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Numero do processo: 10865.720059/2017-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016
IDENTIDADE ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO.
Não deve ser conhecida a parte do recurso voluntário que traz matéria objeto de discussão judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa se todos os elementos de prova utilizados no procedimento foram juntados aos autos, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação que lhe é feita e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado.
FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é cabível a qualificação da multa de ofício, quando não restar provada a ocorrência de dolo ou fraude.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Para que seja atribuída a solidariedade passiva do art. 135 do CTN, há que se provar que o contribuinte agiu de forma dolosa ou cometeu fraude, o que não se verifica nos presentes autos
Numero da decisão: 3301-005.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e não conhecer do recurso quanto ao mérito em razão da concomitância. Por maioria de votos, em cancelar a qualificação da multa e afastar a sujeição passiva, vencido o Conselheiro Ari Vendramini (Relator), que manteve a qualificação e a sujeição passiva. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira
assinado digitalmente
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
assinado digitalmente
ARI VENDRAMINI - Relator.
assinado digitalmente
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vedndramini (Relator). Ausência justificada da Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 IDENTIDADE ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO. Não deve ser conhecida a parte do recurso voluntário que traz matéria objeto de discussão judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa se todos os elementos de prova utilizados no procedimento foram juntados aos autos, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação que lhe é feita e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a qualificação da multa de ofício, quando não restar provada a ocorrência de dolo ou fraude. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Para que seja atribuída a solidariedade passiva do art. 135 do CTN, há que se provar que o contribuinte agiu de forma dolosa ou cometeu fraude, o que não se verifica nos presentes autos
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NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO. Não deve ser conhecida a parte do recurso voluntário que traz matéria objeto de discussão judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa se todos os elementos de prova utilizados no procedimento foram juntados aos autos, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação que lhe é feita e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a qualificação da multa de ofício, quando não restar provada a ocorrência de dolo ou fraude. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Para que seja atribuída a solidariedade passiva do art. 135 do CTN, há que se provar que o contribuinte agiu de forma dolosa ou cometeu fraude, o que não se verifica nos presentes autos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e não conhecer do recurso quanto ao mérito em razão da concomitância. Por maioria de votos, em cancelar a qualificação da multa e afastar a sujeição passiva, vencido o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 00 59 /2 01 7- 58 Fl. 1141DF CARF MF 2 Conselheiro Ari Vendramini (Relator), que manteve a qualificação e a sujeição passiva. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira assinado digitalmente WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. assinado digitalmente ARI VENDRAMINI Relator. assinado digitalmente MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vedndramini (Relator). Ausência justificada da Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório 1. Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto contra o decidido no Acórdão DRJ/Salvador nº 15043.010, exarado pela 4ª Turma daquele órgão julgador. 2. Adoto os dizeres do bem redigido relatório do citado Acórdão DRJ/SDR: 1. Cuida o presente processo de 02 (dois) Autos de Infração lavrados contra METAFILM EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA, cuja ciência se deu em 15/02/2017, de forma pessoal, bem como de Termo de Sujeição Passiva lavrado contra JOÃO PAULO PEREIRA PINHEIRO (responsável solidário), cuja ciência também se deu em 15/02/2017, de forma pessoal. 2. O crédito tributário constituído se refere ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 9.733.949,43, e a Multas Regulamentares, no valor de R$ 917.781,12, para o Período de Apuração de 01/01/2012 a 31/05/2016. 3. Acostado aos autos encontrase o Relatório Fiscal, parte integrante e indissociável dos referidos Autos de Infração. Nele, registrou a Autoridade Tributária os fatos apurados, bem como as irregularidades encontradas, no exercício de sua competência legal, conferida pelo disposto na alínea “a” do inciso I do art. 6º da Lei n.º 10.593/2002. Eis o que consta, em síntese, no referido Relatório Fiscal: 2 – CONSTATAÇÕES Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.142 3 2.1 – CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS DO IPI => O sujeito passivo creditouse indevidamente do IPI, sem o devido amparo legal, relativamente às aquisições de bens para o ativo imobilizado – CFOP 3.551 (que não permite o registro de crédito do IPI) constantes da “Relação das Notas Fiscais de Entrada com Crédito Indevido do IPI Aquisição para o Imobilizado” (em anexo). 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA: 2.2.1 – Através do item 4 do Termo de Início de Ação Fiscal – Fiscalização (em anexo), o sujeito passivo foi intimado a apresentar declaração com as justificativas e informações detalhadas acerca dos valores escriturados como “Outros Créditos” em seu Livro Registro de Apuração de IPI (Sped Fiscal Livro RAIPI). Em decorrência do sujeito passivo não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, através do Termo de Reintimação Fiscal – Termo nº 02 (em anexo) foi o mesmo reintimado para apresentar os respectivos elementos. 2.2.2 – Em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou a correspondência (datada de 24/06/2016 em anexo) onde afirma que “3 A empresa não possui crédito de IPI com respaldado em Processo Judicial anterior” e “4 – Em atendimento aos itens 4, 5 e 5.1.1 solicitamos uma prorrogação de prazo por mais 30 dias...” 2.2.3 – Ainda em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou nova correspondência (datada de 01/08/2016 em anexo) onde declara, contrariamente à correspondência anterior, o seguinte => “3 Resposta ao quesito número 3: A Fiscalizada possui processo judicial nº 5000434 23.2016.4.03.6110, que tramita na 2ª Vara Federal da Comarca de Sorocaba/SP, onde postula o reconhecimento de seu direito líquido e certo em proceder o lançamento do crédito....incluindo a energia elétrica... A certidão narratória, embora requerida, ainda não disponibilizada à Fiscalizada, sendo que será apresentada à Fiscalização assim que possível”. 2.2.4 – Entretanto, consultando os arquivos públicos da “Justiça Federal da 3ª Região – Pje –Processo Judicial Eletrônico – Consulta Processual” (em anexo) esta fiscalização constatou que o processo judicial acima citado pelo sujeito passivo tratase, na verdade, de Mandado de Segurança (impetrado somente em 01/08/2016, ou seja, bem posterior à citada reintimação fiscal) onde o mesmo postula, extemporaneamente, o reconhecimento do crédito de IPI sobre o consumo de energia elétrica já escriturado, porém indevidamente (por absoluta falta de amparo legal). 2.2.5 – Não obstante, através do Termo nº 05 (reintimação – em anexo) o sujeito passivo foi novamente intimado para apresentar a “Certidão de Objeto e Pé / Certidão Narratória”, relativamente ao citado processo judicial, sendo que o mesmo não se manifestou a respeito até o encerramento desta fiscalização. 2.2.6 – Consultando, então, novamente os arquivos públicos da Justiça Federal, esta fiscalização encontrou a sentença proferida em 30/08/2016 (em anexo) para o citado processo, conforme publicação no “Diário Oficial – Judicial I – Interior e MS – Tribunal Regional Federal da 3 Região (TRF3) de 08 de Setembro de 2016 (páginas 317 / 319)” onde conclui “Ante o exposto, DENEGO A SEGURANÇA e Fl. 1143DF CARF MF 4 JULGO EXTINTO O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO...” 2.2.5 – Ficou evidenciado, então, que o sujeito passivo efetivamente praticou fraude fiscal mediante o artifício doloso de registrar créditos fiscais sabida e absolutamente inexistentes ou indevidos em livro exigido pela lei fiscal – RAIPI com o único e inequívoco propósito de reduzir o montante do imposto devido (o valor do saldo devedor do IPI a recolher), o que caracteriza a circunstância qualificativa prevista no art. 68, § 2º e no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 (com a redação dada pelo Decretolei nº 34/1966), que dizem: Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica... § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 2.3 – SALDOS DEVEDORES DO IPI NÃO DECLARADOS OU DECLARADOS A MENOR EM DCTF E NÃO RECOLHIDOS OU RECOLHIDOS A MENOR => Em consequência das irregularidades expostas no item anterior, os sujeito passivo apresentou as “DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais” proposital e inequivocadamente com valores de débito / recolhimentos de IPI inferiores aos corretos e devidos saldos devedores, conforme “IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos”, em anexo. 3 – CONCLUSÃO 3.1 – PROCESSO DIGITAL nº 10865720.060/201782 => Em decorrência das irregularidades apontadas no item “2.1 – Créditos Básicos Indevidos do IPI” foi lavrado o devido Auto de Infração no montante original de R$ 668.240,27. 3.2 – PROCESSO DIGITAL nº 10865720.059/201758 => Em decorrência das irregularidades apontadas no item “2.2 – Outros Créditos Indevidos – Energia Elétrica” e no item “2.3 Saldos Devedores de IPI Não Declarados ou Declarados a menor em DCTF e Não Recolhidos ou Recolhidos a Menor” foram adotadas as seguintes providências fiscais, respectivamente: 3.2.1 – Foi lavrado o devido Auto de Infração no montante original de R$3.491.929,45, cuja multa foi aumentada em 100% (passando para 150%) em decorrência da circunstância qualificada citada no item 2.2.5, conforme dispõe o Art. 80, caput e § 6º inciso II da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07, que diz: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto... § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo... será: II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. 3.2.2 – Foi lavrado o devido Auto de Infração da multa regulamentar no valor de R$ 917.781,11 relativamente aos erros nas informações Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.143 5 prestadas em DCTF (decorrente dos saldos devedores não declarados ou declarados a menor), conforme planilha “Composição do Valor da Multa por erros nas informações prestadas em DCTF Entregue – Anexo do Auto de Infração” (em anexo). 3.2.3 – Foi lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária (atribuída a responsabilidade solidária ao sócio administrador), em razão do não recolhimento do imposto nos respectivos prazos legais, constantes do Auto de Infração representado pelos citado Processo Digital nº 10865720.059/201758, conforme dispõe o 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI / 2010), que diz: “Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). 4. Cientificado dos 02 (dois) Autos de Infração, do Relatório Fiscal, e do Termo de Sujeição Passiva, o contribuinte pessoa jurídica apresentou Impugnação nos seguintes termos: II DO DIREITO I RAZÕES PARA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO I.I Preliminar: Nulidade do Procedimento Fiscal. Ausência de Prorrogação Válida e Tempestiva. O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF, que deu origem ao Auto de Infração a que se refere o presente Processo Administrativo, tem por data inicial o dia 11/05/2016, conforme se observa do documento anexo, e deveria ter sido concluído no prazo de cento e vinte dias, nos termos como determina atualmente a Portaria RFB nº 1.687/2014 (art. 11), pois se cuida de Procedimento Fiscal de Fiscalização. (...) Assim, o prazo de validade do procedimento se encerrou no dia 06/09/2016, oportunidade em que o TDPF em questão deveria ter sido concluído, observado o que estabelece o art. 12 da Portaria SRF nº 1.687/2014. Ou seja, a partir de 07/09/2016 o prazo de validade do MPF já estava extinto, como visto acima, uma vez que a Fazenda Nacional em nenhum momento notificou a Impugnante sobre a prorrogação do ato fiscalizatório, nos termos como prevê o §1º do art. 11 da Portaria RFB 1.687/2014 e tampouco a data em que foi ocorrida tal prorrogação. (...) Registrese, ainda, que havendo necessidade de prorrogação de prazo de validade do procedimento fiscal, o art. 9º, da Portaria RFB 1.687/2014 é claro ao afirmar que esta se dará por meio de simples registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação deveria ficar disponível no Próprio TDPF. Entretanto, o TDPF sequer alude a data de prorrogação do procedimento para demonstrar se esta se deu de forma tempestividade ou quando já extinto o mandado. Tampouco as intimações recebidas pela Autuada e juntadas no presente feito trazem qualquer informação desse gênero. Fl. 1145DF CARF MF 6 (...) No TDPF 08.1.12.002016002337 a que se relaciona o auto de infração que ora se impugna, a única alteração constante no quadro referido no parágrafo anterior é datado de 16/01/2017. Ou seja, mais de QUATRO MESES após encerrado o prazo de execução do TDPF. (...) Ante o exposto, por ter ocorrido prorrogação irregular e intempestiva do TDPF há violação ao art. 11,”I”, da Portaria SRF nº 1.687/2014, motivo pelo qual requer a Impugnante que seja reconhecida a nulidade do procedimento fiscal objeto do TDPF nº 08.1.12.002016002337 e, consequentemente, do auto de infração e do respectivo lançamento fiscal. I.II Preliminar: Nulidade do Auto de Infração. Cerceamento de Defesa e ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Ausência de fundamentação sobre os créditos foram considerados indevidos. Cálculos distintos e não interligados entre si. Ausência de fundamentação. Incompatibilidade entre o auto de infração e o relatório fiscal. Lançamento incompreensível. Conforme Relatório que compõe o Auto de Infração, a autoridade fazendária alega que a Impugnante teria registrado de forma dolosa créditos fiscais sabida e absolutamente inexistentes ou indevidos em livro exigido pela lei fiscal –RAIPI com o propósito de reduzir o montante do imposto devido. Primeiramente, Excelência, há de se salientar que o Auto de Infração carece de fundamentação clara e específica. No item 2.2 do relatório juntado às fls. 02/07, que se relaciona com o presente Processo Administrativo, intitulado “outros créditos indevidos – energia elétrica”, não há qualquer explanação ou fundamentação sobre porque os créditos foram considerados indevidos pela fiscalização. Sequer há referência sobre quais créditos foram considerados indevidos. No curso da Ação Fiscal, enquanto ainda amparada por Termo de Procedimento Fiscal válido, a Autuada havia sido questionada sobre os créditos escriturados como “Outros Créditos” em Livro de Apuração de IPI, oportunidade em que referiu tratavamse de créditos oriundos de aquisição de insumos utilizados no processo produtivo da fiscalizada, nos termos como lhe dá direito o art. 153, IV, § 3º, II, da Constituição Federal (Resposta ao quesito número 4, fl. 129 dos autos), tendo sido apresentado nos quesitos anteriores planilha detalhando a forma de utilização dos créditos. Ainda assim, sem qualquer fundamentação no Relatório Fiscal ou no Auto de Infração, os créditos escriturados foram glosados pela fiscalização. Em verdade, sequer é possível observar se apenas os créditos escriturados pela Fiscalizada como “Outros Créditos” foram glosados, uma vez que as planilhas que compõe o auto são completamente incompreensíveis. (...) Em relação ao processo administrativo , todavia, ao quantificar a pena de multa aplicada, o fiscalizador destacou apenas existência de créditos indevidos, que acarretariam em erro nas informações prestadas em DCTF, sem, contudo, trazer qualquer explicação sobre o motivo da não aceitação dos créditos escriturados, de acordo com as respostas concedidas pela Fiscalizada durante o processo de fiscalização. Além do que, as tabelas de cálculo que compõe os Autos de Infração são completamente incompreensíveis entre si. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.144 7 Às fls. 12/13 são trazidos valores que seriam devidos pela Autuada a título de falta de recolhimento de tributo (IPI), decorrente da utilização de crédito indevido. O relatório fiscal, item 3.2.2 (fl. 04 dos autos), refere que, sobre esse valor seria aplicada multa de 150%, em virtude de suposta fraude ocorrida pela Autuada. Contudo, o Auto de Infração à fls. 14 apresenta tabela onde refere a aplicação de multas calculadas ora sobre o percentual de 150%, ora sobre o percentual de 75%, sem que tenha sido realizada qualquer explicação ou critério de imposição de multas distintas pela fiscalização ou, ao menos, fundamentação sobre do quê decorreriam as multas de 75%. (...) O mesmo ocorre à fl. 16 e às fls. 19/23. À fl. 18, o Agente Autuador apresenta mais uma tabela, esta com o valor da diferença de do imposto a cobrar. Embora referente ao mesmo período, os valores apresentados são completamente distintos daqueles apresentados às tabelas de 12/13, 14 e 16 Vale referir que absolutamente nenhuma das tabelas apresentam valores que guardam relação com os valores escriturados como “Outros Créditos”. Muito menos aqueles que foram descritos às fls. 129/131 (resposta ao quesito de número 5), como créditos oriundos de aquisição de insumos. Dessa feita, seria essencial que o fiscal referisse de que forma chegou aos valores apontados no auto. Já às fls. 24/25, há nova tabela, essa com o que parece ser o valor definitivo do auto de infração, mas mais uma vez a coluna “Imposto” apresenta numerais diversos 12/13, 14, 16 e 18. De igual forma, o agente fiscal apresenta no mesmo auto de infração três Planilhas de Reconstituição de Escrita de IPI do mesmo período, mas completamente distintas entre si, a primeira às fls. 27/30, a segunda às fls. 31/34 e a terceira às fls. 35/38. Tais planilhas sequer parecem ter relação com o presente feito. Ademais, em relação às diversas (e também incompreensíveis) tabelas trazidas pela fiscalização para justificar a penalidade havida por apresentação de DCTFs com erro, as mesmas incluem, inclusive, débitos referentes ao ano de 2016. Contudo, o TDPFF que deu origem à ação fiscal determinava que a fiscalização deveria ser realizada apenas entre os anos de 2012 e 2015. Ademais, conforme item 2.3 do relatório fiscal (fl. 03), os erros de escrituração das DCTFs seriam decorrentes dos créditos fiscais escriturados, supostamente, de forma indevida pela autuada. No entanto, nos termos da fiscalização, tais créditos foram apostados como escriturados indevidamente somente até 12/2015, não havendo qualquer lançamento referente ao ano de 2016. (...) Ademais, o Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento, apresentado às fls. 53/55, traz uma esdrúxula tabela de lançamentos tributários, onde há por duas vezes referência ao presente processo administrativo, sendo que em uma das tabelas há referência à uma infração no valor de R$ 917.781,12, que se referiria a um tributo nomeado “MULDI” (desconhecido no ordenamento brasileiro), sobre o qual não há qualquer explicação no referido documento. Ao que tudo indica, o agente autuador confeccionou dois autos de infração, com a mesma numeração, dentro do mesmo processo administrativo. Fl. 1147DF CARF MF 8 Ou seja, uma verdadeira miscelânea, que compromete a compreensão da autuação. (...) Desta feita, ante tudo que foi exposto, tendo em vista que o Auto de Infração foi formado sem a presença de requisitos mínimos de motivação e compreensão dos autos de infração, requer a Impugnante seja reconhecida sua nulidade. Subsidiariamente, caso não seja deferido o pedido retro (o que não se espera,mas se cogita por mera questão de cautela processual), requer seja o feito remetido à unidade de origem para que o Fiscal responsável fundamente sua decisão sobre considerar como indevidos os créditos apurados pela autuada, bem como para que teça explanação suficientemente capaz de tornar inteligível cada uma das tabelas que acompanham o auto de infração, bem como sobre o critério adotado para aplicação de multas na ordem de 75% e 150%. Posteriormente, requer seja concedido prazo para manifestação e complementação da defesa ora apresentada. I.III. Preliminar: Nulidade do Auto de Infração. Omissão Dolosa de Documentos pelo Fisco. Como pode ser verificado nos termos do Relatório Fiscal do Auto de Infração, a empresa Metafilm Embalagens Plasticas LTDA, hoje Impugnante, e também parte de seus clientes, foram intimados para apresentar informações da contabilidade e informações relacionadas às atividades comerciais da empresa. Estes documentos foram entregues ao Fisco através de Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – Recibo de Entrega de Documentos Digitais ou mesmo por meio físico. Sendo que outros documentos produzidos pela própria fiscalização são referidos no auto, mas foram juntados apenas em parte ao processo. Embora utilizados pela Fiscalização, tais documentos foram omitidos dolosamente do procedimento administrativo, o que causa enormes prejuízos à Impugnante tendo em vista que seus dados são comparados com informações e documentos advindos de outras empresas, dados estes que a Impugnante desconhece e que não foram juntados no processo. Tais documentos fazem parte do conjunto probatório apresentado ao Fisco, mas foram unilateralmente descartados do procedimento por ele. Estes documentos fazem parte do conjunto probatório que a Impugnante tem suas finanças devidamente contabilizadas e não há qualquer tomada irregular de crédito de IPI, pois a tese trazida no Relatório Fiscal estaria seriamente comprometida. Houve omissão de informações pelo Agente Autuador, que analisou os documentos apresentados e manipulou as informações para que o relatório fiscal conduzisse a uma conclusão errônea sobre a situação da Recorrente, motivo pelo qual maculado estão os Autos de Infração lançados pelo Sr. Auditor e, por isso, devem ser declarados nulos. Os documentos foram apresentados, analisados e utilizados durante a investigação e não foram juntados pelo Fisco. Houve falha grave no procedimento administrativo, tornando o processo nulo. II RAZÕES PARA A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL. II.I. Da legitimidade dos créditos utilizados pela autuada. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.145 9 A autoridade fiscal em seu relatório do Auto de Infração referiu que a empresa Autuada teria apurado “Outros Créditos” de forma indevida, o que teria motivado o lançamento realizado. Conforme referido nos tópicos anteriores, faltou a fiscalização com seu dever público de expor os motivos que a levaram a glosar os créditos lançados, o que prejudica sobremaneira o exercício do direito de defesa da Contribuinte. A Administração preferiu por não juntar nenhuma fundamentação jurídica para justificar as glosas de crédito de IPI, ainda que a Contribuinte os tenha devidamente justificado e comprovado durante a ação fiscal (vide documentos de fls. 127/197). Sendo assim, não havendo subsídio jurídico para sustentar a apostada irregularidade narrada na peça fiscal, em respeito ao que determina o artigo 5º LVII, da Constituição Federal, deve ser presumida a inocência da Autuada. (...) Ante a ausência de fundamentação dos autos de infração, a Contribuinte contesta, por negativa geral, o lançamento operado pela Autoridade Fiscal, bem como, nos termos como já procedidos durante a ação fiscal, e passa a defender a legitimidade dos créditos de IPI utilizados. Conforme referido quando da resposta ao questionamento realizado já na abertura da ação fiscal, a Autuada referiu expressamente que os créditos de IPI classificados como “OutrosCréditos” tratamse de créditos oriundos de aquisição de insumos utilizados no processo produtivo da Fiscalizada. Conforme discriminado na tabela produzida pela Autuada, os valores creditados se referiram à compra de energia elétrica por estabelecimento industrial,utilizada para industrialização de seus produtos finais onerados pelo IPI, sendo lícito e válido, portanto, à Contribuinte a escrituração de referidos créditos nos respectivos Livros de Apuração do imposto em questão. A energia elétrica é considerada, pois, insumo apto a gerar créditos do IPI. (...) Não há dúvida que a energia elétrica é fundamental no processo de fabricação de materiais plásticos e, embora não se integrando a esse produto final, é indispensável nas várias etapas de industrialização do bem que será depois posto à saída para aquisição. Assim, a energia elétrica, consumida na industrialização do produto que vai ser vendido, e, assim, não integra o ativo permanente da empresa, enquadrase no conceito de produtos intermediários, para fim de crédito do IPI e, também, para fim de crédito presumido do IPI, competindo tão somente à autoridade administrativa a maneira como será realizado o aproveitamento de tal crédito. (...) Ou seja, o direito ao creditamento do IPI, por ocasião da aquisição de energia elétrica para industrialização de seus produtos, merece prosperar. Conforme já referido acima, a matéria restou analisada pela Primeira Seção do Tribunal Superior, por ocasião do julgamento do ERESP 899485/RS, de relatoria do e Ministro Humberto Martins, publicado no DJ de 15/09/2008, no sentido de que tem direito ao creditamento de ICMS o contribuinte que comprovar ter utilizado a energia elétrica "no processo de industrialização". Fl. 1149DF CARF MF 10 (...) II.II. Da Inexistência de Fraude ou Simulação. Inocorrência de ato doloso tendente à diminuição de tributo. Princípio do Direito de Ação. No caso em tela não houve qualquer conduta ilícita do Contribuinte, que utilizou de meios lícitos em todas suas condutas. Em continuação à sua prática constante de tecer alegações sem qualquer subsídio probatório ou explicação minimamente razoável, o Agente Fiscal sustenta que a Autuada teria utilizado créditos inexistentes ou indevidos de IPI, com o único propósito de reduzir o montante do imposto devido. Não procede, contudo, tal alegação. A autuada jamais provocou qualquer redução dolosa de tributo, mediante escrituração indevida de tributos. (...) Ademais, o que se cogita da leitura dos itens 2.2.2 a 2.2.5 (do Relatório Fiscal) é que o ato doloso que configuraria fraude, de acordo com a tese fiscal, seria o ajuizamento de ação judicial no curso da fiscalização. Repitase, a motivação da configuração de fraude está sendo presumida, uma vez que não descrita no Auto de Infração ou no relatório fiscal (o que prejudica diretamente o exercício de defesa da contribuinte). Pois bem, fraude alguma pode ser constatada a partir do ajuizamento de qualquer ação. Qualquer pessoa, seja ela natural ou fícta (jurídica) que sentirse ameaçada ou tiver lesado direito seu, pode e deve recorrer ao Poder Judiciário para dele obter a cessação dessa ameaça ou a restituição ao status quo ante e, se impossível esta hipótese, que lhe seja prestada uma tutela jurisdicional garantindolhe a reparação quanto ao prejuízo suportado. (...) A empresa foi suficientemente clara ao referir que NÃO possui crédito de IPI com respaldo em processo judicial. Tal assertiva JAMAIS foi modificada pela Autuada. O que ocorreu, conforme consta à fl. 129/130 foi que a Contribuinte informou à fiscalização que havia ajuizado ação, onde POSTULA o reconhecimento de seu direito em proceder com escrituração de créditos de IPI decorrentes da aquisição de energia elétrica. (...) A utilização de créditos de IPI decorrentes da aquisição de energia elétrica pela Autuada ocorreu durante longos anos, estando pautada em diversos precedentes jurisprudenciais, conforme acima explicitados. No entanto, o ajuizamento da ação se deu após a Autuada entrar em contato com seu escritório de advocacia, no decorrer da ação fiscal que deu origem à presente autuação, momento em que foi informada sobre precedentes contrários ao posicionamento que vinha utilizando na empresa. Por entender que os créditos são legítimos, exigiu, então, a Contribuinte o ajuizamento da ação também em seu nome, a fim de ver declaro como possível a utilização de referidos créditos. (... ) II.III. Da Impossibilidade de cumulação de penalidade decorrente do mesmo ato. Impossibilidade da aplicação da multa por eventuais erros em DCTFs. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.146 11 Ainda que seja mantido lançamento fiscal, no sentido de que sejam reconhecidos como indevidos os créditos escriturados pela Autuada (o que não se espera, mas se cogita por questão de cautela processual), a multa aplicada em decorrência dos erros constantes em DCTF não poderá ser mantida, sob pena de penalizar duplamente o contribuinte pela imputação de penalidade da mesma natureza e relacionadas ao descumprimento da mesma obrigação principal. (...) III. DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE – INAPLICABILIDADE DE MULTA EM DOBRO. No caso sob análise é inaplicável a imposição de multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento), pois não existe qualquer prova de dolo na conduta da Impugnante. Muito pelo contrário, tanto não havia intuito de fraude que a própria autuada refere expressamente não haver processo que substancie sua escrituração de crédito. Ao analisar os autos verificase que não existe prova contundente contra o Impugnante. Muito pelo contrário, sequer há fundamentação concisa acerca da ocorrência de fraude. O artigo 112 do Código Tributário Nacional determina que a lei tributária que impõe penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao Contribuinte. (...) Sendo assim, o lançamento fiscal deve ser modificado, no sentido de excluir a multa aplicada pelo Sr. Auditor Fiscal. Da mesma forma, ante a não configuração de fraude, não há se falar em responsabilidade do sóciogerente. IV DAS DEDUÇÕES NECESSÁRIAS EM CASO DE DESPROVIMENTO DO RECURSO IV.I. Aproveitamento dos Tributos Pagos a maior Pela Impugnante Caso sejam superados todos os argumentos já trazidos pela Impugnante e considerada existente a dívida constante do auto de Infração, é necessário que sejam abatidos os valores já pagos pela Impugnante a maior e que devem ser utilizados para compensação de outros impostos administrados pela União. A Impugnante promoveu pagamentos indevidos de tributos administrados pela Fazenda Nacional, do qual o montante do crédito deve ser compensado para abatimento do debito referido no lançamento. (...) IV.II. Da Não Incidência da Contribuição Social Previdenciária Patronal Sobre Parcelas Indenizatórias As contribuições sociais, de natureza previdenciária, são devidas pelo empregador, pela empresa e pela entidade a ela equiparada, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, como dispõe a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 195, inciso I, alínea “a”, in verbis: (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, necessário que, em vista da inconstitucionalidade da incidência da Fl. 1151DF CARF MF 12 contribuição previdenciária patronal sobre as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, inclusive os valores pagos pelo empregador ao empregado durante os 15 (quinze) primeiros dias que antecedem à concessão dos auxílios doença ou acidente, tais valores pagos indevidamente pela Impugnante nos últimos 5 anos devem ser utilizados para compensação dos valores referidos no Lançamento Fiscal. Da mesma forma, essencial fazse a declaração de não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o adicional de um terço (1/3) de férias, sobre o abono de férias e utilização dos valores pagos indevidamente pela Impugnante para compensação do débito referido no lançamento fiscal. IV.III. Da necessária exclusão do ICMS da Base de Cálculo do PIS e da Cofins (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, é necessário que seja declarada a ilegalidade da inclusão do ICMS na base de Cálculo do PIS e da Cofins, bem como reconhecido o direito da empresa Impugnante a promover a compensação dos tributos (PIS e COFINS), pagos a maior, com os valores referidos no Lançamento Fiscal . IV.IV. Da não incidência de IPI na operação de revenda de produto importado (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, Imperioso se faz, portanto, seja reconhecida a não incidência do IPI saídas dos produtos importados acabados do estabelecimento da Impugnante, devendo os valores recolhidos indevidamente serem utilizados para compensação dos valores referidos no lançamento fiscal. V – DA IMPOSSIBILIDADE DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS V.I – Ilícito penal. Fraude. Inocorrência. Impossibilidade de constatação mediante prova produzida pelo próprio contribuinte. Do Relatório Fiscal, depreendese que o Auditor entendeu que o aproveitamento de crédito pela empresa Metafilm Emabalagens Plásticas se deu de forma irregular, o que acarretaria em fraude à legislação tributária, o que teria dado ensejo à Representação Fiscal para Fins Penais, da qual a Autuada ainda não restou cientificada. (...) Dessa forma, diante de tudo que foi exposto, não pode se constatar a ocorrência de sonegação ou de qualquer crime contra ordem tributária no caso vertente, e, ainda que se pudesse, tal constatação teria sido depreendida através de provas produzidas irregularmente, uma vez que foram obrigatoriamente produzidas pelo próprio contribuinte. Sendo assim, requer a recorrente que seja declarada por este conselho a não constatação de crime contra ordem tributária e, por consequência, a impossibilidade de representação fiscal para fins penais e de consequente comunicação ao Ministério Público Federal. (grifos do Acórdão DRJ/SDR) 3. A impugnação foi considerada procedente em parte, para cancelar a multa regulamentar por apresentação com inexatidões da DCTF, por capitulação indevida, existindo dispositivo específico para tal irregularidade, conforme Ementa do Acórdão : Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.147 13 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa se todos os elementos de prova utilizados no procedimento foram juntados aos autos, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação que lhe é feita e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 MULTA REGULAMENTAR POR APRESENTAÇÃO DE DCTF CONTENDO INEXATIDÕES. Aplicase, no caso de DCTF apresentada com incorreções ou omissões, a multa isolada prevista no inciso IV do art. 7º da Lei nº 10.426/2002, por ser específica para a declaração, e não a multa prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, aplicada genericamente para os casos onde não haja sanção prevista. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima, de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica não se caracteriza como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integra ao produto final, nem foi consumida, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. POSSIBILIDADE. É cabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) se provada nos autos a conduta dolosa de fraude tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4. Inconformada, a impugnante apresentou Recurso Voluntário contra o teor do Acórdão DRJ/SDR, onde repisa os itens I DOS FATOS, II DO DIREITO I RAZÕES PARA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO I. I PRELIMINAR Nulidade do Procedimento Fiscal. Ausência de Prorrogação Válida e Tempestiva I.II PRELIMINAR Nulidade do Auto de Infração. Cerceamento de Defesa e ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Ausência de fundamentação sobre os créditos foram considerados indevidos. Cálculos distintos e não interligados entre si. Ausência de fundamentação. Incompatibilidade entre o auto de infração e o relatório fiscal. Lançamento incompreensível. Fl. 1153DF CARF MF 14 I.III PRELIMINAR Nulidade do Auto de Infração. Omissão Dolosa de Documentos pelo Fisco . II RAZÕES PARA A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL II.I Da legitimidade dos créditos utilizados pela autuada. Da necessidade de prova pericial. II.II Da inexistência de fraude ou simulação. Inocorrência de ato doloso tendente á diminuição do tributo III DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE DE MULTA EM DOBRO IV DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA V CONSIDERAÇÕES FINAIS E REQUERIMENTOS 1º. a autoridade administrativa apresentou relatório dúbio e com ausência de documentos indispensáveis para a formação do lançamento fiscal; 2º. O TDPF teve sua vigência encerrada muito antes de sua conclusão pelo Agente Fiscal, uma vez que foi prorrogado de forma totalmente intempestiva (mais de 4 meses!); 3º. O fiscal deixou de levar em consideração o que estabelecem os artigos 2º e 50, I , da Lei n.º 9.784 /1999; 4º. O Sr. Fiscal não promoveu qualquer motivação capaz de explicar o motivo pelo qual deixou de considerar os créditos escriturados pela Autuada; 5º. existem inúmeras ilegalidades e nulidades no procedimento administrativo; 6º. o Fisco omitiu parte dos documentos levantados durante o TDPF, não os colocando à disposição do autuado; 7º. a Recorrente nunca teve qualquer conduta dolosa visando redução ilegal de tributos; 8º. foi lícito o aproveitamento de créditos de IPI promovido pela Recorrente; 9º. A energia elétrica é utilizada diretamente no processo produtivo da Recorrente, sendo que essa se coloca à disposição, inclusive, para a realização de perícia; 10º. não há qualquer indício ou prova nos autos de dolo da autuada ou de seus administradores quando da escrituração do aproveitamento do crédito de IPI; 11º. Não há qualquer motivação para a inclusão da sujeição passiva do administrador da Contribuinte. Requer : a) seja acolhido o presente recurso para o fim de ver declarado nulo o Auto de Infração nº 10865720.059/201758, e o próprio procedimento administrativo (eis que concluído quando já encerrado o TDPF que a originou), conforme argumentos lançados no recurso; b) alternativamente, que o julgamento seja convertido em diligências para que o Agente Fiscal responsável preste aclaramento sobre as planilhas que acompanharam o Auto de Infração, bem como que seja produzida prova pericial junto à unidade produtiva da Autuada, a fim de se comprovar que a energia elétrica é consumida e faz parte do processo de transformação da matériaprima no produto final da Autuada; Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.148 15 c) alternativamente, não sendo esse o entendimento dos julgadores, que seja declarada nulo o Processo Administrativo, cancelandose as exigências fiscais ora reclamadas; d) que seja reconhecida a inexistência de fraude ou crime contra a ordem tributária, bem como a impossibilidade de sua constatação; e) na remota hipótese de ser mantida a condenação da Contribuinte a arcar com tributos, que seja afastada a multa qualificada aplicada pelo Sr. Fiscal; f) que seja excluída a responsabilidade solidária do administrador da empresa. Requer, ainda, a intimação dos Representantes da Autuada da data de julgamento para comparecimento pessoal e sustentação oral por si, ou através de seus procuradores. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ARI VENDRAMINI 5. Presentes os requisitos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido.. 6. Passemos a analisar as razões recursais. 7. Apesar de o ilustre Julgador da DRJ já ter muito bem elucidado os pontos de inconformismo apresentados pela recorrente, voltemos a eles, na tentativa de aclarar os conhecimentos da recorrente. 8. Tratemos em um único tópico das questões preliminares reapresentadas pela recorrente e, como já dissemos, muito bem esclarecidas pelo Acórdão DRJ . 9. PRELIMINARES 9.1. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO VÁLIDA E TEMPESTIVA. alega a recorrente, em síntese, que o TDPF não seria válido, pois, descumprindo as regras impostas pela Portaria RFB nº 1.687/2014, teve prazo de validade de 11/05/2016 a 06/09/2016 e a única alteração constante no quadro específico para alterações é data da de 16/01/207, mais de quatro anos do término do prazo. 9.2. Completamente enganada a recorrente, se se desse ao trabalho de analisar cuidadosamente o TDPF teria reparado no quadro "DEMONSTRATIVO DE PRORROGAÇÕES" "validade de prorrogação" os termos " prorrogado até 04 de janeiro de 2017" e 'prorrogado até 04 de maio de 2017"", portanto, tendo tomado ciência da autuação em 15/02/2017, não existe a irregularidade apontada. 9.3 Quanto á alteração citada, o Acórdão DRJ muito bem esclareceu : A alteração datada de 16/01/2017 se refere à inclusão do período de Fl. 1155DF CARF MF 16 01/2016 a 05/2016 no âmbito do procedimento fiscal, e não a qualquer das duas prorrogações,como pode ser facilmente identificado no corpo do TDPF. Logo, totalmente descabida a alegação de ter ocorrido prorrogação irregular e intempestiva do TDPF. 9.4 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL e NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFWSA E DEVIDO PROCESSO LEGAL.AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO SOBRE OS CRÉDITOS FORAM CONSIDERADO INDEVIDOS. CÁLCULOS DISTINTOS E NÃO INTERLIGADOS ENTRE SI.. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO.INCOMPATIBILIDADE ENTRE O AUTO DE INFRAÇÃO E O RELATÓRIO FISCAL. LANÇAMENTO INCOMPREENSÍVEL. 9.5. Alega, novamente, a recorrente, como já o fez na sua impugnação que o Auto de Infração carece de fundamentação clara e específica. Afirma que no item 2.2 do Relatório Fiscal, intitulado “outros créditos indevidos – energia elétrica”, não há qualquer explanação ou fundamentação sobre porque os créditos foram considerados indevidos pela fiscalização e que a Autoridade Tributária destacou apenas a existência de créditos indevidos sem, contudo, trazer qualquer explicação sobre o motivo da não aceitação dos mesmos. Não seria possível sequer observar se apenas os créditos escriturados pela Fiscalizada como “Outros Créditos” foram glosados, uma vez que as planilhas e as tabelas de cálculo que compõem o auto são completamente incompreensíveis. 9.6. O julgador da DRJ, pacientemente elucidou as dúvidas levantandas pela recorrente,entretanto, como se denota, a recorrente ainda não compreendendo tais ensinamentos, volta aos mesmos questionamentos. 9.7 Por muito bem redigidos os esclarecimentos feitos pelo ilustre julgador da DRJ, adoto seus dizeres : 15. Entretanto, ao verificar os documentos anexados ao processo pela Autoridade Tributária, verificase que tais alegações não são procedentes. Em primeiro lugar, quanto aos fundamentos para os créditos serem considerados indevidos, observase que estes estão perfeitamente descritos no Relatório Fiscal, conforme se conclui da leitura dos seguintes trechos: 2 – CONSTATAÇÕES 2.1 – CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS DO IPI => O sujeito passivo creditouse indevidamente do IPI, sem o devido amparo legal, relativamente às aquisições de bens para o ativo imobilizado – CFOP 3.551 (que não permite o registro de crédito do IPI) constantes da “Relação das Notas Fiscais de Entrada com Crédito Indevido do IPI Aquisição para o Imobilizado” (em anexo) 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA: 2.2.1 – Através do item 4 do Termo de Início de Ação Fiscal – Fiscalização (em anexo), o sujeito passivo foi intimado a apresentar declaração com as justificativas e informações detalhadas acerca dos valores escriturados como “Outros Créditos” em seu Livro Registro de Apuração de IPI (Sped Fiscal /Livro RAIPI). Em decorrência do sujeito passivo não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, através do Termo de Reintimação Fiscal – Termo nº 02 (em anexo) foi o mesmo reintimado para apresentar os respectivos elementos. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.149 17 (...) 2.2.4 – Entretanto, consultando os arquivos públicos da “Justiça Federal da 3ª Região – Pje –Processo Judicial Eletrônico – Consulta Processual” (em anexo) esta fiscalização constatou que o processo judicial acima citado pelo sujeito passivo tratase, na verdade, de Mandado de Segurança (impetrado somente em 01/08/2016, ou seja, bem posterior à citada reintimação fiscal) onde o mesmo postula, extemporaneamente, o reconhecimento do crédito de IPI sobre o consumo de energia elétrica já escriturado, porém indevidamente (por absoluta falta de amparo legal). 16. O fiscalizado se creditou do IPI destacado nas aquisições de bens para o ativo imobilizado com o CFOP 3.551, que não permite o registro de crédito do IPI. Além disso, se creditou de valores que foram escriturados no Livro RAIPI a título de “Outros Créditos”. Foi intimado a esclarecer a origem destes “Outros Créditos”, mas não apresentou os esclarecimentos solicitados. A Autoridade Tributária, ao auditar os documentos do contribuinte, identificou que se tratava de creditamento do IPI sobre o consumo de energia elétrica, desprovido de qualquer amparo legal. 17. Dessas constatações identificadas pelo AuditorFiscal resta perfeitamente compreensível que tais glosas se deram por conta do registro de créditos não permitidos pela legislação. 18. Ora, tais informações são plenamente suficientes para que o contribuinte possa produzir sua defesa, combatendo as afirmações do Autuante. Poderia tentar comprovar que os valores glosados não se referiam a bens incorporados ao ativo imobilizado; ou foram, mas existe dispositivo legal que permite o registro de crédito; ou, ainda, que a rubrica “Outros Créditos” não se refere a energia elétrica; ou que, mesmo se referindo, haveria amparo legal para o creditamento. 19. Em resumo: o Impugnante teve, sim, pleno acesso aos motivos das glosas dos créditos, e dispunha de meios para exercer seu direito ao Contraditório e à Ampla Defesa, lançando mão dos argumentos que bem entender. Vale ressaltar inclusive que discorreu extensamente sobre o a questão do creditamento do IPI incidente sobre energia elétrica, conforme se verifica dos seguintes trechos de sua Impugnação: Conforme discriminado na tabela produzida pela Autuada, os valores creditados se referiram à compra de energia elétrica por estabelecimento industrial, utilizada para industrialização de seus produtos finais onerados pelo IPI, sendo lícito e válido, portanto, à Contribuinte a escrituração de referidos créditos nos respectivos Livros de Apuração do imposto em questão. A energia elétrica é considerada, pois, insumo apto a gerar créditos do IPI. (...) Não há dúvida que a energia elétrica é fundamental no processo de fabricação de materiais plásticos e, embora não se integrando a esse produto final, é indispensável nas várias etapas de industrialização do bem que será depois posto à saída para aquisição. Assim, a energia elétrica, consumida na industrialização do produto que vai ser vendido, e, assim, não integra o ativo permanente da empresa, enquadrase no conceito de produtos intermediários, para fim de crédito do IPI e, também, para fim de crédito presumido do IPI, Fl. 1157DF CARF MF 18 competindo tão somente à autoridade administrativa a maneira como será realizado o aproveitamento de tal crédito. 20. Como se percebe, o Impugnante tinha pleno conhecimento sobre a irregularidade da qual que está sendo acusado, bem como produziu argumentos em sua defesa, se opondo às afirmações da Autoridade Fiscalizadora. 21. A alegação do Impugnante de que as planilhas e as tabelas de cálculo que compõem o Auto de Infração são completamente incompreensíveis também não pode ser aceita. Analisando a planilha intitulada “IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos”, às fls. 68 e 69 do presente processo, citada no item 2.3 do Relatório Fiscal, observase que existem 02 colunas específicas para identificar quais créditos foram considerados indevidos: Coluna “Glosa de Créditos_1”: identifica os valores escriturados no RAIPI referentes a credito de IPI sobre Energia Elétrica, no total de R$ 3.491.929,45; Coluna “Glosa de Créditos_2”: identifica os valores escriturados no RAIPI referentes a credito de IPI sobre bens adquiridos para o ativo imobilizado, no total de R$ 668.240,27. 22. Verificase que os valores totais dessas duas colunas correspondem exatamente aos valores lançados nos 02 (dois) Autos de Infração, à fl. 08 do presente processo (10865720.059/201758) e à fl. 08 do processo 10865 720.060/201782, respectivamente, a título de imposto. 23. Cotejando o citado Demonstrativo com o Livro RAIPI, verificase que todos os valores listados naquele estão devidamente escriturados neste. Analisando a coluna “Glosa de Créditos_1”, cuja infração é o objeto do presente processo, constatase que o valor de R$228.873,14 glosado em Março/2013, encontrase registrado no RAIPI, cuja cópia está anexada à fl. 93 deste processo. Já o valor de R$ 85.453,64 glosado em Abril/2013, encontrase registrado no RAIPI, cuja cópia está anexada à fl. 94 deste processo; e assim sucessivamente. 24. Os mesmos valores do Demonstrativo encontramse transcritos no Auto de Infração, às fls. 12 e 13, onde se descreve a infração cometida, e às fls. 14 e 16, onde são estabelecidos os percentuais das multas de ofício respectivas a cada infração. 25. O demonstrativo do Auto de Infração à fl. 18 apenas indica as diferenças entre os saldos encontrados após a reconstituição da escrita fiscal e os saldos constantes no livro RAIPI, exatamente como indicado na planilha “IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos”. Os demonstrativos do Auto de Infração às fls. 19 a 22, por sua vez, apenas detalham a composição de cada uma dessas diferenças, indicando de onde surgiram os saldos devedores. 