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Numero do processo: 10111.000757/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos farmacêuticos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração lavrados pela fiscalização da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília, fls. 01/14, constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 00 75 7/ 20 06 -0 1 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 94 2 de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 30.708,78 (trinta mil setecentos e oito reais e setenta oito centavos). DOS FATOS O importador, por meio da Declaração de Importação nº 06/09026849, registrada em 01/08/2006, submeteu a despacho de importação o produto Cefaclor Monoidratado, requerendo a redução de alíquota de Cofins Importação e de PIS/Pasep Importação do inciso I do artigo 1° do Decreto 5.821 de 29 de junho de 2006. Art1°Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COF1NS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capitulo 29 da NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; A fiscalização não concedeu a redução, pois considerou que o produto importado não se enquadrava na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante no Anexo I do citado Decreto. Apenas o produto Cefaclor é citado na relação do Anexo I, não o produto monoidratado. Segundo o fiscal: “A hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa a especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero”. Mais adiante informa que: “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura do Valor Aduaneiro e Estatística – NVE”. No caso do Cefaclor há dois registros: Cefaclor anidro, CAS 5399473 e Cefaclor monohidrato, CAS 70356035. Portanto, observase que são dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821 /2006 tem direito a redução de alíquota. Cientificado dos autos de infração em 20/10/06, fl.01, a representante legal do autuado, despachante aduaneira Wang Huei Ju apresentou, em 27/10/06, a peça de fls. 32/33, intitulada de “impugnação inicial”, onde aduziu em síntese que o produto cefaclor é sempre apresentado na forma monoidratada e foi submetido a despacho de importação na forma regulamentar. Solicitou a indicação de técnico habilitado e credenciado junto à Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília “para, em laudo circunstancial esclarecer o assunto”, e, ainda, a Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 95 3 prorrogação do prazo para apresentação da impugnação, de conformidade com o inc. II do art. 6° do Decreto nº 70.235/72. Em 01/11/06, a unidade de origem consignou que “o interessado, impugnou tempestivamente, o crédito tributário” e encaminhou à DRJSPO II o processo para prosseguimento (fl. 45). Em face da mudança de jurisdição instituída pela Portaria SRF n° 179, de 13/02/2007 (DOU de 14/02/2007), que alterou o Anexo V do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, este processo foi encaminhado pela então DRJ/SPOII para esta DRJ/FOR. Em 21/05/07, o interessado apresentou o documento de fls. 64/82 onde inicia afirmando que: (...) inconformada com o Auto de Infração supra mencionado, vem mui respeitosamente perante V. Sas. tendo em vista o principio da informalidade do processo administrativo, e tendo o pedido de perícia admitido como impugnação, vem mui respeitosamente emendar a mesma, pelos motivos de fato a seguir mencionados: Solicitou preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseiava ver respondidos, com base no inciso IV do Art. 16 do Decreto n° 70.235/72, porém não indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito, passou em seguida a apresentar os argumentos de mérito. A impugnante alega que o cerne da discussão é o registro no CAS, que o Cefaclor é considerado gênero, que comportam as seguintes espécies: • Cefaclor monoidrato – CAS 70356035 • Cefaclor anidro – CAS 53994733 Corroborase a interpretação, a NVE Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística regida inicialmente pela Instrução Normativa SRF n° 80, de 27 de dezembro de 1996, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 657, de 26 de junho de 2006, e posteriormente alterada pela Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, assim especificou: Subitem 2941.90.33 Cefaclor e Cefalexin monoidratados; Cefalexina sódica. Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo CAS/DCB 0001 070356035/ Cefaclor 0002 015686712/ Cefalexina 0003 023325782/ Cefalexina monoidratada 9999 Outros Por fim, aduz que o anexo I do citado decreto, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição 338 CEFACLOR, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, ao contemplar o gênero CEFACLOR no Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, o legislador reduziu a zero a alíquota do PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação para todas as espécies, a saber, anidro e monoidratado. A autuada ainda acrescenta que não agiu em nenhum momento com dolo, fraude ou simulação, “muito pelo contrário, a legalidade sempre Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 96 4 esteve presente em todos os seus procedimentos podendose, quando muito, vislumbrar a interpretação equivocada de uma legislação confusa, como demonstra o fato da própria Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, considerar o termo CEFACLOR para o CAS correspondente ao CEFACLOR MONOIDRATADO” ou seja, continua a empresa, “a própria NVE, [...], corrobora o entendimento da IMPUGNANTE quando da aplicação da redução de alíquota, prevista no Decreto n° 5.821/2006, é também impreciso na utilização da linguagem técnica [sic]”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 85/102, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 87/102), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras como entendeu a D. Autoridade autuante”. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 01/08/2006. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 01/08/2006. CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto cefaclor monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/PasepImportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 97 5 Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]”No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 98 6 a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão: Por outro lado, a empresa argui, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da IN SRF nº 701, de 27/12/065, o produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29419033 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Atributos e Especificações de Nível 'U' Atributo AA CAS/DCB Especificações: 0001 070356035/ Cefaclor [...]Vêse que dentro da NVE, que procura destacar o produto sob o ponto de vista da sua relevância, seja quanto ao valor, seja quanto à importância estatística ou comercial ou ambos, foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0001 foi consignado o CAS nº 070356035, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação cefaclor. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o termo monoidratado e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS nº 070356035 ao cefaclor monoidratado. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 99 7 A decisão manteve a multa de ofício, por ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, pelas Declarações de Importação 08/02550058 e 08/04377582, registradas, respectivamente, em 19/02/08 e 24/03/08, a Recorrente submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado, identificandoo como “cefaclor” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 338 CEFACLOR Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão monoidratada de cefaclor, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 100 8 Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10980.001205/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Cons. Júlio César Alves Ramos.
Júlio César Alves Ramos - Presidente e Relator
Robson José Bayerl Redator desigando
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jílio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Cons. Júlio César Alves Ramos. Júlio César Alves Ramos Presidente e Relator Robson José Bayerl – Redator desigando Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jílio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Retorna à apreciação do colegiado recurso voluntário cujo julgamento teve início em sessão realizada em novembro do ano passado. Na ocasião, o Conselheiro Fernando Cleto assim o relatou: Consta dos autos que o crédito tributário em questão referese a crédito presumido de IPI referente a aquisições de pessoas físicas, baseado em decisão proferida no Processo Judicial n° 2002.81.00.0013151 da empresa incorporada, no ano de 2002, Iracema Indústrias de Caju Ltda, CNPJ 05.866.835/000142, transitado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 01 20 5/ 20 10 -5 0 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 3 2 em julgado em 19/07/2007, tendo como número do Processo de Habilitação do Crédito 10980.009854/200965. A DRF de origem não reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI sob o argumento de que os produtos exportados pela contribuinte são classificados na TIPI como NT (não tributados), situação esta que não dá direito A. utilização do beneficio previsto na Lei n° 9.363/96. Acrescenta ainda, que a contribuinte inseriu nos cálculos para atualização dos valores dos créditos presumidos do IPI a taxa selic, cujo procedimento não encontra respaldo legal tendo em vista que o dispositivo que permite a correção pelos juros selic é exclusivo para repetição de pagamento indevido ou a maior de tributos. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 338/354) contra a não homologação das compensações, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: a) o não reconhecimento do seu direito à. utilização do crédito presumido de IPI nos termos da Lei n° 9.363/96 viola de forma flagrante a sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança n° 2002.81.00.0013151; b) após a recorrente ter tido reconhecido, de forma definitiva, o seu direito de se utilizar do beneficio do crédito presumido de IPI, não há como se alegar que o fato dos produtos por ela exportados serem classificados como NT não permite a utilização do beneficio em questão, pois toda a discussão quanto ao reconhecimento do direito da recorrente ao mencionado beneficio foram enfrentadas e resolvidas com definitividade no Mandado de Segurança; c) além do mais, inexiste restrição na Lei n° 9.363/96 para aplicação do beneficio do crédito presumido de IPI a produtos classificados corno NT na TIPI. A recorrente é empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, não interessando se os seus produtos são notados como NT; d) no caso especifico da requerente, os produtos por ela exportados são aqueles resultantes do processo de beneficiamento da castanha de caju, o simples fato de seus produtos configurarem como NT na TIPI não é capaz de desnaturar a condição de empresa produtora, isto é, de empresa que realiza processo de industrialização; e) considerando que o direito ao ressarcimento equiparase ao direito de restituição de qualquer outro tributo administrado pela Receita Federal. o que de acordo com a disposição contida na legislação aplicável deve ser atualizado pela taxa selic. E, segundo jurisprudência tanto do STJ como do STF, na hipótese de o crédito não ter sido utilizado em função de óbice criado pelo próprio Fisco, deve ser aplicada a atualização monetária em homenagem ao principio da nãocumulatividade, bem como para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco. A DRJ houve por bem em não acolher as alegações da recorrente, mantendo a decisão proferida anteriormente, sob o argumento de que os produtos NT não ensejam o direito a crédito, bem como que o reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido e da decisão judicial que os autoriza. Irresignada a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 412/435), reiterando as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade, pleiteando, ao final a procedência do pedido de compensação dos créditos de IPI. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 4 3 Não houve apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este conselho para julgamento. É o relatório. Naquela assentada, o relator afirmou e concluiu: (...) Com efeito, como bem ressaltou a recorrente em suas razões, não cabe mais levantar, na esfera administrativa, se a recorrente tem ou não direito a se utilizar do benefício, pois toda a discussão do direito em questão já foi devidamente discutida no processo judicial, com resultado favorável ao contribuinte transitado em julgado. Ademais, se a decisão judicial concedeu o direito a crédito ao recorrente, como já explanado, não pode a administração negálo sob o argumento de que não se trata de crédito prêmio e sim de NT. Ora, negarse a cumprir a decisão proferida no Mandado de Segurança é desrespeitar a liturgia das nossas cortes judiciais, o que, tenho certeza, não é esse o escopo desse Conselho. Assim sendo, a autoridade administrativa estaria limitada a aferir se o valor do crédito foi ou não apurado de forma correta de recorrente e não discutir se existe o direito ou não ao mencionado benefício, visto que este já foi sotrancado na esfera judicial. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, determinando a remessa dos presente autos à DRJ para que se verifique se os valores apresentados pela recorrente estão corretos ou não. Dessa proposição dissentimos o Conselheiro Fenelon Moscoso (Suplente convocado) e eu, tendo sido ela acompanhada pelos Conselheiros Robson Bayerl (Suplente convocado), Jean Cleuter e Angela Sartori. A diligência não foi cumprida a contento, manifestandose a autoridade dela incumbida por meio de "Informação Fiscal" na qual, após "relatar" o processo conclui nos seguintes termos: (...) Concluindo, conforme o Acórdão nº 1434.802 da 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (ainda em vigor) os valores apresentados não estão corretos, uma vez que o contribuinte não tem direito ao crédito presumido de IPI por exportar produto NT independentemente das entradas serem de pessoas físicas (decisão judicial) ou jurídicas (IN 23/97). No entanto se o CARF decidir pelo provimento do recurso voluntário apresentado pela empresa faremos os cálculos nos termos do novo Acórdão. Sendo o que tínhamos a informar, sugerimos o retorno ao CARF para prosseguimento.” Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Como se vê, a autoridade administrativa a quem foi cometido o cumprimento da diligência determinada por este colegiado, "interpretou" que a ela estivesse sendo requerida alguma "informação fiscal". Não era o caso, pois a Câmara não pediu a opinião da autoridade administrativa sobre o cabimento ou não do direito. Ela determinou nos estritos termos da lei reguladora do processo administrativo que se apurasse o montante a que faria jus a empresa uma vez afastado o óbice erigido pela unidade julgadora de primeiro grau. Ainda que dessa posição eu tenha divergido, é ela que tem de prevalecer desde que o colegiado mantenha o entendimento inicial. Faço essa ressalva, pois, como indiquei no relatório, a composição do colegiado sofreu duas alterações: a saída do relator original motivo pelo qual estou relatando agora o processo após novo sorteio , cuja vaga hoje é ocupada pelo titular Bernardo Leite, e também as nomeações dos Conselheiros Robson Bayerl e Eloy Eros Nogueira para as vagas fazendárias então em aberto e que, naquele julgamento original, foram preenchidas pelo primeiro substituto à época e pelo suplente Fenelon Moscoso. Destarte, por coerência com a posição já manifestada à época e por entender que o Conselheiro não está vinculado, no retorno da diligência, à posição que prevaleceu na primeira assentada mesmo que tenha acompanhado na ocasião a proposta do relator, o que não foi o meu caso, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Destarte, por coerência com a posição já manifestada à época e por entender que o Conselheiro não está vinculado, no retorno da diligência, à posição que prevaleceu na primeira assentada mesmo que tenha acompanhado na ocasião a proposta do relator, o que não foi o meu caso, voto pelo não provimento do recurso voluntário pelas considerações a seguir expendidas. Inicialmente, considero relevantes alguns registros ausentes no relatório elaborado pelo dr. Fernando: a) as declarações de compensação foram apresentadas em 2004; b) o mandado de segurança é de 2002 e seu trânsito em julgado se deu em 2007; c) o pedido de habilitação de crédito é de 2009 (volume 1); d) no despacho decisório do processo relativo à habilitação é feita a ressalva de que o deferimento não implica a aceitação do crédito alegado, que terá de ser auditado (volume 1, fl. 38); e) a alegação de que a SRF deferira outros pedidos sem contestar a classificação fiscal não consta do recurso voluntário, que apenas argumenta que negar o direito fere a coisa julgada, que produtos NT devem dar sim direito ao crédito, aliás assumindo que os aqui discutidos são mesmo NT, que, embora NT, há processo de industrialização e que o correto Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 6 5 teria sido enquadrálos como alíquota zero sendo "mera liberalidade o enquadramento como NT", e o direito à Selic. Esses registros visam a qualificar adequadamente a afirmação, aparentemente acolhida por dr. Fernando, de que a exigência de que os produtos fossem industrializados somente passou a ser feita após a obtenção da decisão judicial favorável. Não estou com isso dizendo que a SRF não houvesse acatado pedidos outros que versassem produtos NT, como afirmado pelo patrono, embora não haja nos autos prova disso. O fato é que essas eventuais decisões não têm efeito vinculante para nós. Como consequência, nada obsta que o colegiado aprecie a possibilidade de ressarcimento, a título do incentivo criado pela Lei 9.363, quando a exportação diz respeito a produtos considerados nãoindustrializados pela legislação do IPI, mesmo que em outros processos do contribuinte a SRF já o tenha deferido em tais circunstâncias. E eu entendo que não há tal possibilidade, ainda que isso tampouco signifique que a expressão NT seja o motivo para a negativa, como procurei explicitar em voto que abordava a exportação de café1 , mas que se aplica ao caso aqui em discussão e por isso peço vênia para reproduzir. Entendo não assisitir razão à recorrente. É que, como ela mesma reconhece, a lei instituidora do benefício exigiu a ocorrência de produção. De fato, o seu art. 1º apenas o confere a quem seja empresa produtora e exportadora. Confirase: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Mas, diferentemente do que ela afirma, a mesma Lei estabelece sim o que seja “produção” para esses efeitos, remetendo o intérprete e aplicador do direito às disposições da “legislação” do IPI. Tratase, como se sabe, do parágrafo único do art. 3º a seguir transcrito: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. 1 Processo 13909.000124/200283, votado em agosto de 2007 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 7 6 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. Como o próprio contribuinte afirma, nas palavras de Ulhôa Conta, não há necessidade de interpretar esse comando: ele é, por si só, cristalino. Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei nº 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu art. 3º ART.3 Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. * Inciso III acrescido pelo DecretoLei n. 1.199, de 27/12/1971. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. * Inciso IV acrescido pela Lei n. 9.493, de 10/09/1997 (DOU de 11/09/1997, em vigor desde a publicação). Mas nesse conceito original, cabia sim interpretar o alcance das expressões “alterar o acabamento ou a apresentação do produto”. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de nº 87.981, em 1982. Seu art. 4º assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 8 7 I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo “produtor” sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por esse motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como “produtor”, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas – ressalvese que de modo exemplificativo – duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. É também por esse motivo que se firmou o entendimento de que não cabe excluir a receita de exportação de produtos NT do total daquela receita que integra o numerador da relação utilizada para apurar a base de cálculo (receita de exportação sobre receita total). Assim, caso deferido o benefício, caberia também a revisão desse critério adotado pela fiscalização. Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o benefício se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 9 8 Nesse sentido, vale transcrever as felizes lições do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles2 , acerca do alcance e vinculação dos decretos regulamentares: Decretos, em sentido próprio e restrito, são atos administrativos da competência exclusiva dos chefes do Executivo, destinados a prover situações gerais ou individuais, abstratamente previstas de modo expresso, explícito ou implícito pela legislação. Comumente, o decreto é normativo e geral, constituindo exceção o decreto individual. Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei, e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o Executivo. O nosso ordenamento administrativo admite duas modalidades de decreto geral (normativo): o independente ou autônomo e o regulamentar ou de execução. Decreto regulamentar ou de execução é o que visa a explicar a lei e facilitar a sua execução, aclarando seus mandamentos e orientando sua aplicação. Tal decreto comumente aprova, em texto à parte, o regulamento a que se refere. Regulamentos são atos administrativos, postos em vigência por decreto, para especificar os mandamentos da lei, ou prover situações ainda não disciplinadas por lei. Desta conceituação ressaltam os caracteres marcantes do regulamento: ato administrativo (e não legislativo): ato explicativo ou supletivo da lei; ato hierarquicamente inferior à lei; ato de eficácia externa. Idêntico posicionamento (salvo quanto à possibilidade dos chamados decretos autônomos) adota outro de nossos mais celebrados administrativistas, o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello3 , para quem o princípio da legalidade ínsito no art. 84, IV da Lei Maior impõe “que mesmo os atos mais conspícuos do Chefe do Poder Executivo, isto é, os decretos, inclusive quando expedem regulamentos, só podem ser produzidos para ensejar execução fiel da lei. Ou seja: pressupõem sempre uma dada lei da qual sejam os fiéis executores”. Definindo, na mesma obra, o que seja essa “fiel execução”, ensina, com a característica clareza (op.cit., p. 330) : “Ditos regulamentos cumprem a imprescindível função de, balizando o comportamento dos múltiplos órgãos e agentes aos quais incumbe fazer observar a lei, de um lado, oferecer segurança jurídica aos administrados sobre o que deve ser considerado proibido ou exigido pela lei (e ipso facto, excluído da livre autonomia da vontade), e, de outro lado, garantir aplicação isonômica da lei,pois, se não existisse esta normação infralegal, alguns servidores públicos, em um dado caso, entenderiam perigosa, insalubre ou insegura dada situação, ao passo que outros, em casos iguais, dispensariam soluções diferentes”. E mais adiante referindose à vinculação dos regulamentos (op. Cit. pp. 331 a 332): 2 MEIRELES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 181 3 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso De Direito Administrativo. 17ª Ed. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 94 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 10 9 “É bem de ver que as disposições regulamentares a que ora se está aludindo presumem, sempre e necessariamente, uma interpretação da lei aplicanda... ....A respeito destes regulamentos cabem importantes acotações. A primeira delas é a de que interpretar a lei todos fazem – tanto a Administração, para imporlhe a obediência, quanto o administrado, para ajustar seu comportamento ao que nela esteja determinado – mas, só o Poder Judiciário realiza, caso a caso, a interpretação reconhecida como a ‘verdadeira’, a ‘certa’ juridicamente. Seguese que, em juízo, poderá, no interesse do administrado, ser fixada interpretação da lei distinta da que resultava de algum regulamento. De outra parte, entretanto, não há duvidar que o regulamento vincula a Administração e firma para o administrado exoneração de responsabilidade ante o Poder Público por comportamentos na conformidade dele efetuados. Isto porque o Regulamento é ato de “autoridade pública”, impositivo para a Administração e, reflexamente, mas de modo certo e inevitável (salvo questionamento judicial), sobre os administrados, que, então, seja por isso, seja pela presunção de legitimidade dos atos administrativos, têm o direito de, confiadamente, agir na conformidade de disposições regulamentares”. Aplicando tais lições ao caso em análise, vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de intrepretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 11 10 casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa ressalva, porém, não afeta a situação sob exame. O produto exportado pela empresa é definido na TIPI como NT exatamente porque os processos a que se possa submeter não foram considerados pelo legislador suficientes para caracterizar uma industrialização. Vale enfatizar que nessa caracterização a existência ou não de maquinário é inteiramente irrelevante. Com efeito, tanto um estabelecimento pode ser definido como industrial mesmo sem dispor de qualquer maquinário, como outro, que o detenha, nem por isso se torna “produtor”. Assim, enquanto o café em grão, não torrado nem descafeinado, constar na TIPI como NT, é produto não industrializado, as operações adotadas em seu “processamento” não consubstanciam industrialização e o seu “processador” não faz jus ao benefício veiculado na Lei nº 9.363/96. Mutatis mutandis, essas considerações se aplicam integralmente ao caso aqui em discussão, visto não haver qualquer dúvida de que os produtos exportados são considerados pela legislação do IPI como nãoindustrializados, como aliás o reconhece o próprio contribuinte em seu recurso. Por isso é que votei pela desnecessidade de diligência, e por negar provimento ao recurso, o que reitero aqui. É como voto. Júlio César Alves Ramos Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 12 11 Com todo respeito à posição externada pelo eminente Conselheiro Relator, dele ouso divergir, também por coerência ao voto proferido na assentada anterior, onde se decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Entretanto, nada obstante a manutenção de entendimento, devo ressaltar que no julgamento anterior a adesão à conversão da diligência se pautou por motivos distintos daquele estampado no voto condutor e que acabou por ser formalizado. Se bem me recordo, a motivação constante da diligência fora a proposta inicial do Relator, que dava provimento ao recurso e determinava o cumprimento da decisão judicial, ao argumento que o deferimento do direito ao crédito presumido relativo à exportação de produtos NT fora objeto da demanda. No entanto, este ponto de vista restou vencido, concluindo o colegiado, por maioria de votos, como relatado, decidido pela diligência para verificação da efetiva existência de exportação de produtos sujeitos à alíquota zero, de maneira que a formalização da Resolução, nos termos em que se encontra, talvez se deva a uma falha de comunicação. Na sequência, tocante à justificativa para tal providência, acentuo que foram apresentados Termos de Verificação Fiscal lavrados pela DRF FortalezaCE, que então jurisdicionava o estabelecimento produtor (IRACEMA INDÚSTRIAS DE CAJU LTDA. – incorporada por KRAFT FOODS BRASIL S/A – anterior denominação de MONDELEZ BRASIL LTDA.), originário dos créditos, lavrado nos PAs 10380.021193/9963 e 10380.021192/9909, onde se registrou a exportação de produtos classificados