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Numero do processo: 16327.721126/2011-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em na~o conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andre´ Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Andre´ Mendes de Moura - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente em exerci´cio).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente ING CORRETORA DE CAMBIO E TITULOS S/A Interessado UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 26 /2 01 1- 30 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.721126/201130 Acórdão n.º 9101003.139 CSRFT1 Fl. 705 2 André Mendes de Moura Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ING Corretora de Câmbio e Títulos S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 130100.978 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre (1) a possibilidade de ser realizado lançamento de ofício de tributo declarado em DCTF e discutido judicialmente com depósito, com o único fito de prevenir decadência e (2) sobre a aplicação de juros de mora no lançamento de crédito tributário depositado judicialmente em seu montante integral. Conforme se colhe do Termo de Verificação Fiscal, esses são os fatos presentes neste caso (fls. 254 e seg. do eprocesso): “Na apuração do IRPJ e da CSLL, devidos no ajuste anual (em 31 de dezembro de 2007), o contribuinte deduziu indevidamente como estimativa paga, os valores depositados nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.61.00.0349521, em desacordo ao disposto nos artigos 23, § 3º e 49 da IN SRF nº 93/97. Em decorrência, os valores do IRPJ e da CSLL devidos, na apuração do ajuste anual, serão lançados com exigibilidade suspensa, a fim de prevenir a decadência, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/96” (efls. 254). “Em 19 de dezembro de 2007, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2007.61.00.0349521, requerendo a concessão de medida liminar, para que mediante o depósito judicial das quantias controvertidas, fosse suspensa a exigibilidade do IRPJ e da CSLL incidentes sobre os ganhos de capital derivados da desmutualização da BOVESPA e da BM&F, e posterior alienação da BOVESPA HOLDING S.A. e da BM&F S.A. (...)” (efls. 255). “Em 21 de janeiro de 2008, em virtude da realização de depósito judicial, foi deferida a liminar para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso II do CTN, até a decisão final. Em 08 de setembro de 2009, foi julgado improcedente o pedido, e denegada a segurança. Em 01 de outubro de 2009, o contribuinte interpôs recurso de apelação, o qual foi recebido em 06 de outubro de 2009, em seu efeito meramente devolutivo, pendente de decisão final, ainda” (efls. 255). “O contribuinte declarou em DCTF, no código de IRPJ e CSLL devidos por estimativa, os valores suspensos por força dos depósitos judiciais de IRPJ e CSLL. Procederei ao lançamento de ofício do IRPJ e CSLL, Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16327.721126/201130 Acórdão n.º 9101003.139 CSRFT1 Fl. 706 3 objeto do depósito judicial, com suspensão de exigibilidade, a fim de prevenir a decadência, pelas razões de direito abaixo apurados” (efls. 256). A 1ª Turma da DRJ/SP1, por meio do acórdão n. 1635.655, julgou a impugnação administrativa improcedente, mantendo o lançamento integralmente (fls. 535 e seg. do eprocesso). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2007 DCTF. LANÇAMENTO. DISPENSA. IMPOSSIBILIDADE. A dispensa da constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício somente se aplica aos débitos declarados no campo saldo a pagar de DCTF, tendo natureza de confissão de dívida, passível de encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa da União e execução judicial, em caso de seu inadimplemento. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEVER DE OFÍCIO. O depósito integral do crédito tributário discutido em juízo não tem o condão de impedir seu lançamento, cuja competência é privativa da autoridade administrativa que por dever de ofício deverá efetuálo como medida preventiva da decadência. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de depósito judicial não afasta a incidência dos juros moratórios. Porém, em caso de decisão judicial final favorável à União, o depósito será transformado em pagamento definitivo considerandose a data da realização do depósito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (fls. 548 e seg. do eprocesso). Na decisão recorrida, a Turma a quo acordou, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário (fls. 615 e seg. do eprocesso). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2007 DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. Diante da circunstância de que, à época da ocorrência dos fatos, os valores declarados em DCTF que constituíam confissão de dívida passíveis de cobrança administrativa e judicial eram os que representavam saldos a pagar, o lançamento de ofício revelouse procedimento necessário à constituição dos créditos tributários, sob pena de, em um momento posterior, a ausência de título representativo da exigibilidade inviabilizar a própria cobrança das exações devidas. De qualquer forma, uma vez confirmada em âmbito judicial a exigibilidade do tributo e da contribuição, o órgão administrativo responsável pela execução da decisão deverá adotar medidas que impeçam a cobrança em duplicidade dos montantes julgados devidos. Cientificada das aludidas decisões, o contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso especial (fls. 636 e seg. do eprocesso), arguindo divergência de interpretação (1) a possibilidade de ser realizado lançamento de ofício de tributo declarado em DCTF com o único Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16327.721126/201130 Acórdão n.º 9101003.139 CSRFT1 Fl. 707 4 fito de prevenir decadência, e (2) sobre a aplicação de juros de mora no lançamento de crédito tributário depositado judicialmente em seu montante integral. Ambos os temas foram admitidos por despacho (efls. 691 e seg.). Em breve síntese, o contribuinte alega em seu recurso: “Em primeiro lugar, cumpre notar que o próprio lançamento se fundamenta nos valores informados pela Recorrente em DCTF como Estimativas Mensais de IRPJ e CSLL ao mês de 12/2007, que, ressalta se, sequer foram questionados pela D. Autoridade Fiscal, tampouco pelas D. Autoridade Julgadoras” (efls. 647648). “Ora, é indiscutível que os pretensos débitos de IRPJ e CSLL ora exigidos foram devidamente declarados em DCTF, o que de per se já ensejou a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 5º, 1º, do DecretoLei nº 2.124/84” (efls. 648). “Diante disso, mostrase inconteste que, ao apurar o débito e declará lo ao Fisco por meio de entrega de DCTF, a Recorrente acabou por constituir o crédito tributário, tornandose dispensável – senão incabível – qualquer providência por parte da Administração Pública” (efls. 649). Com relação aos juros incidentes sobre o valor cuja exigibilidade encontrase suspensa, o contribuinte alega que tal incidência violaria a súmula CARF n. 5. Cientificada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (fls. 697 do eprocesso), nas quais suscita, em breve síntese: “Desse modo, é temerário o cancelamento do lançamento efetuado corretamente pela autoridade fiscal, sob a justificativa ilegítima de que houve “confissão” da dívida pelo contribuinte nas DCTFs. Principalmente quando, verificadas a informações contidas nos autos, observase que o saldo a pagar é igual a zero. É inelutável o prejuízo em potencial que o Fisco pode sofrer sem a garantia do lançamento sobre o crédito tributário apurado. A limitação ao ato administrativo referente ao lançamento deve ser sempre feita com reservas, de forma restritiva, eis que o lançamento deve ser analisado, sempre, como um ato administrativo vinculado e, principalmente, obrigatório. Desse modo, considerando a adequação do lançamento dos valores em análise, deve ser mantida a presente autuação” (efls. 701). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo. Peço vênia para a transcrição dos fundamentos do aludido despacho, os quais adoto como razão de decidir (efls. 691 e seg.): "Trata o presente de recurso especial de divergência interposto ING CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS S/A., contra o Acórdão no Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16327.721126/201130 Acórdão n.º 9101003.139 CSRFT1 Fl. 708 5 130100.978, de 04/07/2012, no qual o colegiado recorrido decidiu, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso de voluntário. Cientificada, por via eletrônica, com decurso de prazo em 28/06/2013, a recorrente interpôs recurso especial em 08/07/2013, alegando divergência jurisprudencial: i) em relação ao entendimento do acórdão recorrido manter o lançamento realizado para prevenir a decadência, relativamente a crédito tributário informado em DCTF e depositado judicialmente; e ii) quanto à exigência de juros de mora no lançamento de crédito tributário depositado judicialmente em sua integralidade. A recorrente argumenta, em síntese, quanto ao primeiro ponto que a jurisprudência administrativa diverge do acórdão recorrido ao entender que desabe o lançamento de ofício, mormente quando realizado sob a égide da Lei no 10.833/03, com a única finalidade de constituir crédito tributário já informado em DCTF e depositado judicialmente. Indica como paradigma o Acórdão no 140200.468, proferido em 07/05/2013, pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF. Com relação ao segundo ponto do recurso, a recorrente alega que o entendimento do acórdão recorrido diverge do entendimento da 1a Turma da 2a Câmara da 1a Seção do CARF que, por meio do Acórdão no 120200.211, de 11/12/2009, reconheceu a impossibilidade de incidência de juros de mora no lançamento de crédito tributário depositado judicialmente em seu montante integral . Posto isso, passo à análise dos pressupostos recursais, nos termos do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de julho de 2009, in verbis: (...) O presente recurso especial atende aos pressupostos de tempestividade e legitimidade, tendo a matéria sido devidamente prequestionada, conforme se extrai da própria ementa do acórdão recorrido. Assim, passo a apreciação da admissibilidade. Para análise do primeiro ponto do recurso, transcrevo a ementa do acórdão paradigma, na parte que interessa ao presente exame: Acórdão no 140200.468 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Após a edição da Medida Provisória no 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei no 10.833, de 2003, o lançamento de ofício que versasse sobre débito de tributo informado em DCTF passou a restringirse à multa isolada, aplicável nas hipóteses relacionadas no caput do art. 18 daquele diploma legal. Sendo assim, tornouse incabível a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF. De outra parte, está consignado, sobre a matéria,. na ementa do acórdão recorrido, verbis: DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. Diante da circunstância de que, à época da ocorrência dos fatos, os valores declarados em DCTF que constituíam confissão de dívida passíveis de cobrança administrativa e judicial eram os que representavam saldos a pagar, o lançamento de ofício Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16327.721126/201130 Acórdão n.º 9101003.139 CSRFT1 Fl. 709 6 revelouse procedimento necessário à constituição dos créditos tributários, sob pena de, em um momento posterior, a ausência de título representativo da exigibilidade inviabilizar a própria cobrança das exações devidas. De qualquer forma, uma vez confirmada em âmbito judicial a exigibilidade do tributo e da contribuição, o órgão administrativo responsável pela execução da decisão deverá adotar medidas que impeçam a cobrança em duplicidade dos montantes julgados devidos. Tratase de matéria semelhante, analisada no acórdão paradigma e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. A conclusão do acórdão paradigma é a de que após a edição da Lei no 10.833/2003, tornouse incabível a realização de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, para constituição e cobrança de crédito tributário relativo a valores que estavam declarados anteriormente em DCTF. O acórdão recorrido, por seu turno, traz entendimento de que a DCTF, relativa a fatos ocorridos, também, após a edição da Lei no 10.833/2003, constituíase em confissão de dívida apenas sobre os saldos a pagar, sendo correta a constituição do crédito mediante o lançamento com vistas a evitar a decadência. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente quanto ao primeiro ponto. Com relação ao segundo ponto do recurso a recorrente indicou o acórdão paradigma que traz a seguinte ementa: AUTO DE. INFRAÇAÕ. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INTEGRALMENTE DEPOSITADO JUDICIALMENTE, INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE,. SÚMULA N" 5, DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Não incidem juros de mora do crédito tributário integralmente depositado judicialmente.. Súmula no 5, do Primeiro Conselho de Contribuintes: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A ementa do acórdão recorrido não espelha a discussão, impondose a transcrição de trecho do voto vencedor no qual a matéria foi analisada, verbis: vi) obedecida a legislação de regência na efetivação dos depósitos, uma vez encerrado o litígio em âmbito judicial, se a decisão for favorável à contribuinte, ela poderá levantar os valores depositados acrescidos de juros calculados com base na taxa selic; se a decisão lhe for desfavorável, os valores depositados serão transformados em pagamentos definitivos; vii) diante do exposto no item anterior, o lançamento acompanhado de juros não traduz prejuízo de qualquer natureza para a contribuinte, servindo, apenas, para quantificar as exigências a ̀época da constituica̧õ dos créditos tributários Verificase a clara divergência entre os acórdãos analisados. Enquanto o acórdão paradigma traz entendimento de que não incidem juros de mora sobre os créditos tributário lançados, objeto de depósito em seu montante integral, o acórdão recorrido admite a sua inclusão no lanca̧mento, entendendo que não traz qualquer prejuízo ao contribuinte. Desta feita, entendo que restou caracterizada a divergência alegada, também, quanto ao segundo aspecto do recurso. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16327.721126/201130 Acórdão n.º 9101003.139 CSRFT1 Fl. 710 7 Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurispruden̂cia administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso especial.” Nesse seguir, voto no sentido de CONHECER o recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante as considerações apresentadas pelo I. Relator, manifestome em sentido contrário em relação ao conhecimento do recurso especial. Nos presentes autos, a matéria em debate discorre se, para efeitos de confissão de dívida, o valor que deve ser considerado é aquele calculado em "saldos a pagar" na DCTF, resultado da diferença entre "débito apurado " e "créditos vinculados". Fato é que, na declaração da Contribuinte, apesar da informação da existência de débitos em aberto (campo "débito apurado"), na sequência consta que foram objeto de depósito judicial (informado no campo "créditos vinculados"), fazendo com que o campo "saldos a pagar" seja igual a zero. Tratase precisamente de tal situação em que se debruça a decisão recorrida., conforme ementa: DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. Diante da circunstância de que, à época da ocorrência dos fatos, os valores declarados em DCTF que constituíam confissão de dívida passíveis de cobrança administrativa e judicial eram os que representavam saldos a pagar, o lançamento de ofício revelouse procedimento necessário à constituição dos créditos tributários, sob pena de, em um momento posterior, a ausência de título representativo da exigibilidade inviabilizar a própria cobrança das exações devidas. De qualquer forma, uma vez confirmada em âmbito judicial a exigibilidade do tributo e da contribuição, o órgão administrativo responsável pela execução da decisão deverá adotar medidas que impeçam a cobrança em duplicidade dos montantes julgados devidos. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.721126/201130 Acórdão n.º 9101003.139 CSRFT1 Fl. 711 8 A decisão recorrida apreciou a questão nos seguintes termos: ii) à época da ocorrência dos fatos, porém, a norma complementar que disciplinava o encaminhamento dos débitos para fins de cobrança judicial (Instrução Normativa SRF nº 695, de 2006), estabeleceu que os valores declarados em DCTF que eram passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União seriam os representativos de SALDOS A PAGAR; iii) no presente caso, os montantes submetidos a lançamento de ofício não representam SALDOS A PAGAR declarados em DCTF; iv) ausente, pois, a possibilidade de cobrança por meio da DCTF, o lançamento tornase necessário ao exercício da capacidade tributária ativa, seja pela via administrativa, seja pela via judicial; v) no presente caso, em que a exigibilidade do tributo e da contribuição encontrase suspensa em razão de depósito, o lançamento teve por finalidade prevenir a decadência; Ou seja, mesmo reconhecendo que os valores declarados em DCTF que seriam objeto de confissão de dívida seria o calculado no campo "saldos a pagar", no caso concreto, com o valor informado em "créditos vinculados" era decorrente de depósito judicial com exigibilidade suspensa, ainda pendente de solução definitiva, o lançamento fiscal seria devido com a finalidade de prevenir a decadência (lançamento sem multa de ofício). Por sua vez, a Contribuinte entende pela prescindibilidade do lançamento. Por outro lado, o paradigma nº 140200.468 não enfrenta a mesma situação. Tratase de diferenças entre valores de IPI na DCTF e pagamentos, tendo sido informado que o IPI estaria vinculado a uma compensação por processo judicial. No caso, houve uma manifestação da PGFN para apreciar a legalidade da compensação. Em parecer, o órgão destacou que o título que embasaria o crédito pleiteado datava do início do século passado e que era incerto, ilíquido e inexigível. Nesse contexto, foi efetuado lançamento de IPI, com principal e multa de ofício, ou seja, ao contrário dos presentes autos, não se tratou de lançamento para prevenir a decadência, mas sim para constituir o crédito tributário. Reforçando: no paradigma, houve procedimento de auditoria interna, porque a compensação foi lastreada por títulos "podres", tendo havido até manifestação da PGFN nesse sentido. Ou seja, era uma situação em que não havia possibilidade de reversão do crédito, não havia que se falar em posterior "levantamento do crédito", em suma, a situação de iliquidez estava consumada. Por isso, o paradigma entendeu cabível a interpretação do art. 9º da IN SRF nº 482, de 2004, para dizer que, sendo valores das diferenças apurados em procedimentos de auditoria interna, poderiam ser enviados diretamente para a inscrição em dívida ativa e, por isso, prescindiriam de lançamento de ofício. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16327.721126/201130 Acórdão n.º 9101003.139 CSRFT1 Fl. 712 9 § 1º Os (1) saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim (2) os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. Afirma a decisão paradigma que, precisamente os valores decorrentes das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna deixaram de ser objeto de lançamento de ofício porque, com a edição do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, o lançamento de ofício de tais montantes de DCTF passou a ser unicamente de multa isolada a relativa a não homologação da compensação (DCOMP) de sujeito passivo. Assim, não caberia lançamento de ofício para constituir o crédito tributário. Nos presentes autos, a compensação deuse porque havia depósito judicial do débito tributário, sujeito a uma reversão (em razão do resultado da decisão judicial). O lançamento fiscal, assim, foi efetuado para prevenir a decadência, caso, a depender do resultado do litígio na Justiça, o Fisco viesse a efetuar a cobrança. Não se discute, em nenhum momento, sobre a incidência do art. 9º da IN SRF nº 482, de 2004, porque não se trata de procedimento de auditoria interna, e o lançamento foi para prevenir a decadência. Em razão da evidente falta de similitude fática entre as situações tratadas pela decisão recorrida e pelo paradigma, impossível atender ao requisito de admissibilidade previsto no art. 67, Anexo II do RICARF, divergência na interpretação da legislação tributária. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 712DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902190/2011-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.661
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 21 90 /2 01 1- 94 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10925.902190/201194 Acórdão n.º 3302004.661 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.305. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10925.902190/201194 Acórdão n.º 3302004.661 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10925.902190/201194 Acórdão n.º 3302004.661 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001985/2009-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/05/2004 a 08/07/2004
PIS E COFINS - IMPORTAÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal -STJ, no julgamento do RE nº 559.937/RS, pela sistemática da repercussão geral reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/04, que amplia a definição do termo valor aduaneiro sobre o qual incidirão as contribuições do PIS/COFINS-Importação.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 9303-005.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/05/2004 a 08/07/2004 PIS E COFINS - IMPORTAÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal -STJ, no julgamento do RE nº 559.937/RS, pela sistemática da repercussão geral reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/04, que amplia a definição do termo valor aduaneiro sobre o qual incidirão as contribuições do PIS/COFINS-Importação. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal STJ, no julgamento do RE nº 559.937/RS, pela sistemática da repercussão geral reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/04, que amplia a definição do termo “valor aduaneiro” sobre o qual incidirão as contribuições do “PIS/COFINSImportação”. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 19 85 /2 00 9- 87 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 443 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº3401002.671, proferido pela 4º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/05/2004 a 08/07/2004 AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO. COMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os auditores fiscais da Receita Federal do Brasil são competentes para lavrar os autos de infração relativos às operações aduaneiras ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. LEI ORIUNDA DE CONVERSÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA. APROVEITAMENTO DO TEMPO DA MEDIDA PROVISÓRIA PARA CONTAGEM DA ANTERIORIDADE. Nos casos em que a lei tem origem em conversão de medida provisória, o tempo de vigência da medida provisória é incluído na contagem da noventena para entrada em vigor da lei. LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO SEM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando não há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele no qual poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 444 3 O CARF não competência para afastar aplicação de lei com base em inconstitucionalidade, como disposto expressamente na Súmula nº 02, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. APLICAÇÃO DE MULTA. VALIDADE. In casu, a multa aplicada tem fulcro no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, em seu texto original, que já previa a multa de 75% em caso da falta de recolhimento do tributo. Como o texto estava em vigor nas datas dos fatos geradores, a multa aplicada é válida. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de dois autos de infração (fls.03/19), lavrados em 29/10/2009, pelos quais foram lançados o PIS e a COFINS incidentes sobre importações praticadas em 2004. Conforme consta na descrição dos fatos, a Autuada não recolheu as contribuições referentes às importações. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 12/01/2012 (fl.278) e interpôs recurso voluntário em 13/02/2012 (fls.281/300), com as alegações resumidas abaixo: 1auto de infração é nulo, pois deveria ter sido lavrado por agente fiscal do imposto aduaneiro ou por guarda aduaneiro, conforme art. 118, do Decreto lei nº 37/66, contudo foi lavrado por auditor fiscal da Receita Federal do Brasil; 2 auto de infração foi lavrado com base na Lei nº 10.865/04, contudo, apesar de esta lei ter entrado em vigor no último dia de abril de 2004, ela passou a ter eficácia somente noventa dias depois. Assim, as importações se tornaram hipótese de incidência das contribuições somente em 30/07/2004; 3 Como se trata de importação, o prazo decadencial do lançamento é de cinco anos, a contar do registro da DI (declaração de importação). Como a ciência do auto de infração ocorreu após esse prazo, o lançamento está decaído; 4 art. 53, da Lei nº 10.865/04, dispõe que os efeitos delas são a partir de 1º de maio de 2004. Como algumas declarações de importação foram registradas antes dessa data, o lançamento sobre elas são insubsistentes; 5 fato gerador do PIS e da COFINS sobre importações deveria ser definido por lei complementar; como assim não o foi, é inconstitucional a Lei nº 10.865/04; 6 ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS; Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 445 4 7 a multa aplicada foi introduzida somente com a Lei nº 11.488, de 2007. Como a lei não pode retroagir para aplicar sanção ao Contribuinte, deve ser cancelada a multa aplicada". Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo provimento ao apelo, para reconhecer a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS no conceito de valor aduaneiro para fins de apuração do PIS/COFINS Importação, afastando, portanto, o ICMS da base de cálculo das contribuições incidentes na importação. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3102002.102 e 3202001.173. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento, deu seguimento ao Recurso, especialmente quanto à manutenção ou não, na base de cálculo das contribuições sociais incidentes na importação, do valor do ICMS, fls.433/438. A Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradora, manifestouse que esta ciente do Despacho s/n, que admitiu o recurso especial do contribuinte, fls.440. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito especialmente quanto à manutenção ou não, na base de cálculo das contribuições sociais incidentes na importação, do valor do ICMS. Trata o presente processo de dois autos de infração (fls.03/19), lavrados em 29/10/2009, pelos quais foram lançados o PIS e a COFINS incidentes sobre importações praticadas em 2004. Conforme consta na descrição dos fatos, a Contribuinte não recolheu as contribuições referentes às importações. Passo a decidir. Com efeito, em 2004, foi editada a Lei nº 10.865, que instituiu a cobrança da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (“PIS/PASEP”) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“COFINS”) incidentes sobre a aquisição de bens, mercadorias e serviços provenientes do exterior (“Importação”) atualmente conhecidos por “PIS/COFINSImportação”. in verbis: Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 446 5 “Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços – Pis/PasepImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – Cofins Importação, com base nos arts. 149, §2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu artigo 195, §6º.” A instituição de tais tributos se deu com base na Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003 (“Reforma Tributária”) que, ao promover diversas modificações nos artigos que compõem o Capítulo do Sistema Tributário Nacional da Constituição Federal, em especial, alterou o artigo 149, parágrafo segundo, inciso II, bem como inseriu o inciso IV ao artigo 195. As aludidas modificações no texto constitucional foram feitas com o objetivo legitimar a incidência das novas contribuições “PIS/COFINSImportação” sobre a aquisição de bens e serviços do exterior. Dessa forma, o “PIS/COFINSImportação” instituído por meio da Lei nº 10.865/04, dispõe que integram a base de cálculo o valor aduaneiro “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – “ICMS” incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”1. Nada obstante, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS (Repercussão Geral) entendeu que tal dispositivo incorreu em verdadeira inconstitucionalidade, em função de ampliar a diretriz constitucional constante do artigo 149, parágrafo segundo, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal. . Em que pese o STF já ter declarado a inconstitucionalidade da exigência do “PIS/COFINSImportação”, a Corte já tinha analisado outros paradigmas. Vejamos: “Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal negou provimento ao recurso extraordinário para reconhecer a inconstitucionalidade da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições", contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, e, tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, determinou a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Dias Toffoli. Em seguida, o Tribunal rejeitou questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 20.03.2013.” (Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, Plenário do Supremo Tribunal Federal, Ministra Relatora Ellen Gracie, julgado em 20 de março de 2013.) 1 Art. 7º, I da Lei nº 10.865/04. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 447 6 Destarte, a competência para instituição para a Contribuição para o “PIS” e “COFINS”, encontrase prevista no artigo 149 da Constituição Federal, in verbis: “Art. 149. Compete exclusivamente à União Federal instituir contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.” Com a edição da Emenda Constitucional nº 42/03, ampliouse a competência legislativa tributária da União Federal, ao se alterar a redação do inciso II, do parágrafo segundo, do artigo 149 e ao se acrescentar o inciso III: “Art. 149. (...) §2º. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (...) II – incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; III poderão ter alíquotas: a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez.” A alteração promovida no artigo 149 da Constituição se consubstancia, na verdade, em possibilidade de instituição de duas novas espécies de tributos, os quais possuem regras matrizes próprias, não obstante sob a mesma denominação de “PIS” e “COFINS”, não se confundem com o “PIS” e “COFINS” incidentes sobre a receita. Tendo por base a alteração promovida pela Emenda Constitucional nº 42/03, a União Federal instituiu a contribuição para “PIS” e a “COFINS” sobre a importação, por meio da Medida Provisória nº 164/04, a qual foi posteriormente convertida na Lei nº 10.865/04, conforme abaixo transcrito: “Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços – Pis/PasepImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – Cofins Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 448 7 Importação, com base nos arts. 149, §2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu artigo 195, §6º.” [Grifos não constam do original] Contudo, o artigo 7º, inciso I, Lei nº 10.865/04, ao prever que base de cálculo do “PIS/COFINSImportação” acrescido “do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, o STF entendeu que se trata em verdadeira inconstitucionalidade, por extrapolar os limites previstos na Constituição, conforme declarado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS. Com efeito, assim dispõe o referido dispositivo legal: Lei nº 10.865/04 “Art. 7º. A base de cálculo será: I – o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei; ou II – o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza – ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II, do caput do art. 3º desta Lei. (...) §4º. O ICMS incidente comporá a base de cálculo das contribuições, mesmo que tenha seu recolhimento diferido.” A Lei nº 10.865/04 define como base de cálculo do “PIS/COFINS – Importação” o valor aduaneiro do bem ou serviço, o qual engloba o valor que serviria de base para o cálculo do “ICMS” incidente sobre o valor aduaneiro e o valor das próprias contribuições (PIS/COFINSImportação). A incompatibilidade nesse caso se apresenta tanto em relação à Constituição Federal quanto em relação à legislação já incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro, de onde se destacam os tratados assinados pelo Brasil no âmbito do comércio internacional. É que o legislador ordinário federal não observou o limite estabelecido no texto constitucional, por exemplo, no artigo 149, parágrafo segundo, inciso III, alínea “a”, que elegeu pura e simplesmente o “valor aduaneiro” como base de cálculo para as contribuições que onerem operações de importação: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 449 8 “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) §2º. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo (...) II – incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; III – poderão ter alíquotas: a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro;” [Grifos não constam do original]2 Observase que não há como se interpretar os conceitos que servem de base econômica a apuração das Contribuições para o “PISImportação” e à “COFINSImportação”, como meros pontos de partida para o legislador infra constitucional, ao passo que cabe à Constituição Federal a delimitação da competência tributária, como no artigo supra citado. Na dicção do artigo 149, parágrafo segundo, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal, “valor aduaneiro” seria simplesmente o quantum pago pelo importador, assim entendido o valor do bem importado, salvo os gastos referentes à operação de importação do bem. Ao investigar a definição do “valor aduaneiro”, recorro ao artigo VII, do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio – “GATT” 3, incorporado pelo Acordo Constitutivo da Organização Mundial do Comércio – “OMC”, que, no Brasil, passou a ter vigência através do Decreto nº 1.335/94, posteriormente regulamentado pelo Decreto nº 6.759/09, que em seu artigo 77, assim dispõe: “Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994; e Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7º, aprovado pela Decisão CMC nº 13, de 2007, internalizada pelo Decreto nº 6.870, de 4 de junho de 2009): ( Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 15 de junho de 2010 ) 2 A alínea sob comento foi incluída pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. 3 Ou “General Agreement on Tariffs and Trade”. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 450 9 I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II.” [Grifos não constam do original] Com efeito, o artigo 77, do Decreto nº 6.759/09, quer dizer é que, afora o critério de valoração empregado, o “valor aduaneiro” somente será composto pelo valor da mercadoria acrescido dos custos de transporte, seguro, carga, descarga e manuseio – “cost, insurance and freight”. Vêse, dessa forma, que o conceito de valoração aduaneira mencionado na Constituição já fora delimitado por um Tratado do qual o Brasil é signatário. Dessa forma, quaisquer “Contribuições Sociais” que venham a ser instituídas pela União Federal devem atender aos comandos do artigo 149, da Constituição Federal. Mas, in casu, o legislador ordinário federal foi além, pois estabeleceu base de cálculo em muito superior àquela permitida pelo artigo 149, parágrafo segundo, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal, que dispõe que a base de cálculo do “PIS/COFINSImportação” será o “valor aduaneiro”, não cabendo ampliação deste conceito constitucional. Nada obstante, o inciso I, do artigo 7º, da Lei nº 10.865/04 incorre, ainda, em nítida violação ao artigo 110, do Código Tributário Nacional: “Art.110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” O artigo 110 do Código Tributário Nacional tem como objetivo evitar que o legislador infraconstitucional altere conceitos de Direito Privado utilizados pela Constituição para definir ou limitar as competências tributárias, como forma de atendimento à segurança jurídica. Sem afastar da questão referente ao Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio – “GATT” – incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro, como dito, não é demais também mencionar à evidência de que as bases de cálculo eleitas pelo legislador ordinário federal violam o artigo 98, do Código Tributário Nacional, que expressamente dispõe que os acordos internacionais devem ser observados pela legislação tributária que lhes sobrevenha; confirase o teor do artigo 98: “Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.” Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 451 10 Vale dizer que de acordo com o artigo 98, do CTN os acordos e tratados internacionais são considerados direito especial que a lei interna não pode revogar. Logo, pelo princípio da especialidade a norma interna perde a sua aplicabilidade naquele caso para prevalecer a norma especial, qual seja o tratado internacional. Ademais o artigo 84, VIII e artigo 49, I, da Constituição Federal dispõe que a celebração de tratado é ato exclusivo do Poder Executivo e do Congresso Nacional, sendo inadmissível a sua revogação por ato do Poder Legislativo. A própria Lei nº 10.865/04, não foi feliz em sua dicção que leva a contradição que às bases de cálculos eleitas pelo artigo 7º, em seu artigo 20 remete à legislação “do imposto de importação, especialmente quanto à valoração aduaneira”, demonstrando a intenção de manter o conceito usual de “valor aduaneiro”; destacase o artigo 20: Lei nº 10.865/04: “Art. 20. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a Fiscalização das contribuições de que trata esta Lei. §1º. As contribuições sujeitamse às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência do crédito tributário e de consulta de que trata o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, bem como, no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, do imposto de importação, especialmente quanto à valoração aduaneira, e da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins. §2º. A Secretaria da Receita Federal editará, no âmbito de sua competência, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei.” Portanto, o critério material estabelecido pela Constituição Federal, o qual serve de limite ao exercício da competência outorgada ao ente tributante, não pode ser ultrapassado para nele se fazer incluir valores que, indubitavelmente, que distorcem do conceito de “valor aduaneiro”. Verificase que, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/04, que amplia a definição do termo “valor aduaneiro” sobre o qual incidirão as contribuições do “PIS/COFINSImportação”. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal ao declarar inconstitucional a segunda parte do referido dispositivo, que incluía o “ICMS” e as próprias contribuições na base de cálculo do “PIS/COFINSImportação” incidentes nas operações de importação, tendo este sido proferido pelo Plenário da Corte Suprema com base no artigo 543B do Código de Processo Civil. Vejamos: EMB. DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 559.937 RIO GRANDE DO SUL "Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade de parte do inciso I do art. 7º da Lei 10.865/04. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 452 11 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contém indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. Embargos de declaração não acolhidos. Como decidido pelo STF, em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria, a decisão deverá refletir imediatamente nos processos que tenham por objeto a declaração da inconstitucionalidade da base de cálculo prevista no artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/04. Nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é de observância obrigatória dos Conselheiros as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça proferidas em sede de julgamento realizado nos termos dos artigos 543B e 543C. Vejamos Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Diante do que foi exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10907.001985/200987 Acórdão n.º 9303005.785 CSRFT3 Fl. 453 12 Fl. 453DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721942/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 24/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 24/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 24/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 461/471, interposto contra decisão da DRJ em Brasília/DF, de fls. 448/453, a qual julgou improcedente a manifestação de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 21 94 2/ 20 15 -9 1 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10920.721942/201591 Resolução nº 2201000.294 S2C2T1 Fl. 475 2 inconformidade do ora RECORRENTE e concluiu por manter o Despacho Decisório de fls. 426/428, que indeferiu do pedido de restituição de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, cujo recolhimento no código 6015 foi realizado por meio de dois DARF, em 30/12/2010 e 28/01/2011, nos valores de R$ 74.384,63 e R$ 363.263,37, respectivamente. A PER/DCOMP nº 42949.18120.300713.2.2.043043 (fls. 05/07) foi apresentada em 30/07/2013. Intimado do Despacho Decisório em 01/12/2015 (fl. 430), o RECORRENTE apresentou sua Manifestação de Inconformidade de fls. 432/441 em 29/12/2015, julgada improcedente pela DRJ em Brasília/DF (fls. 448/453). Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto no presente acórdão: “Referida autoridade registrou no Despacho Decisório que o Contribuinte alegou prejuízo nas alienações de ações no mercado de renda variável, por isso apresentou a PER/DCOMP nº 42949.18120.300713.2.2.043043, em 30/07/2013, solicitando restituição de imposto de renda pago indevidamente ou a maior, cujo recolhimento no código 6015 foi realizado por meio de dois DARF, em 30/12/2010 e 28/01/2011, nos valores de R$ 74.384,63 e R$ 363.263,37, respectivamente. Está explicado na decisão que o pedido de restituição foi indeferido porque da apreciação da documentação apresentada resultou na lavratura de Auto de Infração – IRPF, apurandose crédito tributário no valor total de R$ 3.605.464,50 (processo administrativo nº 10920.724030/201571), ou seja, crédito tributário a pagar superior ao valor solicitado neste feito. Depois da ciência do indeferimento do pedido, o Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade às fls. 432/441. Solicita prioridade na tramitação destes autos, com fulcro no Estatuto do Idoso e no artigo 69A da Lei nº 9.784/1999. Alega que o Auto de Infração lavrado nos autos do processo administrativo nº 10920.724030/201571 “resta impugnado, pois além de diversas nulidades, não se sustenta em seus elementos meritórios”. Recorre ao inciso XXXVI do artigo 5º da Constituição Federal, aos artigos 116, 117 e 178 do Código Tributário Nacional, à Súmula nº 544 do STF, à Lei de Introdução ao Código Civil, à doutrina, a decisões administrativas para alegar isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de sua participação societária (ações) no mercado de renda variável. Entende que tem direito adquirido ao benefício da isenção em destaque, nos termos do artigo 4º, alínea d, do DecretoLei nº 1.510/1976. Pontua que as ações alienadas, as quais possuía por mais de 5 anos (condição atingida na vigência do referido Decreto), estão enquadradas na categoria de “Bens Exonerados do Pagamento de Imposto de Renda Sobre Ganho de Capital”. Requer seja reformado o Despacho Decisório, em julgamento concomitante à Impugnação ao Auto de Infração constituído nos autos Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10920.721942/201591 Resolução nº 2201000.294 S2C2T1 Fl. 476 3 do Processo Administrativo nº 10920.724030/201571, restituindo os valores de IRPF com as devidas atualizações.” Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo abaixo a ementa do acórdão de fls. 448/453: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Somente o sujeito passivo, que efetuar pagamento de tributo indevido ou em valor maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, tem direito à restituição do montante recolhido ou apurado nessas condições. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4º do Decretolei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente” Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 30/06/2016, conforme AR de fl. 459, apresentou o recurso voluntário de fls. 461/471 em 15/07/2016. Em suas razões, reitera as alegações de sua manifestação de inconformidade, no sentido de defender direito adquirido à isenção de IRPF nas operações de alienações de ações realizadas pois, à época da revogação do Decreto Lei 1.510/76 pela Lei n° 7.713/88, já havia Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10920.721942/201591 Resolução nº 2201000.294 S2C2T1 Fl. 477 4 cumprido o requisito exigido para o seu gozo, qual seja, a manutenção da propriedade de participação societária pelo prazo de 05 (cinco) anos contados de sua aquisição. Ademais, noto que em diversas passagens do recurso, o contribuinte rebate questões acerca processo administrativo nº 10920.724030/201571, em que foi apurado crédito tributário no valor total de R$ 3.605.464,50 em desfavor do RECORRENTE. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Entendo que o presente caso está completamente ligado ao processo nº 10920.724030/201571, o que os tornam até mesmo dependentes. Explico Quando da apreciação do pedido de restituição, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar diversos documentos acerca das ações alienadas (fls. 19/20). Além disso, o intimou para apresentar diversos comprovantes de recursos e aplicações relativas ao anocalendário 2010, haja vista ter sido detectado indício de acréscimo patrimonial a descoberto no período. Este último pedido foi realizado por meio da INTIMAÇÃO SAORT Nº 364/2015 (fls. 21/23), em que a autoridade fiscal afirma: “Para análise do crédito de imposto de renda referente ao valor recolhido em DARF (código 6015), tornase necessário a comprovação de rendimentos tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou outras espécies de valores recebidos que suportam o acréscimo de patrimônio a descoberto detectado em sua declaração de rendimentos”. Após apresentação de toda documentação pelo contribuinte, foi proferido despacho decisório negando a restituição pleiteada (fls. 426/428). Referida decisão restou assim fundamentada: “FUNDAMENTAÇÃO Não há razão ao pleito do contribuinte. Da análise realizada nos documentos apresentados pelo contribuinte, resultou na elaboração de Auto de Infração – IRPF, apurandose crédito tributário no valor total de R$ 3.605.464,50, constituido no processo administrativo nº 10920.724030/201571. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10920.721942/201591 Resolução nº 2201000.294 S2C2T1 Fl. 478 5 Desta forma, o seu pedido de restituição deve ser indeferido, pois não existe pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, pois conforme consta no Auto de Infração – IRPF, lavrado em 03/11/2015 na DRF/Joinville/SC, foi apurado saldo a pagar em valor superior ao que pleiteia neste processo. Observase que o contribuinte recolheu espontaneamente os valores de imposto de renda no código 6015, no total de R$ 437.648,00 (data de recolhimento : 30/12/2010 = R$ 363.263,37 e data de recolhimento : 28/01/2011 = R$ 74.384,63), objeto de pedido de restituição no processo nº 10920.721942/201591. Assim, tendo em vista não se tratarem de valores pagos indevidamente ou a maior de acordo com os documentos ora analisados, orientase o contribuinte a proceder a elaboração de DCOMP (Declaração de Compensação), a fim de amortizar parte do débito constituido no referido Auto de Infração IRPF (processo nº 10920.724030/201571).” Na oportunidade, a autoridade fiscal concluiu pelo indeferimento do pleito de restituição “pelo fato de ter sido apurado saldo a pagar em valor superior ao seu pedido de restituição, conforme consta em Auto de Infração – IRPF constituido no processo administrativo nº 10920.724030/201571, não se enquadrando na capitulação do artigo 165, inciso I, do CTN (Lei nº 5.172, de 25/10/1966)”. Ora, a motivação para a negativa da restituição pleiteada pelo RECORRENTE foi, unicamente, o crédito tributário objeto do processo nº 10920.724030/201571, que teve origem após análise da documentação apresentada pelo contribuinte no processo que tratava de sua PER/DCOMP. Note que, em nenhum momento, o despacho decisório trata do art. 4°, alínea “d”, do Decreto Lei n° 1.510/76 e a possibilidade de sua aplicação ao caso. Apesar de não ter acesso aos autos do referido processo nº 10920.724030/2015 71, da leitura do voto condutor proferido no acórdão da DRJ, ora recorrido, é possível observar que o auto de infração objeto do processo nº 10920.724030/201571 corresponde à “‘Omissão/Apuração Incorreta de Ganhos – Operações Comuns, Mercado à Vista de Ações’ – períodos de apuração novembro e dezembro do anocalendário 2010”. Ou seja, é justamente o período de pagamento dos valores objeto de pedido de restituição no presente caso (cujo recolhimento foi realizado por meio de dois DARF, em 30/12/2010 e 28/01/2011). Tais indícios apontam para o fato de que o objeto do processo nº 10920.724030/201571 é o lançamento suplementar de crédito de IRPF decorrente de ganho de capital auferido com a venda das ações, em razão da suposta apuração equivocada pelo RECORRENTE. Assim, a despeito da falta de uma informação precisa, constatase que a autoridade lançadora deixou para apreciar e discutir naquele processo toda a matéria envolvendo o pagamento do IRPF decorrente do ganho de capital nos períodos de novembro e dezembro de 2010, inclusive eventual isenção pleiteada pelo RECORRENTE. É o que se infere também da leitura das defesas apresentadas pelo RECORRENTE, onde o mesmo se preocupa mais em levantar questões acerca de nulidade e argumentos de defesa exposto quando da impugnação ao processo nº 10920.724030/201571 Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10920.721942/201591 Resolução nº 2201000.294 S2C2T1 Fl. 479 6 do que apresentar fatos condizentes com o pedido de restituição (como, por exemplo, identificar que as ações vendidas em novembro e dezembro de 2010 são as mesmas que foram mantidas no patrimônio do contribuinte durante a vigência do Decreto Lei 1.510/76). Tal situação demonstra que ambos os processos estão ligados de maneira tal que há uma relação de dependência entre eles. A falta de informações nestes autos é tamanha que torna até impossível realizar o julgamento com segurança. Neste sentido, entendo que o presente feito deve ser anexado ao processo nº 10920.724030/201571, onde estão sendo discutidas as questões envolvendo a isenção ou não do ganho de capital auferido pelo contribuinte em novembro e dezembro de 2010, além de tratar de outras questões mais específicas acerca do cálculo do imposto eventualmente devido e que deixou de ser recolhido (como custo de aquisição, parcela eventualmente não isenta, etc.). CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja apensado aos autos do processo nº 10920.724030/201571, haja vista a estreita dependência entre ambos, tanto que a motivação do despacho decisório para a negativa do pleito do RECORRENTE foi, unicamente, a existência do mencionado processo. Portanto, a unidade preparadora deve promover a vinculação de ambos os processos e o devido acompanhamento, de forma que somente retornem ao CARF quando devidamente instruídos. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 479DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001754/2009-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.139
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para sobrestamento do processo em face de determinação por decisão do Supremo Tribunal Federal, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que entenderam que a resolução não era necessária.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório e Voto Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.181.6360, por meio do qual são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias referentes ao período de 01/2007 a 12/2008 (Relatório Fiscal de fls. 43 a 170), tendo em vista o exercício de atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 40 .0 01 75 4/ 20 09 -5 4 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10240.001754/200954 Resolução nº 9202000.139 CSRFT2 Fl. 425 2 remunerada, prestada por segurados empregados e contribuintes individuais, conforme a seguir: da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados; multa sobre o recolhimento em atraso (diferenças de acréscimos legais). Em sessão plenária de 18/09/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2302002.068 (efls. 317 a 334), assim ementado: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. ENTIDADES DE ENSINO. POSSIBILIDADE FRUIÇÃO. ARTIGO 55 DA LEI N° 8.212/91. APLICABILIDADE. De acordo com a jurisprudência firmada neste Colegiado, amparada pelas normas legais que tratam da matéria, as instituições de ensino podem se caracterizar como entidades beneficentes de assistência social, de modo a fazer jus à isenção/imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, conquanto que observados os requisitos legais exigidos para tanto, prescritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, vigente à época do lançamento. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10240.001754/200954 Resolução nº 9202000.139 CSRFT2 Fl. 426 3 execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado." Cientificada do acórdão em 15/04/2013 (AR Aviso de Recebimento de efls. 337), a Contribuinte opôs, em 22/04/2013 (carimbo aposto às efls. 340), os Embargos de Declaração de efls. 340 a 345, rejeitados conforme o Despacho nº 2302002, de 14/04/2014 (efls. 349 a 352). Intimada do despacho que rejeitou os Embargos em 06/05/2014 (AR Aviso de Recebimento de efls. 357), a Contribuinte interpôs, em 20/05/2014 (carimbo aposto às efls. 359), o Recurso Especial de efls. 359 a 396, com fundamento no art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10240.001754/200954 Resolução nº 9202000.139 CSRFT2 Fl. 427 4 a) cancelamento de isenção/imunidade de contribuições sociais previdenciárias por falta de cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212, de 1991; b) aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à segunda matéria aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 conforme despacho de 18/08/2015 (efls. 399 a 405), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de mesma data (efls. 406/407). Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte alega: no caso dos autos, aplicouse a multa de mora de 24%, prevista no artigo 35, II, "a", da Lei n.° 8.212, de 1991, com a redação anterior à publicação da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.491, de 2009; contudo, a sobredita Medida Provisória, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, alterou o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, que passou a contar com a seguinte redação: "Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei na 9.430, de 1996"; o artigo 61, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, determina que: "Artigo 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de I o de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2 ° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento"(grifos da recorrente). sendo assim, em decorrência da nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, e com base, ainda, no disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, concluise que o percentual de multa moratória de 24%, aplicada aos supostos débitos da Recorrente, deve ser reduzido ao patamar de 20%; ocorre que, ao analisar o pedido da Recorrente, o acórdão recorrido manteve o patamar de 24%, ao argumento de que "Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social pr evidenciar ia está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso"; por sua, vez, em sentido diametralmente oposto, o acórdão paradigma é claro no sentido de que "Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, 11, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10240.001754/200954 Resolução nº 9202000.139 CSRFT2 Fl. 428 5 de 20% (vinte por cento) a ser aplicado a títulos de multa moratórias, conforme o art. 62, § 2o, da Lei n.° 9.430/1998, é inferior à multa moratória aplicada aos valores dos créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte"; assim, em caso idêntico, sopesada a legislação tributária aplicável, o acórdão paradigma, em sentido oposto ao que restou decidido pelo acórdão recorrido, reconheceu a necessidade de se reduzir a multa moratória para o patamar de 20%, conforme nova redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, bem como do disposto no artigo 62, § 2o, da Lei nº 9.430, e 1996. Ao final, a Contribuinte pede que seja admitido e provido o recurso, reformandose o acórdão recorrido, reduzindose a multa moratória ao patamar de 20%. O processo foi encaminhado à PGFN em 18/11/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 415) e, em 1º/12/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 423), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 416 a 422, contendo os seguintes argumentos: o artigo 35 da Lei nº 8.212, de1991, na nova redação conferida pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária; nesse contexto, impende considerar que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; a redação do art. 35A é clara: efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de1996; assim, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício; a multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário; a incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente o que não foi o caso); essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449, de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941, de 2009; Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10240.001754/200954 Resolução nº 9202000.139 CSRFT2 Fl. 429 6 logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de ofício, considerandose que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas, nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; por fim, cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB nº 971 de 2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP nº 449, de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009; nessa linha de raciocínio, o Auto de Infração de obrigação principal deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Assim, embora a matéria tratada no Recurso Especial seja a retroatividade benigna das multas previdenciárias, compulsandose os autos constatase que a matéria de fundo diz respeito a imunidade de Contribuições Previdenciárias de entidades beneficentes (artigo 55, inciso III da Lei nº 8.212, de 1991), sobre a qual existe decisão do STF determinando o seu sobrestamento. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência à SECAM/2ª Turma da CSRF, para que o presente processo fique sobrestado até decisão do STF. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 429DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720656/2015-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA.
Não deve ser revisto o lançamento quando comprovado que a prova apresentada pelo contribuinte para fins de deudução já foi considerada pela autoridade administrativa por ocasião do lançamento do crédito tributário.