26. O demonstrativo do Auto de Infração às fls. 27 a 30 apenas reproduz os dados do próprio contribuinte, constantes de sua escrita fiscal (Livro RAIPI), como claramente indicado no texto. Já às fls. 35 a 38 está o “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal”, reproduzindo os mesmos dados da planilha “IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos” e com os mesmos saldos obtidos. 27. Como se verifica, todas as planilhas e demonstrativos estão interligados e são coerentes entre si, apresentando exatamente os mesmos valores e saldos, todos originados da própria escrita fiscal do contribuinte. A reconstituição de sua escrita não representou nada além da simples exclusão (glosa) dos valores registrados a crédito sem o devido respaldo da legislação de regência. 28. Vale ressaltar que a alegação do Impugnante de que as planilhas, demonstrativos e tabelas do processo seriam incompreensíveis entre si é feita de forma genérica, sem apontar uma única informação que esteja em uma destas tabelas e que seja incoerente com a informação constante em outra tabela ou no próprio Livro RAIPI. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.150 19 9.8 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DOLOSA DE DOCUMENTOS PELO FISCO. 9.9 Alega de forma ofensiva e pouco ética, a recorrente : Como pode ser verificado nos termos do Relatório Fiscal do Auto de Infração a empresa Metafilm Embalagens Plasticas LTDA, hoje recorrente, e também parte de seus clientes, foram intimados para apresentar informações da contabilidade e informações relacionadas às atividades comerciais da empresa. Estes documentos foram entregues ao Fisco através de Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – Recibo de Entrega de Documentos Digitais ou mesmo por meio físico. Sendo que outros documentos produzidos pela própria fiscalização são referidos no auto, mas foram juntados apenas em parte ao processo. Embora utilizados pela Fiscalização, tais documentos foram omitidos dolosamente do procedimento administrativo, o que causa enormes prejuízos à Impugnante tendo em vista que seus dados são comparados com informações e documentos advindos de outras empresas, dados estes que a Impugnante desconhece e que não foram juntados no processo. Tais documentos fazem parte do conjunto probatório apresentado ao Fisco, mas foram unilateralmente descartados do procedimento por ele. Estes documentos fazem parte do conjunto probatório que a Impugnante tem suas finanças devidamente contabilizadas e não há qualquer tomada irregular de crédito de IPI, pois a tese trazida no Relatório Fiscal estaria seriamente comprometida. Houve omissão de informações pelo Agente Autuador, que analisou os documentos apresentados e manipulou as informações para que o relatório fiscal conduzisse a uma conclusão errônea sobre a situação da Recorrente, motivo pelo qual maculado estão os Autos de Infração lançados pelo Sr. Auditor e, por isso, devem ser declarados nulos. Os documentos foram apresentados, analisados e utilizados durante a investigação e não foram juntados pelo Fisco e nem disponibilizados para vista para a Autuada em sua completude. Houve falha grave no procedimento administrativo, tornando o processo nulo. ( grifos nossos) 9.10 O julgador da DRJ assim comentou tais acusações : O Impugnante, mais uma vez, formula alegações genéricas, sem indicar especificamente quais documentos foram utilizados pela fiscalização, mas não foram juntados ao processo. Além disso, faz acusações graves quanto ao procedimento adotado pelo Fl. 1159DF CARF MF 20 AuditorFiscal, acusandoo de ter, intencionalmente, omitido documentos do processo, bem como de ter manipulado informações para poder obter fundamentos para as autuações. 50. Tais afirmações, entretanto, demonstram a total falta de argumentos do Impugnante, pois, da análise dos autos, verificase que todos os documentos utilizados pelo AuditorFiscal encontramse juntados ao processo. Com efeito, os únicos documentos necessários para o presente processo são o Livro de Apuração do IPI, onde estão escriturados os créditos indevidos de energia elétrica (às fls. 79 a 126); as DCTFs, demonstrando as inexatidões referentes à apuração dos saldos devedores de IPI (às fls. 211 a 969); e o processo judicial referente ao Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte após o início da ação fiscal, demonstrando a prática de fraude contra o Fisco Federal (às fls. 73 a 78). 51. Como se vê, tais documentos, além de constarem do processo administrativo, estando plenamente acessíveis ao contribuinte desde a data em que tomou ciência dos Autos de Infração, são documentos produzidos por ele próprio, uma vez que escriturou o Livro RAIPI, transmitiu as DCTFs para a Receita Federal, e impetrou o Mandado de Segurança na Justiça Federal. 52. Portanto, completamente descabida qualquer alegação de que a conduta da Autoridade Fiscalizadora se deu com o objetivo intencional de omitir provas, causandolhe prejuízos, e muito menos de que desconhece os documentos utilizados. 9.11. Ás fls. 54 dos autos digitais encontramos o seguintes dizeres da autoridade fiscal : Recibo e Ciência do Sujeito Passivo / Representante O sujeito passivo tomou ciência do encerramento do procedimento fiscal, juntamente dos demais citados anexos, mediante “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” (gerado pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais), com todos os documentos de lançamento (Auto de Infração e documentos complementares que instruem o processo), em mídia digital não regravável (CD/DVD). Ás fls. 57 : Desta forma, fica o sujeito passivo por responsabilidade tributária supramencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata os documentos de lançamento abaixo identificados, relativamente aos tributos e períodos das infrações neles discriminados: Processo Documento Tributo Crédito Tributário 10865720.059/201758 Auto de Infração IPI R$ 9.733.949,43 10865720.059/201758 Auto de Infração MULDI R$ 917.781,12 Total do Crédito Tributário R$ 10.651.730,55 A autenticidade do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal poderá ser verificada, utilizandose o programa Consulta Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet (www.receita.fazenda.gov.br), onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante neste termo. Para surtir os efeitos legais, lavrei e assinei digitalmente o presente termo. AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil Nome Matrícula Assinatura SERGIO LUIZ MAGRI 00881269 Recibo e Ciência do Sujeito Passivo / Representante O sujeito passivo por responsabilidade tributária supramencionado tomou ciência deste Termo, mediante “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.151 21 (gerado pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais), com todos os documentos de lançamento (Auto de Infração e documentos complementares que instruem o processo), em mídia digital não regravável (CD/DVD). Ás fls.970/971 : Fl. 1161DF CARF MF 22 Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.152 23 9.12. Diante destes termos assinados por representante da recorrente, as acusações feitas pela recorrente se tornam levianas e desrespeitosas, sujeitas até a apreciação judicial. Fl. 1163DF CARF MF 24 9.13 Se haviam documentos faltantes, este era o momento de notificar a autoridade fiscal e não, como fez a recorrente, atestar o recebimento dos arquivos e documentos. 9.14 Não merecem tanto espaço e tantas linhas as acusações apresentadas, mas a ofensa a autoridade fiscal, sem fundamento e, mormente, sem especificação de quais documentos foram entregues e não devolvidos, tornam a acusação vazia e a falta de provas a tornam totalmente desprovida de seriedade, MERECENDO, NA REALIDADE, UMA RETRATAÇÃO POR PARTE DA RECORRENTE PERANTE A AUTORIDADE FISCAL.. 9.15 Por todo o exposto, REJEITO AS PRELIMINARES DE NULIDADE, e NEGO PROVIMENTO AO RECURSO NESTES TÓPICOS. 10. NO MÉRITO 10.1 IDENTIDADE ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO. 10.2 Em seu Relatório, a autoridade fiscal assim narra os fatos : 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA : 2.2.1 – Através do item 4 do Termo de Início de Ação Fiscal – Fiscalização (em anexo), o sujeito passivo foi intimado a apresentar declaração com as justificativas e informações detalhadas acerca dos valores escriturados como “Outros Créditos” em seu Livro Registro de Apuração de IPI (Sped Fiscal / Livro RAIPI). Em decorrência do sujeito passivo não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, através do Termo de Reintimação Fiscal – Termo nº 02 (em anexo) foi o mesmo reintimado para apresentar os respectivos elementos. 2.2.2 – Em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou a correspondência (datada de 24/06/2016 em anexo) onde afirma que “3 A empresa não possui crédito de IPI com respaldado em Processo Judicial anterior” e “4 – Em atendimento aos itens 4, 5 e 5.1.1 solicitamos uma prorrogação de prazo por mais 30 dias...” 2.2.3 – Ainda em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou nova correspondência (datada de 01/08/2016 em anexo) onde declara, contrariamente à correspondência anterior, o seguinte => “3 Resposta ao quesito número 3: A Fiscalizada possui processo judicial nº 500043423.2016.4.03.6110, que tramita na 2ª Vara Federal da Comarca de Sorocaba/SP, onde postula o reconhecimento de seu direito líquido e certo em proceder o lançamento do crédito....incluindo a energia elétrica... A certidão narratória, embora requerida, ainda não disponibilizada à Fiscalizada, sendo que será apresentada à Fiscalização assim que possível”. 2.2.4 – Entretanto, consultando os arquivos públicos da “Justiça Federal da 3a. Região – Pje – Processo Judicial Eletrônico – Consulta Processual” (em anexo) esta fiscalização constatou que o processo judicial acima citado pelo sujeito passivo tratase, na verdade, de Mandado de Segurança (impetrado somente em 01/08/2016, ou seja, bem posterior à citada reintimação fiscal) onde o mesmo postula, extemporaneamente, o reconhecimento do crédito de Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.153 25 IPI sobre o consumo de energia elétrica já escriturado, porém indevidamente (por absoluta falta de amparo legal). 2.2.5 – Não obstante, através do Termo nº 05 (reintimação – em anexo) o sujeito passivo foi novamente intimado para apresentar a “Certidão de Objeto e Pé / Certidão Narratória”, relativamente ao citado processo judicial, sendo que o mesmo não se manifestou a respeito até o encerramento desta fiscalização. 2.2.6 – Consultando, então, novamente os arquivos públicos da Justiça Federal, esta fiscalização encontrou a sentença proferida em 30/08/2016 (em anexo) para o citado processo, conforme publicação no “Diário Oficial – Judicial I – Interior e MS – Tribunal Regional Federal da 3 Região (TRF3) de 08 de Setembro de 2016 (páginas 317 / 319)” onde conclui “Ante o exposto, DENEGO A SEGURANÇA e JULGO EXTINTO O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO...” 10.3. Verificase, em pesquisa realizada no sítio do TRF3 – PESQUISA PROCESSUAL, que o processo judicial foi objeto de Apelação, e tomou o nº Ap 5000434 23.206.4.03.6110, e que os autos foram remetidos em grau de recurso para Tribunal Superior, na data de 09/10/2018. 10.4. Portanto, possuindo a recorrente ação judicial em andamento, que discute o mesmo objeto do processo administrativo em exame, ocorre a identidade dos objetos, caracterizando a concomitância entre os mesmos, o que leva este colegiado a não conhecer do recurso voluntário, nas suas razões de mérito, por força do disposto na Súmula CARF nº1, que assim estabelece : Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 10.5. Assim, diante da concomitância constatada. Não conheço do recurso, nas suas razões de mérito. 10.6. RAZÕES PARA A IMPROCEDENCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS UTILIZADOS PELA AUTUADA. DA NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL Fl. 1165DF CARF MF 26 10.7 Defende a recorrente que os valores creditados se referiram à compra de energia elétrica utilizada para industrialização de seus produtos finais, sendo lícito e válido, portanto, a escrituração de referidos créditos nos Livros de Apuração do imposto em questão. A energia elétrica é considerada, em seu entendimento, insumo apto a gerar créditos do IPI, pois é fundamental no processo de fabricação de materiais plásticos e, embora não se integrando a esse produto final, enquadrase no conceito de produtos intermediários Cita jurisprudência deste CARF e de Tribunais Superiores. e ainda se coloca á disposição para produção de prova pericial técnica a fim de que se afira a incidência da energia elétrica nas matériasprimas consumidas para a obtenção dos produtos finais produzidos pela recorrente. 10.8. Se a recorrente fizesse uma mais acurada pesquisa, restaria convicta de que não lhe assiste razão. 10.9. Este CARF já pacificou o entendimento sobre o tema ao editar a Súmula CARF nº 19, de efeito vinculante por força da Portaria MF Nº 277/2018, assim redigida : Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. 10.10. Citamos posições recentes do STJ : REsp nº 1.240.587/SC , de 08/06/2018 Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 1.240.587 SC (2011/00438769) RELATORA : MINISTRA REGINA HELENA COSTA RECORRENTE : BUETTNER S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ADVOGADO : SAMUEL GAERTNER EBERHARDT E OUTRO(S) SC017421 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O DECISÃO Vistos. Tratase de Recurso Especial interposto por BUETTNER S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contra acórdão prolatado, pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, em julgamento de apelações e remessa oficial, assim ementado (fl. 293e): EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. INSUMOS. PRODUTOS PRIMÁRIOS (COOPERATIVA), ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ABRANGÊNCIA. IN/SRF Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.154 27 23/97 E 103/97. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E ENERGIA ELÉTRICA. ESTOQUES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Lei 9.363/96 não limitou o aproveitamento do crédito presumido ao industrial, nem o deferiu apenas aos produtos industrializados. 2. A IN/SRF 23/1997, por se tratar de norma hierarquicamente inferior, extrapolou os limites do art. 1º, da Lei n. 9.363/1996 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 3. No período anterior à Medida Provisória 2.202/01, não se incluem no cálculo do crédito presumido de IPI os valores referentes ao beneficiamento de insumos efetuado por terceiros, sob encomenda. 4. A energia elétrica, o óleo diesel, o gás natural e os lubrificantes não se equiparam a insumo ou matéria prima propriamente dita, que se incorpora no processo de transformação do qual resultará a mercadoria industrializada. Dessa forma, não há como admitir que gere crédito escritural. 5. Considerando que, durante o período compreendido entre 01.04.1999 e 31.12.1999, a eficácia da Lei 9.363/96 estava Documento: 84005306 Despacho / Decisão Site certificado DJe: 08/06/2018 Página 1 de 16 Superior Tribunal de Justiça suspensa, não houve a geração de crédito presumido na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetuada nesse período, ainda que os produtos finais tenham sido comercializados em período posterior. 6. Honorários advocatícios mantidos nos termos fixados pelo MM. Juízo a quo, porquanto em conformidade com o art. 20, § 4º, do CPC. - REsp nº 1.049.305/PR , de 31/03/2011 Fl. 1167DF CARF MF 28 Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 1.049.305 PR (2008/00806984) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : COOPERATIVA AGRARIA AGROINDUSTRIAL ADVOGADO : SÔNIA MARIA ALBRECHT KRAEMER E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO E OUTRO(S) CÍNTIA LACROIX FARINA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211 DO STJ. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E IPI. CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS. ARTS. 1º, 2º, §1º, E 3º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N. 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. NECESSIDADE DE CONTATO FÍSICO COM O PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DO BENEFÍCIO QUE NÃO SOFRE MAJORAÇÃO EM RAZÃO DO AUMENTO DA ALÍQUOTA DE COFINS PELO ART. 8º, DA LEI N. 9.718/98. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada, não estando obrigada a Corte de Origem a emitir juízo de valor expresso a respeito de todas as teses e dispositivos legais invocados pelas partes. 2. Ausente o prequestionamento, incide o enunciado nº. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo". 3. A impossibilidade de aplicação do princípio da anterioridade ao IPI (art. 150, §1º, da CF/88), a permitir a imediata vigência do art. 12, da Medida Provisoria n. 2.15835, de 2001, que suspendeu o benefício intitulado crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é tema de ordem constitucional, devendo ser dirimido por meio de recurso próprio dirigido ao Supremo Tribunal Federal. 4. A energia elétrica, Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.155 29 o gás natural, os lubrificantes e o óleo diesel (combustíveis em geral) consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de "matériasprimas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1º, da Lei n. 9.363/96. Precedentes: AgRg no REsp 1000848 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 7.10.2010; AgRg no REsp 919628 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10.8.2010; AgRg no REsp 913433 / ES, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 4.6.2009. 5. Precedente em sentido contrário: EDcl no REsp 993581 / RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.12.2009. 6. Inaplicabilidade dos EREsp. n. 899485/RS, Primeira Seção, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 13/08/2008, que admitiu o creditamento de ICMS pela energia elétrica, posto tratar de hipótese distinta já que a legislação do ICMS (art. 33, II, "b", da Lei Complementar n. 87/96) não exige o contato físico do insumo com o Documento: 14632772 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 31/03/2011 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça produto, mas apenas o consumo no processo de industrialização. 7. Precedente em sentido contrário: REsp 904082 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17.02.2009. 8. A alíquota do benefício fiscal instituído pelo art. 1º, da Lei n. 9.363/96 (crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS), prevista no art. 2º, §1º, da mesma lei, não sofre majoração em razão da elevação da alíquota da COFINS estatuída no art. 8º, da Lei n. 9.718/98. Precedentes: REsp. n. 988.329/PR, Primeira Turma, Rell. Min. José Delgado, DJ de 26.3.2008; REsp nº 1.088.959 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14.12.2010. 9. Não existe supedâneo legal para a existência, antes Fl. 1169DF CARF MF 30 mesmo da Medida Provisória n. 674/94 (atual Lei n. 9.363/96), do direito ao crédito presumido de IPI para o ressarcimento das contribuições ao PIS e COFINS. 10. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. 10.11. A Secretaria da Receita Federal na Internet disponibilizou vários escçlarecimentos, como segue : www.igdg.receita.fazenda.gov.br ONDE ENCONTRO ´PERGUNTAS E RESPOSTAS DECLARAÇÕES E DEMONSTRATIVOS PERGUNTAS E RESPOSTAS DA PESSOA JURÍDICA 2018 IMPOSTO PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PERGUNTA Nª 017 Energia elétrica, combustíveis (gasolina, diesel etc), água e gás são considerados insumos para efeito de compor a base de cálculo do crédito presumido? RESPOSTA Somente a partir da MP nº 2.002, de 2001, posteriormente convertida na Lei nº 10.276, de 2001, é que foi admitida a inclusão dos valores relativos a combustíveis e energia elétrica, na base de cálculo do crédito presumido, desde que o contribuinte opte pela sistemática do regime alternativo e observe o disposto na IN SRF nº 420, de 2004, com alteração da IN SRF nº 441, de 2004. REFERÊNCIAS Veja ainda: Apuração do crédito presumido: Perguntas 007 a 009 e 014 a 016 deste Capítulo. Normativo: Lei nº 10.276, de 2001, art. 1º, § 1º; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 243, § 1º; IN SRF nº 420. de 2004; e IN SRF nº 441, de 2004. 10.12. IN SRF nº 420/2004, alterada pela IN SRF nº 441/2004 alterada pela IN RFB nº 1.159/2011, da qual citamos o seu início : O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 15, inciso II, e no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, na Lei no 10.276, de Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.156 31 10 de setembro de 2001, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, na Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, e na Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, resolve: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, como ressarcimento relativo às Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos correspondentes a matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI), materiais de embalagem (ME), bem assim de energia elétrica e combustíveis, utilizados no processo industrial, e do valor correspondente à prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto, poderá ser determinado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. DA OPÇÃO Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I todo o anocalendário; II o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Parágrafo único. Não será admitida a retificação da opção de que trata o caput. Art. 3º A opção será formalizada: I no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso I do art. 2º; II no DCP correspondente ao primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso II do art. 2º. Fl. 1171DF CARF MF 32 Art. 4º A opção pelo regime alternativo de cálculo do crédito presumido implicará a observância dos seguintes procedimentos: I somente serão apropriados os valores relativos a combustíveis adquiridos e energia elétrica consumida no período abrangido pela opção, bem assim o valor relativo à prestação de serviços na industrialização por encomenda de produtos realizada no mesmo período; II remanescendo estoque final no último período de apuração de acordo com a sistemática anterior, referente a MP, PI e ME, este será considerado, pelo custo de aquisição, como estoque inicial do primeiro período de apuração correspondente à nova sistemática de cálculo; III os valores de MP, PI e ME utilizados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos serão excluídos da base de cálculo do crédito presumido do último período de apuração anterior à opção e computados, pelo custo de aquisição, a partir do primeiro período de apuração correspondente à nova sistemática de cálculo. § 1º Se, da última apuração relativa à sistemática anterior, resultar valor: I positivo, este será considerado como crédito presumido do IPI, a ser aproveitado segundo o disposto no art. 22; II negativo, este será deduzido do crédito presumido relativo ao primeiro período de apuração na nova sistemática. § 2º Se, após a dedução a que se refere o inciso II do § 1º, ainda restar saldo negativo, o valor será deduzido do crédito relativo ao mês subseqüente e, assim, sucessivamente, até seu completo aproveitamento. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.157 33 I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. 10.13. Por todo o exposto, verificase que havia alternativa para a recorrernte, que não teria necessidade de utilizar créditos presumidos da energia elétrica indevidamente, apenas deveria verificar se tem direito ao seu creditamento, por um laudo técnico que atestasse que a energia elétrica está dentro do conceito de insumo que rege a legislação do IPI, ou seja, que esteja em contato direto como produto a ser fabricado. 10.14. Tratandose de um regime especial, a recorrente deveria verificar se atende aos requisitos impostos pela normatização da Secretaria da Receita Federal,, após a edição da MP 2.202/2001, convertida na Lei nº 10.276/2001, apresentar o DCP e creditarse dentro das normas do seu direito, se este existir. 10.15. Portanto, e por fim, corretas as observações expostas pelo julgador da DRJ : Correto o entendimento jurisprudencial. Observese que na TIPI – Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto nº 7.660, 23/12/2011, a energia elétrica está classificada na posição NCM 2716.00.00, com alíquota NT, ou seja, Não Tributável. Nas Notas Fiscais juntadas ao processo às fls. 135 a 197, apresentadas pelo próprio contribuinte em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal nº 02, também se verifica que não há destaque de IPI, mas apenas de ICMS, PIS e COFINS. 56. Sendo assim, resta totalmente incompreensível a tabela apresentada pelo contribuinte juntamente com as Notas Fiscais e juntada à fl. 134 do processo eletrônico. Nesta, o Impugnante identifica todos os valores de IPI creditados no Livro RAIPI (exceto o referente a Março/2013), demonstrando que foram obtidos a partir da incidência de uma suposta alíquota de IPI de 15% sobre o valor total da conta de energia elétrica. Porém, sendo a energia elétrica Não Tributável (NT) pelo IPI, e não estando estes valores destacados nas Notas Fiscais, não há como se saber sequer como o contribuinte obteve a referida alíquota. 