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Numero do processo: 10469.729948/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO.
O critério de que se vale o art. 15 da Lei nº 9.249/95, para diferenciar os percentuais aplicáveis para cada atividade, é o custo direto da atividade - por isso que venda de mercadoria é 8% e prestação de serviço é 32%, logo correto que se determine a aplicação do percentual de 8% apenas quando o fornecimento do material a ser incorporado na obra seja exclusivamente de responsabilidade do empreiteiro.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. INDEVIDA.
Não caracterizada a sonegação, fraude ou conluio que ensejariam a qualificação da multa de ofício, o seu percentual deve ser reduzido para 75%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. Contribuição para o PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos demais lançamentos.
Numero da decisão: 1302-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual de multa de ofício para 75%. Vencida a Conselheira Cristiane Costa, que dava provimento integral.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo Andrade, Cristiane Costa, Waldir Rocha, Guilherme Silva e Márcio Frizzo.
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. O critério de que se vale o art. 15 da Lei nº 9.249/95, para diferenciar os percentuais aplicáveis para cada atividade, é o custo direto da atividade por isso que venda de mercadoria é 8% e prestação de serviço é 32%, logo correto que se determine a aplicação do percentual de 8% apenas quando o fornecimento do material a ser incorporado na obra seja exclusivamente de responsabilidade do empreiteiro. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. INDEVIDA. Não caracterizada a sonegação, fraude ou conluio que ensejariam a qualificação da multa de ofício, o seu percentual deve ser reduzido para 75%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. Contribuição para o PIS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos demais lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual de multa de ofício para 75%. Vencida a Conselheira Cristiane Costa, que dava provimento integral. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 99 48 /2 01 1- 68 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo Andrade, Cristiane Costa, Waldir Rocha, Guilherme Silva e Márcio Frizzo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso de voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1137.855 da 4ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LUCRO PRESUMIDO. EMPREITADA SEM FORNECIMENTO DE TODO O MATERIAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE 32%. As receitas de prestação de serviços de construção por empreitada com fornecimento parcial do material incorporado à obra ou sem fornecimento de material estão sujeitas ao percentual de presunção de 32%. LUCRO PRESUMIDO. MATERIAL INCORPORADO À OBRA. CONCEITO. Não são considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na sua execução, como, por exemplo: ferramentas, madeira, prego e uniformes e outros. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. Estando caracterizada a ocorrência isolada ou cumulada de fraude, conluio e sonegação, devida a qualificação da multa de ofício aplicada. TRIBUTO NÃO DECLARADO/CONFESSADO. RECEITAS CONSTANTES DAS NOTAS FISCAIS. DEDUÇÃO O MONTANTE RETIDO. Uma vez que o sujeito passivo não confessou ou recolheu o imposto devido, devida a exigência de todo o montante apurado com base nos valores constantes das notas fiscais de serviço, deduzido do imposto retido pela fonte pagadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. Por ser lançamento reflexo do IRPJ, aplica se ao lançamento de CSLL as mesmas razões de decidir aplicadas àquele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. Por ser lançamento reflexo do IRPJ, aplicase ao lançamento da Cofins, no que couber, as mesmas razões de decidir aplicadas àquele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. Por ser lançamento reflexo do IRPJ, aplicase ao lançamento de PIS, no que couber, as mesmas razões de decidir aplicadas àquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.729948/201168 Acórdão n.º 1302001.189 S1C3T2 Fl. 503 3 A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/10/2012 (doc. a fls. 478) e interpôs recurso voluntário em 09/11/2012 (doc. a fls. 480 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que, embora a receita operacional da empresaautuada já era conhecida pela Receita Federal do Brasil por meio de DIRFs enviadas por seus tomadores de serviços, o Fisco procurou saber junto aos tomadores de serviços a veracidade dos serviços prestados e constatou que o objeto da empresa, no caso em questão, é a execução de obras de infraestrutura de concreto armado, especificamente na execução de formas e moldes de madeira, ou seja, a empresa recorrente executava obra civil unicamente de construção de forma de madeira para concretagem; b) que a concretagem da estrutura física da obra ficava a cargo da empresa contratante ou de outra empresa, não se vinculando aos contratos firmados com a recorrente; c) que é evidente que a empresarecorrente ficava observando a concretagem, objetivando verificar a consistência e firmeza da estrutura de madeira por ela montada, inclusive a posterior desmontagem sucessiva dos moldes e formas, conforme contrato firmado sem o compromisso de executar a concretagem, que ficava a cargo de outra pessoa jurídica; d) que, no Relatório Fiscal elaborado pelo AuditorFiscal, foi dito que os serviços prestados para as contratantes, em todos os casos, foram objeto de convenção contratual firmada individualmente entre a fiscalizada e as tomadoras de serviços; e) que foi dito também que o objeto de cada contrato consistia na execução de serviço de obra, cabendo a contratante o fornecimento do material necessário para execução dos serviços, o que foi confirmado também pelas cláusulas contratuais, nas quais constavam a obrigatoriedade do fornecimento do material, restando inquestionável, conforme referido relatório, o fato de que a recorrente executava os serviços contratados, mas com materiais fornecidos pela empresa contratante, porém isso não signiflca dizer necessariamente que a empresa contratante tenha custeado material, mas quando adquirido por esta era ressarcido pela empresa contratada; f) que, conforme bem frisou o AuditorFiscal, na execução das empreitadas, consta que na escrituração contábil da empresa recorrente foi utilizada a quantia de R$ 373.984,91 em material utilizado no anocalendário de 2009, adquirido diretamente pela própria empresa recorrente, enquanto que nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela recorrente, no mesmo período, consta a utilização de material da ordem de R$ 3.092.356,74, o que significa que a empresa aplicou efetivamente R$ 3.092.255,74 em materiais na execução dos contratos, independentemente se o material foi adquirido pela contratante ou pela contratada; g) que, se o material foi adquirido pelo contratante, este foi ressarcido no ato do pagamento da nota fiscal emitida pela empresa prestadora de serviços, sendo que a tributação na fonte IR, CSLL, Cofins e PIS/Pasepi, a cargo da contratante, foi feita em cima da totalidade da nota fiscal, em que se incluía a totalidade da mãodeobra empregada e a totalidade de materiais utilizados; h) que, na liquidação da fatura emitida pela contratada, a empresa contratante descontava dos valores a pagar, os materiais adquiridos por esta, quando aplicados à obra, o que é uma prática usual, mas que não traz nenhum prejuizo para o Fisco Federal; i) que o importante é que a tributação recaiu sobre a totalidade do contrato, com a aplicação integral dos materiais; Fl. 523DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 j) que seria uma temeridade a empresa emitir a nota fiscal cheia, incluindo serviços e materiais e determinar uma base de cálculo majorada para imposto de renda e contribuição social ao percentual de 32% (trinta e dois por cento); l) que seria mais lógico aplicar o percentual de 32% somente sobre os serviços prestados, o custo do material a cargo da empresa contratante, sem fazer qualquer ressarcimento; m) que esses fatos podem ser visivelmente observados nas notas fiscais emitidas pela recorrente e que constam do presente processo (fls. 167 a 318); n) que a autuação majorada baseouse em fatos dissociados da realidade, pois o Fisco achou estranho o pouco material utilizado na execução dos serviços, alegando as disposições contratuais e a descrição das notas flscais, levando em consideração apenas o material adquirido diretamente pela empresa contratada, no valor de R$ 373.984,91; o) que é obvio que a execução do serviços contratados demanda muita mão deobra, inclusive especializada, e que os materiais utilizados, mesmo sendo a totalidade, não representam valores significativos; p) que o Fisco verificou na escrituração contábil a aquisição de materiais utilizados na execução das obras, tais como: madeira, prego, ferramentas e outros instrumentos necessários à execução de formas ou moldes para serem utilizados na concretagem da estrutura da obra civil; q) que o serviço de construção civil contratado foi executado com utilização total do material, conforme contratos, ou seja, na execução dos serviços contratados foi aplicada a totalidade dos materiais, sejam adquiridos pela empresa ou por terceiros, inclusive pela contratante, mas a totalidade do custo foi atribuida à empresa recorrente. Tratase de obra pronta e acabada; r) que a totalidade do custo com material adquirido pela contratante foi ressarcido pela contratada no ato da liquidação de cada fatura, mas o AuditorFiscal não se preocupou com esse fato, mesmo a empresa sendo tributada na fonte pela totalidade da nota fiscal, com inclusão da totalidade dos materiais utilizados; s) que, na realidade, o AuditorFiscal deixou de cotejar o total contratado para execução dos serviços e o total das notas fiscais emitidas; t) que, na execução dos serviços contratados são utilizados, além da madeira propriamente dita, outros matérias, tais como: prego, arame, amarras, martelo, prumos, serrotes, disco de corte, entre outros bens consumíveis na obra, sendo que dizer que esses bens não se incorporam a obra e total desconhecimento do processo produtivo na construção de imóvel; u) que a madeira é utilizada em um pavimento e reutilizada nos pavimentos seguintes, mas com cortes sucessivos, já que as vigas e as colunas vão diminuindo de largura à medida que a obra se eleva; v) que, no final, as madeiras, já bastante utilizadas ficam empenadas e deformadas, sem prumo e sem consistências para serem reaproveitadas em outras obras, ficando, portanto, imprestáveis; x) que, dizer que a madeira e os demais materiais não se integram a obra é o mesmo que dizer que tijolos quebrados e outras sobras, entulhos, não se incorporam ao custo da obra, como a serra utilizada, a madeira utilizada, o prego utilizado, a pá utilizada, a enxada utilizada, etc.; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.729948/201168 Acórdão n.º 1302001.189 S1C3T2 Fl. 504 5 z) que, no item 2 do Relatório Fiscal foi dito que a empresaautuada somente executou serviços, sem emprego materiais, contradizendo o que foi dito no item 1 do mesmo relatório, em que informa a aquisição de madeira, pregos, etc; aa) que o autuante deixou também de considerar a inclusão da totalidade dos materias constantes das notas fiscais; ab) que o AuditorFiscal fez referência ao Ato Declaratório Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, já derrogado, desconhecendo a legislação de regência, pois até o dia 26 de abril de 2005, na forma como estava disposto no Ato Declaratório Cosit n° 6, de 1997, o percentual de presunção aplicado sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido, base de cálculo do imposto de renda, era de 32% (trinta e dois por cento) na atividade de prestação de serviço de construção civil, quando houvesse emprego unicamente de mãode obra, e de 8% (oito por cento) quando ocorresse emprego de materiais em qualquer quantidade; ac) que, desde o dia 29 de dezembro de 2004, por conta da INSRF n° 480, de 15/12/2004, que dispõe sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados no fornecimento de bens e serviços, a Receita Federal mudou de entendimento, determinando que os Órgãos públicos federais, de um modo geral, deveriam reter o imposto de renda (IR) a razão de 1,2% (8% x 15%) sobre o montante pago, somente na hipotese de fornecimento pelo empreiteiro de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, onde se admite uma presunção de lucro de 8% sobre os serviços prestados pelo empreiteiro, pois é isso o que se depreende da leitura do art. 1°, inciso ll do § 7° e § 9°, da IN acima, sendo que a retenção da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) continuaria a ser de 1% sobre o montante pago, independentemente de aplicação de material na obra; ad) que, na hipotese de se incluir na empreitada apenas parte do material, a retenção será de 4,8% (32% x 15%) e de 1,0%, em relação ao IR e a CSLL, respectivamente, sobre o montante faturado, tendo por base uma presunção de lucro de 32% sobre o faturamento, em relação ao Imposto de Renda; ae) que, como a nova norma tratava apenas de retenção, entendiase que as retenções não tinham reflexo na determinação do lucro presumido, ou seja, não alterava a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei 9.249/95 (art. 32 da IN 480); af) que, a partir do dia 27 de abril de 2005, o art. 32 da Instrução Normativa 480 foi alterado pela INSRF n° 539, de 25/12/2005, para evidenciar que o percentual de 8%, usado na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda, só deveria ser aplicado no caso de construção por empreitada que contemplasse a totalidade dos materiais, sendo que esse entendimento vale também para a CSLL, que passou a ter percentuais de presunção 12% ou 32%, respectivamente, na hipotese de se incluir todos os materiais ou somente parte; ag) que nenhum momento o Fisco demonstrou que houve emprego de material fornecido por terceiros e/ou pelos tomadores dos serviços, sem que houvesse o respectivo ressarcimento; ah) que a execução da obra foi realizada pelo prestador do serviço, com a inclusão de todo o material, independentemente dos valores empregados; ai) que, ante o exposto, a verdadeira tributação seria idêntica à aplicada à indústria, sendo o percentual de presunção do lucro de 8% para formação da base de cálculo do IR e de 12% para a CSLL, na forma como dispõe a legislação tributária, regulamentada pela lNSRF n° 93/97; Fl. 525DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 aj) que a declaração inexata apresentada seria retificada para lucro presumido, com a informação de que os impostos e contribuições seriam apurados pelo “Regime de Caixa”, na forma determinada disciplinada no § 2° do art. 516 do RIR/99; al) que, no julgamento de 1° Instância, no item 18.1, confirma que apenas a empreitada na modalidade total passou a estar sujeita ao percentual de 8% para o imposto de renda, o que não houve contestação; am) que se contestou foi à autoridade fiscal atribuir o percentual de 32% na hipótese de a empresa aplicar a totalidade dos materiais aplicados à obra, independentemente de quem tenha adquirido o material, não levando em consideração o custo ressarcido pelas empresas contratadas; an) que a autoridade julgadora elencou diversas soluções de consultas sobre o tema, em que não foi questionada a legislação, mas somente o entendimento do Fisco na lavratura ao Auto de Infração; ao) que a autoridade julgadora fez citar o art. 79 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 2002), em que diz que “são bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente" e depois cita o art. 84 do mesmo diploma legal, em que esclarece que os bens adquiridos, mas não utilizados na obra não integram o custo de imóvel, sendo considerados apenas bens moveis, o que é obvio; ap) que vale esclarecer que não se incorpora ao imóvel os gastos com equipamentos e móveis que podem ser desmembrados os deslocados, como por exemplo: equipamento de ginástica, móveis e armarios que podem ser removidos sem alterar o imóvel propriamente dito; aq) que a construção de formas e moldes de madeira para concretagem não está dentro do conceito acima, já que esse custo faz parte integrante do imóvel, da mesma maneira que a mãodeobra trabalhada na construção do edifício, que também integra o custo de bem imóvel; ar) que, pelo conceito sobre formação do custo do imóvel, não se aplica o § 9° do art. 1° da IN SRF n° 480, de 2004, em que diz que “não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizado e os matérias consumidos na execução da obra”; as) que não se aplica porque os contratos celebrados entre a empresa recorrente e as empresas contratadas foram realizados dentro do conceito de gastos que se incorporaram às obras, como a integralidade dos materiais aplicados e a mãodeobra necessária a execução da obra, observando a legislação comercial e aos principios contábeis geralmente aceitos; at) que, no item 27 do julgamento de 1° Instância, foi dito que "não resta dúvida de que os bens adquiridos pelo Sujeito pelo sujeito passivo e por si utilizados são materiais necessários para a execução de uma obra", porém nega a aplicabilidade do percentual de lucro presumido de 8%, alegando que o fornecimento de tais materiais, como por exemplo, prego, não caracteriza empreitada com fornecimento de materiais, ora, será que a aplicação de um bem que não esteja dentro do concreto ou dentro da parede do imóvel descaracteriza a utilização de percentual de lucro de 8%?; au) que apresenta os cálculos dos valores que entende devido a título dos tributos em tela; ax) que para que a multa de ofício qualificada possa ser aplicada é necessário que se comprove de maneira inequívoca o evidente intuito de fraude, o que não ocorreu no presente caso; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.729948/201168 Acórdão n.º 1302001.189 S1C3T2 Fl. 505 7 az) que a recorrente reconhece as distorções entre a receita declarada na (DIPJ) e a receita contábil escriturada corretamente, mas isso, por si só, não caracteriza sonegação fiscal, pois não houve intuito de fraudar o fisco, já que a Receita Federal do Brasil conhecia antecipadamente a sua receita, podendo lançar os tributos “de oficio”; aaa) que não cabia multa qualificada de 150%, já que caracterizou apenas irregularidade fiscal, não imputando a empresa característica de sonegação fiscal, tais como fraude ou conluio, o que não é o caso presente; aab) que, com certeza, o procedimento fiscal iniciouse por conta de malha fiscal entre valores declarados na DIPJ e informações contidas em Dirf transmitidas pelos contratantes; aac) que não é comum a RFB fiscalizar o exercicio de 2010 no ano calendário de 2011, a não ser por conta de malha fiscal, logo, não haveria possibilidade de a empresa recorrente omitir rendimentos, já que a RFB disponha dessas informações, inclusive dos impostos e contribuições retidos por seus tomadores de serviços, via Dirf; aad) que a irregularidade seria apenas no recolhimento de parte do IR e da CSLL, os quais seriam ajustados oportunamente, mas sem intenção de sonegação; aae) que haveria intuito de fraude se a empresaautuada apresentasse a declaração como inativa e que, concomitantemente, a Receita Federal não tivesse conhecimento de suas receitas, ou seja, seria sonegação fiscal se a pessoa jurídica apresentasse declaração de inatividade, em que denotaria a inexistência de qualquer movimentação financeira, economica ou patrimonial, o que não e o caso presente; aaf) que, quanto às retenções dos impostos e contribuições aplicadas às receitas operacionais da empresa, na forma como dispõe a Lei n° 10.833/03, a empresaautuada nunca questionou as retenções efetuadas, já que estaria dispensada dessas retenções por conta da IN n° 459/04, art. 1°, § 2°, inciso IV, em que obriga as retenções somente para as profissões relacionadas no § 1° do art. 647 do Decreto n° 3.000, de 1999 RIR/99, fazendo excluir os serviços de engenharia de construção, pontes, prédios e obras assemelhadas, passando a exigir somente nos casos de projetos de engenharia (item 17 do dispositivo acima); aag) que essas retenções feitas, sem base legal, já que todos os seus clientes são pessoas jurídicas de direito privado (construtoras), fez com que a empresaautuada ficasse mais tranquila quanto às obrigações principais e acessórias, mas sem intenção de sonegar tributos, já que a quase totalidade já estariam pagos por meio de retenções na fonte; aah) que quem retém os tributos e contribuições federais não é a empresa contratada (autuada), mas a empresa contratante, ou seja, aquela quem paga os produtos adquiridos ou serviços prestados por terceiros e, apesar de a empresa contratante não ter nenhuma obrigação de reter os impostos e contribuições federais por conta da natureza dos serviços prestados, conforme já devidamente esclarecido na impugnação, o fez na certeza de que estava fazendo retenções corretamente, utilizando os percentuais usuais aplicáveis na construção civil, na convicção de que a prestadora de serviços estava aplicando a totalidade dos materiais aplicáveis às obras contratadas; aai) que a decisão de 1° grau cria situação fantasiosa, não entendendo efetivamente o que ocorria na prestação de contas entre a empresa prestadora de serviços e as empresa contratantes., pois diz no item 38.1 que a recorrente praticou informação falsa em notas fiscais, quando, em nenhum momento o Fisco não identificou nem demostrou que a empresa emitiu nota fiscal falsa; Fl. 527DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 aaj) qu a receita apurada pelo Fisco, via Dirf, é exatamente igual ao que foi levantada in loco pela ação fiscal, com a soma das notas fiscais emitidas para os tomadores de serviços, o que ocorria, na realidade, e que não foi entendido pelo julgador, era a dedução do valor da fatura, ou recibo, de aquisição de materiais comprados pelo tomador de serviço e descontado do valor da nota fiscal emitida pelo recorrente. Exemplo: O contrato foi celebrado para que o prestador de sen/iços aal) que, no item 38.2, em que trata do conluio, o engano segue a mesma linha do item anterior, já, no item 38.3, alega que a falta de confissão de débitos na DCTF caracteriza sonegação fiscal, o que não, necessariamente, caracteriza fraudar o fisco, já que a totalidade das contribuições PIS/Pasep e Coflns foram declaradas pelo "regime de caixa", em que os valores retidos pelo tomador do serviço devem ser deduzidos do valor a pagar, zerando o valor a ser informado na DCTF; aam) que eventuais declarações inexatas caracterizam irregularidade fiscal, mas nunca sonegação, em que enseja multa qualificada; aan) que a multa de ofício regulamentar de 75% seria a adequada, no caso concreto. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito pelo representante legal da recorrente (Cláusula Sétima do Contrato Social a fls. 40), razão pela qual dele conheço. Inicialmente, verifico que, do cotejo das planilhas apresentadas pela recorrente em sua peça recursal (a fls. 492 a 495) com aquelas constantes do Relatório Fiscal (a fls. 393 a 397), verificase que não há controvérsia a ser dirimida no que tange ao valor das receitas omitidas e do valor dos tributos que foram retidos na fonte pelas tomadoras de serviços da recorrente, pois a fiscalização e a recorrente concordam com tais valores. A questão ora em julgamento reside em saber se o percentual de presunção do lucro a que estaria submetida a recorrente seria 8% ou 32%, para tanto, fazse mister que, primeiramente, verifiquemos a norma de regência da matéria e, posteriormente, analisemos os contratos de prestação de serviços a fls. 48 a 163, dos quais se originaram as receitas omitidas que deram ensejo aos lançamentos em tela. Não obstante os contratos sejam analisados mais a frente, ressalto, desde já, que a atividade da recorrente consistia em fornecer mãodeobra e materiais para a execução de forma e escoramento e mãodeobra para execução da montagem de aço, lançamento e adensamento do concreto em obras de construção civil. Entendo que esse serviço se enquadra no conceito de construção por empreitada, tanto que a Lei Complementar nº 116/03, que dispõe sobre o ISS, classifica tal atividade no item 7.02 da sua lista de serviços, o qual assim dispõe: 7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos (exceto o Fl. 528DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.729948/201168 Acórdão n.º 1302001.189 S1C3T2 Fl. 506 9 fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador de serviços fora do local da prestação dos serviços, que fica sujeito ao ICMS). Para verificarmos qual o percentual de presunção do lucro é aplicável para a atividade da recorrente, vale a transcrição do art. 15 da Lei 9.249/95, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. Do teor do dispositivo acima transcrito, não se encontra um enquadramento específico para a atividade da recorrente, logo, prima facie, poderseia sustentar que a atividade da recorrente se enquadra em prestação de serviços e, assim, aplicarlheia o percentual de 32% de presunção do lucro. Por sua vez, a Receita Federal distinguiu a atividade de construção por empreitada, se não vejamos como dispunha o Ato Declaratório Normativo nº 6/97: Fl. 529DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Saliento que a vedação do inciso II acima tinha amparo no inciso IV do art. 36 da Lei 8981/95, o qual foi revogado pela Lei 9.718/98. Desse modo, embora o § 2º do art. 15 da Lei nº 9.249 disponha que “No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade”, entendeu o ADN 6 que sobre todo o valor a receita originada de construção por empreitada, em que houver emprego de material em qualquer quantidade, o percentual de presunção de lucro seria 8%. Sustenta a decisão recorrida que “Não resta dúvida de que a nova redação dada ao art. 32 da IN SRF nº 480, de 2004, pela IN SRF nº 539, de 2005, alterou o entendimento disposto no ADN nº 6, de 1997. Isto porque estabeleceu que as disposições contidas na primeira norma alteravam a regra de aplicação do percentual de presunção para receitas decorrentes de prestação de serviços de construção por empreitada”. Com efeito, o inciso II do § 7º do art. 1º da IN 480 (com a redação dada pela IN 539) definiu “construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra” e o art. 32 dispôs que, no que concerne à construção por empreitada com emprego de materiais, as disposições da IN 480 alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração do lucro presumido. Ora, como atos infralegais não podem alterar os aspectos da hipótese de incidência tributária, ou o ADN 6 ou a IN 480 contempla uma interpretação fora do esquadro legal ou então, ambos os atos são ilegais. Da análise dos atos acima transcritos, entendo que o ADN 6/97 não tinha base legal, pois o art. 15 da Lei 9.249/95 até excetua alguns serviços da incidência do percentual de 32% (hospitalares, transportes e outros), mas não há qualquer menção aos serviços relativos a obras de construção civil por empreitada. Por sua vez, em obediência ao § 2º do art. 15 em tela, haveria de ser aplicado o percentual de 8% sobre o que fosse receita na venda do material incorporado à obra e 32% sobre a receita pela prestação de serviço. Essa, certamente, é a interpretação que mais estaria em consonância com a literalidade da lei. Todavia, o § 7º do art. 1º da IN 480 diferencia de maneira bem razoável duas situações, quais sejam: serviços prestados com emprego de materiais: os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da Fl. 530DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.729948/201168 Acórdão n.º 1302001.189 S1C3T2 Fl. 507 11 prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; construção por empreitada com emprego de materiais: a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Aplicando tal entendimento na interpretação do art. 15 em tela, concluise que estaria sujeito ao percentual de presunção do lucro de 8% a construção por empreitada na modalidade total, em que o empreiteiro fornece todos os materiais que serão incorporados à obra. Por sua vez, se o prestador do serviço não fornece todos os materiais que serão incorporados à obra, ficará sujeito a 8% apenas sobre a parcela da receita relativa ao fornecimento de tais materiais e, mesmo assim, desde que a prestação de serviços e os materiais estejam discriminados separadamente no documento fiscal. Justificase, pois, a aplicação de 8% sobre toda a receita da prestação de serviço de construção civil por empreitada na modalidade total, pela relavância dos custos diretos relacionados aos materiais aplicados na obra na formação do custo total da prestação desses serviços. Assim sendo, como o critério de que se vale o art. 15, para diferenciar os percentuais aplicáveis para cada atividade, é o custo direto da atividade – por isso que venda de mercadoria é 8% e prestação de serviço é 32%, parece correto que se determine a aplicação de 8% quando o fornecimento do material a ser incorporado na obra seja exclusivamente de responsabilidade do empreiteiro. Ao se compulsar as fls. 48 a 163 dos autos, verificase que os contratos celebrados pela recorrente não se enquadram como construção civil por empreitada na modalidade total, se não vejamos: a) no contrato com a Fúcsia Empreendimentos S.A.: 1.1. O objeto do presente contrato é o fornecimento de mão de obra e materiais para execução da forma e escoramento e fornecimento de mãode obra para execução da montagem do aço, lançamento e adensamento do concreto da Infra e Super Estrutura do EMPREENDIMENTO SOLAR ALTAVISTA, situado na Rua Ismael Pereira Silva, S/N, Capim Macio, Natal RN, em construção pela ANUENTE, com volume total estimado aproximadamente em 12.425,23 m3 (doze mil e quatrocentos e vinte e cinco e vinte e três metros cúbicos) de concreto armado, conforme Relatório Volumétrico Fornecido pelo Calculista, Eng° Civil João Medeiros. b) nos contratos com a Capuche Empreendimentos Imobiliários Ltda. a fls. 63, 105 e 156: 2. OBJETO Define se como objeto do presente contrato a execução, sob o regime de preços unitários, as obras de superestrutura das Torres Ae B 13 Etapa da obra SUN HAPPY, situado na Av, Abel Cabral, Nova Parnamirim, Natal/RN. 2.1. Nenhuma modificaçao poderá ser feita pela Contratada nos projetos sem o consentimento por escrito do CONTRATANTE, mesmo que tal modificação não influa no preço ajustado. 2.2. As obras e serviços, ora contratados, partirão do seu estado atual e compreenderão todos os encargos e despesas relativos a: forma completa, mãodeobra para ferragem e concreto, ferramentas, equipamentos, enfim, todos os encargos diretos e indiretos necessários à completa execução dos serviços até sua entrega; 2.3 Ficará sob a responsabilidade da CONTRATANTE o fornecimento de Fl. 531DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 a) Energra elétrica, água, níveis, projetos, elevador para transporte vertical (material e pessoaI) com operadores. b) Todo aço CA50 e CA60 mais arame 18, de acordo com as quantidades previstas no projeto estrutural. c) Concreto prémisturado, (fck 25, 30 e 35 Mpa) nas quantidades previstas no projeto estrutural e nas etapas onde o mesmo seja aplicado. d) Cimento; areia grossa, brita nas quantidades previstas no traço fornecido pela CONTRATANTE, correspondente aos volumes de concreto executado dos piIares e escadas. 2.4 Os prumos, níveis, escoramentos e alinhamentos das formas, bem como, toda ferragem, serão aprovados pelo engenherro da obra, antes de cada etapa de concretagem. c) nos contratos com a Capuche Empreendimentos Imobiliários Ltda. a fls. 125 e 150, o objeto é mesmo acima exposto, apenas a disposição acima transcrita consta de duas cláusulas diferentes (2. Objeto e 5. Obrigações da Contratante); d) nos contratos com a Constel Construções e Telefonia Ltda. (fls. 70, 80 e 93): Cláusula Primeira Do Objeto Pelo Presente Intrumento a CONTRATADA se obriga a fornecer serviços e demais recursos necessários a realização das obras de fundação (sapatas e/ou blocos de coroamento), pilares, vigas e lajes de concreto armado, dos 04 (quatro) Edifícios de Condomínio Residencial Sirius, Incorporado pela CONTRATANTE, localizado na Av. Abel Cabral nº 1397 – Nova Parnamirim – Parnamirim – RN, CEP 59515250, em conformidade com os anexos integrantes citados na Cláusula Segunda do presente instrumento. ............................................................................................................................. 5.2 São obrigações da CONTRATANTE, além das previstas ou decorrentes do Pedido de Contratação e de seus documentos integrantes, as seguintes: (...) 5.2.3 Fornecer o Concreto Usinado e bombeado, Aço cortado e dobrado, arame 18, Betoneira, equipamento de transporte vertical de pessoal e material com operador. 5.2.4 Fornecer os materiais das bandejas para proteção. e) nos contratos com Cidade Verde Ltda. (fls. 111 e 115): CLÁUSULA I DO OBJETO DO CONTRATO: ` 1.1. A CONTRATADA se obriga a executar, sob o regime de preços unitários, as obras de Superestrutura do Condominio Caminho das Dunas, situado entre as ruas Dona Maria Câmara e Desembargador José Gomes da Costa no Bairro de Capim Macio, NatalRN, tudo de acordo com os projetos e planilha orçamentária anexos ao presente contrato; 1.2. Nenhuma modificação poderá ser feita pela CONTRATADA nos projetos sem o consentimento por escrito do CONTRATANTE, mesmo que tal modificação não influa no preço ajustado; 1.3. As obras e serviços ora contratados partirão do seu estado atual e compreenderão todos os encargos e despesas relativas aos serviços de: execução de forma completa, mãodeobra para ferragem e concreto, ferramentas, equipamentos, enfim, todos os encargos diretos e indiretos necessários à completa execução dos serviços ate sua entrega; 1.4. Convém salientar que para consecução do objeto contratual serão utilizados todos os equipamentos necessários, de acordo com o projeto fornecido pela CONTRATANTE, ficando, ainda responsável por todos os encargos sociais: INSS, FGTS, ISS, Acidente de 'Trabalho ou quaisquer outros tributos federais, estaduais ou municipais. ' Fl. 532DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.729948/201168 Acórdão n.º 1302001.189 S1C3T2 Fl. 508 13 1.4. Convém destacar ainda que a presente relação contratual estabelecida entre a CONTRATANTE e a CONTRATADA não se regerá pelas normas estabelecidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas pelas constantes nos artigos 593 e seguintes do Novo Código Civil, o que significa dizer que a CONTRATADA não se acha sob vinculo de subordinação para com a CONTRATANTE. ................................................................................................................... CLÁUSULA III DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE: 3. Caberá á CONTRATANTE: (...) Energia elétrica, água, niveis, projetos, elevador para transporte vertical (material e pessoal) com operadores; Fornecer todo o aço CA50 e CA60, cortado e dobrado, mais arame 18, de acordo com as quantidades previstas no projeto estrutural, acrescidas as perdas; Fornecer concreto premisturado (fck de projeto) nas quantidades previstas no projeto estrutural e nas etapas onde o mesmo seja aplicado. Informar o traço de concreto, em volume, em caso de dosagem na própria obra; Fornecer cimento, areia grossa e brita nas quantidades previstas no traço fornecido, correspondente aos volumes de concreto executado dos pilares e escadas, quando assim for utilizado; (...) Fornecer material para a execução da montagem das bandejas por parte da CONTRATADA. f) no contrato com Construtora Colméia S/A (fls. 131): 1. CLÁUSULA PRIMEIRA – OBJETO DO CONTRATO O presente contrato tem por objeto a execução, em regime de empreitada, da Infra Estrutura (blocos, sapatas e vigas de fundação) e Estrutura de Concreto Amrado, nas quantidades e especificações definidas no projeto estrutural e no projeto de fundação, entendendcse por conta da empreitada os serviços de escavações de blocos, sapatas e cintas de fundação para infra estrutura, confecção de forrnas, montagem das formas e armaduras, lançamento de concreto, desforma e serviços correlatos.. O serviço objeto deste contrato será executado na obra do condominio Living Garden, localizado à Rua Ceará Mirim, 1140 Tirol Natal RN. ............................................................................................................................. 3. CLÁUSULA TERCEIRA OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE 3.10 Fornecimento do concreto bombeado ou convencional, aço com serviços de corte e dobra, arame recozido, cordoalhas e assessórios para protensão em tempo para que não ocorra atrasos nem paralisações da equipe da CONTRATADA que terá o direito de cobrar à CONTRATANTE o custo de sua equipe caso isso ocorra, desde de que todas as programações tenham sido passadas com 30 [trinta ] dias de antecedência pela contratada a contratante; 3.11 Fornecimento dos materiais e equipamentos de proteção coletiva; 3.12 Fornecer energia e água para a execução dos serviços; 3.13 Fornecer os materiais das bandejas elou redes de proteção para cumprimento da Cláusula segunda, item 2.9 pela CONTRATADA, bem como as ferramentas [talhas e chaves] necessárias a montagem das redes de proteção; Fl. 533DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 3.14 Fomecer equipamento de transporte vertical tipo elevador de carga com operador. Neste caso serão determinados horários para uso. Assim sendo, fica claro que parte dos materiais que seriam incorporados à obra seriam fornecidos pelos contratantes da recorrrente, razão pela qual, à luz do disposto nesses contratos, é correta a aplicação do percentual de presunção do lucro de 32% sobre as respectivas receitas, conforme concluiu a autoridade lançadora. Ademais, as notas fiscais emitidas pela recorrente (a fls. 167 a 282) não discrimina separadamente o fornecimento de material e a prestação de serviço, o que impossibilita a aplicação do disposto no § 2º do art. 15. Quanto à alegação de que ressarcia os contratantes pelos materiais, por eles, fornecidos, a recorrente não apresenta disso, se não vejamos como se pronuncia no recurso voluntário: “Na liquidação da fatura emitida pela contratada, a empresa contratante descontava dos valores a pagar, os materiais adquiridos por esta, quando aplicados à obra. Isso é uma prática usual, mas que não traz nenhum prejuizo para o Fisco Federal. O importante é que a tributação recaiu sobre a totalidade do contrato, com a aplicação integral dos materiais. Seria uma temeridade a empresa emitir a nota fiscal cheia, incluindo serviços e materiais e determinar uma base de cálculo majorada para imposto de renda e contribuição social ao percentual de 32% (trinta e dois por cento). Seria mais lógico aplicar o percentual de 32% somente sobre os serviços prestados, deixando o custo do material a cargo da empresa contratante, sem fazer qualquer ressarcimento. Esses fatos podem ser visivelmente observados nas notas fiscais emitidas pela recorrente e que constam do presente processo (fls. 167 a 318).”. Equivocase a recorrente, pois as notas fiscais a fls. 167 a 318, por óbvio, não provam que houve o ressarcimento alegado e, pior, sequer discriminam qualquer valor de mercadoria aplicada na obra, logo, sequer se pode concluir que parte do valor lançado nas notas se refere a mercadorias adquiridas pelas contratantes. Por último, entendo que a multa de ofício deve ser reduzida para o percentual de 75%, pois não é razoável entender que, no contexto fático dos autos, que a recorrente tivesse a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Pior ainda falar em fraude, como sustentado no TVF. Isso porque todas as receitas não oferecidas à tributação tinham sido objeto de DIRF, entregues pelas fontes pagadoras, e de retenção na fonte, logo, a recorrente sabia que o Fisco tomaria conhecimento de tais receitas, independentemente da conduta que viesse adotar. Tanto é assim, que a autoridade lançadora informa no TVF, a fls. 389, que: “O cotejo entre os documentos apresentados e as informações constantes nos sistemas da Receita Federal do Brasil, tudo conforme a legislação vigente à época dos fatos, resultou na caracterização de infrações à legislação tributária federal, a seguir descritas e fundamentadas.” Por sua vez, a autoridade fiscal equivocase, na sua fundamentação, quando alega que: “E o que se constatou é que os valores foram sistematicamente retidos a menor, como se tratasse de prestação de serviços com emprego de material”. Ora, a responsabilidade pela retenção na fonte era das contratantes da recorrente, logo, à míngua de qualquer prova de que teria havido um acordo espúrio entre elas para que o recolhimento fosse feito a menor, não se poderia imputar à recorrente a responsabilidade pelo que o autuante chamou de recolhimento sistematicamente feito a menor. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10469.729948/201168 Acórdão n.º 1302001.189 S1C3T2 Fl. 509 15 Quanto ao fato de que a recorrente adotou indevidamente o regime de caixa na apuração da Cofins e PIS, pareceme que não é suficiente para configurar sonegação ou fraude. Ademais, a própria fonte pagadora já tinha aplicado o percentual de presunção do lucro de 8%, interpretação que não era absurda, embora equivocada – conforme retro demonsrtrado já que a própria administração tributária chegou a ter esse mesmo entendimento durante algum tempo. Assim, entendo não caracterizada a sonegação, fraude ou conluio que ensejariam a qualificação da multa de ofício, o seu percentual deve ser reduzido para 75%. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar provimento parcial, apenas para desqualificar a multa de ofício, reduzindo, consequentemente, o seu percentual para 75%. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 535DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/0 1/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19740.000110/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
COFINS. IMUNIDADE. ART. 195, § 7º DA CF/88. REQUISITOS PREVISTOS EM LEI. PREENCHIMENTO. NECESSIDADE.
As entidades arroladas no art. 195, § 7º da CF/88, para que possam gozar da imunidade ali insculpida, devem preencher os requisitos previstos em lei específica, no caso, a Lei nº 8.212/91, que, por intermédio de seu art. 55, define as condições necessárias para tal desiderato.
COFINS. ISENÇÃO. RECEITAS PRÓPRIAS DA ATIVIDADE. ART. 14, X DA MP. 2.158-35/2001.
