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Numero do processo: 13971.722789/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. INOCORRÊNCIA.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315-DF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
REGIME DIFERENCIADO DE APURAÇÃO DE ICMS. ESTORNO DE CRÉDITO DE ICMS FÍSICO SUBSTITUÍDO POR NOVA FORMA DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS. BENEFÍCIO FISCAL QUE NÃO SE CONFUNDE COM SUBVENÇÃO.
Constatado que o contribuinte apura ICMS sob modalidade específica e diferenciada, abrindo mãos dos créditos físicos de ICMS e fazendo jus a nova forma de apuração de créditos, não há que se falar em subvenção, quer para custeio, quer para investimento, devendo ser integralmente cancelada a exigência.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constitui entrada de recursos passíveis de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS.
Numero da decisão: 1301-003.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315-DF. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 REGIME DIFERENCIADO DE APURAÇÃO DE ICMS. ESTORNO DE CRÉDITO DE ICMS FÍSICO SUBSTITUÍDO POR NOVA FORMA DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS. BENEFÍCIO FISCAL QUE NÃO SE CONFUNDE COM SUBVENÇÃO. Constatado que o contribuinte apura ICMS sob modalidade específica e diferenciada, abrindo mãos dos créditos físicos de ICMS e fazendo jus a nova forma de apuração de créditos, não há que se falar em subvenção, quer para custeio, quer para investimento, devendo ser integralmente cancelada a exigência. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito de receita para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constitui entrada de recursos passíveis de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS.
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NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315DF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 REGIME DIFERENCIADO DE APURAÇÃO DE ICMS. ESTORNO DE CRÉDITO DE ICMS FÍSICO SUBSTITUÍDO POR NOVA FORMA DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS. BENEFÍCIO FISCAL QUE NÃO SE CONFUNDE COM SUBVENÇÃO. Constatado que o contribuinte apura ICMS sob modalidade específica e diferenciada, abrindo mãos dos créditos físicos de ICMS e fazendo jus a nova forma de apuração de créditos, não há que se falar em subvenção, quer para custeio, quer para investimento, devendo ser integralmente cancelada a exigência. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 27 89 /2 01 5- 11 Fl. 53545DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.546 2 Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constitui entrada de recursos passíveis de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 53546DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.547 3 Relatório TEX COTTON INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1290.009 da 8ª Turma da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. O Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 63, 03 de janeiro de 2008, haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. A parcela de crédito tributário exonerado diz respeito aos débitos de IRPJ referentes aos quatro trimestres de 2012 que já haviam sido confessados em DCTF e não foram deduzidas no momento da realização do lançamento. Em razão do montante de tributo e multa exonerados, não houve interposição de recurso de ofício. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 3.632.883,71, de Contribuição Social s/Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 537.793,27, de Programa de Integração Social (Pis), no valor de R$ 383.633,93, e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 1.751.354,36, dos quais o interessado tomou ciência em 05/10/2015, referentes aos anoscalendário de, 2011, 2012 e 2013. Sobre os valores lançados incidiu multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e demais encargos de juros moratórios. Nos termos expostos na descrição dos fatos no Relatório Fiscal (fls. 67/96), a autuação em foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: A Fiscalizada apurou o Imposto de Renda pela modalidade do Lucro Presumido em 2011 e 2012, e pela modalidade do Lucro Real em 2013. O Termo de Intimação 2014.00446201, cientificado em 02/12/2014, abordou, em seu contexto, circunstâncias relativas às informações prestadas pela Fiscalizada na DIME (Declaração do ICMS e do Movimento Econômico), especificamente em relação a “créditos por regimes especiais”, além de questões envolvendo a escrituração contábil destes créditos. O referido Termo intimou a Fiscalizada a entregar cópia de todos os atos concessórios e documentos relacionados aos Regimes Especiais de ICMS concedidos pelo Governo de Santa Catarina, a indicar as contas contábeis onde foram lançados os créditos presumidos de ICMS e a discriminar a composição destes créditos informados nas DIME. Fl. 53547DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.548 4 A Fiscalizada respondeu, em 17/12/2014, apresentando a cópia dos atos concessórios acompanhados das explicações acerca dos lançamentos contábeis. O Termo 2014.00446203, ciência em 26/02/2015, apontou divergências entre dados constantes da contabilidade em cotejo com as informações constantes do quadro DCIP da DIME, e intimou a Fiscalizada a prestar esclarecimentos. O Termo seguinte, 2014.00446204, cuja ciência à Fiscalizada se deu em 18/03/2015, fez ver a ela que os créditos presumidos de ICMS consubstanciavam subvenção para custeio, e não para investimento, e que desta forma deveriam ter sido considerados como receita em 2011 e 2012. O Termo 2014.00446206 a intimou a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real, a Demonstração do Resultado do Exercício trimestral e planilhas da COFINS e do PIS não cumulativo. Este Termo teve sua ciência em 12/05/2015. Em resposta, a Fiscalizada não apresentou o LALUR, nem as DRE e tampouco as planilhas de nãocumulatividade. Indicou, tão somente, as contas contábeis onde estariam registrados os créditos de PIS e COFINS. O Termo de Intimação seguinte, 2014.00446207, foi cientificado à Fiscalizada em 29/06/2015 e contém as DRE trimestrais levantadas pela Fiscalização com base na Escrituração Contábil Digital – ECD, o cálculo das bases de cálculo do PIS e da COFINS, e os créditos de PIS e COFINS também levantados pela Fiscalização. Tudo relativo ao anocalendário de 2012. A intimação era para que a Fiscalizada se manifestasse em caso de discordância dos valores apresentados pela Fiscalização, o que deveria fazêlo com suporte em documentação hábil a permitir o perfeito delineamento de sua discordância. Não houve resposta formal a este Termo, apenas um telefonema onde o Sr. Ricardo Lyra apontou uma duplicidade no cálculo do lucro de 2012, fato este comprovado pela Fiscalização. Segundo a fiscalização, a Fiscalizada fruiu benefícios oriundos de Regimes Especiais de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina, que geraram para ela créditos presumidos de ICMS. Tais créditos não foram considerados como receita tributável. Segundo a fiscalização, os créditos presumidos de ICMS, decorrentes dos Regimes Especiais, consubstanciam inexoravelmente uma subvenção estatal. Tais créditos presumidos de ICMS devem ter o tratamento previsto na Lei 11.941/09, a qual, juntamente com a Lei 11.638/07, trata da convergência aos padrões internacionais da contabilidade. Antes das modificações promovidas pela Lei 11.941/09, as subvenções para investimento deveriam ser contabilizadas diretamente a crédito da conta de reserva de capital, e, caso não fossem atendidos os requisitos do artigo 443 do RIR/99, deveriam ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Por outro lado, as subvenções para custeio deveriam ser tributadas, pois integravam o resultado operacional das pessoas jurídicas (artigo 392, I, do RIR/99). Após as modificações, as subvenções para investimento devem ser contabilizadas em conta de resultado, e, caso atendidos os requisitos do art. 18 da Lei 11.941/09, podem ser excluídos do lucro líquido para fins de Fl. 53548DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.549 5 determinação do lucro real. Concomitantemente, a empresa deve manter em reserva de lucros a parcela da subvenção excluída. Primordial, portanto, definir se os créditos presumidos de ICMS, no caso em tela, consubstanciam subvenção para custeio ou investimento. A subvenção para custeio é a transferência de recursos para a pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas ou na consecução de seus objetivos sociais, podendo estes recursos ser originados de pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado. A subvenção para investimento, por seu turno, seria a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála não nas suas despesas, mas sim na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Impõese também a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimentos. Embora o inciso XI do §35 do artigo 15 e a alínea b) do inciso I do §10 do artigo 21 do Anexo 2 – Benefícios Fiscais, do RICMS de Santa Catarina – Decreto 2.870/2001, determinem que o beneficiado deva reinvestir “o valor correspondente ao benefício na modernização, readequação ou expansão do parque fabril ou na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos”, tratase de uma obrigação genérica e sem mecanismos de controle que permitam a aferição da sincronia entre as subvenções e os investimentos: A Fiscalizada contabilizou o benefício de forma imprópria, tendo creditado uma conta de dedução de vendas (conta 2476 em 2011 e conta 3.1.02.02.0001 em 2012), em vez de uma conta representativa de receitas. Nos anoscalendário 2011 e 2012, quando a Fiscalizada optou pelo regime de tributação do lucro presumido, tal contabilização imprópria resultou na falta de tributação dessas receitas, como determinam os artigos 25, inciso II, e 29, também inciso II, da lei 9.430/96. Assim, os valores auferidos pela Fiscalizada, a título de crédito presumido de ICMS, devem ser considerados como “demais receitas”, e nesta condição devem ser acrescentados diretamente à base de cálculo do IRPJ e CSLL. A fiscalização constatou que a omissão dos valores de crédito presumido de ICMS em 2011 influenciou nos limites de receita, de que tratam os artigos 13 e 14 da Lei nº 9.718/1998 com redação dada pela Lei 10.637/2002, para fins de opção pela modalidade de apuração do Imposto de Renda pelo lucro presumido em 2012. Como a receita total da Fiscalizada em 2011, incluindo os créditos presumidos de ICMS, montou a R$ 48.989.107,80, superior ao limite de 48 milhões estabelecido pelos artigos 13 e 14 da Lei 9.718/98, ela não poderia ter optado pelo lucro presumido em 2012. Intimada, a Fiscalizada não apresentou o LALUR, nem os DRE trimestrais e nem as planilhas de nãocumulatividade do PIS e da COFINS, alegando ainda Fl. 53549DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.550 6 que o refazimento de sua contabilidade para o anocalendário de 2012 seria por demais demorado e custoso. Sendo assim, a Fiscalização levantou os DRE trimestrais com base na escrituração contábil digital que baixou do SPED Contábil. Os valores apurados pela Fiscalização foram submetidos à Fiscalizada, para que manifestasse discordância, se houvesse, via Termo de Intimação 2014.004462 07. A identificação de eventuais adições e exclusões ao lucro líquido, com o fim de apurar o lucro real, era o objetivo do Termo de Intimação 2014.00446206, quando intimou a Fiscalizada a apresentar o LALUR. Como a Fiscalizada não o apresentou, a Fiscalização não contemplou exclusões ou adições. Os valores que serviram de base para a tributação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido constam do Relatório Fiscal (item 78). Segundo a Fiscalização, no que se refere ao PIS e a Cofins, os valores de subvenção de ICMS, que consubstanciam receita tributável da Fiscalizada, não compõem, todavia, a condição de base de cálculo do PIS e da COFINS, quando o contribuinte apura o lucro na modalidade do lucro presumido, como ocorreu em 2011. Especificamente a revogação do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre as subvenções para custeio, no regime da cumulatividade. Tal dispositivo tratava do alargamento da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS no regime cumulativo. Após a revogação, portanto, não há base legal para a incidência dessas contribuições sobre as receitas diversas das enquadradas no conceito de receita bruta (art. 279 do RIR/99). Em sendo assim, inexistem consequências relativamente ao PIS e à COFINS do anocalendário de 2011. No que se refere ao anocalendário de 2012, a circunstância da Fiscalizada estar obrigada à apuração do lucro real enseja duas consequências. A primeira delas é que, nesta modalidade, a apuração do PIS e da COFINS se dá na sistemática da nãocumulatividade; a segunda, de que as receitas decorrentes das subvenções para custeio (créditos presumidos de ICMS) passam a sofrer a incidência destas mesmas contribuições. Os artigos 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, estabelecem a incidência do PIS/COFINS, no regime nãocumulativo, sobre “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, e as receitas de subvenções para custeio estão no campo de incidência destas contribuições. Significa dizer que os valores líquidos das subvenções de custeio, em 2012, serão tributadas pelo PIS e pela COFINS no regime nãocumulativo. Os valores totais de receitas, base de cálculo destas duas contribuições, são, portanto, em 2012, os valores já contabilizados como receitas somados aos Fl. 53550DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.551 7 créditos das subvenções para custeio (Créditos presumido de ICMS – Regimes Especiais), conforme planilha constante do Relatório Fiscal (item 93). Conforme consta do Relatório Fiscal, o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS dá direito ao aproveitamento de créditos oriundos de operações que a lei especifica. É o que está disposto no artigo 3ª das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que criaram o regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Neste sentido, o Termo de Intimação 2014.00446206 intimou a Fiscalizada a elaborar planilha específica demonstrativa da não cumulatividade, ou seja, planilha especificando os créditos e débitos dos referidos tributos, com a respectiva indicação das contas contábeis pertinentes. A Fiscalizada não elaborou tais planilhas, embora tenha indicado as contas que supostamente registrariam as operações que lhe dariam direito a crédito. Não obstante a negativa de proceder à elaboração de tais planilhas, a Fiscalização calculou os créditos de PIS e COFINS a que teria direito (planilha – item 100), e submeteu a ela os referidos valores, para que manifestasse eventual discordância, o que ela não fez. Ainda segundo consta do Relatório Fiscal, os créditos não aproveitados em determinado mês foram aproveitados no mês subseqüente. As planilhas que demonstram os valores autuados de Pis e Cofins, referente ao anocalendário de 2012, constam do Relatório Fiscal (item 102). No anocalendário de 2013, a Fiscalizada apurou o lucro na modalidade do lucro real. Consequentemente, o PIS e a COFINS já foram tributados no regime nãocumulativo. Portanto, segundo a fiscalização, resta apenas tributar os valores das subvenções líquidas de ICMS, que compõem base de cálculo do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo. Importa ressaltar que os valores das subvenções de ICMS não foram considerados receitas pela Fiscalizada em nenhum dos anos sob auditoria: 2011, 2012 e 2013. As contribuições de PIS e COFINS, relativas ao anocalendário de 2013, e calculadas sobre os valores das subvenções de ICMS, objeto de autuação, constam de planilha no Relatório Fiscal (item 107). Esclarece a Fiscalização que eventuais créditos de PIS e COFINS já foram aproveitados pela Fiscalizada, quando da apuração que procedeu durante o ano calendário de 2013. Segundo a Fiscalização, os valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS já confessados em DCTF foram compensados com os valores apurados no procedimento. Foi aplicada multa de ofício de 75% (art. 44 da Lei 9.430/1996). Fl. 53551DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.552 8 Inconformado, o interessado apresentou impugnação, em 04/11/2015, requerendo o cancelamento dos autos de infração lavrados, alegando, em síntese, o seguinte: . que todo o lançamento fiscal ora combatido decorre da equivocada premissa da qual partiu a Autoridade Fiscal, de que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina estariam insertos no conceito legal de receita. . que o regime especial concedido pelo Estado de Santa Catarina referese à técnica de apuração do ICMS relacionada à substituição de créditos efetivos (ou físicos) por créditos presumidos, conforme previsto no art. 21, inciso IX, do Anexo 2, do RICMS/SC. . que tal regime é um Tratamento Tributário Diferenciado, denominado Protêxtil, que não se classifica como subvenção para investimento ou de custeio, mas que consiste em técnica de apuração do ICMS, por meio da qual a Impugnante abriu mão dos créditos físicos (destacados no documento fiscal de entrada), apropriando um crédito presumido do imposto mensalmente. . que, na apuração mensal do ICMS, ao invés de apropriar o crédito pelas aquisições de insumos, a Impugnante apropriava um crédito presumido de ICMS, de modo que a carga efetiva do imposto fosse igual a 3%. Tal afirmação é comprovada pelo Demonstrativo de Créditos Informados Previamente DCIP e pela Declaração do ICMS e do Movimento Econômico – DIME anexos. . que, ainda que tenham ocorrido alguns equívocos na forma de contabilização do crédito presumido de ICMS, o fato é que, no final, foi registrado o valor devido a título de ICMS, conforme declarações prestadas ao Estado de Santa Catarina. . que, ainda que assim não o fosse, o que se admite a título de argumentação, por se tratar de apuração pelo Lucro Presumido, o valor do crédito presumido do ICMS não impactou, de modo algum, na apuração do lucro tributável, já que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL correspondem a um percentual sobre a receita bruta. . que o conceito de subvenção para investimento ou subvenção de custeio não possui qualquer relevância no caso presente; que o art. 392, I, e o art. 443, I, do RIR/99. que dispõem sobre subvenções, estão inseridos no Subtítulo III, do Título IV, do RIR/99, que trata da apuração do Lucro Real. . que, não bastasse o fato de que o crédito presumido de ICMS em questão não produzir os efeitos capazes de gerar relevância para a discussão sobre os conceitos de subvenção de custeio ou para investimento, já que na DRE é lançada a carga efetiva do imposto, não se está falando de apuração pelo Lucro Real, mas sim de Lucro Presumido. . que o crédito presumido de ICMS, concedido pelo Estado de Santa Catarina em substituição aos créditos efetivos do imposto, não possui natureza de receita. . que não é possível enquadrar os créditos presumidos de ICMS outorgados pelo Estado de Santa Catarina no conceito de receita, na medida em que não revelam capacidade contributiva (ingresso de recursos financeiros como contraprestação da atividade empresarial) e, portanto, riqueza tributável, porquanto se trata de mera técnica de apuração do ICMS, que consiste na substituição de créditos não cumulativos efetivos (ou físicos), por créditos presumidos. Fl. 53552DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.553 9 . que, em análise aos incentivos fiscais concedidos pelos Estadosmembros, conforme já reconhecido pela própria Administração Tributária, "tais vantagens configuram meras reduções de custos ou despesas". . que o Egrégio Supremo Tribunal Federal, recentemente se manifestou, por meio do seu órgão Pleno, no sentido de que o crédito de ICMS acumulado pela pessoa jurídica em razão de imunidade constitucional, quando transferido onerosamente a terceiros, não poderia ser tributado pelo PIS e pela COFINS, eis que tais créditos não são classificáveis, ou seja, não se enquadram no conceito de receita. . que em situação onde a transferência onerosa do crédito acumulado de ICMS para terceiros gerou efetivo ingresso de caixa para a empresa, o Supremo Tribunal Federal considerou que se tratava de mera recuperação de despesa tributária anterior (imposto pago na aquisição), inexistindo nova receita tributável. . que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico pela impossibilidade de ser considerado receita tributável o crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados membros. . que tanto a doutrina quanto a jurisprudência são unânimes ao reconhecer que os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento. . que tais manifestações jurisprudências afastam a classificação dos créditos presumidos de ICMS como receita, inclusive quando estes créditos, em razão do tipo de tratamento tributário diferenciado, representam uma efetiva recuperação de custos. . que, mesmo que os créditos presumidos de ICMS aferidos pela Impugnante representassem uma recuperação de custos, o que não é verdade no caso presente, dado o fato de que o custo registrado contabilmente representa a carga efetiva do imposto estadual, ainda assim estes créditos não podem ser considerados como receita tributável. . que há uma diminuição do custo tributário, pela redução da carga efetiva do imposto, mas que, de modo algum, represente uma recuperação do custo embutido no preço de venda, tratandose apenas de técnica de apuração de ICMS que impacta diretamente na formação do preço. . que o regime especial concedido referese à técnica de apuração do ICMS relacionada à substituição de créditos efetivos (físicos) por créditos presumidos, conforme prescrevem os art. 21, inc. IX, e 23 do Anexo 2, do RICMSSC. . que é importante abrir um parêntese para chamar a atenção de que, de fato, é sabido que alguns Estados da Federação, inclusive Santa Catarina, outorgam benefícios fiscais na forma de créditos presumidos de ICMS que acabam por gerar diminuição de custos e despesas, aumentando indiretamente o lucro tributável. . que, contudo, a Impugnante comprova pelos documentos anexos, bem como pelo disposto nos arts. 21, inc. IX, e 23 do Anexo 2, do RICMSSC, vigente à época, que o benefício fiscal em questão não implica na geração de receita para a empresa. . que é irrefutável a conclusão de que a diminuição do custo tributário não corresponde a uma receita para a Impugnante, tampouco representa acréscimo Fl. 53553DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.554 10 patrimonial, mas tão somente consiste no meio que o Estado de Santa Catarina encontrou para incentivar sua atividade, tornandoa mais competitiva, na medida em que tem condições de praticar um preço menor em suas operações de venda de produção própria. . que não há, portanto, dúvida de que, face a natureza dos créditos presumidos de ICMS e a forma como a Impugnante os utiliza, tais créditos não acarretam aumento da receita ou do lucro, porque a carga efetiva do ICMS apurado é observada na formação do preço, gerando, apenas, a diminuição do preço final da mercadoria. . que o Tribunal Regional Federal da 4a Região, ao analisar benefício fiscal decorrente dos programas de incentivo à atividade têxtil concedidos pelo Estado de Santa Catarina a uma empresa têxtil, concluiu que o crédito presumido de ICMS em questão representa uma tentativa do Estadomembro de diminuir os custo de produção deste setor e, consequentemente, o preço final das atividades, realizando uma renúncia fiscal, direcionando os recursos às empresas dos setores favorecidos, não representando isso faturamento por parte das indústrias beneficiadas, já que o desconto é repassado para o preço final do produto, mantendose, dessa forma, a mesma margem de lucro por unidade vendida. . que não se pode deixar de destacar o fato de que o lançamento de ofício relativo ao anocalendário 2013, quando a Impugnante passou a realizar sua apuração pelo Lucro Real, ocorreu apenas em relação ao PIS e à COFINS, o que demonstra claramente que sempre foi considerada a carga efetiva do imposto na contabilidade, mediante a dedução do crédito presumido do ICMS. . que não há como prosperar a afirmação da Autoridade Fiscal de que a Impugnante