na posição TIPI 0801.32.00 (Castanha de caju e seus derivados), tributados à alíquota zero. Além disso, o próprio despacho decisório de fls. 329/334, exarado pela DRF Curitiba/PR neste feito, parece reconhecer que parcela das exportações ora questionadas comportaria produtos industrializados, ainda que submetidos à alíquota zero do imposto. Nesta senda, entendo que não há elementos suficientes no presente processo para que se possa afirma categoricamente pela existência ou não do direito vindicado, cumprindo, mais uma vez, em homenagem ao princípio da verdade material, nova conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: 1. Que a diligência ora proposta seja realizada pela unidade de jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento produtor, onde se originaram os créditos ora requeridos; 2. Que seja verificado, no período de apuração objeto deste pedido de ressarcimento (janeiro/1997 a dezembro/2001), quais os produtos exportados pelo estabelecimento produtor, respectivas classificações fiscais na TIPI/TEC e alíquotas então vigentes; 3. Apartar o montante das exportações, no período, de produtos com notação NT (Não Tributados) e tributados com alíquota zero, se existentes; 4. Havendo produtos tributados com alíquota zero, proceder ao levantamento do direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 em relação a eles, considerando as aquisições de pessoas físicas, tal qual decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151, cujas peças foram acostadas ao presente processo; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 13 12 5. Informar se o crédito apurado na forma do item anterior foi, porventura, reconhecido, tratado ou deferido em outro processo administrativo e, em caso positivo, indicar o seu número; 6. Elaborar relatório circunstanciado das verificações realizadas, com as informações reputadas relevantes ao deslinde da presente demanda; 7. Abrir vista ao contribuinte do relatório elaborado e franquearlhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Findo o procedimento, com ou sem sobredita manifestação, devolvamse os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10730.008723/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Carreado nos autos conjunto de provas satisfatório acerca dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços, em harmonia com as informações declaradas em DIRPF, deve ser restabelecida a correspondente dedução de despesas médicas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Presidente em exercício), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson e Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado). Declarou-se impedido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Carreado nos autos conjunto de provas satisfatório acerca dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços, em harmonia com as informações declaradas em DIRPF, deve ser restabelecida a correspondente dedução de despesas médicas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Presidente em exercício), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson e Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado). Declarouse impedido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 87 23 /2 00 9- 11 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJ2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 34.032,51 relativo ao anocalendário 2005. A autuação decorreu da glosa de despesas médicas no valor de R$ 58.000,00 informados como pagos a Ayres Silva Barbosa. Consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas. Em resposta, não apresentou documentação que atendesse à intimação, tais como: cheques nominativos, ordens bancárias, transferências interbancárias e outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas declaradas. Em sede de impugnação, a notificada juntou documentos e pediu o cancelamento da exigência, nos termos descritos no relatório da decisão recorrida: Explica que vem submetendose a complexo tratamento dentário desde 2003, conforme plano de tratamento odontológico que acompanha sua impugnação e que demonstra também todos os custos e pagamentos efetuados desde 2003 até 2006. Elabora planilha indicando os pagamentos efetuados a Ayres Barbosa e diz que vários deles foram realizados por meio de cheques do Banco do Brasil e do Bradesco e outros, em espécie. Quanto aos cheques emitidos, aduz que podem ser confirmados nos seus extratos bancários, os quais junta. Afirma que em 2005 efetuou pagamentos que totalizam R$ 58.550,00, conforme planilha já citada e anotações de próprio punho do profissional. Acrescenta ainda laudo, radiografias e fotografias, que dão suporte ao tratamento descrito. Esclarece que os resultados pretendidos não foram alcançados, anexando laudos e declarações de outros profissionais. Argumenta que na sua ânsia pela busca do melhor tratamento, aceitou os honorários estabelecidos por Ayres Barbosa, deixandose aos seus cuidados. Diz que o valor declarado foi menor do que o efetivamente dispendido, e atribui tal fato a um simples equivoco por parte do profissional, a quem tinha em melhor estima e consideração. O lançamento foi mantido pela instância de primeiro grau, que consubstanciou seu entendimento no acórdão assim ementado (fls. 93/97): DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação, por documentos hábeis, do efetivo pagamento, é de se manter a glosa das despesas médicas declaradas. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 11/11/2011, reiterando, em linhas gerais, as razões e o pedido da impugnação. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10730.008723/200911 Acórdão n.º 2802003.371 S2TE02 Fl. 146 3 É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 A contribuinte declarou gastos com o dentista Ayres Barbosa no valor de R$ 58.000,00, o que corresponde à cerca de 37% de seus rendimentos anuais. Conforme mencionado pela decisão atacada, o mesmo ocorreu para os anoscalendário 2003, 2004 e 2006, sempre com o referido profissional e em valores similares (R$ 50.540,00, R$ 58.000,00 e R$ 55.0000,00, respectivamente). Nesse contexto, justificável a demanda da fiscalização por comprovação da efetividade dos pagamentos realizados, mediante a documentação requisitada cheques nominativos, ordens bancárias, transferências interbancárias, etc., forte nos §§ 3º e 4º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 (respectivamente, §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). Convém atentar, todavia, ser necessário que essas normas sejam lidas e interpretadas em conjunto com o art. 79, § 1º (art. 845, § 1º do RIR/99) desse mesmo diploma, o qual estabelece: Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: (...) § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. (...) No caso concreto, temse que a recorrente juntou declaração e recibo emitido pelo profissional (fls. 4/5), complementando posteriormente sua defesa com documento intitulado plano de tratamento odontológico (fls. 42/47), extratos bancários (fls. 48/73), radiografias (fls. 74/77) e declaração do profissional Luciano da Silva Dias (fls. 78/81). Ora, diversamente do que entendeu a DRJ/RJ2, considero que os documentos em tela são hábeis a amparar a pretensão da notificada. Cabe sopesar que se trata de pessoa física de idade avançada (nascida em 11/2/1925), sendo compreensível que os gastos com a restauração da arcada dentária (fls. 82/88) e tratamentos correlatos, tais como os referidos às fls. 42/47 e 74/81, alcancem cifras bastante elevadas e tenham longa duração, estendendose por diversos anos. Destaquese que Ayres Barboza confirmou a prestação dos serviços e a percepção dos pagamentos em foco, frisando que esses recebimentos foram regularmente considerados em sua Declaração do Imposto de Renda no exercício de 2006, informação essa não contestada pela fiscalização, tampouco abordada pelo acórdão vergastado. E, ainda que se reconheça não terem sido trazidos cheques nominais emitidos em favor do indigitado profissional, também deve ser considerado que há razoável correspondência entre os cheques apontados nos extratos e os abatimentos registrados no prontuário de fls. 43/47, o que foi admitido pela instância a quo. Ademais, a contribuinte juntou ao recurso voluntário decisão da DRJ/RJ2 no processo nº 13731.000258/200869, no qual foram examinadas despesas deduzidas com o mesmo profissional no anocalendário 2003, as quais naquela oportunidade foram consideradas idôneas e restabelecidas como dedutíveis. Examinandose os termos dessa decisão, vêse que se trata, na essência, da mesma situação ora analisada, o que revela haver significativa divergência quanto à valoração dos fatos no âmbito daquela Turma julgadora (fls. 131/137). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10730.008723/200911 Acórdão n.º 2802003.371 S2TE02 Fl. 147 5 Em suma, o conjunto dos elementos probatórios carreados nos autos suportam as despesas médicas no montante de R$ 58 mil informadas pela contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006 (fls. 21/24), motivo pelo qual deve ser restabelecida a correspondente dedução. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10830.002114/2004-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO NO LANÇAMENTO.
Argüição genérica de nulidade por falta de motivação não prospera perante lançamento efetuado por autoridade competente, amparado nas devidas razões de fato e de direto.
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Carece competência ao Colegiado para apreciar alegação de nulidade da quebra de sigilo, quando assentada em suposta inconstitucionalidade de lei.
ART. 62-A DO RICARF. FALTA DE APLICAÇÃO NA AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF FORMADA SOB O RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Inaplicável o art. 62-A do RICARF quando ausente decisão do STF submetida ao rito de repercussão geral regrado pelo art. 543-B do CPC.
UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA FINS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEI 10.174/01. SÚMULA CARF Nº 35.
A teor da Súmula CARF Nº 35, o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. DOCUMENTAÇÃO QUE ATESTA A ORIGEM DE PARTE DOS DEPÓSITOS.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Apresentada documentação que atesta satisfatoriamente a origem de parte dos créditos, devem ser estes excluídos do montante dos rendimentos omitidos.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2802-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as nulidades suscitadas e, no mérito, de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo do tributo lançado de ofício, relativo ao ano-calendário 2001, o valor de R$ 3.661,18 (três mil, seiscentos e sessenta e um reais e dezoito centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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FALTA DE MOTIVAÇÃO NO LANÇAMENTO. Argüição genérica de nulidade por falta de motivação não prospera perante lançamento efetuado por autoridade competente, amparado nas devidas razões de fato e de direto. NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Carece competência ao Colegiado para apreciar alegação de nulidade da quebra de sigilo, quando assentada em suposta inconstitucionalidade de lei. ART. 62A DO RICARF. FALTA DE APLICAÇÃO NA AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF FORMADA SOB O RITO DO ART. 543B DO CPC. Inaplicável o art. 62A do RICARF quando ausente decisão do STF submetida ao rito de repercussão geral regrado pelo art. 543B do CPC. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA FINS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEI 10.174/01. SÚMULA CARF Nº 35. A teor da Súmula CARF Nº 35, o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. DOCUMENTAÇÃO QUE ATESTA A ORIGEM DE PARTE DOS DEPÓSITOS. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 21 14 /2 00 4- 15 Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Apresentada documentação que atesta satisfatoriamente a origem de parte dos créditos, devem ser estes excluídos do montante dos rendimentos omitidos. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as nulidades suscitadas e, no mérito, de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo do tributo lançado de ofício, relativo ao anocalendário 2001, o valor de R$ 3.661,18 (três mil, seiscentos e sessenta e um reais e dezoito centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 168.794,44 relativo aos anoscalendário 1999, 2000 e 2001. O lançamento deuse em virtude da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, constando o lançamento nas fls. 312/325 destes autos. Inconformado, o autuado aduziu em sua defesa que (fls. 133/181): o acesso ao sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001, fere os direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados; a retroatividade da aplicação da Lei nº 10.174/2001 fere o princípio constitucional da segurança jurídica; os valores lançados pela fiscalização têm origem comprovada e não ensejam a tributação pelo IRPF, restando imotivados o lançamento e respectiva multa; não ser possível a utilização da Taxa Selic. Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.002114/200415 Acórdão n.º 2802003.288 S2TE02 Fl. 2.306 3 A instância de primeiro grau deu provimento parcial à impugnação, excluindo dois depósitos decorrentes de reembolsos de despesas efetuadas em nome da empresa da qual o recorrente era sócio, todos os depósitos vinculados a empréstimos efetuados pelo seu pai, Plínio José Porto, e transferência entre contas de sua titularidade não levada em conta pela fiscalização, datada de 26/2/99. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/11/2011, alegando, em síntese: ser nulo o auto de infração, pois a quebra do sigilo bancário com base na Lei Complementar nº 105/2001 é inconstitucional, citando decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o tema; pede, também, a aplicação dos arts. 62 e 62A do RICARF ao caso, com a suspensão do processo, pelo menos; que a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 fere os princípios da segurança jurídica, de irretroatividade da lei tributária e da anterioridade; que as doações e empréstimos em seu favor efetuados por seus familiares (sogro, cunhados e irmãos) foram motivadas pelas dificuldades financeiras em que se encontrava; que identificou os depósitos relacionados a essas operações, não sendo razoável demandar que nos comprovantes conste o nome do depositante, por se tratarem de familiares os envolvidos; que os valores são baixos, não geraram acréscimo patrimonial, não podendo lhe ser exigida escrituração contábil; que a documentação que apresentou relativa a reembolsos de despesas de viagens e de gastos diversos por ele efetuados em nome da empresa ABM Comércio Internacional Ltda. foi ignorada pela DRJ/SP2, trazendo exemplos que entende evidenciam que as conclusões dessa Delegacia estão equivocadas, e que tais reembolsos não se constituem riqueza nova; que não houve menção pela fiscalização do acréscimo patrimonial que teria lhe beneficiado em função dos reembolsos, doações e empréstimos aludidos, não havendo então que se falar em tributação pelo IR; que a autuação é nula por inexistirem situações concretas que a justifiquem, pois não houve motivação para o auto dado inexistir omissão de rendimentos. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da nulidade por falta de motivação. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O auto de infração está devidamente formalizado, estando claramente discriminadas as razões de fato e de direito que o fundamentaram, conforme se depreende da sua leitura, às fls. 313/318. O ato administrativo em questão não carece de motivação, portanto, devendo ser ressaltado que não se vislumbra, na espécie, qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Quanto à alegação de inexistência de omissão de rendimentos, essa se confunde com o próprio mérito do lançamento, e como tal será oportunamente analisada. Da quebra de sigilo. O recorrente pugna pela anulação do lançamento, para possibilitar o "alinhamento" com o que considera ser o entendimento do STF, que julgou inconstitucional a quebra do sigilo bancário. Cabe afastar, de plano, os argumentos atinentes à suposta inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário nos termos do art .6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, por atraírem a incidência do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Há que se observar que as disposições do inciso I do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do art. 62 do RICARF demandam, para que possa ser afastada a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, que esta tenha sido reconhecida por decisão plenária definitiva do STF. Nesse sentido, somente os precedentes formados em controle de constitucionalidade concentrado, ou cujo julgamento tenha sido realizado em observância do rito do art. 543B do Código de Processo Civil têm o condão de serem qualificados como decisão plenária definitiva do STF. Não por outro motivo o art. 62A do RICARF prevê que decisões formadas sob o citado rito são de observância obrigatória para os membros do CARF. Os julgados transcritos na peça recursal, salientese, não possuem as mencionadas características, sendo inaptos a amparar as pretensões do contribuinte, portanto. Esclareçase, por fim, que a aludida "suspensão do processo" prevista no RICARF sobrestamento do processo, na realidade foi revogada pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545, de 18 de novembro de 2013. Da aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001. O contribuinte contesta a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que teria acarretado a violação de uma série de princípios, devendo ser então o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até o dia 8/1/2001 cancelados. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.002114/200415 Acórdão n.º 2802003.288 S2TE02 Fl. 2.307 5 A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 35, foi aprovada pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em sessão de 8/12/2009, e de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos do caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22/6/2009). Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Vale consignar que com a publicação em 14/7/2010 no D.O.U da Portaria MF nº 383, de 12/7/2010, foi atribuído a essa Súmula efeito vinculante em relação à toda administração tributária federal. Por esse viés, assim, inexiste mácula no lançamento contestado. Das doações e empréstimos efetuados por seus familiares. Diz o recorrente que se deparou com dificuldades financeiras em virtude do insucesso dos negócios de sua empresa, a ABM Comércio Internacional Ltda., CNPJ nº 62.390.588/000194, o que o levou a buscar empréstimos e doações junto a familiares. Afirma que recebeu valores mensais em dinheiro de seu sogro para despesas de colégio e afins de sua filha; do cunhado Arnaldo Moreira, recebia valores mensais pois o referido cohabitava na mesma residência; do cunhado Eduardo Moreira recebia reembolso de despesas no interesse do referido; e dos irmãos recebia doações, empréstimos e reembolso de despesas. Para fins de demonstrar o alegado, traz planilha que reputa identificar a origem dos depósitos associados a esses parentes (fl. 2.283/2.285), asseverando que a DRJ desconsiderou a documentação acostada na impugnação sob a alegação de que "não há como se identificar o depositante", o que entende não se revelar razoável por se tratarem de familiares os envolvidos. Acrescenta que os valores são baixos, não geraram acréscimo patrimonial, não podendo lhe ser exigida escrituração contábil. Ora, a simples associação de depósitos bancários ao nome de determinadas pessoas físicas, sejam familiares ou não do contribuinte, não se consubstancia sequer em início de prova de que tais créditos tenham sido por aquelas efetuados, muito menos de que tenham sofrido a devida tributação em sua origem, caso efetivamente vinculados a empréstimos e doações. Cópias de recibos de depósitos, tais como os constantes nas fls. 819 e 824, também nada esclarecem sobre os responsáveis pelos créditos, e qual a motivação para a sua realização. E, a despeito de se tratar o contribuinte de pessoa física, e de não estar obrigado a contabilizar suas mutações patrimoniais, tinha ele todas as condições de efetuar o devido registro e controle dos aventados empréstimos e doações, na medida em que as Declarações do Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) possuem campos apropriados a serem preenchidos para fins de consignar tais operações, para fins do disposto no art. 6º, XVI da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Além disso, poderia, por dever de cautela e para documentar esses cogitados empréstimos e doações, ter demandado que eles fossem realizados por intermédio de transferências bancárias com identificação do depositante, ou mediante cheques nominais, ou ainda, ter avençado contrato formalizando essas operações. Com efeito, foram aceitas pela instância a quo as justificativas pertinentes aos empréstimos advindos do pai do recorrente, por restarem devidamente atestadas pelos cheques nominais apresentados e pela DIRPF do seu genitor. Quanto à adução de que os valores em comento são baixos, não gerando acréscimo patrimonial, cabe lembrar que a autuação teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão. Destarte, intimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. Nessa toada, vale esclarecer que o acréscimo patrimonial se verifica quando da percepção dos rendimentos omitidos pelo contribuinte, sendo desnecessário, no caso em tela, menção específica no lançamento acerca do acréscimo patrimonial que teria beneficiado aquele em função dos reembolsos, doações e empréstimos aludidos, por ser esse acréscimo decorrente da percepção daqueles rendimentos, na forma da legislação em vigor. Dos reembolsos de despesas e gastos. O contribuinte associou uma série de depósitos bancários a reembolsos/adiantamentos de despesas de despesas de viagens e gastos realizados em nome da empresa ABM Comércio Internacional Ltda, da qual é sócio, que não foram aceitas pelo acórdão contestado conforme motivos consignados em planilha para cada um dos depósitos (fls. 2.287/2.289). Irresignado, o contribuinte defende que a contabilidade e os documentos apresentados na impugnação corroboram os lançamentos/justificativas, trazendo três exemplos com o fito de ilustrar tal assertiva. Não obstante, compulsando os autos e cotejando as motivações trazidas pela DRJ/SP2 com os documentos colacionados, para cada um dos mais de 60 (sessenta) créditos bancários em questão, pôde ser constatado não haver reparos a realizar na decisão guerreada, à exceção de dois dentre os três exemplos ilustrativos carreados pelo contribuinte. Com relação aos outros créditos, deve ser enfatizado que as razões colocadas pela decisão a quo correspondem satisfatoriamente à análise da natureza da documentação apresentada, sendo desprovida de qualquer substância a afirmativa de que a DRJ não a analisou, "descartandoa de pronto". Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.002114/200415 Acórdão n.º 2802003.288 S2TE02 Fl. 2.308 7 De fato, a conclusão a que se chega do exame das motivações da DRJ/SP2, e dos depósitos e documentos a elas pertinentes, é que o recorrente escolheu, para ilustrar seus argumentos, justamente os três únicos casos em que havia possibilidade razoável de reverter em seu favor as considerações firmadas na decisão de primeiro grau. Passo, por conseguinte, à análise dos três créditos bancários para os quais foram traçadas razões específicas em sede de recurso voluntário: a) Crédito de R$ 5.779,65, datado de 28/3/2001, com o histórico "TBL 1652.073006 VIAGPP", para o qual a glosa foi mantida pelo motivo "6 documentos não corroboram lançamento contábil e/ou relatório de despesas". Segundo o contribuinte, os documentos correspondentes a esse depósito constam na linha 120 de sua impugnação (fls. 2147/2159 do processo digital). Prossegue, dizendo que foram acostados: "'Relatório de Despesas de Viagem', cópia do Livro Diário, Faturas concernentes aos gastos com hospedagem, passagem aérea, etc, que correspondem, exatamente, a R$ 5.779,65. No livro Diário da empresa da qual o contribuinte é sócio, consta lançamento nesse valor no dia 31/3/2001, com o histórico "Despesas de Viagens e Estadias". No entanto, os documentos trazidos para amparar tais despesas estão em quase sua totalidade consignando valores em moeda corrente da Indonésia, não havendo planilhas ou documentos hábeis a permitir a conversão desses valores em moeda brasileira, cujo ônus de apresentação era do autuado, motivo pelo qual não merece reparos a decisão vergastada, nesse ponto. b) Crédito de R$ 2.145,15, datado de 3/5/2001, com o histórico "TBL 1652.073006 AL CARR", para o qual a glosa foi mantida pelo motivo "6 documentos não corroboram lançamento contábil e/ou relatório de despesas". Conforme o contribuinte, os documentos correspondentes a esse depósito constam na linha 132 de sua impugnação: "Nota Fiscal de Serviços emitido pela Localiza no valor de R$ 2.145,12". No livro Diário da empresa da qual o contribuinte é sócio, consta lançamento nesse valor no dia 31/5/2001, com o histórico "Despesas de Viagens e Estadias" (fl. 2173). E efetivamente, há documento daquela locadora de veículos colacionado à fl. 2187 que corrobora a despesa em comento, a qual deve ser, portanto, aceita como comprovada. c) Crédito de R$ 1.516,03, datado de 3/10/2001, com o histórico "TBL 1652.073006 RD PP", para o qual a glosa foi mantida pelo motivo "6 documentos não corroboram lançamento contábil e/ou relatório de despesas". De acordo com o autuado, os documentos correspondentes a esse depósito constam na linha 160 de sua impugnação: "'Relatório de Despesas', Notas Fiscais de despesas com alimentação, Fatura emitida por hotel, Recibo de reembolso com combustível, os quais totalizam R$ 1.516,03". No livro Diário da multicitada empresa, consta lançamento nesse valor em data não discernível, com o histórico "Despesas Diversas" (fl. 2.209). O somatório das Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 despesas às fls. 2.210/2.214 atesta a realização desses dispêndios, devendo, então, ser considerada como comprovada a origem do depósito em questão. Desse modo, temse que um total de R$ 3.661,18 (R$ 2.145,15 + R$ 1.516,03) devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento referente ao anocalendário 2001. Ao final, deve ser feita a alusão ao fato de que o contribuinte, em sede de sustentação oral realizada pelo seu patrono na sessão de julgamento, modificou as razões originalmente trazidas em sede recursal, dissociando os depósitos do reembolso de despesas da multicitada empresa e procurando associálos à distribuição de resultados. Postulou, para complementação e embasamento de tal argumentação, a juntada posterior de documentos nos autos, em momento não especificado, o que foi rejeitado pela Turma frente ao disposto no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vejase que o recorrente não levantou nenhum motivo para não ter trazido os aventados documentos até o momento, e eventual dilação de prazo para tanto contraria não só o disposto no referido preceito legal, como também os princípios constitucionais da eficiência e da duração razoável do processo. Ademais, os registros contábeis apresentados, por si sós, não consubstanciam prova suficiente das operações a que se referem, as quais demandam documentação hábil, preferencialmente proveniente de terceiros, para firmar a convicção sobre a existência dessas operações, forte no parágrafo único do art. 195 do CTN, e tendo em vista as normas brasileiras de contabilidade. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as nulidades suscitadas, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo do tributo lançado de ofício, relativo ao anocalendário 2001, o valor de R$ 3.661,18 (três mil, seiscentos e sessenta e um reais e dezoito centavos). (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000003/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/07/2005
IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido.
