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Numero do processo: 13897.001264/2002-55
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT.
Matéria encontra-se pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula CARF n° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-004.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PRODUTOS NT. Matéria encontrase pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula CARF n° 20: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 12 64 /2 00 2- 55 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, à fl. 3, no montante de R$128.134,74, relativamente ao 2º trimestre de 2002, formalizado em 15/07/2002, com lastro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Vinculadas ao ressarcimento, foram apresentadas Declarações de Compensação, conforme quadro a seguir, totalizando as compensações R$128.116,72: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Papel (P) Data Apres./Trans. Tributo Valor Período de Apuração Vencimento 2172 4.213,33 05/2002 14/06/2002 8109 9.215,3 06/2002 15/07/2002 P (fl. 5) 15/07/2002 2172 39.850,97 06/2002 15/07/2002 8109 9.113,69 08/2002 15/09/2002 P (fl. 40) 16/09/2002 2172 16.121,31 08/2002 15/09/2002 2172 40.768,87 07/2002 15/08/2002 P (fl. 41) 14/08/2002 8109 8.833,25 07/2002 15/08/2002 A análise da petição se deu mediante o Despacho Decisório de fls. 70/77, de que resultou o indeferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, a não homologação das compensações declaradas. Segundo o ato decisório, o contribuinte cometera as seguintes irregularidades: 1) Aproveitamento do crédito de IPI anteriormente a sua compensação com o devido na saída de produtos no trimestrecalendário. No que tange ao direito do crédito do imposto, o contribuinte em questão não aguardou até o término do períodocalendário para verificar se haveria saldo credor de IPI, após compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos industrializados do estabelecimento, para então compensálo com os débitos informados neste processo. O contribuinte realizou repetidos estornos no decorrer do período restando por fim saldo devedor de IPI. 2) Creditamento referente a operações fiscais não passíveis de crédito de IPI O contribuinte informou créditos de IPI nas operações de "compras para comercialização", "compras materiais para uso ou consumo" e "outras entradas não especificadas", no valor total de R$28.423,83. Quanto às Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.001264/200255 Acórdão n.º 3802004.020 S3TE02 Fl. 213 3 operações de "compras para comercialização" e "compras materiais para uso e consumo" verificamos que foi requerido crédito em cada mês do trimestrecalendário. Além disso, a TabelaIV do Despacho Decisório, que mostra os créditos informados nos 1° e 3° trimestres do ano de 2002, retirados dos processos 13897.00624/200200 e 13897.001540/200285, demonstra a contumácia deste procedimento; 3) Não atendimento às formalidades na escrita fiscal do Livro de Registro de Apuração do IPI No tocante às formalidades inerentes ao Livro de Registro de Apuração do IPI, constatase que a contribuinte utilizou indevidamente período de apuração mensal em sua escrita fiscal quando o correto seria o decendial. Também deixou de apresentar algumas das exigências imprescindíveis para o reconhecimento do conteúdo do RAIPI, quais sejam, o visto da repartição competente do Fisco Estadual ou, caso este o dispensasse, o registro na Junta Comercial ou a apresentação de outro controle previsto na legislação estadual; 4) Utilização de créditos originários de aquisição de MP, PI e ME destinados à fabricação de produtos não tributados (NT), operações fiscais não passíveis de crédito de IPI. No processo em questão, constatouse que para o produto cuja classificação fiscal é 2501.00.20 foi considerada alíquota 0% pela contribuinte quando o correto seria NT. Daí concluímos que não houve o devido estorno da parte do crédito referente a aquisição de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME) destinados a fabricação deste produto. Diante dos fundamentos acima, concluiuse, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/1999, e do art. 2° da IN SRF 33/1999 e do art 349 do RIPI98, pelo indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação do Pedido de Compensação. Ciente do Despacho Decisório, em 11/04/2007, conforme ARAviso de Recebimento, à fl. 81, o contribuinte, representado por meio de procurador (fls. 6 e 59), apresentou, em 10/05/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 82/93., para alegar e solicitar que: 1) o crédito objeto do Pedido de Ressarcimento da Recorrente, utilizado para compensação no presente processo administrativo, tem origem no saldo credor acumulado por ocasião da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, que não podem ser compensados com o IPI devido na saída de outros bens produzidos pela Recorrente, eis que estes são tributados alíquota zero ou são isentos dessa exação. Com o advento da Lei n° 9.779/99, (conversão da Medida Provisória n° 1.788/98), foi reconhecido o direito à compensação de tais saldos credores, advinda do principio da nãocumulatividade. A partir de tal data, passou a ser detentora do direito subjetivo de compensar tais créditos de IPI com outros tributos federais administrados pela Secretaria da Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Receita Federal. O direito ao crédito de IPI, no caso em tela, já foi inclusive reconhecido pela própria Receita Federal, conforme se extrai da Solução de Consulta n° 014/99 (O saldo credor do IPI, apurado nos termos da legislação em vigor,decorrente do imposto pago na aquisição de insumos adquiridos para emprego na industrialização de produtos de modo geral, ainda que imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, pode ser objeto de ressarcimento ou utilizado na compensação de tributos e contribuições administrados pela SRF); 2) a precariedade do trabalho fiscal. Em razão do exíguo lapso temporal para análise da documentação apresentada (menos de um mês) que, repita se, ocorreu pela tardia emissão de intimação fiscal para apresentação de documentos (14/02/07, apenas dois meses antes do transcurso de cinco anos para se operar o instituto da homologação tácita), a Autoridade Fiscalizadora proferiu a decisão ora refutada. O ressarcimento foi indeferido e as compensações solicitadas não homologadas, sob a alegação de que a documentação apresentada não cumprira as formalidades necessárias e em razão dos estornos não terem sido feitos de forma correta, pois um dos bens produzidos (sal de mesa nãotributado), por se tratar de produto NT, não ensejaria o direito de ressarcimento de todo o montante recolhido a titulo de IPI. Por essa razão e pela inércia quanto à análise da totalidade dos documentos então acostados, bem como de solicitação de juntada de outros documentos que viessem a dirimir eventuais dúvidas quanto ao crédito em questão, é de rigor a reforma da r. decisão proferida, uma vez que a Recorrente demonstrou, por meio de juntada de documentos, o direito ao ressarcimento dos créditos de IPI, bem como às compensações pretendidas; 3) atendeu às disposições legais quanto à utilização do crédito de IPI advindo da aquisição de MP, PI e ME, ou seja, o pedido de ressarcimento após a compensação com o IPI eventualmente devido na saída de seus produtos no trimestrecalendário. Consoante atestam o Pedido de Ressarcimento e os Pedidos de Compensação constantes nos autos, foi exatamente o que a Recorrente realizou, ou seja, apurou o saldo credor do 2º trimestre de 2002, sendo que, somente em abril de 2002, ou seja, após o término do 1° trimestrecalendário (janeiro até março de 2002), protocolizou os Pedidos supra mencionados; 4) o reconhecimento da idoneidade das informações constantes no Livro de Apuração de IPI, pois o fundamento de que o citado livro careceria de controle do Fisco Estadual não merece prevalecer. Atestam as anexas cópias do livro de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências da Recorrente, com a devida aposição de visto pelo Posto Fiscal Estadual de CotiaSP e Delegacia Regional Tributária de Osasco — SP, em 03/04/2000, que é possível afirmar que o Fisco Estadual teve acesso aos livros fiscais da Recorrente, inclusive ao de Apuração de IPI, haja vista que analisou as notas fiscais de saída/emitidas pela Recorrente, nas quais constam as incidências de ICMS (imposto estadual) e IPI (imposto federal). A suposta ausência de assinatura é mera irregularidade formal que, de modo algum, afasta o direito de crédito da Recorrente, eis que carece de previsão legal para tanto; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.001264/200255 Acórdão n.º 3802004.020 S3TE02 Fl. 214 5 5) Não tem respaldo a alegação da decisão combatida ao indeferir o montante pleiteado a titulo de Ressarcimento de IPI, R$128.134,74, em razão de o recorrente considerar um produto (sal de mesa), não tributado pelo IPI, como tributado à alíquota zero. O indeferimento do montante do Pedido de Ressarcimento não pode se basear apenas na classificação dada a um dos produtos comercializados pela Recorrente, pois, em sua maioria, conforme atestam as notas fiscais ora anexadas, a titulo exemplificativo e de modo aleatório, relativas a agosto de 2002, os produtos que comercializa são classificados na TIPI com alíquota zero ou não tributados pelo IPI, o que de fato lhe dá direito ao crédito, nos termos estabelecidos pela Lei n° 9.779/99. Aclamando mais uma vez ao primado da verdade material em processo administrativo, a Recorrente protesta pela juntada, também a titulo exemplificativo, das notas fiscais de entrada, que deram origem ao crédito, as quais foram emitidas pelos principais fornecedores, consoante relação acostada aos autos nas fls. 66. É O RELATÓRIO O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0944.596, de 07/06/2013, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 SALDO CREDOR. INSUMOS UTILIZADOS NA ELABORAÇÃO DE PRODUTOS NT. ESTORNO. Tendo em vista que não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT, devem ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Alternativamente, tais créditos poderão ser calculados proporcionalmente, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, se o montante das entradas de MP, PI e ME, for empregada indistintamente na industrialização de produtos que gozem ou não do direito à manutenção e à utilização do crédito. SALDO CREDOR DE IPI. VALORES PASSÍVEIS DE CREDITAMENTO. Geram direito ao crédito de IPI, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Nesse contexto, as COMPRAS PARA COMERCIALIZAÇÃO, COMPRAS MATERIAIS PARA USO OU CONSUMO e OUTRAS ENTRADAS NÃO ESPECIFICADAS, embora sofram a incidência do IPI, não se constituem em insumos passíveis de gerar creditamento e, por conseguinte, passíveis de compor o saldo credor trimestral de IPI (art. 147, inc. I, do RIPI/1998 e Parecer Normativo CST nº 65, de 1979) Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento do saldo credor pretendido, bem como a não homologação das compensações. Ressaltese que foi emitido o Termo de Perempção, mas há advertência à fl. 206 (pdf), de acordo com o despacho abaixo: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Embora tenha sido lavrado o termo de perempção e emitida a Carta cobrança, que já foi recebida pelo sujeito passivo,impende consignar que o presente Recurso Voluntário foi apresentado,tempestivamente, em outro domicílio fiscal e a demora no envio a esta ARF acarretou a constatação indevida da perempção. Diante do acima exposto, encaminhe se o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme faculta o art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, alterado pela Lei n° 8.748, de 1993. Assim sendo, da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão, daí ter sido encaminhado a este CARF. Portanto, regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumentando que seja dado provimento ao recurso voluntário, reformando se a decisão que negou provimento à manifestação de inconformidade para reconhecer o crédito pleiteado e homologação das compensações efetuadas. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativamente ao 2º trimestre de 2002, formalizado em 15/07/2002, com base no art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999. Preliminar Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.001264/200255 Acórdão n.º 3802004.020 S3TE02 Fl. 215 7 Antes de adentrar no mérito, insiste a recorrente que o trabalho fiscal teve muito pouco tempo para conclusão, em razão do exíguo tempo que teve para realizálo, ameaçado que estavam os créditos tributários em face da iminente homologação tácita das compensações declaradas. Observase que todo o trabalho fiscal atendeu todo o rito de procedimento administrativo fiscal (Decreto de n° 70.235/72 e atualizações), não lhe cerceando seu direito de defesa, permitindo sim, o amplo exercício de defesa. Ou seja, o procedimento foi iniciado, após ser intimada a recorrente, bem como apresentasse resposta à demanda solicitada. Como bem esclarece a decisão DRJ, nos termos abaixo: Nesse ínterim, mencionese que o contribuinte apresentou Pedidos de Compensação vinculados ao ressarcimento de IPI. Por força do disposto nos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/19961, tais pedidos foram convertidos em Declarações de Compensação, lhes atingindo, então, o instituto da homologação tácita. Daí a razão para o contribuinte alegar o açodamento do trabalho fiscal. De fato. Estava a auditora fiscal diante de tempo exíguo para a realização da tarefa de averiguar a legitimidade do pleito do contribuinte. No entanto, o procedimento fiscal foi realizado com lisura e respeito ao contribuinte. Nesse sentido, o despacho decisório só foi emitido depois de intimado o contribuinte e de ele apresentar as respectivas respostas aos termos de intimação. Ou seja, apesar de realizado em data próxima a ocorrência de homologação tácita, esse fato não impediu que a autoridade fiscal se esmerasse na condução de seu mister. O trabalho inquisitório foi realizado com a concessão ao contribuinte de prazo adequado para apresentação de respostas, pois que atendidas na totalidades as intimações recebidas da fiscalização. Do mesmo modo, a análise da documentação apresentada pelo contribuinte foi realizada com precisão, inclusive analisada a classificação fiscal dos produtos fabricados pelo requerente. O Despacho Decisório foi emitido em prazo confortável para a administração tributária, sem que ela corresse o risco de ver o crédito tributário irremediavelmente perdido. Do ato decisório, o contribuinte foi devidamente cientificado. Não bastasse a justeza do trabalho fiscal, foi concedido ao contribuinte o direito de oposição ao resultado obtido, expresso no ato decisório em obediência aos atos regulamentadores do processo administrativo fiscal. Portanto, nada houve que pudesse justificar o ataque do contribuinte ao trabalho fiscal, inclusive, impingirlhe a pecha de açodamento. Dessa forma, rejeitase a preliminar. Mérito 1 Lei nº 9.430, de 1996, art. 74: § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Foram apresentadas Declarações de Compensação atreladas ao pedido de ressarcimento. Através do Despacho Decisório foram apontadas as seguintes irregularidades: 1) Aproveitamento do crédito de IPI anteriormente a sua compensação com o devido na saída de produtos no trimestrecalendário. 2) Creditamento referente a operações fiscais não passíveis de crédito de IPI 3) Não atendimento às formalidades na escrita fiscal do Livro de Registro de Apuração do IPI 4) Utilização de créditos originários de aquisição de MP, PI e ME destinados à fabricação de produtos não tributados (NT), operações fiscais não passíveis de crédito de IPI. O art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998, dispõe: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (grifei) Por sua vez, o regramento foi introduzido pela IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999, in verbis: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, dar seá de conformidade com esta Instrução Normativa.(g.n) Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos;II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente;II ao Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.001264/200255 Acórdão n.º 3802004.020 S3TE02 Fl. 216 9 final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT).(grifei) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Foram diagnosticados erros, como: a apuração mensal do IPI e escrituração realizada à revelia da legislação aplicável ao ressarcimento de saldo credor trimestral, podendo chegar à conclusão pela imprestabilidade do livro fiscal (RAIPI) para provar a legitimidade do saldo credor no pedido de ressarcimento. Porém, ficou provado nos autos que não houve antecipação de utilização do saldo credor e que os débitos lançados não foram contestados pela fiscalização, a não ser em razão de apuração mensal, mas não pela quantificação dos débitos. O equívoco, não obstante a apuração mensal no RAIPI, deuse pela falta de segregação dos insumos (MP, PI e ME) aplicados na elaboração de produtos não tributados dos insumos empregados na elaboração de produtos tributados, tenham eles alíquota positiva, nula ou isentos, por conta do disposto da IN SRF nº 33, de 04/03/1999, enfim, produto NT não gera crédito de IPI. Assim sendo, para que haja saldo credor passível ressarcimento, o mesmo deve ter certeza e liquidez. Ressaltese que a empresa solicitou pela juntada das notas fiscais de entrada geradoras dos créditos que escriturou, em período posterior ao da apresentação da manifestação de inconformidade e a DRJ entendeu que as notas fiscais já deveriam constar dos autos, quando houve a demanda, bem como demonstrasse que os cálculos e demonstrativos apropriados para segregar os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados nos produtos tributados daqueles empregados nos insumos não tributados, nos termos da IN SRF nº 33, de 1999. Observese trecho do voto: Mas não é sem razão que o contribuinte restringe a entrega de documentos às notas fiscais de entrada que teriam gerado o crédito pretendido. Na manifestação de inconformidade faz a provocação de que a própria Receita Federal, após o advento da Lei nº 9.779, de 1999, teria reconhecido, mediante a solução de Consulta nº 14/1999, que “O saldo credor do IPI, apurado nos termos da legislação em vigor, decorrente do imposto pago na aquisição de insumos adquiridos para emprego na industrialização de produtos de modo geral, ainda que imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, pode ser objeto de ressarcimento ou utilizado na compensação de tributos e contribuições administrados pela SRF. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Pois bem, esclarecese que a Solução de Consulta mencionada foi afastada pela Receita Federal com a expedição do Ato Declaratório Interpretativo nº 05, de 17/04/2002, que dispôs sobre a aplicação do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art. 5º do DL nº 491, de 05/03/1969, e o art. 4º da IN nº 33, de 04/03/1999, in verbis: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo nº 10168.000853/200696, declara: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002 ; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Assim sendo, o saldo credor apurado pelo recorrente, pela falta de demonstração e quantificação, não prova a certeza e a liquidez do suposto crédito. Além do mais, foi constatado no RAIPI, que a recorrente escriturou indevidamente créditos a título de “COMPRAS PARA COMERCIALIZAÇÃO", "COMPRAS MATERIAIS PARA USO OU CONSUMO" e "OUTRAS ENTRADAS NÃO ESPECIFICADAS" e os computava no saldo credor. Essas aquisições não estão inseridas ao conceito de matériasprimas, produtos intermediários e matérias de embalagem, nos termos da legislação do IPI. Pois bem, o inc. I do art. 147 do RIPI/1998, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25/06/1998, vigente à época dos fatos, dispõe: Art. 147. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13897.001264/200255 Acórdão n.º 3802004.020 S3TE02 Fl. 217 11 embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; O art. 147, inc. i, do RIPI/1998 e o parecer normativo CST nº 65, de 1979, não restam dúvidas quanto à ilegitimidade de parte dos créditos utilizados pela recorrente para computar o saldo credor. “compras para comercialização", "compras materiais para uso ou consumo" e "outras entradas não especificadas” não atendem às condições para serem considerados matériasprimas ou produtos intermediários, estes, insumos indispensáveis e ligados estreitamente ao processo de industrialização e nele consumidos. Por todo o exposto, o art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, e a IN SRF nº 33, de1999, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso. Concluindo, pois, é indiscutível que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do Princípio da nãocumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito, há limitação e regulamentação para a sua utilização. Destarte, a matéria encontrase pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF pela edição de Súmula nº 20, a seguir: SÚMULA CARF N° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como as decisões reiteradas e uniformes do Carf, consubstanciadas em súmula, são de observância obrigatória pelos seus membros, conforme art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, logo, deve incidir ao caso a súmula referida. Conclusão Por todo o exposto, rejeito a preliminar e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11080.010031/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (POA), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 87.028,32. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (POA), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão nº. 1030.306, de 16 de março de 2011, que se encontra às fls. 57/58, cuja fundamento é a seguinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 10 03 1/ 20 07 -2 7 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.010031/200727 Resolução nº 2802000.198 S2TE02 Fl. 597 2 “Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributados momento de sua percepção, conforme estabelecido no art. 56 do RIR/1999, e corretamente aplicado no lançamento. A multa de ofício, decorrente do não recolhimento do imposto, e os juros de mora, foram aplicados conforme a legislação: arts. 957 e 953 do RIR/1999, respectivamente. Em relação aos juros de mora existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendendo correta sua aplicação: "A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. " Recalculandose os valores recebidos conforme documentos das fls. 20 a 22, verificase que do valor líquido recebido, fl. 21, deve ser reduzido o valor isento de FGTS de R$ 6.558,99 e de R$ 3.735,87 (parte proporcional aos acréscimos) totalizando, os rendimentos tributáveis em R$ 81.603,42. Refazendose os cálculos, considerando os elementos mencionados acima, apurase uma redução na base de cálculo de R$ 5.424,89, em relação ao lançamento, reduzindo o imposto lançado do valor de R$ 1.491,84, com redução proporcional de juros e multa. Postada a intimação para a ciência de tal julgamento em 18/04/2011, fls. 61, o interessado ingressou recurso voluntário em 16/05/2011, fls. 62 e ss, por meio do qual: a) manifesta sua discordância com o decido no acórdão vergastado; b) solicita que a observância da IN 1127 de 07/02/2011 que dispõe sobre a apuração e tributação de rendimentos recebidos acumuladamente. Feito o resumo do litígio, passase a deliberar sobre o recurso voluntário. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. No presente caso, o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, decorrentes de ação trabalhista. Compulsando os autos, verificase que a fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a tabela progressiva anual relativa ao anocalendário 2002 sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.010031/200727 Resolução nº 2802000.198 S2TE02 Fl. 598 3 Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012 “RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL.REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.”. Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 62A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF), ratificado pelas decisões acima transcritas, que impedem a apreciação do mérito do feito. Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até o trânsito em julgado da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15504.001274/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 28/05/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Quando a prova documental é abundante e da sua análise extrai-se argumento necessário para o deslinde da questão, o pedido de produção de prova pericial afigura-se meramente procrastinatório e deve ser indeferido. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, apenas quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 28/05/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Quando a prova documental é abundante e da sua análise extraise argumento necessário para o deslinde da questão, o pedido de produção de prova pericial afigurase meramente procrastinatório e deve ser indeferido. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, apenas quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 12 74 /2 00 7- 05 Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001274/200705 Acórdão n.º 2402004.598 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para cobrança de contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social e outras entidades, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço a título de valealimentação sem a devida inscrição no PAT e de “serviços prestados” por contribuintes individuais, bem como sobre as diferenças apontadas ente os valores declarados em GFIP e os recolhidos em GPS. Relatório Fiscal às fls. 2304/2369. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou Impugnações de fls. 2372/2384, que restaram improcedentes às fls. 2416/2422, sob os seguintes fundamentos: 1) Impõese o reconhecimento e a declaração de ofício da extinção do crédito relativo ao período abril de 2000 a novembro de 2001 por decadência qüinqüenal na forma prevista no art. 173, I do Código Tributario Nacional, embora o sujeito passivo não tenha argüido a referida prejudicial; 2) Considerando que o sujeito passivo foi notificado do lançamento em 26/12/2007, não se operou a decadência pra o crédito lançado relativo ao período dezembro de 2001 a fevereiro de 2006; 3) Não pode ser acolhida a alegação da defesa, de falta de informação da infração cometida pela impugnante. Os autos não deixam margem a dúvidas quanto à origem do débito, que foi a falta de recolhimento de contribuições sociais previdenciárias devidas de acordo com a legislação especificada no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito; 4) Quanto à alegação de ausência de elementos que possibilitem o entendimento do débito lançado, o anexo “Discriminativo Analítico do Débito” DAD comprova que a alegação não procede, pois ali estão especificados, além dos períodos, todos os demais dados de cada levantamento, por estabelecimento da empresa tais como: base de cálculo, alíquotas, etc.; 5) A defesa afirma que no levantamento relativo aos contribuintes individuais não há indicação de onde foram extraídos os dados utilizados, quais seriam estes serviços ou os contribuintes individuais. Os autos demonstram, porém, que os argumentos não correspondem aos fatos. O Relatório Fiscal de fls. 2.295 há a informação de que os valores foram extraídos dos livros Diário e Razão, lançados a título de “serviços prestados”.O Relatório de Lançamentos lista cada um dos autônomos e os respectivos valores de serviços; 6) O Auto de Infração 37.022.3845, não se refere a folhas de pagamento, mas ao fato da empresa, no período 11/2000 a 05/2001 não ter declarado em GFIP os valores pagos aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais discriminados naqueles autos; Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 7) Não se pode admitir a existência de contradição entre as diferenças aqui lançadas e os fatos geradores que, por não terem sido declarados em GFIP, originaram o Auto de Infração apontado pela defesa (AI 37.022.3845); 8) Consta em nome do sujeito passivo, dentre outros, o AI 37.022.3853 por apresentação deficiente de folha de pagamento. Entretanto, as deficiências nas folhas de pagamento, que motivaram a lavratura do citado AI, não impediram que as informações nelas contidas, confrontadas com as informações das GFIP, evidenciassem a existência de diferenças de contribuições devidas e não recolhidas pelo sujeito passivo. Logo, o Al 37.022.3853, também não representa contradição com as exigências constantes desta NFLD; 9) O “recibo de arquivos entregues ao Contribuinte” constante das fls. 2.293/2294 atesta que o sujeito passivo recebeu em meio digital os relatórios listados, devidamente autenticados conforme os códigos relacionados naquele documento. Assim comprovada está que a entrega em meio digital dos relatórios indicados observou os termos prescritos na transcrita regra do art. 663 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. Por outro lado, não há nos autos qualquer prova da existência do alegado problema no CD de arquivos digitais; 10) Quanto aos argumentos de remessa de informações via arquivos conectividade social, cabe observar que a cobrança destes autos não teve origem em omissões de declarações em GIFP porventura incorridas pela empresa. Ademais, a alegação é genérica, não tendo a defesa esclarecido em que as novas informações poderiam alterar os valores de contribuições lançadas nesta NFLD; 11) Relativamente ao prazo de defesa concedido à impugnante, há que se observar que é de trinta dias o prazo estabelecido na legislação, não havendo qualquer vinculação deste prazo com o aquele estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal, para a realização de Auditoria Fiscal. Acrescentese que não há previsão legal de interrupção dos prazos por motivo das festas de final de ano; 12) O pedido de perícia está em desacordo com o previsto no inciso IV do art. 7° e o caput e o § 1° do art. 11, ambos da Portaria RFB n° 10.875/07, vigente a época da impugnação, combinado com o disposto no inciso IV e no § 1° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não merece acolhida a pretensão da defendente; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 2446/2459 alegando, em síntese: 1) É patente o cerceamento do direito de defesa da recorrente no caso vertente dos autos, pois o auto de infração em comento deixa de registrar em seu corpo informação elementar à consagração do crédito tributário; 2) Não é possível enfrentar o caso sem considerar que a defesa teve acesso apenas e tão somente às peças que lhe foram remetidas. Este é o foco da presente contenda; Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001274/200705 Acórdão n.º 2402004.598 S2C4T2 Fl. 4 5 3) Nem o relatório fiscal referido na defesa e que contém aquele aglomerado de rubricas, registra, inequivocamente, de qual período se reportam os alegados ilícitos tributários. Quando a empresa foi intimada a apresentar a sua defesa não havia tal informação nas peças fiscais enviadas; 4) Da mesma forma é nulo o auto de infração e consequentemente nula a sentença proferida, porque o fisco deixa de relacionar no relatório de lançamento a infração objetivamente cometida pela recorrente, limitandose a reportar o contribuinte aos documentos que dizem respeito à capitulação legal; 5) Não há indicação de um único caso sequer no levantamento fiscal que aponte circunstâncias infracionais de maneira pormenorizada; 6) Além de registros breves e incompreensíveis o fisco ainda impõe ao contribuinte o mister de defenderse em 30 dias com vigência em pleno natal e com a maioria dos profissionais de ferias. E mais, adita as explicações dadas no auto de infração em sede de decisão de primeiro grau; 7) Em relação à decadência, considerando a natureza do tributo, temos que é aplicável à espécie o disposto não no referido “173", mas sim no artigo 154 §39 do CTN, pelo que requer a recorrente a reforma da decisão recorrida; 8) Em relação às supostas infrações, se o fisco tivesse ao menos dado as informações em um CD que “abra”, poderia a impugnante ter conhecimento individual de cada caso para defenderse. Inexistindo tais indicações, patente o cerceamento do direito de defesa, pelo que, improcedente o presente auto de infração; 9) Sequer o fisco no auto de infração impugnado (NFLD) e na decisão recorrida demonstra quais seriam os serviços ou contribuintes individuais. O cerceamento se repete pelo que improcedente é o lançamento; 10) Temse uma notória contradição do fisco previdenciário, pois quando da lavratura do auto de infração 37.0223845, há a afirmativa fiscal de que não teriam sido apresentadas as folhas de pagamento; 11) O fisco não permite o contribuinte auferir ao menos os dados que geraram esta autuação tendo em vista a ausência de apontamento individual de cada caso; 12) Em relação às remessas de informações via arquivos conectividade social, não há que se falar em sanção tributária no caso vertente porque, como dito, não há erro valores e sim de algumas informações no banco de dados; 13) Deveria o fisco antes de multar apresentar uma listagem diagnóstico e outorgar à recorrente e qualquer outro contribuinte pelo menos o mister de re transmitir as informações magnéticas; Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 14) Necessária a realização de perícia no caso vertente dos autos, pois, como salientado durante todo o processado, o fisco limitouse a cotejar resultados finais sem ao menos citar um caso específico, a nível de amostragem, para consagrar o credito tributário considerado indevidamente como devido; ' Por fim, a Recorrente requereu a anulação do auto de infração e da decisão de primeiro grau. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001274/200705 Acórdão n.