omitiu receita tributável nos anoscalendário de 2011 a 2013, pois, como visto, os créditos presumidos de ICMS apontados pela Autoridade Fiscal como receita omitida não podem ser classificados como receita ou faturamento para fins de incidência tributária. . que a receita bruta é o produto da venda de bens ou da prestação de serviços, restando evidente que os créditos presumidos de ICMS não têm natureza de faturamento, não podendo, por isso, servir como base de cálculo para apuração do Lucro Presumido. . que é impossível de se sustentar, como pretendeu fazer a Autoridade Fiscal, que os créditos presumidos de ICMS poderiam ser classificados como "demais receitas'', vez que foi cabalmente demonstrado que tanto a doutrina quanto a jurisprudência expressamente rechaçam a qualificação destes créditos como espécie de receita. . que é importante destacar ainda que a Autoridade Fiscal foi imprecisa na qualificação jurídica destes créditos como receita, eis que em determinados momentos (parágrafo 41 do Relatório Fiscal) afirma que tais créditos são receitas operacionais, "pois integravam o resultado operacional". Porém, em outro momento (parágrafo 52 do Relatório Fiscal), afirma que estes créditos presumidos são "demais receitas". Esta falta de exatidão da Autoridade Fiscal, por si só, acarreta na nulidade do lançamento por falha de motivação quanto à "matéria tributável", cuja aferição é compulsória por força do disposto no art. 142 do CTN. Fl. 53554DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.555 11 . que mostrase inaplicável e impertinente qualquer alegação de que a contabilização dos créditos presumidos de ICMS aumentaria indiretamente o lucro tributável e, portanto, deveria compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, na medida em que tais argumentos não guardam nexo com o regime do Lucro Presumido adotado pela Impugnante no anocalendário 2011. . que, se os créditos presumidos de ICMS não são classificados como receita para fins de formação da base de apuração da receita bruta, obviamente também não podem ser considerados para fins de mensuração da "receita bruta total" (art. 13 da Lei 9.718/98) ou "receita total" (art. 14 da Lei 9.718/98) do respectivo ano calendário, haja vista que, para que os créditos presumidos de ICMS possam ser classificados em alguma das "espécies" de receita (bruta, outras receitas operacionais, não operacionais etc.), antes precisam ser receita, cuja possibilidade já restou rechaçada pela doutrina e jurisprudência pátria. . que, excluindose os valores dos créditos presumidos de ICMS do ano calendário 2011, verseá que a receita total é de apenas R$ 46.366.330,53, não havendo dúvida de que a opção realizada pela Impugnante no anocalendário 2012 pelo Lucro Presumido deve ser mantida, pois observados os pressupostos legitimadores desta opção, nos termos dos artigos 13 e 14 da Lei 9.718/98 vigentes à época. . que, por decorrência, quanto ao IRPJ e à CSLL lançados no anocalendário 2012 aplicamse as mesmas razões anteriormente apresentadas pela impossibilidade de tributação dos créditos presumidos de ICMS no regime do Lucro Presumido. . que, ainda em consequência, mostrase completamente indevida a incidência do PIS e da COFINS lançados no respectivo ano de 2012, pois, além de a Autoridade Fiscal ter expressamente consignado a não incidência destes tributos sobre tais rubricas em sede do regime de apuração pelo Lucro Presumido (parágrafos 84 a 87 do Relatório Fiscal), restou antes comprovado pela maciça jurisprudência já consolidada no E. STJ sobre a impossibilidade destes benefícios fiscais de ICMS serem considerados receita. . que não resta dúvida de que os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao anocalendário 2012 devem ser cancelados, uma vez que indevida a desconsideração realizada pela Autoridade Fiscal da apuração e recolhimento dos tributos na sistemática do Lucro Presumido. . que o fato de o lançamento quanto ao anocalendário 2013 ter ocorrido apenas em relação ao PIS e a COFINS, somente vem a convalidar as razões de que o crédito presumido de ICMS não representou ingresso de qualquer valor para a Impugnante face a consideração do benefício fiscal na formação do preço. . que o lançamento de PIS e COFINS no ano 2013 também é ilegítimo, pois, os créditos presumidos de ICMS não constituem receita passível de tributação por estes tributos, consoante consolidada jurisprudência e doutrina. . que o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já manifestou entendimento que reconhece a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos. Fl. 53555DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.556 12 . que não há dúvida de que o lançamento de PIS e COFINS sobre os créditos presumidos de ICMS lançados no anocalendário 2013 deve ser cancelado, eis que flagrantemente ilegítimo. . que a existência de erros materiais na apuração da base de cálculo dos tributos lançados, enseja a declaração de nulidade da autuação. . que o erro na formação do lançamento, sobretudo quando afeto diretamente à base de cálculo e ao cálculo do montante do tributo devido, implica em inobservância dos elementos de validade do lançamento previstos no art. 142 do CTN. . que a não observância dos elementos do lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN, traduz erro de natureza substancial e enseja a nulidade do auto de infração. Cita acórdão do CARF. . que no lançamento da CSLL no anocalendário 2012, a Autoridade Fiscal, ao apurar a base de cálculo, deixou de considerar o prejuízo fiscal apurado no 2º trimestre para fins de compensação nos 3º e 4º trimestres do mesmo ano. . que a própria Planilha constante no Relatório Fiscal (item 78) comprova tanto a apuração do prejuízo fiscal no 2º trimestre de 2012, quanto a não compensação do mesmo nas competências seguintes. . que a Autoridade Fiscal, no que se refere ao anocalendário de 2012, não observou a base de cálculo prevista para o IRPJ Lucro Real, eis que sequer considerou o valor da CSLL, a qual deveria ter sua base de cálculo igualmente reduzida face a não consideração do prejuízo fiscal apurado no 2º trimestre de 2012. . que, ao ser utilizada a mesma base de cálculo para a CSLL 2012 e para o IRPJ 2012 (apurados pela Autoridade Fiscal no Lucro Real), o lançamento do IRPJ possui grave erro no critério quantitativo. . que, apesar de expressamente ter reconhecido a existência de débitos de IRPJ declarados em DCTF, cujos pagamentos ocorreram sob a sistemática de apuração do Lucro Presumido em 2012 e, ainda, de ter expressamente consignado que tais valores seriam compensados com os débitos objeto do lançamento ora combatido, a Autoridade Fiscal não realizou tais compensações. . que, importante destacar, os lançamentos de IRPJ referentes ao ano de 2011 foram devidamente compensados com os débitos de DCTF relacionados na Planilha constante no Relatório Fiscal (item 110), conforme indicado nos campos "detalhamento das deduções" e "descrições das deduções" do respectivo Auto de Infração. . que, no entanto, no tocante ao IRPJ 2012, não obstante tenha apurado débitos em DCTF, conforme Planilha constante no Relatório Fiscal (item 111), não há indicação de que tais débitos foram considerados no lançamento, eis que os campos de "deduções" do demonstrativo do Auto de Infração encontramse zerados. . que, ao apurar o montante de COFINS supostamente devida no anocalendário 2012 (então apurada pela Autoridade Fiscal na sistemática não cumulativa), Fl. 53556DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.557 13 deixou de considerar, em determinados meses, o saldo de créditos não cumulativos do mês anterior. . que tal fato ocorreu nas competências de junho, julho e agosto de 2012, conforme se pode aferir na tabela constante no Relatório Fiscal (item 102). . que, na competência de junho/2012, não foi apurado débito de COFINS, eis que as deduções de vendas canceladas foram maiores do que a receita bruta (conforme tabela constante no Relatório Fiscal – item 93). . que nesta competência foram apurados créditos nãocumulativos que deveriam ser compensados com os débitos de COFINS de julho/2012. . que no mês de julho/2012 a soma dos créditos não cumulativos e do valor pago em DCTF também compensável foi superior ao valor do débito de COFINS, o que gerou um saldo compensável para o mês de agosto/2012. . que, todavia, no mês de agosto/2012, a Autoridade Fiscal compensou o suposto débito de COFINS com o crédito não cumulativo apurado no mesmo mês e com o valor declarado em DCTF, indicando que haveria COFINS a constituir no valor de R$ 171.166,28. . que ignorou por completo o saldo decorrente do crédito não cumulativo dos meses de junho (não utilizado) e julho (parcialmente utilizado), fulminando este crédito da Impugnante. . que, não bastasse isso, constatase também que no mês de dezembro de 2012, a soma do crédito não cumulativo e do valor que declarado em DCTF foi superior ao suposto débito de COFINS, o que igualmente gerou um saldo de crédito compensável. . que, porém, este saldo de crédito compensável não foi observado em 2012 e tampouco em 2013, eis que na Planilha de apuração da COFINS 2013 (Relatório Fiscal – item 107) não há nenhuma indicação de que o referido saldo de dezembro de 2012 foi compensado em janeiro ou em outro mês de 2013. . que a multa aplicada no patamar de 75% é ilegítima, merecendo ser excluída, ou, quando menos, reduzida, já que a imposição de penalidade gravosa, como a que se apresenta no patamar de 75%, merece ser ponderada em situações especiais. . que, tendo em vista que a Impugnante não se utilizou de meios fraudulentos para tentar, hipoteticamente, reduzir tributo, já que os créditos presumidos de ICMS estavam devidamente lançados na sua escrita contábil e fiscal, inexistindo qualquer omissão, não haveria razão para ser mantida a multa de 75% ora aplicada. . que a multa de 75%, da forma como está sendo aplicada, não observa os mandamentos da Constituição Federal/1988, visto que é excessiva se considerada a suposta infração, gerando, portanto, o proibido efeito confiscatório. . que, ao menos, a multa deve ser reduzida ao patamar máximo de 20%, aplicada pelo Fisco em caso de atraso injustificado no pagamento de tributo. Fl. 53557DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.558 14 Em 04/08/2017 o interessado juntou petição (fls. 53.387/53.395) informando um sinistro do automóvel arrolado e solicitando a sua substituição. Analisando a impugnação apresentada o colegiado a quo julgoua parcialmente procedente, deduzindo os valores de IRPJ dos quatro trimestres confessados espontaneamente em DCTF e não deduzidos pela autoridade fiscal na lavratura do respectivo auto de infração. O contribuinte foi intimado da decisão em 17 de agosto de 2017 (fls. 53.438 53.434), apresentando recurso voluntário de fls. 53.44853.512 tempestivamente em 15 de setembro de 2017 (fl. 53.446), requerendo a declaração de nulidade da decisão de primeira instância por suposto cerceamento do direito de defesa por não ter enfrentado todas suas oito teses de defesa, e, no mérito, reafirmando, em resumo, os termos de sua impugnação. É o relatório. Fl. 53558DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.559 15 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Em relação ao recurso voluntário, além de tempestivo, foram preenchidos os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Aduz a Recorrente que a decisão recorrida seria nula em razão de não ter analisado todos os argumentos contidos em sua impugnação. Ocorre que a autoridade julgadora não é obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no AgRg no AREsp 462.735/MG, julgado em 18/11/2014, DJe 04/12/2014 assentou a seguinte conclusão: De acordo com o entendimento jurisprudencial remansoso neste Superior Tribunal de Justiça, os julgadores não estão obrigados a responder todas as questões e teses deduzidas em juízo, sendo suficiente que exponham os fundamentos que embasam a decisão. E mesmo com a vigência do Novo Código de Processo Civil Lei nº 13.105/2015 , tal entendimento não se alterou, assim decidindo o STJ: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016). Desse modo, a Recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas na defesa, e Fl. 53559DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.560 16 sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Assim sendo, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. 3 MÉRITO Segundo a Recorrente, a despeito de qualquer discussão a respeito da natureza de determinados benefícios fiscais concedidos por Estados se enquadrarem como subvenção para investimento ou subvenção para custeio, no caso concreto, tratarseia de regime especial de apuração do ICMS, em que o contribuinte abriria mão de créditos de ICMS a que faria jus na aquisição de seus produtos para recolher, ICMS a alíquota efetiva fixa de 3% na saída de suas mercadorias, não havendo que se falar em omissão de receitas. Sem adentrar nos demais argumentos da Recorrente, entendo assistirlhe razão. Para fins de operacionalização desse benefício fiscal, o Decreto 2.870/01 – Regulamento do ICMS do Estado de Santa Catarina, previa em seu Anexo 2, Capítulo III, Seção, previu o seguinte procedimento: Art. 21. Fica facultado o aproveitamento de crédito presumido em substituição aos créditos efetivos do imposto, observado o disposto no art. 23: [...] IX – nas saídas de artigos têxteis, de vestuário, de artefatos de couro e seus acessórios, promovidas pelo estabelecimento industrial que os tenha produzido calculado sobre o valor do imposto devido pela operação própria, nos seguintes percentuais, observado o disposto nos §§ 10 a 14, 27 e 28 deste artigo (Lei nº 10.297/96, art. 43): a) 82,35% (oitenta e dois inteiros e trinta e cinco centésimos por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 17% (dezessete por cento); b) 75% (setenta e cinco por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 12% (doze por cento); c) 57,14% (cinqüenta e sete inteiros e quatorze centésimos por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 7% (sete por cento). d) 25% (vinte e cinco por cento) nas saídas tributadas à alíquota de 4 % (quatro por cento). Ao aplicarmos, sobre os preços de venda, os percentuais de crédito presumido previstos em tal norma, em todas as hipóteses a alíquota efetiva de ICMS praticada pelo contribuinte passará a ser de 3%. Vejase: Fl. 53560DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.561 17 a) 82,35% de crédito, nas saídas tributadas à alíquota de 17%, equivale à 14% de crédito sobre o preço de venda, ou seja, alíquota efetiva de 3%; b) 75% de crédito, nas saídas tributadas à alíquota de 12%, equivale à 9% de crédito sobre o preço de venda, ou seja, alíquota efetiva de 3%; c) 57,14% de crédito, nas saídas tributadas à alíquota de 7%, equivale à 4% de crédito sobre o preço de venda, ou seja, alíquota efetiva de 3%; d) 25% de crédito, nas saídas tributadas à alíquota de 4 %, equivale à 1% de crédito sobre o preço de venda, ou seja, alíquota efetiva de 3%. Compulsando os autos, resta evidente que, embora conste nas notas fiscais que o ICMS cobrado nas operações se deu com base nas alíquotas habituais (no período, 17% de ICMS nas operações internas e 12% nas operações interestaduais), a precificação dos produtos não se deu com base nessas alíquotas, mas sim considerandose a alíquota efetiva de 3% com base no regime diferenciado previsto na legislação catarinanese para as indústrias têxteis. Vejase, exemplificativamente, a DANFE à fl. 53.353: Conforme se observa no item destacado, o produto “Vestido Rosa Babados 8 Rosa” foi vendido a um preço unitária de R$ 54,81, considerandose uma venda para Fl. 53561DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.562 18 pagamento em 3 parcelas vencíveis a 30, 60 e 90 dias, respectivamente, considerandose uma alíquota de 12% de ICMS (venda interestadual). A seguir, a Recorrente, já em sede de impugnação, apresentou seu demonstrativo de composição do custo. Em relação à mesma mercadoria (“Vestido Rosa Babados 8 Rosa”), a ficha de composição de custos encontrase às fls. 53.35453.355: Fl. 53562DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.563 19 Conforme se observa, o custo de produção dessa mercadoria foi de R$ 23,73428. Acrescese a isso todos os custos variáveis do produto, incluíndose aí os tributos cobrados sobre o preço de venda. Nesse sentido, é importante observar que foram incluídos os custos (em percentual sobre o preço de venda) de frete, IRPJ e CSLL (coeficientes de presunção de lucro multiplicados pelas alíquotas), PIS/Cofins (alíquotas do regime cumulativo), ICMS a alíquota de 3%, INSS, marketing e comissão sobre vendas, entre outros. A seguir, utilizandose de método de precificação denominado markup1, de acordo com o demonstrativo de fl. 53.355, chegase aos valores de vendas que deveriam ser praticados para o produto “Vestido Rosa Babados 8 Rosa”: Vêse que, conforme demonstrado pelo contribuinte, o seu preço de venda fora calculado baseandose em um ICMS efetivo de 3%, pois, caso a alíquota aplicável fosse de 17%, certamente seu preço de venda deveria ser superior. Com um custo de R$ 23,73428 por unidade, e um markup divisor de 47,07%, contemplandose aí ICMS de 3%, o preço de venda fixado para recebimento em 3 parcelas (90 dias) era de R$ 54,81, exatamente o valor praticado. Segundo os cálculos da Recorrente, caso se utilizasse a alíquota de ICMS de 17% o markup seria de 32,07%, o que demandaria o preço de venda de R$ 78,73 nas mesmas condições de venda (explicar mark up) 2. 1 Método desenvolvido e estudo em cadeiras de contabilidade gerencial e controladoria, que consiste em, a partir dos preços de produção de determinada mercadoria, e dos custos tributários e variáveis em função do preço de venda e da margem de lucro desejada, fixarse o preço de venda que deve ser praticado pela empresa. 2 Na realidade, esse cálculo realizado pela Recorrente encontrase equivocado, pois o contribuinte não levou em consideração os créditos de ICMS que faria jus se não fosse tributado com base em regime especial, ou seja, Fl. 53563DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.564 20 As tabelas elaboradas pela Recorrente em seu recurso voluntário bem demonstram o cálculo do ICMS devido em suas operações (fls. 53.46453465): deveria levar em consideração a alíquota efetiva de ICMS a partir da inclusão no cálculo dos créditos físicos de ICMS. Contudo, tal equívoco não possui qualquer influência no cálculo realizado com base na alíquota efetiva de 3%. Fl. 53564DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.565 21 Nesse contexto, ainda que tenham ocorridos alguns equívocos na forma de contabilização do crédito presumido de ICMS, o fato é que, segundo, aliás, não contesta a Autoridade Fiscal nem mesmo o v. Acórdão recorrido, no final, foi registrado o valor devido a título de ICMS, conforme declarações prestadas ao Estado de Santa Catarina, ou seja, contabilmente acabou sendo registrada a carga efetiva do imposto, considerada na formação do preço das mercadorias vendidas pela Recorrente Portanto, conforme se observa, o tratamento diferenciado dado pelo Estado de Santa Catarina às empresas têxteis acaba por refletir diretamente no preço final praticado por essas pessoas jurídicas quando de suas vendas, procedimento inclusive adotado pela Recorrente em sua escrituração contábil, tanto que, no lançamento de IRPJ e de CSLL relativo ao anocalendário de 2013, em que o contribuinte já havia apurado seus tributos com base no lucro real, sequer houve lançamento, pois o lucro calculado pela Recorrente foi considerado correto pela autoridade fiscal autuante. Ocorre que a decisão recorrida utiliza como fundamento para suas conclusões em sentido diverso ao ora externado baseandose na Solução de Consulta Cosit nº 188/2015. Contudo, equivocouse a turma julgadora a quo, pois tal solução de consulta trata de outro benefício fiscal previsto pelo estado catarinense, qual seja, um crédito presumido concedido de forma adicional aos créditos físicos. O benefício analisado em tal decisão está previsto no art. 15, § 35, VI, do Anexo 2, do Decreto n° 2.870/01 – RICMS/SC, vejase: Art. 15. Fica concedido crédito presumido: [...] XXXIX nas saídas de artigos têxteis, de vestuário, de artefatos de couro e seus acessórios, promovida pelo estabelecimento industrial que os tenha produzido, de forma a Fl. 53565DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.566 22 resultar em tributação efetiva equivalente a 3% (três por cento) do valor da operação. § 35. O benefício previsto no inciso XXXIX deverá ser utilizado alternativamente ao disposto no art. 21, IX, e depende da aceitação pelo contribuinte das seguintes regras e condições: I – o benefício é opcional, deverá ser solicitado no Sistema de Administração Tributária – S@T na página oficial da Secretaria de Estado da Fazenda na Internet e mantido por período não inferior a 12 (doze) meses. II – o estabelecimento industrial beneficiário deverá utilizar, no mínimo, 85% (oitenta e cinco por cento) de matériaprima produzida em território nacional e a parcela importada, se houver, deverá ser importada por meio de portos ou aeroportos situados no Estado e por estabelecimento inscrito no Cadastro de Contribuintes do ICMS do Estado de Santa Catarina (CCICMSSC); III – o imposto a recolher em cada período não pode ser inferior a 3% (três por cento) do valor das operações alcançadas pelo benefício; IV para obtenção do percentual mínimo de recolhimento previsto no inciso III, poderão ser utilizados os créditos efetivos do imposto correspondentes ao ciclo de produção das mercadorias abrangidas pelo benefício;[grifos nossos] V será considerado crédito presumido o valor necessário para obtenção do percentual mínimo de recolhimento previsto no inciso III, caso esse limite não seja atingido mediante aplicação do disposto no inciso IV; VI deverá ser estornado o excesso de crédito existente em determinado período, cuja utilização implique em percentual de recolhimento menor que o percentual previsto no inciso III, exceto, na forma da legislação aplicável, os créditos decorrentes de doação ao Fundo Social e ao SEITEC; VII – o descumprimento de quaisquer das condições previstas nos incisos II e XII deste parágrafo implica perda do benefício durante os 12 (doze) meses do exercício seguinte ao da ocorrência do fato. [...] Conforme já salientado, o benefício fiscal a que faz jus a Recorrente está previsto no art. 21, inc. IX, do Anexo 2, do Decreto n° 2.870/01 – RICMS/SC, pedindose vênia para novamente transcrever seus termos: Art. 21. Fica facultado o aproveitamento de crédito presumido em substituição aos créditos efetivos do imposto, observado o disposto no art. 23: Fl. 53566DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.567 23 [...] IX – nas saídas de artigos têxteis, de vestuário, de artefatos de couro e seus acessórios, promovidas pelo estabelecimento industrial que os tenha produzido calculado sobre o valor do imposto devido pela operação própria, nos seguintes percentuais, observado o disposto nos §§ 10 a 14, 27 e 28 deste artigo (Lei nº 10.297/96, art. 43): a) 82,35% (oitenta e dois inteiros e trinta e cinco centésimos por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 17% (dezessete por cento); b) 75% (setenta e cinco por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 12% (doze por cento); c) 57,14% (cinqüenta e sete inteiros e quatorze centésimos por cento), nas saídas tributadas à alíquota de 7% (sete por cento); d) 25% (vinte e cinco por cento) nas saídas tributadas à alíquota de 4 % (quatro por cento). Art. 23. Nas operações ou prestações em que o crédito presumido for utilizado em substituição aos créditos de imposto relativo à entrada de bens, mercadorias, serviços e quaisquer insumos incorridos na produção e comercialização de mercadorias ou na prestação de serviços, o contribuinte que optar pelo crédito presumido deverá permanecer nessa sistemática por período não inferior a 12 (doze) meses, observado o seguinte: [...] III os créditos do imposto, relativos à entrada de mercadoria adquirida para fins de comercialização ou industrialização, cuja saída for contemplada com o crédito presumido, deverão ser registrados no livro Registro de Entradas e estornados integralmente no livro Registro de Apuração do ICMS, no mesmo período de apuração, devendo ainda o montante do estorno ser lançado em campo próprio da Declaração de Informações do ICMS e Movimento Econômico – DIME. [grifos nossos] Portanto, conforme se observa, no caso da Recorrente, resta evidente o que o crédito presumido de ICMS poderá ser aproveitado em substituição aos créditos efetivos do imposto, situação absolutamente distinta ao benefício fiscal analisado pela Solução de Consulta Cosit n° 188/2015. Reforçase: no caso da Recorrente há uma técnica diferenciada de apuração de tributo (ICMS), procedimento opcional e adotado em substituição ao sistema habitual de tributação previsto na Lei Complementar 87 e nas legislações estaduais habituais do ICMS (aproveitamento do crédito físico do imposto). Portanto, tratandose de regime de apuração próprio, se os créditos efetivos de ICMS não se caracterizam como receita, os créditos presumidos utilizados pelo contribuinte, em substituição ao ICMS embutido em suas compras, também não o pode ser. Fl. 53567DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.568 24 É importante destacar que não foi realizado nenhum pagamento de créditos presumidos por parte do Estado de Santa Catarina, permitindose, isso sim, que o contribuinte tão somente pudesse recolher ICMS à alíquota efetiva de 3% em suas vendas. Aliás, como bem asseverou a Recorrente: 115. Ainda, não se pode deixar de destacar o fato de que o lançamento de ofício relativo ao anocalendário 2013, quando a Recorrente passou a realizar sua apuração pelo Lucro Real, ocorreu apenas em relação ao PIS e à COFINS, o que demonstra claramente que sempre foi considerada a carga efetiva do imposto na contabilidade, mediante a dedução do crédito presumido do ICMS. 116. Aliás, o próprio lançamento fiscal em relação a todo o período não deixa dúvidas quanto à assertiva, na medida em que exclui da “receita tributável” os valores correspondentes aos créditos físicos do ICMS, estornados pela Impugnante em sua contabilidade. 