Numero da decisão: 2301-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 03 /2 00 7- 11 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Relatório Tratase de crédito, DEBCAD 37.009.0284, lançado pela fiscalização previdenciária contra o sujeito passivo referente às contribuições destinadas à Seguridade Social e não recolhidas, correspondentes à parte da empresa, a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos terceiros, relativas ao período de 03/1999 a 06/2003 (descontínuo), além de diferenças de acréscimos legais (competências 05/1999 e 07/2005) e glosa de dedução (competência 03/1999), conforme relatório fiscal de fls. 2932. Os valores devidos foram apurados através do confronto entre as Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e os Resumos das folhas de pagamento e as Guias de Previdência SocialGPS O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em apertada síntese que desde 2003 é optante do Simples, conforme autorização concedida judicialmente nos autos do processo nº 99.00094069, ajuizado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre. A DRJ julgou intempestiva a impugnação, mantendo o Auto de Infração tal como lançado. Inconformado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando os argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso não reúne uma das condições de admissibilidade, e, portanto, dele não conheço. Isto porque, conforme se extrai dos autos não se instaurou a fase litigiosa processual em virtude da intempestividade da sua impugnação, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72. Como bem observado pela decisão recorrida o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 28/12/2006 e não em 29/12/2006. À época vigia o prazo de 15 dias para o protocolo da impugnação, nos termos do artigo 37 da Lei 8.212/91. Porém a impugnação foi protocolada apenas em 16/01/2007, fora, portanto, do prazo legal. Assim, não merece conhecimento o recurso voluntário, conforme reiteradamente vem reconhecendo esse CARF: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 NOTIFICAÇÃO PARA Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000003/200711 Acórdão n.º 2301004.243 S2C3T1 Fl. 252 3 RECOLHIMENTO DE DÉBITO NRD. FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. DEFESA ORIGINÁRIA INTEMPESTIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o § 1º do art. 14 do Decreto nº 3.142, de 1999 c/c o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido.(Acórdão nº 2803003.759, Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima) Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/08/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido (Acórdão 2803003.715, Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Junior) Diante dessas considerações, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 11080.732418/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2201-002.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMANALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Redator desginado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMANALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah - Redator desginado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMANALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 18 /2 01 1- 14 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Redator desginado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, de fls. 07/11, na qual se exige o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de mora e juros de mora no valor total de R$ 14.527,03, decorrente as glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 10.606,78. Apreciada a impugnação de fls. 02/03, o lançamento foi mantido em parte reduzindo o imposto suplementar a pagar para R$ 2.159,35, sob o seguinte fundamento: A fiscalização informa às fls. 09 que procedeu a glosa do imposto de renda retido na fonte informado pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual pelo fato do mesmo não ter apresentado cópia do processo judicial com valores individualizados percebidos e da retenção do imposto de renda. Na Declaração de Ajuste Anual (cópia às fls. 65/82) o contribuinte informou rendimento recebido do Hospital Nossa Senhora da Conceição, por decorrência de ação judicial – processo 00515.2001.026.04.00, no valor de R$ 68.369,87, com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 20.962,10. O Hospital N. S. Conceição informou através da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF retificadora entregue em 22/04/2010 rendimento no valor de R$ 37.651,93 com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 10.355,32. Em razão da diferença constatada, no valor de R$ 10.606,78, agiu corretamente a fiscalização ao glosar o imposto retido na fonte declarado a maior. Em vista disso, a glosa deve ser mantida. Entretanto, com fundamento na verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal, também deve ser retificado o rendimento informado. Sendo válida a informação contida na DIRF em relação ao imposto retido, o mesmo peso da informação deve ser dado em relação ao rendimento. O contribuinte declarou R$ 68.369,87 e a fonte pagadora informou R$ 37.651,93. Assim sendo, deve ser promovida a correção do demonstrativo de apuração do imposto devido com a exclusão do valor declarado a maior equivalente a R$ 30.717,94. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Acórdão n.º 2201002.592 S2C2T1 Fl. 120 3 Nas razões recursais (fls. 94/95), apresentou a juntada da cópia do processo judicial com a individualização dos valores recebidos em decorrência de ação trabalhista e a retenção do imposto de renda. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Ainda que o cerne do litígio não verse exatamente sobre a incidência do IRPF sobre rendimentos acumulados recebidos em virtude de ação judicial, a solução da presente lide fiscal e a exatidão do crédito tributário a ser exigido deve se dar à luz do recurso especial representativo de controvérsia n. 1.118.429∕SP. Ainda que a pretensão resistida do recorrente se restrinja aos valores recebidos da fonte pagadora e do valor da retenção realizada, no entendimento da fiscalização, respectivamente recebidos e retidos em valores menores do que aqueles declarados, o regime de tributação dos rendimentos deve ser necessariamente analisada. Ainda que não haja impugnação expressa quanto à adoção do regime de caixa e os argumentos de defesa girem em torno da natureza dos rendimentos isentos e não tributáveis no entendimento do recorrente entendo que o julgador tributário não se encontra adstrito às razões do recorrente, mormente quando há previsão regimental de aplicação do decido pelo STJ em sede de repetitivo. Tal conclusão deriva do princípio do livre convencimento motivado e da verdade material, que permite ao julgador se utilizar de fundamento jurídico diverso dos apontados pelas partes para solução da lide, cujo fundamento legal se encontra no artigo 29 do Decreto n. 70.235/72: Nesse sentido, TRF da 4 Região: O julgador pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente motivada. A doutrina atribui essa idéia ao Princípio do Livre Convencimento Motivado que está consagrado no art. 131 do CPC: "o juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento". (TRF4 501782449.2011.404.0000, Terceira Seção, Relator p/ Acórdão Rogerio Favreto, D.E. 31/10/2012) (sem grifos no original) É de se ver que por ocasião do recebimento dos valores decorrentes da ação trabalhista ajuizada, a tributação desses valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (Resp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES.(...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Acórdão n.º 2201002.592 S2C2T1 Fl. 121 5 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus).. Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4 Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência, ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo se presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Ademais, além de se tratar de novo lançamento, ato de competência privativa da autoridade lançadora, nos termos do artigo 142 do CTN, a aplicação das alíquotas vigentes à época, sem oportunizar ao contribuinte a retificação das informações prestadas por ocasião da entrega da DIRPF referentes aos respectivos anoscalendários, poderia gerar pagamento de imposto a maior, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e não incluídos por opção do contribuinte à época. Ademais, o vício contido no lançamento não pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota, sanável em sede contenciosa administrativa. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal diversa daquela reconhecida como correta pelo STJ, ficou reconhecido que a autoridade fiscal se utilizou de critério jurídico equivocado, o que afetou substancialmente a constituição do crédito tributário. A adoção do regime de caixa em detrimento do regime de competência prejudicou a correta quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e por consequência, o valor do tributo devido, caracterizandose em insanável vício material. O próprio Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas expostas pela RFB, indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ, reconheceu a necessidade de oportunizar aos contribuintes a retificação das informações prestadas, como único meio de se chegar ao valor tributável correto do IRPF: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 6 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que determinar a aplicação das alíquotas vigentes à época, representaria novo lançamento com outro critério jurídico, o que é expressamente vedado pelo artigo 146 do CTN. Ademais, não compete a este órgão de julgamento, ainda mais em adiantada fase recursal, refazer o lançamento com critérios jurídicos distintos daqueles utilizados à época, mas tão somente exercer o controle de legalidade em sede contenciosa, caracterizado pelas suas limitações quanto à alteração de alguns aspectos da hipótese de incidência, base de cálculo e alíquotas. Nesse sentido, alguns precedentes deste E. Sodalício: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Acórdão n.º 2201002.592 S2C2T1 Fl. 122 7 Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004) (grifos meus) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013) (grifos meus). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013) (grifos meus). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos meus) Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 8 Dado o reconhecimento da invalidade do lançamento, prejudicadas as alegações sobre os valores retidos pela fonte pagadora. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Diferentemente do que defende o Relator, penso que no caso dos autos não ocorreu qualquer vício material de origem, já que a autoridade fiscal utilizou, para a constituição da exigência, a norma legalmente vigente na data do fato gerador, ou seja, o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (regime de caixa). Contudo, em razão de fato superveniente, qual seja, o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. REsp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Portanto, não há que se falar em refazimento do lançamento por inobservância do regime de competência, mas o dever de ofício de aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Acórdão n.º 2201002.592 S2C2T1 Fl. 123 9 Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 170DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001462/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005, 01/01/2008 a 31/10/2008
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 62 /2 00 9- 28 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/1991, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), a empresa deixou de apresentar à fiscalização o Livro Diário relativo ao período de janeiro a outubro de 2008 e de ter apresentado, no que referese ao exercício de 2005, o Livro Diário n° 2 e o Razão n° 2 sem lançamentos de valores de rescisões de contrato de trabalho, cujos termos encontramse juntados aos autos, fls. 08/15. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/07/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 20/27), alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, alega nulidade do lançamento sob o fundamento de que a fiscalização compreendeu período distinto daquele conStante do Termo de Inicio de Ação Fiscal (TIAF) n° 0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. Aduz que o citado Termo informa o período de 03/2006 a 08/2008 e a fiscalização ocorreu em relação aos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008, sem que qualquer comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita; 2. No mérito salienta que é optante pelo regime de tributação Lucro Presumido e que submetese à legislação especifica para a matéria. Fundamenta sua alegação no parágrafo 16° do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, e no art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), transcritos na peça impugnatória. Reportase ao artigo 47, inciso II, parágrafo 6°, do Decreto 612/92 para argumentar que os lançamentos escriturados no Livro Diário serão exigidos pela fiscalização após seis meses contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições. Assim, entende que o Livro Diário relativo ao ano de 2008, sequer poderia ser exigido em fevereiro de 2009, como ocorreu, pois a obrigação se efetivaria após 30/06/2009. Conclui que em nenhum momento prejudicou o trabalho da fiscalização, negando informações ou deixando de apresentar documentos que lhe foram exigidos; 3. Aduz, no tocante à apresentação de Livro Diário do ano de 2005 com informações diversas da realidade, que a autuação recaiu sobre Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001462/200928 Acórdão n.º 2402004.564 S2C4T2 Fl. 3 3 período anterior a 03/2006, não previsto no MPF/TIAF emitido em 19/09/2008, o que enseja a nulidade deste auto de infração; 4. Requer a nulidade do presente auto de infração. Caso não seja este o entendimento dos julgadores, que lhe seja concedida a relevação da multa aplicada, nos termos do artigo 291 do RPS ou, em último caso, seja a multa aplicada em seu valor mínimo em face da inocorrência de circunstâncias agravantes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0231.392 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 60/64) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 28/04/2011, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 0231.392 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 60/64) – em 25/03/2011 (sexta feira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 28/04/2011, quintafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001462/200928 Acórdão n.º 2402004.564 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720033/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. É inepto o recurso voluntário em que o contribuinte deixa de apresentar impugnação específica aos fundamentos da decisão que pretende ver reformada. Ao recorrente incumbe impugnar os pontos da decisão hostilizada, sob pena de não devolver à instância recursal o conhecimento da matéria em discussão na causa.
No caso, o “Aditivo à Impugnação”, protocolizado tempestivamente pela Contribuinte e supervenientemente por ela denominado de recurso voluntário, sequer faz menção ao acórdão recorrido, quanto menos traz impugnação aos fundamentos por este (acórdão) utilizados para manter os lançamentos. O denominado “aditivo ao recurso voluntário”, este sim efetivo recurso voluntário interposto contra o acórdão recorrido, não pode ser conhecido por quanto apresentado fora do prazo recursal estabelecido na legislação de regência.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 1102-001.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. É inepto o recurso voluntário em que o contribuinte deixa de apresentar impugnação específica aos fundamentos da decisão que pretende ver reformada. Ao recorrente incumbe impugnar os pontos da decisão hostilizada, sob pena de não devolver à instância recursal o conhecimento da matéria em discussão na causa. No caso, o “Aditivo à Impugnação”, protocolizado tempestivamente pela Contribuinte e supervenientemente por ela denominado de recurso voluntário, sequer faz menção ao acórdão recorrido, quanto menos traz impugnação aos fundamentos por este (acórdão) utilizados para manter os lançamentos. O denominado “aditivo ao recurso voluntário”, este sim efetivo recurso voluntário interposto contra o acórdão recorrido, não pode ser conhecido por quanto apresentado fora do prazo recursal estabelecido na legislação de regência. Recurso voluntário não conhecido.