º 2402004.598 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Relator Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminar – Nulidade Pretende a Recorrente a decretação de nulidade do auto de infração e da decisão de primeira instância por entender que a fiscalização não foi clara ao especificar o período fiscalizado e a descrição dos levantamentos efetuados. Alega que nem o relatório fiscal e nem os demais relatórios acostados pela fiscalização foram suficientes para compreender de forma inequívoca do que se trata a autuação. Não merece guarida. O relatório fiscal de fls. 2304/2369 foi bastante claro quanto ao período fiscalizado (04/2000 a 11/2005) e os levantamentos efetuados. Aliás, o ‘Discriminativo Analítico de Debito’ – DAD (fls. 17) comprova o descabimento das alegações da Recorrente, uma vez que através dele é possível verificar, por estabelecimento da empresa, cada um dos levantamentos e a que períodos eles se referem. Ademais, a alegação da Recorrente de que foi necessário presumir que o levantamento ‘AL’ se referia à alimentação fornecida sem inscrição no PAT não tem cabimento. O Relatório fiscal, em seu item 3, foi expresso ao descrever cada um dos levantamentos, conforme se demonstra: 3 Considerações sobre os levantamentos efetuados: AL – O levantamento AL teve como base de cálculos os valores lançados nos livros Diário e Razão a título de ‘alimentação’ sem a devida inscrição no PAT. CI – O levantamento CI teve como base de cálculos os valores lançados nos livros Diário e Razão a título de ‘serviços prestados’, nomes e valores dos contribuintes individuais constam do relatório de lançamentos (RL). DAL – O levantamento DAL, referese aos valores pagos a menor quando do cálculo dos acréscimos legais em GPS, já quitadas anteriormente a fiscalização. DIF – O levantamento DIF teve como base de cálculo a diferença existente entre as folhas de pagamento apresentadas e as GFIP’s entregues pela empresa, os valores das diferenças Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 constam no relatório de lançamentos (RL). Em anexo também uma planilha com os cálculos efetuados. GFI e FRE – Os levantamentos referidos tiveram como base as divergências apontadas pelo sistema de controle de arrecadação do INSS – ‘AGUIA’ e pelos documentos apresentados pelo contribuinte – GFIP, GRFP e GUIAS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – GPS. Ainda, sobre a ausência de informação quanto à origem da autuação referente aos contribuintes individuais, o Relatório Fiscal de fls. 2295 especifica que os valores lançados foram extraídos dos livros ‘Diário’ e ‘Razão’, quando verificados lançamentos a título de ‘serviços prestados’. E mais, o relatório de lançamentos – RL lista cada um dos autônomos e valores dos serviços prestados, não restando dúvidas quanto às origens dos débitos lançados. Assim, não há que se falar em nulidade. Da produção de prova documental e pericial Aduz a Recorrente que as informações incorretamente prestadas ao fiscal, que ensejaram autuação descrita pela fiscalização como ‘Levantamento GFI e FRE’, decorreram de erro no sistema utilizado. De acordo com ela, não houve erro de valores, mas sim de banco de dados. Alega que o fiscal deveria ter dado oportunidade para correção e reapresentação dos documentos e que este não o fez. Requer, ao final, que sejam considerados os documentos apresentados em sede de impugnação, emitidos por amostragem pela Recorrente. Pretende a Recorrente, ainda, seja deferida a realização de perícia para apuração da validade dos levantamentos realizados pela autoridade fiscal, mas não apresenta nenhum indício de que a reanálise dos documentos e a perícia sejam necessários. O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 16, prevê: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001274/200705 Acórdão n.º 2402004.598 S2C4T2 Fl. 6 9 [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Em complemento, o artigo 18 do mesmo diploma assim dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Nos termos dos dispositivos supra, a prova documental e o requerimento de diligências eventualmente dadas como necessárias devem ser realizados no momento da impugnação, a pedido da empresa autuada. À autoridade julgadora cabe, tão somente, a prerrogativa de realização de diligências quando julgálas necessárias. A lei de processo administrativo fiscal, portanto, dá à autoridade a opção – não a obrigação – de solicitar diligências para esclarecer questões que a impugnante deixa de trazer, com exceção das questões de ordem pública, que independem de requerimento da parte interessada. Neste sentido o CARF se manifesta: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. SUJEITO PASSIVO DO ITR. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 declaração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal, e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. (CARF, PAF 10218.720050/200881, Acórdão 2201002.391, Relator Eduardo Tadeu Farah, Sessão de 16/04/2014) Prejudicial do mérito – decadência Requer a Recorrente o reconhecimento da decadência do crédito tributário não pelo art. 173, I, CTN como ocorrido em primeira instância, mas sim nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Todavia, apesar das alegações, a Recorrente não comprovou mediante documentos pertinentes a realização de pagamentos a menor no período fiscalizado. Neste sentido, este Conselho decide: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Recurso especial provido. (CARF, PAF 36624.014325/200683, Acórdão 9202003.447, Rel. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Sessão de 23/10/2014) Assim, não havendo comprovação e nem sequer evidência de pagamento antecipado, ainda que parcial, não há que se aplicar o disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.001274/200705 Acórdão n.º 2402004.598 S2C4T2 Fl. 7 11 Por fim, as questões de mérito não foram objeto de recurso pela Recorrente, razão pela qual deixo de analisálas, vez que não tratam de questões de ordem pública e, portanto, não podem ser analisadas de ofício por este julgador. Conclusão Pelo exposto, voto para CONHECER do recurso voluntário e a ele NEGAR provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. . Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11020.915182/2009-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
Per/Dcomp. Estimativas Quitadas por Compensação. Comprovação Composição Saldo Negativo.
Comprovado nos autos que as estimativas mensais que compõem o Saldo Negativo do mesmo tributo, ao final do ano-calendário, foram efetivamente quitadas, por compensação, defere-se o direito creditório do contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes Wipprich
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ESTIMATIVAS QUITADAS POR COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO COMPOSIÇÃO SALDO NEGATIVO. Comprovado nos autos que as estimativas mensais que compõem o Saldo Negativo do mesmo tributo, ao final do anocalendário, foram efetivamente quitadas, por compensação, deferese o direito creditório do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Este litígio foi objeto das Resoluções nºs 180100.194 e 1801000.3421, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 51 82 /2 00 9- 40 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 deliberadas em 06 de março de 2013 e 26 de agosto de 2014, efls.389 a 393 e 476 a 479, respectivamente, pelo que aproveito trechos dos Relatórios e Votos já redigidos para historiar os fatos: "A empresa recorre do Acórdão n° 1236.276/11 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 342 a 347, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação). Assim restou ementado, o acórdão: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS NÃO COMPENSADAS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. DIREITO INEXISTENTE. Demonstrado que a não homologação de compensação de estimativas mensais, confirmada em decisão desta Turma, converteu em CSLL a pagar o saldo negativo declarado, mantémse o Despacho Decisório recorrido." Por oportuno, cabe transcrever a ressalva feita pela turma julgadora na parte dispositiva do acórdão: "À DRF/Caxias do Sul/SeortRS, para ciência ao interessado e demais providências necessárias ao cumprimento deste ato decisório, oportunidade em que se observa para a vinculação entre este processo e os de números 11020.901484/200850 e 11020.901485/200802, também julgados nesta Turma (fls.328/341)." (grifos pertencem ao original) No votocondutor explicase: "[...] De acordo com o Despacho Decisório e com a "Análise de Crédito" correspondente (fls.308/309), as parcelas de pagamento foram totalmente confirmadas: R$ 2.025.633,32, enquanto que, das parcelas compensadas, apenas a de RS 101.561,27 o foi. Em decorrência, o saldo negativo de CSLL apurado em 31.12.2004 resultou em CSLL a Pagar (quadro abaixo), e, assim, a compensação declarada não pôde ser homologada: [tabela] Sendo assim, como explicitado no quadro acima, esta lide versa unicamente sobre as parcelas mensais de estimativas nos valores de R$ 100.773,05 e R$ 55.164,93, uma vez que foi o fato de suas compensações não terem sido homologadas o que implicou a inexistência de crédito, já que o alegado saldo negativo foi convertido em saldo de CSLL a pagar. [... ] Conforme se lê na citada "Análise de Crédito" (ver quadro 3, em nosso item 3), as sobreditas parcelas cujas compensações não foram homologadas compreendem a estimativa mensal de janeiro de 2004, e foram objeto das Dcomps 33982.79871.130204.1.3.043286 (débito de R$ 100.773,05) e 41619.56572.130204.1.3.049559 (débito de R$ 55.164,93), que não foram Fl. 483DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Acórdão n.º 1801002.320 S1TE01 Fl. 3 3 homologadas pela autoridade lançadora, conforme Despachos Decisórios n° 775534192 e n° 775534201, de 18.07.2008, respectivamente. Em julgamento de primeira instância, os sobreditos Despachos Decisórios foram mantidos, conforme Acórdãos desta Turma, também desta data, juntados, por cópia, às fls.328/334e 335/341. Pois bem. Em sede da Manifestação de Inconformidade em comento, o interessado se limita a fazer referências ao saldo negativo, não aduzindo razão de defesa àquelas já enfrentadas nos sobreditos Acórdãos, que mantiveram a não homologação das compensações dos débitos de R$ 100.773,05 e R$ 55.164,93, cuja soma corresponde à estimativa mensal de janeiro de 2004 (DIPJ às fls.296), conforme quadro 3, em nosso item 3. Assim sendo, mantidas as sobreditas decisões, resulta que não houve apuração de saldo negativo de CSLL em 31.12.2004 (nosso quadro 4), direito creditório aqui alegado, razão pela qual o Despacho Decisório recorrido (fls.7) deve ser mantido." A empresa interpôs tempestivamente (AR 07/04/11, fls 352; Recurso 09/05/11, fls. 353) o Recurso de fls. 353 a 365, reiterando os termos da defesa exordial. Em preliminar, que ressalta, requer a juntada de outros processos que refletem diretamente no deslinde deste litígio administrativo, em razão da compensação da estimativa de janeiro de 2004 (nos valores de R$ 100.773,05 e R$ 55.164,93) com o saldo negativo de CSLL apurado em 2003 (objeto de outro processo), ora não admitida e que reverteu o saldo negativo de CSLL pleiteado para CSLL a pagar, consoante acórdão recorrido. Os processos que requer sejam analisados conjuntamente a este são: 11020.901483/200813 11020.901484/200850 11020.901485/200802 No mérito, discorre amplamente sobre os outros pedidos de compensação Per/Dcomp e explicita que a autoridade julgadora a quo não admitiu a conversão do pedido de restituição de estimativas, indevidamente realizado pela empresa, para saldo negativo ao final do anocalendário, no que foi acompanhada pela turma julgadora de primeira instância, gerando o indeferimento da Per/Dcomp objeto destes autos. Segue explicitando os valores registrados contabilmente, segundo balanços de redução e suspensão, e demonstrando os resultados apurados em 2003 e 2004. [...] Voto [...] A turma julgadora de primeira instância ressalta a flagrante continência entre os processos e registra no votocondutor que o deslinde deste litígio decorreu basicamente das decisões proferidas em outros litígios administrativos, procedendo à juntada dos despachos decisórios e decisões (que proferiu) daqueles a este processo. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Destarte, há que reconhecerse, ex officio, a continência instaurada, nos termos do artigo 104 do CPC. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria n° 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: [...] Apesar das Per/Dcomp não veicularem expressamente o mesmo crédito saldo negativo de CSLL, relativo a 2004, ou 2003 observo que a recorrente nos outros processos solicitou a conversão dos pedidos de "restituição de estimativas relativas a 2004" para "saldo negativo de 2004", requerendo, na verdade, o mesmo crédito objeto deste processo, matéria ainda suscetível de apreciação em segunda instância de julgamento. [...] Destarte, pelo exposto, acolho a prejudicial suscitada pela recorrente e decido o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a realização das seguintes diligências : a) pela juntada dos processos consoante requerido, para o fim de serem analisados e apreciados por este órgão colegiado concomitantemente; b) antes do retorno dos processos, deverão ser encaminhados à autoridade fiscal para intimar a recorrente a apresentar a contabilidade completa e verificar SE: b.1) os registros contábeis escriturados à época dos fatos consignou as estimativas CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004, nos valores acusados pela recorrente; b.2) se procedem as arguições da recorrente sobre a apuração dos valores dos saldos negativos de CSLL, relativos aos referidos anoscalendários; b.3) há outros processos cujos objetos são Per/Dcomp que veiculem créditos de estimativas/saldo negativo CSLL, nos anos em questão, além dos já identificados. A autoridade fiscal deverá elaborar um Relatório Fiscal indicando os saldos negativos dos anoscalendário de 2003 e 2004, bem como os valores das estimativas recolhidas/compensadas admissíveis, consoante auditoria,, e dar ciência à recorrente dos resultados das diligências, facultandolhe prazo regulamentar para manifestarse a respeito destes, se assim o desejar. Após, retornem os autos a esta Conselheira para a decisão dos litígios." Em resposta à diligência solicitada, a autoridade fiscal designada ao procedimento informou às efls. 466 a 468: "[...] 