As entidades de assistência social que atendam às disposições do art. 12 da Lei nº 9.532/97, que gozam da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c da CF/88, tem direito à isenção da Cofins sobre as receitas próprias de sua atividade, por força do art. 14, X da Medida Provisória nº 2.158-35/2001.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso do contribuinte. Sustentou pela recorrente Drª Ariene Amaral OAB/DF 20.928.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. RESP 973.733SC. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 973.733SC, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, decidiu que o dies a quo para contagem da decadência para o exercício do direito de constituir/formalizar o crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por obrigação, quando inexistente pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Manifestação judicial que deve obrigatoriamente ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62A do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/09. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. IMUNIDADE. ART. 195, § 7º DA CF/88. REQUISITOS PREVISTOS EM LEI. PREENCHIMENTO. NECESSIDADE. As entidades arroladas no art. 195, § 7º da CF/88, para que possam gozar da imunidade ali insculpida, devem preencher os requisitos previstos em lei específica, no caso, a Lei nº 8.212/91, que, por intermédio de seu art. 55, define as condições necessárias para tal desiderato. COFINS. ISENÇÃO. RECEITAS PRÓPRIAS DA ATIVIDADE. ART. 14, X DA MP. 2.15835/2001. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 10 /2 00 5- 59Fl. 524DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 As entidades de assistência social que atendam às disposições do art. 12 da Lei nº 9.532/97, que gozam da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c” da CF/88, tem direito à isenção da Cofins sobre as receitas próprias de sua atividade, por força do art. 14, X da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso do contribuinte. Sustentou pela recorrente Drª Ariene Amaral OAB/DF 20.928. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Cofins, período fevereiro/1999 a dezembro/2000, relativo a diferenças apuradas a partir da contabilidade do contribuinte, entidade fechada de previdência complementar. Narra a autuação, após historiar a legislação que rege a incidência da contribuição para as pessoas jurídicas do gênero, que não houve recolhimento do tributo no período lançado, tampouco declaração dos valores devidos. Em impugnação sustentouse a decadência parcial do lançamento (período fevereiro/1999 a março/2000), por força do art. 150, § 4º do CTN; o enquadramento como entidade de assistência social, reconhecida por decisão judicial (RE 259.276), o que lhe garantiria a imunidade prevista no art. 195, § 7º da CF/88 c/c art. 14 do CTN; que a transferência de recursos para cobertura de despesas administrativas, pelas patrocinadoras, não configura receita; que a remuneração de participação societária em “shopping center” deve ser excluída por força do art. 3º, § 2º, II, in fine da Lei nº 9.718/98; que é inconstitucional a revogação tácita da isenção prevista no art. 11 da LC 70/91 pela Lei nº 9.718/98, bem assim, o conceito de faturamento por ela veiculado. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou o lançamento integralmente procedente, mediante decisão assim ementada: “DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Fl. 525DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19740.000110/200559 Acórdão n.º 3401002.475 S3C4T1 Fl. 11 3 É de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais, consoante Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ASSISTÊNCIA SOCIAL. As entidades de previdência privada não se encontram abrangidas pelo conceito de assistência social. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. INCIDÊNCIA DA COFINS. A Cofins, devida pelas entidades fechadas de previdência privada, é calculada com base no seu faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas COFINS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES As exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo da Cofins, para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar, somente são permitidas para os fatos geradores a partir de agosto/2002.” Em recurso voluntário o contribuinte reiterou a integralidade da argumentação deduzida na impugnação, acrescentando que, alternativamente ao não reconhecimento da imunidade prevista no art. 195, § 7º da CF/88, acolhase o direito à isenção estabelecida nos arts. 13 e 14 da MP 2.15835/2001. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Inicialmente, tocante à decadência, temse que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste diapasão, o Superior Tribunal de Justiça, no regime do recurso repetitivo, por intermédio do REsp n° 973.733SC, assim se manifestou sobre a questão: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO Fl. 526DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19740.000110/200559 Acórdão n.º 3401002.475 S3C4T1 Fl. 12 5 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos no original) Portanto, uma vez que não houve recolhimentos no período lançado, aplica se a regra do art. 173, I do CTN, não assistindo razão ao recorrente, pelo que, nesta parte, deve ser mantida a decisão de primeira instância, que limitou a decadência aos fatos geradores ocorridos entre fevereiro e novembro de 1999, inclusive. Respeitante à imunidade tributária, com fulcro no art. 195, § 7º da CF/88, alega o contribuinte ser detentor de decisão judicial transitada em julgado em 25/09/2003, consubstanciada no RE 259.7562/RJ, que lhe garantiria a imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c” do mesmo diploma magno. A decisão proferida pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, no recurso extraordinário em referência, encontrase vazada nos seguintes termos: “IMUNIDADE – ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na dicção da ilustrada maioria, entendimento ao qual guardo reservas, o fato de mostrarse onerosa a participação dos beneficiários do plano de previdência privada afasta a imunidade prevista na alínea “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Incide o dispositivo constitucional, quando os beneficiários não contribuem e a mantenedora arca com todos os ônus. Consenso unânime do Plenário, sem o voto do ministro Nelson Jobim, sobre a impossibilidade, no caso, da incidência de impostos, ante a configuração da assistência social”. Recurso não conhecido A leitura que faço do acórdão, no entanto, é exatamente inversa àquela pregada pelo recorrente, haja vista que o aresto deixa claro que, havendo a participação dos beneficiários, como no caso da recorrente, não haveria a propalada imunidade, que se limitaria à hipótese em que apenas a mantenedora (patrocinadora) arcasse com os ônus financeiros do empreendimento. Todavia, destaco que a decisão, em que pese externar a opinião da Corte sobre o tema, foi no sentido de não conhecer do recurso extraordinário patrocinado pela Fazenda Nacional, de modo que o mérito não foi objeto de julgamento, prevalecendo então o acórdão recorrido, cuja ementa a seguir reproduzo: “CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL – ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA – ART. 150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO – ART. 14 DO CTN – SÚMULA 05 TRF. I – A jurisprudência do STF orientase no sentido de que as entidades de previdência privada se enquadram no disposto no art. 150, VI, “c”, da Constituição, com direito à imunidade tributária (cf. RE nº 89012SP, RTJ nº 87/684688; RE nº 74.792BA, EDP nº 28/181185; RE nº 115.9707RJ, DJ 27/5/88, p. 12.969). II – Preenchidos os requisitos do art. 14 do CTN, e desde que não distribuam lucros, as instituições de previdência privada gozam da imunidade de impostos, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição (art. 19, III, c, da CF de 1967), ainda que cobrem pelos benefícios e serviços prestados aos participantes. Aplicação da Súmula nº 05 do TRF. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 III – A imunidade de imposto compreende, também, os que recaem sobre os rendimentos do capital (cf. AMS nº 105.831BA, exTFR, 3ª T., DJ 11/10/88). IV Recurso provido” Tendo em conta aludida decisão judicial, verificase que, de fato, o Poder Judiciário conferiu ao recorrente o status de entidade de assistência social, eis que, na minha opinião, tal condição é pressuposto necessário e inerente ao reconhecimento da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c” da CF/88. Fixada a premissa, passo ao exame da imunidade em relação à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Consoante disposição do art. 195, § 7º da CF/88, “são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Considerando que o reconhecimento judicial da imunidade do art. 150, VI, “c” da Constituição, ainda que se restrinja exclusivamente aos impostos, perpassa pelo necessário reconhecimento da caracterização do recorrente como entidade de assistência social, cumpriria então verificar se atenderia então às exigências estabelecidas em lei. Neste passo, distintamente do que sustenta o interessado, não entendo que a referência à “lei” constante do mandamento constitucional, esteja a remeter às disposições do art. 14 do CTN, haja vista que tal dispositivo expressamente se vincula à situação de imunidade dos impostos, e não das contribuições sociais, por ser o art. 9º do CTN reprodução literal do art. 150, VI, “c” da CF/88, senão vejase: “Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19740.000110/200559 Acórdão n.º 3401002.475 S3C4T1 Fl. 13 7 § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” (grifado) Ou seja, a imunidade prevista no art. 195, a meu ver, não é decorrência lógica do reconhecimento da imunidade dos impostos prevista no art. 150, uma vez que os requisitos a serem cumpridos são distintos. Dessarte, a norma infraconstitucional que regulamenta a isenção (rectius imunidade) prevista no já aludido art. 195, § 7º da CF/88 é a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui seu Plano de Custeio e estabelece outras providências correlatas, cujo art. 55 arrola as exigências que devem ser satisfeitas para garantia do gozo e fruição da imunidade em questão, verbis: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001).” Não há nos autos qualquer elemento que possa conduzir à conclusão que o recorrente atenda a tais condições, mormente que seja reconhecida como de utilidade pública pelos poderes públicos federal, estadual e municipal, além de ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, de maneira que não é possível reconhecer à entidade a pretendida imunidade da Cofins. Alternativamente, há pedido de reconhecimento da isenção garantida pelos arts. 13 e 14 da MP 2.15835/2001, a seguir transcritos os excertos que interessam a este julgado: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...)” Considerando que o art. 12 da Lei nº 9.532/971 se refere às entidades que gozam da imunidade tributária estatuída no art. 150, VI, “c” da CF/88, o que, no caso do recorrente, foi reconhecido por meio de decisão judicial, inferese que suas receitas vinculadas às atividades próprias estão abrigadas pela isenção (aqui utilizada no sentido técnico do termo) mencionada. 1 Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). Fl. 531DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19740.000110/200559 Acórdão n.º 3401002.475 S3C4T1 Fl. 14 9 No caso vertente, as receitas objeto de tributação são os valores repassados pelas patrocinadoras a título de adiantamento de despesas administrativas e os valores registrados na contabilidade como receitas de aluguel e outros investimentos imobiliários, relativos a rendimentos percebidos em função de participação societária em empreendimento do tipo “shopping center”. Cumpre, então, analisar se ditas verbas podem ser tomadas como próprias das atividades desta espécie de entidade, a saber, sociedade fechada de previdência complementar. Segundo a ata de constituição do contribuinte (fls. 10/23), ora recorrente, tratase de entidade fechada de previdência privada, sob a forma de sociedade civil de caráter não econômico e sem fins lucrativos, com autonomia administrativa e financeira (art. 1º), cujo objeto social é complementar, total ou parcialmente, as prestações asseguradas pela previdência social aos participantes e beneficiários da entidade (art. 3°). O Regulamento do plano de benefícios (fls. 24/43), indica como forma de custeio dos benefícios as dotações iniciais das patrocinadoras, as contribuições mensais destas, as receitas de aplicação do patrimônio, as doações, subvenções, legados e as demais rendas. A partir do exame de aludidos destaques e à luz da legislação de regência, mormente, a Lei Complementar nº 109/01, inferese que o repasse para cobertura das despesas administrativas tem vínculo direto com o regular funcionamento da entidade, sendo que os rendimentos de participações societárias em empreendimentos têm por finalidade a manutenção do equilíbrio econômico, financeiro e atuarial da entidade, para cobertura dos benefícios que se comprometeu a arcar, de maneira que a conclusão possível é que tais receitas são próprias da atividade e, como tais, encontramse ao abrigo da isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória nº 2.15835/2001. De outra banda, ainda que assim não se entenda, erigese um outro obstáculo à manutenção do lançamento sub examine, concernente à constitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98. É certo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, desde o então Conselho de Contribuintes, sempre se entendeu incompetente para cuidar de questões atinentes à (in)constitucionalidade de normas legais, como sedimentado na súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Todavia, o Decreto nº 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal, teve seu art. 26A profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, passando textualmente a vedar aos órgãos de julgamento o afastamento ou a negativa de aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, fundado em inconstitucionalidade, com ressalvas, como se verifica de sua redação: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 532DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”. Vejase que o próprio dispositivo estatuiu situações excepcionais que fugiriam à regra geral, dentre elas, os casos que envolvessem assunto já submetido à chancela do Supremo Tribunal Federal, com declaração da inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva. A Corte Suprema, por seu turno, em controle difuso de constitucionalidade, reconheceu a repercussão geral da matéria aqui tratada e concluiu pela inconstitucionalidade do alargado conceito de faturamento contido no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, em manifestação que reproduzo: BASE DE CÁLCULO DA COFINS E INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência. Leading case: RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19740.000110/200559 Acórdão n.º 3401002.475 S3C4T1 Fl. 15 11 Como se observa, em que pese a matéria ainda não ser objeto de súmula vinculante, tratase de decisão plenária com reafirmação de jurisprudência, donde se vislumbra definitividade do posicionamento externado, especialmente quando examinada à luz do disposto nos arts. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Acentuo, contudo, que este raciocínio não é amplamente aplicável às instituições financeiras em geral, quais sejam, aquelas elencadas no art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91, haja vista a pendência de exame da matéria – inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins pela Lei nº 9.718/98 – no RE 609.096, com repercussão geral reconhecida e sobrestamento determinado. Contudo, a celeuma se restringe às receitas financeiras, para as casas bancárias, ou, na linha do RE 400.479EDAgR/RJ, também pendente de julgamento, o somatório das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, para as demais espécies de instituições financeiras. Na situação aqui versada, as exceções não se impõem, pois, como já dito, estamos diante de uma sociedade civil de cunho não econômico e sem finalidade lucrativa, que não realiza atividade empresarial, tal como definida pela legislação civil (art. 966 do Código Civil), demais disso, as receitas aqui tratadas não se qualificam como financeiras. Em face destas considerações, não há como negar que, para o período em debate, as rubricas que serviram de base de cálculo para o lançamento não se enquadram no conceito de faturamento definido pelo Excelso Pretório. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 534DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10880.934548/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2004
DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não-homologação da compensação declarada.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2004 DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não-homologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.934548/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.382 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria COFINS DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ARCELORMITTAL TUBARÃO COMERCIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 45 48 /2 00 9- 97 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 29/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 31/12/2005 a empresa Recorrente transmitiu PER/DCOMP no qual declara a compensação de débitos seus com crédito de Cofins supostamente paga a maior no dia 15/12/2004, e relativo ao período de 30/11/2004. A DERAT/SP não homologou a compensação porque, embora localizado o DARF de pagamento indicado no PER/DCOMP, o crédito foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme Despacho Decisório nº 831717291, de 20/04/2009. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Da Tempestividade A Requerente foi cientificada do despacho decisório em 28/04/2009, terça feira. Sendo assim, é tempestiva a presente Manifestação de Inconformidade protocolada em 28.05.2009, já que o prazo legal de 30 dias previsto no art. 74, § 7º e § 9º, da Lei n° 9.430/96 vence em quintafeira. Da Ilegitimidade do Sujeito Passivo. Incompetência desta DRF Em Assembléias Gerais Extraordinárias, realizadas no dia 01/09/2008, os acionistas da então Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e da ArcelorMittal Brasil aprovaram a cisão parcial da CST e a incorporação da parcela cindida (equivalente a aprox. 95% do patrimônio líquido da CST) pela ArcelorMittal Brasil. Além disso, na mesma ocasião, a denominação da CST foi alterada para ArcelorMittal Tubarão Comercial e sua sede foi transferida para a Capital do Estado de São Paulo. Para comprovar o acima exposto, a Requerente junta Certidão das AGE's da CST e da ArcelorMittal Brasil; Protocolo e Instrumento de Justificação da Cisão Parcial da Companhia Siderúrgica de Tubarão com Versão da Parcela Cindida do Patrimônio Líquido para a ArcelorMittal Brasil S.A.; Laudo de Avaliação do Patrimônio da CST e Estatuto Social da ArcelorMittal Tubarão Comercial S.A. Por isso que, no presente caso, o pedido de compensação foi analisado e decidido pela RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO SP. Contudo, entende a Requerente que a ARCELORMITTAL BRASIL S/A, incorporadora por cisão parcial da CST Companhia Siderúrgica de Tubarão, com Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 4 3 sede no município de Belo Horizonte, à Av. Carandaí, n° 1.115, Bairro Funcionários, CNPJ 17.469.701/000177 e estabelecimento em Serra/ES, à Av. Brigadeiro Eduardo Gomes, 930, Bairro Tubarão, inscrita no CNPJ/MF sob o n.° 27.251.974/000102, tendo em vista o que consta do protocolo de justificação, que deve arcar e assumir eventuais (no presente caso, inexistente) passivos. A consequência de tal relato é que o polo passivo deve ser alterado para constar ARCELORMITTAL BRASIL S/A e a competência se transfere para Belo Horizonte, para onde os autos deverão ser remetidos, para julgamento perante a DRF de Julgamento em Belo Horizonte, na forma da lei. Requer preliminarmente a retificação do polo passivo para constar ARCELORMITTAL BRASIL S/A e a declinação da competência para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, na forma da lei. Dos Fatos e do Direito Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que deixou de homologar pedido de compensação formulado pela Requerente através da PER/DCOMP n° 40023.79663.311205.1.7.040577, transmitida em 31.12.2005, nos seguintes termos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Por força da não homologação, a Receita Federal está a exigir débito em valor atualizado para pagamento até 30.04.09, assim decomposto: Principal Multa Juros Total 2.427.722,28 485.544,45 2.096.580,96 5.009.847,69 Depreendese do despacho eletrônico encaminhado pela RFB que o único motivo para não homologação da compensação foi a suposta inexistência de crédito disponível, mediante análise parametrizada da DCTF transmitida. Por se tratar de crédito vinculado a um único DARF, no valor de R$ 3.465.865,31, para a solução da questão basta perquirir se para o período de competência nele consignado, da comparação entre a apuração da empresa e os pagamentos realizados, houve montante recolhido a maior no valor de, no mínimo, R$ 3.465.865,31. Ficando comprovado que houve recolhimento realizado a maior, a consequência inarredável será a existência de crédito em favor do contribuinte, disponível para compensação, nos exatos termos em que foi utilizado. Origem do Crédito. A questão discutida neste processo deveria ter sido retratada na DCTF, recepcionada pela RFB, referente ao 4º trimestre de 2004, entregue pela ArcelorMittal Tubarão Comercial S/A. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 5 4 Na DCTF, o contribuinte deve fazer constar informações relativas a seus débitos apurados, bem como aos créditos a eles vinculados. Com sua entrega, o FISCO deverá verificar: (i) se todos os débitos estão vinculados a pagamentos; (ii) se o valor do débito é maior do que o valor do crédito – tributo em aberto; (iii) se existem mais créditos vinculados do que débitos apurados crédito disponível. No presente caso, a simples análise da DCTF original não é capaz de demonstrar de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. Para o período de apuração em questão, foi apurado determinado montante de contribuição devida. Como forma de pagamento do débito apurado foi vinculado como crédito o DARF utilizado na compensação em questão. Notese que o valor total recolhido é idêntico ao montante do débito apurado quando da transmissão da declaração original. Assim, o crédito efetivo decorre da apuração contábil, não podendo obstar o direito à compensação, mero erros formais no preenchimento da DCTF ou da PER/DCOMP. O simples erro no preenchimento da Declaração de Compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito A Requerente efetivamente dispõe dos créditos compensados, tendo sido os mesmos apurados em sua escrita contábil. O CTN é categórico em reconhecer o direito de restituição ao contribuinte que tenha pagado tributo a maior ou indevidamente, conforme dispõe o art. 165, incisos I, II e II do CTN. De fato, é intuitivo que, aquele que pagou tributo indevido ou a maior, deve ter o direito de reaver a quantia paga. Não fosse assim, estarseia diante de enriquecimento ilícito por parte do Estado, a auferir receita não prevista em lei. Independente de prévio protesto implica, pois uma obrigação de natureza ética, conformada pelo legislador complementar, que, se não ocorrer, justifica, à evidência, o direito de pleitear a restituição. No presente caso, a Requerente, tendo apurado créditos decorrentes de pagamento indevido a título de contribuições sociais, pretendeu efetuar, nos termos da legislação federal, a compensação de tais valores. Entretanto, ao preencher suas obrigações acessórias, a Requerente cometeu impropriedades que, de fato, impossibilitam a identificação do crédito em análise parametrizada, mas que não fazem decair seu direito material ao crédito. Da diferença entre o valor realmente apurado e o recolhido surge saldo de pagamento a maior no montante de R$ 3.465.865,31, que está contido no exato valor do DARF em questão, este por sua vez idêntico ou superior ao crédito utilizado na declaração de compensação em questão. Inicialmente, a requerente apurou, a título de contribuições devidas, um determinado valor, e efetuou o recolhimento com o DARF desse mesmo valor. Tais dados foram informados na DCTF original. Posteriormente, verificando suas declarações contábeis e fiscais, a empresa requerente identificou ajustes de créditos que não haviam sido apropriados no momento oportuno, o que fez com que fosse reduzido o tributo devido incidente sobre as operações próprias (códigos de receita 6912 e 5856). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 6 5 Em verdade, o único problema é que a requerente deveria ter retificado também sua DCTF, reduzindo o valor do imposto informado como devido de modo a desvincular o DARF do débito quitado em quantia equivalente ao crédito ora pleiteado, pelo menos. Em virtude dessa inconsistência de informações o despacho eletrônico parametrizado emitido não identificou devidamente a origem do crédito. A própria boafé da requerente é demonstrada pela retificação tempestiva das suas DCTF com a liberação do crédito contido no DARF mencionado. Inclusive, nova análise parametrizada das declarações certamente levaria à homologação da compensação, tendo em vista que a suposta irregularidade apontada não mais subsiste. É manifesto que um erro material no preenchimento de uma DCTF não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, decorrente de pagamento indevidamente efetuado, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a compensação no limite do que efetivamente ocorreu. Com base no exposto, fica claro que (i) o montante de R$ 3.465.865,31foi recolhido a maior, a título de contribuição social; (ii) tal valor consta do DARF cujo total é de R$ 3.465.865,31; (iii) a diferença entre o valor recolhido e o apurado, representa crédito, passível de utilização pela Requerente; (iv) o valor do crédito já se encontra disponibilizado em DCTF, pois o montante do DARF que corresponde ao pagamento a maior foi liberado em declaração retificadora; e (v) o citado valor foi corretamente utilizado na DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade. Dessa forma, impõese a homologação da presente compensação. Dos Pedidos Por todo o exposto, pedem e esperam as Requerentes a procedência da presente manifestação de inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório n° 831717291, com a consequente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado, até o limite do crédito demonstrado. Protesta por todos os meios de prova em Direito admitidos. Do Adendo à Manifestação de Inconformidade Consta às fls. 124, novo documento juntado aos autos, com as seguintes alegações: Em 28/05/2009, as requerentes apresentaram à Delegacia da Receita Federal em São Paulo manifestação de inconformidade no presente processo. Todavia, a petição foi recebida mediante recibo de "Protocolo por Insistência". Indicou o atendente que "o substabelecimento anexo não está com firma reconhecida pelo cartório e a procuração pública não está de acordo com o estatuto anexo para representação na Receita Federal do Brasil". Diante disso, observase que basicamente foram apontadas duas supostas irregularidades na representação processual das requerentes: I) Falta de reconhecimento de firma no substabelecimento aos advogados, e Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 7 6 II) Procuração por instrumento público não respeitou a cláusula 19, § 2° do estatuto social. Em relação ao primeiro item, neste momento as requerentes apresentam em anexo o substabelecimento com firma devidamente reconhecida em cartório, sanando desde já qualquer irregularidade que possa ser alegada, em que pese deixar aqui protesto de que deveria ser aplicável o CPC de forma subsidiária. Já em relação ao segundo item apontado, com a devida vênia, as requerentes ousam discordar do entendimento do atendente da Receita Federal do Brasil. O estatuto social da ArcelorMittal Brasil S/A apresenta a seguinte determinação acerca da outorga de poderes para representação processual: Art. 19. omissis § 2º Na constituição de procuradores, observarseão as seguintes regras: a) exceto nos casos de representação judicial ou similar, em que seja da essência do mandato o seu exercício até o encerramento do processo, todas as procurações serão por prazo certo e terão poderes limitados; e b) salvo quando da essência do ato for obrigatória a forma pública, os mandatários poderão ser constituídos por procuração sob a forma de instrumento particular, na qual serão especificados os poderes outorgados, limitado o prazo de validade da cláusula "ad negotia" ao dia 31 do de dezembro do ano em que for outorgada a procuração. A lógica das restrições contidas no § 2º do art. 19 é que a alínea "a" cuida das regras do prazo de validade das procurações, enquanto que a regra da alínea "b" trata da formalidade exigida para o ato. De início, ressaltase que a regra da alínea "b" acima (que não tem correspondência exata no estatuto da ArcelorMittal Tubarão Comercial) permite que determinadas procurações sejam feitas por instrumento particular. Nestes casos, o único requisito a ser observado é que aquelas que se referiram à cláusula "ad negotia" somente serão válidas até o fim do ano em que outorgadas. Notese que esta regra não se aplica ao presente caso, pois obviamente aqui não se discute eventual natureza negocial da procuração outorgada para o presente processo. Ademais, tendo sido ela outorgada por instrumento público, que é a maior formalidade que se pode obter, logicamente que não há qualquer violação à alínea "b". Já a alínea "a" citada acima (idêntica ao §2° do art. 15 do Estatuto Social da ArcelorMittal Tubarão Comercial) estabelece que, como regra, todas as procurações deverão ser feitas com prazo determinado, exceto nos casos de representação judicial ou similar. O que foi ignorado pelo atendente da Receita é que o elemento caracterizador da similaridade prevista na exceção está contido no próprio dispositivo, que é a validade do mandato até o encerramento do processo. Fica claro que a intenção da regra é limitar a validade das procurações, mas com ressalva para os casos em que não se pode prever a duração do fato para o qual se outorga a representação. E neste aspecto, a jurisdição judicial é exatamente idêntica ao âmbito administrativo, ou seja, não há como prever o prazo para término dos processos administrativos. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 8 7 Daí, no momento em que o estatuto permite a outorga de procuração sem termo para representação judicial e similar, obviamente a ressalva é aplicada também à procuração para atuação junto à Receita Federal. Em resumo, conciliando as duas regras acima, concluise que a procuração para representação junto à Receita Federal foi feita por instrumento público (atende à alínea "b") e poderia ter sido feita, como o foi, por prazo indeterminado (atende à alínea "a") Portanto, resta tão somente avaliar se a procuração apresentada efetivamente outorgou os poderes para representação junto às jurisdições administrativas. Quanto a isto, pouco precisa ser dito. A simples leitura das procurações deixa claro que em todos os casos foram outorgados os poderes "ad judicia et extra", que engloba toda a cláusula "ad judicia" e vai além. Ambas as procurações fazem menção expressa a instâncias administrativas e repartições públicas federais, que é exatamente o caso da Receita Federal. De tudo o que foi dito até aqui, resta demonstrado que, apresentado o substabelecimento com firma reconhecida em anexo, não há qualquer problema de representação processual que possa levar ao indeferimento da manifestação de inconformidade apresentada, já que preenchidos os requisitos como inclusive já decidiu o Conselho de Contribuintes: 1º Conselho de Contribuintes/6ª Câmara /ACÓRDÃO 10610.789 em 11.05.1999. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL A despeito de não preencher os requisitos de uma procuração ad judicia ou extra judicia, o instrumento juntado aos autos deve ser aceito, em homenagem ao princípio da relativa informalidade do processo administrativo fiscal. Se o contribuinte pode se defender pessoalmente, também poderá, sem rigor formal, autorizar outrem a fazêlo em seu nome. 1º Conselho de Contribuintes/1ª Câmara /ACÓRDÃO 10196.713 em 18.04.2008. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anoscalendário: 1990 a 1992. Ementa: PROCURAÇÃO VÍCIO SANADO PRINCÍPIOS DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA E BOA FÉ NA RELAÇÃO COM O CONTRIBUINTE De acordo com o art. 37 da Constituição Federal, a Administração Pública é regida, dentre outros, pelos princípios da moralidade e da eficiência, de modo que, se sanado o vício na representação da contribuinte, deve ser conhecida a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim de garantir a expressão de vontade emanada pelo sujeito passivo. O procedimento administrativo adequado deve estar ajustado com o princípio de eficiência da administração pública e com a boafé na relação com o contribuinte. Ora, se o Conselho de Contribuintes vem aplicando o Princípio da Informalidade do processo administrativo para privilegiar a BoaFé do contribuinte e a eficiência da administração pública em casos de vício de representação, com tanto mais razão deve ser admitida a manifestação de inconformidade instruída com procuração por instrumento público outorgada em estrita observância às próprias normas estatutárias das requerentes, a despeito da interpretação equivocada do atendente da Receita Federal do Brasil. Esperam, assim, as Requerentes que seja recebida e conhecida a manifestação de inconformidade, independentemente da aposição do carimbo de "protocolo por insistência", para que no mérito seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório combatido, pelas razões já expostas. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 9 8 Do Pedido A Manifestante requer: (i) a juntada do substabelecimento, com firma reconhecida, sanando o problema apontado; (ii) quanto a procuração, outorgada a processos judiciais ou administrativos, não tendo a previsão de término de tais mandatos, não se aplica a restrição do estatuto, dirigida somente as procurações "ad negotia". Ainda que assim não fosse, se por absurdo assim não entender, a certidão da AGE, em anexo, diz que as procurações (que não se enquadrarem nos casos de prazo indeterminado) e outorgadas após a data da AGE, terão validade até 30 de novembro do ano seguinte ao de sua outorga que no que caso dos autos, ocorreu em 03/10/2008. A 12a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da Recorrente, nos termos do Acórdão no 1634.882, de 24/11/2011, cuja ementa abaixo se reproduz. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório que apresenta todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da não homologação da compensação declarada. A Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 27/02/2012, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 27/03/2012, com Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, adotamse, no presente voto, os fundamentos do acórdão de primeira instância em relação à competência da autoridade fiscal para apreciar a compensação e ao cerceamento de defesa, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.874/99. Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a Derat verificou que o valor do pagamento (Darf) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da Derat e desacompanhada da prova da existência do crédito alegado. Devese marcar, desde logo, que o litígio estabelecido com a Manifestação de Inconformidade versa única e exclusivamente sobre o fato do valor do Darf está integralmente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, único argumento utilizado no Despacho Decisório para indeferir o Pedido de Restituição da recorrente. Só isto e nada mais. Logo, nestes autos não há litígio sobre a existência, ou não, do direito à repetição do indébito e muito menos sobre o valor do indébito. Consequentemente, por serem estranhas à lide estabelecida com a Manifestação de Inconformidade, as alegações suscitadas pela Recorrente que versem sobre as referidas matérias não serão conhecidas pelo Colegiado. Quanto ao mérito, naquilo que se conhece, a empresa Recorrente alega que a falta de retificação prévia da DCTF não pode prejudicar seu direito à repetição do indébito e que o erro de fato cometido já foi efetivamente retificado por meio da apresentação da DCTF retificadora, instrumento hábil para tal. Com razão, em parte, a Recorrente. Tenho reiteradamente defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, devese buscar a verdade material, isto sem afastar as normas procedimentais da RFB. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 11 10 procedimento lógico. Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição. Se o processamento administrativo do pedido de restituição somente pode ser realizado após a retificação da DCTF, isto em nada afeta o direito material à repetição do indébito. Como a Recorrente não foi intimada previamente a provar a existência do crédito pleiteado, a decisão da autoridade da RFB fundouse unicamente nas informações constantes da DCTF apresentada pela Recorrente e, por elas, concluiu que não há indébito. Por outro lado, se a Recorrente tivesse apresentado a DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de restituição não tornaria líquido e certo o crédito pleiteado. Portanto, não serve a DCTF (original ou retificadora) para conferir, ou não, liquidez e certeza ao crédito pleiteado. Particularmente, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DCTF retificadora, não exclui o direito da Recorrente à repetição do indébito. O indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 1.300/2012. Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo restituição o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e à compensação, se for o caso. Pela sistemática atual, ao fazer o pedido de restituição/compensação não está o contribuinte obrigado a apresentar nenhuma prova da existência do crédito pleiteado, inclusive mediante a apresentação ou retificação de DCTF. Como acima se disse, não pode a falta de apresentação de DCTF (original ou retificadora), por si só, ser motivo de indeferimento de pedido de restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente. Ademais, se a DCTF for prova da existência do crédito pleiteado, ela é prova indiciária, necessitando de verificações complementares para constatarse a existência concreta do crédito pleiteado. Se essas verificações complementares não foram realizadas pela autoridade fazendária, ou se outras provas não forem oferecidas pelo sujeito passivo, não há como falarse em existência ou inexistência de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quanto ao momento em que o sujeito passivo deve apresentar a prova da existência do crédito pleiteado em PER/DCOMP, também não há norma legal específica. Entendo que o contribuinte deve apresentálas quando for solicitado e no prazo determinado pela autoridade fazendária. Na hipótese de a autoridade fazendária indeferir o pedido de restituição sem solicitar prova do direito pleiteado, como é o caso destes autos, entendo que essa prova pode ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade ou quando for solicitada pela Administração Fazendária. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, consequentemente, para a não homologação de compensação declarada pelo contribuinte. Afastado, portanto, a razão alegada pela Derat de origem para indeferir o pedido da recorrente, é inequívoco o direito de a recorrente ver apreciado, pela mesma Derat de Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.934548/200997 Acórdão n.º 3302002.382 S3C3T2 Fl. 12 11 origem, as provas do direito alegado e, se for o caso, a conseqüente apuração do valor do indébito alegado. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apreciar as razões de fato e de direito alegadas pela Recorrente para apurar o suposto indébito e, sendo o caso, providenciar a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Reconhecido a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade da RFB homologar a compensação declarada, até o limite do crédito apurado. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito líquido e certo a favor da Recorrente, ou apurando em valor inferior ao pleiteado, deve a autoridade da RFB dar ciência de sua decisão à Recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que a autoridade da RFB aprecie as alegações da Recorrente e, se for o caso, apure a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pela Recorrente, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente e homologue as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido, se houver. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10410.901026/2009-45
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 10 26 /2 00 9- 45 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901026/200945 Acórdão n.º 1802001.907 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.426, às fls. 24 a 26: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 16/20, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 820,88, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado por estimativa em janeiro de 2001. 2. Através do despacho de fl. 08, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal — DRF em Maceió identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), afirmando que, em janeiro de 2001, pagou IRPJ no valor de R$ 820,88, apurado através de balanço mensal de redução. Alega que o valor foi recolhido indevidamente, pois teria encerrado o exercício com prejuízo. Pretende, assim, compensar o crédito com débito de estimativa apurado em exercício posterior. Sustenta desconhecer quais débitos motivaram a não homologação da compensação, requerendo que lhe sejam informadas a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito por ela declarado. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901026/200945 Acórdão n.º 1802001.907 S1TE02 Fl. 4 3 Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 31/08/2012 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2012, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o contribuinte efetuou indevidamente em fevereiro de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 820,88, relativo ao IRPJ apurado involuntariamente por Estimativa Mensal em Janeiro de 2001, quando o seu Balancete de Suspensão do período apresentava saldo negativo da base de cálculo do Imposto de Renda, conforme demonstrado às Fichas1 e 3, Fichas11 Fls. 7,8,9 e 10, e ficha12A Fls. 11 de sua DIPJ/2002 (em anexo); por entender que o imposto era devido, declarou desnecessariamente em DCTF, motivo pelo qual o pagamento foi reconhecido como integralmente vinculado ao suposto débito pela DRF/Maceió; como o imposto declarado foi pago indevidamente, representando crédito fiscal em favor do contribuinte, este por sua vez apresentou Declaração de Compensação DCOMP para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa mensal em Janeiro de 2004, e involuntariamente no preenchimento do referido Pedido de Compensação, no campo "TIPO DE CRÉDITO" selecionou a opção "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR" em lugar de "SALDO NEGATIVO DE IRPJ"; DO ESCLARECIMENTO o contribuinte reconhece que cometeu erro ao pagar em Fevereiro de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de Janeiro quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo; reconhece também que cometeu erro por declarar em DCTF o imposto pago, que não era devido; reconhece por fim ter cometido erro de digitação no momento da seleção da opção no campo "TIPO DE CRÉDITO" da DCOMP; DO DIREITO o contribuinte é optante do referido pagamento mensal previsto na Lei 9.430/1996, o qual utiliza uma base de calculo estimada, sendo devido o imposto sempre que o contribuinte gere receita. Porém, nos meses em que se pleiteia tal restituição, o contribuinte apresentou saldo fiscal negativo, desobrigandose, de acordo com os dispositivos legais, do pagamento do imposto; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901026/200945 Acórdão n.º 1802001.907 S1TE02 Fl. 5 4 logo, se o contribuinte não possui saldo positivo na apuração da receita bruta mensal, concluise pela desnecessidade de pagamento de tributo; DA OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF em virtude da obrigatoriedade de apresentação de DCTF, o contribuinte declarou a existência do imposto equivocadamente, o qual foi pago, consolidando o imposto, pago indevidamente, ao débito declarado; ressaltase que a DCTF vinculou o valor pago indevidamente ao débito presumido, como se confissão fosse, efetivando um equívoco inicial e retirando do contribuinte um credito que é seu por direito, suprimindoo ao pagamento de um imposto que não existiu; DO RESPALDO NA LEI N° 8.383/1991 E NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL o simples fato de a DCTF ter vinculado os valores pagos equivocadamente a um tributo que não se devia, não faz nascer para a Fazenda Pública a garantia de permanecer com tais valores, consolidar o débito indevido e permanecer com tal decisão, denegando ao contribuinte o direito ao crédito compensatório; é tão verdade o direito do contribuinte que em decisão a um recurso voluntário interposto em caso similar ao caso em tela, a Seção do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais do Distrito Federal, em julgado anterior, julgou procedente o referido recurso, confirmando o direito do contribuinte em reaver os valores efetuados de forma indevida, gerado em virtude de erro no preenchimento da DCTF; DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA VERDADE MATERIAL de acordo com o princípio constitucional da verdade material ou real, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos; diante do exposto, mostrase ofendido tal princípio, tendo em vista que a documentação anexada ao pedido de inconformidade faz meio de prova material, tido como lícito e capaz de instruir o processo e levar o órgão decisório a têlo como base para seu referido acórdão; A CONCLUSÃO à vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da decisão recorrida, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Este é o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901026/200945 Acórdão n.º 1802001.907 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 20/12/2005 (fls. 18 a 22), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de “pagamento indevido” a título de estimativa de IRPJ referente ao mês de janeiro de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 28/02/2001 e possui o valor de R$ 820,88. A compensação abrange débito de estimativa de IRPJ referente ao mês de janeiro de 2004. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 820,88 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 10. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que a referida estimativa havia sido recolhida indevidamente, porque teria encerrado o exercício com prejuízo. Sustentou ainda que desconhecia os débitos que motivaram a não homologação da compensação, solicitando que lhe fosse informado a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito pleiteado. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, considerando que não estavam presentes os requisitos de certeza e liquidez para o reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: [...] 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em fevereiro de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 820,88, relativo ao IRPJ apurado por estimativa em janeiro de 2001. Por entender indevido ou a maior o pagamento, transmitiu a declaração ora em exame, por via da qual utilizou o suposto crédito para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa em janeiro de 2004. 6. A DRF/Maceió constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado por estimativa em janeiro de 2001, que, conforme declarado em DCTF, importou em R$ 820,88, o exato valor do pagamento efetuado pela empresa. Ressaltese que o referido débito está claramente indicado no despacho decisório, nele constando o valor, o código de receita e o período de apuração. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901026/200945 Acórdão n.º 1802001.907 S1TE02 Fl. 7 6 7. Em consulta ao banco de dados da Receita Federal, verifiquei que a contribuinte efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado por estimativa, em janeiro de 2001, débito do 1RPJ no valor de R$ 820,88, vinculandoo ao pagamento realizado através de DARF no mesmo montante (fl. 21). 8. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) . 9. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Na primeira instância administrativa, a Contribuinte procurou comprovar o alegado direito creditório com a apresentação de folha do livro Razão onde estavam registrados os pagamentos de estimativa de IRPJ e de CSLL feitos ao longo do ano de 2001. Contudo, não haviam dúvidas sobre a existência do pagamento em questão, eis que o próprio despacho decisório já havia atestado esse fato, indicando o código de receita, o valor do DARF e a data de arrecadação. O mesmo despacho decisório também indicou precisamente o débito ao qual o pagamento estava vinculado, discriminando o valor do débito, o código de receita e o período de apuração, não havendo razão para que a Contribuinte alegasse desconhecimento do débito que motivou a não homologação da compensação. O referido débito, aliás, foi declarado em DCTF pela própria Contribuinte. Estas circunstâncias evidenciam que Contribuinte pouco contribuiu para o esclarecimentos dos fatos na primeira fase do processo. Desde o início, a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior, e caberia a ela demonstrar a ocorrência de erro na informação prestada em DCTF. Quanto a isso, a Contribuinte simplesmente alegou na primeira instância administrativa que recolheu indevidamente estimativa de IRPJ, por ter apurado prejuízo fiscal. Ao proferir sua decisão, a Delegacia de Julgamento novamente tratou da falta de comprovação da certeza e liquidez do direito creditório, uma vez que a Contribuinte alegava ter realizado “pagamento indevido” de estimativa ao mesmo tempo em que havia confessado débito no valor do recolhimento. No que toca à comprovação de um indébito, é sempre importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901026/200945 Acórdão n.º 1802001.907 S1TE02 Fl. 8 7 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Como já mencionado, desde o início a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior. Nessa fase recursal, a Contribuinte anexou cópias parciais de uma DIPJ retificadora (Fichas 11 e 12A), que registram sinteticamente valores negativos como base de cálculo de IRPJ nos meses de 2001. E segue alegando que apurou prejuízo nos meses de 2001 e que teria recolhido indevidamente as estimativas mensais. Não consta a data em que essa DIPJ retificadora foi apresentada. A Contribuinte também não procurou esclarecer a razão do erro no recolhimento das estimativas, informando apenas “que cometeu erro ao pagar em Fevereiro de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de Janeiro de 2001 quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo”. Além disso, não há nos autos demonstração da apuração do lucro real (LALUR), seja para os períodos mensais, seja para o período anual; não há balancetes mensais de suspensão/redução que a Contribuinte alegou possuir (e que tornariam a própria estimativa a maior ou indevida); não há sequer um demonstrativo de apuração do resultado anual, com as correspondentes receitas e despesas, ainda que de forma globalizada (DRE). Já foi destacado que o processo administrativo fiscal possui uma dinâmica própria no que toca à formação da prova, que em alguns casos a carência de prova pode ser suprida pelo contribuinte no desenrolar do processo, etc., mas, mesmo assim, o contribuinte deve realizar um esforço probatório mínimo no intuito de dar substância às suas alegações. Nesse sentido, vale registrar que de acordo com o art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. No caso, os elementos dos autos não são suficientes nem mesmo para demonstrar a apuração de prejuízo no ano em questão, inviabilizando inclusive a restituição/ compensação da estimativa na forma de saldo negativo. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901026/200945 Acórdão n.º 1802001.907 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10183.720422/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP.
Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS.
Faz-se necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I - destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular.
VALOR DA TERRA NUA - VTN.
Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras - SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS. Fazse necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA VTN. Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 22 /2 00 7- 32 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de processo de Notificação de Lançamento (fl. 01/04), que exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercício 2004, no valor de R$ 995.919,52, incluído multa de ofício e juros de mora, do imóvel rural inscrito na Receita Federal, sob o nº 3.206.8026, localizado no município de Barra do Garças, MT. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela Recorrente, tendo sido constatado pelo Fisco, a falta de recolhimento do ITR, que decorreu de glosa da área declarada como de preservação permanente e de reserva legal, por ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Constou na descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 02), que houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT, e em conseqüência, houve o aumento da base de cálculo da alíquota e do valor devido do tributo. A Recorrente foi cientificada da Notificação de Lançamento do ITR em 19/12/2007 (fl. 10). Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720422/200732 Acórdão n.º 2102002.721 S2C1T2 Fl. 154 3 Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 18/01/2008 (fls. 12/22) e juntou documentos (fls. 23/41). Em síntese, alegou que o imóvel possui 4.494 ha de preservação permanente e 1.464 ha de reserva legal, que são isentas de ITR. Aduziu que ha 3.030 ha de áreas de “pastoreio temporário”, que devem ser consideradas de interesse ecológico e que também devem ser excluídas da tributação. Segundo a Recorrente, toda área da propriedade é isenta de imposto. Sustentou que no caso de remanescer algum saldo de imposto a ser pago, deve ser recalculado, utilizandose a alíquota de 2.9%, constante da tabela III, anexa a Lei nº 8.847/94. Insurgiuse contra a incidência da SELIC, que afirma ser inconstitucional. A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte proferiu a seguinte decisão: [...]Em sede de preliminar, a impugnante invoca aspectos relativos à inconstitucionalidade de normas que fundamentam a autuação. Convém esclarecer que não cabe esta apreciação na esfera administrativa, pois, compete a esta Delegacia, como membro integrante do Poder Executivo, julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. [...] Logo, em obediência ao principio da legalidade objetiva, estampado na Constituição Federal, durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendo lhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade do lançamento. [...] A questão suscitada no presente processo é meramente de direito, estando o lançamento devidamente amparado por Leis que disciplinam a matéria. Os fundamentos legais da autuação serão oportunamente enunciados, razão pela qual devem ser também afastadas as preliminares de ilegalidade constantes da impugnação. Por estes motivos, devem ser rejeitadas as preliminares arguidas. No mérito, o lançamento foi correta e legalmente efetuado, utilizandose os dados informados na DITR do respectivo Exercício. Com a entrada em vigor da Lei n.° 9.393, de 1996, o ITR passou a ser tributo lançado por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro 1966, o Código Tributário Nacional — CTN. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 O lançamento de ofício no caso de informações inexatas encontra amparo no art. 14, da Lei n° 9.393/1.996, abaixo transcrito, o qual também prevê a exigência da multa cabível no procedimento de ofício: [...] A multa aplicável, no caso, é a de 75%, conforme art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, e os juros de mora em percentual equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com o art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/96. Relativamente aos juros, o § 1° do artigo 161 do Código Tributário Nacional diz que os juros são calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. A exegese que se extrai do citado dispositivo é a de que o quantum previsto no CTN somente é aplicável de forma supletiva, na ausência de lei que discipline a matéria, o que não constitui a hipótese. O artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe que, a partir de 01/01/1997, sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Portanto, a taxa SELIC é índice de juros de mora, por determinação legal. É de se esclarecer que essa taxa não é "fixada" pelo Poder Executivo, mas sim determinada pelo mercado de títulos federais registrados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. É calculada pelo Banco Central do Brasil, é informada ao Poder Executivo, que apenas a divulga por meio de um ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Assim, a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC significa apenas uma adequação desses juros aos valores de mercado, uma vez que, no sentido de se desindexar a economia, foi abolida a cobrança de correção monetária. [...] Para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado. O contribuinte estava ciente da necessidade da entrega do ADA, haja vista que se trata de orientação constante dos manuais de instruções de preenchimento das DITR. Apenas para melhor ilustrar o entendimento da Secretaria da Receita Federal em relação ao assunto, vejase, a título de exemplo, as Perguntas n° 64, 65, 66, 67, 72 e 78 da publicação "Perguntas e Respostas do ITRI2002": [...] Verificase, assim, que os atos normativos, ao estabelecerem a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, por meio de ADA e averbação, fixaram condição para fins da não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, não podendo a autoridade lançadora dispensar os requisitos previstos na legislação tributária. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720422/200732 Acórdão n.º 2102002.721 S2C1T2 Fl. 155 5 Com relação à área de reserva legal, conforme acima mencionado, deveria ser apresentada a Certidão atualizada da Matricula do Imóvel, na qual deveria constar a prévia averbação. Efetivamente, a legislação que rege a matéria exige que seja tal reserva averbada, à margem da matricula de registro de imóveis, conforme se depreende do art. 16, § 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, in verbis: [...] Para o cumprimento dessa obrigação, deve ser obedecida a disposição contida no art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação no caso do ITR, de acordo com o art. 1º caput, da Lei n° 9.393/96, o dia 1° de janeiro de cada ano. Assim, a área de reserva legal somente pode ser excluída da tributação se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício. No caso do exercício 2005, a obrigação teria que ter sido cumprida até 1° de janeiro de 2005 o que não ocorreu em relação à área declarada, conforme análise da documentação acostada. De fato, não é necessária prévia comprovação das áreas isentas. Com isso, quis o legislador deixar expresso que, no ato da entrega da DITR, o contribuinte não deveria, a contrário do que acontecia anteriormente, anexar nenhum documento comprobatório do que foi declarado. Esta orientação não se destina apenas às áreas isentas, mas abrange tudo o que foi declarado pelo contribuinte. Tanto é verdade que a comprovação não deve ser apresentada com a DITR, que o legislador estipulou o prazo de seis meses, contados da data final prevista para a entrega da declaração, para que o contribuinte protocolizasse, junto ao IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental. [...] Nos presentes Autos, não foram juntados ADA e averbação tempestivos para o Exercício do lançamento. Por estas razões, não há como acatar as áreas de preservação permanente e de reserva legal pretendidas pela impugnante. Há de ser frisado, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo supracitado (Lei n° 9.393/96, art. 14). O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor apurado fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo o que ser revisto no valor atribuído ao imóvel no lançamento. [...] É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. Não há como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. Com relação à alíquota aplicada, não há nada que ser questionado no lançamento, haja vista que, conforme a área total do imóvel e considerada a sua utilização, foi aplicada corretamente a alíquota estipulada pela Lei n° 9.393/96. Conforme a própria impugnante reconhece, no início de sua peça, a Lei n° 8.847/94 foi revogada. Não há que ser invocada, portanto, a Tabela de alíquotas aplicável anteriormente à edição da Lei n° 9.393/96. Assim, concluise que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontrase devidamente amparado pela legislação que rege a matéria. [...] A interessada foi cientificada do Acórdão nº 0418.033, da 1ª Turma da DRJ/CGE em 11/12/2009 (fl. 74). Sobreveio Recurso Voluntário em 12/01/2010 (fls. 75/84), que, em síntese, reprisou as alegações da impugnação. No mérito, sustentou que foi preenchido todos os requisitos necessários à correta informação do valor devido de ITR, e no que diz respeito à exclusão do valor das áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como de interesse ecológico, na forma contida no art. 10, §1º, II, a e b, da Lei 9.393. Afirmou ainda, que a Lei supra não contém nenhum dispositivo que exija a apresentação do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal e da base de cálculo do ITR. Referiu que o art. 17, o, da Lei 6.9368/81, prevê o recolhimento de uma taxa ao IBAMA nos casos de apresentação do ADA, no entanto, não condiciona a entrega de tal documento à definição de uma determinada área como de preservação permanente ou de reserva legal, para fins de redução da área tributável pelo ITR. Sustentou a Recorrente que o descumprimento de uma obrigação acessória em relação a eventual existência de obrigação principal de pagamento do imposto, não pode tornála devedora do tributo em litígio, porque a obrigação tributária principal não existe. Aduziu que não foi oportunizado a Recorrente, quando da instauração do processo administrativo, a comprovação de seu enquadramento nas situações legais, bem como alegou que poderia ter sido realizada perícia em instância administrativa. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720422/200732 Acórdão n.º 2102002.721 S2C1T2 Fl. 156 7 Acrescentou que embora tivesse conhecimento da impossibilidade da área ser utilizada para outro fim, que não o pastoreio restrito e temporário, a área deve ser considerada como de interesse ecológico, com fundamento no art. 10, §1º, II, a e b, da Lei 9.393. Por fim, referiu que o valor da terra nua atribuído pelo Fisco deve ser desconsiderado, pois segundo a Recorrente, toda área é isenta, em razão de reserva legal, preservação permanente e interesse ecológico. Requereu o provimento do Recurso e o cancelamento do lançamento fiscal, subsidiariamente, em caso de não ser a área considerada isenta na sua integralidade, requereu que a área tributável seja recomposta, a fim de excluir as áreas de preservação, correspondente à 4.494 ha, de sua respectiva base de cálculo. Em caso de não acolhimento dos pedidos acima, requereu que o Recurso seja convertido em diligência para verificar a efetiva destinação e caracterização do imóvel. Juntou documentos (fls. 87/152). É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia dos requisitos para a exclusão das Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, da base de cálculo do ITR. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11727, de 2008). O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. No caso em questão, existem algumas discussões: a) exigência de ADA; e b) não incidência de ITR sobre determinadas áreas (Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico), que passo a analisálas. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. No entanto, em que pese esta relatora entenda que o ADA não é exigência necessária para a constituição das Áreas de Preservação Permanente, verificase que o laudo técnico acostado pela Recorrente (fls. 34/41), datado de 26/04/1998, faz menção apenas à Área de “Reserva Permanente de 1.464 ha” (fl. 40), e ainda, conforme Notificação de Lançamento das fls. 01/04, a Recorrente declarou para o exercício 2004, Área de Preservação Permanente de 5.958 ha (fl. 03). Portanto, não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720422/200732 Acórdão n.º 2102002.721 S2C1T2 Fl. 157 9 verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. Quanto à Área Reserva Legal, é exigência legal, que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Vislumbrase que, distintamente da Área de Preservação Permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei e comprovados no laudo técnico não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a Área de Reserva Legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Cabe lembrar ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ª Seção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. No que tange à Área de Interesse Ecológico, fazse necessário que seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I – destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II – comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não sendo aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14). Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 Assim, a par dar considerações acima expostas, verificamse exigências específicas para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, as quais não foram devidamente cumpridas pela contribuinte, portanto, devem ser afastadas àquelas da isenção da tributação do Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, deveria o Recorrente ter acostado laudo técnico atual, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua. Constatase pelo laudo acostado às fls. 34/41, que em 26/04/1998, o Valor da Terra Nua fora avaliado em R$ 430.998,60, este mesmo valor, conforme consta da Notificação de Lançamento de fls. 01/04, também fora declarado para a DITR do exercício 2004 (fl. 03), portanto tal valor encontrase defasado, não podendo persistir sem um laudo atualizado, que confirmasse que o Valor da Terra Nua não sofreu nenhuma valoração. Assim, prevalece o valor atribuído pelo Fisco, apurado com base no valor do Sistema de Preços de Terras – SIPT. Quanto ao pedido de diligências e perícias, estes podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. No presente caso, entendo que não cabe perícia e/ou diligência, tendo em vista que foi oportunizado à Recorrente corroborar as suas alegações com provas hábeis a demonstrar a verdade material, as quais poderiam ter sido acostadas quando da intimação do Termo de Procedimento Fiscal, ou ainda, por ocasião da Impugnação e interposição do presente Recuso Voluntário. Assim, diante do entendimento desta relatora sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. Alice Grecchi Relatora Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 15374.902397/2008-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do Fato Gerador: 30/11/2001
PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação - PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação não-homologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901449/2008-81), com observância da decisão definitiva nele proferida.
Numero da decisão: 1802-001.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 30/11/2001 PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901449/200881), com observância da decisão definitiva nele proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 23 97 /2 00 8- 61 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, fl.48, que a seguir transcrevo: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 01241.81311.311003.1.3.04 0111, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ Data de Arrecadação : 30/11/2001 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 113.563,56 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 113.563,56 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 113.563,56 O crédito teria origem no DARF recolhido em 30/11/2001, de IRPJ (código 2362), no valor de R$ 113.563,56. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 07, n° de rastreamento 757785937, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 113.563,56. Analisando as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pleiteado. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação pleiteada." A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 05/05/2008, conforme AR, fls. 06. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 04/06/2008, fls.09/12, alegando: para efeitos da compensação realizada, atualizou o crédito tributário disponível, com base na evolução da taxa SELIC, até a data do efetivo vencimento dos débitos fiscais compensados. todavia, a administração fazendária resolveu incluir encargos moratórios sobre os débitos fiscais, objeto da compensação realizada, não obstante a existência de recursos mais do que Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902397/200861 Acórdão n.º 1802001.903 S1TE02 Fl. 3 3 suficientes, na época da apresentação do pedido, quitação dos tributos. não concorda que sejam cobrados encargos moratórios sobre tributas liquidados, em tempo hábil, com créditos disponíveis a seu favor, na data da compensação efetivada. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 1237.360 de 20 de maio de 2011 (fls.47/50). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2001 COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO PARCIAL ENCARGOS MORATÓRIOS DO DÉBITO DATA DE VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Cientificada da mencionada decisão em 15/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 13/10/2011, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade perante a DRJ, portanto, desnecessário repeti los. Finalmente requer provimento do recuso voluntário para que se dê a integral compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço por lhe faltar requisitos de admissibilidade como será visto adiante. O litígio do presente processo se apresenta com a Manifestação de Inconformidade (fls.09/12), interposta em face do Despacho Decisório (fl.07) vinculado ao processo nº 15374.901484/200809 no qual constatouse a procedência do crédito pretendido no valor de R$ R$ 113.563,56 informado no PER/DCOMP nº 01241.81311.311003.1.3.040111. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 débitos informados no PER/DCOMP, a autoridade administrativa HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação declarada. O contribuinte contesta a cobrança do débito, em que restou não homologada a compensação no valor de R$ 12.648,33 e acréscimos legais, conforme detalhado às fls.38/39. A Instrução Normativa RFB nº 900/2008 ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe: (...) Art. 37. O sujeito passivo será cientificado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 66. (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais ... Art. 55. Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: I debitará o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo respectivo; II creditará o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo e dos respectivos acréscimos e encargos legais, quando devidos; III registrará a compensação nos sistemas de informação da RFB que contenham informações relativas a pagamentos e compensações. IV certificará, se for o caso: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; e V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902397/200861 Acórdão n.º 1802001.903 S1TE02 Fl. 4 5 (...) Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º O disposto neste artigo não se aplica à compensação de contribuição previdenciária. § 2º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. § 3º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. (...) (G.N) Portanto, cabe a manifestação de inconformidade e o recurso a ser obedecido o rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. Desse modo, no processo nº 15374.901484/200809, em que analisado o crédito, foi proferido o Despacho Decisório (fl.07) que resultou na homologação parcial da compensação declarada no PER/DCOMP nº 01241.81311.311003.1.3.040111, ficando o sujeito passivo CIENTIFICADO desse despacho e INTIMADO a, no prazo de 30(trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Vêse que, o processo de cobrança de que tratam os presentes autos indica os fatos e os elementos de comprovação que lastrearam o processo nº 15374.901484/200809, inclusive a manifestação de inconformidade de fls.09/12, traz em epígrafe o número do mencionado processo. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Nesse passo, depreendese que o processo nº 15374.901484/200809 em que se discutiu o crédito e a compensação do débito objeto do PER/DCOMP em comento, é principal (apreciado primeiro) e o presente processo é dele decorrente. Portanto, o objeto desse é o resultado (reflexo) daquele outro. Sobre procedimentos conexos, assim dispõe o § 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72: Art. 9o (...) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (G.N) Assim, dada a íntima relação entre o processo principal e o dele decorrente, devem os presentes autos ser juntados ao processo nº 15374.901484/200809 a fim de que não sejam proferidas decisões contraditórias, no que tange à compensação nãohomologada versada nos mesmos processos. A teor da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, acima transcrita, concluise por inadmissível que o processo nº 15374.901484/200809 trate da análise do PER/DCOMP com decisão pela homologação parcial submetida ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, e o processo de cobrança do saldo devedor resultante da nãohomologação seja novamente submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, o que significa dizer que a mesma matéria seria duplamente discutida nas instâncias administrativas, sem que haja qualquer previsão normativa. Com efeito, no presente processo administrativo cuja essência é exclusivamente de cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação homologada parcialmente. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER da cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo nº 15374.901484/200809, com observância da decisão definitiva nele proferida. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902397/200861 Acórdão n.º 1802001.903 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10925.001497/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INCLUSÃO DE VALORES CORRESPONDENTES A OUTRO TRIMESTRE-CALEDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre-calendário, de modo que devem ser excluídos os valores estranhos ao trimestre que se quer o ressarcimento.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PEÇA PARA REPOSIÇÃO.
A aquisição de peças para reposição somente gera crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos quando o contribuinte demonstra a sua essencialidade para o processo produtivo.
CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS. MATERIAL DE LIMPEZA. ESSENCIALIDADE PARA A ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE.
No presente caso, ainda que o material de limpeza se configure como essencial à produção da recorrente, mormente por exigência das autoridades sanitárias, é necessário que haja perfeita identificação e descrição da finalidade/forma de utilização dos insumos no processo produtivo, sem o que não há possibilidade de aferir sua procedência e, como conseqüência, o reconhecimento do direito vindicado.
CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃO-CUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE.
Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não-cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais.
CRÉDITO DA COFINS E DO PIS NÃO-CUMULATIVOS. SERVIÇO DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO. POSSIBILIDADE.
Como o custo com frete compõe o valor da despesa na aquisição de insumo, ele deve fazer parte do cálculo do crédito da COFINS não-cumulativa, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003.
RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. ENCARGO DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Para gerar direito ao crédito do PIS e COFINS não-cumulativo dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo.
CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO.
O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as cooperativas, ainda que eles acumulem-se em razão vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.
CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL INCORRETO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO.
Quando o cálculo do rateio proporcional apresentado pelo contribuinte está incorreto, cabe à autoridade fiscal corrigi-lo.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE DE SUA REALIZAÇÃO QUANDO É PRESCINDÍVEL PARA O CONVENCIMENTO DO JULGADOR.
A diligência deve ser realizada somente quando imprescindível para provar o alegado e alegado e formar o convencimento do julgador.