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Recorrida DRJ Campinas - SP Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. É inepto o recurso voluntário em que o contribuinte deixa de apresentar impugnação específica aos fundamentos da decisão que pretende ver reformada. Ao recorrente incumbe impugnar os pontos da decisão hostilizada, sob pena de não devolver à instância recursal o conhecimento da matéria em discussão na causa. No caso, o “Aditivo à Impugnação”, protocolizado tempestivamente pela Contribuinte e supervenientemente por ela denominado de recurso voluntário, sequer faz menção ao acórdão recorrido, quanto menos traz impugnação aos fundamentos por este (acórdão) utilizados para manter os lançamentos. O denominado “aditivo ao recurso voluntário”, este sim efetivo recurso voluntário interposto contra o acórdão recorrido, não pode ser conhecido por quanto apresentado fora do prazo recursal estabelecido na legislação de regência. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. Fl. 9823DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAUJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas (SP), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A instauração do litígio, mediante protocolização da impugnação, é o momento oportuno para apresentação da documentação comprobatória, competindo à Impugnante comprovar as alegações trazidas aos autos visando afastar a exigência fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS ESCRITURADAS EM LIVRO DE REGISTRO DE SAÍDA E NÃO DECLARADAS. Tendo a Fiscalização verificado que a contribuinte consignou em Livro de Registro de Saídas valores não informados em declaração apresentada antes do início do procedimento fiscal e não oferecidos à tributação, mantém-se o lançamento dos valores apurados e não recolhidos, sobretudo se, na quantificação da exigência, já admitidos pela Fiscalização todos os dispêndios contabilizados. CUSTOS E DESPESAS. Os custos e despesas só podem ser cotejados com as receitas dentro de um regime regular de apuração do resultado, mediante escrituração feita pela contribuinte com observância da legislação comercial e fiscal. Ainda que superada fosse a necessária contabilização dos custos, detectada omissão de receitas em razão de omissão de vendas, para pleitear a consideração dos custos respectivos cabe ao contribuinte, como artífice único do ilícito, construir a prova em seu favor, devendo trazer aos autos não apenas a prova da existência dos custos não contabilizados, mas principalmente a Fl. 9824DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16095.720033/2012-40 Acórdão n.º 1102-001.204 S1-C1T2 Fl. 2 3 movimentação financeira que lhe é inerente (Acórdão 10194295). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo dos Autos de Infração relativos a Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 983/986) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 989/992), lavrados em 24/02/2012 e cientificados em 01/03/2012, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 11.732.133,38 ( = R$ 8.613.258,01 + 3.118.875,37, fls. 993), correspondente ao valor principal, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/01/2012. Os lançamentos referem-se ao ano-calendário de 2008 e, conforme descrito no Auto de IRPJ, decorrem da constatação de omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de valores contabilizados, porém não oferecidos à tributação. As circunstâncias que ensejaram a autuação foram contextualizadas no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (fls. 973/977), em que a Fiscalização esclarece, de início, que a empresa fora selecionada para verificação de divergências constatadas entre os valores de Receita informados na ... DIPJ/2009 e os valores informados por clientes em DIPJ, no mesmo período. Descreve, então, a ação fiscal, expondo: A empresa recebeu o Termo de Início de Procedimento Fiscal, Controle EFI 04 nº 58/2001, em 04.04.2011 e, em atendimento, apresentou, em papel, os Livros: Diário, Razão, Ocorrências, Registro de Entradas e Registro de Saídas. Na seqüência dos trabalhos de fiscalização, novas intimações foram encaminhadas ao contribuinte, o qual apresentou, entre outros, os Livros Registro de Saídas da matriz e da Filial 04, Balancetes mensais, Balanço e DRE, em arquivos digitais, bem como os Livros de Registro de Saídas das filiais 03 e 05, em papel. Posteriormente, informou que havia procedido a retificação da DIPJ, embora estivesse sob procedimento de fiscalização, alegando adequação de valores não informados na DIPJ original, ocasião em que apresentou uma cópia da DIPJ retificada. Fl. 9825DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 Cabe registro que a retificação da DIPJ foi efetuada em 01.07.2011, portanto, após o início do procedimento de fiscalização, ocorrido em 04.04.2011, contrariando o disposto no art. 7º, § 1º do Decreto 70235/72, abaixo transcrito, razão pela qual dela não tomamos conhecimento na condição de DIPJ Retificadora, não obstante, da análise dos valores nela informados, resta demonstrada a expressa concordância do contribuinte quanto às divergências constatadas por esta fiscalização, haja vista que na DIPJ original os campos relativos às receitas estavam zerados. Art. 7º ... Cumpre esclarecer que, em 16.09.2011, a empresa apresentou a esta fiscalização, cópia do DACON ano-calendário 2.008, informando tratar-se de retificação do DACON, em função de adequação de valores não informados no DACON original. Contudo, a empresa não transmitiu oficialmente o mencionado Demonstrativo, conforme comprovam as pesquisas extraídas de nosso Sistema de controle. Ocorre que no DACON original, bem como na DIPJ original, os valores das receitas estavam zerados e o DACON retificado alterava os valores dos campos relativos às receitas. Fato inconteste é que as retificações procedidas nos valores das receitas do DACON mais uma vez demonstraram a expressa concordância da empresa quanto a existência de receitas não informadas quando da apresentação da DIPJ e do DACON originais. Verificando-se os Livros de Registro de Saídas, bem como as informações relativas às receitas constantes nos Balancetes mensais e na Demonstração do Resultado do Exercício – DRE e, ao final, confrontando os primeiros resultados com os valores de Receitas trazidos ao conhecimento desta fiscalização pela própria empresa, por intermédio das mencionadas retificações da DIPJ (transmitida) e do DACON (não transmitido), obtivemos os resultados a seguir demonstrados: Fl. 9826DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16095.720033/2012-40 Acórdão n.º 1102-001.204 S1-C1T2 Fl. 3 5 Verifica-se que com as retificações, tanto da DIPJ quanto do DACON, a empresa encerraria o ano-calendário 2008 com valores idênticos e receitas auferidas em ambos, ou seja, R$ 51.318.292,76, porém este valor é inferior ao valor extraído dos Livros de Registros de Saídas. Procedida, então, a verificação das receitas, tendo por base os Registros de Saídas da empresa, em confronto com as demais informações constantes dos Balancetes mensais e DRE, apuramos os seguintes valores de receitas efetivamente auferidas no ano-calendário de 2008: Registre-se que dos meses de janeiro a outubro de 2008, os balancetes apresentavam valores compatíveis, por vezes superiores, por vezes inferiores aos valores encontrados nos Livros de Registro de Saídas, porém quanto aos meses de novembro e dezembro de 2008, constatamos total discrepância entre os valores constantes dos balancetes daqueles meses e os valores extraídos dos Livros de Registro de Saídas da empresa. Considerando-se que a empresa optou pela tributação pelo Lucro Real, uma vez apuradas as Receitas auferidas e omitidas Fl. 9827DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 pela empresa no ano-calendário de 2.008, procedemos à verificação dos Custos e Despesas incorridos no mesmo período, bem como Adições e Exclusões ao Lucro Líquido, no intuito de chegarmos ao Lucro Real daquele período. Verificando-se os valores assumidos como Custo na DIPJ original apresentada pela empresa, nos balancetes mensais e na DRE, constatamos que o valor total de Custos no ano- calendário 2.008, devidamente contabilizado e registrado nos balancetes mensais e na DRE, com cópias juntadas ao presente processo, foi de R$ 5.015.639,15. Convém registrar que a empresa ao retificar indevidamente a DIPJ/2009, de fato informou parte da Receita antes omitida, porém informou Custos no total de R$ 16.015.639,15 quando o correto seria R$ 5.015.639,15, numa clara manobra para fugir da tributação, haja vista que desta maneira a empresa encerraria o ano-calendário com prejuízo, o que não corresponde à realidade dos fatos, conforme restará demonstrado. Utilizando-se do mesmo critério, procedemos à verificação dos valores relativos às Despesas Operacionais, constatando que o valor total no ano-calendário 2.008, devidamente contabilizado e registrado nos balancetes mensais e na DRE foi de R$ 31.818.125,56. No tocante aos impostos incidentes sobre os serviços, considerando-se as mesmas fontes e acrescendo-se as informações extraídas dos Livros de Registros de Saídas, apuramos o valor total de R$ 1.716.835,09 no ano-calendário de 2008. Neste ponto cumpre registrar que a empresa, quando da apresentação da DIPJ adotou o Lucro Real como forma de tributação, utilizando-se da opção facultada às empresas pelo art. 222 do RIR/99, a seguir transcrito, de adotarem o regime de recolhimento do imposto com base em estimativa mensal, com apuração do Lucro Real em 31 de dezembro. Art. 222. ... E, decorrência, estava obrigada ao recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL apontados com base na estimativa mensal, consoante determinação do art. 858 do RIR/99. Art. 858 ... Ocorre que só existem duas maneiras para a formalização da apuração do Lucro Real Anual, a declaração das estimativas mensais em DCTF e o efetivo recolhimento mensal do imposto e do respectivo adicional, determinados sobre a base de cálculo estimada. Pois bem, a empresa não declarou estimativas mensais em DCTF, bem como não efetuou qualquer recolhimento a título de IRPJ e CSLL por estimativa, caracterizando, portanto, a não formalização da opção pela apuração do Lucro Real Anual. Fl. 9828DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16095.720033/2012-40 Acórdão n.º 1102-001.204 S1-C1T2 Fl. 4 7 Considerando-se que o art. 1º da Lei 9.430/96 determina que a pessoa jurídica apure os seus resultados trimestralmente e acrescendo-se o disposto no art. 220 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, Decreto 3.000/99, a seguir transcrito, impõe-se a apuração do Lucro Real trimestral: Art. 220. ... Dessa forma elaboramos a planilha a seguir, demonstrando a apuração do Lucro Real trimestral da empresa no período fiscalizado, resultando nos seguintes valores: Isto posto, ante a comprovação das omissões de receitas contabilizadas que resultaram em Lucro Real a tributar, bem como das omissões de receitas não contabilizadas, faz-se necessária a lavratura do competente Auto de Infração para se exigir o IRPJ devido e os conseqüente reflexos de CSLL, com base nos valores acima apurados. ... Cientificada em 01/03/2012, a pessoa jurídica autuada apresentou em 30/03/2012, por intermédio de seus advogados (instrumento de procuração às fls. 1.025/1.026), a impugnação de fls. 996/1010, acompanhada dos documentos de fls. 1.011/9.317, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De início reporta-se aos Autos de Infração de IRPJ e CSLL e requer que sejam formalizados em um único processo. Ao expor os fatos consigna que o procedimento fiscal foi iniciado com relação ao ano-calendário 2008 mediante ciência à Fl. 9829DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 Impugnante do respectivo termo de intimação fiscal em 04 de abril de 2011, e destaca: - inexistir dúvida de que a Fiscalização não exauriu o exame de todos os elementos necessários à correta apuração do Lucro Real da Impugnante; - a despeito do trabalho de recomposição da base de cálculo realizado pela Fiscalização, não resta dúvida de que esta última não computou todo o valor correspondente aos custos e despesas dedutíveis de tal base no período fiscalizado, o que sem dúvida acarretou o lançamento de tributo muito maior do que o devido; - à Fiscalização cabe apurar com exatidão e com identidade de critérios todos os elementos formadores da base de cálculo do imposto apurado. No presente caso, o mesmo esforço da Autoridade Fiscal em identificar as receitas supostamente aferidas pela Impugnante deveria ter sido deduzido para a verificação das suas despesas e custos, e, assim, a correta formação da base imponível do IRPJ e da CSLL. A título de Razões de Desconstituição dos Lançamentos Constantes dos Autos de Infração lavrados, aborda, de início, como princípios norteadores do processo administrativo fiscal tributário, a busca pela verdade real e material e a ampla instrução probatória, invocando o art. 38 da Lei 9.784/99, o art. 11 do Decreto 7.574/2011, posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais, para defender que: A possibilidade de instrução probatória em processo que visem desconstituir lançamentos, comprovar a existência de créditos, etc. é ampla em favor do contribuinte, e a partir dessa prerrogativa, devem tanto as Autoridades Fiscais quanto os julgadores na seara administrativa empreender esforços no sentido de buscar a verdade real dos fatos que circundem tais relações, velando pela correta aplicação das normas jurídicas tributárias, será comprovado através da competente documentação que diversos custos e despesas dedutíveis, incorridos pela Impugnante no exercício fiscalizado, não foram consideradas pela Fiscalização quando da recomposição da base imponível do IRPJ e da CSLL, sendo certo, portanto, que há vultoso valor a ser excluído da base imponível dos aludidos tributos. Sob o título ‘das despesas não consideradas pela Fiscalização – valores não deduzidos da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL – Majoração da Base de Cálculo’, argumenta ter adotado o regime de apuração pelo Lucro Real devendo, portanto, como reza a legislação pertinente, observar estritamente as leis comerciais e fiscais e também os princípios contábeis geralmente aceitos, viabilizando, assim, a correta apuração do imposto sob esta modalidade. Reporta-se aos artigos 246 e seguintes do RIR/99 mencionando os necessários ajustes do resultado por meio adições, exclusões e compensações, bem como a consideração de despesas e custos, frisando que: Fl. 9830DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16095.720033/2012-40 Acórdão n.