Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10675.901960/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2012 DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10675.901960/2014-13
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016764
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.756
nome_arquivo_s : Decisao_10675901960201413.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10675901960201413_6016764.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7770355
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911467302912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.901960/201413 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.756 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012 DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 19 60 /2 01 4- 13 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10675.901960/201413 Acórdão n.º 1201002.756 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.039, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 375,79 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2012 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10675.901960/201413 Acórdão n.º 1201002.756 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10675.901960/201413 Acórdão n.º 1201002.756 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903819/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/04/2011 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.903819/2014-20
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6012550
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-005.925
nome_arquivo_s : Decisao_10880903819201420.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880903819201420_6012550.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7757868
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911481982976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.903819/201420 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.925 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA ÔNUS DA PROVA Recorrente HOUSE OF VISION COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2011 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 38 19 /2 01 4- 20 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.903819/201420 Acórdão n.º 3301005.925 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarado pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/RPO, no acórdão n° 14056.758, negou provimento ao apelo.. Em recurso voluntário, aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.903819/201420 Acórdão n.º 3301005.925 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.922, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900868/201419, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.922): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur do IPI, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.903819/201420 Acórdão n.º 3301005.925 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar o IPI pago. Dessa forma, não há como se afirmar qual ou quais valores integraram a base de cálculo do IPI ao arrepio do art. 47 do CTN. Em pedido de sua iniciativa, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo do IPI; b) Sustentar o indébito no livro de apuração do IPI e em notas fiscais; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF e demais livros fiscais. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.903819/201420 Acórdão n.º 3301005.925 S3C3T1 Fl. 6 5 I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720002/2016-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011
PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Duplica-se o percentual da multa de ofício a ser aplicada, se estiverem comprovadas as circunstancias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídica
Numero da decisão: 1201-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários e de ofício, mantendo a tributação, as responsabilizações solidárias dos senhores Luiz Marques de Andrade Filho e Reginaldo Souza Santos e a qualificação da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram por diligência.
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Duplica-se o percentual da multa de ofício a ser aplicada, se estiverem comprovadas as circunstancias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídica
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.720002/2016-64
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6001606
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.883
nome_arquivo_s : Decisao_10580720002201664.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580720002201664_6001606.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários e de ofício, mantendo a tributação, as responsabilizações solidárias dos senhores Luiz Marques de Andrade Filho e Reginaldo Souza Santos e a qualificação da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram por diligência. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7724385
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911495614464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1913; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720002/201664 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201002.883 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria IRRF Pagamentos sem causa Recorrente FUNDACAO ESCOLA DE ADMINISTRACAO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Duplicase o percentual da multa de ofício a ser aplicada, se estiverem comprovadas as circunstancias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídica Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários e de ofício, mantendo a tributação, as responsabilizações solidárias dos senhores Luiz Marques de Andrade Filho e Reginaldo Souza Santos e a qualificação da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Alexandre Evaristo Pinto, que votaram por diligência. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 02 /2 01 6- 64 Fl. 3646DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Aproveito o relatório de primeira instância por bem descrever o teor da discussão deste processo: O contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), exercício 2012, como entidade isenta do IRPJ, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) declarou apenas valores ínfimos relativos ao IRRF e PIS Folha de Pagamento, no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) declarou valores zerados e, por último, na Declaração de Imposto Retido na Fonte (Dirf) retificadora, ativa no sistema, há indicação de pagamento para uma única pessoa jurídica, apesar disso, foram encontrados pagamentos de vultuosas quantias, no valor total de R$ 32.005.388,07, a quatro pessoas jurídicas. A ação fiscal teve como motivação inicial denúncia do Ministério Público Federal, Ofício nº. 188/2014/MPF/PRBA/2º. OCE/FPCM que noticia a existência de Procedimento Investigatório Criminal instaurado contra a FEA/UFBA. Os Relatórios de Inteligência Financeira RIF, elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras Coaf, referem se às empresas beneficiárias de vultuosos créditos, oriundos da FEA/UFBA, relacionadas em procedimento administrativo do Tribunal de Contas do Município, entre elas: (i) Brain Brasil Inovação Consultoria e Assessoria Ltda, (ii) Digital Instituto de Tecnologia Ltda e a (iii) Glia Criatividade Comunicação e Design Ltda, que receberam, respectivamente, R$ 7.552.812,82, R$ 6.012.719,11 e R$ 6.012.719,11 no ano calendário fiscalizado. Essas empresas possuem sócios coincidentes, Flavio de Souza Marinho, Alexandre Toccheto Pauperio e Fabio Luis Assmann e, segundo informação do sistema, Sif, FGTS e Gfip, essas empresas possuem irrisórios vínculos empregatícios o que revela suposta incapacidade para a prestação de serviços de tamanha vultuosidade. Fl. 3647DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 4 3 Há, no relatório fiscal, reportagens nas quais consta que o sócio, Alexandre Toccheto Pauperio, foi indiciado em uma Ação Civil Pública pela prática de crime de improbidade administrativa (sic) pelos convênios realizados entre a Secretaria de Educação do Município – Secult e a Fundação Escola de Administração – FEA/UFBA e que ele era o representante da FEA/UFBA perante a Secult, mesmo não integrando os quadros daquela. Ainda, a empresa KM Precision Ltda recebeu da FEA/UFBA mais de 10 milhões de reais no ano calendário de 2011, não obstante a isso, conforme informação nos sistemas, Sif e Gfip, tal empresa também possui um número ínfimo de funcionários o que revela suposta incapacidade na prestação de serviços tão vultuosos. Cabe salientar ainda que os sócios dessa empresa, José Carlos Manso Cabral Filho e Euclides Paiva Alves Junior, foram empregados da FEA/UFBA durante vários anos, inclusive no anocalendário fiscalizado, 2011. No decorrer da ação fiscal, os sócios das empresas Brain, Digital e Glia, Flavio de Souza Marinho, Alexandre Toccheto Pauperio e Fabio Luis Assmann, foram intimados a prestar esclarecimentos quanto aos recursos recebidos da FEA/UFBA, conforme relatório fiscal, fls. 101 a 105. No mesmo sentido, os sócios da empresa KM, José Carlos e Euclides Paiva, também foram intimados, os depoimentos se encontram às fls. 106 a 108. A FEA/UFBA informou à fiscalização que goza da imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c” da Constituição Federal c/c art; 12 da Lei nº. 9532/97 quanto ao IRPJ por ser uma instituição de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. Alega que também faz jus a isenção do IRPJ e da CSLL com arrimo no art. 15 dessa mesma lei por ser instituição de caráter cultural e científico, sem fins lucrativos, além de se considerar isenta do Pis/Pasep e Cofins, respectivamente, com fulcro nos arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº. 215835/91. Os requisitos para gozo da isenção sobre a Cofins e CSLL estão tratados no art. 29 da Lei nº. 12101/09. O art. 32 da mesma lei ainda prevê a obrigatoriedade da lavratura dos autos de infração no caso de não atendimento aos referidos requisitos legais. [Suprimida parte referente à Suspensão de Imunidade e Isenção] Ainda no decorrer da ação fiscal, foi constatado pagamentos sem comprovação de causa a Brain, Digital e Glia no valor de R$ 6.431.709,00, R$ 5.342.318,70 e R$ 7.073.186,10, respectivamente, para o qual foi lavrado o auto de infração referente a IRRF consubstanciado no processo administrativo nº 10580.720002/201664. E, por fim, houve a qualificação da multa em razão do enquadramento do impugnante no art. 71, inciso I da Lei nº 4.502/64 em relação ao IRRF, processo administrativo nº. 10580.720002/201664 e, ainda, os representantes legais da entidade foram enquadrados como responsáveis tributários com base no art. 124, inciso I c/c art.135 do CTN. Fl. 3648DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 5 4 Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, o contribuinte apresenta impugnação, fls. 3426 a 3498, relativamente ao IRRF os argumentos estão sucintamente resumidos a seguir: I (...) II – Nulidade do lançamento IRRF Em primeira analise, alega nulidade do lançamento IRRF, uma vez que o próprio auto de infração/relatório fiscal reconhece que as transferências tiveram por causa contratos e convênios da FEA/UFBA. Segundo o impugnante houve, reconhecidamente, a contratação das empresas Brain, Digital e Glia, com o objetivo de terceirizar o serviço, sendo, portanto, contraditório afirmar que o pagamento foi sem causa. Ainda, alega que os pagamentos tiveram causas devidamente documentadas por relatórios de prestação de serviço e esses foram imotivadamente desconsiderados. Afirma que não houve investigação nas empresas beneficiárias e que uma simples análise de Gfip é incapaz de provar a incapacidade na prestação de serviços, uma vez que esse fato pode ser resultado de descumprimento de obrigações tributárias ou uma forma de contratação de mãodeobra, tal como locação civil ou quarteirização. Apresenta julgados administrativos para afirmar que o auto de infração não pode ser objeto de suposições e solicita a nulidade do lançamento. III – Bitributação e Confisco Afirma que o mesmo pagamento, que já foi declarado por aquele que o recebeu e sobre o qual já houve acerto do imposto de renda, volta a ser tributado no auto de infração. IV Multa Qualificada Quanto a qualificação da multa, defende que a qualificação do impugnante na DIPJ, como entidade imune, isenta ou como contribuinte regular, não tem o potencial de contribuir para a sonegação do IRRF, pois o fato gerador do IRRF independe da qualidade jurídica da fonte pagadora. Alega ainda que, conforme relatório fiscal, a causa da multa qualificada foi apenas a qualificação do impugnante na DIPJ. Assim, pela teoria dos motivos determinantes, o administrador está vinculado ao motivo declarado no ato. Se esse não prospera, o ato também não. [...] Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, a responsável Maria da Graça Pitiá Barreto, apresenta impugnação, fls. 3366 a 3385, com os argumentos sucintamente resumidos a seguir: Fl. 3649DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 6 5 Esclarece que a responsabilidade tributária foi atribuída com base no art. 135, inciso III e art. 124, inciso I ambos do CTN. No entanto, o vínculo apenas recaiu sobre ela pelo exercício da vicediretoria na Escola de Administração da UFBA e por força do Estatuto da Fundação da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia que assim previa: Defende também que pela literalidade do art. 135, não há espaço para imputar responsabilidade para pessoa diversa do cargo de diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado, sendo que Maria da Graça era vicediretora, para corroborar esse entendimento apresenta doutrina e entendimentos jurisprudenciais. Assim, a fiscalização não identificou a prática de qualquer ato realizado por Maria da Graça Pitiá Barreto durante o período fiscalizado, uma vez que a mesma nunca substituiu o diretor, não exercendo, portanto, os poderes de gerência, administração ou diretoria da FEA/UFBA. Quanto ao enquadramento previsto no inciso I do art. 124, doutrina e jurisprudência são pacíficas no sentido de que “tem interesse comum aqueles que figuram conjuntamente como contribuintes (...) e não pessoas que não preencham a própria condição de devedor.” Ainda, no relatório fiscal, houve referência ao art. 136 do CTN. No entanto, tal enquadramento também não merece prosperar uma vez que sem poderes de administração e sem gerir a FEA/UFBA, impossível o cometimento de qualquer infração tributária. Por último, não se pode aceitar a autuação feita de forma presumida como no caso. Finaliza a impugnação solicitando que o auto de infração seja julgado improcedente quanto à legitimação passiva. Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, os responsáveis, Luiz Marques de Andrade Filho e Reginaldo Souza Santos, apresentaram impugnação idêntica, fls. 3392 a 3402 e fls. 3408 a 3419, respectivamente , com os argumentos sucintamente resumidos a seguir: Defende a nulidade da autuação uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – foi emitido em nome da Fundação, não constando o nome do impugnante nesse documento. Fl. 3650DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 7 6 Informa que os autos de infração tem como fundamento legal o art. 135, inciso III c/c art. 124, inciso I do CTN. No entanto, nem os autos nem o relatório fiscal apontam qual seria o interesse comum do autuado na situação. Além disso, o termo “infração à lei” previsto no art. 135, inciso III, se refere a lei comercial ou civil e não a tributária, e possui como função a proteção à pessoa jurídica. Afirma que em todos os convênios e contratos celebrados, a FEA/UFBA realizou sua finalidade social, beneficiando toda a sociedade, não havendo, portanto, prática de ato contrário ao estatuto e que a existência de suposto ilícito tributário não autoriza a responsabilização nos termos do art. 135 do CTN, para validar seu entendimento apresenta Súmula do STJ nº. 430. Alega que a ação fiscal não foi aprofundada, pois, caso contrário, o autuante chegaria a conclusão de que os serviços foram efetivamente prestados e que os contratos e convênios firmados tinham o escopo de cumprir a finalidade de seus estatutos. Finaliza solicitando que seja julgado procedente a impugnação para que seja declarada a insubsistência do auto de infração impugnado e, principalmente, improcedente a responsabilização solidária dos impugnantes. Com exceção de Maria da Graça Pitiá Barreto, que teve a sua responsabilidade tributária excluída, as impugnações foram julgadas improcedentes, conforma acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Duplicase o percentual da multa de ofício a ser aplicada, se estiverem comprovadas as circunstancias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas. Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos: a) MANTER, integralmente, as exigências Fl. 3651DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 8 7 do IRRF, acrescidas da multa qualificada no percentual de 150% e dos juros de mora: a) MANTER, integralmente, as exigências do IRRF, acrescidas da multa qualificada no percentual de 150% e dos juros de mora; b) MANTER o vínculo de responsabilidade tributária (tributos e multas) aos senhores Luiz Marques de Andrade Filho e Reginaldo Souza Santos; c) AFASTAR a responsabilidade tributária (tributos e multas) para a senhora Maria da Graça Pitiá Barreto. Contra tal decisão, foram interpostos recursos voluntários, os quais, em síntese, reproduzem os argumentos da Impugnação, bem como recurso de ofício. É o que cumpre relatar. Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator Recurso de Ofício Admissibilidade O recurso preenche os requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele deve ser conhecido. Mérito Trata o presente de reexame necessário referente à decisão de primeira instância que excluiu a corresponsabilidade tributária de Maria da Graça Pitiá Barretto. Reproduzo os fundamentos da decisão recorrida: A responsável tributária, Maria da Graça Pitiá Barreto, afirma, em apertada síntese, que o vínculo apenas recaiu sobre ela por força do estatuto da FEA/UFBA que prevê que o cargo de vice presidência do conselho da FEA será exercido pela vicediretora na Escola de Administração da UFBA. Defende, ainda, que pela literalidade do art. 135 do CTN, não há espaço para imputar Fl. 3652DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 9 8 responsabilidade para o cargo de vicediretora. Acrescenta, por último, que a fiscalização não identificou a prática de qualquer ato realizado por ela, uma vez que a mesma nunca substituiu o diretor. No caso em concreto, a autoridade fiscal não comprovou que Maria da Graça substituiu efetivamente o presidente do conselho, Reginaldo Souza Santos, nos atos de administração da FEA/UFBA. Assim, não restou comprovada a participação efetiva da Maria da Graça na infração efetuada pelo sujeito passivo. Pelo exposto, mantenho a responsabilidade solidária para os tributos e multas apenas para o Sr. Luiz Marques de Andrade Filho e o Sr. Reginaldo Souza Santos,pela aplicação do inciso I, art. 135 e art. 136 do Código Tributário Nacional, afastando, assim, a responsabilidade da Sra. Maria da Graça Pitiá Barreto. Portanto, Maria da Graça Pitiá Barreto, cujo vínculo com a FEA era a de VicePresidente do Consellho, não teve confirmada a sua participação nos atos que deram causa à autuação, posto não ter restado comprovado ter substituído, em qualquer momento, o Presidente Reginaldo Souza Santos, o qual foi responsabilizado. Compulsando os autos, cheguei à mesma conclusão do órgão de primeira instância, isto é, de não ter restado demonstrada a participação de Maria da Graça Pitiá Barreto nos fatos que justificaram a ampliação da sujeição passiva eleita no lançamento tributário. Assim, julgo improcedente o Recurso de Ofício. Recursos Voluntários Admissibilidade Os recursos preenchem os requisitos para as suas admissibilidades, razão pela qual deles deve ser conhecido. Mérito Tratandose de mais de um recurso, as questões comuns serão enfrentadas primeiro em conjunto, seguindo a ordem de prejudicialidade, para depois serem enfrentadas as questões específicas de cada recorrente, se houver. Apenas as questões suscitadas nos recursos relativas ao lançamento do IRRF estão sendo apreciadas neste julgamento. Fl. 3653DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 10 9 Argui a pessoa jurídica autuada, FEA/UFBA, que o lançamento é nulo porque todos os beneficiários dos pagamentos efetuados foram identificados. Além disso, reclama ser descabida a inversão do ônus da prova, pois existem nos autos prova documental feita por contratos. Informa que os progressos resultantes do convênio firmado entre a FEA/UFBA e o DETRAN beneficiou usuários, tendo sido todos os contratos celebrados executados. E que mesmo se houve terceirização, ainda sim estariam plenamente justificados os pagamentos contratados. Tendo ainda sido reconhecida a contratação dessas empresas para fins de terceirização do serviço, seria contraditório o enquadramento de pagamento sem causa. Mesmo que a terceirização fosse dada por ilícita, tal fato não poderia implicar o enquadramento jurídico dado no Auto de Infração de pagamento sem causa. Alega a recorrente FEA/UFBA que a fiscalização deixou de verificar as empresas prestadoras de serviço para confirmar se sua suposição era verdadeira, substituindo tal mister por uma alegada acusação genérica feita com base em investigação superficial. Alega ainda bitributação e contesta a decisão da DRJ sobre este questionamento, que se limitou a responder que o lançamento foi feito com base na legislação vigente. Afirma que houve bitributação e confisco de fato, pois, identificado o beneficiário e a causa do pagamento, o imposto deve ser apurado e pago em relação ao próprio beneficiário. Não assiste razão à Impugnante. O IRRF na modalidade pagamento sem causa encontrase previsto no art. 61, caput e §1º, da Lei 8.981/95, cuja redação é a seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, (...). Tratase na verdade de regra antiga na legislação do Imposto de Renda, que remonta ao art. 2º da Lei 3.430/19581 e, àquela época, tal espécie já previa sua aplicação para 1 Lei 3.470/1958: Art 2º Não são dedutíveis, para os efeitos do impôsto de renda da pessoa jurídica, as importâncias que forem declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não fôr indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. Fl. 3654DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 11 10 pagamentos que, embora identificado o beneficiário, a operação ou a sua causa não eram comprovados. Não obstante o alcance do termo causa provoque ainda certas divergências no âmbito da doutrina e da jurisprudência do CARF, convergem os entendimentos de que a modalidade IRRF sob pagamentos sem causa tem perfeita aplicação em casos que envolvam malversação de recursos públicos ou desvio na aplicação de incentivos fiscais. No caso dos autos, a acusação fiscal trata que a recorrente FEA/UFBA, entidade de pesquisa vinculada à Universidade Federal da Bahia e beneficiada com imunidade e isenção de tributos, efetuou pagamentos vultosos a empresas sem capacidade operacional própria leiase, Brain Brasil Inovação Consultoria e Assessoria Ltda, Digital Instituto de Tecnologia Ltda e a Glia Criatividade Comunicação e Design Ltda no ano de 2011 sem ainda comprovar a efetiva prestação destes serviços pelas mencionadas empresas. Informa ainda o Termo de Verificação que a ação fiscal foi deflagrada a partir da notícia dada por relatórios do COAF apontando movimentação financeira atípica destas empresas beneficiárias com o recebimento dos pagamentos oriundos da FEA/UFBA. Como comprovação dos serviços contratados, a recorrente apresentou, no curso do procedimento fiscal, contratos, relatórios e projetos com descrições insuficientes sobre seus objetos. O Recurvo Voluntário igualmente não explica concretamente que serviços foram estes que justificaram pagamentos da ordem de quase R$ 19 milhões de reais, para empresas com poucos funcionários. A incompatibilidade da movimentação financeira foi concluída a partir do seu confronto com o patrimônio das empresas beneficiadas, com suas ocupações profissionais, atividade econômica, e por não demonstrarem ter sido resultado de atividades normais. Por fim, tal suspeita se tornou ainda mais relevante quando se constatou que eram sócios destas empresas as mesmas pessoas físicas, a saber, os Srs. Flávio de Souza Marinho, Alexandre Ticcheto Pauperio e Fábio Luis Assmann. Contra tais constatações, o