustíveis em processo produtivo ou prestação de serviços”. l) Nas fls. 9/15 do recurso em exame, apresenta nova listagem de produtos, com a descrição de suas características e utilização, alegando tratarse de insumos empregados em seu processo produtivo que também teriam sido objeto de glosa por parte da fiscalização. m) Tais produtos podem ser divididos em 5 categorias: 1ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.b do despacho decisório (Produtos Utilizados na Movimentação e Armazenagem de Cargas); 2ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.c do despacho decisório (Produtos Utilizados no Sistema de Refrigeração / Aquecimento de caldeiras e fornos industriais); 3ª. Serviços incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.d do despacho decisório (Serviços Prestados — Serviços não considerados como insumos); 4ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.e do despacho decisório (Produtos Químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho); 5ª. Produtos não mencionados pela autoridade fiscal. n) Retomando argumentos já expostos na manifestação de inconformidade a respeito da acepção “ampla” que entende se deva atribuir ao termo “insumo”, afirma que o “conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS não cumulativo deve abranger todo e qualquer custo e despesa necessária à atividade da empresa, conforme é previsto na Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.905 13 legislação do IRPJ, devendo ser afastada, portanto, o conceito trazido pela legislação do IPI”. o) Cita em seu favor alguns acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), acrescentando tratarse de tese já abraçada pelo próprio STJ. p) Concluindo este tópico, reitera acharse anexado “ao presente aditamento laudo técnico que comprova a destinação dos insumos adquiridos no 3o trimestre de 2008, os quais deram origem aos créditos glosados, corroborando os argumentos apresentados pela Manifestante”. II. Do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais Insumos adquiridos de pessoas jurídicas (fls. 17/23 do rec.) q) No tocante aos insumos adquiridos de pessoas físicas, reitera os argumentos já expendidos na manifestação de inconformidade, alegando em síntese que, “se uma empresa agroindustrial comercializa produtos de origem animal, suas aquisições de insumos de pessoa física devem gerar crédito presumido à alíquota de 60%, pouco importando se o insumo adquirido para o processo produtivo é animal ou vegetal”. r) Passando a discorrer sobre o crédito presumido decorrente de insumos adquiridos de pessoas jurídicas, previsto no art. 8o, III, da lei n° 10.925/2004, alega que, segundo afirma a própria autoridade fiscal, só geram direito a essa modalidade de crédito os insumos adquiridos em venda realizada com suspensão da exigibilidade da Cofins, nos termos do art. 9° desse diploma legal. s) Observa que o aproveitamento da referida suspensão está condicionado ao cumprimento da formalidade prevista no § 2° do art. 2° da IN SRF n° 660/2006, assim redigido: “§ 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», com especificação do dispositivo legal correspondente”. t) Assim, fiandose no pressuposto de ser “requisito obrigatório para a suspensão da exigibilidade do PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as vendas dos produtos agropecuários” a inclusão da expressão citada na nota fiscal de venda, conclui que “o não atendimento desse requisito implica na renúncia do aproveitamento dessa suspensão da exigibilidade pelo vendedor dos produtos agropecuários, culminando, ainda, na obrigatoriedade do recolhimento das aludidas contribuições”. u) Em outras palavras, continua, a pessoa jurídica que tenha vendido produtos agropecuários sem informar nas notas fiscais que a venda foi efetuada com suspensão da exigibilidade do Pis e da Cofins “renunciou ao aproveitamento desse benefício, sujeitandose assim ao pagamento das contribuições sobre essas vendas em sua integralidade”. Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.906 14 v) Voltando à afirmação de que só há direito ao crédito presumido a que alude, em seu inciso III, o art. 8° da lei n° 10.925/2004 se a venda se der com a suspensão da exigibilidade das contribuições em apreço, declara ser “inquestionável que as vendas não amparadas pela aludida suspensão dão direito ao creditamento integral das aludidas contribuições”. Isso porque nesse caso os fornecedores estão sujeitos ao pagamento integral do Pis e da Cofins. x) Feitas essas considerações, informa que, no caso em estudo, ao examinar as notas fiscais de venda de insumos agropecuários adquiridos de pessoas jurídicas, verificou a ausência da expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS». y) Observa que, diante desse fato, “apurou créditos de PIS/COFINS sobre as aquisições de insumos realizadas no período de apuração em destaque, mediante a aplicação da alíquota integral de 1,65% (PIS/PASEP) e 7,6% (COFINS), os quais são pleiteados no presente pedido de ressarcimento”. z) Afirma que, ao assim proceder, “agiu com total boafé e dentro do que determina a legislação”, visto que, dada a ausência da informação em apreço nas notas fiscais de vendas, não tinha como pressupor que os insumos adquiridos estavam acobertados pelo benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições. aa) Reitera que realizou o creditamento do Pis e da Cofins pela alíquota integral em evidente boafé, “não podendo ser penalizada com as glosas em questão por suposto creditamento indevido, como no presente caso”. bb) Desviandose do assunto em causa, declara eivado de “nulidade absoluta” o “lançamento do crédito tributário” praticado pelo Fisco, por “imputar responsabilidade a terceiro que age em estrita boafé”. cc) Afirma ser possível inferir “por conclusão lógica que as aquisições de insumos agropecuários de pessoa jurídica vinculadas ao caso em tela sofreram a tributação pela COFINS, o que pela sistemática da nãocumulatividade” lhe confere plenos direitos de apropriarse integralmente de créditos dessa contribuição sobre as referidas aquisições. Cita em seu favor uma Solução de Consulta na fl. 22 do recurso. dd) Por essa razão, ausente a suspensão da exigibilidade, entende que “as aquisições dos insumos agropecuários glosadas deveriam ter sido incluídas pela fiscalização na rubrica correspondente aos bens utilizados como insumos adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, as quais estariam sujeitas à incidência dessas contribuições, gerando crédito normal calculado à alíquota de 1,65% PIS/ PASEP e 7,6% COFINS”. ee) Reiterando seu direito ao crédito da Cofins mediante aplicação da alíquota integral, “sob pena de ofensa ao princípio da nãocumulatividade, uma vez que tais insumos foram Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.907 15 devidamente tributados na etapa anterior”, “protesta pela posterior juntada das notas fiscais relativas às vendas dos insumos comercializados por pessoa jurídica domiciliada no País, das quais deixou de constar a expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», razão pela qual houve apropriação dos créditos em seu valor integral”. III. Do ressarcimento do crédito presumido (fls. 23/28 do recurso) ff) Afirma que o art. 16 da lei n° 11.116/2005 instituiu a possibilidade legal de ressarcimento ou compensação do crédito presumido apurado nos termos dos arts. 8° e 15 da lei n° 10.925/2004, quando não tenha sido utilizado em sua totalidade, pela pessoa jurídica adquirente, na dedução do Pis e da Cofins por ela devidos a cada mês. gg) Alega que o ADI n° 15/2005 e a IN SRF n° 660/2006, ao vedarem o ressarcimento e a compensação do saldo credor do referido crédito, feriram os princípios da legalidade e da hierarquia das leis, visto que, além de contrariarem o disposto no art. 16 da lei n° 11.116/2005, citado acima, impuseram restrições não previstas na mencionada lei n° 10.925/2004. hh) Conclui que, por essas razões, “deve ser reconhecido o direito ao ressarcimento e compensação do saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, para os períodos em discussão”. ii) Ad argumentandum, caso não sejam acolhidas as alegações respeitantes à ilegalidade dos atos normativos citados, recorre a novo argumento, discorrendo sobre a possibilidade de ressarcir ou compensar o crédito presumido em causa com base na lei n° 12.350/2010, “cujos artigos 55, e § 7° e 56A introduziram no ordenamento jurídico a permissão legal para o ressarcimento e compensação dos saldos de créditos presumidos apurados nos termos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004”. jj) Pondera que, muito embora tenha a referida lei entrado em vigor apenas em 20/12/2010 e estabeleça que somente a partir de 01/01/2011 se poderá formalizar os pedidos de ressarcimento de créditos apurados no anocalendário de 200___, tratase de “mera questão temporal”, não podendo impedir a recorrente de reaver os créditos a que faz jus. Isso porque essa lei teria convalidado o procedimento adotado pela empresa. kk) É que, no seu entender, conquanto tenha formalizado o pedido de ressarcimento de saldo de crédito presumido relativo ao 3o trimestre de 2008 quando ainda não havia previsão legal para tanto, a posterior edição da lei n° 12.350/2010, que introduziu a possibilidade do ressarcimento, lhe convalidou o ato praticado. Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.908 16 ll) Assim, assevera que, não havendo embasamento para a glosa do crédito em questão, deve, quanto a ele, ser integralmente reconhecido o pedido de ressarcimento formulado pela empresa. mm) Em arremate a suas razões de defesa, reitera os termos da manifestação de inconformidade já apresentada, requerendo seja julgada procedente e integralmente reconhecidos os créditos de Cofins vinculados a receitas de exportação apurados no 3o trimestre de 2008. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negoulhe provimento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. É legítima a glosa do crédito pleiteado sempre que a requerente deixar de observar as normas que disciplinam a matéria. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma tributária regularmente editada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 2741/2824), no qual foram apresentados pela Recorrente seus argumentos, que serão analisados mais adiante neste Voto, divididos nos seguintes tópicos: II.2. AQUISIÇÕES DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO II.3. CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA FÍSICA PARA PRODUÇÃO DE CARNE E SEUS DERIVADOS II.4 DO CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO II.5 CRÉDITO PRESUMIDO DE AGROINDÚSTRIA AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS JURÍDICAS II.6DO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS NOS TERMOS DA LEI N° 12.350/2010 Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.909 17 II.7 GLOSAS REFERENTES AOS DEMAIS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS II.7.1. UTILIZAÇÃO DA GRAXA NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE II.7.2. DEMAIS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE 1 Combustíveis e lubrificantes 2 Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas 3 Produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais 4) Produtos químicos (Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho) 5) Serviços prestados II.8. DOS CRÉDITOS SOBRE COMISSÕES DE VENDAS II.9. DOS CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS 1. Dos Créditos sobre Despesas de Armazenagem 2. Dos Créditos Relativos a Frete de Transferência de Mercadorias entre Estabelecimentos 3. Fretes Utilizados como Insumo nos Serviços de Transporte 3.1. Da Atividade de Prestação de Serviço de Transportes Realizada pela Recorrente e do Direito a Crédito nas Subcontratações 3.2. Frete para Transporte De Insumos e Matéria Prima no Sistema de Parceria (Integração) II.10. DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.910 18 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de sobrestamento do processo, mantém o entendimento da decisão recorrida no sentido de que não merece acolhida em razão de falta de fundamento legal. Quanto ao mérito, analisarseá um a um os tópicos apresentados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. II.2. AQUISIÇÕES DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO A Recorrente se insurge contra as glosas referentes à aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, pois, conforme acredita, estariam sujeitos à incidência em cascata do PIS/Cofins nas etapas anteriores da circulação. Segundo entende, não se tratariam de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, e por isto não incidiria o óbice previsto no artigo 3°, §2° da Lei 10.833/2003, com a redação dada pelas Leis n° 10.684/03 e 10.865/04. Ocorre que o artigo 3°, §2° da Lei 10.833/2003, transcrito abaixo, é bastante claro ao estabelecer que não dará direito ao crédito da Cofins a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento desta contribuição: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) (grifouse) Assim, sendo incontroverso que os bens foram adquiridos pela recorrente com alíquota zero, não estão sujeitos ao pagamento da contribuição e, portanto, em face da disposição expressa em lei, não dão direito ao creditamento da Cofins, não havendo que se aventar sobre o eventual valor das contribuições embutido no preço dos bens adquiridos. A jurisprudência colacionada pela recorrente não lhe socorre, vez que trata de matéria diferente, qual seja, do direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins das aquisições de não contribuintes, cuja restrição está disposta apenas em Instrução Normativa. Requer, a Recorrente, de forma alternativa, o reconhecimento do direito ao crédito presumido previsto no artigo 8° da Lei n° 10.925/2004, vez que seriam insumos adquiridos pela Recorrente, na qualidade de produtora de mercadorias de origem animal Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.911 19 destinados à alimentação humana, os quais foram utilizados na fabricação de produtos por ela fabricados e destinados à venda. No entanto, para aquelas aquisições de bens com alíquota zero da Cofins que faziam jus ao crédito presumido a fiscalização já o reconheceu, conforme demonstra o trecho abaixo do despacho decisório (fl. 2.479): BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS 16.Analisando os registros constantes dos arquivos magnéticos de notas fiscais e planilhas de cálculo fornecidas pelo contribuinte, identificamos aquisições de bens utilizados como insumos com alíquota da contribuição reduzida a zero e com direito a crédito presumido, além de bens adquiridos para industrialização não caracterizados como insumos no molde das Instruções Normativas SRF 247/2002 e 404/2004. Dessa forma, apuramos a base de cálculo dos bens utilizados como insumos e com direito aos créditos integrais do PIS e da COFINS excluindo da base os bens não sujeitos ao pagamento (alíquota zero), os sujeitos ao crédito presumido e os não caracterizados como insumos. 17. Importante ressaltar que o contribuinte não informou nos DACONs mensais os créditos presumidos, assim, sobre os montantes excluídos da base de cálculo referentes ao crédito presumido aplicamos a alíquota reduzida equivalente a 35% da alíquota integral: 2,66% (35% de 7,6% da COFINS e de 1,65% do PIS). (grifouse) Desta forma, como a recorrente não informou e comprovou quais outras aquisições com alíquota zero que dariam direito ao crédito presumido, além daquelas já aceitas pela fiscalização, seu pedido alternativo há de ser indeferido. Assim, devem ser mantidas as glosas relativas às aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da Cofins. II.3. CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA FÍSICA PARA PRODUÇÃO DE CARNE E SEUS DERIVADOS Alega a Recorrente que os percentuais de crédito presumido previstos no art. 8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos por ela elaborados, e não como entendem a fiscalização e o julgador de primeira instância, em razão dos insumos utilizados no processo produtivo. Aduz que, com a publicação da Lei 12.865/2013, restaria comprovado o seu direito ao crédito presumido no percentual de 60% sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e utilizados na produção de mercadorias de origem animal. Com razão a recorrente, pois o §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, acrescentado pela Lei nº 12.865/2013, publicada em 10/10/2013, trouxe norma para interpretação do §3º, I desse artigo: Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.912 20 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013) (grifouse) De forma que o novo dispositivo da Lei adota o entendimento defendido pela Recorrente, de que os percentuais de crédito presumido previstos no art. 8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos elaborados, e, como se trata de norma expressamente interpretativa, aplicase retroativamente ao presente caso concreto, nos termos do art. 106, I do CTN. Nessa esteira, após a publicação da Lei nº 12.865/2013, que acrescentou a referida norma interpretativa, tem sido adotado no CARF adotado o entendimento nela constante de norma interpretativa, conforme ementa do Acórdão nº 3402002.809 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, da qual transcrevemos excerto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.913 21 Ementa: (...) CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. Assim, o crédito presumido de Cofins não cumulativa a que a recorrente faz jus deverá ser recalculado pela fiscalização aplicandose as alíquotas em função dos bens produzidos e não dos insumos adquiridos, em conformidade com a interpretação trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. II.4 DO CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO Em relação ao conceito de insumo, sustenta a Recorrente que se deve considerar para fins de creditamento os dispêndios diretamente vinculados à geração de receita, sem os quais não se consiga proceder à criação, à apresentação e à venda de bens para circulação econômica. Nessa linha, colaciona precedentes deste CARF com o posicionamento de que, para a definição de insumos para aproveitamento dos créditos das contribuições sociais não cumulativas, deverseia adotar legislação do IRPJ. Ocorre que, atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Assim, segundo o entendimento consolidado neste CARF, temse aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.914 22 indiretamente, conforme ilustra excerto da ementa do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. Não há, portanto, como acolher a pretensão de ordem genérica da recorrente de, em sede de julgamento, ter reconhecido o direito ao crédito sobre todos os dispêndios de bens e serviços sob o entendimento de que todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa gerariam o referido direito creditório. Com efeito, incumbe analisar as glosas expressamente contestadas no âmbito do presente recurso voluntário, dentro do princípio da livre persuasão racional deste órgão julgador, segundo o entendimento acima exposto, o que será feito mais a frente, conforme os itens do Recurso Voluntário. II.5 CRÉDITO PRESUMIDO DE AGROINDÚSTRIA AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS JURÍDICAS Neste tópico, argumenta a recorrente, em síntese, que, nas notas fiscais de venda de insumos agropecuários por ela adquiridos de pessoas jurídicas, não havia a inscrição «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», que seria uma formalidade exigida para a concessão da suspensão da exigibilidade da Cofins, nos termos do § 2° do art. 2° da IN SRF n° 660/2006, de forma que lhe seria cabível o creditamento das contribuições sobre essas aquisições, não beneficiadas pela suspensão. No entanto, como a recorrente não apresentou as referidas notas fiscais, comprovando o alegado, apenas "protesta pela posterior juntada das notas fiscais relativas às vendas dos insumos comercializados por pessoa jurídica domiciliada no País, das quais deixou de constar a expressão 'venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Em consequência, tornasproe prejudicada a análise da eventual procedência desse argumento. Cumpre ter presente que incumbe à recorrente a prova de suas alegações em conformidade com o art. 36 da Lei nº 9784/99. Assim, diante da ausência de prova da alegação da recorrente como elemento modificativo à decisão que indeferiu nessa parte seu pleito, as glosas relativas ao crédito presumido das aquisições com suspensão da Cofins devem ser mantidas. Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.915 23 II.6DO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS NOS TERMOS DA LEI N° 12.350/2010 Alega a recorrente que o art. 16 da lei n° 11.116/2005, que segue abaixo, teria instituído a possibilidade de ressarcimento ou compensação do crédito presumido apurado nos termos dos arts. 8° e 15 da Lei n° 10.925/2004, quando não tenha sido utilizado em sua totalidade na dedução do Pis e da Cofins devidos a cada mês: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifouse) No entanto, conforme se vê, a autorização legal acima não diz respeito ao crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ao qual a recorrente faria jus na qualidade de produtora de mercadorias de origem animal destinadas à alimentação humana, mas somente ao crédito apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei no 10.865/2004. Também a Lei nº 12.350/2010 não pode socorrer a Recorrente, eis que, conforme disposto no seu art. 56A, incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011, a possibilidade de ressarcimento ou de compensação com outros débitos do saldo de crédito relativo ao 2º trimestre de 2007 somente seria cabível para pleitos efetuados "a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei", sendo que, no caso presente, o pedido da recorrente foi protocolizado em 15/08/2008: Art. 56A . O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.916 24 II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: ( Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011) I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011 ) II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011) Também não merece acolhida a alegação de que o artigo acima, acrescido à Lei nº 12.350/2010, teria convalidado o seu entendimento, vez que, não obstante o legislador ordinário tenha disposto sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação para saldos apurados no anocalendário de 2007, restringia, expressamente, "somente" para pedidos a serem formulados após a publicação da Lei. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava nessa época do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Ocorre que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. De forma que, por opção do legislador ordinário, passouse a restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.917 25 Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. (grifouse) Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa transcrevemos, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições": 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.00.0078654/SC RELATORA : Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ARTS. 8º E 15 DA LEI N.º 10.925/04. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. NORMAS INFRALEGAIS. 1. Os artigos 17 da Lei n.º 11.033/2004 e 16 da Lei n.º 11.116/2005 tratam de saldos credores do PIS e da COFINS apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, de créditos gerados a partir da sistemática da não cumulatividade e inerentes a ela, calculados em relação aos bens e serviços descritos nos seus incisos, não alcançando os créditos previstos nos artigos 8º e 15 da Lei n.º 10.925/2004. 2. As próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes crédito o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições. 3. Tanto os artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 15/2005 como o § 6º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n.º 636/2006 (substituído pelo art. 5º da IN SRF n.º 660/06), ao vedarem expressamente outra forma de devolução do montante do crédito presumido apurado, vieram somente a esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu conteúdo. Assim, tais dispositivos infralegais possuem cunho meramente interpretativo, Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.918 26 de modo que não "inovaram", desbordando de sua competência regulamentar. Nessa mesma linha, o Superior Tribunal de Justiça manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa colacionada: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Assim, não merece reforma a decisão recorrida na parte em que entendeu incabível o ressarcimento ou compensação com outros débitos da recorrente do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. II.7. GLOSAS REFERENTES AOS DEMAIS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS II.7.1. UTILIZAÇÃO DA GRAXA NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE Insurgese a Recorrente em face das glosas dos créditos oriundos das aquisições de graxas, uma vez que seria essencial no seu processo produtivo, bem como que o direito ao crédito restaria previsto expressamente em lei. Aduz que a graxa seria de fundamental importância para manter em pleno funcionamento as máquinas e equipamentos Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.919 27 utilizados na atividade principal da Recorrente, qual seja, o abate de animais vivos e o processamento da carne dela decorrente. A fiscalização glosou os créditos relativos às aquisições de graxa, tendo em vista não se tratar de insumos diretos e não haver disposição expressa na Lei de direito a creditamento como um insumo indireto, como ocorre, por exemplo, em relação aos combustíveis e aos lubrificantes (conforme se verifica às fls. 2.492). No entanto, conforme entendimento consolidado neste CARF, insumos para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. No caso presente, a fiscalização reconheceu a condição da graxa como um insumo indireto, sendo incontroverso no processo que é utilizada nas máquinas e do seu processo produtivo, mas sem contato direto com o produto em fabricação, de forma que, segundo o entendimento consolidado neste CARF, cabível é o creditamento relativo às aquisições de graxa, devendo a glosa correspondente ser revertida. II.7.2. DEMAIS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE Indicase no Recurso Voluntário (fl. 2.780) que a decisão recorrida manteve a glosa dos seguintes insumos: 1 Combustíveis e lubrificantes (óleo diesel e graxa); 2 Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas (auxílio no transporte de cargas, baldes, bandejas, bigbags etc); 3 Produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais (gás GLP 45 kg, gás GLP granel, gás P13, briquete de bagaço de cana, briquets industrial, cavaco de lenha, dispersante e inibidor, lenha, óleo combustível tipo 2A, óleo de xisto tipo eote, amônia etc); e 4 Produtos químicos 5 Serviços prestados. Passase a analisar as glosas expressamente contestadas neste tópico sob a classificação adotada pela fiscalização. 1 Combustíveis e lubrificantes A fiscalização assim justificou a exclusão desses itens (fl. 2.492): a. Combustíveis e lubrificantes: A auditoria não aceitou como base para créditos os valores utilizados com gastos discriminados como óleo diesel para empilhadeiras, pois, efetivamente não foram aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda. Os gastos com esse ou outros combustíveis utilizados na Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.920 28 atividade de transporte de matéria prima, produtos intermediários ou produtos em elaboração, entre as diversas etapas do processo produtivo, não geram direito a crédito a ser descontado na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS/PASEP e Cofins, por não se subsumirem no conceito de insumos para fins do disposto no art. 3o, II, da Lei nº 10.637, de 2002 e lei 10.833/03, art. 3º, II e Solução de Consulta 323 de 25/10/2010 da 8ª RF. ; Concluímos, no entanto, na esteira do entendimento deste CARF sobre insumos, que óleo diesel para empilhadeiras, que é utilizado nas empilhadeiras para movimentação de produtos dentro do abatedouro, configura bem pertinente e essencial ao processo produtivo, ainda que não tenha contato direto com o produto em fabricação, e, portanto, deve ser considerado insumo que dá direito ao crédito da contribuição social não cumulativa. Dessa forma, assiste razão à recorrente nesta parte, não sendo cabível a exclusão desse item da base de cálculo da Cofins efetuada pela fiscalização. 2 Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas Sob essa rubrica, a fiscalização excluiu da base de cálculo da Cofins por não considerálos insumos os seguintes itens: BALDE PP PARA BANHA, BANDEJA BRANCA B3/M4 FUNDA, BIGBAGS, CAIBRO DE MADEIRA, CAPA PALLET PE 117X98X150, CORDA TRANÇADA POLIPROPILENO, ESTRADO MADEIRA e ESTRADO MADEIRA ARLOG Esses bens possuem a função de "auxílio no transporte de cargas". Segundo a recorrente, esses itens possuem as seguintes funções: · Balde PP para banha Recipiente para armazenar banha suína. Utilizado para acondicionamento de produto resultante do abate de suínos e que será comercializado ou utilizado no processo produtivo como insumo. · Bandeja Branca B3/M4 Funda Recipiente para uso na sala de cortes de aves para colocar as porções de carnes advindas das desossas das carcaças de aves, como coxa, sobrecoxa, peito, miúdos a fim de proceder pesagem do produto e congelamento. · BigBags Para armazenar e transportar matérias primas em fabricas de rações e produtos embalados ou não em abatedouros e indústria de carnes. · Sacos grandes que acondicionam insumos para utilização na fabricação de ração e também para acondicionar insumos utilizados no processo produtivo dos abatedouros. · Caibro de madeira sustentação de ninhos de matrizes em produção e sustentação de furneiros para defumações de produtos cárneos em geral, como salames. Age juntamente com as ripas na distribuição das cargas sobre todo o madeiramento, como forma de sustentação dos Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.921 29 ninhos das matrizes de produção de ovos e no processo de defumação de produtos industrializados (salames). Capa Pallet PE 117X114X140 · Capa plástica para proteger pallet em big bag para transporte de CMS (carne mecanicamente separada), CMR (Carne Mecanicamente recuperada) e carnes em geral, assegurando proteção ao risco de corpos estranhos à matéria prima cárnea, produtos em processo e produtos de transferência para plantas de processamento. · Plástico utilizado na proteção da matériaprima transportada internamente ou entre filiais e utilizada no processo produtivo dos produtos industrializados (salsichas, mortadelas, etc). · Corda trançada Polipropileno Cordão para movimentação de cortina de aviários de matrizes produtoras de ovos férteis a fim de prevenir o stress térmico pelo frio ou pelo calor das aves. Corda plástica para acionar a abertura e o fechamento das cortinas dos aviários de matrizes de produção de ovos. · Estrado 1,0X1,20X0,138 MCD, Estrado 1200X800X140, Estrado de Madeira 1,1X1,IX, Estrado MAD 1,1X0,9X0,14 LI, Estrado MAD 1.2X1X0.135 TRAT, Estrado MAD 1200X1000X162 BE, Estrado Madeira 1200X1000X13, Estrado Madeira 1200X1000X14, Estrado Madeira, PALLET 1000X1200X137 TIP PBR base de madeira, plástico ou papelão, para sustentar pallete formados por caixas plásticas, contendo produtos cárneos para consumo final ou matéria prima para transferência à industrialização. Entendese que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou transporte, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme trecho do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. (...) Além dos materiais de embalagem e transporte, os itens relativos à movimentação e à armazenagem dos produtos em elaboração também podem ensejar o Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.922 30 creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não se tratem de bens ativáveis. Com relação aos itens: CAIBRO DE MADEIRA, ESTRADO MADEIRA e ESTRADO MADEIRA ARLOG não há provas nos autos, que incumbiria à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/72, de que eles não seriam de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda/99. De forma que, incabível o reconhecimento do direito creditório na forma pleiteada pela recorrente, pelo custo total da aquisição desses bens. Conforme já foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3403002.648, de 27/11/2013, para fins de creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, o crédito deveria ser apropriado com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Nessa linha, este CARF também já decidiu que os paletes utilizados para transporte ensejam o creditamento da Cofins somente pela despesa depreciação: Acórdão nº 3403001.935 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. Os materiais utilizados como insumo, durante o processo produtivo, geram direito a crédito de PIS e COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PALETES E BARROTES DE MADEIRA NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO MATERIAL DE EMBALAGEM. Os bens incorporados ao ativo não circulante só geram direito a crédito de PIS e COFINS via depreciação, nos termos do inciso III do §1º do art. 3º da Lei 10.833/03. (...) Assim, conforme exposto neste item, relativamente à rubrica Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas, foi indevida a exclusão da base de cálculo efetuada pela fiscalização somente dos seguintes bens: BALDE PP PARA BANHA, BANDEJA BRANCA B3/M4 FUNDA, BIGBAGS, CAPA PALLET PE 117X98X150 e CORDA TRANÇADA POLIPROPILENO. 3 Produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais Os itens dessa rubrica foram excluídos da base de cálculo de crédito pela fiscalização sob os seguintes fundamentos (fl. 2.492): c. Produtos Utilizados no Sistema de Refrigeração / Aquecimento: Não gera direito a crédito, por não haver caracterização como insumo, os gastos com materiais e produtos utilizados no processo industrial para o resfriamento ou Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.923 31 aquecimento de máquinas, equipamentos e moldes, bem assim para a lavagem ou limpeza desses bens. Também não há que se cogitar de direito a crédito relativamente à água utilizada no funcionamento de máquinas e equipamentos para aquecimento ou resfriamento. Base Legal: Ementa da Solução de Consulta 8ª RF, no 439/2003, Lei 10833/03, art 3, inciso II; Lei 10637/02, art 3; IN SRF 404/2004, art 8, &4, inciso II, alínea B; IN SRF 247/2002, art.66 &5, inciso II, alínea B. Conforme consta na decisão recorrida, as características e o emprego de cada produto dessa rubrica são os seguintes (fls 2724/2725): a) Água para indústria – É utilizada como desinfetante na higienização de frigoríficos e outros ambientes, de modo que não pode ser considerada insumo. Vejase, a este respeito, a Solução de Divergência n° 12/2007 da Cosit, já mencionada. Embora esta aluda a “materiais de limpeza de equipamentos e máquinas”, aplicase, por analogia, a qualquer produto utilizado em atividades de limpeza e higienização, as quais não estão diretamente ligadas ao processo produtivo. b) Gás GLP 45 kg – Tratase de combustível empregado no aquecimento de aviários. Não sendo aplicado ou consumido no processo produtivo, não pode ser considerado insumo. c) Gás GLP granel – Verificase neste caso flagrante contradição entre as informações do aditamento à manifestação de inconformidade e aquelas contidas no laudo técnico. Segundo o primeiro documento, tratase de combustível usado no aparelho chamuscador, ao passo que, de acordo com o laudo, seu emprego se dá em processos de cozimento de carnes e na incineração de aves mortas. Dada essa incongruência nos dados fornecidos pela própria empresa, entendo que não pode ser caracterizado como insumo. d) Gás P13 – É utilizado no cozimento de carnes e na incineração de aves mortas. Apenas a primeira atividade está relacionada ao processo produtivo. e) Briquete de bagaço de cana – É utilizado como combustível nas caldeiras para aquecimento de água, a qual se destina a dois usos: peletização da ração e geração de vapor para depilagem de suínos e depenagem de aves. Apenas esta segunda atividade está ligada ao processo produtivo. f) Briquets industrial – Aplicase a este produto o que foi dito do briquete de bagaço de cana, visto terem sido incluídos pela recorrente na mesma rubrica. g) Cavaco de lenha – M3 – Tratase de combustível usado na caldeira para geração de vapor, o qual se destina a três usos distintos: alimentação de digestores utilizados no cozimento de resíduos de aves; depilagem de suínos e depenagem de aves; e peletização de rações. Esta última atividade, como já assinalei, não tem relação com o processo produtivo. Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.924 32 h) Dispersante e inibidor – Não pode ser considerado insumo, visto ser utilizado para impedir a corrosão e incrustação do sistema de resfriamento de água, sendo aplicado portanto na manutenção deste sistema e não no processo produtivo em si. i) Lenha – Tanto a manifestação de inconformidade quanto o laudo técnico referemse a “lenha eucalipto”, informando tratar se de combustível utilizado em caldeiras para aquecimento de água, a qual se destina à peletização da ração e à geração de vapor para a depilagem de suínos e a depenagem de aves. A primeira atividade não guarda relação com o processo produtivo. j) Óleo combustíve BPF tipo 2A – Assim como outros óleos incluídos pela recorrente na mesma rubrica, é empregado na movimentação de máquinas, como empilhadeiras, em tratores que efetuam a limpeza externa das granjas e matrizes e em equipamentos, como caldeiras para aquecimento de água. As duas primeiras atividades não tem relação com o processo produtivo. Por outro lado, a empresa não esclarece a que uso se destina a água nem informa a que equipamentos, além das caldeiras, se refere e qual a função destes. Assim, justificase plenamente sua descaracterização como insumo. k) Óleo de xisto tipo eote – Incluído pela recorrente na mesma rubrica, aplicase a este produto o que foi dito do óleo combustíve BPF tipo 2A. l) Amônia – Segundo a recorrente, é empregada como desinfetante em várias “etapas do processo produtivo”, entre as quais a desinfecção de pneus de veículos, a desinfecção de recipientes e meios de transporte das aves e suínos até o abatedouro, etc. Como já foi visto, as atividades de limpeza e higienização diferentemente do que alega a interessada não fazem parte do processo produtivo, cabendo aqui citar uma vez mais a Solução de Divergência n° 12/2007 da Cosit. Não se trata, portanto, de insumo. Segundo o conceito de insumo adotado neste Voto, todos os dispêndios dessa rubrica, relativos a produtos utilizados para aquecimento, resfriamento ou limpeza de máquinas, equipamentos e moldes, ainda que não tenham contato direto com o produto em fabricação, são essenciais e pertinentes ao processo produtivo da recorrente e dão direito ao creditamento da Cofins. De forma que entendo que devem ser revertidas todas as exclusões da fiscalização sob a rubrica Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento. 4) Produtos químicos (Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho) Entendeu a fiscalização, conforme trecho abaixo transcrito, que não ensejaria crédito como insumos a aquisição dos seguintes produtos químicos descritos como aditivo bioquímico aha, antiespumante aquaplan AE 20, coagulante orgânico, polímero aniônico, polímero catiôncio, sulfato de alumínio, ácido muriático, água sanitária, álcool 96º para uso Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.925 33 desinfectante, caulim, formol, fornecimento de água, serragem, gás cloro, etc (cf. fl. 2.493/2.494). e. Produtos Químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho: Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com materiais e produtos químicos utilizados no tratamento de água efluente do processo industrial, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda. Esses insumos não foram considerados por não agregarem ao produto em fabricação, não se incorporando a ele e não perdendo suas propriedades físicas ou químicas em decorrência do contato com o produto em fabricação. Dispositivos legais: art. 3o da Lei 10.637/02, art. 66 e 67 da IN SRF no 247/02 com alterações da IN SRF no 358/03 e Lei 10.833/03; Lei 10.865/04, IN SRF no 404/04 e Solução de Consulta 323/SRRF/8a RF de 25/10/2010. O julgador de primeira instância, em cotejo das informações fornecidas pela recorrente sobre os referidos produtos químicos com o laudo técnico, chegou a conclusão que (fl. 2.564): 106. SERRAGEM – Consta na citada tabela que a serragem é empregada para fins de forração. Já a recorrente incorre em contradição mais uma vez, ora afirmando empregála como combustível nas caldeiras (laudo), ora alegando que a utiliza como combustível em estufa para queima e defumação de produtos. Neste caso, se a própria empresa não é capaz de informar com exatidão o uso que dá ao produto, agiu bem a autoridade fiscal ao excluílo da base de cálculo de créditos de Cofins. 107. Excluída portanto a serragem, podese afirmar, sem contestação possível, que todos os produtos listados na tabela do item 49.e do despacho decisório são empregados pela contribuinte quer na higienização e limpeza de máquinas ou ambientes, quer no tratamento de águas e de esgoto. 108. Tais atividades, naturalmente, não têm relação direta com o processo produtivo da empresa, de modo que os produtos químicos em apreço não se enquadram no conceito de insumo a que alude o § 4o do art. 8o da IN SRF n° 404/2004. Além disso, não há previsão legal que autorize as empresas a creditarse sobre os valores pagos em sua aquisição. Não obstante a recorrente não tenha esclarecido qual seria a efetiva aplicação da serragem, tanto o emprego dela como combustível nas caldeiras ou como em estufa, para queima e defumação de produtos, dariam direito a crédito, eis que essenciais e pertinentes ao processo produtivo da recorrente. O mesmo ocorre em relação aos produtos químicos utilizados "quer na higienização e limpeza de máquinas ou ambientes, quer no tratamento de águas e de esgoto", que são considerados insumo, conforme o entendimento exposto esposado neste Voto. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.926 34 Assim, concluise que devem ser revertidas todas as exclusões dos créditos da base de cálculo de créditos da Cofins sob a rubrica Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. 5) Serviços prestados A fiscalização indeferiu alguns serviços sob os seguintes fundamentos: Serviços Prestados (fls. 2493): d. Serviços Prestados: O termo "serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto" não pode ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Assim sendo, não foram aceitos os créditos dos serviços apresentados no quadro abaixo por não se enquadram nesse conceito: (...) Os serviços cujos créditos foram excluídos da base de cálculo da Cofins foram os seguintes: A recorrente nada acrescentou, no recurso voluntário, relativamente à exclusão desses serviços, apenas repisou a descrição já constante no processo (cf. fls. 2.782 e 2.785): Armazenagem Terc Monitoramento e Armazenagem Termômetro de monitoramento do perfil térmico de produto aplicado nos produtos para definir o comportamento térmico durante a armazenagem e atestar ao serviço de Inspeção federal o cumprimento dos valores requeridos pela legislação de 8°C para produtos resfriados em armazenamento e 12 para produtos congelados e 18°C para produtos ultra congelados como a carne mecanicamente separada. Equipamento utilizado para controlar a Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.927 35 temperatura do produto resultante do abate até o seu destino e atender o previsto na legislação. (...) Serv. com despach. Azeite GALLO , serv. c/ Despachantes Impor. serv. de armazenagem, transporte de matérias prima Aquisição de insumos industriais como óleos de origem vegetal para preparação dos alimentos cárneos e sua saborização. O azeite é utilizado como insumo na produção de alguns produtos que compõem a linha de produtos comercializados pela empresa. Serv. de transporte mudança, serv. movimentação matéria, serviço de transporte, transportes de matérias prima transferência de equipamentos e matérias para compor linhas de produção. Os denominados "SERV C/ DESPACHANTES IMPOR", ao que tudo indica, seriam serviços utilizados na importação de azeite para posterior utilização no processo produtivo da recorrente, e não são considerados serviços "utilizados como insumo (...) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", não ensejando o correspondente creditamento. O serviço "ARMAZENAGEM TERC MONITORAM" não foi tampouco descrito pela recorrente, não obstante a observação do julgador de primeira instância de que "Tratase, aparentemente, não de um serviço, mas de um equipamento utilizado pela empresa". Como já observado, incumbiria à recorrente trazer aos autos a prova dos fatos alegados, razão pela qual incabível o direito creditório. Também os serviços de "TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMA" e "SERVIÇO DE TRANSPORTE", à mingua de uma melhor descrição e da demonstração, a cargo da recorrente, de que são serviços efetivamente "utilizados como insumo (...) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", não cabe o creditamento respectivo. Assim, no que concerne aos "serviços prestados", nada há a reparar na decisão que manteve a exclusão dos correspondentes créditos. II.8. DOS CRÉDITOS SOBRE COMISSÕES DE VENDAS Sobre a exclusão dos créditos sobre comissões de venda assim se pronunciou o julgador de primeira instância (fl. 2.731): 122. A autoridade fiscal glosou créditos sobre quantias pagas a título de comissões de venda, as quais haviam sido indevidamente incluídas na linha 05 da ficha 16A dos DACON, relativa às despesas com armazenagem. 123. Reconhecendo o erro, requer a empresa a reclassificação desses valores na linha 03 da referida ficha, por entender tratarse de insumos. Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.928 36 124. Como observei anteriormente, o conceito de insumo para fins de creditamento da Cofins se encontra no § 4o do art. 8° da IN SRF n° 404/2004. No que respeita especificamente a serviços, segundo o inciso I, alínea “b” do referido parágrafo, consideram se insumos apenas “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. 125. Ora, os serviços em questão foram prestados por representantes comerciais autônomos, segundo informe da própria empresa, os quais constituem pessoas físicas, e não jurídicas. Além disso, tratase de serviço prestado na fase de comercialização dos produtos prontos, etapa bastante posterior ao término do processo de produção. 126. Logo, não se trata de insumos, devendo ser mantida a glosa realizada pela autoridade tributária. No Recurso Voluntário, alegou a recorrente, em síntese, que as referidas despesas seriam essenciais para o desenvolvimento das atividades da empresa e ensejariam o creditamento como insumo, cabível em relação aos "bens, serviços e encargos que se transformam em custos de produção ou em despesas operacionais, mormente quando tais custos e despesas estão intrinsecamente vinculados à obtenção das receitas tributáveis pelas contribuições sociais". Aduz a recorrente que "é empresa que produz, processa e comercializa, em grande parte para o mercado externo, carnes de aves, suínos e termoprocessados in natura (carcaças e cortes)", sendo assim, "incorre em dispêndios com representante comerciais autônomos, encarregados de fomentar as vendas dos itens produzidos, ou seja, remunera esses profissionais, na medida em que estes consigam gerar pedidos de compra a serem atendidos pela empresa e efetivamente concretizados por meio da tradição da mercadoria". Não obstante as diversas interpretações do conceito de insumo existentes na doutrina e jurisprudência, incabível o correspondente creditamento por disposição expressa da Lei nº 10.833/2003, no seu art. 3º, §2°, I, de que "Não dará direito a crédito o valor: I de mão deobra paga a pessoa física". De forma que nada há a reparar na exclusão dos créditos sobre comissões de venda. II.9. DOS CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS 1. DOS CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM Sob esta rubrica foram excluídos pela fiscalização os seguintes dispêndios (fl. 2.496): 58. Das Despesas com Armazenagem. Analisando a Planilha L 07.1 apresentada pela interessada contendo o Memorial de Cálculo das Despesas com Armazenagem, constatamos que além das Despesas com Armazenagem a interessada creditouse Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.929 37 também de outras despesas como ALUGUEL/ARRENDAMENTO; COMISSÃO SOBRE VENDAS – AVES, IND E SUÍNOS; FRETE CROSS DOCKING; FRETE DISTRIBUIÇÃO; SERVIÇO DE TRANSPORTE DE CONTAINER, SERVIÇO DE FRETE DE CONTAINER; SERVIÇO DE MOVIMENTAÇÃO CROSSD, tais despesas para fins de creditamento na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS não são passiveis de creditamento a título de “Despesa com Armazenagem” por ausência de previsão legal, nesse sentido segue a seguinte jurisprudência: (...) Sobre os gastos com “ALUGUEL/ARRENDAMENTO”, incluídos indevidamente sob esta rubrica, o julgador da DRJ decidiu pela manutenção da correspondente exclusão por ausência de provas (fl. 2.732): 131. Ora, em primeiro lugar convém esclarecer que o contrato de arrendamento não se confunde com o de aluguel. E, desde que a rubrica citada pela autoridade fiscal se refere tanto a aluguel quanto a arrendamento, deveria a recorrente ter discriminado os valores relativos a cada uma dessas despesas. 132. Por outro lado, a contribuinte não apresentou os contratos de aluguel e tampouco os registros contábeis e bancários relativos aos supostos aluguéis pagos, de modo que não é possível saber se, no trimestre em exame, teria de fato realizado dispêndios com o aluguel de imóveis, se estes eram utilizados em suas atividades e se os locadores eram pessoas físicas ou jurídicas. 133. Assim posto, dada a ausência de provas, devese manter a glosa em apreço. Protesta ainda a recorrente, no Recurso Voluntário, "pela posterior juntada dos contratos de aluguéis, bem como registros contábeis e bancários relativos aos aluguéis pagos" (fl. 2.795), o que não tem qualquer cabimento, em face da fase processual em que se encontra o processo; da preclusão para a produção de provas e da concentração das provas no recurso, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72; bem como do seu ônus processual de comprovar o alegado, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Assim, diante da ausência de comprovação, a cargo da recorrente, de qualquer elemento modificativo da decisão da DRJ, ela há de ser mantida nesta parte. 2. DOS CRÉDITOS RELATIVOS A FRETE DE TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.930 38 sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o , IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No entanto, o transporte de produto acabado, tais como os fretes indicados pela recorrente neste tópico, entre centros de distribuição ou entre esses e as lojas varejistas, depois de concluído o processo produtivo, não se enquadra em quaisquer das outras hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas, vez que não se refere ao transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente e nem de produto inacabado. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, 25 de abril de 2012, conforme trecho transcrito abaixo da ementa, que somente na hipótese de produtos inacabados pode haver o creditamento do frete pago relativamente ao transporte entre estabelecimentos do contribuinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 (...) PIS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. De forma que, não obstante os argumentos da recorrente, conforme acima exposto, o frete de produtos acabados entre os seus estabelecimentos não encontra amparo na legislação pertinente para o creditamento como insumo, razão pela qual foi correto o entendimento da fiscalização do julgador da DRJ que não reconheceu o crédito da Cofins correspondente. 3. FRETES UTILIZADOS COMO INSUMO NOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE 3.1. Da Atividade de Prestação de Serviço de Transportes Realizada pela Recorrente e do Direito a Crédito nas Subcontratações A subcontratação de serviço de transporte está regulada no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 da seguinte forma: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.931 39 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...) § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) O julgador de primeira instância entendeu que os serviços de transporte descritos pela contribuinte não se enquadrariam na situação tipificada acima, primeiro porque ela não é uma empresa de serviço de transporte rodoviário de carga, eis que sua atividadefim é a industrialização e comercialização de produtos alimentícios; segundo porque não se verifica a hipótese de subcontratação, mas da contratação, por suas filiais, de pessoas físicas ou jurídicas para realizar o transporte de suas mercadorias. Alega a recorrente que exerce a atividade de transporte rodoviário de mercadorias próprias e de terceiros, conforme consta no seu objeto social, por meio de suas filiais, que, para esse fim, subcontratam transportadores autônomos ou transportadoras. Aduz que os gastos com tais subcontratações são insumos da atividade de serviços de transporte, cabendo o correspondente creditamento da Cofins. Acrescenta que inexiste impedimento legal para que uma filial preste um serviço de transporte para outra filial/matriz do mesmo titular, mesmo porque para fins do ICMS os estabelecimentos são autônomos, havendo independência no tocante às atividades por eles realizadas. Segundo entende, o fato de a quitação desse serviço se dar por meio de lançamento entre centros de custo da recorrente não afeta a natureza do serviço prestado. No entanto, o permissivo legal está expressamente direcionado para a "empresa de serviço de transporte rodoviário de carga", qual seja, aquela que preste serviço desta natureza como atividadefim a outras empresas ou pessoas físicas. Embora a recorrente tenha essa atividade incluída em seu objeto social e possa eventualmente prestar esses serviços, essa não é sua atividadefim, como já esclareceu a decisão recorrida. Caso o legislador ordinário quisesse incluir os serviços de transporte prestados por qualquer empresa, não teria feito a ressalva sobre o tipo de empresa faz jus ao benefício. Além disso, para que houvesse a subcontratação para fruição do benefício, farseia necessária uma primeira contratação para a prestação do serviço de transporte entre a Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.932 40 recorrente e a outra pessoa jurídica, o que não ocorreu, vez que sua filial não é considerada uma outra pessoa jurídica. Desta forma não merece qualquer reparo a decisão recorrida no que concerne à exclusão dos créditos relativos à subcontratação de transporte. 3.2. Frete para Transporte De Insumos e MatériaPrima no Sistema de Parceria (Integração) Explica a recorrente que seu processo produtivo envolve uma série de movimentos logísticos de insumos e matériasprimas, não se resumindo apenas ao abate e processamento da carne. Desta forma, os fretes incorridos nos deslocamentos de insumos e matérias primas da Seara para o produtor parceiro e viceversa fazem parte do seu custo de aquisição de mercadorias para fabricação de produtos destinados a venda. Aduz que foram objeto de glosa os CFOP de saída abaixo, os quais, embora não tenham a denominação de venda, estão diretamente vinculados às vendas ou ao processo produtivo, sendo incontestável, a seu ver, a geração do crédito de PIS/COFINS: 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento Transferência de produto industrializado ou produzido no estabelecimento para outro estabelecimento da mesma empresa. Tratase basicamente das remessas enviadas das fábricas aos CD Centro de Distribuição. Este frete inicial é indispensável para que aconteça efetivamente o frete da venda, gerando assim o crédito. 5451 Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor Classificamse neste código as saídas referentes à remessa de animais e de insumos para criação de animais no sistema integrado, tais como: pintos, leitões, rações e medicamentos. Tratase de uma despesa de frete diretamente relacionada ao processo produtivo (insumo), visto que a Recorrente pratica o sistema de "parceria" com seus produtores integrados. Evidente, portanto, o crédito de COFINS sobre esse frete. 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação. Saída de produto industrializado ou produzido pelo estabelecimento, remetido com fim específico de exportação a "trading company", empresa comercial exportadora ou outro estabelecimento do remetente. Tratase de frete para fins de formação do lote de exportação, ou seja, relacionado à venda de exportação, ou seja, dá direito a crédito. 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros Mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para industrialização, comercialização ou utilização na prestação de serviço e que não tenha sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, transferida para outro estabelecimento da mesma empresa. Tratase de mercadoria/insumo recebido por uma unidade e transferida à Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.933 41 outra para revenda/industrialização. Esta despesa de frete na transferência da respectiva mercadoria/insumo é legítima, sendo também legítimos os créditos apurados sobre referido frete. 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação Referemse a devoluções efetuadas por trading company, empresa comercial exportadora ou outro estabelecimento do destinatário, de mercadorias recebidas com fim específico de exportação, cujas entradas tenham sido classificadas no código 1.501 Entrada de mercadoria recebida com fim específico de exportação. Tratase de devolução dos produtos recebidos conforme CFOP 5501 (acima). 5905/6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral Classificamse neste código as remessas de mercadorias para depósito em depósito fechado ou armazém geral. Tratase de frete relacionado à despesas de armazenagem, que conseqüentemente é passível de créditos. 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado. Classificamse neste código as saídas correspondentes à entrega de mercadorias por conta e ordem de terceiros, em vendas à ordem, cuja venda ao adquirente originário foi classificada nos códigos "6.118 Venda de produção do estabelecimento entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem" ou "6.119 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem". Também serão classificadas neste código as remessas, por conta e ordem de terceiros, de mercadorias depositadas ou para depósito em depósito fechado ou armazém geral. Tratase de triangulação por conta e ordem de terceiro, originária de uma venda, ou seja, o crédito procede normalmente. 6151 Transferência de produção do estabelecimento Produto industrializado ou produzido no estabelecimento e transferido para outro estabelecimento da mesma empresa. Trata se basicamente das remessas enviadas das fábricas aos CD Centro de Distribuição. Este frete inicial é indispensável para que aconteça efetivamente o frete da venda, gerando assim o crédito (idem 5151). 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviço Não Especificada Classificamse neste código as outras saídas de mercadorias ou prestações de serviços que não tenham sido especificados nos códigos anteriores. Tratase da operação que a empresa internamente chama de 'Nota Fiscal Global', ou seja, é emitida uma NF principal de venda com o valor total desta operação (global) no momento da realização da exportação para um determinado cliente. Posteriormente, as mercadorias saem em diversos momentos da empresa para formação do lote que compõe o total desta Nota Fiscal global, e são essas as remessas emitidas com o CFOP 7949. Ou seja, é neste momento que as mercadorias são efetivamente transportadas e que ocorre a Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.934 42 despesa do frete, gerando direito à apropriação dos créditos de PIS/COFINS. A autoridade fiscal glosou as despesas com frete não ligadas a operações de venda, que foram indevidamente incluídas pela contribuinte na linha 07 das fichas 06A e 16A do DACON. Em análise documental para validar os requisitos exigidos pela legislação para o creditamento das "Despesas com Frete na Operação de Venda", quais sejam, (1) comprovação de que o ônus foi suportado pelo vendedor e (2) se o serviço foi pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, constatou a fiscalização que (fl. 2.378): 79. Analisando os documentos apresentados nos chamou atenção o fato de a SEARA figurar como emissora dos conhecimentos de transportes na maioria dos documentos analisados. Sendo a própria SEARA a prestadora do serviço de transporte não se teria uma despesa incorrida, no máximo, uma mudança de centro de custos entre os estabelecimentos da empresas, pois a SEARA estaria prestando o serviço de transporte para ela mesmo por intermédio de suas filiais transportadoras. 80. Ademais, os conhecimentos de transportes apresentados referiamse a cargas que não condiziam com os produtos de venda finais da SEARA como ração. Questionada informou que a documentação entregue não se referia a fretes sobre operações de venda e sim a frete sobre compras de insumos, o que também se demonstrou não ser verdadeiro, pois se tratavam de operações de fomento aos parceiros onde a SEARA enviava, por exemplo, ração e matrizes de aves aos seus parceiros para que estes procedessem ao manejo e a engorda das aves devolvendo ou vendendo à SEARA os animais após a engorda, assim a ração seria insumo para os parceiros, por obvio, os fretes a eles relacionados comporiam o custo de aquisição dos parceiros e não da SEARA. (grifouse) Além do frete na operação de venda (arts. 3o , IX e 15, II da Lei n° 10.833/03), existem outras três possibilidades de creditamento das contribuições não cumulativas do frete pago a outra pessoa jurídica: a) frete como insumo na produção (inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); b) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; c) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Não se vislumbra o creditamento das contribuições relativamente à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa, mas tão somente de produtos inacabados dentro do seu contexto produtivo. Também, não se tratando os CFOP´s acima de deslocamento entre o estabelecimento produtor e o comprador, não se trata de frete na operação de venda. Na hipótese de envio de produtos aos seus parceiros (CFOP 5451 Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor), como, por exemplo, ração e matrizes de aves para manejo e a engorda, os fretes relacionados compõem o custo de aquisição dos parceiros, como já esclareceu a fiscalização, não dando direito ao creditamento para a recorrente. Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.935 43 Quanto ao CFOP 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, que se trata de "mercadoria/insumo recebido por uma unidade e transferida à outra para revenda/industrialização", referese ao frete (serviço) relacionado a operação posterior (para revenda) ou anterior (para industrialização) ao processo produtivo, não cabendo o correspondente creditamento. Assim, nada há a reparar da decisão recorrida que manteve as glosas dos créditos relativos aos fretes que não integravam a operação de venda. II.10. DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Segundo o despacho decisório, itens itens 105 a 111, fora glosada parte dos créditos relativos ao 3o trimestre de 2008 por se referirem a insumos adquiridos no período que se estende de 2005 ao 1° trimestre de 2007. A Recorrente se insurgiu contra essa glosa, alegando que “O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”, pois a segregação dos créditos por trimestre, segundo a Recorrente, constituiria mera formalidade, sem fulcro legal. Os créditos dessa natureza tem a peculiaridade de terem sua origem em determinado mês (ou período de apuração) e serem adjudicados em mês ou meses subsequentes, portanto a destempo – ou de forma extemporânea. Nesse sentido, a legislação própria da Contribuição ao PIS e da COFINS contém parágrafo 4º, artigo 3º, respectivamente, da Lei nº10.637, de 30 de dezembro de 2002 (Lei 10.637/02), e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (Lei 10.833/03), dispositivo que é cristalino no sentido de que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”. Aliás, o parágrafo 2º, artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (IN SRF 247/02), para a Contribuição ao PIS, e o parágrafo 2º, artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004 (IN SRF 404/04), para a COFINS, contém idêntica redação aos dispositivos legais antes citados, portanto no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB) também está autorizada a prática pela Recorrente. Tanto o crédito extemporâneo é autorizado, que na recentemente inaugurada Escrituração Fiscal Digital (EFD) de PIS e COFINS está previsto bloco específico para sua escrituração. Segundo o guia prático da escrituração fiscal digital, o bloco 1 serve para fins de: complemento da escrituração, controle de saldos de créditos e de retenções, operações extemporâneas e outras informações. A decisão ora recorrida entendeu que a apuração extemporânea dos créditos realizada pelo Contribuinte somente poderia ser admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os DACON . Segundo o entendimento adotado na decisão recorrida, a retificação do DACON é exigida não somente para que se possa constituir os créditos decorrentes dos documentos não considerados no DACON original, devendose atentar, principalmente, para o fato de que os saldos de créditos dos Dacon dos meses posteriores à constituição do crédito devem ser retificados para evidenciar o novo crédito. Tratase pois de ficar demonstrado com Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.936 44 precisão que o crédito está constituído e o mais importante: que o crédito não foi utilizado em períodos anteriores, condição sine qua non para o aproveitamento futuro. A título ilustrativo, cumpre observar que através da IN RFB no 1.441, de 2014, o DACON foi extinto relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2014. Tal extinção é aplicável, também, aos casos de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total que ocorreram a partir de 1o de janeiro de 2014. No entanto, permaneceu obrigatória a entrega do DACON para fatos geradores ocorridos até 31/12/2013. Assim, se a Recorrente deixou de apurar créditos pretensamente admissíveis no tempo correto, ou os apurou em montante menor, poderia realizar a correção a posteriori. Entretanto, deveria obrigatoriamente providenciar as retificações do seu Demonstrativo de Apuração das Contribuições (DACON) e das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) referentes aos respectivos meses, pois seria com base nesses elementos que se tomaria conhecimento do que a própria contribuinte informou e declarou como débito a recolher, servindo, inclusive, como controle da administração fazendária e confissão de dívida para fins de cobrança tributária. Por sua vez, a mera alegação da existência dos créditos não assegura que não tenham sido descontados anteriormente. Assim o entendimento da administração fazendária é de que o Contribuinte deveria providenciar as retificações do seu Demonstrativo de Apuração da Contribuições (DACON) e das correspondentes Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) para que se pudesse informar à administração fazendária a existência de créditos extemporâneos. Ocorre que como isso não ocorreu, ou seja, o contribuinte não fez as retificações de DACON e DCTF, fica a questão se faz ou não faz jus ao crédito apurado nas contribuições para o PIS e COFINS não cumulativas no prazo de cinco anos a contar da aquisição dos insumos. A questão é que assiste razão ao fisco que é necessário não só alegar a existência de créditos, mas sim demonstrar de forma inequívoca a existência do crédito extemporâneo, daí o entendimento da necessidade das retificadoras. O próprio sítio da Receita Federal do Brasil na pergunta 60 da seção das perguntas frequentes do EFD admite ser possível requerer os créditos extemporâneos da seguinte forma: Pergunta 60. Como informar um crédito extemporâneo na EFD PIS/COFINS? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido ao prazo previsto na Instrução Normativa RFB no. 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (Cofins). (grifouse). Na decisão proferida por intermédio do Acórdão 3401001.585 do CARF, processo 13981.000257/200520, entendeuse desta forma: Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10880.726327/201161 Acórdão n.º 3301004.834 S3C3T1 Fl. 2.937 45 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. Assim, entendo que assiste razão à Recorrente em relação aos créditos extemporâneos pleiteados dentro do prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e devidamente demonstrados. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório sob litígio e homologar as compensações correspondentes nessa proporção, na seguinte forma: a) reconhecer o crédito presumido em conformidade com a interpretação trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, aplicandose as alíquotas em função dos bens produzidos, e não dos insumos adquiridos antes efetuado pela fiscalização; b) reconhecer o crédito relativo às aquisições de graxa e óleo diesel. c) relativamente aos itens sob a rubrica Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas, reconhecer o direito creditório relativamente aos seguintes bens: BALDE PP PARA BANHA, BANDEJA BRANCA B3/M4 FUNDA, BIGBAGS, CAPA PALLET PE 117X98X150 e CORDA TRANÇADA POLIPROPILENO; d) reconhecer os créditos relativos a todos os itens sob as rubricas Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento e Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. e) reconhecer os créditos extemporâneos devidamente desmonstrados, desde que pleiteados no prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte, desde que comprovado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 2937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005843/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO.
