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Numero do processo: 10850.902168/2013-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 8/ 20 13 -2 7 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902168/201327 Resolução nº 3801000.685 S3TE01 Fl. 53 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 754,56. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF, juntando documentação comprobatória. O processo foi encaminhado a este Conselho para fins de apreciação da lide tendo em vista a interposição de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902168/201327 Resolução nº 3801000.685 S3TE01 Fl. 54 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Preliminarmente, deixo consignado que o presente processo foi encaminhado conjuntamente com outros do mesmo sujeito passivo que tratam de matéria idêntica, qual seja, o direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Em atendimento ao princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual que importa é a finalidade do ato e não ele em si mesmo e considerandose os recursos interpostos nos demais processos julgados conjuntamente, tomo conhecimento do presente processo em sede de recurso voluntário. No entanto, para que se possa sanear o processo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para a Delegacia de origem: a) Informar sobre a existência de Decisão de 1ª Instância e Recurso Voluntário interposto no presente processo, colacionandoos aos autos e, posteriormente, retornar o mesmo a este CARF para julgamento; b) caso contrário, encaminhar a Delegacia de Julgamento para análise da Manifestação de Inconformidade e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002746/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Os recursos com origem comprovada informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade.
ALEGAÇÃO DE NULIDADE NA SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA.
A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal, assim, não procede a alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. A auditoria fiscal visa resguardar o interesse público; logo não pode o contribuinte alegar motivos pessoais e mesquinhos pelo simples fato de ter sido escolhido para a auditoria.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 2201-002.447
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 249.588,18.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah- Relator.
EDITADO EM: 01/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. ALEGAÇÃO DE NULIDADE NA SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal, assim, não procede a alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. A auditoria fiscal visa resguardar o interesse público; logo não pode o contribuinte alegar motivos pessoais e mesquinhos pelo simples fato de ter sido escolhido para a auditoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 249.588,18. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah- Relator. EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. ALEGAÇÃO DE NULIDADE NA SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPROCEDÊNCIA. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal, assim, não procede a alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. A auditoria fiscal visa resguardar o interesse público; logo não pode o contribuinte alegar “motivos pessoais e mesquinhos” pelo simples fato de ter sido escolhido para a auditoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$ 249.588,18. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 46 /2 00 5- 07 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 654/665, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 955.485,36, calculado até 01/03/2006. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: A quebra do seu sigilo bancário foi imotivada e inconstitucional. Nunca havia sido antes fiscalizado, e todas as suas declarações anteriores sempre haviam sido validadas pela Receita Federal. A presente fiscalização é fruto de torpes e infundadas denúncias formuladas por um dos sócios da empresa Kher Empreendimentos e Administrações Ltda, Ricardo Clemente Kherlakian (v. fls. 594/595), que litigava com os demais sócios, sendo que o ora impugnante, na qualidade de advogado, havia figurado como patrono destes últimos. Houve cerceamento do seu direito de defesa, porque não lhe foi facultado o acesso aos motivos pelos quais fora instaurado o processo de fiscalização, não lhe sendo assim permitido verificar se foram cumpridos os requisitos do art. 3º do Decreto 3.724/2001, regulamentador da Lei Complementar 105/2001, que restringem o acesso administrativo às informações bancárias. Na apuração do ganho de capital na venda do lote 158 do Jardim Baleia Branca, em Bombinhas (SC), afirma o autuante que o bem não havia sido declarado, quando está devidamente informado em sua declaração. Havia unificado este lote com os lotes 159 e 160, que foram preparados aterrados e murados, de modo que com estes custos e os de aquisição não houve ganho de capital com a sua venda. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002746/200507 Acórdão n.º 2201002.447 S2C2T1 Fl. 3 3 A aquisição da lancha Tropicana, que no auto de infração consta como não declarada, foi resultado da venda em 2001 de duas embarcações, uma por R$ 22.000,00 e outra por R$ 48.000,00, pagas com a entrega da lancha em questão, que foi objeto de reformas que lhe custaram R$ 30.000,00, demonstrandose que não houve ganho de capital. Anexa recibo às fls. 672. Realizou diversas reformas no veleiro Fast 345, que havia adquirido em 1995 em estado de sucata, não obtendo assim qualquer ganho de capital com a sua venda. Ademais, estas transações, realizadas em sete anos, têm caráter absolutamente pessoal, sem qualquer conotação comercial, e por isso estão isentas do imposto de renda. Como advogado que recebe inúmeros depósitos vinculados às causas dos seus clientes, os seus depósitos de origem não comprovada não podem ser considerados como rendimentos omitidos, especialmente quando as saídas compensam os valores recebidos, como é o caso; pois se recebeu e pagou, nada auferiu. Não está obrigado a ter uma contabilidade específica para as movimentações dos recursos dos seus clientes, além de ser impossível lembrar todos os movimentos ocorridos há anos atrás. Por isso não se lhe podem exigir provas para a sua origem. Os depósitos bancários não são fato gerador do tributo. Caberia ao Fisco comprovar a obtenção de rendimentos com base em prova segura ou pela variação patrimonial, que no seu caso se justificada inteiramente pelos rendimentos declarados. Não foram excluídos dos valores lançados como depósitos de origem não comprovada os rendimentos declarados. Com isso, estes rendimentos foram tributados em duplicidade. As suas diversas contas tinham propósitos específicos. A da Nossa Caixa recebia somente depósitos de levantamentos judiciais; a do Santander recebia unicamente depósitos de devedores em cobranças extrajudiciais; as suas contas no Bradesco recebiam transferências pessoais para pagamento de prestações imobiliárias. A conta Itaú 240070 era operada exclusivamente através de boletos bancários, com já provado e aceito. As outras duas contas no Itaú (269715 e 235530) é onde realiza todo o movimento de sua clientela, recebendo valores e pagando credores, como já demonstrado neste processo em diversas ocorrências. Evidente, portanto que não se pode falar de depósitos de origem não comprovada nestas contas. Enumera diversos depósitos e lhes aponta as origens caso a caso, juntando documentos, como será especificado no voto a seguir. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou parcialmente procedente o lançamento e excluiu da base de cálculo depósitos que tiveram a sua origem comprovada. Transcrevemse as ementas do julgado: Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 GANHOS DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Para serem incluídas nos custos de aquisição do bem alienado, as alegadas despesas com construção e reforma devem ser comprovadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Consideramse rendimentos tributáveis os depósitos de origem não comprovada. Lançamento Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 05/08/2009 (fl. 682), Carlos Eduardo de Macedo Costa apresenta Recurso Voluntário em 27/08/2009 (fls. 683 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: O direito à intimidade e o direito à privacidade, especificações dos Direitos da Personalidade, estão intimamente ligados. Além dos direitos expressos em nossa legislação ordinária, encontram respaldo ainda mais evidenciado no preceito constitucional da dignidade da pessoa humana e, da inviolabilidade da intimidade e dados pessoais (artigos 1°, inc. III e 50, inc. X e XII, CF/88). (...) Nesse diapasão, a quebra do sigilo bancário só deve ser decretada, e sempre em caráter de absoluta excepcionalidade, quando existentes fundados elementos de suspeita que se apóiem em indícios idôneos, reveladores de passível autoria de prática delituosa por parte daquele que sofre a investigação. A quebra do sigilo do suplicante não atende a quaisquer desses requisitos. Mais, deprecia e molesta o instituto, pois quebra o sigilo simplesmente calcado em torpes denúncias manifestadas por baixas e mesquinhas condutas vingativas. (...) A nulidade de todo esse procedimento fiscal, respaldado em atos espúrios de baixeza e de torpeza se assoma inarredável. Tanto assim o é, que o próprio acórdão recorrido não se digna a apontar a causa do início do presente procedimento. GANHOS DE CAPITAL Pois bem, a aquisição separada desses três lotes, resultou no agrupamento dos mesmos em um lote só, que foi preparado, aterrado e murado pelo suplicante durante o exercício de 2002, acarretando com isso uma valorização dos mesmos em razão do que lá foi despendido. Dessa forma, não existiu ganhos de capital na transação efetuada, eis que os valores de aquisição, mais as benfeitorias realizadas, ensejaram o justo valor da venda, sem qualquer ganho. Pois bem, o resultado da vendas dessas embarcações foram recebidas no exercício de 2002, vendidas que foram para o Sr. JULIO ROBERTO CAVAZZANA, pelos valores de R$ 22.000,00 e R$ 48.000,00, respectivamente, e foram pagas com a entrega Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002746/200507 Acórdão n.º 2201002.447 S2C2T1 Fl. 4 5 da embarcação Tropicana, a qual, ali mesmo, foi inteiramente reformada, onde o suplicante despendeu o valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) vendendoa em seguida pelos resultados de todos esses valores agrupados. Dessa forma, não existiu ganho de capital algum, mas apenas permutas e melhoramentos.(docs. em anexo) (...) No referente ao veleiro Fast 345, registrado sob o nome de Chegado, com venda efetuada pelo suplicante em 13 de junho de 2002, verificamos que o mesmo foi adquirido em 1995, e seu ano de fabricação era o de 1992. Durante quase seis anos o suplicante veio promovendo reparos e benfeitorias no mesmo, eis que o adquiriu em estado de sucata, e foi assim, gradativamente, durante todo esse tempo, reformando e implementandoo, de tal sorte que ao vendêlo não auferiu lucro algum, apenas recebeu de volta tudo o que gastou. OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCARIOS Não há como se afastar, ou se olvidar, que o advogado recebe diversos recursos de seus clientes para pagamento de custas processuais, diligencias, perícias e outras coisas mais. Com efeito, declarou o recorrente no exercício de 2001 ter recebido rendimentos no valor de R$ 261.996,00, assim como declarou estar devendo a seus clientes, por levantamentos judiciais, o valor de R$ 97.000,00. Portanto, declarou à Receita Federal ter recebido valores no montante de R$ 358.996,00. Tais valores não foram considerados nos depósitos bancários apresentados, eis que todos, todos eles, foram considerados como receita, sem levar em consideração o que foi declarado, que obrigatoriamente têm que ser deduzidos. (...) Cumpre anotar e enfatizar que o recorrente não está obrigado, por norma tributária nenhuma, a realizar uma contabilidade desses depósitos. (...) Com efeito, mencionado valor de R$ 45.000,00 corresponde a um mandado de levantamento judicial efetivado a favor de CONDOMINIO RESIDENCIAL PRAÇA DOS FRANCESES, conforme documentos já apresentados. Condomínio esse, cliente do suplicante, como já informa reiteradas vezes. (...) Assim, observarmos pagamentos de valores idênticos em diversos meses, tal e qual o valor de R$ 3.133,86, R$ 1.801,05, R$ 1.758,60 e R$ 1.400,00 que referemse a parcelas de acordo Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 efetuados com condôminos do CONDOMINIO RESIDENCAL PRAÇA DOS FRANCESES, que são recebidos e repassados para o cliente. O depósito no valor de R$ 2.361,15, foi efetuado pelo próprio suplicante, através do cheque n° 611133 do Banco Itaú, Agencia 375983, em data de 16 de janeiro de 2002, como se verifica nos extratos existentes no procedimento fiscal. Ou seja, cheque do próprio suplicante vem lançado como rendimentos. (...) Diante desse quadro, verificamos claramente, que as seguintes contas correntes não recebem quaisquer valores que possam ser considerados rendimentos: a) NOSSA CAIXA recebe somente depósitos de levantamentos judiciais, oriundos de processos patrocinados pelo recorrente, no exercício de sua profissão; b) SANTANDER recebe unicamente depósitos de devedores em cobranças extrajudiciais promovidas pelo suplicante em prol de sua clientela, assim como custas processuais; c) BRADESCO duas contas, que recebem depósitos mensais do próprio suplicante, para pagamento de prestações imobiliárias. (...) Cumpre apenas destacar que os depósitos nos valores de R$ 9.500,00 (feito em data de 19.02.02) e de R$ 14.000,00, realizado em data de 11 de outubro de 2002, foram realizados por RENATO MAGALHAES GOUVEIA; para pagamento de alugueres e encargos atrasados (que não foram pagos nos boletos bancários) em razão da locação do imóvel sito nesta Capital, à Rua Pelotas n°. 475, de propriedade de WALDEMAR SOMMER. Os depósitos nos valores de R$ 11.666,00 realizados no dia 17 de outubro de 2002 e 31 de dezembro de 2002, foram realizados por DAN GOLIA, e CARLOS EDUARDO ROSENTHAL, para pagamento (um terço cada um, e mais o suplicante) do valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) para a VICK IMOVEIS, em razão de negociação de um pedaço de terreno contíguo à propriedade que os mesmos mantém (um terço cada um) à Rua Cauré n°. 247. O pagamento foi destinado à JOVENS COM UMA MISSÃO JOCUM, por intermédio da VICK IMÓVEIS, através dos cheques emitidos em data de 2 de janeiro de 2003, no valor de R$ 30.000,00, e em 7 de janeiro de 2003, no valor de R$ 5.000,00, conforme extrato apresentado. O cheque no valor de R$ 11.742,94 depositado em data de 17 de outubro de 2002, foi efetuado pela entidade JOVENS COM UMA MISSÃO JOCUM, para pagamento de tributos federais que devia, afim de possibilitar a negociação acima mencionada. Pagou o recorrente , no dia 16 de janeiro de 2002, tributos federais por ela devidos, através do cheque dessa mesma conta, Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002746/200507 Acórdão n.º 2201002.447 S2C2T1 Fl. 5 7 no valor de R$ 17.268,66, cheque esse emitido a favor do Ministério da Fazenda. Reiterando todas as explicações anteriores, que bem esclarecem a origem de todos os depósitos, o recorrente faz no presente momento uma revisão do que já se encontra assente, tão somente para enfatizar que, efetivamente, absolutamente injusto o auto lavrado, assim como a decisão recorrida. O depósito no valor de R$ 55.000,00 no dia 21 de janeiro de 2002, destinouse a pagamento de créditos de seu cliente SERGIO CABRAL, como já informado anteriormente, e ora ratificado por recibo (doc. Anexo). O depósito no valor de R$ 12.082,00 , juntamente com o depósito no valor de R$ 8.433,00 corresponde aos valores pagos pela venda da embarcação Cissa, realizada em dezembro de 2001, como já informado e aceito, eis que o valor de R$ 8.433,00 não se encontra aqui presente. Os depósitos nos valores de R$ 28.000,00 e R$ 30.000,00, realizados nos dias 28 de janeiro e 19 de fevereiro, correspondem a venda feita pelo suplicante da embarcação Mares 30, ano 1988, registrada na Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, sob o nome de "Phi Phi", como já informado e ora reiterado com declaração. O depósito no importe de R$ 17.650,00 feito no dia 19 de fevereiro, corresponde a venda de um lote de terreno em Itai, na represa de Avaré, no Parque Jardim Náutico, de propriedade do suplicante, conforme matricula n°. 9.983, como já informado anteriormente e reiterado com declaração apresentada, e com as devidas amarras em sua informação à Receita. O depósito de R$ 86.400,00, em data de 23 de julho, foi feito por SERGIO PENHA, condomínio do apartamento 133 do Edifício Flaubert, do CONDOMINIO RESIDENCIAL PRAÇA DOS FRANCESES, como já informado, e reiterado com declaração apresentada. O. feito em data de 14 de agosto, da mesma forma, foi feita pelo condômino BRASILIO AUGUSTO PIDONES, do apartamento 132 do Edifício Verlane, do mesmo Condomínio, como já informado e reiterado com declaração apresentada. O depósito de R$ 14.010,00 efetuado em data de 26 de agosto, como o próprio extrato indica RENATO, foi promovido por RENATO MAGALHAES GOUVEIA, locatário do imóvel sido nesta Capital, à Rua Pelotas 475, a favor de WALDEMAR SOMMER. O deposito de R$ 35.000,00 no dia 30 de setembro foi efetuado por SONIA MATTAR pela compra que fez do suplicante do imóvel sito em Guarujá, à Rua Amazonas n°. 746, apto. 34, como já informado e reiterado com declaração apresenta, com as devidas amarras declaração do seu imposto de renda. O depósito de R$ 104.530,00 em data de 13 de novembro, foi efetuado por ALDO BIASETTON NETO, para promover acertos com credores de sua empresa OMNIA ENGENHARIA E Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 CONSTRUÇÕES S/A., como já declarado e reiterado em declaração prestada. O depósito de R$ 80.000,00 feito em data de 19 de dezembro foi efetuado por LYDIA GRECHI SOMMER, inventariante dos bens deixados por sua irmã, RENATA GRECHI FANUCCHI, para ser distribuído entre os nove herdeiros netos, como já informado e reiterado em declaração. Os depósitos de R$ 10.000,00 em data de 30 de setembro, efetuado através de transferência bancária foi feita por LYDIA GRECCHI SOMMER, para pagamento de despesas do inventário de RENATA GRECHI FANUCCHI, assim como o depósito de 10.489,79 foi feito em 4 de dezembro, pela mesma pessoa, para pagamento de custas no mencionado inventário, como já informado e reiterado. O depósito de R$ 15.557,79, feito em data de 18 de dezembro, foi promovido por VERA DE ARRUDA FANUCHI, para pagamento de custas no inventário de seu marido LIVIO FANUCCHI, como já informado anteriormente, e reiterado com declaração apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2002. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar a preliminar de nulidade do lançamento arguída pelo recorrente. Alega o suplicante, em linhas gerais, que o afastamento de seu sigilo bancário foi “... simplesmente calcado em torpes denúncias manifestadas por baixas e mesquinhas condutas vingativas”. Assevera ainda que “... a quebra do sigilo bancário só deve ser decretada, e sempre em caráter de absoluta excepcionalidade, quando existentes fundados elementos de suspeita que se apóiem em indícios idôneos, reveladores de passível autoria de prática delituosa por parte daquele que sofre a investigação”. No que diz respeito à alegação de quebra de sigilo bancário, cumpre registrar que não houve por parte da autoridade fiscal afastamento do sigilo bancário do contribuinte e tampouco emissão de Requisição de Informações Financeiras (RMF), já que os extratos bancários foram encaminhados à fiscalização pelo próprio recorrente, após regular intimação da autoridade fiscal. Embora alegue o contribuinte que o presente procedimento fiscal foi instaurado por motivos pessoais e mesquinhos, vinculados a um interesse de punição pessoal e direcionado a lhe prejudicar, em fragrante desrespeito aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da inviolabilidade da intimidade pessoal, compete esclarecer Fl. 620DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002746/200507 Acórdão n.º 2201002.447 S2C2T1 Fl. 6 9 que todo o cidadão é passível de ser escolhido para uma auditoria fiscal, contudo, essa escolha visa o atendimento ao interesse público e não representa perseguição. Ademais, a alegação de ofensa aos princípios constitucionais não pode ser suscitada em sede administrativa, consoante dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, é improcedente a alegação de quebra ilegal do seu sigilo bancário. Ganhos de Capital No mérito, insurge o recorrente contra o lançamento sobre ganho de capital, alegando que não existiu lucro na venda do terreno, pois os três lotes foram agrupados em um e, posteriormente, preparado, aterrado e murado. Nesse caso, as benfeitorias foram agregadas ao custo de aquisição e, consequentemente, não gerou ganho de capital na venda. Pois bem, compulsandose os autos, verificase que o contribuinte não juntou qualquer comprovação das supostas benfeitorias realizadas no terreno. Com efeito, as benfeitorias integrarão o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea, bem como discriminadas na declaração de bens (§ 7º do art. 128 do CTN). Da mesma forma, não há como considerar a reforma da lancha Tropicana no valor de R$ 30.000,00, apenas com a apresentação de um recibo produzido pelo próprio autuado (fl. 672). A ressalva quanto à comprovação das benfeitorias, também se aplica à venda ao veleiro Fast 345, pois o contribuinte não juntou aos autos comprovação dos supostos custos de reparação, promovido ao longo de seis anos. Ressaltese que a fragilidade da instrução probatória demonstra, em verdade, que o suplicante efetivamente não contraditou, com elemento seguro e contundente de prova, o resultado da auditoria feita pela autoridade fiscal. E, no caso dos autos, a obrigação é do contribuinte, pois a autoridade autuante não pode suprir a inércia do suplicante na instrução probatória de suas alegações. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Antes de se iniciar a análise dos argumentos apresentados na peça recursal, impende esclarecer que a tributação dos depósitos bancários sem origem comprovada é uma das formas colocadas à disposição do fisco para detectar omissão de rendimentos, edificando se aí, uma presunção legal, do tipo condicional ou relativa (juris tantum), que embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto de verdade e que impõe ao contribuinte a comprovação da origem dos depósitos e/ou créditos movimentados em sua conta bancária. Transcrevese, outrossim, a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 621DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que exerce a atividade de advogado e deposita em suas contas bancárias diversos recursos de seus clientes para pagamento de custas processuais, diligências, perícias etc. Como declarou no exercício de 2001 ter recebido rendimentos no valor de R$ 261.996,00, assim como dívidas de clientes no valor de R$ 97.000,00, esses montantes devem ser excluídos da base de cálculo do imposto. Em relação à exclusão dos rendimentos tributáveis informados na Declaração de Ajuste, a jurisprudência do CARF tem se posicionado favoravelmente ao pedido, já que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, transitaram pelas contas bancárias do contribuinte. Assim, apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Vejase o posicionamento adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas transcritas: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. (Acórdão/CSRF n° 930400.024) IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. (Acórdão/CSRF 920201.700) No caso em apreço, em razão da atividade profissional de advogado, penso que existe um liame importante entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários levantados pela fiscalização e, aplicando aos autos o entendimento supra, devese excluir da exigência o valor de R$ 204.234,00, informado pelo recorrente em sua Declaração de Ajuste (fls. 04/05). Quanto à dívida de clientes proveniente de levantamentos judiciais, informada em sua DAA, fl. 9, no valor de R$ 97.000,00, como o recorrente não efetuou a comprovação individualizada desses depósitos é possível concluir que o citado valor não tenha transitado por sua conta bancária. Não se pode perder de vista que a jurisprudência do CARF tem admitido a exclusão na base de cálculo apenas de valores que tenham sidos tributados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002746/200507 Acórdão n.º 2201002.447 S2C2T1 Fl. 7 11 Em relação à alegação de que o depósito efetuado no banco Nossa Caixa, no valor de R$ 45.354,18, datado de 01/07/2002, referese a levantamento judicial em favor do Condomínio Residencial Praça dos Franceses, verifico, pois, que o documento de fls. 626/627 é hábil para comprovar a origem do depósito, portanto devese aplicar ao caso o disposto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (grifei) Assim, os valores cuja origem houver sido comprovada, deverão ser submetidos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Isso posto, devese excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 45.354,18. No que tange aos demais valores citados pelo recorrente em seu apelo, constatase, das provas coligidas aos autos, que não foram hábeis para comprovar as origens. Abaixo, quadro discriminando data, banco, valor e os motivos da rejeição das provas: Data Banco / Conta Valor Motivos da Rejeição. Diversas Santander 3.133,86 Diversas Santander 1.801,05 Diversas Santander 1.758,60 Diversas Santander 1.400,00 Os documentos juntados às fls. 628/636 apresentam valores divergentes dos depósitos efetuados na conta do recorrente. 05/02/2002 Santander 2.361,15 O cheque sacado na conta Itaú ag. 375983 em 16/01/2002, não é hábil a comprovar o depósito efetuado no Santander em 05/02/2002 19/02/2002 Itaú / 240070 9.500,00 11/10/2002 Itaú / 240070 14.000,00 O recorrente alega tratarse de atraso de aluguel e encargos devidos por Renato Magalhães Gouvéia, em favor do locador Waldemar Sommer. Contudo não apresenta documentação comprobatória da origem do depósito. 17/10/2002 Itaú / 240070 11.666,00 31/12/2002 Itaú / 240070 35.000,00 O contribuinte alega que os depósitos nos valores de R$ 11.666,00 realizados no dia 17 de outubro de 2002 e 31 de dezembro de 2002, foram realizados por DAN GOLIA, e CARLOS EDUARDO ROSENTHAL, para pagamento (um terço cada um e mais o suplicante) do valor de R$ 35.000,00 para a VICK IMOVEIS, em razão de negociação de um pedaço de terreno contíguo à propriedade que mantém (um terço cada um) à Rua Cauré n°. 247. O pagamento foi destinado a JOVENS COM UMA MISSÃO JOCUM, por intermédio da VICK IMÓVEIS, por meio dos cheques emitidos em data de 2 de janeiro de 2003, no valor de R$ 30.000,00, e em 7 de janeiro de 2003, no valor de R$ 5.000,00, conforme extrato apresentado. Contudo, não apresenta documentação comprobatória da origem do depósito. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 17/10/2002 Itaú / 240070 11.742,94 O recorrente alega que o cheque no valor de R$ 11.742,94 depositado em data de 17 de outubro de 2002, foi efetuado pela entidade JOVENS COM UMA MISSÃO JOCUM, para pagamento de tributos federais que devia, a fim de possibilitar a negociação acima mencionada. Pagou o recorrente, no dia 16 de janeiro de 2002, tributos federais por ela devidos, por meio do cheque dessa mesma conta, no valor de R$ 17.268,66, cheque esse emitido a favor do Ministério da Fazenda. Contudo, não apresenta documentação comprobatória da origem do depósito. 21/01/2002 Itaú / 269715 55.000,00 Alega o suplicante que o valor referese a pagamento por Pedro Luiz Campana de dívida de sublocação de estabelecimento comercial, em favor do seu cliente, Sérgio Cabral. Contudo, o recibo produzido pelo próprio recorrente à fl. 609 não é hábil a comprovar a origem do depósito. 28/01/2002 Itaú / 269715 12.082,39 O contribuinte afirma que o depósito no valor de R$ 12.082,00 , com o depósito no valor de R$ 8.433,00 corresponde aos valores pagos pela venda da embarcação Cissa, realizada em dezembro de 2001. Contudo, não apresenta documentação comprobatória da origem do depósito. 28/01/2002 Itaú / 269715 28.000,00 19/02/2002 Itaú / 269715 30.000,00 Informa o recorrente que os depósitos nos valores de R$ 28.000,00 e R$ 30.000,00, realizados nos dias 28 de janeiro e 19 de fevereiro, correspondem à venda feita pelo suplicante da embarcação Mares 30, ano 1988, registrada na Capitania dos Portos do Rio de Janeiro, sob o nome de "Phi Phi". Contudo, o recibo produzido pelo próprio recorrente à fl. 612 não é hábil a comprovar a origem do depósito. 19/02/2002 Itaú / 269715 17.650,00 Alega o contribuinte que o depósito no valor de R$ 17.650,00 realizado em 19 de fevereiro, corresponde à venda de um lote de terreno em Itai, na represa de Avaré, no Parque Jardim Náutico, de propriedade do suplicante, conforme matrícula n°. 9.983. Contudo, o recibo produzido pelo próprio recorrente à fl. 613 não é hábil a comprovar a origem do depósito. 23/07/2002 Itaú / 269715 86.400,00 14/08/2002 Itaú / 269715 13.326,10 Informa o recorrente que o depósito foi efetuado por Sergio Penha e Basílio Augusto Pidones, condôminos do Condomínio Residencial Praça dos Franceses, para cobrir dívidas condominiais. Contudo, os recibos produzidos pelo próprio recorrente à fls. 614/616 não são hábeis a comprovar a origem do depósito. 26/08/2002 Itaú / 235530 14.010,00 Alega o contribuinte que o valor referese ao pagamento de aluguel por Renato Magalhães Gouveia em favor de Waldemar Sommer. Contudo, não apresenta documentação comprobatória da origem do depósito. 30/09/2002 Itaú / 235530 35.000,00 Afirma o suplicante que o valor é relativo à venda do imóvel de sua propriedade na Rua Gurujá. Contudo, o recibo produzido pelo próprio recorrente à fl. 615 não é hábil a comprovar a origem do depósito. 13/11/2002 Itaú / 235530 104.530,00 Informa o recorrente que o depósito de R$ 104.530,00 foi efetuado por Aldo Biasetton Neto para promover acertos com credores de sua empresa, Omnia Engenharia e Construções S/A. Contudo, o recibo produzido pelo próprio recorrente à fl. 608 não é hábil a comprovar a origem do depósito. 19/12/2002 Itaú / 235530 80,000,00 30/09/2002 Itaú / 235530 10.000,00 04/12/2002 Itaú / 235530 10.489,79 Alega o contribuinte que os valores foram recebidos do espólio de Renata Grechi Fanucchi, para distribuição aos herdeiros e para pagamento de despesas com o inventário. Contudo, os recibos produzidos pelo próprio recorrente à fls. 607/610 não são hábeis a comprovar a origem do depósito. 18/12/2002 Itaú / 235530 15.557,79 Assegura o suplicante que o depósito foi efetuado por Vera Arruda Fanucchi para pagamento de despesas do inventário do seu marido Lívio Fanucchi. Contudo, o recibo produzido pelo próprio recorrente à fl. 611 não é hábil a comprovar a origem Fl. 624DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002746/200507 Acórdão n.º 2201002.447 S2C2T1 Fl. 8 13 do depósito. Por fim, quanto à obrigatoriedade de manter registros contábeis para a comprovação dos depósitos feitos em suas contas, cumpre registrar que a partir da edição da Lei nº 9.430/1996, o sujeito passivo da obrigação tributária estava ciente de que deveria manter em seu poder, pelo prazo em que a Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB pudesse exercer o direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento, as informações e os documentos necessários a comprovar a origem dos depósitos feitos em suas contas bancárias. O que não significa manter escrituração contábil tal qual as pessoas jurídicas, mas sim o mínimo de organização que lhe permita informar e comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que circulam pelas suas contas bancárias. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o montante de R$ 249.588,18. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Fl. 625DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.002746/200507 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.447. Brasília/DF, 17 de julho de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13027.000443/2004-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
EXPORTAÇÃO. EFETIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS VINCULADOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO.