4. Os processos administrativos n°s 11020.901484/200850 e 11020.901485/200802, tratam de pagamentos a maior de CSLL a título de estimativa referentes ao ano de 2003. Tais pagamentos foram utilizados para compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003, que foi objeto de duas Fl. 485DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Acórdão n.º 1801002.320 S1TE01 Fl. 4 5 PERDCOMPs tratadas no processo administrativo de crédito n° 11020.908211/200836. 4.1 No processo n° 11020.908211/200836, o saldo negativo de CSLL apurado foi de R$ 262.848,26 e o utilizado nas Declarações de Compensação n°s 41109.70478.211107.1.7.036600 e 33084.10758.270307.1.7.034267 foi o valor original de R$ 107.741,52. 4.2. De acordo com cálculos feitos pelo Sistema SAPO de fls. 455/458, o saldo negativo remanescente seria suficiente para quitar os débitos relacionados aos processos mencionados no item 4. 5. Na resposta à Intimação, a contribuinte faz referência ao processo administrativo n° 11020.915183/200994, o qual trata de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005 que já está encerrado e não tem qualquer relação com os processos anteriores, conforme despacho decisório e detalhamento do crédito de fls. 463/465. 6. Com os arquivos digitais entregues pela contribuinte, foram elaborados balancetes dos anoscalendário 2003 e 2004. Os referidos balancetes foram comparados com os dados das fichas 45 A Ativo e 46 A Passivo das declarações ativas dos respectivos anos. Os totais iniciais do Ativo e do Passivo conferem, porém os totais de 31/12/2003 apresentam divergência de R$ 335.762,92. Os totais de Ativo e Passivo em 31/12/2004 informados na declaração e os apurados no balancete dos arquivos digitais são iguais. 6.1. Os referidos arquivos digitais são passíveis de utilização, pois esta diligência tem a finalidade de confirmar se as estimativas de CSLL dos anos calendário 2003 e 2004 foram escrituradas e, nesse sentido, as fichas Razão geradas a partir dos referidos arquivos digitais, docs. de fls. 428/430, demonstram a escrituração das estimativas e da CSLL devida nas respectivas DIPJs, exceto os valores compensados e o valor pago em 2005, referente ao mês de dezembro de 2004. 6.2. Concluindo, o saldo negativo do presente processo somente será confirmado em sua integralidade se os processos administrativos n°s 11020.901484/200850 e 11020.901485/200802 tiverem suas compensações homologadas. 7. Assim, dêse ciência à contribuinte desta Informação, entregandolhe cópia e dos documentos nela referidos. Também, cientifiquese a contribuinte que fica, nos termos da legislação pertinente, concedido o prazo de trinta dias a partir da data da ciência, para a interessada apresentar suas considerações sobre o referido relatório, se assim o desejar." Cumpre informar que os processos administrativos nºs 11020.901484/2008 50 e 11020.901485/200802 foram julgados nesta mesma sessão e os Per/Dcomp nºs 33982.79871.130204.1.3.043286 e 41619.56572.130204.1.3.049559 foram deferidos, sendo que os débitos informados nas Declarações de Compensações determinouse que fossem quitados até o limite do Saldo Negativo de CSLL, reconhecido no valor de R$ 262.848,26, observandose a existência de outros Per/Dcomp que tratassem deste mesmo Saldo Negativo (CSLL, anocalendário de 2003). Fl. 486DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Da análise dos autos, verifico que a verdade material dos fatos se estabelece por confirmar que a recorrente possui para o anocalendário de 2003, Saldo Negativo de CSLL, no valor incontroverso de R$ 262.848,26 e que este Saldo não foi totalmente utilizado em outros Per/Dcomp emitidos pela recorrente, observando que nesta mesma sessão foram julgados os processos administrativos fiscais nºs 11020.901484/200850 e 11020.915182/2009 40, cujos objetos estão intrinsicamente interligados e, consoante acima relatado deferidos os Per/Dcomp nos termos dos votos prolatados. Remetendo à Informação Fiscal de efls. 644 a 648, constatamos que a autoridade fiscal constatou: Concluindo, o saldo negativo do presente processo somente será confirmado em sua integralidade se os processos administrativos n°s 11020.901484/200850 e 11020.901485/200802 tiverem suas compensações homologadas. Por conseguinte, a autoridade designada para a execução deste acórdão, em vista dos valores dos débitos efetivamente passíveis de compensação, consoante decidido nos paf nºs 11020.901484/200850 e 11020.915182/200940 deverá realizála conjuntamente à execução dos Acórdãos proferidos nesses paf e transportar os valores pertinentes para que compor o Saldo Negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 20042. Voto em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 487DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13227.000600/2004-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE.
Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é necessária sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo.
Hipótese em que a averbação ocorreu após a ocorrência do fato gerador e antes do início da ação fiscal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é necessária sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Hipótese em que a averbação ocorreu após a ocorrência do fato gerador e antes do início da ação fiscal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 06 00 /2 00 4- 05 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 13227.000600/200405 Acórdão n.º 9202003.621 CSRFT2 Fl. 409 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório O Acórdão nº 220101.056, da 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 367 a 369), julgado na sessão plenária de 13 de abril de 2011, por maioria de votos, acolheu os embargos de efls. 359 a 362, reratificando o Acórdão nº 39200.007 (efls. 345 a 355), de forma a dar provimento ao Recurso Voluntário. Considerouse, no referido julgamento dos embargos, como possível a dedução de área de reserva legal averbada no registro de imóvel após a ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR no exercício de 2000. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 Ementa: EMBARGOS. OMISSÃO. Constata omissão no acórdão embargado, acolhese a manifestação da embargante para sanar a omissão. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. Averbada a área de reserva legal, ainda que posteriormente ao fato gerador, mas antes do lançamento, admitese a exclusão da área para fins de apuração da base de cálculo do ITR. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado Recurso provido Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (efls. 372 a 382), onde defendeu a necessidade da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do respectivo fato gerador. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 13227.000600/200405 Acórdão n.º 9202003.621 CSRFT2 Fl. 410 3 Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou os seguintes paradigmas: Acórdão no 30335.538 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL.AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA. A área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência. Acórdão no 30236.585 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de "posse", o Termo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averbação daquela área, nos termos supraindicados, sujeitandose, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação. JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA SELIC. O cálculo dos juros e mora com base na taxa SELIC está expressamente previsto no parágrafo 3º, do artigo 61, da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que os mesmos incidem sobre todos os créditos tributários vencidos e não pagos. MULTA DE OFÍCIO. O art.44, da Lei nº9.430, de 1996, prevê a aplicação de multa de ofício nos casos em que o contribuinte não cumpre a obrigação tributária espontaneamente, tendo a mesma função punitiva. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO PELO VOTO DE QUALIDADE. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 384 a 389. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 400 a 406), onde afirma que a necessidade da referida averbação não estaria prevista em qualquer diploma legal, não havendo qualquer prazo estabelecido nem nas Leis Florestal ou Ambiental e nem nas Leis Tributárias, rechaçando a possibilidade de estabelecimento de prazos para tal por Instruções Normativas, uma vez que está a se tratar de aumento da obrigação tributária principal, colacionando jurisprudência oriunda deste CARF que suportaria seu entendimento. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 13227.000600/200405 Acórdão n.º 9202003.621 CSRFT2 Fl. 411 4 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trata da necessidade de averbação tempestiva no registro de imóvel para se permitir a dedução de área de reserva legal da base de cálculo do ITR no exercício de 2000. Sobre o tema, esclareçase que a reserva legal tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1o de janeiro do anocalendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito a partir do exercício de 2001, com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, se tratando, no caso em questão, de matéria incontroversa, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. Ainda quanto à esta última reserva legal, objeto do presente litígio, na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. Para que todos possam decidir com suas convicções, esclareço que, no presente caso, a área de reserva legal teve sua averbação requerida no registro de imóveis em 01/03/2004 (efl. 202), posteriormente à ocorrência do fato gerador, em 01/01/2000, mas anteriormente ao início da ação fiscal, que se deu em 09/08/2004 (efl. 12). Particularmente, entendo que, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 13227.000600/200405 Acórdão n.º 9202003.621 CSRFT2 Fl. 412 5 E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, §2o, na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Observese que, após as alterações da Medida Provisória nº 2.166 67, de 24 de agosto de 2001, essa exigência passou para o §8o do mesmo artigo. Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de reserva legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da área de reserva legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. Filiome à corrente que entende que a averbação da Reserva Legal tem natureza constitutiva. Assim, no presente caso, com a averbação intempestiva da área de reserva legal, ainda que anterior ao início da ação fiscal, não é possível se admitir sua dedução da base de cálculo do ITR. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa da dedução da área de utilização limitada de 1.698,0 ha (efl. 31). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 412DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000458/2003-23
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Jul 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.079
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o
julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012.