A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP.
PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA.
O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento.
VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE.
A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF.
A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INOCORRÊNCIA. Serão considerados decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de dez anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Não configurada a decadência no caso concreto. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído cote relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 58 43 /2 00 7- 74 Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 3 2 elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo com as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente o requisito da tipicidade da tributação. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. A Súmula nº 02 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 4 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10120.005592/200728, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos deste processo administrativo fiscal, em face do acórdão julgado por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Tratase de lançamento efetuado contra a empresa em epígrafe, por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, relacionado às contribuições destinadas à Seguridade Social referentes às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, à parte dos segurados empregados e às destinadas a outras entidades e fundos, lançadas na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída em obra. Uma vez constatadas as irregularidades apontadas, a autoridade lançadora, considerando que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, aferiu a base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no § 4° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3°e 6°. Assim, o critério adotado pela Fiscalização para aferição da base de cálculo foi o cálculo proporcional à área construída da obra objeto da fiscalização. A notificada apresentou defesa administrativa tempestiva, referindose aos itens do relatório fiscal da NFLD, sendo julgada improcedente a impugnação pela DRJ de origem. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, onde apresenta os seguintes argumentos: Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 5 4 (i) Requer a nulidade do Acórdão Argumenta que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa Reafirma o cerceamento de defesa, pois o fato de pessoas ligadas à impugnante terem acompanhado parte da atividade de investigação da junta fiscal, não a exime de informar, em relatório, a discriminação clara, precisa dos fatos geradores (art. 37, da lei n.8.212/91), e circunstanciada e transparente fundamentação legal, correta subsunção dos fatos à norma e lógica na apuração da base de cálculo. (iii) Contabilização por centro de custo Entende a contribuinte que a interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Aduz a contribuinte que uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente, foram, no entender da contribuinte, rebatidas em impugnação. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente, já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Sustenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. (iv) Princípio da imparcialidade Para a contribuinte resistiram, sob a complacência da DRJ de origem, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras NFLDs utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Aduz a contribuinte que os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. Questiona ela por que o órgão julgador de primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de uma vez, e o crédito lançado Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 6 5 retificado várias vezes? Responde dizendo que o órgão julgador não observa, o princípio da imparcialidade. Sustenta que a junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DRJ/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: no relatório fiscal afirmam que evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento. O registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mão de obra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação Sustenta a recorrente que o item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório. Argui a contribuinte que esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. Entende que a não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. O fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova Trata a contribuinte a previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 7 6 lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Entende que ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades Sustenta que sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição é sempre bom lembrar que todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado. (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente aduz que não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. ix) Bis in idem A contribuinte inicia com a informação de período que a obra foi executada. Após digressões, onde se comenta que a IN 03/05 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/11/1999 a 09/12/2002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". Para a contribuinte, a leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima e outros trechos do acórdão reocrrido, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. Defende que de acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF). Para ela, a primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas em NFLD's. A segunda Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 8 7 questão seria a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). Sustenta que em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores em NFLD's , todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação". A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. Destaca, ainda, que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos. Argumenta que o bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada em NFLD's (x) Notas fiscais com guias de recolhimento Aduz a contribuinte que a DRJ também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. Defende que as notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação. Argumenta ser absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. Requer a recorrente seja dado às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão de obra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 9 8 Sustenta a contribuinte que a DRJ lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. A palavra somente colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. Somente existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 Argumenta a contribuinte que de novo que há interpretação fora do texto da norma, pois m lugar algum da IN 3 está escrito que todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar. Defende que não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização, pois o tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, é bis in idem: cobrança de tributo em duplicidade. (xiii) Bitributação Argumenta a contribuinte que afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento(...)". Para ela repetese o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Aduz que, ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mão de obra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. Defende que a junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. Finaliza este tópico, argumentando que os levantamentos representados pelas NFLD somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem. (xiv) Perícia Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 10 9 Defende a recorrente que a contabilidade da empresa apor mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação Argumenta a contribuinte o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Aduz ela que deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão de obra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. A recorrente sustenta que o reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável Traz a contribuinte a alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. Para a recorrente, as deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. Chama, a contribuinte, a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra e está é a realidade dos fatos. Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornando o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. É o relatório." Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10120.005592/200728, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Martin da Silva Gesto, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.460 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1 Decadência das competências até junho/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado. Nesse sentido, a simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Rejeito a preliminar, portanto. 1.2 Perícia Nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do processo administrativo tributário. Portanto, não merece acolhimento o pleito do contribuinte. 1.3 Das inconstitucionalidades Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 12 11 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. 1.4 Nulidade do lançamento O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/ RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, lis. 98/109, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Arezzo, matricula CET é 39.380.00370/70, correspondendo a 8.712,49 m². Registrouse que por contrato de empreitada global, a responsabilidade pela execução da obra da empresa notificada é de 84%, correspondendo a 7.318,49 m². Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 13 12 contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005. Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPFF, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD – Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 14 13 c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL – Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD – Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS – Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 15 14 Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. 1.5 Nulidade da decisão de 1ª instância A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. 2. Mérito 2.1 Contabilização por centro de custo A contribuinte aduz que a interpretação dos fatos que levaram os auditoresfiscais a desconsiderarem a contabilidade da recorrente não se consubstancia em situações materiais efetivas. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 16 15 Alega que, uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente foram rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. Argumenta que a circunstância da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que lhe examinaram a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos, os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. Sustenta que os agentes do fisco afirmam relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis". Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Pois bem. Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas fiscais não contabilizadas. Ora, diante das provas colacionadas nos autos, não prospera a argumentação da recorrente, razão pela qual mantenho o entendimento da decisão de primeira instância. 2.2 Bis in idem, bitributação, imparcialidade e notas fiscais Insurgese, sob a complacência da DRJ, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 17 16 NFLD's utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. O bis in idem teria ocorrida, segundo a contribuinte, porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos, foi lançada em NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD's. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi consta nos autos planilha contendo detalhamento das notas fiscais os valores apropriados como mãodeobra empregada, conforme define a legislação previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da impugnante no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. 2.3 Ausência de motivação O item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários", não foi apreciado no voto, teria sido somente citado no relatório. Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 18 17 Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. O fundamento da obrigação da Administração motivar seus atos, dentre eles o ato de lançamento e as decisões, está previsto no art. 50 da Lei 9.784/99, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explicito, claro e congruente (§ 1°); assim como no art. 31 do Decreto 70.235/72, ignorados pelo órgão administrativo de julgamento de primeira instância apenas imbuído de preservar o lançamento fiscal, abdicandose de sua função precípua de controle da legalidade do lançamento. Passamos a análise. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da recorrente No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GI'S e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível à época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras de construção civil. As dificuldades impostas pela empresa durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autos de infração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços, bem como dos arquivos digitais. Não é difícil o entendimento que documentos como folhas de pagamento são imprescindíveis no trabalho de fiscalização das contribuições previdenciárias. Portanto, nego provimento neste tópico. 2.4 Inversão do ônus da prova Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 19 18 Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, , muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. 2.5 Aplicação retroativa da legislação Indaga quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. Inicialmente, a Lei nº 11.457, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil assim disciplinou, em seu artigo 48: Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: I pela Secretaria da Receita Previdenciária; Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 20 19 II pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos a administração das contribuições a que se refere os arts. 2° e 3° desta Lei. III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; 1V pela Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n" 03/05, vigente época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, lendo cm vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressaltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos velas autoridades administrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto Os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedecêlos. No caso sob analise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. 0 lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização na medida em que, ao promover o lançamento tributário em relação ao cálculo da remuneração paga à mãodeobra utilizada na construção da. obra objeto da notificação, valeuse dos critérios instituídos pela Instrução Normativa n° 03, de 2005, vigente no momento do lançamento. Nesse sentido, todos os requisitos e condições presentes no referido ato normativo foram obedecidos, bem como deveriam ter sido observados pela recorrente. 2.6 Não aplicação do art. 448, inciso I da IN nº 03/2005 Afirma que a dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é numerus clausus. Vejamos o que diz o inciso I do artigo 448 da IN 03 de 2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 21 20 I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Como a recorrente repisa as mesma alegações da impugnação, não trazendo nenhum novo elemento, peço vênia para transcrever excerto da decisão a quo, adotando como razão de decidir: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos A obra, de acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRF nº 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, em relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentido, considerando que as NFLD que se referem a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte. Pelas razões encimadas, nego provimento neste tocante. 2.7 Aplicação do art. 474 da IN 03/2005 A contribuinte, mais uma vez, repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Portanto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas a seguir: Quanto à aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 03/2005, estes devem ser compreendidos em harmonia com o restante da normalização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a copia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; as referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente As contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 22 21 2.8 Excesso de exação A contribuinte relata que o excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Diz que A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mãodeobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos foram efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as incongruências resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DRJ de origem. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § 1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 23 22 precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, em tópico encimado, concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. 2.9 Retificações Requer, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Pois bem. Conforme informação fiscal as autoridades fiscais realizaram a conferencia de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Alem disso, também foi aplicado o instituto da decadência quinquenal, conforme determinado na última diligencia, tendo sido realizada nova apuração dos débitos previdenciários, de acordo com a informação prestada aos autos. Dessa forma, considerouse como base de cálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços), tendo sido todos os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capitulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da informação fiscal prestada pela autoridade lançadora, observase que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo cm vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Como pode ser observado nas planilhas anexadas aos autos, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10120.005843/200774 Acórdão n.º 2202004.466 S2C2T2 Fl. 24 23 sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também foram consideradas as notas fiscais, a partir da competência 09/2002, desacompanhadas das MP's dos prestadores, conforme exige o inciso 11 do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que mio tocante aos valores relacionados em planilha elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as MP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's. Foram aplicados os percentuais de redução de 50%, tendo em vista a recorrente ter apresentado parcialmente os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Portanto, sem razão a contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2091DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001145/2007-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004
MULTA DE MORA. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF E NÃO PAGO OU PAGO A DESTEMPO.
Não se considera espontânea a denúncia relativa a tributo declarado em DCTF, se não pago ou pago a destempo.
Numero da decisão: 1302-000.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-31T18:52:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2702745_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-31T18:52:52Z; Last-Modified: 2011-01-31T18:52:52Z; dcterms:modified: 2011-01-31T18:52:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2702745_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:c85cc860-1fde-42ac-83bc-a178b3ed4610; Last-Save-Date: 2011-01-31T18:52:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-31T18:52:52Z; meta:save-date: 2011-01-31T18:52:52Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2702745_0.doc; modified: 2011-01-31T18:52:52Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-31T18:52:52Z; created: 2011-01-31T18:52:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-01-31T18:52:52Z; pdf:charsPerPage: 1457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-31T18:52:52Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 130 1 129 S1-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.001145/2007-21 Recurso nº 505.445 Voluntário Acórdão nº 1302-00.438 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de dezembro de 2010 Matéria MULTA DE MORA Recorrente MONCORVO COM LOCAÇÃO PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA DE MORA. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF E NÃO PAGO OU PAGO A DESTEMPO. Não se considera espontânea a denúncia relativa a tributo declarado em DCTF, se não pago ou pago a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vice-presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Trata-se de Auto de Infração eletrônico decorrente de processamento de DCTF referente aos 1 o e 2o trimestres de 2004, exigindo crédito tributário de R$ 4.398,52, a título de multa de mora (fls. 22/28). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do Auto de Infração, o lançamento decorreu de "PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO APÓS O VENCIMENTO, COM FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de mora e/ou Juros de mora parcial ou total)...", relativo a recolhimento de IRPJ (fl. 23). Inconformada, a contribuinte apresentou peça de impugnação à fls. 01/10, onde alega, em síntese, que a atuada, tão logo tomou conhecimento dos débitos em aberto, realizou a denúncia espontânea, na medida em que reconheceu suas dívidas e providenciou o recolhimento dos valores devidos, devidamente acrescidos dos juros de mora, conforme comprovam os DARF's por ela anexados (fls. 108/109). Dessa forma, alega que tal exigência não pode prevalecer, visto que realizado o pagamento, restou afastada a penalidade pela denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Juntou à colação diversos posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais nesse sentido. Por fim, requer seja declarada a insubsistência da autuação fiscal, com o seu respectivo arquivamento. A 2ª Turma da DRJ/JFA, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, julgar procedente o lançamento, por entender o colegiado, segundo o voto condutor do acórdão, que a aplicação do art. 138 do CTN não afasta a incidência de multas moratórias, porquanto não se caracterizam como sanção, tendo efeito meramente compensatório. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que a multa moratória tem caráter sancionatório, devendo ser excluída, se reconhecida a denúncia espontânea, a qual obriga tão somente ao pagamento do tributo acrescido dos juros de mora. Acosta jurisprudência do CARF e do TRF-1. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10640.001145/2007-21 Acórdão n.º 1302-00.438 S1-C3T2 Fl. 131 3 O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. O lançamento objeto dos presentes autos decorre de tributo regulamente declarado em DCTF, mas pago sem o acréscimo de multa de mora. Independentemente do mérito sobre a natureza jurídica da multa de mora, se ato de sanção ou de caráter meramente compensatório, a questão vertente encontrou pacificação no Superior Tribunal de Justiça, o qual possui a prerrogativa constitucional de interpretar a lei federal em último grau de jurisdição, e, portanto, resolver a questão com definitividade (art. 105, III, CF/88). Assim, por meio da Súmula nº 360, entendeu aquela Corte Superior que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Desta forma, embora não tenha caráter vinculante, é certo seu conteúdo limita a satisfação jurisdicional obtenível relativa à questão, sabendo-se que o interesse em desconstituir o lançamento não deverá lograr sucesso junto ao Poder Judiciário. A possibilidade do Poder Executivo desconstituir decisão final administrativa foi rechaçada por unanimidade no julgamento do MS nº 8810/DF, pela 1ª Seção do STJ, cujo acórdão seguiu assim ementado: ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA – CONSELHO DE CONTRIBUINTES - DECISÃO IRRECORRIDA – RECURSO HIERÁRQUICO – CONTROLE MINISTERIAL – ERRO DE HERMENÊUTICA. I - A competência ministerial para controlar os atos da administração pressupõe a existência de algo descontrolado, não incide nas hipóteses em que o órgão controlado se conteve no âmbito de sua competência e do devido processo legal. II - O controle do Ministro da Fazenda (Arts. 19 e 20 do DL 200/67)sobre os acórdãos dos conselhos de contribuintes tem como escopo e limite o reparo de nulidades. Não é lícito ao Ministro cassar tais decisões, sob o argumento de que o colegiado errou na interpretação da Lei. III – As decisões do conselho de contribuintes, quando não recorridas, tornam-se definitivas, cumprindo à Administração, de ofício, “exonerar o sujeito passivo “dos gravames decorrentes do litígio” (Dec. 70.235/72, Art. 45). IV – Ao dar curso a apelo contra decisão definitiva de conselho de contribuintes, o Ministro da Fazenda põe em risco direito líquido e certo do beneficiário da decisão recorrida. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 Sendo esta Corte Administrativa vinculada ao Poder Executivo, o qual, por sua vez, encontra-se jungido à decisão administrativa final por aquela proferida, é de se concluir pela impossibilidade de concessão na via administrativa de tutela que seria negada na via judicial, sendo forçoso concluir que o contrário permitiria ao contribuinte obter, junto a Órgão do Poder Executivo, decisão favorável, definitiva, e contrária a que obteria no Poder Judiciário, o qual nem mesmo chegaria a se manifestar no caso concreto. Tal situação deve ser evitada por ferir a independência deste último Poder (art. 2º, CF). Neste sentido, acolho a Súmula STJ nº 360, entendendo correta a autuação. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o lançamento efetuado. Sala das Sessões, 16 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 31/01/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/02/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 19515.001690/2004-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCEDIMENTO INSTAURADO NA PENDÊNCIA DE SOLUÇÃO DE PROCESSO DE CONSULTA FORMULADA PELO SUJEITO PASSIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A formulação de consulta pelo sujeito passivo não tem o condão de suspender a exigibilidade dos tributos devidos, pois visa tão somente a proteger o consulente da imposição de penalidades enquanto a dúvida quanto à correta aplicação da legislação tributária, não é devidamente dirimida pelo Fisco. A declaração de ineficácia da consulta formulada pela autoridade consultada pelo não preenchimento aos seus requisitos, nos termos do art. 52 do Decreto nº 70.235/1972, dado o seu caráter meramente declaratório, tem efeito ex tunc, ou seja, extirpa quaisquer efeitos no mundo jurídico. Inocorrência de nulidade do lançamento.
IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. FATO GERADOR X PERÍODO DE APURAÇÃO.
O fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins é complexivo, iniciando-se no primeiro dia de cada período de apuração e abrange todas as incidências de omissão de receitas que correspondem aos pagamentos efetuados no transcurso do período definido em lei para a apuração da ocorrência do fato gerador. Não há qualquer defeito no lançamento que apura as diferenças dos tributos lançados, uma vez respeitados os respectivos períodos de apuração (mensal ou trimestral, conforme o caso), e apurando o quantum devido ,nos termos previstos na legislação de regência.
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA EM AÇÃO FISCAL NO EXERCÍCIO ANTERIOR. LIMITE PARA OPÇÃO. INCLUSÃO NO CÁLCULO.
Constatada a omissão de receita em ação fiscal, esta passa a compor a receita bruta total e portanto o limite para a opção pelo lucro presumido. Ultrapassado o limite legal para a autuação pelo lucro presumido, correta a autuação pelo lucro arbitrado, não tendo sido possível apurar as diferenças devidas pelo lucro real.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de infrações apuradas em decorrência de apuração de omissão de receitas e do arbitramento de lucros levados a efeito para a apuração do IRPJ, mantida aquela exigência, idêntica decisão deve ser aplicada àquelas contribuições.