57. Em relação ao crédito presumido, vejamos o que dispõe a Lei nº 9.363/96: Fl. 1173DF CARF MF 34 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições (...), incidentes sobre as respectivas aquisições,no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. 58. Da leitura da legislação que rege o crédito presumido de IPI concluise de imediato que o Impugnante não faz jus a este incentivo fiscal, pois em momento algum apresentou qualquer comprovação de exportações realizadas, não apresentou à Receita Federal qualquer DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido), nem muito menos apurou crédito presumido nos termos determinados pelo art. 2º da Lei nº 9.363/96. 59. Apesar disso, os créditos em discussão foram escriturados no Livro RAIPI como “crédito presumido”, no campo “Outros Créditos”, como no exemplo a seguir: (…) 60. Além disso, mesmo que o Impugnante fosse empresa exportadora e tivesse apurado os créditos nos termos estabelecidos pela lei, ainda assim não poderia apurálos sobre seu consumo de energia elétrica, por não se enquadrar no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizado na legislação do IPI, conforme decidido reiteradas vezes pelo STJ (ver item 54 deste Acórdão). 61. Portanto, corretas as glosas efetuadas pela Autoridade Fiscal. 10.16. Corretos, dessa forma, a autuação e o Acórdão DRJ, que não merecem reparos. 10.17. Desta forma, NEGO PROVIMENTO neste tópico. 11. DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE ATO DOLOSO TENDENTE A DIMINUIÇÃO DO TRIBUTO 11.1. Afirma a recorrente que jamais provocou qualquer redução dolosa de tributo, mediante escrituração indevida de tributos, e que fraude alguma pode ser constatada a partir do ajuizamento de qualquer ação. Sustenta que a empresa foi clara ao referir que não possui crédito de IPI com respaldo em processo judicial e que tal assertiva jamais foi modificada pela Autuada. Alega que a utilização de créditos de IPI decorrentes da aquisição de energia elétrica pela Autuada ocorreu durante longos anos, estando pautada em diversos precedentes jurisprudenciais. No entanto, o ajuizamento da ação se deu após a Autuada entrar em contato com seu escritório de advocacia, no decorrer da ação fiscal que deu origem à presente autuação, momento em que foi informada sobre precedentes contrários ao posicionamento que vinha utilizando na empresa. 64. Assim, a empresa teria apenas informado à fiscalização que Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.158 35 havia ajuizado ação, onde postula o reconhecimento de seu direito em proceder com escrituração de créditos de IPI decorrentes da aquisição de energia elétrica. 11.2. O Acórdão DRJ mais uma vez se mostrou didático, aqui reproduzo seus dizeres, por não merecerem correções: As afirmações do Impugnante, entretanto, não encontram respaldo nos elementos de prova juntados ao processo pelo AuditorFiscal. As páginas do Livro RAIPI demonstram que, ao contrário do que afirma o contribuinte, houve sim redução de tributo mediante escrituração indevida de créditos. E por tudo quanto já fora exposto, a conclusão imediata é a de que o Impugnante tinha conhecimento que tal escrituração era indevida mas, mesmo assim, prosseguiu com a conduta delituosa. 66. Conforme demonstrado nos itens 54 e 55, a legislação não permite qualquer tipo de crédito de IPI sobre consumo de energia elétrica, exceto em casos específicos de empresas fabricantes de alumínio e algumas ligas metálicas especificas, nas quais a passagem da energia elétrica pelo próprio produto em fabricação é necessária. Nestes casos, porém, há o contato direto entre insumo e produto, conforme exigido pela legislação. 67. Não é caso do Impugnante, fabricante de embalagens plásticas, em que a energia elétrica é utilizada para o funcionamento de máquinas,iluminação de áreas, etc. Essa interpretação da legislação é pacífica tanto no âmbito administrativo (DRJ e CARF) quanto no âmbito judicial (STJ), já há muitos anos. Basta ver que o Informativo de Jurisprudência nº 258, da 1ª Turma do STJ, colacionado alhures, foi referente ao período de 29/08 a 02/09/2005, há quase 12 anos, portanto 68. Assim sendo, não é minimamente razoável imaginar que o Impugnante não soubesse que o crédito que estava escriturando era indevido. Sua alegação de que a utilização destes créditos ocorreu durante longos anos só evidencia a reiteração continuada de sua conduta delituosa. E a afirmação de que estaria pautada em diversos precedentes jurisprudenciais não é verdadeira, como já demonstrado ao longo deste voto, pois a posição pacífica no STJ é pela não admissão de tais créditos . 69. Da mesma forma, foge à razoabilidade a alegação do Impugnante de que, por coincidência, após iniciada a fiscalização, entrou em contato com seu escritório de advocacia e neste momento foi informada sobre precedentes contrários ao posicionamento que vinha utilizando, principalmente porque tais precedentes contrários sempre existiram, tanto no âmbito administrativo (onde a tese do contribuinte nunca foi aceita) quanto no âmbito judicial (onde desde 2005 o STJ firmou posicionamento contrário à tese do contribuinte). 70. Em nenhum momento houve a aceitação pacífica sobre a possibilidade de creditamento de IPI sobre consumo de energia elétrica, seja na modalidade de Crédito Básico (pelo simples fato de não haver incidência de IPI sobre energia elétrica) seja na forma de benefício fiscal através de Crédito Presumido (conforme Fl. 1175DF CARF MF 36 jurisprudência firmada pelo STJ). Além do mais, o cálculo realizado pelo Impugnante para obter o valor do crédito do IPI, como já destacado no item 56, não encontra previsão em nenhum dispositivo da legislação brasileira. 71. Sendo uma questão já bastante discutida, de amplo conhecimento de advogados, contadores, consultores e sociedades industriais, não é crível supor que o Impugnante não fizesse idéia de que o crédito que estava escriturando seria, no mínimo, controvertido. E é princípio basilar do Direito que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da Lei como escusa para sua conduta. 72. Estivesse o contribuinte de boafé, acreditando que realmente teria o direito ao creditamento, deveria ter formulado um procedimento administrativo de Consulta no âmbito da Secretaria da Receita Federal, conforme previsto no art. 48 na Lei nº 9.430/96 e regulamentado na Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16/09/2013, para se certificar sobre seu direito ao crédito. 73. Se todos os contribuintes pudessem, livremente, realizar qualquer conduta no sentido de reduzir tributo de sua responsabilidade sob a alegação de sua própria crença na correção deste procedimento, a fiscalização de tributos restaria inviabilizada. Tal procedimento, evidentemente, não encontra guarida no Direito pátrio, que já disponibilizou como visto, meios para que o contribuinte possa expor sua interpretação sobre matéria tributária . 74. O AuditorFiscal autuante não considerou a existência de fraude apenas pelo fato do contribuinte ter impetrado Mandado de Segurança após o início do procedimento fiscal, como sustenta o Impugnante. Recorrer ao Poder Judiciário é direito de todos os contribuintes que não só podem, como devem certificar seu direito junto aos órgãos judiciais. 75. Sua conclusão se deu em virtude de todo o conjunto probatório levantado ao longo da fiscalização, como o Livro RAIPI, as Notas Fiscais, Respostas às Intimações, e, claro, o processo judicial em questão, que é apenas um dos vários indícios que, juntos, formam a convicção sobre a ocorrência de fraude, como a escrituração indevida de créditos inexistentes, os valores envolvidos, a reiteração da prática ao longo de todo o período da fiscalização, a própria ação judicial e, em especial, a matéria em si, pelo fato do desconhecimento sobre a ilicitude não ser escusável neste caso. Em suas palavras: 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA: (...) 2.2.5 – Ficou evidenciado, então, que o sujeito passivo efetivamente praticou fraude fiscal mediante o artifício doloso de registrar créditos fiscais sabida e absolutamente inexistentes ou indevidos em livro exigido pela lei fiscal – RAIPI, com o único e inequívoco propósito de reduzir o montante do imposto devido (o valor do saldo devedor do IPI a recolher), o que caracteriza a circunstância qualificativa prevista no art. 68, § 2º e no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 (com a redação dada pelo Decretolei nº 34/1966), que dizem: (grifo nosso) Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.159 37 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica... § 2º São circunstâncias qualifcativas a sonegação, a fraude e o conluio. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 11.3 INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE DA MULTA EM DOBRO 11.4 Defende a recorrente que é inaplicável a imposição de multa agravada de 150%, pois não existe qualquer prova de dolo na sua conduta., alegando que tanto não havia intuito de fraude que ela própria refere expressamente não haver processo que substancie sua escrituração de crédito, e que o artigo 112 do Código Tributário Nacional determina que a lei tributária que impõe penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao Contribuinte Ainda sustenta que sempre acreditou estar agindo dentro da lei. Seria ônus do Fisco apresentar decisão fundamentada para afastar o aproveitamento de créditos pela Autuada. Da mesma forma, a prova de dolo é da Fiscalização, que se eximiu de produzila, sustentando suas teses em meras colagens de artigos de lei, sem em nenhum momento relacionálos com o caso concreto. 11.5 Mais uma vez, reproduzo as palavras do Acórdão DRJ, por irretocáveis : Observase que o Impugnante interpretou os fundamentos apresentados pela Autoridade Fiscal de forma equivocada. O fato de não haver processo que substancie sua escrituração de crédito não significa que não havia intuito de fraude. Ao contrário, se houvesse decisão judicial, mesmo provisória, que lhe garantisse o direito ao creditamento, não haveria de se falar em fraude . 79. As provas do dolo do contribuinte são claras e foram bem expostas pelo AuditorFiscal, que apresentou Livro RAIPI, escriturado pelo próprio contribuinte, com o registro de créditos sabidamente indevidos, pois o creditamento de IPI sobre consumo de energia elétrica já foi objeto de inúmeras decisões administrativas e judiciais, sendo que, tanto o CARF quanto a Corte responsável pela interpretação da legislação infraconstitucional, o STJ, já se posicionaram no sentido de não admitilo. 80. O art. 112 do Código Tributário Nacional realmente determina que a lei tributária que impõe penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao Contribuinte, mas não é qualquer dúvida que permite tal interpretação benigna. Há que ser uma dúvida razoável. Devese ter em mente, para a caracterização do dolo, que é impossível extrair da mente do contribuinte a sua real intenção em cada conduta. O dolo deve ser sempre aferido a partir das Fl. 1177DF CARF MF 38 circunstâncias que acompanham a situação sob análise. E, no presente caso, os indícios de dolo são muito fortes . 81. O AuditorFiscal apresentou os elementos de prova necessários, juntandoos ao processo, e redigiu suas conclusões de forma clara e concisa no Relatório Fiscal. Ao contrário do que tenta provar o Impugnante, não se limitou a “sustentar suas teses em meras colagens de artigos de lei, sem em nenhum momento relacionálos com o caso concreto”. 11.6 DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA O Termo de Sujeição Passiva foi lavrado com supedâneo no artig 28 do RIPI/2010, que dispõe : Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal 11.7. Quanto á aplicação dos artigos 128 e 135 do CTN, corretamente aplicados pois claramente agiu com excesso de poderes o dirigente da recorrente pelos motivos já amplamente expostos: o aproveitamento de crédito indevido do IPI, a redução do montante escriturado sem respaldo legal, a interposição de ação judicial no transcorrer da fiscalização com o claro intuito de se valer deste expediente para justificar a adoção das medidas anteriores, a utilização do crédito mesmo depois da sentença judicial denegatória e que extinguiu o processo judicial, a declaração em DCRTF de valores apagar menores que os devidos. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.160 39 II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 11,8, Desta forma, correto o Termo de Sujeição Passiva. Conclusão 12. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO para manter a autuação e o crédito tributário em sua integralidade. É o meu voto. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1179DF CARF MF 40 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira redator designado Peço vênia ao i. relator, para divergir tão somente quanto à qualificação da multa de ofício e atribuição da responsabilidade solidária aos sócios. No mais, o voto é irretocável. Reproduzo trechos do "Relatório Fiscal" (fls. 2 a 6) e do "Auto de Infração" (fls. 8 a 57): "Relatório Fiscal (. . .) 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA : 2.2.1 – Através do item 4 do Termo de Início de Ação Fiscal – Fiscalização (em anexo), o sujeito passivo foi intimado a apresentar declaração com as justificativas e informações detalhadas acerca dos valores escriturados como “Outros Créditos” em seu Livro Registro de Apuração de IPI (Sped Fiscal / Livro RAIPI). Em decorrência do sujeito passivo não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, através do Termo de Reintimação Fiscal – Termo nº 02 (em anexo) foi o mesmo reintimado para apresentar os respectivos elementos. 2.2.2 – Em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou a correspondência (datada de 24/06/2016 em anexo) onde afirma que “3 A empresa não possui crédito de IPI com respaldado em Processo Judicial anterior” e “4 – Em atendimento aos itens 4, 5 e 5.1.1 solicitamos uma prorrogação de prazo por mais 30 dias...” 2.2.3 – Ainda em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou nova correspondência (datada de 01/08/2016 em anexo) onde declara, contrariamente à correspondência anterior, o seguinte => “3 Resposta ao quesito número 3: A Fiscalizada possui processo judicial nº 500043423.2016.4.03.6110, que tramita na 2ª Vara Federal da Comarca de Sorocaba/SP, onde postula o reconhecimento de seu direito líquido e certo em proceder o lançamento do crédito....incluindo a energia elétrica... A certidão narratória, embora requerida, ainda não disponibilizada à Fiscalizada, sendo que será apresentada à Fiscalização assim que possível”. 2.2.4 – Entretanto, consultando os arquivos públicos da “Justiça Federal da 3a. Região – Pje – Processo Judicial Eletrônico – Consulta Processual” (em anexo) esta fiscalização constatou que o processo judicial acima citado pelo sujeito passivo tratase, na verdade, de Mandado de Segurança (impetrado somente em 01/08/2016, ou seja, bem posterior à citada reintimação fiscal) onde o mesmo postula, extemporaneamente, o reconhecimento do crédito de IPI sobre o consumo de energia elétrica já escriturado, porém indevidamente (por absoluta falta de amparo legal). 2.2.5 – Não obstante, através do Termo nº 05 (reintimação – em anexo) o sujeito passivo foi novamente intimado para apresentar a “Certidão de Objeto e Pé / Certidão Narratória”, relativamente ao citado processo judicial, sendo que o mesmo não se manifestou a respeito até o encerramento desta fiscalização. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.161 41 2.2.6 – Consultando, então, novamente os arquivos públicos da Justiça Federal, esta fiscalização encontrou a sentença proferida em 30/08/2016 (em anexo) para o citado processo, conforme publicação no “Diário Oficial – Judicial I – Interior e MS – Tribunal Regional Federal da 3 Região (TRF3) de 08 de Setembro de 2016 (páginas 317 / 319)” onde conclui “Ante o exposto, DENEGO A SEGURANÇA e JULGO EXTINTO O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO...” 2.2.5 – Ficou evidenciado, então, que o sujeito passivo efetivamente praticou fraude fiscal mediante o artifício doloso de registrar créditos fiscais sabida e absolutamente inexistentes ou indevidos em livro exigido pela lei fiscal – RAIPI, com o único e inequívoco propósito de reduzir o montante do imposto devido (o valor do saldo devedor do IPI a recolher), o que caracteriza a circunstância qualificativa prevista no art. 68, § 2º e no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 (com a redação dada pelo Decretolei nº 34/1966), que dizem: Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica... § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 2.3 – SALDOS DEVEDORES D O IPI NÃO DECLARADOS OU DECLARADOS A MENOR EM DCTF E NÃO RECOLHIDOS OU RECOLHIDOS A MENOR => Em consequência das irregularidades expostas no item anterior, os sujeito passivo apresentou as 'DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais' proposital e inequivocadamente com valores de débito / recolhimentos de IPI inferiores aos corretos e devidos saldos devedores, conforme 'IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos', em anexo. (. . .) 3.2 – PROCESSO DIGITAL nº 10865720.059/201758 => Em decorrência das irregularidades apontadas no item “2.2 – Outros Créditos Indevidos – Energia Elétrica” e no item “2.3 Saldos Devedores de IPI Não Declarados ou Declarados a menor em DCTF e Não Recolhidos ou Recolhidos a Menor” foram adotadas as seguintes providências fiscais, respectivamente: 3.2.1– Foi lavrado o devido Auto de Infração no montante original de R$ 3.491.929,45, cuja multa foi aumentada em 100% (passando para 150%) em decorrência da circunstância qualificada citada no item 2.2.5, conforme dispõe o Art. 80, caput e § 6º inciso II da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07, que diz: 'Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto... § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo... será: II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei.' Fl. 1181DF CARF MF 42 3.2.2 – Foi lavrado o devido Auto de Infração da multa regulamentar no valor de R$ 917.781,11 relativamente aos erros nas informações prestadas em DCTF (decorrente dos saldos devedores não declarados ou declarados a menor), conforme planilha “Composição do Valor da Multa por erros nas informações prestadas em DCTF Entregue – Anexo do Auto de Infração” (em anexo) . 3.2.3 – Foi lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária (atribuída a responsabilidade solidária ao sócio administrador), em razão do não recolhimento do imposto nos respectivos prazos legais, constantes do Auto de Infração representado pelos citado Processo Digital nº 10865720.059/201758, conforme dispõe o 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI /2010), que diz: 'Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8o).' (. . .)" "Auto de Infração (. . .) DEMONSTRATIVO DE RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS Conforme demonstrado no item “2.3 – Saldos Devedores do IPI Não Declarados ou Declarados a Menor em DCTF e Não Recolhidos ou Recolhidos a Menor, do Relatório Fiscal relativo a este Auto de Infração, o sujeito passivo recolheu a menor o IPI, relativamente aos de jul a out/2012, dez/2012 a abr/2014, jul a out/2014, jan a jul/2015 e de set a dez/2015. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 135 da Lei n° 5.172/66." (g.n.) O contribuinte ingressou em juízo para pleitear o direito ao registro de créditos de IPI sobre compras de energia elétrica, processo que ainda se encontra pendente de decisão. E, paralelamente, utilizou os créditos. Ao ser questionado pela fiscalização acerca dos créditos escriturados, informou qual era sua natureza e a existência de ação judicial. Tal conduta, definitivamente, não pode ser considerada como fraudulenta, nos termos do acima reproduzido art 72 da Lei n° 4.502/64. Tratase, simplesmente, da adoção de uma interpretação incorreta da legislação. Assim, é incabível a qualificação da multa de ofício, bem como a atribuição de responsabilidade tributária solidária aos sócios, com fulcro no art. 135 do CTN, uma vez que já restou pacificado que este requer que seja identificada alguma conduta dolosa ou fraudulenta, para que sejam incluídos os sócios no polo passivo da obrigação tributária. Sendo assim, voto por desqualificar a multa de ofício, que passa de 150% para 75%, e afastar a atribuição da responsabilidade tributária solidária dos sócios. É como voto. Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.162 43 (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques D'Oliveira Fl. 1183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720606/2013-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Numero da decisão: 3002-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário e determinar a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
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ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário e determinar a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 06 06 /2 01 3- 38 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1294.838 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre carga transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 42/46), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 21/31), deixando "de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo", por considerar que o Agente Marítimo é o legitimo representante do transportador estrangeiro no País, ou seja, "alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva" portanto responde pela a infração, que deve ser mantida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003 e, por fim, não pode ser aplicado o instituto da denúncia espontânea, por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 4 3 O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 56/66) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) "a violação ao art. 9º do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, ante a ausência de elementos fundamentais à Recorrente no tocante a indicação das rubricas sobre as quais a fiscalização visualizou os atos infratores, posto que deixou de juntar auto de infração os documentos que comprovariam tais ocorrências" b) a "ausência de responsabilidade pela prestação das informações" alegando que "não agiu em nome próprio, mas na qualidade de mandatária (representante) internacional do agente de carga no exterior", c) que "não poderia ser autuada com base em legislação que ainda não tinha entrado em vigência" d) invocou o art. 112 do CTN, informando que "dúvida não existe quanto à inexistência de prática infratora" e, por fim, e) invocou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Alega o contribuinte em sua Impugnação (fls. 21/31) a "ausência de elementos fundamentais à Recorrente no tocante a indicação das rubricas sobre as quais a fiscalização visualizou os atos infratores, posto que deixou de juntar auto de infração os documentos que comprovariam tais ocorrências" violando assim, o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972 , ausência de responsabilidade, alegando que "não agiu em nome próprio, mas na qualidade de mandatária (representante) internacional do agente de carga", denúncia espontânea, que "não poderia ser autuada com base em legislação que ainda não tinha entrado em vigência", invocou o art. 112 do CTN, informando que "dúvida não existe quanto à inexistência de prática infratora" e, por fim, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Da leitura do voto proferido pela DRJ nos leva à conclusão de omissão sobre questões relevantes trazidas pela recorrente, quais sejam, a obrigatoriedade dos prazos contido na IN SRF nº 899/2008 a partir de 1º de abril de 2009 e sobre a aplicação da interpretação mais favorável ao contribuinte. Sendo assim, concluo que o Acórdão recorrido deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (grifado). Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720965/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005
NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA.
O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991.
Assim, verifica da as circunstâncias definidas pela legislação como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE.
Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS.
A autoridade fiscal tem o poder-dever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares,e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA. O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, verifica da as circunstâncias definidas pela legislação como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS. A autoridade fiscal tem o poder-dever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares,e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior.