Numero da decisão: 3401-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao material de limpeza e às bombas. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Nos demais itens, negado provimento por unanimidade.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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INCLUSÃO DE VALORES CORRESPONDENTES A OUTRO TRIMESTRECALEDÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Cada pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestre calendário, de modo que devem ser excluídos os valores estranhos ao trimestre que se quer o ressarcimento. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE PEÇA PARA REPOSIÇÃO. A aquisição de peças para reposição somente gera crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos quando o contribuinte demonstra a sua essencialidade para o processo produtivo. CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS. MATERIAL DE LIMPEZA. ESSENCIALIDADE PARA A ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE. No presente caso, ainda que o material de limpeza se configure como essencial à produção da recorrente, mormente por exigência das autoridades sanitárias, é necessário que haja perfeita identificação e descrição da finalidade/forma de utilização dos insumos no processo produtivo, sem o que não há possibilidade de aferir sua procedência e, como conseqüência, o reconhecimento do direito vindicado. CRÉDITO DO PIS E DA COFINS NÃOCUMULATIVOS. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS nãocumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 14 97 /2 00 9- 51 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. CRÉDITO DA COFINS E DO PIS NÃOCUMULATIVOS. SERVIÇO DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO. POSSIBILIDADE. Como o custo com frete compõe o valor da despesa na aquisição de insumo, ele deve fazer parte do cálculo do crédito da COFINS nãocumulativa, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. RESSARCIMENTO. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ENCARGO DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Para gerar direito ao crédito do PIS e COFINS nãocumulativo dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃOCUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as cooperativas, ainda que eles acumulemse em razão vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL INCORRETO. NECESSIDADE DE CORREÇÃO. Quando o cálculo do rateio proporcional apresentado pelo contribuinte está incorreto, cabe à autoridade fiscal corrigilo. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE DE SUA REALIZAÇÃO QUANDO É PRESCINDÍVEL PARA O CONVENCIMENTO DO JULGADOR. A diligência deve ser realizada somente quando imprescindível para provar o alegado e alegado e formar o convencimento do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao material de limpeza e às bombas. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Nos demais itens, negado provimento por unanimidade. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001497/200951 Acórdão n.º 3401002.452 S3C4T1 Fl. 559 3 ROBSON JOSÉ BAYERL – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa do 2º trimestre de 2005, para compensar com IRPJ de dezembro de 2004 e dezembro de 2005 (fls.02/08). Na análise do crédito (fls.375/389), a delegacia de origem fez algumas glosas, por entender que alguns bens e serviço utilizados pela Contribuinte não geram crédito, por não serem insumos, mas sim despesas gerais. São eles: a Material de embalagem e etiquetas – Segundo a autoridade fiscal, constatouse que as embalagens são utilizadas para transporte; b Manutenção – peças para reposição; c Conservação e limpeza Detergente, ácido nítrico, soda líquida, hidróxido de sódio, e etc. d Outros itens: Pneus, óleo diesel, lubrificantes, fretes e etc. e Encargo de depreciação de ativo imobilizado, porque os bens apresentados não fazem parte do processo produtivo; f Crédito presumido do PIS/COFINS – uma parte por falta de apresentação das notas que geraram o crédito e outra parte, porque a autoridade fiscal entende que a lei não permite o ressarcimento desse crédito, mas somente a utilização para abatimento do valor devido; Depois de feitos os ajustes, dos R$ 997.551,26 pleiteados pela Contribuinte, foi recomendado o reconhecimento do direito ao ressarcimento somente de R$ 623.070,21. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 399/414). Em seu julgamento, a DRJ em Florianópolis/SC cancelou parte das glosas em relação ao material de embalagem. A ementa do acórdão da DRJ (fls.446/484) ficou do seguinte modo: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ouressarcimento é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS VINCULADOS A VENDAS EFETUADAS A ALÍQUOTA ZERO. SALDO CREDOR. ÚNICO TRIMESTRE. O pedido de ressarcimento dos créditos, apurado na forma do artigo 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei n° 10.865/2004, vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou nãoincidência, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestrecalendário de 2005, podia ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005, sendo que cada pedido deveria se referir a um único trimestrecalendário. (...) REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito a creditamento relativo às suas aquisições. São consideradas embalagens de apresentação aquelas que: tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final; contêm o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo e apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. REQUISITOS. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados a venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no Pais, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas Fl. 561DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001497/200951 Acórdão n.º 3401002.452 S3C4T1 Fl. 560 5 disposições se aplicam As despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados A venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Pais. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. . DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos no regime da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, a titulo de depreciação, calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. Os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados nos termos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 ão podem ser objeto de pedido de ressarcimento, nem compensação com tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte”. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 01/06/2012 (fl.520) e interpôs recurso voluntário em 28/06/2012 (fls.522/541), com as alegações resumidas abaixo: 1 O fato de a Recorrente ter acumulado o saldo credor de janeiro a março de 2005 e incluído no pedido de ressarcimento do 2º trimestre de 2005 não prejudica seu direito ao ressarcimento; 2 As peças de reposição são essenciais para a conservação das instalações industriais da Recorrente. Tais produtos são empregados nas tubulações por onde circula o leite, nos locais de armazenamento do leite, na pasteurização e esterilização do leite. Por isso, sem a aplicação destes produtos não há como proceder a industrialização do leite; 3 Em razão do produto produzido pela Recorrente, o material de limpeza não é mero material de limpeza, mas sim produtos de higienização, essenciais para manter o leite livre de qualquer impureza; 4 O óleo diesel é utilizado na caldeira para geração de vapor e também nos caminhões que transportam a matériaprima do produtor até o estabelecimento da Recorrente. Os pneus são utilizados nestes mesmos caminhões; 5 O frete é serviço utilizado como insumo no processo produtivo da Recorrente; 6 Os créditos dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado glosado têm origem na aquisição dos seguintes bens: pallets, caixa d’água e bombas. Esses equipamentos não têm contato direto com o produto, mas são de extrema necessidade e essenciais na cadeia produtiva; 7 Outro motivo de glosa em relação à depreciação de bens do ativo imobilizado consiste na aquisição de algumas máquinas antes de 01/05/2004. Contudo, essas máquinas somente foram efetivamente recebidas no estabelecimento da Recorrente no dia 06/05/2004; 8 O crédito presumido é gerado pela aquisição de leite in natura de pessoa física. A lei limita a utilização do crédito presumido com o próprio PIS e a COFINS somente quando a aquisição é de cooperados, contudo, a maior parte da aquisição da Recorrente é de pessoas físicas nãocooperadas. Assim, o crédito presumido deve ser mantido; 9 A autoridade julgadora, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito, pois utilizou para o rateio todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica. Ao fim, a Recorrente pediu, em suma, a reforma do acórdão da DRJ para que fosse reconhecido integralmente o crédito e homologadas as compensações declaradas. Caso não seja reconhecido o crédito, que seja designada diligência ao estabelecimento da Recorrente para a verifica in loco os documentos e os processos de industrialização. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Fl. 563DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001497/200951 Acórdão n.º 3401002.452 S3C4T1 Fl. 561 7 O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente busca o cancelamento das glosas efetuadas na apuração do seu crédito do PIS. Pelo recurso voluntário, foram devolvidas para apreciação as seguintes matérias: Possibilidade de utilização no pedido de ressarcimento do crédito do 2º trimestre de 2005 dos créditos acumulado entre janeiro e março de 2005; Possibilidade de geração de crédito na aquisição de peças para reposição; possibilidade de geração de crédito nos gastos com material de limpeza; geração de crédito nos gastos com óleo diesel; geração de crédito nos gastos com frete na aquisição de produto; créditos gerado pelos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; possibilidade de aproveitamento do crédito presumido; ajustes do rateio proporcional. 1. Do acúmulo do crédito de janeiro a março de 2005 A Recorrente alega que o fato de ela ter acumulado os créditos de janeiro a março de 2005 e incluído no pedido como se fossem do segundo trimestre de 2005 não causa prejuízo ao erário, de modo que deve ser aceito para a compensação. O aproveitamento do crédito está regulamentado pela Lei nº 9.430/96, que, no seu art. 74, § 14, assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) “§ 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação”.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Na época do pedido de ressarcimento ora apreciado, a norma que disciplinava a questão era a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a qual trazia o seguinte texto: “Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4 º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1 º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização Fl. 564DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório § 3 º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação” (grifo nosso). Como visto, a norma é bem clara, ao dispor que cada pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestrecalendário, de modo que os pedidos de ressarcimento que apontam um determinado trimestre, mas nele estão incluídos valores de outro período, estão em desacordo com a norma. Portanto, agiu bem a autoridade fiscal ao excluir do crédito pleiteado os valores que não compõem o segundo trimestrecalendário de 2005, ao qual se refere o pedido de ressarcimento. 2. Da possibilidade de geração de crédito na aquisição de peças para reposição A autoridade fiscal glosou o crédito originado em peças de reposição discriminadas da seguinte forma: MatMas, Mukk50, Hidralm, gás, rolo parafuso, adesivo, etc. No recurso voluntário, a Recorrente limitouse a afirmar que estes materiais são essenciais, pois, apesar de não se integrarem ao produto, sem eles não seria possível a industrialização do leite. A Recorrente tenta enquadrar o seu crédito no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, o qual tem a seguinte redação: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. ] Como é possível notar, o dispositivo transcrito acima permite a geração de crédito em relação às despesas com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de Fl. 565DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001497/200951 Acórdão n.º 3401002.452 S3C4T1 Fl. 562 9 serviço. Dessa forma, para verificar se determinada despesa gera ou não o crédito, é necessário que se saiba se ela é insumo. Ocorre que o PIS e a COFINS nãocumulativos, o conceito de insumo não é simples. Enquanto no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), no PIS e na COFINS esse definição sofre contornos subjetivos. Para se saber o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, é necessário saber se o bem é essencial à processo produtivo, ainda que dele não participe diretamente. Nessa linha, cabe ao contribuinte demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo. Todavia, apesar de a Recorrente ter citado onde cada peça será reposta, ela não logrou demonstrar a essencialidade dessas peças específicas para a produção do leite. 3. Possibilidade de geração de crédito nos gastos com material de limpeza A Recorrente sustenta que o material de limpeza na sua atividade é essencial, em razão da necessidade da higiene exigida pelas autoridades sanitárias. Considerando que a atividade da recorrente é a produção de leite, é intuitivo que a higiene do local é essencial, pois, se não fosse assim, certamente a linha de produção seria lacrada na primeira fiscalização dos órgãos competentes. Desse modo, seguindo a linha da essencialidade e considerando a atividade da empresa, in casu, deve ser reconhecido o direito creditório em relação à aquisição de material para limpeza. 4. Da geração de crédito nos gastos com óleo diesel e pneus Em relação ao óleo diesel e pneus, a Recorrente alega que eles são utilizados no transporte da matériaprima do produtor até o estabelecimento da Recorrente. Ocorre que esses gastos não estão diretamente relacionados à produção. A manutenção dos caminhões é elemento secundário à atividade da empresa. Portanto, não há geração de crédito nos gastos com óleo diesel e pneus utilizados nos caminhões da empresa. Quanto ao óleo diesel utilizado durante o processo produtivo, na caldeira para a geração de vapor, ele tem previsão expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, como insumo gerador do crédito. Não obstante, a Recorrente não logrou provar essa utilização, nem a segregação entre o diesel que é utilizado nos caminhões e o diesel utilizado na caldeira. Ainda que a Recorrente tivesse provado a utilização do óleo diesel para o aquecimento da caldeira, a falta da segregação impossibilita alcançar o valor real do diesel considerado essencial, gerador do crédito, de modo que o crédito padece de falta de liquidez e certeza, razão que leva ao seu indeferimento. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 10 5. Geração de crédito nos gastos com frete na aquisição de produto Como já explicado anteriormente, no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, permitese a geração do crédito do PIS nãocumulativo em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Em outro julgado desta turma, ficou entendido que o conteúdo da norma mencionada pode ser interpretada de modo ampliativo e que qualquer bem ou serviço utilizado como insumo gera crédito do PIS/COFINS. Ainda ficou entendido que o frete também compõe, diretamente, o custo da aquisição insumo. Dessa forma, o valor dele deve compor o cálculo do crédito. Assim ficou a ementa do acórdão nº 3401001.896, relativo ao processo nº 10882.001594/200645, julgado por esta Turma em julho de 2012: “(...) CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. SERVIÇO DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO. POSSIBILIDADE. Como o custo com frete compõe o valor da despesa na aquisição de insumo, ele deve fazer parte do cálculo do crédito da COFINS nãocumulativa, nos termos do art. 3o, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. (...)”. (CARF. 3º SJ, 4 Cam, 1º TO. Rel. Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça. Processo10882.001594/200645, julgado em 18/07/2012). Muito embora o julgamento tratasse de COFINS nãocumulativa, em razão da conhecida semelhança na apuração de crédito com o PIS nãocumulativo, o raciocínio da norma transcrita acima é plenamente aplicável ao presente caso. Sendo assim, reconheço o direito ao crédito em relação ao gasto com frete na aquisição de insumos. 6. Créditos gerados pelos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado A Recorrente alega que os créditos em razão da depreciação de bens ativos imobilizados que foram negados são relativos a pallets, caixa d’água e bombas. Alega ainda que, muito embora esses equipamentos não tenham contato direto com o produto, são de extrema necessidade e essenciais na cadeia produtiva. A Recorrente descreve a utilização de cada item do seguinte modo: “a) pallets que são utilizados para armazenagem do leite; Fl. 567DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001497/200951 Acórdão n.º 3401002.452 S3C4T1 Fl. 563 11 b) caixa d’água, que é utilizada para a higienização, abastecimento, desinfecção dos tanques dos caminhões no momento do descarregamento do leite e na higienização da indústria; c) Bombas são utilizadas no descarregamento e carregamento do leite, tanques e rodoviários utilizados para transporte de leite, silos de armazenamento de leite, etc”. Essa turma tem firmado entendimento que para ter direito ao crédito do PIS e COFINS nãocumulativo dos encargos gerados pela depreciação de bens do ativo imobilizado, é necessário que o bem ativo tenha participação direta no processo produtivo. Da descrição feita pela Recorrente, entendo que a depreciação dos pallets e da caixa d’água não gera o crédito pleiteado, pois não participam diretamente do processo industrial. Por outro lado, noto a real impossibilidade de continuidade do processo produtivo sem existirem as bombas para transpor o leite pelas diversas fazes do processo. Por isso, reconheço o direito creditório somente em relação os encargos com a depreciação das bombas. Ainda quanto às glosas em relação aos encargos com depreciação do ativo imobilizado, o fisco glosou alguns itens adquiridos antes 01/05/2004, em razão da vedação expressa do art. 31, da Lei nº 10.865/2004, que assim dispõe: “Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004”. A relação desses bens está na fl. 40, na planilha elaborada pelo auditorfiscal. A Recorrente alega que se trata somente de uma nota fiscal, emitida em 30/04/2004, todavia, o produto só saiu da empresa vendedora em 04/05/2004 e entrou no estabelecimento da Recorrente somente em 06/05/2004. Todavia, a lei é clara e estabelece como marco temporal a data de aquisição, isto é, da compra. Se não bastasse isoo, muito embora a Recorrente alegue que pode provar a entrada do ativo imobilizado somente em 06/04/2004, pelos carimbos na nota fiscal, tal nota não foi apresentada. Por essa razão, com exceção do encargo da depreciação das bombas, deve ser mantida a glosa em relação a depreciação dos demais ativos imobilizados. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 12 7. Possibilidade de aproveitamento do crédito presumido A Recorrente pretende o aproveitamento do crédito presumido do PIS para compensar com débitos de outros tributos, sob a alegação de permissão legal, pois a maioria das suas vendas são tributadas à alíquota zero, de modo que não há como utilizar todo o crédito no abatimento do PIS e COFINS devidos. O art. 8º e § 1º Lei n° 10.925/2004, que prevê o crédito presumido do PIS, assim determinam: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)”. Todavia, o §4º, também do artigo 8º, trouxe vedação ao aproveitamento do crédito pelas cooperativas agropecuárias da seguinte forma: “§ 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 569DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001497/200951 Acórdão n.º 3401002.452 S3C4T1 Fl. 564 13 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo” No fim de 2004, mais precisamente em 22/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe no seu art. 17 a seguinte redação, na qual se apoia a Recorrente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§ 4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004) traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra especificar. Portanto, a vedação do §4º, também do artigo 8º, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito presumido do PIS, pelas cooperativas, em relação às vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas, para compensar com outros tributos. 8. Ajustes do rateio proporcional A Recorrente sustenta que a autoridade julgadora, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito, pois utilizou para o rateio todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica. A argumentação trazida no recurso voluntário foi a mesma apresentada na manifestação de inconformidade. Após a análise dos autos, a DRJ concluiu os seguintes: “Em análise aos autos, verificase que não tem razão a contribuinte. De se ver. A autoridade fiscal intimou a cont ri buinte, as folhas 8 e 9, a apresentar "memória de cálculo dos rateios das bases de cálculos (vinculados a receita — mercado interno e exportação e/ou tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) efetuados na apuração do crédito do PIS e da Cofins pleiteados". A contribuinte, por sua vez, respondeu as folhas 12 e 13 do processo administrativo n° 10925.001499/200941, que apresenta "planilha digital, memória de cálculo referente a apuração dos débitos e créditos Fl. 570DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 14 do PIS e COFINS, contendo os critérios de rateio para apropriação dos créditos nas colunas 'Tributado Mercado Interno' e 'Não Tributado Mercado Interno'." A citada planilha digital e memória de cálculo, apresentadas pela contribuinte em CD foram anexadas pela autoridade fiscal no processo administrativo n° 10925.001497/200951, no Anexo 1, as folhas 2 e 3. Extraídas as plani1has digital e memória de cálculo do meio digital, juntadas ao presente processo as folhas 115 e 116, constatase que, para o quarto trimestre de 2005, a contribuinte não fez apropriação de custos direta, como alega. Todos os insumos e demais itens que compõem a base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade foram informados com o número ‘1’, correspondente, na legenda da contribuinte, ao mercado interno, sem quaisquer informações sobre tributação ou não. Não consta dos relatórios apresentados pela contribuinte quaisquer informações acerca da apropriação direta dos custos de produção, no que se refere a vendas tributadas e não tributadas no mercado interno. Ademais, verificase que os percentuais da receita do mercado interno tributada e não tributada, apurados pela contribuinte, são os mesmos informados pela autoridade fiscal no Despacho Decisório. Desta forma, nenhum reparo merece o Despacho Decisório, no que se refere ao rateio dos insumos, a fim de se conhecer a parcela possível de ser ressarcida em dinheiro”. Em análise cuidadosa dos autos, verificase que todas as divergências apontadas pela DRJ são verdadeiras. Por outro lado, a Recorrente não rebateu ou justificou nenhuma das falhas apontadas. Tudo isso não leva a outro caminho senão à manutenção do acórdão da DRJ neste ponto. 9. Da diligência Conforme o art. 18 e o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a decisão sobre a realização de diligência parte da análise subjetiva do julgador. O julgamento somente será convertido em diligência se a autoridade julgadora entender necessário. No caso em tela, seria pertinente a diligência se este conselheiro, levando em conta os argumentos da Recorrente e a fundamentação da decisão recorrida, ficasse em dúvida quanto a qualquer ponto do qual negou provimento. Todavia, nas matérias nas quais o provimento foi negado, as alegações ventiladas no recurso não foram suficientes para suscitar dúvidas. As descrições relatadas pela própria recorrente foram suficientes para formar a convicção deste Relator. Diante disso, é desnecessária a realização de diligência, razão pela qual a nego. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para reconhecer para cancelar as glosas em relação às despesas com material de limpeza, óleo diesel utilizado na caldeira para geração de vapor, frete na aquisição de matériaprima e encargos com a depreciação das bombas. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 571DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.001497/200951 Acórdão n.º 3401002.452 S3C4T1 Fl. 565 15 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Por força de designação do Presidente da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara, Terceira Seção de Julgamento, recebi a incumbência de redigir o voto vencedor quanto à possibilidade de apropriação de crédito em relação ao material de limpeza e à depreciação das bombas. Nada obstante as bem lançadas razões do eminente Conselheiro Relator, com as vênias de praxe, entendo que andou bem a decisão recorrida, não merecendo reforma, ainda que tenha adotado o conceito restritivo das INs SRF 247/02 e 404/04. Com efeito, revendo os termos da decisão de primeira instância administrativa, verifico que, concernente ao material de limpeza, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos empregados na higienização das máquinas produtoras de laticínios, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal, não se estendendo àqueles destinados à limpeza do área de produção como um todo. O excerto que trata do tema encontrase vazado nos seguintes termos: “Esclarecese inicialmente que somente os materiais de limpeza aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, o qual é considerado despesa operacional. Podese considerar como materiais de limpeza aplicados diretamente no curso do processo produtivo os produtos utilizados para higienização das máquinas produtoras de leite, por suas características fisicoquímicas, tendo em vista que a sua não utilização inviabilizaria a produção do leite. No caso em análise, no entanto, a contribuinte faz apenas alegações genéricas da função dos produtos relacionados como ‘Materiais de Limpeza Industrial’. Nesta condição, como visto no tópico inicial deste voto, a contribuinte deveria descrever especificamente a função de cada produto diretamente relacionado com o processo produtivo, além de apresentar os respectivos documentos de aquisição.” Como se extrai, os gastos com material de limpeza utilizados na assepsia do maquinário destinado à produção de leite e derivados é admitida, contudo, o mesmo não ocorre em relação àqueles destinados às outras áreas da empresa, como, por exemplo, áreas industriais não afetas à produção, administração, almoxarifado e congêneres, devendo o contribuinte segregar os produtos por finalidade e local de uso, especificando ainda sua forma de utilização. No caso vertente, a argumentação deduzida pelo recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, como no recurso voluntário, parece caminhar na defesa da apropriação ampla e irrestrita de tais produtos (de limpeza), eis que demasiadamente genérica, o que, a meu sentir, fere a acepção do termo “insumo” hodiernamente vigente na jurisprudência desta Casa Julgadora. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Como aludido linhas atrás, o entendimento do CARF acerca do que seja insumo, para fins da legislação das contribuições do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, vem se consolidando no sentido de não circunscrevêlo apenas aos bens e serviços que sofram desgaste ou perda das propriedades em função da ação diretamente exercida sobre o bem em produção ou fabricação, como entende a Receita Federal do Brasil; tampouco admitir o conceito formulado por aqueles que entendem que insumo possui um conceito equivalente ao de despesa operacional, segundo a legislação do IRPJ. Nesta linha de idéias, o insumo, para o PIS/Pasep e Cofins, possuiria um conteúdo próprio, ocupando um meio termo entre o seu conceito para a legislação do IPI e o de despesa/custo para o IRPJ, correspondendo àqueles bens e serviços que sejam prestados, utilizados ou consumidos diretamente no processo produtivo ou de fabricação, dependente de um exame casuístico, isto, caso a caso, para seu reconhecimento. Em síntese, não tendo o recorrido logrado êxito em esclarecer a função/finalidade de cada produto consumido como material de limpeza destinado à higienização do maquinário – detergente, ácido nítrico, soda líquida, detergente, hidróxido de sódio, dentre outros –, não há como reconhecer o direito vindicado, porquanto é impossível aferir sua real utilidade. Respeitante ao crédito dos encargos e depreciação das bombas, também aqui entendo não merecer qualquer censura a decisão recorrida. Tais equipamentos, de acordo com o recorrente, são utilizados no descarregamento/carregamento do leite, tanques rodoviários para transporte de leite, silos de armazenagem de leite, dentre outros fins. Consoante art. 3º, VI das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, o aproveitamento do crédito está vinculado à sua utilização na produção. Subsumindo os ditames legais ao caso sob julgamento, temse que as bombas são utilizadas, ora quando a produção ainda não se inicou, como na descarga/armazenagem do leite in natura, tal qual recebido dos produtores rurais; ora quando a produção já se encerrou, como se dá no carregamento/descarregamento/armazenagem do leite já processado. Ou seja, na movimentação de insumos (leite in natura) ou de produtos acabados (leite processado) dentro do estabelecimento fabril do recorrente, mas não durante o processo de produção/fabricação. Desta forma, as bombas em questão não estão vinculadas à produção, para o desiderato do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, motivo pelo qual não geram crédito da não cumulatividade. Robson José Bayerl Fl. 573DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10850.906254/2011-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 06 25 4/ 20 11 -4 7 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906254/201147 Resolução nº 3803000.397 S3TE03 Fl. 302 2 O crédito que se pretende compensar na declaração de compensação destes autos encontrase em discussão no processo administrativo nº 10850.907652/201181, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão deste processo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) no despacho decisório, a autoridade administrativa não homologara a compensação declarada, informando que não havia sido constatado valor algum a ser restituído, sem que fossem tecidas quaisquer outras considerações para embasar o indeferimento do crédito pleiteado; b) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; c) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; d) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de DARFs, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906254/201147 Resolução nº 3803000.397 S3TE03 Fl. 303 3 Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 22 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de maio do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, bem como a homologação da compensação declarada, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906254/201147 Resolução nº 3803000.397 S3TE03 Fl. 304 4 argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; f) o fato de ter alegado na Manifestação de Inconformidade apenas a ocorrência de receitas financeiras não pode suplantar os fatos devidamente demonstrados de que o direito creditório se refere ao somatório das receitas financeiras e dos valores de créditos recuperados, não tendo havido no período receita tributável pela contribuição; g) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; h) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; i) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; j) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; l) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2000 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906254/201147 Resolução nº 3803000.397 S3TE03 Fl. 305 5 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a repartição de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Consta da Declaração de Compensação o nº do Pedido de Restituição (PER) em que o crédito fora pleiteado, pedido esse em discussão no processo administrativo nº 10850.907652/201181, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão. Como o encaminhamento dado ao processo nº 10850.907652/201181 foi de conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para se confirmar o direito creditório pleiteado, a este processo deve ser dada a mesma destinação, pois que dependente do resultado que se apurar naqueles autos. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a este processo sejam juntados os resultados da diligência determinada no processo nº 10850.907652/201181, devendo ambos os autos serem reunidos para julgamento em conjunto. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos, devidamente reunidos, retornarem a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10932.720172/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA ALHEIA AO LANÇAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO-CONHECIMENTO.