Nome do relator: : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canário da Silva, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Versam os presentes autos sobre recurso voluntário interposto de decisão a quo que julgou procedente em parte a ação fiscal, derivada de Auto de Infração lavrado em virtude de omissão de rendimentos constatada mediante cruzamento de dados de CPMF e cuja movimentação financeira foi entregue “espontaneamente” ao Fisco pelo contribuinte. Alega o recorrente em apertada síntese: a) prescrição intercorrente; b) irretroatividade da LC n. 105/2001; c) impossibilidade de tributação por presunção; d) valor probante dos documentos de fls. 321 a 325; e) justificação de parte dos depósitos, por força da juntada dos documentos de fls. 253, 254, 255 e 256 (custas judiciais depositadas por clientes); f) valores não tributáveis referentes a transferências entre contas do próprio recorrente (fls. 248 e 249); g) e tributação de créditos de terceiros (fls. 239, 241, 340, 383, 384 e 392 f/v) Era o de essencial a ser relatado. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13888.000458/200323 Resolução n.º 2802000.079 S2TE02 Fl. 480 2 A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB mediante utilização de dados da CPMF. Após intimação indicando o total da movimentação financeira do período fiscalizado, parte dos extratos bancários foram apresentados pela Recorrente e as demais informações foram obtidas mediante RMF, conforme discriminado às fls. 130 e seguintes dos autos. Irrelevante a entrega “espontânea” de parte dos extratos bancários pelo sujeito passivo, sem a necessidade de obtenção das informações financeiras por ordem administrativa, diante da possibilidade da criação de situação desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente. Isso porque, a obtenção dos dados bancários após regular intimação da fiscalização, não pode ser chamada de “espontânea”, por decorrente de enunciado legal provido de presunção de validade, portanto, cogente para todos contribuintes. Logo, a aplicação de futuro precedente do Sumo Pretório sobre a obtenção dados bancários sem autorização judicial deve ser isonômica tanto para os contribuintes que confiaram na presunção de validade da legislação vigente, quanto para aqueles que simplesmente decidiram por sua conta e risco não entregar, após regular intimação, os extratos bancários solicitados. As intimações fiscais, por se tratarem de atos administrativos, se revestem de presunção de legalidade, bem como a lei que fundamenta o acesso às informações bancárias (LC 105/2011), possui presunção relativa de constitucionalidade. Daí a colaboração do contribuinte na colheita de provas na fase fiscalizatória, não pode ser chamada de “espontânea”. A negativa na entrega dos extratos bancários, de acordo com a legislação vigente e válida por ocasião da realização dos atos preparatórios do lançamento, implicaria na inevitável, por vinculada, expedição de RMF. Logo, a não entrega dos dados bancários solicitados, se tornaria medida apenas protelatória. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral pelo pleno STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa naqueles autos pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que, em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n. 1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi Fl. 480DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13888.000458/200323 Resolução n.º 2802000.079 S2TE02 Fl. 481 3 reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC Fl. 481DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13888.000458/200323 Resolução n.º 2802000.079 S2TE02 Fl. 482 4 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao disposto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF), ratificado pelas decisões acima transcritas, de modo a impedir a apreciação do mérito do presente feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do presente feito, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 482DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 03/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10070.001193/2002-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
Ementa:
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA - CTN. ART. 138 - EXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA - RESTITUIÇÃO Ao efetuar o contribuinte, após seu vencimento, o recolhimento do imposto devido, com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, não há de se lhe aplicar o beneficio da denúncia espontânea estabelecida no art. 138, do Código Tributário Nacional, posto que não configurado pagamento indevido a justificar o indébito tributário. A multa de mora constitui penalidade resultante de infração legal, qual seja, pagamento fora , do prazo legal de obrigação tributária e se cumprida dentro dessa condição legal, devidamente, não há causa para pedir a restituição, como pleiteada.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada).
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ART. 138 EXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA RESTITUIÇÃO Ao efetuar o contribuinte, após seu vencimento, o recolhimento do imposto devido, com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, não há de se lhe aplicar o beneficio da denúncia espontânea estabelecida no art. 138, do Código Tributário Nacional, posto que não configurado pagamento indevido a justificar o indébito tributário. A multa de mora constitui penalidade resultante de infração legal, qual seja, pagamento fora , do prazo legal de obrigação tributária e se cumprida dentro dessa condição legal, devidamente, não há causa para pedir a restituição, como pleiteada. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado provimento. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 11 93 /2 00 2- 16 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase, no processo, de recurso especial interposto pela contribuinte, cujo despacho de admissibilidade contém relato por demais suficiente para entender os fatos, razão pela qual o transcrevo, a seguir,em excertos: “A recorrente, inconformada com o decidido no Acórdão de nº 120200.148, proferido em 25/08/2009, interpõe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos arts. 64, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 21/01/2011, conforme Intimação constante à fl. 169, a recorrente protocolou o seu Recurso Especial, tempestivamente, em 04/02/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Suscita a recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Na sessão plenária de 25/08/2009, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou o recurso voluntário relativo ao processo nº 10070.001193/200216, interposto pela contribuinte, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.148, assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 DENÚNCIA ESPONTÂNEA PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA CTN. ART. 138 EXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA – RESTITUIÇÃO. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 3 Ao efetuar o contribuinte, após seu vencimento, o recolhimento do imposto devido, com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, não há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecida no art. 138, do Código Tributário Nacional, posto que não configurado pagamento indevido a justificar o indébito tributário. A multa de mora constitui penalidade resultante de infração legal, qual seja, pagamento fora do prazo legal de obrigação tributária e se cumprida dentro dessa condição legal, devidamente, não há causa para pedir a restituição, como pleiteada.” O dissídio jurisprudencial se manifesta quanto à discussão da restituição da multa de mora recolhida de forma espontânea juntamente com o imposto e juros moratórios em razão do benefício da denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código tributário Nacional (imposto recolhido em atraso de forma espontânea acrescidos de juros e multa moratória). É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade, e , portanto, dele conheço. Tratase, como relatado, de pedido de restituição de multa de mora recolhida de forma espontânea juntamente com tributo e juros, sob alegação de denúncia espontânea. Este tema foi objeto de recurso repetitivo , no STJ, o qual transcrevo a seguir, in verbis: “ TRANSCREVER REPETITITVO” Assim decidiu o relator, na Câmara baixa: “Pois bem, o artigo 138 do CTN define expressamente que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, quer dizer a multa pode ser exonerada se o sujeito passivo cumpre sua obrigação tributária espontaneamente, sem recolher a multa de mora como decorrente de pagamento fora do prazo legal, ou após sua data de vencimento. Melhor expondo, o contribuinte pode recolher o tributo devido sem multa de mora se efetua o pagamento sem cobrança ou lançamento de oficio, ao abrigo do dispositivo normativo citado, caso,especificamente, não tenha declarado previamente tal tributo perante o órgão arrecadatório, a SRFB, posto que mantida integra sua iniciativa espontânea estimulada pela regra em comento, como vem decidindo nesse sentido o STJ. Contudo assim seja, no caso em exame o contribuinte recolheu o tributo devido após o prazo de vencimento, com a multa e os Fl. 373DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 juros de mora, e agora requer a restituição considerando a multa de mora um "indébito tributário". Sob esse ângulo, tal procedimento do contribuinte, a meu ver, não condiz com a finalidade precípua do instituto da denúncia espontânea, que é a de incentivar o cumprimento espontâneo de obrigações tributárias, sem que haja procedimento fiscalizatório da autoridade administrativa competente, ou qualquer ato que leve ao conhecimento prévio dessa a ocorrência do fato gerador e respectiva obrigação tributária. À obrigação tributária, devida após o vencimento do prazo legal para seu pagamento, deve incidir a multa por atraso, somente por ter o sujeito passivo efetuado o pagamento fora do prazo previsto para tal, conforme previsto em lei, e se o contribuinte cumpriu corretamente o quanto devido, qual seja, a plenitude de sua obrigação tributária com as conseqüências legais pela intempestividade, não há se cogitar em indébito tributário ou pagamento indevido, pois no momento do pagamento, tanto o tributo, como a multa de mora e os juros de mora tinham prévia determinação legal e se caracterizaram realmente como devidos e corretamente pagos. Assim, não se configurou o indébito tributário, passível de restituição como pretende a Recorrente. Falta, portanto, legítima causa de pedir para a Recorrente. (...)” Nestes exatos termos decido a questão e nego provimento ao recurso especial. E como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 374DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 04/03 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911734/2009-32
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 34 /2 00 9- 32 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911734/200932 Acórdão n.º 3802004.229 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.725293/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo.