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INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA. O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, verifica da as circunstâncias definidas pela legislação como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea “a”, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS. A autoridade fiscal tem o poderdever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 09 65 /2 01 0- 68 Fl. 3666DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares,e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITALAR LTDA., contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador BA (6ª Turma da DRJ/SDR), que julgou parcialmente procedente impugnação e manteve as demais disposições do crédito tributário lançado. Conforme relatório fiscal (fls. 19 e seguintes do eprocesso,) o Auto de Infração, identificado pelo DEBCAD nº 37.264.2012, lavrado em nome da empresa SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITAL LTDA, para a cobrança de contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados devida no período de fevereiro de 2005 a maio de 2005, inclusive 13º de 2005, com valor atualizado de R$73.603,26 (setenta e três mil seiscentos e três reais e vinte e seis centavos), acrescido de juros, multa de mora. Fl. 3667DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 345 3 O relatório do Acórdão recorrido (fls. 3.573, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: "De acordo com o Relatório Fiscal, foram encontradas divergências de Base de Cálculo e desconto de segurados entre os resumos de folhas de pagamento apresentadas em meio papel confrontadas com os valores Declarados em GFIP. Anexa planilha Divergências FOPAG X GFIP, Anexo III – FOPAG X GFIP. O Relatório informa que foram encontrados ainda, pagamentos a contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos) nos Livro Razão 09 (pag. 89 e 112), 15 (pág. 138) e 17 (pág. 117), Conta 4.1.03.010.0001 003991 SERVIÇOS PRESTADOS PF, sem terem sidos oferecidos à tributação, sem constar em folha de pagamento e GFIP, bem como sem o respectivo desconto (Livro Razão 15 e 17) da "parte segurados", prevista na Lei obrigação acessória. A contribuição dos contribuintes individuais prevista na Lei nº10.666/2003 foi calculada à alíquota de 11%. O Relatório fiscal informa que a empresa não possuía convênios com Outras Entidades, entretanto, face aos mandados de seguranças impetrados contra o INSS, vinha informando as GFIP's e recolhendo da seguinte forma: A empresa informou nas GFIP's competência 01/2005, 02/2005, 04/2005 a 11/2005, código de terceiros (0049 FNDE, SENAC e SESC), competências 03/2005 e 13/2005 , código de terceiros (113 FNDE, SENAC, SESC e SEBRAE) e competência 12/2005 código de terceiros (115 FNDE, SENAC, SESC , SEBRAE e INCRA). Tais diferenças foram cobradas em débito separado constituído nesta ação fiscal Foram considerados no procedimento fiscal, todos os pagamentos feitos em época própria através de GPS Guia da Previdência Social cód. 2100, 2119, 2631 e 2640. Foram considerados ainda os valores de compensação e dedução salário família e maternidade declarados em GFIP. Os créditos foram apropriados no levantamento FP FOPAG DECLARADA, PL PROLABORE DECLARADO e CT COOPERATIVA DE TRABALHO DECLARADA. As sobras de GPS por competência foram apropriadas nos demais levantamentos objeto da ação fiscal. O RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados demonstra todas as apropriações realizadas, inclusive as presentes em levantamento e competências de Valores Declarados em GFIP, não considerados neste débito. Foram aplicadas as seguintes alíquotas: 2,5% Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE): Art. 212 § 5° da Constituição Federal; Leis ns. 9.424, de 24/12/1996 e 9.766, de 18/12/1998, e Decreto n°. 3.142, de 16/08/1999, com a redação dada pelo Decreto n°. 4.943, de 30/12/2003, e Decreto n°. 6.003, de 28/12/2006; Fl. 3668DF CARF MF 4 0,2% Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA): Lei n°. 2.613, de 23/09/1955 e DecretosLeis ns. 1.146, de 31/12/1970 e 1.989, de 28/12/1982; Alíquota 1,0% Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC): DecretosLeis ns. 8.621 e 8.622, de 10/01/1946; Alíquota 1,5% Serviço Social do Comércio (SESC): DecretoLei n°. 9.853, de 13/09/1946 e Decreto n°. 60.466, de 14/03/1967; Alíquota 0,6% Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (SEBRAE): Decreto n°. 90.414, de 07/11/1984; Lei n°. 8.029, de 12/04/1990, com a redação dada pela Lei n°. 11.080, de 30/12/2004 e Decreto n°. 99.570, de 09/10/1990; O Relatório informa que a empresa enquadrase no FPAS 5150, Terceiros 115 e ainda CNAE Fiscal Código Nacional de Atividades Econômicas 7020400 e CNAE 7416.0, que não foram recolhidas em época própria, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados. O crédito foi apurado através dos seguintes levantamentos: FN FOPAG NÃO DECLARADA, que corresponde aos valores pagos aos empregados, apurados a partir das folhas de pagamento, efetivamente apresentadas, não declarados em GFIP. CA CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO que corresponde à remuneração aferida por pessoas caracterizadas como segurados empregados, através da análise dos contratos de prestação de serviços por pessoa jurídica" (CONTRATADOS), onde se evidencia a utilização simulatória da roupagem da pessoa jurídica para encobrir prestação efetiva de serviços por uma específica pessoa física (sócio da empresa). Para justificar a caracterização de segurado empregado, o auditor explica que as provas sinalizam no sentido de que houve uma contratação, em verdade, da pessoa física de médicos, fisioterapeutas, dentistas, assessores e gestores, radiologistas, técnico de segurança do trabalho inclusive com pessoalidade. Diz que a constituição e contratação por intermédio da pessoa jurídica operouse unicamente com o intuito de fraudar a legislação trabalhista, tendo sido a contratação efetivada, em verdade, em virtude da pessoa física do prestador. Ressalta que a prestação pessoa jurídica tinha por certa a prestação dos serviços pela pessoa física. Tanto assim que, realizada a contratação, o nome dos sócios constavam nos Boletins de Medição dos serviços prestados, ora prestando plantões, recebendo produtividade médica, diárias, ficando de sobreaviso, substituindo outro profissional, autorizando pagamentos pela empresa, passagem de enfermaria, enfim atividades típicas de funcionários empregados. O Relatório transcreve cláusulas contratuais para demonstrar que a empresa contratante, SM Assessoria tinha ingerência direta na contratada. Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 346 5 CLÁUSULA TERCEIRA DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA São obrigações da CONTRATADA: c) fornecer relação nominal dos profissionais a serem utilizados na prestação dos serviços, indicando a especialidade e juntando o respectivo currículo; o) guardar sigilo absoluto inclusive através de seus sócios, empregados e prepostos, de toda e qualquer informação e/ou documento que tiver conhecimento em razão da execução do objeto do presente Contrato, sendo vedada a sua divulgação ou reprodução total ou parcial sob qualquer pretexto ou objetivo, sem a prévia autorização da CONTRATANTE; r) informar à CONTRATANTE, qualquer modificação na sua composição social Diz que isso acentua a necessidade que tinha, a CONTRATANTE, de que o prestador pessoa física e ele, pessoalmente, comparecesse para prestar o serviço. Afirma que o contrato era feito para que aquele determinado médico ou profissional, com aquela determinada qualificação, cumprisse, pessoalmente, o contrato firmado. Não poderia ele mandar outro médico ou profissional qualquer em seu lugar, à medida que precisava avaliar o curriculum antes. Para demonstrar a não eventualidade, fala da responsabilidade de comparecimento em determinado dia da semana para um plantão de 24 horas, prestação habitual de serviço. As notas fiscais demonstram que os contratados recebia, mensalmente, uma quantia equivalente ao trabalho prestado à contratante, ou seja, uma remuneração. Para demonstrar a subordinação argumenta que a CONTRATANTE administra hospitais na realização dos serviços médicos, administrativos e de enfermagem. Diz que a função do hospital é promover serviços de saúde e que no desempenhar dessa atividade , a empresa precisa de médicos e profissionais de saúde trabalhando. O auditor diz ter constatado não haver médicos com carteira assinada trabalhando para a contratante. Diz que os médicos ora são cooperativados ora são contratados através de pessoas jurídicas e que a noção de subordinação objetiva encaixase com perfeição à hipótese em exame. Argumenta que não se questiona, aqui, a sujeição à pessoa do empregado, mas que o hospital tinha ingerência sobre o modo como a sua atividade fim seria realizada, sobretudo porque nenhum daqueles prestadores era, em tese, seu empregado, todos seguiam o mesmo modus operandi para a consecução da atividade fim do contratante. Transcreve a Cláusula Terceira Das Obrigações da Contratada: São obrigações da CONTRATADA: i) cumprir e lazer cumprir por si, seus sócios, empregados c prepostos, os princípios éticos profissionais as normas e Fl. 3670DF CARF MF 6 procedimentos da CONTRATANTE, da SESAB e do SUS; Diz que sob essa ótica objetivista, não resta dúvida de que o CONTRATADO estava subordinado às ordens da CONTRATANTE, na forma de consecução do contrato firmado, quando teria de informar qualquer modificação no quadro societário da empresa. A subordinação, não estava ligada à pessoa do empregado, mas ao próprio objeto do contrato. Tanto assim, que a CONTRATANTE não possuía qualquer médico que fosse seu empregado. Era necessário, então, que todos os prestadores seguissem um mesmo modo de realização do objeto do contrato, modo este dirigido, coordenado, pela CONTRATANTE. e, ainda, com exclusividade, conforme planilhas anexas com a relação de notas fiscais emitidas pelos CONTRATADOS, com numeração sequenciada para o CONTRATANTE. Transcreve o art. 442 da CLT e afirma que o contrato de trabalho é um contrato realidade, assim, caracterizada a existência dos requisitos da relação de emprego (subordinação, nãoeventualidade, pessoalidade e remuneração) restam nulos os atos praticados com o objetivo de desvirtuálo. Diz que a existência de contrato de sociedade, ou simples contrato de serviço, que mascaram essa realidade, podem ser ignorados sempre que a fiscalização disponha de elementos que comprovam a existência do contrato de trabalho. Afirma que as decisões judiciais da Justiça do Trabalho Tribunal Regional da 5ª. Região, referente a Reclamatórias Trabalhistas, nas quais a SM ASSESSORIA figura como reclamada e como reclamante figuram sócios pessoas físicas que simularam pessoas jurídicas, corroboram o exposto acima pois, as decisões diante do conjunto probatório, e com fundamentação detalhada nas linhas anteriores, aponta para a fraude à legislação trabalhista e, consequentemente, o reconhecimento da relação de emprego entre as partes. Reconhecem o vínculo empregatício e condenam a SM ASSESSORIA a pagar as parcelas decorrentes do vínculo e parcelas rescisórias, anexando cópia das decisões dos processos: 00068.2007.561.05.007, 00067.2007.561.05.002 e 00066.2007.561.05.008. Pelos motivos acima explicitados a fiscalização procedeu ao enquadramento como segurado empregado, tomando como base o art. 229 § 2º do Decreto 3.048/99 e aplicou a alíquota mínima com fundamento na Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de2009. A aferição foi feita conforme Lei nº. 8.212, de 24/07/1991, art. 33 e § 3°, 5° e 6° e Decreto nº. 3.048, de 06/05/1999, arts. 233 e 235 e alterações posteriores. A discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bases de cálculo, a discriminação por rubricas, a origem do débito e competências das contribuições apuradas para estes levantamentos, bem como as alíquotas empregadas, bem como as deduções feitas constam no Relatório de Lançamentos RL e o Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 347 7 montante apurado por competência, bem como o montante para o período de lançamento do débito, inclusive com juros SELIC e multa constam no relatório Discriminativo do Débito DD, também anexo. Foram aplicadas a alíquota de 8%. A fim de instruir o processo administrativo junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) foram juntadas planilhas demonstrativas, com a relação das pessoas caracterizadas segurados empregados, contratos de prestação de serviços da CONTRATANTE, Notas fiscais de prestação de CONTRATADOS, movimento financeiro, boletim de medição de serviços de CONTRATADOS, documentos comprobatórios do Gestor da SM ASSESSORIA, cópias de processos de decisões da Justiça do Trabalho, que comprovam os fatos mencionados em cada levantamento. Após seus argumentos em sede de impugnação terem sidos acolhidos parcialmente, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 4.586 e seguintes do e processo, aduzindo o seguinte: Preliminarmente, a incompetência do agente fiscal para declarar a existência da relação de trabalho, que seria exclusiva da "justiça do trabalho". No mérito alega: a improcedência do auto de infração, em razão da não ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias sociais, uma vez que não haveria elementos caracterizadores para a caracterização de vinculo empregatícios, trazendo uma série de argumentos contrários à decisão de primeira instância quanto a aplicação da legislação previdenciária, e consequemente não haveria tributo a ser recolhido. erro na base de cálculo. aplicação da multa mais benéfica. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. DA PRELIMINAR DA COMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL A recorrente alega incompetência do agente fiscal em caracterizar vínculos empregatícios, referente a prestadores de serviços que mantiveram relações jurídicas com a contribuinte. Fl. 3672DF CARF MF 8 Nesse tópico, a preliminar arguida de nulidade guarda relação em dispositivo específicos no PAF. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Grifei. Nesse quesito, a recorrente alega que o fiscal não seria competente para declarar a relação de vinculo empregatício em relação à seara trabalhista entre a recorrente e seus prestadores de serviços. Na realidade, o agente fiscal não declarou irregular o vinculo empregatício em relação ao direito trabalhista, mas sim perante a norma previdenciária entre as partes envolvidas, tendo em vista que descaracterizou uma operação jurídica que configura em si a possibilidade de incidência da norma tributária. Nesse sentido, o § 2°, do art. 229 do Decreto n° 3.048/1999, dispõe o seguinte: "§ 2o Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado". Com isso, o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I, do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991, assim descritas: "Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 348 9 Portanto, sem razão a recorrente, uma vez que a fiscalização detém competência para analisar a situação fática jurídica de cada caso, baseada em provas e indícios, e determinar, conforme as normas vigentes, a relação de vínculo empregatício para fins de incidência tributária, e tão somente para esse fim, não havendo correlação com a esfera judicial, salvo se essa segunda determinar situação diversa do entendimento fiscal. DO MÉRITO DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS A presente autuação referese à fiscalização seletiva com o objetivo de analisar contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos), no período de 01/2005 a 12/2005. Com isso a autuação, que foi julgada parcialmente procedente, gira em torno de possível ocorrência de vínculo empregatício entre a recorrente e os prestadores de serviços, pessoas físicas revestidas por pessoas jurídicas, e estariam caracterizados com os elementos de vínculos impostos pela CLT: pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. Com visto acima o art. 12, inciso I, item "a", da Lei nº 8.212, de 1991, incide os seguintes requisitos para caracterizar para fins da legislação previdenciária, sendo aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Imperioso, portanto, o princípio da primazia da realidade. A fiscalização desconsiderou os contratos de prestação de serviços firmados, asseverando que os serviços foram prestados pelas pessoas físicas com os requisitos característicos da relação e emprego. Cumpre esclarecer que, em seu recurso a recorrente aborda o tema partindo da premissa de que nem toda "atividade meio" teria a característica da "atividade fim". Para que seja analisado de forma adequada sua alegação, é importante reportar ao núcleo principal da atividade da empresa. Conforme se constata do contrato social da contribuinte (página. 3.424), na clausula 2ª: "a sociedade tem por objeto social a prestação de serviços de assessoria empresarial, gestão hospitalar, serviços médicos, bem como a promoção, administração, e desenvolvimento de entidades na área da saúde". Em seu recurso, a recorrente alega o seguinte: "57. Logo, alguns serviços, justamente por serem especializados, a exemplo dos serviços médicos, de enfermagem, de laboratório, radiologia e planejamento, foram contratados de empresas especializadas em cada ramo de atividade em razão do (art. 982"). Fl. 3674DF CARF MF 10 Com isso, constatase que a própria recorrente alega que os serviços contratados foram para justamente atuar conforme o próprio contrato social da empresa., ou seja: para a atividade fim da sociedade empresarial. Nesse sentido, analisando os contratos trazidos pela fiscalização podese concluir, sem dúvida alguma, que todos eles atendiam às "atividades fim" da empresa recorrente. Notase que, não foram juntados, pela fiscalização na autuação, contratos de atividade meio com a descrição acima, a exemplo de um serviço de copeiro, atendente, segurança (guarda), ou outra atividade que pudesse ser considerada "atividade meio" em relação ao objeto social da empresa autuada. Todos contratos celebrados e utilizados pelo fisco foram específicos na área da saúde para serviços médicos. Portanto, diferente do que argumenta o sujeito passivo, os contratos analisados possuem correlação direta com a situação de atividade fim da empresa recorrente. DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A par dos conceitos trazidos pela fiscalização ou pela recorrente, o que realmente importa é ter a caracterização dos elementos de sujeição e dependência pelos prestadores de serviço. Nesse contexto, quanto à subordinação, entendo não ter relevância predominante de qual é o melhor conceito jurídico adotado para definir o que vem a ser subordinação, tanto por quem acusa (fiscalização) quanto por quem se defende (contribuinte). O que, ao meu ver, é mais importante e necessário são as provas que possam formar a convicção do julgador ao presente caso e que vão caracterizar, aí sim, a subordinação pelas partes envolvidos no contrato pactuado e trazido aos autos. Nesse sentido, a fiscalização diz que (fls. 31 e seguintes): "Constatase nas ação fiscal que “não há médicos com carteira assinada trabalhando para a CONTRATANTE, ora são cooperativados ou contratados através de pessoas jurídicas”. (...) Tanto assim, repisese, que as CONTRATANTE não possuía qualquer médico que fossem seu empregado. Era necessário, então, que todos estes prestadores seguissem um mesmo modo de realização do objeto do contrato, modo este dirigido, coordenado, pela CONTRATANTE. E ainda com exclusividade, conforme planilhas anexas com as relação de notas fiscais emitidas pelos CONTRATADOS, com numeração seqüenciada para o CONTRATANTE". Já a recorrente alega que: "76. Dessa forma, resta comprovado também que a simples padronização dos contratos de prestação de serviços não são suficientes para caracterizar o vínculo empregatício, e, portanto, não prospera a fundamentação de que "os contratos celebrados pela impugnante com as prestadoras são contratos padrões" para a caracterização de tal vínculo". Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 349 11 Nesse ponto, no quesito subordinação, compreendo que a recorrente não obrou afastar a acusação do fisco em seu recurso. De fato, somente a padronização do contrato não tem o condão de por si só configurar o vínculo empregatício, mas é um forte indício de que os profissionais que entravam no "setor médico", na qual prestavam serviços na atividade fim da empresa, eram consequente contratados por meio de pessoas jurídicas, e que deveriam reportar obediência à recorrente. Os contratos previam que os contratados deveriam informar lista com currículos para Isso porque, poderia sim a recorrente ter algum tipo de contrato terceirizado, mas o que chamou atenção do fisco foi que nenhum especialista na área médica era contratado por meio da CLT, podendo disfarçar a possível ocorrência do fato gerador do tributo. No que diz respeito à pessoalidade, o fisco constatou que todos, ou grande parte dos contratados, seriam executados pelos próprios sócios das pessoas jurídicas. Os que não foram considerados assim, tiveram afastadas da autuação a caracterização de vinculo empregatício. Nesse sentido, verifico que a recorrente não apontou outros elementos ou obrou afastar a acusação de que um profissional sozinho prestava serviço por meio da pessoa jurídica, e somente ele. Por exemplo, poderia a recorrente trazer ao feito notas fiscais de alguns prestadores de serviços para outras empresas que não a recorrente. Seria ao menos uma prova que pudesse afastar o quesito "exclusividade". Já quanto à onerosidade, ficou constatado que os serviços prestados diretamente pelas pessoas físicas eram remunerados de maneira mensal. Isso pode ser verificado nos contratos juntados pelo fisco, pois na sua grande maioria o período de pagamento era acertado em média por 12 (doze) meses, podendo ser renovado a critério das partes, mas que exigia que toda e troca de profissional fosse comunicado à contratante e que fosse submetido currículo de novo profissional á contratante. Fato esse que, além de configurar uma possível subordinação, exigia de forma indireta que as pessoas físicas que estivessem no contrato da pessoa jurídica fossem as únicas a prestarem os serviços, e que numa eventual substituição dessas pessoas a recorrente deveria ter ciência, não havendo liberdade dos contratados de direcionar ao serviço o profissional que fosse de sua preferência. Alias, não ficou sequer provado que haveriam outros profissionais direcionados aos serviços contratados pelas empresas jurídicas, constatandose que a onerosidade do labor realizado era direcionado à pessoa física de forma indireta. Não há também informações de distribuição de lucros dessas empresas para seus sócios, o que é mais uma prova do elemento onerosidade. A não eventualidade também foi objeto de debate nos autos. Nesse sentido o REFISC alega que: "decerto esse trabalho, com a responsabilidade de comparecimento especificamente em determinado dia da semana para um plantão de longas 24 horas, não pode ser considerado eventual. Tratase de prestação habitual de serviço, que, de tão óbvia, dispensa maiores ilações". Com isso, a não eventualidade pode ser observada através dos lançamentos contábeis e do contrato para prestação de serviços, pois nesses casos pode ser Fl. 3676DF CARF MF 12 observado o repasse financeiro as empresa contratadas de valores fixos (independente do número de dias trabalhados ou tarefas realizadas) e permanentes ao longo do tempo, com os pagamentos mensais. Isso, também, diz respeito aos contratos feitos junto às as empresas de medicina do trabalho, segurança do trabalho, assessorias e consultorias, que prestam serviços ao estabelecimento como empregados. A contribuinte somente alegou ocorrer visitas eventuais desses profissionais, o que não foi constatado pela fiscalização que apontou a permanência ou "circulação" desses de forma constante nas dependências da recorrente. Caberia então à recorrente fazer prova de que esse profissional seria contratado de forma eventual, por meio de algum tipo de contrato diferente do que foi juntado aos autos, a exemplo do Técnico em segurança do trabalho, que visa diminuir os riscos de acidente de trabalho, e que ao que se constou dos autos a contribuinte mantém esse profissional em seus quadros de trabalhadores para que seja atingindo o fim específico de sua atuação. Nesse sentido, a recorrente não obrou dizer para qual fim foi contratado esse profissional, somente alegou que "é absurdo enquadrar este como sendo seu empregado", para fins previdenciário. Ora, se a fiscalização lançou como sendo passível de tributação, o ônus de prova passou a ser do contribuinte, que deveria explicar o porque esse agente foi contratado, para que fim estava laborando na empresa contratante, e como ele atuava perante a sociedade autuada. Fato esse que não foi devidamente detalhado pela contribuinte, e, tampouco, provado. Já em relação às ações judiciais, onde se constatou de fato o vínculo empregatício, a recorrente para rebater a essa prova traz aos autos outra ação com numeração e partes diferentes das apontadas pela fiscalização, ajuizada, inclusive, por pessoa terceira pessoa contra terceirizada (constando no pólo passivo outra empresa e a própria autuada), em relação a mais uma empresa que intermediou a contratação da reclamante para laborar atividades nas dependências da recorrente, e que no meu entender não são suficientes não afasta as informações da fiscalização. Alias essa alegação também não foi afastada pela decisão a quo. Ficou claro que nas ações mencionadas pela fiscalização que houve sim vinculo empregatício para fins da interpretação previdenciária, e que esses constavam da relação das pessoas da autuação lançada. Não há decisão somente de primeira instância. Alias, a recorrente não obrou trazer cópia de alguma decisão contrária relativo aos processos mencionados pela fiscalização, mas sim de processo de outra situação ocasionada por vinculo empregatício de também empresa contratada pela recorrente para prestar serviços médicos. Só que esses não foram objetos da autuação. Portanto, mais uma vez não obrou comprovar por meio de provas idôneas que a fiscalização teria se equivocado na sua interpretação. Assim, o princípio da primazia da realidade se sobrepôs aos contratos pactuados, devendo ser mantida a autuação. QUANTO ÁS DIFERENÇAS DECLARADAS EM FOPAG A recorrente alega situação já analisada e excluída pela DRJ de origem, uma vez que o Auto de infração contém a cobrança de contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos, incidentes sobre FOPAG não declarada e Caracterização de segurado empregado. Analisando a decisão de primeira instância, essas verbas que foram lançadas a maior já foram devidamente corrigias pela decisão a quo. Portanto, não há o que se manifestar quanto ao referido pedido. Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 350 13 DA BASE DE CÁLCULO A contribuição dos contribuintes individuais prevista na Lei 10666/2003 foi calculada à alíquota de 11%, referente às notas fiscais da prestação de serviço identificado. A quantia do percentual da base de cálculo, no direito tributário, é definido em lei, conforme determinação do art. 97, inciso IV, do CTN, e não por "ordem de serviço", como aduz a recorrente que gostaria de ver aplicada o limite total de 40% do pagamento realizado, e não sobre o valor bruto da nota fiscal referente aos serviços prestados. Portanto, não assiste razão a recorrente no que diz respeito ao tema da base de cálculo. MULTA E RETROATIVIDADE BENIGNA A autoridade fiscal, ao aplicar a multa assim descreveu: A nova Súmula CARF determina nº 119, assim dispõe: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Com isso, o novo mandamento põe fim à discussão da multa e retroatividade benigna, sendo, portanto, aplicada ao presente caso. Fl. 3678DF CARF MF 14 CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por conhecer do recurso para não acolher as preliminares no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendose a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 3679DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.902399/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando-se a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF - Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10469.901675/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 99 /2 01 0- 00 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 3 2 complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10469.901675/201012, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas restantes. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que a legitimidade dos seus créditos decorre da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares (de 32% para 8%), e que a RFB, através do ADI 18/2003 estabeleceu que são considerados serviços hospitalares os prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde com determinadas características, dentre as quais: 1) a prestação de serviços pelos sócios e por outros profissionais que não compunham os quadros da sociedade; 2) os que não se refiram exclusivamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza eminentemente científica. Ademais, discorre acerca do art. 23 da IN 306/2003, que para fins de equiparação de alguns serviços às atividades hospitalares, para fins tributários, devem ser atendidas exigências tais como: a) a prestação direta de serviços de atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma ou várias atividades previstas em Portaria do Ministério da Saúde; b) o exercício de ações básicas de saúde, como o Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 4 3 primeiro atendimento, a prevenção de doenças, ações de educação, etc; c) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde como a triagem para atendimentos, o atendimento em si, inclusive de urgência, procedimentos de enfermagem, a observação do paciente, a execução de diagnósticos e terapêuticos (por 24 horas, se for o caso); d) realização de procedimentos cirúrgicos, como o desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes (externos e internos), dentre outras. Afirma também, que apenas não procedeu na retificação das DCTFs por impossibilidade técnica, já que o sistema da RFB não permitiu diante do prazo. O Acórdão recorrido entendeu não haver dúvidas de que as receitas provenientes de serviços hospitalares passou a incidir o percentual de presunção de 8%, excepcionandose tais receitas da regra geral de 32%, no entanto entendeu que diante da não apresentação de documentação por parte do contribuinte não seria possível concluir que de fato prestou tais serviços, assim, julgou a manifestação improcedente. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente reforça os argumentos já apresentados, defendendo que não há controvérsia acerca do crédito, sendo ele legítimo. Houve a constatação do erro formal, em razão da aplicação de percentual diverso na apuração do lucro estimado, requerendo o seu direito de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.458, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10469.901675/2010 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.458): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de radiologia, diagnósticos médicos por imagem, ultrassonografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 5 4 diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15 § 1º inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será e: (...) III–trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 6 5 que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 7 6 partir de 1º de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe.. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978914/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologandose as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 14 /2 01 2- 15 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) formulado, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à restituição pleiteada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.297, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Ressaltou, ainda, o julgador de piso, que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, enfatizando o instituto da denúncia espontânea, especialmente o seu reconhecimento pelo CARF e pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.954, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.978899/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.954): 1. Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo, eis que a Recorrente tomou ciência da decisão em 21.03.2016 (efls. 71) e apresentou o Recurso em 20.04.2016 (efls.72), portanto dentro do prazo de 30 dias de que trata o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72. A matéria é de competência deste Colegiado e o recurso revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. Mérito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se analisar o mérito recursal. 2.1. Denúncia Espontânea. Em relação ao instituto da denúncia espontânea e a sua atual disciplina no âmbito do Poder Judiciário e no CARF, tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no processo 10980.004263/200730 foi proferido o Acórdão n. 9303005.874, na sessão de 18 de outubro de 2017, cuja ementa, de Relatoria do I. Conselheiro Rodrigo Pôssas é abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.." Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 5 4 Quando da prolação da referida decisão, em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais salientou que em razão da existência de Recurso Especial em sistemática dos Recursos Repetitivos no STJ, a matéria sequer pode ser apreciada pelo CARF. "A matéria tratada no presente recurso referese somente ao cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado." Tratandose de Recurso Repetitivo submetido à norma do artigo 543C do CPC, aplicase a Portaria MF n. 343/2015, art. 62 § 2º que determina a aplicação da decisão, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quando da discussão da controvérsia no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do já mencionado Recurso Especial, o Ilmo. Conselheiro Rodrigo Pôssas salientou que o referido entendimento vincula as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, verbis: "Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgãoproceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 6 5 lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente." No caso concreto a Recorrente realizou uma compensação tributária e, independente de qualquer atuação estatal, posteriormente identificou o erro, recolheu a diferença e emitiu nova DCTF (...) Imperioso destacar que pela análise da documentação trazida aos autos a nova DCTF foi apresentada APÓS o recolhimento da diferença do tributo, que se deu independente de qualquer atuação por parte da Administração Pública, razão pela qual a Recorrente entende não serem devidos juros moratórios. Efetivamente, é de se constatar que o caso ora submetido a análise deste Colegiado amoldase com perfeição à jurisprudência deste Colegiado, aliás de observância compulsória, razão mais que suficiente para que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.720408/2012-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN.