Comprovada a efetividade das exportações, conforme o resultado da diligência, deve ser reconhecido o direito aos créditos da Cofins paga na aquisição de insumos utilizados direta ou indiretamente no processo produtivo.
Numero da decisão: 3803-005.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 EXPORTAÇÃO. EFETIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS VINCULADOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO. Comprovada a efetividade das exportações, conforme o resultado da diligência, deve ser reconhecido o direito aos créditos da Cofins paga na aquisição de insumos utilizados direta ou indiretamente no processo produtivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 EXPORTAÇÃO. EFETIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS VINCULADOS. RECONHECIMENTO DO DIREITO. Comprovada a efetividade das exportações, conforme o resultado da diligência, deve ser reconhecido o direito aos créditos da Cofins paga na aquisição de insumos utilizados direta ou indiretamente no processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 04 43 /2 00 4- 86 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 O presente processo retorna da diligência requisitada por meio da Resolução nº 380300.037, de 02 de fevereiro de 2010, em que é solicitado à DRF/Passo Fundo Delegacia da Receita Federal em Passo Fundo que atestasse, justificando, se os documentos de exportação anexados aos autos são ou não representativos de efetivas exportações pelas comerciais exportadoras com quem a recorrente tem relações comerciais. Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 187.697 , de 06 de setembro de 2007, da DRJ/Santa Maria/RS, fls. 346 a 356 que indeferiu a solicitação da Manifestante, mantendo o despacho decisório que reconheceu o direito creditório de Cofins Exportação, apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, no valor de R$ 103.441,20 e efetuou as compensações até este limite. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 179/183, em verificação da legitimidade dos créditos, a Fiscalização registrou, no item “5”, que todas as vendas realizadas às comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, não tiveram os produtos remetidos pelo fabricante/vendedor diretamente a embarque para exportação ou a recinto alfandegado e sim para os domicílios fiscais das comerciais exportadoras[1]. Segundo a peça fiscal, tal prática violaria a legislação vigente, fundamentalmente, porque ensejaria o desvio, pelas comerciais exportadoras, dos produtos para venda no mercado interno. “Em conseqüência disso, a fiscalização desconsiderou as referidas vendas como sendo de fim específico de exportação" e efetuou glosa de créditos no valor de R$ 49.282,16. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada argüiu que: a) a matéria estava preclusa no momento da decisão administrativa, pois segundo a Lei Federal 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal Direta e Indireta, o prazo para a Fazenda se manifestar, em casos como este, é de 30 (trinta) dias, salvo prorrogação por igual período expressamente motivado. O que, data máxima vênia, não ocorrera; do que, com o decurso do prazo derase a homologação tácita das declarações de compensação; b) é nulo o procedimento fiscal, eis que não indicou a norma legal que fora infringida pela Contribuinte no exercício de sua atividade, impedindo a formulação da sua ampla defesa; amparase no escólio da doutrina para consignar que foi cerceada no seu direito de defesa; c) os documentos que colaciona à defesa, incluindo os extratos do SISCOMEX, planilhados com números de documentos, datas de emissão e quantitativos, demonstram, à saciedade, ter havido a efetiva exportação dos produtos e, assim, tem direito ao crédito sobre os insumos aplicados; Em julgamento da lide a DRJ/Santa Maria rejeitou a preliminar de homologação tácita da compensação, com fulcro no art. 4º, § 5º, da Lei nº 9.430/96, que 1 5. Entretanto, após exames dos livros e/ou documentos contabéis e fiscais apresentados pela interessada, constatamos que, no período de apuração do(s) crédito(s) pleiteado(s), todas as vendas realizadas às comerciais exportadoras com fim especifico de exportação «is. 62/68), não tiveram os produtos remetidos pelo fabricante/vendedor diretamente a embarque para exportação ou a recinto alfandegado e sim para os domicílios fiscais das comerciais exportadoras, conforme se verifica dos endereços constantes nas "telas" extraídas do sistema informatizado da SRF e nas notas fiscais de fls.69/79, o que contraria frontalmente a legislação vigente e, por isso, não satisfaz a condição essencial para caracterizar a venda "com fim especifico de exportação" e, conseqüentemente, usufruir dos benefícios fiscais da nãoincidência do PIS e da Cofins. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13027.000443/200486 Acórdão n.º 3803005.283 S3TE03 Fl. 879 3 estabelece o prazo de cinco anos para a homologação de compensação. Igualmente, rejeitou o pedido de perícia, sob o argumento da dispensabilidade do concurso de perito. Com respeito ao pedido de nulidade por cerceamento do direito de defesa, asseverou que não vislumbrava razão para a nulidade, tendo em vista que a Manifestante defenderase de forma satisfatória, demonstrando conhecer plenamente os fatos que lhe eram imputados. Quanto ao mérito, adotando o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil expresso em diversos atos, reconheceu não incidir a Cofins sobre as receitas decorrentes de operações de vendas a comercial exportadora com o fim especifico de exportação. Entretanto sustentou – “o ‘fim especifico de exportação’ fica caracterizado somente quando as mercadorias são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente”. No recurso voluntário, fls. 359 a 366, em 19 de novembro de 2007, a Recorrente reencetou os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, destacandose a menção aos seguintes fatos: a) tendo seis (6) meses para "baixar" o SISCOMEX junto à Receita Federal, "as SISCOMEX foram baixadas em trinta (30) dias, muitos meses antes do legalmente exigido, o que demonstra a lisura dos procedimentos adotados pelo contribuinte". b) suas exportações para o Paraguai, onde a empresa é líder de vendas, é efetuada pela cidade de Foz do Iguaçu, por onde é realizado o transporte terrestre; Em julgamento do recurso voluntário esta Turma procedendo a distinta e pontual exegese dos normativos que regulam e disciplinam a venda a comerciais exportadoras e diante da extensa documentação apresentada pela Recorrente, desde a manifestação de inconformidade, e sendo forte a verossimilhança das alegações quanto à efetiva exportação dos produtos cujos insumos gerariam direito a crédito , resolveu converter o julgamento em diligência para que a DRF/Passo Fundo apreciasse a documentação anexada aos autos e se atestasse, justificando, a efetividade das exportações dos produtos a que se referem. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Em virtude do resultado da diligência apresentado pela DRF/Passo Fundo, e do encaminhamento a ser dado neste voto, como se verá, julgo prejudicado o pedido de nulidade por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, § 3º, verbis: Art. 59. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a Fl. 880DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. A DRF/Passo Fundo conduziu a diligência solicitada de forma assaz proficiente e em relatório conclusivo, claro e conciso, consignou o que segue, literalmente: RELATÓRIO DO OBJETIVO ' O presente Relatório tem, por objetivo atender a Resolução numero 380300037, da 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Fl 368/373) , a qual converteu o julgamento do presente processo em diligência fiscal de jurisdição. Em síntese, a referida Resolução requer que a Delegacia da Receita Federal em Passo Fundo “ateste, justificando, se os documentos de exportação anexados aos autos são ou não são representativos de efetivas exportações pelas comerciais exportadoras com quem a recorrente tem relações comerciais". INFORMAÇÕES PRELIMINARES Como vai se tratar aqui de verificação da efetiva exportação de mercadorias, tendo por base documentos .apresentados pela, recorrente, colacionamos, abaixo parte da legislação disciplinadora da matéria, a IN SRFB numero 28 de 27 de abril de 1994, que trata do Despacho Aduaneiro de mercadorias destinadas a exportação. Art 10 A Mercadoria nacional ou nacionalizada destinada ao exterior, a titulo definitivo ou não, fica sujeita 'a despacho de exportação § 1º. (...) § 2°. Entendese por despacho aduaneiro de exportação, o procedimento fiscal mediante o qual se processa o desembaraço aduaneiro de mercadoria destinada ao exterior, conforme disposto nesta Instrução Normativa. Art 2°. O despacho. de exportação será processado através do Sistema Integrado de Comercio Exterior SISCOMEX Art 3º. O despacho de exportação terá por base declaração formulada pelo exportador ou por seu mandatário. Art 4°. Uma declaração para despacho aduaneiro de exportação poderá conter um ou mais registros de exportação, desde que estes se refiram, cumulativamente: I ao mesmo exportador; Fl. 881DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13027.000443/200486 Acórdão n.º 3803005.283 S3TE03 Fl. 880 5 II (...) Art. 8°. A declaração pare despacho de exportação será apresentada à unidade da ,Secretaria da. Receita Federal (...) § 1º. A declaração de que trata este artigo será feita através de terminal de computador conectado ao SISCOMEX, em qualquer ponto do território nacional, e consistirá na indicação I dos números dos registros de exportação objeto do despacho; II – (...) Art 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação, e consiste na confirmação pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria.[g.n] DA METODOLOGIA UTILIZADA Para a realização da pesquisa tomamos por base a planilha' apresentada pela recorrente (Fl 148) onde é apresentada uma relação de números de Despachos de Exportação bem como o nome de diversas empresas que registraram estas declarações. Passamos então a Consulta do Sistema Integrado de Comercio Exterior S1SCOMEX, onde verificamos que: 1. Todas as Declarações de Exportações constantes na planilha apresentada pela recorrente encontramse na situação de,AVERBADAS. 2. As Declarações relacionadas apresentavam diversos Registros de ExportaçãoRE vinculados à Declaração. Assim sendo, passamos a consultar cada um dos Registros de ExportaçãoRE vinculados a cada Declaração. Salientamos que e necessário informar nos Registros de Exportação o CNPJ do fabricante da mercadoria a ser exportada, no caso do fabricante ser diferente do exportador: Após a verificação nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal; elaboramos a planilha em anexo onde relacionamos todos os Registros de Exportação RE vinculados às Declarações de Exportação, nos quais constam como fabricante das mercadorias que foram exportadas a Industria de Balas Finas Munarfrey Ltda, CNPJ 03.590.733/00011. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Também segue em anexo cópia da tela SISCOMEX das referidas RE(s) CONCLUSÃO Considerando apenas a, documentação Declarações de Exportação apresentadas pela recorrente e estando estas declarações AVERBADAS nos sistemas informatizados da SRF, entendemos que a referida documentação se refere a exportações realizadas Passo Fundo, 23 de Dezembro de 2010 Auditor Fiscal: Matricula Assinatura Celso Fussiger Luz SIPE 01132822 Como se vê, todos os documentos de exportação relativos às vendas para as empresas comerciais exportadoras anexados aos autos e que, desconsiderados, geraram as glosas, passaram pelo “ato final do despacho de exportação”, a averbação, que “consiste na confirmação pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria”, segundo disposição do art. 46 da IN SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, citada no trabalho da diligência. Em Termo de Informação Fiscal, fls. 863, o Auditor Fiscal responsável pela diligência fez o registro de sua conclusão nos termos abaixo: Em atendimento ao despacho de fls. 375 e, para atender a Resolução número 380300037, da 3ª. Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de fls. 368/373, tendo o presente processo sido remetido à EFA para análise e juntada de documentos, informamos que ficou comprovado que os documentos de exportação anexados aos autos são representativos de efetivas exportações pelas comerciais exportadoras com quem a recorrente tem relações comerciais, conforme Relatório e documentos anexos (docs. fls. 379 a 425).[g.n] Em manifestação quanto ao resultado da diligência, a Interessada exulta ante a confirmação dos fatos alegados em suas defesas e reitera os pedidos formulados na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. As glosas efetuada alcançaram o montante de R$ 49.282,16, repartido em R$ 22.747,87 e R$ 26.534,29, referentes ao 3º e 4º trimestres de 2004, respectivamente. Com o reconhecimento da efetividade de todas as operações de exportação que geraram tais glosas, a despeito da entrega dos produtos no endereço da comercial exportadora elas devem ser revertidas, reconhecido o direito creditório e homologadas as compensações até este limite. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer aos créditos sobre insumos utilizados direta ou indiretamente no processo produtivo. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 883DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13027.000443/200486 Acórdão n.º 3803005.283 S3TE03 Fl. 881 7 Belchior Melo de Sousa Fl. 884DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10820.001805/2005-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem junte aos autos as cópias dos jornais necessários, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem junte aos autos as cópias dos jornais necessários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. RELATÓRIO Cuida o que ora se aprecia de embargos de declaração interpostos pela Pessoa jurídica acima identificada contra o Acórdão nº 380302.800, de 25 de abril de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65, II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, nos termos da petição anexa. O acórdão embargado tem a seguinte ementa: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 01 80 5/ 20 05 -9 3 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10820.001805/200593 Resolução nº 3803000.448 S3TE03 Fl. 327 2 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ARGÜIÇÃO DE OMISSÃO. INDICADA NOS EMBARGOS. Devem ser admitidos os embargos declaratórios, quando em suas razões for imputado omissão, contradição ou obscuridade. No mérito, devem ser rejeitados os embargos, quando a matéria atacada como omissa, tiver sido cabalmente enfrentada no acórdão embargado. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ALÍQUOTA ZERO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ARGUMENTOS DA DEFESA. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. O termo imunes do art. 4º da IN SRF 33/1999, não pode abarcar todo o espectro de não incidência constitucional, sob pena de estar criando norma inexistente em sua matriz legal, o art. 11 da Lei nº 9.779/99, que não fez a inserção desse termo, ao arrepio de sua prerrogativa de ato regulamentador. O termo denota não a imunidade objetiva, mas a que afasta da incidência os produtos destinados ao exterior. RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em produtos não tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20. A matéria objeto do presente processo diz respeito a Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, relativo à comercialização de jornais, que no entender da Contribuinte sujeitase à incidência de alíquota zero. O motivo apontado em que se sustentam os presentes embargos é a omissão do acórdão nos embargos anteriores de não ter enfrentado a questão quanto a ter havido, desde a decisão da DRF/Araçatuba, modificação do critério jurídico na valoração dos fatos e consequente classificação do produto como NT, nos termos abaixo: Artigo 146 Do Código Tributário Nacional [modificação do critério jurídico na valoração dos fatos e consequente classificação do produto como NT] “No recurso administrativo, a embargante disse: ‘A C. Delegacia de Julgamento não apreciou os argumentos expostos no tópico com mesmo nome deste, contido na impugnação. Com isso, a recorrente requer a nulidade do V. Acórdão.’ [...]No caso de não entender ser nulo o V. Acórdão, pede aos Eméritos Conselheiros que Fl. 327DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10820.001805/200593 Resolução nº 3803000.448 S3TE03 Fl. 328 3 considerem aqueles argumentos da impugnação, decidindo favoravelmente à recorrente ou anulando a decisão recorrida. Houve omissão em relação aos argumentos apresentados no recurso administrativo, que por sua vez remete is alegações expostas na impugnação”. Em análise prévia da admissibilidade dos embargos concluiuse que foram preenchidos os requisitos para a interposição do recurso, tendo sido admitidos os embargos. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Com efeito, os embargos preenchem os requisitos para sua admissibilidade, conforme a análise procedida no exame prévio, portanto deles conheço. Tenhase para apreciação deste processo que: a) as defesas manejadas em todos os demais processos desta pessoa jurídica julgados por esta Turma possuem o mesmo teor, ancoradas nos mesmos fundamentos de fato e de direito; b) as cópias de jornais anexadas na manifestação de inconformidade cujo intento da Contribuinte era comprovar a sua sujeição à alíquota zero, em face da publicidade que veiculam e da periodicidade com que são editados , não foram digitalizadas pela Unidade de origem; c) o acórdão no recurso voluntário considerou a preponderância do argumento da Recorrente em torno da imunidade dos jornais, que não se compatibiliza com sujeição à alíquota zero e teve como irrelevante a juntada das ditas cópias; d) mais recentemente, no julgamento de embargos no processo nº 10820.000723/200611 foi garantido o amplo exercício da defesa da Contribuinte, tendo a Turma, por maioria, em composição distinta, considerado que a ausência desses elementos de prova eram prejudiciais à Embargante e que se tornava imprescindível a apreciação da prova consubstanciada nas folhas do jornal. O julgamento foi convertido em diligência para que a DRF/Araçatuba as anexasse; e) sem êxito a primeira diligência, por não terem sido digitalizadas tais cópias, foi o novo julgamento convertido em resolução para que a Unidade de origem elucidasse acerca da formatação dos jornais editados pela Embargante, no que concerne à publicidade; Dada a situação acima descrita, releva dar solução uniforme ao conflito, por ser em todos os elementos de lhe digam respeito idêntico ao que conforma os quatro outros processos, referindose eles a períodos de apuração contíguos. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Araçatuba anexe as cópias de jornais Fl. 328DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10820.001805/200593 Resolução nº 3803000.448 S3TE03 Fl. 329 4 digitais do modo como o procedido no processo nº 10820.000723/200611, preferencialmente as originais, e na hipótese de não sêlo informar se as que forem anexadas são similares às que originalmente foram juntadas na manifestação de inconformidade, no que concerne à forma de apresentação da publicidade. Após a providência, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, conforme art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 2011. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (Assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 329DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720148/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010, 2011
NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE.
Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal - MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
CONTRATO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAL. CONTRIBUINTE COM OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO COM PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE IRPJ DE 8%. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO FORNECIMENTO DE MATERIAIS E MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE.
A opção pelo Lucro Presumido é efetuada com a quitação da primeira ou única quota do imposto devido no primeiro trimestre do ano civil ou no início de sua atividade, conforme previsão contida no art. 26 da Lei nº. 9.430, de 1996 e § 1º do art. 13 da Lei nº. 9.718, de 1998. A legislação tributária prevê que o percentual de presunção na construção por administração ou por empreitada, unicamente de mão-de-obra é de 32% e na construção por administração ou por empreitada com fornecimento de materiais e mão-de-obra é de 8%. Assim, se restou claro nos autos que a opção do contribuinte foi pelo percentual de presunção de 8% para o imposto de renda, corroborado através dos contratos efetuados com os clientes, com fornecimento de materiais e mão-de-obra, incabível a exclusão dessas parcelas, a qualquer título, no cálculo do valor tributável com base no lucro presumido
AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO EM 50%. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL PARA APRESENTAÇÃO DOS ARQUIVOS DIGITAIS DE NOTAS FISCAIS. AGRAVAMENTO APLICÁVEL.
O art. 72 da Medida Provisória nº 2.158-34/2001 alterou a redação do art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991 para estender, a todas as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, a obrigatoriedade de manter a disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Assim, a falta de apresentação dos arquivos digitais relativos às notas fiscais emitidas, apesar de reiteradas intimações, sujeita a empresa à imposição da multa de ofício agravada em 50%.
BASE DE CÁLCULO. PIS. COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
BASE DE CÁLCULO PARA TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS. EMPRESA CO-HABILITADA NO REIDI. SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES.