NULIDADE - VÍCIO MATERIAL - ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento. Quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Julio César Vieira Gomes acompanharam o relator pelas conclusões.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. NULIDADE - VÍCIO MATERIAL - ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento. Quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Julio César Vieira Gomes acompanharam o relator pelas conclusões. Julio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 05 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo. NULIDADE VÍCIO MATERIAL ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 52 93 /2 01 2- 79 Fl. 16625DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento. Quanto ao recurso voluntário, os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Julio César Vieira Gomes acompanharam o relator pelas conclusões. Julio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 16626DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10880.725293/201279 Acórdão n.º 2402004.337 S2C4T2 Fl. 16.618 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em decorrência da ausência de pagamento das contribuições sociais devidas ao INSS e destinadas à Previdência Social e contribuições devidas ao SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, incidentes sobre a diferença entre valores de exportação direta informada em demonstrativo e no Sistema de Comércio Exterior SISCOMEX. Relatório Fiscal às fls. 21/34. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 245/269 (e documentos de fls. 270/793), que restou julgada improcedente nos termos do acórdão de fls. 16.536/16.552 sob os seguintes fundamentos: 1. Não há confundirse suspensão da exigibilidade do crédito tributário com a impossibilidade de lançamento. A suspensão referese tão somente a exigibilidade do crédito previdenciário por via de execução, ou seja, do adimplemento forçado em juízo, impedindo que sejam praticados, contra o sujeito passivo, atos constritivos, expropriatórios ou assemelhados, ainda que esgotada a fase administrativa; 2. O ajuizamento da Ação Declaratória nº 002833245.2010.4.01.3400 pelo contribuinte visando afastar a cobrança de determinada contribuição não impede a Administração de proceder ao lançamento, ainda que haja causa de suspensão da exigibilidade do crédito; 3. A razão assiste ao contribuinte, portanto, devendo ser excluídos a incidência da multa de mora e de ofício. No tocante à contribuição ao SENAR, entendo que está contemplada, também, na ação judicial suscitada pelo contribuinte, também deve restar sobrestada e ter afastada a incidência da multa de ofício que lhe foi cominada; 4. As operações de exportação direta são isentas das contribuições sociais previdenciárias, ao passo que aquelas operações realizadas no mercado interno, ainda que intermediárias e prévias ao procedimento, não o são, conforme as disposições legais, regulamentares e normativas atinente ao fato; 5. O contribuinte foi intimado em diversas oportunidades para justificar as diferenças apontadas, em vão, pelo que considerou que “... as diferenças apuradas forçosamente devem ser consideradas como venda da produção no mercado interno...” (destaques do original), procedendo então à aferição indireta da contribuição devida, mediante a obtenção da diferença anual entre os valores de exportação direta (informados pelo contribuinte) em confronto com os valores obtidos no SISCOMEX, que foram divididos por 12 para obtenção da basedecálculo mensal; 6. Os valores das exportações diretas (não tributáveis) estavam inflados por valores que foram comercializados para o exterior por meio de empresa exportadora distinta do Impugnante. Ou seja, foram operações realizadas no mercado interno, primeiramente, através da remessa dos produtos destinados ao exterior para uma empresa exportadora (‘trading companies’) e, nesse contexto, tributáveis (exportações indiretas); Fl. 16627DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 7. Munido de informação deficiente, que não condizia com a realidade, outra não lhe era alternativa que não constituir as contribuições devidas a partir do arbitramento das basesdecálculo, pelo que se valeu das divergências verificadas entre o informado como destinado à exportação direta e aquilo efetivamente remetido para o exterior diretamente; 8. A imunidade conferida pela Constituição Federal/88 sobre as receitas decorrentes de exportação alberga, apenas, as contribuições sociais e as de intervenção no domínio econômico, nos termos do art. 149, § 2º, I, CF/88; 9. Inexiste dúvida quanto à natureza da contribuição ao SENAR, nitidamente de interesse de categoria profissional e econômica, portanto não abrangidas pela imunidade supracitada; 10. As contribuições destinadas ao SENAR não compõem o orçamento da Seguridade Social, conforme definido no art. 11 da Lei nº 8.212/91, não podendo, nem de longe, ser consideradas tais quais aquelas dispostas no art. 195 da Constituição Federal; Ciente do resultado do julgado (fls.16.564), a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 16.565/16.596 segundo o qual: 1. Preliminarmente, a autuação fiscal é de todo nula, pois não houve a ocorrência de fato gerador das contribuições exigidas. Uma vez não tendo ocorrido o fato gerador, não há que se falar em lançamento, nos termos do art. 142 do CTN; 2. A autoridade fiscal desconsiderou, sem justificativa, toda a documentação da Recorrente e por mera sugestão resolveu arbitrar um número que seria decorrente da venda no mercado interno e que teria sido imputado possivelmente como receita de exportação; 3. Há gritante cerceamento do direito de defesa da ora Recorrente, uma vez que esta produziu farta documentação aos autos, que foram desconsideradas pelas autoridades julgadoras; 4. Não cabe a autoridade administrativa aceitar ou não os documentos apresentados pelo contribuinte, é seu dever fazêlo, verificálos e auferirlhes o devido valor, especialmente em respeito ao art. 142 do CTN e ao princípio da verdade material; 5. Os documentos juntados pela Recorrente provam que as mercadorias efetivamente deixaram o território brasileiro, com destino ao exterior e, deste modo, jamais foram comercializadas dentro do país; 6. A Recorrente está sob o manto da imunidade tributária, porque o comando da norma do art. 149, § 2º, I, da CF é claro ao estabelecer a imunidade objetiva às receitas decorrentes de exportação. O que a lei determina é que as receitas que decorram da exportação devem ser desoneradas; 7. O DecretoLei nº 1.248/72 equipara o tratamento tributável aplicável às operações de compra de mercadoria no mercado interno com aquelas realizadas por intermédio de empresas especializadas na exportação; 8. Não houve, por parte da recorrente, nenhum registro de receita oriunda de venda no mercado interno registrada como se exportação fosse. A fiscalização adotou um critério, qual seja, “exportação direta” como sendo efetuada sem intervenção de “tranding” e “exportação indireta” como sendo via “tranding”, ao passo que a Recorrente não tinha adotado essa classificação, o que gerou a divergência de valores questionada nos autos; 9. A Recorrente apresentou planilha e notas fiscais de exportação, que discriminam todos os objetos de exportações diretas e indiretas; Fl. 16628DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10880.725293/201279 Acórdão n.º 2402004.337 S2C4T2 Fl. 16.619 5 10. Quanto à utilização da aferição indireta, a autoridade julgadora simplesmente se limitou a dizer que a documentação seria deficiente, sem contudo apontar e fundamentar sua decisão, o que a torna nula, além de arbitrária. A vasta documentação apresentada não foi devidamente analisada. Não se pode fazer uso do método indireto quando o contribuinte apresenta toda a documentação exigida; 11. Ainda que o lançamento não seja rechaçado pelos argumentos expostos, as autuações devem ser mantidas com a exigibilidade suspensa, com a exclusão de qualquer tipo de multa ou penalidade, pela concomitância com a ação declaratória nº 0028332 45.2012.4.01.3400; Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 16629DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Conhecimento O recurso voluntário atende ao requisito da tempestividade, razão pela qual dele conheço em parte para exclusão da parte em que se discute matéria objeto de Ação Declaratória, conforme adiante explicitado. Da concomitância de processo administrativo e judicial Na questão de mérito o julgador de primeira instância decidiu e a própria Recorrente ratificou o entendimento de que em se tratando de matéria discutida em sede de ação declaratória, não cabe análise pela via administrativa. Nesse sentido, nos termos da Súmula nº 1 do CARF, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo importa na renúncia a instancia administrativa: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Em igual sentido são as decisões deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Não se conhece o recurso apresentado, pois o contribuinte que ingressa no poder judiciário com ação, cujo objeto é o mesmo do processo administrativo, está renunciando o direito à instância administrativa. Aplicação Súmula CARF nº 1. Recurso voluntário não conhecido. (CARF – Processo n° 10865.000671/200143, Acórdão n° 3202 001.101, Sessão de 27 de fevereiro de 2014) “PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Renuncia ao direito à instância administrativa o contribuinte que ingressa no Judiciário com ação, cujo objeto é o mesmo do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.” (CARF – Processo n° 10768.005734/200661, Acórdão nº 2201 002.334, Sessão de 19 de fevereiro de 2014. “AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIDADE DE OBJETOS E DISCUSSÕES. RENÚNCIA CONFIGURADA. SÚMULA CARF. N. 01. No caso da existência de processo judicial no qual a discussão ali travada e os pedidos seja idênticos ao constante nos autos do processo administrativo, sobre eles operase a renúncia à esfera administrativa, em homenagem a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário. (...) Fl. 16630DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10880.725293/201279 Acórdão n.º 2402004.337 S2C4T2 Fl. 16.620 7 (CARF – Processo. 