117. Nesse sentido, admitir a tributação nos moldes do lançamento fiscal, cujos termos foram mantidos pelo v. Acórdão recorrido, face às condições específicas do crédito presumido de ICMS aqui cotejado, é o mesmo que admitir válida a tributação da vantagem econômica obtida pelo contribuinte que optou por apurar os tributos federais pelo Lucro Presumido ao invés do Lucro Real. Conforme se observa, a Recorrente procedeu, inclusive, ao estorno dos créditos físicos de ICMS para utilização do regime especial diferenciado a que fez jus, tanto que, no período em que foi tributada originalmente com base no lucro real (anocalendário de 2013), sequer houve lançamento de ofício de IRPJ e de CSLL, pois a autoridade fiscal concluiu que não haveria crédito a ser exigido em razão do procedimento adotado, o que se demonstra que, se fosse adotado o mesmo critério fiscal para exame dos anoscalendário de 2011 e 2012 a conclusão deveria ser absolutamente a mesma, não havendo que se falar em qualquer irregularidade. E ainda que os tais créditos de ICMS pudessem ser considerados como valores passíveis de tributação (subvenção para custeio), de toda forma a exigência não se sustentaria em relação ao anocalendário de 2011 e 2012, pois há razão adicional para exonerarse o crédito tributário correspondente. Isso porque, embora a própria autoridade fiscal tenha concluído que as supostas subvenções para custeio se enquadrariam no conceito de outras receitas para fins de apuração do lucro presumido, contraditoriamente concluiu tratarse de receita bruta para fins de apuração dos tributos devidos, aplicandose os coeficientes de presunção de lucro para determinar as bases de cálculo de IRPJ e de CSLL3. 3 Embora a Recorrente questione a possibilidade, em tese, de se tributar eventuais subvenções correntes quando o contribuinte apura seus resultados com base no lucro presumido, discordo de tal entendimento, pois, embora não se possa enquadrar a subvenção de custeio como receita bruta, não há dúvidas de que se trata de outra receitas, tanto que, se o contribuinte for tributado com base no lucro real a subvenção para custeio é considerada receita operacional, nos termos do art. 392 do RIR/99. Vejase: Fl. 53568DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.569 25 Vejamse excertos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 7879): 51. Nos anoscalendário 2011 e 2012, quando a Fiscalizada optou pelo regime de tributação do lucro presumido, tal contabilização imprópria resultou na falta de tributação dessas receitas, como determinam os artigos 25, inciso II, e 29, também inciso II, da lei 9.430/96, in verbis: Art. 25 O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II – os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. [grifos do original] ... Art. 29 A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); [...] De igual forma, se estivéssemos tratando de subvenção para custeio, tais rendimentos deveriam ser computados para apuração do limite de receita total que possibilita um contribuinte optar pela apuração de seu resultado fiscal com base no lucro presumido, ou o obriga a ser tributado com base no lucro real. A Recorrente se apega ao fato de o caput do art. 13 da Lei n º 9.718, de 1998, estipular como limite de receita bruta total, à época dos fatos geradores, o total de R$ 48 milhões, argumentando que eventual subvenção para investimento não se enquadraria no conceito de receita bruta. Ocorre que o legislador utilizouse da expressa receita bruta total, que difere de receita bruta, tanto que, no art. 14 do mesmo diploma lega e que deve ser interpretado em conjunto com o artigo precedente, determinouse que seria hipótese de enquadramento obrigatório no lucro real o fato de o contribuinte ter auferido receita total acima de R$ 48 milhões no ano anterior, conforme transcrito a seguir: Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Portanto, ambos os argumentos da Recorrente devem ser refutados, salientandose, contudo, ser tal conclusão irrelevante para o deslinde do caso concreto em razão de os valores questionados pelo Fisco não se caracterizarem nem como receita bruta, tampouco como outras receitas. Fl. 53569DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.570 26 I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II – os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. [grifos do original] [...] 55. Logo, a receita bruta em 2011, que é a soma daquela constante da contabilidade somada àquela dos créditos presumidos do ICMS também em 2011, é a seguinte: 56. O lucro presumido em 2011 é, portanto, num primeiro momento, o resultado da aplicação do percentual de 8% à receita bruta ajustada (última coluna da planilha retro). 57. Mas para se chegar ao lucro presumido definitivo há que somar as receitas financeiras. Logo, o lucro presumido de 2011 que será levado ao Auto de Infração será aquele constante da última coluna da planilha abaixo: Certamente, ainda que a Recorrente realmente tivesse sido beneficiada com subvenções correntes, tais valores não se enquadrarim no conceito de receita bruta, uma vez que tais valores são estranhos às receitas auferidas com suas vendas, conforme estipulam os arts. 518, 519 e 224 do RIR/99: Fl. 53570DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.571 27 Lucro Presumido Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 2244 e seu parágrafo único. Portanto, incorreta também a formalização da exigência por parte do Fisco em relação ao anocalendário de 2011, o que, por si só, já é suficiente para exonerar também a exigência relativa ao anocalendário de 2012 com base no lucro real, uma vez que as receitas consideradas pelo Fisco como auferidas para superação do limite de receita total para opção pelo lucro presumido em 2012 não se confirmou com o erro na formalização da exigência relativa ao anocalendário de 2011, implicando a exoneração integral, também por essas razões, do crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de 2012. Ante o exposto, no que diz respeito às exigências dreflexas de CSLL, PIS e Cofins, aplicamse as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. No que atine ao PIS e à Cofins, existe ainda razão adicional e independente para não se manter a exigência. Ainda que se tratasse de subvenções para custeio, em que pese meu entendimento pessoal sobre o tema, entendo que se mereça respeitar a atual jurisprudência dominante no âmbito da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, até mesmo para se resguardar a competência original da 3ª Seção de Julgamentos em relação à análise dos processos envolvendo as contribuições para o PIS e para a Cofins, somente analisado no presente processo em razão de serem autos de infrações reflexos. Nesse cenário, adoto as razões de decidir do acórdão 9303004.560, julgado na sessão de 07 de dezembro de 2016, reproduzindo parcialmente o voto condutor do aresto5: Após discorrer sobre a admissibilidade do Recurso Especial, passo a analisar o cerne da lide trazida nesse recurso, qual seja, se os mencionados créditos presumido de ICMS (puramente escritural) devem ser considerados ou não como receita para fins de incidência de PIS e de Cofins. 4 Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). 5 Esclarecese que o segundo argumento de tal acórdão para cancelar a exigência de PIS e Cofins não se amolda ao presente caso, pois, em tal paradigma, considerouse o benefício fiscal como sendo uma subvenção para investimento, ao contrário da conclusão a que chegou este colegiado. Fl. 53571DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.572 28 Vêse, assim, que a análise do caso vertente, considerando sua especificidade, devese dar observando os argumentos acolhidos pelo Colendo Supremo Tribunal Federal em recente julgado – Recurso Extraordinário 606.107 que tratou da incidência do PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS. Eis que se enquadra perfeitamente ao presente caso. O que passo forçosamente a discorrer sobre aquele julgamento. O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou, na assentada de 22.5.2013, o RE 606.107, de relatoria da Ministra Rosa Weber, com repercussão geral reconhecida, definindo que os créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresa exportadora não compõem a base de cálculo das contribuições para PIS e COFINS. É de se lembrar que o tema teve repercussão geral reconhecida, [...] Continuando, é de se recordar que ao julgar o mérito desse RE, o Tribunal negou provimento à pretensão da União e definiu não incidirem as contribuições de PIS e de COFINS sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros por empresas exportadoras. Não obstante o julgamento tenha tratado de empresa exportadora, impossível ignorar os fundamentos adotados, pois evidente válidos para o caso em questão. Sendo assim, retornando, temse que o Supremo Tribunal Federal afastou à época a cobrança das contribuições, baseando seu entendimento no fato de que tais créditos de ICMS representariam incentivo à exportação – e que não seriam passíveis de tributação pelas contribuições, pois não se trata de riqueza se compreendendo, portanto, ao conceito de receita para fins de apuração desses tributos. Compulsando aos autos do processo, notase que o crédito presumido do ICMS, por seu puramente escritural, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte – devendo ser afastado do conceito de receita. Insurgindo ao entendimento do Supremo Tribunal Federal no referido RE 606.107/RS de que o conceito constitucional de “receita bruta” pressupõe um “ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições” – o que, peço licença para transcrever o voto da Min. Rosa Weber, para melhor aclarar: “Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondências no passivo, vem acrescer seu vulto, como elemento novo e positivo.” Vêse esvaziada a discussão sobre qual seria a correta classificação contábil do referido crédito, haja vista que, independentemente da classificação contábil adotada, a Suprema Corte definiu o conceito constitucional de “receita bruta”, entendendo imprescindível a verificação, no caso concreto, se o ingresso patrimonial se submete ou não a alguma espécie de condição, reserva ou contraprestação pela pessoa que o recebe – e se configura como elemento novo positivo. Para melhor elucidar tal entendimento, impõese a transcrição de trecho da ementa do referido julgado, in verbis: Fl. 53572DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.573 29 “(...) V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (...)” (grifouse)” Na mesma seara, ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” havia tratado tal conceito da mesma forma que o julgado no STF ao manifestar: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo.” Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo,". Cabe trazer que, em consonância com esse entendimento, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC, a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Fl. 53573DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.574 30 Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido.” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008)” Consoante esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que a discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS. Para melhor compreensão e por não considerar tal benefício como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Fl. 53574DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.575 31 Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito presumido do ICMS pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata. Tais créditos presumidos devem ser tratados como mero benefício fiscal concedidos pelos EstadosMembros como meio de estabelecer equilíbrio de mercado. Indiscutível que seu efeito econômico não caracteriza nova riqueza. Sendo assim, o crédito presumido do ICMS não ostenta natureza de receita ou faturamento, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Dessa forma, é de se esclarecer que pela essência econômica, a correta classificação contábil dos r. créditos presumido de ICMS deveria considerar seu registro em contas patrimoniais. E, em respeito a Regra Matriz de incidência das contribuição ao PIS e Cofins, bem como a análise da essência do crédito de ICMS, não há que se falar em tributação, pois forçoso se tributar tais direitos pelas r. contribuições. Frisese também a jurisprudência deste Conselho, conforme julgado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, que analisou situação idêntica, Fl. 53575DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.576 32 inclusive envolvendo a mesma empresa, cuja ementa restou redigida (Grifos meus): “[...] PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido” (grifouse) (Acórdão nº 3403000.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011)” E o posicionamento exarado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção no acórdão abaixo transcrito: “(...) “NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (Grifouse) (Acórdão nº 3401001.976, P.A. 11618.000542/200563, Redator para acórdão Conselheiro Emmanuel Carlos Dantas de Assis, julgado em 26.09.2012)” Em vista de todo o exposto, reconheço que os créditos incentivados de ICMS concedidos não constituem “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e da COFINS, na linha do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao julgar o RE 606.107 / RS – pois o crédito de ICMS não se constitui entrada de recursos passível de registro em contas de resultado, não podendo ser assim considerado e, por conseguinte, não compõe a base de cálculo do PIS nãocumulativo. [...] A fim de se evitar qualquer questionamento quanto a possível contradição, reforçase que, para fins de IRPJ, se estivéssemos tratando de subvenção para custeio, o que se admite somente para fins de argumentação, há legislação específica que inclui a subvenção para custeio como receita operacional, conforme já discorrido alhures. Fl. 53576DF CARF MF Processo nº 13971.722789/201511 Acórdão n.º 1301003.360 S1C3T1 Fl. 53.577 33 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 53577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001766/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 17 66 /2 00 8- 47 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10580.013931/200722, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Substitutivo, a recorrente Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia — Coelba, é tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção e manutenção programada em redes aéreas de distribuição de energia elétrica, na competência 02/1999, realizadas junto à empresa Construtora ou Incorporadora, ambas incluídas no polo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente pelo crédito tributário relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, tendo sido o crédito apurado por correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tomando como base os valores constantes em notas fiscais de prestação de serviço, referentes à mãodeobra contratada de pessoa jurídica, no período de apuração 02/99. É fundamento do lançamento o art. 33, §3º, da Lei 8.212, de 1991, o art. 52 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto 2.173, de 1997, e o art. 74 da Instrução Normativa INSS/DC n° 70, de 2002 (40% do valor dos serviços constantes das notas fiscais), uma vez que a recorrente não apresentou as guias de recolhimento prévio solicitadas. Os serviços de construção civil em subestação, executados pela empreiteira (ampliação/construção), fazem parte do Anexo III, 45.322 da IN 69, de 2002 e as notas fiscais, data de emissão, valor total e tipo de serviço foram relacionados na tabela anexa ao Relatório de Fatos Geradores. A DRJ julgou o lançamento procedente (e improcedente a impugnação da responsável solidária, Coelba atual recorrente) e da contribuinte, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL Fl. 310DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 4 3 O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO. A solidariedade aqui prevista não comporta benefício de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para revisão do procedimento fiscal quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente". Após a decisão proferida, tanto a responsável quanto a tomadora dos serviços foram devidamente cientificadas. Cabe mencionar que a DRJ de origem não recebeu a impugnação da contribuinte, uma vez que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, sendo considerada intempestiva. A Coelba, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, é alegado: (a) a inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal impugnado; (b) a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); (c) a elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; e (d) a cobrança em duplicidade. Os pedidos consistem em: (i) anular/reformar o acórdão recorrido, com a devolução do processo à DRJ, para a adequada análise da farta documentação comprobatória da quitação anexada aos autos pela Recorrente; alternativamente, reformar o acórdão recorrido, a fim de julgar totalmente improcedente a notificação fiscal ora impugnada; Fl. 311DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 5 4 (ii) declarar a ausência de responsabilidade solidária da Recorrente pelos supostos débitos objeto da notificação fiscal ora impugnada; (iii) ultrapassados os pleitos acima, afastar a metodologia de aferição indireta (arbitramento) indevidamente utilizada para calcular o montante supostamente devido, assim como afastar a duplicidade (bitributação) da cobrança, que está sendo feita simultânea e cumulativamente em relação à Recorrente e à a empresa construtora. A responsável, empresa construtora, não apresentou recurso voluntário. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no julgamento do Recurso Voluntário objeto do processo n° 10580.013931/200722, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018: Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conselheiro Wesley Rocha – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SALDO DEVEDOR OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente alega a inexistência de saldo devedor objeto do lançamento, uma vez que há suficiência probatória dos documentos acostados aos autos, havendo necessidade de observância do princípio da verdade material; diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de Fl. 312DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 6 5 constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento Fl. 313DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 7 6 distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento Fl. 314DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 8 7 prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mão deobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 315DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, foram juntados na impugnação os seguintes documentos, relacionados à prestadora de serviços realizada: (a) Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), competência 02/99. (b) Guia de Recolhimento do FGTS (Gre) do período 02/99; e (c) folhas de pagamento do período 02/99. Pois bem, como assentou a decisão recorrida, nenhum dos documentos referidos se relaciona às notas fiscais concernentes ao contrato de prestação de serviços. Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes com s fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Fl. 316DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 10 9 Desse modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo, bem como o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegado que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA Assevera a recorrente que: os documentos por ela juntados aos autos são hábeis, idôneos e suficientes à comprovação do pagamento dos supostos débitos que estão sendo lhe sendo imputados, afastando a presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela Fazenda Pública possui caráter excepcional, só podendo ser utilizada Fl. 317DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 11 10 na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art. 33, §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais sejam: a) a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação; ou b) a verificação de indícios de inidoneidade da documentação fiscal e contábil, que aponte para o registro de informações destoantes da realidade dos fatos; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por sua parte, nem qualquer indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão. Por primeiro, ressalto que os documentos juntados aos autos pela recorrente não são hábeis, idôneos ou suficientes à comprovação do pagamento dos créditos tributários exigidos. Por sua vez, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Fl. 318DF CARF MF Processo nº 18050.001766/200847 Acórdão n.º 2301005.464 S2C3T1 Fl. 12 11 É alegado que, ao cobrar os débitos em questão simultaneamente da Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está efetuando nítida cobrança em duplicidade, bitributação, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente em virtude da proibição do enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade, tratase de uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época da ocorrência do fato gerador. Não lhe assiste razão. Como visto, as guias de recolhimentos juntadas aos autos não se relacionam com o crédito tributário ora lançado, e não se comprovou nenhum bis in idem; Ademais, não se está cobrando um montante do crédito tributário da recorrente (responsável solidária) e outro montante de igual valor da empreiteira (contribuinte): é o mesmo crédito tributário que está sendo exigido, apenas uma vez, da contribuinte e da responsável solidária; não há falar, portanto, em duplicidade de tributação. CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002365/2005-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA - DSPJ - INATIVA.
A pessoa jurídica, cujos atos constitutivos foram arquivados no órgão de registro competente, está obrigada à apresentação da declaração de inatividade, por cujo atraso na entrega se sujeita à multa prevista na legislação de regência.
ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS IMPEDITIVOS.