Demonstrado que a empresa é co-habilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura - REIDI, cabível a suspensão das exigências do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas dos contratos efetuados com a empresa titular do projeto habilitado no referido regime.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os montantes de R$ 2.525.060,45; R$ 5.151.298,54; R$ 3.257.661,92; R$ 963.513,69 e R$ 2.685.953,71, correspondentes aos meses de junho a outubro e dezembro de 2010, respectivamente, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os montantes de R$ 2.525.060,45; R$ 5.151.298,54; R$ 3.257.661,92; R$ 963.513,69 e R$ 2.685.953,71, correspondentes aos meses de junho a outubro e dezembro de 2010, respectivamente, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal - MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CONTRATO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAL. CONTRIBUINTE COM OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO COM PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE IRPJ DE 8%. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO FORNECIMENTO DE MATERIAIS E MÃO-DE-OBRA. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo Lucro Presumido é efetuada com a quitação da primeira ou única quota do imposto devido no primeiro trimestre do ano civil ou no início de sua atividade, conforme previsão contida no art. 26 da Lei nº. 9.430, de 1996 e § 1º do art. 13 da Lei nº. 9.718, de 1998. A legislação tributária prevê que o percentual de presunção na construção por administração ou por empreitada, unicamente de mão-de-obra é de 32% e na construção por administração ou por empreitada com fornecimento de materiais e mão-de-obra é de 8%. Assim, se restou claro nos autos que a opção do contribuinte foi pelo percentual de presunção de 8% para o imposto de renda, corroborado através dos contratos efetuados com os clientes, com fornecimento de materiais e mão-de-obra, incabível a exclusão dessas parcelas, a qualquer título, no cálculo do valor tributável com base no lucro presumido AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO EM 50%. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL PARA APRESENTAÇÃO DOS ARQUIVOS DIGITAIS DE NOTAS FISCAIS. AGRAVAMENTO APLICÁVEL. O art. 72 da Medida Provisória nº 2.158-34/2001 alterou a redação do art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991 para estender, a todas as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, a obrigatoriedade de manter a disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Assim, a falta de apresentação dos arquivos digitais relativos às notas fiscais emitidas, apesar de reiteradas intimações, sujeita a empresa à imposição da multa de ofício agravada em 50%. BASE DE CÁLCULO. PIS. COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). BASE DE CÁLCULO PARA TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS. EMPRESA CO-HABILITADA NO REIDI. SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. Demonstrado que a empresa é co-habilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura - REIDI, cabível a suspensão das exigências do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas dos contratos efetuados com a empresa titular do projeto habilitado no referido regime. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas. Recurso Parcialmente Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em Mandado de procedimento Fiscal MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória, prevista no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CONTRATO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAL. CONTRIBUINTE COM OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO COM PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE IRPJ DE 8%. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO FORNECIMENTO DE MATERIAIS E MÃODEOBRA. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo Lucro Presumido é efetuada com a quitação da primeira ou única quota do imposto devido no primeiro trimestre do ano civil ou no início de sua atividade, conforme previsão contida no art. 26 da Lei nº. 9.430, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 48 /2 01 3- 51 Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 1996 e § 1º do art. 13 da Lei nº. 9.718, de 1998. A legislação tributária prevê que o percentual de presunção na construção por administração ou por empreitada, unicamente de mãodeobra é de 32% e na construção por administração ou por empreitada com fornecimento de materiais e mãode obra é de 8%. Assim, se restou claro nos autos que a opção do contribuinte foi pelo percentual de presunção de 8% para o imposto de renda, corroborado através dos contratos efetuados com os clientes, com fornecimento de materiais e mãodeobra, incabível a exclusão dessas parcelas, a qualquer título, no cálculo do valor tributável com base no lucro presumido AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO EM 50%. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL PARA APRESENTAÇÃO DOS ARQUIVOS DIGITAIS DE NOTAS FISCAIS. AGRAVAMENTO APLICÁVEL. O art. 72 da Medida Provisória nº 2.15834/2001 alterou a redação do art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991 para estender, a todas as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, a obrigatoriedade de manter a disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Assim, a falta de apresentação dos arquivos digitais relativos às notas fiscais emitidas, apesar de reiteradas intimações, sujeita a empresa à imposição da multa de ofício agravada em 50%. BASE DE CÁLCULO. PIS. COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). BASE DE CÁLCULO PARA TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS. EMPRESA COHABILITADA NO REIDI. SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. Demonstrado que a empresa é cohabilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da InfraEstrutura REIDI, cabível a suspensão das exigências do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas dos contratos efetuados com a empresa titular do projeto habilitado no referido regime. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas. Recurso Parcialmente Provido. Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os montantes de R$ 2.525.060,45; R$ 5.151.298,54; R$ 3.257.661,92; R$ 963.513,69 e R$ 2.685.953,71, correspondentes aos meses de junho a outubro e dezembro de 2010, respectivamente, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Relatório CONSTRUTORA HAHNE LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 82.639.592/000150, com domicílio fiscal na cidade de Blumenau, Estado de Santa Catarina, na Rua Itajaí, nº 642, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 2022/2051 prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 2094/2137. Contra a contribuinte, acima identificada, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau – SC, em 28/01/2013, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de (fls. 1539/1629), com ciência pessoal, em 29/01/2013 (fl. 1539), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 10.442.447,31, a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa de lançamento de oficio agravada de 112,50 % e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições, referentes aos exercícios de 2009 a 2011, correspondente aos anos calendário de 2008 a 2010, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2009 a 2011, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS: Omissão de receitas e resultados, conforme relatório fiscal. Infração capitulada no artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e arts. 521 e 528 do RIR/1999; 2 – RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA RECEITA BRUTA MENSAL DA ATIVIDADE: Receita da atividade, escriturada e não declarada, apuradas conforme relatório fiscal. Infração capitulada no artigo 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e arts. 518 e 519 do RIR/1999. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls.1478/1493), entre outros, os seguintes aspectos: que a fiscalizada adotou o lucro presumido como forma de tributação do lucro com apuração trimestral para o período analisado (DIPJ 2009, 2010 e 2011), adotando 8% como coeficiente da determinação do lucro; que conforme o entendimento da RFB, através de Soluções de Consultas o contrato de empreitada de construção civil, na apuração do lucro presumido, estará sujeito ao coeficiente de 8% se o contratado fornecer a totalidade dos materiais utilizados na obra, ou de 32%, no caso de fornecimento parcial; que a fiscalizada utilizou 8% no cálculo do lucro presumido, como se tivesse fornecido todo o material indispensável à atividade contratada; Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 4 5 que os contratos apresentados pela Construtora Hahne são de construção civil por empreitada total, com preço global e com uma particularidade digna de nota: os insumos são comprados, pagos, recebidos e garantidos pela fiscalizada, mas as notas fiscais são emitidas diretamente em nome de seus contratantes, ou seja, a Hahne compra os insumos mas as notas fiscais são emitidas pelos seus fornecedores em nome de outrem, seus contratantes, mas é a Hahne quem compra (de acordo com o memorial da obra), negocia e paga o seu preço, recebe e fiscaliza a qualidade e a quantidade dos materiais e aplica esses insumos na obra contratada; que a fiscalizada é contratada para a realização de obra de construção civil, formalizando um contrato que denomina de parcial “misto”, conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 02, entretanto, convém esclarecer que a IN RFB nº 971, de 2009, citada pela interessada, não menciona o termo “contrato misto” e que contrato parcial serve para execução de parte da obra, o que não é o caso. Da doutrina apresentada, empreitada mista é empreitada de materiais (construção com fornecimento de materiais pelo empreiteiro); que as respostas às intimações revelam que a Construtora Hahne exclui da base tributável os insumos comprados em nome de seus contratantes, como se conclui do expediente apresentado pela fiscalizada em 02/07/2012, anexado às fls. 458/462, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 03 (transcreve trechos); que os contratos celebrados especificam o valor total a ser pago pelo contratante, na cláusula que denomina “O PREÇO”, através das rubricas Valor mão de obra, Administração, Material Aplicado e Locação de Equipamentos, com cronograma de pagamentos estabelecido, caracterizando o preço global; que, portanto, a cláusula DOS MATERIAIS (reproduz) estabelece que as compras de materiais serão obrigatoriamente faturadas diretamente à contratante, mas esta delega o pagamento à fiscalizada. Essa cláusula também fixa a data da medição para a emissão de nota de débito para reembolso das despesas pagas em nome da contratante, dando a falsa impressão de que há reembolso. De fato, o acerto é feito internamente na contabilidade da Hahne, posto que os valores já foram previamente pagos a ela, de acordo com cronograma estipulado na cláusula que trata do preço da obra; que assim, fica claro que os contratos firmados pela fiscalizada são de trabalho e de materiais, pois ela mesma faz a previsão dos materiais nos contratos e se responsabiliza pela qualidade, quantidade e menor preço; que os contratos têm um valor global e desse valor são separados os de materiais, que são comprados pela contratada em nome da contratante, sendo que as notas fiscais dos fornecedores são emitidas em nome da contratante, mas os pagamentos são feitos pela contratada, com os recursos recebidos conforme previsão dos contratos. Também são separados os valores de mão de obra (através de subempreiteiros) e de aluguel de equipamentos, para os quais a fiscalizada adota a mesma prática. Não há um ressarcimento por notas fiscais pagas pela fiscalizada, mas apenas um ajuste interno na contabilidade da Hahne, que adéqua os valores recebidos, conforme previsão contratual, com os das notas fiscais emitidas pelos fornecedores ao contratante; que a fiscalizada, ao faturar em nome da contratante os materiais, mão de obra e aluguel de equipamentos, exclui esses custos da base de cálculo dos tributos, através de contas de reembolso e desembolso e emissão de notas de débito, que totalizam os valores Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 excluídos, restando claro que a fiscalizada força o faturamento em nome da contratante exclusivamente para fins tributários, se eximindo do pagamento de IRPJ e CSLL, em função de sua opção pela sistemática do lucro presumido; que atenção é o fato de a Hahne ter optado pelo lucro presumido, alegar que não fornece materiais e ainda aplicar os coeficientes para determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de empreiteiros que aplicam todo o material das obras, sempre escolhendo a opção menos onerosa em termos tributários; que dessa forma, não vale a denominação dada pela contribuinte, de ressarcimento e reembolso de despesas, quando, na verdade, tratase de custos ou despesas incorridos na realização dos serviços, que só poderiam ser apropriados no caso de tributação com base no lucro real; que a diferença entre os totais dos contratos firmados no período, apropriados nas datas dos recebimentos, e os valores declarados foram consideradas como receitas não declaradas e tributadas com a aplicação de multa de ofício, conforme a legislação de regência, sendo que os valores declarados foram obtidos das DIPJ, para o IRPJ e a CSLL, e dos DACON, para o PIS e a Cofins; que de acordo com as informações dadas pela fiscalizada, há valores dos contratos que não transitaram pela sua contabilidade e, como não houve a apresentação das planilhas solicitadas na última intimação, esses valores podem justificar as bases de cálculo apuradas a menor que as declaradas para IRPJ, PIS e Cofins; que as DIPJ e os DACON não registram qualquer situação especial que justifique as diferenças de base de cálculo lançadas; que o agravamento da multa pela falta de entrega dos arquivos magnéticos, assim sendo, a fiscalizada, apesar de intimada, reintimada e de ser cobrada em cada intimação efetuada, não apresentou os arquivos magnéticos de notas fiscais, sendo aplicável a multa de 112,5%, agravada com base no §2º do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela lei nº 11.488, de 2007 (reproduz). Em sua peça impugnatória de fls. 1733/1762, apresentada, tempestivamente, em 28/02/2013, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, quanto à nulidade formal dos autos de infração por inobservância ao MPF e ao termo de início de ação fiscal, é de se dizer que no Termo de Início de Fiscalização e no MPF, a autoridade fiscal estava autorizada a iniciar a ação fiscal tão somente em relação ao IRPJ, no período de 2008. Contudo, ao fim do procedimento de fiscalização, sem que tenha havido qualquer modificação do MPF ou do Termo de Início, lavrouse auto de infração também em relação à CSLL, ao PIS e à Cofins, bem como o período de fiscalização foi unilateralmente estendido para os anos de 2009 e 2010, o que viola as próprias normativas internas da RFB, que estabelecem a necessidade de a fiscalização observar os limites estabelecidos no MPF e no Termo de Início, a não ser que a fiscalização seja estendida para outros períodos e tributos, o que não prescinde da prévia comunicação ao contribuinte; que a matéria tributável e o período de fiscalização, sem a prévia cientificação do sujeito passivo, importa em manifesta nulidade formal dos autos de infração, conforme orientação já proferida pelo CARF (reproduz ementas); Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 5 7 que, quanto à atividade desenvolvida pela impugnante e serviços de empreitada por administração, é de se dizer que ao contrário do que defende a fiscalização, não houve nenhuma omissão de receita por parte da impugnante, mas tão somente ausência de compreensão sobre como os serviços de construção civil são contratados e prestados na prática pela impugnante. A fiscalização não atentou adequadamente para os contratos firmados entre a impugnante e os seus clientes (tomadores dos serviços); que a impugnante presta serviços de construção civil para terceiros, seus clientes (donos da obra), e a sua especialidade, principalmente ao longo dos últimos anos, tem sido a construção de parques industriais e fundações para a implantação de estações de geração de energia eólica; que, no entanto, os serviços de construção civil são prestados pela impugnante sob a forma de contrato de empreitada, cujo conceito é definido pela doutrina civilista (reproduz); que a par do disposto no art. 610 do Código Civil, a doutrina civilista costuma distinguir o contrato de empreitada em “empreitada de lavor” e “empreitada global ou mista”; que na empreita de lavor, o empreiteiro não responde por eventuais riscos da obra decorrentes do emprego de materiais. Já na empreitada com fornecimento de materiais – empreitada mista – à luz do disposto no art. 611 do Código Civil, o empreiteiro é quem responde pelos riscos da obra, na medida em que antes da entrega da obra não há tradição, e o dono dos materiais é o empreiteiro, que arca com os riscos até que ela se efetive; que outro efeito relevante é aquele fixado pelo art. 612 do Código Civil, segundo o qual “se o empreiteiro só forneceu mãodeobra, todos os riscos em que não tiver culpa correrão por conta do dono”, caso em que o dono da obra é o único proprietário dos materiais fornecidos, incumbindolhe demonstrar que os riscos sofridos advieram da culpa do empreiteiro (imperícia, negligência, ou imprudência); que de acordo com o art. 617 do Código Civil, na empreitada de lavor, o empreiteiro é obrigado a pagar os materiais que recebeu, se por imperícia ou negligência os inutilizar, o que obviamente não ocorre na empreitada com fornecimento de materiais, por já estarem contemplados no preço do serviço prestado pelo empreiteiro; que um dos aspectos mais importantes do contrato de empreitada é a sua consensualidade, ou seja, não existe formalidade para esse tipo de contratação, estando as partes livres para pactuar a melhor forma de contratação ou aquela que mais atenda as suas necessidades; que a própria RFB, ao tratar da tributação previdenciária no segmento da construção civil, tratou de estabelecer o seu conceito e uma classificação mais ampla do que aquela prevista no Código Civil para os contratos de empreitada, nos termos do art. 322 da Instrução Normativa nº 971, de 2009 (transcreve); que nesse dispositivo normativo, a RFB procurou descrever as principais modalidades de contratação por empreitada adotadas no segmento, tais como a empreitada global ou total, a empreitada parcial, a subempreitada e a empreitada por administração, entretanto, tal classificação não é exaustiva, eis que, pela característica da consensualidade que Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 rege tais contratos, nada impede que possa haver um contrato de empreitada misto ou complexo, abrangendo uma ou várias modalidades elencadas pela referida Instrução Normativa; que o objeto do contrato, ou seja, a contratante contrata os serviços técnicos e especializados da contratada, que os aceita executar, sob o regime de administração e gerenciamento de obra, com fornecimento de mãodeobra, para execução de construção de central de frete, apoio de caminhoneiros e guarita, localizada no imóvel da contratante, no município de CURITIBA/PR, conforme o orçamento 0806304 datada de 15 de abril de 2008 e projetos anexos; que pelo exposto, afigurase totalmente ilegal a presunção feita pela fiscalização; que, quanto à questão do pagamento dos materiais e as nefastas consequências decorrentes da tese fiscal, é de se dizer que a autoridade fiscal deturpa a realidade fática, desconsidera os contratos pactuados, os documentos fiscais e a contabilidade da impugnante, com a finalidade de presumir que os materiais empregados nas obras foram fornecidos pela impugnante e que estão incluídos no preço dos serviços prestados; que a simples leitura dos contratos não deixa dúvida no sentido de que a impugnante pode antecipar o pagamento dos materiais adquiridos em nome da contratante, fazendo jus ao reembolso mediante apresentação de nota de débito de reembolso, consoante cláusulas 6.1 e 7.1 (reproduz); que o contrato esclarece, quanto ao reembolso, que a impugnante não efetua o pagamento dos materiais com recursos recebidos dos contratantes, ao contrário do que afirma a fiscalização, mas antecipa o pagamento dos materiais e, apenas no mês seguinte, desde que comprovados os gastos, é reembolsado pelos seus clientes mediante a apresentação de nota de débito; que a documentação fiscal da impugnante não deixa dúvida que este é, de fato, o modo de proceder, consoante se depreende das notas de débito juntadas às fls. 1781/1791, nas quais consta em anexo cópia de todas as notas fiscais dos materiais pagos antecipadamente pela impugnante, em nome do contratante. Consta também, na contabilidade, que os reembolsos dessas antecipações são feitas apenas no mês subsequente, sendo falsa a afirmação de que a impugnante efetua o pagamento dos materiais com recursos recebidos pelos contratantes; que aceitar como verdadeira a conclusão alcançada pela fiscalização geraria, inclusive, outros problemas de natureza fiscal, tendo em vista que em relação aos materiais empregados na obra, adquiridos em nome das empresas contratantes, em sua maioria contribuintes do ICMS, estas são autorizadas a apropriar crédito de ICMS, por se destinarem ao Ativo Permanente (LC nº 102, de 2000); que a ser aceita a tese fazendária, terse ia, inclusive, o descumprimento do art. 322, §2º, inciso IV, da Instrução Normativa nº 971, de 2009, que determina que o faturamento direto de subempreiteira para o dono da obra recebe tratamento de empreitada global. Como existem faturamentos dos subempreiteiros feitos diretamente para o dono da obra, a tese fiscal contraria a própria normativa interna da RFB; Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 6 9 que os valores pagos a título de materiais pelos contratantes foram registrados como despesa dedutível, por se tratarem seus clientes, em sua maioria, de empresas optantes pelo lucro real; que os clientes da impugnante podem ter aproveitado crédito de PIS e Cofins sobre os gastos com os materiais empregados no seu ativo imobilizado. Nesse caso, a prevalecer a tese fiscal, a fiscalização teria de glosar o crédito tomado pelos seus clientes pela aquisição dos materiais? A pretensão fiscal esbarra em óbices e consequências, de natureza fiscal, civil e comercial que não se compatibilizam com o ordenamento jurídico, não podendo ser admitida; que o procedimento fiscal adotado pela impugnante está absolutamente correto e de acordo com a legislação; que, quanto ao reembolso de despesa não integra a base de incidência do lucro presumido, é de se dizer que a própria legislação fiscal, consoante leitura do art. 53 da lei nº 9.430, de 1996 (reproduz), determina que os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas (como é o caso do reembolso dos gastos feitos pela impugnante em nome de seus clientes), serão excluídos do lucro presumido para determinação do IRPJ e da CSLL, sendo nesse sentido a orientação do CARF, conforme ementas reproduzidas; que da mesma forma, não sendo tais custos ou despesas receita tributável, não há que se falar na sua inclusão na base de incidência do lucro presumido; que, quanto ao reembolso de despesa não ser receita, logo, não é base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, é de se dizer que o mesmo raciocínio delineado no tópico anterior aplicase, integralmente, à contribuição ao PIS e à Cofins, na medida em que ambas possuem como fato gerador a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998 (reproduz); que a União detém competência constitucional definida para exigir contribuição social sobre receita, assim caracterizada como aquela entrada definitiva de novo recurso que tenha o condão de provocar um plus no patrimônio da pessoa jurídica; que não se pode admitir a tese de que o reembolso de despesa seja considerado receita, na medida em que tem o condão de, apenas e tão somente, repor o patrimônio desfalcado, não representando, efetivamente, qualquer elemento positivo e novo ao ativo; que, nessa ordem de raciocínio, não se tratando o reembolso de despesa de receita auferida pela pessoa jurídica, está fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, na linha da mais recente orientação do próprio CARF, conforme ementa e trecho do voto reproduzidos na impugnação, cujos pressupostos adotados são inteiramente aplicáveis ao caso vertente; que os materiais empregados nas obras, como já esclarecido à exaustão, foram comprados em nome dos contratantes, portanto, não estão contemplados no preço do serviço da impugnante e, assim, não são sequer base de cálculo do ISS; Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que o próprio Supremo Tribunal Federal já consagrou o entendimento no sentido de que, mesmo quando há o fornecimento dos materiais pelo prestador (o que não é o caso), o valor dos materiais não integra a base de cálculo do ISS; que o pressuposto mais essencial para a conclusão de que o valor dos materiais (adquiridos em nome do contratante) não integra a base de incidência do PIS e da Cofins consiste na manifesta e evidente ausência de qualquer margem de lucro sobre tais valores; que se o valor dos materiais não está contemplado no preço dos serviços, não é sequer base de cálculo para o ISS e, ainda por cima, se inexiste qualquer margem de lucro da impugnante com a operação, na esteira do que já foi decidido pelo CARF, não há igualmente que se falar em incidência de PIS e de Cofins; que a mesma lógica se aplica no eventual reembolso com o pagamento antecipado aos subempreiteiros e no caso de locação de equipamentos que, eventualmente, tenham sido realizados pela impugnante. Outros precedentes do CARF evidenciam o descabimento de exigência do PIS e da Cofins na hipótese em que não há receita, como é o caso da redução de custo proporcionada pela apropriação em conta gráfica de crédito presumido do ICMS ou o crédito registrado extemporaneamente, em que se afastou a exigência de tais contribuições; que, quanto a não incidência de PIS e COFINS sobre receitas não operacionais, é de se dizer que ainda que na improvável hipótese de não serem aceitos os argumentos lançados ao longo da presente peça de defesa, temse que devem ser excluídos, da base de cálculo do PIS e da Cofins, os valores relativos às receitas não operacionais da impugnante; que a simples leitura do Termo de Verificação Fiscal permite observar que a fiscalização incluiu receitas não operacionais da impugnante, a título de “outras receitas”, conforme tabela 3, à fl. 1491; que por ser a impugnante optante pelo lucro presumido, não estão tais receitas sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da Cofins, conforme decisão consolidada no âmbito do Plenário do Supremo Tribunal Federal (RE 378191 AgR), devendo ser excluídos da base de cálculo dessas contribuições os valores representados por outras receitas que não compreendam o faturamento da impugnante, sujeita aos ditames da Lei nº 9.718, de 1998; que, quanto ao erro material – inclusão na base de cálculo de valores já oferecidos à tributação pela impugnante, é de se dizer que a fiscalização incorreu em erro material na apuração dos tributos lançados, eis que incluiu nas bases de incidência de tais tributos valores que, por se referirem à remuneração por serviços prestados, já foram devidamente oferecidos à tributação pela impugnante, consoante se depreende das planilhas apresentadas (DOC. 03 e 04, anexadas às fls. 1792/1973); que a fiscalização considerou como base de cálculo os seguintes lançamentos contábeis: “recebimento cfme nossa Nota” (ou “serviços prestados cfme nossa nota”, evidenciados no Livro Diário em anexo – DOC. 04). Tais valores não correspondem às notas de débito por reembolso de despesa, mas se tratam de receitas decorrentes da prestação de serviço realizada pela impugnante, as quais foram devidamente oferecidas à tributação, ou seja, já incluídas na base de cálculo dos tributos lançados; Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 7 11 que a fiscalização levou em consideração parcelas de valores recebidos pela impugnante, lançadas contabilmente como “recebimento parcela do orçamento”, ou melhor, como adiantamento decorrente de pacto contratual (eventograma de pagamentos de obras). Tais valores, recebidos de forma parcelada, foram objeto de notas fiscais efetivamente emitidas por ocasião da obra, ou seja, já foram oferecidas à tributação por ocasião da emissão dos documentos fiscais representativos da entrada definitiva de receita; que se depreende da planilha anexa (DOC. 04), da base de cálculo total considerada pela fiscalização, apenas R$11.412.917,28 se referem à nota de débito por reembolso de despesa – matéria questionada pela fiscalização – sendo o restante decorrente de serviço efetivamente prestado pela impugnante, regularmente oferecido à tributação; que, quanto a não incidência de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de obras contratadas no âmbito do REIDI (LEI Nº 11.488/2007), é de se dizer que a fiscalização incluiu na base de cálculo do PIS e da Cofins valores decorrentes do contrato pactuado com a empresa Desa Morro dos Ventos I e III, no período de 2010, que não poderiam ter sido incluídos, já que a impugnante é cohabilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura – REIDI, consoante Atos Declaratórios Executivos nº 95, de 2 de dezembro de 2010, e 66, de 17 de setembro de 2010 (DOC. 06); que, além disso, os valores considerados pela fiscalização referemse a meros adiantamentos ocorridos no período de 07/2010 a 12/2010, de acordo com o eventograma da obra (DOC. 05), cujo faturamento ocorreu apenas a partir de 09/2010, conforme Razão (DOC. 05); que na hipótese remota de manutenção do lançamento, devem ser excluídos da base de cálculo os valores decorrentes de contrato firmado com a empresa Desa Morro dos Ventos, por expressa imposição dos arts. 1º a 5º da Lei nº 11.488, de 2007; que, que quanto à impossibilidade legal de aplicação da multa majorada, é de se dizer que argumenta a autoridade fiscal, como motivação para a imposição de penalidade agravada, que a empresa não teria lhe apresentado os arquivos magnéticos das notas fiscais, entretanto, a impugnante é optante pelo lucro presumido, razão pela qual não está obrigada sequer a manter escrituração contábil, desde que mantenha o Livro Caixa, nos termos do art. 527 de RIR/1999, sendo totalmente impertinente e ilegal a exigência de multa qualificada pelo fato de não possuir os arquivos magnéticos requisitados; que a impugnante franqueou o acesso da fiscalização a todos os seus livros fiscais e contábeis, bem como a todos os demais documentos comerciais e fiscais solicitados, como contratos de prestação de serviços, notas fiscais, etc.; que na remota hipótese de o lançamento ser considerado procedente, pugna a impugnante pela redução da penalidade imposta, por não se aplicar, em relação à impugnante, a obrigatoriedade da elaboração dos arquivos magnéticos exigidos pela fiscalização. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – BA, concluíram pela procedência parcial da impugnação e pela manutenção, em parte, do crédito tributário lançado baseado, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que, preliminarmente, a impugnante requer a nulidade dos lançamentos, sob a alegação de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, bem como o Termo de Início de Fiscalização, autorizava a ação fiscal tão somente em relação ao IRPJ e ao período de 2009, contudo, sem que tenha havido qualquer retificação do MPF, ou do Termo de Início, devidamente comunicada ao sujeito passivo, foram lavrados autos de infração também para a CSLL, o PIS e a Cofins, estendendo os períodos de apuração também para 2008 e 2010; que o MPF constituise, assim, em instrumento de controle indispensável à administração tributária e em garantia para os contribuintes, na medida em que estes poderão conferir se de fato os auditores fiscais que o estejam fiscalizando estão no exercício legal de suas funções; que eventuais falhas no MPF, ou até mesmo a sua ausência, podem suscitar responsabilidade administrativa do auditor fiscal, nunca, porém, terão força para retirar deste a competência para efetuar o lançamento ou para inutilizar o ato por ele validamente efetivado; que a emissão do MPF, bem como as alterações nele efetuadas, tais como prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição do auditor responsável pela ação fiscal, tributos a serem examinados ou períodos de apuração, são procedidas mediante registro eletrônico, sendo disponibilizada, à contribuinte, tal informação na Internet, com a simples utilização de um código de acesso próprio, informado no Termo de Início de Fiscalização (fls. 03/04), em conformidade com os arts. 4º e 9 da mesma Portaria RFB nº 3.014, de 2011; que os autos de infração foram lavrados por servidor competente e possuem a descrição dos fatos e o devido enquadramento legal, atendendo integralmente ao que estabelece o art. 10 do PAF, combinado com o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), nada há que inquine de nulidade o lançamento; que quanto à CSLL, a própria Portaria RFB nº 3.014, de 2011, em seu art. 8º, determina sua inclusão, independentemente de menção expressa, por se tratar de tributo decorrente da mesma infração apurada em relação ao tributo discriminado no MPF original (IRPJ); que em relação à infração tipificada como omissão de receitas, o autuante argumenta que a contribuinte exclui da base de cálculo dos tributos federais as parcelas relativas aos materiais aplicados na obra, bem como aquelas decorrentes de mão de obra de subempreiteiras e de aluguel de equipamentos, parcelas essas que já estariam incluídas no preço global do contrato, sob o falso argumento de que tais despesas seriam faturadas diretamente em nome da contratante e posteriormente reembolsadas à impugnante, mediante a emissão de notas de débito; que a interessada, por sua vez, alega que, em conformidade com os contratos celebrados, citando como exemplo o contrato firmado com a empresa Cargo Shop Logística Ltda. (fls. 1987/2006), em relação aos materiais aplicados na obra, as partes pactuaram que a CONTRATADA (impugnante) faria apenas a administração dos pagamentos aos fornecedores, em nome da contratante e, em contrapartida, a impugnante emitiria nota de débito para reembolso das despesas com materiais, conforme cláusula 7 (reproduz), o que caracteriza um serviço de empreitada “misto” ou “complexo”, que mescla a empreitada de lavor com a por administração; que analisandose o próprio contrato citado pela requerente, firmado com a empresa Cargo Shop Logística Ltda. (fls. 1987/2006), percebese claramente que não tem razão a impugnante. Apesar de constar na cláusula 7, como aponta a impugnante, que os Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 8 13 materiais deveriam ser contratados em nome da CONTRATANTE diretamente com os fornecedores, para futuro reembolso de tais despesas mediante emissão de notas de débito, na verdade, o preço global do contrato já inclui os materiais aplicados na obra, como deixa claro a cláusula 5 (DO PREÇO), conforme transcrição: “5. O PREÇO: 5.1. O preço global ajustado para a execução dos serviços ora contratados, incluindo recursos humanos e taxa de administração, bem como tudo mais que for necessário para a completa execução dos serviços pela CONTRATADA será de R$2.000.000,00 (dois milhões de reais) conforme orçamentos anexos, do dia 15/04/2008, o qual deverá ser pago pela CONTRATANTE, através de execuções mensais, apresentadas até o dia 20 de cada mês, para pagamento no dia 05 do mês seguinte, referente ao mês anterior. (...) 5.3. O valor previsto neste orçamento para despesas relativas aos serviços de mão de obra, administração, alimentação, será conforme segue: • Valor mão de obra R$ 291.554,00; • Administração, alimentação, EPI e transporte R$ 187.430,00; • Materiais aplicados R$ 1.398.942,00; e • Locação de Equipamentos R$ 122.074,00; que ainda em relação a esse contrato, o preço global, inicialmente de R$ 2.000.000,00, foi posteriormente alterado para R$2.854.490,66 (dois milhões, oitocentos e cinquenta quatro mil, quatrocentos e noventa reais e sessenta e seis centavos), conforme Segundo Aditivo ao Instrumento Particular de Contrato de Administração e Gerenciamento de Obra Orçamento 08.063R04, anexado às fls. 2007 e 2008; que analisandose os recebimentos referentes a esse contrato, conforme demonstrativo a seguir, notase que a contribuinte contabilizou como receitas apenas aqueles ingressos decorrentes de notas fiscais emitidas, que totalizam R$1.200.312,90, contabilizando ingressos decorrentes de notas de débitos relativas a materiais aplicados, subempreiteiros e aluguel de equipamentos no montante de R$1.771.383,55, o que demonstra que, na verdade, suas receitas totais equivalem à soma dessas duas parcelas, correspondente a R$2.971.696,45, que é compatível com o preço global pactuado no contrato, sendo que a pequena diferença verificada, em confronto com o valor contratado de R$2.854.490,66, pode ser explicada pela existência de parcelas extra orçamento, a exemplo do valor contabilizado no dia 14/05/2009, de R$36.054,47, a título de “Valor ref. Recebimento Extra Orçamento 08063E de Cargo Shop Logística”; que a despeito de incoerências observadas nos contratos celebrados, ora indicando que a empresa executa empreitada apenas de administração e de fornecimento de mão de obra, ora indicando que o contrato também prevê a aplicação de materiais por parte da contratada, na prática, é a empresa autuada quem se responsabiliza pelos serviços e materiais utilizados na obra, é a verdadeira responsável pela compra desses materiais, além da contratação dos subempreiteiros e do aluguel de equipamentos utilizados na obra, cujos custos são pagos com os valores recebidos da contratante e já incluídos no preço global pactuado; que o fato de a empresa utilizar o percentual de 8% na apuração do lucro presumido e de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL, apenas reforça a conclusão exposta, pois tais percentuais são aplicáveis justamente na atividade de construção por empreitada quando há emprego, por parte do empreiteiro, de todos os materiais utilizados na obra, nos termos da legislação vigente; que os problemas de natureza fiscal elencados pela impugnante, tais como eventual direito ao crédito de ICMS, PIS e Cofins sobre os gastos com os materiais, das empresas contratantes, ou a utilização dos gastos correspondentes, por parte dessas mesmas Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 empresas, como despesas dedutíveis, são irrelevantes para as conclusões aqui expostas, podendo, se for o caso, apenas resultar em ação fiscal nas citadas empresas a fim de se apurar eventual infração de natureza tributária; que constatado que os valores recebidos pela impugnante, representados pelo somatório dos ingressos decorrentes das notas fiscais emitidas com os ingressos decorrentes das notas de débitos, correspondem às receitas auferidas pela empresa na execução dos contratos celebrados, descabem os argumentos da impugnante no sentido de caracterizar os ingressos decorrentes das notas de débitos como reembolso de despesas e, portanto, fora da base de incidência dos tributos objeto dos lançamentos em análise; que como já explicitado no Termo de Verificação Fiscal, as receitas consideradas não declaradas, objeto dos lançamentos, foram obtidas através do cotejo entre os totais dos contratos firmados no período, apropriados nas datas dos recebimentos, e os valores declarados, ou seja, os valores já oferecidos à tributação pela autuada foram sim considerados pelo agente fiscal na apuração das receitas omitidas, como demonstrado na Tabela 1 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1490); que vale destacar que as diferenças apuradas, na forma como efetuada pelo agente fiscal, não são decorrentes unicamente das parcelas relativas às notas de débito por reembolso de despesas, mas, como já exposto, do confronto entre as receitas oriundas dos contratos firmados, aí incluídos os valores recebidos a título de reembolso de despesas, apropriadas nas datas dos recebimentos, e as receitas declaradas; que a título ilustrativo, notase que, no 1º trimestre de 2008, os ingressos decorrentes de notas de débitos totalizaram R$339.428,57, entretanto, o montante não declarado, apurado pela fiscalização no mesmo trimestre, foi de R$845.322,56 (Tabela 1, à fl. 1490), o que demonstra que parcela significativa do total não oferecido à tributação no período foi proveniente de ingressos decorrentes de notas fiscais devidamente emitidas pela empresa; que quanto aos lançamentos do PIS e da Cofins, além dos pontos já analisados, a contribuinte alega, adicionalmente, que: (i) por ser a impugnante optante pelo lucro presumido, e conforme decisão consolidada no âmbito do Plenário do Supremo Tribunal Federal (RE 378191 AgR), devem ser excluídos da base de cálculo dessas contribuições os valores representados por outras receitas que não compreendam o faturamento da impugnante, sujeitas aos ditames da Lei nº 9.718, de 1998; (ii) foram incluídos na base de cálculo dessas contribuições valores decorrentes do contrato pactuado com a empresa Desa Morro dos Ventos I e III, no período de 2010, que não poderiam ter sido incluídos, já que a impugnante é co habilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura – REIDI, consoante Atos Declaratórios Executivos nºs 95, de 2 de dezembro de 2010, e 66, de 17 de setembro de 2010 (DOC. 06); e (iii) os valores considerados pela fiscalização, também em relação ao referido contrato com a empresa Desa Morro dos Ventos, referemse a meros adiantamentos ocorridos no período de 07/2010 a 12/2010, de acordo com o eventograma da obra (DOC. 05), cujo faturamento ocorreu apenas a partir de 09/2010, conforme Razão; que nos lançamentos em análise, o agente fiscal já considerou os efeitos da revogação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, efetuada pelo art. 79 da Lei nº 11.941, de 2009; que aos contratos pactuados com as empresas Desa Morro dos Ventos I e Desa Morro dos Ventos III, tem razão a requerente, tendo em vista que os Atos Declaratórios Executivos nº 95, de 02/12/2010, e nº 66, de 17/09/2010, emitidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, anexados às fls. 1982/1985, comprovam que a impugnante Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 9 15 é cohabilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura – REIDI, instituído pela Lei nº 11.488, de 2007, fazendo jus à suspensão da exigência do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas desses contratos, em conformidade com os arts. 3º e 4º do referido dispositivo legal, verbis; que, quanto ao agravamento da multa, é de se dizer que os tributos apurados, foi aplicada a multa agravada, de 112,5%, em razão da falta de entrega dos arquivos magnéticos das notas fiscais emitidas pela contribuinte, tendo como fundamento legal o §2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; que a requerente, por sua vez, alega que é optante pelo lucro presumido, razão pela qual não está obrigada sequer a manter escrituração contábil, nos termos do art. 527 do RIR/1999, sendo impertinente e ilegal a exigência da multa, pelo fato de a empresa não possuir os arquivos magnéticos requisitados, pois, no seu entender, ela não estaria obrigada a manter tais arquivos; que no presente caso, a empresa utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para efetuar seus registros contábeis e fiscais, tanto é assim que apresentou ao agente fiscal os arquivos relativos a sua escrituração contábil, entretanto, apesar de reiteradamente solicitado durante todo o procedimento fiscal, deixou de apresentar os arquivos magnéticos relativos às notas fiscais emitidas, sem sequer alegar qualquer justificativa para o não atendimento das intimações, contrariando o disposto no citado art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991, e sujeitandose, portanto, à majoração da multa imposta pelo art. 44, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do procedimento fiscal eventual erro na emissão e trâmite desse instrumento. NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, tais como o enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos, não pode ser considerado nulo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 CONTRATO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAL. REEMBOLSO DE DESPESAS. Comprovado nos autos que o valor total contratado inclui, além dos serviços efetuados pela empresa, os materiais utilizados na obra, aluguéis de equipamentos e os serviços subempreitados, incabível a exclusão dessas parcelas, a título de reembolso de despesas, no cálculo do valor tributável com base no lucro presumido. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de base de cálculo originária das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para o lançamento decorrente o que foi decidido para o matriz, no que couber. MAJORAÇÃO DA MULTA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A falta de apresentação dos arquivos magnéticos relativos às notas fiscais emitidas, apesar de reiteradas intimações, sujeita a empresa à imposição da multa de ofício majorada, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. O afastamento, pela autoridade administrativa de julgamento de primeira instância, da incidência da COFINS sobre a base de cálculo alargada, prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em controle difuso de constitucionalidade, depende da edição de ato normativo que autorize a medida. EMPRESA COHABILITADA NO REIDI. SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Demonstrado que a empresa é cohabilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura REIDI, cabível a suspensão da exigência da Cofins incidente sobre as receitas dos contratos efetuados com a empresa titular do projeto habilitado no referido regime. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário:2008, 2009, 2010 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. O afastamento, pela autoridade administrativa de julgamento de primeira instância, da incidência do PIS sobre a base de cálculo Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 10 17 alargada, prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em controle difuso de constitucionalidade, depende da edição de ato normativo que autorize a medida. EMPRESA COHABILITADA NO REIDI. SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Demonstrado que a empresa é cohabilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura REIDI, cabível a suspensão da exigência do PIS incidente sobre as receitas dos contratos efetuados com a empresa titular do projeto habilitado no referido regime. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 31/07/2013, conforme Termo constante às fl. 2092, e, com ela não se conformando, a contribuinte, interpôs, tempestivamente em (26/08/2013), o recurso voluntário de fls. 2094/2137, instruído pelos documentos fls. 2138/2167, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação tão somente para excluir da base de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, lançados no Auto de Infração, os valores recebidos pela recorrente na condição de cohabilitada no âmbito do REIDE (Lei nº 11.288/2007), exclusivamente em relação aos contratos firmados para a realização das seguintes obras: Desa Morro dos Ventos I e Desa Morro dos Ventos III; que, contudo, de resto, fato é que a decisão recorrida proferida pela DRJ simplesmente repisou a fundamentação constante do relatório fiscal do Auto de Infração sem a devida apreciação e consideração das relevantes particularidades fáticas e jurídicas apresentadas pela recorrente; que, quanto à nulidade formal dos autos de infração por inobservância ao MPF e ao termo de início de ação fiscal, é de se dizer que como já relatado, a decisão recorrida findou por afastar a preliminar de nulidade formal dos Autos de Infração contestados, por inobservância ao MPF e ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, ao argumentar de que “o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do procedimento fiscal eventual erro na emissão e trâmite desse instrumento”; que, para que fosse válido e regular o procedimento fiscal, deveria a autoridade lançadora ter previamente cientificado o sujeito passivo da extensão da fiscalização em relação a outros tributos e períodos, por meio de documento idôneo que contivesse autorização da autoridade hierarquicamente superior, o que não ocorre em nenhum momento do caso concreto; que, quanto à atividade desenvolvida pela recorrente e serviços de empreitada por administração, é de se dizer que do quanto se depreende tanto da leitura do Auto de Infração como da própria decisão recorrida, percebese claramente que um dos pontos Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 nodais em discussão é a pretensão fiscal, totalmente equivocada, de fazer crer que os valores relativos aos materiais aplicados nas obras de construção civil (para as quais a recorrente foi contratada) seria parte do preço do serviço prestado e, portanto, receita da recorrente, razão pela qual deveria ter submetido à incidência do IRPJ e da CSLL, ambas apuradas com base no Lucro Presumido, bem como à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS; que, quanto à questão do pagamento dos materiais e as nefastas conseqüências decorrentes da tese fiscal, é de se dizer que a questão deveras relevante para a adequada compreensão do caso referese aos pagamentos realizados pela recorrente, a título de antecipação para a aquisição de materiais, mediante posterior reembolso do contratante; que o fato mencionado na decisão recorrida, de que a recorrente estaria a aplicar o percentual de 8% para a apuração do Lucro Presumido e o percentual de 12% para a base de cálculo da CSLL não justifica a pretensão fiscal de incluir os materiais (adquiridos e pagos pelos tomadores dos serviços da recorrente) na base de incidência do Lucro Presumido, por não se tratar de receita da recorrente. Quanto muito, tal fato poderia ensejar uma outra discussão sobre se base de cálculo para a apuração do Lucro Presumido utilizada pela recorrente estaria correta ou não, contudo, tal aspecto nem sequer foi cogitado pela fiscalização, razão pela qual, definitivamente, essa questão não pode, por si só, levar à presunção (equivocada) de que os materiais e equipamentos empregados nas obras de construção civil, até porque, por expressa determinação legal (art. 610, § 1°, do Código Civil) o fornecimento de materiais no contrato de empreitada não se presume; que, quanto ao reembolso de despesa não integra a base de incidência do lucro presumido, é de se dizer que determina a legislação fiscal, os reembolsos de despesas devem ser excluídos da base de incidência do IR e da CSLL, apurados pelo lucro presumido; que, em suma, a se manter a decisão recorrida, estarseia admitindo a inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL de valores que a própria legislação de regência exclui. É dizer, estarseia admitindo que um órgão administrativo pudesse exarar uma decisão contra legem. Ora, se os Tribunais Administrativos não podem nem sequer exarar juízo de valor sobre a constitucionalidade ou não das leis, também não se pode sequer cogitar que uma Corte administrativa possa exarar decisões que contrariam disposição expressa de lei, já que sua atividade é plenamente vinculada ao comando legal; que, quanto ao reembolso de despesa não é receita, logo, não é base de cálculo para o lucro presumido ou para a apuração de PIS e COFINS, é de se dizer que para a apuração da base de cálculo do Lucro Presumido de IRPJ e da CSLL, seja na apuração da contribuição ao PIS e da COFIN, na medida em que o elemento quantitativo de todos é a receita bruta auferida pela pessoa jurídica; que os valores de reembolso registrados em conta patrimonial do ativo – glosados pela fiscalização – não servem de base à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, seja por não serem serviços tributáveis pelo ISS, seja porque inexiste qualquer lucro (markup) pela recorrente nessa operações, sobretudo por se traduzirem em operação de mera mutação patrimonial, ou melhor, recuperação do patrimônio anteriormente desfalcado; que, quanto à não incidência de PIS e COFINS sobre receitas não operacionais, é de se dizer que ainda que na improvável e remota hipótese de não serem aceitos os argumentos lançados ao longo da presente peça de defeca, o que se admite apena para fins de argumentação, temse que há de ser excluído da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS os valore relativos às receitas não operacionais da recorrente, levados em consideração pela r. fiscalização na composição da base de cálculo das aludidas contribuições; Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 11 19 que devem ser excluídos da base de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS os valores representados por outra receitas que não compreendam o faturamento da recorrente, já que sujeita aos ditames da Lei n° 9.718/98; que, quanto ao adiantamento de clientes não é receita na apuração pelo regime de caixa, é de se dizer que outro ponto deveras relevante a ser frisado é o fato de que a fiscalização considerou meros adiantamentos de clientes como se receita fossem para efeito de recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS E COFINS; que a matéria exposta neste tópico, apenas comprova e evidencia, de uma vez por todas, a fragilidade dos Autos de Infração contestados, devendo serem julgados insubsistentes também por essa razão; que, quanto ao erro material e a inclusão na base de cálculo de valores já oferecidos à tributação pela recorrente e não consideração do período total da obra, é de se dizer que por decorrência lógica e imediata do quanto exposto no tópico imediatamente anterior, alertase ainda para o grave fato de que a r. fiscalização responsável pelo lançamento fiscal incorreu em erro material na apuração dos tributos exigido (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), valores que por se referirem à remuneração por serviços prestados – já foram devidamente oferecidos à tributação pela empresa ora recorrente; que com isso, não há definitivamente como se manter os lançamentos fiscais lavrados contra a recorrente, pena de subversão ao mais comezinhos princípios contábeis e fiscais, além de frontal contrariedade ao nosso ordenamento jurídico tributário; que, quanto a não incidência de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de obras contratadas no âmbito do REIDI, é de se dizer que a decisão recorrida reconheceu expressamente que os valores recebidos pela recorrente, decorrentes de contratos em que a empresa consta como cohabilitada no REIDE, regido pela Lei n° 11.488/2007, devem ser excluídos da contribuição ao PIS e da COFINS; que vêse que a decisão recorrida deixou de proceder a exclusão dos valores referentes aos contratos firmados com a DESA MORRO DOS VENTOS IV, VI e IX, já que todos eles a empresa recorrente também figura como cohabitada no REIDE, conforme comprovam os Atos Declaratórios juntados em anexo; que, pugna dede já a recorrente pela declaração de insubsistência dos Autos de Infração, ou, quando muito, pela exclusão dos valores indicados na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS; que, quanto à impossibilidade legal de aplicação da multa majorada, é de se dizer que pelo exame do Termo de Verificação Fiscal, notase que a autoridade fiscal aplicou a multa agravada com supedâneo no art.44, §2° da Lei n° 9.430/96; que na remota e improvável hipótese de que o lançamento seja considerado procedente, pugna a recorrente pela redução da penalidade imposta, por não se aplicar, em relação à recorrente, a obrigatoriedade da elaboração dos arquivos magnéticos exigidos pela fiscalização. É o relatório. Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 12 21 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 2094/2137), interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA (fls. 2022/2051). Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1478/1493, tratase de autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS, anexados às fls. 1539/1629. O lançamento encontrase fundamentado basicamente no entendimento de que a fiscalizada tem como objeto social a exploração do ramo de serviços na construção civil em geral, topografia, pavimentação e locação de maquinários de construção e demolição, sem emprego de material; para o período analisado (DIPJ/2009, DIPJ/2010 E DIPJ/2011), a empresa adotou o lucro presumido trimestral como forma de apuração do IRPJ; segundo a legislação citada no Termo de Verificação Fiscal, e também conforme o entendimento da RFB, através de Soluções de Consultas reproduzidas pelo autuante, o contrato de empreitada de construção civil, na apuração do lucro presumido, estará sujeito ao coeficiente de 8% se o contratado fornecer a totalidade dos materiais utilizados na obra, ou de 32%, no caso de fornecimento parcial; a fiscalizada utilizou 8% no cálculo do lucro presumido, como se tivesse fornecido todo o material indispensável à atividade contratada; a fiscalizada, apesar de intimada, reintimada e de ser cobrada em cada intimação efetuada, não apresentou os arquivos magnéticos de notas fiscais, sendo aplicável a multa de 112,5%, agravada com base no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. A decisão recorrida formou o seu convencimento pelo provimento parcial da peça impugnatório sob o argumento de que demonstrado que a empresa é cohabilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura REIDI, cabível a suspensão da exigência do PIS incidente sobre as receitas dos contratos efetuados com a empresa titular do projeto habilitado no referido regime, mantendo as demais exigências (receitas escrituradas e não declaradas e agravamento da multa pela falta de entrega dos arquivos magnéticos). Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminar de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito. Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 No que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer que, como visto no relatório à suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento de que os Mandados de Procedimento Fiscal – MPF foram emitidos fora dos critérios estabelecidos na legislação de regência. Para tanto alega requer a nulidade dos lançamentos, sob a alegação de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, bem como o Termo de Início de Fiscalização, autorizava a ação fiscal tão somente em relação ao IRPJ e ao período de 2009, contudo, sem que tenha havido qualquer retificação do MPF, ou do Termo de Início, devidamente comunicada ao sujeito passivo, foram lavrados autos de infração também para a CSLL, o PIS e a Cofins, estendendo os períodos de apuração também para 2008 e 2010. Indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão da suplicante no sentido de que as informações sucintas e falhas na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF levaria à incompetência do agente fiscal para o ato constitutivo do crédito tributário. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. A emissão do MPF, bem como as alterações nele efetuadas, tais como prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição do auditor responsável pela ação fiscal, tributos a serem examinados ou períodos de apuração, são procedidas mediante registro eletrônico, sendo disponibilizada, à contribuinte, tal informação na Internet, com a simples utilização de um código de acesso próprio, informado no Termo de Início de Fiscalização (fls. 03/04), em conformidade com os arts. 4º e 9 da mesma Portaria RFB nº 3.014, de 2011. No caso, o MPF original, anexado à fl. 2020, emitido em 09/04/2012, autorizou procedimento de fiscalização na empresa impugnante para o tributo IRPJ e períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2009. Entretanto, a alteração ocorrida em 18/06/2012 ampliou o período fiscalizado também para os anos de 2008 e 2010, sendo que outra alteração (fl. 2021), datada de 25/01/2013, incluiu os tributos PIS e Cofins no rol de tributos fiscalizados. Ademais, é posição majoritária neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a alguma irregularidade, por ventura, existente no Mandado de Procedimento Fiscal não provoca nulidade do lançamento, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 13 23 eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. Acórdão n° 108.07458 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo em resposta às intimações que recebeu argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e com obediência a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores). Mesmo que verdadeira fosse à assertiva do recorrente, é de se dizer que eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. Verificase, assim, que a contribuinte teve conhecimento do inteiro teor do processo, sendolhe concedido prazo para apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos que entendesse necessários, respeitandose, assim, o direito ao contraditório e a ampla defesa. É importante registrar que a contribuinte teve conhecimento do procedimento fiscal contra ela dirigido, pois, ainda durante a fiscalização, foi intimada a prestar esclarecimentos e fazer comprovações, tendo se manifestado e apresentado os documentos que julgou serem pertinentes. Entendo que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 14 25 Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Além disso, não procede à nulidade do lançamento amparada nos argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações às fls. 1539/1629, bem como o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1478/1493, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, cuja ciência foi pessoal e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração lavrado sem que a recorrente comprovasse efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas. Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem à perfeita compreensão do procedimento fiscal adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através dos Autos de Infrações lavrados. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 15 27 caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto, bem como a matéria de prova. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No mérito, em relação à infração tipificada como omissão de receitas, o autuante argumenta que a contribuinte exclui da base de cálculo dos tributos federais as parcelas relativas aos materiais aplicados na obra, bem como aquelas decorrentes de mão de obra de subempreiteiras e de aluguel de equipamentos, parcelas essas que já estariam incluídas no preço global do contrato, sob o falso argumento de que tais despesas seriam faturadas diretamente em nome da contratante e posteriormente reembolsadas à impugnante, mediante a emissão de notas de débito. A interessada, por sua vez, alega que, em conformidade com os contratos celebrados, citando como exemplo o contrato firmado com a empresa Cargo Shop Logística Ltda. (fls. 1987/2006), em relação aos materiais aplicados na obra, as partes pactuaram que a CONTRATADA (impugnante) faria apenas a administração dos pagamentos aos fornecedores, em nome da contratante e, em contrapartida, a impugnante emitiria nota de débito para reembolso das despesas com materiais, conforme cláusula 7 (reproduz), o que caracteriza um serviço de empreitada “misto” ou “complexo”, que mescla a empreitada de lavor com a por administração. Conceitualmente tributação pelo lucro presumido é a forma de apuração de imposto trimestral com base no Lucro Presumido, ou seja, sobre a receita bruta auferida do estabelecimento, através de vendas, serviços prestados, é aplicado um percentual de presunção de acordo com o enquadramento da atividade ou atividades da empresa, que podem ser 1,6% (um vírgula seis por cento), 8% (oito por cento), 16% (dezesseis por cento) ou 32% (trinta e dois por cento), índices do art. 25, inciso I da Lei nº. 9.430, de 1996. Por outro lado, a opção pelo Lucro Presumido é efetuada com a quitação da primeira ou única quota do imposto devido no primeiro trimestre do ano civil ou no início de sua atividade, conforme previsão contida no art. 26 da Lei nº. 9.430, de 1996 e § 1º do art. 13 da Lei nº. 9.718, de 1998. Resta claro na legislação tributária de regência que o percentual de presunção na construção por administração ou por empreitada, unicamente de mãodeobra é de 32% e na construção por administração ou por empreitada com fornecimento de materiais e mãodeobra é de 8%. Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 As pessoas Jurídicas com tributação pelo Lucro Presumido devem manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou livro caixa; livro registro de inventário com os estoques existentes no término de cada ano; documentação relativa aos negócios que praticar, livros de escrituração obrigatórios pela legislação fiscal; e todos os demais papeis que serviram como base para elaboração dos livros, em ordem e guarda enquanto não decorrer o prazo decadencial do direito; apresentar Declaração Integrada de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) e Declaração de Contribuições Sociais (DACON) nos prazos previstos na legislação. Para que seja aplicada a presunção de 8% para cálculo do IRPJ no lucro presumido, fazse necessário que a atividade de construção civil por empreitada seja realizada com o fornecimento de materiais necessários à consecução do projeto. O fornecimento de materiais é imprescindível para diferenciar uma prestação de serviços com utilização exclusiva de mãodeobra, o que acarretaria em um valor agregado maior (até por isso o percentual de presunção é maior, de 32%), de uma prestação de serviços com fornecimento de materiais. A mãodeobra com fornecimento de materiais possui, via de regra, um lucro menor, justamente pelo montante global cobrado estar incluído boa parte do custo com o material utilizado e incorporado à obra. Analisandose o próprio contrato citado pela recorrente firmado com a empresa Cargo Shop Logística Ltda. (fls. 1987/2006), percebese claramente que não tem razão a recorrente. Apesar de constar na cláusula 7, como aponta a impugnante, que os materiais deveriam ser contratados em nome da CONTRATANTE diretamente com os fornecedores, para futuro reembolso de tais despesas mediante emissão de notas de débito, na verdade, o preço global do contrato já inclui os materiais aplicados na obra, como deixa claro a cláusula 5 (DO PREÇO). Ora, resta claro que, a despeito de incoerências observadas nos contratos celebrados, ora indicando que a empresa executa empreitada apenas de administração e de fornecimento de mão de obra, ora indicando que o contrato também prevê a aplicação de materiais por parte da contratada, na prática, é a empresa autuada quem se responsabiliza pelos serviços e materiais utilizados na obra, é a verdadeira responsável pela compra desses materiais, além da contratação dos subempreiteiros e do aluguel de equipamentos utilizados na obra, cujos custos são pagos com os valores recebidos da contratante e já incluídos no preço global pactuado. Ademais, o simples fato de a empresa utilizar o percentual de 8% na apuração do lucro presumido e de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL, apenas reforça a conclusão exposta, pois tais percentuais são aplicáveis justamente na atividade de construção por empreitada quando há emprego, por parte do empreiteiro, de todos os materiais utilizados na obra, nos termos da legislação vigente. Em fim, a opção pelo Lucro Presumido é efetuada com a quitação da primeira ou única quota do imposto devido no primeiro trimestre do ano civil ou no início de sua atividade, conforme previsão contida no art. 26 da Lei nº. 9.430, de 1996 e § 1º do art. 13 da Lei nº. 9.718, de 1998. A legislação tributária prevê que o percentual de presunção na construção por administração ou por empreitada, unicamente de mãodeobra é de 32% e na construção por administração ou por empreitada com fornecimento de materiais e mãodeobra é de 8%. Assim, se restou claro nos autos que a opção do contribuinte foi pelo percentual de presunção 8%, ou seja, com fornecimento de materiais e mãodeobra, incabível a exclusão dessas parcelas, a qualquer título, no cálculo do valor tributável com base no lucro presumido. Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 16 29 Desta forma, constatado que os valores recebidos pela recorrente, representados pelo somatório dos ingressos decorrentes das notas fiscais emitidas com os ingressos decorrentes das notas de débitos, correspondem às receitas auferidas pela empresa na execução dos contratos celebrados, descabem os argumentos da recorrente no sentido de caracterizar os ingressos decorrentes das notas de débitos como reembolso de despesas e, portanto, fora da base de incidência dos tributos objeto dos lançamentos em análise. Alega ainda, a recorrente, que a fiscalização incorreu em erro material na apuração dos tributos lançados, pois considerou como base de cálculo lançamentos contábeis a título de “recebimento cfme nossa Nota” ou “serviços prestados cfme nossa nota”, evidenciados no Livro Diário em anexo – DOC. 04, os quais já haviam sido devidamente oferecidos à tributação. Além disso, foram consideradas parcelas de valores recebidos pela recorrente, lançadas contabilmente como “recebimento parcela do orçamento”, ou seja, como adiantamento decorrente de pacto contratual, sendo que tais parcelas já teriam sido oferecidas à tributação por ocasião da emissão dos documentos fiscais representativos da entrada definitiva da receita. Entretanto, como explicitado no Termo de Verificação Fiscal, as receitas consideradas não declaradas, objeto dos lançamentos, foram obtidas através do cotejo entre os totais dos contratos firmados no período, apropriados nas datas dos recebimentos, e os valores declarados, ou seja, os valores já oferecidos à tributação pela autuada foram sim considerados pelo agente fiscal na apuração das receitas omitidas, como demonstrado na Tabela 1 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1490). Deixo de apreciar os argumentos apresentados no sentido de que a empresa teria oferecido parte dos valores dos contratos nos exercícios seguintes àqueles objeto da ação fiscal. Na verdade, a tributação ocorreu pelo regime de competência em consonância com a opção realizada pela empresa em suas DIPJs, inexistindo qualquer reparo a ser feito nos autos de infração. Vale destacar que as diferenças apuradas, na forma como efetuada pelo agente fiscal, não são decorrentes unicamente das parcelas relativas às notas de débito por reembolso de despesas, mas, como já exposto, do confronto entre as receitas oriundas dos contratos firmados, aí incluídos os valores recebidos a título de reembolso de despesas, apropriadas nas datas dos recebimentos, e as receitas declaradas. Sobre os tributos apurados, foi aplicada a multa de ofício agravada, de 112,5%, em razão da falta de entrega dos arquivos digitais das notas fiscais emitidas pela contribuinte, tendo como fundamento legal o § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A recorrente, por sua vez, alega que é optante pelo lucro presumido, razão pela qual não está obrigada sequer a manter escrituração contábil, nos termos do art. 527 do RIR/1999, sendo impertinente e ilegal a exigência da multa, pelo fato de a empresa não possuir os arquivos magnéticos requisitados, pois, no seu entender, ela não estaria obrigada a manter tais arquivos. A Lei nº 8.218, de 1991, com redação dada pelo art. 62 da Lei nº. 8.383, de 1991, e art. 72 da Medida Provisória nº 2.15834/2001, dispõe sobre a manutenção, guarda e apresentação ao fisco, pelas pessoas jurídicas que utilizem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, dos respectivos arquivos digitais. Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 O art. 72 da Medida Provisória nº 2.15834/2001, publicada no D.O.U. de 28.07.2001, alterou a redação do art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991 para estender, a partir de 28/07/2001, a todas as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, a obrigatoriedade de manter à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. A obrigatoriedade somente não se aplica às empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. É verdade que a até 27/07/2001 a obrigatoriedade somente alcançava as pessoas jurídicas que utilizassem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e cujo patrimônio líquido, de acordo com o balanço encerrado em relação ao períodobase imediatamente anterior, fosse superior a Cr$ 250.000.000,00 (duzentos e cinquenta milhões de cruzeiros). Com base nas disposições dos arts. 12 e 13 da Lei nº 8.218, de 1991, com redação dada pelo art. 62 da Lei nº. 8.383, de 1991, e art. 72 da Medida Provisória nº 2.15834, de 2001, foi estabelecida que nos casos da infração da não apresentação dos arquivos e sistemas a penalidade aplicada seria: a) de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento; e b) de duzentos e vinte e cinco por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502. de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Cuja base de cálculo é o crédito tributário apurado. Resta claro que a Lei nº 8.218, de 1991, atribuiu a Receita Federal a responsabilidade pela expedição dos atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos e sistemas deverão ser apresentados. Até 27/07/2001, o assunto estava disciplinado na Instrução Normativa SRF nº 68/95 e Portaria COFIS nº 13/95, que aprovou o Manual de Apresentação de Arquivos Magnéticos. A partir de 28/07/2001, a assunto, que agora é de interesse de todas as pessoas jurídicas que utilizem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, exceto as optantes pelo SIMPLES, está disciplinado na Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001 e no ADE COFIS 15, de 2001, publicado no D.O.U. de 26/10/2001, que estabelece a forma de apresentação, a documentação de acompanhamento e as especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas. É a seguinte a íntegra do referido Ato Declaratório Executivo (ADE COFIS nº 15, de 23/20/2001): Estabelece a forma de apresentação, a documentação de acompanhamento e as especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001. O COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 213 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, declara: Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 17 31 Art. 1º As pessoas jurídicas de que trata o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001, quando intimadas por Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1º de janeiro de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. § 1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I registros contábeis; II fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. § 2º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. Art. 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata § 1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos público Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001 DOU de 23.10.2001: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n o 259, de 24 de agosto de 2001 , e tendo em vista o disposto no art. 11 da Lei n º 8.218, de 29 de agosto de 1991 , alterado pela Lei n º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , resolve: Art. 1 º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei n º 9.317, de 5 de dezembro de 1996 , ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2 º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1 º , quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3 º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2 º. § 1 º Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1 º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2 º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3 º Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações. Art. 4 º Fica formalmente revogada, sem interrupção de sua força normativa, a partir de 1 º de janeiro de 2002, a Instrução Normativa SRF n º 68, de 27 de dezembro de 1995 . Art. 5 º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1 º de janeiro de 2002. No presente caso, a empresa utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para efetuar seus registros contábeis e fiscais, tanto é assim que apresentou ao agente fiscal os arquivos relativos a sua escrituração contábil, entretanto, apesar de reiteradamente solicitado durante todo o procedimento fiscal, deixou de apresentar os arquivos magnéticos relativos às notas fiscais emitidas, sem sequer alegar qualquer justificativa para o não atendimento das intimações, contrariando o disposto no citado art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991, e sujeitandose, portanto, à majoração da multa imposta pelo art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Quanto a não incidência de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de obras contratadas no âmbito do REIDI, a recorrente alega que a decisão recorrida reconheceu expressamente que os valores recebidos pela recorrente, decorrentes de contratos em que a empresa consta como cohabilitada no REIDE, regido pela Lei n° 11.488, de 2007, devem ser excluídos da contribuição ao PIS e da COFINS. Contudo, vêse que a decisão recorrida deixou de proceder a exclusão dos valores referentes aos contratos firmados com a DESA MORRO DOS VENTOS IV, VI e IX, já que todos eles a empresa recorrente também figura como co habitada no REIDE, conforme comprovam os Atos Declaratórios juntados em anexo. Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 18 33 Quanto aos contratos pactuados com as empresas Desa Morro dos Ventos IV, VI e IX, tem razão a recorrente, tendo em vista que os Atos Declaratórios Executivos, emitidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, anexados aos autos, comprovam que a impugnante é cohabilitada no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da InfraEstrutura – REIDI, instituído pela Lei nº 11.488, de 2007, fazendo jus à suspensão da exigência do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas desses contratos, em conformidade com os arts. 3º e 4º do referido dispositivo legal. É claro nos autos que não foram excluídos do lançamento tributário os valores relativos às obras das pessoas jurídicas Desa Morro dos Ventos IX, VI e IV, nas quais a recorrente figura como cohabilitada no REIDE (fls. 2157/2162). Da análise dos documentos contábeis de fls. 2138/2167, temse que a base de cálculo para apuração da contribuição do PIS e da COFINS, relativo ao período de junho a dezembro de 2010, redundaria nas seguintes modificações: Período Base de Cálculo Lançada Valor Exonerado Pela Decisão Recorrida Valor Exonerado Pela Decisão do Carf Base de Cálculo Mantida 06/2010 3.920.568,41 0,00 2.525.060,45 1.395.507,96 07/2010 6.481.446,36 1.330.147,82 5.151.298,54 Não se aplica 09/2010 6.984.724,56 3.727.062,64 3.257.661,92 Não se aplica 10/2010 963.513,69 0,00 963.513,69 Não se aplica 11/2010 814.594,20 2.727.038,44 Não se aplica Não se aplica 12/2010 9.645.863,01 6.959.909,30 2.685.953,71 Não se aplica Em relação à alegação sobre a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, a princípio, convém esclarecer que questões que versem sobre inconstitucionalidade e ilegalidade de atos não podem ser apreciadas no julgamento administrativo, tendo em vista os estreitos limites a que se encontra adstrito o julgador na análise da matéria. Isso porque, em virtude do próprio princípio da legalidade, que norteia os atos da Administração Pública, a autoridade julgadora administrativa não pode desrespeitar textos legais vigentes sob pena de responsabilidade funcional. Assim, não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (ilegalidade e inconstitucionalidade), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 34 Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...) A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 19 35 No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...) Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...) Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 36 Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o imposto de renda da pessoa jurídica é um tributo calculado sobre as receitas auferidas. Ou seja, é calculado levandose em consideração as receitas tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal. É entendimento, neste Conselho de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13971.720148/201351 Acórdão n.º 1402001.717 S1C4T2 Fl. 20 37 norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente esta súmula foi convertida para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)”. Por fim, em observância ao princípio da decorrência e a certeza da relação de causa e efeito existentes entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir as irregularidades apuradas, devese manter o exigido nos processos decorrentes, naquilo que for em comum e que for espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências quer a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático, observando, no caso específico do PIS e COFINS os valores excluídos em razão do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da InfraEstrutura REIDI. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores de R$ 2.525.060,45; R$ 5.151.298,54; R$ 3.257.661,92; R$ 963.513,69 e R$ 2.685.953,71, correspondentes aos meses de junho a outubro e dezembro de 2010, respectivamente. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 38 Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 17883.000142/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente.
PREVIDENCIÁRIO. IMUNIDADE COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade imune da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso a época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição, in casu, relativamente à obrigação acessória de informar em GFIP, está condicionada à comprovação por parte da autoridade lançadora da inobservância dos pressupostos inseridos naquele dispositivo legal, não se prestando para tanto a alegação de descumprimento de condições para emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, sobretudo quando tal questão sequer fora objeto da acusação fiscal, sob pena de se adentrar à seara que não é de competência deste Órgão Julgador.
ENTIDADE BENEFICENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A EMPRESAS NAS ÁREAS DE EDUÇÃO E SAÚDE. POSSIBILIDADE.
O simples fato de a entidade prestar serviços, in casu, nas áreas de educação e saúde, à empresa fundadora e/ou outras vinculadas ou não à contribuinte, não tem o condão de malferir os pressupostos legais para concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, mormente quando resta cabalmente demonstrado que tais serviços eram devidamente remunerados, não se cogitando, portanto, em qualquer benefício àquelas empresas contratantes. Mais a mais, inexiste acusação de que os recursos auferidos nessas atividades não estariam sendo destinados aos objetivos sociais da entidade.
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES ONEROSAS DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
O desenvolvimento de atividades onerosas pela entidade beneficente de assistência social, conquanto que de forma não ostensiva e havendo a destinação dos recursos auferidos aos seus objetivos institucionais, não representa afronta aos preceitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, capaz de negar o direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo legal, conforme precedentes dos Tribunais Superiores, traduzidos na Súmula nº 724 do STF, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, o que não se vislumbra no caso vertente.
IMUNIDADE. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES/GERENTES CONTRATADOS. POSSIBILIDADE.
O artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, veda o pagamento de remunerações e/ou a concessão de vantagens aos diretores estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade, não contemplando a impossibilidade de pagamento de salário e/ou outras verbas salariais aos diretores/gerentes contratados, em razão e pela própria essência dos serviços prestados.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõe-se a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. PREVIDENCIÁRIO. IMUNIDADE COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade imune da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso a época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição, in casu, relativamente à obrigação acessória de informar em GFIP, está condicionada à comprovação por parte da autoridade lançadora da inobservância dos pressupostos inseridos naquele dispositivo legal, não se prestando para tanto a alegação de descumprimento de condições para emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, sobretudo quando tal questão sequer fora objeto da acusação fiscal, sob pena de se adentrar à seara que não é de competência deste Órgão Julgador. ENTIDADE BENEFICENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A EMPRESAS NAS ÁREAS DE EDUÇÃO E SAÚDE. POSSIBILIDADE. O simples fato de a entidade prestar serviços, in casu, nas áreas de educação e saúde, à empresa fundadora e/ou outras vinculadas ou não à contribuinte, não tem o condão de malferir os pressupostos legais para concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, mormente quando resta cabalmente demonstrado que tais serviços eram devidamente remunerados, não se cogitando, portanto, em qualquer benefício àquelas empresas contratantes. Mais a mais, inexiste acusação de que os recursos auferidos nessas atividades não estariam sendo destinados aos objetivos sociais da entidade. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES ONEROSAS DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. O desenvolvimento de atividades onerosas pela entidade beneficente de assistência social, conquanto que de forma não ostensiva e havendo a destinação dos recursos auferidos aos seus objetivos institucionais, não representa afronta aos preceitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, capaz de negar o direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo legal, conforme precedentes dos Tribunais Superiores, traduzidos na Súmula nº 724 do STF, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, o que não se vislumbra no caso vertente. IMUNIDADE. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES/GERENTES CONTRATADOS. POSSIBILIDADE. O artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, veda o pagamento de remunerações e/ou a concessão de vantagens aos diretores estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade, não contemplando a impossibilidade de pagamento de salário e/ou outras verbas salariais aos diretores/gerentes contratados, em razão e pela própria essência dos serviços prestados. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a exclusão da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em Autuação Fiscal, pertinente ao descumprimento da obrigação principal, declarada improcedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que se vislumbra na hipótese vertente. PREVIDENCIÁRIO. IMUNIDADE COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade imune da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso a época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição, in casu, relativamente à obrigação acessória de informar em GFIP, está condicionada à comprovação por parte da autoridade lançadora da inobservância dos pressupostos inseridos naquele dispositivo legal, não se prestando para tanto a alegação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 42 /2 01 0- 61 Fl. 2857DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 descumprimento de condições para emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, sobretudo quando tal questão sequer fora objeto da acusação fiscal, sob pena de se adentrar à seara que não é de competência deste Órgão Julgador. ENTIDADE BENEFICENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A EMPRESAS NAS ÁREAS DE EDUÇÃO E SAÚDE. POSSIBILIDADE. O simples fato de a entidade prestar serviços, in casu, nas áreas de educação e saúde, à empresa fundadora e/ou outras vinculadas ou não à contribuinte, não tem o condão de malferir os pressupostos legais para concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, mormente quando resta cabalmente demonstrado que tais serviços eram devidamente remunerados, não se cogitando, portanto, em qualquer benefício àquelas empresas contratantes. Mais a mais, inexiste acusação de que os recursos auferidos nessas atividades não estariam sendo destinados aos objetivos sociais da entidade. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES ONEROSAS DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. O desenvolvimento de atividades onerosas pela entidade beneficente de assistência social, conquanto que de forma não ostensiva e havendo a destinação dos recursos auferidos aos seus objetivos institucionais, não representa afronta aos preceitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, capaz de negar o direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo legal, conforme precedentes dos Tribunais Superiores, traduzidos na Súmula nº 724 do STF, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, o que não se vislumbra no caso vertente. IMUNIDADE. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES/GERENTES CONTRATADOS. POSSIBILIDADE. O artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, veda o pagamento de remunerações e/ou a concessão de vantagens aos diretores estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade, não contemplando a impossibilidade de pagamento de salário e/ou outras verbas salariais aos diretores/gerentes contratados, em razão e pela própria essência dos serviços prestados. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2858DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000142/201061 Acórdão n.º 2401003.464 S2C4T1 Fl. 2.858 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2859DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Relatório FUNDAÇÃO CSN PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIAL E CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 1238.291/2011, às fls. 2.624/2.643, que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciária, em relação ao período de 01/2005 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal, às fls. 06/35. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 26/07/2010, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.331.564,70 (Um milhão, trezentos e trinta e um mil, quinhentos e sessenta e quatro reais e setenta centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91. De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte ao informar as contribuições devidas em GFIP, o fazia equivocadamente utilizando o código FPAS 639, relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, nos termos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, deixando, assim, de consignar as contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e Adicional do RAT (Alíquotas de 6% e 12%), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora apurada nos autos do processo n° 17883.000143/201014 – Auto de Infração n° 37.263.2335. Após ressaltar que a imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias deve ser objeto de requerimento da entidade, com emissão do Ato Declaratório, explicita que a contribuinte deixou de observar os pressupostos legais para fruição de aludido benefício fiscal, inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente os incisos IV e V. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 2.690/2.744, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, com arrimo no artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, pretende seja decretada a nulidade do Acórdão recorrido, o qual teria inovado os fundamentos da exigência fiscal, mantendo o lançamento por entender que a contribuinte não teria requerido a isenção mediante a emissão de Ato Declaratório, documento que em momento algum fora solicitado pela autoridade lançadora, não podendo, assim, suportar a pretensão fiscal e, bem assim, o decisório combatido, sob pena de cerceamento do direito de defesa da entidade e supressão de instância. Assevera que se a fiscalização tivesse requerido aludido documento, a contribuinte teria ofertado ao fiscal autuante o Ato Declaratório de Isenção, válido desde 1998, e que não fora objeto de cassação ou de cancelamento. Fl. 2860DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000142/201061 Acórdão n.º 2401003.464 S2C4T1 Fl. 2.859 5 Requer, igualmente, seja reconhecida a nulidade do feito, uma vez que a exigência fiscal encontrase escorada em desconsideração da condição de entidade isenta sem a devida emissão de Informação Fiscal contemplando os fatos que levaram à tal conclusão da fiscalização e, por conseguinte, acompanhada de Ato Cancelatório de Isenção, em total afronta ao disposto no artigo 206, § 8°, do Decreto n° 3.048/99. Ainda em sede de preliminar, suscita a impossibilidade de cobrança do Adicional do RAT – aposentadoria especial após 15 e 25 anos, suscitando que a autoridade lançadora não logrou comprovar e/ou demonstrar quais os motivos que a levaram a exigir tais contribuições, deixando de indicar os trabalhadores que estariam sujeitos a condições de insalubridade, ou mesmo de declinar as razões para essa conclusão, em absoluta ausência de argumentos ou fundamentos fáticos para tanto. Acrescenta que, eventualmente, somente parte dos trabalhadores do Centro de Saúde Oral é que poderiam estar submetidos a condições de insalubridade, capazes de justificar a aposentadoria especial. No entanto, ressalta que a fiscalização apresentou lançamento do adicional do SAT vinculado à matriz e outras filiais (Centro de Educação Tecnológica Edmundo de Macedo Soares e Silva, Escola Técnica Pandiá Calógeras e Centro Cultural da Fundação CSN), sem a devida motivação de tal conduta. Traz à colação histórico da Fundação CSN, explicitando as atividades, ações e projetos desenvolvidos pela entidade, bem como as certificações que possui, as quais lhe confere a condição de entidade isenta/imune das contribuições previdenciárias, registrando, ainda, que a contribuinte nunca foi e não é uma entidade voltada à formação de mão de obra qualificada para atuar na CSN ou mesmo instituída com a finalidade de reduzir os encargos sociais de sua responsabilidade, ao contrário do que restou assentado pela autoridade fiscal. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Contrapõese ao crédito previdenciário ora combatido, aduzindo para tanto que a entidade goza de imunidade em relação à cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal. Assevera que a regulamentação do benefício inserido no artigo 195, § 7º, da Constituição Federal é reservada à lei complementar, não podendo lei ordinária, qual seja, Lei nº 8.212/91, impor limitações ou exigências à fruição da isenção em comento, devendo haver observância aos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, o qual encontrase alinhado com a Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da suposta imunidade da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 14 do Código Tributário, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Aduz que, mesmo que se entenda pela aplicação o artigo 55 da Lei n° 8.212/91, a entidade, igualmente, cumpre todos os pressupostos para concessão e manutenção Fl. 2861DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante restou devidamente comprovado pela documentação acostada aos autos. Relativamente aos fatos apontados pela fiscalização que levaram ao descumprimento dos requisitos legais para manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, suscita que a recorrente tem por objeto social, desde sua instituição em 1961, a assistência educacional, com ênfase na educação técnica profissionalizante, e o encaminhamento de seus alunos ao mercado de trabalho, bem como, a realização de ações e projetos de assistência social¸ não se enquadrando, portanto, como mera prestadora de serviços a CSN e empresas coligadas, como pretendeu fazer crer a fiscalização. Defende que não há impedimento legal para a contratação da entidade para prestação de serviços nas áreas educacional, assistencial ou de saúde, não podendo aludida atividade descaracterizar a condição de entidade imune. Em outras palavras, registra que não há impeditivos a que uma entidade sem fins lucrativos realize atividades meio (isto é obtenha fontes de receita através da prestação de serviços ou venda de bens), desde que toda a receita obtida seja revertida às atividades de sua finalidade social, consoante já restou devidamente assentado pelo STF. Ademais, sendo os serviços prestados devidamente remunerados, com resultado positivo para a recorrente, não há se falar em qualquer tipo de vantagem. Alega que, de fato, contabilizou os valores pagos a título de prestação de serviços como doações, mas que esse simples erro contábil, igualmente, não tem o condão de macular a imunidade sob análise. No que diz respeito às receitas consideradas para fins de gratuidade, esclarece que a previsão do percentual mínimo de gratuidade não se encontra na então vigente Lei n° 8.212/91, matéria de competência da presente instância julgadora, mas sim no então vigente Decreto n° 2.536/98, que regulamentava a concessão do CEBAS, o qual era concedido, renovado e cancelado, à época, pelo CNAS, exclusivo órgão Colegiado competente para tanto, razão pela qual não cabe a este Conselho apreciar referida matéria ou mesmo ser fundamento da cassação da imunidade da contribuinte, sobretudo por ser detentora do Certificado. No entanto, ainda que considere essa questão como fundamento à exigência fiscal e de competência desse Colegiado, aduz que cumpre o percentual mínimo de gratuidade, como se verifica da documentação acostada aos autos. Quanto às atividades na área de educação, notadamente as bolsas parciais concedidas aos filhos de funcionários da CSN, assevera que o próprio Fiscal admite serem subsidiadas pela CSN, e não custeadas pela Fundação CSN. Melhor elucidando, informa que os alunos beneficiados pelo Acordo/Convenção Coletiva de Trabalho de fato pagam apenas 80% da mensalidade das escolas mantidas pela Fundação, sendo certo que os 20% restantes da referida mensalidade são efetivamente custeados pela CSN, nos exatos termos da convenção, o que demonstra que a entidade recebe 100% da importância da mensalidade dos alunos, sem qualquer prejuízo às suas atividades educacionais. Explicita, ainda, que aludidas bolsas concedidas pela Fundação e subsidiadas pela CSN não são computadas como gratuidade pela recorrente, uma vez que não há qualquer sacrifício econômico ou financeiro de sua parte. Em relação ao ensino profissionalizante ofertado pela Fundação, da mesma forma, defende que as imputações fiscais (atender a demanda por mão de obra nas áreas de Fl. 2862DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000142/201061 Acórdão n.º 2401003.464 S2C4T1 Fl. 2.860 7 interesse da CSN e empresas coligadas) não passam de presunções infundadas e sem qualquer comprovação, sobretudo quando os cursos oferecidos pela entendida são devidamente reconhecidos pela MEC e extrapolam em muito as áreas de interesse da CSN, e são voltados para a qualificação dos jovens e sua inclusão no mercado de trabalho, conforme se comprova da listagem dos cursos transcrita na peça recursal. Repisa que os serviços, eventualmente, contratados pela CSN, notadamente para ministrar cursos a seus funcionários e filhos, são devidamente remunerados, com emissão das correspondentes Notas Fiscais, como a própria autoridade fiscal reconhece em seu Relatório, sendo que esses recursos são utilizados para a consecução, manutenção e desenvolvimento de suas atividades fins, quais sejam, a assistência educacional e a assistência social. No que pertine às fichas sócioeconômicas apresentadas pela fiscalização com a finalidade de comprovar que a entidade não presta serviço assistencial, uma vez que os beneficiados não se enquadrariam na condição de público carente, argumenta que o fiscal autuante, novamente, apresenta “meia verdade”, deixando de esclarecer que os valores admitidos no lançamento dizem respeito à renda familiar total e não per capta familiar. Com mais especificidade, exemplifica que boa parte dos alunos listados vem de famílias de 4 ou 5 pessoas, o que significa dizer que uma renda familiar de R$ 1.260,00, para uma família de 5 pessoas, equivale a renda per capta de R$ 252,00, menor que um salário mínimo da época, demonstrando que a constatação fiscal teria sido tendenciosa e não levado em consideração todos os elementos colocados a sua disposição. Acrescenta que até a edição da Lei n° 12.101/2009, inexistia na legislação de regência um critério econômico positivado, a ser utilizado como parâmetro para a concessão de bolsas, tendo a recorrente, no entanto, se pautado, por analogia, nos critérios estabelecidos pela lei do PROUNI, como parâmetros para a concessão das bolsas. Quanto às atividades desenvolvidas na área de saúde, mais uma vez, os fundamentos do lançamento não podem prosperar, ao afirmar que a entidade simplesmente prestava serviços odontológicos a CSN, por meio de seu Centro de Saúde Oral, tendo em vista que não levou a efeito as demais atividades assistenciais promovidas pela recorrente, utilizandose a estrutura do próprio Centro de Saúde Oral, tais como o Projeto Sorriso e o Projeto Rindo À Toa. Infere que o Centro de Saúde Oral fora instituído como unidade de negócio, em 2006, tendo gerado resultados bastante positivos, os quais foram devidamente aplicados nas suas atividades assistenciais, não se cogitando em benefícios a CSN, eis que todos os serviços prestados foram remunerados. Destaca que a acusação fiscal de que os serviços prestados pela Fundação a CSN tem custo bem inferior aos praticados no mercado não encontra amparo em nenhum elemento comprobatório, se apresentando como simples ilação infundada. Em referência à venda de medicamentos, a partir da Farmácia mantida pela Fundação, repisa os argumentos encimados no sentido da ausência de impedimento legal de desenvolvimento de atividades meios com a finalidade de auferir receitas, as quais são revertidas nos objetivos sociais da entidade. Não bastasse isso, sustenta que os próprios funcionários do Grupo CSN é quem suportavam os custos de tais aquisições com descontos nas Fl. 2863DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 folhas de pagamento, sendo a CSN e/ou outras empresas simplesmente repassadoras de valores à Fundação. Em adendo, afirma que a Fundação vendia os medicamentos na Farmácia com uma boa margem de lucro, não se configurando qualquer prejuízo à Fundação. Além disso, ressalta que a recorrente promovia doações de medicamentos à entidades de assistência social, em especial o Lar dos Velhinhos de Volta Redonda e o Asilo Pousada dos Berto da Sociedade de São Vicente de Paulo, na cidade de Arcos/MG. Relativamente às demais alegações da fiscalização quanto às atividades desenvolvidas pela entidade, especialmente nas áreas sociais, reitera que estão desprovidas de qualquer elemento probatório, simplesmente se apoiando em ilações desmotivadas. Em conclusão, no que concerne ao pagamento de Bônus ao Corpo Gerencial da Recorrente, sustenta que se destinam a gerentes contratados e não a dirigentes como pretende fazer crer a fiscalização, não havendo qualquer empecilho legal para essa prática. Informa que as denominações Bônus e Remuneração Variável refletem tão somente a denominação contábil do pagamento, laçado nos livros da Recorrente, não se prestando a caracterizar o pagamento aos funcionários como uma distribuição de resultados ou bonificações, se enquadrando, em verdade, como pagamento de remuneração, fixa e anual, de 2 salários referentes ao 1o semestre, e 2 salários referentes ao 2o semestre, aos gerentes contratados no regime celetista, em razão dos serviços prestados, tendo, inclusive, integrado o salário, bem como as demais verbas trabalhistas incidentes, não sendo considerado como PLR em nenhum momento, mesmo porque independe do atingimento de qualquer meta por parte do funcionário. Contrapõese à multa aplicada, progressiva ao longo do tempo, sob o argumento de que a penalidade a ser imputada seria aquela inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, em observância ao disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, por se caracterizar como mais benéfica ao contribuinte, impondo sua limitação a 20%. Disserta a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, concluindo pela impossibilidade de responsabilização dos diretores da recorrente em relação ao crédito previdenciário ora lançado, uma vez que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, entendimento que encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação. Requer seja recalculada a multa aplicada com arrimo nas novas disposições da Lei n° 8.212/91, ou seja, R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sobretudo em face de o presente caso tratar da aplicação de multa atrelada a uma obrigação acessória, a qual e completamente distinta das multas de mora e de ofício – que estão relacionadas à obrigação principal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 2864DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000142/201061 Acórdão n.º 2401003.464 S2C4T1 Fl. 2.861 9 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte informar em GFIP, equivocadamente, o FPAS 639, relativo de entidades filatrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, nos termos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, deixando, assim, de consignar as contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e Adicional do RAT (Alíquotas de 6% e 12%), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja obrigação principal fora apurada nos autos do processo n° 17883.000143/201014 – Auto de Infração n° 37.263.2335. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescreviam: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] Fl. 2865DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Como se observa do recurso voluntário, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos se fixa em analisar se a recorrente, de fato e de direito, se caracteriza como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, na forma que pretende fazer crer. Aludidos fatos e elementos, aliás, foram por demais explicitados nos autos do processo n° 17883.000143/201014 – Auto de Infração n° 37.263.2335, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias (obrigação principal) incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, a partir da desconsideração da contribuinte como entidade imune. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando, sinteticamente, questões relativas à autuação fiscal por descumprimento de obrigações principais processo n° 17883.000143/201014 – Auto de Infração n° 37.263.2335, sobretudo insurgindose contra o procedimento eleito pela autoridade fiscal ao proceder àquele lançamento, a partir da desconsideração da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias. Constatase, assim, que muito embora se tratar de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente a obrigações principais. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de informar em GFIP Fl. 2866DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000142/201061 Acórdão n.º 2401003.464 S2C4T1 Fl. 2.862 11 os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Entrementes, como o auto de infração fora lavrado em razão de a contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a totalidade das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal) foram lançadas no processo n° 17883.000143/201014 – Auto de Infração n° 37.263.2335, onde ocorrera a explicitação de todo procedimento eleito pela fiscalização ao promover o lançamento, impõese adotar a decisão levada a efeito naquele processo, diante da relação de causa e efeito que os vincula. Partindo dessa premissa, cumpre destacar que, incluído nesta mesma pauta de julgamento, esta Egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF achou por bem dar provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 17883.000143/2010 14 – Auto de Infração n° 37.263.2335, decretando a improcedência total do feito, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. IMUNIDADE COTA PATRONAL. COMPROVADA CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Restando comprovado que a contribuinte se enquadra como entidade imune da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, aplicável ao caso a época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à comprovação por parte da autoridade lançadora da inobservância dos pressupostos inseridos naquele dispositivo legal, não se prestando para tanto a alegação de descumprimento de condições para emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, sobretudo quando tal questão sequer fora objeto da acusação fiscal, sob pena de se adentrar à seara que não é de competência deste Órgão Julgador. ENTIDADE BENEFICENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A EMPRESAS NAS ÁREAS DE EDUÇÃO E SAÚDE. POSSIBILIDADE. O simples fato de a entidade prestar serviços, in casu, nas áreas de educação e saúde, à empresa fundadora e/ou outras vinculadas ou não à contribuinte, não tem o condão de malferir os pressupostos legais para concessão e manutenção da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, mormente quando resta cabalmente demonstrado que tais serviços eram devidamente remunerados, não se cogitando, portanto, em qualquer benefício àquelas empresas contratantes. Mais a mais, inexiste acusação de que os recursos auferidos Fl. 2867DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 nessas atividades não estariam sendo destinados aos objetivos sociais da entidade. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES ONEROSAS DESTINADAS AOS SEUS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE FISCALIZAÇÃO COMPROVAR A INOBSERVÂNCIA DOS PRESSUPOSTOS DO FAVOR FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. O desenvolvimento de atividades onerosas pela entidade beneficente de assistência social, conquanto que de forma não ostensiva e havendo a destinação dos recursos auferidos aos seus objetivos institucionais, não representa afronta aos preceitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, capaz de negar o direito à fruição da imunidade contemplada naquele dispositivo legal, conforme precedentes dos Tribunais Superiores, traduzidos na Súmula nº 724 do STF, cabendo à fiscalização, se entender por bem, desconsiderar a condição de imune da contribuinte, comprovando a inobservância dos requisitos para tanto, o que não se vislumbra no caso vertente. IMUNIDADE. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES/GERENTES CONTRATADOS. POSSIBILIDADE. O artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, veda o pagamento de remunerações e/ou a concessão de vantagens aos diretores estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade, não contemplando a impossibilidade de pagamento de salário e/ou outras verbas salariais aos diretores/gerentes contratados, em razão e pela própria essência dos serviços prestados. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE SANEAMENTO LANÇAMENTO. INOVAÇÃO. MUDANÇA CRITÉRIO JURÍDICO. É defeso à autoridade julgadora de primeira instância, em sua Decisão, complementar o Relatório Fiscal e/ou outro anexo da autuação, trazendo as normas legais e/ou novos elementos, critérios de apuração e/ou complementação da acusação fiscal, afora aqueles utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário e que serviram como fundamento ao lançamento fiscal, sob pena de afronta ao disposto no artigo 146 do Códex Tributário. Recurso Voluntário Provido.” Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP, a partir da desconsideração da imunidade da contribuinte, foram caracterizados/lançados naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, uma vez rechaçada a exigência fiscal consubstanciada no procedimento de desconsideração da imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, cujas remunerações não foram informadas pela contribuinte/autuada em GFIP's, razão da presente autuação, aludida decisão deve, igualmente, Fl. 2868DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000142/201061 Acórdão n.º 2401003.464 S2C4T1 Fl. 2.863 13 ser adotada neste julgamento, afastando, por conseguinte, a penalidade, na linha do decidido no processo principal. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, afastando a penalidade aplicada na presente autuação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2869DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902234/2012-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 22 34 /2 01 2- 02 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902234/201202 Acórdão n.