º 1102-001.204 S1-C1T2 Fl. 5 9 -não há dúvidas de que a Fiscalização, por omitir-se quanto à busca pela verdade real, não considerou a totalidade dos valores que poderiam ser deduzidos da apuração do Lucro Real da impugnante a título de custos e despesas! - não obstante a omissão pela Fiscalização acerca da grande maioria dos valores dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, traz a Impugnante ao conhecimento da administração, em atenção à plena possibilidade de produção de provas e à busca da verdade real, uma infinidade de documentos que comprovam que diversos valores foram desconsiderados pela Fiscalização quando da recomposição do Lucro Real da Impugnante! - ao longo da fiscalização com a simples verificação das despesas dedutíveis a Impugnante constatou valores superiores ao considerado pela Fiscalização, conforme planilha abaixo e os documentos acostados a presente defesa (Docs. 04 e 05) sendo certo que tais despesas representam apenas uma amostra das que foram incorridas no ano calendário 2008: - da análise pormenorizada da documentação acostada a esta defesa restará evidenciada a omissão pela Fiscalização de imenso montante que deveria ter sido considerado a título de custo, de despesas operacionais, despesas necessárias, etc. e que impactaram diretamente no montante dos tributos efetivamente devidos; - do necessário confronto entre a recomposição do Lucro Real realizado pela Fiscalização através dos presente AIIM, e a documentação em anexo, inexoravelmente iremos nos deparar com a considerável diminuição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL efetivamente devidos. De acordo com as provas trazidas aos autos, é até mesmo possível que se apure prejuízo em favor da impugnante, e, assim, nem mesmo haja valor tributário a recolher, mas sim de saldo negativo a compensar! Formula pedido de reunião dos Autos de Infração para julgamento concomitante de ambos os lançamentos e requer a procedência da impugnação para declarar a insubsistência da autuação, bem como que as intimações sejam dirigidas aos patronos da Impugnante no endereço que indica. Protesta pela apresentação de provas. Instruindo a Impugnação foram apresentados: Fl. 9831DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 10 ” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação pelos motivos sintetizados na ementa descrita acima. Citado acórdão foi disponibilizado na caixa postal eletrônica da Contribuinte em 28/09/2012, tendo a contagem do prazo para a apresentação do recurso voluntário se iniciado em quinze dias após referida disponibilização. No curso do prazo de interposição do recurso voluntário, em 25/10/2012, a Contribuinte apresentou Aditivo à Impugnação (fls. 9.347 a 9.342), apresentando documentos (LALUR e Razões Contábeis) para suportar a sua alegação de que a Fiscalização não haveria exaurido o exame de todos os elementos necessários à correta apuração de seu lucro real do período. Não se verifica no referido aditivo qualquer menção ao acórdão proferido pelo Colegiado a quo. Em 13/12/2012, decorrido o prazo de interposição do recurso voluntário), a Contribuinte apresentou “Aditivo ao Recurso Voluntário” de fls. 9.347 a 9.342 (recurso voluntário esse anteriormente denominado pela Contribuinte de Aditivo à Impugnação), por meio do qual impugna e requer a reforma da decisão recorrida. Em sede de aditivo ao recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação e aponta alegados equívocos do acórdão recorrido, especialmente no que se refere à (i) inobservância ao princípio da verdade real e material; e (ii) não consideração na base de cálculo do IRPJ e CSLL de despesas dedutíveis. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O aditivo à impugnação, denominado superveniente de recurso voluntário pela Contribuinte, não atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele não se toma conhecimento. É inepto o recurso voluntário em que o contribuinte deixa de apresentar impugnação específica aos fundamentos da decisão que pretende ver reformada. Ao recorrente incumbe impugnar os pontos da decisão hostilizada, sob pena de não devolver à instância recursal o conhecimento da matéria em discussão na causa.Veja-se, nesse sentido, remansosa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, verbis: “EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARTS. 544 e 545 DO CPC. CONTRIBUIÇÃO Fl. 9832DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16095.720033/2012-40 Acórdão n.º 1102-001.204 S1-C1T2 Fl. 6 11 SINDICAL. LEVANTAMENTO DE DEPÓSITO. DUPLICIDADE DE CREDORES. ARTIGO 8º, INCISO II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. OFENSA REFLEXA. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. O agravo regimental é inadmissível quando não impugna a decisão agravada, limitando-se a reprisar os argumentos do recurso originário indeferido. 2. O agravante não se insurgiu contra todos os fundamentos jurídicos da decisão agravada, limitando-se a argumentar que a matéria sub judice é de índole constitucional. 3. Configura princípio básico da disciplina dos recursos o dever que tem o recorrente de impugnar as razões da decisão atacada, por isso que deixando de fazê-lo, resta ausente o requisito de admissibilidade consistente na regularidade formal, o que determina, com fundamento no § 1º do artigo 317 do RISTF, o não- conhecimento do recurso interposto. Precedentes: RE n. 583.833-AgR, Relator o Ministro JOAQUIM BARBOSA, 2ª Turma, DJe de 1.10.10; AI n. 744.581-AgR, Relatora a Ministra ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJe de 21.5.10; RE n. 458.161- AgR, Relator o Ministro EROS GRAU, 2ª Turma, DJe de 1.1.08; AI n. 615.634- AgR, Relator o Ministro CELSO DE MELLO, 2ª Turma, DJ de 18.12.06; AI n. 585.140-AgR, Relator o Ministro GILMAR MENDES, 2ª Turma, DJ de 6.6.06. (...) (AI 796770 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 23/03/2011, DJe-085 DIVULG 06-05-2011 PUBLIC 09-05-2011 EMENT VOL- 02517-02 PP-00424) No mesmo sentido, é a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, verbis: PROCESSUAL CIVIL. Agravo interposto contra decisão que indefere o processamento de Recurso Especial. Ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada. Inépcia recursal. Súmula n. 182/STJ. Cotejo entre acórdãos paradigma e recorrido. Impossibilidade de manejo do recurso para contornar óbice das Súmulas 5 e 7 do STJ. A petição recursal deve expor as razões de inconformismo contra decisão denegatória de processamento de Recurso Especial e impugnar, especificamente, eventual desacerto da decisão recorrida. A impugnação aos fundamentos da decisão recorrida constitui requisito genérico de admissibilidade dos recursos" (STJ. AGRESP 425276/SP , 3ª T., Relª Minª Nancy Andrighi DJU 26.08.2002). No mesmo sentido: "PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERPOSTO `CONTRA DECISÃO QUE INDEFERE O PROCESSAMENTO DE RECLAMAÇÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INÉPCIA RECURSAL. SÚMULA Nº 182/STJ. RECLAMAÇÃO. Mandado de segurança impetrado perante o Tribunal de Justiça contra ato coator de juiz relator de turma recursal do juizado especial que indefere pedido liminar em outro mandado de segurança. Ausência de competência originária do TJ e recursal do STJ para exame de recurso ordinário constitucional. Inexistência de usurpação da competência do STJ. Julgamento do mérito do mandado de segurança pela turma recursal do juizado especial. Superveniente perda do interesse de agir. Reclamação indeferida. É inepta a petição recursal que não expõe as razões de inconformismo, contra decisão denegatória de processamento de Reclamação, sem impugnar eventual desacerto da decisão recorrida. A impugnação aos fundamentos da decisão recorrida constitui requisito genérico de admissibilidade dos recursos. Se no recurso não há a impugnação aos fundamentos da decisão atacada, não há como se conhecer Fl. 9833DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 12 do mesmo porquanto ausente um requisito de admissibilidade. Porque é incabível o processamento do recurso ordinário constitucional em mandado de segurança impetrado contra ato acoimado coator de Turma Recursal de Juizado Especial, não há usurpação de competência do STJ pelo indeferimento de seu processamento pelo Tribunal de origem. Há superveniente perda do interesse de agir quando o Reclamante pretende o destrancamento de recurso dirigido ao STJ contra decisão denegatória de pedido liminar em mandado de segurança e a ação originária tem seu mérito julgado no decorrer do processamento da Reclamação" .................................................... Elucidantes, ainda a propósito da inépcia da inicial recursal, são as palavras colhidas no repertório de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrito, verbis: "As razões recursais apelatório são deduzidas a partir do provimento judicial recorrido, e deve profligar os argumentos deste, insubstituíveis (as razões) pela simples referência a atos processuais anteriores, quando a sentença inexistia, ainda. Impende, ademais, que o Tribunal ´ad quem´, pelos fundamentos, se aperceba, desde logo, de quais as razões efetivamente postas, pelo apelante, acerca do novo julgamento que lhe seja mais favorável"(RSTJ 54/192). (STJ. AGRRCL 948-RS, 2ª S., Relª Minª Nancy Andrighi, DJU 19.11.2001, p. 00228). No mesmo sentido: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. APELAÇÃO. FUNDAMENTOS DA SENTENÇA NÃO IMPUGNADOS. INÉPCIA. Ação revisional que discute a abusividade de cláusulas inerentes a contratos bancários, cingindo as razões do recurso especial ao debate acerca da inépcia da apelação interposta pelo recorrente. A petição de apelo tece alegações demasiado genéricas, sem demonstrar qualquer equívoco na sentença, seguidas de mera afirmação de que o apelante “se reporta” aos termos da petição inicial. É inepta a apelação quando o recorrente deixa de demonstrar os fundamentos de fato e de direito que impunham a reforma pleiteada ou de impugnar, ainda que em tese, os argumentos da sentença. Recurso especial não provido. (RESP n. 1.320.527/RS, Relatora Nancy Andrighi, 3a T, em 23 de outubro de 2012(Data do Julgamento) Nesse sentido também já decidiu o CARF, verbis: “INÉPCIA DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL. É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva.“ (CARF. Acórdão nº 3803- 004.737. Terceira Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Julgado em 26/11/2013) No caso, o “Aditivo à Impugnação”, protocolizado tempestivamente pela Contribuinte e supervenientemente por ela denominado de recurso voluntário, sequer faz menção ao acórdão recorrido, quanto menos traz impugnação aos fundamentos por este (acórdão) utilizados para manter os lançamentos. O denominado “aditivo ao recurso voluntário”, este sim efetivo recurso voluntário interposto contra o acórdão recorrido, não pode ser conhecido por quanto apresentado fora do prazo recursal estabelecido na legislação de regência. Não se discute ou se nega no caso o direito da Contribuinte de apresentar aditivo ou memoriais supervenientemente à interposição de recurso voluntário. Tais aditivos ou memoriais merecem ser examinados pelo órgão julgador, desde que, para tanto, tenha sido Fl. 9834DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16095.720033/2012-40 Acórdão n.º 1102-001.204 S1-C1T2 Fl. 7 13 interposto, no prazo legal, recurso voluntário passível de conhecimento, o que não ocorre na hipótese. Ausente a interposição de apto recurso voluntário pela Contribuinte no prazo legal, impõe-se não conhecer das razões apresentadas pela Contribuinte fora do prazo legal. Por tais fundamentos, orienta-se voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 9835DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006247/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 29/08/2003, 09/09/2003, 23/10/2003
EX-TARIFÁRIO. LOCOMOTIVA COM POTÊNCIA MÁXIMA SUPERIOR A 3000 HP. RESOLUÇÃO CAMEX 32/2001.