No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, o fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão da administração tributária
Numero da decisão: 1001-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA - DSPJ - INATIVA. A pessoa jurídica, cujos atos constitutivos foram arquivados no órgão de registro competente, está obrigada à apresentação da declaração de inatividade, por cujo atraso na entrega se sujeita à multa prevista na legislação de regência. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS IMPEDITIVOS. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, o fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão da administração tributária
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Recorrente BORIN BATISTA E RIBEIRO ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA DSPJ INATIVA. A pessoa jurídica, cujos atos constitutivos foram arquivados no órgão de registro competente, está obrigada à apresentação da declaração de inatividade, por cujo atraso na entrega se sujeita à multa prevista na legislação de regência. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS IMPEDITIVOS. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, o fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão da administração tributária Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 23 65 /2 00 5- 53 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10840.002365/200553 Acórdão n.º 1001000.910 S1C0T1 Fl. 100 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1419.052, de 13/03/2008 (efls. 27/28), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração (efl. 5), mediante o qual é exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do anocalendário de 2001, no valor de R$ 200,00. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação argumentando que "inobstante ter efetivado seu registro no órgão competente em data anterior (12/04/2000), somente em 02/09/2002 obteve seu registro perante o CNPJ", pois nesse interstício "estava regularizando a situação de um de seus sócios, que muito embora há muito tempo houvesse se retirado do quadro societário de outra empresa, o seu nome permanecia vinculado" nos registros da Receita Federal, "e por existirem pendências" que impediam o registro da nova empresa". A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 26/05/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 31, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/06/2008 (efls. 32/34), conforme carimbo aposto à efl. 32. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10840.002365/200553 Acórdão n.º 1001000.910 S1C0T1 Fl. 101 3 No recurso interposto a recorrente reitera o argumento apresentado em sede de primeira instância, em suma, que não estava obrigada à apresentação da Declaração Simplificada, visto que, apesar de registrado o contrato social 12/04/2000, somente em 02/09/2002 obteve seu registro perante o CNPJ, devido a necessidade de regular a situação de um de seus sócios que permanecia vinculado à outra empresa, apesar de ter se retirado do quadro societário há muito tempo, "e por existirem pendências fiscais". Esses argumentos foram fundamentadamente afastados no aresto de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: (...) O contrato social anexado às fls. 6/13 indica que a sociedade foi registrada na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em 13 de abril de 2000. A Instrução Normativa (IN) SRF n° 1, de 12 de janeiro de 2000, estabelece: Art. 14. Todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, estão obrigadas a se inscrever no CNPJ Logo, era obrigação da empresa ter providenciado sua inscrição no CNPJ. Embora não esclarecido qual o impedimento para sua inscrição, restou claro que se trata de pendência cuja causa foi dada por ela mesma, na pessoa de um de seus sócios. O fato de não ter iniciado suas atividades não é motivo para a dispensa da entrega da declaração, visto que, desde a edição da IN SRF n° 28, de 5 de março de 1998, está prevista a entrega obrigatória da declaração de pessoa jurídica inativa. Estando registrada na OAB, portanto, tendo personalidade jurídica, a sociedade estava obrigada à entrega da declaração, ainda que tenha ficado inativa, nos termos da IN SRF n° 145, de 18 de março de 2002, art.1°. Assim, estando caracterizada a situação fática que originou o lançamento nenhum reparo há de se lhe fazer. Dessa forma, voto por julgar procedente o lançamento. Quanto aos impedimentos citados pela recorrente para os quais não apresenta provas, cumpre observar que compete ao autor em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, o fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão da administração tributária, conforme dispõe o art. 333 do Código Processual Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10840.002365/200553 Acórdão n.º 1001000.910 S1C0T1 Fl. 102 4 I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. Assim, como desde o anocalendário de 1997, a pessoa jurídica inativa está obrigada à apresentação de Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Inativa (art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 28, de 05 de março de 1998), correto foi a aplicação da multa pelo atraso na sua entrega. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.918667/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. UTILIZAÇÃO ANTERIOR EM OUTRAS COMPENSAÇÕES EM QUE PLEITEOU-SE O CANCELAMENTO. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Uma vez constatado que o crédito utilizado na DCOMP fora também utilizado, anteriormente, em outra compensação, somente poderia ser aceita tal manobra se cancelada a primeira Declaração que se valeu de tal monta. Verifica-se, então, plena relação de prejudicialidade entre as pretensões, dependendo a procedência da mais recente do desfecho da antiga, devendo-se promover a transposição e aplicação dos efeitos do julgamento promovida na causa antecedente na resolução da demanda sequente.
Numero da decisão: 1402-003.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que votaram por sobrestar o processo.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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CRÉDITO. UTILIZAÇÃO ANTERIOR EM OUTRAS COMPENSAÇÕES EM QUE PLEITEOUSE O CANCELAMENTO. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez constatado que o crédito utilizado na DCOMP fora também utilizado, anteriormente, em outra compensação, somente poderia ser aceita tal manobra se cancelada a primeira Declaração que se valeu de tal monta. Verificase, então, plena relação de prejudicialidade entre as pretensões, dependendo a procedência da mais recente do desfecho da antiga, devendose promover a transposição e aplicação dos efeitos do julgamento promovida na causa antecedente na resolução da demanda sequente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que votaram por sobrestar o processo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 86 67 /2 01 1- 03 Fl. 1492DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.493 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1466 a 1479) interposto contra v. Acórdão (fls. 1450 a 1456) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 02 a 12), mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 1436) que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2006. Em resumo, a parcela agora ainda controversa do crédito pretendido pela Contribuinte referese exclusivamente ao valor original de R$ 3.668.476,07, oriundo de pagamentos de estimativas a maior de janeiro e novembro de 2006, aqui utilizado para pagar estimativas de CSLL de fevereiro a abril de 2008 e iguais adiantamentos de IRPJ, de janeiro abril de 2008. O motivo exclusivo da denegação da compensação agora pretendida, como se verifica do r. Despacho Decisório, foi a constatação pelo Fiscal da utilização prévia desse mesmo crédito para quitar a estimativa de dezembro de 2006, procedida por meio de 11 (onze) DCOMPs diferentes. Por sua vez, as DCOMPs referentes àquela estimativa de dezembro 2006 não foram homologadas inicialmente por força da aplicação do art. 10 da IN nº 600/2005, que vedava a utilização de crédito oriundo de estimativas (no caso, de janeiro a novembro de 2006) antes do término do anocalendário. Tais 11 (onze) processos administrativos ainda tramitam na esfera administrativa, atualmente neste E. CARF. Por muito bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Temse no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 005563065, fl. 1436, tratandose de ato administrativo que reconheceu de forma parcial o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 34464.85317.301009.1.3.034195, concernente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2006, exercício 2007, o que se deu na forma a seguir reproduzida: Fl. 1494DF CARF MF 4 A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 6.873.878,50, enquanto o valor reconhecido foi de apenas R$ 3.171.506,92. A diferença se deu em razão da confirmação apenas parcial dos pagamentos das estimativas informados pela interessada no demonstrativo do crédito: · R$ 14.372.962,67 – R$ 10.670.591,08 = R$ 3.702.371,59. Dessa forma, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual a compensação informada pelo sujeito passivo foi homologada de modo parcial, restando exigível a seguinte parcela: · R$ 3.527.861,23 + R$ 705.572,24 + R$ 1.260.504,81 = R$ 5.493.938,28 A pessoa jurídica foi notificada da decisão administrativa em 19/09/2011, fl. 1438. Não satisfeita com o que foi deliberado, em 18/08/2011 a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade, fls. 02/12, documento em que teceu as considerações a seguir apresentadas. A homologação de forma parcial do crédito ocorreu em razão “de o Fisco ter considerado a utilização pretérita de parte deste crédito realizada pela Manifestante para pagamento do débito de CSLL relativo ao mês de Dezembro de 2006, situação que ocorreu em 31/01/2007 através da transmissão de 11 (onze) DCOMPs e o recolhimento de uma guia DARF”. Em um primeiro momento houvera apurado que o valor da CSLL de dezembro/2006 seria de R$ 5.306.590,80, valor que foi confessado em DCTF e quitado pelas formas do pagamento da quantia de R$ 1.638.114,67 e da compensação do restante, no valor de R$ 3.668.476,07. Após a realização de procedimento de auditoria interna verificou que não haveria nenhum valor de CSLL a recolher, em relação ao mês de dezembro/2006, que o resultado apurado em 31/12/2006 seria o saldo negativo de CSLL informado no PER/DCOMP objeto do presente processo, em razão do que apresentou, antes do início de qualquer processo de fiscalização, Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.494 5 a DIPJ e a DCTF retificadoras, corrigindo o equívoco registrado nas declarações anteriores. Sua intenção seria cancelar as 11 (onze) DCOMPs transmitidas para fins de compensação de parte do valor da CSLL do fato gerador dezembro/2006, o que não foi possível “uma vez que as referidas compensações tiveram despachos (eletrônicos) emitidos, situação que impediu o cancelamento das DCOMPs nos termos do art. 82 da IN RFB 900/2008”. Tais procedimentos compensatórios estão sendo discutidos em processos administrativos fiscais decorrentes de manifestações de inconformidade apresentadas em face dos despachos decisórios que não homologaram as 11 (onze) compensações realizadas sob o argumento de que o art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005, proibia a compensação de valores recolhidos a título de estimativa mensal antes do final do exercício que se referem. A despeito da improcedência da formalidade imposta pela Fazenda Pública, o que importa é que as manifestações de inconformidade apresentadas pela interessada buscam o cancelamento das DCOMPs em questão, uma vez que o débito objeto das compensações foi cancelado pelas declarações retificadoras apresentadas tempestivamente pela empresa. Todos os 11 (onze) processos administrativos em foco “pendem de apreciação de Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF”. As compensações realizadas pela pessoa jurídica requerente “não afetam o direito creditório da Manifestante utilizado na compensação objeto do despacho decisório ora combatido, uma vez que (i) o débito inicialmente compensado não existe e, por isso, os créditos referentes ao ‘Saldo Negativo de CSLL’ do ano calendário 2006 (Exercício 2007) não foi afetado pelas 11 (onze) DCOMPs consideradas pelo Fisco ou, ainda, (ii) pelo fato de as compensações em questão não terem sido homologadas pela d. fiscalização, situação que torna ainda mais evidente a higidez do crédito utilizado na compensação objeto do presente processo”. Prosseguindo, discorreu com mais profundidade sobre as duas temáticas acima evidenciadas, voltadas para o pretendido cancelamento dos 11 (onze) PER/DCOMPs, dada a inexistência do débito compensado, e pela impertinência do fundamento legal utilizado para a não homologação das compensações, consistente na impossibilidade do reconhecimento do crédito decorrente de estimativa paga indevidamente ou a maior, valor que deveria ser levado para o resultado apurado ao final do anocalendário e requerido na modalidade de saldo negativo de CSLL, tendo em vista o disposto no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Ao final de tudo requereu a reforma do despacho decisório contraditado, com o reconhecimento integral do direito creditório informado pela manifestante com base no saldo Fl. 1496DF CARF MF 6 negativo de CSLL do anocalendário 2006 e a consequente homologação total das respectivas compensações. É o que se tem a relatar. Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o o r. despacho decisório: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise e a sua relação com mais 11 (onze) demanda administrativas, mas entendendo ser hígido e certo o crédito utilizado, requerendo a homologação da DCOMP transmitida e alternativamente a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.495 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A Recorrente em seu Recurso Voluntário primeiro defende que a parcela do débito referente à estimativa de dezembro de 2006, então quitada pelas compensações com o crédito das estimativas pagas a maior de janeiro a novembro do mesmo ano (que dão origem ao mesmo crédito aqui utilizado, motivando sua denegação), é inexistente, fato este apurado em auditoria interna que constatou que recolhimento procedido em DARF e pagamentos de estimativas de meses anteriores já teriam, anteriormente, satisfeito o real montante do crédito primeiramente calculado a maior, posteriormente retificado em DIPJ, DACON e DCTF. Também afirma que somente não procedeu ao cancelamento das 11 DCOMPs que saldam tal crédito pelo fato de já terem sido proferidos Despachos Decisórios nos 11 (onze) processos administrativos correspondentes (denegando sua homologação pela vedação contida no art. 10 da IN nº 600/2005), mas ainda pugna pelo cancelamento nas defesas administrativas e aguarda seu desfecho. E, por fim, esclarece e justificativa que apenas por tal motivo utilizou novamente o crédito oriundo das estimativas recolhidas a maior entre janeiro e novembro de 2006 na DCOMP aqui sob análise para saldar estimativas de CSLL de fevereiro abril de 2008 e estimativas de janeiro a abril do mesmo ano. Posto isso, já se verifica que a Contribuinte não nega que o mesmo crédito fora também utilizado nas 11 (onze) DCOMPs que quitaram a estimativa de dezembro de 2006. Apenas entende que, sendo inexistente tal débito, o crédito estaria disponível para esta nova e devida utilização. Ocorre que tal justificativa de débito inexistente não desvincula a relação de total prejudicialidade do desfecho daqueles outros processos com o presente, vez que ainda Fl. 1498DF CARF MF 8 não tinha havido o cancelamento de tais compensações quando da interposição recursal, sendo apenas um dos pedidos da Contribuinte naquelas contendas que não se apresenta como objeto deste processo e nem da competência desta C. 2ª Turma Ordinária. Lembrese que a justificativa de denegação da homologação não foi a sua inexistência ou insuficiência, mas a sua múltipla utilização fato este que continua se mostrando verdadeiro. Assim, temos cenário em que a procedência da compensação pleiteada nestes autos, previamente, depende da não utilização do suposto crédito para saldar aquelas 11 (onze) outras compensações. São os seguintes processos que se relacionam diretamente com presente feito: 1 Verificando o andamento de tais processo, constatase que já foram todos julgados neste E. CARF2, por meio de Acórdãos meritórios. Mais do que isso, todos estavam incluídos em Lote de processos sujeito à julgamento repetitivo, nos termos dos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, julgado em sessão de 17 de maio de 2018, pela C. 1ª Turma Ordinária desta mesma C. 4ª Câmara. 1 Existe erro de transcrição no v. Acórdão da DRJ que apresenta na última linha dessa mesma tabela de relação de processos o número de uma demanda administrativa alheia à compensação da estimativa de dezembro de 2006 com o crédito, ora sob análise. 2 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais .jsf Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.496 9 Nessa esteira, o Acórdão nº 1401002.578 (processo nº 11080.928620/2009 25), de relataria do I. Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto, foi o paradigma selecionado, restando ementado, decidido e fundamentados da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator (...) Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Fl. 1500DF CARF MF 10 Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. (...) Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.497 11 Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8.831/8.835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93.232/93.241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem Fl. 1502DF CARF MF 12 deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Frisese que esta mesma decisão foi, ipsis litteris, replicada nos outros 10 (dez) processos vinculados a esta demanda e tal processo paradigma já se encontra na Unidade Local para providências. Como claramente se observa de tal julgado, temos situação em que, realmente foi atendida a pretensão da Contribuinte de cancelar a satisfação do débitos referente à estimativa de dezembro de 2006 com os créditos apurados nos recolhimentos a maior das estimativas de janeiro a novembro do mesmo ano. Confirase o segundo trecho da parte dispositiva do Acórdão paradigma citado: Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: (...) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa. Se apenas assim fosse, a utilização duplicada do mesmo crédito, adotada como fundamento para a denegação da compensação aqui apurada, cairia por terra, dando margem à validade da manobra da Contribuinte (restando pendente apenas a análise de materialidade e quantificação do crédito, que nunca fora procedida). Porém, como se verifica da primeira parte do dispositivo de tal Acórdão paradigma, foi reconhecida e declarada a inexistência do próprio crédito utilizado lá (inquestionavelmente o mesmo empregado na compensação aqui apreciada): Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 11080.918667/201103 Acórdão n.º 1402003.598 S1C4T2 Fl. 1.498 13 Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; Como muito bem esclarecido pelo I. Relator daquele feito paradigma, fora informado naqueles processos (fato que não ocorreu no presente) que toda a apuração de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2006 foi objeto de arbitramento em lançamento de ofício consubstanciado no processo administrativo nº 11080.732426/201161 e, por sua vez, as estimativas recolhidas de janeiro a novembro daquele ano foram consideras no cálculo da exigência. Assim, o suposto crédito oriundo de tais antecipações mensais já fora utilizado na quantificação daquela outra exação, mantida em decisão administrativa definitiva, como igualmente informado. Desse modo, realmente, o crédito empregado pela Contribuinte na compensação agora sob análise também não existe. Registrese que, uma vez certa e inquestionável a relação de total dependência e prejudicialidade entre esta demanda e aqueles 11 (onze) processos administrativos, inclusive reconhecida pela Contribuinte, a necessária, lógica e inafastável transposição dos efeitos do seu julgamento ao desfecho desta contenda supri qualquer necessidade nova prova, específica para estes autos, de inexistência do créditos, bastando a aplicação do resultado consequencial do conteúdo daquelas decisões. Diante do exposto e por tais fundamentos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação da compensação pretendida pela Contribuinte, na mesma monta rejeitada pelo r. Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1504DF CARF MF 14 Fl. 1505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004918/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.863 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 18 /2 00 9- 87 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10935.004918/200987 Acórdão n.º 3201004.292 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.863 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de COFINS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10935.004918/200987 Acórdão n.º 3201004.292 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de COFINS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de COFINS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10935.004918/200987 Acórdão n.º 3201004.292 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10935.004918/200987 Acórdão n.º 3201004.292 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720878/2017-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.720878/201765 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.969 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria IRPF: PENSÃO ALIMENTICIA Recorrente IRACY DE LOURES SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2016 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 08 78 /2 01 7- 65 Fl. 70DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2016, anocalendário de 2015. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa parcial sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação, a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Contribuição à Previdência Privada e Fapi. Regularmente cientificado da Notificação, a contribuinte, em suma, discordou da glosa das deduções e juntou documentos diversos para comprovar suas despesas e obrigação em pagar a pensão. A DRJ Porto Alegre, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o Contribuinte não logrou êxito em comprovar os direitos alegados eis que não foi juntado ao processo “a quarta via do instrumento de conciliação, com a devida homologação judicial, portanto, não há como aceitar a dedução pleiteada a título de pensão alimentícia judicial (não restou comprovado nos autos que o referido Termo de Sessão de Mediação/Conciliação foi efetivamente homologado em juízo. Mantida a glosa dessa dedução. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte documentações que não deixam dúvidas acerca da dedutibilidade de suas despesas em relação a pensão alimentícia. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Merece trazer a baila logo de início o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10435.720878/201765 Acórdão n.º 2001000.969 S2C0T1 Fl. 3 3 decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese apenas a dedutibilidade da pensão posto que que não teria sido comprovada pelo contribuinte a obrigatoriedade judicial. Ocorre que em sede de Recurso Voluntário junta toda a documentação que não deixa dúvida acerca de sua obrigação legal em pagar pensão. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias Fl. 72DF CARF MF 4 e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos e documentos claros trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas da obrigação legal em pagar a pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar integralmente a despesa de pensão alimentícia declarada pelo contribuinte bem como as despesas médicas glosadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720093/2011-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE CONSTATADA. SANEAMENTO
As obscuridades apontadas em Embargos de Declaração, uma vez constatadas, devem ser solucionadas, atribuindo-se efeitos infringentes, caso altere a decisão embargada.