Numero da decisão: 1302-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrente AÇOS TREFITA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCEDIMENTO INSTAURADO NA PENDÊNCIA DE SOLUÇÃO DE PROCESSO DE CONSULTA FORMULADA PELO SUJEITO PASSIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A formulação de consulta pelo sujeito passivo não tem o condão de suspender a exigibilidade dos tributos devidos, pois visa tão somente a proteger o consulente da imposição de penalidades enquanto a dúvida quanto à correta aplicação da legislação tributária, não é devidamente dirimida pelo Fisco. A declaração de ineficácia da consulta formulada pela autoridade consultada pelo não preenchimento aos seus requisitos, nos termos do art. 52 do Decreto nº 70.235/1972, dado o seu caráter meramente declaratório, tem efeito ex tunc, ou seja, extirpa quaisquer efeitos no mundo jurídico. Inocorrência de nulidade do lançamento. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. FATO GERADOR X PERÍODO DE APURAÇÃO. O fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins é complexivo, iniciandose no primeiro dia de cada período de apuração e abrange todas as incidências de omissão de receitas que correspondem aos pagamentos efetuados no transcurso do período definido em lei para a apuração da ocorrência do fato gerador. Não há qualquer defeito no lançamento que apura as diferenças dos tributos lançados, uma vez respeitados os respectivos períodos de apuração (mensal ou trimestral, conforme o caso), e apurando o quantum devido ,nos termos previstos na legislação de regência. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA EM AÇÃO FISCAL NO EXERCÍCIO ANTERIOR. LIMITE PARA OPÇÃO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 90 /2 00 4- 84 Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.664 2 Constatada a omissão de receita em ação fiscal, esta passa a compor a receita bruta total e portanto o limite para a opção pelo lucro presumido. Ultrapassado o limite legal para a autuação pelo lucro presumido, correta a autuação pelo lucro arbitrado, não tendo sido possível apurar as diferenças devidas pelo lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de infrações apuradas em decorrência de apuração de omissão de receitas e do arbitramento de lucros levados a efeito para a apuração do IRPJ, mantida aquela exigência, idêntica decisão deve ser aplicada àquelas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da autuação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.665 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1613.886, proferido pela 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (SPOI), em 26 de junho de 2007, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora recorrente, em face de autos de infração lavrados para a constituição de créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS, e Cofins, conforme consubstanciado na seguinte ementa, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CONSULTA INEFICAZ. EFEITOS. A consulta ineficaz não produz quaisquer efeitos, não gerando direitos em favor do contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ sendo complexivo se inicia no primeiro dia de cada trimestre e abrange todas as incidências de omissão de receitas que correspondem aos pagamentos efetuados no transcurso de cada trimestre. LUCRO PRESUMIDO. LIMITE. Constatada a omissão de receita em ação fiscal, esta passa a compor a receita bruta total e portanto o limite para a opção pelo lucro presumido. Ultrapassado o limite legal para a autuação pelo lucro presumido, correta a autuação pelo lucro arbitrado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. A procedência do lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ implica a manutenção das exigências fiscais dele decorrentes. Por bem descrever o feito até a presente data, transcrevo excertos do relatório do acórdão recorrido que descrevem a matéria objeto da autuação e apresenta as razões da impugnação apresentada pelo contribuinte, verbis: Conforme o Termo de Constatação Fiscal de fls. 2347/2351, a ação fiscal iniciouse em decorrência de Representação Fiscal do Sr. Inspetor da Receita Federal de São Paulo, datada de 29/01/2004, formalizada no PAF nº 10314.000597/200444, para auditoria de compras possivelmente não contabilizadas nos períodos de 1999 a 2003. Os fornecedores indicados na Representação Fiscal foram as empresas Aços Vilares S/A, CNPJ 60.664.810/000174 e Gerdau S/A, CNPJ 33.611.500/000119. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.666 4 Foram intimadas, por meio de MPF Extensivo, a apresentar a relação de todas as notas ficais e entre outros dados as datas de pagamentos de suas vendas para a empresa Aços Trefita Ltda. As empresas intimadas apresentaram os demonstrativos devidamente assinados que acusavam as datas e valores pagos nas compras efetuadas. Com esses documentos em mãos, a fiscalização iniciou a conferência no Livro Registro de Entradas nº 06, registrado na JUCESP sob o nº 220691, em 18/12/2002. No exame, foi constatado que várias notas fiscais das empresas Aços Vilares S/A e Gerdau S/A não estavam registradas no Livro Registro de Entradas nº 06 e o livro Caixa não estava acusando os seus pagamentos. Foi solicitado as referidas empresas fornecedoras da Aços Trefita Ltda. que enviassem cópias autenticadas de todas as notas fiscais cuja relação consta anexa ao termo de fls. 2347/2351. Após nova conferência das referidas notas, foi apurado com base nelas a matéria tributável do IPRJ e reflexos, por entender a fiscalização que a autuada regularmente intimada deixou de comprovar a origem dos recursos dos pagamentos nas aquisições de mercadorias para revenda. A falta de comprovação da origem dos recursos dos pagamentos ensejou a presunção de omissão de receitas consoante o art. 40 da Lei nº 9.430/1995. Esclareceu o autuante que para os anoscalendário 2002 e 2003, pelo fato de a soma da Receita Declarada nas respectivas DIPJ acrescida da Omissão de Receita apurada na ação fiscal, ter ultrapassado os limites estabelecidos na legislação para a tributação com base no Lucro Presumido, para esses anos calendário procedeu ao arbitramento do lucro. O contribuinte foi cientificado nos próprios autos de infração, em 02/09/2004, e apresentou em 28/09/2004, a impugnação de fls. 2427/2433 com as seguintes alegações: Preliminar a fiscalização não teria observado o art. 48, do Decreto nº 70.235/72, pois o contribuinte teria protocolizado, em 12/03/2004, antes do início do procedimento de diligência datado de 17/03/2004 e de fiscalização de 16/04/2004, consultas (docs. de nºs 01 a 04) que versariam sobre a orientação de regularização das matérias objeto dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; os processos de consultas, que objetivariam saber sobre a espontaneidade e recolhimento dos tributos sem a multa de mora receberam os seguintes números: IRPJ ..............................10314.001356/200412 CSLL.............................10314.001352/200434 COFINS........................10314.001354/200423 PIS................................10314.001355/200478; até a data da entrega da impugnação o contribuinte não teria recebido nenhuma resposta sobre a matéria consultada; Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.667 5 as referidas consultas suspenderiam qualquer procedimento fiscal destinado a apuração de infrações relacionadas com a matéria consultada; a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência de decisão de primeira instância, nenhum procedimento fiscal poderia ser instaurado sobre a matéria objeto da consulta; o auto seria nulo por ferir o art. 48 do Decreto nº 70.235/72. Mérito a ocorrência do fato gerador teria sido a data dos pagamentos que seriam as mais diversas durante os meses de março de 1999 a dezembro de 2003 e não ao final de cada mês, como consta nas folhas de continuação dos autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; o erro na data da ocorrência do fato gerador acarretaria erro na base de cálculo dos referidos tributos; como conseqüência os autos seriam nulos; o contribuinte teria apurado o IRPJ nos anoscalendário de 2002 e 2003 pelo lucro presumido, a fiscalização não teria observado para esses anoscalendário o disposto pelo art. 24, da Lei nº 9.249/95. Não existiria nenhum dispositivo legal que obrigaria adicionar a receita apurada em ação fiscal à receita declarada para se verificar o limite para a opção pelo lucro presumido, seria nula a exigência nos referidos anos com base no lucro arbitrado; Intimada do acórdão recorrido em 24/08/2007 (AR, efls. 2632), a interessada apresentou recurso voluntário em 19/09/2007 (efls. 2633/2646), no qual repisa as razões trazidas na impugnação e refuta as conclusões da decisão recorrida, trazendo citações à jurisprudência administrativa e judicial e à doutrina como suporte à suas teses. Em síntese: 1 pugna pelo reconhecimento da nulidade da autuação sob a alegação de que se encontrava ao abrigo de Solução de Consulta formulada, ainda não solucionada, quando da instauração do procedimento fiscal; 2 defende o cancelamento do lançamento, com base no art. 142 do CTN, uma vez que a autoridade fiscal teria incorrido em erro na data da ocorrência dos fatos geradores e, portanto, erro nas bases de cálculo dos tributos lançados; e 3 sustenta que os lucros relativos aos períodos de apuração de 2002 e 2003 não poderiam ter sido arbitrados, uma vez que não existiria suporte legal para a inclusão das receitas omitidas junto com as receitas declaradas com vistas à apuração do limite para a opção pelo lucro presumido, de modo que a atuação desses períodos deveria ter sido feita nesse regime, por ela adotado, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. Neste último ponto, no qual questiona o arbitramento do lucro levado a efeito pela autoridade fiscal nos anos 2002 e 2003, a recorrente inova em relação aos argumentos de mérito trazidos na impugnação. Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.668 6 Desta feita aduz uma segunda alegação no sentido de que faltaria base legal, para a inclusão das receitas omitidas apuradas por presunção pela autoridade fiscal, juntamente com as receitas declaradas, no montante da "receita conhecida" utilizado para a apuração do lucro arbitrado, em face do que dispõe o art. 51 da Lei 8.981/1995. Ao final, requer que seja dado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.669 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim dele conheço. 1 Da alegação de nulidade da autuação A recorrente requer o reconhecimento da nulidade da autuação sob a alegação de que se encontrava ao abrigo de Solução de Consulta formulada, ainda não solucionada, quando da instauração do procedimento fiscal, o que contrariaria o disposto no art. 48 do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe, verbis: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. O acórdão recorrido rejeitou a preliminar suscitada, nestes termos: A impugnante argüiu, em preliminar, que improcederia a ação fiscal, em vista de ter apresentado, anteriormente, perante a Receita Federal, consultas nos autos dos PAF 10314.001356/200412, 10314.001352/200434, 10314.001354/200423, 10314.001355/200478, com o objetivo de saber sobre a espontaneidade e recolhimento dos tributos sem a multa de mora, e que não teria recebido, até a data da entrega da impugnação, nenhuma resposta sobre a matéria consultada. O sistema de controle processual da RFB, COMPROT, cujos relatórios foram juntados em fls. 2476/2479, informa que os referidos processos, no decorrer do ano calendário de 2005, foram encaminhados para o Arquivo Geral da GRASP, denotando terem sido concluídas as referidas consultas e sido cientificado o contribuinte. Foram solicitadas e obtidas cópias dos Despachos Decisórios da SRRF08/DISIT, exarados nos autos dos referidos processos, que foram juntadas em fls. 2480/2487. Os referidos despachos foram assim ementados: É ineficaz a consulta que não identifique o dispositivo da legislação tributária sobre o qual haja dúvida referindose a fato genérico. Quanto à supra mencionada preliminar, ou seja, impossibilidade de instauração de procedimento de ofício pela existência dos referidos processos de consulta cabe esclarecer que não há que se falar em efeitos da consulta fiscal, muito Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.670 8 menos em nulidade do lançamento em tela, haja vista que a consulta ineficaz não produz efeitos, não gerando nenhum direito ao contribuinte. Corroborando o entendimento exposto, em 24 de julho de 1998, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, visando esclarecer o tema em questão consulta declarada ineficaz , exarou o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG no 45, cuja conclusão, em suma, foi de que: “24. [...]. Salientese, por fim, que, a despeito da autuação ter ocorrido antes da declaração de ineficácia à consulta, tal fato não encontra vedação na legislação tributária, pois a decisão na consulta tem caráter meramente declaratório, ou seja, se declarada ineficaz, isto significa que a consulta não produz qualquer efeito: é como se nunca tivesse existido.” Pelo então exposto, não há falarse em desobediência ao disposto pelo art. 48, do Decreto nº 70.235/72, e rejeitarse a preliminar de nulidade argüida pelo contribuinte. A recorrente refutou as conclusões do acórdão recorrido, verbis: [...] Data máxima vênia. o entendimento alcançado pelo órgão julgador de primeiro grau não está correto. não espelhando a melhor interpretação para o dispositivo legal aplicado Art. 48. do Decreto n° 70.235, de 1972 e artigo 161 do CTN. Não existe qualquer indicação nesse sentido. Observese. pelos incisos I e II do artigo 48 do PAF. que a limitação de lançamento tributário pelo Fisco permanece em vigor desde o momento da apresentação (protocolização) da consulta. até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso: II de decisão de segunda instância. Nada, absolutamente nada. foi dito sobre a não aplicação das limitações indicadas no caput do art. 48 quando a consulta é considerada ineficaz. As limitações impostas ao Fisco, por determinação expressa do art.48 do Decreto n°. 70.235/72 são pertinentes, pois que o procedimento fiscal instaurado contra o contribuinte que está com processo de consulta junto ao órgão competente, vem a caracterizar com certeza. preterição de seu direito à ampla defesa, pois que o resultado da consulta pode ser fundamental sobre a matéria objeto do procedimento. Com efeito, o lançamento tributário envolvendo matéria submetida a processo de consulta. enquanto não ocorridas as hipóteses estabelecidas nos inciso l e ll. do art. 48. do Decreto n°. 70.235/72, configura nulidade por preterição do direito de defesa do sujeito passivo. E a limitação do Fisco ocorre, certamente, mesmo que a Consulta venha a ser considerada ineficaz pois que não existe qualquer determinação legal em contrário. A matéria já conta com jurisprudência assentada no âmbito dos EE, Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes. valendo reprisar as Ementas seguintes: [...] Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.671 9 Muitos outros arestos poderiam ainda ser aqui citados. em socorro da tese defendida pela Recorrente. a respeito da nulidade, “ab initio”. do procedimento fiscal em comento. Para concluir o raciocínio em tomo da preliminar de nulidade supra. é fato incontroverso que à época dos lançamentos tributários de que se trata estava em curso um processo de consulta iniciado pela Autuada e ora Recorrente. exatamente sobre a matéria objeto da referida exação fiscal. Outro fato de suma importância é que o artigo 48 da Lei 9.430/96 processo de regulamentou o consulta no âmbito da Receita Federal do Brasil, "in verbis" : [...] Os senhores Conselheiros podem constatar que o Contribuinte não tem muito o que fazer quando a autoridade entende que a consulta é ineficaz. mesmo que não concorde. Assim, o Contribuinte fica a mercê do entendimento da autoridade administrativa. No caso em questão, o procedimento correto seria a autoridade fiscalizadora procurar saber se o fiscalizado estava sob efeito de consulta sobre a matéria objeto do procedimento fiscal e comunicar sua chefia imediata, para que tomasse as providências em apressar a solução da consulta. Aceitando a tese da autoridade julgadora “a quo” criase um fato novo: lavra o auto de infração e o julgamento do mesmo fica “suspenso” até decisão da consulta. Caso ela seja favorável ao contribuinte o auto é cancelado caso contrário não. Em nosso ordenamento jurídico não existe esta pretensa “suspensão” praticada pela autoridade “a quo". É muito interessante que as autoridades que analisam a CONSULTA e a IMPUGNAÇÃO pertencem ao mesmo Órgão SRFB, podendo criar esta pretensa “suspensão” enquanto aguarda a decisão da consulta. Senhores Conselheiros. apesar da legislação vigente ser cristalina e a vasta jurisprudência deste Conselho ser unânime sobre o argüido. a autoridade “a quo" não tomou conhecimento da preliminar infringindo o principio da legalidade. Por todo exposto. requer seja declarado “nulo o auto de infração” ab initio”, com base no direito vigente. Com efeito pelo que se depreende dos autos, a recorrente havia formulado quatro consultas à RFB, que se encontravam pendentes de solução por ocasião da instauração do procedimento fiscal. O teor de tais consultas é relatado nos despachos decisórios que declararam sua ineficácia, exarados pela SRRF/08/Disit (efls. 2598 a 2613), verbis: Tratase de consulta protocolizada em 12/03/2004, efetuada por pessoa jurídica, cujo ramo de atividade e o comércio atacadista de aços para fins industriais. 2. Informa por intermédio de seu representante legal que a empresa foi intimada pela SRF a prestar esclarecimentos conforme documento GRURED n° 490, datado de 25/07/2003. Aduz ainda que. posteriormente. recebeu uma nova intimação GRURED n° 521. datada de 05/08/2003. na qual lhe é solicitada a apresentação de documentos de importação, notas fiscais. livros de entradas e inventário etc., tendo os mesmos sido entregues sob protocolo em 13/08/2003. 3. A consulente relata que ao realizar a revisão das DIPJ dos anos calendários de 1999, 2000. 2001, 2002 e 2003, constatou a presença de erros na base Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.672 10 de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) que redundou em insuficiência de pagamento. 4. Diante de tais fatos a consulente indaga sobre a possibilidade de apresentar novas declarações do IRPJ e DC'I`F´s, visando a retificar as anteriormente apresentadas. Questiona outrossim sobre a possibilidade de efetuar o pagamento das diferenças apuradas sem a multa moratória. 5. O pedido vem acompanhado de arrazoado no qual a consulente invoca a espontaneidade tendo por fundamento os artigos 138 e 210 do CI'N; o artigo 5° e parágrafo único e artigo 7°, § 2°. do Decreto 70.235/ l972. Ao apreciar a consulta, a autoridade responsável pela sua solução considerou que não foram atendidos os requisitos previstos na legislação e declarou a ineficácia da mesma, verbis: [...] 8. Com base nos dispositivos anteriormente citados, dessumese que a consulta sobre legislação tributária federal é aplicável a fato determinado. devendo a petição do interessado expor minuciosamente a hipótese consultada, bem como os fatos concretos a que visa atingir. A propósito. orienta o Parecer Normativo CST n° 342/1970 (DOU de 22/10/1970) que, para produzir efeitos. a consulta deve conter uma exposição detalhada e completa dos fatos enfrentados pelo contribuinte. devidamente correlacionada ao direito que lhes seja aplicável, ou seja, aos dispositivos da legislação tributária que os regem, e cuja correta interpretação, conforme adotada pela Secretaria da Receita Federal, deseja obter. Assim, não basta indicar um fato e indagar qual a repercussão que o mesmo poderá provocar em confronto com a legislação de um determinado tributo, é necessário que o interessado examine a questão em face do preceito legal que lhe é pertinente. 9. Fazse necessário consignar que a postulação em apreço não atende a tal requisito, pois a consulente não indica, em nenhum momento, os dispositivos da legislação tributária que ensejaram a sua dúvida, na forma determinada pelo art. 3°, § 1°, incisos III e IV, da Instrução Normativa SRF nº 230/2002. 10. A consulente reconhece por fruto de sua própria constatação, ser devedora do fisco por erros cometidos na apuração da base de cálculo do tributo. Não informa, contudo, a natureza do erro cometido e o dispositivo da legislação tributária a ele relacionado, de forma a apresentar uma dúvida convenientemente delimitada a ser apreciada pela Administração. Ao mencionar simplesmente erro na base de cálculo, a consulente relata o fato de forma imprecisa, pois a base de cálculo do IRPJ reflete a somatória do conjunto das transações realizadas pela consulente. 11. A análise individualizada das transações, que repercutem na composição do valor da base de cálculo. advinda do confronto com toda a legislação do tributo, demandaria uma explicação didática exaustiva sobre as várias hipóteses possíveis de erros, propósito para o qual o instituto da consulta não se presta. 12. Quanto ao pagamento dos tributos devidos sem as penalidades cabíveis informamos não restar dúvida, uma vez que a matéria relativa à incidência dos acréscimos legais foi disciplinada pelo artigo 61 da Lei n° 9.430 de 27/12/1996 “ in verbis": [...] Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.673 11 13. Diante do exposto. tendo em vista que o presente pleito foi efetuado com inobservância das disposições contidas na Instrução Normativa SRF n° 230/2002. mais precisamente em relação aos incisos I, II, IX e XI de seu art. 15. declarase INEFICAZ a consulta, não podendo a mesma produzir efeitos. 14. Na forma do disposto no artigo 48 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os processos administrativos de Consulta são solucionados em instância única. Assim, do presente Despacho Declaratório de Ineficácia. não cabe recurso de oficio ou voluntário e nem pedido de reconsideração. Examinando a situação, em que pese que a literalidade do art. 48 do Decreto 70.235/1972 pareça favorecer à tese da recorrente, penso que este não pode ser examinado sem considerar o que dispõe o art. 52 do mesmo diploma, verbis: Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: I em desacordo com os artigos 46 e 47; II por quem tiver sido intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; III por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada; IV quando o fato já houver sido objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte o consulente; V quando o fato estiver disciplinado em ato normativo, publicado antes de sua apresentação; VI quando o fato estiver definido ou declarado em disposição literal de lei; VII quando o fato for definido como crime ou contravenção penal; VIII quando não descrever, completa ou exatamente, a hipótese a que se referir, ou não contiver os elementos necessários à sua solução salvo se a inexatidão ou omissão for escusável, a critério da autoridade julgadora. Ora, quando tal dispositivo determina a ausência de efeitos à consulta, nas situações que específica, não faz qualquer restrição quanto ao alcance da sua ineficácia, abarcando, por certo, inclusive aos efeitos assegurados no art. 48 do mesmo diploma. Notese que ao considerar a consulta ineficaz a autoridade consultada o faz em caráter declaratório, ou seja ex tunc extirpando quaisquer efeitos no mundo jurídico, de modo que não há que se inquinar de nulidade o auto de infração lavrado. Em que pese a recorrente tenha trazido à colação alguns julgados deste tribunal administrativo no sentido de sua tese, colhese da jurisprudência mais recente, diversos julgados que afastam a alegação de nulidade do ato de lançamento realizado ante à declaração de ineficácia da consulta, verbis: Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.674 12 PROCESSUAL LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO EFETUADO NO CURSO DE PROCESSO DE CONSULTA FORMULADA PELO SUJEITO PASSIVO NÃO SOLUCIONADA PRELIMINAR DE NULIDADE. Se a consulta foi declarada ineficaz, ou seja, não produziu o efeito desejado, não há o que se falar na garantia prevista no citado art. 48, porque este somente teria eficácia, se não houvesse ocorrido qualquer das hipóteses previstas no art. 52, do referido Decreto 70.235/72. Preliminar afastada. (Acórdão nº 30236941, 06/07/2005, 2ª C/3ºCC) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CONSULTA INEFICAZ. Não há impedimento para lavratura do Auto de Infração quando a consulta formulada pela contribuinte é declarada ineficaz, vez que esta não produz efeitos. (Acórdão nº 3202000.397, de 21/11/2011, 2ª TO/2ªC/3ª SEÇÃO/CARF) CONSULTA INEFICAZ. Não produz efeitos a consulta em que não são atendidos os requisitos legais para a sua formulação. (Acórdão nº 3802004.287, de 19/03/2015, 2ª TE/3ª SEÇÃO/CARF) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exigese, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Demonstrado que a consulta ineficaz não tem o condão de obstar o lançamento de ofício, a exigência fiscal não padece de nulidade por ter o sujeito passivo formulado indigitada consulta antes do início do procedimento de ofício. (Acórdão nº 9303002.624015, de 12/11/2013, 3ª Turma/CSRF) Não me parece que possa existir outra possibilidade de aplicar o art. 52 do Decreto nº 70.235/1972, sob pena de subverterse a própria finalidade do processo de consulta, pois, se assim não fosse, bastaria ao contribuinte, para se proteger de qualquer ação do Fisco, efetuar questionamentos sobre quaisquer fatos tributáveis, plenamente definidos na legislação apenas com o fito de criar um escudo, uma barreira inexpugnável, ainda que temporária, para se furtar ao cumprimento de suas obrigações fiscais. É óbvio que num caso isolado, bastaria ao Fisco ter suficiente agilidade na solução da consulta para derrubar a barreira, mas imaginese tal efeito com uma avalanche de consultas de muitos contribuintes, sabedores que estariam amparados por esta proteção. O caso em apreço, tal o teor da citada consulta, aproximase muito da situação imaginada acima. Senão vejamos: O contribuinte apresentou quatro consultas idênticas, uma para cada tributo federal, informando que apurou a existência de erro em cinco exercícios consecutivos (1999 a 2003) nas quais singelamente questiona 1 se é possível retificar suas declarações; e 2 se pode recolher as eventuais diferenças devidas sem multa. Ora, além da vagueza dos fatos por ela relatado, como bem apontado nas soluções de consulta, as supostas dúvidas são cristalinamente definidas na legislação ordinária Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.675 13 e normativa dos tributos mencionados, inexistindo qualquer traço de dúvida para a sua correta aplicação. E, mais, notese que a própria consulente, ora recorrente, afirmava ser devedora dos tributos que adviriam das divergências encontradas nas apurações anteriores. Então, bastaria recolhêlos, aplicandose, se fosse o caso, o instituto da denúncia espontânea, ainda que sujeita a eventuais entendimentos divergentes do Fisco. Embora seja óbvio, vale ressaltar que a possibilidade de realização de consulta, prevista na legislação, não tem o condão de suspender a exigibilidade dos tributos devidos, mas tão somente a proteger o consulente da imposição de penalidades enquanto a dúvida quanto à correta aplicação da legislação tributária, não é devidamente dirimida pelo Fisco. É esta a inteligência correta do disposto no art. 48 do Decreto nº 70.235/1972. E com esta análise, não se está pretendendo, é bom que se registre, discutir o teor e a validade das consultas apresentadas, posto que já solucionadas pelo órgão competente, mas tão somente demonstrar a incongruência da interpretação defendida pela recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. 2. Da alegação de erro na apuração do período de apuração A recorrente alega que a autoridade fiscal teria incorrido em erro na data da ocorrência dos fatos geradores e, portanto, erro nas bases de cálculo dos tributos lançados, para defender o cancelamento do lançamento, com base no art. 142 do CTN. A questão foi bem enfrentada no acórdão recorrido, verbis: No mérito, a questão central desta autuação se refere às datas dos pagamentos e as datas dos fatos geradores. A respeito da base de cálculo e da determinação do período de apuração do IRPJ, assim dispõe ao art. 1º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Sendo assim o fato do gerador do IRPJ é complexivo e se inicia no primeiro dia de cada trimestre e abrange todas as incidências de omissão de receitas que correspondem aos pagamentos efetuados, vindo a se aperfeiçoar no último dia de cada trimestre. Portanto, correto o procedimento da fiscalização. Não há qualquer reparo a ser feito às conclusões do acórdão recorrido. Não há qualquer defeito no lançamento ao apurar as diferenças dos tributos lançados, tendo sido respeitados os respectivos períodos de apuração (mensal ou trimestral, conforme o caso), apurandose o quantum devido nos termos previstos na legislação de regência. Assim, rejeito também a alegação. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.676 14 3. Do arbitramento do lucro nos anoscalendário 2002 e 2003. A recorrente contesta o arbitramento dos lucros relativos aos períodos de apuração de 2002 e 2003, uma vez que não existiria suporte legal para a inclusão das receitas omitidas junto com as receitas declaradas com vistas à apuração do limite para a opção pelo lucro presumido, de modo que a atuação desses períodos deveria ter sido feita nesse regime, por ela adotado, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. O acórdão recorrido assim se pronunciou sobre a alegação: Quanto à autorização para a opção pelo lucro presumido, o art. 516 do RIR/1999 estatui que: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). Consta no Termo de Constatação Fiscal (fls. 2350), a apuração das seguintes receitas: ANO DIPJ+TOTAL OMITIDO (R$) LIMITE (R$) 2001 29.632.011,25 24.000.000,00 2002 41.196.220,83 24.000.000,00 2003 59.229.915,85 48.000.000,00 Os limites foram duplicados pela Lei nº 10.637/02, passando a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2003. Sendo assim, constatada a omissão de receita, esta passa a compor a receita bruta total e portanto o limite para a opção pelo lucro presumido. Correto, pois, o entendimento da fiscalização ao apurar o IRPJ nos anoscalendário de 2002 e 2003 pelo lucro arbitrado, pois o contribuinte nos anos anteriores (2001 e 2002) se não tivesse omitido receitas, estaria obrigado à apuração do IRPJ pelo Lucro Real, pois superado o limite para a tributação pelo Lucro Presumido, estando certa a apuração pelo lucro arbitrado no auto de infração. Com efeito, não tem razão a recorrente. O art. 24 da Lei nº 9.249/1995 tão somente determina que seja acrescida à base de cálculo apurada pelo sujeito passivo, o valor da omissão de receitas apurada pelo Fisco, de acordo com o regime de tributação adotado pela pessoa jurídica. Evidentemente, se o contribuinte opta por um regime de apuração que lhe é vedado, cabe ao Fisco apurar os montantes devidos pelo regime de apuração cabível. Não sendo possível apurar as diferenças pelo lucro real é cabível o arbitramento do lucro. No caso concreto, o Fisco identificou a ocorrência de omissão de receitas nos anos de 2001 e 2002 que, somadas às receitas declaradas, ultrapassaram o limite anual previsto na lei para a opção pelo lucro presumido nos anos subsequentes (2002 e 2003). Assim, não sendo possível apurar as diferenças devidas pelo lucro real, revelase correto o arbitramento dos lucros nos anoscalendário 2002 e 2003. Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 19515.001690/200484 Acórdão n.º 1302002.909 S1C3T2 Fl. 2.677 15 Assim, não há como acatar esta alegação da recorrente. A recorrente, no entanto, inova em suas alegações recursais, trazendo um outro argumento no sentido de que faltaria base legal, para a inclusão das receitas omitidas apuradas por presunção pela autoridade fiscal, juntamente com as receitas declaradas, no montante da "receita conhecida" utilizado para a apuração do lucro arbitrado, em face do que dispõe o art. 51 da Lei 8.981/1995. Tratase, à toda evidência, de matéria nova, que não constou da impugnação da recorrente, estando precluso o seu direito de trazêla no âmbito recursal, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, voto no sentido de não conhecer desta alegação. 4. Lançamentos reflexos: CSLL, PIS e Cofins Com relação às exigências da CSLL, PIS e a Cofins, tratandose de infrações apuradas em decorrência de apuração de omissão de receitas e do arbitramento de lucros levados a efeito para a apuração do IRPJ, mantida aquela exigência, idêntica decisão deve ser aplicada àquelas contribuições. 5. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 2677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720272/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014
DECADÊNCIA. IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO E ANUAL.
O fato gerador do IRPF é complexivo e anual, se completando em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas.
ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Toda a tese desenvolvida pela Fiscalização, desde a motivação inicial, passando pelo desenvolvimento da ação fiscal - intimações, depoimentos e diligências - e sua conclusão, foi apreciada de forma bastante aprofundada pelo acórdão recorrido, fazendo com que os pontos destacados pelo autuado fossem, pela fundamentação do julgado, absorvidos de forma lógica e, em última análise, enfrentados.
AUTUADO PRESO. INTIMAÇÃO PESSOAL. DESNECESSIDADE.
Não há imposição legal a que se promova a intimação pessoal de autuado preso, sobretudo se regularmente exerceu seu direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS.
Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anos-calendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada.
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco Federal valer-se de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer.
CONDENAÇÃO PENAL. REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA.
A sentença penal não repercute na exigência tributária, que tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtar-se à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei.
GANHO DE CAPITAL. ESCRITURA DE COMPRA E VENDA. FATO GERADOR.
A alienação configura hipótese de incidência tributária do IRPF sobre ganho de capital, sendo irrelevante o fato de não haver registro no cartório de imóveis.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador.