Testes realizados pelo IPT e outros engenheiros apontam potência máxima da locomotiva GE C30-7 superior a 3000 HP, sendo cabível a exceção tarifária 002 prevista na Resolução CAMEX 32/2001 para a classificação 8602.10.00.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LOCOMOTIVA COM POTÊNCIA MÁXIMA SUPERIOR A 3000 HP. RESOLUÇÃO CAMEX 32/2001. Testes realizados pelo IPT e outros engenheiros apontam potência máxima da locomotiva GE C307 superior a 3000 HP, sendo cabível a exceção tarifária 002 prevista na Resolução CAMEX 32/2001 para a classificação 8602.10.00. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 62 47 /2 00 8- 85 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11128.006247/200885 Acórdão n.º 3301002.610 S3C3T1 Fl. 565 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborada na decisão recorrida, abaixo transcrito. A interessada importou locomotivas dieselelétricas, com potência máxima de 3.250 HP, modelo C307, marca GE, usadas, classificandoas no código NCM 8602.10.00, com alíquotas de 14% para o imposto de importação e de 0% para o imposto sobre produtos industrializados, enquadrandoas na “EX 002” da Resolução Camex n° 32/01, recolhendo o imposto de importação à alíquota reduzida de 4%. Em revisão aduaneira, a fiscalização, com base em laudo técnico que informou ter a locomotiva potência máxima de 3.000HP, excluiu as locomotivas da referida EX tarifária; exigindo a diferença de tributos, pela alíquota de 14%, bem como a multa de oficio e os juros devidos, e também a multa por falta de guia de importação ou documento equivalente, porque o licenciamento era para locomotiva que apresentassem potência máxima superior a 3.000 HP; além de multa por classificação incorreta. Regularmente intimada, a autuada apresentou impugnação onde alega, basicamente, que: é uma empresa importante em âmbito nacional, contribuindo no cenário das exportações brasileiras, porque é concessionária do serviço público de transporte ferroviário de cargas, ligando o centrooeste ao Porto de Santos e que constituiu uma nova estrada de ferro em processo de construção desde 1988 e somente em 2000 iniciou suas operações; foi autuada em razão de assistência técnica em que o engenheiro certificante emitiu laudo técnico afirmando que a potência máxima da locomotiva é 3.000 HP, divergindo da declaração de importação onde descreve como 3250HP, justificado no fato de não constar essa indicação na locomotiva e que nas literaturas pesquisadas, o modelo de locomotiva C307 possui potência de 3.000 HP; apresentou documentos comprovando que os 3.000 HP encontrados pelo engenheiro certificante referemse somente à “potência de tração” ou potência líquida da locomotiva sendo certo que a potência máxima da mesma ou potência bruta perfaz pelo menos 3.250 HP, vez que conjuga potência líquida de 3.000 HP e potência auxiliar de 250 HP. A autuação é ilegal e sem qualquer embasamento, tendo havido cerceamento de defesa; junta Laudo Técnico, elaborado pelo engenheiro a pedido da Ferronorte S/A, com os anexos e Parecer Técnico n° 8.374, de setembro de 2003, elaborado pelo IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas, por solicitação da Ferronorte S/A, que define potência máxima de urna locomotiva, fazendo diferenciação entre “potência bruta”, “potência de tração” e “potência nos trilhos”, para concluir que a locomotiva, em questão, apresenta potência bruta de 3.340 HP, potência de tração medida de 3.010 HP e potência de tração calculada de 3.025 HP, constatandose que a potência máxima da locomotiva modelo C307 é dada pela potência de tração mais a potência dos equipamentos auxiliares, ou seja, 3.340 HP. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11128.006247/200885 Acórdão n.º 3301002.610 S3C3T1 Fl. 566 3 solicita conversão do julgamento em diligência, diante dos elementos de prova trazidos aos autos, para que o engenheiro certificante, Sr. João Abel Cunha responda aos quesitos apresentados e, em caso de respostas negativas, encaminhamento ao Instituto Nacional de Tecnologia, para responder aos mesmos quesitos; protesta pela apresentação de razões complementares, para afinal, seja acolhida a impugnação, cancelandose o Auto de Infração. Posteriormente à impugnação, a interessada trouxe aos autos decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fl. 509) provendo seu recurso voluntário em outro processo com o mesmo fundamento contra decisão da DRJ SPO II. Ao analisar referida impugnação a 2ª Turma da DRJ/São Paulo II, acatando os termos da impugnação, proferiu o Acórdão nº 1751591, de 14/06/2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/08/2003, 09/09/2003, 23/10/2003 EXtarifária. Locomotiva com potência máxima superior a 3000 HP. Resolução CAMEX 32/2001. Testes realizados pelo IPT e outros engenheiros apontam potência máxima da locomotiva GE C307 superior a 3000 HP, sendo cabível a exceção tarifária 002 prevista na Resolução CAMEX 32/2001 para a classificação 8602.10.00. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado No próprio Acórdão houve a apresentação de recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. É o relatório. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11128.006247/200885 Acórdão n.º 3301002.610 S3C3T1 Fl. 567 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O recurso de ofício é tempestivo e atende os demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Como visto, o cerne da questão é saber se a locomotiva importada pelo autuado possui potência máxima superior a 3.000 HP que é a condição para usufruir do tratamento tarifário previsto no EX de que trata a Resolução Camex nº 32/2001, in verbis: "Ex" 002 Locomotivas díeselelétricas, com potência máxima superior a 3.000HP”. Portanto é uma decisão que depende de avaliação técnica do produto importado. Neste sentido, tanto a fiscalização aduaneira quanto o contribuinte orientaram a sua decisão com base em laudos técnicos. Porém, como bem decidiu a DRJ, os laudos técnicos oferecidos pela impugnante são bem mais consistentes do que o apresentado pela fiscalização. O laudo apresentado pela fiscalização, elaborado pelo engenheiro João Abel da Cunha é muito simplificado para concluir que a potência da locomotiva é de 3.000 HP. Observase no laudo que suas conclusões se basearam na plaqueta fixada na locomotiva indicando referida potência. Argumentou então que quem mais conhece o seu produto é o próprio fabricante. Indica que efetuou pesquisas pela internet dando conta do mesmo resultado. Observe que em seu laudo ele não discrimina de qual potência está se referindo à bruta ou a líquida. Por sua vez a impugnante apresentou Laudo Técnico elaborado pelo engenheiro José Grigolon Filho, fls. 497/508, o qual faz uma detalhada análise sobre as potências do motor com base nas especificações técnicas emitidas pela própria fabricante dos equipamentos. Esclarece que a potência constante da plaqueta de identificação tratase da potência líquida, sendo que a potência bruta do motor corresponde a 3.280 HP. A impugnante apresentou também um Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, fls. 511/532, o qual trata sobre a potência máxima de Locomotivas DíeselElétricas GE Modelo C307. Por ele verificase que foi realizada a medição de potência do motor, cujo resultado em síntese, é que a potência máxima é de 3.340 HP. A divergência, embora relativamente pequena, entre os laudos apresentados pela impugnante é que no primeiro o engenheiro apresentou o seu resultado com base em informações colhidas com o fabricante. No segundo houve uma medição real da potência no próprio equipamento. Porém, em ambos os laudos foram apresentados elementos de convicção superiores ao laudo elaborado pela fiscalização, o qual decorreu de uma análise visual do produto e de pesquisas realizadas na internet. Há que se ressaltar também a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara/3ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão nº 320200106, de 28/04/2010, relatoria Fl. 567DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11128.006247/200885 Acórdão n.º 3301002.610 S3C3T1 Fl. 568 5 do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, que analisando situação idêntica ao do presente processo, deu provimento por unanimidade ao recurso voluntário, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/07/2003, l I/07/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTARIFÁRIO. LOCOMOTIVA COM POTÊNCIA MÁXIMA SUPERIOR A 3.000 HP. RESOLUÇÃO CAMEX Nº 32/01. Face às provas colacionadas aos autos, e em homenagem ao Princípio da Verdade Material, resta comprovado que a locomotiva GE C307 tem potência máxima superior a 3.000 HP, enquadrandose no Extarifário previsto no “EX 002” do código NCM 8602.10.00, nos termos da Resolução Camex n° 32/01. Recurso Voluntário Provido. A íntegra deste acórdão citado, encontrase às fls. 540/549, sendo que invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar também os seus fundamentos como razão de decidir. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 568DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 11065.001146/2003-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3101-001.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração, para retificar o acórdão embargado em sua parte dispositiva, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Embargos Acolhidos
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração, para retificar o acórdão embargado em sua parte dispositiva, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Britto, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 11 46 /2 00 3- 95 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Versa o presente processo sobre embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em face de alegada contradição no Acórdão nº 30134.809, na forma dos art. 65 do RICARF. Reproduzimos abaixo parte da ementa do Acórdão embargado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Coifa aspirante própria para extração ou reciclagem de ar de ambientes, mais comumente de cozinhas domésticas, com ventilador incorporado, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm, denominada comercialmente de "depurador de ar", classificase no código NCM 8414.60.00. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO IPI VINCULADO. LANÇAMENTO. FALTA DE INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS LEGAIS NO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. nulo, por inobservância do requisito básico exigido no art. 10, IV, do Decreto n 70.235/72, o lançamento cujo Auto de Infração não indique a disposição legal infringida. Os dispositivos legais pertinentes ao lançamento do Imposto de Importação não servem para dar suporte ao lançamento referente ao IPI, visto estar este tributo previsto em normas distintas. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE A embargante alega contradição no acórdão, entre a conclusão do voto condutor e seu resultado proclamado. Segundo a embargante, esta turma julgadora deu provimento em parte ao recurso voluntário do contribuinte, para que fosse declarado nulo o Auto de Infração referente ao IPI. Entretanto, na parte dispositiva do Acórdão, consta a nulidade por vicio material, enquanto que o voto condutor aponta a nulidade por vicio formal no lançamento, decorrente da ausência de indicação dos dispositivos legais do Regulamento do IPI que embasaram a autuação, o que caracterizaria a contradição. Requer o acolhimento dos embargos, para o pronunciamento desta turma julgadora acerca da alegada omissão apontada. Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios, a fim de que seja sanada a incongruência entre a conclusão do voto condutor e o resultado proclamado no acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Os embargos de declaração são tempestivos e deles tomo conhecimento. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11065.001146/200395 Acórdão n.º 3101001.802 S3C1T1 Fl. 4 3 A matéria de fundo tratada nos autos é o lançamento de ofício relativo a diferenças de alíquota de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, apuradas em virtude de reclassificação fiscal do produto. Conforme relatado, os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acordaram em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a exigência o imposto de importação e para anular o Auto de Infração de IPI, por vicio material. Aponta, a embargante, a contradição no acórdão, pelo conteúdo do voto condutor que aponta a existência de vicio formal no lançamento, decorrente da ausência de indicação dos dispositivos legais do Regulamento do IPI que embasaram a autuação, como o motivo ensejador da nulidade reconhecida. Confrontando o que se decidiu no voto condutor e o resultado proclamado no acórdão concluise pela existência de contradição interna entre as proposições e conclusões do julgado, ensejando o acolhimento dos presentes embargos de declaração. Constatase, pela inteligência do voto condutor, que o colegiado decidiu pela nulidade do lançamento por vicio formal, tendo inclusive o relator do acórdão embargado adotado como razões de decidir o voto do conselheiro José Luiz Novo Rossari, que expressamente referiuse à caracterização de vicio formal na constituição do crédito tributário do IPI por falta de indicação da disposição legal infringida. Diante do exposto, voto por dar provimento aos embargos de declaração, para sanar a contradição e retificar o acórdão embargado, em sua parte dispositiva, adotando a seguinte redação: “ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter a exigência o imposto de importação e para anular o Auto de Infração de IPI, por vicio formal”. Sala de sessões, 28 de janeiro de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinatura digital] Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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