Numero da decisão: 9101-003.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, sanando a obscuridade apontada, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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OBSCURIDADE CONSTATADA. SANEAMENTO As obscuridades apontadas em Embargos de Declaração, uma vez constatadas, devem ser solucionadas, atribuindose efeitos infringentes, caso altere a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, sanando a obscuridade apontada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 93 /2 01 1- 38 Fl. 9395DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.396 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos por Raizen Energia S/A, em face do acórdão nº 9101003.364, proferido no julgamento de Recursos Especiais interpostos pelo contribuinte e pela União. Eis a ementa do acórdão embargado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. MULTA QUALIFICADA. ATOS SOCIETÁRIOS SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de propósito negocial, gerar ágios artificiais, despidos de substância econômica e, com isso, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da multa aplicada pela Fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE RENTABILIDADE FUTURA. ELABORAÇÃO CONTEMPORÂNEA À AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. DESCUMPRIMENTO. INVALIDADE. O artigo 20, §§ 2º, b, e 3º, do Decretolei nº 1.598/1977, em sua redação original, ao tempo dos fatos, prescrevia o obrigatório desdobramento do custo, no momento da aquisição da participação societária, em valor de patrimônio líquido e ágio, sendo que o ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura deveria estar baseado em demonstração que o contribuinte deveria arquivar, para comprovação de tal fundamento. Nesses termos, o descumprimento ao mandamento legal que determinava a elaboração de demonstrativo da expectativa de rentabilidade futura justificadora do ágio, contemporânea à aquisição da participação societária avaliada pelo patrimônio líquido, não confere ao ágio pago o grau de confiança necessário a legitimar as influências dele decorrentes para o resultado tributável Fl. 9396DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.397 3 ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE NEGATIVA DA CSLL. AFASTAMENTO DA TRAVA. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL acumulados é limitada pela trava de trinta por cento do lucro líquido ajustado.” Por meio de Despacho, o Presidente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu em parte os Embargos, para que a Turma julgadora esclareça se o recurso especial foi conhecido de “forma integral (conforme o dispositivo do voto vencedor) ou parcial (conforme a proclamação do resultado) e, no segundo caso, qual a parte que foi conhecida (qualificação da multa de ofício relativa ao ágio da empresa Corana, ao ágio da empresa NDPar, ao excesso de compensação de prejuízos) e os seus respectivos resultados, nos termos exarados nos itens 1 e 2 “. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Correa, Relator. Tratase de Embargos de Declaração contra a decisão proferida no julgamento do Recurso Especial da União. Ressaltese, contudo, que o acórdão embargado foi proferido no julgamento de apelos a esta instância, interpostos pela União e pelo contribuinte Os presentes embargos foram opostos dentro do prazo regulamentar. Dele conheço. De acordo com o que fora fixado no Despacho de Admissibilidade, esta Turma deve esclarecer se o recurso especial foi conhecido de “forma integral (conforme o dispositivo do voto vencedor) ou parcial (conforme a proclamação do resultado) e, no segundo Fl. 9397DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.398 4 caso, qual a parte que foi conhecida (qualificação da multa de ofício relativa ao ágio da empresa Corona, ao ágio da empresa NDPar, ao excesso de compensação de prejuízos) e os seus respectivos resultados, nos termos exarados nos itens 1 e 2.” Tais são os itens 1 e 2 do referido Despacho: “1. Conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional omissão/obscuridade A primeira reclamação do embargante possui duas partes. Na primeira parte, o embargante alega que o acórdão embargado, na proclamação do seu resultado, teria sido omisso em relação ao fato de que o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido na parte relativa à qualificação da multa de ofício incidente sobre o ágio associado à empresa NDPar e na parte relativa à qualificação da multa de ofício incidente sobre o excesso de compensação de prejuízos fiscais, conforme o seguinte excerto (fls. 9284): Desse modo, uma vez que houve omissão no resultado do julgamento no que se refere ao não conhecimento do Recurso Especial da PGFN com relação à aplicação da multa qualificada sobre (i) o ágio NDPar e sobre o (ii) suposto excesso de aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, requerse o acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que essa informação conste, de forma expressa, em tal resultado. Verifico que a exigência tributária relativa ao ágio foi segregada em três partes, associadas às empresas Usina da Barra, Corona e NDPar, respectivamente (fls. 7197). Apenas a exigência relativa às empresas Corona e NDPar tiveram a correspondente multa de ofício qualificada para o percentual de 150% (fls. 7224 e fls. 7246). Também foi qualificada a multa de ofício da exigência relativa ao excesso na compensação de prejuízos fiscais. A decisão de segunda instância exonerou a qualificação da multa de ofício em todos os casos, retornandoa ao patamar de 75%. O recurso especial da Fazenda Nacional requereu a manutenção da qualificação da multa de ofício. O relator da decisão embargada votou por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional na parte relativa ao ágio associado à empresa NDPar, por entender que o acórdão paradigma não possuía similitude fática, conforme o seguinte excerto (fls. 9216): Logo, não se analisou no presente caso a aplicação de multa de ofício para operação de utilização de ágio mediante empresa veículo, como foi o caso da NDPar. Nesse contexto, entendo que esse paradigma não pode ser considerado para demonstrar a divergência quanto à desqualificação da multa quanto ao ágio NDPar. O relator também votou por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional na parte relativa ao excesso de compensação de prejuízos fiscais, pelo mesmo motivo, conforme o seguinte excerto (fls. 9217): Logo, como houve o cancelamento do lançamento em relação à matéria compensação de prejuízo fiscal, não se pode tratar de divergência em relação à multa sobre esse lançamento, de modo que não pode ser conhecido o Recurso da Fazenda quanto a esse ponto. Fl. 9398DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.399 5 Mas não é só. Ainda que tal decisão servisse a tal fim, analisando o quanto discutido em relação à compensação de prejuízo, percebese que o tema foi o regime de apuração, conforme o seguinte trecho da decisão: [...] Em nenhum momento evidenciouse que no paradigma se discutiu a possibilidade de utilização integral de prejuízo fiscal na extinção da pessoa jurídica. Logo, também por essa razão não merece ser conhecido o recurso da Fazenda em relação à multa aplicada sobre a compensação de prejuízo fiscal. Por outro lado, o voto vencedor conheceu do recurso da Fazenda Nacional sem fazer ressalvas, e deulhe provimento, conforme o seguinte dispositivo (fls. 9246): Desse modo, cabível a aplicação da multa de 150%, na forma: a) do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, para os fatos geradores do anocalendário 2006; b) do artigo 44, § 1o, da Lei n° 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2007. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, darlhe provimento. Todavia, a proclamação da decisão do colegiado, no início do acórdão embargado, afirma que o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido apenas na parte relativa ao ágio das empresas Corona e Usina da Barra, dando lhe provimento, conforme a seguinte transcrição (fls. 9207): Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa (4) do ágio referente à CORONA e (5) do ágio referente à USINA DA BARRA. No mérito do recurso fazendário, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros e Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Os embargos de declaração são cabíveis para suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar a turma julgadora, de ofício ou a requerimento. O embargante localiza a alegada omissão no fato de a proclamação do resultado do julgamento não mencionar a parte não conhecida do recurso especial da Fazenda Nacional. Todavia, este usa como referência o voto vencido do relator, quando o voto vencedor conheceu do recurso, conforme a transcrição acima. Portanto, não há a alegada omissão. Todavia, verifico que, apesar de o dispositivo do voto vencedor ter dado conhecimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a proclamação do resultado afirma que esse conhecimento foi parcial. Com isso, entendo que o acórdão não está claro, pois o texto da proclamação do resultado é incompatível com o texto do dispositivo do voto vencedor, possibilitando interpretações diversas quanto ao alcance da decisão. Tal fato configura obscuridade que exige nova manifestação da Fl. 9399DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.400 6 turma julgadora, para que esta esclareça se o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido de forma integral (conforme o dispositivo do voto vencedor) ou parcial (conforme a proclamação do resultado) e, no segundo caso, qual a parte que foi conhecida (ágio da empresa Corana, ágio da empresa NDPar, excesso de compensação de prejuízos) e os seus respectivos resultados. (grifei) A segunda parte da presente reclamação do embargante consiste em alegada obscuridade na proclamação do resultado do julgamento, quando afirma o restabelecimento da qualificação da multa de ofício sobre o ágio relacionado à empresa Usina da Barra, quando a fiscalização sequer qualificou essa parcela da multa de ofício exigida, conforme o seguinte excerto (fls. 9284): Além da omissão apontada, deve ser sanada também a obscuridade do acórdão recorrido quanto ao suposto provimento parcial do recurso fazendário para que fosse reestabelecida |a multa qualificada sobre o ágio referente à Usina da Barra. Isso porque, analisandose os autos de infração, notase que a Fiscalização não aplicou a multa no patamar de 150% sobre a glosa das despesas referentes a esse ágio. Vejase: [...] Como se vê, não houve a aplicação da multa qualificada sobre a glosa de despesas do ágio Usina da Barra. Logo, é evidente que não há que se falar em conhecimento e, muito menos, provimento do Recurso Especial da PGFN em relação a essa matéria. Verifico que assiste razão ao embargante, pois os autos de infração em tela não estão exigindo multa de ofício qualificada em relação ao ágio relacionado à empresa Usina da Barra, mas tão somente em relação ao ágio relacionado às empresas Corona e NDPar, conforme já apontado acima, bem como em relação ao excesso de compensação de prejuízos fiscais. Com isso, entendo ser necessária nova manifestação da Turma Julgadora para que esclareça qual parte do recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecida (ágio da empresa Corona, ágio da empresa NDPar, excesso de compensação de prejuízos) e os seus respectivos resultados.”(grifei) Assim postos os fatos, vêse que, em primeiro plano, surge a questão sobre a extensão do conhecimento do Recurso Especial da União. Com efeito, a Turma não conheceu do Recurso Especial da União, no tocante à questão relativa à multa qualificada sobre a glosa do designado ágio NDPar, conforme o voto do Relator, nos seguintes termos: “Analisando a situação fática do paradigma, foi possível depreender que apenas a questão do ágio interno foi ali analisada, vale aqui a transcrição do trecho do voto do relator que descreve os fatos: Dos autos, extraio, por relevante, os seguintes fatos: em 31 de janeiro de 2006, a fiscalizada promoveu reavaliação de seus imóveis, motivo pelo qual constituiu uma reserva de reavaliação; em 08 de março de 2006, foi constituída a empresa ESTRE HOLDING, com capital de R$ 1.000,00; Fl. 9400DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.401 7 em 30 de abril de 2006, a ESTRE HOLDING promove a incorporação de ações do capital social da contribuinte, transformandoa em sua subsidiária integral; o valor econômico da fiscalizada foi avaliado, por meio de laudo, em R$ 220.179.000,00, sendo registrado ágio de R$ 175.824.453,00 em 26 de junho de 2006, a ESTRE HOLDING é incorporada pela fiscalizada. Vêse que a decisão tomada naquele caso paradigmático apenas analisou a aplicação da multa qualificada no âmbito de operação de ágio gerado intragrupo, conforme se depreende das seguintes passagens do voto do relator: Com efeito, um processo de reestruturação societária, submetido a uma única vontade, eis que realizado entre empresas pertencentes ao mesmo Grupo Econômico, realizado em um espaço curto de tempo, no qual não houve desembolso e totalmente desprovido de substância econômica, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, de modo a tornar o ágio, nascido de si próprio, dedutível. (...) Relativamente à qualificação da multa, diversamente do esposado na decisão de primeiro grau, penso que ela deve ser mantida. A autuação, no presente caso, fundouse na constatação e comprovação de que a reestruturação elaborada pela fiscalizada visou, apenas, alcançar um benefício fiscal previsto em lei. Para tanto, em curtíssimo espaço de tempo, não obstante declinar formalmente razões de ordem societária ou econômica, constituiu uma HOLDING; transformouse em subsidiária integral da HOLDING criada, vez que esta incorporou suas ações pelo valor de mercado; e, passo seguinte, fez desaparecer a HOLDING criada para, por meio de uma incorporação reversa, deduzir um suposto “ágio”, derivado de uma alegada rentabilidade futura dos seus ativos. Logo, não se analisou no presente caso a aplicação de multa de ofício para operação de utilização de ágio mediante empresa veículo, como foi o caso da ND Par. Nesse contexto, entendo que esse paradigma não pode ser considerado para demonstrar a divergência quanto à desqualificação da multa quanto ao ágio NDPar. (grifei) Em segundo lugar, não há que se falar em multa qualificada sobre a glosa de despesa com a amortização do ágio Usina da Barra, uma vez que tal glosa fora sancionada com a multa de 75%, no lançamento tributário. Assim, uma vez esclarecido que o Recurso Especial da União não abrangeu a multa sobre a glosa de despesa de amortização do ágio Usina da Barra e que a Turma não conheceu da questão suscitada sobre a multa qualificada sobre a glosa de despesa de amortização do ágio NDPAR, resta inequívoco que a questão sobre a multa qualificada decidida pela Turma, ao julgar o Recurso da União, diz respeito à glosa da despesa com amortização do ágio Corona. Fl. 9401DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.402 8 De fato, é preciso reconhecer que o acórdão embargado não foi claro o suficiente quanto ao ágio atingido pela multa qualificada, verbis: “Por fim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que combate a redução da multa aplicada ao percentual de 75%. As reorganizações societárias descritas pela Fiscalização e já mencionadas neste voto, no julgamento do Recurso Especial do contribuinte, visaram à criação artificial de ágios para serem deduzidos dos resultados tributáveis, quando amortizados, e à compensação indevida de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL. Para tais desideratos, montaramse esquemas com o emprego de empresas veículos formalmente constituídas, não obstantes despidas de propósito negocial. Tais empresas tiveram duração efêmera e não exerceram qualquer função distinta da transferência de patrimônios e recursos para viabilizar a redução do IRPJ e da CSLL mediante a amortização de ágios sem substância econômica, bem como pela compensação irregular de prejuízo fiscal. O planejamento tributário em referência foi concebido de tal modo a aparentar normalidade e legalidade, com o intento de ocultar os verdadeiros fins, valendose da roupagem das formas jurídicas. Diante disso, é preciso estar atento à redação do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964: "Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Nas circunstâncias referidas, revelase patente o dolo da conduta de fraude, pois os que planejaram e implementaram as reorganizações societárias, a constituição formal de sociedades sem propósito negocial e a criação de ágios artificiais agiram com consciência do que faziam, isto é, sabiam que estavam executando a ação de modificar as características essenciais dos fatos geradores do IRPJ e da CSSL, alterando os resultados tributáveis com a dedução de despesas de amortização de ágio sem substância econômica, como também com a compensação ilegal de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, tudo isso para obter o fim pretendido, efetivamente obtido, a redução indevida do IRPJ e da CSLL. Desse modo, cabível a aplicação da multa de 150%, na forma: a) do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores do anocalendário 2006; b) do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2007.” Em terceiro lugar, no tocante ao Recurso da União sobre a multa qualificada aplicada sobre o excesso de prejuízos fiscais compensados, a Turma manifestouse nos seguintes termos do voto do Relator: “Com relação à matéria compensação de prejuízo fiscal, importante destacar que no julgamento do paradigma, confirmouse o cancelamento do lançamento relativo a essa matéria, nos termos do cancelamento já decidido pela DRJ, negando se provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: Fl. 9402DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.403 9 No que diz respeito às compensações dos resultados negativos, a providência encontra respaldo na legislação de regência, eis que, em conformidade com o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, o valor devido a ser lançado de ofício deve ser apurado com observância do regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase correspondente. Tratandose, pois, de apuração com base no lucro real anual, há de se recompor a base de cálculo com base no valor declarado e com a imputação da matéria tributável apurada. No caso vertente, tal recomposição tomou por base a declaração apresentada pela contribuinte (DIPJ), sistema interno de controle da Receita Federal (SAPLI) e o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), motivo pelo qual o recurso de ofício, no que tange a este item, não deve ser provido. Logo, como houve o cancelamento do lançamento em relação à matéria compensação de prejuízo fiscal, não se pode tratar de divergência em relação à multa sobre esse lançamento, de modo que não pode ser conhecido o Recurso da Fazenda quanto a esse ponto. Mas não é só. Ainda que tal decisão servisse a tal fim, analisando o quanto discutido em relação à compensação de prejuízo, percebese que o tema foi o regime de apuração, conforme o seguinte trecho da decisão: (..)Tratandose, pois, de apuração com base no lucro real anual, há de se recompor a base de cálculo com base no valor declarado e com a imputação da matéria tributável apurada. Em nenhum momento evidenciouse que no paradigma se discutiu a possibilidade de utilização integral de prejuízo fiscal na extinção da pessoa jurídica. Logo, também por essa razão não merece ser conhecido o recurso da Fazenda em relação à multa aplicada sobre a compensação de prejuízo fiscal.” (grifei) Portanto, não se admitiu o apelo da União em relação à multa qualificada sobre o excesso de prejuízos fiscais compensados. Diante do que está retratado, acima, solucionase a obscuridade, nos seguintes termos: a) não foi conhecida a questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio ND Par; b) a União não interpôs Recurso Especial em relação à multa sobre a glosa da despesa de amortização do ágio Usina da Barra; c) não foi conhecida a questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa do excesso de compensação de prejuízos fiscais; Fl. 9403DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.404 10 d) a Turma conheceu da questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio Corona, dandolhe provimento. Agora, prosseguese ao item 2 do Despacho de Admissibilidade: “2. Provimento do recurso especial da Fazenda Nacional obscuridade/contradição A segunda reclamação do embargante está na afirmação de que o voto vencedor do acórdão embargado estaria obscuro em relação à extensão do provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, uma vez que este determina a manutenção da multa qualificada em relação ao ágio, sem distinguir as empresas de origem, e em relação ao excesso de compensação de prejuízos fiscais, quando esse recurso especial teria sido admitido apenas em relação ao ágio da empresa Corona, conforme o seguinte excerto (fls. 9290): Como se vê, apesar de essa E. CSRF ter entendido, por unanimidade de votos, pelo não conhecimento do Recurso Especial da PGFN em relação ao ágio NDPar e ao suposto excesso de aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, no voto vencedor, de forma obscura, constou que o recurso fazendário teria sido integralmente conhecido e provido, sem qualquer individualização dos atos/operações praticados e lançados. Nesse contexto, deve essa E. CSRF acolher os presentes Embargos de Declaração, para que seja sanada a obscuridade apontada, de modo que conste não apenas na ementa e no resultado do julgamento, mas, também, de forma expressa, no voto vencedor, que o Recurso Especial da PGFN foi conhecido e provido apenas e tão somente no que tange à aplicação da multa qualificada sobre a glosa das despesas do ágio Corona. (grifei) Ainda nessa quadra, o embargante afirma que o mesmo voto vencedor está em contradição com o resultado do julgamento, pois anunciam providências distintas, conforme o seguinte excerto (fls. 9290): Mencionese, ainda, que tal como escrito, o voto vencedor acabou por ser contraditório com o resultado do julgamento, tal como já exposto, a Turma, por unanimidade, não conheceu do Recurso Especial da PGFN com relação (i) ao ágio NDPar e ao (ii) suposto excesso de aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL. Dessa forma, não poderia o voto vencedor fazer menção às operações societárias de forma genérica, sem qualquer identificação, nem tão pouco à compensação do prejuízo fiscal e base negativa tais assuntos, restaram superados pelo não conhecimento do Recurso Especial da PGFN. (grifei) Verifico que esta reclamação trata da mesma situação abordada no item anterior: existe uma incongruência entre o voto vencido, o dispositivo do voto vencedor e a proclamação do resultado. No item anterior, o embargante se prende ao voto vencido para afirmar a falha na proclamação do resultado e aqui o embargante ainda se prende ao voto vencido para, agora, afirmar a falha no voto vencedor. Assim, a admissão da reclamação do item anterior se estende à presente reclamação e a solução de lá se aproveita para cá, uma vez que o dispositivo do voto vencedor e a proclamação do resultado do julgamento devem ser equalizados. Com isso, os Fl. 9404DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.405 11 embargos devem ser admitidos quanto a este tópico, embora este seja desnecessário, por reprisar questão já abordada.” Devese aclarar que o voto vencedor cuidou das questões suscitadas pela União e pelo contribuinte, em recursos especiais próprios. Na exposição das razões de decidir, o redator do voto vencedor examinou, primeiramente, a matéria objeto do recurso do contribuinte, relativamente à dedutibilidade dos ágios amortizados, fazendoo pelas seguintes perspectivas: a) exigência de laudo de avaliação contemporâneo aos fatos; b) possibilidade de amortização fiscal do ágio em operações com empresa veículo; c) possibilidade de efeitos tributários do ágio interno. A adoção de tal conduta metodológica não implicou desconhecimento das características de cada um dos ágios referidos nos recursos interpostos. Pelo contrário, verifica se que o voto vencedor assenhoreouse dos fatos da causa retratados nos autos, bem assim dos aspectos de relevo dos ágios submetidos a julgamento. O redator do voto vencedor talvez devesse metodologicamente apreciar cada ágio de um modo isolado em relação aos demais, para fins de clareza, como reclama a Embargante. No entanto, as perspectivas de análise supramencionadas possibilitaram o cuidadoso exame à luz das orientações jurisprudenciais mais recentes. Somente após a necessária exposição dos fundamentos de rejeição à dedutibilidade da amortização desses ágios, ao julgar o Recurso Especial do contribuinte, passouse ao julgamento da matéria trazida à baila no recurso da União: a qualificação das multas. Ademais, não se deve confundir a questão sobre a glosa do excesso de compensação de prejuízos fiscais, objeto de