Recurso Voluntário nada menciona e insiste na tese de que a identificação dos beneficiários no caso, destas 3 empresas para onde todos os indícios convergem não existirem de fato seria o suficiente para comprovar a causa dos pagamentos e afastar a tributação. Ora, por óbvio que, diante deste quadro aí caracterizado, a mera apresentação de contratos firmados entre as partes igualmente interessadas em sustentar o status de legitimidade destas operações não é prova suficiente de que os serviços foram de fato prestados. A experiência mostra que, em engenharias deste tipo, os beneficiários destes pagamentos não declaram estes rendimentos ou, se declaram, não pagam os tributos. Como não possuem patrimônio compatível com tais operações, o crédito tributário não é satisfeito e, não sendo crime fiscal, mas mera inadimplência, o fisco acaba sendo prejudicado. § 1º Desde que não atendida a condição estabelecida neste artigo, os rendimentos declarados como pagos ou creditados por sociedades anônimas serão tributados na fonte à razão de 28%. Fl. 3655DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 12 11 Por esta razão, temse por justificada, não só em tese como também em sua aplicação no caso concreto deste processo, a modalidade de tributação de IRRF sobre pagamento sem causa. São sem causa os pagamentos em questão porque não se sabe por qual razão tais desembolsos foram feitos com essas magnitudes, tendo em vista a real capacidade operacional de seus beneficiários e não terem sido igualmente detectados os sinais das efetivas prestações de serviços em prol da fonte pagadora, uma entidade de pesquisa beneficiada com isenção de tributos. Nestes casos, a lei retira o ônus do fisco de provar que os beneficiários não honraram ao final com suas obrigações tributárias, responsabilizando não só a fonte pagadora, mas, principalmente, os seus administradores, pelo imposto devido na forma de tributação definitiva. Para refutar a acusação fiscal e afastar a tributação, deveria ter a Recorrente demonstrado por meio de descrições detalhadas, documentos idôneos, cálculos de custos, fotos, e quaisquer outros indicadores de que as operações foram normais e os serviços, de fato prestados, tudo de modo a afastar o conjunto indiciário reunido na autuação fiscal. Também não assiste razão à Recorrente quando questiona a inversão do ônus da prova diante ainda da apresentação dos contratos. Isto porque, não sendo estes reputados prova suficiente, como aqui já enfrentado, cabe por lei à própria fonte pagadora detalhar o que justificou desembolso de tamanha monta. Quanto às alegações de bitributação e confisco, temse que não procedem, posto serem genéricas, ao passo ainda que o lançamento decorreu da aplicação correta e direta de dispositivos legais no caso concreto. No mais, é de se acrescentar que as alegações de bitributação vieram também desacompanhadas de documentos que eventualmente comprovassem terem de fato os beneficiários pagos os tributos na outra ponta, ou mesmo ao menos de algum pedido de diligência ousando neste sentido. Observese que, em situações usuais, esperar que a fonte pagadora demonstre a adimplência dos tributos por parte dos beneficiários pode não ser cabível. Mas, no caso concreto, os indícios convergem para o fato de que a fonte pagadora exerceu um controle tal sobre tais operações completamente atípicas, frisese a ponto de não se ignorar seu poder de, eventualmente, comprovar estas suas próprias alegações. Assim, julgo improcedente o Recurso Voluntário no tocante ao cancelamento do lançamento de IRRF na modalidade pagamento sem causa. Da Multa Qualificada Fl. 3656DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 13 12 Alega a Recorrente que os recursos utilizados para os pagamentos não eram públicos, mas provenientes do setor privado derivados de serviços prestados pela FEA/UFBA a terceiros. Assim, parte da motivação adotada no lançamento para a qualificação da multa, qual seja, terem estas operações envolvido recursos públicos, estaria equivocada. Também contesta a acusação de ter havido máfé pelo fato de ter retificado sua DIRF, antes com 49 beneficiários, para depois apresentar nova declaração com um único. Que tal fato se deu por erro de preenchimento, por terse tentado acrescentar, com uma DIRF retificadora, um beneficiário, tendose, ao final, como resultado, um único beneficiário declarado. Ora, por recursos públicos, entendo que a acusação fiscal não se equivocou, mas apenas usou a expressão em seu sentido mais genérico, isto é, de modo a incluir os incentivos fiscais dos quais a recorrente gozava, em termos de isenção e imunidade de tributos. Ou seja, sendo a recorrente beneficiária de incentivos fiscais concedidos a determinadas finalidades, não está incorreto dizer que ela não gira recursos públicos. Quanto à alegação de ter havido erro no preenchimento da DIRF retificadora, de modo a terse substituído 49 beneficiários anteriormente declarados por apenas um, entendo estar correta a Recorrente, não se podendo tomar isto como um ato de máfé. Contudo, a qualificação da multa no auto de infração encontrase motivada em termos de, mesmo na declaração original, já não terem sido informados pela Recorrente os pagamentos efetuados às empresas Glia, Brain Brasil e Digital, restando, assim, caracterizada a intenção de ocultar do fisco tais operações. Não tenho dúvidas de que a omissão nas DIRFs apresentadas dos pagamentos a estas empresas é apta a retardar o conhecimento pelo fisco da ocorrência do fato gerador neste caso. Quanto à máfé, necessária ao preenchimento do tipo que permite o agravamento da multa, entendo também estar caracterizada, dado o robusto conjunto indiciário reunido no processo ao qual inclusive já fiz menções neste meu voto. Se ao menos os pagamentos tivessem sido declarados em DIRF, tenha esta ou não sido retificada por engano, o quadro indiciário seria outro e possivelmente não teria dado lugar ao agravamento da multa promovido pela autoridade autuante. Assim, julgo improcedente o recurso voluntário no tocante a este item e reconheço a correção na aplicação da multa qualificada de 150%. Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários Apresentaram os responsáveis tributários recursos voluntários contra as decisões que confirmaram tal condição de sujeitos passivos solidários promovida pelo lançamento. As questões comuns serão apreciadas em conjunto. Por fim, será enfrentada a questão individual suscitada por pelo Sr. Reginaldo Souza Santos. Fl. 3657DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 14 13 Preliminar de nulidade por ausência de MPF para os responsáveis tributários Alegam os recorrentes a nulidade do procedimento que lhes atribuiu responsabilidade tributária pelo fato de não ter sido emitido Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) a eles dirigido, mas apenas para a pessoa jurídica autuada, a FEA/UFBA. Defendem os recorrentes que o MPF seria requisito essencial à lavratura da autuação fiscal por ser elemento que "conduz à segurança do cenário jurídico a que está sujeito o contribuinte, ao atestar a regularidade da ação fiscal." Não assiste razão aos recorrentes quanto a este ponto, dado que a função do MPF não é esta. Apesar do nome que o assemelha a mandados judiciais, o MPF é um instrumento previsto em normas infralegais cuja finalidade é apenas de mero controle administrativo, isto é, tratase de um ato da Administração para regular o seu próprio funcionamento, não se revestindo assim de nenhum elemento essencial à validade do lançamento tributário. Tanto o é que modernamente foi renomeado para Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal. A jurisprudência do CARF também aponta neste sentido: AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF DE FISCALIZAÇÃO EM NOME DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Ante a inexistência de previsão nas normas que regulamentam o Mandado de Procedimento Fiscal para emissão MPFF em nome dos sujeitos passivos indicados como responsáveis solidários pela autoridade lançadora, não há qualquer irregularidade no lançamento realizado. Além disso, o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. (Acórdão 1302001.921 de 06.07.2016. Processo nº 13896.721402/201389). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Não há necessidade de emissão de MPF para os responsáveis solidários, quando esta responsabilidade só ficou constatada com a conclusão da Fl. 3658DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 15 14 auditoria fiscal. Desta feita, não causa qualquer vício ao lançamento a inexistência de emissão de MPF em desfavor de responsáveis solidários, quando a fiscalização não foi dirigida diretamente a eles. (Acórdão nº 320200.059 de 13.08.2009. Processo nº 12466.003630/200480 ). Assim, rejeito a preliminar de nulidade por falta de emissão de MPF em nome dos responsáveis tributários. Mérito da atribuição de responsabilidades Questões em comum Alegam igualmente os recorrentes que a sujeição passiva adotada no auto de infração é insubsistente por (i) terem sido superficiais as investigações e ter sido a autuação fiscal baseada em provas emprestadas; (ii) ter a decisão recorrida se baseado na premissa de ter havido terceirização da atividade fim e ser esta inconciliável com o enquadramento de ter havido desvirtuamento do previsto no estatuto; (iii) não terem nem o auto de infração nem a decisão de piso feito referência à norma estatutária violada; (iv) que o pressuposto do art. 135 do CTN não é a violação à simples norma tributária impositiva. Reproduzo o trecho do Termo de Verificação Fiscal ao qual fazem referência os recorrentes: Assim, verificouse que foram solidariamente responsáveis pelas infrações apuradas no curso da presente ação fiscal os seus administradores, abaixo identificados, com fundamento no artigo 135, combinado com o artigo 124, inciso I, do CTN, por terem viabilizado o envolvimento da FEA nas atividades de prestação de serviços, representadas por terceirização de suas atividades fins, intermediação, e demais práticas de atos contra o estatuto social tratados no curso da referida ação fiscal, conforme demonstrado no presente relatório fiscal. Em primeiro lugar, não vejo que a autuação fiscal se tenha baseado em provas emprestadas. O máximo que se observa são algumas remissões a notícias de que a FEA/UFBA teria celebrado convênios com a Secretaria Municipal de Salvador reputados fraudulentos pelo Ministério Público Estadual da Bahia e indiciantes, no entender daquele r. órgão, de ação civil pública. Em momento algum conclusões tiradas em outros processos foram transpostas para este. A autuação fiscal de que trata este processo se encontra lastreada na constatação de ter a FEA/UFBA efetuado pagamentos vultosos a pessoas jurídicas sem capacidade operacional e cuja prestação efetiva dos serviços não foi comprovada. Além disso, não declarou tais pagamentos em DIRF. Fl. 3659DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 16 15 Intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços, a entidade limitouse a apresentar os contratos assinados e alguns relatórios, mas sem detalhar o que fizeram concretamente as empresas beneficiadas de modo a se justificar tais desembolsos. E os administradores da entidade, os Srs. Reginaldo Souza Santos, na condição de presidente da entidade, e Luiz Marques de Andrade Filho, na de Superintendente, foram os responsáveis pela celebração destes contratos, o que atrai para estes a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN. É irrelevante a discussão sobre se a infração cometida se deu especificamente ou não em relação a estatuto ou a lei civil como argumentam os recorrentes. Tendo a autuação fiscal descrito e comprovado que os administradores da entidade promoveram pagamentos sem causa de quantias vultosas as quais ainda a entidade estava obrigada a declarar em DIRF e não o fez, além de outros elementos indiciantes arrolados, restou caracterizado o intuito doloso, justificando, assim, a aplicação da multa qualificada. Entendo que estes mesmos fatos que deram lugar à aplicação da multa qualificada, no caso dos autos, configuram infração à lei para fins de responsabilização tributária nos termos do inc. III, 135, do CTN, prejudicando, assim, as demais alegações dos recorrentes. Assim, julgo improcedentes as alegações comuns dos recorrentes responsáveis tributários. Alegação específica de Reginaldo Souza Santos Alega este recorrente que nenhum ato de gestão específico é apontado como sendo por ele praticado, tratandose de atos de gestão do superintendente da entidade. Compulsando os autos, verificase que quem formalmente representou a entidade na celebração dos contratos em questão foi apenas o superintendente, não os tendo assinado o recorrente Reginaldo Souza Santos, ocupante do cargo de presidente do conselho de administração. Contudo, a atribuição de responsabilidade tributária solidária não se limita aos casos de representação meramente formal, sendo até admitido, em muitos casos, a responsabilização de administradores de fato. No caso dos autos, a acusação fiscal aponta que Reginaldo Souza Santos, na condição de presidente do conselho de administração, viabilizou a celebração dos contratos, o que, a rigor, é verdadeiro. Isto porque consta do Estatuto da Entidade que o conselho de administração órgão da entidade do qual o recorrente é presidente é responsável por autorizar a celebração de contratos, convênios e ajustes. Fl. 3660DF CARF MF Processo nº 10580.720002/201664 Acórdão n.º 1201002.883 S1C2T1 Fl. 17 16 Além disso, consta que o superintendente é cargo de indicação do presidente do conselho de administração no caso, do recorrente Reginaldo Souza Santos, posteriormente confirmada pelo colegiado. Assim, entendo que está demonstrado que o recorrente viabilizou a celebração dos contratos que resultaram nos pagamentos sem causa mencionados, estando, portanto, correta a atribuição de responsabilidade no Termo de Verificação Fiscal. Para refutar a acusação fiscal, deveria o recorrente ter apresentado, por exemplo, atas devidamente registradas das reuniões do conselho com declaração de voto comprovando a sua oposição à celebração dos contratos mencionados. Assim, julgo improcedente o recurso voluntário do responsável tributário o Sr. Reginaldo Souza Santos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo conhecimento dos recursos voluntários e de ofício para, no mérito, negarlhes provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 3661DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.901293/2012-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.901293/2012-53
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6009665
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.996
nome_arquivo_s : Decisao_10980901293201253.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PEDRO SOUSA BISPO
nome_arquivo_pdf_s : 10980901293201253_6009665.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7749470
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911501905920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 546 1 545 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.901293/201253 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.996 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de abril de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÈNCIA Recorrente HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Trata o processo de pedido de compensação formulado pelo contribuinte, por meio de PER/DCOMP, que foi parcialmente homologado pela DRF/CURITIBA porque foi constatado que inexistia crédito disponível suficiente relativo ao DARF indicado, conforme o constante do despacho decisório em anexo. Devidamente cientificada, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 01 29 3/ 20 12 -5 3 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10980.901293/201253 Resolução nº 3402001.996 S3C4T2 Fl. 547 2 a) Afirma ser a DRJ/CURITIBA a unidade competente para julgar sua defesa; b) A interessada constatou equívoco na retenção e recolhimento do IOF; c) Portanto, a interessada recolheu aos cofres públicos o valor a título de IOF de uma operação de crédito cancelada. Constatado o erro, a interessada estornou os valores indevidamente retidos a esse título de seu cliente; d) Diante da inocorrência do fato gerador – o cliente jamais solicitou o crédito e a operação, realizada por engano, foi cancelada – temse que o tributo pago sobre ela é indevido; e) O pagamento pela interessada de tributo indevido gerou um crédito passível de compensação; f) Em razão disso, foi transmitido o PER/DCOMP; g) A homologação parcial não se justifica, pois conforme explicado, houve um erro ao recolher o tributo sobre uma operação de crédito cancelada, seguida do estorno do valor equivocadamente retido do seu cliente, razão pela qual se justifica que o IOF foi indevidamente recolhido; h) Entretanto, o recolhimento indevido e a existência de crédito a compensar não foi informado na DCTF originalmente apresentada; i) A DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório (fato superveniente), razão pela qual deveria ensejar a revisão do despacho decisório em homenagem ao princípio da ampla defesa e ao contraditório; e j) O que ocorreu foi um equívoco no preenchimento da DCTF à época. Ato contínuo, a DRF RIO DE JANEIRO I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade nos seguintes termos; NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPETÊNCIA TERRITORIAL PARA JULGAMENTO. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão no âmbito do Processo Administrativo Fiscal para a competência territorial das DRJ (restando somente a competência material), sendo atribuição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial a tarefa de identificar os processos a serem distribuídos a cada DRJ, de acordo com as prioridades estabelecidas na legislação, a competência por matéria e a capacidade de julgamento de cada unidade. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. É improcedente a alegação de pagamento indevido ou a maior, fundamentada em DCTF retificadora apresentada após o despacho Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10980.901293/201253 Resolução nº 3402001.996 S3C4T2 Fl. 548 3 decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos capazes de comprovar o erro cometido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A lide trata de direito creditório da Recorrente decorrente de suposto pagamento de Darf a maior de IOF ocorrido no período de apuração de 31/08/2009. Visando utilizar o suposto crédito, a Recorrente apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº04114.04724.150909.1.3.046895) que foi indeferida pela Autoridade Tributária sob o argumento de que inexistia crédito disponível relativo ao referido DARF, o que impediu a homologação da compensação. Em seu Recurso, a Empresa alega que cometeu erro de fato ao preencher incorretamente a DCTF com valor maior ao efetivamente devido. A fim de comprovar o seu direito, juntou aos autos a DCTF retificadora entregue após a ciência do Despacho Decisório denegatório, lançamentos contábeis, os extratos da operação específica que gerou o crédito e a composição do DARF relacionados ao IOF pago a maior. Nesse passo, a Recorrente ainda explica detalhadamente os fatos que ensejaram o pagamento indevido: É possível verificar, dos relatórios de composição do IOF devido no período, que o valor de R$ 51.158,94, pago a maior, se refere ao IOF cobrado indevidamente, por erro do sistema da Recorrente, e por cobrança de IOF sobre operação sujeita à alíquota zero (docs.38 a 40 anexos à Manifestação de Inconformidade), que foi devidamente estornado a cada cliente, conforme se pode verificar das telas do sistema interno da Recorrente e dos razões contábeis anexos à Manifestação de Conformidade (doc.37). Vejase a tabela abaixo que demonstra o montante cobrado indevidamente dos clientes: Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10980.901293/201253 Resolução nº 3402001.996 S3C4T2 Fl. 549 4 Verificase que a operação sujeita à alíquota zero acima mensionada, da Yamaha Motor da Amazônia Ltda, decorre do disposto no inciso XXV, do art.8º, do Decreto nº6.306/07. Assim, os documentos anexos (docs.38 a 40, 491 e 492 anexos à Manifestação de Inconformidade) demonstram que se trata de operação realizada por uma instituição financeira para cobertura de saldo devedor em outra instituição financeira, até o montante do valor portado e desde que não haja substituição do devedor, que fica sujeito a tributação do IOF pela alíquota zero, conforme dispõe o referido dispositivo legal. Quanto ao IOF retido do cliente COmercial Zaragoza Importação e Exportação, decorrente do contrato nº4970000832, no valor de R$ 749.870,26, foi pago no montante de R$ 13.856,10. Contudo, na renegociação do contrato, em 21/08/2009, o sistema gerou uma nova cobrança de IOF do cliente, no montante de 14.071,32. Ocorre que o correto seria apenas o valor de R$ 215,21, relativo à diferença do valor já recolhido na contratação e o devido na renovação. Portanto, o montante de R$ 13.856,10, retido indevidamente do cliente na renegociação, foi estornado a ele e gerou direito de crédito à Recorrente (vide docs.483 a 485). Em relação ao cliente Cemec Construções EletromecÇânicas, ocorreu o mesmo erro acima apontado, ou seja, na renegociação do contrato nº4540897241 houve cobrança indevida de IOF, num valor a maior de R$ 1.044,84, que foi devidamente estornado ao cliente, conforme se pode verificar dos documentos anexos à Manifestação de Inconformidade (docs.486 a 490). Deste modo, restou devidamente demonstrado que, com base nas informações dos relatórios de composição do crédito (docs.41 a 482 anexos à Manifestação de INconformidade), dos razões contábeis e dos estornos efetuados (docs.37 a 40 anexos à Manifestação de Inconformidade), o valor não homologado de R$ 42.238,64 (principal) foi recolhido indevidamente, portanto, a maior, nos DARFs de R$ 719.296,36 e R$ 3.771.312,39 (docs.41 e 42 anexos à Manifestação de Inconformidade). De plano, constatase no caso ora analisado que, embora a Recorrente tenha feito a retificação da DCTF intempestivamente, constam nos autos diversos documentos que sugerem a existência do crédito da Recorrente, tais como: a DCTF retificadora entregue após a ciência do Despacho Decisório denegatório, lançamentos contábeis, os extratos da operação específica que gerou o crédito e a composição do DARF relacionados ao IOF pago a maior. Assim, tendo em vista esse conjunto indiciário de elementos trazidos pela Recorrente, entendo que há necessidade de conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal o analise quanto a sua potencialidade para comprovar o direito creditório da Recorrente, bem como solicite outros elementos necessários à análise do pleito, conforme indicado nos quesitos dessa diligência. Diante dessas considerações, à luz do princípio da verdade material e do art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal de CuritibaPR) realize os seguintes procedimentos: Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10980.901293/201253 Resolução nº 3402001.996 S3C4T2 Fl. 550 5 a) intimar a Recorrente a apresentar os seguintes itens: a.1) demonstrativo comparativo que discrimine a formação da base de cálculo que serviu ao pagamento a maior e a base pretensamente correta; a.2) apresentar contratos lavrados com clientes, se aplicável ao caso; a.3) comprovar que efetuou o recolhimento do valor retido e que devolveu/estornou ao cliente a quantia retida indevidamente ou a maior, bem como promoveu os estornos contábeis devidos; b) que a Autoridade Fiscal realize qualquer outra verificação ou intimação que entender necessária para atingir os objetivos da diligência; c) informar justificadamente se, independentemente de retificação da DCTF, a documentação juntada aos autos pela Recorrente e a por ventura obtida por meio de intimação são suficientes para comprovar que houve pagamento indevido e a maior do IOF no período de apuração de 31/08/2008, no montante indicado pela Recorrente. Em caso de apuração de valor divergente com aquele informado pela Empresa, elaborar demonstrativo e indicar, de forma fundamentada, os motivos da divergência; d) após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório, com os procedimentos realizados e conclusões tomadas; e e) elaborado o Relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900906/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.900906/2011-58
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6009051
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.817