A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4.
Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais..
Numero da decisão: 2001-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
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APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 72 04 08 /2 01 2- 62 Fl. 75DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 60.444,05. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que em 2009, recebeu da CEF o montante de R$ 60.444,05, decorrente de ação de revisão de benefício previdenciário e cobrança de diferenças em atraso, em face do INSS, todavia, tais rendimentos não podem ser incluídos de uma única vez. Alega que de acordo com a jurisprudência pacífica do STJ, ao tributar tais rendimentos, o Fisco deve observar os valores recebidos mensalmente e não alocar em um único período todo o montante auferido acumuladamente. Acrescenta que mesmo que os rendimentos fossem tributados na forma que determina o STJ, os mesmos estariam alcançados pela decadência, nos termos do §4º, art. 150, do CTN e que do montante recebido, o valor de R$ 25.659,87, referese à despesa com honorários advocatícios. Assim, apenas devem integrar a base de cálculo o total de R$ 34.784,18. A DRJ São Paulo, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro que o contribuinte não logrou êxito em comprovar as suas alegações, pelos motivos expostos no acórdão, de forma detalhada e fundamentada. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte repisa novamente nas mesmas questões levantadas na impugnação, levanta preliminares sem fundamentos e repete os mesmos argumentos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Da decadência Preliminar Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13836.720408/201262 Acórdão n.º 2001000.712 S2C0T1 Fl. 3 3 Mais uma vez, em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte repisa o tema da decadência, o qual fora amplamente explicado e colocado pelo órgão a quo. Pois bem. Repitamos o que muito bem frisou a DRJ São Paulo, já que o contribuinte insiste em repisar as mesmas razões. Em decorrência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos. Contudo, o art. 2º da Lei 8.134, de 27 de dezembro de 1990, introduziu a necessidade do ajuste anual. Ou seja, as normas de incidência do imposto de renda delineiam, atualmente, um sistema híbrido de tributação, em que o imposto é devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos, porém são considerados mera antecipação da obrigação tributária definitiva, que ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, quando se completa o suporte fático da incidência. Ocorrendo omissão de rendimentos, e caracterizada inexatidão na Declaração de Ajuste Anual, o lançamento subsumese ao inciso V do artigo 149 do CTN, que determina o lançamento de ofício, ou mesmo a revisão de ofício de qualquer modalidade de lançamento. Como colocou a DRJ, a renda tributada pelo Fisco no presente lançamento, em princípio, fora omitida e, obviamente, com relação à mesma, não se verifica qualquer antecipação de pagamento de imposto por parte do contribuinte. Este fato permite concluir que não há qualquer procedimento, ou atividade mencionada no art. 150 do CTN pelo obrigado, nem o respectivo pagamento do tributo sobre a identificada renda omitida, que deva ser homologado. Com efeito, só se homologa – expressa ou tacitamente – aquilo que foi levado ao conhecimento da autoridade homologadora. Assim, em relação aos fatos tributáveis ocultados do Fisco, cujo imposto correspondente não tenha sido apurado nem pago pelo contribuinte, não realizou este a atividade de que trata o art. 150, § 1°, do CTN, ou seja, não realizou a atividade sobre a qual recairia a homologação. Portanto, não há como se falar em lançamento por homologação para renda omitida, não se aplicando o disposto no §4º do citado dispositivo, independentemente da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. Como foi claramente e objetivamente explicitado pelo orgão a quo, o exercício em que o lançamento pode ser efetuado, no caso do imposto de renda das pessoas físicas, é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no ano calendário de 2009, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentação se deu em 30/04/2010. Portanto o lançamento da omissão de rendimentos só Fl. 77DF CARF MF 4 poderia ter sido efetuado a partir de 30/04/2010, sendo 01/01/2011 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2016 o termo final. Como a ciência do Auto de Infração foi em 30/10/2012 (fl. 30), constatase que não ocorreu o instituto da decadência quanto ao direito de lançar relativo ao fato gerador em questão. Preliminar Da aplicação da decisão do STJ No que se refere a esta preliminar guerreada pelo contribuinte, entendo qe a análise se confunde com o mérito, o qual será, mais uma vez, abordado de forma clara e objetiva ao longo desta decisão. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de ter o contribuinte omitido rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação judicial. De acordo com o que fora amplamente exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o contribuinte recebeu os rendimentos acumulados, oriundos de ação judicial federal . Verificase, no entanto, através da leitura do relatório e do acórdão da DRJ, que o contribuinte não contesta o valor de rendimento omitido a ele imputado, mas sim a forma de tributação aplicada (ajuste anual). Na verdade também questiona a dedutibilidade dos honorários, ponto que será enfrentado também, mais uma vez, nesta decisão. A regra geral era de se levar ao ajuste anual os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Esta regra vigorou até o advento da Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, que inseriu o art. 12A na Lei n° 7.713, de 1988, instituindo forma de cálculo que prestigia parâmetro de cálculo mensal e não global, mediante a utilização de “tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”. Esta opção de tributação de tabela progressiva deveria ser clara e só poderia ser exercida mediante cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Assim, os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Dessa forma, incabível realizar o cálculo nos moldes propostos pelo recorrente, restando correto o procedimento realizado pela fiscalização. Através de leitura das leis que regem a matéria, salientadas na decisão a quo, resta claro que a Lei se aplica aos fatos geradores posteriores à sua publicação, excepcionando se o ano calendário de 2010. Regulamentando o assunto, a RFB publicou a Instrução Normativa RFB n.º 1.127, de 07 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre a apuração e tributação de rendimentos recebidos acumuladamente de que trata o art. 12A da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13836.720408/201262 Acórdão n.º 2001000.712 S2C0T1 Fl. 4 5 Desta feita, fica claro que não pode ser aplicada ao caso, a tributação exclusiva na fonte sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no ano de 2009, uma vez que a alteração na forma de tributação se deu em 28/07/2010, não alcançando rendimentos recebidos acumuladamente anteriormente à publicação da MP 497, de 27/07/2010. Mérito Dos honorários advocatícios e do IRRF O recorrente sustenta que o valor correto que deveria integrar a base de cálculo seria R$ 34.784,18. Para tal, como se vê à fl. 08, o impugnante excluiu dos rendimentos recebidos da CEF (R$ 60.444,05), a quantia de R$ 25.659,87 referente aos honorários advocatícios. Quanto à dedução dos honorários advocatícios, o § único do art. 56 do Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999 (RIR) regulamenta a questão, permitindo a dedutibilidade. No entanto a declaração de Anis Sleiman deixa claro que recebeu, em 13/02/2009, diretamente da pessoa jurídica Caixa Econômica Federal – CEF, o valor bruto de R$ 25.659,87, referente aos honorários advocatícios contratuais que foram destacados judicialmente do valor da condenação que coube ao impugnante nos autos do processo 2001.61.04.0021251. Ademais, o recorrente informa ter recebido da CEF o valor de R$60.444,05. Mais uma vez repetese, se os honorários advocatícios foram pagos diretamente da CEF ao advogado, resta claro que não estavam inclusos nos R$ 60.444,05 pagos ao impugnante. Dessa forma, não é possível deduzilos da parcela recebida vez que desta já fora anteriormente descontada a quantia referente aos honorários advocatícios. A fiscalização já compensou o IRRF, no valor de R$ 1.813,32, como se vê à fl. 19. Da incidência de acréscimos moratórios sobre a multa de ofício O impugnante insurgese ainda contra a aplicação da taxa referencial SELIC, sobre a multa de ofício, alegando que a disposição do art. 61 da lei 9.430/96 não permite tal interpretação. Para ser muito breve neste ponto, hpá que se invocar o entendimento firmado e consolidado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual deve ser respeitado , inclusive para se manter a coerência e segurança jurídica acerca das decisões daa jurisprudência administrativa. Vejamos o que estabelece a Súmula nº 04 deste Egrégio Colegiado: “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Fl. 79DF CARF MF 6 Portanto, não há que se prosperar o pleito repetitivo do contribuinte neste aspecto. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e no mérito CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726054/2017-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INOCORRÊNCIA
Não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento.
RRA. RECEBIMENTO EM PARCELAS.
No caso de RRA recebido em diversas parcelas, o número de meses total da ação deve ser proporcionalizado entre as parcelas em igual proporção do valor parcial recebido em cada uma delas.
Numero da decisão: 2401-005.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora). Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INOCORRÊNCIA Não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento. RRA. RECEBIMENTO EM PARCELAS. No caso de RRA recebido em diversas parcelas, o número de meses total da ação deve ser proporcionalizado entre as parcelas em igual proporção do valor parcial recebido em cada uma delas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora). Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 54 /2 01 7- 25 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 191 2 (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/BSB) que julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do relatório e voto do Acórdão nº 0377.363 de fls. 157 a 166. O presente processo trata de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente ao Exercício 2015, anocalendário 2014 (fls. 142/152), lavrada em 19/06/2017, por meio da qual foi apurado crédito tributário no montante total de R$ 377.025,87, conforme descrito abaixo: · Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar: R$ 185.983,56; · Multa de Ofício (75%), passível de redução: R$ 139.487,67; · Juros de Mora, calculados até 30/06/2017: R$ 51.554,64. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 144/147), a fiscalização afirma que da análise das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse: 1. Omissão de Rendimentos recebidos acumuladamente – Tributação exclusiva, no valor de R$ 298.496,59, sem retenção de imposto na fonte; 2. Que em fevereiro de 2014, o Contribuinte recebeu o valor bruto de R$ 2.020.979,74, pagou de honorários advocatícios Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 192 3 R$ 404.195,95; cálculos contábeis de R$ 40.419,59, restando o valor tributável de R$ 1.576.364,20; 3. Em outubro de 2014, o Contribuinte recebeu o valor bruto de R$ 226.316,07, pagou de honorários advocatícios R$ 45.263,21, de cálculos contábeis R$ 4.526,32, restando o valor tributável de R$ 176.526,54; 4. Alteração no número de meses referente a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente de 177, para 99, para os rendimentos recebidos em fevereiro de 2014 e de 177, para 11, para os rendimentos recebidos em outubro de 2014; Em 28/06/2017 o Contribuinte tomou ciência, via postal, da Notificação de Lançamento (AR fl. 153) e, em 26/07/2017, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 04 a 15, instruída com os documentos nas fls. 16 a 140. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0377.363, em 17/10/2017 a 3ª Turma, resolveu julgar procedente em parte a impugnação, para reduzir a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente para R$ 163.991,27 e alterar o número de meses relativo a RRA de 99, para 103 meses, nos cálculos do imposto relativo à primeira parcela de RRA e de 11, para 19 meses, nos cálculos do imposto relativo à segunda parcela de RRA, o que implicou na manutenção de imposto suplementar no valor de R$139.081,06, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros moratórios. Em 22/11/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 169) e, em 18/12/2017, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 172 a 184, com as seguintes razões de defesa: 1. O Autuado não é responsável tributário pelo imposto exigido relativo aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) que sujeitamse à tributação exclusiva na fonte que detém a responsabilidade de reter e recolher o imposto sobre a renda (Art. 45 do CTN, Art. 46 da Lei nº 8.541/92; Art. 19, inciso XXI, da Instrução Normativa da RFB nº 1.500/2014 e o Art. 24 desta mesma IN); 2. No curso do processo judicial trabalhista houveram vários levantamentos de valores, mas todos decorrentes da mesma condenação e do mesmo crédito trabalhista; 3. Em 17/11/2011 houve o primeiro levantamento, decorrente de valores incontroversos, onde foi deduzido e recolhido à título de IRRF o valor de R$ 93.685,83 em 26/04/2012 (fls. 28), fato este que a autuação deixou de informar; 4. A Justiça do Trabalho entendeu que o valor do IRRF recolhido no primeiro levantamento foi feito a maior, ensejando um crédito de R$ 51.835,32 para posterior abatimento, conforme cálculo da 15ª Vara do Trabalho realizado em 15/10/2013 (fl. 34) e reiterado no cálculo elaborado em 14/04/2014 (fl. 57); Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 193 4 5. Com relação ao valor recebido em 02/2014, o Contribuinte considerou como base de cálculo do imposto o valor de R$ 1.277.867,61 constante no cálculo da Justiça do Trabalho (fl. 69); 6. A autuação está equivocada ao considerar como base de cálculo do imposto de renda sobre o levantamento ocorrido em 02/2014 o valor de R$ 1.576.364,20; 7. Da mesma forma está equivocada a decisão da DRJ/BSB que determinou a integração do IRRF na base de cálculo, encontrando a quantia de R$ 1.441.858,88, uma vez que se trata de cálculo obtido em decisão judicial, sendo a base de cálculo o montante do próprio crédito excluídas as parcelas indenizatórias; 8. Nos levantamentos ocorridos em 02/2014 e 10/2014 o Contribuinte considerou como números de meses o total de 177 meses conforme informado também no cálculo da Justiça do Trabalho (fl. 74); 9. A condenação decorreu de verbas devidas desde fevereiro de 1996 e que não houve aplicação da prescrição quinquenal, razão pela qual não há qualquer justificativa para a autuação considerar o total de 110 meses; 10. Como se trata de crédito único, não existe qualquer justificativa para o procedimento de rateio da quantidade de meses entre os pagamentos realizados; 11. As informações lançadas pelo Contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual foram todas obtidas nos cálculos da Justiça do Trabalho, responsável legal pela apuração e recolhimento do IRRF, não podendo lhe ser imputada a responsabilidade tributária; 12. Segundo levantamento realizado pela Justiça do Trabalho, em 02/2014 foi recolhido a título de IRRF a importância de R$ 151.844,81, resultado do imposto devido em decorrência do RRA no valor de R$ 205.184,64 descontado o crédito de R$ 51.835,32 do primeiro levantamento; 13. Mesmo assim, demonstrando sua boafé, o Contribuinte procedeu espontaneamente a declaração do imposto devido em decorrência do RRA no total de R$ 205.184,64 através de Declaração Retificadora apresentada em 31/08/2015, onde apurou junto com os demais dados da declaração um imposto a recolher de R$ 47.708,28 pagos em 8 parcelas (DARFs – fls. 98/101); 14. A decisão da DRJ/BSB deixou de observar que houve recolhimento a maior do Imposto de Renda, já que o Contribuinte faz jus à isenção por força do Art. 6º, inciso I da IN RFB 1.500/2014; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 194 5 15. Procedeu apenas na forma e no limite delimitado pelo próprio Poder Judiciário e por essa razão não pode ser penalizado com a multa de 75%. Apresenta jurisprudências nesse sentido. Conclui seu Recurso requerendo seu provimento para, inicialmente, declarar a ausência de responsabilidade do Contribuinte pelo crédito tributário exigido e, alternativamente, que seja julgado improcedente a autuação diante do correto recolhimento do IRRF, não havendo diferenças a serem recolhidas. Por último, na possibilidade da manutenção da autuação, requer que sejam excluídas do crédito tributário a multa e os encargos moratórios. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Responsabilidade tributária O Recorrente assevera que a responsabilidade pelo imposto devido por rendimentos recebidos acumuladamente seria exclusivamente da fonte pagadora, razão porque pleiteia a sua ilegitimidade passiva. Na DIRPF do contribuinte acostada às fls. 102/111, verificase que os rendimentos recebidos acumuladamente foram declarados com opção de tributação exclusivamente na fonte, na forma do art. 12A da Lei nº 7.713/1988, consoante redação à época dos fatos geradores. Com efeito, tratandose de rendimentos recebidos acumuladamente, concernentes a anoscalendário anteriores ao crédito ou recebimento, em regra, a tributação é exclusiva na fonte e a retenção é de responsabilidade da fonte pagadora, sendo que a inocorrência ou insuficiência na retenção tem como consequência a constituição do crédito tributário contra a fonte pagadora ou instituição financeira depositária do crédito. A exceção a essa regra ocorre no caso do contribuinte optar por integrar os rendimentos recebidos na base de cálculo anual do imposto de renda na DAA, em que a retenção efetuada pela fonte pagadora será considerada antecipação do imposto. Outra situação Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 195 6 é quando resta constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual. Pois bem. É inequívoca a responsabilidade tributária da fonte pagadora quanto à retenção e recolhimento do imposto, na condição de sujeito passivo responsável (Parecer Normativo Cosit nº 1/2002), o que não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento em oferecêlo à tributação e proceder a sua informação. No presente caso, a autoridade administrativa autuante entendeu que ocorreu omissão de rendimentos. Nesse caso, caberia a autuação contra o beneficiário (Súmula CARF nº 12). Se ocorreu equívoco no lançamento, essa análise será procedida por ocasião do julgamento do mérito. Mérito Conforme se verifica no presente caso, os valores em questão tratam de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente com tributação exclusiva, no valor de R$298.496,59, sem retenção de imposto na fonte, decorrentes de processo judicial trabalhista recebidos pelo contribuinte a título de complementação de aposentadoria em face de entidade de previdência particular. De acordo com a Notificação de Lançamento, a omissão de rendimentos lavrada em 19/06/2017, se refere ao ano calendário 2014, exercício de 2015 (data da entrega da Declaração retificadora: 31/08/2015). A fiscalização procedeu a alteração no número de meses referente a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, proporcionalizando de acordo com o valor recebido. Ocorre que o contribuinte informou na sua DIRPF os valores de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda retido e a parcela isenta, de acordo com o que foi determinado pela Justiça do Trabalho à fl. 70 dos presentes autos. No que concerne ao montante da segunda parcela recebida pelo contribuinte, objeto do presente lançamento, a diferença existente entre o valor tributável encontrado pelo fiscal – R$ 1.576.364,20 (fl. 145) e o valor declarado pelo Recorrente na DIRPF – R$ 1.277.867,61 (fl. 132), a título de RRA, se refere a parcelas indenizatórias declaradas como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis no item 24 – Outros R$ 298.496,64 (fl. 131). Conforme se observa do lançamento, o fiscal exige a cobrança da diferença de R$ 298.496,64, sem explicitar porque as informações apresentadas pela Justiça para o cálculo do tributo devido estariam equivocadas e sem esclarecer as razões de considerar esse valor como parte do rendimento tributável recebido acumuladamente. Diante das informações contidas no documento apresentado pela Justiça do Trabalho de fl. 70, o que dá para presumir é que a diferença encontrada de R$ 298.496,64 é rendimento isento, conforme declarado pelo contribuinte, tendo em vista que não foi incluída na parcela tributável do cálculo efetuado pela Justiça, por não fazer parte do RRA. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 196 7 A decisão de piso deduziu que o contribuinte não inclui no montante recebido tributável o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$151.844,91, de modo que o valor tributável recebido na segunda parcela seria de R$1.441.858,88, reduzindo a omissão de rendimentos decorrentes de RRA de R$298.496,59, para R$163.991,27. No entanto, as informações prestadas pelo Recorrente são exatamente as constantes nas informações fornecidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (fls. 70/74), através da qual resta demonstrado que foi incluído no montante tributável o valor do imposto de renda retido na fonte, conforme se vê: Dessa forma, não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento. No que tange ao número de meses relativos aos rendimentos recebidos acumuladamente, considerado indevidamente declarado pelo fiscal, de acordo com a descrição dos fatos da Notificação de Lançamento, foi justificado nos seguintes termos (fl. 146): Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse informação inexata do número de meses referentes a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, pelo titular e/ou dependentes, relativos à(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) Rateando, proporcionalmente, a quantidade de 110 meses, em função do valor bruto recebido, teremos, para os dois pagamentos, os respectivos números de 99 e 11 meses. Como se observa do texto destacado, a acusação fiscal motivou a alteração da quantidade de meses na informação inexata apresentada pelo contribuinte. Ocorre que os documentos adunados aos autos, em especial os de fls. 22/25, 55, 69, 74/78, demonstram que os documentos considerados insuficientes pela autoridade lançadora comprovam que corresponde a 177 o número dos meses a que se referem os rendimentos recebidos acumuladamente. Assim, diante dos documentos carreados aos autos, assiste razão ao Recorrente quando afirma ocorrida referida comprovação da quantidade de meses conforme apresentado em sua declaração. Dessa forma, entendo que a autoridade fiscal não fez a correta apuração do crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN, razão pela qual considero ser insubsistente o lançamento, devendo ser afastada a exigência nele contida. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 197 8 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO para julgar insubsistente o lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a maxima venia, divirjo da i. relatora in totum. Não obstante, fui designada para elaboração do voto vencedor somente no tocante ao número de meses associados aos rendimentos recebidos acumuladamente. Nesse sentido, o recorrente informa que a ação judicial objeto dos autos acarretou o levantamento de diversos valores. A teor da legislação aplicável, consignada na autuação e na decisão de piso, não se mostra correto o entendimento do sujeito passivo e da i. relatora, de aplicar a cada um dos levantamentos o número de meses total da ação. A legislação estabelece critério lógico de apuração do imposto devido sobre rendimentos recebidos acumuladamente em mais de um parcela, o qual deve ser observado pelos contribuintes. É o que dispõe o artigo 45 da IN RFB nº 1.500, de 2014: Art. 45. Para efeitos de apuração do imposto de que trata o art. 37, no caso de parcelas de RRA pagas: I em meses distintos, a quantidade de meses relativa a cada parcela será obtida pela multiplicação da quantidade de meses total pelo resultado da divisão entre o valor da parcela e a soma dos valores de todas as parcelas, arredondandose com uma casa decimal, se for o caso; II em um mesmo mês: a) ao valor da parcela atual será acrescentado o total dos valores das parcelas anteriores apurandose nova base de cálculo e o respectivo imposto; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 198 9 b) do imposto de que trata a alínea “a” será deduzido o total do imposto retido relativo às parcelas anteriores. Parágrafo único. O arredondamento do algarismo da casa decimal de que trata o inciso I do caput será efetuado levandose em consideração o algarismo relativo à 2ª (segunda) casa decimal, do modo a seguir: I menor que 5 (cinco), permanecerá o algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; II maior que 5 (cinco), será acrescentada uma unidade ao algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; e III igual a 5 (cinco), deverá ser analisada a 3ª (terceira) casa decimal, da seguinte maneira: a) quando o algarismo estiver compreendido entre 0 (zero) e 4 (quatro), permanecerá o algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; e b) quando o algarismo estiver compreendido entre 5 (cinco) e 9 (nove), será acrescentada uma unidade ao algarismo da 1ª (primeira) casa decimal. Portanto, nesse tocante, não há reparos a se fazer à decisão de piso, sendo de se manter o procedimento de proporcionalizar os 177 meses entre os levantamentos efetuados pelo recorrente, cabendo levar em conta o cancelamento da omissão, decidido pela maioria deste Colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002698/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (o anterior Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 (9/6/2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Numero da decisão: 3201-004.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente ARCEL S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (o anterior Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 (9/6/2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 26 98 /2 00 5- 00 Fl. 145DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, com origem nos períodos de apuração de fevereiro a setembro de 1999. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 08/06/2005, no valor de R$ 70.133,79, correspondente a recolhimentos feitos a título de Contribuição para o PIS, relativos aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a setembro de 1999, conforme DARF de fls.02/09. A DRF em Campinas emitiu o Despacho Decisório de fls. 28/32, indeferindo o pedido de restituição, sob a fundamentação de que: • estava extinto o direito de repetição de indébito dos recolhimentos efetuados antes de 08/06/2000, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional, do Ato Declaratório SRF n° 96/99 e da Lei Complementar n° 118/2005; • não houve comprovação e demonstração inequívoca que os recolhimentos foram indevidos, pois a contribuinte não comprova os motivos que autorizam a julgar tais recolhimentos como passíveis de restituição. Cientificada desse despacho em 14/06/2007 (fl. 33), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 11/07/2007 (fls. 34/41), na qual alega, em síntese: • conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; • o art.3° da Lei Complementar n° 118/2005 não é norma interpretativa, pois inova a ordem jurídica em decorrência da interpretação firmada pelo STJ, podendo ser aplicada somente a débitos posteriores a sua vigência (08/06/2005); • os recolhimentos indevidos se originam das disposições contidas na Lei n° 9.718/98, as quais foram julgadas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.002698/200500 Acórdão n.º 3201004.469 S3C2T1 Fl. 146 3 A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CPS n.º 0521.215, de 22/02/2008 (fls. 110 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 119 e ss., cujas razões de defesa não serão relatadas em face do que exporá no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Em litígio, o prazo de extinção do direito de se pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, que, no entender consubstanciado na decisão recorrida, é de cinco anos contados do pagamento antecipado. No caso ora em exame, o PIS que se alega indevido referese aos períodos de apuração de fevereiro a novembro de 1999. E o pedido foi protocolado em 08/06/2005 (ver fl. 02). Ocorre, porém, que esta matéria encontrase hoje pacificada. Tendo a Recorrente protocolado o seu pedido antes de 09/06/2005 (apenas um dias antes!), o prazo prescricional aplicável ao caso é de dez a contar da ocorrência do fato gerador, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recurso repetitivos ((REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), e orientação encartada no Verbete de jurisprudência nº 91 do CARF: “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, Fl. 147DF CARF MF 4 contado do fato gerador” (vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000977/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
IRRETROATIVIDADE DA LEI. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016.
DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38.
O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A prova documental e pericial será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF 25.
Não configurada a existência de dolo, fraude ou simulação, ou uma das hipóteses previstas na legislação de regência, sendo que o fundamento da qualificação da multa é baseada apenas na presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a sua qualificação, impondo a manutenção apenas da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-004.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 IRRETROATIVIDADE DA LEI. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A prova documental e pericial será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF 25. Não configurada a existência de dolo, fraude ou simulação, ou uma das hipóteses previstas na legislação de regência, sendo que o fundamento da qualificação da multa é baseada apenas na presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a sua qualificação, impondo a manutenção apenas da multa de ofício.
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OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 09 77 /2 00 4- 91 Fl. 693DF CARF MF 2 As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A prova documental e pericial será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF 25. Não configurada a existência de dolo, fraude ou simulação, ou uma das hipóteses previstas na legislação de regência, sendo que o fundamento da qualificação da multa é baseada apenas na presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a sua qualificação, impondo a manutenção apenas da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 694 3 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 522/550 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados: Mediante Auto de Infração de fls. 15 a 19, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 14 e pelo Relatório da Atividade Fiscal de fls. 22 a 30, exigese do interessado o Imposto de Renda Pessoa Física de R$1.793.196,12, acrescido da multa de ofício de 150% e juros de mora. A fundamentação legal consta do referido Auto de Infração e o lançamento deuse em razão de a autoridade fiscal haver apurado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas junto ao Banco Bradesco, CEF e à Cooperativa de Crédito Rural Alto Uruguai Catarinense (Crediauc), em todos os meses dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 , em março de 2001 e maio de 2002, nos montantes de R$2.401.709,67, R$3.578.617,08, R$502.311,52, R$55.567,40 e R$45.900,00, respectivamente, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ação fiscal foi instaurada mediante MPF n° 09.2.03.002003 003853 (v. fl. 1). Encerrado o trabalho fiscal, e concluindo as AFRF autuantes ter ocorrido, em tese, a prática de crime contra a ordem tributária, foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada sob o n° 10925.000978/200435, nos termos do disposto no art. I da Portaria SRF n° 2.752, de 11 de outubro de 2001, com as alterações introduzidas pela Portaria SRF n° 1.279, de 13/11/2002. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 364 a 405 , na qual expõe suas razões. Argúi, de início, que a autuação não merece prosperar "porque movimentação bancária nunca foi considerada fato gerador de imposto de renda, nem é válida qualquer presunção neste sentido, mesmo que esteja estabelecida em lei". Invocando o artigo 150, § 4o , do Código Tributário Nacional, levanta a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 24/06/1999. Cita, em sua defesa, Acórdãos do Conselho de Contribuintes e do TRF 4 a Região e menciona tributaristas. Sob o título "Prova Ilícita Nulidade", argúi o contribuinte que a partir dos dados da CPMF, nos termos da Lei n° 10.174/01, a autoridade administrativa procedeu à quebra do seu sigilo bancário, c om base no art. 6 o da Lei Complementar n° 105/01, ato contra o qual impetrou mandado de segurança. Fl. 695DF CARF MF 4 Aduz que em primeira instância o pleito foi indeferido, porém o Tribunal Regional Federal da 4 a Região, na apelação n° 2003.72.03.001722 8 , em julgamento ocorrido no dia 25/05/2004, um mês antes da autuação fiscal, decidiu que a fiscalização não poderia utilizarse retroativamente do instrumento veiculado na Lei n° 10.174/01. Assim, conclui que o lançamento referente ao período de 01/01/1998 a 09/01/2001 é nulo, por embasarse em provas colhidas ilicitamente, contrariando o art. 3 0 da Lei n° 9.784/99, e por desrespeitar decisão judicial. Pede, caso não se reconheça a nulidade, que seja SUSPENSO o presente processo até decisão final no Poder Judiciário a respeito do assunto, caso contrário, estarseá em desacordo com o disposto no art. 2 o da Lei n° 9.784/99. Cita doutrina, Acórdãos do CC e do TRF/2a Região sobre prova ilícita. Sob o título "Irretroatividade da Lei Tributária", argúi, em síntese, que, independentemente da decisão judicial, é ilegal o lançamento, uma vez que os instrumentos fornecidos pela Lei n° 10.174/01 e Lei Complementar 105/01 não podem retroagir para alcançar fatos geradores anteriores à sua promulgação, devendo ser consideradas ilícitas as provas colhidas. Invoca, em defesa de sua argumentação, o art. 6 o da LICC, o art. 144 do CTN, cita Acórdãos do CC e julgado do TRF 4 a Região. Passando ao título "DO MÉRITO", o contribuinte argúi a ilegalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, por violar os artigos 4 3 , 110 e 148 do CTN, bem como o princípio consagrado na Lei n° 9.784/99 do due process of law e no inciso L IV do art. 5 o da Constituição Federal. No subirem "1.1) Violação do art. 43 e incisos do CTN", cita doutrina, acórdãos do Conselho de Contribuintes, julgados dos TRF das 2 a e 3 a Regiões, a Súmula 182 do extinto TFR, o Decreto 2.471, de 1988, art. 9 o , VII, e argumenta que: a doutrina e jurisprudência, ao interpretarem o art. 4 3 do CTN, entendem pacificamente que a mera disponibilidade financeira, correspondente ao ingresso de dinheiro no patrimônio particular, nem sempre constitui fato gerador do imposto; a presunção prevista no art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 determina a tributação dos depósitos bancários como se fossem acréscimos, o que na realidade não são; a presunção deveria estar embasada em indícios outros (sinais exteriores de riqueza, por exemplo), de modo a evidenciar o "fluxo tributável", até porque movimentação bancária nunca foi, nem será considerada fato gerador do imposto de renda; o próprio legislador ordinário j á manifestou entendimento favorável quanto ao fato do depósito bancário não representar renda ou provento, tanto que foi promulgado o art. 9o , VII, do Decretolei n° 2.471/88; Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 695 5 consubstancia exigência esdrúxula a comprovação da origem de depósitos bancários com documentação, primeiro porque depósitos bancários sequer podem significar sinal presuntivo de renda ou provento, segundo porque não há qualquer obrigação legal do contribuinte pessoa física à escrituração contábil de sua movimentação bancária, terceiro porque é humanamente impossível a comprovação integral dos depósitos bancários pela passagem do tempo, quarto porque conduz o contribuinte à irremediável autuação, vez que retira quase por completo suas chances de provas, induzindoo, inclusive, à autoincriminação; assim, o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96, ao determinar a tributação de depósitos bancários pelo IRPF, como se fossem rendas ou proventos, com os quais reconhecidamente não se confunde, contraria o disposto no art. 4 3 e incisos do CTN. No subitem "1.2) Violação do art. 110 do CTN", discorre sobre presunção, citando Alfredo Augusto Becker e Leonardo Sperb de Paola, para concluir que a presunção legal estabelecido pelo art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois não há ligação entre o depósitos bancário e o rendimento omitido. Repisa que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Em linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo e só este tem a conotação de acréscimo patrimonial. Cita acórdão da CSRF. Diz que na área judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, fato confirmado pelo próprio legislador ao elaborar o art. 9 o , VII, do Decretolei 2.471/88, que cancelou todos os lançamentos fundados unicamente em depósitos bancários. Cita Acórdão do CC. Argumenta ainda que nem se pode dizer que depósitos bancários refletem sinais exteriores de riqueza, a ponto de justificar uma presunção. Cita doutrinadores e Ministro do STF. Aduz que, considerando que a doutrina, jurisprudência e legislação sempre entenderam que a movimentação bancária (depósitos) não é sinal presuntivo de riqueza, nem pode ser considerado fato gerador do imposto de renda, percebese que o art. 42 da Lei 9.430/96 não criou uma presunção, mas sim uma ficção, em total descompasso com o disposto no art. 110 do CTN. Cita ensinamento de Rubens Gomes de Souza sobre diferenças entre presunções e ficcções. No subitem "1.3) Ofensa ao Devido Processo Legal", argúi que o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 promove duas ofensas ao Due Process ofLaw. a primeira de ordem legislativa e a segunda de ordem prática. Fl. 697DF CARF MF 6 Argumenta que o instituto da presunção foi distorcido, tendo em vista a transformação de ficção em presunção, ao arrepio dos institutos consagrados pelo Direito consubstanciando conduta desarrazoada. Cita o Ministro Celso de Mello, do STF, sobre o due process oflaw. Invoca o art. 2 o da Lei n° 9.784/99 e, arguindo que o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 é norma irracional, desarrazoada, desproporcional, que distorce institutos jurídicos com o fim único de incrementar a arrecadação, diz que convém ao julgador deixar de aplicála, se assim não fizer, estarseá abonando uma ilegalidade flagrante, contrária ao CTN e ao próprio Direito. Aduz que sendo o art. 42 da Lei n° 9.430/96 norma manifestamente ilegal, o lançamento realizado com base na mesma é um ato nulo, devendo a administração proceder à sua anulação, com base nas Súmulas n°s 346 e 473 do STF. Caso pretenda manter a tributação por omissão de receitas, deve constituir prova capaz, em atenção ao due process of law. Cita, em sua defesa, acórdãos do I o CC sobre a prova a cargo da fiscalização. No item "2) Cálculo da Receita Omitida Interpretação do art. 42 da Lei n° 9.430/96", argúi que caso não sejam aceitas as considerações expostas acerca da ilegalidade do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96, mantendose firme o arbitramento da base de cálculo do IR, mesmo que ausentes os pressupostos do art. 148 do CTN, importante se faz, pelo menos, a correta interpretação da norma presuntiva, sem literalidades, mas sim embasada na sistemática do Direito. Cita ensinamento de Carlos Maximiliano sobre no que consiste o método sistemático de interpretação. Transcreve o art. 849 do RIR/99 e argúi que o mesmo somente "caracteriza" uma presunção de omissão de receitas, em momento algum disponibiliza critérios de determinação do valor da receita omitida. Cita comentário ao art. 287 do RIR/99 de Edmar Oliveira Andrade Filho. Aduz que a interpretação literal e crua do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 pode levar ao absurdo de se tributar todos os depósitos bancários, fato que geralmente eleva a autuação a montantes estratosféricos, completamente distorcidos da realidade, atentando contra o princípio do nãoconfisco. Assim, a norma deve ser interpretada em conjunto com outras aplicáveis à hipótese, em respeito à sistemática do ordenamento jurídico e à própria regra do art. 108, I, do CTN, que permite o emprego da analogia na ausência de disposição expressa. Cita ensinamento de Maria Helena Diniz sobre analogia. Argúi o contribuinte que é produtor rural, cuja receita bruta é constituída pelo montante das vendas dos seus produtos. Sua atividade básica é a comercialização de suínos. Pelo que se presume da conduta fiscal, as receitas omitidas, então, tiveram origem em vendas de suínos realizadas sem o recolhimento do imposto de renda sobre o lucro conseqüente. Conclui que, sendo as atividades dos produtores rurais muito semelhantes aos de uma firma individual, encontrase em Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 696 7 situação análoga às pessoas jurídicas, devendo a ele ser aplicado o disposto no art. 2 8 4 do RIR/99, dispositivo próprio para a definição do montante tributável em casos de omissão de receitas praticadas por pessoas jurídicas. Aduz que para se chegar a um rendimento tributável ajustado à realidade e em consonância com o art. 4 3 do CTN, convém à autoridade fiscal a interpretação sugerida, sem criar base de cálculo unicamente com supedâneo na movimentação bancária, a qual não passa de um "indício" e nada mais. Prossegue, arguindo que, da interpretação sistemática da legislação do imposto de renda, aplicandose princípios básicos de Direito, temse que a utilização do somatório dos depósitos bancários como base de cálculo do IR não encontra guarida no ordenamento jurídico, vez que o art. 8 4 9 do RIR/99 estabelece tãosomente uma hipótese de presunção amparada em um indício, encontrandose os critérios para determinação dos valores omitidos no art. 2 8 4 do RIR/99, analogicamente aplicado ao caso, com base no art. 108, I, do CTN e no próprio princípio da legalidade. No item "3) Receita e Renda: conceitos distintos", diz que caso não seja aceita a aplicação analógica do art. 2 8 4 do RIR/99, ainda assim não cabe ao fisco considerar o somatório dos depósitos bancários como base de cálculo do Imposto de Renda. Alega que o resultado financeiro proveniente da atividade rural denominase receita e que o conceito desta se distingue do de renda (ou lucro), e nem todos os recursos obtidos representam renda/lucro tributável. Aduz que considerando que o produtor rural aufere receitas provenientes de operações de circulação de mercadorias, como se pessoa jurídica fosse, devese buscar a tributação pelo imposto de renda tãosomente do lucro proveniente da atividade, o qual, por ser de difícil reconhecimento, presumese que seja correspondente ao percentual de 50% do montante total da receita omitida, conforme dispõe o § 6 o do art. 8 o do Decreto lei n° 1.648/78, e consagra a jurisprudência do STJ. Alega, ainda, que encontrandose a sua escritura em regular estado, tendo a autoridade fiscal aceitado o LivroCaixa, não há subsídios para proceder ao arbitramento da base de cálculo do IR, vez que tal conduta é contrária ao disposto no art. 148 do CTN, nem se justifica perante um sistema que prima pela uniformidade da justiça fiscal. Cita julgado do STJ. No item "4) A Origem dos Depósitos", o contribuinte argúi que é produtor rural, porém, nem sempre os seus rendimentos advém da compra e venda de seus próprios suínos. Por possuir vasto conhecimento sobre o assunto, em auxílio aos pequenos produtores rurais, faz as vezes de mediador na agilização de negócios entre terceiros. Como é pessoa de extrema confiança Fl. 699DF CARF MF 8 destes terceiros, além da intermediação, procede também ao transporte das mercadorias, e recebe os valores respectivos em sua própria conta bancária, dos quais retira pequena parcela a título de comissão, e repassa o restante ao produtor que vendeu os suínos. Assim, os depósitos bancários constatados nas contas do contribuinte são, em sua grande maioria, valores pertencentes a terceiros, que não ingressaram em seu patrimônio. Prossegue alegando que como a atividade de intermediação não se caracteriza como atividade rural não é escriturada em Livro Caixa, e assim tornase impossível a comprovação dos rendimentos, nem por outros documentos, vez que a emissão das notas respectivas sai em nome de terceiros. Reconhece o contribuinte que sua conduta não reflete legalidade, mas acha que pode ser empregada como prova para desconstituir a presunção, a qual taxa de desarrazoada, vez que exige tributo sobre rendimento inexistente, e caso haja o adimplemento, terá que sangrar seu patrimônio para arcar com a obrigação, ao arrepio do art. 150, IV da C F e em detrimento de sua capacidade protegida pelo § I o do art. 145 da CF. Fala que não tem capacidade para a criação de suínos em quantidade tal que possibilitasse vendas com os lucros presumidos pela fiscalização, fato que poderia ser atestado por um perícia. Assim, além da intermediação, outro tanto dos depósitos encontrados seriam referentes a "operações de descontos de títulos, financiamentos, empréstimos para capital de giro, transferências entre contas próprias, operações estas que, reconhecidamente, não serão totalmente comprovadas, até pela manifesta impossibilidade de tal ato, mas, mediante uma perícia contábil, certamente será comprovada a existência das mesmas, as quais não representam rendimento passível de tributação, e sim, ativos do contribuinte, bem como permitem a dúvida quanto à presunção apontada, e em caso de dúvida, aplicase o princípio do in dúbio pro contribuinte". E prossegue o impugnante: Inclusive, comprovarseá mediante documentos que a situação financeira do contribuinte não era boa, tanto que foi protestado várias vezes, bem como recorreu a financiamentos bancários para saldar seus débitos, fato que, por si só, já derruba a presunção de receitas omitidas. Neste contexto, necessárias se fazem duas perícias: a primeira para se conhecer da possibilidade do contribuinte ter produzido tudo que os depósitos bancários refletem; e a segunda para demonstrar a existência de operações não tributáveis, que supostamente foram consideradas como receitas tributáveis. Contesta, também, a multa aplicada, de 150%, pleiteando a sua redução para 75%, arguindo que a fraude não pode ser embasada tãosomente em uma presunção de omissão de receitas, sem qualquer prova substancial que confirme o seu Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 697 9 evidente intuito. Cita, em defesa de seu argumento, Acórdãos do Conselho de Contribuintes. a) seja acatada a preliminar de decadência, deduzindose do lançamento os valores referentes aos depósitos bancários realizados durante o ano de 1998 até o dia 2 4 de junho de 1999; b) seja acatada a preliminar de prova ilícita, seja pela decisão judicial favorável, seja pela própria interpretação da legislação tributária, deduzindose do lançamento os valores cujos fatos geradores supostamente ocorreram nos anos de 1998, 1999 e 2 0 0 0 até 09/0 1/2001; c) seja acatada a preliminar de irretroatividade das leis, deduzindose do lançamento os valores obtidos mediante a utilização dos instrumentos previstos na Lei n° 10.174/01 e Lei Complementar n° 105/01, de modo que a exigência fiscal continue, tãosomente, sobre os valores apurados após a data de 09/01/2001; f) alternativamente, que a base de cálculo do tributo supostamente devido seja obtida mediante o emprego do art. 2 8 4 do RIR/99; g) seja reduzida em 5 0% a base de cálculo empregada, seja a obtida pelo critério do art. 2 8 4 do RIR/99 ou a proveniente do somatório de todos os depósitos, conforme o disposto no § 6 o do art. 8 o do Decretolei n° 1.648/78; Requer, por fim, em síntese: d) no mérito, seja reconhecida a ilegalidade do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96; e) seja cancelado o auto de infração por embasarse em norma ilegal; h) a redução da multa para 75%; i) a produção de prova pericial, cujos profissionais e quesitos estão indicados às fls. 407 e 408 ; j ) a produção de prova testemunhal, cujas testemunhas estão arroladas à fl. 409; k) a produção de prova documental e prazo para juntada, dos documentos também arrolados à fl. 409. 2 – Com isso houve análise do caso pela DRJ que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 24/06/1999 Fl. 701DF CARF MF 10 Ementa: DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, devido no ajuste anual só decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de procedimento doloso. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. Não há nos autos decisão judicial favorável ao contribuinte que possa obstaculizar a ação da Fazenda Nacional. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESES DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O crédito tributário regularmente constituído tem sua exigibilidade suspensa nos casos expressamente previstos no artigo 151 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 09/01/2001 Ementa: IRRETROATIVIDADE DA LEI. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 698 11 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. PERÍCIA. LIMITES OBJETIVOS. Destinamse as perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas j á incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, jamais podendo ser estendidas à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a multa qualificada prevista na legislação de regência. Lançamento Procedente 3 – Seguiuse embargos de declaração da contribuinte às fls. 556/560 em face da decisão da DRJ que foi afastada e recurso voluntário do contribuinte às fls. 575/612 trazendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação com considerações a respeito da decisão de piso. Fl. 703DF CARF MF 12 4 – O processo foi distribuído para a 6ª Câmara do vetusto 1º Conselho de Contribuintes em que por decisão de 07/07/2005 a Turma entendeu por sobrestar o feito em decorrência de pendência judicial nos autos do Mandado de Segurança acima identificado com vistas a impedir a utilização pelo fisco de informações relacionadas com a administração da CPMF, retroatividade à publicação da Lei 10.174/2001. 5 – Às fls. 677/688 existem as decisões judiciais quanto ao presente caso proposto pela contribuinte em que ficou consignado a aplicação do Tema STF nº 225 “ a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.” . Portanto foi aplicada a decisão do STF pela Presidência do E. TRF4ª Região que negou seguimento ao recurso da contribuinte em 27/09/16. 6 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 7 –O recurso é tempestivo e portanto o conheço. 8 – Quanto as matérias indicadas nos itens “a” e “b” do recurso voluntário: as alegações quanto a necessidade de prova testemunhal, pericial e documental restam não conhecidas na medida em que ambas não foram objeto da impugnação e não tratadas na decisão de piso e por corresponder em inovação da matéria recursal em contrariedade ao disposto dos art. 16, III e IV do Decreto 70.235/72 que reza: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 699 13 formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 9 – Logo, em vista das razões acima afasto tais apontamentos. 10 – Em relação à decadência e a multa de ofício irei analisar após o mérito. 11 – Como bem delineado no relatório a fundamentação legal consta do referido Auto de Infração e o lançamento deuse em razão de a autoridade fiscal haver apurado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas junto ao Banco Bradesco, CEF e à Cooperativa de Crédito Rural Alto Uruguai Catarinense (Crediauc), em todos os meses dos anoscalendário de 1998, 1999, 2 0 0 0 , em março de 2001 e maio de 2002, nos montantes de R$2.401.709,67, R$3.578.617,08, R$502.311,52, R$55.567,40 e R$45.900,00, respectivamente, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Logo estamos diante dos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. 