recurso do contribuinte, com a multa qualificada sobre essa glosa, objeto de recurso União. A primeira foi admitida a julgamento e a segunda, não. O Recurso Especial do contribuinte quanto à glosa do excesso de compensação do prejuízo fiscal foi conhecido, nos seguintes termos do voto do Relator: “Diante o questionamento da admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda pelo Contribuinte e do Contribuinte, pela Fazenda, fazse importante sua análise. Alega a Fazenda Nacional não restar perfeitamente caracterizada a divergência em relação a matéria validade das empresas veículo. Diz a Fazenda que diferentemente do caso sob exame, em que, conforme explicita o voto recorrido, não havia registro de ágio no momento em que realizada a operação no paradigma nº 1102000.982, havia registro anterior do ágio. Também no segundo paradigma apresentado, pelo que se extrai do voto vencedor do acórdão nº 1301001.505, havia ágio registrado quando da operação tratada. Assim, entende a Fazenda que devese negar seguimento ao recurso especial manejado diante da ausência de caracterização da divergência pelas diferenças fáticas das situações analisadas. Entendo que não cabe razão à Fazenda. Analisando o recorrido, percebese que a razão pela qual não se admitiu o ágio gerado através de empresa veículo foi a ausência propósito negocial, gerada pela ausência de propósito extratributário para a efetivação das operações societárias. Fl. 9405DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.406 12 No paradigma 1301001.505, por seu turno, empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, conforme se depreende já de sua ementa, verbis: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. Logo, há, sim, similitude fática entre as operações, em ambos os casos foi utilizada empresa intermediária para aquisição de participação, com posterior incorporação. Muito embora a questão da data da contabilização do ágio seja um ponto tratado na decisão recorrido, não é esta a questão relevante para a decisão de ausência de propósito negocial. Portanto, conheço do Recurso do contribuinte nos termos do despacho de admissibilidade e do despacho de agravo.” (grifei Dessarte, conhecido o Recurso Especial do contribuinte, em sua totalidade, a Turma passou a julgálo. Ao apreciar a questão do excesso de compensação de prejuízos fiscais, o Relator entendeu que deveria prover o apelo do contribuinte, mas a Turma, por voto de qualidade, negou provimento. Coube ao Conselheiro Flávio Franco Corrêa a elaboração do voto vencedor, proferido desse modo: “Na próxima questão, a limitação da utilização de prejuízo fiscal e base negativa na extinção de pessoa jurídica. DANCO incorporou USINA DA BARRA 48, e seu capital social, que estava registrado no valor de R$ 1.000,00, aumentou para R$ 660.519.604,29. Ao cabo da incorporação, a sociedade incorporada deixou de existir. Em seguida, a incorporadora alterou sua razão social para USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL (USINA DA BARRA 08), como também alterou seu endereço, situando se, desde então, no local onde era a sede de USINA DA BARRA 48. DANCO estava inativa desde a sua constituição, com capital de R$ 1.000,00, enquanto USINA DA BARRA 48, com capital de R$ 660.518.604,29, estava ativa desde 1956. Com a incorporação, USINA DA BARRA 08 assumiu todos os ativos e todos os passivos de USINA DA BARRA 48. Tudo o mais permaneceu como na anterior USINA DA BARRA 48: ativos, passivos, receitas, despesas, endereço, sócios. Apenas duas alterações ocorreram: o capital social, acrescido em R$1.000,00, e o número do CNPJ. No documento Protocolo e Justificação da AGE de 28/02/2007, citouse que a incorporação acarretaria vantagens às sociedades envolvidas, "consistentes na redução de custos operacionais e administrativos em face da unificação dos esforços gerenciais e do redimensionamento da estrutura operacional". No ponto, a Fiscalização argui: como sustentar a justificativa de redução de custos operacionais e Fl. 9406DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.407 13 administrativos, se a empresa incorporadora DANCO foi cadastrada no CNPJ em maio de 2006 e permaneceu inativa até fevereiro de 2007, ocasião da incorporação? Alertese para a circunstância segundo a qual a pessoa jurídica DANCO apresentou a DIPJ relativa ao anocalendário de 2007 com todos os custos e despesas zerados, o que fulmina o argumento de que a incorporação em lume visava à redução de custos operacionais e administrativos, bem como o redimensionamento da estrutura operacional, já que nada disso existia. Na realidade, a fiscalizada valeuse da incorporação em foco com o propósito de compensar o prejuízo da pessoa jurídica incorporada acima da trava de 30%. Isto é, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL oriundos de USINA DA BARRA 48 foram compensados por USINA DA BARRA 08 além do limite legal, com o suposto apoio na tese de que não há limitação para compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL gerados em pessoa jurídica extinta. Na linha do pensamento do ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no acórdão nº 10196.142, a pergunta que se deve fazer é: "quem de fato incorporou quem no caso concreto? A alteração da denominação e a concomitante transferência do endereço para aquele da dita incorporada são sinais fortes do que de fato ocorreu." A incorporadora teve a razão social e o domicílio alterados, ajustandose à razão social e ao endereço da incorporada, deficitária. Nessa prumada, verificase que a incorporada sobreviveu de fato, com a geração de resultados positivos compensados com prejuízos dela própria. Em verdade, o que se fez foi a adoção de forma jurídica sem correspondência fática, objetivandose compensar prejuízos fiscais acumulados com resultados positivos próprios, fora da trava de 30%, contornandose, com forma vazia de conteúdo, a prescrição proibitiva da legislação. Sem dúvida, o óbice imposto pela Fiscalização quanto à compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, acumulados anteriormente pela incorporada, decorreu da percuciente procura pela realidade escondida sob a capa das formas jurídicas, que dão a aparência de que os fatos são merecedores de uma qualificação distinta daquela que lhe é juridicamente correta e, como tal, determinante de um desvio da incidência natural da regra jurídica que impede a vantagem fiscal pretendida. Porém, uma vez descobertos os fatos reais pela retirada da capa das formas jurídicas, de plano se constata que toda a atividade após o evento da incorporação derivava da incorporada, com o nome desta e no seu endereço, que sobreviveu de fato, com geração de resultados compensados com prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. Firme nestas razões, anotase a violação ao artigo 510 do RIR/99, bem como a infração ao artigo 16 da Lei nº 9.065/1995, motivo por que se deve negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte, quanto ao item debatido.” (sic) Por mera lógica, o Recurso Especial da União, quanto à multa qualificada sobre o excesso de prejuízo fiscal compensado, só poderia ser julgado após a Turma deliberar sobre a procedência da glosa desse excesso, invocada no Recurso Especial do contribuinte. No entanto, como assinalado precedentemente, a Turma não conheceu do apelo da União, em relação a essa questão. Diante de tudo o que se expôs, as obscuridades indicadas devem sem solucionadas, ao fim e ao cabo, observadas as determinações dos itens 1 e 2 do Despacho de Admissibilidade, com base nas seguintes respostas: Fl. 9407DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.408 14 1) não foi conhecida a questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio ND Par; 2) a União não interpôs Recurso Especial em relação à multa sobre a glosa da despesa de amortização do ágio Usina da Barra; 3) a Turma conheceu o Recurso Especial do contribuinte, quanto ao excesso de compensação de prejuízo fiscal, negandolhe provimento; 4) não foi conhecida a questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa do excesso de compensação de prejuízos fiscais; 5) a Turma conheceu da questão sobre a qualificação da multa, suscitada no Recurso Especial da União, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio Corona, dandolhe provimento. Portanto, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos com efeitos infringentes, para, suprindo as obscuridades, retificar o acórdão, que passa a ter a seguinte redação: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Flávio Franco Corrêa, que não conheceu em relação à decadência. No mérito, acordam em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: (1) por unanimidade de votos quanto à decadência; (2) por maioria de votos quanto ao ágio interno, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento nesse ponto; e (3) por voto de qualidade em relação à (3.1) empresa veículo, (3.2) trava de 30%, (3.3) aos juros sobre multa e (3.4) ao laudo contemporâneo, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento a esses quatro temas. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa (4) do ágio referente à CORONA. No mérito do recurso fazendário, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros e Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.” É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 9408DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.882 CSRFT1 Fl. 9.409 15 Fl. 9409DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.720028/2014-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.904
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) que negava provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho não participou da votação em razão do voto definitivamente proferido pelo Conselheiro Vinícius Guimarães. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), por falta de comprovação de recolhimento a maior e/ou indevido. Segundo a autoridade administrativa, no que tange à apuração das contribuições ao PIS e à Cofins, o contribuinte desempenhava concomitantemente atividades sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo. No Dacon, conforme relato, o método de determinação dos créditos se dera pela “INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA SOBRE RECEITA PARCIAL E/OU RECEITA DE EXPORTAÇÃO COM RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 79 .7 20 02 8/ 20 14 -2 6 Fl. 625DF CARF MF Processo nº 19679.720028/201426 Resolução nº 3302000.904 S3C3T2 Fl. 3 2 BASE NA PROPORÇÃO DOS CUSTOS DIRETAMENTE APROPRIADOS”, pressupondo, tal opção, a existência de um sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração que possibilitasse a verificação do percentual de cada nota fiscal destinado à atividade sujeita ao regime cumulativo (serviços de concretagem) e à atividade não cumulativa (vendas de cimento, argamassa etc.). No Despacho, foi ressaltada uma característica importante na atividade de serviço de concretagem, relativamente à utilização da matériaprima principal, o cimento produzido pelo próprio contribuinte, que estava sujeito ao regime da não cumulatividade. Nesse caso, quando o contribuinte adquiria insumo para produção do cimento, apenas parte poderia ser aproveitada como crédito, a outra parte não. Nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, todas as notas ali elencadas estavam com a totalidade dos valores classificados como crédito, por isso foram solicitadas informações mais específicas dos bens e serviços utilizados como insumos e fretes contratados, com a indicação do processo produtivo e o cálculo de rateio. Não havendo atendimento por parte da interessada concluiuse que as informações prestadas não eram aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte confirmou que desempenhava, concomitantemente, atividades sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, realizando serviços de concretagem enquadráveis como ‘execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil’, cujas receitas se sujeitavam ao regime cumulativo, enquanto todas as demais receitas eram tributadas pelo regime não cumulativo. Segundo ele, equivocadamente, oferecera à tributação das contribuições (PIS/Cofins), na sistemática não cumulativa, a totalidade de suas receitas, inclusive a de prestação de serviços de concretagem, sujeita ao regime cumulativo, aplicando a alíquota de 7,6% e apropriando todos os créditos de insumos e serviços tomados no âmbito de sua atividade. Posteriormente, entretanto, refizera a apuração e retransmitira todas as respectivas obrigações acessórias para (i) desfazer a apropriação dos créditos de insumos e serviços de concretagem e (ii) fazer incidir sobre as receitas do regime cumulativo a correta alíquota de 3%, o que resultou em recolhimentos superiores aos valores realmente devidos, que foram objeto das declarações de compensação apresentadas. Contestou a decisão da autoridade fiscal, ressaltando que, se não houvera a comprovação da apropriação dos créditos pelo método direto dos custos, como destacado no despacho decisório, deveria ter sido utilizado o método da proporcionalidade, legitimando o rateio de custos entre as atividades sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo (apresentou o cálculo de rateio dos insumos a partir da proporcionalidade da receita bruta que, segundo ele, encontravase de acordo com o previsto no § 8º do art. 3ª da Lei nº 10.833, de 2003). Salientou que o Despacho Decisório não fizera qualquer menção à imposição de juros e multa, presumindose daí que eles não estavam sendo exigidos, tornandose nula uma possível cobrança a esse respeito, em razão da impossibilidade de se defender. Admitiu que, no caso, tratavase de mero erro formal, sem qualquer lesão ao fisco, uma vez que não houvera redução do valor do montante tributável, não tendo sido logrado qualquer benefício, o que demonstrava que a não homologação da compensação Fl. 626DF CARF MF Processo nº 19679.720028/201426 Resolução nº 3302000.904 S3C3T2 Fl. 4 3 pretendida deflagrava um rigor excessivo, incompatível com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como com a verdade material prevalecente no âmbito do processo administrativo tributário. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob fundamento de falta de comprovação da existência do direito creditório, por meio de documentos fiscais e/ou escrituração contábil hábeis, e por considerar que a aplicação do cálculo de rateio dos créditos a partir da proporcionalidade não podia ser considerada antes que se comprovasse o montante dos créditos informados no Dacon. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade, ressaltando o seguinte: a) o fornecimento de argamassa preparada em betoneiras no trajeto até a obra é prestação de serviços, razão pela qual refez a apuração da contribuição; b) ao verificar estarem as receitas decorrentes de prestação de serviço de concretagem sujeitas ao regime cumulativo, refez sua apuração, constatando que os recolhimentos outrora efetivados foram superiores aos valores realmente devidos; c) houve indevida desconsideração do método de apuração adotado; d) defendeu a busca pela verdade material. É o relatório Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.901, de 23/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 19679.720027/201481, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.901): A Recorrente reformulou sua escrituração contábil com o objetivo de refazer a sua apuração de COFINS com o escopo de tributar as receitas relativas às atividades de "concretagem" no regime CUMULATIVO, eis que originalmente o havia feito sob a sistemática NÃO CUMULATIVA. A Recorrente insurgese contra o fato da autoridade fiscal haver deixado de reconhecer o controle elaborado por ela, mormente diante de planilhas com identificação individual de cada nota fiscal de entrada dos insumo de forma separada em relação à atividade sujeita à sistemática cumulativa e não cumulativa. Requer seja acatada ao menos a COFINS apurada de forma cumulativa referente à mesma competência do crédito que deveria ter sido compensada, eis Fl. 627DF CARF MF Processo nº 19679.720028/201426 Resolução nº 3302000.904 S3C3T2 Fl. 5 4 que entende tratarse de mera reclassificação de receita, seja segundo o método de apropriação direta ou pelo método do rateio proporcional. Vale destacar que originalmente a Recorrente apresentou DACON pela sistemática NÃO CUMULATIVA, apropriandose de todos os insumos adquiridos, mas apurando COFINS a uma alíquota de 7,6%. Contudo, retificou a declaração para adequarse à sistemática CUMULATIVA, sujeitandose à alíquota de 3%. A fiscalização, contudo, entendeu por bem desconsiderar o controle de custos da Recorrente para fins de repartição dos créditos de insumos passíveis de apropriação. Argumenta a Recorrente que a não homologação da DCOMP em discussão implicaria exigência em duplicidade da COFINS da competência de setembro de 2008. Aduz ainda que a fiscalização tinha o dever de empregar o método alternativo da proporcionalidade (rateio proporcional) previsto no § 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003, e não simplesmente deixar de reconhecer qualquer pagamento a título de COFINS cumulativa. Não obstante os argumentos esposados pela Recorrente é de se notar que ao prestar o "serviço de concretagem" ela utiliza como principal matéria prima o CIMENTO por ela mesmo produzido e sujeito ao regime não cumulativo. Como da aquisição dos insumos para a fabricação do cimento apenas uma parte foi destinado ao serviço utilizado na operação de concretagem, apenas uma parte dos créditos poderia ter sido utilizado. Foi por esta razão que a Autoridade Fiscal entendeu que os créditos apresentados não possuiriam a liquidez e certeza necessários ao seu aproveitamento aos fins almejados pela Recorrente. "Entretanto, como constatado pela autoridade fiscal, as planilhas apresentadas em 26/06/2015 não contemplavam os dados solicitados no TIF 12/2015, não trazendo a informação individualizada de cada nota fiscal: rubrica correspondente do Dacon, mês em que o valor foi apropriado, número da nota fiscal, dia de emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição detalhada da mercadoria, CNPJ/CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um dos bens pertence (cimento, argamassa, concreto etc). Concluindo, dessa maneira, que as informações prestadas pela contribuinte não estavam aptas a comprovar a liquidez e certeza dos créditos alegados." (efls. 482) Se por um lado é verdade que a Recorrente possui o direito de utilizarse dos créditos tributários, por outro é necessário que tais créditos sejam dotados da liquidez e certeza necessários à compensação. Em sede de Recurso Voluntário, é de competência deste colegiado aferir, em grau recursal, se a documentação apresentada é suficiente à demonstração do direito ao crédito. A negativa do fisco, que foi acompanhada pela DRJ, é no sentido de que a Recorrente, mesmo intimada, deixou de apresentar todas as informações relevantes à aferição da liquidez e da certeza dos créditos, merecendo destaque a rubrica correspondente do DACON, mês de apropriação, número da nota, dia de emissão, número do CFOP da operação, código NCM da mercadoria, descrição Fl. 628DF CARF MF Processo nº 19679.720028/201426 Resolução nº 3302000.904 S3C3T2 Fl. 6 5 detalhada, CNPJ ou CPF do fornecedor, nome do fornecedor, valor da nota, valor da base de cálculo para fins de crédito e indicação a qual processo produtivo cada um dos bens pertence, o que levou ao fisco a entender que o crédito não era dotado dos predicados imprescindíveis à sua compensação. No entanto, pela análise do processo é possível aferir que muitas destas informações estão contidas na documentação trazida aos autos pela Recorrente, havendo indícios de que podem existir créditos a serem aproveitados. Neste cenário, proponho converter o julgamento em diligência, à unidade de origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a legislação aplicável, ocasião em que a fiscalização poderá exigir novos documentos. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência à unidade de origem, para que a fiscalização, após a Recorrente indicar o processo produtivo no qual o insumo comum foi empregado, apure o real valor dos créditos pelo emprego do método do rateio proporcional com base na receita bruta, conforme a legislação aplicável, ocasião em que a fiscalização poderá exigir novos documentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720060/2015-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. IRPF. PRAZO DO ART. 173, I, DO CTN.
O fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Assim, a contagem do prazo decadencial para a constituição do lançamento de IRPF submete-se à regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa.
PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO.
Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios.
PRELIMINAR. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Não há que se falar de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa.
INADEQUAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO APLICADO E DUPLA TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Considera-se acréscimo patrimonial a descoberto a aquisição de bens e direitos e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Assim, um acréscimo patrimonial não acobertado pela renda à disposição do contribuinte no momento de sua realização é uma omissão de rendimento tributável.
A sistemática de apuração dos rendimentos omitidos possui previsão legal, consoante a norma disposta no art. 3º., § 1º., da Lei n. 7.713/88, decorrendo a legalidade e adequação do critério jurídico-tributário utilizado no caso concreto, com mais razão ainda quando o sujeito passivo fez uso do instituto da pessoa jurídica de modo contrário à função e aos princípios que regem o ordenamento jurídico.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observando-se a tabela progressiva.
EXPROPRIAÇÃO DE BENS EM PROL DA UNIÃO. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PENAL. PAGAMENTO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO NA ESFERA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA.
A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal.
A exigência de IRPF corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduz-se a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE.
A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício.
MULTA ISOLADA. INEXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO RECURSAL.
Tratando-se de matéria não impugnada, não expressamente questionada pelo sujeito passivo em sede de impugnação (art. 17 do Decreto n. 70.235/1972), resta caracterizada inovação recursal, não passível de apreciação pela segunda instância de julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial para excluir do lançamento os bens que foram entregues e expropriados. O Conselheiro Paulo Sérgio da Silva votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. IRPF. PRAZO DO ART. 173, I, DO CTN. O fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário. Assim, a contagem do prazo decadencial para a constituição do lançamento de IRPF submete-se à regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa. PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO. Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios. PRELIMINAR. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não há que se falar de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa. INADEQUAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO APLICADO E DUPLA TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considera-se acréscimo patrimonial a descoberto a aquisição de bens e direitos e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Assim, um acréscimo patrimonial não acobertado pela renda à disposição do contribuinte no momento de sua realização é uma omissão de rendimento tributável. A sistemática de apuração dos rendimentos omitidos possui previsão legal, consoante a norma disposta no art. 3º., § 1º., da Lei n. 7.713/88, decorrendo a legalidade e adequação do critério jurídico-tributário utilizado no caso concreto, com mais razão ainda quando o sujeito passivo fez uso do instituto da pessoa jurídica de modo contrário à função e aos princípios que regem o ordenamento jurídico. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observando-se a tabela progressiva. EXPROPRIAÇÃO DE BENS EM PROL DA UNIÃO. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PENAL. PAGAMENTO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO NA ESFERA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal. A exigência de IRPF corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduz-se a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. MULTA ISOLADA. INEXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO RECURSAL. Tratando-se de matéria não impugnada, não expressamente questionada pelo sujeito passivo em sede de impugnação (art. 17 do Decreto n. 70.235/1972), resta caracterizada inovação recursal, não passível de apreciação pela segunda instância de julgamento.