nome_arquivo_s : Decisao_10166900906201158.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10166900906201158_6009051.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7748165
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911504003072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900906/201158 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.817 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2019 Matéria PER/DCOMP IRPJ Recorrente CEB LAJEADO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 06 /2 01 1- 58 Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 915992545 de 01/04/2011 que não homologou o PER/DCOMP nº 07702.77360.290807.1.3.045940. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de estimativa de CSLL, apurado em maio de 2007, no montante de R$ 5.931,50. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, no montante original na data de transmissão de R$ 3.248,18, decorrente de DARF recolhido em 31/07/2002no valor de R$ 32.708,21. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, decidiu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. De acordo com a motivação da decisão, o valor recolhido foi integralmente utilizado para liquidar o débito correspondente. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, no montante de R$ 5.931,50, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega o seguinte: (i) no encerramento do ano a contribuinte apurou resultado inferior ao valor total recolhido por estimativa, e, portanto, haveria um recolhimento a maior de estimativa, passível de ser utilizado em compensação; (ii) houve um erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois a contribuinte fez constar o código de receita 5993, quando deveria ser 2362; e (iii) o único motivo do indeferimento foi o erro material de preenchimento, sendo plenamente retificável. Em sessão de 4 de dezembro de 2015, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1151.570, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INTEGRALMENTE ALOCADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. É possível a utilização pagamento de estimativa como crédito em compensações declaradas em Dcomp desde que: (i) tenha havia pagamento a maior da estimativa, ou seja, o valor recolhido seja superior ao apurado/confessado, e (ii) este excedente não tenha Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 4 3 sido utilizado no ajuste anual para compor o saldo negativo do período. Na espécie, não houve excedente no recolhimento, sendo inexistente o crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A DRJ/REC não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) o crédito pleiteado não existe, pois não houve excedente no recolhimento do DARF apontado no PER/DCOMP, visto que o valor recolhido corresponde exatamente ao montante de estimativa apurado pelo contribuinte; e (ii) não houve o alegado erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito foi informado no código 2362, conforme entende o contribuinte ser o correto. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual reitera suas razões de defesa e apresenta os seguintes pontos complementares: (i) o objeto dos presentes autos decorre de mero erro formal, visto que o direito creditório está devidamente comprovado; e (ii) as autoridades administrativas não aplicaram o princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.813, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10166.900902/2011 70, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.813): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, cumpre consignar que o despacho da DRF (fl. 149) informa a existência de outro processo administrativo fiscal (nº 10166.900837/200887), que trata do mesmo sujeito passivo e direito creditório em litígio nos presentes autos. Em pesquisa, constatei que o processo foi objeto de julgamento pela 1ª Seção de julgamento deste E. CARF, cujo Acórdão de nº 180100.847 foi publicado em 21/03/2012. No referido julgamento, o direito creditório foi reconhecido e determinouse o retorno dos autos à unidade de jurisdição do sujeito passivo, para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 5 4 e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.” A decisão foi mantida após interposição de Recurso Especial de Divergência, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, conforme Acórdão nº 9101002.904. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Antes de enfrentar as circunstâncias fáticas dos presentes autos, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte trouxe fortes indícios da existência de saldo negativo de IRPJ. Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 6 5 Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduz 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 7 6 se, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado O direito creditório, pleiteado no presente processo, não foi reconhecido pelas doutas autoridades administrativas em razão do DARF indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para o pagamento da estimativa mensal de IRPJ apurada em junho de 2002, e, portanto, não teria ocorrido nenhum pagamento a maior ou indevido. A Recorrente, por sua vez, afirma que no anocalendário de 2002 apurou saldo negativo de IRPJ, e, consequentemente, teria acumulado crédito passível de compensação. O referido saldo negativo pode ser constatado em sua DIPJ/2003. No mais, foi declarado na DIPJ/2003, o recolhimento de IRPJ por estimativa referente a junho de 2002, no montante de R$ 58.570,75. 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 8 7 A DRJ, especificamente, não considerou a alegação de apuração de saldo negativo para o anocalendário de 2002 e se limitou a afirmar que o DARF indicado enquanto origem do crédito foi totalmente utilizado para o pagamento da estimativa de IRPJ apurada para junho de 2002 no montante de R$ 58.570,75 e que, portanto, não haveria pagamento a maior ou indevido. Em contrapartida, a Recorrente apresenta diversos documentos contábeis e fiscais, em sede de Recurso Voluntário, para comprovar a origem de seu direito creditório. Dentre eles, cito: (i) Balancete e Balanço relativos ao período entre 2002 e 2007; (ii) Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) relativo ao período de 2003 a 2007; (iii) Livro Diário relativo ao período de 2002 a 2007; e (iv) Livro Razão relativo ao período de 2003 a 2007. Cumpre consignar que a controvérsia acerca da possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 2002 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2002, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante no ano calendário de 2004 e referente a mesma contribuinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 9 8 De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017) Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 13 a 18 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova e dos documentos apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 10 9 processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Em análise dos autos, fica evidente que as doutas autoridades administrativas e julgadoras proferiram decisão baseadas no fato de que o DARF apontado como origem do direito creditório foi utilizado integralmente para o pagamento de estimativa mensal de IRPJ declarada e não analisaram a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ e suas consequências. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. Tal verificação deve considerar a documentação apresentada nos autos e, se entender necessário, intimar a Recorrente para que apresente esclarecimentos complementares. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 10166.900906/201158 Acórdão n.º 1201002.817 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 2553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727682/2016-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-006.612
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.727682/2016-38
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996517
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.612
nome_arquivo_s : Decisao_10166727682201638.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10166727682201638_5996517.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7714530
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911507148800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727682/201638 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.612 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 76 82 /2 01 6- 38 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10166.727682/201638 Acórdão n.º 3302006.612 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp), por intermédio da qual o contribuinte compensou débito(s) próprios, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório, que reconheceu integralmente o direito creditório, porém homologou parcialmente a compensação declarada, vez que o crédito indicado revelouse insuficiente para quitar o(s) débito(s) confessado(s), tendo em vista que o contribuinte não considerou a multa de mora incidente em decorrência do atraso na quitação deste(s). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, onde argumentou, em síntese, o que segue: Não foi observada a denúncia espontânea estabelecida no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Com a transmissão da Dcomp, antecipouse a qualquer procedimento fiscal, declarando e quitando débito não questionado pela Receita Federal, com acréscimo de juros moratórios. Transmitiu a DCTF retificadora onde declara o débito e o pagamento feito via Dcomp; Apresenta sentenças judiciais favoráveis aos Correios em casos análogos. Indica também jurisprudência dos tribunais onde não foi parte. Lista acórdãos das DRJs à época da transmissão da Dcomp, onde é aplicada a Nota Técnica (NT) Cosit nº 01, de 18/01/2012, vez que os Correios se enquadram na situação nela tratada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 11057.657. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em que pese a controvérsia acerca da possibilidade ou não de restar configurada a denúncia espontânea quando a extinção do crédito tributário se dá por compensação, a Receita Federal do Brasil, através da Nota Técnica nº 1 COSIT de 18/01/2012, com fundamento no Ato Declaratório PGFN nº 4 de 2011 e Ato Declaratório PGFN nº 8 de 2011, reconheceu que a declaração de compensação, se atendidos os demais requisitos, poderia caracterizála. E isto porque a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação são formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação. Sendo forma de pagamento, a compensação atende às exigências do artigo 138 do CTN; b) A denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infração tributária cometida pelo contribuinte, pressupondo a comunicação pertinente a fato desconhecido por parte do Fisco antes de qualquer iniciativa da Administração Tributária, devendo ser acompanhado do pagamento do tributo e dos juros de mora, se for o caso. A intenção do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10166.727682/201638 Acórdão n.º 3302006.612 S3C3T2 Fl. 4 3 legislador ao editar a norma não fora outra senão estimular o contribuinte a regularizar a sua situação, recebendo em seu benefício o afastamento da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Dessa forma, se o contribuinte antecipase a qualquer procedimento fiscalizatório da administração, efetuando o pagamento dos tributos em atraso e dos juros de mora, não lhe pode ser imposta multa de mora, seja ela punitiva ou moratória. Como os Correios anteciparamse à qualquer procedimento administrativo, fazem jus ao benefício da denúncia espontânea com os consectários do artigo 138, do CTN. Termina o recurso requerendo a vigência e a validade da Nota Técnica Cosit nº 01 ao período em que foi entregue a Dcomp, para fins de reconhecer a configuração da denúncia espontânea de forma que os valores indicados na Dcomp sejam considerados quitados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.586, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10166.726132/201600, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.586): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. O cerne da questão está em definir se a compensação se equipara ao pagamento para fins de fruição do benefício da denúncia espontânea. Essa questão foi tratada de forma didática e precisa no Acórdão nº 1402003.600, da lavra do conselheiro Marco Rogério Borges, de forma que peço vênia para utilizar a ratio decidendi daquele acórdão para fundamentar esse, in verbis: Como de costume, o voto da ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea, e por consequência da não aplicação do alegado artigo 100 do CTN. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10166.727682/201638 Acórdão n.º 3302006.612 S3C3T2 Fl. 5 4 O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento de se aceitar tal situação. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: "AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10166.727682/201638 Acórdão n.º 3302006.612 S3C3T2 Fl. 6 5 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. No que tange à eventual aplicação do artigo 100 do CTN ao caso, o caso in concretu apresentado não se configura como denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10166.727682/201638 Acórdão n.º 3302006.612 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo CTN, as evocadas Notas Técnicas (NTs), de caráter meramente interpretativo, como bem analisados na decisão a quo, não são aplicáveis. Quando da emissão da NT Cosit nº 01, de 18/01/2012, a qual a recorrente se baseia para ter adotado a postura pleiteada no presente processo, a mesma foi criada com objetivo de orientação internamente a Receita Federal do Brasil, e identificado a sua impropriedade, foi cancelara por meio da NT Cosit nº 19, de 12/06/2012, corrigindoa. Ao transmitir sua Per/Dcomp em 30/05/2012, entre a data de expedição de ambas NTs. não criou uma vinculação nos termos do artigo 100 do CTN, pois as NTs não são atos normativos, e, por consequência, nem houve a prática reiterada pela autoridade administrativa pois não foram direcionadas aos contribuintes, muito menos nem pessoalmente à recorrente. Como salienta a decisão a quo, as NTs não são publicadas no DOU, seja no site da Receita Federal, não tendo alcance para o público externo (no caso, contribuintes). Assim, não podem ser evocadas para a postura adotada pela recorrente. Com base no que fora exposto, entendo que não ocorreu a denúncia espontânea em relação aos débitos julho de 2008 e agosto de 2008, por não terem sido pagos e sim compensados." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.981470/2009-33
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.981470/2009-33
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5995298
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.611
nome_arquivo_s : Decisao_15374981470200933.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 15374981470200933_5995298.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
id : 7711330
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911511343104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 162 1 161 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.981470/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.611 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 11 de abril de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente TECNITAS DO BRASIL ASSESSORIA TÉCNICA E PERITAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 98 14 70 /2 00 9- 33 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 15374.981470/200933 Acórdão n.º 1003000.611 S1C0T3 Fl. 163 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 10143.81883.300508.1.3.045586, em 30.05.2008, efls. 5559, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2484, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês do fevereiro do anocalendário de 2008 no valor de R$31.728,53 contido no DARF de R$49.234,24 arrecadado em 31.03.2008 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 51, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 31.728,53 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento Legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJI/RJ nº 1246.743, de 25.05.2012, efls. 6368: DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez que não restou comprovado que o pagamento de CSLL foi efetuado indevidamente ou a maior, concluise que tal pagamento não constitui direito creditório passível de restituição ou compensação, não devendo ser homologadas as compensações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 08.06.2012, efl. 71, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.07.2012, efls. 7380, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: 01. A ora Recorrente foi intimada da r. decisão de Ia instância em 08.06.2012, sextafeira (vide doe. 02), tendo início, assim, o seu prazo para recorrer no primeiro Fl. 163DF CARF MF Processo nº 15374.981470/200933 Acórdão n.º 1003000.611 S1C0T3 Fl. 164 3 dia útil seguinte, ou seja, segundafeira, dia 11.06.2012, nos termos do art. 5o do Decreto n° 70.235/72, [...] DO BREVE RESUMO DOS FATOS 3. Em 30.05.2008, a ora Recorrente transmitiu à Secretaria da Receita Federal ("SRF") Declaração de Compensação (doc 03) de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL") com débitos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ") e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), tendo em vista o recolhimento a maior efetuado através do Documento de Arrecadação de Receitas Federais ("DARF") ora acostado (doc. 04), conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") relativa ao exercício de 2009, anocalendário de 2008 (doc. 05). 4. Não obstante a efetiva existência do crédito de CSLL e a regularidade do procedimento de compensação, a Recorrente foi intimada de despacho decisório não homologando o procedimento. [...] IV. DO MÉRITO: DA EFETIVA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DE CSLL COMPENSADO 10. Conforme mencionado nos tópicos anteriores, alegase no despacho decisório, e na decisão ora recorrida, que a Recorrente não teria crédito de CSLL a ser compensado com os débitos de IRPJ e CSLL indicados na Declaração de Compensação. 11. A alegação não procede. 12. Na Declaração de Compensação transmitida à SRF em 30/05/2008 (doc. 03), a Recorrente indicou como crédito atualizado pela Selic acumulada à época o montante de R$ 32.331,37 (embora só tenha utilizado R$ 21.480,44), que corresponde a pagamento a maior de CSLL no valor original de R$ 31.728,53, de acordo com o anexo DARF (doc. 04) e a página 2 da PER/DCOMP (doc. 03). 13. Isso porque, conforme informado em sua DIPJ 2009, anocalendário 2008 na Ficha 16/16 (doc. 05), o valor a pagar da CSLL no mês de fevereiro era de R$ 17.505,71, a despeito da informação prestada na DCTF, página 6 (doc. 07), razão pela qual o DARF recolhido no valor de R$ 49.234,24 representa um crédito para a Recorrente no valor original de R$ 31.728,53 (doc. 04). 14. O procedimento adotado pela Recorrente está perfeitamente de acordo com a legislação vigente, sendo certo que na hipótese de o sujeito passivo efetuar pagamento a maior que o imposto a ser pago no período de apuração mensal pela estimativa, a diferença a maior pode ser compensada com o imposto relativo aos períodos de apuração mensais subsequentes. 15. No entanto, mesmo sendo apurada CSLL a pagar no valor de R$ 17.505,71 para fevereiro de 2008, a autoridade administrativa entendeu que o valor informado como crédito pela Recorrente na PER/DCOMP já teria sido utilizado para pagamento de débito de CSLL no valor de R$ 49.234,24 (código de receita 2484), referente ao período de apuração de 29/02/2008, decidindo não homologar a compensação, por não reconhecer qualquer crédito à Recorrente. 16. Essa situação, evidentemente, não pode prevalecer, uma vez que o crédito compensado pela Recorrente foi regularmente apurado. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 15374.981470/200933 Acórdão n.º 1003000.611 S1C0T3 Fl. 165 4 17. Vale frisar que a compensação não foi homologada pela SRF apenas em face da suposta inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/ DCOMP, resultante do entendimento equivocado da Autoridade Administrativa, mantido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, de que o DARF informado já teria quitado débito da Recorrente. 18. Diante disso, comprovada a existência do crédito objeto da Declaração de Compensação discutida nestes autos, deve ser homologada a compensação, uma vez que mero equívoco por parte da Autoridade Administrativa não pode resultar na desconsideração do crédito e na exigência de imposto indevido. Concernente ao pedido expõe que: V. DO PEDIDO 19. Pelo exposto, a Recorrente pede e espera: (i) seja recebido e dado o regular processamento ao presente Recurso Voluntário, de modo a suspender a exigibilidade dos débitos compensados, nos exatos termos do artigo 74, § 11, da Lei n° 9.430/96; (ii) seja determinada a baixa dos autos para realização de diligência afim de se verificar os livros e documentos contábeis e fiscais que comprovam a existência do direito creditório, tendo em vista que o processo administrativofiscal orientase pela busca da verdade real ou material; e, por fim, (iii) seja dado provimento ao presente recurso, a fim de que seja reformada a r. decisão de 1ª instância, reconhecendose integralmente o crédito de CSLL informado, e, assim, homologandose a compensação objeto do presente processo administrativo. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15374.981470/200933 Acórdão n.º 1003000.611 S1C0T3 Fl. 166 5 força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela Recorrente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15374.981470/200933 Acórdão n.º 1003000.611 S1C0T3 Fl. 167 6 Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a alocação para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15374.981470/200933 Acórdão n.º 1003000.611 S1C0T3 Fl. 168 7 Verificase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Observese que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Consta no Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJI/RJ nº 1246.743, de 25.05.2012, e fls. 6368, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Do mérito O Despacho Decisório da autoridade a quo não homologou as compensações declaradas, em razão da inexistência do crédito de R$ 31.728,53. Isto porque identificou que o crédito, supostamente originado do Darf de R$ 49.234,24, estava integralmente utilizado com o débito de CSLL (cód. 2484 PA 29/02/2008), no valor de R$ 49.234,24. Portanto, não havia crédito disponível para compensação. O interessado, por sua vez, alega que a decisão não poderia prosperar, já que teria apurado crédito informado no Per/Dcomp (R$ 32.331,37), que corresponderia a pagamento indevido/ a maior de CSLL, no valor de R$ 31.728,53 , atualizado pela Selic, e que o mesmo seria suficiente à extinção dos débitos de CSLL e IRPJ. Afirma que, conforme informado no Darf pago em 31/03/2008 e no Per/Dcomp, o valor pago a título de CSLL foi de R$ 49.234,24, a despeito da informação equivocada prestada na DCTF de fevereiro de 2008. Cabe, inicialmente, citar o art. 165, I, do CTN. “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” Cabe ressaltar, ainda, que, para que seja efetivada a compensação, o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública deve ser líquido e certo, segundo dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifei) Neste contexto, cabe ao interessado comprovar a certeza e liquidez do suposto crédito pago indevidamente. Analisando os autos, verificase que o interessado, na DCTF, declara um débito de CSLL (código 2484), referente a fev. 2008, no valor de R$ 49.234,24, o qual foi quitado por meio de Darf de R$ 49.234,24. O interessado não comprova, com documentação hábil, ter havido erro no preenchimento da DCTF. Sendo assim, inexiste o direito creditório pleiteado pelo interessado na DCOMP e, por Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.981470/200933 Acórdão n.º 1003000.611 S1C0T3 Fl. 169 8 conseguinte, não devem ser homologadas as compensações efetuadas Assim, por todo o exposto, não restando documentalmente comprovada a existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública, voto para negar provimento à manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.008061/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2006
COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO. DECADÊNCIA.