Numero da decisão: 2201-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. Não deve ser revisto o lançamento quando comprovado que a prova apresentada pelo contribuinte para fins de deudução já foi considerada pela autoridade administrativa por ocasião do lançamento do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 06 56 /2 01 5- 87 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10907.720656/201587 Acórdão n.º 2201003.840 S2C2T1 Fl. 85 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. O lançamento versa sobre omissão de rendimentos apurada no valor de R$ 58.996,60, recebida de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista. O interessado impugna o lançamento do anocalendário 2011, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 58.996,60, recebidos em ação judicial, resultando em imposto suplementar de R$ 16.156,07. Argumenta, em síntese, que se trata de despesa advocatícia, conforme nota fiscal que apresenta. Contesta ainda a aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros, argumentando que se trata de taxa fixada por norma do Banco Central, e não em lei, além de se destinar à remuneração do capital, e não para fins tributários. A decisão de primeira instância julgou improcedente o lançamento (fls. 53/54), nos termos da seguinte ementa: RENDIMENTOS. ERRO NÃO COMPROVADO. Mantém‑se o lançamento quando não comprovado o erro alegado. Cientificado do acórdão da DRJ por meio de edital publicado em 26/01/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11/02/2016 (fls. 73/78) tempestivo, renovando as alegações aduzidas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito A decisão de piso asseverou que o recorrente apresentou nota fiscal de despesas advocatícias de R$ 53.644,63. Todavia, no demonstrativo fornecido pelo advogado (fl. 06), estas despesas já foram excluídas dos rendimentos tributáveis considerados no lançamento, que foram de R$ 125.170,80, como se demonstra a seguir: A Total bruto recebido em 02/05/2011 (fls. 6) 178.815,43 B Despesas com advogado 53.644,63 C Rendimentos tributáveis a declarar considerados no lançamento (A ‑ B) 125.170,80 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10907.720656/201587 Acórdão n.º 2201003.840 S2C2T1 Fl. 86 3 Os juros SELIC foram aplicados de acordo com o art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/1996. Argumentos que contestam a legalidade das normas vigentes são ineficazes na esfera administrativa, pois compete exclusivamente ao Poder Judiciário pronunciarse sobre a matéria. Diante de tais fundamentos, a DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte. Em sede recursal, o sujeito passivo não apresenta novas alegações, limitandose a aduzir que não pode ser desconsiderada para fins de dedução, a nota fiscal emitida pelo escritório de advocacia KUSKUR ADVOGADOS, no valor de R$ 53.644,43. Em verdade, no anocalendário 2011, o recorrente declarou rendimentos tributáveis decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 66.174,20. De acordo com o demonstrativo apresentado pelo próprio escritório de advocacia (fl.6), o total líquido recebido, já deduzido o valor de R$ 53.644,43 a título de honorários advocatícios importou na quantia de R$ 125.170,80. A diferença entre esse valor e o declarado pelo contribuinte importa justamente na quantia de R$ 58.996,60 (R$ 125.170,80 R$ 66.174,20). Destarte, não merece prosperar o inconformismo do recorrente, estando correta a omissão de rendimentos apurada e o IRPF lançado correspondente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10907.720656/201587 Acórdão n.º 2201003.840 S2C2T1 Fl. 87 4 Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001006/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2008
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2008 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 06 /2 00 9- 11 Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 485 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2803002.145, prolatado pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de março de 2013 (efls. 418 a 420). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2008 Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão, omissão, contradição ou obscuridade ou para sanar erro material, nos termos dos arts. 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Verificada a omissão acerca da aplicabilidade da multa devida, impõese o esclarecimento devido. Embargos Acolhidos Decisão: por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados, sanando a omissão apontada, para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35A da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam da presente notificação, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar seá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. Notese que tal decisão foi integrativa do Acórdão 280301.591 (efls. 372 a 383), uma vez constatada a existência de omissão no decisum, a partir de embargos tempestivos do Contribuinte de efls. 392 a 395, admitidos na forma de despacho de efls. 416/417. Enviados os autos à contribuinte em 20/05/2013 (efl. 446) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, a autuada apresenta, em 04/06/2013 (efl. 448), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 448 a 453). Fl. 485DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 486 3 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 06/05/2009, no Acórdão 230103.404, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 230103.404 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados. JUROS APLICADOS Os juros aplicados encontram amparo legal no artigo 34 do da Lei 8.212/91. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Mauro José Silva. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a recorrente em sua demanda que: a) Deve ser aplicado no caso o art. 106, II, "c" do CTN, sendo que sua intenção é ampliar o alcance da lei mais benéfica, ou seja, no sentido de que esta deve sempre ser aplicada. Tendo em vista que o referido artigo não discriminou os casos de sua inaplicabilidade, não deve, portanto, o intérprete fazêlo. Assim, para o período em análise, a multa deveser limitada ao patamar de 20% do valor do débito, em razão da superveniência da Fl. 486DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 487 4 Lei 11.941/2009, que deu nova redação ao art. 35 da Lei 8.212/91, determinando que a mesma seja aplicada nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96; b) Além do mais, o art. 112 do Código Tributário Nacional estabelece: "A lei tributária que define infrações/ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado ". Requer, assim, que o Recurso seja admitido e provido, a fim de que prevaleça o entendimento do Acórdão paradigma, sendo aplicada a multa com base no artigo 61 da Lei no. 9.430/96 (nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91). em comparação com a multa aplicada com base na redação do artigo 35A da Lei no. 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 472 a 474. Cientificada a Fazenda Nacional em 24/04/15 (efl. 475), esta apresenta, em 29/04/2015 (efl. 482), contrarrazões de efls. 476 a 481, onde defende: a) Antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; b) Quanto ao art. 32A, tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Contudo, a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, cuja leitura corrobora a tese no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); c) Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91; d) Nessa linha de raciocínio, a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009; e) Aliás, a respeito da forma correta para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, cumpre registrar que a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 1.027, de Fl. 487DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 488 5 22/04/2010, explicando qual é o procedimento adequado a ser utilizado. É o que se extrai do art. 4º do citado ato, que explicita a forma de cálculo da multa, levandose em consideração, quando aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Leinº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009; f) Nessa linha de raciocínio, o auto de infração da obrigação principal e o auto de infração da obrigação acessória devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, § 5º, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449. Requer, assim, que seja negado provimento ao Recurso da Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como o referido prequestionamento, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da contribuinte. Assim, passo à análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 489 6 § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 490 7 mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em Fl. 490DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 491 8 este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 491DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 492 9 Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 492DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 493 10 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 35A da Lei no. 8.212, de 1991. Em linha com o entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 494 11 Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também Fl. 494DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 495 12 fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 496 13 Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009 e adotada pelo Acórdão recorrido. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 496DF CARF MF Processo nº 11065.001006/200911 Acórdão n.º 9202006.228 CSRFT2 Fl. 497 14 Heitor de Souza Lima Junior Fl. 497DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.001382/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. INEXISTÊNCIA. MATÉRIAS ENFRENTADAS.
Inexiste cerceamento ao direito de defesa que macule de nulidade a decisão a quo em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS. BASE DE CÁLCULO. NEGÓCIOS JURÍDICOS REALIZADO ENTRE COOPERATIVA E TERCEIROS
Revogada a isenção da Cofins que beneficiava atos cooperativos, legítima sua incidência sobre as receitas auferidas pela cooperativa, recebidas de terceiros tomadores de serviços médicos.
Na espécie, a base de cálculo da Cofins, bem como as deduções autorizadas, que não se aplicam à situação da pessoa jurídica, tem por fundamento os arts. 2º, 3º e § 9º, da Lei nº 9.718/98 e 15 da MP nº 2.158-35/98.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima..
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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INEXISTÊNCIA. MATÉRIAS ENFRENTADAS. Inexiste cerceamento ao direito de defesa que macule de nulidade a decisão a quo em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS. BASE DE CÁLCULO. NEGÓCIOS JURÍDICOS REALIZADO ENTRE COOPERATIVA E TERCEIROS Revogada a isenção da Cofins que beneficiava atos cooperativos, legítima sua incidência sobre as receitas auferidas pela cooperativa, recebidas de terceiros tomadores de serviços médicos. Na espécie, a base de cálculo da Cofins, bem como as deduções autorizadas, que não se aplicam à situação da pessoa jurídica, tem por fundamento os arts. 2º, 3º e § 9º, da Lei nº 9.718/98 e 15 da MP nº 2.15835/98. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 13 82 /2 00 7- 64 Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 3 2 Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório A interessada acima identificada recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Auto de Infração (fls. 04/33) lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativa aos períodos de apuração de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Conforme apontado no Termo de Verificação Fiscal (08/11), que é parte integrante do Auto de Infração, foi constatada a falta/insuficiência de recolhimento da Cofins nos períodos verificados. A receita bruta da contribuinte, apurada na fiscalização, é apresentada pelo autuante nos demonstrativos integrantes do Auto de Infração. Cientificada da exigência fiscal em 20.12.07, a autuada apresenta em 21.01.08 a Impugnação (fls. 182/195), sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: A isenção concedida às cooperativas no art. 6º da LC nº 70, de 1991, continua vigente, haja vista a impossibilidade da MP nº 2.15835, de 2001, têla revogado, pois esta possui caráter ordinário, não podendo revogar norma de jaez complementar, superior hierarquicamente; O conceito de faturamento previsto na Lei nº 9.718, de 1998, não se amolda aos atos cooperados, significando que, no caso concreto, há nãoincidência tributária ao teor do quanto disposto no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971; O ingresso no caixa de valores decorrentes de atos cooperados não se enquadra no conceito de faturamento/receita, por não ser uma “riqueza própria” da Sociedade; Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive perícias e diligências. É o relatório. A impugnação foi julgada improcedente em sede de julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1522.021 de 18/12/2009, com decisão proferida pelos Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 4 3 membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. A isenção da Cofins que beneficiava os atos cooperativos médicos, prevista na Lei Complementar 70, de 1991, foi revogada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e suas reedições. Segundo o Supremo Tribunal Federal, a Lei Complementar nº 70, de 1991, tem essa hierarquia apenas formalmente, podendo ser alterada por lei ordinária. Por força da revogação acima, a Cofins passou a incidir sobre toda a receita auferida pela cooperativa de trabalho médico, independentemente se advinda de ato cooperado ou não. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivamente, onde em sede de preliminar suscitou nulidade quanto às matérias que alega não enfrentadas: Não incidência da COFINS sobre atos cooperados, haja vista que tais atos não podem ser considerados como mercantis, à vista da Lei 5.764/71, conforme item 3.1.2 da peça defensiva; e Ilegitimidade passiva da ora Recorrente, pois ainda que se pudesse falar em faturamento, tais ingressos pertenceriam aos cooperados, e não à pessoa jurídica da cooperativa, daí porque esta se torna parte ilegítima do processo administrativo fiscal, conforme exposto no item 3.1.3 da peça defensiva. No mérito, repisou os seguintes argumentos anteriormente apresentados: A não incidência da Cofins sobre atos cooperados, com citação de doutrina e jurisprudência do STJ; A ilegitimidade passiva. Arremata seu recurso com pedido de: Anulação do acórdão recorrido em razão de cerceamento do direito de defesa; Anulação da exigência do crédito tributário em razão das nulidades suscitadas; Reforma da decisão de primeira instância e a consequente declaração de improcedência do auto de infração, em razão da não incidência da Cofins sobre atos cooperados; Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 5 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O recurso voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminares Preliminarmente, alega a nulidade da decisão da Delegacia de Julgamento em razão da não apreciação de matérias suscitadas em sede de impugnação. Assevera a recorrente que fundamentou sua defesa em três argumentos, a saber: 1) Isenção das Cooperativas frente à COFINS (em razão da impossibilidade da MP 18587/99 alterar a Lei Complementar 70/91), conforme tópico 3.1.1 da peça defensiva; 2) Não incidência da COFINS sobre atos cooperados, haja vista que tais atos não podem ser considerados como mercantis, à vista da Lei 5764/71, conforme item 3.1.2 da peça defensiva; e 3) Ilegitimidade passiva da ora Recorrente, pois ainda que se pudesse falar em faturamento, tais ingressos pertenceriam aos cooperados, e não à pessoa jurídica da cooperativa, daí porque esta se torna parte ilegítima do processo administrativo fiscal, conforme exposto no item 3.1.3 da peça defensiva. A seguir, afirma que o acórdão recorrido apreciou apenas o primeiro dos três argumentos de sua peça, mantendose a turma silente quanto à "não incidência" e `"a legitimidade passiva" Não assiste razão à recorrente. Esclareço que não vislumbrei no decisum qualquer mácula que pudesse tornálo nulo. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; A Delegacia de Julgamento e seus julgadores detêm a competência regimental para julgamento dos processos administrativos de exigência fiscal em primeira instância. Remanesce então verificar na decisão a preterição do direito de defesa, como acusado pela contribuinte. Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 6 5 Os dois argumentos, "não incidência da Cofins sobre atos cooperados" e "ilegitimidade passiva" foram enfrentados no voto do relator, que após colacionar os dispositivos legais que tratam das matérias, assentou: A impugnante alega, ainda, que as receitas advindas de seu atos cooperados não sofreria tributação da Cofins, por força do artigo 79 da Lei n° 5.764, de 1971. Entretanto, como já visto, a partir da mencionada Medida Provisória n.° 1.8587, de 1999, as cooperativas de trabalho médico estão impedidas de excluir da base de cálculo da Cofins os valores repassados aos associados a qualquer título, incidindo a tributação sobre toda a receita auferida pela cooperativa, independentemente se advinda de ato cooperado ou não. Assim, está perfeitamente delimitado pela legislação o conceito de faturamento pelas cooperativas, sobre o qual deve recair a contribuição em debate. Importa destacar que na impugnação (fls. 187/200) os argumentos levantados quanto a pretensa ilegitimidade passiva foram no sentido de refutar, como faturamento da cooperativa, os valores relativos às contraprestações dos atos cooperados realizados pelos associados, pois entende que tais ingressos não se enquadram no conceito de faturamento e não são riqueza própria da sociedade. Contudo, esses argumentos foram enfrentados e rebatidos no voto condutor da decisão a quo, seguindo a mesma fundamentação antes transcrita. Ademais, os mesmos argumentos suscitados nesta preliminar são de fato questão de mérito plenamente abordadas no julgamento de primeira instância e em sede recursal, a seguir. Mérito A questão de mérito trazido à julgamento cingese à tributação ou não das receitas auferidas por cooperativa, decorrente de prestação de serviços médicos de seus cooperados a terceiros. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, o contribuinte foi autuado por deixar de recolher a Cofins relativa aos valores de suas receitas de prestação de serviços declarados no campo de isenções e exclusões, classificando os como "exclusões permitidas às sociedades cooperativas". A fiscalização analisou os documentos apresentados pela recorrente com fins à verificação da regularidade dos atos de filiação e associação dos cooperados, e das prestações de serviços aos hospitais e congêneres e concluiu ao final "não sendo detectado nenhum ato de não cooperado". Esclareceu ainda que a isenção da Cofins aos atos cooperados, fora revogada pela Medida Provisória 2.15835/2001, sujeitandose à tributação nos termos da Lei nº 9.718/98, o Decreto nº 4.524/2002 e a Instrução Normativa SRF nº 247/2002. Em síntese, a autuação fiscal tomou por base a legislação que trata da tributação da Cofins sobre as cooperativas, no caso de prestação de serviços médicos. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 7 6 A incidência de Cofins foi prevista na Lei Complementar nº 70/1991, com a peculiaridade de tornar isenta da contribuição os atos cooperativos próprios das finalidades da cooperativas. Quanto à isenção dispunha: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 24.8.2001) Nesse ponto, despiciendo distinguir atos cooperativos ou não, pois que aqueles outrora isentos deixaram tal situação por força do art. 35, inciso II, "a" da Medida Provisória nº 1.858/1999, atual art. 93, II, "a" da MP nº 2.15835/2001, e adentraram o campo de incidência tributária das contribuições. Descabe aqui tecer longa doutrina acerca da distinção entre o campo de incidência e da isenção que alcançam os fatos jurídicos tributáveis. Isenção, segundo a doutrina de Paulo de Barros de Carvalho, é preceito legal contido em norma jurídica que simultaneamente à aplicação da regramatriz de incidência tributária ao fato gerador atua uma supressão na esfera de abrangência de um dos critérios do antecedente ou consequente da regramatriz, impedindo a constituição da relação jurídico tributária cujo objeto é o pagamento do tributo. Por sua vez, afastada por lei a causa isentiva temse o fato sujeito à tributação, ou seja, retorna ao campo de incidência do tributo. Ora, é exatamente o que se deu com a edição da MP 215835/2001 (antiga MP 1.858/1999). Primeiro, retirou a isenção dos atos cooperativo próprios de tais sociedades (art. 93, II, "a") para então informar sua hipótese de incidência (art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998), com os elementos de sua base de cálculo (as exclusões: art. 3º, § 9º da Lei 9.718/98 e art. 15, da MP nº 2.15835/2001). Portanto, a base legal da tributação, bem como as deduções autorizadas às operadoras de planos de assistência à saúde, são os art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, transcritos abaixo: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2 Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 8 7 I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001); II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001); III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.(incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Quanto às exclusões, os incisos do art. 15 da MP nº 2.15835/01 estabelecem aquelas restritas à cooperativas de produção: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 9 8 IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Depreendese da leitura dos dispositivos legais a incidência da Cofins aos atos cooperativos próprios das sociedades cooperativas, deduzindose as exclusões permitidas e, como se vê, não permitem a exclusão da base de cálculo dos valores relativos aos atos cooperados. Alega a recorrente conquanto afastada a isenção prevalece a não incidência da Cofins sobre os atos cooperados. Transcreve excertos da doutrina e da ementa do RESP 523.554MG para sustentar que o conceito de faturamento arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 não alberga os atos cooperados. Não obstante a lição do ilustre Roque Antônio Carraza, fundada no entendimento que faturamento é próprio das empresas no desempenho de suas atividades típicas e o simples ingresso ao caixa não basta para se considerar receita, tenho que a cooperativa celebra com terceiros contratos de prestação de serviços a serem executados por cooperados. Tratase de negócio jurídico pelo qual há contraprestação monetária auferida pela entidade. Assim, caracterizado está o faturamento. Em relação à indigitada decisão do STJ, temse que formalmente não tem a força de observância obrigatória pelos conselheiros do CARF, nos termos do art. 62, § 2º do RICARF. Carece do requisito prescrito no art. 543C do antigo CPC e vincula somente as partes naquele litígio. Ademais, sequer encontrase com seu trânsito em julgado pois interposto recurso extraordinário no STF, conforme consulta realizada, para o qual foi processada cuja situação é "Processo suspenso por Recurso Extraordinário com repercussão geral (TEMA 177 e 265)" . Contrário do alegado pela recorrente, o posicionamento recente do STF, na sistemática dos recursos com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do antigo CPC, e com o trânsito em julgado em 25/11/2016, não deixa dúvidas quanto à tributação pelo PIS dos atos praticados entre cooperativas e terceiros, situação que se subsume à lide. Vejamos a ementa e excerto do voto no EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 599.362/RJ, de relatoria do Ministro Dias Toffoli, de 18/08/2016 (grifos meu sublinhados e nos originais em negrito): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ARTIGO 146, III, C, DA CF/88. POSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DO ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEITA OU FATURAMENTO. INCIDÊNCIA. FIXAÇÃO DE TESE RESTRITA AO CASO CONCRETO. EMBARGOS ACOLHIDOS SEM EFEITOS INFRINGENTES. 1. A norma do art. 146, III, c, da Constituição, que assegura o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, é dirigida, Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 10 9 objetivamente, ao ato cooperativo, e não, subjetivamente, à cooperativa. 2. O art. 146, III, c, da CF/88, não confere imunidade tributária, não outorga, por si só, direito subjetivo a isenções tributárias relativamente aos atos cooperativos, nem estabelece hipótese de não incidência de tributos, mas sim pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo, dispondo que lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. 3. O tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é uma questão política, devendo ser resolvido na esfera adequada e competente, ou seja, no Congresso Nacional. 4. No contexto das sociedades cooperativas, verificase a materialidade da contribuição ao PIS pela constatação da obtenção de receita ou faturamento pela cooperativa, consideradas suas atividades econômicas e seus objetos sociais, e não pelo fato de o ato do qual o faturamento se origina ser ou não qualificado como cooperativo. 5. Como, nos autos do RE nº 672.215/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, o tema do adequado tratamento tributário do ato cooperativo será retomado, a fim de se dirimir controvérsia acerca da cobrança de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes, também, sobre outras materialidades, como o lucro, tendo como foco os conceitos constitucionais de “ato cooperativo”, “receita de atividade cooperativa” e “cooperado” e, ainda, a distinção entre “ato cooperado típico” e “ato cooperado atípico”, proponho a seguinte tese de repercussão geral para o tema 323, diante da preocupação externada por alguns Ministros no sentido de adotarmos, para o caso concreto, uma tese minimalista: “A receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep.” 6. Embargos de declaração acolhidos para prestar esses esclarecimentos, mas sem efeitos infringentes. (...) Voto Começo por reafirmar que a norma do art. 146, III, c, da Constituição, que assegura o adequado tratamento tributário do ato cooperativo é dirigida, objetivamente, ao ato cooperativo, e não, subjetivamente, à cooperativa. Ademais, na esteira da jurisprudência da Corte, observo que o texto constitucional não confere imunidade tributária, não estabelece hipótese de não incidência, nem outorga, por si só, direito subjetivo a isenções, mas sim pressupõe a possibilidade Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 11 10 de tributação do ato cooperativo ao dispor que lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. Como ressaltou o Ministro Teori Zavascki, “(...) a própria Constituição dispõe que darseá tratamento adequado ao ato cooperativo, mas que darseá um tratamento tributário. De modo que, se há o tratamento tributário, não é hipótese de não incidência”. O Ministro Luiz Fux também trouxe substanciosas lições: “Tratamento tributário adequado é fazer incidir o tributo em consonância com as peculiaridades estruturais, sociais e econômicas das cooperativas. Adequado, portanto, não é sinônimo de desonerado. Adequado é sinônimo de conforme, ou seja, correlato às peculiaridades que são próprias à modalidade societária. Significa que o sujeito passivo receberá do direito tributário um tratamento diferente, consentâneo com suas diferenças. Essencialmente, o que se busca impedir é que o direito tributário venha a punir o associativismo.” (...) A partir da exegese constitucional do que seja o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, a Corte, para o caso concreto, firmou o entendimento de que a receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos negócios jurídicos praticados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep. Considerando o objeto da impetração, concluiuse pelo provimento do recurso extraordinário da União para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre a receita ou o faturamento decorrentes de atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante (cooperativa de trabalho) com terceiros tomadores de serviço, os quais foram tidos, no acórdão recorrido, como “atos cooperativos próprios”, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Conquanto a decisão em repercussão geral seja expressa à contribuição para o PIS/Pasep não há como negar sua aplicação à Cofins, em razão de seus fundamentos, comuns às Contribuições. Por derradeiro, suscita a recorrente sua ilegitimidade passiva ao entender que os valores consignados nas notas fiscais emitidas não são receitas da entidade, mas dos profissionais cooperados. O extenso rol de notas fiscais emitidas pela recorrente aponta para prestação de serviços tomadas por terceiros que mantêm contrato dessa natureza com a própria recorrente, e não diretamente com seus cooperados. Resta claro que a cooperativa é entidade autônoma de seus cooperados e os valores recebidos constituemse obrigações contratuais firmadas entre si e os tomadores, caracterizadas pois por faturamento, eis que ínsito à natureza de seu objeto social. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 12 11 Neste mesmo sentido podese ver, além dos itens "1", "4" e "5" da ementa do ED. no RE. 599.362RJ, excertos do voto do Min. Dias Toffoli no julgado retro, o qual externa entendimento próprio e de seus pares (grifos meu sublinhado e originais em negrito): (...) Na espécie, portanto, esteve sempre em questão a possibilidade ou não de tributação do ato cooperativo. Com efeito, ficou esclarecida a desnecessidade de se investigarem as espécies de atos cooperativos, pois a questão da incidência da contribuição ao PIS não deve levar em consideração se o ato do qual a receita ou o faturamento se origina é qualificado como cooperativo ou não, mas sim se a sociedade tributada praticou o fato gerador dessa exação, se auferiu receita ou faturamento, tendo em conta suas atividades econômicas e seus objetos sociais. Cito trecho do voto do Ministro Luiz Fux: “A questão prejudicial a todo o demais é a efetiva percepção de receita pelas cooperativas. Fora da envergadura da hipótese de incidência não há necessidade sequer de investigar as espécies de atos cooperativos. Por óbvio, mediante a inocorrência do fato gerador, o resultado seria invariavelmente a não incidência. No intuito de atribuir a predicação correta aos valores percebidos pelas sociedades cooperativas no desempenho de suas atividades, mostrase importante não confundir a realização de uma finalidade social que opera com ingressos e despesas e a intenção finalística de obter lucro.” Esse ponto está bem esclarecido no voto proferido pelo Ministro Teori Zavascki quando ainda compunha o Superior Tribunal de Justiça, citado por mim e pelo Ministro Luiz Fux: “Em suma, se a cooperativa opera, ela possui despesa e se há despesa, tem que haver uma receita correspondente. E daí provém a seguinte conclusão: quem não tem receita não pode ter despesa. E quem opera tem despesa. A cooperativa opera, portanto, aufere receita. A ocorrência do fato imponível é inconteste.” Ante tudo exposto, resta caracterizado a legítima incidência da Cofins sobre as receitas obtidas pela recorrente, que decorreu da prestação de serviços de seus cooperados aos terceiros tomadores. Assim, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 13502.001382/200764 Acórdão n.º 3201003.238 S3C2T1 Fl. 13 12 Fl. 1015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14333.000282/2007-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 06/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
Numero da decisão: 9202-006.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 3. 00 02 82 /2 00 7- 72 Fl. 347DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 35.526.0743, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 25/05/2010, no valor de R$ 17.354,25 (Dezessete mil, trezentos e cinquenta e quatro reais, e vinte e cinco centavos), em razão da empresa ter infrigido o dispositivo previsto no artigo 32, inciso IV, parágrafos 3º e 5º da Lei nº 8.212/91, cumulado com o art. 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O crédito tributário constituído no Auto de Infração em tela referese a todas as competências abrangidas no período de 12/2003 a 12/2005 e tem por objeto a apresentação, pela empresa, de GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, já que não informou a remuneração de segurados empregados referentes ao 13º salário de 2003, 2004 e 2005 (código de fundamentação legal 68) A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário na sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/10/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401002.731 (fls. 247/265), com o seguinte resultado: " ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na(s) NFLD correlata (s), vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Walter Murilo elo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando o valor da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 01/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, §5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações À Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 14333.000282/200772 Acórdão n.º 9202006.180 CSRFT2 Fl. 3 3 RELEVAÇÃO DE MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO FORA DO PRAZO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. Com fulcro no artigo 291, §1º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONSTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 13/12/2012, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/12/2012, o presente Recurso Especial (fls. 266/327). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400488/2013, da 4ª Câmara, de 23/04/2013 (fls.328/331). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (arts. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2401002.731, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 25/08/2013, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 19/11/2013, requerimento (fls.335/342) onde solicita o cancelamento da intimação que recebeu informando o resultado do julgamento do processo no CARF, do RESP da Fazenda Nacional e do Exame de Admissibilidade do Resp da PGFN, devido a sua adesão à Lei nº 11.941/2009, pela opção da totalidade dos débitos. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em principio, aos demais pressupostos de admissibilidade. Preliminares ao Mérito Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, assim requer o recorrente: "Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449." Contudo, após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela Fazenda Nacional em 23/04/2013, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 19/11/2013, requerimento (fls.335/342) onde solicita o cancelamento da intimação que recebeu informando o resultado do julgamento do processo no CARF, do RESP da Fazenda Nacional e do Exame de Admissibilidade do Resp da PGFN, devido a sua adesão à Lei nº 11.941/2009, pela opção da totalidade dos débitos. Esse fato, enseja renúncia de todas as alegações de direito sobre as quais se funda, conforme disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343, de 09/06/2015. senão vejamos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 14333.000282/200772 Acórdão n.º 9202006.180 CSRFT2 Fl. 4 5 § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado com pedido de parcelamento do débito. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário em face da desistência do recurso pelo pedido de parcelamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 351DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.904986/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO.
Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015.
A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelando-se provas precárias, insuficientes.
Numero da decisão: 3401-004.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO. Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015. A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelandose provas precárias, insuficientes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, oriundo de processo de PER/DCOMP, no qual o sujeito passivo indicou suposto crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurado sob o regime da nãocumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 49 86 /2 01 2- 62 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10925.904986/201262 Acórdão n.º 3401004.215 S3C4T1 Fl. 3 2 O pedido da recorrente foi indeferido através do Despacho Decisório Eletrônico que instrui os autos, onde informouse que o pagamento indicado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível. Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade defendendo que recolheu contribuições indevidamente, vez que não tinha efetuado exclusões da base de cálculo da referida contribuição, previstas em lei. Apresentou DACON retificadora onde apura saldo credor, de modo que o recolhimento feito anteriormente, mostrase indevido, logo, passível de restituição. Asseverou que, por um lapso, deixou de retificar tal informação em DCTF e que a informação em DACON é suficiente para demonstrar seu direito. Defende que a circunstância de não retificar a DCTF não inviabiliza a restituição de valores comprovadamente indevidos. Sobreveio acórdão nº 07030.967 da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde essencialmente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, afirmando possuir o direito pleiteado e citando o Acórdão nº 3302002.104 do CARF como jurisprudência que entende amparar seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.207, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.904977/201271, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10925.904986/201262 Acórdão n.º 3401004.215 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.207): "I. Do conhecimento e admissibilidade dos recursos voluntário O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ, em 21/05/2013 (efl. 64), vindo a ser interposto recurso voluntário, 19/06/2013. Assim, preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do mérito O julgamento deste processo servirá de paradigma aos demais processos vinculados, seguindo, portanto, a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Como se viu do Relatório acima, entende a Recorrente que faz jus a compensação da contribuição para o PIS, referente ao mês de abril 2005, vez que teria o recolhido indevidamente, não excluindo de sua base de cálculo parcelas autorizadas pela legislação de regência. Para dar azo ao seu suposto direito, em 21/08/2009, apresentou DACON retificador. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 exige que o contribuinte apresente provas documentais no momento da impugnação, porém, este E. Tribunal tem flexibilizado em razão do princípio da verdade material, possibilitando que o sujeito passivo produza provas em momento posterior. Em casos em que o contribuinte não traz qualquer prova DARF, DCTF, Livros contábeis, etc), este CARF tem entendido que tal ônus é da parte que pleiteia o crédito, dentre outros, acórdão 3401003.652, referente ao processo 13888.900243/201467, de minha relatoria, o qual também serviu de paradigma. Diz a Recorrente que tentou fazer sua DCTF retificadora logo após o despacho decisório, porém recebera informação "... (mensagem de erro) de que o prazo para a retificação de informações havia expirado." (efl. 68), porém, não há nos autos tal prova. Defende que seus créditos são advindos de ter deixado de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, parcelas legalmente admitidas pela legislação de regência (artigo 15 da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10925.904986/201262 Acórdão n.º 3401004.215 S3C4T1 Fl. 5 4 MPV 2.158351; artigo 17, da Lei 10.684/20032 e artigo 1° da Lei 10.676/20033. As hipóteses de exclusão contidas nas legislações referidas são variadas, porém, a Recorrente apenas trouxe a prova no DACON, o qual não traz a origem destes créditos, ou seja, o nexo causal da retificação com a real existências destes tais créditos, ou qualquer explicação ou elemento de prova que indique com precisão o valor do pleito à restituir; e o DARF, do recolhimento supostamente indevido. Como se sabe, em sede de pedido de restituição e/ou compensação, o ônus da prova cabe ao contribuinte, por força do artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I, do CPC/1973 (vigência à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015, o 1 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 2 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 3 Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10925.904986/201262 Acórdão n.º 3401004.215 S3C4T1 Fl. 6 5 que, no caso dos autos, no entender deste relator, não fora feito pela Recorrente. O DACON e DARF juntados pela Recorrente não são provas suficientes para comprovar, minimamente, o direito à restituição perseguido, revelandose provas precárias para este fim. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe nego provimento." Registrese que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a recorrente trouxe como provas de seu suposto crédito, apenas a DACON retificadora e DARF, sendo estes, consoante entendimento exposto, elementos insuficientes para comprovar o direito à restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 78DF CARF MF
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