12 – A matéria quanto a irretroatividade da Lei do item “d”, decisão judicial do item “e” e “f” prova ilícita, deixo de conhecêlas, posto que foram objeto, e tangenciam, os argumentos contidos no mandado de segurança impetrado pela contribuinte, já decidido na esfera judicial em que o STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. 13 – Quanto a aplicação dos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 o contribuinte insiste na discussão de sua inconstitucionalidade por mais que a decisão de piso tenha deixado claro que esse assunto foge à competência das autoridades administrativas de julgamento. 14 – Segue os termos do recurso nesse sentido: Argumentase no v. acórdão de I a instância que as alegações desenvolvidas pelo contribuinte acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das Fl. 705DF CARF MF 14 autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Porém, não se trata apenas da declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Que referido dispositivo é inconstitucional não se tenha dúvida. Cria uma ficção com a denominação de presunção ao instituir uma obrigação para o contribuinte contrária a todos os precedentes doutrinários, jurisprudenciais e legais que afirmam não serem os depósitos bancários indícios de rendimentos, nem sinais de riqueza. Não bastasse, obriga o contribuinte a se autoincriminar, pois dificilmente o mesmo terá sua movimentação bancária 100% documentada, e assim haverá lançamento com a conseqüente representação penal. É o confisco institucionalizado e o juízo de exceção instaurado. Considerando, assim, que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 representa uma ameaça aos institutos jurídicos, e às garantias constitucionais e legais conferidas aos contribuintes, o mínimo que se pede, e que se insere na competências das autoridades administrativas, é que a interpretação e aplicação do dispositivo legal esteja em sintonia com o ordenamento jurídico hierarquicamente superior, tão como atenda ao pensamento consolidado de que depósitos bancários não representam indícios de rendimentos omitidos. Não se pretende que a autoridade fiscal deixe de aplicar a lei, como chegou a comentar o julgador a quo, até porque é do conhecimento do recorrente que sua atividade é vinculada, mas sim, tão somente, que apliquea com olhos nos demais preceitos que compõem o ordenamento jurídico nacional. 15 – Ora, além de questionar a constitucionalidade da Lei, tangenciando o assunto apenas de forma genérica os argumentos trazidos pelo contribuinte em nada auxiliam para o deslinde da presente ação fiscal. 16 – O contribuinte não nega em nenhum momento que houve os depósitos em sua conta corrente, apenas traz razões argumentativas que na análise desse relator em nada auxilia para afastar a presunção legal contida nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 cujo ônus da prova é do contribuinte para elidila. 17 – As disposições do art. 42 da Lei 9.430/96 são claras no sentido de prever que a identificação de depósitos bancários, de origem não comprovada pelo contribuinte, autoriza a Administração Tributária a constituir créditos tributários de Imposto de Renda, incidente sobre o valor total dos depósitos, configurada a presunção legal de omissão de rendimentos: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 700 15 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 18 Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, há de se ter em mente que o legislador, ao estabelecer a presunção de existência de receitas ou rendimentos omitidos a partir da apuração de depósitos de origem não identificada, oportuniza ao titular da conta em que encontrados os valores, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa. 19 Serve a presunção, assim, unicamente como técnica para aliviar o ônus probatório do fisco quanto à existência de receitas ou rendimentos omitidos, tornando praticável e garantindo a efetividade da legislação tributária, portanto, não há nenhuma ilegalidade quanto a questão arguida pelo recorrente em relação à não configuração de rendimento tributável. Portanto nada a prover nesse ponto. 20 – Quanto a argüição da nulidade do lançamento em decorrência da necessidade de mudança da base de cálculo tendo em vista a alegação de que o contribuinte não teve a oportunidade de provar a sua atividade rural, nada a prover tomando por razões de decidir os termos da decisão de piso que diz: Como se vê, o lançamento não é decorrente da simples transcrição dos extratos bancários, mas de criterioso e diligente trabalho investigativo efetuado pela autoridade fiscal, que intimou e reintimou a contribuinte a apresentar os extratos de suas contas bancárias e a documentação comprobatória da origem dos recursos depositados. À vista dos extratos de fls. 168 a 359, a autoridade fiscal apurou depósitos, nos anoscalendário 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, da ordem de R$2.401.709,67, R$3.645.362,52, R$503.911,52, R$62.271,90 e R$59.414,06, respectivamente, consolidados no demonstrativo de fl. 88. Encaminhou à contribuinte, juntamente com as planilhas de fls. 97 a 112, listando os créditos (depósitos), em cada mês e cada ano, em cada banco, através da Intimação Fiscal n° 88, de 12/03/2004 (v. fl. 87 e 8 8 ) , para a comprovação dos mesmos. A Fiscalização, mesmo sem que a contribuinte indicasse, tendo de um lado os valores das receitas da atividade rural escrituradas no livrocaixa em nome de seu marido e, de outro, os valores dos depósitos bancários em seu próprio nome, realizou cruzamento de dados e listou aqueles que eram coincidentes em data e valor, elaborando a planilha de fl. 37, na qual apurou depósitos com origem comprovada na atividade Fl. 707DF CARF MF 16 rural nos anocalendário 1999 e 2000, nos valores de R $ 6 6 . 7 4 5 , 4 4 e R$1.600,00, respectivamente. Como se pode inferir, o dispositivo legal que embasou o lançamento (Lei n° 9.430/1996), ao mesmo tempo em que define que a responsabilidade do fisco é tãosomente a de evidenciar a existência de depósitos bancários com origem não comprovada, determina que cabe ao contribuinte, para afastar a presunção, justificar, de forma minudente e individualizada, e por meio de documentos hábeis, os ingressos em suas contas bancárias. Ora, diante deste quadro legal, há que se reconhecer que a autoridade lançadora nada mais fez que subordinarse à lei: apenas aquilo que restou individualizadamente comprovado acabou acatado. É assim que a alegação da contribuinte de que valores incluídos em suas contas bancárias representariam quantias depois repassadas a terceiros, em razão da intermediação de negócios com suínos, não pode ser acatada pelo simples fato de que não está acompanhada de documentos que, de forma individualizada, identifique que depósito bancário está associado a que negócio em nome de terceiro. Tratase de meras alegações sem qualquer valor probante. Sem a prova específica, a presunção legal de omissão de rendimentos permanece incólume. Ressaltase que em se tratando de omissão de rendimentos, decorrente de depósitos bancários não justificados, o ônus da prova é do contribuinte. É necessário, portanto, que a impugnante apresente provas irrefutáveis que permita identificar o efetivo ingresso dos recursos a fim de serem excluídos do montante apurado. Dos créditos apurados foram descontados os correspondentes à atividade rural. A diferença, não comprovada pela contribuinte, após intimada e reintimada, com todo o empenho da autoridade fiscal, foi lançada, conforme determinação do art. 4 2 da Lei n° 9.430/1996. Ressaltese, por oportuno, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, regulador do processo administrativo fiscal, que dispõe: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (Grifos acrescidos) Esclareçase, por oportuno, que o fato das movimentações bancárias não gerarem acréscimo patrimonial na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte não significa que a omissão de rendimentos decorrente de depósitos sem origem comprovada não possa ser tributada. A variação patrimonial (§ I o do art. 3 o da Lei n° 7.713/1988) e os depósitos bancários (art. 42 da Lei n° Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 701 17 9.430/1996) são formas distintas de presunção de omissão de rendimentos e, portanto, não se confundem. Ressaltese, que o fato gerador e a base de cálculo do imposto de renda, como se viu, estão previstos em lei. A legislação vigente não prevê a tributação apenas da diferença entre o que o contribuinte recebeu durante o ano e tudo o que gastou, ou seja, apenas sobre as sobras. Se assim fosse, não pagaria imposto aquele que gastasse tudo o que percebesse, independente de valores. A impugnante equivocase, também, ao invocar o art. 148 do CTN, uma vez que não houve na ação fiscal em pauta arbitramento de valor ou preço de bens e direitos, mas sim apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Em relação à Súmula 182 do extinto TFR, cabe esclarecer que se reporta a lançamentos efetuados com base em legislação anterior à Lei n° 9.430, de 1996, base legal do auto de infração ora analisado. Logo, não serve como parâmetro para balizar decisões a serem proferidas em face desta nova realidade jurídica. Sabendose que o principal objetivo do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 foi conferir base legal sólida para lançamentos alicerçados em depósitos bancários, não é possível equiparar lançamentos fundamentados nessa lei a outros anteriores a ela, e que foram invalidados exatamente pela inexistência da base legal que ela veio a outorgar. Cabe ressaltar, quanto ao art. 849 do RIR/1999, que tem por base o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, ao contrário do alegado, determina claramente que a omissão de receita ou de rendimentos, determinada pelos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, com as exclusões previstas, é a própria base de cálculo do imposto. Equivocase a impugnante quando presume que a autoridade fiscal concluiu que os rendimentos omitidos provinham de sua atividade rural, ao contrário, a origem não foi comprovada por isso os depósitos foram lançados com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Quanto à alegação de que as atividades dos produtores rurais são semelhante à de firma individual, devendose lhe aplicar o art. 284 do RIR/99, que trata do arbitramento da receita por indícios de omissão na pessoa jurídica, cabe ressaltar, mais uma vez, que não houve nos presentes autos lançamento referente à atividade rural. A documentação referente a essa atividade foi integralmente aceita pela autoridade fiscal e considerada na declaração do marido da impugnante, conforme opção exercida pelo casal. A intermediação na venda de suínos entre terceiros, como bem sabe a impugnante, não é considerada atividade rural, e mesmo Fl. 709DF CARF MF 18 que comprovada a atividade, o que não foi, não equipara a contribuinte à pessoa jurídica. 21 – Pelo exposto acima, nada a prover. 22 – Quanto a multa de ofício qualificada e a decadência serão tratadas nesse momento. O contribuinte argui o afastamento da aplicação da multa de ofício qualificada por não estarem presentes os requisitos legais quanto a sua aplicação. 23 – Quanto a multa, entendo que cabe razão ao contribuinte, pois analisando os termos do relatório fiscal em que há a fundamentação para a qualificação da multa de ofício a autoridade lançadora assim discorre: 9. DAS PENALIDADES As penalidades aplicáveis estão previstas no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O inciso II especifica em que circunstâncias seria aplicável a multa de 150%: "nos casos de evidente intuito de fraude". A respeito dessa matéria, a Lei n° 4.502, de 30/11/1964, mencionada no referido dispositivo, assim dispõe: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 702 19 Analisese, agora, o demonstrativo abaixo. Observase, de pronto, que a contribuinte, ao longo dos cinco anos examinados, omitiu de forma sistemática, ano após ano, mais de 75% de sua receita tributável, chegando a apresentar a expressiva omissão de 99,9% no ano de 1998. Apenas uma pequena parcela, que no cômputo geral representa apenas 0,7%, foi oferecida à tributação. Ao declarar como receita tributável somente parte de seus rendimentos, a contribuinte retardou o conhecimento por parte da Fazenda Nacional das circunstâncias materiais da obrigação tributária principal. A prática desta omissão fez parte da rotina da contribuinte durante os anos examinados, o que evidencia que sua intenção sempre foi a de reduzir os tributos devidos. (...) omissis A conduta da contribuinte, evidenciada pelo demonstrativo acima, configura, em tese, intuito de fraude, não restando à Fiscalização outro caminho senão o de aplicar a multa qualificada de 150% sobre o tributo incidente, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. 24 – Verificase que o fundamento para a qualificação da multa foi a própria omissão do contribuinte, contudo, de acordo com os termos da Súmula CARF nº 25 descabe a qualificadora com base nesse fundamento, verbis: Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Fl. 711DF CARF MF 20 25 – Portanto, com base na respectiva súmula, dou provimento ao recurso nesse tópico para afastar a qualificadora da multa e mantendo apenas a multa de ofício. 26 – Quanto a decadência, levanta a contribuinte a preliminar de decadência do prazo para constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 24/06/1999, invocando o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. 27 Afastando a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, seria aplicável os termos do art. 150§ 4º do CTN, contudo, verificando as DIRPF do exercício de 1999 ano calendário 1998 juntadas às fls. 46/49 não houve recolhimento de imposto a pagar e portanto, não podemos considerar que houve recolhimento antecipado na forma do § 4º do art. 150 do CTN. 28 – Nos demais anos às fls. 50/54 DIRPF 2000/1999 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 156,00, contudo não há comprovação de recolhimento e às fls. 55/58 DIRPF 2001/2000 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 72,12, contudo não há comprovação de recolhimento, e às fls. 59/62 DIRPF 2002/2001 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 72,12 e às fls. 63/68 DIRPF 2003/2002 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) sem valor de IR a pagar. 29 – No caso, não há comprovação de recolhimento do tributo, e mesmo que assim fosse, a contagem do prazo decadencial não seria mensal nesse caso a partir do fato gerador, mas apurada ao final do exercício, conforme interpretação da Súmula CARF nº 38, que assim diz: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). 30 – Pelo exposto, por mais que tenha ocorrido o afastamento do dolo, fraude ou simulação no presente caso, e mesmo com a aplicação do art. 150, § 4º do CTN vemos pela análise acima que o crédito do período anteriormente a 24/06/1999 arguido pela recorrente não se encontra decaído e portanto, afasto a decadência alegada. Conclusão Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 703 21 31 Diante do exposto, conheço do recurso para DARLHE parcial provimento apenas para excluir a qualificadora da multa de ofício aplicada, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 713DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.720377/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2006
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 77 /2 01 0- 67 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 3 2 decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de não homologação da compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou a ocorrência de decadência e arguiu que a hipótese em que o crédito não poderia ser utilizado se restringiria àquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, hipótese essa não verificada no presente caso, razão pela qual o indeferimento era indevido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09055.806, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegou nulidade da decisão de piso por preterição do direito de defesa e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.364, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.720351/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.364): O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 0955.793, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Preliminarmente o Contribuinte aduz pela nulidade da decisão por entender que a Manifestação de Inconformidade foi julgada em diversos Acórdãos, de mesmo teor, cada um referente a um processo administrativo, Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 4 3 violando o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, bem como, o art. 59 do referido Decreto. O fato da Manifestação de Inconformidade contemplar treze processos administrativos e a autoridade administrativa ter proferido treze acórdãos sobre os PER/Dcomps, que estão sendo julgados a partir do presente processo na condição de paradigma, não implica em violação do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que assim dispõe: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Assim considerado, nego provimento a preliminar por entender que não há nenhuma ofensa ao disposto no art. 31 citado e, com isso, não cabe a nulidade prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 por preterição do direito de defesa como alegado pelo Contribuinte em seu recurso. O Contribuinte alega, ainda em preliminar, que como se trata de lançamento por homologação, ocorreu a decadência do direito da administração fiscal de recalcular as bases apuradas de acordo com o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Assim expressa (fls. 827 e 828): (...) Esta segunda preliminar foi bem enfrentada já na decisão ora recorrida e a cito como razões para decidir (fls. 810 e 811): A manifestante alega que “considerando que os fatos geradores dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento/compensação ocorreram nos anos de 2005 e 2006, o prazo decadencial para questionamento dessas apurações se encerrou em 2011, sendo vedado ao Fisco proceder, como fez, ao lançamento no ano de 2012, Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 5 4 buscando revolver as bases de créditos tributários gerados em 2005 e 2006. Assim, de rigor o reconhecimento da decadência dos tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado”. (grifei) Cumpre ressaltar que o presente processo trata da análise de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação transmitidos pela empresa, portanto, não há que se falar em decadência visto que nele não existe lançamento de crédito tributário. Os débitos que estão sendo cobrados, ou os tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado na fala da manifestante, são aqueles declarados pela empresa nas respectivas Dcomps, e assim são regulados pelos §§ 5º e 6º do art. 74 da Lei 9.430/96, cujo teor transcrevo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Portanto, como a decisão do Despacho decisório se deu antes de decorridos cinco anos da transmissão da Dcomp em questão, também não há que se falar em homologação tácita dos débitos nela declarados. Portanto, acerca desta preliminar, voto por negar provimento ao recurso. A questão de mérito diz respeito a possibilidade ou não de se apurar créditos no que tange ao PIS/COFINS referentes a despesas da atividade da recorrente, serviços prestados por terminais portuários, vinculadas à exportação de mercadorias. Neste sentido cito trecho do recurso para que se elucidem os argumentos trazidos pelo Contribuinte (fls. 830 e seguintes): (...) (...) Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 6 5 No que tange o mérito da questão, considero relevante trazer o entendimento consubstanciado no voto do Acórdão ora recorrido como forma de elucidar o entendimento da DRJ/JFA e que servem como razões para decidir (fls. 811 a 813): Como se vê no Relatório de Fiscalização que deu origem ao despacho decisório em análise, a autoridade fiscal analisou detalhadamente os créditos informados pela empresa no Dacon respectivo e apurou “créditos vinculados ao mercado interno MI, demonstrados no Anexo I, que decorreram dos custos e despesas necessárias à obtenção das receitas sujeitas à incidência nãocumulativa das contribuições, onde foi aplicado sobre os gastos comuns às receitas vinculadas ao mercado interno (Ml) e ao mercado externo (ME) o rateio proporcional descrito no item anterior”. Esses créditos não constam do PER analisado conforme esclarece o citado Relatório de Fiscalização: “Os saldos credores (vinculados ao mercado externo ME) utilizados nos pedidos de ressarcimento decorreram dos custos com serviços prestados pelas empresas TEAG Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá Ltda. e COSAN S/A Industria e Comércio, relativos a recepção, pesagem, análise, estocagem e carregamento do açúcar nos navios transportadores. Estes serviços estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, logo, não devem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições sociais por expressa vedação contida no art. 6º, § 4º e art. 15 da Lei n° 10.833/2003 e art. 21, § 2º da IN SRF n° 600/2005. Indevida, portanto, a utilização dos saldos nos referidos pedidos”. (grifei) Os citados arts. 6º e 15 da Lei n° 10.833/2003 estabelecem: Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 7 6 Art. 6ºA COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1ºNa hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2ºA pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3ºO disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9ºdo art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; A manifestante alega que “a hipótese em que o crédito não pode ser utilizado é aquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, sendo que a contribuinte não incorreu nessa hipótese, razão pela qual o indeferimento foi indevido”. A argumentação da empresa, carente de razoabilidade, não pode prosperar tendo em vista que o dispositivo legal é bastante claro ao afirmar que o direito de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput. Que fim que está previsto nesse inciso? O fim específico de exportação. Ora, a empresa é comercial exportadora, nos termos DecretoLei n° 1.248/72 e os custos que deram origem aos supostos créditos, ora pleiteados, estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, como esclarece a autoridade fiscal. Assim, fica vedada a apuração e apropriação destes créditos pela empresa, como se constata da legislação acima transcrita. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pela manutenção dos termos do Despacho Decisório. De fato, em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu recurso, entendo correto o processo de subsunção legal com a aplicação do disposto no art. 6º, inciso III e do art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 845DF CARF MF
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