A contagem do prazo de decadência no caso de lançamento realizada sem a imputação de frarde, dolo ou simulação segue as regras do art. 150, § 4º, do CTN no caso de constatada a realização de pagamentos antecipados.
Numero da decisão: 1401-003.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer a decadência do lançamento em relação aos débitos de COFINS de janeiro a dezembro de 2001.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001, 2002, 2006 COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO. DECADÊNCIA. A contagem do prazo de decadência no caso de lançamento realizada sem a imputação de frarde, dolo ou simulação segue as regras do art. 150, § 4º, do CTN no caso de constatada a realização de pagamentos antecipados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.008061/2007-26
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6018838
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.406
nome_arquivo_s : Decisao_10380008061200726.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10380008061200726_6018838.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer a decadência do lançamento em relação aos débitos de COFINS de janeiro a dezembro de 2001. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
id : 7775344
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911522877440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 135 1 134 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.008061/200726 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.406 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2019 Matéria COFINS DIFERENÇA ESCRITURADO/PAGO Recorrente FIORI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2006 COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO. DECADÊNCIA. A contagem do prazo de decadência no caso de lançamento realizada sem a imputação de frarde, dolo ou simulação segue as regras do art. 150, § 4º, do CTN no caso de constatada a realização de pagamentos antecipados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer a decadência do lançamento em relação aos débitos de COFINS de janeiro a dezembro de 2001. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 80 61 /2 00 7- 26 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 136 2 Relatório Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado auto de infração para formalização e cobrança da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 06/13, no valor total de R$ 198.860,60, incluindo encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 08, foi apurada a seguinte infração: 01 – Cofins – Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago Valor da contribuição declarada a menor em DCTF, conforme demonstrativo em anexo, apurada a partir do cotejamento com os dados indicados na ficha 20A da DIPJ/2002. Foi verificada também a insuficiência de recolhimento e de declaração via DCTF da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, devida nos meses de dezembro de 2002 e setembro de 2006, cujos valores se encontram discriminados nos demonstrativos próprios, elaborados pela fiscalização. Com relação ao PIS do mês de dezembro de 2002, essa contribuição foi apurada com base nas receitas escrituradas no livro razão, e informada na ficha 20A da DIPJ/2003. No que se refere ao PIS do mês de set/2006, essa diferença foi levantada mediante confronto com o valor dessa contribuição escriturada pela empresa. Enquadramento Legal: art. 149 da Lei nº 5.172/66; art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; Arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da medida Provisória nº 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas reedições; art. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 01/08/2007, fls. 06, apresentou o contribuinte impugnação em 31/08/2007, fls. 74/82, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. Dos Prazos de Duração dos MPFs De acordo com a defesa, os dispositivos que tratam do Mandado de Procedimento Fiscal, em especial os arts. 10, 11 e 13 do Decreto n° 3.969, de 15/10/2001, estabelecem que somente poderá o Agente do Fisco realizar dilação do prazo de execução do MPF através de MPFC, dando obrigatoriamente ciência ao sujeito passivo desta. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 137 3 No caso em tela, não teria havido em momento algum intimação da Requerente, por parte do Agente autuante, de que seria o prazo de execução do MPF estendido. Em virtude disso, a fiscalização ora em questão somente teria permanecido regular até a data de 28 (vinte e oito) de março de 2007 (dois mil e sete), a qual constava do MPF inicial, uma vez que esta foi a única data informada para o sujeito passivo. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve ementas de julgados das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Conclui afirmando que o Auto de Infração estaria eivado de vicio formal que o anula, uma vez que somente foi o procedimento encerrado em 31 (trinta e um) de julho de 2007 (dois mil e sete), conforme se verifica do Termo de Encerramento constante às fls. 66 dos autos do processo administrativo, razão pela qual requer que seja anulado por Inteiro, em virtude da carência de competência que recaiu sobre o Auditorfiscal. Da Necessidade de Auditoria Contábil Neste período de fiscalização, não ocorreram atos administrativos Imprescindíveis à prorrogação do período de fiscalização no caso, a. expedição de MPFC e sua devida ciência ao contribuinte. De acordo com a defesa, caso fosse a presente fiscalização válida, terseia negado ao contribuinte a oportunidade de realização de auditoria em sua documentação contábil, a fim de apurar prejuízos fiscais havidos durante o período fiscalizado. Em virtude do exíguo prazo de Impugnação concedido ao contribuinte, agravado pela dificuldade deste em obter as cópias integrais do procedimento fiscalizatório, teria restado impossibilitado de fazer verificação minuciosa de sua documentação contábil, a fim de constatar eventuais pagamentos que tenham havido e constem dos valores ora lançados. Além disso, a apuração de possíveis prejuízos fiscais, que somente poderá ocorrer através de auditoria na documentação utilizada para autuação, poderá ensejar ao contribuinte a diminuição dos valores que ora se julgam devidos. Assim, considera que a não concessão de prazo para que seja realizada auditoria contábil nos documentos compreendidos pela fiscalização atinente ao presente processo cerceou o direito de defesa do sujeito passivo, impondo a este ônus absurdamente maior do que aquele que sobre si deveria recair. Entende que, no prazo que foi concedido, restou impossível ao contribuinte elaborar auditoria contábil na documentação utilizada pelo Fisco para proceder o lançamento, e desta forma não pode a empresa embasar sua Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 138 4 impugnação com a prova técnica necessária à efetiva correção dos lançamentos efetuados. Corroborando esta alegação, inclusive, terseia a própria duração do Procedimento Fiscal ora em questão, o qual perdurou por quase 08 (oito) meses. Tendo o Fisco necessitado de tal período para verificar a documentação do sujeito passivo, não se pode retirar deste o direito a prazo razoável para que possa realizar auditoria na documentação apresentada e nos lançamentos efetuados, a fim de munirse das provas necessárias à sua defesa. Neste sentido transcreve julgados das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Do Prazo Decadencial Afirma a defesa que, o acolhimento dos pedidos acima formulados não trará ao Fisco qualquer prejuízo, visto que a lançamento ora efetuado pelo AuditorFiscal interrompeu a contagem do prazo decadencial que corria em desfavor da Fazenda, conforme determina a legislação vigente. Assim, anular o lançamento ora efetuado em virtude do vício que permeia o MPF, bem como conceder prazo hábil à realização, pelo Contribuinte, de auditoria independente na documentação contábil utilizada no presente processo, seriam medidas de extrema justiça, que além de não acarretarem em nenhum prejuízo às partes envolvidas asseguraria ao sujeito passivo o seu direito de defesa, o qual poderá ser cerceada caso não se seja dado tempo para elaborar defesa técnica devidamente embasada. Do Pedido Ante o exposto, requer que seja anulado o Auto de Infração referente ao presente processo, uma vez que não foi elaborado Mandado de Procedimento Fiscal Complementar prorrogando o prazo do MPF Inicial, nem tampouco se deu ciência ao contribuinte destas prorrogações na forma prevista em lei. Sucessivamente, não sendo anulado o Auto de Infração, que se conceda prazo hábil para o Contribuinte elaborar auditoria contábil Independente nos documentos fiscalizados, a fim de verificar a ocorrência de eventuais pagamentos não computados e apurar prejuízos fiscais havido no período, garantindo assim o direito à ampla defesa assegurado ao sujeito passivo. Analisando a impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento considerou improcedente a impugnação mantendo integralmente o auto de infração. Cientificado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual apresentou as seguintes razões: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 139 5 1 Nulidade do prazo de duração do MPF. Alega que o auto de infração somente foi lavrado após o decurso do prazo de duração do MPF, assim o auto seria nulo. Anexa precedentes a este título. 2 Nulidade por cerceamento do direito de defesa. Alega que não teve acesso a toda a documentação em tempo hábil para fazer a auditoria da documentação, ocasionando o cerceamento do direito de defesa. 3 Decadência. Alega que parte dos lançamentos foi atingido pela decadência e que, assim seriam indevidos estes lançamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais. Inicio o presente voto ressaltando que, apesar de este auto de infração referir se à tributação da COFINS, o mesmo foi lavrado em procedimento de fiscalização do IRPJ e, deste procedimento decorrem esta autuação, assim, conforme leciona o RICARF, art. 2º, IV, a competência para a análise do presente processo mantémse nesta 1a Seção do CARF. Com relação à análise do recurso verificamos que as alegações do recurso voluntário são idênticas às alegações da impugnação, com exceção da alegação de decadência onde o recurso inovou e vai ser analisado mais abaixo. Ora, não havendo a apresentação de questionamentos quanto aos fundamentos de decidir apresentados pela Delegacia de Julgamento não se estabelece o contraditório a ser objeto de análise recursal. Assim, os recursos devem apresentar não os mesmos argumentos veiculados na impugnação. O Recurso Voluntário, como segunda instância do processo administrativo, tem o condão de se contrapor aos fundamentos e argumentos da decisão que não compartilharam com os elementos da impugnação. Ao não apresentar nenhum contraponto à decisão atacada, nem fundamentar os motivos pelos quais requer que a decisão seja modificada o recorrente não estabelece contraditório passível de análise recursal, ressalvese apenas o pedido de perícia que será analisado em separado. Para tanto, foi editada recentemente modificação do Regimento Interno deste CARF que trata desta hipótese. Vejamos o dispositivo. Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 140 6 § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Referida regra foi editada com vistas ao atendimento ao princípio da economia processual aos casos em que se vislumbre que não existem novos argumentos ou elementos. Por esta razão, concordando este relator com os termos do acórdão formulado pela Decisão de Piso, passo a, na forma do art. 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, transcrever e adotar os mesmos fundamentos da decisão de Piso em relação aos pontos de recurso idênticos à impugnação. Início da Transcrição da Decisão de Piso. Da suposta ilegitimidade da auditoria fiscal O contribuinte alega que não teria havido em momento algum intimação prorrogando o prazo de execução do MPF. Em virtude disso, a fiscalização somente teria permanecido regular até a data de 28 de março de 2007, a qual constava do MPF inicial, uma vez que esta foi a única data informada para o sujeito passivo. Sobre o assunto convém esclarecer que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, disciplinado inicialmente pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, e os atos administrativos que lhe sucederam (atualmente em vigor a Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011), é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização relativos aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil RFB. O referido mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da RFB para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. O MPFF (fiscalização) fixa o prazo máximo de 120 dias para a realização do procedimento de fiscalização, que pode ser prorrogado, tantas vezes quantas necessárias, por meio de MPFC (complementar). Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 141 7 As Portarias nº 6.087, de 21 de novembro de 2005, e nº 4.066, de 2 de maio de 2007, que disciplinavam o MPF à época do procedimento fiscal, previam no art. 13 que a prorrogação do mandado seria efetuada tantas vezes quantas necessárias e poderia ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet; posteriormente, quando do primeiro ato de ofício da autoridade administrativa, esta deve entregar ao sujeito passivo o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF. Essa disposição ainda permanece na Portaria nº 3.014/2011 atualmente em vigor (art. 12). No presente caso, O MPF foi emitido em 06/12/2006, sendo o contribuinte regularmente cientificado em 11/12/2006, fls. 02. Consta no referido documento o seguinte: “a exatidão das informações contidas neste Mandado poderá ser verificada na internet, mediante a utilização do código acima informado e do CNPJ/CPF do contribuinte/responsável objeto do procedimento fiscal originário, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br” (código do procedimento fiscal 20120030). Em consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil foram obtidas as seguintes informações sobre o MPF em referência: VALIDADE DE PRORROGAÇÃO DOS MPFs MPF prorrogado até: 27 de Maio de 2007 MPF prorrogado até: 29 de Junho de 2007 MPF prorrogado até: 28 de Agosto de 2007 Tendo em vista que o presente procedimento fiscal se encerrou em 01/08/2007, resta claro que a fiscalização esteve amparada pelo referido instrumento durante todo o período da auditoria. Embora não constem dos autos prova de que o contribuinte tenha sido regularmente cientificado do citado MPFC, tal fato é irrelevante para análise da validade da presente exação. Com efeito, em sendo o MPF um instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal do BrasilAFRFB, sua validade não está condicionada a que o contribuinte dele seja regularmente cientificado. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas à segurança do sujeito passivo contra pseudo ações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar qualquer medida de resistência durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 142 8 Contudo, uma vez tendo a ação fiscal se desenvolvido regularmente, com a emissão do MPF na forma como prevista nos atos administrativos pertinentes, questões relacionadas à ciência do sujeito passivo do MPF deixam de ter relevância após a lavratura do auto de infração. Mister recordar que o Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, ao tratar das nulidades dos atos processuais, dispõe em seus artigos 59 e 60 que: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Portanto, não se enquadrando a presente situação em uma das causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, incabível falar em nulidade do lançamento, pelo fato de o sujeito passivo não ter sido cientificado do MPF Complementar durante o procedimento de fiscalização. Dispensase, também, o saneamento da incorreção, haja vista que tal fato é irrelevante para o deslinde da controvérsia (art. 60). Destarte, tendo em vista que o MPF às fls. 02 foi prorrogado antes de expirado o seu prazo de validade, e considerandose que foram observados na lavratura dos autos de infração os requisitos fixados no art. 142 do CTN combinado com o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, é de se rejeitar as argumentações sobre a suposta ilegitimidade da presente auditoria fiscal. Da Alegação de Cerceamento do Direito de Defesa Alega a defesa que foi exíguo o prazo de Impugnação concedido ao autuado, agravado pela dificuldade deste em obter as cópias integrais do procedimento fiscalizatório, restando impossibilitado de fazer verificação minuciosa de sua documentação contábil, a fim de constatar eventuais pagamentos que tenham havido e constem dos valores ora lançados. Assim, considera que a não concessão de prazo para que seja realizada auditoria contábil nos documentos atinentes ao presente processo cerceou o seu direito de defesa, impondo a este ônus absurdamente maior do que aquele que sobre si deveria recair. O art. 5º, inciso LV, da Constituição de 1988 assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, o direito ao contraditório e ampla defesa, com os meios e os recursos a ela inerentes. Por contraditório entendese, de um lado, a necessidade de se dar conhecimento da existência da ação e de todos os atos do processo às partes, Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 143 9 e, de outro, a possibilidade de as partes reagirem aos atos que lhe sejam desfavoráveis. Em síntese, o contraditório é constituído por dois elementos: informação e reação. Assim, a existência válida do auto de infração está condicionada a que o contribuinte dele seja intimado, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, e que lhe seja assegurado o direito ao devido processo administrativo, nos termos da legislação específica sobre a matéria. Compulsandose os autos verificase que todo o procedimento de formalização e exigência do crédito tributário se desenvolveu de acordo com a legislação vigente, tendo o contribuinte sido regularmente notificado do lançamento e concedido o prazo de trinta dias para impugnação da exigência, em conformidade com o que dispõe o art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Embora o prazo para contestação seja peremptório, a própria legislação processual tributária possibilita a juntada posterior de documentos, desde que (art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72): a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Com efeito, no presente caso, a partir do momento em que o contribuinte se julgou impossibilitado de apresentar todos os documentos para se contrapor à exação, deveria ter procedido conforme previsto na legislação, e não se limitar a alegar que teve o seu direito de defesa prejudicado. Merece também destaque o fato de que, entre a data de apresentação da impugnação e o presente julgamento já se passaram quase cinco anos, não tendo o interessado juntado novos elementos ao processo em todo esse interregno. Portanto, atendidos os pressupostos processuais para lavratura do auto de infração e tendo o contribuinte sido regularmente notificado da exigência, o momento oportuno para exercício do direito ao contraditório e ampla defesa se manifesta na fase de impugnação da exigência. Daí porque não há como acolher a tese de nulidade por cerceamento do direito de defesa alegado pela impugnante. Da Impossibilidade de Anulação do Lançamento A defesa ainda alega que, a anulação do lançamento em virtude do vício que permeia o MPF, bem como conceder prazo hábil à realização, pelo Contribuinte, de auditoria independente na documentação contábil utilizada no presente processo, seriam medidas de extrema justiça, que além de não acarretarem em nenhum prejuízo às partes envolvidas asseguraria ao sujeito passivo o seu direito de defesa, o qual poderá ser cerceado caso não se seja dado tempo para elaborar defesa técnica devidamente embasada. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 144 10 Conforme já comentado no presente voto, não se vislumbra no presente caso qualquer incorreção na emissão dos MPF ao ponto de macular a exigência fiscal, e tampouco seria necessária a anulação do lançamento para que o contribuinte tivesse mais tempo para formular sua defesa, uma vez que existe dispositivo legal específico permitindo a juntada posterior de documentos (art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72). Desta forma, mesmo tendo a Fazenda Pública ainda tempo suficiente para efetuar um novo lançamento, não se justifica a decretação de nulidade da exação, apenas com o intuito de possibilitar ao contribuinte um maior prazo para formular sua contestação. Não existe dispositivo na legislação tributária que embase um procedimento desta natureza Rejeito, pois, a pretensão da defesa nesse sentido. Fim da transcrição da Decisão da Delegacia de Julgamento. Fixados estes fundamentos pela Decisão de Piso, entendo que não reparos a fazer e, por esta razão, adoto seus fundamentos como fundamentos para decidir este recurso e em relação a estes pontos, voto por negar provimento ao recurso. Da Análise da Decadência Com relação à análise da decadência, apesar de esta matéria não ter sido objeto de análise em sede de impugnação, posto não ter sido apresentada, temos o dever de analisála por se tratar de matéria de conhecimento obrigatório pelo julgador. Assim, o recorrente pleiteia a decadência de parte dos débitos que foram lançados em razão de ter escorrido o prazo de cinco anos desde o fato gerador dos débitos sem o referido lançamento. O auto de infração referese aos períodos de: janeiro a dezembro de 2001 dezembro de 2002 setembro de 2006 O lançamento foi cientificado ao contribuinte em 01/08/2007 e foi efetuado com multa de ofício de 75%, ou seja, sem a alegação da existência de dolo, fraude ou simulação. Desta forma a contagem do prazo de decadência deve atender às normas do art. 150, § 4º, do CTN, tendo em vista a existência de pagamentos realizados relativos aos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10380.008061/200726 Acórdão n.º 1401003.406 S1C4T1 Fl. 145 11 tributos lançados. Assim, o lançamento nestes casos somente pode ser realizado até o final do quinto ano seguinte ao fato gerador do tributo. Desta forma, em relação aos débitos de COFINS de janeiro a dezembro de 2001 o lançamento somente poderia ser realizado até dezembro de 2006. Assim, como o lançamento somente foi cientificado em 01/08/2007, já haviam decorrido cinco anos da data do fato gerador dos tributos e, tendo sido realizados pagamentos, estes lançamentos já haviam sido tacitamente homologados em face da norma do art. 150, § 4º, do CTN. Assim, dou parcial provimento ao recurso para considerar decaídos os débitos de COFINS relativos aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2001. CONCLUSÃO Ao final voto por dar parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer a decadência do lançamento em relação aos débitos de COFINS de janeiro a dezembro de 2001. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.901874/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 6º DA LEI Nº 10.833/2003.