15901.000467/200839, Acórdão n° 2402 002.705) O caso sob análise enquadrase perfeitamente na hipótese prevista pela Súmula/CARF e pela jurisprudência, razão pela qual não cabe a esta Turma a apreciação do mérito do recurso voluntário, qual seja, a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre as verbas já mencionadas. No Mérito Da aferição indireta e os documentos apresentados Pretende a Recorrente a anulação do auto de infração sob alegação de que teria a Fiscalização cometido erro material na determinação da base imponível, ao considerar como operações de mercado interno as exportações realizadas pela empresa. Acosta inúmeros documentos visando demonstrar o alegado equívoco. Pois bem. A questão que ronda o presente processo administrativo foge da seara técnica e trata da questão fática envolvida. De um lado a Fiscalização, com ratificação pelo Sr. Julgador de primeira instância, entende que em decorrência das divergências apuradas entre os valores informados pela empresa como sendo relativos a exportação e os valores verificados no SISCOMEX, deve a diferença ser aferida indiretamente e enquadrada como operações do mercado interno. De outro lado, a empresa Recorrente alega que não houve apuração real e correta pela Fiscalização das planilhas e documentos apresentados. Aduz, ainda, que o julgador de primeira instância cerceou seu direito de defesa ao considerar tão somente as informações fornecidas pela fiscalização, sem analisar efetivamente os inúmeros documentos acostados junto à impugnação. Passemos à análise da questão fática, com base nos documentos acostados, tendo em vista que em sede de processo administrativo devese buscar a verdade material (Acórdão 920200.818, Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF). Durante o procedimento fiscalizatório, a Recorrente, atendendo a solicitação do Sr. Auditor, apresentou demonstrativo de receitas do ano de 2008. Dentre as informações apresentadas, constou lista denominada “Receitas Export Direta” (fls. 120) que, posteriormente, foi utilizada pela fiscalização para cálculo por meio de aferição indireta em comparação com os valores do SISCOMEX. Tal informação pode ser verificada nas planilhas criadas pela Fiscalização em sede de relatório fiscal de fls. 30/33, em que o fiscal explica o cálculo para fins de autuação. A Recorrente, todavia, alega que as divergências verificadas pela Fiscalização, em verdade, decorrem da operacionalização das exportações, na medida em que entre a emissão de nota fiscal e o efetivo registro da mercadoria chega a demorar até 4 meses. Nega sob qualquer circunstância que tais diferenças se refiram a comercialização no mercado interno, esclarecendo que se há diferença, esta decorre das exportações realizadas mediante “trading companies”. A Recorrente, ainda, apresentou alegações a fim de explicar a variação. Juntou também aos autos inúmeras notas fiscais. Em sede de recurso voluntário a Recorrente afirma que a autoridade administrativa desconsiderou todas as notas fiscais que compuseram o exato valor de produtos exportados, seja na Fl. 16631DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 forma direta ou indireta, absurdamente sem qualquer justificativa para tanto. [...] por simples cálculo aritmético de subtração entre o demonstrativo de Exportação Direta e o valor constante no SISCOMEX, a autoridade fazendária chegou à conclusão de que a diferença encontrada de R$ 223.515.143,76 seria relativa às vendas efetuadas no mercado interno, presumindo, assim, que as mercadorias não teriam sido exportadas. Analisando os autos, verificase que diante das inconsistências vislumbradas quando da atividade fiscalizatória, a Recorrente apresentou inúmeros documentos para demonstração das alegações. O julgador de primeira instância, por sua vez, assim como o fiscal, não demonstrou ter analisado toda a documentação trazida pela Recorrente. Em sede de impugnação, a Recorrente esclarece que a divergência ocorrida na ação fiscalizatória decorreu da conceituação dada pelo fiscal para os termos ‘exportação direta’ e ‘exportação indireta’. Isto porque, para fins de contabilização, a Recorrente utilizou o termo ‘exportação direta’ para se referir a toda exportação de produção própria (fosse ela exportada pela própria Recorrente ou via trading companies) e ‘exportação indireta’ como sendo a exportação de produtos fabricados por terceiros. O fiscal, por outro lado, entendeu como ‘direta’ a exportação efetuada pela própria Recorrente e ‘indireta’ a exportação realizada via ‘trading companies’. Fato é que da análise dos memorandos de exportação juntados pela Recorrente restou demonstrado que nos valores considerados por sua contabilidade como sendo de exportação ‘direta’ constavam também exportações realizadas via empresas interpostas (trading companies), não havendo indícios suficientes que demonstrem a ocorrência de vendas no mercado interno. O que se verifica, portanto, é que as diferenças apuradas pela fiscalização entre os valores contabilizados pela Recorrente como referentes a exportações e os valores declarados ao SISCOMEX decorreram das exportações que, embora contabilizadas pela Recorrente como diretas ou indiretas (sendo a classificação referente ao fato de serem de fabricação própria ou de terceiros), tenham sido efetivadas via ‘trading companies’. Os artigos 44 e 148 do Código Tributário Nacional determinam: “Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.” “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” No mesmo sentido, o art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91 prevê: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) Fl. 16632DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10880.725293/201279 Acórdão n.º 2402004.337 S2C4T2 Fl. 16.621 9 § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O arbitramento, portanto, é legítimo à fiscalização sempre que não estiverem presentes os elementos que viabilizem a apuração direta do total devido, conforme artigos 148 c/c 44 do Código Tributário Nacional e artigo 33, §§ 3° e 6° da Lei n° 8.212/91. No caso sub judice, a Recorrente demonstrou que os valores dados pela autoridade como sendo relativos a operações no mercado interno, em verdade, são decorrentes de exportações realizadas via ‘trading companies’ e que por tal razão os valores declarados pela contabilidade divergem do SISCOMEX. Ainda, notificada a apresentar os esclarecimentos quanto às divergências entre sua contabilidade e o SISCOMEX, o fez de forma satisfatória, mediante apresentação de relatórios, notas fiscais e registros de exportação. Assim, tendo em vista o equívoco da fiscalização ao aferir indiretamente os créditos tributários e afastada a ocorrência de um dos elementos da RMIT da contribuição previdenciária, necessário reconhecer a nulidade material do auto de infração. Do Recurso de Ofício Recorre de ofício a autoridade julgadora de primeira instância em razão da exclusão da multa em auto de infração lavrado para evitar a decadência, bem como por erro quanto ao fundamento legal. Da aplicação de multa em AI lavrado para evitar a decadência A Lei n° 9.430/96, em seu artigo 63, estabelece expressamente a proibição de lançamento de multa em auto de infração lavrado com a finalidade de prevenir a decadência: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Assim, correta o julgamento prolatado em primeira instância no sentido de cancelar o Auto de Infração n° 37.365.7420. Neste sentido o CARF já se pronunciou: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003 LANÇAMENTO PARA EVITAR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Forte no art. 63 da Lei n.º 9.430/96, é vedado o lançamento de multa em lançamentos para evitar a decadência, sendo ilegal a decisão da DRJ em alterar a multa de ofício para “de mora”com vistas a sua manutenção. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Conclusão Fl. 16633DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário em razão de vício material no lançamento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 16634DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 27/11/2 014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 18088.000557/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 55 7/ 20 10 -7 3 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18088.000557/201073 Resolução nº 2402000.489 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 21/09/2010 para exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2005 a 13/2009. A Recorrente interpôs impugnação pleiteando a total insubsistência da autuação (fls. 85/98). A DRJ de Ribeirão Preto/SP determinou a realização de diligencia para que o fiscal recalculasse a infração, confrontando os valores apurados no AI 68 + 24% AIOP coma multa de 75%, ao invés de comparar esta com a multa de 24%, como fez a fiscalização (fls. 100/104). A fiscalização apresentou Relatório Fiscal Complementar, recalculando a multa (fls. 106/111). A Recorrente foi intimada da diligencia (fl 112), porém não se manifestou. A d. DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 114/133), sob os argumentos de que (i) a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente; (ii) a administração pública federal tem o dever de reexaminar seus atos e retificar o valor da multa para adequála ao valor que efetivamente deve ser aplicado; (iii) somente estará isenta da quota patronal a empresa que requerer e obtiver o correspondente Ato Declaratório; (iv) apenas a lei pode conceder anistia; (v) tratandose de lançamento por descumprimento de obrigação acessória, aplicase a regra geral de decadência; (vi) a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação; (vi) o contencioso administrativo não é a instância adequada à formulação de pedido de parcelamento, devendo o contribuinte dirigirse à unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil; (vii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que: (i) todas as GFIP’s do período de 01/2005 a 12/2009 foram refeitas e apresentadas à Auditoria Fiscal Sra. Adailsa, de acordo com as exigências por ela formuladas e dentro do período de fiscalização; (ii) acreditava que as informações prestadas à Receita Federal estavam corretas, pois o contador apresentava mensalmente as guias do INSS e do FGTS; (iii) é entidade filantrópica, isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias; (iv) na hipótese de se manter a multa, esta deve ser ao menos reduzida para o valor de R$ 500,00; (v) deve ser concedida anistia, nos termos do art. 180 e seguintes do CTN; (vi) parcelou seus débitos junto à Receita Federal, nos termos da Lei n. 11.941/09, (vii) devem ser observados os prazos decadenciais; (viii) devem ser concedida todos os meios de produção de provas permitidas em lei; (ix) teve seu pedido de renovação do certificado de entidade beneficente de assistência social deferido no CNAS (fls. 147/145). É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18088.000557/201073 Resolução nº 2402000.489 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O presente processo versa sobre a exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2005 a 13/2009. Temse, portanto, que a análise da procedência ou não da cobrança de multa nestes autos, por se tratar de obrigação acessória, depende do julgamento da exigência do montante principal. Contudo, não se tem nos autos informações dos julgamentos dos processos conexos onde há a exigência das contribuições previdenciárias, razão pela qual é necessário que o presente processo baixe em diligência para que a fiscalização preste informações acerca do andamento destes processos. Diante disso, para que seja possível proceder com o julgamento do presente auto de infração, é necessário que sejam prestadas informações relacionadas às demais NFLD’s lavradas neste procedimento fiscal, elencadas à (fl. 47). Inicialmente, dentre as NFLD’s mencionadas acima, devem ser identificadas pela fiscalização aquelas que versam sobre a exigência das contribuições previdenciárias (obrigação principal) que deixaram de ser declaradas e que resultaram na lavratura do presente auto de infração. Após, em relação aos autos das NFLD’s conexas, cfe. parágrafo acima, deve ser verificado: a) A existência de decisão definitiva proferida no respectivo processo administrativo; b) A existência de pagamento ou parcelamento das contribuições exigidas; c) O atual andamento dos processos administrativos. d) Por fim, requer seja juntado ao presente processo cópia integral do processo administrativo relativo às NFLD’s conexas, ou, se possível, sejam apensadas ao presente processo. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique e responda as questões expostas acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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