Numero da decisão: 2402-006.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, indeferir os pedidos de diligência e de suspensão do processo administrativo e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o conselheiros Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini que votaram por pelo aproveitamento, de ofício, do Imposto de Renda Retido na Fonte destacado na DIRF.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO E ANUAL. O fato gerador do IRPF é complexivo e anual, se completando em 31 de dezembro de cada anocalendário. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Toda a tese desenvolvida pela Fiscalização, desde a motivação inicial, passando pelo desenvolvimento da ação fiscal intimações, depoimentos e diligências e sua conclusão, foi apreciada de forma bastante aprofundada pelo acórdão recorrido, fazendo com que os pontos destacados pelo autuado fossem, pela fundamentação do julgado, absorvidos de forma lógica e, em última análise, enfrentados. AUTUADO PRESO. INTIMAÇÃO PESSOAL. DESNECESSIDADE. Não há imposição legal a que se promova a intimação pessoal de autuado preso, sobretudo se regularmente exerceu seu direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 72 /2 01 5- 84 Fl. 1420DF CARF MF 2 É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. CONDENAÇÃO PENAL. REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA. A sentença penal não repercute na exigência tributária, que tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. GANHO DE CAPITAL. ESCRITURA DE COMPRA E VENDA. FATO GERADOR. A alienação configura hipótese de incidência tributária do IRPF sobre ganho de capital, sendo irrelevante o fato de não haver registro no cartório de imóveis. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, indeferir os pedidos de diligência e de suspensão do processo administrativo e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o conselheiros Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini que votaram por pelo aproveitamento, de ofício, do Imposto de Renda Retido na Fonte destacado na DIRF. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. Relatório Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 3 3 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para constituição de IRPF no valor principal de R$ 1.596.924,78, acrescido da multa de ofício e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Omissão de Rendimentos do Trabalho COM vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica exercício 2015 multa de oficio em 75%; 2 Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica exercícios 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015 multa de oficio em 150%; 3 Ganhos de Capital na alienação de Bens e Direitos Omissão de ganho de capital na alienação de bens imóveis adquiridos em Reais multa de oficio em 75%. Para o relato dos fatos constatados pela Fiscalização, sirvome de parte do relatório da Resolução de fls. 1383/1385. Fl. 1422DF CARF MF 4 Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 4 5 Fl. 1424DF CARF MF 6 Regulamente intimado da autuação, apresentou Impugnação, que, como já dito, foi julgada procedente em parte pela competente Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Em seu Recurso Voluntário de fls. 1.342/1372 aduz, em síntese: 1 Nulidade da intimação acerca do acórdão recorrido, na medida em que, segundo alega, a intimação do autuado deveria ter sido pessoal, eis que estaria preso no Complexo MédicoPenal do Paraná, cerceando, desta feita, seu direito de defesa. 2 Nulidade do acórdão recorrido, por suposta ausência de apreciação de pontos suscitados na Impugnação. a) Insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em face do recorrente; b) Ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao contribuinte; Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 5 7 c) Nulidade do auto de infração por deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal; d) Violação ao art. 42, § 50, da Lei no 9.430/96; e) Inexistência de identificação do recorrente como sujeito passivo dos rendimentos auferidos pelas empresas Limiar e LSI; e f) Incorreta apuração da matéria tributável. Pontos alegadamente essenciais e que teriam sido apenas tangenciados no acórdão de piso: a) Da inexistência de provas idôneas de que as empresas Limiar e LSI não prestaram serviços; b) Inexistência de prova da relação entre as empresas Limiar e LSI e a empresa Borghi Lowe Propaganda e Marketing Ltda; c) Inexistência de recebimentos da empresa IT7 Sistemas Ltda. e ausência de prova quanto às declarações do Sr. Alberto Youssef; d) Inexistência de correspondência entre as Declarações Anuais de Ajuste e depósitos bancários do em favor do recorrente e a suposta existência de outras origens de receitas; e) Inocorrência de fato gerador; f) Bis in idem; e g) Não incidência de tributo como forma de sanção de ato ilícito. Que o acórdão deveria enfrentar ponto a ponto a Impugnação, tais como a ausência de intimação em violação ao artigo 42, § 5º da Lei 9.430/96 (e Súmula CARF nº 29) e inexistência de identificação do recorrente como sujeito passivo dos rendimentos auferidos pelas empresas LIMIAR e LSI e a incorreta apuração da matéria tributável. 3 Nulidade do acórdão recorrido, por suposto cerceamento de defesa quando do indeferimento do pedido de produção de provas. 4 Decadência parcial do crédito tributário. 5 Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal. Que os MPF/TDPF não indicaram os terceiros que também foram fiscalizados. Que houve a ampliação do período fiscalizado, sem que o autuado tivesse tomado ciência. Que parte das diligências se deu em outro Estado, sem a prévia autorização do Cofis. Assim, teria havido violação ao princípio da legalidade. Fl. 1426DF CARF MF 8 6 Nulidade do Auto de Infração Insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em face do recorrente e ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao impugnante. Que a ação teria iniciado para verificar a regularidade dos valores informados como isento na DAA, em função da distribuição de lucros na empresa LIMIAR. E, em seguida, passaram a concluir que tanto a LIMIAR, quanto a LSI, cujos sócios são o contribuinte e seus irmãos, haviam recebido remuneração por serviços prestados a idênticas tomadoras de serviços. 7 Nulidade do Auto de Infração Há um "vazio" entre o fato objeto da fiscalização do qual o contribuinte foi intimado (DAAs) e os fatos que foram efetivamente fiscalizados (recebimentos de serviços prestados pelas empresas Limiar e LSI). Que após a Fiscalização concluir que o autuado seria o contribuinte direito das receitas advindas da prestação de serviços da LIMIAR e LSI, deveria têlo intimado a prestar esclarecimentos, como lá sugerido em seu recurso voluntário. 8 Inexistência de provas hábeis suficientes a comprovar a suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O recorrente jamais recebeu os mencionados valores das referidas fontes. As "provas" que fundamentam a conclusão exarada são imprestáveis à comprovação da ocorrência do fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas por parte do recorrente, nos termos do art. 142, do CTN. Além de as auditoras fiscais terem utilizado exclusivamente a prova testemunhal, fizeram a "seleção" de quais oitivas e declarações de testemunhas interessavam ao fim de imputar, ao recorrente, infrações à legislação tributária, desconsiderando as provas documentais em sentido contrário às oitivas selecionadas. Que as auditoras fiscais simplesmente afastaram as declarações e documentos — notas fiscais, comprovantes de pagamento, contratos de prestação de serviços — em sentido contrário ao que pretendiam demonstrar nos autos. Que especificamente quanto à empresa Borgui Lowe, afastaram a declaração e documentos acostados pelo sócio da empresa, porque tiveram conhecimento pela "mídia nacional" de que o diretor da empresa, Sr. Ricardo Hoffman, teria declarado o repasse de valores às empresas Limiar e LSI. Assim, notícia veiculada na imprensa nacional afastou a declaração da empresa constante dos autos, acompanhada de documentação idônea, sendo que não há sequer a fonte da notícia que foi transcrita. Que tal "prova" não é legal, não está prevista como meio adequado à demonstração de fatos, assim como não é moralmente legítima, uma vez que se transcreve trecho aleatório, pinçado seletivamente, sem indicação da fonte. Que as provas inexistiram no caso dos autos, pois: a) Os extratos bancários do recorrente e suas DAA não atestam qualquer omissão de rendimentos ou saldo patrimonial a descoberto; b) Não consta a juntada dos extratos bancários, livros contábeis, declarações fiscais das empresas Limiar e LSI; c) Não constam as notas fiscais de serviços prestados pela empresa (apenas o rol constante em planilha acostada sem nenhuma formalidade); Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 6 9 d) Não há documentação hábil (recibo, nota fiscal, cheque, extrato bancário) vinculada aos supostos recebimentos de valores pelo recorrente das empresas Limiar e LSI. 9 Nulidade do auto de infração por deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal. Que haveria ausência da objetiva subsunção do fato à norma e de específica tipificação do fato tributado. 10 Inexistência de identificação válida do sujeito passivo. Que a fim de atribuir os rendimentos por estas auferidos ao recorrente, noutro lado afirma que não houve desconsideração da personalidade jurídica, sendo considerada a existência lícita da pessoa jurídica, razão pela qual não poderia modificar a titularidade dos recolhimentos da pessoa jurídica. Que quanto a LIMIAR, o recorrente poderia ser responsabilizado, por sucessão, por eventuais débitos em nome da empresa, constituídos após sua extinção; Já com relação a LSI, com a qual o contribuinte não mantém qualquer vínculo, não poderia ser responsabilizado por qualquer débitos eventualmente constituídos sobre ela. Que o recorrente foi qualificado como contribuinte das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sem qualquer Termo de Sujeição Passiva lavrado para caracterizar a responsabilidade pelo crédito tributário. Que não seria hipótese de solidariedade prevista no artigo 121, tampouco no 124, ambos do CTN. Da mesma forma, incabível a responsabilização à luz do artigo 135, III do CTN, qualquer infração ao contrato social ou à lei por parte do recorrente. 11 Da inexistência de demonstração do efetivo acréscimo patrimonial do recorrente em relação aos rendimentos das empresas Limiar e LSI em relação. Violação ao art. 42, § 50, da Lei no 9.430/96 e ao artigo 43, do Código Tributário Nacional. Que se afirma que todos os recebimentos pelas empresas Limiar e LSI são de fato receitas auferidas pelo recorrente, mas não se identificou nenhuma disponibilidade por parte deste em relação às respectivas quantias. 12 correta apuração da matéria tributável. Que houve a exigência do valor total das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sem dedução de despesas escrituradas e tributos recolhidos, o que resulta em obrigação tributária dúplice e confiscatória, pois se exige, em duplicidade, valores já recolhidos pelas empresas e em importância muito superior ao que efetivamente foi aferido, já que para cada prestação de serviços há as despesas correspondentes, as quais não foram deduzidas. Que o acórdão seria contraditório, pois afirma que "não tem como considerar como doações porque ficou caracterizado o caráter remuneratório dos recebimentos (art. 55, X, RIR/99)"; todavia, a própria acusação fiscal afirma que restou descaracterizada a prestação de serviços. Fl. 1428DF CARF MF 10 13 Não incidência de tributo como forma de sanção de ato ilícito. Da necessária suspensão do processo administrativo fiscal até o julgamento definitivo da ação penal. Que sendo o fato gerador decorrente do resultado do ilícito penal, é absolutamente ilegal que seja o acréscimo patrimonial vultuosamente superior ao próprio proveito econômico resultante do ilícito penal. 14 XIV. Omissão de rendimentos do trabalho. Que a multa de 75% relativa ao exercício 2015 deve ser anulada, pois estaria preso desde 10.04.2015. 15 Infração: ganho de capital. Que com relação ao imóvel situado em Ibiporã/PR, não teria havido o fato gerador da alienação, uma vez que a operação não foi registrada na matrícula do imóvel e que o mesmo teria sido objeto de posterior seqüestro judicial. 16 Juros e Multas aplicadas. Quanto à aplicação da multa qualificada de 150% em relação à suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, não haveria prova nos autos das supostas omissões de rendimentos. Ao final, requereu a suspensão dos autos até o transito em julgado das ações penais ajuizadas em face do recorrente, conforme requerido no item XIII; o atendimento aos pedidos de diligências já constantes da impugnação, assim como que seja diligenciado junto ao Complexo Médico Penal, a fim de aferir as condições de acesso à informações pelo recorrente, como exemplo o recebimento de correspondências e acesso à internet. Na Sessão de 21.09.2016, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem atendidos os pontos a seguir: Em atendimento à Diligência, a fiscalização produziu a Informação Fiscal de fls. 1.393/1.404. É o relatório. Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 11.04.2016 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 11.05.2016. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Antes de passar à análise propriamente dita do recurso, cumpre destacar o requerimento acostado às fls. 1.419, no sentido de que fosse suspenso o processo, até a decisão definitiva no processo penal, eis que estaria, em função de estar preso, sem uma defesa no processo. O fato de estar preso, em especial pelo extenso, abrange e tempestivo Recurso Voluntário apresentado, não é questão prejudicial ao prosseguimento do julgamento administrativo, posto que os interesses que se busca tutelar difere aqui, do de lá, tampouco haveria a possibilidade de que, uma vez prosseguindo o julgamento, estarseia cerceando seu direito à defesa. Com efeito, encaminho pelo prosseguindo do julgamento. Das preliminares: De nulidade do lançamento: Alega o contribuinte vícios e desconhecimento nas alterações no MPF/TDPF, que, por si só, teriam maculados, definitivamente, o procedimento fiscal. Quanto a esse ponto, cumpre destacar que o MPF e, posteriormente, o TDPF são instrumentos de mero controle administrativo, não protraindo efeitos no que toca à legalidade da constituição do crédito tributário. Nesse mesmo sentido caminha a Jurisprudência deste Colegiado: Acórdão 3201003.145 Sessão de 25.09.2017 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Ainda com relação a este tópico, compartilho do assentado no acórdão recorrido, tanto no que se refere à extensão dos Procedimentos de Diligência em outro Estado, quanto à amplitude do período fiscalizado. Confirase: O TDPF que controlou o procedimento fiscal em análise permaneceu com o mesmo número do MPF emitido e mesmo código de acesso (fls. 1.308/1.309), nele constando suas prorrogações e alterações, inclusive a efetuada em Fl. 1430DF CARF MF 12 20/04/2015, que incluiu para serem fiscalizados os anos calendário 2013 e 2014. Deve ser salientado também que foi cumprido o disposto no art. 5º, § 2º da Portaria nº 1.687/2014, que estabelece que a ampliação do período a ser fiscalizado, registrada no TDPF, deve ser consignada no primeiro termo de ofício emitido pelo AuditorFiscal após a alteração, o que foi efetuado no Termo de Intimação Fiscal emitido em 20/04/2015, recebido pelo impugnante em 22/04/2015 (fls. 172/176). Os diversos procedimentos fiscais constantes do processo, que foram realizados pelas AuditorasFiscais da DRF Londrina que lavraram o Auto de Infração, fora de sua Região Fiscal, foram os “de diligência”, para coletar informações, e não “de fiscalização”, não sendo necessária, portanto, a prévia autorização disciplinada no art. 7º da Portaria. Em prosseguimento, desta feita no que diz respeito ao lançamento em si, sustenta o recorrente: Que haveria insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em face do recorrente e ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao impugnante Que a ação teria iniciado para verificar a regularidade dos valores informados como isento na DAA, em função da distribuição de lucros na empresa LIMIAR. E, em seguida, passaram a concluir que tanto a LIMIAR, quanto a LSI, cujos sócios são o contribuinte e seus irmãos, haviam recebido remuneração por serviços prestados a idênticas tomadoras de serviços. Que haveria um "vazio" entre o fato objeto da fiscalização do qual o contribuinte foi intimado (DAAs) e os fatos que foram efetivamente fiscalizados (recebimentos de serviços prestados pelas empresas Limiar e LSI). Que após a Fiscalização concluir que o autuado seria o contribuinte direto das receitas advindas da prestação de serviços da LIMIAR e LSI, deveria têlo intimado a prestar esclarecimentos, como lá sugerido em seu recurso voluntário. Que haveria deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal. As hipóteses de nulidade, aí incluídas as do lançamento, são aquelas textualmente previstas no artigo 59 do Decreto 70.235/72, somadas aos casos de omissão de qualquer dos elementos listados no artigo 10 daquele mesmo diploma. São eles: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 8 13 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Ademais, a prévia intimação do contribuinte não é, à exceção dos casos exigidos em lei, imprescindível à lavratura do auto. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46: "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." O Auto de Infração e o correspondente Termo de Verificação de Ação Fiscal de fls. 2/24 são suficientemente claros ao descrever a infração imputada ao recorrente, o que se confirma pela abrangente e extensa peça impugnatória com 26 laudas. Definitivamente se defendeu o autuado. Apenas a título de registro, não raras as vezes a ação fiscal se inicia com um propósito específico e, a depender das informações prestadas pelo fiscalizado ou por terceiros, é concluída com a identificação de infrações outras que não as que foram inicialmente programadas. É dizer: por vezes a realidade fática, verificada no curso da ação fiscal, não coincide com a expectativa que se tinha antes de o início do procedimento. Esse, sim, é o papel da Auditoria Fiscal conformar a expectativa à realidade fática. Ao trazer como razão de recurso a inobservância à Súmula CARF nº 29, equivocase o autuado ao pretender fazer crer que teria sido autuado em função de depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Li 9.430/96). Não foi o caso. A menção aos valores depositados na conta de sua dependente, em especial os diversos depósitos em dinheiro, teve com condão robustecer a assertiva de que os valores que, em tese, seriam devidos às empresas LIMIAR e LSI, os eram, em verdade, ao autuado. Alega ainda o suplicante, que parte dos créditos tributários teria sido atingida pela decadência. À luz do lançamento, pôdese notar que a competência mais remota recai no anocalendário 2010, mais precisamente, no dia 31.12.2010, posto tratarse omissão de rendimentos levados ao ajuste anual e a ciência do lançamento deuse em 17.08.2015 (fls. 1.263). Posto isso, seja qual for a sistemática que deva ser adotada, se a do §4º do artigo 150 (31.12.2015) ou a do 173, I (31.12.2016), ambos do CTN, temse que os créditos tributários estão a salvo da decadência. Por fim, não há que se falar que a tributação pretendida pela Fiscalização tenha natureza de sanção pela prática de ato ilícito. Esta se dará, se for o caso, na seara criminal. O que se tem aqui é a percepção de que o autuado aferiu renda tributável e não a ofereceu à tributação em violação à legislação tributária. Nesse sentido, ainda que os fundamentos e as conclusões tomadas no âmbito penal possam coincidir com os de aqui, não quer dizer, necessariamente, que se deva suspender Fl. 1432DF CARF MF 14 a tramitação do processo fiscal até o julgamento definitivo da ação penal. Esta não é, a meu ver, questão prejudicial àquela. Uma vez que os elementos trazidos aos autos o conjunto indiciário são capazes de formar, acima de qualquer dúvida razoável, a convicção do julgador administrativo acerca da ocorrência do fato gerador e da identificação do correspondente contribuinte, imperioso o prosseguimento do julgamento, observado o rito próprio a ele aplicado. Indefiro, desta feita, o pleito de suspensão aduzido pelo autuado. De nulidade do acórdão recorrido: A primeira alegação diz respeito à suposta ausência de apreciação de pontos suscitados na impugnação e de pontos que teriam sido apenas tangenciados no acórdão. Quanto aos que não teriam sido apreciados, elenca: a) Insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em face do recorrente; b) Ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao contribuinte; c) Nulidade do auto de infração por deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal; d) Violação ao art. 42, § 5º, da Lei no 9.430/96; e) Inexistência de identificação do recorrente como sujeito passivo dos rendimentos auferidos pelas empresas Limiar e LSI; e f) Incorreta apuração da matéria tributável. Inicialmente cumpre destacar que o julgador não precisa enfrentar todos os pontos questionados pelo impugnante, se já formou seu convencimento por meio das questões mais essenciais trazidas no recurso, desde que tais questões sejam fundamentais para o julgamento da lide e a falta de discussão de outros pontos não permita violação ao direito de defesa da empresa. Como relatado acima, a Fiscalização imputou ao recorrente rendimentos (sua omissão) provenientes de pessoas jurídicas que seriam devidos, quis fazer crer o autuado, a empresas sem capacidade operacional. Toda a tese desenvolvida pela Fiscalização, desde a motivação inicial, passando pelo desenvolvimento da ação fiscal intimações, depoimentos e diligências e sua conclusão, foi apreciada de forma, a meu ver, bastante aprofundada pelo acórdão recorrido, fazendo com que os pontos destacados pelo autuado fossem, pela fundamentação do julgado, absorvidos de forma lógica e, em última análise, enfrentados. Em outras palavras: as conclusões do relator, que externaram sua convicção, acabaram, ainda que por decorrência lógica, por rechaçar as alegações do contribuinte. A título de exemplo, reproduzo excerto daquele acórdão: Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 9 15 Além de tais diligências, outro elemento formador de convicção é a documentação apreendida na residência do contribuinte pela Polícia Federal em 10/04/2015, na 11ª fase da Operação Lava Jato, que tem como objetivo apurar esquema de lavagem de dinheiro, consistindo em planilhas contendo número de notas fiscais, datas, nome dos contratantes e respectivos CNPJ, bem assim valores pagos às empresas Limiar e LSI, o que demonstra o envolvimento e interesse do contribuinte em seu recebimento e administração. Evidenciado que não houve a efetiva prestação de serviços por parte das empresas Limiar e LSI, concluise que as mesmas foram constituídas para dar aparência de legalidade a recebimentos de origem e natureza desconhecidas, que o autuado não teria como comprovar se os tributasse em sua pessoa física, no total de R$ 4.304.559,26 nos anos calendário 2010 a 2014. O farto conjunto probatório anexado aos autos demonstra que, por intermédio de operações simuladas, houve aquisição de disponibilidade econômica e/ou financeira de renda pelo autuado, sendo, em conseqüência, fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Na seqüência de seu recurso, o autuado sustenta a nulidade do acórdão recorrido, por suposto cerceamento de defesa quando do indeferimento do pedido de produção de provas. Não assiste razão ao recorrente. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a produção de prova tem, como momento oportuno e peremptório, o da apresentação da impugnação, ressalvadas situações previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, verbis: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Por outro lado, a realização de diligências ou perícias são determinadas, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando o julgador entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Com efeito, assim se pronunciou o julgador de piso para indeferir o pedido de diligências e perícia contábil: Fl. 1434DF CARF MF 16 Quanto ao pedido do interessado de que fossem juntadas declarações e cadastros, assim como de realização de perícia contábil, cabe esclarecer que diligências ou perícias adicionais são desnecessárias, pois se encontram presentes circunstâncias fáticas das infrações à legislação tributária suficientemente caracterizadas e legalmente tipificadas na peça de autuação. As provas acostadas nos autos reputamse aptas a formar a convicção do julgador, assim,. diligências ou perícias apenas procrastinariam a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica De nulidade da intimação do acórdão recorrido: Diligentemente, sustenta a nulidade da intimação acerca do acórdão recorrido, na medida em que, segundo alega, a intimação do autuado deveria ter sido pessoal, eis que estaria preso no Complexo MédicoPenal do Paraná, cerceando, desta feita, seu direito de defesa. Ora, não há qualquer previsão no artigo 23 do Decreto 70.235/72 que excetue a intimação do sujeito passivo pelo fato de estar encarcerado. No caso em tela, a intimação, ao que tudo indica às 1.335, foi encaminhada ao domicílio tributário do autuado, que foi regularmente lá recebida em 11.04.2016, com substancial recurso apresentado tempestivamente e por ele assinado. Do mérito: Da omissão de rendimentos sem vínculo empregatício: Superadas as preliminares, passo a analisar o mérito. Interpostas Pessoas LSI e LIMIAR: Com já posto alhures, o lançamento, naquilo que se aplica à infração de omissão de rendimentos de pessoa jurídica, concluiu, após diversas diligências, oitivas e análise documental, por atribuir ao recorrente Deputado Federal à época do procedimento fiscal a condição de contribuinte, e não de responsável, pelos rendimentos supostamente percebidos pelas empresas LIMIAR e LSI, o que afastaria a aplicação dos artigos 121, II e 135, ambos do CTN. Após o encerramento do procedimento fiscal, o recorrente teve cassado seu mandato por quebra de decoro parlamentar. E, ainda neste ano, conforme amplamente noticiado, teve uma condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro mantida em segunda instancia (TRF4), com pena de aproximadamente 14 anos de reclusão. 1 Quanto à primeira empresa, temse o autuado como sócio; quanto à segunda, apurouse um liame entre ambos, em função objetivamente de apresentar como sócio dois irmãos do autuado e da farta documentação apreendida pela Polícia Federal em sua residência em 10.04.2015, que fez demonstrar a administração e controle das operações lá reveladas. 1 https://g1.globo.com/rs/riograndedosul/noticia/tribunalfederalconfirmacondenacaodoexdeputadofederal andrevargas.ghtml Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 10 17 Dentre os documentos apreendidos, consoante registrado pelo Fisco, estavam planilhas contendo número de notas fiscais, datas, nomes dos contratantes e respectivos CNPJ, bem como valores pagos às referidas empresas. Cumpre destacar, no que toca ao compartilhamento de informações/documentos relacionados ao recorrente e às empresas citadas no relatório fiscal, que a Receita Federal, por meio de seus Agentes Fiscais, integra, juntamente com o MPF e PF, uma Força Tarefa destinada à apuração dos ilícitos penais e tributários no âmbito da Operação LavaJato. Em termo de enquadramento legal, trago à colação os artigos a seguir, extraídos do RIR/99. Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância. Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Art. 55. São também tributáveis: (...) IX a multa ou qualquer outra vantagem recebida de pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato, ressalvado o disposto no art. 39, XX; X os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem; Fl. 1436DF CARF MF 18 XI os interesses e quaisquer outros rendimentos de partes beneficiárias ou de fundador e de outros títulos semelhantes; XII o valor do resgate dos títulos a que se refere o inciso anterior, quando recebidos gratuitamente; Percebese dos dispositivos acima, a abrangência do conceito de renda para fins de tributação. Vale dizer: é a disponibilidade jurídica ou econômica de todo e qualquer produto do capital e do trabalho, independentemente de sua denominação, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Incluemse aí os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem. Notese que para fins de incidência não se faz necessário o recebimento em espécie da renda (disponibilidade econômica), bastando que sobre ela possua disponibilidade jurídica, assim entendida a possibilidade de dela dispor da forma que melhor lhe aprouver. Assim, pouco importa para se determinar aquele que aferiu a renda, a destinação que de forma livre e consciente decidiu dar ao recurso ou ao proveito; se doou, se adquiriu bens, se repartiu com outrem ou mesmo se o inutilizou. Não interessa. E tal circunstância, a meu ver, afigurase solidamente evidenciada, seja por estar revestido de inegável poder e prestigio decorrente do exercício do mandato de Deputado Federal, seja por estar sob seu domínio todo o controle das operações engendradas envolvendo referidas empresas, como se observou na busca e apreensão em sua residência. Dito isso, considerando que com relação a LIMIAR, o contribuinte não era seu sócio administrador e com relação a LSI, sequer figurava formalmente como sócio, a questão que assim se pondera seria: qual a razão para se encontrar sob seu o domínio, controles relativos a "operações" envolvendo tais empresas ? Ainda com relação à LSI, registrese que a Fiscalização, após infrutíferas diligencias junto aos sócios (LEON e MILTON), irmãos do autuado, não logrou êxito na obtenção dos documentos fiscais a ela relacionados. O Sr Leon, embora intimado, não atendeu ao Fisco; enquanto o Sr Milton estaria residindo nos Estados Unidos já há algum tempo. Da mesma forma, foram infrutíferas a tentativas junto aos excontadores e exfuncionários da empresa. Note os excertos dos depoimentos a seguir: SIMONE IMAMURA EXSÓCIA. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 11 19 RODRIGO KAZUO YOSHITANI EXFUNCIONÁRIO: DANIELA TAVARES DA SILVA ANDROTTO EXFUNCIONÁRIA. ALESSANDRA GONÇALVES SASAKI EXFUNCIONÁRIA: Diferentemente do que quis fazer crer o recorrente, os valores percebidos pelas empresas acima, pretensamente a titulo de serviços prestados relacionados ao seus objetos sociais, foram a ele atribuídos não com essa mesma natureza intentada, mas em função da possível prática de atos criminalmente reprováveis. É dizer, concretamente, não em função do exercício da atividade empresarial por meio da qual pretendeu justificar aqueles ingressos e notas emitidas, mas em "retribuição" à prática de possíveis atos ilícitos apurados nos autos das Fl. 1438DF CARF MF 20 competentes Ações Penais em curso. Uma delas, inclusive, com condenação por corrupção já mantida em segunda instância de julgamento (TRF4). A documentação trazida, em especial os depoimentos colhidos e as constatações acerca da falta de capacidade técnica das empresas para a realização do respectivo objeto social, conduzme à conclusão de que os serviços que pretendeu fazer crer existir, não foram, indubitável e efetivamente, prestados. Destaquese, ademais, a assertiva da Fiscalização, não refutada pelo autuado, de que as empresas haviam sido constituídas para dar aparência de legalidade a recebimentos de recursos de origem e natureza jurídica desconhecidas. E prosseguiu a autoridade autuante ao concluir: "Ficou evidente trataremse de empresas de fachada, uma vez que essas não tinham capacidade operacional, tampouco quadro de funcionários qualificados para o desenvolvimento das atividades pretendidas por elas.". Em momento algum o autuado apresentou elementos capazes de infirmar a tal colocação. E mais, a criação de empresas com objeto social2 3praticamente voltado à execução de serviços relacionados a consultoria, assessoria e agenciamento, supostamente prestados a um mesmo grupo de contratantes, de titularidade o autuado (LIMIAR) com notória influência política à época e de seus irmãos (LIMIAR e LSI) induz à primeira impressão de que algo poderia estar sendo encoberto. A rigor são atividades que, por sua própria natureza, são adotadas para encobrir crimes de lavagem de dinheiro, advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, dentre outros. E, por óbvio, aqueles serviços lícitos não devem, sob o ponto de vista formal, ser prestado pelo agente público a quem interessa, mas sim por alguém de sua inquestionável confiança. Vejamos alguns exemplos de depoimentos/informações contundentes acerca da suposta prestação de serviços por aquelas duas empresas: CORONÁRIO EDITORA GRÁFICA LTDA (CNPJ 00.119.123/000146) 2 LIMIAR Conforme contrato social, a empresa foi constituída em 05/05/2009, tendo por objeto a prestação de serviços de consultoria e assessoria na área de comunicação; consultoria em publicidade e propaganda; design gráfico; Propaganda e publicidade; pesquisa de mercado; marketing de relacionamento; atividade de disponibilização de infraestrutura para os serviços de tratamento de dados e hospedagem da internet; organização e promoção de feiras, congressos e festas 3 LSI Conforme instrumento particular de constituição de sociedade empresária limitada de 25/07/2011 e contrato social de 21/03/2012, empresa tem por objeto análise, exame, pesquisas, compilação de informações e coletas de dados de qualquer natureza; agenciamento de publicidade e propaganda, inclusive o agenciamento de veiculação por quaisquer meios; planejamento, organização e administração de feiras, exposições, congressos e congêneres; serviços de apoio administrativos prestados principalmente a empresas; intermediação e agenciamento de negócios; atividades de ASsessoria em comunicação Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 12 21 JBS S/A (CNPJ 02.916.265/002707) SAGAZ DIGITAL PRODUÇÃO DE VÍDEOS LTDA (CNPJ 05.589.859/0001 00) Fl. 1440DF CARF MF 22 MPV7 COMERCIO E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 73.291.817/000130) CONCESSIONARIA ECOVIAS DOS IMIGRANTES S/A (CNPJ 02.509.491/000126) Assim, a existência de notas fiscais emitidas, de um ou outro contrato de prestação de serviços ou mesmo de escrita contábil/fiscal não é capaz de afastar a verdade material dos fatos então trazida a lume pela Fiscalização, sobretudo, frisase, pela coerência e Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 13 23 importância dos vários e vários depoimentos/informações que, em essência convergem para o mesmo sentido, a saber: que não teria havido prestação de serviços por tais empresas. Nesse aspecto, trago à colação o sintetizado das conclusões contundentes as que chegou a Fiscalização, a partis dos depoimentos/informações colhidos: • A falta de qualificação dos funcionários para a realização dos supostos serviços, inclusive do Sr. Leon. • Os funcionários não sabiam dizer quem eram os clientes da empresa; • Ausência de contratos de prestação de serviços, “ contratos verbais”; • Serviços não especificados; • Ausência de contatos com as empresas LIMIAR e LSI (indicavam contatos com a empresa BORGHI LOWE); • Ausência de relatórios de realização e conclusão de serviços; • Ausência de controle dos pagamentos efetuados às empresas LIMIAR e LSI, apesar dos valores expressivos, seja por troca de funcionários, seja pela quantidade de prestadores de serviços ou falta de registros contábeis; • A falta de capacidade operacional das empresas LIMIAR e LSI; • Negativa expressa de prestação de serviços a despeito do pagamento ser efetuado (CONCESSIONÁRIA ECOVIAS); • Intermediação das transações por meio da empresa BORGHI LOWE, a qual indicava as contas bancárias das empresas LIMIAR e LSI para depósitos de valores; • Notícias na mídia (sites de busca disponíveis na internet) davam conta da ligação do Sr. Ricardo Hoffman, diretor da empresa BORGHI LOWE, com o contribuinte, • E, sobretudo, a empresa BORGHI LOWE que se limitou a responder que não havia celebrado contratos com as empresas LIMIAR e LSI. O que se tem, em verdade, não é a desconsideração da personalidade jurídica daquelas duas empresas, que ao menos formalmente existiram, mas sim o reposicionamento do autuado como sujeito passivo no pólo da obrigação tributária na condição de contribuinte, em função do afastamento do ato simulado, consubstanciado na sugerida e irreal prestação de serviços pelas empresas LIMIAR e LSI. Vale dizer: foi o autuado o titular da disponibilidade, ao menos jurídica, retratada pelas notas fiscais de emissão das empresas LIMIAR e LSI. Fl. 1442DF CARF MF 24 E como bem colocado pelo acórdão recorrido...: É importante ressalvar que a tributação deve alcançar situações reais e objetivas, independentemente da forma atribuída, de modo que a capacidade contributiva revelada decorra da situação efetiva dos contribuintes, excluindose qualquer relevância à representação exterior. A simulação pretende justamente o contrário, porquanto atribui ao interposto fictício a titularidade da capacidade contributiva, quando na realidade a obtenção de riqueza é auferida pelo interponente. Com isso, o que se verifica é uma fraude à lei, com a finalidade de omitir o verdadeiro negócio jurídico, que é realizado sob a forma de um outro, ao substituir o real titular do direito por um titular aparente. Perceba que se há o entendimento de que a prova testemunhal, de per si, por vezes não é suficiente a comprovar a ocorrência do fato que se propõe evidenciar, inegável que em casos como o que se tem sob exame tal orientação deve ser relativizada. Não esperemos a apresentação de recibo em nome do autuado, de valores expressivos transitando por sua conta bancária, de operações "comerciais" diretamente por ele tratadas ou de transações bancárias por meio de cheques, TED, DOC ou de outra forma que se possa rastrear o fluxo financeiro. O que se apresenta na prática, e para isso não se pode fechar os olhos, é que o proveito e o modus operandi, em praticamente quase todos os casos bem arquitetados, não se mostra totalmente exteriorizado no patrimônio material do próprio contribuinte ou com a origem devidamente identificada, mas sim, ora em conta bancária de dependente ou de pessoa de quem detenha procuração; ora no fretamento de vôos para transporte de família4; ora a partir de vários e vários depósitos em espécie 5 em sua conta e de seu dependente; ora demonstrado por meio de aquisições com pagamento de valor expressivo em espécie e por valor superior ao declarado6; ora ainda pela justificativa de que recebera distribuição de lucros de empresa de fachada da qual seria sócio 7. E por aí vai. E por qual motivo os pagamentos teriam sido efetuados na conta das empresas e lá tributados e não na conta do próprio autuado e por ele tributado ? A razão, compartilhando da ilação fiscal, afigurame simples, qual seja: "caso o contribuinte tributasse tais recursos em sua pessoa física, ele não teria como comprovar a origem e a natureza jurídica de tais valores. Por isso, utilizouse de tal artifício." 4 Vide depoimento de MARLI DE MOURA BARBOSA fls. 51/52. 5 Vide Termo de Intimação Fiscal de fls. 172 e ss. Depósitos em espécie identificados nos extrados que eram do conhecimento da Fiscalização. 6 Fls. 59/60 Aquisição de imóvel por R$ 980.000,00, mas declarou por R$ 500.000,00. Sendo que R$ 136.074,98 teria sido pago em espécie; Fls. 60/61 Aquisição de imóvel por R$ 450.000,00, mas declarou R$ 150.000,00. Sendo que R$ 150.000,00 teria sido pago em espécie. 7 O recorrente pretendeu justificar rendimentos declarados como isentos, nos valores de R$ 160.000,00 e R$ 144.000,00, como distribuição de lucros da empresa LUMIAR, da qual seria sócio. Entretando, a Fiscalização concluiu que tratavase de empresa de "fachada". . Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 14 25 Prosseguindo, como consignado naquele relatório fiscal, foram considerados como rendimentos tributáveis os valores que constaram das notas fiscais especificadas nas planilhas de fls. 77/83, de emissão das empresas em questão, que foram apreendidas na residência do autuado. Notese que tais planilhas especificam o número, data e valor das notas fiscais, além do nome e CNPJ dos respectivos contratantes. Frisese que os valores, conforme assentaram as autuantes, foram confrontados, por amostragem, com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) entregues pelas empresas remetentes dos valores em questão nos respectivos anos calendário, com as notas fiscais apresentadas pela empresa LIMIAR, e com as repostas dos diligenciados. Registrese que, intimada, a empresa LSI não teria apresentado os documentos fiscais solicitados. Sem reparos, a meu ver, no procedimento adotado. No mesmo sentido, não assiste razão ao autuado quando alega que teria havido a exigência do valor total das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sem dedução de despesas escrituradas e tributos recolhidos, o que resulta em obrigação tributária dúplice e confiscatória, pois se exige, em duplicidade, valores já recolhidos pelas empresas e em importância muito superior ao que efetivamente foi aferido, já que para cada prestação de serviços há as despesas correspondentes, as quais não foram deduzidas. Nesse aspecto e quanto ao aproveitamento de despesas no âmbito da apuração do IRPF, tenho que a legislação não lhe socorre, na medida em que, como exaustivamente mencionado, os valores foram tributados na pessoa física, sendo certo que a apuração regese, então, segundo essa sistemática, valendose das deduções lá permitidas, o que não o autorizaria valerse de eventuais despesas típicas das atividades empresariais. Voltando, ainda, à questão atinente aos "clientes/tomadores de serviços" das empresas LIMIAR e LSI, mereceu atenção especial à "intermediações" realizadas pela BORGHI LOWE PROPAGANDA e MARKETING LTDA. À vista de alguns dos depoimentos colhidos, pôdese notar que determinadas empresas teriam efetuado transferências à LIMIAR e LSI, a partir de notas fiscais por estas emitidas, não em função de serviço por elas prestado, mas sim por orientação da administração da empresa encimada, que, em atenção à intimação fiscal, informou que não teria celebrado contrato com as empresas LIMIAR e LSI. O excerto de fls 48, extraído do relatório fiscal abaixo reproduzido, elucida o modus operandi . Confirase: Digno de nota que, conforme notícias veiculadas na imprensa nacional, em depoimento à Justiça Federal do Paraná, no dia 12/08/2015, o Sr. Ricardo Hoffman (vice presidente e diretor geral da filial Brasília da empresa BORGHI LOWE) “admitiu que coordenou repasse de dinheiro para empresas de André Vargas. Ainda conforme o Sr. Hoffman, foi o Sr. André Vargas quem o procurou pela primeira vez, para pedir doações de campanha. O Fl. 1444DF CARF MF 26 publicitário disse que levou o pedido à Presidência da BORGHI LOWE, que informou que a agência não fazia doações para partidos ou candidatos, mas que Hoffman poderia repassar para André Vargas os Bônus de Volume que até então não eram recebidos pela agência. ” Assim, depreendese dos acontecimentos, que o Sr Ricardo Hoffman rigorosamente intermediou valores que decorreriam de Bônus de Volume de sua empresa (BORGHI), que teriam sido repassados às empresas LIMIAR e LSI, a partir de notas fiscais graciosas por estas emitidas, a fim de que chegassem às mãos do autuado. O que se vislumbra, no meu sentir, é que as notas fiscais emitidas pelas empresas LIMIAR e LSI, relacionadas nas planilhas apreendidas na residência do autuado, mais do que meramente acobertar a transferência de recursos dos supostos "tomadores", prestavam a viabilizar o controle e administração, por parte do autuado, do fluxo financeiro a ele destinado, na medida em que, por vezes, aqueles que transferiram o numerário não detinha relação direta com o autuado, o que se percebeu dos depoimentos/informações colhidos. Vale frisar, que o Sr Ricardo Hoffman, da mesma forma como o autuado, teve neste ano sua condenação confirmada em segunda instancia pela prática dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro 8, consoante amplamente noticiado pela imprensa nacional. Após consulta pública ao sitio do TRF49, em especial no julgamento da apelação criminal nos autos do processo 502312147.2015.4.04.7000/PR, 10 de 31.05.2017 indicado pelo recorrente em seu recurso, extraemse as seguintes passagens, quando da análise da materialidade pelo Magistrado: Da análise dos autos, não restam dúvidas de que a Borghi Lowe Propaganda e Marketing Ltda. foi efetivamente contratada pela Caixa Econômica Federal e pelo Ministério da Saúde para a prestação de serviços de publicidade. Em 22/08/2008, a Borghi Lowe celebrou contrato com a Caixa Econômica Federal (contrato nº 4138). O valor original a ser pago pela empresa pública era de R$ 260.000.000,00 para pagamento em 12 meses; após 11 aditivos contratuais, chegou ao montante de R$ 736.704.955,54 (evento 1, CONTR69 e CONTR76, da ação penal originária). No dia 31/12/2010, a Borghi Lowe firmou contrato com o Ministério da Saúde (contrato nº 314), com pagamento de R$ 120.224.832,45 àquela empresa (evento 1, OUT12, CONTR19, OUT 27 e OUT30, da ação penal originária)." Já em 22/04/2014, novo contrato foi firmado entre Borghi Lowe e Caixa Econômica Federal (contrato nº 1027), com previsão inicial de gastos de R$ 114.866.021,59 e, após aditivos, totalizou R$ 231.567.642,02 (evento 1, CONTR70 e CONTR74, da ação penal originária). Também está comprovado que, por ordem do acusado RICARDO HOFFMANN, as empresas Enoise, Luiz Portela Produções, Conspiração 8 https://oglobo.globo.com/brasil/tribunalconfirmacondenacaodeexdeputadofederaldoptnalavajato 21420301 9 https://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&documento=8671112&termosPesquisados= 10 https://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/resultado_pesquisa.php Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 15 27 Filmes, Sagaz Digital e Zulu Filmes realizaram pagamentos em favor das empresas LSI e Limiar, sem qualquer motivo lícito que os justificasse. Depreendese, portanto, que tais empresas, além de não integrarem o grupo econômico da Borghi Lowe, possuíam existência meramente formal. Valho me das considerações tecidas na sentença a respeito: 200. A LSI Soluções em Serviços Empresariais, CNPJ 14.262.618/00021 34, iniciou as suas atividades em 19/08/2011 e está situada na Rua Afonso Celso, 1221, sala 136, Vila Mariana, São Paulo/SP. 201. O seu quadro societário é composto por Leon Denis Vargas Ilário, com 99,00 de participação desde 19/08/2011 e Milton Vargas Ilário, com participação de 1,00 desde 18/09/2013. No período compreendido entre 19/08/11 a 18/09/13, Simone Imamura, então esposa de Leon Vargas participou da sociedade com 15,00 (inf68, evento 1). 202. A Limiar Consultoria e Assessoria em Comunicação Ltda, CNPJ 10.874.328/000190, iniciou as suas atividades em 26/05/2009 e foi baixada em 19/04/2012. A sua sede era localizada na Avenida Santos Dumont, 500, sala 204, Boa Vista, Londrina/PR. Entre os anos de 2009 e 2010 ficou localizada na Rua Nicolau Maeder, 10, Alto da Glória, Curitiba/PR. 203. O quadro societário era composto por Leon Denis Vargas Ilário, com 10,00 de participação, e André Luiz Vargas Ilário, com 90,00 de participação (inf7, evento 1). 3.2.4. Frisese que, apesar de ANDRÉ VARGAS não figurar no contrato social da LSI, não restam dúvidas de que ele dela era sócio e administrador de fato, possuindo total ingerência sobre a empresa e sobre sua movimentação financeira. Senão vejamos. Inicialmente, insta destacar que o próprio RICARDO HOFFMANN afirmou em seu interrogatório que os depósitos eram feitos nas contas das empresas indicadas por ANDRÉ VARGAS, conforme se depreende dos seguintes excertos (evento 246, TERMO1): Outro indício de que ANDRÉ VARGAS era sócio e administrador de fato da LSI, bem apontado pela sentença, é a diligência fiscal encetada pela Receita Federal por meio da qual se verificou que muito embora a LSI tenha declarado a distribuição do valor de R$ 1.196.683,49 em 2012 aos sócios Leon Vargas (R$ 1.016.749,40) e Simone Imamura (R$ 179.426,43), a título de dividendos, referido numerário não circulou nas contas correntes de Leon e Simone naquele ano, havendo ambos apresentado movimentação financeira de cerca de R$ 358 mil no período (inf8, evento 1). Em outras palavras, os lucros tiveram outro destino que não as contas dos sócios formais da empresa. Fl. 1446DF CARF MF 28 Também fora encontrada na residência de ANDRÉ VARGAS uma planilha, em cujo cabeçalho consta a inscrição "LIMIAR CONSULTORIA E ASSESSORIA EM COMUNICAÇÃO LTDA.", também contendo uma relação de datas, "contratantes", respectivos CNPJ e valores, e aponta que referida empresa teria recebido, entre 10/08/2009 e 18/11/2011, um total de R$ 1.055.988,00 (evento 16, INF4, do IPL nº 500997281.2015.404.7000). Sendo assim, são suficientes os elementos dos autos para comprovar que as empresas LSI e Limiar eram mantidas por ANDRÉ VARGAS e LEON, para, por meio delas, receber recursos de origem ilícita. 3.2.5. No caso específico dos autos, essas empresas foram utilizadas para ocultar e dissimular a natureza de R$ 1.103.950,12 recebidos a título de propina pelo então Deputado Federal ANDRÉ VARGAS pela utilização de sua influência política para a contratação da Borghi Lowe em contratos de publicidade pela CEF e pelo Ministério da Saúde. Além de inexistir qualquer razão lícita para o recebimento de parte dos valores dos contratos publicitários com a CEF e o Ministério da Saúde pela LSI e pela Limiar, o conjunto de indícios existentes nos autos demonstra, acima de qualquer dúvida razoável, que RICARDO HOFFMANN ofereceu vantagem indevida ao então Deputado Federal ANDRÉ VARGAS em troca de uso de sua influência e prestígio político para a contratação da agência Borghi Lowe nos referidos contratos. Como já mencionado no tópico em que se inicia a análise do mérito, um conjunto de indícios que se conjugam e convergem para o mesmo resultado, é suficiente a justificar um juízo condenatório, porquanto tem valor jurídico assim como a prova direta. No caso dos autos, somandose (i) o fato de ANDRÉ VARGAS ter recebido dinheiro de RICARDO HOFFMANN sem qualquer outra justificativa plausível, (ii) a existência da inegável influência política do exparlamentar sobre a CEF e o Ministério da Saúde, (iii) a contratação da Borghi Lowe pelas referidas entidades, ficando tal agência com as maiores fatias dos contratos mesmo sem ter ficado em primeiro lugar nas licitações, (iv) o recebimento por RICARDO HOFFMANN de bônus milionário anual pela manutenção dos contratos com as pessoas da Administração Pública e (v) o repasse de parte do valor dos contratos a ANDRE, podese concluir com tranqüilidade pela presença do delito em questão. No caso dos autos, não se verifica qualquer contraindício a fragilizar a conclusão supramencionada. Desse modo, comprovado o oferecimento de vantagem indevida por RICARDO HOFFMANN ao então Deputado Federal ANDRÉ VARGAS em troca da utilização de sua influência política para a contratação da agência Borghi Lowe pela CEF e pelo Ministério da Saúde para a prestação de serviços publicitários, rechaçandose as teses defensivas de ausência de provas. Recebimento de numerário movimentando por meio de empresas do grupo de Alberto Youssef: Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 16 29 No que toca ao valor de R$ 1.500.000,00 recebido da empresa IT7, vale destacar que já fora objeto de diligência anteriormente determinada por este Colegiado, nos seguintes termos: Naquela oportunidade, pretendeuse, imagina este Relator, fosse trazido aos autos elementos outros que não o depoimento do Sr Alberto Youssef, com vistas a demonstrar um robusto liame entre o valor sacado e o autuado. Quanto ao item II encimado, assim se manifestou a Fiscalização: Esta informação foi extraída do Pedido de Busca e Apreensão Criminal n°501449709.2015.4.04.7000/Pr em nome do contribuinte. A referida informação foi o ponto de partida para iniciarmos as diligências relacionadas ao pagamento efetuado pela empresa 1T7 Sistemas Ltda ao contribuinte (item 11.2 do Termo de Verificação de Ação Fiscal) Quanto ao item III, da seguinte forma, após reproduzir o depoimento da Sra Marli de Moura Barbosa, fls 51 e ss: Conforme detalhado no Termo de Verificação de Ação Fiscal, foi objeto de diversas diligências fiscais a entrega de R$ 2.399.511,60 efetuada pelo Sr. Alberto Youssef ao contribuinte. As empresas ARBOR Consultoria e Assessoria Contábil Ltda e AJPP Serviços Administrativos e Educacional Ltda — ME emitiram notas fiscais em favor da empresa 1T7 Sistemas Ltda, por serviços que não foram prestados. Segundo irlformações dos sócios das empresas ARBOR e AJPP, Sra. Meire Bomfim da Silva Poza e Sr. Marcelo Ananias Notar°, respectivamente, não houve prestação dos serviços especificados nas referidas notas fiscais e o que Fl. 1448DF CARF MF 30 deu causa à transação foi a utilização de contascorrentes bancárias das empresas pelo Sr. Alberto Youssef. Disseram ainda, que a utilização dos valores foi realizada conforme orientação do Sr. Alberto Youssef. As empresas ARBOR e AJPP, na pessoa de seus sócios, apresentaram documentos que demonstravam a destinação dos recursos depositados nas contas correntes das empresas. De posse dessa documentação, efetuamos diligências em pessoas físicas/jurídicas que receberam recursos das empresas ARBOR e AJPP, conforme Termo de Verificação de Ação Fiscal. Esses recursos foram transferidos para outras empresas e devolvidos para o Sr. Alberto Youssef, o qual efetuou os pagamentos, de acordo com o estabelecido pelo Sr. Lean Vargas, irmão do contribuinte. Além do depoimento do Sr. Alberto Youssef, corroborado pela documentação colhida no curso da fiscalização (item 11.2.1 DILIGÊNCIAS RELACIONADAS ÀS EMPRESAS ARBOR E AJPP), e relatado no Termo de Verificação de Ação Fiscal, esta auditoria concluiu que, apesar do dinheiro ter sido movimentado por diversas pessoas jurídicas, no final, foi entregue ao contribuinte o valor de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) em espécie, no início do anocalendário de 2014. Sustenta a Fiscalização, a partir de depoimento prestado pela contadora do Sr Youssef, Sra Meire Bonfim, que ela teria emitido notas fiscais de suas duas empresas ARBOR, no valor de R$ 1.435.500,00 e AJPP, no de R$ 964.350,00 em favor da empresa IT7, apenas no intuito de acobertar a transferência de numerário desta última para aquelas duas, na medida em que suas empresas não teriam prestado qualquer serviço que justificasse a emissão das notas. E ainda, segundo aquela contadora, os valores que então transitaram por tais empresas, teriam como intermediário o Sr Leon, sendo entregue definitivamente para o autuado em seu apartamento funcional, seguindo orientação de seu cliente, o Sr Youssef. Corroborando o esclarecido pela contadora, o Sr Marcelo Simões, sócio da então empresa IT7, além de confirmar os valores (R$ 1.435.500,00 e R$ 964.350,00) e destinatários direitos dos recursos (ARBOR e AJPP), informou que os pagamentos foram assim efetuados a pedido do Sr Leon, eis que teria prestado serviço de identificação do valor de mercado e prospectar possíveis compradores para a IT7. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 17 31 E prossegue no depoimento, ao esclarecer a forma de pagamento daqueles R$ 2.399.511,60 às empresas da Sr Meire, a saber: 3 transferências bancárias em janeiro de 2014, de emissão da IT7. Ao final, informou conhecer o autuado apenas de passagem, por encontros em aeroportos e outros locais públicos. Na linha do fluxo financeiro, os valores ainda transitariam por outras empresas, após deixar o patrimônio das empresas da Sra Meire até chegar as mãos do autuado. E aí se torna decisivo o depoimento do Sr Youssef. Confirase: Que foi procurado por Leon Vargas para que indicasse uma forma de receber uma quantia de dinheiro. O Sr. Leon não especificou a origem deste recurso, mas disse que não queria recebêlos diretamente na sua empresa. Então, o Sr. Alberto indicou a sua contadora, Sra. Meire Poza, para criar um caminho para que o dinheiro fosse recebido por Leon Vargas, usando transações fictícias. Após os recursos passarem por estas empresas, parte do dinheiro foi sacado por Meire, em benefício do Sr. Alberto Youssef, e parte foi transferida a outras empresas, tudo com o objetivo de mascarar o recebimento dos valores por parte do contribuinte. Os recursos foram então transferidos para as empresas MERCEARIA ARAÇARI BAR E RESTAURANTE LTDA (de propriedade de uma amiga do Sr. Alberto), EXPANDIR PARTICIPAÇÕES S/A (empresa de turismo participante do grupo do Sr. Alberto), KAIZEN – COMERCIO EXTERIOR LTDA e ALTEX COMERCIAL IMPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI – EPP (com as quais o Sr. Alberto efetuou troca de reais), pois o Sr. Alberto também utilizava as contas da AJPP e Arbor para fins particulares. Posteriormente, as empresas MERCEARIA ARAÇARI, EXPANDIR, KAIZEN e ALTEX sacaram os valores de suas contas bancárias, e estas quantias foram entregues ao Sr.Alberto, o qual efetuou os pagamentos, de acordo com o estabelecido por Leon Vargas. Sendo parte destes recursos pagos diretamente pelo Sr. Alberto a André Vargas, em espécie, no apartamento funcional do então deputado, ocorrendo neste imóvel vários pagamentos, no início do ano de 2014. Relatou que no total foram repassados para André Vargas, aproximadamente, R$ 1.500.000,00 em espécie (o que corresponde a R$ 2.399.511,60 dividido por 0,8 (descontando a comissão do Sr. Alberto) menos R$ 380.000,00 entregues a um terceiro.) Fl. 1450DF CARF MF 32 Na seqüência, os valores ingressaram nas contas daquelas empresas e assim se procedeu: ALTEX: o valor de R$ 170.000,00 recebido da AJPP referese a uma Negociação para a importação de produtos, a qual não se concretizou, resultando na devolução do dinheiro. Ocorre que, essa devolução foi realizada por meio de transferências bancárias, conforme solicitação do cliente, para outras empresas, a quais eram suas credoras. Com relação ao valor de R$ 600.000,00 recebidos da empresa ARBOR, esclareceu que tal valor não decorreu de nenhuma negociação e não havia motivo algum para ser depositado em sua conta. Informou, ainda, que o crédito foi efetuado em sua conta por um equívoco, tendo devolvido, a pedido da empresa ARBOR, para contas de outras empresas. As empresas KAIZEN, EXPANDIR e MERCEARIA AÇARI não atenderam à demanda fiscal. JETCENTER AVIAÇÃO EXECUTIVA o valor recebido referese a pagamento por conta de contratação de transporte aéreo particular. A mesma fez a intermediação para o fretamento da aeronave Learjet 45, prefixo BFM. A empresa responsável pelo voo foi a ELITE AVIATION TAXI AEREO LTDA (CNPJ 11.074.327/000124), que recebeu no dia 16/01/2014, a quantia de R$ 100.547,50. O voo solicitado ocorreu no dia 03/01/2014, trajeto São Paulo (Congonhas)LondrinaJoão PessoaCongonhas. Esclareceu ainda que a JETCEN TER pagou no dia 16/01/2014 o referido valor para a empresa ELITE AVIATION. No início de fevereiro de 2014, a Sra. Marli recebeu uma ligação para receber o pagamento que lhe era devido. No dia 03/02/2014, recebeu da empresa ARBOR R$ 115.000,00. A diferença entre o valor recebido e o pagamento efetuado configurou remuneração devida pela intermediação do vôo. Após os esclarecimentos acima, aduziu a Fiscalização: "De acordo com notícias veiculadas na internet, documentos revelam que o aluguel do Learjet 45 fretado para transportar a família do contribuinte de Londrina/PR para João Pessoa/PB teria custado em torno de R$ 100.000,00. Ainda conforme as notícias, de acordo com interceptação telefônica, a Polícia Federal estabeleceu o vínculo do contribuinte com o Sr. Alberto Youssef, pois no dia 02/01/2014, véspera da viagem, o contribuinte e o Sr. Alberto trocaram vinte mensagens sobre o avião." A seqüência dos acontecimentos, valores e detalhes que aparentam sincronizados nos depoimentos prestados por pessoas que diretamente teriam participado das operações fictícias mostram, a meu ver, o acerto do procedimento fiscal neste ponto. Da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício. Quanto à matéria em destaque, aduz que a multa de 75% relativa ao exercício 2015 deve ser anulada, pois estaria preso desde 10.04.2015. O lançamento foi perfectibilizado em 17.08.2015, após o prazo para o pagamento do IR devido para o exercício 2015. A multa em tela foi aplicada à luz do artigo 44, I, da Lei 9.430/96, em função da falta de pagamento e de declaração do imposto. Assim, o fato de estar preso, sobretudo por não se tratar de um ato de natureza personalíssimo, não teria o condão de impedir o adimplemento da obrigação. Do ganho de capital. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 11634.720272/201584 Acórdão n.º 2402006.544 S2C4T2 Fl. 18 33 Que com relação ao imóvel situado em Ibiporã/PR, não teria havido o fato gerador da alienação, uma vez que a operação não foi registrada na matrícula do imóvel e que o mesmo teria sido objeto de posterior seqüestro judicial. Neste ponto, valhose do assentado no acórdão recolhido. Vejase: As provas trazidas aos fatos demonstram com segurança a ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Pela simples leitura da norma acima, percebese que a alienação de imóvel configura hipótese de incidência tributária. Assim, tornase irrelevante o registro de sequestro do imóvel efetuado na matrícula do imóvel determinado pela Justiça Federal do Paraná (fls. 112), pois, conforme a regra acima, a alienação comprovada pela Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 115/118 e sua quitação configuram o ganho de capital. O sequestro do bem não tem o condão de alterar o fato gerador, pois já incidira a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, na forma do artigo 114 do CTN. Por força do artigo 117, inciso II, do CTN, o ato ou negócio jurídico de alienação do imóvel reputase perfeito e acabado, para os efeitos fiscais, a partir da data do instrumento particular ou público de promessa de compra e venda celebrado entre as partes. O registro no Cartório de Registro de Imóveis disposto no artigo 1.417 do Código referese tão somente a condição de eficácia do negócio jurídico para terceiros, não interferindo em nada nos seus requisitos de validade, pelo que o negócio jurídico para fins tributários continua plenamente válido. Dos Juros e Multas aplicadas. Quanto à aplicação da multa qualificada de 150% em relação à suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, sustenta não haveria prova nos autos das supostas omissões de rendimentos. Por todo o fundamentado no tópico atinente ao mérito da lide, mais precisamente no que tange à infração decorrente da omissão de rendimentos de pessoa jurídica, forçoso reconhecer presentes as circunstâncias que determinam a duplicação do percentual fixado naquele inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96, em especial por ter restado configurada a pratica de sonegação e fraude fiscal. Sem reparos quanto à qualificação da multa. Ao final, requereu i) o atendimento aos pedidos de diligências já constantes da impugnação, assim como ii) que seja diligenciado junto ao Complexo Médico Penal, a fim de aferir as condições de acesso à informações pelo recorrente, como exemplo o recebimento de correspondências e acesso à internet. Fl. 1452DF CARF MF 34 Quanto às diligências do primeiro item, compartilho dos fundamentos e conclusão do acórdão recorrido, nos seguintes termos: Quanto ao pedido do interessado de que fossem juntadas declarações e cadastros, assim como de realização de perícia contábil, cabe esclarecer que diligências ou perícias adicionais são desnecessárias, pois se encontram presentes circunstâncias fáticas das infrações à legislação tributária suficientemente caracterizadas e legalmente tipificadas na peça de autuação. As provas acostadas nos autos reputamse aptas a formar a convicção do julgador, assim,. diligências ou perícias apenas procrastinariam a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica. Quanto a do segundo, vejo que a constatação pretendida pelo recorrente em nada lhe socorrerá. Houve apresentação tempestiva de seu Recurso Voluntário, que se mostra extenso e bastante abrangente e que foi regularmente processado pela unidade preparadora. Tenho que, assim, assegurado amplamente ao autuado seu direito à defesa. Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso, REJEITAR as preliminares suscitadas, INDEFERIR os pedidos de diligência e de suspensão do processo administrativo e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000923/99-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1999
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. No caso concreto, valores referentes a pagamentos de setembro de 1989 foram utilizados para compor saldos a partir de agosto de 1995, refletindo-se em lançamento realizado até março de 1999, não se consideram prescritos os valores utilizados.