º 3801003.166 S3TE01 Fl. 65 2 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902234/201202 Acórdão n.º 3801003.166 S3TE01 Fl. 66 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise de Pedido Eletrônico de Restituição, transmitido em 27/02/2007, sendo o crédito pretendido correspondente à Contribuição para o PIS/Pasep cujo pagamento ocorreu em 13/09/2002, relativo ao período 01/08/2002 a 31/08/2002. De acordo com o Despacho Decisório emitido eletronicamente, o crédito pleiteado pelo interessada não foi reconhecido, uma vez que o pagamento indicado já estava totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. A ciência do Despacho Decisório ocorreu mediante AR em 15/08/2012. A interessada por sua vez, alega basicamente a existência de direito creditório oriundos de pagamentos de Pis e Cofins, apurados com a inclusão do ICMS na base de cálculo, parcela esta incluída indevidamente quando do cálculo do pagamento do tributo em questão. Aduz argumentação em favor de sua tese. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902234/201202 Acórdão n.º 3801003.166 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902234/201202 Acórdão n.º 3801003.166 S3TE01 Fl. 68 5 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902234/201202 Acórdão n.º 3801003.166 S3TE01 Fl. 69 6 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10882.902388/2010-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar a juntada dos presentes autos ao processo nº 10882.901760/2010-91 por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar a juntada dos presentes autos ao processo nº 10882.901760/201091 por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Relatório. Tratase de PER/DCOMP nº 40705.63731.290607.1.7.022322, transmitido em 29/06/2007, retificador, fls.01/04, no qual a contribuinte acima identificada, indicou crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2006, exercício 2007, para compensar débitos de: IRPJ, código 2362, período de apuração: Janeiro/2007, Valor: R$ 209.289,65; Cofins – não cumulativa, código 585601, período de apuração: Janeiro/2007, R$ 106.800,07, num total de R$ 316.089,72. Para melhor entender o pleito transcrevo a seguir, parte do relatório da decisão recorrida, pertinente ao assunto: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 02 38 8/ 20 10 -3 1 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.902388/201031 Resolução nº 1802000.538 S1TE02 Fl. 3 2 (...) Esta DCOMP foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório 868487472, de 6 de julho de 2010, nos seguintes termos (fls. 9): 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do Imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO RETENÇÕES FONTE ESTIM.COMP.SNPA SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP 523.793,68 884.014,49 1.407.808,17 CONFIRMADAS 192.713,92 441.519,91 634.233,83 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 309.649,02 Valor na DIPJ: R$ 309.649,02 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.407.808,17 IRPJ devido: R$ 1.098.159,15 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/07/2010. ... Ciente em 20 de julho de 2010 (fl. 13), a interessada apresentou, em 17 de agosto de 2010, a manifestação de inconformidade de fls. 14 a 26, principiando por entender nulo o Despacho Decisório ora em foco, ao argumento de que os Despachos Decisórios lavrados por processamento eletrônico de dados seriam demasiado sucintos, o que impediria que os contribuintes se desincumbissem a contento do ônus da produção de provas, em concordância com o artigo 16, inciso III, do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. ... Fl. 316DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.902388/201031 Resolução nº 1802000.538 S1TE02 Fl. 4 3 A seguir, aduzia: [...] 4.1. IRPJ Retido na Fonte. [...] a requerente apresenta em anexo os informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, CNPJ 33.000.167/000101 [...], através dos quais é possível verificar as seguintes retenções: ... Na composição do saldo negativo de 2007 (AC 2006), a requerente quitou as estimativas de janeiro, fevereiro, março e abril mediante apresentação de cinco PER/DComp: ... O que se percebe é que as PER/DComp utilizadas para quitar essas estimativas foram indevidamente desconsideradas. ... Pelo Despacho Decisório nº 868487472, de 2010, acima, foram glosadas para o cômputo do saldo negativo de IRPJ no exercício de 2007 as parcelas de crédito iguais a R$ 331.079,76 e R$ 442.494,58, correspondentes ao imposto retido pela fonte pagadora e, estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, respectivamente, somando tais glosas o total de R$ 773.574,34. Na manifestação de inconformidade a interessada contestou as mencionadas glosas, sendo que, na decisão de primeira instância mediante o Acórdão nº 0244.297 4ª Turma da DRJ/BHE, de 26/04/2013, fls.248/258, foi dado provimento parcial à manifestação de inconformidade do contribuinte para restabelecer a glosa relativa ao imposto retido pela fonte pagadora, no total de R$ 331.079,76, e, mantida a glosa relativa às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Belém/PA) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0119.835, de 09 de novembro de 2010 (fls.e49/54). O Acórdão nº 0244.297 4ª Turma da DRJ/BHE, de 26/04/2013, fls.248/258, acima mencionado, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 NULIDADE Inexiste cerceamento de direito de defesa quando o contribuinte demonstra perfeito conhecimento da motivação do ato da autoridade tributária. COMPENSAÇÃO Fl. 317DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.902388/201031 Resolução nº 1802000.538 S1TE02 Fl. 5 4 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação e, caso não venha a ser homologada, tal extinção encontrase resolvida, implicando a imediata cobrança administrativa do débito confessado. SOLUÇÕES DE CONSULTA INTERNA As Soluções de Consulta Interna exaradas antes da publicação da Portaria RFB nº 3.222, de 2011, não têm efeito vinculante em relação às unidades da RFB. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 12/06/2013 (Aviso de Recebimento AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 10/07/2011, conforme postagem, fl.261) no qual insiste, preliminarmente, que o Despacho Decisório “eletrônico” é nulo por vício substancial porque ignorou todas as informações lançadas na DIPJ e na DCTF, e, se não foram ditos os motivos que levaram a autoridade administrativa a desconsiderar o seu crédito, o direito de defesa foi cerceado, o que enseja a nulidade do despacho decisório. No mérito alega que, a não consideração, para efeito de formação do saldo negativo, de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores (por meio de 05 PER/Dcomps), gera a cobrança em duplicidade dos valores discutidos, posto que eles já estão sendo cobrados em PTA próprio. Aduz que, as referidas declarações/ PERDCOMPs estão sendo discutidas nos autos do PTA n° 10882.901760/201091 (doc. 02), pendente de apreciação em primeira instância administrativa. Desse modo, temse que a cobrança e discussão administrativa decorrente da não homologação das referidas PER/Dcomps já está sendo travada no PTA n° 10882.901760/201091 e, por consequência, está repercutindo em duplicidade no presente despacho decisório. Afirma que, naquele PTA, o fisco não homologou as 04 compensações acima e, consequentemente, cobra do contribuinte os valores não homologados. Por óbvio, dois são os deslindes possíveis para o PTA: a) se a Recorrente lograr êxito na discussão administrativa, as compensações serão devidamente homologadas e o saldo negativo referente ao presente PTA estará automaticamente validado; b) caso a Recorrente não logre êxito na discussão do caso, o fisco fará jus ao recebimento dos valores ali cobrados, que deverão ser recolhidos pela Empresa, o que também ensejará a validação do saldo negativo aqui estabelecido. Finalmente, requer seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido a fim de declarar a nulidade do despacho decisório por vicio substancial ou, no mérito, homologar integralmente a PER/Dcomp n° 40705.63731.290607.1.7.022322, tornando insubsistente o crédito tributário exigido. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.902388/201031 Resolução nº 1802000.538 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo trata do PER/DCOMP nº 40705.63731.290607.1.7.02 2322, transmitido em 29/06/2007, retificador, fls.01/04, no qual a contribuinte acima identificada, indicou crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2006, exercício 2007, para compensar débitos de: IRPJ, código 2362, período de apuração: Janeiro/2007, Valor: R$ 209.289,65; Cofins – não cumulativa, código 585601, período de apuração: Janeiro/2007, R$ 106.800,07, num total de R$ 316.089,72. Conforme relatado, pelo Despacho Decisório de efl.09, emitido em 06/07/2010, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que não restou saldo negativo do ano calendário de 2006 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. De acordo com o mencionado Despacho Decisório – Análise de Crédito, e fls.10/12, foram glosadas para o cômputo do saldo negativo de IRPJ no exercício de 2007 as parcelas de crédito iguais a R$ 331.079,76 e R$ 442.494,58, correspondentes ao imposto retido pela fonte pagadora e, estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, respectivamente, somando tais glosas o total de R$ 773.574,34. Na manifestação de inconformidade a interessada contestou as mencionadas glosas, sendo que, na decisão de primeira instância mediante o Acórdão nº 0244.297 4ª Turma da DRJ/BHE, de 26/04/2013, fls.248/258, foi dado provimento parcial à manifestação de inconformidade do contribuinte para restabelecer a glosa relativa ao imposto retido pela fonte pagadora, no total de R$ 331.079,76, e, mantida a glosa relativa às estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores. A Recorrente alega que, a não consideração, para efeito de formação do saldo negativo, de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores, por meio dos PER/DCOMPS, discriminados no Despacho Decisório (efl.11) gera a cobrança em duplicidade dos valores discutidos, posto que eles já estão sendo cobrados em PTA próprio. Aduz que, as referidas declarações/ PERDCOMPs estão sendo discutidas nos autos do PTA n° 10882.901760/201091 (doc. 02), pendente de apreciação em primeira instância administrativa. Desse modo, temse que a cobrança e discussão administrativa decorrente da não homologação das referidas PER/Dcomps já está sendo travada no mencionado PTA n° 10882.901760/201091 e, por consequência, está repercutindo em duplicidade no presente despacho decisório. Afirma que: a) se a Recorrente lograr êxito na discussão administrativa, as compensações serão devidamente homologadas e o saldo negativo referente ao presente processo estará automaticamente validado; b) caso a Recorrente não logre êxito na discussão do caso, o fisco fará jus ao recebimento dos valores ali cobrados, que deverão ser recolhidos pela Empresa, o que também ensejará a validação do saldo negativo aqui estabelecido. Consta da decisão recorrida efl.256, o seguinte: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10882.902388/201031 Resolução nº 1802000.538 S1TE02 Fl. 7 6 ... De acordo com os arquivos informáticos da RFB, as DCOMP constantes do quadro acima encontramse vinculadas ao processo 10882.901760/201091, que pende de julgamento por parte da DRJ em Osasco. Desde já, salientese que inexiste previsão legal para sobrestar o julgamento do presente litígio até a solução daquele outro processo. ... A decisão acima deixa clara a conexão do presente processo com o processo nº 10882.901760/201091 o qual trata das estimativas de 2006 compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. O processo nº 10882.901760/201091 encontrase na Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, aguardando julgamento da manifestação de inconformidade do contribuinte. De sorte que, acaso julgada procedente a manifestação de inconformidade restará alterado o saldo negativo de 2006 de que tratam os presentes autos. Ou seja, a decisão do presente processo depende da decisão transitada em julgado daquele outro. É certo que não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal mas a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam juntados ao processo nº 10882.901760/201091 (DRJ/Ribeirão Preto/SP) para sua análise subseqüente por se tratar de matéria que depende do julgamento do mencionado processo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 15374.004266/2001-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.525
Decisão:
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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AGOSTINI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 COFINS. VENDAS INADIMPLIDAS. INCIDÊNCIA. RE 586.482/RSRG. Incide a COFINS sobre o valor das vendas inadimplidas, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 586.482/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ no 32.641. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 42 66 /2 00 1- 40 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (lavrado em 03/10/2001 fls. 112 a 1181) para exigência de créditos tributários referentes à COFINS, relativos a fatos geradores de 28/02/1999 a 31/05/2000, acrescidos de juros de mora (crédito com exigibilidade suspensa em virtude de medida liminar concedida nos autos do processo no 99.00157834), em total de R$ 1.026.828,27. A motivação expressa na descrição dos fatos da autuação é a seguinte: “durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências conforme termo de intimação fiscal de 19092001”. Em tal termo (fl. 12), informase que a empresa recolheu a COFINS de fevereiro de 1999 a julho de 2001 pela alíquota de 2%, e ainda não incluindo na base de cálculo do tributo outras receitas auferidas, na forma da Lei no 9.718/1998, cabendo destacar que a empresa declarou em DCTF somente os valores efetivamente pagos. Cientificada da autuação em 16/10/2001 (fl. 112), a empresa apresenta sua impugnação em 14/11/2001 (fls. 123 a 129), alegando, em síntese, que: (a) as razões de defesa que apresenta são matéria diferenciada daquela submetida à apreciação do Poder Judiciário; (b) impetrou mandado de segurança no 99.00157834 em 25/06/1999, visando a declaração do seu direito líquido e certo de não ser compelida ao pagamento da COFINS à alíquota de 3% bem como com a base de cálculo majorada pela Lei no 9.718/1998 (abarcando todas as receitas); e (c) a base de cálculo utilizada na autuação, além de incompatível coma Lei Complementar no 70/1991, está majorada por quantias que sequer constituem receitas, mesmo diante da Lei no 9.718/1998 (v.g. quantias que não são recebidas de fato, em virtude de inadimplência de seus clientes). Por fim, requer perícia contábil para identificar as notas fiscais/faturas emitidas mas não recebidas durante o período lançado, e anexa “cópias das contabilizações dos valores a receber” (fls. 138 a 160). Em 12/04/2002, antes do julgamento em primeira instância, a empresa apresenta a petição de fls. 162/163), anexando demonstrativo da base de cálculo da COFINS relativo ao período lançado, informando as receitas “não recebidas” (duplicatas vencidas e não pagas fl. 164). Em 12/12/2002, ainda antes do julgamento de piso, a empresa apresenta nova petição (fls. 165/166), informando que em razão do entendimento proferido pelo STF acerca da constitucionalidade da Lei no 9.718/1998, optou por desistir da referida ação judicial, efetuando o recolhimento da contribuição, acrescido de juros de mora, nos termos do art. 14 da MP no 75/2002, combinado com o art. 63 da Lei no 9.430/1996, cf. documentos/DARF de fls. 167 a 208. Pede assim a exclusão de tais valores do presente processo. No julgamento de primeira instância, efetuado em 16/03/2006 (fls. 244 a 251), acordase unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os fundamentos de que: (a) verificando os DARF apresentados, percebese que os montantes a título de principal nos meses 01/2000 e 11/2000 são menores que os lançados na autuação, e que os juros de mora referentes a 02/1999 e 07/1999 também são inferiores aos exigidos no auto de infração (ainda que desconsiderada a diferença de datas); (b) a diligência/perícia proposta é irrelevante à lide; (c) a COFINS deve ser apurada pelo regime de competência, sendo o regime das mutações patrimoniais o de competência, conforme art. 177 da Lei no 6.404/1976; (d) refeita auferida é 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 546DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.004266/200140 Acórdão n.º 3403003.087 S3C4T3 Fl. 546 3 aquela obtida, ganha, realizada, independente de seu efetivo recebimento, o que se confirma pela leitura do art. 3o, I e do art. 7o da Lei no 9.718/1998; e (e) quanto aos recolhimentos, deve a Delegacia de origem, depois de confirmar sua validade, efetuar a imputação aos créditos tributários lançados na autuação. Em 23/08/2006, a empresa foi intimada (fl. 252) a apresentar cópias de petições, sentenças, acórdãos e certidão de objeto e pé atualizada em relação ao processo judicial, e justificativa para os recolhimentos por DARF. Após a resposta da empresa (fls. 253/254) e a análise dos documentos por ela anexados, a unidade local se manifesta em 22/12/2006 (fl. 372) informando que a ação judicial teve a liminar deferida, mas na sentença o pedido foi julgado improcedente, resultado mantido pelo TRF2a Região, tendo ainda a solicitação de desistência da ação sido negado pelo Poder Judiciário, tendo em justa já haver julgamento de mérito. Assim, transitou em julgado a ação com decisão desfavorável ao contribuinte. Cientificada do resultado do julgamento em 10/02/2011 (cf. doc. de fl. 516), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 04/03/2011 (fls. 520 a 527), alegando que: (a) requereu que os autos tivessem sido encaminhados à unidade local para exoneração dos débitos em função do disposto no art. 156, I do CTN, mas apesar disso eles foram enviados a julgamento; (b) a DRJ julgou procedente o lançamento a despeito dos valores recolhidos em relação aos períodos lançados, de acordo com as normas vigentes (art. 21 da MP no 66/2002 e art. 14 da MP no 75/2002); e (c) ainda que eventualmente os valores recolhidos tenham sido insuficientes, deveriam ser remetidos os autos à unidade local para imputação dos pagamentos, devendo ser cobrado eventual saldo devedor. Por fim, reitera a argumentação exposta na impugnação sobre quantias não recebidas efetivamente em razão de inadimplência dos clientes. O processo foi objeto de julgamento na 1a Turma Ordinária da Quarta Câmara do CARF, em 28/06/2012 (Resolução no 3401000.525, fls. 538 a 543), sob a relatoria do Cons. Odassi Guerzoni Filho, que não faz mais parte deste colegiado, tendo sido acordado unanimemente pelo sobrestamento do julgamento tendo em vista a reconhecida repercussão geral no RE no 586.482/RS, e o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010), no que se refere à “exigibilidade do PIS e da COFINS sobre os valores das vendas a prazo inadimplidas” (Tema no 87). Com o advento da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o presente processo volta a ser distribuído, para apreciação pelo colegiado, independente da decisão definitiva a ser proferida pelo STF no RE no 606.107/RS. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta pouco a decidir no presente processo. A questão referente ao tema submetido ao Poder Judiciário (pagamento da COFINS à alíquota de 3%, e com base de cálculo majorada pela Lei no 9.718/1998, abarcando todas as receitas) sequer foi objeto do contencioso administrativo, como a recorrente deixa claro em suas peças de defesa. Assim, procedente a autuação efetuada com destaque de exigibilidade suspensa, neste aspecto. Com o trânsito em julgado da ação judicial, de forma contrária aos interesses da empresa, e com os DARF de recolhimentos apresentados, basta à unidade local finalmente efetuar a imputação tão solicitada ao longo do processo, à luz da legislação então vigente, e cobrar eventuais diferenças. Vejase que a referida imputação não é prejudicial ao presente julgamento, pois a matéria não faz parte do contencioso, mas sim da liquidação dos débitos (total ou parcial). E destaquese que a solicitação de desistência da ação judicial foi protocolizada em 02/12/2002 (fl. 167), e reiterada em 10/12/2002 (fl. 368), com pagamentos efetuados em 29/11/2002 (fls. 167 a 208). Assim, a priori, restariam cumpridos os prazos estabelecidos no art. 21 da MP no 66/2002, combinado com o art. 14 da MP no 75/2002 (pagamento até último dia útil de novembro, e comprovação da desistência). A União inclusive concordou com o pedido de desistência em 01/04/2003 (fl. 369). Ocorre que o processo havia sido objeto de julgamento em 29/10/2002 (fls. 275 a 280), e, por óbvio, não foi objeto de recurso (pois havia solicitação de desistência), havendo informação manuscrita à fl. 273 atestando o trânsito em julgado em 06/05/2003, e informando que naquele momento já descabia a desistência. Não é preciso muito esforço, contudo, para perceber que ao tempo do protocolo da desistência efetivamente havia ação judicial ainda em trâmite, e foram efetuados pagamentos (que devem ser imputados na forma da legislação então vigente). Sem embargo, reiterese que a imputação e a manifestação sobre o cumprimento dos requisitos das Medidas Provisórias é matéria afeta à liquidação, e de competência da unidade local, seguindo rito próprio, e não deve se misturar com os temas tratados no presente contencioso. Destaquese que o motivo de este processo ainda não ter sido apreciado conclusivamente por este CARF foi a pendência em relação ao único tema discutido administrativamente: o cabimento da exigência de COFINS sobre quantias não recebidas efetivamente em razão de inadimplência dos clientes (vendas inadimplidas). Detectou o relator da Resolução que determinou o sobrestamento a existência de repercussão geral em relação à matéria no STF (RE no 586.482/RS Tema no 87), motivação suficiente à época, pelo regimento do CARF, para deter o julgamento administrativo. Contudo, dois eventos posteriores possibilitam (em verdade, obrigam) o retorno da análise, agora de forma definitiva, por este CARF. O primeiro é a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que permitia o sobrestamento administrativo dos processos sobre as matérias com repercussão geral Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.004266/200140 Acórdão n.º 3403003.087 S3C4T3 Fl. 547 5 reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Permaneceu vigente no referido art. 62A somente o comando do caput: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) O segundo evento é exatamente a decisão definitiva, pelo STF, em relação à matéria. Em 23/11/2011 (com publicação em 19/06/2012) o pleno da corte julgou o RE no 586.482/RS, acordando, por maioria de votos (vencidos os Min. Marco Aurélio e Celso de Mello), que: “EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na Fl. 549DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 586482, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/11/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe119 DIVULG 18062012 PUBLIC 19062012 RDDT n. 204, 2012 , p. 149157 RT v. 101, n. 923, 2012, p. 691706) (grifo nosso) Em consulta ao sítio web do STF, atestase que tal acórdão transitou em julgado em 06/08/2012. Aplicável, assim, o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo esta corte administrativa reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Improcedente, assim, nesse tópico, o recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 550DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 16707.003217/00-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Marcos Vinicius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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EMPREENDIMENTOS E TURISMO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Presidente em exercício (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Marcos Vinicius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 03 21 7/ 00 -7 3 Fl. 3363DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 3 2 Tratase, na origem, de autos de infração lavrados em desfavor da ora Recorrente para a cobrança (i) de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, (ii) de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, (iii) de Programa de Integração Social – PIS, (iv) de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e (v) de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ; todos esses lançamentos relativos ao anocalendário de 1997 e que, conjuntamente, perfazem o montante total de R$ 853.298,33 (valor histórico). A autoridade fiscal fez as seguintes considerações para fundamentar os lançamentos (fls. 25/29): “001 – OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA: no mês de abril de 1997, lançouse a débito da conta Caixa e a crédito da conta Bamerindus o montante de R$ 30.802,33 (fl. 209), a título de ‘empréstimo de curto prazo’, valor que não foi localizado a partir dos extratos bancários objeto de apuração. Embora intimada a comprovar a transação, a contribuinte preferiu não se manifestar, deixando de explicar o motivo pelo qual o saldo da conta Caixa, que era de R$ 14,09 (doc. de fl. 233) no dia 30/04/97, passou a ser de R$ 30.788,14 após o lançamento a débito da quantia referente ao empréstimo.” “002 – CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE NÃO JUSTIFICADOS: a) em análise dos registros contábeis e dos valores da Declaração de IRPJ – DIRPJ (fls. 80/121), verificouse que, conforme o Livro Razão, conta Clientes Diversos (fls. 279/285), a integralidade da receita auferida foi contabilizada a prazo, o que causou estranheza diante da atividade econômica da contribuinte – prestação de serviços de hospedagem –, mercado em que o cliente, de uma forma geral, antecipa o pagamento com vistas a garantir sua estadia; b) os extratos bancários apresentados evidenciam discrepância entre os valores neles creditados (fls. 129/173), a título de ‘Depósitos’ e ‘Crédito Avisado’, e aqueles lançados a crédito na conta Clientes Diversos; c) não foi apresentada, quanto aos suprimentos de coligadas e aos depósitos de outras origens, qualquer documentação comprobatória dessas operações, apesar da intimação da contribuinte para esclarecer as transações efetuadas com a CONSTRUTORA NORTE BRASIL e a W.P. HOTÉIS E SERVIÇOS LTDA.; d) elaborouse demonstrativo de ‘Créditos de Conta Corrente Bancária x Receita Recebida’ em que foram incluídos, além dos depósitos, valores creditados na conta corrente a título de ‘Créditos Avisados’. Tais créditos foram incluídos posteriormente, porquanto existiriam, segundo os registros contábeis examinados, baixas na conta Clientes Diversos (recebimento de vendas a prazo), em contraposição à conta Bancos, com histórico de ‘Créditos Avisados’. Também integram o citado demonstrativo os valores correspondentes às receitas recebidas, a diferença a comprovar e as importâncias comprovadas, concluindose que estas, não considerados os empréstimos e nem as receitas de outras origens, foram bem aquém das diferenças apuradas, caracterizando omissão de receitas, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96.” “003 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE – SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES (INFRAÇÃO NÃO SUJEITA À REDUÇÃO POR PREJUÍZO): glosou se o prejuízo fiscal compensado no 2º trimestre do anocalendário de Fl. 3364DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 4 3 1997 no valor de R$ 1.163,00, o qual tem origem no 1º trimestre, tendo em vista que, ao se apurar a irregularidade ocorrida neste último, já se compensou o prejuízo para recompor o lucro.” “004 – DEMAIS INFRAÇÕES SUJEITAS A MULTAS ISOLADAS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: a contribuinte não recolheu, nos meses de janeiro e fevereiro de 1997, o IRPJ sobre a base de cálculo estimada, em função da receita bruta e acréscimos, não obstante haver optado pelo lucro real trimestral. Tampouco dispõe de balanço de suspensão, contendo o Livro Diário apenas balancetes de verificação ao final de cada trimestre.” Em sede de impugnação, a contribuinte sustentou, em suma, (i) a preterição do seu direito de defesa (vez que teria postado resposta ao TIF de fls. 147/149 pleiteando prorrogação de prazo para cumprimento das providências apontadas), (ii) a não consideração de valores relativos a cheques devolvidos e reapresentados posteriormente, (iii) a não consideração dos valores lançados a crédito da conta ‘Clientes Diversos’ e, por fim, (iv) a improcedência da alegação fiscal no sentido de que os valores concernentes a créditos efetuados em conta corrente – com a rubrica ‘Créditos Avisados’ –, não possuiriam comprovação. Em relação ao último ponto, passou a especificar os valores das transferências efetivadas pela CONSTRUTORA NORTE BRASIL, afirmando que tal empresa decidiu depositar em sua conta valores oriundos de diversas vendas de imóveis, a despeito de têlos contabilizado como receitas tributáveis. Com relação às transferências da W.P. HOTÉIS E SERVIÇOS LTDA., solicitou a realização de perícia contábil, promoveu a indicação de perito e formulou quesitos, sem trazer qualquer informação sobressalente. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RECIFE, por meio da Resolução DRJ/REC n. 00323, decidiu baixar os autos em diligência para que a unidade de origem se pronunciasse sobre cada um dos argumentos expendidos, oportunidade em que, caso reputasse necessário, deveria proceder ao reexame dos valores lançados (fls. 703/709). Em resposta, a autoridade apresentou o termo denominado “Diligência – Informação Fiscal” (fls. 1845/1885), em que enfrentou os argumentos de defesa que foi bem sintetizado no relatório da douta DRJ (fls. 3269/3275), razão por que o adoto no ponto, in verbis: “Cheques devolvidos (item 3.2) 7.1. Tratou de cada um dos cheques referenciados pela contribuinte, ora afirmando que aqueles com a notação "Ch Dev s/Fundos" não foram computados no demonstrativo que acompanha a diligência (fl. 931), ora alegando que o valor deveria ser incluído na coluna E do mesmo demonstrativo, ora lembrando que já havia sido incluído, também no mesmo demonstrativo, de acordo com a justificativa antes apresentada pela própria contribuinte; Estorno de cheque (item 3.2) 7.2. Com relação aos cheques no valor total de R$ 43.529,97, devolvidos pelo Banco Rural, com lançamento contábil à fl. 34 do Fl. 3365DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 5 4 Livro Diário — o qual não teria sido considerado pela fiscalização —, alega que a afirmação é verdadeira; Cheque devolvido (item 3.3) 7.3. Com relação ao cheque devolvido do Banco Bamerindus, no valor de R$ 2.800,00, afirma que a contribuinte tenta confundir os julgadores, pois seria de emissão dele próprio, não tendo o demonstrativo aludido, em sua coluna E, contemplado referido crédito; Receitas recebidas e não contempladas pela fiscalização (item 4.2) 7.4. Item 4.2.1 recebimento de R$ 11.000,00: não teriam sido apresentados documentos que o respaldassem, não devendo compor a coluna E; item 4.2.2: a contribuinte afirma que, no demonstrativo de fl. 54, não foi computado o valor de R$ 38.612,49. Ocorre que, verificando os extratos de fls. 136/139, constatarseia que tais valores corresponderiam a estornos de cheques emitidos pela contribuinte e, posteriormente, devolvidos, resultando em crédito na contacorrente. Afirma a autoridade diligenciadora que a sua contabilização estaria equivocada, pois, se a empresa emitiu cheques para pagamentos de custos ou despesas ou para reforço de caixa, posteriormente estornados, o lançamento correto não seria creditar a conta Clientes Diversos, mas creditar a conta de despesa/custo correspondente ou o Caixa. Aduz que a fiscalização acertou ao não incluir referidos valores no demonstrativo de fl. 54, já que não se refeririam a recebimentos de vendas a clientes; item 4.2.3: argumenta que a contribuinte afirma que, no mês de abril de 1997, foi recebido o valor de R$ 5.886,00, via Banco do Brasil, correspondente à conversão de moeda estrangeira (recebimento de clientes em moeda estrangeira). A fl. 167, embora apagado, constaria crédito bancário nesse valor, devidamente escriturado à fl. 207, de forma que, como não foi incluído na tabela de fl. .75, tal inclusão deverá se dar na coluna E; item 4.2.4: sobre a afirmação da contribuinte de que recebeu, no mês de junho de 1997, o montante de total de R$ 68.433,50, via Banco Rural, de diversos clientes, afirma que tal valor teve origem diferente da informada pela contribuinte, tratandose de transferências oriundas de contas movimentadas por outra empresa do grupo (CONSTRUTORA NORTE BRASIL) e de sócios (Fernando Garibaldi de Freitas, Fernando Garibaldi F Junior e Sérgio Henrique de A Freitas). Assim, tratandose de valores comprovados, deverão compor a coluna E. Alguns valores não teriam origem comprovada, pois não indicados os clientes depositantes; item 4.2.5: quanto à afirmação da contribuinte de que recebeu, em junho de 1997, o valor total de R$ 12.425,98, via Banco do Brasil, de clientes diversos, aduz que o montante encontrase contabilizado à fl. 218, também constando dos extratos), da empresa (fls. 172/173). Sustenta que alguns dos valores não tiveram origem em clientes, mas de conta movimentada pela empresa W. P. HOTÉIS E SERVIÇOS. Apesar disso, diz que, tratando de origem comprovada, devem compor a coluna E. Apenas quanto ao valor de R$ 68,00 não se teria comprovado a sua origem; 7.5. No demonstrativo de fl. 75, alega que incluiu uma coluna referente a créditos efetuados nas contascorrentes do contribuinte denominados de "Créditos Avisados. Tais valores foram submetidos à tributação, Fl. 3366DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 6 5 pois a sua origem não teria sido comprovada. No entanto, na impugnação, teria sido apresentadas as suas supostas origens (passa a enfrentar todos os valores, referentes aos meses de janeiro a junho de 1997, consignando o motivo pelo qual vários dos valores mencionados foram considerados como de origem comprovada, razão pela qual deveriam compor a coluna E do demonstrativo de fl. 78); 7.6. Em relação ao item 6, subitem 6.1: diz que, se própria contribuinte afirma ser impossível comprovar cada um dos valores depositados, pois os comprovantes não individualizam os valores, também não conseguiria a Fiscalização. Afirma que o art. 42 da Lei n.° 9.430/96 é uma presunção relativa, cabendo à contribuinte apresentar as provas, a fim de desconstituir as alegações do Fisco; 7.7 Em relação ao subitem 6.4.1: alega que, a fim de comprovar a origem do depósito efetuado com cheque, em 17/01/1997, no valor de R$ 20.000,00, no Banco Rural, a contribuinte sustenta ser proveniente da CONSTRUTORA NORTE BRASIL. Contudo, nos extratos bancários desta empresa, não foram encontrados débitos no valor referido e próximos à respectiva data. O comprovante de depósito apresentado reportarseia a cheque do Banco Itaú (fl. 504), sendo que, no extrato bancário da conta de n.° 406373), titulada pela CONSTRUTORA NORTE BRASIL, não constaria saída de cheque em tal valor (afirma, aliás, que a conta não possuía recursos disponíveis para esta transferência); 7.8. Em relação ao subitem 6.4.2: alega que, segundo a contribuinte, os depósitos no valor total de R$ 8.825,43 (mês de fevereiro de 1997), realizados no Banco Rural, corresponderiam a transferências da CONSTRUTORA NORTE BRASIL, os quais teriam ido para o caixa da empresa e, posteriormente, depositados. Contudo, a soma dos valores apresentados não alcançaria o valor total de R$ 8.825,43. Nos extratos bancários apresentados, relativos a contas movimentadas pela Construtora em diversos bancos, não teriam sido encontrados débitos nos montantes referidos e próximos as respectivas datas, assim como não teriam sido apresentados comprovantes de depósitos; 7.9. Em relação ao subitem 6.4.3: o mesmo teria se dado quanto aos depósitos efetuados no valor total de R$ 12.429,27; 7.10. Em relação ao subitem 6.4.4: a autoridade diligenciadora alega que, segundo a contribuinte, os depósitos no valor total de R$ 61.064,68 (mês de abril de 1997), realizados no Banco Rural, corresponderiam a transferências da CONSTRUTORA NORTE BRASIL, os quais teriam ido para o caixa da empresa e, posteriormente, depositados. No entanto, nos extratos bancários apresentados, relativos a contas movimentadas pela construtora em diversos bancos, não foram encontrados débitos nos montantes referidos e próximos as respectivas datas. Os comprovantes de depósitos anexados seriam de valores diferentes e trariam as informações acima observadas; na maioria, não corresponderiam à origem pretendida; 7.11. Em relação ao subitem 6.4.5: argumenta que, segundo a contribuinte, o depósito no valor de R$ 467,36, efetuado em 07/05/1997, no Banco Rural, corresponderia a transferências da Fl. 3367DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 7 6 CONSTRUTORA NORTE BRASIL, o qual teria ido para o caixa da empresa e, posteriormente, depositado. No entanto, não foi apresentado o comprovante de depósito correspondente (806021), e nos extratos da CONSTRUTORA NORTE BRASIL, DA WP HOTÉIS E SERVIÇOS e dos sócios, não constaria débito no valor mencionado; 7.12. Em relação ao subitem 6.4.6: afirma que, segundo a contribuinte, depósitos no valor de R$ 23.702,34, efetuados no mês de maio de 1997, no Banco Rural, corresponderiam a transferências da CONSTRUTORA NORTE BRASIL, os quais teriam ido para o caixa da empresa e, posteriormente, depositados. No entanto, inexistiriam, nas contas da CONSTRUTORA NORTE BRASIL, DA WP HOTÉIS E SERVIÇOS e dos sócios, os valores relacionados; 7.13. Em relação aos subitens 6.5 e 6.8: alega que a contribuinte sustenta que diversos depósitos nas contas bancárias da G EMPREENDIMENTOS não provem de suas atividades, mas da venda de imóveis efetuadas pela CONSTRUTORA NORTE BRASIL, embora contabilizados como receitas desta última. Para tanto, teria apresentado alguns exemplos de depósitos, efetuados todos no Banco Rural. No entanto, não existiriam documentos e/ou lançamentos contábeis que comprovassem os créditos para a Construtora dos valores mencionados, e alguns dos documentos de depósitos apresentados não refletiriam o enunciado nos textos a eles referentes, de forma que não haveria razão para contrariar os valores já lançados e, caso existissem, não haveria como tributálos na Construtora, que, nos dizeres da contribuinte, seria o titular dos créditos discriminados; 7.14. Em relação ao Subitem 6.9: argumenta que a contribuinte informa que os exemplos acima são apenas uma amostra da verdade e que existiriam diversos outros, embora não os tenha explicitado; 7.15. Em relação aos sócios (Francisco Canindé Mota) seria empregado do hotel administrado pela G EMPREENDIMENTOS; 7.16 Ao expediente datado de 10/09/2007 (fls. 372/390), a autoridade diligenciadora afirma que a contribuinte teria anexado outros documentos (fls. 391/910), os quais foram inseridos no processo, depois de analisados no contexto pertinente. A informação fiscal solicitada pela DRJ (passa a referenciar os documentos anexados e a análise que se efetuou em relação a eles).” Cientificada do termo, a empresa apresenta manifestação noticiando que, após o protocolo da impugnação, realizou uma auditoria geral, ocasião em que verificou inconsistências em sua própria contabilidade, (i) “sendo que a principal suspeita da existência de erros residiria no fato de que os depósitos bancários foram contabilizados a débito da conta Banco c/ Movimento e a crédito da conta Caixa, enquanto as vendas haviam sido registradas a prazo, a débito da conta Clientes, e os recebimentos das contas a receber eram ínfimos, em montantes incompatíveis com as receitas.” (fl. 3274) Ademais, informa que (ii) a comparação das receitas brutas as receitas recebidas demonstraria que “os percentuais da receita bruta acumulada, que foi contabilizada como recebida, alcançavam em torno de 15% nos três primeiros meses e cerca de 32% nos três últimos, percentuais incompatíveis com a realidade dos fatos, visto que a empresa, dedicada Fl. 3368DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 8 7 ao ramo da hotelaria, recebe as suas faturas à vista ou, no máximo, em trinta dias. Além disso, revelase uma situação esdrúxula: dois terços de sua receita acumulada não havia sido recebida ao final do mês de junho de 1997” (fl. 3275). Assevera, ainda, que, pelo fato de os montantes dos depósitos bancários serem superiores aos valores da receita bruta de vendas – o que indicaria uma suposta omissão de receitas –, a Contribuinte fez uma completa devassa em seus registros contábeis a fim de sanar os possíveis equívocos e, de posse dos documentos necessários para a comprovação de sua argumentação, elaborou pretenso demonstrativo das origens dos recursos depositados e dos créditos avisados (fls. 1759/1843), no qual alegadamente estariam indicados todos os valores recebidos e que seriam capazes de gerar reflexos no auto de infração. Nas palavras da douta DRJ (fls. 3275/3277), as providências a seguir foram adotadas pela ora Recorrente na ocasião, in verbis: “a) análise, investigação e cotejamento dos registros com a documentação correspondente; b) coleta e confronto de cada um dos valores constantes das contas bancárias da G. EMPREENDIMENTOS, da W. P. HOTÉIS, da CONSTRUTORA NORTE BRASIL, dos sócios de todas essas empresas, bem como do Sr. Fernando Garibaldi Freitas, sócio da última empresa citada, documentos estes que foram reunidos e entregues à fiscalização (fls. 380/381); c) solicitação ao Banco do Brasil das comprovações dos créditos efetuados na conta mantida junto à agência nº 3293X, também para confronto com os registros contábeis; d) idêntico procedimento foi realizado perante o Banco Rural, havendo sido solicitada a discriminação dos cheques depositados e a comprovação das origens das transferências bancárias, cujos documentos recebidos foram igualmente entregues ao Fisco (fls. 374/376); e) contato com o maior número de empresas e clientes para comprovar os pagamentos das notas/faturas contra eles emitidas; e f) identificação de todas as notas fiscais expedidas, com a indicação dos dados pertinentes.” Considerando que alguns equívocos permaneceram sem que tivessem sido explicitadas as razões que levaram a fiscalização a desconsiderar as informações trazidas pela contribuinte, resolveuse converter novamente o julgamento em diligência, havendo a autoridade diligenciadora produzido novo Termo de Informação Fiscal (fls. 3083/3143) para reparar o quadro demonstrativo, que, em síntese, ficou nos seguintes moldes: (i) manutenção das colunas ‘A’ a ‘F’, consoante fl. 75 dos autos; (ii) inclusão das colunas ‘G’ a ‘J’, com valores de origem e natureza comprovadas, diminuídas do quantum tributado (coluna F); e (iii) exclusão da coluna ‘H’ do demonstrativo de fl. 931 e alterações de valores e denominações das colunas F e G. Na origem, esse Termo de Informação Fiscal foi assim resumido, litteris (fls. 3277/3279): 12.1 Reitera as informações preliminares constantes do item 8 do mesmo Termo de Informação Fiscal. Afirma estar impressionado com o resultado das "comprovações" da empresa quanto aos itens relativos à omissão de receitas, como o verificado em janeiro de 1997, demonstrado As fls. 868/875, em que, para uma receita bruta declarada de R$ 99.066,65 e uma omissão de R$ 243.501,68, a empresa apresentou valores comprovados de R$ 427.137,89, o mesmo tendo ocorrido nos meses até junho de 1997; Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 9 8 12.2. Reitera as informações constantes do item 7 do mesmo Termo de Informação Fiscal, já que não tributados valores com fundamento em falta de origem, "mas por falta de contabilização correta dos valores creditados a bancos, as contas de clientes e de receitas" (sic); 12.3. Reafirma, em consequência, que a comprovação de que tal ou qual valor teve origem ali ou acolá, ou de que aquele outro valor foi transferido para a G EMPREENDIMENTOS por outra empresa ligada ou sócios, não seria suficiente para comprovar que foram registrados na conta Clientes ou em conta de receita e que foram efetivamente tributados; 12.4. Os cheques devolvidos (item A da impugnação) foram objeto de análise detalhada, crédito a crédito, em planilha especifica (fls. 1485/1492); 12.5. As transferências localizadas de recursos de contascorrentes da própria impugnante (item B da peça de defesa) foram consideradas em planilha especifica de fls. 1493/1501, e os resultados mencionados em coluna própria do Demonstrativo Final desta diligência, minorando os valores havidos por omitidos; 12.6. Os lançamentos avisados (item C da peça de defesa) foram objeto de análise detalhada, crédito a crédito, em planilha especifica de fls. 1502/1524, reiterandose que as exclusões feitas referemse a valores já computados no quadro de lançamento (fl. 75), não devendo alterar o seu item B (Créditos Aviados); 12.7. Os recursos depositados nas contas bancárias da impugnante, provenientes da W. P. HOTÉIS (item D da peça de defesa) encontramse arrolados um a um nesta informação, com os devidos comentários e observações, o mesmo ocorrendo com os recursos depositados pela CONSTRUTORA NORTE BRASIL (item E da peça de defesa) e pelos sócios (item F da mesma peça); 12.8. Embora parte dos depósitos tenha sido aceita como de origem comprovada na 1ª informação fiscal, não restaram esclarecidas as naturezas dessas transferências ou se foram ou deixaram de ser tributadas, o que levou a fiscalização a não considerá las como excludentes da tributação; 12.9. Os recebimentos de contas de clientes, contabilizados, indevidamente, a crédito da conta Caixa, "e dos equívocos dos lançamentos contábeis" (item G da impugnação), os depósitos bancários referentes a recebimentos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT, contabilizados, indevidamente, a crédito da conta Caixa (item H da mesma peça), os lançamentos contábeis efetuados de forma incorreta, com redução indevida nos saldos de caixa (item I da mesma peça), os recebimentos de contas de clientes — Vicunha Têxtil (item J da mesma peça), os depósitos bancários provenientes de recebimentos de vendas de cartões de crédito, contabilizados equivocadamente (item L da mesma peça) e os demonstrativos dos fatos contabilizados equivocadamente, com reflexos nos saldos de caixa (item M da mesma peça) têm em comum o fato de se referirem a contabilizações indevidas, incorretas, e também se encontram arrolados um a um, mês a mês, nesta informação fiscal, com os devidos comentários e observações; 12.10 Merece reparo, em consequência desta nova informação fiscal, o Demonstrativo de fl. 931 nos seguintes itens: a) manutenção das colunas A a F, conforme fl. 75 dos autos; b) inclusão das colunas G a J, com valores de origem e natureza comprovadas, diminuídas do quantum tributado (coluna F); c) exclusão da coluna H do Demonstrativo de fl. 931 e alterações de valores e denominações das colunas F e G do mesmo demonstrativo (as alterações dos nomes foram as seguintes: Valores Comprovados 2 e 3 para Cheques Devolvidos – coluna G e Receitas Recebidas Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 10 9 2 – coluna J) (vide Quadro Demonstrativo dos Créditos em conta corrente Bancária x Receita Recebida: após a informação fiscal; fl. 1525).” A ora Recorrente, intimada do inteiro teor da última Informação Fiscal, apresentou manifestação (fls. 3151/3255) acerca das diligências requeridas anteriormente, defendendo o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não teriam sido analisados inúmeros fatos suscitados quando da apresentação da primeira impugnação. No acórdão prolatado pela douta 4ª Turma da DRJ/REC (fls. 3261/3295), a impugnação foi acolhida de forma parcial, para o fim de (i) reduzir a exigência do principal de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (nos termos da planilha de fls. 3293) e (ii) minorar a multa isolada incidente sobre os valores das estimativas mensais não recolhidas para o patamar de 50%, com base no princípio da retroatividade benigna e na MP 351/2007, ulteriormente convertida na Lei n. 11.488/2007. O julgado restou assim ementado, in verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1997 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL. O que decidido no imposto sobre a renda de pessoa jurídica, por basearse nos mesmos argumentos e provas da impugnação, alcança as tributações reflexas dele decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. De acordo com o princípio da retroatividade benigna, consubstanciado na alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, aplicase a ato pretérito, não definitivamente julgado, lei que comine penalidade menos severa que a prevista em lei vigente ao tempo da sua prática. De maneira que a multa por falta de pagamento de estimativas deve ser calculada com aplicação da alíquota de 50%, ex vi do disposto no art. 14 da MP 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 SALDO CREDOR DE CAIXA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 11 10 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita de nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, for induvidosa a competência da autoridade autuante, bem como em nada malferido o direito de defesa do contribuinte. PEDIDOS DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia e/ou diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.”. Cientificada do acórdão por meio de AR datado de 13 de outubro de 2011 (fls. 3302), a recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Colegiado em 04 de novembro de 2011, ocasião em que, mutatis mutandis, reitera as considerações tecidas anteriormente. É o relatório. O recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação regente do processo administrativo fiscal, razão por que dele tomo conhecimento. Penso que o julgamento em destaque deve ser convertido em diligência. Com efeito, os lançamentos em apreço decorrem de a r. autoridade fiscal ter vislumbrado a ocorrência de basicamente duas infrações, quais sejam: i) Saldo credor de caixa constatado no mês de abril de 1997; ii) Omissões de receitas durante os dois primeiros trimestres de 1997, sendo que tais lançamentos foram lavrados a partir do art. 42 da Lei n. 9.430/96 (depósitos bancários não identificados). Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 12 11 As demais infrações – compensação indevida de prejuízos no 2o trimestre de 1997 e multa por falta de pagamento de estimativas – decorrem da omissão de receitas presumidamente aferida. O caso dos autos envolve um sem número de depósitos diversos, sendo que as considerações trazidas à balha pelo sujeito passivo motivaram a conversão do feito em diligência, determinada pela Colenda instância a qua, em duas oportunidades distintas. Por ocasião da primeira diligência, a r. autoridade diligenciante expurgou uma série de depósitos do lançamento, depósitos esses cujas origens haviam sido comprovadas pelo sujeito passivo. A partir desses levantamentos, o crédito tributário exigido nos lançamentos fiscais foi sensivelmente minorado, o que se constata a partir da leitura do fólio que repousa à fl. 1885. O contribuinte foi intimado do Relatório dessa 1a Diligência e apresentou suas considerações, após o quê a DRJ houve por bem converter novamente o julgamento em diligência. A realização dessa diligência, contudo, acabou por encerrar conclusões que agravaram a situação do sujeito passivo, tendo em vista que o crédito que deveria ser exigido da contribuinte nos termos desse novo Relatório era de patamar intermediário entre os valores constantes dos lançamentos originários e aqueles que derivavam da 1a diligência, consoante se observa da leitura do fólio de n. 3081. É preciso dizer que as exonerações levadas a efeito pela própria DRJ partiram das conclusões encerradas no 2o Relatório de Diligência – que, como visto, é mais oneroso para o sujeito passivo –, o que se depreende da leitura das Notas de Rodapé apostas na fl. 3293. Nada obstante, a razão pela qual entendo mandatória a diligência no caso concreto é diversa. Com efeito, a quase totalidade da vertente autuação tem que ver com depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas pelo sujeito passivo. Acerca disso, afirma o sujeito passivo que a falta de comprovação da origem dos valores decorre, dentre outras questões específicas que foram individualmente tratadas, de uma série de equívocos nos seus registros contábeis, erros esses que o Recorrente alega ter conseguido vislumbrar após a lavratura das autuações. Referidos erros consistem no seguinte: i) uma vez que a grande maioria dos serviços que presta são pagos a prazo, o reconhecimento da correlata receita foi acompanhado de lançamentos a Débito na conta Clientes; ii) os depósitos recebidos em suas contas bancárias decorreriam do recebimento das vendas a prazo, de modo que os lançamentos contábeis em questão deveriam unicamente envolver registros em contas patrimoniais, com Débito em Bancos e Crédito em Clientes; iii) entretanto, por um clarividente equívoco contábil, os Débitos em Bancos não tiveram como contrapartida Créditos em Clientes, e sim Créditos em Caixa. Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 13 12 Deveras, os seguintes trechos constam expressamente do Recurso Voluntário sub examen, litteris: 141. Dentre os procedimentos adotadas, está o que consta da letra “G”, itens 72/138, sob o título de “RECEBIMENTOS DE CONTAS DE CLIENTES, CONTABILIZADOS, INDEVIDAMENTE, A CRÉDITO DA CONTA CAIXA E DOS EQUÍVOCOS DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS”. 142. Se os recebimentos de contas de clientes não foram contabilizados a crédito da conta clientes e a débito de Bancos C/ Movimento, como foram contabilizados? 143. A resposta é inusitada: a contabilização foi a débitos à conta Bcos C/ Movimento e a crédito de Caixa. 144., Ora, essa contabilização equivocada gerou as seguintes distorções: a) Redução indevida nos saldos da conta Caixa; b) Ausência de baixa da conta Clientes. 145. Para comprovar esses equívocos, a empresa diligenciou junto aos bancos, fornecedores e registros contábeis, bem como consultou suas notas fiscais emitidas, tendo apresentado documentos e demonstrativos, anexados às fls. 704 a 867, consoante informado naquelas páginas. 146. Vejamos o conteúdo dos dados acima referidos. DEMONSTRATIVOS DE FLS. 704 A 728 147. Nos referidos demonstrativos, a empresa identificou cada depósito bancário (Banco do Brasil, Bamerindus, Bco Rural e Banco Itaú) e correlacionou com as N. Fiscais respectivas, cujas cópias foram juntadas ao processo, às fls. 1008 a 1371 (numerados pela empresa, de no 1/465 a 363/465). 148. Conforme já ressaltamos, as Notas Fiscais foram acostadas ao processo, na ordem crescente da sua numeração, tornando, assim, facílimo o seu cotejo. 149. Nos itens 14/21, deste recurso, apresentamos alguns exemplos que comprovam a perfeita correlação, entre o valor de cada depósito em Banco e a sua origem, com indicação da respectiva Nota Fiscal, cuja cópia foi anexada ao processo. 150. Srs. Conselheiros. Essas 24 páginas, que compõem os demonstrativos de fls. 704/728, consignam, de forma precisa e detalhada, as origens de cada valor depositado, correlacionandoos com a respectiva Nota Fiscal, coincidentes em valores e datas, comprovando, de forma inequívoca, que o valor depositado corresponde a recebimentos de contas de clientes. (fls. 33353336; sem grifos no original) É preciso dizer que o sujeito passivo, em seu Recurso Voluntário, versa sobre uma pletora de lançamentos que também estariam equivocados, o que se constata a partir da leitura dos fólios que repousam às fls. 33363342. As considerações do ora Recorrente são muito plausíveis, sendo que a verificação da ocorrência de ditos lançamentos contábeis equivocados deve ser integralmente esclarecida por autoridade fiscal preparadora antes que se passe ao deslinde definitivo dessa controvérsia. Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 16707.003217/0073 Resolução nº 1101000.126 S1C1T1 Fl. 14 13 Com efeito, é inconteste que, no caso dos autos, uma série de depósitos inicialmente vislumbrados pela r. autoridade autuante como presuntivos de omissão de receita não compuseram a base de cálculo das vertentes exigências justamente pelo fato de terem sido acompanhados de correlatos lançamentos a Crédito na conta Clientes, lançamentos esses que o sujeito passivo houve por bem comprovar. Ora, admitido o contexto em que, por equívoco, os referidos depósitos não se fizeram acompanhar de Crédito em Clientes – mas em Caixa –, é óbvio que o contribuinte não conseguiria demonstrar, a partir dos seus maculados registros contábeis, que os ingressos nos Bancos eram acompanhados de diminuições em créditos a receber. É óbvio que os equivocados lançamentos a Crédito na Conta Caixa ainda acabaram por reduzir indevidamente os Saldos Devedores dessa Conta, o que pode ter engendrado a situação em que referido Saldo mostrouse Credor. Salientese que as exigências atinentes ao Saldo Credor de Caixa – que foram tidas pela DRJ como matéria não impugnada – ligamse indissociavelmente ao tópico aqui controvertido, tendo em vista que a demonstração de que o Caixa foi reduzido por ledos equívocos contábeis pode revelar que o Saldo do Caixa era devedor ao final de abril/1997 – e isso a despeito da falta de comprovação do alegado empréstimo de R$ 30.802,33. Por todo o exposto, voto pela CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA, para que a repartição de origem afira – a partir dos documentos fiscais e dos lançamentos contábeis acostados aos autos – a efetividade da ocorrência dos citados equívocos nos registros contábeis do sujeito passivo, assim como a extensão desses equívocos e as suas consequências diante da acusação de Saldo Credor de Caixa. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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