Deixa-se de conhecer do recurso voluntário que contenha apenas matéria alheia ao lançamento.
MATÉRIA NÃO RECORRIDA.
Considera-se não recorrida a matéria, objeto do lançamento, que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente.
Numero da decisão: 1402-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃOCONHECIMENTO. Deixase de conhecer do recurso voluntário que contenha apenas matéria alheia ao lançamento. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. Considerase não recorrida a matéria, objeto do lançamento, que não tenha sido expressamente contestada pelo Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 72 /2 01 1- 05 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 587 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 588 3 Relatório Eletrogrill Ind. e Com. De Eletrodomésticos Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 6ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Auto de Infração lavrado à constituição de crédito tributário relativo à cobrança de percentual adicional da contribuição devida ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – SIMPLES, referente ao ano calendário de 2006, quanto à operação de verificação de cruzamento de informações — GIA/ DIPJ, especificamente quanto aos procedimentos de verificação de vendas e omissão de receitas. Sustenta a fiscalização: a) que, através do Termo de Início de Ação Fiscal cuja emissão e ciência deuse em 25/11/2009 foi dado início ao procedimento fiscal, intimando o contribuinte a apresentar os livros e documentos pertinentes à fiscalização; b) que o contribuinte entregou os livros de Registro de Entradas e de Saídas, assim com as notas fiscais de entradas e de saídas, deixando, porém, de entregar o livro Caixa ou o Diário e Razão; c) que a ação fiscal foi levada a efeito de acordo com os procedimentos citados e as verificações feitas por amostragem, tendo sido utilizados os livros de Registro de Saídas e de Entradas, declarações DIPJ e sistemas da RFB; d) que, diante da verificação das Declarações de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e PJSI, o contribuinte apontou sua opção pela apuração do Imposto de Renda pelo SIMPLES de 01/2006 a 07/2007 e pelo Lucro Presumido de 07/2007 a 12/2007; e) que o Auto de Infração se refere ao período relativo ao ano calendário de 2006; f) que, utilizando os livros de Registro de Saídas, cujos registros são a base das informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA, fixandose apenas nas operações cujos Códigos Fiscais de Operação e Prestação CFOP representam as receitas do contribuinte, promoveu o levantamento das mesmas a fim de confrontálas com as receitas declaradas e com as informações recebidas para cruzamento de dados; g) que, como resultado desta comparação, constatouse diferenças entre as receitas levantadas nos livros e aquelas declaradas na PJSI, Fl. 588DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 589 4 ressaltando a fiscalização que o total das receitas dos livros é compatível com a movimentação financeira do contribuinte; h) que, em vista da constatação acima, a fiscalização procedeu à constituição dos créditos referentes às diferenças apuradas na forma do Auto de Infração de IRPJ na modalidade do SIMPLES e seus reflexos, referente ao ano calendário de 2006; i) que as diferenças, apesar de terem sido registradas no livro fiscal não foram declaradas na PJSI, tendo sido as mesmas consideradas como não escrituradas e como omissão de receitas do contribuinte; j) que o crédito tributário está regido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional – CTN; k) que os recolhimentos anteriormente efetuados pelo contribuinte, sob o código de receita 6106 SIMPLES foram devidamente considerados na lavratura do Auto de Infração; l) que, em face do fato de que uma parcela das operações de vendas do contribuinte foram levadas à DIPJ por valor inferior ao constante das mesmas e desta forma tiveram suas bases de cálculo correspondentemente reduzidas, restou efetuado o lançamento dos créditos com aplicação da multa de ofício em seu percentual qualificado de 150%, de acordo com o art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, combinado com o art. 19 da Lei nº 9.317/96; m) que, considerando que a apuração das receitas do contribuinte ultrapassou os limites legalmente permitidos, restou elaborada, em processo administrativo específico, representação administrativa com vistas à exclusão de ofício do SIMPLES; n) que, considerando que as ações e conduta do contribuinte têm conotação de inequívoca intenção de suprimir e/ou reduzir tributo/contribuição por meio de omissão ou alteração de informação e documentos fiscais, em processo administrativo específico, elaborouse a competente Representação Fiscal para Fins Penais. Diante disto, restaram lavrados os Autos de Infração de fls. 305/306 – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – percentual do SIMPLES, 333/334 – Imposto Sobre Produtos Industrializados – percentual do SIMPLES, 312/313 – PIS/PASEP – percentual do SIMPLES, 319/320 – CSLL – percentual do SIMPLES, 326/327 – COFINS – percentual do SIMPLES e 340/341 – Contribuições previdenciárias – percentual do SIMPLES. Irresignado com o lançamento, comparece o sujeito passivo aos autos, impugnandoo pelo instrumento de fls. 422/490, aduzindo, em síntese, o que segue: DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO INSANÁVEL NA EMISSÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL 1) que, à luz do artigo 142 do CTN, o lançamento é ato vinculado e obrigatório, ficando a fiscalização obrigada a realizar o ato administrativo de lançamento segundo as normas de incidência tributária e segundo as normas de competência; que não pode a fiscalização exceder ou agir em desconformidade com Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 590 5 as normas editadas pelos Poderes Legislativo e Executivo; transcreve o artigo 116 da Lei nº 8.112/91; que a existência de MPF e a manutenção de sua exigência é norma que cumpre os desígnios legais do ato vinculado, também se constituindo ordem de superior hierárquico, não podendo ser desrespeitada; transcreve o artigo 2º do Decreto nº 3.724/2001 e a alteração promovida pelo Decreto nº 6.104/2007; sobre a necessidade de se emitir o MPF transcreve a Portaria RFB nº 3.014/2011, bem assim doutrina em amparo à indispensabilidade da emissão do MPF; 2) que a legislação citada, conforme a doutrina, na medida em que estabelece o procedimento da fiscalização, a cargo dos Auditores Fiscais, cria direito subjetivo em favor do contribuinte, não podendo ser atropelado por nenhum interesse arrecadatório; transcreve doutrina; transcreve julgado administrativo pela anulação de lavratura fiscal ante a ausência de MPF; que o ato jurídico de lançamento exige agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei; que o ato administrativo, além destes elementos, exige ainda a motivação e a finalidade; que o motivo e o objeto podem ser vinculados ou discricionários; que a competência, forma e finalidade são elementos sempre vinculados, conforme doutrina que transcreve; 3) que, no caso da lavratura fiscal em julgamento, houve preterição da formalidade prescrita em lei, tornando incompetente o agente fiscal, ensejando a nulidade do Auto de Infração; que não há possibilidade de discricionariedade com relação à matéria, uma vez que o ato prescindiu de certos requisitos que formam a competência legal da autoridade fiscal; transcreve o artigo 96 do CTN, concluindo pela impossibilidade de se conceber a constituição de crédito tributário em desacordo com a Portaria RFB nº 3.014/2011, bem assim, o Decreto nº 3.724/2001; que este Decreto impõe que não se tenha nenhum procedimento fiscal sem prévia emissão do MPF; que, se o MPF é peça inaugural da ação fiscal, o seu desatendimento quanto à emissão (agente incompetente) constitui motivo para a nulidade do ato administrativo de lançamento; que a Portaria RFB nº 3.014/2011, dispondo sobre o planejamento das atividades fiscais e normas para execução de procedimentos fiscais, determinou quais as pessoas competentes para a emissão do MPFF; que pelo artigo 6º, § 1º da referida Portaria, são competentes o Delegado da Receita Federal e o Inspetor Chefe da Receita Federal do Brasil no âmbito de suas respectivas áreas de competência (contribuintes na região fiscal de São Bernardo do Campo); que, levandose em consideração que o sujeito passivo encontrase em região fiscal totalmente diversa do emitente do MPF, qual seja, Delegado da Receita Federal em São Bernardo do Campo, resta clara a ausência de competência do emissor do MPF; 4) que, em face do princípio da legalidade no âmbito da Administração Pública, bem assim, da legalidade em relação à garantia individual, é dever da Administração anular os próprios atos administrativos quando eivados de ilegalidade, na forma da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, tendo seus efeitos retroativos ao status quo ante à realização do ato inquinado (cita doutrina); DA NULIDADE DO LANÇAMENTO – INCONSISTÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS – DA INCORRETA APLICAÇÃO DA PRESUNÇÃO NO PRESENTE LANÇAMENTO 5) que é nulo o lançamento levado a efeito com afronta aos artigos 9º e 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, que transcreve, pois a autoridade fiscal não relatou de forma adequada as operações praticadas pela autuada, fazendo apenas remissão aos dados obtidos nos livros fiscais e valores lançados pelo contribuinte, o que não é suficiente, prejudicando o direito de defesa deste; que a fiscalização Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 591 6 buscou motivar a autuação em documentos à parte e não no corpo do Auto de Infração, o que não se admite; 6) que somente nos casos onde o legislador expressamente tipifica hipóteses legais da presunção da ocorrência de fatos geradores se legitima a inversão do ônus da prova no procedimento de autuação, cabendo à autoridade, mesmo neste caso, comprovar a existência de indício que permita a aplicação da presunção; 7) que a fiscalização somente se utilizou do livro de registro de saída do exercício de 2006, deixando de confrontálo com a movimentação bancária, notas fiscais emitidas e canceladas ou mesmo outro meio que demonstrasse que os valores ali lançados tratamse do real e efetivo faturamento do contribuinte; que a autuada não pode se defender da acusação fiscal, pois não sabe ao certo a sua razão; que encontrase violado os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório, legalidade tributária e legalidade enquanto garantia individual; 8) que, igualmente, não se encontra preenchido o artigo 142 do CTN, pois não há a determinação da matéria tributável, com a utilização de provas que demonstrem de forma irrefutável o ilícito tributário; que é concedido à fiscalização a ampla discricionariedade de investigações, mas não se pode exigir tributo se não houver ocorrido, e provado estiver, a materialização da hipótese de incidência; que, para tanto, é necessário adequarse os fatos ocorridos a um tipo legal específico, motivando a incidência; apresenta doutrina; que se está diante de Auto de Infração baseado em presunção, não havendo elementos suficientes para fundamentar o lançamento; cita julgado administrativo onde houve a improcedência da lavratura fiscal por presunção de faturamento a partir dos valores consumidos a título de matéria prima, em sede de auditoria de produção; 9) que o Auto de Infração é baseado em presunções ordinárias do homem, procedimento este não autorizado em lei, com utilização de provas que não demonstram a veracidade dos fatos; DECADÊNCIA 10) aduz a ocorrência da decadência do direito de constituição do crédito tributário por força da incidência do artigo 150, § 4º do CTN, bem assim artigo 156, inciso V do mesmo Código; aduz distinções doutrinárias e legais entre a decadência e a prescrição; que se trata de lançamento por homologação, cujo termo inicial do prazo decadencial é a data de ocorrência do fato gerador; DA DECADÊNCIA DO IRPJ E DOS REFLEXOS (PIS/COFINS/CSLL) E IPI 11) que a partir da Lei nº 9.430/96 a modalidade de lançamento para o IRPJ será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestral ou mensal pela opção de pagamento por estimativa; que pelo artigo 5º do referido normativo, o imposto devido será apurado pelo contribuinte e recolhido aos cofres públicos em única quota; que se aplica os artigos 287 e 288 do Regulamento do Imposto de Renda quanto à questão da omissão de receita; que, a interpretação das normas vigentes aponta para aplicação do instituto da decadência no que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na forma do artigo 150, § 4º do CTN, ocorrendo trimestralmente para o IRPJ e CSLL, e mensalmente para o PIS e COFINS; que, no tocante ao IPI, a apuração é feita por período de competências (decendial ou mensal); Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 592 7 12) que, considerandose que o sujeito passivo foi intimado do Auto de Infração em 18/11/2011, todos os créditos tributários constituídos cujos fatos geradores ocorreram antes de 18/11/2006 foram extintos pela decadência; MÉRITO DA FALTA DE PROVA E DA INCOERÊNCIA LÓGICA DA PRESUNÇÃO DE FATURAMENTO/LUCRO DA FALTA DE PROVA PARA CONSTATAÇÃO DE FATURAMENTO E LUCRO 13) que a instrução do procedimento administrativo exige a colheita de provas indispensáveis à identificação do fato jurisdicizado, de forma a conhecer a verdade material que se submeterá à norma; cita doutrina; que, no exercício de sua função a Administração Fazendária tem o dever de provar a ocorrência do fato do qual decorre a aplicação do direito, sendo dela, Administração Tributária, o ônus probatório; cita doutrina; 14) que, em verificação aos autos, a fiscalização não cumpriu seu ônus probatório ao trazer aos autos apenas presunções da ocorrência de lucro (faturamento) do sujeito passivo, que demonstram a falta de materialidade dos fatos ocorridos, não demonstrando que os valores constantes dos livros de saída são referentes ao faturamento bruto (lucro) do contribuinte; que, ante a falta de prova robusta ou mesmo indícios legais da ocorrência da suposta omissão de rendimentos, o lançamento deve ser considerado improcedente; DA INCOERÊNCIA LÓGICA DA PRESUNÇÃO DE FATURAMENTO E LUCRO – INCONSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO 15) após argumentos teóricos sobre as presunções, o contribuinte aduz que, no caso dos autos, não se pode dizer ser infalível a consequência lógica entre os valores lançados nos livros de saída e o faturamento ou lucro; que tal criação é mais um ardil para o desrespeito às garantias constitucionais do contribuinte; que, se o contribuinte não apresenta qualquer sinal exterior de riqueza, o simples fato da verificação dos valores nos livros fiscais não demonstram que o mesmo seja um sonegador; que a Constituição Federal de 1988 é clara ao determinar que a base de cálculo do IRPJ é o lucro (receita menos custos e despesas), obtido durante o exercício financeiro ou período de apuração, calculados na forma dos artigos 1º e 2º da Lei nº 9.430/96; traz considerações e doutrina sobre o que é o lucro; 16) que o faturamento é a base de cálculo do PIS e da COFINS; que a Lei Complementar nº 70/91 dispõe que o faturamento mensal é considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, após feitas as deduções do IPI, as vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente; a Lei Complementar nº 7/70 determina que a contribuição para o PIS será constituída por duas parcelas, sendo a segunda, com recursos próprios da empresa, calculada com base no faturamento; 17) que a presunção aplicada pela fiscalização para apuração da base de cálculo dos tributos em comento, colidem com o conceito de presunção, pois não reflete a experiência de que o fato conhecido importa no reconhecimento do fato desconhecido, pois não há nexo causal entre os valores lançados no livro fiscal de saída e a aquisição de lucro e faturamento, bem como colide com a prática jurisprudencial no âmbito administrativo e judicial; cita doutrina; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 593 8 18) que a simples prova de que os valores lançados nos livros não é renda direta desqualifica a presunção realizada pela fiscalização ao atribuir os valores de faturamento e lucro no anocalendário de 2006; DA ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO DA PIS/COFINS – EXCLUSÃO DO ICMS 19) que a autuada é empresa que atua no ramo da importação e exportação de utilidades domésticas, auferindo faturamento/receita bruta decorrente da comercialização dos referidos produtos, encontrandose sujeita ao recolhimento das contribuições ao PIS/COFINS nos termos do artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal de 1988; que o PIS/COFINS foi instituído pelas Leis Complementares nº 7/70 e 70/91; que sobreveio a Lei nº 9.718/98; que o Supremo Tribunal Federal entendeu que a edição da Emenda Constitucional nº 20, posteriormente à Lei nº 9.718/98 não teria o condão de validar as normas contidas no último veículo normativo, voltando a prevalecer a determinação da base de cálculo contida no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91; que sobreveio as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, instituindo a nãocumulatividade entre os tributos; que, a partir da edição das leis ordinárias, a base de cálculo do PIS e da COFINS passou a ser o faturamento mensal; que a parcela do ICMS incluso no preço cobrado nas etapas de industrialização e comercialização compunha a base de cálculo, não ocorrendo mais tal fato por força de entendimento do Supremo Tribunal Federal; 20) que a fiscalização exigiu da autuada o recolhimento das contribuições devidas ao PIS e COFINS com a inclusão, em suas bases de cálculo, da parcela referente ao valor do ICMS, parcela esta que não se insere no conceito de receita bruta/faturamento; que tal exigência se mostra ilegal e arbitrária; DO POSICIONAMENTO JURÍDICO DA QUESTÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS 21) transcreve o artigo 195, inciso I, “b” da Constituição Federal de 1988; transcreve os artigos 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; que o conceito de faturamento (receita bruta mensal) é idêntico tanto para a contribuição ao PIS como para a contribuição à COFINS; transcreve os artigos 224 e 279 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99); que a base de cálculo do PIS e da COFINS referese às vendas, constituindo o seu somatório mensal o faturamento, ou receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços, não integrando a referida base de cálculo a parcela referente ao ICMS; transcreve julgados judiciais e doutrina; DA QUESTÃO DA REPERCUSSÃO ECONÔMICA 22) que, com as leis nº 10.637/02 e 10.833/03 restou introduzida a sistemática da nãocumulatividade em relação às contribuições ao PIS e a COFINS; que a não cumulatividade não diz respeito ao fenômeno da repercussão disposto no artigo 166 do CTN; o sujeito passivo explica a distinção afirmada, citando doutrina em seu favor; DA NULIDADE DO LANÇAMENTO – ENQUADRAMENTO LEGAL REALIZADO EM LEI REVOGADA 23) que a fiscalização se utilizou como fundamento à lavratura fiscal as hipóteses previstas nos artigos 5º, 7º, 17, 18 e 19 da lei nº 9.317/96; que tal lei foi objeto de revogação pela Lei Complementar nº 123/2006, que transcreve; que tal procedimento violou o princípio da legalidade, elemento essencial ao ato Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 594 9 administrativo de lançamento, conforme artigo 37 da Constituição Federal de 1988; que restou violado o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; que a norma revogada foi retirada do ordenamento jurídico, surtindo seus efeitos somente aos atos emanados até a sua revogação; que o Auto de Infração merece ser reconhecido como nulo, por estar fundamentado em disposição legal revogada; DA REVOGAÇÃO DA MULTA DO ARTIGO 44, II DA LEI Nº 9.430/96 DE 150% PARA 50% 24) transcreve o artigo 44 da Lei nº 9.430/96; que a Medida Provisória nº 303/2006, convertida na Lei nº 11.488/2007, em seu artigo 14, alterou por completo a redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, revogando expressamente a multa tipificada no inciso II do referido artigo 44; transcreve o inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96; que a norma tributária incide ao tempo do fato, não se podendo esquecer do fenômeno da retroatividade, conforme artigo 106 do CTN, que transcreve; que o operador do direito não pode desprezar a aplicação do direito retroativamente, sob pena de violação ao princípio da legalidade; conclui pela necessária aplicação da nova redação dada ao artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, por observância ao disposto no artigo 106, inciso II, “c” do Código Tributário Nacional – CTN; DO NÃO PREENCHIMENTO DA REGRAMATRIZ DE INCIDÊNCIA DO IRPJ, CSLL, COFINS E PIS DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA 25) que a fiscalização, ao presumir que a movimentação financeira ocorrida nas contas bancárias da impugnante tratamse de lucro ou faturamento, feriu o princípio constitucional da capacidade contributiva, princípio este ligado à base de cálculo do IRPJ e seus reflexos; discorre sobre a violação alegada, aduzindo razões de natureza constitucional e doutrina; DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA – NÃO PREENCHIMENTO DA REGRA MATRIZ 26) faz breve comentário sobre a inserção do princípio da capacidade contributiva na Constituição Federal de 1988; que é importante examinar a possibilidade de aplicação deste princípio – capacidade contributiva – em relação aos tributos vinculados, em que o montante arrecadado é aplicado diretamente na atividade prestada pelo Estado como contraprestação ao recolhimento; cita doutrina; que tal princípio visa, também, preservar o contribuinte, buscando evitarse a tributação excessiva; cita doutrina; DO EXCESSO NA COBRANÇA DOS VALORES ACESSÓRIOS 27) que, seguindo o princípio da legalidade, não é possível que a impugnante seja obrigada a pagar aquilo que não foi instituído por lei; que há anatocismo, pois o Estado atualiza o débito pela UFESP, acrescendo a Taxa Selic, a qual incorpora índices de atualização monetária, de maneira a constituir cobrança sem lastro de legalidade; DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA 28) que “não obstante tratarse o IRPF de imposto informado compulsoriamente pelo contribuinte, o Estado impõe a pesada e abusiva multa, que incide sobre o valor do débito devidamente corrigido”; que tal cobrança, abusiva, viola o princípio da capacidade contributiva; que, “se o autor supostamente deixou Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 595 10 de recolher aos cofres públicos os tributos que informou dever, é porque não possuía meios de efetuar tais pagamentos, é porque sua capacidade econômica não lhe permitia agir de maneira diversa”; que, portanto, por força do artigo 145 da Constituição Federal de 1988, merece ser excluída a multa administrativa aplicada; que exigir multa no percentual de 150% implica utilizar o tributo com efeito de confisco, o que é vedado pelo artigo 150, inciso IV da Constituição Federal de 1988; DA INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS NOS TERMOS DO ARTIGO 161, § 1º DO CTN 29) que o Código Tributário Nacional prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora no percentual de 1% ao mês se a lei não dispuser de modo diverso; que a estipulação da taxa de juros em 1% já é um privilégio ao crédito tributário, uma vez que corresponde ao dobro do permitido aos débitos de natureza civil; que a expressão “se a lei não dispuser de modo diverso” somente deve ser entendida caso a legislação estabeleça percentual inferior a 1%, nunca quando o fixe em patamar superior; cita doutrina; DA ILEGALIDADE DA TAXA SELIC E DA INAPLICABILIDADE DOS JUROS POR ELA CALCULADOS SOBRE INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS 30) que é ilegal e irregular a aplicação dos juros de mora com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para Títulos Federais; transcreve o artigo 161 do CTN; após argumentos conceituais teóricos, conclui que o percentual de 1% é limite máximo aos juros de mora aplicáveis ao débito tributário. Isto posto, vêm os autos conclusos para julgamento. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 37.755 (fls. 505528) de 24/04/2012, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. MANDADO DE POCEDIMENTO FISCAL. LEGITIMAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui como o instrumento jurídico de outorga administrativa de legitimação à atividade fiscalizatória, permitindo a fiscalização a prática dos atos inerentes a esta atividade. O conhecimento da extensão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF incumbe ao contribuinte, mediante acesso ao mesmo, sob a forma digital, na rede mundial de computadores. O domicílio tributário do sujeito passivo determina a jurisdição administrativa e a autoridade desta responsável pela emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 596 11 LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS DO LIVRO DE REGISTRO DE SAÍDA. Não se configura presunção de omissão de receita a demonstração de faturamento devidamente registrado em livro de registro de saída não declarado pelo contribuinte. Tratase de efetiva omissão de receita. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. SIMPLES. TRIBUTAÇÃO ESPECÍFICA. Enquanto o contribuinte estiver sujeito ao Simples não há que se falar nas peculiaridades atinentes a cada tributo no tocante à legislação específica, porquanto sujeito ao regime simplificado. SIMPLES FEDERAL. REVOGAÇÃO. SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. ULTRAATIVIDADE NORMATIVA. Muito embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha revogado a Lei nº 9.317/96, a eficácia do regime simplificado instituído pelo ato revogador somente teve início em 1º de julho de 2007, observandose a vigência do ato revogado até 30 de junho de 2007. Inteligência do princípio da ultraatividade normativa. AUTO DE INFRAÇÃO. SIMPLES. JUROS DE MORA. SELIC. É cabível a aplicação da Taxa Selic enquanto juros de mora no tocante ao lançamento de crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Simples, não recolhidas em época própria. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. A conduta de não declarar a receita bruta ao Fisco configura a figura típica da sonegação, ensejando a qualificação da multa de ofício. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO. SONEGAÇÃO. Em se verificando a ocorrência de dolo relativo à sonegação dos fatos geradores, o prazo decadencial tem seu início no primeiro dia do exercício à ocorrência dos fatos geradores, na forma do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 24/08/2012 (termo de fl. 562) a interessada interpôs recurso voluntário em 25/09/2012 (fls. 565575) onde argumenta, em síntese, que é empresa optante pelo Simples e que foi indevidamente excluída do Simples Nacional. Ao final, requer o provimento nos seguintes termos: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 597 12 É o relatório. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 598 13 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Como se verá a seguir, o recurso voluntário não reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, não tomo conhecimento. No recurso voluntário apresentado a contribuinte traz argumentos em sua defesa contra decisão administrativa que a excluiu do Simples Nacional. De fato, a contribuinte foi excluída do regime simplificado a partir do ano de 2006, consoante descrito no Termo de Verificação Fiscal – TVF, fls. 278, cujo trecho de interesse é transcrito abaixo. Ocorre que o presente processo não trata da exclusão da contribuinte da sistemática do Simples Nacional. O objeto ora a ser discutido consiste no auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao Simples Nacional, referente ao ano calendário de 2006, relativo à omissão de receitas apuradas no cruzamento de informações — GIA/ DIPJ. Nesse sentido, há que se reconhecer que a matéria objeto da autuação deve ser tratada, à luz do artigo 17 do PAF (Decreto 70.235/1972) como matéria não recorrida. A Jurisprudência deste CARF é pacífica nesse sentido, conforme acórdãos a seguir citados,cujas ementas são transcritas: Acórdão CSRF/0103.074 (1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) “NORMAS PROCESSUAIS MATÉRIA TORNADA NÃO LITIGIOSA NO CURSO DA DISCUSSÃO – PRECLUSÃO – COISA JULGADA ADMINISTRATIVA – Precluem e, portanto, não podem ser objeto de reapreciação as matérias que no curso da discussão administrativa deixam de ser litigiosas em face do acolhimento definitivo de razões de impugnação, assim acarretando a chamada coisa julgada administrativa.” Acórdão CSRF/0103.427 (1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) “RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – MATÉRIA PRECLUSA – ADMISSIBILIDADE – Os limites do litígio fiscal são determinados pela impugnação, apresentada nos termos dos artigos 14 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, não podendo ser apreciada na fase recursal matéria de mérito não levantada perante a autoridade de primeira instância.” Fl. 598DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10932.720172/201105 Acórdão n.º 1402001.494 S1C4T2 Fl. 599 14 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 599DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10930.004906/2010-36
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 49 06 /2 01 0- 36 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 65 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 22, com a exigência do crédito tributário no valor de R$36.476,86 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 24.09.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de junho do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 28.08.2010. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0221, com as alegações a seguir transcritas: II. PRELIMINARMENTE II.I INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.426/02 INFRINGÊNCIA ART. 146, III, "B" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL OBRIGAÇÃO INSTITUIÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR. Obrigação em matéria tributária ter que ser instituída por lei complementar. Competência tributária, nos termos do art. 7° do CTN, é indelegável, e a CF/88 dispôs que a competência para legislar sobre matéria tributária é do Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 66 3 Congresso Nacional. Refere que, nos termos do art. 146, inciso III, letra 'b', da CF, somente a lei complementar pode estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, portanto somente lei stritu sensu pode estabelecer penalidades para ações ou omissões contrárias à legislação tributária, conforme dispõe o art. 97, inciso V. do CTN, ou seja, a CF diz que para se cobrar algo de um contribuinte em matéria tributária no caso, obrigação deve ser instituída por lei complementar. Ora, a lei 10.426, de 20/04/2002 não é complementar e sim ordinária, a obrigação por ela instituída infringiu o artigo 146, III, b da Constituição Federal, portanto é inconstitucional. Leis complementares e normais gerais não se confundem, embora, muitas vezes, sejam utilizadas equivocadamente como sinônimas. A lei é ente legislativo, a norma, ente lógico. Uma das finalidades da lei complementar é introduzir as Normas Gerais do Direito Tributário no sistema jurídico, outra é dispor sobre os institutos, categorias e formas jurídicas, porque a matéria que ela veicula são de importância capital no sistema jurídico em geral e especialmente no tributário, como se vê nos institutos do crédito, da prescrição, decadência, base de cálculo, contribuintes e lançamento, entre outros. [...] II. II MULTA CONFISCATORIA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 150,1V DA CF/88 A multa fixada no presente auto de infração é excessiva e desproporcional. [...] 0 atraso na entrega da DCTF, ainda que caracterize um ilícito legislação fiscal que estipula prazo para a entrega da declaração, não trará maiores prejuízos para a Fazenda, já que não apresentará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação. Diante do exposto, as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não considerar como base o valor do tributo declarado, pelo fato de não haver dispositivo legal que prescreva tal exigência. É necessário um vinculo de proporcionalidade e razoabilidade entre o ilícito e a pena cominada em lei. [...] II.III MULTA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A simples existência de dispositivo legal prescrevendo a multa pelo atraso na entrega de DCTF, calculada com base em percentual do tributo informado em declaração, não é suficiente para que sua exigência seja válida. Isto porque, se é verdade que o ato administrativo de constituição da multa deverá observar os ditames legais, não é menos verdade que este mesmo ato deverá, antes de mais nada, observar as normas e princípios constitucionais vigentes. [...] O mesmo se diga quanto ao principio da razoabilidade, também muito caro ao ordenamento constitucional brasileiro, que igualmente encontra amparo na concepção de Estado Democrático de Direito. [...] Como vedação ao arbítrio do legislador, o principio da proporcionalidade [...], determina que este, em seu mister, deve conduzir a produção legislativa em harmonia com todo o sistema jurídico, havendo ainda que cuidar para que o fim pretendido pela norma (bem jurídico tutelado) seja atingido através de meios menos gravosos ao ordenamento e aos direitos e garantias dos cidadãos. [...] Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 67 4 Não observando os princípios constitucionais„ ainda que o poder legislativo estabeleça por lei determinada conduta ou sanção, esta poderá ser considerada inválida. Assim, o atraso na entrega da DCTF , não representa falta de recolhimento de tributo, na medida em que todos os tributos informados na declaração foram pagos dentro do vencimento, não trazendo qualquer prejuízo ao Erário Federal, já que não representará atraso no recolhimento do tributo, e, tampouco, qualquer tentativa de fraude em prejuízo da arrecadação. [...] Aliás, como já foi dito, as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, devem ser fixadas sempre em valor fixo, e não tomar por base o valor do tributo declarado. Razoável e legal, na legislação vigente, a aplicação de multa de mora ou de multa de oficio para tributo não pago, com base em um percentual do imposto devido, já que a Fazenda estará privada do ingresso da receita, causandolhe prejuízos ao Erário. Já no tocante as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, tal medida não deve ser aplicada, pois se trata sancionar a obrigação de entrega, e não pela falta de recolhimento de tributo. [...] Afinal, embora a multa por descumprimento de obrigação acessória não seja tributo (mas sanção), o CTN expressamente os equipara, pois as multas, quando aplicadas, tornamse igualmente obrigações tributárias principais (art. 113, § 4° do CTN). Assim sendo, o princípio do não confisco encontra abrigo também para os casos de multas oriundas de obrigação acessória. [...] II. IV. AUTO DE INFRAÇÃO VICIO FORMAL Assinatura Eletrônica / Digital Desde que os meios informatizados, se tornou um meio interativo capaz de realizar transações comerciais, ser meio eficaz de acordos, via de comunicação entre pessoas civis e jurídicas, que a questão da segurança sempre esteve como elemento garantidor do sucesso dessas atividades e, em função deste elemento, ressurgiram os modos de cifrar as mensagens, de forma que apenas o remetente e o receptor possam ter acesso ao teor dos documentos envolvidos através de um meio técnico absolutamente pessoal para o sucesso dessas relações. [...] Ocorre que conforme discorremos acima, esta assinatura digital que se apresenta de forma cifrada não é a mesma assinatura que temos conhecimento, já que não guarda com esta as necessárias semelhanças capazes de equiparálas. [...] Entendemos que a firma que a lei se refere é a assinatura que pode ser arquivada nos Cartórios e comprovada por meios grafológicos e não uma simbologia que não possui as características de uma marca pessoal aposta em um documento físico. [...] Assinatura é ato pessoal, físico e intransferível. Dado codificado digital é uma seqüência de bits, representativos de um fato, registrados em um programa de computador. [...] III. MÉRITO III.I. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 68 5 A palavra denúncia no art. 138 do Código Tributário Nacional, é a comunicação feita espontaneamente pelo infrator da legislação tributária autoridade competente, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da quantia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração. Essa denúncia é configurada pela espontaneidade do infrator ao fazer tal comunicação anterior a qualquer procedimento administrativo, ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A exclusão da responsabilidade do infrator, e conseqüentemente de sua punibilidade, é o efeito da denúncia espontânea da infração. 0 legislador pretendeu estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, premiou o contribuinte que, por qualquer razão, resolve regularizar a sua situação fiscal e para isto procura a autoridade administrativa competente espontaneamente. No caso em tela, a Impugnante apresentou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fora do prazo devido, porém anterior a qualquer intimação por parte da autoridade administrativa competente. Configurase, denúncia espontânea. [...] Entender que o art. 138 do Código Tributário Nacional não se aplica ao simples descumprimento de obrigações acessórias, nem ao simples atraso no pagamento, obrigação principal, nos leva a entender que a denúncia espontânea somente seria aplicável nos casos de descumprimento de ambas as obrigações. Pois, não é razoável garantir o estimulo ao referido dispositivo apenas para os casos de infrações mais graves, onde a Administração Tributária encontrase menos aparelhada para formular a exigência do tributo, e por isso o prêmio poder ser considerado mais necessário, do ponto de vista do interesse da arrecadação, não é menos certo que concedêlo somente aos contribuintes que se encontram na total inadimplência constitui evidente estimulo Aqueles que vêm cumprindo a lei, embora parcialmente, para que passem ao inadimplemento total. Portanto, a denúncia espontânea aplicase tanto a infrações da obrigação tributária principal (que têm por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária) como à obrigação acessória (prestações positivas ou negativas exigidas no interesse da arrecadação ou fiscalização). 0 texto legal não faz qualquer menção ao tipo de infração, abrangendo a todos, atingindo em conseqüência as infrações substanciais e formais. 0 artigo em pauta aplicase indistintamente a qualquer infração da legislação tributária. [...] Portanto, ocorrendo denúncia espontânea, nenhuma penalidade deverá ser imposta ou exigida do contribuinte. Esta é a melhor inteligência do art. 138 do CTN. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Diante do exposto, requer que seja recebida e dado provimento a IMPUGNAÇÃO apresentada na preliminar ou mérito, e, se "a absurdum" mantida a exigência fiscal, que seja reduzida o valor da multa para R$500,00, com a devida redução de 50%. N. Termos, pede e espera deferimento Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 69 6 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0639.844, de 20.03.2013, fls. 3237: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Notificada em 11.04.2013, fl. 40, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.04.2013, fls. 4260, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 70 7 A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (a) a qualificação do notificado, (b) o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação, (c) a disposição legal infringida e (d) a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico2. Examinando a peça de defesa a Recorrente fez tãosomente a descrição do procedimento de assinatura normal e de assinatura digital nos atos administrativos. Em relação à assinatura, na presente Notificação de Lançamento emitida por processo eletrônico essa formalidade é prescindível, em conformidade com a legislação de regência. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 71 8 aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal4. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). 4 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 72 9 No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, s atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos7. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: 7 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 73 10 (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores8. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 24.09.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de junho do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 28.08.2010. A multa isolada formalizada na presente Notificação de Lançamento está calculada no percentual de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento) com 50% (cinqüenta por cento), pois a DCTF foi apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Por falta de permissivo legal não tem cabimento a aplicação da multa mínima de R$500,00 (quinhentos reais). A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 9 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 10 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10930.004906/201036 Acórdão n.º 1801001.748 S1TE01 Fl. 74 11 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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