Para fruição da isenção prevista ni inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, dois requisitos ou condições são necessários: que o tomador do serviço seja residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento por tais serviços representem efetivo ingresso de divisas no território nacional.
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE NO TERRITÓRIO NACIONAL.
Não é óbice á fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 a existência de intermediário, atuando como mero representante do tomador de serviço, pois como mandatário, não atua em nome próprio, e sim do mandante, no caso, o tomador de serviço domiciliado no exterior.
EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS/CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA
Tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído á época da transmissão da DCOMP, cabe ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito á isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, em respeito ao corolário jurídico estabelecido no artigo 373 do Código de Processo Civil quanto ao ônus da prova.
Numero da decisão: 3301-006.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semírfamis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 6º DA LEI Nº 10.833/2003. Para fruição da isenção prevista ni inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, dois requisitos ou condições são necessários: que o tomador do serviço seja residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento por tais serviços representem efetivo ingresso de divisas no território nacional. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE NO TERRITÓRIO NACIONAL. Não é óbice á fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 a existência de intermediário, atuando como mero representante do tomador de serviço, pois como mandatário, não atua em nome próprio, e sim do mandante, no caso, o tomador de serviço domiciliado no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS/CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA Tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído á época da transmissão da DCOMP, cabe ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito á isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, em respeito ao corolário jurídico estabelecido no artigo 373 do Código de Processo Civil quanto ao ônus da prova.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10845.901874/2010-88
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016712
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.087
nome_arquivo_s : Decisao_10845901874201088.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ARI VENDRAMINI
nome_arquivo_pdf_s : 10845901874201088_6016712.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semírfamis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7770138
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911531266048
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-27T17:25:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-27T17:25:15Z; Last-Modified: 2019-05-27T17:25:15Z; dcterms:modified: 2019-05-27T17:25:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6b619db4-c91f-4789-be5b-9503784817ae; Last-Save-Date: 2019-05-27T17:25:15Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-27T17:25:15Z; meta:save-date: 2019-05-27T17:25:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-27T17:25:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-27T17:25:15Z; created: 2019-05-27T17:25:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; Creation-Date: 2019-05-27T17:25:15Z; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-27T17:25:15Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 76 1 75 S3C3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.901874/201088 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.087 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS Recorrente TECSIDER TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 6º DA LEI Nº 10.833/2003. Para fruição da isenção prevista ni inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, dois requisitos ou condições são necessários: que o tomador do serviço seja residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento por tais serviços representem efetivo ingresso de divisas no território nacional. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE NO TERRITÓRIO NACIONAL. Não é óbice á fruição da isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 a existência de intermediário, atuando como mero representante do tomador de serviço, pois como mandatário, não atua em nome próprio, e sim do mandante, no caso, o tomador de serviço domiciliado no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS/CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA Tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído á época da transmissão da DCOMP, cabe ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito á isenção prevista no inciso II do artigo 6º da lei nº 10.833/2003, em respeito ao corolário jurídico estabelecido no artigo 373 do Código de Processo Civil quanto ao ônus da prova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 90 18 74 /2 01 0- 88 Fl. 76DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semírfamis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação – DCOMP , de nº 01198.46781.160107.1.3.043830, onde se declara a compensação de saldo de pagamento indevido ou maior de COFINS no valor de R$ 7.822,74 (o valor do pagamento total é de R$ 19.034,93, efetivado em 15/12/2004), com débitos da própria COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP. 2 Em análise eletrônica da DCOMP transmitida, a unidade de origem (DRF/SANTOS/SP) emitiu o Despacho Decisório nº de rastreamento 880573072 (fls. 8 dos autos digitais), não homologando a compensação, contra o qual a recorrente apresenta suas razões de irresignação, chegando até este CARF. 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do Acórdão da DRJ/CAMPINAS : O sujeito passivo em referência manifesta sua inconformidade contra a decisão • que não homologou a compensação declarada na Dcomp n° 01198.46781.160107.1.3.043830, por meio da qual pretendia extinguir um débito de R$ 61.323,32, referente ao PIS e à Cofins concernentes a "Dez. 2006". O crédito que alega possuir tem origem em DARF utilizado para pagamento de COFINS relativo ao período de apuração 30/11/2004. O Despacho Decisório atacado foi emitido com base na seguinte constatação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 77 3 Irresignado com a decisão da DRF, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade. Inicialmente, alega que presta serviços a armadores estrangeiros, os quais atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como seus representantes. "0 pagamento destes representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao pais divisas suficientes para fazer frente as despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais". Informa que, no caso concreto, os armadores são intermediados pelos representantes no Brasil. No entanto, esta situação não descaracteriza a situação, posto que a atividade desempenhada pelo representante é desenvolvida a favor de empresa estrangeira. Defende que é suficiente para afastar a incidência tributária o nexo causal entre o serviço prestado a pessoa jurídica domiciliada no exterior e a entrada da divisa, assim entendida como pagamento efetuado pela empresa estrangeira por meio de seus representantes ou dedução das despesas auferidas por ela. Apresenta explicações sobre o DARF informado na Dcomp e a parcela correspondente aos serviços em questão. Comunica que "todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) aquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em aguas nacionais", complementando que os documentos pertinentes encontramse à disposição do Fisco para conferência. Relatei. 4. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/CAMPINAS exarou o Acórdão de nº 05.36.795 – 7ª Turma, aqui combatido, que assim restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS • Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 ARMADOR ESTRANGEIRO. Não incide a Cofins sobre serviços prestados a pessoa domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. PROVAS. 0 manifestante tem o ônus de demonstrar seu direito creditório para que este seja reconhecido pela autoridade julgadora. A mera alegação de que os documentos pertinentes estariam à disposição do Fisco não é suficiente para gerar a dúvida motivadora de diligencia fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa, os seguintes argumentos : ORIGEM DO CRÉDITO Fl. 78DF CARF MF 4 A Recorrente tem como objeto social a prestação de serviços de praticagem do porto localizado em SantosSP. Assim, os pagamentos realizados em favor da Recorrente, são realizados por essas empresas brasileiras (agentes ou representantes), mas por conta da função assumida de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. Apesar de pagos por representantes brasileiros, os pagamentos são suportados pela empresa estrangeira que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas, via BACEN, suficientes para fazer frente às despesas assumidas. Conseqüentemente, as contribuições para o Pis/Pasep e Cofins não incidem sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Desta forma, a Recorrente tendo recolhido indevidamente aquelas exações relativas a Cofins, do período não prescrito e, após seguir rigorosamente as orientações normativas e cumprir todas as formalidades exigidas pela Receita Federal do Brasil, requereu administrativamente a restituição de tais créditos e efetuou Compensações via sistema "Per/Dcomp". Por todo o exposto, causa estranheza a Receita Federal do Brasil, alegar que a Interessada incorreu em fraude ou com máfé, por tentar gozar de um benefício constante no ordenamento jurídico e com reiteradas decisões favoráveis já proferidas pela própria Receita Federal e pelos Tribunais Federais. DO RECENTE JULGADO DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DA 1ª REGIÃO SOBRE A NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS SOBRE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS Em 26 de julho do ano corrente houve julgamento dos Embargos Infringentes no 2001.37.00.0001339/MA interposto por um prestador de serviços, o qual foi dado provimento por unanimidade, nos termos do voto da Relatora, a Sra. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, a qual passase a discorrer, resumidamente: "(...) Não obstante o entendimento consignado no voto condutor do acórdão, a mens legis, intenção normativa, não se limitou simplesmente ao favorecimento das exportações, mas sim ao ingresso de divisas, visando, inclusive, evitar que sejam as exportações oneradas por tributos na origem, em obediência ao princípio internacional de que a incidência de tributos deve se dar no destino, para não haver a exportação de tributos. (...) As regras tributárias que dispõe sobre a isenção devem ser interpretadas literalmente, consoante a regra no art. 111, inciso II, do CTN, e, assim, apesar de constar a regra de isenção em legislação que trata do tema importação/exportação (Lei 10.865/2004), assim como constar expressamente para o exterior no inciso I e fim específico de exportação no inciso III do art. 60, inciso II prevê como requisitos à exportação unicamente que os serviços sejam prestados para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Não pode o exegeta ampliar os prérequisitos à isenção, sob pena até mesmo de tornar a regra inócua (...)." Ora, resta claro, que a utilização de agente ou representante do transportador estrangeiro como intermediário para a realização do serviço de praticagem não tem o condão de afastar a regra da isenção, uma vez que o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, não o intermediário.” Na mesma decisão dos Embargos Infringentes no 2001.37.00.0001339/MA, a Ilustre Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso entende que: (...) O fato de que o serviço deve ser pago em moeda nacional não desconstituiu a prestação de serviços à pessoa física ou jurídica residente no exterior, pois configurada a entrada de divisas pelo pagamento do serviço prestado. Por determinação legal o pagamento de serviço realizado no País não pode se dar por moeda estrangeira, mas sim pelo correspondente em Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 78 5 moeda nacional. (...) A isenção não tem a abrangência pretendida pela embargante na inicial pois não se aplica a todo e qualquer serviço que presta, mas tão somente àqueles comprovadamente prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, a ser, in casu, apurado em liquidação de sentença. (...)." Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Impugnante (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Ainda, nos Embargos Infringentes no 2001.37.00.0001339/MA, em voto vogal, o Ilustre Desembargador Federal Souza Prudente, que: "(...) E, por fim, também registro aqui o outro argumento que deve ser destacado, posto pela embargante, no sentido de que a própria Secretaria da Receita Federal já consolidou a orientação de que os serviços de praticagem, prestados a armadores estrangeiros, estão compreendidos na isenção contemplada no art. 14, III, da MP 2.158/01, e no art. 60, II, da Lei 10.833/03, com a redação dada pela Lei 10.865/04. Convicto, portanto, do acerto desta argumentação, acompanho a conclusão do voto da eminente relatora para prestigiar o inteiro teor do voto vencido, e, no caso, portanto, dou provimento aos embargos infringentes.” Em 27 de dezembro de 2012, houve julgamento do Recurso Especial no 1.268.345MA, Relator Ministro Herman Benjamin com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL No 1.268.345 MA (2011/01746966) RELATOR: MINISTRO HERMAN BENJAMIN RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : SERVPRAT SERVICOS DE PRATICAGEM DA BAIA DE SÃO MARCOS LTDA ADVOGADO : MOACIR ANTÔNIO MACHADO DA SILVA E OUTRO(S) EMENTA : TRIBUTÁRIO. SERVIÇOS DE PRATICAGEM. COFINS. ART. 60, II, DA LEI 10.833/2003. BENEFÍCIO FISCAL. INAPLICABILIDADE. 1. Discutese a incidência da Cofins sobre receitas relativas ao serviço de praticagem (auxílio ao comandante da embarcação que se aproxima do porto, considerando as peculiaridades locais que dificultem a livre e segura movimentação). 2. Não se está a questionar a imunidade sobre receitas decorrentes de exportação, prevista no art. 149, § 20, I, da CF, até porque isso extrapola os limites do Recurso Especial. 3. O debate restringese ao art. 60, II, da Lei 10.833/2003, especificamente quanto ao atendimento aos dois requisitos legais para afastamento da tributação sobre as receitas relativas à prestação do serviço, quais sejam: a) prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; e b) cujo pagamento represente ingresso de divisas. 4. Ao julgar os Embargos Infringentes, o TRF manifestouse claramente no sentido de que o serviço é prestado a pessoa domiciliada no exterior, afastando o que se aferiu no julgamento da Apelação. Não há como rever esse fato em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. Fl. 80DF CARF MF 6 5. Como o tomador do serviço está no exterior, é evidente que o preço será, de alguma forma, por ele suportado, ainda que indiretamente. Também é certo que, tendo sido o pagamento ao prestador realizado em moeda nacional, haverá ingresso de dinheiro estrangeiro, com subsequente conversão cambial. 6. Assim, como reconheceu o TRF ao julgar os Embargos Infringentes, preenchese também o segundo requisito para reconhecimento do benefício isentivo. 7. Recurso Especial não provido. “ DO DIREITO A NÃOINCIDÊNCIA E DA RESTITUIÇÃO DO PIS/PASEP E COFINS A Contribuinte, ora Recorrente, dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está à prestação de serviços para armadores estrangeiros. Na consecução de suas atividades, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da nãoincidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais. os atos legais citados deram explícito tratamento mais benéfico às receitas relativas à prestação de serviços destinados à pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior geradoras de ingresso de divisas. Como se vê, a legislação federal acabou por desconsiderar o local de realização do serviço, privilegiando, como critérios identificadores da exportação imunizada, a localização alémfronteira do tomador e a entrada de divisas no país. Porém, como se restou demonstrado, em momento algum o legislador se preocupou em elencar qualquer tipo ou modo de serviço prestado, pois a finalidade da imunidade é o incentivo a exportação. Assim, ainda que uma prestação tenha início, desenvolvimento e conclusão exclusivamente em território brasileiro, e aqui se verificar o seu resultado, esta pode vir a ser considerada, para efeitos de PIS e da ICOFINS, como exportação de serviços, bastando, para tanto, que (i) essa atividade tenha sido desenvolvida em favor de terceiro não residente e que (ii) sua contraprestação acarrete a entrada de divisas no país. A – DO TOMADOR DE SERVIÇO RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR Os contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil do transportador estrangeiro. Porém, resta claro que o fato do pagamento ser feito por representante no Brasil, daquela pessoa jurídica (armador estrangeiro), em reais, não descaracteriza, por si só, para efeitos de nãoincidência do Pis/Pasep e da COFINS. Corroborando com esse entendimento, temos a Solução de Consulta no 217 SRRF/9a RF /DISIT em 04 de junho de 2009, processo sob o no 13964.000179/200903, assim dispondo: "(...) Como se observou a própria Disit, a intervenção de representante do transportador estrangeiro no País encontrase expressamente prevista em toda a regulamentação atinente às operações de mercado de câmbio relativas ao transporte internacional constantes das Circulares Bacen no 3.280, de 2005, e alterações posteriores." Com efeito, sob a ótica do Direito Internacional, se validamente figurarem como contratantes o agente marítimo brasileiro e o transportador estrangeiro, e se o representante no Brasil do transportador estrangeiro, ao viabilizar negócios entre o agente marítimo e o transportador estrangeiro, de posse de instrumento de procuração que atenda aos preceitos legais, agir na condição de mero mandatário do transportador estrangeiro, persiste incólume à relação jurídica entre a interessada e o Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 79 7 transportador, vez que o mandatário não age em nome próprio, mas em nome o por conta do mandante. Dispõe o art. 653, do Novo Código Civil: "Art. 653 Operase o mandado quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome. Praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato". Ainda, na mesma Solução de Consulta da no 217 da própria Recorrente, dispõe que: "Destarte, desde que o representante no País haja como mero mandatário persiste o vínculo entre o transportador estrangeiro e o agente marítimo brasileiro, preenchendose o primeiro requisito para a fruição do aludido benefício". B – O PAGAMENTO DEVE REPRESENTAR INGRESSO DE DIVISAS No que concerne ao segundo requisito disposto para a configuração de uma prestação de serviço como exportação entrada de divisas a situação em estudo merece a mesma conclusão exposta acima. O pagamento das despesas incorridas no País suportadas pelo transportador estrangeiro está previsto no item 5, da Seção 2, do Capítulo 9 do RMCCI, são os seguintes: "5. As despesas incorridas no País por transportador estrangeiro residente, domiciliado ou com sede no exterior devem ser objeto de: a) regular ingresso de moeda estrangeira; b) débito em moeda nacional titulada pela transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, mantida na forma da regulamentação em vigor; c) utilização dos recursos objeto de registros escriturais de que trata a seção 9 do capítulo 14". Assim, ainda que o preço dos serviços seja pago à Recorrente por empresa nacional, representante do armador estrangeiro, é este último, na qualidade de real tomador dos serviços, quem arca com tal encargo, enviando previamente ao país divisas suficientes à sua quitação. O custeio dos serviços prestados pela Recorrente, portanto, tem imediata relação com o ingresso de divisas no país. O fato de o preço ser pago em moeda nacional não desabona a condição de imunidade da receita da Recorrente, pois o que importa é o efetivo ingresso de divisas. Os agentes nacionais dos armadores estrangeiros atuam como meros repassadores de recursos do exterior. Assim o são por imposição das leis brasileiras, que também prescrevem a utilização desse elo para a remessa da receita de fretes contratados com residentes aos armadores no exterior. A fim de esclarecer a efetividade do ingresso de divisas nas circunstâncias que envolvem a situação apresentada pela Recorrente, fazse necessário analisar as normas emanadas pela autoridade monetária do País, consubstanciadas no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), instituído pela Circular Bacen no 3493, de 24 de março de 2010, e alterações posteriores. C – DOS NORMATIVOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL APLICÁVEIS AO CASO O Banco Central do Brasil acompanha a atividade dos armadores estrangeiros no país mediante rígido controle das divisas que entram e das divisas que saem do Brasil, as primeiras para pagamento dos fornecedores brasileiros, as segundas relativas ao frete contratado por nacionais. Até recentemente, era a CartaCircular no 2.297, de 08 de julho de 1992, com suas posteriores alterações, que disciplinava as transferências de valores pertinentes ao transporte marítimo internacional. Em 30 de julho do corrente ano as normas anteriores foram revogadas e consolidadas na Circular no 3.249, que divulgou o Regulamento sobre Frete Internacional, o qual integra a Consolidação das Normas Cambiais (CNC) do BACEN (Capítulo 7). A Circular no 3.249/04 manteve as linhas gerais do tratamento que era dado às operações dos armadores estrangeiros até então e recentemente, está regida Pela Circular no 3493, de 24 de março de 2010, a qual manteve as mesmas linhas no que se refere ao caso em tela. Os normativos do BACEN estipulam Fl. 82DF CARF MF 8 que todo armador estrangeiro que atue no Brasil deve ter representante constituído no país, sobre o qual recairá a responsabilidade pela comprovação dos resultados da atividade de transporte marítimo realizada por aquele. Em suma, as divisas remetidas ao país para pagamento das despesas decorrentes do serviço de transporte marítimo serão destinadas ao representante do armador estrangeiro, que fica obrigado a comprovar o destino dado a tais valores e manter o registro dessas operações. O representante nacional do transportador estrangeiro é tambem quem recolhe das empresas nacionais contratantes do serviço de transporte o frete cobrado, remetendoo ao exterior mediante o fechamento de contratos de câmbio com as instituições autorizadas para tal mister pelo próprio BACEN. Assim, nas transferências do exterior e para o exterior relacionadas aos serviços de transporte marítimo internacional haverá sempre uma empresa brasileira atuando como intermediária do armador estrangeiro. Tal fato só se dá por expressa imposição das normas cambiais, que não desnaturam a operação, a qual continua adstrita a receitas e despesas de entidade não domiciliada no país (armador estrangeiro). De fato, a Circular no 3.493/2010 estipula que os bancos autorizados a operar em câmbio podem dar seguimento a transferências do e para o exterior de valores decorrentes de transporte internacional de cargas, nas suas diversas modalidades, de interesse de: (a) agentes ou representantes de transportadores domiciliados no exterior; (b) empresas que operam a sistemática de consolidação e desconsolidação de cargas e de transportes multimodais; (c) exportadores e importadores domiciliados no Brasil; e (d) empresas transportadoras nacionais. Observase que, em se tratando de armador estrangeiro, a remessa ao exterior da receita da sua atividade só pode ser operacionalizada por meio de agentes ou representantes. Não há pagamento direto ao exterior. Portanto, as despesas havidas com o exercício daquelas atividades no Brasil, entre as quais as relativas a serviços prestados por empresas nacionais, como a Recorrente, a armadores estrangeiros, são sempre suportadas por divisas oriundas no exterior, internadas sob controle do BACEN, havendo comprovação válida de tais fatos em poder das entidades envolvidas com a operação. DA COMPROVAÇÃO DO INGRESSO DE DIVISAS Argumenta a Secretaria Receita Federal que: "(...)a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito provado com a pessoa jurídica (armador estrangeiro) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agenterepresentante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da nãoincidência do PIS e da COFINS". Ora, a Recorrente que está pretendendo a nãoincidência do Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, é apenas uma prestadora de serviço do agente/representante nacional do armador estrangeiro, apenas manobram os navios. Assim, causa tamanha indignação, a exigência de tais documentos, vez que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro, sendo que apenas estes podem suprir tal exigência, por não ter a Recorrente qualquer vínculo entre essa relação. Novamente, razão não assiste a Recorrida uma vez que ficou exaustivamente demonstrado no presente Recurso, através da citação nas normas emanadas pelo Bacen. Ressaltase novamente a condição do Recorrente de mero prestador de serviços ao agente/representante nacional. Assim, frisa que todas as exigências referentes à comprovação do ingresso de divisas devem ficar a cargo do agenterepresentante nacional, visto que é este quem recebe as receitas do transportador estrangeiro. Assim, quem pode comprovar o regular ingresso de divisas, além do agente/representante nacional, é o Banco Central. Portanto, restam claro o abuso e a ilegalidade por parte da Recorrida, em obrigar a Recorrente a apresentar tais documentos que não estão previstos em lei, apenas como uma forma desenfreada de arrecadar mais receitas aos cofres públicos. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 80 9 DO PEDIDO Por todo o exposto, a Recorrente é mera prestadora de serviços, recebe o dinheiro pelos serviços prestados através do representante do armador estrangeiro que se encontra em solo brasileiro. Assim, não possui contratos de câmbio, e sim, notas fiscais pormenorizadas que permitem correlacionar e identificar os serviços prestados nos navios estrangeiros. Resta claro que a intenção do legislador foi beneficiar a exportação de serviços de forma ampla, sem distinguir o tipo de serviço executado. Em nenhum momento o legislador cita a obrigatoriedade de apresentação de contrato de câmbio ou qualquer outro documento. Quem "criou" essa exigência foi a Secretaria da Receita Federal do Brasil, como forma de impedir que o prestador de serviços requeira tais créditos. Assim, resta outra inconformidade na decisão exarada. Diante dos argumentos acima aludidos, temos que a r. decisão deva ser reformada, dando provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo a fim de reconhecer que o valor do crédito devido, bem como homologar a compensação já declarada. 6. Os autos vieram a mim distribuídos para relatar.. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 7. Tratase da isenção concedida á COFINS incidente sobre receita de exportação de serviços, conforme artigo 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e artigo 14, inciso III da MP nº 2.15835/2001, que estão assim redigidos : Lei nº 10.833/2003 : Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 84DF CARF MF 10 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Medida Provisória nº 2.15835/2001 : Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 81 11 I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – revogado pela Lei nº 11.508/2007 IIIa estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. 8. Portanto, o texto legal estabelece duas condições para que tal receita seja isenta da COFINS: que o serviço seja prestado a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no exterior e que o pagamento referente a este serviço represente ingresso de divisas no país. 9. O artigo 111 do Código Tributário Nacional exige que a interpretação de normas legais isentivas sejam interpretadas literalmente, não sendo permitido ao julgador ampliar tais limites ao interpretar tal legislação. 10. Neste diapasão, devese observar, no caso presente, se as condições exigidas pela legislação estão satisfeitas, e devidamente comprovadas, para que se reconheça o direito isencional. A QUESTÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR – DEFINIÇÃO E INTERMEDIAÇÃO POR REPRESENTANTE LEGAL. 11. A primeira condição já foi exaustivamente analisada pela Administração Tributária, na figura da Secretaria da Receita Federal, pela Solução de Consulta COSIT nº 346/2017, além de esclarecer a definição do termo “exportação de serviços” para interpretação da citada legislação, no Parecer Normativo COSIT nº 1/2018. 12. O citado Parecer Normativo COSIT nº 1/2018 definiu bem o problema que se enfrenta quando se tenta conceituar “exportação de serviços” : O conceito de exportação é incontroverso se atinente à movimentação de bens físicos (produtos ou mercadorias) que transitam pelas fronteiras de um país. O mesmo não acontece se a operação envolve serviços e o dispositivo legal que adota tal expressão sem delimitarlhe o alcance estatui norma aberta, posto que a exportação de serviços per se equivale a um conceito jurídico indeterminado.2 Não existe na doutrina ou na jurisprudência um consenso sobre o que seria exportação de serviços. Por outro lado, o legislador tributário nacional se omite quanto ao tema, limitase a prever a incidência, a não incidência ou a desoneração das operações que envolvem o comércio internacional de serviços, geralmente sem oferecer ao aplicador/intérprete da norma parâmetros que orientem sua subsunção aos casos concretos da vida econômica. O problema não é exclusivo do direito brasileiro e tem sido enfrentado de modo variado pelo legislador estrangeiro que, pragmático, busca evitar o uso do termo exportação (e também importação) ao tratar da tributação de operações que envolvam serviços, pautando a matéria tributária relacionada às operações de comércio internacional ora por meio da Fl. 86DF CARF MF 12 prescrição de normas gerais ou específicas que permitam determinar3 o local onde se dá a prestação de serviços, ora pela definição do regime de imposição tributária a ser aplicado conforme a localização do prestador ou do tomador do serviço. Levandose em conta a intenção do legislador de incentivar a atividade econômica no mercado interno, podese propor, para fim de interpretação da legislação tributária, o seguinte conceito de exportação de serviços, ressalvada disposição legal em contrário: Exportação de serviços é a operação realizada entre aquele que, enquanto prestador, atua a partir do mercado doméstico, com seus meios aqui disponíveis, para atender a uma demanda a ser satisfeita em um outro mercado, no exterior, em favor de um tomador que atua, enquanto tal, naquele outro mercado. 13. O Superior Tribunal de Justiça também já enfrentou o tema da primeira condição no REsp nº 1.268.345MA (2011/01746966) de lavra do Ministro Herman Benjamin. 14. Em apertada síntese, o que se concluí da leitura de tais textos citados é que a existência de representante intermediando a transação não afeta a relação comercial de prestação de serviços para o exterior, pois o representante apenas atua como mandatário, qual seja, o representante não atua em nome próprio, e sim em nome do mandante, que está domiciliado no exterior., e também porque o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, não o intermediário. 15. Citamos trechos destes atos : REsp nº 1.268.345 – MA : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL.EMBARGOS INFRINGENTES. LEI 9.715/1998. APLICABILIDADE.ANTERIORIDADE MITIGADA. CONTAGEM A PARTIR DA PUBLICAÇÃO DA PRIMEIRA MEDIDA PROVISÓRIA (MP 1.212/1995). SÚMULA 343 DO STF. INAPLICABILIDADE. I. A Lei 9.537/1997 definiu como prático o aquaviário nãotripulante que presta serviços de praticagem embarcado, sendo que o serviço de praticagem consiste no conjunto de atividades profissionais de assessoria ao Comandante requeridas por força de peculiaridades locais que dificultem a livre e segura movimentação da embarcação (art. 2º, XV, e art. 12 da Lei 9.537/1997). II. A mens legis da isenção da COFINS, determinada no art. 6º, II, da Lei 10.833/2003 (redação dada pela Lei 10.865/2004), não se limitou simplesmente ao favorecimento das exportações, mas sim ao ingresso de divisas, visando, inclusive, evitar que as exportações sejam oneradas por tributos na origem, em obediência ao princípio de que a incidência de tributos deve ocorrer no destino, para não haver exportação de tributos. III. Tal concepção foi erigida à condição de imunidade constitucional (art. 149, § 2º, I, da CF/1988), estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada na compreensão conceitual (REsp.1059041/RS) – AGTAG 2009.01.00.0237498/MG, 7ª Turma do TRF1, Relator Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 de 18/09/2009, p.374. IV. As regras tributárias que dispõem sobre isenção devem ser interpretadas literalmente (art. 111, II, do CTN). Assim, apesar de constar a regra de Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 82 13 isenção em legislação que trata do tema importação/exportação (Lei 10.865/2004), assim como constar expressamente a exportação nos incisos I e III do art. 6º da Lei 10.833/2003, o inciso II prevê como requisitos à isenção requerida, unicamente, que os serviços sejam prestados para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Não pode o exegeta ampliar os prérequisitos à isenção, sob pena de tornar a regra inócua. A utilização de agente ou representante do transportador estrangeiro como intermediário para a realização do serviço de praticagem não tem o condão de afastar a regra de isenção, uma vez que o destinatário final do serviço é a pessoa física ou jurídica residente no exterior, não o intermediário. V. O fato de que o serviço deve ser pago em moeda nacional não desconstitui a prestação de serviços à pessoa física ou jurídica residente no exterior, pois configurada a entrada de divisas pelo pagamento do serviço prestado. Por determinação legal o pagamento de serviço realizado no País não pode se dar por moeda estrangeira, mas sim pelo correspondente em moeda nacional. VI. A COFINS não incide sobre receitas decorrentes de serviços de praticagem prestados para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, nos termos do art. 6º, II, da Lei 10.833/2003. Embargos infringentes a que se dá provimento, para prevalecer o voto vencido. (grifos nossos) O debate restringese ao art. 6º, II, da Lei 10.833/2003, antes transcrito, especificamente quanto ao atendimento aos dois requisitos legais para afastamento da tributação sobre as receitas relativas à prestação do serviço, quais sejam: a) prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; e b) cujo pagamento represente ingresso de divisas (a redação anterior referiase a pagamento em moeda conversível). (……….) Quanto ao segundo requisito para o benefício fiscal, é incontroverso que o prestador do serviço de praticagem recebe o preço em moeda nacional, pago pelo agente ou representante do transportador estrangeiro. Solução de Consulta COSIT nº 346/2017 : NÃOINCIDÊNCIA. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE DE MERA INTERMEDIAÇÃO ENTRE A PRESTADORA DOS SERVIÇOS E A PESSOA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. A existência de terceira pessoa, desde que agindo como mera mandatária, ou seja, cuja atuação não seja em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante estrangeiro, entre a pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior e a prestadora de serviços nacional, não afeta a relação jurídica negocial exigida para enquadramento nos arts. 6°, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, e 14, inciso III, da MP 2.15835, de 2001, para o fim de reconhecimento da nãoincidência/isenção da Cofins. DOS FATOS : A Consulente, conforme atesta o seu contrato social, é empresa prestadora de serviços que atua no Porto localizado em Vitória ES, desenvolvendo todas as operações de embarque e desembarque de Fl. 88DF CARF MF 14 produtos, transporte, manuseio e armazenamento de materiais e equipamentos; enchimento e esvaziamento de containeres; desembaraço aduaneiro, carregamento e descarregamento de equipamentos, dentre outras atividades. Ocorre que dentre as atividades desenvolvidas está a prestação de serviços para armadores estrangeiros, como operador portuário, agenciamento, suporte com a documentação exigida no país, auxílio logístico, transporte, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias, praticagem, etc. Ademais, a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, contrata um representante comercial no Brasil, Esse representante contrata diversos prestadores de serviços, dentre eles a Consulente. A presente Consulta se refere justamente sobre a exigibilidade da Contribuição ao PIS e a COFINS, sobre as receitas auferidas pela Consulente quando da prestação de serviços para esses importadores estrangeiros. A Consulente, dentre suas atividades, presta serviços, mesmo que de forma indireta a pessoa jurídica domiciliada no exterior. Cabe a isenção descrita na forma das leis acima mencionadas? 8. Cumpre iniciar a análise examinando a primeira condição, a exigência legal de que o tomador de serviço seja residente ou domiciliado no exterior. 9. A situação descrita na petição envolve contratos de prestação de serviços firmados entre pessoa jurídica domiciliada no Brasil e pessoa jurídica tomadora residente ou domiciliada no exterior. Até esse ponto, não restariam muitas dúvidas quanto ao atendimento da primeira condição legalmente imposta. No entanto, tais contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante no Brasil da empresa estrangeira. 16. Portanto, no caso em exame, afirma a recorrente que é contratada de empresa representante do tomador de serviço, domiciliado no exterior, e, por consequência, presta serviço ao armador domiciliado no exterior. 17. Em tese, está cumprido o primeiro requisito para fruição da isenção, desde que a recorrente comprove, por documentos hábeis, tal prestação serviço, seu vínculo jurídico com a representante do tomador de serviço, a forma como recebe os valores referentes a tal prestação de serviços, as Notas Fiscais de Serviço emitidas devidamente conciliadas em sua escrita contábil, caracterizando a receita sujeita á isenção da COFINS e, por fim, a demonstração detalhada dos valores que deram origem ao crédito pleiteado na Declaração de Compensação. A QUESTÃO DO EFETIVO INGRESSO DE DIVISAS 18. Mais delicada é a questão do efetivo ingresso de divisas no território nacional, pois que sujeita ao controle da autoridade monetária nacional, o Banco Central do Brasil, que dispõe de várias regras para que se efetive o ingresso de tais valores, com objetivo de estabelecer vários controles, desde o controle do capital que adentra o território nacional, vindo do exterior, com a sempre premente preocupação de que sejam devidamente comprovadas as suas origens, evitandose a fuga de divisas internacional, até o controle da balança comercial nacional, em função do balanço entre as exportações e importações, passando pro um rígido controle e mapeamento da origem e destino de tais valores. 19. Por envolver o delicado tecido das relações internacionais, o Banco Central do Brasil estabeleceu normas rígidas e que acompanham os controles que se estabelecem a nível internacional. 20. Por sua clareza no descrever e analisar tais controles para o caso em exame, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 83 15 transcrevemos o texto da Solução de Consulta COSIT nº 346/2017, da Secretaria da Receita Federal , que adotamos neste voto, para elucidar a questão (esclarecemos que a Circular BACEN nº 3.691, de 2013 foi objeto de diversas atualizações – Circular BCB 3.702/2014; Circular BCB 3.750/2015, Circular BCB 3752/2015, Circular 3.766/2015, Circular 3811/2016; Circular BCB 3813/2016; Circular BCB 3825/2017; Circular BCB 3829/2017; Circular BCB 3845/2017; Circular BCB 3914/2018; Circular BCB 3918/2018): 14. Passase, assim, ao exame da segunda condição, a exigência legal de que o pagamento represente ingresso de divisas no País. 15. A verificação de atendimento da segunda condição estabelecida para o gozo do benefício da não incidência/isenção das contribuições requer uma análise minuciosa das formas disponíveis para efetivação dos pagamentos decorrentes da prestação de serviços objeto desta consulta, confrontandose tais formas com as possibilidades oferecidas no dinâmico universo negocial. 16. Não é difícil vislumbrar o que pretende a norma exonerativa: incentivar aquelas operações de prestação de serviços a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior que possam, de forma eficaz, reforçar as divisas nacionais. Tais operações são somente aquelas cujo pagamento represente efetivo ingresso de divisas, e, por conseqüência, capazes de repercutir sobre as Transações Correntes do Balanço de Pagamentos do País. 17. A fim de esclarecer a efetividade do ingresso de divisas nas circunstâncias que envolvem a situação apresentada pela consulente, recorrese às normas emanadas pela autoridade monetária do País, ora consubstanciadas na Circular BACEN nº 3.691, de 16 de dezembro de 2013, que, a partir de 3 de fevereiro de 2014, data de sua entrada em vigor, passou a regulamentar a Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008, revogando o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), instituído pela Circular Bacen nº 3.280, de 09 de março de 2005. 18. Dos autos de consulta, não é possível identificar qual é o método de pagamento empregado pelo armador estrangeiro para transferir valores à empresa nacional que contrata a consulente. 19. Por isso, cumpre examinar os mecanismos de que dispõe o armador estrangeiro para efetuar o pagamento dos serviços em pauta, nos termos da Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 20. Dispõe a Circular BACEN nº 3.691, de 2013, no Título IV, Capítulo III – Disposições Complementares às Transferências Financeiras Relacionadas ou Não a Operações Comerciais, em relação às obrigações do agente e representante do transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior: Art. 119. Além das informações previstas na regulamentação cambial, as seguintes pessoas físicas e jurídicas devem fornecer ao Banco Central do Brasil, na forma e nas condições por ele estabelecidas, informações relacionadas aos pagamentos e recebimentos referentes às suas atividades: I transportadores, seus agentes ou representantes, bem como empresas que operam o transporte internacional de passageiros, bagagens e cargas; II sociedades seguradoras, resseguradores locais, resseguradores admitidos e corretoras de resseguro. Fl. 90DF CARF MF 16 21. Mais adiante, no Título VII, Capítulo IX – Contas dos Transportadores Residentes, Domiciliados ou com Sede no Exterior, a Circular nº 3.691, de 2013, trata da operacionalização para pagamento das despesas incorridas no País pelo transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, da seguinte forma: Art. 206. São permitidas a abertura e a manutenção em banco autorizado a operar no mercado de câmbio de conta de depósito em moeda estrangeira titulada por transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com base no Decreto nº 42.820, de 1957, e na Resolução nº 3.222, de 29 de julho de 2004, que pode ser alimentada com recursos resultantes da conversão de moeda nacional auferida no País em decorrência de suas atividades. Art. 207. Nos contratos de câmbio celebrados para fins de transferência ao exterior de receitas auferidas no País pelos transportadores residentes, domiciliados ou com sede no exterior é facultada a retenção transitória de valores estimados para futura utilização no pagamento de despesas incorridas no País. § 1º Os contratos de câmbio tratados no caput são liquidados pelo valor integralmente contratado e de forma pronta, podendo ocorrer o envio de ordem de pagamento ao exterior por valor inferior ao do contrato de câmbio correspondente e a diferença servir para, no prazo de noventa dias, contados da data da contratação do câmbio, ser empregada no pagamento das despesas incorridas no País pelo transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, devendo, quando do pagamento de tais despesas, ser celebrados os respectivos contratos de câmbio na forma da regulamentação em vigor. § 2º Para fins de apuração dos valores em moeda estrangeira referentes às despesas incorridas no País tratadas no § 1º, a critério das partes, pode ser utilizada qualquer taxa de câmbio que esteja entre as taxas mínima e máxima disponíveis no Sisbacen, no período referente à permanência do veículo transportador em território nacional. § 3º Caso o valor estimado para o custeio de que trata o caput tenha sido superior ao efetivamente despendido no Brasil, deve ser enviada nova ordem de pagamento ao exterior com o valor não utilizado no País, observado o prazo de noventa dias referido no § 1º. Art. 208. É vedada a existência de saldos negativos na conta de que trata o art. 206 e para os valores retidos de que trata o art. 207. (grifouse) 22. Ainda que a conta em moeda estrangeira seja alimentada com recursos provenientes da conversão de moeda nacional auferida no País em decorrência das atividades do transportador estrangeiro e, a partir dessa conta, tais recursos sejam utilizados para o pagamento de despesas incorridas no País, consideram se atendidos os dispositivos da legislação aplicada à Contribuição para o PIS/Pasep PIS/Pasep e à Cofins que reconhecem a isenção/não incidência na hipótese de receitas decorrentes de operações de prestação de serviços para pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior. 23. Cabe observar que se deve analisar essa sistemática de retenção transitória pela natureza dos recursos retidos de titularidade do transportador estrangeiro que, a princípio, seriam remetidos ao exterior (inclusive integrando o contrato de câmbio para transferência ao exterior, que se celebra pelo valor bruto), e que permanecem no País para fazer frente ao pagamento de despesas aqui incorridas. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 84 17 24. Considerando a natureza dos recursos retidos e, mais ainda, que na sua utilização para pagamento de despesas incorridas no País, no prazo máximo de 90 dias decorridos da contratação do câmbio de saída do País, devem ser celebrados os respectivos contratos de câmbio para aquisição de moeda nacional, também esta sistemática atende às condições legais para fruição da nãoincidência/isenção ora analisada. 25. Também é possível identificar como forma de pagamento de despesas incorridas no Brasil o débito em conta em moeda nacional, titulada pelo transportador estrangeiro. 