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DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. IRPF. PRAZO DO ART. 173, I, DO CTN. O fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Assim, a contagem do prazo decadencial para a constituição do lançamento de IRPF submetese à regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa. PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO. Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios. PRELIMINAR. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 60 /2 01 5- 45 Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.794 2 Não há que se falar de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa. INADEQUAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICOTRIBUTÁRIO APLICADO E DUPLA TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considerase acréscimo patrimonial a descoberto a aquisição de bens e direitos e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Assim, um acréscimo patrimonial não acobertado pela renda à disposição do contribuinte no momento de sua realização é uma omissão de rendimento tributável. A sistemática de apuração dos rendimentos omitidos possui previsão legal, consoante a norma disposta no art. 3º., § 1º., da Lei n. 7.713/88, decorrendo a legalidade e adequação do critério jurídicotributário utilizado no caso concreto, com mais razão ainda quando o sujeito passivo fez uso do instituto da pessoa jurídica de modo contrário à função e aos princípios que regem o ordenamento jurídico. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observandose a tabela progressiva. EXPROPRIAÇÃO DE BENS EM PROL DA UNIÃO. EFEITOS DA CONDENAÇÃO PENAL. PAGAMENTO DE TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. CARACTERIZAÇÃO DE CONFISCO NA ESFERA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal. A exigência de IRPF corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduzse a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. MULTA ISOLADA. INEXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO RECURSAL. Tratandose de matéria não impugnada, não expressamente questionada pelo sujeito passivo em sede de impugnação (art. 17 do Decreto n. 70.235/1972), resta caracterizada inovação recursal, não passível de apreciação pela segunda instância de julgamento. Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.795 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial para excluir do lançamento os bens que foram entregues e expropriados. O Conselheiro Paulo Sérgio da Silva votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 2711/2726) em face do Acórdão n. 02 67.778 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 2672/2687), que julgou improcedente a impugnação de efls. 2613/2623, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 02/12/2015 (ciência pessoal efls. 2590/2605) mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Exercícios: 2010 (AC 2009) e 2011 (AC 2010) no montante de R$ 10.932.533,61 sendo R$ 3.653.241,21 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 1.694.064,11 de juros de mora calculados até 11/2015; e R$ 5.479.861,82 de multa proporcional calculada sobre o principal (efls. 2523/2537) com fulcro nas infrações caracterizadas por i) acréscimo patrimonial a descoberto; e ii) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, conforme o discriminado no Termo de Verificação Fiscal (efls. 2538/2589). Em face do lançamento em apreço (efls. 2523/2537), o sujeito passivo apresentou, em 04/01/2016 (data da postagem na unidade dos Correios) efls. 2665/2666 a impugnação de efls. 2613/2623, julgada improcedente, nos termos do Acórdão n. 0267.778 (efls. 2672/2687), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. SONEGAÇÃO. FRAUDE, CONLUIO. Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.796 4 A sonegação, em uma de suas vertentes, é toda ação ou omissão dolosa com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando alcançar o efeito da sonegação. DECADÊNCIA. A regra contida no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional é excepcionada nos casos em que se comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, passando a prevalecer o prazo previsto no inciso I do art. 173, em que o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. PERDA, EM FAVOR DA UNIÃO, DE VALORES AUFERIDOS PELO AGENTE COM A PRÁTICA DO FATO CRIMINOSO. CARACTERIZAÇÃO COMO PAGAMENTO DO TRIBUTO: IMPOSSIBILIDADE. A perda, em favor da União, de valor auferido pelo agente com a prática do fato criminoso é um efeito da condenação penal e não se confunde com a figura do pagamento do tributo. COLABORAÇÃO PREMIADA. DEVOLUÇÃO AO ERÁRIO DOS VALORES OBTIDOS ILICITAMENTE. IMPOSTO ORIUNDO DE TAIS VALORES: ANISTIA: IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária não prevê a possibilidade de anistia para o imposto de renda decorrente de rendimentos ilícitos devolvidos ao erário. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado do teor do Acórdão n. 02 67.778 (efls. 2672/2687) em 10/06/2016 (efl. 2708) e interpôs Recurso Voluntário (efls. 2711/2726) em 12/07/2016 (efl. 2711), esgrimindo, em linhas gerais, os seguintes argumentos: i) em sede preliminar: a) decadência; b) lançamento com preterimento do direito de defesa e Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.797 5 com aplicação de presunção tributária sem oportunizar esclarecimento do contribuinte; c) ausência de fundamentação fática; e d) conversão do julgamento em diligência; e ii) no mérito: a) inadequação do critério jurídicotributário aplicado e dupla tributação; b) confisco expropriação da totalidade dos bens; c) multa qualificada inexistência dos requisitos legais; e d) multa isolada impossibilidade. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 2754/2791). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo principal (efls. 2711/2726) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Das preliminares Em sede preliminar, o Recorrente protesta pela nulidade do Acórdão n. 02 67.778 (efls. 2672/2687) em virtude do advento da decadência; de lançamento com preterimento do direito de defesa e com aplicação de presunção tributária sem oportunizar esclarecimento do contribuinte; de ausência de fundamentação fática; e conversão do julgamento em diligência. Decadência O Recorrente protesta pela decadência do lançamento, vez que este foi constituído em 02/12/2015 (ciência pessoal efls.2590/2605) e referese a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2009 a 31/12/2010. Amparase o Recorrente na regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, tendo em vista entender que não houve comprovação de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que o fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Nesse contexto, eventuais pagamentos efetuados pelo Recorrente a título de IRPF como por exemplo, carnêleão, imposto retido na fonte e imposto complementar constituemse antecipações do imposto devido na declaração de ajuste anual, afastando, de plano, a regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, independentemente da ocorrência, no caso concreto, de fraude, dolo ou simulação, que será, inclusive, objeto de apreciação no tópico pertinente. Nessa perspectiva, verificase que o quinquênio decadencial em relação ao AC mais antigo, no caso 2009, iniciouse no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.798 6 o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso concreto, 1°. de janeiro de 2011. Assim, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional proceder ao lançamento de IRPF referente ao AC 2009 exauriuse exatamente em 31 de dezembro de 2015, observandose a regra geral do art. 173, I, do CTN, aplicável ao tributo em apreço. Considerandose que o lançamento em apreço aperfeiçoouse em 02/12/2015, não há que se falar de decadência em face dos fatos geradores ocorridos no AC 2009, nem muito menos aqueles do AC 2010. Destarte, rejeito a preliminar. Preterimento do direito de defesa e com aplicação de presunção tributária sem oportunizar esclarecimento do contribuinte O Recorrente alega que o lançamento em lide efetuouse com preterimento do direito de defesa e com aplicação de presunção tributária sem oportunizar esclarecimento do contribuinte, esgrimindo os seguintes argumentos: No caso, a autoridade fiscal recorreu à presunção legal da "variação patrimonial à descoberto" para considerar um conjunto de dispêndios realizados por uma pessoa jurídica que assumidamente foi "utilizada" pelo recorrente (GFD) como sendo manifestação de renda do recorrente não oferecida à tributação. Como comprovado no curso da ação fiscal, a documentação fiscal da GFD Investimentos Ltda. não se encontra na posse do recorrente, que buscou todos os meios a seu alcance para obtêlas. A posse desta documentação seria essencial para conhecer a forma como foram contabilizados (e, no caso, se foram oferecidos ou não à tributação) recursos que ingressaram na Pessoa Jurídica e foram utilizados para os dispêndios levantados pela fiscalização. Neste contexto, há duas situações a serem avaliadas. Por um lado, se a autoridade fiscal tinha conhecimento que os dispêndios foram feitos com recursos originados de ingressos (tributados ou não tributados) feitos na Pessoa Jurídica (GFD), não haveria base legitimadora para recorrer à presunção legal. Não é necessário presumir o que é conhecido. Por outro, e aqui entra a questão do cerceamento de defesa de forma mais clara tendo o contribuinte (e a própria ação fiscal) desde o primeiro momento indicado que a origem dos recursos utilizados nos dispêndios poderiam ser encontrados em ingressos na Pessoa Jurídica, a análise da movimentação e dos lançamentos desta pessoa jurídica seria essencial à efetiva descrição da verdade real de eventual fato gerador. E, embora seja, em tese, do recorrente o ônus de apresentar documentação idônea, está comprovado que nunca teve meio de exercer esta faculdade, por não ter acesso à documentação contábil da GFD no curso da ação fiscal. A decisão, contudo, optou pelo formalismo. Partindo da premissa que de que o recorrente foi intimado para apresentar documentos e não o fez conclui que não há espaço para falar em cerceamento de defesa, sem ter se detido na circunstância de se teve o recorrente meio de obter a documentação necessária. [...] As "várias oportunidades" (4, na verdade) mencionadas pela decisão recorrida, espalhadas por um período não maior do que dois meses (11/08/2015 a 19/10/2015) não é suficiente para afastar a realidade: o recorrente não pode analisar e apresentar documentação hábil não porque não tenha querido, mas simplesmente porque não pôde. Assim, entende o recorrente que a lavratura o Auto de Infração sem que tenha sido possível ao contribuinte a análise dos documentos relativos a GFD Investimentos Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.799 7 Ltda. produz a sua nulidade, uma vez que realizado com preterimento do direito de defesa, sobretudo no caso em que a maior parte do lançamento teve com fundamento infração legal estruturada em presunção tributária (Variação Patrimonial a Descoberto) que a própria ação fiscal demonstra que os recursos tiveram origem em ingressos ocorridos na Pessoa Jurídica. Esses argumentos foram apreciados pela decisão recorrida, vez que também foram arguidos pelo Recorrente em sede de impugnação: O lançamento obedeceu aos requisitos específicos do Auto de Infração, pois ocorreu a qualificação do sujeito passivo, a descrição dos fatos, foram apontadas as disposições legais infringidas e determinada a exigência com a respectiva intimação para cumprila ou impugnála no prazo legal. Além de não se vislumbrar ilegitimidade passiva ou vício formal (Código Tributário Nacional, arts. 142 e 173), os atos e os termos foram lavrados por pessoa competente e entendo, conforme argumentos adiante expostos, que não houve preterição do direito de defesa, de modo a se respeitar os limites definidos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Os atos praticados durante o curso do procedimento fiscal, embora estejam submetidos ao princípio inquisitivo, antes, portanto, da instauração da fase litigiosa, foram objeto de intimação do contribuinte e abertura da possibilidade de se falar nos autos. É o que ocorreu por meio da emissão do Termo de Intimação Fiscal nº 1, de 18/06/2015, fls. 1.582, com ciência em 24/06/2015, quando o sujeito passivo, em resposta, solicitou a presença dos agentes do fisco na sede da carceragem da Polícia Federal em Curitiba/PR, ocasião pela qual, em 22/07/2015, lavraram Termo de Declarações prestado pelo interessado naquele local, fls. 294/323. Não é desarrazoado lembrar que as autoridades lançadoras tentavam, sem sucesso, que o autuado atendesse as intimações a ele dirigidas desde 08/20142, por ocasião das diligências fiscais em seu desfavor (TDPFD nº 08.1.96.002014008672) e em nome da GFD Investimentos Ltda. (TDPFD nº 08.1.90.002014022108). Várias outras oportunidades foram concedidas ao autuado para argumentar, contestar e juntar elementos de provas nos autos: a) 11/08/2015, fls. 1.610; 20/08/2015, fls. 1.632; 30/09/2015, fls. 1.637; 19/10/2015, fls. 1.642. Os prazos concedidos nos mencionados termos eram razoáveis a que o autuado prestasse as informações requisitadas, observandose a abertura contida na norma do art. 927 do Decreto nº 3.000, de 1999. [...] Todas as informações requisitadas pelos agentes do fisco envolviam os fatos vivenciados pelo contribuinte, seja na pessoa natural, seja por via da GFD Investimentos Ltda.. No desenrolar do procedimento fiscal, os fatos geradores preliminares apurados pelos agentes fiscais, com base nos elementos de prova provenientes do processo judicial ou coletados junto a terceiros, foram objeto de comunicação ao autuado, com abertura de prazo para se pronunciar. As autoridades fiscais também se dirigiram à sede da GFD Investimentos Ltda. e lá nada encontraram, de maneira que lavraram o Termo de Constatação Fiscal de fls. 357/358, onde descobriram, em conversa com o zelador do prédio, Sr. Fábio Vitor da Silva, que a pessoa jurídica havia abandonado o local às pressas. Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.800 8 Assim, tanto no curso da ação fiscal, nos casos em que envolvia a atuação do contribuinte, quanto na sede litigiosa, por ocasião da apresentação da impugnação, ao contribuinte foram oferecidas oportunidades concretas de falar de modo producente no processo. Ante tais considerações, refuto a preliminar de nulidade arguida. Pois bem. Compulsando os autos, verificase que a planilha de variação patrimonial a descoberto (Arquivo NãoPaginável Anexo 42_VPD_2009 e 2010) discrimina nos AC 2009 e 2010, mês a mês, dispêndios/aplicações considerando como origem de recursos os rendimentos brutos tributáveis declarados pelo Recorrente (no caso, recebidos de pessoas físicas). A composição da indigitada planilha de variação patrimonial a descoberto é descrita de forma pormenorizada, minuciosa e elucidativa no Termo de Verificação Fiscal (e fls. 2538/2589), inclusive quanto à metodologia empregada na sua elaboração e aos valores considerados (e não considerados) como origens de recursos. A planilha de variação patrimonial a descoberto (Arquivo NãoPaginável Anexo 42_VPD_2009 e 2010), bem assim todos os anexos vinculados ao Auto de Infração (e fls. 2523/2537), inclusive o Termo de Verificação Fiscal (efls. 2538/2589), foram devidamente entregues ao Recorrente, propiciandolhe assim, amplo direito de defesa e de contraditório. Resta evidenciado nos autos que no curso da ação fiscal, o Recorrente foi instado a apresentar esclarecimentos e documentos relativos às infrações que posteriormente vieram a lhe ser imputadas, inclusive no que diz respeito a fatos e circunstâncias a ele mesmo (pessoa física) relacionados, bem assim à GFD Investimentos Ltda. (pessoa jurídica). É sintomática a riqueza de informações e de argumentos arguidos na peça recursal ora apreciada, o que denuncia, per si, o pleno conhecimento do Recorrente das acusações fiscais que lhe foram imputadas, espancandose assim qualquer ilação de cerceamento de defesa e de presunção arbitrária por parte da autoridade lançadora. Rejeito a preliminar. Ausência de fundamentação fática O Recorrente reclama por ausência de fundamentação fática do lançamento, nos seguintes termos: Alguns dispêndios considerados pelo lançamento para calcular a suposta variação patrimonial a descoberto do recorrente não possuem prova de que foram efetivamente realizados ou, pelo menos, em que valor efetivamente foram realizados É o caso, por exemplo, dos salários pagos ao Sr. Rafael Angulo Lopes e os pagamentos feitos para suposta aquisição de uma aeronave. Esta realidade, apesar de ter sido alegada em impugnação, não mereceu enfrentamento específico na decisão recorrida. Todavia, essa alegação não prospera. Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.801 9 Com efeito, verificase nos autos que a decisão recorrida apreciou, sim, esse questionamento trazido em sede de impugnação: O contribuinte se rebela contra o dispêndio/aplicação lançado em julho de 2007, considerado na compra de uma aeronave (impugnação, fls. 2.616), por entender que o valor teve origem na sociedade em conta de participação com a empresa Fafer, item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal. Ora, em primeiro lugar, o auto de infração em discussão se ateve aos anosbase 2009 e 2010, sem qualquer lançamento para o anocalendário 2007. Por sua vez, é possível identificar, no Anexo 42 Demonstrativo de Variação Patrimonial, o registro da compra da aeronave "Lear Jet 31 Prefixo PRSFA, nº série 23, junto à PH Transportes/Marabela", em julho de 2010, na importância de R$526.920,00. Ocorre que o autuado não comprovou, com documentos hábeis e idôneos, que os recursos utilizados na compra da mencionada aeronave, se de fato é essa a que ele se referiu em sua defesa, proveio da sociedade em conta de participação com a empresa Fafer. No termo de verificação fiscal, fls. 2.555, as autoridades lançadoras já haviam assinalado que o fiscalizado não havia entregue as planilhas sobre os investimentos e liquidações no empreendimento residencial Dona Lila IV, Curitiba/PR. Desse modo, não é admissível que a compra da aeronave tenha como origem de recursos a venda dos imóveis do mencionado edifício residencial. Não adianta apenas alegar; a prova é essencial a que se corrija o lançamento. A irresignação quanto ao meio utilizado pelo fisco para apurar os salários pagos ao trabalhador Rafael Angulo Lopes não deve prosperar, pois este era empregado do contribuinte, conforme indicam os trechos adiante reproduzidos, extraídos das provas produzidas na operação "Lava Jato", e a declaração de ajuste anual do trabalhador, ao discriminar o recebimento de rendimentos tributáveis, provenientes de pessoas físicas, apenas confirma que a relação de emprego se formou com uma pessoa natural que, nos termos do art. 2º, §1º, da CLT, é equiparada a empregador para fins trabalhistas, com os reflexos naturais em outros ramos do Direito, em especial o Direito Tributário. 1. Termo de declarações que presta Alberto Youssef [...] afirma que o controle mantido por parte do declarante funcionava através de lançamentos que eram de responsabilidade de RAFAEL ÂNGULO LOPES, (fls. 266); [...] nesses casos as pessoas que acionava eram ADARICO NEGROMONTE e RAFAEL ÂNGULO, (fls. 267); 2. Termo de transcrição de depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa Juiz Federal: Quem fazia isso no escritório dele, quem cuidava das contas no exterior, essas transações? Interrogado: Quem tratava junto com seu Alberto era o senhor Rafael Angulo, ele que seria o senhor... A parte que tratava da parte financeira do senhor Alberto, em relação aos negócios do senhor Alberto, fora da GFD. A GFD não participou dessas operações. Assim, a alteração dos valores considerados como remuneração demandam prova em contrário, elemento do qual não se desincumbiu o autuado. Desta forma, rejeito a preliminar. Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.802 10 Conversão do julgamento em diligência O Recorrente suscita a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Com fundamento na impossibilidade de acesso pelo recorrente a documentos relativos à GFD que pudessem permitir conhecer e demonstrar o tratamento tributário dado no ingresso dos recursos na Pessoa Jurídica que realizaram as despesas consideradas no lançamento, requereuse a conversão do julgamento em diligência exatamente com a finalidade de obterse junto às equipes da operação Lava Jato esta documentação para, posteriormente, realizar a demonstração no curso da ação fiscal. Ocorre que embora tenha requerido (como comprova as petição anexas) o recorrente só veio a obter cópia de parte deste documentos na última semana (28/06/2016). Este fato reforça o equívoco da decisão recorrida de indeferir o requerimento realizado, como informa a decisão, na forma do art. 35 do Decreto 7574/2011. A decisão recorrida enfrentou essa questão apresentada na impugnação (efls. 2613/2623), conforme segue: De acordo com o art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011, a autoridade julgadora deve examinar o pedido de realização de diligências ou perícias formuladas pelo sujeito passivo, mandando realizar aquelas que forem necessárias e indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A finalidade da realização das diligências e perícias é elucidar questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, quando o exame dos elementos contidos nos autos não seja suficiente para dirimilas. Todavia, não é dever da Receita Federal do Brasil produzir provas cuja responsabilidade é do sujeito passivo. Se se entende que a ausência dos documentos produzidos pela GFD Investimentos Ltda. produziu sérias lacunas no lançamento fiscal, é ônus do sujeito passivo carrear aos autos tais provas e contrapôlas ao Auto de Infração, de forma específica, sem recorrerse a argumentos genéricos. Como já fora reproduzido neste voto, várias oportunidades foram concedidas ao interessado para falar nos autos durante o curso do procedimento fiscal, sem se esquecer que na fase litigiosa, por ocasião da impugnação, trinta dias foram oferecidos para apresentação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Entendo, salvo melhor juízo, que o pedido do contribuinte é protelatório, uma vez que os documentos não foram apresentados durante o curso do procedimento fiscal e nem na fase da impugnação. Assim, indefiro a conversão do julgamento em diligência. Concordo as alegações da decisão recorrida, nos termos do art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015, vez que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância. Rejeito a preliminar. Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.803 11 Do mérito No mérito, o Recorrente suscita inadequação do critério jurídicotributário aplicado e dupla tributação; expropriação da totalidade dos bens a caracterizar confisco; c) inexistência dos requisitos legais para a multa qualificada; e impossibilidade de aplicação da multa isolada. Inadequação do critério jurídicotributário aplicado e dupla tributação O Recorrente protesta pela inadequação do critério jurídicotributário aplicado e dupla tributação a viciar o lançamento em apreço, nos seguintes termos: Como acima mencionado, é bastante duvidosa a opção pela presunção legal quando os fatos envolvidos na fiscalização não comportavam qualquer presunção, por serem conhecidos. O lançamento por variação patrimonial a descoberto tornou mais simples o trabalho da autoridade fiscal, mas muito provavelmente não representa de maneira correta o fato tributário que se depreende da narrativa das provas e indícios já conhecidos. Neste aspecto, poderseia afirmar, com todo respeito, ser uma opção jurídicotributária "arbitrária" e simplificadora, que foge do compromisso do processo administrativo fiscal com a verdade real. Com efeito, TVF anexo ao auto de infração descreve a opção da fiscalização de realizar o lançamento a partir, na sua maior parte, dos dispêndios realizados pela GFD Investimentos Ltda. Da mesma forma, o mesmo TVF descreve como referida pessoa jurídica foi constituída sob as ordens do contribuinte para servir de "empresa patrimonial" (aliás, fato que, em tese, havendo origem lícita dos recursos, não é vedado pela legislação, sendo um fim social aceitável na legislação societária brasileira). Por outro lado, em seus depoimentos e nas provas colhidas, fica nítida a realidade de que os recursos utilizados na integralização de capital e/ou formação de caixa da GFD (seja pela "troca" de posições com a "Piemonte" seja pelos depósitos em dinheiro) eram recursos titularizados pelo contribuinte em decorrência de suas atividades anteriores no âmbito do "Caso BANESTADO". Ou seja, recursos obtidos há mais de 10 anos e que foram totalmente tributados pelo lançamento realizado no auto de infração 10930.007728/200295, crédito que atualmente está sendo executado judicialmente. Sobre este particular, diz a decisão recorrida Também não é admissível concordar com a argumentação do interessado no sentido de que a origem dos recursos utilizados nos dispêndios apontados pelos agentes do fisco é oriunda do caso "Banestado", objeto do Auto de Infração 10930.007728/200295, o que evidenciaria dupla tributação. Não parece razoável que as declarações do recorrente como réu colaborador sejam utilizadas como verdadeiras para sustentar a tributação (quando reconhece a confessa a aquisição de bens por meio da GFD ou pagamentos realizados), mas não servem para nada quando servem para afastar a tributação. Com base na prova colhida e compartilhada com a autoridade fiscal, incluindo as declarações do recorrente e de pessoas vinculadas a ele, fica bastante consolidada a realidade de que os dispêndios realizados pelo recorrente referemse a recursos que ingressaram na GFD e que parte destes recursos já pertenciam ao recorrente. A opção arbitrária, desconectada dos fatos, pela tributação pela presunção da Variação Patrimonial a Descoberto a partir dos "comprovados" dispêndios da GFD não é admissível, ainda mais neste caso, que a própria fiscalização tinha elementos Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.804 12 para compreender que os recursos que realizaram os dispêndios ingressaram na GFD, tendo a autoridade fiscal todos os meios para verificar a que título eles ingressaram e se foram ou não foram tributados neste momento (de ingresso na GFD). Quando da apreciação da impugnação (efls. 2613/2623), a decisão recorrida destinou um tópico específico, intitulado "Acréscimo patrimonial a descoberto. Critério jurídicotributário utilizado", com o seguinte teor: Considerase acréscimo patrimonial a descoberto a aquisição de bens e direitos e a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Ao adotarse a técnica utilizada no presente lançamento, a inferência permitida é a suposição legal de que um acréscimo patrimonial não acobertado pela renda à disposição do contribuinte no momento de sua realização é uma omissão de rendimento tributável. A mencionada sistemática de apuração dos rendimentos omitidos possui previsão legal, consoante a norma disposta no art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88, a seguir reproduzida, e por isso o critério jurídicotributário utilizado, além de legal, é adequado, mormente na situação em apreço, quando o autuado utilizou o instituto da pessoa jurídica de modo contrário à função e aos princípios que regem o ordenamento jurídico. [...] O uso inadequado da GFD Investimentos Ltda. (denominação atual da DGF Investimentos Ltda.) ocorreu pela prática de atos contra a lei ou contratos sociais e estranhos aos objetivos sociais, discriminado no seu ato constitutivo, onde se destacam, dentre outras, as seguintes atividades: a) o exercício de atividades, no Brasil ou no exterior, direta ou indiretamente, inclusive através de consórcios ou "joint ventures", relacionadas ao desenvolvimento, implantação e operação de projetos de infraestrutura [...] (fls. 96). b) o exercício de atividades conexas ou relacionadas ao objeto social, direta ou indiretamente, inclusive importação e exportação; (fls. 96). [...] d) A prestação de serviços de assessoria e consultoria: (i) na elaboração de estudos e projetos na estruturação e reestruturação organizacional; (ii) financeira; (iii) na prospecção de oportunidades no mercado de capitais; [...](fls. 154). Os depoimentos prestados pelo autuado, por Meire Bonfim da Silva Poza e por Carlos Alberto Pereira da Costa na Justiça Federal, na operação "Lava Jato", bem como os elementos de variação patrimonial indicados pelas autoridades lançadoras no Termo de Verificação Fiscal, permitem concluir que o contribuinte se escondeu atrás da personalidade jurídica da sociedade para evitar obrigação tributária pessoal, tirar vantagem da lei e se proteger de várias condutas criminosas perpetradas contra a administração pública. Quando se constatam tais irregularidades, é possível atingir as pessoas individuais que se ocultam atrás do aparato técnicojurídico (pessoa jurídica). Também não é admissível concordar com a argumentação do interessado no sentido de que a origem dos recursos utilizados nos dispêndios apontados pelos agentes do fisco é oriunda do caso "Banestado", objeto do Auto de Infração 10930.007728/200295, o que evidenciaria dupla tributação. Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.805 13 Como a própria defesa reconhece, o caso "Banestado" ocorreu há mais de dez anos, e os recursos auferidos com aquela atividade criminosa, que redundou em condenação penal, já foram consumidos, presumivelmente, e argumentação em sentido contrário demandaria prova inequívoca. Da mesma forma que o Decreto nº 70.235/72 estabelece a obrigatoriedade do agente do fisco em provar a ocorrência do ilícito fiscal, caput do art. 9º, também impõe ao sujeito passivo o ônus de provar o que alega, redação contida no inciso III do art. 16, sob pena de, não o fazendo, se sujeitar à infração apurada no lançamento. A outro giro, as provas emprestadas da operação "Lava Jato" indicam que o contribuinte, já em 2009, amealhava consideráveis rendimentos, a título de comissões, por auxiliar a lavar recursos oriundos de propinas, os quais não foram declarados e, por corolário, tributados. No Termo de Declarações de fls. 264, ele próprio reconheceu que, em 2005, a mando de um parlamentar, realizava a coleta e pagamento de valores, em troca de comissões, junto à Diretoria da Petrobrás comandada por Paulo Roberto Costa. Concluise, pois, que não é possível apontar que a fonte de recursos do sujeito passivo para amparar os dispêndios realizados nos anosbase 2009 e 2010 advém do caso "Banestado". O contribuinte se rebela contra o dispêndio/aplicação lançado em julho de 2007, considerado na compra de uma aeronave (impugnação, fls. 2.616), por entender que o valor teve origem na sociedade em conta de participação com a empresa Fafer, item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal. Ora, em primeiro lugar, o auto de infração em discussão se ateve aos anosbase 2009 e 2010, sem qualquer lançamento para o anocalendário 2007. Por sua vez, é possível identificar, no Anexo 42 Demonstrativo de Variação Patrimonial, o registro da compra da aeronave "Lear Jet 31 Prefixo PRSFA, nº série 23, junto à PH Transportes/Marabela", em julho de 2010, na importância de R$526.920,00. Ocorre que o autuado não comprovou, com documentos hábeis e idôneos, que os recursos utilizados na compra da mencionada aeronave, se de fato é essa a que ele se referiu em sua defesa, proveio da sociedade em conta de participação com a empresa Fafer. No termo de verificação fiscal, fls. 2.555, as autoridades lançadoras já haviam assinalado que o fiscalizado não havia entregue as planilhas sobre os investimentos e liquidações no empreendimento residencial Dona Lila IV, Curitiba/PR. Desse modo, não é admissível que a compra da aeronave tenha como origem de recursos a venda dos imóveis do mencionado edifício residencial. Não adianta apenas alegar; a prova é essencial a que se corrija o lançamento. A irresignação quanto ao meio utilizado pelo fisco para apurar os salários pagos ao trabalhador Rafael Angulo Lopes não deve prosperar, pois este era empregado do contribuinte, conforme indicam os trechos adiante reproduzidos, extraídos das provas produzidas na operação "Lava Jato", e a declaração de ajuste anual do trabalhador, ao discriminar o recebimento de rendimentos tributáveis, provenientes de pessoas físicas, apenas confirma que a relação de emprego se formou com uma pessoa natural que, nos termos do art. 2º, §1º, da CLT, é equiparada a empregador para fins trabalhistas, com os reflexos naturais em outros ramos do Direito, em especial o Direito Tributário. Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.806 14 1. Termo de declarações que presta Alberto Youssef [...] afirma que o controle mantido por parte do declarante funcionava através de lançamentos que eram de responsabilidade de RAFAEL ÂNGULO LOPES, (fls. 266); [...] nesses casos as pessoas que acionava eram ADARICO NEGROMONTE e RAFAEL ÂNGULO, (fls. 267); 2. Termo de transcrição de depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa Juiz Federal: Quem fazia isso no escritório dele, quem cuidava das contas no exterior, essas transações? Interrogado: Quem tratava junto com seu Alberto era o senhor Rafael Angulo, ele que seria o senhor... A parte que tratava da parte financeira do senhor Alberto, em relação aos negócios do senhor Alberto, fora da GFD. A GFD não participou dessas operações. Assim, a alteração dos valores considerados como remuneração demandam prova em contrário, elemento do qual não se desincumbiu o autuado. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Expropriação da totalidade dos bens a caracterizar confisco O Recorrente reclama que houve expropriação da totalidade dos seus bens, estando, assim, caracterizado confisco, conforme segue: Na cláusula 7ª do "Termo de Colaboração Premiada" do Contribuinte está prevista a entrega e expropriação da totalidade dos bens obtidos com as práticas confessadas, que foram efetivamente entregues/expropriados, bens cuja aquisição foi considerada como causa jurídica para a incidência tributária no presente lançamento. É vedado no ordenamento jurídico brasileiro o emprego do tributo com efeito de confisco (art. 150, IV, CF) . Assim, se o tributo for além da totalidade do próprio produto do crime, estaria se revelando verdadeiro confisco. O recorrente entende que é precisamente o que ocorre neste caso, já que já foram revertido em benefício da União a totalidade dos bens que foram produto de seus crimes. Nesse ponto, são esclarecedores os argumentos da instância de piso: A expropriação dos valores angariados pelo contribuinte em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não pode, de forma alguma, ser considerada como pagamento de tributo, mas, sim, como um efeito da condenação penal, que se caracteriza pela perda, em favor da União, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes previstos na Lei de Lavagem de Dinheiro ( Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998). [...] A exigência do imposto corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduzse a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado. A Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.807 15 sistemática aqui descrita está demonstrada no demonstrativo de apuração do IRPF, fls. 2.527/2.528. Por outro lado, a legislação tributária não prevê a possibilidade de que se anistie os investigados que decidiram colaborar com a Justiça e que devolveram ao erário os recursos obtidos ilicitamente. Por fim, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Decreto nº 70.235/72, art. 26A, na redação dada pela Lei nº 11.941/09). Ante tais considerações, rejeito a tese encampada pelo sujeito passivo. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Inexistência dos requisitos legais para a multa qualificada O Recorrente protesta pela inexistência dos requisitos legais para aplicação da multa qualificada de 150%, esgrimindo os seguintes argumentos: No auto de infração foi aplicada a multa de 150% sobre o valor, com fundamento no § 1° do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, segundo o qual: [...] A aplicação do artigo em questão exige a configuração de umas das condutas tipificadas nos artigos 71, 72 ou 73 da lei 4.502/64. A simples omissão de rendimentos não basta para a que o intuito de fraude fique configurado. Não se pode, da mesma forma, dizer que existe fraude ou dolo apenas por estar o contribuinte respondendo a processo criminal. Em nenhum momento, a autoridade fiscal comprova sua ocorrência, não havendo qualquer fundamento para a configuração do dolo, vez que não é possível a extensão da presunção do art. 42 da lei 9.430/96 ao § 12 do art. 44 da mesma lei. Assim, não comprovada a existência de dolo, não pode a Administração aplicar a multa em dobro. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes aponta para o mesmo sentido das conclusões aqui expostas: [...] Assim, deve ser afastada a multa qualificada, porquanto incabível e desprovida de fundamento legal. A decisão recorrida consolida, a partir das evidências colacionadas no Termo de Verificação Fiscal (efls. efls. 2538/2589), a conduta do Recorrente: No presente caso, a discussão da preliminar de decadência e a imposição da multa qualificada exigem, a priori, o exame das condutas praticadas pelo autuado em relação à omissão de rendimentos tributáveis, apurada pela sistemática da variação patrimonial a descoberto. E as autoridades lançadoras, em várias passagens do Termo de Verificação Fiscal, as descreveram, as quais deram azo à constituição do crédito tributário. Pincemos alguns trechos: Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.808 16 Parte substancial das comissões que recebeu de valores desviados da Lavajato foram canalizados para as contas bancárias de sua empresa patrimonial no Brasil, a GFD Investimentos Ltda. (antiga DGF), bem como para as contas no exterior dos fundos e empresas que controlam oficialmente a GFD (Grupo Devonshire). [...] (fls. 2.544). [...] Youssef passou a se escamotear por meio de inúmeras interpostas pessoas, a fim de se evadir do Fisco e da Justiça. Conhecedor de técnicas sofisticadas de blindagem patrimonial, controlador de inúmeras contas bancárias offshore, próspero na obtenção de interpostas pessoas, Youssef movimentou e adquiriu bens em volumes gigantescos durante anos a fio sem que ninguém percebesse. O segredo para isto: em nenhuma operação poderia constar o seu nome, nem mesmo como procurador. As operações eram feitas por meio de empresas offshore ou diluídas em várias interpostas. (fls. 2.544). Com o tempo Youssef passou a usar a GFD também para emitir notas fiscais ideologicamente falsas para receber recursos de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, diretamente ou por meio de empresas do operador Julio Camargo. Em relação a estas notas a contadora Meire foi enfática ao afirmar que a GFD não possuía capacidade econômica, operacional, nem técnica para executar os objetos dos contratos de prestação de serviços com as empreiteiras envolvidas na Lava Jato. O próprio Youssef admitiu que a GFD não prestou estes serviços e que esta estratégia era de apenas “esquentar” um dinheiro em espécie “sujo ou ruim” que possuía consigo, transformando seu “caixa ruim em caixa bom” (fls. 2.546/2.547). A descrição das condutas está baseada na farta documentação que constitui o presente processo, destacandose os seguintes elementos probatórios: a) Termo de declarações de Meire Bonfim da Silva Poza, fls. 182/200; b) Termo de Colaboração Premiada do autuado, com a participação de defesa técnica, homologado pelo STF, onde está sendo processado pela prática de crimes contra o sistema financeiro, crimes de corrupção, crimes de peculato, crimes de lavagem de dinheiro e de organização criminosa, dentre outros, fls. 263/292; c) Termo de Declarações do autuado prestado às autoridades lançadoras, fls. 294/323; d) Termo de Transcrição de Depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, fls. 328/355. Amparandose nos mencionados termos e nos outros elementos que compõem o processo, verifico que a descrição dos fatos utilizada pela autoridade lançadora na constituição do crédito tributário apenas atevese às passagens lá descritas. Da narrativa até aqui exposta, entendo que o contribuinte movimentou e se beneficiou de recursos em divisas estrangeiras no exterior, à revelia do Sistema Financeiro nacional, atuou em conluio com terceiras pessoas para ocultar patrimônio pessoal, emitiu notas fiscais fraudulentas, em nome da GFD Investimentos Ltda., para viabilizar o recebimento das propinas a ele devidas em razão de sua atuação pessoal nos esquemas de desvio de dinheiro de estatais, adquiriu imóveis e veículos em nome de terceiros, além de várias outras condutas contrárias à lei, com o intuito doloso, único e exclusivo, de impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, representada pela disponibilidade econômica dos respectivos rendimentos tributáveis, bem como se esquivar da execução fiscal que corre contra ele em relação a créditos tributários constituídos no passado. Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.809 17 O autuado confirmou, e terceiras pessoas a ele vinculadas corroboraram, que os recursos que amealhou, indevidamente, com a realização de condutas à margem da lei não poderiam indicar seus dados pessoais, de forma a se esquivar da cobrança de tributos promovida pela Receita Federal do Brasil. Veja a passagem do seu termo de declarações às autoridades lançadoras: Fls. 295 1. O Sr. era o real beneficiário (proprietário) da GFD? Em que data o Sr. adquiriu a GFD ou passou a usála? A.Y.: Ele declara só não ter assinado como procurador ou proprietário da GFD pois tinha uma discussão com a RFB em juízo (...) Desse modo, no lançamento fiscal em discussão, não se verifica mera inadimplência de tributo, mas, sim, a prática de várias condutas queridas e desejadas com o intuito deliberado de violar a lei tributária e com pleno conhecimento de sua ilicitude – dolo , de forma a impedir o conhecimento pela administração tributária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda – sonegação , em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas, sem, obviamente, informar integralmente os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, subsumindose às hipóteses descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. [...] Caracterizada a infração à legislação tributária, há de se exigir multa e juros de mora, além do imposto devido. A Lei nº 9.430, de 1996, ao cuidar da multa, assim dispôs: [...] No caso em discussão, consoante razões até aqui expostas, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício aplicada, pois a materialidade da conduta do contribuinte se ajusta perfeitamente à norma contida nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 64. Os fatos anteriormente apontados, demonstrados por elementos seguros de provas, levam à conclusão de que o sujeito passivo, conscientemente, omitiu do Fisco os rendimentos tributáveis, provenientes de vantagens indevidas auferidas junto a empresas estatais, apurados pela técnica da variação patrimonial a descoberto, com o objetivo de impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e, por corolário, a fim de reduzir a base de cálculo do imposto de renda. (grifei) A legislação tributária, por meio do art. 26 da Lei nº 4.506, de 1964, é clara ao dispor que os rendimentos derivados de atividades ilícitas são sujeitos à tributação do imposto de renda. [...] As Declarações de Ajuste Anual relativa aos anosbase 2010 e 2009, fls. 1.771/1.786, contêm valores completamente incompatíveis com aqueles apurados no Auto de Infração. A intenção deliberada de impedir o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador, em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas e com o emprego de várias fraudes, escondendose atrás da suposta personalidade jurídica da sociedade GFD Investimentos Ltda. para evitar obrigação tributária, caracteriza as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, refuto os argumentos contrários ao emprego da multa qualificada. Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 10803.720060/201545 Acórdão n.º 2402006.795 S2C4T2 Fl. 2.810 18 Desta forma, considerandose a materialidade da conduta do Recorrente na forma acima denunciada, não restam dúvidas quanto à sua subsunção à norma plasmada nos arts. 71, 82 e 73 da Lei n. 4.502/1964, caracterizandose infração à legislação tributária a atrair a multa qualificada no percentual de 150% (art. 44, I c/c § 1°. da Lei n. 9.430/1996). Impossibilidade de aplicação da multa isolada O Recorrente entende que deve ser afastada a multa exigida isoladamente, amparandose na jurisprudência do CARF que colaciona. A decisão recorrida informa que: Apesar de a impugnação não apresentar argumentos específicos contrários ao lançamento da multa exigida isoladamente, a referida matéria encontrase impugnada, ainda que colateralmente, tanto pela alegação da preliminar de nulidade. Quanto ao mérito deste tópico, está precluso o direito de o interessado discutila em momento posterior. Todavia, resta evidenciado que o Recorrente não enfrentou o lançamento em apreço no tocante à multa isolada, não sendo suficiente para o mister a alegação de nulidade que sequer a menciona. Na verdade, tratase de matéria não impugnada, vez que não expressamente contestada pelo sujeito passivo em sede de impugnação (art. 17 do Decreto n. 70.235/1972), restando assim caracterizada inovação recursal, não passível de apreciação pela segunda instância de julgamento. Concluise que o questionamento quanto à multa isolada está fora do escopo desta análise. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 2711/2726), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 2810DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.722524/2011-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 228 1 227 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.722524/201181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.732 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA DE LOURDES NASCIMENTO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 25 24 /2 01 1- 81 Fl. 228DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.651,64, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos e notas fiscais de prestação de serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF/Guarulhos SP, a Notificação de Lançamento de fls. 9/12, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2008. Foi apurado imposto suplementar de R$ 5.651,64, mais multa de ofício e juros de mora. Depois da regular ciência do lançamento, foi apresentada impugnação e documentos comprobatórios, fls. 2/7, 13/29 e 60/86. Protesta pelo restabelecimento das despesas glosadas. Da análise dos documentos apresentados e demais questões de fato alegadas, foi elaborado Despacho Decisório nº 009/2012, fls. 50/53, que restabeleceu a despesa de R$ 4.092,00. Notificada, a Contribuinte manifestase no prazo legal, requerendo a dedução de mais R$ 18.680,00. Da análise da documentação apresentada, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.061/2010, restou cumprida parcialmente a formalidade exigida pela legislação tributária do imposto de renda, conforme descrito no relatório e Despacho Decisório nº 009/2012, fls. 50/53, que restabeleceu a despesa médica de R$ 4.092,00, sendo mantido, o imposto suplementar de R$ 4.526,34, mais acréscimos legais. O motivo da permanência da glosa mencionada no parágrafo anterior consiste na falta de comprovação do efetivo pagamento. Dos documentos constantes dos autos, apenas os de fls. 77/85 (cópias microfilmadas de cheques) conferem direito ao restabelecimento de mais R$ 3.222,00 de despesa médica. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10875.722524/201181 Acórdão n.º 2001000.732 S2C0T1 Fl. 229 3 Para o restante das despesas não foram juntados documentos hábeis no sentido de comprovar o efetivo pagamento na forma solicitada pela fiscalização no procedimento de revisão de ofício, fls. 47/48. É certo que a comprovação do efetivo pagamento não é feita somente por meio de cheques ou transferências bancárias. Outros meios podem ser utilizados pelos contribuintes para demonstrar o efetivo pagamento, tais como faturas de cartão de crédito, extratos bancários com registros de saques em valores e datas compatíveis com os comprovantes emitidos pelos prestadores de serviços. (...) Logo, além da dedução concedida por meio do procedimento de revisão de ofício levado a efeito pela fiscalização do Órgão de origem, restabelecese mais R$ 3.222,00 a título de despesa médica. O cálculo do imposto fica assim demonstrado: (...) Saldo do Imposto a Pagar 3.640,29. Diante do exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da Impugnação, o que resulta em manutenção do imposto suplementar a pagar demonstrado no quadro acima, mais multa de ofício e juros de mora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 3.640,29, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) A Receita Federal glosou a quantia de R$ 18.680,00 em despesas médicas realizadas com a empresa IMBRA CONSULTORIO ODONTOLÓGICO LTDA., alegando que a Recorrente NÃO apresentou comprovação das despesas. A NOTA FISCAL ELETRONICA DE SERVIÇOS – NFe foi emitida em 27.12.2007, tendo recebido o número 00006503, tudo devidamente comprovado conforme NOTA FISCAL ANEXA, no valor exato do declarado no IRPF, ou seja, R$ 18.600,00 (dezoito mil, seiscentos e oitenta reais). É importante observar que a NOTA FISCAL foi emitida ao final do tratamento médico realizado ao longo do ano de 2007. Os recibos de pagamentos e os cheques são anteriores a data da emissão da data por uma questão muito simples, a NOTA FISCAL somente foi emitida ao FINAL DO TRATAMENTO E DEPOIS DA EMPRESA TER RECEBIDO OS VALORES POR ELA COBRADOS, QUAIS SEJAM, R$ 18.680,00. Fl. 230DF CARF MF 4 É FATO. A recorrente apresentou todas as provas a fim de comprovar suas despesas realizadas, não foram simples recibos ou declaração de pagamentos, foram RECIBOS COM CARIMBO DO CNPJ, MICOFILMES DOS CHEQUES E NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, lembrando que essa somente foi emitida após o final do tratamento e do pagamento dos serviços. Requerse, portanto, que a r. decisão de não conhecimento dos comprovantes apresentados seja INTEGRALMENTE reformado, sendo os mesmos aceitos e a GLOSA da despesa médica seja reconsiderada e o valor seja, integralmente, incluído na Declaração do IRPF. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja colhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Acompanha o presente RECURSO o CD entregue pela Receita Federal, onde consta a INTEGRA de todo o processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço ou nota fiscal de prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10875.722524/201181 Acórdão n.º 2001000.732 S2C0T1 Fl. 230 5 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser Fl. 232DF CARF MF 6 feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10875.722524/201181 Acórdão n.º 2001000.732 S2C0T1 Fl. 231 7 O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras Fl. 234DF CARF MF 8 garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10875.722524/201181 Acórdão n.º 2001000.732 S2C0T1 Fl. 232 9 “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. Assim que, verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento do profissional, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na Fl. 236DF CARF MF 10 declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas que corresponderia ao imposto suplementar de R$ 3.640,29, em vista de ter sido apensado aos autos cópia dos recibos e notas fiscais de prestação de serviço, como material probante, nos termos requeridos pela legislação tributária. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento integral do Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 237DF CARF MF
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