Súmula CARF 91.
Numero da decisão: 9303-007.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1999 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. No caso concreto, valores referentes a pagamentos de setembro de 1989 foram utilizados para compor saldos a partir de agosto de 1995, refletindo-se em lançamento realizado até março de 1999, não se consideram prescritos os valores utilizados. Súmula CARF 91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/03/1999 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. No caso concreto, valores referentes a pagamentos de setembro de 1989 foram utilizados para compor saldos a partir de agosto de 1995, refletindose em lançamento realizado até março de 1999, não se consideram prescritos os valores utilizados. Súmula CARF 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 23 /9 9- 58 Fl. 2038DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de auto de infração de contribuições para a Cofins de efls. 1075 a 1081, lavrado contra a contribuinte em 31/08/1999, por ter a fiscalização constatado que a empresa apurou valores inferiores ao devido, tendo em conta que os valores de Finsocial e PIS compensados com aquela contribuição não foram suficientes para quitála nos períodos objeto da exação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, às efls. 1083 a 1100. O montante da Cofins lançada foi de R$ 649.171,39, que acrescida de multa de ofício de R$ 486.878,49 e juros de mora, de R$ 279.678,86, calculado até 30/07/1999, totalizaram o crédito de R$ 1.415.728,74. A contribuinte foi cientificada da autuação em 03/09/1999 e apresentou impugnação às efls. 1102 a 1116, em 04/10/1999. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, analisando a contestação, em 30/09/2002, prolatou o acórdão de nº 1.483, às efls. 1235 a 1246, no qual julgou o lançamento procedente. Intimada (efl. 1248) do acórdão da DRJ/FNS, a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 13/11/2002, às efls. 1255 a 1274. Repisou sua argumentação de impugnação e trouxe ainda as seguintes contestações: preliminarmente, houve decisão judicial que reconheceu o direito à compensação e que a referida decisão judicial transitou em julgado em 17/12/1999; a decisão da DRJ/FNS há de ser nula no que tange a decadência dos créditos utilizados na compensação e aos índices de correção aplicados sobre os créditos em face da Fazenda Nacional, em razão da análise indevida de matéria já discutida e decidida na esfera judicial; que a base de cálculo para o recolhimento do PIS esta prevista no artigo sexto, parágrafo único da Lei Complementar n° 7/70 e determina que seja apurado sobre o sexto mês, anterior ao fato gerador; ilegalidade da norma; não incidência de correção monetária na base de cálculo. Em face do recurso apresentado pela autuada, os membros da 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 08/11/2005, unanimemente, resolveram (efls. 1364 a 1366) converter o julgamento em diligência, para que fosse juntado aos autos fotocópia da decisão proferida em ação judicial que impediria a análise do processo na esfera administrativa. Cumprida a diligência, o recurso voluntário foi apreciado pela 4ª Câmara da do Segundo Conselho de Contribuintes, em 24/05/2007, resultando no acórdão nº 20402.475, às efls. 1539 a 1545, que tem as seguintes ementas: COFINS COMPENSAÇÃO FINSOCIAL COMPENSAÇÃO — O Parecer COSIT nº 58, de 27/10/1998, em relação ao Finsocial, vazou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com alíquota excedente a 0,5%, começa a contar da data da edição da Medida Provisória nº 1.110/95, ou seja, em 31/05/95. Entendimento esse da administração tributária que vigia quando da feitura e ciência do lançamento. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 13971.000923/9958 Acórdão n.º 9303007.427 CSRFT3 Fl. 2.039 3 PIS SEMESTRALIDADE A base de cálculo do PIS, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Precedentes da Primeira Seção STJ REsp 144.708 RS e CSRF. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição dos créditos de Finsocial, e também, para reconhecer a semestralidade do PIS.. No voto do i. relator ficou claro que se tratavam de compensações de dois tributos que importaram na redução dos valores devidos pela contribuinte, Finsocial e PIS. Em relação aos créditos de Finsocial, ele afirma que: duas questões foram controvertidas, a saber, o prazo para utilização dos mesmos em compensação e quais os incides de correção monetária a ser aplicado. Aponta a seguinte solução para o litígio quanto a esse tributo (efl. 1543): Assim, neste ponto, dou provimento ao recurso para que os cálculo sejam refeitos aceitando como compensação à Cofins todos os pagamento de Finsocial com alíquota acima de meio por cento, independentemente da data de sua efetivação. Quanto aos índices de correção monetária, entendo escorreito o entendimento da fiscalização que não acatou os expurgos inflacionários, uma vez que não arrimados em lei ou em decisão judicial inter partes. Nada obstante, esse vem sendo o entendimento deste Segundo Conselho, que determina a aplicação da Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR 08/97. Já com relação ao PIS utilizado na compensação, afirma que o cerne da discussão seria (efl. 1543): No que tange à qual base imponível que deva ser usada para o cálculo do PIS nos termos da Lei Complementar nº 07/70, se ela correspondente ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, entendimento esposado pela recorrente, ou se ela é o faturamento do próprio mês do fato gerador, posição perfilhada pela DRJ, sendo de seis meses o prazo de recolhimento do tributo (...) Para solução desta contenda, apesar de inicialmente se alinhar à posição defendida pela DRJ, o relator se dobrou à jurisprudência então predominante na CSRF e no STJ, considerando como base imponível o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso especial da Fazenda Fl. 2040DF CARF MF 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 20402.475 em 22/10/2007 (efl. 1546), e interpôs recurso especial de divergência em 22/10/2007, às efls. 1549 a 1559. Invoca a divergência apenas em relação à contagem do prazo de prescrição para pedidos de restituição, relativamente ao Finsocial, com base no acórdão paradigma nº 302 35.782, que defende ser esse prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário, consoante ao art. 168 do CTN. O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 1597 a 1599, em exame de admissibilidade do recurso, com base nos arts. 67 §§ do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, reconheceu existir a divergência e deu seguimento ao recurso especial de divergência da Fazenda. Outrossim, no despacho há ordem de encaminhamento à unidade local da RFB, a fim de dar ciência do acórdão recorrido e deste despacho, para oportunizar contrarrazões ao recurso especial do Procurador e/ou recurso especial da parte em que a contribuinte restou vencida. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional nada opôs (efl. 1601). Já a Seção de Acompanhamento e Controle Tributário da unidade de jurisdição da contribuinte, por meio do despacho de efls. 1605 e 1606, preliminarmente, o encaminhou a sua Seção de Fiscalização, para refazimento das apurações propostas no acórdão. O resultado do trabalho foi o Parecer Fiscal DRF/BLU/SACAT/EAC1 nº 33/2016, que informa intercorrências relativamente ao PIS, em razão de novos critérios de correção dos créditos, aplicados pela RFB, e pedido de parcelamento posteriores ao julgamento, mas conclui que ainda haveria valores a serem exigidos no processo. A contribuinte foi intimada (efl. 1969) do resultado do julgamento de seu recurso voluntário, bem como do recurso especial da Fazenda, em 04/07/2016 (efl. 2028), e não se manifestou nos prazos regimentais. É o relatório. Voto O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. A divergência se pauta apenas sobre prazo para a repetição de indébito, relativo a valores de Finsocial pagos em alíquota superior a 0,5%, para utilização nas compensações com a Cofins devida. Há que se observar que o recurso especial de divergência do Procurador traz como fundamento ter havido errônea interpretação no uso da MP nº 1.110/1995 no acórdão recorrido, pois esta não autorizava a contagem do prazo prescricional a partir de sua vigência. Na verdade deveria ser seguido o Ato Declaratório SRF nº 96/1999, que utilizava a contagem de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário, com base nos arts. 165 e 168 do CTN. Utilizase o Procurador do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ao determinar a interpretação do art. 168 do CTN. Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 13971.000923/9958 Acórdão n.º 9303007.427 CSRFT3 Fl. 2.040 5 Analisandose o Termo de Verificação e encerramento de Ação Fiscal, verificase que o crédito pretendido pela contribuinte, relativamente às contribuições para o Finsocial, referese a períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1989 e fevereiro de 1992 (efl. 1087), e que o primeiro período em que houve compensação da Cofins foi agosto de 1995 (efl. 1087), sendo que os valores lançados no auto de infração abrangem no máximo março de 1999. Assim, se a contagem prescricional for de 10 anos, inexistiria prescrição quanto ao aproveitamento dos créditos pela contribuinte. Esclarecidos esses pontos, saliento que esta 3ª Turma temse deparado com esta questão, contagem do prazo de prescrição, em diversas oportunidades e o posicionamento tendo em vista decisão do STJ em sede de recursos repetitivos relativamente à tese dos "cinco mais cinco" combinado com o posicionamento posterior do STF em sede de repercussão geral relativo ao alcance temporal da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005 pode ser traduzido pelo voto da i. conselheira Tatiana Midori Migiyama, no acórdão nº 9303003.452, de 23/02/2016, com a seguinte dicção: No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 Fl. 2042DF CARF MF 6 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 13971.000923/9958 Acórdão n.º 9303007.427 CSRFT3 Fl. 2.041 7 às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Como inicialmente esclarecido, no caso presente, dentro da escrituração da contribuinte foram aproveitados créditos a partir de setembro de 1989, que passaram a ser utilizados nas compensações de Cofins a partir de agosto de 1995, com saldos sujeitos a lançamentos até março de 1999. Logo, tendo em vista o art. 62, § 2º (com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, afastase a prescrição para aproveitamento dos créditos de Finsocial utilizados pela contribuinte em suas compensações. Aliás, esse é o disposto na recente Súmula CARF 91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para negarlhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem, para verificação da higidez dos valores utilizados na compensação. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2044DF CARF MF 8 Fl. 2045DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900304/2006-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE.
À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1302-000.735
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 104 1 103 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.900304/200686 Recurso nº 900.784 Voluntário Acórdão nº 130200.735 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2011 Matéria IRPJ PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BOM PEIXE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 105 2 Fl. 110DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 106 3 Relatório BOM PEIXE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Piracicaba, São Paulo Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado no anocalendário de 2002. Em conformidade com o Despacho Decisório de fls. 09, o referido direito creditório foi formado pelas seguintes parcelas: Imposto Devido.....................................R$ 139.711,00 Imposto de Renda Retido na Fonte........R$ 61.119,82 Estimativas.............................................R$ 585.463,88 Contudo, analisadas tais informações, o imposto de renda retido na fonte foi alterado para R$ 54.543,54, resultando, assim, em um saldo negativo de R$ 500.296,42, insuficiente para que fossem homologadas, na integralidade, as compensações requeridas. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/08), por meio da qual argumentou, em síntese, que a alegada insuficiência de crédito se deu em razão da valoração dos débitos de janeiro, março e abril de 2003, que foram compensados em 30 de setembro de 2003. Contra tal procedimento, qual seja, a exigência de encargos legais (“valoração”), alegou que se tratava de denúncia espontânea, circunstância que impediria a cobrança de referidos encargos. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada e, por meio do acórdão nº. 1232.489, de 05 de agosto de 2010, indeferiu a solicitação. O referido julgado restou assim ementado: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância do art. 138 do CTN, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta a multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição.. Ciente da Decisão de primeira instância em 11 de janeiro de 2011, conforme aviso de recebimento de folha 72, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 09 de fevereiro de 2011, conforme registro de recepção de folha 73, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 107 4 É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 108 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. No presente processo, o direito creditório indicado pela contribuinte para fins de compensação foi reduzido de R$ 506.872,70 para R$ 500.296,42, em virtude da redução do montante de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do saldo negativo de imposto de renda do ano de 2002 (de R$ 61.119,82 para R$ 54.543,54), resultando daí, insuficiência de crédito para que fosse homologada, na integralidade, a compensação pleiteada. Não obstante, a controvérsia não gravita em torno de tal fato, pois o que a contribuinte alega é que a insuficiência do crédito se deu em razão da valoração dos débitos apontados para o encontro de contas, isto é, pela incidência de encargos legais sobre os referidos débitos, sendo que, para ela, não poderia incidir multa moratória, vez que presente a denominada denúncia espontânea. Sustenta a Recorrente que, com a edição do art. 138 do CTN, a intenção do legislador foi prestigiar, com o afastamento de qualquer tipo de penalidade que eventualmente pudesse incidir sobre o débito, o contribuinte que espontaneamente denuncia ou quita seus débitos anteriormente à instauração de qualquer procedimento administrativo, em detrimento daquele que é compelido pelo Fisco a proceder a tal quitação. Alega que efetuou o recolhimento do valor atualizado do tributo (IRPJ), acrescido de juros de mora, independentemente da instauração de qualquer procedimento fiscal, fato este que, por si só, já autorizaria a abstenção do Fisco de cobrar a multa moratória. Destaco, primeiramente, que não estamos diante de denúncia espontânea acompanhada de PAGAMENTO, circunstância em que, nos exatos termos do disposto no caput do art. 138 do Código Tributário Nacional, poderseia apreciar se a responsabilidade pela infração poderia ser excluída. O presente processo trata de COMPENSAÇÃO, instituto que, em que pese o fato de se revelar também como forma extintiva de crédito tributário (CTN, art. 156, II,), com PAGAMENTO não se confunde (CTN, art. 156, I). Não obstante, ainda que se empreste interpretação extensiva ao dispositivo autorizador da exclusão da penalidade, penso, em consonância com manifestações advindas do Superior Tribunal de Justiça, que o instituto da denúncia espontânea não alcança tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, eis que, neste caso, o dever de apurar o montante devido e efetuar o seu recolhimento é transferido para o sujeito passivo, independentemente de prévio exame por parte da autoridade administrativa. Nessa linha, o contribuinte, ao apurar o tributo devido, prestar ao Fisco a informação devida e providenciar a extinção do crédito tributário correspondente, nada mais Fl. 113DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13888.900304/200686 Acórdão n.º 130200.735 S1C3T2 Fl. 109 6 fez que cumprir com o determinado pela legislação de regência, não havendo que se falar que tais providências possam revelar DENÚNCIA ESPONTÂNEA de infração. Aditese que, no caso vertente, não existe nos autos qualquer indicação de que os débitos apontados pela Recorrente para compensação eram desconhecidos da Administração Tributária, o que, também por essa razão, afasta a tese de que estamos diante de infração denunciada espontaneamente. Transcrevo, abaixo, manifestações em segunda instância administrativa na linha do entendimento aqui esposado. Acórdão nº 20181545, de 06/11/2008 COMPENSAÇÃO EFETUADA APÓS VENCIMENTO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. A compensação condicionada a ulterior homologação da autoridade fiscal não caracteriza o pagamento do montante devido na forma prevista no art. 138 do CTN, não caracterizando denúncia espontânea Acórdão nº 29100014, de 29/10/2008 COMPENSAÇÃO. Incidem acréscimos moratórios sobre os débitos, objeto de Declaração de Compensação, quando estiverem vencidos na data de apresentação/transmissão da declaração. Acórdão nº 19700037, de 20/10/2008 COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. O procedimento do sujeito passivo por meio do qual confessa a existência de débito e requer compensação não corresponde à denuncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que compensação não é pagamento. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 114DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001586/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO.
O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício.
LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO.
O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO.
Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA.
O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem.
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88.
A Relação de Co-Responsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88.
Numero da decisão: 2402-006.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 86 /2 00 8- 12 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 9 2 responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001856/200887, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário em Processo nº 18471.001856/200887, caracterizado como o mais representativo da controvérsia contida em multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito tendo como Recorrente a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. e Recorrida a FAZENDA NACIONAL. Em conformidade com os dispositivos contidos no Art. 47, Anexo II do RICARF vigente (com redação dada pela Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018), o resultado do mesmo será paradigma para aplicação em lote repetitivo composto pelos processos de número 11330.000085/200795; 11330.000087/200784; 11330.000937/200744; 11330.001348/200783; 18471.000127/200811; Fl. 510DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 10 3 18471.000315/200831; 18471.001456/200871; 18471.001506/200811; 18471.001580/200837; 18471.001586/200812 e 18471.001592/200861. Por bem registrar o andamento do processo até a fase recursal, adotaremos o relatório da Decisão recorrida de folhas 265 a 274: "DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.496.3643 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 34.258,57, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 32/35), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, referentes às competências 12/1999 a 12/2000. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei no 8.212/1991, com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA, CNPJ: 65.045.619/000168, em cumprimento ao contrato 270.2.044.998. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. 2.2. A empresa contratante deixou de apresentar a Discriminação da Redução da Base de Cálculo do Valor Retido nas Faturas de 12/1999 a 12/2000. 2.3. Os dados para o levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Contrato de Prestação de Serviços, Relação de Faturas e Boletins de Medições, GPS de Retenção de 07/1999 a 11/1999, que foram aproveitadas (não gerando débito nestas competências), GPS de retenção de 11/1999 a 01/2000 e 03/2000 a 12/2000, que foram devidamente aproveitadas, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 10/10/2002, através do instrumento de fls. 40/43, alegando, em síntese: 3.1. afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva na Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja Fl. 511DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 11 4 cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.2. devese proceder ao lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após, constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.3. inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.4. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.5. a Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.6. em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutidos no valor das notas fiscais ou da fatura, encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.7. a atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.8. o INSS transfere para a recorrente, sem lei que o autorize, toda a fiscalização tributária sobre o contribuinte, ofendendo diretamente o princípio da legalidade e não pode prevalecer; 3.9. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.10. por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. Do aditamento à impugnação 4. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação em 23/12/2002, fls. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 12 5 49, com a juntada de documentos (fls. 50/111), para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5. A IMIGRANTES, notificada do lançamento por edital, publicado em 09/05/2003 O DIA (fls. 118) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 6. Diante da documentação apresentada, através do aditamento à impugnação, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização em 27/06/2003, fls. 119. Após análise dos documentos, de fls. 50/111, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em 11/07/2003, fls. 120, na qual concluiu pela manutenção do débito, afirmando que os documentos apresentados em nada alteram o lançamento. DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0788/2003, de 29/08/2003, fls. 122/129. Devidamente notificada a PETROBRAS em 04/09/2003, (fls. 130) e a IMIGRANTES, através de edital, publicado em 17/10/2003 (fls. 131). 8. Apenas a PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 30/09/2003 (fls. 134/137). 9. Após a elaboração das ContraRazões, em 27/02/2004 o processo foi encaminhado ao CRPS. 10. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001134, de 28/06/2004 (fls. 142/149), decidiu anular, por maioria, a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, o INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 150/154). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão nº 0001134, assim como do Pedido de Revisão, Petrobrás em 19/10/2004 (fls. 155) e IMIGRANTES através de edital publicado no Jornal do Comércio em 14/01/2005 (fls. 163). Fl. 513DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 13 6 Foi concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 158/161). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme o Acórdão nº 0000631, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 166/169). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 15. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, em 16/01/2008, fls. 202/203, o AuditorFiscal afirma inicialmente que o INSS tentou dar ciência da NFLD à empresa prestadora, sem êxito, fazendoo em seguida através de edital e, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da SRFB CNAF/CFE, fls. 199, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada, constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 –REFIS em 21/03/2000 (fls. 200), mas foi excluída em 01/01/2002 por inadimplência, assim como aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 – PAES (fls. 201), mas encontrase inadimplente desde 20/11/2005. 17. Assim sendo, a Petrobrás foi notificada do Resultado da Diligência de 16/01/2008, dos Acórdãos nº 1134 e nº 631 assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 644/2011 (Petrobrás – fls. 208) em 01/04/2011 (fls. 213) e a IMIGRANTES PINTURA INDUSTRIAL S/C LTDA através de edital publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 221), entretanto não se manifestaram." Fl. 514DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 14 7 O Recurso Voluntário apresentado após o reinício do contencioso aborda questões relacionadas a falhas ocorridas no processo. Inicia suas questões preliminares sustentando ser a Nulidade da NFLD por ausência de requisitos mínimos relacionados a fundamentação e identificação do fato gerador, afirmando que a "indicação genérica pode apenas compreender o motivo, porém não o faz em face da motivação para embasar o ato jurídico administrativo." Argumenta haver ilegalidade quanto ao "reinício do contencioso administrativo" frente a coisa julgada administrativa. Ainda que se admita a possibilidade de reinício do contencioso, sustenta ter ocorrido novo lançamento em momento onde o crédito já havia decaído. Articula pela impossibilidade de revisão do lançamento indicando ter ocorrido violação ao disposto no Art. 149 do CTN e sustenta ainda haver impossibilidade de retroatividade da aplicação do Enunciado 30 do CRPS. Entende ter ocorrido o descumprimento da Decisão do CRPS quanto a anulação da DN e realização de diligencia fiscal suplementar. Trata ainda de apresentar tese quanto a impossibilidade de estabelecimento da solidariedade sem a preexistência do crédito constituído contra o devedor principal e discorre a respeito da adoção de base de calculo inadequada. Por derradeiro, trata da exclusão de responsabilidade dos representantes legais e pugna pela realização de diligência suplementar. É o Relatório." Voto Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão Fl. 515DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 15 8 paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.236 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. 1. ADMISSIBILIDADE. O presente processo é marcado por uma forte atipicidade ritualística, impondo uma cuidadosa análise de admissibilidade. Para além do fato de tratarse de paradigma de recursos em matéria de direito repetitivas, o processo padece de falhas procedimentais com grande impacto quanto aos pontos do Recurso Voluntário que devem ser conhecidos e aqueles que representam inovação na lide. A Recorrente apresentou impugnação total da NFLD nº 35.496.3643 e aditamento da mesma para juntar documentos e em tais manifestações limitouse a tratar de questões de mérito relacionadas a solidariedade e base de calculo adotada, nada tratando a respeito de outros pontos. Em julgamento da impugnação o lançamento foi mantido nos termos da Decisão Notificação n° 17.401.4/0788/2003, em razão disso a Recorrente apresentou seu primeiro Recurso Voluntário, este contraarrazoado pelo INSS. Em julgamento de tais peças, foi proferido o Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 onde os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, decidiram anular a decisão recorrida. A Secretara da Receita Previdenciária SRP emitiu Pedido de Revisão do Acórdão. Em resposta, a Recorrente apresentou manifestação no sentido de manutenção da decisão e não conhecimento do pedido de revisão, sendo emitido o Acórdão n° 631 de 27/05/2005 em que os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. Em decorrência do julgamento e de outras discussões foi providenciada a devolução do depósito recursal referente à NFLD n° 35.496.3643. Os contribuintes principal e solidário foram cientificados dos Acórdãos n° 1134 e 631 da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS e do Resultado de Diligência de 16/01/2008, conforme intimação de fls. 210 e Edital de fls. 222, no entanto não apresentaram manifestações. Por meio de mero despacho da Superintendência Regional 7ª Região Fiscal DEMAC foi determinado o reinício do contencioso administrativo. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 16 9 O Recurso Voluntário em julgamento é interposto contra nova decisão de primeira instância emitida em razão do reinício do contencioso e tomando por base a impugnação original. Portanto, é um corolário lógico que o Recurso trate de temas não articulados na Impugnação. Entretanto, há limites para tal. As questões relacionadas a ordem processual devem ser conhecidas ainda que representem inovação, pois, decorrem de atos processuais posteriores a apresentação da impugnação. Contudo, outros temas constantes do Recurso Voluntário em julgamento, mas que não decorrem de atos posteriores a impugnação, não merecem ser conhecidos. Nesse sentido, por representar inovação na lide, voto por não conhecer a preliminar de nulidade, eis que poderia ter sido apresentada desde a impugnação, assim como voto por não conhecer das alegações de relacionadas a exclusão de responsabilidade dos representantes legais. Quanto aos demais pontos do recurso, voto por conhecêlos integralmente eis que, dadas as circunstâncias processuais, preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 2. DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS AO MÉRITO. Embora não tenham sido articuladas como preliminares, devem ser conhecidas e votadas de modo prioritário as matérias recursais com potencial prejudicialidade à análise dos demais pontos. Sob tal pressuposto técnico há de se conhecer de modo prioritário os argumentos de ilegalidade do denominado "reinício do contencioso e Decadência". Em análise do andamento processual, nos parece claro que o objeto da lide foi resolvido de modo inequívoco e definitivo por meio dos Acórdão n° 1134 de 28/06/2004 e confirmado por meio do Acórdão n° 631 de 27/05/2005 emitidos pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS. O Acórdão nº 0001134, proferido pela 2ª CAJ em 28/06/2004 recebeu a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Solidariedade. E necessário que o INSS constate a j . existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN. O referido Acórdão apresentou o seguinte resultado: Vistos e relatados os presentes autos, em sessão realizada hoje, ACORDAM os membros da Segunda Câmara de Julgamento do Fl. 517DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 17 10 CRPS, por Maioria em ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO (DN), de acordo com o voto do(a) Relator(a) e sua fundamentação. Apresentou voto divergente, sendo vencido, o Representante do Governo, Marco André Ramos Vieira. Apresentou Declaração de Voto, acompanhando o voto do Relator, o Representante do Governo, Mário Humberto Cabus Moreira. Quanto aos termos fundamentais do Acórdão é relevante observar que o decisório contém o voto do Relator, um voto vencido e uma declaração de voto que apresentam ligeira divergência quanto as razões, mas todas as manifestações votaram por anular a decisão notificação. Em todas as manifestações restou claro haver dúvidas quanto a própria materialidade da obrigação tributária, uma vez que nenhum procedimento para verificação do inadimplemento tributário por parte do devedor original foi realizado. O lançamento se deu por mera presunção, não se adotando nenhum tipo de cautela fiscal com vistas a averiguar se, por exemplo, não haveria duplicidade de pagamentos. As divergências se estabeleceram quanto a necessidade de realização de diligência fiscal suplementar e outros aspectos teóricos relacionados ao estabelecimento da solidariedade. Mas, mesmo diante das divergências, restou uníssono o entendimento quanto a necessária indicação do fato gerador e seus elementos caracterizadores, sendo este o fundamento dado para declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por consequência, anulada a decisão restou anulado o próprio lançamento, eis que os fundamentos que conduziram a tal resultado fazem referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora. A anulação não tomou por base a decisão recorrida e seus elementos formais ou processuais, mas o lançamento, sendo inegável a sua desconstituição. Seguindo no contencioso, verificamos a existência de um pedido de reconsideração apresentado pelo próprio INSS obtendo decisão com a seguinte ementa: CUSTEIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Lançamento fiscal é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do I art. 142, do Código Tributário Nacional. A apuração do crédito tributário Junto ao prestador é necessária. Caso ocorra a não apresentação ou apresentação, deficiente pelo prestador, da documentação contábil ou trabalhista necessária a Fl. 518DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 18 11 comprovar a extinção previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Nos ditames do parecer 2.376/2000, o INSS deve evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas. A interpretação divergente por si só não enseja não gera a revisão de acórdão. Pedido de Revisão Não Conhecido. O Denominado "Pedido de Revisão" equivale ao Recurso Especial e, por consequência, sua admissibilidade está condicionada à demonstração efetiva de existência de julgados semelhantes com interpretação divergente, o que não se demonstrou no presente caso, levando o referido pedido ao não conhecimento. Com efeito, este processo seguiu seu rito e se esgotou em definitivo na data de 31/05/2005. Importante observar que consta dos autos despacho confirmando a definitividade da decisão e encerramento do processo (Fls. 170), tendo o Recorrente intimado da decisão em 12/07/2005. Portanto, restou conformada a situação jurídica de que trata o inciso II do Art. 42 combinado com o disposto no Art. 45, ambos do Decreto 70.235/71: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. [...] Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio." Entretanto, em afronta aos princípios da legalidade, segurança jurídica, ampla defesa e contraditório, sem qualquer razão ou fundamento legal, por mero despacho de integrantes da fiscalização, determinouse o reinício do contencioso. (Fl. 261) Em que pese haver indicação quanto a necessidade de realização de diligência suplementar no voto vencedor do Acórdão que decidiu pela nulidade do lançamento, não há como confundir o decisório como mera resolução ou mesmo aceitar tratase de anulação por vicio meramente formal, o que viabilizaria a reemissão do lançamento nos termos do Art. 173, II do CTN. Não seria uma Resolução por ter conteúdo decisório extintivo, tão pouco poderia ser atribuído ao fisco o direito de reemitir o lançamento, nos termos dispostos no Art. 173, II do CTN, por absoluta ausência de fundamentação neste sentido ou Fl. 519DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 19 12 compatibilidade dos elementos decisórios às previsões do referido dispositivo, eis que a nulidade declarada tem natureza material. Se considerarmos que o Acórdão nº 1134 foi proferido em 28/06/2004 e fazia referência a fatos geradores ocorridos entre 12/1999 e 12/2000, tal indicação tinha por pressuposto o fato de que, naquele momento, o direito de realizar novo lançamento ainda não havia decaído, sendo mera indicação. De modo que tal determinação, tomada pelo próprio órgão lançador, sem qualquer fundamentação, fere diversos direitos e garantias fundamentais dos contribuintes e a ordem pública, em especial o direito ao devido processo legal, legalidade, segurança jurídica e ampla defesa e contraditório. Além de afrontar qualquer lógica processual, o chamado "reinício do contencioso" tem como ato seguinte não um novo lançamento, notificação do lançamento ou qualquer ato inequívoco que permita aos contribuintes exercerem o seu direito a ampla defesa e contraditório de modo amplo e adequado, mas, parte, ato contínuo, para o julgamento de lançamento já anulado por decisão definitiva, sem dar a oportunidade dos contribuintes apresentarem nova impugnação. Ainda que tal oportunidade fosse conferida aos contribuintes solidário e principal, à que elementos deveriam resistir? O lançamento fora anulado, novo lançamento não foi emitido e ainda que fosse, como a anulação não se deu por elementos meramente formais, os créditos em foco já estariam sob decadência, eis que o processo alcançou sua definitividade em 12/07/2005 e nenhum novo lançamento foi realizado até a presente data. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso quanto a impossibilidade de reinício, uma vez que decisão definitiva fora proferida, voto ainda por reconhecer a extinção do direito de constituição do crédito ante a decadência, bem como a nulidade da decisão também por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica. 3. MÉRITO. Em atenção ao princípio da eventualidade, dada a possibilidade de não ser acompanhando pelo colegiado nos pontos anteriores, analiso os demais argumentos recursais passíveis de conhecimento. 3.1. Impossibilidade de Revisão do Lançamento. Um dos fundamentos trazidos aos autos para tentar dar ares de legalidade ao reinício do contencioso com revisão do lançamento, foi introduzido pelo Relator do Acórdão nº 12 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 20 13 60.032 da 10ª Turma da DRJ/RJ1, de 25/09/2013, nos seguintes termos: "14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços" O reinício do contencioso tomou por base uma mudança dos critérios jurídicos da autoridade administrativa sobre o tema ocorrida posteriormente ao momento em que a decisão que anulou o lançamento se tornou definitiva. O relatório da decisão recorrida indica que a reabertura do contencioso já encerrado teve por fundamento a alteração do "entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007". Contudo, conforme já abordado anteriormente, a decisão que anulou o lançamento, tornouse definitiva em 12/07/2005 conforme despacho de [Fls. 170]. O Código Tributário Nacional nos revela, em diversas passagens, uma forte preocupação do legislador com a manutenção da segurança jurídica, dentre tais passagens, na solução do presente caso, destacase o Art. 146 do referenciado Código que assim vincula a autoridade fiscal e julgadora: "Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." O sujeito passivo não pode ficar exposto às variações interpretativas que as normas jurídicas podem suscitar nas autoridades fiscais ou julgadoras, menos ainda, pode o processo administrativo ser um elemento de propagação das incertezas jurídicas sobre situações jurídicas anteriores e já resolvidas por meio de decisão definitiva. Portanto, ainda que se entenda pela possibilidade de reinício do contencioso por mero despacho de agente fiscal sem qualquer fundamentação legal, não pode o julgador, tentando dar ares de Fl. 521DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 21 14 legalidade ao reinício do contencioso, introduzir nova fundamentação e ainda, tal fundamentação estar baseada na alteração dos critérios jurídicos trazidos por meio do Enunciado nº 30 exarado dois anos depois que a decisão de nulidade do lançamento tornouse definitiva. Admitir uma aplicação retroativa do Enunciado em questão de modo a permitir a reinício do contencioso e, mais do que isso, a alteração do resultado do julgamento com base em tal entendimento inovador fere a segurança jurídica e contraria o disposto no Art. 2º, Parágrafo único XIII da Lei 9.784/99: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto declarando nula a decisão recorrida e por conseqüência o crédito a que se refere. 3.2. Da Solidariedade, Descumprimento da decisão do CRPS. Ainda em atenção ao princípio da eventualidade, eis que outro Conselheiro pode apresentar melhor juízo sobre os fatos e fundamentos relativos ao caso e contidos no presente voto, seguiremos na análise do Recurso. Outrossim, o Código Tributário Nacional, em seu art. 142 define, como um dos requisitos do lançamento de oficio, a perfeita identificação do sujeito passivo como essencial, não sendo possível exigir tributo de quem não tem relação com o fato gerador. Já o Art. 121 define como sujeito passivo da obrigação principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributos contra ou penalidade e, seguindo em suas definições, o referido artigo divide tal sujeito da obrigação em: I Contribuinte, promovedor do fato gerador, e II Responsável, sem ação na promoção do fato gerador, mas assim definido por imposição legal. Por derradeiro o Art. 124 do mesmo Código trata da responsabilidade solidária a dividindo em: I decorrente de Fl. 522DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 22 15 interesse comum e II a que tem origem através de imposição legal, ambas não comportando beneficio de ordem. As obrigações para com a seguridade social incidentes sobre fatos geradores relacionados à obras de construção civil, o art. 30, VI, da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, impõe a responsabilidade solidária e sem beneficio de ordem ao incorporador, proprietário ou empreiteiro: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) [...] VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Assim, não resta dúvida quanto a possibilidade de atribuição de responsabilidade solidária ao "proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo" Como estamos diante de uma espécie de responsabilidade solidária decorrente de Lei, sua imposição ao caso concreto deve ser vinculada aos seus dispositivos e termos e devendo ser comprovada a natureza da relação jurídica entre contratante e contratado. E recorrendo às lições de Leandro Pausen1: Devese destacar, neste particular que a lei, em vez de simplesmente se referir às atividades inerentes à construção civil e de deixar ao intérprete descortinar sua amplitude, referiuse expressamente à "construção, reforma ou acréscimo", delimitando seu âmbito de incidência. São relevantes, pois, tais definições. "Construção" implica e edificação de prédio novo, abrangendo todas as suas fases, desde as fundações até o acabamento. "Reforma" implica alteração em características do prédio, mediante modificações nas divisórias ou aberturas ou substituição de materiais com vistas à melhoria na aparência ou na funcionalidade. "Acréscimo" envolve a ampliação, com aumento de área. As obrigações atinentes a construções, 1 Pausen, Leandro Contribuições:custeio da seguridade social / Leandro Pausen. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2007, pags 76/77 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 23 16 reformas e acréscimos estão submetidas ao regime de responsabilidade solidária. Outra é a situação de serviços que possam ser enquadrados como de simples manutenção, não alcançados pela norma. A pintura, por exemplo, embora seja inerente à construção civil, pois, o prédio construído é pintado, ao menos internamente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, porque lhe é inerente, de maneira que a pintura faz parte do acabamento da construção, não pode ser considerada, separadamente, como construção. De fato a pintura, como parte de um empreendimento maior, não desborda da construção, porque lhe é inerente, de outro lado, tomada separadamente, não pode ser considerada como obra de construção. Pintar um prédio, considerada esta atividade separadamente, não é construílo. Assim considerada, a pintura enquadrase num quarto conceito, o de conservação ou manutenção, não apanhado pelo dispositivo legal em discussão. Restando claro os limites normativos geradores da responsabilidade solidária na construção civil, cabe, de modo prévio, verificar se as operações tomadas por geradoras de tal responsabilidade por parte do i. Agente Fiscal enquadramse no conceito de construção, reforma ou acréscimo, eis que não sendo estes os objetos contratuais e fatos identificados pelo i. Agente Fiscal para viabilizar o lançamento, não restaria configurada hipótese legal de incidência da referida norma. O próprio relatório fiscal nos dá tal informação com clareza cristalina ao descrever a situação fática tomada por base para realizar o lançamento, tendo o contratante como Responsável Solidário com fundamento no art. 30, Vi da Lei 8.212/91: 3 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com empresa construtora, identificada no item 1 deste, a construção em cumprimento ao(s) contrato(s) nº 270.2.044.998 cujo(s) objeto(s) era(m): A EXECUÇÃO SOB REGIME DE EMPREITADA POR PREÇOS UNITÁRIOS, DE SERVIÇOS DE LIMPEZA INDUSTRIAL INCLUINDO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. Ocorre que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para obra contratada,nem apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada. Ora, não estamos nos referindo a uma empresa qualquer, trata se de uma sociedade de economia mista que teve sua criação autorizada pela Lei 2.004/53 e que dentre suas especificidades está sujeita a procedimentos próprios de contração por meio de processo especifico de licitação. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 24 17 Desse modo, além do relatório fiscal, nada indica nesse sentido, não há como admitir hipótese do objeto do referido contrato estar em desacordo com a realidade. Assim, no presente caso, não há subsunção da operação indicada pelo i. Agente fiscal a hipótese de incidência da responsabilidade solidária atribuída ao recorrente. Não estamos diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil é possível ser identificada com clareza, eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas. Em adição a impugnação o Recorrente juntou notas fiscais que deixam clara a realização do referido objeto, portanto, a situação fática não, a verdade que se ignorou desde o lançamento, não permite a conformação da responsabilidade solidária por absoluta falta de previsão e enquadramento da operação ao referido normativo. Ainda que, analisando as provas contidas nos autos, os demais conselheiros apreendam a situação fática de modo diverso da leitura ora exposta, não há como negar que o lançamento padece de nulidade, eis que nenhum procedimento tendente a verificar a materialidade do descumprimento das obrigações foi realizada pelo i. Agente fiscal de modo claro e seguro. Ainda com apoio nas valiosas lições de Leandro Paulsen, temos que2: [...] quanto aos efeitos da solidariedade estabelecida, cabe esclarecer que não autoriza o Fisco a efetuar lançamento contra o responsável pelo simples fato de não apresentar à fiscalização, quando solicitado, as guias comprobatórias do pagamento, pelo construtor, das contribuições relativas à obra. Impõese que o Fisco verifique se o construtor efetuou ou não os recolhimentos. De fato, não há que se confundir a causa que atrai a responsabilidade solidária do dono da obra (ausência de documentação exigida comprobatória do pagamento pelo contribuinte) com a pendência da obrigação tributária em si. A responsabilidade solidária recai sobre obrigações que precisam ser apuradas adequadamente, junto aos empreiteiros/construtores, de modo a se verificar a efetiva base de calculo e a existência de pagamentos já realizados, até porque, na solidariedade, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais, nos termos do art. 125, I, do CTN. A análise da documentação do construtor é, assim, indispensável ao lançamento. Em existindo dívida, terseá a possibilidade de exigila de um ou de outro, forte na solidariedade, sem benefício de ordem, conforme se infere do art. 124, parágrafo único do CTN. 2 ob.cit. pags 77/78 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 25 18 Alinhados a tal fundamento é que os julgadores quer nos precederam antes do malfadado "reinício do contencioso" votaram por anular o lançamento. Portanto, não há como deixar de entender nulo o referido ato decisório que votou pela manutenção do lançamento, eis que o procedimento de fiscalização não realizou diligências mínimas no sentido de demonstrar a ocorrência do fato gerador e seu inadimplemento. A Lei nº 8.212/91 não criou nova hipótese de incidência das referidas contribuições, não há base constitucional ou legal para admitir um lançamento cujo o fato gerador seja a não comprovação de que um terceiro relacionado deixou adimplir obrigação tributária. Apurar o tributo, realizar procedimentos fiscalizatórios mínimos aptos a comprovar o inadimplemento das obrigações indicando seus aspectos quantitativos de modo objetivo, claro e alinhando a realidade fática é ato prévio a identificação de situação jurídica apta a trair ao pólo passivo da obrigação um responsável solidário, o que se faz somente se as condições de tal atribuição de responsabilidade estiverem claramente alinhadas as hipóteses legais. Ainda que se possa admitir que ausência de comprovação do atendimento as obrigações fiscais previdenciárias por parte dos empreiteiros gere a presunção de ocorrência do fato gerador e, por consequência, atribuição de responsabilidade solidária ao contratante, isto não implica em autorização do fisco para cobrar tributos já recolhidos ou realizar o lançamento apenas contra o responsável solidário. No presente caso o lançamento foi realizado sem qualquer cuidado quanto a tais elementos essenciais e vinculantes, eis que nenhum ato tendente a demonstrar que o contribuinte principal efetivamente deixou de adimplir as obrigações em lide não foi realizado até o momento do lançamento. Observem que apenas em retorno de diligência alguns procedimentos foram realizados com o objetivo de demonstrar que, de fato, as obrigações em lide deixaram de ser adimplidas e, mesmo neste caso, restou demonstrado que o contribuinte principal aderiu ao REFIS e ao PAEX indicando os fatos geradores em questão para composição dos referidos parcelamentos. Ora, uma condição de todos esses parcelamentos é justamente o pagamento de uma parcela das obrigações, portanto, ainda que tais parcelamentos não tenham seguido seu curso de modo pleno, parte das obrigações tidas por inadimplidas, em realidade foram pagas, não havendo nos autos qualquer demonstração quanto a exclusão de valores duplicados. Assim, independente do posicionamento dos demais membros do colegiado resta claro que não há segurança quanto a inadimplência das referidas obrigações. Outro ponto relevante é que o lançamento foi realizado apenas contra o Responsável Fl. 526DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 26 19 Solidário, eis que, nos autos não constam qualquer indicativos de ter havido o lançamento e notificação original contra o contribuinte principal, o que ocorreu apenas na fase contenciosa do processo. Quanto a alteração dos critérios jurídicos adotados pela administração tributária ao exarar o Enunciado 30/2007, conforme já exposto, não há como admitir sua retroatividade de modo a possibilitar que situações já resolvidas em favor do contribuinte ou responsável retornem a litigiosidade e com base em tal mudança alterem o resultado original do julgamento, o que fere a segurança jurídica e legalidade em clara afronta o art. 149 do CTN. De outro lado, ainda que o Recorrente não tenha suscitado tal questão, considerando que o fundamento do reinício do contencioso tomou por motivador uma alteração dos critérios jurídicos quanto aos requisitos necessários para atribuição de responsabilidade solidária e ainda, em atenção ao disposto no Anexo II, art. 45, inciso VI e art. 62 ambos do RICARF, é necessário analisar a aplicabilidade da Súmula CARF nº 66 ao presente caso. Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Para definir o alcance do termo "órgão da administração pública" podemos recorrer ao que dispõe o DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal que em seu art. 4º define a estrutura da administração. Art. 4° A Administração Federal compreende: I A Administração Direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios. II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: a) Autarquias; b) Empresas Públicas; c) Sociedades de Economia Mista. d) fundações públicas. Portanto, considerando que a Recorrente é Sociedade de Economia Mista, integra a administração pública, entendimento Fl. 527DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 27 20 esse compartilhado pela doutrina e jurisprudência de modo majoritário3. De modo a afastar eventuais dúvidas quanto compatibilidade da referida Súmula ao presente caso, em atenção ao disposto no art. 926, §2º do CPC, realizamos uma analise dos precedentes que deram azo a referida súmula e identificamos que dentre os paradigmas adotados na sua edição o Acórdão n.º 206.00.611, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil tinha por interessado uma fundação pública estadual integrante da administração indireta, tem por interessado a Fundação Clóvis Salgado e Outros, vejamos sua ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 — INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, §2°da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95,somente nas situações previstas no art.31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Assim como a Recorrente, a Fundação Estadual a que se refere o precedente, integra a administração pública indireta, esta na condição de fundação pública e aquela na condição de sociedade de economia mista, portanto, para este relator não há 3 STJ MANDADO DE SEGURANÇA MS 18574 DF 2012/01080270 (STJ) Data de publicação: 07/05/2013 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENSÃO DE DESCONSTITUIR O CARÁTER SIGILOSO ATRIBUÍDO ÀS INFORMAÇÕES RELATIVAS À EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA DA PETROBRAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO SR. MINISTRO DE ESTADO DE MINAS E ENERGIA. 1. A PETROBRAS ostenta natureza jurídica de sociedade de economia mista e integra a Administração Pública Indireta, estando, apenas, vinculada ao Ministério de Minas de Energia (art. 4º , II , c , do DecretoLei n. 200 /67). Logo, ainda que tal empresa tenha a União como sua sócia majoritária, não se sujeita ao Poder Público Central, mas apenas à tutela administrativa, máxime porque goza de autonomia administrativa e financeira. 2. A autoridade impetrada não foi a responsável para atribuição de caráter reservado às informações prestadas, razão pela qual exsurge a sua ilegitimidade passiva ad causam. 3. Segurança denegada (art. 6º , § 5º , da Lei n. 12.016 /2009 combinado com art. 267 , VI, do CPC ). STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1096552 RJ 2008/02341791 (STJ) Data de publicação: 14/09/2009 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – HABEAS DATA – SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – ADMINISTRAÇÃO INDIRETA – ENTIDADE GOVERNAMENTAL – CABIMENTO – REGISTRO PESSOAL – DOCUMENTO PARA INSTRUIR PROCESSO DE REINTEGRAÇÃO DE PERSEGUIDO POLÍTICO. 1. Hipótese em que o particular impetrou habeas data contra a Petrobrás, para que essa apresentasse documento interno com informações pessoais, que comprovariam as razões eminentemente políticas para seu afastamento do quadro de funcionários da sociedade de economia mista ocorrida durante o Regime Militar. 2. As sociedades de economia mista integram a Administração Pública Indireta como 'entidade governamental', para fins do disposto no art. 7º , inc. I , da Lei 9.507 /1997. 3. A informação pleiteada pelo impetrante não é mera comunicação interna da empresa, mas se refere a registro pessoal, inegavelmente, do seu interesse. 4. Recurso especial não provido. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 28 21 dúvida quanto a possibilidade de aplicação do referido entendimento sumulado ao sociedades de economia mista como a Petrobrás, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Considerando que o instrumento de lançamento nada tratou quanto a assunção de responsabilidade direta e total pela obra e nos autos não consta cópia do contrato, é relevante observar que a Recorrente, no período dos fatos geradores, estava obrigada a observar o que dispõe o Decreto nº 2745 de 24 de agosto de 1998 que aprova o Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS previsto no art . 67 da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. Neste regulamento consta do item 7.1.3, alínea "j", que a definição da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos era definida a época nos próprios instrumentos contratuais: 7.1.3Os contratos deverão estabelecer, com clareza e precisão, os direitos, obrigações e responsabilidades das partes e conterão cláusulas específicas sobre: [...] i) as condições referentes ao recebimento do material, obra ou serviço; j) as responsabilidades por tributos ou contribuições; Assim, em que pese a possibilidade de aplicação do Enunciado em operações simulares, ante a ausência de provas quanto a assunção de responsabilidade total direita e total pela obra pelo contribuinte principal, não é possível verificar, com segurança, a Súmula CARF nº 66 ao presente caso. A inaplicabilidade da Sumula nº 66 não altera o entendimento já manifestado quanto a nulidade da decisão recorrida, eis que há ausência de subsunção da operação aos preceitos autorizadores do estabelecimento da responsabilidade solidária na construção civil, seja pelo fato de não estamos tratando de construção, reforma ou ampliação, seja em razão da ilegalidade de estabelecer tal responsabilidade sem segurança quanto a certeza e liquidez do crédito conforme já demonstrado. 3.3. Da mensuração de base de cálculo. Considerando a possibilidade de restar vencido quanto aos pontos anteriores, em que o colegiado teria emitido entendimento no sentido da existência de responsabilidade solidária da Recorrente, há de se avaliar a questão da base de calculo sob a premissa de conformação de tal responsabilidade, eis que, em sendo vencedor, não haveria razão para proceder a tal discussão. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 29 22 E uma vez decidido pela existência de solidariedade, não há outro posicionamento a ser tomado que não a rejeição da tese da Recorrente neste ponto. O questionamento da Recorrente quanto a mensuração da base de calculo é equivocado, pois, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a legislação aplicável é aquela vigente por ocasião do lançamento fiscal, em respeito ao caput do art. 144 do CTN, conforme já manifestado pela decisão Recorrida: Apenas no que diz respeito à forma de apuração da base imponível das contribuições, foi utilizada a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/07/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/05/2000, que fundamentou os critérios de apuração do crédito tributário. No caso de aferição indireta, prevista no art. 33 § 3º da Lei 8.212/1991, o ato normativo definiu o percentual da nota fiscal a ser considerado como saláriodecontribuição por ocasião da ação fiscal. 32. Portanto, o critério de aferição utilizado não fere o princípio da legalidade, eis que: a) O Código Tributário Nacional prevê esta normatização em seu art. 100, inc. I; b) O art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, vigente no período do lançamento, também legitimava este procedimento; Ressaltese que os atos normativos não estabelecem alíquota, mas sim parâmetros de aferição nos casos autorizados pela Lei e pelo Decreto pertinente, conforme devidamente exposto no item 13 do Relatório Fiscal. Isto posto, apenas se vencido quanto aos demais pontos, no que se refere as alegações recursais quanto a base de calculo, voto por não acolher a tese da Recorrente. 3.4. Da exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais. A Recorrente argumenta haver atribuição de responsabilidade dos representantes, sócios e diretores com fundamento no Art. 13 da lei 8212/93, argumentando ser ilegal tal atribuição eis que tal situação jurídica seria decorrência da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais. Em tais caso se aplicaria o disposto no artigo 135 do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 530DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 30 23 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Tal argumento, nos parece advir do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis, eis que não há maiores fundamentações sobe o caso no Relatório fiscal. Com relação a CORESP, apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. O Relator da decisão recorrida, sobre esse tema, lembrou que 'a Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Assim sendo, no caso em tela, despicienda maior argumentação, tal ponto não merece prosperar. 3.5. Da Necessidade de Diligencias Suplementares. A realização de Diligência suplementar é desnecessária, eis que, pela conformação dos autos, foi possível conhecer a matéria de forma plena e favoravelmente as pretensões da Recorrente. Considerando que nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 as diligencias e sua necessidade ingressam no âmbito de discricionariedade do julgador que, entendendo por sua desnecessidade, pode dispensála. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 531DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 31 24 § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De modo que voto por rejeitar tal pedido, eis que a matéria está devidamente instruída tendo viabilizado a emissão de voto favorável a Recorrente. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, de modo preliminar, acolher as alegações de nulidade da decisão recorrida e decadência do lançamento e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao reinício do processo, quanto à mudança de critério jurídico e quanto à discussão acerca da natureza dos serviços contratados. Do alegado reinício do processo Segundo o Relator, ao anular a decisão de primeira instância, o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) teria anulado o próprio lançamento, pois os fundamentos que conduziram a tal resultado teriam feito “referência a elementos materiais e formais do lançamento e não a erros procedimentais na atividade julgadora”. O Relator também faz referência ao despacho da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMAC), no qual é dito que "deverá ter reinício o contencioso administrativo". Fl. 532DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 32 25 Em face a essa situação, o Relator conclui pela impossibilidade de reinício do processo e que teria se extinguido “o direito de constituição [de um novo] crédito ante a decadência”, bem como que seria nula a decisão recorrida “por afronta ao direito de ampla defesa e contraditório do Recorrente, ao devido processo legal e a segurança jurídica”. Pois bem, em que pese toda a argumentação feita pelo CRPS, no julgamento do recurso interposto pela ora Recorrente, o acórdão proferido por aquele Conselho foi claro ao anular, expressamente, a decisão de primeira instância e ao determinar a realização de diligência, nos seguintes termos: Entendo ainda que o INSS não se esforçou em localizar o contribuinte (prestador dos serviços), fazendo publicar edital de citação em praça diversa do contribuinte. Assim deverão ser adotados outros meios para idealizar seu paradeiro (exemplo: diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, cadastro do ISS, etc., utilizandose inclusive edital na praça de localização do contribuinte). Assim entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. CONCLUSÃO Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO N° 17.401.4/0788/2003, fls. 121/'28, determinando que seja observado o que foi exposto no voto acima. Conforme se observa na transcrição acima, apesar do texto não ter seguido a melhor técnica de redação, o CRPS foi inequívoco ao anular, unicamente, a Decisão Notificação e determinar a realização de diligência para que o prestador fosse intimado e para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentasse elementos capazes de justificar o procedimento adotado. Diante desse quadro, a Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro (Centro) encaminhou os autos ao Serviço de Fiscalização para que fosse providenciada a diligência solicitada. Em resposta ao pedido de diligência, a Secretaria da Receita Federal do Brasil4, por meio de sua delegacia correspondente, informou que o INSS não logrou êxito em notificar a empresa prestadora, nem mesmo por edital. Também informou que não houve ação fiscal na prestadora, com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento em pauta. Na sequência, a DEMAC intimou a ora Recorrente e a empresa prestadora da decisão proferida pelo CRPS e do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, no entanto, nenhuma das duas se manifestou. Sendo assim, os 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 33 26 autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no Rio de Janeiro, para que fosse proferida nova decisão de primeira instância. Portanto, apesar da palavra “reinício” ter sido mencionada no citado despacho da DEMAC, tomandose por base a sequência de procedimentos descritos acima, notase, de forma cristalina, que em nenhum momento o contencioso administrativo foi concluído (ou finalizado) e reiniciado, mas sim que está em trâmite desde a sua instauração. Até porque, nenhuma mácula restou evidenciada na base de cálculo apurada pela fiscalização. Ademais, o contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. Dessa forma, como o crédito lançado ainda está em discussão, não há que se falar em decadência e nem mesmo em afronta ao devido processo legal e à segurança jurídica, uma vez que todos os procedimentos adotados pela Administração Tributária estiveram devidamente amparados na legislação de regência, tendo sido concedido à Recorrente e à empresa prestadora o direito de se defenderem de todas as decisões proferidas. Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. 5 Còdigo Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25/10/66). 6 Portaria MPS nº 548, de 13/9/11. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 34 27 Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Na natureza do serviço contratado No item 3.2 do seu voto, o Relator questiona a natureza dos serviços contratados, apontando que, no caso em análise, não estaríamos “diante de um contrato cujo objeto indique a construção, reforma ou ampliação, nem mesmo a classificação como conservação e manutenção relacionadas a construção civil [...], eis que o objeto da contratação está relacionado a limpeza industrial e manutenção de máquinas”. Todavia, a natureza dos serviços prestados não chegou a ser questionada na impugnação, a qual, inclusive, em dois momentos, fez menção expressa a obra de construção, nos seguintes termos: DOS FATOS. Através da NFLD acima identificada, o INSS realizou a constituição de créditos previdenciários, os quais decorreriam de contrato de construção civil, formalizado entre a Recorrente e a empresa mencionada na referida notificação. [...] NO MÉRITO. Da solidariedade. [...] Não tem qualquer cabimento fazer incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose a alíquota sobre um percentual das notas fiscais, eis que tal norma foi criada por mera normatização interna do INSS. Além disso, em uma nota fiscal, o valor dos materiais empregados em uma construção de grande porte é bem superior ao valor referente à mãodeobra, não chegando ao percentual consignado. Portanto, como a natureza dos serviços não chegou a ser prequestionada em sede de impugnação e nem, obviamente, foi objeto de análise pela decisão recorrida, não cabe a este colegiado dispor a respeito. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Fl. 535DF CARF MF Processo nº 18471.001586/200812 Acórdão n.º 2402006.247 S2C4T2 Fl. 35 28 Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13893.720620/2017-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
Os pagamentos, devidamente comprovados, de pensão alimentícia, devida em decorrência de decisão judicial, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2001-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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