26. Destacase que o Banco Central do Brasil (Bacen), por meio da Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008, tornou pública deliberação do Conselho Monetário Nacional (CMN), o qual, baseado no § 2º do art. 65 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, assim dispôs sobre conta em moeda nacional titulada por residente ou domiciliado no exterior: “CAPÍTULO V Das Contas em Moeda Nacional de Residentes, Domiciliados ou com Sede no Exterior e Das Transferências Internacionais em Reais Art 23. Consideramse transferências internacionais em reais os créditos ou os débitos realizados em conta de depósito em moeda nacional titulada por pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida no País em banco autorizado a operar no mercado de câmbio. Art. 24. Devem ser observados nas transferências internacionais em reais, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de compra e de venda de moeda estrangeira e as normas previstas na regulamentação específica. Art. 25. É obrigatório o cadastramento, no Sisbacen, de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Art. 26. A movimentação ocorrida em conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais),deve ser registrada no Sisbacen, na forma estabelecida pelo Banco Central do Brasil. Art. 27. É vedada a utilização da conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros. § 1º A vedação de que trata este artigo aplicase inclusive às contas de titularidade de instituições financeiras domiciliadas ou com sede no exterior mantidas em instituições financeiras autorizadas a operar no mercado de câmbio no País. § 2º Excetuase da vedação contida no caput o débito na conta titulada por instituição bancária do exterior, quando destinado ao cumprimento, por instituição autorizada a operar no mercado de câmbio, de ordem de pagamento em reais oriunda do exterior. (§ 2° incluído pela Resolução 3.657, de 17.12.2008) Art. 28. Podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, exclusivamente em banco autorizado a operar no mercado de câmbio, os saldos de recursos próprios existentes em conta de depósito de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Art.29. Os débitos e os créditos às contas de depósito tituladas por Fl. 92DF CARF MF 18 embaixadas, repartições consulares ou representações de organismos internacionais acreditados pelo Governo brasileiro estão dispensados de comprovação documental e da declaração do motivo da transferência. Art. 30. A movimentação em conta de depósito titulada por embaixada, repartição consular ou representação de organismo internacional acreditado pelo Governo brasileiro, inclusive por valores superiores a R$10.000,00 (dez mil reais), podem ser feitas em espécie ou por qualquer instrumento de pagamento.” (grifou se) 27. Dentre os aspectos da norma transcrita mais relevantes à análise ora procedida, certamente se encontram os seguintes: consideramse transferências internacionais em reais os créditos ou os débitos realizados em conta, mantida no País em moeda nacional e titulada por residente, domiciliado ou com sede no exterior; nas transferências internacionais em reais devem ser observados, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de câmbio em geral; é obrigatório o cadastramento no Sisbacen de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior; os saldos de recursos próprios existentes nas contas de pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, desde que tal operação seja efetuada através de bancos autorizados a operar no Mercado de Câmbio. 28. O Banco Central regulamentou a matéria no Título VI Contas de Domiciliados no Exterior em Moeda Nacional e Transferências Internacionais em Reais, da Circular nº 3.691, de 2013: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 168. As pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, podem ser titulares de contas de depósito em moeda nacional no País, exclusivamente em agências que operem em câmbio de instituições bancárias autorizadas a operar no mercado de câmbio, observadas as disposições deste título. § 1º As contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior devem conter características que as diferenciem das demais contas de depósito, de modo a permitir sua pronta identificação. § 2º É obrigatório o cadastramento no Sisbacen de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, na transação PCAM 260, opção 1, pelo banco depositário dos recursos. § 3º O cadastramento a que se refere o § 2º deve ser efetuado concomitantemente à abertura da conta. § 4º Nas transferências amparadas em registros do Banco Central do Brasil, o número do respectivo registro deve ser consignado no campo “Outras Especificações” da tela do Sisbacen. Art. 169. Relativamente ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif): I no subtítulo “4.1.1.60.105 Provenientes de Vendas de Câmbio”, qualquer movimentação a crédito somente pode resultar do efetivo ingresso de moeda estrangeira no País, pela liquidação de operações de câmbio, devendo constar do histórico da partida contábil o número da operação de câmbio correspondente; II eventuais redepósitos de recursos em reais, originalmente decorrentes de saques ou de transferências efetuados a débito do referido subtítulo, devem ser registrados a crédito do subtítulo “4.1.1.60.208 De Outras Origens”; III o subtítulo “4.1.1.60.301 De Instituições Financeiras” restringese aos registros contábeis de contas tituladas por bancos do exterior que mantenham Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 85 19 relação de correspondência com o banco brasileiro depositário dos recursos, exercida de forma habitual, expressiva e recíproca, ou possuam com este relação inequívoca de vínculo decorrente de controle de capital, compreendidas as instituições controladas ou controladoras. Parágrafo único. As disposições do inciso III abrangem também as agências no exterior de bancos brasileiros e de bancos estrangeiros autorizados a funcionar no País. Art. 170. As instituições financeiras, no que se refere às relações transfronteiriças entre bancos correspondentes e a outras relações semelhantes, devem: I obter informação suficiente sobre a instituição correspondente de forma a compreender plenamente a natureza de sua atividade e conhecer, a partir de informações publicamente disponíveis, a reputação da instituição e a qualidade da sua supervisão, incluindo se a instituição foi objeto de uma investigação ou de uma ação de autoridade de supervisão, relacionada com a lavagem de dinheiro ou com o financiamento do terrorismo, e certificarse de que não se trata de instituição que: a) não tenha presença física no país onde está constituída e licenciada; e b) não seja afiliada a nenhum grupo de serviços financeiros que seja objeto de efetiva supervisão; II avaliar os controles adotados pela instituição correspondente destinados ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo; III obter aprovação do diretor responsável pelas operações relacionadas ao mercado de câmbio antes de estabelecer novas relações de correspondência; IV documentar as responsabilidades respectivas de cada instituição quanto ao combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Art. 171. As instituições financeiras que não se enquadrem no disposto no parágrafo único do art. 169 e no art. 170 só podem ser titulares de contas com subtítulos “Provenientes de Vendas de Câmbio” ou “De Outras Origens”. Art. 172. Devem ser observadas nas transferências internacionais em reais, no que couber, os mesmos critérios, disposições e exigências estabelecidos para as operações de câmbio em geral e as orientações específicas previstas neste capítulo. Art. 173. As transferências internacionais do e para o exterior em moeda nacional, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais), sujeitamse à comprovação documental a ser prestada ao banco no qual é movimentada a conta de domiciliados no exterior. Art. 174. Cumpre aos bancos depositários adotar, com relação aos documentos que respaldam as transferências internacionais em reais, todos os procedimentos prudenciais necessários a evitar a sua reutilização e consequente duplicidade de efeitos, tanto para novas transferências em moeda nacional como para acesso ao mercado de câmbio, bem como exigir a apresentação dos comprovantes de quitação dos tributos incidentes sobre a operação. Art. 175. Podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira, para remessa ao exterior, os saldos dos recursos próprios existentes nas contas de pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliados ou com sede no exterior, independentemente do subtítulo, vedada a sua utilização para conversão em moeda estrangeira de recursos de terceiros. Art. 176. As operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este título devem ser classificadas da seguinte forma: I caso o remetente ou o beneficiário no exterior não seja o próprio titular da conta: sob o fatonatureza específico correspondente ao tipo de operação negociada; II caso o remetente ou o beneficiário no exterior seja o próprio titular da Fl. 94DF CARF MF 20 conta: sob o fatonatureza “72502 Capitais Estrangeiros Depósitos e disponibilidades Disponibilidades no País”. Art. 177. É vedada a utilização das contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros. § 1º Excetuase o disposto no caput no caso de utilização de conta titulada por instituição financeira do exterior tratada no parágrafo único do art. 169 e no art. 170 para a realização de transferência internacional em reais de interesse de terceiros, utilizandose código de grupo específico, quando destinado ao cumprimento de ordem de pagamento em reais oriunda do exterior por instituição autorizada a operar no mercado de câmbio com código de grupo “60 Ordens de pagamento em reais Terceiros”, observado que em tais situações o banco mantenedor de referida conta: I deve informar, por meio da transmissão de arquivo mensal, ao Banco Central do Brasil as ordens de pagamento de valor inferior a R$10.000,00 (dez mil reais); I I pode informar, por meio da transmissão de arquivo mensal, ao Banco Central do Brasil as ordens de pagamento de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e inferior a R$100.000,00 (cem mil reais). § 2º A transmissão do arquivo tratado nos incisos I e II do § 1º é efetuada até o dia cinco de cada mês, contendo dados das transferências efetuadas no mês imediatamente anterior, conforme instruções para sua confecção disponíveis no endereço eletrônico www.bcb.gov.br / menu Câmbio e Capitais Internacionais / Sistemas / Transferências de arquivos. 29. Afora o fato de qualquer crédito ou débito em contas dessa natureza configurar transferência internacional em reais, característica intrínseca já destacada anteriormente, merecem destaque alguns aspectos procedimentais contidos no capítulo acima transcrito, de especial interesse à presente análise: as contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior devem conter características que as diferenciem das demais contas de depósito, de modo a permitir sua pronta identificação; é obrigatório o cadastramento no Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) de contas de depósito em moeda nacional, no País, tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior; existe no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), um título específico para registrar os depósitos de que trata este capítulo; as transferências internacionais do e para o exterior em moeda nacional, de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), sujeitamse à comprovação documental a ser prestada ao banco; com relação aos documentos que respaldam as transferências internacionais em reais, existe obrigação imposta aos bancos depositários para adotarem todos os procedimentos prudenciais necessários a evitar a sua reutilização e conseqüente duplicidade de efeitos, tanto para novas transferências em moeda nacional como para acesso ao mercado de câmbio, bem como exigir a apresentação dos comprovantes de quitação dos tributos incidentes sobre a operação; as operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este capítulo são privativas da instituição bancária autorizada a operar no mercado de câmbio depositária dos recursos; as operações de câmbio relativas ao ingresso e ao retorno ao exterior de recursos registrados nas contas de que trata este capítulo devem ser classificadas segundo a identidade das duas pontas envolvidas, de forma a identificar se há, ou não, mesma titularidade. 30. Com relação às movimentações em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, mantidas no Brasil em moeda nacional, vale transcrever o que dispõe o Banco Central do Brasil no Capítulo II do Título VI da Circular nº 3.691, de 2013: Art. 178. Para fins e efeitos deste título, caracterizam: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 86 21 I ingressos de recursos no País: os débitos efetuados pelo banco depositário em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, exceto quando se tratar de movimentação direta entre duas contas da espécie; II saídas de recursos do País: os créditos efetuados pelo banco depositário em contas tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, exceto quando os recursos provierem de venda de moeda estrangeira ou diretamente de outra conta da espécie. Art. 179. O banco depositário dos recursos deve registrar no Sisbacen, transação PCAM260, opção 2, até o segundo dia útil após a realização da operação, todas as transferências internacionais em reais de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e aquelas que, independentemente do valor, sejam sujeitas a registro de capitais estrangeiros. § 1º Os registros de que trata o caput abrangem também: I os débitos e créditos realizados em contrapartida à liquidação de operações de câmbio, de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais), classificadas sob a naturezafato “72502”; II as movimentações diretas de recursos entre contas de residentes, domiciliados ou com sede no exterior (naturezafato “72605”), de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais), ainda que estas não caracterizem transferências internacionais em moeda nacional; III as movimentações realizadas em contrapartidas a operações de câmbio não classificadas como disponibilidades no País. § 2º As informações referentes às transferências internacionais em reais de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) e inferior a R$100.000,00 (cem mil reais), desde que não sujeitas a registro de capitais estrangeiros, poderão ser enviadas ao Banco Central do Brasil, até o dia cinco de cada mês, por meio de arquivo que contenha os dados das transferências efetuadas no mês imediatamente anterior, conforme instruções para sua confecção disponíveis no endereço eletrônico www.bcb.gov.br / menu Câmbio e Capitais Internacionais / Sistemas / Transferências de arquivos. Art. 180. As movimentações para crédito nas contas de que trata este título devem ser efetuadas por meio de: I débito de conta mantida pelo pagador no próprio banco depositário; II acolhimento de cheque de emissão do pagador, cruzado, nominativo ao banco depositário ou ao titular da conta, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência; ou III TED, emitida por outra instituição financeira em nome próprio, exclusivamente quando a operação for de seu interesse, ou em nome do pagador, devendo a natureza da transferência, em qualquer caso, ser informada no campo “histórico”. Art. 181. Os débitos nas contas de que trata este título devem ser feitos, exclusivamente para crédito em conta titulada pelo beneficiário no País, por meio de: I TED, documento de crédito (DOC) ou qualquer outra ordem de transferência de fundos, emitidos pelo banco depositário em nome do titular da conta, devendo, no caso de TED, a natureza da transferência ser informada no campo “histórico”; ou II cheque administrativo ou de emissão do titular da conta, quando se tratar de depósito à vista, nominativo ao beneficiário, cruzado, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência. Art. 182. Pode ser realizada com utilização de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie, a movimentação de valor inferior a R$10.000,00 (dez mil reais). Art. 183. Nas contas tituladas por embaixada, repartição consular ou representação de organismo internacional acreditado pelo Governo brasileiro, a movimentação de qualquer valor pode ser feita em espécie ou com a utilização de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado Fl. 96DF CARF MF 22 financeiro. § 1º Os débitos e os créditos às contas tituladas por embaixadas e repartições consulares estão dispensados de comprovação documental e da declaração do motivo da transferência, devendo essas operações ser classificadas com os códigos apropriados de “Serviços Diversos Receitas e despesas governamentais”. § 2º Os débitos e os créditos às contas tituladas por organismos internacionais acreditados pelo Governo brasileiro estão dispensados de comprovação documental, devendo essas operações ser classificadas com os códigos apropriados com base nas informações prestadas. § 3º O disposto neste artigo não se aplica às movimentações de recursos em contas particulares de funcionários das referidas entidades. Art. 184. Nas movimentações de valor igual ou superior a R$10.000,00 (dez mil reais) é obrigatória a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes de valores nestas contas bem como dos beneficiários das transferências efetuadas, devendo tais informações constar do dossiê da operação. Parágrafo único. Devem os cheques utilizados para a movimentação das contas de que trata este capítulo conter, no verso, as informações que permitam efetuar a identificação a que se refere o caput. Art. 185. O banco depositário, recebendo instruções para movimentação em conta de pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior sem o atendimento ao contido neste capítulo, não efetivará a operação, devendo adotar os procedimentos regulamentares para a rejeição ou a devolução do instrumento de pagamento, caracterizando tratarse de transferência internacional em reais. Art. 186. Nas movimentações em contas de que trata este capítulo, relativamente a aplicações financeiras e resgates na própria instituição pelo titular da conta, a operação deve ser classificada sob o código de natureza “72605”, exclusivo para movimentações em reais para fins de registro de aplicações financeiras e resgates no próprio banco depositário, observado que em qualquer caso a destinação ou a proveniência dos recursos deve ser declarada no campo “Outras Especificações” da tela de registro de movimentação do Sisbacen ou do leiaute do arquivo de que trata o § 2º do art. 179. (grifouse) 31. Estabelecem, pois, os arts. 178, I, 181, I e II, 182 e 184, pré citados, que caracterizam “ingressos de recursos no País os débitos efetuados pelo banco depositário em contas em moeda nacional tituladas por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior”, devendo tais débitos “ser feitos, exclusivamente para crédito em conta titulada pelo beneficiário no País, por meio de: I) TED, documento de crédito (DOC) ou qualquer outra ordem de transferência de fundos, emitidos pelo banco depositário em nome do titular da conta, devendo, no caso de TED, a natureza da transferência ser informada no campo “histórico”; ou II)cheque administrativo ou de emissão do titular da conta, quando se tratar de depósito à vista, nominativo ao beneficiário, cruzado, contendo no verso a destinação dos recursos e a natureza da transferência”. 32. Vale notar que pode ser realizada “com utilização de qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie, a movimentação de valor inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais)”, bem como que nas “movimentações de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) é obrigatória a identificação da proveniência e destinação dos recursos, da natureza dos pagamentos e da identidade dos depositantes de valores nestas contas bem como dos beneficiários das transferências efetuadas, devendo tais informações constar do dossiê da operação”, devendo os cheques utilizados para a movimentação das contas em pauta conter, no verso, as informações que permitam efetuar a identificação acima referida. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 87 23 33. Enfim, diante da clareza das normas emanadas pela autoridade monetária, concernentes à movimentação de recursos em moeda nacional mantidos em conta no País titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, bem como tocantes à manutenção em banco autorizado a operar no mercado de câmbio de conta de depósito em moeda estrangeira por pessoa residente ou domiciliado no exterior, concluise que a utilização de qualquer dos mecanismos de pagamento contemplados por tais normais, já aqui destacados, para honrar obrigações contraídas no País decorrentes de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, atende ao segundo requisito legal para fins de fruição do benefício da nãoincidência/isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta, i.e., a exigência de que o pagamento represente ingresso de divisas no País. 34. Ademais, não seria razoável presumir que a facilidade operacional concernente à movimentação de recursos, mantidos em conta no País titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, disponibilizada de forma a não desestimular a realização de transações internacionais, seja capaz de alterar a essência das próprias transações. 35. No entanto, diante das características da regulamentação da matéria cambial, as quais, sob a ótica fiscal, demandam a adoção de certas precauções, é de essencial importância consignar que, para caracterização do atendimento da exigência de que o pagamento represente ingresso de divisas no País, não basta o débito em conta mantida no Brasil titulada por pessoas físicas ou jurídicas, residentes, domiciliadas ou com sede no exterior. Persistirá, sempre, a necessidade do nexo causal entre o pagamento recebido por uma pessoa jurídica nacional mediante o débito em conta dessa natureza, e a efetiva prestação dos serviços à pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior. 21. Portanto, diante das claras regras de controle estabelecidas pelo BACEN, cabe ao recorrente a comprovação do nexo causal entre os ingressos de divisas no território nacional e a sua receita, por efetiva prestação de serviços, considerandose efetiva a prestação de serviço aquela devidamente comprovada por documentos hábeis a vincular a sua receita ao ingresso de divisas, para que se cumpra o requisito aqui examinado. A COMPROVAÇÃO DAS CONDIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO 22. A efetiva prestação de serviços pode ser comprovada, por exemplo, pela indicação dos números de Conhecimentos de Carga (Bill of Lading) a que se referem as notas fiscais, quando de sua emissão pela pessoa jurídica brasileira como suporte documental a seu faturamento por serviços prestados de agenciamento marítimo, contra o transportador estrangeiro ou seu representante no Brasil que age na condição de mero mandatário. 23. Notese que a necessidade de verificação da efetiva prestação de serviços, e não somente de simples comprovação de que conta de estrangeiro mantida no País seja origem de pagamento recebido, decorre de características da regulamentação que trata das movimentações em contas dessa natureza, tais como: a possibilidade de haver redepósitos; a possibilidade de depósitos terem como procedência “outras origens”; Fl. 98DF CARF MF 24 a impossibilidade, e até mesmo a inviabilidade, de os controles existentes cercarem as operações envolvendo valores inferiores a R$ 10.000,00; a possibilidade de depósitos envolvendo valores inferiores a R$ 10.000,00 serem efetivados mediante qualquer instrumento de pagamento em uso no mercado financeiro, inclusive em espécie. 24. Verificase, desse modo, que as receitas decorrentes de pagamentos relativos à prestação dos serviços a residente, domiciliado ou com sede no exterior, representado por pessoa jurídica domiciliada no País, agindo em nome e por conta do mandante, são atingidas pelo manto isencional, disposto no art. 6º, II, da Lei nº10.833, de 2003, e no art. 14, inciso III e § 1º da MP 2.15831, de 2001, desde que tais pagamentos sejam efetuados : por meio de regular ingresso de moeda estrangeira; de débito em conta em moeda nacional titulada pela pessoa tomadora residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida e movimentada na forma da regulamentação em vigor; ou ainda, no caso de tomador transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com a utilização dos recursos objetos de registros escriturais de que trata o Capítulo IX do Título VII da Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 25. Para fins de cumprimento dos requisitos legais para fruição do benefício da isenção da COFINS na hipótese aqui analisada, não se considera válida qualquer forma de pagamento a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, em razão de serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, que não se enquadre entre aquelas admitidas pela Circular BACEN nº 3.691, de 2013. 26. Por exemplo, não seriam objeto de isenção, no caso em exame, receitas resultantes de pagamentos realizados por qualquer outra pessoa física ou jurídica que não a própria pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior, tratese esta outra pessoa de representante da pessoa estrangeira ou não. Tal hipótese, evidentemente, não se confunde com a ação de representante na condição de mero mandatário, ou seja, agindo não em nome próprio, mas em nome e por conta da pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior. Por essa razão a importância da comprovação do nexo causal entre a efetiva prestação de serviço ao tomador domiciliado no exterior e a receita da recorrente. 27. Mesmo que o representante no País de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior tenha sob sua guarda recursos de titularidade do seu representado, oriundos de receitas auferidas, por exemplo, em razão de transporte internacional realizado a residente, domiciliado ou com sede no País, o pagamento realizado utilizando tais recursos, diretamente a prestador de serviços brasileiro, sem transitar por conta, em moeda nacional ou estrangeira, titulada por pessoa residente, domiciliada ou com sede no exterior, não é válido para fins de reconhecimento da isenção em pauta. 28. Ou seja, caso a pessoa física ou jurídica estrangeira se aproveite de quaisquer ajustes negociais, ou mesmo no caso de se valer de recursos anteriormente recebidos por seu representante no País, ou por agente consolidador de carga, sem transitar por conta de sua Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 88 25 titularidade no País, considerase não atendida a exigência relativa ao ingresso de divisas. Neste caso, conseqüentemente, não será possível a fruição do benefício da isenção da Cofins pela receita do prestador de serviços nacional. 29. Cabe ainda ressaltar que, em qualquer caso, as receitas auferidas pela pessoa jurídica com a prestação de serviços vinculados a contratos firmados com pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, ou com seu mandatário, devem ser discriminadas nos livros fiscais desse prestador de forma que permita a sua perfeita identificação, e a demonstração inequívoca de que o pagamento dos serviços por ela prestados deuse na forma das normas cambiais vigentes à época dos fatos. 30. Em suma, somente quando atendidas as normas estabelecidas pela Circular BACEN nº 3.691, de 2013, em vigor desde 4 de fevereiro de 2014, para o pagamento das despesas incorridas no País pela pessoa tomadora residente ou domiciliada no exterior, fica caracterizado o efetivo ingresso de divisas no País, autorizando a aplicação das normas isentivas do artigo 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003 e 14, inciso III, e parágrafo 1º da MP 2.15835, de 2001; ou seja, nos termos da legislação cambial ora vigente, as receitas decorrentes de pagamentos relativos à prestação dos serviços para residente, domiciliado ou com sede no exterior, representado por pessoa jurídica domiciliada no País, agindo em nome e por conta do mandante, são protegidas pelo manto isencional com relação á COFINS, desde que tais pagamentos sejam efetuados por meio: 1) de regular ingresso de moeda estrangeira; 2) de débito em conta em moeda nacional titulada pela pessoa tomadora residente, domiciliada ou com sede no exterior, mantida e movimentada na forma da regulamentação em vigor; 3) ou ainda, no caso de tomador transportador residente, domiciliado ou com sede no exterior, com a utilização dos recursos objeto de registros escriturais de que trata o Capítulo IX do Titulo VII da Circular Bacen nº 3.691, de 2013; ainda que seja utilizada forma de pagamento válida para o fim de enquadramento na hipótese de isenção em foco, persistirá, sempre, a necessidade da comprovação do nexo causal entre o pagamento recebido por uma pessoa jurídica domiciliada no País e a efetiva prestação dos serviços à pessoa, física ou jurídica, residente, domiciliada ou com sede no exterior; não se considera beneficiada pela isenção da COFINS, a prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior cujo pagamento se der mediante qualquer outra forma de pagamento que Fl. 100DF CARF MF 26 não se enquadre entre as hipóteses listadas em normas estabelecidas pelo Banco Central do Brasil. os serviços alcançados pela norma de isenção da Cofins, deverão ser contratados por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, ainda que por meio de seu mandatário no País, não abrangendo, porém, os serviços que este, em nome próprio, venha a contratar com a recorrente, ainda que para atendimento de demanda do transportador/armador domiciliado no exterior. as receitas auferidas pela pessoa jurídica com a prestação de serviços vinculados a contratos firmados com pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, ou com seu mandatário, devem ser discriminadas nos livros fiscais desse prestador de forma que permita a sua perfeita identificação, e a demonstração inequívoca de que o pagamento dos serviços por ela prestados deuse na forma das normas cambiais vigentes à época dos fatos. 31. Diante de todo o exposto no tópico, cabe á recorrente as comprovações dos efetivos ingressos de divisas no território nacional, de acordo com as regras do BACEN, do nexo causal entre a receita de prestação de serviços devidamente registrada e documentada em sua escrita contábil e fiscal e a efetiva prestação de serviço ao tomador, além de seu vínculo jurídico com o representante legal do tomador de serviço e deste representante com o próprio tomador, domiciliado no exterior. 32. Por derradeiro, há que se esclarecer dois pontos : A apresentação de provas e a realização de diligências : O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é claro ao estabelecer no seu artigo 16 os requisitos para apresentação da impugnação, onde se destacam que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (artigo 16, III) e as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (artigo 16, IV), sendo que no seu artigo 29 estabelece que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, ou seja, a diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando á produção de provas que devem ser apresentadas pela Recorrente. O ônus da prova : Diante da afirmativa da recorrente de que “ a Recorrente que está pretendendo a nãoincidência do Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, é apenas uma prestadora de serviço do agente/representante nacional do armador estrangeiro, apenas manobram os navios. Assim, causa tamanha indignação, a exigência de tais documentos, vez que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro, sendo que apenas estes podem suprir tal exigência, por não ter a Recorrente qualquer vínculo entre essa relação. Novamente, razão não assiste a Recorrida uma vez que ficou exaustivamente demonstrado no presente Recurso, através da citação nas normas emanadas pelo Bacen. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10845.901874/201088 Acórdão n.º 3301006.087 S3C3T1 Fl. 89 27 Ressaltase novamente a condição do Recorrente de mero prestador de serviços ao agente/representante nacional. Assim, frisa que todas as exigências referentes à comprovação do ingresso de divisas devem ficar a cargo do agenterepresentante nacional, visto que é este quem recebe as receitas do transportador estrangeiro. Assim, quem pode comprovar o regular ingresso de divisas, além do agente/representante nacional, é o Banco Central.”, negandose, portanto, a apresentar comprovação de seu direito, devemos nos socorrer do corolário jurídico estabelecido no artigo 373 da Lei nº 13.105/2015 – Código de Processo Civil : Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. no caso presente, tendo a recorrente apresentado Declaração de Compensação onde apresenta um crédito a seu favor, como direito constituído á época da transmissão da DCOMP, cabe ela, recorrente, o ônus da prova dos fatos e documentos constitutivos do seu direito. Conclusão 33. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado, por absoluta falta de provas. É o meu voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003175/2004-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 17/05/2004
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação e tendo ocorrido a homologação tácita, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3302-006.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição e devolver os autos à unidade administrativa de origem para prosseguimento da análise do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 17/05/2004 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação e tendo ocorrido a homologação tácita, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.003175/2004-78
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008146
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.801
nome_arquivo_s : Decisao_10980003175200478.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAPHAEL MADEIRA ABAD
nome_arquivo_pdf_s : 10980003175200478_6008146.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição e devolver os autos à unidade administrativa de origem para prosseguimento da análise do direito creditório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7745562
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911559577600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.003175/200478 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.801 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2019 Matéria DECADÊNCIA Recorrente COMPANHIA DE CIMENTO ITAMBÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 17/05/2004 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação e tendo ocorrido a homologação tácita, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição e devolver os autos à unidade administrativa de origem para prosseguimento da análise do direito creditório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 31 75 /2 00 4- 78 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10980.003175/200478 Acórdão n.º 3302006.801 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de processo administrativo no qual discutese a suposta decadência do direito de restituição de créditos tributários. Em razão da precisão com que retratou os fatos até então ocorridos no processo, transcrevo e adoto o Relatório elaborado pela DRJ. "0 processo em exame versa sobre o documento de fl. 01, relativo a pedido de restituição, protocolizado em 17/05/2004, e instruido com os documentos de fls. 02/122, constando como motivação do pleito o seguinte: "Pagamento a maior ou indevido de PIS, no período de 05/1994 a 09/1994, em face do critério da semestralidade, reconhecido em favor da requerente pelo poder judiciário no âmbito da ação ordinária n.° 00.01072242, da 1a Vara Federal de Curitiba, e no Recurso Especial n.° 363.696/PR. O pedido da requerente está respaldado nas decisões judiciais citadas e, ainda, no fato de que os pagamentos que o suportam (competências 05/94 a 09/94), embora realizados com fundamento na medida cautelar incidental n.° 94.00053304 (que lhe autorizou a pagar o tributo com base na legislação anterior aos DLS. 2.445/88 e 2.449/88), não levaram em consideração a regra da semestralidade, pois, à época, se tratava de matéria controvertida. O pedido é apresentado em formulário porque se trata da situação excepcional a que alude o artigo 30, da Instrução Normativa n.° 376/2003, vez que o direito a semestralidade foi reconhecido por decisão judicial, a partir da qual a requerente faz jus a restituição dos valores, aqui requerida.". As fls. 146/148, despacho decisório proferido pelo Seort/DRF/Curitiba, em 29/04/2010, no sentido de indeferir o pedido de restituição, em face de o direito de tal postulação encontrarse extinto, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN, bem como o item I do AD SRF n.° 96, de 1999. Cientificada em 06/05/2010 (AR de fl. 150), a interessada, em 31/05/2010, interpôs, por intermédio de procurador (mandato de fl. 124), a manifestação de inconformidade de fls. 151/160, instruída com os documentos de fls. 161/323, que é a seguir resumida. Após falar brevemente sobre os fatos havidos no processo, diz que a decisão administrativa indeferiu seu pedido de restituição, essencialmente, por dois fundamentos, assim descritos: "(1) as ações judiciais propostas pela Recorrente não lhe outorgaram direitos relacionados à restituição ou compensação de tributos; e (2) examinando a questão exclusivamente pela 'enfoque administrativo', já teria decorrido prazo ('qüinqüenal) do direito à devolução do indébito.", com os quais não concorda, pedindo a reforma da referida decisão. Na seqüência, a interessada afirma ser necessário o exame das ações judiciais que propôs (Medida Cautelar de Depósitos n.° 00.01065459; Ação Ordinária n.° 00.01072242; Medida Cautelar Incidental n.° 94.00053304; e Agravo de Instrumento n.° 97.04.362226/PR), fazendo um breve relato das mesmas; diz Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10980.003175/200478 Acórdão n.º 3302006.801 S3C3T2 Fl. 4 3 que em 12/07/1994 foi proferida sentença conjunta de procedência para os três processos antes indicados, transcrevendo o dispositivo da mesma (fl. 154), que teria sido ratificada pelo TRF/4a Regido, sendo que os autos transitaram ern julgado em 04/06/1996. Argumenta que na fase de apuração de valores a levantar e a converter em renda (no âmbito da Medida Cautelar de Depósitos n.° 00.01065459), elaborou seus cálculos considerando a regra da semestralidade, com o que discordou a Unido, levando o Juizo de 1º grau a indeferir a pretensão de levantamento; a interessada contestou tal decisão, o que culminou em julgamento de Recurso Especial pelo STJ, que lhe foi favorável (trânsito em julgado em 28/11/2003), havendo o deferimento do levantamento do deposito judicial sobre a parcela controvertida (semestralidade). Após tal relato, diz que é de se considerar, de um lado, que seu pedido, na petição inicial da ação ordinária, foi o de ver reconhecida a inconstitucionalidade do PIS, na forma dos DLs n.° 2.445 e n.° 2.449, de 1988, e 'condenar os réus a se absterem de agir contra as autoras', o que teria sido julgado procedente no Judiciário; sustenta que se houve essa condenação da União, ela deve ser interpretada de modo amplo, ai se incluindo a devolução de valores que porventura tenham sido recolhidos em desconformidade com o reconhecimento judicial, sob pena de se restringir o seu conteúdo indevidamente, pelo que o pedido de restituição em litígio encontra suporte em decisão judicial. Por outro lado, dizendo que mesmo que se entendesse que as decisões judiciais não tenham tratado, especialmente, do direito à restituição, alega que o prazo prescricional para o exercício de tal direito estaria interrompido desde a citação da União Federal para compor o pólo passivo ou, quando menos, quando teriam se iniciado as discussões relativas à semestralidade, citando, a propósito, o art. 202, I e parágrafo único, do atual Código Civil, e o art. 219 do CPC. Entende que em razão do ajuizamento de todas as suas ações judiciais, o prazo prescricional para a postulação do indébito, iniciado em 08/06/1994 (data do pagamento mais remoto contido no processo, fl. 49), estaria interrompido e somente retomou o seu curso em 28/11/2003, fazendo com que seja tempestiva a sua postulação, já que a contagem de tempo somente voltaria a fluir após o trânsito em julgado da última decisão. A titulo argumentativo, se superados suas alegações anteriores, considera que o prazo previsto no art. 168, I do CTN, combinado com os arts. 156, VII e 150, 1° e 40 do mesmo diploma legal, no caso, é de 10 (dez) anos, contados da ocorrência do fato gerador, tendo por base a jurisprudência do STJ, dizendo ser incabível a invocação da regra do art. 4° da LC n.° 118, de 2005. Por fim, ante o exposto, requer a reforma do despacho decisório recorrido. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10980.003175/200478 Acórdão n.º 3302006.801 S3C3T2 Fl. 5 4 À fl. 324, despacho da DRF/Curitiba considerando tempestiva a manifestação de inconformidade de fls. 151/160. É o relatório." O Processo foi julgado pela DRJ que manteve o indeferimento do pedido de Restituição, expedindo a seguinte Ementa. "Data do fato gerador: 17/05/2004 PIS. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de ver reconhecido direito creditório, ocorre em 5 anos contados da extinção do alegado credito pelo pagamento." Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no bojo do qual trouxe a este Colegiado os argumentos que havia submetido à DRJ. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, revestese dos demais requisitos legais e é de competência deste Colegiado. Não havendo preliminares é de se passar ao mérito da demanda. Na década de 1980 a Recorrente ajuizou ação com o objetivo de que não fosse submetida aos DL 2.445/88 e 2.449/88, inicialmente depositando o controvertido tributo em juízo. Em 12/07/1994 a Recorrente obteve provimento jurisdicional para não mais realizar os depósitos, passando a recolher o PIS em DARF (fls. 49/56) e os recolhimentos efetuados entre 08.06.1994 e 10.11.1994 (lançamento por homologação) PIS em conformidade com os DL 2.445/88 e 2.449/88. conforme efls. 371, que se constituiram o crédito do presente pedido de restituição. Tratandose de lançamento por homologação, a partir do momento do recolhimento surgiu o direito subjetivo a eventual pedido de repetição de indébito, na forma do artigo 168 do CTN, "O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário." Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10980.003175/200478 Acórdão n.º 3302006.801 S3C3T2 Fl. 6 5 Vale destacar que nesta época, em período muito anterior à LC 118/05, vigorava a regra dos "cinco mais cinco", segundo a qual o prazo quinquenal para a repetição do indébito era computado a partir da "homologação tácita" ocorrida cinco anos após o recolhimento do tributo no "lançamento por homologação". Desta forma, o fim do prazo para a repetição do indébito seria em 2004. Todavia, em 26 de novembro de 1999 foi expedido o Ato Declaratório da SRF n. 96 que, previu, em síntese, que o prazo para a repetição de tributos seria de cinco anos a contar da extinção do crédito tributário. Assim, tratando o presente processo de tributos recolhidos em 08.06.1994 a exegese é no sentido, não havendo homologação expressa, o prazo para a sua repetição seria de dez anos, razão pela qual protocolizado o pedido em 17.05.2004 o mesmo não se encontraria fulminado pela prescrição ou pela decadência. A tese do "cinco mais cinco" já foi objeto de Súmula (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". por parte do CARF, tendo sido, inclusive, apreciada recentemente por este Colegiado, conforme Acórdão 3302006.452 do Ilmo. Conselheiro Walker Araújo. "No primeiro ponto, a DRJ, seguindo a linha defendida pela fiscalização, aplicou o entendimento firmado no RE nº 566.621, no sentido de que tese dos “cinco mais cinco” somente se aplica aos processos protocolados antes da entrada em vigor daquela lei complementar, em 9 de junho de 2006, afastando, assim, o direito do contribuinte restituir os valores pagos entre as data de 13 de fevereiro de 1998 e 13 de junho de 2003, considerando que o pedido de restituição foi protocolado na data de 12 de agosto de 2008, a saber: Os indébitos reclamados são decorrentes dos pagamentos da contribuição correspondentes às competências de janeiro de 1998 a junho de 2008, cujos recolhimentos ocorreram entre as datas de 10 de fevereiro de 1998 e 15 de julho de 2008. Quanto aos supostos indébitos correspondentes às competências de janeiro de 1998 a maio de 2003, recolhidas entre as datas de 13 de fevereiro de 1998 e 13 de junho de 2003, na data de protocolo do presente pedido de restituição, em 12 de agosto de 2008, seu direito já havia prescrito. A prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários está regulada no CTN, art. 165, I, c/c o art. 168, I, que assim dispõe: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10980.003175/200478 Acórdão n.º 3302006.801 S3C3T2 Fl. 7 6 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; […]. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (destaque não original) […].” Assim, nos termos deste dispositivo legal, o prazo de cinco anos para apurar a prescrição do direito à repetição de indébitos tributários, no caso de pagamento indevido e/ ou a maior, deve ser contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento. A tese dos “cinco mais cinco”, reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em face da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, somente se aplica para os processos protocolados até a data de 9 de junho de 2005. Na decisão do RE nº 566.621, o Plenário do STF, ao negar provimento ao RE nº 566.221 interposto pela União Federal, contra a decisão que reconheceu que a LC nº 118, de 09/02/2005, somente se aplica a partir de sua vigência, sacramentouse o entendimento de que a tese dos “cinco mais cinco” somente se aplica aos processos protocolados antes da entrada em vigor daquela lei complementar, em 9 de junho de 2006. No presente caso, o pedido de restituição foi protocolado na data de 12 de agosto de 2008. Assim os valores correspondentes às competências de janeiro de 2008 a maio de 2003, decorrentes dos pagamentos efetuados entre as datas de 13 de fevereiro de 1998 e 13 de junho de 2003, foram atingidos pela prescrição qüinqüenal. A data limite para exercer o direito, em relação ao pagamento mais recente, competência de maio de 2003, expirou em 13 de junho de 2008. Assim, para as competência de janeiro de 1998 a maio de 2003, não há que se falar em restituição em face da prescrição qüinqüenal do direito de o interessado reclamar tais valores. Tal matéria foi sumulada por este Conselho, onde restou decidido que1: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)". 1 Súmula CARF nº 91 Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10980.003175/200478 Acórdão n.º 3302006.801 S3C3T2 Fl. 8 7 Nos termos da referida súmula, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos aos pedidos de restituições protocolados em data anterior a 09.06.2005, (...)" Por estes motivos, é de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar o fundamento da decadência e devolver os autos à instância de origem para análise do direito creditório. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
